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PAZ! Salmo 90

BY JOSEMARBESSA.COM S

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“Conheces as nossas iniquidades; não escapam os nossos pecados secretos à luz da tua presença”. - Salmos 90:8

O que você pensa sobre Deus molda toda a maneira de você ver o mundo e a vida. Por exemplo, se você tem uma visão baixa de Deus, você terá uma visão maior de si mesmo, e isso é o pecado do orgulho. Então, como nós pensamos sobre Deus tem grandes ramificações práticas, e eu quero mostrar isso olhando para um salmo que evidencia alguns dos principais atributos de Deus - o Salmo 90. Salmo 90 é provavelmente o salmo mais antigo do saltério. Se a sua Bíblia inclui as inscrições no início dos salmos, você verá que este é intitulado "A Oração de Moisés, homem de Deus." Portanto, este salmo foi escrito por Moisés, cerca de 450 anos antes da época de Davi. Obviamente, a maneira como os salmos são ordenados em nossas Bíblias não é cronológica. Os salmos são realmente organizados em cinco livros, e Salmo 90 é o primeiro salmo no livro quatro. É o único salmo no saltério atribuído a Moisés, e como a inscrição sugere, está na forma de uma oração. É uma oração por graça e misericórdia. Mas queremos a princípio nos concentrar em um verso neste Salmo, o verso 8. Mas temos uma necessidade de antes disso olharmos o contexto para termos uma melhor ideia do que temos aqui. Podemos perceber que Moisés faz sua oração se concentrar em torno de uma lista de atributos divinos. Ele fala da eternidade de Deus no versículo 2: “Antes que os


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montes nascessem, ou que tu formasses a terra e o mundo, mesmo de eternidade a eternidade, tu és Deus.” Ele alude à soberania de Deus no versículo 3: “Fazes os homens voltarem ao pó, dizendo: ‘Retornem ao pó, seres humanos!’” Ele fala da eternidade de Deus no versículo 4: “Porque mil anos são aos teus olhos como o dia de ontem que passou, e como a vigília da noite.” Ele menciona a ira de Deus no versículo 7: “Pois somos consumidos pela tua ira, e pelo teu furor somos angustiados.”

Ele se refere a onisciência de Deus no versículo 8: Diante de ti puseste as nossas iniquidades, os nossos pecados ocultos, à luz do teu rosto.” Em seguida, ele retorna para a ira de Deus nos versículos 9 e 11: “Pois todos os nossos dias vão passando na tua ira; passamos os nossos anos como um conto ligeiro.” “Quem conhece o poder da tua ira? Segundo és tremendo, assim é o teu furor.” Essa parte da oração de Moisés é toda adoração e confissão. E note que sua ênfase é sobre os atributos de Deus temíveis, culminando com uma enorme sensação de ira de Deus. Mas, em seguida, no versículo 12, ele começa a fazer petições. “Ensina-nos a contar os nossos dias para que o nosso coração alcance sabedoria.” No versículo 13, ele ora por compaixão: “Volta-te, Senhor! Até quando será assim? Tem compaixão dos teus servos!” Então ele volta sua atenção para os atributos misericordioso de 


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Deus. Ele menciona especificamente a misericórdia de Deus no versículo 14: “Satisfaze-nos pela manhã com o teu amor leal, e todos os nossos dias cantaremos felizes” A glória de Deus no versículo 16: “Sejam manifestos os teus feitos aos teus servos, e aos filhos deles o tua glória!”

E a beleza de Deus no versículo 17: “E seja sobre nós a formosura do Senhor nosso Deus, e confirma sobre nós a obra das nossas mãos; sim, confirma a obra das nossas mãos.”

Agora, tecidas juntos com os atributos divinos Moisés coloca uma série de contrastes. Por tudo o que é verdade sobre Deus, Moisés reconhece que o oposto é verdadeiro sobre a humanidade.  Tudo o que Deus é, não somos. Deus é eterno (v. 2); nós somos feitos de poeira (3 v.). Ele é "de eternidade a eternidade" (v. 2); nossas vidas "logo desaparecem, e nós voamos" (v. 10). Mil anos são como um dia para Deus (v. 4); 80 anos é nossa expectativa de vida e mesmo assim cheios de canseira e enfado (v. 10). Deus é glorioso e belo (vv 16-17.); somos pecadores (v. 8). Todo um milênio passa como uma vigília da noite na estimativa de Deus (v. 4); mas nossas vidas curtas parecem cheia de trabalho e tristeza (v. 10). Assim, o contraste é entre a eternidade e a glória de Deus versus 


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a fragilidade e a miséria da existência humana. Agora, você pode pensar que é um tema mórbido ou deprimente, mas não é. Há uma nota de triunfo que atravessa toda esta oração. Ele começa e termina com uma celebração do que Deus quer dizer ao Seu povo. É sobre isso que toda essa oração é. E é por isso que Moisés tem muito a dizer sobre os atributos de Deus. Este é um hino sobre a glória e a bondade de Deus, e ele define essa verdade contra o cenário austero da miséria humana, para que possamos ver a maravilha da misericórdia e as bênçãos de Deus ainda melhor. Claro, há também um cenário histórico para este salmo. Lembrese que depois que Moisés e os israelitas deixaram o Egito, eles vagaram durante quarenta anos no deserto, por causa de seu próprio pecado e incredulidade. Mais de um milhão de israelitas deixaram o Egito no Êxodo. “Assim partiram os filhos de Israel de Ramessés para Sucote, cerca de seiscentos mil a pé, somente de homens, sem contar os meninos.” - Êxodo 12:37 – Isso indica que havia 600.000 homens em idade de combate. Haveria cerca de tantas mulheres adultas como os homens, isso pensando de modo conservador, havia pelo menos um pouco mais de um milhão de pessoas. Mas dessa massa enorme de pessoas, apenas dois adultos que deixaram o Egito, conseguiram entrar na terra de Canaã, na terra prometida – Josué e Calebe.

Mesmo Moisés nunca chegou a entrar em Canaã. Todos eles foram errantes e vagabundos por quarenta anos, até que a geração inteira tinha morrido. E a razão era que eles haviam


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provocado a Deus o desonrando por suas constantes reclamações, murmurações...

Números 13, por exemplo, descreve como quando chegou a hora de entrar na Terra Prometida, eles enviaram batedores à frente para um “check-out”, e todos, menos dois deles ( Josué e Calebe) voltaram com um relatório cheio de incredulidade, assustados, tímidos, dizendo: “Não poderemos subir contra aquele povo, porque é mais forte do que nós. E infamaram a terra que tinham espiado, dizendo aos filhos de Israel: A terra, pela qual passamos a espiá-la, é terra que consome os seus moradores; e todo o povo que vimos nela são homens de grande estatura. Também vimos ali gigantes, filhos de Anaque, descendentes dos gigantes; e éramos aos nossos olhos como gafanhotos, e assim também éramos aos seus olhos.” - Números 13:31-33. Números 14 é o contexto no qual devemos olhar a oração de Moisés no Salmo 90. Lembre-se, os espias voltaram, e todos, exceto Josué e Calebe, deram um relatório negativo. Eles reivindicaram que a terra estava cheia de gigantes, e disseram que os israelitas eram como gafanhotos comparados a eles. Em outras palavras, eles voltaram e chamaram Deus de mentiroso. Números 14:2,3 diz: “E todos os filhos de Israel murmuraram contra Moisés e contra Arão; e toda a congregação lhes disse: Quem dera tivéssemos morrido na terra do Egito! ou, mesmo neste deserto! E por que o Senhor nos traz a esta terra, para cairmos à espada, e para que nossas mulheres e nossas crianças sejam por presa? Não nos seria melhor voltarmos ao Egito?”


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“Por que o Senhor nos trouxe aqui para este deserto?” - eles perguntaram: "Por que o Senhor nos trazendo para esta terra, para cairmos à espada? Nossas mulheres e nossos pequeninos serão por presa. Não seria melhor para nós para voltar para o Egito?" - E o versículo 4 diz que eles ainda decidiram escolher um novo líder, e eles estavam se preparando para voltar para o Egito. Os versículos 5-9 descrevem a forma como Moisés e Arão, e Josué e Calebe, argumentaram e contenderam com o povo para não se rebelarem contra Deus: “O Senhor está conosco; não os temais.” “E diziam uns aos outros: Constituamos um líder, e voltemos ao Egito. Então Moisés e Arão caíram sobre os seus rostos perante toda a congregação dos filhos de Israel. E Josué, filho de Num, e Calebe filho de Jefoné, dos que espiaram a terra, rasgaram as suas vestes. E falaram a toda a congregação dos filhos de Israel, dizendo: A terra pela qual passamos a espiar é terra muito boa. Se o Senhor se agradar de nós, então nos porá nesta terra, e no-la dará; terra que mana leite e mel.” - Números 14:3-8 No verso 10 vemos que  as pessoas estavam prestes a apedrejar Moisés e Arão e Josué e Calebe e  matá-los quando de repente “a glória do Senhor apareceu na tenda da revelação, para todo o povo de Israel.”

“Mas toda a congregação disse que os apedrejassem; porém a glória do Senhor apareceu na tenda da congregação a todos os filhos de Israel. E disse o Senhor a Moisés: Até quando me provocará este povo? e até quando não crerá em mim, apesar de


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todos os sinais que fiz no meio dele?” - Números 14:10,11

E o Senhor ameaçou acabar com toda a nação e começar de novo com Moisés (v. 12): "Vou atacá-los com a peste e deserdálos, e eu farei de ti uma nação maior e mais forte do que eles." Moisés, porém, suplicou a Deus e pediu perdão em nome do povo (v. 19): "Por favor, perdoe a iniquidade deste povo, segundo a grandeza da tua benignidade, assim como tu tens perdoado este povo, do Egito até agora.” E Deus foi gracioso. Ele perdoou (v 20). Esse é um ponto vital. Eram pessoas resgatadas. Mas, como Hebreus 12: 6 diz: “o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe.” Então, como consequência de sua incredulidade, Deus os proibiu de entrar na Terra Prometida. Ele condenou a 38 anos de peregrinação no deserto, até que toda aquela geração morresse. Ele diz no verso 28: “Dize-lhes: Vivo eu, diz o Senhor, que, como falastes aos meus ouvidos, assim farei a vós outros. Neste deserto cairão os vossos cadáveres, como também todos os que de vós foram contados segundo toda a vossa conta, de vinte anos para cima, os que dentre vós contra mim murmurastes; Não entrareis na terra, pela qual levantei a minha mão que vos faria habitar nela, salvo Calebe, filho de Jefoné, e Josué, filho de Num.” - Números 14:28-30 Então é assim que toda uma geração de Israel foi condenada ao deserto e mantidos fora da Terra Prometida. Daquele ponto em diante, eles sabiam que iriam viver o resto de suas vidas sofrendo as consequências de seu pecado. Uma geração inteira,  


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com exceção de dois homens, tiveram seus corpos espalhados por todo o deserto. Foi um dos momentos mais sombrios da história de Israel. A Escritura aponta continuamente de volta para o pecado dessa geração como um exemplo negativo. Esse é o ponto inteiro de 1 Coríntios 10. O versículo 11 diz: "estas coisas aconteceram a eles como um exemplo, mas elas foram escritas para nossa instrução." Ou de maneira mais completa: “E não murmureis, como também alguns deles murmuraram, e pereceram pelo destruidor. Ora, tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos. Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia.” - 1 Coríntios 10:10-12 Não demorou muito depois deste incidente que Moisés perdeu a paciência liderando os israelitas, e Deus proibiu mesmo Moisés e Arão de entrarem na terra prometida. Podemos ler sobre isso em Números 20:12: “E o Senhor disse a Moisés e a Arão: Porquanto não crestes em mim, para me santificardes diante dos filhos de Israel, por isso não introduzireis esta congregação na terra que lhes tenho dado.” Agora, volte para o Salmo 90. Esse é o contexto para esta passagem. Moisés e toda sua geração agora sabem que nunca vão entrar na Terra Prometida, nesta vida terrena. Eles haviam deixado o Egito em busca de uma terra que manava leite e mel. Seus corações foram fixados nela.  Mas agora Canaã nunca será sua morada. Eles estão condenados a viver em tendas no deserto até que eles morram.  


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No momento em que ele escreve o Salmo 90, Moisés estava enfrentando o fato de que ele nunca iria entrar em Canaã. Mas Ele percebe que ele já tem um melhor lugar de habitação do que qualquer terra terrena que mana leite e mel. Versículo 1: "Senhor, tu tens sido o nosso refúgio e habitação de geração em geração." Mesmo quando ainda no Egito, quando os israelitas foram condenados ao pior tipo de escravidão, Deus tinha sido o seu refúgio. E durante esses longos anos no deserto, Deus era Aquele em quem eles viviam e se moviam e tinham e respiravam. Ele era sua fortaleza e sua torre forte. Ele era o seu “lugar de habitação em todas as gerações.” Moisés então mostra a eternidade de Deus (v. 2): “Antes que os montes nascessem, ou que tu formasses a terra e o mundo, mesmo de eternidade a eternidade, tu és Deus.” E então ele contrasta com que a mortalidade dos homens. Lembre-se, Moisés é muito consciente de sua própria fragilidade, e de todos os israelitas. Podemos fazer as contas sobre isso, e se houvesse um milhão de adultos em CadesBarnéia. (onde Deus os condenou a vagar até que todos com menos de 20 anos morressem), e toda aquela geração morreu em 38 anos, é uma média de 72 mortes a cada dia. Isso é um monte de carcaças espalhadas no deserto, e um monte de miséria humana. E é isso que Moisés diz no versículo 3 deste salmo: “Tu reduzes o homem à destruição; e dizes: Tornai-vos ao pó, filhos dos homens.” A palavra "destruição" é uma palavra hebraica que fala de algo que é pulverizado. Literalmente se torna "pó". O próprio Deus disse a Adão em Gênesis 3:19: “Com o suor do  


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teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra, porque dela foste tomado; porquanto és pó, e ao pó tornarás.” Isso é o que este versículo se refere. Deus é soberano sobre a vida e a morte. Nós somos nada além de poeira, e nossos corpos acabarão por voltar ao pó. Mas no verso 4 Moisés contrasta isso com Deus habita fora do tempo. O tempo não corre pare Ele. “Porque mil anos são aos teus olhos como o dia de ontem que passou, e como a vigília da noite.”  Em 2 Pedro 3: 8, Pedro diz que trabalha de modo inverso também: “Para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos como um dia." O próprio Deus é atemporal e não é limitado pelo tempo. Ele habita fora dele.

