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Ilhavirtualpontocom JUNHO 2011

ESPECIAL DE FESTAS JUNINAS

Especial de Festas Juninas EDITORIAL O mês de junho é especial no Maranhão. Quadrilhas, danças portuguesas, tambor de crioula, cacuriá e muitas outras brincadeiras animam os arraiais e as ruas da capital e das cidades interioranas. Este mês especial merece também uma edição especial de nosso jornal virtual. Por isso, preparamos este número recheado de atrações juninas. Além das sugestões de leituras, de DVDs e CDs sobre as festividades juninas, os leitores deste especial serão brindados com um belíssimo texto da

professora Dinacy Corrêa sobre um dos maiores e mais estimados cantadores de bumba-meu-boi, o espetacular, mas hoje quase esquecido Coxinho.O professor José Neres escreve sobre o auto do bumba-meu-boi, mostrando um pouco de sua origem e distinguindo os diversos sotaques do folguedo. Por fim, há a reprodução da letra de três belas composições muito conhecidas e sempre entoadas nos arraiais do todo o Estado. Assim, com a bênção de todos os santos juninos, este número especial chega até você.

COXINHO: CANTADOR DA ETERNIDADE Por Dinacy Corrêa*

Natural da Baixada Maranhense, um dos patronos da Academia ArarienseVitoriense de Letras, cadeira nº. 07, fundada e ocupada pelo artista plástico Airton Marinho (da Secretaria de Cultura do Estado), Bartolomeu dos Santos, o popular Coxinho, nasceu em 24 de agosto de 1910, no lugarejo Fazenda No-

va, nas proximidades de Lapela (considerado um dos maiores redutos de afrodescendentes no município de Vitória do Mearim). Órfão de pai e mãe, ainda menino, logo teve que “enfrentar sozinho as dificuldades que a vida oferece àqueles que bem cedo perdem o doce convívio dos pais”, como diz o escritor vitoriense Arimatea Coelho (1998). Sua estréia como can-

tador de Boi deu-se em 1924 (ano marcado por uma das maiores enchentes no Estado), no seu município de origem, aos 14 anos, na condição de “vaqueiro perdido”, do boi de cofo “Reis do ano”, com a toada: “Mas essa é que é a serpente marinha/ Que conduz porco e saco de açúcar/ E até panero de farinha”.

Nesta edição:

Editorial .................... 1 Coxinho .................... 1 Livros......................... 4 CDs e DVs ............... 5 Bumba-meu-boi .......... 6 Letras ........................ 8


*DINACY CORREA— professora de literatura, escritora e pesquisadora da cultura maranhense.

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Aos 16 anos (1926), deixa a terra natal, com destino a São Luís, onde começou a trabalhar como “moço de convés”, em embarcações que faziam o tráfico marítimo/fluvial São Luís-Grajaú. Sempre envolvido com os folguedos juninos do Bumba-meu-boi, de porto em porto, por onde desembarcava, na rota das muitas viagens, angariando sempre muitas amizades com cantadores de boi (dentre estes, Rosalvo Simplício Moreno, conhecido nas rodas de guarnicê da Baixada por Rosalino ou Rosa Bobagem), aos poucos foi ascendendo, na hierarquia da brincadeira, chegando, em 1938, ao status de amo. A partir de 1940 (início do ano), Bartolomeu (Berto, no seu tempo de cantoria pelo interior maranhense), começa a destacar-se nas rodas de Boi de São Luís. A partir de 1945, integra-se a dois grupos de Bumba-boi da Baixada, dos mais famosos do Maranhão: o de Viana e o de Pindaré – que, juntamente com o de São João Batista, compõem o subgrupo da Baixada (uma das divisões do chamado Grupo Indígena, que tem na matraca o diferencial inconfundível do sotaque). Sobre o assunto, vale ressaltar que, segundo a pesquisadora Maria Michol Pinho de Carvalho (1995), em 1945, foi criado, em São Luís, o Boi de Viana, tendo como líder do batalhão Apolônio Melônio, até 1959 – quando este então, desligando-se do grupo de origem, organiza, em 1960, na Floresta (Liberdade), ao lado de João Câncio e Coxinho, um outro boi, que, na força da voz do povo, ficou conhecido como Turma do Pindaré, contando este com quatro amos: Apolônio e Cochinho de um lado, João Câncio e Cobrinha do outro. Em 1967, nova cisão: João Câncio, separando-se de Apolônio, leva parte do grupão original para o Bairro de Fátima (onde residia). É quando Coxinho, até então meramente um

