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cidadepalimpsesto


juliana valentim harayashiki


UNIVERSO PROJETUAL

CIDADE PALIMPSESTO

DESVENDAR

SIGNIFICAR

RESSIGNIFICAR


Este caderno é parte do processo de investigação iniciado em pré-tgi e que prossegue em um caráter de constante construção e reconstrução. Neste processo procuro algumas respostas para duas questões nas quais nenhum conjunto de pontos finais jamais serão satisfatórios para abarcar toda a riqueza que deles emerge. É sobre C I D A D E

e M E M Ó R I A

e das intrigantes relações traçadas entre

elas que este trabalho lança algumas reticências, exclamações e interrogações.


fotos do objeto


texto inicial sobre o objeto

universo projetual


Poema tirado de uma notícia de jornal João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem número Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro Bebeu Cantou Dançou Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado. (manuel bandeira, Estrela da vida inteira)


O que ĂŠ cidade?


numa ousadia configurei uma hipótese que satisfizesse as condições das cargas teórico-ideológicas que adquirimos durante nossa formação de arquitetos e urbanistas. mas, para além disto, busquei configurar uma hipótese que me satisfizesse.

é neste sentido que a elaboração do objeto de pré-tgi se lança: um olhar sobre cidade, dentre os tantos possíveis.


O jornal impresso possui duas vias de leituras primárias: ele como veículo de uma informação abstrata

que nele é colocado e ele como objeto cotidiano portador de uma materialidade marcante.

Como veículo e como objeto ele é capaz de sobrepor inúmeros significados, passeando entre a lembrança

e o esquecimento, o ordinário e o extraordinário. Feito para viver um dia apenas, ele já nasce como ruína - o presente e o passado. O jornal adotado (formato standard) foi coletado nas ruas e em casas de vizinhos, caracterizado sempre por ser um extrato do cotidiano e já desfuncionalizado. Os fragmentos de jornal que compõem o Objeto guardam as mesmas proporções do jornal coletado. As camadas foram adicionadas, uma a uma, até atingir o limiar entre o bloco sólido e a torre.

Este maciço vai acumulando, comprimindo e condensando

estes fragmentos do cotidiano, formando um conjunto aparentemente estável, mas cuja estabilidade depende da coesão entre cada camada.


ligação entre material e imaterial

O jornal impresso possui duas vias de leituras primárias: ele como veículo de uma informação abstrata

que nele é colocado e ele como objeto cotidiano portador de uma materialidade marcante.

memória e significado

Como veículo e como objeto ele é capaz de sobrepor inúmeros significados, passeando entre a lembrança

interlocução entre tempos

e o esquecimento, o ordinário e o extraordinário. Feito para viver um dia apenas, ele já nasce como ruína

- o presente e o passado. O jornal adotado (formato standard) foi coletado nas ruas e em casas de vizinhos,

o avesso

caracterizado sempre por ser um extrato do cotidiano e já desfuncionalizado. Os fragmentos de jornal que compõem o Objeto guardam as mesmas proporções do jornal coletado. As camadas foram adicionadas, uma a uma, até atingir o limiar entre o bloco sólido e a torre.

Este maciço vai acumulando, comprimindo e condensando

estes fragmentos do cotidiano, formando um conjunto aparentemente estável, mas cuja estabilidade depende da coesão entre cada camada.


A banalidade atribuída a este conjunto de fragmentos de jornais é fruto, em grande parte, da nossa postura passiva diante daquilo que ganha certa constância na vida diária, em outras palavras, daquilo que ganha o estatuto de rotina. “Usos e hábitos, reunidos, constroem a imagem do lugar, mas sua característica de rotina cotidiana projeta, sobre ela, uma membrana de opacidade que impede sua percepção, tornando o lugar, tal como o espaço, homogêneo e ilegível, sem decodificação. Superar essa opacidade é condição de percepção ambiental, ou seja, de gerar conhecimento a partir da informação retida, codificada naqueles usos e hábitos.” (Ferrara, 1990) Mas não é a frequência que determina isoladamente as condições propícias para a projeção do véu de opacidade. Em uma sociedade pautada por processos de mercadorização, abrangentes e profundos, o apelo exercido pela novidade, simplesmente pelo caráter de ser novidade, e nada mais do que isso, é uma premissa assustadora e poderosa. Este “novo”, nas tentativas (bem sucedidas) de nos ofuscar com seu brilho indefectível e artificial chega até nós através de gritos e holofotes, numa atitude explícita e quase indecente – nossa atenção não é atraída, é sequestrada. Coloco isto para dizer que não é absurdo, nestas condições, que não saibamos olhar, que não saibamos ouvir- pois gritos e holofotes do marketing nos ensurdecem e nos cegam. Desta forma, também não é absurdo a densa membrana de opacidade que se projeta sobre a vida cotidiana e as pequenas coisas nela inseridas, a ponto de se construir quase uma deslegitimização de suas existências -“O que é pequeno desaparece. Em nossa época, só o que é grande parece poder sobreviver.” (Wenders, 1994). Não é absurdo, todavia, também não se justifica como condição aceitável. Neste momento empresto o olhar refinado e generoso de Bandeira ao tratar de assuntos “pequenos” para estudar este aspecto.


