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ND

Fechamento autorizado. Pode ser aberto pela ECT.

Ano 01 | Março 2009 | Edição 08

ENTREVISTA Mirian Zacareli aborda os desafios do RH

MEIO AMBIENTE ONG trabalha pela reciclagem de baterias

AÇÃO SOCIAL ZF capacita jovens de Sorocaba

Tempos difíceis Empresas e sindicatos buscam soluções para evitar demissão em massa


crise

04 __ março • Indústria News • 2009

Editorial

Lições da ND Indústria News é uma publicação mensal da JT Comunicação em parceria com a Ferrari & Auvray Editora www.industrianews.com.br

•Diretor Jurandir Corrêa

•Marketing William Pires

•Editora Rose Ferrari

•Editora Assistente Katia Auvray

•Repórteres Fabiana Yoko e Piero Vergílio

•Fotógrafo Gilson Hanashiro

Publicidade | vendas@jtcomunicacao.com.br (15) 2102-4700 Fale com a redação | redacao@ferrariauvray.com.br (15) 3227.4327 Para receber seu exemplar | revista@jtcomunicacao.com.br (15) 2102-4700

No ano passado, a economia mundial vivia o melhor momento desde a década de 70: juros baixos, crédito fácil e expansão econômica. Esse panorama, tão favorável, levou cidadãos comuns e empresas a investimentos ousados, em busca de lucros mais altos e rápidos. O excesso de confiança tomou conta do mercado e reduziu a noção geral dos riscos. Os participantes do mercado sabiam que a “festa” não duraria para sempre. Isso, no entanto, os estimulou a uma intensa corrida especulativa: todos queriam aproveitar a oportunidade antes do estouro da bolha. Como era sabido que a situação não se sustentaria por muito tempo, ao primeiro sinal de retração, o pânico foi geral e houve uma fuga em massa de capitais, o que multiplicou as perdas. Decisões individuais racionais levaram a comportamentos coletivos irracionais. É assim que se inicia uma recessão: investidores acreditam que a hora não é boa para investir e consumidores estabelecem que a hora não é boa para consumir. Na tentativa de protegerem sua riqueza, todos empobrecem. Não se trata de um caso em que uns perdem e outros ganham; é um jogo de soma zero, já que essas riquezas simplesmente desapareceram. Quando não se confia no futuro, o medo toma o lugar da ganância. Evita-se emprestar dinheiro e procura-se poupar para dias difíceis. Mas, com a retração de investimentos e de consumo, empresas vendem menos; com a queda nos lucros, há mais demissões; com menos renda, as famílias cortam o consumo, e o ciclo recomeça. Não há, até o momento, previsão de recessão, mas é consensual que os percentuais de crescimento no País serão mais modestos em 2009. Andar mais devagar não é tão ruim quanto andar para trás, mas os efeitos econômicos e políticos são da mesma natureza. Em Sorocaba, cuja base econômica é o segmento metalmecânico, com grande ênfase na produção de peças para a indústria automobilística, os efeitos já foram grandes e podem crescer, como se pode observar na matéria de capa desta edição. Tomara que o bom senso prevaleça!


Intelliagent Networks fabrica softwares de acordo com a necessidade do cliente

06 __ março • Indústria News • 2009

Sumário

22 Soluções sob medida 26 Ação Social ZF capacita jovens e os insere no mercado de trabalho sorocabano

08

12 Giro Rápido 30 Ponto de Vista • Nori Lucio Jr.

Mirian Zacareli Consultora de RH aborda importância do setor nas organizações e fala sobre a crise

Manutenção do emprego Empresários e sindicatos entram em conflito quando o assunto é a redução de jornada de trabalho e de salários

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Seções

14

Meio Ambiente Pilhas e baterias podem ser recicladas e o descarte responsável previne danos ao meio ambiente e à saúde


março • Indústria News • 2009

Entrevista 08 __


Mirian Zacareli

Consultora de Recursos Humanos fala da importância do setor no mercado “O RH tem que possuir uma função estratégica e reconhecer que o fator humano é preponderante no sucesso e no desenvolvimento dos negócios” Com o passar dos anos, a área de Recursos Humanos de uma organização tem se tornado sua chave para o sucesso. Estudiosos do assunto afirmam que pessoas trabalham com mais motivação se o ambiente de trabalho for saudável. Além disso, nessa época em que o mundo e todos os assuntos se voltam para a crise, é o gestor de pessoas que acalma os ânimos e evita as situações de pânico entre os funcionários. Para falar desses e de outros temas que envolvem a área de Recursos Humanos, a consultora de RH Mirian Zacareli concede uma entrevista exclusiva à revista Indústria News e dá dicas para os empresários. Indústria News – Que avaliação a senhora faz sobre os modelos de gestão de pessoas adotados nas empresas da região? Mirian Zacareli – Este é um tema muito abrangente para o qual não há, nem registro ou, muito menos, um estudo

aprofundado. Eu me baseio em 33% das empresas sorocabanas que são certificadas pelo sistema de gestão de qualidade, a ISO 9001, ou seja, considero que elas tenham mecanismos de gestão de pessoas. Essas são as empresas de sucesso, que realmente veem o processo com começo, meio e fim e que contam com um planejamento estratégico. Fazendo uma avaliação, nota-se que essas empresas têm nível de excelência, porque se comprometeram, prepararam as pessoas, ou seja, os seus colaboradores, para caminharem juntos e de acordo com as estratégias desenvolvidas. Para estar nesse nível elevado, as empresas tiveram que obedecer a algumas premissas básicas do mundo dos Recursos Humanos: o planejamento da área de RH, para que a gestão de pessoas seja um processo congruente com a estratégia da empresa. Não adianta ter uma gestão

maravilhosa, se ela não está de acordo com a estratégia de seu empreendimento, com os resultados e as expectativas dos clientes. O modelo de gestão deve ser integrado, estrategicamente orientado e, primordialmente, deve contribuir com os negócios da empresa, para que os resultados positivos comecem a aparecer. Indústria News – Quais são os desafios dos gestores de Recursos Humanos no atual cenário de crise? Mirian Zacareli – O RH tem que possuir uma função estratégica e reconhecer que o fator humano é preponderante no sucesso e no desenvolvimento dos negócios. Devese detectar as necessidades de treinamento e de desenvolvimento, de acordo com a estratégia da empresa. Outro ponto importante é a comunicação empresarial. É importante criar sistemas de comunicação que sejam realmente eficientes para o

