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Livro Três


As Primeiras Aventuras de Jack Jones - DesĂŠrtica

Agradeço a Luciana, que sempre acreditou que isso tudo tornaria realidade


As Primeiras Aventuras de Jack Jones - Desértica

À tarde nublada daquele dia deixava o ar respirável no Paquistão, não era preciso o nariz de turco para respirar sem o toque árido do Oriente. Jack Jones lanchava sem fazer esforços para fazer descer a comida goela abaixo. Não tínhamos presunções para nenhum mistério a resolver e tudo que nos restava era apreciar o resto do dia na cidade. Na última desventura na Grécia, Jack não queria recordar, a emboscada o deixava muito calado desde quando descobriu o tesouro no Egito. Vou relatar os motivos que nos levaram para a terra quente daquele país em crise de guerra. Na Líbia, fomos servir ao exercito americano, nossa tropa subiu um largo desfiladeiro e fomos abordados por tropas inimigas. Fomos um dos únicos sobreviventes do ataque que deixou muitos de nossos companheiros com a má sorte de serem levados à morte. Quanto a língua ligeiramente ágil e estupidamente enrolada não foi problema para Jack e a mim. Fez-me estudar todos os dialetos antes de sermos enviados àquele distante país. Ficamos dois dias sendo mal alimentados em um forte em meio do deserto que esgotava nossas energias de nova-iorquinos. Descobriram-nos com muita facilidade e Jack foi levado pelos homens de turbante na cabeça. Fiquei por dois dias naquele infernal calabouço que deixou com seqüelas de tremendas dores na coluna. Até que na noite seguinte escutei tiros e explosões e minha própria cela se desfaleceu em estilhaços de pólvora e pedra, fazendo a areia entrar e impregnar em minhas fossas nasais. Destrutivo. Como sempre fora, Jack era o responsável pelo tumultuo descrito nas últimas quatro linhas anteriores do texto. Senti uma mão puxarme pelo braço e me levar com sigo. Na hora não vi o rosto, mas sabia que pelo apertão era meu amigo. - Desculpe o atraso, não pense que é fácil realizar um motim em meia madrugada. O dia estava para amanhecer e o homem de poucas palavras me entregou a arma e saio atirando. - Tem um rio a duas horas daqui. - Mas como sairemos daqui? – Foi só eu falar. Jack não me surpreendia mais com seu tempo extremamente sistemático onde tudo sem exceções acontecia sem ter imprevistos. Um Jipe americano parou em minha frente e subimos sem hesitações. Tempo depois estávamos fora do forte e Jack me explicou os ocorridos dos dois últimos dias que fique em claustro repentino. - Me descobriram com muita facilidade. Já era intenção a minha captura imediata. Nossa tropa foi levada para o norte e estão presos e serão deportados em cinco dias. O Grão Vizir esta atrás de um tesouro, um ídolo marroquino perdido na índia. Mas pelo que sei este mesmo ídolo foi leiloado

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para um xeique da cidade de Agdá Abashi que fica a três dias daqui. O Grão Vizir insistiu que eu o levasse para a índia e roubasse o ídolo. Disse que não iria, mas ele me fez excelentes propostas para me convencer. Mulheres e dinheiro foram adicionados ao meu ego extremamente exigente. Uma das odaliscas emprestadas para meus dois dias de marajá era de descendência de uma religião crente no ídolo de Aba Durrá, ou melhor, o ídolo que foi leiloado para o xeique. Sabendo de tudo isso, procurei quem queria. Trinta homens descendentes das tribos de adoração deste mesmo antigo ídolo. Prometi a eles encontrar o ídolo e entregar a seu santuário. - Deve ter tido tempo suficiente para planejar tudo que precisava para estender a trama, não é meu amigo? – Disse a Jack sorrindo. Ele apenas acenou com a cabeça e eu esbocei o meu pensamento. Era mais uma aventura em frente. O jipe, americano, nos deixou na casa de um senhor muito amistoso que nos deu todo o conforto em troca de nossa jornada. Jack não e disse o resto do plano mas eu tinha tudo em mente praticamente registrado. Se eu realmente o reconheço ele não ira entregar o ídolo a ninguém, irá na realidade, levar tudo para outra pessoa que ainda não estava desenhada em minha mente. Já sabia que iríamos escapar junto dos soldados que seriam deportados da cidade ao norte daquele país. Passamos a noite no deserto protegido por rochas grotescas das terras secas e irrespiráveis. Na manhã seguinte tinha areia em meu corpo até onde menos esperava aparecer. Saímos logo de manhã e fomos para a cidade Agdá Abach uma cidade de comerciantes ilegais de armas e pertences de todos os tipos que pudessem encontrar. A casa do xeique não era nada difícil de enxergar. Fato. Fomos direto a fonte de nossas ações. O xeique fez questão de pro seus homens cercando entrada e saída e todos os acessos do palácio. Mas fomos pela porta da frente e de caras limpas. Apresentamos-nos por quem nós éramos, faltava apenas esboçar na cara dos guardas nossos documentos pessoais. Entramos facilmente sem sermos acompanhados por ninguém. Conosco estava a odalisca que dormiu com Jack nas noites de “prisão” no forte militar. A bonita moça estava ali ara supervisionar o nosso trabalho que não tinha nada de profissional e sim cheio de improviso vetorial. - Sejam bem vindos meus visitantes! – Dizia o gorducho em sua grã poltrona de ouro – Que trás a visita de você senhor Jack Jones e companheiros? - Vossa majestosidade. – Disse Jack, com ares de ironia na língua do povo que abita o Oriente. – Vim aqui para pegar algo que não pertence ao senhor. – A odalisca fora de seu expediente me olhou com a cara de espanto da cara de pau de meu amigo.

