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PARTE UM: DO DESENHO HÁ INSTALAÇÃO PART ONE: FROM DRAWING TO INSTALLATION

UAVM VIRTUAL MUSEUM


UAVM VIRTUAL MUSEUM APRESENTA / PRESENTS

JOSÉ VIEIRA 35 ANOS / YEARS

PARTE DOIS: DO DIGITAL HÁ VÍDEO ARTE PART TWO: FROM DIGITAL TO VIDEO ART


Ficha Técnica José Vieira por José Vieira Sonho de uma Obra - Livro XX Janeiro 2017 Edição: UAVM Virtual Museum - uavm.net WAC - Web Art Center - webartcenter.org


Em Dezembro de 2017 completam-se 35 anos sobre a minha primeira exposição. Ao longo destes anos percorri um longo caminho com avanços e recuos, com inflexões e saltos de percurso, pausas e retomas, um caminho “branco” de curvas e contra curvas, as quais fui galgando na distância.


35 YEARS SEEING AND PRODUCING ART In December 2017, 35 years of my first exhibition will be completed. Throughout these years I have come a long way with advances and retreats, with inflections and jumps of course, pauses and retakes, a “white” way of curves and against curves, which I was climbing in the distance. This way seems to me by stages and characters. Characters that have crossed a road of their own, which I have called “phases” and which in the long way that I have gone through, I have already seen 24. In general, each phase has a very peculiar form of expression, going from the “tout-court” drawing to video art. Each “phase” is a discourse, a concern, which is renewed / completed in each new re-invention. If you want to characterize my whole work in one word or phrase, that would be “redemption.” Redemption presupposes the spiritual salvation of the sinner, one who does not follow the spiritual procedures, but who, through repentance and self-denial, is able to return to the path of spiritual salvation. This word characterizes my journey in the sense of resuming the spiritual path that the mundane life tends to obscure or distract. Through redemption through Art, I constantly return to this path that life tends to cross. It is in this sense that, from time to time, I am “obliged” to stop, to reflect, to think long and hard on the road I have traveled and that I want to go through. Thus my journey is accompanied by moments of great creative fury - this moment may not be good, it may be - and sometimes it is - the desperate search for the return of the right path - and moments of great inertia, but it is a reflexive inertia , Where the thought searches for the right bridge to the other margin, to be able to follow the way. But where does this long road take me that persists in not showing me the end of the road? When we look back and see this long road that we leave behind, we really want to look forward to questioning the distant end that we have not yet anticipated. The road. The way. The moment. The gift. The present dresses of the past to face the future.


35 ANOS A VER E A PRODUZIR ARTE Em Dezembro de 2017 completam-se 35 anos sobre a minha primeira exposição. Ao longo destes anos percorri um longo caminho com avanços e recuos, com inflexões e saltos de percurso, pausas e retomas, um caminho “branco” de curvas e contra curvas, as quais fui galgando na distância. Este caminho afigura-se-me por etapas e personagens. Personagens que percorreram uma estrada própria, às quais denominei “fases” e que no longo caminho que percorri conto já 24. Na generalidade, cada fase comporta uma forma muito peculiar de expressão, indo do desenho “tout-court” à vídeo arte. Cada “fase” um discurso, uma preocupação, que se renova / completa em cada nova re-invenção. Se quiser caracterizar toda a minha obra numa só palavra ou frase, essa seria “redenção”. A redenção pressupõe a salvação espiritual do pecador, daquele que não segue os trâmites espirituais, mas que, por meio do arrependimento e da abnegação, consegue retomar o caminho da salvação espiritual. Esta palavra caracteriza o meu percurso no sentido do retomar o caminho espiritual que a vida mundana tende a ofuscar ou distrair. Através da redenção pela Arte, retomo constantemente esse caminho que a vida tende a cruzar. É neste sentido que, de quando em vez, sou “obrigado” a parar, a reflectir, a pensar demoradamente no caminho que percorri e que quero percorrer. Assim o meu percurso é acompanhado de momentos de grande furor criativo – esse momento pode não ser bom, pode ser – e por vezes é – a busca desesperada do retomar do caminho certo -, e de momentos de grande inércia, mas é uma inércia reflectiva, onde o pensamento busca a ponte certa para a outra margem, para poder seguir o caminho. Mas para onde me leva este longo caminho que persiste em não me mostrar o fim da estrada? Quando olhamos para trás, e vemos essa longa estrada que deixamos para trás, queremos efectivamente olhar para a frente, interrogar o fim distante que ainda não antevemos. A estrada. O caminho. O momento. O presente. O presente veste-se de passado para encararmos o futuro.


Pronta a servir 1983 700 x 300 cm, tinta s/ papel (Fase Desenho a Preto e Branco) Escola SecundĂĄria Afonso de Albuquerque, Guarda, Dez. 1983

Pronta a servir (Ready to serve), 1983 700 x 300 cm, ink on paper (Black and White Drawing’s phase) Afonso de Albuquerque Secondary School Dec. 1983


Olho-te Daqui, 1983-12 21 x 29,7 cm, caneta s/ papel (Fase Desenho a Preto e Branco) Exposto in “Obra Toda”, Câmara municipal da Guarda, 28 Nov. a 19 Dez. 1993

A leveza da atmosfera, a rigidez das formas, a ingenuidade da criança, a preocupação estética e adolescente do estar vivo, os rostos de mulher e respectivos bustos, as estruturas geometrizantes... Uma fase de revolta, de ambientes sombrios e formas assustadoras, encerradas em si mesmas esperando por serem libertadas. O anseio por um espaço maior, libertador da alma. (Cit. in Sonho de uma Obra, livro I, pag. 5; Agosto de 1990)

Olho-te Daqui (Looking at you from here), 1983 21 x 29,7 cm, pen on paper (Black and White Drawing’s phase) Exhibited in “Obra Toda”, Municipality of Guarda, Nov. 28 to Dec. 19, 1993

The softness of the atmosphere, the rigidity of the forms, the naivete of the child, the aesthetic and adolescent concern of being alive, the faces of women and their busts, the geometrizing structures... A phase of revolt, Locked in on themselves waiting to be released.The yearning for a greater space, liberating the soul. (Cit. in Dream of a Work, Book I, pag. 5; August 1990)


