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JOVENS

Nº5. SETEMBRO . 2014

TALENTOS

À CONVERSA

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JOANA ROCHA “

Pus-me de pé na primeira onda em que fui lançada e desde entã o nunca mais parei de Surfar.

PUBLICAÇÃO MENSAL ONLINE


DIRETORA

Karina Silva CONTEÚDOS E REDAÇÃO

Karina Silva FOTOGRAFIAS

Ana Pichel Angiogravity Catarina Guiomar Guilherme Mesquita Hugo Pais Joana Rocha Karina Silva CRÓNICAS

Ana Pichel Catarina Guiomar Catrina Silva Guilherme Mesquita Karina Silva Vera Silva DESIGN GRÁFICO E PAGINAÇÃO

AQUI TODOS OS TALENTOS

Karina Silva CONTACTO

geral.jovenstalentos@gmail.com

PODEM SER

NOTÍCIA! Publicação mensal online Número 5 | Setembro 2014

JOVENS TALENTOS magazine

2 Jovens Talentos Magazine

Partilhe connosco para o nosso email geral, histórias de JOVENS TALENTOS que pela sua capacidade e objetivo merecem ser divulgados no nosso magazine.


S umário CRÓNICAS Karina Silva

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Vamos todos ajudar? Vera Silva Manual de sobrivivência para gatas

Guilherme Mesquita

Queda Livre

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Catarina Silva Casa do Carmo

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Ana Pichel

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Desespero do Sono

Catarina Guiomar Abragão

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ENTREVISTA DE CAPA

Joana Rocha

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FOTOGRAFIA DE CAPA DE Joana Rocha

Primeira mulher surfista profissional em Portugal.

À CONVERSA Angiogravity Hugo Pais

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geral.jovenstalentos@gmail.com

Vamos todos ajudar? Este mês a Jovens Talentos abraça uma causa, A causa. Porque sou defensora dos animais e dos seus direitos, porque não aceito maus tratos sejam eles administrados a quem for, pessoas ou animais. Porque criei, eduquei, alimentei, acarinhei e amei muito o meu maior e melhor amigo, que comigo viveu e partilhou a sua generosa vida durante os últimos dez anos. Raça alaskan malamute, ameaçador só à vista pelo grande porte, meigo, divertido e generoso, são alguns dos adjetivos que o definem. Sou adepta da adoção com ponderação, tal e qual o lema da União Zoófila. Partilhar a vida com um animal, ou mais, se assim for possível, é a melhor das escolhas. Os animais de estimação, sejam cães ou gatos, dão mais do que recebem. A mim, ensinaram-me o que é verdadeiramente o amor, o amar sem maldade, sem grandes interesses, simplesmente amar. A companhia que nos fazem, nos vários momentos da vida, esses ficam gravados a ferro no nosso corpo e principalmente na alma. A minha alma está cheia porque o Fofo (o meu cão) assim a preencheu. O Fofo partiu no domingo passado e com ele levou a minha alegria. Perdi uma parte de mim que não vai voltar. Sei que a grande tristeza vai passar e permanecerá a saudade. Dei-lhe tudo o que pude, desde a alimentação, amor, muitos pa-

sseios e abraços. Sei que gostava de mim com a mesma intensidade que eu gosto dele. Ter um animal, é isto, é amar e ser amado, é não estar sozinho mesmo sem verbalizar qualquer palavra, está no olhar e nos movimentos tudo o que é preciso para se ser o melhor dos seres. Tinha eu 15 anos quando o Fofo me entrou pela casa a dentro e só no domingo saiu para não voltar, tenho agora 25 anos, mas sei que saiu com toda a paz e com o coração cheio, tal e qual como deixou o meu. Não deixem de adotar se tiverem possibilidades, quanto a prender a amar, eles ensinam. Sigo há muito a página da União Zoófila e mesmo não os conhecendo pessoalmente (equipa) sei que fazem um belíssimo trabalho, mas é sempre precisa mais uma mão, mais uma ajuda. Sejam sócios, apadrinhem ou simplesmente doem comida, cobertores ou o vosso tempo em voluntariado. Porque os animais também sentem como tu, como nós. A Jovens Talentos Magazine também é deles e para eles. Vamos todos ajudar?

