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Nº 2 1 | An o X XI V | S e t e m b r o de 20 0 9

Juventude Popular da Maia

jpmaia.org

Álvaro Braga Júnior em entrevista | p. 4

PARA A MAIA VOLTAR A SORRIR Nova CPC da JP Maia já tomou posse | p. 3 António Vieira de Castro é o convidado convidad de honra | p. 7 Textos de opinião de Carlos Pinto, Manuel Oliveira | p. 8 e Mariana Guedes | p. 8


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p r ime ir a pá gina

post@s virtu@is O Princípio de Peter do Dr. Louçã O Dr. Louçã que ficou conhecido por defender uma coisa e fazer outra, por procurar a palha no olho do vizinho esquecendo a trave que está a frente do seu atingiu o escalão máximo de votação. Chegou ao Principio de Peter, ou seja, o nível máximo a partir do qual a sua incompetência fica visível a todos os cidadãos. Assim sendo, a partir daqui, se não abandonarmos o combate ideológico poderemos todos reduzir a extrema esquerda radical ao seu mínimo absoluto.

Editorial Tiago Loureiro Editor d’O Jovem 1 – Contra todas as expectativas, o CDS deu, a 27 de

apontamentos

Setembro, uma prova mais do que evidente de que a notícia da sua morte fora claramente exagerada. Contra todas as sondagens, o CDS ascendeu a terceira força política na Assembleia da República, elegendo 21 deputados, uma marca absolutamente histórica. Contra todas as probabilidades, o CDS elegeu deputados em Faro, Coimbra e na Madeira. Contra todo o pessimismo e toda a desconfiança que recaíam sobre si, o CDS destacou-se como o claro vencedor destas eleições, atingindo ou superando todas as metas a que se tinha proposto.

Cavaco e as escutas

2 - Conhecido o novo arranjo

Manuel Castelo-Branco

http://31daarmada.blogs.sapo.pt/

As relações entre Belém e S. Bento continuam a esfriar. Após um longo tabu, bem ao seu jeito, Cavaco Silva fez uma declaração após as eleições legislativas em que não poupou o Partido Socialista a propósito das já famosas escutas.

Vinte e Micha De várias vitórias se fez a noite eleitoral do CDS-PP a 27 de Setembro. Uma das mais significativas foi a eleição de Michael Seufert, presidente da Juventude Popular, como deputado pelo círculo eleitoral do Porto.

Legislativas: vencedores e vencidos Tendo ganho em toda a linha, o CDS junta-se ao PS, que apesar de perder a maioria fica à frente, no grupo dos vencedores da noite. Para lá do PSD, grande derrotado, as forças da extrema-esquerda não conseguiram também esconder a frustração.

Um Micha deputado é uma recompensa do parlamentar, os partidos da mérito do próprio e da JP direita são os únicos que, que esteve em grande cada um por si, se poderiam nesta campanha. É um orgulho ser JP. É um somar aos socialistas na hora de arranjar uma solução de orgulho ver que, só em deputados, já somos governo. Ambos já vieram vinte e… Micha. dizer que não estão disponíveis para tal.

Esperemos que cumpram. Se a reedição do Bloco Central não traria nada de bom para o país e representaria, mais do que uma fórmula de estabilidade, uma soma de instabilidades, a participação do CDS num governo liderado por José Sócrates demonstraria uma falta de coerência e, talvez mais grave, uma falta de palavra. No entanto, de uma direita responsável e empenhada, não se espera mais do que honrar o compromisso. 3 – Para lá da confusão dos votos úteis e da falácia de que votar num partido é votar no seu líder, sobra muito pouco para atribuir como significado a um voto. No entanto, quem teve, como eu, a oportunidade de votar no CDS no distrito do Porto, pode dizer que contribuiu para o resultado mais significativo da noite: a eleição de Michael Seufert, presidente da Juventude popular. Um Micha deputado acaba por ser uma dupla recompensa do mérito. Uma para o próprio; outra para a Juventude Popular que esteve em grande durante esta campanha. É um orgulho ser JP. É um orgulho ver que, só em deputados, já somos vinte e… Micha.


