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UNIVERSIDADE VILA VELHA

UM ESPAÇO PARA O CONVÍVIO E A SOCIABILIZAÇÃO: Revitalização da Praça Presidente Getúlio Vargas, Centro-Vitória (ES)

O que Eu Quero? Não quero muito Apenas um banco de praça Onde eu possa sentar, Pensar e, Escrever uma poesia. (Keidy Lee Jones)

Josiane Maria De Azevedo Tuler


UNIVERSIDADE VILA VELHA COORDENAÇÃO DE ARQUITETURA E URBANISMO

JOSIANE MARIA DE AZEVEDO TULER

UM ESPAÇO PARA O CONVÍVIO E A SOCIABILIZAÇÃO: Revitalização da Praça Presidente Getúlio Vargas, Centro-Vitória (ES)

VILA VELHA 2015


JOSIANE MARIA DE AZEVEDO TULER

UM ESPAÇO PARA O CONVÍVIO E A SOCIABILIZAÇÃO: Revitalização da Praça Presidente Getúlio Vargas, Centro-Vitória (ES)

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Coordenação de arquitetura e Urbanismo da Universidade Vila Velha, como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Arquitetura e Urbanismo. Orientadora: Profª Ana Paula Rabello Lyra

VILA VELHA 2015


JOSIANE MARIA DE AZEVEDO TULER

UM ESPAÇO PARA O CONVÍVIO E A SOCIABILIZAÇÃO: Revitalização da Praça Presidente Getúlio Vargas, Vitória (ES)

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Coordenação de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Vila Velha, como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Arquitetura e Urbanismo. COMISSÃO EXAMINADORA

__________________________________ Arquiteta Ana Paula Rabello Lyra Universidade Vila Velha Orientadora

___________________________________ Arquiteto Clóvis Aquino de Freitas Cunha Universidade Vila Velha Membro Interno

__________________________________ Arquiteto João Paulo Dominguez Carvalho Membro Externo

Parecer da Comissão Examinadora em ____ de ______________ de 2015:

___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________


O que Eu Quero? Nรฃo quero muito Apenas um banco de praรงa Onde eu possa sentar, Pensar e, Escrever uma poesia. (Keidy Lee Jones)


AGRADECIMENTOS

Primeiramente agradeço a Deus. Buscai primeiramente o Reino de Deus e a sua justiça, e as outras coisas vos serão acrescentadas. Posso afirmar que até aqui Ele me sustentou, me concedeu força, saúde e sabedoria para caminhar adiante e chegar até a conclusão deste trabalho. A Ele toda Glória e Honra.

Agradeço a minha família, pois sempre apoiaram e incentivaram as minhas escolhas, inclusive a de ser Arquiteta Urbanista, obrigada pela ajuda e paciência. Em especial agradeço a minha filha Natállya, que mesmo tão pequena se manteve forte, mesmo diante de tantos choros sempre compreendeu as saídas da mamãe durante as muitas noites de estudo.

Agradeço aos meus mestres professores, por me ensinar e transmitir o conhecimento necessário para voar alto e saber que eu sou capaz, ao professor Giovanilton Ferreira que nunca exitou em me atender.

Agradeço em especial a minha orientadora Professora Ana Paula Rabello que se dedicou em ajudar na elaboração deste trabalho, e ainda ao professor Clóvis Aquino pela colaboração. Por fim agradeço a todos que de alguma forma contribuíram para a realização desse trabalho.


DEDICAÇÕES

Dedico este trabalho aos meus amigos, Arquiteto Urbanista Fagner Costa e Andressa Barcelos, amigos de longa data, pessoas que conheci nesta caminhada acadêmica e que se tornaram parceiros. Juntos escrevemos uma história, juntos sorrimos e juntos nos desesperamos, mas também juntos lutamos, pois é de luta que se fazem os campeões. Tenho certeza que nossa história não terminará na entrega do “canudo”, isso será somente o início de uma linda história de sucesso nesta jornada chamada Arquitetura.


RESUMO

Historicamente a praça foi sofrendo alterações diante de uma sociedade que cresce e se modifica, configurando-se de acordo com uma herança de ocupação racionalista funcional que negligenciou o fator essencial para a vitalidade dos espaços públicos – as pessoas. Assim a praça se constituiu parte da cidade, tornando-se elemento fragmentado no contexto da malha urbana. Diante disto, este trabalho buscou discutir o tema revitalização dos espaços públicos, tomando como área de estudo a Praça Presidente Getúlio Vargas, considerando seus usuários e moradores do entorno como fundamental ferramenta ao processo. Através da Análise Visual e Avaliação Pós Ocupacional foi possível identificar os elementos que influenciam o vivenciar da praça e como o processo de revitalização poderá interferir neste convívio, e como produto final, considerando a análise levantada neste estudo, será proposto o projeto de revitalização do espaço da Praça Presidente Getúlio Vargas.

Palavras Chaves: Espaço Público. Praça. Revitalização.


ABSTRACT

Historically the square was undergoing changes on a society that grows and changes, setting up according to a functional rationalist occupation of heritage that overlooked the essential factor for the vitality of public spaces - people. So the square was constituted part of the city, becoming fragmented element addressing the urban fabric. In view of this, this study sought to discuss the issue revitalization of public spaces, taking as a study area Square President GetĂşlio Vargas considering its users and people living around as a fundamental tool in the process. Through Visual Analysis and Occupational Post Evaluation was possible to identify the elements that influence the experience of the square and as the revitalization process may interfere with this interaction, and as a final product, considering the analysis raised in this study, will be offered the space revitalization project Square President GetĂşlio Vargas.

Key Words: Public Sphere. Square. Revitalization.


LISTA DE FIGURAS Figura 01 – Centro de São Paulo: Espaço Público vazio ........................................ 22 Figura 02 – Esquema de Configuração de Espaços Livres de Uso Público .............. 24 Figura 03 - Adro da capela de Uberlândia (MG) ....................................................... 27 Figura 04 - Praça Matriz, Porto Alegre (RS) ............................................................. 28 Figura 05 - Largo de Glênio Peres, Porto Alegre (RS) ............................................. 28 Figura 06 - Praça da Alfândega, Porto Alegre (RS) .................................................. 29 Figura 07 – Praça da República, Nova Petrópolis (RS) ............................................ 29 Figura 08 – Praça da Liberdade, Belo Horizonte (MG) ............................................. 29 Figura 09 - Praça Tiradentes, Curitiba (PR) ............................................................. 30 Figura 10 – Situação de Puerto Madeiro em 1989 x Situação após a recuperação da área em 2001 ............................................................................................................ 35 Figura 11 – Edifícios-quadra vinculados ao espaço público ...................................... 35 Figura 12 – Demonstração da qualidade do espaço com respeito à paisagem do pedestre .................................................................................................................... 37 Figura 13 - Praça da Sé (SP) – Relação da praça com seu entorno......................... 38 Figura 14 - Praça da Sé (SP) – Amplo espaço para apresentações religiosas e comerciais ..................................................................................................................... 39 Figura 15 - Praça Da Sé (SP) – Passarelas por cima de espelhos de água interligando as esculturas existentes ....................................................................................... 39 Figura 16 - Praça Raul Soares (MG) – Dia da inauguração - Caminhos que se interligam com o entorno desde o centro da praça ............................................................ 40 Figura 17 - Praça Raul Soares (MG) – Caminhos com novos dimensionamentos.... 41 Figura 18 - Praça Raul Soares (MG) – Novos mobiliários e chafariz revitalizado ..... 41 Figura 19 - Praça da Biblioteca, Bryant Park (NY) – Mobiliários soltos, acesso também a partir de edificações do entorno ..................................................................... 43


Figura 20 - Praça Da Biblioteca, Bryant Park (NY) - Áreas livres sem barreiras para uso, espaços e quiosques para alimentação............................................................. 43 Figura 21 - Praça da Biblioteca, Bryant Park (NY) – Muitos usuários de grupos diversificados. ................................................................................................................... 44 Figura 22 - Praça Paris (RJ) – Presença de água, chafarizes e massa verde .......... 45 Figura 23 - Praça Paris (RJ) – Pessoas realizando exercícios físicos ...................... 45 Figura 24 - Praça Paris (RJ) – Área livre com Iluminação em LED ........................... 46 Figura 25 - Praça Paris (RJ) – Presença de esculturas ............................................ 46 Figura 26 - Praça Victor Civita (SP) – Espaço destinado a atividades físicas ........... 47 Figura 27 - Praça Victor Civita (SP) – Equipamentos para ginásticas e pista para caminhadas ................................................................................................................... 48 Figura 28 - Praça Victor Civita (SP)– Espaço com deck e arquibancada .................. 48 Figura 29 - Praça Victor Civita (SP) – Espaço na praça destinado a pesquisas sobre sustentabilidade ........................................................................................................ 49 Figura 30 - Praça Da Matriz (Paraty, RJ) – Croqui de áreas confortáveis para sentar e permanecer ........................................................................................................... 50 Figura 31 - Assentos primários.................................................................................. 51 Figura 32 - Assento secundário, próxima às esculturas ............................................ 51 Figura 33 – Mobiliário integrador, multiuso ............................................................... 52 Figura 34 - Praça Hermógenes Freire Da Costa, São Pedro da Aldeia (RJ). Eficiência na distribuição dos postes para iluminação pública .................................................. 52 Figura 35 - Estátua Iluminada. Praça da Autonomia, Funchal (POR) ...................... 53 Figura 36 - Praça das Flores (Petrópolis – RS) Valorização da Vegetação .............. 54 Figura 37 – Premiações de corridas na Praça Presidente Getúlio Vargas e momentos de lazer ao entorno da mesma ............................................................................ 56 Figura 38 – Área desabitada, aterro da Esplanada Capixaba, 1961 ......................... 57 Figura 39 – Área onde será inserida a Praça Presidente Getúlio Vargas ainda sem urbanização ............................................................................................................... 59


Figura 40 – Inauguração do monumento Getúlio Vargas na Esplanada Capixaba, terreno da atual Praça Presidene Getúlio Vargas ..................................................... 60 Figura 41 - Primeira urbanização da Praça Presidene Getúlio Vargas, na área voltada para a Av. Marechal Mascarenhas de Moraes (Beira Mar) .................................. 61 Figura 42 – Entorno da Praça Presidente Getúlio Vargas com poucas modificações após a sua primeira urbanização .............................................................................. 61 Figura 43 – O entorno da Praça Presidente Getúlio Vargas com edifícios e a ampliação da área demonstrando o novo formato ............................................................... 62 Figura 44 – Esquema da sequencia dos acontecimentos e urbanização da praça ... 63 Figura 45 – Cine paz localizado no Ed. Dionysio Abaurre, na Av Princesa Isabel, 1980 e foto aérea atual situando o mesmo em relação à praça ................................ 65 Figura 46 – Vista a partir da Praça – Baía de Vitória ................................................ 65 Figura 47 - Praça Presidente Getúlio Vargas – Amplos espaços sem uso ............... 66 Figura 48 - Entorno da Praça. Comércio, residências e serviços. Lado norte ........... 69 Figura 49 - Entorno da Praça. Institucionais e residências ao final da Rua Aristides. Lado sul ..................................................................................................................... 69 Figura 50 - Entorno da Praça. Terreno vazio (com tapume) e a Baía. Lado leste..... 69 Figura 51 - Entorno da praça, serviço e comércio. Lado oeste ................................. 70 Figura 52 - Cartão Postal - Vista da Baía de Vitória .................................................. 71 Figura 53 - Rua Aristides de Aguiar .......................................................................... 72 Figura 54 - Camelôs e ponto de ônibus .................................................................... 73 Figura 55 - Banca de revista, Edifício comercial ao fundo e banheiro público .......... 75 Figura 56 - Quiosques para alimentação .................................................................. 76 Figura 57 - Estacionamentos para carros e motos em volta da praça. ..................... 76 Figura 58 - Banca de livros e ponto de taxi. .............................................................. 77 Figura 59 - Trabalhador realizando suas atividades em meio ao canteiro da praça. 77


Figura 60 - Academia Popular ................................................................................... 78 Figura 61 - Monumentos localizados nas duas extremidades da praça. ................... 78 Figura 62 - Lazer em Frente à praça. ........................................................................ 79 Figura 63 - Caminhos largos, com duas tipologias trepidantes. ................................ 80 Figura 64 - Grandes poças de água. ......................................................................... 81 Figura 65 - Caminhos criados pelos usuários. .......................................................... 81 Figura 66 - Quiosque no centro da praça dificultando a travessia dos usuários. ...... 82 Figura 67 - Jovens e adolescentes consumindo drogas. .......................................... 86 Figura 68 - Praça Presidente Getúlio Vargas. Vegetação rasteira, arbustos e árvores .................................................................................................................................. 87 Figura 69 - Monumento Getúlio Vagas com uma e duas palmeiras. ......................... 88 Figura 70 - Falta de manutenção na praça. .............................................................. 88 Figura 71 - Bancos sem encosto e em processo de degradação.............................. 89 Figura 72 - Muitas áreas escuras na praça. .............................................................. 89 Figura 73 - Falta de refletores em volta do monumento que se perde no escuro. .... 90 Figura 74 - Estacionamentos que bloqueiam o cone visual. ..................................... 95 Figura 75 - Caminhos secundários criados pelos usuários. ...................................... 96 Figura 76 - Pontos de comércio fechado e sem utilização. ....................................... 96 Figura 77 - Tapume que cerca o terreno. .................................................................. 97 Figura 78 - Área dos quiosques e poças de água próximo ao ponto ônibus. ............ 97 Figura 79 - Centro da praça, área de transição. ........................................................ 98 Figura 80 - Área de maior permanência por idosos e outros grupos......................... 99 Figura 81 - Concentração de vegetação no centro da praça. ................................. 100 Figura 82 - Área dos ambulantes. ........................................................................... 101 Figura 83 - Croqui esquemático conceitual. ............................................................ 104 Figura 84 - Referência de estruturas para eventos em praças................................ 107


Figura 85 - Croqui esquemático conceitual. ............................................................ 109 Figura 86 - Croqui esquemático conceitual. ............................................................ 110 Figura 87 - Esquema de captação de água da chuva. ............................................ 112 Figura 88 - Esquema de captação de água da chuva através da grama. ............... 113 Figura 89 - Croqui esquemático conceitual. ............................................................ 114 Figura 90 - Ed. Masp (SP). Referência de edificação sob pilotis e ícone arquitetônico. ................................................................................................................................ 114 Figura 91 - Demonstração do fluxo de veículos e acesso a praça. ......................... 115 Figura 92 - Planta Geral do Projeto de Revitalização com marcação dos setores. . 116 Figura 93 – Implantação Geral 01. .......................................................................... 117 Figura 94 – Implantação Geral 02. .......................................................................... 117 Figura 95 - Setor 01 – Comercial. ........................................................................... 118 Figura 96 - Eixo Transversal com Jatos d’água. ..................................................... 119 Figura 97 – Corredor gastronômico......................................................................... 120 Figura 98 - Área comercial do Ed. Jusmar. ............................................................. 122 Figura 99 - Totens distribuídos em toda área da praça. .......................................... 123 Figura 100 - Novas Árvores, Mesas e Bancas. ....................................................... 124 Figura 101 - Setor 02 - Conexão. ............................................................................ 125 Figura 102 - Eixo Principal com jatos d’água e mobiliário. ...................................... 126 Figura 103 - Canteiros elevados, caminhos secundários com mobiliário e área para cães. ........................................................................................................................ 127 Figura 104 - Bicicletário e caminhos secundários. .................................................. 128 Figura 105 - Setor 03 – Lazer/Eventos. ................................................................... 129 Figura 106 - Área Infantil e cadeiras para prática de exercício. .............................. 129 Figura 107 - Calçadão que leva ao monumento e estrutura para eventos. ............. 131 Figura 108 - Setor 04 - Dinamizador. ...................................................................... 132 Figura 109 - Continuidade do espaço e edifício cultural sob pilotis. ........................ 133


Figura 110 - Faixa para veículos, entrada dos edifícios adjacente e floreiras. ........ 134 Figura 111 - Referência de Placa Cimentícia e juntas. ........................................... 135 Figura 112 - Tubos Perfurados de aço inox. ........................................................... 136 Figura 113 - Cisterna e filtro em concreto pré-moldado. ......................................... 136 Figura 114 - Exemplo dos canteiros altos. .............................................................. 136 Figura 115 - Guia de Concreto. ............................................................................... 137 Figura 116 - Piso Tátil Alerta e Direcional. .............................................................. 137 Figura 117 - Exemplo de bancos curvo, ondular e circular. .................................... 138 Figura 118 - Exemplo de jogos de mesa, com e sem tabuleiro de xadrez. ............. 139 Figura 119 - Exemplo de cadeiras reclinadas com pedal. ....................................... 139 Figura 120 - Exemplo de mobiliários infantis. .......................................................... 139 Figura 121 - Exemplo de mobiliário infantil e jogo da memória. .............................. 140 Figura 122 - Exemplo de poste para iluminação de pedestre. ................................ 140 Figura 123 - Exemplo e aplicação de balizadores. .................................................. 141 Figura 124 - Exemplo e aplicação de spots. ........................................................... 141 Figura 125 - Exemplo e aplicação de refletor espeto. ............................................. 141 Figura 126 - Exemplo de lixeira seletiva, bebedouro público e ponto de ônibus. .... 142 Figura 127 - Grama Amendoim e Grama São Carlos . ........................................... 142 Figura 128 - Arbusto Eugenia ................................................................................. 143 Figura 129 - Arbusto Ixora com flores. .................................................................... 143 Figura 130 - Arbusto com flores beijo turco. ............................................................ 144 Figura 131 - Árvore Pata de vaca com floração lilás. .............................................. 144


SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 16 2 ESPAÇOS LIVRES DE USO PÚBLICO ................................................................ 19 2.1 BREVE HISTÓRICO - DA ORIGEM A ATUALIDADE ......................................... 19 2.2 FUNÇÕES E CARACTERÍSTICAS DO ESPAÇO PÚBLICO .............................. 22 3 A PRAÇA: ELEMENTO FUNDAMENTAL DA CIDADE ........................................ 26 3.1 REVITALIZAÇÃO DO ESPAÇO - A PRAÇA ....................................................... 31 3.2 CONCEITOS E DEFINIÇÕES NO CONTEXTO DA REVITALIZAÇÃO............... 36 3.2.1 Identidade ........................................................................................................ 38 3.2.2 Continuidade/Permeabilidade ......................................................................... 40 3.2.3 Mobilidade/ Acessibilidade/ Coesão Social ...................................................... 42 3.2.4 Segurança/ Conforto/ Aprazibilidade ................................................................ 44 3.2.5 Diversidade/ Adaptabilidade/ Sustentabilidade ................................................ 46 3.3 CONFIGURAÇÕES DA PRAÇA NO CONTEXTO DA REVITALIZAÇÃO ........... 49 3.3.1 Elementos Naturais/ Mobiliários Urbano .......................................................... 50 3.3.2 Iluminação/ Elementos Visuais ......................................................................... 52 3.3.3 Vegetação ........................................................................................................ 53 4 DIAGNÓSTICO DA ÁREA DE ESTUDO - PRAÇA PRESIDENTE GETÚLIO VARGAS ................................................................................................................... 54 4.1 LOCALIZAÇÃO E BREVE HISTÓRICO .............................................................. 55 4.2 ANÁLISE VISUAL ............................................................................................... 66 4.2.1 Uso e Ocupação do entorno............................................................................. 67 4.2.2 Visuais e Hierarquia Viária ............................................................................... 70 4.2.3 Apropriação Do Espaço.................................................................................... 77 4.2.4 Caminhos e Barreiras ....................................................................................... 79 4.2.5 Espaço X Usuário ............................................................................................. 83


4.2.6 Vegetação e Mobiliário ..................................................................................... 85 4.2.7 Setorização das Sensações ............................................................................. 90 4.2.8 Condicionantes Legais ..................................................................................... 92 4.2.9 Síntese do Diagnóstico - Potencialidades x Vulnerabilidades ......................... .94 5 O PROJETO ....................................................................................................... 103 5.1 PARTIDO E CONCEITO PROJETUAL ............................................................ 103 5.2 APRESENTAÇÃO DO PROJETO .................................................................... 115 5.2.1 Especificações do Projeto ............................................................................. 135 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................ 145 REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 147 APÊNDICES .......................................................................................................... 157


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1 INTRODUÇÃO

O espaço público, que no passar dos anos foi sendo negligenciado e reduzido a áreas residuais urbanas, não deve ser visto como elemento isolado ou autônomo, mas sim, como estrutura que dá continuidade e complemento a cidade, contribuindo para que esta crie a cada dia vinculo com a população, a fim de que proporcione integração social entre as pessoas.

As praças que sobrevivem neste contexto dos espaços livres de uso público ao turbulento desenvolvimento das cidades, são estruturas fundamentais para a vida urbana. São fortes centralidades e merecem o tratamento de conservação, intervenção e revitalização adequada, com a finalidade de proporcionar prazer, lazer, recreação e conforto, ambientes atrativos e contemplativos para a convivência e a sociabilização das pessoas. É direito de qualquer cidadão usufruir deste espaço.

Dentre aquelas que resistem às indiferenças diante do crescimento vertiginoso das cidades, muitas se localizam nos centros. São espaços carregados de memória e de detalhes peculiares de uma história invisível ao ritmo característico das aglomerações urbanas.

O presente trabalho tem como proposta a revitalização da Praça Presidente Getúlio Vargas, localizada em um desses centros indiferentes a sua graciosidade. O objetivo é resgatar o sentimento de apropriação do espaço existente e compatibiliza-lo as demandas e necessidades atuais do local. A revitalização propõe resgatar a atratividade, pois a intenção é que seus equipamentos promovam a socialização das pessoas, com espaços para contemplação e áreas de estar, a fim de que seja uma praça convidativa e que proporcione comodidade a todos. Tais interesses justificam-se pela necessidade de resgatar a relação da praça com o seu entorno e com a sociedade, valorizando o local com a intenção de que esta faça parte de um cotidiano, tornando-se referencia de convívio social, pois a praça traz parte da memória e da história do centro de Vitória, onde está inserida.

Trata-se para tanto de uma pesquisa qualitativa, considerando que o objeto de estudo é a fonte direta para coleta de dados que levará em consideração a subjetividade


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do autor. O método abrange ainda uma abordagem exploratória em bibliografias referentes ao tema de estudo como livros, artigos, dissertações de mestrado e legislações municipais. Também foi realizado um estudo de levantamento de dados do local de acordo com observações do autor, esta etapa foi registrada através de mapas e fotografias que embasaram a definição do conceito e partido da proposta projetual.

Sendo assim o trabalho foi estruturado em cinco partes distintas conforme segue: A primeira parte procura apresentar o tema “Espaços livres de uso público”, através de um breve histórico que abrange os conceitos de alguns autores, suas características e funções ao longo dos anos na vida das pessoas e na cidade.