A Lambisgóia, 1984 21 x 29,7 cm, caneta e colagem s/ papel (Fase Anarscripta) “Colectividade Absurda”, Anarscripta #01, edição de autor, Junho 1984

Nos primeiros desenhos as formas encontravam-se presas e controladas pela dor, pela recusa, pela angústia, pela solidão inconformada, por uma lus insípida que apenas ofusca mais o horizonte. Com o Anarscripta* as formas libertam-se, parecem voar pelo espaço, não se importando com a superfície, apresentam-se incontidas pela dor, o branco domina sobre o negro, sobre a linha, que agora adquire a importância moduladora do espaço, a composição revaloriza-se e dois novos elementos surgem com a nova luz: a colagem e a côr. (cit. in Sonho de uma Obra, livro I, pag. 15/16; Agosto de 1990). * Projecto editorial realizado na Guarda em 1984, com António Adaixo, Luis Castro e Maria Carreto

A Lambisgóia (Affected woman), 1984 21 x 29,7 cm, colage and pen on paper (Anarscripa’s phase) “Colectividade Absurda”, Anarscripta #01, author’s edition, June 1984

In the early drawings the forms were trapped and controlled by pain, by refusal, by anguish, by unconformed solitude, by an insipid lus that only overshadows the horizon. With Anarscripta the forms free themselves, they seem to fly through space, they do not care about the surface, they are unconcerned by pain, white dominates over the black, over the line, which now acquires the modulating importance of space, Composition revalorizes itself and two new elements appear with the new light: the glue and the color. (Cit. in Dream of a Work, Book I, page 15/16, August 1990). * An editorial project carried out in Guarda in 1984, with António Adaixo, Luis Castro and Maria Carreto


Nú deitado, 1987 21 x 29,7 cm, caneta e guache s/ papel (Fase Aguarela) Exposto in “Obra Toda”, Câmara municipal da Guarda, 28 Nov. a 19 Dez. 1993

Com a aguarela realizei os meus primeiros estudos clássicos, partindo de algumas imagens do impressionismo. Nestas o desenho e a massa da tinta criam jogos próprios numa experimentação que vai do mero preenchimento da forma à criação de formas autónomas que, nalguns casos dialogam com o desenho, noutro o eliminam completamente, numa vertente já totalmente plástica, que desenvolveria na Metapintura. Nú deitado (Lying Nude), 1987 21 x 29,7 cm, colage and watercolour on paper (Watercolors’s phase) Exhibited in “Obra Toda”, Municipality of Guarda, Nov. 28 to Dec. 19, 1993

With watercolors I made my first classical studies, starting from some images of impressionism. In these the drawing and the mass of the ink create their own games in an experiment that goes from the mere filling of the form to the creation of autonomous forms that, in some cases, dialog with the drawing, in another they completely eliminate it, in an already plastic stretch, that I would develop in Metapintura.


Mulheres I, 1987 65 x 125 cm, técnica mista s/ madeira (Fase Metapintura) Exposto em “Cenas e Actos do Desespero”, Vídeo Foto Vanguarda, 1987

A Metapintura pressupõe o lado oposto do desenho: enquanto o desenho anteriormente apontava para o delimitar de uma superfície, a expressão de uma ideia, a pintura, como acto em si, deve colorir uma superfície, dar côr ao vazio, encher o vazio de sentimento. Esta nova tomada de consciência é sobretudo feita sobre a memória de uma determinada mulher, no qual, o que se pretende registar não é a sua forma, mas o sentimento que se prende à memória dessa mulher. O suporte não é escolhido e seleccionado com o fim de registar nele uma determinada mensagem, surge nas mãos do artisdta por puro acaso - são madeiras partidas e aproveitadas para o acto pictórico, são objectos anti-clássicos, anti-convencionais, despresam as normas de comunicação, do entendimento, porque é da própria memória do artista do que se trata, porque é do próprio acto pictórico em si do que se trata. (Cit. in Sonho de uma Obra, livro I, pag. 29/30 e 39; Agosto 1980)

Mulheres I (Woman 1), 1987 65 x 125 cm, mix on wood (Metapintura’s phase) Exhibited in “Cenas e Atos do Desespero”, Vídeo Foto Vanguarda, 1987

Metapintura (painting is the goal) presupposes the opposite side of the drawing: while the drawing previously pointed to the delimitation of a surface, the expression of an idea, painting, as an act in itself, must color a surface, give color to the void, fill the void of feeling . This new awareness is mainly made about the memory of a certain woman, in which what is intended to register is not her form, but the feeling that attaches itself to the memory of this woman. The support is not chosen and selected in order to record a certain message in it, it appears in the hands of the artisdta by pure chance - they are broken timbers and used for the pictorial act, they are anti-classical, anti-conventional objects, they degrade the norms of Communication, understanding, because it is the artist’s own memory of what is involved, because it is the pictorial act itself that is involved. (Cit. In Dream of a Work, book I, page 29/30 and 39, August 1980)


O Alfarrabista de Stephen Zweig, 1988 47 x 63 cm, óleo s/ tela (Fase Conceptualismo Simbólico) Exposto in “Obra Toda”, Câmara municipal da Guarda, 28 Nov. a 19 Dez. 1993

A consciência não é mais que os olhos que nos olham ao espelho. As formas, as figuras, mais do que expressar um estado de espírito ou sentimento perante o mundo, exprimem uma filosofia de vida... A vida do artista projecta-se sobre a sua obra de uma forma avassaladora, alcançando domínios de algum expressionismo. O Alfarrabista de Stephen Zweig (Stephen Zweig’s antiquarian bookshop), 1988 47 x 63 cm, oil on canvas (Simbolic Conceptualism’s phase) Exhibited in “Obra Toda”, Municipality of Guarda, Nov. 28 to Dec. 19, 1993

Consciousness is nothing more than the eyes that look at us in the mirror. The forms, the figures, rather than expressing a state of mind or feeling before the world, express a philosophy of life ...The artist’s life is projected onto his work in an overwhelming way, reaching domains of some expressionism.


