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FACULDADE METROPOLITANA DE MANAUS – FAMETRO ARQUITETURA E URBANISMO

RONILCE LOPES GOMES

CENTRO DE APRENDIZAGEM INTERGERACIONAL

MANAUS 2016


RONILCE LOPES GOMES

CENTRO DE APRENDIZAGEM INTERGERACIONAL

Este trabalho foi apresentado à Graduação do Curso de Arquitetura e Urbanismo, da Faculdade Metropolitana de Manaus, como requisito final para obtenção do grau de Bacharel em Arquitetura e Urbanismo.

MANAUS 2016


RESUMO

O trabalho proposto busca abordar os fundamentos para a elaboração do

projeto

arquitetônico de um Centro de Aprendizagem Intergeracional, baseado em conceitos e características das instituições centro dia para idosos e creche, possuindo dessa forma como público alvo idosos a partir de 60 anos e crianças de 02 a 06 anos. O fator determinante para o desenvolvimento do projeto foi a preocupação com o aumento da institucionalização de idosos e crianças sem o aumento proporcional de espaços projetados adequadamente e que quando existentes limitam as experiências sociais. Mediante a realização de pesquisas bibliográficas, documentais e estudos de caso foi possível traçar uma linha de projeto a ser seguida. Ao buscar o desenvolvimento do projeto arquitetônico da instituição, almejou-se inserir na estrutura urbana um objeto arquitetônico que proporcione a integração entre os diferentes grupos de pessoas de acordo com suas idades, interesses e condições físicas.

Palavras-chave: Idosos; Crianças; Creche, Centro-dia; Aprendizagem Intergeracional; Integração; Acessibilidade.


LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 Larguras para deslocamento em linha reta ........................................................... 22 Figura 2 Bacia sanitária - barras laterais de apoio e de fundo ............................................ 23 Figura 3 Boxe para bacia sanitária - transferência lateral ................................................... 23 Figura 4 CECI Aparecida.................................................................................................... 24 Figura 5Sala de leitura ........................................................................................................ 25 Figura 6Sala de ginástica .................................................................................................... 25 Figura 7Pátio central ........................................................................................................... 25 Figura 8Cobertura do CECI ................................................................................................ 26 Figura 9 Estrutura da cobertura........................................................................................... 26 Figura 10Creche e Escola Planeta Bebê ............................................................................. 27 Figura 11 Berçário I ............................................................................................................ 27 Figura 12 Lactário ............................................................................................................... 27 Figura 13Maternal ............................................................................................................... 28 Figura 14 Jardim I e II ........................................................................................................ 28 Figura 15 Banheiro Feminino ............................................................................................. 29 Figura 16 Refeitório ............................................................................................................ 29 Figura 17 Espaço Kids ........................................................................................................ 29 Figura 18 Playground .......................................................................................................... 29 Figura 19Fachada da Creche e Escola Planeta Bebê .......................................................... 30 Figura 20 CDI Orlando Denardi ......................................................................................... 31 Figura 21 Sala de atividades ............................................................................................... 32 Figura 22 Equipamentos de ginástica ................................................................................. 32 Figura 23Perspectiva 01 CDI Orlando Denardi .................................................................. 32 Figura 24Perspectiva 02 CDI Orlando Denardi .................................................................. 32 Figura 25 Utilização de vidro na fachada posterior ............................................................ 33 Figura 26Cobertura de telhas de PVC sobre estrutura metálica ......................................... 33 Figura 27Uso de piso vibro prensado na sala de descanso ................................................. 33 Figura 28 Vista 01 da Creche Municipal Hassis ................................................................. 34 Figura 29 Sala de Aula ........................................................................................................ 34


Figura 30 Sala multiuso ...................................................................................................... 34 Figura 31 Vista 02 da Creche Municipal Hassis ................................................................. 35 Figura 32 Playground em madeira certificada .................................................................... 36 Figura 33 Ventilação cruzada e iluminação natural ............................................................ 36 Figura 34 Cisterna e Placas Fotovoltaicas .......................................................................... 37 Figura 35 Itens de inovação na creche ................................................................................ 38 Figura 36 Perspectiva 1 do Providence Mount St. Vicent .................................................. 38 Figura 37 Atividade entre idosos e crianças ....................................................................... 39 Figura 38 Apartamento ....................................................................................................... 40 Figura 39Lobby principal ................................................................................................... 40 Figura 40 Perspectiva 01-sala familiar intergeracional ...................................................... 41 Figura 41 Perspectiva 02 - sala familiar intergeracional .................................................... 41 Figura 42 Perspectiva 2 do Providence Mount St. Vicent .................................................. 41 Figura 43 Mapa de localização do terreno .......................................................................... 44 Figura 44 Mapa de localização do terreno em malha viária ............................................... 44 Figura 45 Vista 1 do terreno ............................................................................................... 45 Figura 46 Vista 2 do terreno ............................................................................................... 45 Figura 47 Mapa de localização do bairro de Flores ............................................................ 46 Figura 48 Condomínio Residencial Portugal ...................................................................... 47 Figura 49Residencial Torres de Andaluzia ......................................................................... 47 Figura 50 Academia Conexão Fitness ................................................................................ 47 Figura 51Paroquia NS de Guadalupe .................................................................................. 47 Figura 52Residencial Torres de Andaluzia ......................................................................... 48 Figura 53 Uso Residencial .................................................................................................. 48 Figura 54 Pizzaria Latorre .................................................................................................. 48 Figura 55 Posto de Combustível ......................................................................................... 48 Figura 56Escolinha de Futebol ........................................................................................... 48 Figura 57SollariumMall ...................................................................................................... 48 Figura 58 Mapa de Uso e Ocupação do Solo ...................................................................... 49 Figura 59 Mapa de Tipologia .............................................................................................. 51 Figura 60 Mapa de Gabarito ............................................................................................... 52


Figura 61 Mapa de Hierarquia Viária ................................................................................. 54 Figura 62 Mapa de fluxo viário .......................................................................................... 55 Figura 63 Mapa de localização de pontos de ônibus .......................................................... 56 Figura 64 ponto de ônibus sentido 2 da avenida ................................................................. 56 Figura 65 Ponto de ônibus sentindo 1 da avenida .............................................................. 57 Figura 66 Sinalização na via ............................................................................................... 57 Figura 67 Sinalização horizontalna via ............................................................................... 57 Figura 68 Sinalização vertical na via .................................................................................. 57 Figura 69 Sinalização vertical na via .................................................................................. 57 Figura 70 Mapa planialtimétrico do terreno ....................................................................... 58 Figura 71 Corte do terreno .................................................................................................. 58 Figura 72 Levantamento Geoclimático ............................................................................... 59 Figura 73 Mapa de levantamento vegetal do entorno ......................................................... 59 Figura 74Vegetação presente no terreno ............................................................................ 60 Figura 75Vegetação médio porte ........................................................................................ 60 Figura 76Vegetação grande porte ....................................................................................... 60 Figura 77Vegetação pequeno porte .................................................................................... 60 Figura 78 Vegetação no terreno .......................................................................................... 60 Figura 79 Vegetação no terreno .......................................................................................... 60 Figura 80 Planta de implantação ......................................................................................... 70 Figura 81 Planta baixa pav. térreo ...................................................................................... 71 Figura 82 Planta baixa pav. superior .................................................................................. 72 Figura 83 Corte AA ............................................................................................................ 72 Figura 84 Corte BB ............................................................................................................. 73 Figura 85 Fachada 01 .......................................................................................................... 73 Figura 86 Fachadas laterais ................................................................................................. 74 Figura 87 Fachada posterior ............................................................................................... 74 Figura 88 Planta de cobertura ............................................................................................. 75 Figura 89 Planta de paisagismo .......................................................................................... 77


LISTA DE TABELAS

Tabela 1 Dimensionamento de rampas ............................................................................... 22 Tabela 2 Uso e Ocupação do Solo ...................................................................................... 50 Tabela 3 Tipologia .............................................................................................................. 51 Tabela 4 Gabarito ................................................................................................................ 53 Tabela 5 Comparativo de parâmetros urbanísticos .............. Erro! Indicador não definido. Tabela 6 Quadro de áreas ..................................................... Erro! Indicador não definido.


LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 Uso e Ocupação do Solo em porcentagem ......................................................... 50 Gráfico 2 Tipologia das edificações em porcentagem ........................................................ 52 Gráfico 3 Gabarito das edificações em porcentagem ......................................................... 53


SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 11 1. CONTEXTUALIZAÇÃO DA PESQUISA ..................................................................... 12 1.1 TEMÁTICA ..................................................................................................................... 12 1.1.1 Tema................... ........................................................................................................... 12 1.1.2 Delimitação Do Tema ................................................................................................... 12 1.2 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA ................................................................................ 12 1.3 OBJETIVOS ..................................................................................................................... 12 1.3.1 Objetivo Geral ............................................................................................................... 12 1.3.2 Objetivos Específicos .................................................................................................... 12 1.4 JUSTIFICATIVA DO PROJETO .................................................................................... 13 2. METODOLOGIA DE PESQUISA .................................................................................. 14 3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ................................................................................... 14 3.1 O IDOSO NO ÂMBITO INSTITUCIONAL ................................................................... 14 3.2 A CRIANÇA NO ÂMBITO INSTITUCIONAL ............................................................. 16 3.3 CENTRO DE APRENDIZAGEM INTERGERACIONAL ............................................ 17 3.4 ARQUITETURA PARA DIFERENTES USOS E GRUPOS DE PESSOAS ................. 19 3.5 PÚBLICO-ALVO ............................................................................................................ 20 3.6 ACESSIBILIDADE ......................................................................................................... 21 3.7 ESTUDOS DE CASOS .................................................................................................... 23 3.7.1 Caso regional– Centro Estadual de Convivência do Idoso (CECI) em Manaus, Amazonas

24

3.7.2 Caso regional – Creche e Escola Planeta Bebê em Manaus, Amazonas ....................... 26 3.7.3 Caso nacional- Centro Dia do Idoso (CDI) “Orlando Denardi” – São Paulo ............... 30 3.7.4 Caso nacional – Creche Municipal Hassis, na Costeira do Pirajubaé, Florianópolis – Santa Catarina ........................................................................................................................ 33


3.7.5 Caso Internacional: Casa de repouso “Providence Mount St. Vincent” e pré-escola “Intergenerational Learning Center”, Seattle (Estados Unidos) ............................................ 38 3.7.6 Síntese dos estudos ........................................................................................................ 42 4. ESCOLHA E JUSTIFICATIVA DO TERRENO ............................................................ 43 4.1 HISTÓRICO DO BAIRRO .............................................................................................. 45 4.2 ANÁLISE DO ENTORNO .............................................................................................. 47 4.3 USO E OCUPAÇÃO DO SOLO ..................................................................................... 49 4.4 TIPOLOGIA ..................................................................................................................... 50 4.5 GABARITO DE ALTURA .............................................................................................. 52 4.6 SISTÉMA VIÁRIO .......................................................................................................... 54 4.7 TOPOGRAFIA DO TERRENO ...................................................................................... 58 4.8 ESTUDOS GEOCLIMÁTICOS ...................................................................................... 58 4.9 VEGETAÇÃO EXISTENTE NO .................................................................................... 59 4.10 CONDICIONANTES LEGAIS ..................................................................................... 61 5. ESTUDO PRELIMINAR ................................................................................................. 61 5.1 CARACTERÍSTICAS FÍSICAS ...................................................................................... 61 5.2 DIMENSIONAMENTO DOS AMBIENTES.................................................................. 63 5.2.1 Dimensionamento: bloco 01 .......................................................................................... 63 5.2.2 Dimensionamento: bloco 02 .......................................................................................... 66 5.3 FLUXOGRAMA .............................................................................................................. 68 5.3.1 Geral...............................................................................................................................68 5.3.2 Pavimento Térreo .......................................................................................................... 70 5.3.3 Pavimento Superior ....................................................................................................... 70 5.4 IMPLANTAÇÃO ............................................................................................................. 70 5.5 PLANTAS BAIXAS ........................................................................................................ 71 5.6 CORTES........................................................................................................................... 72 5.7 FACHADAS E VOLUMETRIA...................................................................................... 73 5.8 PLANTA DE COBERTURA ........................................................................................... 74


6. RECURSOS TÉCNICOS E MATERIAIS DESEJÁVEIS .............................................. 75 6.1 PAISAGISMO.................................................................................................................. 76 CONCLUSÃO ....................................................................................................................... 78 REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 79 APÊNDICE ............................................................................................................................ 83


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INTRODUÇÃO

A condição social de um indivíduo está associada a sua capacidade de produção, logo os que não fazem parte de um grupo ativo de produção são negligenciados. Partindo dessa premissa, o objeto arquitetônico desenvolvido é um espaço destinado a interação das partes menos ativas da sociedade, idosos e crianças, tendo como meta contribuir para sua melhor qualidade de vida, aprendizagem e inclusão social. A aprendizagem intergeracional assume um papel importante perante a sociedade, uma vez que tem como foco principal a integração de diferentes gerações sendo motivada pela troca benéfica que haverá entre elas. Apesar de ser um campo vasto para a interação entre todas as gerações, muito das experiências atuais são focadas em idosos e crianças. O projeto para a instituição foi estruturado através de estudos de casos e levantamento bibliográfico, além de pesquisas de campo realizadas no local e no entorno do terreno onde procura-se implantar o projeto. Como no Brasil não existem instituições no modelo proposto, foram realizados estudos de casos envolvendo o universo de centros-dia para idosos e creches e posteriormente em um exemplar internacional de Centro de Aprendizagem Intergeracional. O Centro de Aprendizagem Intergeracional, de iniciativa privada, buscará atender o bairro Flores, em Manaus/AM, e bairros adjacentes.


