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Vagos Grupo de teatro existe há mais de 10 anos

Em Ação

Marvão Migas de batata com entrecosto frito

Pág. 10

Receita

Pág. 10

Acordos Mais cuidados continuados em Lisboa

Saúde

Pág. 6

VOZDAS MISERICÓRDIAS

União das Misericórdias Portuguesas

director: Paulo Moreira | ano: XXVIII | abril 2012 | publicação mensal

Sustentabilidade em risco A sustentabilidade tem sido a principal preocupação dos provedores que estiveram na assembleia-geral de 21 de Abril. Naquele dia foi aprovado, por unanimidade e aclamação, um voto de louvor ao presidente do Secretariado Nacional da UMP. Destaque, 4 e 5

Congresso internacional. Misericórdias do mundo reunidas no Norte França

Luxemburgo Itália

Macau Ucrânia México

Brasil

Cantina social já funciona Cantina social da Santa Casa da Misericórdia de Portimão já serve refeições aos mais carenciados. Para muitos, é a única refeição quente do dia. Até ao final do ano, são estimadas 4500 refeições servidas naquele equipamento. Em Ação, 8

Espanha

S. Tomé e Príncipe

Portimão

Moçambique Angola

Ribeira Grande

Economia social para inserção Centro de Economia Solidária da Misericórdia da Ribeira Grande aposta na melhoria das condições de vida da comunidade através da produção agrícola e do fabrico de bolos tradicionais e festivos. Em Foco, 12 e 13


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panorama A FOTOGRAFIA espaço sénior

Páscoa e renovação É essa força que devemos procurar, para que cada um de nós possa encontrar em si próprio, a vontade de continuar o caminho espinhoso que temos que percorrer. Que não nos falte a coragem e persistência para seguir em frente

A

s férias da Páscoa terminaram e um novo período se iniciou. A festa cristã de maior significado é a Páscoa. Comemora a ressurreição de Jesus Cristo que morreu cruxificado, por amor dos homens. Celebra-se na época primaveril, tempo de renovação da Natureza. Também para nós, homens, a Páscoa está associada à renovação do espírito de cada cristão. É o ressurgimento do homem novo. Apesar das condições climáticas adversas, vemos como a renovação da natureza se manifesta na vida dos seres vivos. As plantas vestem-se de folhas e flores e as aves multiplicam-se, enchendo o espaço. É essa força que devemos procurar, para que cada um de nós possa encontrar em si próprio, a vontade de continuar o caminho espinhoso que temos que percorrer. Que não nos falte a coragem e persistência para seguir em frente. Procuremos, sempre, fomentar a união e a amizade. Na nossa Academia, encontramos espaço e oportunidade para pôr em prática esses propósitos. De alma lavada e espírito aberto, trabalhamos em conjunto para continuarmos a sentir alegria nas horas de convívio, dentro e fora das aulas. Os professores não se poupam a esforços. Os alunos correspondem-lhes também. Os diferentes grupos, animados do espírito que os caracteriza, continuam a preparar-se para abrilhantar a festa de fim de ano, bem como as atuações que vão sendo solicitadas. Assim, no dia 4 deste mês, o Grupo Cantares esteve presente na Casa das Beiras. No dia 20, deslocar-se-á a Marinhais para atuar no centro de dia. Estava previsto, que todos os grupos recreativos atuassem no dia 26 no mesmo centro, mas, por motivos imprevistos, foi adiada para o início do ano letivo próximo. Também está programado para o dia 3 de Maio, um passeio cultural e recreativo a Óbidos e Alcobaça.

Maria Deolinda Gonçalves

Academia de Cultura e Cooperação da UMP academiadecultura@ump.pt

A subir Usados na FNAC

A FNAC lançou um novo serviço de retoma em que o usado volta a ter valor comercial. Na cadeia de lojas da empresa já é possível trocar equipamentos usados por produtos novos.

Idosos Centenários cada vez mais frequentes São cada vez mais frequentes os centenários nas Misericórdias portuguesas. Recentemente, Maria Virgínia dos Santos (na fotografia) comemorou 103 anos. Trata-se da utente com mais idade na Santa Casa da Misericórdia de Barcelos. Também no Norte, na congénere de Ponte da Barca, o centenário de Maria Gonçalves Martins, “Dona Maria Corticeira” como é conhecida por todos na sua terra natal, foi motivo de festa que reuniu amigos, familiares e dirigentes da instituição. Recorde-se que 2012 é o Ano Europeu do Envelhecimento Ativo.

A Descer Serviço de segunda

O aumento das taxas moderadoras pode levar os utentes a optarem pelos seguros e a transformar o SNS num serviço de segunda categoria, alertou António Arnaut, conhecido como “pai” do SNS.

A Frase

Miguel Portas Falecido em 24 de Abril de 2012

“Quero poder olhar para trás e dizer: terei feito algumas asneiras, mas no conjunto posso partir, lá para onde for, com tranquilidade”

O Número

200

milhões sem emprego Cerca de 202 milhões de pessoas vão estar desempregadas este ano em todo o mundo, mais seis milhões do que em 2011, indica um relatório da Organização Internacional do Trabalho apresentado recentemente em Genebra.

O Caso Tarouca Ateliês de culinária para idosos A Santa Casa da Misericórdia de Tarouca desenvolve um projeto muito doce para os seus idosos. Promovidos pela equipa técnica, os ateliês de culinária transformaram, no último ano, a vida de vários idosos que frequentam a instituição. Ali não há nada que faça mal à malfadada diabetes ou que ponha em causa a saúde. Uma ou duas vezes por mês, a geração de cabelos brancos tem uma tarefa: confecionar as sobremesas da refeição daquele dia. Tudo começou com uma receita de biscoitos. Desde então o arroz doce, a aletria, leite-creme e outras doçarias já fizeram parte da ementa. Os aniversários também são aproveitados. “Lembro-me do bolo de maçã”, diz a dona Felisbela, de 82 anos, que pela

primeira vez na vida experimentou fazer arroz doce. “Estava uma maravilha e foram as meninas daqui que me ensinaram”. Recordando o tempo em que criava os seis filhos, disse: “havia doces apenas na Páscoa e no Natal porque o dinheiro era pouco”. Nestas tarefas todos colaboram. Uns separam os ingredientes, outros controlam o tempo e mexem a panela e há mesmo quem apenas se divirta a “rapar o tacho”. Tudo num

Doçaria em Tarouca

convívio que, para além de algumas horas de entretenimento diferente, culmina numa sobremesa com um sabor ainda mais doce. A confeção de doces já contagiou meio mundo. O senhor Raúl, de 65 anos, solteiro diz que qualquer dia vai ensinar a confecionar “trepas”. Naquele momento não se lembrava bem do doce que a sua mãe lhe ensinou, mas sabe que leva ovos e açúcar. ´”Daqui a pouco irei lembrar-me”, promete o idoso. Lucílio Teixeira, provedor da Misericórdia de Tarouca, acredita que com este projeto “a instituição consegue, face à idade dos nossos utentes, promover espaços de cultura que reavivam a memória dos idosos que assim podem mostrar as suas tradições”. O provedor acredita que atividades como esta visam preservar a qualidade de vida dos idosos, mas também fomentar a esperança e a felicidade”. Iolanda Magalhães


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Opinião

Ventos desfavoráveis Diziam os antigos arquivistas dos mosteiros, que “mosteiro sem armário é como um exército sem armamentário”. Acomode-se este dito às Misericórdias e outras instituições dizendo: “Misericórdia sem arquivo é Santa Casa sem história”

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RADAR

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isse um grande mestre das letras portuguesas, e ao mesmo tempo grande apaixonado da arte e da história, e que marcou lugar de honra entre os melhores da nossa cultura, o Pe. Moreira das Neves: “Para vermos o que no passado foram as Misericórdias portuguesas, e as podermos restituir à genuidade da sua missão histórica, teremos de avaliar o seu imenso património documental e artístico; até porque do estudo das Misericórdias, desde o Minho ao Algarve, passando pelas Ilhas, e indo até ao cabo do mundo em todas as latitudes do globo onde delas ficou marca e memória, de todos os lados ressaltam tesouros e valores documentais, pelo que se prova que é difícil fazer a História de Portugal, como a queria Alexandre Herculano, sem a exploração metódica e heurística das arrecadações das confrarias sob a responsabilidade do clero e dos respectivos irmãos ou confrades em funções administrativas”. É que “sem Cultura não há Culto, como sem Culto não há Cultura”. E não se veja em quem trabalha laboriosamente na cultura alguém que anda desligado da Misericórdia. Pelo que há que restaurar e restabelecer muito claramente toda uma religiosidade que se sente na recuperação, no restauro e na preservação de uma obra de arte, considerando-se também essa tarefa como uma obra de misericórdia. “É que o conceito de cultura supõe a integração do homem na comunidade e na história e é fruto da sua tradição” (D. José Policarpo). E nunca se sabe as surpresas que nos esperam quando, na pesquisa de um arquivo, num trabalho de restauro de um frasco ou de um painel, de um retábulo, ou mesmo na salvaguarda de uma pedra ou até de um simples papel, as, maravilhas que lá se pode descobrir. É que um simples papel que é apenas um recorte ou um apontamento, daqui a 50 anos pode ser um documento. Diziam os antigos arquivistas dos mosteiros, que “mosteiro sem armário é como um exército sem armamentário”. Acomode-se este dito, no caso presente às Misericórdias e outras instituições dizendo: “Misericórdia sem arquivo é Santa Casa sem história”. Restaurar um painel, recuperar um azulejo, preservar uma pedra, ou interpretar um documento é descobrir no coração da história as raízes vitais do nosso crescimento e merecer futuro. E cada vez se dá mais razão ao aluno de uma escola de restauro e museologia, quando, perguntado porque é que, sendo jovem, tanto se interessava por coisas antigas, respondeu: “Porque não conheço nada mais cheio de novidade do que as coisas antigas”. Cinco séculos depois de fundada a primeira Misericórdia em Portugal, em 1498, ao jeito, estilo e na visão providencialíssima de D. Leonor e D. Jorge da Costa, isto é, com uma dupla característica. Sub-ceptro porque com proteção real, como se diz no ato de fundação “com premisso, consentimento e mandado” de D. Leonor. Sub-sino, isto é, com as bênçãos da Igreja, como está também consignado “com ortorga, autoridade e ajuda” do Colégio da Sé, tutelando a natureza cristã da sua vocação e missão. E só numa fidelidade a essa lei se compreende e explica a sua sobrevivência generosa.

Manuel Ferreira da Silva

Historiador e fundador do Voz das Misericórdias

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ON-LINE

Fundão Academia de Música celebra 15 anos A Academia de Música e Dança do Fundão, da Misericórdia local, está a celebrar 15 anos. Para o efeito, está previsto o festival +musica@fimdesemana.fundao. Durante o fim de semana de 26 e 27 de Maio realizar-se-ão concertos com bandas filarmónicas, grupos de bombos, ensembles, solistas, coros, orquestras, etc. em diversos locais da nossa cidade permitindo assim à população fruir a música tanto em contexto de sala de espetáculo como ao ar livre.

