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levantou-se e resolveu caminhar entre as pessoas que se acomodavam próximas aos seus animais. Ela observou como se comportavam, suas conversas, sua alegria. Um casal a convidou para experimentar uma sopa quentinha feita de ervas. Ela aceitou e passou um longo tempo falando sobre o uso das plantas como alimentação, com a mulher. Quando já estava totalmente escuro e só havia a luz das fogueiras para se guiar, ela se despediu e caminhou de volta. No caminho, ia refletindo sobre a diversidade das pessoas que estavam ali. Eles iam até Salema para adorar uma deusa que exigia sacrifícios humanos em troca de bênçãos. No entanto, não eram pessoas más, apenas mal—direcionadas para uma adoração enganosa. Ela não sabia se deveria sentir-se triste ou feliz. A ignorância a entristecia, mas era um conforto saber que havia bondade naqueles corações, e que ninguém era totalmente mal. Quando a noite caiu, Jael levantou-se e caminhou até a entrada da gruta. Era possível divisar uma neblina que envolvia o caminho até a cidade. Não era uma neblina comum. Ela podia sentir que havia algo sinistro ali. Um tremor percorreu o seu corpo e uma forte dor de cabeça a fez desabar de joelhos, apoiando-se fracamente na parede de pedra. Um torpor a envolvia e a puxava para fora da consciência. Ela sobressaltou-se, ao sentir a mão de Nathan sobre o seu ombro e ao ouvir as estranhas palavras que ele dizia. — Venha, Jael – ele falou gentilmente. Ela deixou-se levar por ele. Mal sentia as próprias pernas. Nathan a deitou e pôs a mão na sua testa. Ele continuava a dizer aquelas estranhas palavras. A dor foi diminuindo aos poucos e ela adormeceu. Silas acordou antes que o sol nascesse e espantou-se ao ver “Lídia” sentada embaixo de uma palmeira. Ela estava de pernas cruzadas e fitava o céu ainda escuro e estrelado. Ele pensou em se aproximar, mas achou melhor ficar onde estava. Era comum perder o sono quando o fim da viagem estava próximo. E Salema parecia causar muitas expectativas na moça. Mal sabia ele que Deborah estava travando uma batalha que não era visível aos olhos humanos. Ela estava pronta para dormir quando sentiu algo estranho no ar. Ela sentou-se e viu uma nuvem escura partir da direção de Salema para o oriente e imediatamente soube do que se tratava. Nathan e Jael deveriam estar naquela direção. O ataque foi direcionado a eles. Ela fez a única coisa que poderia fazer naquele momento. Levantou-se e buscou um local reservado e tranqüilo para entrar nessa batalha. Envolvida pelo escudo da armadura espiritual, ela posicionou-se na brecha. Nathan sentou-se exausto, quando viu que Jael havia dormido. Ele sentiuse grato pela intervenção de Deborah. Era quase como se a pudesse sentir ali ao

Saga Os Tronos da Luz : A Profecia de Hedhen - Cristina Aguiar  
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A Profecia de Hedhen – Os Tronos eram forças que reinavam nos dias antigos com o título de “Luminares”, e através deles, a luz era derramada...

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