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HABITANDO A PLANTA GENÉRICA JULIANA LOPES MARTINS


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HABITANDO A PLANTA GENÉRICA ALUNA: JULIANA LOPES MARTINS | ORIENTADOR: ALZIRO NETO DEPARTAMENTO DE ARQUITETURA E URBANISMO PUC-RIO | ARQ 1110 PROJETO FINAL | 2018.1


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RESUMO As pessoas são diferentes entre si mas as residências, não. Afastando-se das mudanças culturais da sociedade, a habitação deriva, até hoje, de uma tipologia padrão, estagnando-se em um modelo burguês pós-revolução industrial onde o trabalho é retirado da casa e passado para a fábrica, tornando o espaço de morar, feminino e, o de trabalhar, masculino. Assim, vemos nessas plantas, uma grande divisão de espaços monofuncionais e bem definidos para uma família com um casal de pais e, no máximo, três filhos. Contudo, isso não expressa as novas relações interpessoais e trabalhistas que nossa sociedade atual está cada vez mais adotando. Dessa maneira, pais solteiros, casais sem filhos, pessoas que moram sozinhas, amigos que moram juntos não, conseguem achar uma moradia disponível no mercado, que atendam suas necessidades, principalmente, quando decidem levar o trabalho para dentro de casa, algo cada vez mais comum. Fato que é um dos contribuintes para o esvaziamento dos grandes edifícios comerciais que se veem com taxas de ocupações muito baixas, já que, da mesma maneira que não há mais uma forma padrão de morar, não há mais uma forma padrão de se trabalhar. Aproveitando essa oportunidade dos edifícios coorporativos vazios, que gradativamente, os

tornam mais baratos para se comprar e, somando ao fato de eles terem uma planta genérica, que pode se transformar em qualquer outra coisa, a proposta de projeto visa na sua mudança de função, para criar várias células habitacionais que se moldam em seus usuários. Partindo do pressuposto as plantas comerciais têm uma única organização: a maior quantidade de áreas livres, com elementos estruturais apenas na fachada, e um núcleo central bem definido, onde ocorre a circulação e as instalações, cada andar tem autonomia para dar diferentes soluções para os diferentes tipos de morar, dos mais permanentes até os mais efêmeros além de outros programas com os mais variados propósitos. Além disso, o projeto tem a capacidade de se moldar as diferentes plantas genéricas pois, com apenas ajustes dimensionais, resolveriam a compatibilização com diversos edifícios corporativos, tornando-se, então, um projetopiloto para que centros co-merciais vazios, possam ter uma nova vida e utilização. Contudo, não podemos combater uma arquitetura genérica com outra arquitetura genérica. Dessa maneira, ela deve oferecer convites para o que usuários se apropriem dela, tornando-a única, pessoal e um reflexo dos múltiplos desejos e necessidades do seu habitante. A partir disso, a palavra “habitar” deixa de significar, apenas, “ocupar como residência” e passa a também ser “apropriar-se do espaço”.

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NOVOS MODOS DE H A B I TA R ... As habitações padrões para a familía nuclear e como as novas relações interpessoais exigem uma mudança nesse formato engessado


A H A B I TA Ç Ã O E A FAMÍLIA NUCLEAR Foi durante o século XIX, após a industrialização, que o conceito da família nuclear foi criado já que com o advento das máquinas, o trabalho parou estar dentro das casas e passou a ficar nas fábricas, mudando completamente as relações interpessoais existentes.

singles e jovens, preferem pagar mais no aluguel e viver em lugares menores, porém centrais, do que em subúrbios onde não há os lazeres e as comodidades que a metrópole oferece. Todavia, mesmo com as alterações familiares, o modelo de habitação burguesa europeia do século 9, constituído pelas áreas social, intima e de serviços, permanece intocado pois há a alegação de que se chegou a resultados projetuais rentáveis e que atendem as principais necessidades de seus moradores, mesmo sendo uma uniformidade de solução, uma “habitação para todos”.

Dessa maneira, os habitantes da casa não tinham mais relações de trabalho e sim, consanguíneas, diferentemente da casa medieval, onde a família extensa era constituída por empregados e aprendizes sob a tutela de um “pai-patrão”, que era proprietário dos meios de produção. Assim, em um único cômodo, unia-se habitação e local de trabalho, tornando a moradia um local público.

Desse modo, quando se tenta adaptar as plantas domésticas oferecidas pelo mercado para atender as diferentes necessidades, encontra-se grande dificuldade pois, cada vez mais as casas são mais compartimentadas, com cômodos pequenos e com programas definidos, divididos por alvenarias pesadas e dispendiosas de demolir, desencorajando seus residentes a qualquer mudança.

Contudo, na casa da família nuclear a moradia se torna privada pois perde-se o ofício, fazendo com que a moradia seja compartimentada entre espaços “íntimos” e “públicos, sendo que apenas pessoas próximas dos donos da casa, podem visitar os cômodos considerados públicos. Já os mais “íntimos”, escondidos dos olhos curiosos por grossas paredes e portas, tem como frequentadores, exclusivamente, seus donos.

Apesar de termos manifestações tímidas de novas tipologias, como um quarto de empregada flexível que pode ser o primeiro aberto para a área social, o e único grande momento da história da arquitetura onde se questionou e revisou os espaços da habitação foi o movimento moderno, que ainda norteia grande parte dos projetos de habitação no mundo. Porém, os modernos, criaram um arquétipo da “habitação-para-todos, que foi sendo desconsiderando ao longo dos anos pelas construtoras, apropriando-se apenas daquilo que era economicamente rentável.

Assim, a partir de 1945, é estabelecida a cultura norte-americana como novo referencial de costumes para toda a sociedade dita moderna, que viu nas produções de Hollywood, uma grande dissemi-nadora desse ideal que elevava a habitação à cate-goria de bem de consumo. Entretanto, na metade do século 21, novas formações familiares se tornaram mais populares, como famílias monoparentais ou pessoas vivendo sós. Assim, ao invés da visão padrão na qual família seria constituída por pai, mãe e um ou dos filhos, agora, compreendemos melhor se enxergarmos como um verbo, como Mairca Madianou fala, “nós fazemos família através dos nossos hábitos diários e rituais.”¹

Tendo isso em vista, nas últimas décadas, as propostas arquitetônicas “inovadoras” se restringem ao uso de técnicas construtivas alternativas ás comumente encontradas no mercado ou novos desenhos de fachada, entretanto, a habitação sequer é questionada.