Quadro das formas vermelhas, 1990 60 x 80 cm, óleo s/ tela (Fase Suprimicidades) Colecção Particular

Inicialmente a pintura mostrava uma relação entre o representado e o representador (estados de alma) no qual o próprio autor se oultava por detrás do conceito e do símbolo, com a ideia e a perspectiva abstractizante, o autor separa-se nitídamente do observador e da própria obra. A uterinidade não é mais que o mostrar do morfológico existente no interior do homem e as suas potencialidades geradoras, potencialidades que se projectam para lá e além do próprio homem; isto é, sobre a natureza e a sua génese e nomeadamente, sobre as suas próprias transformações (metamorfoses) iniciais (mesmo antes do surgir das espécies) do planeta. (Cit in Sonho de uma Obra, livro II, pág. 22, Abril 1991)

Quadro das formas vermelhas (Red forms painting), 1990 60 x 80 cm, oil on wood (Suppression’s phase) Private Collection

Initially the painting showed a relation between the represented and the representant (states of soul) in which the author himself was chosen behind the concept and the symbol, with the idea and the abstracting perspective, the author separates nidentiously from the observer and the Own work. Uterineity is nothing more than the showing of the morphological existing within man and his generating potentialities, potentialities that project to and beyond man himself; That is, on nature and its genesis, and in particular on its own initial transformations (metamorphoses) (even before the emergence of species) of the planet. (Cit in Dream of a Work, Book II, p.22, April 1991)


Quadro Indigo, 1990 80 x 100 cm, óleo s/ tela (Fase Suprimicidades) Exposto in “Mãos de Corpo Inteiro”, Pub Douro - Porto, 27 Jul. a 15 Ag. 1990

A Suprimicidade é a arte do vôo, da transparência, do inalcancável. A Suprimicidade é o imaterial absoluto. E o imaterial tende para a luz, para o espaço. O espaço que engole e digere as formas, como as nossas sensações devoram os objectos. (Cit. in Sonho de uma Obra, livro II, pag. 30, Abril 1991)

Quadro Indigo (Indigo Painting), 1990 80 x 100 cm, oil on canvas (Suppression’s phase) Exhibited in “Mãos de Corpo Inteiro”, Pub Douro - Oporto, July 27 to Aug. 15, 1990

Suppression is the art of flight, of transparency, of the unattainable. Suppression is the absolute immaterial. And the immaterial tends towards light, into space.The space that engulfs and digests forms, as our sensations devour objects. (Cit. In Dream of a Work, Book II, page 30, April 1991)


Nú Sentado 1991 60 x 80 cm, téc. mista s/ tela (Fase Mulheres III)

A feminilidade sempre acompanhou a História da Arte e a própria Arte através do tempo. E é fascínio a sua beleza. Esta “inspira uma sobriedade e calma espiritual que o corpo masculino, mais físico, não consegue apresentar. O corpo feminino é algo etéreo, inalcansável na sua beleza convulsiva, eterno na sua capacidade, no seu potencial gerador”. que maravilhou (e maravilha) o homem enquanto ser criador e espiritual. Este sentimento deve ser encarado como valor estético, não como desejo ou amor, que significa posse, e que “germina, por isso, a relação pura de observador espiritual”. (Cit. in Sonho de uma Obra, livro III, pág. 7; Setembro de 1995)

Nú Sentado (Seating nude), 1991 60 x 80 cm, mix on wood (Woman’s III phase)

Femininity has always accompanied Art History and Art itself through time. And its beauty is fascinating.This “inspires a sobriety and spiritual calm that the male body, more physical, can not present. The female body is something ethereal, unreachable in its convulsive beauty, eternal in its capacity, in its generating potential. “ Who astonished (and marvels) the man while being creative and spiritual. This feeling must be regarded as an aesthetic value, not as desire or love, which means possession, and which “therefore germinates the pure relation of spiritual observer.” (Cit. In Dream of a Work, Book III, pag. 7, September 1995)


Mulher vestindo-se 1992 80 x 100 cm, téc. mista s/ tela (Fase Mulheres IV) Exposto em “Port Arte”, Feira Internacional de Arte de Portimão, 12 a 30 Ag. 1992

“O gesto é expressão, intuição, luminosidade. O corpo torna-se abstracto, ganha qualidade existencial. O traço é luz. O gesto é luz: sem o gesto a existência não passa de mero esquecimento”. É de existência que “falam” estas mulheres, estes nús delineados e fugidios. A carne desvanece-se no espaço, no silêncio. O nú, a mulher, perde solidez, volatiliza-se, torna-se etérea. (Cit. in Sonho de uma Obra, livro III, págs. 7 e 10; Setembro de 1995)

Mulher ventindo-se (Woman dressing herself), 1992 80 x 100 cm, mix on wood (Woman’s III phase) Exhibited in “Port Arte”, Portimão Internacional Art Fair, Ag. 12 to 30, 1992

“The gesture is expression, intuition, luminosity. The body becomes abstract, it gains existential quality. The dash is light. The gesture is light: without the gesture, existence is nothing more than a forgetment “. It is of existence that these women “speak” these naked, outcast and fugitive. The flesh fades into space, into silence. The nude, the woman, loses solidity, volatilizes, becomes ethereal. (Cit. In Dream of a Work, Book III, pags. 7 and 10, September 1995)


As Bacantes (Bacchantes), 1993 Triptic: 3 x (100 x 100) cm, mix on canvas (White Paintings phase) Exhibit in “Jornadas de Arte Contemporânea”, Lousã, 11 a 23 Junho 1993

“The white canvas. The song of all the songs. The silence. The spirit comes from silence. Of speech in silence. From writing that dampens our awareness in memory. THE AUTHOR’S WORK IS THE MIRROR OF HIS SILENCE. Painting asserts itself as another reality, it is regulated by its own laws, cohabiting and reinterpreting nature. The natural self creates itself, painting itself recreates itself. In the beginning there was white... “ (Cit. In Dream of a Work, Book III, page 5/6, September 1995)


