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Jornada através do Livro de Exercícios

Volume Três

Lições 91 a 120

Um Curso em Milagres

Kenneth Wapnick, Ph.D.

Foundation for A Course in Miracles 1


SUMÁRIO POR VOLUME Volume Um Prefácio Agradecimentos Prelúdio Introdução Nível Um A Unicidade do Céu A Trindade Profana do Ego Nível Dois O Sistema de Pensamento de Culpa e Ataque da Mente Errada do Ego O sistema de Pensamento de Perdão da Mente Certa do Espírito Santo Introdução ao Livro de Exercícios Lições 1 – 60 Volume Dois Lições 61 – 90 Volume Três Lições 91 – 120 Volume Quatro Lições 121 – 150 Volume Cinco Lições 151 – 180 Volume Seis Lições 181 – 220 Volume Sete Introdução à Parte II Lições 221 – 365 Epílogo Poslúdio Volume Oito Índice Completo de Referências ao Um Curso em Milagres Foundation for A Course in Miracles Material Relacionado 2


LIÇÃO 91 Milagres são vistos na luz. As vinte lições dessa próxima série compartilham o mesmo tema, embora expresso de formas diferentes, refletindo a forma musical do tema e variações. O tema é o contraste entre o ser egóico e o verdadeiro Ser, e a Lição 91 se focaliza no poder de nossas mentes de escolherem entre a interpretação do ego sobre a nossa identidade – um ser pecador, culpado e amedrontado – e o lembrete do Espírito Santo de Quem somos como Cristo. Outro aspecto desse tema é que uma vez que nosso ego está diretamente manifestado no corpo, nós em última instância, mudamos essa identificação para o espírito que é o nosso Ser. O título da primeira lição nessa série expressa seu tema do milagre, cuja escolha é a causa que leva à visão, o efeito. Nós somos lembrados de que a visão não tem nada a ver com os olhos do corpo, mas com um estado mental que é alcançado escolhendo Jesus como nosso professor. Portanto, nós percebemos o mundo através das lentes do perdão, em vez de através dos julgamentos do ego. (1:1-2) É importante lembrar que milagres e visão vão necessariamente juntos. Eu mostrei antes que milagre no Um Curso em Milagres pode ser mais bem definido como uma correção da percepção falsa, não tendo nada a ver com qualquer coisa externa. Ele muda nossa maneira de ver o mundo – separação, diferenças, ataque e corpos – para a visão que Jesus tem do mundo como uma sala de aula que nos oferece oportunidades de aprendermos o perdão. Portanto, o efeito imediato de escolher o milagre é essa nova forma de ver – o significado da visão. (1:2) Isso precisa ser repetido e repetido freqüentemente. A razão óbvia é que nós aprendemos e re-aprendemos que o que o ego tem ensinado é verdade. Consequentemente, é necessário concentração e vigilância para reverter um sistema de pensamento – tão diligentemente construído – que formou a base da nossa existência. A seguinte passagem, parte da qual já examinamos, elabora o aprendizado excessivo do nosso ego e a necessidade de aprender com um professor diferente, Cujas lições não podem falhar: O que ensinaste a ti mesmo é um feito de aprendizado tão gigantesco que chega a ser, de fato, incrível... Ninguém que compreende o que aprendeste, como o aprendeste cuidadosamente e as dores pelas quais passaste para praticar e repetir as lições incessantemente, em todas as formas que podias conceber, poderia jamais duvidar do poder da tua capacidade de aprender. Não existe no mundo poder maior. O mundo foi feito por ele e mesmo agora não depende de nenhuma outra coisa. As lições que ensinaste a ti mesmo foram tão super aprendidas e fixadas, que elas se erguem como cortinas pesadas para obscurecer o simples e o óbvio... Agora, o teu antigo super-aprendizado permanece implacável diante da Voz da verdade e te ensina que as Suas lições não são verdadeiras: são por demais duras de se aprender, por demais difíceis de se ver e por demais opostas ao que é realmente verdadeiro. Apesar disso, tu as aprenderás, pois aprendê-las é o único propósito que o Espírito Santo vê em todo o mundo para a tua capacidade de aprender. As Suas simples lições de perdão têm um poder muito maior do que as tuas, porque te chamam a partir de Deus e do teu Ser (T-31.I.2:8-9; 3:1-9; 5:6-14).

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Um dos meios que Jesus usa para reverter o super-aprendizado dos ensinamentos do ego são essas lições do livro de exercícios, que nos impelem a praticar, praticar, praticar o que ele nos pede para aprender. (1:3-4) Essa é uma idéia central no teu novo sistema de pensamento e na percepção que ele produz. Jesus está explicitamente nos mostrando que ele está nos ensinando uma nova forma de pensar. Quando aceita, temos uma nova forma de ver. Novamente, essa percepção não está enraizada em uma mudança externa, mas na mudança de professores na mente. (1:4-6) O milagre está sempre aqui. A sua presença não é causada pela tua visão, a sua ausência não é um resultado do teu fracasso em ver. Novamente, a visão é o efeito e o milagre é a causa. A correção que ela traz está sempre em nossas mentes através da Presença do Espírito Santo. O problema é que nós escolhemos não nos beneficiar da Sua correção amorosa, escolhendo em vez disso, acreditar que a nossa individualidade é a verdade, levando inevitavelmente à crença de que a unicidade é o inimigo. (1:6-7) Só a tua consciência dos milagres é afetada. Tu os verás na luz, não os verás no escuro. Lembrar que o milagre é uma correção, esclarece essa passagem. Nossa escolha de não aceitá-lo não significa que ele se foi, mas simplesmente que nós fomos embora. Quando nosso tomador de decisões vaga por aí, nós não reconhecemos mais a correção porque olhamos no lugar errado. Seguindo a bolinha saltitante do ego (NT: Bouncing ball é um recurso usado em vídeos para indicar visualmente o ritmo de uma canção, ajudando a audiência a cantar junto com uma canção ao vivo ou gravada) – você se lembra da bolinha saltitante de Mitch Miller? (NT: Mitchell Miller é músico, cantor, maestro e produtor musical nos EUA, ainda em atividade hoje em dia, com 97 anos de idade) -, terminamos no

mundo, continuamente buscando soluções onde o ego nos levou. Não mais identificados com a mente, olhamos para a escuridão do mundo buscando respostas que nunca poderemos achar, uma vez que milagres são vistos apenas na luz de perdão da mente, a escolha guardada para nós pelo Espírito Santo. (2:1) Para ti, então, a luz é crucial. Para repetir esse pensamento importante, a luz não tem nada a ver com o físico, incluindo auras ou qualquer outra expressão psíquica. Em Um Curso em Milagres, a luz é equacionada à correção do Espírito Santo – a Expiação, perdão, o milagre. É por isso que ela é tão crucial para nós. É a saída do inferno sombrio de culpa do ego. (2:1-3) Enquanto permaneces na escuridão, o milagre permanece sem ser visto. Assim, ficas convencido de que ele não está aqui. Quando estamos imersos no sistema de pensamento de escuridão do ego, parece que não existe correção – nem Jesus ou o Espírito Santo – e Um Curso em Milagres é uma mentira. Parece que tivemos sucesso em construir barricadas contra o milagre, fazendo com que nossa identificação falsa – primeiro em pensamento, e depois no corpo – seja verdadeira. Na realidade, foi por isso que fizemos o mundo: para prover evidências que confirmassem que estamos certos e o Espírito Santo está errado, demonstrando de forma convincente que a separação foi alcançada de verdade. (2:3-4) Isso decorre das premissas das quais vem a escuridão. 4


A escuridão é equacionada ao sistema de pensamento do ego, encontrado na premissa de que a separação de Deus é um fato. Além disso, o ego nos diz que quando nos separamos, Deus foi destruído. Se Ele é a perfeita Unicidade e Completeza, não pode ser separado e continuar sendo Quem Ele é. Portanto, se nós acreditamos que o impossível aconteceu – e parecemos ser as testemunhas vivas desse “fato” – Deus não pode ser a perfeita Unicidade e Completeza. Portanto, Ele deixa de ser Deus, e como Ele pode ser conhecido se não está lá? Essa, incidentalmente, é a fundação do argumento ancestral sofista de que a verdade não é absoluta, mas relativa. A verdade agora pode ser qualquer coisa que alguém escolha, pois a verdade absoluta não existe mais. (2:4-6) A negação da luz conduz ao fracasso em percebê-la. O fracasso em perceber a luz é perceber a escuridão. Nesse caso, a luz é inútil para ti embora esteja aqui. Se nós equacionarmos a luz a Jesus, ao Espírito Santo, ao Um Curso em Milagres e não a nós mesmos, Eles serão inúteis para nós, porque nós não fomos incluídos. Nós nos separamos da verdade, e estamos teimosamente convencidos de que estamos certos. A escuridão reina suprema porque a luz não está em lugar algum para ser vista. (2:6-9) Tu não podes usá-la porque a sua presença é desconhecida para ti. E a aparente realidade da escuridão faz com que a idéia da luz seja sem significado. Esse é o propósito ao qual o corpo e o mundo servem – tornar a escuridão da separação real. A crença do ego no significado da escuridão e na falta de significado da luz torna impossível, portanto, conhecer a presença da luz; e uma vez que acreditamos ver a escuridão, a luz e seu significado se foram. (3:1-3) Ser informado de que o que não vês está presente soa como insanidade. É muito difícil te convenceres de que é insanidade não ver o que está presente e, ao invés disso, ver o que não está. De novo e de novo, vemos Jesus usando essa definição clássica de psicose. Entre os sinais clínicos indicadores de doença mental estão as alucinações visuais e auditivas. Esse é ainda outro exemplo de Jesus gentilmente nos dizendo que nós somos insanos. Mais uma vez, nós vemos a natureza proposital do mundo e do corpo, e sua importância estratégica no plano do ego para nos manter em um estado sem mente. O corpo testemunha a realidade aparente do “que não está lá”, enquanto “o que está lá” não pode ser visto. Esse é o significado da seguinte passagem do texto: Quando fizeste com que fosse visível o que não é verdadeiro, o que é verdadeiro veio a ser invisível para ti. Não entanto, não pode ser invisível em si mesmo, pois o Espírito Santo o vê com perfeita clareza. É invisível para ti porque estás olhando para uma outra coisa (T-12.VIII.3:1-5). É o corpo que nos capacita a olharmos para “alguma outra coisa” e acreditar que ela está lá. (3:4-6) Não duvidas de que as imagens que eles te mostram são a realidade. A tua fé está na escuridão e não na luz. Jesus discute a fé em grande extensão no texto, no contexto do poder do tomador de decisões na mente de colocar sua fé em qualquer coisa que acredite ser verdadeira: o ego ou o Espírito Santo (e.g., T-19.I e T-21.III). A fé, então, é neutra: Nós escolhemos acreditar nos ensinamentos de separação do ego, ou colocamos nossa fé na mensagem de Jesus sobre sua 5


natureza ilusória? Se a nossa fé estiver na escuridão, vamos acreditar que ela é verdadeira; se estiver na luz, essa será nossa crença. A seguinte passagem resume nossa escolha pela falta de fé, a crença em ilusões: Cada situação em que te achas não é senão um meio de realizar o propósito estabelecido para o teu relacionamento. Se a vês como qualquer outra coisa, estarás sem fé... A falta de fé é a serva da ilusão e totalmente fiel à sua senhora. Usa-a e ela te carregará diretamente às ilusões... Não aceites a ilusão de paz que ela te oferece, mas contempla a sua oferta e reconhece que é ilusão (T-17.VII.5:13,5-6,7-9). Para fazer novamente essa afirmação importante, é o propósito do corpo, desde o seu início no sistema de pensamento do ego, nos fazer acreditar que a ilusão é a realidade e a realidade é a ilusão. Nossa fé, portanto, é colocada no nada, no entanto, permanecemos inconscientes da falta de fé da nossa decisão. (3:6-7) Como isso pode ser revertido? Para ti é impossível, mas não estás sozinho nisso. O você, como sempre, é o tomador de decisões. Essa não é uma reversão que conseguimos por nós mesmos, a ação que começou com a separação quando fomos tentados a estar à parte de Deus. Nossa decisão de nos separar é corrigida pela mudança em nossa identificação com o ego para com o Espírito Santo. Esse é o significado de “não estás sozinho nisso”. Em outras palavras, existe outro sistema de pensamento e outro Professor que pode nos ajudar. O propósito dessas lições é facilitar a aceitação dessa ajuda. (4:1-2) Os teus esforços, por menores que possam ser, contam com apoio forte. Isso é um eco ao tema familiar de um pouco de boa vontade, que é tão importante no texto: O instante santo é o resultado da tua determinação de ser santo... Preparas a tua mente para ele apenas na medida em que reconheces que o queres acima de todas as outras coisas. Não é necessário fazer mais; na verdade, é necessário que reconheças que não podes fazer mais. Não tentes dar ao Espírito Santo aquilo que Ele não pede, ou estarás adicionando o ego a Ele e confundindo os dois. Ele só pede pouco. É Ele que adiciona a grandeza e o poder... O instante santo... resulta sempre desse pouco de boa vontade combinado com o poder ilimitado da Vontade de Deus (T-18.IV.1:1-2,3-9; 4:1-3). Não somos solicitados a fazer uma grande coisa, como ensinar as lições do Espírito Santo, mas apenas a escolhermos a Ele como nosso Professor, como uma expressão da nossa pouca boa vontade. Nem mesmo somos solicitados a aprender Suas lições, pois isso virá depois. Jesus nos pede apenas para reconhecermos que estivemos errados em nossa escolha de professor, e para entendermos que existe outro Alguém em nossas mentes a Quem podemos ir. Conforme nosso medo diminui e nós escolhemos o Professor correto, aprendemos Suas lições. De início, o pouco de boa vontade expressa o pensamento feliz de que estamos errados. Somos ainda mais gratos por existir Alguém dentro de nós Que está certo. Esse é o primeiro e talvez o mais importante passo, porque nos leva ao longo do caminho certo. Para usar outra imagem, ele nos coloca na escada certa. Quanto tempo vai levar para chegarmos ao topo não é uma preocupação real, pois só o que é importante é que Jesus nos ajude a encontrar nosso caminho para casa. Encontrá-lo, mais uma vez, significa perceber alegremente que estamos errados sobre o que pensamos que ele era. 6


(4:2-8) Se apenas reconhecesses o quanto é grande essa força, as tuas dúvidas se desvaneceriam. Hoje vamos nos dedicar à tentativa de deixar com que sintas essa força. Quando tiveres sentido em ti a força que faz com que todos os milagres estejam facilmente ao teu alcance, não duvidarás. Ao sentir a força dentro de ti, os milagres, que o teu senso de fraqueza escondem, saltarão à tua consciência. Isso repousa em uma coisa, e apenas em uma única coisa – utilizar o poder da mente para corrigir nosso equívoco anterior de nos identificarmos com a fraqueza do ego. O próximo parágrafo é explícito sobre a distinção entre a mente e o corpo. Reconhecer essa distinção é essencial, pois se não somos um corpo, a única opção restante é que somos uma mente. Perto do fim do texto, como já vimos, Jesus explica nossa simples escolha: Sempre escolhes entre a tua fraqueza e a força de Cristo em ti. E o que escolhes é o que pensas que é real. Simplesmente pelo fato de nunca usares a fraqueza para dirigir as tuas ações, não deste a ela nenhum poder. E à luz de Cristo em ti é dado o controle de tudo o que fazes. Pois trouxeste tua fraqueza a Ele e Ele te deu a Sua força em lugar dela (T-31.2:2-7). A força de Cristo repousa em nossas mentes, lembrando quando entendemos que a fraqueza e a vulnerabilidade vêm de termos escolhido o ego como nosso ser, uma decisão que culminou na identificação com o corpo. O milagre é a gentil correção para o nosso equívoco. (5:1-3) Três vezes no dia de hoje, reserva dez minutos, aproximadamente, para um momento de quietude em que tentarás deixar a tua fraqueza para trás. Conforme a lição progride, nós vemos como Jesus aumenta o tempo que passamos com ele a cada dia. No início do livro de exercícios ele pediu apenas dois minutos, se pudéssemos conseguir isso. Agora, ele sobe esse tempo para dez minutos, três vezes ao dia, e o tempo vai continuar a aumentar. (5:3-4) Isso é realizado de modo muito simples ao instruíres a ti mesmo que não és um corpo. Como você instrui a si mesmo? – o tomador de decisões ensinando a si mesmo que ele não é um corpo. Portanto, o você que está seguindo as instruções não é o corpo, e o você mesmo que está sendo instruído é o ser que nós acreditamos que somos como uma personalidade. Essa, então, é a resposta à pergunta retórica de Jesus, feita perto do início do texto: Tu podes questionar como isso [perceber que todas as percepções são desnecessárias] é possível enquanto aparentares estar vivendo nesse mundo. Essa é uma questão razoável. Contudo, tens que ser cuidadoso para compreendê-la realmente. Quem é o “tu” que está vivendo nesse mundo? (T-4.II.11:7-11). (5:4-5) A fé vai para o que tu queres, e instruis a tua mente de acordo com isso. O tu, novamente, é a parte da mente que escolhe. Nós colocamos nossa fé no ego ou no Espírito Santo, refletindo o desejo de permanecer uma entidade individual separada de Deus, ou de retornar ao lar e despertar para nossa realidade como o Filho único de Deus. (5:5-8) A tua vontade continua sendo o teu professor, e a tua vontade tem toda a força para fazer o que ela deseja. Podes escapar do corpo se assim escolheres. Podes experimentar a força em ti. 7


Por vontade, Jesus está se referindo ao poder de nossas mentes de escolherem entre o ego e o Espírito Santo. Temos visto esse uso antes, e ele esclarece a importância de recorrer à vontade de desfazer a usurpação da Vontade de Deus feita pelo ego. A fraqueza do ego não é páreo para a força de Cristo, que o Espírito Santo mantém para nós em nossas mentes, ainda que tentemos escondê-la, substituindo-a pela crença do ego na dominação, mascarada como força. Temos que ser cuidadosos para não tirarmos a sentença 5 fora do contexto (“Podes escapar do corpo se assim escolheres”). Na verdade, não podemos escapar do corpo porque não estamos no corpo. Jesus na realidade está nos dizendo que não podemos escapar do corpo porque nós não estamos no corpo. Jesus está realmente nos dizendo que podemos escapar do sistema de pensamento com o qual nos identificamos, e no qual aprisionamos a nós mesmos. Esse aprisionamento é expresso na forma quando é projetado no corpo. Portanto, parece – como pareceu durante séculos aos filósofos e teólogos – que realmente estamos aprisionados no corpo. Como, no entanto, podemos estar aprisionados em um corpo que não existe? Podemos estar aprisionados apenas em uma ilusão de um corpo, o que repousa dentro do nosso sistema de pensamento. É a crença da mente na culpa que é a prisão, e se a culpa não for desfeita, permaneceremos para sempre aprisionados, não importando o que façamos com o corpo. Esse tema é o assunto de “Além do corpo”, no Capítulo 18 do texto, e a seguinte passagem resume seu pensamento central: Tu te vês trancado em uma cela separada, retirado e inacessível, incapaz de alcançar o exterior assim como de ser alcançado. Odeias essa prisão que fizeste e queres destruí-la. Mas não queres escapar deixando-a ilesa, sem a tua culpa sobre ela. No entanto, é só assim que podes escapar. O lar da vingança não é o teu, o lugar que separaste para abrigar o teu ódio não é uma prisão, mas uma ilusão de ti mesmo... Todos já experimentaram o que pode ser descrito como uma sensação de estar sendo transportado além de si mesmo... Se considerares o que esse “transporte” realmente envolve, reconhecerás que é uma súbita ausência de consciência do corpo e uma união de ti mesmo com alguma outra coisa na qual a tua mente cresce para abrangê-la... Não existe absolutamente nenhuma violência nessa libertação. O corpo não é atacado, mas simplesmente percebido de maneira adequada... Não és realmente “elevado além” dele, ele não pode conter-te. Vais aonde queres estar, ganhando e não perdendo o senso do Ser (T-18.VI.7:6-10; 8:13; 11:1-2,5-9; 13:1-3,4-6). Portanto, nós gentilmente alcançamos a fuga da pequenez da fraqueza para a magnitude da força. (6:1-5) Começa os períodos de prática mais longos com essa declaração das verdadeiras relações entre causa e efeito: Milagres são vistos na luz. Os olhos do corpo não percebem a luz. Mas eu não sou um corpo. O que sou eu? Essa questão é o problema. Lembre-se, fizemos o mundo e o corpo em primeiro lugar – como um único Filho coletivo – para escapar da ira vingativa de Deus que o ego nos disse que está na mente, na realidade. O ego nos disse que nossa independência de Deus foi comprada ao custo do pecado. Nós destruímos Deus, e agora Ele vai se levantar e devolver o favor. Esse é o terror que o ego colocou na mente de todos, e que nos levou para fora da mente – figurativa e literalmente –, fazendo o mundo físico: a versão do Curso para o Big Bang. 8


A pergunta que Jesus faz é: Se você não é um corpo, o que você é? Ler isso cuidadosamente deveria fazer surgir o terror em seu coração, porque você subitamente teria que se voltar para essa pergunta. Quem é você além dos seus problemas, lista de mágoas, personalidade, cor da pele, sexo, altura, peso, idade, nacionalidade, etc.? Nós, portanto, somos devolvidos ao ponto de partida do Um Curso em Milagres: nossa habilidade de entender que tudo o que fizemos é falso. Nosso objetivo é dizer que estamos felizes – realmente felizes – por estarmos errados. O milagre é o meio através dos quais chegamos a reconhecer nossa escolha equivocada, feita não no corpo, mas na mente, e então corrigida ali. (6:6-7) A pergunta que conclui essa declaração é necessária para os nossos exercícios de hoje. Ao atravessarmos o livro de exercícios, nós percebemos que as apostas estão ficando cada vez mais altas. As noventa lições anteriores gentilmente nos levaram até esse ponto. Fomos apresentados a várias idéias chave, entre as quais as de que nossos pensamentos dão significado a tudo, que eles fazem o mundo, e em última instância, que não há mundo fora de nós. Essas idéias têm sido apresentadas de tal forma que a maior parte do tempo, não pensamos seriamente sobre sua implicação: se não existe mundo fora de nossas mentes, não pode haver corpo fora das nossas mentes também. Isso significa confrontar a questão: quem sou eu? Jesus nos levou até o ponto em nosso treinamento onde ele nos pede para fazermos apenas isso. (6:7-8) O que pensas que és, é uma crença a ser desfeita. Nós pensamos que somos corpos, e sob isso está a crença em que somos “o lar do mal, da escuridão e do pecado” (LE-pI.93.1:1). Isso é o que precisa ser desfeito. Perceba a palavra crença. Nossos corpos não são fatos, mas crenças. Você não pode mudar um fato, o que é claro é o ponto principal do sistema de pensamento do ego. Nossa separação, incorporada em nossos corpos, é vista como um fato, parte da chamada ordem natural, sua imutabilidade parece ter nos expulsado permanentemente do Céu para nunca retornarmos. É por isso que Jesus colocou tanta ênfase em nossa compreensão do poder do pensamento – na mente, não no cérebro. A separação, e o corpo que resultou dela, é uma crença e, portanto, pode ser mudada exercendo o poder da mente de escolher um pensamento diferente, aprendendo a colocar sua fé na Expiação do Espírito Santo e retirando-a da separação do ego. (6:8) Mas o que realmente és tem que ser revelado a ti. O que nós realmente somos é um Ser, revelado a nós não porque Jesus está nos dizendo, mas por erguermos o véu que manteve a memória desse Ser distante. A culminação da estratégia do ego para manter oculta a verdade é o corpo, com o qual nós nos identificamos. O perdão – o processo de retirar nossa culpa projetada – remove os véus que nos mantiveram inconscientes da presença do amor (T-in.1:7): o que nós realmente somos. (6:11) Acreditar que és um corpo pede correção, pois é um erro. A verdade do que és convoca a força em ti para trazeres à tua consciência aquilo que o equívoco oculta. Aqui vemos enunciado o equívoco que oculta a verdade. Nessa lição, Jesus se focaliza no equívoco de se identificar com o corpo. Como eu falei, Jesus não quer dizer para nós desistirmos do corpo. Em vez disso, somos solicitados apenas a pensar sobre sua natureza. Essa é apenas a Lição 91, e quando chegarmos ao fim do livro de exercícios, Jesus vai nos dizer que estamos apenas no início (LE-ep.1:1). Novamente, ele não está esperando que seus estudantes liberem o corpo, mas que dêem um passo atrás e pensem seriamente sobre seu papel no sistema de pensamento de especialismo do ego. Tal exercício reflete os passos 9


gentis que nos ajudam a mudar nossa identificação do sistema de pensamento de fraqueza do ego para a parte tomadora de decisões das nossas mentes, que agora estariam livres para escolher a força de Cristo como sua realidade. (7:1) Se não és um corpo, o que és tu? Agora vem o terror real, refletindo o pensamento que vem na conclusão de “Auto-conceito versus Ser”: Não há declaração que o mundo tenha mais medo de ouvir do que essa: Eu não sei o que sou e, portanto, não sei o que estou fazendo, onde estou ou como olhar para o mundo ou para mim mesmo. (T-31.V.17:11-15). Essa é a afirmação que o ego tem tentado vigorosamente nos impedir de articular. Ela marca o fim do seu sistema de pensamento de encobrimento cuidadosamente planejado. Trazer essa preocupação à consciência nos permite olhar para a certeza aparente da nossa identidade como um ser corporal culpado, abrindo, portanto, a possibilidade de finalmente questionarmos a premissa fundamental do próprio ego: a crença em que a separação de Deus realmente aconteceu. Questionar essa premissa nos permite questionar a premissa de que nós – seres físicos e psicológicos – realmente acontecemos também. (7:6) Precisas estar ciente do que o Espírito Santo usa para substituir a imagem de um corpo na tua mente. Precisas sentir algo em que possas depositar a tua fé à medida em que a retiras do corpo. Precisas ter uma real experiência de outra coisa, algo mais sólido e mais seguro, mais digno da tua fé e realmente presente. Isso nos dá um vislumbre incisivo da metodologia de Jesus. Através de todo o Um Curso em Milagres, ele nos apresenta os dois lados da mente dividida. Ele é explícito em relação a essa necessidade – senão à urgência – de que olhemos para o ego e compreendamos seu sistema de pensamento. Ao mesmo tempo, ele nos ajuda a perceber como o ego tenta encobrir a verdade. Embora nosso terror seja o de que se desistirmos do ego não teremos nada, temos essas palavras e lições para nos ajudarem a aprender que desistir do ego é o meio de descobrir a verdade gloriosa sobre nós mesmos – o Tudo de Deus. Portanto, Jesus não está simplesmente dizendo que não somos corpos. Ele também está dizendo que existe algo palpavelmente real dentro de nós que vai assumir o lugar da nossa identificação corporal. É por isso que esse é um processo a longo prazo: parte de nós entende que começar a liberar nossa identidade egóica, com seu especialismo e julgamentos, significa que nossa individualidade não vai ficar atrás. É isso o que nos amedronta. Em nenhum outro lugar essa estranha situação – nosso medo da verdade – é mais diretamente expressa do que em “O medo da redenção”. O seguinte parágrafo é um excerto representativo dessa importante seção, que descreve o medo de despertar para a verdade da nossa Identidade como crianças do Amor: Construíste todo o teu insano sistema de crenças porque pensas que ficarias indefeso na Presença de Deus e queres salvar a ti mesmo do Seu Amor porque pensas que ele te esmagaria no nada. Tens medo de que ele te varra para longe de ti mesmo e te faça pequeno, porque acreditas que a magnitude está no desafio e que o ataque é grandioso. Pensas que fizeste um mundo que Deus quer destruir e amando-O como tu O amas, jogarias fora esse mundo, o que, de fato, farias. Portanto, usaste o mundo para encobrir o teu amor e quanto mais te aprofundas no 10


negror do fundamento do ego, mais perto chegas do amor que lá está escondido. E é isso que te assusta (T-13.III.4). Mais uma vez, Jesus não está pedindo para desistirmos da nossa individualidade, mas simplesmente questionando sua validade. Ele começa ensinando-nos que não somos um corpo, gentilmente introduzindo-nos ao processo que em última instância – não amanhã! – vai nos levar para casa. Portanto, ele nos conforta: Não tenhas medo de ser abruptamente erguido e jogado na realidade. O tempo é benigno e, se o usares em favor da realidade, ele manterá contigo um ritmo gentil na tua transição (T-16.VI.8:1-3). Antes, no texto, ele reforça esse processo gentil do nosso despertar: Em primeiro lugar, tu vais sonhar com a paz e então desaparecerás nela. A tua primeira troca do que fizeste pelo que queres é a troca dos pesadelos pelos sonhos felizes do amor (T-13.VII.9:1-3). Em uma passagem que já examinamos, Jesus explica como o Espírito Santo não nos pede para despertarmos diretamente dos nossos pesadelos. Em vez disso, Ele dá conosco os pequenos e gentis passos dos sonhos felizes do perdão, para que a paz resulte disso em vez do terror: Nada mais amedrontador do que um sonho vão aterrorizou o Filho de Deus e o fez pensar que ele perdeu a sua inocência, negou o seu Pai e fez uma guerra contra si mesmo. Tão amedrontador é o sonho, tão aparentemente real, que ele não poderia despertar para a realidade sem o suor do terror e um grito de medo mortal, a não ser que um sonho mais gentil precedesse o seu despertar e permitisse que a sua mente mais calma desse boas-vindas à Voz Que chama com amor para que ele desperte ao invés de temê-la; um sonho mais gentil, no qual o seu sofrimento foi curado e seu irmão veio a ser seu amigo. A Vontade de Deus é que ele desperte gentilmente com alegria e deu-lhe o meio para despertar sem medo (T-27.VII.13:213). Nós, portanto, começamos a aprender, sem medo, que existe realmente algo além dos nossos egos: paz em vez de conflito, perdão em vez de especialismo, milagres em vez de ataque. O substituto para o ego, nesse ponto da nossa jornada, não é um ser abnegado, um pensamento além da forma, porque isso ainda é muito ameaçador. O ser substituto ainda é vivenciado dentro de um corpo, mas é um ser benevolente; um pensamento benigno, que é o motivo pelo qual Jesus fala de sonhos felizes. O perdão ainda é parte da ilusão da separação, mas uma ilusão com menos culpa, ansiedade, terror e especialismo. Portanto, Jesus diz que temos algo “mais sólido e mais certo” no qual colocarmos nossa fé. No entanto, além até mesmo desse ser gentil e feliz está o glorioso Cristo que Deus criou como nosso Ser, o Fim além do final da jornada. (8:1-4) Se tu não és um corpo, o que és tu? Pergunta isso com honestidade e, em seguida, dedica vários minutos a deixar que os teus pensamentos equivocados sobre características tuas sejam corrigidos e substituídos pelos seus opostos. Esse é um exemplo do que estivemos discutindo. Jesus está nos fazendo saber que ele sabe que não vamos liberar o corpo com toda essa rapidez, e que ainda vamos ter muitos pensamentos equivocados. Ele, portanto, não vai trocar nossas ilusões pela verdade, mas vai trocar nossas ilusões malévolas e odiosas por outras mais benignas e gentis. Esse é o 11


significado das seguintes declarações. Elas não devem ser vistas como afirmações, como eu já disse antes, mas como lembretes de onde Jesus está nos levando. Ele, portanto, nos leva a dizer: (8:5-10) Eu não sou fraco, mas forte. Eu não sou impotente, mas todo poderoso. Eu não sou limitado, mas ilimitado. Eu não tenho dúvida, mas certeza. Eu não sou uma ilusão, mas uma realidade. Eu não posso ver na escuridão, e sim na luz. Jesus está nos dizendo para trazermos as ilusões dos nossos pensamentos equivocados à verdade da nossa Identidade. Portanto, começamos a substituir as imagens infelizes de nós mesmos pelas felizes. No final, todas as imagens vão desaparecer. No entanto, ele não está nos pedindo para que essa seja nossa experiência agora. Seu ensinamento é sempre gentil e paciente. Ao praticarmos uma lição como essa, precisamos estar cientes dos nossos pensamentos sobre nós mesmos, para que possamos aprender que eles são equívocos. Na verdade, existe uma correção para cada pensamento equivocado em nossas mentes, e nós precisamos trazer Jesus conosco para que possamos olhar juntos para esses pensamentos de inadequação, fracasso e auto-ódio. Tal olhar não-julgador ordena a correção, capacitando-nos a olhar através das ilusões para a luz da verdade. (9:1-5) Na segunda fase do período de exercícios, tenta experimentar estas verdades sobre ti mesmo. Concentra-te particularmente na experiência da força. Lembra-te de que todo senso de fraqueza é associado à crença segunda a qual és um corpo, uma crença que é equivocada e não merece nenhuma fé. Toda experiência de fraqueza vem de nos identificarmos com o corpo. Como sempre, as referências não são apenas ao ser físico, mas ao psicológico também. Novamente, nosso senso de dor, sofrimento e fracasso vem de colocarmos fé em nossos corpos. No entanto, o corpo não é a questão. Como Jesus nos disse antes no livro de exercícios, a questão é a incorporação do sistema de pensamento do ego (LE-pI.72.2:1-3), e então, o problema real é meramente nossa identificação com o uso que o ego faz do corpo. Mais uma vez, não somos solicitados a negar nossos corpos, mas simplesmente a corrigirmos o propósito que devemos a eles. (9:5-6) Tenta remover a tua fé dessa crença, nem que seja por um momento. Podemos ver o quanto Jesus é não-ameaçador em sua instrução, não tendo expectativas do nosso aprendizado. Seu propósito dominante para nós é bem explícito, no entanto, ele permanece gentil. Ele não está nos pedindo para suspendermos nossa identificação com o corpo, mas apenas para tentarmos fazê-lo por um minuto. O termo fé, você pode se recordar, se refere àquilo em que o tomador de decisões coloca sua crença, ou a qual professor ele escolhe como seu instrutor. (9:6-8) À medida em que avançamos, tu te acostumarás a manter a tua fé naquilo que é mais digno de ti. Novamente, Jesus está nos deixando saber que esse é um programa de treinamento passo a passo, durando muito, muitos anos. O que expressa o pouco de boa vontade é olhar para o que acreditamos ser verdadeiro e dizer: “Obrigado, Deus, eu estava errado”. Isso carrega em si a declaração implícita: “Obrigada, Deus, existe Alguém dentro de mim Que está 12


certo”. A paz e a alegria de renunciar a essa necessidade de estar certo reforça nossa escolha do Espírito Santo como o objeto mais vantajoso da nossa fé. (10) Relaxa no resto do período de prática, confiante de que os teus esforços, por menores que sejam, são plenamente apoiados pela força de Deus e de todos os Seus Pensamentos. É Deles que virá a tua força. É através do Seu forte apoio que sentirás a força em ti. Eles estão unidos a ti nesse período de prática no qual compartilhas um propósito como o Deles Próprios. Deles é a luz em que verás os milagres, pois a Sua força é a tua. Deles é a força que vem a ser os teus olhos para que possas ver. Essa é outra forma de afirmar que nossa parte na Expiação é pequena, e a do Espírito Santo é grande. Dele é a força que sacamos para corrigir nossa escolha equivocada pela fraqueza do ego. Jesus nos pede apenas um pouco de boa vontade para praticarmos a lição para o dia. Na verdade, como já discutimos, é fazendo esse esforço, “ainda que escasso”, que chegamos a reconhecer o verdadeiro poder de escolha das nossas mentes. É o uso desse poder pela mente certa que nos une à força de Cristo. Sem nossa escolha, Sua força permanece dormente, e sem essa força, nossas mentes permanecem para sempre na escravidão à escuridão do ego, cegas por sua fraqueza. (11) Cinco ou seis vezes por hora, a intervalos razoavelmente regulares, lembra-te de que os milagre são vistos na luz. Certifica-te também de fazer frente a qualquer tentação com a idéia de hoje. Essa forma poderia te ser útil nesse propósito especial: Milagres são vistos na luz. Que eu não feche os olhos por causa disso. Na última revisão, Jesus continuamente usou a palavras “isso”, referindo-se a qualquer coisa que nos tentasse a ficarmos transtornados através do dia. O propósito do livro de exercícios é nos prover com idéias que então possamos aplicar às nossas situações diárias. Essas idéias não fazem sentido, no entanto, se nós simplesmente pensarmos sobre elas sem prática, pois precisamos praticar especialmente quando formos tentados a ver a nós mesmos como inadequados, ou a projetarmos nossa fraqueza e vermos alguém mais dessa maneira. Em outras palavras, sempre que formos tentados a fazer julgamentos sobre nós mesmos ou os outros, será o momento em que precisamos pensar sobre a lição do dia. A decisão de praticar é a decisão de ver: visão em vez de julgamento. Como o texto nos lembra: Visão ou julgamento é a tua escolha, mas nunca ambos (T-20.V.4:7).

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LIÇÃO 92 Milagres são vistos na luz, e a luz e a força são uma só. (1:1-3) A idéia para o dia de hoje é uma extensão da anterior. Tu não pensas na luz em termos de força e na escuridão em termos de fraqueza. Isso é assim porque nós pensamos que a escuridão do sistema do nosso ego é nossa força. Na extensão em que pensarmos sobre nós mesmos como especiais, nossa força repousará na escuridão da separação. Na verdade, nosso ser separado é sustentado pelo especialismo, uma parte intrínseca do mundo sombrio do ego. Portanto, nós não pensamos na luz como força, porque a luz – o princípio da Expiação – marca o fim da nossa identidade separada. Portanto, do nosso ponto de vista como egos, a luz nos torna fracos, pois ela desfaz o sistema de pensamento de escuridão. Nossa confusão sobre o que constitui força e fraqueza é a mesma confusão entre dor e alegria, liberdade e aprisionamento (T-7.X; T-8.II). (1:3-8) Isso é assim porque a tua idéia do que significa ver está presa ao corpo, aos olhos do corpo e ao cérebro. Assim, acreditas que podes mudar o que vês pondo pedacinhos de vidro diante dos teus olhos. Essa é uma das muitas crenças mágicas que vêm da convicção de que és um corpo e de que os olhos do corpo podem ver. Esse é um desempenho repetido do que Jesus fez na Lição 76, quando zombou das leis do mundo e da nossa lealdade a elas. Nós seguimos essas leis por causa da nossa identificação com o corpo. O problema real, então, não tem nada a ver com o corpo em si mesmo, mas com a decisão da mente de ser separada: primeiro como pensamento, e depois como um corpo. Portanto, não são as leis do corpo que nos afetam, mas nossa decisão; nós somos os carcereiros, não o corpo, pois somos aprisionados apenas pelos nossos próprios pensamentos. (2) Também acreditas que o cérebro do corpo pode pensar. Se apenas compreendesses a natureza do pensamento, poderias apenas rir dessa idéia insana. É como se pensasses que tens nas mãos o fósforo que ilumina o sol e lhe dá todo o calor; ou que manténs o mundo dentro da tua mão, bem preso, até que o deixes ir. No entanto, isso não é mais tolo do que acreditar que os olhos do corpo podem ver e o cérebro pensar. Não existe maneira de ninguém que leia o Um Curso em Milagres e esteja identificado com o corpo poder ter qualquer compreensão sobre esse parágrafo. Jesus está dizendo que o corpo não pensa e não vê, o que é outra forma de dizer que o corpo não existe. O problema é que nós lemos isso como um corpo: vendo o que estamos lendo, ainda que o que estamos lendo nos diga que não podemos ver; pensando sobre o que estamos lendo, ainda que o que estamos lendo nos diga que não podemos pensar. Existe um paradoxo embutido aqui, que iria aterrorizar a maioria dos estudantes se fosse considerado, pois seu impacto é devastador. Seus olhos e cérebros são negados pelas próprias palavras que eles estão lendo e sobre as quais estão pensando. Onde isso deixa você? Essa é uma pergunta que se refere a uma pergunta já feita anteriormente, na lição anterior: “Se você não é um corpo, o que você é?”. Se não é o seu cérebro que pode pensar, quem então está pensando? Dando um passo à frente, quem então está até mesmo lendo esse curso e fazendo essa lição? Se você pensar seriamente sobre o que Jesus está dizendo, precisa inevitavelmente ir além do seu cérebro e corpo. É aí que a ansiedade começa a surgir. É importante, conforme você trabalha com o Um Curso em Milagres, que você preste atenção cuidadosa às suas palavras. O propósito de Jesus é quebrar nossa forte identificação 14


com o corpo. Infelizmente, a maioria das pessoas que estuda esse curso não percebe que seu próprio estudo é um paradoxo – ou melhor, um oximoro. Elas estudam com órgãos que não vêem ou pensam. Novamente, se você prestar atenção ao que isso está dizendo sobre você, a ansiedade é inevitável. No entanto, o propósito não é fazer você andar por aí em um estado de tensão perpétua, mas com um grande ponto de interrogação em sua mente. Como Jesus afirma no texto: Aprender esse curso requer disponibilidade para questionar todos os valores que manténs. Nenhum pode ser mantido oculto e obscuro sem pôr em risco o teu aprendizado (T-24.in.2:1-3). Se você perceber que Jesus não está lhe pedindo para desistir da sua identificação corporal, mas meramente questionando-a, não haverá ansiedade. A ansiedade surge porque você acredita que ele está tirando de você seu relacionamento especial com o seu corpo. No entanto, ele pede apenas que você olhe para sua fé nele como uma fonte de prazer e felicidade. O desconforto vai desaparecer na extensão em que você puder ir até Jesus e dizer: “Eu entendo o que você está dizendo e isso me aterroriza”. Tal honestidade vai ajudá-lo a aliviar a ansiedade, o que significa que se o Um Curso em Milagres o deixa nervoso é porque você não está realmente olhando com Jesus. No entanto, se você estiver lendo esse curso e não tiver reações adversas, o mais provável é que não esteja prestando atenção ao que ele está dizendo. Em outras palavras, antes de ir a Jesus em busca de ajuda, você primeiro tem que se sentir desconfortável. Nós encontramos essa idéia expressa no início de “O aprendiz feliz”, em linhas que já consideramos: Tu que és firmemente devotado à miséria precisas, em primeiro lugar, reconhecer que és miserável e não és feliz. O Espírito Santo não pode ensinar sem esse contraste, pois acreditas que a miséria é felicidade (T-14.II.1:2-4). Nós precisamos da experiência de miséria e ansiedade, pois é isso o que nos motiva a irmos até Jesus em busca de ajuda. Uma vez que o fizermos, ele pode nos ensinar o contraste entre a felicidade e a paz que ele nos oferece, e nossa miséria e ansiedade. A ansiedade virá, eu lhe asseguro, se você ler essa lição cuidadosamente e pensar sobre ela. Leia o parágrafo 2 novamente, e pense sobre o você que você pensa ser e que está lendo isso. A idéia de que nós somos corpos não apenas é insana, mas arrogante. Nossa identificação corporal reflete diretamente o pensamento de que nossa fraqueza inerente derrubou a força poderosa de Deus. É a mesma arrogância que Jesus descreve no texto: o raio de sol pensando que é o sol, a onda pensando que é o oceano: Esse fragmento da tua mente é uma parte tão diminuta dela que, se apenas pudesses avaliar o todo, imediatamente verias que ele é como o menor dos raios de sol é para o sol ou como a mais leve onda na superfície do oceano. Em sua surpreendente arrogância, esse diminuto raio de sol decidiu que é o sol, essa onda quase imperceptível aclama a si mesma como se fosse o oceano (T-18.VIII.3:3-9). Para o ego, portanto, a idéia de que não podemos ver ou pensar é ridícula, mas para nossas mentes certas, ela contém essa única verdade mundial, e a saída do inferno. (3) É a força de Deus em ti que é a luz na qual vês, assim como é com a Sua Mente que pensas. A Sua força nega a tua fraqueza. É a tua fraqueza que vê através dos olhos do corpo e espreita na escuridão para contemplar algo que lhe seja semelhante: o pequeno, o fraco, o doentio e o moribundo, o necessitado, o desvalido e o que tem medo, o triste, o pobre, o faminto e o que não tem alegria. Esses são vistos através de olhos que não podem ver e não podem abençoar. 15


Ver de forma verdadeira, no entanto, ou a visão, é o resultado de voltarmos nossa “vista” para seu lugar de direito na mente. Voltando para a orientação do Espírito Santo, nós transferimos nossa identificação com a falta de visão para aquilo que é a única coisa que pode ver. O ego nos faria ver através de “olhos que não podem ver e não podem abençoar” e, portanto, nós não podemos “ver” os fragmentos sombrios da fraqueza do ego: um mundo no qual “todos... vagam... incertos, solitários e em medo constante” (T-31.VIII.7:1). No entanto, nós “vemos” na escuridão, pois primeiro olhamos para dentro e vimos a fraqueza do ego; ela mesma escondendo-se com medo na escuridão da sua mente separada. Essa é a escuridão que nós projetamos e acreditamos que agora vemos. No entanto, é a escuridão do nada, pois o ego não é nada e não faz nada, e o que nós vemos, portanto, também tem que ser nada: nada fazendo o nada, sendo visto por nada. Certamente então, esses olhos não podem abençoar, porque eles foram feitos para amaldiçoar. Afinal, o ego veio à existência amaldiçoando Deus, dessa forma, matando Seu Filho, nas palavras angustiadas da esposa de Jó: “Amaldiçoe Deus, e morra” (Jó, 2:9). Outro tema implícito nessa passagem é o contraste entre a força de Cristo e a fraqueza do ego, similar à declaração que já vimos antes: “Tu sempre escolhes entre tua fraqueza e a força de Cristo em ti” (T-31.VIII.2:3). (4:1-2) A força ignora todas essas coisas vendo além das aparências. Mantém o seu olhar constante sobre a luz que está além. Aqui, também, está uma declaração que pode ser muito facilmente mal compreendida. Jesus não está dizendo que não vemos a ilusão. Com ignorar – uma palavra que ele usa freqüentemente no Um Curso em Milagres – ele não quer dizer que nós ignoramos o ego no sentido de não vermos algo que está presente, que é o significado usual da palavra, como quando você ignora alguns papéis para os quais está olhando na sua mesa e sabe que eles estão lá. Em Um Curso em Milagres, nós ignoramos o ego olhando através dele. Nós primeiro olhamos para a aparência que parece ser tão sólida quanto uma parede de granito para nossos egos. No entanto, seu vazio inerente não pode bloquear nossa visão, como a seguinte passagem sobre o pecado descreve: O pecado é um bloqueio colocado como um pesado portão trancado e sem chave no meio da estrada para a paz. Ninguém que olhe para ele sem o auxílio da razão tentaria passar por ele. Os olhos do corpo o contemplam como granito sólido, tão espesso que seria loucura tentar ultrapassá-lo. No entanto, a razão vê através disso com facilidade, porque é um erro. A forma que toma não pode esconder seu vazio aos olhos da razão (T-22.III.3:3-9). Com o amor de Jesus ao nosso lado – como ele diz no texto: “Juntos, nós temos a lâmpada que vai dispersá-lo [o sistema de pensamento do ego]” (T-11.V.1:3) -, nós olhamos para a escuridão do ego com sua luz, brilhando através do que parecia ser uma parede impenetrável. Agora não é nada mais do que um tênue véu, impotente para ocultar a verdade que está além. Quando Jesus fala sobre olhar através das aparências ou ignorar o ego, mais uma vez, ele não quer dizer para não o vermos. Ele está nos ensinando a olhar para o ego com ele, pois só então nós realmente perceberemos que não há nada para ver. O que parecia ser uma sólida parede de defesa simplesmente desaparece, e a luz da verdade é vista brilhando além dela. Para citar essas linhas importantes outra vez: Ninguém pode escapar de ilusões a não ser que olhe para elas, pois não encará-las é a forma de protegê-las... precisamos em primeiro lugar olhar para isso [as “dinâmicas” do ego], para depois ver além, já que fizemos com que fosse real. Nós vamos desfazer esse erro juntos em quietude e então olhar além dele para a verdade... O que é a cura senão a remoção de tudo aquilo que se interpõe no 16


caminho do conhecimento? E de que outra forma pode alguém desfazer ilusões, a não ser olhando diretamente para elas, sem protegê-las?... A claridade desfaz a confusão por definição e olhar para a escuridão através da luz não pode deixar de dissipá-la (T-11.V.1:1-2,8-11; 2:1-4,12-13). Esse ponto é importante, porque pode ser tentador para os estudantes do Um Curso em Milagres pensarem que Jesus está pedindo que eles neguem a percepção dos seus olhos. Essa declaração já discutida, feita no contexto da cura, torna claro o que ele quer dizer: Os olhos do corpo continuarão a ver diferenças. Mas a mente que se deixou curar não vai mais tomar conhecimento delas. Haverá pessoas que parecerão “mais doentes” do que outras, e os olhos do corpo registrarão suas aparências mudadas como antes. Mas a mente curada vai colocá-las todas em uma única categoria: elas são irreais (MP-8.6:1-6). Nosso objetivo é ver através da visão de Cristo, o que nos capacita a reinterpretar o mundo da percepção do que o ego nos disse que era verdadeiro. A forma, agora vista de maneira diferente, revela o conteúdo do reflexo da realidade que o ego tentou ocultar da nossa consciência. A clareza dessa nova percepção olha além das diferenças aparentes entre as ilusões, para a única verdade que as categorizas todas: elas são irreais. (4:2-5) Ela se une à luz, da qual faz parte. Ela vê a si mesma. Ela traz a luz na qual o teu Ser aparece. Na escuridão, percebes um ser que não existe. Esse ser é o sistema de pensamento de separação e pecado do ego. Unindo-nos à luz da Expiação, nós escolhemos nos unir à força de Cristo em vez de à fraqueza do ego, à força do amor em vez de à fraqueza do especialismo. (4:5-7) A força é a verdade sobre ti, a fraqueza é um ídolo falsamente venerado e adorado para que a força possa ser dissipada e a escuridão reine onde Deus designou que houvesse luz. Onde foi que “Deus designou que houvesse luz”? A mente. É por isso que nós fugimos dela. Na presença da luz da verdade – o pensamento de Expiação que nos lembra de que a separação nunca aconteceu -, nosso ser individual e especial desaparece. De novo e de novo, vemos Jesus nos pedindo para escolhermos a luz da força que reflete nosso verdadeiro Ser como Cristo, em oposição à fraqueza do ego, que mantém em suas sombras escurecidas nossa identidade como um ser separado e especial. (5:1-2) A força vem da verdade e brilha com a luz que a sua Fonte lhe deu, a fraqueza reflete a escuridão daquele que a fez. O criador é o ego, mas ele não pode fazer nada sem a união do tomador de decisões com ele. Nisso repousa a “força” do ego, construída sobre uma ilusão de que o Filho de Deus tem uma escolha real sobre sua Identidade. Só na luz da escolha correta – pela Expiação -, o Filho pode recuperar a consciência da sua verdadeira força. (5:2-10) Ela é doente e olha para a doença que é como ela mesma. A verdade é um salvador e só pode exercer a vontade em favor da felicidade e da paz para todos. Ela dá a sua força a todo aquele que pede, suprindo a todos sem limites. Ela vê que o que falta em qualquer um seria uma falta em todos. E assim, dá a sua luz para que todos possam ver e beneficiar-se como um só. A sua força é compartilhada para que possa trazer a todos o milagre ao qual eles se unirão em propósito, em perdão e em amor. 17


A fraqueza que nós escolhemos é o assunto da primeira sentença dessa passagem, que é rapidamente confrontada pela força da verdade. Um ponto importante é que o ego é fraco e doente porque ele separa – seu especialismo exclui certas partes da Filiação do amor. A verdade, por outro lado, é totalmente abrangente. Ela vê o Filho de Deus como um, cuja unicidade é sua força. Nesse mundo de separação, a Unicidade do Céu é refletida em nossa visão de interesses compartilhados: todos compartilham a mesma necessidade de despertar do sonho da doença e da ilusão. Em palavras que nunca cansamos de ouvir, Jesus afirma esse princípio de completa inclusão: Aos teus olhos cansados eu trago a visão de um mundo diferente, tão novo e tão limpo e fresco, que esquecerás a dor e a tristeza que viste antes. Entretanto, essa é uma visão que tens que compartilhar com todas as pessoas que vês, pois, de outro modo, não a contemplarás. Dar essa dádiva é a forma de fazê-la tua. E Deus determinou, em benignidade amorosa, que ela fosse tua (T-31.VIII.8:5-11). Compartilhando sua dádiva da visão com todos os que encontramos, sua força se torna a nossa própria. Portanto, Jesus alegremente exclama: Pois nós somos um em propósito, e o fim do inferno está próximo (T-31.VIII.10:8-9). Nossa união com os nossos irmãos em um propósito comum de Expiação marca o fim da fraqueza do inferno e o retorno à memória do Céu e à força de Cristo. (6:1-3) A fraqueza, que olha na escuridão, não pode ver propósito no perdão e no amor. Vê a todos como diferentes de si mesma e nada no mundo que ela queira compartilhar. O tema da fraqueza e da força continua, nessa forma: o sistema de pensamento do ego é mantido intacto pelo conceito de diferenças, na qual todos são percebidos como diferentes de todos os outros. Em última instância, essa diferença é o seu pecado e a minha inocência, tendo sua fonte na percepção original de diferenças: eu sou o criador e Deus não é – o princípio de qualquer um/ou, um ou outro, matar ou ser morto. Nós estamos fortemente estabelecidos no sistema de pensamento de escuridão do ego através da nossa fraqueza, nascida da Filiação fragmentada. Essa fraqueza, portanto, reflete a separação do Filho de Deus, pois todos nós somos diferentes, protegidos por nossas mágoas e ameaçados pelo perdão. (6:3-4) Julga e condena, mas não ama. Isso é especialismo. Mesmo a guisa de amor, ele está julgando. O julgamento, portanto, é a sombra da nossa fraqueza inerente como um Filho separado; a visão é o reflexo da força de Cristo, o Filho único e indiviso de Deus. (6:4-6) Permanece na escuridão para esconder-se e sonha que é forte e conquistadora, uma vitoriosa sobre limitações que apenas crescem na escuridão em enormes proporções. Isso é o ego. Ele se alimenta de tudo ao seu redor, o que provê sua ilusão de força e crescimento. Como lemos nessa passagem cauterizante sobre o mantra do especialismo, matar ou ser morto: O tema central em sua [a religião de separação do ego] litania de sacrifícios é que Deus tem que morrer para que tu possas viver. E é esse tema que é encenado no relacionamento especial. Através da morte do teu ser, pensas que podes atacar outro ser e arrancá-lo do outro para substituir o ser que desprezas... Pensas que é 18


mais seguro dotar o pequeno ser que fizeste com o poder que arrebataste da verdade, triunfando sobre ela e deixando-a impotente. Vê quão exatamente esse ritual é encenado no relacionamento especial. Um altar é erigido entre duas pessoas separadas, no qual cada uma busca matar o seu ser e instaurar em seu corpo um outro ser que tire o seu poder da sua morte. Muitas e muitas vezes esse ritual é encenado... O relacionamento especial tem que ser reconhecido pelo que é: um ritual sem sentido, no qual a força é extraída da morte de Deus e investida em Seu assassino como sinal de que a forma triunfou sobre o conteúdo e o amor perdeu o seu significado (T-16.V.10:6-10; 11:4-10; 12:6-10). A enorme ilusão de força é, portanto, construída, e, no entanto, ela permanece unida à sua fonte: a ilusão de que Deus foi destruído para que nós possamos viver. Sua força se tornou a nossa própria, substituindo a fraqueza que se tornou a Sua. Repetidamente, Jesus pergunta: Alguém em sua mente certa poderia acreditar nessa insanidade? Qualquer pessoa sã quer que isso seja verdadeiro? (T-16.V.10:1; 12:5). (7:1-4) Ela tem medo, ataca e se odeia e a escuridão cobre tudo o que vê, deixando os seus sonhos tão amedrontadores quanto ela própria. Aqui não há milagres, só ódio. Ela se separa do que vê, enquanto a luz e a força se percebem como uma só. É por isso que nós tememos a luz, cuja força vem da perfeita unidade, o que o ego julga como fraqueza. Nossa individualidade fica mais fraca na presença de pensamentos de unicidade, e mais forte nas percepções de diferenças. No entanto, não podemos distinguir entre a força e a fraqueza. Portanto, precisamos do Um Curso em Milagres em geral, e do livro de exercícios especificamente. (7:4-7) A luz da força não é a luz que tu vês. Não muda, não vacila e não se apaga. Não passa da noite para o dia, e de volta à escuridão até que a manhã venha outra vez. Jesus está se referindo aos diferentes tipos de luz nesse mundo: luz artificial – eletricidade – e natural – o sol. No entanto, nada aqui dura, e tudo muda. A luz da verdade, por outro lado, é constante e eterna e sua percepção refletida do mundo é sempre a mesma: ela é uma ilusão e não está aqui. Lembre-se do primeiro teste que Jesus cita para nos ajudar a “distinguir tudo de nada” (LE-pI.133.5:4): ... se escolheres uma coisa que não vá durar para sempre, o que escolhes não tem valor. Um valor temporário não tem nenhum valor. O tempo nunca poderá tirar um valor que é real. Aquilo que murcha e morre nunca existiu e não faz nenhuma oferenda àquele que o escolhe. Ele é enganado pelo nada sob uma forma da qual pensa gostar (LE-pI.133.6). Assim, nosso mundo impermanente é inerentemente sem valor. Além disso, todos aqui compartilham a similaridade de acreditar na ilusão. É útil observar que a palavra similar não aparece no dicionário do ego, pois ele entende apenas o conceito de diferença. De forma análoga, a palavra diferente não aparece no dicionário do Espírito Santo, porque tudo para Ele é o mesmo: nós somos o mesmo, como uma ilusão e como um Cristo. (8) A luz da força é constante, tão segura quanto o amor, eternamente feliz em se dar, pois só pode dar a si mesma. Ninguém pode pedir em vão para compartilhar da sua vista e nenhum daqueles que entrar na sua morada pode partir sem um milagre diante dos seus olhos e força e luz habitando no seu coração.

