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Cartilha de Orientação ao

Agricultor Familiar -

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Turismo Rural na Agricultura Familiar - TRAF

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Apresentação O Turismo Rural na Agricultura Familiar - TRAF já é uma realidade em vários estados brasileiros. Valoriza famílias rurais que vivem do trabalho no campo e que vêem na exploração da atividade turística a possibilidade do aumento de sua renda. Diante deste contexto, e vislumbrando também a possibilidade do turismo rural fortalecer a cultura e a preservação do meio ambiente, o Ministério do Desenvolvimento Agrário MDA passou a motivar o desenvolvimento de ações de capacitação de agricultores nesta área, tendo, no estado do Paraná, encontrado como parceiros a divulgar o turismo como alternativa para diversificação do trabalho agrícola, o Serviço Social Autônomo ECOPARANÁ/SETU, Emater/Seab e a Fundação Terra, sempre com o apoio das prefeituras municipais. Neste trabalho, agricultores, agentes de desenvolvimento e técnicos de todo Paraná envolveram-se em cursos, reuniões, eventos e excursões técnicas, despertando neles o interesse em fortalecer cada vez mais esta frutífera relação entre turismo e agricultura familiar. Com o propósito de colaborar ainda mais com as pessoas sensibilizadas pela proposta do TRAF, o Ecoparaná elaborou esta cartilha com dicas, sugestões e informações, as quais representam o início das reflexões e experiências sobre o assunto. Construir este material não foi tarefa fácil, e temos ciência de que ainda há um longo caminho a trilhar, para o qual convidamos todos os interessados no TRAF a seguir conosco! Michelle Poitevin Superintendente Ecoparaná


Sumário 1. Afinal, o que é turismo?.........................................................01 2. Atividades do turismo rural na agricultura familiar..................08 3. Turismo rural na agricultura familiar e cultura........................12 4. Como atender o visitante?..............................................14 5. Como organizar a unidade familiar para o turismo?...............17 6. Turismo Rural e Meio Ambiente............................................21 7. Inserção do TRAF em Roteiros de Turismo Rural .................24


1. Afinal, o que é Turismo? Para entendermos melhor este conceito, vamos conhecer uma historinha? O Sr. Antônio, estressado com a correria da cidade grande, resolve tirar umas férias com sua família. Começa a pensar para onde poderia viajar e de tanto pensar, começou a lembrar da sua infância passada no interior... e resolveu viajar para Araçá do Sul, uma cidadezinha do interior do Estado do Paraná. Seus filhos não gostaram de jeito nenhum da idéia, disseram que não iriam, mas sabiam que não adiantaria desobedecer seu pai. Assim, uma semana depois estavam todos dentro do carro para passar uma semana de férias em família. Já era quase meio dia e eles estavam já perto de Araçá do Sul. Como estavam com fome e não sabiam onde comer decidiram parar em um posto de gasolina para pedir informações. O frentista foi muito atencioso e lhes indicou o melhor caminho para entrar na cidade e também um bom restaurante. Seu Antônio teve dificuldades ao entrar em Araçá do Sul porque não existiam tantas placas que indicassem o caminho e por isso pedia informações aos que encontrava na rua. A população era bastante acolhedora e não se incomodava em parar para explicar a estrada.

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Depois de alguma ajudinha, eles finalmente chegaram ao restaurante e perceberam que o local era muito limpo e organizado. Viram todas as mesas arrumadas e bem postas, as toalhas limpinhas. A Sra. Márcia, mulher de Seu Antônio viu que também o banheiro era muito asseado. Gostaram do local e resolveram pedir o que comer. Todos pediram pratos fartos, mas já na primeira garfada perceberam que a comida estava fria e que os alimentos usados para o preparo dos pratos não pareciam ser frescos. Decepcionados com o descuido dos donos do restaurante, foram embora sem deixar que aquilo abalasse suas férias. Dali, resolveram passar num posto de informações turísticas para programar o passeio nos dias que ficariam em Araçá do Sul. Pegaram alguns materiais sobre lugares interessantes do município e conversaram com o Mocotó, o rapaz que ficava ali no posto pra receber os turistas. Foi o Mocotó que disse ao Sr. Antônio que ali perto tinha uma pousadinha rural bem ajeitadinha pra família ficar. Tinha cavalo, boi, vaca, galinha, cachorro, pato, de tudo um pouco... e o preço não era caro, não! Já sabendo onde dormiriam, resolveram visitar uma cachoeira que viram nos folders e acharam muito bonita, mas chegando lá tiveram uma surpresa: toda a vegetação ao redor da cachoeira estava destruída e a “prainha” que antes existia ali, tinha se transformado em um lamaçal.

