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Biossegurança Controle da Infecção na Odontologia Contaminação é presença de agente infeccioso (vírus, bactérias ou esporos) em superfícies orgânicas, equipamentos, instrumentos, material, paredes, piso, etc. Contaminação pode ocorrer pelo contato direto através de lesões, sangue ou saliva ou pela transmissão indireta como instrumentais, objetos e aerossóis. A infecção consiste na entrada e na colonização de micro organismos no hospedeiro, o que não significa obrigatoriamente doença. A infecção cruzada é adquirida de outras pessoas, pacientes ou profissionais da equipe de saúde durante o atendimento odontológico. Exemplo: Paciente para paciente; Por intermédio de instrumentais e de equipamentos contaminados. Doenças Infecciosas de Interesse Odontológico A equipe de saúde bucal está sujeita a várias doenças infecciosas que podem ser prevenidas seguindo todas as normas de biossegurança. Algumas dessas doenças são de origem bacterianas e outras de origem viral. Alguns exemplos de doenças de origem bacterianas: Tuberculose. Sífilis. Alguns exemplos de doenças de origem viral: Herpes Outras – varicela, herpes-zoster, mononucleose infecciosa, sarampo, caxumba, rubéola, hepatites virais e AIDS. PRECAUÇÕES-PADRÃO E RISCOS OCUPACIONAIS A equipe de saúde bucal encontra-se exposta a vários riscos na sua prática diária, para minimizar e reduzir esses riscos devemos adotar medidas de precauções-padrão. Precauções-padrão ou básicas são medidas de prevenção que devem ser utilizadas no dia a dia independente do diagnóstico confirmado ou presumido de doença infecciosa transmissível. As seguintes medidas devem ser adotadas no atendimento de todos os pacientes: Utilizar equipamento de proteção individual; Lavar as mãos antes e após cada atendimento; Manipular com cuidado o material perfuro-cortanes; Não reencapar, entortar, quebrar ou retirar as agulhas das seringas; Limpar, desinfetar e/ou esterilizar os artigos contaminados;


Não se alimentar, beber ou fumar no consultório; Não tocar os olhos, nariz, boca, máscara ou cabelo durante a realização dos procedimentos. Durante os procedimentos com luvas, não atender telefones, tocar em maçanetas ou em locais possíveis de contaminação.

IMUNIZAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE

A OMS – Organização Mundial de Saúde preconiza o uso de vacinas para o CD e sua equipe, visando à prevenção de doenças infecto contagiosas. Citaremos algumas imunizações: Hepatite B – administrada em doses, em período de 0, 1 e 6 meses de intervalo. É obrigatória a sorologia pós vacinação, para verificar a soroconversão. O risco de infecção após a contaminação é de 6% a 30%. Hepatite A – é administrada em 2 doses. Tríplice Viral – sarampo, caxumba e rubéola – dose única. BCG contra Tuberculose – dose única. DT – contra difteria e tétano – 3 doses no esquema básico – dose de reforço a cada 10 anos. LAVAGEM DAS MÃOS É considerada a ação isolada mais importante para prevenção e o controle das infecções. Lavar as mãos com água e sabonete líquido utilizando a técnica correta reduz a população microbiana das mãos e interrompe a cadeia de transmissão de infecção entre pacientes e profissionais da área de saúde. Técnica correta para Higienização das mãos: Abrir a torneira e sem tocar na superfície da pia molhe as mãos; Aplicar na palma da mão quantidade suficiente de sabão líquido; Ensaboar as palmas das mãos friccionando-as entre si por aproximadamente 15 segundos; Friccionar os espaços entre os dedos e as unhas; Esfregar a palma da mão direita contra o dorso da mão esquerda e vice-versa; Enxaguar em água corrente, retirando todo o excesso de sabão; Enxugar com papel toalha descartável, não é permitido o uso de toalhas de pano. Higienização anti-séptica das mãos: Finalidade: Remoção de sujidades e de microorganismos. Técnica igual a utilizada para lavagem simples das mãos, substituindo o sabão pelo anti-séptico.


Produtos utilizados para anti-sepsia das mãos: Álcool a 70% Clorexidina a 4% PVPI a 10% Outros aspectos da higienização das mãos: Manter as unhas limpas e curtas. Ao lavar as mãos retires anéis, pulseiras e qualquer outro acessório. Para evitar ressecamento da pele aplique creme hidratante diariamente nas mãos.

EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI) O equipamento de proteção individual é destinado a proteção, segurança e saúde da equipe odontológica e dos pacientes. Seu uso é indicado durante o atendimento odontológico, na limpeza do consultório, e em todo o processo de esterilização de instrumentos. Gorro Deverá ser usado pelo cirurgião dentista, pela auxiliar e pelo paciente. Funciona como barreira mecânica que protege contra contaminação por secreções, aerossóis, prevenir acidentes e evitar queda de fios de cabelo. Deverá ser descartável, cobrir todo o cabelo e orelhas e ser trocado sempre que necessário. Deve ser descartado no lixo contaminado. Óculos de proteção Deverá ser usado pelo cirurgião dentista, pela auxiliar e pelo paciente. Sua função é proteger os olhos de respingos de produtos químicos, material biológico, secreções, aerossóis e impactos de partículas. A cada procedimento devem ser lavados com água, sabão e desinfetados. Máscara Deverá ser usada pelo cirurgião dentista e pela auxiliar. É uma barreira física de proteção contra infecções, respingos de produtos químicos, material biológico, secreções, aerossóis e impactos de partículas. Deve possuir filtro duplo e cobrir a boca e o nariz. Deverá ser descartada no lixo contaminado após o atendimento de cada paciente ou quando ficar úmida. Avental (jaleco) Deverá ser usado pelo cirurgião dentista e pela auxiliar. Poderá ser confeccionado em tecido ou material descartável. Deverá ter mangas longas com punhos, ser confortável, e usado fechado durante todo o atendimento. Não poderá ser usado fora do consultório pois pode se tornar uma fonte de infecção cruzada. A infecção cruzada em um avental se dá no ato de sair para um outro local que não seja o consultório transportando em seu avental bactérias provenientes do seu local de trabalho e absorvendo bactérias de outros locais que serão levadas para o consultório. Luvas


Devem ser de boa qualidade e usadas em todos os procedimentos. Constitui uma barreira física eficaz que previne a infecção cruzada e a contaminação do profissional reduzindo os riscos de acidentes. Agentes abrasivos, cortantes, perfurantes, biológicos e químicos. Principais tipos de luvas e suas indicações de uso: Luvas de látex para procedimentos em atividades clínicas e estéreis para procedimentos cirúrgicos. Luvas para procedimentos semi-críticos: São de látex, ambidestras, tamanho P, M e G; Não podem ser reutilizadas; Não são estéreis. Recomendações: Lavar as mãos com água e sabão antes de calçar as luvas; Não reutilizá-las; Descarte-as após o uso no lixo contaminado. Luvas cirúrgicas estéreis: São estéreis; Indicadas para procedimentos críticos. Exemplos: Cirurgias, exodontias, implantes, raspagem e outros. Recomendações: Não reutilizar as luvas; Descartar em lixo contaminado; Em procedimento de longa duração, acima de 2 horas, trocar as luvas; Lavar as mãos antes e após a retirada da luva. Luvas de plástico: Usadas como sobreluvas quando houver necessidade de manusear artigos fora do campo de trabalho. Luvas grossas de borracha e cano longo: São de látex, grossas, P, M e G, várias cores, comercializadas em supermercados; Usadas para manipulação de material, instrumental contaminado, para limpeza e desinfecção do consultório; Usar um par de luvas de cor diferente para cada procedimento; Exemplo:


Um par de luvas de cor amarela para lavar instrumentais e outro par de cor azul para lavar banheiro. Porque não reutilizar as luvas? Perdem a qualidade como barreira ou proteção após 3 horas de uso contínuo em presença de umidade; Durante um tratamento dentário os danos as luvas variam de 38 à 44%; Somente 5% destes danos são vistos a olho nu; Podem apresentar perfurações de fábrica; Em paciente de risco, usar luvas duplas; A umidade aumenta a permeabilidade diminuindo a barreira de proteção. Propé Deve ser usado pelo dentista, pela auxiliar, pelo paciente e seu acompanhante. Deve ser confeccionado em tecido ou material descartável. É obrigatório em procedimentos críticos (cirurgia por exemplo). Atenção: O uso do propé não dispensa o uso de calçados. Você deve calçar o propé por cima do sapato, pois assim você estará protegido contra acidentes no consultório.

PROCESSAMENTO DE ARTIGOS

Processar artigos significa limpar, desinfetar e ou esterilizar. Classificação de artigos: Críticos – materiais usados em procedimentos de alto risco, com presença de sangue. Requerem esterilização para o uso. Exemplo: Agulhas, lâminas, instrumento de corte ou pontiagudos, cinzel, raspador, broca cirúrgica e outros. Semi-críticos – materiais que entram em contato com mucosas integras, não há presença de sangue. Requerem a desinfecção de alto ou médio nível, ou a esterilização para uso (mais recomendado). Exemplo: Espelhos clínicos, moldeiras, instrumentais para amálgama e resina, e outros. Não críticos – materiais utilizados em procedimentos com baixíssimo risco de desenvolvimento de infecção. Requerem limpeza ou desinfecção de baixo ou médio nível. Exemplo:


Potes de Dappen, Equipo odontológico.

