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A4

SALVADOR SEXTA-FEIRA 13/1/2012

SALVADOR REGIÃO METROPOLITANA

Editor-coordenador Cláudio Bandeira

EDUCAÇÃO Concurso: Secretaria prorroga prazo www.atarde.com.br de inscrição

salvador@grupoatarde.com.br

Colina Sagrada Marco Aurélio Martins / Ag. A TARDE

LAVAGEM Apesar da liminar da Justiça, os animais não apareceram no cortejo

CAMINHADA OCORRE SEM A PRESENÇA DE JEGUES DAVI LEMOS E JULIANA BRITO

A saída do cortejo da Lavagem do Bonfim foi uma mistura já tradicional de manifestações de fé, de samba no pé, do “beber até ficar ruim” ou de rememorar velhos carnavais, como fizeram aqueles que seguiram o guitarrista Fred Menendes e seu arrastão do frevo. “Pensei que fosse Dodô e Osmar”, disse a aposentada Maria Izabel de Araújo. Teve de tudo, até protesto de estudantes, políticos em pré-campanha e passistas de escola de samba carioca. Só não teve jegue, mais uma vez. Este ano, eles tinham autorização para desfilar, ainda que dada em cima da hora, mas os tradicionais jegues da Lavagem do Bonfim não apa-

“O jegue é uma marca da Lavagem do Bonfim. Faz parte da tradição”

Brito, elogiou a decisão do Tribunal de Justiça, que, como avaliou, soube conciliar respeito à tradição e a necessidade de proteger os animais. “A decisão liminar”, continuou o vice-prefeito, “não visou afetar o ego de quem quer que seja. Visou manter uma tradição, que precisa ser preservada”, salientou.

Chegada

UZEL DUPLAT, sindicalista

Na falta de animais de carne e osso, jegue de espuma rouba a cena em carro alegórico

receram. Somente na noite da véspera do cortejo, a desembargadora Telma Britto, presidente do Tribunal de Justiça, concedeu liminar que permitiu não somente a participação dos jegues, mas de outros animais que compõem a imagem do cortejo. “Era bom aquele cheiro que eles deixavam”, disse o ven-

dedor de cerveja e refrigerante Rodrigo de Jesus, de 37 anos, a poucos metros da Associação Comercial da Bahia (ACB). “Engraçado que essas autoridades se preocupam com os jegues, mas não aliviam o peso nas costas do povo”, contestou o vendedor. “Eu quero é ser jegue na próxima encarnação”, ironizou.

“O jegue é uma marca da Lavagem do Bonfim, faz parte da tradição. Nunca foram maltratados como se acusa”, comentou o diretor do Sindicato das Empresas de Segurança Privada da Bahia, Uzel Duplat. Ele disse que o prazo entre a concessão da liminar e a realização do cortejo não possibilitou a con-

tratação de um carroceiro. Entretanto, o sindicato pôs sobre um veículo Saveiro uma cabeça de jegue de espuma, sendo que o carro puxava uma carroça que trazia sobre si uma baiana. “São as duas marcas da lavagem: o jegue e a baiana”, considerou Duplat. O vice-prefeito, Edvaldo

Por volta das 11h30, o cortejo chegou ao seu destino final, a Igreja do Senhor do Bonfim. As baianas mais uma vez emocionaram o público com a tradicional lavagem das escadarias da igreja com água de cheiro. Em seguida, o padre Edson Menezes deu a bênção especial ao público, da janela da igreja. “Sejam bem-vindos. O Senhor do Bonfim acolhe a todos de braços abertos. Estamos pedindo bênção e paz para o ano que se inicia”. Perto do meio-dia, a bênção chegou ao fim. Antes de se despedir, o padre Edson deixou uma mensagem de paz, que precedeu o Pai-Nosso e a execução do Hino do Senhor do Bonfim. “Voltemos para as nossas casas certos de que Jesus, o Senhor do Bonfim, está no meio de nós”. A mensagem veio ao encontro da busca de Júlio Joaquim dos Santos, morador do Bonfim, durante a lavagem. “Desde que eu tinha 10 anos venho à lavagem. O momento da bênção é sem palavras. É uma emoção. Para seguir o ano, a gente tem que receber essa bênção”, diz.

