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UFBA // Faculdade de Arquitetura e Urbanismo // Graduanda Juliana Nascimento Rocha // Orientador Neilton Dorea //

O HABITAT, A EVOLUCAO DOS MODOS DE VIDA E A ARQUITETURA DA MORADIA: VIVER E COLETIVO. A ARQUITETURA DA MORADIA COMO ALTERNATIVA À SEGREGAÇÃO ESPACIAL URBANA.

Salvador // 2013.2 // Trabalho Final de Graduação apresentado ao curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Bahia como requisito à obtenção do grau de arquiteta e urbanista.


Apresentacao //

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Introducao //

6

Objetivos //

6

Justificativa //

7

Da Arquitetura da Moradia ao Esvaziamento do Espaco Publico //

8

Problematizacao //

9

Viver e coletivo //

11

Existencia, espaco e arquitetura //

13

Os enclaves fortificados //

16

Diversidade, cidade e espacos publicos //

18

Itapagipe //

21

Apresentacao //

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Analise e diagnostico//

24

Bonfim //

29

Apresentacao //

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Poligonal de projeto //

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Analise e diagnostico //

33

Proposta //

37

Intencao de projeto//

38

Referencias projetuais //

40

Processo projetual //

46

Projeto //

49

Referencias bibliograficas //

66


APRESENTACAO //

Palavras-chave // Habitat – Moradia – Espaco publico – Segregacao – Territorio – Cidade // Como parte do trabalho final de graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Bahia, este dossiê apresenta estudos no âmbito da moradia, dos usos do território, das relações sociais e da relação do homem com a cidade.

Segue, ainda, como fruto dessas análises, o resultado em projeto de uma arquitetura do habitar que busca estreitar essas relações e oferecer uma alternativa ao modelo de moradia produzido nas últimas décadas na cidade de Salvador. 5


INTRODUCAO //

Introducao // Objetivos O objetivo geral desse trabalho é refletir sobre a arquitetura do habitar e sua interação com o espaço urbano. Objetivos específicos: • Propor um modelo de moradia que desempenhe sua função com qualidade, funcionalidade e com valor estético atribuído; • Criar espaços internos mais generosos e que ofereça melhor conforto térmico; • Buscar a valorização e a utilização dos espaços públicos através da moradia;

6

• Propor fluidez e permeabilidade entre as esferas do público e do privado; • Integrar ao contexto da moradia serviço e equipamentos em qualidade e quantidade necessárias que contribuam com a dinâmica responsável por manter a vida pública do local; • Resgatar na sociedade a construção do sujeito coletivo, a relação de sociabilidade, heterogeneidade e aproximação através da arquitetura.


INTRODUCAO //

Introducao // Justificativa A ideia de desenvolver um projeto a partir da perspectiva da moradia foi uma motivação pessoal desde o início. Porém, diante das possibilidades de abordagens que o tema proporciona, uma em particular me chamou atenção. Há algum tempo um elemento e/ou algumas soluções de projeto já me causava certo incomodo, o que serviu para direcionar as minhas pesquisas. Se as moradias que se isolam no lote murado, renegando a rua e a cidade e por muitas vezes transfigura bairros tradicionais já é motivo suficiente para repensar esteticamente a arquitetura que vem sendo produzida, o elemento causador do incomodo, o muro – que surge aí carregado de significados, codificado para uns como algo que confere status e sensação de segurança e que é, na verdade, um processo perverso que elabora distâncias sociais

e cria meios para a afirmação das diferenças e desigualdades sociais – é um componente que precisa ser discutido urgentemente além de ser analisado a níveis que extrapolam a sua interferência estética na arquitetura e a conformação da paisagem da cidade. A proposta de usar a moradia como uma alternativa à segregação espacial urbana surge na tentativa de reforçar a ideia de que viver é um ato coletivo, importante e necessário para a construção de uma sociedade livre de desigualdades e que saiba respeitar e conviver com as diferenças. Deseja-se interferir positivamente na conformação da cidade, do espaço público e da moradia na busca do bem estar comum e da construção do sujeito coletivo. 7


INTRODUCAO //

Da Arquitetura da Moradia ao Esvaziamento do Espaco Publico // Nas últimas décadas, a proliferação dos condomínios residenciais delimitados por grandes extensões muradas foram criando um novo modelo de segregação espacial, além de contribuir com a transformação e modificação da qualidade da vida pública em diversas cidades do mundo. Junto a isso, existe também a reprodução indiscriminada de um modelo de moradia no qual espaços internos mais generosos e a preocupação com o conforto ambiental nas unidades habitacionais são ignorados em troca da “exclusiva área de lazer” e seus famigerados espaços gourmet, salões de festa, brinquedoteca etc. (FERREIRA,2007). Fenômeno similar vem ocorrendo há alguns anos na capital baiana. Salvador pouco a pouco tem se tornado uma cidade de muros, e os condomínios fechados, justificados pelo mito de um “novo conceito de moradia” contribuem para que o caráter público dos espaços da cidade e a participação dos cidadãos na esfera pública das ruas seja drasticamente modificado. Afinal, para que ultrapassar o limite das nossas casas e utilizar os espaços públicos e viver a cidade se esses espaços de residência, fechados e monitorados te oferecem uma infinidade de serviços sem o inconveniente da “confusão” e da “mistura” que é a rua? E é diante desse discurso que o fenômeno dos condomínios fechados contribui enormemente com a retorica que o justifica: o medo da violência. 8

Com o crescimento da violência, da sensação de medo e da insegurança, a população sai em buscas de estratégias de proteção. Essa busca acaba resultando na modificação de todo tipo de interação pública que poderia existir no espaço da cidade: interferem na paisagem urbana, nos padrões das residências, na dinâmica das circulações e das trajetórias cotidianas, nos hábitos e no gestos relacionados ao uso das ruas (CALDEIRA, 1996). Dessa forma, a cidade começa a deixar de ser o espaço da diversidade, das contradições e complementaridades para assumir o papel de espaço que abriga um conjunto de pequenas ilhas que não dialogam entre si e muito menos com o território (ARANTES,2009). Esses espaços, além de negar elementos básicos que constituem a vida pública, negam também a heterogeneidade social e excluem a possibilidade de encontros que são inerentes ao ato de viver a cidade e de relacionar-se com pessoas. Em outras palavras, a relação dessas “mini-cidades” com o resto da cidade e sua vida pública é de “evitação”: status, para alguns – afinal é esse o símbolo atribuído às comunidades fechadas e isoladas, que figuram um ambiente seguro e com ampla oferta de equipamentos e serviços e, sobretudo, oferece ao seu público a possibilidade de “viver apenas entre iguais” – ou negação, segregação e exclusão, para outros tantos.