Em “Um poema tirado de uma notícia de jornal” temos como tema principal um tema considerado “banal” até aquele período (e talvez até hoje) dentro da literatura, posto que ela (a literatura) há pouco havia saído de um cenário dominado pelas escolas clássicas e pela existência de um certo senso comum sobre quais temas eram potencialmente poéticos ou não, e isto a priori validava a qualidade da produção. Com o Romantismo, a abertura de temas que poderiam “conter poesia” tem suas fronteiras borradas, saindo dos tradicionais assuntos, que em grande parte eram feitos de eventos, coisas ou seres louváveis, para também abarcar o terror, o detrito, o suicídio, o delírio, a irracionalidade, e a vida boêmia, entre outros. Com o Romantismo, aquilo que merece ser cantado em poesia, aquilo que pode de alguma forma conter beleza começa a ganhar amplitude e profundidade, dissolvendo a forte categorização entre temas tradicionalmente poéticos, oficiais e temas menores, marginais. Com isto, o que temos é uma reavaliação, em última instância: dos padrões e critérios de beleza e do que pode ser capaz de proporcionar prazer estético ou não; do que pode entrar no grupo de elementos, seres, eventos que merecem ser cantados em poesia, que merecem ser falados e escritos sobre, que merecem, enfim, ser construídos na memória e no imaginário da sociedade. Dizer o que vale a pena ser lembrado ou ser esquecido, é condução de memória coletiva, que possui extrema relevância na formulação da identidade social e subjetiva. Bandeira, inserido no Movimento Moderno, assim como muitos outros autores do movimento elegem o Cotidiano como sendo também elemento portador de conteúdo poético. Ou seja, ele legitima a existência das “pequenas coisas” na sociedade, no indivíduo, nas sociabilidades, na formação do imaginário coletivo. Ele assume a beleza, muitas vezes frágil, das pequenas coisas. Não é uma beleza reluzente, indefectível. Pode não ser limpa. Pode não ser puritanamente aceita. Pode, e é, em boa


parte das vezes, triste. Pode ser raquítica. Não é siliconizável nem bronzeável. Não é sucesso de vendas – e esperamos que assim, ainda não engolida pelo sagaz e flexível mercado, ele permaneça: contendo a beleza das flores quase sem perfume, dizendo com ternura as coisas mais simples e menos intencionais. Pois, sem as pequenas coisas “nos tornamos vítimas do que é grande, impenetrável, superpotente” (Wenders, 1994). Quando banhadas de invisibilidade, não são nada mais do que banais e ordinárias, mas uma vez vencido o véu de opacidade, elas nos chegam próximas, íntimas, fundamentadas, segundo Ricoer na alegria da certeza do reconhecimento e possíveis de por nós serem facilmente apropriadas. Lethe e Alétheia, esquecimento e lembrança, são assim as chaves essenciais do engano e da verdade, daquilo que deixou de existir e daquilo que ainda existe, do dessignificar e do significar.


entre a vivência e a memória, conjugando passado e presente é que aquilo a que chamamos realidade acontece.

a memória é uma ilha de edição.


cidade palimpsesto


Começo deste modo, tomando o objeto como metáfora, a delinear esta cidade que acumula múltiplas marcas, falas, eventos, situações, tempos e formas nas inumeráveis camadas que se contradizem, reforçam-se, conflitam entre si e não deixam de provocar relações. Neste sentido, incorporo a figura do palimpsesto para falar de sobreposições e relações perceptíveis tanto em seu aspecto físico quando em seu aspecto abstrato. Palimpsesto é uma palavra de origem grega surgida no século V a.c. que designa um pergaminho que teve seu texto original raspado para a introdução de outro. Todavia, não se apaga o texto original completamente, e por entre as novas camadas de significados as antigas surgem e tecem relações inesperadas, sempre pautadas pela entropia, que é a impossibilidade de reversão a um estado anterior.


.