Devido as novas estruturas, o perfil dos habitantes das cidades está sendo modificado, no qual os

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O que uma os Simpsons, uma família de bonecos adesivos em um carro e uma família comercial de margarina têm em comum? Um centro nuclear composto por mãe + pai e, ao seu redor, seus filhos

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A S H A B I TA Ç Õ E S A L T E R N AT I V A S “More por alguns meses ou fique por algumas noites. WeLive é a sua casa pelo tempo que precisar“ - Propaganda do site WeLive²

Focado nos milleniuns (jovens que se tornaram economicamente ativos depois dos anos 2000), cada vez mais surgem projetos de coliving que têm como princípio o compartilhamento das áreas comuns (cozinha e lazer), e a diminuição das áreas privadas, (quartos e banheiros).

desejado, podendo mudar para outro local sem um contrato rígido. Contudo, as opções de coliving no Brasil são restritas à pequena escala, em sua maioria, a moradias particulares adaptadas para que cada morador possua um quarto enquanto divida banheiro, cozinha e áreas comuns com os outros moradores.

Desde pequenas iniciativas até grandes empresas, como Roam e WeLive, o coliving vem chamando atenção pela popularização e aceitação dos mais novos, pois se tornou uma alternativa barata de viver em locais bem localizados na cidade, com a flexibilidade de poder morar com qualquer arranjo familiar, seja single ou múltiplo e pelo tempo

Essa prática, além de insuficiente em números de habitantes, também não consegue ser adaptável para outras necessidades além do tamanho da moradia e divisão de despesas, como, por exemplo, moradias temporárias de 1 dia à poucas semanas.

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Um dos projetos mais inovadores de coliving e coworking, o Roam é uma “Comunidade Global” na qual se paga uma mensalidade de 1.800 dólares e o cliente pode morar em qualquer uma das unidades Roam do mundo, que, até agora, estão presentes em Miami, Londres Bali e Tokyo.

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NOVOS MODOS DE TRABALHAR ... Os ecritórios cubiculados e como as nova relações comerciais exigem uma mudança nesse formato


'Se seus olhos pudessem penetrar nas opacas massas das fachadas, veriam um espetáculo incrível: trezentos mil e quinhentos homens e mulheres – talvez mais – trabalhando num espaço ao mesmo tempo. Uma humanidade que, rompendo com o destino milenar de estar ligada ao chão, está suspensa entre o céu e a terra, subindo e descendo em grupos de vinte e feixes de duzentos. É uma nova cena do purgatório?' Le Corbusier, Quando as catedrais eram brancas³

Playtime, Jacques Tati, 1967

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O ESCRITÓRIO E O CUBÍCULO Uma criação eficiente que se intensificou após a industrialização , atendendo a própria demanda das fábricas por mais trabalhos administrativos, o escritório que conhecemos hoje parece uma “espécie de depósito onde homens entravam no auge da saúde e de onde saiam encurvados e tísicos, onde havia grande atividade, mas que aparentemente não se produzia nada além de papel”, como coloca Nikil Saval.4

contemporâneos pensarem em como seria a cidade antes desses prédios, algo que foi muito bem documentado na historia da arquitetura. Contudo, o que acontecia no seu interior, quase não era citado, podendo passar despercebido que alguém, de fato, trabalhava lá. Essa não documentação apenas demonstra que o trabalhador nesse tipo de espaço era apenas mais um dentro de milhares, não importando a sua individualidade e relevância para o coletivo.

Esse ambiente, onde todos estavam fadados a fazerem um trabalho repetitivo e trabalharem em cubículos, foi terreno fértil para diversas utopias, sobre o próprio ambiente de trabalho e sobre a ascensão social, pois nenhum outro local de trabalho jamais foi uma fonte tão constante de esperança para o futuro e a garantia de uma vida estável e respeitável já que os funcionários de níveis mais baixos, podiam se ver escalando algumas posições.

Entretanto, nos últimos anos, estamos vivenciando novas configurações de empresas que, no lugar de grandes empresas multinacionais, pequenas em-presas locais estão sendo estimuladas a tomarem uma parte do mercado, com o princípio de um consumo mais consciente, próximo, exclusivo e diferenciado. Por isso, os grandes espaços para escritórios acabaram ficando defasados e sua demanda diminui drasticamente pois essas novas microempresas e autônomos, procuram espaços mais colaborativos e intimistas, podendo se instalar em espaços de coworking ou até na própria casa, o home office, que retoma o conceito da casa medieval, onde tudo acontecia sobre o mesmo teto.

Contudo, uma pesquisa feita em 2013, por dois pesquisadores da Universidade de Sydney constataram que os trabalhadores mais insatisfeitos com o local de trabalho são os de escritórios com cubículos, sendo que eles representam 60% da força de trabalho nos Estados Unidos. Assim, mesmo sendo reconhecidamente um local indigno para o trabalho, a tipologia dos grandes prédios de arranha-céus, com milhares de mesas e estações, se espalhou muito rapidamente devido a grande prosperidade das economias na época. Com essa ascensão tão eficaz, permanente e rápida, é quase impossível para habitantes

Além disso, as grandes crises econômicas que vivenciamos nos últimos anos, as novas tecnologias, que tornam o trabalho mais racional, a volta do trabalho para a residência, também estão contribuindo para o esvaziamento dos prédios corporativos, uma vez que elas saem dos prédios que antes ocupavam, tornando a absorção líquida negativa des-ses empreendimentos.

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OS ESCRITÓRIOS A L T E R N AT I V O S Como o coliving, o coworking também surge focado nos millennials no compartilhamento do espaço proveniente de um novo pensamento sobre o espaço de trabalho. Muito mais do que apenas compartilhar uma mesa, ele tem a proposta de união de ideias através da reunião de diferentes profissionais com diferentes experiências em um mesmo espaço.

de coworking que estão até tomando, literalmente, o lugar dos escritórios tradicionais como é o caso da “Torre do Almirante”, prédio de escritórios no centro do Rio de Janeiro, antes ocupado pela Petrobras que, agora terá os últimos andares como parte da WeWork, empresa multinacional que conta tanto com coworking quanto coliving, está presente no Brasil em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Dessa maneira, cada vez mais seus usuários multiplicam seus contatos e impulsionam seus negócios, sendo essa, uma das principais razões para levar uma empresa para um coworking porém, não a única. Soma-se a ela, a infraestrutura já pronta em áreas centrais da cidade , um custo menor do que um escritório tradicional e mais liberdade, tanto na quantidade de integrantes da empresa, como de horários de funcionamento.

