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QUINZENA

08 A 21.02.2019 Diretor: Sebastião Lima Diretor-Adjunto: Francisco Ferreira

Nº: 538 | Ano: XXXVI | 2019.02.08 | € 1,00

QUINZENÁRIO ILHÉU - RUA CIDADE DE ARTESIA - 9760-586 PRAIA DA VITÓRIA - ILHA TERCEIRA - AÇORES

www.jornaldapraia.com

PUBLICADO EM JORNAL OFICIAL

NOVO REGULAMENTO DE CURSOS PARA BOMBEIROS PROTEÇÃO CIVIL | P. 7

TERCEIRA TECH ISLAND

“OS RESULTADOS SUPERAM, EM MUITO, AS MELHORES EXPETATIVAS”, MANUEL HEITOR, AFIRMA SÉRGIO ÁVILA

Foto: GP-MPV

DE VISITA À PRAIA

ANUNCIOU ARRANQUE DO AIR CENTRE PROJETO PRAIENSE “POR UMA CAUSA” DEZ OFERECE DUAS BOMBAS INFUSORAS COM INVESTIGADORES AO HOSPITAL DA TERCEIRA TECNOLOGIA | P. 8

Foto: GaCS/OG

NO CONCELHO | P. 3

NO CONCELHO DA PRAIA DA VITÓRIA

“ECOILHAS” ESTÃO A ALTERAR MODO DE DEPÓSITO DE RESÍDUOS SÓLIDOS AMBIENTE | P. 5 PUB

Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior foi recebido nos Paços do Concelho por Tibério Dinis, a quem adiantou, que o AIR Centre deverá iniciar atividade nos “próximos meses”. O investigador José Joaquín Brito, da Plataforma Oceânica das Canárias, é o responsável máximo pelo AIR Centre, que ficará instalado na Casa da Roda. CIÊNCIA | P. 9

Fotografia: MPV


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CANTO TEREZINHA / CONTO | JP

2019.02.08

RODA CENTRE A Praia da Vitória recebe a sede do AIR Centre – Centro Internacional de Investigação do Atlântico – colocando-se no centro do mundo na ciência e na investigação. Nos próximos meses – podem ser 12 – o centro deverá iniciar funções com cerca de uma dezena de investigadores, segundo revelou, Manuel Heitor, ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, em recente visita à Praia. Depois do projeto “Terceira Tech Island”, que vem transformando a cidade de Nemésio num “Silicon Valley” destas ilhas de bruma, o AIR Centre vem definitivamente colocar a cidade da Praia da Vitória no mapa da investigação de alto gabarito mundial. Canto do Terezinha (CT), porém – qual velho do Restelo – manifesta-se um pouco

cético em relação a todas estas estórias de sucesso tecnológico que as elites políticas, do alto do seu pedestal vão apregoando, mas que os incautos cidadãos praienses não veem e na sua limitação intelectual, o que enxergam é uma Praia da Vitória a definhar de dia para dia. É verdade que em todas as grandes expedições há sempre uns velhos do Restelo – veja-se a SAD do SC Praiense – como também é verdade, que os históricos velhos do Restelo estavam redondamente enganados e, escreva-se, CT também deseja estar. Mas os sinais não são muito animadores. Realizou-se na Academia de Juventude e das Artes da Ilha Terceira, em abril de 2017, o encontro preparatório da criação do então denominado “Atlantic International Research Center” (“AIR Center”),

vocacionado para a investigação nas áreas do clima, dos oceanos, da atmosfera, do espaço, energias renováveis e processamento de dados. Agora, o “Center” virou “Centre”, sem que ninguém explicasse a razão, todavia, CT acredita que se trata apenas de uma inovação – em linguagem de gente “modernice” – que em nada afeta a verdadeira função, nobreza e amplitude do projeto. Mas será mesmo assim? CT receia que não! A sede do então ”Center” e agora “Centre” é na Praia da Vitória, na rua Gervásio Lima, na casa da Roda. – Na casa da Roda? – Sim, vão colocar 10 investigadores num local onde 3 elementos da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens da Praia da Vitória não conseguiam exercer condignamente as suas funções por falta de espaço. – Ok! Tá visto o “Center” ou “Centre” da Praia da Vitória. •

CONTO DO MARQUÊS DE NADA E DE COISA NENHUMA

O ILUSTRE PARRECAS

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uma marcha lenta, a multidão afastava-se da igreja e cada um seguia o seu caminho até casa. Os casais de mãos dadas que olhavam para as roupas e os ouros dos outros, as velhas viúvas que criticavam e censuravam os filhos dos outros e até os gatos de rua que invejavam a gordura dos gatos caseiros preparavam-se para as festividades da aldeia. Todos olhavam para a casa da D. Maria Desgosto, que estava em obras. A casa estava a ser pintada e os jardins a serem tratados, visto que nas festividades a procissão com Nossa Senhora de Fátima iria lá passar. Que vergonha não ter a casa a preceito, não fosse a Virgem castigar a velha. A aldeia inteira estava determinada a arranjos semelhantes, e a família Parrecas não fora exceção. Cada um tinha a sua tarefa e a agitação começara. A mãe já fizera a lista de compras para fazer os seus bolos, o pai já comprara as tintas e as flores para preparar a casa e o Parrecas tivera que estudar para o teste de Filosofia. O jovem não conseguira concentrar-se e até se distraía com as paredes do quarto. Não lhe apetecia estar a ler o resmungão do Nietzsche ou o chato do Kant. Só conseguia pensar numa rapariguinha da turma dele. Tal pensamento era proibido pelos pais, já que o Parrecas tinha que seguir uma vida de estudo e trabalho e não poderia distrair-se com

Parte: III (Continuação da edição anterior)

raparigas. «As mulheres só te vão distrair», dissera-lhe a mãe um dia. Estava consciente de que devia lembrar-se disso, mas só conseguia pensar na possibilidade da rapariga aparecer nas festas. O melhor seria esquecer os estudos e dar uma volta. O Parrecas, da janela do seu quarto, já via progressos no jardim e observava o pai a pintar o muro, resmungando qualquer coisa sobre a mãe. O jovem descera as escadas e um cheiro doce e familiar despertara a sua fome. Caminhou até à cozinha e vira a mãe a tirar do forno as suas queijadas. – Já Já estão prontas? – perguntava o Parrecas. – Estão, sim. – respondia a mãe – E tu? Já estudaste tudo o que tinhas para estudar? – Sim, claro. – mentia ele. Enquanto caminhava pelas ruas estreitas da aldeia, tentava imaginar como iria ser bom viver em Lisboa, quando fosse tirar o seu curso. Já estava farto daquela rotina. Já estava farto daquele cenário diabolicamente encantador. Estava farto das vacas e das velhas cuscas. Tudo era uma canseira, mas no fundo sabia que vivia no paraíso. Não havia, certamente, melhor lugar que a sua aldeia. No fundo, a paisagem não era apenas encantadora… era extraordinária! No fundo, as vacas não eram nojentas… só não eram muito limpas! No fundo, as velhas não eram

cuscas… eram só curiosas! Censurava-se por ter inferiorizado o paraíso onde vivia. Apenas pensara naquilo porque o que mais lhe aborrecia era a monotonia da sua terra. O seu próximo passo seria desculpar-se diante de um santo qualquer.

II No caminho para a escola, o Parrecas tentara recordar algumas teorias de Filosofia, contudo, era um tanto quanto impossível, visto que o ambiente na camioneta estava para lá de caótico. As crianças mais novas faziam um ruído insuportável e as velhas tentavam, sem sucesso, ocultar as suas conversas. Para além do mais, era impossível ler alguma coisa do livro com os movimentos bruscos do transporte, que dava enjoos só o decifrar de uma frase. De facto, o Parrecas não se sentia muito confiante para o teste, mas sabia que tinha de manter a sua imagem de segurança. Nesse dia, também iria receber a sua produção escrita de português, sem dúvida um texto digno de publicação. Uma obra ao nível queirosiano. Aliás, aprendera com os mestres para ultrapassá-los, e esse texto refletia, sem dúvida, uma nova visão literária. Estava consciente que o professor não era dotado das capacidades suficientes para perceber tão magnífico feito. Toda a produção inte-

lectual do jovem Parrecas era fruto de uma mente brilhante, que nem todos valorizavam devidamente. Ao terminar o percurso, o jovem entrou na escola e cumprimentou os seus colegas, que compreendiam os seus ideais e o seu intelecto. Discutiam os mais variados assuntos, desde a política à religião. – As obras de Marx e Engels são um insulto ao nosso estilo de vida! – afirmava, convicta e orgulhosamente, o Parrecas. – Concordo, concordo. – admitia um colega. – A presença da Igreja no Estado é fundamental! – completava o Parrecas. – Concordo, concordo. – admitia outro colega. – A arte é inútil! – acrescentava, novamente, o Parrecas. – Concordo, concordo. – assentia outro colega. Eram assim os debates do Parrecas: dinâmicos e polémicos. Partilhavam-se muitos pontos de vista, onde cada um pensava de modo diferente, isto é, as diferentes ideologias faziam o Parrecas questionar realmente no que acreditava. Assim, o jovem tinha acesso a uma inesgotável fonte de opiniões. – O professor já entrou! – avisara um colega. (Continua na próxima edição)•

FICHA TÉCNICA PROPRIETÁRIO: Grupo de Amigos da Praia (Associação Cultural sem fins lucrativos NIF: 512014914), Fundado em 26 de Março de 1982 REGISTO NA ERC: 108635 FUNDAÇÃO: 29 de Abríl de 1982 ENDEREÇO POSTAL: Rua Cidade de Artesia, Santa Cruz, Apartado 45 - 9760-586 PRAIA DA VITÓRIA, Ilha Terceira - Açores - Portugal TEL: 295 704 888 DIRETOR: Sebastião Lima (diretor@jornaldapraia.com) DIRETOR ADJUNTO: Francisco Jorge Ferreira ANTIGOS DIRETORES: João Ornelas do Rêgo; Paulina Oliveira; Cota Moniz CHEFE DE REDAÇÃO: Sebastião Lima COORDENADOR DE EDIÇÃO: Francisco Soares, CO-1656 (editor@jornaldapraia.com) REDAÇÃO/EDIÇÃO: Grupo de Amigos da Praia (noticias@jornaldapraia.com; desporto@jornaldapraia.com); Rui Marques; Rui Sousa JP - ONLINE: Francisco Soares (multimedia@jornaldapraia.com) COLABORADORES: António Neves Leal; Aurélio Pamplona; Emanuel Areias; Francisco Miguel Nogueira; Francisco Silveirinha; José H. S. Brito; José Ventura; Nuno Silveira; Rodrigo Pereira PAGINAÇÃO: Francisco Soares DESENHO NO CABEÇALHO: Ramiro Botelho SECRETARIADO: Eulália Leal LOGÍSTICA: Jorge Borba IMPRESSÃO: Funchalense - Empresa Gráfica, S.A. - Rua da Capela da Nossa Senhora da Conceição, 50 Morelena - 2715-029 PÊRO PINHEIRO ASSINATURAS: 15,00 EUR / Ano - Taxa Paga - Praia da Vitória - Região Autónoma dos Açores TIRAGEM POR EDIÇÃO: 1 500 Exemplares DEPÓSITO LEGAL: DL N.º 403003/15 ESTATUTO EDITORIAL: Disponível na internet em www.jornaldapraia.com NOTA EDITORIAL: As opiniões expressas em artigos assinados são da responsabilidade dos seus autores e não refletem, necessariamente, a opinião do jornal e do seu diretor.