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Essa declaração é verdadeira porque tudo é um, refletindo o princípio importante que devemos ver depois: dar e receber são o mesmo (e.g., LE-pI.126, 158). Se nós somos um, eu não posso dar nada a outro nem receber nada de outro, mas apenas para e de mim mesmo. Tal insight pertence ao nosso ser da mente certa que aprendeu o valor de compartilhar, não ao ser da mente errada do ego que vê apenas interesses separados. O anterior leva à força da luz de Cristo, e o último à fraqueza da escuridão do ego. (9) A força em ti te oferecerá a luz e guiará a tua vista, de modo que não habites nas sombras vãs que os olhos do corpo provêem para o auto-engano. A força e a luz se unem em ti e onde se encontram está o teu Ser pronto para abraçar-te como o que Lhe é próprio. Tal é o ponto de encontro que tentamos achar hoje e nele descansar, pois a paz de Deus está onde o teu Ser, o Seu Filho, está agora esperando para se encontrar Consigo Mesmo outra vez e ser um só. Conforme nossas escolhas se tornam cada vez mais da mente certa – a forte luz do perdão sobre a fraca escuridão do ataque; o reflexo da unicidade do espírito sobre a separação do corpo -, nós ficamos à beira do mundo real, além do qual está o Ser que pacientemente espera nosso retorno à Unicidade que nunca verdadeiramente deixamos. Como devemos ver agora, Jesus eleva de dez para vinte minutos os períodos de quietude que ele nos pede para darmos a ele nesses exercícios. Ao percebermos os benefícios dessas lições para nós mesmos, os momentos de quietude passados com a idéia para o dia se tornarão cada vez mais alegres, assim como acontecerá com as oportunidades específicas para aplicação que o dia provê: (10:1-2) Hoje, por duas vezes, vamos dar vinte minutos para nos unirmos a essa reunião. Deixa-te levar até o teu Ser. Quem nos leva até o nosso Ser? – o tomador de decisões, unido a Jesus. Ele não pode nos carregar até que primeiro pulemos em seus braços. Isso é extremamente importante. Nós precisamos primeiro ir até ele e dizer: “Por favor, carregue-me”. Jesus não pode nos levar para casa sem nossa ajuda, e, desnecessário dizer, nós não podemos voltar sem ele. É por isso que ele nos lembra, como já vimos: ... eu preciso de ti tanto quanto tu precisas de mim (T-8.V.6:10). (10:2-4) A Sua força será a luz na qual a dádiva da vista te será dada. Então, deixa o escuro por um momento hoje... Jesus não está dizendo que deveríamos deixar a escuridão permanentemente. É extremamente importante entender isso para que não nos apavoremos com o pensamento de estarmos na luz. Ele simplesmente pede que pratiquemos “por um momento”: “Una-se a mim e deixe-me olhar com você para seus pensamentos tolos”, ele nos diz. Precisamos apenas perceber nossa tolice em termos colocado fé no corpo, não retirá-la. Existem muitas passagens através de todo o Um Curso em Milagres que explicam como o corpo falha constantemente conosco, e então, merece apenas um sorriso de reconhecimento por nossa seriedade em termos confiado nele. Uma das minhas passagens favoritas (e a de Helen) vem logo no início do texto, onde Jesus apresenta uma conversa imaginária entre o tomador de decisões na mente e o ego, com ele tendo anteriormente seguido o conselho do ego para escolher o corpo para sua própria segurança, apenas para descobrir que o corpo dificilmente é um refúgio seguro de qualquer forma que seja: O corpo é o lar do ego por sua própria escolha. É a única identificação com a qual o ego se sente seguro... É aí que a mente [i.e., o tomador de decisões] passa a ser, 20


de fato, aturdida. Apesar do ego lhe dizer que ela realmente é parte do corpo e que o corpo é o seu protetor, também lhe é dito que o corpo não pode protegê-la. Por conseguinte, a mente pergunta: “Aonde posso ir em busca de proteção?”, ao que o ego responde: “Volta-te para mim”. A mente, não sem causa, lembra ao ego que ele próprio insistiu em ser identificado com o corpo, portanto, não faz sentido ela se voltar para ele em busca de proteção. O ego não tem uma resposta real para isso, posto que não existe nenhuma, mas tem uma solução típica. Oblitera a questão da consciência da mente. Uma vez fora da consciência a questão pode produzir e produz inquietação, mas não pode ser respondida porque não pode ser colocada (T4.V.4:1-2,6-18). De acordo com o ego, o corpo vai nos manter seguros e a salvo, e então, nós nos agarramos à nossa identificação corporal porque acreditamos que ela nos protege. No entanto, ao olharmos para nossas vidas e para as vidas de todos os outros, fica muito claro que o corpo faz um trabalho terrível de proteção. É por isso que Jesus não nos pede para desistirmos dessa identidade, mas para darmos um passo atrás com ele “por um momento” e questioná-la. Quando olharmos para o corpo do seu ponto de vista, nos unimos ao seu riso gentil em resposta à tolice da nossa própria vida e da vida de todos, simplesmente porque o corpo não funciona. Inconscientes da nossa escolha de nos identificarmos com o corpo, no entanto, estamos condenados a uma vida de fraqueza na qual realmente não vemos. Portanto, o propósito dessas lições é nos ajudar a aprender que nós realmente temos uma escolha: luz ou escuridão, força ou fraqueza, Deus ou o ego. (10:3-7) Então, deixa o escuro por um momento hoje e praticaremos ver na luz, fechando os olhos do corpo e pedindo à verdade que nos mostre como achar esse ponto de encontro do ser com o Ser, onde a luz e a força são uma só. Em outras palavras, nós pedimos a Jesus para nos mostrar como nós nos afastamos da percepção do nosso pequeno ser, manifestada no corpo, para a memória de Quem somos como Cristo. O caminho de volta para essa memória é mudança na percepção que o perdão traz. (11) Praticaremos assim de manhã e à noite. Após o encontro da manhã, usaremos o dia em preparação para o momento à noite em que nos encontraremos novamente em confiança; vamos repetir a idéia para o dia de hoje com a maior freqüência possível e reconhecer que estamos sendo introduzidos à visão, e conduzidos para longe da escuridão em direção à luz onde só milagres podem ser percebidos. Nossos dois períodos de prática mais longos, portanto, se tornam as duas pontas do arcoíris do dia, sob cujo arco benigno e gentil nós tiramos significado dos eventos do dia. Nós descansamos confortavelmente nesse significado, conforme agradecidamente recepcionamos cada oportunidade de escolher o milagre que nos leva da escuridão para a luz.

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LIÇÃO 93 A luz, a alegria e a paz habitam em mim. Essa lição está entre as mais importantes no livro de exercícios, pois provê descrições claras de ambos os seres. A lição termina com “A luz, a alegria e a paz habitam em mim”, nosso verdadeiro Ser, mas antes de nós podemos atingir essa verdade gloriosa, primeiro temos que trabalhar contra a oposição do ego. (1:1) Tu pensas que és o lar do mal, da escuridão e do pecado. Essa é outra expressão da trindade profana de pecado, culpa e medo do ego. Por que esse é o meu lar? Porque eu assassinei Deus para chegar aqui. Para que eu possa existir como um indivíduo, Deus teve que ser destruído e o mundo do bem, da luz e da inocência teve que ser destruído junto com ele. (1:1-3) Pensas que se alguém pudesse ver a verdade sobre ti ficaria repugnado e recuaria como se estivesse diante de uma cobra venenosa. Uma descrição vívida e maravilhosa da culpa! No entanto, pelo fato de eu não querer experienciar meu pecado serpentino, eu o projeto e o vejo em você em vez disso. Agora, você é a serpente venenosa e eu estou “seguramente” fora da mira. (1:4-7) Pensas que se o que é verdadeiro sobre ti mesmo te fosse revelado, serias abatido por um horror tão intenso que te precipitarias para a morte pela tua própria mão, pois continuar vivendo depois de ver isso seria impossível. Em outras palavras, se nossas defesas fossem abaladas e nós víssemos a verdade percebida sobre nós mesmos, seríamos “abatidos por um horror tão intenso”, que o suicídio seria uma tentação irresistível, e o inferno a conseqüência inevitável. Nosso horror, portanto, em olharmos para nosso pecado, nos impele a projetar, fazendo um mundo de corpos específicos que serão punidos ao invés de nós. A culpa em relação a essa projeção é ainda mais imensa, porque nós sabemos que atacamos os outros falsamente: nossos egos querem que Deus condene outros ao inferno para que nós possamos ir para o Céu. No entanto, ele sussurra que nós somos os verdadeiros culpados, e Deus vai nos perseguir além do túmulo, até o inferno eterno. Esse é o círculo vicioso de culpa-ataque que eu discuti no Prelúdio e em outros lugares1: quanto mais eu me sinto culpado, maior minha necessidade de projetar e atacar outros para que eles sejam punidos ao invés de mim. No entanto, minha culpa é reforçada por essas acusações falsas, e eu giro de novo e de novo no círculo do ego: culpa-ataque-culpa-ataqueculpa-ataque. (2:1-2) Essas são crenças tão firmemente fixadas que é difícil ajudar-te a ver que se baseiam no nada. Essa sentença é importante em oposição aos “abençoadófilos” do Curso. Nosso professor está nos dizendo que é difícil nos ajudar a perceber que tudo o que acreditamos sobre nós mesmos é “baseado em nada”. Mais uma vez, isso é um processo, conduzido por Jesus de uma forma gentil, paciente. Nosso medo – primeiro de confrontar a verdade de pecado e culpa 1

Veja, por exemplo: Uma Introdução ao Um Curso em Milagres, p. 52-58; Perdão e Jesus, 35-39, 69-72.

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do ego, e depois o medo mais profundo da verdade real – é o que torna a aproximação do Amor de Deus tão difícil. (2:2-7) Que tenhas cometido equívocos é óbvio. Que tenhas buscado a salvação de maneiras estranhas, que tenhas sido enganado, enganando aos outros e tendo medo de tolas fantasias e sonhos selvagens, que tenhas te inclinado diante de ídolos feitos de pó – tudo isso é verdadeiro de acordo com o que acreditas agora. Jesus fala conosco mais uma vez sobre nossa necessidade de honestidade, e suas boas notícias: “Você não tem mais que fingir que a luz, a alegria e a paz habitam em você. Eu sei que bem no fundo você sabe, então você agora vai saber que eu sei que você sabe que apesar de tudo você pensa que é o lar do mal, da escuridão e do pecado. Vamos começar com os seus “fatos”, e então vamos além deles, para a verdade”. Em outras palavras, não existe necessidade de fingir que não somos criaturas do especialismo, dedicadas a preservar nossos seres especiais, alimentando-nos de outros seres especiais. Sem a necessidade de fingir, não haverá culpa, pois devemos ter trazido nosso especialismo ao amor de Jesus, dessa forma liberando-o. Portanto, ele continua: (3:1-3) Hoje, vamos questionar isso, não do ponto de vista do que pensas, mas de um ponto de referência muito diferente, do qual esses pensamentos vãos são sem significado. Com efeito, Jesus nos diz: “Não me puxe para baixo, onde você está, mas venha para onde eu estou. Do seu ponto de referência – o campo de batalha -, você não vai entender nada. Para se unir a mim, você precisa ter a humildade que diz: ‘Obrigado, Deus, eu estou errado, e com esse reconhecimento, escolho você como meu professor porque sei que você é mais sábio do que eu’”. Se nós formos realmente honestos, vamos ver a dificuldade em dizer essas palavras com real intenção. Como Jesus diz depois, no contexto de querer a paz: “Dizer estas palavras não é nada. Mas dizê-las com real intenção é tudo” (LE-pI.1:1-2). Estar errado sobre tudo significa que estamos olhando do nosso ponto de referência – o ser insignificante que pensa que vê e pensa, e até mesmo pensa que existe -, e precisamos de ajuda de um ponto de referência de fora do nosso sistema de pensamento. No final do Capítulo 23 no texto, Jesus chama esse ponto de referência de “acima do campo de batalha”, o lugar ao qual vamos com ele para olhar de forma diferente para nossos relacionamentos especiais, e no qual nós escolhemos o perdão em vez do ataque, milagres em vez de assassinato: Não ver o campo de batalha é agora o teu propósito. Que sejas erguido e de um ponto mais alto olha para ele lá embaixo. De lá a tua perspectiva será bastante diferente... Aqui, o assassinato é a tua escolha. Entretanto, do alto, a escolha são os milagres em vez do assassinato. E a perspectiva que vem dessa escolha te mostra que a batalha não é real, que é fácil escapar... Quando a tentação de atacar surge para fazer com que a tua mente se torne escura e assassina, lembra-te que podes ver a batalha do alto... Não vejas ninguém a partir do campo de batalha, pois lá olharás para ele a partir do nada. Não tens um ponto-de-referência a partir do qual olhar, de onde possas dar significado ao que vês (T-23.IV.4:12-13; 5:1-2,3-7; 6:1-3; 7:1-3). (3:3-6) Esses pensamentos não estão de acordo com a Vontade de Deus. Ele não compartilha essas crenças estranhas contigo. Isso é suficiente para provar que estão erradas, mas tu não percebes que seja assim. 23


Jesus está mostrando a você, novamente, que ele sabe que você ainda pensa que está certo e que ele está errado. Essa é uma idéia extraordinariamente importante porque estudar, aprender a praticar o Um Curso em Milagres – para não mencionar vivenciá-lo – repousa na presunção de que você aceitou que não entende nada, começando com as palavras desse curso. Lembre-se, você pensa que entende porque seu cérebro interpreta suas palavras para você, baseado nas suas experiências e aprendizados passados. Entretanto, se o seu cérebro não pensa, tudo o que você pensa que o Um Curso em Milagres diz precisa estar errado. As palavras não significam o que você pensa que elas dizem, porque seu significado vem da sua interpretação. Você as entende através das lentes filtrantes da dualidade, não através das lentes limpas da verdade não-dualista. Portanto, você vai interpretar mal tudo o que lê aqui. Como Jesus afirma sucintamente com relação aos chamados perenes do ego para a guerra, uma sentença que já citei com freqüência antes: “E Deus pensa de outra forma” (T-23.I.2:7). (4:1-4) Por que não ficarias cheio de alegria sendo assegurado que todo o mal que pensas que fizeste nunca foi feito, que todos os teus pecados não são nada, que és tão puro e santo quanto foste criado e que a luz e a alegria e a paz habitam em ti? A resposta é óbvia, porque aceitar isso significa que nós não somos quem nós pensamos ser, e, portanto, nosso especialismo se vai. A verdade é que nós deveríamos ficar cheios de alegria de saber que nosso mal, escuridão e pecado não são reais. No entanto, isso iria significar que o ser egóico que precedeu essas crenças não é verdadeiro também. Precisamos ver o medo que nosso ego tem do Um Curso em Milagres e de seus ensinamentos, pois só então poderemos nos mover além dessa resistência, para aprendermos e aceitarmos suas verdades felizes. (4:4-7) A tua imagem de ti mesmo não pode resistir à Vontade de Deus. Pensas que isso é a morte, mas é a vida. Pensas que és destruído, mas és salvo. O você que pensa que é destruído é o tomador de decisões que se identificou com o ego. O você que pensa que a verdade, a Vontade de Deus, e esse curso são a morte, é o você que se identificou com sua existência especial. Jesus está dizendo que sim, sua individualidade vai, em última instância, desaparecer em sua nulidade, mas a verdade gloriosa sobre você será devolvida à sua consciência. Nós, portanto, somos salvos da terrível imagem que fizemos de nós mesmos. Como vimos repetidamente, o processo de salvação é apenas isso: um processo. Mais uma vez: Não temas ser elevado abruptamente e arremessado na realidade (T-16.VI.8:1). (5:1) O ser que tu fizeste não é o Filho de Deus. Ao ler essas linhas, pense sobre o que você pensa ser, usando quaisquer palavras ou conceitos que vierem ao seu pensamento. Então, perceba que nenhum deles é o Filho de Deus, pois eles definem o filho do ego. Como Jesus observa no texto: O filho do homem [o ego] não é o Cristo ressurgido (T-25.in.2:5-6). (5:1-2) Portanto, esse ser não existe de forma alguma. Muitos passaram pelo livro de exercícios, e provavelmente leram essas linhas bem rapidamente, sem prestar atenção. Se o tivessem feito, provavelmente teriam fechado o livro, vendo que ele não era o que pensaram que era, e certamente não era o que queriam. “O ser que tu fizeste não é o Filho de Deus”! Quando eles olham no espelho, quem eles vêem além do ser que fizeram? Não é apenas que esse não é o Filho de Deus; esse ser não existe. Que ego 24


com respeito próprio não ficaria com medo? Mais uma vez, é por isso que para estudar o Um Curso em Milagres você precisa ser sério e comprometido. Isso não significa que você se compromete a liberar o seu ego, mas simplesmente a olhar para o que o ego é. Jesus apenas pede que você olhe. Não busque mudá-lo, corrigi-lo ou liberá-lo. Apenas olhe; um processo que gradualmente vai acabar com sua identificação com o ego, pois o ser que olha não é o ser que é olhado. Portanto, sua identificação é devolvida à parte tomadora de decisões da sua mente, longe do ego. (5:2-3) E tudo o que ele parece fazer ou pensar nada significa. Essa declaração meramente invalida nossas vidas, sem falar na civilização da qual pensamos ser o produto glorioso. (5:3) Não é bom, nem mau. Seria ótimo se o ser fosse bom ou mau. Religiões, em primeiro lugar, nos dizem isso. O problema é que o ser não é nada, para o qual “bom” e “mau” não têm significado. (5:3-7) É irreal, nada mais. Não luta contra o Filho de Deus. Não o fere, nem ataca a sua paz. Ele não mudou a criação, nem reduziu a eterna impecabilidade ao pecado e o amor ao ódio. Que poder esse ser que tu fizeste pode possuir se ele quer contradizer a Vontade de Deus? Essa é uma declaração adorável do princípio da Expiação. A separação nunca aconteceu e, portanto, não teve efeitos. Portanto, vemos o propósito do ego espreitando por trás das nossas vidas individual e coletiva, o que atende ao objetivo do ego de provar que ele existe e Deus não. Nossa única esperança é nos elevarmos acima do campo de batalha e mudarmos nosso ponto de referência, para que finalmente olhemos além do ego, para o propósito de ensinamento do Espírito Santo para o mundo: aprendermos a perdoar. (6:1-2) A tua impecabilidade é garantida por Deus. Será preciso repetir isso muitas e muitas vezes até que seja aceito. Mais uma vez, Jesus nos diz que não vamos aceitar sua verdade. No entanto, ele não quer dizer que deveríamos repetir essa frase como uma afirmação para silenciar o sistema de pensamento do ego. Nós somos simplesmente solicitados a trazer nosso sistema de pensamento ilusório à verdade, e olharmos para ele. (6:2-4) Isso é verdadeiro. A tua impecabilidade é garantida por Deus. Nada pode tocá-la ou mudar o que Deus criou eterno. Jesus conhece sua audiência, e então, ele precisa nos assegurar: “Isso é verdadeiro”. Nós realmente somos impecáveis, a separação nunca aconteceu e o Espírito Santo tem falado a verdade desde o início. Nós meramente cometemos um equívoco, que agora é facilmente corrigido. (6:4-6) O ser que tu fizeste, mau e cheio de pecado, não tem significado. A tua impecabilidade é garantida por Deus, e a luz e a alegria e a paz habitam em ti. A maneira de atingirmos a luz é olhando para o ser que fizemos, que nós acreditamos ser o lar do mal, da escuridão e do pecado. Nossa crença profundamente enraizada nesse ser impede a experiência da nossa impecabilidade. Para afirmar esse ponto essencial mais uma vez, o ser egóico não vai simplesmente desaparecer por repetirmos frases adoráveis. Seu 25


desfazer requer trabalho duro e comprometimento, pois a resistência a olhar para esse ser mau é enorme. É por isso que Jesus faz declarações importantes como a seguinte, como já vimos: Podes perguntar a ti mesmo porque é tão crucial que olhes para o teu ódio e reconheças toda a sua extensão. Podes também pensar que seria bastante fácil para o Espírito Santo mostrá-lo a ti e dissipá-lo sem a necessidade de que o erguesses à tua consciência por ti mesmo (T-13.III.1:1-4). Uma vez que nos tornamos conscientes do nosso auto-ódio através do reconhecimento das nossas projeções sobre os outros, podemos trazê-lo de forma significativa ao amor curativo de Jesus. Sem nossa resistência, sua mensagem de luz e alegria e paz é grata e alegremente aceita. (7) A salvação necessita da aceitação de um só pensamento: - tu és tal como Deus te criou, e não o que fizeste de ti mesmo. Qualquer que seja o mal que penses ter feito, tu és como Deus te criou. Quaisquer que sejam os equívocos que cometeste, a verdade sobre ti não foi mudada. A criação é eterna e imutável. A tua impecabilidade é garantida por Deus. Tu és e sempre serás exatamente como foste criado. A luz, a alegria e a paz habitam em ti porque Deus aí as colocou. Isso antecipa a próxima lição e, junto com suas variantes, é a declaração mais amplamente citada no livro de exercícios: “Tu és como Deus te criou”. Lembre-se, o princípio de Expiação sempre se mantém. Não importando o que pensemos ter feito, a separação não teve efeitos: a criação de Deus não é afetada por nossos sonhos loucos e febris, o mal não tem poder sobre Deus, e nós permanecemos como Deus nos criou – o lar da luz e da alegria e da paz. (8:1-6) Nos nossos períodos de prática mais longos de hoje, que serão mais proveitosos se empreendidos nos primeiros cinco minutos de cada hora que estiveres acordado, começa afirmando a verdade sobre a tua criação: A luz, a alegria e a paz habitam em mim. A minha impecabilidade é garantida por Deus. O trabalho duro começa. Jesus nos pede para nos lembrarmos da lição de hora em hora durante cinco minutos, e para fazer o seguinte: (8:7-9) Em seguida, deixa as tuas tolas auto-imagens de lado e passa o resto do período de prática tentando experimentar o que Deus te deu no lugar do que decretaste para ti mesmo. Como você pode “deixar de lado suas tolas auto-imagens” se você não sabe que as tem? É para tornar você consciente do seu ego que Jesus ensina como ele faz. Se você vai se mover para além dessas imagens – o lar do mal, da escuridão e do pecado -, precisa reconhecer que elas vêm da sua crença; de outra forma, você não será motivado a deixá-las de lado para saber que a luz e a alegria e a paz habitam em você. A maneira de conhecer a verdade sobre você mesmo é ser honesto sobre as ilusões do ser no qual você primeiro acreditou. Nesse ponto, você pode trazer sua escuridão à luz da verdade, da qual essa lição tão alegremente nos lembra. (9:1-2) Ou bem tu és o que Deus criou, ou bem o que fizeste de ti mesmo. Um Ser é verdadeiro, o outro não existe. 26


Novamente, não somos solicitados a trocar o pequeno ser que fizemos pelo glorioso Ser que Deus criou. Isso seria ameaçador demais. Nós simplesmente somos solicitados a entender que na luz da verdade do nosso Ser, o ser que fizemos não faz sentido. Jesus quer que nós iniciemos o processo de questionar a validade de tudo o que acreditamos ser. Portanto, o benigno reflexo do princípio de um ou outro – Deus ou o ego – é a escolha entre os ataques separativos do ego e o perdão curativo do Espírito Santo. Com qualquer uma das escolhas o nosso ser permanece; até o final, quando até o ser da mente certa desaparece gentilmente no Coração de Deus. Essa é a culminação do processo. Somos solicitados apenas a começá-lo. (9:2-9) Tenta experimentar a união do teu único Ser. Tenta apreciar a Sua santidade e o Amor do Qual Ele foi criado. Tenta não interferir no Ser Que Deus criou como tu mesmo, escondendo a Sua majestade atrás dos diminutos ídolos do mal e do pecado que fizeste para tomar o Seu lugar. Deixa-O entrar na posse do que Lhe pertence. Aqui estás, Isso és Tu. E a luz, a alegria e a paz habitam em ti porque isso é assim. Jesus está mostrando nosso encobrimento, e nos pede para olharmos para como temos usado o ego e suas falsas imagens para ocultar a verdade. Os “diminutos ídolos do mal e do pecado” simbolizam nossos auto-conceitos e as imagens especiais que fizemos dos nossos relacionamentos. Nós desistimos deles na extensão em que reconhecemos que não queremos mais o propósito da culpa ao qual eles serviram. Só o perdão vai nos trazer a felicidade que buscamos e abrir os portões do Céu, o que permite que a memória do nosso Ser volte à nossa consciência. Quando os obstáculos dos diminutos ídolos do ego tiverem partido, o Amor de Cristo fluirá desimpedido e sem diminuição através de nossas mentes, e nós estaremos em casa. (10:1-3) Pode ser que não estejas disposto ou mesmo que não te seja possível usar os primeiros cinco minutos de cada hora para estes exercícios. Contudo, tenta fazê-lo quando puderes. Jesus nos diz: “Eu sei que você não vai fazer isso, pois é difícil. Mas faça a tentativa”. Como devemos ver, Jesus nos ajuda a entender que seu propósito para esses exercícios não é tanto que os façamos, mas que perdoemos a nós mesmos quando não os fizermos. Ele espera que fiquemos amedrontados e que esqueçamos. No entanto, ele também espera que aprendamos honestidade, e vejamos quão resistentes somos a entender seus ensinamentos. (10:3-9) Pelo menos lembra-te de repetir estes pensamentos a cada hora: A luz, a alegria e a paz habitam em mim. A minha impecabilidade é garantida por Deus. Em seguida, tenta dedicar pelo menos um minuto, mais ou menos, a fechar os olhos e reconhecer que essa é uma declaração da verdade sobre ti mesmo. As instruções de Jesus são sempre gentis. Se não pudermos lidar com cinco minutos em cada hora, deveríamos tentar pelo menos nos lembrar das idéias para o dia. Mesmo esse pequeno esforço vai nos ajudar a romper nossa identificação com o sistema de pensamento de mal, escuridão e pecado do ego. (11:1-3) Se surgir alguma situação que te pareça perturbadora, dissipa rapidamente a ilusão do medo repetindo estes pensamentos mais uma vez. É importante notar que o propósito desses exercícios é aplicar as idéias todas as vezes em que estivermos transtornados. Honestidade aqui significa perceber que estamos 27


transtornados quase o tempo todo, quer isso envolva algo que consideremos principal ou julguemos como trivial. Logo no início do livro de exercícios, Jesus explica que mesmo “um leve traço de aborrecimento” é o mesmo que “intensa fúria” (LE-pI.21.2:5). Ele nos pede para monitorarmos nossas mentes para que, quando nos virmos perturbados, possamos dizer: “Isso vem de uma imagem de mim mesmo, que eu usei para proteger minha existência separada. No entanto, isso não me fez feliz, e então, não o quero mais”. (11:3-6) Se fores tentado a ficar com raiva de alguém, dize-lhe silenciosamente: A luz, a alegria e a paz habitam em ti. A tua impecabilidade é garantida por Deus. De forma similar e mais específica, quando nos vemos prontos a atacar, criticar ou encontrar falhas, deveríamos tentar o melhor que pudermos nos lembrar de que tais pensamentos ocultam a luz e a alegria e a paz de nós. Uma vez que nós e nossos irmãos somos o mesmo, nossas acusações voltam para nos ferir. No entanto, transmitindo aos outros a mensagem de luz, nós lembramos a nós mesmos de que a mesma luz está em nós também. Dessa forma, realmente voltamos todos juntos para casa. (11:7-10) Hoje podes fazer muito pela salvação do mundo. Podes fazer muito para aproximar-te do papel que Deus te designou na salvação. E podes fazer muito para trazer à tua mente a convicção de que a idéia para esse dia é, de fato, verdadeira. A razão pela qual podemos fazer muito pela salvação do mundo é que o Filho de Deus é um. Esse tema vai voltar muito em breve. Se o meu Ser é um, uma parte indivisível da perfeita Unicidade, toda a Filiação, está contida em mim. No entanto, não é o eu que é o lar do mal, escuridão e pecado. Portanto, o que me capacita a salvar o mundo é salvar a minha mente, o que é alcançado pela prática diligente da lição do dia. Eu aceito que o que Jesus ensina é realmente verdadeiro, conforme aceito minha resistência a essa verdade. Nessa honestidade, minha resistência vai gentilmente se dissolver, deixando apenas a luz e a alegria e a paz que habitam em mim, o Filho de Deus.

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LIÇÃO 94 Eu sou como Deus me criou. Essa é a única lição repetida no livro de exercícios. Ela aparece novamente na Lição 110, e mais uma vez na Lição 162. Ela também é o tema central da Revisão VI e uma parte importante da última seção do texto (T-31.VIII). Esse tema crucial é a base do princípio da Expiação que corrige o sistema de pensamento do ego, que diz: eu não sou como Deus me criou, mas uma mente separada que agora faz seu lar no corpo. (1:1-4) Hoje continuamos com a única idéia que traz salvação completa, a única declaração que faz com que todas as formas de tentação não tenham nenhum poder, o único pensamento que silencia e desfaz inteiramente o ego. Tu és como Deus te criou. Na seção que acabei de citar, “Escolhe outra vez”, Jesus fala sobre a tentação que continuamente nos confronta: ver a nós mesmos como um corpo, dessa forma tornando o ego e seu sistema de pensamento de fraqueza, doença e dor reais: A tentação tem uma lição a ensinar em todas as suas formas, sempre que ocorre. Ela quer persuadir o santo Filho de Deus de que ele é um corpo, nascido no que tem que morrer, incapaz de escapar à sua fragilidade e limitado ao que o corpo ordena que ele sinta... Portanto, aprende o hábito feliz de responder a toda tentação de perceber a ti mesmo como fraco e miserável com estas palavras: Eu sou como Deus me criou. O Filho de Deus nada pode sofrer. E eu sou Seu Filho. Assim é a força de Cristo convidada a prevalecer substituindo todas as tuas fraquezas com a força que vem de Deus e que nunca pode falhar... Tu és como Deus te criou e assim é cada coisa viva que contemplas independentemente das imagens que vês. O que contemplas como doença e dor, como fraqueza, sofrimento e perda, não é senão a tentação de perceber a ti mesmo como sendo indefeso e estando no inferno. Não cedas a isso e verás toda a dor, sob qualquer forma e onde quer que ocorra, simplesmente desaparecer como a névoa diante do sol (T31.VIII.1:1-5; 5:1-8; 6:1-7). Ao dizermos “Eu sou como Deus me criou”, nós aceitamos a Expiação para nós mesmos. Acreditando nesse fato feliz, nós damos as costas ao nosso ego; seu sistema de pensamento estando na premissa de que nosso estado separado é realidade. O mundo é desfeito também, pois nada aqui é a perfeita Unicidade do nosso Criador. Além disso, ao escolher a verdade da Expiação contra a ilusão da separação, escolhemos o fim de todo sofrimento. Na verdade, todo o Um Curso em Milagres é um comentário sobre essa verdade, e como podemos aprender a aceitá-la. (1:4-8) Os sons desse mundo estão em silêncio, as cenas desse mundo desaparecem e todos os pensamentos que esse mundo jamais conteve são eliminados para sempre por essa única idéia. Aqui se realiza a salvação. Aqui se restaura a sanidade. Esse é outro exemplo da metafísica subjacente do Um Curso em Milagres, que repousa no princípio de tudo-ou-nada. Se Deus é verdade e nós permanecemos como Ele nos criou, tudo o que o ego tem ensinado e o mundo representa é falso. Não apenas é falso, mas nunca 29


existiu na realidade. O terror que isso engendra em nós vem do reconhecimento de que se essa declaração é verdadeira – o mundo nunca existiu –, e uma vez que nossos corpos são parte integrante do mundo, isso significa que nós nunca existimos também. Esse é o medo que o ego nunca quer que descubramos. Nossa queda nas entranhas da insanidade do ego tem como propósito manter o pensamento insano original longe de nós. Isso, por seu lado, nos impede de escolher a sanidade do Espírito Santo. O maravilhoso poema da Páscoa de Helen, “Transformação”, expressa a mudança do mundo de tudo para nada, complementando a passagem acima do livro de exercícios. Aqui está um trecho: Aconteceu subitamente. Existe uma Voz Que fala uma Palavra, e tudo se modifica .................................................................... o que parecia grande reassume a pequenez que é devida a ele. O que estava escuro fica mais brilhante, e o que estava brilhante antes, tremula e se enfraquece e finalmente se vai. (As Dádivas de Deus, p. 64). (2) A verdadeira luz é força e força é impecabilidade. Se permaneces tal como Deus te criou, tens que ser forte e a luz tem que estar em ti. Aquele Que assegurou a tua impecabilidade, tem que ser a garantia da força e da luz também. Tu és como Deus te criou. A escuridão não pode obscurecer a glória do Filho de Deus. Tu estás na luz, forte na impecabilidade em que foste criado e na qual permanecerás por toda a eternidade. Jesus elabora o significado da idéia do dia. “Eu sou como Deus me criou” significa que nada que o sistema de pensamento de escuridão do ego jamais concebeu afetou a luz do Céu. Uma vez que nós, como Cristo, somos parte dessa luz – citada no texto como os Grandes Raios (veja, e.g., T-18.III.8:7) -, nós também não fomos afetados. A impecabilidade é a nossa força, pois ela reflete a verdade da Expiação: a separação da luz nunca aconteceu. A escuridão da culpa pode encobrir essa luz em nossos pesadelos, mas na realidade resta apenas a luz. (3) Hoje, mais uma vez dedicaremos os primeiros cinco minutos de cada hora em que estiveres acordado à tentativa de sentir a verdade em ti. Começa estes momentos de busca com estas palavras: Eu sou como Deus me criou. Sou Seu Filho por toda a eternidade. Agora tenta alcançar o Filho de Deus em ti. Esse é o Ser Que nunca pecou, nem fez uma imagem para substituir a realidade. Esse é o Ser Que nunca deixou a Sua casa em Deus para andar incerto pelo mundo. Esse é o Ser Que desconhece o medo e para Quem a perda, o sofrimento ou a morte são inconcebíveis. Agora somos solicitados a pensar no pensamento do dia a cada hora. Nós começamos com uma declaração clara da verdade sobre nossa Identidade, uma verdade que invalida as ilusões de pecado e medo, alienação e sofrimento do ego. Elas não têm lugar em nosso Ser. Lembre-se da referência no texto ao primeiro mandamento: Não terás outros deuses diante Dele porque não existe nenhum outro (T-4.III.6:6).

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No próximo parágrafo, Jesus descreve como nós atingimos o Filho verdadeiro de Deus, movendo-nos além do ser ilusório, enraizado na crença de que a separação é pecado, para a verdade gloriosa de Cristo: (4:1-4) Para alcançar essa meta nada te é requerido, exceto deixar todos os ídolos e auto-imagens de lado, ultrapassar a lista de atributos bons ou maus que atribuíste a ti mesmo e esperar pela verdade em silenciosa expectativa. Isso descreve sucintamente o processo de perdão: para nos lembrarmos de Deus, nós temos que liberar o ego. Nossa tarefa, portanto, não é afirmar a verdade de que somos como Deus nos criou, mas negar a negação do ego. Nós já vimos essa declaração resumidora: A tarefa do trabalhador de milagres, portanto, se torna negar a negação da verdade (T-12.II.1:5). Para atingirmos esse objetivo de nos lembrarmos do nosso Ser, temos que “deixar todos os ídolos e auto-imagens de lado”. O obstáculo-chave é a crença em que nós somos nossa auto-imagem, cujo cerne é nosso especialismo. Nós tentamos proteger essa imagem, negando a responsabilidade e fazendo um mundo no qual o pecado da existência é visto em todos, menos em nós mesmos. Portanto, nossa auto-imagem não é apenas a de um ser individual, mas a de um indivíduo especial, inocente. Isso significa que alguém mais é culpado. O sistema defensivo do ego torna o perdão virtualmente impossível: para atingirmos Deus e nos lembrarmos de Quem somos como Cristo, temos que liberar todas as imagens. Como Jesus nos lembra, essas imagens incluem não apenas o que é ruim, mas também o que é bom. Nós já vimos que se falarmos sobre uma auto-imagem positiva, estaremos deixando implícito que também existe uma negativa. Isso resulta em um mundo dualista de opostos, um estado impossível no Céu. No final, portanto, precisamos transcender até mesmo a dualidade da mente errada e da mente certa. No entanto, primeiro precisamos trazer nossas ilusões de ódio para a correção do perdão, a escuridão da separação para a luz da Expiação. Só então poderemos completar a jornada e encontrar nosso Ser da mente Única. (4:4-5) O próprio Deus prometeu que ela seria revelada à todos aqueles que a pedissem. Em outras palavras, não é Deus Que pode revelar a verdade a nós, nem Jesus ou seu curso. Temos que pedir por ela, o que reflete a pequena disponibilidade de admitir que estávamos errados e Jesus estava certo: nós estávamos errados sobre sermos o Filho de Deus separado e especial, e Jesus estava certo – nós somos o Cristo, em unidade com nossa Fonte. (4:5-6) Tu estás pedindo agora. Não podes falhar porque Ele não pode falhar. Isso implica em que temos uma mente dividida; e enquanto uma parte de nós não quer desistir da nossa individualidade e voltar para casa, a outra parte está fazendo essas lições porque quer liberar o ego. Jesus está apelando ao tomador de decisões para escolher o sistema de pensamento são da mente, alcançado por reconhecermos a insanidade do ego para que possamos liberá-la. (5:1-7) Se não cumprires o requisito de praticar durante os primeiros cinco minutos de cada hora, pelo menos lembra-te de hora em hora: Eu sou como Deus me criou. Sou Seu Filho por toda a eternidade. Hoje dize a ti mesmo freqüentemente que tu és como Deus te criou. 31


O teste da nossa resolução de nos lembrarmos do nosso Ser é o comprometimento de nos lembrarmos da lição do dia. Como devemos ver na Lição 95, o verdadeiro valor do livro de exercícios está em nos mostrar o quanto não queremos nos lembrar dos seus exercícios, o que, novamente, reflete o fato de não querermos nos lembrar de que somos como Deus nos criou. (5:7-10) E certifica-te de responder a todo aquele que parece irritar-te com estas palavras: Tu és como Deus te criou. Tu és o Seu Filho por toda a eternidade. Esse é um ponto ao qual vamos voltar muitas vezes, porque Jesus volta a ele muitas vezes. Se essas lições vão funcionar, elas precisam ser aplicadas muito especificamente sempre que nos percebermos irritados, desencorajados, zangados, amedrontados ou deprimidos. Em outras palavras, esses são os momentos nos quais mais precisamos nos lembrar da lição, e trazer a ilusão do nosso transtorno – vermos a nós mesmos como sendo injustamente tratados ou vitimados – para a verdade que Jesus guarda para nós. Se eu sou como Deus me criou, você também é, uma vez que o Filho de Deus é um. Se eu guardar mágoas contra você, preciso também estar guardando-as contra mim. Novamente, o Filho de Deus é um, tanto no Céu quanto na Terra. Portanto, somos curados juntos, porque não pode acontecer que um de nós seja curado sozinho. Portanto, nós nos lembramos do Ser que Deus criou, e nos lembramos da Sua Fonte, em unidade com Ele: ... todo poder é de Deus. Podes lembrar-te disso por toda a Filiação. Não permitas a teu irmão que ele não se lembre, pois o seu esquecimento é o teu. Mas a tua lembrança é a sua, pois não se pode lembrar de Deus sozinho. É isso que tens esquecido. Perceber a cura do teu irmão como a tua própria é, assim, o caminho para lembrar-te de Deus. Pois esqueceste os teus irmãos com Ele e a Resposta de Deus para o teu esquecimento não é senão o caminho para a lembrança (T12.II.2:5-12). Jesus conclui resumindo o ponto principal do exercício: (5:11-14) Esforça-te o máximo possível para fazer os exercícios de hoje a cada hora. Cada um que fizeres será um passo gigantesco em direção à tua liberação e um marco no aprendizado do sistema de pensamento que esse curso propõe. Jesus nos lembra que esse é um currículo no qual somos o estudante e ele é o professor, e que nós queremos aprender com ele porque isso vai nos fazer felizes. Nosso professor é gentil e paciente (a quarta e oitava características do professor avançado de Deus: MP-4.IV, VIII), e dá cada pequeno, no entanto gigante, passo de perdão conosco. Ele nos pede apenas nossa pequena disponibilidade, que sua magnitude converte na nossa própria, pois cada instante santo é uma janela que se abre para a Magnitude da eternidade.

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LIÇÃO 95 Eu sou um só Ser, unido ao meu Criador. Essa é uma lição singular, sendo a única onde, até a metade, Jesus insinua sua discussão sobre o pensamento para o dia, e se dirige especificamente ao que fazer quando nós não fazemos o que é pedido; i.e., esquecemos os exercícios do dia. É uma discussão notável, e vamos passar um tempo considerável nela. O primeiro dos três parágrafos trata do tema da lição, uma continuação da discussão sobre o nosso verdadeiro Ser. Como já mencionei, essa série de vinte lições – 91 a 110 – contrasta nosso Ser verdadeiro como Cristo com o ser separado do ego. Nós, portanto, somos lembrados novamente nessa lição sobre a essência da nossa Identidade: unicidade. O Filho de Deus não é dividido em múltiplos fragmentos, mas é um, e Sua Unicidade está em união com Sua Fonte. (1:1-3) A idéia de hoje te descreve com precisão tal como Deus te criou. Tu és um dentro de ti mesmo e um com Ele. A unidade de toda a criação é tua. Isso é diretamente oposto ao que o ego nos diz. Seu sistema de pensamento começou com a idéia de que nós nos separamos de Deus, nosso Criador e Fonte, e conforme o pensamento evoluiu, ele continuou a se separar, tendo como resultado estarmos separados de tudo e de todos. Assim o mundo foi feito, como está descrito na próxima passagem, que já examinamos antes: Tu, que acreditas que Deus é medo, fizeste apenas uma substituição. Ela tomou muitas formas porque foi a substituição da verdade pela ilusão, da totalidade pela fragmentação. Ela veio a ser tão partida, subdividida e de novo dividida, vezes e mais vezes, que agora é quase impossível perceber que alguma vez foi uma só e que ainda é o que era. Esse único erro, que trouxe a verdade à ilusão, a infinidade ao tempo e a vida à morte, foi tudo o que jamais fizeste. Todo o teu mundo se baseia nele. Tudo o que vês reflete isso e cada relacionamento especial que jamais tiveste é parte disso. Podes te surpreender quando ouvires o quanto a realidade é diferente daquilo que vês. Não reconheces a magnitude desse único erro. Ele foi tão vasto e tão completamente inacreditável que um mundo de total irrealidade tinha que emergir. Que outra coisa poderia resultar disso? Seus aspectos fragmentados são bastante amedrontadores quando começas a olhar para eles. Mas nada do que tens visto nem de leve te mostra a enormidade do erro original, que aparentemente te expulsou do Céu para estilhaçar o conhecimento em pequenas partes sem significado de percepções desunidas e para forçar-te a fazer mais substituições (T18.I.4; 5). O mundo, portanto, é o oposto da “unidade de toda a criação”. Tendo sua fonte no pensamento de separação e fragmentação, o mundo de corpos só pode ser um lugar de separação e fragmentação; certamente não o lar do Filho de Deus. A crença de que o mundo é o nosso lar nega o princípio da Expiação que afirma que a unidade do Céu, a perfeita completeza de Deus e Cristo, nunca mudou, o que significa que nunca deixamos nossa Fonte. (1:3-6) A tua perfeita unidade faz com que a mudança em ti seja impossível. Não aceites isso e falhas em conhecer que não pode deixar de ser assim apenas porque acreditas que já mudaste a ti mesmo. 33


Essa é a essência da crença da mente certa. Apesar do nosso ser da mente certa, que deseja aceitar o ensinamento de Jesus, nosso ser egóico com muita certeza não o quer, pois ele busca preservar sua identidade modificada e especial. Declarações como essa refletem a consciência que Jesus tem sobre nossa resistência a aprendermos que o Filho de Deus é imutável, o que iria aliviar a nossa culpa e a necessidade de esconder nosso “pecado” dele. No entanto, pelo fato de acreditarmos que já mudamos a nós mesmos, essa mudança se torna realidade para nós, e não parece mais uma opção acreditar de outra forma. Eu estou mudado, o que significa que eu me separei de Deus e de todos os Filhos fragmentados também. O estado de perfeita unidade se tornou um sonho. Jesus agora vai descrever esse pequeno ser que acreditamos que é a nossa realidade: (2:1-6) Tu te vês como uma paródia ridícula da criação de Deus: fraco, perverso, feio e pecador, miserável e tomado pela dor. Tal é a tua versão de ti mesmo, um ser dividido em muitas partes em guerra entre si mesmas, separado de Deus e mantido sem qualquer segurança por um autor volúvel e cheio de caprichos ao qual fazes as tuas preces. Em algum trecho no Um Curso em Milagres, Jesus se refere ao ego e ao corpo como travestis da criação (T-24.VII.10:9); aqui, somos chamados de “paródia ridícula”. Esse é o ser “glorioso” que acreditamos que Deus criou, que nós adotamos como um substituto para o verdadeiro Ser glorioso que somos como o Filho único de Deus, perfeitamente unido dentro de nós mesmos como Cristo, e perfeitamente unido a Ele. Portanto, Jesus nos mostra o contraste entre esses dois seres. Se nós nos elevássemos acima do campo de batalha, voltássemos à parte tomadora de decisões das nossas mentes e olhássemos para baixo, para esse ser, iríamos perceber que o que sentimos como tão importante e especial, algo que tem nos definido, é uma paródia ridícula de Quem somos. Quando nos vemos ficando transtornados, não importando sua forma ou causa aparente, precisamos dar um passo atrás e olhar, dizendo a nós mesmos que nossas reações não são nada mais do que paródias ridículas do nosso Ser. Isso significa separar dessa identidade, nosso investimento em sermos injustamente tratados, e a dor dessa percepção. Essa constelação de pensamentos e sentimentos vitimados estabelece nosso corpo como real, provando conclusivamente que Deus está morto. Isso também significa – alegremente para nossos egos – que Jesus está errado e nós estamos certos. Em um nível, o “ser dividido em muitas partes em guerra entre si mesmas” é o corpo, onde um sistema está em oposição ao outro, e onde nós buscamos remediar um problema em uma parte do corpo, o que então se torna doloroso para outra parte. Mas nós nunca estamos totalmente felizes, pois nunca estamos integrados. A fragmentação triunfou sobre a completeza. Em um nível mais amplo, também podemos entender essa versão fragmentada de nós mesmos como o Filho de Deus em guerra com todos os outros fragmentos. Portanto, não é apenas uma guerra que travamos dentro dos nossos seres físicos e psicológicos, mas com cada outro Filho aparentemente separado de Deus. Idéias não deixam sua fonte: assim como é dentro, tem que ser fora. (2:6-8) Ele [nosso criador, o ego] não as ouve, pois é surdo. Ele não vê a unicidade em ti, pois é cego. Ele não compreende que tu és o Filho de Deus, pois é insensato e nada compreende. Isso volta às discussões anteriores: nós temos olhos que não vêem, ouvidos que não ouvem, cérebros que não pensam. Uma vez que acreditamos ser separados de Deus, não vemos coisa alguma além das sombras projetados da nossa própria nulidade. O corpo é irrelevante para a vista ou visão verdadeira, o que reflete o sistema de pensamento do Espírito Santo que é totalmente independente do nosso aparato sensório. Em uma passagem favorita, 34


Jesus pergunta por que nós pedimos à “única coisa em todo o universo que não conhece” nossa realidade, para nos dizer o que ela é: Há um estranho [o ego] nele, que vagando descuidadamente entrou na casa da verdade, e vagando ir-se-á... Não perguntes a esse estranho transeunte: “Quem sou eu?”. Ele é a única coisa em todo o universo que não sabe. No entanto, é a ele que perguntas e é à sua resposta que queres te ajustar. Esse único pensamento selvagem, feroz em sua arrogância e ao mesmo tempo tão diminuto e tão sem significado que passa despercebido pelo universo da verdade, vem a ser o teu guia. Tu te voltas para ele para perguntar o significado do universo. E à única coisa cega em todo o universo vidente da verdade, perguntas: “Como devo eu olhar para o Filho de Deus?” (T-20.III.7:2-3.6-15). A “coisa” que pedimos para nos dizer quem somos, “para a qual rezamos”, é o ego, que está refletido em nossos corpos, cérebros e aparato sensório. Nós pedimos ao corpo para nos dizer o que é a realidade, mas tendo sido feito especificamente para encená-la, ele não sabe. Essa é mais uma forma de Jesus gentilmente nos lembrar de que não podemos entender coisa alguma. Isso também significa que não podemos entender o Um Curso em Milagres se persistirmos em tentar abordá-lo da nossa perspectiva como seres individuais e especiais. O Curso pode ser entendido apenas quando nos desapegarmos desse ser e voltarmos para o lar da mente certa de Jesus. Isso significa renunciar a todos os pensamentos sobre quem nós pensamos ser. Em outras palavras, não podemos entender a verdade (espírito) da perspectiva da ilusão (corpo), como a seguinte passagem incisiva do texto afirma explicitamente: Pensas que podes trazer verdade à fantasias e aprender o que a verdade significa a partir da perspectiva das ilusões? A verdade não tem significado na ilusão. O quadro de referencia para o seu significado tem que ser ela mesma. Quando tentas trazer a verdade às ilusões, estás tentando fazer com que as ilusões sejam reais e estás tentando mantê-las, justificando a tua crença nelas (T-17.I.5:1-6). (3) Hoje, procuraremos estar cientes só do que pode ouvir e ver e faz perfeito sentido. Mais uma vez dirigiremos os nossos exercícios para alcançar o teu único Ser, Que está unido ao Seu Criador. Com paciência e esperança, tentamos mais uma vez no dia de hoje. Jesus e o Espírito Santo representam a mente certa que vê através da visão de Cristo, negando a importância ou até a realidade do que nossos olhos vêem. No entanto, não somos solicitados a negar nossa vista, mas apenas a interpretação do que vemos. Do ponto de vista do ego, isso sempre envolve algum aspecto de diferença, especialismo, julgamento e ataque. A visão corrige sua interpretação errônea, limpando o caminho para que a memória do nosso único Ser volte à consciência. Essas linhas terminam a primeira parte da lição. Desde o início do parágrafo 10, Jesus agora fala conosco sobre nossa resposta quando nos esquecemos de fazer os exercícios e acusamos a nós mesmos de fracasso. Isso é extremamente instrutivo, não apenas pelo que ele diz especificamente sobre fazer o livro de exercícios, mas por suas implicações mais amplas de desfazer o sistema de pensamento de separação e pecado que o ego nos disse ser a realidade, e que justifica nossa culpa. (4) O uso dos primeiros cinco minutos de cada hora de vigília para a prática da idéia para o dia oferece vantagens especiais na fase de aprendizado em que te encontras no momento. A essa altura, é difícil não deixar que a mente se disperse se empreende uma prática mais prolongada. Agora certamente já reconheceste isso. Já viste a extensão da 35


tua falta de disciplina mental e da tua necessidade de treinar a mente. É necessário que estejas ciente disso, pois, de fato, representa um obstáculo ao teu avanço. Jesus está nos dizendo em termos nada incertos que ele não espera que nós sejamos totalmente fiéis às lições: “A essa altura, é difícil não deixar que a mente se disperse, se empreende uma prática mais prolongada”. Portanto, ele não espera que passemos cinco minutos de cada hora pensando em Deus, pensando na lição seis ou dez vezes por hora, ou pedindo sua ajuda em todas as vezes em que ficarmos transtornados. Jesus está nos dizendo, novamente, que ele conhece nossa “falta de disciplina mental”, que é o motivo pelo qual ele nos provê com tanta estrutura, ainda que isso não seja o ideal. Lembre-se dessa afirmação do manual para professores: As rotinas como tais são perigosas, porque facilmente vêm a ser deuses em seu próprio direito, ameaçando aquelas mesmas metas em nome das quais foram estabelecidas (MP-16.2:5-8). No entanto, Jesus também está dizendo que precisamos de rotinas e estruturas agora, por razões que são bem aparentes. Esse é outro exemplo de Jesus gentilmente informando-nos de que nós estamos no primeiro degrau da escada, e que não deveríamos fingir que estamos mais acima. Quando estivermos mais acima na escada, não precisaremos de estrutura ou disciplina, nem iremos precisar praticar os exercícios. No entanto, ainda estamos no início. Na seção acima mencionada no manual, Jesus afirma: Para o professor de Deus avançado essa pergunta [Como o professor de Deus deve passar seu dia?] é sem significado. Não existe programa, porque as lições mudam a cada dia. O professor de Deus, porém, está certo de uma coisa: elas não mudam por acaso. Vendo isso e compreendendo que é verdadeiro, ele descansa contente... Mas e aqueles que não alcançaram a sua certeza? Eles não estão ainda prontos para essa falta de estrutura da própria parte (MP-16.1:1-5; 2:1-2). Falando conosco, os não avançados no início da escada, Jesus, portanto, diz: “Já viste a extensão da tua falta de disciplina mental e da tua necessidade de treinar a mente”; daí a necessidade de estrutura. Sempre haverá aqueles, no entanto, que acreditam que são a exceção. Se você está entre eles, pelo menos tenha muita clareza a esse respeito. Se você for como todos os outros, sua mente vai divagar, e você ficará mais preocupado em preservar seu especialismo do que em aprender um sistema de pensamento que o desfaz. Jesus, portanto, está dando permissão a seus estudantes para serem normais; i.e., para serem medrosos e esquecidos. No entanto, ele deixa implícito também que não devemos nos sentir culpados por causa do nosso esquecimento. Com efeito, Jesus está nos dizendo que não iríamos precisar do seu curso se nossas mentes estivessem treinadas, e se nós já não fôssemos “tolerantes demais com as divagações da mente”, como ele lembrou a Helen (T2.VI.4:6). Seu argumento é o de que nós não deveríamos usar nosso esquecimento como uma desculpa para não aprendermos a lição, ou para concluirmos que o Um Curso em Milagres é difícil demais para que nós pratiquemos e aprendamos e, portanto, por que se importar com isso? Jesus não está pedindo que façamos a lição perfeitamente, para dizer isso de outra forma, mas que quando falharmos em fazê-la perfeitamente, perdoemos a nós mesmos. Isso não está além de capacidade de ninguém. Novamente, Jesus não está dizendo que temos que ser estudantes perfeitos do livro de exercícios; ele simplesmente está dizendo que nós deveríamos estar cientes de que não o estamos fazendo perfeitamente. É por isso que ele diz: “É necessário que você esteja ciente disso, pois realmente é um obstáculo ao seu avanço”. A 36


falta de disciplina mental, que indica nossa necessidade de treinamento mental, é o obstáculo ao nosso avanço. No entanto, não é realmente a falta de disciplina mental que é o obstáculo, mas nossa culpa em relação a ela. Eu já falei antes de uma idéia similar: o problema não era a diminuta e louca idéia, mas escolhermos a interpretação do ego sobre ela, o que sempre leva à culpa. É por isso que o ponto de partida em desfazer o sistema de pensamento do ego é desfazer a culpa. Jesus, portanto, nos ajuda a entender que fazer o livro de exercícios imperfeitamente é uma excelente sala de aula para aprendermos a desfazer nossa culpa. Na verdade, a implicação é a de que fazendo o livro de exercícios imperfeitamente e depois perdoando a nós mesmos, nós estamos na realidade fazendo o livro de exercícios perfeitamente, e sendo estudantes perfeitos. (5:1-5) Períodos de prática mais curtos e freqüentes te oferecem outras vantagens a essa altura. Além de reconheceres as tuas dificuldades em manter atenção prolongada, também não podes deixar de ter notado que, a menos que sejas freqüentemente lembrado do teu propósito, tendes a esquecê-lo por longos períodos de tempo. Jesus está dizendo duas coisas aqui: não apenas nós temos dificuldade em sentar quietos durante cinco, dez ou quinze minutos sem que nossas mentes divaguem para pensamentos que nossos egos consideram seguros, mas temos dificuldade até mesmo em pensar sobre a necessidade de sentar quietamente durante cinco, dez ou quinze minutos. No entanto, Jesus não está apontando um dedo acusador, pois ele está nos ensinando a reconhecer que nossas “falhas” não estão vindo do pecado, mas do medo; os primeiros são punidos, e os últimos são gentilmente corrigidos. (5:6-8) Freqüentemente falhas em lembrar das aplicações mais curtas da idéia do dia e ainda não formaste o hábito de usá-la como uma reação automática à tentação. Mais uma vez, Jesus está nos dizendo que ele sabe que nós nos esquecemos, e que está tudo bem com isso. Esse é um curso cujo propósito é desfazer nosso falso aprendizado através do perdão, não em instilar medo e reforçar a culpa através da punição. (6:1-3) Portanto, uma estrutura se faz necessária para ti nesse momento, planejada para incluir freqüentes lembretes da tua meta, promovendo regularmente tentativas para alcançá-la. É extremamente importante que você perceba que está no início da jornada, refletindo a humildade sem a qual aprender o Um Curso em Milagres é impossível. Estar no início da escada espiritual não é um pecado. É realmente muito bom, pois pelo menos você está na escada certa, com o professor certo, e você deveria ser grato a si mesmo por ter escolhido Jesus em vez do ego. Sentir-se culpado por estar no início, ou se sentir mal por ter que dar passos de bebê enquanto outros estão “mais acima”, é a arrogância do ego erguendo sua feia cabeça mais uma vez. Tal arrogância, mascarada de humildade, assegura que você nunca vai chegar a lugar algum. A forma de um bebê aprender a correr é primeiro aprendendo a engatinhar, depois a andar. Passar de engatinhar para correr assegura que a criança nunca vai caminhar de forma apropriada, sem falar em correr. É importante vermos a nós mesmos como criancinhas, com um irmão mais velho para nos guiar. Se nós insistirmos em que somos mais velhos do que somos, estaremos muito menos propensos a ouvir, porque vamos pensar que sabemos tanto quanto ele. Portanto, vamos permanecer paralíticos espirituais para o resto de nossas vidas, não sendo capazes de perdoar, para não mencionar amar. (6:3-5) A regularidade em termos de tempo não é o requisito ideal para a forma mais benéfica de prática da salvação. 37