As Bacantes, 1993 Tríptico: 3 x (100 x 100) cm, téc. mista s/ tela (Fase Pinturas Brancas) Exposto em “Jornadas de Arte Contemporânea”, Lousã, 11 a 23 Junho 1993

“O quadro em branco. O cântico de todos os cânticos. O silêncio. O espírito advém do silêncio. Da fala em silêncio. Da escrita que molha a nossa consciência em memória. A OBRA DO AUTOR É O ESPELHO DO SEU SILÊNCIO. A pintura afirma-se como uma outra realidade, regula-se pelas suas próprias leis, co-habita e reinterpreta a natureza. O natural auto cria-se a si mesmo, a pintura auto recria-se em si mesma. No princípio era o branco...” (Cit. in Sonho de uma Obra, livro III, pág. 5/6; Setembro de 1995)


Paisagem Serrana IV, 1994 100 x 110 cm, téc. mista s/ tela (Fase Paisagens Serranas) Exposto em “Prémio Mateus Fernandes”, Mosteiro da Batalha, 8 a 29 Maio 1994

Uma viagem. Uma revelação. O impacto. A paisagem. Vários conjuntos de pedras de formato oval. Apontam cabeças e personagens que espreitam o caminho. Nestas formas uma clarividência que se pronuncia no espírito. O imaginário e a relação entre o natural e a criação são a base destas pinturas. No fundo, existe um questionar sobre a natureza destas paisagens, aparentemente anti-naturais, paisagens que parecem feitas pelo homem, mas que, no fundo, são simples prodígios da natureza. (Cit. in Sonho de uma Obra, livro IV, págs.34 e 36, Maio de 1994)

Paisagem Serrana IV (Mountain Landscape IV), 1994 100 x 110 cm, mix on canvas (Mountain Landscapes phase) Exhibited “Mateus Fernandes Prize”, Batalha Monasterium, May 8 to 29, 1994

A trip. A revelation.The impact. The landscape. Several sets of oval shaped stones. They point to heads and characters who stalk the way. In these forms a clairvoyance pronounced in the spirit. The imaginary and the relationship between the natural and the creation are the basis of these paintings. At bottom, there is a question about the nature of these seemingly unnatural landscapes, which seem to be manmade landscapes, but which, at bottom, are mere wonders of nature. (Cit. In Dream of a Work, Book IV, pags. 34 and 36, May 1994)


Elegia Branca VI, 1993 115 x 145 cm, téc. mista s/ tela (Fase Elegias Brancas)

As Elegias surgiram inicialmente como um projecto que versava a realização de “versões” sobre obras da história da arte e a sua consequente re-interpretação numa nova linguagem. Estes estudos contribuiram para o desenvolvimento estilístico de uma forma de representação que se tornaria fundamental nas fases posteriores. Façe à fase anterior, os fundos suavizam-se e perdem materialidade, ganhando leveza e fluidez. (Cit. in Sonho de uma Obra, livro IV, pág.18 e seguintes, Maio de 1994)

Elegia Branca IV (White Elegy VI), 1993 115 x 145 cm, mix on canvas (White Elegies phase)

The Elegies first appeared as a project that dealt with the realization of “versions” about works of art history and their consequent re-interpretation in a new language. These studies contributed to the stylistic development of a form of representation that would become central in later phases. Do to the previous phase, the bottoms soften and lose materiality, gaining lightness and fluidity. (Cit. In Dream of a Work, Book IV, pags. 34 and 36, May 1994)


Elegium Lustrus I, 1993 32 x 47 cm, téc. mista s/ tela (Fase Elegium Lustrus)

A partir das Pinturas Brancas, senti necessidade de utilizar valores matéricos associados aos personagens que constituem o meu discurso. Para além da forma lisa e do fundo texturado (jogo patente nas pinturas brancas) introduzi um contexto de desformalização através do despejo de tinta plástica sobre o fundo. A partir daqui, o elemento expressivo vai jogar com a subtileza e a empatia da forma. O jogo da expressividade passou a interessar-me cada vez mais, a exploração livre do material acabaria por conduzir a uma série de pequenos objectos intervencionados, que denominaria por “Pequenas Alegrias”. Se na série precedente o branco é o incondicionalmente eleito, nestas obras é o lustro, o brilho, a matéria cintilante que se apresenta em diálogo permanente com a imaginação. O objectivo aqui é o descobrir de formas, personagens dentro da acção da matéria (a cera) sobre o suporte. (Cit. in Sonho de uma Obra, livro IV, pág.17, Maio de 1994)

Elegium Lustrus I, 1993 32 x 47 cm, mix on canvas (Elegium Lustrus phase)

From the White Paintings, I felt the need to use material values associated with the characters that make up my speech. In addition to the smooth shape and the textured background (a play evident in white paints) I introduced a context of deforming by pouring plastic paint onto the bottom. From here, the expressive element will play with the subtlety and empathy of the form. The play of expressiveness became more and more interesting to me, the free exploration of the material would eventually lead to a series of small intervened objects, which I would call “Little Joys.” If in the preceding series the white is the unconditionally elected, in these works is the luster, the brightness, the sparkling material that presents itself in permanent dialogue with the imagination. The purpose here is to discover shapes, characters within the action of matter (the wax) on the support. (Cit. In Dream of a Work, Book IV, pag. 17, May 1994)


Retrato Branco II, 1994 (25+150) x 150 cm, téc. mista s/ serrapilheira (Fase Retratos Brancos)

Os “Retratos Brancos” tornaram-se a consecução lógica da reunião da estrutura compositiva das séries anteriores, uma espécie de fusão cujo maior expoente é “Paisagem Branca”. A partir desta pintura (que se assume como uma espécie de síntese do meu trabalho até há data), prossegui o estudo apurando o desenho e a relação da mancha com o suporte. (Cit. in Biografia, pág. 25 - nota 91, Julho 2014)

Retrato Branco II (White Portrait II), 1994 (25+150) x 150 cm, mix on canvas (White Portraits phase)

The “White Portraits” became the logical achievement of the reunion of the compositional structure of the previous series, a kind of fusion whose major exponent is “White Landscape”. From this painting (which is assumed to be a sort of synthesis of my work up to now), I continued the study by determining the design and the relation of the stain to the support. (Cit. In Biography, page 25 - note 91, July 2014)