Mas o ponto aqui, é Moisés trazendo a mente para a mortalidade humana. Ele sabia, é claro, que alguns dos patriarcas tinham vivido quase mil anos. É difícil imaginar viver tanto tempo, mas Moisés diz que mesmo mil anos não é nada para Deus. Observe como Moisés vê Deus como absolutamente soberano. Eterno, todo-poderoso, (e de acordo com o versículo 2) Aquele que "formou a terra e o mundo." Ele somente que nos transforma em pó. Então Moisés percebe que a mortalidade humana e a miséria humana estão sob o controle soberano da Providência divina. Deus é Aquele que varre os homens à distância para o sono da morte (5-6 vv.): “Tu os levas como uma corrente de água; são como um sono; de manhã são como a erva que cresce. De madrugada floresce e cresce; à tarde corta-se e seca.” Além disso, Moisés reconheceu que Deus era, em última


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instância, a fonte e a causa de todas as suas angústias, porque todo o mal que tinha vindo sobre eles era fruto do pecado e o resultado do desagrado de Deus sobre o pecado: “Pois somos consumidos pela tua ira, e pelo teu furor somos angustiados. Diante de ti puseste as nossas iniquidades, os nossos pecados ocultos, à luz do teu rosto” - Salmos 90:7,8.

Tudo à luz da Sua presença: “Pois todos os nossos dias vão passando sob a tua ira; passamos os nossos anos como um conto que se conta. Os dias da nossa vida chegam a setenta anos, e se alguns, pela sua robustez, chegam a oitenta anos, o orgulho deles é canseira e enfado, pois cedo se corta e vamos voando. Quem conhece o poder da tua ira? Segundo és tremendo, assim é o teu furor.” - Salmos 90:9-11 Essa é uma descrição do que é a vida nos sentir como todos os israelitas no deserto. É a verdade da vida em geral.  Miséria humana, e calamidade, e a tristeza e a morte são todos frutos do pecado. Isso não quer dizer que toda a tristeza que você enfrentar é um resultado direto de um pecado que você cometeu. Mas é verdade que, em geral, todo sofrimento humano, até a morte, resulta da maldição do pecado. Romanos 5:12: “O pecado entrou no mundo por um homem, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram”. E se sentimos às vezes que nossos dias são poucos e cheios de problemas, é porque essa é a natureza desta vida terrena. A própria terra é amaldiçoada. O versículo 9: “todos os nossos dias vão passando sob a sua ira; vivemos nossos anos para 


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atingir um fim como um suspiro”. A segunda metade do versículo diz: “passamos os nossos anos como um conto que se conta.” A expressão hebraica realmente significa, “Nós terminamos os nossos anos como um gemido.”

E isso é verdade, não é? A vida termina com um gemido. O fim da vida é como um suspiro prolongado de dor. A vida não aponta para  ficar mais agradável à medida que envelhecemos. No final você morre, e mesmo se você tiver “sorte” de viver tempo suficiente para morrer na velhice, o fim de sua vida será como um gemido prolongado de agonia. Enquanto isso, esta vida é cheia de gemidos e aflição. Junto com todos os gemidos da natureza. Paulo reconheceu que em Romanos 8: 22-23: “Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora. E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo.” A vida é curta, e cheia de tribulações, 80 anos, no máximo. (Moisés viveu até os 120, mas depois disso, o tempo de vida humano normal foi de 70, 80 como ele disse... porque Deus é misericordioso – imagine se o homem vivesse 150, 200 anos. A concupiscência do engano cresce no homem dia a dia, quanto mais tempo, mais terríveis seriam os legados de uma geração. Nossa geração está totalmente corrompida – mas em 100 anos todos estarão mortos – isso é misericórdia de Deus). Oitenta anos, "No entanto, sua extensão é mas labuta e 


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problemas." Oitenta anos de suor e lágrimas "[Mas] eles são logo desaparecem, e nós voamos." Tudo isso leva Moisés a refletir sobre a realidade da ira divina contra o pecado. Já que as consequências são tão devastadoras Versículo 11: “Quem conhece o poder da tua ira? Segundo és tremendo, assim é o teu furor.” Em outras palavras, não importa o quanto possamos temer a ira de Deus, Sua ira contra o pecado acaba por ser muito pios do que jamais poderíamos imaginar. Considere as descrições bíblicas do inferno. A ira de Deus é infinitamente pior do que alguém realmente teme. Mas o que é deixado claro aqui, é que essa visão não leva Moisés ao desespero. Porque ele sabe que a Graça de Deus também flui abundantemente. E é a isso que ele se lança na fase de petição de sua oração. Versículo 12: " Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios.” Salmos 90:12. Em outras palavras, ajudar-nos a manter tanto a brevidade da vida e das realidades da eternidade e da sua ira infinita contra o pecado em perspectiva, para que possamos ser pessoas verdadeiramente sábias. E, em seguida, Moisés suplica a Deus por compaixão: “Volta-te para nós, Senhor; até quando? Aplaca-te para com os teus servos. Farta-nos de madrugada com a tua benignidade, para que nos regozijemos, e nos alegremos todos os nossos dias. Alegra-nos pelos dias em que nos afligiste, e pelos anos em que vimos o mal.” - Salmos 90:13-15. Moisés percebe que mesmo que ele não possa apagar as 


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consequências do seu pecado, sua vida não é desesperadora. Ele não está temendo o que está à frente ou vê o futuro com uma perspectiva sombria em tudo. Ele sabe que as misericórdias de Deus são inesgotáveis, e Deus perdoa abundantemente. Deus pode restaurar até mesmo os anos que o gafanhotos tenham consumido. Então Moisés ora por um derramamento especial da bênção de Deus. Versículo 15-17: “Alegra-nos pelos dias em que nos afligiste, e pelos anos em que vimos o mal. Apareça a tua obra aos teus servos, e a tua glória sobre seus filhos. E seja sobre nós a formosura do Senhor nosso Deus, e confirma sobre nós a obra das nossas mãos; sim, confirma a obra das nossas mãos.”

Deus respondeu a essa oração. A obra de mãos de Moisés foi certamente estabelecido, certo? O trabalho de sua vida não foi desperdiçado. E ele não foi mantido fora da Terra Prometida para sempre ( Moisés nasceu e morreu na África -  Mas na transfiguração, quando Cristo revelou Sua glória, Moisés e Elias estavam lá, falando com ele. Moisés recebeu a bênção igual à sua aflição e infinitamente mais.  Na transfiguração de Jesus foi a única vez em que ele pisou na terra prometida – mas ele estava falando sobre muito mais do que isso ) Afinal, Deus era a Sua habitação -  Deus é um melhor lugar de habitação do que a terra de Canaã. Esse é o ponto de todo este salmo.  Estamos morrendo, somos criaturas caídas num mundo caído. Os nossos confortos terrenos são poucos e eles são apenas temporários. Essa vida vai acabar em breve. E mesmo se você morrer de velhice, é um longo 


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processo de declínio para chegar a esse ponto. O melhor que você pode esperar é que a sua vida vai acabar como um longo gemido. Mas se Deus é a sua morada, então você tem uma morada eterna, porque Ele mesmo é eterno. Não só isso, se Deus é a tua habitação, então Ele pode abençoar você mesmo neste mundo amaldiçoado pelo pecado. Ele vai mesmo te abençoa mais do que os dias em que você foi afligido. Certamente, as bênçãos do céu são infinitamente maiores do que todas as misérias desta vida combinadas.  Romanos 8:18: “Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada.” Há muito para o crente olhar para frente, não importa o quão miserável a vida fique. Isso é realmente uma verdade maravilhosa, não é? Então essa é a mensagem deste salmo.

Tudo isso é a introdução, o que eu quero fazer no restante desse texto é focar no versículo 8, onde Moisés diz: “Diante de ti puseste as nossas iniqüidades, os nossos pecados ocultos, à luz do teu rosto.” Conheces as nossas iniquidades; não escapam os nossos pecados secretos à luz da tua presença. A palavra hebraica usada aqui implica presença imediata face-aface do Senhor. Todo este salmo é sobre ver as coisas a partir da perspectiva divina.  Se nós simplesmente tentássemos ou pudéssemos ver as coisas como Deus as vê, e ver Deus como Ele realmente vê tudo na vida (e a própria vida), tudo seria completamente diferente para nós. É isso que Moisés quer neste Salmo.  


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O que parece ser um longo tempo para nós acaba por ser apenas um momento. O que parece importante em um contexto terreno -  entrar na terra prometida -  em última análise, é de nenhuma consequência na perspectiva da eternidade. O que é realmente importante é ter Deus como sua morada eterna. E, por outro lado, algumas das coisas que pensamos não ser realmente importantes na vida, são maiores do que você jamais iria imaginar. Nosso pecado, por exemplo. Moisés nos lembra no versículo 8 que até mesmo os nossos pecados ocultos são totalmente conhecidas diante de Deus. Deus não ignora esses pecados. Podemos pensar que eles são secretos, mas eles não escapam da sua atenção. Pelo contrário, "[Ele tem] colocado as nossas iniquidades diante de si [sele, mesmo] - e os nossos pecados ocultos, à luz da sua Face". Tudo o que poderíamos pensar que fazemos em segredo, na verdade, estamos fazendo direito na face de Deus. Ele os vê todos. E isso não é uma questão trivial.

Agora, eu quero olhar atentamente para esta ideia de pecados secretos.

Eu acho que se você fizer um rápido auto-inventário, você provavelmente vai ter que reconhecer que os piores pecados com os quais você luta - são pecados secretos que você não quer que os outros conheçam. Coisas que você teria vergonha de eer descoberto ou exposto.

Naturalmente, o que quer que você está mais envergonhado...


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você quer manter em segredo. Então, com toda a probabilidade, seus piores pecados são os mais secretos. Então eu não sei quanto a vocês, mas para mim, este versículo (v. 8), é um verso totalmente assustador. Eu acho que é justo que ele vem em um contexto em que Moisés está falando sobre o incrível poder aterrorizante da ira de Deus contra o pecado  ( 38 anos no Deserto… morte aos milhares… 72 por dia... até que todos morreram... ) - Porque nada é mais aterrorizante do que o pensamento de "nossos pecados ocultos, à luz da face  de Deus”. E, tendo já olhado o contexto maior de todo este salmo, quero fazer três observações sobre o verso 8. Este será nosso esboço se você quiser tomar assim. Aqui estão três verdades que emergem a partir do versículo 8, que deveria nos fazer temer pecar em segredo: “Conheces as nossas iniquidades; não escapam os nossos pecados secretos à luz da tua presença.” – v.8

1. pecados secretos NÃO SÃO SECRETO como se poderia pensar.

Às vezes você pode manter seus pecados em segredo de outras pessoas, mas não há nenhuma maneira de manter um pecado secreto para Deus. Você não pode colocar uma folha de figueira sobre ele e fingir que nunca aconteceu. Ele sabe sobre ele assim que é imaginado e cometido. Ele vê o que você faz – mesmo se é apenas um mau pensamento. Primeiro Crônicas 28: 9: "O Senhor esquadrinha todos os corações, e penetra todos os desígnios e pensamentos." Em 


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Jeremias 17:10, o Senhor fala: "Eu, o SENHOR, esquadrinho o coração e SONDO a mente, para dar a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas ações." É claro que Deus vê tudo o que fazemos, como bem diz Jó 34:21: "Seus olhos estão sobre os caminhos de cada um, e ele vê todos os seus passos." Em Jeremias 23:24, o próprio Deus pergunta: "Pode um homem esconder-se em lugares secretos de modo que eu não o veja? Diz o Senhor. Eu não enche os céus e a terra?" O Salmo 139 é tudo sobre a onisciência de Deus e Sua onipresença. A questão toda é que não há nenhum lugar que você possa ir onde Deus não possa ver, e nada que você possa fazer para ocultar qualquer segredo dele.

“Senhor, tu me sondas e me conheces. Sabes quando me sento e quando me levanto; de longe percebes os meus pensamentos. Sabes muito bem quando trabalho e quando descanso; todos os meus caminhos te são bem conhecidos. Antes mesmo que a palavra me chegue à língua, tu já a conheces inteiramente, Senhor. Tu me cercas, por trás e pela frente, e pões a tua mão sobre mim. Tal conhecimento é maravilhoso demais e está além do meu alcance, é tão elevado que não o posso atingir. Para onde poderia eu escapar do teu Espírito? Para onde poderia fugir da tua presença? Se eu subir aos céus, lá estás; se eu fizer a minha cama na sepultura, também lá estás. Se eu subir com as asas da alvorada e morar na extremidade do mar, mesmo ali a tua mão direita me guiará e me susterá. Mesmo que eu dissesse que as trevas me encobrirão, e que a luz se tornará noite ao meu redor, verei que nem as trevas são escuras para ti. A noite brilhará


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como o dia, pois para ti as trevas são luz.” - Salmos 139:1-12

Então você não pode esconder seu pecado de Deus. “Mas, se vocês não fizerem isso, estarão pecando contra o Senhor; e estejam certos de que vocês não escaparão do pecado que cometeram.” - Números 32:23

Não há realmente nenhuma coisa como um pecado secreto. Isso de fato não existe. Todos os nossos pecados é conhecido, porque ele é conhecido por Deus. Até mesmo os pecados que nós tentamos o nosso melhor para encobrir estão nus e evidentes diante de seus olhos. Hebreus 4:13: "Nenhuma criatura é encoberta diante dele, mas todos estão nuas e expostas aos olhos daquele a quem temos de prestar contas."