Isso é paralelo à frase que acabei de citar do manual: “As rotinas como tais são perigosas...” (MP-16.2:5). (6:5-7) Mas é proveitosa para aqueles cuja motivação é inconsistente e que permanecem fortemente defendidos contra o aprendizado. Se você for honesto, dirá: “Isso inclui a mim. Minha motivação é inconsistente, e eu estou ‘fortemente defendido contra o aprendizado’. Eu não quero aprender que o meu corpo, minha cintilante personalidade, e minhas histórias de vitimação não são nada. Eu não quero aprender que estar aqui é um ataque ao Amor de Deus, e uma tentativa de limitá-Lo. Eu não quero aprender que meu ser é inventado, e é um ataque a Deus e a Cristo. Eu quero aprender em vez disso, o quão maravilhoso eu sou, e que Jesus vai me tornar ainda mais maravilhoso”. A honestidade está em perceber essa inconsistência e resistência, e aceitar nossa necessidade da “regularidade em termos de tempo” que Jesus nos oferece. Voltando ao manual para professores mais uma vez, lemos: No início, é sábio pensar em termos de tempo. Esse não é, de modo algum, o critério absoluto, mas inicialmente é provável que seja o mais simples de se observar. A economia de tempo, nos estágios iniciais, é uma ênfase essencial e embora ao longo do processo de aprendizado ela continue importante, vai sendo cada vez menos enfatizada. No início, pode-se dizer com segurança que dedicar algum tempo a começar o dia acertadamente, de fato, economiza tempo (MP-16.3:18). Jesus continua com as indicações do dia: (7:1-4) Portanto, por enquanto manteremos os cinco minutos de prática por hora e te exortamos a omitir o menor número possível de períodos. O uso dos primeiros cinco minutos de cada hora será particularmente útil, pois impõe uma estrutura mais firme. Podemos novamente observar Jesus nos dizendo que apesar de estar consciente da nossa falta de disciplina, ele está prosseguindo com uma “estrutura mais firme”, uma vez que essa é nossa necessidade se vamos nos tornar disciplinados. Nós agora chegamos ao cerne dessa discussão: (7:4-11) Mas não uses os teus lapsos nesse horário como um pretexto para não voltares a ele assim que puderes. É bem possível que haja uma tentação de considerares o dia perdido, uma vez que falhaste em fazer o que te é requerido. Contudo isso deverá ser meramente reconhecido pelo que é: uma recusa em permitir que o teu equívoco seja corrigido e uma falta de disponibilidade para tentar de novo. Jesus não usa a palavra culpa aqui, mas esse é o seu sujeito. A culpa impede que o Espírito Santo corrija nossos equívocos gritando: “Eu cometi pecados que estão além da correção e do perdão. Eu, portanto, sou uma pessoa terrível e um fracasso como um estudante do Um Curso em Milagres”. A discussão do texto sobre o pecado versus o erro é relevante aqui, pois aponta para o papel crítico da culpa no sistema de pensamento defensivo do ego, protegendo sua existência separada: É essencial que o erro não seja confundido com o pecado e é essa distinção que faz com que a salvação seja possível... O pecado pede punição assim como o erro pede correção, e acreditar que punição é correção é claramente insano. O pecado não é um erro, pois o pecado implica em uma arrogância que falta à idéia de erro. Pecar seria violar a realidade e ter sucesso. O pecado é a proclamação de 38


que o ataque é real e a culpa justificada. Ele assume que o Filho de Deus é culpado, tendo assim tido sucesso na perda da sua inocência e fazendo de si mesmo algo que Deus não criou... O ego traz o pecado ao medo exigindo punição. Entretanto, a punição não é senão outra forma de proteger a culpa, já que o que merece punição tem que ter sido realmente feito. A punição é sempre a grande preservadora do pecado, tratando-o com respeito e honrando a sua enormidade. O que tem que ser punido, tem que ser verdadeiro (T-19.II.1:1-2,8-10; 2:1-6; T-19.III.2:3-8). Portanto, nós realmente vemos que nossa individualidade é preservada tão logo é chamada de pecado, protegida pela experiência de culpa, o que requer a punição que nós tememos. Além disso, no instante em que sentirmos a culpa, ela será levada para o subterrâneo, ou reprimida em nossas mentes, porque o sentimento é intolerável. A projeção é inevitável, e nossa experiência de pecado e culpa se metamorfoseia em: é culpa de outra pessoa. A culpa na mente é agora seguramente enterrada, sem esperança de jamais ser desfeita, pois a crença no pecado de outra pessoa encobre a crença nutrida de que ela é nossa. Voltando às nossas falhas em nos lembrarmos dos requisitos do exercício diário, podemos ver que elas são apenas sombras fragmentárias do equívoco original quando nos esquecemos sobre Deus inteiramente, pensando: Preocupações sobre perder nossa individualidade são muito prementes, e então, o Deus de Amor e Unicidade é a última coisa sobre a qual queremos pensar, pois ao nos lembrarmos dele, encontramos nosso Ser, no qual não existe ser. Nós revivemos esse instante ontológico de novo e de novo, como a seguinte declaração do texto deixa claro: A cada dia e em cada minuto de cada dia e em cada instante que cada minuto contém, tu apenas revives o único instante em que o tempo do terror tomou o lugar do amor (T-26.V.13:1-3). Lembre-se, não existe brecha de bilhões de anos entre o que nós acreditamos que está acontecendo nesse exato instante, e o que acreditamos ter ocorrido no instante original quando “o terror tomou o lugar do amor”. O tempo linear é uma ilusão, e tudo nele ocorre em qualquer momento determinado de nossa experiência atual. Cada vez que esquecemos a lição do livro de exercícios, ficamos transtornados ou deixamos de pedir ajuda a Jesus, revivemos esse momento original – sempre presente em nossas mentes -, quando nós empurramos o Amor de Deus para longe e dissemos ao Espírito Santo: “Eu não estou interessado no que Você diz, mesmo que seja verdade. Só quero manter meu ser individual e indiferenciado”. Em vez de sorrir diante do equívoco, nós o julgamos como pecaminoso. A culpa se tornou esmagadora, e nós ficamos com medo da punição irada de Deus pelo nosso pecado. Para evitar o troco divino, nós fugimos das nossas mentes – projetamos nosso ser pecador e culpado – e fizemos um mundo no qual todos os outros são acusados de pecado, enquanto nós permanecemos suas vítimas inocentes. Novamente, esse é o cenário familiar demais, que revivemos quando nos esquecemos da nossa lição do livro de exercícios. Jesus, portanto, está nos dizendo que o problema não é esquecermos, mas não querermos que o erro seja corrigido por seu amor gentil. Nós mais uma vez levamos a diminuta e louca idéia a sério, e agora precisamos da ajuda de Jesus para nos lembrarmos de rir para dissipar a seriedade, como a seguinte passagem do texto nos incita a fazer: Na eternidade, onde tudo é um, introduziu-se uma idéia diminuta e louca, da qual o Filho de Deus não se lembrou de rir. Em seu esquecimento, esse pensamento passou a ser uma idéia séria, capaz de ser realizada e de ter efeitos reais. Juntos, nós podemos rir dessas duas coisas, fazendo-as desaparecer e podemos compreender que o tempo pode vir a lograr a eternidade, que significa que o tempo não existe (T-27.VIII.6:3-10). 39


Como um exemplo, vamos dizer que você esteja fazendo essa lição, e portanto, seja solicitado a pensar em Deus no início da cada hora. De repente, você percebe que são 13:15, e você exclama: “Meu Deus, eu não pensei na lição às 13 horas; de fato, não pensei nela ao meio-dia, às 11, nem às 10 horas, mas estou me lembrando agora, às 13:15”. Você então deveria dizer a si mesmo: “Eu me esqueci porque estava com medo. As necessidades individuais do meu especialismo estão tão exigentes que tive que fazer tudo o que pude para prestar atenção ao meu corpo e aos outros ao meu redor. E então, eu me esqueci – porque eu estava com medo, não porque sou mau. Querer preservar minha identificação especial não é um pecado, mas um equívoco a ser corrigido. Que maravilha eu poder ver minha resistência a aprender esse curso! No entanto, eu me lembrei da lição agora, e posso pedir para Jesus me ajudar a olhar para o que eu fiz, entender por que, e escolher aceitar seu perdão em vez da culpa do meu ego”. Essa, então, é a mensagem de Jesus a nós aqui, e é ecoada na reconfortante mensagem do Espírito Santo no manual, a resposta à nossa crença na realidade da culpa. Nós a apresentamos novamente, dessa vez com sua sentença introdutória: A correção tem uma única resposta para tudo isso e para o mundo que se baseia nisso: Tu estás apenas tomando equivocadamente a interpretação pela verdade. E estás errado. Mas um equívoco não é um pecado, Nem a realidade foi tirada de seu trono pelos teus equívocos. Deus reina para sempre, e só as Suas leis prevalecem sobre ti e sobre o mundo. Seu Amor permanece sendo a única coisa que existe. O medo é ilusão, pois tu és como Ele. (MP-18.3:7-15). (8:1-2) O Espírito Santo não é detido em Seu ensinamento pelos erros que cometes. Em outras palavras, não importa com que freqüência você se esquece de Quem você é; a verdade intemporal do seu Ser não é afetada por isso. Desnecessário dizer, isso vai além da lição diária do livro de exercícios. Sempre que você for tentado a ver a si mesmo como injustamente tratado e não recebendo o amor e atenção que o seu especialismo exige, vá tão rápido quanto possível para dentro e diga a Jesus: “Eu tenho que estar olhando para isso de forma errada, por favor, ajude-me”. Seu papel em nos ajudar a perdoar a nós mesmos, aprendendo a não levar a diminuta e louca idéia a sério, constitui a essência do nosso relacionamento com ele. Novamente, Jesus não é retardado pelos nossos equívocos, mas a experiência da nossa felicidade definitivamente é. (8:2-3) Ele só pode ser retido pela tua vontade que não está disposta a soltá-los. Esse é o propósito da culpa: expressar nossa falta de disponibilidade para liberar os equívocos rotulando-os como pecados que exigem punição. O medo dessa punição é tão esmagador que nós temos que projetar o pecado e acreditar que não somos os culpados, pecadores. Isso nos torna paranóicos, porque nós agora olhamos ao redor com nossos pequenos olhos arregalados, procurando o pecado em outros e aterrorizados de que eles vão nos atacar. No entanto, nós vemos nossos próprios pensamentos de ataque projetados para fora. O problema, no entanto, não está nisso, mas em nos sentirmos culpados a esse respeito. Jesus, portanto, nos impele a ir até ele tão logo nos lembrarmos do que fizemos ou deixamos de nos lembrar. Novamente, ainda que a culpa não apareça aqui, ela está subjacente a tudo que está sendo dito. É a falta de disponibilidade de liberar o pecado, pois ele é a verdade irrevogável que merece apenas punição. (8:3-9) Que estejamos determinados, portanto, principalmente na próxima semana ou mais um pouco, a estarmos dispostos a perdoar os lapsos na nossa diligencia e nossas 40


falhas em seguir as instruções para a prática da idéia do dia. Essa tolerância para com a fraqueza fará com que sejamos capazes de não vê-la ao invés de dar-lhe o poder de atrasar o nosso aprendizado. Se nós acharmos nossa fraqueza intolerável, estaremos dando a ela – agora chamada de pecado – um poder tremendo, não apenas para retardar nosso aprendizado, mas para destruílo e tornar o perdão impossível. Para repetir, o problema nunca é nossa falha em nos lembrar, nem nosso especialismo ou raiva. É nos agarrarmos às falhas percebidas através da culpa. Lembre-se, o ego sempre quer provar que nossa individualidade é verdadeira, o que é alcançado pela crença no pecado, o que por seu lado é estabelecido pela culpa. O ego, portanto, não perde tempo em tentar provar, de novo e de novo, o quanto somos culpados. Quando você comete um equívoco, portanto, perceba que ele vem do medo, não de algum mal inerente, fraqueza ou pecaminosidade em você. Então, diga a Jesus: “Eu estava com medo do seu amor, pois eu estava com medo de perder minha individualidade e especialismo. Portanto, eu tive que proteger a mim mesmo empurrando você para longe, e foi por isso que me esqueci”. Se você tiver uma conversa assim com Jesus, não haverá culpa, e sem culpa, não pode haver problema. Sentir-se culpado, no entanto, assegura que o esquecimento vai acontecer. É por isso que Jesus reforça o significado da nossa prática diária das lições do livro de exercícios. Para afirmar esse ponto novamente: a maneira de ignorarmos algo não é por não vê-lo, mas por realmente olhar para ele. Quando o fazemos, com o amor de Jesus ao nosso lado, olhamos através dele. Portanto, como já vimos, ignorar realmente significa olhar além. (8:9-10) Se lhe dermos o poder de fazer isso [atrasar nosso aprendizado], estamos considerando-a como uma força e confundindo força com fraqueza. Se nós nos permitirmos nos sentir culpados em relação à “fraqueza” de esquecer a lição, refletimos o pensamento subjacente de que o ego destruiu Deus, em vez de vermos a fraqueza inerente do ego porque ele não pode fazer nada. Para citar novamente o texto: É uma piada pensar que o tempo pode vir a lograr a eternidade, que significa que o tempo não existe (T-27.VIII.6:8-10). Isso significa que não existe ego também. Só o princípio da Expiação é a nossa força. (9:1-2) Quando falhas em cumprir os requisitos deste curso estás meramente cometendo um erro. Isso pede correção e nada mais. Em outras palavras, “falha” não é um pecado, pois Jesus nos dá permissão para “falhar em cumprir os requisitos”. Ele não está esperando que sejamos estudantes modelo em termos de forma. Como já afirmei, a melhor forma de fazer o livro de exercícios e aprender com ele é fazê-lo de forma imperfeita, e depois perdoar a si mesmo. Portanto, você aprende a perdoar a você mesmo por esquecer Deus no início. Aprender a perdoar seus equívocos é o que o transforma em um verdadeiro estudante modelo. (9:3-6) Permitir que um equívoco perdure é cometer equívocos adicionais, que se baseiam no primeiro e o reforçam. É esse processo que tem que ser posto de lado, pois não passa de outra maneira através da qual queres defender as ilusões contra a verdade. Isso está nos dizendo novamente que a maneira de pararmos de cometer equívocos é não nos sentindo culpados. Nós evitamos a culpa convidando Jesus para entrar, para que ele possa olhar conosco para nossos equívocos. Ele então vai explicar como nós os cometemos a 41


partir do medo, não do pecado; e, sem o pecado, a culpa desaparece. Se, no entanto, a culpa permanecer, é certo que vamos repetir o erro. Com a culpa em nossas mentes, a repressão tem que acontecer, levando à projeção na forma dos equívocos de ataque e doença. Portanto, quando a crença no pecado é desfeita, a cura é alcançada, pois a projeção é impossível. Jesus agora constrói uma ponte sobre a brecha entre sua discussão da lição individual do livro de exercícios e a lição real: (10:1-4) Solta todos esses erros reconhecendo-os pelo que são. São tentativas de fazer com que fiques sem saber que és um só Ser, unido ao seu Criador em unidade com todos os aspectos da criação, ilimitado em poder e paz. Minha consciência de que eu sou um Ser desfaz minha crença em que sou separado. Meus erros – tal como me esquecer de fazer a lição do livro de exercícios de hora em hora, ou me esquecer de pedir ajuda a Jesus quando estou transtornado – não são nada mais do que a defesa contra perder meu ser individual, o que eu certamente faria se me lembrasse da lição do dia. Jesus continua, voltando ao tema da lição, depois de ter discutido como nós vamos nos defender contra ela. “Eu sou um só Ser, unido ao meu Criador” significa que tudo que penso sobre mim mesmo está errado, sem exceção. Esquecer essa lição, portanto, é a maneira do meu ego proteger a si mesmo da lembrança da verdade, o que iria me levar a esquecer a ilusão de que eu sou um ser especial, separado de todos os outros, e certamente separado do meu Criador e Fonte: (10:4-7) Essa é a verdade e nada mais é verdadeiro. Hoje, reafirmaremos essa verdade e procuraremos alcançar o lugar em ti onde não há duvidas de que só isso é verdadeiro. Somos devolvidos à nossa tarefa – nos lembrarmos da verdade, trazendo a ela as ilusões do nosso ser. Portanto, nossas mentes são limpas da tolice do ego, e nós atingimos a paz interior da verdade. Nos últimos cinco parágrafos da lição, Jesus afirma essa verdade – nós somos um Ser, em unidade com Deus e com todos os outros -, e faz isso de novo e de novo: (11) Começa os períodos de prática de hoje com essa garantia, oferecida à tua mente com toda a certeza que podes lhe dar: Eu sou um só Ser, unido ao meu Criador, em unidade com todos os aspectos da criação, e ilimitado em poder e paz. Em seguida, fecha os teus olhos e dize a ti mesmo mais uma vez de modo lento e refletido, tentando deixar que o significado das palavras afunde em tua mente substituindo idéias falsas: Eu sou um só Ser. Repete isso várias vezes e depois procura sentir o significado que as palavras transmitem. Como já discutimos, o processo de cura estabelecido no Um Curso em Milagres é o de trazer a escuridão das ilusões do nosso ego à luz da verdade do Espírito Santo. Isso significa especificamente trazer nossos pensamentos de especialismo ao pensamento de perdão; do objetivo de satisfazer nossas necessidades, e o sacrifício de outro como o meio de satisfazêlas, para nossa única necessidade de reconhecer que todas as necessidades são a mesma. 42


Portanto, nossas vidas diárias refletem a verdade dessa lição: “Eu sou um só Ser, unido ao meu Criador, em unidade com todos os aspectos da criação, e ilimitado em poder e paz”. (12) Tu és um só Ser, unido e seguro na luz, na alegria e na paz. Tu és o Filho de Deus, um Ser, com um Criador e uma meta: trazer a consciência dessa unicidade a todas as mentes para que a verdadeira criação possa estender a Universalidade e a Unidade de Deus. Tu és um Ser, completo e curado e íntegro com o poder de erguer o véu da escuridão do mundo e deixar que a luz em ti venha para ensinar ao mundo a verdade sobre ti mesmo. A forma de trazer “a consciência dessa unicidade a todas as mentes” é demonstrar nossos interesses compartilhados uns para os outros. Dessa forma, o véu escuro de separação e especialismo do ego é erguido das mentes do Filho de Deus, e a luz da verdade sobre nós mesmos tem permissão de brilhar: nós somos um Ser. Essa verdade está refletida no reconhecimento de que somos um na mente separada também – cada fragmento aparente da filiação contém dentro de si mesmo um problema e uma solução. (13) Tu és um só Ser em perfeita harmonia com tudo o que há e tudo o que haverá. Tu és um só Ser, o santo Filho de Deus, unido aos teus irmãos nesse Ser, unido ao teu Pai na Sua Vontade. Sente esse único Ser em ti e deixa que Ele brilhe afastando todas as tuas ilusões e dúvidas. Esse é o teu Ser, o Filho do próprio Deus, impecável como o próprio Criador, com a Sua Força dentro de ti e o Seu Amor para sempre teu. Tu és um só Ser e te é dado sentir esse Ser dentro de ti e banir todas as tuas ilusões da Mente única que é esse Ser, a santa verdade em ti. Nossa única função dentro do sonho de separação é desfazer as ilusões de interesses separados que ocultam a memória do nosso verdadeiro Ser. Jesus, portanto, estabelece o cenário para lições posteriores que vão se focalizar mais especificamente no perdão: os meios ensinados pelo Um Curso em Milagres para nos lembrarmos da nossa Identidade e do Amor do Criador. (14) Não esqueças hoje. Precisamos da tua ajuda, da tua pequena parte para trazer felicidade a todo o mundo. E o Céu olha para ti confiante de que hoje tu vais tentar. Compartilha, então, dessa certeza, pois ela é tua. Sê vigilante. Não esqueças hoje. Ao longo do dia não esqueças a tua mente. Repete a idéia de hoje com a maior freqüência possível e compreende que a cada vez que o fazes, alguém ouve a voz da esperança, o despertar da verdade dentro da sua mente, o suave sussurro das asas da paz. Ainda que a primeira parte dessa lição tenha discutido como a resistência a nos lembrarmos do nosso Ser impede nossa prática e aprendizado, Jesus continua para nos incitar a nos lembrarmos do quanto essas lições são importantes para nossa felicidade. Além disso, a Filiação, que somos nós, precisa do nosso esforço para despertar do seu sonho de sofrimento e morte, e sentir os sussurros gentis da esperança que reacendem a luz da presença em nossas mentes escurecidas. Dessa forma, a paz do Céu vem finalmente para substituir os conflitos na terra. (15) O teu próprio reconhecimento de que és um só Ser, unido ao teu Pai, é um chamado para o mundo todo estar em unidade contigo. Certifica-te de dar a promessa da idéia de hoje à todos aqueles que encontrares nesse dia, dizendo-lhes: Tu és um único Ser comigo, estamos unidos ao nosso Criador nesse Ser. Eu te honro pelo Que eu sou, e pelo Que é Aquele Que nos ama como um só. 43


Tem que ser assim, uma vez que “todos aqueles que encontrares” são você mesmo. Portanto, como o texto nos lembra: Quando te encontrares com qualquer um, lembra-te de que é um encontro santo. Assim como tu o vires, verás a ti mesmo. Assim como o tratares, tratarás a ti mesmo. Assim como pensares dele, pensarás de ti mesmo. Nunca te esqueças disso, pois nele acharás a ti mesmo ou te perderás. Sempre que dois Filhos de Deus se encontram, lhes é dada mais uma chance de salvação. Não deixes ninguém sem lhe dar a salvação e sem recebê-la tu mesmo (T-8.III.4:1-8). Assim, encerramos essa importante lição nos lembrando de ver cada situação como outra oportunidade de corrigir as percepções equivocadas de separação e especialismo do ego. Nós prometemos a nós mesmos, ao iniciarmos o dia, que vamos trazer Jesus conosco para podermos nos lembrar de que somos um no ego e um em espírito. Portanto, nesse dia e em todos os que se seguirão, seremos alegremente preenchidos com a promessa de perdão enquanto voltamos juntos para casa, para a Unicidade que nunca realmente deixamos, e que nunca deixaremos.

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LIÇÃO 96 A salvação vem do meu único Ser. Essa é uma lição potencialmente confusa por causa das maneiras conflitantes em que Jesus usa o termo mente. Dirigirmo-nos a essa confusão vai nos fazer passar pela lição bem mais fácil. Mente é usada aqui de duas formas, de maneira similar ao que é encontrado na seção “Mente-Espírito”, no esclarecimento de termos (ET-1). Ela é equacionada tanto ao espírito quanto à mente dividida. A confusão acontece porque o referente específico nem sempre é declarado. Devo esclarecer isso ao passarmos pela lição. Quando usada como o equivalente a espírito, mente se refere ao “agente ativador” do espírito (ET-1.1:1). A palavra espírito, referindo-se à nossa verdadeira natureza como Cristo, não está em letra maiúscula no Um Curso em Milagres, exceto quando é usada, raramente, como sinônimo para Deus ou o Espírito Santo. Mente não é colocada em letra maiúscula a menos que esteja se referindo especificamente à Mente de Deus e à Mente de Cristo. Essa lição é essencialmente uma discussão sobre o relacionamento entre espírito, mente e corpo. Essa trindade é abraçada pela maioria dos pensadores da nova era e muitos seguidores da medicina alternativa, mas a visão do Um Curso em Milagres é bem diferente, como devemos ver. (1:1-2) Embora sejas um único Ser, tu te vivencias como dois: como bom e mau, amoroso e cheio de ódio, mente e corpo. Aqui, mente se refere a espírito, um paralelo às palavras bom e amoroso. Nós acreditamos que somos divididos, e que é possível para o Filho de Deus ser separado da Mente de Deus e de Cristo. Esse é o oposto exato do princípio da Expiação, que ensina que a separação não aconteceu: o Ser perfeito da Unicidade nunca pode ser separado de; de outra forma, ele não poderia ter sido perfeito e perfeitamente um. (1:2-8) Esse senso de estares dividido em opostos induz a sentimentos de conflito agudos e constantes e conduz a frenéticas tentativas de reconciliar os aspectos contraditórios dessa auto-percepção. Tens buscado muitas soluções desse tipo, mas nenhuma delas funcionou. Os opostos que vês em ti mesmo jamais serão compatíveis. Apenas um existe. Nós estabelecemos uma guerra em nossas mentes, tendo sido convencidos pelo ego de que estamos em guerra com Deus. A compreensão do ego, é claro, não tem nada a ver com o verdadeiro Deus, Que não sabe nada sobre a separação ou mente dividida. O Deus do ego definitivamente sabe. Quando nós empurramos nossa Fonte para longe, e depois Sua memória – o Espírito Santo -, estabelecemos um conflito em nossas mentes. O ego fabricou a causa do problema, dizendo-nos que o Espírito Santo iria nos empurrar de volta, e nos arrastar até Deus, Que iria nos destruir pelo nosso pecado. Acreditando na realidade desse conflito, nós o separamos de nós e o projetamos de nossas mentes para que nosso ser pecador fosse percebido do lado de fora e em guerra conosco. Isso culminou em nossa experiência de que somos as vítimas inocentes, e esse ser pecaminoso recém-feito é o vitimador2. Nossos relacionamentos especiais – nossas “frenéticas tentativas de reconciliar” – representam o plano do ego para resolver o conflito. Na forma do ódio especial, eu acredito que o inimigo está do lado de fora, e que por destruí-lo, minha inocência vai prevalecer. Na forma do amor especial, meu conflito interno é ocultado pelo amor que vivencio quando estou 2

Para um exame mais profundo dessa dinâmica, veja meu livro A Mensagem do Um Curso em Milagres, Vol I: Todos São Chamados, Capítulos 2-4.

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com essa pessoa especial. Eu não tenho que sentir a dor e o terror que já espreitam em minha mente, porque, na presença dessa pessoal especial, eu me sinto confortável e seguro. A atenção, devoção e aprovação dessa pessoa fazem com que eu me sinta bem em relação a mim mesmo, e nunca tenho que olhar para o fato de que eu acredito que sou “o lar do mal, da escuridão e do pecado”. (2:1-3) Se queres ser salvo tens que aceitar o fato de que a verdade e a ilusão não podem ser reconciliadas, independentemente de como tentes, dos meios que usas e de onde vês o problema. Aqui novamente vemos Jesus caindo de volta na metafísica não-dualista do seu curso: não há conflito. Não estamos em guerra com Deus nem com ninguém mais, porque a verdade é indivisa e indivisível. Quando acreditamos termos nos separado da verdade e a atacado, a verdade é percebida como coexistindo com a ilusão e em conflito com ela. Portanto, encontramos religiões dualistas ensinando que a verdade está em guerra com o pecado, que é o motivo pelo qual, por exemplo, a Bíblia está repleta de registros de grandes batalhas, culminando na Revelação, lar da mais sangrenta batalha de todas – Armageddon. No final, a verdade e o bem vão triunfar sobre a ilusão e o mal, exemplificado na história bíblica do triunfo de Jesus sobre a cruz. Da perspectiva do Um Curso em Milagres, no entanto, uma vez que nós vemos a verdade como envolvida com a ilusão, não falamos mais da verdade real, que é absoluta e completa. Nada mais é de forma alguma, como Jesus nos lembra nessa importante passagem: Não há nada fora de ti. Isso é o que tens que aprender em última instância, pois é o reconhecimento de que o Reino do Céu foi restaurado para ti. Pois Deus criou apenas isso e não foi embora nem te deixou separado de Si Mesmo. O Reino do Céu é a morada do Filho de Deus, que não deixou o seu Pai e nem habita à parte Dele. O Céu não é um lugar nem uma condição. É meramente uma consciência da perfeita unicidade e o conhecimento de que nada além disso existe, nada fora dessa unicidade e nada mais dentro dela (T-18.VI.1). Lembrando-nos desse fato feliz, trazido à tona por nossa aceitação da Expiação, somos salvos do conflito que nunca aconteceu. (2:3-5) Até aceitares isso [o fato de a verdade e a ilusão serem irreconciliáveis], tentarás uma série infindável de metas que não podes alcançar, uma série de dispêndios sem sentido de tempo e esforço, de esperanças e dúvidas, cada uma tão fútil quanto a anterior e destinada ao fracasso como a próxima certamente há de ser. É assim que vivenciamos tudo nesse mundo, e o motivo pelo qual nada funciona. Nós consistentemente tentamos resolver o problema intolerável da culpa e da ansiedade. No entanto, o tempo todo, nossa tentativa secreta de perpetuar nossa individualidade através da ansiedade e da culpa permanece com força total, ditando as tentativas fúteis de encontrar a paz através da guerra e do conflito, a doutrina familiar do ego de busque e não ache. (3:1-2) Problemas que não têm significado não podem ser resolvidos dentro da estrutura em que estão situados. Todos os problemas são vivenciados dentro da moldura do corpo e do mundo, mas eles não podem ser resolvidos aqui porque eles não existem aqui. Eles estão dentro de nossas mentes, vindo da escolha de acreditar no ego. Esse único problema é reprimido porque nossa culpa é esmagadora e, tendo sido projetada, nós agora vemos o problema em todos os lugares ao nosso redor, mas nunca dentro de nós. Uma vez que a estratégia do ego é alcançada, nós 46


continuamos tentando resolver esses pseudo-problemas, investindo vastos recursos de tempo e esforços para fazer isso. No entanto, esses esforços para resolver os problemas nunca vão funcionar porque eles nunca podem funcionar. Na verdade, nada funciona nesse mundo, e, portanto, ninguém jamais é realmente feliz aqui. Para nos certificarmos, nosso especialismo precisa ser atendido em qualquer momento específico, mas esse momento tem pouca duração, pois a culpa exige que nunca sejamos realmente felizes. Portanto, nunca seríamos capazes de aceitar a felicidade que o especialismo nos oferece. Nossos egos iriam questionar, por exemplo: Como alguém poderia nos amar, para não dizer ficar conosco?; ou: espere só para ver o que virá a seguir. Essas dúvidas surgem somente porque o problema subjacente da culpa nunca é examinado. Portanto, o perdão procede de outra forma, revertendo a projeção. Somos ensinados por nosso novo Professor a trazer o problema até a resposta, a ilusão do ego à Sua verdade. Uma vez que o problema da culpa é trazido para sua moldura correta – a decisão da mente de ser culpada -, ele pode ser facilmente resolvido. (3:2-3) Dois seres em conflito não têm resolução e o bem e o mal não têm ponto de encontro. Isso, novamente, expressa a metafísica subjacente do Um Curso em Milagres, a qual, discutida em grandes detalhes no texto, forma a fundação do livro de exercícios. Suas primeiras lições – para não falar na declaração que estamos examinando agora – não podem ser compreendidas sem primeiro reconhecermos que esse é um sistema de pensamento nãodualista. Existe Deus, o Céu, a verdade, e nada mais. O problema repousa em acreditarmos que existe algo mais. É essa crença que tem que ser desfeita, não os pseudo-problemas, que meramente refletem o verdadeiro problema. A sentença acima se assemelha a “O local do encontro”, que faz a mesma afirmação no contexto de dois filhos: nosso próprio filho bemamado (especialismo) e o Filho do Pai: E assim são feitos dois filhos e ambos parecem caminhar sobre essa terra sem um local de encontro, sem encontrar-se jamais. O outro descansa lá dentro, o Filho do Seu Pai, dentro do teu irmão assim como ele está em ti. A diferença entre eles não está nas coisas que fazem. Eles têm propósitos diferentes. É isso o que faz com que se unam aos outros que são como eles e o que separa cada um de todos os aspectos com um propósito diferente. O Filho de Deus retém a Vontade de seu Pai. O filho do homem percebe uma vontade alheia e deseja que assim seja. E assim a sua percepção serve ao seu desejo, dando a esse desejo a aparência da verdade (T-24.VII.11:1-13). Nós, portanto, vemos o tema muito importante do propósito como tendo a chave para a compreensão da nossa fascinação com o “mal” do especialismo, o que apóia o desejo de torná-lo nosso filho. Nossa escolha pelo “bem” do Filho de Deus serve ao propósito de provar que nós estamos errados, e de forma muito alegre. (3:4-6) O ser que tu fizeste nunca pode ser o teu Ser e o teu Ser não pode ser dividido em dois, e ainda ser o que Ele é e o que tem que ser para sempre. Quando acreditamos que nosso ser pode ser separado, levando ao especialismo que nós pensamos que é o nosso ser e que precisa ser desfeito, estamos dizendo que isso realmente aconteceu. No entanto, o que tem que ser desfeito não é a separação nem o especialismo, mas nossa crença neles. A distinção é crucial. Quando nós dizemos que temos que desfazer nossa crença, falamos da decisão da mente que tem que ser corrigida. Se nós tentarmos desfazer a separação ou o nosso especialismo, estamos meramente fortalecendo a crença em sua realidade. 47


(3:6-7) Uma mente e um corpo não podem ambos existir. Jesus não está falando sobre a mente divida, mas sobre mente equacionada a espírito, expressando a idéia familiar de um ou outro – o ego ou Deus. Nós também encontramos isso na seguinte passagem do texto: Dessa única escolha [entre o espírito e a carne] depende todo o teu mundo, pois aqui estabeleceste o que tu és, carne ou espírito na tua própria crença. Se escolhes a carne, jamais escaparás ao corpo como a tua própria realidade, pois escolheste que queres assim. Mas escolhe o espírito e todo o Céu se inclina para tocar os teus olhos e abençoar a tua vista santa, para que não mais possas ver o mundo da carne exceto para confortar e curar e abençoar (T-31.VI.1:6-12). Em outras palavras, em todos os momentos temos a oportunidade de decidir quem somos: crianças do especialismo ou de Deus; separação ou unicidade, o corpo ou o espírito. O que nós escolhemos determina nossa experiência. Da mesma forma tão simples, está também a escolha entre o Céu e o inferno. (4:1-2) O Espírito faz uso da mente como meio de achar a expressão do próprio Ser. Isso é análogo à linha à qual me referi acima: “a mente é o agente ativador do espírito” (ET-1:1). Aqui, também, mente é usada no sentido de espírito. Podemos ver novamente a importância de ler Um Curso em Milagres como um trabalho de arte em vez de um tratado científico, onde as palavras precisam ser dissecadas, analisadas e compreendidas pelo seu sentido literal. Nosso estudo e prática do Curso, no entanto, é muito mais beneficiado por permitirmos que as palavras permeiem nossos corações; o cérebro meramente sendo o veículo que permite que os pensamentos voltem à consciência na mente. Portanto, Jesus usa o conceito com conotações especiais e corporais – “meios de encontrar a expressão do seu Ser” – para nos elevar além dessas dimensões até o reino infinito da ausência de tempo. O foco agora muda: (4:2-4) E a mente que serve ao espírito está em paz, cheia de alegria. O seu poder vem do espírito e ela está cumprindo com felicidade a sua função aqui. Nossa função aqui é a salvação, a cura e o perdão. O poder de perdoar vem através do Espírito Santo, a memória da nossa realidade como espírito. Portanto, Jesus fala da mente certa, em vez de da Mente de Cristo, Cuja função é apenas criação. (4:4-6) Entretanto, a mente também pode se ver divorciada do espírito e se perceber no interior de um corpo que ela confunde consigo mesma. Aqui, Jesus fala da mente errada. Nossas mentes certas estão ligadas ao espírito através do Espírito Santo, Que nós definimos como a memória de Deus que trouxemos conosco para o sonho da separação. Portanto, em nossas mentes certas, estamos para sempre unidos ao Espírito Santo e, portanto, a Cristo. Quando nos separamos da unidade, no entanto, estamos na mente errada, acreditando que existimos como um corpo, independente de Deus, do espírito e do nosso verdadeiro Ser. Essa mente errada é o lar do pecado, da culpa, do medo e da individualidade; nós projetamos nosso pecado e o vemos em outros corpos, o que nos estabelece como inocentes do que foi feito a nós. Mesmo que virmos a nós mesmos como pecadores, ainda permanece um pensamento dizendo que alguém nos tornou assim. Nós não nascemos assim, e mesmo que tivéssemos nascido, protestamos que não foi nossa escolha. Os genes ruins foram transmitidos a nós por outra pessoa. Em outras palavras, não importa se 48


eu vejo o seu corpo ou o meu como pecador. Sempre haverá aqueles que considero responsáveis – auto-culpa e culpa são só a mesma dinâmica com formas diferentes: Se os teus irmãos são parte de ti e tu os acusas da tua privação, estás acusando a ti mesmo. E não podes acusar-te sem acusá-los. É por isso que a acusação tem que ser desfeita e não vista em outro lugar. Se a colocas em ti mesmo, não poderás conhecer a ti mesmo, pois só o ego acusa de qualquer forma que seja. Autoacusação, portanto, é identificação com o ego, e isso é tanto uma defesa do ego quanto acusar os outros (T-11.IV.5:1-7). (4:6-7) Então, sem a sua função, ela não tem paz e a felicidade é alheia aos seus pensamentos. A função das nossas mentes é desfazer a culpa – a crença na realidade do corpo – através do perdão. Esse conceito de desfazer é um tema recorrente através de todo o Curso. Não somos solicitados a negar o corpo – o nosso ou dos outros -, mas a desfazer a falsa percepção do propósito do corpo, substituindo-o pelo do Espírito Santo em vez disso: ataque por perdão, corpo por espírito, permanecer no país distante de separação do ego por voltar para casa: A salvação é desfazer... A salvação não pede que vejas o espírito e não percebas o corpo. Ela meramente pede que essa seja a tua escolha. Pois podes ver o corpo sem ajuda, mas não compreendes como contemplar um mundo à parte dele. É o teu mundo que a salvação vai desfazer e te deixará ver um outro mundo, que os teus olhos jamais poderiam achar... O véu da ignorância cobre o mal e o bem e tem que ser ultrapassado para que ambos possam desaparecer, de tal modo que a percepção não ache nenhum lugar para se esconder. Como se faz isso? Não se faz absolutamente nada. O que poderia haver dentro do universo que Deus criou que ainda tivesse que ser feito? (T-31.VI.2:1; 3:1-6,8-13). A paz vem através do desfazer dos pensamentos de conflito, o que não requer esforço, pois “o que ainda tem que ser feito?”. Escolhendo perdoar a decisão da mente pela culpa, em vez de resolvê-la no corpo, nós fizemos a escolha de aceitar a realidade como ela é. Nós não buscamos mudá-la, e então preservamos sua imagem transformada e ilusória. Desfazendo o que nunca foi, a visão de Cristo levanta o véu que manteve oculta a memória do nosso Ser. O perdão está completo, e desaparece conforme a função da criação alvorece em nossas mentes despertas. (5:1) No entanto, a mente à parte do espírito não pode pensar. Isso se refere à mente errada; e, como sabemos, o ego não pode pensar. O Pensamento Real está refletido em nossas mentes certas como o princípio da Expiação, que nos lembra da nossa Identidade como um Pensamento de Deus. Quando nos separamos daquele Pensamento, pensamos que estávamos pensando, mas isso não é pensamento de forma alguma, assim como não podemos ver realmente através dos nossos olhos, nem ouvir através dos nossos ouvidos. (5:1-5) Ela negou a sua Fonte de força e vê a si mesma como impotente, limitada e fraca. Agora, dissociada de sua função, pensa estar só e separada, atacada por exércitos reunidos contra ela e esconde-se por trás do frágil amparo do corpo. É isso o que acontece quando nos separamos do Amor de Deus e da Fonte da nossa força. Nós projetamos a responsabilidade pelo estado da mente errada e, portanto, 49


acreditamos que todos são nossos inimigos. Nós nos sentimos totalmente sozinhos, e não existe realmente nenhuma esperança, pois a vulnerabilidade que nossa culpa ensina que é nossa realidade exige que vejamos a nós mesmos para sempre “à mercê de coisas além de ti [nós], de forças que não podes [podemos] controlar e de pensamento que vêm a ti [nós] contra a tua [nossa] vontade” (T-19.IV-D.7:5-7). Só mudando nossa auto-percepção, podemos encontrar a paz que repousa na inocência. Portanto, nós lemos: És invulnerável? Então o mundo, no teu modo de ver, não pode causar dano. Perdoas? Então, o mundo perdoa, pois tu perdoaste as ofensas do mundo e assim ele olha para ti com olhos que vêem como os teus. És um corpo? Nesse caso, o mundo todo é percebido como traidor e disposto a matar. És um espírito, sem a morte e sem a promessa da corrupção e a mancha do pecado sobre ti mesmo? Nesse caso, o mundo é visto como estável, inteiramente digno da tua confiança; um lugar feliz no qual se descansa por algum tempo, onde nada precisa ser temido, mas apenas amado. Quem não é bem-vindo para aquele que é benigno de coração? E o que poderia ferir o que é verdadeiramente inocente? (T-31.VI.6). (5:5-6) Agora, tem que reconciliar o desigual com o igual, pois pensa que é para isso que serve. Agora, tentamos resolver o conflito onde ele não está, vendo a nós mesmos como diferentes de Deus, de Jesus e do Espírito Santo. Nós somos a ilusão. Eles são a verdade; e nós buscamos nos reconciliar com Eles, pedindo Sua ajuda – mas não Sua ajuda real. Nós buscamos reforçar nossa existência ilusória individual e o falso senso de segurança e felicidade no qual nossos egos florescem. Trazendo a verdade à ilusão, o ego tem assegurado sua sobrevivência, o que nunca pode resistir à exposição das suas mentiras. A última coisa que nossos egos querem que nos lembremos é que, como a Trindade, somos espírito, e que a Idéia do Filho de Deus (espírito) nunca deixou Sua Fonte (espírito). O semelhante permanece para sempre unido ao Semelhante. (6:1-2) Não desperdices mais tempo nisso. Quem pode resolver os conflitos sem sentido que um sonho apresenta? Em outras palavras, Jesus está nos dizendo para pararmos de perder nosso tempo tentando resolver problemas no mundo. Esse é o significado de “Eu não preciso fazer nada” (T19.VII). Nós pensamos que precisamos fazer algo, porque existe um problema percebido que requer nossa atenção e ação. No entanto, não precisamos fazer nada porque o que pensamos ser o problema – algo externo às nossas mentes – não é o problema de forma alguma. Mas isso não significa que no nível do sonho, não deveríamos resolver problemas aqui ou cuidar dos nossos corpos ou dos das outras pessoas. Jesus quer dizer para não agirmos por conta própria. Nós precisamos perceber, ele nos diz, que o problema real do nosso descontentamento ou doença é nossa separação dele. Por não nos separarmos dele e do seu amor ao pedirmos para ele nos ajudar, o problema real da separação do amor será desfeito. A separação levou à nossa ansiedade, medo, depressão e senso de fracasso. Uma vez que esses pensamentos estiverem fora do caminho e o amor de Jesus se tornar realidade, juntos, unidos nesse amor, nós poderemos nos voltar para o que precisa ser resolvido, e não haverá tensão, ansiedade ou fadiga. O problema será resolvido suavemente, pois seremos libertados do nosso conflito interno, que teria impedido a solução efetiva de qualquer problema percebido no mundo. Para repetir esse pensamento crucial: Jesus não está dizendo para ignorarmos os problemas aqui. Ele está nos instruindo nos voltarmos para nossas preocupações com ele ao nosso lado, para que sua visão se torne a nossa própria, e possamos ampliar nosso entendimento da verdadeira natureza do problema e sua solução. 50


(6:2-4) O que a resolução poderia significar na verdade? A que propósito poderia servir? Para que serve? Já vimos essa idéia – propósito é tudo – muitas vezes antes. O propósito dos problemas do mundo é nos enraizar no sonho e manter nossa identidade do ego sacrossanta. Portanto, nunca iríamos nos lembrar da nossa Identidade não-dualista. O tomador de decisões, o sonhador do nosso sonho, faz cortinas de fumaça para nos distrair e nos transtornar aqui (no corpo), para que nada mude lá (na mente). Mais uma vez, a natureza do problema real é que nós empurramos Jesus para longe. Se nós o convidarmos a voltar e nos unirmos a ele em nossas mentes, o problema da separação estará desfeito. Nossas preocupações com os problemas externos são, portanto aliviadas, permitindo-nos devotar uma atenção sem conflitos a eles e à sua solução. (6:4-5) A salvação não pode fazer com que as ilusões sejam reais, nem resolver um problema que não existe. Se você ler essa afirmação cuidadosamente, ficará claro que Jesus está dizendo que não deveríamos pedir ao Espírito Santo para resolver nossos problemas no mundo: “A salvação não pode fazer com que as ilusões sejam reais”, que é o que significa resolver um problema, nem ela pode “resolver um problema que não existe”; o que obviamente não faria sentido. A salvação resolve um problema na sua fonte: escolher o Espírito Santo em vez do ego. Pedir ajuda ao Espírito Santo resolve o problema inteiramente, permitindo que a memória da Sua resposta retorne. (6:5-8) Talvez esperes que possa. No entanto, quererias que o plano de Deus para a liberação do Seu querido Filho lhe trouxesse dor e falhasse em libertá-lo? Nossa esperança é que a “salvação” resolvesse um problema aqui. No entanto, sempre que pedimos ajuda a Jesus no mundo, asseguramos que nunca vamos deixá-lo e voltar para casa. Além disso, nós asseguramos que a dor virá à Filiação, uma vez que a salvação do ego pode ser atingida apenas através do sacrifício da felicidade - a nossa ou a de outra pessoa -, dessa forma nos escravizando em seu sistema de pensamento. É por isso que nós a chamamos de escravização. (7:1-2) O teu Ser retém os Seus pensamentos e estes permanecem dentro da tua mente e na Mente de Deus. Essa é a mente certa novamente, e seus pensamentos são expressões do princípio da Expiação, tal como o perdão ou a cura. Isso reflete o Pensamento unificado do Amor, que está na Mente de Deus e nunca deixou sua Fonte. (7:2-3) O Espírito Santo mantém a salvação na tua mente e oferece a ela o caminho para a paz. O caminho para a paz é voltarmos do ego para o Espírito Santo, o pensamento de Expiação que nos salva da nossa crença na realidade da separação. (7:3-6) A salvação é um pensamento que compartilhas com Deus, porque a Sua Voz a aceitou para ti e respondeu em teu nome que estava realizada. Quando escolhemos tornar a separação real, abafamos a Voz do Espírito Santo e ouvimos apenas a voz do especialismo. A efetividade do plano do ego de usar o especialismo 51


como estática para nos impedir de ouvir a Voz da verdade é tocantemente expressa nessa passagem de “A traição do especialismo”: Que resposta que o Espírito Santo te dê pode alcançar-te, quando é ao teu especialismo que escutas e é ele que pergunta e responde? Tudo o que tu escutas é a sua resposta diminuta, que não tem nenhum som na melodia que transborda de Deus para ti eternamente louvando com amor o que tu és. E essa imensa canção de honra e amor pelo que tu és parece silenciosa e inaudível diante da sua “magnificência”. Tu te esforças para que teus ouvidos ouçam a sua voz sem som e, no entanto, o Chamado do próprio Deus é insonoro para ti (T-24.II.4:3-11). As boas notícias são que embora tenhamos o poder dentro do sonho de não ouvir, isso não significa que a Voz do Amor não está em nossas mentes certas, mantida para nós em segurança. (7:6-7) Assim a salvação está guardada entre os pensamentos que o teu Ser valoriza e nutre por ti. Essa, então, é outra declaração do tema da Expiação: o pensamento da separação nunca aconteceu, e meramente parece encobrir a consciência do Pensamento que nos lembra da nossa Identidade. Jesus, a voz que fala pelo nosso Ser, tem guardado esse Pensamento para nós; como nos recordamos nessa passagem inspiradora que já citamos, e alegremente lemos mais uma vez: Eu guardei toda a tua benignidade e todos os pensamentos de amor que jamais tiveste. Eu os tenho purificado dos erros que escondiam a luz que estava neles e os tenho conservado para ti na radiância perfeita que lhes é própria. Eles estão além da destruição e além da culpa. Vieram do Espírito Santo dentro de ti e nós sabemos que o que Deus cria é eterno (T-5.IV.8:2-8). É por isso que a salvação não é algo para ser alcançado, mas meramente aceito. (8:1-4) Hoje tentaremos achar esse pensamento, cuja presença na tua mente é garantida por Aquele Que te fala do teu único Ser. A nossa prática de cinco minutos por hora será buscá-Lo no interior da tua mente. Como já vimos, a maneira de buscarmos o Espírito Santo dentro de nossas mentes certas, que é o significado de mente aqui, é nos afastarmos de nossas mentes erradas. Isso significa nos afastarmos do nosso investimento em estarmos certos sobre nossa individualidade autônoma. Nosso reconhecimento de que tal auto-confiança não nos trouxe a felicidade e a paz que buscamos é o que vai nos motivar a nos lembrar de cada prática, a cada hora. É o nosso medo desse reconhecimento que nos faz esquecer. (8:4-7; 9:1-3) A salvação vem deste único Ser através Daquele Que é a ponte entre a tua mente e Ele. Espera pacientemente e deixa-O falar-te sobre o teu Ser e sobre o que a tua mente pode fazer restaurada a Ele e livre para servir à Sua Vontade. Começa dizendo isso: A salvação vem do meu único Ser. Os Seus pensamentos são meus para que eu os possa usar. Lembrando-nos de que só podemos encontrar a felicidade trocando de professores, nós devotamos nosso dia a reforçar o que queremos aprender. Portanto, nós nos afastamos do 52


falso ser do especialismo escolhendo os pensamentos que refletem o Pensamento de Quem realmente somos, conforme ouvimos a Voz que nos lembra do nosso Ser; portanto, nós nos voltamos para o Espírito Santo, a Voz que faz uma ponte sobre a brecha entre a ilusão e a verdade, e gentilmente nos ensina a perdoar o que nunca aconteceu. (9:4-8) Em seguida, busca os Seus pensamentos e reivindica-os como teus. Estes são os teus próprios pensamentos reais que tens negado e deixaste a tua mente se dispersar num mundo de sonhos para achar ilusões em seu lugar. Eis aqui os teus pensamentos, os únicos que tens. A salvação está entre eles; acha-a lá. Nosso tomador de decisões nutriu a idéia de estar por conta própria e, portanto, escolheu negar seus pensamentos reais – expressões do princípio da Expiação – e aceitou em seu lugar os pensamentos do especialismo. Isso fez com que nossa mente vagasse em um mundo distante de sonhos, que tomou o lugar da verdade. Como o Filho Pródigo na parábola, nós vimos o erro dos nossos caminhos – as escolhas equivocadas que levaram à dor e sofrimento – e escolhemos em vez disso os pensamentos de salvação que vão nos levar para casa, para o Pai que nunca deixamos. Uma vez que tivermos escolhido esses pensamentos, eles se tornarão os nossos próprios. (10:1-2) Se tiveres sucesso, os pensamentos que virão a ti te dirão que estás salvo e que a tua mente achou a função que buscava perder. Essa é a função das nossas mentes certas: escolher a salvação. Não podemos deixar de ter sucesso, uma vez que mudarmos nosso propósito da culpa para o perdão, da danação para a salvação, do ser para o Ser. (10:3-7) O teu Ser te dará as boas-vindas e a paz. Com as forças restauradas, ela fluirá novamente do espírito para o espírito em todas s coisas criadas pelo Espírito como Ele Mesmo. A tua mente abençoará todas as coisas. Finda a confusão, tu és restaurado pois achaste o teu Ser. Essa é a Unicidade da criação, o oposto da separação que flui do ego. Restaurando nossa função de perdão à nossa consciência, nós reclamamos a força que tentamos perder. Sendo encontrada, ela se re-une à Fonte da força, que repousa em nossa função de criação: o amor se estendendo ao amor, a alegria fluindo para a alegria, Cristo vindo até Si Mesmo. Juntos, com todos os Filhos de Deus: nós desapareceremos na Presença além do véu, não para nos perdermos, mas para nos acharmos; não para sermos vistos, mas conhecidos. E conhecendo, nada no plano que Deus estabeleceu para a salvação ficará por fazer. Esse é o propósito da jornada, sem o qual a jornada é sem significado. Aqui está a paz de Deus, que te é dada eternamente por Ele. Aqui está o descanso e a quietude que buscas, a razão da jornada desde o seu início (T-19.IV-D.19:1-7). E nós estamos em casa, onde Deus quer que estejamos (T-31.VIII.12;8). (11) O teu Ser sabe que hoje não podes falhar. Talvez a tua mente permaneça insegura ainda por pouco tempo. Não fiques consternado por isso. O teu Ser guardará para ti a alegria que Ele experimenta e essa ainda será tua em plena consciência. Toda vez que passares cinco minutos de cada hora buscando Aquele Que une a tua mente ao teu Ser, estarás Lhe oferecendo mais um tesouro para ser guardado para ti. Nós não sabemos que estamos em casa, pois a experiência do nosso Ser ainda espera por nós. No entanto, Jesus nos assegura que Cristo está lá, e nos reafirma que vamos nos 53


lembrar, pois cada lembrança diária e de hora em hora nos impele para mais perto da nossa meta. (12:1-4) A cada vez que disseres no dia de hoje à tua mente frenética que a salvação vem do teu Ser, estás depositando mais um tesouro na tua reserva crescente. E ela é dada por inteiro a quem pedir e aceitar a dádiva. Nosso “discurso de incentivo” celestial continua. Jesus quer que tenhamos fé em nossa prática, e não que fiquemos desanimados quando nos esquecermos durante um período de tempo, ou formos tentados a acreditar que o que estamos fazendo não tem efeitos. Desnecessário dizer, o você mencionado aqui é o tomador de decisões, que diz à frenética mente errada que ela estava errada em sua escolha original. É o nosso ser dizendo ao nosso ser que nossa identidade como um indivíduo de mente errada é irreal. Portanto, chegamos a compreender que escolhemos essa identidade porque estávamos com medo da gloriosa verdade do nosso único Ser, um equívoco que agora podemos perdoar, conforme alegremente aceitamos a dádiva de salvação do Espírito Santo. Além disso, a dádiva é dada a todos porque as mentes são unidas, ainda que cada Filho separado precise aceitá-la para si mesmo. Essa é a chave. Algumas vezes, as pessoas se questionam por que estão aqui, se Jesus já aceitou a Expiação. Desse ponto de vista, é claro, nós não estamos aqui. O problema é que nós nos recusamos a aceitar sua Expiação e amor, e, portanto, permanecemos adormecidos em nosso mundo de sonhos, ainda sonhando. Novamente, nossa dádiva de lembrar é dada a todos, mas precisamos querê-la para nós mesmos. (12:4-5) Pensa, então, no quanto te é dado para dar nesse dia, para que seja dado a ti! O que é dado a nós para darmos a outros é a memória de Quem nós somos como o Filho único de Deus, o Cristo que Deus criou em unidade com Ele. Uma vez que escolhemos isso para nós mesmos, sabemos que Deus só tem um único Filho, nosso Ser. Nós então nos tornamos o símbolo da salvação do mundo. Essa aceitação da nossa verdadeira Identidade – a aceitação da Expiação para nós mesmos – se torna um tema importante na próxima lição.

LIÇÃO 97 54


Eu sou espírito. Essa lição continua com o tema do nosso verdadeiro Ser ou Identidade, que nós exploramos nas lições iniciais. Aqui, nosso verdadeiro Ser é especificamente identificado com o espírito. (1:1-3) A idéia de hoje te identifica com o teu único Ser. Não aceita nenhuma identidade dividida, nem tenta tecer fatores opostos na unicidade. Eu falei antes sobre a tendência, especialmente na medicina holística, de unificar espírito, mente e corpo. Essa lição, novamente, deixa claro que é impossível entrelaçar em uma unidade dois estados que são mutuamente irreconciliáveis: espírito e mente dividida; espírito e corpo. Portanto, somos solicitados a escolher entre a verdade e a ilusão. Esse tema importante também será expresso conforme as lições continuarem. (1:3-5) Apenas declara a verdade. Pratica essa verdade hoje com a maior freqüência possível, pois ela trará a tua mente do conflito aos quietos campos da paz. Essa verdade é a de que somos espírito, o Ser ao qual trazemos todos os falsos pensamentos da nossa identidade. Essas ilusões foram tão bem aprendidas que é necessário muita prática para desaprendê-las. Motivar-nos, assim como prover uma moldura para esses ensinamentos, é o propósito desses exercícios. Com o tempo, portanto, somos gentilmente conduzidos dos campos de batalha e conflito para os “quietos campos da paz”, nos quais nosso Ser é relembrado. (1:5-7) Nenhum calafrio de medo pode entrar, pois a tua mente foi absolvida da loucura soltando as ilusões de uma identidade dividida. Jesus está nos lembrando de que nós escolhemos contra o ego e a favor do Espírito Santo, recordando que nossa realidade é espírito, não a mente dividida ou o corpo. Quando nós escolhemos o Espírito Santo, escolhemos os pensamentos em nossas mentes que é a memória de Quem somos como Cristo. Uma vez que o perfeito amor expulsa o medo, para citar a famosa linha bíblica (1 João 4:18), quando escolhemos nos lembrar do amor, nenhum calafrio de medo pode entrar em nossas mentes. Esse é o papel do milagre, como esse silogismo inicial no texto mostra: Para separar o falso do verdadeiro, o milagre procede nestas linhas: O amor perfeito exclui o medo. Se o medo existe, então não há amor perfeito. Mas: Só o amor perfeito existe. Se há medo, ele produz um estado que não existe. (T.1.VI.5:5-13). Assim, a sanidade de nossas mentes é devolvida para nós, e nós nos lembrarmos de nossa identidade como espírito. (2) Declaramos mais uma vez a verdade sobre o teu Ser, o santo Filho de Deus Que descansa em ti, Cuja mente foi restaurada à sanidade. Tu és o espírito amorosamente 55


dotado de todo o Amor, da paz e da alegria do teu Pai. Tu és o espírito que completa a Ele Mesmo e que compartilha a Sua função como Criador. Ele está contigo sempre, assim como tu estás com Ele. Pedir ao Espírito Santo para nos ajudar a perdoar nos restaura à sanidade que corrige as ilusões do ego. O medo foi trazido ao amor, que gentilmente o dissolve na verdade. Ao cumprirmos nossa função de perdão aqui, nossa função de criação no Céu retorna à nossa consciência como espírito, e nós nos lembramos da Unicidade que nos criou como um com ela. (3) Hoje, tentamos trazer a realidade para mais perto ainda da tua mente. A cada vez que praticas a consciência é trazida para um pouco mais perto pelo menos; às vezes mil anos ou mais são poupados. Os minutos que dás são multiplicados muitas vezes, pois o milagre faz uso do tempo, mas não é regido por ele. A salvação é um milagre, o primeiro e o último, o primeiro que é o último, pois é um só. Essa passagem afirma o mesmo ponto visto das páginas iniciais do texto, onde Jesus discute o papel do milagre na nossa salvação. Seu propósito é fazer o tempo entrar em colapso, economizando para nós até mil anos. Sem entrarmos profundamente na metafísica do Um Curso em Milagres sobre o tempo3, podemos simplesmente dizer que uma vez que o tempo não é linear, todo ele tendo ocorrido em um único instante, Jesus ensina que quando escolhemos um milagre, escolhemos desfazer as seções imensas do nosso sistema de pensamento que acreditamos existir no tempo. Portanto, ele diz: O milagre minimiza a necessidade de tempo... O milagre tem então a propriedade única de abolir o tempo, na medida em que torna desnecessário o intervalo de tempo que atravessa. Não há relação entre o tempo que leva um milagre e o tempo que ele cobre. O milagre substitui um aprendizado que poderia ter levado milhares de anos... O milagre encurta o tempo, colapsando-o, assim eliminando certos intervalos dentro dele. Faz isso, porém, dentro de uma seqüência temporal mais ampla (T-1.II.6:1,7-12,14-16). Como um exemplo, considere a si mesmo como alguém que vivenciou muito abandono em sua vida. Esse roteiro, é claro, cobre todo o holograma do tempo e do espaço e, portanto, esse tema sem dúvida foi revivido de novo e de novo através de muitas vidas. Para essa discussão, vamos apenas pensar em dez vidas, cada uma se estendendo por cem anos. Quando você perdoa as figuras que o abandonaram na vida atual, o resultado é como um efeito dominó, apagando as nove vidas remanescentes não-lineares junto com a atual. Nesse sentido, então, você economizou “mil anos”. Mudando de metáfora, pense em um computador no qual você tem um arquivo chamado Abandono, contendo as muitas vezes em que você foi abandonado. Incidentalmente, entender a dinâmica da projeção nos ajuda a entender que por trás das nossas acusações está a auto-acusação de ter abandonado o amor primeiro. Quando vem o instante santo, no qual perdoamos, todo o arquivo de Abandono - mágoas mantidas contra outros, mágoas mantidas contra nós mesmos – é deletado. Também deveria ser óbvio que Jesus não quer dizer literalmente mil anos, porque não existe tempo. O conteúdo por trás do símbolo numérico é o ensinamento de Jesus de que Um Curso em Milagres vai economizar tempo para você. Quando você perdoa um de seus parceiros especiais, por trás dele, estão outros milhares de objetos do seu ódio projetado: Em primeiro lugar, o teu irmão será visto entre elas, mas milhares estarão por trás dele, e por trás de cada um deles, outros mil (T-27.V.10:6-8). 3

Para uma discussão mais completa da visão do Um Curso em Milagres sobre o tempo, o leitor interessado pode consultar meu livro Uma Vasta Ilusão: o Tempo de Acordo com o Um Curso em Milagres.

