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olhar 61 EDIÇÃO 01 | FEVEREIRO 2013

SKATE

O ESPORTE E A CIDADE

LOMO

O NOVO QUE É CLÁSSICO

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olhar Carta ao Leitor Brasília em mil faces Expediente

A cada mês e a cada ano, assistimos uma Brasília que se transforma cada vez mais. São festivais de música, um movimento teatral e cinematográfico de encher os olhos, exposições, monumentos e manifestações para os gostos de todos os brasilienses. Não é a toa que a revista olhar 61 tenha como matéria prima do seu trabalho o cenário artístico e cultural da capital. Elaborada por quatro alunas da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília, a revista procura atingir um público específico, que goste de fotografia, arte, skate e grafite pelas ruas, o lazer no lago Paranoá, entre tantos outros assuntos. A revista foi pensada para que tanto os brasilienses conheçam mais a cidade em que vivem como quem vê nossa querida Brasília de fora tenha vontade de conhecer e apreciar. Por fim, o objetivo desta 1ª edição é cativar e despertar o desejo de abocanhar pelo menos um pouquinho da infinidade de movimentos da cidade.

Editora-chefe Luisa Turbay

Coordenadora Juliana Ciarlini

Reportagem Alessandra Azevedo Juliana Ciarlini Luisa Turbay Stèphanie Sant’Anna

Editora de Arte Alessandra Azevedo

Assistente de Arte Juliana Ciarlini

Luisa Turbay luisaturbay@gmail.com

Editor de Fotografia Stèphanie Sant’Anna

Assistente de Fotografia Luisa Turbay

Fotografia

Revisão

Alessandra Azevedo

Luisa Turbay

Colaboradores

Tiragem

Bernardo Prates

5 mil exemplares

Carolina Bchara Jorge Macedo

Impressão

Rogério Verçoza

Gráfica Central Park

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SUMÁRIO As ondas de Brasília

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A capital prova que não é só na água salgada que as pessoas podem se aventurar

Surfe no asfalto

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Pioneiros e amantes da prática do skate em Brasília falam sobre o esporte

Arte em curvas, retas e spray

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Conheça a história do grafite e sua importância em Brasília

O analógico voltou com tudo

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A mania de fotografar a qualquer momento virou febre no Brasil e no mundo

A Arte e vida de Betty

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Um retrato da artista plástica que cresceu e se consolidou junto com Brasília

De Brasília para o mundo

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Saiba mais sobre artistas e bandas que se formaram na capital

Design de concreto e muita arte no setor de clubes

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Descubra tudo que o CCBB tem a oferecer

Brasília e seus bares

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As filosofias de boteco da cidade

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Olhos da cidade Parque da Cidade pelos olhares de alguém que cresceu ali

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AO AR LIVRE l NOSSO MAR

AS ONDAS DE BRASÍLIA Brasília não tem mar, mas tem o Lago Paranoá. Não tem praia, mas tem Pontão e Calçadão. A capital prova que não é só na água salgada que as pessoas podem se aventurar POR ALESSANDRA AZEVEDO

Por Louise Galdiano

Entre as alternativas às praias do litoral, Brasília apresenta o Pontão. Como o próprio nome diz, trata-se de um ponto de encontro dos brasilienses e turistas desde 2002. Encontra-se no Lago Sul da cidade, e seus 134 mil metros quadrados estão repletos de quiosques, bares, restaurantes e um grande espaço livre, além de vários banquinhos para as pessoas sentarem e ficarem admirando o Lago Paranoá e as luzes do shopping Pier 21, que fica do outro lado. Para os esportistas, as opções vão de wakeboard a windsurfe. Ninguém pode dizer que não se surfa em Brasília. Já no lado norte da cidade, é o Calçadão da Asa Norte que se encarrega do clima praiano. Seus 22 mil metros quadrados se estendem pela beira norte do Lago Paranoá desde julho de 2011, quando foi inaugurado. Ainda não

Caiaques para passeio

Vista do calçadão ao amanhecer

tem restaurantes, quiosques ou bares, mas o local acolhe muitas rodas de amigos – com ou sem seus violões. O foco aqui é passear, relaxar e há até mesmo aqueles que vão lá para pescar. Também é bastante visitado por pessoas que vão fazer caminhadas, levar as crianças para o parquinho, ou apenas ficar de bobeira, esperando o tempo passar. Lá, é possível alugar caiaques a partir de R$15 por uma hora. Um passeio de lancha com cerca de 30 minutos custa a partir de R$ 40 por pessoa. Para aqueles que não querem se jogar no lago, os clubes da cidade também não deixam a desejar. Há muitas opções, tanto no Setor de Clubes Sul quanto no Norte, para quem quer fazer um churrasquinho, dar um mergulho, praticar esportes ou tomar sol. Quem disse que é só no litoral que as pessoas são bronzeadas? olhar|61 l

