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QUE VENHA 2014, MAS O QUE É ESPERADO PARA DAQUI A 10 ANOS?

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o início de 2014 a revista Industria News, que está com uma cara nova, direciona suas expectativas para mais um ciclo de crescimento da cidade de Sorocaba e pergunta

para diversos cidadãos expoentes de áreas variadas o que esperam para a cidade em 10 anos. As respostas foram inúmeras, cada qual em sua área e com expectativas diversas, hora positivas, hora negativas. O que é certo é que haverá crescimento. Segundo a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), Sorocaba e região são as mais procuradas por empresas que desejam fazer investimentos no Estado de São Paulo, que chegam a US$ 1,8 bilhão, ou R$ 3,4 bilhões. No geral, a esperança é a mesma, de que Sorocaba torne-se cada vez melhor e não descambe para casos já conhecidos como Campinas e São Paulo, mas com opiniões detalhadas e incisivas que valem a pena serem lidas. Além de outros conteúdos e rostos novos que trazem mais conhecimento para quem le a melhorada Industria News. Assim brindamos a chegada de 2014 e toda a equipe espera que este seja um ano muito produtivo e de grandes ganhos para a cidade e seus cidadãos. Boa Leitura!

Diretor Geral: Jurandir Pires Corrêa | Diretora de Redação: Cleusa Corrêa Diretor de Projetos Especiais: William Pires Corrêa Textos: Tom Rocha MTB 53.412 e Larissa Vasconcelos MTB: 53.012 Diagramação e Tratamento: Rodrigo Miranda Distribuição: Alvorada Log | Impressão: Gráfica Paratodos REVISTA INDÚSTRIA NEWS é um produto desenvolvido pela empresa, Razão Social: William Pires Corrêa EPP.

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SOROCABA 2024 O que cidadãos sorocabanos esperam para a cidade que se desenvolve a cada dia

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o ápice de seu desenvolvimento, Sorocaba tem mais de 700 mil pessoas vivendo em seu território, de acordo com últimas estimativas do IBGE. São 449 mil quilômetros quadrados que comportam a 5ª maior cidade em desenvolvimento econômico no Estado de São Paulo, com mais de 2 mil empresas industriais aqui instaladas e uma produção industrial que chega a mais de 120 países. Isso sem contar com outras 22 mil empresas instaladas em solo sorocabano. A frota de carros chega a ultrapassar quatro vezes a população economicamente ativa. São cerca de 1.100 condomínios verticais e de 300 a 400 condomínios horizontais, em aproximadamente 50 bairros que formam a cidade de Sorocaba. O ano de 2024 começará no primeiro dia da semana, num domingo, e terminará num domingo também. São 365 dias em que Sorocaba estará de outra maneira, com todas as suas qualidades e problemas afetados por 10 anos de evolução a partir de agora. O que podemos esperar de nossa indústria, comércio e cotidiano? Os próximos 10 anos exigirão de cada um de nós visão para se posicionar diante dos problemas da volatilidade, em meio às incertezas que a evolução tecnológica traz com seus desafios, que deverão ser vencidos mesmo sendo incertos e instigantes. Uma coisa é certa. Cresceremos. Sorocaba e região são as mais procuradas por empresas que desejam fazer investimentos no Estado de São Paulo. Essas são as informações contidas na Pesquisa de Investimentos Anunciados no Estado de São Paulo (Piesp), feita pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade). Os valores chegam a um total de US$ 1,8 bilhão, ou R$ 3,4 bilhões, que deverão ser aplicados na economia da região, considerando os anúncios feitos pelas indústrias e empresas da iniciativa privada no ano passado. Sorocaba fica atrás apenas da Grande São Paulo, Campinas, Baixada Santista e região de São José dos Campos. É a terceira maior do Estado de São Paulo. A Toyota é a responsável pelo maior investimento. Já conta com uma fábrica de automóveis em Sorocaba e uma futura unidade de fabricação de motores em Porto Feliz está sendo planejada para 2015, com investimentos de US$ 492,8 milhões, o que em reais dá mais de R$ 1 bilhão. São 42% do total de recursos anunciados, numa área próxima à fábrica de Sorocaba, localizada na Rodovia Castelo Branco. A JCB, uma empresa britânica de fabricação de escavadeiras e

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retroescavadeiras, está em funcionamento desde setembro do ano passado em Sorocaba e seu investimento foi de US$ 100 milhões - R$ 222,78 milhões. Uma gestão de oito anos focada no desenvolvimento da área industrial é fruto de Vitor Lippi. “Sorocaba apresentou nos últimos anos um crescimento econômico maior que a média nacional e superior aos índices do Estado de São Paulo. Nos últimos 8 anos foram criados 80.000 novos empregos e nosso índice de desemprego é de apenas 3%, um dos menores do país. Nosso carro chefe de economia é a indústria, que alavanca os outros setores. Portanto Sorocaba hoje está bem, mas e daqui a 10 anos? Esta é a grande questão.”, devolve a pergunta o ex-prefeito e atual presidente do Parque Tecnológico de Sorocaba. “Com o mundo competitivo de hoje, as indústrias tem que melhorar seus produtos, inovar processos, aumentar a competitividade. Portanto a necessidade da inovação, da pesquisa é questão de sobrevivência. O Parque Tecnológico de Sorocaba é um investimento e um compromisso com o futuro e deverá se transformar em um grande centro de negócios de tecnologias e um dos maiores centros de pesquisa e inovação do Brasil. Sorocaba está se preparando para o futuro, fomentando a nova economia do conhecimento”. Lippi destaca que, apesar do Brasil ser a 6º economia do mundo, está atrasado no ranking da inovação, sendo apenas a 50º nação nesse quesito. “A indústria necessita de mão de obra qualificada, de infraestrutura, de logística e de inovação. Além disto, ainda temos no Brasil as barreiras quanto gradativo do custo da mão de obra e, portanto do custo de produção, elevadas cargas tributárias além de uma grande burocracia, fatores que prejudicam nossa competitividade”. “Esperamos que em 10 anos estejamos no patamar dos grandes Parques Tecnológicos do mundo. O Parque Tecnológico de Sorocaba funciona como um ecossistema de inovação. Temos uma área de mais de um milhão de metros quadrados, esperamos estar com dezenas de laboratórios externos construídos e transformando toda a região como um polo de desenvolvimento”, afirma o ex-prefeito. O secretário de Desenvolvimento Econômico de Sorocaba, Geraldo Almeida, relata que a qualidade de vida oferecida atualmente na cidade, a infraestrutura, logística e a mão de obra disponível por aqui são alguns atrativos que


saltam aos olhos dos empresários, quando decidem investir no município ou na região. O economista e professor da Universidade de Sorocaba, Lincoln Diogo Lima, também exalta esses números que, segundo ele, demonstram que nos últimos anos muitas indústrias se mudaram para Sorocaba, deixando grandes polos industriais como o de São Paulo e Santos. A Fundação Ubaldino do Amaral tem como presidente Laelso Rodrigues, um dos pioneiros na visão de futuro da cidade. Empresário por muitos anos do ramo têxtil mecânico, ele ajudou a construir a zona industrial de Sorocaba, há mais de 50 anos. “Já pensávamos que Sorocaba podia ser um parque industrial de altíssima qualidade. Hoje são 22 cidades que praticamente junto com Sorocaba formam uma região metropolitana muito rica. As empresas crescem num ritmo fantástico. Torço para que isso se mantenha nesses 10 anos que virão. O foco é criar essa região metropolitana. O Governo Estadual tem que estar conosco nessa”, contempla, com propriedade. Em 1968, ele foi nomeado Presidente da Comissão de Desenvolvimento Industrial pelo então prefeito Antônio Pannunzio. O ex-governador do Estado de São Paulo, José Serra, partilha da mesma opinião do Parque Tecnológico e dos 10 anos de futuro de Sorocaba. “Tenho certeza que Sorocaba se tornará grande. Ela tem uma característica especial, na região também. Aqui você investe, frutifica. Em outros lugares não funciona. Cria-se um círculo virtuoso, pois coisa boa atrai coisa boa. Precisa aproveitar bem”. A deputada federal Maria Lucia, do PSDB, uma das representantes de Sorocaba na Câmara, acha o nosso futuro promissor. “Sorocaba tem um futuro bastante promissor. A cidade é uma das principais do Estado de São Paulo em vários aspectos, e nos próximos anos essa característica deve ficar ainda mais acentuada com a criação da Região Metropolitana de Sorocaba, que irá reforçar a cidade em um polo de desenvolvimento regional”. Ela acredita que pelo crescimento da população, aspectos como mobilidade urbana e consequentemente o setor da habitação com certeza irão mudar nos próximos 10 anos. “A indústria com certeza será o carro-chefe para o desenvolvimento. De acordo com pesquisas recentes, a região se mostra como uma das mais procuradas por empresas que desejam fazer investimentos em SP. Além disso, a região de Sorocaba é apontada como uma das três que mais crescem no Estado, e tem participação considerável no crescimento da indústria nacional, por fatores como a localização privilegiada – está próxima a São Paulo –, sistema viário planejado, projetos de urbanização, entre outros”, diz a deputada.

Fernando de Sá Del Fiol é atualmente o Reitor da Universidade de Sorocaba. Foi Pró-Reitor de Extensão e Assuntos Comunitários da Universidade de Sorocaba (20062009) e Coordenador do Curso de Farmácia (2002-2006). Fez mestrado, doutorado e pós-doutorado em Farmacologia na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Em 2009 e 2011 fez aperfeiçoamento em Doenças Infecciosas na Universidade de Harvard (EUA). “O ensino superior no Brasil caminha a passos largos. Temos ainda índices inferiores à Argentina e ao Chile, quanto ao número de jovens de 17 a 25 anos no ensino superior. Mas temos crescido muito nos últimos anos no número de vagas disponíveis no Brasil. Um país que vislumbra crescimento precisa, necessariamente, fundamentar-se em educação”. O reitor considera que a maneira de transmissão do conhecimento irá mudar em 10 anos, pois a sala de aula, como é agora, tem centenas de anos - um professor, diversos alunos e uma lousa. “As ferramentas alcançadas com a internet mudarão de forma significativa a disseminação e a transmissão das informações”. Além da formação de pessoal técnico, as universidades têm obrigação de investir muito em pesquisa, aponta Del Fiol. “A vinda do Parque Tecnológico será fundamental nesse processo de compartilhamento de informações entre universidades e setor produtivo. A indústria deve estar a serviço do homem. Deve, por meio de seus produtos, melhorar a qualidade de nossas vidas, mas, para isso, deverá respeitar os limites ambientais e de qualidade de vida de seus trabalhadores”. Direito dos trabalhadores é uma especialidade de Márcio Tomazela, atualmente responsável pela unidade da Advocacia Tomazela e Associados na cidade de Sorocaba. Ele foi Secretário de Trabalho em Sorocaba de 1993 a 1996. “No futuro a tecnologia estará muito mais rápida, muito mais ágil, mais dinâmica. Os problemas de conciliação serão resolvidos mais rapidamente devido ao processo eletrônico. Isso será o futuro dos trabalhadores e patrões”. O advogado considera que Campinas será superada, e que Sorocaba tem um diferencial em relação a outras cidades que a colocará apenas atrás de São Paulo no Estado. “Somos um povo trabalhador, amável. Esse ano grandes shoppings foram feitos, há toda uma massa humana se concentrando na cidade à espera de oportunidades e disso só podemos esperar o melhor”. O analista de logística, José Carlos de Castanho Moraes Júnior, 25 anos, espera estar com o emprego consolidado dentro de 10 anos. “Eu atualmente não sairia de Sorocaba. Creio que tudo melhorará com o tempo, menos a nossa movimentação urbana. A cidade não está preparada para tantos veículos, 10 anos é um tempo muito curto para se resolver isso”.

