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SALVADOR

WAGNER FERREIRA, EUZENI DALTRO E JULIANA BRITO

SEGURANÇA Ontem, no quarto dia de paralisação de parte da PM, o cenário era de Músico da banda caos na Grande Salvador: medo, mortes e roubos a estabelecimentos comerciais Olodum é morto

Cenário de caos na Grande Salvador, ontem, no quarto dia da paralisação de parte dos policiais militares. Ocorreram homicídios, saques a estabelecimento comerciais, e o desespero da população nas ruas da cidade. Os números das ocorrências refletem a insegurança: em menos de 48 horas foram 35 homicídios em Salvador e Região Metropolitana, de acordo com registros da Secretaria de Segurança Pública. Apenas em Pituaçu, ontem, foram mortas quatro pessoas de identidade ignorada. Também foram registrados homicídios em Ipitanga, Sete de Abril, Engomadeira, Madre de Deus, Jaguaribe, Bom Juá, Vila Canária e Liberdade. Diversas lojas foram saqueadas, entre as quais cinco são da Cesta do Povo. As lojas da Cesta do Povo dos bairros de Caixa D'Água, Ogunjá, Liberdade, Mata Escura e Pirajá sofreram arrombamentos. Na Mata Escura, só restaram as prateleiras. Na madrugada, as lojas da Casas Bahia e Laser Eletro, da Av. Lima e Silva, na Liberdade, foram saqueadas. Apenas mercadorias de grande porte como geladeiras e fogões não foram levadas. Na Sete Portas, a loja da Ricardo Eletro teve eletrodomésticos roubados após ter a porta arregaçada. Adultos, adolescentes e crianças – muitas crianças – aproveitaram a ausência de policiais militares nas ruas para saquear diversas lojas na tarde de ontem, na Rua 8 de Novembro, em Pirajá. A loja de móveis e eletrodomésticos Self Shop Eletro, a GL Calçados e Pegadas Calçados, o Supermercado Todo Dia e pelo menos duas mercearias foram saqueadas. Na madrugada, a Cesta do Povo também havia sido saqueada. O pequeno efetivo policial ineficiente na madrugada foi aproveitado pelos saqueadores também na Cidade Baixa. Várias lojas da Rua Barão de Cotegipe, no bairro da Calçada, foram arrombadas. A Polícia Militar prendeu oito pessoas que arrombaram uma loja de eletroeletrônico, localizada na Baixa dos Sapateiros. Outros três foram presos ontem à tarde, suspeitos de realizar arrastões no Vale das Pedrinhas. Boatos de assaltos na região do Rio Vermelho assustaram moradores e comerciantes da região. O comércio fechou as portas, inclusive a loja do Bompreço, que fica no bairro. De acordo com informações da 28ª Delegacia, um grupo de dez homens foi surpreendido pela polícia quando assaltava lojas e pedrestres no bairro.

SALVADOR SÁBADO 4/2/2012

REGIÃO METROPOLITANA

Capital registra 35 homicídios em 48 horas e onda de saques

Arestides Baptista / Ag. A TARDE

O percussionista da banda afro Olodum Denilton Souza Cerqueira o “Negão”, 34, foi baleado por dois assaltantes na madrugada de ontem na Mata Escura. Denilton retornava para casa de um show, realizado em comemoração à Festa de Iemanjá em sua moto, quando foi alvejado na cabeça e nas costas. O músico foi levado ao Hospital Roberto Santos, mas não resistiu. Ironicamente, o show em que havia tocado na noite anterior ao crime tinha o nome de Manifesto pela Paz, no Rio Vermelho. “Todos da banda estão consternados com a onda de violência na cidade. Lamentamos a morte de qualquer pessoa seja da banda ou não”, clama João Jorge, presidente do Olodum.