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p r ime ir o pl an o

Tomada de posse da JP Maia

Foi num ambiente descontraído e familiar que os novos orgãos da Juventude Popular tomaram posse no passado dia 28 de Setembro. A iniciativa contou com a presença de diversos candidatos do CDS a juntas de freguesia do concelho, bem como de David Tavares, presidente concelhio do CDS e candidato à

Assembleia Municipal, e Álvaro Braga Júnior, candidato do partido à Câmara Municipal da Maia, tendo estes dois últimos contribuído com discursos. Quem também marcou presença e discursou foi o secretáriogeral da JP, João Ribeirinho Soares. O novo presidente da Mesa do Plenário Concelhio e antigo

Presidente da CPC, Eric Rodrigues, abriu a cerimónia com umas breves palavras, tendo de seguida dado posse ao novo coordenador do Gabinete de Estudos da Juventude popular da Maia, Carlos Pinto, e à nova Comissão Política Concelhia, liderada por Manuel Oliveira, naquele que foi o ponto alto da noite.

JP Maia nas Autárquicas À medida que caminhamos para o dia 11 de Outubro, a Juventude Popular da Maia tem-se feito representar nas diversas iniciativas de campanha do CDS na Maia. No contacto directo com a população, os militantes da JP Maia não se poupam a esforços para fazer passar a mensagem autárquica do CDS, dando apoio directo aos vários candidatos que vão estando presentes. As caixas do correio maiatas também têm sentido a passagem da JP, contendo o mais diverso material informativo

relativamente às candidaturas do partido na Maia. Nos últimos dias, a Juventude Popular da Maia marcou presença em força em iniciativas de grande relevo. Desde um jantar de apresentação da lista candidata a Pedrouços, passando pela inauguração da Sede de Campanha de Vermoim e pela caravana que percorreu todo o concelho. Como já é habitual, a Juventude Popular da Maia não deixa os seus créditos por mãos alheias e mostra-se sempre presente!


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ent rev ist a álvaro braga júnior candidato do cds-pp à câmara municipal da maia

ÁLVARO BRAGA JÚNIOR E O DESAFIO MAIATO:

«Era impossível dizer que não» Em vésperas das eleições autárquicas, em plena campanha eleitoral, o cabeça-de-lista do CDS-PP à Câmara Municipal da Maia esteve à conversa com “O Jovem”. Militante do CDS desde a primeira hora, é reconhecido como alguém que não vira as costas ao partido. Como surgiu a possibilidade de encabeçar a lista do CDS à Câmara Municipal da Maia? Desde logo porque ter sido um amigo com quem tenho um longo percurso comum que me convidou. Depois porque tenho uma ligação ao concelho e entendo que, como disse e bem, nunca tendo virado as costas ao partido, depois de uma longa coligação com o PSD, tendo sido desafiado para este novo investimento que o CDS faz na Maia, era impossível dizer que não. Naturalmente que também foi

importante o facto de a Comissão Política Concelhia e o Plenário Concelhio terem aceite a minha candidatura.

Desde cedo declarou que os últimos quatro anos foram os piores anos da Maia. A sua preocupação em fazer a Maia voltar a sorrir reflecte isso mesmo. Na sua opinião quais foram os pecados capitais do actual executivo? Há vários. Eu diria que muitas mais são as coisas más do que as boas. Em primeiro lugar, houve uma clara perda de poder junto do poder central, a Maia que foi sonhada pelo professor Vieira de Carvalho foi desacelerando, e hoje vive um bocado daquilo que já foi pensado no tempo do anterior Presidente da Câmara. Grandes obras, significativas para a Maia como, por exemplo, o hospital, o novo tribunal, a chegada da nova linha do Metro, que não passam de modo directo pela Câmara mas nenhuma foi feita, exactamente por causa dessa perda de influência. Limitamo-

