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pequeno, mas com espaço suficiente para conter uma coisa: o poço sagrado de Jabim. Uma porta de comunicação com o reino de Salema e com o mundo espiritual. Ele sentou-se sobre o último degrau, pensativo. Uma dúvida cruel pairava sobre ele. O que poderia acontecer se ele ativasse o poder daquele poço? E ficou por horas remoendo as próprias dúvidas. Finalmente, a decisão. Ele levantou-se e pousou as mãos sobre as águas escuras. Estas se agitaram suavemente, como se quisessem mostrar o poder que tinham. Deborah despertou gritando e assustando Jael, que dormia na grama ao seu lado. — O que foi? – Jael perguntou olhando em volta. Deborah não respondeu e Jael notou que ela estava pálida, segurando o braço direito de encontro ao corpo. Um suor frio escorria-lhe pela fronte. Jael lembrou-se do que Nathan havia lhe dito sobre a armadura, e de como Deborah precisava dessa cobertura. A ferida ainda não estava totalmente cicatrizada. Algo havia acontecido para que a armadura espiritual fosse rompida. — Deborah, nós precisamos voltar! Eu vou buscar os cavalos. Jael foi rápida. Quando os cavalos estavam prontos, ela ajudou Deborah a montar. Em seguida, subiu em Solaris e puxou Bruma pelas rédeas. De vez em quando ela olhava para trás. Deborah ia curvada sobre o cavalo e lutava para não cair. Quando finalmente chegaram, Jael saltou e encontrou Nathan aguardando ao pé da escadaria. Ele correu até ela e a ajudou a descer Deborah. A moça estava quase inconsciente e foi difícil, para Jael, apoiá-la e seguir Nathan em silêncio até uma das baias vazias na estrebaria. — Deite-a aqui, rápido! Ela obedeceu. Estava intrigada, mas percebia a urgência. Deixaria as perguntas para depois. — Ela está sofrendo um ataque espiritual. As forças encontraram uma porta através da ferida e aproveitaram-se do momento do sono, quando ficamos vulneráveis – ele explicou. Afastando a mão de Deborah do local da ferida, ele colocou a sua própria mão no local. Jael notou uma espécie de luz avermelhada se irradiar por todo o braço. Deborah gritou. Nathan, de olhos fechados, murmurava algumas palavras indefiníveis. — Reaja, Deborah! – ele exclamou. – Precisa reagir. Jael assistia tudo de olhos arregalados. De repente, como se obedecesse a um comando de Nathan, Deborah abriu os olhos. Uma luz irradiava-se deles. Era como se fossem feitos de vidro e refletissem o sol. Ela olhava fixamente para cima e apertava as mãos sobre a palha seca em que estava deitada. A luz

Saga Os Tronos da Luz : A Profecia de Hedhen - Cristina Aguiar  

A Profecia de Hedhen – Os Tronos eram forças que reinavam nos dias antigos com o título de “Luminares”, e através deles, a luz era derramada...

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