INTRODUCAO //

Problematizacao // Considerar o espaço da habitação é também não restringi-lo ao plano da casa. A amplitude do sentido de habitar envolve vários níveis e planos espaciais de apropriação e essa relação da moradia com o espaço público é um modo comum de viver a cidade e suas funções. O ato de habitar implica, também, em articulações entre o público e o privado e essa ação articuladora se coloca como condição necessária à construção do sujeito coletivo. Assim, a relação casa – rua pode ser entendida como “o primeiro quadro de articulação espacial no qual se apoia a vida cotidiana” (CARLOS, 2007). Quando fatores como, por exemplo, o da “estética de segurança” é incorporado ao projeto – em sua concepção ou de forma adaptada posteriormente – uma das interferências causadas na relação objeto construído – espaço público é a de negação e, consequentemente, a de degradação dos espaços adjacentes à essas construções. Há alguns anos tornou-se comum erguer-se barreiras por toda a parte nas grandes cidades e cidades médias: em volta das moradias, dos parques, praças, complexos de escritório, centros comerciais etc. e o resultado são construções fisicamente isoladas, que estão voltadas para dentro, e não para a rua e que põem em prática regras de isolamento e distanciamento da cidade (CALDEIRA, 1996).

Dessa forma, os muros, grades, espaços vazios ou outros recursos arquitetônicos utilizados para isolar fisicamente estas construções reforçam a ideia de que “um modelo simbólico de sociabilidade pautado na violência, no medo e na imprevisibilidade dos contatos no domínio público” (FERREIRA, 2007) é solução quando, na verdade, pode ser interpretado como um dos causadores do aumento da violência decorrente da não vigilância e da inexistência de vida pública em certos locais. A apropriação de lugares a partir da casa e o reestabelecimento da relação casa – rua aparece aqui como solução à necessidade urgente de retomada das atividades no meio urbano, da apropriação do espaço público e da sensação de pertencimento à um lugar. É preciso estar atento e buscar mudar essa lógica de construção que tem sido responsáveis pela transformação do caráter que se dá à vida e às interações públicas. Mais ainda: é preciso enxergar a importância da boa arquitetura para o lugar e para as pessoas, é querer que as melhorias na cidade beneficiem a maioria da população e não uma minoria que está disposta a pagar por serviços exclusivos.

9


VIVER E COLETIVO O HABITAT, A EVOLUÇÃO DOS MODOS DE VIDA E A ARQUITETURA DA MORADIA: VIVER É COLETIVO.


VIVER E COLETIVO //

Imagem: Ilustração para a página “Taller, forma y proyecto”. Disponível em: http://www.blog.fernandezcastro.com.ar/ Acesso em: 17/01/2014.

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VIVER E COLETIVO //

Viver e coletivo // Existencia, espaco e arquitetura // Segundo Norberg-Schulz (1975) o interesse do homem com relação ao conceito de espaço deriva de sua necessidade em adquirir relações vitais com o ambiente que o rodeia. O autor sugere em seu texto que esse interesse tem raízes existenciais e que entender o espaço é dar sentido e ordem aos acontecimentos e ações que ocorrem no mundo. A nível urbano, as estruturas ambientais concretas (ou arquitetônicas) determinadas por atividades próprias do homem caracterizam a sua interação com o ambiente e com outros indivíduos, lhe dando um sentindo de identidade e pertencimento.

A nível da casa, ou do espaço privado dentro do nível urbano comum, o significado é de voltar-se ao interior e representa a necessidade do homem em estar situado. Porém, a questão levantada por Norberg-Schulz (1975) é que também existem casas com certo caráter público. Segundo o autor essa afirmação significa que parte do nível urbano persiste no nível da casa e que esse terreno público é reconhecido como uma extensão do mundo privado, de maneira que o homem pode dizer que “reside” nos espaços públicos assim como em sua própria casa. 13


VIVER E COLETIVO //

Viver e coletivo // Existencia, espaco e arquitetura // Em outras palavras, o conceito de “lar” pode variar de acordo com o entendimento que o indivíduo tem de apreensão do lugar e da sua relação de apropriação e pertencimento. De fato, as formas de vida que dão importância ao ambiente comum público que está à nossa volta pode resultar em uma consciência social e sentido de coletividade que tem nos faltado nos tempos atuais. Na construção do seu discurso Norberg-Schulz (1975) volta a afirmar que o que nos permite chegar a fazer parte da sociedade é a capacidade de aliar os diferentes mundos individuais, 14

particulares a cada individuo, às propriedades estruturais básicas comuns a todos, que ele chama em seu livro de “mundo público”. Dentro da arquitetura isso significa que as necessidades individuais tem que ser atendidas de fato, mas sempre levando em conta que isso fará parte de um contexto mais amplo. O que o autor coloca em seu texto é que as expressões individuais deveriam ter um denominador comum e que, de forma geral, a arquitetura deveria estar a serviço desse chamado “mundo público”. Nesse sentido, o espaço arquitetônico1


VIVER E COLETIVO //

O espaço arquitetônico pode ser definido como uma “concretização” do espaço existencial. C. Norberg-Schulz: Existencia, Espacio y Arquitectura, 1975, p.46. 1

O espaço existencial é um conceito psicológico que denota esquemas perceptivos ou imagem que o homem apreende do ambiente circundante. C. Norberg-Schulz: Existencia, Espacio y Arquitectura, 1975, p.46. 2

Viver e coletivo // Existencia, espaco e arquitetura // é a concretização dos muitos espaços existenciais2 privados em um espaço existencial público, significando uma forma intencionada de vida no ambiente. No caso da casa, ainda que um espaço privado, esse mesmo conceito pode ser aplicado. Para Norberg-Schulz (1975) por mais que a casa nos aporte a um “interior” todo cercado, por mais que tenha uma estrutura particular interior, há de se comunicar com o que existe a sua volta e isso pode ser alcançado de diferentes maneiras. A estrutura da moradia não precisa, necessariamente, ser “fechada”

e muito menos se isolar do exterior que a rodeia. A superfície pode e deve existir, a interpretação do termo “fechada” nesse caso é de negação ao entorno, a rua, a cidade e que a casa, mesmo sendo arquitetonicamente um espaço interior, pode se deslocar para um ideal de “espaço fluido” – característico da arquitetura moderna – no qual o interior e o exterior se comuniquem, literalmente ou não, fazendo com que o objeto construído seja absorvido pelo sistema urbano sem perder sua identidade, como sugere Venture (1966, pg. 88), citado por Norberg-Schulz (1975) quando diz que “A arquitetura se encontra na união do interior com o exterior”. 15