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POR AÍ l SKATE

SURFE NO Pioneiros e amantes da prática do skate em Brasília representam o esporte que cresceu e hoje se espalha por todo o Distrito Federal

POR JORGE MACEDO E ROGÉRIO VERÇOZA

Os jovens que usam uma das 25 pistas de skate do Distrito Federal possivelmente desconhecem a origem do esporte na cidade. “Diz a lenda que o primeiro skatista de Brasília foi o norteamericano Terry Lee, funcionário da Embaixada dos Estados Unidos”, relembra Luiz Carlos Ramos, praticante do esporte desde criança e mais conhecido como Dentinho.

Origens O que se sabe é que os primeiros adeptos surgiram logo no começo dos anos 1970, influenciados pelas manobras que vinham do Rio de Janeiro. Edmir Silveira, o Carnei-

rinho, levou a novidade para a 115 Sul, quando se mudou com a família no início dos anos 70. Sua ideia era realizar nas calçadas ou no asfalto movimentos semelhantes aos do surfe, esporte que praticava na capital fluminense. Marcos Gorayeb, 50 anos, mais conhecido como Goiaba, produtor rural e instrutor de stand up paddle, lembra a surpresa e a dúvida que lhe surgiram ao ver os primeiros skatistas andando na cidade: “Legal, mas onde eu posso encontrar um desses?”. Não se encontrava. Diferentemente de hoje em dia, em que marcas de skate surgem na capital, naquela época nem sequer

fabricantes existiam no Brasil. A saída era improvisar. “Desmontava um par de patins para utilizar os eixos e rodinhas pregados à uma tábua de passar roupa”, conta Goiaba, que começou no esporte por volta de 1972. Depois que os praticantes conseguiam o skate, construído artesanalmente ou encomendado junto às lojas importadoras, o passo seguinte era buscar uma ladeira em que os movimentos dos surfistas pudessem ser imitados.

Influências externas A proximidade com o surfe não se limitava apenas ao que diz respeito às manobras, ela se estendia

também às questões estéticas. A partir do contato com revistas internacionais, jovens skatistas da cidade adotavam o estilo de surfistas estrangeiros, que eles viam nas matérias de revistas do exterior. “A referência para o skate, na época, era o surfe, então costumávamos andar de short, descalços e sem camisa”, explica Dentinho, publicitário, funcionário público e também músico nas horas vagas. Mário Márcio, 49, funcionário da Câmara dos Deputados, diz que as pessoas começaram a andar de skate por influência da mídia. “Vi uma reportagem no Correio com o ‘Patinho’ na capa, um típico surfista,

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ASFALTO loiro e cabeludo. Aquilo me chamou a atenção”, conta. Os primeiros carrinhos eram feitos a partir da separação dos eixos de patins e fixação com pregos nas tábuas, mas ninguém tinha uma na época. As inúmeras praias vistas nas páginas estrangeiras estimularam a busca por novos locais para a prática, que teve início na calçada que fica entre os blocos B e C da quadra 115 sul.

Rampas e improvisos “Começamos a andar no antigo Defer (atual Secretaria de Esportes do Governo do Distrito Federal), 107 Sul, Setor Comercial Sul, Cine Brasília, estacionamento da 509 sul e na

descida do Cine Drive-in. Como os locais na cidade não tinham muita estrutura, os próprios praticantes começaram a construir as rampas”, recorda Dentinho. “Uma das primeiras que fizemos foi na AABB, e depois no Colégio Objetivo, ambas de madeira“. Para reivindicar melhores locais para praticar, quando o Parque da Cidade foi inaugurado em 1978, os jovens marcaram audiência com o então secretário de Esportes do GDF, Nilson Nelson. Mário Márcio relembra que as pessoas não sabiam o que era o esporte. “Desde então lutamos para que uma pista fosse construída na cidade. Tivemos

uma área exclusiva, o Tribal Park, no Parque Sarah Kubitschek, dedicada aos praticantes. Cheguei a ouvir de alguns dos principais skatistas do país, como Lincoln Ueda e Sandro Mineirinho, que era uma das melhores do mundo“.