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Isso, então, é o que Jesus quer dizer com milagre. De forma errônea, nós acreditamos que a cada vez em que pensamos em Deus durante o dia, estamos pensando em Deus apenas naquele único momento. Na verdade, no entanto, estamos des-fazendo uma longa série de equívocos nos quais nos esquecemos de Deus e escolhemos o ego em vez disso. Através desse desfazer, somos poupados de nossas loucas ilusões de separação, culpa e especialismo. O semelhante é um, uma vez que só existe um equívoco. Portanto, o milagre desfaz a todos, uma vez que só existe um problema do qual precisamos ser salvos. (4) Tu és o espírito em cuja mente habita o milagre no qual todo o tempo pára, o milagre no qual um minuto passado usando estas idéias vem a ser um tempo que não tem limites nem tem fim. Dá, então, estes minutos com boa vontade e conta com Aquele Que prometeu depositar a intemporalidade ao lado deles. Ele oferecerá toda a Sua força para cada pequeno esforço que fizeres. Dá-Lhe os minutos de que Ele precisa hoje para ajudar-te a compreender com Ele que tu és o espírito que habita Nele e, através da Sua Voz, chama todas as coisas viventes, oferece a Sua vista a todos aqueles que pedem e substitui o erro pela simples verdade. O milagre está fora do tempo, e então, “todo o tempo pára” dentro dele. Ele representa nossas mentes certas, para a qual vamos quando queremos reconhecer que estivemos errados e o Espírito Santo certo. Escolher o milagre, portanto, significa soltar a mão do ego e segurar a do Espírito Santo em vez dela. A parte tomadora de decisões das nossas mentes está fora do tempo e do espaço, e nesse sentido, é intemporal. Nós vivenciamos os efeitos dessa mudança dentro do mundo do tempo. Que é o motivo pelo qual Jesus fala de economizar tempo – milhares de anos. Na realidade, no entanto, nós simplesmente voltamos para nossas mentes intemporais e escolhemos outra vez. O tema subjacente aqui é o de que o Espírito Santo não pode nos ajudar a menos que permitamos que Ele o faça. Em outras palavras, nossa parte é dar “estes minutos... [e] cada pequeno esforço” ao Espírito Santo. Em vez de passá-los negando a verdade, somos solicitados a aplicar o mesmo esforço para corrigir nosso equívoco. Isso reflete o tema central de um pouco de boa vontade: A tua parte consiste apenas em oferecer a Ele um pouco de boa vontade para deixar que Ele remova todo medo e todo ódio, e para seres perdoado (T-18.V.2:4-6). Note também o tema da abrangência total, uma parte integral do tecido do ensinamento de Jesus. Nosso verdadeiro Ser – espírito – chama a todos sem exceção. O Filho de Deus é um, e oferecer a correção da visão a alguns e não a todos assegura que a correção nunca acontecerá. Essa idéia é encontrada através de todo o Um Curso em Milagres, e a seguinte passagem é representativa: À todos Deus confiou todas as pessoas, porque um salvador parcial seria alguém apenas parcialmente salvo. As santas pessoas que Deus deu a ti para salvar são apenas todos aqueles que encontras ou contemplas sem saber quem são; todos aqueles que viste por um instante e esqueceste e aqueles que conheceste há muito tempo e aqueles que ainda irás encontrar; os esquecidos e os ainda não-nascidos. Pois Deus te deu o Seu Filho para que tu o salves de todos os conceitos que ele jamais manteve (T-31.VII.10:5-13). Aprendendo a perdoar toda a Filiação, acabamos sabendo que a Voz interna que seguimos é verdadeiramente a de Deus. (5:1-3) O Espírito Santo ficará contente em tomar cinco minutos de cada hora das tuas mãos e carregá-los através desse mundo sofredor, onde a dor e a miséria parecem dominar. 57


Note que Jesus não diz que o Espírito Santo vai carregá-los através desse mundo feliz e alegre. Ele quer que compreendamos que esse é um mundo de dor, miséria e sofrimento. Você pode se lembrar de um sentimento similar expresso no manual para professores: ... é só o tempo que se desenrola exaustivamente e o mundo está muito cansado agora. Está velho e gasto e sem esperança (MP-1:4:4-6). Se nós deixarmos de entender a dor do mundo, não haverá motivação para escolhermos um pensamento diferente, e sem tal escolha, nossa miséria não pode ser desfeita. O manual termina com um adorável poema em forma de prosa, expressando a gratidão do Céu pela nossa decisão de aceitarmos e estendermos a mensagem de esperança que o mundo cansado anseia ouvir. Ele começa: E agora, em tudo o que faças sê tu abençoado. Deus volta-Se para ti pedindo ajuda para salvar o mundo. Professor de Deus, Ele te oferece a Sua gratidão, e o mundo todo fica em silêncio na graça que trazes do Pai (MP-29.8:1-4). (5:3-8) Ele não deixará de ver nem uma mente aberta que queira aceitar as dádivas da cura que estes minutos trazem, e Ele as depositará em todos os lugares onde sabe que serão bem-vindas. E elas aumentarão em seu poder de cura a cada vez que alguém as aceita como os seus próprios pensamentos e as usa para curar. Eu falei antes sobre o uso da linguagem pelo o Um Curso em Milagres, e volto brevemente a esse tema aqui. Jesus não quer dizer literalmente que o Espírito Santo “não deixará de ver nem uma mente aberta”, e que Ele vai depositar suas dádivas de cura “em todos os lugares onde sabe que serão bem-vindas”. O Espírito Santo não faz coisas. Aqui se fala sobre Ele como se fizesse, como se Ele fosse um membro dos homo sapiens, mas isso é apenas uma metáfora para expressar nossa experiência Dele. Na realidade, o Amor do Espírito Santo está presente apenas na mente do Filho único, e não faz nada. Ele simplesmente é. No instante santo – quando escolho aceitar o amor curativo do Espírito Santo -, minha mente está unida com toda a Filiação, e não com parte dela. Escolhendo o Seu Amor, eu me torno um com Ele, pois Ele se tornou totalmente presente para minha mente, que agora é uma com a Dele. Além disso, minha mente tem que ser uma com a Filiação, pois ela é uma dentro de si mesma. Portanto, Seu Amor precisa estar presente em toda a Filiação quando eu aceitáLo em minha mente. Esse é o significado da lição posterior, “Quando sou curado, não sou curado sozinho” (LE-pI.137). Cada aspecto da Filiação ainda precisa escolher aceitar essa dádiva. No entanto, uma vez que minha mente foi curada no instante santo, a Filiação como um todo recebe a dádiva que eu agora aceitei para mim mesmo. (6:1-2) Assim, cada dádiva oferecida a Ele será multiplicada mil vezes e dez mil vezes mais. Isso é assim porque, no instante santo, mais uma vez, a Filiação é curada, não apenas a minha mente. Não pode haver pensamento de fragmentação quando a mente é curada. A importância desse tema de total inclusão é aparente por sua recorrência através de todo o Curso. Ele forma a base do perdão e o desfazer do sistema de pensamento de separação do ego. (6:2-7) E quanto te for devolvida, ultrapassará em força a pequena dádiva que tu deste tanto quanto a radiância do sol ultrapassa o diminuto lampejo que o vaga-lume faz por 58


um momento incerto e depois se apaga. O constante brilho dessa luz permanece e te conduz para fora da escuridão e não serás capaz de esquecer o caminho outra vez. É tentador exclamar: “É mesmo? Vou mostrar a você!”. É útil manter em mente que nosso ego busca provar que Jesus está errado. Uma forma efetiva de ter sucesso é pegar afirmações como a acima e provar que é diferente. Se nós pudermos esquecer a verdade desse parágrafo, vamos ter provado que ele está errado, e teremos mais uma vez estabelecido que a separação é um fato, e que nós estamos certos. Nós deveríamos, portanto, sempre estar cientes da necessidade de provar que Jesus está errado, demonstrando a ele que ego saudável nós temos. E quanto mais pessoas colecionarmos para corroborarem nossos egos, mais convincente nosso caso se tornará. É por isso que nós precisamos atacar outros. O ataque passa a mensagem de que nós somos “maus”; e uma resposta defensiva demonstra que estamos certos e Jesus errado. As imagens de Jesus sobre o sol e o “diminuto lampejo” do vaga-lume trazem à mente que o que nós pensamos e vivenciamos com a diminuta “realidade” de nossos corpos não tem nada a ver com a gloriosa verdade do seu amor presente em nossas mentes. Portanto, ele nos diz no texto que o que nós julgamos serem nossos maiores avanços, foram nossos maiores retrocessos, enquanto nossos fracassos percebidos foram nossos maiores sucessos (T18.V.1:6). Nós não entendemos nada. O que nos parece como apenas uma diminuta expressão do amor de Jesus – agindo de forma benigna em relação a alguém, por exemplo – na verdade tem um impacto tremendo sobre a Filiação. Mantenha em mente que parece diminuto porque nós julgamos da perspectiva limitada e distorcida da nossa própria experiência. Uma passagem como essa explica que o efeito em nossas mentes, quando pedimos a ajuda de Jesus, tem ramificações das quais não estamos cientes. (7) Começa estes alegres exercícios com as palavras que o Espírito Santo te diz e deixaas ecoar pelo mundo afora através Dele: Eu sou espírito, um Filho de Deus, livre de todos os limites, seguro, curado e integro, livre para perdoar e livre para salvar o mundo. Expressa através de ti, o Espírito Santo aceitará essa dádiva que recebeste Dele, aumentará o seu poder e a devolverá a ti. Esses exercícios são felizes porque seu objetivo é nos tornar felizes. Nós já comentamos sobre a seção “O aprendiz feliz” (T-14.II), que reflete esse pensamento feliz. Aceitar a verdade sobre nós mesmos desfaz toda dor e sofrimento, liberando a mente para a felicidade que o Espírito Santo guarda para nós e para a Filiação, unida a nós e como nós. (8:1-3) Hoje, oferece alegremente cada período de prática a Ele. E Ele falará contigo, lembrando-te que tu és espírito, um com Ele e com Deus, com teus irmãos e com teu Ser. Essa lição também enuncia o tema da unicidade: nós somos um com Deus, o Espírito Santo e a Filiação. A palavra “lembrando-te” é importante porque ela é uma descrição crucial da função do Espírito Santo. Ele não faz coisas em nosso interesse, nem nos diz coisas. Sua Presença é o simples lembrete da verdade. Lembrem-se dessa passagem já familiar: A Voz do Espírito Santo não comanda, pois é incapaz de arrogância. Não exige, porque não busca o controle. Não vence, porque não ataca. Simplesmente lembra. É capaz de compelir devido apenas ao que ela te relembra. Traz à tua mente o outro 59


caminho, permanecendo quieta mesmo em meio ao tumulto que possas fazer (T5.II.7:1-6). Resta a nós aceitarmos Sua lembrança. Tal é o propósito dessas lições, para acelerar nossa aceitação do “outro caminho”. (8:3-5) Escuta a Sua confirmação a cada vez que disseres as palavras que Ele te oferece hoje e deixa-O dizer à tua mente que são verdadeiras. Ele não pode dizer às nossas mentes que essas palavras são verdadeiras – nossa realidade é o espírito e não o corpo -, a menos que permitamos. A responsabilidade nunca está nos ombros de Jesus ou do Espírito Santo, mas nos nossos. O ponto de partida no Um Curso em Milagres – e isso não pode ser enfatizado o suficiente – não é o que Eles vão fazer por nós, mas nossa escolha contra o ego para que Seu amor fique livre para permear cada aspecto de nossas vidas. (8:5-7) Usa-as contra a tentação e escapa das suas tristes conseqüências se cederes à crença de que és alguma outra coisa. Novamente, Jesus está dizendo que essas lições não têm relevância a menos que você as aplique às ocasiões específicas nas quais está transtornado, ansioso, ou inquieto de qualquer maneira. Antes de você apelar para a forma de mágica que acalma sua inquietude, peça a Jesus para ajudá-lo. Ele nunca vai lhe dizer para não usar a mágica, mas seu ponto é o de que ele não pode ajudá-lo a despertar do seu sonho de dor a menos que você peça. Portanto, sempre que você for tentado a usar alguma forma de especialismo como uma maneira de aliviar sua ansiedade ou culpa, pense primeiro na lição e diga a Jesus: “Por favor, ajude-me a olhar para meu transtorno de forma diferente”. Sem seu medo, em vez de segurar a mão do especialismo, você iria alcançar a mão de Jesus. Mesmo quando você a soltar, pelo menos vai saber que foi isso o que fez. O pouco de boa vontade de ser honesto com você mesmo é tudo o que ele requer para que você seja seu estudante e aprenda suas lições. (8:7-8) Hoje o Espírito Santo te dá paz. Recebe as Suas palavras e oferece-as a Ele. Nós voltamos à nossa motivação para aprender o Um Curso em Milagres – a paz do Espírito Santo: Não te esqueças de que a motivação deste curso é alcançar e manter o estado da paz. Nesse estado, a mente está quieta e a condição na qual Deus é lembrado é atingida (T-24.in.1:1-3). Uma vez que nós perdoamos e aceitamos Sua paz – “a condição na qual Deus é lembrado” -, ela se torna a nossa própria, permitindo que a memória do nosso Ser alvoreça em nossas mentes. Portanto, a dádiva do Espírito Santo é devolvida a Ele, e através Dele, à Filiação.

LIÇÃO 98 60


Vou aceitar a minha parte no plano de Deus para a salvação. Em meus comentários introdutórios à Lição 91, eu disse que as vinte lições seguintes direta ou indiretamente contrastavam o Ser com o ser. As sete anteriores enfatizaram essa distinção, e nos incitaram a escolher o espírito como nossa identidade em vez do corpo. Essas próximas duas lições introduzem um tema subsidiário – nossa função especial de perdão. Essa é a ponte que nos capacita a mudarmos da nossa identidade como um ser egóico para o Ser glorioso de Cristo. (1:1) Hoje é um dia dedicado a algo especial. Conforme os estudantes trabalham com o Um Curso em Milagres, é importante que eles compreendam que Jesus nem sempre reserva a palavra especial para o ego. Os estudantes algumas vezes evitam a palavra como evitariam uma praga, por causa das suas conotações de escassez, culpa e assassinato. No entanto, existem muitos trechos onde Jesus usa especial em uma forma positiva, como forma de nos dizer que não é o mundo em si que é terrível, mas seu sistema de pensamento subjacente; o conteúdo, não a forma. Portanto, hoje é especial por causa do seu lugar no currículo que vai nos ajudar a desfazer nossa crença no especialismo e nos lembrar de Quem nós somos como o Filho de Deus. (1:1-2) Tomaremos um só partido hoje. Estamos do lado da verdade e soltamos as ilusões. Isso é difícil porque nossa escolha pela verdade em vez de pela ilusão é uma escolha contra o nosso ser. Nós, portanto, precisamos de uma ponte para atenuar o nosso medo. Essa ponte é nossa função de perdão – nossa parte no plano de Deus para a salvação. (1:3-6) Não vacilaremos entre as duas, mas nos posicionaremos firmemente em favor da Única. Hoje nos dedicamos à verdade e à salvação, assim como Deus planejou que fosse. Não argumentaremos que é outra coisa. Em outras palavras, não vamos argumentar que a salvação é especialismo; que é o que nós pensamos que ela é, em vez de aceitar o que realmente é – desfazer a culpa através do perdão. Jesus, portanto, nos incita a fazermos a única escolha que vai nos tornar felizes. (1:6-8) Não a buscaremos onde não está. Com contentamento, nós a aceitamos tal como é e assumimos a parte que nos foi designada por Deus. Essa parte não tem nada a ver com comportamento, nem com ser o mensageiro santo de Deus, que fala Suas palavras, literalmente. A parte “designada para nós” é o perdão; uma atividade só da mente, uma vez que o sonho não deixa sua fonte. Portanto, salvação está na mente e não pode ser encontrada onde não está; i.e., no mundo ou no corpo. (2:1) Que felicidade é ter certeza! Para que sejamos felizes, precisamos perceber que o que pensamos que estava certo, estava errado: “Preferes estar certo ou ser feliz?” (T-29.VII.1:9). Ser feliz significa estar realmente certo, identificando-se com a certeza do Espírito Santo, não com a arrogância do ego em acreditar que ele está certo. 61


(2:1-5) Hoje, deixamos todas as nossas dúvidas de lado e tomamos o nosso partido com certeza de propósito, agradecidos porque a dúvida se foi e a certeza veio. Temos um grandioso propósito a cumprir e tudo o que precisamos para alcançar a meta nos foi dado. Nosso “propósito grandioso” é perdoar, e “tudo o que precisamos para alcançar a meta” é a sala de aula de ódio que nós fizemos – o roteiro ancestral de especialismo – que ainda está presente para nós como uma sala de aula de perdão, com um novo professor. A presença de Jesus em nossas mentes garante que quando escolhermos, vamos aprender a lição que sua sala de aula oferece. Por favor, note que Jesus não nos envia lições, nem é o autor do nosso roteiro. Ele é sua correção, e, sem ele, perdoar nosso especialismo é impossível. Isso não é algo que possamos fazer por conta própria. É por isso que é tão importante prestar atenção cuidadosa ao nosso mundo – pessoal e coletivo -, pois essas são nossas salas de aula. Lembre-se, prestar atenção significa reconhecer que o mundo é um lugar miserável e doloroso. Uma vez que ele não é o nosso lar, e a felicidade é encontrada apenas quando estamos em casa com Deus, não estar com Ele, por definição, significa que nós não estaremos felizes. Reconhecer nossa infelicidade nos impele a implorar ajuda: Tem que existir outro caminho e outro professor dentro de nossas mentes que possa utilizar essa sala de aula não para punir ou aprisionar, mas para liberar. (2:5-8) Nem um único equívoco obstrui o nosso caminho. Isso porque fomos absolvidos de erros. Todos os nossos pecados foram lavados e sumiram por compreendermos que eram apenas equívocos. No entanto, não podemos perceber que nossos pecados eram equívocos até que primeiro reconheçamos que os chamamos de pecado; o que foi estabelecido por nossa culpa. Só entendendo que a culpa se segue ao uso de tudo e todos como substitutos para o Amor de Deus, nos sentiremos motivados a pedir ajuda para vermos nosso pecado como meramente o produto final de um pensamento equivocado, que nós podemos mudar com a ajuda de Jesus. Jesus agora se volta para nossa inocência: o estado oposto ao pecado. Ele se refere àqueles que escolheram o instante santo como sua realidade dentro do sonho, e então, estão no mundo real. (3:1-2) Aqueles que são sem culpa não têm medo, pois estão seguros e reconhecem sua segurança. A razão pela qual os culpados têm medo é que a culpa exige punição e, portanto, sempre vamos temer a punição que acreditamos estar prestes a aparecer. No entanto, se não existe culpa, não pode haver projeção, o que significa que não vamos mais acreditar que o pecador está do lado de fora, pronto a nos atacar. Portanto, não há medo e estamos livres para reconhecer nossa segurança. (3:2-9) Não apelam para a mágica, nem inventam escapatórias de ameaças imaginárias sem realidade. Eles descansam na quieta certeza de que farão o que lhes for dado fazer. Não duvidam da sua própria capacidade porque sabem que a sua função será cumprida completamente no tempo e no lugar perfeitos. Eles tomaram o partido que tomaremos hoje [i.e., “Vou aceitar a minha parte no plano de Deus para a salvação”] para que possamos compartilhar da sua certeza e assim aumentá-las aceitando-a nós mesmos. Aqueles que são sem culpa aceitaram a Expiação para si mesmos, e não têm necessidade de buscar substitutos para o Amor de Deus, pois eles percebem que eles são esse Amor. Jesus usa mágica aqui para denotar nossos substitutos especiais. A certeza quieta da falta de culpa abraça os pensamentos amorosos na mente da Filiação, cuja força está 62


sempre presente em nossas mentes – não importando o símbolo com o qual escolhemos identificá-la -, esperando nossa decisão de abraçá-la. A decisão de aceitar essa presença amorosa e seus frutos de perdão vem apenas quando liberamos nosso investimento em estarmos certos e sermos especiais. (4) Eles estarão conosco, todos aqueles que tomaram o partido que estamos tomando hoje, e alegremente nos oferecem tudo o que aprenderam e todos os ganhos que realizaram. Aqueles que ainda estão incertos também se juntarão a nós e, tomando emprestada a nossa certeza, a tornarão ainda mais forte. Enquanto isso, aqueles que ainda não nasceram ouvirão o chamado que ouvimos e responderão quando vierem para fazer a sua escolha outra vez. Hoje nós não escolhemos só por nós mesmos. Isso reflete o tema importante da unidade da Filiação, encontrada não apenas no Céu, como Cristo, mas no mundo fragmentado de bilhões e bilhões de partes separadas. Essa idéia crucial nunca pode ser compreendida do nosso ponto de vista – individualidade, separação e diferenças. Dessa perspectiva, eu estar salvo não significa que você está salvo, ou se você estiver condenado, eu também estarei. A verdade, no entanto, é que como um Filho, somos salvos e condenados juntos. Portanto, o que eu vejo em você só pode ser o que vejo em mim mesmo. Se eu buscar crucificá-lo para escapar da minha culpa, sou crucificado também. “Só posso crucificar a mim mesmo”, nos diz uma lição posterior (LE-pI.196). Por outro lado, se eu vir você como absolvido do pecado porque você não é responsável pela minha perda de paz, estarei absolvendo a mim mesmo também. Mantenha em mente que essa unicidade transcende as limitações aparentes de tempo e espaço. Portanto, essa unicidade se estende através de tudo o que consideramos ser a história do cosmos – uma história que cobre muitos bilhões de anos, e um número quase infinito de quilômetros. Esse parágrafo, incidentalmente, é uma das muitas passagens no Um Curso em Milagres que sugere fortemente a reencarnação. Jesus especificamente se volta para esse assunto no manual para professores (MP-24), onde ele afirma que a crença nisso é irrelevante para o aprendizado do seu currículo de perdão: No entanto, é certo que o caminho para a salvação pode ser achado por aqueles que acreditam na reencarnação e por aqueles que não acreditam. Por conseguinte, essa idéia não pode ser considerada essencial para o currículo... Para os nossos propósitos, não seria útil tomar qualquer posição definida em relação à reencarnação (MP-24.2:8-11; 3:1-2). A declaração de Jesus faz sentido perfeito quando se considerar que uma única vida ou muitas delas no corpo não fazem diferença – uma ilusão continua sendo uma ilusão: “Não há vida fora do Céu” (T-23.II.19:1). A salvação pode ser aceita na única parte do tempo que reflete a realidade: o instante santo. (5) Será que não vale cinco minutos de cada hora do teu tempo ser capaz de aceitar a felicidade que Deus te deu? Será que não vale cinco minutos de cada hora reconhecer a tua função especial aqui? Cinco minutos não é apenas um pequeno pedido para se ganhar uma recompensa tão grande que não tem medida? Tu já fizeste pelo menos mil barganhas nas quais saíste perdendo. É isso que Jesus nos pede em quase todas as páginas do Um Curso em Milagres (veja, e.g., T-20.VII.1:7-8): “Estou pedindo para você desistir de tão pouco, e em troca, estou oferecendo tanto. Por que você não faz isso?”. Não é por que nós somos estúpidos; insanos, talvez, mas não estúpidos. Nós percebemos que se dermos a Jesus cinco minutos de cada hora, da próxima vez ele vai querer dez, e depois quinze; e, antes que você se dê conta, ele vai requerer uma hora inteira de sessenta minutos. Nós então protestamos: “E eu? E minhas 63


necessidades pessoais e o meu ser? Eu não conto para nada?”. E Jesus gentilmente sacode a cabeça e diz: “Não, você não conta, porque sua individualidade é uma ilusão”. Ele não requer que desistamos dela, no entanto, mas ele realmente nos pede para olharmos para o fato de que a razão pela qual nutrimos tanto nossa identidade individual é para não darmos a ele nem cinco minutos de cada hora. Isso não está destinado a induzir culpa, com certeza, mas um simples reconhecimento do nosso medo do amor e da verdade, mantendo-nos no especialismo em vez disso. Aprender sobre esse medo é uma informação útil, conforme tentamos cumprir nossa função especial. Incidentalmente, esse termo reflete a seção importante “A função especial” (T-25.VI), que descreve nossa função não em termos de forma ou comportamento, mas a mudança da mente trazida pela nossa decisão de perdoar. A idéia de “mil barganhas nas quais saíste perdendo” é expressa através de todo o Um Curso em Milagres, em discussões sobre os relacionamentos especiais. Jesus nos diz: “Olhe honestamente para as barganhas perdidas que você fez. O tempo todo, seu especialismo falhou com você, apesar da sua certeza de que dessa vez seria diferente. Isso não lhe diz que você deveria ‘renunciar agora ao cargo de seu próprio professor’? (T-12.V.8:3) e deixar-me ensiná-lo em vez disso?”. Se nós olhássemos honestamente para os equívocos terríveis que cometemos em nossas vidas, iríamos descobrir esse pensamento subjacente: “Eu posso fazer uma barganha com Deus e vencer. Eu posso fazer uma barganha com essa pessoa e vencer”. Jesus gentilmente nos lembra de que isso não é verdade. Se um vence e outro perde - a essência de qualquer barganha -, ambos perdem. A unicidade da Filiação nunca pode ser comprometida. (6:1-2) Aqui está uma oferta que te garante a plena liberação de todo tipo de dor e a alegria que o mundo não contém. O problema é que todos nós respondemos: Quem eu seria sem minha dor, sem as alegrias do especialismo que estão direcionadas a um objeto, substância ou pessoa? Onde eu estaria se não tivesse meus problemas diários, sejam quais forem suas formas? O problema é que nós alegremente nos agarramos a essas formas porque, como Jesus nos diz no texto, não conhecemos a diferença entre a dor e a alegria (T-7.X). Nós pensamos que o mundo nos dá alegria, mas, de fato, ele nos oferece dor; e o que realmente nos dá alegria – aceitar a Expiação –, o ego nos diz que é doloroso. (6:2-7) Podes trocar um pouco do teu tempo pela paz da tua mente e certeza de propósito com a promessa de sucesso completo. E uma vez que o tempo não tem significado, não se está pedindo nada em troca de tudo. Eis uma barganha que não podes perder. E o que ganhas é, de fato, sem limites! Estudantes podem acreditar que essas são palavras de Jesus, no entanto, existe uma parte deles que não acredita nele. Portanto, permita-se experienciar Jesus lhe dizendo isso, e ouça enquanto você diz – é importante que você se permita ouvir suas palavras – “Eu não acredito em você. Não quero liberar meu especialismo – minhas mágoas, meus vícios, meu ser – porque existe uma parte de mim que não acredita que estarei melhor segurando sua mão e aceitando o que você diz”. Embora os estudantes digam essas palavras a Jesus, eles geralmente estão inconscientes de tê-las dito, para não falar em terem esses pensamentos. No entanto, se você se ouvir dizendo essas palavras, e entender o medo que as provocou, não haverá culpa - que floresce quando está escondida. A culpa impede a consciência através da repressão, e então protege a si mesma através da projeção, que é quando você inflige sofrimento a outra pessoa ou a si mesmo. Conforme você lê essas palavras – por exemplo: “Podes trocar um pouco do teu tempo pela paz da tua mente e certeza de propósito, com a promessa de sucesso completo” – ouça sua pequena voz dizer a Jesus: “Tudo bem! Eu não confio em suas 64


promessas de que você vai me fazer feliz sem o meu especialismo”. Esse pensamento de resistência é a fonte final de toda dor. Novamente, você precisa, com toda honestidade, liberar-se o suficiente para dizer a ele: “Eu não acredito em você”. Se você puder falar isso, não haverá culpa, e o dia no qual vai realmente aceitar suas palavras virá muito mais rapidamente, conforme você alegremente saúda essa passagem do texto: Aqui, o Filho de Deus não pede muito, mas pouco demais. Ele sacrificaria a sua própria identidade com todas as coisas, para achar um pequeno tesouro só seu. E isso ele não pode fazer sem sentir isolamento, perda e solidão. Esse é o tesouro que ele buscou achar. E só poderia temê-lo. É o medo um tesouro? É possível que a incerteza seja o que queres? Ou isso é um equivoco a respeito da tua vontade e do que realmente és? (T-26.VII.11:6-13). (7:1-2) A cada hora, hoje, dá-Lhe a tua diminuta dádiva de apenas cinco minutos. Isso é tudo o que Jesus pede. Ele não está pedindo uma hora inteira. Na verdade, se tudo o que você desse a ele fossem três minutos, seria suficiente. Tente estar ciente da resistência a pensar nele a cada hora, e não compre um relógio de pulso com alarme para lembrá-lo. Tais boas intenções perdem de vista o ponto central. Jesus quer que você queira pensar nele, e que perdoe a si mesmo por não fazê-lo. Se você tiver um relógio desses, por exemplo, estará meramente trocando a forma pelo conteúdo, e nunca irá aprender a lição do perdão. A idéia não é que você passe cinco minutos de cada hora pensando em Deus, como se esses pensamentos tivessem algum valor mágico ou salvador. Em vez disso, a idéia é que você aprenda a perdoar a si mesmo por não querer pensar nele. Lembre-se da nossa discussão sobre essa idéia, na Lição 95. (7:2-9) Ele dará às palavras que usares ao praticar a idéia de hoje a profunda convicção e a certeza que te faltam. As Suas palavras se unirão às tuas e farão de cada repetição da idéia de hoje uma oferenda total, feita com uma fé tão perfeita e segura quanto a Sua em ti. A Sua confiança em ti trará luz a todas as palavras que disseres, e irás além do seu som até o que elas realmente significam. Praticas com Ele hoje ao dizeres: Vou aceitar a minha parte no plano de Deus para a salvação. Nós vemos Jesus mais uma vez nos pedindo nossa pequena boa vontade, pois ele sabe que nos falta a certeza que é a função do Espírito Santo prover. A boa vontade de nos lembrarmos dos nossos períodos de prática fortalece nossa certeza enfraquecida pelo medo. Além disso, conforme nossa convicção se fortalece e a resolução de perdoar aumenta – nossa parte no plano de Deus -, somos cada vez mais capazes de nos movermos além da forma das palavras - “irmos além do seu som” – para seu conteúdo – “o que elas realmente significam”. Portanto, entramos mais profundamente em nossas mentes, onde o ego tem guardado a verdade longe da nossa lembrança. (8) Em cada cinco minutos que passares com Ele, Ele aceitará tuas palavras e as devolverá a ti, reluzindo com uma fé e uma confiança tão fortes e constantes que iluminarão o mundo com esperança e contentamento. Não percas uma única chance de ser o feliz destinatário das Suas dádivas para que possas dá-las ao mundo hoje. Isso é similar ao que vimos no final da Lição 97. Quando escolhermos aceitar as palavras de Jesus e liberar nossos egos, receberemos maiores dádivas do que pensamos ser possível. Essas são dádivas que não são só para nós, mas para toda a Filiação sem exceção. Por causa 65


dos ricos tesouros que tais dádivas oferecem, somos impelidos por nosso professor a praticarmos tão fielmente quanto pudermos. (9:1) Dá-Lhe as Suas palavras e Ele fará o resto. No texto, Jesus nos diz que nossa responsabilidade é escolher o milagre, e não ficarmos preocupados com quaisquer dos seus efeitos. Para rever essa passagem importante: Não te preocupes com a extensão da santidade, pois não compreendes a natureza dos milagres. Nem és tu quem os faz. É a sua extensão, muito além dos limites que percebes, que demonstra que tu não os fazes. Por que deverias te preocupar com a forma pela qual o milagre se estende a toda a Filiação, quando não compreendes o milagre em si mesmo? (T-16.II.1:4-9). Nossa responsabilidade é liberar as barreiras ao perdão, não estendê-lo. Se nós acreditarmos que nossa função é estender o perdão, vamos permitir que o ego entre no caminho novamente e nos leve a acreditar que é nossa função perdoar outra pessoa e pregar esse evangelho santo ao mundo. Tão logo dissermos que essa é nossa função no sentido do comportamento ou da forma, estaremos adotando o ponto de vista do ego. A função da mente certa na mente dividida é liberar o ego, e isso é tudo. Identificando-nos com o amor de Jesus em nossas mentes, teremos cumprido nossa responsabilidade. Isso permite que seu amor se estenda através de toda a Filiação, porque esse amor já está na Filiação. De fato, esse amor é a Filiação. Portanto, tudo o que precisamos fazer é liberar o problema da nossa crença em que estamos separados do amor. Essa é a simplicidade da salvação (T-31.I). (9:1-5) Ele se tornará capaz de compreender a tua função especial. Ele abrirá o caminho para a felicidade, e a paz e a confiança serão as Suas dádivas, a Sua resposta às tuas palavras. Ele responderá que o que dizes é verdade com toda a Sua fé, alegria e certeza. Jesus está continuamente nos lembrando dos efeitos felizes de termos escolhido o Espírito Santo como nosso Professor. Nossa pequena boa vontade, expressando a decisão de sermos felizes ao invés de estarmos certos, assegura que seremos realmente felizes. As palavras de aceitação da nossa parte no plano de Deus para a salvação – não importando o quanto possam ser ambivalentes – é tudo o que é necessário para que nosso Professor reforce nosso desejo pela felicidade e a paz e as torne nossas. Dessa forma, chegamos a entender a importância para nós da nossa função especial. (9:5-9) E então terás a convicção Daquele Que sabe qual é a tua função tanto na terra quando no Céu. Ele estará contigo a cada período de prática que compartilhares com Ele, dando-te a intemporalidade e a paz em troca de cada instante que Lhe ofereceres. Na próxima lição, vamos ver mais especificamente a função do Espírito Santo como uma “ponte”. Nessa passagem, Ele é descrito como sabendo que nossa função aqui é perdoar, e no Céu é criar. Isso não deve ser tomado literalmente, mas é para nos lembrar de que enquanto acreditarmos que estamos nesse sonho, nossa função é perdoar, o que é alcançado pedindo ajuda ao Espírito Santo. Ao mesmo tempo em que nós pedimos Sua ajuda para perdoar, permitimos a nós mesmos estar em contato com Seu pensamento, que contém a memória de Quem somos como Cristo; o pensamento que serve como a ponte que nos desperta do sonho, conforme ele nos lembra de que existe uma realidade além do sonho – a realidade do nosso Ser.

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(10) Durante a hora, deixa que teu tempo passe preparando-te com alegria para os próximos cinco minutos que voltarás a passar com Ele. Repete a idéia de hoje enquanto esperas que o momento de contentamento venha a ti mais uma vez. Repete-a com freqüência e não esqueças que a cada vez que o fazes, deixas a tua mente ser preparada para o feliz momento que virá. Jesus não quer que subestimemos o efeito de até mesmo um período de cinco minutos que damos a ele. Como o dinheiro no banco, ele vai crescer, com cada período construindo uma forte fundação sobre a qual repousam os próximos cinco minutos, e aqueles que se seguem repousando nos que os precederam. Isso é similar à passagem no texto onde Jesus descreve o processo de Expiação como uma forte corrente que vai sendo soldada (T-1.III.9:2). Nesse caso, a corrente soldada é nossa jornada pessoal que é fortalecida com cada um dos períodos de prática. (11:1-4) E quando a hora passar e Ele estiver aí mais uma vez para passar um pouco de tempo contigo, sê grato e deixa de lado todas as tarefas terrenas, todos os pequenos pensamentos e idéias limitadas e de novo passa um momento feliz com Ele. Jesus fala aqui no contexto do livro de exercícios, que provê exercícios estruturados que nos ajudam a reservar um pouco de tempo durante o dia todo no qual vamos desviar nossa atenção do mundo – nossas tarefas terrenas e pensamentos e idéias limitadas – e pensar apenas em Deus. Desnecessário dizer, atenção exclusiva ao mundano reflete a escolha do nosso tomador de decisões de se identificar com a limitada pequenez do ego, em vez de com as idéias felizes e ilimitadas do Espírito Santo. No entanto, esses exercícios vão, um dia, nos levar a passar o dia prestando atenção às tarefas terrenas, enquanto, ao mesmo tempo, nos lembramos de que existe um amor além do sonho. Assim, somos capazes de manter o contato com esse amor ao mesmo tempo em que nossos corpos cumprem suas atarefadas atividades. O objetivo final do nosso estudo e prática é que esses ensinamentos e lições se tornem tão integrados que nosso dia expresse o fato de que nós somos a ponte entre a Terra e o Céu. Essa é a visão – retendo o quieto centro interior, enquanto estamos ativos no mundo diário – que encerra “Eu não preciso fazer nada”: No entanto, sempre haverá esse lugar de descanso para o qual podes retornar. E estarás mais ciente deste centro de quietude no meio da tempestade do que de toda a atividade furiosa que ela desencadeia. Esse centro de quietude, no qual tu nada fazes, permanecerá contigo, dando-te repouso em meio a todas as tarefas trabalhosas às quais fores enviado. Pois a partir deste centro serás dirigido ao modo como deves usar o teu corpo sem pecado (T-18.VII.8:1-8). Até sermos capazes de nos identificar com esse quieto centro de amor, no entanto, é importante que separemos um tempo específico de cada hora – ou qualquer tempo que a lição nos peça – para pensarmos no Espírito Santo. Nós precisamos estar cientes das partes certa e errada da nossa mente dividida, não apenas da porção egóica da mente. Existe uma parte de nós que realmente está emparelhada com o especialismo, mas também existe uma parte que pode ser quieta e serena. (11:4-7) Dize-Lhe mais uma vez que aceitas a parte que Ele quer que assumas e Ele te ajudará a cumpri-la, e fará com que estejas certo de que queres essa escolha que Ele fez contigo e tu com Ele. Essa não é uma escolha que o Espírito Santo faz por nós, nem é uma que nós fazemos por conta própria. É uma escolha que fazemos com Ele. Portanto, precisamos nos lembrar de que o que dá significado às nossas vidas diárias não é atender às nossas necessidades de 67


especialismo, nem a destruição dos nossos inimigos; o significado repousa em vermos todas as coisas – “boas” e “más” – como salas de aula nas quais aprendemos com nosso novo Professor como perdoar. Quanto mais aprendemos, maior será a alegria que inevitavelmente vem quando liberamos nossa culpa. É isso que reforça nossos “pequenos” esforços.

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LIÇÃO 99 A salvação é minha única função aqui. Essa lição continua a discussão sobre nossa função, com Jesus falando especificamente sobre a salvação fazendo uma ponte sobre a brecha aparente entre a ilusão e a verdade. Antes de começarmos, no entanto, deixe-me mencionar – pois Helen nunca iria me perdoar se eu não o fizesse – que começando com essa lição, o resto do livro de exercícios, incluindo todas as instruções, estão em versos brancos. (1:1) A salvação e o perdão são a mesma coisa. Esse é outro tema na estrutura sinfônica de Jesus. Salvação, milagre, instante santo, relacionamento santo, perdão, e visão são termos descrevendo o processo de desfazer o sistema de pensamento de separação e culpa, que nós transformamos em realidade. No entanto, tanto a salvação quanto o perdão são ilusões, porque, como Jesus agora vai explicar, eles desfazem o que nunca aconteceu. (1:1-7) Ambos sugerem que algo saiu errado, alguma coisa da qual é preciso ser salvo, alguma coisa pela qual é preciso ser perdoado; algo que está errado e precisa de uma mudança corretiva, algo à parte ou diferente da Vontade de Deus. Portanto, ambos os termos sugerem uma coisa impossível, mas que no entanto tem ocorrido resultando num estado de conflito visto entre o que é e o que nunca poderia ser. Essa é uma afirmação do Nível Um, referindo-se à fundação metafísica do Um Curso em Milagres que diz que a verdade é verdadeira, e não existe nada mais. O que, portanto, é desfeito, não é desfeito de forma alguma, mas é simplesmente algo contra o que escolhemos. Esse é o ponto da seguinte discussão sobre o perdão no esclarecimento de termos, palavras com as quais vamos nos tornar cada vez mais familiarizados: O perdão é para Deus e vai em direção a Deus, mas não é Dele. É impossível pensar em qualquer coisa que Ele tenha criado que pudesse precisar de perdão. O perdão é então uma ilusão, mas devido ao seu propósito, que é o do Espírito Santo, há uma diferença. Ao contrário de todas as outras ilusões, conduz para longe do erro e não em direção a ele. O perdão poderia ser chamado de uma espécie de ficção feliz, um caminho o qual aqueles que não conhecem podem fazer uma ponte sobre a brecha entre sua percepção e a verdade. Eles não podem ir diretamente da percepção ao conhecimento porque não pensam que é sua vontade fazer isso. Isso faz com que Deus pareça ser um inimigo em vez do que Ele realmente é. E é justamente essa percepção insana que faz com que eles não estejam dispostos a simplesmente erguerem-se e voltarem para Ele em paz. E assim necessitam de uma ilusão de ajuda porque estão impotentes, um Pensamento de paz porque estão em conflito (ET-1; 2; 3:1-2). Reconhecer a natureza ilusória da nossa crença em que a separação transformou Deus em nosso inimigo é o objetivo final do perdão. Nós praticamos esse reconhecimento em nossos relacionamentos especiais, os fragmentos sombrios da ilusão original. Ao aprendermos que nada precisa ser feito, pois nada jamais entrou entre nós e o Amor de Deus, nossa crença no nada é desfeita também. Portanto, aceitamos o pensamento de salvação da Expiação que 69


termina com todo conflito, deixando apenas a verdade para brilhar só mais um instante em nossas mentes, até que desapareçamos na única Verdade, a única Luz, o único Deus. (2:1-2) Agora, a verdade e as ilusões são iguais, pois ambas têm acontecido. O ego nos faria acreditar que havia verdade, mas também ilusão; que havia Deus, mas também separação Dele. Ambos coexistem. Em quase todas as religiões formais, a verdade e a ilusão, o espírito e a matéria, são estados iguais; o mundo e o corpo, um Deus Que é espírito – compartilham a realidade. Nessa coexistência aparente, Deus é percebido como agindo nesse mundo. Na verdade, em muitas religiões, Deus não apenas está envolvido no mundo, mas é o seu Criador. Conseqüentemente, a verdade e as ilusões vivem lado a lado, iguais em sua realidade. (2:2-4) O impossível vem a ser aquilo de que precisas ser perdoado, aquilo de que precisas ser salvo. A salvação agora vem a ser a fronteira entre a verdade e a ilusão. Você talvez se lembre da seção no texto chamada “A zona da fronteira” (T-26.III), onde Jesus se refere ao mundo real e à salvação como as zonas da fronteira entre a ilusão e a verdade: Existe uma zona fronteiriça do pensamento que se encontra entre esse mundo e o Céu. Não é um lugar e quando a alcanças, ela está à parte do tempo. Aqui é o ponto de encontro onde os pensamentos são trazidos para se encontrarem, onde os valores conflitantes se encontram e onde todas as ilusões são largadas ao lado da verdade, onde são julgadas como não sendo verdadeiras. Essa terra fronteiriça situa-se logo depois da porta do Céu. Aqui, todo pensamento se faz puro e totalmente simples. Aqui, o pecado é negado e tudo que existe é recebido em seu lugar. Esse é o fim da jornada. Temos nos referido a ele como o mundo real... A salvação é uma fronteira onde o lugar, o tempo e a escolha ainda têm significado e, apesar disso, pode-se ver que são temporários, deslocados e que todas as escolhas já foram feitas (T-26.III.2; 3:1-2,7-10). Esse nível de discussão reflete o que nós temos chamado de Nível Dois. É o lar do perdão, que desfaz nossas crenças ilusórias no pecado, na culpa, e no ataque. O perdão, mais uma vez, não é a verdade, mas, como uma “ficção feliz”, ele reflete a verdade do Céu, como nós agora vemos: (2:4-6) Ela reflete a verdade porque é o meio pelo qual podes escapar das ilusões. No entanto, ainda não é a verdade, porque desfaz o que nunca foi feito. A palavra reflete, no Um Curso em Milagres, é extremamente importante, porque significa a ponte. O Céu não é possível aqui, nem o amor, unicidade ou santidade: mas seus reflexos realmente são. Você talvez se lembre da afirmação anterior no livro de exercícios: ... o perdão é o meio pelo qual reconhecerei a minha inocência. É o reflexo do Amor de Deus na terra. Ele me aproximará do Céu o suficiente para que o Amor de Deus possa Se inclinar para alcançar-me e erguer-me até Ele (LE-pI.60.1:3-7). A parte da nossa mente que contém o Espírito Santo – ou nossa mente certa – representa a ponte entre a pura santidade, unicidade e amor e nossa experiência que é o seu reflexo. O reflexo é uma ilusão, mas a experiência de olhar para as ilusões, percebendo que elas são ilusões, é a essência da visão, do perdão e da salvação. 70


Portanto, eu não sou solicitado a não ver você como um corpo; o que certamente seria um pedido não razoável para se fazer a nós, que ainda nos identificamos com o corpo. Como Jesus diz no texto: A tua questão não deveria ser “Como posso ver o meu irmão sem o corpo?”. Apenas pergunta: “Realmente desejo vê-lo sem pecado?”. E ao perguntares, não te esqueças de que é vendo a sua impecabilidade que tu escaparás do medo. A salvação é a meta do Espírito Santo. O meio é a visão (T-20.VII.9:1-5). Os olhos do nosso corpo ainda percebem os outros como diferentes, mas Jesus nos pede para entendermos a similaridade inerente sob a experiência de diferenças. Em outras palavras, todos nós temos o mesmo interesse, assim como todos nós compartilhamos a mesma crença insana no pecado. Nosso interesse comum deriva da necessidade compartilhada de despertar para nossa impecabilidade inerente como um Filho único e inseparável de Deus. Compartilhar uma única meta reflete a unidade de Cristo, a única verdade. Agora voltamos ao Nível Um, o nível da verdade ou da ilusão: (3:1-3) Como poderia haver algum ponto de encontro onde a terra e o Céu pudessem ser reconciliados dentro de uma mente na qual ambos existem? Isso nos diz que um lugar de encontro entre a verdade e a ilusão é impossível, porque eles são estados mutuamente excludentes. Ao mesmo tempo em que Jesus ensina que o significado da salvação é que perdoemos e aceitemos a visão de Cristo, ele nos lembra de que o processo em si é ilusório. Na Terra isso não é compreensível, uma vez que ainda acreditamos existir aqui. No entanto, podemos ser ensinados a entender a importância de perdoar e, portanto, somos levados através da ilusão para a verdade única do nosso Ser. (3:3-6) A mente que vê ilusões pensa que são reais. Elas têm existência no sentido de que são pensamentos. E, no entanto, não são reais, porque a mente que pensa esses pensamentos é separada de Deus. Aperfeiçoando a famosa declaração de Descartes, podemos afirmar: “Penso, portanto, não existo”. Pensar que você pensa significa que você não existe. A maior parte do tempo no Um Curso em Milagres, Jesus faz a distinção entre existência e ser, como ele faz aqui. Existência é da mente dividida, e ser é apenas de Cristo e de Deus. Nossos pensamentos então têm existência dentro do sonho, mas não são, porque eles não são reais. Lembre-se da passagem já citada, parcialmente apresentada aqui: A existência, assim como tudo o que é, se baseia na comunicação. A existência, porém, é específica em relação a como, o que e com quem vale a pena empreender comunicação. Tudo o que é, é completamente destituído dessas distinções. É um estado no qual a mente está em comunicação com tudo o que é real (T-4.VII.4:1-5). Nos próximos três parágrafos, Jesus descreve o papel do Espírito Santo como sendo a ponte entre as ilusões e a verdade. Isso nos leva novamente do Nível Um para o Nível Dois. No Nível Um não existe ponte, porque não existem ilusões, mas apenas a verdade – não há nada entre o que construir uma ponte. No Nível Dois, na dimensão do sonho, no entanto, nós experienciamos ilusões. Portanto, precisamos de um pensamento que nos leve da nossa experiência ilusória para a verdade da Unicidade de Deus, como vemos agora: (4:1-5) O que une a mente e os pensamentos separados com a Mente e o Pensamento que são para sempre unos? Que plano poderia manter a verdade inviolada e ainda assim 71


reconhecer as necessidades que as ilusões trazem e oferecer os meios para desfazê-las sem ataque e sem nenhum toque de dor? Esse é o plano da Expiação: desfazer ilusões sem ataque e dor, por olhar para elas com Jesus ao nosso lado. Se nós tivermos que fazer algo com a ilusão, estaremos dizendo que ela é real, o que só traz mais dor. A maneira de desfazer as ilusões do especialismo é ver o sofrimento que é seu objetivo quando recorremos a ele para nos prover felicidade ou o fim da dor, para nos oferecer mais do que o Amor de Deus. Olhar para as ilusões com Jesus significa reconhecer o custo de nos agarrarmos a elas; perceber sua dor nos capacita a liberar o especialismo sem ataque. Os olhos da gentileza olham apenas gentilmente, e onde está a dor ou o ataque quando a gentileza está presente? Assim, somos abençoados com a dádiva da cura, como está descrito nessa adorável passagem sobre a gentil graça do Céu: A graça de Deus descansa gentilmente em olhos que perdoam e todas as coisas para as quais eles olham falam de Deus a quem as contempla. Ele é incapaz de ver qualquer mal; nada há no mundo para ser temido e pessoa alguma é diferente dele. E assim como ele as ama, do mesmo modo olha para si mesmo com amor e gentileza. Ele não condenaria a si mesmo por seus equívocos assim como não quer amaldiçoar um outro. Não é um árbitro da vingança, nem alguém que puni pecados. A benignidade do seu modo de ver repousa nele mesmo com toda a ternura que oferece aos outros. Pois ele quer apenas curar e abençoar. E estando de acordo com o que Deus quer, tem o poder de curar e de abençoar a todos aqueles que ele contempla com a graça de Deus sobre tudo o que vê (T-25.VI.1). (4:5-8) O que mais poderia ser esse plano senão o Pensamento de Deus, pelo qual o que nunca foi feito deixa de ser visto e os pecados que nunca foram reais são esquecidos? Como já mencionei antes, ignorar no Um Curso em Milagres, não é dito no sentido de usar mal alguma coisa e depois não vê-la. Em vez disso, nós ignoramos por vê-la. Quando olhamos com Jesus, olhamos através dela. Em outras palavras, olhamos além da aparência, para a realidade – para usar termos de Platão –, além do pecado aparente para o pedido de amor, além da forma para o conteúdo. Portanto, mais uma vez, ignorar significa olhar através ou além. Portanto, o que “nunca foi feito” é o mundo e o especialismo que tornamos real. Olhando para o ego com o amor de Jesus ao nosso lado, percebemos que ele não teve efeitos sobre o Amor de Deus e, portanto, não pode existir e não existe. Tal visão e compreensão é o significado de ignorar. (5:1-2) O Espírito Santo mantém esse plano de Deus exatamente como foi recebido, dentro da Mente de Deus e da tua. “Tua mente” aqui significa nossa mente certa, e dentro dos seus pensamentos misericordiosos, ela mantém o plano de Deus para a Expiação, pois ele é o plano de Deus para da Expiação. (5:2-4) Ele está à parte do tempo, porque a sua Fonte é intemporal. No entanto, ele opera no tempo devido à tua crença segundo a qual o tempo é real. Aqui, Jesus ecoa o que ele disse sobre o milagre. Nós o experienciamos como operando dentro do tempo porque é aí que acreditamos estar, mas sua presença está fora do tempo. Lembre-se de que dentro da mente – a Mente única ou a mente dividida – não existe tempo. Quando nosso tomador de decisões escolhe o Espírito Santo como seu professor, essa escolha de nos lembrarmos da nossa Identidade sem tempo como Cristo, o Filho da nossa Fonte, é traduzida pela mente em um contexto que podemos entender, dentro do sonho da 72


separação. Portanto, nossa experiência é a de que a Expiação funciona dentro do tempo, mas ela permanece fora da dimensão temporal na mente identificada com o Espírito Santo, a Voz pela ausência de tempo e pela eternidade. (5:5-8) Inabalável, o Espírito Santo olha para o que tu vês: pecado, dor e morte, pesar, separação e perda. Mas Ele sabe que uma coisa ainda tem que ser verdadeira: Deus ainda é Amor e isso não é a Sua Vontade. Novamente, não somos solicitados a negar o que nossos olhos vêem, nem nossa dor e sofrimento. Somos meramente solicitados a olharmos além disso. Quando olharmos além disso com o Espírito Santo, vamos perceber que a situação não é o que pensamos. Pelo fato da dor não ser a Vontade de Deus, ela não pode existir. Alucinações parecem reais para a mente iludida, mas elas não têm o poder de fazer a realidade. A visão gentil e curadora do Espírito Santo é maravilhosamente descrita nessa passagem do texto, que nós citamos novamente: O Espírito Santo percebe a causa rindo gentilmente e não olha os efeitos. De que outra maneira poderia ele corrigir o teu erro, já que absolutamente não olhaste para a causa? Ele pede que tu Lhe tragas cada efeito terrível para que possam olhar juntos para a sua causa tola e possas rir um pouco com Ele. Tu julgas os efeitos, mas Ele julgou a causa. E através do julgamento do Espírito Santo os efeitos são removidos. Talvez venhas em lágrimas. Mas ouve-O dizer: “Meu irmão, Filho santo de Deus, contempla o teu sonho vão, no qual isso poderia ocorrer”. E deixarás o instante santo com o teu riso e o do teu irmão unidos ao Seu (T-27.VIII.9). Os efeitos que somos solicitados a trazer ao Espírito Santo são as “pesadas conseqüências” (T-27.VIII.8:8-9) da dor e do sofrimento que tornamos real em nossa experiência. Quando vistos através da perspectiva da sua causa tola – a crença no pecado -, eles se tornam tolos nadas, merecendo apenas o riso gentil. A chave, é claro, é olhar para a causa. Por outro lado, seguindo a orientação do ego para olharmos apenas para os efeitos, a dor e o sofrimento parecem mesmo reais. Mas se a dor é real, o Amor de Deus não é (veja a Lição 190). É por isso que precisamos ir ao Espírito Santo, pois só Ele sabe que Deus ainda é Amor, e que o pecado, a dor e a morte não são Sua Vontade. (6:1-3) Esse é o Pensamento que traz as ilusões à verdade e as vê como aparências por trás das quais se encontra o que é imutável e o que é certo. Isso nos diz mais uma vez que ignorar é olhar através. O ego ensina que a realidade do pecado é como uma sólida parede de granito. Se fosse assim, seria impossível ver a verdade além dela. Quando olhamos com Jesus para o que pensamos que era pecado – o nosso próprio ou o dos outros – percebemos que ele não teve efeitos sobre seu amor nem sobre nossa unidade com ele. Ele, portanto, não pode ter efeitos sobre nossa unidade com todas as outras pessoas. Nesse ponto, a parede de granito aparentemente sólida e pecaminosa se torna um fino véu que não pode ocultar a luz brilhando além dele. Olhar com Jesus nos capacita a compartilhar sua visão de ausência de pecado e ver o imutável e o certo por trás das aparências. (6:3-6) Esse é o Pensamento que salva e perdoa, pois não deposita nenhuma fé no que não foi criado pela única Fonte que conhece. Esse é o Pensamento cuja função é salvar dando-te a função que ele tem como tua. O pensamento de Expiação do Espírito Santo é o único que pode nos salvar da nossa culpa, porque ele é o único pensamento dentro do sonho, que nos permite perdoar o pecado aparente, reconhecendo que ele não teve efeitos sobre a realidade. Portanto, aprendemos que 73


não existe nada a perdoar. A total aceitação dessa verdade completa nossa função na Terra, e nossa função no Céu alvorece em nossa mente quieta e curada, enquanto o mundo de separação gentilmente desaparece, “dissolvendo-se no nada do qual ele veio” (MP-13.1:2). (6:6-11) A salvação é a tua função com Aquele a Quem o plano foi dado. Agora esse plano foi confiado a ti, junto com Ele. Ele tem uma resposta para as aparências, independentemente de sua forma, tamanho, profundidade ou de qualquer atributo que pareçam ter: A salvação é a minha única função aqui. Deus ainda é Amor e isso não é a Sua Vontade. Somos solicitados a perceber que todos os nossos problemas são o mesmo, porque eles são defesas contra a verdade do Amor unificador de Deus, que está além de todos eles. Nunca vamos conhecer essa verdade salvadora sem pedirmos ajuda para olharmos para cada circunstância que parece nos trazer inquietude. Em quietude, nós ouvimos Sua resposta – “Deus ainda é Amor, e isso não é a Sua Vontade” -, pois, na quietude, nascida no instante santo, nosso aprendizado aumenta dos “diminutos fios dispersos de melodia para um único coro” (T-31.VIII.11:8-10), conforme ele abraça todos os aspectos da nossa experiência fragmentada como um só. A salvação está completa, e nós estamos em casa, onde Deus quer que estejamos (T-31.VIII.12:8). (7:1-3) Tu, que ainda haverás de trabalhar em milagres, certifica-te de praticar bem a idéia para o dia de hoje. Tenta perceber a força no que dizes, pois estas são palavras nas quais está a tua liberdade. Lembre-se de que apesar da conotação das palavras, Jesus não está se referindo a comportamento, mas à cura de nossas mentes através da aceitação do seu milagre de correção, percebendo que nós somos o sonhador de um sonho que não é verdadeiro. Seu amor então é libertado para trabalhar através de nós enquanto nossos corpos fazem o que todos os outros fazem, mas de forma diferente, porque nosso propósito mudou do sonho para o despertar, da fraqueza do aprisionamento do ego para a força da liberdade do Espírito Santo, dos interesses separados do especialismo para os interesses compartilhados do perdão. (7:4) O teu Pai te ama. Todo o mundo da dor não é a Sua Vontade. Um tema principal nas próximas poucas lições é o de que a Vontade de Deus para nós é a felicidade, não a dor e o sofrimento; um tema que já notamos. Portanto, se eu vivencio dor ou a percebo em qualquer outra pessoa, estou fazendo uma declaração que diz que esse mundo, esse corpo e o meu ser não são a Vontade de Deus – tudo porque eu vejo dor, sinto dor e a transformei em realidade. Não somos solicitados, entretanto, a negar o desconforto ou a dor que nós ou os outros sentimos; apenas a perceber que eles refletem um sistema de pensamento que diz que existe uma vontade – do ego – que é separada da Vontade de Deus. Essa vontade de ser separado é a causa de toda dor – minha ou dos outros. Novamente, não somos solicitados a liberar a dor, mas apenas a olharmos para o sistema de pensamento subjacente a ela. (7:5-8) Perdoa-te pelo pensamento de que ele tenha querido isso para ti. Em seguida, deixa que o Pensamento com o qual Ele substituiu todos os teus equívocos entre nos lugares escuros da tua mente que teve os pensamentos que nunca foram a Sua Vontade. A responsabilidade é colocada em nós. Somos nós que temos que escolher a Expiação, o Pensamento do Espírito Santo, e vê-la como o substituto para os pensamentos de escuridão 74


do ego. Para fazer essa substituição, precisamos cumprir nossa função de perdão: trazer a escuridão à luz. Duas passagens do texto amplificam esse ensinamento de permitir que a luz e o amor do Espírito Santo entrem nos lugares escuros da nossa mente, dos quais nós O excluímos. Assim, Sua luz flui através de tudo para curar toda a dor que a escuridão do ego causou: A função do Espírito Santo é inteiramente comunicação. Ele, portanto, tem que remover qualquer coisa que interfira com a comunicação de modo a restaurá-la. Por conseguinte, não mantenhas nenhuma fonte de interferência longe da Sua vista, pois Ele não atacará as tuas sentinelas. Apenas traze-as a Ele e deixa que a Sua gentileza te ensine que, trazidas à luz, elas não são amedrontadoras e não podem servir para guardar as portas escuras por trás das quais absolutamente nada é cuidadosamente escondido. Nós temos que abrir todas as portas e deixar que a luz entre como um rio (T-14.VI.8:1-10). O Espírito Santo não te pede mais do que isso: traze a Ele todos os segredos que trancaste longe Dele. Abre todas as portas para Ele e pede-Lhe que entre nas trevas e as ilumine, dissipando-as. A teu convite, Ele entra com contentamento. Ele traz a luz à escuridão, se fizeres com que a escuridão esteja aberta para Ele... Traze, portanto, todos os teus pensamentos escuros e secretos a Ele e olha-os junto com Ele. Ele mantém a luz e tu a escuridão. Elas não podem coexistir quando Ambos olham para elas juntos (T-14.VII.6:1-5,8-11). Mais uma vez, trazer nossos pensamentos escuros de julgamento à luz de perdão do Espírito Santo é o cerne do nosso currículo, o propósito do Um Curso em Milagres. (8:1-4) Essa parte pertence a Deus assim como o resto. Ela não pensa os teus pensamentos solitários e faz com que sejam reais escondendo-os Dele. Nossas mentes certas mantêm o pensamento de correção; nossas mentes erradas mantêm todos os outros pensamentos. São esses pensamentos – de especialismo e ódio – que temos que trazer ao Espírito Santo, o reflexo do Amor do nosso Criador. (8:4-7; 9:1-3) Deixa entrar a luz e não olharás para nenhum obstáculo àquilo que é a Sua Vontade para ti. Abre os teus segredos à Sua luz benigna e vê com que intensidade essa luz ainda brilha em ti. Pratica o Seu Pensamento hoje e deixa a Sua luz buscar e iluminar todos os pontos escuros, e brilhar através deles para uni-los ao resto. Essa é outra declaração do processo do perdão, ecoando as passagens acima, do texto. Com abertura e honestidade, nós olhamos com Jesus para os pensamentos do nosso ego, sem culpa ou vergonha, portanto, de forma não-julgadora, trazendo a escuridão do nosso especialismo à luz do seu gentil desfazer. Nós temos visto repetidamente que Jesus não pode iluminar nossas ilusões a menos que peçamos sua ajuda. E nós certamente não podemos iluminá-las sem ele. Assim o perdão é uma aventura de colaboração; não uma ocorrência entre dois parceiros especiais, mas entre nós e Jesus. Nós nos lembramos novamente das suas palavras, que ecoam nossa dependência mútua: Eu preciso de ti tanto quanto tu precisas de mim (T-8.V.6:10). (9:3-4) É a Vontade de Deus que a tua mente seja uma com a Sua. É a Vontade de Deus não ter senão um Filho. 75