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público interno - os colaboradores - e para o externo - os clientes. Não adianta realizar campanhas com algo que difira dos sentimentos das pessoas. Não adianta ser treinado apenas para atingir as metas. É necessário que os colaboradores sintam-se satisfeitos com o treinamento recebido. Se na empresa há um gestor que já trabalha de acordo com as estratégias da empresa, engajado e que se comunica bem, ele tem uma chance muito maior para a perpetuação do sucesso. Agora, as empresas que não se re-estruturaram e não tiveram essa preocupação nos momentos de aquecimento, vão ter problemas. Indústria News – Qual a contribuição da liderança carismática para o fortalecimento de uma empresa? Mirian Zacareli – Ela tem o poder de envolver as pessoas. Apenas que essa liderança não pode ser regida só pela emoção, mas, pelo contrário, requer muito conteúdo. Um bom líder tem que buscar o conhecimento, gerar confiança e, consequentemente, as pessoas a sua volta se esforçarão muito mais para obterem sucesso. É necessário ser respeitoso com os colaboradores, pois isso contribui diretamente na vida deles. Acima de tudo, a sinceridade deve estar em primeiro lugar. O líder não pode fingir que é bonzinho ou que tem carisma. Ele tem que ser mesmo carismático. Indústria News – Um líder já nasce pronto ou qualquer pessoa pode se tornar um? Mirian Zacareli – Tem pessoas que já possuem essa habilidade ou, pelo menos, têm uma tendência, mas ainda há a necessidade de se preparar. Hoje em dia, existem técnicas importantes e poderosas para formar um líder. Antigamente se formavam líderes em dez anos. Hoje é possível reduzir esse tempo para três, pois são empregadas técnicas de modelagem, ou seja, as pessoas não precisam passar por situações de frustração para aprender. Com a modelagem e o emprego de técnicas de neurolinguística, elas passam por situações

similares e aprendem como resolvê-las. Indústria News – O que significa adotar a simplicidade como um dos preceitos no mundo corporativo? Mirian Zacareli – A simplicidade pode

“A comunicação é muito importante para consolidar uma marca no mercado. Tudo depende da forma que a empresa é vista. Uma boa imagem pode conquistar clientes” causar um efeito maravilhoso. Para ilustrar, podemos tomar como exemplo a utilização de um site. Ele pode ter um conteúdo de grande valia, porém, se você não tiver os caminhos simples para navegálo, deixará de conhecê-lo. É o mesmo quando um líder apresenta o seu plano estratégico numa empresa. Podem estar ali coisas valiosíssimas para o sucesso, mas dentro de uma organização há diferentes públicos. As informações devem ser transmitidas com simplicidade para que atinjam tanto os trabalhadores do piso da

fábrica quanto a diretoria. O que fazer para obter o efeito desejado? Adequar a linguagem a seu público. O conteúdo será falado de outra forma, mas o objetivo será o mesmo. Se a forma por meio da qual as coisas são mostradas forem adequadas, isso poderá ter um efeito impressionante. A simplicidade é mágica. Indústria News – Por que atualmente se recorre com mais frequência a consultorias? Mirian Zacareli – Porque as consultorias são muito especificas e atendem muito bem as demandas das empresas. Por exemplo: às vezes a empresa precisa de um trabalho para seu desenvolvimento com um efeito rápido. Ao contratar uma consultoria, ela consegue isso no prazo desejado. Caso contrário, a organização deverá ter empregados especialistas em várias áreas. As consultorias vieram para facilitar. A empresa desenvolve um projeto e, ao contratar uma boa consultoria, ela o executa de forma mais eficiente, mais rápida e com um custo bem acessível. Indústria News – Qual é a melhor receita para uma comunicação corporativa eficiente? Mirian Zacareli – Essa é uma pergunta bem interessante, porque algumas empresas pensam que distribuir releases (textos para a imprensa) e encher a caixa de e-mail das pessoas têm efeito positivo e, às vezes, é o contrário. Ao receber as notícias, os destinatários as deletam. É necessário que haja uma estruturação na comunicação organizacional, além do fato de que o empresário deve estar preparado para dar entrevistas. Hoje há muitas ferramentas que contribuem para isso. Pode ser a contratação de serviços especializados, como agências de comunicação e assessorias de imprensa, cursos de media training, que contribuem para a postura e comunicação em público e com a imprensa. A comunicação é muito importante para consolidar uma marca no mercado. Tudo depende da forma como a empresa é vista. Uma boa imagem pode conquistar clientes. Se existe um produto numa


gôndola e você ouviu falar bem da empresa que o produz, é aquele que você vai escolher. A comunicação precisa fluir externa e, principalmente, internamente. E o departamento de Recursos Humanos é o responsável pela área. Uma pesquisa do Sebrae aponta que apenas 0,03% das micro e pequenas empresas têm comunicação corporativa no Brasil. Um dado espantoso. Se as demais empresas percebessem que a comunicação corporativa é importante, elas poderiam melhorar. Indústria News – Os programas de melhoria de qualidade (Kaizen) podem ser aplicados em micro e pequenas empresas? Mirian Zacareli – Devem ser aplicados independentemente do porte da organização. É importante que os empresários saibam que os princípios são direcionados para a melhoria contínua, ou seja, sempre devem estar melhor como pessoas e como profissionais. Um líder deve fazer uma autorreflexão e perceber o que se pode aprimorar, além de se perguntar o que ele realmente pode fazer em prol dessa melhoria. A partir do momento que reconhecem os pontos a serem modificados, o compromisso já está selado. Basta detectar o que cada um pode fazer para esse aperfeiçoamento e o que pode ser evitado. São procedimentos que não custam tão caro. Uma hora ou meia hora de conversa com os funcionários pode render muitos frutos à empresa. Se ela não tiver um programa estruturado, isso pode ser feito de uma forma bem simples. O líder tem que ser o exemplo, aquele que será copiado pelos colaboradores. Atualmente, um dos itens que diferencia uma empresa da outra é o modo como colaboradores se sentem no ambiente laboral. Se eles se sentirem bem,