Além dessa apropriação, novas estruturas, no Brasil, surgem a partir de apartamentos, pequenas salas comerciais, consultórios, casas, galpões entre outros, por empresas multinancionais, como o WeWork, quanto locais. Esse fato aumentou em 114% número de espaços coworking, saindo de 378 em 2016 para 810 em março de 2017, contando, agora com 56.000 estações de trabalho em 313.00 metros quadrados ocupados, segundo o censo 2017 feito pela Coworking Brasil.5

Tendo isso em vista, profissionais autônomos e pequenas empresas conseguem se estruturar de modo que não sobre nem falte espaço, racionalizando as estruturas já construídas e diminuindo, assim, o preço tanto para o dono do coworking quanto para o cliente.

Contudo, mesmo facilitando essas novas vontades do mercado, não podemos esquecer que diferentes pessoas possuem diferentes necessidades, e, por mais que o coworking seja mais aberto do que um escritório tradicional, ele nao deve ser encarado como a solução final.

Por isso, vemos diariamente lançamentos

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WeWork que começou em 2010 em Nova York é, em 2017, a quinta startup mais valiosa em todo o mundo, avaliada em mais de 20 bilhões de dólares, está implanta em 49 cidades distribuídas em 15 países. Em 2017. chegou ao Brasil abrindo unidades em São Paulo e Rio de Janeiro. 6 ( Foto WeWork Torre do Almirante, Rio de Janeiro )

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SUPERESTRUTURAS C O R P O R AT I V A S VAZIAS ... A planta genérica e sua vacância perante as mudanças e crises da sociedade atual


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A P L A N TA GENÉRICA “A planta típica é a mais vazia possível: um piso, um núcleo, um perímetro, e um mínimo de colunas. Qualquer outra arquitetura é sobre inclusão e acomodação, incidente e evento. A planta típica é sobre exclusão, evacuação, não-evento.” Rem Koolhas7

Com a retomada da “domesticação” do trabalho, aumento dos trabalhadores autônomos e microempresas, além das diversas crises econômicas, cada vez mais prédios que antes acomodavam diversos escritórios cubiculados, ficam completamente vazios e inutilizados, atingindo as maiores metrópoles ao redor do mundo.

repetitiva, fazendo com que um prédio seja igual a uma multiplicação de plantas genéricas que podem ser implantadas em qualquer lugar do mundo. Tendo isso em vista, as possibilidades para uma reocupação desse espaço são infinitas já que todos os pavimentos são iguais e a estrutura já existente suporta quase todos os programas, adições e subtrações propostas.

Como tinham o objetivo de abrigar escritórios tradicionais que eram, majoritariamente, definidos como espaço através de mobiliários ou leves fechamentos, sua planta era a mais livre possível, com seus suportes verticais localizados nas extre-midades e a circulação vertical acontecendo em um núcleo rígido central.

Além disso, a grandemaioria dos prédios corporativos estão localizados nos centros das metrópoles tendo, por tanto, grande oferta de serviços, a melhor infraestrutura da cidade, proximidade dos postos de trabalho e facilidade de locomoção com os mais diversos trechos da cidades e, como estão inutilizados, agravam o problema do esvaziamento dos centros.

Assim, segundo Rem Koolhas, “a planta típica é uma invenção americana. É a arquitetura zero grau, arquitetura retirada de todos os traços de singularidade e especificidade. Pertence ao Novo Mundo”.8 Por isso, para ser considerada genérica (ou típica) ela precisa se indeterminada, indefinida, e

Dessa maneira um reuso desses projetos traz uma ressignificação dos espaços ociosos, centrais, infraestruturados, esquecidos, prontos, genéricos e livres das cidades.

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SUPERESTRUTURAS C O R P O R AT I V A S V A Z I A S apresenta o mesmo problema só que quase 6 x maior: possui 7.500.000 m² vazios, algo que faz seus empreendedores pensarem em novas soluções para tanto espaço ocioso: de 2011 até 2014, 200.000 m² foram convertidos em residências, algo que promissor para reverter esse caso. 11

Após mudanças no quadro econômico da cidade que levaram a desaceleração dos investimentos, muitas vezes encontramos grandes edifícios corporativos inutilizados, porém, prontos para o uso. Isso ocorre, na maioria das vezes, por consequência de um momento de superaquecimento da economia e a promessa, que no futuro, os negócios continuarão prosperando. Dessa maneira, quando há uma crise, os prédios, que estavam sendo construídos, são lançados em meio a uma baixa de mercado que os deixa sem clientes, contudo, é menos custoso lançar do que abandonar o projeto.

Contudo, o caso mais recente, é o da cidade de Londres, capital da Inglaterra que teve como marco a saída União Europeia, o chamado BREXIT. Cercando de incertezas sobre o futuro econômico britânico, muitos analistas preveem ainda um grande êxodo de empresas pois, se não for garantido direitos, como a livre circulação com a UE, ainda mais escritórios ficarão vazios. Entretanto, os empreendedores ainda apostam no mercado imobiliário e, desde outubro de 2017 até março de 2018, entregaram 3.900.000 m² novos e, irão entregar, até ano que vem, 3.200.000m², contribuindo para uma taxa ainda maior de vacância que já assola a capital. 12

Esse foi o caso de Calgary, no Canadá, que com a promessa da alta do petróleo, foram criados novos empreendimentos, mas, quando a grande queda no preço do petróleo, a cidade que tem como renda principal exatamente essa produção, se viu, repentinamente, passando de 0% com 24% de taxa de vacância em prédios de escritórios, o que representa 1.028.000 m². 9

Todavia, esses não são os únicos exemplos do êxodo dos empreendimentos corporativos e não é raro acharmos notícias sobre tal acontecimento ao redor do mundo. Isso, nos leva a pensar como um projeto de reutilização desses espaços, com outros fins que não sejam comerciais, possam dar novos significados para essas áreas centrais cruciais para a economia e o desenvolvimento da cidade.

