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Jornada através do Livro de Exercícios

Volume Cinco

Lições 151 a 180

Um Curso em Milagres

Kenneth Wapnick, Ph.D.

Foundation for A Course in Miracles 1


SUMÁRIO POR VOLUME Volume Um Prefácio Agradecimentos Prelúdio Introdução Nível Um A Unicidade do Céu A Trindade Profana do Ego Nível Dois O Sistema de Pensamento de Culpa e Ataque da Mente Errada do Ego O Sistema de Pensamento de Perdão da Mente Certa do Espírito Santo Introdução ao Livro de Exercícios Lições 1 – 60 Volume Dois Lições 61 – 90 Volume Três Lições 91 – 120 Volume Quatro Lições 121 – 150 Volume Cinco Lições 151 – 180 Volume Seis Lições 181 – 220 Volume Sete Introdução à Parte II Lições 221 – 365 Epílogo Poslúdio Volume Oito Índice Completo de Referências ao Um Curso em Milagres Foundation for A Course in Miracles Material Relacionado 2


LIÇÃO 151 Todas as coisas são ecos da Voz por Deus. Essa lição esclarece dois temas que são vitais para a compreensão do sistema de pensamento do ego: o papel do julgamento e a importância do corpo. A idéia “Todas as coisas são ecos da Voz por Deus” continua com a declaração da revisão: “Minha mente contém apenas o que eu penso com Deus”. Nosso medo é o de que se olharmos para tudo nesse mundo – o sonho do ego – através dos olhos do Espírito Santo, vamos ver tudo diferente: nenhum ataque, necessidade ou gratificação, mas apenas expressões de amor ou pedidos de amor (T-14.C.7:1-2). Essa visão induz o medo porque não iríamos mais ser especiais ou únicos, tendo aprendido que o corpo não tem efeitos e, portanto, não é nada. Como não somos mais indivíduos separados, tudo o que acreditamos sobre nós mesmos e os outros estava errado, e nós abandonamos a crença em nossas percepções por percebermos que tudo aqui reflete o pensamento de separação na mente, que é uma defesa contra a verdade da lição de hoje. (1:1-3) Ninguém pode julgar com base em evidência parcial. Isso não é julgamento. É apenas uma opinião baseada na ignorância e na dúvida. O ponto é que nós continuamente julgamos com base em evidência parcial, que é o motivo pelo qual estamos sempre errados. O que está expresso aqui e através de toda a primeira parte da lição é expandido em uma passagem do manual que já examinamos (MP10.2-4). Em vez de a repetirmos, vamos simplesmente extrair algumas declarações relevantes: É necessário que o professor de Deus reconheça, não que ele não deve julgar, mas que não pode. Ao desistir do julgamento, está apenas desistindo do que não tinha... De modo a julgar qualquer coisa acertadamente, a pessoa teria que estar inteiramente ciente de uma escala inconcebível de coisas passadas, presentes e por vir. A pessoa teria que reconhecer antecipadamente todos os efeitos de seus julgamentos sobre todas as outras pessoas e coisas neles envolvidas de alguma forma (MP-10.2:1-2; 3:3-4). (1:4) A sua aparente certeza não passa de um disfarce para a incerteza que quer ocultar. Jesus se refere à certeza aparente das nossas percepções, e ainda mais direto ao ponto, à certeza aparente da nossa interpretação do que acontece no mundo. Enquanto estivermos tão convencidos de que estamos certos, precisamos estar errados. Nossa teimosa insistência é o aviso, e reflete a dinâmica do ego de formação reativa, formulada em primeiro lugar por Freud, um século atrás, que descreveu como as pessoas agem de forma oposta ao que inconscientemente acreditam, e deu um exemplo extremo, embora instrutivo, em Pensamentos para os Tempos de Guerra e Morte, escrito em meio a Primeira Guerra Mundial. A isso seguiuse uma declaração mais geral, de seu artigo de 1924, Inibições, Sintomas e Ansiedade: Uma proibição tão poderosa só pode ser direcionada contra um impulso igualmente poderoso. O que nenhuma alma humana deseja não precisa ser proibido; é excluído automaticamente. A própria ênfase colocada no mandamento “Não matarás” torna certo que viemos de uma série infindável de gerações de assassinos, que tinham em seu sangue a avidez por matar, como talvez nós mesmos tenhamos hoje (XIV,296). 3