VIVER E COLETIVO //

Título do artigo de Teresa Pires do Rio Caldeira, publicado originalmente em Public Culture, 8(2), 1996, pp. 303-328, e traduzido por Heloisa Buarque de Almeida para a Revista Novos Estudos, nº 47, 1997, pp. 155-176. 3

Viver e coletivo // Os enclaves fortificados3 // Entendendo que o sentido de habitar extrapola os limites da casa e que sua relação com a calçada, com a rua, o bairro e a cidade caracteriza a amplitude desse significado, olhar para os condomínios fechados é enxergar claramente as verdadeiras barreiras, objetivas e simbólicas, de isolamento e distanciamento da cidade que esses modelos de moradia constituem. Os condomínios fechados são concebidos e vendidos como mundos à parte. “Um conceito residencial diferente”, “um lugar completo” ou “empreendimento afinado” são algumas das expressões que podem ser encontradas em seus anúncios. Este “estilo de vida total”, isolado, protegido, e com os mais variados serviços e equipamentos de lazer, sugere a possibilidade de viver intramuros tudo aquilo que na rua, com sua heterogeneidade social e encontros indesejáveis, não seria tão exclusivo assim. 16

Diante do aumento da criminalidade no Brasil esse discurso é intensificado e utilizado para reforçar a ideia de que a “segurança total” garantida por esses enclaves fortificados – e aqui inclui-se não somente os condomínios fechados mas também os shoppings centers, os complexos empresariais e qualquer outro ambiente com controle privado – é sim possível. Porém, mais que a violência em si é o medo da violência que tem interferido na organização do tecido socioespacial das cidades. Explico. O crescimento dos crimes violentos é sim uma realidade mas é o medo generalizado dessa violência que exerce influência decisiva na vida cotidiana das pessoas, nos padrões de circulação nos espaços, no habitat e em suas formas espaciais.


VIVER E COLETIVO //

Viver e coletivo // Os enclaves fortificados // O uso das calçadas e ruas de maneira ininterrupta e a vigilância natural exercida por aqueles que habitam o lugar há muito deixou de existir em determinados bairros de Salvador. E o que vemos, na verdade, são ruas ermas e isoladas, espaços abandonados e praças esquecidas: na maioria dos casos, resultado dos intermináveis muros. E quem acompanha o cenário da construção vivido há algumas décadas na cidade consegue identificar claramente como o mercado imobiliário confirma essa situação, basta olhar os classificados e ver quais tipos de moradia estão sendo ofertados e como o isolamento é vendido como solução para todo e qualquer problema urbano.

E assim, capitaneada pelo mercado imobiliário, a “arquitetura-fortaleza” dos condomínios fechados ou dos edifícios de extrema verticalização, apoiados sobre seus três – ou mais – níveis de garagem, exercem consequências profundas na conformação dos espaços e nas interações públicas. Essa lógica de construção, apoiada na reprodução de desigualdades, isolamento e fragmentação, deslegitimam a ideia de direitos universais e ideais de igualdade sendo mais um artifício de reprodução das práticas segregadoras e exclusivistas que contribuem com o progressivo esvaziamento dos espaços públicos das cidades.

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VIVER E COLETIVO //

Viver e coletivo // Diversidade, cidade e espacos publicos // O raciocínio desenvolvido até aqui serve para mostrar que a qualidade de relações espaciais faz com que as relações sociais se concretizem. “Nessa direção, a reflexão sobre a cidade é, fundamentalmente, uma reflexão sobre a prática sócio-espacial que diz respeito ao modo pelo qual se realiza a vida na cidade, enquanto formas e momentos de apropriação do espaço como elemento constitutivo da realização da existência humana. Assim, o espaço urbano apresenta um sentido profundo, pois se revela condição, meio e produto da ação humana.” (CARLOS, 2007). Compreender a cidade é analisá-la através da vida cotidiana. Jane Jacobs em seu livro “Morte e Vida de Grandes Cidades” faz duras críticas à incapacidade dos profissionais do 18

planejamento em olhar para a cidade real e aprender com as muitas lições que ela pode transmitir. Questões como a busca pelo isolamento nos enclaves fortificados e a forma com que eles desprezam a interação entre os usos e a vitalidade urbana – ao invés de valorizar a diversidade e a potencialidade propiciada pelas grandes metrópoles – é um desses exemplos do que deve ser evitado, já que esse tipo de desenho, arquitetônico ou urbano, contribui para que os espaços da cidade tornem-se vazios, sem vida e sem usuários. A nova forma urbana, resultado das construções “voltadas para si mesmas”, tende a fragmentar os espaços da cidade e destruir as relações sociais e os espaços públicos onde elas poderiam ocorrer.


VIVER E COLETIVO //

Viver e coletivo // Diversidade, cidade e espacos publicos // A defesa da diversidade, como propõe Jacobs, aparece aqui como o antídoto para os males urbanos. De maneira simples, a diversidade de tipologia das edificações e de seus usos e a diversidade de nível socioeconômico da população solucionam, de uma única vez, os problemas de segregação e segurança que as cidades e seus espaços públicos enfrentam. É a diversidade que enriquece a vida e nossas experiências. Os espaços da cidade existem para serem vividos e utilizados por todos. A desconstrução dessas barreiras físicas e simbólicas que os enclaves e seus muros representam é o primeiro passo para uma solução satisfatória do problema de segregação espacial e, consequentemente, de alguns níveis de violência urbana.

Assim, fica claro a importância de construir o bem estar social a nível público, na esfera da rua, a partir das “misturas” e das interações imprevisíveis que podem ocorre ali. Percebese que, muitas vezes, mais importante do que a polícia para garantir a segurança de determinada rua, bairro ou área da cidade é o transito ininterrupto de usuários e sua vigilância natural que o garantirá. São os moradores, donos de padaria, de lojas, de pequenos serviços etc. os muitos “olhos atentos” da rua e dos espaços públicos. E é essa ordem complexa que garante a manutenção da segurança e a liberdade.

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ITAPAGIPE O HABITAT, A EVOLUÇÃO DOS MODOS DE VIDA E A ARQUITETURA DA MORADIA: VIVER É COLETIVO.


ITAPAGIPE //

Foto: Nilton Souza. Dispinível em: http://www.niltonsouza.com.br/

Itapagipe // Apresentacao // A península de Itapagipe está localizada ao norte do centro tradicional da cidade de Salvador e é formada4 pelos bairros da Calçada, Mares, Uruguai, Vila Rui Barbosa, Massaranduba, Itapagipe, Ribeira, Bonfim, Monte Serrat e Boa Viagem.