Já em Washington, capital dos Estados Unidos, 1.300.000 m² não são utilizados, o dobro do que ocorria antes da crise econômica de 2008, deixando apenas Chicago e Manhattan com mais metros quadrados no país do que a sua capital. 10 Rotterdam,

na

Holanda,

também

> D e c i m a p a r a b a i x o : 0 1 “ Po d e p r é d i o s d e e s c r i t ó r i o s n o c e n t r o d a c i d a d e d e Wa s h i n g t o n s e r e m c o n v e r t i d o s e m h a b i t a ç ã o c o m p r e ç o a c e s s í v e l ? ”, Wa s h i n g t o n Po s t , 0 1 . 0 6 . 2 0 1 7 , a c e s s a d o e m 1 1 . 0 9 . 2 0 1 7 1 3 ; 0 2 “ Ro t t e r d a m e s t á s e a f o g a n d o e m e s p a ç o d e e s c r i t ó r i o v a z i o ”, N e x t C i t y, 0 5 . 0 6 . 2 0 1 7 , a c e s s a d o e m 1 2 . 0 9 . 2 0 1 7 1 4 ; 03 “Espaço de escritório vazios em Londres em ascensão apesar do medo do êxodo d o B r e x i t ”, I n d e p e n d e n t , 1 7 . 0 5 . 2 0 1 7 , a c e s s a d o e m 0 7 . 0 5 . 2 0 1 7 1 5 ; 0 4 “A r r a n h a - c é u s vazios são um albatroz que a capital petrolífera do Canada nao pode se livrar tão c e d o ”, F i n a n c i a l Po s t , 2 2 . 0 6 . 2 0 1 7 , a c e s s a d o e m 1 2 . 0 9 . 2 0 1 7 1 6

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SUPERESTRUTURAS C O R P O R AT I V A S V A Z I A S Em 2017, a taxa de vacância de São Paulo chegou a 24,3%17 e, a do Rio de Janeiro, 38,7%18.

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Nas fotos abaixo, feitas pelo G1 em abril de 2017, fica evidente a falta de ocupação do mercado imobiliário de São Paulo que, em 2010, começou a erguer seus empreendimentos aquecidos pela economia na época que criou essa necessidade. Contudo, como levam de 5 à 6 anos para serem finalizados, acabaram inaugurados no meio da nossa recessão, os deixando sem clientes.

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ARQUITETURA NÃO-GENÉRICA ... A arquitetura pessoal, adaptável, t r a n s f o r m á v e l , s i n g u l a r, c u s t o m i z á v e l , específica ...........


DO QUE É FEITO UMA CIDADE Quando vemos de uma janela uma cidade como a de Nova York, com grandes arranha-céus, ruas pavimentadas e uma escala uniforme de cores em seus edifícios, fica fácil de esquecermos do que é feito uma cidade. Podemos achar, sem pensar que as construções a compõe porém até pelo dicionário é definida por “complexo demográfico formado por importante concentração populacional” 19 contudo, quando olhamos para algumas arquiteturas existentes que visam apenas no o ostensivo e no perfeccionismo, esquecemos que seres humanos fizeram, habitam e passam por ali todos os dias.

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ESCALA HUMANA PESSOAL Mais do que uma escala humana, na qual se debate ou sobre as dimensões humanas ou sobre as ativações e estímulos para os habitantes das cidades, a escala pessoal trata sobre cada indivíduo em particular, qual é a sua identidade. Com isso, é possível entender melhor o que cada pessoa prefere e quem ele é em sua essência, assim, tornamos o projeto mais receptivo e inclusivo para todos os seus usuários, não importando gênero, raça, credo, idade, nacionalidade.... Por exemplo, para uma pessoa que gosta de espaços amplos e iluminados, não adianta oferecer um como de 2x2m com uma janela alta pois ela vai se sentir infeliz. Contudo, sabemos que o ser humano é múltiplo em identidades. Por isso, quando se projeta com a escala pessoal, a solução se torna rica em diversidade e quebra a generalidade dos prédios que visam apenas o grandioso. Entretanto, na tentativa de se “aproximar” dos seus usuários, frequentemente utilizamos estereótipos que não condizem com a realidade, também tornando os espaços genéricos. Assim, tratamos as pessoas como as figurinhas “default” das redes sociais no qual todos são uma silhueta com um espaço em branco no seu interior, sem identidade, tornando o projeto genérico novamente.

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O E OÇAPSE O OXELFER UES ohlepse mu ed megami A aditrap ed otnop mu res eved rasnep somassop euq arap .somatibah euq soçapse son ?êuq roP o é oãn êcov euq oxefler O ,e iv ue euq oxefler omsem oxefler omsem o áres men .árev aossep artuo euq o ,ohlepse o omoc ,missA edadicapac a ret eved oçapse arap raretla e radlom es ed siam otnemitaber o ajes euq ues od levíssop omixórp .etnatibah ues od ,oiráusu

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O ESPAÇO E O SEU REFLEXO A imagem de um espelho deve ser um ponto de partida para que possamos pensar nos espaços que habitamos. Por quê? O reflexo que você não é o mesmo reflexo que eu vi e, nem será o mesmo reflexo que outra pessoa verá. Assim, como o espelho, o espaço deve ter a capacidade de se moldar e alterar para que seja o rebatimento mais próximo possível do seu usuário, do seu habitante.

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O QUE DEFINE UM ESPAÇO Como um espaço pode ser moldável ao seu usuário? Com certeza que com nossas alvenarias grossas, pesadas e dispendiosas para construir e demolir, nossos espaços são dificilmente modificados, fazendo que com que, no caso das residências, os brasileiros se conformem com uma tipologia padrão com cômodos muito compartimentados e, se, por algum acaso, resolver abrir alguma parede, estaria desvalorizando o imóvel. Assim, acabamos estanques e nossas moradias não refletem em nada o nosso estilo e o que queremos. Dessa maneira, divisórias mais leves, práticas, modulares, desmontáveis ou até mesmo a falta delas parece a melhor solução para esse problema, até porque, um espaço não precisa ser divido através de uma parede, não é? Claramente, pessoas e usos definem um espaço muito mais interessante do que uma sala para um home theather. Além disso, qual seria a relação do nosso espaço com o espaço alheio?