DIRETORA


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Próxima aragem

REVISTA À CUNHA Casino Da Póvoa De Varzim - Salão D’ouro 13 Setembro | Valor: 10€

RITA REDSHOES “LIFE IS A SECOND OF LOVE” 27 Setembro | Duração: 1h30 s/intervalo | Valor: 12,50€ Casa da Música - Sala 2

PORTO LISBOA Fotografias partilhadas pelos promotores dos eventos.

TRIBOS Teatro Tivoli BBVA De 10 a 28 de Setembro Valor: 12,50€ a 27,50€

MÁRIO DANIEL - FORA DO BARALHO Duração: 90 min. s/ intervalo Entrada interdita a menores de 5 anos De 25 a 28 de Setembro | Valor: 8 a 15€ Teatro da Trindade - Sala Principal

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Manual de sobrevivência para Gatas Vera Silva, Gestora e Consultora de Imagem

Setembro? Já? Sim, já cá estamos…os shorts, as havaianas e o look beachwaves transformam-se na calça de vinco, nos saltos agulha e num cabelo coordenado, perfeito! Abrem-se as portas dos escritórios. das empresas e dos afazeres diários, rotineiros que nos afastam, talvez demasiadas vezes, daqueles cuidados que, Gata que é Gata, must have! Como voltar a um look Gata depois de um verão a relaxar nos tratamentos e a aproveitar o sol na esplanada, nas férias tropicais, no final do dia à beira-mar, no rio, na piscina ou até na varanda que se abre para o jardim? Gata cuida-te! Põe esse olhar felino nesses fios de cabelo e nessa pele bronzeada e ataca já! O cabelo está a precisar de um corte de pontas, de uma hidratação profunda e de cargas de queratina responsáveis por preencher a fibra e evitar o desgaste das pontas. Repõe o brilho, com shots personalizados e claro está, que um banho de cor vai reavivar os tons perdidos pela acção do sol e vai trazer de volta aquele cabelo luminoso, macio e deslumbrante a que estamos habituadas! Já para a pele o cuidado é outro. Muito importante, uma esfoliação corporal adaptada ao tipo de pele e uma hidratação profunda com óleos essências. O rosto rejuvenesce com uma Oxigenação recuperando dos danos provocados pelo sol. Se és uma Gata que gosta de manter o moreno o máximo de tempo possível,

há um troque que partilho convosco: juntem ao vosso hidratante habitual um pedacinho de autobrozeador, só mesmo um pedacinho e apliquem diariamente. Gata, por esta altura, estás hidratadíssima, com o cabelo fantástico, a pele num tom bronzeado luminoso e, por isso, só precisas de umas peças de roupa leves que mostrem a cor magnifica com que voltaste destes dias de relax! E, muito importante, cuidado com a maquilhagem! Um pó terracota, máscara de pestanas e um gloss são suficientes para realçar o rosto! Uma pele bronzeada, bem cuidada não precisa de mais nada! Regra número dois do Manual de Sobrevivência para Gatas, retomar a azafama de cuidar dos filhos, da casa, de retomar o emprego, de aturar o chefe mas nunca esquecer que temos de nos cuidar primeiro, porque um look Gata deslumbrante vem sempre acompanhado por um bem-estar que derruba muralhas!


NÃO COMPRE. NÃO ABANDONE.

Adopte com responsabilidade e ponderação! www.uniaozoofila.org

Donativos - 0033 0000 0058 0204 223 56 Número solidário - 760 50 10 15 Lojinha de apoio aos animais da U.Z www.somosporeles.com.pt

E-Mail: uniaozoofila@gmail.com Rua Padre Carlos dos Santos (Traseiras da Igreja das Furnas) S. Domingos Benfica, 1590-901 Lisboa


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ONVERSA

ENTREVISTA DE CATARINA SILVA

FOTOGRAFIAS DE ANGIOGRAVITY

Guilherme Aresta Daniel Carvalho Miguel Ferreira

Kim van der Heinden Raquel Almeida Pedro Granja

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Como surge a ideia do projeto angiogravity?

ular a alterações da gravidade. Os astronautas, por exemplo, perdem grande parte da sua massa óssea após uma estadia prolongada no espaço e têm também alterações noutros sistemas como o cardiovascular. A nossa ideia, no entanto, é olhar para o outro lado da questão, a hipergravidade: vamos estudar o comportamento de células endoteliais que vão ser sujeitas a forças equivalentes a 3 e 10 vezes a gravidade na terra e vamos tentar descobrir que alterações é que acontecem ao nível celular, quer na morfologia das células, quer na sua capacidade de formar estruturas semelhantes a vasos sanguíneos quando colocadas num ambiente tridimensional.