Gaff-ity Branco IV - No Banho, 2003 75 x 180 cm, tinta / azulejo (Fase Gaff-ities Brancos) Exposto em “41 - Projecto de Intervenção Artística”, Atelier do artista, 10 Maio 2003)

Os “Gaffitis Brancos” constituiram-se como uma série de projectos de intervenção em espaços arquitectónicos: enquanto projecto, parti de uma série de desenhos “colados” em suporte fotográfico. O traço incisivo, na linha directa das formas realizadas em Elegias Brancas. As seis pinturas realizadas para a exposição “41” no atelier da Carolina Michaellis, assumem-se como ensaios para uma grande intervenção que realizaria no Convento S. Francisco em 2003. Ensaio enquanto processo (todas as pinturas são ensaiadas e estudadas primeiro em grafite e depois virtualmente através da fotografia) e enquanto prática na forma e no traço. Quatro delas são executadas sobre azulejo, as outras duas sobre pano. (Cit. in Sonho de uma Obra, livro VII, pág.8, Junho de 2015)

Gaff-ity Branco IV - Bath time, 2003 75 x 180 cm, ink / tile (Fase Gaff-ities Brancos) Exhibit in “41 - Artistic Intervention”, Artist studio, May 10, 2003

The “White Gaffitis” consisted of a series of intervention projects in architectural spaces: as a project, I started with a series of drawings “glued” on photographic medium. The incisive trait, in the direct line of the forms realized in White Elegies. The six paintings made for the exhibition “41” in the Carolina Michaellis studio, are presented as essays for a major intervention at the Convento S. Francisco in 2003. Essay as a process (all paintings are tested and studied first in graphite and Then virtually through photography) and as practice in form and trait. Four of them are executed on tile, the other two on cloth. (Cit. In Dream of a Work, Book VII, pag. 8, June 2015)


Franciscans, 2003 Site specific installation. Painting on plasterboard (White Gaffities phase) Exhibit in “6.0 Sentidos Grátis - Coimbra Capital of Culture” St Francis Convent, Coimbra, Sept. 19 to Oct. 19, 2003

Taking as a starting point the old use of the building as a convent by the order of the Franciscans who lived there, I made a series of paintings inside the windows, in which the characters (Franciscans), in postures of clear reverence, established a relationship With the exterior (some painted in acrylic glass, can be seen from the outside). This inner / outer relationship is reinforced by the attitude of the characters, who passively contemplate us, resigned in their condition of closure. (Cit. In Dream of a Work, Book VII, page 9, June 2015)


Franciscans, 2003 Instalação site-specific. Pintura s/ pladur (Fase Gaff-ities Brancas) Exposto em “Evento 6.0 Sentidos Grátis - Coimbra Capital da Cultura” Convento S. Francisco, Coimbra, 19 Set. a 19 Out. 2003

Tomando como ponto de partida a antiga utilização do edifício como convento por parte da ordem dos Franciscanos que nele viveram, realizei uma série de pinturas no interior das janelas, nas quais os personagens (os Franciscanos), em poses de claro reverencianismo, estabeleciam uma relação com o exterior (alguns pintados em vidro acrílico, podendo ser vistos do exterior). Esta relação interior / exterior é reforçada pela atitude dos personagens, que nos contemplam passivamente, resignados na sua condição de clausuramento. (Cit. in Sonho de uma Obra, livro VII, pág. 9; Junho 2015)


Cutâneografia 4, 2003 25 x 19 cm, pastel s/ acetato s/ fotografia montado em caixa preta (Fase Cutâneografias) Exposto em “Ar-Tesão”, Quarteirão das Artes, Montemor-o-Velho, 26 Julho 2003

Cutâneografias parte de imagens antigas (já utilizadas em outras séries), que amplio e secciono, introduzindo um desenho sobre a pele do corpo (basicamente, o projecto consiste no registo de uma figura sobre a pele de um corpo feminino: sobre as costas, a barriga, nos seios, etc). Em segundo lugar, todo o projecto é de cariz virtual: ou seja, não se trata de intervenções sobre o corpo que depois é fotografado, mas de uma intervenção digital sobre a própria imagem. Os registos a efectuar sobre os corpos, ou superfícies cutâneas, segue a linha formal dos gaffities: da parede descarnada passou para a parede de azulejo, depois, para a janela e agora o corpo. É sempre um diálogo que se estabelece entre o desenho e o novo suporte, na procura de um equilíbrio plástico. (Cit. in Diário Virtual, 25 Maio de 2003)

Cutâneografia 4 (Cutaneography), 2003 25 x 19 cm, pastel s / acetate s / photograph mounted in black box (Cutanegraphy’s Phase) Exhibited in “Ar-Tesão”, Quarteirão das Artes, Montemor-o-Velho, July 26, 2003

Cutaneographies came from old images (already used in other series), which broad and section, introducing a drawing on the skin of the body (basically, the project consists of registering a figure on the skin of a female body: on the back, the belly, breasts, etc.). Secondly, the whole project is virtual: that is, it is not about interventions about the body that is photographed afterwards, but about a digital intervention on the image itself. The records to be made on the bodies, or skin surfaces, follow the formal line of gaffities: from the stripped wall passed to the tile wall, then to the window and now the body. It is always a dialogue that is established between the drawing and the new support, in search of a plastic balance. (Cit. In Virtual Diary, May 25, 2003)


Bom Filho a Casa Torna, 2004 60 x 64 x 120 cm, tinta / esferovite prensada Exposto na Galeria da EUAC, Escola Universitária Artes Coimbra, Maio / Junho 2004 Colecção do Artista

Os “Gaffitis Brancos” constituiram-se como uma série de projectos de intervenção em espaços arquitectónicos: enquanto projecto, parti de uma série de desenhos “colados” em suporte fotográfico. O traço incisivo, na linha directa das formas realizadas em Elegias Brancas. As seis pinturas realizadas para a exposição “41” no atelier da Carolina Michaellis, assumem-se como ensaios para uma grande intervenção que realizaria no Convento S. Francisco em 2003. Ensaio enquanto processo (todas as pinturas são ensaiadas e estudadas primeiro em grafite e depois virtualmente através da fotografia) e enquanto prática na forma e no traço. Quatro delas são executadas sobre azulejo, as outras duas sobre pano. (Cit. in Sonho de uma Obra, livro VII, pág.8, Junho de 2015)