Fabiana Yoko fabiana@ferrariauvray.com.br


12 __ março • Indústria News • 2009

Giro Rápido

Votorantim é competitiva

Valdir Paezani exibe protótipo de cobertura produzida na Engecall

Engecall lança novo produto A Engecall, empresa especializada em projetos e caldeiraria industrial, acaba de agregar mais um produto a seu portfolio: a cobertura autoportante, constituída por chapas de aço, que tem se mostrado um dos sistemas de cobertura mais modernos e eficientes do mercado. Com aplicações diversas, como em pavilhões industriais e comerciais, estádios, ginásios de esportes, postos de gasolina, estacionamentos, galpões rurais, depósitos e terminais rodoviários, propicia absoluta segurança e grande rapidez na montagem. Segundo o diretor administrativo da Engecall, Valdir Paezani, a máquina utilizada para a fabricação das telhas foi desenvolvido pela equipe da empresa. “Foram meses de estudo e projetos até sua finalização. Vários testes foram realizados até chegarmos ao ponto que consideramos ideal, quando o produto estava pronto o mercado”, afirma. Paezani também ressalta que a cobertura adapta-se a qualquer tipo de construção: em estrutura de concreto, metálica ou de madeira, podendo ser plana, arqueada ou, ainda, ser utilizada em fechamentos laterais.

Iharabras no Show Rural Coopavel Pelo 4º ano consecutivo, a Iharabras, tradicional fabricante de defensivos agrícolas, participa do Show Rural Coopavel, em Cascavel, no Paraná. A empresa leva para o evento, resultados de um trabalho que começou no início da safra 2008/2009. Nos últimos meses, a Ihara percorreu toda a região Sul do País, além do Mato Grosso do Sul, realizando demonstrações de campo e

apresentando estudos feitos com seus produtos, principalmente o Flumyzin, no combate da Buva e das principais ervas daninhas de difícil controle existentes na região. “Mandamos uma equipe de agrônomos aos Estados Unidos para conhecer o manejo da Buva. Trouxemos este conhecimento e os resultados foram excepcionais” afirma o gerente de cultura

Um estudo realizado anualmente pela empresa de consultoria Boston Consulting Group colocou, novamente, o Grupo Votorantim entre as cem companhias de países emergentes capazes de competir em igualdade com multinacionais sediadas em países ricos. Ao todo, 14 empresas brasileiras foram selecionadas, fazendo do Brasil o terceiro país com mais empresas na lista, atrás apenas da China e da Índia. A base do estudo é o desempenho econômico das companhias durante o ano de 2007, que exclui os efeitos da crise financeira. As BCG 100, como são chamadas as companhias, somaram receitas de US$ 1,5 trilhão em 2007.

Duplamente premiado O Grupo Schaeffler - um dos líderes mundiais em componentes automotivos, industriais e aeroespaciais, que comemora 50 anos de atuação no Brasil, recebeu, através da LuK, dois prêmios concedidos pela fabricante e distribuidora global de equipamentos agrícolas AGCO do Brasil – detentora das marcas Massey Ferguson e Valtra. São eles: “Evolução em Qualidade 2008” e “Acre-AGCO Cost Reduction Expectation 2008”, que adota como base de avaliação a redução de custos. A escolha da Schaeffler para as duas categorias deveu-se à qualidade, cumprimento de prazos e contribuição para o desenvolvimento de novos produtos, além da superação do objetivo estabelecido no programa Acre. Segundo o vice-presidente de Vendas LuK América do Sul, Milton Vendramine, ser premiado é o resultado do bom relacionamento entre cliente e fornecedor. “Só com essa relação de confiança conseguimos oferecer os melhores produtos para o sucesso de nosso cliente e, consequentemente, o nosso”, ressalta.


A Heliar encerrou 2008 com a formação de mais de 200 especialistas em baterias veiculares. Iniciado em fevereiro do ano passado, um curso foi direcionado aos aplicadores e visa a contribuir para o aperfeiçoamento dos profissionais do setor de baterias, além de torná-los especialistas em todo o sistema elétrico. Realizado na sede da Johnson Controls, o curso possibilitou conhecer as instalações da empresa, os laboratórios de testes e ver de perto como são produzidas as baterias. As aulas, ministradas por engenheiros de aplicação da Heliar, reuniram, mensalmente, uma média de 20 profissionais. Envolveram a realização de exercícios teóricos em sala e práticos em automóveis, além de abrangerem todo o sistema elétrico, orientações sobre a importância da qualidade, respeito ao cliente, ética profissional e preservação do meio ambiente, através de cuidados especiais.

Miniempresa continua em 2009 O programa Miniempresa – uma parceria entre a General Motors Distribuidora, a ONG Junior Achievement e a Prefeitura de Sorocaba - terá continuidade em 2009 e beneficiará 25 alunos do 1º e 2º anos do Ensino Médio da Escola Municipal Achilles de Almeida.

Os jovens, com idades entre 15 e 16 anos, montarão uma fábrica de cabides para roupas e, com isso, terão experiência prática em economia e negócios, por meio da organização e operação de uma empresa real, além de conceitos de livre iniciativa, mercado, comercialização e produção.

Fabiana Yoko >>> fabiana@ferrariauvray.com.br

Emerson Ferraz / Divulgação PMS

Especialistas em baterias

Mais 1300 empregos Assinatura do protocolo de intenções firmado entre a Prefeitura e a Fulwood A Interprint, empresa dedicada a impressão de papéis de segurança, como Carteira Nacional de Habilitação e Registro Geral (RG), anunciou investimentos de R$ 33 milhões em Sorocaba, incluindo a construção do prédio. De acordo com um de seus diretores, Gilmar Ribeiro Vita, serão gerados 1.340 empregos, entre diretos e indiretos, e a empresa já começou a contratar mão-deobra para a planta que está instalada no Parque Novo Mundo. O início das operações está previsto para maio deste ano. A Interprint é uma unidade do Grupo Abnote (American Banknote), fornecedora de soluções envolvendo Cartões Plásticos, Sistemas de Identificação e Gestão de Serviços Gráficos. O grupo já atua na cidade com a empresa CSM Cartões, adquirida há aproximadamente 20 anos.