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De trabalho Allan Thiago Ramos Veiga, 28 anos, sabe bem. Há sete anos na empresa Tecsis, uma das maiores de Sorocaba e no limiar da tecnologia de energia eólica do mundo, ele acha que Sorocaba será a galinha dos ovos de ouro no futuro. “Só não vai crescer mais que Campinas. O fluxo de pessoas, as indústrias, o poder aquisitivo, tudo aumentará. Tenho grandes esperanças no futuro dentro de dez anos”, diz. Ramos está no terceiro ano de Engenharia Mecânica e trabalha como analista de qualidade. O professor Nobel Penteado de Freitas, Coordenador do curso de Gestão Ambiental e do Núcleo de Estudos Ambientais da Uniso (Neas) também considera que Sorocaba cresce muito mais que qualquer outra em volume de indústria e de imóveis. “Este panorama, certamente reflete em um aumento de população, de frota de veículos, de impactos ambientais e de demanda pelo uso de serviços públicos ou não e de recursos naturais. Assim, vejo Sorocaba num horizonte de alguns anos como uma cidade de economia forte e população entre 800.000 a 1 milhão de habitantes com uma série de fatores positivos e negativos para o seu dia a dia. Como positivo certamente teremos uma grande rede de serviços oferecendo inúmeras opções de atendimento e consumo para a população local e regional, além da boa oferta de empregos gerados pelos serviços e também pela indústria. Porém, me parece que Sorocaba não esta se preparando adequadamente para enfrentar alguns impactos deste crescimento, como a questão dos transportes, que já é um problema na atualidade e no meio ambiente, onde não temos uma política clara de conservação ambiental”. O professor cita uma não-arborização urbana de boa qualidade e que possa oferecer os serviços de melhoria microclimática, e uma preservação ambiental e composição paisagística planejada ao longo de toda a cidade. Também não se observa uma preocupação muito grande com a impermeabilização do solo e suas consequências futuras sobre as enchentes. Outro sério problema ambiental apontando por ele se relaciona com a questão dos resíduos sólidos, onde não se tem um programa eficiente de coleta seletiva, de coleta de produtos perigosos como lâmpadas fluorescentes e não se tem também um projeto para o futuro tratamento dos resíduos sólidos urbanos, que tendem a aumentar em volume na mesma proporção em que o município cresce. “Outro fator que considero como muito preocupante, é a questão do abastecimento de água, para o qual o município depende em cerca de 80% de fontes externas como Itupararanga. Neste ponto já se fizeram alertas sobre a fragilidade de Itupararanga há mais de 20 anos, e nenhuma atitude que resultasse em ações efetivas de conservação deste manancial foram tomadas, pois sabemos que ano a ano a qualidade da água de Itupararanga esta piorando e este fator pode prejudicar bastante a qualidade de vida no futuro em Sorocaba”.

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“A indústria em Sorocaba esta intimamente ligada ao funcionamento da cidade, seja atraindo investimentos em serviços, abrindo postos de trabalho e agregando novos habitantes, seja estimulando a abertura de novas escolas e universidades ou contribuindo com a arrecadação de impostos entre outras relações. Assim, para sua própria sobrevivência e bom desempenho a indústria deve se preocupar com todos os problemas já citados, pois eles terão um impacto direto no setor industrial. Acredito que seja possível o município de Sorocaba crescer um pouco mais, mas para garantir uma boa qualidade de vida, ações urgentes de controle e planejamento urbano devem ser tomadas, sob pena desta boa qualidade de vida observada hoje ser perdida”. Josefina Tranquilin possui graduação em Ciências Sociais (1986), mestrado em Ciências Sociais/Antropologia (1999) e doutorado em Ciências Sociais/Antropologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2007). Atualmente é professora da Universidade de Sorocaba/ UNISO, e na Escola Superior de Administração Marketing e Comunicação Social - ESAMC/Sorocaba. Antropóloga, ela é incisiva em seus argumentos sobre o futuro. “Engraçado, sempre que alguém me pergunta sobre o futuro, eu me lembro de um pensador chamado Bauman, que eu adoro. Ele diz que vivemos em um mundo de grandes e rápidas mudanças, que não conseguimos fazer planejamentos futuros, já que o futuro é aqui e agora, pois vivemos na pósmodernidade. As coisas mudarão sim, mas a essência dela, eu não tenho muita certeza se haverá alguma mudança para melhor. Olho para essa cidade e, sinceramente, fico desesperada ao me perguntar. Se não nos mexermos e se o poder público não se renovar, estaremos vivendo em uma cidade que será o caos. Campinas e São Paulo já provaram isso e me parece que estamos indo no mesmo caminho”, pondera com pessimismo. A antropóloga considera as indústrias fundamentais na melhoria da qualidade de vida da população, mas acha que falta investimento em responsabilidade social. “Isso ainda não é pensado de forma planejada pelas indústrias de Sorocaba. Para cumprir a lei que exige investimento nessa área, as indústrias doam cestas básicas, por exemplo, e já acham que isso é responsabilidade social. Isso é assistencialismo. Responsabilidade social é muito mais que isso, mas, infelizmente, os departamentos de Marketing das empresas, não conseguem pensá-la como algo planejado, extremamente necessário. Nos países como França, EUA, 90% das pesquisas universitárias são financiadas pela indústria, isso não ocorre no Brasil e em Sorocaba, então, esses convênios são irrisórios”. “Acredito que se não começarmos a resolver os problemas de hoje, como saúde, transporte, meio ambiente, mobilidade urbana, desigualdade social, educação, etc., que


levam a outros problemas como a violência, o tráfico e a violência famíliar”. Problema esse que em muitos aspectos envolvem segurança pública. O comandante do Comando de Policiamento do Interior-7, coronel Cesar Augusto Feliciano, que comanda de Sorocaba, a sede do CPI-7, a Polícia Militar de 79 cidades com aproximadamente 4 mil PMs, não pensa em criminalidade no futuro da cidade. E prefere citar como a PM trabalhará integrada com a população. “Sorocaba é uma cidade muito em evidência, e isso traz muitas vantagens e desvantagens. Creio que a participação da comunidade será muito importante dentro de dez anos. O serviço da PM tem que ter conformidade com isso, tem que ser única com a sociedade. A estratégia é sempre participativa, com pessoas e entidades. É aí que reside o futuro”, observa, concordando com o próximo entrevistado. As entidades, o chamado terceiro setor desempenhará papel crucial no futuro. É o que avalia o professor Dr. Vanderlei da Silva, Presidente do Conselho Municipal de Assistência Social de Sorocaba, Presidente da Comissão de Direito do 3º Setor da OAB Votorantim e da UNIONG – União das Organizações. “A principal atitude positiva por parte das indústrias e das ONGS é adotar a Responsabilidade Social, a ética e a moral como requisito fundamental da sua gestão. Estamos vendo o surgimento de uma população que tem consciência dos seus direitos e deveres, por isso não admite a existência de organizações que não coloquem a preocupação com as questões sociais e ambientais como prioritárias”. “Percebemos que o sistema capitalista globalizado tem produzido uma grande transformação social, sendo que de uma forma geral esse processo tem contribuído para um crescimento desordenado das cidades e de uma grande massa de pessoas excluídas. Porém, existem exemplos de experiências que são bem sucedidas e que fazem uma diferença positiva. Dessa forma, entendo que o futuro de Sorocaba nos anos vindouros pode ser melhor”, diz com esperança Vanderlei. Sua visão de mudanças em dez anos foca as que terão mais idade até lá. “Observando os dados divulgados pelo IBGE e conhecendo a experiências de outras cidades, principalmente da Europa, fica nítido que teremos uma população com um número maior de pessoas idosas, o que

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requer políticas públicas voltadas para esse grupo social”. A probabilidade é que surjam novos problemas e, também, o agravamento de alguns problemas que hoje já se avistam, afirma Vanderlei. “Cada vez mais percebemos a necessidade da atuação em rede de organizações, pois a atuação de cada setor da economia produz algum tipo de impacto que afeta o outro. Por esse motivo, o setor industrial deve se preparar para dialogar com o Primeiro Setor (Governo) e com o Terceiro Setor (Sociedade Civil Organizada), pois as ações do Segundo Setor (mercado) impactam de uma forma direta nas relações sociais”. “As ONGS, como um setor, terá condições de diagnosticar os problemas e participar das soluções dos mesmos, principalmente, pelo seu envolvimento direto com a população e pela sua flexibilidade de gestão”, finaliza o Presidente da UNIONG. José Rubens é um dos maiores historiadores da cidade de Sorocaba e diretor da Biblioteca Infantil Municipal de Sorocaba. “Acredito que é o momento de se trabalhar o crescimento de qualidade de vida de nossa cidade, no respeito ao ser humano, gente que produz, cria, transforma, dedica significativa parcela de sua vida ao trabalho. Que o trabalhador da indústria seja respeitado de forma digna, com investimentos na sua estrutura e condições de trabalho, na melhoria de qualidade de vida. Sem esse respeito, nada se constrói. Quero investimentos mais pesados em educação, ampla, plena, com profissionais respeitados, decentemente remunerados, estruturas dignas do processo educativo estarão investindo também na saúde, no trânsito, no respeito ao ser humano, na ética, em todos os setores da sociedade”. “Eu vejo Sorocaba como uma grande casa, com infinitos cômodos. Alguns melhores equipados, outros, ainda no abandono ou abandonados. E a nossa casa Sorocaba é um todo feito de partes. Se ainda existem cômodos doentes, insalubres, carecendo de auxílio, essa casa não se ilumina, não é habitável. É questão de ver e consertar. Que ela seja acolhedora, ampla, arejada, iluminada com as cores, os sabores e a vida de cada morador. Assim, construiremos não a nossa casa, mas nosso lar. Que todos possam usufruir de trabalho digno, saúde e educação eficientes, acesso à cultura, segurança, transporte, enfim todos os benefícios de uma cidade comprometida com sua população”, encerra a questão, com esperança, o historiador José Rubens.

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SOROCABA IMÓVEIS COMPLETA 15 ANOS COM OBJETIVOS ALCANÇADOS O empresário Sergio Jacinto fala dos empreendimentos lançados pela empresa e do mercado sorocabano e suas possibilidades de investimento

Sergio Jacinto

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Sorocaba Imóveis, que atua no mercado de imóveis, com objetivo principal de criar e gerir empreendimentos imobiliários, completa 15 anos em Janeiro deste ano. Segundo o empresário Sergio R. Jacinto, que está à frente da empresa, os resultados buscados por ele e pela equipe desde a fundação da empresa até hoje foram alcançados. “O nosso trabalho resultou em loteamentos residenciais, rurais e industriais, com projetos prediais e de condomínios residenciais, além de forte atuação no mercado de terceiros para compra, venda e administração. Hoje a empresa é referência em loteamentos na cidade, prestando assessoria a várias empresas loteadoras, que recebem consultoria profissional desde a detecção de projetos até a execução e comercialização dos mesmos”. Jacinto também é um incansável entusiasta das causas beneficentes. Dos projetos que participa, o de maior destaque é

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a Associação Beneficente Antônio José Guarda (AJG), da qual é fundador e atual presidente. Na Associação AJG o empresário, junto com colaboradores voluntários, desenvolve projetos de educação profissionalizante. Para isto, a Associação conta com a parceria da Escola SENAI de Sorocaba e também do Instituto Coca-Cola, entre outras instituições, que lá desenvolvem cursos gratuitos, formando jovens aprendizes para diversos setores de nossa economia, além de formar profissionais para atuação na construção civil em parceria com o SENAI/PRONATEC. A experiência adquirida durante os anos de trabalho na cidade faz Jacinto afirmar que o mercado sorocabano não vai parar tão cedo, e que o desenvolvimento dos últimos anos só tende a crescer. “Sorocaba cresce a números espantosos, muito acima da média nacional. Exemplo disso está a chegada de diversas empresas de grande porte como a Toyota, a Fiat Case e todas as sistemistas que dão aporte de produção a estas empresas e a outras tantas já instaladas no município. A inauguração dos vários Shoppings, a criação do Parque Tecnológico que contribui com aumento significativo das instituições de ensino superior na cidade e a recente criação da Região Metropolitana, são o prenúncio de novos investimentos e desenvolvimento com base sólida”, destaca. Para ele, este crescimento afeta diretamente o mercado imobiliário. “Quanto maior o desenvolvimento, mais profissionais são inseridos no mercado de trabalho, e maiores são as necessidades de moradia, escola, saúde, transporte, etc.. É uma corrente, uma engrenagem que não vai parar tão cedo”. O fato de o mercado estar em livre ascensão faz tudo valorizar e para Jacinto a hora de investir é agora, mas o investidor deve tomar cuidado. “O investidor, seja grande ou pequeno, deve estar atento as oportunidades de mercado, aos empreendimentos que são lançados, aos novos rumos da cidade. Mas, antes de tudo, procurar investir em empresas sólidas, com história de sucesso e credibilidade na cidade ou região que estarão investindo”, alerta. Os empreendimentos, em contrapartida, não devem apenas serem construídos de qualquer maneira, mas serem pensados no público alvo para que funcione. “Os empreendimentos tem que ser bem planejados, de forma que atinjam todas as classes de mercado, desde os de alto padrão, como no nosso caso o Saint Patrick, aos populares como o Santa Marta. Além de em todos os setores, com loteamentos industriais e também de lazer”, ressalta Jacinto.