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'Clearin’, intervenção do Lateral Office: ‘nosso espaço pessoal está sempre presente, mas só ficamos, normalmente, cientes quando ele foi comprometido (...) Podemos ser mais conscientes do impacto do nosso espaço pessoal em relação aos outros? E as pessoas podem ser empoderadas para criar e gerenciar os limites do espaço que ocupam?’ 20

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Pranchas apresentadas no varal do nono período, depois da intervenção dos alunos e professores Feitas para fornecer uma informação rápida e se destacar perante os demais trabalhos, as pranchas contavam com recursos para que a pessoa que estivesse lendo, pudesse se apropriar, se colocar no trabalho

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APROPRIE-SE! Temos uma planta livre, genérica, sem usos, pronta e infraestruturada. O que falta? Uma apropriação, claro! De nada adianta termos uma planta genérica e continuarmos colocando um programa engessado e estipulado que nada representa seus usuários que, se tornará mais uma vez genérico. Assim, a apropriação deve partir de cada um, seja ela qual for. Os programas podem ser os mais variados possíveis, desde habitações modulares até uma pista de boliche, já que a estrutura do prédio aceita uma redução ou adição de outras estruturas para que possa se adaptar para os diferentes usos. Só basta deixar a sua vontade falar! Assim, o projeto precisa ser capaz de oferecer o mínimo de infraestrutura para que as apropriações possam acontecer livremente e que todas as pessoas possam se expressar. Por exemplo, em uma habitação, precisa oferecer instalações sanitárias que possam ser colocadas em qualquer lugar do andar. Porém, mais importante do que isso, devemos ter em mente que cada pessoa é uma pessoa e elas são o ponto principal nesse projeto que conta com a extrema participação dos seus usuários.

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REPETIÇÃO A D A P TÁV E L ... A repetição que é capaz de se adaptar ao usuário, saindo da generalidade

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Como em várias cidades ao redor do mundo há as mesmas demandas habitacionais, superestruturas corporativas vazias e esvaziamento dos centros, essa proposta de projeto tem como premissa ser um estudo de caso que possa ser adaptado em outros lugares.

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E, no caso da apropriação, isso começa dentro das pessoas: nenhuma pessoa é igual a outra em sua essência , assim, não há como existir uma apropriação igual a outra.

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Mas como ele se repete e não é genérico? Como Deleuze coloca em “Diferença e Repetição”, “a repetição não é a generalidade”, algo pode se repetir porém, irá diferenciar-se ao mesmo tempo.

Por isso, o que...

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“ A ARQUITETURA ABRIGO PARA O COR O CONTORNO DA EXTERNALIZAÇ JUHANI PA

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NÃO É APENAS UM RPO, MAS É TAMBÉM CONSCIÊNCIA E A ÇÃO DA MENTE ” L L A S M A A 21

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CADA DIA, CADA LUGAR, UMA ORGANIZAÇÃO "Em um mundo no qual tudo está se tornando idêntico e, em certo momento, inevitável, insignificante e sem consequência, a arte deve manter as distinções de significado e, em particular, os critérios de qualidade da experiência.” 22 A proposta de projeto se torna universal, não porque pode ser implantado em qualquer lugar sem levar em consideração o contexto, mas sim, porque como surge de uma apropriação, nenhum projeto vai ser igual ao outro. Além de diferentes entre si, os próprios projetos serão mutáveis pois ao longo da nossa vida alteramos os nossos gostos, as nossas configurações familiares, os nossos trabalhos, as nossas necessidades .... Esse fato torna essa apropriação ainda mais rica, pois se visitarmos ela em um dia, no dia seguinte poderá estar diferente e, no outro ano, irreconhecível. Dessa maneira, nasce a ideia de estudos de caso para testar a hipótese do projeto ser capaz de se adaptar às diversas metrópoles que sofrem do mesmo problema do esvaziamento de seus centros, ressignificando esses espaços através da intervenção e a apropriação colaborativa.

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Como um jogo de TETRIS tridimensional, a proposta deve ser capaz de ser somada, criando novos espaรงos, usos e significados

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OS ESTUDOS DE CASO ... Como escolher um edifĂ­cio corporativo para testar a proposta de projeto

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A ESCOLHA DOS ESTUDOS DE CASO Um dos desafios desse projeto é exatamente a escolha dos estudos de caso pois, como pode ser qualquer prédio com uma planta livre que possui um núcleo rígido, sobra opções de escolha. A primeira possibilidade de seleção está entre prédios mais emblemáticos ao redor do mundo, em áreas centrais das suas respectivas cidades, que trarão maior notoriedade e visibilidade para o projeto. Possibilidades para essa alternativa não faltam e, ao lado, descantamse alguns representativos de seus centros comerciais que foram concebidos como demonstração de uma economia pulsante, porém, nos

dias atuais e com as justificativas já citadas, ou possuem algum espaço ou irão possuir espaços vazios, se tornando aptos para se virarem excelentes estudos de caso. Porém, para um primeir estudo de caso, um segundo caminho para a decisão de qual será o estudo, se mostra mais pertinente porque foca em edifícios majoritariamente vazios, não precisando ter necessariamente relevância internacional, contudo, são grandes “vácuos” na malha urbana do local. Esse fato, cria uma afastamento cada vez mais dos pedestres do local, algo que gera cada vez mais medo, e se retroalimenta até ser criado algum uso no prédio que atraia usuários.

2004, NO LONDRES 40 180 76.400 M

DE ROTTERDAM 2013, OMA ROTERDÃ, HOLANDA 44 PAVIMENTOS 150 M DE ALTURA 162.000 M² RENTÁVEIS27

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BURJ KHALIFA 2010, ADRIAN SMITH DUBAI, EMIRADOS ÁRABES UNIDOS 160 PAVIMENTOS 808 M DE ALTURA 334.000 M² RENTÁVEIS23

TORRES PETRONAS 1998, CESAR PELLI, KUALA LAMPUR, MALÁSIA 88 PAVIMENTOS 452M DE ALTURA 395.000 M² RENTÁVEIS24

E M P I R E S TAT E B U I L D I N G 1931, WILLIAM LAMB NOVA YORK, ESTADOS UNIDOS 102 PAVIMENTOS 443,5 M DE ALTURA 254.395 M² RENTÁVEIS25

SWISS RE

ORMAN FOSTER S, INGLATERRA 0 PAVIMENTOS 0 M DE ALTURA M² RENTÁVEIS26

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Mural do artista Kobra, que por mais que tenha se tornado muito popular,apenas demonstra as faltas de ativações no térreo do Boulevard Olímpico