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Ninguém teve vontade de entrar e tomar banho naquela cachoeira, primeiro porque ficaram com medo de que não fosse seguro, e segundo porque dava tristeza olhar para toda aquela beleza destruída. Saíram depressa daquele lugar pensando que tinham escolhido o local errado para passar as férias. Mortos de cansados, foram direto para a pousadinha indicada por Mocotó, aquele moço legal do posto de informações turísticas. O proprietário, percebendo o cansaço dos novos visitantes, tratou de acolhê-los cordialmente e de acomodá-los em quartos muito bem arrumados, cheirosos e limpos. Não existiam móveis de luxo, nem nada dessas coisas, mas a simplicidade das instalações, a água quentinha do chuveiro e o colchão confortável fizeram a família do Sr. Antônio dormir com os anjos. No outro dia cedinho, o seu Joca, proprietário da pousada, tocou o sino pra acordar todos os hóspedes para o café da manhã, que era servido num antigo galpão de sua casa. O cheirinho de café entrava no quarto e perfumava todo o local. Pouco tempo depois, estavam todos sentados à mesa pra saborear os quitutes de Dona Benta, mulher de Seu Joca. Tinha pão de milho e bolo de fubá saídos do forno, geléia de abóbora, melado, nata e manteiga pra passar no pão, salame e queijo temperadinhos, além do leite quentinho e do café passado na hora. Huuummmmmm...que delícia de refeição!!! pensaram todos. E o mais interessante é que tudo era feito a partir do que o Seu Joca produzia em sua propriedade.

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Todos comeram até não agüentar mais! Foi quando seu Joca aproveitou pra ir conversar com o Sr. Antônio. Os dois conversaram sobre as experiências da viagem da família do Sr. Antônio, sobre Araçá do Sul e a cachoeira mal cuidada... o Seu Joca contou que quando o turismo ainda era novidade no município, um grande proprietário das terras onde fica a cachoeira quis ganhar dinheiro fácil e anunciou que pagando R$ 3,00 as pessoas poderiam ficar ali e tomar banho pelo tempo que quisessem. Mas o que ele não pensou foi na manutenção do local. Os turistas e a própria população pagavam e ficavam o dia inteiro por ali e quando iam embora deixavam todo o lixo que produziam no local. Com o tempo, a cachoeira passou a atrair cada vez menos gente e se tornou um lugar perigoso porque ficou abandonado. Depois que a Prefeitura explicou direitinho pra comunidade o que é o turismo e como ele funciona, todos entenderam e viram que existem muitos motivos que fazem as pessoas “viajar”, inclusive o do Sr. Antônio, de resgatar um pouco de suas raízes. E mais importante ainda: perceberam que com o turismo a gente de Araçá do Sul têm a oportunidade de se desenvolver e mostrar o seu valor para quem for visitar o município, através da dança e comida típicas, das lendas e causos e tudo o que for tradicional e único naquele lugar. Os dois conversaram tanto que nem viram o tempo passar. Também a semana passou voando.

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Os filhos do Toninho fizeram amizade com os filhos do Seu Joca e aprenderam que a vida no campo não tem nada de chatice ou monotonia! Brincaram com os animais e aprenderam a tirar leite da vaca. A Sra. Márcia e Dona Benta trocaram receitas e passearam juntas, e a família do Seu Antônio passou uma semana tranqüila: os filhos aprenderam e se divertiram e o casal descansou... tudo como tinham planejado. Seu Joca e Dona Benta não deixaram de trabalhar em sua propriedade, mesmo porque era o trabalho deles que movia o seu empreendimento. Ao ir embora, a família do Sr. Antônio agradeceu a hospitalidade da família do Seu Joca e voltou para a cidade grande mais feliz!!!

Turismo é: “O deslocamento e as atividades que as pessoas realizam durante suas viagens com permanência em lugares diferentes dos que vivem, motivadas pelo lazer, evento, compras e outros”.