Novos pontos Entretanto, o negócio não funcionou, a pista foi fechada pouco tempo depois. “Até hoje o Parque não tem uma pista específica para nós”, lamenta. Por volta de 1978, a modalidade de speed começou a ser praticada. Os skatistas brasilienses passaram a frequentar ladeiras mais acentuadas em busca de velocidade, o que

exigia carrinhos com rodas e shapes maiores. “O nosso ponto de encontro era a Casa do Candango, que fica na L2 Sul. De lá, descíamos em direção à ponte Costa e Silva e, quando não tinha muito vento, chegávamos à frente do Pontão do Lago Sul”, conta o fotógrafo Rafael Mendes, 50, que começou no esporte com 12 anos, em 1974.

Campeonatos A pequena ladeira da 115 Sul, que abrigou os skatistas pioneiros da cidade, foi o principal palco das primeiras competições na capital. O 1oº Festival Brasiliense de Skate, assim chamado em reportagem assinada pelo jornalista Ir-

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Inspiração Segundo Mário, a inspiração dos skatistas da capital vinha de fora, ao ler revistas especializadas. “Sempre fomos fãs da Skateboarder. Quando ela chegava por aqui, a gente lia e, a partir das fotografias, tentava fazer os mesmos movimentos. O que não tínhamos eram os mesmos lugares em que eles, na Califórnia, executavam as manobras”, conta. Coincidência ou não, o esporte associado à rebeldia conquistou bastantes adeptos na cidade durante a ditadura e dentro de uma quadra que era destinada a civis e militares (115 Sul). Nesta quadra foi onde aconteceu o 3º campeonato, realizado em 1976, que reuniu muitas pessoas em volta da ladeira para acompanhar o novo esporte. “A gente era moleque e crescia no meio dessa re6 l

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pressão toda. Sem perceber direito, porém revoltados”, afirma Goiaba. Para Irlam Rocha Lima, a presença do público na competição se justifica porque não existiam muitas atrações, naquela época, para a juventude de Brasília.

Nova geração Segundo os pioneiros da capital, o skate evoluiu muito e os novos praticantes fazem manobras bastante arrojadas. “A molecada hoje voa quase cinco metros além do limite da rampa, é muito alto e arriscado”, diz Dentinho. Franklin Barbosa, 26, que pratica o esporte desde a infância, ressalta a importância dos skatistas mais experientes. “É bacana ir até ao Eixão no domingo e ver gente de diversas idades em cima do carrinho. Os skatistas mais antigos são fonte de inspiração para os novos”. Mário Márcio reconhece o carinho dos skatistas da nova geração, e se sente um privilegiado por ajudar a divulgar o esporte na capital federal. “Nós fomos o começo deste ciclo, isso é motivo de grande orgulho para todos nós. Servimos de motivação para nossos filhos e nossos netos. É importante que todos saibam que o skate é um estilo de vida, e que o esporte está presente nas nossas vidas e nos faz muito bem”.

Retrato Bernardo Prates Quando foi o seu primeiro contato com o skate? Deve ter sido em 1998. Me lembro de ter pedido um skate para os meus pais, em alguma data comemorativa, e eles trouxeram de uma viagem que fizeram. Qual é o seu lugar preferido atualmente para andar em Brasília? Meu pico preferido é o Setor Bancário Sul, pois o chão é bem lisinho e tem bastante espaço, o que faz de lá o local perfeito. Quais foram suas referências/influências no skate? No início foram os grandes nomes do skate: Tony Hawk, Bob Burnquist etc. Hoje em dia são tantos nomes que nem dá pra citar. Você costuma participar ou já participou de algum campeonato de skate? Aqui em Brasília, nunca. Os únicos campeonatos

Por Fabrício Timm

lam Rocha, foi organizado pelos praticantes mais antigos em 1975. Além disso, eles eram os responsáveis pelo julgamento das manobras feitas pelos atletas. “Esses caras, dois ou três anos mais velhos que nós, foi que fizeram o primeiro campeonato só para eles. Algum tempo depois aconteceu uma competição em que os caras mais novos puderam participar e acabei ficando em terceiro lugar”, informa Rafael.

dos quais participei foram durante duas temporadas do Skate Camp em Sorocaba, cujo nome era “Volcom Animais na Pista”. Quais as manobras que mais gosta de fazer? As minhas manobras preferidas são o Ollie e o Flip, mas sempre tento variar e treinar todas que sei. Muitas vezes tento aprender novas manobras, mesmo que elas sejam difíceis. Qual é a que você considera mais difícil? A manobra mais difícil, na minha opinião, é a 360 Flip. É uma manobra que até hoje não acertei, porém ainda não perdi as esperanças de conseguir. Já fez alguma loucura pelo skate? Não, eu nunca fiz. Embora já tenha visto muita gente fazer, principalmente em questão de manobras.