Taxa Paga – AVENÇA Publicações periódicas Praia da Vitória


JP | NO CONCELHO

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HOSPITAL DA TERCEIRA RECEBE BOMBAS INFUSORAS

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Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira (HSEIT), recebeu no passado dia 18 de janeiro, duas bombas infusoras destinadas à perfusão de fármacos citostáticos em tratamentos oncológicos. Os equipamentos, com valor aproximado de 2.600 euros, foram doados no âmbito do projeto “Por Uma Causa” lançado por João Ferreira. João Ferreira, 46 anos, natural da Vila Nova, é doente oncológico há 5

anos, estando a doença estacionária há 4. Aquando do tratamento, tal como muitos outros doentes, João Ferreira, foi por diversas ocasiões confrontado com a impossibilidade de fazer o tratamento previsto por inexistência de bombas infusoras em quantidade suficiente. Terminada a dolorosa fase de tratamentos e, felizmente, já recuperado, João Ferreira “arregaçou as mangas” e resolveu colmatar esta grave falha que põe em causa a recupera-

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ção de todos aqueles que diariamente lutam contra esta terrível doença. Assim, em parceria com a ALERTAS – Associação dos Escuteiros Católicos dos Açores lançou o projeto “Por uma Causa”, com o objetivo de obter recursos financeiros que possibilitasse a aquisição de bombas infusoras a doar posteriormente ao HSEIT. A iniciativa foi desde logo acolhida pela Junta de Freguesia da Vila Nova, que para além de donativo financeiro prestou todo o apoio logístico. Contribuíram ainda para esta nobre cau-

sa as juntas de freguesia da Agualva; Cabo da Praia; Fonte Bastardo; Fontinhas; Lajes; Porto Martins; Quatro Ribeiras; Santa Cruz; e São Brás, no concelho da Praia da Vitória. No concelho de Angra do Heroísmo, as juntas de São Bento; São Pedro; Ribeirinha; Terra Chã; e Porto Judeu. A estas, juntaram-se as entidades privadas, Delartes; Construções Nogueira; Brum e Freitas laboratórios; Ilhas de Valor, Clube de Golfe da Ilha Terceira; e Oculista Gaspar. Associaram-se também vários particulares anonimamente. JP•

AS AVENTURAS DO LOLÓ

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eatriz Garcia, menina de 10 anos é a mais jovem escritora da freguesia da Vila Nova e de todo o concelho praiense. Apesar da tenra idade, a jovem vilanovense abraçou “com muito amor e dedicação” a aventura de escrever um livro destinado ao público infantil e assim nasceu o livro “As aventuras do Loló”. A sessão de lançamento decorreu no passado dia 19 de janeiro, no Salão Nobre da Junta de Freguesia da Vila Nova. Vasco Lima, o presidente de junta, realçou tratar-se de um momento “não só de orgulho para os pais e familiares, como também para nossa freguesia e concelho”. “Parabéns aos pais e professores, mas em especial à Beatriz, a mais jo-

vem entre os nossos escritores, que seja uma inspiração para muitas outras crianças”, concluiu.

JP•

TRIBUNAL DA PRAIA

NOVO JUÍZO CRIADO

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Conselho de Ministros do passado dia 24 de janeiro, aprovou o Decreto-Lei que altera o mapa judiciário. As novas alterações visam aproximar a Justiça dos cidadãos, adequar os quadros de juízes de direito e magistrados do Ministério Público e reforçar a oferta especializada através da criação de novos juízos. Assim, dos dezoito novos juízos especializados criados em todo o país, o tribunal da Praia da Vitória foi con-

templado com novo Juízo Misto de Família e Menores e do Trabalho. Na conferência de imprensa após o Conselho de Ministros, a ministra da Justiça, Francisco Van Dunem, referiu que as alterações, aprovadas, reuniram “o máximo consenso possível” e que foram articuladas “com os conselhos superiores das magistraturas, com os órgãos de gestão das comarcas” e com as autarquias. JP•


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EFEMÉRIDE | JP

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CAPITÃO JOÃO BORGES PAMPLONA – UM GRANDE PORTUGUÊS HISTORIADOR: FRANCISCO MIGUEL NOGUEIRIA

João Borges Pamplona nasceu no Porto Judeu. Desde muito novo se entregou ao amor pela vida do mar. Bom aluno, matriculou-se no Colégio dos Nobres, em Lisboa, onde estudou a arte náutica, mostrando a sua habilidade e capacidades marítimas.

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á exatos 231 anos, a 18 de fevereiro de 1788, nascia o terceirense Capitão João Borges Pamplona. Este foi um importante oficial da marinha mercante portuguesa, que entrou para a História nacional pelos importantes préstimos prestados à Coroa portuguesa, sendo hoje, muito esquecido. O Capitão Pamplona define bem, no século XIX, a força e garra dos descobridores terceirenses, seus antepassados, como os Corte-Reais ou João Fernandes Lavrador. João Borges Pamplona nasceu no Porto Judeu. Desde muito novo se entregou ao amor pela vida do mar. Bom aluno, matriculou-se no Colégio dos Nobres, em Lisboa, onde estudou a arte náutica, mostrando a sua habilidade e capacidades marítimas. De regresso à sua terra natal, o Capitão João Borges Pamplona fixou-se na Praia e aderiu à causa liberal, estando ao lado de seus conterrâneos na luta contra o absolutismo. Em 1832, em consequência das reformas de Mouzinho da Silveira, é criado o cargo de Provedor do Concelho e Borges Pamplona foi nomeado o 1º Provedor do Concelho da Praia. Depois foi eleito Presidente da Câmara da Praia.

Depois da política, Borges Pamplona regressou à vida marítima, provando a sua coragem e valentia, batendo-se algumas vezes com a pirataria que atacava os mares portugueses. Rapidamente, o novo Capitão da marinha mercante portuguesa ganhava fama e tornava-se um grande incómodo para os piratas. Com a sua atitude, Borges Pamplona ultrapassava os seus deveres de Capitão da Marinha mercante e tornava-se, sobretudo, um “combatente” da Marinha de guerra, trabalhando em prol de Portugal e do enriquecimento do país. O Capitão Pamplona foi enviado para o comércio no Extremo-Oriente, sobretudo na Índia. Foi numa dessas viagens ao continente indiano, que Borges Pamplona obteve o seu maior feito. Numa das viagens de regresso a Portugal, o Capitão João Borges Pamplona, que transportava preciosas e valiosas cargas, foi assaltado por um navio de corsários que se apoderou da riqueza da Índia. O Capitão, não suportando a afronta, ao chegar a Lisboa, solicitou uma audiência à rainha D. Maria II, a quem expôs o caso e pediu artilharia para perseguir os corsários e recuperar a mercadoria roubada. D. Maria II e os seus conselheiros acederam ao pedido de Borges Pamplona. O Capitão perseguiu e recuperou as preciosidades portuguesas. Na viagem de regresso, com a carga e os prisioneiros, o Capitão surpreendeu tudo e todos com a sua ousadia. Borges Pamplona tinha personificado na perfeição o exemplo de um oficial da Marinha. Como

agradecimento aos préstimos à Coroa portuguesa, D. Maria II concedeu a patente de oficial honorário da Marinha Portuguesa de Guerra ao Capitão João Borges Pamplona. Em junho de 1841, a então Vila da Praia da Vitória, sofreu um forte terramoto e o Capitão Pamplona, próximo de D. Maria II, conseguiu apoios para a reconstrução da Vila, mas sobretudo, que esta não perdesse o seu estatuto de Comarca, como muitos pretendiam. A sua relação com José Silvestre Ribeiro, o governador do novo distrito de Angra do Heroísmo não foi das mais fáceis, mas ambos trabalharam para a reconstrução e desenvolvimento da Praia da Vitória. A 6 de janeiro de 1870, o Capitão morria na Vila da Praia da Vitória, na sua casa. O Capitão João Borges Pamplona prestou diversos serviços à Ilha Terceira, ao arquipélago dos Açores e

a Portugal no seu todo, sendo um exemplo de defensor do seu povo. Borges Pamplona deixou-nos uma mensagem de luta e perseverança, mostrando-nos que a necessidade de ter objetivos e de lutar por eles, é uma marca da nossa açorianidade. A capacidade humana de reerguer-se, tem de ser incentivada e devemos procurar espaço para nos afirmarmos, mesmo em momento complexos da nossa História. Foram homens como este, que cedo compreenderam os seus deveres e as suas fraquezas, não se rebaixando, que fundaram a essência do povo português. Agora é a ocasião de irmos buscar este espírito combativo a trazê-lo para os dias de hoje, dentro do contexto do país e em defesa de uma autonomia mais profunda e assumida. É preciso relembrar este grande herói e promover, na nossa Praia da Vitória, um maior conhecimento deste Grande Português.

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Especializado na Astrologia e Espiritualiosmo, aconselha sobre casos dificeis através dos conhecimentos adquiridos em longos tempos nos Centros Espíritas. Aconselha nos problemas de amor, doenças espirituais, negócios, invejas, maus olhados, vícios de droga, tabaco e Alcoolismo, aproximação e afastamento de pessoas amadas. Considerado um dos melhores profissionais em Portugal. E Faz trabalhos à distância. Lê a sorte. Se quer realizar e alcançar ao seu lado o que quer, contacto - BRAMA. TELM: 968 968 598 - Telf. 295 518 732 MARCAÇÃO E CONSULTAS DE SEGUNDA A SÁBADO PESSOALMENTE, CARTA OU TELEFONE, DAS 8H ÀS 20H Rua de São Pedro, nº 224 - S. Pedro - Angra do Heroísmo

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JP | AMBIENTE

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NO CONCELHO DA PRAIA DA VITÓRIA

“ECOILHAS”: SUCESSO NO DEPÓSITO DE RESÍDUOS Número significativo de cidadãos passaram a depositar os resíduos nas “ecoilhas” em vez de os deixarem à porta.