O palimpsesto existe pelos significados que neles são escritos e sobrescritos, mas também como elemento material, palpável, e como elemento simbólico, um hipertexto gerador de novas conexões, para dentro e fora dele. Um jogo de referências, evocações, símbolos. Uma cidade que contém muitas outras cidades. As cidades possíveis no passado, as cidades possíveis no futuro, numa interlocução entre tempos, construídas pela memória tanto em sua função prospectiva quanto em sua função projetiva, articuladas pela beleza raquítica e não comercializável, esperando a possibilidade de existir. “Estou convencido de que o futuro está perdido em algum lugar nos depósitos de lixo do passado não histórico; está nos jornais de ontem, nos anúncios insípidos de filmes de ficção científica, no falso espelho de nossos sonhos rejeitados.” (Smithson, 2009)


este projeto, aborda a cidade palimpsesto através de três momentos, que apesar de serem postos de maneira sucessiva, acontecem mais pela contaminação entre eles, idas e vindas, reavaliações, de modo que as três momentos continuam desenvolvendo-se ao longo do trabalho. São eles:

desvendar

significar

ressignificar


em desvendar - experiências para além do véu de opacidade, instrumentos, processos e motivações fora dos padrões racionalistas-funcionalistas são ativados para iniciar a mútua apresentação sujeito-cidade. a ação principal deste momento é derivar. Estar a deriva foi a condição escolhida para vivenciar a cidade fora dos dados racionais fornecidos pelos estudos de fluxo de veículos, pessoas, mercadorias; fora da categorização socioeconômica da população, usos e atividades de setores urbanos e de edificações; fora dos espaços analisados e classificados maniquiesticamente segundo critérios do que chamamos de desenvolvimento. estar à deriva foi a condição escolhida para vencer os espaços homogêneos e abstratos coordenados pelo pragmatismo lógico e justificado. em significar - construção das realidades, as experiências de “desvendar” são avaliadas, interrealacionadas, imaginadas e organizadas sob a ação cartografar. cartografar, em sua definição mais primária é associar uma informação a um espaço. as cartografias que se desenvolvem neste trabalho, bem como a deriva, são produzidas tendo como base a psicogeografia da internacional situacionista. assim, estas cartografias não tem o compromisso de reproduzir leituras racionais e analíticas. elas caminham no terreno das sensações, evocações, sentimentos e símbolos. Não pretendem também serem produtos acabados. Elas comportam-se mais como imagens-diagramas dentro do processo geral do trabalho. em ressignificar - desconstrução e reconstrução das realidades, a ação é (i)materializar. elaborar imaterialidades que se relacionarão com o todo complexo construído em “significar” através de materialidades.


Onde está a cidade palimpsesto? Há quem diga que este tipo de ambiente não pode ser possível sem determinada densidade demográfica, sem N tipos de atrativos culturais, sem séculos suficientes de acontecimentos para encher páginas de livros de história. Mas este tipo de postura pouco generosa e cheia de certezas arenosas e parâmetros estatísticos não me interessa. A verdade é que eu mesma não poderia dizer. Não há o que ser dito. Ela está e é onde deveria estar. Ela está e é em todos os instantes nos quais se busca ir além do véu de opacidade. Ela está e é onde nós a achamos.


Uma possível cidade uma possível forma de mútua apresentação

Posto isto, decidi iniciar minha busca. Derivaria por vários lugares até encontrar um que fosse instigante o suficiente para prosseguir este trabalho. Mas confesso que não tive que procurar muito. Americana – um primeiro flerte que se tornou definitivo. Não houve nenhuma razão a priori para começar por ela, exceto limitações de locomoção e verbas. Achei apropriado ser uma boa ouvinte, então deixei-me ser por ela guiada. E soube de coisas que jamais sequer pensei em perguntar.


desvendar

alĂŠm do vĂŠu de opacidade d e r i v a r


(

)

[e uma experiência difícil de se entitular] Uma brecha na instabilidade meteorológica dos últimos dias, um domingo nublado e sem vento. Uma oportunidade com pouca radiação UVB para se aventurar numa deriva. Almocei mais cedo do que o usual. Peguei uma câmera fotográfica, pão, água, papel, caneta e o meu celular, além de algum dinheiro. Fui para o ponto de ônibus próximo da minha casa. Peguei o circular 619, 12h10min. Sentei-me na janela, como sempre. O barulho familiar do ônibus em movimento era a trilha para um filme muitas vezes reprisado nas molduras daquelas janelas. Então, uma inquietação começou a tomar conta de mim: eu seria capaz de vencer o véu de opacidade, eu seria capaz de me deixar ser curiosa, não estaria condicionada demais pelas amarras da rotina? E esta inquietação piorou quando minha cabeça começou a traçar, involuntariamente, trajetos para a deriva. Então, uma moça subiu. Não era particularmente bonita, mas ela tinha um cheiro suave e fresco, e por alguns instantes o vermelho da sua blusa hipnotizou-me. Passado mais algum tempo daquele cenário familiar, o ônibus fez a curva para ir ao terminal e aquela moça sinestésica levantou para descer. Quase como reflexo, também me levantei e desci. No momento em que descia os degraus do ônibus, constatei que também aquela parte da cidade estava vazia. Três ou quatro pessoas conversavam naquele terminal. Olhei a minha esquerda e a moça sinestésica diminuía conforme seguia pela avenida. Olhei a minha direita e vi um cachorro. Assim que o vi decidi ir ao seu encontro, era aquele tipo de criatura que nos derrete, sabe? Quando alcancei o cachorro, percebi minha presença completamente ignorada por ele. Que diva! pensei, sorrindo.

