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HISTÓRIAS DE NATAL.

RITA LAVOYER www.ritalavoyer.blogspot.com Editor – José Marcos Taveira


O NATAL E O CAPIM Autora – Rita Lavoyer


O

MENINO NASCEU E ERA DIA DE NATAL.

ENQUANTO O MENINO NASCIA E FALAVA-SE EM NATAL, UM BOI, NO PASTO, COMIA CAPIM.

NÃO DEMOROU MUITO E LOGO O MENINO OUVIU FALAR EM NATAL.

JÁ MAIORZINHO, OUVIA A AVÓ DIZER QUE AS GALINHAS CRIADAS NO QUINTAL ERAM PARA O DIA DE NATAL.

ENQUANTO AS GALINHAS ENGORDAVAM, UM BOI, NO PASTO, COMIA CAPIM. UM DIA CHEGOU O NATAL. A DINHA - AVÓ DO MENINO – MATOU UMA GALINHA PARA A FAMÍLIA TODA COMER.


A MÃE DO MENINO QUE ERA A SENHORA, A SENHORA... QUAL O NOME DELA MESMO? AH! ISSO NÃO IMPORTA.

A MÃE DO MENINO NÃO COMEU O SEU PEDAÇO DA GALINHA. ELA DEU AO SEU FILHO O PEDAÇO QUE LHE PERTENCIA NAQUELA REFEIÇÃO. O MENINO SABOREOU AQUELE PEDAÇO DE SONHO E DE ESPERANÇA, ENQUANTO UM BOI, NO PASTO, COMIA CAPIM.

UM DIA, VEIO NA CASA DA DONA DINHA, UM PARENTE DE LONGE. CHEGOU SEM AVISAR. DONA DINHA MATOU UMA GALINHA E A COZINHOU PARA O ALMOÇO.


NOVAMENTE O MENINO SABOREOU UM PEDAÇO DE SONHO E DE ESPERA, ENQUANTO UM BOI, NO PASTO, COMIA CAPIM.

O PARENTE QUE CHEGOU SEM AVISAR, E COMEU A GALINHA QUE ESTAVA NO QUINTAL SENDO ENGORDADA PARA O DIA DE NATAL, DISSE A DONA DINHA QUE ESTAVAM, ELE E TODA A FAMÍLIA, PASSANDO POR NECESSIDADES. FOI QUANDO A DONA DINHA, TODA SENTIMENTAL, PASSOU AS MÃOS EM MEIA DÚZIA DAS GALINHAS, QUE ESTAVAM NO QUINTAL SENDO ENGORDADAS PARA O DIA DE NATAL, BOTOU-AS EM UM SACO GRANDE E DEU-AS PARA O PARENTE.


ELE PÔS O SACO NAS COSTAS E FOI ANDANDO PELA ESTRADA AFORA. AS GALINHAS, COM OS SEUS PESCOÇOS DO LADO DE FORA DO SACO, OLHAVAM O MENINO E FORAM CACAREJANDO-LHE UM ADEUS. ENQUANTO ISSO, UM BOI, NO PASTO, COMIA CAPIM.

O MENINO FICOU OBSERVANDO AQUELE PARENTE INDO EMBORA COM AS GALINHAS DO DIA DE NATAL E COMEÇOU A CHORAR. _ AGORA NÃO TEM MAIS NATAL AQUI EM CASA! O BOI, QUE ESTAVA NO PASTO COMENDO CAPIM, VIROU-SE DE COSTAS E CONTINUOU PASTANDO.


MAS O MENINO CHOROU À TOA, PORQUE NO QUINTAL HAVIA MUITAS GALINHAS, GALOS E PINTOS SENDO CRIADOS PARA O DIA DE NATAL. O NATAL CHEGOU NOVAMENTE, AGORA PARECIA DIFERENTE. TINHA MAIS GENTE.