Dados gerais // Área: 742,76 ha // População: 162.780 hab // Densidade Populacional Bruta: 208,80 hab/ha Recorte: Região Administrativa Lei 7.400/2008. Fonte: IBGE - Censo Demográfico/Contagem População.

Mapa das Regiões Administrativas do Município, do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU 2008). 4

SISTEMA DE INFORMAÇÃO MUNICIPAL DE SALVADOR em: <http://www. sim.salvador.ba.gov.br/indicadores/index.php> Acesso em: 17/01/20147.

Itapagipe // Ocupacao e conformacao urbana da peninsula // Ocupada por currais e fazendas de cana de açúcar no período da fundação da cidade de Salvador, a península de Itapagipe também já foi local de atividades produtivas como exploração de madeira, pesca de baleias para a extração de óleo, fabricação de embarcações, bem como vila pesqueira e local de veraneio. Mas foi como primeiro centro industrial baiano que seu processo de urbanização viu-se intensificado e que a antiga escala e dinâmica do lugar – ora urbano, ora rural – deu espaço às residências operarias, aos trilhos, às avenidas e praças, fazendo com que Itapagipe fosse ocupada de forma mais densa. 22

Com o declínio das atividades industriais e consequente degradação de sua dinâmica socioeconômica, a ocupação da península começou a tomar novos rumos. A partir da década de 1960, com a descoberta do petróleo e implantação da Refinaria Landulfo Alves, e a criação do parque industrial moderno, o CIA (Centro Industrial de Aratú), as indústrias da península pouco a pouco foram sendo abandonadas. A pesar da obsolescência da região, o caráter residência do “bairro” foi mantido. A península deixava de ser o polo industrial da Bahia para ser uma área predominantemente residencial, território denso, complexo e rico em diversidades, características que carrega até hoje.


Imagem: Google Earth. Acesso em: 17/01/2014.


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Itapagipe // Analise e diagnostico // Mapa de cheios e vazios Itapagipe é uma das Regiões Administrativas (RA) de Salvador mais densamente ocupada. Segundo o Censo Demográfico (IBGE 2010), a intensidade da ocupação e do uso da infraestrutura urbana da península é o quarto maior entre as RAs, 24

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ficando atrás de São Caetano, Liberdade e Rio Vermelho. Essa análise reflete a importância em discutir políticas de uso e ocupação do solo afim de redimensionar as ofertas de serviços, moradia e espaços públicos para a população dessa região.

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LARGO DO PAPAGAIO

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MONTE SERRAT

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1 avenida caminho de areia

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3

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VILA MILITAR

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LARGO DE ROMA

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CALÇADA

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Itapagipe // Analise e diagnostico // Mapa de sistema de caminhos Três eixos viários tem destaque para a ligação Largo de Roma – Ribeira. São elas a Avenida Caminho de Areia - com características de via principal – e as Avenidas Dendezeiros e Luiz Tarquínio, vias secundarias. Todas permitem circulação

de transporte público, apresentam tráfego intenso e media fluidez. A ocupação lindeira a essas vias tem usos e atividades variados: na Caminho de Areia há muitos comércios de grande porte, e nas outras duas institucional e residencial. 25


ITAPAGIPE //

LEGENDA 40 - 50 m 30 - 40 m 20 - 30 m 10 - 20 m 0 - 10 m 0

100

500

Itapagipe // Analise e diagnostico // Mapa de relevo A península Itapagipana tem características geográficas de terreno basicamente plano. A região apresenta uma maior elevação quase que unicamente nas proximidades na Basílica do Senhor do Bonfim, a conhecida Colina Sagrada, que está situada na cota 28. 26

Essa área e o Monte Serrat contam com a lei de proteção cultural e paisagística que limita o gabarito de altura das edificações vizinhas, porém a visual da Igreja desde a Av. Beira Mar já foi comprometida, e a maioria das moradias ultrapassa os 2 pavimentos permitidos.


ITAPAGIPE //

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vazios urbanos

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espaços abertos destinados a lazer

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LEGENDA

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C

Itapagipe // Analise e diagnostico // Mapa de sistema de espacos abertos A península é extremamente ocupada e a proporção de parques, praças e áreas públicas de lazer e convívio não são suficientes para atender a demanda populacional. Por outro lado, é uma característica dos moradores da região as possibilidades de encontros e interações sociais

a que eles se permitem a partir da vida na esfera pública. Essa análise reforça a importância da existência de espaços públicos de qualidades, que convidem a população a utilizá-los e que permita a prática sócio-espacial que diz respeito ao modo pelo qual se realiza a vida na cidade. 27


BONFIM O HABITAT, A EVOLUÇÃO DOS MODOS DE VIDA E A ARQUITETURA DA MORADIA: VIVER É COLETIVO.


BONFIM //

Fonte: Memorias da Bahia - iBahia Disponível em <http://www.ibahia.com/a/blogs/memoriasdabahia/2013/01/13/festa-do-bonfim-o-bacanal-no-olhar-do-principe-maximiliano/> Acesso em: 17/01/2014.

Foto: Valter Pontes/Coperphoto Disponível em <http://www.climatempo.com.br/destaques/88152/ salvador-seca/igreja-do-bonfim/> Acesso em: 17/01/2014.

Fonte: Wikimedia Commons Disponível em <http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Vista_a%C3%A9rea_da_Igreja_do_Bonfim.jpg> Acesso em: 10/02/2014.

Foto: Cesar Nascimento Disponível em <http://www.panoramio.com/photo/67338921> Acesso em: 10/02/2014.

Bonfim // Apresentacao // O Bairro do Bonfim, que está localizado na península Itapagipana, entre os bairros da Boa Viagem, Massaranduba e Roma, é conhecido por sua significativa dimensão cultural e pelo patrimônio histórico e arquitetônico preservados. 30

É também sinônimo de devoção e onde ocorre a mais rica celebração religiosa do país, a festa do Bonfim, um dos ritos festivo de proporções gigantescas da cidade de Salvador.


BONFIM //

GRÁFICO POPULAÇÃO RESIDENTE COMPARATIVO ENTRE BAIRROS DA RA DE ITAPAGIPE

Recorte: Bairro. Fonte: IBGE - Censo Demográfico/Contagem População. SISTEMA DE INFORMAÇÃO MUNICIPAL DE SALVADOR em: <http://www. sim.salvador.ba.gov.br/indicadores/index.php> Acesso em: 17/01/20147.

