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SUMARIO

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osso entrevistado desse XI Caderno Nacional de Formação é Frei Volney Berkenbrock, OFM, doutor em Teologia na Alemanha e membro do Conselho Diretor da Editora Vozes. Professor e pesquisador da Ciência da Religião, esse frade esteve conosco durante o Seminário Nacional em AE e DHJUPIC, em Petrópolis, no mês de setembro, partilhando sua experiência no diálogo inter-religioso.

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Frei Volney, primeiramente é um prazer ter você como entrevistado desse Caderno de Formação, assim como foi tê-lo como professor. Fale-nos um pouquinho sobre você e também como surgiu esse interesse pela Ciência da Religião. Sou nascido no interior de Santa Catarina, na cidade de Forquilhinha, de uma família católica e que frequentava a paróquia da localidade conduzida pelos franciscanos. Daí surgiu não só a admiração por São Francisco, como também o desejo de seguir esta opção de vida. O contato mais direto com outras tradições religiosas surgiu durante o tempo da Faculdade de Teologia, no Instituto Teológico Franciscano. Na disciplina Sociologia da Religião, o professor nos incentivou a conhecer outras tradições religiosas e pela primeira vez tive contato com uma casa de Umbanda. Era um mundo totalmente desconhecido para mim até então: aquele mundo de música, de dança, de cores, de símbolos... Movido parte pela curiosidade, parte pelo interesse acadêmico, tive o

desejo de conhecer aquela tradição. E iniciei então meus estudos, sobretudo das tradições religiosas afro-brasileiras, que me levaram a escolher como tema de doutorado a questão da experiência religiosa no Candomblé. Esse interesse não cessou e lá se vão mais de 30 anos que estudo religiões. Este é inclusive um dos pontos importantes de meu trabalho hoje: além de lecionar teologia sistemática no Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis, sou professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora, onde não apenas leciono, mas acompanho muitas pesquisas de mestrado e doutorado nesta área de pesquisas. Dentro desse contexto, ainda há dúvidas sobre a diferença entre diálogo ecumênico e inter-religioso. Você poderia nos explicar esses conceitos? Chama-se de diálogo ecumênico aquele que acontece entre os cristãos, membros de diversas Igrejas. O cristianismo tem uma base comum: a fé em Jesus

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Cristo e o seguimento dos seus ensinamentos que nos foram transmitidos pelos textos sagrados da Bíblia. Por isso se trata de um diálogo entre pessoas que tem um núcleo comum de fé, com diferenças de interpretações. Já o diálogo inter-religioso é aquele que acontece entre pessoas de religiões diferentes, quer dizer, de tradições de fé podem ter elementos em comum, mas têm bases diferentes de fé. Percebemos referências às experiências de comunhão inter-religiosas nos materiais formativos, documentos e orientações da Igreja, embora ainda vivamos situações muito claras de intolerância nesse campo, assim como em tantos outros, entre os católicos. Como você vê isso? Desde o Concílio Vaticano II, a Igreja Católica apoia oficialmente o diálogo interreligioso. Isto está no documento conciliar Nostra Aetate. Também no âmbito da Igreja Católica da América Latina, os documentos das últimas assembleias gerais do episcopado (Santo Domingo, 1992 e especialmente Aparecida, 2007) são muito claros no apoio ao diálogo inter-religioso. Da mesma forma as Diretrizes Gerais para a Igreja do Brasil também apoia este diálogo. Acontece, porém, que a maioria de nós católicos fomos criados com uma linguagem e atitudes de combate ao religiosamente diferente, seja a outras religiões, seja a outras igrejas cristãs. Por isso é também difícil mudar de atitude. Há uma longa história de falta de diálogo. Mas há por outro lado uma história do diálogo, que talvez não seja tão longa, nem tão marcante, mas que está aos poucos crescendo.

Enquanto franciscanos, essa comunhão com irmãos de outras denominações deve ser muito expressiva para nós, já que Francisco tinha um bilhete de entrada com pacificidade e paz em diferentes espaços, como entre os muçulmanos. Outro grande exemplo é o Papa Francisco, que também tem se mostrado muito aberto a esse diálogo. Como você vê esse engajamento franciscano e quais os desafios para que as bases (fraternidades locais) assumam essa causa? Francisco de Assis foi um homem extraordinário em muitos aspectos. Um deles é este do encontro dele com os muçulmanos, quando no ano de 1219 foi a Damieta, no Egito, em pleno período de uma Cruzada, para propor um pacto de paz. Francisco foi recebido pelo Sultão Malek al-Kamil, um homem muito culto e piedoso. Não temos nenhum registro das conversas que tiveram. Mas só o fato de Francisco ter sido recebido por ele, ter dialogado e ter o pobre de Assis recebido de presente do sultão uma pequena corneta feita de chifre (instrumento simbólico da liderança) demonstra o contato positivo que tiveram. Francisco,

em sua vida, nunca escreveu uma palavra sequer contra os muçulmanos e isto é admirável num tempo de guerra da cristandade contra os sarracenos. Pelo contrário, numa carta escrita logo após a volta da viagem ao Egito (Carta aos governantes dos povos), Francisco aconselha todos os governantes a chamarem o povo à oração, uma clara alusão ao costume muçulmano da oração cinco vezes ao dia. Essa proposta de Francisco estaria, segundo alguns historiadores, na origem da oração do Angelus, na tradição católica. Após a morte de Francisco, o movimento franciscano não manteve tão forte a memória do diálogo dele com o muçulmanos, como o fez com outras características como por exemplo a pobreza, a representação do presépio, os estigmas, etc. É importante, pois que as comunidades francisclarianas recuperem essa memória dialogante de Francisco de Assis. Num período em que o Papa Francisco nos convoca a “Igreja em saída”, quer dizer, uma Igreja que vai ao encontro das pessoas, é importante recordar a atitude do Santo de Assis de ter ido ao encontro do outro.

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A JUFRA está inserida em realidades muito diversas, tanto sociais quanto eclesiais. Como dar o primeiro passo em busca dessa aproximação de forma fraterna e sensível, criando laços e respeitando as diferenças de cada um? Não existe uma receita única para o diálogo, dadas as diferenças da realidade local. Creio, no entanto, que o próprio Francisco de Assis, no texto da Regra Não-bulada, nos dá uma orientação interessante. O capítulo XVI desta regra trata da missão (Aqueles que quiserem ir para entre os sarracenos e outros infiéis). Ali no texto que os que forem em missão devem se abster de rixas e discussões, ser submissos a todos por causa do Senhor e confessar que são cristãos. A meu modo de ver, Francisco sugere uma espécie de método para o diálogo, em três passos: 1º Abster-se de rixas e discussões. Acho que diálogo inter-religioso não deve começar pelas discussões (sejam as de briga, sejam as que querem mostrar os pontos diferentes). O diálogo deve começar pelo humano: todos somos antes de tudo humanos e só depois membros de alguma religião.

Reconhecer o outro em sua realidade humana, em suas necessidades humanas, em sua busca humana por dignidade, por saúde, por sobrevivência, por realização é para mim o primeiro passo. Não há, pois um encontro com o outro: há um encontro com o humano. Esse acho que é um bom começo possível para o diálogo inter-religioso: o engajamento por causas humanas comuns. 2º Ser submissos a todos por causa do Senhor. É muito comum nas discussões entre membros de religiões diferentes, a busca pela religião verdadeira (a questão da verdade religiosa), pela religião que está acima das outras. Francisco indica o caminho inverso: ser submisso a todos. Mas não uma submissão por submissão, mas sim “por causa do Senhor”. Francisco tem muito claro que Deus é o maior. A ele devemos estar submissos. E Deus está presente nos outros. Assim sendo, devemos ser submissos. Esta proposta de Francisco é sem dúvida um grande desafio. Ela parece, num primeiro momento, um ceder, um não mostrar a própria fé. Mas quem vive na certeza de que está envolvido pela presença de Deus, como Francisco vivia, este não terá

medo de estar submisso a todos. E assim pode realizar o mandamento de Cristo: estar a serviço. 3º E confessar que são cristãos. O diálogo interreligioso não é um mecanismo de escamotear a própria convicção de fé. Por isso, o terceiro passo que Francisco sugere, me parece muito lógico: o diálogo inter-religioso não é o lugar de deixar sua fé de lado, mas justamente viver a fé. E viver a fé cristã não é confrontar o outro, mas sim viver cristãmente, quer dizer, cumprir o maior mandamento, o do amor. Agradecendo novamente sua participação no nosso Seminário Nacional e nessa entrevista, pedimos que deixe uma mensagem a toda a Juventude Franciscana do Brasil. Caminhar na esteira de Francisco de Assis é um projeto de vida, um desafio, uma realização, uma inspiração para todas as atividades. Não é um evento do qual se participa de vez em quando, num domingo ou fim de semana! Sei que todos provavelmente não serão jufristas pelo resto da vida, mas este período na Jufra é o de aprender esse caminho e depois trilhá-lo sempre. Paz e bem!