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1.

CONTEXTUALIZAÇÃO DA PESQUISA

1.1

TEMÁTICA Objeto Arquitetônico

1.1.1 Tema Centro de Aprendizagem Intergeracional

1.1.2 Delimitação Do Tema Centro de Aprendizagem Intergeracional: creche e centro-dia

1.2

FORMULAÇÃO DO PROBLEMA O município de Manaus conta com uma quantidade limitada de instituições para o

acolhimento de idosos e crianças, não possuindo também nenhuma instalação nos moldes propostos no presente trabalho.

1.3

OBJETIVOS

1.3.1 Objetivo Geral Desenvolver projeto arquitetônico de um Centro de Aprendizagem Intergeracional de forma a inserir na estrutura urbana um objeto arquitetônico que busque a integração entre os diferentes grupos de pessoas de acordo com suas idades, interesses e condições físicas.

1.3.2 Objetivos Específicos 

Projetar edifícios que ofereçam possibilidade de interação social entre as diferentes faixas etárias;

Oferecer ambientes integrados e adequadamente projetados para a convivência das diferentes faixas etárias;

Projetar espaços acessíveis;

Elaborar espaços que possam oferecer conforto, bem estar e estimular experiências sensoriais;

Inserir na área escolhida um ambiente que possa fazer parte da sociedade local;


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1.4

Repensar a forma como os espaços destinados a idosos e crianças são projetados.

JUSTIFICATIVA DO PROJETO O mundo passa por constantes mudanças e as mudanças demográficas e sociais

evidenciam a necessidade de institucionalização de crianças e idosos. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE,2010) houve uma evolução crescente do número de idosos em Manaus. No período de 1970 a 2010, o quantitativo de habitantes acima de 60 anos passou de 10.584 para 108.902 habitantes, ou seja, ouve um aumento 928,9%. Esse aumento na população idosa se deu em parte pela migração da população de municípios do interior do Amazonas para a capital. No entanto o número de instituições para o acolhimento dos idosos é insuficiente, em Manaus existem apenas 02 (duas) opções de Institutos de Longa Permanência (ILPI), Fundação Dr. Thomas e Fundação São Vicente de Paula, e 03 (três) opções para atendimento diário, Centro de Convivência da Família Magdalena Arce Daou, Centro de Convivência da Família Padre Pedro Vignola e Centro Estadual de Convivência do Idoso – Aparecida. Quanto à população infantil, de acordo com dados do IBGE (2010) há 129.820 mil crianças na faixa etária de um a três anos em Manaus, e desse total apenas 16.952 mil frequentavam creche ou pré-escola, seja na rede municipal ou particular. De acordo com dados da Secretaria Municipal de Educação (SEMED, 2016) há unidades de creches do setor público e do setor privado foram contabilizadas cerca de 23 (vinte e três)unidades. As creches são o primeiro contato da criança com a vida em comunidade, cabendo a elas o auxilio a criança no desenvolvimento de suas competências sociais. O fator determinante para o desenvolvimento do projeto em questão foi à preocupação com o aumento da institucionalização de idosos (a partir de 60 anos) e crianças (em idade préescolar, de dois a seis anos de idade) sem o aumento proporcional de espaços projetados adequadamente e que quando existentes limitam as experiências sociais colocando os usuários a parte da comunidade, resultando dessa forma em um problema comunitário. Dessa forma para suprir as necessidades do município, após pesquisas acadêmicas chegouse ao conhecimento do desenvolvimento de Centros de Aprendizagem Intergeracional em que o foco principal é a integração de diferentes gerações sendo motivada pela troca benéfica que haverá entre elas. Dentre os Centros de Aprendizagem Integeracionais a ideia da junção de idosos e crianças ganhou destaque ao ser posta em execução em Seattle, nos Estados Unidos


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com a casa de repouso “Providence Mount St. Vicen” e a pré-escola “Intergenerational Learning Center”. Nunes (apud LIMA, 2012, p.124) salienta “As gerações divididas emocionalmente, fisicamente e socialmente perderam oportunidades de aprendizagem e partilha”. Logo a implantação do Centro de Aprendizagem Intergeracional no municio de Manaus se faz necessária pois suprirá a necessidade da população por mais espaços para idosos e crianças e oferecerá espaços projetados e planejados que possuam foco nas pessoas e que respondam às diferentes necessidades das gerações envolvidas.

2.

METODOLOGIA DE PESQUISA Para o desenvolvimento do projeto foram

realizadas pesquisas bibliográficas,

documentais, estudos de caso e uso de fotografias a partir do levantamento “in loco” e de mapas cadastrais.

3.

3.1

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

O IDOSO NO ÂMBITO INSTITUCIONAL Com o intuito de caracterizar e entender o processo de institucionalização de idosos no

Brasil sentiu-se a necessidade da elaboração de um breve histórico. Inicialmente o amparo aos idosos se dava conjuntamente a outros considerados a margem da sociedade, de acordo com Groissman (1999, p.178) “[...] a velhice habitava as ruas, embora estivesse ‘misturada’ a outras categorias sociais. Apesar da presença de velhos se destacarem, a categoria socialmente relevante para denominar tais pessoas é a de ‘mendigo’”. As igrejas, por meio de caridade, foram o primeiro segmento responsável por esse amparo. Posteriormente a assistência ganhou local especifico sendo este as Santas Casas de Misericórdia, ainda sobre direção das igrejas. No século XIX se inicia a preocupação com a chamada medicina social que se deu basicamente através da intervenção sobre a cidade, a população pobre e os espaços institucionais (GROISSMAN, 1999).Sendo assim, buscando a retirada de todos os cidadãos a margem da sociedade das ruas que constituíam ameaça à salubridade da cidade, foi fundado no Rio de Janeiro, em agosto de 1854, o “Asilo de Mendicidade”, destinado a todos os mendigos encontrados nas ruas.


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A institucionalização exclusiva para idosos teve inicio somente no final do século XIX com a fundação da instituição particular “Asilo São Luiz”, no Rio de Janeiro, fundada a partir da necessidade da especialização no cuidado dos diferentes tipos urbanos. Oliveira, Souza e Mancussi (2009, p.252)conceituam asilo como uma casa de assistência social onde são recolhidas, para sustento ou também para educação, pessoas pobres e desamparadas, como mendigos, crianças abandonadas, órfãos e velhos. Entretanto em 2005, a ANVISA21, decretou como Norma Federal a alteração da nomenclatura “asilo” para “ILPI”, estes por sua vez são “Instituições governamentais ou não governamentais, de caráter residencial, destinada a domicílio coletivo de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, com ou sem suporte familiar, em condição de liberdade e dignidade e cidadania. (BRASIL. RDC 283, 2005) De acordo com a Constituição Federal de 1988 as instituições de modalidade asilar são entendidas no Art. 3, Decreto nº 1.948, [s/p.] como: “o atendimento, em regime de internato, ao idoso sem vínculo familiar ou sem condições de prover à própria subsistência de modo a satisfazer as suas necessidades de moradia, alimentação, saúde e convivência social”. Na sociedade atual a organização das instituições de modalidade asilar acaba por necessitar de uma reformulação visto que a internação do idoso, muitas vezes abrupta, acaba levando estes ao isolamento visto que o idoso é separado de seu seio familiar, dos amigos, da sua comunidade e há ainda a perda da sua liberdade. Como uma alternativa para o asilamento há uma segunda modalidade que são os Centrodia ou Centro de convivência para idosos previstas na Política Nacional de Assistência Social e na Política Nacional do Idoso. “O Centro Dia caracteriza-se como um espaço destinado a proporcionar acolhimento, proteção e convivência a idosos semidependentes, cujas famílias não tenham condições de prover estes cuidados durante todo o dia ou parte dele” (Secretaria de Desenvolvimento Social, SP, 2014). Em qualquer tipo de instituição a qualidade de vida dos institucionalizados tem de ser promovida, sabendo-se que tende a ser influenciada pelos seguintes fatores inter-relacionados: (a) a identidade; (b) o ambiente de cuidados; (c) as relações; e (d) as atividades. (TESTER, HUBBARD, DOWNS, MACDONALD & MURPHY, apud LIMA, 2012, p.123 e 124). Dessa forma o bloco de edificação destinado ao atendimento das necessidades dos idosos procurará se basear na instituição de categoria centro-dia, uma vez que possui dentre suas diretrizes básicas para a edificação, espaços que promovam a preservação de laços familiares;


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da identidade dos idosos e participação em atividades comunitárias, objetivos estes já previstos no Estatuto do Idoso.

3.2

A CRIANÇA NO ÂMBITO INSTITUCIONAL As mudanças no campo capitalista, como a maior inserção da mulher no mercado de

trabalho, têm causado constantes mudanças na organização social, sendo exigindo que as crianças sejam institucionalizadas mais cedo e por mais tempo, privando as crianças do convívio maior com a família e as diferentes gerações existentes nesta. As creches são o primeiro contato da criança com a vida em comunidade e igualmente às instituições para idosos é necessário o conhecimento de seu histórico no Brasil. De forma semelhante ao funcionamento das primeiras instituições para amparo de idosos, o amparo às crianças se dava conjuntamente as pessoas à margem da sociedade, por meio da caridade

cristã,

Santas

Casas

de

Misericórdia.

De

acordo

com

Fraga

(apud

GROISSMAN,1999, p.177) “o doente ou portador de alguma deficiência física, o velho, a criança órfã e as viúvas eram os pobres reconhecidamente legítimos, e, portanto aptos para sobreviver pela caridade”. Posteriormente com o elevado crescimento das grandes cidades, obteve-se também um considerável aumento no índice de crianças abandonadas, sendo este número muito maior do que as câmaras e casas de misericórdia podiam prestar assistência, se dando inicio a prática do abandono de recém nascidos em locais públicos e nas portas de casas de famílias (CHAVES, 2013). Preocupados com a quantidade de crianças abandonadas nas ruas, as quais as Casas de Misericórdia não mais comportavam, no ano de 1726, por ordem do vice-rei Vasco Meneses, foi determinado que as crianças abandonadas fossem acolhidas em asilos, surgindo assim à primeira “rodas dos expostos” no Rio de Janeiro, as quais foram instaladas um total de treze unidades no Brasil até o fim do segundo reinado. A criação de espaços específicos para atender as crianças tem início com a expansão do capitalismo no século XIX, onde a mulher passa a deixar de exercer o papel exclusivo de dona de casa e assume seu lugar no mercado de trabalho como membro da classe trabalhadora industrial, sendo necessário um local para que deixassem seus filhos para que assim pudessem sair para trabalhar.