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POR AÍ l GRAFITE

ARTE

POR LUISA TURBAY

EM CURVAS, RETAS E SPRAY

Por Hélio Campos

O concreto cinza fornece um imenso mural para o grafite, arte que se mistura ao ritmo das ruas de forma provocativa

Muro pintado em Taguatinga

A arte do grafite é um exemplo de manifestação artística em espaços públicos. A definição mais popular diz que o grafite é um tipo de inscrição feita em paredes. Seu aparecimento na Idade Contemporânea se deu na década de 1970, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Alguns jovens começaram a deixar suas marcas nas paredes da cidade e, algum tempo depois, essas marcas evoluíram com técnicas e desenhos diversos. O grafite está ligado diretamente a diferentes movimentos, em especial ao Hip Hop, para o qual é uma forma de expressar toda a opressão que a humanidade vive, principalmente os menos favorecidos – ou seja, o grafite reflete a realidade das ruas. Introduzido no Brasil no final da década de 1970, em São Paulo, os brasileiros não se contentaram com o grafite norte-americano, então começaram a incrementar esta arte com um toque brasileiro. Como resultado, o grafite brasileiro é hoje reconhecido entre os melhores de todo o mundo. Considerada um patrimônio da humanidade pela UNESCO, a capital do país é um espaço privilegiado para a interação artísticocultural. É desta forma que

Muro por Toz, no RJ

grafiteiros dos mais variados cantos do país têm vindo à capital para expor seus trabalhos nos muros da cidade, e também interagir com os novos e antigos artistas locais. A dupla de grafiteiros cariocas Toz e Br, pioneiros no ensino da arte do grafite no Rio de Janeiro, esteve na capital federal dividindo com alunos iniciantes as suas técnicas de trabalho. Em parceria com a Flashback Crew, grupo de grafite ao qual Toz e Br fazem parte, aconteceu no Centro Cultural Renato Russo, em 2011, um curso inédito de técnicas de grafite, onde meninos e meninas puderam aprender a arte plástica que tem consagrado os artistas brasileiros pelo mundo. Em meio a cursos e exposições, a capital mostra que tem espaço para o grafismo engajado do movimento Hip Hop e também para os grafiteiros artistas plásticos, que, assim como a dupla do Rio de Janeiro, têm migrado dos muros das ruas para as galerias e centros culturais. olhar|61 l

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FOTOGRAFIA l LOMOGRAFIA

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O ANALÓGICO

VOLTOU COM

TUDO

Fotografar a qualquer momento com as Toy Cameras virou febre no Brasil e no mundo POR JULIANA CIARLINI

Ao invés de sair para fotografar, os amantes da lomografia saem para lomografar. Há quem pense que vale a pena dormir com a câmera do lado, para que nenhum bom momento seja perdido ou desperdiçado. Lomografia é um movimento fotográfico que utiliza câmeras automáticas de baixo custo. O processo consiste na recepção contínua de luz que é feita através do sistema de exposição automático, chegando a durar 30 segundos. Há diversos modelos e tamanhos, variando de 100 a 1000 reais. Atualmente, a Lomography é a maior fábrica de câmeras lomográficas do mundo e tem uma filial no Rio de Janeiro, Brasil.

Desde os modelos de câmeras minúsculas até as câmeras maiores, há lomos para todos os gostos e câmeras que produzem efeitos infinitos. O nome é uma referência ao modelo LOMO LC-A, uma câmera super compacta da marca LOMO. A LOMO é baseada na Cosina CX-1 e começou a ser produzida em 1980. O olho de peixe, ou fisheye, faz com que a fotografia fique com uma moldura circular e escura. Já as famosas câmeras Diana produzem fotografias com saturação diferenciada e cores mais fortes. As lentes das máquinas lomo são de plástico e produzem efeitos artísticos, e dependem apenas do filme e da incidência da luz.

Há dois tipos de filmes indicados para se utilizar nas câmeras lomo. O de pequeno formato com 35 mm e o de médio formato, com 120 mm. O de pequeno formato proporciona 36 poses, já o de médio formato, apenas 12. Outro fator que influi na qualidade e nos efeitos da foto é a sensibilidade, indicada pelo ISO. O ISO de 25 a 64, proporciona baixa sensibilidade e baixa granulação, indicado para muita luz e grandes ampliações. Já o ISO de 100 a 400 tem média sensibilidade e granulação, e é utilizado para iluminações e ampliações médias. E, por fim, o ISO 800 a 3200, que possui alta sensibilidade e alta granulação.