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SUDESTE E CENTRO-OESTE Entre os dias 17 e 19 de abril, na cidade de São Paulo/SP, realizou-se a primeira edição das “Escolas de Formação em Ação Evangelizadora e Direitos Humanos, Justiça, Paz e Integridade da Criação”, acolhendo irmãos e irmãs dos regionais das áreas Sudeste e Centro-Oeste. O encontro contou com a colaboração do Serviço Franciscano de Solidariedade (Sefras), e também com os assessores Ana Carolina Miranda (Secretária Nacional de Formação), Igor Bastos (Secretário Nacional de DHJUPIC), Maria Zélia Castilho e Moema Miranda (OFS e membros do SINFRAJUPE) e Eduardo Brasileiro (Coordenador de formação do SEFRAS e Coordenador da PJ). Foram dias de intensa formação, na construção do ideal franciscano, tornando os jufristas mais preparados para atuarem nessas duas secretarias nas realidades em que estão inseridos. NORDESTE A

A cidade de Fortaleza/CE foi sede da Escola de Formação da Área NE A entre os dias 24 e 26 de abril. O encontro contou com a participação de cerca de 20 jovens dos regionais do Maranhão, Ceará/Piauí e Rio Grande do Norte/Paraíba e contou com os assessores Mayara Ingrid (Secretária www.jufrabrasil.org 10


Fraterna Nacional), Fr. Wellington Buarque, OFM (Assistente Espiritual Nacional), além do irmão Carlos Tursi, professor de Teologia, que coordenou a análise de conjuntura sobre a realidade sociopolítica e eclesial. A Escola foi bastante diversificada com momentos de mística, partilha de experiências vividas, debates, exposição das realidades enfrentadas pelos nossos jufristas, discussões, projetos, encaminhamentos, convívios e muita alegria compartilhada juntamente com os Frades Menores da Paróquia Nossa Senhora das Dores e irmãos da Ordem Franciscana Secular. SUL A acolhedora cidade de Angelina/SC foi sede da Escola de Formação da Área Sul entre os dias 1 e 3 de maio. O encontro contou com a participação de cerca de 30 jovens, vindos dos regionais do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul e contou com os assessores Ana Carolina Miranda (Secretária Nacional de Formação), Igor Bastos (Secretário Nacional de DHJUPIC) e Frei Flávio Guerra, OFM. Foram 3 dias de mística, análise conjuntural, debates, compromissos e convívio fraterno; o que propiciou a partilha, o aprendizado e os ânimos renovados dos participantes. NORDESTE B

O histórico convento de São Francisco, situado no Pelourinho em Salvador/Bahia, sediou a Escola de Formação em Ação Evangelizadora (AE) e Direitos Humanos, Justiça, Paz e Integridade da Criação (DHJUPIC) da Área Nordeste B, que aconteceu entre os dias 1 e 3 de Maio de 2015. Estiveram presentes cerca de 25 jovens que representaram as Fraternidades Regionais: Nordeste B1 (Pernambuco, Alagoas), Nordeste B2 (Sergipe), Nordeste B3 (Bahia Norte) Nordeste B4 (Bahia Sul). A mesma contou com a participação e colaboração dos Freis Dennys (OFM) e Elias (OFM) e assessoria dos irmãos Mayara Ingrid e Washington Lima, do Secretariado Nacional. Já a assessoria na análise de conjuntura eclesial e social ficou por conta do filósofo e pedagogo Ruben Siqueira. A escola proporcionou momentos importantes de partilha e reflexões para a construção de metas para DHJUPIC e AE.

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NORTE Entre os dias 26 e 28 de junho de 2015, na casa da fraternidade “Santa Clara” (OFS), na cidade de Belém/Pará, foi a vez da área Norte da JUFRA do Brasil encerrar as Escolas de Formação. O encontro teve a presença dos irmãos Washington Lima (Secretário Nacional de Ação Evangelizadora) e Frei Wellington Buarque (Assistente Espiritual Nacional), além de Moema Miranda, irmã da OFS e diretora do IBASE, que fez a análise de conjuntura e participou dos demais momentos fortes dessa Escola. Os participantes avaliaram muito positivamente, devido à melhora da compreensão das secretarias, assim como aproximação entre os irmãos dos regionais.

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exta-feira, 04 de setembro, era uma noite fria na cidade de Petrópolis, mas para a Juventude Franciscana do Brasil era uma calorosa noite de encontros e reencontros, acolhemo-nos cheios de expectativas e a alegria da fraternidade já estava em meio a todas e todos nós. Representantes de todas as áreas da JUFRA se faziam presentes. Também estavam conosco religiosas e religiosos de vários carismas, assistentes espirituais e animadores fraternos. Com muita animação e oração, demos início ao I Seminário Nacional da Juventude Franciscana em Ação Evangelizadora e Direitos Humanos, Justiça, Paz e Integridade da Criação. Colocamos nossos desejos para este grande momento e pedimos ao Altíssimo e Bom Senhor a iluminação para estes importantes dias em que estaríamos definindo as prioridades de ação para esses serviços da Jufra. Mayara Ingrid, nossa secretária fraterna nacional, lembrou-nos que esse momento era produto das Escolas de Formação, que aconteceram desde o início do ano por todo o país, onde havíamos recebido formação para sermos as lideranças da JUFRA para esse processo de consolidação das secretarias de AE e DHJUPIC, e que o sucesso dele dependia exclusivamente de nós, que trazíamos as vivências e realidades de nossas regiões e juventudes.

O Seminário foi repleto de momentos marcantes: orações e celebrações, reflexões de temáticas, encontro com diferentes religiões, discussões, criação, mobilização e luta, partilhas e animação. Momentos estes que marcam a posição assumida pela JUFRA do Brasil, de constante diálogo, de busca por uma vivência do Santo Evangelho, inspiração para irmos junto ao povo, junto aos pequeninos e oprimidos de nosso tempo, de cuidado e proteção com nossa Mãe Terra e suas criaturas. A reflexão do tema de nosso encontro: “Juventude, dailhes vós mesmo o de comer!” era um momento muito esperado. Leonardo Boff, teólogo, escritor e ambientalista de renome mundial, foi o convidado para essa missão. Ele nos falou da responsabilidade e da esperança que tínhamos e podíamos ser para o mundo ao propormo-nos o seguimento do carisma franciscano. Disse-nos: “Não há maior inspiração para a crise de hoje que o carisma franciscano”. Com grande maestria, falou da conjuntura mundial, dos paradigmas que regem nosso mundo ocidental, da crise ecológica que está prestes levarnos a um colapso, para então falar-nos de aspectos fundamentais, como o cuidado, a opção preferencial pelos pobres, a luta por justiça social, pois é esta o oposto da pobreza e sendo ela em termos teológicos um pecado, afeta a Deus. Destacou a posição de diálogo que devemos ter em meio a tantos confrontos que vivemos rodeados em nossa

sociedade, disse-nos que é esta a estratégia franciscana por excelência. No fim, após sua fala e respostas às perguntas que pudemos fazer a ele, ficou-nos a grande mensagem de coragem e esperança: “não devemos nunca perder o sonho de que o mundo pode ser diferente” e o desafio de, como jovens franciscanos, fazer nosso próprio caminho, nossas próprias pegadas e “atualizar as fontes e o carisma franciscano”. Outro momento de reflexão importantíssimo se deu como no movimento de uma roda, cheio de interação, de idas e vindas das falas. Com a “Roda Viva”, metodologia que nos fez girar por vários caminhos. Nós refletimos sobre os eixos Justiça e Paz, Integridade da Criação, Missão e Diálogo inter-religioso, através das provocações advindas da vida e experiência de nossos assessores externos: Moema Miranda, irmã da OFS e da executiva do Sinfrajupe, falando-nos da Integridade da Criação e da Natureza como habitat de Deus e nossa missão de manutenção e cuidado dela; D. Terezinha Alves, animadora do Santuário de Canindé e missionária, partilhando sua experiência de missão e apontando-nos aspectos fundamentais para essa prática; Frei Volney Berkenbrock, OFM, doutor em Candomblé, que destacou importantes questões para iniciar e efetuar o diálogo inter-religioso e Frei Evaristo Splenger, OFM, missionário numa comunidade na Baixada Fluminense, que partilhou os

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desafios da realidade dessa comunidade. Foi passada a mensagem que Justiça e Paz, Integridade da Criação, Missão e Diálogo interreligioso são como ações que para alcançarmos devemos nos despir de nossos preconceitos, das posturas impositivas, da valoração de nossa posição ou modo de vida como melhor que a do outro, numa atitude de cuidado e ternura, para acolher o outro e a diferença que está em cada um. Para alcançá-la devemos manter também um olhar atento para enxergar a vida em todas as criaturas e lutar pela manutenção da dignidade de cada uma delas, sejam humanas ou não. Entendemos que a Evangelização também se faz em todas estas ações e que faz parte da atitude cristã assumir plenamente estas ações em nossas vidas. Um pequeno momento de diálogo inter-religioso aconteceu no sábado. O budista e estudioso Miguel Barredo esteve conosco partilhando sua visão e experiência religiosa, abordando aspectos de sua crença. Exaltou nosso encontro, para ele uma “mandala”, encontro que nos torna mais criativos e que nos coloca em conexão e o espaço aberto para sua presença. Falou da importância da meditação silenciosa como alternativa à constante necessidade de ser ativo, de estar em estado de agitação, imposta pela sociedade. Ensinou-nos que o simples parar e concentrar na respiração levanos a um profundo encontro conosco mesmo e nos desliga da correria e tensões do dia a dia.