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Por Antonio Carlos V. Campos

ERRO HUMANO MODELOS E GESTÃO descuido, negligência e imprudência. As contramedidas associadas são direcionadas, principalmente à redução das alterações indesejadas do comportamento humano. Estes métodos incluem campanhas com cartazes que apelam para o medo das pessoas, para escrever um outro procedimento (somando-se aos já existentes), para medidas disciplinares, ameaça de litígio, reciclagem, nomeando, culpando e envergonhando. Seguidores dessa abordagem tendem a tratar os erros como questões morais, assumindo que coisas ruins acontecem a pessoas más.

Antonio Carlos V. Campos

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comportamento e as atitudes dos colaboradores da linha de frente das organizações estão rapidamente se tornando prioridade para a indústria. Assim como em outras áreas em que há relação homem-máquina, a maioria dos incidentes e acidentes industriais são causados por erro humano, mesmo naqueles processos altamente automatizados. Você já se perguntou como o erro e o comportamento das pessoas afetam o projeto e a execução de processos industriais? Recentemente a Unilever reconheceu em relatório entregue à ANVISA e ao Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor que a alteração do conteúdo de seu suco de maçã da marca ADES foi uma falha no processo de higienização da linha de envase causada por erro humano. O problema do erro humano pode ser visto pela abordagem da pessoa, numa visão mais tradicional e generalizada, que vem de longa data e foca nos erros e violações individuais das pessoas da linha de frente dos processos. Essa abordagem vê esses erros como decorrentes, principalmente, de processos mentais falhos como esquecimento, desatenção, falta de motivação,

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A abordagem do sistema Atualmente há uma abordagem mais moderna e eficiente que vê o erro humano como um ato inseguro ocorrido dentro do sistema. A premissa básica na abordagem do sistema é que os seres humanos são falíveis e os erros são esperados, mesmo nas melhores organizações, ou seja, como errar é humano, os erros fazem parte de qualquer sistema ou organização onde há interação homem-máquina e não podem ser eliminados totalmente. Os erros são vistos como consequências ao invés de causas, tendo suas origens não na perversidade da natureza humana mas nos fatores sistêmicos, fatores estes que incluem armadilhas comportamentais e influências organizacionais que lhes dão origem. Medidas preventivas são baseadas no pressuposto de que, embora não possamos mudar a natureza humana, podemos mudar as condições nas quais os seres humanos trabalham. A ideia central é a de criar barreiras, salvaguardas ou defesas para o sistema se proteger dos eventuais erros. Nesse caso, quando um evento adverso ocorre, a questão importante não é quem errou, mas sim saber como e porque as defesas falharam para que possam ser aperfeiçoadas. Cada uma dessas abordagens tem o seu modelo de causas para o erro e cada modelo dá origem a diferentes filosofias de gestão do erro. Entender essas diferenças tem implicações práticas importantes para lidar com o risco sempre presente de ocorrências na prática industrial. A abordagem da pessoa permanece a tradição dominante na indústria, assim como em outras áreas. Apesar de considerada ultrapassada por estudos acadêmicos e práticas mais modernas, ainda é possível, a partir de algumas perspectivas, recomendá-la. Culpar os indivíduos é emocionalmente mais satisfatório do que atingir instituições. As pessoas são vistas como agentes livres, capazes de escolher entre os modos seguros e


inseguros de comportamento. Se algo der errado, a pessoa (ou grupo) deve ser responsabilizado. Exemplo disso é que mesmo hoje, 7 anos após o acidente entre um jato executivo americano e um Boeing da Gol, lembramos os nomes de Joseph Lepore e Jean Paul Paladino, os pilotos do jato, mas alguém se lembra do nome da empresa na qual eles trabalhavam? Buscar desvincular o máximo possível os atos inseguros de uma pessoa de qualquer responsabilidade institucional é claramente do interesse dos gestores. Também é legalmente mais conveniente, pelo menos, no Brasil. No entanto, a abordagem da pessoa tem deficiências graves e não é adequada para diversas áreas. A adesão continuada a esta abordagem é susceptível de impedir o desenvolvimento de instituições e de processos mais seguros. Pela abordagem do sistema é a pessoa jurídica que falha e não a pessoa física. Nenhum profissional se dirige ao trabalho pensando em como irá errar. Seu intuito é o de executar seu trabalho da melhor maneira e ser reconhecido por isso. Mas em qualquer organização as decisões tomadas diariamente, em todos os níveis, nem sempre são as mais corretas. A direção pode falhar na gestão de recursos, nos processos organizacionais ou nas políticas que impactam o clima organizacional. A gerência pode falhar por uma supervisão inadequada, por falha de planejamento ou até por falha em solucionar um problema conhecido. Cada um destes fatores podem influir no desempenho individual de seus colaboradores e, por consequência, no da organização. Essas falhas acabam por fornecer pré-condições para atos inseguros, ou seja, escalas de trabalho que fatigam o operador afetando suas condições físicas e mentais, criação de fatores ambientais ruins como ruídos, vibrações, calor e frio e de práticas de trabalho que não prestigiam a equipe ou uma liderança eficaz. Outro ponto fraco da abordagem da pessoa é que, centrando-se sobre as origens individuais de erro, ele isola atos inseguros do seu contexto do sistema. Como resultado, duas características importantes do erro humano tendem a ser negligenciadas. Primeiro, muitas vezes são as melhores pessoas que cometem o pior erro, pois o erro não é monopólio de uns poucos infelizes. Em segundo lugar, longe de ser aleatório, acidentes tendem a cair em padrões recorrentes. O mesmo conjunto de circunstâncias pode provocar erros semelhantes, independentemente das pessoas envolvidas, ou seja, diante de uma armadilha organizacional, pessoas diferentes cometem os mesmos erros sob as mesmas condições. A busca de uma maior segurança é seriamente dificultada por uma abordagem que não procura remover as propriedades instigantes do erro dentro do sistema em geral. Gestão do erro Uma gestão de riscos eficaz depende essencialmente do estabelecimento de defesas contra as falhas latentes. Para se estabelecer barreiras eficientes e robustas há a necessidade de se formar uma cultura de reportar ocorrências. Sem uma análise detalhada dos acidentes, incidentes e quase acidentes não temos como descobrir as

armadilhas que induzem aos erros recorrentes ou de saber onde está certo limite até que o tenhamos ultrapassado. Mas quando uma pessoa que cometeu um ato inseguro se sente ameaçada pelo sistema, sua reação será de autoproteção e muito raramente contará o que realmente ocorreu. A completa ausência de uma cultura de informação dentro da União Soviética contribuiu decisivamente para o desastre de Chernobyl. A confiança é um elemento-chave de uma cultura de reportes e esta, por sua vez, requer a existência de uma cultura de justiça, ou seja, a compreensão coletiva de onde está traçada a linha entre o ato irrepreensível e aquele condenável. Montar uma cultura de justiça é o primeiro passo na criação de uma cultura de segurança. Nas duas últimas décadas, os pesquisadores em fatores humanos têm estado cada vez mais preocupados com o desenvolvimento das ferramentas de gestão para atos inseguros. A gestão do erro tem dois objetivos: limitar a incidência de erros perigosos que nunca será totalmente efetiva, e criar sistemas mais capazes de tolerar os erros e conter os seus efeitos nocivos. Enquanto os seguidores da abordagem da pessoa dirigem a maioria de seus recursos de gestão para tentar fazer as pessoas menos falíveis ou rebeldes, os partidários da abordagem do sistema lutam por um programa de gestão mais abrangente que visa atingir vários alvos: a pessoa, a equipe, a tarefa, o trabalho, e a instituição. O modelo “Queijo Suíço” de acidentes do sistema Defesas, barreiras e salvaguardas ocupam uma posição-chave na abordagem do sistema. Sistemas de alta tecnologia têm muitas camadas de defesa: algumas são projetadas (alarmes, barreiras físicas, desligamentos automáticos), outras dependem de pessoas (habilidade e disciplina do operador de máquina, médicos, pilotos, operadores da sala de controle) e outras ainda dependem de

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procedimentos e controles administrativos (planejamento, processos, supervisão, etc.). Cada camada pode ser representado por uma fatia de queijo. Quanto mais fatias estiverem juntas, maior será a proteção oferecida. A função de cada “fatia” é a de proteger pessoas e ativos dos riscos locais ao oferecer um controle a certa ameaça. Como essas defesas são desenvolvidas por humanos há sempre pontos fracos. Em um mundo ideal, cada camada de defesa estaria intacta, mas na realidade elas são mais parecidas com fatias de queijo suíço, com vários buracos que, ao contrário daqueles do queijo, estão continuamente se movimentando, abrindo, fechando e mudando sua localização. A presença de buracos em qualquer “fatia” não é causa de um mau resultado. Geralmente, isso só acontece quando os buracos em muitas camadas se alinham momentaneamente e criam a oportunidade para a trajetória do erro cruzar essas defesas e levar ao acidente. Os buracos nas defesas surgem por duas razões: falhas ativas e condições latentes. Quase todos os acontecimentos adversos envolve uma combinação destes dois conjuntos de fatores. Falhas ativas são os atos inseguros cometidos por pessoas que estão em contato direto com o processo do sistema. Eles tomam uma variedade de formas: deslizes, lapsos, erros e falhas de atitudes ou violações. As falha ativas têm um efeito direto e normalmente de curta duração sobre a integridade das defesas. Em Chernobyl, por exemplo, os operadores violaram procedimentos industriais e desligaram sucessivamente sistemas de segurança, criando assim o gatilho imediato para a explosão catastrófica no núcleo do reator. Os seguidores da abordagem da pessoa muitas vezes não procuram mais razões para as causas de um evento adverso, uma vez que identificaram estes atos inseguros e seus atores. Mas, praticamente todos esses atos têm uma origem causal. Condições latentes são as inevitáveis armadilhas residentes dentro de um sistema. Elas surgem a partir de decisões tomadas pelos gerentes, projetistas, construtores de procedimento e gestão de nível superior. Todas estas decisões estratégicas têm o potencial para a introdução de armadilhas no sistema. Condições latentes têm dois tipos de efeitos adversos: podem traduzir-se em erro provocando condições no local de trabalho (por exemplo, pressão de tempo, falta de pessoal, equipamentos inadequados, cansaço e falta de experiência) e eles podem criar buracos ou fraquezas nas defesas (alarmes e indicadores não confiáveis, procedimentos impraticáveis, deficiências de design e construção). Condições latentes, como o termo sugere, podem permanecer dentro do sistema por muitos anos antes de se combinar com falhas ativas e acionar uma trajetória de erro ou criar uma oportunidade de acidente. Ao contrário das falhas ativas, cujas formas específicas são muitas vezes difíceis de prever, as condições latentes podem ser identificadas e corrigidas antes de ocorrer um evento adverso. Compreender isso leva a uma postura proativa ao invés de reativa de gestão de risco. Para usar outra analogia: falhas ativas são como mosquitos da dengue. Eles podem ser golpeados, um por um, mas eles ainda continuam chegando. O melhor remédio para criar