Porto II Open Orientação decorre em Maio Fernando Gomes, futebolista do Futebol Clube do Porto, vai ser o padrinho do II Open Orientação de Precisão Hospital da Prelada. O anúncio foi feito recentemente pelo vice-provedor da Misericórdia do Porto, durante uma conferência de imprensa. A prova decorre a 5 de Maio vai desenvolver-se entre os jardins do Hospital e o Parque da Prelada, ambos espaços da Santa Casa. São esperados cerca de 200 participantes.

Almeirim Visita do diretor do CDSS de Santarém

Angra do Heroísmo Promover saúde junto dos idosos

O diretor do Centro Distrital Solidariedade e Segurança Social de Santarém, Tiago Leite, visitou recentemente os diversos equipamentos da Santa Casa da Misericórdia de Almeirim. No final em declarações ao jornal Almeirinense, Tiago Leite elogiou as infraestruturas e sublinhou o papel social da Misericórdia. A visita teve lugar a 3 de Abril e contou também com a participação de Paula Morais, diretora Unidade Desenvolvimento Social.

No âmbito do Ano Europeu do Envelhecimento Ativo, a Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira, Açores, promoveu a I Semana de Saúde e Atividade Física. A iniciativa, que teve lugar no lar de terceira idade daquela Misericórdia açoriana, decorreu entre os dias 2 e 5 de Abril e contou com palestras, sessões práticas, esclarecimento de dúvidas, entre outros. Destinado a todos os idosos da Santa Casa e da Residencial da Sé.

SLIDESHOW

Santo Tirso Coro em intercâmbio nos Açores O Grupo Coral da Santa Casa da Misericórdia de Santo Tirso esteve recentemente nos Açores no âmbito de um intercâmbio com o Orfeão da Associação Musical Edmundo Machado Oliveira, da cidade de Ponta Delgada. Segundo comunicado da instituição, o grupo, “a convite do referido orfeão, usufruiu de dois dias inolvidáveis na ilha de São Miguel, onde foi acolhido com um extraordinário calor humano pelos membros do grupo anfitrião”. A visita teve lugar entre os dias 16 e 19 de Março.


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DESTAQUE

Provedores preocupados com a sustentabilidade Bethania Pagin As dificuldades são mais que muitas e a sustentabilidade tem sido a principal preocupação nos dias que correm. Este é o cenário vivido atualmente pelas Misericórdias, que estiveram reunidas em assembleia-geral, no Centro João Paulo II, em Fátima, no dia 21 de Abril. Naquele dia foi aprovado, por unanimidade e aclamação, um voto de louvor ao presidente do Secretariado Nacional da União das Misericórdias Portuguesas (UMP), Manuel de Lemos, por causa do trabalho realizado junto dos Ministérios da Saúde e da Solidariedade e Segurança Social. O relatório de atividades e as contas de 2011 foram também aprovados durante aquela reunião magna das Santas Casas. Em causa estão os incumprimentos do Ministério da Saúde que já ultrapassam os 30 milhões de euros. Apesar da promessa de pagamento das comparticipações em atraso, Manuel de Lemos afirmou saber que as Administrações Regionais de Saúde (ARS) têm recebido verbas, mas nem todas fazem a transferência para as Santas Casas. A situação mais grave regista-se na área de atuação da ARS Centro. Por causa disso, há instituições em situação de rutura e já com salários em atraso. Neste momento,

Identidade Sustentabilidade é promover dignidade A presidente da mesa da assembleia geral da União das Misericórdias Portuguesas lembrou que as Santas Casas têm uma missão que é cuidar de quem mais precisa. “A pior coisa que pode acontecer é interiorizarmos o discurso de que não há religião, mas apenas mercado. Não há apenas ativos financeiros. Promover a dignidade de todos é a nossa verdadeira sustentabilidade”, concluiu Maria de Belém Roseira.

continuou, temos a indicação de que no orçamento retificativo será contemplada uma verba para saldar essas dívidas. A devolução dos hospitais está igualmente em causa. Apesar de anúncio recente do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, a UMP está a tentar negociar as condições do processo com o Ministério da Saúde. As unidades hospitalares serão aceites de volta se os pagamentos em atraso forem efetuados e também faz parte das intenções da União exigir que seja feita contratualização de serviços

a longo prazo, de modo a assegurar a sustentabilidade das instituições. A gravidade da situação também motivou a apresentação de uma moção durante a assembleia geral em Fátima. Por um lado, os provedores manifestaram a preocupação em relação à inexistência de diálogo com o Ministério da Saúde, em contraponto com a estreita cooperação que se tem registado junto do Ministério da Solidariedade e Segurança Social. Por outro, foi aprovado um voto de

louvor, por unanimidade e aclamação, ao trabalho desenvolvido pelo presidente do Secretariado Nacional. Manuel de Lemos agradeceu, mas foi perentório, afirmando que apesar da força que aquela demonstração de apoio representa, nenhum homem é uma ilha isolada. “Por isso, o voto vai direto para os senhores”, disse, dirigindo-se à assembleia. Recorde-se que os recentes desenvolvimentos do relacionamento com aqueles ministérios foram igualmente alvo de uma moção em sede de Conselho Nacional da UMP. Aquela assembleia foi bastante participada. Mais de 200 Misericórdias marcaram presença em Fátima apesar do mau tempo que se fazia sentir. Mesmo aquelas instituições que não têm serviços na área da saúde estão com graves problemas de sustentabilidade devido à crise que afeta todo o país. Segundo Manuel de Lemos, que lida diretamente com as Misericórdias e por isso conhece a realidade de muitas delas, já houve provedores a dizer que estão muito próximos de ter de desligar o aquecimento dos lares porque é impossível suportar os custos da eletricidade, entre tantos outros que os diversos equipamentos requerem. Para o presidente da UMP, o desafio da poupança está na despesa mais que na receita (ver caixa abaixo).

Ação social

Gestão

Regularização das dívidas e contratualização de serviços a longo prazo são exigências das Santas Casas para aceitar hospitais

Três reuniões sobre qualidade A União das Misericórdias Portuguesas vai lançar um programa de certificação de qualidade específico para as Santas Casas. Segundo Carlos Andrade, membro do Secretariado Nacional responsável pela área de ação social, estão já agendadas três reuniões sobre o assunto. Serão em Lisboa, Viseu e Vila do Conde nos dias 3, 17 e 24 de Maio, respectivamente. As certificações serão feitas segundo o método EQUASS.

Desafio principal está na despesa Sobre a questão da sustentabilidade, o presidente do Secretariado Nacional da União das Misericórdias Portuguesas afirmou que um dos principais desafios está na despesa e não na receita. Segundo Manuel de Lemos, através de compras em conjunto e em grande escala é possível reduzir os custos em até 30 por cento. “Não pensem que o Estado vai pagar mais porque não vai”, concluiu aquele responsável.

Somos e devemos agir como uma união Rui Filipe Rato

provedor da Misericórdia de Cantanhede

A sustentabilidade do Estado Social é o que mais nos deve preocupar

Rui Bacalhau

Atraso nas comparticipações do Ministério da Saúde marcaram a assembleia geral da União das Misericórdias a 21 de Abril

vice-provedor da Misericórdia de Borba

O acordo com a Conferência Episcopal Portuguesa foi histórico António Martins Lopes

provedor da Misericórdia da Golegã

Edição Quem Somos nas Misericórdias A sexta edição da brochura Quem Somos nas Misericórdias foi distribuída aos provedores presentes na assembleia geral de 21 de Abril. O projeto voltou a contar em 2012 com o patrocínio da Delta Cafés. Em 2012, a distribuição será feita através dos Secretariados Regionais da União das Misericórdias Portuguesas. Em causa está a necessidade de poupança de recursos.

Institucional Instituições anexas mais próximas A Escola Superior de Enfermagem São Francisco das Misericórdias e a Securicórdia também marcaram presença na assembleia geral de 21 de Abril. O objetivo da iniciativa é promover uma aproximação dessas instituições anexas da União das Misericórdias Portuguesas às Santas Casas. Recorde-se que ambas as anexas têm feito um esforço no sentido de prestar mais serviços às associadas da União.


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Contas aprovadas O relatório de atividades e as contas de 2011, apresentadas pelo tesoureiro, Jorge Nunes (na foto), foram aprovados durante aquela reunião magna das Santas Casas.

NÚMEROS

200

Pessoas A assembleia geral da União das Misericórdias Portuguesas contou com a participação de mais de 200 pessoas. Foi no Centro João Paulo II, em Fátima, no dia 21 de Abril.

60

Congressistas As inscrições para o próximo congresso internacional (ver página 7) já estão abertas. Segundo Manuel de Lemos, um dos estados brasileiros já confirmou a presença de 60 pessoas.

30 Assembleia contou com mais de 200 Santas Casas

Milhões A dívida atual do Ministério da Saúde para com as Misericórdias já ultrapassou os 30 milhões de euros. Espera-se regularização com o orçamento retificativo.

15

Hospitais O processo de devolução dos hospitais anunciado pelo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho prevê que pelo menos 15 unidades sejam entregues de voltas às Santas Casas.

Aniversário Centro S. Estevão celebrou 10 anos O centro de apoio a deficientes profundos da União das Misericórdias Portuguesas (UMP) em Viseu celebrou 10 anos em 2011. Várias iniciativas marcaram a efeméride ao longo do ano, mas a “melhor prenda” foi a certificação da qualidade dos serviços prestados pela equipa do Centro S. Estevão. Além de S. Estevão, a UMP também apoia pessoas portadoras de deficiência profunda no Centro João Paulo II, em Fátima, que também foi certificado.

Homenagem Medalha do chefe de Estado para UMP No relatório de atividades de 2011, um dos momentos destacados foi a homenagem prestada pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, às Santas Casas através da entrega de uma medalha à União das Misericórdias Portuguesas na pessoa do presidente do Secretariado Nacional, Manuel de Lemos. O gesto teve lugar na sessão de encerramento do congresso nacional, que teve lugar em Junho, em Coimbra e Arganil.

Diáspora Nova Santa Casa na Venezuela Durante 2011, foram estabelecidos contactos pelo Consulado de Portugal, em Caracas, Venezuela, para constituição de uma nova Santa Casa na diáspora portuguesa. Segundo o relatório de atividades da União das Misericórdias Portuguesas, os contactos solicitavam alguns elementos para a constituição de uma Misericórdia junto da comunidade portuguesa, aguardando-se por novos desenvolvimentos.

Condecorações Medalhas da UMP para dirigentes Em 2011, as homenagens da UMP foram para: António da Fonseca Marcos, José Dias Coimbra, Mário Cruz, Bento Morais, Carlos Soares de Matos, Emília Ribeiro Carreiro, Eugénio da Silva Lobo, Francisco da Silva Ferreira, Jorge Monteiro da Fonseca, José Alberto Oliveira, José Duarte Lopes, Manuel Joaquim Figueira, Maria dos Anjos Patusco, Vítor Costa, Eduardo Pacheco de Medeiros, Frederico Maciel, Roberto Madruga Soares e Alberto de Aguiar Pacheco.