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- Veio no lugar errado meu amigo explorador, pois aqui, neste palácio não existe nada que não seja meu. - Refiro-me a algo que posteriormente tornou-se de sua pessoa que anteriormente não lhe era de posse. – Jack refrescou a memória do homem gordo no trono de ouro. O xeique chamou o serviçal dando-lhe alguma ordem que deveria ser comprida em algum outro lugar sem ser ali perto. E respondeu ofensivamente de forma camuflada. - Desconheço de que tem o interesse, mas se aceitar passar essa noite conosco seria algo muito interessante. E sei que um homem como o senhor não recusaria proposta como a minha. - Claro que não senhor. Mostre-nos os aposentos para seus hospedes singelos. Foi feito desse modo, ficamos em quartos separados por sexo. Eu e Jack em um e a odalisca em outro na frente de nosso. Jantamos exurbetantemente como um abade gordo beberrão. Fomos para os quartos depois de duas horas de conversa na mesa gigantesca. E nos quartos percebi o porquê de Jack aceitar ficar nos quartos de hóspedes do palácio. Era fato de que existiria alguma passagem por ali e desperdiçar um passeio noturno seria uma afronta as leis seguidas pro Jack. Era parcialmente escuro o lugar e percebemos que seriamos degolados se ficássemos no quarto. Logo depois de sairmos pelo corredor entraram no quarto da amante dançarina da noite e o som característico de faca mais pescoço foi ouvido. Entraram em nosso quarto logo em seguida e não pensei duas vezes em sair por ai na companhia de meu amigo. Escolhemos um dos quartos e esperamos. Jack não lamentou a morte da nossa companheira dos véus, uma vez que sabia que ela nos mataria assim que estivéssemos com o ídolo. Descemos após um tempo para o salão do jantar, ali estávamos longe de todos que resolveriam nos atacar. Entramos na cozinha e Jack propôs uma caçada por uma passagem escondida. Escutamos barulhos no salão e saímos por debaixo de dois engradados que escondiam o alçapão que previamente procurávamos. Não fomos seguidos. Descemos por uma escada estreita e escura. Não tinha idéia nenhuma de onde iria parar, mas acompanhei meu amigo por todo lugar que estava disposto a seguir. Saímos em outro salão inferior com exatamente o que procurávamos o salão do ídolo. Mas como meu amigo sabia que era aquele o caminho que daria no lugar que queria? Não hesitei em preocupar com a pergunta, sei que posteriormente me diria e esclareceria os detalhes para o meu entendimento. Fomos surpreendidos como de costume pelos homens do xeique e pelo próprio. - Não perdeu tempo de fato não é. Tinha a certeza de que o Grão Vizir lhe enviaria de novo para me apunhalar pelas costas, mas fui quase tão

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rápido quanto você Jack Jones! Sua amiga está morta e você e seu amigo serão os próximos a serem separados de suas cabeças. - Será mesmo! – Jack ergueu os joelhos e pisou forte no chão. O piso de pedra cedeu e caímos em um posso com correnteza. Saindo no canal da cidade e resgatados depois de chegar ao centro comercial. Subimos em um caminhão e fomos levados pelos outros revolucionários de turbantes e túnicas. Cheque mate! Saímos da cidade em plena segurança e com o ídolo em mãos. Seu líder ficou extremamente satisfeito e nos levou para um avião que nos levaria para a cidade em que estaria o templo e coincidentemente estaria o resto de nossa tropa que seria deportado em menos de vinte e quatro horas. Chegamos à cidade cinco horas depois e levamos o ídolo para o templo no castelo de Aba Durrá. Ao chegar lá fomos levados por uma hora em um quarto para o descanso. - Jack. Antes de irmos para os quartos me entregue o ídolo. - Desculpe Shima, mas levá-lo-ei para retirar fotos para apresentar para meus companheiros nova-iorquinos. - Não tem problema algum meu amigo pode levar contigo para fazer dele o que precisa. Foi simples demais para ele. No quarto enquanto procurava descanso nas almofadas, Jack puxou uma mesa e colocou o ídolo. No centro do peito do boneco existia um círculo em baixo relevo. Jack retirou um anel do bolso e pegou os seus óculos. Com cuidado, colocou o anel no espaço no ídolo. Ele abriu a barriga do ídolo e de dentro do mesmo caiu um grande rubi brilhante. Eu me espantei e arregalei os olhos que refletiam o brilho dele em mim. - Aqui esta nossa passagem e o dinheiro para a campanha no Brasil. - O quê? - Deixe que explique os detalhes na viagem. Este sim é um legítimo rubi, e dos grandes como imaginei. - Mas isso pertence ao povo crente, não é? - Claro que não. Isso é nosso. - Ainda estou intrigando meu pensamento para o que fizemos lá no palácio. - Deixe que eu respondo suas dúvidas. Quando fui retirado da prisão que estávamos no deserto fui levado de avião para a cidade do xeique pelo próprio Grão Vizir a fim de mostrar para o xeique que eu seria a pessoa que encontraria o ídolo perdido, porém o Grão Vizir não sabia que o xeique já tinha preparado tudo e comprado o ídolo. Passei a noite no palácio e a odalisca ficou comigo durante a noite, levou uma hora e meia para me contar o que precisava saber sobre o palácio. Era hora do almoço e fui para o salão