nos agora às pequenas obras ditadas pelo período eleitoral. Eu creio que a justificação de olhar às finanças neste mandato é curta para o muito pouco que se fez. Diria, numa análise crítica, quase escapa apenas no que toca às instalações educativas. Em tudo o resto houve uma paragem clara na Maia, e acho que os maiatos sentem isso. O Eng.º Bragança Fernandes afirma ter honrado os seus compromissos e investido em todas as áreas prioritárias, valorizando sempre e primeiro as pessoas. Que comentário lhe merece esta afirmação? Que é uma tentativa de branquear o que não foi feito. Isso é quase um slogan do actual Presidente da Câmara, atrás do qual ele se esconde para, de algum modo, fugir aos debates, fugir à confrontação. Eu julgo que o candidato do PSD não teria nenhuma dificuldade em explicar o que se compromete a fazer no futuro, mas o actual Presidente da Câmara joga na ausência para assim branquear aquele que foi, no meu


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ent rev ist a

Esta é uma caminhada mais longa que começa no dia 11 de Outubro e que eu acho que não pode parar, sob pena de o CDS voltar a sofrer as maleitas que normalmente têm os partidos mais pequenos quando estão muitos anos em coligação com um partido mais forte.

entendimento, o pior mandato da Câmara da Maia nos últimos largos anos. Apontou como seu grande objectivo a eleição de pelo menos um vereador do CDS. Uns louvam-lhe o realismo, outros criticam-lhe a falta de ambição. Quem está correcto? Eu julgo que estão correctos aqueles que, de algum modo, aceitam o realismo. E dou-lhe um exemplo muito concreto: o CDS sai claramente vitorioso de uma campanha legislativa e o que eu ouvi dizer o presidente do partido é que está preparado para ser primeiro-ministro, e nunca cometeu o erro de dizer que queria os votos que lhe permitissem ser, de facto, primeiro-ministro. Hoje os eleitores têm uma consciência claro daquilo que os partidos podem valer, até em termos numéricos, e naturalmente que não vale a pena privilegiar quem, com os pés pouco assentes no chão, viesse dizer que ia ganhar as eleições na Maia. Eu julgo que esta é uma caminhada mais longa que começa no dia 11 de Outubro e que eu acho que não pode parar, sob pena de o CDS voltar a sofrer as maleitas que normalmente têm os partidos mais pequenos quando estão muitos anos em coligação com um partido mais forte. Estamos na recta final e decisiva para as autárquicas, em plena campanha

eleitoral. Pronto para as exigências destas duas semanas? O que espera retirar destes dias? Eu estou prontíssimo! Tenho a consciência nítida que esta é uma campanha algo atípica, porque durante uma parte da pré-campanha coincidiu também com a campanha para as legislativas, e como me ouviram dizer várias vezes, estas iriam ser duas semanas fundamentais para acelerar em matéria autárquica. A comunicação social, por exemplo, esteve claramente focada nos líderes dos partidos na campanha para as eleições legislativas, pelo que ou temos agora o talento de fazer com que as eleições na Maia fique também com alguma atenção desses orgãos. Já que não contamos com o poder – que também é candidato – para dar visibilidade ao concelho, tentemos nós dar a volta. Supondo que é eleito vereador, que postura podemos esperar de si? Aquela que eu presumo que se pode esperar de um vereador. Naturalmente, primeiro temos que esperar pelos resultados das eleições autárquicas para perceber que tipo de vereador vou ser. Vereador serei-o sempre, sendo que tenho uma visão muito clara deste assunto, pois julgo que não podemos ficar muito contentes por liderar uma lista ou fazer parte dessa lista, seja ela qual for, e depois esquecermo-nos durante dois ou três anos que fomos