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Como o Turismo movimenta a economia? O turista visita os atrativos e tem a necessidade de alimentar-se, de dormir (hospedagem), de utilizar meio de transporte, de fazer compras. Todos podem ganhar com isto, veja o exemplo:

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Se o turista se hospeda em um hotel, este precisa comprar o pão na padaria para servir o café da manhã. A padaria e o hotel geram impostos e estes podem ser aplicados em benefícios para a comunidade, como saúde, educação, melhorias de parques e praças etc... Isto tudo gera melhorias para quem mora na cidade e também para os visitantes.

Porque as pessoas fazem turismo? São várias as motivações que levam a pessoa a praticar o turismo: ·

Busca de lazer e descanso;

·

Resgate de suas raízes;

·

Contato com a natureza;

·

Curiosidade em conhecer outras culturas;

·

Compras;

·

Participação em eventos;

·

Prática de esportes;

·

Crenças e fé;

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2. Atividade do Turismo Rural na Agricultura Familiar O que é Turismo Rural? “É o conjunto de atividades desenvolvidas no meio rural, comprometido com a produção agropecuária, agregando valor a produtos e serviços, resgatando e promovendo o patrimônio cultural e natural da comunidade” (Ministério do Turismo).

O que é o turismo rural na agricultura familiar - TRAF? “A atividade turística que ocorre no âmbito da propriedade dos agricultores familiares que mantêm as atividades econômicas típicas da agricultura familiar, dispostos a valorizar, respeitar e compartilhar seu modo de vida, o patrimônio cultural e natural, ofertando produtos e serviços de qualidade e proporcionando bem estar aos envolvidos” (Rede TRAF, 2003).

Qual a relação entre a agricultura familiar e o turismo? O turismo abre espaço para o agricultor familiar oferecer uma série de atrativos e serviços, possibilitando uma complementação de renda e agregação de valor ao produto da agricultura familiar. Para tanto, é importante oferecer atividades para que os visitantes conheçam a vivência da unidade familiar e possam valorizar a cultura rural.

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Importante: ·

Preparar opções de atividades para os hóspedes acompanharem a rotina da propriedade e conhecerem a

história da família. ·

Calcular o tempo de duração destas atividades e o valor a ser cobrado.

Refletir: ·

O que a estrutura atual permite?

·

O que os recursos naturais disponibilizam?

·

O que as aptidões dos responsáveis pela propriedade podem oferecer?

·

Ao local podem ser relacionados fatos históricos, estórias, mitos e lendas?

·

Quantas pessoas da família estarão envolvidas nesta atividade do turismo?

Atividades produtivas: ·

Levar o visitante para conhecer às instalações da propriedade como galpões, paióis, estufas, áreas de cultivo e criação;

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· Mostrar as técnicas de produção agrícola: como se faz o vinho nas cantinas e vinícolas, como se tira o mel, como trabalhar com a agricultura orgânica; ·

Ensinar o visitante a colher frutas e os produtos da horta: sistema “colha-pague”;

·

Mostrar como é o cuidado com os animais: áreas de criação;

·

Oferecer atividades como: pesca, 'pesque-pague', cavalgadas, passeios a cavalo, caminhadas pela propriedade ou em trilhas ecológicas;

·

Verificar a possibilidade de atividades como: banhos de cachoeira/rios/lagos, ciclismo, observação da fauna e flora, esportes de aventura;

·

Comercialização e exposição de produtos “in natura”: frutas, hortaliças e outros;

·

Comercialização e exposição de produtos Transformados: geléias, compotas, conservas, vinhos, licores, sucos, embutidos, mel, laticínios, pães, bolachas e outros.

Lembre-se: ·

Providenciar Nota Fiscal ou Nota do Produtor para venda dos produtos!

·

Recomenda-se a pesagem, embalagem e rotulagem dos produtos (conforme normas).

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Alimentação: ·

Restaurantes, café rural, quitandas, assados em fogo de chão;

·

Área para piquenique e degustação de produtos;

·

Procurar trabalhar com refeições e produtos que representem a cultura local;

·

Procurar orientação técnica na vigilância sanitária para manipular e preparar os alimentos;

Hospedagem: Pousadas, residência do agricultor (quartos), hospedarias, colônia de férias.

Eventos: ·

Participação da propriedade nas festas, feiras e exposições do seu município. Exemplos: Festa do Pêssego, Festa do Caqui, Festa do Vinho e da Uva.