Em seguida procurou-se abordar o objeto específico deste trabalho, o elemento praça e sua importância, suas características e mutações, como deve se comportar e se relacionar com a cidade. Nesta fase também são abordados conceitos de temas relacionados a intervenções, renovar, reabilitar e requalificar para enfim destacar o tema principal, a revitalização. São apresentados conceitos de diferentes autores e exemplos de praças que passaram por tal processo, destacadas em publicações recentes. O capítulo ainda aborda a importância na configuração da praça em relação a equipamentos e mobiliários inseridos no contexto da revitalização, pois estes deverão completar o espaço da praça e fazer com que ela funcione como uma estrutura essencial para o convívio das pessoas.

Após o embasamento teórico, o trabalho segue na abordagem do diagnóstico da área de intervenção. Apresenta a localização e um breve histórico da Praça Presidente Getúlio Vargas, praça de estudo desse trabalho, destacando como e onde está inserida, e qual a relação desta com o local. Num segundo momento, a fim de que se entenda melhor esse espaço, é apresentado um levantamento da área e seu entorno. Nesta fase são abordados pontos relevantes como vegetação e mobiliário, usos, gabaritos e tipologias das edificações ao redor, setorização de sensações, caminhos e barreiras, visuais e a hierarquia viária, e também aspectos legais, a fim de que a praça seja compreendida e suas principais necessidades sejam diagnosticadas, para que num segundo momento, propostas de revitalização possam ser interpretadas com o intuito de embasar as finais.


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A última parte que precede a descrição do projeto tem foco nas vulnerabilidades e potencialidades observadas no diagnóstico, essas são apresentadas em um Mapa Síntese e também com registro de fotos, a fim de que necessidades e positividades sejam destacas. Ainda nesta fase é apresentado o partido e os conceitos utilizados na elaboração das propostas e nas decisões do projeto, tais conceitos foram destacados através de croquis seguidos de suas respectivas explicações e justificativas.

Para finalizar, foi abordada a descrição do projeto proposto para a revitalização da Praça Presidente Getúlio Vargas. Nesta etapa a praça foi dividida em quatro setores e a partir destes, abordada as intervenções como propostas que visaram solucionar os problemas identificados na fase de análise e procuravam valorizar os potenciais locais. Ainda nesta etapa foram ilustradas as plantas com as soluções para os diferentes setores seguidas da respectiva descrição da área. Ainda na descrição, foram apresentadas perspectivas com o proposito de ilustrar a solução final do projeto em nível de estudo preliminar, acompanhados das especificações dos materiais e vegetações escolhidos para a área.


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2 ESPAÇOS LIVRES DE USO PÚBLICO

Este capítulo procura responder a uma das perguntas relacionadas ao tema deste trabalho: Como surgiram e qual a finalidade dos espaços livres de uso público para as cidades? Pretende-se inicialmente com um breve histórico, compreender a relação desses espaços com as cidades, sua importância e principais configurações, para em seguida focar nas características que qualificam um desses espaços – a praça. 2.1 BREVE HISTÓRICO – DA ORIGEM A ATUALIDADE Na formação e concepção das cidades o espaço público, inicialmente, foi tratado apenas como um espaço físico, definido por um território. A partir dos séculos XVI e XVII o espaço se insere no território coletivo, juntamente com o espaço comum e o político, sendo o espaço comum simbolizado pelas trocas comerciais, circulação e expressão democrática. Simultaneamente também originou-se simbólico, pois se definia por redes de intercambio, criando vínculo com a sociedade e a história da cidade. Ocorreu ainda à separação entre o espaço sagrado e espaço temporal, sendo estes locais transitórios, e no mesmo momento a definição dos locais privados (SANTOS FILHO, 2004).

Ainda segundo o autor, tais espaços começam a adquirir valores de acordo com o que é acessível a todos, uma passagem comum, das trocas e mercados ao público, estabelecendo o princípio de liberdade e consequentemente o espaço da discussão e da deliberação, oferecendo condições para o desenho de um espaço público, consequentemente a formação da cidade. O autor ainda afirma que o espaço poderia ser definido como lugar da decisão e da ação, onde através dos limites territoriais eram exercidas a soberania e a autoridade.

Mumford (2004) acrescenta que a cidade foi surgindo e espaços significativos foram sendo consolidados, inclusive locais onde periodicamente ocorriam cerimônias e ritos. Para Benevolo (1999) a Ágora da Grécia e o Fórum de Roma são exemplos de espaços públicos significativos e fundamentais, que foram projetados e apropriados como áreas livres que desenvolveram o mesmo papel de interatividade que as pra-


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ças desenvolvem ou deveriam desenvolver atualmente. A Ágora era rodeada por mercados e outros edifícios, local onde eram manifestadas a democracia e os ideais dos cidadãos. Já o Fórum não proporcionava área pública aberta, mas fechado, representava o poder do Estado, rodeado de edifícios e com acesso mais restrito, porém era um espaço também denominado como local de grandes discussões sociais. Os dois locais retratavam e materializavam a ideia de público, logo possuíam aspectos simbólicos e de muitíssima importância na cultura do povo greco-romano.

Com o passar dos anos os espaços públicos sofreram diversas transformações, a cidade passa então a compor novos cenários para atender a demanda da população, como a definição dos passeios e boulevards, a fim de definir limites e direitos entre pedestre e veículos, proporcionando comodidade e organização da cidade. Surgem também os grandes parques e jardins públicos, criados não só para contemplação, mas para humanização e composição estética da paisagem da cidade, onde espaços de permanência, junto a esses, foram previstos para interatividade e sociabilidade, interferindo diretamente no desenho da cidade e na vida dos usuários. Tais espaços se consolidaram e permanecem no desenho urbano até os dias atuais.

Para Serpa (2007), atualmente, o espaço público assume papel central nos programas de renovação urbana das grandes cidades. Acrescenta que o espaço público é uma arena de ação pública, intervenção urbana, e a compara com mercadoria para consumo de poucos. O espaço público se mostra como lugar de ação política e de expressões muitas vezes não identificada pelo usuário, ou seja, sua real função, relação de território familiar e comunitária, e com as características do entorno são inexistentes. O autor afirma que tais espaços “deveriam ser o lugar por excelência do agir comunicacional, o domínio historicamente constituído da controvérsia democrática e do uso livre e público da razão” (SERPA, 2007, p. 16).

A esse respeito Santana (2005, p.01) complementa que o espaço público é democrático:


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O espaço público é o principal local de reprodução da vida coletiva e social, que age com seu caráter democrático. As cidades são palcos de reprodução das relações humanas, que ocorrem ora nos seus espaços construídos (habitações, indústrias, hospitais), ora nos espaços livres de edificações (parques, praças, canteiros) e nos espaços de integração urbana (rede rodoferroviária). Nesse sentido, parques, praças, canteiros, ruas, avenidas, largos, entre tantos outros, recebem e incentivam o exercício da vivência social e servem de suporte ao exercício da cidadania enquanto espaços públicos, pois contam com uma expressiva acessibilidade e acolhem simultânea e passivamente os mais variados usuários e as mais diversas formas de uso, seja na sua função pré-estabelecida, seja na sua possibilidade lúdica de existir .

Neste contexto, Alex (2008) explica que os locais públicos da cidade assumem inúmeras formas e tamanhos, e que podem ser compreendido através de diversos aspectos, ou seja, desde uma calçada até a paisagem vista da janela. O autor ainda menciona que a palavra “público” indica que os locais que concretizam esse espaço são abertos e acessíveis, sem exceção, a todas as pessoas. Logo o espaço público abrande lugares denominados ou projetados para o uso no dia a dia, cujas formas mais conhecida são as ruas, as praças e os parques, onde qualquer cidadão tem o direito de conviver e se sociabilizar.

A fim de compreendermos parte da história e o porquê, atualmente ocorre o esvaziamento de áreas públicas, é importante mencionar que foi nos anos 70 que o comércio e tantos outros empreendimentos que move a economia da cidade começaram a se espalhar e compartilhar com novos padrões suburbanos. A cidade, então se torna dispersa e os centros abandonados, tornando as áreas públicas como praças, parques e ruas, locais ociosos, de desuso e descaso, devido ao abandono e esvaziamento desses espaços. Esses se tornam propícios à degradação e falta de segurança (JACOBS, 2007).

Jacobs (2007) explica que a vida e as atividades suburbanas são uma ilusão e que as cidades acreditam que, áreas livres de convivência e lazer são um bem em si, e que quantidade equivale à qualidade. A autora se contrapõe a tal afirmação e questiona que muito tem sido os gastos em vazios urbanos muito extensos e abundantes, sendo esses supérfluos e com má localização, e que de nada contribui para a convivência social. Ainda segundo Jacobs (2007), devido ao esvaziamento dos espaços públicos e a pouca utilização, principalmente se tratando de centros urbanos, como demonstra da


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figura 01, ocorre um aparecimento significativo de violência e ociosidade em seu entorno com ações nocivas às pessoas. Figura 01: Centro de São Paulo – Espaço público vazio

.

Fonte: TERRA (2014)

2.2 FUNÇÕES E CARACTERÍSTICAS DO ESPAÇO PÚBLICO

Neste subcapítulo são apresentados conceitos referentes às principais configurações do espaço público. Descreve os significados e a importância desses espaços na vida das pessoas e na saúde das cidades. Segundo Tabacow (2004) um dos maiores problemas das cidades, especialmente do Brasil, é a tendência em diminuir os espaços livres de uso público onde se configuram as áreas verdes, enquanto o crescimento da população e da densidade nas cidades é constante.

A esse respeito Gehl (2013) destaca funções benéficas das áreas verdes nos espaços públicos quando explica que as cidades verdes proporcionam lugares belos e saudáveis, representando uma contribuição essencial para a qualidade de vida das pessoas. Além do conforto térmico, essas áreas proporcionam conforto visual, acústico, contribuem para a purificação do ar, oferece ainda o aumento da área de drenagem do solo. Logo, tem influência direta no metabolismo da cidade e na saúde da população.

Guzzo (1997), escritor e mestre em Meio Ambiente pela UNESP, acrescenta que as áreas verdes presentes no espaço público proporcionam melhorias no ambiente excessivamente impactado das cidades, além de confirmar os benefícios que trazem


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para os habitantes. O autor destaca as funções e descreve a importância da relação entre as áreas verdes presentes no espaço com o usuário e a cidade: Função Ecológica: é o fato da presença da vegetação, do solo não impermeabilizado e de uma fauna mais diversificada nessas áreas, promovendo melhorias no clima da cidade e na qualidade do ar, água e solo. Função Social: está intimamente relacionada com a possibilidade de lazer que essas áreas oferecem à população Função Estética: diz respeito à diversificação da paisagem construída e o embelezamento da cidade, ressaltando a importância das áreas verdes. Função Educativa: possibilidade imensa que essas áreas oferecem como ambiente para o desenvolvimento de atividades extraclasse e de programas de educação ambiental. Função Psicológica: as áreas verdes proporcionam relaxamento, funcionando como antiestresse, relacionado com o exercício do lazer e da recreação nas áreas verdes (GUZZO, 1997, p. 04).

A utilidade das áreas verdes, portanto está relacionada com a quantidade, a qualidade e a distribuição das mesmas dentro da malha urbana. No Brasil, a UNESCO (2014) recomenda que as cidades disponibilizem 12m² de área verde/habitante, já o Código Florestal Brasileiro, Lei 12.651/2012, considera 20m² de área verde/habitante, como ideal.

A Carta de Atenas (1933) confirma que o espaço público deve possuir áreas verdes que proporcione locais saudáveis e sirva para o embelezamento da cidade. Afirmação esta compartilhada por Alex (2008), para o autor o espaço público com áreas verdes favorece uma função primordia das áreas livres de usos público, a sociabilidade. Local onde deve ocorrer o convívio e o lazer, é onde o indivíduo expressa a arte de conviver e de se confraternizar com outros e com o espaço habitado, é onde se expõe emoções e rejeições. Estar no espaço público é ter a certeza de poder usufruir deste “lugar” sabendo que este lhe pertence por direito. Portanto “deve ser visto como um conjunto indissociável das formas assumidas pelas práticas sociais” (ALEX, 2008, p.20). Portanto o verde associado a estes espaços, pode favorecer a permanência e o encontro das pessoas na cidade. Gehl (2013) menciona que tais locais precisam também estar coerentes com a escala humana, a fim de que estes espaços possam atender as


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suas funções. De acordo com o autor, a configuração e o desenho desses espaços públicos deve garantir formas convidativas e atrativas ao uso de pessoas de diferentes idades e em diferentes horários e dias da semana. O esquema ilustrado na figura 02, abaixo, descreve como o autor atribui as diferentes configurações, o potencial de atratividade ou dispersão dos lugares. Figura 02: Esquema de configuração de espaços livres de uso público Distribuir com cautela, as funções a serem consideradas no local, a fim de garantir menos distâncias entre elas; Reunir

Dispersar

Praça Ayrton Senna - SP

Integrar as funções para que haja versatilidade, riqueza de experiências, sustentabilidade social e segurança; Integrar

Segregar

Miami Beach - Washington

Pensar no desenho como sendo convidativo;

Convidar

Repelir

Miami Beach - Washington

Abrir caminhos entre usos e equipamentos, a fim de que estes funcionem conjuntamente; Abrir para

Encerrar

Praça Raul Soares – BH

Aumentar ainda mais o convite de estar e permanecer no espaço, assim proporcionando sensação de vitalidade. Aumentar

Reduzir

Miami Beach - Washington

Fonte: GEHL (2013, p. 233) – Adaptado pela autora.


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Ainda em relação a configuração dos espaços públicos, a Carta de Atenas (1933) destaca que a melhoria da qualidade de vida nos espaços públicos da cidade depende de áreas livres de uso público que assegure o lazer, bem estar e convívio das pessoas. Os espaços devem ser inseridos nas cidades de forma organizada, e o fácil acesso a estes locais é imprescindível, logo a mobilidade deve ser facilitada. As áreas públicas necessitam de Instalações que possam ser utilizadas semanalmente pelos usuários, proporcionando a coletividade, oferecendo diversas atividades e entretenimento como: espaço favorável a distrações, aos passeios, além de instalações esportivas para jogos.

Gomes (2002) acrescenta que as características de um espaço público são todas aquelas que têm relação com a vida pública, e para que esse local promova uma atividade pública, é necessário que se estabeleça e conquiste, em primeiro lugar, a presença de indivíduos. O autor afirma que os locais de uso público também são, antes de tudo, o lugar, praça, rua, passeio, largo, praia, qualquer tipo de ambiente onde não haja obstáculo à possibilidade de acesso e participação das pessoas. Menciona que se trata, portanto, essencialmente de um espaço comunitário que reúne pessoas com diferentes segmentos, expectativas e interesses, ultrapassando suas diversidades concretas e transcendendo o particularismo, em uma prática recorrente da civilidade e do diálogo.

Segundo Serpa (2007), o espaço público constitui-se no espaço urbano, e está além de um simples local específico. Ele é uma dimensão sócio-espacial da vida urbana, onde suas características são definidas a partir de ações que atribuem sentidos e significados a certos espaços da cidade. Que contribui para o bem estar psicológico, físico e mental de uma sociedade.

Para Jacobs (2007), uma das principais características nas cidades são a animação e a variedade, pois estas atraem mais animação. Acrescenta que a apatia e a monotonia distancia a vida, que se forma um ciclo vicioso, onde um espaço vazio tende a permanecer inutilizado pelo seu aspecto monótono e sem vida. As cidades necessitam de espaços vivos, seguros, sustentáveis e saudáveis, que sejam atrativos e que oferecem uma variedade de atividades. Devem ser convidati-


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vos, quanto mais pessoas se movimentam e permanecem nos espaços, mais vida o local possui. Os espaços devem oferecer vida (GEHL, 2013). Contudo, com base nos textos citados, é possível observar que na contemporaneidade, os espaços públicos não têm recebido o tratamento, valorização e utilização devida, tanto por parte dos usuários, profissionais envolvidos no desenho do espaço, como também pela ação pública. Observa-se que na maioria dos casos, não há preocupações quanto à conservação nem tão pouco na concepção desses espaços, causados por diversos motivos e diferentes razões, onde podemos descrever a falta de participação da sociedade local e de maior interesse, e o distanciamento de valores e significados entre estas partes, resultando em locais físico e sentimental mal projetado e rejeitado pela população. Sendo assim, ocorre um segundo abandono e esvaziamento dos locais públicos, destacam-se neste cenário as praças, espaços públicos abnegados e negligenciados por falta relação e integração, principalmente com a sociedade. 3 A PRAÇA: ELEMENTO FUNDAMENTAL DA CIDADE

Durante muito tempo, autores, escritores, arquitetos, geólogos e tantos outros profissionais definiram conceitos, buscando o verdadeiro significado para o espaço público denominado Praça. Para Robba e Macedo (2010, p.17) “as praças são espaços livres de edificação, públicos e urbanos, destinados ao convívio da população, acessíveis aos cidadãos e livres de veículos”. Os autores ainda comparam a praça com um mosaico, que assim como cada elemento é fundamental para formulação da obra, a praça é um elemento urbano fundamental na composição espacial da cidade, ligada intimamente as questões sociais, formais e estéticas de um local.

Segundo Alex (2008) a praça tem relação histórica na vida da cidade devido a sua relação social com os usuários e sua integração no tecido urbano, afirma que a praça é um vazio, mas também uma construção. Lynch (1960) complementa, afirmando que a praça é um local de integração social e está inserida na cidade, a fim de se relacionar com as pessoas, com as ruas e com a arquitetura. Este local de integração social pode ser identificado no modelo de estruturação urbana da cidade coloni-


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al, onde a praça já possuía um significado em meio às primeiras vilas e povoados brasileiro.

Robba e Macedo (2010) explicam que o casario e as edificações que formavam a freguesia, arraial ou a vila, eram construídas ao redor de uma capela local, deixando o espaço livre no centro onde se compunha o adro da igreja, esse espaço formava a praça (figura 03). Quanto mais a vila crescia, mais o adro se consolidava e formava uma importante ligação entre o povoado e a paróquia, podendo assim ser chamado de largo, terreiro ou rossio. Neste local, caracterizado praça, era um espaço de convivência entre as pessoas, onde se desenvolvia fatos e acontecimentos sociais, como: manifestações militares e politicas, movimentação do comércio e área para recreação (ROBBA; MACEDO, 2010).

Ali a população da cidade colonial manifestava sua territorialidade, os fiéis demostravam sua fé, os poderosos, seu poder, e os pobres, sua pobreza. Era um espaço polivalente palco de muitas manifestações dos costumes e hábitos da população, lugar de articulação entre os diversos estratos da sociedade colonial (ROBBA; MACEDO, 2010, p.22).

Para Murillo Marx, 1980 (apud: ROBBA; MACEDO, 2010, p.50): A praça como tal, para reunião de gente e para exercício de um sem-número de atividades diferentes, surgiu entre nós, de maneira marcante e típica [...]. Destacava, aqui e ali, na paisagem urbana estabelecimentos de prestígio social. Realçava-lhes os edifícios; acolhia os seus frequentadores.

Figura 03: Adro da Capela de Uberlândia (MG)

Fonte: MUSEU DE ARTE SACRA (2014)


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Com o desenvolvimento das cidades as praças foram adquirindo novas formas e configurações no meio urbano, se materializando de acordo com a malha urbana e se tornando cada vez mais integrada a cidade. No século XIX as praças passaram a ser elementos fundamentais e indispensáveis na ordenação das cidades, passando a adquirir e a configurar novos elementos em meio a sua composição, como canteiros, jardins, caminhos, limites, quiosques, fontes, entre outros. Tornando-se locais de passeio, encontros e contemplação (ROBBA; MACEDO, 2010).

Abaixo, podemos verificar algumas de suas classificações: Quadro 1 - Classificação das Praças: Figura 04 – Praça Matriz, Porto Alegre (RS)

Onde

proporcional-

mente, Praça Mista

coexistem

áreas pavimentadas e arborizadas.

Fonte: HAGAH (2014)

Figura 05 – Largo de Glênio Peres, Porto Alegre (RS)

Consideradas Praça Seca

largos

históricos e espaços sem arborização, com intensa circulação de pedestres. Fonte: PORTO ALEGRE (2014)


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Figura 06 – Praça da Alfândega, Porto Alegre (RS)

Espaço que apresenta Praça Úmida

grande presença de arvores e arbustos.

Fonte: WIKIPEDIA (2014)

Figura 07 – Praça da República, Nova Petrópolis (RS)

Onde possui intensa quantidade de formaPraça Jardim

ção vegetal, com muitas circulações ao redor, a fim de que se priorize a contemplação do jardim. Fonte: GELSDORF TURISMO (2014)

Figura 08: Praça da Liberdade, BH (MG)

Possui forte influencia Praça Azul

da água em sua composição, como espelho d’água e chafariz.

Fonte: WIKIPEDIA (2014)


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Figura 09: Praça Tiradentes, Curitiba (PR)

Tipologias de praças Praça Amarela

em geral.

Fonte: SPPERT (2015) Fonte: MASCARÓ; MASCARÓ (2009); ROBBA; MACEDO (2002) – Adaptado pela autora.

No século XX, iniciam-se novos conceitos e programas para o espaço praça, deixando de ser somente local de passeio e contemplação, mas abrigando em sua composição atividades de lazer cultural, esportivo e recreação, que se incorporam intrinsicamente a este espaço, formando um elo de convivência e sociabilidade entre os usuários (ROBBA e MACEDO, 2010).

Contudo, Sitte (1992) comenta que as praças criadas no século XX são espaços impessoais e impróprios para o uso coletivo e lamenta a perda da qualidade estética e do uso das praças pelo indivíduo em relação às praças da antiguidade, isso se evidencia no trecho a seguir: Hoje, raramente utilizadas para grandes festas públicas e cada vez menos para o cotidiano, elas servem, na maioria das vezes, a nenhum outro proposito, além de garantir maior circulação de ar e luz, provocar certa interrupção na monotonia do oceano de moradias e, de qualquer maneira, garantir uma visão mais ampla sobre um edifício monumental, realçando seu efeito arquitetônico. Que diferença da antiguidade! Nas cidades antigas as praças principais eram uma necessidade vital de primeira grandeza, na medida em que ali tinha lugar a uma grande parte da vida pública, que hoje ocupa espaços fechados, em vez das praças abertas (SITTE, 1992, p.16-17).

Com base em analise dos textos e observações cotidianas, sem regras e tampouco limite ocorreu uma (re) produção de praças, onde os valores junto ao usuário e ao local onde estão inseridas foram perdidos. As preocupações quanto ao convívio das pessoas são esquecidos por parte de órgãos públicos e profissionais envolvidos nas concepções das praças, permitindo, muitas vezes, que interesses políticos prevale-


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çam. Assim fazendo com que o usuário também se perca em meio a tanto descaso e falta de conscientização desses locais.

Tabacow (2004) explica que é inexistente a conscientização da importância física e simbólica desses espaços, praças, no Brasil, esses locais deixaram de ser estruturas de interação das cidades gerando perda da qualidade de vida, além de não se relacionar com a arquitetura da mesma.