Esse tema da unicidade é recorrente, pois a pedra fundamental do ensinamento de Jesus é a Unicidade do Céu, e seu reflexo na Terra, que nos devolve ao estado unificado que nunca deixamos. (9:4-13) É a Vontade de Deus que tu sejas o Seu único Filho. Pensa nestas coisas ao praticares hoje, e começa a lição que aprendemos hoje com essa instrução no caminho da verdade: A salvação é a minha única função aqui. A salvação e o perdão são a mesma coisa. Em seguida, volta-te para Aquele Que compartilha a tua função aqui e deixa-O ensinar-te o que precisas aprender para deixares de lado todo o medo e conheceres o teu Ser com o amor que não tem nenhum oposto em ti. Assim, nós afirmamos nossa disponibilidade de aprendermos as lições com nosso novo Professor, esperando reforçar o que Ele quer que aprendamos. Nosso reconhecimento de que nos identificarmos com o ser egóico nos trouxe apenas medo e infelicidade é o que nos motiva a continuarmos nossa jornada feliz com Ele, Que vai nos levar ao nosso Ser. (10:1-3) Perdoa todos os pensamentos que querem se opor à verdade da tua completeza, unidade e paz. Tu não podes perder as dádivas que o teu Pai te deu. Tu não queres ser outro ser. É importante reconhecer que existe uma parte de nós que quer ser esse outro ser. Nós precisamos liberar isso se vamos nos lembrar de que somos um com Deus. Sem olharmos para essa resistência à verdade, não existe esperança de minimizar isso o suficiente para capacitar o reflexo da verdade a ocupar mais e mais espaço em nossas mentes, permitindo que a escuridão da nossa separação seja substituída pela luz da unidade. Portanto, nós aprendemos que a dádiva que pensamos ter perdido foi guardada para nós em segurança através da sua Memória; portanto, nós aprendemos que estamos perdoados pelo pecado de roubar, que nunca cometemos. Essa reafirmação encontra expressão adorável nos seguintes trechos do poema de Helen, “As Dádivas do Céu”: Ninguém pode roubar a infinidade. ............................................................ Ninguém pode tirar de tudo. Sua própria santidade é uma garantia Ela é completa para sempre. ............................................................. Ninguém pode diminuir o amor. Ele é em si mesmo o Grande Restaurador. Ele só pode retornar tudo que é tirado a si mesmo. Ele não conhece perda, nem limite, nem diminuição. (As Dádivas de Deus, p. 80) (10:3-6) Não tens outra função que não seja a de Deus. Perdoa-te pela função que tu pensas que fizeste. O perdão e a salvação são a mesma coisa. Perdoa o que tens feito e és salvo. Foi a escuridão nascida da nossa crença em que usurpamos a função criadora de Deus que estabeleceu a necessidade para nossa função terrena do perdão. Perdoando o que nunca fizemos, nós suprimimos o véu que interferiu com nossa lembrança de que a nossa função no 76


Céu é uma com a do nosso Criador, e nunca pode ser separada dela. Portanto, somos salvos pela Expiação do que nunca foi, pois o perdão desfaz a ilusão. Incidentalmente, a sentença final ecoa aquela na Lição 93: “Pensas que és destruído, mas és salvo” (4:4). O problema é que não acreditamos nisso. A culminação do “pecado” é a feitura do nosso ser, com o qual nos identificamos, e então, não acreditamos que liberando esse ser especial, seremos salvos. É isso o que temos que aprender, e esses exercícios são parte do plano de Jesus para desfazer as falsas crenças sobre nós mesmos (e os outros), para que elas possam ser substituídas pela verdade. (11) Há uma mensagem especial para o dia de hoje que tem o poder de remover para sempre da tua mente todas as formas de dúvida e de medo. Se fores tentado a acreditar que são verdadeiras, lembra-te de que as aparências não podem resistir à verdade que estas palavras poderosas contêm: A salvação é a minha única função aqui. Deus ainda é Amor, e isso não é Sua Vontade. Jesus está novamente nos pedindo para usarmos esses pensamentos sempre que formos tentados a acreditar que eles não são verdadeiros. A luz não pode iluminar a escuridão dos nossos egos a menos que levemos a escuridão a ela. A vigilância pedida por esses exercícios facilita o processo de cura – nossa única função aqui. (12) A tua única função te diz que tu és um só. Lembra-te disso nos intervalos entre os cinco minutos que dás para serem compartilhados com Aquele Que compartilha o plano de Deus contigo. Lembra-te: A salvação é a minha única função aqui. Assim tu colocas o perdão na tua mente e permites que todo medo seja gentilmente posto de lado, para que o Amor possa achar o seu lugar de direito em ti e mostrar-te que tu és o Filho de Deus. Esse parágrafo final resume a forma e o conteúdo da lição. Diligência em aplicar a mensagem especial da lição a todas as situações transtornadoras em nosso dia – a forma – reflete a decisão da mente de permitir “que todo o medo seja gentilmente posto de lado” – o conteúdo -, conforme o perdão o substitui com o amor que gentilmente nos leva para Casa, para o nosso Ser: o Filho único de Deus.

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LIÇÃO 100 A minha parte é essencial no plano de Deus para a salvação. Essas próximas seis lições, de 100 a 105, ensinam que a Vontade de Deus para nós é felicidade, paz e alegria, não sofrimento. Essa é a correção óbvia para a crença comumente mantida, não apenas em círculos religiosos, de que a Vontade de Deus (ou da natureza) é que nós soframos e nos sacrifiquemos, e que a felicidade não pode ser encontrada sem isso. (1:1-2) Da mesma forma que o Filho de Deus completa o seu Pai, a tua parte completa o plano do teu Pai. Isso não significa que até eu perdoar, todos sofrem. Significa que no instante em que eu permitir que minha mente seja curada da crença na separação – a aceitação da Expiação para mim mesmo (“o plano do teu Pai”) – a Filiação como um todo é curada, uma vez que ela é uma. (1:2-4) A salvação tem que reverter a crença insana em pensamentos separados e corpos separados que levam vidas separadas e seguem seus caminhos separados. Jesus está falando aqui de desfazer todo o sistema de pensamento de separação, em todas as suas miríades de números de formas e tamanhos. Apesar das suas diferenças em forma, todos os pensamentos e corpos compartilham uma característica evidente: eles são igualmente ilusórios. Em nenhum lugar isso é mais bem expresso do que nessa passagem sobre as substituições sem sentido do especialismo, com as quais nós tão fervorosamente nos identificamos e acreditamos ser a realidade: As tuas pequenas substituições sem sentido, que foram tocadas pela insanidade e rodopiam numa seqüência louca como plumas dançando de forma insana à mercê do vento, não têm substância. Elas fundem-se, misturam-se e separam-se em padrões deslocáveis totalmente sem significado que absolutamente não precisam ser julgados. Julgá-los individualmente não faz sentido. Suas diminutas diferenças em forma não são diferenças reais em absoluto. Nenhuma delas importa. Isso elas têm em comum e nada mais. No entanto, o que mais é necessário para fazer com que todas sejam a mesma? (T-18.I.7:7-16). Vendo nossos relacionamentos ilusórios pelo que são, reconhecendo sua similaridade fundamental, somos gentilmente “direcionados a subir a escada que a separação nos levou a descer” (T-28.III.1:2). Como outra passagem afirma: O Espírito Santo te toma gentilmente pela mão e retraça contigo a tua louca jornada para fora de ti mesmo, conduzindo-te com gentileza de volta à verdade e à segurança dentro de ti. Ele traz à verdade todas as tuas projeções insanas e as substituições absurdas que colocaste do lado de fora. Assim Ele reverte o curso da insanidade e te restitui à razão (T-18.I.8:4-9). A próxima linha amplia esse processo de reversão: (1:4-6) Uma função compartilhada por mentes separadas as une num único propósito, pois cada uma é igualmente essencial para todas. 78


O que nos capacita a subirmos a escada que a separação nos fez descer é ver o propósito único unindo-nos aqui. Assim, a verdade da unicidade do Filho de Deus é refletida dentro do mundo separado de ilusão. Pedir a ajuda de Jesus para podermos ver através dos seus olhos nos permite ignorar – olhar além – as distinções superficiais que iriam nos separar do propósito que nos torna um. (2:1-5) A Vontade de Deus para ti é a felicidade perfeita. Por que deverias tu escolher ir contra a Sua Vontade? A parte que Ele guardou para assumires na execução do Seu plano te é dada para que possas ser restaurado àquilo que é a Sua Vontade. Essa parte é tão essencial para o Seu plano quanto para a tua felicidade. Todos nós conhecemos a resposta para a pergunta na segunda sentença. Se formos ser verdadeiramente felizes, não vamos ter problemas – nenhum passado, especialismo ou mágoas. Sem eles, não vamos saber quem somos. Como resultado disso, vamos alegremente sacrificar nossa verdadeira felicidade para que possamos manter nosso pequeno ser intacto. Isso explica por que, ao atravessarmos cada dia, não estamos sempre felizes. Infelicidade é uma decisão que diz que preferimos ser infelizes e continuar aqui, em vez de sermos felizes e desaparecer no Coração de Deus. Nós, portanto, teimosamente resistimos a cumprir nossa parte de perdoar nossos relacionamentos especiais. O ego nos diz que se nós retivermos nossas mágoas, devemos reter nossa identidade separada, dessa forma fazendo sua vontade em vez da de Deus. Nós, portanto, continuamos certos, mas evidentemente não felizes! (2:5-9) A tua alegria tem que ser completa para deixar que o Seu plano seja compreendido por aqueles a quem Ele te envia. Eles verão a sua própria função no teu rosto resplandecente e ouvirão o chamado de Deus por eles no teu riso feliz. Lembre-se de que a linguagem do Um Curso em Milagres é a de que Deus ou o Espírito Santo nos “envia” às pessoas. Na verdade, Eles não nos enviam a lugar algum, porque não existe ninguém a ser enviado. Jesus, portanto, usa os termos de forma metafórica, para poder se comunicar conosco no nível da nossa própria experiência. O cristianismo tem usado essa linguagem por séculos, embora os termos tenham sido interpretados literalmente. Os evangelhos declaram explicitamente, e são destinados a serem encarados de forma literal, que Deus envia pessoas umas às outras, e que Jesus exorta especificamente seus discípulos a irem e ensinarem os não-crentes (e.g., Mateus 28:19). Em seu curso, Jesus usa linguagem idêntica, mas com um significado decididamente diferente da linguagem cristã tradicional. Nossas vidas são roteiros que nós – os tomadores de decisões em nossas mentes – escrevemos. O Espírito Santo provê Sua resposta de perdão para cada problema de culpa e ataque que fizemos. Portanto, uma vez que escolhemos vivenciar os relacionamentos através dos Seus olhos em vez de dos nossos, cada pessoa que encontramos é “enviada” a nós, porque cada pessoa nos oferece ainda mais uma oportunidade de perdoar. Cada encontro aqui, portanto, se torna um encontro santo, pois em cada um é encontrado o lembrete gentil de Jesus de que, pelo fato de ele estar sempre conosco, o Filho único de Deus também está: Quando te encontras com qualquer um, lembra-te de que é um encontro santo. Assim como tu o vires, verás a ti mesmo. Assim como o tratares, tratarás a ti mesmo. Assim como pensares dele, pensarás de ti mesmo. Nunca te esqueças disso, pois nele acharás a ti mesmo ou te perderás. Sempre que dois Filhos de Deus se encontram, lhes é dada mais uma chance de salvação. Não deixes ninguém sem lhe dar a salvação e sem recebê-la tu mesmo. Pois eu estou aí contigo todos os dias, em tua memória (T-8.III.4). Aprendendo essa lição feliz, nós nos unimos ao “riso gentil” de Jesus: o riso gentil que surge da alegria da mente que diz que nossos pecados foram perdoados. Essa é a única 79


alegria verdadeiramente possível dentro nos nossos sonhos terrenos de dor e sofrimento. Desnecessário dizer, Jesus não está se referindo ao riso físico, embora o pensamento do riso possa ser refletido em uma face alegre e feliz. (3:1-2) Tu, de fato, és essencial para o plano de Deus. Sem a tua alegria, a Sua alegria é incompleta. É impossível que a alegria de Deus seja incompleta. Nós estamos mais uma vez na terra da metáfora, simbolizando o amor e a alegria do Céu, transmitida em formas que podemos aceitar e compreender. Não deixe a linguagem da dualidade comprometer a não-dualidade da perfeita verdade de Deus: a Unicidade e Completeza de Deus nunca pode se tornar separada e incompleta. (3:2-5) Sem o teu sorriso, o mundo não pode ser salvo. Enquanto estás triste, a luz que o próprio Deus designou como meio para salvar o mundo fica fraca e sem brilho, e ninguém ri porque todo riso só pode ecoar o teu. Riso, aqui, tem a ver com desfazer a miséria de acreditar que você é separado de Deus e, portanto, merece ser punido. Jesus está descrevendo a alegria de saber que você foi perdoado. Não importando o que você acredite ter feito aos outros, a si mesmo ou a Deus, isso não teve efeitos sobre a realidade. A fonte da culpa é a crença em que nosso “pecado” afetou a realidade. Toda tristeza vem de acreditar nessa ilusão; toda alegria vem de aceitar sua irrealidade. Além disso, essa passagem esclarece para nós mais uma vez a natureza totalmente inclusiva da salvação: um Filho é todos os Filhos; um sorriso é todos os sorrisos; uma luz é todas as luzes – a verdade da Unicidade é absoluta e universal. (4) Tu, de fato, és essencial para o plano de Deus. Da mesma forma que a tua luz aumenta todas as luzes que brilham no Céu, a tua alegria na terra chama todas as mentes para que deixem as suas tristezas e tomem os seus lugares ao teu lado no plano de Deus. Os mensageiros de Deus são alegres e sua alegria cura o pesar e o desespero. Eles são a prova de que a felicidade perfeita é a Vontade de Deus para todos aqueles que aceitarão como suas as dádivas do seu Pai. O tema da unicidade retorna, e nunca com freqüência excessiva, pois nós precisamos de lembretes constantes para nos ajudarem a desaprender nossa crença fortemente mantida na realidade da separação e nos interesses separados. A aceitação desses lembretes é a fonte da nossa alegria: nós estávamos errados e Jesus certo. Além disso, nossa aceitação é a de todos, mesmo que nossa escolha permaneça inconsciente. Portanto, nós nos tornamos os alegres mensageiros de Deus, chamando todas as mentes para se lembrarem de que existe outra escolha. Nosso chamado não é através de palavras, mas através da paz, alegria e felicidade que se estendem das nossas mentes a todas as mentes. Nosso exemplo ensina que a Expiação é verdadeira, e que o mito de pecado, culpa e medo do ego é uma mentira: Deus não está zangado; Seu Amor permanece imutável através de toda a eternidade. (5:1-3) Não nos deixaremos ficar tristes hoje. Pois se o fizermos, falharemos em assumir a parte que é essencial ao plano de Deus assim como à nossa visão. Isso não significa que você deveria fazer uma cara feliz, nem que deveria se impedir de sentir tristeza. No entanto, quando você realmente se sentir triste, saiba que isso vem do pensamento de tristeza na sua mente, nascido de termos escolhido o ego em vez de Deus. Então, peça ajuda a Jesus para mudar sua mente para que você possa fazer sua parte no plano de Deus para salvar Seu Filho do sofrimento e da dor. Seu apelo a nós é constante; lembre-se desse exemplo perto do final do texto: 80


Escolhe outra vez se queres tomar o teu lugar entre os salvadores do mundo, ou se queres permanecer no inferno, e lá manter os teus irmãos (T-31.VIII.1:9-11). Nossa decisão de sermos tristes é uma decisão de mantermos a nós mesmos e à Filiação longe da salvação, e no inferno. Portanto, nós negamos a visão que encontra alegria no riso gentil, que sorri suavemente diante do pensamento de que o Filho de Deus jamais poderia ser triste. Para enfatizar esse ponto, Jesus não está dizendo que deveríamos literalmente sorrir o dia todo. Em vez disso, ele está nos ensinando a sermos atentos à tristeza que vem quando não sorrimos. Dessa forma, nós nos tornamos livres para pedir ajuda ao Pensamento de felicidade em nossas mentes. (5:3-7) A tristeza é o sinal de que tu queres desempenhar outro papel em lugar daquele que te foi designado por Deus. Assim, falha em mostrar ao mundo como é grande a felicidade que é a Sua Vontade para ti. E assim não reconheces que ela é tua. A parte do ego é provar que Deus está errado. A parte do Espírito Santo é provar que Ele está certo. A tristeza demonstra que nosso ego venceu; a felicidade, que ele perdeu. Negando aos nossos irmãos os frutos da nossa felicidade, negamos os mesmos frutos a nós mesmos. (6:1-3) Hoje procuraremos compreender que a alegria é a nossa função aqui. Se estás triste, a tua parte não é cumprida e assim o mundo todo fica privado da alegria junto contigo. Se você identificar sua parte com o perdão, quando estiver triste, saberá que é porque se agarrou a uma mágoa, acreditando que ela é a salvação. Você, dessa forma, está novamente dizendo a Jesus que ele está errado e você está certo. Uma paráfrase da lição 5 se aplica aqui: Eu nunca estou triste pela razão que imagino. Minha tristeza nunca vem de circunstâncias além de mim – quer seja no meu corpo ou no dos outros -, mas da decisão da minha mente de atacar em vez de perdoar, de seguir o ego em vez do Espírito Santo. É por isso que a salvação é simples. Como já vimos: um problema, uma solução. (6:3-10) Deus te pede que sejas feliz para que o mundo possa ver o quanto Ele ama o Seu Filho e que é Sua Vontade que nenhum pesar surja para perturbar a sua paz. Hoje, és o mensageiro de Deus. Trazes a Sua felicidade a todos aqueles que contemplas, a Sua paz a todos aqueles que olham para ti e vêem a Sua mensagem no teu rosto feliz. De novo e de novo, Jesus nos lembra desses pensamentos felizes, refletindo seu desejo de que nós aprendamos suas lições felizes do perdão. Esse aprendizado é realmente desaprender o conto do ego sobre a ira infindável de Deus e o desejo de que nós soframos por nossos pecados. Ao substituirmos os pesadelos de dor e pesar do ego pelos sonhos felizes de paz e alegria do Espírito Santo, nossa escolha ecoa ao redor do mundo que o ego condenou, mas que agora é abençoado através do nosso rosto feliz. Aceitando a mensagem feliz de Deus para nós mesmos, nos tornamos Seus mensageiros para o mundo de pesar. (7) Vamos nos preparar para isso hoje durante os nossos períodos de prática de cinco minutos sentindo a felicidade surgir em nós de acordo com a Vontade de nosso Pai e a nossa. Começa os exercícios com o pensamento que a idéia de hoje contém. Então, reconhece que a tua parte é ser feliz. Apenas isso é pedido a ti ou a qualquer um que queira assumir o próprio lugar entre os mensageiros de Deus. Pensa sobre o que isso significa. Tu, de fato, tens errado por acreditares que te é pedido qualquer sacrifício. No plano de Deus, tu só recebes e nunca perdes, nem te sacrificas, nem morres. 81


Esse tema será reiterado nas lições que virão: o ego nos ensina que o sacrifício é pedido a nós por um Deus Que diz que podemos ser felizes apenas fazendo um trato com Ele, que resulta em nossa dor, sofrimento e perda. Em nossas vidas diárias, essa barganha ontológica emerge no fragmento sombrio que diz que eu não posso ser feliz a menos que dê a você algo que você quer, porque se não o fizer, você não vai me dar o que eu quero. Para o ego, portanto, o sacrifício é o meio de encontrar felicidade através do princípio dos relacionamentos especiais de dar para receber. A salvação, no entanto, ensina que dar e receber são o mesmo, um processo de amor no qual ninguém perde e todos ganham. Devemos voltar a esse tema feliz em lições posteriores. (8:1-3) Agora vamos tentar achar aquela alegria que prova a nós e ao mundo todo a Vontade de Deus para nós. É a tua função achá-la aqui e achá-la agora. Para isso tu vieste. O ego nos fez vir para esse mundo para provar que estamos certos, e que somos vítimas inocentes de um pecado que não é o nosso próprio. No entanto, ao pedirmos ajuda a Jesus, percebemos que existe outro propósito para estar aqui: aprender a lição de que não somos vítimas, e ninguém mais o é. Portanto, Jesus nos faria buscar o que verdadeiramente queremos encontrar: a alegria que vem de deixarmos de lado nossa crença em interesses separados; a alegria que vem do perdão. (8:3-6) Que esse seja o dia em que terás sucesso! Olha profundamente dentro de ti, sem perturbar-te por todos os pequenos pensamentos e tolas metas pelas quais tu passas na tua ascensão para encontrar o Cristo em ti. Jesus mantém você indo e vindo. Por um lado, ele está lhe pedindo para olhar para baixo, dentro da sua mente; por outro, ele está pedindo a você para ascender ao Cristo em você. Isso ilustra como Jesus não se importa com as formas dos seus símbolos, pois só seu conteúdo importa. Sua ênfase aqui está em olhar profundamente dentro de você – com honestidade – para o que seu ego está fazendo, e conforme as névoas da culpa se desvanecem na sua mente, a memória da sua Identidade como Cristo ascende à sua consciência. (9:1-3) Ele estará lá. E podes alcançá-Lo agora. O que preferirias contemplar em lugar Daquele Que espera para que possas olhar para Ele? Jesus está nos pedindo para pesarmos nossas substituições de especialismo contra o Amor de Cristo. Ele não está necessariamente nos pedindo para escolhermos aquele Amor, mas simplesmente para compararmos as duas dádivas: o especialismo do ego, que resulta em sofrimento, culpa e dor; com o amor de Jesus que resulta em felicidade, paz e alegria. Quando isso é visto claramente, a escolha dificilmente pode ser difícil de fazer, que é motivo pelo qual o ego busca ocultar a simplicidade da escolha por trás das suas nuvens obscurecidas de complexidade. (9:3-5) Que pequeno pensamento terá o poder de deter-te? Que meta tola poderá impedir-te de ter sucesso quando Aquele Que te chama é o próprio Deus? A natureza débil do ego é continuamente justaposta, no Um Curso em Milagres, com a força poderosa da mente de escolher a resposta ao chamado de Expiação de Deus. Que poder a ilusão pode ter contra a verdade, ou o medo contra o amor? Como o adorável poema de Helen, “Estranho brilhante” afirma, no contexto de nossas tentativas de mantermos o amor de Jesus longe de nós:

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Eu tentei calá-Lo Com chaves e fechaduras que meramente caíram de lado Diante da Sua vinda. Eu não poderia escapar Da gentileza com a qual Ele olhou para mim. (As Dádivas de Deus, p. 43) A força aparente do ego vem da nossa crença nele, nascida do desejo de sermos separados da nossa Fonte. A verdadeira força, no entanto, reside no poder de decisão. Uma vez que nossas mentes estão convencidas da escolha equivocada, a “força” do ego se desvanece na sua própria nulidade, conforme nós nos unimos à verdade do Próprio Deus. A força gentil do amor sempre prevalece sobre a fraqueza do medo. (10) Ele estará lá. Tu és essencial ao Seu plano. Hoje tu és o Seu mensageiro. E tens que achar o que Ele quer que dês. Não esqueças da idéia para o dia de hoje nos intervalos entre os períodos de prática de cada hora. É o teu Ser Que te chama hoje. E é a Ele que respondes toda vez que disseres a ti mesmo que és essencial ao plano de Deus para a salvação do mundo. Deus estará lá porque Deus sempre esteve lá: no Céu, e como uma memória em nossas mentes adormecidas. Nós O deixamos em nosso sonho, mas agora escolhemos despertar e voltar, não mais escolhendo ser um estranho para o nosso Ser. O perdão é o meio apontado para esse retorno, pois ele desfaz o equívoco que nunca foi feito, devolvendo-nos ao Ser que nunca deixamos. Por que iríamos não escolher ouvir Seu Chamado? Por que iríamos não escolher nos lembrar do nosso Ser? Por que iríamos não fazer nossa parte no plano de Deus para a salvação?

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LIÇÃO 101 A Vontade de Deus para mim é a felicidade perfeita. Como eu já comentei, a Lição 100 inicia uma série de seis lições que discutem algum aspecto da Vontade de Deus para nós, nas quais Jesus fala sobre o desfazer dos equívocos do ego, o tema central do Um Curso em Milagres. O desfazer do ego é a maneira na qual cumprimos nossa função de perdão, dessa forma nos lembrando de Quem nós somos. Os aspectos particulares do sistema de pensamento do ego aos quais Jesus se dirige nessa série são o pecado, o sofrimento, o medo, a versão do ego para a doação – i.e., relacionamentos especiais – e o sistema de pensamento de separação em si mesmo. Antes de começarmos, deixem-me voltar aos meus primeiros comentários sobre o uso da linguagem no Um Curso em Milagres. Isso é especialmente importante quando se considera o livro de exercícios, e ainda mais importante quando alguém pensa que estudar o Curso significa praticar as lições sem prestar muita atenção no texto. O uso que Jesus faz da linguagem em sua maior parte tem que ser entendido como metafórico, especialmente aqui. Nós já percebemos que quando ele fala de Deus como solitário ou incompleto, não está falando literalmente. Ao dizer que a Vontade de Deus para nós é felicidade perfeita, Jesus fala da mesma forma que um pai fala com uma criança: tudo o que eu quero é que você seja feliz. O contexto é o de que Deus é um Pai amoroso, o que corrige o pensamento do ego de que Ele é punitivo e quer apenas que nos sacrifiquemos e soframos como pagamento por nossos pecados. Além disso, Deus não tem um plano, ainda que o livro de exercícios fale bastante sobre isso. Um pai, professor ou amigo amoroso tem planos para nós; médicos e terapeutas têm planos para nossa saúde, enquanto contadores têm planos para nossa riqueza. Esses são símbolos comuns em nosso mundo, mas na verdade, Deus não tem planos. Se Ele o fizesse, iria estar reconhecendo uma necessidade ou problema que não existe, o oposto exato do princípio da Expiação. Portanto, quando você lê essas palavras, mantenha em mente que Jesus é nosso irmão mais velho falando com os irmãos mais novos, que podem entender sua mensagem de amor apenas nesse contexto metafórico: o plano ou a Vontade de Deus para nós, portanto, meramente aponta para seu Amor abstrato e não-específico. (1:1-2) Hoje continuaremos com o tema da felicidade. Essa é uma idéia-chave na compreensão do que significa a salvação. Devemos ver agora como Jesus elabora seu ensinamento de que salvação significa felicidade, falando conosco sobre a versão do ego para a salvação – sofrimento e sacrifício. Novamente, é esse desfazer do sistema de pensamento do ego que nos permite aceitar a verdade da Expiação que já está presente em nossas mentes, embora encoberta por esses pensamentos egóicos. (1:2-6) Tu ainda acreditas que a salvação pede sofrimento como penitência pelos teus “pecados”. Isso não é assim. No entanto, não podes deixar de pensar assim, enquanto acreditas que o pecado é real e que o Filho de Deus pode pecar. Lembre-se do princípio importante de que o pecado e a culpa exigem punição, expresso novamente nessa lição e nessas duas declarações familiares: O pecado pede punição assim como o erro pede correção, e acreditar que punição é correção é claramente insano (T-19.II.1:8-10). Pois o ego traz o pecado ao medo exigindo punição. Entretanto, a punição não é senão outra forma de proteger a culpa, já que o que merece punição tem que ter 84


sido realmente feito. A punição é sempre a grande preservadora do pecado, tratando-o com respeito e honrando a sua enormidade (T-19.III.2:3-7). Pecado e culpa declaram que eu fiz algo terrível contra Deus, Que, portanto, está justificado em me punir. Se eu acreditar que Ele é um Deus de amor, Sua punição só pode ser uma extensão da Sua Vontade amorosa. Conseqüentemente, meu Pai quer que eu sofra para que eu possa me sentir melhor. Como Jesus pergunta, a propósito da crucificação: “Podes acreditar que teu Pai realmente pensa dessa forma?” (T-3.I.2:8). Sob esse pensamento insano está a necessidade do ego de tornar o pecado real, e depois fazer com que pareça que é o plano de Deus que nós expiemos por ele através do sofrimento e do sacrifício. Nessa lição nós encontramos outra forma na qual Jesus corrige esse pensamento equivocado. (2:1-3) Se o pecado é real, então a punição é justa e não se pode escapar. Dessa forma, a salvação só pode ser comprada através do sofrimento. A frase, “Se o pecado é real”, é um motivo recorrente através de toda essa lição, e você vai perceber que essa passagem reflete a segunda e terceira leis do caos do ego (T-23.II.4-8). A Expiação agora vem por satisfazermos a vingança de Deus, a qual, desnecessário dizer, é projeção do ego. Sempre que existe uma situação onde alguém vence e outro perde, você sabe que a mão do ego está nela, expressando seu sistema de pensamento de dor, sofrimento e perda. (2:3-4) Se o pecado é real, a felicidade tem que ser uma ilusão, pois ambos não podem ser verdadeiros. Essa é outra manifestação do princípio tudo ou nada, nosso Nível Um: apenas Deus é real. Se a dor e o pecado são reais, Deus não é. Se Ele for equacionado com felicidade, o que é real, não pode haver pecado. Como podemos ser felizes se acreditamos ter assassinado Deus, roubado Seu tesouro, fugido para escapar da Sua ira, e agora passamos o resto de nossas vidas nos escondendo da Sua vingança certa? E dentro do sonho do ego, a vingança é certa, porque nós vemos como todas as coisas vivas morrem. (2:4-5) Os pecadores só autorizam a morte e a dor e é isso o que pedem. Nós sabemos que temos pedido dor e morte porque nossas vidas estão centradas em evitar o sofrimento e se prevenir contra a morte. Nós sonhamos com isso porque isso prova que o pecado é real, dessa forma estabelecendo que o pensamento de separação é real também. Portanto, nós existimos e Deus não, e a morte e a dor se tornam nossas amigas e protetoras. (2:5-8) Pois sabem que isso [dor e morte] espera por eles e os buscará e os achará em algum lugar, em algum momento, de alguma forma que saldará a dívida que têm para com Deus. Essa é uma declaração explícita do sistema de pensamento do ego, revelando por que a vida de todos carrega em si algum aspecto de dor e sofrimento. Ocasionalmente, eles são interrompidos por períodos nos quais pensamos que são felizes e alegres. No entanto, eles duram pouco, porque a morte está sempre na próxima esquina. Não importando o quanto pensemos que nossas vidas têm sido felizes, a morte é o fim certo. Enquanto acreditarmos que somos pecadores, vamos acreditar que merecemos a punição da morte. Portanto, somos atraídos ao pecado e à culpa – e, não se engane, todos nós fazemos as próprias coisas que nos tornam culpados – porque isso prova que nós existimos. Os primeiros três obstáculos à paz expressam convincentemente nossa atração pelo sistema de pensamento de culpa, dor e 85


morte do ego (T-19.IV-A-C). O terror que golpeia nossos corações, então, é: Quem eu seria sem minha culpa e meu pecado? Mas nosso medo da punição garante que esse sistema de pensamento de culpa e pecado continue intacto, assim como nossa identidade egóica. (2:8-9) No medo que sentem querem escapar de Deus. Mas mesmo assim, Deus os perseguirá e não podem escapar. Como um Filho, nós tentamos escapar do medo da punição de Deus na mente, fazendo um mundo e um corpo nos quais nos escondermos. Uma vez aqui, no entanto, nós apenas reencenamos o pensamento de separação em nossas vidas individuais, como expresso nessa linha freqüentemente citada: A cada dia e em cada minuto de cada dia e em cada instante que cada minuto contém, tu apenas revives o único instante em que o tempo do terror tomou o lugar do amor (T-26.V.13:1-3). Nós temos a esperança irrealizável de que provaremos que Deus está errado e não vai ter que nos punir. No sistema do ego, no entanto, Deus está sempre certo porque nós morremos, o que é prova da sua vingança justificada: nosso assassinato nas mãos de Deus é merecido por causa do nosso pecado. Na análise final não existe escapatória, como está expresso nessa passagem evocativa do manual, já parcialmente citada: Como é possível que essa batalha desigual seja resolvida? Seu fim é inevitável, pois seu resultado tem que ser a morte... E agora não há nenhuma esperança. A não ser matar. Aqui está a salvação agora. Um pai enraivecido persegue seu filho culpado. Matar ou ser morto, pois a escolha está apenas nisso. Além dessa, não há nenhuma, pois o que foi feito não pode ser desfeito. A mancha de sangue nunca pode ser removida e qualquer um que carregue essa mancha em si mesmo não pode deixar de encontrar a morte (MP-17.6:1-2; 7:7-13). Lembrem-se da maravilhosa passagem no texto (T-4.V.4), já discutida, onde Jesus expõe a insanidade do ego que nos diz que nós – mentes dirigidas pela culpa – deveríamos fazer um corpo para escapar da morte certa nas mãos de Deus. Nós então vivemos no corpo, esquecendo como e por que o fizemos, e acabamos morrendo de qualquer forma. Pelo fato de termos esquecido as origens do corpo, não temos outro recurso a não ser aceitar a inevitabilidade da morte. A única escapatória verdadeira – mudar nossas mentes – tem sido negada a nós pela engenhosidade da estratégia do ego de nos tornar sem mente. O importante nisso tudo, é claro, é que nós estamos no corpo porque acreditamos no ego, que mentiu. Ele nos disse que iríamos nos salvar se fizéssemos um corpo. Nós agimos de acordo com isso, mas embora talvez estejamos salvos por alguns poucos anos, a vulnerabilidade inerente ao corpo torna nosso fim moribundo inevitável. Em todo o Um Curso em Milagres, Jesus espera que vejamos através das ilusões do ego e percebamos que tudo o que ele nos diz não é verdadeiro. Isso significa que tudo o que o mundo nos diz não é verdadeiro também, pois o mundo não é nada mais do que a forma projetada do sistema de pensamento do ego. Somente através da visão de Jesus sobre a verdade, poderemos escapar do círculo amargo de vida e morte do ego. Nosso conjunto de temas e variações continua com o tema da lição: (3:1) Se o pecado é real, a salvação tem que ser dor. Essa é a essência da terceira lei do caos: Não pode haver nenhuma liberação, nem é possível escapar. Assim a Expiação vem a ser um mito e a vingança, não o perdão é a Vontade de Deus (T-23.II.8:1-3). 86


Na insanidade do ego, a Vontade de Deus é que nós soframos dor, satisfazendo a exigência da Sua ira vingativa. Quando essa necessidade insaciável de punição for aplacada, a dor se tornará, em Sua “misericórdia”, o meio da nossa salvação. As próximas linhas continuam com esse tema: (3:1-6) A dor é o custo do pecado e não se pode nunca escapar do sofrimento, se o pecado é real. A salvação tem que ser temida, pois ela matará, porém lentamente, privando-te de tudo antes de consentir em oferecer o privilégio bem-vindo da morte à vitimas que são pouco mais do que ossos antes da salvação ser aplacada. Isso descreve a vida no corpo. Alguns parecem escapar com menos dor do que outros, porque eles morrem instantaneamente no auge da suas vidas, tendo sofrido minimamente. No entanto, o mundo os pranteia como se fossem ainda mais vitimados, porque suas vidas foram cruelmente ceifadas aos quarenta, em vez de aos oitenta anos. No final, mais uma vez, todos morrem, que é o motivo pelo qual não há esperança. Os leitores podem se lembrar dessa descrição sobre o sonho do mundo, no texto, que é similar à linha 3, acima: Um irmão separado de ti, um antigo inimigo, um assassino que te assalta no meio da noite e planeja a tua morte, no entanto, a planeja de forma lenta, demorada – é com isso que sonhas (T-27.VII.12:1-3). Além disso, uma vez que nossos corpos são simplesmente microcosmos do mundo, se nós morremos, o mundo físico no final também vai morrer. Na verdade, é isso o que os cientistas nos dizem, embora datem seu fim para daqui a milhões, senão bilhões, de anos. Tudo isso é parte do mesmo sistema de pensamento, no entanto. Quando você perceber que o tempo é uma ilusão, não importa se você vive durante um ano, noventa, ou cem bilhões de anos; no final, sua pequena vida vai terminar, o que demonstra que ela não pode ter sido vida verdadeira - a qual, vindo de Deus, é eterna. Lembrem-se, novamente, dessas linhas importantes: Não há vida fora do Céu. Onde Deus criou a vida, lá ela tem que estar. Em qualquer estado à parte do Céu, a vida é ilusão. Na melhor das hipóteses, parece vida; na pior, parece morte. No entanto, os dois são julgamentos sobre o que não é vida, são iguais na sua falta de acuidade e de significado. A vida fora do Céu é impossível e o que não está no Céu não está em lugar nenhum (T-23.II.19:1-6). Nada disso faz sentido a menos que você se lembre de que sua identidade é encontrada dentro da mente e não no corpo. Sendo uma ilusão, o corpo não pode nascer, e, portanto, não pode morrer. (3:6-7) A sua ira é sem limites, sem misericórdia, mas totalmente justa. Esse mundo é cruel, mas o ego nos diz que a dor que sentimos é justificada por causa do nosso pecado - a crença teimosa em que estamos certos e Deus está errado. Com cada inspiração que tomamos, portanto, afirmamos nossa existência física e o pecado contra Deus. Uma vez que a culpa e o pecado exigem punição, estamos justificados em nosso sofrimento. Portanto, é impossível acreditar que Deus quer nossa felicidade. Isso significa que enquanto nós acreditamos que existimos como indivíduos, não podemos acreditar que Deus quer que sejamos felizes, apesar do que as religiões do mundo nos dizem. Na verdade, Ele é justo em despejar Sua ira sem limites e sem misericórdia em nome da salvação. Corrigindo essa insanidade, Jesus ensina que a Vontade de Deus para nós é a felicidade perfeita, assegurando 87


que devemos despertar do nosso pesadelo de dor para aprendermos que nossa existência individual não é nada além de um sonho, pois nossa realidade como Cristo é imutável. (4:1-3) Quem buscaria tão selvagem punição? Quem não fugiria da salvação e não tentaria de todas as maneiras abafar a Voz Que a oferece? Uma vez que nós acreditamos que a salvação é morte, por que não iríamos querer fugir de Deus e de Jesus? É por isso que, se entendermos logicamente essas palavras, nenhum cristão poderia jamais verdadeiramente amar seu salvador, porque ele exige sofrimento e sacrifício, julgamento e punição. De fato, Jesus foi a vítima sofredora e sacrifical final, no cumprimento da noção punitiva de justiça de Deus. Quem poderia amar alguém que, representando Deus, quer a nossa morte? Além disso, essa morte, se for realmente redentora, precisa ser dolorosa. No entanto, a situação fica pior: como não podemos tolerar a culpa em relação ao nosso pecado de não amar Jesus, nós a reprimimos, levando inevitavelmente à sua projeção. Assim culpa é o nome do jogo do ego. Quanto mais culpados nos sentimos, mais fechados nos tornamos, e maior nossa necessidade de negar nosso pecado e culpar os outros, até e incluindo Deus e Jesus. Essas dinâmicas insanas se tornam o meio de abafar a Voz de Deus. Não é de se espantar, então, que não exista esperança no mundo. (4:3) Por que alguém tentaria escutar e aceitar a Sua oferta? Isso explica o uso que Jesus faz das metáforas para descrever o Amor de Deus. Nós acreditamos que Sua Vontade para nós é a perfeita miséria e morte, portanto, dirigindo-se a nós no nível de aterrorizadas criancinhas que têm que fugir de casa, Jesus diz: “Não tenha medo. Papai não está zangado com você. Sua Vontade amorosa para você é a perfeita felicidade”. Dessa forma, ele desfaz o mito odioso de punição do ego, substituindo-o por um conto gentil de perdão. Isso explica lições como essa, que contrariam a visão que o ego tem de Deus, que inevitavelmente nos leva a nos afastarmos da Sua Voz amorosa e benigna de salvação. (4:4-8) Se o pecado é real, a oferta da salvação é a morte, imposta de forma cruel à altura dos perversos desejos nos quais o pecado nasceu. Se o pecado é real, a salvação veio a ser o teu amargo inimigo, a maldição de Deus sobre ti que tem crucificado o Seu Filho. Essas declarações oferecem um resumo maravilhoso do sistema de pensamento do ego, e, portanto, do sistema do mundo. Sua lógica é irrefutável, uma vez que nós rejeitamos a premissa básica de que o amor de Deus é um amor de unicidade não-dualista. Pecado, punição e crueldade não têm lugar em um sistema de pensamento assim, mas certamente têm no sistema de pensamento substituto do ego, fundado na premissa de que o amor de Deus é de separação. (5:1-4) Hoje precisas dos períodos de prática. Os exercícios ensinam que o pecado não é real, e tudo o que acreditas que não pode deixar de vir do pecado nunca acontecerá pois não tem nenhuma causa. Nós vemos aqui outra articulação do princípio de causa e efeito. O mundo físico, com suas dores e sofrimento, alegrias e felicidade, é o produto do pecado. Se nós aprendermos que o pecado não é real – porque nós nunca nos separamos do Amor de Deus -, devemos ter desfeito a causa; e, sem uma causa, não pode haver efeito. No entanto, se nós nutrimos os efeitos (culpa, medo e dor), estaremos afirmando a causa (pecado), que nós queremos porque ela garante nossa existência.

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(5:4-6) Aceita a Expiação com a mente aberta que não alimenta nenhuma crença remanescente de que tens feito um demônio do Filho de Deus. Em lições subseqüentes, vamos ver esse tema importante da mentalidade aberta, uma reminiscência da décima característica dos professores avançados de Deus (MP-4.X). Isso é alcançado liberando a algazarra do ego que nós colocamos em nossas mentes para banir a Expiação. O cerne dessa algazarra é a culpa, que realmente tem “feito um demônio do Filho de Deus”. No entanto, liberando a culpa, o Filho de Deus é redimido; restaurado à sua Identidade final como Cristo. (5:6-8) O pecado não existe. Hoje praticaremos esse pensamento com a maior freqüência possível, pois é a base da idéia para o dia de hoje. A forma de você praticar é estar ciente de todos os pecados percebidos – em você mesmo e nos outros – e de como você os nutre. Não importa quem você ataca – a si mesmo ou aos outros -, pois é a mesma coisa, como vemos nessa declaração importante do texto, parte da qual já citamos: ... à medida em que a acusação é retirada do que está fora, há uma forte tendência a ancorá-la no que está dentro. É difícil, à primeira vista, reconhecer que isso é exatamente a mesma coisa, pois não há nenhuma distinção entre o que está dentro e o que está fora. Se os seu irmãos são parte de ti e tu os acusas da tua privação, estás acusando a ti mesmo. E não podes acusar-te sem acusá-los. É por isso que a acusação tem que ser desfeita e não vista em outro lugar. Se a colocas em ti mesmo, não poderás conhecer a ti mesmo, pois só o ego acusa de qualquer forma que seja. Autoacusação, portanto, é identificação com o ego, e isso é tanto uma defesa do ego quanto acusar os outros (T-11.IV.4:7-12; 5:1-7). Qualquer coisa que torne o pecado real é nutrida pelo ego, quer seja vista em si mesmo ou em outro. O perdão, no entanto, desfaz todo pecado e ataque como um só. (6:1-2) A Vontade de Deus para ti é a felicidade perfeita, porque o pecado não existe e o sofrimento não tem causa. Novamente, se estamos com dor, é porque nós queremos sua causa. Nós não nos importamos com o sofrimento como tal, mas com o propósito ao qual ele serve. A fonte da dor não tem nada a ver com as causas que identificamos, mas com a crença em nossa existência, definida pelo ego como pecado. Reforçando essa crença está o propósito do ego, pois isso nega que a Vontade de Deus para nós é felicidade perfeita. (6:2-4) A alegria é justa e a dor é apenas o sinal de que tens te compreendido equivocadamente. Quando nos sentimos transtornados ou doentes, devemos dar um passo atrás e dizer: “Isso não é provocado pelas razões que imagino, mas por eu ter acreditado que um Deus irado ia me punir pelo meu pecado. Eu simplesmente cometi um equívoco e escolhi o professor errado. Um Curso em Milagres me oferece o Professor certo, Cuja mensagem de impecabilidade eu agora aceito alegremente”. Como é simples a salvação! (6:4-6) Não tenhas medo da Vontade de Deus. Mas volta-te para ela, confiante de que ela te libertará de todas as conseqüências que o pecado forjou na tua imaginação febril. 89


Sempre que estivermos com medo, é por que, em última instância, vimos em outra pessoa uma imagem do Deus que secretamente tememos. Todos sofrem de algum problema de autoridade; no entanto, não são as autoridades terrenas que realmente tememos, mas o Deus que elas simbolizam. Nós acreditamos que esse Deus do ego está determinado a nos punir por causa do nosso pecado de rejeitá-Lo e traí-Lo, abandonando Seu Amor para estabelecer nosso próprio reino de amor especial. Em vez de acreditar nessas mentiras febris, deveríamos dizer: (6:7-8) A Vontade de Deus para mim é a felicidade perfeita. O pecado não existe, ele não tem conseqüências. Nós queremos sempre demonstrar – para nós mesmos, para o mundo e para Deus – que o pecado tem uma conseqüência, e que a conseqüência sou eu. Eu olho no espelho todas as manhãs e vejo a conseqüência, os efeitos físicos do meu pecado. Eu então atravesso meu dia provando que isso é verdade. Se eu for culpado pelo que estou fazendo, provo a realidade do pecado por projetá-lo nos outros. De qualquer forma, eu existo, e a Vontade de Deus para Seu Filho é a miséria perfeita. É nossa percepção do nosso irmão que nos capacita a ver como percebemos Deus. Essa passagem já citada do texto ilustra esse fato perceptual: Ele [nosso irmão] representa o seu Pai, Que tu vês como Aquele Que te oferece ambas, vida e morte. Irmão, Ele dá só a vida. Entretanto, o que vês como as dádivas que o teu irmão te oferece representa as dádivas que sonhas que o teu Pai te dá (T-27.VII.15:9-11; 16:1-3). Assim é o perdão aos outros que nos permite perdoar Deus. Além da nossa crença do pecado repousa a visão do Espírito Santo sobre Cristo – para ser visto primeiro em outra pessoa, e depois em nós mesmos – pacientemente aguardando nossa aceitação. (6:9-12) É assim que deves iniciar os teus períodos de prática e, em seguida, tentar achar mais uma vez a alegria que estes pensamentos introduzirão na tua mente. A maneira de nós “acharmos alegria” é olhando de forma diferente para o mundo ao nosso redor, mais especialmente para os nossos relacionamentos. Em vez de nos focalizarmos em buscar felicidade à custa de outra pessoa – a Vontade de Deus, de acordo com o ego: sacrifício é salvação e, portanto, felicidade -, vemos todas as situações como oportunidades para aprender o perdão, cujo cerne é a percepção de que os Filhos de Deus compartilham as mesmas necessidades e interesses. Nessa visão é encontrada a verdadeira alegria. (7) Dá estes cinco minutos com contentamento a fim de remover a pesada carga que depositaste sobre ti mesmo com a crença insana de que o pecado é real. Hoje escapa da loucura. Estás na estrada da liberdade, e agora a idéia de hoje te dá asas para que avances com maior velocidade e com esperança de ires ainda mais rápido em direção à meta da paz que te espera. Não existe nenhum pecado. Lembra-te disso hoje e dize a ti mesmo sempre que puderes: A Vontade de Deus para mim é a felicidade perfeita. Essa é a verdade porque o pecado não existe. Se não existe pecado, ninguém é culpado e todos estão equivocados. Lembre-se de que o que é verdadeiro para um, tem que ser verdadeiro para todos. Essa é a lição de Jesus: o Filho de Deus é um, e diferenças não existem, exceto na mente insana que precisa que alguém vença e outro perca. Se “a Vontade de Deus para mim é a felicidade perfeita”, precisa ser assim para todos. Só isso é a verdade, e só esse é o caminho que leva do aprisionamento para a liberdade, do conflito para a paz, do ódio para o amor. Assim, nós alegremente aprendemos que a Vontade de Deus é a nossa própria também. 90


LIÇÃO 102 Eu compartilho a Vontade de Deus de felicidade para mim. Continuando com a lição anterior, Jesus se dirige especificamente à idéia de sofrimento. (1:1) Tu não queres sofrer. Esse obviamente não é o caso, porque, do início ao fim, nossas vidas são cheias de sofrimento. Se esse é o nosso sonho, a quem podemos culpar além de nós mesmos, o sonhador do sofrimento? Portanto, uma afirmação como essa é o apelo de Jesus para mudarmos nossas mentes. Como sempre, o você ao qual ele se dirige é o tomador de decisões, e ele está realmente nos dizendo: “Sim, você realmente quer sofrer, mas você pode aprender que não vale a pena. Eu, portanto, lembro-o de liberar sua culpa e sua crença no pecado”. Como ele diz depois: “vinde com mãos totalmente vazias ao teu Deus” (LEpI.189.7:5). Nesse sentido, então, não vamos sofrer, pois sem culpa não pode haver sofrimento. (1:1-3) Podes pensar que o sofrimento te compra alguma coisa, talvez ainda acredites um pouco que ele te compra o que queres. O sofrimento, infelizmente, nos compra muito, o que podemos ver de três formas: 1) O sofrimento indeniza Deus para que Ele não nos mate, vendo-nos já concordando com uma pequena forma de morte (T-27.I.4:8). Em outras palavras, ele diz a Deus que Ele não precisa Se preocupar com nossa punição, pois estamos cuidando do assunto por nós mesmos. Portanto, esperamos ter sucesso em barganhar com nosso Juiz, escapando com uma sentença fácil: ... a enfermidade é uma forma de mágica. Poderia ser melhor dizer que é uma forma de solução mágica. O ego acredita que punindo-se vai atenuar a punição de Deus (T-5.V.5:4-7). 2) O sofrimento prova que outros fizeram isso conosco; nós somos as vítimas e eles os vitimadores. Portanto, eles merecem punição ao invés de nós. Isso vale quer estejamos falando de uma pessoa que acusamos de ter nos magoado, ou de um microorganismo que nos deixa doentes. Não importando a forma, o inimigo é externo às nossas mentes, merecendo punição e derrota: Mas toda dor que sofres, vês como prova de que ele é culpado do ataque. Assim, queres fazer de ti mesmo o sinal de que ele perdeu a sua inocência e só precisa olhar para ti para reconhecer que foi condenado. E o que foi injusto para ti, virá a ele em forma de justiça. A vingança injusta da qual agora sofres pertence a ele, e quando ela pousar sobre ele, tu te libertarás (T-27.I.2:2-7). 3) O sofrimento prova que nós somos corpos, e, se é assim, estamos certos, e Deus e Jesus estão errados. Na verdade, se estamos certos, Deus nem mesmo existe de forma alguma: ... a doença é uma escolha, uma decisão... um método concebido na loucura, para colocar o Filho de Deus no trono do Pai. Deus é visto como estando do lado de fora, 91


feroz e poderoso, ansioso por manter todo o poder para Si Mesmo. Só através da Sua morte, é possível que Ele seja conquistado por Seu Filho (MP-5.I.1:5,8-12). A dor é um sinal de que as ilusões reinam no lugar da verdade. Demonstra que Deus é negado, confundido com o medo, percebido como louco e visto como traidor para com Ele Mesmo. Se Deus é real, não há dor. Se a dor é real, não há Deus. Pois a vingança não faz parte do amor. E o medo, negando o amor e usando a dor para provar que Deus está morto, demonstrou que a morte é dona da vitória sobre a vida. O corpo é o Filho de Deus, corruptível na morte, tão mortal quanto o Pai que ele matou (LE-pI.190.3). Enquanto acreditarmos que a doença e o sofrimento nos trazem a inocência e a vida que queremos, não vamos ter motivação para liberá-los. (1:3-5) Mas agora essa crença certamente já está abalada, pelo menos o suficiente para deixar que tu a questiones e suspeites que, na realidade, não faz sentido. Jesus não está nos pedindo para liberarmos nosso sistema de pensamento, mas apenas para iniciarmos o processo de questioná-lo. É realmente melhor para mim me agarrar a esses “pecados secretos e ódios ocultos” (T-31.VIII.9:2)? Manter essas mágoas? Insistir em que atender às necessidades do meu especialismo – quer seja com uma pessoa, objeto ou substância – vai me dar o que eu quero? Depois de algum tempo, nada das coisas do mundo nos dá o que queremos, ou realmente nos faz felizes. Nós pensamos que elas traziam alívio da dor ou da culpa, mas tudo a que elas levaram foi ao aumento da culpa, dessa forma revelando o propósito do ego desde o início. (1:5-7) Ainda não desapareceu por completo, mas te faltam as raízes que outrora a mantinham firme nos lugares secretos, ocultos e escuros da mente. Jesus está nos dizendo: “Eu não estou esperando que você fique livre do sofrimento. Na verdade, eu sei que ele ainda não foi embora. No entanto, estou pedindo a você para ser aberto, permitindo-me pelo menos ajudá-lo a questionar a validade do seu estilo de vida”. A palavra “secretos” aqui tem a conotação de culpa, que grita: “Mantenha seu pecado secreto, e não olhe”. Os lugares secretos das nossas mentes são onde nos agarramos à nossa culpa, nos túmulos amortalhados que impedem que a luz de Deus jamais entre: E nesses túmulos amortalhados todos os seus pecados e os teus são preservados e mantidos na escuridão aonde não podem ser percebidos como erros, o que a luz seguramente mostraria (T-31.V.6:7-10). O poema em forma de prosa de Helen abaixo, “As Dádivas de Deus”, termina com um inspirador chamado do próprio Deus para abrirmos esses túmulos, por trás dos quais, Seu Amor foi mantido secreto: Abra a porta defronte ao lugar oculto, e permita que Eu resplandeça sobre um mundo tornado feliz, em súbito êxtase (As Dádivas de Deus, p. 128). Ao mesmo tempo em que Jesus nos diz que ele sabe que estamos nos agarrando ao sofrimento, ele diz: “Pelo fato de você ter vindo tão longe comigo, já demos um grande passo em direção a questionar seu sistema de pensamento. Portanto, não diga que você não pode liberá-lo, porque você já está bem adiantado no processo”. No entanto, quando topamos com a parede de pedra de pecado e culpa, dizemos que o Um Curso em Milagres é impossível de 92


aprender e que não podemos fazê-lo. Essa, então, se torna nossa justificativa para voltamos para nossos velhos “amigos”, os relacionamentos especiais. No entanto, Jesus não se engana com isso, e reitera sua mensagem a nós: “Você já sabe mais do que pensa, pois percebe que o especialismo não funciona. Você ainda pode se agarrar à necessidade de sofrer, mas outra parte sua se fortaleceu o suficiente para que possa pelo menos dar um passo atrás e questionar comigo o que você está fazendo”. (2:1-3) Hoje, tentamos soltar ainda mais o seu jugo enfraquecido e reconhecemos que a dor não tem propósito, não tem causa e nenhum poder para realizar coisa alguma. Nós voltamos ao princípio de causa-e-efeito. “A dor não tem propósito” porque nós agora percebemos que nosso propósito – nos mantermos separado de Deus – não faz sentido. Uma vez que o propósito se vai, ele não pode ter efeitos. Assim, a dor é enfraquecida, e eventualmente negada. (2:3-4) Ela não pode comprar absolutamente coisa alguma. O ego nos diz que nossa dor compra muita coisa – expiação e salvação – e Jesus está esperando que reconheçamos que a dor e o sofrimento não compram nada. Eles só nos deixam transtornados e mais cheios de dor. Claramente, quanto mais sofremos, maior nossa necessidade de salvação. O problema é que nós com freqüência acabamos olhando no lugar errado: na expiação, punição e dor. (2:4-7) Não oferece nada e não existe. E tudo o que pensas que ela te oferece carece de existência assim como ela. Tens sido escravo do nada. Sê livre, hoje, para unir-te à feliz Vontade de Deus. O problema em aceitar essa declaração é que, se a dor não existe, também não existe meu corpo que sofre com ela, nem o pensamento de individualidade que o meu corpo representa. O medo de perder esse ser perpetua o ato de nos agarrarmos às nossas defesas mal-adaptadas, tais como a dor e o sofrimento. Na verdade, não existe nada nos impedindo de nos unirmos “à feliz Vontade de Deus”, simbolizada para nós por Jesus. Nós temos sido “escravos do nada”, significando que temos sido escravizados por nossa própria decisão errada, que não teve efeitos. Sem efeitos, não pode haver causa; e sem uma causa, a dor não existe. (3:1-3) Durante vários dias, continuaremos a dedicar os nossos períodos de prática a exercícios planejados para ajudar-te a alcançar a felicidade que a Vontade de Deus colocou em ti. Esses exercícios nos ajudam a atingir a meta da felicidade, ajudando-nos a desfazer as interferências – dor, culpa e especialismo – que colocamos entre nós e o alcance da meta. (3:3-5) Aqui é o teu lar e aqui está a tua segurança. Aqui está a tua paz, aqui o medo não existe. Aqui está a salvação. Aqui está enfim o descanso. Aqui representa a mente certa, onde nós nos unimos a Jesus, e alegremente olhamos com ele para o sistema de pensamento do ego e o questionamos. Nós olhamos sem julgamento e sem culpa; mas nós olhamos. Em outras palavras, nós desfazemos os véus que mantêm nossa culpa em segredo. Lembre-se, segredo e culpa são o mesmo, pois a culpa não pode habitar na luz da nossa consciência. Quando trazida à impecabilidade mantida para nós pelo Espírito Santo, a culpa não pode mais ser protegida pelas escuras sentinelas da defesa. E então, ela desaparece: 93


A luz serena na qual o Espírito Santo habita dentro de ti é simplesmente a perfeita abertura, na qual nada está escondido e assim nada é amedrontador... Não existe escuridão que a luz do amor não dissipe, a não ser que seja escondida da beneficência do amor. O que é mantido à parte do amor não pode compartilhar o seu poder de cura, porque tem estado separado e mantido nas trevas. As sentinelas das trevas o vigiam cuidadosamente, e tu, que fizeste esses guardiões de ilusões a partir do nada, agora tens medo deles... Mas deixa-os ir e o que era amedrontador não mais o será. Sem a proteção da obscuridade, só a luz do amor permanece pois só isso tem significado e pode viver na luz. Tudo o mais tem que desaparecer (T14.VI.2:1-3,4-10; 3:6-9). Quando as ilusões de defesa se forem, a felicidade finalmente vem para substituir nossa dor. (4) Começa os períodos de prática de hoje com essa aceitação da Vontade de Deus para ti: Eu compartilho a Vontade de Deus de felicidade para mim, e a aceito como minha função agora. Em seguida busca essa função no fundo da tua mente, pois ela está lá, esperando apenas a tua escolha. Não podes falhar em achá-la quando aprenderes que ela é atua escolha e que compartilhas a Vontade de Deus. Nós nos empenhamos para nos lembrarmos com tanta freqüência quanto pudermos de que a nossa função de perdão espera nossa decisão, pois só então poderemos encontrar a felicidade que merecemos, como o Filho de Deus. O sofrimento não é a Vontade de Deus, mas sua distorção. No entanto, vinda simplesmente da nossa escolha equivocada, a dor é facilmente corrigida. (5) Sê feliz, pois a tua única função aqui é a felicidade. Não tens nenhuma necessidade de ser menos amoroso para com o Filho de Deus do que Aquele Cujo Amor o criou tão amoroso quanto Ele Mesmo. Além destes períodos de repouso de cinco minutos a cada hora, faze pausas freqüentes, hoje, para dizer a ti mesmo que agora aceitaste a felicidade como tua única função. E estejas certo de que, ao fazê-los, estás te unindo à Vontade de Deus. Nós realmente merecemos ser felizes, e é isso o que precisamos nos lembrar durante o dia todo. Também precisamos não nos esquecer de que a felicidade tem que ser compartilhada com todos, de outra forma, ela não pode expressar a Unicidade da Vontade de Deus. Uma vez que o Filho de Deus é um, sua felicidade também precisa ser uma.