Investimentos na cidade Sorocaba receberá um centro de logística da empresa Fulwood. O investimento a ser feito pela empresa será de R$ 90 milhões. O protocolo de intenções foi firmado entre a Prefeitura de Sorocaba e o empresário Gilson Schilis. Na oportunidade foi anunciado que serão gerados de 2,5 mil postos de trabalho diretos e outros 7,5 mil indiretos. A escolha pelo município deveu-se à proximidade da capital e à facilidade de escoamento pelos complexos viário e ferroviário que circundam a cidade. O empreendimento será composto por um centro industrial, comercial e empresarial com galpões destinados a indústrias, empresas comerciais e prestadoras de serviços. Essa estrutura dará suporte operacional às indústrias locais para a estocagem, gerenciamento e distribuição de mercadorias. A Fulwood, empresa que atua na área de investimentos e incorporações imobiliárias sediada na cidade de São Paulo, ficará localizada na Zona Industrial, em uma área de 148.500 metros quadrados, com capacidade para atender até 22 empresas. “Queremos iniciar as operações da Fulwood no segundo semestre de 2009”, afirmou o empresário.


março • Indústria News • 2009

Capa

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Procura-se Produção desacelerada nas empresas aumenta o número de desempregados no País


Os efeitos da crise mundial – a falta de crédito e o encarecimento dos financiamentos – já deixam sequelas em solo brasileiro. O lado nocivo é perceptível quando o assunto é o emprego, um dos pontos mais nevrálgicos da economia de um país. Reflexo da perda de dinamismo da produção industrial no último trimestre do ano passado, o emprego na indústria vem caindo gradativamente, e os números são alarmantes. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a queda registrada em dezembro foi de 1,8%. O resultado representou a maior redução de ocupação de mão-de-obra no setor, desde o início da série da pesquisa, em 2001. Na comparação com dezembro de 2007, o indicador registrou a primeira taxa negativa (-1,1%), após 29 meses consecutivos de expansão. Na visão do economista André Macedo, o emprego responde, habitualmente, aos movimentos na atividade industrial. Como a queda na produção foi muito intensa no final de 2008, não é possível saber ainda se a defasagem na taxa de ocupação de dezembro são um contágio final ou se tendem a se aprofundar nos próximos meses. Os segmentos que vinham alavancando o emprego industrial no ano passado, como, por exemplo, o setor de veículos automotores, viram sua atividade despencar no último trimestre. Em dezembro, a produção industrial recuou para níveis de quatro anos atrás, caindo 12,4% em relação a novembro de 2008 e 14,5% em relação a dezembro de 2007, as maiores quedas desde 1991. No acumulado do ano passado, a produção industrial cresceu apenas 3,1%. De acordo com a economista Isabella Nunes, esses números mostraram uma mudança radical de cenário no quarto trimestre. Segundo ela, além do forte desgaste na confiança, que abalou o consumo interno, houve uma redução brusca da demanda internacional por matérias-primas (commodities). Em apenas três meses, de outubro a dezembro, a indústria registrou queda de 19,8% na produção, a redução mais forte >>>


OIT prevê que até o fim de 2009, mais de 30 milhões de pessoas perderão emprego

Desemprego em massa Se a recessão perdurar, mais de 50 milhões de pessoas poderão perder seus empregos ao redor do mundo, até o final deste ano. Além disso, outros 200 milhões que conseguirem manter seus empregos passarão a ganhar menos de US$ 2 por dia, ficando abaixo da linha da pobreza. Os dados preocupantes são da Organização Internacional do Trabalho (OIT), e preveem que mulheres e imigrantes serão os primeiros demitidos. A alta no número de desempregados é a maior desde que a Organização das Nações Unidas (ONU) iniciou o registro da situação dos trabalhadores no mundo, em 1991. O diretor da OIT, Juan Somavia, é enfático ao afirmar que as classes médias estão enfraquecendo e que os impactos políticos e em termos de segurança são graves. A hipótese mais otimista é de que o volume de desempregados seja acrescido de 18 milhões de pessoas em 2009. No entanto, essa projeção já foi praticamente abandonada, já que se baseava num crescimento do PIB mundial de 2,2%, descartada pelo próprio Fundo Monetário Internacional (FMI). Um estudo mais realista elaborado pela OIT aponta para uma alta do desemprego de, pelo menos, 30 milhões de pessoas até o final do ano. Mesmo assim, esse cenário só será válido se os pacotes de incentivos dos

Divulgação/Sindicato dos Metalúrgicos

ocorrida ao longo do período pesquisado. A produção de veículos automotores no País, principal impacto positivo para a produção industrial até setembro de 2008, ficou também com o ônus do maior impacto de queda na produção em dezembro, em todas as bases de comparação.

Terto, do Sindicato dos Metalúrgicos: redução de salário é inadmissível

Tanigawa, do Ciesp: redução de carga horária para manter empregos


governos e as medidas para resgatar as economias começarem a dar resultados positivos. Caso isso não ocorra e a situação econômica continue a se deteriorar, o desemprego mundial passará de 5,7%, em 2007, para 7,1%, em 2009, significando 51 milhões de novos desempregados. Mar de demissões De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, no mês de dezembro, foram dispensados 1,54 milhão de trabalhadores em todo o Brasil. Mesmo havendo a contratação de 887,2 mil pessoas, o saldo ficou negativo em 654,9 mil postos. No mesmo período, a indústria paulista fechou em queda de 5,64%, perfazendo um total de 130 mil vagas fechadas, a maior redução mensal da série histórica iniciada em 1994, segundo dados da pesquisa realizada pela Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp). “A violência e velocidade dessa crise fizeram com que perdêssemos, nos últimos três meses de 2008, tudo aquilo que ganhamos ao longo do ano”, analisa o diretor titular do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp/Ciesp, Paulo Francini. Sorocaba também tem sentido os efeitos da crise. Em dezembro, segundo o Caged, as indústrias de transformação da cidade demitiram 4.078 pessoas e admitiram 623, gerando um saldo negativo em 3.455 postos. Do número de vagas fechadas, 1.889 são de operadores de linha de montagem (aparelhos eletrônicos) e 346 de operadores de laminador, cargos que não tiveram contratações no período. Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região, Ademilson Terto da Silva, as demissões são consideradas uma falta de compromisso das empresas com os seus trabalhadores. Para ele, muitas têm se aproveitado dos noticiários sobre a crise para demitir e aterrorizar seus funcionários. “Uma grande companhia do setor eletrônico, por >>>