·

Também podem ser realizados eventos nas propriedades: locação de espaço para reuniões, atividades de empresas e escolas.

·

Durante um só evento as propriedades podem oferecer alimentação, hospedagem, venda de produtos e atividades de lazer.

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3. Turismo Rural na Agricultura Familiar e Cultura O que é cultura? O termo cultura significa o conjunto das atitudes e modos de agir, costumes e valores de um grupo social, de uma sociedade. A cultura de um povo mostra seu modo de vida.

Qual a importância da cultura? A maneira pela qual se vive, o jeito de trabalhar, as receitas passadas de geração em geração, as danças, as comidas típicas, as vestimentas, normalmente adequadas ao clima e à atividade econômica local, assim como as ferramentas de trabalho... Enfim, todos esses aspectos fazem parte da nossa vida e formam a nossa cultura. E é esta cultura que atrai os curiosos do mundo inteiro, que buscam conhecer novos “jeitos” de se viver situações semelhantes em condições diferentes.

O que o turismo tem a ver com a nossa cultura? ·

Possibilita a troca de conhecimentos;

·

Os turistas viajam também para conhecer os diferentes modos de vida;

·

O Turismo possibilita a transferência de valores e o resgate cultural;

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Devemos mudar o nosso modo de vida por causa do turismo? Podemos mudar para melhor, socialmente e economicamente, mas a nossa cultura deve permanecer como é, pois não podemos esquecer quem somos, mas podemos enriquecer a nossas características através do turismo. Devemos saber que, se permitirmos, a presença do turista também pode influenciar de forma negativa. Por isso é importante que a população que os recebe saiba da sua importância e valorize seus diferenciais. E é fundamental que exista respeito, tanto da parte do visitante quanto do visitado!

Cultura como atrativo ·

Gastronomia típica;

·

Modos de produção;

·

Folclore;

·

Patrimônio arquitetônico;

·

Eventos;

·

Artesanato rural;

·

Jogos típicos.

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4. Como Atender o Visitante Como tratamos as visitas na nossa casa? ·

Cordialidade e Simpatia;

·

Cumprimentar os visitantes e dar as boas-vindas;

·

Conversar sobre as coisas interessantes da propriedade, bem como sobre os cuidados que devem ser tomados. Escolher local adequado para estas explicações: sombras das árvores, lugares cobertos, providenciar também alguns locais para sentar.

·

Acompanhar a visita;

·

Passar informações;

·

Preparar a família para o atendimento;

·

Cuidar da aparência e do asseio pessoal: não precisa colocar roupa nova, mas uma roupa adequada e limpa;

·

Perceber quando o turista quer ser ouvido e cuidar para não falar demais;

·

Orientar sobre o que pode ser feito na propriedade e quanto à segurança.

·

Se souber, contar “causos” e histórias da sua família;

·

Cuidar com os animais soltos pelo pátio (muitas pessoas podem ter medo) e sempre consultar o visitante se ele quer ou não que os animais fiquem por perto.

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·

No caso da venda de produtos para turistas, preparar troco, pois sempre é necessário.

Importante! O interesse não é somente agradar o turista, mas sentir-se bem consigo mesmo.

Refletir: Qual é o seu principal investimento? Seu tempo, saber que os fins de semana e feriados são os momentos preferidos dos turistas.

Importante! Administrar o seu tempo ·

Trabalho no campo

·

Trabalho com o turismo

·

Reserve um tempo para participação em cursos de capacitação

·

Não esqueça do seu tempo de lazer e dos momentos com a família!

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O Turista precisa de informações! ·

Onde fica a propriedade, como chegar lá e qual é o melhor

dia e

horário para ele fazer a visita; ·

Nos contatos telefônicos (fixo, móvel ou celular), todas as pessoas da casa que atenderem, devem saber das informações sobre a propriedade. Afinal agora este é um estabelecimento turístico também.

·

É importante preparar um folheto e/ou cartão de visitas com as informações da propriedade: nome, atividades/atrações, endereço, telefone etc.

·

Solicitar sugestões através de uma Pesquisa para saber da opinião do visitante. Pode ser feito por escrito e colocado em urnas/caixas.

Importante: Observar do que o turista gosta, porém é importante saber aplicar as sugestões, pois precisamos manter a originalidade para não descaracterizar a propriedade.