Significa dizer que é indicado para os locais com pouca iluminação e pequenas ampliações.Para os brasilienses que querem se aventurar no universo lomográfico, há o estúdio f/508 localizado na Asa Norte, Brasília. Lá, além de encontrar um arsenal de câmeras lomográficas para a venda, há também cursos com profissionais qualificados de fotografia. O site oficial da lomo é o www.lomography.com, e é também uma fonte de ideias e de venda de câmeras e acessórios especializados. Vale a pena começar a pesquisar sobre o assunto e comprar a primeira câmera lomográfica, pois a experiência é sensacional, gratificante e única. olhar|61 l

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ENTREVISTA - ISABELA f/508 Estudante de Arquitetura na UnB, 22 anos.

Como e quando surgiu a paixão pela lomografia? Eu já era apaixonada por fotografia analógica, porque herdei a Pentax que meu pai usava. No curso básico que eu fiz aqui no f/508 faz uns 5 anos, conheci a lomo por uma menina que fazia aula comigo e não consegui mais largar, virou um vício. Como foi abrir um estúdio de fotografia diferente de todos os outros de Brasília? O estúdio é uma consequência do projeto do Humberto. O Espaço f/508 tenta englobar esse universo da fotografia buscando diversas áreas. Ao mesmo tempo que somos escola, somos estúdio, galeria, impressão, loja e ainda tentamos reviver a fotografia analógica! Qual é a sua área de trabalho no f/508? Aqui no f/508 todo mundo faz um pouco de tudo. Sou coordenadora dos cursos, mas ajudo na parte administrativa, dou monitorias de fotografia, seguro rebatedor no estúdio e auxilio em outras atividades. Quantas lomos você possui e como as adquriu? Eu devo ter umas 10 lomos, vício é vício né? A minha primeira foi na internet, outra foi no f/508, algumas me trouxeram da gringa, outras me deram de presente.

Quem são os seus colegas de trabalho? Meus amigos de trabalho formam um núcleo artístico! O Humberto é publicitário e constante gerador de ideias, a Raquel é formada em Artes Plásticas, a Tainá faz cinema e no fim todo mundo é fotógrafo. Como você vê o movimento lomográfico? É difícil dimensionar a proporção que a lomografia ganhou. A sociedade lomográfica é gigantesca! E como a estética dela é muito atrativa, ela deixou de ser apenas do mundo da fotografia. Você vê lomos em revistas, catálogos de roupas e propagandas. No Brasil tudo é um pouco mais devagar. Fotografia analógica é uma brincadeira cara, então as pessoas ainda não se adaptaram tanto como em outros lugares. Mas estamos tentando fazer esse movimento acontecer. De que forma você acha que a lomografia acrescenta algo para as pessoas? Eu vejo a lomografia como um resgate da fotografia analógica. Com tanta tecnologia, as pessoas não conseguem perceber a importância do analógico na nossa vida. Quando 36 poses são tudo o que você tem e você ainda terá que esperar alguns dias pra saber se deu certo, a foto tem mais valor. Eu ainda acredito que o futuro é analógico.

LOMOGRAFIA MODERNA Falta pouco para a fotografia completar 200 anos. Dois impulsos opostos empurram a produção de imagens para o futuro e para o passado. O Instagram permite que uma imagem capturada por celular seja compartilhada em poucos segundos por um número ilimitado de pessoas. Na outra ponta, a lomografia ressuscita o filme, a revelação, o papel e a surpresa. Lançado em outubro de 2010, o Instagram é um aplicativo gratuito que permite aos usuários tirar fotos, aplicar um filtro e depois compartilhá-la em uma variedade de redes sociais, incluindo o próprio Instagram. Esse aplicativo foi desenvolvido e projetado pelo brasileiro Mike Krieger e pelo norte-americano Kevin Systrom, inicialmente para uso em dispositivos móveis Apple iOS sendo posteriormente disponibilizado no sistema Android. Além 10 l

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do aplicativo permitir aos usuários compartilharem suas imagens, disponibiliza também uma grande variedade de filtros e efeitos. Eles podem compartilhá-las através do aplicativo e em redes sociais como Twitter, Facebook, Foursquare e Tumblr, dentre tantas outras. De acordo com os dados divulgados em setembro de 2012, o Instagram tem mais de 80 milhões de usuários, que já compartilharam mais de 4 bilhões de fotos desde que o serviço foi lançado. Após a recente venda para o Facebook, no valor estimado de R$ 1,8 bilhão, a popularidade do Instagram deve crescer ainda mais, devido ao fato de estar associado a uma das maiores e mais importantes redes sociais do momento. A estimativa é de que o número de usuários dobre, assim como o volume de fotos postadas diáriamente.