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[...] o Brasil organiza as primeiras creches com uma clientela de filhos de indigentes e órfãos. Tinha como objetivo retirar a criança da rua e abrigá-la em lugar seguro, funcionando em regime de internato. Logo, multiplicaram-se as creches com o propósito de guardar as crianças apenas durante o dia, ao longo da jornada de trabalho dos pais operários. Estas, no entanto, não garantiam as mínimas condições de atendimento às crianças, dadas às péssimas condições de higiene e alimentação, configurando o caráter de “depósito de crianças” desses estabelecimentos(UNIP, 2011)

A creche, no entanto, possuía somente um caráter assistencialista, sem possuir ou deixando o caráter educacional em segundo plano. As primeiras creches voltadas para a educação das crianças foram criadas a partir de modelos desenvolvidos em outros países e eram destinadas a crianças de famílias mais abastadas (KUHLMANN,1991). O primeiro espaço voltado a educação, jardim de infância, foi criado em 1875 na cidade do Rio de Janeiro sob cuidado de entidades privadas e eram destinadas a crianças com maiores poderes aquisitivos. A busca pela democratização do direito a um espaço de qualidade para as crianças no Brasil ocorreu durante a década de 80, por meio de movimentos sociais, operários e feministas. Em termos legais, no Brasil a Constituição Federal de 1988 foi a primeira a reconhecer a criança como sujeito de direitos, sendo também a primeira a garantir a creche e a pré-escola como sendo direito dos filhos dos trabalhadores. Sendo a creche um espaço destinado ao cuidado e ao aprendizado da criança, o modelo atual de creche tem como principal desafio o projeto de espaços em que haja a maximização do processo de aprendizagem, novas percepções as crianças e a integração da criança não só com sua família e educadores, mas com a sociedade, dessa forma, o espaço projetado para o centro de aprendizagem irá oferecer isso, bem como a interação com uma faixa etária diferenciada.

3.3

CENTRO DE APRENDIZAGEM INTERGERACIONAL Tendo origem no âmbito social, a aprendizagem intergeracional tem como foco

principal a integração de diferentes gerações sendo motivada pela troca benéfica que haverá entre elas. Apesar de ser um campo vasto para a interação de todas as gerações, crianças, adolescentes, adultos e idosos, muitas das experiências atuais são focadas nos idosos e crianças visto que são a parte menos ativa da sociedade.


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Sobre a Aprendizagem Intergeracional Rojas (2009, p.10, tradução da autora) fala que “[...] ao misturar crianças e idosos, há uma valorização de patrimônio cultural, tradições e valores. Estas duas gerações se complementam, uma geração satisfaz as necessidades do outro [...] sendo ainda uma resposta parcial a alguns dados demográficos inegáveis”. O primeiro centro intergeracional destinado à convivência de idosos e crianças possivelmente surgiu em 1976, quando Shimada Masaharu combinou a creche e lar de idosos no município de Edogawa, em Tóquio sob o mesmo teto. (JASEN, 2016, tradução da autora). A aprendizagem intergeracional é uma prática recente no Brasil, porém já nos anos de 1960 e 1970 era discutida na América do Norte, principalmente nos Estados Unidos, enquanto na Europa, a prática se expandiu somente a partir dos anos 90.

O campo intergeracional é uma nova fonte de conhecimento na área das relações humanas, portanto, ainda pouco explorado e, tudo indica, muito promissor para o desenvolvimento de ferramentas eficientes de ações junto à família e a outros grupos sociais, como escola, trabalho e vizinhança. A intergeracionalidade se constitui como uma iniciativa para despertar o sentido das relações intergeracionais em um mundo individualizado. (SESC, 2013, p.7)

As atividades intergeracionais no Brasil ocorrem nas áreas de lazer e cultura, na área de educação e trabalho voluntário. Os Centros de Aprendizagem Integeracionais, no entanto são espaços ainda em desenvolvimento. Dentre os benefícios sociais envolvidos podem-se destacar, para as crianças: 

Aprender sobre o processo de envelhecimento;

Aceitar pessoas com deficiências ou limitações;

A se envolver com pessoas que são de duas ou três gerações anteriores;

Para os idosos: 

Interação frequente com as crianças durante o dia todo;

Atividade física ao brincar com as crianças;

Um renovado senso de autoestima;

Uma oportunidade para transferir conhecimento;


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3.4

ARQUITETURA PARA DIFERENTES USOS E GRUPOS DE PESSOAS O Centro de Aprendizagem Intergeracional a ser desenvolvido procurará adaptar os

elementos projetuais que constituem um centro-dia para idosos e uma creche, em um espaço compartilhado, a fim de proporcionar espaços integrados, acessíveis, com conforto e segurança para o desenvolvimento do programa de Aprendizagem Intergeracional, bem como suprir as necessidades da cidade de Manaus por espaços diferenciados e adequados para o público alvo. Ao se deparar com a necessidade da conciliação de espaço com atividades e grupos de pessoas distintas, instala-se a dúvida de como fazê-lo e como estes poderão ser espaços para somatizar experiências e não constituírem um grande problema. De acordo com os estudos de Melissa I. Rojas sobre Centro Intergeracional (2009), a produção de espaços na cidade está ligado a hierarquia existente na sociedade, cada espaço tem a sua função dentro sociedade, estes existindo para acomodar um uso e grupo de pessoa determinados. Entretanto a proposta de um Centro de Aprendizagem Intergeracional foge a essa hierarquia e ao realizar pesquisas sobre a arquitetura durante seu desenvolvimento e em obras de arquitetos famosos, tem-se uma base de como projetar esse espaço de integração para diferentes gerações. Melissa I. afirma que “Um edifício bem sucedido pode acomodar diferentes funções de acordo com as necessidades do usuário ao longo do tempo, não sendo um espaço aberto que pode ser qualquer coisa, mas sim um espaço com uma forma específica que é flexível o suficiente para dar ao usuário a opção de mudá-lo de acordo com a necessidade”. A forma de construção dos espaços passa por constantes mudanças. Com o modernismo destacava-se o funcionalismo, tendo larga aplicação por arquitetos como Miesvander Rohe e Le Corbusier. De acordo com o funcionalismo a forma deveria seguir a função, logo as edificações produzidas se encontravam presas em suas funções. Posteriormente na era pós-guerra foram instaladas teorias como a flexibilidade, polivalênia e a narrativa, aplicadas e defendidas pelos arquitetos Aldo van Eyck, Herman Hertzberger e Bernard Tschumi. A flexibilidade é o princípio de que a edificação deve fornecer ao usuário a opção de ter diferentes funções dentro do mesmo espaço em diferentes tempos. Já a polivalência é definida como "uma forma que sem alterar si só, pode ser utilizada para todos os fins e que, com uma flexibilidade mínima, permite uma solução ideal" (HILL, apud ROJAS, 2009,p.8, tradução da autora). Enquanto que na narrativa um arquiteto deve projetar um espaço que deixa ocupação ao acaso, um espaço que "[...] encoraja, mas não


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determina a disjunção de espaços e eventos [...]" (HILL, apud ROJAS, 2009, p.9, tradução da autora). Dessa forma é de grande importância considerar as diferentes vertentes para o desenvolvimento de uma construção em sua forma e utilidade, levando em conta que através da arquitetura do edifício proposto ambas as gerações deverão fazer uso do espaço de forma que possam ser separadas e reunidas quando necessário, como as necessidades dos públicos alvos sempre em primeiro lugar.

3.5

PÚBLICO-ALVO A sociedade passa por constantes mudanças em sua organização, a sociedade ocidental

moderna organiza-se numa lógica etária, fortemente associada à produtividade: os mais novos que não produzem, mas são o futuro; os adultos que constituem o grupo social produtivo; e os mais velhos que já produziram (LIMA, 2012). Logo foram escolhidos como público alvo as crianças e idosos com limitações em faixa etária e graus de dependência. As crianças as quais o centro vai atender limitam-se a faixa etária de 02 (dois) anos a 05 (cinco) anos e 11 (onze) meses, faixa etária essa limitada a educação infantil.

Art. 3°, § 2º: A Educação Infantil será oferecida em Creches e Pré-escolas, que se caracterizam como espaços institucionais não domésticos, os quais constituem Instituições Educacionais públicas ou privadas que educam e cuidam de crianças de até 5 (cinco) anos e 11 (onze) meses de idade no período diurno, em jornada parcial ou integral, regulados e supervisionados pelo Conselho Municipal de EducaçãoCME/Manaus e submetidos ao controle social. (Resolução Conselho Municipal de Educação de Manaus, Nº 9 de 16/06/2015)

De acordo com Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, lei n° 9.394, Art.30. “A educação infantil será oferecida em: I - creches, ou entidades equivalentes, para crianças de até três anos de idade. II - pré-escola, para crianças de quatro a seis anos de idade.” Quanto aos idosos, deverão ser atendidos ambos os sexos com idade igual ou superiora 60 (sessenta) anos e cuja condição requeira o auxílio de pessoas ou de equipamentos especiais para a realização de atividades da vida diária, dessa forma a instituição atenderá idosos com grau de dependência I e II, graus esses de acordo com classificação da ANVISA, que por sua vez estabelece três graus de dependência para os idosos, a saber:


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a)Grau de Dependência I - idosos independentes, mesmo que requeiram uso de equipamentos de autoajuda; b) Grau de Dependência II – idosos com dependência em até três atividades de autocuidado para a vida diária tais como: alimentação, mobilidade, higiene; sem comprometimento cognitivo ou com alteração cognitiva controlada; e c)Grau de Dependência III - idosos com dependência que requeiram assistência em todas as atividades de autocuidado para a vida diária e ou com comprometimento cognitivo.

3.6

ACESSIBILIDADE A tendência dos projetos arquitetônicos de estabelecimento assistencial a saúde é de

incorporar conceitos de funcionalidade e de fluxos de acordo com as atividades, e também enfatizar o conceito a humanização dos ambientes, tornado os espaços acolhedores capazes de aumentar o conforto e independência dos usuários e profissionais (MOURA, 2008, p.11). Para a elaboração dos ambientes destinados aos idosos e crianças serão utilizadas as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), a NBR 9050/2004 , norma esta que disciplina a acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. O projeto vai seguir os padrões técnicos referentes à: 

Parâmetros antropométricos;

Comunicação e Sinalização;

Acessos e circulação;

Sanitários;

Para tanto foram realizados: 

O dimensionamento dos corredores em relação ao fluxo de pessoas, garantindo uma faixa livre de obstáculos. O passeio de pedestres deve ter faixa livre com largura mínima de 1,50m,sendo

admissível

completamente livre de obstáculos;

o

mínimo

de

1,20

m e

deve

ser


22

Figura 1 Larguras para deslocamento em linha reta Fonte: ABNT - NBR 9050/2004

Informações sobre os ambientes existentes dadas por meio de sinalização tátil, sonora e visual;

O piso possuirá superfície regular, antiderrapante, firme e estável e sinalização tátil de alerta .

Desníveis de qualquer natureza evitados nas rotas acessíveis. Quando superiores a 5 mm, foram instaladas rampas;

As rampas possuem inclinação de acordo com os limites estabelecidos na tabela 1. Para inclinação entre 6,25% e 8,33% devem ser previstas áreas de descanso nos patamares, a cada 50m de percurso.

Inclinação admissível em

Desníveis máximos de cada

Número máximo de

segmento de rampa h (m)

segmentos de rampas

5,00 (1:20)

1,50

Sem limite

5,00 (1:20) < i < 6,25 (1:16)

1,00

Sem limite

6,25 (1:16) < i < 8,33 (1:12)

0,80

15

cada segmento de rampa i (%)

Tabela 1 Dimensionamento de rampas Fonte: ABNT - NBR 9050/2004.


23

Todas as portas possuem um vão livre mínimo de 0,80 m e 2,10 m de altura.;

Os sanitários e vestiários de uso comum ou uso público possuem no mínimo uma peça instalada acessível.

Figura 2 Bacia sanitária - barras laterais de apoio e de fundo Fonte: ABNT - NBR 9050/2004.

Figura 3 Boxe para bacia sanitária - transferência lateral Fonte: ABNT - NBR 9050/2004.

3.7

ESTUDOS DE CASOS O estudo de caso é uma modalidade de pesquisa que busca agregar conhecimento e

contribuir para a elaboração de um trabalho/projeto. Para Yin (1994, apud ARAÚJO et al. 2008) o objetivo do estudo de caso é explorar, descrever ou explicar. A importância deste se encontra na oportunidade para que um aspecto de um problema seja estudado em profundidade dentro de um período de tempo limitado (VENTURA, 2007).