SEQUÊNCIA DO PROCESSAMENTO DE ARTIGOS Artigos usados e sujos = Pré-lavagem = Lavagem = Enxague = Secagem = Embalagem = Desinfecção – Esterelização = Armazenamento. Pré-lavagem A pré-lavagem deve ser realizada imediatamente após o uso dos artigos, antes da desinfecção ou esterilização. Deixar os instrumentais de mo9lho em uma cuba plástica contendo solução aquosa de detergente com PH neutro ou enzimático, os instrumentais devem estar totalmente imersos na solução. O tempo de permanência do instrumental no molho deve ser o recomendado pelo fabricante. A ASB deverá estar usando EPI próprios como, luvas grossas de borracha de cano longo, gorro, máscara, óculos de proteção, avental impermeável e calçados fechados. Evite acidentes ocupacionais, as pinças e tesouras, devem estar abertas para que toda a sua superfície entre em contato com a solução. Essa limpeza garante a eficácia do processo de desinfecção e esterilização. Tipos de limpeza: Limpeza manual – é realizada manualmente em uma pia destinada a esse fim com detergente e água corrente sob a fricção dos instrumentais com uma escova. Limpeza mecânica – é o procedimento automatizado que remove a sujeira ou matéria orgânica por meio de lavadoras com jato de água ou de ultra som de baixa freqüência. Deve-se seguir as recomendações do fabricante. Vantagens: Economia de tempo; Diminuição do risco de acidentes perfuro-cortantes; Aumenta a eficiência da limpeza. Enxágue: Deve ser realizado em água corrente e abundante, garantindo a total retirada das sujidades e do produto utilizado na limpeza. Inspeção visual: Serve para verificar a eficácia do processo de limpeza. Secagem: Até 2007 a ANVISA permitia a secagem dos instrumentais com pano seco e limpo. Hoje em dia recomenda-se secar com papel toalha para evitar a contaminação cruzada. Empacotamento: Seleção de embalagens – Após lavagem e secagem do instrumental, devemos acondicioná-lo em embalagens apropriadas para começar o processo de esterilização.


Para cada método de esterilização temos as embalagens mais indicadas. Essas embalagens são encontradas no mercado em caixas embaladas individualmente, em vários tamanhos e com cola para seu selamento, ou em rolos, que deverão ser cortados de acordo com a sua necessidade e serão selados com fitas adesivas específicas ou com o uso de seladoras. Para Autoclave: Recomenda-se papel grau-cirúrgico, papel crepado, tecido de algodão cru (campo duplo), vidro, nylon e caixas metálicas perfuradas. Na hora de selar as embalagens deve-se retirar todo o ar, pois ele atua como obstáculo na transmissão de calor e umidade, alterando o resultado final da esterilização. Para Estufa: Recomenda-se usar caixas metálicas com tampa, contendo no máximo 10 instrumentais. É vedado o uso de bandejas se tampas ou embaladas por papel alumínio, por não oferecer resistência no manuseio.

ESTERELIZAÇÃO

Os processos de esterilização indicados são – FÍSICOS E QUÍMICOS: Por meio de processos físicos ou químicos a esterilização elimina todas as foras de vida microbiana. Físicos Autoclave Vapor saturado sobre pressão. Processo altamente eficiente e rápido o ciclo total dura em torno de 30 minutos. De acordo com o aparelho o tempo, a temperatura e a pressão para esterilização para o vapor, variam dentro de: 121C a 127C (1 ATM de pressão), por 15 a vinte minutos, e 132C a 134C (2 ATM de pressão) por 4 a 7 minutos de esterilização. Excelente poder de penetração, possibilidade de esterilizar a maioria dos materiais. Desvantagens Corrosão de matérias não inoxidáveis. Recomendações para uso da autoclave Devemos seguir as instruções do fabricante para o seu uso adequado. O material, devidamente embalado, deve ser colocado na câmara do autoclave desligado. Não ultrapassar 2/3 de sua capacidade total. Não encosta nas paredes internas laterais. Dispor os pacotes de modo que o vapor possa circular livremente e atingir todas as superfícies do material.