Multidão ruma à colina

Festa de fé no adro

Estudantes fazem protesto

Com mais da metade do trajeto vencido, a multidão pôde ver ao longe a colina e a Igreja do Bonfim

O cortejo chegou, às 11h30, ao destino final, o adro do Bonfim, onde baianas lavaram as escadarias da igreja

Estudantes de Salvador aproveitaram a lavagem para protestar contra o aumento da tarifa de ônibus

Larissa Fontes / Ag. A TARDE

Raul Spinassé / Ag. A TARDE Marco Aurélio Martins / Ag. A TARDE

PORTELA

Escola de samba participa pela primeira vez da festa Pela primeira vez na história da Lavagem do Bonfim, passistas, porta-bandeira e mestre-sala de uma escola de samba do Rio de Janeiro fizeram uma apresentação na mais popular e democrática das festas baianas. No pátio da sede da Associação Comercial da Bahia (ACB), integrantes da escola de samba Portela apresentaram-se para o governador Jaques Wagner e sua comitiva. O historiador Ubiratan Castro afirmou que esta é a primeira vez que uma escola de samba se apresenta na lavagem. “Mas isto é normal, pois foram imigrantes baianos que levaram para o Rio de Janeiro o samba, tanto que as escolas todas fazem esta homenagem, na ala das baianas”, comentou Castro, que é diretor-geral da Fundação Pedro Calmon. No Carnaval deste ano, a Porteta homenageia a Bahia em seu enredo. “É uma emo-

CULTO

Raul Spinassé / Ag. A TARDE

Ato congregou religiões na Basílica da Conceição

ção muito grande vir aqui e aprender tanto da cultura da Bahia em uma festa linda como esta”, disse o mestre-sala Jeferson Souza. Já a porta-bandeira Jeane Martine disse que “será uma honra apresentar na avenida esta cultura”. O lema da Portela será “O povo na rua cantando é feito a reza e o ritual”. A dupla de mestre-sala e porta-bandeira da Portela também esteve na Basílica do Bonfim. Outra escola de samba que homenageará a Bahia será a Imperatriz Leopoldinense. Fará referência ao escritor Jorge Amado. Empolgado com a apresentação da Portela, o superintendente da ACB, Nelson Brandão, disse que “manifestações como esta dão alegria e consistência à festa. A varanda da Associação Comercial tornou-se hoje uma passarela para o povo”, disse. DAVI LEMOS

Fernando Amorim / Ag. A TARDE

Passistas da Portela empolgam ao ritmo do samba

Um ato inter-religioso reuniu uma multidão em frente ao adro da Basílica da Conceição da Praia para falar de paz e de tolerância. Representantes do catolicismo, do candomblé, do protestantismo, do espiritismo e do Brahma Kumaris falaram e rezaram, mostrando que a diferença religiosa não pode ser motivo para desavenças incuráveis. Marcel Mariano, da Federação Espírita da Bahia, aproveitou a oportunidade para lembrar os dois anos do desastre que devastou o Haiti e, dentre outras vítimas, causou a morte da médica Zilda Arns. “O que nos une é a nossa origem espiritual”, ressaltou Ida Meireles, da Brahma Kumaris, cujos estudos se baseiam na meditação raja yoga. Já o padre Valson Sandes, vigário da Conceição da Praia, ressaltou que ontem era ocasião para acolher a todos.

Diversidade religiosa caracteriza a lavagem

“Povo de santo, nós precisamos de paz. Temos que dizer não à intolerância” ARISTIDES MASCARENHAS, babalorixá


CAMINHADA OCORRE SEM A PRESENÇA DE JEGUES