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projeto “Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos do Concelho da Praia da Vitória”, implementado em 2017 pela empresa municipal Praia Ambiente, apresentou resultados “muito positivos” logo no seu primeiro ano de vigência, revelou o vereador da Câmara Municipal da Praia da Praia da Vitória (CMPV), Tiago Ormonde. “No primeiro ano de vigência deste novo sistema de gestão de resíduos sólidos urbanos, que levou à distribuição pelo concelho de ‘ecoilhas’, com ecopontos, oleões e contentores para recolha de resíduos indiferenciados, registou-se um aumento da adesão a este sistema de deposição em relação à recolha porta a porta, o que significa que os cidadãos da Praia da Vitória preferem utilizar as ‘ecoilhas’ porque podem ser utilizadas a qualquer altura do dia”, afirma Tiago Ormonde. O vereador que acumula funções como presidente do Conselho de Administração da empresa municipal Praia Ambiente E. M. desde setembro passado, salienta que, “depois dos anos de profunda crise económica, onde se registaram diminuições na recolha de todo o tipo de resíduos, em 2017, foi implementado o projeto ‘Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos do Concelho de Praia da Vitória’ que aumentou o número de equipamentos disponibilizados PUB

Foto: GP-MPV

para a recolha de resíduos, disponibilizando, em todo o concelho, 260 ecopontos, 22 oleões e 260 contentores para recolha de resíduos indiferenciados. Paralelamente a este investimento, foram realizadas várias campanhas de sensibilização, através da distribuição de folhetos pela população em geral e campanhas de sensibilização nas escolas do concelho, que, sem dúvida, foram essenciais para os resultados muito positivos alcançados logo no primeiro ano de vigência”. Com as “ecoilhas” que foram instaladas por todo o concelho, frisa Tiago Ormonde, “percebe-se que os cidadãos deixaram de depositar os seus resíduos, mesmo que separados por tipologia (plástico, vidro, papel) à porta de casa para que fossem recolhidos pelo serviço de porta a porta e passaram, de forma signifi-

cativa, a ir depositar os seus resíduos nas ‘ecoilhas’”. Assim, afirmou o vereador com responsabilidades de gestão da Praia Ambiente, “ainda durante este primeiro trimestre do ano a Praia Ambiente poderá proceder a algumas alterações no sistema de recolha de resíduos, otimizando o serviço, mas sem que ele perda qualidade”, até porque, sustentou, “o que se pretende é ir de encontro ao comportamento das pessoas nos últimos anos, ou seja, depositar nos ecopontos”.

OS NÚMEROS Em termos numéricos, segundo dados da empresa municipal Praia Ambiente, no serviço de recolha de resíduos porta a porta, em 2018, verificaram-se reduções de 28,6% nas embalagens de plástico e metal

e de cerca de 19% no papel e cartão, comparativamente ao ano anterior, verificando-se acréscimos da depositação destes resíduos nos ecopontos instalados nas “ecoilhas”. A Praia Ambiente registou uma redução de 20,9% dos resíduos recolhidos no sistema porta a porta doméstico e meio rural, por contraponto a um aumento de 7,4% na recolha seletiva nas “ecoilhas”. Tiago Ormonde salienta ainda que “para que a implementação dos ecopontos no Concelho se traduzissem em resultados positivos, verificando-se uma diminuição dos resíduos depositados em aterro e um aumento da sua valorização e reciclagem, foi desenvolvida uma campanha de sensibilização e educação ambiental denominada ‘Tão fácil, que até nós já separamos! E você?’, efetuada junto da população escolar, desde o pré-escolar até ao 3º ciclo, abrangendo mais de 1800 alunos e professores”, assim como, acrescentou, “foram efetuadas mais de 27 visitas de estudo ao Centro de Triagem de Resíduos, abrangendo mais de 510 participantes”. A título de curiosidade, a Praia Ambiente é responsável pela recolha de resíduos junto de 9.374 clientes, sendo 810 clientes não domésticos e 8.564 clientes domésticos. Em 2010, procedeu-se à expansão da rede de ecopontos, instalando 85 conjuntos, em todo o concelho, valores significativamente melhorados com a implementação do novo projeto “Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos do Concelho de Praia da Vitória” que, para além da aquisição de viatura de grua para recolha nos ecopontos, levou à aquisição e distribuição por todas as freguesias e vila do concelho de 175 ecopontos com pilhão, 260 contentores de 800 litros, 11 oleões, acompanhados por uma campanha de sensibilização e educação ambiental junto da população em geral e das escolas do concelho. GP-MPV/JP•


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o Cantinho do Psicólogo 204

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anedota do bêbado, referida no último Cantinho, retrata bem algumas das dificuldades porque as pessoas podem passar, quando Aurélio Pamplona recorrem a expe(a.pamplona@sapo.pt) dientes desajustados para enfrentar o stress, como é o caso do abuso do álcool. Mas podíamos contar uma infinidade de casos de vidas mal paradas, respeitantes a todos aqueles que apresentam alguns dos sinais adicionais de stress, a que chamámos ocultos. Possivelmente, se olhássemos para a nossa vida com o Olhar Inteligente com que a gueixa enfrenta o fotógrafo, reagiríamos de forma mais adequada e aqueles sinais ocultos não apareceriam. Reflectindo agora sobre o segundo sinal oculto referido sublinhe-se, de acordo com alguns investigadores (Fernandes, Moura, Araújo Et al., 1981), que para os usuários de drogas, as possibilidades do seu futuro são ameaçadas por autodestruição, afastamento da família, incluindo dos filhos, e forte probabilidade de ligações ao mundo do crime. O abuso de drogas, bem como o seu tráfico ilícito, estão entre os problemas mais graves que o mundo atravessa. E a curto prazo, se existem quem até possa louvar alguns dos benefícios da sua utilização pontual, a longo prazo, os efeitos do abuso são sempre imprevisíveis e destruidores, porque causam deterioração psicológica, tornando as pessoas mais vulneráveis às situações perigosas. Ninguém pode esquecer que a dependência das drogas atinge três das PUB

SAÚDE | JP

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Olhar Inteligente principais dimensões do indivíduo, que também devem ser consideradas no tratamento, e que são (Weisberg, 2012): (1) a dimensão física e mental, que exige tratamento da dependência psicológica e das doenças mentais associadas ao consumo; (2) a dimensão física e somática, a requerer a cura das respectivas doenças; e a (3) dimensão social, que obriga à ressocialização e reinserção do indivíduo na sociedade. A ultrapassa-

gem destas três dimensões pode durar alguns meses, até vários anos, ou mesmo toda vida. Entretanto não se julgando oportuno continuar a sublinhar as possíveis consequências dos sinais adicionais de stress, que são como se disse consequências de estratégias, e até de formas prejudiciais de enfrentar precisamente as dificuldades, esclareça-se só que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, como resultado do terceiro sinal adicional de stress, que diz respeito ao con-

sumo de tabaco, e possível irritação quando ocorre a sua proibição, o nº de mortes em todo o mundo, devido a esta causa atinge os sete milhões, sendo em Portugal a sua primeira causa. Enfim, quem “quiser ir desta vida para melhor” mais cedo do que estava previsto no seu destino, e relacionado com o desgaste sucessivo atribuído à acumulação de episódios

de stress, e que se aplica a todos, ligue-se ao tabaco, ou persista com o seu consumo. Mas não se esqueça que esta via não é de progresso, é de retrocesso e de aniquilamento, e portanto não é um bom caminho para ninguém, nem para a sociedade. Entretanto assinale-se que, mesmo não se sendo fumador, dificilmente é possível libertarmo-nos desta “praga”, devido ao tabagismo passivo, a 3ª maior causa de morte evitável do mundo, que até as crianças afecta imenso.

Voltando ao tema stress registe-se que, quem participou em missões de paz ou humanitárias compreende facilmente quais são as características susceptíveis de se repercutir no desencadeamento daquela condição, até porque muitas se aproximam de situações da vida autêntica. Vejamos algumas: (a) incerteza quanto à situação real e condições de vida difíceis; (b) dificuldade na obtenção de notícias; (c) aparecimento das primeiras baixas; (d) privação severa do sono; (e) contacto com fogos reais, actos de violência, explosões, raptos, acções de atiradores furtivos, e ameaças à vida e segurança pessoais; (g) incapacidade em ajudar os que sofrem ou de deter a violência; e (h) confronto com culturas diferentes em termos de língua, tradições, religião e convenções sociais. O controlo do stress é uma tarefa de todos. A experiência diz que o controlo de stress é mais fácil quando se verificam diversas condições, algumas das quais não constam dos manuais clássicos de instrução militar, nem das regras da sociedade. No entanto, a inexistência dessas condições não justifica a pessoa deixar-se influenciar negativamente. Veremos no Cantinho seguinte quais são essas condições. Referências: Fernandes M. A. Moura F.M.J.P de, Araújo M. P. de et al. (1981). Retirado em 02 Jul. 2018 de Fonte: Revista de Enfermagem. Tema: O significado do uso e abuso de drogas ilícitas para presidiárias. Website: Rev Enferm UFPE on line., Recife, 9 (Supl. 9):9957-63, Nov., 2015. Weisberg, V. (2012). 100 Perguntas e respostas: álcool, drogas e tabaco. Lisboa: Pactor – Edições de Ciências Sociais e Política Contemporânea. Foto: A. Pamplona•


JP | PROTEÇÃO CIVIL

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PUBLICADO EM JORNAL OFICIAL

NOVO REGULAMENTO DE CURSOS PARA BOMBEIROS Documento melhora oferta formativa ministrada aos bombeiros açorianos.

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oi publicado em Jornal Oficial, no passado dia 25 de janeiro, o novo regulamento de cursos e ações de formação para bombeiros voluntários, no âmbito do ingresso, acesso e formação especializada. Para o secretário regional da Saúde, Rui Luís, o novo regulamento traz melhorias na reorganização e funcionamento da oferta formativa ministrada aos corpos de bombeiros dos Açores. “Trata-se de um instrumento crucial para a definição das normas e tipologias de formação dentro da carreira de bombeiro voluntário, que terá certamente reflexos na aquisição de conhecimentos e na eficácia do cumprimento da missão das corporações”, disse o também titular da pasta da Proteção Civil aos jornalistas à margem de uma ação de formação inicial para bombeiros voluntários da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários da Calheta, em São Jorge. O regulamento estabelece a tipologia de formação destinada aos bombeiros dos quadros de comando e ativo dos corpos de bombeiros pertencentes às associações humanitárias de bombeiros voluntários. A formação adquirida nos cursos e módulos realizados pelo Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores (SRPCBA) é exigida para a nomeação em cargos de comando, para o ingresso nas carreiras de ofi-

cial bombeiro, bombeiro e bombeiro especialista. Relativamente às alterações introduzidas, Rui Luís apontou benefícios como um processo formativo mais aliciante, a orientação do conhecimento para a categoria e responsabilidade operacional do bombeiro voluntário e uma formação especializada adaptada às situações complexas e, por outro lado, à casuística. “Partindo das condicionantes próprias do recrutamento de novos voluntários, pretendeu-se manter a capacidade de resposta e evoluir no desenvolvimento da formação do bombeiro, evoluindo assim nas capacidades instaladas para intensificar a atenção dirigida ao cumprimento das missões de socorro”, sublinhou o secretário regional. O documento levou em conta as necessidades veiculadas pelos comandos das associações humanitárias de bombeiros voluntários e a auscultação e aprovação pelo Conselho Regional de Bombeiros. “Foi de extrema importância ouvir a experiência adquirida pelos corpos de bombeiros para a implementação do processo formativo, tendo em atenção a realidade social com que se deparam, associada à descontinuidade geográfica da nossa Região”, frisou Rui Luís.