Não só isso, mas todo o seu “pecado secreto” irá um dia ser exposto. Em Lucas 12: 1-3, Jesus disse: "Acautelai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia Nada há encoberto que não será revelado, nem oculto que não será conhecido Porquanto tudo o que se disse no escuro.. será ouvido na luz, e o que você sussurrou em salas privadas serão proclamadas em cima dos telhados. "

Por que pecamos secretamente?

Por que nós sempre achamos que é moralmente diferente quebrar a lei de Deus em segredo do que fazê-lo abertamente, à vista de todos?


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De certa forma, o pecado secreto é pior do que a rebelião aberta, porque o pecado que fazemos em segredo é agravado com a hipocrisia, e o sigilo do ato também se torna um impedimento ao verdadeiro arrependimento - porque é muito difícil de se arrepender de alguma coisa enquanto você está tentando encobri-la. Agora, pense nisso: se temos vergonha que outras pessoas saibam do nosso pecado ( Orgulho, inveja, pornografia...), não deveríamos estar ainda mais envergonhados pela percepção de que Deus já vê e conhece os segredos mais profundos do nosso coração? Por que fazemos isso? Não é porque não tememos a Deus da maneira que devemos? Não há nenhuma outra explicação. Pornografia, por exemplo. Muitas vezes alguém chegou para mim e disse: “Eu não consigo parar de ver pornografia na internet...” Mas será verdade? Essa pessoa está lá com sua tela aberta vendo pornografia. Então entra alguém... ou no trabalho, ou em casa... entra um amigo de trabalho, o pai, a mão, a esposa... na mesma hora a pessoa aberta um botão e tira de diante de si a pornografia. Agora, como ele fez isso se ele disse que não conseguia parar de ver pornografia. Como ele conseguiu? Porque há algo que ele ama mais do que a pornografia – ele ama a imagem que as pessoas tem dele, por exemplo. E acha que essas pessoas o verem consumindo pornografia, esta imagem se perderá. Mas Deus estava lá o tempo todo. É óbvio que ele não ama Deus mais do que a pornografia. É por isso que para ele a presença das pessoas faz diferença, mas a de Deus não faz. O que ele precisa não é de 


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mais força de vontade para não olhar pornografia – o que ele precisa é de verdadeiro amor a Deus e de ver Deus como totalmente satisfatório. Mas se você acha que está OK para o pecado, porque Deus é rico em misericórdia, isso é o pecado da presunção sobre Sua graça. Esse foi o pecado dos falsos mestres descritos em Judas 4: “Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo.” – Se você realmente compreende a Graça – sabe que ela é livre e soberana, você jamais vai presumi-la arrogantemente como se a merecesse. Portando, jamais converterá em dissolução a graça de Deus. Você sabe que não pode apaziguar Deus, e que Ele faz isso se quiser e com quem quiser... isso impede de se juntar graça e presunção sem que a graça seja pervertida. Como Judas fala dos falsos mestres. É no paganismo que sempre se achava que era possível dar algo a um deus para apaziguá-lo... Você não pode dar nada a Deus para que ele te deva algo: “Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado?” - Romanos 11:35. Portanto, você não vê a graça de Deus como um obrigação para contigo. Então, não a perverte em dissolução. Há uma famosa frase de Heinrich Heine (1797 - 1856 - Ele foi um dos mais significativos poetas alemães do século 19. Ele também foi um jornalista , ensaísta e crítico literário.)  que diz: “Dieu me pardonnera. C’est son metier!” – “Deus me perdoará. Este é o seu trabalho!” – que infelizmente se tornou – contradizendo o ensino bíblico – a base de um “cristianismo 


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pagão” de nossos dias. Na verdade, mesmo o arrependimento é um dom de Deus – mas neste momento estamos olhando para a deformidade da visão de Deus de um “cristianismo pagão”, onde é óbvio, a palavra graça e misericórdia perdem sentido e são vazias de significado.A ideia de merecimento ( Deus é gracioso ) vem de mentes como a de Jean-Jacques Rousseau, por exemplo, que disse: “O homem é bom por natureza. É a sociedade que o corrompe” (Eis o velho pelagianismo) – Ou seja, o “cristianismo de muitos vem de Heinrich Heine, vem de um dos principais filósofos do Iluminismo como Rousseau, mas não da Bíblia. Não! “Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus usar de sua misericórdia!” – Romanos 9.15,16. Em outras palavras, a ideia de que a graça nos concede permissão para o pecado é uma doutrina infernal. “Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo.” - Judas 1:4 Se você acha que o pecado é OK, se ninguém vê - você imagina que não há verdadeiro mal em um ato que ninguém nunca venha a descobrir - você então jamais entendeu a excessiva malignidade do pecado. Ou se você acha que Deus vai desconsiderar automaticamente o seu pecado ou desculpá-lo só porque Ele é misericordioso; em seguida, você não tem a mínima ideia do que Deus pensa do pecado. Ele odeia o pecado.


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O pecado custou o Filho de Deus a Sua vida. Deus está mais descontente do que ninguém, cada vez que pecamos. Na verdade, você já percebeu que aqueles que deliberadamente praticam pecados secretos são ateus práticos? A pessoa que deliberadamente peca em segredo como norma, tem ateísmo em seu coração. Se há algo que você faz em segredo que você não iria sonhar em fazer na minha frente, por exemplo - (uma palavra, sentimento, ou ato mau que você não iria expressar na minha presença, ou algo doentio que você nunca iria olhar nos meus olhos ao cometê-lo ) – e se você ainda pode fazê-lo sabendo que Deus está olhando -  é ateísmo de prático. A pessoa que faz isso está mostrando mais respeito e reverência a outras criaturas do que ele está mostrando a Deus. "Não há temor de Deus perante os seus olhos." Você não poderia se comportar normalmente assim com Deus se você realmente o temesse. Salmo 10 diz que esta é uma das características dos ímpios: “Diz em seu coração: Deus esqueceu-se, cobriu o seu rosto, e nunca isto verá”. - Salmos 10:11 Pensa consigo mesmo: "Deus se esqueceu; escondeu o rosto e nunca verá". Como isso é comum! E o salmo continua: “Por que o ímpio insulta a Deus, dizendo no seu íntimo: "De nada me pedirás contas! "? - Salmos 10:13. Mas, o salmista diz: Deus tem visto, e Ele irá nos chamar à responsabilidade. Agora, um coração que teme a Deus tem isso escondido dentro de si. Isso é a mesma coisa que Moisés está escrevendo no contexto do o salmo 90. O versículo 7: 


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“Somos consumidos pela tua ira e aterrorizados pelo teu furor.” "...por sua ira estamos aterrorizados."

A palavra significa "apavorado, completamente envergonhado” E isso me leva à segunda observação que quero fazer sobre esse verso 8. Ponto 1: Pecados secretos não são tão secretos como se poderia pensar.

Aqui está o ponto 2:

2. PECADOS secretos não são tão seguros como se poderia pensar. Quando Moisés está escrevendo este salmo, ele percebe, é claro, que muitos de seus problemas são as consequências diretas de seu próprio pecado. A nação inteira está sofrendo os justos frutos de sua própria rebelião. 72 pessoas morrendo por dia por 38 anos até que não reste ninguém daquela geração. E, claro, Moisés entende que todos os nossos problemas terrenos são em última análise, o fruto da nossa queda. É por isso que ele diz no versículo 7: "Somos consumidos pela tua ira;. Estamos aterrorizados com sua ira" – Outra versão capta o sentido do texto muito bem: "Porque somos levados a um fim por sua ira; pelo teu furor somos consternados" - Mas as palavras hebraicas são poderosos: "Somos aniquilados por sua ira, estamos aterrorizados com sua fúria [contra o nosso pecado]. "


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Ele é muito consciente da relação entre pecado e sofrimento, e ele está reconhecendo a justiça da ira de Deus. Ele não se queixa de que Deus está sendo injusto. Ele está realmente vendo o seu pecado do ponto de vista de Deus e simplesmente reconhece a sua própria mortalidade, fragilidade e pecaminosidade.

Gostaria de salientar mais uma vez que isso não significa que toda calamidade é a retribuição direta para um pecado específico. Isso não significa que cada vez que algo ruim acontece, Deus está punindo por um pecado específico que você cometeu.  Lembre-se, por exemplo, quando Jesus cura do cego em João 9, Jesus explicitamente ensinou (João 9: 3) que a cegueira do homem não era um castigo por seus pecados ou de seus pais pecado, mas tinha um propósito maior: "que as obras de Deus se manifestassem nele.”

Às vezes, como na experiência de Jó, calamidade vem a nós por boas razões, não diretamente relacionadas com qualquer castigo específico para o nosso pecado - nos testa, ou nos aperfeiçoa, ou nos conformar à imagem de Cristo. Mas ainda assim, calamidade em geral é um resultado que a maldição trouxe para este mundo pelo pecado de Adão. Não haveria qualquer dor se não houvesse pecado. Doença e aflições e o trabalho penoso da vida são todos parte da maldição do pecado. E a razão por que temos tanta dificuldade é porque somos pecadores.

Portanto, todos os nossos problemas deveriam servir como um lembrete para nós de quanto Deus odeia o pecado.


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Tanto quanto nós odiamos a maldição do pecado - Deus odeia o pecado em si infinitamente mais. Agora, Moisés percebe que Deus pensa do nosso pecado pior do que nós pensamos. Se os juízos de Deus, por vezes, parecer duro, é porque Ele é perfeitamente justo, e Ele entende melhor do que nós a profundidade do mal no pecado. Deus vê os nossos pecados como elas realmente são. Isso é exatamente o que ele quer dizer no versículo 8: “Conheces as nossas iniquidades; não escapam os nossos pecados secretos à luz da tua presença.” Se pudéssemos ver os nossos pecados da maneira que Deus vê, então poderíamos realmente compreender a negritude e a monstruosidade dos nossos pecados, e da a multidão deles - se soubéssemos a grande medida do mal que existe em cada pecado, não seríamos capazes de suportar o horror da realidade. E, contudo, imaginar que o mal é de alguma maneira  seguro para nós desde que ninguém na terra jamais descubra sobre ele, é loucura e ateísmo prático. Não existe pecados secretos.

Que mal poderia haver em algo que ninguém mais sabe? Mas o que torna pecado mal em primeiro lugar é que é rebelião contra Deus. E Ele sabe. Nenhum pecado é "seguro". E se você fizer uma prática de pecar em segredo, eventualmente, o seu pecado vai traí-lo em público.

Provérbios 13:21: "O mal persegue os pecadores." Isaías 3:11: "Ai do ímpio! Mal lhe irá; porque se lhe fará o que as suas mãos fizeram”


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Primeira Coríntios 4: 5: "... O Senhor vai trazer à luz as coisas ocultas das trevas, e também manifestará os desígnios do coração." Números 32:23: " o vosso pecado vos há de achar."

Você não pode manter pecado secreto. Você não pode contê-lo, cobrindo-o por cima com algo, com folhas de figueira. Você não pode colocar uma coleira em seu pecado e controlá-lo. É por isso que o único remédio para o pecado é ( Se de fato sou um homem justificado ) mortificar o pecado cancelado até a morte por completo. Spurgeon disse: “Você pode trabalhar para esconder seu hábito vicioso, mas ele vai sair, você não pode domá-lo. Você mantém o seu pequeno pecado de estimação em casa; mas marque isto, quando a porta estiver entreaberta o cão vai fugir para a rua. Você pode envolvê-lo com um revestimento piedoso...  colocar sobre ele dobra após dobra de hipocrisia para mantê-lo secreto, [e] o desgraçado vai cantar algum dia quando você estiver em público; você não pode manter o mal [de animais] preso. Seu pecado vai vagar no exterior; e o que é pior, [um dia] você não se importará. . . . Um homem que tem prazer no pecado em particular, aos poucos começa a ter um coração duro e como bronze.

Você não tem uma câmara secreta onde você pode se esconder. Você não tem porão escuro onde você pode esconder a sua alma.


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Cave profundamente, oh, tão profundamente que chegues ao inferno, mas não encontrarás terra suficiente para cobrir o seu pecado; se pudésseis reunir montanhas sobre a tumba do seu pecado, essas montanhas contariam o segredo que está em suas entranhas. Se pudésseis jogar seus pecados ao mar, mil ondas sussurrantes contariam o teu segredo. Não é possível que te escondas de Deus. Teu pecado está registrado no céu. O ato, quando foi cometido, foi registrado no céu e ali permanecerá, e um dia tudo será revelado aos olhos curiosos de todos os homens. Como um hipócrita e falso, você cometeu seus pecados em segredo é claro, mas foram observados pelo Senhor que tudo vê.

Oh, quão tolos são os homens quando pensam que podem fazer algo em segredo. Este mundo é como uma colméia de vidro, dentro da qual as abelhas trabalham: podemos então observar e ver todos os trabalhos dessas criaturas. Assim, Deus olha desde os céus e tudo vê. Nossos olhos são débeis. Não podemos ver no escuro. Mas os olhos de Deus, como um globo de fogo, atravessa a escuridão. Ele lê os pensamentos do homem e vê suas ações quando ele pensa que está bem escondido. Se eu escolher entre essa congregação o homem mas santo e lhe pedir para se levantar e dizer: “Bem, senhor, eu sei todos os seus pensamentos, e eu estou pronto para contá-los” – eu tenho certeza que me ofereceria o maior suborno que pudesse conseguir para que eu ocultasse alguns deles. “Conte” – me diria – “as minhas ações; pois delas não me envergonho, ma não conte meus pensamentos e imaginações: Porque deles sempre 


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sempre estarei envergonhado diante de Deus”.