Bonfim // Dados gerais // Segundo censo demográfico de 2010, o número de pessoas com unidade domiciliar no Bonfim era pouco mais de 9.000, o que representa o equivalente a um terço do contingente demográfico de bairros como Uruguai e Massaranduba.

Com relação ao censo de 2000 este número teve uma redução significativa. É possível que, dentre os diversos fatores que possa justificar essa situação, o deslocamento devido à ausência de oferta de novas moradias esteja presente. 31


BONFIM // Imagem: Google Earth. Acesso em: 16/05/2013.

Bonfim // Poigonal de projeto // A área de intervenção está localizada no bairro do Bonfim, mais precisamente nas ruas detrás da Basílica. O traçado da poligonal de projeto engloba um terreno onde antigamente

32

funcionava uma fábrica/distribuidora de cerveja e algumas moradias lindeiras às ruas Travasso do Meio, Ladeira do Custodio, Ladeira do Porto do Bonfim e a Avenida Beira Mar.


BONFIM //

PRAÇA DIVINA

ÁREA DE LAZER EXISTENTE

LARGO DO PAPAGAIO 5

10

PRAÇA DIVINA

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ÁREA DE LAZER EXISTENTE

5

A

LARGO DO PAPAGAIO

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A TEODÓSIO UES DE FARIA

10

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15

LEGENDA

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residencial

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misto serviços

IGREJA DO BONFIM

25

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20

LARGO DO BONFIM 5

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200

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Bonfim // Analise e diagnostico // Mapa de usos do solo O Bonfim é um bairro onde predominam casas, sobrados, edifícios de apartamentos ou conjuntos residenciais com domicílios variados e de famílias distintas. As ruas próximas ao terreno, a exemplo da Travasso do Meio, é predominantemente residencial.

Pequenos comércios como bares, mercearias, papelarias etc geralmente se desenvolvem no nível térreo das habitações. Os comércios e serviços aparecem pontualmente. O uso misto das edificações aparece aí como potencialidade a ser explorada em projeto. 33

5


BONFIM //

PRAÇA DIVINA

ÁREA DE LAZER EXISTENTE

LARGO DO PAPAGAIO 5

10

O BONFIM

PRAÇA DIVINA

ÁREA DE LAZER EXISTENTE

5

LEGENDA

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LARGO DO PAPAGAIO

10

1 pavimento

5

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2 pavimentos

20

3 pavimentos 10

4 pavimentos mais de 4 pavimentos

IGREJA DO BONFIM

25

20

LARGO DO BONFIM

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poligonal do terreno

5

5

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LARGO DA 10 BAIXA DO BONFIM

5

0

50

200

10

Bonfim // Analise e diagnostico // Mapa gabarito de altura Segundo a legislação, o gabarito de altura das edificações nas proximidades da Igreja não deve ultrapassar os dois pavimentos. Porém, há um número significativo de edifícios com três 34 5

e quatro pavimentos e isso apoia a defesa de projeto de despegar as edificações do nível do solo e liberar o térreo para a população, mesmo que o limite de altura seja ultrapassado.


C

BONFIM // CAMPO DO LASCA CH

PRAÇA DIVINA

ÁREA DE LAZER EXISTENTE

C

CAMPO DO LASC

C

LARGO DO PAPAGAIO CH

PRAÇA DIVINA

REJA DO BONFIM

ÁREA DE LAZER EXISTENTE

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FIM

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LARGO DO PAPAGAIO

C

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LEGENDA

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sentido único sentido duplo

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IGREJA DO BONFIM

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0

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50

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Bonfim // Analise e diagnostico // Mapa de fluxo viario

C

C

A Avenida Beira Mar tem característica de via local. E essa mesma avenida separa o terreno do projeto dos dois espaços públicos que existem ali.

A análise desses fluxos possibilitou enxergar a possibilidade de integração da moradia com a esfera pública da rua. C

35


PROPOSTA O HABITAT, A EVOLUÇÃO DOS MODOS DE VIDA E A ARQUITETURA DA MORADIA: VIVER É COLETIVO.


PROPOSTA //

Proposta // Intencao de projeto A proposta para o terreno localizado no bairro do Bonfim surge do entendimento das palavras integrar, valorizar e resgatar. Conceitualmente, apreender o significado dessas palavras tornou possível o desenvolvimento de um projeto no âmbito da moradia e dos usos do território, propondo reflexões sobre a arquitetura do habitar e sua interação com o espaço urbano. Partindo de um modelo de moradia que desempenhasse sua função com qualidade e funcionalidade,

38

e de uma implantação no terreno que possibilitasse fluidez e permeabilidade entre os espaços, a proposta com o projeto é de integrar a arquitetura da moradia ao contexto urbano, a fim de gerar e/ou contribuir com a dinâmica responsável por manter a vida pública de um local, valorizar a utilização dos espaços públicos e, por fim, resgatar na sociedade a construção do sujeito coletivo, a relação de sociabilidade e aproximar pessoas através da arquitetura.


PROPOSTA //

Proposta // Intencao de projeto Por se tratar de uma região predominantemente residencial e altamente adensada, o bairro do Bonfim tem pouco espaço para novas construções sendo o terreno escolhido remanescente do período industrial da história da península. Algumas moradias que estão próximas ao terreno serão desapropriadas a fim de ampliar a ocupação da gleba. Em contrapartida, serão oferecidas unidades residenciais a essas famílias, alocando-as no mesmo lugar no qual tinham suas moradias, porém agora em um projeto de baixo índice de ocupação do solo, com grandes áreas permeáveis

e com um número satisfatório de áreas de lazer e convívio. Após conversa com alguns moradores foi possível constatar que as pessoas que vivem no Bonfim demostram grande satisfação e contentamento em morar no bairro. Os mais velhos cresceram ali e permanecem até hoje. Ali também criaram seus filhos – que agora criam os deles – e, certamente, ficarão no bairro até o fim de suas vidas. Esse apego ao lugar, às origens só fortaleceu a ideia inicial de que o público alvo dessa intervenção tenha esse perfil. 39


PROPOSTA // Siedlung Halen Atelier 5 Berna, Suiça

Veja mais em: http://www.atelier5.ch/de/Atelier/News.php

Referencias Projetuais // TEMAS: volumetria | linearidade | relação com o entorno | permeabilidade entre espaços | conceito de coletividade.

