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Olá! Você está a ponto de entrar no alucinante mundo de Txano e Oscar. Se esta história lhe agradar, muito em breve você também pode ler a segunda:

Operação Maxi ¡Flipantástica!

Baixe-a registrando-se em: >>> www.txanoyoscar.com <<< E que você se divirta com a leitura!


A pedra verde Ilustrações Texto Patricia Pérez Julio Santos


Txano

Olá! Meu nome é Txano e este aqui embaixo é o meu irmão Oscar. Nós somos gêmeos, mas eu sou mais velho porque nasci cinco minutos antes e logo mais você vai ver que isso faz diferença.

Oscar A menorzinha da família é a nossa irmã Sara-Li. Ela encontrou Maxi numa caixa de papelão na rua e convenceu mamãe que a deixasse trazê-la para casa.


Aqui está o resto da nossa família: o de cabelo ruivo e barbicha esquisita é o nosso pai. O nome dele é Alexandro, mas todos o chamam de Alex. Ele tem uma loja de antiguidades na cidade.

Alex Bárbara Nossa mãe se chama Bárbara e ela é tradutora. Quando nós a deixamos irritada... Ufa! Seu nome parece até suave demais.

Sara-Li

Maxi


A milhões de quilômetros do planeta mais próximo, uma estranha rocha luminosa sulcava o espaço, deixando atrás de si um rastro de pó verde. Viajando a toda velocidade, tinha deixado Marte para trás fazia muito tempo e, neste momento, atravessava o vazio, a caminho do seu destino final: um bonito planeta azul chamado Terra. Já ouviu falar dele, não é mesmo?


Por sorte, ele era um asteroide pequeno e não representava uma ameaça global, mas escondia um incrível segredo. Dentro de poucos dias, essa estranha pedra iria se cruzar com as vidas de Txano e Oscar, mudando-as para sempre. Mas, como você verá a seguir, enquanto a pedra continuava avançando, eles estavam preocupados com outras coisas...


Olá! eu me chamo Txano

Era quase meio-dia. Eu estava de pé, junto à porta da cozinha e acabava de dar um tiro em minha mãe com um tubo de ketchup. E o pior era que meu irmão havia feito a mesma coisa com outro tubo de maionese. Mas pior ainda, muito ruim de verdade, era que nós dois tínhamos acertado os tiros. Tinha sido sem querer, mas havíamos acertado em cheio. Sim, já sei, você vai me dizer que isso também não chega a ser um desastre muito sério e que um jato de ketchup ou de maionese não é mortal. Tem razão! Mortal não era, mas podia significar um castigo de nível sete, pelo menos. Sei que tudo isto pode parecer um pouco estranho, mas eu garanto que nós não estávamos malucos nem tínhamos confundido a mamãe com uma porção de batatas fritas. A culpada de tudo era a chuva.

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Mas deixe-me contar-lhe a história desde o princípio. Vejamos …, vamos começar de novo. Olá, eu me chamo Txano. Bem, na verdade eu me chamo Jorge, porém, com exceção da minha avó Encarnação, ninguém me chama desse jeito há muuuito tempo. Nem sequer os meus pais. Um dia, quando eu tinha dois anos, coloquei um gorrinho de lã vermelha e verde, ao qual chamei de “txano”, e gostei tanto, que ele não saiu mais da

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minha cabeça. Eu não o tirava nem para dormir e toda a família começou a me chamar assim. Quando eu fiz seis anos, tirei o gorro, mas já não consegui tirar o nome. Porém, isso não me importa. Eu até gosto mais que Jorge. Você já conhece o meu irmão. Sim, aquele da maionese. É meu irmão gêmeo e ele se chama Oscar. Embora sejamos gêmeos, eu nasci cinco minutos antes e, por isso, sou o mais velho. E, embora fisicamente sejamos muito parecidos, nossos pais dizem que somos como a noite e o dia. É verdade que nosso caráter não tem nada que se pareça porque, para dizer de uma forma suave, o Oscar é um doidão que faz as cosas sem nunca pensar nas consequências. Mas, por outro lado, ele é um fissurado em tecnologia e, quando resolve inventar algo, é capaz de passar vários dias trabalhando totalmente concentrado, criando coisas incríveis. Eu, no entanto, não sou nem tão impulsivo nem tão fissurado. Digamos que, antes de fazer as coisas, penso um pouco mais, porém não tenho essa faísca de gênio que meu irmão tem, às vezes. Mas, isto sim, adoro contar histórias. Embora nosso caráter seja diferente, também é verdade que compartilhamos um montão de passatempos. Sobretudo, a paixão pelo Lego, os videogames e