Alex (2008) menciona que espaços livres no meio urbano, onde nem sempre existe preservação e sua função não se destacou durante a evolução e transformação das cidades, não compartilha em nada no ideal da vida urbana. Também afirma que as funções do espaço público, as praças, foram esquecidas e passadas para um segundo plano no que se refere à criação de políticas urbanas, é necessário planejamento e valorização das áreas livres, a fim de que as praças, com potencialidades de criação de áreas de convivência, não sejam tratadas como muros ou barreiras impenetráveis.

O atual cenário de violência e segregação, abandono e desvalorização, enchentes e poluição, despertou nos dirigentes uma preocupação em se resgatar a vitalidade das cidades. Ações que ilustram esta realidade podem ser conferidas nos investimentos públicos voltados para recuperação de espaços urbanos visando à melhoria da qualidade de vida na cidade, como o Programa Nacional de segurança pública com cidadania (PRONASCI) ou nas urgentes e atuais demandas por propostas que contribuam para minimizar os impactos das intensas precipitações e das doenças urbanas.

A recuperação, revitalização e reurbanização das áreas de uso público como as praças, destacam-se diante deste cenário como uma alternativa presente nas políticas atuais que visam resgatar a vitalidade das cidades.

3.1 REVITALIZAÇÃO DA PRAÇA

Este subcapítulo apresenta conceitos e definições de revitalização, além de alguns exemplos de praças que obtiveram resultados positivos após a reforma, passando a


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exercer funções de convívio, sociabilidade e integração a partir de novos desenhos de espaços convidativos e representativos para realidade da cidade e principalmente para o público geral. Ainda explica a importância e o beneficio em utilizar e incentivar as operações urbanas consorciadas para o desenvolvimento de projeto urbanos.

No que se refere ao termo intervenção urbana, segundo Simões Junior (1994), a história das cidades é marcada por três momentos relacionados ao processo desta intervenção pública: o embelezamento urbano, marcado com o plano Haussmann em Paris em 1850; a renovação urbana, marcada pelos ideais modernistas na Carta de Atenas em 1933; e atualmente a revitalização urbana, marcada por uma nova postura de intervenção, onde a busca é por espaços mais humanos, que visam a preservação e o desenvolvimento.

O termo revitalização pode ser entendido da seguinte forma: [...] a revitalização urbana desenvolve estratégias e promove um processo com carácter inclusivo e integrador, capaz de provocar iniciativas, projetos e atuações – de carácter transversal e setorial, sendo um instrumento de gestão coletiva do território com capacidade para utilizar como recursos próprios programas urbanos muito diferenciados, de cariz mais social, econômico ou cultural. (Guerra et al., 2005, p. 25).

A Carta de Lisboa (1995) completa, afirmando que a revitalização é uma operação com o objetivo de dar novamente a vida econômica e social a um espaço em decadência. Acrescenta que a revitalização pode ser aplicada em qualquer local da cidade, independente se possuem ou não identidade e características marcadas no local. Contudo diante do tema revitalização urbana, é importante apresentar outros termos que derivam ou talvez “ande em paralelo” com o tema destaque. Tais termos são: renovação, requalificação e reabilitação. A intenção é que haja uma clara compreensão na pretensão deste trabalho, no qual o produto final será embasado.

Seguindo este contexto, o termo renovação urbana está relacionada à demolição do edificado de uma área degradada e a substituição por uma nova construção, com


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padrões urbanos contemporâneos, que por muitas vezes possuem características morfológicas e tipológicas diferentes da construção demolida. “Hoje estas estratégias desenvolvem-se sobre tecidos urbanos degradados aos quais não se reconhece valor como patrimônio arquitetônico ou conjunto urbano a preservar”. (Carta de Lisboa, 1995).

A Carta explica que a reabilitação urbana é voltada para a melhoria da cidade através de várias intervenções. Enquanto a renovação urbana faz um tratamento extremista do tecido edificado, a reabilitação não destrói o tecido, mas a readapta às novas situações de funcionalidade urbana atual, a fim de melhorar a qualidade de vida dos residentes. No processo de reabilitação os edifícios podem ser demolidos ou restaurados. O local ainda poderá receber novas construções e um melhoramento do espaço. Tal processo ainda está relacionado a melhoria das condições de vida nos Centros Históricos, conservando e preservando as edificações.

Para Guerra et al., (2005), a requalificação urbana é utilizada para contribuir e proporcionar melhores condições de vida, promovendo a construção de equipamentos e infra-estruturas, além da valorização do espaço. No processo ocorre à reintrodução de qualidades urbanas, de acessibilidade ou centralidade a uma determinada área, logo a atribuição de novas funções no local. A Carta de Lisboa (2005) completa, afirmando que a requalificação urbana é aplicada, “sobretudo a locais funcionais da “habitação”; tratam-se de operações destinadas a tornar a dar uma atividade adaptada a esse local e no contexto atual”.

Com base nos termos abordados é possível afirmar que renovar, reabilitar e requalificar não seria a intenção no presente trabalho, pois neste estudo não é propósito destruir o que existe nem tão pouco substituir por uma infraestrutura estranha ou desconhecida pela história local. Adaptar ou inserir na praça novas funcionalidades, porém que não condiz com a estrutura e cenário local, para adapta-lo a contemporaneidade, também não é a intenção. Logo, pode-se afirmar que revitalizar é o tema e o propósito deste trabalho, pois a praça será tratada não apenas como simples espaço físico na malha urbana a ser demolido, melhorado ou readaptado, mas como espaço vivido e de valor sentimental, concedendo vida e destaque àquilo no qual sua real função está esquecida ou abandonada, contribuindo para que novamente a


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praça se integre a atual realidade da cidade e faça parte da vida da sociedade, considerando a forma que é utilizada, a cultura e história local. Com a intenção de se obter sucesso em projetos de requalificação e revitalização de áreas públicas, as Parcerias Públicas Privadas (PPPs) tem sido incentivadas cada vez em prol desta busca. Tais parcerias favorecem ambas as partes acelerando processos burocráticos, contribuindo para o crescimento local, atraindo investimentos, serviços e usuários. Del Rio (2001) explica que este processo norte-americano se tornou modelo de referência em vários países, onde o planejamento compartilhado com colaboração entre o poder público (viabilizadores), o poder privado (investidores) e a comunidade (moradores e usuários), garantem a identificação de planos e programas, assim, podendo nortear a implantação de projetos que tem como objetivo a implantação de melhorias, a fim de atrair novos investidores e usuários ao local, contribuindo para a valorização do espaço de uso público.

Brito (2006) explica que as parcerias público-privado podem ser importantes instrumentos de suporte à gestão pública como um todo e à urbana, especificamente, notadamente para projetos voltados para a realização de infraestrutura, à implantação e ao gerenciamento de equipamentos públicos e à viabilização de empreendimentos urbanos. Os fatores que determinam ou não o sucesso das PPPs são muito variáveis, contudo é perceptível que quanto mais inovadora for à ideia, mais cuidado se requer. O autor acrescenta que analisar projetos já realizados é uma boa estratégia para evitar erros cometidos em outros casos, e afirma que o domínio do projeto, seriedade, clareza na condução dos processos e garantir comprometimento das partes envolvidas, são fatores determinantes para um resultado satisfatório.

Logo, esta parceria tem sido um instrumento bastante utilizado como estratégia na valorização e crescimento das cidades. Podemos observar tal exemplo em Puerto Madero, em Buenos Aires, onde a área portuária foi comprometida pelo impacto de distintas políticas que acarretaram a diminuição das atividades comerciais e do dinamismo intrínseco ao local, o que acarretou no abandono da área. Contudo através da parceria, propondo a reintegração da área ao centro urbano, surge a criação de uma cidade de negócios, integrada a uma área dedicada ao espaço público, com usos culturais e esportivos em escala metropolitana (figura 10) (GIACOMET, 2008).


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Figura 10: Situação de Puerto Madero em 1989 x Situação após a recuperação da área em 2001

Fonte: Buenos Aires - Mondo Explorer (04/2015)

Puerto Madero possui um enorme valor simbólico para Buenos Aires, tanto por sua arquitetura como por sua localização ribeira, com a recuperação da antiga importância urbana, Buenos Aires aliou interesses mercantis e simbólicos, ampliando a cidade terciária sobre as águas do rio da Prata, recuperando-o como espaço público e correspondendo à reivindicação de não dar às costas para o rio. No campo econômico, Buenos Aires era um lugar propício para sede de investimentos (GIACOMET, 2008).

Além da revitalização de áreas e edificações existentes, os novos edifícios implantados foram vinculados às áreas públicas, com o intuito de proporcionar a interatividade da cidade, permeabilidade e continuação do espaço livre (figura 11). Figura 11: Edifícios-quadra vinculados ao espaço público

Fonte: Buenos Aires - Mondo Explorer (04/2015)


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3.2 CONCEITOS E DEFINIÇÕES PARA REVITALIZAÇÃO DA PRAÇA

Segundo Alex (2008), projetar bons espaços não é mais difícil que projetar espaços ruins, para o autor, mais do que forma, tamanho ou design, o sucesso no resultado de um bom projeto para o espaço público é determinado pelos acessos e pelas opções de lugares para sentar e permanecer com conforto.

Para Gehl (2013), os locais precisam ser vivos, isso significa ser utilizado por muitos e diferentes grupos de pessoas, o lugar criado necessita obter qualidades funcionais e emocionais da vida e da atividade no espaço comum, pois quando o espaço emite sinais amistosos e acolhedores, prometendo integração social, ele por si só se comunica com as pessoas demostrando que é um local que vale a pena estar, assim se mostra convidativo e representativo. O autor ainda menciona que para obter um bom resultado de um espaço é preciso concentrar atividades em poucos lugares e no tamanho adequado, e também no mesmo nível da cidade, pois tais atividades atraem pessoas que atraem outras pessoas, assim tornando-se um local vivo.

A fim de obter tal local vivo, como mencionado, ainda é preciso afirmar que é de extrema importância ser considerada as qualidades urbanas desejáveis e valiosas: Vitalidade e tranquilidade, pois são altamente valorizadas pelos usuários em meio a uma cidade viva e ativa (GEHL, 2013).

Brandão; Carrelos e Águia (2002) explicam que o desenho do espaço é uma atividade criativa e que deve ser sustentável, eficiente, coerente e flexível. Deve corresponder às expectativas e necessidades dos utilizadores e fornecer locais aptos a serem apropriados, estimados e usufruídos pelas suas comunidades.

O desenho de áreas públicas pode ser complexo, mas deve consistir de espaços multifacetados, pois as pessoas escolhem locais que parecem ser mais vivos e estimulantes, quase sempre vistos como “legais” ou “bacanas”, logo o design e o planejamento têm um papel importante na geração, criação e revitalização desses espaços que necessitam ser vibrantes e sociáveis (REIS; KAGEYAMA, 2011).


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Seguindo este contexto, Gehl (2013) ilustra e descreve na figura 12, medidas usuais e essenciais para que o lugar, através do seu desenho ou redesenho, seja convidativo a estar, permanecer e voltar, considerando qualidades como proteção contra riscos, ferimentos físicos, insegurança, influências sensoriais desagradáveis e, o conforto através do clima e da vegetação.

Figura 12: Demonstração da qualidade do espaço com respeito à paisagem do pedestre.

Fonte: GEHL (2013, p.239)

Considerando o contexto das qualidades e características a serem consideradas no processo de redesenho de praça, abaixo são demonstrados exemplos de praças seguindo os temas Identidade, Continuidade/Permeabilidade, Mobilidade/ Acessibilidade/ Coesão Social, Segurança/ Conforto/ Aprazibilidade e Diversidade/ Adaptabili-


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dade/ Sustentabilidade, onde as estratégias utilizadas no processo de revitalização surtiram importantes e representativos efeitos para a vida da cidade e dia-a-dia do usuário.

3.2.1 Identidade

O processo de revitalização pressupõe o resgate da vitalidade do lugar que muitas vezes contempla uma valorização da história local. Portanto assegurar o respeito pela identidade da paisagem urbana ou rural, através da promoção dos padrões culturais locais, é um dos objetivos que norteiam os projetos de revitalização, pois a paisagem de uma área reflete a sua história e por consequência, as funções e afinidades com as áreas adjacentes. Respeitar estas características como fauna, flora, água, clima, histórico, cultura, mobiliário, costumes, escala e tantos outros, pode contribuir para aumentar o interesse e riqueza da intervenção (BRANDÃO; CARRELOS; ÁGUIA, 2002).

Um exemplo deste processo de revitalização, entregue no ano de 2006, foi a Praça da Sé, figura 13, localizada no coração de São Paulo, cuidadosamente projetada, considerando e mantendo as características histórias e paisagísticas existentes, já que esta fazia parte da história da sociedade local. O projeto manteve sua relação com a paisagem original e principalmente com a Catedral Metropolitana do Estado, situada em uma de suas extremidades (ROBBA; MACEDO, 2010). Figura 13: Praça da Sé (SP) – Relação da Praça com seu entorno

Fonte: OVER MUNDO (2014)


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O projeto considerou o histórico da praça que sediou grandes manifestações populares e sociais, cuja tradição religiosa e comercial persistiu aos dias atuais, além de apresentações culturais diversas. Devido a esta realidade o novo desenho especificou revestimentos e equipamentos compatíveis com a memória local, proporcionando mais comodidade, passando a ser acolhedor e convidativo a permanência de pessoas, conforme ilustrado na figura 14. (ROBBA;MACEDO,2010). Figura 14: Praça da Sé (SP) – Amplo espaço para apresentações religiosas e comerciais

Fonte: ENCONTRA CENTRO DE SÃO PAULO (2014)

Ainda, a fim de preservar e valorizar o cenário original e ao mesmo tempo garantir as novas conexões demandadas, foram colocadas passarelas sobre os espelhos d’água, demonstrados na figura 15, aumentando a integração entre os passantes e as instalações locais e promovidas melhorias nos canteiros da praça. Conceitos como volumes prismáticos de terra, espelhos d’água, jogo de patamares, entre outros, surgem de forma a integrar os espaços existentes no projeto de revitalização da praça. Figura 15: Praça da Sé (SP) – Passarelas por cima de espelhos d água interligando as esculturas existentes

Fonte: WIKIPEDIA (2014)


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3.2.2 Continuidade/ Permeabilidade:

A fim de assegurar que os edifícios adjacentes se relacionem entre si, que os percursos juntos a praça, em processo de intervenção, se interliguem e se completem, é de extrema importância considerar a configuração dos espaços em continuidade com as ruas e ocupações existentes, pois a permeabilidade (possibilidade de ligação física e visual com o envolvente) contribui para que o local seja acessível. O redesenho deve promover a integração do novo espaço e assegurar a ligação de seus elementos às redes preexistentes (BRANDÃO; CARRELOS; ÁGUIA, 2002).

A Praça Raul Soares, localizada em Belo Horizonte, Minas Gerais, tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (IEPHA), passou por um processo de revitalização que foi concluído em 2008. No projeto, ocorreu a melhoria do fluxo no interior da praça, fazendo com que todos os caminhos se comunicassem com os pontos de acesso, interligando com as vias que a rodeava, como demonstra na figura 16. Tal medida foi estratégica para promover uma grande melhoria, já que a praça foi identificada como um ponto nodal na cidade, e se localizava entre vias de grande fluxo que carecia de conexões seguras para o pedestre (IEPHA, 2014). Figura 16: Praça Raul Soares (MG) – Dia da inauguração . Caminhos que se interligam com o entorno desde o centro da praça

Fonte: SKYSCRAPERCITY (2015)

Com base na figura 17, verificou-se que os passeios receberam novos dimensionamentos e calçamento adequado para fácil acesso, principalmente de pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, estes caminhos se interligam desde o centro da


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praça, chegando à faixa de pedestre, proporcionando continuidade e permeabilidade com seu entorno e edificações adjacentes. Figura 17: Praça Raul Soares (MG) – Caminhos com novos dimensionamentos

Fonte: SOU BH (2015)

Suas características originais foram preservadas respeitando o seu tombamento e mantendo relação com seu entorno (IEPHA, 2014). Analisando a figura 18, é possível observar que a praça recebeu melhorias em seus canteiros, além de instalação de novos bancos, bebedouros, revitalização do chafariz e postes de iluminação para atender as necessidades do local. A praça recebeu intervenções paisagísticas, e também a despoluição visual, pois algumas árvores comprometiam a relação com o entorno, causavam danos e insegurança no espaço, e também o bloqueio de visuais significativos. Figura 18: Praça Raul Soares (MG) - Novos mobiliários e chafariz revitalizado

Fonte: SKYSCRAPERCITY (2015)


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3.2.3 Mobilidade/ Acessibilidade/ Coesão Social

O processo de revitalização deve obter uma preparação, a fim de responder às necessidades de pessoas com mobilidade reduzida. Os espaços devem ser acessíveis a todos os grupos de pessoas, proporcionando-lhes condições independente de suas habilidades e limitações (BRANDÃO; CARRELOS; ÁGUIA, 2002).

Segundo Alex (2008, p. 110) o acesso é algo fundamental para a apropriação e o uso de um determinado local, entrar em um lugar é a condição inicial para se fazer uso. O autor ainda reforça a necessidade da existência de três tipos de acesso ao espaço público, sendo eles, físico, visual e o simbólico ou social. Acesso físico: ausência de barreiras espaciais ou arquitetônicas para entrar ou sair no local, tais barreiras dificultam o acesso e a apreensão do lugar. Acesso visual: manter a praça ao nível da rua, assim se torna mais visível e informa ao usuário sobre o local, propiciando o uso. Acesso simbólico ou social: presença de sinais, sutis ou ostensivos, que sugerem quem são os usuários ou quem é bem vindo ao local. Edificações e atividades também exercem controle social de acesso.

Na Praça da Biblioteca Municipal de Nova York, em Bryant Park, os resultados da revitalização que ocorreu em 1992 foram satisfatórios após receber o tratamento dos acessos. O projeto adotou a remoção de barreiras físicas e visuais e aumentou as possibilidades de mobilidade ao local, esses foram critérios prioritários no projeto. A estratégia em utilizar mobiliários soltos, como mesas e cadeiras, aumentou significativamente o número de usuários, como demostra a figura 19. Tais mobiliários podem ser utilizados em qualquer área dentro da praça, proporcionando bem estar a todos (ALEX, 2008).

Para que tal estratégia seja utilizada no Brasil, é necessário um estudo mais delicado, a fim de que cuidados sejam previstos, tanto quanto ao uso, quanto a vulnerabilidade em relação aos equipamentos especificados, pois tanto os usuários como a realidade social, cultural e os costumes da cidade de Nova York, são diferentes do Brasil.


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Figura 19: Praça da Biblioteca, Bryant Park (NY) - Mobiliários soltos, acesso também a partir de edificações do entorno.

Fonte: HOJE CONHECEMOS (2014)

Analisando a figura 20, podemos destacar que a praça ainda contava com amplos espaços abertos e gramado, rodeado de árvores que preservaram a permeabilidade e o visual, ainda manteve os caminhos nivelados, largos e livres de obstáculos. Segundo Alex (2008), a vitalidade da praça é reforçada por áreas de alimentação e lojas de conveniência onde os usuários podem ter acesso sem quaisquer restrições. Figura 20: Praça da Biblioteca, Bryant Park (NY) - Áreas livres sem barreiras para uso, espaços e quiosques para alimentação

Fonte: AMSD ARQUITETURA (2015)

O reforço territorial foi garantido pelo acesso visual e físico, e pelo pessoal da manutenção. A nova praça obteve um resultado imediato quanto ao crescimento de usuários, demonstrado na figura 21, revelando entre eles uma incrível diversidade de grupos de pessoas, tais como crianças, jovens, casais e idosos atraídos pelos novos equipamentos e usos disponibilizados após a revitalização. (ALEX, 2008).


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Figura 21: Praça da Biblioteca, Bryant Park (NY) – Muitos usuários e grupos diversificados

Fonte: AMSD ARQUITETURA (2015)

3.2.4 Segurança/ Conforto/ Aprazibilidade

O conforto humano, resultado do microclima, da qualidade ambiental acústica, qualidade do ar e da água, são fatores condicionantes a serem observados em projetos de revitalização que visam criar ambientes favoráveis ao uso e apropriação das pessoas. As formas que os elementos de composição e equipamentos são implantados no espaço devem ser estudados para garantir também a acessibilidade, a fácil manutenção e a resistência a eventuais atos de vandalismo. O modelo dos mobiliários devem possuir regras de segurança e ergonomia, proporcionando ao utente o conforto necessário enquanto estiver fazendo uso dele. Para facilitar a vigilância no local, proporcionar um sentimento de segurança aos frequentadores, e tornar o uso noturno viável e confortável, é necessário que haja cuidado ao dimensionar os postes de iluminação para que o resultado seja satisfatório e atenda as necessidades do local (BRANDÃO; CARRELOS; ÁGUIA, 2002).

A segurança é fundamental na vida das pessoas e do espaço, ter a capacidade de caminhar com tranquilidade é um pré-requisito para criar praças funcionais e convidativas. Para Gehl (2013), onde há pessoas, há segurança.

A Praça Paris, localizada no bairro Glória, no Rio de Janeiro, revitalizada e reinaugurada em 1992, é referência quanto ao bem estar e a comodidade. A praça é rodeada de grande massa verde que proporciona um clima agradável e favorece a perma-


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nência no local, além da presença da água, com chafarizes e elementos que despertam a curiosidade, como jatos que projetam a água a cinco metros de altura. Esses proporcionam além de beleza, a renovação do ar tornando-o mais agradável no entorno da mesma conforme ilustração da figura 22. Além disso, faz com que se torne um local prazeroso e contemplativo para as pessoas (FOLETTO, 2012). Figura 22: Praça Paris (RJ) – Presença de água, chafarizes e massa verde

Fonte: ARCHDAILY (2014)

Ainda segundo a autora, a Praça Paris é muito procurada e frequentada por pessoas que gostam de caminhar ao ar livre, desportistas ou por quem apenas prefere passear ou se sentar entre o verde e, contemplar a paisagem recuperada, figura 23. Os grandes canteiros verdes também atraem e acomodam os usuários. Figura 23: Praça Paris (RJ) – Pessoas realizando exercícios físicos

Fonte: O GLOBO (2014)

A praça possui em sua composição 9 mil lâmpadas em LED que criam um efeito multicolorido, que mudam de cor e intensidade de luz a cada cinco minutos, todas


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em sincronia, como demonstrado na figura 24. Esta estratégia inserida na revitalização capta a atenção das pessoas, onde todos os que passam ficam curiosos e emocionados. O desenho do local previu espaços que comportam eventos sazonais, apresentado na figura 25. A praça recebe exposições de esculturas, quadros e pinturas, atraindo um público diversificado que passam a ser frequentadores da praça, devido a inúmeras possibilidades de apropriação temporária do espaço público (FOLETTO, 2012). Figura 24: Praça Paris (RJ) – Área livre com Iluminação em LED

Fonte: ARCHDAILY (2014) Figura 25: Praça Paris (RJ) – Presença de esculturas

Fonte: O GLOBO (2014)

3.2.5 Diversidade/ Adaptabilidade/ Sustentabilidade

As Praças apresentam um cenário de vida cotidiana, são enriquecedoras e possuem grande potencial quando o espaço é projetado criativamente para receber uma vasta gama de população e atividades, pois atraem diferentes pessoas, em horários distin-


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tos e induz em cada frequentador uma percepção do espaço, logo a maximização de diferentes usos é essencial. A criação de espaços multifuncionais possibilita a utilização simultânea por pessoas de diferentes idades, com interesses e motivações diversificadas. Projetos com espaços que proporcionam adaptações a outras finalidades é uma boa resposta a possíveis mudanças futuras nos hábitos e necessidades da população (BRANDÃO; CARRELOS; ÁGUIA, 2002).

