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Departamento de Ciências da Educação Licenciatura em Ensino Básico – 1º Ciclo Disciplina: Estágio 4º Ano/ 1º Semestre Docente: Mestre Helena Paula 2009/2010 Diário de estágio do dia 11/11/09 A aula iniciou-se como habitualmente, com a distribuição de tarefas. Depois seria o momento do Ler, Mostrar e Contar, seguido pela Língua Portuguesa, depois pela Matemática e finalmente pelos Trabalhos Projecto. Eu e a B. fomos os primeiros a apresentar o nosso trabalho no Ler, Mostrar e Contar. Esta apresentação vem na sequência do texto por nós trabalhado na semana passada, intitulado O Leão e o Macaco. A Apresentação, foi precedida de um burburinho, pois os alunos nunca tinham visto um professor apresentar com um aluno um trabalho, facto que a professora cooperante apressou-se em esclarecer, dizendo que era uma vês sem exemplo. Esta apresentação correu-nos razoavelmente bem. Digo razoavelmente porque, a partir deste momento, os restantes alunos simplesmente não ouviam as minhas opiniões durante a execução das restantes tarefas executadas ao longo da manhã. Fiquei triste e comentei logo com a professora cooperante o que se estava a passar assim como à Patrícia e ambas foram peremptórias em afirmar que tal estava a acontecer, devido ao facto de me estar a misturar com os alunos. Os alunos têm de saber ver quem é o professor, e quem são os alunos. Com esta minha prestação, penso ter ficado com a minha imagem de professor um tanto abalada. No Ler, Mostrar e Contar deste dia, pudemos assistir a um elemento novo. A C. em vez de apresentar um texto ou um teatrinho, colocou um problema à turma. Facto que levou a Patrícia a questionar a professora cooperante sobre como ia ser resolvido o problema, caso este fosse mais difícil. Penso que a solução passaria por todos passarem o problema para os seus cadernos, e no tempo da Matemática Conjunta, tentassem resolver este e outros problemas relacionados com o mesmo tema. Depois da C. pudemos ver novamente a T. ir ao quadro apresentar um texto. T. que no início do nosso estágio era uma rapariga introvertida, mas que agora já pedia para ir ao quadro. O texto apresentado foi trabalhado por mim e por ela no tempo de Estudo Autónomo da passada quarta-feira. Noto que aos poucos a T. está a desabrochar e que não tarda nada será uma aluna a ter como referência, pois escreve muito bem. Seguidamente assistimos à apresentação do texto apresentado pela L. e pelo H. que tinha como particularidade, o facto de conter adjectivos. Nota-se que já tiveram um maior cuidado com a forma como escrevem. Terminada a tarefa do Ler, Mostrar e Contar veio a Língua Portuguesa, e com ela um texto criado pelo H. e melhorado pela turma: O Menino que não gostava da escola. Depois de lido o texto os alunos tinham de criar 5 exercícios que seriam posteriormente usados para criarem um ficheiro com documentos, para depois serem utilizados na sala de aula. Ambos ajudamos os alunos na criação dos problemas, mas foi aqui que apercebi-me realmente do facto de estar a ser ignorado pelos alunos durante das minhas intervenções. Verifiquei isto no momento em que a professora cooperante