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os filmes de super-heróis. Ah! E nós dois adoramos a pizza e o espaguete à bolonhesa que mamãe faz. Mas, continuemos com a história e não se preocupe com os outros protagonistas, pois quando eles forem aparecendo eu os irei apresentando a você. Fazia quase uma semana que as aulas no colégio tinham acabado e, desde então, gozávamos, ou melhor, sofríamos umas férias chuvosas e aborrecidas. Teria sido bom estrear a nossa liberdade com sol e calor ou, pelo menos, sem chuva, mas isso não aconteceu e o mau tempo nos acompanhou por toda a semana. Brincar o tempo todo com o tablet ou com o Lego era bom por uns dois dias, mas quando você já leva uma semana sem poder fazer outra coisa, garanto que não é tão divertido. O Oscar e eu tínhamos um montão de planos alternativos, mas todos eles necessitavam de um céu azul e um chão seco, e as opções de diversão começavam a faltar. Nossa mãe se chama Bárbara e trabalha em casa, traduzindo livros e, naquela semana, ela foi a primeira a sofrer com as nossas férias aborrecidas. Depois de passar a manhã inteira procurando coisas para nos divertirmos, tínhamos esgotado o nosso repertório e, entediados, perseguíamos um ao outro pela casa, brigando por qualquer bobagem.

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Numa dessas brigas, o Oscar teve a ideia de fazermos um “Burger Combat”. Sim, já sei que só por esse nome eu deveria ter dito que não, sem perguntar mais nada, porém reconheço que minha curiosidade foi mais forte e eu quis saber que barbaridade ele havia imaginado desta vez. Com um brilho no olhar, que eu conhecia muito bem de desastres anteriores, ele foi com decisão à cozinha e, sem dizer nada, abriu a geladeira. Tirou um tubo de ketchup e outro de maionese e os segurou nas mãos na minha frente.

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Então, me olhou muito sério e, entregando-me o primeiro deles, disse: “Esta é a sua arma, soldado. Boa sorte e que vença o melhor!”. E, dizendo isso, afastou-se até o outro lado da cozinha, abriu o tubo e me apontou com a clara intenção de disparar em mim um bom jato daquele molho. De qualquer ângulo que você olhe, era uma ideia nefasta, típica do Oscar, e eu deveria ter aproveitado esse momento para sair correndo. Mas, depois de uma manhã superchata, aquela ideia do meu irmão até que tinha a sua graça e, sem pensar muito, abri meu tubo para me defender. Flushhh! O jato de maionese passou raspando e acabou na parede. Flushhh! Contra-ataquei com o ketchup, que falhou por pouco e acabou no chão. Depois de alguns ataques e contra-ataques, a cozinha e nós mesmos não tínhamos uma aparência muito boa. Mas, talvez, tudo teria corrido bem se mamãe não tivesse a ideia de entrar naquele momento. Flushhh! Flushhh! Um segundo depois, um jorro vermelho e outro amarelo escorriam em câmera lenta por suas bochechas. O Oscar e eu ficamos paralisados, olhando-a com cara de bobos enquanto abaixávamos lentamente as

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nossas armas, digo… os nossos tubos, colocando-os em cima da mesa. Mamãe era, normalmente, bastante tranquila, mas quando se zangava de verdade… Ufa! Era como um furacão daqueles que apareciam na TV. E eu tinha a certeza de que os jorros em seu rosto, além dos nossos e os da cozinha, davam de sobra para uma raiva de categoria épica. Durante alguns segundos, ela ficou ali quieta, sem abrir os olhos, certamente pensando a qual tortura chinesa iria nos submeter daí a pouco. Ou nós pensávamos em algo rapidamente ou o nosso dia tinha acabado. Então, o Oscar fez cara de quem havia tido uma ideia e me fez um sinal para o imitasse. Fomos nos aproximando de nossa mãe pouco a pouco, com medo de que abrisse os olhos a qualquer