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Ventura (2007) destaca ainda as vantagens dos estudos de caso “[...] estimulam novas descobertas, em função da flexibilidade do seu planejamento; enfatizam a multiplicidade de dimensões de um problema, focalizando-o como um todo e apresentam simplicidade nos procedimentos, além de permitir uma análise em profundidade dos processos e das relações entre eles”. Sendo assim o estudo de caso apresentado a seguir é de grande importância, tendo como objetivo a retenção de conhecimento para entender o funcionamento da edificação proposta assim como oferecer material de auxilio para a elaboração de projeto arquitetônico. Tendo em vista que o modelo de edificação proposto é um modo de edificar recente e em desenvolvimento, não foi encontrado nenhum exemplar no território brasileiro. Sendo assim, para não haver impedimento para o desenvolvimento do projeto arquitetônico, foram realizados estudos de casos regionais e nacionais nas edificações centro-dia e creche para tomar conhecimento sobre seus aspectos funcionais, formais, estéticos e construtivos.

3.7.1 Caso regional– Centro Estadual de Convivência do Idoso (CECI) em Manaus, Amazonas Localizado no bairro de Aparecida, zona sul de Manaus, e inaugurado no ano de 2008, o CECI, figura 4,é um espaço destinado a oferecer atividades de entretenimento, lazer, cultura e outras atividades que possam favorecer os direitos de cidadania aos idosos da cidade de Manaus.

Figura 4 CECI Aparecida Fonte: Autora, 2016.

3.7.1.1 Aspectos funcionais A edificação é composta por diferentes blocos de atividades distribuídos ao redor de um grande pátio central, coberto por uma grande estrutura. Essas salas de atividades possuem


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espaço para o desenvolvimento de atividades como: artesanato, informática, leitura, figura 5, ginástica, figura 6, salas de aulas, enquanto o pátio central recebe atividades diferenciadas, figura 7, etc.

Figura 5Sala de leitura Fonte: Google imagens, 2016.

Figura 6Sala de ginástica Fonte: Google imagens, 2016.

Figura 7Pátio central Fonte: Google imagens, 2016.

3.7.1.2 Aspectos formais e estéticos A edificação segue padrão do município de Manaus utilizado por outros centros de convivência que consiste na distribuição de blocos retangulares com cores neutras ao redor de um salão principal, toda essa estrutura recebe uma cobertura única, no entanto a cobertura, figura 8, ganha destaque por conta do traçado geométrico, da cor utilizada e da forma como o traçado vai até o solo para a formação dos pilares.


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Figura 8Cobertura do CECI Fonte: nvconstrutora, 2016.

3.7.1.3 Aspectos construtivos O CECI possui em sua composição blocos de alvenaria, revestidos com pastilhas de diferentes cores, possuindo esquadrias em vidro e armação metálica. O revestimento das áreas internas e internas é feita por ladrilho em diferentes cores e paginação. A cobertura é de telhas de zinco sobre estrutura metálica, figura 9. Há ainda o uso de placas em ACM.

Figura 9 Estrutura da cobertura Fonte: nvconstrutora, 2016.

3.7.2 Caso regional – Creche e Escola Planeta Bebê em Manaus, Amazonas A “Creche e Escola Planeta Bebê”, figura 10, teve sua inauguração no ano de 2015 no município de Manaus. Está instituição de ensino é de iniciativa particular e visa atender crianças de 4 meses a 5 anos de idade em tempo integral e /ou parcial.


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Figura 10Creche e Escola Planeta Bebê Fonte: página do facebook da Creche, 2015.

3.7.2.1 Aspectos funcionais A instituição atende crianças a partir de 4 meses a 5 anos de idade nas turmas de Berçário, Pré-Maternal, Maternal I, Maternal II, Jardim I e Jardim II. Cada turma possui instalações e atividades próprias de acordo com a faixa etária nela existente. 

Berçário: A instituição possui 02 berçários com capacidade para até 15 crianças cada um, sendo Berçário I, figura 11, para as crianças que não andam de 4 a 12 meses e o Berçário II para crianças que já andam de 12 a 24 meses. Dentre as instalações dos berçários há sala de estimulação, sala para descanso, lactário planejado, figura 12, banheiro composto de dois trocadores e refeitório.

Figura 11 Berçário I Fonte: página do facebook da Creche, 2015.

Figura 12 Lactário Fonte: página do facebook da Creche, 2015

Pré Maternal e Maternal I:oPré-Maternalé destinado a crianças com2 anos após o dia 31 de março. A capacidade da turma é de 12 alunos. Já o Maternal I, é uma turma para crianças de 2 anos completos até 31 de março. Tem capacidade para 20 alunos. As salas dos pré-maternais são destinadas ao aprendizado, dessa forma possuem mesas e cadeiras ajustadas à faixa etária. A sala de aula é organizada em diferentes áreas,


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sendo eles: cantinho da leitura e contação de história, cantinho da estimulação motora e o cantinho das atividades gráficas. 

Maternal II: tem a capacidade para atender até 24 crianças de 3anos completos até 31 de março, figura 13.

Figura 13Maternal Fonte: página do facebook da Creche, 2015.

Jardim I e Jardim II: a capacidade de atendimento nestas turmas é de até 20 crianças, figura 14.

Figura 14 Jardim I e II Fonte: página do facebook da Creche, 2015.

Os pré-maternais, maternais e jardins, possuem estrutura semelhante, possuindo: salas destinadas ao aprendizado, banheiros com sanitários e pias adaptados à altura das crianças, figura 15, e refeitório compartilhado com outras turmas, figura 16, que utilizam este em diferentes horários.


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Figura 15 Banheiro Feminino Fonte: página do facebook da Creche, 2015.

Figura 16 Refeitório Fonte: página do facebook da Creche, 2015.

Outras instalações encontradas na instituição disponíveis para as crianças são: as salas para o desenvolvimento de atividades físicas como judô e balé, quadra de esporte coberta, espaço kids, figura 17, playground, figura 18,e enfermaria.

Figura 17 Espaço Kids Fonte: página do facebook da Creche, 2015.

Figura 18 Playground Fonte: página do facebook da Creche, 2015.

3.7.2.2 Aspectos formais e estéticos A edificação possui um estilo moderno, composta por um grande bloco retangular disposto horizontalmente, que possui coberturas em diferentes níveis, fornecendo a fachada ideia de movimento. Ainda sobre a cobertura, a cobertura para o acesso a edificação merece especial destaque, por se encontrar em balanço e fornecer leveza à fachada. A disposição das esquadrias e os diferentes tipos de esquadrias reforçam a ideia de movimento, porém não há uma desordem, havendo harmonia na forma como estão dispostas. Outro ponto de destaque e que confere grande valor estético a fachada, figura 19, é a utilização das cores primárias nas platibandas das coberturas, harmonizando com as cores neutras que revestem as paredes externas.


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Figura 19Fachada da Creche e Escola Planeta Bebê Fonte: página do facebook da Creche, 2015.

3.7.2.3 Aspectos construtivos O empreendimento é construído em alvenaria, possuindo cobertura em telhas de alumínio revestidas com platibanda em placa de aço galvalume pré-pintado em diferentes cores. A cobertura para o acesso a edificação merece especial destaque por se encontrar em balanço, feita em estrutura metálica revestida com placas de aço galvalume. As esquadrias possuem diferentes tamanhos e formas sendo de vidro temperado verde sobre perfil metálico. As paredes externas são revestidas com tinta em tonalidades claras e tijolinhos. Já as paredes internas foram pintadas com diferentes cores, cores estas que variam de acordo com o ambiente em que se encontram, e também foram revestidas com adesivos. Os pisos utilizados na edificação foram o porcelanato polido, antiderrapante e imitativo de madeira e piso de borracha. Os forros dos ambientes são em gesso acartonado. Em alguns ambientes o forro em gesso acartonado foi revestido com adesivos.

3.7.3 Caso nacional- Centro Dia do Idoso (CDI) “Orlando Denardi” – São Paulo O CDI, figura 20, encontra-se localizado em Araras no estado de São Paulo. Inaugurado em 2015, possui capacidade para atender até 50 idosos semidependentes, possuindo ainda ligação com o Centro de Lazer da Terceira Idade “Hilda Masson Bordin Maretto”. A prioridade do atendimento é para aqueles idosos cujas famílias não têm condições de os


31

acompanharem durante o dia, pois precisam trabalhar. Ao final da tarde, os idosos voltam para suas casas. O centro faz parte do Programa São Paulo Amigo do Idoso, lançado em 2012, executado por 11 Secretarias de Estado, sob a coordenação da Secretaria de Desenvolvimento Social. O programa tem o objetivo de fazer de São Paulo o primeiro Estado Amigo do Idoso.

Figura 20 CDI Orlando Denardi Fonte: Jornal Opinião, 2015.

3.7.3.1 Aspectos funcionais O centro possui serviços de refeições, atividades de lazer, figura 21, cultura e esporte, além de estrutura com banheiros adaptados, área de descanso e sala de convivência que inclui TV com DVD, enfermaria e computadores para aulas de informática, sala de terapia ocupacional, varanda com equipamentos de ginástica, figura 22, cozinha e dois quartos para repouso. Composto por uma equipe multidisciplinar com nutricionista, assistente social, psicólogo, terapeutas ocupacionais, cuidadoras, professor de educação física e fisioterapeuta. Os atendidos que têm prescrição médica de algum tipo de medicação são acompanhados por uma enfermeira, que controla os horários e doses individualmente.


32

Figura 21 Sala de atividades Fonte: Portal do governo de SP, 2015.

Figura 22 Equipamentos de ginástica Fonte: Portal do governo de SP, 2015.

3.7.3.2 Aspectos formais e estéticos A edificação possui um estilo moderno com presença de adições e subtrações no bloco principal, conferindo movimento à forma, figura 23. A estrutura busca uniformidade por meio do uso de cor neutra e materiais como vidro e metal que trazem leveza as fachadas, figura 24, no entanto a fachada principal faz o uso de uma única cor primária para ganhar destaque e compor com a identidade visual do tipo de edificação projetada, uma vez que, outros centrosdia presentes em São Paulo estão utilizando da mesma cor.

Figura 23Perspectiva 01 CDI Orlando Denardi Fonte: Jornal Opinião, 2015.

Figura 24Perspectiva 02 CDI Orlando Denardi Fonte: Jornal Opinião, 2015.

3.7.3.3 Aspectos construtivos A edificação faz uso de materiais como vidro incolor em armação metálica, figura 25, telhas de PVC na cor branca sobre estrutura metálica, figura 26,no entanto a cobertura não se torna aparente em alguns pontos uma vez que são utilizadas platibandas com coroamento. Para a pavimentação das áreas externas são utilizados blocos de concreto ou concreto liso


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enquanto para as áreas internas foi identificado o uso de porcelanato e piso vibro prensado, figura 27.

Figura 25 Utilização de vidro na fachada posterior Fonte: Tribuna do povo, 2015.

Figura 26Cobertura de telhas de PVC sobre estrutura metálica Fonte: Jornal Opinião, 2015.

Figura 27Uso de piso vibro prensado na sala de descanso Fonte: Portal do governo de SP, 2015.

3.7.4 Caso nacional – Creche Municipal Hassis, na Costeira do Pirajubaé, Florianópolis – Santa Catarina A “Creche Municipal Hassis”, figura 28, é a primeira creche nacional da rede municipal construída segundo o padrão internacional de sustentabilidade, projeto de autoria da arquiteta da prefeitura de Florianópolis Rachel Braga. A unidade foi erguida em um terreno de quase 12 mil metros quadrados, possuindo um prédio com 1.182m² e foi inaugurada em abril de 2015 para atender cerca de 200 crianças de zero a cinco anos.


34

Figura 28 Vista 01 da Creche Municipal Hassis Fonte: BetinaHumeres / Agência RBS, 2016.

3.7.4.1 Aspectos funcionais A edificação possui dez salas de aula, uma sala multiuso, parque, quadra, bosque, horta, cozinha, refeitório

e

estacionamento,

tudo

mantido

e

abastecido

com

recursos

e procedimentos sustentáveis. Nas salas de aula, figura 29, os móveis foram projetados de acordo com as necessidades das professoras e das crianças, havendo cabanas para brincadeiras, mesas circulares, quadradas e retangulares, cadeiras baixas, estantes para livros, brinquedos e circuitos com escada e escorregador. A sala multiuso, figura 30, possui móveis de acrílico, para facilitar a visão do que está dentro das gavetas e dos armários. Algumas mesas são espelhadas, para refletir objetos. O pátio coberto é usado para atividades como canto, coral e teatro, enquanto a varanda ao lado do refeitório permite que as crianças comam na área externa.

Figura 29 Sala de Aula Fonte: https://vimeo.com/123750149, 2016.

Figura 30 Sala multiuso Fonte: Marco Santia, 2015.