Foguinho/Companhia da Imagem

Manifestação de operários contra a redução de carga horária e salários

exemplo, demitiu, em dezembro passado, 2,4 mil trabalhadores em nome da crise. Como ela, há uma série de fábricas que abusam da contratação temporária e, ao primeiro rumor de retração nas vendas, passam a demitir”, ressalta. Medidas paliativas Em contrapartida, algumas indústrias encontraram um meio de manter seu quadro de funcionários e diminuir gastos. A redução da jornada de trabalho com a proporcional diminuição de salário foi uma iniciativa do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, que acredita ser, na visão dos empregadores, uma saída para fugir das rescisões. A proposta apresentada está prevista na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) e tem como exigências um acordo entre as duas partes envolvidas – empresa e funcionário – e o aval da Delegacia Regional do Trabalho, representando o Ministério do Trabalho e Emprego.

Para o vice-diretor do Ciesp Sorocaba, Mário Tanigawa, essa alternativa é extremamente válida no cenário industrial de hoje. A indústria, segundo ele, por falta de linhas de financiamento, não consegue comercializar seus produtos em estoque, gerando uma reação em cadeia. “Sem as vendas, a capacidade produtiva diminui e, consequentemente, traz ociosidade na produção, sendo necessário o ajuste entre diminuição da carga horária e redução salarial para a manutenção dos empregos. Dependendo da amplitude da redução do volume de produção, talvez haja a necessidade de reduzir o quadro de funcionários”, ressalta. Já o Sindicato dos Metalúrgicos vê a negociação como algo inadmissível e até promoveu passeatas de protesto contra esse tipo acordo. “Não dá para aceitar uma negociação na qual se reduzam a jornada e o salário do trabalhador. Se o seu poder de compra for diminuído, isso contribuirá para que a crise econômica se aprofunde.

Além disso, não há nenhuma garantia para esse trabalhador, que ainda correrá o risco de ficar desempregado”, afirma Terto. Uma medida adotada por vários empregadores e aceita pelo sindicato é a utilização do banco de horas. Nesse sistema, os funcionários trabalham, por exemplo, um dia a menos na semana e assumem débitos com o sistema de banco de horas da empresa. Quando a produção for retomada, essas horas serão compensadas pelo trabalhador. Outra opção aprovada pelo sindicato é a antecipação de férias. Injeções de ânimo O governador de São Paulo, José Serra, anunciou em 12 de fevereiro o pacote de investimentos públicos e incentivos à manutenção da atividade econômica. Serra foi incisivo ao dizer que o objetivo do Governo de São Paulo é assegurar o nível de emprego e ampliá-lo. O pacote prevê investimentos de R$ 20,6 bilhões de


Fabiana Yoko

recursos públicos na ampliação e manutenção de linhas do Metrô e da CPTM (R$ 4 bilhões), transportes (R$ 5 bilhões), saneamento (R$ 2,5 bilhões), habitação (R$ 1,6 bilhão), educação (R$ 807 milhões), segurança (R$ 1,02 bilhão) e outras áreas (5,3 bilhões). A expectativa é a de movimentar 858 mil postos de trabalhos diretos e indiretos - 250 mil a mais que as 630 mil vagas criadas em 2008, ao custo de R$ 15 bilhões. Além disso, a atual redução da alíquota de ICMS de 18% para 12%, cujo término estava previsto para junho deste ano, será prorrogada até dezembro. Já a compra de máquinas, equipamentos e insumos utilizados na fabricação de produtos para a exportação, o chamado Drawback Paulista, também estará livre do tributo estadual até o final de 2009. Às micro e pequenas empresas tomadoras de crédito foi destinado o Programa ME Competitiva. Com ele, metade dos juros cobrados por empréstimos será subsidiada pelo governo paulista. Compras governamentais de até R$ 80 mil serão exclusivamente feitas de micro e pequenas empresas, que a partir de abril contarão com R$ 1 bilhão em recursos da recém-criada agência de fomento Nossa Caixa Desenvolvimento, para financiar investimentos e capital de giro. A contrapartida exigida para obtenção de crédito pelo Fundo de Aval Estadual será suspensa. Assim, não será necessário

Economista Geraldo Almeida: variáveis foram esquecidas pelos empresários >>>


Oferta de postos de trabalho caiu drasticamente a partir do final de 2008

apresentar máquinas, imóveis ou qualquer outro bem como garantia. Na avaliação de Paulo Skaf, presidente da Fiesp/Ciesp, o programa é positivo para movimentar a economia paulista, mas deve ser complementado por ações mais rápidas do governo federal. “A somatória dessas medidas com as já tomadas pelo governo federal são positivas. Ajudam, mas não resolvem”, considerou. Nada é impossível Para o economista Geraldo Almeida, a origem da crise se deve ao excesso de confiança do empresariado no crescimento de 2008. “Há um ano, era inimaginável que grandes montadoras de automóveis pudessem quebrar e que grandes bancos decretariam falência. Na cabeça do empresário, essas premissas parecem impossíveis e, no entanto, elas são somente improváveis”. Geraldo acredita que o cenário no Brasil é melhor que o de alguns países do mundo. Sobre as perspectivas de quanto tempo a crise perdurará acredita ser, ainda, uma grande incógnita.