momento e nos desse dois super-tabefes de grau cinco, mas ela não se mexeu. Vai ver que o ketchup e a maionese tinham propriedades paralisantes e nós não sabíamos. Movimentando-nos vagarosamente, pusemos duas banquetas, uma de cada lado da mamãe, e subimos para nos aproximarmos do seu rosto. Vendo isto, pensei que a ideia do Oscar era amolecê -la à base de beijos, mas, de repente, ele começou a dar lambidas nos jatos de maionese e eu, com o cérebro totalmente desconectado, o imitei fazendo o mesmo com os de ketchup. Ai, ai, ai! Mas o que nós estávamos fazendo? Meu irmão era o rei de fazer as cosas na louca e o cúmulo era que eu o acompanhava. Isto não podia acabar bem. No meio das lambidas, mamãe abriu os olhos, bufou como um touro agitado e deu um grito que deve ter sido ouvido até nos sistemas exteriores da galáxia.

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A onda expansiva nos atirou das banquetas e, do chão, olhamos sua cara, agora rebocada com uma meleca de babas vermelhas e amarelas. Alertadas pelo grito, apareceram à porta da cozinha nossa irmã pequena, Sara-Li, e Maxi, sua cachorrinha. Ambas, cheirando o perigo, ficaram olhando dali, sem entrar. Sara-Li era de origem chinesa e tinha três anos menos que nós. Um dia, justamente quando o Oscar e eu fizemos cinco anos, papai e mamãe nos explicaram que nós tínhamos muita sorte porque tínhamos papais, mas que havia muitas crianças no mundo que não tinham. Disseram-nos que seria muito bonito poder compartilhar nossa família com uma delas e nos perguntaram se gostaríamos de ter uma irmãzinha. Creio que, embora não entendêssemos muito bem ao que eles se referiam, a ideia parecia sensacional. Foi assim que, quase um ano depois, nossos pais foram à China e voltaram com Sara-Li. Já desde pequena ela era esperta como um esquilo e nossos pais diziam que era mais responsável que nós dois juntos. Uma tarde, indo pela rua com mamãe, ela encontrou um cachorrinho abandonado numa caixa mas,

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na verdade, era uma cachorrinha. Sara-Li convenceu mamãe a trazê-la para casa “só por alguns dias”. Batizou-a com o nome de Maxi e, desde então, ela ficou conosco. Apesar de que, de vez em quando, ela estragava a nossa diversão com o seu sentido de responsabilidade, Sara-Li sabia conquistar as pessoas e nós todos a adorávamos. E agora, lá estavam ela e a Maxi à porta, observando a cena, enquanto mamãe nos atravessava com o seu olhar laser. Mas, nesse momento, tocou o telefone. Tocou uma vez. Duas vezes. Três vezes… Mamãe escutava impassível, sem parar de olhar para nós. Por fim, na quarta vez, respirou e, apontando o dedo para nós, enquanto com a outra mão limpava um pouco seu rosto, saiu da cozinha para atender. Era o tio Alberto, irmão da mamãe. Uau! Isso sim é que era sorte. Falar com ele sempre a deixava de bom humor. Talvez ainda pudéssemos nos salvar. Em todo caso, adiantei-me antes que o Oscar tivesse mais uma de suas ideias e comecei a organizar pessoalmente a limpeza daquele desastre. Até a Sara-Li nos deu uma mão, porque quando a mamãe se zangava de verdade conosco, nunca se

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sabia como a coisa podia acabar e, às vezes, também acabava sobrando para ela. Quando mamãe acabou de falar, a cozinha estava quase

limpa. Sem dizer nada, colocou-se à porta com cara de que nós tínhamos esgotado as reservas mundiais de paciência, mas quando ela nos viu com os panos na mão, acabando de fazer a limpeza, seu rosto se relaxou e ela ficou parada por uns momentos. — Vocês se livraram por um triz — disse muito séria. — Tiveram a grande sorte de que o tio telefonasse, mas sobretudo, vocês se livraram porque tiveram a ideia de limpar a cozinha. Se vocês aprontarem mais uma destas, vou pô-los a varrer toda a casa com a escova de dentes. Entendido? — disse ela, perfurando-nos com seu olhar. Ufa! Não sei de onde mamãe tirava essas ideias, mas seria melhor tomar cuidado e deixar a maionese e o ketchup para os hambúrgueres. — Obrigaaado, mami! — disse Oscar aproximando-se dela com cara bajuladora.