Herdade Dois encontros cinegéticos em 2011 Em 2011, foram organizados dois encontros cinegéticos pela União das Misericórdias Portuguesas (UMP). Os encontros, que reuniram dezenas de provedores, tiveram lugar na Herdade da Fuseira e do Álamo, na Freguesia de Rio de Moinhos, em Borba, doada à UMP pelo benemérito Luís da Silva. O objetivo era, de forma apelativa, dar a conhecer a herdade aos provedores. Os encontros de cinegética tiveram lugar a 15 de Janeiro e 19 de Novembro.


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em ação

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Misericórdias do mundo reunidas no Norte X Congresso Internacional das Misericórdias vai decorrer no Porto e em Vila Nova de Gaia nos dias 20, 21 e 22 de Setembro. As inscrições já podem ser feitas online no site da UMP França

Luxemburgo

Criada em 1994, a Misericórdia de Paris apoia os portugueses imigrados que se encontrem em situação de pobreza ou exclusão social.

Criada em 1996, a Santa Casa do Luxemburgo nasceu com o intuito de apoiar os portugueses daquele país.

Itália Foi em Itália a criação da primeira de todas as Misericórdias: Florença criada em 1244 A atividade principal é o transporte de doentes.

Ucrânia Espanha Embora tenham existido mais de uma centena de Misericórdias em Espanha, neste momento funcionam apenas sete.

A Misericórdia ucraniana tem um lar para doentes terminais, apoio domiciliário e presta apoio a 60 pessoas carenciadas.

Macau A Santa Casa da Misericórdia de Macau é uma das mais antigas. Em 2009, comemorou 450 anos de existência.

México No México existem duas Misericórdias que apoiam pessoas através de cuidados de saúde, apoio alimentar e educação.

Moçambique

Brasil As Santas Casas no Brasil somam cerca de 2100 entidades e são responsáveis por mais de 50% das camas hospitalares no país.

Bethania Pagin Já está marcado o X Congresso Internacional das Misericórdias. O encontro vai decorrer no Porto e em Vila Nova de Gaia nos dias 20, 21 e 22 de Setembro. A ficha de inscrição e o programa provisório já estão no sítio da União das Misericórdias Portuguesas (UMP).

A Misericórdia de Maputo desenvolve projetos na área da educação de crianças e jovens através de apoio ao ensino.

S. Tomé e Príncipe Além de apoiar 400 idosos, a Misericórdia de São Tomé também ajuda crianças e jovens e tem um projeto de promoção dos artesãos locais.

Sob o tema “Unidas para multiplicar – Promotoras de Modernidade e Inovação”, o evento vai contar com a presença do padre Vítor Melícias, presidente honorário da UMP e presidente emérito da Confederação Internacional das Misericórdias (CIM), que vai proferir a conferência de encerramento. O tema já está escolhido. Será sobre “O

Angola Em Luanda, a atividade prende-se com funerais de pessoas sem posses e educação de crianças e jovens. Criada em 2007, na Misericórdia de Huambo as linhas de força do trabalho serão saúde e assistência.

movimento ecuménico das Misericórdias”. Para o presidente da UMP, Manuel de Lemos, não há ninguém melhor no mundo para falar sobre a identidade das Santas Casas. Outro tema que promete ser marcante durante esta reunião mundial é a saúde. Ainda segundo Manuel de Lemos, o Brasil é o país com maior

número de Misericórdias e, neste momento, o seu sistema de saúde está em transformação através do reaproveitamento de hospitais de pequeno porte para criar o que poderá ser uma rede de cuidados continuados. “Vamos trocar impressões sobre isso e conversar sobre o tema da saúde porque trata-se obviamente de uma obra de misericórdia a

que se dedicam muitas Misericórdias do mundo, não só nas portuguesas.” Recorde-se que as Misericórdias estão presentes em diversos países do mundo. Além de Brasil e Portugal, há Santas Casas em Itália, Espanha, Luxemburgo, Ucrânia, Rússia, França, México, São Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique e Macau, entre outros (ver mapa).


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Caminhada para prevenir Alzheimer Misericórdia Fátima-Ourém vai organizar a sua quinta caminhada pela solidariedade. A iniciativa visa sensibilizar para a doença de Alzheimer

No processo de referenciação dos utentes, a Misericórdia contou com a ajuda da Cáritas

Jantar é a única refeição completa do dia Cantina social da Misericórdia de Portimão já serve refeições aos mais carenciados. Para muitos, é a única refeição quente do dia Nélia Sousa Numa altura em que a crise bateu à porta dos portugueses, os mais necessitados e fragilizados financeiramente batem à porta das cantinas sociais em busca de alimento. Em Portimão o flagelo do desemprego e a solidão levam muitas pessoas a deslocarem-se à cantina social da Misericórdia. Passam poucos minutos das 18h30 e a cantina social de Portimão já serviu o jantar aos primeiros utentes que aqui chegam. Todos os dias 20 utentes deslocam-se a esta cantina para a sua refeição da noite. Uns preferem comer no refeitório, outros chegam com a intenção de levar a comida para casa. São sobretudo as famílias que optam por esta segunda alternativa, diz-nos Cláudia Florindo, assistente social e responsável pelo acompanhamento destas pessoas. “Se forem pessoas sós preferem tomar a refeição na cantina social, se for um agregado familiar prefere levar e partilhar

no espaço que lhes é querido”. Por aqui todos os dias úteis passam agregados familiares com filhos, a quem o desemprego bateu à porta, reformados e pessoas que fazem da solidão a única companhia. No meio de todas estas realidades escondem-se muitas histórias, algumas delas dramáticas. É o caso de Armindo Sequeira, 46 anos, desempregado. Há alguns anos perdeu a família, o seu único amparo. A necessidade, como nos explica, levou-o a procurar o apoio da cantina social. “Fui abaixo”, conta-nos com um olhar comovido e acrescenta: “Nem sei como saí de lá. Só pode ter sido Deus que me ajudou”. Ao drama familiar junta-se a falta de trabalho: “Ando à procura de emprego, mas está difícil”. Armindo é um dos muitos beneficiários do Rendimento Social de Inserção, mas o dinheiro é tão pouco que mal dá para as refeições e só com as ajudas sociais consegue sobreviver. “Esta é uma grande ajuda. Já cá venho há um mês e espero que isto se prolongue por muito tempo, não só por mim, mas também pelas outras pessoas” é o desejo de Armindo. Para muitos o jantar é a única refeição completa do dia. É o caso de Carlos Sousa, 63 anos, reformado. “Se não fosse a cantina já teria morrido”,

diz numa voz trémula e emocionada. Aqui, a comida, o lugar e as pessoas são de louvar. Depois com a ajuda da Cáritas consegue levar para casa alguns alimentos. Mas nada que se compare à refeição quente que todos os dias aqui toma. 4500 refeições até final do ano O cheirinho abre o apetite. Hoje a ementa passa por pataniscas com arroz de coentros e sopa de brócolos, acompanhados de pão e fruta. O custo da refeição pode ir no máximo até um euro, mas a maioria está isenta de qualquer pagamento. Armindo Sequeira começou por pagar mas ao final do mês era um pesado encargo para uma carteira quase vazia. A funcionar desde 20 de Fevereiro, a cantina social de Portimão surgiu com o objetivo de complementar as respostas sociais já existentes na cidade. “Estas pessoas tomavam só o almoço porque não tinham efetivamente onde jantar e não tinham recursos”, explica João Correia, secretário da Mesa Administrativa da Misericórdia de Portimão. No processo de referenciação dos utentes, a Misericórdia de Portimão contou com a ajuda da Cáritas Paroquial. Cabe a esta instituição escolher os utentes que terão direito a usufruir

de uma refeição gratuita. Uma vez que mais pessoas ficaram em lista de espera, a intenção da Misericórdia é tornar este apoio temporário permitindo que outros usufruem deste serviço. O objetivo, como nos esclarece João Correia, é “fazer uma reavaliação a cada seis meses para saber se o utente pode manter-se ou se terá que dar lugar a outro. Vamos tentar ajudar a todos um pouco e não criar uma rotina ou dependência excessiva”. Prevê-se que até ao fim do ano 4500 refeições sejam servidas aos mais desfavorecidos, implicando um custo total de 12 mil euros, suportados pela Misericórdia. Para já todas as despesas estão por conta desta instituição. Agora que a cantina social já está a funcionar, João Correia espera que se possa “crescer ainda mais, mas tendo algum suporte económico. O objetivo seria estabelecer um protocolo com a Segurança Social” no sentido de integrar a rede solidária de cantinas sociais, com a finalidade de assegurar às famílias que mais necessitam o acesso a refeições diárias. A rede solidária de cantinas sociais faz parte do Programa de Emergência Social apresentado em agosto pelo governo. Este programa vai custar cerca de 630 milhões de euros e estima chegar a perto de três milhões de pessoas.

A Santa Casa da Misericórdia Fátima-Ourém vai organizar a sua quinta caminhada pela solidariedade no próximo dia 1 de Maio. A iniciativa, este ano, tem como tema “Porque é possível prevenir” e pretende sensibilizar a população para a doença de Alzheimer. A concentração para a caminhada será feita junto ao Estádio Municipal de Fátima. Os bilhetes custam “quatro memórias” e podem ser adquiridos na Santa Casa. As crianças até aos quatro anos não pagam. A Misericórdia Fátima-Ourém, uma das mais jovens do país, possui desde 2007 um Gabinete de Apoio ao Familiar e Doente de Alzheimer. Para além de prestar apoio e informação,

Uma das mais recentes iniciativas do Gabinete de Apoio ao Familiar e Doente de Alzheimer foi a criação de um grupo de memória organiza grupos de auto-ajuda e tem também a funcionar o serviço de empréstimo de equipamentos, como cadeiras de rodas, camas articuladas, andarilhos. Atualmente presta apoio a cerca de três dezenas de pessoas. Diana Silva, psicóloga da instituição, revelou em declarações ao “Notícias de Fátima” que ultimamente os pedidos têm aumentado. E chegam não só do concelho, mas também fora do concelho, uma vez que aqui na zona não há outros gabinetes do género. Uma das mais recentes iniciativas desenvolvidas pelo Gabinete de Apoio ao Familiar e Doente de Alzheimer foi a criação de um grupo de memória. Diana Silva explicou que “esta técnica é muito utilizada em doentes de Alzheimer em fase inicial ou intermédia”. Neste momento, a iniciativa é apenas dirigida aos utentes do lar, mas a psicóloga não esconde o desejo de alargar as sessões aos doentes que estão em casa. Neste momento, são cerca de 10 os utentes que estão a beneficiar desta técnica. Diana Silva esclarece que os grupos de memória não são apenas para doentes de Alzheimer.