Em Maio de 2012, eu, o Daniel e o Guilherme tivemos a oportunidade de visitar o Centro Europeu de Astronautas da Agência Espacial Europeia em Colónia, na Alemanha. Penso que foi aí que nos apercebemos realmente da quantidade e diversidade de investigação desenvolvida no espaço na área das ciências da vida. Foi também nessa altura que ficámos mais alerta para as oportunidades para estudantes oferecidas pela ESA. Eles realizam anualmente uma série de programas exclusivamente dedicados à realização de experiências desenhadas por estudantes e é aí que o Spin Your Thesis se insere. Quando decidimos participar, sabíamos A estimulação de que queríamos realizar algo relacionado com biologia humana. Sendo a área células com gravidade da medicina regenerativa um dos nosalterada parece-me sos interesses, reunimos com o prof. Pedro Granja, coordenador científico do INEB, algo promissor para o que já realizou vários trabalhos com célu- campo da engenharia las endoteliais (que constituem a camade tecidos e medicina da interna dos vasos sanguíneos) e que regenerativa.” nos sugeriu o estudo de angiogénese direcionada para medicina regenerativa. Ele sugeriu-nos também a adição da Que resultados esperam Raquel à equipa. Ela realizou a sua tese obter? de mestrado sob a orientação do prof. A nossa experiência está dividida em Pedro Granja e tinha já experiência de duas partes: Em primeiro lugar, iremos estudar o que acontece às células entrabalho com células endoteliais. quanto estão sujeitas a hipergravidade Em que é que consiste? e de seguida iremos observar as conSabe-se que o corpo humano reage à sequências de uma pré-estimulação com ação de forças mecânicas e em partic- hipergravidade e retorno à gravidade


normal da Terra. A nível de resultados, esperamos que haja diferenças, quer a nível morfológico, quer a nível da capacidade de formação de vasos. Estamos especialmente curiosos pelos resultados da pré-estimulação das células, já que poderão eventualmente abrir novos caminhos para o desenvolvimento de novas terapias na área da medicina regenerativa.

O vosso projeto foi selecionado de entre centenas de candidaturas ao programa Spin Your Thesis! 2014. Quais são as características que acreditam serem decisivas para esta escolha? Em primeiro lugar, penso que deve ser algo com alguma inovação em comparação com aquilo que já foi feito. No entanto, acredito que o ponto mais decisivo talvez seja o facto de ser algo compatível com todas as restrições que estão associadas à utilização da Large Diameter Centrifuge, a centrífuga que iremos utilizar para simular hipergravidade nas instalações da ESA.

Na prática, onde acreditam ser possível chegar com o desenvolvimento do vosso projeto?

medicina regenerativa. No entanto, este conceito está ainda muito pouco explorado e por isso esperamos que o nosso trabalho possa contribuir para aumentar o conhecimento nesta área e eventualmente dar origem a novas terapias.

Em Setembro começa a vossa aventura no Centro Europeu de Tecnologia e Pesquisa Espacial (ESTEC) na Holanda. Foi necessária alguma preparação técnica para poderem abraçar esta experiência?

Ao contrário da Raquel, eu, o Daniel e o Guilherme estamos a trabalhar com células endoteliais humanas pela primeira vez, pelo que tivemos que aprender como o fazer. Relativamente à experiência em si, tivemos que desenhar algo que tivesse em conta as características do equipamento que iremos utilizar na Holanda. Toda a preparação foi realizada no INEB, assim como a futura análise de resultados.

Quais as vantagens de desenvolverem este projeto no ESTEC?