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cantador brilhante, passa a dividir com João Câncio o encargo de amo do Boi de Pindaré. O ano de 1971 registra um momento muito especial na vida deste admirável cantador da Baixada: da sua união com Maria Jocelina Sousa dos Santos, nasce o primogênito do casal, José Plácido Sousa dos Santos (o Zequinha, herdeiro do pai no dom da cantoria, continuando-o, como um dos cantadores do Boi de Pindaré, cujo miolo é um dos seus irmãos, Edmilson Sousa dos Santos). O ano seguinte (1972) foi-lhe ainda melhor: o batalhão de João Câncio, ou seja, o Boi de Pindaré, foi sagrado campeão, com a toada de Coxinho – a até hoje insuperável Urrou do Boi, adotada oficialmente, anos mais tarde, pelos órgãos administradores da cultura do Estado, como hino do folclore maranhense. Nesse mesmo ano, o cada vez mais famoso Boi de Pindaré, gravava o seu primeiro disco (long-play) com toadas de Coxinho. Disco “antológico, no cancioneiro popular, projetando a cultura maranhense no cenário nacional”, como observa Airton Marinho (2002), de quem ainda o acréscimo: “...versões e regravações daquelas toadas foram feitas, sucessivamente, inclusive por intérpretes de prestígio nacional, como por exemplo, o conjunto Boca Livre. Reedições, na voz de Coxinho, também foram feitas. Mas o Boi de Pindaré e seu principal cantador nunca receberam o respectivo pagamento pelos direitos autorais”. Em 1977, com o falecimento de João Câncio, nosso protagonista passa a assumir, inteiramente, a responsabilidade de amo do Boi de Pindaré. Em 1979, por obra e graça do governador João Castelo (1979-1982), este exímio cantador foi contemplado com um emprego na Secretaria de Desportos e Lazer (SEDEL), a partir do qual conseguiu, anos mais tarde, a aposentadoria de um salário mínimo – seu pão de cada dia por muitos anos. Foi, também, às expensas do Estado, ainda no governo de João Castelo (segundo o depoimento de José Plácido, filho mais velho de Coxinho, ao acadêmico Airton Marinho – 2002), que obteve a sua casa própria (nº. 435, rua 10, Bairro de Fátima, também cognominada de Rua João Henrique – ), ainda hoje pertencente à família. E nesse contexto, surgiu a toada:


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“Meu vaquero, vamo dá uma volta/ Até o Palácio dos Leões/ Eu vou falá com João Castelo/ Que é o governo do Maranhão/ Que eu vou dar um passeio em Brasília/ Pra conhecer João Figeiredo/ O chefe da nossa nação”.

No parágrafo a seguir, ainda, Airton Marinho (2002), num tocante depoimento sobre o nosso herói... Ei-lo que recorda: “Em 1987, uma cena constrangeu São Luís do Maranhão: Coxinho, fustigado pela pobreza, pela enfermidade e pelo abandono, voltava às ruas como pedinte, o que já fizera outras vezes. Doente, perambulava como mendigo e fazia ‘ponto’ na Rua Grande, buscando o sustento dos nove filhos, abandonado como estava, desde o ano anterior, pela mulher Maria Jocelina. Foi nessa época que, num certo dia, chegando à casa de minha mãe, na Rua de Santa Rita, no centro da cidade, deparei com ele fazendo um lanche, rodeado pelos filhos pequenos. Ele descobrira a morada de sua amiga de infância, a filha de Mamede Barros de Lapela e Vitória do Mearim. Sua presença na casa de mamãe, para merendar e conversar, tornou-se uma constante durante aquele período de mendicância que, tudo indica, terminou somente quando o governo do Estado, chefiado por Epitácio Cafeteira, ainda naquele ano, lhe concedeu uma pensão vitalícia de cinco salários mínimos”.

E enfim, a última década do século XX, próximo passado. No dia 24 de abril de 1990, sob os auspícios da Prefeitura Municipal, Coxinho fez-se presente na cidade de Vitória do Mearim, para a festa comemorativa do aniversário do Município. Quase cego, e em cadeira de rodas,