A qualidade do desenho como noção global, é uma ideia sustentável na elaboração dos espaços públicos, além de promover uma utilização racional e integrada dos recursos naturais. Gehl (2013) explica que a sustentabilidade social é um conceito amplo e desafiador quando afirma o seguinte: Parte do seu foco é dar aos vários grupos da sociedade oportunidades iguais de acesso ao espaço público e também de se movimentar [...]. Para alcançar a sustentabilidade social, as alternativas das cidades devem extrapolar as estruturas físicas. Se a meta é criar cidades que funcionem, os esforços devem concentrar-se em todos os aspectos, do ambiente físico e das instituições sociais aos espaços culturais [...] (GEHL, 2013, p.109).

A Praça Victor Civita, localizada em Pinheiros, São Paulo, passou por um processo de revitalização que foi finalizado em 2008, a gestão da praça realizou algumas parcerias que proporcionou ambientes em sua composição para receber atividades regulares todos os dias, como ioga e pilates, cursos de línguas, pintura, danças e oficinas para a terceira idade como demonstra figura 26 (KON, 2011). Figura 26: Praça Victor Civita (SP)– Espaço destinado a atividades físicas

Fonte: ARCHDAILY (2014)


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A Praça recebeu um espaço com deck e áreas de parada para descanso, neles foram locados equipamentos de ginástica e uma pista para caminhadas, demonstrados nas figuras 27. Além disso, também foi inserido um palco com arquibancada para 400 pessoas, destinado aos eventos culturais abertos à população, figura 28 (KON, 2011). Figura 27: Praça Victor Civita (SP) – Equipamentos para ginastica e pista para caminhadas

Fonte: ARCHDAILY (2014) Figura 28: Praça Victor Civita (SP) – Espaço com deck e arquibancada

Fonte: ARCHDAILY (2014)

A sustentabilidade ambiental também foi uma das prioridades no projeto da Praça, onde foram adotadas medidas como aproveitamento da água da chuva para irrigação das jardineiras e usos dos sanitários, e iluminação em LED. Além disso, foi elaborado junto aos agentes sociais locais, programas voltados à sustentabilidade cultural e ecológica, a partir de ações que apoiassem iniciativas sustentáveis, através


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de laboratórios de plantas, demonstrado na figura 29, pesquisas voltadas a certificação da madeira, usos de sistemas orgânicos para reciclagem de água e racionamento energético (KON, 2011). Figura 29: Praça Victor Civita (SP) – Espaço na praça destinado a pesquisas sobre sustentabilidade

Fonte: ARCHDAILY (2014)

Baseado nas analises dos textos citados e figuras demonstradas, é possível mencionar que com a finalidade de obter um bom resultado na revitalização de espaços de uso público é preciso pensar nas pessoas que deverão frequentar o local, é preciso conceber, combinar situações e lugares para o encontro, e proporcionar a comodidade e o bem estar humano. As pessoas permanecem aonde se sentem confortáveis, acolhidas e seguras, estando acompanhadas ou não, logo estes lugares precisam oferecer cenários que as convençam disso. O espaço precisa demonstrar vida e através de sua composição, demonstrar ainda que compreende as necessidades do usuário, para tornar-se desejado.

Todos os exemplos apresentados possuem a centralidade de suas áreas em comum, pois assim como o objeto de estudo proposto neste trabalho, as praças possuem ligações com a história local e estão localizadas nos centros das cidades.

3.3 CONFIGURAÇÕES DA PRAÇA NO CONTEXTO DA REVITALIZAÇÃO

Neste subcapítulo serão apresentados elementos que devem compor e fazer parte no processo de revitalização das praças, o mobiliário e o equipamento urbano. Esses contribuirão para o bom funcionamento e embelezamento da praça, além disso, para a permanência de pessoas, o convívio entre elas, e o prazer em estar no local.


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3.3.1 Elementos Naturais/ Mobiliários Urbano

O microclima agradável, a distribuição coerente das mesas e bancos com as costas protegidas, com boa visibilidade e pontos que permitam uma boa conversa, são requisitos gerais para projetos de revitalização de praças que visam garantir que pessoas possam sentar e interagir (figura 30). Se a praça oferece vistas naturais como água, vegetação, visuais ou até mesmo esculturas, as pessoas sentem-se atraídas e logo surge a necessidade de observar, pois a visualização da vida da cidade e das pessoas é a atração principal. Sentar-se próximo ou com visão para estes elementos, faz com que as pessoas pensem “este é um bom lugar para ficar, posso permanecer aqui por um bom tempo” (GEHL, 2013). Figura 30: Praça da Matriz (Paraty, RJ) – Croqui de áreas confortáveis para sentar e permanecer

Fonte: CASA AZUL (2015)

Ainda segundo Gehl (2013), há duas classificações de assentos, os primários, exemplificado na figura 31, que consistem em mobiliários com encostos e braços, onde seu design e o material contribuem para o conforto, em caso de pessoas que permaneçam no local por algum tempo ou se um idoso necessitar de apoio para se sentar ou levantar, os braços do assento serão de grande ajuda. E os assentos secundários, demostrado na figura 32, que são opções onde as pessoas se acomodam por menor tempo, muitas vezes para esperar alguém, para descanso ou mesmo para olhar envolta, podendo ser pedestais, degraus, pedras, monumentos ou o próprio


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chão. O agrupamento dos assentos, principalmente os primários, pode criar uma “paisagem para conversa”. Ter locais que convidam as pessoas para se sentar também as convidam a permanecer e caminhar, proporcionando um local ativo e vivo. Figura 31: Assentos primários

Fonte: CRIA DESIGN (2014) Figura 32: Assento secundário próximo às esculturas

Fonte: GERL (2013)

Gehl (2013) acrescenta que oferecer boas instalações e equipamentos que promovam comodidade e integração social a uma variedade de grupos de pessoas, como crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos, figura 33, deve ser considerado e incentivado nos processos de recuperação do espaço (GEHL, 2013). Elementos também de grande importância na revitalização de praças que vale destacar é a locação de bebedouros, lixeiras e telefone público. São mobiliários indispensáveis e que necessitam estar presente nas praças com o objetivo de suprir necessidades físicas dos usuários no caso de bebedouros e telefones públicos, assim contribuindo para uma maior permanência no local. É necessário manter a praça


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limpa e conservada, logo a presença e o bom dimensionamento de lixeiras em pontos estratégicos ajudam os usuários a manter e ajudar na manutenção e conservação do local. A fim de se integrar com a paisagem local, durar e resistir a possíveis atos de vandalismo, a preferência é por elementos que possua material resistente e de fácil manutenção. Figura 33: Mobiliário integrador, multiuso.

Fonte: ISSUU (2015)

3.3.2 Iluminação/ Elementos Visuais A iluminação pública dos espaços está no grupo dos itens mais importantes a serem considerados e trabalhados no projeto de revitalização de praça, pois pode proporcionar o sucesso do local e seu uso no final da tarde e a noite, fazendo com que seja ponto de encontro e interatividade, como também pode ser o causador do fracasso em sua utilização, além de favorecer a violência e causar sensações de insegurança para os usuários que certamente não farão uso do espaço nesses períodos. Como demonstrado na figura 34, os postes de iluminação precisam ser cuidadosamente dimensionados tanto em posição, altura, quantidade, e com a intensidade da luz compatível com a necessidade da praça. Figura 34: Praça Hermógenes Freire, São Pedro da Aldeia (RJ) Eficiência na distribuição dos postes para iluminação pública

Fonte: DIÁRIO ALDEENSE (2014)


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Além disso, a iluminação possibilita aplicações que valorizam e criam atrativos que despertam a curiosidade das pessoas através de elementos visuais, a fim de atrair olhares e curiosos para o local. Tais estratégias além de funcionar atraindo pessoas também no período da noite agregam valores à praça que passa a ser referência nas cidades.

Gehl (2013) menciona que o trabalho com elementos estéticos e visuais possui um grande potencial. Para quem frequenta e caminha pela praça, se deparar com detalhes cuidadosamente planejados e materiais diferenciados “do comum” como a valorização de monumentos, proporcionam experiências valiosas em si, proporcionando ganhos em qualidades visuais, tanto para a comunidade quanto para visitantes (figura 35). Figura 35: Estátua Iluminada Praça da autonomia, Funchal (POR)

Fonte: SKYSCRAPERCITY (2015)

3.3.3 Vegetação No Brasil, a vegetação é um elemento muito presente na maioria das praças, como exemplificam as figura 36, porém em muitos casos são tratadas com descaso e sem manutenção, não sabendo que tal elemento desempenha um papel inestimável na vida urbana. Capaz de proporcionar belos espaços e contribuir para o conforto e bem estar das pessoas, grande parte da beleza no espaço deve-se a vegetação presente. Além disso, de acordo com estudos ambientais, a vegetação favorece para um bom microclima, reduz a temperatura do ar nas cidades, ajuda no combate de


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gases poluentes e também pode atuar como captador de água da chuva para reduzir o escoamento durante as intensas precipitações.

Gehl (2013, p.180) afirmou o seguinte: Árvores, paisagismo e flores têm um papel fundamental entre os elementos do espaço urbano. As árvores fornecem sombra nos meses quentes de verão, refrescam e limpam o ar, definem o espaço urbano e ajudam a destacar pontos importantes. Uma grande árvore numa praça sinaliza “aqui é o lugar” [...]. Além de suas qualidades estéticas imediatas, os elementos verdes das cidades têm valor simbólico. A presença do verde para recreação, introspecção, beleza, sustentabilidade e diversidade de natureza. Figura 36: Praça das Flores (Petrópolis – RS) Valorização da vegetação

Fonte: SECRETARIA DO TURISMO DO RS (2015)

4 DIAGNÓSTICO DA ÁREA DE ESTUDO – PRAÇA PRESIDENTE GETÚLIO VARGAS

Este capítulo tem como objetivo apresentar um breve histórico da consolidação do local onde a praça está localizada e como a mesma se insere em meio a este contexto. O capítulo também identifica potencialidades e problemáticas na área de estudo deste trabalho. As informações levantadas foram registradas através de mapas e relatórios fotográficos, com intuito de identificar as condicionantes a serem consideradas junto à fundamentação teórica para o desenvolvimento de um projeto, a fim de que a praça se torne um local de convívio social.


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4.1 LOCALIZAÇÃO E BREVE HISTÓRICO DA ÁREA

A Praça Presidente Getúlio Vargas esta localizada em área de aterro conhecida como “Esplanada Capixaba” no Centro de Vitória – ES (mapa 01). Possui aproximadamente 1000m² e está inserida em um contexto que abrange pontos comerciais, residências, e outros serviços como instituições públicas e governamentais. A praça é delimitada pelas ruas Coronel Vicente Peixoto e Dr. Aristides Campos e pelas Avenidas Marechal Mascarenhas de Moraes e Princesa Isabel. A área de estudo possui grande movimentação de pessoas em horário comercial, devido ao grande fluxo de trabalhadores, estudantes e outros que circulam pelo local. Mapa 01: Mapa de Localização da Praça Presidente Getúlio Vargas

Praça Presidente Getúlio Vargas Fonte: Google Earth (2014). Adaptado pela autora

No período da noite, por volta das 18:00h em diante, a praça fica escura e vazia, devido a falta de atrativos no local. Nos finais de semana a praça é frequentada por pessoas somente no sábado, das 08:00 às 14:00hr, após este horário e aos domin-


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gos permanece vazia, salvo em casos eventuais como ciclismo, atividades de lazer, remo e pesca, onde a praça é utilizada como ponto de encontro e de referência nessas ocasiões (figura 37). Tais eventos ocorrem em feriados e datas comemorativas, os dias e o tipo de realizações são determinados por representantes comunitários em parceria com a prefeitura e patrocinadores no decorrer do ano. Figura 37: Premiações de corridas na Praça Presidente Getúlio Vargas e momentos de lazer ao entorno da mesma.

Fonte: PREFEITURA MUNICIPAL DE VITÓRIA (2015)

Tais atividades e ocupações realizadas no local, assim como o crescimento urbano da cidade, foram possibilitadas através de aterros realizados na cidade de Vitória (mapa 02), que ampliaram às áreas de circulação, de vias e mais moradias, proporcionando novas conexões entre as partes continentais adjacentes a ilha (FARIA, 2010). Mapa 02: Planta geral do município de Vitória atual, com indicação de áreas que receberam aterro. Destaque para as áreas em Cinza, roxo, verde e vermelho (Centro de Vitória).

FONTE: DE OLHO NA ILHA (2015)


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A referida configuração ocorreu na década de 50 quando o governante Jones Santos Neves aprova o projeto da denominada “Esplanada Capixaba”, área a beira mar no centro de Vitória, como a nova região para a realização de um aterro, destacada em vermelho na figura 38. A finalidade seria corrigir sistema de águas da bacia de evolução do porto, além de conquistar para a cidade uma área edificável na continuidade da zona comercial de Vitória. O aterro também possibilitaria melhorias nas condições de tráfego para a Praia Comprida, região do Novo Arrabalde 1 e, para a vazão dos "grandes troncos rodoviários" do norte (FREITAS, 2005). A Esplanada Capixaba, local onde a praça de estudo está inserida, compreende os terrenos entre as avenidas Jerônimo Monteiro e Beira-mar no trecho que se estende das imediações do entroncamento desta última com a Av. Governador Bley, que dá continuidade à Av. Princesa Isabel, até os arredores do forte São João como destacado na figura 35 (FREITAS, 2005). Figura 38: Área desabitada, Aterro da Esplanada Capixaba, 1961.

Fonte: UFMG (2015). Adaptado pela autora. 1

Novo Arrabalde: Primeira proposta de projeto de expansão urbana para Vitória (ES), desenvolvida

pelo engenheiro sanitarista Francisco Saturnino Rodrigues de Brito, em 1896, como parte do plano de governo do então presidente do estado do Espirito Santo, José de Melo Carvalho Muniz Freire (18921896), pois no final do século XIX, a capital apresentava graves problemas sanitários. O projeto de um Novo Arrabalde para Vitória indicava a inserção da capital capixaba na questão e urbana da época (CALOUISE, 2012).


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O Código Municipal de Vitória de 1954 (Lei nº 351/54) estabeleceu normas específicas para a urbanização do local, e a considerava como o único Bairro Comercial Especial da cidade (BCE), confirmando a intenção de complementação com esse aterro, da zona comercial de apoio às atividades do Porto de Vitória e a modernização pretendida para a capital. A Lei 351/54 dispunha no Art. 41 que as construções “deveriam ser destinadas a estabelecimentos comerciais, escritórios, consultórios, bancos, confeitarias e similares”. Quanto aos limites de número de pavimentos previstos o Art. 210 estipulava para o BCE no mínimo 08 pavimentos e no máximo 12 pavimentos (FREITAS, 2005).

Contudo, Freitas (2005) explica que devido a complicações nas negociações da terra e a falta de interesse e exigências por parte de empresários privados, quanto ao parcelamento do solo, ocorreram então alterações quanto às exigências estabelecidas, inclusive em relação ao gabarito estipulado para a região. Tais alterações fizeram com que ocorressem grandes modificações no projeto idealizado pelo governador Jones Santos Neves, onde previa que as edificações apresentassem gabaritos ascendentes a partir da baía de Vitória em direção aos morros. Entretanto no local, atualmente, é possível observar edificações de gabarito mais elevado ao longo da Av. Beira-mar, contradizendo a perspectiva do projeto para a área.

Na década de 60 o terreno onde atualmente a praça está inserida ainda não possuía um projeto específico nem pavimentação como podemos verificar na figura 39. Segundo AZEREDO (2015), 62 anos, ex-trabalhador e frequentador do local, ainda nesta década funcionava um parque no terreno e que este atraia muitos frequentadores ao local de sexta a domingo, das 16:00 às 22:00.


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Figura 39: Área onde será inserida a Praça Presidente Getúlio Vargas ainda sem urbanização

Fonte: ARQUIVO PÚBLICO MUNICIPAL (2014)

Azeredo (2015) explica que o parque era utilizado para encontros e diversão, e que mesmo com chuva e barro nos pés, devido a falta de pavimentação no terreno, as pessoas se sociabilizavam e gostavam de estar e permanecer no local, pois o parque oferecia muitas atrações. Silva (2015), 70 anos, morador há 50 anos de um condomínio próximo a praça, acrescenta que o “Centro da Cidade” oferecia cinemas, porém o local mais frequentado era a parque. Ainda segundo Azeredo (2015) em épocas de carnaval os foliões inseriam um tablado de madeira em parte da área para realizar ensaios de futuros desfiles, além disso, construíam “barracões” cobertos por lonas utilizados para acomodações e até mesmo para dormir durante as festividades. Silva (2015) acrescenta que o local também era utilizado como campinho de futebol e que por diversas vezes alguns religiosos, da denominação Cruzada2, realizavam encontros e orações no local. Vale destacar que o monumento Getúlio Vargas localizado atualmente do lado voltado para a Avenida Beira Mar da praça foi encomendado e inaugurado durante o Governo de Jones dos Santos Neves (1951-1955), a fim de homenagear o presidente do país. Neste mesmo período ocorreram à construção de estátuas do presidente em várias cidades brasileiras como Volta Redonda, Nova Friburgo, Rio de Janeiro, Curitiba e outros, através do escultor Leonardo Lima, todas produzidas com o mes2

Cruzada: Encontro de Cristãos Pentecostais que pregavam a Bíblia e a Jesus Cristo.


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mo objetivo (PROCÓPIO, 2010). O autor ressalta que o registro da data exata de inauguração da obra capixaba é escasso, e que se pode afirmar apenas que faz parte de uma série de inaugurações promovidas por Santos Neves, na cidade de Vitória, durante o seu governo como demonstra a figura 40.

A pose imponente da estátua de Getúlio Vargas demonstrava o caráter do discurso político, que embora controlador, era admirado pelo seu povo. A posição da estátua voltada para a baía parecia não somente avistar ou incentivar um futuro promissor, mas também registrar o desenvolvimento que ele desejava para a cidade, desde então iniciado por Jones dos Santos Neves, que, nos anos de sua gestão impulsionou o crescimento da capital com a produção de muitos projetos urbanísticos. Logo, o monumento tem ligação direta com as obras do governador e sua “marcha rumo ao crescimento econômico” (PROCÓPIO, 2010). Figura 40: Inauguração do Monumento Getúlio Vargas na Esplanada Capixaba, terreno da atual da Praça Presidente Getúlio Vargas

Fonte: IJSN (2014)

Ainda segundo o autor, a escultura foi erguida em um local desabitado, no antigo “Aterro da Esplanada Capixaba” na década de 50 e permaneceu solitário até que a cidade se apropriasse daquele espaço. Contudo, foi no início da década de 70 que o espaço recebe parte da urbanização com a execução do projeto da Praça Presidente Getúlio Vargas, destacada em vermelho na figura 41, que recebe tal nome em homenagem a estátua já inserida no local. É possível verificar ainda na mesma figura que o projeto original da praça resultou no desenho de um espaço retangular e o monumento Getúlio Vargas, que já estava presente na área, foi mantido no centro da praça. Os canteiros receberam formatos orgânicos, vegetação rasteira e de pequeno porte.


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Figura 41: Primeira urbanização da Praça Presidente Getúlio Vargas, na área voltada para a Av. Marechal Mascarenhas de Moraes (Beira Mar).

Fonte: IJSN (2014). Adaptado pela autora.

Ainda na década de 70 é possível observar, através da figura 42, a presença de novas edificações na área, a quadra onde está localizada a praça, porém a parte voltada para a Avenida Princesa Isabel, foi desmatada e preparada para uma nova intervenção. É possível identificar ainda a marcação da área onde foi construído o Edifício Jusmar, porém o entorno da praça ainda permanece desabitado. Figura 42: Entorno da Praça Presidente Getúlio Vargas com poucas modificações após sua primeira urbanização

Fonte: IJSN (2014). Adaptado pela autora.


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Segundo informações adquiridas no IJSN, Arquivo Público e IPHAN (2014), entre o final da década de 70 e início da década de 80, ocorre uma evolução quanto a consolidação da área, os terrenos no entorno da praça recebem edifícios com altos gabaritos e de diversos usos como escritórios, hotéis e residências, que permanecem até os dias atuais.

De acordo com o registro das fotos, podemos observar que a praça recebe uma ampliação no desenho do projeto original, onde sua forma passa de retangular para formato em “L”, além de receber novos canteiros, destacado em vermelho na figura 43. Esta nova área urbanizada trata-se da parte voltada para a Avenida Princesa Isabel, que também recebe um monumento nomeado “Lei de Deus”, que segundo moradores locais, retratava Deus abençoando a cidade, através dos dez mandamentos bíblicos descritos no mesmo. (PROCÓPIO, 2010). Figura 43: O entorno da Praça Presidente Getúlio Vargas com edifícios e a ampliação da área demonstrando o novo formato em “L”.

Fonte: ARQUIVO PÚBLICO MUNICIPAL (2014). Adaptado pela autora.


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Figura 44: Esquema da sequência dos acontecimentos e urbanização da praça

Fonte: Elaborado pela autora (04/2015)

A Praça Presidente Getúlio Vargas faz parte da história, formação e consolidação da cidade de Vitória, em especial dos moradores e trabalhadores do centro, logo, apesar de não ser tombada, possui grande valor histórico e cultural. Por ser uma extensão considerável de área livre de uso público do centro da capital, esquecida e inerte a manutenções e intervenções que qualifiquem seu uso para uma apropriação saudável e segura da população e a sua importância na estrutura da malha urbana da cidade, esta foi escolhida para ser elemento de estudo e intervenção deste trabalho. A revitalização contribuirá para resgatar a vitalidade e identidade da praça, e através de um projeto proporcionar melhorias e contribuir para a integração do espaço, tanto com seu entorno quanto com os usuários, além de oferecer vitalidade e sociabilização. Num contexto geral, a praça não obteve grandes mudanças quanto ao seu desenho original, mantendo o formato dos canteiros e elementos que contribuem para identi-


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ficação de suas características iniciais. Pode ser constatado a partir do porte da arborização local que a mesma preserva certo conforto térmico para aqueles que frequentam a praça. No decorrer dos anos, entretanto, a estrutura da praça foi se deteriorando e recebendo “remendos” quanto aos mobiliários, iluminação, vegetação e piso, sem projeto específico destinado a atender a demanda local. Além disso, muitos usuários se apropriaram do espaço de acordo com sua necessidade e bem pessoal, como os quiosques e ambulantes que “lotearam” parte da praça.