Penso que as maiores vantagens são a possibilidade de trabalhar com pessoas altamente qualificadas e especializadas em estudos em hipergravidade e o facto A estimulação de células com gravidade de termos disponível para nós a Large alterada parece-me algo promissor para Diameter Centrifuge, a centrífuga da o campo da engenharia de tecidos e ESA com oito metros de diâmetro, que


consegue simular hipergravidade até Penso que a possibilidade de dar con20g e que é compatível com a nossa tinuidade à experiência está dependente dos resultados que obtivermos e da experiência. Tendo em conta o tempo disponibilidade dos laboratórios, já que reduzido para a realização para eventuais futuros trabalhos em hipergravidade será necessário utilizar nodesta experiência no ES- vamente equipamento específico que TEC, pretendem dar-lhe não está disponível em Portugal.

continuidade em Portugal? Acreditam que esta oporAs restrições de tempo são de facto a tunidade possa influenciar maior limitação para a nossa experiên- o vosso futuro profissional? cia. No entanto, como apenas conseguimos simular hipergravidade no ESTEC, tivemos que adaptar o nosso trabalho a essas condições. Assim, quer a preparação, quer a análise de resultados serão tanto quanto possível realizadas em Portugal.

Penso que sim, já que estamos a trabalhar com a ESA e com pessoas de vários países diferentes e a área da investigação em gravidade alterada está a crescer e parece-nos muito promissora para realizar novos trabalhos no futuro.

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QUEDA LIVRE A caminho! Cinco minutos – nem isso – vão da minha casa ao likes no Facebook. 105. (Sim, eu sei que sou vazio). destino, no meu Peugeot Lapatte de 25 anos. Ainda assim, bes- É certo que o meu ano tem sido um chorrilho de quedas livres, ta mimada que sou, dou por mim a bufar na rua quando sou numa sucessão tão alucinante e disparatada que ainda não bloqueado por uma bisarma enchinelada munida das compras tive oportunidade séria de estimar os neurónios que deixei do mês. pelo caminho. Há uma nova pessoa a surgir deste festival múlVou ser sincero: viajar nos transportes públicos faz falta ao meu tiplo de experimentação masoquista portanto, e já sabemos egozinho de menino. Levar com um metro apinhado, barulhento que não é mais inteligente. Surpresa, surpresa: foi quando e ensovacado ao sobreviver à típica e desgastante contagem partiram de casa para Santiago de Compostela que os dois decrescente para o miserável destino! “Olha que bom, já só Guis conversaram. Chamem-lhe o que quiserem: tico e o teco, falta uma hora e quinze...” Preciso de um Eu ensonado, suado ying e yang, meio-cheio e meio-vazio – mas que eles andaram e irritadiço a fazer inconformada parte dos intestinos de um à batatada como o Batatinha e o Companhia, andaram. Só autocarro do Porto, que deglute gente viva, a abana diges- um dos palhaços voltou vitorioso. Diz-se que após a batalha tivamente, e depois vai processando-a para fora da porta campal, o sobrevivente cheirava a morto, tinha pernas e pés aos grupos homogéneos de três. Umas vezes os ingredientes num oito, barba de pirata e três quilos a menos. Náufrago da que come dão-se mal, outras vão sendo resignadamente moí- civilização, trapo de ser humano, vivera dez infindos dias à dos nos sucos olfactivos e auditivos, e quando o autocarro deriva numa peregrinação da alma, enfrentando chuvas, sóis come demais, qualquer curva é problemática – e até se dá o e maus cheiros, munido apenas do essencial à sobrevivência – caso de vomitar passageiros rabugentos pela porta da frente. mochila, cartão bancário, e telemóvel. Seta amarela após seta Velhas, mancos, adeptos, acólitos! Sai-lhe de tudo! Posso não amarela, Espanha após Portugal, eu e os dois macacos dos nutrir saudades românticas daqueles tempos, mas como um meus conhecemos ene criaturas. Duas alemãs simpatiquíssimas estremunhado peixe que sucumbe ao choque de duas águas de Hamburgo; duas checas – uma que gostava das subidas e distintas, sinto necessidade dessa descompressão matutina. outra que gostava das descidas; italianos até dar com um pau O mundo, tal como eu o conheço, é uma tapeçaria desele- e tugas ao pontapé; um alemão de 80 anos chamado Bruno, gante de destinos de outras pessoas. Porém, e por incrível engenheiro-arquitecto-clarinetista que já percorrera a Europa que pareça, a malha da variedade chama-me com força. O em digressão na sua banda de dixie-jazz punk. Um velhote entrecruzar das linhas faz em mim uma comichão selvagem, suíço grisalhóide que caminhava há três meses seguidos! Este impossível de ignorar. Sinto cada vez mais necessidade da ex- extraterrestre partira de casa, e após Santiago descia para perimentação imprevista, do processo de me perder em algo Fátima, fresco como uma alface, o que contrastava em tudo que não domino, e após todo o desconforto subjacente, alar- com a nossa aparência de marroquinos em estado vegetativo. gar um pouco o meu círculo de ignorância. A título de exemplo, Das duas uma: a besta tinha uma reforma abonada, ou mais há pouco mais de um mês mandei-me de um avião a quatro buracos no casamento que um queijo da terra dele. Bem, chequilómetros de altura. Artilhado num sujeito (que nem me che- gar ao destino foi tão anticlimático como um bota-fumeiro: a gou a pagar uma bebida), subi contente numa avioneta Play- verdadeira aventura fez-se nos 216 quilómetros prévios. Nisto, mobil amarela – para me projectarem no vazio como se caísse os restos de mim viram-se em casa horas antes de picar o na minha estupidez. Gritei como um parvo, de cara disformada ponto. Abananado, manquei pela Póvoa durante dias, deampelo ar, ao ultrapassar os limites de velocidade e demência. bulando entre manadas de veraneantes, até cair numa infeliz Abriu-se o anjo-da-guarda – exercendo uma enorme pressão realização. Tinha de me fazer ao caminho outra vez – e tão no meu departamento Pró-Futuro – e depois de umas voltinhas cedo quanto possível. perpendiculares ao chão, senti o almoço a querer fugir-se-me para a troposfera bracarense. Aguentei-o, como um homem! Guilherme Mesquita Já no solo, tremiam-me os joelhos, eu mais branco que cal albina. Finda a brutalidade, entre dois M&Ms de sabor de guismesquita@gmail.com reabilitação, apercebi-me do quanto o meu cérebro precisava do tratamento caipirinha. A recompensa da adrenalina trazerme-ia frutos, logo a começar pela autoestima, gabarolice, e