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A ARTE E VIDA DE

PERFIL l BETTY BETTIOL

BETTY POR LUISA TURBAY

Ela é referência quando o assunto é artes plásticas. Admirada. Inovadora. Colecionadora de obras. Esse “ lado A ” de Betty Bettiol todos já conhecem. Mas poucos sabem que a esposa e mãe dedicada é pioneira de Brasília e já se aventurou mundo afora para garimpar peças de arte de vários estilos. Desde criança, Betty já se aventurava pelo mundo das artes. Seu pai, Oswaldo Gentil, era cantor de coral, pintor conhecido e um verdadeiro boêmio. Sua mãe, herdeira de uma beleza alemã, comandava uma estamparia. A família, adorava receber os amigos em casa. Era hábito os belos jantares com Alfredo Volpi, Francisco Rebolo e Lucas Pennacchi. O jovem rapaz Luiz Carlos Bettiol frequentava os mesmos ambientes que Betty. Na época, ela tinha 14 anos, e ele, 19. Quando se encontraram pela primeira vez, ele anotou o telefone da jovem. Mas a ligação só aconteceu cinco anos depois, quando se reencontraram e, seis meses depois, casaram-se.

Obra em óleo sobre tela da artista

Em 1962, Betty então com 20 anos, recém casada com o já advogado Bettiol, desembarcou em Brasília. E foi aqui na capital federal que ela decidiu construir seu lar e criar os quatro filhos. Uma paulista de nascimento e candanga de mente e alma. Anos mais tarde, a artista se aventurou na pintura. Na sequência, inovou com as esculturas. Foi quando presenteou a cidade com a obra Venturis

A artista Betty Bettiol

Ventis, assentada na entrada da QL 12 do Lago Sul, com cinco toneladas de aço-carbono distribuídas em dois planos retangulares e o brasão do país. A obra situa quem a admira, apontando o Norte, Sul, Leste e Oeste. Depois, Betty dedicou-se à aquarelas e madeira. Paralelamente, ela resolveu desbravar o céu do Brasil. Foi quando Betty e Bettiol aprenderam a pilotar aviões. As paisagens são inspirações para as obras dela, fazendo com que a artista seja rotulada como geômetra. Betty é uma sonhadora. Sonha alto. Tem um projeto em mente: construir um museu de arte popular brasileira, no qual ela quer dividir seu acervo e servir de referência para gerações futuras. olhar|61 l

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DE BRASÍLIA

DAQUI l ARTISTAS LOCAIS

PARA O

MUNDO Artistas e bandas que se formaram na capital mostram a sua regionalidade e hoje fazem sucesso por todo país

POR STÈPHANIE SANT’ANNA

A capital do Brasil é uma cidade de diferentes misturas. Marcada pela influência cultural das cinco regiões do país, seria impossível que essa diversidade estivesse fora do contexto musical. O surgimento de artistas e bandas locais é, muitas vezes, fruto do ambiente político e social de uma época, e não foi diferente com o que ocorreu e ainda está ocor-

rendo aqui na capital. Os diferentes movimentos políticos que o país enfrentou e a situação econômica da região foram cruciais para o desenvolvimento de ideais revolucionários que marcaram a formação de bandas como o Aborto Elétrico que, mais tarde, se dissolveu e deu origem ao Legião Urbana e ao Capital inicial. Com a produção atual não é diferente. O cenário múltiplo e tudo o que a capital oferece são refletidos nas performances de bandas regionais como o Móveis Coloniais de Acaju e Natiruts. O entorno também se faz presente cada vez mais no espaço brasiliense, tendo como exemplo disso a mais nova estrela da cidade, a cantora Ellen Oléria, que conquistou visibilidade nacional ao vencer o programa The Voice Brasil, da Rede Globo.