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grande foi a sua alegria ao rever o velho parceiro Rosa Bobagem e com este cantar, numa breve apresentação na Praça Rio Branco. Em agosto desse mesmo ano, quando do seu 80º aniversário, toda a comunidade boieira de São Luís reuniu-se, num show (cuja renda lhe foi revertida) comemorativo dessa data. O evento, que contou com a participação de cantadores como Mané Onça (Boi da Madre Deus), João Chiador (Boi da Maioba), Inaldo (Boi de Axixá), Sabiá (Boi de São José de Ribamar), Gago (Boi da Floresta), teve um encerramento inesquecível, com a presença viva do próprio Cochinho, cantando com Sebastião Aroucha (o novo amo do Boi de Pindaré), seguindo-se a exibição espetacular do respectivo Batalhão. No ano seguinte (1991), a 03 de abril, Bartolomeu dos Santos despediu-se deste mundo para ir morar no céu. Na toada Coxinho (gravada pelo Boi Barrica em 1992, no CD Bem Maranhão), o poeta e compositor popular, Juca do Bolo, liriciza o acontecimento com muita emoção. Fiquemos com ela: Companheiro Coxinho foi morar no céu Deixou o brilho no chapéu Do cantador da Baixada Eu fiquei com pena dele por não poder fazer nada Mas quando chegar mês de junho Eu vou lembrar na boiada”. “Lá vem meu boi urrando Subindo o vaquejadô Deu um urro na portera Meu vaquero s’ispantô E o gado lá da fazenda Com isso se alevantô Urrou, urrou!/ Urrou, urrou! Meu nuvilho brasilero Que a natureza criou. [...] Por aqui vou saindo São horas d’eu viajá Adeus, até para o ano Quando eu aqui vortá

Vou ficá ao seu dispô Os tempo que precisá A turma de Pindaré É pesada no boiá O conjunto é brasilero E a força Deus é quem dá”. ... “Eu vi meu vaquero aboiá Ê tchô! Ê tchô! Eu me alegrei Quando o pandero tocô Mandei botá no jorná:/ Ê Boi de Pindaré levantô Chega, morena, vem vê Boi de Pindaré no cordão Capricho dos brasilero Tem o emblema da nação É este, é este a beleza do Nordeste Orgulho do Maranhão”. REFERÊNCIAS COELHO, Arimatea. Uma resistência cultural. Jornal O Estado do Maranhão. São Luís, 03.06.1998. CARVALHO, Maria Michol Pinho de. Matracas que desafiam o tempo: é o bumba-meu-boi no Maranhão. São Luís, 1995. MARINHO, Airton. O Cantador Coxinho: atravessando as noites e surpreendendo as manhãs – discurso de posse e elogio ao patrono na Academia Arariense-Vitoriense de Letras. Revista da AVL, ano 01, nº. 03. São Luís: Edições AVL, 2002, pp 31 a 47. SANTOS NETO, Manuel. Uma festa para Coxinho. In: Jornal O Estado do Maranhão, Caderno Alternativo. São Luís, 24.08.1990. SARNEY, Ivan. Um cantador na eternidade (crônica). Jornal O Estado do Maranhão. São Luís 09.03.1991 (última página).


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BUMBABUMBA-MEUMEU-BOI NO MARANHÃO, RANHÃO de Américo Azevedo Neto. Um livro essencial para quem deseja conhecer detalhes sobre a mais importante manifestação folclórica do Maranhão. De modo bastante didático, mas sem perder de vista o rigor da pesquisa, o experiente pesquisador faz um levantamento detalhado das diversas variações do bumba-meu

FOLCLORE MARANHENSE, de José de Ribamar Sousa Reis. Entre as muitas e importantes contribuições deixadas pelo recentemente falecido Ribamar Reis para os estudos sobre as muitas manifestações populares do Maranhão está esse importante livro, que pode servir de guia tanto para pesquisas iniciais quanto como ponte de passagem para estudos mais aprofundados.

A R PA

A FILHA DO PAI FRANCISCO, de Lenita Estrela de Sá. Grande conhecedora do teatro e das manifestações folclóricas do Maranhão, Lenita Estrela de Sá traz para o público infanto-juvenil uma versão bastante interessante do conhecido auto, com direito a demonstrar que ainda há muito a ser explorado sobre o tema.

R E L

O ÚLTIMO DESEJO DE CATIRINA, de José Neres. Aproveitando-se da conhecida história de Pai Francisco e Catirina, o autor elabora uma peça de teatro em versos que tem, entre outros objetivos, denunciar o latifúndio, a pistolagem e outros males que assolam o Maranhão e o Brasil. A obra está disponível em PDF no blog do autor: www.joseneres.blogspot.com


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BANDEIRA DE AÇO, de Papete. Um dos mais significativos álbuns musicais do Maranhão. Além de da música que dá título ao CD, o amante da boa música entrará em contato com algumas das mais importantes toadas do bumba-meuboi maranhense, com, por exemplo, “Boi da Lua”, de César Teixeira, “Catirina”, de Josias Sobrinho e “Bela Mocidade”, de Donato Al-