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5. Como Organizar a Unidade Familiar para o Turismo? ·

Delimitar um local para atendimento e os locais de visitação:

·

Arrumar e organizar;

·

Verificar sempre as condições de limpeza e conservação das áreas internas;

·

Varrer o pátio, retirando toda a sujeira acumulada;

·

Consertar e reparar portas, janelas e paredes, quando necessário;

·

Decorar o ambiente com objetos ligados à cultura rural da família.

·

Dar preferência às flores naturais, artesanato rural e elementos originais que não artificializem os ambientes;

·

Definir locais para lixeiras;

·

Organizar as ferramentas e outros materiais;

·

Cuidar do jardim: com árvores ornamentais e flores;

·

Manter a grama aparada: cuidado para não artificializar (evite pintar pedras e árvores de branco ou colocar cones e correntes...)

·

Conservar as áreas naturais do local: saber que as vegetações baixas e as áreas de bosque em regeneração (as vezes chamados de 'mato') não são sujeira e podem ser mantidos.

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A privacidade da sua família deve ser preservada! ·

Determinar os espaços que os turistas podem entrar;

·

Deixar cortinas fechadas, evitar a exposição de objetos e equipamentos de uso pessoal;

·

As portas e janelas dos cômodos mais particulares podem ficar fechadas;

·

Caso não queiram receber os visitantes na própria casa é possível disponibilizar outro espaço para a recepção, tais como um antigo paiol, barracão, varanda da casa...

Segurança ·

Prezar pela segurança do local e do visitante;

·

Cuidados com os locais que possam representar perigo, principalmente para as crianças e os adolescentes;

·

Atenção para: queda de pedras, galhos e outros objetos; ferramentas, trânsito de máquinas (trator, veículos), pontes, tanques, lagos, rios, poços, animais peçonhentos (aranhas, cobras, escorpião) e insetos, acidente com outros animais, afogamento, indisposição do cliente.

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O que podemos fazer para melhorar a segurança? ·

Acompanhar a visita;

·

Informar, orientar a respeito;

·

Sinalizar: instale placas de segurança em locais de risco.

·

Cercar;

·

Proibir a passagem (definir como local exclusivo para os proprietários);

·

No caso de acidentes, saber encaminhar para o posto de saúde mais próximo, hospital, corpo de bombeiros. Saber o telefone e horário de funcionamento destes locais;

·

Disponibilize kits de primeiros socorros.

·

Informar-se sobre 'seguro para acidente pessoal' com empresas especializadas.

Infra-estruturas ·

Facilitar os acessos;

·

Definir os locais de visitação, levando em conta as áreas mais atrativas, mas também a privacidade dos moradores;

·

Indicar local para estacionamento de carros e ônibus;

·

Possibilitar a venda de produtos típicos: organizar um local para expor produtos;

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Procurar aproveitar instalações já existentes (desocupar, consertar, pintar), como paiol, horta, banheiro, garagem, cozinha, podendo adaptar de acordo com a necessidade: área de alimentação, exposição de produtos, etc; ·

·

Melhore a arquitetura dos equipamentos de recreação e do turismo, integrando-os às paisagens tanto no estilo, como nos materiais e nas cores utilizadas.

·

Procure instalar placas indicativas nas estradas que dão acesso à sua propriedade, bem como na sinalização interna de modo equilibrado.

Importante: ·

A construção de novas estruturas pode ocorrer depois que a

atividade do turismo já estiver gerando lucro, e, se for

necessário.

·

Estudar a real necessidade de financiamentos.

·

Saber que existem linhas de financiamento do PRONAF voltadas para o agricultor familiar: Turismo, Mulher, Jovem Rural, Agroecologia, Florestas, outros.

·

Quantidade de área construída não torna a propriedade mais turística!

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6. A Propriedade e o Meio Ambiente ·

Os membros da família devem conhecer, agir e dar exemplos de conservação e preservação da natureza, além do uso

racional dos seus recursos. ·

Conversar com o visitante sobre a importância do meio ambiente;

·

Delimite um número ideal de visitantes para proteger o meio ambiente e os atrativos turísticos da sua propriedade.

·

Preocupe-se com a conservação do ambiente nas edificações e equipamentos de turismo de modo a não constituírem intervenções na paisagem.