Importância Nacional

Legião Urbana na Capital Federal 12 l

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Sem dúvida o rock brasileiro não seria o mesmo sem o Legião Urbana. Formada em agosto de 1982, a banda foi um dos produtos da divisão da antiga banda Aborto Elétrico, que gerou também o Capital Inicial. A Legião Urbana entrou em cena acelerando o andamento da música jovem brasileira. Inspirada em bandas como Sex Pistols , The Beatles, Ramones, The Smiths, The Cure, Talking Heads e Joy Division, nos anos 70 fez parte do movimento de bandas de Brasília chamado “Turma da Colina”, junto a bandas como a Plebe Rude e a Blitz. De toda a geração emergida no boom do rock nacional em 1985, ela foi a banda mais venerada pelo público e respeitada pela crítica, e compõe junto com o Barão Vermelho, Titãs e Paralamas do Sucesso o chamado quarteto sagrado do rock brasileiro.

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Diferentes sons Do rock ao reggae, Brasília traz também a banda Natiruts, formada em 1996 pela união de colegas da UnB que tinham a música como válvula de escape das suas tristezas e desilusões com a realidade brasileira. No Brasil, o reggae sempre fugiu de seu ritmo original, mas quando a banda Natiruts surgiu, trouxe de volta os sons jamaicanos para o cenário brasileiro do reggae, que já andava carente depois da desistência do Skank e do Cidade Negra em manter o estilo mais tradicional. A banda, elogiada na cena nacional por se manter fiel às suas origens, defende o reggae de raiz, mas incorpora ao seu som uma grande influência de ritmos brasileiros. Sua importância na preservação da originalidade das suas influências é tanta que, sem eles, o reggae já teria saído das paradas do país há muito mais tempo.

Formação atual da banda Natiruts

Por Ariel Martini

Para todos

Móveis Coloniais de Acaju em apresentação

Formado em 1998, o Móveis Coloniais de Acaju é uma banda que saiu da garagem e construiu a sua caminhada atuando nos palcos de pequenas apresentações na capital. O grupo faz um show divertido e bastante participativo, graças à energia e disposição de seus integrantes ao vivo e ao carisma e simpatia do vocalista André Gonzalez. O lançamento do primeiro disco, Idem (2005), que trazia uma mistura suingada de ska e ritmos do leste, além de música típica brasileira, contribuiu muito para o sucesso das performances. Em 2009, a banda se juntou ao então produtor Carlos Eduardo Miranda para conceber e gravar o segundo disco da banda, um álbum virtual e gratuito chamado C_mpl_te.

Estrela Nacional Ellen Oléria é uma cantora, compositora e atriz brasiliense que ficou nacionalmente conhecida recentemente por ter sido a vencedora do reality show musical “The Voice Brasil” (2012), apresentado pela TV Globo. Nascida em Brasília, foi criada no Chaparral, região de Taguatinga, e formou-se atriz na Universidade de Brasília. Iniciou a carreira de cantora aos 16 anos, cantando em coros de igreja por influência dos pais. Com uma voz marcante, ela mistura bossa nova, funk, hip-hop, MPB, samba, soul, e poesia nas letras e melodias de sua autoria, e já abriu e participou dos shows de vários artistas.

Ellen Oléria transborda emoção em suas performances olhar|61 l

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CIRCUITO l CCBB

DESIGN DE CONCRETO

Vista externa do CCBB

Para quem busca ambientação agradável, cultura e arte reunidos em um único lugar, o CCBB cada vez mais atende às expectativas POR JULIANA CIARLINI

Quem diz que os brasilienses não tem o que fazer por aqui, está muito enganado. O Centro Cultural Banco do Brasil, nos últimos dois anos, vem se transformando em um dos maiores pólos turísticos e culturais da cidade de Brasília. Além da sala de cinema que comporta até 100 pessoas, possui uma sala de teatro com iluminação e cadeiras acolchoadas e 4 galerias de exposições. Conta com um Bistrô, que modestamente só tem pratos deliciosos, e um Café, perfeito para o fim de tarde. Conta com uma área verde que ocupa quase todo o terreno, onde são montados palcos para festivais de música, cinema e arte. É surpreendente o tamanho e a qualidade das galerias e das exposições trazidas pelo centro cultural. Peças artísticas que circulam pelo mundo todo tem como ponto chave na rota o CCBB Brasília. Ao todo, desde a inauguração em 2000, foram mais de 7,4 milhões de visitantes, alcançando ainda em abril de 2012 a posição de 45º lugar dos cem museus mais visitados do mundo, segundo a revista britânia The Art NewsPaper. Isso significa dizer que a cada ano, o CCBB melhora e amplia a sua estrutura. 14 l