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defesas mais eficazes nesse caso seria drenar os locais, objetos e vasilhas com água parada em que os mosquitos se reproduzem. As águas paradas, neste caso, são as sempre presentes condições latentes. Quem melhor emprega a abordagem do sistema são as chamadas organizações de alta confiabilidade. Uma organização assim utiliza sistemas operacionais que trabalham em condições de alto risco, mas que têm menos eventos adversos do que se poderia supor. Imagine uma missão onde as aeronaves são obrigadas a pousar e decolar de uma pista que além de ser menor que o necessário ainda se desloca e balança. Essa missão tem tudo para dar errado, mas as operações em um porta-aviões são tão ou mais seguras que de qualquer outro aeroporto. O mesmo ocorre com uma usina nuclear, uma UTI médica ou uma planta química. Apesar de tais organizações parecerem uma organização diferente, na realidade não são, apenas seus processos são diferentes e algumas de suas características culturais podem ser copiadas para a área industrial. A maioria dos gestores de sistemas tradicionais atribuem a falibilidade humana à variabilidade indesejada e nos esforçamos, tanto quanto possível para eliminá-la. Nas organizações de alta confiabilidade, reconhece-se que a variabilidade humana na forma de compensações e adaptações às mudanças constantes nos eventos representa uma das salvaguardas mais importantes do sistema. Confiabilidade é “um não-evento dinâmico”. É dinâmico porque a segurança é preservada por oportunos ajustes humanos e é um não-evento porque os resultados bem-sucedidos raramente chamam a atenção para si. Organizações de alta confiabilidade pode reconfigurarse às circunstâncias do momento. No seu modo de rotina são controladas de forma hierárquica convencional, mas em situações de emergência o controle desloca-se para os peritos no local. A organização, uma vez que a crise já tenha passado é novamente revertida de forma transparente para o modo de controle de rotina. Talvez a característica mais importante das organizações de alta confiabilidade seja a sua preocupação coletiva com a possibilidade de fracasso. Eles sabem que vão cometer erros e treinam sua força de trabalho para reconhecer e recuperar-se deles. Eles ensaiam continuamente cenários familiares de fracasso e se esforçam muito para imaginar outras novas possíveis situações. Em vez de isolar as falhas, generalizam-nas. Em vez de fazer reparos locais eles olham para reformas do sistema. Qualquer organização, industrial ou não, que queira se destacar na gestão de erros e riscos deve olhar com atenção para as organizações de alta confiabilidade, pois só assim, com preocupação com os possíveis fracassos ela poderá motivar seus colaboradores para o sucesso de sua missão. Antonio Carlos V Campos possui mais de 30 anos de carreira profissional na aviação e 17.000 horas de voo, é prestador de serviços de gestão, treinamento e assessoria aeronáutica por meio da empresa Accampos Assessoria Empresarial Ltda e professor Universitário da UNISUL – Universidade do Sul de Santa Catarina.


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João Ney Colagrossi


BRASILEIRO É O NOVO PRESIDENTE MUNDIAL DA LINHA DE MINERAÇÃO E CONSTRUÇÃO DA METSO

João Ney Colagrossi assume o cargo em janeiro de 2014 e será o primeiro brasileiro a fazer parte do Metso Executive Global Team

O

executivo brasileiro João Ney Colagrossi, atual presidente mundial da linha de Serviços da área de Mineração e Construção, será o novo presidente mundial da linha de Mineração e Construção da Metso, empresa finlandesa que está focando países emergentes. Ele assume o cargo em janeiro deste ano. A escolha por Colagrossi se afirma no fato de estar à frente da área de serviços no segmento de construção e mineração há quatro anos. Ele assume a direção de uma das três grandes divisões de negócios da Metso – Mineração e Construção. As outras duas são a de Automação e a de Papel e Celulose. Ele também passa a se reportar diretamente ao CEO da multinacional, Matti Kähkönen. Todo o comando será realizado em Sorocaba, onde Colagrossi coordenará tudo. No Brasil, a empresa possui 16 unidades, sendo que a maior delas em serviço está em Paraupebas [PA], onde atende a Vale e outras companhias. Entre seus clientes também estão a Odebrecht, Camargo e Correa, MMX e Gerdau. Como novo presidente da linha de Mineração e Construção, Colagrossi tem a missão de coordenar o desenvolvimento e a estratégia de todas as linhas pertencentes à sua linha de negócios, além da implementação de planos, estratégias e políticas do segmento e da manutenção de uma cooperação efetiva e alinhamento adequado das linhas de negócios de sua divisão. O faturamento anual é de cerca de 3 bilhões de euros na área de Mineração e Construção, que é um dos pontos fortes da empresa na América do Sul,

Austrália e África do Sul. Formado em engenharia metalúrgica e gerenciamento industrial, Colagrossi construiu sua carreira na indústria metalúrgica, onde acumula uma experiência de mais de 30 anos. O executivo ocupou várias posições de gerenciamento sênior na área de vendas e de operações de suprimento no mercado da América do Sul. De 2001 a 2007 ele foi responsável pela unidade de negócios de Mineração, Construção e Reciclagem na América do Sul e teve forte participação no desenvolvimento da estratégia de serviços para esses setores. Sob seu gerenciamento, a Metso Brasil foi eleita pela revista Exame como “A Melhor Empresa do Ano”, na área Mecânica nos anos de 2001 e 2003. Em 2008, Colagrossi foi eleito Presidente da linha de negócios de Construção e membro do Comitê Executivo da área mundial de Mineração e Construção da Metso. Atualmente na presidência mundial da linha de Serviços para a área de Mineração e Construção, ele fica baseado em Helsinki, na Finlândia. Sua missão como principal executivo da área de serviços para mineração e construção foi consolidar a organização dos serviços como uma área de ponta da corporação, incrementando a oferta e expandindo geograficamente a operação dessa linha. O foco em países desenvolvidos mudou com a globalização e países emergentes estão na mira da Metso nas estratégias de crescimento. A empresa terminou 2013 com um faturamento de aproximadamente 160 milhões de euros, mesmo valor alcançado ano passado.

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EMPRESA ESTÁ HÁ 50 ANOS NO MERCADO E INVESTE PARA CRESCER A Auto Ônibus São João investe em qualificação e novas tecnologias para ampliar atuação com qualidade

Marco Antônio Franco

A

Auto Ônibus São João tem suas raízes na cidade de Votorantim, onde sua história começou e completa 50 anos em 2014. Ela ganhou forma em 1964, quando um pequeno grupo de empresários adquiriu a empresa já existente que tinha o nome de São João com uma frota de 40 veículos. Após 6 aos a empresa incorporou a Viação Barcelona. As duas empresas serviam os bairros da cidade de Sorocaba, atendendo às populações da periferia, que hoje formam a cidade de Votorantim. Inicialmente, operavam a linha urbana, passando depois para a suburbana. Mais tarde conquistaram o direito do transporte urbano do novo município “Pode-se dizer, que a São João não só assistiu a formação da cidade, como também contribuiu para seu crescimento e desenvolvimento”, afirma Marco Antônio Franco, diretor da empresa. Hoje o Grupo São João, que já possui 260 veículos, atua no transporte urbano municipal nas cidades de Votorantim, no transporte intermunicipal de passageiros entre as cidades Votorantim/Sorocaba e Votorantim/Porto Feliz, além do suburbano, rodoviário, fretamento empresarial e transporte escolar. Também investe constantemente em qualidade e em novas tecnologias, visando conquistar a fidelidade dos seus usuários. “Nosso crescimento se deve principalmente a estar sempre buscando novas tecnologias e na gestão de pessoas, realizando treinamentos contínuos de nossos colaboradores e a atendendo com credibilidade nossos clientes, sempre pautados em nossos valores que fazem parte de nosso dia-adia (Comprometimento, Confiabilidade, Segurança, Inovação, Foco no cliente, Orientação para resultados, Sustentabilidade,

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Iniciativa, Respeito, Liderança)”, ressalta Franco. Selma Consul, gerente de Recursos Humanos do Grupo, ressalta que objetiva promover a seleção, a administração, o aperfeiçoamento e a valorização dos empregados, com foco na gestão de pessoas por competências. “Nosso principal fundamento é propiciar a motivação e a satisfação das pessoas, visando a excelência dos serviços prestados. Mais do que qualquer outro fator, a experiência, as habilidades e as competências de nossos colaboradores decidirão o nosso sucesso no mercado. O grupo acredita que a satisfação do cliente e o consequente sucesso só serão alcançados por meio de colaboradores altamente motivados”. Por isso a empresa, segundo Selma, possui um Programa de Treinamento voltado à qualificação técnica e ao relacionamento interpessoal de todos os colaboradores e destes com os usuários. “Nosso intuito é garantir a capacitação profissional indispensável ao desempenho das funções de cada um e com a participação de todos se compromete com a excelência da Qualidade de seus Serviços”. Também faz anualmente pesquisas de clima organizacional, tendo como um dos itens a motivação do colaborador e, de acordo com os resultados, cria planos de ação para melhorar constantemente. Há incentivo com relação a escolaridade, mantendo uma parceria para os alunos que estão cursando o 3º grau do Ensino Médio. Também há política de promoções internas, para que todos os colaboradores tenham a chance de participar e crescer dentro da empresa. Outra característica do Grupo é que tem um grande respeito e uma participação ativa junto à comunidade onde presta serviços, a começar pela segurança do passageiro e pela preservação do meio ambiente. Atualmente também conquistaram a certificação NBR ISO 14.001 e recertificado da ISO 9.001. De acordo com Franco, o diferencial do Grupo está no Sistema de Monitoramento online que é utilizado em toda a frota. “O objetivo do sistema é atender aos nossos clientes com rapidez e eficácia”. Além do Sistema do Monitoramento, a empresa fez mais uma inovação, e implantou o Sistema de Controle Operacional, para minimizar irregularidades. “Esse Sistema é uma poderosa solução que permite minimizar desvios no cumprimento da programação e identificar irregularidades críticas na operação das linhas. Por meio de equipamentos de rastreadores instalados nos veículos é possível emitir alertas automáticos de problemas de soltura da garagem, pontualidade, cumprimento de viagens, buracos ou comboiamentos nas linhas”, ressalta Franco.


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EM BUSCA DE AVENTURA Empresário de Sorocaba já viajou milhares de quilômetros só com sua motocicleta

Aventureiros no deserto do Atacama.

E

sportes de aventura ou esportes de ação são termos usados para designar atividades com maior grau de risco físico, dado às condições de altura, velocidade ou outras variantes em que são praticados. Tais esportes são assim considerados, pois oferecem mais riscos do que os esportes em geral, o que os torna mais emocionantes, já que exigem um maior esforço físico e maior controle emocional. E no estresse e rotina do cotidiano de todos, praticar algo assim é um escape para a mente e o corpo. Tony Cesar Einhardt tem 51 anos, é administrador de empresas e empresário no ramo de transportes em Sorocaba, e leva a aventura fora de sua rotina ao pé da letra, com sua motocicleta. “Eu ando de moto desde os 14 anos e quando fiz 18, já estava numa viagem de Novo Hamburgo a Palmeiras das Missões, algo em torno de 800 quilômetros (ida e volta) numa moto 125cc. Após casar e ter três filhos, minha esposa me proibiu de andar de moto, pois tinha medo que influenciassem eles”. No final das contas isso não impediu as inúmeras viagens que fez e ainda planeja.