Como é grande, então, pecador, será tua vergonha quando tuas lascívias secretas, tuas transgressões privadas, teus crimes ocultos forem anunciados desde o trono de Deus, e publicados por Sua própria boca, e com uma voz mais forte que mil trovões declararem teus segredos diante do mundo inteiro reunido. Qual será o seu terror e confusão então, quando todas as obras do teu coração forem publicadas em face do sol para todos os ouvidos da humanidade. Oh, renuncie a insensata esperança, pois teu pecado tem sido registrado neste dia, e será publicado um dia em todas as paredes do céu. Um perigo é que o homem não pode cometer um ‘pecadinho’ secreto sem que, com o tempo, se converta em um pecado público. Se cometes um pecado, é como quando se derrete as geleiras nos vales do Alpes; o resto virá em seguida. Hoje  uma pedra é colocada num monte, no dia seguinte você coloca outra, e assim sucessivamente, até que a pilha de pedra se torna uma pirâmide.

Veja o pequeno inseto em seu trabalho. Ele não edificará sua toca exatamente tão alta quanto imaginas, mas não vai parar até que as ervas daninhas em decomposição a cubram, e em seguida continuará, e finalmente, um grande monte é construído por essas minúsculas criaturas. O pecado não pode ser contido pela sela e a rédea como com o cavalo. “Mas eu só vou tomar um gole de vez em quando, só vou ficar bêbado uma vez por semana, somente em casa ou algo


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assim. Ninguém vai ver, eu vou direto para a cama. Logo você estará bêbado nas ruas. “Eu vou ler esse livro lascivo e vou esconder debaixo da cama caso entre alguém”. Todavia irá mantê-lo em sua biblioteca amigo. “Eu só vou me encontrar com esses amigos às vezes”. Logo estarás com eles todos os dias, tal é o seu caráter sedutor; não podes evitá-lo. É o mesmo que pedir ao leão para enfiar a cabeça entre suas mandíbulas. Você não pode controlar suas mandíbulas: também não poderá controlar o pecado. Uma vez em que adentras ao pecado, não poderá decidir quando ele será destruído. Podes ser um indivíduo tão sortudo que, como Van Amburgh, coloque e tire a cabeça muitas vezes na boca de um leão, mas não podes ter certeza se a aventura lhe custará a vida.

Como eu disse antes, você pode se empenhar em ocultar o seu hábito depravado, mas ele sairá a luz, você não pode evitar. Você guarda seu pequeno e favorito pecado em casa, mas como com um cãozinho, ele sairá correndo quando a porta estiver aberta. Cubra-o em teu colo, coloque-o sobre várias camadas de hipocrisia para mantê-lo em segredo, mas o infeliz como um pássaro, cantará quando outras pessoas estiverem presente; é impossível manter quieto para sempre o pássaro do mal. Teu pecado irá aflorar, e pior, nesse dia estarás já tão indiferente a ele que não mais se importará. O homem que se entrega ao pecado privado, gradualmente vai se tornando tão duro quanto o bronze.” Spurgeon estava certo. O pecado é inerentemente destrutivo, e quanto mais você tentar manter a tampa sobre ele, mais ela irá 


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corroer sua alma.

Davi descreveu sua tentativa de encobrir o seu pecado no Salmo 32:3-4: “Enquanto eu encobri o meu pecado, envelheceram os meus ossos pelo meu bramido todo o dia. Porque de dia e de noite a tua mão pesava sobre mim; o meu humor se tornou em sequidão de estio” Essa é a razão a maioria dos fariseus foram condenados: De acordo com Lucas 11:39, que achavam poder "limpar o exterior do copo e do prato, mas por dentro estavam cheios de rapina e maldade." Eles tinham praticado hipocrisia por tanto tempo, mantendo seu pecado dentro deles, que seus corações e mentes e consciências foram totalmente corrompidos, completamente endurecidos - é por isso que eles odiavam Cristo.

Pecado secreto é destrutivo para a alma - não há nada de "seguro" sobre ele. Você sabia que em praticamente todos os casos de grave falha espiritual que eu já vi na igreja, a falha remonta a pecados secretos? Toda vez que eu conheci alguém que mostrou um grande potencial espiritual para servir a igreja, mas eles caíram em algum pecado desqualificando-os completamente; quase todos os casos que conheço, onde tivemos de exercer a disciplina na igreja; e praticamente todos os casos que eu já conheci em outros lugares, o pecado é rastreável de volta a algum pecado secreto na vida da pessoa. Hipocrisia. A vida dupla. Um pecado secreto que praticavam pensando que ninguém jamais saberia.


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É a coisa mais destrutiva que pode fazer para sua saúde espiritual. Se alguma vez você irá se desqualificar espiritualmente, provavelmente será por causa de seus pecados secretos. Essa é uma boa razão para mortificar os pecados em particular, não é?

Se você está pensando que você pode pecar com segurança quando ninguém está olhando, você precisa desesperadamente de cultivar o temor de Deus. Pecado secreto não é tão seguro quanto se poderia pensar. Não é nada seguro – é ateísmo prático, como já falamos.

Agora, eu tenho mais um ponto.

Ponto 1: Pecados secretos não são tão secretos como se poderia imaginar. Ponto 2: pecados secretos não são tão seguros como se poderia imaginar.

Aqui está o ponto 3:

3. pecados secretos não são tão satisfatórias como se poderia imaginar.

Uma das razões que as pessoas abrigam pecados secretos é porque esses tipos de pecados muitas vezes prometem prazeres satisfatórios.


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Pessoas entram em luxúria, fornicação, pornografia, ou qualquer outra pecado secreto que eles praticam normalmente, porque compraram a mentira que essas coisas oferecem satisfação real. Agora a Escritura reconhece que há certos prazeres no pecado, e esses prazeres podem durar por um tempo curto, mas eles nunca realmente satisfazem. Hebreus 11:25 diz o seguinte sobre Moisés, o autor do nosso Salmo: que ele escolheu “ser maltratado com o povo de Deus a usufruir o fugaz prazer do pecado.” O prazer do pecado nunca dura muito tempo. Jó 20: 5 diz: "o exultação dos í mpios é breve, e a alegria dos ímpios, é apenas um momento." Provérbios 23:32 diz o seguinte sobre os prazeres do vinho em demasia: "No final, ele morde como uma serpente e pica como uma víbora." Os prazeres do pecado nunca duram, e os pecados não podem satisfazer.

Essa é a grande mentira da serpente. Ele sempre promete satisfação, mas nunca cumpre. O que realmente pode satisfazer? Moisés sabia. Versículo 14: “Farta-nos (sacia-nos) de madrugada com o teu amor leal, para que nos regozijemos, e nos alegremos todos os nossos dias.”

Só Deus pode fazer-nos verdadeiramente satisfeitos:

“Alegra-nos pelos dias em que nos afligiste, e pelos anos em que vimos o mal.” - Salmos 90:15

Somente se fazemos de Deus o nosso refúgio teremos a garantia


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de satisfação eterna. Ouça a Davi no Salmo 36:7-8: “Quão preciosa é, ó Deus, a tua benignidade, pelo que os filhos dos homens se abrigam à sombra das tuas asas. Eles se fartarão da gordura da tua casa, e os farás beber da corrente das tuas delícias” - E no Salmo 17:15: “Quanto a mim, contemplarei a tua face na justiça; eu me satisfarei da tua semelhança quando acordar.”

Essa é a única satisfação verdadeira. Satisfação real nunca pode ser encontrada nas sombras de algum pecado secreto. Satisfação real só é encontrada na brilhante luz de contentamento de Deus apenas para aqueles que pela fé fizeram do Senhor seu lugar de habitação.

Isaías 55: 1 é um convite aberto a todos os que têm sede de Deus para fazer dele sua morada. Sede que só Deus pode produzir soberanamente:

“Ó VÓS, todos os que tendes sede, vinde às águas, e os que não tendes dinheiro, vinde, comprai, e comei; sim, vinde, comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite. Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão? E o produto do vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer? Ouvi-me atentamente, e comei o que é bom, e a vossa alma se deleite com a gordura.” - Isaías 55:1,2 O crer que o Espírito produz em quem Ele chama soberanamente, é um crer que se satisfaz. É um crer em Cristo como Pão e Água – que acaba com toda sede e fome de


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satisfação em outra coisa.

Pense nos benefícios. No versículo 1 nos é oferecido verdadeiro deleite e satisfação - água, vinho e leite. "Ó todos os que tendes sede, vinde às águas; E quem não tem dinheiro, vinde, comprai e comei Venha, e compre vinho e leite sem dinheiro e sem preço" Estas três bebidas correspondem a necessidades mais profundas que cada um de nós tem.

Água corresponde à necessidade de refrigério. Quando você está mais sedento e desesperado, e “desidratado”, é água que você quer e nada mais. "Guia-me mansamente as águas tranquilas, ele restaura [minha alma" – Esse é o crer bíblico - Deus nos chama soberanamente e recebemos refrigério, restauração, revitalização...

Leite corresponde à necessidade de alimentação contínua. Quando alguém está ofegando para a vida e morrendo de sede, você lhe dá água. Mas quando você tem um bebê que precisa crescer dia após dia, você lhe dá o leite novamente e novamente. Deus não é apenas para emergências, picos das montanhas, ou desertos onde o homem está morrendo de sede.

Ele é para a saúde no longo prazo. Ele não nos chama soberanamente não só para ser manter vivo com água, mas também para ser estável e forte com o leite.

Vinho corresponde à necessidade de excitação, alegria... Nós


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queremos viver e não morrer. Precisamos de água. Nós queremos ser fortes e estáveis, em vez de fracos e vacilantes. Precisamos de leite. Mas isso não é tudo o que precisamos na vida. Não importa o quão estóico, sem emoção, fleumático, possamos parecer para os outros - há “uma criança” dentro de cada um de nós que Deus fez para a alegria, e cantar e dançar e brincar e pular e correr e rir. Precisamos do vinho.

Então, o verso 1 diz é que Deus está disposto a nos reviver do calor escaldante do vale da morte com o milagre de Sua Água; e nos fazer fortes e saudáveis e estáveis com o milagre de Seu Leite; e, em seguida, nos dar Alegria sem fim e sempre fresca, com o milagre de Seu Vinho.

Pense na quantidade e na qualidade dos benefícios descritos aqui. A última parte do versículo 2 descreve a qualidade e quantidade destes benefícios da água, leite e vinho. Ela diz: "Ouvi-me atentamente, e comei o que é bom, e delicie-se com a gordura." A palavra "bom" significa que o que Deus oferece é uma qualidade superior; é o melhor que existe. E a palavra "gordura" significa que há abundância “Coroas o ano com a tua bondade, e as tuas veredas destilam gordura” - Salmos 65:11  “Eles se fartarão da gordura da tua casa, e os farás beber da corrente das tuas delícias” - 36.8.

A água é boa e é abundante. Na verdade sem fim. O leite é bom e é abundante. Na verdade sem fim. O vinho é bom e é abundante. Na verdade sem fim.


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A Bíblia gosta de falar sobre as riquezas da glória de Deus e a plenitude da alegria à sua mão direita. Ele dá o que é melhor e o que nunca se esgota. "Aquele que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna" ( João 4:14 ). Jesus disse (João 6:35), "que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede." Em João 7:37, Ele disse: "Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura, de seu interior fluirão rios de água viva" “Escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus, do que por um pouco de tempo ter o gozo do pecado; Tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa. - Hebreus 11:25,26 – Esse é o homem que escreveu o Salmo 90. E seja sobre nós a formosura do Senhor nosso Deus, e confirma sobre nós a obra das nossas mãos; sim, confirma a obra das nossas mãos. Salmos 90:17

E o que Deus dá assim é a si mesmo. Cristo. Ele é a Água, o Leite (alimento, o Pão ) e o Vinho ( nossa alegria ) – “Ao qual, não o havendo visto, amais; no qual, não o vendo agora, mas crendo, vos alegrais com gozo inefável e glorioso” 1 Pedro 1:8

Essa é a morte de todo pecado secreto. É ter, como Moisés, mesmo no deserto, Deus como morada.


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E esse crer é um dom de Deus – é ter o coração aberto para ver Jesus como totalmente desejável como Água, Leite, Vinho... o que naturalmente o homem natural despreza como fonte de prazer e satisfação. Por isso é um “comprar”, mas sem dinheiro e sem preço. “Vinde, comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite.” Isaías 55:1. Não é algo que adquirimos. É algo dado soberanamente – começando com a sede dEe.

Só o dom Soberano de Deus produz verdadeiro arrependimento de desejo por Cristo como Água, Vinho e Leite.

Em 1521, Lutero escreveu:

“Nós fomos chamados a uma vida de arrependimento. Esta vida, por isso, não é justiça, mas o crescimento em justiça, não é saúde perfeita, mas a cura, não sendo, mas tornando-se, Não descanso, mas o exercício. Nós não somos ainda o que havemos de ser, mas estamos crescendo em direção a isso inexoravelmente (Santificação).


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O processo ainda não está terminado, mas está acontecendo. Este não é o fim, mas é a estrada. De forma plena ainda não brilhamos em glória, mas tudo está sendo purificado.”

Lutero está afirmando que o arrependimento é a única forma de progresso diário na vida cristã. Constante arrependimento nos termos bíblicos, que flui de contrição e humilhação verdadeira, é o melhor sinal de que estamos crescendo de fato em direção ao caráter de Cristo ( Todo espaço para o pecado secreto se esvai ). Muito do que chamamos arrependimento é egoísta e hipócrita – porque o mero “arrependimento religioso” – tenta apenas apaziguar Deus - tenta apenas fazer Deus “feliz” para que continue a me abençoar e responder minhas orações e “compreender” nossos pecados. Motivações centradas no meu ego são evidência de uma vida voltada para dentro. No evangelho, o propósito do arrependimento flui do desejo e alegria da comunhão com Cristo (Vinho), o que torna cada vez mais fraca a necessidade de fazer qualquer coisa que contraria o coração de Deus, levando assim a uma obediência cheia de gozo no viver para Sua glória.