As embalagens compostas por papel filme, devem ser colocadas com o papel para baixo. Principais causas de insucesso na esterilização com autoclave (calor úmido) Manejo incorreto do aparelho. Tempo insuficiente de exposição ao agente esterilizante. Falta de supervisão rotineira do equipamento. Manutenção da Autoclave Deve se limpar interna e externamente a autoclave com esponja macia água e sabão neutro toda semana ou quando houver necessidade, o sabão deve ser removido com pano úmido e logo após secar com um pano limpo. Estufa ou forno de Pasteur – Calor seco Atualmente, segundo a ANVISA, seu uso é recomendado apenas para alguns tipos de brocas e alicates ortodônticos. Estas indicações se justificam pois o processo exige longo período de tempo com altas temperaturas, podendo ocorrer falha no processo de esterilização. Uso correto da estufa: Ligar a estufa vazia até alcançar a temperatura de 160 graus C no termômetro acessório. Colocar as embalagens sobre as prateleiras sem vedar totalmente os orifícios. Não empilhar os pacotes pois a temperatura será diferente nas embalagens que se encontram no centro da pilha. Fechar a estufa, aguardar a temperatura atingir novamente 160 graus C. Gire o botão de ajuste de temperatura até que a luz indicadora de aquecimento se apague. Ajustar o timer para um tempo de 2 horas. Transcorrido o tempo, desligue a estufa e aguarde a temperatura atingir de 70 a 60 graus C para abrir o aparelho e retirar o instrumental. Obs. O ciclo total da esterilização varia de 3 a 4 horas. Ministério da Saúde – tempo de 1 hora a 170 graus C ou 2 horas a 160 gruas C, esta última afeta menos os instrumentais. Recomendações para esterilização em Estufa Durante todo o ciclo a estufa deve ser mantida fechada; Pacotes muito volumosos ou caixas metálicas muito grandes não tem sua esterilização assegurada devido ao baixo poder de penetração do calor seco; Não é recomendado a esterilização em estufa de campos, algodão, gaze, devido a alta temperatura e tempo de exposição ao calor danificarem esses materiais. A monitoração biológica deve ser feita pelo menos uma vez por mês. Principais causas de insucesso na esterilização com Estufa Aferição incorreta da temperatura;


Tempo de esterilização incorreto; Interrupção do ciclo de esterilização; Acondicionamento do instrumental em grandes volumes; Posicionamento incorreto das embalagens dentro da estufa; Carga maior que 80% da capacidade da estufa; Instrumental inadequadamente limpo e seco.

ESTERELIZAÇÃO QUÍMICA

A esterilização química deve ser utilizada somente nas situações e que não há outro recurso disponível, ou para os itens que não podem ser esterilizados em altas temperaturas. O agente mais utilizado e o glutaraldeído a 2%. Glutaraldeído a 2% Desinfetante de imersão, esporicidas. Os artigos devem ficar totalmente imersos por 10 horas em um recipiente plástico e com tampa. A Auxiliar deve usar equipamento de proteção individual para manuseá-lo. O manuseio dessa substância deverá acontecer em local ventilado. O Glutaraldeído provoca reação alérgica e danos aos tecidos vivos. Armazenamento: Logo após a esterilização os instrumentais devem ser armazenados em locais exclusivos, separados dos demais em armários fechados para evitar a contaminação. A esterilização é válida por 7 dias. Devemos identificar o material com etiqueta contendo a data a esterilização, devemos também fixar a fita do indicador químico. Monitoramento do processo de esterilização: Os procedimentos que envolve a esterilização devem ser rigorosamente e regularmente avaliados, para que se tenha certeza do êxito da descontaminação e detecção de possíveis falhas. O monitoramento pode ser realizado por meio de 3 indicadores: Biológico, Químico e Físico. MONITORAMENTO DA ESTERILIZAÇÃO Controle da esterilização, como fazê-lo? A monitorização nada mais é do que o controle de qualidade da esterilização. É indispensável de ser feito independente do seu método de escolha. As falhas na esterilização podem ocorrer devido a erros: •

Do operador;

Equipamento;


Instalação;

Falhas combinadas;

Este controle visa diminuir estas falhas e principalmente detectá-las. A monitorização compreende as etapas:

Monitorização Física A monitorização física em autoclaves realizada no consultório pelo operador, consiste em verificar se a autoclave atinge os parâmetros físicos de tempo / temperatura e pressão de acordo com o ciclo.

Monitorização Química INDICADORES QUÍMICOS PARA CICLOS DE AUTOCLAVE A VAPOR Para que a esterilização seja obtida, três parâmetros devem atuar em conjunto: temperatura, vapor sob pressão e tempo de exposição suficiente. O indicador – Emulador de Controle TST é calibrado de modo a só mudar de cor quando estes 3 parâmetros, com valores pré determinados e em conjunto forem alcançados. Escolhemos essa calibração (5,3 minutos a 134 graus centigrados que equivale a 15 minutos a 121 graus centigrados ou 8 minutos a 127 graus centigrados), pela margem de segurança que oferece. Essa variação de tempo em relação à temperatura existe porque, quanto maior a temperatura de exposição menor o tempo necessário para se obter esterilização.