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O empresário acredita que o gosto por aventuras e principalmente, gostar de viajar, veio de sua paixão por motos. “Sendo de moto, não tenho preferências, qualquer viagem de moto, perto ou longe, sempre é muito boa”. Para viagens curtas, Tony explica que não tem muita preparação, ele decide o destino, reserva o hotel, sobe na moto e pronto. Já para as mais longas há uma preparação. “Para viagens mais longas é necessário montar um roteiro com distâncias a serem percorridas por dia, local para ficar, pontos turísticos a serem visitados, documentação exigida em cada país, itens a serem levados, levar em consideração a temperatura dos locais por onde vamos passar, etc”. Em janeiro de 2014, o empresário se prepara pra fazer uma viagem solo para o Ushuaia, na Argentina (www. ushuaiademoto2014.blogspot.com.br ). “Serão praticamente 14.000 km em 29 dias, e com isso já tenho que preparar um roteiro antes, não que seja obrigado a segui-lo, mas é uma maneira de conhecer previamente os lugares por onde vou passar. Por ser uma viagem onde irei sozinho, as dificuldades


serão maiores, pois se sair algo errado não vou ter nenhum amigo para ajudar, vou ter que aproveitar a solidariedade das pessoas que sempre ajudam os motociclistas em suas viagens. E é claro que numa viagem longa destas, tenho que estar bem preparado fisicamente, pois tem dias que vou rodar 1.200km”, diz entusiasmado. “Gosto de estar com minha esposa. Como na moto os filhos não podem ir juntos, é um momento nosso, onde podemos aproveitar para ficar juntos, apesar dela não gostar tanto de moto como eu. Quando vou sozinho, é um momento que tenho para colocar meus pensamentos em dia e inclusive apreender a valorizar as pessoas que nos cercam. Geralmente, temos que ficar longe para reconhecer como são importantes para gente as pessoas que convivem conosco, os problemas do dia a dia, tanto no trabalho como em casa, ficam pequenos, perto da saudade que sinto”. E isso é genético ao que parece. “Quando meu filho Nicholas aos 15 anos disse que ao invés de carro queria uma moto quando fizesse 18, resolvi comprar duas motos de trilha (CRF 230) para andarmos no meio do mato, onde não havia a possibilidade dele ser atropelado, com isso poderia matar a vontade de andar de moto e desistir dela como meio de condução. Andamos durante dois anos, ele chegou inclusive a quebrar o tornozelo numa pista de velo terra, para o desespero da mãe”. Resultado: as duas motos vendidas. Por um período de tempo, por conta desse acidente, Tony não andou mais de moto. Um amigo de trilhas e motos insistiu tanto com sua esposa para que ela deixasse Tony comprar uma moto novamente, que a situação se inverteu. “Ela autorizou num domingo e na segunda-feira já fui comprar a moto. Comecei a fazer viagens dentro do Brasil, fui diversas vezes para o Rio Grande do Sul, Minas e Rio de Janeiro, na maioria das vezes minha esposa Ana ia junto, mas algumas viagens fiz sozinho”. Outras amizades vieram e Tony chegou a ir junto com um colega para o Deserto do Atacama no Chile, em janeiro deste ano. As fotos dessa viagem podem ser conferidas no site: www. expedicaodocondor.blogspot.com.br. A dificuldade maior em se fazer aventuras de moto é o desprendimento, diz o empresário. “Antes de fazer a viagem de moto ao Atacama, nunca tinha tirado férias de mais de 7 dias, saio diversas vezes ao ano, mas nunca mais de 7 dias, sempre saia de terça até outra terça, ou de quarta a outra quarta, com isso trabalhava pelo menos alguns dias da semana.Nessa viagem notei que posso tirar férias de mais de 7 dias e que nem por isso o mundo vai acabar, tenho uma excelente equipe trabalhando comigo e posso ir viajar tranquilo que funciona até melhor do que quando estou na empresa.”

Todos gostam de registrar os momentos únicos da vida em fotografias, e com ele isso não é diferente. Contudo, as fotos nunca retratam o que se vive na viagem, afirma Tony. “Mas mesmo assim tiramos muitas fotos, minha esposa sente muito sono quando viaja comigo, e para não dormir fica tirando fotos com a moto em movimento, tira mais de 800 por dia, difícil é selecionar as melhores depois. Quando viajo sozinho, aí já são menos fotos, pois tenho que parar a moto para tirar e isso acaba atrasando a viagem.” Gaúcho, torcedor do Internacional, Tony se define uma pessoa simples que vive para família. Quando criança, por ser de uma família bastante humilde, seu sonho era conseguir estudar para conseguir melhorar de vida. Atualmente é sócio e administrador da Transportes ET Ltda, de onde praticamente atende o Brasil todo. A afirmação dele é categórica quando diz que viajar é uma maneira de relaxar e recarregar as energias. “Assim suporto as exigências do mundo atual, onde tudo tem que ser feito com perfeição e para ontem. Nessas viagens você passa por locais que nem celular funciona. Então você consegue desligar do teu cotidiano, aproveitando para conhecer novas culturas e inclusive maneiras diferentes de ver a vida, são com pessoas simples, mas sábias, que você aprende muitas coisas e acaba mudando seus conceitos sobre várias coisas.” Para quem quer praticar as atividades que Tony faz, ele deixa a dica. “O principal é o desprendimento e colocar um objetivo, pois se traçares um objetivo e correr atrás, todo universo vai conspirar a favor.” E quando perguntado o motivo de fazer viagens, o empresário encerra a questão com uma frase de Amyr Klink. “Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver.” A definição de esporte de aventura surgiu no final da década de 1980 e início da década de 1990, quando foi usado para designar esporte de adultos como o paintball, skydiving, surf, alpinismo, montanhismo, pára-quedismo, hang gliding , bungee jumping, trekking , mountain bike, que antes eram esportes praticados por um pequeno grupo de pessoas, passou a se tornar populares em pouco tempo.

“Sendo de

moto, não tenho preferências,

qualquer viagem

de moto, perto ou longe, sempre é muito boa”

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Por Márcio Flávio Lima

INTELIGÊNCIA COMPETITIVA

P

eter Drucker (1909/2005), considerado o pai da administração moderna, disse: “A questão central para o executivo moderno é ser capaz de usar o conhecimento para criar novos produtos e serviços”. É isso! Está posto o árduo desafio para o empresariado. Saímos de uma sociedade industrial que precisava de dinheiro para gerar dinheiro e chegamos à sociedade da informação que precisa de informação para gerar dinheiro. Digo mais: precisa de conhecimento para gerar dinheiro e para gerar mais conhecimento. Porém, informação e conhecimento não tem o mesmo significado. Aquela é um conjunto de itens que sabemos ou acreditamos existir. Já o segundo, é o resultado da compreensão das informações somada às percepções humanas. Portanto, o conhecimento é mais que informação. Tais conceitos, pelas suas importâncias, devem ser amplamente aplicados em nossas vidas. Vejam, por exemplo, o modelo de negócio elaborado por Larry Page e Sergey Brin (criadores do Google): a informação é ampliada para o conhecimento com o uso dos benefícios que a tecnologia permite. O Google ganha dinheiro “com as pessoas” e não “das pessoas”! Esse enfoque – que deve se transformar em exercício diário do negócio – considera as informações estratégicas e dispensa informações sem importância. Por isso que se fala de “inteligência competitiva” que é o uso organizado da informação relevante para competir e vencer. Inteligência vem do latim “intelligere”: fazer ligações de uma leitura ou de um acontecimento; captar a ideia. A inteligência se aplica a tudo: educar um filho, treinar um esporte, desenvolver um negócio. É a inteligência competitiva que o empresário deve buscar incansavelmente. Sabendo quais são as informações relevantes, sabendo o que deve e precisa ser feito, é possível se organizar melhor. Mas como saber se uma informação é relevante ou não? A melhor maneira de se saber é compartilhando informações, pois é assim que nós, seres humanos, aprendemos e, portanto, é assim que a empresa aprende. Boas e más experiências devem ser registradas e analisadas, gerando

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modificações, avanços, ideias etc. De um produto, por exemplo, devemos indagar sobre: sua utilização, a inovação que ele traz, seu processo de fabricação, produtos semelhantes no Mercado etc. Então, com as informações coletadas, é possível obter delas o conhecimento e, aí sim, formular estratégias de crescimento, lançamento de novos produtos, alterações da planta industrial, compra de equipamentos etc. A união, a manutenção e a organização da informação, do conhecimento e da inteligência podem ser chamadas de “gestão da informação”. Conclui-se, portanto, que a perpetuação da empresa depende disso. Em plena vigência da “sociedade da informação” é obrigatório que a empresa exercite a inteligência competitiva por meio de uma gestão estratégica, direcionando positivamente as informações de seus funcionários, seus parceiros terceirizados e o cliente. E isso é fundamental para o sucesso! Sem conhecimento não há “Inteligência Competitiva”, ou seja, não se progride, não se desenvolve o negócio. Sem ela, o negócio segue desordenado, inflado apenas pelo dinheiro, pelo Mercado favorável, pela pressão ao consumo ou alterações do câmbio. Bases essas que sabemos ser muito tênues para formar e manter uma empresa sólida. Hoje em dia, os maiores patrimônios de uma empresa são: know-how, bases de dados e informações, empregados e parceiros comprometidos e criativos. Ou seja, elementos vinculados ao conhecimento. Portanto, o patrimônio importante deixou de ser prédios e veículos. Só se efetiva e se perpetua uma inteligência competitiva com planejamento, com pensamento voltado ao modelo do negócio, com a disposição de melhorar, de agregar valor ao empreendimento, com a obtenção e a transmissão do conhecimento. Caro empresário, pense nisso e aja da forma certa para valorizar seu negócio! Márcio Flávio Lima é Advogado, sócio do FDL Advogados


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CULTURA INCENTIVADA POR EMPRESA AO ALCANCE DE TODOS O Projeto Metso Cultural objetiva a formação do público para a cultura de qualidade

O

Projeto Metso Cultural, da

Alguns dos artistas que participaram

empresa Metso, começou

do Metso Cultural Música Brasileira

Tinetti,

Ribeirão Preto, Cláudio Cruz, Gilberto Claudia

Riccitelli,

Egberto

em 2005 com a intenção

entre os anos de 2005 e 2008 foram

Gismonti, Ópera Carmem, João Carlos

de promover a melhor da chamada

Wagner Tiso, Egberto Gismonti, Ná

Martins, Arthur Moreira Lima e muito

música brasileira, numa sequência de

Ozzetti, Nana Caymmi, Maria Bethânia,

mais.

apresentações gratuitas e ao ar livre, na

Francis Hime, Leila Pinheiro, Leny

Já o projeto “Segunda às Segundas”,

cidade de Sorocaba. A empresa investiu

Andrade, Orquestra Popular de Câmara,

que começou em agosto de 2008

na qualidade da cultura, trazendo à

Banda Mantiqueira, João Bosco, Marcos

no Teatro Municipal de Sorocaba,

cidade alguns dos principais músicos

Valle, Roberto Menescal, Toquinho,

trouxe grandes atrações artísticas do

brasileiros com presença de grande

Zélia Duncan, Joyce, Paulo Moura e

mundo musical do teatro ou dança,

público.

Yamandu Costa, Fabiana Cozza, Grupo

proporcionando mais cultura para a

Pau Brasil e muitos outros.

cidade, sempre gratuitas e ao ar livre.

Em 2006 o Projeto Metso Cultural ampliou a sua atividade e criou outros três

segmentos:

Clássica;

e

O primeiro Festival de Música

A Mostra de Teatro, em 2006, com o

Música

Clássica foi realizado pelo Projeto

intuito de dar acesso aos sorocabanos

Sorocabanos.

Teatro;

Talentos

Metso Cultural em abril de 2006,

às peças que estão fora do circuito

Todos os projetos são desenvolvidos

com

seis

comercial, teve sequência no ano de

por meio da Lei Rouanet. A Metso

workshops gratuitos. Daí seguiram

2007, sempre com a presença de

patrocinou desde 2005 três Festivais

os anos de 2007 e 2008 com mais

grandes atores nacionais. A Mostra

de Música Clássica (2006, 2007,

apresentações, workshops e palestras

foi realizada no Teatro Municipal de

2008); duas Mostras de Teatro (2006

no intuito de desenvolver o público

Sorocaba. Alguns dos artistas que se

e 2007); quatro Temporadas de Música

para a Música Clássica na cidade e

apresentaram foram Denise Stoklos,

Brasileira (2005, 2006, 2007 e 2008);

região de Sorocaba. Nos três anos

Umberto

Projeto Talentos Sorocabanos (2006) e

de programação clássica, o Festival

Lucinha Lins, Otávio Augusto, Clarisse

Segunda às Segundas (2008). Foram

apresentou os maiores músicos e

Abujamra, Cia. Os Satyros, Núcleo

mais de 80 apresentações atingindo

grupos brasileiros, como Nelson Freire,

Experimental do Teatro Augusta ( SP),

um público de aproximadamente 100

Arnaldo Cohen, Orquestra de Câmara

Elisa Lucinda, Cida Moreira, Claudia

mil pessoas.

Villa-Lobos, Orquestra Sinfônica de

Mello e outros mais.

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Por Maurício Micheletti

SUA EMPRESA PREPARADA PARA 2014

Maurício Micheletti

S

ua empresa sofreu este ano com a falta de colaboradores qualificados. Com os salários ficando muito elevados. Você ficou decepcionado com algumas pessoas que estão em posição de liderança, mas não lideraram. Sua equipe cometeu alguns erros banais. Você acabou fazendo o seu trabalho e o de outra pessoa que não soube fazer o dela. Você não conseguiu delegar algumas coisas e ficou sobrecarregado. Você perdeu bons colaboradores porque eles receberam propostas de outras empresas. Não deu tempo de treinar sua equipe como você gostaria. Você viu pessoas serem promovidas com base em relacionamento ao invés de competência.