Os principais encaminhamentos a serem alcançados nesse encontro eram a definição das prioridades e pistas de ação para as secretarias de AE e DHJUPIC que conseguimos chegar após um longo processo. Das Escolas de Formação, ficou-nos a missão de trazer para o Seminário a realidade social e eclesial de nossas regiões e, a partir delas, foram construídos mapas que nos espelhavam como a Juventude Franciscana percebia os contextos à sua volta, contrapondo ao relato de onde elas estavam inseridas dentro dessa realidade. Essa estratégia de análise deu base para escolhermos dentre as pistas de ações apontadas e sugeridas por nós naquelas Escolas as prioridades a serem seguidas nacionalmente. Foram prioridades e pistas de ação porque pela grande diversidade de realidades cada fraternidade e regional escolhe e adapta a que lhe couber melhor. As prioridades escolhidas foram as Questões Hídricas, a Ecologia Integral, a Articulação de Parcerias para unir as forças no caminho da paz e da justiça (dentro da Secretaria de DHJUPIC) e o diálogo Ecumênico e Inter-religioso, a Promoção Vocacional, a Dimensão Bíblico litúrgica e pastoral e o estudo da Evangelli Gaudium (para a Secretaria de AE). Nossos momentos de oração foram de profunda mística e espiritualidade. A Palavra de Deus e o Crucifixo estiveram sempre ao centro

como luzes para nossos passos. Recordamos a vida e as pessoas que nos apontam a vivência do Evangelho. Celebramos na Santa Eucaristia, o mistério Pascal, a recordação da vitória de Vida sobre a morte e do Amor incondicional de Cristo por nós. O Seminário foi encerrado com uma Caminhada pela Paz, levando cartazes, faixas e através de intervenções artísticas gritamos pelas ruas de Petrópolis nossas causas, nossos desejos e anseios, por um mundo de Paz, Amor e Justiça, onde haja seguridade dos direitos humanos, da mulher e do homem, educação e oportunidade de vida à nossas jovens e jovens, a trabalhadora e ao trabalhador terra, teto e trabalho, no campo e na cidade, onde não haja o progresso que destrói a vida, onde não haja sua mercantilização. Unidos a representantes de outras religiões, budistas e islâmicos, celebramos a vida e a paz. A irmã água, tão simbólica para todos nós e para todas as religiões, foi abençoada e nos abençoou. Trazida de todas as regiões do país foi posta num único odre, somada à água da chuva que Deus fez cair sobre nós, juntando Ele mesmo um pouquinho às nossas águas. Neste ato simbolizamos a união, a criação, a fonte da vida. Como ela que resiste “pura, humilde e casta”, assim também devemos permear o mundo, sendo fonte de vida, humildemente levando a mensagem do Evangelho de Cristo.

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De Frei Antônio Moser té há poucas décadas, tudo parecia tranquilo em relação à posição da Igreja Católica quanto à família. Voltava-se sempre ao refrão: “A família é a base da sociedade”. Ademais, ou o casal cumpria todos os trâmites jurídicos e eclesiásticos, casando-se na Igreja, ou era tido como casal que, no mínimo, vivia em situação especial. Para certos setores da Igreja também não havia dúvida quanto à condição moral desses casais: viviam em pecado. Dois fatos alteraram esse quadro e levantaram mais interrogações do que respostas prontas. O primeiro deles remete para o último levantamento do IBGE no tocante ao quadro familiar brasileiro, que sinalizou a existência de quase vinte modalidades diferentes de viver como casal e como família. Em outros termos: não caberia nem mais o “singular”, mas impõe-se o plural: famílias, e para usar uma expressão do Papa Francisco: “Quem somos nós para julgar a condição das pessoas diante de Deus?”. O segundo fato que balançou as convicções mais tranquilas, mesmo no seio da Igreja Católica, remete para o posicionamento surpreendente do Papa Francisco também no que se refere ao matrimônio e à família. Para começar, enviou a todos que quisessem receber, um questionário abordando os mais diversos aspectos da vida afetiva e sexual, perguntando como essas realidades eram vivenciadas e recebidas no círculo de sua convivência. Também foi estruturado um “Instrumento de trabalho” em preparação ao Sínodo de Bispos que deverá ocorrer agora em outubro em Roma. Há uma percepção geral de que esse sínodo será bem diferente de outros que o precederam, no sentido de a palavra estar aberta a quem quiser se pronunciar. Claro que os temas mais candentes remetem para homens e mulheres que não contraem vínculo oficial, nem civil nem religioso: divorciados, recasados, uniões homoafetivas, batismo de filhos que nascem fora do contexto considerado ideal, batismo de filhos de divorciados, de recasados, de casais homoafetivos... Enfim, tantas são as interrogações que certamente irão exigir não só muitas discussões, como, sobretudo, muita humildade para que ninguém queira emitir julgamentos morais categóricos, uma vez que a complexidade humana é tamanha que só a Deus cabe um juízo definitivo.

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Texto extraído do site: http://www.antoniomoser.com/

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“A criação alimenta a esperança de ser, ela também, liberta da escravidão da corrupção, para participar da liberdade e da glória dos filhos de Deus. Até agora, toda a criação geme e sofre dores de parto“ (Rm 8,20-22).

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m ocasião da divulgação da encíclica Laudato Si’, dirigida aos homens de boa vontade, no texto a seguir trataremos de alguns pontos importantes e reflexões sobre a proposta da carta A Igreja Católica já publicou 298 encíclicas no decorrer dos últimos séculos, ambos documentos retratam posições da Igreja sobre assuntos chave nos mais diversos contextos históricos, sociais, econômicos e políticos. A encíclica é uma forma antiga de correspondência entre o clero, os bispos enviavam frequentemente cartas a outros bispos para assegurar a unidade entre a doutrina e a vida eclesial quando a Igreja ainda estava surgindo. Considerada como a primeira encíclica da história, a carta circular "Urbi primum", foi assinada por Bento XIV em 1740, tratava sobre a função dos bispos. Apenas com Gregório XVI (1831-1846), o termo encíclica tornou-se de uso geral. A palavra ‘encíclica’ vem do grego e significa ‘circular’. Quando tratam de questões sociais, econômicas ou políticas, são dirigidas, normalmente, não só aos católicos mas também a todos os homens e mulheres de boa vontade, prática iniciada pelo Papa João XXIII com a sua encíclica ‘Pacem in terris’ (1963). A encíclica é usada pelo Papa para exercer o seu magistério ordinário, ou seja, o ensinamento dos Bispos do mundo inteiro concordes entre si sobre artigos de fé e de Moral. Depois de dois anos de ser anunciado como Bispo de Roma, o Papa Francisco lançou oficialmente, no dia 18 de junho de 2015, a sua segunda Carta Encíclica, a “Laudato Si’: sobre o cuidado da casa comum”. A encíclica "Laudato si'" [Louvado sejas] do papa Francisco, apresenta 184 páginas e seis capítulos e acrescenta uma nova contribuição à doutrina social da Igreja ao citar vários textos de conferências episcopais sobre o tema do meio ambiente, bem como destacar em sua Carta a contribuição do Patriarca Bartolomeu. Dedicada aos “homens de boa vontade” a “Laudato Si’” veio num momento mais que propício para o mundo. Período de mudanças ambientais e sociais que requer pensamentos assim como a proposta do papa. O próprio anúncio dela foi um sinal, quando o assunto foi abordado pelo patriarca Bartolomeu. O cuidado com a nossa casa comum, começa também pela nossa casa comum, o corpo.

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Francisco valoriza as palavras dos Papas que “inclui a preocupação de unir toda a família o antecederam, como é o caso de Bento XVI, de humana na busca de um desenvolvimento quem reitera a proposta de “eliminar as causas sustentável e integral”. Para tanto, propõe um estruturais das disfunções da economia mundial e “debate que nos una a todos, porque o desvio corrigir os modelos de crescimento que parecem ambiental, que vivemos, e as suas raízes humanas incapazes de garantir o respeito do meio dizem respeito e têm impacto sobre todos nós” ambiente”. No texto, o papa se dirige a “cada Trata-se de um apelo por uma “nova solidariedade pessoa que habita neste planeta”, para “entrar em universal”. diálogo com todos sobre a Entre as várias ponderações ● ● ● maneira como estamos sobre a carta, destaca-se a proposta construindo o futuro do de reconciliação do ser humano com Entre as várias planeta”. Desse modo, ele a natureza. Tendo-a como igual. convida a todos a unir-se na ponderações sobre a carta, O nome Laudato Si’ faz busca de um destaca-se a proposta de menção ao cântico das criaturas desenvolvimento sustentável composto por São Francisco de Assis reconciliação do ser e integral. pouco antes de sua morte. Quando A encíclica, de modo São Francisco o compôs, já havia humano com a natureza. especial para nós passado por todo o processo de franciscanos, propõe como conversão e tendo uma vida humilde ● ● ● modelo inspirador S. e fiel aos propósitos de Cristo, notaFrancisco de Assis, de quem se nas palavras do jovem Santo que se aprende como são “inseparáveis a preocupação ele consegue reencontrar um caminho antes pela natureza, a justiça para com os pobres, o perdido pela humanidade, o caminho do Éden, o empenhamento na sociedade e a paz interior”; e jardim do qual Adão e Eva foram expulsos, o “requer abertura para categorias que transcendem a paraíso. linguagem das ciências exatas ou da biologia e nos O contato constate com a natureza é põem em contato com a essência do ser humano”. imprescindível na conversão de São Francisco de “Se nos aproximarmos da natureza e do meio Assis e faz parte da essência da espiritualidade ambiente sem esta abertura para a admiração e o franciscana, pois tendo-a como igual, como irmã, encanto, se deixarmos de falar a língua da tão valiosa quanto a vida de qualquer outro ser fraternidade e da beleza na nossa relação com o humano, Francisco tem uma vida simples e mundo, então as nossas atitudes serão as do humilde, usufruindo da irmã terra somente o que dominador, do consumidor ou de um mero ela oferece e o que lhe é necessário, ele se torna um explorador dos recursos naturais, incapaz de pôr servo da natureza, um jardineiro e cuidadoso um limite aos seus interesses imediatos. Pelo irmão. Encontra a face de Deus manifestada em contrário, se nos sentirmos intimamente unidos a cada criatura em um grande mistério de fé. tudo o que existe, então brotarão de modo É necessário ir além de uma leitura e estudo espontâneo a sobriedade e a solicitude”. da carta Laudato Si’. As pospostas nela contidas E dentro desta proposta mística, o Papa devem refletir diretamente em atitudes de vida, Francisco enfatiza: “o mundo é algo mais do que todos devem se reconhecer agentes de mudanças e um problema a resolver; é um mistério gozoso que parte importante de um processo de reconciliação contemplamos na alegria e no louvor”. A proposta com a natureza. Pois toda a criação alimenta a central da encíclica permeia sobre “o desafio de esperança de ser liberta para participar da glória proteger a nossa casa comum” o que para o Papa dos filhos de Deus.