candidatos. Isto não admito, é para mim impensável e, portanto, sendo vereador, naturalmente que aquilo que eu procurarei fazer, e mesmo admitindo o cenário de ser vereador sem pelouro, será ser um vereador incómodo para o poder. Estarei muito presente na Maia e irei trabalhar quatro anos para que efectivamente nas eleições autárquicas de 2013, as pessoas tenham percebido que passou um vereador do CDS no executivo da Câmara da Maia. Se não for essa a participação, corremos o risco de termos agora eleito um vereador e daqui a quatro anos as pessoas nem se lembrarem que isso sucedeu, sendo que considero esse cenário como impensável. Se for vereador com pelouro, vou estar dedicado ao mesmo e, obviamente que, para além desse pelouro, quero questionar a Câmara sobre algumas atitudes que o seu Executivo irá ter porque julgo que a partir das eleições, temos todos um mesmo partido que é o Concelho da Maia. Na Maia, o CDS concorre sozinho pela primeira vez em muitos anos. Parecelhe que a estrutura local e as listas entretanto elaboradas para concorrer aos diversos orgãos estão preparadas para esta nova caminhada a solo? Essa é uma questão à qual me parece prematuro estar a dar uma resposta porque há pessoas que estão a aprender e há outras que estão a reaprender. É sabido que o “chapéu” de um partido mais forte numa coligação traz normalmente uma perda de militância. Obviamente que pode haver a motivação de estarmos a concorrer sozinhos, mas acima de tudo, entendo que os resultados que o CDS terá nestas eleições autárquicas permitirá várias análises. A primeira relacionada com o facto de que se consiga avaliar a si própria, perceber quanto vale em termos de militância e quanto vale em termos de influência no eleitorado. Também julgo que pode e deve aproveitar para voltar a congregar o partido. Isto pelo facto de que, quando há uma coligação, as pessoas tendem muito a seguir o parceiro mais forte, aqui noutro cenário, há espaço para aumentar a dimensão do partido em vários pontos do Concelho da Maia.


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ent rev ist a Volto a colocar a mesma questão, mas relativamente à Juventude Popular em particular. A Juventude Popular da Maia tem uma tradição de grande militância, de grande actividade. Nesta campanha isso vai-se traduzir naturalmente. A Juventude Popular da Maia foi considerada a melhor a nível nacional, o que só pode significar abundante actividade e militância. Seguramente, se isto for traduzido para a campanha, será francamente positivo. Nesse aspecto, numa análise primária, parece que a Juventude Popular da Maia está melhor ou mais “viva” do que o próprio partido. Agora temos é que transportar isso para a campanha, tornando essa numa maisvalia para o período de campanha em que estamos. No final do acto eleitoral de dia 11 de Outubro, o que lhe parece passível de ser considerado um bom resultado para o CDS a nível global no concelho da Maia? Começando pelas assembleias de freguesia, já conheci os candidatos à presidência das Juntas de Freguesia, todos eles de enorme qualidade. Não tenho dúvidas que teremos resultados surpreendentes pela qualidade desses mesmos candidatos. Julgo que aí, será também uma maneira de estarmos a “semear para colher mais tarde”. Relativamente à Câmara Municipal da Maia, propus-me como objectivo a eleição de pelo menos um vereador, objectivo esse que não é fácil. Os resultados recentes das eleições legislativas não podem ser equiparados à realidade autárquica, já que na Maia, na minha opinião, o PSD vai vencer as eleições autárquicas apesar de ver diminuída a sua vantagem, até porque não tem a coligação com o CDS. De qualquer modo também é preciso não esquecer que no anterior acto eleitoral, o PS venceu em 16 das 17 freguesias que compõem o Concelho. Portanto há aqui realidades completamente distintas. Obviamente que o óptimo resultado que o CDS obteve nas eleições legislativas, muito graças ao papel impulsionador do Dr. Paulo Portas, pode criar uma onda ganhadora que pode e deve ser aproveitada. Este ano político ficará irremediavelmente marcado por três actos eleitorais. Nos dois primeiros, o CDS