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3.7.4.2 Aspectos formais e estéticos A edificação, figura 31, possui um estilo moderno com um jogo de combinação de formas e adições, havendo junção de primas retangulares e hexagonal, na qual a base retangular é disposta horizontalmente sobre o terreno, ganhando adição de outra forma retangular, que confere a edificação pé-direito maior com a função de trazer luz e ventilação natural para o interior, e de uma forma hexagonal decorativa, mas também funcional. As coberturas possuem caimento para diferentes direções, conferindo a edificação movimento, possuindo a função de receber melhor os raios solares pelas placas fotovoltaicas. As esquadrias possuem diferentes tamanhos e formatos, entretanto seguem uma ordem, enquanto as cores utilizadas nas fachadas e elementos são diversificadas.

Figura 31 Vista 02 da Creche Municipal Hassis Fonte: BetinaHumeres / Agência RBS, 2016.

3.7.4.3 Aspectos construtivos A creche Hassis foi construída inteiramente para ser considerada a primeira creche sustentável do país. Desde sua concepção, o projeto seguiu as instruções da certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design). Entre os materiais usados na construção da edificação estão tintas, adesivos, selantes, revestimentos, pisos, rejuntes e placas de forro acústico com baixa emissão de compostos orgânicos voláteis, substâncias químicas tóxicas conhecidas pelas siglas COV ou VOC. A madeira usada é certificada, logo as varandas pergoladas e playground, figura 32, são feitos de madeira certificada pelo Forest Stewarship Council (FSC), proveniente de manejo florestal. O edifício tem ventilação cruzada, figura 33, através de esquadrias grandes e de vidro


36

sobreperfil metálico, para permitir que os ambientes fiquem mais arejados e necessitem menos do uso de ar-condicionado. Há várias aberturas no alto das paredes para permitir a iluminação natural. A maior parte do telhado é pintada de branco para refletir menos a luz do sol e diminuir a temperatura interna. A cobertura sobre a área dos trabalhos manuais trata-se de uma cobertura verde. O piso do estacionamento é feito com uma mistura de concreto com cascas de ostras trituradas, restos da cultura do fruto do mar feita em Florianópolis e que seria jogada no lixo. Durante a obra, a empreiteira responsável teve de adotar procedimentos sustentáveis, como armazenar a água da construção e da chuva para reuso e para evitar enchentes e contaminações do terreno, limpar os caminhões para que não sujassem as ruas, manter o ambiente livre do fumo e outras ações. A creche conta ainda com domos feitos de lâmina acrílica prismática no teto da circulação coberta, mantas isolantes de subcobertura e forro acústico de lãs minerais biossolúveis que darão maior conforto térmico e acústico ao pátio central e circulação coberta.

Figura 32 Playground em madeira certificada Fonte: Google Imagens, 2016.

Figura 33 Ventilação cruzada e iluminação natural Fonte: http://psd.org.br/, 2016

3.7.4.4 Aspectos ambientais Além dos materiais construtivos citados no tópico acima, a forma como a edificação será utilizada e se manterá também foi pensada, sendo assim a edificação fará o uso de energia fotovoltaica, sistema de aquecimento de água por energia solar e sistema de aproveitamento de águas pluviais. 

Energia fotovoltaica: a creche fará utilização da energia do sol para gerar eletricidade através da energia fotovoltaica, esta energia será captada por painéis solares de silício amorfo, ver figura 36. O sistema é interligado à rede elétrica pública, dispensando


37

assim os bancos de bateria e se o gerador solar fornecer mais energia do que a necessária para atender a creche, o excesso será injetado na rede elétrica. 

Aquecimento de água por energia solar: composto por coletores (placas) e reservatório térmico (Boiler). Os coletores são responsáveis pela absorção da radiação solar. Esse calor, por sua vez, é transferido para a água que circulará no interior do equipamento, seguindo para o reservatório térmico. A água poderá ser utilizada em chuveiros, cozinha e lavanderia.

Aproveitamento da água de chuva: o sistema de aproveitamento de águas pluviais contribui na redução da velocidade de escoamento de águas para as bacias hidrográficas em áreas urbanas, com alto coeficiente de impermeabilização do solo e dificuldade de drenagem, ajudando no controle de ocorrências de inundações, amortecimento

e

diminuição

dos

problemas

das

vazões

de

cheias

e,

consequentemente, na extensão de prejuízos. A captação da água será feita pelos sistemas de drenagem projetados, ver figura 34, e será utilizada para fins não potáveis em torneiras de jardim e vasos sanitários, visando à eficiência dos recursos hídricos.

Figura 34 Cisterna e Placas Fotovoltaicas Fonte: http://www.ecohabitatbrasil.com.br/, 2016.

Como dito anteriormente, a construção foi projetada de forma a seguir as instruções da certificação LEED, logo, a creche seguiu os critérios impostos para a certificação, que estão inseridos em sete categorias de avaliação: Terrenos Sustentáveis, Eficiência do Uso de Água, Energia e Atmosfera, Materiais e Recursos, Qualidade do Ambiente Interno, Inovação em Design e Prioridades Regionais, figura 35.


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Figura 35 Itens de inovação na creche Fonte: http://horadesantacatarina.clicrbs.com.br/, 2015.

3.7.5 Caso Internacional: Casa de repouso “Providence Mount St. Vincent” e préescola “Intergenerational Learning Center”, Seattle (Estados Unidos) A “Providence Mount St. Vincent”, figura 36, é uma casa de repouso instalada em Seattle, nos Estados Unidos e possui dentro de suas instalações uma pré-escola, a Intergenerational Learning Center. Esta iniciativa partiu da rede se sistema de saúde Providence Health & Services em 1991.

Figura 36 Perspectiva 1 do Providence Mount St. Vicent Fonte: http://walkingseattle.blogspot.com.br/, 2013.


39

Apesar de pesquisas detalhadas a respeito da edificação não foi encontrada a data de sua construção nem os arquitetos/engenheiros responsáveis pela concepção dos espaços.

3.7.5.1 Aspectos funcionais Também conhecida como “The Mount”, a Providence Mount St. Vincent possui um total de 400 idosos institucionalizados, os quais durante cinco dias por semana têm a oportunidade de interagir com as crianças de 0 a 5 anos da pré-escola Intergenerational Learning Center, instalada dentro de suas imediações, em atividades planejadas, tais como música, arte e contar histórias, figura 37.

Figura 37 Atividade entre idosos e crianças Fonte: http://www.dailymail.co.uk/, 2015.

A casa de repouso possui uma variedade de serviços de saúde e serviços comunitários, os quais possuem ambientes projetados de acordo com as funções especificas. Os ambientes destinados ao bem estar e saúde dos idosos são: sala de ginástica, cozinha para terapia ocupacional, apartamentos tipo quitinete, figura 38, capela, espaço para os enfermeiros, livraria, salão de beleza, clinica de bem-estar. Os ambientes destinados a interação entre idosos, familiares, crianças da pré-escola e comunidade são: restaurante, cafeteria, sala de estar, sala familiar intergeracional, áreas de lazer, sala de café da manhã, sala de janta, lobby principal, figura 39, lojas de souvenires e roupas.


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Figura 38 Apartamento Fonte: VirtualHealthcaretours.com, 2016.

Figura 39Lobby principal Fonte: VirtualHealthcaretours.com, 2016.

A pré-escola instalada dentro do “The Mount” dispõe de quatro áreas, divididas de acordo com faixa etária: 

Seis semanas a 16 meses de idade: quarto infantil composto por dois quartos espaçosos, luz que permitem que os bebês para explorar e experiência através de seus sentidos livremente, sons, texturas, imagens visuais e o uso de seus corpos para reforçar todas as formas de desenvolvimento.

De 1 e 2 anos: este grupo de crianças tem amplas oportunidades para usar suas habilidades físicas emergentes como escalar, correr, usando habilidades manipulativas, esvaziando malas e bolsas, pintura com esponjas, brincar com bonecas e artigos para o lar, olhando os livros, e que espirra na água.

24-36 meses. Para essa faixa etária são destinadas salas para o funcionamento em tempo integral.

3-5 anos de idade. Possuem dois quartos pré-escolares grandes e espaçosos para grupos com média de 20 crianças. Cada grupo tem atividades regulares com residentes. As crianças e os moradores dispõem de um estúdio de arte e música.

A sala familiar intergeracional, figuras 40 e 41, localizada entre as salas dos enfermeiros, destinada as crianças 18 meses a 28 meses, é um espaço compartilhado entre residentes e crianças. Moradores usam este espaço para atividades especiais, bem como crianças que visitam.


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Figura 40 Perspectiva 01-sala familiar intergeracional Fonte: VirtualHealthcaretours.com, 2016.

Figura 41 Perspectiva 02 - sala familiar intergeracional Fonte: VirtualHealthcaretours.com, 2016.

3.7.5.2 Aspectos formais e estéticos O Providence Mount St. Vincent possui construção em estilo moderno. Sua forma de prisma retangular é simétrica. Os elementos formam uma composição dinâmica, através da repetição dos diferentes tipos de esquadrias nas fachadas, que conferem a edificação movimento, atividade, harmonia, unidade e ritmo. A disposição da edificação no terreno é central, com a grande quantidade de esquadrias conectando os institucionalizados com o exterior. A entrada principal para a edificação quebra a forma retangular presente em todo o edifício, através da sobreposição de coberturas, com formas curvas e retas de diferentes tamanhos apoiadas sobre grandes pilares de cores diferenciadas das utilizadas na edificação principal. As cores utilizadas nas fachadas, figura 42,são sóbrias e contrastantes trazendo uma sensação de acolhimento e conforto visual que compõem ainda com a vegetação do entorno.

Figura 42 Perspectiva 2 do Providence Mount St. Vicent Fonte: https://www.flickr.com/,2012.


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3.7.5.3 Aspectos construtivos O edifício possui a construção em steel frame, no qual a estrutura é formada por perfis leves de aço galvanizado com o fechamento das paredes internas em placas de gesso acartonado (drywall) e o fechamento das paredes externas em placas cimentícias. As paredes são preenchidas por lã de vidro ou rocha, para isolamento térmico e acústico, além de película antiumidade. O revestimento das fachadas é feito por meio de tijolinhos de diferentes cores. As esquadrias são em madeira e vidro duplo, para o conforto térmico do ambiente. Os pisos variam entre madeira e carpete para salas e dormitórios. Para banheiros e cozinhas, há uso pisos de vinil ou pisos de madeira. A cobertura é de laje impermeabilizada por camadas de mantas asfálticas.

3.7.6 Síntese dos estudos A importância da realização dos estudos dos aspectos funcionais, formais e estéticos, construtivos e ambientais de cada edificação foi fundamental para coleta de material para elaboração futura de projeto arquitetônico. Dentre os aspectos funcionais destacam-se no CECI em Manaus a organização das salas de atividades entorno de uma praça central, a instalação de salas para desenvolvimento de diferentes atividades recreativas e físicas no CDI em São Paulo e a sala familiar intergeracional e lobby principal na Casa de repouso “Providence Mount St. Vincent” nos EUA, bem como os ambientes projetados que oferecem a possibilidade para os idosos visitarem e interagirem com as crianças no momento em que quiserem. Destaca-se ainda o fato de que todas as instituições são totalmente adaptadas com rampas, corrimões, barras e todas as demais estruturas de acessibilidade que facilitam e trazem segurança ao dia-a-dia dos idosos. Quanto aos aspectos formais e estéticos há predominância do estilo contemporâneo, nas quais as edificações possuem simetria, ritmo. As formas das construções divergem em como são dispostas no terreno, por exemplo, enquanto no CECI a ocupação das formas é horizontal, 01 pavimento apenas, o Providence Mount St. Vincent possui uma edificação central com mais de dois pavimentos. Os aspectos estéticos das construções ficam por conta da utilização de cores neutras, formato das esquadrias e a ausência de arranjos estéticos. Os aspectos construtivos do Providence Mount St. Vincent destacam-se uma vez que possui técnicas utilizadas nos Estados Unidos, como construção em steel frame e preocupação especial com o conforto térmico, devido ao inverno que enfrentam.