O QUE É UM INIDCADOR – EMULADOR DE CONTROLE TST É um indicador químico produzido para avaliar os ciclos de autoclaves e quando exposto pelo menos 5,3 minutos a 134 graus centigrados, 15 minutos a 121 graus centigrados ou 8 minutos a 127 graus centigrados, a área teste mudará de amarela para um azul escuro/roxo uniforme. PORQUE É NECESSÁRIO USAR ESSES INDICADORES Devemos fazer a monitoração para termos certeza que uma carga foi esterilizada. A monitorização química pode detectar falhas no processo de esterilização. Estas falhas podem ocorrer por erro humano (como por exemplo, excesso de pacotes no equipamento), o por mau funcionamento do equipamento. Esse indicador é classificado como classe 6 pelo ISSO 11140. A ANVISA recomenda utilizar uma tira em cada pacote, e esta poderá ser colocada na ficha do paciente. Consulte a legislação (Vigilância Sanitária) de seu município para verificar com que freqüência o teste deverá ser realizado.

INSTRUÇÕES DE USO


Coloque um emulador TST em tira não processado (sem uso) na prateleira superior da autoclave dentro de um pacote isolado. Ou conforme a vigilância do seu município recomendar. Prossiga normalmente com o processo de esterilização em sua autoclave. Quando o processo terminar, verifique se o círculo amarelo do emulador atingiu a cor esperada (azul escuro ou roxo). Nessas condições a esterilização ocorreu com sucesso. Se o emulador não mudou completamente para azul escuro ou roxo, o processo de esterilização deverá ser considerado falho e os artigos (instrumentais) não deverão ser usados. Todos os pacotes do ciclo que falhou deverão ser reprocessados (levados novamente a autoclave). Use um novo indicador para testar o ciclo. Você deverá ter um livro registro onde deverão ser coladas as tiras do indicador químico e na frente de cada uma delas deverá conter um campo onde a auxiliar preenche com a data da esterilização e sua assinatura.

MONITORAMENTO BIOLÓGICO É a monitorização mais confiável, pois é feita com microorganismos tecnicamente preparados (indicadores biológicos) para demonstrar a esterilização. O que é um indicador biológico? São testes que vêm em tubos plásticos com tampa permeável ao vapor, com uma fita impregnada com uma população conhecida de esporos, separada do meio nutriente (líquido roxo), por uma ampola de vidro. Os esporos utilizados são de Geobacillus stearotermophilus, altamente resistentes ao calor úmido e não são patogênicos. São utilizados como desafio, pois uma vez tendo sido eliminados, todos os outros esporos e formas vegetativas também serão. Como fazer o teste biológico em minha autoclave? Coloca-se o teste dentro de um pacote, que irá passar pelo ciclo de esterilização da autoclave. Nas autoclaves coloque o indicador na bandeja superior, na parte frontal (junto à porta). Terminado o ciclo, abre-se o pacote recuperando-se o tubo plástico, aguarda-se 15 minutos para que resfrie e perca a pressão. Aperte-se a ampola plástica (ativação) consequentemente quebra-se a ampola de vidro interna, expondo os esporos ao meio de cultura. Coloca-se para incubar o indicador teste, que passou por esterilização, em incubadora própria junto com outro indicador dito controle. O indicador controle não vai para autoclave, mas deve ser atiçados da mesma forma ( veja as instruções de uso nos indicadores ou na mini-incubadora). A sua finalidade testar tanto a viabilidade dos esporos como verificar se a incubadora esta funcionando corretamente. O resultado esperado é que o controle mude de cor de roxo para amarelo. Esta mudança de cor é dada pela alteração de pH da solução que resulta da atividade microbiana. O teste não deve mudar de cor, pois o esperado é que os microorganismos tenham sido destruídos no processo de esterilização na autoclave. A leitura final é feita após 24 a 48h de incubação dos indicadores. Com que freqüência preciso utilizá-los?


A recomendação do MS, e da Vigilância Sanitária é do uso semanal dos indicadores biológicos. Várias entidades que tratam do Controle de Infecção Hospitalar recomendam o uso em todas as cargas que contenham implantáveis. A nossa recomendação é o controle biológico semanal, um emulador pelo menos no primeiro ciclo de cada dia e um de processo por pacote. Fita zebrada para autoclave é mesma coisa que indicador biológico? Não, fita zebrada é um indicador químico, dito de passagem (processo ou classe 1), e só indica que o pacote passou pelo processo, não indicando, porém a sua esterilidade. Os indicadores biológicos são de eleição para o controle de esterilização. Podem ser encontrados sob a forma de tiras impregnadas com esporos ou em ampolas.

DESINFECÇÃO Processo físico ou químico que elimina a maioria dos microorganismos patogênicos de superfícies com exceção de esporos bacterianos.