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"Saiamos ao encontro das pessoas e estendamos a mão, não as descartemos!" Dom Leonardo Ulrich Steiner

m dos assuntos mais relevantes do ano de 2015 no Brasil é a polêmica PEC 171/93, que visa à redução da maioridade penal. De acordo com a CNBB, “trata-se de um tema de extrema importância porque diz respeito, de um lado, à segurança da população e, de outro, à promoção e defesa dos direitos da criança e do adolescente. É natural que a complexidade do tema deixe dividida a população que aspira por segurança. Afinal, ninguém pode compactuar com a violência, venha de onde vier”. E como a Jufra se posiciona diante do assunto? A Juventude Franciscana do Brasil, através do Manifesto de Repúdio à Aprovação da PEC 171 e à Redução da Maioridade Penal, posiciona-se contra a redução, pois acredita, entre outras coisas, que “o Brasil, ao estabelecer a maioridade penal aos 18 anos, cumpre com importantes compromissos internacionais, como o Pacto de Beijiing para a Infância e a Juventude e o Pacto de Direitos Humanos de São José da Costa Rica. Com isso, encontra-se na vanguarda da defesa dos direitos da criança e do adolescente: 79% dos países que adotam a maioridade penal aos 18 anos possuem o IDH – Índice de Desenvolvimento Humano – considerado “alto” ou “muito alto” (1). Reduzir a maioridade penal não significa frear ou reduzir os índices de violência. De acordo com a reflexão de Chico Alencar, mestre em Educação, a taxa dos homicídios foi o que mais cresceu, somos o 6º país do mundo em matança de jovens e a nossa juventude, vulnerável, muito mais morre do que mata! Além de que o sistema penitenciário nacional não ressocializa ninguém, mas, ao contrário, é uma escola de criminalidade. Vale destacar que as crianças que estão nos bancos escolares, dificilmente irão para os bancos dos réus, pois uma educação pública, democrática e de qualidade é passaporte para o futuro. Quem é agredido desde que nasceu tende a reagir, embrutecer-se para enfrentar uma realidade brutal. É preciso que o artigo 227 da nossa Constituição desça do papel para a vida real, para políticas públicas continuadas. Ele diz: “É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, COM ABSOLUTA PRIORIDADE, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-lo a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”.

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Além disso, A CNBB nos alerta que “se aprovada a redução da maioridade penal, abrem-se as portas para o desrespeito a outros direitos da criança e do adolescente, colocando em xeque a Doutrina da Proteção Integral assegurada pelo ECA. Poderá haver um “efeito dominó” fazendo com que algumas violações aos direitos da criança e do adolescente deixem de ser crimes como a venda de bebida alcoólica, abusos sexuais, dentre outras. A comoção não é boa conselheira e, nesse caso, pode levar a decisões equivocadas com danos irreparáveis para muitas crianças e adolescentes, incidindo diretamente nas famílias e na sociedade. O caminho para pôr fim à condenável violência praticada por adolescentes passa, antes de tudo, por ações preventivas como educação de qualidade, em tempo integral; combate sistemático ao tráfico de drogas; proteção à família; criação, por parte dos poderes públicos e de nossas comunidades eclesiais, de espaços de convivência, visando a ocupação e a inclusão social de adolescentes e jovens por meio de lazer sadio e atividades educativas; reafirmação de valores como o amor, o perdão, a reconciliação, a responsabilidade e a paz”. Além deste posicionamento oficial, tanto da Jufra quanto da CNBB, podemos resgatar também a história de Francisco de Assis para nos trazer um pouco de luz. A famosa passagem contada em Fioretti marca o encontro do Santo de Assis com um lobo que estava tirando a paz e causando medo na população de Gúbio e a atitude de Francisco nos ajuda a esclarecer nosso papel como franciscanos e discernir sobre nossa postura diante dos eventos atuais. "Francisco resolveu sair ao encontro daquele lobo, foi até a situação do outro, sozinho e desarmado. Percebeu que a culpa não poderia ser unicamente do lobo e, com o coração repleto de amor, lhe diz: Querido irmãozinho lobo, vou fazer um trato com você! De hoje em diante, vou cuidar de você meu irmão! A cidade vai lhe dar comida, já que, por culpa das pessoas, a floresta não lhe oferece mais o alimento necessário. Você vai entrar em minha casa e vou lhe dar comida e seremos sempre amigos! Você por sua vez, também será amigo de todas as pessoas desta cidade, pois de agora em diante você terá acolhimento, comida e carinho, sendo assim, não precisará mais matar nem agredir ninguém, para sobreviver...” Francisco não acoberta as maldades e violências do lobo, mas mostra de que forma deve agir, vê nele um irmão e a possibilidade de

construir novas relações entre ele e a cidade, buscando também com que os moradores refletissem sobre seu papel e sua contribuição, uma mudança de postura, evitando um pré-conceito e criando uma consciência de compromisso com o outro. Nisto está o grande mérito de Francisco e o convite a adotarmos uma atitude semelhante. Francisco busca entender o lobo, não o condena. Além disso, apresenta ao lobo e à cidade uma proposta, atribuindo-lhes papéis e tarefas, dandolhes oportunidades. Diante da reflexão feita até aqui, resgatamos o compromisso assumido na Carta de Guaratinguetá: “QUEREMOS SER testemunhas autênticas da identidade franciscana, nos comprometendo a vivenciar a fé nas atitudes cotidianas e concretas de humildade e caridade, à luz da evangélica opção pelos pobres e oprimidos. Sendo assim, reafirmamos ser presença desafiadora na sociedade, inserindo-nos no meio popular e assumindo-o, através da relação entre fé e vida, celebração e compromisso, humanidade e tecnologia. Queremos debater, articular e desenvolver trabalhos onde se faça ecoar nossa voz para denunciar todas as formas de opressão e injustiça, e participar das lutas para a construção de uma nova sociedade, a Civilização do Amor, baseada na prática da Justiça Social e da promoção da Paz.” Rogamos a Deus para que permaneçamos fiéis aos nossos compromissos e à nossa opção de viver o Evangelho à luz de Francisco e Clara, buscando agir de modo coerente com nosso sonho de amor e fraternidade universal. Paz e Bem!

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De Eduardo Hoornaert. cada ano fica mais claro que as dimensões da figura de Helder Câmara ultrapassam as funções que ele ocupou na vida, especificamente a função de arcebispo católico de Olinda e Recife. A cada ano se ressalta mais seu valor universal, para além da diocese, da Igreja do Brasil, do catolicismo e mesmo do cristianismo em geral. O primeiro a enxergar isso, 15 anos atrás, foi o escritor e dirigente comunista francês Roger Garaudy. No livro ‘Helder, o Dom’ editado pela Vozes em 1999 e coordenado por Zildo Rocha, ele escreve textualmente: ‘Meu primeiro encontro com Dom Helder foi o momento mais importante de minha vida’ (p. 29). Não se escreve uma frase dessas à toa. Ela resume uma vida inteira. Ele explica: ‘em 1967, eu estava participando de um encontro em Genebra e, no intervalo de uma das sessões, alguém me procurou para dizer: um arcebispo o espera no corredor´. Era Helder Câmara, que logo tomou a palavra e propôs ao dirigente comunista um pacto: você diz aos comunistas que religião nem sempre é alienação e eu digo aos católicos o socialismo não é algo condenável. Num de seus escritos, Helder Câmara comentou esse momento com as seguintes palavras: ‘eu sentia que no essencial Roger Garaudy e eu pensávamos da mesma maneira’. Um dirigente comunista e um arcebispo católico pensam da mesma maneira! Isso não é sinal de universalismo? E o texto de Garaudy termina com as seguintes palavras: ‘Graças a Dom Helder Câmara, o muçulmano que sou e o marxista que não deixei de ser consideram Jesus o eixo central de minha vida’ (p. 31). Esse episódio mostra que, já em 1967, Helder Câmara era capaz de transcender o cargo que exercia para enxergar um horizonte mais amplo, o da humanidade como um todo. O mesmo Roger Garaudy, num de seus livros, tinha soltado um grito, dirigido às igrejas cristãs: ‘Devolvam-nos Jesus: Ele nos pertence’. Jesus é do mundo, não das igrejas. E penso que por trás do encontro entre ele e Helder se pode ouvir um grito parecido, dirigido à igreja católica: “Devolvam-nos Helder Câmara, ele nos pertence.” É o grito silencioso da bandeira do Movimento dos Sem Terra estendida sobre o caixão de Helder Câmara no dia de seu enterro. Não, não podemos prender Helder Câmara nas nossas instituições. Como discípulo fiel de Jesus de Nazaré, Helder Câmara pertence ao mundo. Não é bom que suas mensagens fiquem apenas circulando dentro de uma determinada