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Empreendedorismo jovem na Anadia O projeto CADI, promovido pela Misericórdia de Anadia, vai dinamizar no âmbito da sua atividade “Empreendedorismo Jovem”, na primeira sexta-feira de cada mês, uma venda de produtos diversos: novos e usados, produtos tradicionais, objetos elaborados pelas crianças e jovens, produtos hortícolas, entre outros. A venda será realizada Rua Fausto Sampaio, n.º10 – Anadia.

As cartas devem ser identificadas com morada e número de telefone. O Voz das Misericórdias reservase o direito de selecionar as partes que considera mais importantes. Os originais não solicitados não serão devolvidos.

Menos 20 crianças no jardim-de-infância O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Tábua está apreensivo em relação ao futuro do jardim-de-infância. Em causa está o facto de o número de crianças e inscrições ter sofrido “um decréscimo significativo” este ano letivo. Desde o início do ano que já abandonaram a instituição cerca de 20 crianças, alegadamente “deslocalizadas” para o pré-escolar da rede pública.

5 cantinas sociais O concelho de Guimarães vai ter cinco cantinas sociais a funcionar no âmbito da rede nacional criada recentemente pelo governo. A Misericórdia de Guimarães é uma das instituições aderentes.

Melhores condições para crianças no Barreiro A autarquia do Barreiro, com diversas entidades, quer ajudar a população mais afetada pela crise económica. O projeto “Amigo, mudei a casa”, elaborado por alunos da Escola Superior de Tecnologia do Barreiro, “vai melhorar as condições de vida de crianças institucionalizadas da Misericórdia” e constitui uma das iniciativas da quinzena da “Saúde, do Voluntariado e da Solidariedade Entregerações”.

Fotografias evocam cortejo de oferendas A Santa Casa da Misericórdia de Fafe realizou recentemente uma exposição de fotografia evocativa dos cortejos de oferendas em benefício do Hospital da Misericórdia fafense, entre os anos de 1944 e 1965. A iniciativa teve lugar no auditório da Biblioteca Municipal da localidade e enquadra-se nas comemorações dos 150 anos de existência da Santa Casa da Misericórdia de Fafe.

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em ação

Entretenimento com mensagem em Vagos

Receitas nas misericórdias

Migas de Marvão

Grupo de teatro da Santa Casa da Misericórdia de Vagos existe há mais de dez anos. A próxima peça já tem estreia marcada para 25 de Maio Vera Campos “Um Elétrico Chamado Desejo”, de Tennessee Williams, é o mais recente desafio do grupo de teatro da Santa Casa da Misericórdia de Vagos. Um ‘desejo’ que nasceu da paixão de um conjunto de sete elementos, onde já morava o ‘bichinho’ da representação. Precisamente a 1 de Novembro de 1996, feriado em que se recordam os fiéis defuntos, nascia “O Fantástico”. A primeira apresentação pública aconteceu a 23 de Maio de 1997 com o “Doente Imaginário” de Molière. O jornal Voz das Misericórdias esteve à conversa com João Domingues, um dos sete fundadores e responsável pelo grupo, que é uma mordomia da Santa Casa vagueira. “Entretenimento com mensagem”. Este é e será sempre o fundamento de atividade do Fantástico cada vez que sobe ao palco. João Domingues faz parte da mesa executiva da Misericórdia de Vagos e acredita que, pelo teatro, é possível incrementar ainda mais o âmbito de atuação da instituição. Além dos equipamentos sociais através dos quais a Santa Casa dá diretamente resposta nas áreas da

Grupo de teatro foi criado em 1996

infância, terceira idade ou saúde, o teatro reúne e congrega a comunidade e todas as forças vivas. “Já aconteceu apresentarmos grandes produções em que contamos com os bombeiros, a autarquia, e outras instituições, numa comunhão de esforços”, explica João Domingues reforçando a mais-valia da partilha de saberes. O amadorismo fica apenas na designação de teatro amador porque em cada peça a entrega é total. “Somos muito profissionais, empenhamo-nos pela paixão” e nunca pela recompensa económica. E, acima de tudo, “pautamo-nos sempre por elevar o bom nome da instituição que nos acolheu em 1996”. Ao longo de mais de 15 anos, já passaram pelo Fantástico cerca de 80 elementos. Por força e contingência de vidas pessoais e profissionais, alguns vêem-se obrigados a acompanhar à distância, mas sem nunca cortarem

os laços de afetividade. “Muitos ex-elementos aparecem nas estreias”, conta com orgulho João Domingues que, estando na parte técnica de cada peça, vive cada minuto de ansiedade como se estivesse em palco. Por ano, atuam, em média, uma vez por mês. A estreia acontece sempre na sexta-feira que antecede o domingo de Pentecostes. “Temos a responsabilidade de apresentar sempre uma peça nova nessa altura”, por ocasião das Festas do Divino Espírito Santo e Santa Maria de Vagos. Com idades que variam entre os 24 e os 50 anos, os ensaios para a próxima subida ao palco começaram em Janeiro. Para o dia 25 de Maio está já marcada a estreia da peça de Tennessee Williams, 15 anos depois de Molière. Pela primeira vez o grupo Fantástico leva a cena um drama: “Um Elétrico Chamado Desejo”.

INGREDIENTES

MODO DE PREPARAção:

1,5 kg de batatas 1dl de azeite 1 cabeça de alhos 200 de pimento misto 3 tomates 2 folhas de louro Sal qb Salsa qb Colorau qb

Coze-se a batata, em seguida prepara-se o refogado. Num tacho, coloca-se o azeite, os alhos e o louro. Depois juntam-se os pimentos, o colorau e os tomates, deixando-se refogar durante alguns minutos. Tendo este preparado, junta-se a batata cozida e já passada, envolvendo-a no refogado até conseguir despegá-la do tacho, ficando uma bola. Coloque as migas numa travessa, acompanhadas com entrecosto e toucinho entremeado de porco. Usar a salsa para decorar. Bom apetite.

Preço:

DIFICUDADE:

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EM FOCO

Inserção pela economia em Ribeira Grande Centro de Economia Solidária da Misericórdia da Ribeira Grande, Açores, tem tido um papel importante na melhoria das condições da comunidade


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Bethania Pagin Mais do que um projeto de economia social, o Centro de Economia Solidária da Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande, na ilha de São Miguel, Açores, tem tido um papel importante na melhoria das condições da comunidade onde se insere. O ECOSOL (contração dos termos ECOnomia + SOLidariedade) surgiu em 1997, inserido num projeto de luta contra a pobreza na Vila de Rabo de Peixe, designado de “Sementes de Mudança”. “As áreas de intervenção incluíam a economia solidária, que vinha responder às necessidades de um conjunto de senhoras que de outra forma não conseguiriam arranjar trabalho”, explica Ricardo Teixeira, sociólogo e um dos responsáveis pelo projeto desde o seu arranque. “A ideia era a integração social através do trabalho, criando condições para que as pessoas com baixo nível de escolaridade e sem hipótese de chegar ao mercado de trabalho pudessem dar o seu contributo à sociedade e auferir alguns rendimentos”. Ao abrigo do então Rendimento Mínimo Garantido, cerca de meia

centena de senhoras tiveram seis meses de formação em áreas tão diversas como culinária, bordados, limpezas e até hortifruticultura. Um total de 23 senhoras permaneceram no projeto ECOSOL, das quais três ainda lá trabalham. Após a formação, a ECOSOL criou a sua imagem e começou a pôr os seus produtos no comércio local, tendo começado pela produção de biscoitos caseiros. Um dos fatores que beneficiou o projeto foi a sua implementação numa sede construída de raiz em Rabo de Peixe, reflexo de uma época em que os apoios financeiros eram mais fáceis de obter. A imaculada e bem equipada cozinha, por exemplo, adota o sistema de Higiene e Segurança no Trabalho e nada fica a dever a muitos restaurantes. “Houve muito entusiasmo das pessoas em aderir ao projeto, não só pelas novas oportunidades para a sua vida, mas também por querem recuperar receitas antigas”, indica Ricardo Teixeira. “Um exemplo foram os palitos de cerveja. Hoje em dia é fácil encontrá-los no mercado, mas nós fomos os primeiros a pô-los à venda. A doçaria tradicional, além de ser uma fonte de receita, também valoriza a identidade da comunidade”.

A par dos biscoitos tradicionais, outro nicho que a ECOSOL explora são os bolos comemorativos de eventos que vão desde batizados a casamentos e aniversários. Um detalhe curioso é a grande procura por bolos de casamento em cujos bonecos ornamentais a noiva “pesca” o noivo, sinónimo da comunidade piscatória onde opera o centro de economia social, conforme explica Helena Furtado, monitora e responsável pela laboração, que acompanhou o grupo desde o início do projeto. “Muitas pessoas já comeram os nossos bolos de aniversário e não souberam que vinham daqui, pensavam que eram de pastelarias mesmo”, exemplifica Helena Furtado, indicando que o maior bolo de casamento que já fizeram serviu uma cerimónia de 150 convidados. Apesar da sua qualidade, as vendas dos produtos ECOSOL, como em tantos outros setores, tem sentido algumas diminuições, constando-se quebras substanciais nos respetivos pedidos, por parte dos principais clientes, a cadeia de Supermercados Solmar e os estabelecimentos mais conhecidos da praça, bem como algumas gasolineiras Galp.

A produção de hortifruticultura, por outro lado, serve agora os equipamentos da própria Santa Casa da Misericórdia, nomeadamente na confeção das refeições para os utentes das creches, jardins-de-infância, centro de dia e serviço de apoio domiciliário implementadas nas oito freguesias do concelho da Ribeira Grande, um dos poucos que registou crescimento nos Censos 2011, nas quais a Misericórdia desenvolve a sua atividade de solidariedade social. Para o futuro, a ECOSOL procura para já, a expansão, tanto para as outras oito ilhas como para o continente. “Estamos agregados a uma cooperativa de economia solidaria que é a CRESAÇOR, que está a desenvolver um projeto para ver se conseguimos dar este segundo passo”, revela Ricardo Teixeira. “O mercado local está a ficar muito saturado porque não somos os únicos a fazer esses produtos. Muitas associações e IPSS já produzem biscoitos e outras doçarias. Daí que o segundo passo com a CRESAÇOR é expandir para o exterior, tanto outras ilhas e continente, para mantermo-nos viáveis”. Mais de uma década após o início do projeto, Ricardo Teixeira destaca o legado positivo que este projeto,

assim como outros do género, tiveram na zona. “Houve muita melhoria, embora ainda esteja um pouco estagnado agora, devido ao mau momento económico”, considera o sociólogo. “Mas eu ainda sou da fase em que sensibilizávamos pessoas para algo tão simples como porem os seus filhos na creche. Ninguém as queria colocar lá então, mas agora já há listas de espera para as crianças entraram. Foi um grande caminho conseguir tirá-las da rua”, conclui. A Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande é uma instituição cuja história é já bastante antiga, tendo sido fundada a 28 de Fevereiro de 1593. Atualmente apoia diretamente 550 crianças, 230 idosos e 34 jovens. Entre inúmeras atividades e equipamentos sociais variados, esta instituição tem uma Unidade de Restauro cujo objetivo é a recuperação de habitação degradada de famílias carenciadas, incluindo também as moradias dos utentes, especialmente idosos. Para o efeito, a Misericórdia de Ribeira Grande tem um acordo de cooperação com a Direção Regional da Solidariedade e Segurança Social e protocolos celebrados com a Direção Regional da Habitação.