Logo após isso, avistei torres fabris antigas. Aquelas torres de localização incerta chamavam-me para algum ponto mais próximo do horizonte. Deixei-me ser conduzida. Um domingo desabitado, com apenas uns poucos exemplares humanos esparsos e em movimento. Por entre as casas, vozes quase sussurradas misturavam-se ao barulho padronizado dos programas televisivos de domingo. Continuei a perseguir as torres, caminhando enquanto o céu branco acompanhava-me. Sem me dar conta, além do céu branco, um contínuo amarelo também me acompanhava: espiando por entre os vazios das casas. E do mesmo modo inconsciente, comecei a procurar formas de chegar até ele, infiltrações, frestas. Após algum tempo, encontrei esta infiltração e ela configurava-se de maneira singular, com elementos instigantes e em conexões inusitadas. Nesta infiltração, encontrei uma série de monumentos à subversão bem humorada, a eles chamei de “duchamp”. Naquela infiltração, as vozes eram mais fortes, por mais que ainda invisíveis. Conversas inteiras eram possíveis de serem ouvidas. Portas e janelas voltadas e escancaradas para a rua. Portões sem tranca. Olhando da calçada oposta para estas aberturas, elas mais pareciam olhos. Olhos negros que soltavam vozes invisíveis. O dia branco contrastava em exagero com aqueles grandes olhos, e minhas pupilas nunca conseguiam se ajustar o suficiente para poder fitá-los. Demasiado profundos e atentos pareciam sempre perceber minhas investidas. Mas, mesmo com aqueles olhos negros atentos, talvez pelas vozes serem invisíveis eu ainda sentia-me numa solidão confortável – a docilidade do anonimato. Ao fundo desta infiltração, um banner amarelo continha os dizeres “proibida a passagem”. Pregado num alambrado em situação biodegradável, coexistia com uma porta de madeira, uma instalação que era um convite à permeabilidade. Neste ponto, retornei e comecei a procurar por outras infiltrações. Infiltrações tímidas, marginais, davam-me acesso a estes paralelos sem coincidentes.


Seguindo pela avenida do terminal, passei por uma série de lojas fechadas, vendo meu reflexo opaco nas vitrines empoeiradas, sendo ultrapassada periodicamente pelos carros. A antiga e desativada estação ferroviária ostentava na fachada a data “1912”, que por uma maldição da febre Titanic jamais consegui esquecer que foi o ano do naufrágio. Nunca entrei na estação, e dado que estava fechada (não me lembro de a ter visto aberta, de qualquer forma), não seria a primeira vez. Mais adiante, encontrei uma passagem pedestre elevada – a única no percurso até àquele momento, e mais tarde eu saberia, a única em todo o percurso. Por mais de quatro anos, quase que diariamente passei por ali, só que bem ao lado e no interior de um ônibus. Se o trem não estava passando o ônibus fazia a curva naquela rua, e se o trem estava passando, o ônibus alterava a rota e ia pelo viaduto. E em todas as vezes que eu precisei cruzar a linha férrea a pé, lembro-me que em nenhuma delas o trem estava em movimento, logo, podia ir pela rua. Naquele domingo, pela primeira vez, o trem passava quando eu decidi cruzar a linha. E pela primeira vez, eu subi na passarela. Nesta passarela encontrei o segundo monumento: ligações. Devo dizer, um grande senso de humor do acaso... diverti-me ao ver o potencial irônico dado pela relação entre passarela e monumento das conexões que não conectam. Mas meu leve riso continha um sabor amargo. Em cima da passarela, sentia meus pés vibrarem com o movimento sucessivo dos vagões abaixo de mim. Continuei, e cheguei ao outro lado. Saí em uma rua estranhamente convidativa, com árvores generosas de ambos os lados construindo uma espécie de espaço de transição entre o espaço exposto em que me encontrava e aquilo que ainda me aguardava do outro. Talvez portal seja uma boa denominação. À minha direita, detritos e restos de material de construção depositados próximos à linha férrea. Do outro lado, residências pacatas, pequenos comércios indistintos, um estranho hotel – daqueles que vemos em

