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SERMÃO   1º  Domingo  de  Advento   pelo

Bispo  Josep  Rosselló


Primeiro  Domingo  de  Advento A Coleta. Deus  Todo-­‐Poderoso,  dá-­‐nos  a  graça  que  possamos  rejeitar   as   obras  das  trevas,   e   ves:r-­‐nos   a   armadura  da   luz,   agora   no   tempo  desta  vida   mortal,   em   que  teu  Filho  Jesus  Cristo   veio   visitar-­‐nos  com  grande  humildade  a  fim   de  que,  no  úl:mo  dia,   quando   ele   vier   de   novo   em   sua   gloriosa   Majestade,   para   julgar   tanto   os  vivos   como   os   mortos,   ressuscitemos   para  a   vida  imortal,   por  meio  dEle,  que  vive  e  reina  con:go  e  com  o   Espírito  Santo,  agora  e  sempre.  Amém.

A  Epístola:  

Romanos  13.8-­‐14

O  Evangelho:   Mateus  21.1-­‐13 O Domingo de Advento é o início do Ano Cristão para a Igreja Anglicana. A Coleta “será repetida cada dia com as outras Coletas em Advento até a Noite de Natal.” A EPÍSTOLA nos lembra de como temos que viver, e qual é nossa esperança. Este texto é uma boa escolha para ser a primeira no Ano Cristão, já que precisamos lembrar destas coisas, como mínimo uma vez por ano, se desejamos manter tal esperança viva. “A ninguém devais coisa alguma,” diz o Apóstolo. Existe uma 2


obrigação legal, como mostram os versículos anteriores, e o Cristão, ainda sendo um cidadão de um Reino maior, está obrigado a cumprir o seu serviço para com os governos deste mundo. A lei nos mostra certos requerimentos aos quais devemos cumprir plenamente, especialmente aquele que nos manda a amar os outros. A segunda tabela da Lei é sintetizada em uma frase, “amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (Levítico 19:18). Já que o amor não pode causar mal nenhum, e já que a lei requere de nós honrar a Deus e ao nosso próximo, assim o amor é a plenitude da lei. Se desejamos saber se os nossos pensamentos, nossas palavras ou nossos atos são contrários a lei, então podemos seguir esta simples regra: causará dor ou algum mal ao meu próximo? Gostaria que fizessem isso comigo? Se a resposta a primeira pergunta é “sim,” e a segunda é “não,” então pode considerar se não está prestes a quebrar a lei de Deus. O que Paulo tem escrito a respeito do amor, simplesmente é a última parte de uma seção maior sobre as obrigações morais dos Cristãos, que começou em Romanos 12.1. Os homens pedimos motivos, muitas vezes, pelos quais devemos cumprir nossas obrigações. Assim, a motivação para os Romanos era o medo ao magistrado. Para os Judeus, era o medo da condenação divina. Para os Cristãos, deve ser porque o dia está amanhecendo, e a glória plena do mesmo está pronta para brilhar. “E digo isto,” no sentido de “e tudo porque...,” porque conhecemos o tempo (esta palavra aqui significa “momento 3


especial” ou “ocasião”). Então, Paulo fala da hora (referindo-se ao tempo cronológico) que já tem chegado para nos despertar do sono. A noite acabou, e devemos deixar passar os sonhos para viver a realidade presente. Esta mensagem é de urgência nas próprias palavras de Paulo. O apóstolo nos mostra que um evento tem acontecido para que o amanhecer de um novo dia tem chegado. E, este evento, não é outra coisa que a ressurreição do nosso Senhor, Jesus Cristo, que tem marcado o início dos dias do Messias, o tempo da glória e o Reino. Talvez, fosse só o início para os primeiros cristãos, o dia (Reino de Deus) está próximo, contudo a ressurreição de Jesus fez que o novo dia chegue e o amanhecer desse novo dia comece a despontar através da Igreja, porque uma vez o amanhecer se mostra, somente podemos esperar o pleno dia surgir em meio da escuridão. Por isso, estamos chamados a viver nesse dia. Tudo o que pertence ao tempo da escuridão e as trevas deve ser esquecido e deixado para trás, porque não existem espaços para tais coisas no dia. Em vez disso, temos que tomar a armadura do dia. O grego para a palavra “armadura” (hopla) se refere a um soldado fortemente armado. Ele está bem equipado para enfrentar qualquer coisa. Nós não estaremos bem equipados, se ainda mantemos aquilo que pertence a escuridão, porque a situação tem mudado. Precisamos da armadura da luz, porque olhamos para a luz, o dia, como o tempo em que vivemos, e o tempo em que nossa salvação finalmente aparecerá. Nossa conduta deve ser honesta, sem imprudências ou 4