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Entrevista de apa

ENTREVISTA DE KARINA SILVA FOTOGRAFIAS DE JOANA ROCHA

JOANA ROCHA

Olhando para trás acho que o maior feito foi ter sido a primeira surfista profissional em Portugal.”

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Como surgiu o surf na tua O Surf deu-me tudo o que tenho. As viagens que fiz pelo mundo, o conhevida? Lembro-me que foi a minha irmã Rita que me incentivou a surfar, pois ela fazia Bodyboard e queria companhia para se divertir dentro de água. O meu primeiro contacto com uma prancha de Surf foi na Ericeira aos 14 anos, na praia do norte, em frente à casa dos meus avós. Com ajuda de um amigo numa prancha “Semente”, pus-me de pé na primeira onda em que fui lançada e desde então nunca mais parei de Surfar.

cimento que adquiri nessas viagens, o modo de vida saudável, as pessoas que conheci, o trabalho que tenho e muitas outras alegrias. Na balança pesam mais as coisas positivas do que as negativas. Não penso nas coisas que perdi. Valorizo as que ganhei!

Desde cedo que sonhei tornar-me profissional de surf. Quando comecei a competir não havia surfistas profissionais femininas. Teimosa e objectiva como sou, sabia que um dia ia conseguir esse objectivo… esforcei-me por fazer um bom trabalho quer em competição, quer em free surf, tirei ideias de outras modalidades e fiz um trabalho muito completo, nada igual ao que tinha sido feito até então no surf. Em 2004 fiz o meu primeiro contrato profissional com a marca que me patrocinou durante 10 anos, e a partir desse ano foi possível dedicar-me ao Surf com mais regularidade, com treinador e preparador físico pessoal, e assim melhorar os meus resultados. E assim foi até 2012!

petição em que vivi momentos fantásticos, muito marcantes como pessoa e atleta. Uns mais altos outros mais baixos, com mais ou menos motivação, uns mais divertidos outros menos, mas ter tido a oportunidade de ser surfista profissional foi um sonho tornado realidade!!!

Foram 18 anos de surf e competição, de histórias e momentos vividos, muitas competições, viagens, Qual foi a motivação para como descreves todo o teu seguir profissionalmente percurso? este desporto? Para trás ficaram muitos anos de com-

Qual é a importância do Surf na tua vida?