uma estrada qualquer no meio do nada em filmes americanos de suspense. Os buracos no asfalto vão aumentando, bem como os indícios de abandono daquelas edificações. Não muitos passos depois se começa a sentir que na verdade os buracos não são invasores, o asfalto é que é. o asfalto é que é. Asfalto, pedregulhos. Asfalto, pedregulhos, areia. Pedregulhos, areia, cacos cerâmicos, restos mortais de produtos made in china. Areia, cacos cerâmicos, restos mortais de produtos made in china, grama. E de repente, Glamour! O terceiro monumento mostrava-se no meio desta gradação de pisos. O Glamour esgarçado naquele piso de natureza sedimentar heterogênea fez-me repetir aquele riso tímido e amargo. Diferente da primeira infiltração, nos arredores de Glamour não se ouvia vozes, nem barulhos padronizados de programas televisivos. Ouviam-se apenas barulhos desrritmados de automóveis que não se viam. De Glamour, peguei uma rua perpendicular e saí no rio sufocado por avenidas. Um rio marrom, que se encontrava volumoso por causa das chuvas fortes e recentes. A eutrofização daquele ecossistema afetava de maneira olfativa minha experiência. Subindo um pouco mais a perpendicular, encontrei o quarto monumento: a antifachada. logo após cruzei uma “praça” ridiculamente maquiada.

Desci, e segui acompanhando o rio.

a minha direita um muro irregular, porém contínuo, acompanhava-me meio suspeito. A minha esquerda, a avenida cujo fluxo declinava margeava um maciço denso de árvores que nunca permitiam a mais leve espiadela do que havia do outro lado. uma grande curva enlaçou-me logo no início deste percurso, e a partir de um dado momento senti que o apego dela por por mim começava a sufocar-me. este sufocamento estreiWtava minha visão e diminuía meu domínio sobre o espaço: não via mais do que cinco metros a minha frente e cinco atrás de mim. E por um intervalo mais longo do que eu desejara comecei a conjecturar a possibilidade da existência de coi-


sas que para minha segurança seria melhor se delas eu soubesse. O que haveria para além do intervalo de 10 metros que eu conseguia enxergar? e atrás daqueles muros? E entre o maciço verde? De alguma forma (ou talvez de todas) senti que tudo me observava silenciosamente, mas que nada me era concedido saber. Rotas de fuga? Não, certamente elas não estavam lá, apenas um longo corredor de mil olhos invisíveis. Eu poderia correr. mas e se de fato algo me observava não seria isso o sinal verde para o bote? Assim como ocorre na relação presa-predador quando o predador percebe que presa deu-se conta do perigo. transeuntes, onde eles estavam? Mas naquela altura eu não saberia dizer se ver transeuntes seria tranquilizador ou o prelúdio de uma taquicardia. Numa rua deserta é preferível estar de fato só do que ter apenas uma ou duas pessoas compartilhando suspeitas mútuas. A desesperadora estrada da solidão, com seus mil olhos invisíveis que me devoravam. Uma perpendicular. óbvio que sequer pensei, quando percebi já a havia cruzado. Ela me levou para o outro lado do rio, cruzando o maciço, mas para minha surpresa, certamente não tão feliz, o panorama não era tão mais distinto deste lado, foi o que pensei num primeiro momento.

se dirigia para um sem fim, muito além da minha visão.

tentava visualizar maneiras de chegar em Gotham, mas no fim, Gotham permaneceu longe e misteriosa

Atravessando o pontilhão, cheguei ao que boa parte parte chamaria de subúrbio. Toda série de entediantes símbolos urbanos e sócioeconomicos pareciam ter dali se apossado. A despeito de todos os seres humanos que ali vi transitarem, a despeito do território predominantemente residencial e nitidamente ocupado, tudo o que eu não vi ali foi vida. O terrível terreno das habitações homogêneas, da monofuncionalidade. Enquanto eu andava pelas suas ruas, corretamente asfaltadas, podia ouvir as vozes de funcionários de imobiliárias anunciando vendas e aluguéis das casas pelas quais eu passava, “com certeza um bom negócio!”. Seus portôes elétricos e cercas elétricas demarcavam claramente o limite entre o público e o privado. Por sinal, mais nítido que isso já sairia do terreno da pura demarcação, se é que já não saiu. deserto suburbano. acreditei que minha deriva havia chegado ao fim. Mas digamos que a espera do ônibus no deserto suburbano prolongou em 1h40 a decisão do meu término.