Bom Filho a Casa Torna (Good Son, Home Becomes), 2004 60 x 64 x 120 cm, pressed ink / Styrofoam Exhibit at EUAC Gallery, University College of Arts of Coimbra, May / June 2004 Artist Collection

The “White Gaffitis” consisted of a series of intervention projects in architectural spaces: as a project, I started with a series of drawings “glued” on photographic medium. The incisive trait, in the direct line of the forms realized in White Elegies. The six paintings made for the exhibition “41” in the Carolina Michaellis studio, are presented as essays for a major intervention at the Convento S. Francisco in 2003. Essay as a process (all paintings are tested and studied first in graphite and Then virtually through photography) and as practice in form and trait. Four of them are executed on tile, the other two on cloth. (Cit. In Dream of a Work, Book VII, pag. 8, June 2015)


Duendes Brancos, 2004 300 x 200 cm, carvão e tinta / muro, fita magnética Exposto em “Cenografias”, Quarteirão das Artes, Montemor-o-Velho, 10 Jul. a 15 Ag. 04

Pintural mural na qual um conjunto de personagens parecem brincar no jardim; um conjunto de seres élficos, produto do sonho de uma qualquer criança, que descontraidamente, descansa no vai vem constante de um baloiço. Ouvem-se ao longe sons de crianças a brincar. Lentamente, sob uma árvore, uma boneca de palha balanceia-se lentamente ao sabor do vento. Rodeiam-na três duendes. Estão vestidos de branco. Agora ali fixos na parede, parecem jogar ao jogo da estátua. Estão parados... esperam quase que ninguém dê por eles. Esperam que voltemos as costas para nos pregarem mais uma partida... (Cit. in Cenografias, Edição AAA, pág.28, Julho de 2004)

Duendes Brancos (White Elves), 2004 300 x 200 cm, charcoal and paint / wall, magnetic tape Exhibited in “Cenografias”, Quarteirão das Artes, Montemor-o-Velho, July 10 to August 15, 2004

Mural painting in which a set of characters seem to play in the garden; A set of elven beings, product of the dream of any child, that leisurely, rests in the constant comes of a swing. There are distant sounds of children playing. Slowly, under a tree, a straw doll slowly swayed in the wind.Three elves surround her.They are dressed in white. Now they are fixed on the wall, they seem to play in the game of the statue. They are standing still ... they almost expect no one to look after them. They expect us to turn our backs to preach one more game... (Cit. In Cenographies, AAA edition, pag. 28, July 2004)


Brancos Desejos de Além Mar, 2005 100 x 150 cm, mista / tela Exposto em “Catarina de Bragança - Imagens Contemporâneas”, Palácio da Bem Posta, Lisboa, 3 a 31 Dez.. 2005 Colecção Particular

Executado para a celebração dos 300 anos da morte de Catarina de Bragança, “Brancos Desejos de Além-Mar” retrata o chamamento do lar, da infância, da família, de um povo, de um País situado do outro lado do oceano, em exílio na Inglaterra, simbolicamente representado num esboço do palácio da Bem Posta, palácio que a rainha, depois do regresso a Portugal, mandaria edificar e que serviria de abrigo aos seus últimos dias na terra. (Cit. in Diário Virtual, 22 Abril de 2005) Brancos Desejos Além Mar (White Wishes Beyond the Sea), 2005 100 x 150 cm, mix on canvas Exhibited in “Catarina de Bragança - Contemporary images”, Bem Posta Palace, Lisbon, Dec. 3 to 31, 2005 Private Collection

Executed for the celebration of the 300th anniversary of the death of Catherine of Bragança, “White Wishes from Beyond” portrays the call of the home, of childhood, of the family, of a people, of a country on the other side of the ocean, in exile In England, symbolically represented in a sketch of the Palace of Bem Posta, a palace that the queen, after her return to Portugal, would have her built and which would serve as shelter for her last days on earth. (Cit. In Virtual Diary, April 22, 2005)


White Land, 2005 2 x (50x140) cm, tĂŠcnica mista s/ tela, 18 vazos c/ plantas naturais (Rota das Artes, Casa da Cultura de Coimbra, 28 Jan. a 10 Fev. 2005)

The white land. The place where all color is born. Like a white canvas. And these colors and shapes grow in the form of varied plants in a vegetable garden bathed in the eyes of the painting. Two screens lurk. The pumpkin. The spike. Also they are white.The brushes of the mint, like seeds guarding the birth of forms, the tools of the artist / painter who traverse the canvas with deep tears and in them the look, like a seed, builds the painting, an idea that gradually develops and goes Taking shape between lines and colors. The vegetable garden is for the mint, as an exhibition of pictures is for the artist. For some a mere gain bread, for others the very life that is entwined in the arms of a new born son (Cit. in Sonho de uma Obra, livro VII, pĂĄg.11, Junho de 2015)

White Land, 2005 2 x (50x140cm, mixed technique on canvas, 18 pots with natural plants (Route of the Arts, Casa da Cultura of Coimbra, Jan. 28 to Feb. 10, 2005)

The white land. The place where all color is born. Like a white screen. And these colors and shapes grow in the form of several plants in a vegetable garden bathed in the eyes of the painting. Two screens lurk. The pumpkin. The spike. Also they are white.The brushes of the mint, like seeds guarding the birth of forms, the tools of the artist / painter who crosses the canvas with deep tears and in them the look, like a seed, builds the painting, an idea that gradually develops and goes taking shape between lines and colors. The vegetable garden is for the mint, as an exhibition of pictures is for the artist. For some a mere gain bread, for others the very life that is entwined in the arms of a new born son. (Cit. In Dream of a Work, Book VII, pag. 11, June 2015)


White Land of Oportunity, 2005 70 x 50 x 100 cm, carcaça de computdor, cactos e terra Colecção Particular (Rota das Artes, Paço da Cultura, Guarda, 3 Set. a 2 Out. 2005)