Ao fundo, Museu do Amanhã, cartão-postal das Olimpíadas porém polêmico em relação aos seusgastos que poderiam ter sido melhor investido

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ESTUDO DE CASO 01: P O R T O M A R AV I L H A O porto do Rio de Janeiro, devido aos grandes eventos que foram sediados na cidade, mas, especialmente as Olimpíadas de 2016, se viu com grandes obras e promessas de revitalização da área que extremamente degradada e quase sem uso.

todas por R$3,5 bilhões, com a promessa de que seriam revendidas por um preço maior perto das Olimpíadas. 27 Fato esse que não aconteceu e as CEPACS ao invés de serem usadas para a construção estão como especulação pois, como são ativos econômicos, estão na Bolsa de Valores, oscilando junto com a economia em geral. Desse modo, os projetos que saíram do papel acabaram ficando ilhados no seu entorno pois a grande maioria do Porto Maravilha continua desativado, com muitos prédios até abandonados ou com uma ocupação baixíssima.

Para isso, demoliram a Perimetral, importante eixo viário, inauguraram tuneis, implantaram o VLT e construíram projetos “cartões-postais”, porém, mesmo assim, o projeto não conseguiu decolar como esperavam. Retiraram a perimetral para fazer uma grande rua para pedestres, o chamado Boulevard Olímpico, mas não levaram em consideração que deveria haver ativações no térreo para que área fosse real¬mente utilizada. O VLT, tem um trecho muito curto que não conecta quase nada e seu bilhete também não englobado com as passagens dos outros modais, se tornando um transporte muito mais turístico do que foi previsto. E, por fim, os projetos ca¬pas das notícias das Olimpíadas, como o Museu do Amanhã, acabou custando mais do que foi dito inicialmente e verbas, como a destinada para o Morro do Pinto, foram usadas para completá-lo.

Por isso, o Porto Maravilha foi escolhido como o primeiro estudo de caso já que sua característica singular de ocupação (ou desocupação), faz com que a área tem a maior taxa de vacância corporativa do Rio de Janeiro, incríveis 85% que ainda irão aumentar pois novos edifícios, que estavam sendo construídos antes da crise, serão lançados. Esses 85% vagos significam que dos 156.000m² construídos, distribuídos em 9 edifícios corporativos, 133.000 m² estão vagos e, até 2020, serão lançados 98.149m², agravando ainda mais a taxa de vacância. 28

Esses acontecimentos agravaram e foi agravado depois da crise econômica, pela falta de venda das CEPACS (Certificados de Potencial Adicional Construtivo), criados para custear as operações urbanas nas áreas e davam em contrapartida, para o comprador, um maior aproveitamento do térreo além do que o zoneamento permitia, artificio que é utilizado por diversas outras prefeituras.

Entretanto, enquanto os escritórios ficam ociosos no centro, as habitações nem tem lugar já que nenhum projeto residencial saiu do papel no Porto Maravilha, e nem tem previsão para serem lançados. Assim, há sentido deixar espaços construídos, vagos em um centro bem infra estruturado enquanto as habitações ficam em áreas periféricas da cidade?

Contudo, quando as CEPACS foram lançadas, em 2011, a Caixa Econômica Federal comprou

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ESTUDO DE CASO 01: P O R T O M A R AV I L H A

Com o estimulo na área, grandes prédios comerciais foram cria taxas de ocupação baixíssimas, mesmo a área sofrendo reformas movimentados, os mais próximos do Boulevard Olímpico e do Mus Por esse motivo, o estudo de caso mais interessante para ser o pr

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0 1 . P O R T C O R P O R AT E T O W E R

02. NOVOCAIS DO PORTO

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0 3 . P O R T O AT L Â N T I C O


ados pontualmente no “corredor” do Porto Maravilha. Contudo, como ainda tem s nas ruas, os edifícios não têm movimento de pessoas entre eles sendo, os mais seu do Amanhã. rimeiro é o, no mesmo eixo, na outra extremidade, o Port Corporate Tower.

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0 4 . A Q W A C O R P O R AT E

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05. NOVA SEDE L’OREAL

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0 6 . B A R Ã O D E TA F É C O R P O R AT E


ESTUDO DE CASO 01: P O R T C O R P O R AT E T O W E R Primeiro empreendimento lançado no Porto Maravilha e, inaugurado em 25/11/2014, foi construído a intenção de ser ocupado por empresas portuárias que ainda operam na região. Para tal, a Tishman Speyer, construtora do projeto, investiu em campanhas publicitarias que exaltavam o pioneirismo de ser o primeiro prédio corporativo no Porto Maravilha, de ser um ícone na área mais promissora do Rio de Janeiro e que seria um “um marco para o Porto, um presente para o Rio”. Contudo, mesmo com grande esforço, a sua taxa de ocupação é baixíssima tendo apenas dois, de seus dezoito andares, utilizados pela própria construtora para não deixar o edifício vazio. Assim, diferentemente e outros exemplos, o Port Corporate Tower tem a singularidade de ser inteiramente desocupado, diferentemente de outros, que tem alguns andares, podendo, dessa maneira, sofrer uma intervenção mais profunda.

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Como o Porto Maravilha ainda nĂŁo foi completamente desenvolvido, o Port Corporate Tower acaba ficando completamente destoante do seu entorno, juntamente com outros projetos pontuais que acabaram subindo muitos pavimentos alĂŠm dos sobrados e galpĂľes existentes.

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RÉS-DO-CHÃO Voltando-se para si, o projeto exclui completamente o seu entorno com um térreo completamente fechado por vidraças, que nada conversa com o que ocorre logo ao seu lado, excluindo os que passam no local, tendo como única ativação um restaurante fechado pesadas cortinas. Porém, se sentir vontade de entrar no prédio, encontrará uma entrada monumental, revestida com mármore e os melhores acabamentos, que nada conversam com a realidade exterior.

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O VAZIO Com quase 90% do prédio vago, a cena interior do Port Corporate Tower parece pertencente a uma cidade fantasma: nenhuma ativação, nenhuma pessoa, nenhum mobiliário, nenhuma vida. Assim, o que fazer com um terreno de 13.000m², 2.000m² livre por andar (totalizando 36.000m²), 562 vagas para automóveis e 2 auditórios?