Mas eu estava enganada. Bicicletas, catadores de papelão, carroças e vacas no terreno baldio apaziguaram-me. confesso que até aquele momento nunca havia pensado no potencial apaziguador destes elementos, e creio que você também não.

Para minha surpresa, minha revoltante surpresa, o ônibus que havia tomado para chegar ao centro da cidade não demorou mais do 1 minuto e meio para chegar ao centro da cidade. Eu esperei por quase duas horas um ônibus que cumpriu um trajeto que eu faria em 10 minutos de tranquila caminhada. Realmente... como saberia que o deserto suburbano estava tão perto do centro?

continuei a seguir sempre em frente, e uma ladeira veio a testar minha vontade dessa linha reta. Tive que provar a ela quão insistente era essa vontade e ela me recompensou.

Posto isto, comecei a especular a dimensão da fratura entre estes espaços, que minha percepção tão intensamente registrou. Qual a dimensão da fratura que faz de 10 quadras, 100?

Muito além do pontilhão no qual me encontrava, a visão de Gotham ao fim do horizonte, e abaixo de mim, a linha férrea que encontrara algum tempo atrás, e que

desci no terminal antigo e caminhei até a praça do centro para tomar o circular até minha casa. Neste pequeno


trajeto, percebi que muito para mim havia mudado: atrás da estação ferroviária pela qual eu sempre havia passado de ônibus, agora há glamour, onde antes apenas existia o intervalo entre o terminal e a avenida da saudade. Para mim, todo aquele lugar densificava-se. E cada vez que agora eu me recordava dele, novas coisas agregavam-se. Lembrar e imaginar dissolviam suas barreiras. Dentro dos olhos negros da primeira infiltração, que outras estórias guardavam aquelas vozes? Teria o monumento Duchamp nascido de ociosa e bem humorada tarde de domingo? Não sei. mas sei que mais interessante do que determinar uma resposta absoluta que anule todas as outras é imaginar as tantas possíveis e impossíveis nestes densos vazios.


玫nibus 1 么nibus 2 么nibus 3 t锚nis


monumento. aquilo que traz à memória monere (v.) fazer recordar, avisar, iluminar, instruir


d u c h a m p

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humor c r i a t i v i d a d e subversão

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construção das realidades

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c a r t o g r a f a r


“A memória, portanto, constrói o real, muito mais do o resgata. (...) A memória age “tecendo” fios entre os seres, os lugares, mais do que recuperando-os, resgatando-os ou descrevendo-os como “realmente” aconteceram. Atualizando os passados – reencontrando o vivido “ao mesmo tempo no passado e no presente” – a memória recria o real, nesse sentido, é a própria realidade que se forma na (e pela) memória. O tempo perdido e reencontrado (no sentido de retomado, de um tempo que começa de novo, e não de um retorno do mesmo) não se refere apenas ao passado, mas também ao futuro.” (Bresciani e Naxara, 2001, p.51)


esta foi a primeira cartografia produzida após a deriva. Ela é em grande parte fruto da sensação de fragmentação entre os espaços, da real distância entre eles que na maior parte das vezes pouco equivale aos dados contidos nos mapas oficiais. Lembro do choque ao tentar retomar o trajeto da deriva para traçá-lo no mapa e ver que segundo os satélites eles eram desta forma, tão ficticiamente próximos. Além disto, ressalto toda a lógica que fomenta a invisibilidade e a inacessibilidade de glamour dentro deste contexto urbano.


reavaliando a cartografia primária, percebi que entre os espaços isolados em relação um ao outro, havia um certo paralelismo: sempre correndo lado a lado, sem nunca se cruzarem. Os fatores que fomentaram esse paralelismo não poderiam ser mais esteriotipados: avenidas, ferrovias e corpos d’água. Estes fatores não constituem barreira neles mesmos, e sim a configuração com que são construídos tanto fisicamente quanto simbolicamente dentro da cidade.


estes elementos revestidos da qualidade de barreiras cindem a cidade. De um lado, o centro e do outro, o bairro.

na imagem da página seguinte, temos o instante no qual glamour surge em meio a lógica destes paralelos e destas cidades cindidas. uma existência marginal, nem de um lado e nem de outro, fruto de um tempo no qual os elementos que hoje são trajados de barreiras um dia foram ligação.