Perseguindo o registo da utilização de técnicas tradicionais de utilização / criação de plantas naturais, Vieira edifica uma obra pós-nuclear, quase saída de um filme da ficção científica dos anos 60. Uma carcaça de um computador recheada de vasos com cactos. Todo o conjunto (écran, caixa e teclado) estava assente sobre uma mesa coberta de terra, assim como o espaço do chão correspondente ao tampo da mesa. A terra inscrevia a composição no espaço, dando-lhe continuação, integração. A terra ao mesmo tempo que servia de moldura aos objectos, estabelecia o contrapeso necessário entre o plástico do objecto e o natural das plantas. Os cactos. O cacto neste contexto, introduz um elemento agreste, árido, que enquanto “planta de resistência” sobrevive à tecnologia. É portanto uma mensagem profundamente social: cheia de oportunidades, a terra da tecnologia pode tornar-se obsoleta. (Cit. in Sonho de uma Obra, livro VII, pág.12, Junho de 2015)

White Land of Oportunity, 2005 70 x 50 x 100 cm, computer housing, cacti and soil Private Collection (Rota das Artes, Paço da Cultura, Guarda, Sep. 3 to Oct. 2, 2005)

Pursuing the registration of the use of traditional techniques of use / creation of natural plants, Vieira builds a post-nuclear work, almost out of a 1960s science fiction film. A carcass of a computer stuffed with vases with cacti.The whole set (screen, box and keyboard) sat on a grounded table, as well as the floor space corresponding to the table top.The earth inscribed the composition in space, giving it continuation, integration. The earth at the same time served as a frame for the objects, established the necessary balance between the plastic of the object and the natural of the plants. The cacti. The cactus in this context introduces a harsh, arid element that while “resistance plant” survives technology. It is therefore a profoundly social message: full of opportunities, the land of technology can become obsolete. (Cit. In Dream of a Work, Book VII, pag. 12, June 2015)


Ant’s Hill, a Human Renewal?, 2005 Instalação, dimensões variadas (Ant’s Hill, a Human Renewal?, Casa Museu Bissaya Barreto, 8 a 26 Junho 2005)

Em “Ant’s Hill” integrei três obras: duas esculturas usando brinquedos e um vídeo apresentado num televisor, por trás de um vidro com uma pintura de um corte de um formigueiro. O projecto tinha como fundameto criar uma instalação na qual, dentro de um gigantesco formigueiro, várias formigas se entregariam aos mais mundanos afazeres: nesta peça estableço uma relação entre o mundo da formiga e o mundo imaginário da criança, criando um recreio com um carrocel e escorrega, uma casa na árvore habitada por uma formiga branca e uma video instalação, onde um grupo de crianças brinca no Protugal dos Pequenitos em Coimbra. (Cit. in Sonho de uma Obra, livro VII, pág.13/14, Junho de 2015)

Ant’s Hill, a Human Renewal?, 2005 Installation, several dimensions (Ant’s Hill, a Human Renewal?, Casa Museu Bissaya Barreto, June 8 to 26, 2005)

In “Ant’s Hill” I’ve integrated three works: two sculptures using toys and a video on a television, behind a glass with a painting of a cut of an anthill. The project was designed to create an installation in which, within a huge anthill, several ants would give themselves to the most mundane tasks: in this play I establish a relation between the world of the ant and the imaginary world of the child, creating a playground with a carriage and A tree house inhabited by a white ant and a video installation, where a group of children play in the Portugal dos Pequenitos in Coimbra. (Cit. In Dream of a Work, Book VII, pag. 13/14, June 2015)


White Family Portrait, 2006 Instalação: móvel em madeira e fotografias de dimensões variadas (Rota das Artes, #02, Casa da Cultura, Cantanhede, 7 Out. a 22 Nov. 2006)

Património é o que sustem a nossa integridade, é o que dá solidez ao que somos efectivamente. Altos, baixos, gordos, magros, existe um património genético que nos liga aos nossos pais e aos pais dos nossos pais, numa cadeia infindável. Cujo olhar se perde no tempo... mas não na memória. A família como património situa-se no advém desse processo de construção das memórias em que se refaz todo um itinerário por meio do qual se procura valorizar uma determinada descendência. Um rectângulo branco oculta-lhes a identidade, a expressão do olhar. Expressão que pode ser preenchida com o olhar ou a imaginação de cada um. (Cit. in Sonho de uma Obra, livro VII, pág.18, Junho de 2015)

White Family Portrait, 2006

Installation: wooden furniture and photos with several dimentions (Rotas das Artes # 02, Casa da Cultra, Cantanhede, Oct. 7 to Nov. 22, 2006)

Heritage is what sustains our integrity, it is what gives us solidity to what we are. High, low, fat, thin, there is a genetic heritage that binds us to our parents and parents of our parents in an endless chain. Whose gaze is lost in time ... but not in memory. The family as patrimony is located in the process of the construction of memories in which an entire itinerary through which one seeks to value a certain descendant. A white rectangle conceals their identity, the look of their eyes. Expression that can be filled with the look or the imagination of each one. (Cit. In Dream of a Work, Book VII, pag. 18, June 2015)


White Self Altar, 2006 Installation: iron, wood, card and photographs of various dimensions Exposed in “No Rasto de Hirshhorn” House Museum of Bissaya Barreto, Coimbra, March 16 to 24, 2006

Self Altar creates a closed but transparent space. Visible but inaccessible. This world we see but can not touch is the artist’s own world.The interior space is full of photos of the artist at various moments of his life, from childhood to the present. This interior space is in fact the life of the artist as an individual and not as an author. His work reflects all this set of images, they are there, they have always been there, but few can see them. In this sense, the artist is a true unknown of the public, because it knows only a small part: the most visible is the “work”. In this sense, the author appears as a character independent of the individual, which becomes the raison d’être of art itself. And Art lost sight of the individual who is the artist. Perhaps this is why Vieira calls the project “Self Altar” or auto-altar, space of veneration of the unknown individual who is the artist himself. (Cit. In Dream of a Work, book VII, page 17, June 2015) (Cit. In Dream of a Work, Book VII, page 17, June 2015)