CDs e DVDs DIVERSOS— Quem não pode ou não quer ir aos terreiros ou arraiais, pode adquirir alguns do muitos CDs e DVDs que podem ser encontrados no comércio. Além de ser uma forma de guardar para sempre esses momentos de cores, música e alegria, pode ser também uma forma de presentear amigos dentro e fora do estado

PARA VER E OUVIR


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O AUTO DO BUMBA-MEU-BOI

JOSÉ NERES— Professor de literatura, escritor, coordenador do projeto O Sistema Literário Maranhense: Hipermídia e Hipertexto

José Neres Grávida, a escrava Catirina conta a seu marido, o Pai Francisco (ou Negro Chico), o seu maior desejo: comer a língua do mais belo boi da fazenda. O homem não se faz de rogado e, mesmo sabendo das consequencias de seu ato, mata o animal para oferecer a carne à mulher. O caso é logo descoberto, e o Amo – o dono da fazenda – fica furioso. Manda seus subordinados capturarem Francisco, pois o negro deve pagar pela ousadia de tirar a vida do mais belo boi da fazenda. Diante do patrão, o escravo é humilhado e deve conseguir um meio de ressuscitar o animal. É chamado o médico (ou o curandeiro) da região, que, após inúmeras tentativas baldadas, consegue trazer o boi novamente à vida. Francisco é perdoado e tem início uma grande festa com comida e bebida à vontade. Temos acima uma das inúmeras versões de um dos mais conhecidos folguedos do folclore brasileiro: o BumbaMeu-Boi. Como se pode facilmente perceber, o enredo é inspirado nos autos medievais e adaptado para representar a formação do povo brasileiro e, ao mesmo tempo, mostrar algumas críticas sociais. O branco, representado pela figura do fazendeiro, é também um símbolo dos latifundiários, do poder econômico e político; os negros, metaforizados por Pai Francisco e Mãe Catirina, lembram logo os oprimidos, os que trabalham arduamente e mal conseguem aproveitar o fruto do próprio suor; os índios, obedientes ao branco, lembram as transformações culturais ocorridas ao longo dos séculos de colonização. Na verdade, a própria composição estrutural da brincadeira é um reflexo da diversidade cultural do povo brasileiro. O europeu contribuiu com o enredo, o negro acrescentou alguns instrumentos e o ritmo cadenciado, cabendo ao indígena, por sua vez, contribuir com

parte da indumentária e com a dança. Mesmo sendo comum a grande parte do Norte e do Nordeste, e em cada estado contando com inúmeras variações, o Bumba-Meu-Boi acabou tornando-se, com o passar dos tempos, um traço cultural e identitário do povo maranhense. O auto deixou de ser apenas uma peça a ser repetida ano após ano e acabou ganhando vida própria. Os grupos foram adquirindo características individuais, e as rupturas com as concepções originais acabaram proporcionando, entre tantas mudanças, o surgimento dos diversos sotaques que hoje disputam espaço nos arraias, na mídia e no gosto popular. A seguir estão os sotaques que mais se destacam: MATRACA – O bailado lembra a dança dos índios Timbiras. O som cadenciado é conseguido com o choque das matracas (dois pedaços de madeira de comprimento e espessura variáveis), maracás, tambor-onça e pandeirões, que são esquentados à fogueira, para a obtenção de um som de melhor qualidade. Os chapéus de pena fazem com que o visual adquira um fortíssimo impacto visual. Aparentemente, as brincadeiras de sotaque de matraca são as que mais tentam preservar o enredo tradicional do auto. ZABUMBA – Possivelmente o mais antigo dos sotaques do Maranhão, tem marcação feita com zabumba, uma espécie de tambor que é tocado com auxílio de baquetas. Os intervalos entre as batidas são preenchidos pelos toques dos tamborins e dos chamados tambores de fogo – tambores feitos de tronco de mangue e que têm o interior moldado a fogo, recebendo depois uma cobertura de couro cru de boi. Durante as apresentações, os componentes do grupo não se esquecem de representar o auto e, mesclando figuras nacionalmente conhecidas às personagens ficcionais, aproveitam para ironizar com o momento político, fazendo denúncias sociais. ORQUESTRA – preferido por uns e renegado por outros, o sotaque de orquestra é o que mais se afasta do modelo original do Bumba-Meu-Boi. As vestimentas são mais luxuosas e o ritmo é embalado por instrumentos de sopro (saxofone, clarineta, pistons). A letra da música costuma ser mais elaborada e sentimentos nobres como amor, saudade e amizade são valorizados. O visual dos brincantes, assim como a coreografia chamam a atenção do público, que geralmente acompanha os passos dos dançarinos.