·

Evite enterrar ou jogar lixo diretamente no solo;

·

Não queimar lixo;

·

Aproveite os resíduos orgânicos da sua propriedade, aplicando o processo de compostagem, onde o produto final pode ser utilizado como adubo orgânico.

·

Em regiões onde há 'coleta seletiva de lixo', separe os resíduos na sua propriedade em categorias como vidro, papel, metais, plásticos e lixo orgânico.

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· Caso seu município não disponibilize coleta de lixo no meio rural, sugere-se que os proprietários se organizem para encaminhar os resíduos até o aterro sanitário ou local de reciclagem mais próximo. ·

Entregar as embalagens de agrotóxicos e produtos veterinários de volta aos fornecedores;

·

Providenciar lixeiras ao alcance do visitante;

·

Eliminar tudo que possa represar água para evitar a reprodução de insetos (da dengue e outros)

·

Garantir que a casa possua fossa séptica;

·

Buscar sistemas alternativos para o tratamento do esgoto como o uso de algumas espécies de plantas.

·

Providenciar um laudo de análise de água;

·

Manter a reserva legal da propriedade;

·

Evitar o uso abusivo de pesticidas;

·

Não lavar as embalagens de agrotóxicos nos rios.

·

Não construa banheiros e outras estruturas próximas aos rios e nascentes.

·

Proteja as nascentes através do plantio de árvores nativas a sua volta, garantindo sua conservação e a qualidade da água.

·

Respeite a margem dos rios (mata ciliar), mantendo a área florestada.

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Largura do rio

Largura da mata ciliar

Até 10m

30m

De 10m a 50m

50m

De 50m a 200m

100m

De 200m a 600m Em torno de nacentes

200m 50m

·

Conserve áreas de mata, protegendo os animais silvestres e plantas nativas;

·

Manter os animais de criação e domésticos bem tratados e saudáveis;

·

Preserve as áreas de florestas da sua propriedade, mantendo-as livres de construção e permitindo a visitação controlada. Reserva legal 20% da área total da propriedade

Para obter mais informações a respeito de legislação ambiental vigente, consulte o site do IAP (http://www.pr.gov.br/meioambiente/iap/index.shtml).

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7. Inserção do TRAF em Roteiros de Turismo Rural Porque é importante trabalharmos em conjunto com outros atrativos/estabelecimentos? ·

Juntos somos mais fortes do que sozinhos!

·

É mais fácil reivindicar obras, recursos, para fins coletivos como estradas, sinalização, outros.

·

Gera possibilidade de 'trocas' e formação de 'cadeia produtiva' (envolvimento direto/indireto fornecimento). Muitas vezes, uma determinada região não possui grandes empreendimentos capazes de atrair sozinhos uma demanda de visitantes, por isso, é importante que pequenas propriedades se associem para fortalecer o destino. Exemplo: uma pequena propriedade isolada de produção de morangos pode não atrair um visitante da cidade, mas junto com o seu vizinho que produz embutidos e outro agricultor que serve comida caseira, forma uma rede de pequenos empreendimentos com atratividade suficiente para gerar fluxo, com conforto e variedade.

·

Complementação de atividades (programação conjunta, venda casada). O proprietário de um café rural, por exemplo, não precisa necessariamente produzir tudo o que ele serve, é possível adquirir produtos com os seus vizinhos (queijo, pães, doces), desde que sejam feitos de maneira artesanal.

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De que formas podemos nos integrar? ·

Organizando um Roteiro Turístico

·

Organizações diversas como Conselhos, associações, cooperativas, recomendáveis para o processo de gestão do roteiro.

·

Verificar as necessidades do grupo

·

Interdependência: entender que fazemos parte do elo de uma corrente, então quando um não atende bem ou não vai bem, afeta os demais.

·

Até onde vai o envolvimento do poder público: infra-estrutura coletiva, divulgação institucional, capacitação. É preciso ficar claro o que cabe ao poder público e o que é responsabilidade de cada empreendedor.

Roteiros de turismo rural ·

Identificar quem fará parte do roteiro: critérios (interesse, potencial, participação).

·

Como será a participação da Prefeitura Municipal?

·

Quais serão os parceiros?

·

Avaliação das condições das propriedades pertencentes ao roteiro e/ou interessadas em participar do mesmo.