Esse arrependimento não está concentrado nas consequências dolorosas que queremos evitar ( Moisés continuaria no deserto e morreria lá com todo aquele povo – mas diz: “Tu és nossa morada”). Na verdade a obediência que ele gera leva muitas


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vezes aflições neste mundo. O Evangelho nos ensina que no homem que de fato foi regenerado, o pecado não pode levar, em última instância, o homem a condenação – Romanos 8.1 – Portanto, toda sua hediondez está no fato de que Ele desagrada a Deus e o despreza, algo insuportável para o coração regenerado. Por isso que diferente do “arrependimento meramente religioso,” que é auto-centrado, o verdadeiro arrependimento é completamente centrado em Deus. O verdadeiro arrependimento nunca se torna “expiatório” como é o arrependimento segundo o coração natural. O arrependimento “religioso” se torna uma forma de autoflagelação para o pecado no coração não regenerado, no qual o homem se convence de que está tão verdadeiramente miserável, triste e pesaroso, que merece ser perdoado. No verdadeiro arrependimento o homem sabe que só é perdoado por causa de Cristo e não há mérito ou qualquer merecimento da parte dele, merecendo apenas a condenação de Deus. No conceito de arrependimento baseado no homem e não centrado em Deus, ganhamos o nosso perdão por causa do nosso arrependimento... no arrependimento bíblico, tanto o arrependimento quanto o perdão são um dom concedido pelos méritos de Cristo e graça soberana. Quanto mais você vê suas faltas e pecados, mais preciosa, eletrizante e surpreendente a graça de Deus parece para você. Quanto mais o Espírito opera a santificação em sua vida, mas profundamente você vê pecados que estavam ocultos e o desejo de mortificá-los aumenta a cada dia. Mas, por outro lado, mais consciente você fica da graça de Deus e aceitação em Cristo, 


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então, mais capacitado fica em abandonar suas negações e autodefesas e admitir as verdadeiras dimensões do seu pecado. O pecado sob todos os outros pecados é a falta de alegria (Vinho) em Cristo.

Em uma carta de 09 de janeiro de 1738 a um amigo, George Whitefield, colocou uma ordem para o arrependimento regular. (Ele regularmente fazia seu inventário à noite), ele escreveu:

“Deus me dê uma profunda humildade e um amor ardente, um zelo bem orientado e olhos fixos na Verdade, e então deixe homens e demônios fazerem seu pior.” Aqui está uma maneira de usar essa ordem de arrependimento fundamentado no evangelho.

Por exemplo...

Profunda humildade x orgulho

Você olhou para alguém tendo sido atormentado pelas críticas? Se sentindo desprezado e ignorado?

■ Se arrependa assim: Considere a graça de Jesus até que sinta a) diminuir todo desdém (Já que você é um pecador também),

b) diminuir a dor com a crítica recebida (desde que não devemos valorizar a aprovação humana sobre o amor de Deus.)


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À luz de sua graça posso deixar de cultuar a minha própria imagem aos olhos do mundo, sabendo que este é um pecado grande e que mina totalmente minhas forças de viver para Deus.

Amor ardente x indiferença.

Você tem falado ou pensado maldosamente de alguém? Tem se justificado as caricaturar ( em sua mente) outra pessoa? Tem sido impaciente e irritado? Tem sido egoísta, indiferente...?

■ Se arrependa assim: Considere a graça de Jesus até que haja a) Total ausência de frieza ou grosseria (pense profundamente no amor sacrificial de Cristo por você),

b) Total ausência de impaciência (pense longamente na paciência infinita de Deus para contigo), e

c) Total ausência de indiferença. (Considere a livre graça que te leve a mostrar calor e afeto. Deus é infinitamente atencioso comigo por causa de Cristo. Esta mesma causa me levará a imitá-lo em relação aos outros – Cristo!).

Coragem sábia x ansiedade

Você tem evitado pessoas ou tarefas que sabe que deveria enfrentar? Esteve ansioso e preocupado? Tem sido precipitado e impulsivo?


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■Se arrependa assim: Considere a graça de Jesus até que haja a) Nenhuma covardia de tentar evitar coisas difíceis e dolorosas (Uma vez que Cristo enfrentou todo mal por sua causa),

b) Nenhum comportamento ansioso se manifeste (desde que a morte de Jesus prova que Deus se preocupa e vai cuidar de ti até que eu sejas apresentado incorruptível diante de Sua glória). - Eu não sou sábio o suficiente para saber como minha vida deveria ser. Considere a livre graça e experimente uma reflexão calma, ousada e produtiva para a glória de Deus em todas as situações da vida.

Motivações piedosas x Motivações auto-centralizadas

Você está fazendo tudo para a glória de Deus e o bem dos outros ou sendo impulsionado por temores, necessidade de amor, aprovação, conforto, facilidade, necessidade de controle, fome por aclamação e poder, ou temor do homem?  

Está olhando para alguém com inveja? Se volta para qualquer pessoa ou coisa, mesmo que nos primeiros movimentos internos, com luxúria ou gula? Está gastando seu tempo com coisas, que por esses desejos parecem urgentes, ao invés de gastar a vida com coisas importantes e fundamentais aos olhos de Deus, estando cego por causa desses desejos desordenados?

■ Se arrependa assim: Medite profundamente no que Jesus já


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forneceu para ti e que você ainda está procurando nessas outras coisas.

Ore: "Senhor Jesus, me faça feliz o suficiente em Ti para evitar o pecado e sábio o suficiente em Ti para evitar o perigo, para que eu possa sempre fazer o que é certo aos teus olhos, em teu nome eu oro, Amém".

Lutero diz que a única evidência da vida cristã verdadeira é este constante arrependimento que nos leva a cada dia a semelhança maior com Cristo. Whitefield nos mostra com que seriedade diariamente ele ia diante de Deus neste verdadeiro arrependimento que sonda e transforma. Não se contente com menos que isso. É comum pessoas me falarem... “tenho problemas como pecados secretos... me arrependo e creio em Cristo, mas por que não mudo?” – Será que é verdade?

Essa pergunta é feita a mim constantemente. É quase como se fosse uma reclamação sobre a fé ou o poder do evangelho. Quase sempre as pessoas estão olhando para fora tentando achar o motivo de apesar de terem uma verdadeira fé na verdade bíblica ela não estar funcionando para transformá-los. Ou seja, eu confio em Cristo, mas não está havendo mudanças – “coitado de mim” – Essa abordagem é completamente equivocada. O argumento é de que apesar de confiar em Cristo, elas não sentem qualquer mudança ( e isso começa ser encarado com


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auto-piedade ) – sentem os mesmos desejos, continuam num padrão de vida parecido com o que tinham antes... e a pergunta vem: “Por que eu não mudo?”

A resposta não devia ser difícil, não estamos realmente confiando em Cristo. Para ser mais específico e claro: Não estamos confiando em Cristo para nos satisfazer!!!!! Ou seja, a pessoa pode estar “confiando” que Ele veio ao mundo e que Ele existe, ou que Ele pode perdoar... mas é óbvio que podemos “confiar” e acreditar nisso sem a confiança de que Ele é totalmente satisfatório – não estou confiando de fato com a confiança verdadeira – pois toda a verdade é – no que confio para me satisfazer? Ou seja, de fato não confio em Deus como Deus. Os desejos que controlam minha vida e estão me moldando, são coisas mais preciosas para mim do que o desejo de comunhão com Deus, portanto, é óbvio que confio nestas coisas para me satisfazer muito mais do que em Deus para isso. Mas essa não é uma definição de fé em Deus, e sim de idolatria. O primeiro dos Dez Mandamentos é: “Não terás outros deuses diante de mim” – Êxodo 20.3 – e o último dos Dez Mandamentos é: “Não cobiçarás” – Êxodo 20.17 – e esses dois mandamentos são essencialmente o mesmo. Os outros mandamentos revelam as fontes de tudo que eu cobiço como fonte do meu prazer muito mais do que a comunhão com Deus – ou seja – faço deles deuses dos quais retiro o meu prazer em detrimento de tudo que Deus é – ou seja – idolatria – Não posso chamar isso de fé e ainda protestar que ela não me transforma.


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Desejar algo de uma forma que diminui Deus como tesouro supremo que me satisfaz, é a essência da definição de pecado ( cobiça ) e não de fé. É ter outros deuses que eu não posso e nem desejo abandonar. Cobiça é idolatria: “Mortificai, pois, os vossos membros, que estão sobre a terra: a prostituição, a impureza, o afeição desordenada, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria” - Colossenses 3:5 – Quando não estamos satisfeitos no que Deus é para nós o eixo da satisfação pende para a afeição desordenada, vil concupiscência...

Vamos pegar um exemplo bem comum – “Não consigo parar de fofocar” – Por que isso acontece? Quando eu fofoco, sabendo que isso quebra a comunhão com Deus, é porque eu confio ( tenho “fé”), ou estou confiando que os prazeres da fofoca vão me satisfazer mais do que Cristo pode me satisfazer. Isso não é ter fé em Cristo como algo que pode me satisfazer. Não posso alegar então que pus a fé em Cristo e não mudei, porque não pus. Nada pode mudar, neste caso por exemplo, até que minha confiança no prazer que a fofoca me traz mude para a confiança de que Cristo pode me satisfazer plenamente. Quando o Espírito no leva a verdadeira confiança, fé, de que Cristo é o meu tesouro todo satisfatório, eu vou parar de confiar na fofoca para me satisfazer – e como ela é o impedimento do meu prazer pleno em Cristo, ela vira inimiga, um pecado a ser mortificado – ser assassinado, por mim. E isso se dá pelo prazer totalmente satisfatório que Cristo é. Isso me faz livre da fofoca. Portanto, não posso alegar que pus toda fé em Cristo mas isso não me transforma.


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Um dos meios de graça fundamental para isso é a constante meditação na Palavra - "Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti.” - Salmos 119:11 – Ou seja, a Palavra me leva a uma plena satisfação em ti que me faz vencer todo pecado que me prometia gratificações, mas que nada são perto do prazer de tudo que Tu és para mim.

A fé bíblica transforma ao fazer de Cristo o tesouro supremo, perto do qual tudo vira esterco – é uma radical troca de prazeres: “Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como esterco, para que possa ganhar a Cristo” - Filipenses 3:7-8 – Isso que Paulo está descrevendo é exatamente a fé de que Cristo é o tesouro totalmente satisfatório. Isso é exatamente o oposto de cobiça. Isso é o oposto de idolatria. Essa é a suprema satisfação em Cristo. Isso é liberdade. Outro exemplo poderia ser a preocupação com o dinheiro... Muitos dizem – Pastor, eu confio em Cristo, ponho nele minha fé, mas a preocupação financeira continua sendo um problema constante... É óbvio que há algo errado nesta constatação. Quando eu estou preocupado com os meus investimentos, quando minha vida financeira drena tudo que eu sou, ocupa um lugar de primazia... é porque eu estou confiando nos meus investimentos para me proteger, me dar segurança, me satisfazer mais do que Cristo pode fazer. Não posso alegar que estou confiando em Cristo para me satisfazer totalmente ( Fé ) e ao 


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mesmo tempo esse problema não me deixa. Eu posso a partir de então tentar não me preocupar, orar para que Deus me dê paz e livre da ansiedade com esta área da minha vida, ler a Palavra de Deus sobre toda paz que flui de Deus... mas NADA vai mudar de fato até que minha confiança de que meus investimentos e minha vida financeira irão me satisfazer e confiar de fato em Cristo para me satisfazer e como fonte de satisfação plena – “...o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como esterco...” – Quando estou aqui pelo poder do evangelho, o Espírito me leva a sentir que Cristo é o meu tesouro todo satisfatório e que Ele proverá tudo o que eu preciso – “Buscai antes o reino de Deus, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” - Lucas 12:31 – Ao chegar aqui, não deixo de trabalhar, investir... Mas estou liberto da preocupação – e as prioridades mostram quem é meu tesouro. Portanto, jamais posso alegar que confiei em Cristo e que não houve mudança – porque de fato estou confiando em outras coisas como fonte da minha satisfação e não em Cristo como todo satisfatório – ou seja, o nome disso é idolatria e não fé. O único caminho de ficarmos livres de pragas – como tiririca, uma erva daninha – é tirar a sua raiz ( nelas tem uma batatinhas) – só tirar a parte de cima, é inútil, rapidamente crescem de novo. E qual é a raiz que deve ser tirada neste caso? É a confiança em algo (fé) além de Cristo para me satisfazer – portanto, algo que eu estou disposto a fazer mesmo quebrando minha comunhão 


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com Cristo. Onde está a fé aqui? Certamente não é em Cristo como fonte de satisfação – estou chamando idolatria ( fé em outras coisas para prover minha satisfação no lugar de Deus ) de fé verdadeira – e depois reclamo que ela não está mudando minha vida. Fé é confiar em só em Cristo para me satisfazer – isso gera mudança.

Ah! Mas isso é muito difícil – dirão muitos – Mas o problema que temos que ver é a razão, o porque é difícil – é porque o que tem sido satisfatório para mim, o pecado, me cegou para a glória totalmente satisfatória que Cristo é, então tudo que vemos é a “glória” satisfatória do pecado – na fofoca, amor ao dinheiro, mundanismo, concupiscência da carne, dos olhos, soberba da vida... mas se a glória disso nos domina – então estamos cegos para a glória de Cristo – não podendo alegar que confiamos nele e não temos sido transformados, porque de fato, não confiamos.

Devemos clamar pela experiência real: “Mas, quando se converterem ao Senhor, então o véu se tirará. Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.” - 2 Coríntios 3:16-18 Ver a glória de Cristo é a grande necessidade do coração – essa é a obra do Espírito – e quando a vemos – somos transformados de glória em glória – ou seja, temos uma transformação gradual mas sempre crescente. Então é óbvio que a fé bíblica transforma.