43

Já nas creches, nos aspectos funcionais destacam-se a organização dos espaços de acordo com faixa etária e espaços que estimulam as crianças na aprendizagem e desenvolvimento. Na Creche e Escola Planeta Bebê em Manaus destacam-se o refeitório compartilhado pelas crianças de diferentes faixas etárias, as áreas externas para o lazer, assim como o espaço kids, um grande espaço para o brincar e aprender das crianças. A Creche Municipal Hassis em Florianópolis possui muitos diferenciais, porem nos aspectos funcionais destacam-se os móveis projetados de acordo com as necessidades das professoras e das crianças, móveis de acrílico, para facilitar a visão do que está dentro das gavetas e dos armários, mesas espelhadas para refletir objetos e varanda ao lado do refeitório permite que as crianças comam na área externa. No Intergenerational Learning Center em Seattle as crianças dispõem, assim como os idosos, da sala familiar intergeracional assim como de atividades projetadas especialmente para a interação com os residentes do asilo Providence Mount St. Vincent. As creches estudadas possuem predominância do estilo contemporâneo, com o jogo de formas e cores, sendo predominante o uso de muitas cores, tanto no seu exterior quanto nos seus ambientes internos, sendo as cores importantes estimulantes para as crianças. Quanto aos aspectos construtivos, a Creche e Escola Planeta Bebê foi construída em alvenaria e materiais convencionais, a Creche Municipal Hassis foi projetada de forma a seguir as instruções da certificação LEED e o Intergenerational Learning Center possui construção igual ao do Providence Mount St. Vincent. A Creche Municipal Hassis foi à única edificação construída pensando nos aspectos ambientai. Planejada para possuir a certificação LEED houve preocupação com o meio ambiente desde sua construção até o seu funcionamento. Os materiais usados na construção possuem baixa emissão de compostos orgânicos voláteis em sua produção e para diminuir os impactos durante seu funcionamento fará uso de telhado verde, reutilização de água pluvial e placas fotovoltaicas para gerar eletricidade e aquecer água.

4.

ESCOLHA E JUSTIFICATIVA DO TERRENO O terreno escolhido para a construção da edificação está localizado no bairro do Flores,

zona Centro-Sul do município Manaus, figuras 43 e 44, possuindo uma área total de 6.500,00m².


44

Figura 43 Mapa de localização do terreno Fonte: Mapa Cadastral de Manaus (editado pela autora, 2016)

Figura 44 Mapa de localização do terreno em malha viária Fonte: Google Earth(editada pela autora, 2016

Para a escolha do terreno foram levadas em consideração: a demanda do bairro escolhido e bairros vizinhos pela edificação a ser projetada, os equipamentos existentes em seu entorno, os indicadores sociais e a via de acesso para o empreendimento, logo o terreno está situado na Avenida Professor Nilton Lins, via de fácil acesso e que possui ligação com a Avenida Torquato Tapajós, via está que é um dos principais meios de acesso ao Centro de Manaus,


45

figuras 45 e 46. O entorno do empreendimento possui uma variedade de usos como residencial, serviço, institucional e comercial, sendo suprido por sistema elétrico, hidráulico e de drenagem.

Figura 45 Vista 1 do terreno Fonte: Autora, 2016.

Figura 46 Vista 2 do terreno Fonte: Autora, 2016.

4.1

HISTÓRICO DO BAIRRO A conquista de novos espaços no perímetro urbano da cidade de Manaus, a partir da

povoação da antiga Vila Municipal, atual Adrianópolis, se deu em direção a Zona Centro-Sul.


46

As linhas dos bondes seguiram até o bairro, que em 1891 já era habitado por pequenos sitiantes, que usavam a terra para plantar hortaliças e frutas que eram comercializadas nas imediações do mercado Adolfo Lisboa. O primeiro morador a adquirir um terreno pelas vias legais, onde hoje é o bairro de Flores, se chamava Francisco Flores, por este motivo o bairro recebeu o nome de Flores, sendo sua porta de entrada a conhecida ponte dos Bilhares, que na atualidade está integrada ao bairro São Geraldo. No ano de 1950, com a desativação dos bondes em Manaus, o bairro ficou isolado, restando aos muitos moradores à única opção de caminhar até os limites da cidade para vender seus produtos agrícolas. O aumento expressivo do crescimento urbano em direção àquela zona forçou o bairro a se modernizar em ampla escala, dessa forma o bairro de Flores, o maior da zona Centro-Sul, foi crescendo em número populacional por abrigar conjuntos residenciais dentro de seu perímetro que se tornaram independentes. O bairro de Flores é traçado pelas principais avenidas de Manaus, como parte da Constantino Nery, Torquato Tapajós e Max Teixeira, com um perímetro de 1.317.99 hectares totalmente habitado, entre as zonas Centro- Sul e Norte. Está situado ao Norte com a Colônia Santo Antônio, ao leste com a Cidade Nova, ao oeste com o Bairro da Paz e ao Sul com o Parque Dez de Novembro, figura 47.

Figura 47 Mapa de localização do bairro de Flores Fonte: Google Earth (editada pela autora, 2016)


47

A área em que o terreno esta localizado possui uma grande quantidade de usos, no entanto são predominantes os usos residenciais como o Condomínio Residencial Portugal, figura 48, e Residencial Torres de Andaluzia, figura 49, comercial como Academia Conexão Fitness, figura 50, e serviço como a Paróquia NS de Guadalupe, figura 51.

Figura 48 Condomínio Residencial Portugal Fonte: Autora, 2016.

Figura 50 Academia Conexão Fitness Fonte: Autora, 2016.

4.2

Figura 49Residencial Torres de Andaluzia Fonte: Autora, 2016.

Figura 51Paroquia NS de Guadalupe Fonte: Autora, 2016.

ANÁLISE DO ENTORNO De acordo com visitas realizadas no entorno do terreno, no dia 05 de Setembro de 2016,

percebeu-se a presença consolidada de atividades de uso residencial, comercial e serviço. Nesse processo adotou-se um perímetro determinado pelo orientador para avaliar uso e ocupação do solo, gabarito, tipologia e sistema viário. O entorno da área do terreno possui diferentes tipos de usos com predominância de residências multifamiliares, figura 52, e unifamilares, figura 53. Outros usos encontrados são as edificações de uso comercial como a pizzaria Latorre, figura 54, o Posto de Combustível,


48

figura 55, uso institucional como a Escolinha de Futebol, figura 56,e as de uso de serviço como o Palácio Maçônico da Amazônia, figura 57. Os dados sobre o levantamento do entorno serão apresentados nos tópicos seguintes.

Figura 52Residencial Torres de Andaluzia Fonte: Autora, 2016.

Figura 53 Uso Residencial Fonte: Autora, 2016.

Figura 54 Pizzaria Latorre Fonte: Google Imagens, 2016.

Figura 55 Posto de Combustível Fonte: Google Imagens, 2016.

Figura 56Escolinha de Futebol Fonte: Google Street View, 2016.

Figura 57SollariumMall Fonte: Autora, 2016.


49

4.3

USO E OCUPAÇÃO DO SOLO A figura 58, correspondente ao levantamento do uso e ocupação do solo do entornodo

terreno, dentro de um perímetro determinado pelo orientador, ilustrando o uso e ocupação da

área,

sendo

esta uma área com uso diversificado possuindo edificações de uso

predominantemente residencial.

Figura 58 Mapa de Uso e Ocupação do Solo Fonte: Mapa Cadastral de Manaus (editado pela autora, 2016)

A tabela 2, gerada a partir do levantamento acima, indica por meio de número exatos que o maior número de edificações são residenciais, no entanto é possível localizar ainda edificações de comércio, serviço e institucional.

Usos

Número de Edificações

Uso Residencial

410

Uso Comercial

39

Serviço

05

Uso Industrial

00

Uso Institucional

05


50

Lote Vazio

10

Total

469

Tabela 2 Uso e Ocupação do Solo Fonte: Autora, 2016.

Ainda para melhor compreensão a respeito do uso e ocupação do solo, foi utilizado um terceiro recurso, o gráfico 1 com base na tabela 2, onde é possível ver nitidamente que, 88% das edificações próximas ao terreno proposto são de uso residencial, 8%são de uso comercial, 1% de serviço, 1% de uso institucional, 0% sãode uso industrial e 2% são lotes vazios.

1% 1% 0% 2% 8% Uso Residencial Uso Comercial Serviço Uso Institucional 88%

Uso Industrial Lote Vazio

Gráfico 1 Uso e Ocupação do Solo em porcentagem Fonte: Autora, 2016

4.4

TIPOLOGIA A figura 59, correspondente ao levantamento de tipologia do entorno do

terreno

escolhido ilustrando as tipologias existentes, uma quantidade significativa de construções são de alvenaria, havendo apenas algumas mistas.


51

Figura 59 Mapa de Tipologia Fonte: Mapa Cadastral de Manaus (editado pela autora, 2016)

A tabela 3,geradaa partir do levantamento acima, indica por meio de número exatos que o maior número de edificações são de tipologia de alvenaria.

Tipologia

Número de Edificações

Alvenaria

457

Madeira

0

Misto (Alvenaria + Estrutura Metálica)

2

Lote Vazio

10

Total

469

Tabela 3 Tipologia Fonte: Autora, 2016.

Ainda para melhor compreensão a respeito da tipologia, foi utilizado um terceiro recurso, o gráfico 2 com base na tabela 3, onde é possível ver nitidamente que,

97,57%

das

edificações próximas ao terreno proposto são de alvenaria e apenas 0,43% possuem tipologia diferenciada, sendo mistas (alvenaria e estrutura metálica), enquanto 2% são lotes vazios.


52

0%

0,43% 2%

Alvenaria Madeira Misto (alvenaria + metálico) 97,57%

Lote Vazio

Gráfico 2 Tipologia das edificações em porcentagem Fonte: Autora, 2016.

4.5

GABARITO DE ALTURA A figura 60, correspondente ao levantamento de gabarito do entorno do terreno escolhido,

ilustrando o gabarito da área, sendo predominante as edificações com gabarito horizontal, havendo ainda edificações com verticalização baixa e edificações com verticalização média.

Figura 60 Mapa de Gabarito Fonte: Mapa Cadastral de Manaus (editado pela autora, 2016)


53

A tabela 4,gerada a partir do levantamento acima, indica por meio de número exatos que o maior número de edificações possuem 1 pavimento seguidas de edificações com 2 pavimentos e também uma pequena quantidade em 3 e 4 ou mais pavimentos.

Gabarito

Número de Edificações

1 Pavimento

228

2 Pavimentos

203

3 Pavimentos

11

4 Pavimentos ou mais

12

Lote Vazio

10

Total

469

Tabela 4 Gabarito Fonte: Autora, 2016.

Ainda para melhor compreensão a respeito do gabarito da área, foi utilizado um terceiro recurso, o gráfico 3 com base na tabela 4, onde é possível ver nitidamente que, 49% das edificações

possuem 01 pavimento, 44% possuem 02 pavimentos, 2% possuem 03

pavimentos, 3% possuem 4 pavimentos e 2% são lotes vazios.

2%

3% 2%

49% 44%

1 Pavimento 2 Pavimentos 3 Pavimentos 4 Pavimentos ou mais Lote Vazio

Gráfico 3 Gabarito das edificações em porcentagem Fonte: Autora, 2016.


54

4.6

SISTÉMA VIÁRIO O sistema viário segundo a definição da Associação Brasileira de Normas Técnicas

(ABNT) “é o conjunto de vias, classificadas, de um sistema de rodovias, ferrovias e/ou de outras formas de transportes”. Quanto à classificação das vias, o Anexo II, da Lei Complementar Nº 004 de 2014, do Plano Diretor Urbano e Ambiental de Manaus (2014, p.46) classifica as vias em: 

Vias Estruturais (E);

Vias Arteriais (A);

Vias Coletoras (C);

Vias Locais (L)

O terreno escolhido está localizado em uma via coletora, Avenida Professor Nilton Lins, tendo em seu entorno outra vias locais e vias particulares, figura 61.

Legenda: Terreno em questão Via Coletora Vias locais Vias particulares Figura 61 Mapa de Hierarquia Viária Fonte: Google Earth (editada pela autora, 2016)


55

Quanto ao fluxo da via esta possui sentido duplo, com cada sentindo contendo duas faixas de 3,60m de largura, divididas por barreiras de concreto (dente de dragão). O fluxo da via pode ser observado na figura 62.

Legenda: Terreno em questão Sentido 01 Sentido 02 Figura 62 Mapa de fluxo viário Fonte: Google Earth (editada pela autora, 2016)

A estrutura viária e a rede de transporte público têm especial participação na configuração do desenho das cidades. Na figura 63, encontram-se em destaque os pontos de ônibus existentes dentro do perímetro determinado pelo orientador do projeto. O ponto de ônibus, mais próximo do terreno escolhido encontra-se a 95,00m de distância.