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LIÇÃO 103 Deus, sendo Amor, é também felicidade. Essa lição continua com o tema da felicidade, mas Jesus se focaliza também no medo, o oposto do amor. Nós precisamos desfazer nosso investimento no medo antes de podermos experimentar o amor e encontrar a felicidade que buscamos. (1:1-2) A felicidade é um atributo do amor. Não pode estar à parte dele. Nem pode ser experimentada onde o amor não existe. O amor não é desse mundo, nem do corpo. Na verdade, o mundo foi feito para excluir Deus e Seu Filho: O mundo foi feito como um ataque a Deus. Ele simboliza o medo. E o que é o medo senão ausência de amor? Assim, o mundo foi feito para ser um lugar em que Deus não pudesse entrar e no qual o Seu Filho pudesse estar à parte Dele (LE-pII.3.2:14). E o corpo, para ser a limitação do amor: É apenas a consciência do corpo que faz o amor parecer limitado. Pois o corpo é um limite para o amor. A crença no amor limitado foi a sua origem e ele foi feito para limitar o ilimitado. Não penses que isso é apenas alegórico, pois ele foi feito para limitar a ti (T-18.VIII.1:1-5). Portanto, não é no corpo nem no mundo que vamos encontrar amor e felicidade. Nessas sentenças iniciais da lição, Jesus desfez o sistema de pensamento de especialismo do ego, que mantém que o amor é possível aqui, e sempre pode ser comprado por um preço. Isso não significa que você deveria se sentir culpado quando se sentir atraído por coisas do mundo e pelo corpo, vendo-os como fontes de felicidade ou paz. No entanto, Jesus está pedindo que você dê um passo atrás com ele, em relação ao mundo, e perceba que no fim, essas coisas não vão lhe dar o que você quer. Elas podem lhe dar o que você pensa que quer, mas não o que você realmente quer. É aí que entra a honestidade que é tão importante para nosso progresso no Um Curso em Milagres. Nós precisamos estar abertos sobre termos estado errados no especialismo que pensamos querer e ao qual dedicamos nossas vidas para alcançar. (1:2-6) O amor não tem limites, estando em todos os lugares. Portanto, a alegria também está em todo lugar. Mas a mente pode negar que isso é assim, acreditando que há brechas no amor nas quais o pecado pode entrar trazendo dor ao invés de alegria. Dentro do sonho, a mente é capaz de fazer ilusões, nas quais o tomador de decisões escolhe o ego e torna a separação e a individualidade reais. Essa é a brecha, onde o ego coloca o pecado. O mundo se torna o meio de evitar a dor de voltarmos para nossa mente e olharmos para essa brecha, pois nos é dito que o amor e a felicidade podem ser encontrados aqui, se apenas não olharmos para lá. O ego nos diz depois que ir para dentro vai levar à destruição certa de nós mesmos como punição pelo nosso pecado. Esse medo faz surgir o especialismo, que diz que existe uma brecha entre você e eu, pois somos diferentes. Quer estejamos falando de uma pessoa, animal, planta, objeto, dinheiro ou substância viciante, o especialismo nos ensina que existe algo no mundo que pode nos fazer felizes. A Vontade de 95


Deus, o amor de Jesus, o perdão do Espírito Santo não podem fazer isso, mas essa pessoa ou coisa especial pode. Assim, a brecha aparente entre nós é preenchida. No entanto, o tempo todo, a verdadeira brecha em nossas mentes – entre nós mesmos e Deus – permanece não curada. (1:6-10) Essa estranha crença quer limitar a felicidade, redefinindo o amor como algo limitado e introduzindo uma oposição naquilo que não tem limites, nem opostos. A estranha noção que o ego tem do amor – amor especial – é que é limitada a certas pessoas, lugares, coisas e eventos, mas não está disponível para todos; apenas para aqueles seres especiais que atendem às minhas necessidades. O ego me diz que você tem o que me falta, o que eu preciso para ser completo – a definição de amor especial -, e a razão pela qual você tem algo especial que eu não tenho é que você o tirou de mim. Portanto, você e eu existimos em um estado perpétuo de oposição – o princípio do um ou outro. A já mencionada quarta lei do caos resume a situação: O ego só valoriza aquilo que ele toma dos outros. Isso conduz à quarta lei do caos, que, se as outras forem aceitas, não pode deixar de ser verdadeira. Essa lei aparente é a crença segundo a qual tens aquilo que tomaste de outros. Através disso, a perda do outro vem a ser o teu ganho... Inimigos não dão voluntariamente um ao outro e nem buscariam compartilhar as coisas que valorizam. E o que os teus inimigos querem afastar de ti tem que valer a pena possuir, já que eles o esconderam da tua vista. Todos os mecanismos da loucura são vistos emergindo aqui: o “inimigo” que se faz forte por manter oculta a herança valiosa que deveria ser tua; a tua posição que é justificada assim como o ataque pelo que foi mantido à parte de ti, e a perda inevitável que o teu inimigo não pode deixar de sofrer para te salvar (T-23.II.9:1-5,811; 10:1-5). Portanto, estamos continuamente em conflito uns com os outros, e com o mundo. Eu sempre preciso conseguir a coisa especial de fora, que está faltando em mim e que eu secretamente acredito ser minha. Além disso, eu sei que você não vai me dar isso a menos que eu pague por ela, o que significa que você e eu, novamente, estamos em um perpétuo estado de guerra: eu, injustamente, tenho que pagar a você pelo que secretamente acredito me pertencer; e você acredita que a mesma injustiça existe para você. Quando essa barganha insana é encenada com Deus, assume a forma de pagarmos a Deus pelo nosso pecado, alcançando a salvação através de uma vida de sofrimento que acreditamos que Ele exige de nós. (2:1-2) Assim, o medo é associado ao amor e os seus resultados vêm a ser a herança de mentes que pensam ser real o que têm feito. O medo é associado ao amor porque nós acabamos acreditando que se não dermos a Deus o que Ele nos pede, seremos destruídos. Uma das razões pelas quais a Bíblia foi escrita foi para preservar o insano pensamento do ego, pois ela fala em termos nada incertos sobre as exigências de Deus. Na verdade, é impossível lê-la e não acabar se sentindo aterrorizado. Énos dito, de muitas formas, que se cruzarmos a linha imaginária de Deus na areia, tornandonos bodes expiatórios em vez de ovelhas, seremos destruídos. Como, então, o medo poderia não estar associado ao amor? O medo leva aos múltiplos efeitos dolorosos de nossas vidas, todos os quais são vivenciados como palpavelmente reais. Assim, nossa existência como indivíduos é reforçada, e tudo o que fizemos aqui também. O medo se tornou realidade porque nosso pecado se tornou 96


realidade. O pecado exige punição; e punição significa que nosso medo é justificado. Nossos corpos vulneráveis e dirigidos pelo medo apenas testemunham a realidade dessa insanidade. (2:3-5) Essas imagens, que na verdade não têm nenhuma realidade, dão testemunho do medo de Deus, esquecendo de que sendo Amor, Deus tem que ser alegria. Se nós formos honestos conosco, vamos perceber que nossas vidas não são felizes. Quaisquer alegrias que pensemos poder roubar dos outros, ou de coisas no mundo, nunca duram. Isso deveria nos dizer, se tivermos realmente a mente aberta, que essa vida de alternar alegria e dor, com ênfase maior colocada na última, não pode ser de Deus porque Sua alegria é eterna. Ela não aumenta e diminui com as vicissitudes do mundo. (2:5-8) Hoje tentaremos mais uma vez trazer esse erro básico à verdade, ensinando a nós mesmos: Deus, sendo Amor, é também felicidade. Temê-Lo é ter medo da alegria. Jesus nos diz: “Não me diga que você ama Deus. Se amasse, ainda estaria com Ele. Se você pensa que está aqui nesse mundo, é por causa do medo”. É crucial para entender, praticar e viver Um Curso em Milagres que sejamos honestos com Jesus sobre o que está acontecendo dentro de nós, e que deixemos de fingir que podemos guardar segredos dele. Uma vez que ele está dentro de nós, estamos apenas guardando segredos de nós mesmos. Isso nunca vai funcionar, e certamente não vai nos tornar felizes. É por isso que ele nos incita, em palavras que já mostramos: Vigia com cuidado e vê o que é que estás realmente pedindo. Sê muito honesto contigo mesmo nisso, pois é preciso que não escondamos nada um do outro (T4.III.8:1-3). Pensa honestamente no que tu pensaste que Deus não teria pensado e no que não pensaste que Deus teria querido que pensasses. Investiga sinceramente o que fizeste e deixaste de fazer em função disso e, então, muda a tua mente para que ela pense com a de Deus. Isso pode parecer difícil de fazer, mas é muito mais fácil do que tentar pensar em oposição a isso (T-4.IV.2:7-12). O processo de trazer nossos segredos escuros de culpa e medo ao perdão repleto de luz de Jesus é como aprendemos que “Deus, sendo Amor, é também felicidade”. (2:9-11) Começa os teus períodos de prática de hoje com essa associação que corrige a falsa crença de que Deus é medo. Ela também enfatiza que a felicidade te pertence devido ao que Ele é. Vemos novamente a ênfase em desfazer nossas crenças falsas. Essas lições, como já vimos, não são destinadas a serem afirmações que possam ser usadas para silenciar a culpa ou medo do ego, mas para expressar a verdade à qual trazemos nosso falso pensamento. Nessa lição, a falsa crença é o medo; em lições anteriores, foi o sofrimento e a dor. (3:1-2) Permite que essa única correção seja colocada na tua mente a cada hora de vigília no dia de hoje. A correção, através da presença de Jesus, já está em nossas mentes, mas nós precisamos escolher permitir que ela venha à consciência. Nossa culpa, pecado, terror, 97


segredos e especialismo são as maneiras de impedirmos que esse pensamento amoroso seja lembrado. A pequena boa vontade de trazer esses pensamentos secretos a ele – pelo menos uma vez por hora – é tudo o que ele nos pede. (3:2-10) E dá boas-vindas a toda a felicidade que ela traz à medida que a verdade substitui o medo e a alegria vem a ser aquilo que esperas para tomar o lugar da dor. Como Deus é Amor, ela te será dada. Reforça essa expectativa muitas vezes ao longo do dia e aquieta todos os teus medos com essa garantia, benigna e totalmente verdadeira: Deus, sendo Amor, é também felicidade. E é felicidade que eu busco hoje. Não posso falhar porque busco a verdade. O ponto que afirmo de novo e de novo – porque Jesus o afirma de novo e de novo – é o de que essas lições não significam nada se você não aplicá-las. Durante o dia todo, você precisa estar ciente do seu medo – em outros contextos, culpa, infelicidade ou dor -, pois é nesse momento de consciência que você pede ajuda. Novamente, não silencie seu desconforto repetindo o título da lição. Em vez disso, traga seu desconforto àquele que lhe deu essas palavras, para que você finalmente reconheça o substituto esfarrapado que escolheu em seu lugar; um substituto que você não quer mais que tome o lugar da verdadeira felicidade e alegria.

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LIÇÃO 104 Eu busco apenas o que pertence a mim na verdade. Conforme Jesus continua com seu tema de felicidade, ele nos fala especificamente sobre liberarmos o que o ego nos disse que é a verdade, pois só a verdade real vai nos tornar felizes. (1:1-2) A idéia de hoje continua com o pensamento de que a alegria e a paz não são apenas sonhos vãos. Pode ser tentador, enquanto trabalhando com o Um Curso em Milagres, acreditar que quando Jesus fala sobre nossa paz, alegria e felicidade, essas são palavras vãs que soam de forma agradável, mas não funcionam. No entanto, elas não funcionam porque não queremos que elas funcionem. Se fôssemos verdadeiramente pacíficos, alegres e felizes, não mais seríamos os seres miseráveis e vitimados que pensávamos ser. Portanto, somos atraídos a encontrar a culpa em outros, reforçando sua presença em nós mesmos e provando que estamos certos e Jesus errado. (1:2-8) Elas são o teu direito devido ao que és. Elas vêm de Deus Que não pode falhar em te dar o que é a Sua Vontade. Mas, é preciso que haja um lugar que tenha sido aprontado para receber as Suas dádivas. Elas não são bem-vindas com contentamento pela mente que, ao invés disso, recebeu para substituí-las as dádivas que ela mesma fez aonde as Suas devem estar. Essa condição – “Mas é preciso que haja um lugar que tenha sido aprontado para receber as Suas dádivas” – não é algo que Deus ordena; uma condição à qual temos que aderir, de outra forma, Ele não vai nos amar. O fato é que não podemos saber que somos uma criança amada de Deus cujos pecados estão desfeitos enquanto acalentarmos as dádivas que nós fizemos. Em outras palavras, a responsabilidade volta para nós; um tema enunciado de novo e de novo nessa lição. Ela é curta, mas o que vem repetidamente na lição é que para experienciarmos a verdade, primeiro temos que liberar o que acreditávamos ser a verdade. Um Curso em Milagres, portanto, está nos ajudando a restaurar à nossas mentes seu poder de ter escolhido contra Deus, perceber o equívoco, e depois corrigi-lo, escolhendo Jesus como nosso professor. Seu amor nos ensina a trazer nossa auto-imagem ilusória à verdade do que nós somos: o Filho santo de Deus. Jesus continua com o mesmo pensamento: (2:1-3) Hoje queremos remover todas as dádivas auto-fabricadas e sem significado que colocamos sobre o altar santo aonde as dádivas de Deus devem estar. Jesus não pode nos dar as dádivas de amor de Deus até primeiro darmos a ele nossas dádivas de pecado, culpa e especialismo. Nós trocamos as dádivas que fizemos pelo amor que ele guarda para nós. Ele não pode tirá-las de nossas mãos, pois é nossa responsabilidade dálas a ele. É por isso que o perdão não é algo que fazemos, mais do que o perdão é algo que Jesus faz; nós o fazemos juntos. Isso significa que precisamos trazer a ele – na linguagem, mais uma vez, das páginas finais do texto – nossos “pecados secretos e ódios ocultos” (T31.VIII.9:2). Outra passagem adorável de “As Dádivas de Deus” expressa o chamado de Jesus: Abra suas mãos, e dê a mim todas as coisas que você tem mantido contra sua santidade, e conservado como uma calúnia contra o Filho de Deus... Dê-me essas coisas sem valor, no instante em que você as vir através dos meus olhos e 99


compreender seu custo... Eu as recebo alegremente, deixando-as diante das dádivas de Deus, que Ele colocou no altar para o Seu Filho. E essas eu dou a você para tomarem o lugar daquelas que você deu a mim, em misericórdia a si mesmo. Essas são as dádivas que eu peço, e apenas essas. Pois conforme você as deposita ao seu lado, entrega-as a mim, e eu posso então vir como um salvador para você. As dádivas de Deus estão em minhas mãos para dar a qualquer um que queira trocar o mundo pelo Céu. Você precisa apenas chamar o meu nome e me pedir para aceitar a dádiva da dor, de mãos desejosas que iriam depositá-las nas minhas... Em minhas mãos está tudo o que você quer e precisa e espera encontrar entre os brinquedos esfarrapados da Terra. Eu tiro todas de você e elas se vão. E, brilhando no lugar onde uma vez estiveram, existe uma porta para outro mundo, através da qual entramos, em Nome de Deus (As Dádivas de Deus, p. 118, 119). O restante desse parágrafo é uma elaboração das dádivas de Deus para nós, mantidas para nós pelo amor de Jesus: (2:3-6) Suas são as dádivas que herdamos antes que o tempo fosse e que ainda serão nossas quando o tempo tiver passado para a eternidade. Suas são as dádivas que estão dentro de nós agora, pois são intemporais. Essas são as dádivas dentro das nossas mentes adormecidas, que nos lembram da verdade que está lá, ainda que tenhamos fugido dela. Nosso livre-arbítrio dentro do sonho só tem poder dentro do sonho. As dádivas de Deus permanecem do lado de fora, onde nosso ego não tem poder: O Reino é perfeitamente unido e perfeitamente protegido, e o ego não vai prevalecer contra ele (T-4.III1:12). (2:6-7) E não precisamos esperar para tê-las. Elas pertencem a nós no dia de hoje. O cristianismo tradicional, assim como outras religiões, ensina que nós sofremos agora para recebermos o Amor de Deus no tempo que virá, como recompensa por nosso sacrifício. Como sabemos, um tema principal no Um Curso em Milagres é o de que a salvação é agora, uma vez que não existe futuro para o qual precisemos nos preparar: A salvação é imediata... Pois um milagre é agora. Ele já está aqui, em graça presente, dentro do único intervalo de tempo que o pecado e o medo não viram, mas que é tudo o que existe dentro do tempo. A realização de toda correção não toma tempo algum (T-26.VIII.3:1; 5:11-13; 6:1). É apenas nossa culpa, nascida do passado, que exige que paguemos a Deus no “presente” pela esperada promessa de salvação futura. Jesus, no entanto, alegremente nos diz que não precisamos esperar pelas dádivas do Céu (LE-pI.131.6:1); precisamos meramente aceitá-las agora. (3:1-4) Portanto, escolhemos tê-las agora sabendo que, ao escolhê-las no lugar daquelas que fizemos, estamos apenas unindo a nossa vontade à Vontade de Deus e reconhecendo que a mesma é uma só. Jesus novamente enfatiza o papel de escolha de nossas mentes. O foco não está nas dádivas maravilhosas, pois elas não significam nada se não soubermos que podemos escolhêlas. O propósito do Um Curso em Milagres é nos ajudar a escolher essas dádivas, escolhendo contra os substitutos esfarrapados do ego. As palavras que descrevem essas dádivas são 100


adoráveis e confortadoras, mas elas não serão úteis enquanto estivermos inconscientes do nosso medo. Jesus, portanto, nos lembra de que temos medo do amor, e ele nos ensina que é a atração por esse medo, nascida da necessidade de preservar nossa individualidade, que mantém as dádivas de Deus separadas de nós. Uma vez conscientes dessa decisão de ter medo, podemos desfazer nosso equívoco e escolher outra vez, refletindo o reconhecimento de que nossa vontade e a de Deus são uma. (3:4-11) Os nossos períodos de prática mais prolongados de hoje, os cinco minutos a cada hora dados à verdade para a tua salvação, devem começar com o seguinte: Eu busco apenas o que me pertence na verdade, e a alegria e a paz são a minha herança. Então, deixa de lado os conflitos do mundo que oferecem outras dádivas e outras metas feitas de ilusões, testemunhadas por elas e só buscadas num mundo de sonhos. Lembre-se, Jesus não diz que vai tirar nossos conflitos de nós. Em vez disso, temos que deixá-los de lado, o que significa olhar para nossas necessidades de estarmos em conflito e em dor: culpados, zangados e deprimidos. Essas são as atrações secretas do ego, e é nossa responsabilidade escolher atrações diferentes daquelas do especialismo, as “outras dádivas” oferecidas pelo mundo. Agora escolhemos praticar os exercícios que vão restaurar à nossa consciência as verdadeiras dádivas da alegria e da paz – nossa herança -, que alegremente espera por nós. Jesus continua, reiterando o mesmo ponto: (4:1-3) Deixamos tudo isso de lado e buscamos, em vez disso, o que é verdadeiramente nosso à medida que pedimos para reconhecer o que Deus nos deu. A única maneira de eu pedir ajuda para reconhecer a dádiva amorosa de Deus de forma significativa é dizer que quero liberar o especialismo que aceitei em seu lugar. É isso o que Jesus quer dizer mais pra frente, no livro de exercícios, quando fala sobre a paz de Deus: “Dizer essas palavras não é nada. Mas dizê-las com real significado é tudo” (LE-pI.185.1:1-2). Se eu for sério sobre querer estar com Jesus e vivenciar seu amor, preciso querer deixar de lado as exigências do meu especialismo. Ou certamente, como um primeiro passo, tenho que querer reconhecer que essas são as exigências do meu especialismo, cujo propósito é manter o amor do Céu distante. Isso assegura que eu não vou me iludir pensando que realmente quero o amor de Jesus. Eu poderia dizer a ele, por exemplo: “Eu não quero o seu amor ainda; talvez amanhã, mas, por enquanto, quero o meu especialismo. Ele vem primeiro”. Pelo menos essa é uma declaração honesta, que significa que não vai haver culpa. Sem culpa, deixo a porta da minha mente aberta para que Jesus entre e me ajude. Ele diz a mesma coisa na próxima sentença: (4:3-6) Abrimos um espaço santo diante do Seu altar em nossas mentes, onde as Suas dádivas de paz e alegria são bem-vindas e ao qual vimos a fim de achar o que nos foi dado por Ele. O altar é nossas mentes. Sempre que Jesus usa esse termo, pense nele como o tomador de decisões, que pode escolher ter sua mente como um altar do qual escorre sangue – quando ela escolhe adorar o ego -, ou um que irradia o amor e a luz de Deus, quando ela escolhe Jesus como seu professor. Ele, portanto, está nos pedindo para limparmos nossas mentes, levando a ele o tumulto – nossa crença no pecado, culpa, segredos e vergonha – para que a luz do seu amor possa dissolvê-los. Assim, nossas mentes, limpas do pecado, se tornam os lembretes santos da alegre luz de Cristo que é nossa verdadeira e única realidade: 101


O altar mais santo é erguido onde antes se acreditava que o pecado estivesse. E aqui vêm todas as luzes do Céu para se reabastecer e aumentar em alegria. Pois aqui, o que estava perdido é devolvido a elas e toda a sua radiância vem a ser íntegra outra vez (T-26.IV.3:10-14). (4:6-8) Hoje, vimos com confiança, cientes de que o que na verdade nos pertence é o que Ele nos dá. E nada mais desejamos, pois nada além disso nos pertence na verdade. Jesus nos diz mais uma vez que para termos as dádivas de Deus e aceitarmos Seu amor e verdade, precisamos liberar tudo o mais que já desejamos. Não podemos ter amor sem liberarmos nosso investimento no medo, sofrimento e especialismo. Jesus termina a lição repetindo o que ele já disse seis, sete e oito vezes nessa mesma curta lição: (5:1-5) Assim, hoje abrimos o caminho para Ele simplesmente reconhecendo que a Sua Vontade já foi feita, e que a alegria e a paz nos pertencem como Suas dádivas eternas. Não nos permitimos perdê-las de vista entre os momentos em que vimos para buscá-las lá onde Ele as depositou. Nós temos o poder de perder de vista essas dádivas, sendo atraídos pela dádiva do especialismo. No entanto, o poder de limpar nossas mentes dos impedimentos do ego à verdade também é nosso. Assim, nós dedicamos esse dia à prática que vai trazer para cada vez mais perto o momento no qual a escolha irrevogável pela paz e alegria será feita. (5:5-9) E traremos à mente com toda a freqüência possível esse lembrete: Eu busco apenas o que pertence a mim na verdade. As dádivas de Deus de alegria e paz são tudo o que eu quero. Quando formos tentados durante o dia a não estarmos alegres e pacíficos, em vez de culparmos a nós mesmos ou a outra pessoa, deveríamos, perceber: “Estou me sentindo atraído a ficar transtornado porque não quero me lembrar da verdade gloriosa de Quem eu sou. O brilho da individualidade é a causa da minha aflição”. Quando olhamos para a situação claramente, ela não vai fazer sentido de forma alguma. A escolha original de ser um indivíduo, o ego nos disse, nos fez felizes, no entanto, nós agora vemos que o sistema de pensamento do ego não nos fez felizes de forma alguma; bem o contrário. Nossos olhos se abrem, e nós vemos a conexão causal entre nossa decisão e nossa miséria: sentir-se transtornado é o efeito, e a crença de que estar por conta própria iria nos fazer felizes é sua causa. Estamos finalmente cientes de que nossa escolha pelo ego refletiu o pensamento insano que nos impediu de procurar o outro Professor. Portanto, somos gratos por termos estado errados e por aprendermos que existe Alguém Que está certo, enquanto alegremente pedimos as dádivas de paz e alegria que são nossa herança verdadeira como o Filho de Deus.

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LIÇÃO 105 A paz e a alegria de Deus são minhas. No contexto do “desfazer”, Jesus nos ensina aqui sobre a estranha noção que o ego tem sobre a doação. Ainda que ele não use a palavra especialismo, esse é seu ponto de referência – a barganha dar-para-receber: Eu lhe dou algo, então, consigo algo em troca. Se eu lhe der mais do que realmente quero dar, então eu perco. As freqüentemente citadas quarta e quinta leis do caos (T-23.II.9-13) estão entre as expressões mais claras dessa dinâmica do ego de escassez e ódio. (1:1-2) A paz e a alegria de Deus são tuas. Hoje nós as aceitaremos sabendo que nos pertencem. A maneira de aceitá-las é não aceitarmos mais os substitutos do ego. Liberar os bloqueios do especialismo é como nos lembramos de que a paz e a alegria de Deus são nossas. (1:2-5) E tentaremos compreender que estas dádivas aumentam à medida que as recebemos. Elas não se assemelham às dádivas que o mundo pode dar, em que o doador perde ao dar e aquele que recebe se enriquece com a sua perda. O princípio do ego está refletido na quarta lei do caos: “tens o que tiraste de outros” (T23.II.9:3). O ego nos diz: “Se você tiver paz e alegria, tem que tê-las roubado, porque se você as tem, alguém mais não tem. Você, portanto, não merece ser feliz, pois é um ladrão que rouba o que não é seu”. É por isso que a felicidade é intolerável. As pessoas podem suportar ser felizes por um momento, mas não por muito tempo; sua culpa lhes diz que elas não a merecem. Todos compartilham desse pensamento insano. Essa lição, portanto, corrige a insanidade do ego, ensinando que as dádivas de felicidade, paz e alegria de Deus, se são nossas, são de todos os outros também. Elas não podem ser roubadas ou tiradas, mas simplesmente aceitas. Uma vez que as dádivas de Deus estão em todos, ninguém perde e ninguém ganha. Não pode ser de outra forma se Deus é amor, pois o amor é perfeita unicidade. (1:6) Tais não são dádivas, mas barganhas feitas com culpa. Esse é o cerne do especialismo: “barganhas feitas com culpa”. Eu dou minhas dádivas em troca das suas. No entanto, as minhas são sem valor, uma vez que vieram de mim, a quem eu julguei como sem valor, enquanto as suas são valiosas, pois elas me oferecem o que eu quero. Portanto, minha culpa inerente como um ego separado é reforçada pelo fato de eu roubar ainda mais, trocando uma dádiva de valor por outra de pouco ou nenhum valor. Nós já citamos a seguinte passagem do texto sobre as estranhas barganhas do ego, mas certamente pode ser útil lê-la mais uma vez: O mais curioso de tudo é o conceito do ser que o ego apregoa no relacionamento especial. Esse “ser” busca o relacionamento para se tornar completo. Entretanto, quando acha o relacionamento especial no qual pensa que pode realizar isso, ele se desfaz de si mesmo e tenta se “trocar” pelo ser do outro. Isso não é união, pois não existe aí aumento nem extensão. Cada parceiro tenta sacrificar o ser que não quer em troca daquele que pensa que preferiria. E sente-se culpado pelo “pecado” de tomar e nada dar de valor em troca. Quanto valor pode ele dar a um ser do qual quer se desfazer em troca de outro “melhor”? 103


O ser “melhor” que o ego busca é sempre um mais especial. E qualquer um que pareça possuir o ser especial é “amado” pelo que pode ser tirado dele (T-16.V.7; 8:1-3). Portanto, a culpa realmente se alimenta da culpa de outro, reforçando nossa própria sede insaciável e dirigindo o mecanismo de especialismo do ego em seu caminho repleto de ódio, espiralando para baixo até que se impulsione para o precipício da morte, levando a nós e a nossos irmãos, juntos para nosso destino inevitável. (1:6-7) O que é verdadeiramente dado não acarreta nenhuma perda. Quando sou amoroso em relação a você, não perco nada, pois não existe sacrifício de tempo, energia ou ser. Eu simplesmente permito que o amor de Jesus flua através de mim; conforme ele faz isso, limpa minha culpa, assim como faz com a sua. Eu preciso me focalizar apenas em liberar a culpa que impede o fluxo do amor. “O que é verdadeiramente dado não acarreta nenhuma perda”, e o que não é perda precisa beneficiar a Filiação como uma – você e eu também. (1:7-9) É impossível que alguém possa ganhar porque o outro perde. Isso implica em limitação e insuficiência. Esse princípio do ego implica em uma insuficiência em Deus, como o ego tentou provar no início: eu tenho o amor e a vida que faltam em Deus – um ou outro. Essa é a origem do princípio de escassez do ego, a base para seu sistema de pensamento de culpa, e o mundo que surgiu dele. O pensamento de que “alguém possa ganhar porque o outro perde” é contrariado no texto pelo que Jesus chama de “a rocha onde repousa a salvação”: ninguém perde e todos ganham (T-25.VII.12). Acreditar nesse mundo significa que acreditamos que chegamos aqui por termos roubado Deus. Daí a lei fundamental do ego: eu tenho a vida que roubei. A perda de Deus é o meu ganho. Nós, portanto, precisamos acreditar que se estivermos felizes, pacíficos ou alegres, roubamos isso de outra pessoa. O argumento do ego, novamente, é o de que se eu estou me sentindo feliz, alguém mais perdeu. As leis do especialismo exigem essa insanidade, e a sustentam também. É por isso que a culpa acompanha a felicidade no mundo. Na verdade, é por isso que a culpa acompanha todos os relacionamentos especiais. Minha felicidade significa que eu pequei, e espero pelo fato irrealizável de que ninguém tenha visto. Não é apenas que eu quero manter minha culpa em segredo para mim mesmo, mas para todos os outros, incluindo Jesus. Se ele soubesse, meus pecados certamente seriam punidos. (2) Nenhuma dádiva é feita dessa forma. Tais “dádivas” não passam de uma oferta visando um retorno maior, um empréstimo com juros a serem pagos integralmente; um empréstimo temporário, significando um compromisso de dívida a ser pago com muito mais do que foi recebido por aquele que aceitou a dádiva. Essa estranha distorção do que significa dar permeia todos os níveis do mundo que vês. Despoja de todo significado as dádivas que dás e não te deixa nada naquelas que recebes. Essa é outra descrição dos relacionamentos especiais. Eu quero algo de você, mas você o nega porque está lutando a mesma guerra que eu. Então tem que acontecer, pelo fato de você não existir fora do meu especialismo, que eu tenha que pagar a você pelo que eu quero, pois nós dois estamos jogando pelas mesmas regras: eu quero dar tão pouco quanto puder, e conseguir tanto quanto for possível do meu investimento. Esse é o significado de “Um empréstimo com juros a serem pagos integralmente”; uma dádiva que é dada com a esperança de “um retorno maior”. Essas não são dádivas de forma alguma, mas as barganhas insanas do ego feitas com culpa. 104


Através do nosso sofrimento e miséria, esperamos pagar o suficiente a Deus para que Ele não fique zangado. Em troca, queremos que Seu perdão esteja em nós e não nos outros, para que possamos voltar ao Céu à custa de outro: os não-crentes, os cristãos não-cristãos, os maus estudantes do Um Curso em Milagres. Essa odiosa aplicação do um ou outro tem se espalhado rapidamente através do mundo do Curso também. Desnecessário dizer, isso não é amoroso nem doador, porque tal atitude implica em uma crença no sacrifício – um vence, outro perde; um é salvo, outro é condenado. O ponto de partida é nos sentirmos não-merecedores da felicidade ou do amor, enquanto nos agarramos às ninharias do especialismo para ocultar a dor. (3:1-3) Uma das metas principais do aprendizado que esse curso estabeleceu é o de reverter a tua opinião sobre o que é dar, de modo que possas receber. Nós sabemos disso pelo texto; e existem muitas lições no livro de exercícios que discutem o desfazer da noção de dar-para-receber do ego. Para o ego, é sempre um ou outro. A Lição 108, “Dar e receber são um só na verdade”, e a Lição 125 “Tudo o que dou é dado a mim mesmo” provêem uma ênfase maior a esse tema (LE-pI.108; LE-pI.126); e existem muitas passagens no texto também4. Entre outras, podemos citar a seguinte discussão incisiva do texto: Só aqueles que têm um senso de abundância real e duradouro podem ser verdadeiramente caridosos... Para o ego, dar qualquer coisa implica em que terás que ficar sem ela. Quando associas dar com sacrifício, só dás porque acreditas que estás de algum modo conseguindo algo melhor e, portanto, podes ficar sem o que estás dando. “Dar para receber” é uma lei do ego da qual não se pode escapar, e ele sempre avalia a si mesmo em relação aos outros egos. Está portanto continuamente preocupado com a crença na escassez que lhe deu origem... O ego nunca dá à partir da abundância, porque foi feito como um substituto para ela. É por isso que o conceito de “receber” surgiu no sistema de pensamento do ego (T4.II.6:1-2,3-10; 7:2-5). Desaprender um princípio que é a fundação da nossa própria existência requer dedicação e persistência, características que o livro de exercícios almeja instilar em nós, ensinando o quanto elas são vitais para conseguirmos a felicidade. (3:3-4) Pois dar veio a ser uma fonte de medo e, assim, queres evitar o único meio pelo qual podes receber. Dar se torna uma fonte de medo porque eu acredito que o que eu dou está enganando você, uma vez que não estou dando amor, mas amor especial, e certamente espero ter tirado o melhor da barganha. Isso é um roubo, o que meu ego insiste que vai voltar para mim como ataque e punição. Não é de se espantar que eu esteja amedrontado. O único meio pelo qual posso receber sem medo é desfazendo o medo, o que alcanço por desfazer minha dependência das leis do especialismo sobre o que me faria feliz. Eu libero essa dependência olhando para meu especialismo com Jesus, expondo sua verdadeira natureza. Portanto, eu consciente e alegremente escolho seguir a lei do perdão – o reflexo do amor. (3:4-7) Aceita a paz e a alegria de Deus e aprenderás um modo diferente de olhar para uma dádiva. As dádivas de Deus nunca diminuirão ao serem dadas. Pelo contrário, só aumentam com isso. 4

Para uma lista mais completa sobre essas referências, por favor, veja meu Glossário-Índice para o Um Curso em Milagres, p. 82-83.

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A maneira de aprendermos a aceitar as dádivas de Deus é aprendendo o que tem sido nossas dádivas, e depois as liberando. De novo e de novo, em formas diferentes, Jesus volta ao seu tema de trazer as dádivas de medo, especialismo e ódio do ego às suas dádivas de paz, perdão e alegria. (4:1-4) Assim como a paz e a alegria do Céu intensificam quando tu as aceitas como dádivas de Deus para ti, assim também a alegria do teu Criador cresce quando aceitas a Sua alegria e a Sua paz como tuas. Aqui nós encontramos outra metáfora. A alegria de Deus não se intensifica. A “alegria” do mundo se intensifica, no sentido de que quanto mais roubamos, mais alegres nos tornamos. Essas linhas então são parte do gentil conto de fadas de Jesus, que amorosamente nos reassegura que “Papai nos ama, e Sua alegria se intensifica quanto mais chegamos perto Dele”. A verdade por trás do conto de fadas é que o Amor infinito de Deus é constante; ele não diminui, e não se intensifica. Ele simplesmente é. Nossa experiência do Seu amor se “intensifica”, no entanto, conforme escolhemos nos identificar cada vez mais com ele, e cada vez menos com o ego. Nesse mundo, conceitos como mais e menos têm significado, mas apenas na medida em que refletem a decisão da mente por Deus ou pelo ego, as dádivas de amor ou de medo. (4:4-10) Dar verdadeiramente é criação. Estende o que é sem limite ao ilimitado, a eternidade à intemporalidade e o amor a si próprio. Acrescenta a tudo o que já é completo, não simplesmente em termos de acrescentar mais, pois isso implicaria que antes era menos. Acrescenta permitindo que aquilo que não pode se conter cumpra o seu objetivo de dar tudo o que tem, assegurando tudo o que tem para si mesmo eternamente. Mais uma vez, vemos o problema de usarmos as palavras para expressar uma realidade que repousa além delas. Palavras como dar e acrescentar não têm significado no Céu, no entanto, Jesus precisa usá-las para expressar a criação do Céu, que não tem dimensões quantitativas – i.e., especial e temporal. Portanto, Jesus nos diz no esclarecimento de termos que o Um Curso em Milagres vem dentro de uma moldura do ego (ET-in.3:1), explicando que ele usa as palavras e conceitos do mundo do ego para apontar para a realidade. Eles, portanto, levam além do limite para a ausência de limites e para o ilimitado, além do tempo para a eternidade e a ausência de tempo, além do especialismo para o amor. (5:1-2) Hoje aceita a paz e a alegria de Deus como tuas. Deixa que Ele complete a Si Mesmo assim como Ele define a completeza. Isso implica em que Deus era incompleto e, portanto, essa declaração também tem que ser compreendida metaforicamente. Completeza para Deus é totalidade e inteireza do Seu ser. Portanto, o que “completa Deus” é nossa aceitação da sua verdade, e a negação da forma de completeza do ego: nossa falta é suprida por tirarmos algo de alguém; o que significa roubar de fora para ser completo. (5:2-6) Compreenderás que aquilo que O completa tem que completar o Seu Filho também. Ele não pode dar através da perda. Tu também não podes. Recebe hoje a Sua dádiva de alegria e paz e Ele te agradecerá pela tua dádiva para Ele. Jesus volta ao tema de dar e receber sendo um, o que corrige o princípio de um ou outro do ego. Deus não tira para poder dar. Embora o sacrifício seja a pedra fundamental do mundo de separação, ele é desconhecido no Céu. Nossa disponibilidade de aprendermos essa lição feliz é tudo o que é pedido para podermos ser felizes e nos sentirmos completos. 106


Os parágrafos 6 a 7 apresentam um exercício que Jesus repete através de todo o livro de exercícios, pedindo-nos para escolher alguém em quem pensamos como um inimigo ou amigo, percebendo que essa pessoa é uma conosco. Aqui o foco está nas pessoas em quem pensamos como inimigos: (6) Hoje, os nossos períodos de prática começarão de modo um pouco diferente. Começa o dia pensando naqueles irmãos a quem tens negado a paz e a alegria às quais eles têm direito segundo as leis iguais de Deus. Aqui as negaste a ti próprio. E aqui tens que retornar para reivindicá-las como tuas. É-nos dito que nossas ataques a outra pessoa constituem um ataque a nós mesmos, uma vez que o Filho de Deus é um. Essa idéia de ver que o inimigo somos “nós”, para citar uma amorosa linha de Pogo, de Walt Kelly, tem uma expressão consumada em A Canção da Oração, e a seguinte passagem sobre rezar pelos outros é ilustrativa: Orar pelos outros, se corretamente compreendido, vem a ser um meio de retirar as tuas projeções de culpa de cima do teu irmão capacitando-te a reconhecer que não é ele que está te ferindo. O pensamento venenoso que te diz que ele é o teu inimigo, a tua contraparte má, o teu castigo merecido tem que ser abandonado antes que tu possas ser salvo da culpa (C-1.III.1:3-9). Esses exercícios nos ajudam a reconsiderar nossas percepções sobre os outros e sobre nós mesmos, corrigindo-as de interesses separados para compartilhados. As instruções para esse exercício continuam: (7:1-4) Pensa nos teus “inimigos” por um momento e dize a cada um deles, à medida que te ocorrem: Meu irmão, eu te ofereço paz e alegria, para que a paz e a alegria de Deus possam ser minhas. Esse é o foco central do Um Curso em Milagres: aprender a aceitar as dádivas de Jesus por corrigirmos nossas percepções equivocadas. No final, nós percebemos que não existe ninguém a perdoar, mas até entendermos que estamos realmente perdoando a nós mesmos, precisamos praticar com os outros. Conseguindo completar com sucesso o exercício, vamos vir a reconhecer que não existe inimigo lá fora, que é o motivo pelo qual a palavra está entre aspas. O inimigo era simplesmente nossa própria decisão faltosa. Como um exemplo, se eu pensar em você como um inimigo, em algum ponto, vou perceber que algo está errado, porque vejo você como diferente e separado de mim. Jesus ensina que o que eu vejo como inimizade entre você e eu é uma projeção da inimizade que acredito estar entre Deus e eu. O relacionamento especial – amor ou ódio – que eu experiencio entre nós (no corpo) não é nada além de uma projeção do meu relacionamento especial com o ego (na minha mente). Ao pedir a ajuda de Jesus para perdoar você, estou realmente pedindo sua ajuda para perdoar a mim mesmo. Isso acontece percebendo que o relacionamento que vejo do lado de fora espelha o relacionamento que tornei real dentro, de tal forma, que não consigo olhar para ele. O problema que precisa ser corrigido, portanto, não é externo, mas está dentro de mim. Como Jesus afirma no texto: O segredo da salvação é apenas esse: tu estás fazendo isso a ti mesmo (T27.VIII.10:1). (7:5-7) Assim, tu te preparas para reconhecer as dádivas de Deus e deixar a tua mente livre de tudo o que impediria o teu sucesso hoje. 107


Jesus nos diz que nossas mentes têm que escolher ser livres de todos os pensamentos de culpa e projeção. Ele pode removê-los para nós apenas quando os trouxermos a ele. Isso não pode ser dito com freqüência o suficiente, pois contém a essência do perdão e é o cerne do currículo. (7:7-10) Agora estás pronto para experimentar a alegria e a paz que tens negado a ti mesmo. Agora podes dizer: “A paz e a alegria de Deus são minhas”, pois deste aquilo que queres receber. Através da minha sala de aula dos relacionamentos especiais, eu um dia vou aprender que a forma com que vejo você é a forma com que vejo a mim mesmo. A culpa que eu percebo em você está em mim, pois nós somos o mesmo. Da mesma forma, se eu vir a paz e a alegria em você, percebendo que seus pecados são apenas equívocos, percebo que os meus também são, e, portanto, a paz e a alegria habitam em mim também. Dar e receber são o mesmo porque dou apenas para mim mesmo: Não existe ninguém mais. Eu recebo apenas de mim mesmo: Não existe ninguém mais. Você e eu não somos dois, mas um: Não existe ninguém mais. Assim eu realmente peço a paz e a alegria de Deus para toda a Filiação, incluindo a mim. (8:1-3) Tens que ter sucesso hoje, se preparares a tua mente como sugerimos. Pois terás permitido que todas as barreiras para a paz e a alegria sejam erguidas, e o que é teu finalmente pode vir a ti. Mais uma vez, vemos a mensagem do Um Curso em Milagres sucintamente expressa. Se eu quiser conhecer a paz e alegria de Deus, preciso tirar as barreiras que coloquei entre mim mesmo e elas. As barreiras são a crença em que a paz e a alegria vêm à custa de outra pessoa. Quanto mais eu sofro e posso me sentir culpado, mais as barreiras se fortalecem, porque minha paz e alegria secretas são a minha existência, pela qual Deus não vai me punir. Assim, eu fiz isso de novo – eu roubei e mantive o que roubei. Meu segredo está escondido e ninguém vai saber, e nós risonhamente pensamos que é isso que vai nos tornar felizes. O ego está feliz, com certeza, porque solidificamos nosso ser individual e culpamos outra pessoa pelo pecado. Tal projeção perpetua a paz e alegria do ego. Reconhecer a insanidade tortuosa dessa posição é o que permite que suas barreiras sejam retiradas. Voltando ao panfleto A Canção da Oração, lemos: Contudo, uma vez que a necessidade de manter o outro como inimigo tenha sido questionada, e a razão para fazê-lo tenha sido reconhecida, mesmo que seja por apenas um instante, unir-se em oração passa a ser possível. Inimigos não compartilham a mesma meta. É nisso que a sua inimizade é mantida. Os seus desejos separados são os seus arsenais, suas fortalezas no ódio. A chave para que se avance mais ainda na oração está nesse simples pensamento, nessa mudança da mente: Nós vamos juntos, eu e tu (C-1.IV.1:3-12). Perceber que “só se entra no arco do perdão dois a dois” (T-20.IV.6:5) é a forma de nós e nossos irmãos voltarmos para Casa – juntos. (8:4-6; 9:1-5) Assim, dize a ti mesmo: “A paz e a alegria de Deus são minhas”, e fecha os teus olhos por um momento e deixa que a Sua Voz te assegure que as palavras que proferes são verdadeiras. Passa os teus cinco minutos com Ele dessa forma toda vez que puderes no dia de hoje, mas não penses que menos do que isso não terá valor quando não puderes Lhe dar mais. Pelo menos lembra-te de dizer a cada hora as palavras que O invocam para te dar o que é a Sua Vontade dar e o que é Sua Vontade que recebas. 108


Silenciando a voz do especialismo do ego, permitimos a nós mesmos ouvir a Voz que fala conosco durante o dia todo (LE-pI.49). Jesus nos conforta com o pensamento de que não temos que ouvir o Espírito Santo o tempo todo, e que não deveríamos minimizar o efeito de qualquer tempo que dermos a Ele. Tendo dito isso, no entanto, Jesus realmente nos pede para nos lembrarmos do nosso Professor pelo menos uma vez por hora. Ele não faria um pedido assim se não sentisse que já estamos bem adiantados em nosso treinamento – mais ou menos um terço do caminho – para que pelo menos queiramos pensar no Espírito Santo e na nossa salvação uma vez por hora. (9:6) Determina-te hoje a não interferir com o que é Sua Vontade. O problema não é o que Deus quer, mas nossa determinação de manter Sua Vontade longe de nós. Nós já aprendemos a extensão da nossa resistência ao aprendizado – o medo de nos voltarmos mais e mais para sua Vontade amorosa, conforme nos voltamos cada vez menos para as tentadoras palavras do ego sobre as maravilhas gloriosas de uma existência separada do nosso Criador e Fonte. (9:6-9) E se um irmão parecer tentar-te a negar a dádiva de Deus para ele, vê isso apenas como mais uma chance para deixar que recebas as dádivas de Deus como tuas. Se alguém deixá-lo zangado, você precisa perceber que quer ficar zangado, pois isso permite que mantenha sua individualidade intacta. As tentações não têm poder a menos que você queira ser tentado. É esse desejo que interfere com o conhecimento de que a paz e alegria de Deus são suas. Sempre que você estiver transtornado, veja isso como outra chance de receber as dádivas de Deus, por liberar seu investimento no especialismo e na dor, o que agora ficou evidente através das suas projeções sobre seu irmão. O processo também funciona se o seu irmão é você, quando estiver tentado a culpar a si mesmo por alguma falha ou limitação percebida. Seu corpo e personalidade estão lá fora da sua mente tanto quanto o do seu irmão. Portanto, a “chance para deixar que recebas as dádivas de Deus como tuas” não vêm apenas quando outra pessoa tenta você a atacá-la, mas quando você é tentado a atacar a si mesmo. (9:9-12) Então, abençoa o teu irmão com gratidão e dize: Meu irmão, eu te ofereço paz e alegria, para que a paz e a alegria de Deus possam ser minhas. Se eu for ser feliz, não posso excluir você da paz e da alegria de Deus. A Canção da Oração estende esse ensinamento – não é apenas que nós compartilhamos as mesmas dádivas de Deus; nós compartilhamos o mesmo ser: Agora podes dizer a todos aqueles que vêm para se unir a ti em oração: Eu não posso ir sem ti, pois és uma parte de mim. E assim ele é na verdade. Agora podes orar só por aquilo que verdadeiramente compartilhas com ele. Pois compreendeste que ele nunca partiu e tu, que parecias sozinho, és um com ele (C-1.V.3:8-13). Assim, a Filiação é abençoada como uma, conforme aprendemos a abençoar uns aos outros com a paz e a alegria de Deus.