Segundo informações de uma colaboradora do Setor de Projetos Urbanos, da Secretaria de Desenvolvimento da Cidade, no CIAC – Centro Integrado de Atendimento ao Cidadão, da Prefeitura Municipal de Vitória, as poucas informações que o setor possui do projeto original da praça são restritas, entretanto afirmou que o projeto da área foi realizado pela prefeitura e que atualmente existe o estudo de um projeto de revitalização para a mesma, porém este está em fase inicial, encontra-se “paralisado” e não há previsão de quando será retomado. Segundo Azeredo (2015), o terreno quando parque, “era mais interessante”, pois oferecia atrações que concentravam muitas pessoas no local. Explica que com a construção da praça as pessoas começaram a diminuir a frequência na utilização do espaço, pois não havia mais, algo que as “prendesse a atenção”. Acrescenta que a praça era mais frequentada quando existia o Cine Paz, cinema que funcionava bem em frente a mesma, na Av. Princesa Isabel, demonstrado na figura 45, pois após as sessões de filme muitos usuários se dirigiam para a praça. Acrescenta que em épocas de festivais e eventos como disputas de remo, corrida e datas comemorativas, o local também acomodava muitas pessoas, o que ocorre até os dias atuais.


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Figura 45: Cine Paz localizado no Ed. Dionysio Abaurre, na Av. Princesa Isabel, 1980 e a foto aérea atual situando o Cine Paz em relação a praça

Fonte: SALA DE CINEMA DO ES GOOGLE EARTH (2015)

Como citado, o local possui área privilegiada as “margens” da Baia de Vitória, a partir da praça são possíveis visualizar o Porto e a Pedra do Penedo (figura 46), localizados ao lado leste da praça, tais elementos são cartões postais da cidade de Vitória. Figura 46: Vista a partir da Praça – Baía de Vitória

Fonte: Arquivo pessoal (09/2014)

Apesar da privilegiada localização e dos visuais significativos em seu entorno, a praça é utilizada prioritariamente como passagem, onde a permanência e contemplação são limitadas aos eventos sazonais e aos quiosques, devido à falta de atividades, mobiliários e equipamentos que convença o usuário a permanecer no local como mostra a figura 47.


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Figura 47: Praça Presidente Getúlio Vargas – Amplos espaços sem uso

Fonte: Arquivo Pessoal (09/2014)

4.2 ANÁLISE VISUAL

Neste subcapítulo serão apresentadas informações observadas na Praça Presidente Getúlio Vargas de formar gráfica através dos mapas temáticos seguindo de sua explicação: uso e ocupação do entorno, visuais e hierarquia viária, apropriação do espaço, caminhos e barreiras, espaço x usuário, vegetação e mobiliários, setorização das sensações, além disso, fotos para contribuir com a leitura do espaço. Procurouse neste estudo analisar os pontos positivos e negativos com o intuito de compreender a situação real da praça, quais as características e patologias existentes no local, necessidades dos frequentadores e outras informações relevantes para o bom entendimento do espaço.

O estudo de APO (Análise Pós Ocupacional) é de extrema importância, pois a partir dos dados analisados serão definidas diretrizes e consequentemente propostas, com objetivo de realizar a intervenção e revitalização no espaço, a fim de que seja atingido o resultado desejado no produto final deste trabalho. O processo de APO tem como finalidade avaliar o funcionamento de uma estrutura utilizada por pessoas, tanto edificações como também áreas públicas abertas. Este processo tem como objetivo avaliar a funcionalidade, o conforto visual, o bem estar humano e a composição espacial do elemento em análise. Para Brandão; Carrelos; Águia (2002), os locais precisam ser bem entendidos, a fim de que recebam uma intervenção ideal, para isso é necessário que nas análises sejam considerados importantes aspectos como a estrutura do local, a paisagem, densidade e diversidade, a escala e a fisionomia da praça e seu entorno. Seguindo tais conceitos, apresenta-se o diagnóstico.


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4.2.1 Uso e ocupação do Entorno

O mapa 03 apresenta as ocupações com a identificação do uso no entorno da praça, incluindo o gabarito e o horário de funcionamento das edificações. A maioria possui gabaritos de 9 a 22 pavimentos, seja ele comercial ou residencial, porém a predominância de uso na área é comercial. Tais edificações são da década de 70 e a maior parte delas receberam intervenções nas fachadas e estão em situação regular quanto à manutenção.

Dentre as atividades identificadas destacam-se usos para fins diferenciados, demostrados nas figuras 48, 49, 50 e 51, como serviços, comércios, institucionais, condomínios residenciais e um terreno vazio e sem uso, cercado com tapume. Segundo informações da PMV (Prefeitura Municipal de Vitória) as intenções para o terreno, incluindo a Rua Aristeu de Aguiar e a Edificação de 5 pavimentos que atualmente funciona como comércio, seria a construção de um Shopping Center, porém o projeto obteve complicações e não foi aprovado pela Prefeitura, o que levou toda quadra a leilão. Os terrenos foram vendidos, inclusive a Rua Aristeu de Aguiar, o que levou o proprietário a fecha-la e utilizar como bem próprio, funcionando hoje como estacionamento privativo. Ainda segundo a PMV, a edificação de 5 pavimentos continua funcionando normalmente como ponto comercial, como constatado neste diagnóstico, porém o terreno vazio continua com ausência de projeto e definição de uso.


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Mapa 03 – Planta esquemática da praça – Uso e Ocupação do Entorno

Fonte: PMV (2014). Adaptado pela autora.

Segundo JACOBS (2003), nos locais públicos, deve existir o olhar espontâneo das pessoas, além da circulação de pedestres, a fim de contribuir com a vigilância natural dos espaços. Entretanto, apesar de algumas portarias dos edifícios funcionarem até parte da noite e os hotéis possuírem suas recepções com serviço 24hs, não é o suficiente para contribuir com tal conceito citado, pois além de trabalhar uma só pes-


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soas a portas fechadas nas recepções, o número de pessoas que utilizam estes serviços no período da noite é mínimo, logo observa-se que tal situação é quase inexistente no local, no período da noite, das 19:00hs em diante. Figura 48: Entorno da praça. Comércio, residências e serviços. Lado Norte

Fonte: Arquivo pessoal (09/2014) Figura 49: Entorno da praça. Institucionais e Residências ao final da Rua Aristides. Lado sul

Fonte: Arquivo Pessoal (09/2014) Figura 50: Entorno da praça. Terreno vazio (com tapume) e a baía. Lado leste

Fonte: Arquivo pessoal (09/2014)


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Figura 51: Entorno da praça, serviço e comércio. Lado oeste

Fonte: Arquivo Pessoal (09/2014)

É importante citar a existência de condomínios residenciais, tanto em frente à área de estudo, na Av. Princesa Isabel, como também na quadra adjacente, ao lado esquerdo da praça, destacados na cor rosa no mapa, o que contribui para uma maior circulação e permanência de moradores no espaço. Há também a presença de igrejas no entorno, a Igreja Mundial do reino de Deus, localizada no térreo do mesmo edifício residencial citado, e também a igreja Batista, inserida da quadra adjacente, ao lado direito do terreno vazio. Assim, com demandas para atividades de lazer em espaços públicos do entorno.

4.2.2 Visuais e Hierarquia Viária

Segundo BRANDÃO; CARRELO; ÁGUAS (2002), a paisagem de uma local reflete a sua história, funções e afinidade com áreas adjacentes, logo essas precisam ser respeitadas e valorizadas. O espaço de estudo dispõe em seu entorno, de uma riqueza natural que contribui com a estética local, a partir da praça é possível usufruir de um cone visual extenso e rico como apresenta o mapa 04, é possível visualizar nitidamente de vários pontos da praça grande parte da Baía de Vitória, seja sentado ou de pé. Como dito anteriormente, a visual revela paisagens naturais do entorno, abrangendo a Pedra do Penedo e o Porto de Vitória/Vila Velha, cartão postal da cidade (figura 52).

Entretanto, devido à falta de atividades e usos no espaço, a vista passa despercebida perante os olhos, nas estadias e passagens rápidas dos transeuntes e moradores locais. Ainda no local, há um estacionamento que se posiciona como barreira visual


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contribuindo em dificultar a vista natural. Não há mobiliários que proporcione a permanência e incentive a contemplação do visual a partir da praça. Mapa 04: Planta esquemática da praça – Visuais e Hierarquia viária

Fonte: PMV (2014). Adaptado pela autora.

Figura 52: Cartão Postal da cidade de Vitória

Fonte: PU3YKA (2014)


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A Praça Presidente Getúlio Vargas é limitada por vias arteriais metropolitanas de grande importância para a cidade, estas distribuem o fluxo para Serra, Vila Velha e Cariacica. As vias estão localizadas no lado leste e oeste da praça, que são as Avenidas Marechal Mascarenhas de Moraes (Beira Mar) e Princesa Isabel, ambas possuem dois sentidos de fluxo, como demonstra o mapa 04 (PLANO MUNICIPAL DE VITÓRIA, 2006). As laterais norte e sul da praça são compostas por vias locais, Rua Coronel Vicente Peixoto, que possui sentido do fluxo único e a Rua Dr. Aristides Campos, que possui dois sentidos de fluxo, contudo trata-se de uma rua sem saída, transformada em um cul-de-sac (PLANO MUNICIPAL DE VITÓRIA, 2006), o que contribui para melhoria do fluxo e manobras de veículos e estacionamento.

Na quadra ao lado norte da praça está situada a Rua Aristeu de Aguiar, esta deveria ser utilizada como rua de acesso a praça, porém esta fechada, demonstrado na figura 53. Como dito anteriormente, tal rua foi vendida pela prefeitura em um leilão, juntamente com toda a quadra, o que fez com que o comprador a utilizasse como bem de uso particular. Figura 53: Rua Aristides de Aguiar.

Fonte: Arquivo pessoal (10/2014)

Ainda no mapa 04 é possível observar que o local possui alguns pontos nodais entre uma via e outra, onde ocorre congestionamento e acúmulo de carros, devido ao intenso fluxo de veículos. No espaço da praça também existe um ponto nodal onde está inserido o ponto de ônibus e os ambulantes, ocorre grande aglomeração de pessoas fazendo com que a passagem de pedestres fique comprometida (figura 54).


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Figura 54: Camelôs e ponto de ônibus

Fonte: Arquivo pessoal (10/2014)

4.2.3 Apropriação do espaço

No levantamento referente ao uso e ocupação da praça identificou-se uma apropriação espontânea que limita as potencialidades do espaço público. LYNCH (1960) menciona que, a fim de que os locais se tornem elementos significativos e que seus usuários criem sentimentos de posse e relação de convivência com estes espaços, tem que haver uma valorização adequada dos potenciais locais. “A cidade é potencialmente o símbolo poderoso de uma sociedade complexa. Se for bem desenvolvida do ponto de vista óptico, pode ter um forte significado expressivo” (LYNCH, 1960, p.15). A praça possui uma variedade de usos, como demostra o mapa 05. No lado oeste podemos observar a presença de muitos ambulantes, demostrados na figura 54, que trabalham de segunda a sábado no local, esses se posicionaram próximos ao ponto de ônibus, atraídos pela quantidade de pessoas, oferecendo uma variedade de produtos. Tal ponto de ônibus atende ao transporte municipal e intermunicipal, assim ocorre um grande aglomerado de pessoas durante todo o dia, até às 19:00hrs.


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Mapa 05: Planta esquemática da praça – Apropriação do espaço

Fonte: PMV (2014). Adaptado pela autora


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No lado norte está localizado o Edifício Jusmar, este causa a sensação de que está inserido “dentro do espaço da praça” e possui seu acesso e os de algumas lojas em seu térreo voltados para o interior da praça, intensificando a circulação nesta região. Podemos observar ainda que na frente do edifício esta localizada uma banca de revistas que cria um ponto cego no local e colabora com o acúmulo de pessoas. Além disso, nesta área da praça, porém ao lado oeste, está localizado o banheiro público, este é utilizado mais por homens e principalmente pelos taxistas locais, o banheiro não esta em boas condições de uso, devido à sua estrutura degradada e a falta de limpeza proporcionando forte odor no local (figura 55). Figura 55: Banca de revista, edifício comercial ao fundo e banheiro público

Fonte: Arquivo pessoal (09/2014)

Ainda no mapa 05 podemos observar que no centro da praça estão inseridos dois quiosques de alimentação, também demostrados na figura 56, que dispõe de salgados, petiscos, alimentos ensacados e bebidas, além disso, os comerciantes disponibilizam mesas e cadeiras plásticas para os clientes se acomodarem. Estes equipamentos atraem muitas pessoas, tanto moradores locais quanto passantes, a maioria das pessoas que fazem uso permanece de 20 a 30 minutos no local, exceto alguns usuários que utilizam o espaço para realizar jogos de mesa e ingerir bebidas, estes não permanecem por menos de 1:30hrs neste ambiente. Nesta área não há lixo jogado no chão, porém é possível observar acúmulo de gordura no piso, devido às frituras realizadas pelos comerciantes no local e a falta de limpeza.


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Figura 56: Quiosques para alimentação

Fonte: Arquivo pessoal (09/2014)

Nos lados leste, norte e sul da praça estão localizados estacionamentos rotativos, demonstrados na figura 57, a praça fica rodeada por carros e motos, de segunda a sábado, até às 18:00hrs, o que atrapalha o acesso à mesma, contudo mesmo com essa dificuldade é possível chegar ao espaço entre os carros pelas três laterais. Entretanto foi observado que não há vagas acessíveis para cadeirante nem tão pouco para idosos. Figura 57: Estacionamentos para carros e motos em volta da praça

Fonte: Arquivo pessoal (09/2014)

Ainda no lado sul da praça está localizado uma banca que dispõe de livros usados para venda. Próximo a esta, há um ponto de taxi, demonstrado na figura 58, que atende grande demanda de pessoas que trabalham, moram e frequentam o centro da cidade, no local há uma estrutura com cobertura dotada de ponto telefônico para atender aos chamados. Segundo informações dos taxistas locais, a quantidade de taxis que possuem licença de ponto na praça são o suficiente para atender aos


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chamados. Constatamos que tanto a estrutura dos taxistas quanto a banca de livros necessitam de reforma, devido às más condições de uso que possuem. Figura 58: Banca de livros e ponto de taxi

Fonte: Arquivo pessoal (09/2014)

Como dito anteriormente, há pessoas que se apropriam do espaço público para desenvolvimento de atividade de interesse pessoal, como é o caso de um “trabalhador” que realiza serviço de soldagem e se apropria do espaço da praça para realizá-lo (figura 59). Seu material contribui para degradação da vegetação, além de ocasionar muita sujeita no local, pois este utiliza um dos canteiros para realizar sua atividade diária. Figura 59: Trabalhador realizando suas atividades em meio ao canteiro da praça

Fonte: Arquivo pessoal (09/2014)

Em meio às visitas realizadas na praça no período de levantamento de dados para este trabalho, foi inserida uma academia popular ao lado leste da praça. Segundo Goia (2015) a prefeitura inseriu o equipamento na praça em solicitação do vereador local, onde justificou que a ação é para atender a demanda de moradores locais e a localização é para proporcionar o visual natural aos usuários enquanto se exercitam.


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Entretanto, até o momento poucos fazem uso do equipamento e algumas pessoas utilizam os aparelhos para se sentar (figura 60). Figura 60: Academia popular

Fonte: Arquivo Pessoal (01/2015)

Na praça existem dois monumentos, como destaca o mapa 05 e demostra a figura 61, a estátua de Getúlio Vargas que faz menção ao presidente e a história do país, inserida ao lado leste. Já ao lado oeste da praça está inserido o monumento nomeado “Lei de Deus”, este possui características da bíblia sagrada e sua estrutura possui mensagens bíblicas. O monumento de Getúlio Vargas apresenta patologias, porém o monumento Lei de Deus está em bom estado de conservação. Figura 61: Monumentos localizados nas duas extremidades da praça

Fonte: Arquivo pessoal (09/2014)

Hoje, as pessoas que utilizam a praça por um período maior de permanência, a fim de apreciar o local são idosos que moram próximo a praça, alguns sozinhos outros acompanhados por outros idosos, que passam algumas horas lendo jornal, conversando, observando o tempo e as pessoas que atravessam a praça. Quando entrevistados sobre a satisfação do espaço, os questionamentos são os mesmos, a falta


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de atividade de lazer e equipamentos, além da melhoria nos bancos, pois estão degradados e são desconfortáveis.

Jovens que levam seus cães para passear, pais com bebês de colo e casais de adolescentes que utilizam o espaço para encontros, também fazem parte do cenário da praça em alguns dias da semana. Contudo esses usuários geralmente estão na praça em dias e horários distintos durante a semana, quase nunca é possível observar todos esses utilizando o espaço ao mesmo tempo, logo o lado leste da praça fica vazio em vários períodos do dia.

Sazonalmente, na parte da manhã, em domingos e feriados comemorativos, a praça recebe ciclistas e visitantes de outros bairros e até mesmo outra cidade em seu espaço. Como citado anteriormente, nestes eventos uma das faixas da Av. Marechal Mascarenhas de Moraes é fechada para lazer, instalação de brinquedos infantis, demonstrado na figura 62, corrida, ciclismo, e outros. Sendo assim as pessoas realizam paradas na praça, alguns aproveitam os bancos para descansar e assim permanecem por alguns momentos no local. Contudo, não ficam por muito tempo devido à falta de equipamento para apoio. É importante mencionar que a guarda municipal é intensificada nestes eventos, garantindo a segurança dos usuários. Figura 62: Lazer em frente à praça

Fonte: PMV (2015)

4.2.4 Caminhos e Barreiras

Através do mapa 06 podemos observar que a praça de estudo possui caminhos largos e em sua maioria sem barreiras, entretanto o maior obstáculo é o piso, que não é uniforme e possui várias tipologias que se completam ao longo dos caminhos. Os pisos utilizados além de descontínuos e desnivelados, em alguns locais, são trepi-


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dantes como pedra portuguesa e paralelepípedos irregulares demostrados na figura 63, o que dificulta e prejudica o passeio para cadeirantes e outras pessoas com mobilidade reduzida, tornando o passeio muitas vezes impossível ou possível a acidentes. Mapa 06: Planta esquemática – Caminhos e Barreiras

Fonte: PMV (2014). Adaptado pela autora

Figura 63: Caminhos largos, com duas tipologias trepidantes

Fonte: Arquivo pessoal (09/2014)


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Devido aos muitos desníveis da praça, em épocas chuvosas ocorre o acúmulo de água em vários locais, ocasionando alagamentos e inacessibilidade no espaço como demonstra a figura 64. Figura 64: Grandes poças de água

Fonte: GAZETA ONLINE (2015)

Além dos caminhos principais da praça, é possível observar a presença de passagens em meio aos canteiros que foram criados pelos passantes (figura 65). No processo de observação do local, entendemos que os canteiros existentes na praça possuem uma área extensa, o que induz e força os usuários a passarem pelo meio desses, a fim de encurtar o trajeto, tornando mais rápido o acesso aos seus destinos finais. No levantamento não foi identificado outros motivos a não ser a extensão dos canteiros, logo essa questão é de grande relevância no processo de revitalização a ser proposto, a inserção de novos caminhos as áreas de canteiros deveram ser consideradas. Figura 65: Caminhos criados pelos usuários

Fonte: Arquivo pessoal (09/2014)


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Quanto à faixa de pedestres, as existentes estão localizadas nas vias arteriais, entretanto nas quadras adjacentes a praça, onde estão inseridos os semáforos. Já nas Ruas Coronel Vicente e Aristides Campos são inexistentes. Como demonstra a figura 66, os quiosques de alimentação existentes no centro da praça se comportam como barreiras em meio ao caminho, pois dificultam a passagem dos usuários e transmitem uma sensação de espaço privativo, devido a sua localização e aos mobiliários distribuídos no espaço pelos comerciantes. Os quiosques localizam-se entre dois canteiros, para os usuários que optam em continuar a caminhar na mesma direção e sentido deste caminho, é necessário passar entre os dois quiosques e em meio às mesas e cadeiras que os proprietários distribuem no espaço, caso contrário, a opção é passar por cima dos canteiros, algo comum no local, ou voltar para trás e caminhar pelas laterais da praça. Figura 66: Quiosque no centro da praça dificultando a travessia dos usuários

Fonte: Arquivo pessoal (09/2014)

É importante mencionar que os monumentos estão inseridos dentro de canteiros e rodeados de vegetação, estes estão localizados em meio a espaços largos e de transição entre um caminho e outro, não prejudica nem tão pouco interfere no passeio dos usuários. 4.2.5 Espaço X Usuário

O objetivo do levantamento espaço x usuário é identificar os grupos e a classificação dos usuários presentes na praça, no mapa 07, a marcação cinza representa o espaço vazio, logo é possível observar que em diversos dias, independente do horário, a praça fica com grande parte de seus espaços mortos.


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Na praça existem grupos distintos de usuários, que são:  Usuários somente de passagem (travessia, ponto de ônibus, esperas)  Usuários que descansam (trabalhadores e estudantes do centro)  Usuários Idosos (sentam para ler jornal, conversar e apreciar a vista)  Usuários Trabalhadores (camelôs)  Usuários sazonais (eventos e comemorações)

Tal classificação servirá como base nas propostas de intervenção, a fim de que estratégias de projeto atendam a esses grupos para que permaneçam por mais tempo no espaço e que atraia mais frequentadores, tornando o local vivo e prazeroso enquanto utilizado.

O mapa 07, demonstrado em diferentes dias e horários, apresenta a relação das pessoas com o espaço da praça, além do grupo de usuários que fazem uso deste espaço. Constatou-se que de segunda a sábado o lado oeste da praça, onde se localiza o ponto de ônibus e os camelôs, tem muitas pessoas durante todo o dia, a maioria jovens e adultos, poucos tinham a companhia de crianças.


Mapas 07: Plantas esquemáticas da Praça– Espaço x Usuário

Fonte: PMV (2014). Adaptado pela autora (01/2015)


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Nos períodos de 09:00 às 11:00h e de 15:00 às 17:00h, de segunda a sábado, é possível observar a presença de muitos idosos, moradores locais, que costumam permanecer no centro da praça, onde se localizam os quiosques, e também ao lado leste, espaço voltado para a baía. A tarde entre 16:00 e 18:00h, de 2 a 3 vezes por semana, é possível notar a presença de poucos adolescentes que também fazem uso do lado leste da praça, geralmente estão uniformizados e acompanhados.

Durante a semana é constante a presença de jovens e adultos que trabalham no centro e entre 12:00 e 14:00h em seus intervalos de almoço, permanecem na praça. É interessante citar que estes, além de utilizar os bancos para se deitarem, também se apropriam dos canteiros, e em meio a grama geralmente em baixo de árvores, alguns apreciam a vista e outros até “cochilam”.