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De crianças a idosos, os perfis que protagonizam como visitantes são os mais variados. Mesmo que o forte sejam as exposições, distribuídas por 4 galerias, os festivais de cinema não deixam a desejar. Nos últimos anos foram trazidos festivais de cinema árabe, coreano, chinês, alemão, polonês, entre tantos outros. Há também o culto aos grandes cineastas, como recentemente Woody Allen e Pedro Almodóvar, no qual são reproduzidos inúmeros filmes que marcaram a carreira de cada um. A bilheteria é aberta de terça à domingo, e os preços são bastante populares. O objetivo do centro cultural, que não cobra valor algum pela entrada, é difundir a alta cultura e os maiores nomes artísticos do mundo para todas as camadas da sociedade. Para quem se interessar, o CCBB Brasília fica localizado no Setor de Clubes Sul, Trecho 02, lote 22, perto da terceira ponte e funciona de terça à domingo, das 9h até as 21h. Os telefones para contato são 3108-7600 para quem quer falar na bilheteria e 3108-7623/7624 para falar sobre o programa educativo e visitação das exposições por grupos escolares ou universitários.

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CIRCUITO l BARES

BRASÍLIA E SEUS BARES POR ALESSANDRA AZEVEDO

Para relaxar depois de um dia longo, jogar conversa fora com os amigos, desabafar com o garçom, comemorar uma vitória ou esquecer uma derrota, os bares são parte da cultura local. Patrimônios da cidade, são pontos de encontros e desencontros. Palcos de grandes debates filosóficos, onde as pessoas fazem amigos de infância e inimigos mortais em questão de minutos. Em Brasília, existem bares para todos os gostos: de botecos pé-sujo com cadeiras de plástico aos mais arrumados e extraordinariamente caros.

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Mas os filósofos de boteco, entretanto, estão em todos estes lugares. Nem no Congresso acontecem discussões tão calorosas como nas mesas dos bares. Na Catedral não encontramos tantos fiéis prontos para defender seus pontos de vista como os encontrados no boteco da esquina. A vista da Ermida não relaxa tanto quanto sentar e pedir uma cerveja ao fim de um dia cansativo. Não tem museu com mais história que as contadas lá, e nem teatro com a mesma capacidade de fazer rir ou chorar que uma mesa de bar tem. Um pulo no Lago Paranoá não é tão refrescante quanto um gole de

cerveja gelada em uma das tardes secas de Brasília. Não se pode jogar cartas, mas a moça do tarô passa de mesa em mesa querendo desvendar seus problemas – em nenhum outro lugar você encontra pessoas tão interessadas no seu futuro, nem mesmo nas melhores escolas e universidades. Em cada canto da cidade, em qualquer Asa e qualquer Lago, no meio das quadras ou escondido em um buraco obscuro, sempre haverá um bar pronto para receber os insatisfeitos, os entediados, os alegres, os bêbados, e também aqueles que só vão comer batata frita.

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CRÔNICA l PARQUE DA CIDADE

OLHOS DA CIDADE

Vista do Parque da Cidade

POR CAROLINE BCHARA

Desde que me entendo por gente, tenho o costume de ir ao Parque da Cidade, costume este que está presente na vida de muitos e muitos moradores de Brasília. Pensando bem, acho que desconheço alguém que nunca tenha pisado lá. Quando pequena, ia com meu pai para andar de bicicleta ou brincar no parquinho, que é um dos maiores atrativos para as crianças da região. Chama a atenção também por abrigar o maior parque de diversões da cidade: o nosso querido Nicolândia. Cenário da maioria das primeiras quedas de skate, tombos de patins e joelhos ralados, mostra-se também como sendo um lugar de grandes conquistas: aprender a

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andar sem as rodinhas da bicicleta, atingir a meta de correr dez quilômetros ou conseguir, enfim, se pendurar de cabeça para baixo sem precisar usar as mãos. Tudo é possível no parque. As mais belas árvores nos oferecem sombra onde podemos relaxar, o céu incrível de Brasília nos permite curtir um belo fim de tarde. Nos bosques, churrasqueiras para almoçar e se divertir entre amigos e familiares. A qualquer dia, praticar esportes e queimar umas boas calorias. Caminhadas, duchas, piqueniques, pedaladas. Afinal, o que melhor para espairecer do que aquela corridinha no parque com uma música bem animada no mais alto volume?

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Projeto de publicação desenvolvido ao longo do 2º semestre de 2012 na disciplina de Planejamento Gráfico da Universidade de Brasília. Orien...