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organização. Jesus e Helder: pássaros de voo livre, naquele tempo eu não tinha capacidade de perceber que não podem ficar presos numa gaiola, por o real alcance delas. Pensei: ele está se dourada que seja. comparando a Gandhi e Martin Luther King, isso é Pode parecer um tanto ousado o que digo muito atrevimento. Só depois de sua morte em aqui, mas corresponde perfeitamente ao que nós, 1999, cheguei a compreender o real alcance da seus colaboradores, presenciamos diversas vezes comparação daquela tarde nos Manguinhos. Hoje, no convívio com Helder Câmara. Pessoalmente entendo que Helder Câmara efetivamente figura trabalhei durante quase 17 anos como um símbolo universal, ● ● ● com ele, desde sua posse em comparável a Gandhi, Martin 1964 até a minha saída do clero Luther King e, para falar nos Hoje, entendo que Helder termos de hoje, Mandela. São em 1980. Sempre tive a impressão de que a igreja era personagens que por assim dizer Câmara efetivamente para ele um trampolim para a delineiam figuras que figura como um símbolo sociedade. Um palanque, um representam o que há de mais microfone, uma tela de TV, uma humano no pensamento de uma universal, comparável a difusora. Isso tanto é verdade que época, cultura, continente, país, a publicidade foi seu maior Gandhi, Martin Luther King agrupamento humano. São escudo contra as ameaças de e, para falar nos termos de figuras universais, já desligadas morte que recebia. Ele só não foi da trajetória concreta de suas hoje, Mandela. morto porque temia-se a vidas. Elas tornam-se símbolos repercussão da morte de um universais: independência e ● ● ● bispo famoso. Escapou pela verdade (a Satyagraha de publicidade em vez de fugir na Gandhi), superação do racismo clandestinidade. (Mandela), opção pelo pobre (Helder Câmara). Quero comentar com vocês que numa Hoje vejo claramente que, naquela tarde nos determinada ocasião ele realmente nos Manguinhos, Helder não estava afirmando sua surpreendeu. Numa tarde, parece que foi nos personalidade, mas revelando uma profunda inícios dos anos 1970 ou no final dos anos 1960, intuição política, uma visão do âmago das ele nos chama para o Palácio dos Manguinhos. Uns questões. Se, naquela época, a desenvoltura com vinte padres, mais ou menos. Aí ele começa a dizer que Helder falou de grandes figuras da história me que a igreja católica não tem a projeção que causou certo espanto, era, no fundo, porque merece: o mundo oriental tem Gandhi, os Estados naquele tempo eu não tinha a maturidade para Unidos têm Martin Luther King, mas a igreja pensar em Helder Câmara. Só consegui pensar em católica não tem nenhuma figura que represente o Dom Helder. É foi isso, afinal, que me impediu de que ela está realmente fazendo neste momento. enxergar a grandeza de suas colocações. Fiquei sem saber o que pensar dessas palavras, pois Texto na íntegra: http://www.cefep.org.br/helder-camara-um-homem-universal

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“Que pode fazer aquele estudante, aquele jovem, aquele militante, aquele missionário que atravessa as favelas e os paradeiros com o coração cheio de sonhos, mas quase sem nenhuma solução para os meus problemas? Muito! Podem fazer muito. Atrevo-me a dizer que o futuro da humanidade está, em grande medida, nas vossas mãos, na vossa participação como protagonistas nos grandes processos de mudança nacionais, regionais e mundiais. Não se acanhem!” - Papa Francisco

urante os dias 7, 8 e 9 de julho de 2015, em Santa Cruz de la Sierra, aconteceu o Segundo Encontro Mundial do Papa Francisco com os Movimentos Populares. Depois de quase um ano do primeiro encontro ocorrido em Roma, a Bolívia foi o local escolhido para “debater os melhores caminhos para superar as graves situações de injustiça que padecem os excluídos em todo o mundo”. Mais de 1.500 delegados de diversos movimentos populares do mundo inteiro, junto a dezenas de bispos e agentes pastorais, participaram de três dias de reuniões, análises e debates sobre os problemas sociais e ambientais que eclodem no mundo. A JUFRA do Brasil foi representada por Maria Aparecida Brito (São Paulo), Elson Matias (Paraíba) e Igor Bastos (Minas Gerais). No início de seu discurso, o Papa Francisco reforçou a necessidade de uma mudança urgente e necessária no mundo. Segundo ele, não podemos ser coniventes com uma sociedade que há tantos camponeses sem terra, tantas famílias sem teto, tantos trabalhadores sem direitos, tantas pessoas feridas na sua dignidade; uma sociedade que produz tantas guerras sem sentido e faz com que a violência se banalize e se torne parte do nosso cotidiano; uma sociedade que ameaça o solo, a água, o ar e toda a criação em nome de um crescimento que exalta o valor econômico e descarta o valor da vida e a dignidade humana. E reforça: Precisamos e queremos uma mudança. Uma mudança real, uma mudança de estruturas. Devemos reconhecer que há um elo invisível que une cada uma das exclusões e injustiças presentes em todo o mundo. Devemos reconhecer que essas realidades destrutivas correspondem a um sistema que se tornou global e impõe a lógica do lucro a todo o custo, sem pensar na exclusão social nem na destruição da natureza.

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Devemos ressaltar a Devemos assumir essas ● ● ● importância de uma colaboração tarefas comuns motivados pelo real, permanente e amor fraterno, levando no coração Devemos ser semeadores todos aqueles que sofrem. Todos comprometida da Igreja com os movimentos populares. aqueles que têm sua vida marcada desta mudança no nosso Segundo Francisco, é uma pela injustiça e também pela cotidiano, caminhando alegria ver a Igreja com as esperança. “Como a Virgem junto com os movimentos portas abertas a todos que se Maria, uma jovem humilde de uma envolvem, acompanham e populares na busca diária pequena aldeia perdida na conseguem sistematizar em periferia de um grande império, dos “3 T”: TRABALHO, cada diocese, em cada comissão uma mãe sem teto que soube de Justiça e Paz, a união com as transformar um curral de animais TETO, TERRA. organizações sociais das na casa de Jesus com uns pobres periferias urbanas e rurais. Este paninhos e uma montanha de ● ● ● é o segredo: organizar, unir as ternura. Maria é sinal de forças e promover alternativas esperança para os povos que humanas à globalização da exclusão. Devemos ser sofrem dores de parto até que brote a justiça.” semeadores desta mudança no nosso cotidiano, O futuro da humanidade está nas nossas caminhando junto com os movimentos populares mãos. Na nossa capacidade de nos organizarmos e na busca diária dos “3 T”: TRABALHO, TETO, também na nossa participação como protagonistas TERRA. nos grandes processos de mudanças nacionais, Temos também três grandes tarefas que são regionais e mundiais. Que possamos viver o transversais e essenciais para promovermos as carisma franciscano à luz do Evangelho na mudanças necessárias: a primeira tarefa é pôr a construção de um mundo mais justo e fraterno, economia ao serviço dos povos. A segunda é unir sendo promotores e promotoras da globalização da os nossos povos no caminho da paz e da justiça. Já esperança, que nasce dos povos e cresce entre os a terceira tarefa, e talvez a mais importante que pobres. devemos assumir hoje, é defender a Mãe Terra.

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nicio este texto com um pensamento de Paulo Freire, grande pedagogo brasileiro do século XX, eterna referência para todos os educadores do nosso país e todos os que, de certa forma, contribuem com a formação de seres humanos: “Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão”. Fazendo uma analogia com nosso trabalho enquanto “formadores” de nossas crianças e adolescentes numa perspectiva cristã, franciscana e humana vejamos o quanto essas palavras têm a nos dizer. Não podemos negar que os irmãos das fraternidades de Infância, Micro e Mini Franciscanos, mesmo ainda muito pequenos, estão sim inseridos em diversas realidades do nosso país e, por que não, da Igreja: situações de pobreza extrema, racismo, preconceito entre religiões, exploração de menores, trabalho escravo, falta de zelo com o meio ambiente, preconceito de qualquer espécie, ausência de trabalho missionário dos cristãos, dentre outras. Podemos nos perguntar: Ora, isso é assunto para as crianças ou adolescentes da IMMF? Claro que sim! É fundamental, antes de qualquer coisa, compreendermos que nós somos mediadores do carisma franciscano e do ideal franciscano de vida para nossos irmãos e irmãs menores e é por isso que precisamos zelar para incutir neles, desde pequenos, a importância que cada pessoa tem no mundo como agente de mudança das realidades que vive ou pelo menos lutar para isso aconteça. Pode ainda surgir outro questionamento: Como é que vou conversar sobre assuntos críticos com uma criança ou um adolescente? Simples, na linguagem deles! Não precisa chocá-los com palavras duras, mas usar o jeito de falar deles