A desinfecção pode ser de alto, médio e baixo nível. Alto Nível Processo físico ou químico que destrói todos os microorganismos de objetos inanimados e superfícies, exceto um número elevado de esporos. Glutaraldeido a 2% e ácido peracético 0,001 a 0,2% Médio Nível Processo físico ou químico que elimina todas as bactérias vegetativas, a maioria dos vírus e fungos de objetos inanimados e superfícies. Álcool 70% e hipoclorito de sódio a 1%. Aplica-se a artigos semi-críticos e não críticos, bem como as áreas críticas e semi-críticas em presença de matéria orgânica.

Desinfecção de Instrumental Imersão por 30 minutos em: Solução aquosa de hipoclorito de sódio a 1% Solução de álcool etílico a 70% Solução aquosa de glutaraldeido a 2% Desinfecção de superfícies O processo de limpeza e desinfecção para o equipamento odontológico:


Água, sabão e fricção com álcool

Desinfecção dos materiais de moldagem e modelos de gesso Os moldes e modelos que são enviados aos laboratórios de prótese exigem um tratamento de descontaminação para eu não se quebrem a cadeia de controle de infecção cruzada. Antes da desinfecção as impressões devem ser lavadas para remover depósitos de saliva e sangue. O método de descontaminação pode ser por imersão ou por borrifamento. Borrifamento Lave os itens com água corrente. Seque-os cuidadosamente; Borrife com o desinfetante recomendado; Coloque-os em saco plástico quando ainda estiverem úmidos, devendo permanecer assim por 10 minutos; Lave-os e realize os procedimentos necessários; Imersão Lave os itens com água corrente; Seque-os cuidadosamente; Mergulhe-os na solução desinfetante por 10 minutos; Lave-os e realize os procedimentos necessários.

TABELA DE MATERIAIS DESINFETANTES O produto químico utilizado depende do material: MATERIAL Silicone Mercaptana Zincoenólica Poliester Gesso Hidrocoloide reversível Polisulfetos Registro em cera Alginato

DESINFETANTE A UTILIZAR Glutaraldeído a 2% Glutaraldeído a 2% Glutaraldeído a 2% Hipoclorito a 1% Hipoclorito a 1% Glutaraldeído a 2% , hipoclorito a 1% e Iodoforos Glutaraldeído a 2% Iodoforo Glutaraldeído a 2% e hipoclorito a 1%

Desinfecção de Próteses As próteses ou aparelhos ortodônticos quando recebidos ou enviados ao laboratório devem ser lavados e descontaminados.


MATERIAL Fixa: Metal e porcelana Removível: Acrílico e Porcelana Removível: Metal e Acrílico Aparelho Ortodôntico Prótese Total

DESINFETANTE A UTILIZAR Glutaraldeído a 2% Hipoclorito a 1% Hipoclorito a 1% Hipoclorito a 1% Hipoclorito a 1%

TABELA DE DESINFECÇÃO QUÍMICA Produtos Álcool

Concentração Ótima ação Germicida a 70%

Modo de aplicação Fricção, em 3 etapas Intercaladas pelo tempo de secagem natutal, totalizando 10 minutos.

Nível

Médio

Espectro

Vantagens

Desvantagens

Tuberculicida, bactericida, fungicida e viruscida; não éesporicida.

Fácil aplicação, ação rápida, compatível com artigos metálicos, superfícies e tubetes de anestésicos

Não é corrosivo, ação rápida, atividade germicida, mesmo em presença de matéria orgânica. Ação rápida, indicado para superfícies e artigos não metálicos e materiais termossensíveis .

Volátil inativo por matéria orgânica, inflamável, opacifica acrílico, resseca plásticos e pode danificar o cimento das lentes dos equipamentos ópticos; deve ser armazenado em áreas ventiladas. Irritante para pele e mucosas, vida útil diminuída quando diluído (efetivo por 14 a 28 dias, dependendo da formulação)

Glutaralde ído

2%

Imersão, durante 30 minutos

Alto nível

Bactericida, fungicida, viruscida, micobactericida e esporicida

Hipoclorit o de sódio

1%

Médio

Bactericida, fungicida, viruscida e esporicida.

Ácido peracético

0,001 a 0,2%

Imersão, durante 30 minutos. Superfícies com matéria orgânica, aplicar 2 a 5 minutos a proceder à limpeza Imersão, durante 10 minutos

Alto

Bactericida, fungicida, viruscida e esporicidas

Não forma resíduos tóxicos, efetivo na presença de matéria orgânica, rápida ação em baixa temperatura

Instável, corrosivo, inativado na presença de matéria orgânica.

Instável quando diluído. Corrosivo para alguns tipos de metais, ação que pode ser reduzida pela modificação do PH.