passou com distinção e com uma marca ascendente. Que análise lhe merece este momento que o partido vive? É verdade que o partido foi uma grande surpresa para muita gente, este partido que também teve um óptimo resultado nas europeias e teve um magnífico resultado nas legislativas, é um partido que volta aos grandes momentos. O CDS teve períodos bem mais difíceis, mas obviamente que é bem melhor ter 21 deputados na Assembleia da República. É óbvio que isto teve a ver também com a postura, o percurso e a seriedade do presidente do partido. Creio que ele conseguiu ultrapassar uma fase que foi marcante enquanto jornalista do Independente e hoje as pessoas já o vêem como um político com rigor, qualidade e que toca nos assuntos que são importantes para as pessoas. E, portanto, este é um aspecto francamente positivo que só pode ter um caminho que é o da subida. O CDS ter eleito 21 deputados vai fazer com que as responsabilidades também aumentem assim como a visibilidade, mas penso que neste momento particularmente difícil que Portugal atravessa foi bom o CDS ter tido este resultado. Finda a maioria absoluta do PS, com um Parlamento mais “equilibrado”, que alterações lhe parecem inevitáveis para a próxima legislatura, e que consequências isso trará para Portugal? Em nome do país e dos portugueses, a principal alteração inevitável é a da postura do PS que deve ter perdido a arrogância que lhe permitiu uma política quase que absoluta nos últimos 4 anos. Julgo que a partir daqui devemos viabilizar tudo o que possa ser lançado

pelo PS e que tenha semelhanças com as nossas propostas, mas devemos honrar o compromisso que o eleitorado assinou connosco ao não viabilizar propostas que não vão de acordo ao nosso caderno de encargos. Se o PS ceder, muito bem. Se não ceder, vamos ter dois anos difíceis porque não acredito que mesmo com grandes dificuldades o Presidente da República tome a iniciativa de dissolver o parlamento e por isso vão ser realmente dois anos de confusão que o país não está preparado para suportar. Eu julgo que o que as pessoas esperam do CDS é que obriguemos o PS a chegar-se a nós em algumas questões que para nós são fundamentais. Quer deixar alguma mensagem aos leitores d’O Jovem e aos militantes da JP? Tendo estado na fundação da JC não tenho dificuldades em falar da juventude e para a juventude. Estou naturalmente a falar daqueles que neste momento são os jovens populares da Maia, continuem com a sua actividade porque, vamos ser claros, as pessoas não se eternizam e, por exemplo, vejo com muito agrado na lista das legislativas no Porto um presidente da JP que acabou por ser eleito deputado. O importante é que continuem a desenvolver a sua actividade com a certeza de que com isto estão a ajudar o partido até para além das fronteiras do concelho da Maia. Se for eleito vereador na Câmara Municipal da Maia tenho a certeza de que vamos continuar a trabalhar muito juntos pois um vereador tem de trazer do gabinete para a rua as suas propostas e convicções e sei que para isso terei sempre o vosso apoio!

Espero que a JP Maia continue com a sua actividade porque, vamos ser claros, as pessoas não se eternizam e, por exemplo, vejo com muito agrado na lista das legislativas no Porto um presidente da JP que acabou por ser eleito deputado.


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c onv ida do d de hon ra

Do útil ao inútil António Vieira de Castro Presidente da Juventude Popular da Póvoa de Varzim

Útil (latim utilis, -e) adj. 2 gén. Que é necessário; que tem préstimo ou utilidade; proveitoso; vantajoso. Mas afinal, “que raio” é o voto útil? Dizem que é útil votar no PS ou no PSD. Então, eu cá sinto-me inútil… afinal, ser útil ou votar de forma útil é o quê? É quem votou em nós, lista A da JP Póvoa, no domingo 13? Sim, por acaso até é verdade, mas não é a isso que me refiro… falo em algo mais abrangente, mais incerto e ao mesmo tempo mais duvidoso em tempo diferente. Em tempo diferente porque se decide se útil é votar, apenas, ou se útil é votar em alguém. Dão-me o exemplo da senhora simpática de cor juvenil ou do senhor arrogante de cor rosada que, finalmente, a justifica, mesmo que artificialmente. Será útil votar neles? É mais útil votar em quem não tem soluções ou em quem fala mais do que fez – e mal - do que daquilo que quer fazer? Pois eu digo-vos: útil é votar em vocês mesmos, naquilo em que acreditam, no vosso futuro ou segurança e naquilo que falta para que sejamos um país melhor. O voto útil não pode ser acumulado, deve ser prestável e consciente. Eu acredito em mim. Acredito nas minhas convicções. Acredito nos valores política e economicamente liberais e socialmente conservadores. Creio na Democracia Cristã e não preciso de crer no “altíssimo” por isso. Acredito em Portas, no CDS. E por quê votar no CDS? Será útil? Não há nada mais acertado que largar as modas e decidirmos por nós próprios. Estou farto de ver trotskistas “armados” em fazedores de sonhos e abolidores de “rodeios”, nem que estejam só na cabeça deles, mas isso,