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LIÇÃO 106 Que eu me aquiete e escute a verdade. O título em si mesmo é extremamente importante porque – como já enfatizei repetidamente, refletindo a ênfase do Curso – o meio pelo qual temos acesso à verdade e vivenciamos o amor de Jesus é liberando os nossos egos. Lembrando-nos de uma lição inicial, Jesus se refere à voz do ego em nossas mentes como “gritos estridentes” (LE-pI.49.4:3). Seu barulho está sempre em nossas mentes, e ser quieto significa que o nosso tomador de decisões reconheceu que cometeu um equívoco. Assim, nós escolhemos contra o sistema de pensamento de especialismo do ego e a favor de sua correção; contra a ilusão e pela verdade. Essa lição – e o próprio título – é outro lembrete da necessidade que temos de sermos quietos em relação ao ego, retirando nosso investimento de estarmos certos, passando-o para sermos felizes. (1) Se deixares a voz do ego de lado, por mais alto que pareça ser o seu chamado, se não aceitares as suas dádivas mesquinhas que nada te dão do que realmente queres; se escutares com uma mente aberta, que não tenha te dito o que é a salvação, então, ouvirás a poderosa Voz da verdade, quieta em poder, forte em serenidade e completamente certa em Suas mensagens. Isso reafirma o que acabei de dizer. Todos nós temos preferido as insignificantes dádivas de individualidade e especialismo do ego em vez da dádiva gloriosa de Deus, que Jesus mantém para nós. Sua dádiva de perdão desfaz o ego através da nossa percepção de que somos todos um – unidos no sonho por compartilharmos a necessidade de voltarmos para casa, e unidos em nossa Identidade como Cristo. A força da Presença do Espírito Santo e do amor de Jesus repousa na quietude e na serenidade. É o ego que precisa fazer uma algazarra. Sempre, por exemplo, que estamos certos sobre algo e precisamos que todos os outros saibam o quando somos certos, maravilhosos e santos, sabemos que é o ego falando. A Voz do Espírito Santo, com a qual realmente queremos nos identificar, é quieta e não chama atenção para si mesma. Ela simplesmente é: “quieta em poder, forte em serenidade e completamente certa em Suas mensagens”. A necessidade de ser especial e estar certo demonstra o fato de termos escolhido o ego como nosso professor. (2:1-3) Escuta e ouve o teu Pai te falar através da Voz que Ele designou, Que silencia o trovão daquilo que não tem significado e indica o caminho da paz para aqueles que não podem ver. Novamente, aqueles que estão certos não provocam uma comoção a respeito de si mesmos. Eles não fazem um grande caso sobre as coisas, porque, na certeza da quietude de suas mentes, percebem que nada aqui é importante, incluindo seu ser individual e especial; apenas vivenciar o Amor de Deus é importante, e não há nada comparável a isso aqui. Ouvir a voz do Espírito Santo que fala pelo Amor dissolve o ser sem significado e termina com todo conflito, iluminando o caminho para nosso retorno à paz. O “trovão daquilo que não tem significado” abre espaço para o simples silêncio da verdade. (2:3-7) Fica quieto hoje e escuta a verdade. Não te deixes enganar pelas vozes dos mortos, que te dizem ter achado a fonte da vida e a oferecem para que acredites. Não dês atenção a eles, mas escuta a verdade. 110


Jesus nos diz no próximo parágrafo que as “vozes dos mortos” são as vozes do mundo. Seria mais tecnicamente correto dizer “as vozes dos não-viventes”, porque a morte pressupõe que havia vida, e nós aprendemos no Um Curso em Milagres que o corpo simplesmente não existe; e.g.: “Ele não nasce nem morre” (T-28.VI.2). No entanto, o pentâmero iâmbico requer uma palavra de uma única sílaba, que é uma razão para usá-la. O mundo nos diz que a vida vem do corpo. De um ponto de vista bíblico, poderíamos dizer que a fonte da vida é Deus, Que criou o corpo à Sua própria imagem e semelhança. No entanto, Jesus nos diz para não ouvirmos essas vozes dos não-viventes ou mortos, que falam apenas de ilusão. Ficando quietos, nós silenciamos essas vozes enganosas para que possamos ouvir a verdade. (3:1-5) Hoje não tenhas medo de desviar-te das vozes do mundo. Caminha com leveza passando pela sua persuasão sem significado. Não lhes dês ouvidos. Fica quieto hoje e escuta a verdade. Passa por todas as coisas que não falam Daquele Que tem a tua felicidade em Suas Mãos e que a oferece a ti com boas-vindas e amor. Jesus fala dessa forma porque nós temos medo de que se evitássemos ou fugíssemos das vozes do mundo, iríamos desaparecer. Essas vozes testemunham nossa realidade aparente como indivíduos separados e especiais, e nosso medo de nos afastarmos de sua autoridade e irmos contra sua verdade é o de que vamos nos dissolver na “nulidade” de Deus, perdendo nossa individualidade para sempre. Esse, então, é o pensamento que nos impede de alcançarmos Sua Mão, simbolizada para nós pela presença de Jesus em nossa jornada para casa. Como vemos repetidamente através de todo o Um Curso em Milagres, a forma de dizer “sim” ao amor de Jesus é dizendo “não” ao sistema de pensamento do ego que acreditamos ser a nossa fundação. Dessa forma, ultrapassando as vozes do mundo – nossos ídolos especiais -, alcançamos a “Mão” de Deus, ouvindo apenas Sua Voz que fala da felicidade e das boas-vindas do amor que espera por nós no final da jornada. (3:6-7) Dá ouvidos só a ele hoje, e não espera mais para alcançá-Lo. Hoje, ouve uma única Voz. Esse é o apelo de Jesus a nós, o que ele faz durante todo o Um Curso em Milagres: “Por que você continua se fazendo sofrer, quando poderia, com a mesma facilidade, segurar minha mão e deixar o seu ego?”. Em outras palavras, Jesus nos diz que nós não precisamos esperar mais para sermos felizes. Nada é realmente ferido pela nossa demora, mas dentro do sonho, nós fazemos com que nós mesmos tenhamos cada vez mais dor enquanto esperamos. “Você não precisa mais fazer isso”, Jesus diz, “mas eu espero pela sua escolha”: Eu nunca te abandonarei assim como Deus também jamais o fará, mas tenho que esperar enquanto escolheres abandonar a ti mesmo. Porque eu espero com amor e não com impaciência, com toda a certeza tu me chamarás verdadeiramente. Virei em resposta a um único chamado inequívoco (T-4.III.7:12-16). (4:1) Hoje, a promessa do Verbo de Deus é cumprida. Quando Verbo é posto em letras maiúsculas, quase sempre é entendido como alguma expressão do princípio de Expiação – a correção para o erro, o Espírito Santo, ou perdão – que representa o desfazer do sistema de pensamento do ego. Por sua própria natureza como o reflexo da verdade de Deus, ele não pode deixar de se verdadeiro; sua promessa não pode deixar de ser mantida. (4:1-4) Ouve e fica em silêncio. Ele quer te falar. Ele vem com milagres mil vezes mais felizes e maravilhosos do que jamais sonhaste ou desejaste nos teus sonhos. 111


A palavra milagres é usada aqui de forma diferente do que em todos os outros lugares, e nós já vimos como Jesus é um pouco flexível com sua linguagem. Milagres corrigem o sistema de pensamento do ego, no entanto, aqui eles expressam o Amor de Deus porque são eternos, como as próximas sentenças expressam. Através de todo o Um Curso em Milagres, Jesus explica que os milagres não são eternos e não duram além da nossa necessidade deles. Em outras palavras, quando o sonho ilusório é desfeito, a correção ilusória para o sonho – sua função agora completa – se vai também. Uma passagem que devemos ver bem depois no livro de exercícios expressa isso lindamente: Um milagre é uma correção. Ele não cria e realmente não muda nada... Desfaz o erro, mas não tenta ir além da percepção, nem superar a função do perdão. Assim, permanece nos limites do tempo. No entanto, prepara o caminho para a volta da intemporalidade e do despertar do amor, pois o medo tem que desaparecer com o gentil remédio que ele traz (LE-pII.13.1:1-2,3-7). Assim, novamente, milagres expressam nossa experiência do Amor de Deus dentro do sonho. O conteúdo dessa passagem é similar a essas linhas adoráveis e confortadoras no texto: Esse mundo está cheio de milagres. Eles estão em silêncio radiante ao lado de cada sonho de dor e de sofrimento, de pecado e de culpa (T-28.II.12:1-3). Essas correções radiosas e amorosas, os reflexos da luz e do amor do Céu, permanecem em nossas mentes, esperando pacientemente nossa decisão de escolhê-las. (4:4-7) Os Seus milagres são verdadeiros. Eles não se desvanecerão quando o sonho acabar. Em vez disso, eles acabam com o sonho e duram para sempre, pois vêm de Deus para o Seu querido Filho, cujo outro nome é o teu. O querido Filho, cujo outro nome é o seu, é Cristo, não o ser separado – nome, corpo e personalidade – que acreditamos ser. O amor, cujo reflexo tem nos chamado, permanece conosco para sempre, pois nós somos esse amor. Esse é o significado por trás da passagem de outra forma inexplicável do texto sobre a natureza eterna do Espírito Santo, a forma antropomorfizada do Amor de Deus: A Voz do Espírito Santo é o Chamado para a Expiação ou a restauração da integridade da mente. Quando a Expiação for completa e toda a Filiação estiver curada, não haverá nenhum chamado para retornar. Mas o que Deus cria é eterno. O Espírito Santo vai permanecer com os Filhos de Deus para abençoar suas criações e mantê-los na luz da alegria (T-5.I.5:5-11). (4:7-9) Hoje, prepara-te para milagres. Hoje, deixa que se cumpra a antiga promessa que teu Pai fez a ti e a todos os teus irmãos. Jesus apela a nós porque nós precisamos escolher aceitar sua dádiva já presente. Ele novamente contrasta a felicidade gloriosa que suas dádivas nos provêm, com a felicidade inglória de especialismo que as dádivas do ego nos oferecem, e pergunta: “Essa escolha pode ser difícil de fazer? As coisas desse mundo – seus pecados, culpas e julgamentos – realmente são mais importantes para você do que a felicidade que você seguramente vai encontrar se soltar a mão do ego e segurar a minha?”. Nosso apelo ancestral do nosso Pai a nós permanece inútil em nossa consciência até escolhermos nos lembrar do nosso apelo a Ele:

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Deus cumpre as Suas promessas; o Seu Filho cumpre as suas. Ao criá-lo assim disse o seu Pai: “Tu és meu amado e Eu o teu para sempre. Sê, pois perfeito como Eu sou, pois nunca poderás estar à parte de Mim”. Seu filho não se lembra de que ele Lhe respondeu “Assim serei”, embora ele tenha nascido dessa promessa (T28.VI.6:4-9). (5:1-5) Escuta-O, hoje, e ouve o Verbo que ergue o véu que cobre a terra e desperta todos aqueles que dormem e não podem ver. Através de ti, Deus chama por eles. Ele precisa da tua voz para falar com eles, pois quem poderia alcançar o Filho de Deu senão o Pai, chamando através do teu Ser? Esse é um tema que devemos ver repetido. Ele é baseado na idéia agora familiar de que o Filho de Deus é um. Jesus não está dizendo que deveríamos aprender essas lições de perdão, e depois pregar seu evangelho ao mundo. Outros sistemas ensinam isso, mas não esse aqui. Na verdade, nós não pregamos ou ensinamos nada. Nós simplesmente aceitamos o amor de Jesus, que abraça cada mente aparentemente separada na Filiação, uma vez que as mentes são uma. Mente se estende à mente, refletindo a extensão original da Mente de Deus à Mente de Cristo. Novamente, nós não fazemos nada. Se o amor de Jesus nos motivar, inspirando-nos a fazer coisas no mundo, nós obviamente as fazemos. No entanto, o cerne do currículo do Um Curso em Milagres envolve silenciarmos as vozes do ego em nossas mentes e nos identificarmos com as palavras de Jesus. Aceitando seu amor, nós permitimos que ele nos guie em tudo o que pensarmos, sentirmos, dissermos e fizermos. Nesse sentido, o mundo é curado, porque ele não existe fora de nossas mentes. Incidentalmente, encontramos aqui o prenúncio de uma passagem mais desenvolvida na Introdução à quinta revisão, onde Jesus diz que ele precisa que ouçamos suas palavras e as que demos ao mundo, para que ele seja salvo (LEpI.rV.in.9:2-3). (5:5-7) Ouve-O hoje e oferece-lhe a tua voz para falar a toda a multidão que espera para ouvir o Verbo que Ele pronunciará hoje. Nós falamos Suas Palavras em silêncio, porque o amor silencioso não fala palavras. Uma vez que nós acreditamos ser corpos, no entanto, as palavras silenciosas da presença do amor com freqüência vão tomar forma em nosso comportamento e palavras, conforme se estenderem através de nós. No entanto, não são as palavras que são importantes, mas o amor que as inspira. Nossa tarefa é simplesmente entrar em contato com esse amor. Ele então faz o resto. (6:1-2) Que estejas pronto para a salvação. Ela está aqui e te será dada no dia de hoje. A salvação será dada a nós no instante – o instante santo – em que escolhermos aceitála, o que fazemos deixando de lado a voz do ego. Nosso Professor não pode esperar para nos dar o que já temos: A ânsia do Espírito Santo para dar-te isso é tão intensa que Ele não quer esperar, embora espere com paciência. Vai de encontro à Sua paciência com a tua impaciência em relação a qualquer adiamento do teu encontro com Ele. Sai contente para te encontrares com o teu Redentor e caminha com Ele em confiança para fora desse mundo e para dentro do mundo real da beleza e do perdão (T17.II.8:2-8). Sabendo que a beleza é o que espera pela nossa escolha, quem poderia não compartilhar da ânsia do Espírito Santo? 113


(6:2-4) E aprenderás a tua função Daquele Que a escolheu para ti em Nome do teu Pai. Escuta hoje e ouvirás uma Voz Que ressoará pelo mundo inteiro através de ti. O mundo existe em nossa mente, onde a Voz do Espírito Santo ressoa quando escolhemos aceitá-La como a única Voz que queremos ouvir. Nossa escolha, portanto, ecoa ao redor do mundo, presente na mente única do Filho. (6:4-6) O Portador de todos os milagres precisa que os recebas primeiro, tornando-te assim o feliz doador daquilo que recebeste. Vamos ver agora o retorno ao tema de dar e receber, prenunciado aqui. Nossa responsabilidade é simplesmente recebermos ou aceitarmos a dádiva; sua doação acontece através de Jesus. A Lição 154 ecoa a idéia de primeiro recebermos o milagre antes que sua cura possa ser estendida aos outros. (7:1-2) Assim começa a salvação e assim termina, quando tudo for teu e tudo for dado, ela permanecerá contigo para sempre. A salvação começa em nossas mentes – a fonte do erro – e termina lá quando escolhemos corrigir o erro e aceitar a Expiação, como uma passagem inicial no texto explica: ... o processo de desfazer, que não vem de ti, está apesar de tudo dentro de ti porque Deus o colocou aí. A tua parte é meramente fazer voltar o teu pensamento ao ponto no qual o erro foi feito e entregá-lo em paz à Expiação (T-5.VII.6:6-10). Desnecessário dizer, essa idéia de dar e receber não tem nada a ver com a compreensão do mundo. Quando tudo é meu e eu aceito o Amor de Deus como minha Identidade, a Filiação é unida nesse Ser. Não há perda, mas apenas ganho – para todos. (7:2-3) e a lição terá sido aprendida. A lição que tem que ser aprendida é a Expiação: a separação de Deus nunca aconteceu. Isso significa que você e eu também não somos separados. (7:3-8; 8:1-3) Hoje, estamos praticando o ato de dar, não da forma como o compreendes agora, mas tal como é. Os exercícios de cada hora devem começar com esse pedido para a tua iluminação: Que eu me aquiete e escute a verdade. O que significa dar e receber? Pergunta e espera uma resposta. Essa é uma pergunta cuja resposta tem estado esperando há muito tempo para ser recebida por ti. A resposta, novamente, é o princípio da Expiação. Não é uma resposta específica que faria Jesus nos dizer, por exemplo, faça isso, faça aquilo, ou vá ali, mas o Verbo sem palavras de Deus. Ainda que a resposta espere por nós em nossas mentes, tememos suas implicações. Portanto, precisamos desses períodos de prática como lembretes gentis de que se virmos através das mentiras do ego – e.g., dar e receber são diferentes -, a quietude resultante vai nos permitir ouvir a Voz do Espírito Santo corrigindo nossos erros. O perdão nos capacita a sermos quietos, para que possamos receber o amor que é nosso e do mundo, sem perda para ninguém. 114


(8:3-5) Ela dará início ao ministério para o qual vieste e libertará o mundo do pensamento de que dar é um modo de perder. E assim o mundo vem a estar pronto para compreender e receber. Quando aceitamos a dádiva de nos tornarmos a manifestação de Jesus no sonho – assim como ele era a do Espírito Santo – isso se torna nossa função ou ministério. Mas não devemos encarar isso como algo externo, pois isso seria uma compreensão totalmente equivocada do Um Curso em Milagres. Como pode haver um ministério externo quando Jesus ensina que não há mundo? Nós primeiro temos que aprender essa lição, significando que aprendemos que não existe pensamento subjacente ao mundo. Quando esse aprendizado acontece – o propósito do milagre -, o amor se estende através de nós. A forma que ele assume é irrelevante, pois o que importa é escolhermos o amor em vez do medo, identificando-nos com o Ser da Filiação unificada. A herança desse Ser nunca foi perdida, e agora é recuperada através da Sua lembrança. (9) Fica quieto e escuta a verdade hoje. Para cada cinco minutos passados a ouvir, mil mentes se abrem para a verdade e ouvirão o Verbo santo que tu ouves. E, passada a hora, novamente liberarás mais mil mentes, que se deterão para pedir que a verdade lhes seja dada, junto contigo. Lembre-se de que o termo mil no Um Curso em Milagres simboliza um grande número. Portanto milhares vão receber essa dádiva da Expiação quando a aceitarmos para nós mesmos. Lembrando a Filiação, como fez Jesus, que existe outra escolha que pode ser feita. Entretanto, ela ainda continua sendo a decisão da Filiação, assim como foi nossa, quando escolher aceitar o Verbo de Deus. (10) Hoje, o santo Verbo de Deus é cumprido através do teu recebimento para que possas dá-lo, de modo que possas ensinar ao mundo o que significa dar, escutando e aprendendo com Ele. Não esqueças de reforçar a tua escolha de ouvir e receber o Verbo com esses lembretes, que darás a ti mesmo com a maior freqüência possível hoje: Que eu me aquiete e escute a verdade. Hoje sou o mensageiro de Deus, a minha voz é a Sua, para dar o que recebo. Aprendendo que dar e receber são o mesmo, permitimos que a verdade seja ela mesma. Liberar mágoas, memórias de vitimação e necessidades especiais não requer sacrifício nem perda. Pelo contrário, o processo de perdão que é nossa dádiva a Jesus, assim como à Filiação, nos liberta para recebermos a memória do amor do qual nos separamos. Sem as barreiras do ódio para bloquearem o fluxo do amor, ele gentilmente se estende através de toda a Filiação, entregando a feliz mensagem do Verbo de Deus: a verdade está aqui, e é nossa ao nosso pedido.

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LIÇÃO 107 A verdade corrigirá todos os erros na minha mente. Essa é uma lição adorável, que contrasta a verdade e a ilusão, e ainda mais direto ao ponto, deixa clara a impossibilidade de entendermos a verdade e o quanto ela vai nos tornar felizes. É por isso que através de todo o Um Curso em Milagres, Jesus fala conosco sobre os reflexos da verdade ou santidade. Estritamente falando, é claro, a verdade e a santidade existem apenas no Céu. (1:1-3) O que pode corrigir ilusões senão a verdade? E o que são os erros senão ilusões que permanecem sem ser reconhecidas pelo que são? Esse é o sistema de pensamento do ego, que consiste no escudo duplo de esquecimento: o mundo é o escudo externo “protegendo-nos” da culpa da mente; e a culpa é o escudo interno “protegendo-nos” do amor da mente, que desfaz nossa individualidade e especialismo. O ponto é reconhecer o erro, que não está nos corpos, mas em nossas mentes, onde a verdade reside também. (1:3-6) Onde entra a verdade, desaparecem os erros. Eles simplesmente se desvanecem, sem deixar qualquer traço pelo qual possam ser lembrados. Eles se vão porque, sem crença, não têm vida. É importante lembrar que o que dá ao sistema de pensamento do ego o seu poder é nossa crença nele, que vem do poder de escolha do tomador de decisões na mente. Como Jesus nos ensina no texto: Não tenhas medo do ego. Ele depende da tua mente e como tu o fizeste por acreditares nele, da mesma forma podes dissipá-lo retirando a tua crença nele (T7.VIII.5:1-3). O que poderia ser mais simples? No entanto, pelo fato da salvação ser tão simples, o ego se engaja em sua estratégia de complexidade que nos leva a acreditar na realidade das ilusões, porque nós acreditamos na realidade do corpo. (1:6-7) Assim, desaparecem no nada, voltando ao lugar de onde vieram. Vão e vêm do pó para o pó, pois só a verdade permanece. Isso é tudo o que é o sistema de pensamento do ego, e o mundo também: um erro, que quando visto com Jesus, simplesmente desaparece de volta na sua própria nulidade. É útil manter em mente que tanto o erro quanto a verdade estão em nossas mentes; em nenhum outro lugar. Portanto, não é o mundo que tem que ser modificado, mas nossa crença de que existe um mundo, e que o ego está certo e Jesus errado. “Pó ao pó”, é claro, é uma alusão ao famoso verso bíblico do Gênesis (2:7). Jesus agora descreve o que é basicamente impossível de se descrever: (2; 3:1-2) Podes imaginar o que é um estado mental sem ilusões? Qual seria o sentimento? Tenta lembrar-te daquele tempo, - talvez um minuto, talvez menos – em que nada vinha interromper a tua paz, quando estavas certo de ser amado e de estar em segurança. Depois, tenta fazer um retrato em tua mente de como seria se esse momento 116


fosse estendido até o final dos tempos e até a eternidade. E, então, deixa que a sensação de quietude que sentiste seja cem vezes multiplicada e em seguida multiplicada cem vezes mais. Agora, tens uma idéia, nada mais do que um leve indício do estado em que a tua mente descansará quando a verdade vier. Nossos pensamentos de felicidade e paz são apenas um vislumbre muito, muito, muito pequeno da sua verdadeira natureza. Portanto, Jesus pergunta: “Por que você iria jogar fora a gloriosa realidade do meu amor, refletindo para você o Amor de Deus e a fonte da sua felicidade, e escolher em vez disso os pequenos bocados de nadas especiais que você cobiça, nutre e pelos quais até mataria? Qualquer coisa que você pense constituir a verdade da sua segurança é um equívoco”. Perceba que Jesus não fala do corpo, mas da mente – a fonte da nossa miséria e dor, e felicidade e paz. Essa passagem também implica que não existe maneira de o corpo jamais conhecer a paz real, pois a paz não reside no mundo nem nos diversos estados aos quais nós aspiramos, mas apenas na mente que se libertou da culpa e do medo. Essa é a paz que São Paulo descreveu como ultrapassando toda compreensão (Filipenses 4:7), e da qual fala o manual para professores: Foi dito que há uma espécie de paz que não é desse mundo... em todos os aspectos não é absolutamente como nenhuma das experiências anteriores. Não traz à mente nada do que se passou antes. Não traz consigo nenhuma associação passada. É uma coisa inteiramente nova... [Ela é] a simples compreensão de que a Sua Vontade é totalmente sem opostos. Não existe nenhum pensamento que contradiga a Sua Vontade e ainda possa ser verdadeiro... A Vontade de Deus é uma só e é tudo o que existe. Essa é a tua herança. O universo além do sol e das estrelas e todos os pensamentos que és capaz de conceber pertencem a ti. A paz de Deus é a condição para a Sua Vontade. Atinge a Sua paz e te lembrarás Dele (MP-20.1:1; 2:2-5; 6:2-3,9-13). Qualquer coisa aqui pode se aproximar desse estado? Jesus continua: (3:3-4) Sem ilusões, não poderia haver nem medo, nem dúvida, nem ataque. Conforme você pratica o Um Curso em Milagres, não perde sua individualidade da noite para o dia. Você perde seu medo, dúvida, ansiedade e culpa, todos os seus pensamentos de especialismo e ataque. (3:4-6) Quando a verdade vem, toda a dor acaba, pois não há espaço para que pensamentos transitórios e idéias mortas se detenham na tua mente. Implícito aqui – e realmente afirmado na lição anterior – está o fato de que quando sua mente é curada, você não se lembra mais do sonho porque não existe nada para se lembrar. Aceitando a Expiação – a separação, e, portanto, também o sonho que é o mundo, nunca aconteceu – despertamos do sonho do pecado, culpa e medo, que nesse ponto se foi para sempre. Como Jesus diz perto do final de “Os obstáculos à paz”: Nada do que lembras agora, tu te lembrarás. Parece-te que o mundo te abandonará completamente se apenas ergueres os teus olhos. No entanto, tudo o que vai ocorrer é que deixarás o mundo para sempre (T19.IV-D.6:9; 7:1-3). 117


(4:1-2) Quando a verdade vem, não fica só por um momento, para desaparecer ou transformar-se em outra coisa. Tudo nesse mundo muda e se metamorfoseia em algo mais. Não importando o quanto as exigências do nosso especialismo sejam indulgentes, não importando o quanto ansiemos e busquemos sua satisfação, sabemos por experiência própria que os bons sentimentos não duram, o que é uma prova de que não são a verdade. Na realidade, nosso relacionamento mais especial de todos – com nossos corpos – termina em total fracasso, pois todos nós morremos. No entanto, se o amor de Jesus está presente em nossos relacionamentos, os bons sentimentos precisam e vão durar. Só seu amor, refletindo o Amor eterno de Deus vai durar enquanto sonhamos. As formas do especialismo – as emoções, excitações e prazeres são transitórios. Portanto, o amor de Jesus é um apelo constante a nós, pois ele designa “o que dura” como o critério para distinguirmos entre o que tem valor e o que não tem, como devemos ver depois, na Lição 133. (4:2-8) Ela não se desloca e nem altera a sua forma, não vai e vem, nem vem e vai de novo. Fica exatamente tal como sempre foi e pode-se contar com ela a cada necessidade, ter perfeita confiança nela em todas as aparentes dificuldades e duvidas geradas pelas aparências que o mundo apresenta. Essas meramente se desvanecerão quando a verdade corrigir os erros na tua mente. Jesus não está dizendo que não vamos ter necessidades. Enquanto estivermos nesse sonho, voltando para casa, vamos ter necessidades, preocupações e problemas. Como ele diz sobre o psicoterapeuta avançado: “Até mesmo um terapeuta avançado tem algumas necessidades terrenas enquanto está aqui” (P-3.III.1:3). Portanto, a jornada é um processo, e Jesus deixa implícito que estamos começando a entender que a verdade da sua presença amorosa está sempre em nossas mentes, esperando pelo nosso retorno. Uma vez que nós não temos que estar perfeitamente livres do nosso especialismo, ele nos diz: “Quando esses pensamentos surgirem, venha a mim, pois eu sou a verdade que vai desfazê-los e, portanto, também à sua dor”. Esse pensamento reconfortante de que não precisamos nos libertar dos nossos egos também é encontrado em uma discussão sobre o instante santo: A condição necessária para o instante santo não requer que não tenhas nenhum pensamento que não seja puro. Mas requer que não tenhas nenhum que queiras guardar... Na tua prática, então, tenta apenas estar vigilante contra o engano e não busques proteger os pensamentos que queres guardar para ti mesmo. Deixa que a pureza do Espírito Santo os dissipe com seu brilho e traze toda a tua consciência para estares pronto para a pureza que Ele te oferece (T-15.IV.9:1-3,8-12). Portanto, não nos é solicitado que estejamos sem o corpo e suas necessidades. Somos solicitados meramente a mudarmos seu propósito, convidando Jesus para voltar às nossas mentes. Esse simples convite reflete a disponibilidade de segurar sua mão amorosa e iniciar a jornada para casa. Simples honestidade conosco é tudo o que ele precisa para fazer com que sua verdade corrija todos os erros em nossas mentes. (5:1-3) Quando a verdade vem abriga sob as suas asas a dádiva da perfeita constância e do amor que não vacila diante da dor, mas olha para o que está além com firmeza e segurança. Mais uma vez, Jesus não está dizendo que não haverá dor ou dificuldade; elas serão desfeitas por percebermos que sua causa não repousa em nada externo, ou no fato de nossas necessidades não terem sido atendidas, mas em, bem simplesmente, termos soltado sua mão. 118


A dor, portanto, vem de dizermos a Jesus: “Eu não estou interessado em você, pois eu sei melhor do que você”; enquanto a paz é o resultado de admitirmos que estávamos errados. (5:3-5) Aqui está a dádiva da cura, pois a verdade não precisa de defesa, portanto, nenhum ataque é possível. Isso implica em que a doença é uma defesa, que é o assunto da Lição 136, “A doença é uma defesa contra a verdade” (LE-pI.136). É por isso que escolher a verdade é curar. Se não existe medo em nossas mentes, não existe nada contra o que se defender. O ataque é o conteúdo por trás de cada defesa, pois nós atacamos a nossa realidade e a do nosso irmão como Cristo, substituindo o amor pelo medo. No entanto, isso só é assim em sonhos. A cura simplesmente aceita a verdade por trás da ilusão, como vemos agora: (5:5-8) As ilusões podem ser trazidas à verdade para serem corrigidas. Mas a verdade está muito além das ilusões e não pode ser trazida até elas para transformá-las em verdade. É isso o que o mundo tenta fazer, como tentou fazer com Jesus, Deus e, infelizmente, com o Um Curso em Milagres. Nós queremos trazer a verdade do Curso à ilusão, e fazer com que a verdade cure nossos problemas aqui. Em vez disso, Jesus nos pede para levarmos o ego à sua verdade, o que desfaz a ilusão e a dor que vem dele. Ele sucintamente resume esse princípio na seguinte passagem do texto: Quando tentas trazer a verdade às ilusões, estás tentando fazer com que as ilusões sejam reais e estás tentando mantê-las, justificando a tua crença nelas. Mas dar ilusões à verdade é permitir à verdade ensinar que as ilusões são irreais e assim permitir que escapes delas (T-17.I.5:4-8). Reconhecer a duplicidade do ego ao tornar ilusões reais por levar a verdade a elas nos capacita a reverter o processo. Assim, Jesus é restaurado ao seu lugar de direito em nossas mentes, onde a verdade é lembrada, assim com nós. (6:1-5) A verdade não vai, nem vem, nem se desloca nem muda, tomando essa aparência, ora aquela, fugindo da captura ou mantendo-se fora de alcance. Ela não se esconde. Está na luz obviamente acessível. É impossível que alguém possa buscá-la verdadeiramente sem ter sucesso. Se nós não sentirmos a verdade e o conforto do amor de Jesus, é porque não o buscamos, pois estamos com medo da luz e desejamos permanecer na escuridão. Nossos corpos especiais refletem o sistema de pensamento de escuridão do ego, ao qual nos agarramos porque tememos a luz da verdade na qual nossa individualidade se vai, assim como aconteceria com nossos problemas, julgamentos e mágoas. Sem eles, quem seríamos? Revendo essas linhas, lemos sobre o medo do ego: Não há declaração que o mundo tenha mais medo de ouvir do que essa: Eu não sei o que sou e, portanto, não sei o que estou fazendo, onde estou ou como olhar para o mundo ou para mim mesmo. Entretanto, é aprendendo isso que nasce a salvação. E O Que tu és te falará de Si Mesmo (T-31.V.17:11-17). 119


Portanto, nós não buscamos realmente a verdade, pois não queremos ter sucesso e ouvir nosso Ser nos dizer o Que nós somos. (6:5-9) O dia de hoje pertence à verdade. Dá à verdade o que lhe é devido e ela te dará o que te é devido. Não foste feito para sofrer e para morrer. É a Vontade do teu Pai que esses sonhos desapareçam. Deixa que a verdade corrija todos eles. Nós já discutimos que para o ego a Vontade de Deus para nós é o sofrimento e a morte. Essas lições corrigem essa crença. Os leitores podem se lembrar dessas linhas do texto: Não jures morrer, tu, o Filho santo de Deus! Tu fizeste uma barganha que não podes manter. O Filho da Vida não pode ser morto. Ele é imortal como o seu Pai. O que ele é não pode ser mudado (T-29.VI.2:1-4). Portanto, nós trazemos a ilusão da morte – tendo escolhido a ela em vez da vida – para a verdade da Vontade de Deus. Nós escolhemos finalmente provar que Deus está certo, abolindo o voto ao ego e empenhando-nos em direção à verdade da vida eterna como o Filho de Deus. (7) Não pedimos aquilo que não temos. Meramente pedimos o que nos pertence, para que possamos reconhecer o que é nosso. Hoje, vamos praticar no tom feliz da certeza que nasceu da verdade. Os passos trêmulos e vacilantes da ilusão não são a nossa abordagem hoje. Estamos tão certos do sucesso quanto estamos certos de que vivemos, e esperamos, e respiramos, e pensamos. Não temos dúvidas de que caminhamos com a verdade hoje e contamos com ela para participar de todos os exercícios que fizermos nesse dia. Nosso pedido pelo que pertence a nós é a aceitação da Expiação, pedindo à parte tomadora de decisões da nossa mente para escolher outra vez – a verdade do que somos, em vez da ilusão. Uma vez que estamos pedindo apenas a verdade, não podemos falhar. Ilusões não têm poder uma vez que retiramos nossa crença nelas. Os exercícios de hoje nos levam ainda mais adiante no caminho da certeza, que nós alegremente trilhamos com a verdade do amor de Jesus ao nosso lado. (8:1-3) Começa pedindo Àquele Que vai contigo nesse empreendimento, que Ele permaneça na tua consciência à medida em que vais com Ele. Jesus nos pede novamente para escolhermos a ele ou ao Espírito Santo como nosso Guia conforme atravessamos o dia, levando a Eles todas as formas de transtorno ou inquietação; as inúmeras formas em que escolhemos a ilusão em vez da verdade. Mudando de professores, nossa jornada para lugar nenhum se torna a jornada para casa. (8:3-5) Tu não és feito de carne, sangue e ossos, mas foste criado pelo mesmo Pensamento que também deu a Ele a dádiva da vida. Deus, a Fonte do Espírito Santo, também é nossa Fonte. Jesus, portanto, contrasta o falso ser do ego – como manifesto no corpo – com o glorioso Pensamento de Deus, nossa verdadeira Identidade: Ele, o Pensamento que nos criou; nós, o Pensamento que Ele criou. Somos lembrados nessa linda passagem de que nossos pensamentos, os ídolos do ser, não têm poder contra a verdade da nossa realidade: Além de todos os ídolos está o Pensamento que Deus mantém de ti. Completamente intocado pelo tumulto e pelo terror do mundo, os sonhos de 120


nascimento e de morte que são aqui sonhados, as miríades de formas que o medo pode tomar; inteiramente imperturbado, o Pensamento que Deus mantém de ti permanece exatamente como sempre foi. Cercado por uma quietude tão completa que nenhum som de batalha se aproxima nem sequer de forma remota, ele descansa na certeza e na paz perfeita. Aqui está a sua única realidade mantida em segurança, completamente inconsciente de todo o mundo que cultua ídolos e que não conhece a Deus. Na perfeita confiança da sua imutabilidade e do seu descanso na sua casa eterna, o Pensamento que Deus mantém de ti nunca deixou a Mente de seu Criador, a Quem ele conhece do mesmo modo que o seu Criador tem o conhecimento de que ele está lá (T-30.III.10). (8:5-7) Ele é o teu Irmão, e tão igual a ti que o teu Pai sabe que ambos são o mesmo. É ao teu Ser que estás pedindo para ir contigo e como poderia Ele estar ausente de onde estás? Lembre-se dessas linhas inspiradoras do maravilhoso poema de Helen, “Uma oração a Jesus”: Venham irmãos, vejam quão semelhante a Cristo eu sou, e a você também a quem Ele abençoou e mantém como um comigo (As Dádivas de Deus, p. 82). Nossa unidade com nossos irmãos reflete nossa unidade com o Espírito Santo, o que na verdade reflete a unidade da criação única de Deus. Nós, o Filho de Deus, somos uma unidade unida como uma, parte da Unicidade que une todas as coisas dentro de Si Mesma (T-25.I.7:12). Cristo, nosso Ser, nunca pode ser separado de Si Mesmo, nem do Espírito de Deus Que nos lembra da verdade do nosso Ser único. (9:1-7) A verdade corrigirá todos os erros na tua mente que te dizem que poderias estar à parte Dele. Hoje, falas com Ele e fazes a promessa de deixar que a Sua função seja cumprida através de ti. Compartilhar a Sua função é compartilhar a Sua alegria. A Sua confiança está contigo, enquanto dizes: A verdade corrigirá todos os erros na minha mente, e eu descansarei Naquele Que É o meu Ser. Assim, escolhemos nos lembrar da nossa função de perdão: trazendo os erros das escolhas equivocadas passadas à verdade em nossas mentes, conforme trilhamos o caminho que nos leva ao nosso Ser. (9:8-10) Deixa então que Ele te conduza gentilmente à verdade, que te envolverá e te dará uma paz tão profunda e tranqüila que terás relutância em voltar ao mundo que te é familiar. Jesus se direciona à integração do que nós sabemos ser a verdade em nossas mentes com nossa função no mundo, um exemplo da idéia bíblica de estar no mundo e no entanto não ser dele (João 17:14, 16, 18). Isso significa que continuamos a viver no mundo, sabendo que nossa realidade não está lá. No entanto, uma parte de nós permanece relutante em voltar nossa atenção ao mundo, porque a experiência da luz, verdade e amor é tão maravilhosa que, por contraste, o mundo parece um verdadeiro inferno. Portanto, Jesus nos diz que ele sabe o que nós sentimos, ao mesmo tempo em que encoraja a parte certa das nossas mentes. De fato, é a experiência da paz que nos capacita a “voltar” para o mundo, mas de forma diferente; 121


um tema importante ao qual devemos retornar. O poder dessa paz foi lindamente capturado em outro dos poemas de Helen, “Desperte em Quietude”: A paz cobre você, dentro e fora o mesmo, em brilhante silêncio e em paz tão profunda que nenhum sonho de pecado e mal pode se aproximar da sua mente quieta. (As Dádivas de Deus, p.73) (10:1-3) E, no entanto, ficarás contente em olhar para esse mundo novamente. A razão disso é que trarás contigo a promessa das mudanças que a verdade que vai contigo levará para o mundo. O que são essas mudanças? Antes de pedir ajuda a Jesus, eu era uma vítima miserável, zangada, deprimida, ansiosa e muito infeliz. Percebendo que ficaria mais feliz com um novo professor, liberei meu investimento no especialismo do ego. Portanto, sou visto de forma diferente, porque eu estou diferente. Como o livro de exercícios diz, depois: eu “sorrio mais freqüentemente” (LE-pI.155.1:2). Isso indica que algo mudou – de raiva e depressão para felicidade e alegria – e diz, com efeito: pelo fato das mentes serem uma, a escolha que eu fiz você pode fazer, o professor que eu escolhi está na sua mente também. Esse é o significado da adorável afirmação de Jesus no texto, “Não ensines que eu morri em vão. Ensina, em vez disso, que eu não morri, demonstrando que vivo em ti” (T-11.VI.7:3-4). Nossa felicidade demonstra sua vida em nós. Isso não significa que nós literalmente andamos por aí sorrindo, mas que permanecemos pacíficos, sabendo que nada no mundo tem o poder de perturbar nossa paz. Viver na presença do amor de Jesus significa que nós vivemos com sua presença o tempo todo. Nossa alegria quieta testemunha sua verdade em nossas mentes, conforme todos os pensamentos do ego são gentilmente deixados de lado. A alegria nascida do perdão a nós mesmos se estende alegremente através da Filiação e é levada ao mundo. (10:3-6) Elas aumentarão com cada dádiva de cinco breves minutos que lhe deres e os erros que cercam o mundo serão corrigidos à medida em que deixas que sejam corrigidos na tua mente. Novamente, Jesus fala da correção dos erros em nossas mentes. Os “erros que cercam o mundo” são aqueles que vêm da crença na separação: eu sei melhor do que Deus, o Espírito Santo ou Jesus; eu estou certo e Eles estão errados. Quando eu demonstro que estou finalmente feliz por ter estado errado, novamente, me torno o exemplo para todos os outros. A cada vez que me lembro, me lembro por toda a Filiação, como agora lemos: (11) Hoje, não esqueças a tua função. Toda vez que dizes a ti mesmo, com confiança: “A verdade corrigirá todos os erros na minha mente”, estarás falando por todo mundo e por Aquele Que Quer liberar o mundo assim como quer libertar a ti. Que melhor forma de encerrar a discussão sobre essa lição do que citar o final do manual para professores. Esses versos adoráveis, já parcialmente citados, contêm nossa função de perdoar a nós mesmos, dessa forma, perdoando o mundo. A gratidão de Jesus a nós ecoa nossa própria gratidão a ele, o que nos leva a esse lugar sagrado, no qual nossa escolha foi feita pela verdade, em vez de pela ilusão, pela liberdade, em vez de pelo aprisionamento, pela vida, em vez de pela morte:

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E agora, em tudo o que faças sê tu abençoado. Deus volta-Se para ti pedindo ajuda para salvar o mundo. Professor de Deus, Ele te oferece a Sua gratidão, e o mundo todo fica em silêncio na graça que trazes do Pai. Tu és o Filho que Ele ama, e te é dado ser o meio através do qual a Sua Voz é ouvida em todo o mundo para acabar com todas as coisas nascidas do tempo, para trazer o fim de todas as coisas visíveis e para desfazer todas as coisas que mudam. Através de ti, se anuncia um mundo que não é visto nem ouvido, embora esteja verdadeiramente presente. Santo és tu, e na tua luz o mundo reflete a tua santidade, pois não estás só nem sem amigos. Eu agradeço por ti, e me uno aos teus esforços a favor de Deus sabendo que são também a meu favor, e a favor de todos aqueles que caminham para Deus comigo. AMÉM (MP-29.8)

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LIÇÃO 108 Dar e receber são um só na verdade. O título nos dá os dois temas principais dessa lição: dar e receber são um só; e, derivado do primeiro, nossa unidade inerente como o Filho de Deus. Lembrar da nossa Unicidade como Cristo é o objetivo final do ensinamento de Jesus. (1:1) A visão depende da idéia de hoje. A visão não tem nada a ver com nossos olhos, que literalmente não vêem. Toda “visão” reflete uma escolha que fizemos em nossas mentes pelo professor que queremos. Se for o ego, nossos olhos verão separação; se for Jesus, eles vão trazer de volta a nós sua mensagem de unicidade. Em um mundo separado, unicidade significa necessidades e interesses compartilhados. Apesar dos nossos caminhos diferentes, nós compartilhamos a mesma esperança e objetivo. Entender a unidade do compartilhar é a essência da visão, e o motivo pelo qual dar e receber são o mesmo: o Filho dá a si mesmo, que alegremente recebe a dádiva do seu ser. (1:1-2) A luz está nela, pois reconcilia todos os opostos aparentes. Dizer que o sistema de pensamento do ego repousa na separação, individualidade ou diferenças é o mesmo que dizer que ele repousa em opostos. Ele começa com o pensamento de que Deus e Seu Filho são adversários e estão em oposição. Uma vez que o mundo foi feito, o elemento opositor da mente dividida se tornou mais pronunciado: a realidade de Deus é espírito, enquanto a nossa é o corpo. O mundo, então, é baseado em opostos, e viver aqui sem oposição é impossível. Percepção, o termo que Jesus usa para descrever esse mundo, é baseada no contraste: nossa percepção em relação a algo mais. A seguinte passagem do manual para professores descreve esse mundo de contrastes e opostos: A crença em ordens de dificuldades é a base da percepção do mundo. Fundamentase em diferenças; o que passou não está nivelado, há alterações no que virá, as alturas são desiguais e os tamanhos diversos, há graus variados de escuridão e luz e milhares de contrastes nos quais cada coisa vista compete com todas as outras para ser reconhecida (MP-8.1:1-6). Os relacionamentos especiais são baseados no contraste, pois seu sistema de pensamento insano começa com a premissa de diferenças: você é mais especial do que outra pessoa, portanto, são diferentes; você foi mais amado por mim ontem, quando me deu o que eu queria, mas você está diferente hoje, quando não me agrada. A visão, nascida do princípio de Expiação que diz que a separação nunca aconteceu, é a base para a mudança na forma com que percebemos o mundo. Ela reconcilia os opostos, não por juntá-los como, por exemplo, Jung enfatizou, mas por expor as ilusões que estão sob os dois lados do contraste. A única oposição significativa a ser discutida é a oposição do ego ao Espírito Santo. Essa oposição é “reconciliada” quando seu erro é trazido à verdade da unidade, onde é gentilmente dispersado. (1:2-5) E o que é a luz senão a resolução nascida da paz, de todos os teus conflitos e pensamentos equivocados, fazendo de todos eles um só conceito que é totalmente verdadeiro?

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O “um só conceito que é totalmente verdadeiro” é a Expiação: nós somos unidos, porque nunca nos separamos da Unicidade. Dentro do sonho, o Filho de Deus é um; no Céu, o Filho de Deus é um. Esse é o conceito que resolve todo conflito, dissolvendo a falsidade na equação do ego. (1:5-7) Até mesmo esse virá a desaparecer, porque o Pensamento por trás dele aparecerá para tomar o seu lugar. E agora estás em paz para sempre, pois o sonho acabou. O pensamento da Expiação vai desaparecer porque quando atingir seu propósito – o desfazer do erro -, a correção não será mais necessária e vai desaparecer. De forma similar, Jesus diz sobre o Espírito Santo que no final Ele “retorna à ausência de formas de Deus” (ET6.5:8). O que permanece, no entanto, é o Pensamento por trás da Expiação – nossa Identidade como Cristo – que nunca morre porque está além dos opostos da vida e da morte, e além da sua correção. (2:1-2) A luz verdadeira que faz com que a visão verdadeira seja visível não é a luz que os olhos do corpo contemplam. A visão não tem nada a ver com ver auras, luz física ou experiências no mundo. Sua luz está apenas na mente, e além da percepção sensória. Dito de forma simples, é a luz da verdade, um pensamento dentro da mente que espera por nossa decisão de “vê-lo”. (2:2-6) É um estado da mente que veio a ser tão unificado que a escuridão não pode ser percebida de forma alguma. E assim o que é o mesmo é visto como um só, enquanto o que não é o mesmo permanece despercebido, pois não existe. “O que não é o mesmo” são os fragmentos aparentes da Filiação. Quando se está no mundo real, o referente aqui, percebe-se que tudo aqui é um sonho, e nossa realidade está fora dele, onde o Filho de Deus é um e não tem nome. Nós atribuímos nomes – Jesus, por exemplo -, mas, na verdade, apenas o pensamento do amor existe no mundo real, o qual, como Jesus explica, dura apenas um instante, e depois Deus se abaixa e nos levanta de volta até Ele. Portanto, nós lemos, por exemplo, essas duas versões do que é em algum lugar chamado de o último passo de Deus: Deus ama Seu Filho. Pede-Lhe agora que Ele te dê os meios pelos quais esse mundo desaparecerá; primeiro virá a visão e apenas um instante mais tarde o conhecimento. Pois na graça vês uma luz que cobre o mundo todo de amor e observas o medo desaparecer de cada rosto à medida que os corações se erguem e reivindicam a luz como o que lhes pertence. O que permanece agora que poderia atrasar a vinda do Céu ainda que por um instante? O que ainda está por fazer, quando o teu perdão descansa em todas as coisas? (LE-pI.168.4). Oh, meus irmãos, se apenas conhecessem a paz que os envolverá e os manterá seguros e puros e belos na Mente de Deus, não fariam outra coisa senão correr para encontrá-Lo, lá onde está o Seu altar. Santificado seja o teu nome e o Seu, pois estão unidos aqui nesse lugar santo. Aqui, Ele Se inclina para erguer-te até Ele, para fora das ilusões rumo à santidade, para fora do mundo e para dentro da eternidade, para fora de todo o medo e de volta ao amor (ET-4.8). (3:1-2) Essa é a luz que não mostra opostos e a visão, tendo sido curada, tem o poder de curar. 125


A visão cura a crença na separação, a fonte de toda doença. Unindo-nos a Jesus, nós nos unimos a toda a Filiação, terminando com a separação conforme terminamos com a doença. É por isso que a visão e a cura são o mesmo. Nós experienciamos a visão por negarmos, não o que nossos olhos vêem, mas que nossas percepções significam algo. Portanto, as primeiras lições ensinam que tudo aqui é sem significado, pois nós demos o significado a tudo, o que serve para provar que estamos certos e Jesus errado: a separação está viva, bem e poderosa, pois vejam o que ela alcançou. Esses pensamentos são sem significado, no entanto, porque vieram do nada, e sua escuridão é iluminada pela luz da verdade. (3:2-4) Essa é a luz que traz a tua paz a outras mentes para compartilharem dela e ficarem contentes por serem unas contigo e com elas mesmas. Existe uma palavra muito importante: unas. A paz vem a todas as mentes porque elas são uma só. Isso não é verdadeiro no mundo e não pode ser entendido aqui. No entanto, continua sendo verdade, além da compreensão do nosso ego. Quando temos uma experiência – mesmo que por um único instante – de estarmos sem o ego e com o amor de Jesus, compreendemos a unicidade do Filho de Deus, uma compreensão que permanece conosco, mesmo que busquemos encobri-la com as nuvens de complexidade e obscuridade. (3:4-6) Essa é a luz que cura porque traz a única percepção baseada num só ponto de referência do qual vem um só significado. A visão nos diz que os Filhos de Deus, todos os quais parecem diferentes, são um. Nós temos diferenças, com certeza, mas elas são superficiais. Somos um porque compartilhamos a mesma necessidade de voltar para casa que nós acreditamos ter destruído. Nossa necessidade conjunta é perceber que nosso pecado aparente não teve efeitos. Um “só ponto de referência” é a verdade à qual levamos nossas percepções disparatadas, para que lá sejam unidas no propósito único do perdão. Nós voltamos mais uma vez a essa passagem extremamente importante que descreve a visão da mente curada, “a única percepção baseada num só ponto de referência”: Os olhos do corpo continuarão a ver diferenças. Mas a mente que se deixou curar não vai mais tomar conhecimento delas. Haverá pessoas que parecerão “mais doentes” do que outras, e os olhos do corpo registrarão suas aparências mudadas como antes. Mas a mente curada vai colocá-las todas em uma única categoria: elas são irreais. Essa é a dádiva do seu Professor: a compreensão de que apenas duas categorias têm significado na seleção das mensagens que a mente recebe do que parece ser o mundo do lado de fora. E dessas duas, somente uma é real (MP-8.6:19). (4:1-4) Aqui, tanto o dar quanto o receber são vistos como aspectos diferentes de um só Pensamento, cuja verdade não depende de qual é visto como o primeiro, ou qual parece estar em segundo lugar. Mais uma vez, nas barganhas especiais nas quais nossos relacionamentos estão baseados, existe um doador e um recebedor; e nós queremos estar por cima, dando tão pouco quanto possível, e recebendo tanto quanto pudermos. Para corrigir esse axioma do ego de eu venço, você perde, Jesus diz depois no livro de exercícios: “Eu escolho o segundo lugar para ganhar o primeiro” (LE-pII.328). Quando eu não quero mais ser o número um, a Primeira Causa e o autor da minha existência, escolho ser o Efeito de Deus. Assim, eu me lembro de que sou um com minha Fonte, o que me coloca em primeiro lugar, porque em Deus não existe 126


primeiro e segundo. Nós “pertencemos à Primeira Causa, criados por Ele como Ele Mesmo e parte Dele” (T-14.IV.2:1): O primeiro no tempo nada significa, mas o primeiro na eternidade é Deus, o Pai, Que é ao mesmo tempo Primeiro e Único. Além do Primeiro não há nenhum outro, pois não há ordem, nem segundo, nem terceiro e nada a não ser o Primeiro (T14.IV.1:7-8). No sonho, nós refletimos a verdade da nossa unicidade por vivermos sem vencedores e perdedores, alegremente entendendo que não temos que roubar amor, destruir outro para conseguir o que queremos, ou estar certos. Se nós aprendermos essa lição, percebendo que somos todos partes do Filho único, teremos atingido o estado de não julgamento da mente, no qual existe apenas a visão. (4:4-5) Aqui compreende-se que ambos ocorrem juntos para que o Pensamento permaneça completo. O Pensamento de Amor é completo na mente porque ele é um. Eu não posso dar o que não tenho, e não posso receber o que não dei. Essa é a experiência do Amor de Deus conforme Ele se estende através da mente curada. Eu não acredito que tenho menos, porque sei que as mentes são uma, e percebo que não existe nada do lado de fora porque eu sou a mente do Filho de Deus, que é uma com sua Fonte. Dentro e fora perdem seu significado, pois existe apenas a Mente do Amor. Dar e receber são apenas termos dualistas que usamos para conotar a extensão do Amor de Deus através das nossas mentes, conforme ele permanece lá: idéias não deixam sua fonte. (4:5-8; 5) E nesta compreensão está a base na qual todos os opostos são reconciliados por serem percebidos do mesmo ponto de referência, aquele que unifica esse Pensamento. Um só pensamento, completamente unificado, servirá para unificar todos os pensamentos. Isso é o mesmo que dizer que uma só correção será suficiente para todas as correções ou que perdoar totalmente um irmão é suficiente para trazer a salvação à todas as mentes. Pois estes não passam de casos especiais de uma só lei que se mantém para todo tipo de aprendizado, se for dirigido por Aquele Que conhece a verdade. A mensagem é clara: todos são um. Nós aprendemos que ao perdoarmos uma pessoa totalmente, teremos perdoado a todas, porque um irmão é todos os irmãos. Lembre-se da seguinte declaração aqui colocada mais no contexto de generalizar as lições de perdão do Espírito Santo: Deixa então a transferência do teu aprendizado Àquele Que realmente compreende as leis do aprendizado e irá garantir que elas permaneçam invioladas e ilimitadas. A tua parte é apenas aplicar o que Ele te ensinou a ti mesmo e Ele fará o resto. E é assim que o poder do teu aprendizado será provado a ti por todas as muitas testemunhas diferentes que ele encontra. Em primeiro lugar, o teu irmão será visto entre elas, mas milhares estarão por trás dele, e por trás de cada um deles, outros mil (T-27.V.10:1-8). Portanto, Jesus diz que nossa única responsabilidade é aceitar a Expiação para nós mesmos (T-2.V.5:1), o que nós aplicamos aos nossos relacionamentos especiais. Dentro desse especialismo é encontrado todo o sistema de pensamento do ego e do mundo, assim como no 127


meu perdão é encontrado todo o sistema de pensamento do Espírito Santo – um problema, uma solução. (6) Aprender que dar e receber são a mesma coisa tem uma utilidade específica, pois pode-se tentar isso com muita facilidade e ver que é verdade. E quando esse caso específico tiver provado que isso sempre funciona, em todas as circunstâncias em que é feita essa tentativa, o pensamento por trás dele pode ser generalizado a outras áreas de dúvida e de dupla visão. E, a partir daí, ele se estenderá para finalmente chegar ao único Pensamento que é a base de todos os outros. Em outras palavras, quando eu pratico a idéia para hoje e peço a ajuda de Jesus para perdoar, aprendo a generalizar de um relacionamento específico para todos os relacionamentos. O termo dupla visão tem aqui o significado de dualidade. Quando vejo coisas em dobro, vejo em opostos, uma expressão da dualidade. Portanto, eu pratico com o relacionamento especial atual pedindo a Jesus para me ajudar a mudar de uma percepção de diferenças para uma de necessidades e metas compartilhadas. Tal prática vai me ajudar a generalizar para cada aspecto da minha vida. O um Pensamento se refere ao Amor de Deus, a Unicidade que é a fonte de todas as experiências de unicidade – interesses compartilhados – no mundo. Minha prática diária diligente e dedicada forja a generalização que me capacita a aprender que o princípio de “dar e receber são um só”, o que cura minha mente dividida, “em todas as circunstâncias em que é feita essa tentativa”. (7) Hoje, praticaremos o caso específico de dar e receber. Usaremos essa simples lição naquilo que é obvio, pois tem resultados que não podemos perder. Dar é receber. Hoje, tentaremos oferecer paz a todos e ver quão rapidamente ela retorna a nós. Luz é tranqüilidade e é nesta paz que a visão nos é dada e podemos ver. Ansiosos para aprendermos a lição nas circunstâncias específicas de nossas vidas, nós permitimos que o nosso Professor generalize nosso aprendizado para o mundo. Nós escolhemos dar o perdão, para que possamos recebê-lo. Emprestando a inspiradora imagem das páginas finais do texto, vemos esses diminutos e dispersos fios de perdão crescerem em um coro inclusivo de amor, trazendo luz e paz à Filiação, unida e curada na tranqüila visão de unicidade de Cristo (T-31.VIII.11:5). (8) Assim, começaremos os períodos de prática com a instrução do dia, dizendo: Dar e receber são um só na verdade. Hei de receber o que estou dando agora. Em seguida, fecha os olhos e pensa durante cinco minutos no que queres oferecer a todos para que seja teu. Poderias dizer, por exemplo: A todos eu ofereço quietude. A todos eu ofereço a paz da mente. A todos eu ofereço gentileza. Essas “afirmações” da decisão da nossa mente certa representam a verdade à qual trazemos nossos pensamentos de separação e de um ou outro da mente errada: Eu venço, você perde. Eu escolho liberar esse princípio para que eu possa receber a quietude, a paz e a gentileza que ofereço a você, meu irmão na ilusão assim como na verdade.

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(9:1-4) Dize cada uma destas frases lentamente, em seguida faze uma pequena pausa esperando para receber a dádiva que deste. E ela virá a ti na mesma medida em que a deste. Descobrirás que tens um retorno exato, pois é isso o que pediste. Como é maravilhoso aprender que quando damos, recebemos, e como é instrutivo ver nossa resistência a aceitarmos a verdade de que nossa impecabilidade merece a paz e o amor que damos aos nossos irmãos! Se nós não experienciamos essa paz, será porque não a estamos oferecendo. O leitor pode se recordar dessa linha espantosa do texto, à qual acrescentamos a que se segue a ela: Se ele não te fala de Cristo, não lhe falaste de Cristo. Tu ouves apenas a tua própria voz e se Cristo fala através de ti, tu O ouvirás (T-11.V.18:9-11). Apesar das ações dos egos dos outros, nossa percepção tem a ver apenas com uma decisão que nossas mentes tomaram. Precisamos sempre receber o que pedimos; precisamos sempre receber o que damos: culpa ou perdão, separação ou unidade. (9:4-6) Talvez também seja útil pensarem em alguém para dar as tuas dádivas. Ele representa os outros e, através dele, dás a todos. Trazemos essa mensagem ao mundo praticando-a em nossos relacionamentos especiais. Não precisamos fazer nada externo, porque não há nada externo. O aprendizado acontece dentro da mente, e o amor de Jesus faz o resto conforme ele naturalmente se estende a tudo, limpando as projeções de exclusão e especialismo do ego, que gentilmente desaparecem na luz do nosso perdão. (10:1-3) Nossa lição muito simples para o dia de hoje te ensinará muito. Efeito e causa passarão a ser bem mais compreendidos a partir deste momento e progrediremos muito mais rapidamente. Minha dor, infelicidade, e miséria são o resultado inevitável da minha crença de que o ego está certo e é um professor melhor do que o Espírito Santo. O efeito – o que eu recebo – segue-se diretamente à sua causa – o que eu dou. Eu dou apenas o que quero aprender: a separação do ego ou a Expiação do Espírito Santo. Aceitar esse fato sem discussão nos acelera ao longo do caminho para Casa. (10:3-6) Pensa nos exercícios para o dia de hoje como rápidos avanços no teu aprendizado, ainda mais rápidos e mais seguros a cada vez que disseres: “Dar e receber são um só na verdade”. Ao atravessar seu dia, pratique a aplicação do pensamento de hoje em qualquer momento, com qualquer pessoa, em qualquer situação na qual existir a perda da paz. Ver a si mesmo ou a outro como separado significa que você acredita que dar e receber são parte de uma barganha, refletindo a separação que você pensa que é a lei natural. Trazer continuamente as mentiras do ego à verdade do Espírito Santo acelera nosso avanço conforme acelera nossa experiência da paz.