ASSEPSIA Método de exclusão total de microorganismos, realizadas em objetos inanimados e superfícies. ANTISSEPSIA Compreende a tentativa de destruir microorganismos patogênicos em tecidos vivos, como cavidade bucal pele e mãos, por meio de substâncias anti-sépticas. Temos por exemplo a Clorexidina de 2 a 4%, soluções a base de PVPI a 10%, que são anti-sépticos extra-bucais.

NORMAS DE BIOSSEGURANÇA Procedimentos no início do dia:


Lavar as mãos; Colocar o E. P. I.; Limpar e desinfetar as pontas de alta e baixa rotação; seringa tríplice, alças do foco, pontas do fotopolimerizador, e todos os equipamentos possíveis de contaminação durante o atendimento; Acionar a caneta de alta por 30 segundos; Usar coberturas descartáveis nas pontas e locais de possível contaminação; Colocar um saco plástico como lixo individual; Colocar a bandeja estéril sobre o equipo; Lavar as mãos novamente e calçar luvas. Procedimentos entre pacientes: Retirar e descartas as luvas; Lavar as mãos; Colocar a luva de borracha; Retirar as coberturas descartáveis; Acionar a caneta de alta rotação por 15 segundos; Friccionar álcool 70% nas pontas e em todos os equipamentos passíveis de contaminação; Recolocar as coberturas descartáveis; Trocar o saquinho de lixo individual; Limpar e desinfetar a cuspideira; Trocar o sugador; Recolher a bandeja para a pré lavagem; Repor outra bandeja estéril; Retirar as luvas de limpeza; Lavar as mãos; Colocar luvas de procedimento. Procedimentos no final do dia: Repetir os procedimentos entre pacientes; Lubrificar as canetas de alta e baixa; Desligar o compressor e todos os equipamentos elétricos e eletrônicos (possíveis de serem desligados). Obs. Essas medidas devem ser tomadas rotineiramente.


Lavagem do avental (jaleco) Deve ser transportado em sacos plásticos, lavado separadamente em um recipiente destinado a esse fim e separado de outras roupas.

MONITORAMENTO DO LIXO ODONTOLÓGICO A auxiliar e o cirurgião dentista devem dispensar cuidados especiais para todos os tipos de lixo produzidos no consultório odontológico, pois no lixo podem estar presentes inúmeros agentes infectantes que facilmente poderão causar uma possível infecção cruzada. Devemos seguir corretamente as orientações que os serviços de saúde pública determinam, gerenciando os resíduos gerados nos serviços odontológicos, diminuindo assim os riscos à saúde pública e ocupacional. O responsável técnico deve implantar um plano de gerenciamento de acordo com o estabelecido na RDC/ANVISA nº 306 de 07 de dezembro de 2004. Os resíduos podem ser classificados em biológicos, químicos, perfuro cortantes ou comuns. Procedimentos com o lixo Lixo contaminado – é formado por resíduos com possível presença de agentes biológicos, ou seja, tudo aquilo que teve contato com a saliva, com sangue ou com secreções durante o atendimento odontológico. Esse lixo deve ser acondicionado em saco branco leitoso que deve ser substituído quando atingirem 2/3 (dois terços) de sua capacidade, ou pelo menos uma vez a cada 24 horas, de acordo com as normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). A cada paciente o saco de lixo individual (lixo produzido por cada paciente), deverá ser trocado e também acondicionado em saco branco leitoso que será recolhido por empresas específicas regulamentadas pela Vigilância Sanitária para ser incinerado em local destinado a esse fim. Resíduos químicos – são resíduos que contem substâncias químicas e podem apresentar risco à saúde pública ou ao meio ambiente. Restos de amálgama devem ser acondicionados em recipientes tampados contendo água e deverão ser recolhidos por empresas especializadas, assim como restos de revelador e fixador e também as películas que necessitem de descarte. Devido a sua origem químicas esses produtos quando jogados no meio ambiente (por exemplo – jogados no ralo da pia), podem contaminar a água e o solo trazendo prejuízo à população. Resíduos perfuro cortantes – são aqueles resíduos que podem cortar ou perfurar a pele ou mucosa, como: limas endodônticas, lâmina de bisturi, agulhas, brocas, etc. Devem ser acondicionados em recipientes rígidos, com tampa vedante, estanques e resistentes a ruptura. Esse resíduo deve preencher apenas 2/3 (dois terços) do volume do recipiente, como indica a embalagem. Resíduos comuns – são equiparados aos resíduos domiciliares, podendo ser compostos por copos descartáveis, lixo de banheiro, de escritório e de cozinha. Esse lixo poderá ser acondicionado em sacos de lixo comum e será recolhido da mesma forma que o lixo residencial.