AQUELE PARENTE QUE VEIO COMER AS GALINHAS DO DIA DE NATAL E LEVOU MEIA DÚZIA DELAS DENTRO DE UM SACO, VEIO PASSAR O NATAL NA CASA DA DONA DINHA.


ELE TROUXE MUITA GENTE COM ELE. TINHA ATÉ UM CACHORRINHO, QUE ERA MUITO BONITINHO, MAS QUE A DONA DINHA NÃO GOSTOU PORQUE CORREU ATRÁS DAS GALINHAS DELA.

ERA GENTE QUE NÃO ACABAVA MAIS. ERAM GALINHAS MORTAS QUE NÃO ACABAVAM MAIS. ENQUANTO TODOS COMIAM DAS GALINHAS, UM BOI, NO PASTO, COMIA CAPIM.

ACABARAM.


AS MORTAS DO NATAL ACABARAM E A MÃE DO MENINO, NOVAMENTE, DOOU O PEDAÇO DELA PARA O FILHO. ACABADAS AS GALINHAS MORTAS QUE ESTAVAM NA MESA, OS PARENTES FORAM EMBORA E O NATAL ACABOU. MAS AINDA TINHA BASTANTE NO QUINTAL, ENGORDANDO PARA O PRÓXIMO NATAL.

O MENINO, BEM... QUAL É O NOME DO MENINO MESMO? AH! ISSO NÃO IMPORTA. MENINOS MENINOS EM TODOS OS LUGARES.

SÃO

OS NATAIS VINHAM E IAM CONFORME ACABAVAM AS GALINHAS MORTAS EM CIMA DA MESA DA DONA DINHA.


O BOI CONTINUOU COMENDO O CAPIM E O CAPIM ESTAVA QUASE ACABANDO PORQUE ERAM MUITAS GALINHAS QUE TAMBÉM QUERIAM COMER O CAPIM DO BOI. POR CAUSA DISSO, DONA DINHA RESOLVEU IR VIAJAR.

NÃO JUNTOU MALAS, NEM DOCUMENTOS, NÃO JUNTOU NADA. NEM TCHAU ELA DEU. NENHUMA GALINHA ELA LEVOU PARA ONDE ELA FOI. PORQUE A DONA DINHA FOI VIAJAR, A MÃE E O MENINO, AH! O NOME DELA É MARIA, FORAM VER AS GALINHAS. MAS O NÚMERO DE GALINHAS ERA TANTO, TANTO, TANTO QUE DAVA PARA FAZER MAIS DE TRÊS, QUATRO, SEI LÁ QUANTOS NATAIS POR DIA.


TODOS OS DIAS NA VIDA DE DONA MARIA E DE SEU FILHO PASSARAM A SER DIA DE NATAL. QUANTO MAIS GALINHAS MÃE E FILHO COMIAM, MAIS PINTINHOS NASCIAM E MAIS CAPIM NO PASTO O BOI COMIA.

TODOS OS DIAS TÊM GALINHAS NOS AÇOUGUES E BOIS TAMBÉM. TODOS OS DIAS TÊM MENINOS CRESCENDO COM FOME DE GALINHA E DE BOI. O MENINO CRESCEU E JUNTO COM ELE UM NÚMERO ENORME DE FRANGOS, GALOS E GALINHAS.

JÁ NÃO HAVIA MAIS ESPAÇO PARA TANTAS AVES NO QUINTAL DA DONA MARIA. O MENINO, CRESCIDO, RESOLVEU DOAR UM POUCO DAS


PENOSAS PARA CRIANÇAS.

OS

NATAIS

DE

OUTRAS

MUITOS COMERAM E MUITOS TIVERAM NATAL. MAS... QUANTO MAIS GALINHAS ELES DOAVAM, MAIS PINTINHOS NASCIAM E MAIS CAPIM, NO PASTO, UM BOI COMIA.

SAÍRAM OS DOIS COM MUITAS GALINHAS PELA CIDADE. JOVENS E ADULTOS TAMBÉM RECEBIAM.