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Alguns dos itens acima se aplicam à sua empresa? Ótimo! Sinal de que ainda tem coisas que precisam ser feitas. Vamos começar pelo começo: todos os itens acima se referem à gestão de pessoas. E quem faz a gestão das pessoas são os líderes, a começar pela diretoria. Para fazer gestão de pessoas, os líderes precisam contar com a ajuda do RH. E RH não é DP. O DP da sua empresa já está sobrecarregado, e vem o eSocial por aí. Deixe-o trabalhar em paz, no que ele faz de melhor, que é cuidar das rotinas vitais da gestão dos colaboradores. Use o RH. De verdade. E se o seu RH não existe, é hora de ter um. Ou, se ele não dá conta, aumente a equipe ou chame um especialista para ajudar. Oitenta por cento dos problemas da sua empresa se referem à gestão de pessoas, então chame alguém com estatura para dar conta desse recado. Isto feito, o que você precisará agora é do seguinte: crie uma estrutura decente de cargos e salários. As pessoas não estão dispostas a ficarem anos no mesmo cargo e com o mesmo salário. Faça as contas de quanto sua empresa gastou com as rescisões e veja que este dinheiro seria mais bem aproveitado reajustando alguns salários que manteriam as pessoas por mais tempo na sua empresa. Com boas descrições de cargo e boas políticas de salários, fica mais fácil atrair pessoas para a sua empresa, e isso melhora o seu processo de recrutamento e seleção. Não podemos alterar fatores macroeconômicos, mas sua empresa ficará certamente mais competitiva.

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“Use o RH. De verdade. E se o seu RH não existe, é hora de ter um” Atraiu boas pessoas e tem uma boa política de cargos e salários? Agora é hora de criar um processo de avaliação de desempenho bem montado. Não é para apresentar para o auditor da ISO, é para realmente fazer com que as pessoas que tem mais méritos sejam recompensadas e as que têm menos méritos saibam o que elas precisam fazer para melhorar. E enquanto sua empresa cria todos esses processos, treine as pessoas. E depois que estes processos forem criados, treine as pessoas. Treine sempre os seus colaboradores. É assim desde que o mundo é mundo: pessoas bem treinadas realizam, exércitos bem treinados vencem, empresas organizadas dão muito trabalho aos concorrentes. Maurício Micheletti é Diretor Executivo/Headhunter da HELETT CONSULTORIA.


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FACULDADE INCENTIVA ALUNOS A CRIAREM PRODUTOS E TRABALHAREM EM EQUIPE

A

s possibilidades que se apresentam em eventos de faculdades de cursos técnicos para os alunos darem um salto na ainda incipiente carreira e profissão são inúmeras, dependendo do esforço que desempenham nos trabalhos apresentados. Na última semana de outubro, a Faculdade de Engenharia de Sorocaba organizou seu TecnoFACENS, evento aberto ao público com entrada gratuita. Além da exposição de projetos dos estudantes, ocorreram competições como a Maratona de Desenvolvimento de Jogos, Desafio Estrutural, Simulações em Engenharia de Produção e o Sumô de Robôs. O evento reuniu centenas de projetos de engenharia além de pesquisas de Iniciação Científica e Trabalhos de Conclusão de Curso. O principal intuito foi fazer com que os alunos desenvolvessem projetos inovadores, aplicando na prática todo o conhecimento teórico aprendido em sala de aula, tudo para estimular o trabalho em equipe e a transformação dos projetos realizados em produtos. No último dia eram 60 stands com dezenas de alunos dos sete cursos que a Facens possui, todos de engenharia: civil, elétrica, mecânica, computação, produção, química e mecatrônica. Os estudantes de engenharia elétrica, Vinicius Henrique da Silva, 20 anos, e Rodrigo Augusto Almeida Camargo, de 19, participaram do duelo de robôs em um simulado de sumô, com a equipe Metabolts e o robozinho Magneto, na

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categoria 3 quilos. “Esta é uma excelente oportunidade para nós desenvolvermos um bom trabalho e ganhar visibilidade”, afirma Rodrigo. Vinicius considera a maior vantagem a prática do curso. “Tudo que vemos de teoria, com esses eventos, a gente põe em prática mesmo. É um estimulo para continuarmos”. “O ponto principal da questão é que os alunos têm a chance de aplicar em seus projetos todas as suas ideias, e depois de avaliações feitas pelos professores, eles podem se tornar até mesmo produtos”, explica a assessora da Facens, Rose Campos. A TecnoFACENS é um dos mais tradicionais eventos da faculdade e acontece há 13 anos. Neste ano, a 13ª edição trouxe várias novidades, a começar pelo Desafio Estrutural e de Concreto Colorido, para os alunos de Engenharia Civil e a Simulação de Eventos em Engenharia de Produção. Outra novidade no evento foi a apresentação dos projetos de carros movidos a reações químicas, que posteriormente serão apresentados em uma competição internacional e inédita no Brasil. Outras atividades que foram realizadas incluíram exposição de projetos inovadores nas mais variadas áreas; exposição de trabalhos didáticos e demonstração dos veículos Fórmula SAE e Baja e de Games. Esses veículos contam com participação de trabalhos integrados com alunos da faculdade e já é referência na engenharia mundial.


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Por Sandro Vidotto

AS EMPRESAS TAMBÉM TÊM CICLO DE VIDA

Sandro Vidotto

E

scuta só esta ideia...; Como está o projeto? Estou há dois dias fazendo um relatório detalhado sobre o consumo de copinhos de café na empresa...; Você se lembra quando conquistamos aquele prêmio? Bons tempos aqueles! Pode não parecer, mas estas frases, normalmente ouvidas junto à máquina de café, podem dizer muito sobre uma empresa, se está crescendo, se profissionalizando, estagnada ou morrendo. O empresário Lawrence Miller, em seu livro “Barbarians to Bureaucrats”, propôs uma ferramenta de análise estratégica que mostra as diversas fases pelas quais uma empresa passa em seu ciclo de vida, identificando cada perfil de liderança que emerge em cada estágio e os riscos da burocratização e alienação dessas lideranças que acabam por colocar fim a uma companhia. A inspiração: O Profeta Esse perfil caracteriza o iniciador do negócio, é aquele que consegue identificar uma oportunidade que ainda não é tão clara para os demais. O papel do “profeta” é desenvolver a visão de futuro da companhia e contagiar seus colaboradores.

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A renovação, ou revolução, caracteriza esse perfil assim como a sua inquietude. O “profeta” muitas vezes pode ser considerado um rebelde, alguém descontente com a mesmice das coisas, usualmente importunado por uma ansiedade que o faz acreditar ter uma fórmula mágica que pode renovar ou mesmo reinventar um negócio. A inquietude e a crença na idéia são de tal forma singular que ele se dispõe a sacrifícios para concretizar seus intentos. De onde emerge um “profeta”? São diversas as situações, desde uma reação a uma crise pessoal ou profissional, a fuga da opressão empresarial, a atração por uma nova tecnologia ou mesmo da capacidade criativa identificada num empreendimento interno. A hora da conquista: O Bárbaro O segundo momento que pode ser claramente identificado no desenvolvimento de uma companhia é o da conquista e está ligado a um perfil denominado como o “bárbaro”. Sua característica é a obstinação aliada a um enorme senso de urgência. Esse perfil emerge após o salto inicial dado pelo “profeta”. A empresa precisa iniciar a conquista de um espaço, há muitas novas idéias que


precisam ser vendidas. O “bárbaro” é o grande responsável por essa fase. Expandir, conquistar mercado, sobreviver: esses são seus objetivos. Nessa etapa, a empresa trava uma luta incessante pela sobrevivência, há muito a fazer em pouco tempo e o senso de urgência é premente. Inspirar energia no pequeno grupo que a acompanha é a tônica, atropelar pessoas e situações é uma constante. Esse primeiro condutor inspira as pessoas em busca dos resultados, comemora cada vitória, no entanto sempre quer mais. Numa frase: é o momento de sair das idéias e conceitos e ir para a ação. Nesse momento é comum o surgimento dos primeiros concorrentes que perceberam a oportunidade de mercado existente. Se no estágio anterior ele estava sozinho, agora não está mais: os concorrentes começam também a procurar espaços no mercado para conquistá-lo. A organização tem agora algum capital, alguns clientes, o trabalho é estressante e agitado, contudo realizador. A expansão: O Construtor Nessa fase, a empresa cresceu e a preocupação com a qualidade começa a se intensificar. Enfim, um seleto e significativo grupo de clientes está conquistado. Entretanto, para manter a vantagem competitiva, a empresa precisa se reestruturar. Emerge, então, o perfil de liderança dessa etapa: o “construtor”. Interessante notar que a teia que unia a empresa nos estágios anteriores começa a se romper. Esse processo ajuda no surgimento de novos produtos e novas idéias e torna-se comum aumentarem os conflitos. A empresa é lucrativa, cresce e mantém vantagens competitivas. A organização normalmente tem um frenesi: torna-se mais importante realizar do que organizar. No decorrer do tempo certa desordem começa a incomodar e fica nítida a necessidade de organização. Essa situação favorece o surgimento da terceira etapa no ciclo de vida de uma organização e seu respectivo líder. A hora de organizar: O Administrador Até aqui os problemas pareciam simples e quase tudo era feito com pouco planejamento. No entanto, a empresa cresceu, sendo que a complexidade interna e a competição externa exigem agora o controle dos números, das informações e dos fatos. Tal desafio faz emergir o “administrador”. Esse perfil caracteriza-se por determinação de procedimentos, definição de papéis e por aprimoramentos em seus sistemas gerenciais. A empresa está madura, e buscar sua perenidade torna-se o principal desafio. Nessa fase, a empresa tem planejado e buscado construir o seu futuro e longevidade, visualiza de modo metódico as oportunidades e ameaças, vive um processo intenso de fortalecimento de suas potencialidades e resolução das fragilidades e divide o poder com especialistas. Esses sinais de maturidade apontam para o passo seguinte que é fazer emergir o “sinergista”, uma liderança que saberá capitalizar o potencial que representa o maior diferencial competitivo de qualquer companhia nos dias de hoje, ou seja, o capital humano. O risco do excesso de controle: O Burocrata Nesse ciclo, a empresa amadureceu e acabou por levar

ao extremo a questão administrativa, burocratizou-se de tal forma que acabou engessando o processo, chegando a impedir o aparecimento de novos “profetas” e “bárbaros”. Em função do controle de custos e dos riscos, a inovação praticamente deixou de existir, os grupos defendem seus feudos e a alta direção é limitada pelas próprias regras que criou. Esse emaranhado sufoca as inovações, os “profetas” e os “bárbaros”. Há uma teia armada para manter a estrutura sem surpresas e, de certa forma, imóvel. Esse estágio caracteriza-se como de alto risco, pois as regras em vez de facilitar, complicam o processo, engessam-no, contudo, oferecem oportunidade para o surgimento de novos “profetas” que visualizem essa fragilidade e se lancem no mercado como concorrentes. Esse novo momento caracteriza-se também pela perda da unidade, pela multiplicação dos feudos, pela lentidão nas inovações. É fato visível passar-se mais tempo revendo o passado do que prevendo o futuro. Permanece-se mais tempo nos escritórios que com os clientes, pois o foco se interioriza. As pessoas ficam automatizadas e passam a não perguntar o porquê das coisas, multiplicam-se os relatórios e há intensa centralização. O isolamento no alto da torre: O Aristocrata Nesse caso, muitas empresas passam a ter todas as contas exaustivamente controladas, com perda do senso de prioridade. O afastamento das bases e o distanciamento dos clientes, o “tirar o umbigo do balcão” e, conseqüentemente, não atender as necessidades e expectativas, tornam-se inevitáveis. A excessiva preocupação com as aparências e o tempo gasto em reuniões sociais passam a caracterizar essa etapa. Cria-se ainda um pequeno círculo de assessores com acesso a informação privilegiada, o que isola ainda mais os demais colaboradores dos processos decisórios. Aparece o isolamento intelectual e psicológico, a vitalidade da empresa parece desaparecer e a evolução se apresenta cada vez mais improvável. Começa uma inevitável rebelião dos empregados, dos clientes e dos acionistas. O grande desafio: O Sinergista Antes da etapa final do Ciclo de Vida deveria surgir o personagem ideal: o “sinergista”. Essa figura tem o poder peculiar de inspirar e tirar o melhor proveito dos “profetas”, “bárbaros”, “construtores” e “administradores”. Ele é fonte continua de revitalização da empresa, equilibrando a relação entre os diversos perfis. O “sinergista” deverá identificar potencialidades visionárias e criadoras daqueles que olham para o futuro e sabem desvendá-lo; talentos com grande força vital para enfrentar desafios e conquistar mercados; exploradores prontos para encontrar novos mercados; administradores para dotar a organização de sistemas que permitam entendê-la e estar atualizados com o seu mercado. Esse conjunto, como a própria denominação exemplifica, será responsável por manter a energia vital da empresa, fazendo frente aos desafios que lhe serão imputados pela concorrência, economia e mercados. Sandro Vidotto é Vice-Presidente Acadêmico da ESAMC e Diretor da Ideia Viva Consult.