40


PROPOSTA // Tietgen Dormitory

Lundgaard & Tranberg Copenhague, Dinamarca

Veja mais em: http://www.ltarkitekter.dk/

Referencias Projetuais // TEMAS: diversidade de usos e funções | relação | espaços públicos de convivência

41


PROPOSTA // Formosa 1140

Lorcan O’Herlihy Architects (LOHA) California, USA

Veja mais em: http://www.loharchitects.com/oldsite.html

Referencias Projetuais // TEMAS: tratamento de fachada | uso de cor e de elementos para proteção solar

42


PROPOSTA // Praça Victor Civita

ArC Arquitetura da Convivência São Paulo, Brasil

Veja mais em: http://arquiteturadaconvivencia.com.br/

Referencias Projetuais // TEMAS: desenho urbano | acessibilidade | equipamentos de uso coletivos

43


PROPOSTA // High Line Park

James Corner Field Operations | Diller Scofidio + Renfro | Nova York, USA

Veja mais em: http://www.thehighline.org/ http://www.fieldoperations.net/ http://www.dsrny.com/

Referencias Projetuais // TEMAS: mobiliário urbano | paisagismo | espaços públicos| piso espaços duros

44


PROPOSTA // Ciudad de Las Artes

Lucio Morini + GGMPU Arquitectos C贸rdoba, Argentina

Veja mais em: http://www.plataformaarquitectura.cl/2010/01/28/ateliers-ciudad-de-las-artes-lucio-morini/

Referencias Projetuais // TEMAS: permeabilidade entre espa莽os | elementos de fachada

45


1

7.35 7.05

.30

M12.d Tipo: 2 dormitório com suíte Área Útil: 69,08 m² Área Privativa: 77,20 m²

2.70

2.70

2.70

1

.30 2.70

2.70

2.70

1

3

1

3

M15.e Tipo: 3 dormitório com suíte Área Útil: 86,41 m² Área Privativa: 96,23 m²

2.70

2.70

0

3

2.70

0

.30

2.70

2.70

1

M12.e Tipo: 2 dormitório com suíte Área Útil: 68,51 m² Área Privativa: 77,20 m²

2.70

7.35 7.05

2.70

2.70

0

3

M15.d Tipo: 3 dormitório com suíte Área Útil: 86,41 m² Área Privativa: 96,23 m²

2.70

2.70

3

2.70

0

7.35 7.05

2.70

0

.30

2.70

3

.30

1

7.35 7.05

2.70

2.70

0

M9.e Tipo: 2 dormitório Área Útil: 51,41 m² Área Privativa: 58,16 m²

7.35 7.05

2.70

M9.d Tipo: 2 dormitório Área Útil: 51,16 m² Área Privativa: 58,16 m²

7.35 7.05

7.35 7.05

.30

M6.d Tipo: 1 dormitório Área Útil: 34,18 m² Área Privativa: 39,13 m²

.30

PROPOSTA //

2.70

2.70

2.70

2.70

0

1

3

Proposta // Processo projetual Após pré-dimensionamento, o módulo global de 2,70 x 7,05m foi definido como padrão a ser repetido como os cômodos da habitação. Esse módulo tem repetição variando de dois – unidades de um quarto – à cinco – unidades de três quartos. Cada um desses módulos tem aberturas em sua extremidade, 46

de maneira alternada ou direta, favorecendo a circulação cruzada. Os cômodos de permanência prolongada estão situados na face anterior, orientados em implantação à nascente e, na face posterior do módulo habitacional, estão cozinha e banheiros, orientados à poente.


PROPOSTA //

Proposta // Processo projetual Como um dos princípios do projeto é encarar a diversidade como elemento enriquecedor das experiências de vida de cada indivíduo, essa diversidade, seja ela tipológica, de usos ou socioeconômica, é refletida no desenho dos blocos residenciais quando os módulos habitacionais,

sobrepostos variando seus tipos, favorecem que usuários distintos e com conformações familiares variadas coabitem um mesmo espaço. Dessa forma, a combinação dos diferentes tipos de moradia em um único bloco possibilitou a criação de sete tipos de edifício que se repetem ao longo do terreno. 47


PROJETO O HABITAT, A EVOLUÇÃO DOS MODOS DE VIDA E A ARQUITETURA DA MORADIA: VIVER É COLETIVO.


A arquitetura da moradia como alternativa à segregação espacial urbana. Salvador, Brasil.

Diante das definições e significados encontrados no dicionário, a palavra habitar também pode ser sinônimo de apropriação e pertencimento. Por esse motivo, extrapolar o sentido de habitar da esfera da casa e pensar o espaço urbano a partir do avanço desse limite foi a maneira encontrada para desenvolver um projeto que despertasse nas pessoas a ideia de que o ‘estar presente’, ‘viver’, pode e deve ser transportada ao ambiente comum público. 51


PROJETO //

QUADRO DE ÁREAS QUADRO DE ÁREAS QUADRO Item DE ÁREAS Área (m²)

ÁREA DO TERRENO

NO

19.333,24 Área (m²)

1. ÁREA OCUPADA

DA

ERMEÁVEL

VEL CONSTRUÍDA

%

% 100,00

19.333,24 4.274,18 100,00

22,11

2. ÁREA TOTAL PERMEÁVEL

4.274,182.861,3022,11

19,93

3. ÁREA TOTAL CONSTRUÍDA

2.861,30 14.355,8319,93

74,26

3.1 ÁREA TOTAL CONSTRUÍDA RESIDÊNCIA UÍDA 14.355,83 CONSTRUÍDA RESIDÊNCIA

74,269.065,68

Quant. (un) RUÍDA RESIDÊNCIA 9.065,68 Área (m²) Total Quant. (un) 3.1.1 ÁREA CONSTRUÍDA BLOCO TIPO A 03 NSTRUÍDA BLOCO TIPO A 1.389,56 463,18 Total Quant. (un)03 Área (m²) 3.1.2 ÁREA CONSTRUÍDA BLOCO TIPO B A BLOCO TIPO A 1.389,56 888,30 02 03 NSTRUÍDA BLOCO TIPO B 02 463,18 444,15 3.1.3 ÁREA CONSTRUÍDA BLOCO TIPO C A BLOCO TIPO B TIPO C 02 888,30 2.416,10 05 NSTRUÍDA BLOCO 05 444,15 483,22 ÁREA CONSTRUÍDA TIPO D A BLOCO TIPO C3.1.4 05BLOCO 2.416,101.046,94 03 NSTRUÍDA BLOCO TIPO D 03 483,22 348,98 ÁREA CONSTRUÍDA TIPO E A BLOCO TIPO D 3.1.5 03BLOCO 1.046,94 888,30 03 NSTRUÍDA BLOCO TIPO E 03 348,98 444,15 ÁREA CONSTRUÍDA TIPO F A BLOCO TIPO E 3.1.6 03BLOCO 888,30 1.332,45 03 NSTRUÍDA BLOCO TIPO F 03 444,15 425,12 3.1.7 ÁREA CONSTRUÍDA BLOCO TIPO G 03 A BLOCO TIPO F 03 1.332,45 425,12 NSTRUÍDA BLOCO TIPO G 03 1.104,03 368,01 3.2 ÁREA CONSTRUÍDA 03 COMERCIO/SERVIÇO ATRUÍDA BLOCO TIPO G 1.104,03 368,01 COMERCIO/SERVIÇO 1.582,46 3.3 ÁREA CONSTRUÍDA GARAGEM COMERCIO/SERVIÇO 1.582,46 3.707,69 TRUÍDA GARAGEM