PROCEDIMENTOS RECOMENDADOS EM CASO DE EXPOSIÇÃO A MATERIAL BIOLÓGICO Conduta após acidente com material Pérfuro cortante.


1 – Mantenha a calma. Você tem cerca de duas horas para agir. Segundo o Ministério da Saúde (Brasil 1996), as quimioprofilaxias contra HBV e HIV devem ser iniciadas até duas horas após o acidente. Em casos extremos, pode ser realizada até 24 a 36 horas depois. Após esse período de tempo, sua eficácia para o HIV é discutível. Nos acidentes de alto risco para HBV, a quimioprofilaxia pode ser iniciada até uma a duas semanas depois. a. O risco de transmissão ocupacional para o HIV para o trabalhador de saúde após exposição percutânea é estimada em 0,3% após exposição mucocutânea em 0,09%. b. Para hepatite B, o risco para o profissional depende da situação do paciente fonte. c. Se o fonte for HBsAG e HBeAG positivos o risco varia de 22% a 31% para desenvolver doença clínica e de 37% a 62% para conversão sorológica. d. 2 – Lave exaustivamente com água e sabão o ferimento ou a pele exposta ao sangue ou fluido orgânico. a. Lave as mucosas com soro fisiológico ou água em abundância; não provoque maior sangramento do local ferido e não aumente a área lesada. b. Você poderá usar anti-sépticos tópicos como PVPI ou álcool 70%. c. Não utilize agentes cáusticos ou injeção de anti-sépticos. d. 3 – Dirija-se imediatamente ao Centro de Referência no atendimento de acidentes ocupacionais com material biológico da sua região. a. Nesse local, deverá ser comunicado o fato ao Técnico de Segurança do Trabalho. b. Preencher o inquérito de notificação e emitir a Comunicação de Acidente de Trabalho – CAT. c. O ideal é que o acidentado e as condições do acidente sejam avaliados por uma equipe profissional.

4 – Obtenha do paciente fonte uma anamnese recente e detalhada sobre seus hábitos de vida, história de hemotransfusão, uso de drogas, vida sexual, uso de preservativos, passados em presídios e manicômios, história de hepatite e DSTs e sorologias anteriores, para analisar a possibilidade de situá-lo numa possível janela imunológica.

5 – Leve sua carteira de vacinação ou informe sobre seu estado vacinal e dados recentes de sua saúde, sorologias anteriores, etc.

6 – Deverá ser solicitada pelo médico a coleta de amostras de sangue seu e do paciente-fonte. a. Obs: o paciente-fonte pode recusar-se a se submeter à realização da sorologia para o HIV. Caso isso ocorra, deve-se considerar o paciente como sendo soropositivo e com alto título viral.


7 – Caso o quadro caracterize situação de risco, as quimioprofilaxias contra o HBV e o HIV serão iniciadas. 8 – O profissional acidentado, em uso de quimioprofilaxia antiretroviral, deverá retornar à consulta médica semanalmente, ou conforme protocolo de serviço, para acompanhamento clínico dos sinais de intolerância medicamentosa. 9 – Se durante o acompanhamento acontecer novo acidente com o funcionário, ele deverá submeter-se ao protocolo novamente sendo, desconsiderado todos os procedimentos já realizados. 10 – Nos casos em que ocorrer a soroconversão para HIV ou HBV o funcionário será encaminhado ao médico do trabalho para as orientações legais e a um centro de referência para o acompanhamento e tratamento necessário. ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS E CONCEITUAIS SOBRE HEPATITES

Hepatite A Doença contagiosa que se dissemina por contato entre pessoas ou por ingestão de alimentos ou água contaminada com vírus. Uma pessoa com Hepatite A pose excretar o vírus até 7 dias antes de aparecer qualquer sintoma, podendo disseminar a doença em seu meio ambiente. Pode ser previnida por vacina. A evolução quase em sua totalidade é benigna, não evolui para forma crônica e o paciente apresenta cura após o desenvolvimento dos sinais e sintomas. Hepatite B Cinqüenta por cento das infecções agudas são subclínicas; Menos de 1% dos casos é da forma fulminante com alta letalidade (80%); Risco de contaminação: sangue, urina, suor, sêmen, secreções vaginais e nasofaringeanas; Maior concentração do vírus é no sulco gengival; A probabilidade de infecção pelo vírus da Hepatite B após exposição percutânea é maio que o de infecção de HIV; Risco de Aquisição por meio de acidente perfuro cortante com sangue sabidamente contaminado varia de 6 a 30% Hepatite C Causa um estrago devastador no fígado e pode evoluir para cirrose ou câncer; Não existe vacina; Segundo a OMS existem seis vezes mais brasileiros com Hepatite C do que com AIDS;


Pode levar de 10 a 30 anos para se manifestar.


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