Foto: GaCS/SRS

Escola de Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa, à Escola Nacional de Bombeiros ou ao Instituto Nacional de Emergência Médica.

Este novo regulamento prevê ainda a colaboração de entidades externas com competência em áreas técnicas específicas para complemento da oferta formativa.

No arranque da ação de formação inicial para bombeiros voluntários da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários da Calheta, Rui Luís reiterou o reforço de formações da Proteção Civil em 2019.

O recurso a formação externa poderá ser solicitado pelo SRPCBA à

“Teremos um aumento do número de cursos destinados às corpora-

ções, prevendo-se um total de 125 ações de formação, com a novidade de introduzirmos uma nova formação para as equipas de busca e resgate em estruturas colapsadas”, adiantou. Em 2018, o Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores realizou um total de 114 ações de formação, abrangendo mais de 1.100 formandos. GaCS/MS/JP•

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TECNOLOGIA | JP

2019.02.08

HUB TECNOLÓGICO DA PRAIA DA VITÓRIA

NECESSITA DE QUATRO DEZENAS DE PROGRAMDADORES O projeto “Terceira Tech Island” ultrapassou, em muito, as melhores expetativas, segundo afirma Sérvio Ávila, compensando na totalidade o “downsizing” militar da Base das Lajes. O enorme sucesso do projeta perspetiva a formação de 400 novos programadores.

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m ano após a implementação na Praia da Vitória do projeto “Terceira Tech Island” (TTI), segundo Sérgio Ávila, vice-presidente do Governo dos Açores, “os resultados superam, em muito, as melhores expetativas” pelo que importa agora reforçar a formação para satisfazer a necessidade de centenas de novos programadores por parte das empresas que já se instalaram ou que o pretendem fazer no “hub” tecnológico da Praia da Vitória. Sérgio Ávila, que é também responsável pelas pastas do Emprego e da Competitividade Empresarial, falava em conferência de imprensa de balanço deste projeto, em Angra do Heroísmo, na penúltima semana de janeiro, acompanhado pelo presidente da Câmara da Praia, Tibério Dinis. “Os resultados da implementação do TTI superaram já, em muito, as melhores expetativas e o seu sucesso e crescimento têm-se verificado a um ritmo muito mais rápido do que o previsto inicialmente”, afirmou, frisando, que o projeto é já considerado como “exemplo de uma estratégia de desenvolvimento sustentado por diversas instituições nacionais e internacionais”. Face a esta realidade e à estimativa de criação de mais de 400 postos de trabalho até ao final do próximo ano, diz o vice-presidente, “compen-

sando assim, na totalidade, a redução de emprego direto da Base das Lajes” devido à redução da presença militar dos EUA, colocam-se novos desafios. “O grande desafio para a consolidação do TTI é a necessidade de reforçar e aumentar o ritmo de formação de programadores para corresponder às necessidades e procura crescente das empresas e, nesse sentido, vamos triplicar este ano [2019] o plano de formação, assegurando a entrada no mercado de trabalho de mais 160 programadores”, garantiu Sérgio Ávila, acrescentando que o depois do quarto curso de formação em programação Java Script que arrancou a 28 de janeiro, já estão abertas as inscrições para os próximos dois cursos de formação em programação, para mais 126 formandos. “Atraímos e captamos empresas que pretendem criar, até ao final do próximo ano, mais de 400 novos empregos, estáveis, qualificados e muito bem remunerados, agora falta apenas conseguir mobilizar os açorianos para aproveitarem esta oportunidade de emprego e formação, aceitando o desafio de ingressar numa nova área de formação e assegurar, assim, um novo desafio profissional, uma nova carreira com muito futuro”, sublinhou. O Vice-Presidente salientou que a “formação intensiva inicial de qua-

tro meses é gratuita, sendo disponibilizado alojamento para quem se deslocar de outra ilha, podendo inscrever-se todos os que tenham alguns conhecimentos básicos de programação e muita vontade de aprender e de agarrar esta oportunidade e uma nova carreira profissional, independentemente do seu nível ou área de formação ou qualificação académica”. O projeto TTI consiste na criação de um “hub” tecnológico na Praia da Vitoria, na área da programação e produção de software, para prestação de serviços, criado pela identificação da existência de necessidades do mercado global no âmbito das TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação) e da oportunidade de instalar novas atividades económicas que substituíssem as derivadas da Base das Lajes. “Identificada esta oportunidade no mercado mundial, importava criar as condições para que os Açores e a ilha Terceira se tornassem competitivos para atrair empresas que desenvolvessem este ‘hub’ tecnológico”, sustentou Sérgio Ávila, destacando os três pilares em que assenta o projeto. Em primeiro lugar, elencou, a “disponibilização de recursos humanos locais com formação especifica em competências digitais para fazer face às exigências do mercado mundial na área das TIC, tendo para o efeito sido criado um Programa de Formação Intensivo, reconhecido e certificado pelas empresas internacionais na área da programação”. “Promover e disponibilizar os programas de apoio ao emprego, os sistemas de incentivo ao investimento

e o diferencial fiscal existente nos Açores para as empresas que se instalem no TTI”, foi o segundo pilar salientado por Sérgio Ávila. O terceiro é a disponibilização, “desde a sua instalação, das infraestruturas necessárias à fixação das empresas e de habitação para os recursos humanos da empresa que fixem residência na Terceira”, destacou o governante. Relativamente às oito empresas nacionais e internacionais que se instalaram na ilha, Sérgio Ávila revelou que já criaram 67 empregos diretos, permitiram a fixação de mais 104 pessoas no centro da cidade da Praia da Vitória e estão já “a programar, a produzir e apoiar software da Terceira para inúmeros países da Europa, Africa e América”. O titular da pasta da Competitividade Empresarial revelou ainda que, além destas oito empresas, “foram constituídas mais quatro, que aguardam apenas o fim do próximo programa de formação para iniciarem a sua atividade e contratarem os programadores”, acrescentando ainda que “mais cinco empresas internacionais demonstraram já a intenção firme de se instalarem no TTI, aguardando também a disponibilização de mais programadores.” “A oferta de emprego e a procura das empresas atualmente excede, em muito, a capacidade de formação instalada, o que implica a necessidade de aumentar de imediato os cursos de formação para corresponder à procura por parte das empresas”, reafirmou Sérgio Ávila, desafiando os açorianos a aproveitarem esta oportunidade e a “vencer este desafio”. GaCS/OG/JP•

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JP | CIÊNCIA & INVESTIGAÇÃO

2019.02.08

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NA CIDADE DA PRAIA DA VITÓRIA

AIR CENTRE ARRANCA NOS “PRÓXIMOS MESES” Segundo Manuel Heitor, ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, são 10 os cientistas a desenvolver investigação a partir da Praia da Vitória.

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Câmara Municipal da Praia da Vitória “orgulha-se” de receber a sede do AIR Centre – Centro Internacional de Investigação do Atlântico – e, desta forma, “contribuir decisivamente para a Praia da Vitória, a Terceira e os Açores estarem no centro do mundo da ciência e investigação”. As palavras de evidente satisfação são de Tibério Dinis, presidente do Município da Praia da Vitória, que recebeu, no segundo fim de semana de janeiro, a visita do ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, no Salão Nobre dos Paços do Concelho. Manuel Heitor veio à Praia da Vitória (cidade onde já está instalada a sede do AIR Centre) transmitir que este Centro Internacional de Investigação do Atlântico deverá iniciar atividade “nos próximos meses”, com cerca de “uma dezena de investigadores”, apoiados financeiramente pela Fundação da Ciência para a Tecnologia e pelo Governo Regional. O edil praiense, Tibério Dinis, congratulou-se com o anúncio e reagiu àqueles que sempre têm levantado dúvidas sobre este processo lembrando que, ao princípio, também o projeto Terceira Tech Island suscitou desconfianças, mas que estão à vista os resultados positivos ao nível da captação de empresas (algumas multinacionais) e criação de emprego no Concelho e na Ilha. “São boas notícias. Não só porque ficamos a saber que a sede do AIR Centre será aqui, na cidade da Praia PUB

da Vitória, mas também porque irá instalar-se já com vários colaboradores. A par de outros projetos desenvolvidos na Praia da Vitória, como o Terceira Tech Island ou o Centro de Defesa para o Atlântico, o AIR Centre é mais um projeto de grande índole e projeção mundial e, por isso, a Praia da Vitória orgulha-se de, a partir daqui, projetar a investigação e a ciência por toda a Região e marcar uma posição central neste processo de desenvolvimento para todo o País”, afirmou. Após reunir com o ministro da Ciência e Tecnologia, Tibério Dinis disse aos jornalistas que a implementação destas estratégias (que resultaram da aprovação do PREIT – Plano de Revitalização Económica da Ilha Terceira, na sequência da decisão norte-americana de reduzir o seu contingente militar na Base das Lajes) “passam por diversos estágios de maturação”, mas que já estão a dar resultados muito positivos, salientando “os mais de 80 postos de trabalho criados no âmbito do projeto Terceira Tech Island, que resultam da fixação de seis empresas na Praia da Vitória, bem como o arranque do AIR Centre que vai contar logo à partida com uma dezena de postos de trabalho”. “Estamos a falar de projetos que envolvem vários parceiros internacionais e um profundo trabalho ao nível da diplomacia científica, por isso, naturalmente, demoram algum tempo até poderem iniciar-se de forma profícua, mas estão a resultar e a Câmara Municipal quer ser (e tem que ser) parceira ativa, dando todas as condições para que possam continuar a crescer e a gerar riqueza e emprego na nossa Cidade”, acrescentou. Tibério Dinis assumiu que o “compromisso da Câmara Municipal neste

Foto: GP-MPV

domínio é o de dotar o AIR Centre de todas as condições logísticas, de infraestruturas e de apoio operacional à fixação dos investigadores na Praia da Vitória”, frisando que, “neste momento, existe um conjunto de infraestruturas que estão a ser analisadas pela administração do AIR Centre ao nível de espaços que foram desocupados pelos norte-americanos”, mas a Autarquia “já cedeu a Casa da Roda, um edifício histórico, na Rua Gervásio Lima, para o arranque do AIR Centre, para a instalação da sua sede”.

trabalhar em estreita colaboração com a Universidade dos Açores e o Terceira Tech Island.

Na reunião que manteve com Manuel Heitor, o líder do Município praiense ficou a saber que o primeiro núcleo de investigadores a instalar-se na Praia da Vitória está essencialmente orientado para a observação da terra, sendo que o AIR Centre vai

O investigador espanhol José Joaquín Brito, da Plataforma Oceânica das Canárias, já tomou posse como responsável máximo pelo AIR Centre.