PUDERAM VER PESSOAS CHORANDO E RINDO. VIAM QUE CRIANÇAS NASCIAM E OUTRAS PARTIAM. PESSOAS CAÍDAS E OUTRAS JÁ TENTANDO SE LEVANTAR. NAQUELA CIDADE TINHA GENTE DE TUDO QUANTO ERA JEITO.

VIRAM, QUANDO PASSARAM POR UMA RUA, QUE UM GAROTINHO DORMIA SOBRE UMA CAMA DE CAPIM CUIDADOSAMENTE AMONTOADO PARA ELE EM UMA CALÇADA. AO SEU LADO UM BOI, UMA GALINHA E UMA VELHA SENHORA SEGURANDO UMA VASSOURA DE CAPIM.


ESPANTADOS, MÃE E FILHO OBSERVAVAM AQUELA CENA PARECENDO JÁ TEREM ASSISTIDO A ELA. _ NÃO OLHEM ESPANTADOS ASSIM PARA MIM – DISSE A VELHA SENHORA – EU ESTOU AQUI PARA CUIDAR DESSA CRIANCINHA. _ MAS CALÇADA NÃO É LUGAR PARA CRIANCINHA, NÃO É LUGAR PARA NINGUÉM DORMIR – COMENTOU A MÃE MARIA. _ ENQUANTO ELA DORME TUDO LHE SERÁ IGUAL. BERÇO E CALÇADA TERÃO O MESMO VALOR – EXPLICOU A VELHA SENHORA.

_ NÃO PODE SER! ISSO NÃO É POSSÍVEL. DO QUE VOCÊS ESTÃO SE ALIMENTANDO? – PERGUNTOU O MENINO ÀQUELA SENHORA. _ NÓS TEMOS A ESPERANÇA – APONTOU A VELHA PARA A GALINHA – E O AMOR – APONTANDO PARA O BOI.


_ MÃE, VAMOS LEVÁ-LOS PARA A NOSSA CASA. LÁ TEM LUGAR PARA ELES – SUPLICOU O MENINO. A VELHA SENHORA RESPONDEU:

_ NÃO PODEMOS IR COM VOCÊS, QUERIDO MENINO. LÁ, NA SUA CASA, JÁ TÊM DO QUE NECESSITAM E AINDA SOBRA A CARIDADE NO CORAÇÃO DE CADA UM DE VOCÊS. OUTROS DEVERÃO PASSAR E OLHAR ESTE QUADRO, E SE ELES SE SENSIBILIZAREM QUERENDO NOS LEVAR, SEGUIREMOS COM ELES. SIGAM OS SEUS CAMINHOS DISTRIBUINDO AS GALINHAS. FAÇAM NATAL TODOS OS DIAS PARA OS QUE PRECISAM.


FORAM ANDANDO, MÃE E FILHO, DISTRIBUINDO AS SUAS GALINHAS. _ MÃE, NÃO PERGUNTAMOS O NOME DAQUELA SENHORA. _ FILHO, - DISSE A MÃE MARIA - TODAS AS PESSOAS IDOSAS PODEM SER CHAMADAS DE “LIÇÃO” OU ”SABEDORIA”. DÊ A ELA O NOME QUE VOCÊ ACHAR MELHOR. _ ELA SE PARECE TANTO COM A VÓ DINHA! POR ISSO, VOU CHAMÁ-LA DE “ LIÇÃO”.

QUANDO OLHARAM PARA TRÁS NÃO VIRAM MAIS A VELHA SENHORA E NEM O MENINO QUE DORMIA NA CALÇADA, NEM O BOI E MUITO MENOS A GALINHA. SOMENTE A VASSOURA ESTAVA ENCOSTADA NO MURO DA RUA.


GALINHAS SE MULTIPLICAM, BOIS ENGORDAM E O TEMPO...

O TEMPO NÃO VARRERÁ ESSAS VERDADES. ENQUANTO ESSAS CRIAÇÕES FOREM CULTIVADAS DENTRO DE UM LAR , TODOS OS DIAS SERÃO “DIA DE NATAL”.