56

Legenda: Terreno em questão

Pontos de ônibus

Figura 63 Mapa de localização de pontos de ônibus Fonte: Google Earth (editada pela autora, 2016)

O ponto de ônibus mais próximo do terreno está em frente a ele na Avenida Prof. Nilton Lins, figura 64, sentido 2, e é atendido por uma grande quantidade de rotas, as quais podemos citar: 350,401,423,427,440,442 e outros.

Figura 64 ponto de ônibus sentido 2 da avenida Fonte: Autora, 2016.

Outra alternativa é o ponto de ônibus ainda localizado na Av. Prof. Nilton Lins, próximo ao terrenono sentido 1 da via, figura 65,e conforme observações in loco atendidos pelas linhas 350,401,423,427,440, entre outros;


57

Figura 65 Ponto de ônibus sentindo 1 da avenida Fonte: Autora, 2016.

A respeito da sinalização existente, a Avenida em analise possui sinalização horizontal, figuras 66 e 67, e vertical, figuras 68 e 69.

Figura 66 Sinalização na via Fonte: Autora, 2016.

Figura 67 Sinalização horizontalna via Fonte: Autora, 2016

Figura 68 Sinalização vertical na via Fonte: Autora, 2016.

Figura 69 Sinalização vertical na via Fonte: Autora, 2016


58

4.7

TOPOGRAFIA DO TERRENO Quanto a topografia do terreno, este não contém grandes desníveis, possuindo apenas

pequenas variações nos níveis dentro do seu perímetro, figura 68 e 69, havendo ainda uma diferença aproximada de 2,00 m acima do nível da rua, figura 71.

Figura 70 Mapa planialtimétrico do terreno Fonte: Mapa de Curvas de Manaus (editado pela autora, 2016)

Figura 71 Corte do terreno Fonte: Autora, 2016.

4.8

ESTUDOS GEOCLIMÁTICOS O terreno proposto possui sua frente voltada para o lado oeste, recebendo dessa forma

os raios solares por parte da tarde. Os ventos provenientes são do Nordeste, figura 72.


59

Poente

Nascente

Figura 72 Levantamento Geoclimático Fonte: Mapa Cadastral de Manaus (editado pela autora, 2016)

4.9

VEGETAÇÃO EXISTENTE NO A área em que o terreno escolhido se encontra apresenta fragmentos de vegetação, figura

73, havendo variedade de espécies de pequeno, médio e grande porte, figuras 74, 75, 76 e 77. Nas áreas privadas os proprietários as cultivam e mantêm como forma a amenizar o impacto ambiental na área urbana.

Legenda: Terreno em questão Vegetação Figura 73 Mapa de levantamento vegetal do entorno Fonte: Google Earth (editada pela autora, 2016)


60

Figura 74Vegetação presente no terreno Fonte: Autora, 2016

Figura 76Vegetação grande porte Fonte: Autora, 2016

Figura 75Vegetação médio porte Fonte: Autora, 2016

Figura 77Vegetação pequeno porte Fonte: Autora, 2016

Dentro do terreno foram identificadas vegetação de pequeno, médio e grande porte, utilizadas no paisagismo existente na fachada frontal do terreno e também preservadas dentro do terreno como pode ser observado nas figuras78 e 79.

Figura 78 Vegetação no terreno Fonte: Autora, 2016

Figura 79 Vegetação no terreno Fonte: Autora, 2016


61

4.10

CONDICIONANTES LEGAIS

A realização de um projeto arquitetônico deve levar em consideração a legislação vigente. As principais diretrizes legais para esse trabalho serão: 

Legislação Geral:

 Plano Diretor Urbano e Ambiental de Manaus (2014);  Código de Obras e Edificações do Município de Manaus;  NBR9050/2004(Lei de Acessibilidade a Edificações, Mobiliário, Espaços e Equipamentos Urbanos);  Lei 11/90 | Lei nº 11, de 03 de julho de 1990: dispõe sobre normas técnicas para instalações contra incêndio e pânico e dá outras providências em Manaus. 

Legislação destinada ao centro-dia:

 Constituição Federal 1988 (Saúde - artigos 196 a 200);  Lei 8842/94 - Política Nacional do Idoso;  Lei 10741/03 - Estatuto do Idoso;  Portaria 2.528/06 - Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa;  Resolução Nº. 283/2005 - Regulamento Técnico da Agência Sanitária de Vigilância Sanitária (ANVISA) que define normas de funcionamento para asilo; 

Legislação destinada à creche:

 Lei 8.069/90 - Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA);  Resolução CME nº 9 de 16/06/2015;  Lei nº 512, de 13 de Dezembro de 1999 - Dispõe sobre a criação e organização do Sistema Municipal de Ensino do município de Manaus, e dá outras providências.  Parâmetros Básicos de Infraestrutura para Instituições de Educação Infantil MEC, 2006;

5.

5.1

ESTUDO PRELIMINAR

CARACTERÍSTICAS FÍSICAS O objeto apresentado é composto por guarita, estacionamento, edificação principal, bloco

de serviços, jardins, horta e playgrounds implantados em um terreno com área total de 6.500,00m².


62

A edificação principal possui 02 (dois) blocos com diferentes usos, os quais são descritos abaixo: 

Bloco destinado a creche: projetado em 02 (dois) pavimentos, destinado ao ensino de crianças de 02 a 06 anos. Possui em seu pavimento térreo: recepção, secretária, sala da diretora, lavabo diretoria, w.c’s feminino e masculino, sala para assistente social, sala para nutricionista, sala para psicólogo, sala de reunião, copa, almoxarifado, enfermaria, sala de professores, lavabo professores, w.c’s infantis feminino e masculino, brinquedoteca, sala de atividades, sala multiuso, refeitório, cozinha, depósito de material de limpeza, vestiários feminino e masculino para funcionários, sala para nutricionista, recepção e inspeção de alimentos, depósitos de alimentos.. Em seu pavimento superior possui: 04 (quatro) salas de aulas, 04 (quatro) salas de descanso, w.c’sinfantis feminino e masculino, sala de TV e sala de informática.

Bloco destinado ao centro-dia: projetado em 02 (dois) pavimentos, destinado ao desenvolvimento de atividades para idosos a partir de 60 anos com grau de dependência I e II. Possui em seu pavimento térreo: recepção, secretária, sala da diretora, w.c’s feminino e masculino, sala para assistente social, sala para nutricionista, sala para psicólogo, sala de reunião, copa, almoxarifado, enfermaria, sala para fisioterapia, vestiários feminino e masculino, sala de informática, sala para ginástica, sala para culinária, sala multiuso, refeitório, cozinha, depósito de material de limpeza, vestiários feminino e masculino para funcionários, sala para nutricionista, recepção e inspeção de alimentos, depósitos de alimentos.. Em seu pavimento superior possui: 05 (cinco) ateliers para atividades diferenciadas, sala de descanso, biblioteca e w.c’s feminino e masculino.

Os blocos que compõem a edificação principal estão conectados por áreas de vivência como a grande praça central e os jardins, compondo dessa forma o centro de aprendizagem intergeracioanal. Quanto aos equipamentos há 02 (dois) reservatório superiores,

13 (treze) cisternas

verticais para armazenagem de água das chuvas com capacidade para 13 mil litros, subestação,

ETE, 02 (duas) áreas técnicas para comportar os condensadores dos ares-

condicionados e 01 (um) bloco externo de serviço composto pela casa de gás, sala de jardinagem e lixeira.


63

Quanto ao estacionamento este irá comportar 50 (cinquenta) vagas para veículos de clientes e funcionários. A vaga para carga/descarga está locada junto ao bloco externo de serviço.

5.2

DIMENSIONAMENTO DOS AMBIENTES

5.2.1 Dimensionamento: bloco 01 AMBIENTES BLOCO 01- CRECHE

SETOR

AMBIENTE

RECEPÇÃO

SECRETÁRIA

ALMOXARIFADO

ADMINISTRATIVO

DIRETORIA SALA DE REUNIÕES

PÚBLICO ALVO recepção/ espera/ atendimento público atendimento e documentação armazenamento de materiais administração da creche Reuniões internas

SANITÁRIOS

Aos funcionários e

(FEM/MASC)

visitantes

COPA

Apoio aos funcionários

Nº DE USUÁRIOS 6

41,81m²

3

15,83m²

0

6,84m²

3

9,50m²

8

16,15m²

9

16,22m²

4

8,74m²

TOTAL

115,09m² SALA DOS PROFESSORES LAVABO

PEDAGÓGICO

ÁREA

PROFESSORES

Administração das atividades dos

10

16,91m²

1

3,84m²

2

9,50m²

0

6,84m²

educadores Aos professores

SALA

Administração das

COORDENADOR

atividades dos

PEDAGÓGICO

educadores

ALMOXARIFADO

Armazenamento de


64

materiais pedagógicos TOTAL

37,09m² SALA ASSIST. SOCIAL SALA

MÉDICO

PSICOLOGO SALA NUTRICIONISTA ENFERMARIA

Funcionário/ paciente

3

9,50m²

Funcionário/ paciente

3

9,50m²

Funcionário/ paciente

3

9,50m²

Apoio aos pacientes

3

16,91m²

TOTAL

45,41m² JARDIM I

JARDIM II

MATERNAL I

MATERNAL II EDUCACIONAL SALAS DE DESCANSO (x4) SANITÁRIOS (FEM/MASC) SALA DE INFORMÁTICA SALA DE TV SALA DE ATIVIDADES

Ensino de alunos de

15

48,12m²

15

48,12m²

15

48,12m²

15

48,12m²

Descanso para alunos

15

36,55m²

Apoio aos alunos

6

32,75m²

Ao ensino dos alunos

15

44,25m²

Ao ensino dos alunos

15

37,50m²

Ao ensino dos alunos

15

49,64m²

02 a 03 anos Ensino de alunos de 02 a 03 anos Ensino de alunos de 03 a 04 anos Ensino de alunos de 05 a 06 anos

TOTAL

535,57m² BRINQUEDOTECA

SOCIAL/LAZER

SALA MULTIUSO

REFEITÓRIO

Atividades lúdicas e recreativas Atividades lúdicas e recreativas Local de refeição dos alunos

30

99,00m²

30

92,43m²

30

117,10m²


65

SANITÁRIOS

Aos alunos

(FEM/MASC) PLAYGROUND

Atividades lúdicas e recreativas

ESTAR CRIANÇAS ESPAÇO KIDS PRAÇA (ESPAÇO INTERGERACIONAL )

Aos alunos Atividades lúdicas e recreativas Aos utentes e crianças

6

16,51m²

30

112,55m²

5

26,00m²

15

180,00m²

100

335,30m²

TOTAL

978,80m² COZINHA

Preparo de alimentos

CÂMARA

Armazenamento de

FRIGORIFICA

frios

DEPÓSITOS DE ALIMENTOS

alimentos não

INSPEÇÃO

de alimentos Aos funcionários

SALA DE

Armazenamento de

JARDINAGEM

materiais

CENTRAL DE GÁS

DEPÓSITO DE LIXO

Armazenamento de gás Armazenamento de resíduos

SUBESTAÇÃO DEPÓSITO DE

Armazenamento de

LIMPEZA

materiais de limpeza

HORTA TOTAL

0

5,10m²

0

9,50m²

1

9,87m²

4

11,18m²

0

4,00m²

0

5,29m²

0

6,00m²

0

17,50m²

0

2,40m²

0

125,82m²

perecíveis Recepção e inspeção

(FEM/MASC)