Ser surfista é ser-se para sempre surfista? Ser surfista é uma atitude.

Depois de te teres retirado das competições, o que sentes mais falta? As competições foram muito importantes na minha formação, quase não me lembro de mim sem competir, mas agora estou bem sem a pressão da competição e a adorar as sessões de free surf.


Foi difícil tomar a decisão deiro paraíso na terra. de parar com as com- Foste a primeira mulher petições? surfista profissional em Depois de ter sido Campeã Nacional Portugal, como foi quebrar em 2009, senti que estava preparada essa “barreira”? para abandonar a competição. Estava realizada profissionalmente e feliz por ter traçado o meu caminho com muita dedicação durante 18 anos. Em 2010 comecei a pensar em parar de competir mas os compromissos com os patrocinadores aconselhavam a continuar. Acabei por competir por mais 3 anos, onde tive imenso gosto em partilhar as ondas com a geração mais nova que agora está muito motivada e a surfar muito bem.

O facto de ter acreditado que era possível ajudou a quebrar uma barreira que afastava as mulheres do profissionalismo. A consequência mais significativa, na minha opinião, foi a evolução do surf feminino para os níveis de performance que hoje as nossas surfistas estão a mostrar nas competições nacionais e internacionais.

De todas as competições em que participaste, qual aquela que destacas e Já conheceste vários locais porquê? do mundo, surfaste muitas Alguns resultados que obtive foram ime distintas ondas, conseg- portantes, como os títulos nacionais de ues destacar o melhor lu- juniores e profissional, 16ª do mundo no ISA World Surfing Games, 3ª da Europa gar para surfar? Já tive a oportunidade de surfar nos sítios mais bonitos do mundo, é um privilégio ter tido essa experiência! Visitei o Hawaii, Tahiti, Indonésia, Austrália, Maldivas, Sri Lanka, Brasil, Perú, Costa Rica, México, Estados Unidos da América, Argentina, Caraíbas, África do Sul, Moçambique, Angola, Inglaterra, Jersey, França, Espanha, Cabo Verde, S. Tomé, Canárias, Açores, Madeira e Marrocos. De todos os sítios que visitei a Indonésia foi a que mais me impressionou! Pela cultura, pessoas, paisagens é um verda-

no Eurosurf mas olhando para trás acho que o maior feito foi ter sido a primeira surfista profissional em Portugal.

Que conselho darias aos jovens que sonham seguir o surf como profissão? Como noutras coisas na vida, é preciso dedicação e determinação para perseguir os nossos sonhos.


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Entrevista de apa


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O mar tem escondidos vários perigos, já passaste por algum momento mais marcante dentro do mar? Não tenho traumas ou outras experiências negativas marcantes. Pela positiva, agrada-me saber que foi no Surf que estabeleci as melhores amizades que tenho. Felizmente nunca me senti numa situação de risco de vida, mas já passei algumas dificuldades. A última de que me lembro foi quando acabei uma onda demasiado perto das rochas e fui atirada para cima de uma pedra. Para sair tive que dar um salto e acabei por ter que levar 8 pontos num calcanhar. Acontece.

lidades e contribuir para que as suas férias sejam inesquecíveis e a sua experiência no surf bem sucedida.

A Ericeira é detentora de excelentes atributos para o desenvolvimento da modalidade, quais são essas características diferenciadoras?

Num pequeno espaço de 7 km de costa, rebentam na Ericeira algumas das melhores ondas da Europa. Temos ondas para todos os níveis, deste fundos de areia a fundos de rocha, todas elas muito bonitas, agradáveis de se visitar, e são um património natural de valor incalculável. O título de Reserva Mundial de Surf conseguido pela Câmara Municipal de Mafra pode ajudar muito a preservar este património.

Profissionalmente estas ligada a um novo projeto, Chill In Ericeira Surf House, em que consiste e O lado profissional ligacomo surgiu na tua vida? do ao surf interveio cerEm 2013 deixei de competir porque me tamente em muito na tua envolvi com outro projeto que me real- vida pessoal, exigindo izou mais como pessoa ao qual decidi uma disciplina em vários dedicar-me a 100%. sentidos. Quais os hábitos Abri um hostel na Ericeira com o nome de “Chill In Ericeira Surfhouse” juntam- que adquiriste por estares ente com dois sócios, Daniela Macha- ligada a um desporto de do, a artista e decoradora do espaço, e competição? Edoardo Cavarretta, um surfista italiano que se mudou para a Ericeira. Começámos este projeto no verão de 2013 e estou totalmente dedicada a receber pessoas de todas as naciona-

Acredito que as duas partes tenham sempre complementado. A minha personalidade determinada (teimosa) terá contribuído para o que consegui em termos desportivos. No outro sentido,


aquilo que fui conquistando, terá também moldado a minha forma de estar na vida e, quem sabe, a minha personalidade.