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— Não seja pilantra, pois certamente isso foi coisa sua! — disse-lhe mamãe afastando-o. — Escutem! — continuou ela falando, incluindo também Sara -Li e Maxi em seu olhar. — Antes de acabar besuntada como uma porção de batatas, eu estava vindo propor a vocês um plano para o fim de semana. Parece que o tempo vai ser bom, de maneira que nós poderíamos dar uma saída familiar e estrear a barraca que está morrendo de aborrecimento lá no sótão. Que acham de irmos ao Lago dos Ursos? — Siiiim! — gritamos todos em coro, sem suspeitar que aquele iria ser o começo das nossas aventuras.

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O Lago dos Ursos

Com esse nome, certamente você imagina um lugar com um montão de ursos escondidos detrás dos arbustos, esperando para nos roubar a comida, não é mesmo? Mas não é isso! Nosso pai nos disse que, desde há muito tempo, já não havia animais grandes por ali; com exceção dos humanos, é claro. O lago estava num lugar superlegal, rodeado por bosques e pequenas colinas rochosas. Depois de um tempo dirigindo devagar por uma estreita estrada flanqueada por árvores, chegamos a uma clareira, junto à margem, e papai anunciou: — Família, chegamos! E, enquanto descia do carro e esticava as pernas, acrescentou: — Ahhh!… Faz mais de dez anos que eu não vinha aqui, mas vejo que tudo continua igual. Venham,

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desçam todos, pois temos que montar o acampamento. Vamos nos divertir muito! E, esfregando as mãos, abriu o porta-malas e começou a tirar trastes e mais trastes, como se nós fossemos ficar lá durante um mês. E isso apesar de que mamãe não havia deixado que ele trouxesse nem a metade do que pretendia.

Antes que eu me esqueça, aproveito para apresentar nosso pai a vocês: seu nome é Alexandro, ainda que todo mundo o chame de Alex. A única pessoa que o chama de Alexandro é mamãe, quando fica zangada com ele. Bem, na verdade, quando fica zangada ela o chama pelo nome e o sobrenome. “Alexandro Mediano!”, diz a ele com tom de professora de matemática. E quando fica muito, muito zangada e quer chateá-lo de verdade, ela o chama de Alexan “dro Medário”. Você captou?

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Creio que este jogo de palavras lhe dá mais raiva porque ele ainda não encontrou algo parecido para chamar mamãe; e olha que com Bárbara se podem dizer “barbaridades”, não é mesmo? Ele tem uma loja de antiguidades na cidade e gosta muito de arte oriental, embora você logo irá descobrir nesta história que ele possui outras facetas interessantes que nem nós mesmos conhecíamos. Mas voltemos ao Lago dos Ursos. No meio daquela montanha de trastes que o papai tinha tirado do carro, destacava-se um enorme saco, que devia ser a barraca que ele comprou no verão passado. Abriu-o, sem a menor preocupação de ler o manual de instruções, e foi logo tirando varetas, cordas e todo o resto do material, distribuindo tudo pelo chão. Quando vimos aquilo, o Oscar e eu nos olhamos e, instantaneamente, percebemos como tudo aquilo iria acabar; por isso, ficamos observando toda a manobra a uma distância segura. — Não seria melhor seguir as instruções? — perguntava-lhe mamãe de vez em quando. — As instruções são para os novatos. Deixe comigo e você vai ver como tudo ficará pronto num piscar de olhos.

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Duas horas e sete ou oito discussões depois, a barraca ainda não estava montada e o papai procurava desesperadamente pelo chão as varetas que estavam faltando. Pelo menos era o que ele afirmava. — Esta barraca está com defeito — disse ele, sentando-se todo suado numa das cadeiras de camping. — Faltavam peças e, assim, não havia maneira de montá-la. — Talvez o que esteja defeituoso seja o seu cérebro — replicou mamãe num tom tranquilo. — Olha, está chegando a hora do almoço. Acho que seria um bom momento para começar a ler o manual, não acha? — disse-lhe com aquele tonzinho que usava para cutucá-lo. Devo reconhecer que, em geral, nosso pai é bom para montar coisas; por isso, para ele, ler o manual de instruções é como cometer um sacrilégio, e quando a coisa se complica, mamãe se diverte horrores, com um sorriso de orelha a orelha. Não vou aborrecê-los com os detalhes, mas, como você já deve estar imaginando, meia hora depois de mamãe ter lido e seguido as instruções, a barraca estava montada e — surpresa! — não faltava nenhuma peça, embora papai continuasse afirmando que ela as havia escondido.

