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LITERATURA DE CORDEL Joseilton Ferreira

O FANTÁSTICO SONHO DE TUPÃ VOL. 1

Salvador - Bahia -Maio de 2014


O FANTÁSTICO SONHO DE TUPÃ VOL. 1

A mãe de Jurupari, O nascido na alvorada, Descobriu em uma caverna Que o dia não habitava O esconderijo do sono Que o sonho guardava. E muita coisa sonhou: Que Tupã tava-a sonhando Tupã a sonhava enquanto Cantava e dançava tocando Seu maracá envolvido Na flauta que ia soprando. E muito se sentia feliz Mas também estremecia Pela dúvida e mistério Que fechado os olhos via, Tupã sonhava comida Frutificava e comia. Se Tupã sonha com a vida Se nasce e dá de nascer, Se Tupã sonha com água Rios enchem e dão de beber, Sonhou o Sol nasceu o dia Para quem quisesse ver.

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O Sol não descansa, espelho De duas faces refletidas, Nunca deixa de lumiar Não tem do tempo a medida Não conheceu a doçura Do descanso da sua lida. Então sonhou exausto De tanta luz no universo Com a lua e as estrelas Pra assim fazer seu inverso A lua Ele fez da viola As estrelas dos seus versos. Quando veio a madrugada Sentiu um abafamento Começou a se assoprar E nasceu assim o vento O vento soprou a noite Veio o dia se refazendo. Dia após dias se passaram Soprados vinham do Oriente O primeiro trouxe as nuvens O segundo as correntes O terceiro fez com que A Terra se movimente. 02


Foi assim nascendo o Tempo Dia em dia remendado, O vento que ia cansando Virava pedra, parado, Para outro espoleta Continuar o seu soprado. De tantas nuvens no céu Fez-se o trovão e a chuva Que vinham visitar a terra Clareando a noite turva No que um regava a videira O outro quebrava a uva. Então ao ver toda flora Com seu verde danificado, No clarear da manhã, Sonhou logo, imediato, Com sete cores de lã, Tinha o arco-íris criado. A mata toda deserta Deserta estava a vida, O fogo que tinha pegado Só deixou cinzas ardidas, O cravo ficou ferido E a rosa desprevenida. 03


Só o arco-íris brilhava Naquela atroz imensidão; Sozinho o vento assobiava Sem nada dar-lhe atenção Era um silêncio tão triste Provocado pelo trovão. Tupã do alto do arcano Sentado numa colina Enquanto sozinho sonhava Vislumbrava uma neblina Nesses vapores de musgo E línques de vida fina. A reteve com seu hálito Misturando-a com a terra Cuspindo o chão nebuloso Fez assim a primavera Brotaram as frutas as flores Cobrindo os montes e as serras. E pra prevenir igual Destino fez de prontidão Do que sobrou do vapor Pra selva um guardião E o chamou de Curupira O criador de armação. 04


E assim protegida a selva Quis Tupã dar sonoridade Aquela terra empapada Fez pra cigarra seu alarde O grilo, as aves, a serpente Pra dar som à claridade. Surgiram no ar a arara O urubu, o colibri A águia-real, o morcego O pavão o seu colorir E no mar pôs os peixes Fez assim tudo se ouvir. Ai um punhado de barro Ganhou vida e caminhou Devagarzinho a tartaruga Sem ninguém a ver chegou Quase até enganou o Tempo Que ela Ele despistou. O Tempo, esse encantado, Desafiador das promessas, Nascido dos dias passados, Que dá a vida pressa, Ficou muito aborrecido Por lhe pregarem tal peça. 05


Títulos desse autor:   

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TÍTULO: O Fantástico Sonho de Tupã Vol. 1 AUTOR: Joseilton Ferreira do Nascimento CAPA: Montagem ESQUEMA DAS RIMAS: x a x a x a FORMATO: Folheto (oito páginas).

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