Nos sábados a noite e aos domingos, assim como em todo o centro da cidade, a praça fica vazia, raramente tem a presença de casais e idosos espalhados em meio ao grande espaço da praça. Todos os dias, no período da noite, de 19:30h em diante, não há movimento na praça, o que torna o local vazio, exceto para alguns casais de jovens e a adolescentes que utilizam o espaço para namorar e fazer uso de drogas (figura 67). Moradores de rua também fazem uso do espaço, no período da noite. Figura 67: Jovens e adolescentes consumindo drogas

Fonte: Arquivo pessoal (01/2015)

4.2.6 Vegetação e Mobiliários “A vegetação é um dos elementos que mais contribui para a caracterização da paisagem, funcionando como indicador das condições ecológicas do local” (BRANDÃO; CARRELO; ÁGUAS, 2002, p. 50). Segundo os autores, a vegetação complementa


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os espaços devido a suas texturas, cores e variação de volumes, sendo assim desempenham um papel de grande importância no desenho da paisagem local. Mapa 08 – Planta esquemática da praça - Vegetação e Mobiliário urbano

Fonte: PMV (2014). Adaptado pela autora

Como demonstrado no mapa 08, a Praça Presidente Getúlio Vargas possui vegetação abundante, de pequeno porte; forrações, gramas e herbáceas, de médio porte; arbustos e pequenas árvores em meio aos canteiros, e também de grande porte; árvores com troncos espessos e copas de 6 a 8m como demonstra a figura 68. Estas proporcionam excelente sombreamento em grande parte da praça, o que torna o local confortável, fresco e agradável.


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Figura 68: Praça Presidente Getúlio Vargas Vegetação rasteira, arbustos e árvores

Fonte: Arquivo Pessoal (09/2014)

Em cada lado da estátua Getúlio Vargas existia uma palmeira, entretanto uma delas foi retirada do local, restando apenas a que está posicionada ao lado esquerdo da mesma. Na figura 69 é possível observar que a palmeira do lado direito não está com bons aspectos em relação à outra, e no local foi possível observar que a palmeira existente encontra-se degradada e não apresenta mais características saudáveis.

No local é possível sentir que a temperatura proporcionada pela vegetação no espaço da praça é agradável e oferece bem estar aos frequentadores, ao contrário de outros pontos e locais do Centro de Vitória que são áridos e de difícil permanência devido à ausência de sombras “verdes”. Este é um ponto forte e positivo na praça que valoriza a permanência de pessoas.


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Figura 69: Monumento Getúlio Vagas com uma e com duas palmeira

Fonte: Arquivo pessoal (09/2014)

Contudo, as vegetações não possuem cuidados por parte do usuário, e o sistema de manutenção é deficiente. A vegetação rasteira em todos os canteiros está mal tratada, pisoteada e desalinhada como demostra a figura 70, ainda em algumas áreas dos canteiros é possível observar a ausência de vegetação, devido a falta de cuidados. As copas das árvores estão robustas, o que colabora para a escuridão ao final da tarde e a noite, já que a praça não possui um sistema de iluminação eficiente. Sendo assim, o local fica escuro e logo se torna um espaço que as pessoas não caminham, muito menos permanecem, devido à insegurança e a sensação de medo que este proporciona, servindo de abrigo para moradores de rua e usuários de drogas. Figura 70: Falta de manutenção na praça

Fonte: Arquivo Pessoal (09/2014)


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Em toda área da praça encontramos a distribuição de mobiliários como bancos, lixeiras, postes de iluminação e telefone público, porém os bancos em concreto não são em grande quantidade e, além disso, apresentam patologias e não possuem encosto, o que dificulta a permanência de pessoas por maior tempo no local (figura 71). As lixeiras são em grande quantidade e atende ao local, não há lixo ou papeis jogados pelo chão da praça, porém algumas necessitam ser trocadas, pois estão quebradas. Figura 71: Bancos sem encosto e em processo de degradação

Fonte: Arquivo Pessoal (09/2014)

Os postes de iluminação estão bem distribuídos ao logo do espaço da praça inclusive abaixo das copas das árvores, contudo algumas luminárias possuem lâmpadas queimadas e a intensidade da iluminação das mesmas não é o suficiente para iluminar a praça. No final da tarde, num contexto geral, o local começa a ficar escuro e a noite torna-se vazio como demostra a figura 72. Em toda a área da praça há dois telefones públicos, um na extremidade leste e outro na extremidade oeste, e estes atendem a demanda local. Figura 72: Muitas áreas escuras na praça

Fonte: Arquivo Pessoal (01/2015)

Ainda ao lado da estátua Getúlio Vargas estão localizados 4 refletores, a fim de iluminar e valorizar a estátua, porém no espaço reservados para as luminárias, faltam duas e as que restam não são o suficiente para iluminar o monumento, logo a imagem se perde em meio a escuridão como apresenta a figura 73.


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Figura 73: Falta de refletores em volta do monumento que se perde no escuro

Fonte: Arquivo Pessoal (01/2015)

4.2.7 Setorização das Sensações

Seguindo o conceito de LYNCH (1960), ao longo do percurso in loco, podemos observar que é possível sentir diferentes sensações ao caminhar pela praça. Para o autor a cidade ideal, legível ou visível é aquela que tem sua imagem bem formada, distinta e com potencial capaz de atrair olhares e contemplações.

O esquema ilustrado no mapa 09 identifica que a praça possui notoriamente três áreas distintas e bem caracterizadas, tanto que ao caminhar pela praça uma só vez é possível sentir e identificar essa setorização, confirmada posteriormente após diversas visitas. Foi classificada como “Área Movimentada”, a área marcada em vermelho, voltada para a Av. Princesa Isabel, neste local possui um grande acúmulo de pessoas devido ao ponto de ônibus, lojas, edifício comercial situado na praça, banca de revista, ambulantes e os quiosques de comida existentes, sempre há pessoas no local e geralmente em grupos, muitas vezes é preciso fazer desvios para não colidir umas com as outras.


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Mapa 09: Praça Presidente Getúlio Vargas – Setorização das Sensações

Fonte: Elaborado pela autora (10/2014)

É possível perceber a presença de pessoas e movimento ao longo do dia. Contudo é importante destacar que tais usuários não são pessoas que estão na praça por que a frequentam ou permanecem no espaço, são usuários que estão de passagem pelo local, dentre esses usuários existem pessoas até mesmo de outras cidades que frequentam o centro de Vitória, logo todos os dias há pessoas distintas, jovens, crianças e idosos transitando nesta área da praça.

Ao caminhar para a área marcada em amarelo, o centro da praça, que foi denominada “Área de Transição”, é perceptível a sensação de mudança de ambiente, clima e até de sentimento, trata-se de um local mais de passagem do que de permanência, esta área não possui bancos para se sentar e nem qualquer outro tipo de equipamento, a não ser longos canteiros que limitam a área de permanência deste local. Porém é a área mais fresca da praça.


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Esta passa da área “Movimentada para a Subutilizada”, marcada em cyan e voltada para a Avenida Marechal Mascarenhas de Moraes. Neste local possui usuários fixos, porém são pouquíssimas pessoas, a maioria delas sozinha ou na companhia de mais uma pessoa, serve como local de espera ou de simplesmente reflexão e contemplação, já que é voltada para a baía de Vitória, contudo quase sempre é uma área vazia.

A praça poderia possuir objetivos e sensações até distintos, porém harmoniosos, contudo é impressionante e bastante evidente as sensações extremamente opostas em suas extremidades. Os locais não se comunicam e não parecem estar inseridos em uma única praça devido à falta de integração entre elas.

Ainda no mapa 09, foi destacado um espaço vazio e sem uso, localizado no lado leste da praça. A sua localização é próxima a área de estudo, logo observa-se que possui grande potencial, sua integração com a praça no processo de revitalização será um ponto a ser considerado como estratégico, pois poderá servir de apoio ao espaço público, contribuindo para atrair pessoas e promover o convívio social.

4.2.8 Condicionantes Legais O Plano Diretor Municipal de Vitória – ES (PDM), instituído pela Lei 6.705, insere a praça Presidente Getúlio Vargas, como demostra a mapa 09, em uma área denominada Zona de Ocupação Preferencial (ZOP2). Trata-se de uma área bem estrutura consolidada.

No artigo 12, a lei afirma que em áreas públicas devem ser implantados equipamentos sociais, a fim de propiciar às atividades de lazer e cultura, considerando a demanda atual e projetada, ainda devem possuir infraestrutura de acessos adequados, de atendimento por transporte coletivo. Acrescenta que tais locais públicos devem possuir boa integração com seu entorno.


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Mapa 10: Zona da praça de estudo

Praça Presidente Getúlio Vargas Zona de Ocupação Preferencial

Fonte: Plano Diretor Municipal de Vitória (2014). Adaptado pela autora

No artigo 10 a lei orienta sobre a paisagem e o meio ambiente, informa que deve haver no espaço público conservação e preservação de áreas, além de uso sustentável dos ecossistemas e recursos naturais. Ainda menciona que deve ser considerada a ampliação, conservação e gestão democrática das áreas verdes e também redução dos níveis de poluição visual.

Dentre os objetivos específicos da Zona de Ocupação Preferencial, destacam-se nesta pesquisa os seguintes itens: - Estimular, sob a coordenação do Poder Público, os processos de transformações urbanas; - Preservação de visuais de marcos significativos da paisagem urbana no local; - Estimular o uso múltiplo, com interação de usos residenciais e usos não residenciais (art. 83).

As tipologias permitidas para a área onde esta localizada a praça de estudo, determinadas no Anexo 9.10, são edificações de diversos usos como comerciais, mistos e residenciais, ponto este que corresponde com a realidade das edificações existentes no local, porém o gabarito máximo permitido para a área ZOP2/2 é de 8 pavi-


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mentos, contudo essa determinação não corresponde com os gabaritos apresentados no subcapítulo Uso e Ocupação do deste trabalho, pois estes excedem ao valor estipulado. É importante citar que tal situação foi possível, devido a uma alteração ocorrida no Código Municipal de Vitória de 1954 (Lei nº 351/54), logo após o aterro da esplanada, como explicado no subcapítulo 4.1, Breve Histórico da Praça, deste trabalho.

4.2.9 Síntese do Diagnóstico - Potencialidades x Vulnerabilidades

Este subcapítulo, final do diagnóstico realizado na área de estudos, visa apresentar de forma sintética os pontos fortes a serem enfatizados e valorizados na referida área e os pontos fracos e vulneráveis a serem resolvidos através do projeto de revitalização da Praça. Para tanto, partiu-se dos conceitos destacados no capítulo anterior como elementos fundamentais a serem considerados em projetos de revitalização de praças localizadas em centros urbanos.

Dentre os principais conceitos destacados, está o resgate da vitalidade do lugar atrelado a valorização da memória local. A paisagem de uma praça reflete a sua história, sendo as funções e a afinidade com as áreas adjacentes parte de uma memória coletiva que deve ser respeitada para assegurar a Identidade do local (BRANDÃO; CARRELOS; ÁGUIA, 2002).

Ao analisar o desenho atual e o histórico da praça presente em raros registros fotográficos e nos depoimentos dos frequentadores entrevistados no local, percebeu-se uma imagem consolidada em desenhos geométricos que buscam uma simetria oculta, além de uma vivência constante estimulada pelos usos das edificações do entorno outrora intensificados nos finais de semana pela existência de um cinema em frente à área de estudos.

Tal descrição configura-se como potencialidade a ser mantida tendo em vista a preservação do desenho e a manutenção dos usos mistos situados no entorno, usos estes que devem ser estimulados, entretanto, com novas atividades que resgatem os aspectos culturais do cinema que não existem mais, tornando a área vazia nos horários noturnos e nos finais de semana. Ainda em relação ao aspecto da identida-


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de, vale destacar a presença da estátua do Presidente Getúlio Vargas que devido a sua implantação no terreno, posteriormente deu nome a praça, além disso, o monumento Lei de Deus também deverá receber destaque, pois este simboliza para os moradores locais a benção de Deus sobre a cidade, destacados através dos versículos bíblicos descritos no mesmo.

Seguindo neste contexto, diagnosticou-se que ao lado leste da praça possui grande concentração de veículos, demonstrado na figura 74, uma vulnerabilidade que contribui para obstrução e desvalorização do cone visual existente, o que compromete o cenário natural que retrata a memória e a história do local. Logo, o tratamento de tal situação se faz necessário para desobstrução do cone visual. Figura 74: Estacionamentos que bloqueiam o cone visual

Fonte: Arquivo pessoal, 02/2015

Os mesmos autores afirmam que é necessário considerar a configuração dos espaços públicos em continuidade com as ruas, calçadas e ocupações adjacentes, e também proporcionar ligações entre os ambientes da praça. Contudo, constatou-se que os canteiros da Praça Presidente Getúlio Vargas possuem grandes extensões, como citado no diagnóstico, comprometendo a Continuidade/Permeabilidade na extensão da mesma e para as ocupações do entorno.

Verificou-se que tal limitação contribuiu para a criação de caminhos secundários por parte dos usuários em meio à vegetação existente (figura 75), configurando-se em uma vulnerabilidade local. Entende-se que a inclusão de tais caminhos no redese-


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nho do projeto da praça contribuirá com a melhoria da circulação e integração com edificações adjacentes. Figura 75: Caminhos secundários criados pelos usuários

Fonte: Arquivo pessoal, 09/2014

Observou-se que o espaço para onde está voltado os pontos comerciais existentes ao lado direito, no térreo do Ed. Jusmar é uma área que possui um bloqueio quanto a continuidade dos trajetos, devido a falta de integração com o entorno, comportando-se com uma vulnerabilidade na configuração do espaço, contribuindo para o abandono da área e do comércio (figura 76). Logo há necessidade de inclusão desta área ao entorno, através de intervenções que proporcione a valorização do comércio, o interesse por parte dos comerciantes e da sociedade, oferecendo um local agradável e permeável, e que permita a continuidade da área de circulação. Figura 76: Pontos de comércio fechado e sem utilização

Fonte: Arquivo pessoal, 09/2014

Ainda ao lado leste da praça localiza-se um terreno vazio (figura 77) que não possui uso e de nada contribui para o desenvolvimento do local, tornando o espaço adjacente vulnerável a falta de atratividade que estimule o uso e apropriação saudável do local. Logo, a idealização de um projeto âncora será satisfatório no local, proporcionando continuidade e permeabilidade do espaço livre de uso público, contribuindo


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para a circulação e vivência de pessoas, como também estimulo quanto à intensificação do turismo no local. Figura 77: Tapume que cerca o terreno

Fonte: GoogleEarth, 2015

Como apresentado na pesquisa, no tema Mobilidade/Acessibilidade/Coesão Social, Alex (2008) menciona que a praça deve ser acessível e necessita oferecer condições para que todos os grupos de pessoas, independente de suas limitações, possam utiliza-la.

Entretanto, de acordo com o diagnóstico, no centro da praça existem dois quiosques que caracterizam-se como barreiras no local. Os equipamentos atraem e acomodam muitos usuários, porém estão mal dimensionados, localizados no meio da passagem (figura 78), servindo de obstáculo para a circulação das pessoas, e também não oferecem estrutura adequada para alimentação e acesso de todos. Além dos equipamentos, verificou-se que o piso da praça não oferece condições para todas as pessoas circularem com segurança, já que é trepidante e desnivelado, contribuindo para acúmulo de água em épocas de chuva. Para tais situações vulneráveis, compreende-se há necessidade de uma nova organização do espaço que contribuirá para melhor mobilidade local e acesso de todos de forma independente. Figura 78: Área dos quiosques e poças de água próximo ao ponto ônibus

Fonte: Arquivo pessoal (09/2014) GAZETA ONLINE (2015)


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Um potencial interessante observado são alguns acessos de edifícios adjacentes voltados para o interior da praça, esses poderão ser valorizados através de intervenções que estimule os seus usuários a circularem pelo espaço, além de incentivar outras edificações do entorno a oferecer acessos voltados para a praça. Tal estratégia contribuirá em manter e intensificar a coesão social na área, estimulando e atraindo mais frequentadores ao local, mantendo a área com constante movimentação de pessoas. A área denominada “de transição” (figura 79) como apresentado no mapa de setorização das sensações no diagnóstico trata-se da área mais fresca da praça e destaca-se como um potencial observado, contudo não oferece estrutura e integração com as duas laterais, norte e sul, do espaço. Há necessidade de proporcionar uma nova conexão nesta área, pois os ambientes não se comunicam, causando um aspecto de segregação entre tais locais distintos, interrompendo a permeabilidade e continuação do espaço, devido à falta de atratividade. Figura 79: Centro da praça, área de transição

Fonte: Arquivo Pessoal, 02/2015

No tema Segurança/Conforto/Aprazibilidade, seguindo a conceituação do capítulo de revitalização deste trabalho, Gehl (2013) afirma que os mobiliários e equipamentos necessitam ser confortáveis e bem dimensionados no espaço, a fim de proporcionar bem estar e comodidade ao usuário.

Exceto alguns aparelhos de ginástica, é inexistente a presença de equipamentos ou mobiliários que atenda as reais necessidades das pessoas. Os poucos bancos que a


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praça disponibiliza está em estado de deterioração, além de serem desconfortáveis. Observou-se ainda que os bancos concentram-se no meio da praça e na área voltada para a baía (figura 80), onde usuários passam horas observando a vista, conversando e lendo jornal, principalmente moradores idosos. Logo há grande necessidade de mobiliário urbano diversificado que os atendam, não só na área citada, mas em toda extensão da praça, criando locais agradáveis e de estimulo a permanência.

A praça ainda recebe diariamente outros grupos de pessoas, os que estão somente de passagem (travessia, pontos de ônibus e esperas); e os que descansam (trabalhadores e estudantes em intervalos), contudo também não há equipamentos que os atendam como citado. Logo para que a praça seja inserida no cotidiano da cidade e das pessoas, oferecendo suporte para permanecer, com objetivo de atrair mais adeptos ao local e sanar tais vulnerabilidades, compreende-se há necessidade de novos elementos urbanos que promova o bem estar e o conforto humano em toda área da praça. Figura 80: Área de maior permanência por idosos e outros grupos

Fonte: Arquivo pessoal, 02/2015

Um ponto positivo e muito forte diagnosticado na praça e que possui grande contribuição para o conforto visual e térmico dos usuários é a grande massa verde presente no espaço, demonstrada na figura 81. Apesar das árvores necessitarem de manutenção, estas deverão ser valorizadas, serão mantidas e utilizadas como elemento primordial para o conforto térmico dos usuários, além de serem integradas ao novo paisagismo, a fim de preservar o caráter contemplativo das mesmas.


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Figura 81: Concentração de vegetação no centro da praça

Fonte: Arquivo pessoal, 09/2014

O autor ainda menciona que sentir-se seguro e poder caminhar com tranquilidade em um determinado espaço a qualquer hora é um pré-requisito para criação de praças funcionas e convidativas. Contudo, observou que a Praça Presidente Getúlio Vargas necessita de melhorias quanto à iluminação do espaço, pois tal vulnerabilidade contribui em manter o local vazio e ocioso. É nítida a necessita de oferecer um local seguro também no período noturno, mantendo ainda a visibilidade do entorno em relação a praça, garantindo a vigilância natural.

De acordo com o tema Diversidade/Adaptabilidade/Sustentabilidade, Gehl (2013) afirma que usos diversificados no espaço contribuem para vitalidade, Brandão; Carrelos; Águia (2002) menciona que as praças apresentam grande potencial quando possui distintos equipamentos e espaços multifuncionais para integração das pessoas de várias idades. Além disso, é necessário incorporar propostas sustentáveis que visa a satisfação das necessidades humanas de forma global.

Neste contexto, a praça estudada possui uma grande área utilizada por ambulantes, o que contribui para a concentração de pessoas durante todo o dia configurando-se como potencial no local, portanto estão inseridos de forma desorganizada e confusa no espaço (figura 82), e ainda com uma infraestrutura deficiente. Os equipamentos deverão ser mantidos, pois contribuem com diversidade de usos na praça, promovendo a sociabilização e circulação de pessoas, contudo com nova organização e dimensionamento destes no espaço, a fim de que reorganizada de forma global, ou seja, redistribuindo os usos, o acesso e a circulação, atendendo a todos os usuários, além permitir que o espaço seja compreendido por todas as pessoas.


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Figura 82: Área dos ambulantes

Fonte: Arquivo pessoal, 09/2014

A praça recebe convidados que sazonalmente ocupam o lado leste da mesma, tal situação ocorre desde sua consolidação, devido a eventos que acontecem na Av. Beira Mar. A fim de estimular mais eventualidades e oferecer a diversidade no local, é necessário a inserção de uma infraestrutura urbana adequada que atenda a esta demanda, com o objetivo de valorizar a potencialidade diagnosticada, contribuindo para que o local se torne referência para comemorações, festas e encontros, assim, atraindo mais pessoas ao local.

De acordo com os conceitos Identidade, Continuidade/Permeabilidade, Mobilidade/Acessibilidade/Coesão Social, Segurança/Conforto/Aprazibilidade e Diversidade/Adaptabilidade/Sustentabilidade destacados acima, em analise com o diagnóstico, consolidou-se uma síntese gráfica na forma do mapa ilustrado a seguir:


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Mapa 11: Síntese do Diagnóstico – Potencialidades x Vulnerabilidades

Fonte: Elaborado pela autora, 2015


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5 O PROJETO Neste capítulo será apresentado o partido e o conceito projetual adotados para elaboração das propostas do projeto de revitalização da Praça Presidente Getúlio Vargas. Para definição do conceito e concepção do partido foram considerados os conteúdos abordados nos capítulos dois e três referentes à fundamentação teórica deste trabalho, além das potencialidades e vulnerabilidades diagnosticadas no capítulo quatro. Para o desenvolvimento da proposta, optou-se em seguir algumas diretrizes observadas ao longo das visitas a campo, a partir dos conceitos chaves identificados no capítulo três e estruturados em seis funções específicas: aprimoramento da identidade; lazer/funções; vitalidade nos usos/mobilidade; conexão/integração; segurança; sustentabilidade/estratégia dinamizadora. O Capítulo finaliza com a apresentação dos resultados do projeto de revitalização da praça.

5.1 PARTIDO E CONCEITO PROJETUAL

O projeto busca resgatar as funções principais destacadas no capítulo 2.2 para fazer com que a praça se torne um elemento de ligação física e social do tecido urbano, qualificando os espaços públicos e potencializando o seu uso. Para tanto, optou-se por um partido que privilegiasse a manutenção das características do desenho original representativo do período em que foi construído, acrescentando alguns elementos destacados no subcapítulo 3.2 referente aos conceitos e definições ideais para a revitalização da praça.

A proposta contempla ainda aspectos da revitalização de áreas centrais urbanas que ultrapassam os limites da própria praça. Destacam-se assim as operações urbanas consorciadas também citadas no subcapítulo 3.2 como estratégia para resgatar a vitalidade e qualidade de espaços livres de uso público, localizados em áreas estagnadas que carecem de novos elementos e ícones arquitetônicos para gerarem uma nova vivência urbana.

A partir destas premissas foram identificados os seis conceitos que seguem:


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- Aprimoramento da Identidade

Com a intenção de valorizar e evidenciar o cenário natural que a Baía de Vitória oferece, o projeto propõe a retirada dos estacionamentos da Av. Marechal Mascarenhas de Moraes e da Rua Coronel Vicente Peixoto, transferindo-os para as laterais, com o objetivo de desobstruir o cone visual e reforçar a integração direta da praça com a paisagem do entorno.