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Não que a luta cesse – Paulo diz: “Esmurro a mim mesmo...” – É uma batalha que vale a pena aos olhos da fé, porque a alegria de contemplar Jesus é infinitamente maior do que qualquer outra alegria. O Espírito vai tirando o gosto e te afastando de todas as outras coisas que você tinha confiança para satisfazê-lo e te levando a Cristo como fonte de toda satisfação. O que mais poderia levar mártires as fogueiras, aos leões... se não esta operação? Havia lutas internas e externas neles – mas a alegria satisfatória em Cristo sobrepujava tudo.

Alegar que eu tenho fé e confiado, mas não sou transformado, flui da não compreensão da natureza da fé e de um sentimento de auto-piedade e vitimização que nos afasta da verdade e da verdadeira transformação. É algo que fecha os caminhos até da verdadeira oração – do foco sobre o qual eu devia estar orando, clamando, chorando...

É a satisfação em Cristo que nos faz sal e luz no mundo: “Bemaventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós. Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens.” - Mateus 5:11-13 – Já não vemos os prazeres do pecado como concorrentes com os prazeres da comunhão com Cristo – agora, mesmo o sofrimento não pode eclipsar este prazer em Cristo. Assim somos sal. O contexto da


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afirmação que somos sal e luz é – “Bem-aventurados sós, vós quando vos perseguirem... Alegrai-vos e exultai...” – Como ser sal e luz então sem confiar em Cristo como fonte de satisfação final? Esse viver em Cristo se torna absolutamente natural e incrível que ilumina como a luz na escuridão e salga como naturalmente o sal faz no que toca. Porque o alegre sofrimento por amor a Cristo é espetacular pois mostra que ele é um tesouro totalmente satisfatório – isso e só isso ilumina o mundo e salga a terra.

Nisso a mudança diária se impõe: “E, se o teu olho te escandalizar, lança-o fora; melhor é para ti entrares no reino de Deus com um só olho do que, tendo dois olhos, seres lançado no fogo do inferno, Onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga. Porque cada um será salgado com fogo, e cada sacrifício será salgado com sal. Bom é o sal; mas, se o sal se tornar insípido, com que o temperareis? Tende sal em vós mesmos, e paz uns com os outros.” - Marcos 9:47-50 – Na confiança de tudo que Cristo é para nos satisfazer e na sua descrição tanto do inferno quando do Paraíso, você pode sentir tanto o cheiro das chamas descritas por Ele, como o precioso aroma do paraíso enchendo toda a sua mente – ou seja, tudo que Ele será para os salvos por toda a eternidade – isto te transforma – te faz de fato sal e luz – faz você ver o resultado de tudo que o mundo é em suas “satisfações” oferecidas e onde elas terminam, te enchendo de insatisfação com este mundo; como fica satisfeito agora e na antecipação da eternidade. Satisfação profunda em Cristo como sua recompensa eterna.


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Esse é o crer bíblico – isso transforma – faz o homem sal e luz no mundo.

A graça te separou assim? Pense em Moisés que escreveu o Salmo 90, por exemplo... "Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendoas e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra". Hebreus 11:13. Pela fé, Moisés, por exemplo, tomou uma decisão crítica. A regeneração sempre leva o homem a isso. Não é uma coisa periférica na vida, é abraçar algo tão diferente de toda sociedade a nossa volta, que a única declaração que explica os novos desejos, novas prioridade, novos valores, novas motivações... é essa: Eu sou estrangeiro e peregrino neste mundo, não sou daqui.

Essa declaração transborda do homem regenerado. Porque ele se sente um estranho neste mundo ímpio ( Deserto ). Este mundo não é mais seu elemento, não é mais sua casa. Você é um estranho. Um estranho para seu labor, um estranho para as suas máximas, um estranho para suas modas camaleônicas, um estranho para seus princípios de vida, um estranho para todos os seus motivos, um estranho para suas concupiscências, um estranho para todas as suas inclinações. Tudo que move este mundo não é mais seu ambiente nativo. Todas essas coisas juntas estavam no coração de Moisés que ele se recusou ser chamado de filho da filha de faraó (Hb 11.24). O coração dele agora era um estranho no grande Egito. Se a luta contra o mundo não flui de dentro, desse coração que agora é


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um estranho neste mundo, a Graça não separou você ( pelo menos não ainda). Moisés não estava saindo do Egito levando um coração arrasado por ter que partir. No seu coração ele já havia partido. É isso que a graça faz ao separar um homem.

A decisão de Moisés, não foi algo irrefletido, emocional, passageiro... Ele olhou, a Bíblia diz, para “os prazeres do pecado” – e não é que ele podia suportar ficar sem eles – eles não eram seu mundo mais. Ele olhou “os prazeres do pecado”, e preferiu ser “maltratado com o povo de Deus” (Hb 11.25).

Ele era um homem jovem, ele era um príncipe. Lembre que ele não tomou essa decisão num vácuo existencial. Algo aconteceu e toda visão de vida de Moisés foi alterada, foi alterado completamente a avaliação dos prazeres e tesouros mundanos. O ponto central que Hebreus 11.26 nos mostra é que Moisés teve “por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito...” Hebreus 11:26 – ou seja, o abuso, o sofrimento, e o estigma de viver para Deus num mundo alienado de Deus, para ele era uma riqueza maior do que os palácios do maior Império do mundo até então. O que aconteceu com Moisés? Quando a Graça separa você pelo poder soberanos de Deus, embora você esteja no mundo, sabe que não é dele. Eu quero dizer claramente que se você estiver em casa neste mundo, se as coisas do tempo e do sentido são ainda o teu elemento, se você se sente um com as máximas do mundo, se teu cristianismo tendo cristianizar estas coisas, se está em acordo com os princípios e motivação do grande mundo estranho a


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Graça de Deus – A Graça não atingiu teu coração e a fé descrita neste capítulo de Hebreus, a fé dos eleitos, ainda não habita em teu seio.

O que aconteceu com Moisés? Ele firmou um longo e honesto olhar sobre tudo que ser um príncipe do Egito, neto do homem que era adorada como um deus, poderia lhe oferecer. Não pense nele como um homem ingênuo, que tomou uma simples atitude passional... Ele sabia exatamente o que estava a sua frente, ele sabia exatamente o que estava deixando para trás. Nós só podemos palidamente imaginar o que ser neto de Faraó envolvia. Riqueza além de nossos sonhos, ilimitadas oportunidades sexuais em seus haréns, poder, influência, conforto, autoridade, fama, respeito, veneração... A Bíblia chama dos “tesouros do Egito!” – Mas Moisés disse: Não!! É isso que a Graça soberana faz! Ele escolheu a dor, o sacrifício, a censura daquele reino... O apelo que o Egito exercia sobre todos, perdeu o poder sobre Moisés. Grandes oportunidades de gratificação sexual, poder, dinheiro, influência, fama... A Graça que separa leva um homem como Moisés olhar para tudo isso e dizer: É brincadeira? Isso é tudo que o Egito tem para oferecer? Perto do prazer que eu tenho em Cristo, isso que vocês tem não tem a menor chance em meu coração! Quando a Graça separa um homem ele não tenta cristianizar o “Egito”, não tenta cristianizar o mundo, ele o deixa.  O primeiro efeito da graça é separar! Foi assim no caso de Abraão. Ele foi chamado pela graça para deixar a terra de seus pais. A Graça separa e diz: “Por isso saí do meio deles, e apartai-


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vos, diz o Senhor; E não toqueis nada imundo, E eu vos receberei; E eu serei para vós Pai, E vós sereis para mim filhos e filhas, Diz o Senhor Todo-Poderoso”. 2 Coríntios 6:17-18 Esse separação só é possível porque a Graça a fez no coração do homem regenerado. Por isso Moisés podia olhar o Egito com aquela nova perspectiva. Separação de coração, separação de princípios, separação de afetos, separação de espírito... É o que acontece com o toque da Graça operando a fé dos eleitos. Você é um estranho neste mundo, e isso se tornará manifesto por sua vida. O desejo ardente é: Honrar nosso Redentor, Glorificar nosso Pai Celestial, e Gratificar a natureza sagrada que o Espírito Santo por Graça tem transmitido a nós.

A lei de Deus que era objeto de nosso medo e desprazer, agora é o nosso objeto de amor! – “Oh! quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia”. Salmos 119:97 Ele é uma nova criação de Deus, e é exatamente o oposto da natureza carnal com a qual entra em conflito,“Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser”. Romanos 8.7 – O homem deve ser novamente criado, uma nova criação, antes que ele possa deliciar-se com a lei de Deus. Moisés simplesmente fez com seu novo coração uma avaliação cuidadosa e espiritual do que o Egito ofereceu contra o que tinha agora em Deus e chegou a conclusão de todos aqueles que


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foram separados pela Graça: Isto é o melhor que o Egito pode fazer? Eu tenho uma oferta muito, mas muito melhor do que isso. Só um completo estúpido preferiria os prazeres do Egito em detrimento de sofrer com o povo de Deus agora, e gozar Deus para sempre. A Graça de fato o separou!! Você ainda pode insistir na pergunta: “Será que eu fui regenerado?” Martinho Lutero expressou de maneira poderosa a união da alma regenerada com Cristo e seus efeitos:

"A fé... une a alma com Cristo como uma noiva se une com seu noivo. De tal casamento, como diz Paulo, segue-se que Cristo e a alma se tornam um só corpo, de modo que eles mantêm todas as coisas em comum, seja para melhor ou pior.

Isto significa que o que Cristo possui pertence à alma regenerada, e o que a alma possui pertence a Cristo. Assim, tudo que Cristo possui, todas as coisas boas, santidade..., isto agora pertence à alma. A alma possui muitos vícios e pecados, estes agora pertencem a Cristo, que sofre a ira por eles. . . Agora, isso não é um negócio feliz? Cristo, o noivo rico, nobre e sagrado, toma em casamento esta pobre, desprezível e pecaminoso prostituta, tira todas os seus males e põe toda a sua bondade sobre ela! Não é mais possível para o pecado dominála, pois ela agora é encontrada e vive em Cristo. " ( Fim da citação)


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Na salvação o homem não é liberto apenas da culpa do pecado, mas do poder do pecado... Ele agora tem um coração para Cristo e não para o pecado, mas esse não é desejo débil e incapaz, o homem está livre da tirania do poder do pecado.

"Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo." - 2 Coríntios 5:17

Aquele que é salvo da culpa do pecado - também é salvo do poder do pecado. O homem por natureza está "sob o pecado." "O mundo inteiro jaz no Maligno." O pecado como um tirano usurpou, tomou a autoridade – e o homem cede à suas exigências imperiosas. O pecado reina em seu coração e sobre todas as faculdades que o homem irregenerado possui. Ele não sabe nada sobre liberdade ( o pecado sussurra em seu ouvido: Tu és livre!) -, mas ele é o escravo da corrupção. Ele vive "nos desejos da carne, fazendo a vontade da carne e da mente, e é por natureza um filho da ira como os demais!" (Efésios 2:03) O homem natural é por natureza...

influenciado por motivos corrompidos, governado por princípios do mal,  levado cativo pelas paixões carnais,  e vive sob o poder do pecado!

A salvação é a libertação não apenas da culpa (Justificação) do poder do pecado, mas o livra de sua autoridade, de modo que se


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possa dizer de cada pessoa salva, "O pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça. " - Romanos 6:14

O Espírito Santo. . . dá um princípio de vida espiritual,  aplica ao homem regenerado a Palavra de Deus com poder,  e faz a sua residência na alma.

Quando o evangelho da graça é manifestado, feito compreendido soberanamente e aplicado ao coração pelo Espírito - o homem inteiro está mudado!

Seu coração duro é suavizado, sua vontade obstinada é rendida, suas afeições elevam-se acima das coisas terrenas, sua consciência agora concorda com Deus, e ele é "transformado à imagem de Jesus de glória em glória, como pelo Espírito do Senhor." - 2 Coríntios 3:18

O pecado ainda vai lutar - mas não pode reinar. O pecado pode prevalecer por um tempo - mas vai ser subjugado. O conflito pode ser grave, e vai durar por toda a vida - mas o pecado não deve recuperar o trono, ou reduzir o cristão a um estado de escravidão novamente. Os princípios graciosos implantados dentro dele são imortais, eles são santos, eles devem superar cada estratégia e astúcia do pecado sempre e sempre!


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Por meio do Espírito, o crente mortifica as obras pecaminosas do corpo, para que ele possa viver. (Romanos 8:13) Sendo de Cristo, ele crucifica a carne com as suas paixões e concupiscências. (Gálatas 5:24) E quando ele está sob a influência do Espírito - ele não cumpre os desejos da carne. (Gálatas 5:16) O pecado não tem autoridade sobre ele, pois. . .

ele renunciou a ele,  ele diariamente chora por causa dele,  ele confessa diante de Deus,  ele luta contra ele, e  ele anseia pelo  Céu, porque lá ele estará totalmente livre do pecado!

Aquele que é salvo da culpa e do poder do pecado - também é liberto de todo amor ao pecado. O pecado não é mais seu elemento, o seu negócio, o seu prazer. O pecado já foi seu amor uma vez - assim como todos em um estado natural. O homem regenerado odeia todo pecado. Ele não tem mais sequer

algum pecado favorito, um pecado querido, seu ídolo, que ele adora, o que ele deseja ver poupado.

A salvação liberta do amor de cada pecado, e fixa o coração em busca da santidade universal. É verdade que é possível para uma pessoa regenerada por um tempo, perceber seus afetos indo em direção a um objeto proibido, ou o que é grosseiramente 


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mal, mas logo isso será detectado, confessado diante de Deus, e lamentado no profundo de seu coração regenerado. O coração renovado não pode habitualmente amar o pecado -, mas odiá-lo.

O pecado é odiado. . .  porque Deus o odeia,  porque ele é contrário aos nossos interesses,  porque crucificaram o Filho de Deus,  porque entristece o Espírito Santo, e  porque é contrário à nova natureza do cristão.