glamour


estrada da solid達o


deserto suburbano


barreiras


reconstrução das realidades ressignificar

( i ) m a t e r i a l i z a r


“Inutilmente, magnânimo Kublai, tentarei descrever a cidade de Zaíra dos altos bastiões. Poderia falar de quantos degraus são feitas as ruas em forma de escada, da circunferência dos arcos dos pórticos, de quais lâminas de zinco são recobertos os tetos; mas sei que seria o mesmo que não dizer nada. A cidade não é feita disso, mas das relações entre as medidas de seu espaço e os acontecimentos do passado: a distância do solo até um lampião e os pés pendentes de um usurpador enforcado; o fio esticado do lampião à balaustrada em frente e os festões que empavesavam o percurso do cortejo nupcial da rainha; a altura daquela balaustrada e o salto do adúltero que foge de madrugada; a inclinação de um canal que escoa a água das chuvas e o passo majestoso de um gato que se introduz numa janela; a linha de tiro da canhoneia que surge inesperadamente atrás do cabo e a bomba que destrói o canal; os rasgos nas redes de pesca e os três velhos remendando as redes que sentados no molhe, contam pela milésima vez a história da canhoneira do usurpador, que dizem ser o filho ilegítimo da rainha, abandonado de cueiro ali sobre o molhe. A cidade se embebe como uma esponja dessa onda que reflui das recordações e se dilata. Uma recordação de Zaíra como é atualmente deveria conter todo o passado de Zaíra. Mas a cidade não conta seu passado, ela o contém nas linhas da mão, escrito no ângulo das ruas, nas grades das janelas, no corrimãos das escadas, nas antenas dos pára-raios, nos mastros das bandeiras, cada segmento riscado por arranhões, serradelas, entalhes, esfoladuras.” (Calvino, Cidades invisíveis)


[i] materializar o quê

monumentos

? !

como

processos de memória

duchamp

descontínuo

glamour

instável

antifachada

vazios de imaginação

ligações

aquilo que irrompe


identificação e caracterização de infiltrações e pontos aglutinadores existentes

proposta inicial de nova pontos aglutinadores/rea


as infiltrações e novos aticulação dos existentes

recorte da área de ressignificação


cartografia dos paralelos e das dist창ncias perceptivas entre elas.


cartografia das atividades simbĂłlicas dos pontos aglutinadores, baseado em objetos-produto, objetos-vestĂ­gio, objetos-veĂ­culo destas atividades


cartografia geral da área de cação na situação atual, com ras entre os paralelos e a ção, fruto do confronto com estas

ressignifias barreidesorientabarreiras.


a ação das infiltrações e o dos pontos aglutinadores rearticulados atuam como agentes capazes de dissolver ou enfraquecer os efeitos das barreiras em pontos estratégicos. o impacto inicial é local, mas a abrangência desta ressignificação alcança a escala urbana.


proposta de ressignificação geral contendo pontos aglutinadores e infiltrações.


“A ponte se torna um valor estético, não somente quando estabelece, nos fatos e para a realização dos seus objetivos práticos uma junção entre termos dissociados, mas também na medida em que a torna imediatamente sensível. Ela oferece ao olhar, ligando as partes da paisagem, o mesmo suporte que oferece ao corpo para satisfazer a realidade da praxis. A simples dinâmica do movimento, em cuja efetividade vem se esgotar a cada vez o “objetivo” da ponte se faz visualmente durável, assim como o quadro imobiliza à sua maneira o processo vital, físico e psíquico pelo qual se cumpre a realidade do homem, e que ele comprime numa única visão estável pela sua intemporalidade, como não mostra nem pode mostrar a realidade factual - toda a agitação desta realidade que decorre no tempo. A ponte empresta um sentido último, superior a todo o sensível, uma figura particular que não mediatiza nenhuma reflexão abstrata e que recolhe em si a significação prática da ponte, trazida à forma visual, como a obra de arte pode proceder com o seu “objeto”.” (Georg Simmel “A Ponte e a Porta” p.11 - Política & Trabalho 12 - set/1996 - PPGS-UFPb)


infiltração centro-glamour


esta infiltração articula-se com um ponto aglutinador já existente, uma pequena praça no meio da conjunto de edificações. a dissolução das barreiras físico-visuais no ponto onde ela se implanta cumpre a primeira etapa da ressignificação, e a existência, deliberadamente simples e sutil da estrutura de transposição cumpre a segunda etapa: torna a vontade da ligação passível de também ser realizada funcionalmente.


infiltração glamour-bairro


esta infiltração entre glamour e bairro apresenta, de modo distinto ao ponto de ressignificação anterior, uma forma secundária de infiltração atrelada à forma primária, que podemos chamar de ramificações ou desvios. estes desvios são dados tanto pelo desenho da plataforma de transposição quanto pelos elementos pontuais (que funcionalmente são bancos) que sugerem uma conquista de território mais delicada e menos “oficial”, por assim dizer. Estes desvios são convites ao “perder-se”, insinuações de descoberta do espaço para além do simples passar. as estruturas porticadas fortalecem as relações acima citadas.