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· Levar em conta a diversidade das propriedades para que o roteiro não seja monótono, repetitivo; ·

Comprometer-se com projeto coletivo de forma participativa.

·

Identidade com a realidade local: - Relacionado ao produto (natural e/ou transformado): cana-deaçúcar, banana, vinho, cachaça... - Relacionado com as origens da população (etnia): polonesa, italiana, ucraniana, alemã... - Relacionado com outros temas que chamam atenção no município ou região: água, minerais, floresta, gastronomia, artesanato, religião, folclore...

Sinalização turística: ·

Definição dos pontos onde a sinalização se faz necessária: ao longo do trajeto (de sentido) e nas propriedades (identificação).

·

Definição dos tipos de informações que devem constar: nome do empreendimento, horário de atendimento, produtos e/ou serviços que oferecem, contato.

·

Manutenção e/ou substituir as placas: definir responsáveis.

·

Cuidar com a poluição visual: na propriedade e ao longo do roteiro.

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Vias: ·

Melhoria das condições das vias do roteiro;

·

Identificação das vias que necessitam de melhorias;

·

Definição do tipo de pavimentação a ser adotado: calçamento, saibro, asfalto, etc. Levar em conta as características rurais.

Recursos humanos: ·

Identificação das necessidades, tanto da iniciativa privada

quanto do poder público, em relação aos recursos humanos: serviços de guia, prestadores de informações. ·

Definição dos tipos de cursos e formas de capacitação/treinamento adequados às áreas identificadas. Buscar parcerias para viabilizar os cursos.

·

Material informativo e divulgação:

·

Identificar os estabelecimentos Rurais (Unidades Agrícolas Familiares)

·

Localização: endereço e localização no mapa

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·

Nome do Responsável

·

Horário de Atendimento

·

Explicar o que o visitante encontrará no estabelecimento

·

Particularidades: agendar visita, número de visitantes que suporta, outras.

·

Pensar na forma de distribuir esse material

Identificar outros atrativos que possam fazer parte do roteiro: Igrejas, Parques naturais, Casarios históricos, Armazéns, Moinhos, Estações de Trem, Locais de alimentação, Artesanato, identificação de manifestações culturais que possam agregar valor ao roteiro, como festas populares e religiosas, folclore e gastronomia típica.

Outros itens importantes: O grupo do roteiro pode estabelecer uma política de preços; É importante realizar reuniões periódicas com a participação de todos.

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Leis para Consulta

Lei Estadual nº 15.143 de 31 de maio de 2006, que define as atividades turísticas que especifica, como atividades de “Turismo Rural na Agricultura Familiar”.

Lei Federal nº11.326 de 24 de julho de 2006, que estabelece as diretrizes para a formulação da Política Nacional da Agricultura Familiar e Empreendimentos Familiares Rurais.


Equipe Técnica Tami Szuchman Letícia Bartoszeck Nitsche Marta Yoshie Takahashi Ângelo Benjamim C. Tadini Júnior Ademar Dressler Ana Paula Zago Udenal Kátia Pimentel Koti Luiz Ricardo Machado Costa Carolina Barzotto Equipe de Apoio Cíntia H. Marchesini Solmi Marcelino Alexandra Maria de Andrade Pesquisa e Organização de textos: EcoAter Fotos: Tamires Kopp Projeto Gráfico e Diagramação: Ricardo Laredo Diniz

A Cartilha de Orientação ao Agricultor Familiar: Turismo foi produzida em parceria pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário Secretaria de Agricultura Familiar e Secretaria de Estado do Turismo Serviço Social Autônomo Ecoparaná

Agradecimentos especiais: agricultores familiares e agentes de desenvolvimento que participaram das ações do projeto TRAF Paraná

Novembro de 2006


TRAF é a atividade turística que ocorre na unidade de produção dos agricultores familiares que mantêm as atividades econômicas típicas da agricultura familiar, dispostos a valorizar, respeitar e compartilhar seu modo de vida, o patrimônio cultural e natural, ofertando produtos e serviços de qualidade e proporcionando bem estar aos envolvidos (Rede TRAF, 2003; Lei Estadual nº 15.143 de 31/05/2006).

CARTILHA TURISMO AGRICULTURA FAMILIAR  

ORIENTAÇÃO AO AGRICULTOR FAMILIAR SOBRE TURISMO

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