já toda a gente sabe s porquê. De “comunas” presos ao Passado e que calcam “replay” a cada ano que passa enquanto houver leitores de cassete. Estou cheio de ver um Bloco Central que não vai existir, porque já existe, sem ouvir a oposição, sem discutir, sem agir e que pensa mais m na “guerrilha política” do que nos reais interesses do país. Porém, não estou “pelos cabelos” de quem é Portas e se abre à mudança e à utilidade. Isso sim, meus amigos, é ser útil! É combater quem não quer trabalhar e está a prejudicar quem contribui ou o contribuiu. É lutar por mais segurança, seja quando dou à chave de casa ou

do carro, do emprego ou do “cofre”. É poder escolher a escola onde quero estudar. É acreditar em valores maiores sem medo e com orgulho. É acreditar que mesmo escondidas ou envergonhadas, onhadas, “há cada vez mais pessoas a pensar como nós”. LibertaLiberta te! Vota útil! Vota contra a inutilidade de quem insiste em errar continuamente. Não te escondas! Fala mais alto, fala por ti! Útil é votar! Votar em ti, por ti! Não queiras ser mais um que vota vot inútil. Inútil adj. 2 gén. Não útil; baldado. Infrutuoso; vão; desnecessário.

Útil Ú til é votar em vocês mesmos, naquilo em que acreditam, no vosso futuro ou segurança e naquilo que falta para que sejamos um país melhor. O voto útil não pode ser acumulado, deve ser prestável e consciente.


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op in iã o

H1N1: o “tapa-crise” “tapa Carlos Pinto Vice-Presidente Presidente da Juventude Popular da Maia

A Gripe A está por entre nós. Mas devemos nós ter medo? Será uma forma de entreter e esquecer a crise? Os poderes políticos manipulam-nos? O medo da Gripe A tem ganho adeptos de forma exponencial nos últimos tempos. O governo avisou-nos todo o verão dos perigos deste vírus. H1N1: até o nome parece assustar! No último dia 11 de Junho, a fase número 6 de alerta à pandemia foi activada pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Até os títulos da imprensa deram e continuam a dar a impressão de que o fim do mundo está para breve: “O vírus H1N1 viaja a uma velocidade incrível”, “ A Gripe A tornou-se no vírus dominante no mundo”, “ Previsão de dois milhões de Portugueses contaminados”. Tudo está a ser feito para que na rentrée, em Setembro, a população esteja

completamente formatada. Estratégia de comunicação amplamente conseguida, já que o “super “super-vírus” está nos espíritos de todos. Para tal, basta observar as reacções no metro quando um qualquer utente começa a espirrar. E a crise no meio mei de tudo isto? Quase que faz esquecer os necessários planos de combate à crise social ou a taxa de desemprego, por exemplo. A G Gripe A ofusca tudo o resto, porque o português enquanto bom individualista que é, preocupa-se preocupa mais com o seu umbigo, do que com o nervosismo social que se vive em Portugal. De facto, abordar incessantemente a Gripe A é um meio de desviar a atenção perante um outro perigo: a questão da crise social que atravessamos. Por outro lado e em sentido contrário, está também

Oxalá não se desvende daqui a uns anos que este vírus, afinal, possa ter algo em comum com os escandalosos e recorrentes ensaios clínicos que as indústrias farmacêuticas praticam em países com constrangimentos éticos e jurídicos menos rigorosos. Infelizmente e para mal de muitos, o desemprego vai resistir ao vírus!