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para mostrar que o mundo em que não forem os jufristas do ● ● ● vivemos é por vezes muito injusto amanhã, algo que muito e que nós, como cristãos e incentiva nosso trabalho, serão QUEREMOS SER franciscanos, podemos e devemos pessoas novas para o mundo testemunhas concretas no tentar fazer alguma coisa para novo, seres humanos melhores transformar essa realidade, pois ambiente onde estivermos para um mundo melhor. assumimos um compromisso Os trabalhos e materiais inseridos, com tudo aquilo dentro da nossa secretaria já têm como jufristas na Carta de Guaratinguetá: “QUEREMOS que a nossa espiritualidade proposto algumas reflexões e SER testemunhas concretas no ações para as fraternidades de implica: alegria, serviço, ambiente onde estivermos Infância, Micro e Mini compromisso e inseridos, com tudo aquilo que a Franciscanos (Jornada de nossa espiritualidade implica: Direitos Humanos para IMMF, fraternidade. alegria, serviço, compromisso e Quaresma com Encontros sobre fraternidade. Enquanto Juventude a Campanha da Fraternidade e ● ● ● Franciscana, comprometemo-nos suas temáticas, etc.), no entanto é em oferecer uma forma de fundamental ouvirmos os apelos vivência cristã para os outros jovens, tendo como de Nosso Senhor que diz: “Avancem para águas opção preferencial evangélica aqueles mais profundas.” (Lucas 5,4) para que tenhamos marginalizados e excluídos. Como JUFRA, irmãos e irmãs das fraternidades de IMMF necessitamos estar onde a juventude se faz conscientes do mundo onde vivem e do seu papel presente, se utilizando de todos os meios enquanto pequenos franciscanos nele: refletir sobre disponíveis para anunciar o Evangelho a partir de a realidade para entendê-la e buscar uma forma de nossa opção de vida.” Ora, se nos propomos a mudá-la ou de conscientizar as pessoas para tal. oferecer isso a todos os tipos de juventudes, quanto mais aos nossos irmãos menores da IMMF que se

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A comunicação e os meios midiáticos na fraternidade local "É importante a atenção e a presença da Igreja no mundo da comunicação, para dialogar com o homem de hoje e levá-lo ao encontro com Cristo: uma Igreja companheira de estrada sabe pôr-se a caminho com todos.” (Mensagem do Papa Francisco para o 48.º Dia Mundial das Comunicações Sociais)

xiste um certo boato no meio juvenil que diz “em terra de WhatsApp, qualquer ligação é prova de amor”. Essa afirmação torna-se conclusiva quando percebemos ser normal encontrar um jovem com vários perfis em redes sociais, seja no Twitter, Tumblr, Facebook, Instagram, Viber, Imo, Telegrama ou afins, e que dificilmente sai de casa para realizar atividades como: visita aos familiares, saída com os amigos, exercícios físicos e atividade extras. Pode parecer, a priori, que essa relação não haja sentido, mas hoje a maior dificuldade é dialogar com essa “disputa social” de quem mais possui redes sociais e, ao mesmo tempo, menos encontros pessoais. Ser perfil de internet significa ter vários amigos/seguidores também da internet, desses que, como eu, de vez em quando despejam tudo que estão pensando e questionando num texto público, com timing acidentalmente impecável. Nos últimos meses, no entanto, venho percebendo que ocorre um fenômeno curioso entre esses jovens: parecemos estar em total sintonia, com questionamentos parecidos e complementares, e todos sobre medo, sobre relacionamentos, sobre joguinhos e sobre não se abrir para o outro. Todos tão parecidos, mas estranhamente diferentes. Nós jovens parecemos não compreender o que acontece, mas a cada dia que passa adotamos novos meios de comunicação e nos deixamo-nos tornar reféns dessa necessidade de se fazer presente e assíduos. Com isso, naturalmente, pecamos no chamado pessoal de “encontrar-se cada vez mais com o outro e a realidade do outro”. De forma que o presencial e o digital se tornam um só. Os meios midiáticos que, felizmente, podem “oferecer maiores possibilidades de encontro e de solidariedade entre todos” (Papa Francisco), não nos permite o toque, o abraço, o olho no olho, o sentir-se próximo e junto, mas ainda sim nos faz conhecer da realidade mais distante. Entretanto, cabe a nós sabermos esclarecer as diversas realidades, e que próximas por fios digitais, infelizmente, nem sempre estão com a mesma intensidade e veracidade.

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Vivemos, como Igreja, um momento único por nós, inclusive, que algumas provocações são de aprender com a simplicidade da comunicação frutos de desgastes pessoais e que muitas vezes são em que o autor é o nosso Santo Padre, Papa levados para a discussão em fraternidade. Francisco. A cada instante ele se comunica Cabe aqui, portanto, uma reflexão maior conosco através de gestos, geralmente se sobre o poder que a rede social tem sobre nós, bem desapegando do comum e “simplicissimamente” como sobre o pouco cuidado que estamos tendo ao deixando o essencial se fazer maior: seus atos, sua cuidar do outro, pessoalmente, e de suas postura, sua forma de falar, sua entonação, seu necessidades. sorriso espontâneo, seu passo largo e manso, sua Ao longo da história de cada fraternidade delicadeza. local, quantos problemas difíceis A maior dificuldade nos foram serenamente resolvidos? ● ● ● dias de hoje é fazer a nossa Quantas vezes, conseguimos trazer mensagem ser compreendida de volta o convívio aquele irmão A maior dificuldade nos com a mesma verdade em que que não mais frequentava a Jufra? dias de hoje é fazer a nossa Quantas memórias não temos de foi produzida. Diante de um mensagem ser momento tão cheio de pressa, reuniões, encontros e visitas feitas e tendências, críticas, correntes, que nos custaram noites acordados, compreendida com a sinônimos e informações, produzindo, discutindo, brigando, mesma verdade em que foi muitas vezes ficamos reféns mas também aprendendo um com do que a massa midiática nos outro, conhecendo um pouco do produzida. oferece; massa essa em que outro e ajudando muito? somos sujeitos e objetos, de Quando fazemos essas ● ● ● forma que nosso cotidiano real reflexões pessoais e/ou em e virtual é invadido e, como fraternidade, percebemos que o elo resultado, vemos jovens cada vez mais antissociais, entre elas é o diálogo, esse feito em sua melhor desprovidos de senso crítico saudável e indispostos forma presencial, e que ampara calorosamente a prática daquela que ainda é a melhor forma de qualquer necessidade fraterna ou grupal. Não comunicação: a cultura do encontro. podemos esquecer que a essência da fraternidade é Nós, jovens franciscanos, devemos estar o convívio e que esse deve ser feito de forma certos de que precisamos cada vez mais ser presencial. Que a boa comunicação é a real e que é presentes às necessidades alheias e que, em nossas impossível viver em fraternidade local se, devido fraternidades locais, o que deve reinar é a ao tempo e afazeres pessoais, estamos operadora do encontro, do abraço, do conselho digitalizando tudo, inclusive nossas reuniões, presencial, do ouvir com paciência, do estar e do encontros, eventos, partilhas do evangelho, práticas ser... Obviamente que não só na fraternidade local, sociais, etc. mas na extensão da nossa missão eclesial. Não se Pensando nisso tudo, em fraternidade, evangeliza somente atrás de computadores ou vejamos 5 pontos simples de como melhorar nossa celulares. Precisamos estar certos de que eles são comunicação: 1 - Evitar só falar, tornar-se meios, mas o instrumento somos nós, de corpo e disponível a escutar o que o irmão tem a falar, alma presentes sempre que possível for. especialmente quando esse necessitar. 2 - Ouvir o Quando analisamos nossa vivência fraterna, que o irmão fala com verdadeira atenção. Essa é a percebemos que nossas parte mais importante maiores chateações da comunicação. Não estão relacionadas à má interromper quem interpretação do que fala. Escutar para falamos ou fizemos. entender. Caso não Percebamos, também, entenda o que o irmão que isso vem se diz, pergunte. 3 - Falar tornando um problema de forma clara e constrangedor por, objetiva. Eliminar as corriqueiramente, más palavras, o acontecer via sarcasmo e a falta de WhastApp. É sabido respeito que deturpam www.jufrabrasil.org 28


a mensagem e deixa o irmão na defensiva. Falar sempre de maneira respeitosa, com cuidado e serenidade. 4 - Aceitar as críticas. Não se colocar na defensiva. Mesmo que não seja fácil escutar o que os irmãos dizem é importante que você entenda o que ele pensa ou sente. Somente assim você poderá verdadeiramente resolver o problema. Ser irmão é ter essa liberdade também. 5 - Aceitar as diferenças. Para viver em fraternidade é preciso aceitar o que cada irmão vê e como cada irmão é. Se não for possível chegar a um acordo, ao menos é possível chegar a um entendimento mútuo e respeitoso. Nesse sentido está também nossa Igreja, em um discurso sobre o Diálogo e cultura do encontro para uma nação inclusiva, o Papa Francisco adverte que "o diálogo não é fácil" e exige de nós "a cultura do encontro; um encontro que sabe reconhecer que a diversidade não somente é boa, mas necessária", e deste modo, o ponto de partida nunca pode ser "o outro está equivocado". Não devemos temer ou ignorar os conflitos resultantes da cultura do encontro, "mas aceitar, suportar o conflito, resolvê-lo e transformá-lo no elo de

ligação de um novo processo", "numa unidade que não cancela as diferenças, mas vive-as em comunhão por meio da solidariedade e da compreensão". A base do encontro, é que todos somos irmãos, filhos de um mesmo Pai celestial" e cada um, com sua cultura, língua, tradições, "tem muito para dar à comunidade". As verdadeiras culturas "são chamadas a encontrarem-se com outras e criar novas realidades". (Rádio vaticano). Claramente, o sentido do texto nos propõe uma reflexão rasa do tema. Em fraternidade, reflitamos todos os perigos e benefícios que os meios midiáticos podem oferecer na erradicação da nossa fé e como propagadores da cultura da paz e do bem! Por fim, já animados pela Festa de nosso Pai Seráfico, o tomemos como exemplo quando tivermos de compreender o momento em que necessitamos largar os inúmeros meios sociais que nos unem, para vivermos de fato uma espiritualidade mais clara e perceptível. Intercedei por nós, Nossa Senhora Aparecida!