Quais são os objetivos para o futuro? Neste momento estou empenhada no meu projeto atual, mas assim que puder vou regressar à Indonésia em busca de ondas tubulares.

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CASA DO CARMO

A partir de hoje os jantares de amigos, de família ou mesmo de trabalho terão um novo ponto de encontro: a Casa do Carmo. Apesar de escondido na Travessa do Carmo, mesmo no centro da Invicta, este restaurante de tapas vai fazer as delícias a quem gostar de uns bons petiscos acompanhados por um generoso copo de sangria. O local é acolhedor, com um estilo bastante clean, onde a simpatia dos empregados é realmente um dos pontos fortes da casa. Normalmente, as casas de tapas são conhecidas pela sua razão desproporcional entre preço e quantidade, no entanto na Casa do Carmo isto não se verifica. O menu inclui os petiscos, sobremesa, bebi-

das e café. A degustação inicia-se por uma tábua de queijos e enchidos, moelinhas, rojões, entre outras iguarias, passando depois para um arroz de enchidos soberbo e de deixar água na boca e terminando num bolo de chocolate com uma redução de morangos divinal. Aconselho a provar as excêntricas sangrias de pepino e a de melancia que fazem as delícias aos mais curiosos. É ainda de salientar que este restaurante recebeu recentemente o prémio de melhores moelas da Rota das Tapas, por isso não se esqueçam de as provar! Preço médio: 20€ Chef:

S A H L O C S AS Ed a C a t a r i n a


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PAIS ENTREVISTA DE Karina Silva FOTOGRAFIA DE Hugo Pais

Receber um elogio de quem admiramos é sempre excelente, receber um elogio de um dos fundadores da Apple que admiramos é ainda melhor!”

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Foste considerado o rapaz de ouro do design 2014 (pelo site francês onlyfootball.fr), o que sentiste no momento em que recebeste a notícia? Foi uma fantástica notícia para mim, é ver o meu esforço e trabalho ser recompensado internacionalmente. No entanto, não me gosto de sentir “o rapaz de ouro do design”. A diferença dos muito bons para os menos bons vê-se nos trabalhos e não pelos títulos atribuídos, e para mim o nome que me apelidaram, apesar de importante, não é representativo de nada.

Ser designer para mim é ser diferente. É ver o mundo de uma forma diferente do resto das pessoas, é reparar em pormenores, apanhar o máximo de informação visual e transmitir um estilo de vida em cada trabalho realizado.

Depois de terminares a tua formação em design gráfico, foi fácil a transição para o mundo profissional?

Na verdade essa transição não existiu. Desde o meu primeiro ano de curso que iniciei a minha atividade no mundo profissional e desde então tenho trabalhado como freelancer. Apesar da excelente Como surge o design na tua preparação que o Colégio Internato dos Carvalhos me deu tanto para o mercavida? O Design na minha vida surgiu desde do profissional como para a vida, eu já muito novo. Inicialmente comecei por de- tinha dado o salto antes do habitual. senhar muito, ainda em criança, via os Neste momento tens um ledesenhos animados na TV e gostava que de projetos desenvolvide tentar desenha-los por mim mes- dos em volta do futebol e dos mo. O gosto pelo desenho manteve-se jogadores, como surgiu o pricomo passatempo preferido e com a meiro projeto no futebol? introdução do computador as minhas O primeiro projeto talvez tenha sido atenções eram agora repartidas. Ainda para o clube russo de Futebol, FC Andurante o ensino básico, frequentei um zhi. Após contacto de minha parte oferecurso extracurricular de informática que cendo os meus serviços para aumentar incluía o ensino de Adobe Photoshop. Já o meu CV, iniciamos trabalhos e a partir no final do ensino básico, quando tive daí fui valorizando o meu nome enquannecessidade de escolher um curso seto designer. Entretanto fui expandindo o cundário, vi os meus dois passatempos meu CV e foram surgindo novos clientes. favoritos num só curso, Artes Gráficas (Desenho + Design), onde aprofundei os Sentes que foram esses promeus conhecimentos e aprendi o verda- jetos que te ajudaram no audeiro conceito do design. mento da visibilidade na-

O que é para ti ser designer? cional e internacional do teu


trabalho e do teu nome?

