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— Acredito que um dia isso vai acabar Silas. Essa cegueira vai ter um fim, e a vida humana passará a ser respeitada como um dom precioso. Acho que é só isso. Não há mais o que explicar. — Duvido muito. Ela deu de ombros. — Esse é o problema. As pessoas não têm mais fé e nem esperança de que um dia as coisas mudem. Mas nada nesse mundo é eterno. — Você tem uma maneira estranha de ver as coisas. Fala de situações difíceis de imaginar. Não vejo como Salema possa mudar. Não há esperança para essa cidade, Deborah. Não acredito nisso. Deborah sentiu o coração partir diante da confissão de Silas, mas preferiu ficar em silêncio. O portão estava próximo e sua atenção voltou para a cidade. Muita gente entrava e muita gente saia. Tudo na mesma hora. As ruas estavam abarrotadas de mesas e barracas com mercadorias e alimentos diversos. — Os melhores lugares são daqueles que chegam primeiro – Silas resmungou. — Não acho que essas ruas apertadas sejam o “melhor lugar”, Silas. Ele a guiou por ruas estreitas e, depois, por becos e ruas mais largas, até chegarem a uma praça. De lá, uma escadaria levava em direção ao palácio. Deborah parou e ficou observando com o olhar distante, cheio de pensamentos indecifráveis. Ela, por um momento, se imaginou criança, crescendo em paz dentro daqueles muros e como, nesse caso, tudo teria sido diferente do que é. — Deborah, tudo bem? – Silas perguntou preocupado. Ela sorriu e balançou a cabeça. — Está tudo bem, Silas. Vamos, quero conhecer a sua casa e descansar um pouco. — Não estamos longe. Logo poderemos tomar um banho e comer alguma coisa digna de nosso estômago. Ela o seguiu, mas seus pensamentos ainda estavam nos muros do palácio. CAPÍTULO 14 A Cidade de Aroer Atalia jogou a taça de vidro no chão, frustrada por ter perdido o sinal da Guardiã. O líquido vermelho escuro do vinho lembrava o sangue. Aquela visão lhe deu uma sensação de algo ligado ao destino e imaginou se a “deusa da terra” não estaria tentando se comunicar com ela. Levantando-se da cadeira, ela ajoelhou-se no chão e molhou as pontas dos dedos no vinho derramado. O cheiro era forte e doce. Uma sensação agradável. Assim como deveria ser o destino.

Saga Os Tronos da Luz : A Profecia de Hedhen - Cristina Aguiar  

A Profecia de Hedhen – Os Tronos eram forças que reinavam nos dias antigos com o título de “Luminares”, e através deles, a luz era derramada...

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