Arte: Fabiana Yoko

Fabiana Yoko fabiana@ferrariauvray.com.br


março • Indústria News • 2009

Destaque

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Fábrica de Intelliagent Networks produz softwares que ajudam no cotidiano das empresas

Estar antenado quanto às novidades virou necessidade para sobrevivência no mercado competitivo. Em vista disso, as empresas buscam atrelar seu cotidiano aos benefícios trazidos pela Tecnologia da Informação (TI), que dinamiza e aprimora o ambiente de trabalho. É nesse cenário que se destaca a Intelliagent Networks, especializada no desenvolvimento e implantação de soluções eficazes voltadas, principalmente, para empresas de micro, pequeno e médio portes, dos mais variados segmentos. Há quatro anos no mercado, a Intelliagent Networks oferece uma gama de serviços profissionais para implantação, administração, desenvolvimento, suporte e manutenção de seus sistemas corporativos em TI e ambiente de rede. O diferencial do serviço está na consultoria que detecta as reais necessidades do cliente, compreendendo suas expectativas e apresentando a melhor solução para o negócio. “A consultoria é objetiva e eficaz. Assim que contatada, uma equipe especializada é deslocada até o local e, em pouco tempo, o problema é detectado e resolvido por meio de nossa infraestrutura e da competência de nossos profissionais. Isso reduz custos e tempo para o cliente, que terá uma solução completa em suas mãos”, explica um dos

diretores da empresa, Renato de Oliveira Menon. Afinados desde os tempos de escola, os primos Renato Menon e Eider Del Prete cursaram juntos o Colégio Técnico de Processamento de Dados, em Sorocaba. A graduação na mesma área – o primeiro formou-se em Engenharia da Computação e o segundo, em Ciências da Computação – fez surgir a vontade de abrir um negócio juntos. “Tudo foi muito rápido. Já na abertura da empresa, criamos um sistema para atender às necessidades de controle administrativo do escritório de contabilidade”, comenta Eider. O trabalho dos primos foi tão satisfatório que o proprietário da DGA Office, Douglas Gomes Filho que, ao longo de três anos utilizou o sistema, passou de cliente para sócio da Intelliagent. Fábrica de softwares O Juristantum foi o primeiro sistema desenvolvido pela empresa. É uma ferramenta destinada a organizar a vida atribulada de advogados, juizes e escritórios de advocacia. Ela possibilita um detalhado controle de pastas, permite a reprodução digital dos processos físicos com total qualidade dos cadastros, além de ser capaz de controlar todos os desdobramentos que ocorram durante o processo.

O carro-chefe da empresa é o Smart Business, um sistema que oferece integração entre departamentos e colaboradores da empresa e redução de custos. O sistema opera com módulos integrados que centralizam informações cadastrais, controle de tarefas, processos e compromissos corporativos, além de fazer a gestão de documentos e protocolos, envio e recebimento de e-mails com ferramenta própria e emissão de boletos bancários. Já para as empresas que desejam ter soluções específicas para suas necessidades, a Intelliagent Networks atua no desenvolvimento de softwares, sendo capaz de criar sistemas adequados para cada perfil, atendendo às premissas básicas da fácil utilização: usabilidade, planejamento, documentação e design. A empresa já desenvolveu sistemas nos segmentos de publicidade, industrial, jurídico, comercial e de manufatura. Sua expectativa para 2009 é lançar um software específico que contemple todas as ações administrativas de uma empresa.

Fabiana Yoko fabiana@ferrariauvray.com.br


soluções


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Microempresa

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Portas abertas à incubação Novo edital inova, prevendo a integração de empresas não residentes A Incubadora Tecnológica de Empresas de Sorocaba (Intes) lançou, em fevereiro, um edital para atrair mais projetos de empreendimentos para incubação. Segundo o Secretário de Desenvolvimento Econômico Daniel de Jesus Leite, a Intes dispõe de três boxes para futuras empresas residentes. A inovação deste documento está em agregar ao processo empresas não residentes. “O empreendimento terá todo o suporte científico-tecnológico de gestão em sua própria empresa, não precisando estar alocado fisicamente na incubadora”, ressalta Leite. O processo de seleção é idêntico para ambas as modalidades e se dá em três etapas. Na primeira, é realizada a análise dos pré-projetos, trabalho de responsabilidade do gerente da Incubadora. Logo após,

os empreendimentos são avaliados com base nos planos de negócios e seus proponentes são encaminhados para entrevistas com membros do comitê técnico-científico. Após a seleção, os planos de negócios são submetidos à aprovação final do Comitê Gestor. Os critérios para aprovação, segundo o secretário, são a análise de viabilidade econômica, técnica e mercadológica do negócio, a originalidade da proposta apresentada e o perfil tecnológico da empresa e de seus empreendedores. Para os interessados, as inscrições para o processo de seleção das propostas de empresas a serem incubadas serão feitas em formulário próprio, obtido com o gerente da incubadora. As propostas deverão ser apresentadas juntamente com

os questionários respondidos e os currículos dos empreendedores. Novos rumos Em janeiro deste ano, a administração da Intes foi assumida pela Associação Sorocabana das Indústrias, que firmou um convênio com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae Sorocaba). A finalidade da parceria é a elaboração de um plano de ações para a nova fase de desenvolvimento do projeto, que inclui cursos e treinamentos para capacitação tecnológica dos empresários assistidos dentro da Incubadora. Por outro lado, será realizado um diagnóstico das dez empresas incubadas


atualmente, para identificar seu potencial para o mercado e suas necessidades de negócios. A expectativa para 2010, de acordo com o gestor do projeto no Escritório Regional do Sebrae-SP, Eduardo Flud, é de abrigar até 30 empresas entre incubadas e associadas. A incubadora de Sorocaba iniciou suas atividades em dezembro de 2003, num prédio com área 1,5 mil metros quadrados, abrigando, inicialmente, sete empresas de base tecnológica de vários segmentos, como informática, eletroeletrônico, metalmecânico e automação. De lá para cá, 12 empresas foram graduadas e já contam com estrutura própria. Além de capacitar e preparar as empresas de forma competitiva para o mercado, a incubadora tem como missão oferecer suporte a empreendedores, estimulando e apoiando sua criação, desenvolvimento e consolidação, além da interação com o meio empresarial e científico. Informações sobre a incubação podem ser obtidas pelo telefone (15) 3237.4461 ou p e l o e - m a i l i n c u b a d o r a s o r o c aba@hotmail.com.