Penso que a visibilidade que tenho hoje é pelos meus projetos mais recentes e não pelos projetos iniciais. A visibilidade internacional é resultado de muito trabalho de minha mão. Quanto à valorização do meu trabalho e do meu nome devese muito ao meu principal cliente David Luiz, jogador internacional brasileiro que representa o Paris SG.

Como te surge a inspiração para criares um produto gráfico?

designer. Vejo o Sr. Ronald Wayne como um exemplo de sucesso a seguir. Receber um elogio de quem admiramos é sempre excelente, receber um elogio de um dos fundadores da Apple que admiramos é ainda melhor!

É fácil ser-se designer em Portugal? Gostaria que a minha opinião pessoal fosse positiva mas não é o que transmite o meu pensamento. Cada vez mais considero muito complicado ser designer em Portugal, grande parte da população não sabe o que é design e temos muito pouco mercado.

É tudo muito relativo mas a inspiração acaba por surgir naturalmente. Posso passar horas e horas para conseguir ter Tens alguma empresa ou mara “tal ideia” como pode surgir em pou- ca para a qual gostarias muito cos minutos.

Tens sido bastante reconhecido pela imprensa, com 19 anos como se gere o mediatismo crescente? Como já referi, não me considero mais que ninguém. Não me dou por satisfeito com o que consigo e quero sempre mais, nunca me sinto superior a ninguém e tento sempre continuar a minha vida, sempre com os mesmos objetivos, independentemente do mediatismo que possa estar a gerar.

de criar uma campanha publicitária?

Gostaria imenso de trabalhar para o meu clube de coração, o Futebol Clube do Porto.

Ainda és muito jovem, com um futuro profissional a começar agora, quais são os teus sonhos para o futuro?

Os meus “sonhos” para o futuro passam por trabalhar apenas a nível internacional, para grandes entidades e ser Foste elogiado por Ronald G. reconhecido por isso. Gostaria de ser Wayne, um dos fundadores exemplo e inspiração para outros. Nunca considero um sonho o que quero da da Apple Computer, como reminha carreira profissional, vejo-os semcebeste esse elogio? pre como objetivos de vida. Provavelmente foi um dos pontos mais altos da ainda pequena carreira enquanto


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Desespero do Sono Vi muitas vezes, no desespero do sono, a capacidade de me atormentar pelo infinito do céu. Mais precisamente do tecto. Há coisas que se mexem a meu lado, coisas que morrem para sempre e que eu jamais pude experimentar. Morreu-me todo o meu passado, como vai morrendo o minuto que foi. Abre-se um fosso no telhado e perco o sono. A dois passos de cair no abismo sinto o medo que gela a espinha. A certeza irremediável de aqui não voltar para sempre. Ou a natureza de me dissipar em cinzas e de vir a ser do chão. Se me amargar a boca por tudo que não disse, ou se as fotografias de mim forem para atiçar a fogueira. Se a existência passar por isso mesmo, por ser do tempo enquanto existo e não porque o tempo me abraçou. Se me escolheram para nascer. Rompe-me um egoísmo impagável. A vontade mórbida de não ter laços só para não os poder quebrar. De não ter que amar só para conhecer a perda. Cresce-me medo nos órgãos por vê-los definhar. Pode ser que um dia o meu estômago se revolte e

me mate. E vou ter que ficar por ali a vêlo definhar-me; a pensar no tamanho da eternidade e nas vidas que virão depois da minha. Se eu terei memória de mim própria. “Muito cedo na minha vida foi tarde demais.” Ainda que mal, gosto dos miseráveis, não têm nada a perder. Ana Pichel http://indiewood.tv/videos/6/205/showreel-2013#.U4uOrZRdUWl


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“Abragão” - Por Catarina Guiomar Jovens Talentos Magazine

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Jovens Talentos N5  
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