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O ENTORNO A localização do Port Corporate Tower tem a grande vantagem se ter uma excelente mobilidade, através do BRT que passa na sua porta que, por sua vez, é conectado com os outros modais, levando o usuário para diversas partes da cidade e equipamentos estruturais, como os aeroportos e a rodoviária. Entretanto, ao rés-do-chão, percebe-se uma situação completamente diferente na qual, o pedestre não consegue permear facilmente já que, a maioria dos terrenos é cercado, fechado para si ou abandonado, não tendo nenhuma ativação no nível dos olhos. Além disso, com a presença do elevado, o espaço se torna escuro e desagradável, tendo apenas movimento pois é um importante parada de ônibus.

Elevado da Avenida Brasil que, ao mesmo tempo que torna a área mais ecura e desagradável, torna-a mais permeável e conectada com equipamentos importantes como os aeroportos e a rodoviária.

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Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia, INTO, que possui grande movimento porém, apenas de carros e no seu interior, contribuindo para um ambiente mais murado e desagradável para o caminhar

Terreno de 22.000m² utilizado para a estocagem de containers provindos do porto. Galpões ainda utilizados para a logística do porto e armazenamento de containers.

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AR CONDICIONADO 15.30M² SHAFT CIRCULAÇÃO 8.45M² DML 3.05M² INSTALAÇÕES 1.30M²

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06. 07. 08. 09. 10.

BANHEIRO FEM. 28.75M² ESCADA DE INÊNDIO 17.15M² BANHEIRO P.N.E. 3.60M² INSTALAÇÕES 3.25M² ELEVADORES SOCIAIS


P L A N TA T Í P I C A D O 1 O A O 1 0 O P AV .

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11. 12. 13. 14. 15.

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CIRCULAÇÃO SERVIÇO 20.10M² HALL 36.40M² ELEVADOR SERVIÇO ESCADA DE INCÊNDIO 17.15M² HALL 6.45M²

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16. 17. 18. 19. 20.

LIXO 4.10M² AR CONDICIONADO 15.30M² SHAFT CIRCULAÇÃO 9.70M² BANHEIRO MAS. 28.55M²

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Para ser facilmente multiplicável e efemero, os núcleos dos estudos de caso não poderão serem alterados, fazendo com que toda a proposta de apropiação ocorra ao seu redor de maneira periférica.

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AS PREMISSAS DE PROJETO A proposta de projeto parte da premissa de inclusão: das diferentes raças, etnias, idades, rendas, usos, apropriações, necessidades e finalidades.

projeto inicial do prédio e seu funcionamento. Por isso, mesmo que fosse mais eficiente a longo prazo, para essa proposta de projeto, não há sentindo em mexer no núcleo rígido já construído do edifício, apenas desativar partes não necessárias para a utilização como moradia.

Para tal objetivo, o projeto se organiza em diferentes concepções de apropriação, da mais compartilhada e barata até a mais individual e cara, respeitando as diferentes preferencias de cada indivíduo que, ao decorrer da vida, muda, dando prioridade para o conforto e privacidade enquanto os mais jovens, gostam da vida compartilhada e da economia que ela traz.

Dessa maneira, o objetivo do projeto não é resolver as menores nuances de cada estudo de caso em particular e sim, ser uma proposta como uma solução rápida e atrativa para o esvaziamento dos centros e a sua reativação urbana.

Porém, todas as opções de apropriação, partem da premissa da efemeridade pois, como já aconteceu com outros locais e edifícios, por exemplo o Empire State Building, em um futuro de 10 ou 20 anos, pode voltar a haver a necessidade de escritórios tradicionais. Dessa maneira, essas intervenções devem ser capazes de serem facilmente removidas sem afetar o

Tendo isso em vista, o projeto não pode ficar preso a um estudo de caso apenas, deve ser multiplicável a ponto de mudar a situação urbana de uma região a partir da sua aplicação em diferentes estudos de caso em um raio pré-estabelecido. Assim, quando eles estiverem implantados, criarão, entre si, uma rede caminhável e ativa.

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AS PREMISSAS DE PROJETO: R E AT I V A Ç Ã O U R B A N A

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Se pegarmos o mesmo mapa apresentado antes, podemos perceber que se essa proposta de projeto fosse aplicado em todos os prédios semelhantes no “corredor” do Porto Maravilha, teríamos uma rede caminhável que atrairia usuários desde o Museu do Amanhã, passando pelo AQUARIO, e chegando até o Port Corporate Tower, acabando com os focos de concentração que essas áreas apresentam.

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OCUPAÇÃO 01: C U R TA / M É D I A E S TA D I A Diferentemente do espaço residencial, o espaço comercial do escritório é definido por leves fechamentos que são facilmente reconfigurados para definir novos ambientes, como, por exemplo salas de reunião e baias de trabalho. Porém, além dos fechamentos em drywall ou vidro, os espaços são definidos, majoritariamente, por seu mobiliário vendido em catalogo. Sem ele, a planta do escritório seria uma planta vazia e sem uso. Assim, por que no ambiente comercial podemos nos organizar de maneira fluida e, no residencial, precisamos setorizar, em pequenas partes, com grossas alvenarias, difíceis de serem mudadas? Partindo desse pressuposto, a ocupação 01 tem como objetivo deixar que o próprio usuário tenha a capacidade de arrumar o espaço com apenas aquilo que o for necessário. Então, por exemplo, se ele quiser apenas um local para dormir e um para reunir os amigos, não há a necessidade de ter um home office, uma cozinha ou lugar para guardar coisas. Dessa maneira, racionalizamos o espaço com apenas aquilo que precisamos naquele dia. Assim sendo, o usuário irá alugar os módulos individualmente e ordenará como desejar na planta de seu pavimento, sem fechamentos entre um usuário e outro. Essa lógica que acontece, por exemplo, nos hostels, possibilita um maior adensamento no andar, barateando a estadia. Por esse motivo, a ocupação 01 tem como público alvo os usuários mais jovens que, procuram uma curta estadia e priorizam o orçamento em relação a comodidade ou privacidade, além de gostarem da experiência do compartilhamento da moradia e espaços coletivos.