falsidades. Vivemos no dia, não andemos, como se fosse de noite. A imagem da Epístola não é de alguém caminhando nas trevas, pretendendo ver o que não pode, mas daqueles que se preparam para o dia, e que começam inclusive agora a trabalhar e viver no dia. Deste modo, as atividades que pertencem à noite (orgias e bebedeiras, imoralidade sexual, contendas e ciúmes) são deixadas para atrás. Tudo isso pertence ao passado, na noite da desesperança, e deve ser deixado lá. Agora, devemos revestir-nos com nosso Senhor, Jesus Cristo, e não fazer provisões, ou preocupar-nos da carne para alimentar seus desejos. Não esquecemos que a carne é a parte de nós que está sujeita à destruição, à morte, não simplesmente corporal, mas emocional, ambições, e cada uma das áreas que podemos imaginar. A carne nos leva de novo a viver na noite. Por esta razão, nenhum desejo que pertence à noite, deve ser encontrado em nós, porque se somos filhos de Deus, devemos estar revestidos com nosso Senhor, Jesus Cristo, o Filho de Deus. Temos o uniforme do Rei, em qual serviço devemos total obediência. Estamos submetidos à autoridade de Jesus, que é o nosso Salvador, e sendo assim nossa esperança. Temos tomado para nós o exemplo de nosso Soberano, e assim nos negamos a nós mesmos por amor ao seu nome. Tudo isto demonstra nossa confiança na salvação pela qual esperamos. Vivemos como aqueles cuja esperança é a ressurreição do corpo, cuja desejo é estar com nosso Senhor Jesus, e cuja natureza agora é odiar as coisas que destruam e oprimem o mundo. Assim, somos chamados a viver e ser, como discípulos de 5


Cristo. O EVANGELHO nos mostra a “entrada triunfal” do nosso Senhor Jesus em Jerusalém. Este é o início da última semana, e culminará na crucificação do nosso Senhor nas mãos dos soldados romanos. Aqui, encontramos os dois principais temas da Epístola: (1) a necessidade de obediência e (2) a esperança que é nossa mediante nosso Senhor, Jesus Cristo. Nosso Senhor chegou a Jerusalém, dando uma volta. Lemos em Mateus 19.1 que saiu de Galiléia, “e foi para os confins da Judéia além do Jordão” (Mateus 19:1). Na sua jornada, ele foi através de Jericó (Mt 20.1) e, agora, ele se encontra quase ao final da sua jornada. Não temos certeza onde fica Betfigé, mas estava não muito longe do Monte das Oliveiras, e, possivelmente, estava em um lugar que se poderia observar desde Jerusalém. Aqui, nosso Senhor prepara para sua entrada na sua cidade. Ele pretende entrar de tal forma que reclame seu status, porque Ele é o Rei, o filho de Davi, e Jerusalém é sua capital. Ele envia seus discípulos para que a promessa seja realizada, “Dizei à filha de Sião: Eis que vem a ti o teu rei, Manso e montado em uma jumenta, E em um jumentinho, filho de jumenta” (Mateus 21:5-6). Assim, o Rei entraria com a besta real, não um cavalo, mas uma jumenta. O cavalo era o transporte dos estrangeiros, e era usado para a guerra. A jumenta era um animal de grande valor. A procissão começa com as multidões indo diante dele e colocando as capas como um caminho real, enquanto outros 6


cobriam com ramos de àrvores. Toda a multidão cantava as palavras do Salmo 118.25-26. Hosana significa, “salva o Senhor,” e é uma oração de libertação. O próprio salmo é uma oração da fidelidade que Deus libertará apesar dos muitos inimigos que se levantam, e as benções vão vir na mão daquele que Deus envia. Este é o canto da multidão, que dá as boasvindas do Rei Jesus a Jerusalém. Uma vez na cidade, nosso Senhor fez seu caminho até o Templo, que seria a coisa mais natural para um peregrino fazer. Também, seria o ato esperado que o Senhor fosse a fazer (Malaquias 3.1). O julgamento ameaçador de Malaquias é visto na ação do nosso Senhor, que expulsa aqueles que tem convertido a casa de Deus em um lugar de comércio, que tentam conseguir ganhos da religião do Deus verdadeiro e vivo. Assim, vemos que nosso Senhor vem tanto a trazer uma benção como uma maldição. Aqueles que vêem ele, como ele realmente é, e que o adoram como tal, recebem dele tais bênçãos. Aqueles que rejeitam ele, ou que tomam sua vinda sem considerar a importância de tal evento, encontram que ele é um juiz terrível. Se como homem ele expulsou aqueles que corromperam o lugar de oração, imaginem o que ele poderá fazer quando apareça de novo em toda sua glória no último dia? A voz da multidão mostrava sua alegria no Messias, reconhecendo a Jesus como tal. Sua presença era a segurança das bênçãos de Deus e a boa vontade dEle para com seu povo. 7


MAS não todos os que pensam que vão encontrar uma benção nele, encontraram, porque nem todos estão obedientes à sua vontade, nem fiéis ao seu serviço. Para eles, ele é um juiz do qual não poderão escapar. CONCLUSÃO O Advento é o tempo em que nós preparamos para a lembrança anual do nascimento do nosso Senhor, Jesus, que é nosso único Salvador. A própria palavra “Advento” nos lembra da chegada de uma pessoa notável. A leitura do Evangelho fala da primeira vinda de nosso Senhor, em que Ele vem para nos salvar de nossos pecados. A Epístola nos lembra do fato que o seu retorno nos deve motivar a viver em obediência à sua vontade, e na esperança de sua volta. A menos que tenhamos recebido as bênçãos de sua primeira vinda, não temos esperança na sua segunda vinda. A menos que nos alegremos nEle, como quem vem “no nome do Senhor,” não temos razão de esperar outra cosia que não seja julgamento, condenação e o inferno. A menos que entremos e vivamos nesta vida no Reino de Deus, não poderemos entrar no Trono da Graça e receber Jesus, como o Rei vitorioso que é e será. Assim, nossa necessidade para “rejeitar as obras das trevas” é grande, e a petição na Coleta deve ser nossa pela fé, porque o Reino está em meio de nós, e o Rei está voltando. Agora, devemos viver como embaixadores e servos deste Reino para a glória do Rei, Senhor e Salvador das nossas vidas.

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Sermão do Primeiro Domingo de Advento