Incêndio

Funcionário da empresa de telefonia Oi viveram momentos de tensão no início da tarde de ontem, quando um incêndio atingiu o depósito de campânulas de orelhão, que seriam descartados, na BR-324. Apesar de o depósito ficar distante do prédio onde os funcionários ficam, dezenas de profissionais ajudaram a brigada de incêndio da empresa, retirando as campânulas de orelhão que ainda não haviam sido atingidas pelo fogo. Ninguém se feriu. Agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) interrompeu o trânsito porque a fumaça comprometeu a visualização dos motoristas. A PRF recebeu denúncia de que o incêndio foi causado por dois homens que estavam em um carro sem placa. EUZENI DALTRO E

Parte do estoque de televisores e computadores da Ricardo Eletro, na Sete Portas, foi destruída durante arrastão Fernando Amorim/ Ag. A TARDE

WAGNER FERREIRA

Paula Fróes / Ag. A TARDE

Insegurança provoca o cancelamento de eventos FÚLVIO GONÇALVES E HENRIQUE MENDES

Susto

Os centros comerciais fecharam as portas no final da tarde, motivados pelos boatos sobre arrastões no Shopping Itaigara e na Avenida Paralela. O fotógrafo Fernando César estava no Shopping Barra quando este estabelecimento começou a fechar as lojas. “Começou um boato de que o shopping seria invadido e as pessoas começaram a se abrigar em lojas ainda abertas e a ligar para seus parentes”, conta. O presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio Estado da Bahia (Sindloja Bahia), Paulo Mota disse que a orientação dada aos lojistas foi manter o comércio aberto. Ele admite que a medida vai ter um alto custo para os comerciantes do Estado. “Calculo um prejuízo de 80% nas vendas do varejo. É uma situação muito difícil”, diz.

em Mata Escura ao voltar de show

Populares saqueiam loja de eletrodomésticos em Pirajá

Sexta-feira atípica: orla estava deserta na tarde de ontem

Redes sociais multiplicam boatos Nos últimos dois dias, a greve da Polícia Militar vem sendo tema recorrente das conversas no Facebook e no Twitter - nesta última rede social, chegou a virar trending topic na quinta-feira. Muitas das informações trocadas nesses sites têm como base boatos captados no pânico que se instalou nas ruas. Para o cientista político Paulo Fábio Dantas Neto, as redes refletem o clima generalizado de insegurança da população. Ele acredita que a

Aqui você pode ser mais.

greve é uma pressão sob uma sociedade já assustada no cotidiano. “Uma sociedade que vive isso está mais predisposta ao pânico”, observa. Ele destaca o caráter imprevisível das redes sociais. “Você encontra todo tipo de informação. Pode desde cobrir lacunas de informação como fomentar o pânico a partir de situações verídicas”, diz.

Pânico

A jornalista e professora da Universidade Federal da Ba-

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hia, Malu Fontes acredita que o pânico instalado no Estado nos últimos dois dias tem mais a ver com as interações presenciais do que das redes sociais. “Minha experiência como usuária do Twitter é que as redes estão servindo como replicação de notícias da imprensa e também para confirmar eventos perto da área de circulação dos usuários. Mas não vejo sensacionalismo barato de coisas que não aconteceram. O pânico acontece mais na rua, no dis-

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se-me-disse”, avalia Malu. Para o professor de comunicação da Ufba, André Lemos, as redes sociais têm tido um papel inegável em movimentos sociais recentes. “Elas são hoje um excelente mecanismo de conversação pública e de contestação social. Devemos estar atentos ao que dizem as pessoas nessas redes. À mídia impressa, radiofônica e televisiva também”, diz.

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Em razão do clima de insegurança, vários eventos que estavam agendados para este final de semana foram cancelados como a República do Reggae e o Música no Parque e o Cerveja e Cia Folia. O ensaio da Timbalada que aconteceria amanhã foi adiado para o dia 10, às 19 horas no Museu du Ritmo, caso a paralisação tenha acabado. Quem não puder comparecer e desejar o ressarcimento deve se dirigir à sede do bloco na Alameda Benevento, 113, Pituba. A República do Reggae, que reuniria Alpha Blondy, Ponto de Equilíbrio, no Wet´n Wild, foi adiada para o dia 12, também um domingo. A Caderno 2 Produções confirmou que o show do projeto Música no Parque deste domingo foi adiado. O show com o grupo Bailinho de Quinta fica transferido para o dia 26. O Cerveja e Cia Folia, que teria a presença de Ivete Sangalo, Gusttavo Lima, Tuca Fernandes e Psirico, e iria acontecer hoje, na Praia do Forte, foi adiado para data ainda a ser informada.

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