32,80m²

Armazenamento de

RECEPÇÃO E

VESTIÁRIOS SERVIÇOS

5

240,64m²


66

5.2.2

Dimensionamento: bloco 02 AMBIENTES BLOCO 02 –CENTRO-DIA

SETOR

AMBIENTE

RECEPÇÃO

SECRETÁRIA

DIRETORIA LAVABO ADMINISTRATIVO

DIRETORA SALA DE REUNIÕES

PÚBLICO ALVO recepção/ espera/

Nº DE USUÁRIOS 6

70,85m²

4

15,83m²

administração da escola

3

9,50m²

Uso diretoria

1

4,41m²

Reuniões internas

8

16,20m²

9

16,22m²

4

8,74m²

atendimento público atendimento e documentação

SANITÁRIOS

Aos funcionários e

(FEM/MASC)

visitantes

COPA

Apoio aos funcionários

TOTAL

141,75m² SALA ASSIST. SOCIAL SALA PSICOLOGO

MÉDICO

SALA FISIOTERAPEUTA SALA NUTRICIONISTA ENFERMARIA

Funcionário/ paciente

3

9,50m²

Funcionário/ paciente

3

9,50m²

Funcionário/ paciente

3

28,44m²

Funcionário/ paciente

3

9,50m²

Apoio aos pacientes

3

16,72m²

TOTAL

73,66m² SALA DE INFORMÁTICA

EDUCACIONAL

ÁREA

ATELIER I – ARTES PLÁSTICAS ATELIER II – CORTE E

Atividades de ensino

20

49,12m²

Atividades de ensino

15

56,87m²

Atividades de ensino

15

56,87m²


67

COSTURA ATELIER III -

Atividades de ensino

15

56,87m²

Atividades de ensino

15

56,87m²

Atividades de ensino

15

49,64m²

SALA DE MÚSICA

Atividades de ensino

15

56,87m²

BIBLIOTECA

Aos utentes

15

84,96m²

Aos utentes

8

34,74m²

ARTESANATO ATELIER IV MARCENARIA SALA DE CULINÁRIA

SANITÁRIOS (FEM/MASC) TOTAL

502,81m² REFEITÓRIO SALA DE DESCANSO

SOCIAL

SALÃO MULTIUSO JARDIM

Local de refeição de

60

117,10m²

15

56,87m²

60

84,54m²

Aos utentes

30

112,55m²

Aos utentes e crianças

100

335,30m²

utentes e funcionários Aos utentes Local de apresentações e reuniões

PRAÇA (ESPAÇO INTERGERACIONA L) TOTAL

706,36m² SALA DE

Local para exercício

GINSÁTICA

físico dos utentes

SAÚDE VESTIÁRIOS (FEM/MASC)

20

49,12m²

15

43,68m²

Aos utentes usuários da academia e sala de ginástica

TOTAL

92,80m² COZINHA

SERVIÇOS

CÂMARA FRIGORIFICA DEPÓSITOS DE

Preparo de alimentos

5

32,80m²

Armazenamento de frios

0

5,10m²

Armazenamento de

0

9,50m²


68

ALIMENTOS

alimentos não perecíveis

RECEPÇÃO E

Recepção e inspeção de

INSPEÇÃO

alimentos

VESTIÁRIOS (FEM/MASC)

Aos funcionários

SALA DE

Armazenamento de

JARDINAGEM

materiais

CENTRAL DE GÁS

Armazenamento de gás

DEPÓSITO DE

Armazenamento de

LIXO

resíduos

SUBESTAÇÃO DEPÓSITO DE

Armazenamento de

LIMPEZA

materiais de limpeza

HORTA TOTAL

5.3

1

9,87m²

4

11,18m²

0

4,00m²

0

5,29m²

0

6,00m²

0

17,50m²

0

2,40m²

0

125,82m² 240,64m²

FLUXOGRAMA

5.3.1 Geral


70

5.3.2 Pavimento TĂŠrreo

5.3.3 Pavimento Superior


70

5.4

IMPLANTAÇÃO O terreno escolhido para a implantação, figura 80, da edificação possui uma área total de

6.500,00m², e irá comportar guarita, estacionamento, edificação principal, bloco de serviços, jardins, horta e playgrounds, os quais irão possuir uma área construída total de 3.856,51m².

Figura 80 Planta de implantação Fonte: Projeto legal, 2016.

O acesso para veículos e pedestres ocorrerá pela Av. Prof. Nilton Lins, sendo controlados por guarita. O acesso possui ainda faixas de aceleração e desaceleração e para acumulação de veículos, que conduzirá os veículos para área de embarque/desembarque e estacionamento. Quanto ao estacionamento este possui 50 (cinquenta)vagas, distribuídas da seguinte forma: 

Vagas para creche: total de 25 (vinte e cinco) vagas, onde, 20 (vinte) vagas são para os clientes, sendo 02 (duas) destinadas aos portadores de necessidades especiais e 02 (duas) destinadas a idosos, e 05 (cinco) vagas são para funcionários.


71

Vagas para centro-dia: total de 25 (vinte e cinco) vagas, onde, 20 (vinte) vagas são para os clientes, sendo 02 (duas) destinadas aos portadores de necessidades especiais e 02 (duas) destinadas a idosos, e 05 (cinco) vagas são para funcionários.

O acesso de serviço será feito pela Rua Para, sendo controlado por câmeras de segurança, havendo uma vaga para carga e descarga reservada dentro do terreno.

5.5

PLANTAS BAIXAS O centro intergeracional é composto por uma edificação principal que possui 02 (dois)

blocos com diferentes usos destinados às atividades de creche e centro-dia. O pavimento térreo, figura 81, possui uma área construída total de 2.311,27m², enquanto o pavimento superior, figura 82, 1.468,00m². Os grandes destaques do projeto para o apoio e desenvolvimento da aprendizagem intergeracional são as áreas de vivência e integração como a praça central com 335,50m², que possui playground, área de estar, acqua play e área de jogos, e o playground da creche e jardim do centro-dia que possuem ligação direta com a praça central.

Figura 81 Planta baixa pav. térreo Fonte: Projeto legal, 2016.


72

Figura 82 Planta baixa pav. superior Fonte: Projeto legal, 2016.

5.6

CORTES Os cortes, figuras 83 e 84,realizados buscam uma melhor compreensão no que diz

respeito a distribuição dos níveis no terreno, uma vez que a edificação encontra-se 2,00m acima do nível da rua, e a concepção dos espaços do projeto como a altura do pé direito e as dimensões das esquadrias, assim como detalhes da cobertura e estrutura de sombra sobre a praça central.

Figura 83 Corte AA Fonte: Projeto legal, 2016.


73

Figura 84 Corte BB Fonte: Projeto legal, 2016.

5.7

FACHADAS E VOLUMETRIA A fachada 01, figura 85, é a principal e dá acesso aos principais ambientes da edificação.

Nessa fachada foi utilizado revestimento em ecowood e pintura em tinta acrílica semiacetinada na cor branco neve, onde os elementos de destaque recebem cores jaca e jenipapo da linha suvinil. Há ainda na fachada principal destaque para as paredes verdes, onde as plantas são comportadas em uma estrutura metálica com traçado geométrico. As esquadrias são em perfil metálico branco e vidro insulado para que haja melhor aproveitamento da luz natural. Há ainda destaque para as esquadrias combinadas com as floreiras.

Figura 85 Fachada 01 Fonte: Projeto legal, 2016.

As fachadas laterais, figura 86, possuem revestimento em pintura com tinta acrílica semiacetinada na cor branco neve, esquadrias em perfil metálico branco e vidro insulado com moldura em ecowood e cobogós de dimensão 50x50cm para a ventilação cruzada dentro das edificações.


74

Figura 86 Fachadas laterais Fonte: Projeto legal, 2016.

A fachada posterior, fugura 87,também possui revestimento em pintura com tinta acrílica semiacetinada na cor branco neve, esquadrias em perfil metálico branco e vidro insulado com moldura em ecowood, e parede revestida com ecowood.

Figura 87 Fachada posterior Fonte: Projeto legal, 2016.

Todas as esquadrias da edificação foram feitas pensando-se no aproveitamento máximo da luz natural e a possibilidade do aproveitamento da ventilação natural, sendo assim as esquadrias serão do tipo pivotante.

Para a concepção da edificação foram trabalhados em sua forma os conceitos de subtração, adição e simetria. Quanto à estética optou-se por um conjunto de esquadrias e cores que resultam em movimento, harmonia, unidade e ritmo.

5.8

PLANTA DE COBERTURA Serão utilizados 03 (três) tipos de coberturas, figura 88. As coberturas dos blocos da

creche e centro-dia, guarita e bloco de serviço externo serão feitas com telhas metálicas com caimento de 5%, com sistema de escoamento de águas realizado por calhas e rufos que irão direcionar a água coletada para cisternas verticais. Serão locadas nas coberturas área técnicas


75

para recebimento de condensadores dos ares-condicionados e barriletes para comportar o sistema de abastecimento de água.

Figura 88 Planta de cobertura Fonte: Projeto legal, 2016.

A cobertura dos refeitórios será feita por uma pérgola metálica com seus vazios preenchidos com placas de policarbonato. A pérgola possuirá caimento de 1% para a coleta de água da chuva, sendo realizada por um sistema de calhas, que irá ser direcionada para cisterna vertical. O terceiro tipo de cobertura será o da praça central, com função apenas de sombra, a qual será uma estrutura tensionada para sombra composta por estrutura metálica e lona translucida de PVC.

6.

RECURSOS TÉCNICOS E MATERIAIS DESEJÁVEIS Sistema construtivo: paredes de alvenaria, estrutura metálica para vigase pilares , laje

nervurada e cobertura em telha metálica sobre armação metálica. Sistema de climatização: ar-condicionado split para as salas de atividades e ventilação cruzada para as áreas comuns. A praça central receberá cobertura especial estrutura tensionada para sombra composta por estrutura metálica e lona translucida de PVC de diferentes cores e traçados em diferentes


76

direções de forma a fazer sombra para o ambiente e conferir ainda a este um espaço lúdico e colorido. Nas fachadas serão utilizados elementos em vidro insular, pintura acrílica, ecowood e parede verde que irão compor o partido arquitetônico, com a intenção de reduzir as absorções dos raios solares, prevenindo o fenômeno das ilhas de calor que são causadas pela predominância do concreto nas fachadas.

A questão sustentável é um aspecto importante a ser explorado no presente projeto, dessa forma serão adotadas esquadrias largas e usos de cobogos para ventilação cruzada e uso da luz natural. Para o conforto térmico será utilizado jardim vertical, vidro insular e uso de cor claras nos ambientes. Como forma de aproveitamento dos recursos será realizada a coleta de água das chuvas por meio de calhas, a qual será direcionada para cisternas verticais com capacidade de 1000L cada, a água será utilizada para regar os jardins, jardim vertical, horta, limpeza das edificações, água dos banheiros. Quanto aos materiais utilizados na construção optou-se pelo uso de tintas ecológicas, uso de madeira reflorestada e materiais recicláveis nos playgrounds e alguns mobiliários.

6.1

PAISAGISMO O paisagismo irá fazer uso de plantas de pequeno, médio e grande porte, nas quais serão

avaliados a adaptação destas ao clima da região, se são originarias da região, o tipo de raíz, que no caso das escolhidas são em sua maioria do tipo pivotante que podem ser plantadas próximas de calçada e passeio, copa, o tempo para manutenção. Foram utilizados ainda para a paginação de piso dos jardins, playgrounds e praça central: pisos de madeira, piso porcelanato de alta resistência, forrações em grama esmeralda, grama amendoim, seixo, casca de pinu e seixo branco. Para os jardins verticais será utilizada uma grande variedade de plantas pendentes a semipendentes, espécies bem cheias, com ramos ou folhas que saem da base, que não demande manutenção constante.


77

Figura 89 Planta de paisagismo Fonte: Projeto legal, 2016.


78

CONCLUSÃO

O projeto arquitetônico teve como referências pesquisas e análises sendo agregados

conhecimento suficientes a respeito das necessidades primárias, bem como as inovações e diferenciais, também a importância geral do tema de aprendizagem intergeracional para a atualidade. Levando em consideração que a qualidade de vida de idosos e crianças está relacionada a diversos fatores, dentre os quais estão o ambiente e suas relações, buscou-se entender como a arquitetura das instituições projetadas esta sendo desenvolvida em espaços que integrem os idosos e crianças à comunidade, e que possa ser adequado aos diferentes usos e grupo de pessoas respeitando a individualidade e necessidade destes. A procura por referências diretas e indiretas apontou a inexistência de Centros Intergeracionais no Brasil fortalecendo dessa forma, a necessidade de um projeto deste tipo que irá beneficiar não somente os públicos alvos, como também toda a comunidade adjacente no município de Manaus.


79

REFERÊNCIAS

Referências Citadas

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81

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82

<http://www.pmf.sc.gov.br/noticias/index.php?pagina=notpagina&noti=8877>.Acesso em: 22 de Abril de 2016, às 23:44min.

<http://www.larsantana.com.br/larsantana/index.php>.Acesso em: 22 de Abril de 2016, às 19:15min.

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Google Earth


83

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Centro Intergeracional

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