Recorde-se, a propósito, que o Centro Internacional de Investigação do Atlântico pretende reunir investigação em áreas como o espaço, oceanos, alterações climáticas e processamento de dados, e envolve países como Brasil, Espanha, Angola, Cabo Verde, Nigéria, Uruguai e São Tomé e Príncipe, tendo o Reino Unido e a África do Sul como países observadores.

GP-MPV/JP•


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REGIÃO | JP

2019.02.08

ORÇAMENTO PARTICIPATIVO

REDE VIÁRIA DA TERCEIRA

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primeiro Orçamento Participativo dos Açores realizou-se em 2018 e registou uma elevada participação dos cidadãos, traduzindo-se num conjunto de propostas de inquestionável qualidade. O Governo Regional, atento a esta realidade e apostando no envolvimento dos cidadãos na vida pública, contribuindo com propostas de investimento que melhorem a qualidade dos serviços que são prestados aos açorianos, independentemente da ilha de origem, vai este ano, alar-

m 2019, a Rede Viária da Terceira vai ter um investimento de “cerca de dois milhões de euros”, anunciou Frederico Sousa, diretor regional das Obras Públicas e Comunicações, que falava, a 25 de janeiro, na assinatura do contrato para gar as áreas temáticas de participa- construção de um muro de contenção e aumentar para um milhão de ção na freguesia das Quatro Ribeiras, euros a verba disponibilizada para Praia da Vitória. concretizar as ideias de investimento apresentadas e escolhidas pelos açoSegundo o responsável, que aponrianos em cada uma das nove ilhas. tou como exemplo o contrato que JP• assinava, os investimentos visam re-

forçar a segurança rodoviária na ilha. O contrato de empreitada, prevê a construção de um novo muro de contenção, a colocação de guardas metálicas, numa extensão de cerca de 120 metros, o melhoramento das condições de drenagem de águas pluviais no centro da freguesia e alargamento da plataforma da via. O investimento ascende a cerca de 95 mil euros, com um prazo de execução de 90 dias, tendo a empreitada sido adjudicada à empresa Tecnovia – Açores, SA. GaCS/DROPC/HB/JP•

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COMUNICADO Aos vinte e oito dias do mês de dezembro do ano de dois mil e dezoito, pelas dez horas, no Auditório da Casa das Tias de Nemésio, teve lugar a segunda sessão extraordinária do ano de dois mil e dezoito, da Assembleia Municipal da Praia da Vitória. Da Ordem do Dia, constava o seguinte: 1. APRESENTAÇÃO, DISCUSSÃO E VOTAÇÃO DA PROPOSTA DE ALTERAÇÃO DE CLÁUSULA CONTRATUAL SOBRE O DIREITO DE SUPERFÍCIE ACADEMIA DE JUVENTUDE; Aprovada por unanimidade. 2. APRESENTAÇÃO, DISCUSSÃO E VOTAÇÃO DA PROPOSTA DE APROVAÇÃO DE FINANCIAMENTO DA PRAIA CULTURAL – COOPERATIVA DE INTERESSE PÚBLICO E DE RESPONSABILIDADE LIMITADA; Aprovada, por maioria, com dezanove votos a favor do Partido Socialista,

onze votos contra do Partido Social Democrata e um voto contra do Partido Popular. 3. APRESENTAÇÃO, DISCUSSÃO E VOTAÇÃO DA PROPOSTA DE ALTERAÇÃO DOS ESTATUTOS DA PRAIA AMBIENTE, E.M.; Aprovada, por maioria, com dezanove votos a favor do Partido Socialista, onze abstenções do Partido Social Democrata e um voto contra do Partido Popular. 4. APRESENTAÇÃO, DISCUSSÃO E VOTAÇÃO DA PROPOSTA DE APROVAÇÃO DE FINANCIAMENTO DA PRAIA AMBIENTE, E.M.; Aprovada, por maioria, com dezanove votos a favor do Partido Socialista, onze votos contra do Partido Social Democrata e um voto contra do Partido Popular. 5. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DO PLANO DE ATIVIDADES E ORÇAMENTO PARA 2019, DA TERAMB, E.M. E MINUTA DO CONTRATO PROGRAMA ENTRE A TERAMB, E.M. E OS MUNICÍPIOS DE ANGRA DO HEROÍSMO E PRAIA DA VITÓRIA; A Assembleia tomou conhecimento. 6. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DO TARIFÁRIO E 1ª ALTERAÇÃO AO TA-

RIFÁRIO DA TERAMB, E.M., PARA O ANO DE 2019; A Assembleia tomou conhecimento. 7. APRESENTAÇÃO, DISCUSSÃO E VOTAÇÃO DA PROPOSTA DE REGULAMENTO DO ARQUIVO DO MUNICÍPIO DA PRAIA DA VITÓRIA; Aprovada por unanimidade. 8. APRESENTAÇÃO DO PROTOCOLO CELEBRADO ENTRE A SECRETARIA REGIONAL DA ENERGIA, AMBIENTE E TURISMO E A CÂMARA MUNICIPAL DA PRAIA DA VITÓRIA, O QUAL VISA PROMOVER A EFICIÊNCIA ENERGÉTICA E A MOBILIDADE ELÉTRICA; A Assembleia tomou conhecimento. 9. APRESENTAÇÃO, DISCUSSÃO E VOTAÇÃO DO PLANO DE GESTÃO DA INFRAESTRUTURA VERDE HÚMIDA COSTEIRA DA PRAIA DA VITÓRIA; Aprovada por unanimidade. 10. APRESENTAÇÃO, DISCUSSÃO E VOTAÇÃO DA PROPOSTA DE REGULAMENTO DE APOIO AOS CLUBES DESPORTIVOS DO CONCELHO DA PRAIA DA VITÓRIA; Aprovada, por maioria, com dezanove votos a favor do Partido Socialista, dez abstenções do Partido Social Democrata e um voto a favor do Partido Popular.

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11. APRESENTAÇÃO, DISCUSSÃO E VOTAÇÃO DA PROPOSTA DE CONTRATAÇÃO DE EMPRÉSTIMO DE CURTO PRAZO, NA MODALIDADE DE CONTA CORRENTE, ATÉ AO MONTANTE DE DOIS MILHÕES DE EUROS, A MOVIMENTAR DURANTE O ANO DE 2019 – RELATÓRIO DE ANÁLISE; Aprovada por unanimidade.. 12. APRESENTAÇÃO, DISCUSSÃO E VOTAÇÃO DA PROPOSTA DE APROVAÇÃO DA MINUTA DE ESCRITURA PÚBLICA DE COMPRA DOS TRÊS PRÉDIOS RÚSTICOS SITOS NO CAMINHO DO FACHO DE SANTA RITA; Aprovada por unanimidade. 13. APRESENTAÇÃO DO OFÍCIO DO SR. PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DIRIGIDO AO SR. PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL, RELATIVO AO LOCAL DAS SESSÕES DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL DA PRAIA DA VITÓRIA. A Assembleia tomou conhecimento. Praia da Vitória, 2 de janeiro de 2019. O Presidente da Assembleia Municipal Paulo Manuel Ávila Messias As atas aprovadas das sessões desta Assembleia Municipal encontram-se publicitadas no endereço eletrónico do Município da Praia da Vitória, em www.cmpv.pt

Telefone 295 543 501


JP | LOCALIDADE

2019.02.08

A FONTE DO BASTARDO

A FREGUESIA

Por: Francisco Medeiros

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Padre António Cordeiro, da Companhia de Jesus, aos 76 anos de idade, compôs a “História Insulana”, onde descreve as Ilhas Açorianas do Oceano Ocidental. Não se sabe ao certo a data da conclusão desta obra, mas sabe-se que a licença do Padre Miguel Ângelo Tamborino, Provincial da Ordem da Companhia Jesus para a sua Impressão data de 30 de Junho de 1716 e imprimida em Lisboa em 1717. Do livro VI da ilha Terceira, a páginas 260, capitulo 52 transcreve-se o seguinte texto: De Porto Martins, por dois terços de légua -cabo de Praia- corre a costa toda rasa de calhau grosso até à Ribeira Seca que vai sair ao mar a Sueste e pela terra de biscoito, plantado de pomares e vinhas e junto da Ribeira está um Porto onde barcos e se chama Porto de Gaspar Gonçalves Machado, Africano por ter sido o melhor cavalheiro Africano que se achou em África e deste procedem os Machados. Dali meia légua pela terra dentro fica o lugar de Santa Barbara, muito antigo e de setenta vizinhos (habitantes) e muitos deles muito nobres e aqui estão as ricas quintas, de João de Bettencourt, João CardoPUB

so, Cristóvão Paim e António da Fonseca. Na Ponta da Ribeira Seca está uma fortaleza nova. Para dentro da Terra está uma ermida de S. Ana e aqui acaba a capitania da Praia. A Igreja da Santa Bárbara da Fonte do Bastardo remonta à primeira década do século XX. (No frontão existe um medalhão circular, com a inscrição “F. B. 1904). Antes da construção da Igreja a Ermida de São José construída no século XVI é um dos mais belos e elegantes templos particulares da Terceira. Tinha no seu interior as alfaias antigas e de grande valor como a imagem de Nossa Senhora do Rosário com origem no século XVII e a de São José com origem no século XV. Foi seu fundador António Correia da Fonseca corria o ano de 1583. O Padre António Cordeiro, ao referir-se ao lugar da Fonte do Bastado, menciona os nomes de algumas famílias nobres (Abastadas) entre eles a família Fonseca, que terá sido os Fundadores da Ermida de São José. Frei Diogo das Chagas, na sua obra Espelho Cristalino em Jardim de Várias Flores, terminada 1654, ao des-

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crever a Ilha Terceira em circuito, já refere a paroquia de Santa barbara cujo orago é a mesma Santa. Santa Barbara. Sendo já freguesia, a Fonte do Bastardo tem com seu mais antigo regedor, Francisco de Simas, que inicia funções 22 de Dezembro de 1842. A data de aprovação da nova constituição da Republica, que estabelece os órgãos de freguesia: Assembleia de Freguesia e Junta de Freguesia, aprovada 2 de Abril de 1976 pela Assembleia Constituinte entrou em vigor no dia 25 do mesmo ano. Sobre Francisco Medeiros Natural de São Roque do Pico, com 87 anos, reside na Rua do Regelo, na Fonte de Bastardo, em casa de Familiares. Foi correspondente dos jornais faialenses “O Telégrafo” e “Correio da Horta” e também do rádio “Clube Asas do Atlântico”, de Santa Maria; colaborou ainda com a “Rádio Cais”, do Pico, os jornais “Diário Insular”, da ilha Terceira, “Tribuna das Ilhas” e “Jornal do Triângulo”, ambos com sede no Faial, “O Dever”, das Lajes do Pico. Nos últimos anos tem mantido a colaboração com os semanários picoenses “Ilha Maior” e “Jornal do Pico”, neste último tendo, inclusivamente, sido seu diretor interino. •

Segundo defendem alguns historiadores, a denominação desta freguesia – Fonte do Bastardo – advém da existência de uma fonte que se situava em terras de um homem de nascimento bastardo, filho de um nobre da freguesia. Não se sabe com exatidão a data de constituição da localidade como povoado independente, contudo há referências bibliográficas que dão conta da sua existência em 1531. Certo é que a freguesia da Fonte do Bastardo foi um dos primeiros povoados da ilha Terceira. Refere o padre e historiador António Cordeiro, que no lugar de Santa Bárbara, como era inicialmente conhecida a freguesia, se instalaram indivíduos de origem nobre como João Bettencourt, João Cardoso, Cristóvam Paim e António Fonseca da Câmara. Trata-se, portanto, de um dos mais antigos povoados da Terceira. A freguesia da Fonte do Bastardo tem uma área de 8,90 km² e segundo os Censos de 2011, uma população de 1.278 habitantes, o que se traduz numa densidade populacional de 143,6 hab/km². A freguesia da Fonte do Bastardo tem como padroeira Santa Bárbara, assinalando-se a 04 de dezembro.