A grande massa verde composta pelas copas das árvores existentes no local será mantida e preservada, por se tratar de uma qualidade identificada na fase de diagnóstico, onde a vegetação presente contribui para filtrar o ar e o barulho do centro, além de garantir assentos protegidos do sol intenso do clima capixaba. O conjunto de árvores também foi citado por pessoas que frequentam a praça e foram considerados importantes para manutenção da identidade local fixada na memória dos moradores mais tradicionais da área (figura 83). Figura 83: Croqui esquemático conceitual

Fonte: Elaborado pela autora (04/ 2015)


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O projeto também prevê a preservação do desenho original fundamentado em canteiros formais em sua parte central e canteiros com formas orgânicas nas proximidades ao longo das vias principais que limitam a praça, canteiros estes permeados por caminhos e cujo desenho permanece na memória coletiva dos antigos moradores que ainda frequentam o local. O partido proposto contará com a valorização destes canteiros que agregam novos caminhos respeitando a composição formal e orgânica original e acrescentando novas espécies de vegetação arbustivas de pequeno porte e rasteiras, para substituírem as que estão mortas e valorizarem a composição de algumas áreas de permanência atualmente desprovidas de atrativos, através da inserção de algumas espécies que estimulam os sentidos humanos.

O novo desenho também prevê a preservação dos monumentos existentes na praça em virtude dos mesmos terem contribuído para a história local. Para tanto, o projeto propõe a manutenção e revitalização dos mesmos e acrescenta elementos que possam destaca-los como a inserção de refletores e de pequenos espelhos d’água, com intuito de que se sobressaiam em meio ao espaço, contribuindo como novos pontos de referência, simbólicos para a história local. Intervenções essas que visam inserir novos elementos que possam contribuir também com a qualificação paisagística da praça e baseiam-se no conceito apresentado no subcapítulo 3.2.1 deste trabalho que sugere a preservação de elementos que simbolizam e retratam a identidade do local.

- Lazer e Funções

Com base no subcapítulo 2.2, a praça necessita cumprir sua função social que está intimamente relacionada com a possibilidade de lazer que os espaços públicos devem proporcionar aos usuários, contudo no diagnóstico apresentado neste trabalho constatou-se que há uma quantidade restrita de mobiliários no espaço da praça e os poucos bancos existentes são desconfortáveis e estão degradados. Diante disso, o projeto propõe o aumento e a substituição dos bancos existentes na praça, pois contribuirá para a permanência e o bem estar dos usuários. A substituição será por bancos que não descaracterize o espaço, mas que complete e valorize os potenciais do cenário existente, assim optou-se por bancos curvos ao longo da


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praça e bancos ondulares acompanhando o contorno dos canteiros e a sombra das copas das árvores locais, todos com encosto oferecendo melhores condições de conforto. Nas visitas a campo foi possível observar que há uma carência de espaços multifuncionais que estimule os usuários a se sociabilizarem, faltando equipamentos que favoreçam a permanência para contemplação das visuais do entorno e do cenário que o novo projeto da praça pode oferecer. Sendo assim, além dos bancos citados, o projeto propõe à inclusão de novos elementos que possam contribuir com o propósito de socialização da nova composição. Tais elementos abrangem tipologias variadas de mobiliários adequados as diferentes atividades afins observadas e propostas para a praça, tais como sentar, relaxar, jogar, conversar, comer e exercitar. Dentre estas, destacam-se a implantação de novas árvores com características ornamentais circundadas por bancos circulares e mesas e estrategicamente posicionadas nos novos eixos de circulação, e as áreas com novos assentos reclinados e pedais, posicionados de maneira a aproveitar as visuais para a baía de vitória. Alguns canteiros serão elevados, contribuindo na busca de movimento através dos elementos, e também para o lazer e descanso em meio à grama. O projeto ainda contará com mobiliários infantis, permitindo o lazer destes usuários e atraindo mais crianças ao local.

Tais intervenções baseiam-se no capítulo 3 deste trabalho, que trata da diversidade dos mobiliários, a fim de atender e atrair usuários diversificados ao local, crianças, jovens, adultos e idosos, estimulando a vivencia entre as pessoas, e também proporcionando lazer e satisfação a nova demanda que o projeto de revitalização irá atrair para fazer uso do local.

A praça desde a sua concepção foi e continua sendo palco para eventos e acontecimentos sazonais com a inserção de pódio para premiações de corridas e campeonatos de remo, e para brincadeiras infantis, além de comemorações em datas festivas, como apresentado no diagnóstico do capítulo 4. Diante da necessidade de que a praça forneça uma estrutura adequada, a fim de suprir a esta demanda e estimular novas apropriações saudáveis como sugere o subcapítulo 3.2.5 deste trabalho, quando relata a respeito da diversidade de uso, eventualidades e realizações no es-


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paço público, o projeto contará com um novo equipamento urbano, uma estrutura tipo coreto, a ser localizada em uma área que não obstruirá o cone visual existente no local (figura 84).

Esta contribuíra em manter tais realizações e atrair mais eventos ao local, incentivando que tais acontecimentos sejam realizados com mais frequência, contribuindo para o resgate da sociabilização no espaço de uso público. Figura 84: Referência de estruturas para eventos em praças

Fonte: SKYSCRAPERCITY (04/2015)

- Vitalidade nos Usos e Mobilidade

Os quiosques de alimentação que funcionam como barreiras para a mobilidade local, demonstrados no diagnóstico, serão redimensionados de forma a preservar a circulação acessível e organizada em seu entorno, seguindo a conceituação do subcapitulo 3.2.3 que descreve sobre o acesso ao espaço por todos os cidadãos de forma independente, inclusive os que possuem mobilidade reduzida, sem que haja obstáculos. Além disso, atenderá a função estética, destacada no subcapitulo 2.2. que relata a importância da contribuição da paisagem construída no embelezamento da cidade.

A proposta contribuirá para melhorar a mobilidade local, além de colaborar para que o espaço se torne agradável e de permanência. Os quiosques serão retirados do atual espaço que ocupam bloqueando a circulação e visualização da praça, e o serviço que estes oferecem serão deslocados para a área comercial situada no térreo


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do Edifício Jusmar, localizado no interior da praça, estratégia que irá beneficiar a ocupação do mesmo e atribuir uma nova atratividade a área adjacente à mesma, já que possuem acessos voltados para a praça.

O objetivo é organizar o espaço e libera-lo para melhor circulação das pessoas, o espaço próximo à nova área de alimentação contará com a locação de mesas e cadeiras para acomodar as pessoas sem comprometer a circulação e a visibilidade da praça, oferecendo conforto e nova oportunidade de permanência na mesma. A proposta ainda visa proporcionar melhores condições de trabalho aos comerciantes, a fim de que este ambiente funcione também no período noturno.

Os ambulantes que atualmente ocupam a praça de forma confusa e desorganizada e com barracas que não fornecem boas condições de trabalho e nem tão pouco contribui com a estética local, também foram considerados na nova proposta. O projeto contará com novas barracas e a reorganização e dimensionamento dessas, a fim de que a circulação seja privilegiada e os equipamentos forneçam melhores condições de acesso. O projeto propõe uma integração entre os dois ambientes, a área de alimentação e área dos ambulantes, já que a intenção é que ambos forneçam serviços também no período noturno e o local se torne ponto de encontro e vivência, estimulando a presença de pessoas na área.

- Conexão e Integração

No projeto de revitalização houve uma preocupação em relação à carência de percursos e conexões que garantam a continuidade e interligação dos edifícios e equipamentos existente com o espaço da praça. Para tanto, seguindo o conceito a respeito da garantia na continuidade e permeabilidade dos percursos, abordado no subcapítulo 3.2.2 deste trabalho, a área denominada “de transição”, como destacado no diagnóstico, contará com uma reestruturação que dará origem a um eixo principal, onde será implantado o elemento água. Este será integrado ao passeio, simbolizando a continuação da natureza existente no lado leste (baía) e também terá o objetivo de oferecer, tanto para o centro da praça quanto para o lado oposto a baía, a mesma sensação prazerosa e de contemplação existente no lado leste. Tal proposta


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ainda proporcionará sensação de movimento ao espaço, conforto e bem estar ao usuário durante a sua passagem e permanência no local (figura 85). Figura 85: Croqui esquemático conceitual

Fonte: Elaborado pela autora (04/2015)

Atendendo a necessidade de permeabilidade diagnosticada, novos caminhos secundários foram propostos para atravessar os grandes canteiros centrais, criando assim novas possibilidades de acesso ao centro e as laterais da praça. Tais caminhos proporcionarão a continuidade dos trajetos realizados diariamente pelos pedestres, além de contribuir para melhor permeabilidade e conexão entre os espaços e os edifícios adjacentes.

Com o objetivo de intensificar a integração da praça com seu entorno, oferecer atividades, proporcionar usos e movimentação na área, com base na ferramenta apresentada no subcapítulo 3.2, o projeto se amplia ao propor uma intervenção nos moldes de uma Operação Urbana Consorciada, onde através de parcerias do setor público e privados para ocupação e valorização do entorno da praça, a área se torne


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atualizada as necessidades e demandas dos capixabas e visitantes e volte a fazer parte do cotidiano social, tornando-se um local de referência, vivência e circulação de pessoas. Tal intervenção deverá incorporar edifício com características culturais de uso que vai de encontro à proposta de revitalização do centro histórico da Capital, trazendo benefícios tanto aos usuários, quanto para os investidores privados, pois esta estratégia incentivará pessoas a circular, utilizar e permanecer no local, resultando em melhorias e interesse pelo comércio e serviços oferecidos na área do entorno da praça.

Partindo desta proposta, o projeto propõe que o piso da praça seja estendido até o encontro das edificações laterais, nas Ruas Coronel Vicente Peixoto e Aristides Campos, que serão substituídas pela continuação da praça, com o objetivo de unificar e ampliar o espaço de uso público para integrá-lo as edificações vizinhas estimulando assim uma frequência maior das pessoas na praça. Contudo, devido ao fechamento das ruas laterais, uma faixa exclusiva para veículos será locada no lado direito da praça, a fim de atender aos taxistas e aos usuários. (figura 86). Figura 86: Croqui esquemático conceitual

Fonte: Elaborado pela autora (04/2015)


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- Segurança

A conceituação descrita no subcapitulo 3.2.4, relata que as pessoas devem sentir-se seguras ao permanecer e caminhar nos espaços de uso público em qualquer período do dia. Contudo a praça de estudo possui um conjunto de postes que fornecem baixa iluminação, logo no período da noite a mesma permanece escura, transmitindo uma sensação de insegurança e colaborando para a ausência de pessoas, servindo de abrigo para mendigos e usuários de drogas, o que torna o local ocioso. Sendo assim, o projeto contará com a substituição dos postes que receberão iluminação captada através de placas fotovoltaica, contribuindo para a economia de energia e tornando o espaço um lugar seguro e atrativo no período noturno.

Além disso, a praça possui muitos canteiros e vegetação, logo a iluminação deverá contemplar postes abaixo das copas das árvores, locais de longa permanência com sobreposições de refletores e caminhos com iluminação de balizadores. Spots também serão utilizados, criando pontos de luz abaixo dos bancos, junto aos caminhos principais, em direção as copas e em meio aos canteiros, colaborando para a segurança e também na valorização do paisagismo local.

- Sustentabilidade e Estratégia Dinamizadora

A praça de estudo possui muitos desníveis, pisos desordenados e comprometedores, devido a pequenas reformas realizadas no espaço que contribuíram para alagamentos e dificuldade na mobilidade. Para tanto, o piso de toda a praça será nivelado e substituído por um novo revestimento não trepidante e permeável, oferecendo caminhos possíveis de serem percorridos por todas as pessoas, inclusive aquelas com mobilidade reduzida.

Com base no subcapítulo 3.2.5, onde apresenta a importância de estratégias de projeto voltadas para a sustentabilidade, o projeto contará com um piso drenante que irá colaborar para maior rapidez na absorção da água da chuva, evitando alagamentos e poças de água em épocas de chuvas. O projeto ainda propõe um sistema de captação de águas pluviais, onde a água captada será reutilizada para manutenção da praça, higienização do espaço e rega da vegetação.


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A proposta baseia-se no conceito sustentável, a fim de reduzir a demanda nas águas superficiais e subterrâneas, diminuir o impacto ambiental e colaborar na economia de energia, pois atuará diretamente no custo das manutenções.

O sistema de coleta de água da chuva será fechado, dimensionado somente na área da praça, afim de que não corra riscos em receber contaminação da rede pública de esgoto local. Serão implantados pontos de coleta no espaço, através de tubos perfurados que captarão a água do solo e a conduzirá para um filtro, uma caixa de areia com brita, a fim de que neste fiquem retidos folhas, pedras e elementos sólidos indesejados.

Em seguida a água será conduzida a um reservatório subterrâneo para armazenamento da água, a fim de que seja utilizada quando for preciso nas manutenções e regagem (figura 87). A captação da água da chuva também ocorrerá através dos canteiros, onde a grama receberá uma camada de terra (com alto teor de areia) ou TopSoil (mistura de areia e matéria orgânica), que permitirá o desenvolvimento da grama e o bom escoamento da água. Abaixo dela, haverá uma camada de areia grossa e outra camada de brita, onde serão abertas valas por onde também passarão os tubos drenantes (figura 91), que realizará o mesmo processo citado acima. Figura 87: Esquema de captação de água da chuva

Fonte: Elaborado pela autora (04/2015)


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Figura 88: Esquema de captação de água da chuva através da grama

Fonte: PORTAL 2014 INFRAESTRUTURA URBANA (04/2015)

A operação urbana consorciada, instrumento utilizado neste trabalho como estratégia para reintegração da área, aumento da valorização e da vivencia urbana, contará ainda com um projeto âncora, onde é proposta a criação de um elemento integrador a intervenção da praça. Com esta finalidade o projeto idealizou a construção de um ícone arquitetônico que ocupará o terreno vazio localizado no lado direito da praça, incluindo a Rua Aristeu Gomes, que receberá uma edificação de uso cultural/comercial sob pilotis. Seu térreo ficará livre para dar continuidade e permeabilidade ao espaço livre, contribuído também para o incentivo na diversidade de eventos e acontecimentos no local (figuras 89 e 90).

Para tanto, o novo piso que a praça receberá também será estendido para a área do térreo deste edifício, seguindo o mesmo padrão de paginação e cores. A estratégia visa contribuir para que a praça se torne referência e ponto de encontro, com o objetivo de atrair e concentrar novos usuários na área e seu entorno, além de oferecer melhorias e crescimento tanto no comércio local quanto no incentivo ao turismo.


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Figura 89: Croqui esquemático conceitual

Fonte: Elaborado pela autora (04/2015)

Figura 90: Ed. MASP (SP). Referência de edificação sob pilotis e ícone arquitetônico

Fonte: BRASIL EM ALTA (04/2015)

Tal estratégia ainda conta com um estacionamento no subsolo, a fim de atender a demanda local, que poderá ter seu acesso através da Rua Governador José Sette. O transito e o acesso de veículos na área não ficará prejudicado, pois as ruas adjacentes, como demonstra a figura 91, possuem estrutura e dão condições para bom funcionamento do fluxo de veículos.


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Figura 91: Demonstração do fluxo de veículos e acesso a praça

Fonte: Elaborado pela autora (04/2015)

Vale destacar que a proposta apresentada nesta diretriz, Estratégia Dinamizadora, alcançará objetivos, como a reintrodução de um espaço de uso público em meio ao centro da cidade, não só a praça, mas todo o seu entorno, proporcionando resultados positivos que contribuirão para o funcionamento da cidade e valorização da sociabilidade e vivência, através de áreas destinadas ao uso coletivo. 5.2 APRESENTAÇÃO DO PROJETO Neste subcapítulo será apresentado e descrito o projeto de revitalização da Praça Presidente Getúlio Vargas. O resultado alcançado baseou-se no referencial teórico, nas necessidades apontadas no diagnóstico e nas diretrizes identificadas ao longo deste estudo.

O projeto concentrou-se em trabalhar as potencialidades identificadas nos quatro setores ilustrados na implantação, demonstrado nas figuras 92, 93, 94 e detalhados nas páginas seguintes. Para a área identificada como “movimentada” no diagnóstico que apresentava a maior concentração de comércio, optou-se por defini-la como setor Comercial. Na porção central da praça identificada por área em “transição” que apresentava barreiras para mobilidade na praça adotou-se o termo Conexão. Em relação à parte que faz limite com a baía de Vitória onde se constatou uma ausência de usos identificada como área “subutilizada” adotou-se o termo Lazer/Eventos que é favorável a apropriação. E por fim, foi adicionada a área adjacente identificada no diagnóstico como vazia e introspectiva para contribuir com um dos pontos lembrados pelo imaginário coletivo dos frequentadores mais tradicionais da praça que havia sido abolido, o elemento cultura através do que denominou-se como setor Integrador.


Figura 92: Planta Geral do Projeto de Revitalização com marcação dos setores

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Av. Marechal M. de Moraes (Beira Mar) ÁREA MOVIMENTADA – SETOR COMERCIAL

ÁREA DE TRANSIÇÃO – SETOR CONEXÃO

ÁREA SUBUTILIZADA – SETOR LAZER/EVENTOS

CONCEITO INTEGRAÇÃO - SETOR DINAMIZADOR

Fonte: PMV (2014). Adaptado pela autora (05/2015)


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Figura 93: Implantação Geral 01

Fonte: Elaborado pela autora (05/2015) Figura 94: Implantação Geral 02

Fonte: Elaborado pela autora (05/2015)


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Setor 01 – Comercial

Nesta área, denominada no diagnóstico como área movimentada (figura 95), destacam-se as atividades comerciais que já existiam no espaço, porém foram reorganizadas de maneira a permitir a circulação e visibilidade da praça e valorizadas quanto a nova estruturação. O novo desenho aproveitou o monumento “Lei de Deus” existente e conhecido pelos moradores locais, como elemento focal de um novo eixo integrador. Eixo este enfatizado por uma linha com jatos de água alinhados com a porta de acesso do hotel adjacente à área, além de palmeiras que compõe o novo paisagismo projetado com o objetivo de criar um novo ambiente de estar e contemplação. Figura 95: Setor 01 – Comercial

Fonte: PMV (2014). Adaptado pela autora (05/2015)

A partir deste monumento, ocorreu a criação de um eixo transversal, onde os jatos de água instalados junto a iluminação em LED embutida no piso foram projetados para simular apresentações sonorizadas de “dança das águas” (figura 96). Tais apresentações seriam viabilizadas através de uma parceria do poder público e a administração do hotel e funcionariam como um convite para que os visitantes hospedados no hotel passem a usufruir e interagir com as demais pessoas que a partir desta intervenção passariam a frequentar a área.


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Figura 96: Eixo transversal com jatos d’ågua

Fonte: Elaborado pela autora (05/2015)


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Cenário provido de bancos e mesinhas que oferecem conforto para permanência e circulação das pessoas que contam também com as bancas de revista e livros localizadas na área. O novo elemento inserido no espaço além de promover a integração e harmonia do conjunto se propõe também a atrair a atenção e a presença de novas pessoas ao local, por despertar a curiosidade inclusive dos moradores e trabalhadores das edificações do entorno. Considerando que a praça está inserida em uma área circundada por edifícios com uso predominante residencial e de serviço. No lado direito desta área da praça está localizado um “corredor” gastronômico que funcionará durante todo o dia, inclusive no período noturno com o intuito de atrair mais frequentadores, moradores e funcionários em horários alternados (figura 97). Os serviços de alimentação e bebida serão ofertados nos pontos comerciais existentes no térreo do Edifício Jusmar, proporcionando uma maior valorização e utilização dos pontos comerciais, através do novo uso e oferecendo uma área agradável de permanência. Figura 97: Corredor gastronômico

Fonte: Elaborado pela autora (05/2015)


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Ainda nesta área, foram locadas novas árvores e mesas com cadeiras para acomodar os usuários, proporcionando um ambiente sombreado ao longo do dia, favorecendo o conforto térmico nesta parcela da praça, e a noite o local permanece atrativo, devido à nova iluminação implantada no local. A área também foi projetada para oferecer melhores condições de trabalho aos comerciantes que antes estavam concentrados em quiosques que bloqueavam a circulação das pessoas e a conexão deste setor as demais áreas da praça.

Os ambulantes, além de receberem novas estruturas com potencial para acomodar artesanatos do Estado, foram redimensionados de forma dupla e linear no espaço, em paralelo à área gastronômica. A nova configuração contribuirá para melhor circulação e acesso dos usuários ao local e nos equipamentos, pois com os novos dimensionamentos a praça ganhou áreas mais livres, organizadas e de fácil identificação, contribuindo para a mobilidade e continuidade dos passeios, além da diversidade de usos.

A fim de valorizar a área comercial existente na lateral direita do Ed. Jusmar, e estimular o interesse de empresários nas lojas que se encontram sem uso, o espaço recebeu arbustos com iluminação por balizadores ao longo do passeio, incentivando ainda a inserção de um possível café voltado para este ambiente (figura 98). Tais estratégias também irão estimular o interesse, por parte dos usuários e passantes, em utilizar e circular neste espaço, contribuindo para o crescimento do comércio local e vivência na área.


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Figura 98: Área Comercial do Ed. Jusmar

Fonte: Elaborado pela autora (05/2015)

O térreo do edifício também foi identificado como local ideal para sediar um ponto de informações aos turistas equipado com sanitários públicos, onde qualquer cidadão poderá obter informações a respeito não só do centro, mas de toda a cidade de Vitória. E para contribuir ainda mais com a informação ao turista e oferecer informação aos visitantes da cidade, totens digitais foram distribuídos ao logo da praça (figura 99), estes fornecerão informações sobre localizações, arquitetura, patrimônio história da cidade e também a respeito desta revitalização.


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Figura 99: Totens distribuídos em toda a área da praça (01)

Fonte: Elaborado pela autora (05/2015)

No lado direito algumas pequenas árvores que não sombreavam foram substituídas e outras transportadas de lugar para serem inseridas na nova configuração do espaço. Por se tratar de uma área árida, esta recebeu novas árvores, com espécies ornamentais, que junto às existentes proporcionarão áreas sombreadas e protegidas. Abaixo delas foram locadas mesas com tabuleiros de jogos e cadeiras, além das


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bancas já existentes na praça, de revista e de livros já mencionadas, porém com novas estruturas. Tais intervenções contribuirão para o conforto térmico dos usuários. O espaço adquiriu uma nova forma através dos elementos inseridos para estimular a sociabilização e o convívio das pessoas (figura 100). Figura 100: Novas árvores, mesas e bancas

Fonte: Elaborado pela autora (05/2015)


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Setor 02 – Conexão

Neste setor, denominado no diagnóstico como área de transição (figura 101), está localizado a grande massa verde existente na praça, esta foi mantida e integrada à nova configuração da área, além de harmonizada com o novo paisagismo. No centro deste setor ocorreu à criação de um eixo principal que interligará os setores 01 e 03, este eixo, assim como no setor 01, também recebeu jatos de água que foram implantados ao longo do piso, porém com jatos de água mais baixos, oferecendo uma área não só de passagem, mas de contemplação e permanência, pois ao longo do passeio foram adicionados bancos, proporcionando bem estar tanto aos passantes como aos que permanecerem sentados (figura 102). Para inserção do novo elemento e dos bancos, ocorreu o alargamento do caminho, a fim de que o passeio dos pedestres não seja interrompido nem tão pouco prejudicado. O objetivo foi o de proporcionar movimento ao espaço, além de causar sensação de continuidade do cenário natural que o local oferece, através do elemento água, levando este para dentro da praça, e ainda oferecendo bem estar ao usuário. Figura 101: Setor 02 - Conexão

Fonte: PMV (2014). Adaptado pela autora (05/2015)


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Figura 102: Eixo principal com jatos d’água e mobiliário

Fonte: Elaborado pela autora (05/2015)

Os caminhos criados pelos passantes para “cortar caminho” e observados no diagnóstico como uma necessidade, foram abertos. Tal intervenção foi projetada para oferecer continuidade dos trajetos realizados na praça. Buscou-se utilizar a simetria como estratégia de organização e harmonia, mantendo a ortogonalidade, que corresponde a principal característica dos canteiros centrais existentes no desenho original da praça.