FELIZ NATAL! SÃO OS VOTOS DE RITA LAVOYER - MUITO OBRIGADA.


O NATAL DO MENINO DE RUA


Oba!

Chegou

o

Natal.

Festa melhor que esta somente o carnaval. Natal. Natal das crianças...

Das crianças que têm lar. Não para alguns...


Por isso, não

adianta

esperar! Natal, Natal, Natal !!!!

É tão gostoso passar a noite toda com os amigos e trocar presentes. Ouvir o sino soando e fogos enfeitando o céu!

Blim-blom!


Bam-bam !

Blim-blom !

Ouço algo errado no ar ? Hum! É noite de Natal. Que tal uma história ganhar?


¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨**¨*¨*¨*¨* “_ Que coisa mais

sem graça! Sentar na

porta de uma igreja? Por que não vai para um banco da praça?

_ Oh, criatura! Não sabe que a escada é

dura?

Vá para um

banco, lá não há degrau. Escada não tem encosto e pode lhe fazer mal.

_

Não

esbarre

nas

barras, são de longo feitio. Isso? Não é para o seu perfil.


Alguém de boa linhagem, cheirando a perfume

de aurora,

disse que

atrapalhava a passagem e mandou aquela coisa embora.

Foi. Voltou. Ficou.

A porta não se fechou porque tinha muita

gente

de

querendo,

naquela noite, mostrar que tinha fé. Ele também. Fé?

Não se sabe. Porém ficou de pé.

Conhecia o seu lugar. Ficou do lado de fora


assistindo ao padre no altar. Era uma coisa linda de se ver. Fez o sinal da cruz igualzinho o padre fez.

Mas, mal sabia ele que daquele

cálice só ele ia beber.

Os fiéis se ajoelharam para agradecer a tudo o que têm. Ele se ajoelhou apenas por ser alguém. Já quase meia-noite. O galo cantou e o sino

badala. Muitos fogos enfeitam o céu.

Uns vão para as ceias, outros para as boates.

Outros... sabe-se lá

aonde. Sabe-se Deus aonde o Papai-Noel dele se esconde?


E não é que ele chegou? Mas... tenha dó! Aquilo não tem cara de trenó. Não desceu do céu? Não! Foi enviado pelo coronel e trouxe a ele uma bala de fel.

Por que, menino de rua, foi ficar bem na porta da igreja? Justamente na Missa do Galo?! Não te avisaram que essa noite é especial, há preparativos para que ela aconteça a contento da tradição?! Agora veja! Pediu muito bem quando se ajoelhou. Menino de sorte. Pediu ganhou.

só um

presente, mas 38


Noite de Natal, naquele lugar, é chique e fria. O calor daquela igreja abafou todos os homens e o gelo só ele sentia.

Por que, menino de rua, foi nascer com tão pouco brilho? mas

é

de

Você não tem pai nem mãe, Deus

o

único

Filho.

Você, agora, não tem direito ao jornal, nem à palha, porque ela é do animal.” ¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*


É uma história comovente, mas ... quem sabe ele não nasce novamente?!

_ É, quem sabe... Tomara não seja igual Aquele. Nascer no dia de Natal para deixar a festa triste e se chamar Jesus.

Invejoso! Ainda bem que morreu de revolver. Só faltava querer morrer na cruz.

QUE O CALOR DO NATAL AQUEÇA OS NOSSOS CORAÇÕES TODOS OS DIAS. FELIZ NATAL RITA LAVOYER


As imagens apresentadas aqui foram retiradas da internet através dos recursos que ela apresenta. Não temos, com isso, a intenção de plágio. Pedimos, antecipadamente, desculpas aos que se sentirem plagiados. Rita Lavoyer

Uma historia de Natal  

Contos de Natal de Rita Lavoyer, escritora de Araçatuba-SP-Brazil.

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