GARAGEM

Área (m²) 19.333,24

% 100,00

4.274,18

22,11

2.861,30

19,93

14.355,83

74,26 9.065,68

Área (m²)

Total

463,18

1.389,56

444,15

888,30

483,22

2.416,10

348,98

1.046,94

444,15

888,30

425,12

1.332,45

368,01

1.104,03 1.582,46 3.707,69

3.707,69

ÍNDICES ÍNDICES Item

ÍNDICES

% processo de implantação 0,22 a orientação dos blo0,74 INDICE DE UTILIZAÇÃO 0,22 INDICE DE OCUPAÇÃO 0,74 cos residenciais seguiram, INDICE DE UTILIZAÇÃO inicialmente, a topografia INDICE DE PERMEABILIDADE 0,20 0,74 INDICE DE UTILIZAÇÃO INDICE DE PERMEABILIDADE 0,20 do terreno e seus desníveis, INDICE DE PERMEABILIDADE 0,20 aproveitando desse artifício natural para compor recortes e perspectivas que acolhessem QUADRO DE VAGAS QUADRO DE VAGAS o observador. Alguns blocos QUADRO DE VAGAS Item Quant. (un) Item Quant. (un) precisaram ser rotacionados N° DE BLOCOS RESIDENCIAIS 22 Item Quant. (un)22 N° DE BLOCOS RESIDENCIAIS a fim de garantir melhores N° DE UNIDADES HABITACIONAIScondições132 N° DE BLOCOS RESIDENCIAIS 22 de conforto térmico N° DE UNIDADES HABITACIONAIS 132 VAGAS N° DE UNIDADES HABITACIONAIS 118 habitacionais nas unidades 132AUTOMÓVEIS VAGAS AUTOMÓVEIS 118 mas, ainda 13 assim, mantiveram VAGAS VAGAS AUTOMÓVEIS 118MOTOCICLETAS VAGAS MOTOCICLETAS 13 a lógica do desenho inicial de VAGAS13BICICLETAS VAGAS MOTOCICLETAS 50 VAGAS BICICLETAS 50 implantação. Item

Item

INDICE DE OCUPAÇÃO

VAGAS BICICLETAS

52

%O

INDICE DE OCUPAÇÃO % 0,22 e

50


53 20

25

PROJETO //


PROJETO //

A montagem desses blocos na gleba cria espaços públicos de interesses variados, de permeabilidade e fluidez garantidas e procurando evitar ao máximo o surgimento de espaços residuais. As praças triangulares, os parques infantis, as hortas comunitárias e os corredores de circulação são criados como forma de fortalecer a comunicação e a identidade dos habitantes com o espaço comum. Reforçando esse aspecto, o plano da moradia é elevado do nível do solo, alternando no conjunto blocos ora com térreo ocupado por comércio e serviços, ora livre, sobre pilotis, criando espaços dinâmicos, movimentados e com vida urbana. 54


PROJETO //

55


0

56 5 15 30 O 08

O 13

BLOC

BLOCO 19

BLOCO 14

BLOC

BLOC

O 07

O 20 BLOC

01

O BLOC

06

BLOCO 18

BLOCO 15

BLO CO

12

O 21 BLOC

BLOCO 16

O 09

BLOC

02

BLOCO 05

BLOCO

BLOCO 04

BLO CO

BLOCO 11

CO

22

BLO

O 10 BLOC

03 BLOCO

17

5

10

BLOC O

PROJETO //


PROJETO //

3

1

2

5

1 2 3 4 5 6 7 8

Fonte em Washington Park, Washington, USA Rampa da Praça Victor Civita, São Paulo, Brasil Piso High Line, Nova York, USA Rampa / Escada do Patio Bella Vista, Santiago, Chile Horta comunitária da Praça Victor Civita, São Paulo, Brasil Arte de rua, artista: Banksy Arte de rua, artista: Os Gêmeos Arte de rua, artista: Eduardo Kobra

4

6

7 8 57


PROJETO // Bloco residencial

Plantas referentes ao bloco 1

1

1

0

TÉRREO

7

7 3

1

4° PAVIMENTO

5

7 4

3

3

5

2

8 6

7

5

6

7

7

2° PAVIMENTO

7

7

7

3 3

4 3

5 6

5 7

TERRAÇO

5

7

4

2

7

1

0

8 7

2 6

3° PAVIMENTO

7

0

1

5

1 2 3 4 5 6 7 8

Térreo livre Suíte Quarto Estar / Jantar Cozinha Banheiro Varanda Hall de acesso

COBERTURA

Projeto // A arquitetura da moradia como alternativa a segregacao espacial urbana O projeto dos blocos residenciais partiu da criação de um modelo de unidades habitacionais padrões, variando entre um e três quartos. Esses módulos são repetidos nos vinte dois blocos 58

que fazem parte do conjunto. Cada bloco é composto de seis apartamentos que estão dispostos dois-a-dois em cada andar e são sobrepostos de maneira alternada.


PROJETO // Bloco residencial

Plantas referentes ao bloco 1

7

7 3

6

7

4

3

4

4

7 2

2 1

8 5

5

7

6

7

4° PAVIMENTO

TERRAÇO

COBERTURA

1

0

1

0

0

5

1

5

5

1 2 3 4 5 6 7 8

Térreo livre Suíte Quarto Estar / Jantar Cozinha Banheiro Varanda Hall de acesso

Projeto // A arquitetura da moradia como alternativa a segregacao espacial urbana Os apartamentos apresentam planta simples, de dimensões generosas, espaços de varanda em cada cômodo e aberturas favorecendo a ventilação cruzada e luz natural.