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Uma atenção à parte deve ser dada ao Boi Barrica e ao Boi de Morros – ambos do sotaque de orquestra – que, como letras bem melodiosas e com coreografia envolvente, foram tratados durante algum tempo com algo puramente comercial, mas que introduziram algumas inovações (como é o caso dos índios do Boi de Morros) e passaram à condição de referência de inovação artísitica, ganhando inúmeros prêmios no Brasil e no exterior. Esses dos grupos, juntamente com o da Maioba e o do Maracanã são, provavelmente, os que levam os maiores públicos aos arraiais. Independentemente do sotaque e da filiação artística, a ideia inicial do Bumba-Meu -Boi foi se alterando ao longo dos tempos e chegou ao século XXI, com modificações que são vistas pelos mais tradicionalistas como prejudiciais ao folclore, mas que são bem vistas por quem acredita que as modificações implantadas foram essenciais para a sobrevivência do folquedo. A competição entre os diversos grupos de Bumba-

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Meu-Boi acabou valorizando a figura do cantador (como é conhecido o cantor das toadas dessa manifestação folclórica). Não são raras as vezes em que, em busca de algum patrocínio ou mesmo apenas para homenagear alguma personalidade política e/ou econômica, as toadas deixam de lado o tom mítico e passam a defender uma ou outra ideologia política. Contudo isso não descaracteriza totalmente a brincadeira, servindo inclusive como mote para

outros grupos, que, aproveitando algum possível deslize do adversário, passam a ridicularizá-lo em novas toadas. O mês de junho no Maranhão é inteiramente dedicado ao Bumba-MeuBoi. Os santos mais conhecidos do mês – Santo Antônio, São João, São Pedro e São Marçal, (principalmente os dois últimos) – recebem milhares de homenagens, sendo que nos dia 29 e 30 os festejos se intensificam. O bairro do João Paulo é quase totalmente interditado para que haja o grande encontro de diversos


A POESIA VIVA DO BUMBA-MEU-BOI bumba--meuMuitas pessoas não conseguem ver que por trás das toadas de bumba meu-boi pode estar escondida uma pérola de poesia. Em alguns casos, o compositor coloca em suas letras toda a emoção que poderia jorrar naquele instante de inspiração e árduo trabalho com as palavras. Colocamos a seguir, como forma de exemplo e de homenagem a esses grandes poetas populares, três letrasletras-poemas de nosso bumbabumba-meumeu-boi. Todas as letras foram retiradas da internet e estão aqui apenas com a intenção de mostrar que o casamento celebrado entre música, folclore e poesia pode render excelentes textos. Nossos parabéns a todos os compositores, brincantes, cantadores e admiradores do BumbaBumba-meumeu-boi do Maranhão

SE NÃO EXISTISSE O SOL Letra e Música: Chagas Boi da Maioba Se não existisse o sol, Como seria pra terra se aquecer?... Se não existisse o mar, como seria pra natureza sobreviver?... Se não existisse o luar... o mundo viveria na escuridão... mas como existe tudo isso meu povo... eu vou guarnicer meu batalhão de novo!! Ê boi rapaziada!!!!

BELA MOCIDADE Composição: Donato

BOI DA LUA

Boi de Axixá

César Teixeira

São João, meu São João, eu vim pagar a promessa de trazer esse boizinho pra alegrar sua festa. Olhos de papel-de-seda Com uma estrela na testa Chora, chora, chora Boi da Lua. Vem pedir uma esmola Praquela boneca de anil. Mamãe, eu vi Boi da Lua dançar no planeta do Brasil! (bis)

Quando eu me lembro Da minha bela mocidade Eu tinha tudo a vontade Brincando no boi de Axixá Eu ficava com você Naquela praia ensolarada E a tua pele bronzeada Eu começava a contemplar

Mas é que o vento buliçoso balançava teus cabelos E eu ficava com ciúme do perfume ele tirar Mas quando o banzeiro quebrava Teu lindo rosto molhava E a gente se rolava na areia do mar

O Jornal Ilhavirtualpontocom é uma realização do grupo de estudos intitulado O Sistema Literário Maranhense, coordenado pelo professor José Neres e composto pelos seguintes pesquisadores: Jheysse Lima Coelho, Viviane Ferreira, Gercivaldo Peixoto, Eliane Ferreira e Antônio José Marciel. Com apoio da Faculdade Atenas Maranhense—FAMA.

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