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EDITORIAL / OPINIÃO | JP

2019.02.08

NUMA… DE REFLEXÃO…

E DITORIAL

anos na defesa dos direitos da pessoa … versava o LV aniversário da proclamação da Carta de Declaração Universal dos Direitos do Homem… Jornal do dia 5 de Dez 2002, nem que fosse um “desígnio” para o que viríamos a ”escrevinhar” a partir daquela data.

SAD do Sport Clube Praiense

José Ventura*

P O

Sport Clube Praiense, Associação Desportiva e Recreativa, fundada em 1947, na então Vila da Praia da Vitória, foi ao longo da sua existência um clube desportivo, nomeadamente na prática do futebol, que orgulhou e orgulha os Terceirenses em geral e os Praienses em particular, sendo múltiplo e honroso o palmarés dos Vermelhos da Praia da Vitória. Como afirmou o poeta Luís Vaz de Camões “Todo o mundo é composto de mudança/tomando sempre novas qualidades”, por isso há que evoluir, não podemos ficar parados no tempo de forma letárgica e inactiva, urge progredir de forma sustentável para nos adaptarmos ao futuro que nos bate à porta, e pelo que conhecemos nas notícias e temos assistido em determinados locais das nossas cidades e vilas, a constituição de Sociedades Anónimas Desportivas, está na moda e por isso a Direcção do Sport Clube Praiense, presidida por Marco Monteiro entendeu que seria útil e viável a constituição de uma SAD, e para tal convocou-se uma Assembleia Geral Extraordinária, que se realizou na sede do Praiense, no dia 11 de Janeiro de 2019, onde os associados aprovaram por esmagadora maioria a constituição da Sociedade Anónima Desportiva do Sport Clube Praiense. Depois de discutida e analisada os prós e os contras da constituição da SAD do Praiense, os associados entenderam por bem dar o seu aval com 91% de votos a favor e assim, a Direcção do Sport Clube Praiense já encetou todos os procedimentos legais para a constituição da SAD, que brevemente entrará em actividade. Segundo o Presidente Marco Monteiro “este projecto só faz sentido com envolvência de todos. A constituição de uma SAD obriga a novos procedimentos e, claro, queremos ter a edilidade e as forças vivas do concelho como parceiros”, cuja meta é colocar o Praiense na Primeira Liga do Futebol no espaço de 5 anos, por isso há que construir um Praiense forte e vencedor, que não perca a sua identidade, nem põe em causa o seu futuro. Pois, se se conseguir estas almejadas pretensões será bom para o glorioso Praiense e para a cidade da Praia da Vitória. O Diretor Sebastião Lima diretor@jornaldapraia.com

ublicado o nosso último texto de “Opinião” “2019 Para os Açores o Melhor” o que sucedeu nos primeiros dias do recém-chegado calendário anual para o agora, corrente ano de 2019, nas páginas de alguns dos nossos jornais locais e, outras publicações, a quem cujos Directores queremos, aqui e publicamente, agradecer o favor de nos acolher como seus “colaboradores”, fomos atingidos pela necessidade de recolher em reflexão sobre o que, e como transmitimos aquilo que escrevemos dentro da nossa limitada literacia como gostaria de o fazer na participação activa na cultura sociopolítica. A todos os leitores que sabendo de antemão, não irem ler nenhuma peça de literatura “shakespeariana”, ou de um escritor erudito, formado universitariamente nas matérias que nos atrevemos por vezes explorar e, a comentar, “Agradeço” (sim com maiúscula, o “tempinho” para passar uma vista de olhos pelo o que trazemos semanalmente, nas páginas de Opinião e que, os directores dos jornais, entenderam adjectivarem de “politica” como rodapé da foto que nos identifica. Não é muito tempo. Há muitos comentadores e argumentistas que colaboram nos nossos órgãos de comunicação social há já longas décadas. A nossa primeira” actuação” teve lugar a convite do então Director do Jornal Açoriano Oriental Sr. João Manuel Alves, tendo o nosso primeiro artigo, saído na página “Perspectivas”, intitulado Cinquenta e Quatro

Em 16 de Fevereiro de 2006 publicamos um “Simplesmente” onde justificamos a suspensão da nossa colaboração semanal no AO conforme solicitação do Dr. Paulo Simões, por razões de revisão da página de Opinião e, de se ler outros colaboradores e articulistas embora, deixando em aberto outro qualquer tipo de colaboração esporádica. Compreensível porquanto o entendimento de diversificação de opiniões. Terminei o artigo com a frase de Alexandre Dumas Filho “O que as grandes e puras afeições têm de bom é que, depois da felicidade de as ter sentido, há a felicidade de recordá-las”. Assim foi. Em Agosto de 2013, timidamente, e na página “Diga Leitor” recomecei com alguns “textos” seguindo a abertura deixada pelo Director Dr. Paulo Simões numa colaboração esporádica. O “Regresso” às páginas de “OPINIÃO” do nosso Açoriano Oriental dá-se no seu número datado de 16 de Janeiro de 2014, sobre um Lema que muito consideramos: SEM LIBERDADE A VERDADE NÂO APARECE, versando a nossa afirmação de: SIM!!! Sou independentista numa colectânea de 9 artigos onde justificamos, esta nossa afirmação. Normal a um ser humano, meditar, reflectir sobre si próprio, sobre os seus actos, a sua afirmação como coo-construtor colectivo de uma sociedade que se quer livre e democrática reflectindo na responsabilidade que possui, na sua condição de homem livre. Assim, e após um tempo que não tão curto como gostaria, retomei a

“Vontade de contribuir para a realização dos nossos votos de “2019 Para os Açores o Melhor”. Dois Mil e Dezanove (2019) vai ser para o Mundo, para Portugal e para os Açores uma “Caixa de Pandora”. Dela e em relação aos Açores, preparam-se para sair um sem número de surpresas já pré-anunciadas, para quem tem estado atento às notícias. São entre elas as eleições que se avizinham, em especial as que mais directamente dizem também espeito aos Açores, (Europeias e Legislativas à AR) a acção concertada entre as forças armadas com a frequente presença dos seus comandantes operacionais num reforço de uma acção “psíco-social” de presença, Um “Orçamento de Estado” falseado nas suas intenções, um “Quer Posso e Mando” centralista e de índole colonialista no abuso do que nos pertence por direito internacional. A actuação de um sector dos” DDT” nas figuras dos ministros da Justiça, Administração Publica, do Ambiente e dos Negócios Estrangeiros e, já agora também, do da Ciência e Tecnologia. Nunca se assistiu a uma tão rápida solução para um projecto nos Açores como o do referente ao AIR CENTER. É de desconfiar. O mesmo deve trazer água no bico. Tenhamos olho aberto e pé ligeiro” No que respeita particularmente aos DDT que também temos por cá, temos que estar atentos à Caixa de Pandora que poderá ser a tão badalada e esperada CEVERA. Durante a Reflexão que fizemos, sentimos momentos de desânimo, raiva, medos, ira, dúvidas sobre o açorianismo de uns quantos, mas, veio-nos â memória a frase de Mahatma Gandhi “Aprendi através da experiência amarga a suprema lição: controlar minha ira e torná-la como (Continua na página seguinte)

ATÉ ONDE PODE CHEGAR O INDEPENDENTISMO CATALÃO nhos. Vou, contudo, contar hoje uma estória que tem a ver com um fenómeno político, o independentismo, tema presente nos Açores há um bom par de anos, e hoje praticamente desaparecido.

Silveira de Brito

H

á pouco tempo explicava numa crónica que evito escrever sobre assuntos de actualidade e de acentuada sensibilidade política, porque temo escaparem-me dados importantes para formular uma opinião abalizada e porque, no caso da política, tenho a noção clara de que a retórica que domina esse discurso fundamental, tem como objecto ideais, isto é, so-

A primeira vez que fui à Catalunha e convivi com catalães foi em Novembro de 2000, convidado por um colega da Universidade de Barcelona para participar no “II Congresso Internacional de Tecnoética” e nas sessões da “European Network of Applied Ethics”. Em termos académicos, tudo correu dentro de previsível. Fora das sessões, e em termos de convivência social tive, contudo, uma experiência que, avaliada a partir do tempo presente, posso considerar claramente premonitória. Estava eu a conversar em espanhol com

o colega que me tinha convidado, quando chegou outro barcelonês: imediatamente os dois começaram a falar em catalão. Achei estranho e essa estranheza deve ter-se estampado no meu rosto. Os dois catalães, apercebendo-se, justificaram-se: “sabes, isto é automático; se um catalão aparece, falamos imediatamente na nossa língua”. Depois desta viagem, regressei várias vezes a Barcelona para fazer parte de júris de doutoramento ou para, como representante da minha Faculdade, participar nas reuniões de um Grupo que trabalha em Ética das Profissões. Nestas visitas notei algumas coisas que me pareceram estranhas; refiro apenas duas. Segundo os regulamentos das provas doutorais em (Continua na página seguinte)


JP | OPINIÃO

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CRÓNICA DO TEMPO QUE PASSA (XLV)