Daniel Leite apresenta a incubação de empresas não residentes

Fabiana Yoko fabiana@ferrariauvray.com.br


março • Indústria News • 2009

Ação Social

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No Projeto Pescar, alunos são orientados por funcionários-voluntários

Pescando o futuro ZF é colaboradora de projeto de capacitação de jovens para o mercado de trabalho “Se desejares matar a fome de alguém, dá-lhe um peixe. Mas, se quiseres que ele nunca mais passe fome, ensina-o a pescar”. Inspirado no antigo provérbio chinês nasceu, em 1976, o Projeto Pescar, como decorrência da necessidade de incentivar e assessorar as empresas a criarem suas escolas técnicas. Graças ao programa, mais de 12 mil jovens já ingressaram no mercado de trabalho, em onze estados brasileiros e no Distrito Federal. Qualquer organização, independente de seu porte, área de atuação e localização geográfica, pode participar do projeto como franqueada, mantenedora, apoiadora ou empregadora dos jovens formados. A empresa franqueada recebe suporte da Fundação Projeto Pescar, de Porto Alegre/RS, que se encarrega de

preparar o orientador, fornecer as diretrizes e transmitir o conhecimento, por meio da troca de experiências e desenvolvimento de técnicas de ensino. Dentre as corporações que já aderiram à ideia, está a ZF, uma das maiores fabricantes de sistemas e componentes automotivos, que pratica ações de responsabilidade social em todas as cidades nas quais possui unidades fabris. Para o presidente do grupo na América do Sul, Wilson Brício, “a iniciativa oferece aos jovens uma sólida base educacional, aumentando suas chances de ingressar no mercado de trabalho e impulsionando sua carreira”. A parceria teve início em 1997 e, desde então, 146 adolescentes foram capacitados no complexo de Sorocaba. Vários deles

iniciaram a trajetória profissional na própria ZF – mais de 25% foram contratados – e outros são indicados para trabalhar em empresas da região. Os formandos são acompanhados por uma equipe durante dois anos. Samuel Biazon, que participou do projeto em 2008, revela que se tornou uma pessoa mais confiante. “Aprendi muito nas aulas de Mecânica e Desenho, mas os cursos de Comunicação e Relações Humanas, além do convívio na empresa, me ajudaram a superar a timidez”, destaca o jovem de 18 anos, que ingressou no curso de Engenharia Civil da Facens. Processo seletivo O Projeto Pescar é destinado a estudantes desempregados – com renda


familiar de até um salário mínimo – que estejam, obrigatoriamente, matriculados no Ensino Médio. Durante a seleção, é feita uma visita à casa dos candidatos, que também são submetidos a entrevistas e participam de dinâmicas. As disciplinas curriculares, dentre as quais Metrologia, Leitura e Interpretação de Desenho Técnico, são ministradas por funcionários-voluntários, que dedicam parte do expediente ao planejamento dos cursos. Vale ressaltar que o número de colaboradores interessados em contribuir dobrou nos últimos quatro anos: em 2005, eram 14 e, no ano passado, 30. As aulas, que valorizam o desenvolvimento pessoal e a qualificação técnica, acontecem nas instalações da empresa. Os cursos de Inglês e Informática, por sua vez, são oferecidos por instituições parceiras. Enquanto participam do projeto, os jovens recebem assistência médica e odontológica, transporte, alimentação, além de material didático, uniformes e cestas básicas. Em Sorocaba, além da ZF, a Metso

Wilson Brício, presidente da ZF na América do Sul

Piero Vergílio redacao@ferrariauvray.com.br


28 __ março • Indústria News • 2009

Meio Ambiente

Sua saúde agradece Descarte de pilhas e baterias deve ser criterioso para minimizar danos

Telefone celular, controle remoto, MP3 player e máquina fotográfica estão cada vez mais inseridos no cotidiano. A mobilidade proporcionada pelos aparelhos facilita a vida do usuário, porém, o meio ambiente é uma das vítimas da grande quantidade de pilhas e baterias descartadas. O Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) determinou, por meio da Resolução nº 257, de 30 de junho de 1999, que os estabelecimentos comerciais são os responsáveis pela coleta das pilhas e baterias descartadas pelos consumidores. Esses produtos devem ser acondicionados, obedecendo às normas ambientais, e devolvidos aos fabricantes ou importadores. Na teoria, parece uma boa solução, mas não é o que ocorre na prática. Só na cidade de São Paulo, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente, são descartadas cerca de 192 milhões de pilhas por ano e grande parte ainda é jogada em lixo doméstico. Há ainda outro problema: 40% das pilhas consumidas no Brasil são falsificadas e podem conter até sete vezes mais produtos químicos. Os ambientalistas defendem que o descarte desse material deve ser criterioso, pois ele é composto por metais pesados que, se descartados de forma inadequada, causam malefícios à saúde humana e ao meio ambiente.

Na tentativa de solucionar o problema, o Projeto de Lei 2.428/07 do deputado federal Raul Henry (PMDB-PE), proíbe a fabricação e o comércio de pilhas não recarregáveis em todo o território nacional. Para ele a proposta não acarretará perdas ao consumidor ou à economia, pois já existem baterias adaptáveis aos equipamentos eletrônicos mais utilizados. Fabricantes, importadores e comerciantes de pilhas também serão obrigados a esclarecer os consumidores quanto à necessidade de devolução do produto após o uso. Solução em Sorocaba Numa área de 50 mil metros quadrados, com o funcionamento previsto em 90 dias, Sorocaba ganhará sua estação ambiental, destinada ao depósito de lixo eletrônico, além de concentrar a coleta de materiais

recicláveis, de óleos de cozinha e industriais. A estação, fruto de uma parceria com empresas locais, é uma continuação dos ideais da Organização Não Governamental Instituto Viver Sorocaba (Iviso), que detectou a necessidade de recolher, inicialmente, pilhas e baterias de celulares de origem doméstica. A dificuldade encontrada pelo presidente da entidade, Vladimir Maciel Campos, reside no fato de que as pessoas precisam se conscientizar das consequências do descarte inadequado e dos altos custos para a reciclagem desses produtos. Os coletores da ONG podem ser encontrados em empresas locais, no Carrefour, nos campi da Universidade de Sorocaba, na Escola Técnica Estadual