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no qual jantamos há algumas horas atrás antes da fuga, lá tive tempo para contemplar o anel do Grão Vizir que me chamou a atenção. Quando o vi, perguntei o que significava e ele disse-me que era de uma antiga linhagem que fora lhe dado pelo próprio pai. Na hora tive a certeza de que aquele anel tinha alguma ligação com o ídolo. Depois fui ver a cozinha para conhecer o lugar. Vi a passagem secreta abaixo dos engradados no canto da dispensa e planejei um passeio noturno. E, na noite daquele dia eu e a odalisca procuramos pela passagem na cozinha e de lá vi que dava acesso para todos os quartos do palácio como eu imaginava e fui até o quarto do Grão Vizir. No quarto vazio tive tempo suficiente para pegar o anel sobre um grande ornamento que ele fez cuidadosamente. Escutei passos e entrei correndo no guarda roupa na companhia, todo o tempo, da minha amiga odalisca. Escutei o seguinte dialogo: “ – Temos de nos apreçar! Tem certeza de que esse tal de Jack Jones pode encontrar o ídolo nas índias? - Claro que sim – Disse o Grão Vizir para quem não reconheci na hora – Esse homem é uma lenda, como me disseram, não resolve um caso em menos de uma semana, ele é caçador de relíquias antigas! - E podemos confiar? – Disse a outra voz. - Claro que podemos e quando tiver o ídolo em mãos, usarei o anel e assim teremos... - Um barulho grande envolveu o ambiente fazendo as palavras daquele homem sumir no ar, mas foi o suficiente para eu ouvir o que eu queria.” Entrei em outra passagem atrás de todas as roupas do guardador e por lá cheguei aos outros túneis que finalmente davam na câmara que estava o ídolo. A odalisca não viu todos os detalhes que vi e nem viu que o ídolo estava ali no final do nosso túnel. Voltei e deixei-a no quarto com a cabeça meio confusa pelas coisas que aconteceram e em sua mente tivemos má sorte em não encontrar o ídolo. Mas para mim não tinha sido o bastante. Voltei a aquele túnel e gastei as pedras na posição que queria... - Mas como sabia que dava no córrego abaixo? – Indaguei o amigo. - Tinha visto tudo que me interessava naquela noite inclusive o córrego nos andares abaixo das catacumbas do palácio. Segui o fluxo que dava bem acima da câmara do ídolo e gastei as pedras como havia te dito. - Agora compreendo. O Grão Vizir queria o rubi e não o ídolo que supostamente idolatrava e a odalisca queria apenas o ídolo sem ter o conhecimento do rubi, certo? - Exatamente!

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Não fiz mais perguntas, apenas deixei as coisas fluírem como pensava que dariam de alguma forma os planos de meu amigo. Bateram a porta e chamaram-nos para lanchar antes de nos apresentar na base do exército. À tarde nublada daquele dia deixava o ar respirável no Paquistão, não era preciso o nariz de turco para respirar sem o toque árido do Oriente. Jack Jones lanchava sem fazer esforços para fazer descer a comida goela abaixo. Não tínhamos presunções para resolver mais nenhum mistério, queríamos apenas voltar para Nova York o mais rápido possível. Entregamos o ídolo a quem realmente deveria e saímos em segurança para nos apresentarmos. Vestimos a farda enquanto o caminhão tocava a frente nos apresentamos e embarcamos no mesmo dia com o resto da tropa para nossa casa depois de longos cinco anos fora. O avião plainava preguiçosamente. Eu dormia em meio às malas e mochilas e não me preocupava em saber onde estávamos no mapa-múndi. Jack me cutucou e falou: - Marchal. Sabe pular de pára-quedas?

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Jo達o P. Costa

Desértica  

Um mundo de mistérios e muitas aventuras de Jack J. paravocê navegar por entre as linhas da real história.

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