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COLETA DE CIGARROS MELHORA O MEIO AMBIENTE E O AMBIENTE DE TRABALHO

“S

e preocupar com o meio ambiente é atualmente chover no molhado para todos na atual conjectura, porém, algumas empresas que tem visão o fazem pensando no bem estar não só do nosso planeta, mas das pessoas também”, afirma Alexandre Hirayama, supervisor de logística da JCB. Exemplo de ações que favorecem o Meio Ambiente, a JCB, que está presente em quatro continentes com 18 fábricas, produz 300 modelos de máquinas diferentes, incluindo retroescavadeiras; manipuladores telescópicos; escavadeiras hidráulicas sobre esteiras e pneus; pás carregadeiras; empilhadeiras todo terreno; mini escavadeiras; carregadeiras compactas; compactadores; geradores e mini utilitários, oferta a seus funcionários a oportunidade de colaborar com a sustentabilidade. A empresa investe em coletores especiais para bitucas de cigarros. A bituca de cigarro, assim como qualquer outro resíduo, se não descartado corretamente pode ser um problema para o meio ambiente. A bituca leva cinco anos para se decompor. Sem contar o fato de que ela contém mais de 4,7 mil substâncias tóxicas, o que prejudica o solo, contamina rios e córregos e entope tubulações e bueiros, sendo um dos fatores que causa as enchentes. “O motivo deve-se ao programa de sustentabilidade que a empresa possui. Todos os resíduos gerados por nós tem o devido tratamento. A bituca de cigarro é um dos resíduos gerados e antigamente não havia como destinálo corretamente, quando foi nos apresentado a solução por

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meio da empresa Poiato Recicla, prontamente aprovada pelos nossos gestores”, explica Hirayama. “Já estamos ha alguns anos com o programa de coleta na empresa e percebemos que o ambiente está mais limpo. Entretanto ainda existem fumantes que não respeitam as orientações que passamos sobre a área de fumar e o local de destinação, mas felizmente é uma minoria”. O tabagismo é um problema criado pelo vicio. Ações pontuais que a JCB faz como deixar o local de fumo, o “fumodromo”, distante das áreas produtivas e administrativas. “Essa estratégia faz com que o colaborador caminhe bastante até o local onde se encontram as bituqueiras. Com isso, o fumante reduz a quantidade de cigarros consumidos por dia”, enfatiza Hirayama. “Ainda temos muito a fazer para educar a população para a coleta seletiva. Ela deve ser um hábito. A JCB entende que seus colaboradores devem ter essa preocupação. Possuímos o programa de sustentabilidade chamado JCB Green, que trabalha as ações destinadas ao meio ambiente, sociais e econômicas”, afirma. Atualmente toda a água contaminada é coletada e enviada para tratamento. Neste momento a empresa constrói uma Estação de Tratamento, onde investe R$ 1 milhão. Esta estação deverá operar dentro de alguns meses. A JCB possui também projetos de construção de uma área central de gestão de resíduos, que deverá executar a triagem, desmontagem e a compactação do resíduo para a destinação aos parceiros.


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A IMPORTÂNCIA DA SEGURANÇA DO TRABALHO

“Seus funcionários, tendo qualidade de vida dentro da empresa, transmitem tal qualidade para o processo de produção”

Rui Jaegger

Empresas, funcionários e gerentes têm começado, cada vez mais, a se preocupar com a segurança no ambiente de trabalho. Medidas rápidas e simples, como palestras, folhetos, cartazes, emails e dinâmicas que promovam um ambiente organizado e seguro são boas alternativas para conscientizar todos aqueles que dividem o mesmo local de trabalho. A segurança do trabalho refere-se a uma série de medidas preventivas contra todo tipo de imprevisto, como acidentes de trabalho, perturbação funcional ou até doenças ocupacionais. Ter uma empresa segura é benéfico também para o próprio empresário, que pode ficar tranquilo com o bem-estar dos colaboradores. Estar atento a isso promove condições melhores de trabalho e profissionais mais produtivos e satisfeitos. Rui Jaegger é engenheiro da segurança do trabalho, e considera que os profissionais se sentem mais seguros e motivados no trabalho por conta disso. “Profissionais que no seu ambiente de trabalho se sentem mais seguros, consequentemente são mais motivados, o que acaba por refletir no desempenho coletivo. A aplicação das melhores

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práticas de segurança do trabalho no ambiente empresarial deve ser feita com a participação de todos, desde a cúpula que gera ou encampa as ideias levantadas pelos colaboradores, às explicações, permanente e assumido apoio e controle da direção”, explica o engenheiro. A segurança dentro da empresa tem seus “gastos”, porém, seus investimentos são muito retornáveis. “Seus funcionários, tendo qualidade de vida dentro da empresa, transmitem tal qualidade para o processo de produção”, afirma Jaegger. O grande desafio, segundo ele, é fazer prevalecer a visão de que os desembolsos com segurança do trabalho, não representam “gastos” e sim investimentos. “Para que a imagem da empresa seja sempre zelada, mais vale investir em capacitação e treinamento, cujos resultados sejam previsíveis positivamente, do que apostar na outra hipótese que seria não investir ou não acreditar nas práticas adequadas de segurança do trabalho e ter que arcar com as consequências que certamente advirão na forma de gastos futuros, com questões médicas, ou aposentadoria por invalidez ao funcionário diretamente lesado com o acidente ou mesmo a morte, além de gastos com a preparação do novo funcionário que ocupará o lugar do acidentado e da imagem denegrida que permanecerá tanto para os clientes internos, quanto para os externos”, finaliza o engenheiro.


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GOOGLE GLASS: O FUTURO JÁ CHEGOU entre produtores e consumidores, transformando estes últimos em produtores também”, explica Mirna Tonus, doutora em Multimeios, mestre em Educação e jornalista, professora do curso de Jornalismo e do mestrado profissional em Tecnologias, Comunicação e Educação, ambos da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). O Google Glass é uma ferramenta que, em teoria, pode ser usada durante todo o dia, assim como aparelhos celulares e isso cria varias implicações. “Como dispositivo móvel que as pessoas “vestirão”, pois já se pensa em adaptações aos óculos prediletos, talvez potencialize o que já acontece ao portarmos smartphones continuamente. É provável que isso intensifique nosso trabalho ainda mais”. Na opinião da educadora, toda tecnologia depende do uso que se faz dela. No ramo industrial, por exemplo, essa tecnologia poderia ajudar em processos de produção, facilitando acesso a dados e permitindo correções mais rapidamente, afirma Mirna, que também levanta ressalvas. “Agora, há riscos do ponto de vista ético. Talvez facilite a espionagem industrial, por exemplo”. Em 1996, quando Mirna iniciou seu mestrado, tudo apontava que chips seriam implantados em seres humanos. “Dez anos mais tarde, li uma notícia sobre as ideias de Ray Kurzweil,

O

inventor de softwares de reconhecimento de caracteres e de

Google já faz parte de nossas vidas. É a primeira

voz que fez uma palestra com projeção holográfica no Brasil.

coisa que pensamos quando entramos na internet

Ele dizia que quem não tivesse algum chip ou algo do gênero

e queremos achar o que estamos procurando.

por volta de 2020 estaria excluído”, afirma, complementando

A mais nova empreitada da empresa se chama Google Glass.

que ainda há muito a desenvolver, só que talvez não demande

Trata-se de um acessório em forma de óculos que possibilita a

tanto tempo, haja vista a celeridade das invenções tecnológicas.

interação dos usuários com diversos conteúdos em realidade

“Há uma tendência de aglutinamento de informações por

aumentada. Seu lançamento está previsto para 2014, e seu preço

interesse, por meio de ferramentas ou plataformas de curadoria

deve ser de US$ 1,5 mil. Atualmente o Google Glass encontra-se

de informações, que as pessoas podem acessar para buscar

em fase de testes e já possui um vídeo totalmente gravado com

e compartilhar informações específicas, de acordo com seus

o dispositivo. A pequena lente ou tela dos óculos mostra ao seu

interesses”.

utilizador mapas, opções de música, previsão do tempo, rotas

Na opinião de Mirna, o ideal é termos uma internet livre,

de mapas, e, além disso, também é possível efetuar chamadas

seja do ponto de vista da circulação, com barateamento e/ou

de vídeo ou tirar fotos de algo que se esteja a ver e compartilhar

gratuidade de serviços, seja no que se refere ao acesso. E que

imediatamente por meio da Internet. A lente de projeção do

as tecnologias sejam utilizadas em prol da humanidade. “Pode

Google Glass não ocupa todo o campo de visão do utilizador e

parecer utopia, mas é isso que, resumidamente, idealizo”.

possui uma tecnologia de foco que permite ao observador ler o

O projeto do Google Glass estava mantido em sigilo pelos

seu conteúdo sem a necessidade de mudar seu foco de visão.

escritórios do Google pelo menos desde 2006 e, até o dia 4 de

Todos esses cuidados garantem o conforto e a segurança da

abril de 2012, ainda era um projeto secreto da Google.

pessoa que utilizar a tecnologia.

No primeiro dia do mês de novembro deste ano, ocorreram

Essas novas tecnologias de comunicação impactam

rumores que em um barco com diversos containers, localizado

no nosso cotidiano de diversas maneiras, e uma delas é a

na costa de São Francisco, na Califórnia, seria o local escolhido

comunicação. “Do ponto de vista do cotidiano de quem trabalha

pelo Google para realizar grandes lançamentos e showrooms

com comunicação especificamente, podemos verificar impactos

de seus próximos produtos. A imprensa americana teria

tanto no processo de produção de conteúdos, quanto no acesso

recebido confirmações de diversas fontes dentro da companhia

a esses conteúdos. Elas aceleraram a produção, amplificaram o

explicando que a versão final do Google Glass seria anunciada

acesso e a interatividade, bem como possibilitaram a interação

em uma grande festa para convidados especiais na embarcação.

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Por Paulo Mendonça

MARCA DE QUALIDADE ELEVA RECONHECIMENTO DE EMPRESAS

Paulo Mendonça

Na relação entre clientes e fornecedores, quando alguém se refere ao termo “gestão de qualidade” é comum que venha à mente a certificação ISO 9000. Mas é importante saber que existem diversas certificações, cada uma com sua peculiaridade. A ISO 9001:2008, por exemplo, é uma certificação internacional para a qualidade. Ela visa garantir que a gestão da qualidade das companhias tenham o foco no cliente, aumento do faturamento e tratativa das melhorias contínuas. Já a ISO 14001:2004 é uma certificação internacional para o meio ambiente. É para garantir que a gestão da empresa foque no atendimento legal, melhoria contínua dos processos e com isso a prevenção da poluição.