Assim como é impossível um pássaro gostar de ser confinado sob a água ou os peixes desejarem o deserto estéril contrário ao seu elemento nativo - um verdadeiro crente habitualmente pode amar o pecado. É impossível! Não, ele odeia - ele odeia isso, naturalmente, constantemente, e com um ódio invencível! Seus pontos de vista foram alterados - e ele pensa do pecado em algum grau como Deus pensa dele! Seus desejos são alteradas e ele deseja purificar-se de toda a imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor do Senhor. (2 Coríntios 7:1)

Suas esperanças são alteradas, de modo que, apesar de ele já ter esperado e desejado as riquezas do mundo, honra e prazer agora espera ser para sempre liberto do pecado, e ser exatamente igual, e eternamente uno com seu precioso Salvador!


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Ele teme o pecado - e nada mais do que pecado! Ele tem prazer em santidade - e nenhum prazer em qualquer outra coisa! Ele é ferido no pecado - e nada faz com que ele sinta tanta dor e tristeza! Esta é certamente a salvação bíblica, Ser para sempre livre. . .

da culpa do pecado, com seus horrores e castigos; do poder do pecado, com sua conseqüente degradação e  do amor ao pecado, que é a principal característica da imagem de Satanás!

Aquele que é, assim, salvo – está livre também de todas as consequências penais do pecado.

Para ele, não há nenhuma maldição - pois Cristo foi feito maldição para ele. Para ele, não há ira - porque Deus está em paz com ele, e o ama com um amor eterno. Para ele, não há punição futura - pois ele está justificado de todas as acusações, e com direito a vida eterna!

Apenas essa verdade queimando em nossos corações faz realmente diferença com pecados secretos. James Hamilton (1814-1867) – olhando um dia para casas cobertas de neve no inverno, nos mostra algo essencial para a vida espiritual. Ele diz: “Em uma manhã de inverno numa pequena cidade, eu notei


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uma fileira de casas com uma grande camada de neve em seus telhados... mas com o passar do dia, grandes fragmentos de neve começam a cair a partir do beiral mais e mais a medida que a manhã avança. Até que, como uma avalanche, todo o monte de neve do telhado deslizou sobre as calçadas... e antes do pôr do sol, eu podia ver cada telhado tão limpo e seco como se fosse véspera do verão. Mas eu pude observar, que aqui e ali, havia casas com seu manto de neve ainda sobre seus telhados com um colar de gelo duro em torno dele que o impedia de cair.

O que fez a diferença? A diferença era o que se encontrava dentro!

Algumas dessas casas estavam vazias, ou o solitário morador delas se encolheu quieto por não haver lenha para sua lareira, enquanto o lar povoado, com fogo na lareira, agitação, atividade... criou tal calor interior, que o inverno externo e sombrio não pode sustentar o gelo, perdeu seu controle e a massa de gelo não pode continuar presa a casa. O gelo caiu e foi pisado nas calçadas. É possível, por um processo externo, empurrar grande parte do volume de neve do telhado gelado com esforço, parte por parte. Mas ele vai se formar de novo. Ele precisa de um calor interior para criar um degelo total.”

Assim, por processos diversos, um homem pode se livrar da conduta ( todo o peso ) dos pecados visíveis, mas ele precisa de


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um calor interno e escondido, um calor vital dentro, para produzir uma tal separação entre a alma e as suas iniquidade que o afligem. O separar dos pecados secretos Esse calor é o amor de Deus derramado em abundância – o brilho (como as lareiras acesas e a atividade naquelas casas) gentil que o Consolador difunde na alma da qual Ele faz Sua casa. Sua habitação derrete a alma e os seus pecados favoritos em pedaços, que despencam como a neve naqueles telhados, e faz com que a indolência, outo-indulgência, racionalizações... caiam dissolvidos pelo calor interno gerado por Ele, caiam de um coração se dissolvendo em amor na contemplação da beleza da Sua santidade... esse é o fogo que tudo derrete... que pecados favoritos poderiam permanecer?

A santidade não é algo opcional. Acreditar na verdade bíblica da Soberania de Deus, na Graça soberana... aponta para o imperativo da santificação. O mundanismo em quem fala sobre a graça é sempre fruto da separação impossível da graça e da verdade, como se fossem coisas antagônicas. A manifestação da glória de Deus em sua perfeição em Cristo e em toda a Palavra mantém sempre estas duas coisas juntas: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” João 1:14 A nossa santidade foi planejada por Deus na eternidade: “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens, Ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, e justa, e piamente” - Tito 2:11-12 – É assim que a graça 


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se manifesta. A graça de Deus se manifestou e isso sempre produz santidade. A “graça de Deus se manifestou” aponta, é uma referência a Cristo. Ele já veio e esse plano eterno mostra que a nossa santidade é fruto de planejamento eterno.

A linguagem junto com a eleição sempre é esta – aponta para a santidade, “Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade” - Colossenses 3:12 – e qualquer ensino das Doutrinas da Graça que não apontem para isso, mas como uma liberdade para ser e viver como o homem natural, caracterizado pela sociedade que nos cerca, é uma grosseira falsificação da Verdade, o que não tem sido incomum nestes dias.

A santidade está enraizada no conselho eterno de Deus: “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho” - Romanos 8:29 – O propósito divino é mostrados na nossa conformidade a Cristo. Isto nada mais é que Santidade. A semelhança com Cristo é a santidade, e é de suma importância isso ficar claro para nós. Podemos ter inúmeras habilidade, conhecimento teológico, capacidade intelectual, habilidades na comunicação, mas se não há semelhança com Ele, não há santidade.

Como podemos saber que fomos eleitos, pergunta John Owen – A resposta sempre vem – Deus destinou que você seja santo? Ainda temos um combate com o pecado mesmo sendo homens


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regenerados, e sem a Graça nós falharíamos completamente neste combate, mas o plano eterno de Deus é o impulso e poder necessário e suficiente para o crescimento em santidade.

A imagem de Deus foi quebrada no homem quando este pecou – a obra eterna de Deus visa exatamente nos livrar de tudo que não é Cristo em nós, santificação! O propósito de Deus é que sejamos à imagem de Seu Filho, e a isto fomos eleitos e predestinados. Em Romanos, Paulo continua dizendo que NADA vai frustrar esse plano – Satanás?... Quem pode ficar no caminho de Deus? Quem pode destruir Seu propósito? Em seu poder Onipotente e Soberano Deus em seu plano restaura o universo para que ele reflita Cristo. Ele “desconstrói” os eleitos e reconstrói nosso caráter, vida... para sermos semelhantes a Cristo. Deus está determinado que você (se de fato é igreja de Cristo) vai ser transformado na mesma imagem de Cristo. Santidade nos eleitos de Deus não é uma ameaça, mas um motivo de alegria, adoração, humildade... porque a santidade foi comprada pela obra perfeita de Cristo para todos aqueles que Deus chamou eficazmente. Precisamos ver que o papel de Cristo na santificação se estende para muito além da compra somente, a santidade foi adquirida por Cristo – não como um trabalho adicional, Justificação e Santificação estão ligadas entre si e inseparáveis. Minha santificação é tão comprada como qualquer outro aspecto da salvação. Podemos ficar tão focados no sangue de Cristo que perdoa, que perdemos de vista que ele também compra a nossa santificação e santidade. Não há nenhuma benção no Evangelho 


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que vem de algo além de Cristo e este crucificado. Nós não recebemos nada ( e nem poderíamos ) que Ele não tenha comprado por sua obediência e expiação: “E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo; E livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão. Porque, na verdade, ele não tomou os anjos, mas tomou a descendência de Abraão. Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo.” - Hebreus 2:14-17

A morte de Cristo é uma realidade multifacetada, e isto é assim porque o pecado não é uma massa única e independente em nossos corações, mas o pecado é tecido multidimensionalmente em nossas vidas. A salvação no Sangue derramado na Cruz é uma perfeita expiação que corresponde a esse pecado. Estamos indo para sermos um dia totalmente santificados – o que significa que não haverá nenhum vestígio de pecado em nós – e esse processo poderoso e infalível em todos os que Deus elegeu, começa imediatamente no momento que o homem é regenerado: “que se entregou a si mesmo por nossos pecados a fim de nos resgatar desta presente era perversa, segundo a vontade de nosso Deus e Pai” Gálatas 1:4

Muitas vezes o entendimento das pessoas sobre a cruz é completamente superficial – temos que enxergar as múltiplas


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dimensões do pecado e entendermos claramente as múltiplas dimensões da obra feita na cruz: “Porque Deus nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença.” - Efésios 1:4

“Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade” - Colossenses 3:12

Voltando ao pensamento de James Hamilton (1814-1867), podermos perguntar: Há um habitante na casa? Ele está agindo? A lareira está acesa? Há calor interno? Há Água na mesa? Há Vinho vinho na taça? Há Leite no copo? Como, então, o gelo poderia permanecer no telhado? Todo pecado secreto entra em colapso! Para encerrarmos... Se somos homens assim. Se somos como Moisés... como sabemos se vamos resistir até o fim neste deserto? Como sabemos, se como Moisés, mesmo que morramos num deserto abrasador, Deus pra sempre será nossa morada, nosso refúgio eterno? Viajar de um mundo fugaz para um eterno é uma longa jornada. Do que precisamos? “E o Senhor ia adiante deles, de dia numa coluna de nuvem para os guiar pelo caminho, e de noite numa 


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coluna de fogo para os iluminar, para que caminhassem de dia e de noite.” - Êxodo 13:21

Do que Israel precisava?

Precisava de um guia em sua jornada do deserto ao lar. Eles teriam uma longa jornada de quarenta anos. Eles teriam que caminhar por um caminho estranho que jamais haviam pisado antes.

Inúmeros inimigos iriam se esforçar dia e noite para impedir o seu progresso. Os perigos forravam cada parte do caminho. Eles tinham corações enganadores.

Essa não é a história de cada homem regenerado? Um peregrino numa viagem para um país que Deus nos descreveu e chamou? A viagem é longa... Leva talvez cerca de 20, 30, 40, 50, 60, 70... anos. Eu posso resistir?

Todos nós temos momentos em que olhar para frente com suas aflições, lutas... reais ou imaginárias - faz com que pensamentos furtivos venham até nós...

Será que vou ter forças para continuar confiando em Cristo como meu prazer todo suficiente, minha delícia perpétua? E se o sofrimento for demais para mim? 


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Se nestes momentos não sabemos o que a Palavra de Deus ensina, podemos ser sobrecarregados com medo e desespero.

Então, o que a Palavra de Deus ensina? Aqui estão nas Escrituras algo que você sempre encontrará útil - Judas 1:24-25.

No final de sua carta Judas levanta uma palavra de louvor a Deus: “Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória, Ao único Deus sábio, Salvador nosso, seja glória e majestade, domínio e poder, agora, e para todo o sempre. Amém.”

Observe que agora, nesta vida, Deus é capaz de mantê-lo livre de tropeçar. O que significa que, na Segunda Vinda, Deus vai lhe apresentar irrepreensíveis diante dele com grande alegria.

Então em todas as aflições, artimanhas do diabo, mundo, carne... entre o agora e o céu, Deus vai estar lá – impedindo de tropeçar, fortalecendo sua fé, dando-lhe toda esperança, resistência e coragem que você precisa para se manter confiando em Cristo. Confiando nEle como fonte e pão ( Água, Leite e Vinho – ou seja, satisfação completa, saciedade e prazer – o que impede de prazeres falsos se mostrarem capazes de enganar fazendo escolhermos algo que quebre a comunhão com o prazer final – Cristo!

Observe o que Paulo diz sobre os crentes que viviam em Filipos:


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Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo - Filipenses 1:6

A fé é uma boa obra que Deus começa em nós. Ele pega o nosso coração de pedra, e nos dá um coração de carne que confia em Cristo da maneira descrita – como fonte, como pão, como deleite, como a delícia da vida – tudo o mais se torna apenas um eco disso – “...dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis.” - Ezequiel 36:26-27

É a promessa infalível de Deus! Como John Bunyan ilustra isso no grande clássico O Peregrino?

No livro O Progresso do Peregrino, John Bunyan deu uma ilustração poderosa desta verdade.

No capítulo 5, personagem central de Bunyan, que é chamado de "cristão", encontra um ajudante chamado "intérprete". O trabalho do “intérprete” é ensinar as verdades cristãs fundamentais que ele vai precisar para a caminhada de fé.

Intérprete mostra a “cristão” um fogo que arde contra uma parede, e mostra alguém que estava de pé junto ao fogo constantemente tentando apagar o fogo jogando água sobre ele.


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Mas o fogo não se apaga. Não só não apaga, ele queimava cada vez mais forte e mais quente.

Assim, “Cristão” pergunta a Intérprete - O que isso significa?

Intérprete explicou que o fogo é a obra da graça que Deus produz em nossos corações - a graça dá confiança em Cristo e amor por ele.

Mas o diabo está constantemente tentando apagar este incêndio, este fogo, derramando sobre ele a água das tentações e preocupações e provações...

O que mantém o fogo que queima? Pergunta “Cristão”.

Então Intérprete quer mostrar a Cristão como o fogo não só é mantido aceso, mas mantido queimando cada vez mais alto e mais quente. Ele (Intérprete) pegou Cristão e o leva para o lado de trás da parede, onde ele vê um homem que tinha um pote de óleo em sua mão que ele derramava continuamente no fogo.

Então Cristão pergunta mais uma vez - o que isso significa?

E respondeu Intérprete:

Esta é Cristo, que continuamente com o óleo de sua graça mantém o trabalho já iniciado no coração; por meio do qual, não obstante tudo o que o diabo possa fazer, as almas de seu povo


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ficam mais cheias de graça soberana que prevalece sempre: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza...” - 2 Coríntios 12:9 – O que vistes, o homem atrás da parede, te ensina que a tentação, provações, tristezas... não pode senão – pela ação soberana de Deus – aumentar o poder da graça que um dia apresentará todos os regenerados diante de Deus. A trabalho da graça soberana que é sempre mantido na alma.