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“Os seres humanos e a natureza não devem estar ao serviço do dinheiro. Digamos NÃO a uma economia de exclusão e desigualdade, onde o dinheiro reina em vez de servir. Esta economia mata. Esta economia exclui. Esta economia destrói a mãe terra.” (Papa Francisco, no II Enc. Mundial de Movimentos Populares em Santa Cruz de La Sierra, Bolívia)

ivemos tempos de reflexão e debate sobre questões sociais, políticas e econômicas. Inquieta-nos a tal crise política e/ou econômica, onde o Brasil e o mundo estão inseridos e padecendo. As pessoas parecem não compreender o que acontece, são muitas informações e para associá-las dentro da realidade ficamos no senso comum ou apáticos aos acontecimentos. Como resultado vêm as propostas de ajustes fiscais e de direitos, aumento do custo de vida, inflação, desemprego, aumento da violência e conflitos. Agrava-se a crise social, como a forte imigração de países da África e Oriente Médio para Europa principalmente, pessoas fugindo em busca de uma vida digna. Muitas vezes fugindo para que possam ter uma vida. No entanto, mesmo sendo direito humano, estão sendo excluídos e impedidos de entrar em determinados países. Nesse mesmo tempo, o Papa Francisco divulga a encíclica “Laudato Si’ sobre o cuidado da casa comum”, trazendo para a Igreja e a sociedade a discussão sobre as consequências da ambição humana, que, por uma cobiça desenfreada, acaba por induzir direta ou indiretamente variadas crises que vemos acontecer. Soma-se nesse contexto a crise climática. “A política e a economia tendem a culpar-se reciprocamente a respeito da pobreza e da degradação ambiental. Mas o que se espera é que reconheçam os seus próprios erros e encontrem formas de interação orientadas para o bem comum. Enquanto uns se afanam apenas com o ganho econômico e os outros são obcecados apenas por conservar ou aumentar o poder, o que nos resta são guerras ou acordos espúrios, onde o que menos interessa às duas partes é preservar o meio ambiente e cuidar dos mais fracos. Vale aqui também o princípio de que “a unidade é superior ao conflito”. (Papa Francisco - trecho da Encíclica “Laudato Si’”) Apesar de não ser um tema novo no debate mundial, quando falamos do cuidado, da preservação do meio ambiente, da biodiversidade, pensa-se na natureza como um reservatório de recursos econômicos que poderá ser explorado. Ou seja, cuidemos para que possamos explorar daqui a pouco. Não se considera o

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valor real das coisas, o ideal de vida, colocamo-nos como ● ● ● significado para as pessoas e agentes transformadores, mas que as culturas, os interesses e as inclusive precisam transformar-se. Uma mudança real, necessidades dos pobres. Uma mudança real, mudança mudança profunda de Dessa maneira os que mais profunda de estruturas é o que o sofrem são os mais fracos. estruturas é o que o Papa Papa Francisco estimula, sem “Uma verdadeira abordagem acanhamento numa conversão Francisco estimula, sem ecológica sempre se torna uma sincera das atitudes e do coração. acanhamento numa abordagem social, que deve “Lutar contra o individualismo, a integrar a justiça nos debates ambição, a inveja e a ganância que conversão sincera das sobre o meio ambiente, para se aninham em nossa sociedade e atitudes e do coração. ouvir tanto o clamor da terra muitas vezes em nós mesmos... como o clamor dos pobres’, Trabalhar para erradicar o ● ● ● diz o Papa Francisco. consumismo e a cultura do Nesse emaranhado de desperdício.” É preciso olhar para o questões, nós, jovens franciscanos, estamos aptos a cuidado com a natureza, a defesa dos pobres, a questionar, unir e transformar. Afinal, em tempo melhoria da qualidade de vida das pessoas. Afinal acontecem as Escolas de Formação e o Seminário tudo está interligado, chamado também de ecologia Nacional em AE e DHJUPIC. Como inspira nosso integral.

Claro que não só com as finanças, mas com toda a vida fraterna e também pessoal dos jufristas. Como está sendo a nossa mudança no estilo de vida? Acredito que o diálogo é mais amplo, porém vamos fazer algumas provocações para que possamos compreender melhor. Pensemos um pouco nessas questões: Tenho aderido à cultura do desperdício dos recursos naturais (alimentação, água, gás, petróleo...)? Estou consumindo o que é necessário ou opto pelo supérfluo, comprando coisas que não vou utilizar, ou trocando, por exemplo, aparelhos

eletrônicos, roupas ou adereços influenciados pela moda? Gastando mais do que tenho e sem pensar no irmão, na mãe terra? Como está sendo a economia da fraternidade, ou seja, como estão sendo aplicados os recursos que conseguimos e partilhamos? Essa questão não é apenas de como “arrecadamos” os recursos financeiros para nossas atividades como fraternidade, mas também de como estamos utilizando esse recurso. Tão importante como “arrecadar” o uso desse recurso é importante também pensar no bem comum, em prioridades.

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Pesquisar para que não haja um gasto desnecessário ou supérfluo. É preciso entender o objetivo da economia na fraternidade. Não para “acúmulo”, mas para que seja colocado em benefício comum e sem exageros. Na simplicidade e desapego. A realidade de cada fraternidade em várias regiões do Brasil mostra que temos muitas dificuldades financeiras, inclusive na vida pessoal. Isso não devemos ignorar. Mas a opção de vida que estamos dispostos a viver – fraternidade - abre caminho para a partilha. Sendo assim, o caixa da fraternidade é a união do pouco de cada um colocado em comum para o desempenho das atividades da Jufra em âmbito local, regional e nacional. Quando pensamos na economia, tanto na vida pessoal quanto na vida da fraternidade, devemos pensar no contexto histórico que

vivemos. É preciso mudar, superar e lutar contra o consumismo exagerado, o individualismo, contra a cultura do desperdício. Que cada ação nossa está imersa numa ecologia que integra toda sociedade e o meio ambiente. São Francisco de Assis, que alegremente festejamos nesse mês, deu seu testemunho de vida simples e de despojamento. Apesar de parecer que fazemos pouca coisa, digamos SIM, é possível mudar mesmo nas pequenas coisas, mudar a consciência, as atitudes. Façamos a nossa parte como jovens franciscanos e demos testemunho. Que São Francisco rogue a Deus por todos nós e, claro, pelo Papa Francisco!

“O cuidado da natureza faz parte dum estilo de vida que implica capacidade de viver juntos e de comunhão. Jesus lembrou-nos que temos Deus como nosso Pai comum e que isto nos torna irmão. O amor fraterno só pode ser gratuito, nunca pode ser uma paga a outrem pelo que realizou, nem um adiantamento pelo que esperamos que viesse fazer”. (Papa Francisco trecho da encíclica – Laudato Si’ – cuidado da casa comum)

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Aos nossos irmãos e irmãs no Serviço da Assistência Espiritual... esolvemos iniciar o nosso texto com um convite! E este convite (bem como o próprio texto), desta vez, é dirigido aos/às irmãos/ãs que assumem conosco, direta ou indiretamente, o serviço da Assistência Espiritual: voltemos o nosso olhar para os nossos jovens – em particular a nossa Juventude Franciscana – buscando percebê-los e entendê-los como sujeitos de atuação eclesial e social. Para isso, queremos partir do pressuposto de que buscar ter esse ‘olhar’ requer de nós uma pergunta que acreditamos ser fundamental e indispensável: “Como podemos entender a participação e atuação da juventude de hoje, consideradas a partir do nosso entendimento de compromisso e de ação pastoral?”. Indo mais a fundo, “qual ‘modelo’ de Igreja e qual entendimento sobre nossa presença no mundo devem nortear a nossa ação na Igreja e na sociedade?”. Numa tentativa de responder a essas perguntas que apresentamos, queremos começar olhando para o atual contexto de Igreja e de sociedade em que vivemos... Um contexto que nos traz muitos desafios e confrontos, como também muitas esperanças: na sociedade, um sistema político e econômico que não é capaz de responder às necessidades humanas mais básicas; uma economia de mercado cada vez mais centralizada no lucro e no consumo e, por isso mesmo, excludente; taxas crescentes de migração entre os povos que já configura um novo êxodo mundial e uma nova miscigenação cultural e ideológica nunca vista antes; na Igreja se vê novos ares: um Papa que nos conclama a irmos às periferias da existência humana, que se abre ao novo, que transmite com gestos simples atitudes profundamente humanas e evangélicas, que acolhe a todos indistintamente e que quebra estruturas antes rígidas e ‘imutáveis’, sinais de uma igreja em saída, que preza pela misericórdia e não pela punição, mais samaritana, mais do serviço, da escuta, da abertura ao diálogo. Tudo isso vivido em meio a um tempo de mudanças rápidas e substanciais que interferem na nossa visão de mundo, no nosso modo ser, de nos relacionarmos com as outras pessoas, no nosso modo de estar na Igreja e na sociedade.