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LIÇÃO 109 Eu descanso em Deus. Essa lição é uma particularmente linda, e deveria ser lida como uma meditação. Espero não arruiná-la com meus comentários. Perceba que quando Jesus fala de descansar em Deus, isso está em contraste com a inquietude e a intranqüilidade do mundo. Portanto, vemos novamente sua ênfase em contrastar a verdade e a ilusão: Seu descanso de verdadeira quietude, e o descanso de assassinato do ego – eu estou quieto e pacífico porque consegui o que queria; eu venci e você perdeu, e então, eu descanso em triunfo. Note, também, como a frase Eu descanso em Deus reaparece quase como um tema musical. (1) Pedimos descanso, hoje, e uma quietude inabalada pelas aparências do mundo. Pedimos paz e serenidade em meio a todo o tumulto que nasce de sonhos em conflito. Pedimos segurança e felicidade, embora pareçamos olhar para o perigo e o pesar. E temos o pensamento que responderá ao nosso pedido com o que estamos pedindo. Jesus não está dizendo que deveríamos desaparecer no topo de uma montanha e descansar em Deus. Ele nos pede para praticarmos essa lição em meio ao nosso mundo diário de tumulto, sonhos em conflito, perigo e pesar. A meta é atravessarmos nossas vidas, cheias de sturm und drang, e ainda assim nos sentirmos em paz. Com certeza, problemas sempre estarão conosco, pois eles são as projeções da culpa, que ainda está conosco. Escolhendo o perdão, no entanto, o problema na mente desaparece, assim como os problemas percebidos no mundo. O que permanece é a paz e a quietude que vêm do descanso, que é o efeito feliz de liberarmos nosso apego à culpa. (2:1-5) “Eu descanso em Deus”. Esse pensamento te trará o descanso e a quietude, a paz e a calma, a segurança e a felicidade que buscas. “Eu descanso em Deus”. Esse pensamento tem o poder de despertar a verdade adormecida em ti, cuja visão vê, além das aparências, essa mesma verdade em todos e em tudo o que existe. Nós começamos com as aparências; isto é, você e eu somos diferentes, com metas diferentes. Pedir a ajuda de Jesus nos leva além das aparências, para a verdade, conforme sua visão de interesses compartilhados substitui nossos julgamentos. Portanto, nossos olhos realmente se abrem e nós despertamos do sonho de separação. (2:6-9) Eis aqui o fim do sofrimento para o mundo todo, para todos os que jamais vieram ou que ainda virão para passar algum tempo aqui. Eis aqui o pensamento em que o Filho de Deus nasce de novo para reconhecer a si mesmo. Isso não faz sentido se você não entender que o passado, presente e futuro são um, e que o instante santo não é parte do tempo linear. Portanto, Jesus não fala de fazermos qualquer coisa no mundo, ou de inventarmos uma mágica que desfaz o passado e liberta o futuro. Seu assunto é o amor que é eterno. (2:9-10) Eis aqui o pensamento em que o Filho de Deus nasce de novo para reconhecer a si mesmo. O termo nasce de novo é usado no Um Curso em Milagres de forma bem diferente do seu uso comum. Aqui, significa escolher outra vez. Quando escolhemos o ego, pensamos que tínhamos vida, quando era realmente morte. Escolhendo a “morte do ego” renascemos porque 130


deixamos Jesus nos lembrar que nosso criador não é o ego. Assim, nascemos novamente para nossa realidade como o Filho único de Deus. (3) “Eu descanso em Deus”. Completamente imperturbável, esse pensamento te carregará através das tempestades e da discórdia, além da miséria e da dor, além da perda e da morte, e mais adiante em direção à certeza de Deus. Não há sofrimento que ele não possa curar. Não há problema que ele não possa resolver. Não há nenhuma aparência que não se volte para a verdade diante dos teus olhos, pois tu és aquele que descansa em Deus. Como sempre, o pensamento para o dia é destinado a ser praticado. Isso significa olhar para as tempestades e disputas, miséria e dor diárias com os olhos de Jesus. Vendo o mundo de forma diferente, sabemos que nada ali pode afetar o amor e a paz interior. Essa, então, é a essência do Um Curso em Milagres, que é o motivo pelo qual Jesus precisa que estudemos e pratiquemos seus ensinamentos: para sermos como ele – raios de luz que chamam outras mentes para se unirem em seu descanso. (4:1-3) Esse é o dia da paz. Descansas em Deus, e enquanto o mundo é dilacerado por ventos de ódio, o teu descanso permanece completamente imperturbado. Isso não significa que você não vê o ódio do mundo. Significa que você não o deixa perturbar sua paz. O mundo tem que estar cheio de ódio porque esse é o motivo pelo qual ele foi feito, e o amor não tem lugar aqui; apenas no Céu, quando você despertar dos sonhos do ego. No entanto, nesse mundo, o perdão ao ódio é possível, quando você não o encara pessoalmente ou o deixa afetar você. Tal visão acontece porque sua mente repousa na fundação do amor muito, muito mais do que no ódio do ego. (4:3-6) O teu descanso é o da verdade. As aparências não podem interferir em ti. Chamas a todos para que se unam a ti no teu descanso e todos ouvirão e virão a ti, pois descansas em Deus. Esse não é um chamado e uma vinda externa. Eles podem ser refletidos externamente, mas estão presentes apenas em nossas mentes, as quais, quando unidas a outras mentes, compartilham sua paz e descanso. (4:6-8; 5:1-2) Eles não ouvirão outra voz senão a tua, porque deste a tua voz a Deus e agora descansas Nele e deixa-O falar através de ti. Nele, não tens cuidado nem preocupações, não tens fardos, ansiedades ou dor, medo do futuro ou arrependimentos passados. Jesus não diz que descansar em Deus vai tirar nossa individualidade. Ele não quer nos amedrontar. Nesse estágio do nosso aprendizado, é importante entender que quando descansamos em Deus, retemos um senso de ser, mas um senso que é livre da dor. Lembrese de que o Espírito Santo não tira nossos relacionamentos especiais de nós, incluindo aquele com o nosso ser. Ele os transforma de instrumentos de dor e culpa em instrumentos de perdão e alegria, como explica a seguinte passagem: O Espírito Santo, sempre prático em Seu juízo, aceita os teus sonhos e os usa como um meio de fazer com que despertes. Tu os terias usado para permaneceres adormecido. Eu disse anteriormente que a primeira mudança, antes dos sonhos desaparecerem, é que os teus sonhos de medo são transformados em sonhos felizes. É isso o que o Espírito Santo faz no relacionamento especial. Ele não o destrói, nem o arranca de ti. Mas Ele o usa de um modo diferente, como uma ajuda 131


para fazer com que o Seu propósito seja real para ti. O relacionamento especial permanecerá, não como uma fonte de dor e culpa, mas como uma fonte de alegria e liberdade. Ele não será apenas para ti, pois é aí que está a sua miséria. Assim como a sua não-santidade o manteve como uma coisa à parte, a sua santidade virá a ser um oferecimento para todas as pessoas (T-18.II.6). Portanto, damos os “pequenos passos” (LE-pI.193.13:7) que gentil e pacientemente nos levam através da dor para a paz, do tempo para o instante intemporal, e finalmente para o descanso eterno em Deus. (5:3-5) Descansas na intemporalidade, enquanto o tempo passa sem deixar seu toque sobre ti, pois o teu descanso nunca pode mudar de modo algum. Hoje, descansas. Jesus descreve uma “divisão” positiva em nossa experiência. Nós caminhamos pela Terra como os outros, mas resta uma parte de nossa mente que está repleta do amor de Jesus. Isso nos permite – não importando os negócios do corpo ou os eventos do mundo – nunca perdermos nossa paz. Assim, não deixamos o mundo, mas o sistema de pensamento do ego. O familiar parágrafo final de “Eu não preciso fazer nada” resume essa divisão na consciência, na qual estamos em repouso, ainda que nossos corpos possam estar muito ativos: No entanto, sempre haverá esse lugar de descanso para o qual podes retornar. E estarás mais ciente deste centro de quietude no meio da tempestade do que de toda a atividade furiosa que ela desencadeia. Esse centro de quietude, no qual tu nada fazes, permanecerá contigo, dando-te repouso em meio a todas as tarefas trabalhosas às quais fores enviado. Pois a partir deste centro serás dirigido quanto ao modo como deves usar o teu corpo sem pecado (T-18.VII.8:1-8). Nós, portanto, vemos o poder do Um Curso em Milagres como um caminho espiritual: por um lado, aprendemos a natureza ilusória do mundo, enquanto por outro, somos encorajados a sermos instrumentos da paz dentro do mundo da ilusão. (5:5-8) E, ao fechares os olhos, afunda na serenidade. Deixa que estes períodos de descanso e pausa reassegurem à tua mente que todas as tuas fantasias frenéticas não passavam de sonhos febris que se foram. Perceba a aliteração aqui: afunda e serenidade; descanso, pausa, e reassegurem; frenéticas, fantasias e febris – um bônus para aqueles que apreciam essa forma estilística. No nível do conteúdo, não somos solicitados a negar nossas “fantasias frenéticas”, mas simplesmente a entendermos que elas não têm efeitos sobre a verdade em nós. Sem nossa crença nelas, os sonhos febris se vão. (5:8-11) Deixa a tua mente ficar serena e aceitar com gratidão a sua cura. Nenhum sonho amedrontador virá, agora que descansas em Deus. Reserva tempo hoje para passar dos sonhos à paz. Isso significa, mais uma vez, que nada aqui pode afetá-lo. De tempos em tempos, você pode ter “sonhos amedrontadores”, mas você vai ser capaz de deixá-los de forma bem leve de lado, conforme você percebe que isso não tem nada a ver com você. Voltando ao adorável “Desperte em Quietude” de Helen, que já vimos em uma lição anterior, lemos mais um pouco do poema e encontramos essas palavras reafirmadoras: O Cristo está inspirado no lar que Ele escolheu como o Seu Próprio. 132


Sua visão repousa sobre seus olhos, e logo você vai observar Sua face, e vai esquecer as fantasias que pareciam tão reais até que a quietude veio. (As Dádivas de Deus, p. 73) Essa quietude, renascida quando os “sonhos amedrontadores são desfeitos, se torna o lar do nosso repouso. (6) Hoje, a cada hora que descansas, uma mente cansada subitamente se faz contente, um pássaro de asas quebradas começa a cantar, um rio seco há muito tempo voltará a fluir. O mundo renasce a cada vez que descansas e te lembras a cada hora que vieste para trazer a paz de Deus ao mundo para que ele possa descansar junto contigo. Ele continua sem dizer que Jesus não está falando literalmente sobre as asas de um pássaro sendo curadas ou um rio fluindo. Esses são apenas símbolos da mente certa. Nós poderíamos estar vivendo em meio a um deserto ou em uma aridez terrível, sem pássaros em nenhum lugar, e iríamos sentir a paz de Deus. Essas imagens maravilhosas refletem para nós a alegria, paz e quietude que vêm às nossas mentes quando escolhemos renascer. Uma vez que Cristo é um, Ele pode renascer apenas como um. A canção esquecida tem apenas uma nota. (7) Com cada cinco minutos de descanso hoje, o mundo estará mais próximo do despertar. E o momento em que o descanso será a única coisa que existe vem para mais perto de todas as mentes desgastadas e cansadas, por demais exauridas para seguirem os seus caminhos sozinhas. E elas ouvirão o pássaro começar a cantar e verão o rio fluir novamente com renascida esperança e com a energia restaurada para andar com passos leves ao longo da estrada que, de súbito, parece fácil à medida em que a percorrem. Essa é uma linda lição para ser lida quietamente consigo mesmo e, enquanto faz isso, perceba que se você não levar sua dor e sofrimento a esses pensamentos, eles não significarão nada mais do que belas palavras que o inspiram durante quinze segundos. Você então fecha o livro e volta para tudo o que o perturbou previamente. No entanto, trazer o transtorno à beleza da lição, mesmo que apenas durante cinco minutos a cada hora, é tudo o que é requerido para compartilhar a visão da lição, que se torna a sua até o final dos tempos. (8:1-2) Hoje, descansas na paz de Deus e, do teu descanso, chamas os teus irmãos para atraí-los ao descanso junto contigo. Isso não é alcançado por palavras externas, mas pela simples presença que os lembra de que eles podem fazer a mesma escolha feliz que você fez. O amor sempre chama o amor, para que ele seja ele mesmo. (8:2-5) Hoje serás fiel à tua confiança, sem esquecer ninguém, trazendo todos ao círculo sem limites da paz, o santuário sagrado onde descansas. A linguagem religiosa reflete a sacralidade da experiência, não por causa de nada externo, mas por causa da Presença amorosa de Deus em nossas mentes. O santuário sagrado de repouso são os relacionamentos perdoados, tornados santos pela decisão de vermos apenas santidade em nossos irmãos e em nós mesmos: Pensa em como tens que ser santo, já que a partir de ti a Voz que fala por Deus chama pelo teu irmão amorosamente, de tal modo que possas despertar nele a Voz 133


que responde o teu chamado! E pensa em como ele tem que ser santo, quando nele dorme a tua própria salvação unida à sua liberdade! (T-26.IX.1:1-5). (8:5-8) Abre as portas do templo e deixa-os vir do outro lado do mundo e de perto também; os teus irmãos distantes e os teus amigos mais íntimos; convida-os todos a entrar aqui e a descansar contigo. Isso é impossível enquanto você nutrir pensamentos de especialismo: algumas pessoas eu amo, outras eu odeio/ algumas quero ajudar, outras quero crucificar. Mais uma vez, Jesus não fala de qualquer coisa externa, mas de uma experiência de amor que abraça a Filiação como um todo. Se você realmente desejar segurar a mão de Jesus e caminhar para casa, precisa soltar as mãos de todos aqueles que odeia ou pensa amar. Você precisa deixar para trás cada pensamento de especialismo e ir até ele, como ele diz, com “mãos totalmente vazias” (LE-pI.189.7:5). Assim, a porta ancestral, que até então esteve fechada, é aberta, e todos os nossos irmãos são bem-vindos para que possamos cantar juntos a linda canção que foi relembrada em nosso descanso: O fim é certo e garantido por Deus. Quem fica diante de uma imagem sem vida quando a um passo de distancia o Santo dos Santos abre uma porta antiga que conduz para além desse mundo?... Vamos esperar aqui em silêncio, e ajoelhar um instante em gratidão a Ele que nos chamou e nos ajudou a ouvir o Seu Chamado. E então vamos nos erguer e seguir com fé ao longo do caminho até Ele. Agora estamos certos de que não caminhamos sozinhos. Pois Deus está aqui, e com ele todos os nossos irmãos. Agora nós sabemos que nunca mais vamos perder o caminho outra vez. Começa de novo a canção que havia parado por apenas um instante, embora nos pareça que ela tenha ficado sem ser cantada por uma eternidade. O que aqui se iniciou vai crescer em vida, força e esperança, até que o mundo se aquiete um instante e esqueça tudo o que o sonho do pecado havia feito dele (ET-ep.1:10-11; 4). (9) Hoje, descansas na paz de Deus, quieto e sem medo. Cada irmão vem para descansar e oferecer o descanso a ti. Descansamos juntos aqui, pois é assim que o nosso descanso se faz completo, e já recebemos o que estamos dando hoje. O tempo não é o guardião do que damos hoje. Estamos dando àqueles que ainda não nasceram e àqueles que já passaram, a cada Pensamento de Deus e à Mente na qual estes Pensamentos nasceram e onde descansam. E nós lembraremos a eles do seu lugar de descanso toda vez que dissermos a nós mesmos: “Eu descanso em Deus”. O local de descanso é a parte da mente na qual habita o Pensamento eterno de Deus, abraçando o Filho de Deus como um só. Nesse instante eterno, nós encontramos nosso repouso, ao ouvirmos a Voz de Deus falar gentilmente conosco sobre amor, conforme falamos com nossos irmãos. As linhas finais de “Desperte em Quietude” provêem uma adorável conclusão para a discussão dessa adorável lição: O Filho de Deus Veio para se unir a você agora. Sua mão brilhante Está no seu ombro. E a Voz silente de Deus Fala incessantemente do Céu. Você vai ouvir Sua única mensagem chamando para Si Próprio Da Sua morada, para despertar em Deus. (As Dádivas de Deus, p.73) 134


LIÇÃO 110 Eu sou como Deus me criou. Essa declaração apareceu pela primeira vez na Lição 94, e vai aparecer de novo na Lição 162, e finalmente em uma revisão das lições que vamos estudar durante vinte dias. Portanto, Jesus encerra essa série de vinte lições, cujo propósito foi nos lembrar da mesquinharia do nosso pequeno ser em comparação com a glória do nosso verdadeiro Ser que Deus criou em unidade com Ele. (1:1-7) Repetiremos essa idéia de hoje de vez em quando. A razão disso é que esse único pensamento seria suficiente para salvar a ti e ao mundo, se acreditasses que é verdadeiro. Essa verdade significaria que não fizeste nenhuma mudança em ti mesmo que tenha realidade, e nem mudaste o universo de forma que o que Deus criou seja substituído pelo medo e pelo mal, pela miséria e pela morte. O problema é que nós acreditamos ter mudado a realidade, e nossa existência individual é a testemunha aparente dessa mudança. Essa é a fonte da nossa culpa, que tem que ser protegida, projetando um mundo mau e amedrontado no qual dizemos: “Outra pessoa fez isso comigo; eu sou inocente”. Para essa insanidade, a Expiação gentilmente sussurra: “E Deus pensa de outra forma” (T-23.I.2:7). O “pensamento” de Deus é simplesmente esse: Meu Filho é o meu Filho, e nada pode mudar esse fato. (1:7-8) Se permaneces tal como Deus te criou, o medo não tem significado, o mal não é real, a miséria e a morte não existem. Esse é o princípio da Expiação, a Palavra de Deus de que nada aconteceu para mudar a realidade. O pecado, portanto, é impossível, assim como seus efeitos: mal, miséria e morte. Os sonhos nos quais eles se manifestam continuam sendo apenas sonhos. A realidade continua inabalada, seu estado eterno revelado pelo milagre: A realidade é imutável. Os milagres apenas mostram que o que interpuseste entre a realidade e a tua consciência é irreal e não interfere absolutamente... Porque a realidade é imutável, já existe lá um milagre para curar todas as coisas que mudam e oferecê-las a ti para serem vistas de uma forma feliz, isenta de medo (T30.VIII.4:1-3; 5:1-3). (2:1-4) A idéia de hoje é, portanto, tudo o que precisas para deixar que a completa correção cure a tua mente e te dê a visão perfeita que curará todos os equívocos que qualquer mente tenha cometido, em qualquer tempo ou lugar. Isso é assim porque, novamente, uma mente é todas as mentes. Lembrem-se, tempo e espaço nunca deixaram o único pensamento de separação na mente, desfeito pelo Pensamento intemporal da Expiação, que reflete a unicidade da eternidade. (2:4-6) Ela basta para curar o passado e fazer com que o futuro seja livre. Basta para deixar que o presente seja aceito tal como é. No instante santo não existe passado, presente do ego, ou futuro. O instante santo nos levou à eternidade, cujo amor está refletido em nossa paz, nascida do perdão ao Filho de Deus. 135


(2:6-9) Basta para deixar que o presente seja aceito tal como é. Basta para deixar que o tempo seja o meio pelo qual todo mundo aprende a escapar do tempo e de todas as mudanças que o tempo parece trazer ao passar. Jesus usa o tempo para servir a um propósito diferente do propósito do ego, que é provar que o pecado, culpa e medo são reais. Nosso novo professor, no entanto, nos ajuda a perceber que a trindade profana do ego é ilusória, e então, a única mudança significativa dentro da ilusão é de professores. Isso é equivalente à declaração do esclarecimento de termos: Nesse mundo, a única liberdade restante é a liberdade de escolha, sempre entre duas opções ou duas vozes (ET-1.7:1-2). Todas as outras mudanças apenas reforçam a ilusão de que existe algo aqui que precisa ser mudado. (3) Se permaneces tal como Deus te criou, as aparências não podem tomar o lugar da verdade, a saúde não pode virar doença, nem a morte pode substituir a vida, ou o medo o amor. Tudo isso não ocorreu, se tu permaneces tal como Deus te criou. Não precisas de nenhum pensamento, a não ser esse, para deixar que a redenção venha iluminar o mundo e libertar-te do passado. Isso marca o fim do sistema de pensamento do ego. A aceitação do Verbo de Deus reverte o louco curso para a insanidade (T-18.I.8:5), dessa forma desfazendo seus efeitos. O impossível não aconteceu, porque o impossível não pode acontecer. Para afirmar mais uma vez, você não “ilumina o mundo” externamente, pois não existe mundo a ser iluminado; nenhum mundo a libertar, curar ou iluminar. Você ilumina sua mente, e nessa experiência, o mundo é curado e desfeito, e com ele, todo sofrimento. A luz da Expiação iluminou a escuridão do medo, doença e morte. (4) Com esse único pensamento, todo o passado é desfeito; o presente é salvo para estender-se em quietude até um futuro intemporal. Se tu és tal como Deus te criou, então não houve separação entre a tua mente e a Sua, nem divisão entre a tua e as outras mentes e, dentro da tua própria mente, só há unidade. Isso resume sucintamente nossa discussão anterior. Escolher contra o sistema de pensamento de pecado, culpa e medo do ego significa escolher pelo instante santo, no qual o tempo é desfeito; e a separação, também, liberando a lembrança da unidade da mente, refletindo a unicidade de Cristo. (5:1-3) O poder curativo da idéia de hoje é sem limites. É o berço de todos os milagres, a grande restauradora da verdade à consciência do mundo. Os milagres desfazem o sistema de pensamento do ego, e essas correções se iniciam no princípio de Expiação que diz para nossas mentes adormecidas: “Você não perdeu sua Identidade, e nada no seu sonho se tornou real e afetou a verdade. Através de tudo isso, você continua como Deus o criou”. (5:3-5) Pratica a idéia de hoje com gratidão. Essa é a verdade que vem para libertar-te. Essa é a verdade que Deus te prometeu. Esse é o Verbo no qual todo o pesar chega ao fim. Essa é a verdade que corrige todas as mentiras do ego, e nos liberta da tirania de culpa e ódio do ego, e, portanto, acaba com todo pesar. O mundo se tornou a sala de aulas na qual o 136


Espírito Santo nos ensina o oposto do que aprendemos antes. Ele mostra a verdade dos nossos relacionamentos, e nos pede apenas para aceitá-la, para que ela possa ser compartilhada com todos os que recuam de volta na escuridão: O ego fez o mundo como o percebe, mas o Espírito Santo, que re-interpreta os feitos do ego, vê o mundo como um instrumento de ensino para trazer-te para casa... Tu não fizeste a verdade, mas a verdade pode libertar-te. Olha como o Espírito Santo olha e compreende como Ele compreende... Ele é teu guia para a salvação porque guarda a memória de coisas passadas e por vir e as traz ao presente. Ele mantém esse contentamento de modo gentil em tua mente, pedindo apenas que tu o aumentes em Seu Nome, compartilhando-o, para aumentar a Sua alegria em ti (T-5.III.11:1,5-6,9-10). Assim, nós compartilhamos a gratidão com nossos irmãos, tendo alegremente acolhido a verdade em nossas mentes afinal. (6-7) Para os teus períodos de prática de cinco minutos, começa com essa citação do texto: Eu sou como Deus me criou. O Seu Filho nada pode sofrer. E eu sou o Seu Filho. Em seguida, com essa declaração bem firme em tua mente, tenta descobrir em tua mente o Ser Que é o Filho santo de Deus em Si Mesmo. Essa lição e série encerram o retorno ao tema de que nosso verdadeiro Ser é Cristo, o Filho único de Deus. Sua memória não está perdida para nós, mas estava oculta sob camadas de ilusões nascidas do nosso medo da verdade. Nós vimos os erros dos nossos caminhos e o sofrimento que eles nos trouxeram. Portanto, mudamos nossas mentes conforme mudamos nossas percepções, e nos lembramos de que somos como Deus nos criou – o Filho santo do Próprio Deus. (8) Busca dentro de ti Aquele que é o Cristo em ti, o Filho de Deus e o irmão do mundo, o Salvador Que foi salvo para sempre, com o poder de salvar todo aquele que O tocar por mais levemente que seja pedindo o Verbo que lhe diz que ele é um irmão para com Ele. Buscando a realidade, temos a certeza de que vamos encontrá-la. Somos curados conforme aceitamos a salvação, assim como acontece com todos o que fazem a escolha que fizemos. Na realidade, já estamos curados, mas ainda precisamos aceitar a verdade, rejeitando o falso. Se for realmente Cristo que buscamos em nós mesmos e nos nossos irmãos, será o Verbo de Deus que vamos ouvir, pois só isso corrige nossos falsos auto-conceitos. Sem isso, nós condenamos a nós mesmos a ouvir a palavra não corrigida de separação e ser do ego. (9:1) Tu és como Deus te criou. Hoje, honra o teu Ser. Nós honramos nosso Ser não por dizermos a nós mesmos o quanto somos maravilhosos, mas por dizermos não ao ser do ego, como lemos: (9:1-3) Não deixes que as imagens de escultura que fizeste para que fossem o Filho de Deus em lugar do que ele é sejam adoradas no dia de hoje. A maneira de nos lembrarmos da nossa Identidade é liberarmos as “imagens de escultura”. Elas são os ídolos do ser que fizemos como substituto para o Ser de Cristo. Mais do 137


que quase qualquer outro ensinamento no Um Curso em Milagres, a idéia de aprender a reconhecer nossas falsas imagens para que possamos liberá-las, vai ao cerne do perdão. Na verdade, o processo é perdão. Assim, somos impelidos por Jesus, como vemos novamente, e veremos mais uma vez depois: A tua tarefa não é buscar o amor, mas simplesmente buscar e achar todas as barreiras que construíste dentro de ti contra ele. Não é necessário buscar o que é verdadeiro, mas é necessário buscar o que é falso (T-16.IV.6:1-4). Ainda mais especificamente, Jesus fala da necessidade de nos afastarmos dos falsos deuses, as imagens egóicas que originam nossos ídolos especiais – “imagens de escultura” – com as quais nos identificamos: O que pensas que és pode ser muito odioso e o que essa estranha imagem te faz fazer pode ser muito destrutivo. No entanto, a destruição não é mais real do que a imagem, embora aqueles que fazem ídolos os idolatrem... Tu não reconheces o quanto escutas os teus deuses e o quanto estás vigilante a seu favor. No entanto, eles só existem porque tu os honras. Coloca a honra no seu devido lugar e a paz será tua. Ela é a tua herança, vinda do teu Pai real (T-10.III.1:6-7; 10:4-7). (9:4-7; 10:1) No fundo da tua mente, o Cristo santo em ti está à espera de que O reconheças como tu mesmo. E estás perdido e não conheces a ti mesmo enquanto Ele permanece sem reconhecimento e não é conhecido. Busca-O hoje e acha-O. O problema é que nós não queremos buscá-Lo, porque não queremos achá-Lo. Nós buscamos em vez disso reter essa imagem esfarrapada do Ser de Cristo. O propósito desses exercícios – na verdade, o propósito do Um Curso em Milagres – é nos ensinar o quanto ficamos perdidos quando nos separamos do nosso Ser. Liberando as mágoas – contra os outros e contra nós mesmos -, reconhecemos nossa Identidade. A memória de Cristo alvorece em nossas mentes perdoadas e somos encontrados: Juntos nós desaparecemos na Presença além do véu, não para nos perdermos, mas para nos acharmos; não para sermos vistos, mas conhecidos. E conhecendo, nada no plano que Deus estabeleceu para a salvação ficará por fazer (T-19.IVD.19:1-5). (10:1-4) Ele será o teu Salvador de todos os ídolos que tens feito. Pois quando O achares, compreenderás quão sem valor são os teus ídolos e quão falsas as imagens que acreditavas que eras. Isso pede o reconhecimento de que cometemos um equívoco, e que nossa realidade é com Jesus, acima do campo de batalha de conflito e morte do ego. Nós olhamos para baixo com ele, para o sistema de pensamento de imagens de escultura da mente errada, e vemos tudo de forma diferente, percebendo que o mundo não tem efeitos sobre Quem somos. O valor dessas imagens como protetores do nosso especialismo desaparece em sua própria falta de valor, deixando apenas o Ser que é a verdadeira Imagem de Deus. (10:4-6) Hoje avançamos muito em direção à verdade, abandonando os ídolos e abrindo as nossas mãos, os nossos corações e as nossas mentes para Deus nesse dia. Se for abrir minha mão, coração e mente para Deus, preciso rejeitar o que o ego fez como substituto. Nós, portanto, nos focalizamos no medo de perder nossa individualidade, assim 138


como o valorizado sistema de pensamento do especialismo. O ego nos fez fechar nossas mentes para a verdade; nós agora as abrimos e alegremente saudamos nosso Ser. Cristo veio para substituir o ego, e os ídolos abriram caminho para Deus. (11:1-3) Lembraremos Dele ao longo do dia com corações agradecidos e com pensamentos de amor por todos aqueles que encontrarmos hoje. Antes de saudarmos alguém com um coração grato e palavras de agradecimento, precisamos primeiro perceber o quanto somos ingratos. Lembre-se, nós encontramos a verdade por desfazermos as ilusões, então, esses pensamentos não deveriam ser usados como mantras ou afirmações para encobrirem nosso especialismo. Essas declarações são um reflexo da verdade, para a qual levamos nossas ilusões sombrias. Nós, portanto, precisamos estar cientes das percepções do nosso ego, e então ir à verdade em nossas mentes, pedindo ajuda. (11:3-8) Pois é assim que nos lembramos Dele. E diremos, para que sejamos lembrados do Seu Filho, o nosso Ser Santo, o Cristo em cada um de nós: Eu sou como Deus me criou. Vamos declarar essa verdade com a maior freqüência possível. Esse é o Verbo de Deus que te liberta. Nós mais uma vez encontramos uma referência à declaração bíblica: “A verdade vos libertará” (João 8:32). No entanto, o que nos liberta é aceitar o princípio de Expiação: não é Deus, nem Jesus, nem o Um Curso em Milagres. É nossa rejeição ao ego e aceitação do Verbo de Deus que nos liberta para nos lembrarmos da nossa realidade: nós somos como Deus nos criou. (11:8-9) Essa é a chave que abre a porta do Céu e te deixa entrar na paz de Deus e na Sua eternidade. A mente fechada pela culpa e pelas mágoas é gentilmente aberta pelo perdão. Aprendendo a confiar na Voz que fala o Verbo de Deus – a Expiação que nos liberta -, alcançamos a mão de Jesus que nunca deixou de se estender para a nossa. Quando escolhemos segurar a mão do nosso irmão junto com a dele, a porta se abre quietamente e estamos em casa, onde Deus quer que estejamos (T-31.VIII.12:8). Nós voltamos agora para o esclarecimento de termos e lemos suas inspiradoras palavras finais, e assim encerramos a lição e a série com outra linda expressão da linda verdade: Vamos sair e encontrar o mundo recém-nascido, sabendo que Cristo renasceu nele e que a santidade deste renascimento vai durar para sempre. Nós tínhamos perdido nosso caminho, mas Ele o achou para nós. Vamos, vamos dar boas-vindas a Ele Que retorna a nós para celebrar a salvação e o fim de tudo o que pensávamos ter feito. A estrela da manhã deste novo dia olha para um mundo diferente, onde Deus é bem-vindo e Seu Filho com Ele. Nós que O completamos oferecemos a nossa gratidão a Ele assim como Ele nos dá graças. O Filho está quieto e, na quietude que Deus lhe deu, entra em sua casa e está enfim em paz (ET-ep.5).

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REVISÃO III Introdução A introdução às revisões provê mensagens importantes, como já vimos, e essa não é uma exceção. Seu tema básico é nossa vigilância ao fazermos as revisões. Ainda mais importante – um ponto enfatizado em quase todas as lições –: esses exercícios não terão relevância se não os praticarmos. A importância que esse conceito tem para Jesus será evidente conforme lermos a Introdução. Ele quer que apliquemos esses pensamentos durante o dia todo, especialmente quando nos pegarmos transtornados, o que deveria ser bem freqüente se fôssemos realmente vigilantes. Portanto, é essencial praticarmos os pensamentos estabelecidos aqui. A idéia de que o mundo é uma ilusão, por exemplo, é sem significado se não percebermos que se isso é assim, não existe nada lá fora com o poder de tirar a paz de Deus de nossas mentes. Essas, então, são as idéias que Jesus nos pede para aplicarmos através do dia todo, e nossa prática é a idéia principal desta Introdução. (1) A nossa próxima revisão começa hoje. Revisaremos duas das lições recentes a cada dia durante dez dias sucessivos de prática. Observaremos uma forma especial para estes períodos de prática, e a ti é recomendado com insistência que a sigas o mais fielmente possível. Jesus não é um juiz severo, sentado no Céu com um caderninho, anotando quantas vezes nos esquecemos de um período de prática. No entanto, ele realmente apela à parte tomadora de decisões das nossas mentes que seria tentada a escolher o ego em vez do Espírito Santo, o especialismo e o individualismo em vez do aprendizado das lições que iriam desfazê-los e nos levar de volta para casa. Ele nos incita não porque existe algo sacrossanto sobre esses períodos de revisão, mas para nosso bem-estar. Ele nos lembra em declarações como essa, que fazer as coisas do nosso jeito nos traz dor, enquanto tendo-o com nosso guia traz liberação da dor. Nós, portanto, vamos nos sentir melhor se reconhecermos que estamos errados e ele está certo, e, na realidade, que ele sempre esteve certo. (2:1-5) Compreendemos, é claro, que talvez te seja impossível empreender o que é sugerido aqui como o melhor a cada dia e a cada hora do dia. O aprendizado não ficará prejudicado se perderes um período de prática por ser impossível para ti na hora indicada. Jesus não é ingênuo, nem severamente exigente. Certamente haverá momentos durante o dia nos quais quando a hora soar, será impossível passarmos poucos minutos pensando na lição. Se houver um incêndio, pessoas se afogando, um acidente de carro, ou qualquer assunto urgente, você vai prestar atenção ao que está acontecendo, e não vai necessariamente ficar cinco minutos com os olhos fechados para pensar na lição. Novamente, Jesus não é severo, mas está dizendo – como vamos ver em apenas um momento – para sermos cuidadosos ao distinguirmos entre o que é razoável e o que não é, em termos de perdermos um período de prática. O “não-razoável” é escolhermos nos esquecer por causa do medo. O ponto é responder à gentileza com a qual Jesus age como nosso professor. Essa não é uma indicação punitiva, pois ele pede apenas que estejamos atentos aos nossos pensamentos de medo quando acharmos essas lições ameaçadoras demais para o nosso especialismo. Esse medo freqüentemente leva ao esquecimento delas no momento indicado. Lembre-se, também, da nossa discussão na Lição 95. Nosso sucesso nessas lições não repousa em 140


termos um recorde perfeito em nos lembrarmos, mas em sermos perfeitamente atentos sobre nossa tentação de nos sentirmos culpados. Devemos retornar a esse pensamento agora. (2:5-4) Também não é necessário que faças esforços excessivos para certificar-te de que estás acompanhando em termos de números. Rituais não são o nosso objetivo e derrotariam a nossa meta. Muitos anos atrás, eu estava trabalhando com uma comunidade de freiras enclausuradas que, como parte de sua vida religiosa, tinham períodos de oração determinados durante o dia. No entanto, se elas perdessem um, tinham que fazer suas orações antes de irem para a cama; uma óbvia confusão entre a forma da oração com seu conteúdo de pensar regularmente em Deus. Encontramos a mesma idéia expressa aqui. Jesus está dizendo que a meta não é que realmente nos lembremos do período de prática, mas que estejamos atentos aos nossos pensamentos e vigilantes contra a necessidade de esquecermos para protegermos o ser egóico, escondendo-nos no estado corporal de ausência de mente. Não é a forma da lembrança que é importante, mas o conteúdo de querer se lembrar. Portanto, Jesus não quer que essas lições sejam ritualizadas. Lembrem-se dos estudantes do Curso que tinham relógios especiais que disparavam um alarme na hora inteira e na meia hora. Tentando serem lembrados da lição, eles na verdade obstruíram o propósito de treinamento mental do livro de exercícios de mostrar a eles o quanto eram resistentes às lições, o pré-requisito para desenvolver a motivação para aprender o que as lições iriam ensinar. (3:1-5) Mas o aprendizado será prejudicado se pulares um período de prática por não estares disposto a dedicar a isso o tempo que se pede que dês. Não te enganes a esse respeito. A falta de disponibilidade pode estar cuidadosamente escondida por trás de um disfarce feito de situações que não podes controlar. Jesus faz uma distinção entre aquelas situações que realmente estão além do nosso controle e as que não estão. Ele nos pede para sermos vigilantes em relação à nossa resistência a aprendermos o Um Curso em Milagres e praticarmos esses exercícios. Novamente, ele não está sendo punitivo ou severo, nem controlando nosso esquema de prática. Ajudando-nos a implementar o que ele ensina no texto, Jesus está simplesmente retreinando nossas mentes para pensarem com ele, em vez de com o ego. Como eu já disse, nosso sucesso com o livro de exercícios vem não da prática dos seus exercícios exatamente como estão escritos, mas por aprendermos a perdoar a nós mesmos quando esquecermos. Esse esquecimento é um fragmento sombrio do pensamento original quando escolhemos nos esquecer de Deus. Como o tempo todo aconteceu, e ainda está acontecendo dentro de um único instante, nós re-vivemos esse instante não-santo quando escolhemos nos esquecer do Amor e da Unicidade de Deus, substituindo-os pela nossa existência separada e especial: A cada dia, a cada hora, a cada minuto, e até mesmo a cada segundo estás te decidindo entre a crucificação e a ressurreição, entre o ego e o Espírito Santo. O ego é a escolha a favor da culpa, o Espírito Santo, a escolha pela inculpabilidade. Tudo o que é teu é o poder de decisão... Tu és culpado ou sem culpa, preso ou livre, feliz ou infeliz (T-14.III.4:1-5,8-9). Nós nos tornamos conscientes do nosso equívoco original por observarmos seu reencenar hoje, nesse exato minuto em que escolhemos o ataque em vez do perdão, a culpa em vez da ausência de culpa. Você, portanto, precisa ver com que rapidez se esquece da lição do dia, compreendendo que esse esquecimento não é porque você tem amnésia, tem Alzheimer, ou é extraordinariamente ocupado e importante. A maior parte do tempo, se não em todo ele, você se esquece porque quer. Lembre-se, esse é um curso em motivação. Você quer se esquecer 141


porque se lembrar de Deus significa esquecer-se do seu ego. Jesus pede que você não se sinta culpado quando esquecer, mas que seja honesto quando o fizer, dizendo a si mesmo que esqueceu porque estava com medo. Ponto final. Mesmo em uma emergência, as chances são as de que enquanto você fazia o que era necessário, poderia ter tirado alguns segundos para manter esse pensamento sobre outra forma de olhar para a situação. Jesus, portanto, pede a você que faça a distinção entre o que é razoavelmente objetivo em termos do seu horário, e o que não é: (3:5-8) Aprende a distinguir as situações pouco favoráveis para a tua prática daquelas que estabeleces para manter uma camuflagem para a tua falta de disponibilidade. Jesus nos suplica para sermos atentos à nossa furtividade. A serpente – i.e., o diabo – tem sido citada como a mais sutil das bestas, e o ego, a fonte do diabo projetado, é o arquétipo da sutileza. É importante identificarmos os inteligentes subterfúgios que usamos para tentar escapar da “carga terrível” de paz que o Um Curso em Milagres mantém “ameaçadoramente” para nós. (4:1-3) Os períodos de prática que perdeste porque não quiseste fazê-los, qualquer que tenha sido a razão, devem ser feitos assim que tiveres mudado a tua mente quanto à tua meta. Jesus mais uma vez faz uma distinção entre os períodos de prática que perdemos por causa de circunstâncias além do nosso controle, e aqueles dos quais nos esquecemos. Deveríamos fazer os últimos tão rapidamente quanto possível quando ficarmos conscientes do nosso esquecimento. Em outras palavras, se o exercício pede para se lembrar no intervalo de uma hora, e quinze minutos depois percebemos que esquecemos, nós o fazemos naquele momento; não que devamos nos torturar com os números para agradar a Jesus, mas, em vez disso, para treinarmos nossas mentes a pensarem: “Eu quero fazer o que é bom para mim. E pensar em Deus e nesses exercícios é o meu melhor interesse. Eles vão ajudar a corrigir todos os pensamentos do ego e acabar com a minha dor”. Nós, portanto, queremos focalizar novamente nossa atenção para que possamos estar cientes da resistência a nos lembrarmos, que está em nossas mentes. (4:3-6) Não terás vontade de cooperar na prática da salvação somente se ela interferir com metas que valorizas mais. As metas que valorizamos mais são aquelas que pertencem ao especialismo. Jesus nos pede mais uma vez para sermos claros em relação às pequenas metas que valorizamos contra Deus. Nossos julgamentos provam que estamos certos, e, portanto, não valorizamos que nos seja dito, e então nos seja pedido, para aceitarmos que estamos errados. (4:6-9) Quando retirares o valor que lhes deste, deixa que os teus períodos de prática substituam as tuas litanias a elas. Elas nada te deram. Mas a tua prática pode te oferecer tudo. Assim, aceita o que ela te oferece e fica em paz. Nós primeiro ficamos cientes das nossas litanias ao ego – os valores associados ao especialismo -, e depois levamos esses valores profanos ao valor santo do perdão; a ilusão à verdade. Não podemos substituir o pensamento do dia até que estejamos cientes do que estamos colocando em seu lugar. A idéia, portanto, é ser atento à resistência – os pensamentos, necessidades e valores do nosso ego. A lição então simboliza a verdade, à qual levamos a ilusão profana, sem julgamento ou culpa. Nós simplesmente percebemos que não valorizamos mais a ilusão, porque ela não nos faz felizes. 142


(5) A forma que deves usar para estas revisões é essa: dedica cinco minutos duas vezes por dia ou mais se preferires, a considerar os pensamentos que são indicados. Lê as idéias e os comentários que estão escritos para o exercício de cada dia. Em seguida, começa a pensar sobre eles, deixando que a tua mente os relacione com as tuas necessidades, os teus problemas aparentes e todas as tuas preocupações. Essa sentença final é o tema central da Introdução, articulado através de toda a revisão: as lições representam a verdade à qual levamos nossas necessidades, preocupações e problemas; e qualquer tempo que dermos à prática será suficiente, se for um tempo que realmente queremos dar. (6:1-6) Põe as idéias na tua mente e deixa-a usá-las como ela escolher. Deposita a tua fé de que ela as usará com sabedoria, pois nas suas decisões terá a ajuda Daquele Que deu os pensamentos a ti. Em que mais podes confiar, senão no que está na tua mente? Tem fé nestas revisões, o meio que o Espírito Santo usa não falhará. A sabedoria da tua mente virá em teu auxílio. Essa é a sabedoria das nossas mentes certas – o lar do Espírito Santo – e é expressa primariamente na compreensão de que nunca estamos transtornados pela razão que imaginamos (LE-pI5). Estamos transtornados apenas pela nossa resistência à verdade, não pelas projeções nas pessoas e circunstâncias. Tal compreensão da verdadeira natureza do problema constitui a aplicação prática da sabedoria do Espírito Santo. (6:6-9) Dá a direção no início, em seguida recosta-te em quietude e com fé e deixa a tua mente empregar os pensamentos que tu lhe deste, pois eles te foram dados para que ela os use. Esses pensamentos não foram dados como meditações sobre idéias grandiosas, mas para serem usados quando nos sentirmos mais tentados a ficar zangados, ansiosos, culpados ou deprimidos. Como já vimos, o uso apropriado e curativo desses pensamentos é para serem a verdade à qual levamos nossos pensamentos transtornadores e ilusórios. (7) Eles te foram dados em perfeita confiança, com perfeita segurança de que farás bom uso deles, com fé perfeita de que verás as suas mensagens e as usarás para ti mesmo. Oferece-as à tua mente com o mesmo crédito, confiança e fé. Ela não falhará. Ela é o meio escolhido pelo Espírito Santo para a tua salvação. Uma vez que ela tem o Seu crédito, não há dúvida de que o Seu meio tem que merecer o teu também. Jesus está nos pedindo para termos fé e confiança no processo. Como estudantes sérios do seu curso, sabemos que existe uma parte da mente que é sã e quer aprender o que ele está ensinando. Esse é o tomador de decisões que aceitou os meios do Espírito Santo, e assim, aprende a diferença entre a dor da ilusão e a alegria da verdade – ambas presentes em nossas mentes. É a mente certa que entende, e a mente errada que fica com medo. A primeira tem fé em que vamos aprender e implementar essas lições; a última fará tudo o que estiver em seu poder para impedir tal aprendizado. Jesus, portanto, reflete para nós nossas mentes divididas: a parte que acredita na realidade física e nos seus problemas; a outra parte que reconhece a necessidade de ter um Professor diferente. O Espírito Santo está em nossas mentes certas, aonde vamos para ter um modo melhor de olhar para o que nos perturba. Intolerância à dor provê motivação para que o tomador de decisões retire sua fé de onde o ego a colocou, nas mãos Daquele Que é o único que nos ama, suprindo os meios do perdão que nos traz felicidade e paz. 143


(8) Enfatizamos os benefícios que terás se dedicares os primeiros cinco minutos do dia às tuas revisões e também lhes deres os últimos cinco minutos de vigília do teu dia. Se isso não for possível, tenta pelo menos dividi-los de tal forma que empreendas uma revisão pela manhã e a outra durante a última hora antes de ires dormir. Jesus nos faz saber que podemos não ser capazes de fazer isso tão estritamente quanto ele estabelece aqui, e que está tudo certo se não pudermos. Eu me lembro de, há uns vinte e cinco anos, encontrar um ávido espiritualista barbado que decidiu, depois de receber o Um Curso em Milagres, que deveria deixar sua profissão, família, e se isolar em um lugar remoto. Apenas lá, ele raciocinava, ele poderia praticar e estudar o Curso sem ficar sobrecarregado pelas exigências diárias da sua vida em casa e no escritório. Ele infelizmente perdeu de vista o ponto central. Um Curso em Milagres não é destinado a ser feito no deserto, no topo de uma montanha, ou em qualquer outro lugar aonde você iria se excluir do mundo. Ele, em geral, é destinado a ser feito como parte da sua vida normal. O que ela era antes de você começar o Curso deveria ser a mesma agora, pois é aí que você precisa se lembrar de que as distrações mundanas não o prendem, a menos que sua mente escolha que elas o façam. Portanto, lemos as palavras de Jesus dirigindo-se à questão das mudanças externas: São necessárias mudanças nas mentes dos professores de Deus... É muito improvável que mudanças de atitudes não constituam o primeiro passo no treinamento do recém-formado professor de Deus... Há aqueles que são chamados a mudar sua situação de vida quase que imediatamente, mas esses são geralmente casos especiais. Para a grande maioria é dado um programa de treinamento de evolução lenta, durante o qual é corrigido o maior número possível de equívocos anteriores (MP-9.1,4-6,8-12). Se as coisas do mundo o distraem de Deus ou de Jesus, não é por causa do mundo, mas porque você não quer ser lembrado Deles ou da Sua paz. O programa de treinamento mental do livro de exercícios, mais uma vez, permite que você entre em contato com a resistência que sempre tenta proteger o sistema de pensamento de separação com o ego. É útil ver com que rapidez você tenta culpar circunstâncias externas pela escolha equivocada da sua própria mente. (9:1-4) Os exercícios a serem feitos ao longo do dia são igualmente importantes e talvez até de maior valor. Tens estado inclinado a praticar apenas nos horários indicados e depois seguir o teu caminho para outras coisas sem aplicar a elas o que aprendeste. É aí que Jesus diz a você: “Eu entendo o que você está fazendo. Não julgue a si mesmo, e, para seu próprio bem, pare de excluir a mim e à minha mensagem porque continuar a fazer isso não vai torná-lo feliz”. Você não tem que fingir que é um estudante constante do Um Curso em Milagres porque faz as lições fielmente. Ser fiel não significa cumprir a obrigação a cada meia hora e a cada hora, mas aplicar o pensamento diário sempre que você for tentado a ficar transtornado. Se você for realmente vigilante, vai se pegar ficando transtornado a cada minuto, pois sempre existe algo que você acredita que está se intrometendo na sua paz. Quando deixar de aplicar o pensamento ao seu transtorno, você perdoa a si mesmo mais uma vez por ter escolhido o ego em vez do Amor de Deus. Isso constitui a aplicação fiel das lições e o significado do perdão. (9:5-8) Como resultado, os reforços que ganhaste foram poucos e não deram ao teu aprendizado uma chance justa para provar o quanto é grande o seu potencial de dádivas para ti. Eis aqui uma outra chance para fazeres bom uso dele.

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O grande potencial do nosso aprendizado repousa na habilidade de aplicarmos as lições. As dádivas que elas oferecem repousam nisso, não na beleza da linguagem ou na santidade do pensamento. É sua aplicação diária, em todos os dias, que nos permitir cumprir o maravilhoso potencial que elas nos oferecem. (10:1-7) Nestas revisões, enfatizamos a necessidade de não deixares que o teu aprendizado seja em vão entre os teus períodos de prática mais prolongados. Tenta dar às tuas duas idéias diárias uma revisão breve, mas séria a cada hora. Usa uma delas exatamente na hora e a outra meia hora mais tarde. Não é preciso dar mais do que apenas um momento a cada uma. Repete-a e deixa a tua mente descansar por pouco tempo em silêncio e em paz. Deveria ser óbvio agora o quanto Jesus quer que apliquemos essas idéias, dia a dia, hora a hora, momento a momento. Apenas através dessa diligência e atenção, o propósito de treinamento mental para esses exercícios será alcançado. (10:7-10) Em seguida, volta-te para as outras coisas, mas tenta conservar o pensamento contigo e deixa-o servir também para ajudar-te a manter a tua paz ao longo do dia. Nós passamos um tempo quieto na hora e na meia hora, mas, nesse ínterim, deveríamos não esquecer o pensamento. Conforme continuamos nosso dia, ocupados com as múltiplas coisas que requerem nossa atenção, mantemos o pensamento de correção em nossas mentes tanto quanto possível. Isso é alcançado por trazermos as experiências desagradáveis a Jesus, não por silenciá-las. Nós percebemos que a experiência desagradável não tem nada a ver com o externo, mas com a escolha de nossa mente de temer Jesus e empurrá-lo para longe mais uma vez. O pensamento para o dia, então, se torna um símbolo da sua presença, sabedoria e amor para nós. Nós trazemos nossa inquietude àquele amor, lembrando: “Eu não estou transtornado por causa de algo que alguém disse ou fez, mas porque estou com medo da proximidade de Jesus”. É assim que as lições reforçam nosso aprendizado, acelerando-nos ao longo do caminho para nosso Destino Final. (11) Se ficares perturbado, pensa nele novamente. Estes períodos de prática são planejados para ajudar-te a formar o hábito de aplicar o que aprendes a cada dia a tudo o que fazes. Não repitas o pensamento para deixá-lo de lado. A sua utilidade é sem limites para ti. E ele se destina a servir-te de todas as maneiras, em todos os momentos e lugares e sempre que precisares de qualquer tipo de ajuda. Portanto, tenta levá-lo contigo durante as tuas atividades do dia, fazendo com que ele seja santo, digno do Filho de Deus, aceitável para Deus e para o teu Ser. Esse é um parágrafo importante. A linguagem é simples, mas Jesus nos diz, em termos nada incertos, o quanto essas lições são essenciais, desde que as pratiquemos e apliquemos. Ele nos disse antes que o livro de exercícios é um treinamento de um ano. A esperança é que, no final do ano, iríamos ter entendido a importância de nos lembramos dos pensamentos do Um Curso em Milagres durante o dia todo, usando-os como símbolos da verdade à qual levamos as ilusões dos nossos transtornos. Para reiterar, compreender a metafísica do Um Curso em Milagres não significa nada se ainda nos percebermos culpados, zangados, deprimidos e isolados. A importância da metafísica repousa somente em nos ajudar a entender que o mundo é realmente ilusório, e que nós fizemos tudo, incluindo nosso transtorno, para manter o especialismo intacto e o Amor de Deus distante. Portanto, temos que praticar de novo e de novo para voltarmos à parte tomadora de decisões das nossas mentes, onde nós escolhemos contra a verdade de Jesus, por escolhermos a ilusão do ego. Só então poderemos corrigir nossa escolha pelo medo. 145


(12) As tarefas para a revisão de cada dia serão concluídas com uma reafirmação do pensamento a ser usado a cada hora, e também daquele a ser aplicado na meia-hora seguinte. Não os esqueças. Essa segunda chance para cada uma destas idéias trará enormes avanços e sairemos destas revisões com benefícios de aprendizado tão grandes que continuaremos em terreno mais sólido, com passos mais firmes e com a fé mais forte. O apelo final de Jesus, então, é para que nós usemos essas lições e não nos esqueçamos dela, e, quando nos esquecermos, perdoemos a nós mesmos. Ele encerra com esse pequeno quarteto: (13:1-2) Não esqueças quão pouco tens aprendido. Não esqueças o quanto podes aprender agora. Nosso aprendizado não tem nada a ver com mestria intelectual de um sistema de pensamento. Como estudantes do Um Curso em Milagres, certamente precisamos entender o ensinamento do texto. No entanto, entender sem aplicar é sem significado – por isso, um texto e um livro de exercícios. Praticar as lições – estarmos vigilantes contra nossa resistência à verdade – vai nos ajudar muito. Notem, também, o apelo para nossa humildade, por sermos lembrados do quão pouco aprendemos. Reconhecer que ainda temos muito a aprender nos deixa abertos ao aprendizado, o que é uma reminiscência de uma declaração de certa forma similar no quarto estágio do desenvolvimento da confiança, no manual para professores: “Ele [o professor de Deus] ainda não chegou tão longe quanto imagina” (MP-4.I-A.6:10); pois ainda restam os estágios cinco e seis. (13:3-4) Não esqueças que o Teu Pai precisa de ti ao revisares estes pensamentos que Ele te deu. A “necessidade de Deus”, é claro, é metafórica. Estaríamos em sérios problemas se Deus precisasse de nós. Quando Jesus fala das necessidades do nosso Pai, ele está refletindo a nossa necessidade de aceitarmos a Expiação e nos lembrarmos de que já somos completos como a Vontade de Deus. Ele, portanto, nos pede para pensarmos na nossa meta enquanto praticamos. Lembrar de que queremos ser curados porque queremos despertar do sonho de dor é o que nos motiva a praticar, praticar, praticar. Todos os professores desejam que seus estudantes aprendam, e Jesus não é exceção. Ele não pode nos ajudar sem que queiramos ser ajudados.

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LIÇÕES 111-120 Cada uma dessas dez lições, consistindo de duas das vinte anteriores – Lições 91 a 110 – resume temas importantes que consideramos em discussões anteriores. Devemos passar por elas relativamente rápido.

LIÇÃO 111 (1) (91) Milagres são vistos na luz. Eu não posso ver na escuridão. Que a luz da santidade e da verdade ilumine a minha mente e me permita ver a inocência interior. (2) (92) Milagres são vistos na luz, e a luz e a força são uma só. Eu vejo através da força, a dádiva de Deus para mim. A minha fraqueza é a escuridão que a dádiva de Deus dissipa, dando-me a Sua força para tomar o seu lugar. Não podemos realmente ver quando estamos enredados no sistema de pensamento de sombras do ego, mas realmente vemos quando nos voltamos para a verdade. Tal visão reflete a força de Cristo em nós, que espera por nossa decisão de deixarmos de lado a fraqueza do ego.

LIÇÃO 112 (1) (93) A Luz, a alegria e a paz habitam em mim. Eu sou o lar da luz, da alegria e da paz. Eu lhes dou boas-vindas no lar que compartilho com Deus, porque eu sou uma parte Dele. (2) (94) Eu sou como Deus me criou. Permanecerei para sempre como fui criado pelo Imutável como Ele Mesmo. Eu sou um com Ele e Ele comigo. A unicidade do nosso Ser é um tema altamente importante nas primeiras lições, e nessas revisões também. Se eu realmente for o Filho de Deus, qualquer crença em que você é separado de mim nega essa verdade. Portanto, meus pensamentos especiais de miséria e julgamento negam que somos parte do Ser único de Deus. Nós primeiro reconhecemos a luz, 147


alegria e paz imutáveis que brilham em todos, e depois despertamos desse sonho feliz com o Ser que habita no Imutável. LIÇÃO 113 (1) (95) Eu sou um único Ser, unido ao meu Criador. A serenidade e a paz são minhas, porque eu sou um Ser completamente íntegro, em unidade com toda a criação e com Deus. (2) (96) A Salvação vem do meu único Ser. Do meu único Ser, Cujo conhecimento permanece ainda dentro da minha mente, eu vejo o plano perfeito de Deus para a minha salvação perfeitamente cumprido. Experimentando a serenidade e paz perfeita que vêm do perdão, eu me lembro de que “Eu sou um único Ser, unido ao meu Criador e à Sua criação”. Portanto, o plano de Expiação está completo, e eu, junto com você, meu irmão em Cristo.

LIÇÃO 114 (1) (97) Eu sou espírito. Eu sou o Filho de Deus. Nenhum corpo pode conter o meu espírito, nem me impor uma limitação que Deus não criou. (2) (98) Vou aceitar a minha parte no plano de Deus para a salvação. O que pode ser minha função senão aceitar o Verbo de Deus, Que me criou quanto ao que eu sou e serei para sempre? Nós, portanto somos lembrados de Quem somos como espírito. Essa lembrança vem quando aceitamos nossa função de perdão. Não são tanto as palavras das lições que são importantes, mas a disponibilidade de pensar nelas durante o dia todo. É o pensamento em nossas mentes que dá importância às palavras – refletindo o Verbo de Deus -, e que é a essência dessas revisões.

LIÇÃO 115 (1) (99) A salvação é a minha única função aqui. 148


A minha função aqui é perdoar o mundo por todos os erros que tenho feito. Pois assim sou liberado de todos eles com todo o mundo. (2) (100) A minha parte é essencial no plano de Deus para a salvação. Eu sou essencial ao plano de Deus para a salvação do mundo. Pois Ele me deu o Seu plano para que eu possa salvar o mundo. Quando escolhemos perdoar, escolhemos isso para nós mesmos e para o mundo todo, pois somos um. Portanto, cada um de nós é essencial ao plano, pois cada um de nós contém o Todo.

LIÇÃO 116 (1) (101) A Vontade de Deus para mim é a felicidade perfeita. A Vontade de Deus é a felicidade perfeita para mim. E eu só posso sofrer se acreditar que há outra vontade à parte da Dele. (2) (102) Eu compartilho a Vontade de Deus de felicidade para mim. Eu compartilho a Vontade de Deus para mim, seu Filho. O que Ele me deu é tudo o que eu quero. O que Ele me deu é tudo o que existe. O tema da felicidade retorna, e nós nos lembramos da declaração de que a Vontade de Deus para nós é a felicidade perfeita, o que corrige o ensinamento do ego de que a Vontade de Jesus é que soframos como expiação por nossos pecados. O perdão reflete nossa aceitação do Seu Amor como tudo o que queremos e tudo o que somos. Não há nada mais.

LIÇÃO 117 (1) (103) Deus, sendo Amor, é também felicidade. Que eu me lembre que amor é felicidade, e nada mais traz alegria. Então escolho não receber nenhum substituto para o amor. (2) (104) Eu busco apenas o que pertence a mim na verdade. O Amor é minha herança, e com ele a alegria. Estas são as dádivas que meu Pai me deu. Eu quero aceitar 149


tudo que é meu na verdade. Uma vez que o Amor de Deus é tudo o que há, por que deveríamos buscar qualquer outra coisa? Fazer isso me condena a uma vida de frustração, depressão e dor. Eu escolho, em vez disso, a alegria que toma parte na aceitação do amor que é a única coisa que é minha, a herança que o nosso Pai amoroso nos deu.

LIÇÃO 118 (1) (105) A paz e a alegria de Deus são minhas. Hoje aceitarei a paz e a alegria de Deus trocando-as com contentamento por todos os substitutos que tenho feito para a felicidade e a paz. (2) (106) Que eu me aquiete e escute a verdade. Que a minha fraca voz se cale e permita-me ouvir a poderosa Voz pela própria Verdade assegurar-me que eu sou o Filho perfeito de Deus. Eu alegremente aceito a paz e a alegria na extensão em que deixo de lado minha débil voz que fala apenas de separação, especialismo e morte. Agora eu ouço a poderosa Voz pela Verdade me lembrar de que eu sou o Filho de Deus, perfeito como Ele é perfeito, e nessa lembrança eu estou finalmente em paz.

LIÇÃO 119 (1) (107) A Verdade corrigirá todos os erros na minha mente. Estou equivocado quando penso que posso ser ferido de qualquer modo. Eu sou o Filho de Deus, cujo Ser descansa com segurança na Mente de Deus. (2) (108) Dar e receber são um só na verdade. Perdoarei todas as coisas hoje para que eu possa aprender como aceitar a verdade em mim e venha a reconhecer a minha impecabilidade. De novo e de novo, Jesus nos lembra de que através do nosso perdão – aos outros e a nós mesmos -, vamos despertar dos sonhos de pesadelo sobre o pecado e a culpa, para a gloriosa verdade do nosso Ser: o Filho de Deus que repousa seguramente na Mente do Seu Criador. 150


LIÇÃO 120 (1) (109) Eu descanso em Deus. Eu descanso em Deus hoje e deixo que Ele trabalhe em mim e através de mim, enquanto descanso Nele em quietude e em perfeita certeza. (2) (110) Eu sou como Deus me criou. Eu sou o Filho de Deus. Hoje deixo de lado todas as ilusões doentias sobre mim mesmo e permito que meu Pai me diga Quem eu realmente sou. Nossa revisão termina com o pensamento feliz de que, apesar de “todas as ilusões doentias sobre mim mesmo” e o mundo, nunca deixei de descansar em Deus. Sua Voz se torna a única voz que eu ouço, e Seu Amor me guia gentilmente através do meu dia. Eu permaneço em repouso, “em quietude e em perfeita certeza”, pois eu me lembro que sou como Deus me criou, e nada no mundo pode mudar a imutabilidade na minha mente.

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Ken wapnick jornada através do livro de exercicios iii licoes 91 120  
Ken wapnick jornada através do livro de exercicios iii licoes 91 120  
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