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terceira idade

Misericórdia do cartaxo celebrou 65 anos

Cartaxo celebra 65 anos com melhoria do lar de idosos Santa Casa da Misericórdia do Cartaxo comemorou os seus 65 anos com a inauguração das obras de remodelação numa das alas mais antigas de um dos seus dois lares de idosos Bethania Pagin A Santa Casa da Misericórdia do Cartaxo comemorou os seus 65 anos de existência com a inauguração das obras em um dos seus dois lares de idosos. A cerimónia reuniu diversos amigos e parceiros da instituição. Entre eles, o secretário de Estado da Segurança Social, Marco António Costa. Foi a 17 de Abril. O Lar de S. João é uma das diversas respostas sociais que a Misericórdia do Cartaxo tem. Com capacidade para 65 pessoas, aquele equipamento é o mais antigo da instituição. Mas a ele se juntam também a Casa de Santa Cruz, também para acolhimento de

37 idosos, apoio domiciliário, apoio domiciliário integrado com teleassistência e ainda um centro de dia. Para fazer face ao trabalho, a instituição conta com 90 colaboradores. Segundo a nova provedora, Luísa Pato, que este ano substituiu Tomás Estevam à frente da Mesa Administrativa, o centro de dia é a resposta social que mais penaliza as contas da Misericórdia. Os custos operacionais são equivalentes aos de lar, mas no que respeita à legislação, a comparticipação para centro de dia é bastante inferior. Para Luísa Pato, a única diferença entre os utentes dos dois equipamentos é mesmo o facto de uns voltarem para casa ao fim do dia

e fazem-no porque não há vagas em lar. Daí que, continuou, seja de louvar o esforço de todos que estão ligados à Santa Casa, dos beneméritos aos funcionários. Recordando que apenas um terço do orçamento da instituição

O Lar de S. João tem capacidade para 65 pessoas e é o equipamento mais antigo da Santa Casa da Misericórdia do Cartaxo

é proveniente das transferências da tutela, destacou: “Somos sobreviventes”. Também o secretário de Estado destacou o trabalho dos voluntários

nas Misericórdias e restantes instituições de solidariedade social. “O governo não tem dúvidas sobre o caminho a seguir. Não somos adversários, nem o Estado é patrão. Somos parceiros”. Contudo, continuou Marco António Costa, é importante ter uma noção exata do valor do setor social em Portugal, razão pela qual está ser preparada junto com o INE uma conta estatística específica para a economia social. Atualmente os números apontam para 200 mil trabalhadores e um milhão de pessoas apoiadas. As transferências anuais da Segurança Social para essas organizações rondam os 1,2 mil milhões de euros. “Sai barato para o Estado”, disse aquele

responsável, lembrando que por isso “todos os investimentos no social são indispensáveis”. Aquela cerimónia de inauguração e aniversário contou ainda com a presença do presidente da União das Misericórdias Portuguesas, Manuel de Lemos, e outros representantes de entidades parceiras da Santa Casa do Cartaxo. A cerimónia de comemoração dos 65 anos de existência da Santa Casa da Misericórdia do Cartaxo contou igualmente com a participação do pároco local - em representação do bispo de Santarém, D. Manuel Pelino Domingues - que procedeu à bênção das novas instalações do Lar de S. João.


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www.ump.pt Taxas moderadoras O número de cidadãos que já estão isentos, por insuficiência económica, do pagamento de taxas moderadoras no Serviço Nacional de Saúde aumentou em cerca de 580 mil em comparação com 2011.

Antigo hospital é novo lar em Mação O novo lar da Misericórdia resulta da opção de um investimento de 750 mil euros que devolve a Mação um imóvel para uma utilidade social

Envelhecer de forma ativa e participada Hospital renovado vai funcionar como lar

Patrícia Leitão Localizado bem no centro da vila, o antigo hospital da Misericórdia de Mação voltou às suas origens de utilidade social. Um investimento de cerca de 750 mil euros, com um financiamento de 190 mil do Proder, permitiu à Santa Casa daquela localidade reabilitar e reconverter este edifício histórico num lar para idosos. Com capacidade para acolher 20 utentes no edifício principal, foram ainda criadas quatro residências para mais oito utentes. Com cores quentes e alegres, este novo equipamento dispõe de um amplo espaço exterior. Com abertura prevista para o início do mês de Maio, onde será imediatamente ocupado por alguns residentes, a inauguração do lar aconteceu no dia 30 de Março, uma cerimónia presidida pelo ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, acompanhado pelo provedor da Misericórdia, Vasco Estrela, e pelo presidente da Câmara, Saldanha Rocha, onde para além do descerramento da placa inaugural, procedeu-se à bênção do edifício. Vasco Estrela reconhece que este foi um momento extremamente impor-

tante, uma vez que “simbolicamente a Santa Casa da Misericórdia devolve à população e ao concelho uma parte do seu mais emblemático património”. Relembrando que este processo teve início com o seu antecessor, Saldanha Rocha, Vasco Estrela reconhece que foi preciso “um longo caminho” e algumas “hipóteses de financiamento não concretizadas”, até que “em 2008 se avançou com um novo projeto para adaptação a lar, de acordo com a exigente legislação”. Sem esconder que para garantir a parte do investimento que coube à Santa Casa foi necessário recorrer a um empréstimo bancário, o provedor

Sentir os sentidos em Vila Nova de Famalicão “Sentir os sentidos” é o novo projeto da Misericórdia de Famalicão. Orientadas para idosos, as sessões visam o bem-estar dos utentes “Sentir os sentidos” é o nome do novo projeto da Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova de Famalicão. Orientadas para os idosos da instituição, nomeadamente do Lar São João de Deus e do Lar Jorge Reis, as sessões ocorrem uma vez por semana e visam,

sobretudo, o bem-estar dos utentes. Segundo comunicado da instituição, “proporcionamos aos intervenientes a experimentação das vivências multissensoriais, procurando pela estimulação dos sentidos limitar sentimentos negativos que impeçam o bem-estar do idoso e a aceitação das dificuldades impostas pelo declínio físico decorrente do processo de envelhecimento.” Também há sessões direcionadas para acamados. Cada sessão tem a duração de quinze minutos e consiste na experimentação de sensações através de estímulos visuais, tácteis e sonoros.

não tem dúvidas da importância do projeto e acredita que será bem acolhido pela população. Vasco Estrela lembra que a instituição conta com 167 utentes e 97 funcionários, e embora neste momento tenham sido criados apenas mais dois postos de trabalho, nomeadamente de uma diretora técnica e uma enfermeira, não descarta a possibilidade de no futuro serem criados mais. “Tudo depende da afluência que venhamos a ter”, ressalva. O provedor explica ainda que “esta é mais uma resposta social no concelho que a Santa Casa põe ao dispor da nossa população”, a qual é dirigida para um

tipo de pessoas com outras possibilidades. Mas, realça o dirigente, “isso não implica que outras pessoas não possam usufruir desta nova resposta social”, uma vez que “somos um Misericórdia e o nosso objetivo não é ter lucro mas sim manter as contas equilibradas para honrar os nossos compromissos. Com um orçamento de 1,5 milhões de euros temos a certeza de que não podemos falhar pelos que de nós dependem”. Com a certeza de que é obrigação da Santa Casa “cuidar e preservar o seu património”, o provedor acredita que “há público para esta resposta social e que a população acolheu muito bem o projeto”.

Sensibilizar para saúde em Arronches Através de encontros mensais, o objetivo do projeto da Misericórdia de Arronches é a sensibilização para saúde e bem-estar físico e psíquico “Amigos de Arronches” é o nome de um projeto desenvolvido pela Misericórdia local no âmbito do Ano Europeu do Envelhecimento Ativo. Através de encontros mensais, o objetivo é a sensibilização para saúde e bem-estar físico e psíquico.

Este projeto foi idealizado pelas unidades de reabilitação psicomotora da unidade de cuidados continuados e do Centro Social de Bem Estar, nas respostas de lar e centro de dia. Segundo comunicado da instituição, o projeto tem tido bastante adesão por parte dos idosos e é possível registar “melhoria significativa da autonomia funcional nas atividades de vida diária dos idosos participantes”. “Foi possível mudar mentalidades quanto à necessidade do exercício físico para a saúde, contribuindo desta forma para a maximização de hábitos saudáveis de vida”, conclui o comunicado.

Santa Casa da Misericórdia do Porto e Impulso Positivo reuniram diversas personalidades para debater os desafios do envelhecer em Portugal A Misericórdia do Porto e a plataforma de informação Impulso Positivo reuniram diversas personalidades para debater os desafios do envelhecer de forma positiva, ativa e participada em Portugal. O encontro “Envelhecimento Positivo – Desafios e Possibilidades” teve lugar a 3 de Abril, na Galeria dos Benfeitores da Misericórdia e assinalou o primeiro aniversário da Impulso Positivo, um projeto que visa criar pontes entre os setores social, privado e público. O mote do encontro foi dado por Manuel Villaverde Cabral, diretor do Instituto de Envelhecimento da Universidade de Lisboa.

Portugal é o terceiro da OCDE em diabetes Portugal é o terceiro país da OCDE com maior prevalência de diabetes, um problema que tem o custo anual de 90 mil milhões de euros só na Europa Portugal é o terceiro país da OCDE com maior prevalência de diabetes, um problema que tem o custo anual de 90 mil milhões de euros só na Europa. De acordo com uma nota da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), estima-se que 83 milhões de pessoas sofram de diabetes, um número que subirá para 100 milhões em 2030. Os dados mais recentes da OCDE, relativos ao ano 2010, indicam que Portugal é o terceiro país, num total de 33, com maior prevalência desta doença. Portugal surge logo a seguir ao México e aos Estados Unidos.