estava a dar as mesmas indicações que eu já tinha dado, mas com a particularidade de serem aceites pelos alunos, o que fez-me questionar a minha maneira de lidar com os alunos. Por momentos achei mesmo que havia regredido na conquista dos alunos e que havia até perdido autoridade como professor. A construção destas fichas, serve essencialmente, para que ao construírem as questões, pensem ao mesmo tempo nas respostas e assim ultrapassem o grande problema da interpretação das questões. Terminadas as cinco questões, os alunos tinham de as resolver. Na hora da Matemática, a professora desenhou calendário do mês de Dezembro no quadro e perguntou aos alunos porque é que lá existiam números pintados de vermelho, onde alguns respondiam que eram os feriados. Como trabalho de pesquisa, ficaram de ver em casa juntamente com os pais o que representavam os dias 1 e 8 de Dezembro. A professora perguntou-lhes ainda se sabiam quem tinha inventado o calendário, mas ninguém sabia, então foi-lhes dito que tinham sido os Egípcios. Depois, foi-lhes distribuída uma ficha de trabalho que continha uma tabela, onde tinham de preencher com os dias do mês de Dezembro e assinalar os dias feriados. Posto isto, tinham de responder às outras questões. Este exercício tinha como objectivo principal por os alunos a se aperceberem que a contagem do tempo é cíclica. E depois pretende mostrar aos alunos, os feriados, o tempo de aulas e os dias em que não têm aulas. Neste exercício, alguns grupos chegaram mais facilmente aos resultados do que outros, ou seja, ao circular pela sala, fui-me apercebendo que nem todos os grupos se sentiam à vontade para trabalhar com o calendário. Uns foram discutindo com o seu parceiro, outros foram copiando por outros grupos, mas que depois ao irem apresentar ao quadro, notava-se que não sabiam explicar, e que não tinham percebido o exercício. Os alunos que sentiram maiores dificuldades neste exercício, iam trabalhar os problemas no Estudo Autónomo, com a Patrícia. Na hora do Trabalho de Projecto, coube-nos ajudar os grupos com maiores dificuldades. Eu trabalhei com a A. E com B., mas senti imensa dificuldade, pois notei que mais uma vez a minha opinião não era bem-vinda. Depois de ter terminado a aula, fiquei a pensar no dia e cheguei à conclusão que agi mal, em ter apresentado o trabalho com a B. no quadro. Com isto penso ter perdido credibilidade e autoridade perante a turma, que vinha a ser conquistada com muito custo. Mas na sexta-feira quando chegamos à sala para assistirmos ao Conselho de Cooperação, a professora cooperante veio dizer-me que tinha falado com a C., a A. E com o F. e que lhes tinha feito ver que o professor João tinha saído triste da aula de quarta-feira e que se continuassem com aquela atitude, ele muito possivelmente não voltaria à escola. Os três alunos rapidamente mostraram arrependimento e queriam que eu voltasse novamente à escola. No que diz respeito ao Conselho de Cooperação, iniciou-se como todos os outros, mas com a particularidade de termos muito poucas coisas escritas na coluna do Gostámos e muitas coisas escritas na coluna do Não gostámos, o que fez com que a Patrícia perguntasse à turma por que é que não escreviam mais vezes no Gostámos em prol do Não Gostámos. Com esta observação eles ficaram a pensar e penso que possivelmente na próxima semana vamos assistir a um Conselho de Cooperação diferente. Este Conselho por outro lado, teve no R., a figura principal, só que desta vez um bocado injustamente. Notou-se claramente que o H. queria a todo o custo acusar o R. e que para tal serviu-se de situações pouco relevantes para o acusar. Vendo o que se estava a passar, a professora cooperante interveio, dizendo que o Conselho não serve para fazer queixinhas, mas sim para tratar de assuntos sérios. Numa destas situações


pude observar o R. a pedir desculpa a uma colega, o que é insólito, pois para ele pedir desculpa é muito difícil. Penso que aqui está um resultado do Conselho, ou seja, o R. está a verificar que não ganha nada em estar sempre na coluna do Não Gostámos, e secalhar está a mudar a sua maneira de agir com os colegas no intervalo. Outra situação verificada foi que a C. tinha dado uma caneta a uma colega, o que era também um progresso, pois ela nunca antes tinha partilhado qualquer coisa com os colegas. A professora cooperante salientou o facto e a C. levou uma grande salva de palmas por parte de toda a turma. Para terminar queria fazer referência a uma ideia deixada no ar pela Patrícia e que prende-se com o facto de os alunos poderem fazer textos e de expô-los na sala de aula. Trabalho elaborado por: José João Pereira Fernandes Aluno nº 2074906


Diario de 11 Novembro 2009