Veja a imagem inteira que Bunyan quer mostrar...

Se tudo o que vemos é a chama da nossa fé e a água que o Diabo está derramando, podemos facilmente nos desesperar. Essa é a tragédia de não conhecer as doutrinas fundamentais – como a Perseverança dos Santos, por exemplo.

É por isso que é crucial ver o que Jesus está fazendo. Agora e para o resto de sua vida, ele vai continuar a derramar em sua chama todo o óleo que você precisa – O poder infinito da Graça Soberana – que predestinou, chamou e irá glorificar (Romanos 8.29) – Ele derrama e vai continuar a derramar todo o óleo que é necessário não apenas para que a sua fé continue, mas para que ela queime mais alto, e mais quente, e mais forte...

Moisés pôde caminhar quarenta anos no deserto e terminar em paz... sabendo que não entraria na terra ( lembrando que ele só pisou na terra prometida na transfiguração de Jesus) , mas sem 


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perder a esperança... isso porque a verdadeira Justificação nos dá uma esperança imortal. O caminho de Moisés foi cansativo, continha tristeza – 72 mortes em média por dia por 38 anos – e certa frustração ( ele não entraria na terra ) – mas de uma esperança invencível. O primeiro verso do Salmo é: “SENHOR, tu tens sido o nosso refúgio, de geração em geração.” E ele encerra o Salmo assim: “E seja sobre nós a formosura do Senhor nosso Deus, e confirma sobre nós a obra das nossas mãos; sim, confirma a obra das nossas mãos.” - Salmos 90:17. Você pode perceber a esperança inabalável? Isso porque Moisés, como todo homem verdadeiramente justificado, recebeu um dom.

Sofrimento e esperança foi a porção de Moisés no deserto. Deus tem muito a nos falar sobre essa conexão. Nós sofremos. Todo mundo sofre. O que é o sofrimento? É o fato de ter algo em sua vida que você não queria que estivesse lá mas que você não pode mudar. Muitas vezes o sofrimento é o oposto disso, você não tem algo em sua vida que você “precisa” desesperadamente, mas não pode ter. Todos nós temos coisas em nossas vidas que não queremos, e todos nós não temos coisas em nossas vidas que precisamos.

Você não precisa ir procurar o sofrimento, ele te acha. Uma doença imprevisível, seus negócios afundando, a perda de alguém amado, casamento em crise, um filho rebelde quebrando seu coração, e assim poderíamos fazer uma lista enorme. Em algum momento o inimaginável vai encontrar você.


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Os que são “fortes” podem dizer – Ok, vou começar de novo – outros não terão essa mesma perspectiva. Mas nenhum dos dois casos, por fim, pode vencer. Mais sofrimentos virão e virão... até que a morte chega.

Algo muito maior é dito para nós sobre o sofrimento do que qualquer caminho – otimista ou pessimista – que possamos estabelecer, e o único que faz toda diferença.

Quando sofremos Deus nos dá um dom: “E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, E a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.” - Romanos 5:3-5

Deus no sofrimento nos da o dom da novidade. Ele está abrindo uma porta para uma nova experiência de seu amor. É sobre isso que Paulo está falando conosco aqui em Romanos. Um Deus poderoso capaz de usar nossas experiências de profundo sofrimento para tornar a ÚNICA esperança verdadeira mais real para nós do que jamais poderíamos sonhar.

Deus não vai nos proteger do sofrimento, ele quer mudar a forma como nós sofremos. Ele é capaz de derramar o seu amor em nossos corações bem no meio dos nossos sofrimentos. Mais do que isso, nos levar a nos gloriarmos em nossos sofrimentos... isso pode parecer estranho, mas é a mais pura verdade.


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Paulo aqui em Romanos 5 está respondendo a uma pergunta. Em Romanos de 1 a 4, ele tornou o evangelho claro, por causa disso, sabemos que somos muito piores do que jamais poderíamos ter imaginado, e de que somos amados mais do que jamais sonhamos. Paulo deixou claro que o evangelho não é sobre o que nós fazemos para Deus, em nossa total depravação, somos merecedores apenas de Sua ira. O evangelho é o que Deus fez por nós, diz Paulo. Ele nos levou de novo a uma verdadeira paz com Ele através do sacrifício de Cristo na cruz e nós o recebemos com mãos vazias, desprovidas de tudo, ao recebermos dEle o dom da fé. Quando já temos isso... então chegamos em Romanos 5.

“Justificados pois pela fé, temos paz com Deus!” – Temos razão para ficarmos de pé olhando nosso destino eterno. Nosso futuro glorioso, dado pela graça molda todo nosso caráter... Então Paulo nos versos 3-5, pressiona a realidade disso agora, nos gloriamos na “esperança da glória de Deus” – mas não somente nisso. Nós nos gloriamos num futuro perfeito, nas agora temos um presente cheio de sofrimentos. Então ele diz o impensável – “nos gloriamos em nossas tribulações e sofrimentos do presente”.

O que agora isso pode significar? De que maneira concebível podemos nos gabar em nossos sofrimentos e encontrar significado pessoal e satisfação em nossos sofrimentos? Você pode dizer: “eu não me glorio nos meus sofrimentos...” – Mas a justificação pela fé muda a maneira como sofremos.


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A justificação pela fé nos ensina a nos vangloria em nossos sofrimentos – não apesar de nossos sofrimentos – mas por causa de nossos sofrimentos. No verso 2 Paulo diz que nós nos gloriamos, não apesar da esperança da glória de Deus, mas na esperança da glória de Deus, agora aqui, ele diz o mesmo, nos gloriamos nas tribulações e não apesar das tribulações.

Aqui está o ponto – É Cristo toda nossa satisfação? É aqui que o sofrimento entra como algo glorioso. Se você de fato foi regenerado e é um com Cristo, você não será poupado de sofrimento neste mundo mau. E os sofrimentos deixarão claro, ao encontrar neles completa satisfação em Cristo, que você não é um impostor, não é um amigo, um com Cristo, em dias de tempo bom, mas leal corpo de Cristo na terra. Havia uma tonelada de sofrimentos sobre o apóstolo Paulo. Ele então pôde dizer: “Não importa, para mim o viver é Cristo... tenho por perda todas as coisas por amor a Cristo... ainda que o homem exterior se corrompa (seu corpo), o homem interior se renova a cada dia...” – Você vê o que o sofrimento está fazendo?

Nós nos gloriamos em nossos sofrimentos, porque ver e experimentar a realidade de que Cristo é tudo, vale tudo. Você descobre isso, e se alegra, porque você não queria estar no campo adversário, e agora você sabe onde está. Sabendo que “que a tribulação produz a paciência, E a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não traz confusão...”


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A justificação pela fé nos ensina a nos vangloriar em nossos sofrimentos – não apesar de nossos sofrimentos – mas por causa de nossos sofrimentos. No verso 2 Paulo diz que nós nos gloriamos, não apesar da esperança da glória de Deus, mas na esperança da glória de Deus, agora aqui, ele diz o mesmo, nos gloriamos nas tribulações e não apesar das tribulações.

Aqui está o ponto – É Cristo toda nossa satisfação? É aqui que o sofrimento entra como algo glorioso. Se você de fato foi regenerado e é um com Cristo, você não será poupado de sofrimento neste mundo mau. E os sofrimentos deixarão claro, ao encontrar neles completa satisfação em Cristo, que você não é um impostor, não é um amigo, um com Cristo, em dias de tempo bom, mas leal corpo de Cristo na terra. Havia uma tonelada de sofrimentos sobre o apóstolo Paulo. Ele então pôde dizer: “Não importa, para mim o viver é Cristo... tenho por perda todas as coisas por amor a Cristo... ainda que o homem exterior se corrompa (seu corpo), o homem interior se renova a cada dia...” – Você vê o que o sofrimento está fazendo?

Nós nos gloriamos em nossos sofrimentos, porque ver e experimentar a realidade de que Cristo é tudo, vale tudo. Você descobre isso, e se alegra, porque você não queria estar no campo adversário, e agora você sabe onde está. Sabendo que “que a tribulação produz a paciência, E a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não traz confusão...”


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Toda confusão é dissipada. O que nós odiamos no sofrimento, é que parece que estamos perdendo a nossa chance na vida. Parece que o sofrimento nos nega tudo o que torna a vida ser algo que vale a pena ser vivida, tudo que nos faz feliz. É por isso que isso leva os homens ao fundo do poço. Eles perdem a esperança no sofrimento e não ganham esperança como Paulo diz sobre os justificados que agora estão em paz com Deus.

Sem essa realidade o sofrimento suga a esperança, eles sofrem e parece que a vida está escorregando por entre os dedos para sempre. Isso é terrível. Mas a justificação pela fé altera tudo. A justificação pela fé redireciona para onde o sofrimento nos leva, não no fundo do poço, mas para uma profunda esperança. Esse é o ensino aqui. O Evangelho coloca um novo pensamento em nossas mentes. Agora minha única chance de felicidade está em Deus que é desfrutado por tudo que Cristo fez e é para mim. Sua graça redefiniu o meu futuro maravilhosamente. Estou indo para o céu, estou indo para casa agora. Todas as minhas dívidas foram pagas antecipadamente, e nada pode roubar a glória preparada para mim... com Cristo, com Cristo, a esperança do futuro muda radicalmente o presente. Se eu posso me gabar, me vangloriar na esperança da glória, eu também posso me gabar diante de qualquer coisa agora – dificuldades, medo, stress, exclusão, calúnia, injustiça, dor, agressão, crítica, racismo, impotência, fraqueza, vergonha, doença, morte, martírio...

Você vê a mudança de caminhos aqui, nos versos 3-4? “E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações;


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sabendo que a tribulação produz a paciência, E a paciência a experiência, e a experiência a esperança.” Romanos 5:3-4 – Se você está em Cristo, seus sofrimentos estão te levando na direção da esperança.

Então em meio ao sofrimento hoje Deus está dizendo: “Não pare!” – Quando em meio ao sofrimento andamos com Deus em sua força, através de nossas terríveis experiências, crescemos. Nós descobrimos que nossa fé é real. Que não era mera chuva de verão... não era a alegria em tempo bom que o coração natural pode ter. Ele revela, você está em Cristo. Moisés descobriu isso a cada dia, semana, mês e ano no deserto. Isso que Paulo que dizer, autenticidade comprovada, o negócio real, o espírito de um soldado veterano endurecido pelas batalhas que deixou para trás. Quantas vezes as pessoas perguntam – “Eu realmente estou em Cristo, tenho fé justificadora... ou estou me enganando? Será que eu estaria com ele se tudo estivesse dando errado, me deleitando nele? Será que eu morreria por Cristo?” – Deus conhece isso. A incerteza... Então ele leva você a resposta, leva seus verdadeiros soldados até o lugar na linha de batalha onde tudo o que resta é Deus, e lá e somente lá, você descobre que ele é tudo que você precisa – descobre que realmente você está em Cristo. Você realmente creu no evangelho, você foi regenerado. Então você se gloria NO sofrimento e não apesar do sofrimento. E o sofrimento produz em nós grande resistência agora, o que nos leva inquestionavelmente a autenticidade comprovada, e nos inspira, e nos enche de mais esperança confiante de que, com Cristo, podemos enfrentar qualquer coisa.


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Por isso, quando sofremos, Deus não está falhando, Deus está realizando em nós algo mais valioso do que a vida e qualquer coisa que pudéssemos imaginar. Essa foi a percepção que dominou a mente de Moisés naqueles quarenta anos: “SENHOR, tu tens sido o nosso refúgio, de geração em geração. 2 Antes que os montes nascessem, ou que tu formasses a terra e o mundo, mesmo de eternidade a eternidade, tu és Deus. 3 Tu reduzes o homem à destruição; e dizes: Tornai-vos, filhos dos homens. 4 Porque mil anos são aos teus olhos como o dia de ontem que passou, e como a vigília da noite. 5 Tu os levas como uma corrente de água; são como um sono; de manhã são como a erva que cresce. 6 De madrugada floresce e cresce; à tarde cortase e seca. 7 Pois somos consumidos pela tua ira, e pelo teu furor somos angustiados. 8 Diante de ti puseste as nossas iniqüidades, os nossos pecados ocultos, à luz do teu rosto. 9 Pois todos os nossos dias vão passando na tua indignação; passamos os nossos anos como um conto que se conta. 10 Os dias da nossa vida chegam a setenta anos, e se alguns, pela sua robustez, chegam a oitenta anos, o orgulho deles é canseira e enfado, pois cedo se corta e vamos voando. 11 Quem conhece o poder da tua ira? Segundo és tremendo, assim é o teu furor. 12 Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios. 13 Volta-te para nós, Senhor; até quando? Aplaca-te para com os teus servos. 14 Farta-nos de madrugada com a tua benignidade, para que nos regozijemos, e nos alegremos todos os nossos dias. 15 Alegra-nos pelos dias em que nos afligiste, e pelos anos em que vimos o mal. 16 Apareça a tua obra aos teus 


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servos, e a tua glória sobre seus filhos. 17 E seja sobre nós a formosura do Senhor nosso Deus, e confirma sobre nós a obra das nossas mãos; sim, confirma a obra das nossas mãos.” – Salmo 90.

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A IRA D E

D E U S

E

N O S S A

PAZ! Salmo 90

BY JOSEMARBESSA.COM S

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A Ira de Deus e nossa Paz!  

"Pois somos consumidos pela tua ira, e pelo teu furor somos angustiados. 8 Diante de ti puseste as nossas iniqüidades, os nossos pecados ocu...

A Ira de Deus e nossa Paz!  

"Pois somos consumidos pela tua ira, e pelo teu furor somos angustiados. 8 Diante de ti puseste as nossas iniqüidades, os nossos pecados ocu...

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