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saúde

Mais cuidados continuados na região de Lisboa ção. O investimento ultrapassa os dois milhões de euros. A autarquia comparticipou com 300 mil euros, 750 mil são provenientes do Programa Modelar e 1 milhão de euros da Santa Casa que não teve que recorrer a crédito bancário. Para o diretor Manuel Girão, “este é um esforço avultado e de risco, mas não se pode morrer de véspera. A preocupação não deve bloquear as decisões e o trabalho”. Este responsável lamenta que o governo ainda não tenha pago 550 mil euros que já deviam ter entrado nos cofres da instituição em Março de 2011. Esta verba é essencial para que se possa arrancar com outra folga financeira e não existam problemas de tesouraria”. Também houve preocupação em aproveitar os recursos humanos existentes noutros equipamentos, mas, mesmo assim, foram criados 28 novos postos de trabalho acrescentando

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é o número de postos de trabalhos – 50 diretos e 24 indiretos - criados através da unidade de cuidados continuados da Misericórdia de Alhos Vedros

Provedores assinaram integração na RNCCI

Misericórdias de Alhos Vedros, Coruche e da Amadora integraram recentemente a rede nacional de continuados Vera Campos As Misericórdias de Alhos Vedros, Coruche e da Amadora integraram recentemente, a 29 de Março, a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI). As três unidades foram construídas de raiz no âmbito do Programa Modelar. Em Alhos Vedros, na Moita, a unidade da Misericórdia vai disponibilizar 30 camas de longa duração e manutenção, 30 camas de média duração

e reabilitação e 15 camas de cuidados paliativos – 75 camas no total. A integração dos utentes está a ser efetuada paulatinamente desde o mês de Abril, com entrada média de dois utentes por dia, devendo todas as unidades estar preenchidas até ao final de Maio, garantiu ao Voz das Misericórdias (VM) Alberto Morgado, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Alhos Vedros. Entre as três Misericórdias, esta é a que contribui com o maior número de camas num investimento global de seis milhões de euros. Houve necessidade de recorrer à banca com um empréstimo de 4 milhões e 100 mil euros, tendo a Câmara Municipal da Moita contribuído com 1 milhão e 800 mil euros através da cedência do direito de superfície do terreno, ficando a restante fatia a cargo do Estado, através do Programa Modelar, com os 750 mil euros. O provedor Alberto Morgado lamenta que “a verba que o governo disponibiliza seja muito escassa” e

Mais 135 camas na região de Lisboa As Misericórdia de Alhos Vedros, Amadora e Coruche assinaram recentemente contratos para integrar a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados na região de Lisboa e Vale do Tejo. As novas unidades representam um aumento de 135 camas na região que atualmente tem 1320 vagas na rede nacional. A cerimónia teve lugar na Administração Regional de Saúde de Lisboa e contou com as presenças dos secretários de Estado da Segurança Social e da Saúde, respectivamente, Marco António Costa e Fernando Leal da Costa. Além de representantes regionais da Saúde e da Segurança Social e dos provedores das Santas Casas envolvidas, a cerimónia contou também com a presença de Manuel de Lemos, presidente da União das Misericórdias Portuguesas, e Inês Guerreiro, antiga responsável pela extinta Unidade de Missão para os Cuidados Continuados.

sublinha que “faria todo sentido que fossem disponibilizados empréstimos através da Caixa Geral de Depósitos com taxas de juro mais acessíveis. Temos que pagar ao banco como se de uma empresa privada se tratasse, esquecendo-se que somos uma instituição sem fins lucrativos e com um papel social cada vez mais preponderante”, lembra. O início do funcionamento da unidade de cuidados continuados vai criar cerca de 74 empregos (50 diretos e 24 indiretos), juntando-se aos 300 funcionários que já constavam dos quadros da Misericórdia de Alhos Vedros. Alberto Morgado avança ao VM que há outros projetos na forja, nomeadamente, a remodelação do hospital concelhio – propriedade da instituição – para construção de um lar apenas para doentes portadores da doença de Alzheimer. Na Santa Casa da Misericórdia da Amadora já estão a funcionar as 30 camas de longa duração e manuten-

aos 419 já existentes. Manuel Girão teme que a rede social possa acabar por falta de apoios do Estado, mas, se tal acontecer, “é preciso através da inovação criar alternativas”. Num universo de 200 mil habitantes, 60 mil pessoas têm mais de 65 anos, por isso, “a instituição está atenta e preparada” para continuar o trabalho de assistência aos que mais precisam. Por sua vez, a Santa Casa da Misericórdia de Coruche vai disponibilizar 15 camas de longa duração e manutenção e outras 15 de média duração e reabilitação. Esta unidade de cuidados continuados de Coruche representou um investimento de 2,5 milhões de euros e está concluída desde finais de 2011. Prevê-se que comece a funcionar em Maio. Recorde-se que as Misericórdias são responsáveis por cerca de 50% das camas na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados. As novas unidades representam um aumento de 135 vagas na região de Lisboa e Vale do Tejo.


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educação

Cuidados com qualidade e cultura de misericórdia Escola Superior de Enfermagem aposta em formação para promoção da qualidade dos serviços, mas também da cultura específica das Santas Casas

Já possível fazer formação através da internet

Bethania Pagin A Escola Superior de Enfermagem São Francisco das Misericórdias (ESESFM) quer se afirmar com a parceira preferencial das Santas Casas para formação na área da saúde. Para o efeito, a aposta está em conteúdos especialmente preparados que visam a promoção da qualidade dos serviços, mas também da cultura específica dessas instituições. Neste momento, contou ao Voz das Misericórdias o diretor da ESESFM, a estratégia passa por tentar congregar o mais possível todos os enfermeiros que trabalham nas Santas Casas. Para o efeito, estão previstos dois encontros nacionais. Um em Vila do Conde para as instituições do Norte e outro em Arruda dos Vinhos para as congéneres do Sul. “Os enfermeiros são elementos-chave nas instituições. Além de serem prestadores de serviços, eles também têm competências para supervisionar o cuidado prestado por outros profissionais”, disse João Paulo Nunes. Através da escola, continuou, todos os enfermeiros que trabalham nas Misericórdias podem ter acesso aos conteúdos científicos mais recentes. “Acompanhar a atualidade do pensamento é fundamental para qualidade dos serviços”. De recordar também que todo o conteúdo formativo da ESESFM é avaliado por um conselho científico, o que, segundo João Paulo Nunes, é uma garantia de qualidade para as instituições. Para além do ato técnico, a Escola Superior de Enfermagem da União das Misericórdias Portuguesas (UMP) está igualmente preocupada com a cultura que envolve os serviços. “Queremos alimentar os profissionais também com ideias”, disse aquele responsável, lembrando que o que distingue as Misericórdias das outras entidades são as 14 obras. “Para além de pensar a enfermagem, queremos promover, à luz dos princípios da UMP, uma filosofia de cuidados específica para as Santas Casas”. No âmbito da estratégia de aproximação, a ESESFM vai também promover um inquérito junto das Misericórdias no sentido de perceber exatamente quais são as necessidades formativas. Com isso, explicou João Paulo Nunes, é possível assegurar a uniformidade da filosofia presente na prestação dos cuidados, mas também promover formação com custos mais baixos. Recorde-se que além das unidades de cuidados continuados e dos hospitais, também os lares de idosos passaram recentemente a ser obrigados a ter um enfermeiro em tempo permanente. Contudo, a formação prestada através da Escola Superior de Enfermagem

pode envolver outros profissionais de saúde. “Dos auxiliares aos médicos, passando pelos visitadores, consideramos importante o envolvimento de todos os cuidadores”. A localização geográfica não será um impedimento para formação, revelou o diretor da escola. Atualmente, já é possível ministrar aulas através da internet. Através do projeto e-learning, a ESESFM pode chegar a todas as Misericórdias. As aulas são dadas à distância e na altura do exame final será muito mais fácil e vantajoso economicamente ser o professor a deslocar-se até a Misericórdia em processo formativo. A plataforma de e-learning está igualmente preparada para o acesso através dos telefones móveis. A avaliação é incontornável, relevou. Toda a formação ministrada pela escola reverte em créditos que podem futuramente ser usados pelos alunos em outras formações do ensino superior e, frisou João Paulo Nunes, apenas

Com cerca de 350 alunos inscritos, a escola de enfermagem da UMP já formou mais de sete mil enfermeiros Para além do ato técnico, a escola de enfermagem está igualmente preocupada com a cultura que envolve os cuidados de saúde as entidades de ensino superior podem atribuir esses créditos implementados através do Tratado de Bolonha. Com 60 anos de existência, a Escola Superior de Enfermagem São Francisco das Misericórdias é uma entidade com certificação de qualidade desde 2008. Recentemente passou a integrar a Rede Europeia Erasmus que permite mobilidade entre universidades europeias não apenas para alunos, mas também para professores, investigadores e colaboradores em geral. Algumas universidades europeias já oficializaram o interesse em estabelecer parcerias com a ESESFM. Com cerca de 350 alunos inscritos, a escola de enfermagem da UMP já formou mais de sete mil enfermeiros. Recorde-se também que a Escola Superior de Enfermagem São Francisco das Misericórdias foi a primeira instituição portuguesa a dedicar-se a questões bioéticas no âmbito da enfermagem. O centro de bioética foi criado em 2005. Durante os meses de Fevereiro, Março e Abril, a escola da União das Misericórdias Portuguesas participou em diversas feiras das profissões e do ensino superior, em diversas escolas secundárias da região de Lisboa e Vale do Tejo.


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património ARTE NAS MISERICÓRDIAS

Debate sobre cultura no Porto

Celebrações de fé na Semana Santa A tradição das procissões da Semana Santa nas Misericórdias é antiga. Surgiu no compromisso da primeira Santa Casa, a de Lisboa, em 1498 Bethania Pagin Em tempo de Quaresma, as Misericórdias portuguesas dedicam-se a manter vivas as celebrações pascais. De Norte a Sul do país, organizam-se procissões da Semana Santa, consideradas por muitos como a expressão mais nobre da religiosidade popular em Portugal. A tradição dos cortejos da Semana Santa é antiga. Surgiu no compromisso da Misericórdia de Lisboa, em 1498. Segundo Manuel Ferreira da Silva, estudioso das Santas Casas em Portugal e no mundo, as procissões realizam-se “em obediência ao espírito e letra dos compromissos históricos” das instituições.

Atualmente, as procissões atraem centenas de pessoas e representam um momento alto das terras onde se realizam. Mas “as procissões não são mero folclore religioso, só para atração de turistas e curiosos. São celebrações em que se investe a própria alma, fortemente dinamizada pela fé”, recordou Ferreira da Silva. Muitas outras Misericórdias organizam procissões durante a Semana Santa. Braga, Óbidos, Castelo Branco, Sines, Santiago do Cacém, Idanha-a-Nova, Tavira, Faro, Fundão, Barcelos, Crato, Sardoal, entre outras, mantêm vivo o compromisso de promover as solenidades pascais. Cumprindo a tradição, a Misericórdia de Esposende elaborou, uma vez mais, o tapete de flores na capela-mor da sua igreja. Este ano, a flor escolhida foi a camélia, cujo significado está relacionado com a fidelidade. Os trabalhos foram orientados pelo mestre pintor esposendense Fernando Rosário

e para o efeito colaboraram amigos, funcionários e irmãos daquela Santa Casa. Além disso, em 2012, os escuteiros de Esposende voltaram a integrar a equipa de execução do tapete. Em Braga, durante a procissão da Misericórdia local, apenas um andor é venerado. Trata-se do Ecce Homo, uma imagem de Cristo quase desnudado, coroado de espinhos e que leva na mão uma cana verde, razão pela qual também é conhecida como Senhor da Cana Verde. Durante o cortejo, que se realiza de noite, os irmãos da Santa Casa desfilam com as suas opas negras e tochas acesas nas mãos, ladeando os passeios das ruas. Ao centro, seguem as bandeiras reais, iluminadas por pequenas lanternas. A Semana Santa bracarense atrai milhares de pessoas, portugueses e estrangeiros. Nos últimos anos, os membros do Secretariado Nacional da União das Misericórdias Portuguesas têm-se associado a esta iniciativa, integrando a procissão.