montada toda uma estratégia mediática e política em torno deste medo para transmitir uma mensagem de segurança perante a alegada ameaça pública. Apesar de não se conseguir resolver o problema do emprego, uma coisa é certa: o Estado dá a impressão de estar atento à saúde dos cidadãos. Determinadas medidas foram tomadas. As vacinas estão prontas para cobrir uma parte significativa da população. Segundo a nossa Ministra da Saúde, Ana Jorge, numa primeira fase estarão disponíveis vacinas para 30% da população. Uma coisa me parece arece certa: é uma maneira de mostrar que mesmo num período de crise, o Governo está pronto a fazer qualquer coisa para as pessoas, transmitindo a sensação de que as controla, de que está atento. Mas a instrumentalização deste medo tem um preço. E certamente certame que a factura das vacinas irá atingir as várias centenas de milhões de euros, isto num período em que ainda se desconhece a perigosidade real do vírus. A preocupação com a gripe A é exagerada ou exageradamente pouca? Duas coisas parecem certas: a primeira é de que neste período de recessão económica algum laboratório da potente indústria farmacêutica descobriu uma nova oportunidade de negócio. Oxalá não se desvende daqui a uns u anos que este vírus, afinal, possa ter algo em comum com os escandalosos e recorrentes ensaios clínicos que as indústrias farmacêuticas praticam em países com constrangimentos éticos e jurídicos menos rigorosos. O segundo aspecto é de que, infelizmente e para mal de muitos, o desemprego vai resistir ao vírus!


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op in iã o

Um passo em frente (Parte I) Manuel Oliveira Presidente da Juventude Popular da Maia

O desconhecido é sempre o que nos faz pensar duas vezes sobre decisões difíceis que temos de tomar. Inerente a esta aborrecida realidade está o risco, o medo, por pouco sempre que seja, e os quase certos sussurros à orelha. Nada disto tem a ver com ausência de ambição ou vontade de mudar. Podemos ser ambiciosos e não ter o que é preciso para arriscar. Podemos ter vontade de mudar e não fazer a mínima ideia por onde começar a revolta. Uma coisa é certa: pensamos, e somos sempre capazes de cumprir os nossos objectivos, com determinação e vontade. A sorte andará pelo meio, para os que nela acreditam. Empreendedorismo é uma palavra, além de grande e feia, difícil de desdobrar e sinónimo de aplicações práticas de ideias, sejam elas inovadoras ou não. Empreender é fazer. Implica acção e como sempre um requisito mínimo, o sacrifício. Carece de vontade própria inicial, tem muitas vezes resultados imediatos, envolve e renova constantemente indicadores de motivação. É excessivamente gratificante se o resultado for o sucesso a todos os níveis, é demolidor de espíritos se algo corre mal. Pode ser aplicado em tudo na vida, em todos os momentos, em todas as situações. Está presente no nosso dia-a-dia através de acções simples ou complexas que impliquem mudança. E, como tantas outras coisas, vivemos com isto e não questionamos. Em consciência, a palavra é realmente feia e assusta, lembra acto heróico e repele. Ao “fazer com risco” propomos então outro nome ou simplesmente perdemos o medo? Não mudamos o nome e mantemos o medo.

Procuramos é um maior incentivo e clareza nos objectivos a alcançar. Não querendo parecer teimoso e tão pouco mais um crítico, entre muitos incontáveis, do que parece ser uma clara forma lusa de estar na vida a dizer que sim a tudo o que lhe é imposto ou sugerido, questiono-me questiono se a disposição dos portugueses para assumir o risco tem aumentado. É óbvio que não e ainda bem. É indesmentível que, exceptuando a época memorável dos Descobrimentos, Portugal, Po a par de muitos outros países de raiz latina, cresceu com base na mediocridade, na cópia fácil e ainda assim mal feita, num facilitismo sustentado por autoridades governativas irresponsáveis, de fraca visão estratégica e de planos de desenvolviment desenvolvimento sustentável tão teóricos que os seus resultados (não)