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Em meio a tudo isso, como não irmãos e irmãs que somos, pensar no modo de ser Igreja, sem enquanto nos dispomos a fazer que nos deixássemos questionar até junto aos nossos jufristas um que ponto nossa atuação pastoral e caminho de discipulado e de evangelizadora consegue de fato crescimento, somos chamados e penetrar nas realidades humanas mais chamadas a nos fazermos hoje gritantes e urgentes? Diante de uma verdadeiros/as companheiros/as Igreja que se vê aberta ao novo e de caminhada que refletem desejosa de repensar seu ‘ser no junto com nossos jufristas, à luz mundo e para o mundo’, insistimos da Palavra de Deus, a vida e as em acreditar que nossa presença e diferentes situações que nosso serviço junto aos jovens podem compõem a realidade à nossa e devem, hoje mais do que nunca, ser volta. Sintamo-nos chamados e um sinal concreto do Evangelho e de chamadas a fazer a experiência seus valores, bem como os de Emaús, do Cristo que encarnaram em suas vidas Francisco e Clara de caminha conosco, que nos explica as Escrituras, Assis. que parte o pão para nós, que nos anima em meio Uma preocupação que muito tem nos às noites escuras de nossa jornada, mesmo em acompanhado – e por que não dizer, angustiado – é meio às desesperanças e frustrações que nos o fato de que muitos jovens, entre esses inclusive tomam conta ao longo do caminho! Chamados/as a jufristas, têm se mostrado contrários a um jeito de essa experiência, acolhamos o convite do Senhor ser Igreja que o Francisco de Assis abraçou e que é de nos colocarmos a caminho e de nos sentarmos à re-abraçado hoje pelo Francisco de Roma, que não mesa, para partilharmos da vida e dos sonhos que diz respeito a uma visão de ser Igreja senão aquela devem sempre estar vivos e pulsantes em todos assumida por amor à pobreza do Cristo nós. Sejamos faróis de esperança nas noites escuras Crucificado-Ressuscitado de São Damião. Esse da história, capazes de apontar saídas e mesmo Cristo que nos convida a olharmos a perspectivas quando a dor do desencantamento realidade à nossa volta para transformá-la, bater à porta do coração de nossa juventude! reconstruí-la, restaurá-la, e que nos convida a um Fazer essa experiência significa nutrir uma anúncio explícito e testemunhal do Evangelho, busca constante de ser uma presença realmente reafirmado por uma simplicidade de vida e pela qualitativa, cuja qualidade é pautada por um flexibilidade das normas e ritos frente aos coração dilatado pelo amor a Cristo e a causa do diferentes apelos sociais e eclesiais e aos diversos seu Evangelho e na escuta paciente e serena, capaz desafios pastorais que a Igreja tem enfrentado. de levar o/a jovem a refletir a sua vida e seu Preocupa-nos ver muitos jovens que ainda sentido, a realidade à sua volta e sua missão de hoje se prendem a tantas estruturas, normas e acolher essa realidade, com todas as contradições rubricas que colocam a letra que ela apresenta, e assumir ● ● ● acima do Espírito, sufocando as transformá-la, inserindo-se nas iniciativas de ousada e diversas situações onde o E onde houver situações transformadora criatividade que o Evangelho precisa ser mesmo Espírito suscita na Igreja contrárias ao Evangelho e, testemunhado. E onde houver hoje; jovens que se atêm ao situações contrárias ao portanto, à vida, que rigorismo de certas estruturas Evangelho e, portanto, à vida, eclesiológicas estéreis e que são precisam ser questionadas, que precisam ser questionadas, reflexo de um modelo de Igreja enfrentadas, denunciadas, enfrentadas, denunciadas, inconsequente, que não possamos juntos assumir um possamos juntos assumir novo jeito de ser igreja, e que corresponde mais aos anseios do homem moderno, com suas atuais exige de nós atitudes e um novo jeito de ser angústias e conflitos, e que posicionamentos concretos igreja... termina por não se abrir às diante da vida, dentro da própria necessidades pastorais e igreja e na sociedade, onde ela ● ● ● missionárias da Igreja de hoje! indispensavelmente está Enquanto assistentes, como presente! www.jufrabrasil.org 34


Há pouco a JUFRA do Brasil vivenciou seu primeiro Seminário Nacional sobre AE e DHJUPIC. Durante seu processo de construção e realização, tivemos a oportunidade de acompanhar esse tempo forte de questionamentos e descobertas diante do longo caminho que ainda precisa ser percorrido. Oportunidade também de constatarmos que ainda precisamos dar muitos passos. Com esse Seminário, A JUFRA do Brasil e sua Assistência Espiritual reafirmam o que expressamos na Carta de Guaratinguetá, reafirmando assim “a JUFRA que queremos ser”, com nosso jeito próprio de ser Igreja e estar no mundo. Abraçando as causas dos homens e mulheres de hoje, em particular das juventudes em suas diversas expressões, enquanto companheiros/as de caminhada que querem trilhar juntos os caminhos do Senhor – uma verdadeira Koinonia, queremos nos comprometer a construir a igreja que foi

abraçada por Francisco de Assis e tão desejada e explicitada pelo Papa Francisco! Ao acolher esse forte apelo do Papa Francisco de ser uma ‘Igreja em saída’, a Juventude Franciscana do Brasil se reconhece agora diante de um grande convite, que é o de lançar-se em meio a tantas novas situaçõesdesafios mapeadas e traçadas como possibilidades de presença. Que a nossa Juventude Franciscana seja essa presença em meio a essas realidades. Que nós, assistentes, sejamos também essa presença, desejosos/as de somar nessa grande e bela aventura que é viver o Evangelho, encarnado no chão concreto de nossa realidade latino-americana. Como assistentes, queremos assumir com nossos jovens o projeto do Evangelho, tal como a JUFRA do Brasil hoje o entende e o quer abraçar e viver! Que o bom Deus nos ajude nessa caminhada. O Senhor nos dê a paz! Paz e bem!

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A alegria de celebrar um capítulo e ver a JUFRA eleita como prioridade do triênio 2015-2018 para a OFS do Brasil! sabido de todos que a Ordem Franciscana Secular do Brasil esteve reunida em Capítulo Nacional Eletivo no último mês de agosto, na cidade de Castanhal, Pará, para eleger os novos irmãos que conduzirão - no triênio 2015-2018 - as atividades da Fraternidade Nacional, servindo incansável e minoriticamente aos irmãos franciscanos seculares do Brasil. O Ministro, principal responsável por conduzir e animar a caminhada do Conselho Nacional segundo as Constituições Gerais da OFS, deve ser o primeiro a colocar-se em disponibilidade para servir e "lavar os pés dos irmãos" (Regra não bulada, cap. 6), tendo sido eleito para o mencionado serviço, neste Capítulo Nacional, o irmão Vanderlei Suélio Gomes (GO). Foram eleitos, ainda, para servir ao Conselho Nacional os seguintes irmãos: Maria José Coelho, Vice-Ministra; Marúcia Conte, Coordenadora de Formação; Aluísio Victal, Tesoureiro; Mayara Ingrid, Secretária; Antônio Benedito, Assessor Jurídico; Jucilene Caldas, coordenadora da Área Norte; Paulo Gomes, coordenador da Área Nordeste A; Ebevaldo Nascimento, coordenador da Área Nordeste B; Luiz Mendes, coordenador da Área Centro Oeste; Antônio Júlio, coordenador da Área Sudeste; e Devanir Reis, coordenador da Área Sul. Vale destacar que além da eleição dos Conselheiros Nacionais, o capítulo marcou um significativo momento de encontro para profundas trocas de experiências das diversas realidades existentes em nossos regionais, além de propiciar prazerosos momentos de convivência fraterno-franciscana regados ao Carimbó paraense. Aproveitando a oportunidade de reunião de toda a Ordem Franciscana Secular do Brasil, lançamos oficialmente a "Cartilha para Animação Fraterna", documento que tem por fundamento a Resolução emanada do Congresso Nacional da JUFRA do Brasil realizado em Santa Maria/RS, em fevereiro/2013.

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A "Cartilha para Animação Fraterna" é um material organizado metodologicamente para estudo e compreensão de tudo que diz respeito aos documentos que regulam as relações entre OFS e JUFRA, tendo sido elaborado com o auxílio de diversos Animadores Fraternos que trouxeram ao documento suas experiências com o serviço prestado à Juventude Franciscana. É fundamental que nossas fraternidades de JUFRA estimulem as fraternidades de OFS e seus animadores fraternos no contato com a "Cartilha para Animação Fraterna", utilizando-a não só como material de consulta, mas também de estudo e vivência. Reforçando esse pedido, a Assembleia Geral reunida no último Capítulo Nacional da OFS do Brasil fixou, como de costume, três prioridades a serem assumidas no próximo triênio 2015-2018, estando entre elas uma especial atenção destinada à JUFRA.

Para tanto, fora recomendado que a "Cartilha para Animação Fraterna" fosse estudada nos próximos três anos como material de formação permanente, podendo o subsídio ser encontrado tanto no site da JUFRA quanto da OFS do Brasil. É de se aproveitar este momento em que todos os franciscanos seculares do Brasil voltam seus olhos à JUFRA e se debruçam sobre a "Cartilha para Animação Fraterna", para que também os jufristas se esforcem em melhor compreender a relação com a OFS, estreitando os laços de fraternidade. Que Deus envie seu Santo Espírito a todas as fraternidades que de coração aberto se mostrarem dispostas ao estudo e vivência das orientações contidas na "Cartilha para Animação Fraterna", tudo para que prevaleça a comunhão e o estreito relacionamento já vivenciado pela Ordem Franciscana Secular do Brasil e a Juventude Franciscana do Brasil. Paz e Bem a todos!

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Contatos – Formadores Regionais

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Está é a 11ª edição do Caderno Nacional de Formação da Jufra do Brasil!

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