POPULISMO, MENTIRA E DESINFORMAÇÃO

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António Neves Leal

os últimos dois anos, sobretudo antes das eleições de Donald Trump nos EUA e, mais recentemente Bolsonaro, no Brasil, vêm-se acumulando crescentes preocupações e receios sobre o futuro da democracia na Europa a que pertencemos e do mundo ocidental em geral. Isso está bem espelhado nos órgãos de comunicação internacional, mormente na imprensa de vários países. Ainda há duas semanas, a prestigiada e séria revista Le Nouvel Observateur, hoje designado L’OBS, no seu nº 2827 de 10 a 16 Janº 2019, trazia em destaque um suplemento de treze páginas intitulado «O Cancro das Fake News» e como ele ataca a democracia, alertando-nos para tudo o que se pode encontrar nas redes sociais, tanto do melhor como do pior, com grande predomínio deste último. O mesmo se passa com o falso que domina o verdadeiro, a mentira que suplanta largamente a verdade, o ódio e a vingança que arruínam os sentimentos mais nobres do Homem, entre eles a solidariedade, o amor, a justiça e a fraternidade. As falsas notícias pululam pelas redes sociais tal como proliferam as teorias do “complot”, com flagrante falta de rigor e espírito crítico de quem

as divulga e dos desatentos utentes que as engolem, sem qualquer questionamento sobre o seu interesse ou conveniência, consumindo produtos tóxicos para o organismo e mais ainda para o espírito. Em Portugal, o termo está ainda pouco generalizado e o seu significado não é bem conhecido. As fake news (falsas informações) traduzem conteúdos factualmente falsos, fabricados para terem ou darem uma aparência de credibilidade, com fins deliberados de enganar/ludibriar os internautas incautos a quem se destinam. E com tais serviços, obscuros e tortuosos, os seus agentes aumentam, vertiginosamente, as suas contas bancárias em milhões e milhões de euros à custa da exploração de outros trabalhadores também burlados e vítimas de injustiças, se não produzirem um número exagerado de páginas a que estão obrigados sem dó nem piedade. O lema é sempre produzir mais e quanto ao pagamento ver-se-á depois. A desigualdade, a imprevisibilidade salarial e a corrupção campeiam. Os maiorais dessas fake news não têm rosto, o que lhes interessa é obter fortunas fabulosas, a qualquer preço. São exemplos os casos de Mirko Ceselkosky e de Tale Arsov, adeptos da era da pós-verdade. Ambos têm convicções de extrema-direita e libertárias, e o segundo insiste não ter nenhum elo com os Russos: “ Isso é teoria da conspiração!”. Mas declara estar orgulhoso de ter contribuído para a eleição do actual inquilino da Casa Branca. L’OBS, ao aludir à campanha americana, considera Veles, na Macedónia, o hub das fake news, referindo que aquele pequeno país tornou-se numa fábrica da mentira,

estando sob a dupla influência de um ”lobby” pró-Trump e da Rússia.

O populismo e as falsas notícias Mas poder-se-á entender o populismo actual, no meio de tamanha barafunda? É muito difícil, porque ele utiliza as fake news (as falsas notícias) como armas tácticas pontuais. O seu objectivo prioritário é o maniqueísmo conducente ao totalitarismo, a verdade absoluta saída da boca do chefe, mediante uma narrativa de salvação, de promessas, ou preces a Deus. «A verdade já não depende da relação do enunciado com a realidade, mas sim da sua relação com o sujeito da enunciação, a oscilação entre a verdade e a mentira vale o mesmo que a oscilação entre a mentira e a mentira» (José Gil, Caos e Ritmo, pág.465, Relógio D’Água, 2018). Como se depreende das palavras do nosso grande filósofo, isto é uma subversão completa, que visa, com a criação de factos alternativos e falsas notícias, desacreditar a comunicação social independente, porque esta constitui uma ameaça, por ser detentora da verdade dos factos, conseguida por uma deontologia e competência profissional que obrigam o jornalista a um conjunto de regras: inquirir, verificar as fontes, comparar os testemunhos e opinar com a isenção e a objectividade possíveis, num tempo ajustado à natureza dos acontecimentos e não em correrias loucas. E prossegue José Gil: «Apagar a realidade é garantir que não será confrontado com o “princípio da realidade”, contando apenas com a realidade alternativa, fabricada segundo as conveniências do poder populista.

ATÉ ONDE PODE CHEGAR O INDEPENDENTISMO CATALÃO (Conclusão da página anterior)

que participei, o orientador da tese está presente, mas não está integrado no Júri; apesar disso, no fim das arguências, é de praxe o presidente do Júri dar-lhe a palavra. Numa das vezes em que a tese estava redigida em catalão (o que já era sintomático), o orientador, ao tomar a palavra, lamentou não poder expressar-se em catalão “porque seria a língua em que em termos afectivos melhor podia expressar a sua admiração pelo candidato e pelo trabalho apresentado”; mas iria falar em espanhol, “porque um dos membros do júri não falava catalão”. Numa outra ocasião, assisti a uma discussão, que por pouco não acabou mal, em que, perante um espanhol nascido na Es-

tremadura mas a viver em Madrid, um catalão defendia veementemente que na Catalunha não devia ser obrigatório ensinar espanhol nas escolas. Se olharmos hoje para o que se passa na Catalunha, estamos muito longe destes meros sinais; com o andar do tempo, veio à superfície a luta intensa dos independentistas como nos tem mostrado a comunicação social e é evidente na estória que passo a contar.

Uns dias antes do Natal, recebi um mail de um amigo catalão a desejar as Boas Festas e a informar-me de que, a partir do fim do ano, ele e a família passariam a ter nova residência, porque iriam emigrar. Escrevi-lhe a desejar as maiores felicidades e a mostrar a minha surpresa pela de-

cisão de deixarem a Catalunha. Na resposta, ele esclareceu-me: “cansámo-nos de viver na Catalunha, onde o clima político, social e cultural é irrespirável em consequência do movimento independentista que é extremamente intolerante e desrespeitoso do Estado de Direito. Em Maio chegou-me uma proposta de uma universidade […] com que colaboro há muitos anos, e aceitei”. Este amigo de há muitos anos não é um espanholista. Lembro-me de muitas conversas em que mostrava a sua paixão pela Catalunha. Só a título de exemplo, uma vez, quando tentávamos agendar uma reunião do grupo em Madrid, alguém sugeriu 11 de Setembro; ele imediatamente reagiu dizendo: “esse é o dia da Catalunha,

É a crença no líder—além das suas mensagens—que garante a ”credibilidade” do seu discurso». O caso de Trump é eloquente com a sua frase recorrente «Believe me!» (Acreditem-me!). Com se vê, estamos perante conjunturas caóticas e um fenómeno novo pelo seu enorme mediatismo, fácil e próximo, que seduz muito mais, se bem que historicamente o populismo seja tão antigo como a própria democracia. Isto leva certos ditadores, alguns verdadeiras marionetas, a não se aperceberem das suas atitudes e comportamentos boçais e ridículos. Certamente por possuírem pouca cultura, excesso de autoestima, ou devido à falta de carisma pessoal. Para gente não suficientemente esclarecida, o orador populista não precisa de argumentar. Basta-lhe gritar ou berrar, gesticular, fazer momices, afirmar com gestos teatrais e inflexões vocais, encenar pequenos “sketchs” para estabelecer uma comunicação directa e imparável com a assistência. A História, ao longo dos séculos, regista os nomes de alguns deles pelas piores razões. Oxalá isso sirva para acautelar-nos dos perigos e sirva para um futuro de paz e liberdade, e não de violência, injustiça e vingança, como nos querem impingir alguns corruptos e pseudo-profissionais da informação. Com a proximidade das eleições europeias alguns países vão tomar medidas contra as fake news, já anunciadas por Emmanuel Macron, para que a França permaneça uma democracia robusta e assim melhor se possa proteger das falsas informações, das manipulações e das intoxicações». •

não posso sair de Barcelona”. A história do meu amigo mostra que o independentismo catalão está a atingir um radicalismo inimaginável. Aliás, um familiar meu, que tem estado muito ligado ao intercâmbio entre escolas secundárias e, por isso, tem ido bastante à Catalunha, dizia-me há uns tempos que os independentistas catalães votam um verdadeiro ódio aos “não independentistas”. Isto é, a paixão política exacerbada cria situações que só têm semelhança com as geradas pelo fundamentalismo religioso, que sempre pensei serem inimagináveis na Europa, mas que hoje são vividas na Catalunha.

NUMA... DE REFLEXÃO... (Conclusão da página anterior)

o calor que é convertido em energia. Nossa ira controlada pode ser convertida numa força capaz de mover o mundo”. Terminamos agradecendo a aten-

ção e o apoio que sempre merecemos dos Directores não só do Açoriano Oriental onde começamos as nossas lides de escrevinhador sem talento bem assim, a todos os outros que nos deram o prazer de nos receberem nos seus jornais, e similares.

Se assim o entenderem, aqui estamos para continuar a respeitar e a lutar pelo estipulado na Declaração dos Direitos do Homem no que diz respeito à palavra LIBERDADE que aparece em destaque, sendo diversas vezes mencionada no seu prefácio e em vários dos seus 30 artigos.

Açorianos é dever de cada um de nós como ser humano libertar-nos do cárcere, da sombra e da dor de uma prisão sem barras… (*) Por opção, o autor não respeita o acordo ortográfico. •


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MARÉ DE POESIA | JP

2019.02.08

P

oesia, é um género literário que provoca no leitor um mergulhar nas emoções, despertando diversos sentires. Abrindo a Maré de Poesia a diferentes poetas e poetisas, estamos a proporcionar aos nossos amantes de poesia e não só, uma viajem diversificada, quer na estrutura dos poemas, quer nos conteúdos.

ticipação de Rosa Silva “Azoriana” e de Sandra Fernandes, poetisas terceirenses, Brazídio César poeta micaelense, que vive na ilha do Pico e Emanuel Ávila poeta natural de S. Jorge com residência na ilha Terceira. Com participações habituais temos Leonel Purple e Carla Valadão (Vallda), ambos naturais do concelho da Praia da Vitória.

Nesta edição inauguramos a par-

O Encaixe do abraço perfeito Sandra Fernandes Aproxime-se mais mais até não dar mais… Abra os braços estique estique, enrole ao redor envolva prenda e fique... E com jeito aproxime-se do peito que vai abraçar com ímpeto mas com delicadeza; aperte entre os braços aperte anulando os cansaços as tristezas as fraquezas os espaços… Entregue-se demoradamente envolva-se intensamente torne as suas imperfeições o encaixe perfeito e acolha junto ao seu peito o ser que vive dentro do seu coração com delicadeza com firmeza

com emoção… Aproxime-se mais mais até que leves sussurros animais se soltem do interior… Com jeito sinta bater no seu peito o coração de quem abraça e permita-se sentir viver permitir transferindo a energia que passa, que renova quem é abraçado e quem abraça, fazendo deste encaixe imperfeito o tesouro eleito dos tesouros do mundo. Aproxime-se e deixe-se silenciar deixe-se abraçar até que toda a imperfeição se encaixe e faça desta diferença união encontro abraço exaltação regaço embale profundo...

Amar-te … Leonel Purple Amar-te é querer-te mais. mais que à própria vida, é desejar-te, é cultivar a nossa paixão tão incontida. Amar-te é como um despertar, é estar preparado para mais um dia é considerar-te “o meu amor eterno”, ao imortalizar-te “na minha Poesia”. Amar-te é seres mais, mais que “a minha poética inspiração”, quando ao viver só pra ti, hoje te consagro ao meu coração. Amar-te é como atravessar um imenso e profundo rio a vau… é conhecer-te no momento bom e adorar-te no dia mau… Amar-te, sim, amar-te, é como desprover-me de tudo, até de calma, quando depois de te ter dado a vida, e achando pouco, hoje inda te dou minha alma !!