infiltração centro-glamour + ponto aglutinador estação


neste ponto de ressignificação, proponho a potenciallização do ponto aglutinador estação ferroviária através da incorporação do além ferrovia, dando possibilidade de uso do espaço a ele adjacente. A infiltração toma a forma de estrutura de transposição com estrutura metálica e piso de de vidro com grande permeabilidade visual, que ao mesmo tempo em que concretiza a passagem torna-se suporte para o espaço livre. O piso insinua e sugere os desvios da infiltração principal, funcionando como um convite para ramificar esta infiltração. As estruturas porticadas também atuam neste convite, ao mesmo tempo em que delimitam espacialidades e fronteiras. Os painéis são suporte de atividades que já ocorrem no local, como colagens e grafites. Seu posicionamente marca os limites do espaço público e do espaço de acesso restrito (predominantemente ligado às questões de segurança do próprio usuário).


ponto aglutinador praรงa da nascente


truturan linha es

nascente

te

este ponto aglutinador é um dos motivos da infiltração glamour-bairro. Localizado no meio do bairro, rodeado por um entorno predominantemente residencial. o entorno deste ponto aglutinador é marcado pela variedade de condições socioeconômicas tornadas visíveis pelas edificações, bem como pelo público que o frequenta. três aspectos naturais são muito relevantes neste ponto aglutinador: a presença de uma nascente, o considerável desnível, o conjunção da visão ampla e privilegiada da cidade a partir de sua cota mais alta com o poente solar. a configuração deste ponto é feita através de uma linha estruturante, da qual partem ramificações com ambiências distintas. esta linha estruturante, apesar de ser o elemento que possibilita a organização espacial, não contém nele mesmo os usos atrativos das outras ambiências. e mesmo a forte perspectiva por ela gerada culmina no vazio. esta ausência que articula todoo resto é a ligação deste ponto com o conjunto de ressiginificação.


infiltração centro-bairro


esta infiltração carrega as mesmos elementos presentes na infiltração glamour-bairro, tais como os desvios delineados no piso e as sugestões deixadas pelos elementos pontuais, além das estruturas porticadas. Contudo, esta infiltração é a que tem a tarefa de percorrer a maior distância física dentre todas do conjunto, transpondo a linha férrea e o rio, num desnível entre centro e bairro+ponto aglutinador de 5,5m. posto isto, a opção de alta linearidade da infiltração primária se coloca como opção de alta legibibilidade do percurso, que seguida pela abertura no maciço vegetal conferem alta vibilidade da estrutura de transposição e seu entorno imediato, proporcionando maior domínio do usuário sobre o espaço. Estas medidas foram tidas como essenciais para de fato tornar público o espaço, e o convite da infiltração ter condições de ser efetivo, bem como a liberdade de aceitar as sugestões de desvios. na extremidade da infiltração que toca o centro, há uma ruína de uma antiga passarela. Ela foi mantida em sua condição desfuncionalizada, tomada como elemento simbólico da ruptura.


ruĂ­na rodoviarista


este monumento ao fracasso rodovia articula simultaneamente duas funções: infiltração e ponto aglutinador. Sendo infiltração, ele possui uma distinção dos demais de sua categoria, pois atua muito mais no nível da infiltração visual do que física, apesar da estrutura transpor a linha férrea e colocar-se em seu ápice ao lado do rio. sua configuração privilegiada confere a possibilidade múltiplas ligações visuais, fomentando a percepção da unidade do conjunto de ressignificação. a estrutura porticada acompanhado pelas estruturas baixas de concreto, na ruína rodoviarista atua como elemento que sugere e reforça a diferenciação de espaços dentro do percurso geral. a estrutura baixa no início do percurso traça uma linha que invade a ruína e convida o usuário a adentrá-la; a estrutura porticada cria pela repetição um caminho perpectivado. no final do percurso, a estrutura baixa abandona o caráter de linha que invade e passa a ser uma série de pontos que ocupam; enquanto a estrutura porticada quebra o ritmo e assume a função de sugerir as múltimplas ligações visuais possíveis.


bibliografia Teoria da Deriva

Guy Debord

Introdução a uma crítica da geografia urbana

Guy Debord

Com os olhos no passado: a cidade como palimpsesto As cidades invisíveis Um passeio pelos monumentos de passaic A Ponte e a Porta Memória e ressentimento História e memória Memória coletiva A paisagem urbana Estrela da vida inteira Ruins Monumento, tempo e cidade,

Sandra Pesavento Ítalo Calvino Robert Smithson Georg Simmel

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Cidade Palimpsesto