Santas Casas celebram monumentos Mais de 500 atividades marcaram, em Portugal, a 18 de Abril, o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios Mais de 500 atividades marcaram, em Portugal, a 18 de Abril, o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios. Cerca de 304 entidades, entre elas seis Misericórdias, e 113 autarquias associaram-se ao IGESPAR

nas comemorações subordinadas ao tema “Do Património Mundial ao Património Local: proteger e gerir a mudança”. O tema pretende chamar a atenção para o complexo desafio que se coloca à proteção e gestão do patri-

mónio, numa época de globalização económica e cultural, de profundas transformações sociais e de mudança de paradigmas. As novas abordagens aos novos desafios que se colocam à salvaguarda do nosso património e à boa gestão dos processos de mudança foram o mote das atividades. As Santas Casas que integraram a iniciativa foram Almodôvar, Castelo Branco, Crato, Lousã, Mangualde e Monforte.

Armário para amitos e sanguíneos SCMBR 0046 1699 Misericórdia de Braga Armário para amitos e sanguíneos, em madeira e latão. Encontra-se embutido numa das paredes da sacristia e constitui-se de três corpos, sendo a altura dos dois inferiores correspondente à do superior. Este comporta 56 pequenas gavetas de frente quadrangular e é enquadrado lateralmente por barras apaineladas, recobertas por placas de latão recortadas e vazadas que formam decoração composta de enrolamentos, decoração que se repete no entablamento. As gavetas apresentam moldura de tremidos e painel central preenchido por decoração em espinhado, por cima do qual se fixa placa de latão vazada e recortada, em forma de borboleta, com número ao centro, zona onde se fixa também puxador em forma de pendente. Os entrepanos apresentam-se igualmente decorados por finas placas de latão com decoração de enrolamentos, sendo que os vértices são preenchidos por florões. Os dois corpos inferiores apresentam configuração idêntica, estando enquadrados lateralmente por barras semelhantes às que se veem no corpo superior e estando separados por cornijas. Cada um apresenta frente de superfície decorada em espinhado, sobre a qual se fixa dupla esquadria retangular formada por placas de latão recortadas e vazadas, com decoração de enrolamentos e óvulos, e florões nos ângulos. No interior de cada uma das esquadrias pontifica placa ampla, recortada e vazada, composta da intersecção de quadrifólio com dois largos pares de volutas, das quais despontam pontas enroladas. O corpo intermédio tem tampa rebatível e o inferior tem duas meias-portas.

Lanternas processionais SCMBR 0075 Século XVIII Misericórdia de Braga Conjunto de doze lanternas processionais em prata, com cabos em madeira. A lanterna encaixa no cabo através de tubo cilíndrico, ligando-se este a pequena haste com nó decorado em cada um dos lados por três reservas circulares contendo pequenas flores relevadas; este nó situa-se entre estrangulamentos, sendo o inferior canelado. O corpo da lanterna é prismático, com três faces envidraçadas, alargando em direção ao topo, sendo os cantos cortados. A base é poligonal, escalonada em três registos: o primeiro é côncavo, com decoração simétrica de volutas e folhagem estilizada; o segundo convexo, com caneluras e folhas de extremidades enroladas, em relevo, situadas ao centro e nos ângulos; e o terceiro é côncavo e liso. Os ângulos do corpo são adornados por volutas, sendo as duas do meio alongadas, as inferiores com folha relevada e as superiores ornadas por cabeças aladas de querubins. As cimalhas de cada uma das faces têm centro arqueado decorado com volutas afrontadas encimadas por flores-de-lis. O topo é cupuliforme, formado por vários registos canelados, decorados por festões e volutas, e rematado por fogaréu. Os caixilhos dos vidros são perlados. O cabo acha-se dividido em quatro secções separadas por anéis. As lanternas são empunhadas pelos irmãos da Misericórdia em contexto processional, com destaque para as celebrações da Semana Santa, sendo que os reflexos próprios da matéria argêntea contribuem para conferir a estas manifestações religiosas o pretendido ambiente de solenidade.

Apontamentos do inventário promovido pela UMP, Ver mais em http://matriz.softlimits.com/ump/


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estante

Jerusalém, a cidade universal Uma biografia sobre a cidade que é capital de dois povos e lugar santo para três religiões. Uma publicação da Alêtheia Editores Jerusalém, a cidade universal, é capital de dois povos e lugar santo para três religiões. Jerusalém, o prémio dos impérios e o local previsto para o dia do Juízo Final, é o campo de batalha do atual choque de civilizações. Desde o rei David até Barack Obama, desde o nascimento do judaísmo, do Cristianismo e do Islão até ao conflito israelo-palestiniano, este livro é uma narrativa épica de 3000 anos de fé, de matanças, de fanatismo e de coexistência. Como foi que esta pequena e longínqua cidade veio a ser a Cidade Santa, o “centro do mundo”, e é hoje um elemento essencial da paz no Médio Oriente? “Jerusalém: A Biografia”, de Simon Sebag Montefiore, é uma edição da Alêtheia Editores. Foram necessárias quase 100 páginas na biografia de Jerusalém escrita por Simon Sebag Montefiore para que Jesus Cristo fosse mencionado. Àquela altura, a cidade já havia sido disputada por babilônios, israelitas, judeus, filisteus, jebuseus, assírios, persas, gregos, macedônios, macabeus, romanos e por Herodes e seus descendentes. Jerusalém era, como diz o autor, uma verdadeira “torre de Babel enfeitada”. A história de Jerusalém é contada cronologicamente por meio da vida dos homens e mulheres – profetas, poetas, pedintes, soldados, reis e

conquistadores – que a moldaram. Montefiore segue em uma direção clara, abordando as desavenças religiosas e intrigas políticas que permanecem até os dias atuais, adotando um tom surpreendentemente apolítico. Ele enriquece sua obra incluindo fontes nem sempre disponíveis em inglês. Um exemplo é o diário de Wasif Jawhariyyeh, um cristão ortodoxo que estudou o Alcorão. Nascido no final do século XIX e arraigado no cosmopolitismo da cidade, Jawhariyyeh demonstrou um talento

Jerusalém: A Biografia Simon Sebag Montefiore Alêtheia Editores, Abril 2012

para o alaúde, o que, em uma cidade apaixonada pela música, lhe deu acesso a pessoas de todas as classes sociais. Seu relato lírico de 40 anos na vida de Jerusalém, inexplicavelmente nunca foi traduzido do árabe, até que Montefiore o traduziu e fez um bom uso dele para sua biografia. A narrativa é interrompida em 1967, quando a Guerra dos Seis Dias dividiu Jerusalém entre árabes e israelitas, uma data que o permite evitar os conflitos dos dias atuais. Simon Sebag Montefiore é autor

de vasta obra premiada, como Estaline, a Corte do Czar Vermelho, que ganhou o History Book of the Year Prize dos British Books Awards. Com Jovem Estaline, foi agraciado com o Costa Biography Award (Reino Unido), o LA Times Book Prize for Biography (Estados Unidos), Le Grand Prix de la Biographie Politique (França) e o Kreisky Prize for Political Literature (Áustria). Montefiore, que é ainda autor de um romance, Sachenka, tem os seus livros traduzidos em mais de trinta e cinco línguas.


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voz ativa Editorial

VM

Opinião

Voz das Misericórdias Órgão noticioso das Misericórdias em Portugal e no mundo

Paulo Moreira

paulo.moreira@ump.pt

Alento e esperança Com o passar do tempo, foi crescendo um sentimento coletivo de desânimo, que lenta e insidiosamente se entranhou nas pessoas. São visíveis os resultados. Estamos a tornar-nos num povo triste, sem ânimo e com pouca fé no futuro

S

abemos e sentimos que vivemos uma tremenda e prolongada crise que atinge tudo e todos. Com o passar do tempo, foi crescendo um sentimento coletivo de desânimo, que lenta e insidiosamente se entranhou nas pessoas. São por demais visíveis os resultados. Estamos a tornar-nos num povo triste, sem ânimo e com pouca fé no nosso futuro individual e coletivo. É por isso urgente encontrar formas de contrariar esta cruel, triste e cinzenta realidade. Registo, pois, com agrado e alguma esperança, ainda que moderada, a forma como decorreu a última assembleiageral da UMP que, além de muito participada, aprovou, por unanimidade e aclamação, as contas de 2011 e apontou as principais preocupações com que se debatem as Santas Casas. Neste contexto difícil afirmam, uma vez mais, a sua determinação de não desistir, de não soçobrar e de continuar a encontrar respostas para os velhos e novos desafios e problemas com que se confrontam diariamente. É, aliás, nesta linha que se entende a realização no Porto, no próximo mês de Setembro, do X Congresso Internacional das Misericórdias. Ao refletirem sobre a sua identidade, sobre a necessidade de serem veículos de modernidade e inovação e ao darem uma atenção especial ao mundo da saúde, onde têm crescente e fundamental importância, estão seguramente a dar um sinal de alento e esperança, de que todos tanto necessitamos, e que é, com certeza, uma forma de contrariar ativamente a triste e vil realidade que nos circunda.

Propriedade: União das Misericórdias Portuguesas Contribuinte: 501 295 097 Redacção e Administração: Rua de Entrecampos, 9, 1000-151 Lisboa Tels: 218 110 540 218 103 016 Fax: 218 110 545 e-mail: jornal@ump.pt Tiragem do n.º anterior: 13.550 ex. Registo: 110636 Depósito legal n.º: 55200/92 Assinatura Anual: Misericórdias Normal - €20 Benemérita – €30 Outros: Normal - €10 Benemérita – €20 Fundador: Dr. Manuel Ferreira da Silva Director: Paulo Moreira Editor: Bethania Pagin Design e Composição: Mário Henriques Publicidade: Paulo Lemos Colaboradores: Francisco Cunha Iolanda Magalhães Nélia Sousa Patrícia Leitão Vera Campos Assinantes: Sofia Oliveira Impressão: Diário do Minho – Rua de Santa Margarida, 4 A 4710-306 Braga Tel.: 253 609 460

União das Misericórdias Portuguesas

Maria da Graça Ribeiro da Cunha

Provedora da Misericórdia de Coruche

Não somos os únicos

Na abertura de uma unidade de cuidados continuados deparamo-nos com as mais diversas dificuldades, chegando mesmo algumas delas a tornarem-se preocupações. Sabemos a partida que não vai ser fácil, que surgem sempre imprevistos, uns mais complicados de resolver que outros. Apercebemo-nos, no entanto, que não somos os únicos a passar pelo mesmo e é aí que sentimos que se nos unirmos, tornamo-nos mais fortes para a resolução dos problemas. Foi por isso que as Santas Casas da Misericórdia da Amadora, Alhos Vedros e Coruche se uniram e partilharam uma das que mais nos preocupava: a demora da assinatura do acordo com a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo.