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A certificação internacional para a segurança ocupacional se chama OHSAS 18001:2007. Ela denota garantir que a gestão da empresa foque no atendimento legal, melhoria contínua dos processos e com isso a prevenção de acidentes. Qualquer empresa pode buscar a certificação, qualquer que seja, qualidade, meio ambiente ou segurança, seja ela pequena, média ou grande. As vantagens são muitas, tais como qualidade, padronização, gestão por processos, busca de melhores resultados financeiros e melhoria contínua. Na certificação para o meio ambiente, é possível fazer um mapeamento ambiental da empresa numa gestão focada no atendimento legal, prevenção de acidentes ambientais, redução do consumo de recursos naturais e prevenção da poluição. Na de segurança é possível fazer mapeamento dos perigos e riscos da empresa, gestão foca no atendimento legal e prevenção de acidentes de trabalho. As certificações estão cada vez mais próximas das empresas de pequeno e médio porte. Com o advento de inúmeras empresas, inclusive nacionais, está cada vez mais próxima a possibilidade de empresas buscarem um reconhecimento internacional na sua gestão. Quando a estratégia da empresa nortear, por meio de análise interna e externa, a necessidade de avançar nos itens de qualidade, meio ambiente ou segurança, é preciso ir atrás dessas certificações. O mercado nota isso. Ele está cada vez mais seletivo. Na contratação, a qualificação mínima das empresas é representada por um filtro. Ao se apresentar o certificado de reconhecimento internacional, ela passa a ganhar uma credibilidade maior perante os concorrentes que não o possuem. Os ganhos internos são muitos também. Ganha-se com qualidade na padronização dos processos garantindo a sustentabilidade da operação, com redução de custos e um melhor ambiente de trabalho. Paulo Mendonça é Blackbelt e diretor da Certifica Gestão de Sistemas


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Advogado Márcio Tomazela

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Por Márcio Tomazela

ADICIONAL DE PERICULOSIDADE PARA PROFISSIONAIS DA SEGURANÇA DEVE SER APLICADO

D

esde que a Lei 12.740/12 entrou em vigor em dezembro de 2012, para incluir na categoria de atividade perigosa aquela exercida pelo profissional de segurança pessoal ou patrimonial, dandolhes o direito ao adicional de periculosidade de 30%, a maior parte da classe patronal vem se mostrando resistente em cumpri-la, sob o argumento de que ainda depende de regulamentação. Tal resistência das empresas, especialmente das que trabalham na área de vigilância e segurança, acabou gerando protestos e até movimentos grevistas que foram noticiados pela imprensa no primeiro semestre desse ano. Injustificável, entretanto, a resistência patronal, pois a lei é bastante clara ao inserir esses profissionais no rol daqueles já agraciados com o adicional de periculosidade, em virtude das funções que exercem se mostrarem perigosas, conforme norma do art. 193 da CLT É fato incontestável que os vigilantes, vigias e funções similares submetem sua própria segurança pessoal a um risco acentuado para proteger o patrimônio alheio, entretanto, em razão desse infundado debate sobre a regulamentação da Lei, desde sua entrada em vigor poucos trabalhadores da categoria estão recebendo o adicional de periculosidade integralmente. O Sindicato patronal chegou a ingressar com um DISSIDIO COLETIVO DE GREVE perante o Tribunal Regional do Trabalho- 2ª Região, visando ver declarada a ilegalidade da greve perpetrada pelos Vigilantes e Vigias no inicio do ano, sob o infundado argumento de que ela estava amparada em uma reivindicação injusta, pois o adicional de periculosidade previsto pela Lei estaria ainda dependendo

de regulamentação. Recentemente essa questão foi decidida através do Acórdão proferido pelos Juízes da Seção Especializada do referido Tribunal, onde decidem pela legalidade da greve sob o fundamento de que a Lei nº 12.740/12 possui aplicabilidade imediata, pois “não há que se exigir regulamentação se a previsão legal já dispõe com a clareza necessária para os cumprimentos de seus ditames, sob pena de se negar efetividade ao direito assegurado, com custeio no Diploma Maior”. E acrescenta: “Se no caso vertente a própria lei é específica e já é direcionada a determinadas atividades, despicienda a regulamentação. Não há sentido exigir que norma hierarquicamente inferior venha a dispor sobre questão já prevista em lei.” (Dissidio Coletivo de Greve nº 000171110201350200000, Acórdão nº 2013003194, publicado em 12/12/2013) Esse entendimento confirma exatamente o que vem sendo defendido pelos sindicatos da classe dos profissionais de segurança pessoal e patrimonial, entre os quais se insere o dos vigilantes e vigias. Portanto, a persistente recusa em cumprir a lei, se mostra desarrazoada conforme decisão citada acima, sendo direito do trabalhador da segurança pessoal e patrimonial receber o adicional de periculosidade correspondente a 30% sobre o piso da categoria desde que a lei passou a vigorar, em dezembro de 2012. Márcio Tomazela é advogado e presidente da Advocacia Márcio Tomazela

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Por Carla Acquaviva

POR QUE INVESTIR EM COMUNICAÇÃO EM ANO DE COPA DO MUNDO?

Carla Acquaviva

O

desenvolvimento da área de Comunicação é cada vez mais complexo e integrado com o negócio das organizações. A necessidade de interagir com diversos públicos e suas demandas exige diferente tipos de linguagens e conteúdos. Esse é o grande desafio na era da informação: articular canais de interface sem perder o senso estratégico e a qualificação técnica. Acrescente-se a este panorama outro fator que deve impor profundas mudanças este ano, tanto à área de Comunicação, como para diversos outros setores da economia. Trata-se da Copa

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do Mundo FIFA Brasil 2014, um grande evento esportivo que irá aquecer o mercado e trazer oportunidades para as empresas que estiverem preparadas. A lição de casa dos brasileiros será compatibilizar a oferta de produtos locais com as diversas demandas que estão surgindo nas áreas de turismo, gastronomia, artesanato, serviços, entre outras. Mas além de ofertar bons produtos e serviços, é necessário que as empresas saibam também promovê-los. Segundo a Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo) durante os 30 dias de jogos da Copa do Mundo de 2014, a economia brasileira


já terá garantido o retorno de todo o investimento público feito para a realização do evento. O turismo, em especial o setor hoteleiro, será o maior beneficiado e o que estará mais em evidência durante o mundial de futebol. A cobertura jornalística em todo o mundo dará grande destaque para o evento e consequentemente para o Brasil. Deste modo, é de extrema importância que as empresas invistam em ferramentas de comunicação, criando um plano integrado que ofereça mensagens básicas consistentes, além de oferecer treinamento para os porta vozes e investir em uma assessoria de comunicação que oriente o cliente sobre como interagir com a imprensa. Um programa de preparação de porta voz, por exemplo, é um investimento quecapacita os representantes da empresa para o atendimento pessoal ou telefônico à imprensa, além de demonstrar como obter o melhor desempenho em comunicação e estabelecer um canal adequado com os veículos de comunicação. Essa preparação deverá estar alinhada com as necessidades apontadas pelos objetivos estratégicos da companhia. Mas não são somente as empresas da área hoteleira que serão beneficiadas. Segundo estudo realizado pela Ernst & Young, em parceria com Fundação Getúlio Vargas (FGV), que avaliou os impactos socioeconômicos da Copa do Mundo 2014, o evento vai beneficiar também milhares de micro, pequenas, médias e grandes empresas dos setores industrial, comercial e de serviços. São pelo menos 11 setores listados que serão diretamente atingidos pela Copa, gerando uma estimativa de negócios de quase R$ 3 bilhões. Por esta razão, é hora de investir em seu plano estratégico, de marketing e de comunicação, treinar bem sua equipe, colocar o time em campo e se preparar para lucrar com este grande evento esportivo que nosso país irá sediar, além é claro, de torcer pelo Brasil. Números da Copa Conheça as estimativas de investimentos, geração de empregos e renda durante a preparação do País para a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014, divulgados pelo Governo Federal. • Serão investidos R$ 28,1 bilhões vindos de recursos públicos e privados para ampliar e antecipar recursos para o desenvolvimento da infraestrutura nacional. • Mais de R$ 112 bilhões adicionais circularão na economia brasileira no período de 2010 até o final de 2014. • Estimativa de geração de 3,6 milhões de empregos. • Para cada real aplicado pelo setor público, estima-se que 3,4 reais sejam aplicados pela iniciativa privada a partir das obras estruturantes. R$ 63,48 bilhões de renda para a população no período 2010-2014. Fonte: Ernst & Young/FGV: “Brasil Sustentável - Impactos Socioeconômicos da Copa do Mundo 2014”. Copa já traz benefícios ao País • 24.500 empregos diretos foram criados apenas na construção dos seis estádios da Copa das Confederações. • R$ 100 milhões em novos negócios foram gerados para as micro e pequenas empresas brasileiras, grandes empregadoras de mão-de-obra com obras e serviços gerados pela Copa (dados do Sebrae). • 903 empresários estrangeiros de 70 países visitam o país em promoção da Apex durante a Copa das Confederações. • Expectativa é agregar US$ 1 bilhão às exportações de produtos nacionais nos próximos doze meses. Carla Acquaviva é Diretora Executiva da Vergili & Press Office Comunicação Integrada

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VOCÊ É REPELENTE OU ATRAENTE?

Marcia Frati

V

ocê conhece alguém que reclama de tudo? Já ficou ao lado de alguém que parece pesado, chato, cansativo? Já conviveu com alguém que bate as portas, que fala gritando e que tem sempre uma palavra rude na ponta da língua para disparar em quem se atrever a lhe perguntar algo? Já conheceu alguém que reclama até de propaganda de televisão, que fica nervoso com os telejornais, com a política, com a burocracia, com o cachorro, com as seguradoras, com o síndico e com a mulher (ou marido), filhos, sogra e até com o tempo? Se faz sol é porque o calor é insuportável. Se chove é porque “pobre não tem sorte mesmo”. Tudo é motivo pra reclamar! E o maior problema é que as pessoas que são (ou estão) assim, quase sempre não percebem! Por isso, pergunte-se: você anda reclamando demais da vida? Tem se comportado como uma pessoa pesada e desagradável? Ou seja, tem se comportado como pessoa-repelente? Tem se dado conta de que poucos amigos ainda continuam ligando de vez em quando e que dificilmente alguém te paquera, se interessa e se mantém interessado por você depois de te conhecer melhor?

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Sim, porque ninguém gosta de ficar perto de alguém que mais parece uma “ziquizira” do que um “convite”... E essa é a notícia chata que eu tinha pra dar... Mas eu tenho também uma notícia muito boa! De pessoa-repelente você pode passar a pessoa-atraente... E é mais simples do que você imagina. O primeiro passo é se tornar uma pessoa afetuosa. Sobre isso, Leo Buscaglia (em seu livro “Vivendo, Amando e Aprendendo”) deu algumas dicas: - “Para começar, acredito... que a pessoa afetuosa seja uma pessoa que goste de si. ... Não me refiro ao narcisismo... Refirome a uma pessoa que goste de si como alguém que sabe que só podemos dar aquilo que possuímos, de modo que é bom começar a conseguir alguma coisa”. - “Acho que a segunda coisa mais importante num indivíduo afetuoso é que ele se liberta de rótulos... Basta você ouvir um rótulo para pensar que sabe tudo sobre ele. Ninguém jamais se dá o trabalho de dizer: ‘Ele chora? Sente? Entende? Tem esperanças?’”. “Palavras... Você, se for uma pessoa afetuosa, se dirá o que significa uma palavra só depois de descobrir, por experiência, o que significa; não por acreditar na definição de outras pessoas”. - “Também acho que o indivíduo afetuoso é o que detesta o desperdício e não suporta a hipocrisia. Rosten diz: ‘Os fracos é que são cruéis. Só se pode esperar a brandura dos fortes”. - “Por fim, acho que o indivíduo afetuoso é aquele que não se esqueceu de suas próprias necessidades... A necessidade de sermos vistos, conhecidos, reconhecidos... A necessidade de desfrutar do nosso mundo, de ver a maravilha contínua da vida, de poder ver como é maravilhoso estar vivo”. Bom, o Leo escreveu muitas outras coisas fantásticas e eu adoraria continuar citando essas maravilhas, mas sugiro que você leia este livro! E eu vou continuar meu artigo... Depois de se tornar afetuosa, sugiro que você se torne uma pessoa gostosa. Não, não estou falando de medidas, peso, busto, quadris e cintura... Estou falando de leveza, de alto astral, de risada, flexibilidade, senso de humor, otimismo... Estou falando da criança que existe em cada um de nós... mas que talvez, você tenha esquecido a sua trancada no porão, desde quando se deu conta de que cresceu, de que os anos passaram. Bobagem! Abra o porão, resgate a sua capacidade de transformar pequenas ocasiões em festas. E assim, afetuoso e gostoso, você terá se tornado uma pessoa-atraente. Daquelas que a gente tem vontade de ligar, de convidar pra sair, de conversar, de contar segredos, de pedir conselhos... Daquelas que a gente tem vontade de amar! Porque, afinal, de que mais a vida é feita? E nunca se esqueça: se não conseguir sozinho, procure ajuda!


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Revista Industria News - Segurança do Trabalho