Descarte inadequado pode causar danos à saúde humana e ao meio ambiente

Rubens de Faria e Souza, entre outros. Para ter um coletor da Iviso, o interessado paga uma taxa anual de R$ 1.500 para o custeio da reciclagem do produto. Desde a implantação dos coletores, em 2001, a organização já reciclou quase 20 toneladas a um custo de R$ 990, a cada mil quilos. Além disso, a ONG arca com as despesas do frete (R$ 500 em média). “Diferente do alumínio, do plástico e do papel, que geram lucro ao serem reciclados, as pilhas e baterias só trazem despesas”, afirma o presidente. Numa forma de compensação, a ONG recebe também doações de equipamentos eletrônicos descartados por defeitos ou obsolescência, como telefones celulares, máquinas fotográficas, computadores e outros. Todo equipamento recebido é vendido para a empresa a Suzanquim Indústria Química, que abate esses valores dos custos da reciclagem que faz de pilhas e baterias. Para o bom funcionamento da estação ambiental, o presidente da Iviso iniciará uma campanha junto às empresas locais para que elas se cadastrarem junto à ONG, possibilitando que seu lixo eletrônico seja recolhido e levado ao depósito. Produção em massa Os ciclos de substituição de produtos

estão cada vez mais acelerados. O tempo médio para troca dos celulares - que já são mais de 102 milhões em uso no País - é de menos de dois anos. Os computadores, que ultrapassam 33 milhões de unidades, são trocados a cada quatro anos nas empresas e, a cada cinco anos, pelos usuários domésticos, de acordo com estimativa da consultoria IT Data. Além da reciclagem, outros destinos podem ser dados aos computadores. A fabricante Dell possui dois programas. Um de inclusão digital, que recebe micros usados e os doa a centros comunitários, e outro de recolhimento de PCs antigos da

Componentes das pilhas e danos à saúde Cádmio: de fácil absorção no organismo, causa nefropatias (doenças nos rins) e, algumas vezes, é o responsável por câncer de próstata. Lítio: reage facilmente em contato com a água, liberando hidrogênio. É altamente inflamável. Em contato com a pele e olhos ocasiona queimaduras. Mercúrio: pode causar dor de estômago, diarreia, tremores e até demência. No sistema nervoso, o produto tem efeitos desastrosos, podendo levar à morte. Chumbo: quando ingerido ocasiona náuseas, vômitos e paralisias, podendo ser fatal.

marca. O Comitê para Democratização da Informática (CDI) recebe computadores doados para programas de inclusão digital. As máquinas devem ter processador Pentium II ou superior, HD de, no mínimo, 2 GB e memória RAM de, no mínimo, 64 MB. Já o Museu do computador aceita qualquer tipo de doação. Os equipamentos são guardados para o acervo e utilizados para fazer arte com sucata.

Fabiana Yoko fabiana@ferrariauvray.com.br


30 __ março • Indústria News • 2009

Ponto de Vista

Personalidade

da marca Nori Lucio Jr.

Independentemente de segmento, as empresas participam de um mercado, de uma forma geral, muito dinâmico, e precisam adaptar, rapidamente, suas mutações para aproveitar as novas oportunidades. Diferentemente do passado, quando os ciclos de amadurecimento de produtos e serviços eram mais espaçados, hoje a “comoditização” é quase que instantânea, consequência do impacto das várias mídias. Buscar diferencial competitivo é o desafio das empresas que precisam sair das margens apertadas de um mundo “comoditizado”. A imagem da marca representa como o consumidor percebe a empresa, ou seja, o que o cliente pensa quando ele é exposto à marca por meio de qualquer programa de marketing ou vendas. Um grande erro gerado pela ansiedade ou pela falta de preparo dos gestores de marketing ou vendas é comunicar-se com seus clientes sem saber exatamente se eles, os clientes, percebem a empresa da mesma forma pela qual a empresa gostaria de ser percebida. Normalmente, IMAGEM e IDENTIDADE não estão equalizadas, o que gera “dissonância”. Na prática, significa que o cliente lê um determinado anúncio da empresa e se pergunta: Será que esta empresa está realmente falando comigo? Existem ainda outras reações piores como: sentimento de arrogância ou simplesmente gargalhadas por descrédito. A melhor forma de compreender a PERSONALIDADE da

Nori Lucio Jr. é fundador da brandMe (brandme.com.br), especializada em planejamento estratégico. Formado em Marketing, com especializações no Brasil e exterior, respondeu pelo desenvolvimento de vários projetos relacionados a construção de marca, marketing & comunicação e desenvolvimento de canais de vendas no Brasil, América Latina e Estados Unidos.

marca é mediante uma pesquisa formal na própria base de clientes da empresa, entre clientes que tenham comprado nos últimos três meses, para garantir o “frescor” do feedback. Ao ver os resultados, lembre-se de que receber elogios da sua própria base de clientes não representa nada mais que o esperado. Por outro lodo, a crítica deve ser escutada com muita atenção, já que os próprios clientes estão reportando as deficiências da empresa. Exemplos de reações que podem ser identificadas na pesquisa: • O cliente não reconhece a empresa, não menciona a empresa como parte das empresas das quais ele está acostumado a comprar. • O cliente critica suas competências essenciais, ou seja, o básico que deveria estar funcionando com precisão. • O cliente diz que compra pouco ou menos do que poderia pelo motivo A, B ou C. • O cliente associa a empresa a um único produto, que pode estar atrelado a um fabricante que tem a marca mais valiosa. Na prática, se o fabricante descontinuar o produto, a empresa perderá o sobrenome. • O cliente menciona a(s) concorrência(s) com melhores condições de compra. Na hora da apresentação dos resultados, não se surpreenda se colaboradores da empresa, de certa forma magoados, tentarem sabotar os resultados. Infelizmente, muitas vezes, o próprio presidente ou a gerência sênior não aceita que seus clientes não o reconheçam ou que critiquem sua operação. Saber ouvir e aprender nesse momento farão toda a diferença na escolha das estratégias e, consequentemente, na decisão sobre o montante de investimento que será destinado às atividades de marketing e vendas. “As atitudes e ações da empresa estão sempre limitadas ao que a própria empresa falhou em observar - Miopia.”



Revista Indústria News Edição 8