Apercebemo-nos, no entanto, que não somos os únicos a passar pelo mesmo e é aí que sentimos que se nos unirmos, tornamo-nos mais fortes para a resolução dos problemas

Opinião

Joaquim Albertino da Costa Provedor da Misericórdia de Cerva

Vivência da Páscoa

Cerva, paróquia de S. Pedro, historicamente anterior ao século quinze, há largas dezenas de anos, vem renovando os modos de o povo se abrir à celebração da festa de Páscoa. A vivência da Páscoa nesta unidade pastoral de Cerva, Limões e Alvadia foi celebrada do seguinte modo: Uma preparação: Domingo de Ramos, com a bênção, a procissão e a celebração, em cada uma das paróquias; a celebração da Ceia do Senhor, em Limões e Alvadia; nelas, em sexta-feira santa, a celebração da Paixão e Morte do Senhor, Adoração da Cruz e Comunhão Eucarística; no sábado: de manhã, a preparação das Equipas de leigos, para o Anúncio Pascal, sendo uma Equipa, em Alvadia; cinco, em Limões e quinze, em Cerva. À noite, de sábado, a Ressurreição do Senhor, decorrendo a Liturgia da Vigília Pascal, na igreja de Cerva; bênção do fogo e preparação dos Círios Pascais das Comunidades, paroquiais; o canto do Precónio; a Palavra, no Antigo Testamento; o canto do Glória e toque dos sinos; a Palavra, no Novo Testamento e canto do Aleluia, a Homilia; bênção da Fonte Batismal e da água lustral; a renovação da Promessas do Batismo; a aspersão da água, pela Assembleia e a Liturgia Eucarística. Neste ano, olhando a tradição, faltaram os Ba-

tismos. Os participantes, presentes na Vigília, foram avisados das saídas das Equipas, informando das horas e locais do início do Anúncio, em cada uma das Zonas das paróquias. A Santa Casa da Misericórdia de Cerva foi a família, mais numerosa, a receber o Anúncio. Antigamente,

Páscoa é festa de fé, de culto e de comunhão solidária, entre irmãos, não tendo faltado os tradicionais foguetes, acompanhando e sinalizando a passagem do Anúncio


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reflexão A 29 de Março de 2012, depois de “lutas” constantes, foi então assinado o tão desejado e necessitado acordo. A unidade de cuidados continuados e integrados de Coruche, composta por 15 camas de longa duração e manutenção e 15 camas de média duração e reabilitação vai começar a receber utentes a partir do próximo dia 2 de Maio. Tem um quadro de pessoal de 32 colaboradores o que satisfaz também uma boa parte da população do concelho de Coruche dada a elevada taxa de desemprego que se faz sentir atualmente no nosso concelho. União, símbolo de força e ligação! União, símbolo de quem não está só! União, símbolo de resolução! União, símbolo de amizade! A partilha de angústias cria laços!

há quarenta anos, era o pároco ou algum Seminarista a percorrer a sua Comunidade; hoje, é um pároco para uma série de paróquias, havendo de se valer de Equipas de leigos preparados que, no Domingo de Páscoa – num só dia – vinte e uma Equipas, com a imagem do Ressuscitado na Cruz e água benta, as levaram a todas as famílias e, a elas anunciaram o Senhor da Vida. Mas Páscoa, nesta unidade pastoral, procura ir ao interior de cada família e de cada pessoa, havendo uma semana – a terceira de Páscoa – marcada, por pregações, encontros específicos, confissões e visitas aos doentes. Assim, estiveram connosco, três sacerdotes Vicentinos, a desenvolver sete dias de pregação e os ditos encontros; a administração da Santa Unção que foi, na Santa Casa da Misericórdia, para os seus idosos e outros, vindos das comunidades paroquiais, tendo aí recebido o Sacramento do perdão a Santa Unção trinta e quatro pessoas. Além dos três Vicentinos, o provedor e mais quatro colegas padres, do Arciprestado, deram sua ajuda nas Confissões das paróquias desta unidade pastoral. Páscoa, na unidade pastoral de Cerva, Limões e Alvadia, é festa de fé, de culto e de comunhão solidária, entre irmãos, não tendo faltado os tradicionais foguetes, acompanhando e sinalizando a passagem do Anúncio.

José Dias Coimbra

Provedor da Misericórdia de Arganil

Uma oportunidade para renascer

Para um envelhecimento ativo, produtivo e também bem-sucedido, urge criar mecanismos de inclusão destes cidadãos nos mercados de trabalho e, sobretudo, um contrato com visão intergeracional

Em boa hora, a Organização Mundial da Saúde (OMS) dedicou este ano ao tema “Envelhecimento ativo: uma oportunidade para dar mais vida aos anos”. Todos sabemos que o envelhecimento ativo é fundamental porque ao longo dos anos, se quisermos ser úteis ao nosso próximo, temos que saber envelhecer. Não há dúvidas para ninguém de que o aumento da esperança de vida é uma realidade, sobretudo em termos europeus. Portugal não foge a essa tendência, o que nos obriga a uma cuidada reflexão, nomeadamente no que concerne às respostas sociais destinadas aos mais velhos. E não só. Para um envelhecimento ativo, produtivo e também bem-sucedido, urge criar mecanismos de inclusão destes cidadãos nos mercados de trabalho e, sobretudo, um contrato com visão intergeracional. De facto, os números que enfrentamos não deixam quaisquer dúvidas: do envelhecimento demográfico e do aumento da longevidade humana na Europa traduzem-se numa média de 82 anos para as mulheres e 76 anos para os homens da esperança média de vida. Acrescentando a todos estes indicadores os significativos progressos económicos, médicos e sociais, tudo indica que para os europeus se avizinha

uma vida longa com níveis de conforto inimagináveis no século passado. Assim sendo, qual o papel individual de cada idoso e a responsabilidade das instituições que deles cuidam? Cabe, fundamentalmente, ao próprio cidadão - ao atingir o limite de idade para continuar a ter uma vida laboralmente ativa, mas que reúne capacidades mentais e desígnios pessoais para manter o seu contributo para com a sociedade que o acolhe - assumir uma postura de intervenção social, não aceitando a sua ostracização, mas considerar-se um cidadão prestador de serviços no meio que o rodeia. O envelhecimento é um estado de alma, tendo que, forçosamente, fazer parte do projeto de vida de cada um. Gerontologistas, investigadores e sociólogos, políticos e governantes há muito que estudam este real problema da humanidade e que, em época de crise económica, suscita preocupações acrescidas. É de inteira justiça realçar o enorme esforço e dedicação que não só os governos, bem como as autarquias, se têm dedicado a este assunto, não só com legislação adequada, bem como na instalação de estruturas modernas por todo o País. A criação da Rede de Cuidados Continuados Integrados constituiu

uma política de grande alcance e nós, Misericórdias, soubemos bem honrar esse projeto, pela mão sábia do nosso presidente, Dr. Manuel de Lemos, tornando as Santas Casas parceiros imprescindíveis no seu desenvolvimento. Por mais atrasos e desvios que surjam, o projeto é reconhecido por todos os que estão no terreno na luta pelo envelhecimento ativo. Já é uma realidade e será uma das principais alavancas nos cuidados de ação direta aos portugueses em situação de dependência temporária ou definitiva. Para o envelhecimento ativo ter sucesso, de acordo com a minha experiência pessoal, depende apenas da existência de projetos e desafios pessoais, ou mesmo causas, desde que haja entusiasmo, porque pode faltar o vigor físico de outros tempos, mas a sabedoria dos anos sabe fazer a compensação necessária. Não esqueçamos, nunca, o papel fundamental da intergeracionalidade: a humildade para a aprendizagem dos mais novos e a paciência e disponibilidade sem arrogância dos mais velhos. Concluindo. É bom envelhecer quando nos sentimos úteis ao próximo, ensinando com humildade aos mais novos o que aprendemos e aprendendo com ternura o que os mais novos nos têm para ensinar.


Livro Jerusalém, a cidade universal em biografia Estante

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Semana Santa Procissões das Santas Casas na Quaresma Património

Enfermagem Cuidar com cultura de misericórdia

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Educação

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www.ump.pt Entrevista

Maria de Belém Roseira

Existência centenária significa a indispensabilidade das Santas Casas A deputada Maria de Belém Roseira é presidente da Mesa da Assembleia Geral da União das Misericórdias Portuguesas. Em que medidas as Santas Casas podem ajudar o país durante este período de crise? Penso que as Misericórdias provam que a sua existência centenária significa a sua indispensabilidade para colmatar muitas brechas que existem no tecido social e económico. Mais de 500 anos depois da sua fundação, podemos avaliar que é nas alturas de crise que as pessoas conseguem compreender o seu alcance e a sua importância. Estamos agora numa crise fortíssima, porventura a maior do pós guerra porque se combinou um conjunto de fatores que tem a ver com uma nas condições de trabalho, muito induzida pela globalização, com a entrada no mundo do comércio de países que não tem nenhum modelo de proteção social e que concorrem com os outros sem respeito pelas

A entrada na União Europeia previa um projeto de especialização que atribuía ao nosso país mais a área dos serviços do que a produção agrícola ou industrial e que acabou por ficar muito pouco salvaguardada perante as ameaças do mundo atual. A crise que nos afeta é muito forte precisamente porque não tínhamos armas para compensar esta alteração que quer a globalização, quer as novas tecnologias, introduziram nos processos de produção.

Maria de Belém Roseira

mesmas regras e que muitas vezes não tem qualquer escrúpulo do ponto de vista ambiental. Por isso, os seus fatores de produção estão muito aliviados e isso deu origem a uma deslocalização que afeta sobretudo os países desenvolvidos.

Teria sido possível acautelar um cenário tão grave? Portugal tem fragilidades especiais que são ao mesmo tempo estruturais devido à falta de qualificação, à desindustrialização e ao desmantelamento de algumas áreas produtivas.

Nesse sentido, que tipo de exemplo as Misericórdias podem dar? Além do acudir às necessidades, as Misericórdias podem ajudar as pessoas na sustentação dos seus projetos individuais. Podem promover uma cultura de regresso a atividades tradicionais que ficaram socialmente desvalorizadas. Por exemplo, a produção agrícola através de empresas de inserção, produzindo bens que são necessários e que podem ajudar na

cadeia económica a uma grande sustentabilidade social mais localizada. As Misericórdias têm condições de sobreviver a crise? Acho que sim. As Misericórdias já sofreram muitos abalos ao longo da sua história e sendo instituições com grandes raízes locais e regionais, têm em si todos os condimentos para aguentar mais este embate e saírem, por vezes, reforçadas. Acredita que há por parte do governo abertura para o contributo das Misericórdias? Há uma abertura anunciada, mas que não se tem traduzido em atos concretos. Penso que há uma grande dificuldade de financiamento sobretudo no domínio da saúde. Vamos ver se o orçamento retificativo, que acabou de ser aprovado na Assembleia da República, altera essa situação, habilitando o Ministério da Saúde com as verbas necessárias para cumprir os seus compromissos. Tenho a esperança que sim.

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