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Alguns destes canteiros, localizados ao lado esquerdo desta área, foram alterados quanto a sua configuração, tendo suas laterais elevadas para acomodar as pessoas enquanto contemplam o ambiente ou descansam. Vale destacar que os canteiros com gramas foram substituídos por forrações adequadas à área sombreada. Outros canteiros, localizados no lado direito, receberam bancos ondulares ao longo de seu desenho sinuoso, oferecendo mais locais de permanência e bem estar. Sendo que um deles foi reservado para o encontro de cães e além da vegetação, possui bebedouro específico para atender aos animais (figura 103). Ainda ao lado direito foi locado um bicicletário para atender aos usuários que optam em se deslocar para a praça com bicicletas e aos ciclistas que também utilizam o espaço nos finais de semana em que uma das pistas que faz limite com a praça se transforma em área de lazer (figura 104). Figura 103: Canteiros elevados, caminhos secundários com mobiliário e área para cães

Fonte: Elaborado pela autora (05/2015)


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Figura 104: Bicicletário e caminhos secundários

Fonte: Elaborado pela autora (05/2015)

Setor 03 – Lazer/ Eventos

Esta área identificada como subutilizada no diagnóstico destacou-se na fase projetual como favorável a implementação de equipamentos de lazer e exercícios, além de próprio também para acolher eventos (figura 105). Para tanto foram projetados novos equipamentos para o lazer infantil buscando a interatividade através da diversão, associados a equipamentos multiuso demonstrados na figura 106, além da


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academia popular para jovens, adultos e idosos, incentivando o lazer através da realização de exercício físico. Vale destacar que a academia popular já existia na praça, porém foi redimensionada com intuito de obter melhor harmonia com a nova configuração do espaço. Figura 105: Setor 03 – Lazer/Eventos

Fonte: PMV (2014). Adaptado pela autora (05/2015) Figura 106: Área infantil e cadeiras para prática de exercício

Fonte: Elaborado pela autora (05/2015)


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Os equipamentos buscam a prática de exercício físico e mental, e estimulo no processo interativo entre os usuários em conexão com a natureza. Além disso, estes poderão ser utilizados por todos os grupos de usuários identificados no diagnóstico, fazendo com que a praça faça parte do cotidiano das pessoas e da cidade, estimulando também não só usuários locais, mais pessoas de outras localidades que passeiam pelo centro na rua de lazer aos finais de semana para frequentarem o espaço.

No lado direito da praça foi locada uma estrutura tipo coreto com o objetivo de atender as apresentações e comemorações em dias de eventos e festividades realizadas no local desde a criação da praça. A estrutura vazada em concreto e aço foi posicionada entre canteiros na extremidade direita da praça de forma a não atrapalhar a passagem dos pedestres, nem tão pouco comprometer o cone visual local.

Ainda neste setor, foi mantido o calçadão as margens da Avenida Beira Mar integrados aos novos equipamentos para que as pessoas caminhem com maior segurança e sintam-se convidadas a utilizar o espaço. Ainda através deste, é possível contemplar o monumento Getúlio Vargas, que devido a tal intervenção ganhou mais visibilidade. A intenção foi a de valorizar e destaca-lo ainda mais no espaço, pois é representativo de um período histórico brasileiro e faz parte da identidade local, o monumento recebeu um novo paisagismo, substituição das palmeiras degradas em suas laterais e um filete de espelho d’água ao seu redor, além de iluminação por refletores (figura 107). Nos canteiros foram respeitadas as formas originais orgânicas, e reforçada a simetria na distribuição e seleção das espécies, tanto das forrações quanto dos arbustos.


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Figura 107: Calçadão e estrutura para eventos

Fonte: Elaborado pela autora (05/2015)


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Setor 04 - Dinamizador

Através da proposta de Operação Urbana Consorciada, a Praça Presidente Getúlio Vargas foi conectada a quadra localizada ao lado direito e integrada ao terreno vazio existente, onde foi idealizado a construção de uma edificação de uso cultural sob pilotis (figura 108). Esta edificação tem como proposta ser um ícone arquitetônico e referência para a cidade, e especificamente para a área da praça que ficou carente de edifícios que promovam o encontro desde que os cinemas da região foram fechados. Nas laterais deste terreno foram locadas árvores ornamentais com bancos e mesas que dão continuidade ao paisagismo implantado na praça, proporcionando uma extensão das áreas de permanência, proporcionando a continuidade e permeabilidade do espaço urbano de uso público da praça (figura 109). Figura 108: Setor 04 - Dinamizador

Fonte: PMV (2014). Adaptado pela autora (05/2015)


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Figura 109: Continuidade do espaço e edifício cultural sob pilotis

Fonte: Elaborado pela autora (05/2015)

Ainda para tal edificação o projeto idealizou, como principal forma de circulação vertical, o uso de escadas rolantes associadas a elevador panorâmico, a fim de contribuir para melhor mobilidade dos usuários e acesso ao novo edifício. Os pilares receberão painéis em mosaico que retrarão a história e o sítio histórico da cidade, já que a edificação será de uso cultural (figura 110).


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Com o objetivo de não impedir ou prejudicar os usuários e trabalhadores que fazem uso do espaço através do veículo, foram locadas na praça duas faixas para os mesmos, com a finalidade de atender aos taxistas e aos veículos locais, cujos proprietários trabalham ou fazem uso do Ed. Jusmar e do edifício da loja Dadalto, pois ambos possuem entrada de estacionamento voltada para a área do projeto.

As laterais das faixas receberam floreiras e balizadores que serviram não só para composição do paisagismo, mas como elementos sinalizadores que atuarão na preservação da segurança aos usuários do espaço. Entre as floreiras existem passagens para os pedestres, proporcionando a continuidade do passeio e da área livre de uso público. Figura 110: Faixa para veículos, entrada dos edifícios adjacentes e floreiras

Fonte: Elaborado pela autora (05/2015)


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5.2.1 Especificações do Projeto

Neste subcapítulo será apresentada uma breve relação de materiais para pavimentação, espécies de vegetação e mobiliários utilizados no projeto de revitalização da praça. Em todo o projeto foram propostos equipamentos e vegetações adequadas a espaços livres de uso público e ao clima local.

- Materiais para Pavimentação

Em toda área da praça foi proposto para pavimentação o revestimento cimentício nas cores cinza sampa que foi utilizado como o piso principal. A placa cimentícia pigmentada, na cor terracota, foi utilizada nas principais circulações, com o intuito de orientar e caracterizar os ambientes, e também proporcionar a integração do espaço através da nova paginação e organização espacial. Para garantir a drenagem da água pluvial serão utilizadas juntas de dilatação com areia e concreto poroso sem polimento, proporcionando a absorção da água do piso para o solo. (figura 111). Figura 111: Referência de placa cimentícia e juntas

Fonte: SOLARIUM REVESTIMENTOS (05/(2015)

Na busca pelo reaproveitamento da água pluvial, o projeto recebeu um sistema de captação da água da chuva que será utilizada para manutenções do espaço, jatos d’água, banheiro público e na rega da vegetação. Para tal sistema foi especificado tubos perfurados de aço inoxidável infiltrados no solo que resiste aos esforços mecânicos e ao ataque de substâncias químicas captadas ou de entorno (figura 112).


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Figura 112: Tubos Perfurados de aço inox

Fonte: KANAFLEX (05/2015)

A água captada passará por filtros compostos por areia e brita, a fim de bloquear a passagem de sólidos indesejáveis junto a água, que será conduzida até a cisterna, ambos de concreto pré-moldado como mostra a figura 113. Figura 113: Cisterna e filtro em concreto pré-moldado

Fonte: PRÉ MOLDADOS (05/2015)

O concreto pré moldado também será utilizado para concepção das laterais dos canteiros altos (figura 114), posicionados no setor 02, centro da praça. Figura 114: Exemplo dos canteiros altos

Fonte: Elaborado pela autora (05/2015)

Vale destacar que a praça receberá um novo desnível no piso que respeitará os níveis existentes no local, onde a parte mais alta é a área voltada para a Av. Princesa Isabel e a mais baixa para a Av. Beira Mar, tais áreas possuem um desnível de 4cm


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em ambas, respeitando uma inclinação máxima nos percursos de 2%. Tal situação contribuirá para que não ocorram alagamentos e nem acumulo de pequenas poças d’água. Os tubos serão dimensionados no solo de acordo com este desnível, onde o caimento da água captada seguirá para a cisterna posicionada na parte mais baixa, abaixo da área de eventos. Devido a tal intervenção, a praça receberá novas delimitações entre a área de pedestres e as vias laterais de veículos. O meio fio será em concreto aparente distando 15cm de desnível em relação as vias adjacentes (figura 115). Figura 115: Guia de concreto

Fonte: TECPAVi (05/2015)

Para segunça dos usuários e de acordo com a norma de acessibilidade NR9050, em toda a extenção da praça em que foram identificados obstáculos como árvores, postes, lixeiras e outros, assim como nos desníveis , foram utilizados os pisos táteis de alerta e para os caminhos livres de obstáculos o piso tátil direcional na cor vermelha, demonstrados na figura 116, garantindo a acessibilidade por todas as pessoas com segurança. A Acessibilidade também foi garantida nos deslocamentos que preservaram a largura mínima de 1,50m. Figura 116: Piso tátil alerta e direcional

Fonte: PPM Laminados (05/2015)


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- Mobiliário Urbano

Para especificação dos mobiliários utilizados no projeto, houve a busca por equipamentos que unissem beleza e função, considerando a durabilidade do material e a facilidade na manutenção, objetivando no conforto do usuário, além de integração com a paisagem existente. Houve ainda a procura pela harmonia considerando a sinuosidade presente no desenho dos canteiros. Além disso, as formar sinuosas contribuirão em dificultar que moradores de rua durmam no local.

Por conseguinte, em toda a extensão da praça foram locados assentos curvos em concreto branco. Seguindo a forma orgânica e a extensão de alguns canteiros inseridos no centro da praça, foram especificados assentos ondulares de madeira, na cor ipê com pés de aço inox, e ao redor de algumas árvores ao longo do espaço, foram locados os assentos circulares, do mesmo material citado anteriormente (figura 117), todos com encosto. No passeio, ao redor da área destinada à edificação sob pilotis, alguns dos assentos circulares citados, estão acompanhados de pequenas mesas também em madeira, com objetivo de proporcionar a diversidade de uso e satisfação, criando espaços que ofereçam estrutura para aglomeração de pessoas. Figura 117: Exemplo de bancos curvo, ondular e circular

Fonte: SERVIBO PAISAGISMO LEGAL ARCHPRODUCTS (05/2015)

Os jogos de mesas com cadeiras distribuídas na praça são de madeiras e aço inox, na cor ipê, todas fixadas no piso. Exceto as mesas do espaço gastronômico, todas as outras possuem tabuleiros de xadrez fixo que proporcionam lazer e distração aos usuários (figura 118). Todas as cadeiras possuem encosto, com o intuito de oferecer mais conforto e aprazibilidade em todas as áreas da praça. Tais cadeiras foram organizadas de uma forma que garante o acesso de cadeirantes as mesas.


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Figura 118: Exemplo de jogos de mês,a com e sem tabuleiro de xadrez

Fonte: LANCI ARCHI PRODUCTS (05/2015)

Para a prática de exercício físico e de lazer, além da academia popular já existente, foram especificadas cadeiras de madeira ipê reclinadas, com pedal tipo de bicicleta, estas foram posicionadas a frente das cadeiras (figura 119). Os equipamentos infantis são compostos por equipamentos lúdicos e para estimular atividades físicas (figura 120 e 121), são de madeira, pneu, concreto e aço inox, com formas variadas e coloridas, a fim de proporcionar interação e lazer ao público infantil. Figura 119: Exemplo de cadeiras reclinadas com pedal

Fonte: PREFEITURA DE CAJAMAR (05/2015) Figura 120: Exemplo de mobiliários infantis

Fonte: CIÊNCIA HOJE (05/2015)


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Figura 121: Exemplo de mobiliário infantil e jogo da memória

Fonte: INDALCHESS.COM PMSP (05/2015)

Vale ressaltar que o projeto propôs um equipamento chamado jogo da memória, este possui texturas e também escrita em braile, assim podendo ser utilizado por todas as crianças, inclusive as que possuem algum tipo de deficiência.

Para iluminação da praça foi especificado equipamentos que se enquadram na sustentabilidade, luminárias econômicas e materiais que possuam durabilidade. Os modelos escolhidos buscam também a integração entre a estética e a funcionalidade, além da harmonia com o novo cenário criado, proporcionando espaços bem iluminados e seguros.

Em toda extensão da praça foram locados postes com altura de 3m, de aço galvanizado preto com luminárias duas pétalas e lâmpadas fotovoltaicas (figura 122). Os postes de iluminação pública ao redor da praça foram trocados por postes com a mesma especificação descrita, porém com um braço para luminária e altura de 6m. Figura 122: Exemplo de poste para iluminação de pedestres

Fonte: LUMILANDIA (05/2015)

Para iluminação da vegetação e canteiros especificou-se balizadores de aço inox de 40 e 50cm demonstrados na figura 123. A iluminação criada no piso junto aos jatos d’água e próximo aos bancos foram especificados com spots embutidos e refletores


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tipo espeto na cor verde para a iluminação dos monumentos. Todos os modelos com iluminação em LED (figura 124 e 125).

Figura 123: Exemplo e aplicação de balizadores

Fonte: LUMILANDIA NEO SOLAR ENERGIA (05/2015) Figura 124: Exemplo e aplicação de spots

Fonte: LUMILANDIA (05/2015) Figura 125: Exemplo e aplicação de refletor espeto

Fonte: LUMILANDIA (05/2015)

Em pontos estratégicos da praça, foram locados equipamentos organizadores acessíveis, que são as lixeiras para coleta seletiva em aço inox, com tampas de cores vermelho, amarelo, verde e azul, para estimular a reciclagem dos resíduos. A praça também recebeu bebedouros público em concreto aparente que contribuirá para o


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bem estar dos usuários do espaço (figura 126). Os pontos de ônibus da praça foram substituídos por novas estruturas, especificados em madeira e aço inoxidável, estes proporcionarão mais conforto na espera dos coletivos e harmonia com o novo cenário da praça. Figura 126: Exemplo de lixeira seletiva, bebedouro público e ponto de ônibus

Fonte: GREEN CICLA DEPOSIT INTER EMPRESAS (05/2015)

- Espécies para vegetação Na especificação das vegetações, a grama amendoim (arachis repense) foi mantida, pois possui bom desenvolvimento de acordo com o clima, além de contribuir para a estética, contudo foi substituída por novas mudas, devido ao estado de degradação que se encontram atualmente na praça. A grama esmeralda (zoysia japônica) também existente no local foi toda retirada, pois esta necessita de pleno sol e não sobrevive no local, devido a grande área sombreada. Assim, foi substituída pela grama São Carlos (Axonopus compressus) que não exige pleno sol para sua sobrevivência, se desenvolve bem a meia sombra e ainda em épocas frias (LORENZI, 2013). Esta contribuirá ainda para o paisagismo harmonioso proposto (figura 127). Figura 127: Grama amendoim e grama São Carlos

Fonte: GLOBAL RELVA (05/2015)


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Para elaboração do projeto paisagístico, houve o acréscimo quanto à especificação de novas espécies como a eugenia (Eugenia Sprengelli) (figura 128) que possui melhor adaptação em locais com alta luminosidade, preferencialmente em sol pleno, porém tolera sombra durante parte do dia e exige poucos cuidados de manutenção, são cultivados no Brasil e muito utilizadas em projetos paisagísticos e urbanos (LORENZI, 2013). A espécie contribuirá com o novo paisagismo, proporcionando espaços contemplativos. Figura 128: Arbusto Eugenia

Fonte: JARDINEIRO.NET (05/2015)

Com o objetivo de acrescentar cores e beleza junto ao projeto de paisagismo e proporcionando ambientes prazerosos, foi especificado arbustos que produzem flores. A Mini Ixora (Ixora coccínea) (figura 129) com flores vermelha e laranja, é um arbusto muito apreciado nas regiões de clima quente, tropical e a floração ocorre em toda primavera e verão. Deve ser cultivada em pleno sol ou meia sombra, as regas e a manutenção são em intervalos regulares (LORENZI, 2013). Figura 129: Arbusto Ixora com flores

Fonte: JARDINEIRO.NET (05/2015)

Outra especificação foi o Beijo turco (Impatiens walleriana) (figura 130) com cores branco, rosa e lilás, é um arbusto de crescimento rápido, gosta de umidade e prefere o calor. Adaptou-se tão bem ao Brasil que é muito utilizado em jardins e projetos urbanos, sua floração é farta e são produzidas durante todo o ano, não necessita de muitas regas e não exige muitas manutenções (LORENZI, 2013).


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Figura 130: Arbusto com flores Beijo turco

Fonte: JARDINEIRO.NET (05/2015)

Apesar das muitas árvores existentes no local, foi especificada uma nova espécie em novos ambientes criados no projeto, a fim de proporcionar conforto térmico e contribuir também com a harmonia e o projeto paisagístico do local, oferecendo locais contemplativos e admiráveis. Assim especificou-se a árvore Pata de Vaca (Bauhinia variegata), uma árvore florífera, onde o florescimento vistoso inicia em meados do inverno e permanece durante a primavera, porém não há ausência total de flores durante o ano (figura 131). É largamente utilizada na arborização urbana e projetos paisagísticos no sul e no sudeste do Brasil, apresenta porte médio, alcançando de 6 a 12 metros de altura, com copas de 6 a 8m (LORENZI, 2013). Para este projeto especificou-se espécies que produzem flores nas cores brancas, rosa e lilás.

Figura 131: Árvore Pata de Vaca com floração lilás

Fonte JARDINEIRO.NET (05/2015)


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6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Atualmente muitos espaços livres de uso público têm sido abandonados pela sociedade, principalmente nos centros urbanos, onde a predominância de usos tem sido os serviços e o comércio, fazendo com que as áreas públicas, como as praças, fiquem vazias, tornando-se espaços ociosos e inseguros.

Os grandes enclaves fortificados como condomínios fechados, shoppings centers, e também os novos “centros”, tem conquistado o seu espaço nas grandes cidades e a preferência de uso na vida das pessoas, devido ao discurso de garantia do lazer e comodidade com segurança, oferecendo espaços fechados com áreas verdes e diversão, porém enclausurados e distantes da real sociabilização e vivência que uma cidade necessita. Com isso, tais ocupações têm limitado as áreas livres de uso público, eliminando a presença da sociedade e prejudicando o lazer público, uma das principais funções sociais das cidades descritas e defendidas pelo estatuto da cidade, planos diretores, e por inúmeros autores intelectuais conceituados em todo o mundo.

Diante desta realidade, muitas cidades estão passando por intervenções que visam a recuperação da identidade de áreas nos centros urbanos, a reorganização de locais públicos com a soma de elementos que valorize e incentive o uso e a vitalidade, assim como inúmeras estratégias que visam o melhoramento destes espaços objetivando no resgate pela sociabilização e vivência das pessoas.

Dentro deste contexto, o presente trabalho abordou as praças como elemento de destaque, áreas que estão inseridas neste cenário de abandono e descaso, porém que carregam em sua forma, características da memória e da identidade do local onde estão inseridas, principalmente as que estão localizadas nos centros urbanos.

Com intuito de resgatar a relação da praça com a sociedade e seu entorno, valorizar e intensificar a história do local em concordância de suprir as necessidades dos usuários atuais, e introduzir este espaço novamente ao cotidiano da cidade, muitas praças localizadas em centros de diversas cidades brasileiras passaram pelo processo de revitalização, demonstradas neste trabalho, que passaram pela interven-


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ção e obtiveram resultados positivos, com melhoria na qualidade de vida dos usuários, devido ao resgate de elementos históricos existentes e a inserção de novos equipamentos urbanos, proporcionando oportunidade de lazer, contemplação e permanência.

Diante disso, a Praça Presidente Getúlio Vargas foi o elemento de estudo escolhido para este trabalho, por se tratar de uma área localizada no centro de Vitória e que traz em seu cenário parte da história e da consolidação da cidade, porém passa despercebida diante dos olhos e da atenção das pessoas, e encontra-se isolada quanto ao cotidiano das pessoas.

Com base no histórico do local e nos resultados obtidos no diagnóstico e nas potencialidades/vulnerabilidades, foi possível observar a importância e necessidade do projeto de revitalização da praça. Desta forma, o projeto demonstrou e alcançou a valorização e evidenciação da identidade contida na forma e nos elementos presentes no espaço que retratam sua memória. E com objetivo de promover maior vivência no espaço, este recebeu uma nova organização espacial, através de estratégias como a inserção de novos mobiliários e equipamentos urbanos para a criação de áreas de permanência, lazer e contemplação e através da integração da área vazia adjacente com a inserção de novo ícone arquitetônico.

O presente trabalho demonstrou ainda que em parceria com o poder público x privado é possível oferecer vitalidade não só a uma área específica, como a praça, mas de grandes áreas e todo o entorno, oferecendo conexão e continuidade do espaço livre de uso público, criação de áreas seguras e prazerosas, além da introdução de nova edificação que contribuirá com a vitalidade da área, além da valorização do comércio e serviços disposto no local, atraindo pessoas a se sociabilizarem e se apropriarem do espaço.

Desta maneira, o trabalhou buscou mostrar a importância e necessidade de revitalizar áreas públicas, praças com diagnóstico de abandono e degradação, porém carregadas de história, considerando a valorização e preservação local em harmonia com as novas necessidades do usuário atual, apresentando oportunidade de usos aplicáveis.


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157

APÊNDICES

APÊNDICE 02 - Prancha 1/05 - Planta de Demolição ......................................... 158 APÊNDICE 03 - Prancha 2/05 - Planta de Urbanísmo ......................................... 159 APÊNDICE 04 - Prancha 3/05 - Planta de Paisagismo........................................ 160 APÊNDICE 05 - Prancha 4/05 - Cortes e Detalhes .............................................. 161 APÊNDICE 06 - Prancha 5/05 - Ampliações ........................................................ 162


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