White Self Altar, 2006 Instalação: ferro, madeira, cartão e fotografias de várias dimensões Exposto em “No Rasto de Hirshhorn” Casa Museu Bissaya Barreto, Coimbra, 16 a 24 Março 2006

Self Altar cria um espaço fechado, mas transparente. Visível mas inacessível. Este mundo que vemos mas não podemos tocar é o próprio mundo do artista. O espaço interior está cheio de fotos do artista em vários momentos da sua vida, desde a infância à actualidade. Este espaço interior é de facto a vida do artista enquanto individuo e não como autor. A sua obra reflecte todo este conjunto de imagens, estão lá, sempre estiveram lá, mas poucos conseguem vê-las. Neste sentido, o artista é um verdadeiro desconhecido do público, porque este apenas conhece uma parte ínfima: a mais visível que é a “obra”. Neste sentido o autor afigura-se como um personagem independente do individuo, o qual se torna a razão de ser da própria arte. E a Arte perdeu de vista o individuo que é o artista.Talvez por isto Vieira chame ao projecto “Self Altar” ou auto-altar, espaço de veneração do individuo desconhecido que é o próprio artista. (Cit. in Sonho de uma Obra, livro VII, pág. 17; Junho 2015)


White Studio, 2006 Instalação: computador, mesa, cavalete c/ pintura, projecção vídeo, luz Exposto em “XIV Bienal de Vila Nova de Cerveira”, 17 Agosto a 29 Setembro 2007

Uma ideia globalizadora, que interliga variados meios artísticos, como a pintura, a escultura, a fotografia e o vídeo digital, a instalação, a cenografia e a performance, conjugam-se durante todo o processo de construção da obra, suplantando-a: existe todo um processo de registo, que vai desde os estudos mais convencionais (como o desenho a grafite, a aguarela e pequenas pinturas) a estudos digitais, bem como registos ao nível da fotografia e do vídeo de todo o processo de construção, que a prolongam. O atelier do artista é o local onde a sua obra é produzida. Encerra em si mesmo todo um conjunto de energias que proporcionam a criação. É uma espécie de santuário, uma catedral de criatividade. Por isso branco. Este local muito especial, onde o artista concebe e produz a sua obra, é muito importante para a coesão da obra. Este lugar, na sua concepção de espaço fechado, equipara-se ao crânio, lugar onde o cérebro está encerrado, protegido. O atelier é, de facto, o lugar protector da obra enquanto está em processo. É ele que a esconde do olhar contaminante / contaminado do público. (Cit. in Diário Virtual, Julho de 2006)

White Studio, 2006 Facility: computer, table, easel w / paint, video projection, light Exposed in “XIV Biennial of Vila Nova de Cerveira”, Aug. 17 to Sept. 29, 2007

A globalizing idea, which interconnects varied artistic means, such as painting, sculpture, photography and digital video, installation, set design and performance, combine throughout the construction process of the work, supplanting it: there is A whole process of registration, ranging from more conventional studies (such as drawing to graphite, watercolor and small paintings) to digital studies, as well as records at the level of photography and video throughout the construction process, which extend it . The artist’s studio is the place where his work is produced. It encloses within itself a whole set of energies that provide the creation. It is a kind of sanctuary, a cathedral of creativity. So white. This very special place, where the artist conceives and produces his work, is very important for the cohesion of the work. This place, in its conception of closed space, equates to the skull, place where the brain is enclosed, protected.The atelier is, in fact, the protective place of the work while it is in process. It is he who conceals it from the contaminating / contaminated look of the public. (Cit. In Virtual Diary, July 2006)


Índice remissivo das imagens 8-9 Pronta a servir, 1983, colecção do artista. 11 Olho-te Daqui, 1983. Colecção do Artista, Dossier de Desenhos nº 1. 13 A Lambisgóia, 1984. “Colectividade Absurda”, Anarscripta #01, edição de autor, Junho 1984.

Colecção do Artista, Dossier de Desenhos nº 1.

15 Nú deitado, 1986. Colecção do Artista, Dossier de Desenhos nº 1. 17 Mulheres I, 1987. Colecção do Artista. 19 O Alfarrabista de Stephen Zweig, 1988. Colecção do Artista. 21 Quadro das formas vermelhas, 1990. Colecção Particular. 23 Quadro Indigo, 1990. Colecção do Artista. 25 Nú Sentado, 1991. Destruído (registo fotográfico do artista). 27 Mulher vestindo-se, 1992. Desaparecida (registo fotográfico do artista). 29 As Bacantes, 1993. Colecção do Artista (Paineis laterais destruidos). 31 Paisagem Serrana IV, 1994. Colecção do Artista. 33 Elegia Branca VI, 1993. Colecção Particular. 35 Elegium Lustrus I, 1993. Colecção do Artista. 37 Retrato Branco II, 1994. Colecção do Artista. 39 Gaff-ity Branco IV - No Banho, 2003. Colecção do Artista. 41 Franciscans, 2003. Instalação destruída (registo fotográfico do artista). 43 Cutâneografia 4, 2003. Colecção do Artista. 45 Bom Filho a Casa Torna, 2004. Colecção do Artista. 47 Duendes Brancos, 2004. Instalação (registo fotográfico do artista). 49 Brancos Desejos de Além Mar, 2005. Colecção Particular. 51 White Land, 2005. Colecção Particular. 53 White Land of Oportunity, 2005. Colecção Particular. 55 Ant’s Hill, a Human Renewal?, 2005. Instalação destruída (registo fotográfico do artista). 57 White Family Portrait, 2006. Instalação destruída (registo fotográfico do artista). Fotografias que integram a instalação são propriedade do artista.

59 White Self Altar, 2006. Instalação destruída (registo fotográfico do artista). Fotografias que

integram a instalação são propriedade do artista.

61 White Studio, 2006. Instalação destruída (registo fotográfico do artista).


35 ANOS / YEARS  

Catálogo da exposição 35 anos. 35 years exhibition catalogue

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Catálogo da exposição 35 anos. 35 years exhibition catalogue

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