A Amizade Emanuel Ávila Ser amigo é sentir Também é ser responsável Receber e distribuir A confiança notável. Ser amigo a qualquer hora Sorrindo de peito aberto É não deixar ninguém de fora E de longe estando perto. A amizade tem personalidade É uma riqueza de bem Que estimula com qualidade Sem nunca olhar a quem. Amigos e amigas são O valor duma garantia Por isso eu desejo-vos do coração Saúde paz e alegria.

O acordar do dia, é uma magia! Uma magnólia de desejos aberta,

Do luar a fantasia e a harmonia, Um rasto de sensação deserta. Pedaços do amor indomável, Que inicia nos lábios misteriosos, Das nuvens, o suco do olhar afável, Sereno como mar entre rios.

Amante dessa maré que é da baia poema que só o sonho pode arcar. E se pudesse marinheiro se tornar, desta Praia, certamente, partiria... E esse amor ao poema que é tão seu dessa alma que partilhada é só sua, descubro prismas e os vértices da lua espelhados em cada onda qu’escreveu! Quantos dedos p’ra verdade fugidia? Quantas regras ele ousava derrubar? Quantas vezes foi de génio a leviano? Quantos cabos das tormentas na poesia por ele dobrados, na moléstia desse mar quand’esse amor trespassava o oceano?

Mar lilás Rosa Silva (“Azoriana”)

Brazídio César https://m.facebook.com/brazidiocesaracoriano/ Amar em segredo é reluzente, Na realidade de viver emoções, Onde o céu é um livro carente... Uma escrita de estrelas em uniões!

Maré de Poesia Vallda

Ai que lilás este mar Que tanto dá à poesia Ou somos nós a levar A mente para a maresia... Gostava eu de saber Nadar como na rima Jamais terei tal prazer Só a escrita o sublima.

Sem a rima e sem o mar Que seria eu então No nosso lilás torrão?! Seria sempre a chorar Plo rosto em onda brava No verso que hoje me grava.

FICHA TÉCNICA: COORDENAÇÃO: Carla Félix COLABORADORES DESTA EDIÇÃO: Brazídio César; Emanuel Ávila; Leonel Purple; Rosa Silva; Sandra Fernandes; Vallda PAGINAÇÃO: FS/JP. As participações aqui presentes são da responsabilidade dos poetas/poetisas. Para participar envie o seu poema para maredepoesia@jornaldapraia.com. PUB


JP | INFORMAÇÃO

2019.02.08

| 15

13.ª JORNADA | 16.02.2019 SC Lusitânia

-

SC Barbarense

Posto Santo

-

Ladeira Grande

Casa da Ribeira

-

Cedrense

HOJE (08/02)

Santa Clara

-

Santa Bárbara

Farmácia da Misericórdia Avenida Paço do Milhafre, 18 ( 295 540 290

FUTEBOL

VOLEIBOL

CAMPEONATO DE PORTUGAL SÉRIE “D”

NACIONAL DA II DIVISÃO ZONA AÇORES Seniores Femininos

21.ª JORNADA | 10.02.2019 -

1º Dezembro

Real

-

Olhanense

Moura

-

Amora FC

Pinhalnovense

-

Redondense

Olímpico Montijo

-

Casa Pia

VG Vidigueira

-

Sacavenense

18.ª JORNADA | 10.02.2019

Oriental

-

Ferreiras

CDE Topo

-

AJF Bastardo

ADRE Praiense

-

C. Kairos - B

Santa Cruz SC

-

FC Calheta

-

Armacenenses

Angrense

-

Sp. Ideal

22.ª JORNADA | 17.02.2019 1º Dezembro

-

Oriental

Redondense

-

Angrense

Olhanense

-

Olímpico Montijo

Amora FC

-

Pinhalnovense

Moura

-

Louletano

Ferreiras

-

Sacavenense

Armacenenses

-

VG Vidigueira

Casa Pia

-

SC Praiense

-

Real

Sp. Ideal

CAMPEONATO DOS AÇORES

17.ª JORNADA | 10.02.2019 CD Rabo Peixe

-

Águia CD

Ooerário Lagoa

-

SC Lusitânia

Marítimo Gra.

-

Cedrense

CD Fontinhas

-

Vitória do Pico

Guadalupe

-

Graciosa FC

18.ª JORNADA | 17.02.2019 Vitória Pico

-

CD Rabo Peixe

Cedrense

-

CD Fontinhas

SC Lusitânia

-

Guadalupe

Águia CD

-

Operário Lagoa

Graciosa FC

-

Marítimo Gra.

CDE Topo

-

AJF Bastardo

ADRE Praiense

-

C. Kairos - B

Santa Cruz SC

-

FC Calheta

Seniores Masculinos

19.ª JORNADA | 16.02.2019 CD Ribeirense

-

AA Alunos

Angústias AC

-

CD Marienses

ADRE Praiense

-

CDE Topo

DOMINGO (10/02)

Farmácia Silva Largo Conde da Praia da Vitória, 26 ( 295 512 905 TEATRO À MESA N’A SALA Local: Auditório do Museu de Angra do Heroísmo Hora: 21:30 Um restaurante onde dramas da vida fazem parte do menu e são servidos e condimentados com uma pitada de humor negro à la Tarantino. Menu criado por Food With A Meaning (food blogger)

SEGUNDA (11/02)

DOMINGO (10/02)

QUINTA (14/02)

-

AA Alunos

Angústias AC

-

CD Marienses

ADRE Praiense

-

CDE Topo

NSIT - Terauto

-

SC Vilanovense

JD Lajense

-

SC Barreiro

13.ª JORNADA | 17.02.2019 SC Barreiro

-

NSIT - Terauto

SC Vilanovense

-

Boavista CR

FUTSAL NACIONAL DA II DIVISÃO SÉRIE AÇORES Seniores Masculinos

12.ª JORNADA | 09.02.2019 SC Barbarense

-

Santa Bárbara

Cedrense

-

Posto Santo

Santa Clara

-

Casa da Ribeira

Ladeira Grande

-

SC Lusitânia

Farmácia Silva Largo Conde da Praia da Vitória, 26 ( 295 512 905

Farmácia Silva Largo Conde da Praia da Vitória, 26 ( 295 512 905

DOMINGO (17/02)

Farmácia da Misericórdia Avenida Paço do Milhafre, 18 ( 295 540 290

SÁBADOS

SEGUNDA (18/02)

Farmácia Cabral Praça Francisco Ornelas da Camâra ( 295 512 814

TERÇA (19/02)

CINEMA VERÃO 1993 Local: Recreio dos Artistas Hora: 18:00 Classificação: M/12

SÁBADO (16/02)

DOMINGOS

08:30 - São Brás; 09:00 - Vila Nova, ENS Ajuda; 10:00 - Lajes, Ermida Cabouco; 10:00 - Cabo da Praia (1); 10:00 - Biscoitos, S Pedro; 10:30 - Agualva; 10:30 - Casa Ribeira (1); 10:30 - Santa Rita 11:00 - Lajes; 11:00 - São Brás; 11:00 - Cabo da Praia (2); 11:00 - Porto Martins; 11:00 - Casa da Ribeira (2); 11:00 - Biscoitos, IC Maria; 12:00 - Vila Nova; 12:00 - Fontinhas; 12:00 - Matriz Sta. Cruz (1); 12:00 - Quatro Ribeiras; 12:00 Sta Luzia; 12:15 - Fonte Bastardo; 12:30 - Matriz Sta. Cruz (2); 13:00 - Lajes, ES Santiago; 19:00 - Lajes; 19:00 - Matriz Sta. Cruz (3); 20:00 Matriz Sta. Cruz (4)) (1) Missas com coroação; (2) Missas sem coroação; (3) De outubro a junho; (4) De julho a setembro

QUARTA (13/02)

SÁBADO (16/02)

CAMPEONATO ILHA TERCEIRA

12.ª JORNADA | 10.02.2019

Farmácia Cabral Praça Francisco Ornelas da Camâra ( 295 512 814

Farmácia Cabral Praça Francisco Ornelas da Camâra ( 295 512 814

NO CONCELHO

tos - São Pedro (4) (1) Enquanto há catequese; (2) Quando não há catequese; (3) 1.º e 2.º sábados; (4) 3.º e 4.º sábados

TERÇA (12/02)

SEXTA (15/02)

MISSAS DOMINICAIS 15:30 - Lajes; 16:00 - Fontinhas (1) ; 16:30 - Casa da Ribeira; 17:00 - Cabo da Praia; 17:30 - Matriz Sta. Cruz; 17:30 - Vila Nova; 18:00 - Fontinhas (2); 18:00 - São Brás; 18:00 - Porto Martins; 18:00 - Sta Luzia, BNS Fátima; 18:00 - Quatro Ribeiras; 19:00 - Lajes; 19:00 Agualva; 19:00 - Santa Rita; 19:00 - Fonte do Bastardo; 19:30 - Biscoitos, IC Maria (3); 19:30 - Biscoi-

Farmácia da Misericórdia Avenida Paço do Milhafre, 18 ( 295 540 290

Farmácia da Misericórdia Avenida Paço do Milhafre, 18 ( 295 540 290

20.ª JORNADA | 17.02.2019 CD Ribeirense

SÁBADO (09/02)

Farmácia Cabral Praça Francisco Ornelas da Camâra ( 295 512 814

17.ª JORNADA | 09.02.2019

Louletano

SC Praiense

SEXTA (08/02)

Farmácia Silva Largo Conde da Praia da Vitória, 26 ( 295 512 905

QUARTA (20/02)

Farmácia da Misericórdia Avenida Paço do Milhafre, 18 ( 295 540 290

QUINTA (21/02)

Farmácia Cabral Praça Francisco Ornelas da Camâra ( 295 512 814

BISCOITOS Posto da Misericórdia ( 295 908 315 SEG a SEX: 09:00-13:00 / 13:00-18:00 SÁB: 09:00-12:00 / 13:00-17:00

VILA DAS LAJES GASTRONOMIA II FESTIVAL DE PETISCOS COM PROVA DE VINHHOS DA FILARMÓNICA UNIÃO PRAIENSE Local: Academia de Juventude e das Artes da Ilha Terceira Hora: 20:30 Bilhete 7,5 petiscos por pessoa. Grátis para crianças até aos 6 anos. Bilhetes à venda na sede da FUP, às terças e quintas, das 20:30 às 22:00. Contato: 968 097 495 NOTA: Esteja na nossa Agenda Cultural geral@jornaldapraia.com •

Farmácia Andrade Rua Dr. Adriano Paim, 142-A ( 295 902 201 SEG a SEX: 09:00-18:30 SÁB: 09:00-12:30

VILA NOVA Farmácia Andrade Caminho Abrigada ( 295 902 201 SEG a SEX: 09:00-12:00 / 16:00-18:00 Farmácias de serviço na cidade da Praia da Vitória, atualizadas diáriamente, em: www.jornaldapraia.com


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Jornal da Praia | 0538 | 08.02.2019  

Jornal da Praia | 0538 | 08.02.2019  

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