são comprovados neste presente. É por tudo isto que hoje temos um Governo socialista que fala, e bem, de “Empreender” e “Inovar”. Não podemos deixar de agradecer a este Governo as medidas brilhantes de incentivo ao risco, à iniciativa… privada. Sim, aquela que cria emprego e que gera riqueza, desenvolvimento e crescimento. E por muito que isto seja caro aos próprios defensores deste exemplar executivo, a verdade é que a realidade destas medidas são co completamente contrárias às respectivas campanhas de marketing em tons rosa e às habituais apresentações pomposas com cenários que transpiram empenho em soluções. Não conhecendo eu a preocupante realidade de quem quer no nosso país arriscar, até diria que finalmente fi demos um passo em frente…

É indesmentível que, exceptuando a época memorável dos Descobrimentos, Portugal, a par de muitos outros países de raiz latina, cresceu com base na mediocridade, na cópia fácil e ainda assim mal feita, num facilitismo sustentado por autoridades governativas irresponsáveis.


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op in iã o .

A primeira pandemia do século século Mariana Guedes Militante da Juventude Popular da Maia

O novo vírus da gripe, H1N1, é um assunto incontornável da actualidade mundial. Este vírus contém genes das variantes: humana, aviária e suína do vírus da gripe e é transmissível entre seres humanos de forma idêntica à gripe sazonal. A Organização Mundial de Saúde desconhece o local de origem do vírus, mas a verdade é que neste momento todo o mundo está em alerta para tentar travar o contágio. O facto deste subtipo do vírus da gripe ser novo, ou seja, nunca antes ter sido observado, leva a que não haja qualquer tipo de imunidade do ser humano para combatê-lo. Por esta razão o vírus pode causar mais infecções que a gripe sazonal, e

acabar mesmo por ser fatal, daí suscitar maior preocupação.

superfícies comerciais e as empresas superfície e entidades com grande número de

Em Portugal, o Serviço Nacional de Saúde tem-se mostrado, até ao

trabalhadores já adoptaram medidas preventivas. Também os

momento, eficaz na resposta à pandemia, contribuindo assim para

aeroportos dirigem especial atenção para os passageiros

retardar a propagação. Existe uma linha telefónica disponível, assim

provenientes de zonas de risco. Entretanto existe uma questão

como informação sobre as precauções a ter um pouco por

pertinente perante este cenário: os seguros de saúde contemplam as

toda a parte, designadamente em locais públicos. As pessoas mostram-

despesas derivadas de uma pandemia? Aparentemente a

se preocupadas mas também prevenidas e informadas, tendo

maioria não cobre esse tipo de despesa. Tal faz-nos faz pensar até que

agora cuidados redobrados de higiene e evitando gestos que

ponto estarão salvaguardadas em futuros surtos, as pessoas que

propiciem o contágio. Consequentemente, a venda de

confiam nos seguros de saúde para assegurar este tipo de situações.

desinfectantes disparou tanto nas farmácias como nas grandes

Outra questão que surge é se não estará o pior para vir? Quando as temperaturas descerem e a gripe sazonal se confundir com a Gripe A, e quando o número de casos de Gripe ripe A aumentar descontro descontroladamente, as pessoas tenderão a recorrer mais aos profissionais de saúde, haverá t ambém uma corrida aos medicamentos, na busca, tanto da prevenção como da cura. Nesta área há ainda que mencionar a tão falada vacina. Portugal já encomendou uma das vacinas

Outra questão que surge é se não estará o pior para vir? Quando as temperaturas descerem e a gripe sazonal se confundir com a Gripe A, e o número de casos de aumentar, as pessoas tenderão a recorrer mais aos profissionais de saúde, haverá uma corrida aos medicamentos, na busca, tanto da prevenção como da cura.

aprovadas a nível europeu, visando assim imunizar os grupos de risco, que não estão completamente definidos.

ainda

No panorama geral, a questão fulcral é se estará o nosso país preparado para organização e

uma constante ag agilização da

resposta à pandemia?


21 O JOVEM [Setembro2009]