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zoom: intolerância

terça-feira, 10 de agosto de 2010 foto crédito/mtv

o assunto do dia

Sem comentário Grupos paulistanos lançam mão da intolerância no anonimato da Internet para difundir preconceito e exaltar o nazismo Em pleno século 21, é inaceitável que pensamentos antigos e preconceituosos ainda tenham o apoio de parte dos paulistanos. Dois movimentos recentes formados na cidade mostram que a xenofobia ainda se esconde na capital – e parece querer mostrar suas garras de tempos em tempos. Para o sociólogo Demétrio Magnoli, esse tipo de atitude só aumenta. “Cada dia mais vemos idiotas defendendo ideias absurdas”, diz Magnoli (leia mais na entrevista ao lado). Com o objetivo de exaltar o nazismo, um grupo de simpatizantes do ditador Adolf Hiltler se reuniu em um fórum na Internet – meio em que se escondem – para agendar uma marcha de apoio a Rudolf Hess, político alemão que foi vice-líder do Partido Nazista. A manifestação ocorreria neste sábado, em frente ao Masp, em plena avenida Paulista. Mas, segundo sites que promovem a xenofobia, a marcha teria sido cancelada, em princípio por receio da reação que poderiam provocar. “Infelizmente, muitas pessoas divulgaram a marcha onde não deveriam e assim deram tempo ao inimigo para preparar algo”, escreveu em um site um dos supostos organizadores. Outro grupo que se considera ativista, também da capital, criou um manifesto xenófobo

chamado “São Paulo para os paulistas”. Segundo o texto criado por seus defensores, os paulistas se sentem estrangeiros em sua própria cidade. Eles também são contra o projeto que prevê o estudo da cultura nordestina nas escolas. Para Oscar Vilhena Vieira, professor de direito da FGV, a discriminação pode se converter em violência. “Ninguém tem documento de paulista, todos nós somos brasileiros e temos o direito de nos movimentarmos dentro do território”, afirma. Para Leila Salomão, professora de psicologia da USP, a prática pode ser caracterizada como bullying. “Esta é uma manifestação de hostilidade travestida de patriotismo”, diz ela. julia couto

entrevista Demétrio Magnoli Sociólogo e professor da USP

“A ideia de cultura de SP não existe ” Como explicar que ideias absurdas ainda recebam apoio? Ainda? Para mim é exatamente o contrário. Cada dia mais surgem manifestações como essas. Cada dia mais pessoas defendem ideias absurdas em prol de coisas que não existem.

Intervenção

Por exemplo? A ideia de cultura paulista, que neste caso vem em oposição à cultura nordestina, é uma invenção recente, mas que não existe do ponto de vista histórico. Minha sugestão é que essas pessoas estudem mais sobre a história de São Paulo.

O presidente da Copane (Conselho Estadual da Comunidade Nordestina de São Paulo), Izaías José de Santana, afirma que o conselho acompanha as campanhas preconceituosas, mas acha que, neste momento, não é preciso intervir. São tolerantes: “Toda sociedade plural precisa conviver com esse tipo de manifestação.”

O manifesto diz ser comandado por universitários. Isso agrava ainda mais a situação? Com certeza. As manifestações em si não me espantam, mas o fato de universitários estarem à frente delas, sim. Neste caso, recomendo, além de estudo, trabalho, para diminuir o tempo livre delas.

pelo mundo Não é só em São Paulo que os apoiadores do nazismo se manifestam. Nos Estados Unidos, em abril deste ano, um grupo de homens se reuniu em Los Angeles para exaltar Hitler e suas práticas de intolerância e preconceito. Na França, um grupo de apoio ao nazismo pichou um muro, feito em homenagem aos israelenses que lutaram na Primeira Guerra Mundial (foto). JEAN-CHRISTOPHE VERHAEGEN/afp


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