Em cada andar há espaços de lazer e convívio portaa-porta e a mesma função, além da possibilidade de comtemplação da vista, é dada a cobertura da edificação. 59


PROJETO // Bloco residencial

Plantas referentes ao bloco 6

1

1

1

TÉRREO

7

0

7

4 4

3

4° PAVIMENTO

5

TERRAÇO

3 2

8

6

5

7 3

4

5

1

5

7

6

7

2° PAVIMENTO

0

7

7

7

1

7 4

3

3

4

6

7

5

3

5 8 7

3° PAVIMENTO

2 6

7

0

1

5

1 2 3 4 5 6 7 8

Comércio / Serviços Suíte Quarto Estar / Jantar Cozinha Banheiro Varanda Hall de acesso

COBERTURA

Projeto // A arquitetura da moradia como alternativa a segregacao espacial urbana As unidades residenciais podem ser acessadas por circulação vertical que comunica o nível público da rua ao nível privado da moradia, administrando o transito entre as duas esferas. 60

No conjunto não existem muros ou portões e os caminhos entre os espaços construídos são públicos, sendo possível caminhar entre as edificações e cruzar toda a gleba.


PROJETO // Bloco residencial

Plantas referentes ao bloco 6

7

7

4

3

3 3

5

4 8

6

5

7

6

7

4° PAVIMENTO

0

1

5

TERRAÇO

0

1

5

COBERTURA

0

1

5

1 2 3 4 5 6 7 8

Comércio / Serviços Suíte Quarto Estar / Jantar Cozinha Banheiro Varanda Hall de acesso

Projeto // A arquitetura da moradia como alternativa a segregacao espacial urbana Posicionadas na porção central dos edifícios, a circulação vertical, executada em concreto armado, atua como núcleo rígido conferindo estabilidade horizontal à edificação.

Os demais elementos estruturais – lajes, pilares e vedação – são de concreto pré-fabricado. A estrutura do brise de alumínio é metálica e parafuzada à face do bloco. 61


PROJETO // Bloco residencial

Elevações referentes ao bloco 6

CORTES

FACHADAS

Projeto // A arquitetura da moradia como alternativa a segregacao espacial urbana Para quebrar a regularidade dos planos retilíneos das fachadas alguns artifícios foram adotados. Na fachada voltada para o nascente a marcação da estrutura de vedação, 62

cria, de maneira sutil, superfícies compassadas que transmitem ritmo e movimento. Na fachada posterior, o uso de painéis corrediços de alumínio anodizado como


PROJETO // Bloco residencial

Elevações referentes ao bloco 1

CORTES

FACHADAS

Projeto // A arquitetura da moradia como alternativa a segregacao espacial urbana elemento de proteção solar atribui ritmo e valor estético, além de incorporar um pouco de cor ao projeto. Nas fachadas laterais, nas quais não há aberturas,

a ideia é destinar esses espaços, que funcionam como uma grande tela em branco, para que artistas, locais ou não, compartilharem de sua arte. 63


PROJETO // Detalhe construtivo Brise metálico

1

2 3

5

4

6

7 8

9

COBERTURA: 1 Laje pré-moldada de concreto armado; 2 Concreto magro; 3 Manta de impermeabilização; 4 Argamassa de regularização; 5 Argamassa colante; 6 Piso acabado; 7 Pingadeira; 8 Alvenaria em bloco de concreto.

12 13

14 10 11

DETALHE 1 64

0

0,25

1

FECHAMENTO: 9 Painéis corrediços de alumínio anodizado em diferentes tonalidades; 10 Chapa metálica; 11 Perfis ‘U’ soldados; 12 Guarda corpo metálico; 13 Vidro laminado 8 mm; 14 Canaleta para extração de água da varanda. JARDINEIRA / BRISE VEGETAL: 15 Terra; 16 Seixo rolado; 17 Proteção mecânica; 18 Cabo de aço 9 mm; 19 Suporte metálica para cabo de aço. ESCADA: 20 Proteção em PVC para a escada; 21 Corrimão metálico; 22 Concreto armado.


PROJETO // Detalhe construtivo Brise vegetal

6

5 4 2

20

21

19 22

18

12 13

8 15 16 1

DETALHE 2

17

0

0,25

1

65


REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS // ARANTES, R. A. Qualidade de Vida ou Fortificações: o significado dos condomínios fechados em Salvador. Revista VeraCidade. v. 4, n. 4, mar. 2009. CALDEIRAS, T. P. R. Enclaves fortificados: a nova segregação urbana. Public Culture. v. 2, n. 8, p. 303-328, mar. 1996. CARDOSO, Ceila Rosana Carneiro. As fábricas na península. Itapagipe como sítio industrial da Salvador Moderna. Arquitextos. São Paulo. 11.132. Vitruvius. mai. 2011. Disponível em <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/11.132/3894>. Acesso em: 10/06/2013. CARDOSO, Célia Rosana Carneiro. A península de Itapagipe e Salvador - história, transformação e envelhecimento. Seminário de História da Cidade e do Urbanismo, v. 7, n. 1, 2012. CARLOS, A. F. A. O espaço urbano: novos escritos sobre a cidade. 1. ed. São Paulo: FFLCH, 2007. FERREIRA, F. B. Condomínios horizontais fechados e novas formas de sociabilidade. São Carlos: UFSCar, 2007. FERREIRA, J. S. W. Perspectivas e desafios para o jovem arquiteto no Brasil. Qual o papel da profissão? Arquitextos. São Paulo. 12.133. Vitruvius. jul. 2011. Disponível em <http://www. vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/12.133/3950>. Acesso em: 22/04/2013. JACOBS, Jane. Morte e vida de grandes cidades. São Paulo: Martins Fontes, 2000. LUTHER, Aline de Carvalho. A Península De Itapagipe Antes Da Indústria. In: LUTHER, Aline de Carvalho. Patrimônio arquitetônico industrial na península de Itapagipe: um estudo para a preservação. Salvador. UFBA, 2012. NORBERG-SCHULZ, Christian. Existencia, Espacio y Arquitectura. 1 ed. Barcelona: Blume, 1975. (Nuevos Caminos de la Arquitectura). SALTUR. Prefeitura de Salvador. Península de Itapagipe. Disponível em <http://www.turismo. salvador.ba.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=52&Itemid=89>. Acesso em: 24/06/2013. SISTEMA DE INFORMAÇÃO MUNICIPAL DE SALVADOR. Mapas. Disponível em: <http:// www.sim.salvador.ba.gov.br//index.php?option=com_zoom&Itemid=38&catid=2&Page No=1>. Acesso em 28/06/2013. SOUSA, Maria Marineide. Península Itapagipana: desenhando o cenário local. In: SOUSA, Maria Marineide. Arranjo produtivo local de confecções da Rua do Uruguai / Itapagipe. Salvador. UCSAL, 2010. 66


“A habitação é o elemento principal da estrutura de uma cidade. Pedregulho, utopia e realidade se misturando” Affonso Eduardo Reidy

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Dossiê