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Quando chegou a hora de almoçar, nosso pequeno acampamento estava pronto. Hum! Você deve concordar comigo que a comida no campo é muito mais gostosa, não é? Mamãe teve a feliz ideia de levar espaguete, que nós adoramos. Por isso o Oscar e eu repetimos o prato. Bem, sobretudo o Oscar, pois quando ele gosta de alguma coisa, não tem limite.

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Nossos pais penduraram umas redes nas árvores e decidiram que, depois de uma manhã de trabalho duro montando o acampamento, uma sesta era a melhor maneira de fazer a digestão. Sara-Li tinha trazido o último livro de sua coleção favorita e também preferiu ficar ali na rede, lendo um pouco. Nossa irmã podia fazer o que ela quisesse, mas nós não estávamos dispostos a ficar deitados, tendo ao nosso redor um montão de lugares para explorar. Pedimos permissão aos nossos pais, prometendo que não nos afastaríamos muito e eles permitiram, com a condição de que levássemos a Maxi. Enchemos as nossas mochilas com água e alguma coisa para comer e nos pusemos em marcha em direção a uma pequena colina que não ficava distante do acampamento e que parecia ter uma vista espetacular sobre o lago inteiro. Ainda que nós dois adorássemos subir e saltar pelas rochas, naquela vez tivemos que buscar caminhos fáceis porque a Maxi vinha conosco e ela não podia escalar. Mas, apesar de o caminho ser fácil, divertimo-nos saltando daqui para lá em cada grupo de pedras que íamos encontrando e, por isso, chegamos lá em cima arrebentados.

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Mas, isso sim, a vista era realmente sensacional. Quando nos sentamos para beber algo e descansar um pouco, Maxi pôs-se a latir como louca olhando para as nuvens. Tentamos tranquilizá-la, mas não houve maneira de conseguir. Então, começou a latir mais forte e, nesse exato momento, três pequenas bolas de fogo cruzaram a distância à nossa frente e desapareceram logo a seguir, como as estrelas cadentes.

— Uau, cara! Você viu isso? — perguntei, levantando-me sem tirar os olhos do céu. O Oscar também ficou em pé e confirmou de boca aberta.

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Nunca tínhamos visto estrelas cadentes de dia e enquanto ainda estávamos alucinados, olhando para o lugar onde havia desaparecido a última, Maxi começou a latir de novo. De repente, à nossa direita, surgiu outra bola luminosa maior que as anteriores e nos deu um susto mortal. — Caraca! — disse o Oscar encolhendo-se. Desta vez, a bola não desapareceu. Cruzou o céu e espatifou-se do outro lado do lago, deixando em

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seu trajeto um longo rastro fumegante que, pouco a pouco, foi se apagando. Com exceção de um pequeno fulgor luminoso e de um ranger distante de troncos quebrados, não se sentiu mais nada. Se os nossos pais ainda estivessem dormindo, era muito provável que não tivessem percebido nada. Uma fina coluna de fumaça elevando-se sobre as árvores indicava-nos o ponto do impacto, mas em poucos minutos ela desapareceu como se nunca tivesse existido. Maxi nos trouxe de volta à realidade com um latido nervoso e o Oscar voltou-se para mim, alucinado. — Isso era um meteorito? — perguntou. — Um meteorito caiu diante do nosso nariz? Tá brincando! — acrescentou, sem conseguir parar quieto no lugar. — Você viu como ele se espatifou? Viu como desapareceu a fumaça? Você viu?… — continuou ele como uma metralhadora. — É isso aí, é isso aí!… Eu vi a mesma coisa que você — disse tentando acalmá-lo. — Temos que descer e contar ao papai e à mamãe. Não caiu muito longe do acampamento. — Ah, não! Se descermos e contarmos, sem dúvida voltaremos para casa e se acabou o nosso fim de semana de acampamento — respondeu o Oscar.

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— Nada disso. Não vou perder a oportunidade de ver o que caiu no bosque. Ficou pensando por um momento e, colocandose na minha frente, disse: — Escute! Nós vamos fazer o seguinte…

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Txano e Oscar 1 - A pedra verde (Cap.1-2)  

Olá! Meu nome é Txano e meu irmão gêmeo se chama Oscar. Você viu alguma vez um meteorito cair? Nós vimos. Numa excursão no começo do verão,...

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