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Partindo das dimensões de uma lâmina de fórmica padrão (308 x 125 cm), os módulos foram dividos para atender o menor desperdício além de passaram em portas convecionais, aumentando sua mobilidade

Para otimizar o espaço, os módulos abrirão apenas por uma de suas faces, para que possam ser combinados, racionalizando a planta, o que levará a um maior adensamento e lucro para o edifício

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OCUPAÇÃO 01: REFERÊNCIA T R AV E L B O X Criado pelos arquitetos do Juust, a Travelbox tem como finalidade ser transportável para viagens ou mudanças, com o mínimo necessário para conseguir viver e, quando desdobrada virar uma casa com bicicleta, cama, mesa, cadeira e uma estante. Dessa maneira, esse projeto ele tem um grande diferencial que é a minimização de impactos no meio ambiente, pois o usuário poderia apenas viajar com a travelbox e não comprar novos moveis, se estivesse mudando para outra cidade. Mede 2,09 metros de comprimento, 1,25 metro de altura e 39 centímetros de largura.

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Com a lógica de reduzir os espaços individuais para que os coletivos sejam os maiores possíveis através compartilhamento, na ocupação 02 são apresentados três módulos diferentes: 01 - uma combinação entre quarto e banheiro ou home office e banheiro; 02 cozinha; 03 equipamento coletivo, como área de tv. Dessa maneira, uma usuário que ficará algumas semanas ou meses, poderá alugar o que lhe é essencial.

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OCUPAÇÃO 02: M É D I A / L O N G A E S TA D I A Tendo como público-alvo pessoas entre 25 e 35 anos, com qualwuer formação familiar ou as que gostam de privacidade, mas ainda querem contato com outros usuários, surge a proposta de ocupação 02, juntando todo os programas mais individuais em um monólito enquanto os coletivos, ficam periféricos, definidos pelos espaços individuais. Essa proposta parte do pressuposto de que os espaços individuais devem ser os mais reduzidos possíveis para que possamos ter generosos espaços coletivos, juntando cada vez mais os usuários e, os trazendo relações mais próximas. Dessa maneira, cada módulo de habitação seria alugado individualmente e nele, estariam localizados os banheiros, quartos e cozinha, enquanto, no exterior, ficarão a sala de estar, sala de jantar e home office. Devido a essa distribuição, essa proposta visa pessoas que queiram ficar alguns meses no local, pois dá completa privacidade naquilo que precisa ainda com um preço acessível.

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OCUPAÇÃO 02: REFERÊNCIA ALCOVA No projeto, apresentado na Universidadede Yale em 2014, une os espaços individuaiscom funções bem definidas, em um grandeparalelepípedo, enquanto os coletivos,ao seu redor, ficam livres para serem apropriados.

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15 VAISH, Esha. Empty London office space on the rise despite Brexit exodus fears. Disponível em : < https://www.independent.co.uk/news/business/news/london-empty-office-spacerise-brexit-exodus-real-estate-uncertainty-busiensses-leave-uk-deloitte-a7739996.html >. Acesso em 15 set. 2017 16 CATTANEO, Claudia; MORGAN, Geoffrey . Vacant skyscrapers are an "albatross" that Canada's oil capital can't shake off too soon. Disponível em: <http://business.financialpost. com/real-estate/property-post/vacant-skyscrapers-are-an-albatross-that-canadas-oilcapital-cant-shake-off-too-soon>. Acesso em 12 set. 2017. 17 CUSHMAN & WAKEFIELD . Marketbeat São Paulo : Office 3T 2017. Disponível em: <http:// www.cushmanwakefield.com/~/media/marketbeat/2017/11/SaoPaulo_Americas_ MarketBeat_Office_Q32017_English.pdf>. Acesso em: 29 nov. 2017. 18 CUSHMAN & WAKEFIELD . Marketbeat Rio de Janeiro : Office 3T 2017. Disponível em: <http://www.cushmanwakefield.com/~/media/marketbeat/2017/11/RiodeJaneiro_ Americas_MarketBeat_Office_3T2017_Portuguese.pdf>. Acesso em: 29 nov. 2017. 19 FERREIRA, Aurélio . Aurélio: O dicionário da Língua Portuguesa. Curitiba: Positivo, 2007. 145 p. 20 LATERAL OFFICE. Clearing. Disponível em: <http://lateraloffice.com/CLEARING-2008>. Acesso em: 15 nov. 2017. 21 PALLASMAA, Juhani . Habitar. Primeira. ed. São Paulo: Gustavo Gili, 2017. 70 p. 22 PALLASMAA, Juhani . Habitar. Primeira. ed. São Paulo: Gustavo Gili, 2017. 73 p. 23 WikiArquitectura. Burj Khalifa. Disponível em : < https://pt.wikiarquitectura.com/ pesquisa/?q=khalifa > Acesso em 05 maio 2018 24 WikiArquitectura. Torres Petronas. Disponível em : < https://pt.wikiarquitectura.com/ construção/torres-petronas/ > Acesso em 05 maio 2018 25 WikiArquitectura. Empire State Building . Disponível em : < https://pt.wikiarquitectura. com/construção/empire-state-building/ > Acesso em 05 maio 2018 26 WikiArquitectura. Swiss Re . Disponível em : < https://pt.wikiarquitectura.com/ construção/swiss-re/ > Acesso em 05 maio 2018 27 ArchDaily. De Rotterdam . Disponível em : < https://www.archdaily.com/451377/derotterdam-oma/ > Acesso em 05 maio 2018 28 FGV/DAPP. O Rio em perspectiva: Um diagnóstico de escolhas públicas. Rio de Janeiro: FGV, 2017.Disponível em: <http://dapp.fgv.br/wp-content/uploads/2017/04/O-Rio-emperspectiva-2.pdf>. Acesso em:28 nov. 2017. 29 CUSHMAN & WAKEFIELD . Marketbeat Rio de Janeiro : Office 3T 2017. Disponível em: <http://www.cushmanwakefield.com/~/media/marketbeat/2017/11/RiodeJaneiro_ Americas_MarketBeat_Office_3T2017_Portuguese.pdf>. Acesso em: 29 nov. 2017. -079


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HABITANDO A PLANTA GENÃ&#x2030;RICA


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HABITANDO A PLANTA GENÉRICA - CADERNO EM CONSTRUÇÃO  

CADERNO PROJETO FINAL TCC - 10 PERÍODO - 2018.1 PUC-RIO - ARQUITETURA ALUNA: JULIANA LOPES ORIENTADOR: ALZIRO NETO

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