Conflitos desse tipo devido à ambivalência são freqüentes e podem ter outro resultado típico, no qual um dos dois sentimentos conflitantes (usualmente o da afeição) se torna enormemente intensificado e o outro se desvanece. O grau exagerado e o caráter compulsivo da afeição por si só traem o fato de que ele não é o único presente, mas está continuamente em alerta para manter o sentimento oposto sob repressão, e nos capacitar a postular a operação de um processo que chamamos de repressão através do meio da formação reativa... (XX,102). Além disso, baseado no insight de Freud, Jung freqüentemente afirmava que os fanáticos religiosos estavam mascarando sua própria falta de fé; de outra forma, eles não iriam afirmar a deles com tal tenacidade fanática e dogmatismo obstinado. Os Filhos de Deus em suas mentes certas nunca iriam demonstrar tal insistência em estarem certos. Sua consciência da verdade simplesmente seria. A decisão pelo sistema de pensamento do ego é o início da incerteza ou dúvida, porque, como já vimos, essa decisão automaticamente encerra duvidar da nossa Identidade: O ego então levantou a primeira questão jamais colocada, questão essa que ele nunca pode responder. Essa questão – “O que és tu?” – foi o começo da dúvida (T6.IV.2:6-7). A realidade do Filho de Deus é espírito e não tem nada a ver com o corpo. Uma vez que eu escolho a individualidade do ego, nego Quem eu sou, o que automaticamente engendra dúvida e incerteza. Isso é defendido com a certeza absoluta de que estou certo. Esse autoconceito, nascido da auto-dúvida, nós ensinamos a nós mesmos e aos outros: O ensino apenas reforça o que acreditas a teu respeito. O seu propósito fundamental é diminuir a dúvida de ti mesmo. Isso não significa que o ser que estás tentando proteger seja real. Mas significa que o ser que pensas que é real é o que ensinas (MP-in.3:7-10). Assim, mais uma vez, nossa incerteza implícita é mascarada pela nossa certeza explícita. Isso inevitavelmente estabelece a necessidade de defender o ser ilusório que estamos tentando ser, como agora lemos: (1:5) Ela precisa de uma defesa irracional, porque é irracional. O corpo e o mundo são defesas irracionais que defendem contra a incerteza irracional em nossas mentes. Essa é a segunda linha de defesa que nos “protege” da primeira: o sistema de pensamento de pecado, culpa e medo; uma vez que essas defesas são estabelecidas para que nos “esqueçamos” que as fizemos. Assim, é isso que se torna nossas defesas – o corpo, feito para nos defender da nossa culpa, se torna o nosso ser: culpa irracional fazendo surgir o corpo irracional. (1:6) E a sua defesa parece ser forte, convincente e indubitável devido a todas as dúvidas subjacentes. Vemos novamente uma expressão da formação reativa: nossa incerteza e medo nos levam à certeza arrogante de que conhecemos a verdade. Tal arrogância presumida – insolência, para os gregos antigos – nos defende contra o terror interior que diz que não conhecemos nada, especialmente nosso ser. Pelo fato de existirem tantas dúvidas dentro de nossas mentes, temos que fazer um mundo que parece tão certo, e um corpo, governado por um cérebro, que interpreta insumos sensórios do mundo e proclama: “Sim, esse mundo não apenas é real, mas faz sentido. E, se ele não faz sentido para você, em meu brilhantismo, vou 4


lhe explicar”. As pessoas tentam fazer isso com o Um Curso em Milagres também. Tentando dar sentido a ele do seu ponto de vista, ele mesmo uma defesa contra sua própria incerteza e dúvida, elas dogmática e defensivamente protestam sua certeza, usando declarações equivocadas sobre os ensinamentos do Curso. Agora, o corpo: (2:1-3) Tu não pareces duvidar do mundo que vês. Não questionas realmente o que te é mostrado através dos olhos do corpo. Tampouco te perguntas por que acreditas nele, embora já tenhas aprendido há muito tempo que os teus sentidos, de fato, enganam. Todos têm tido a experiência de perceber que seus sentidos mentiram. Nós aprendemos isso na escola secundária, por exemplo, quando nos ensinam nas aulas de geometria, que linhas paralelas não se encontram, ainda que nossa experiência visual diga o contrário. Nós já olhamos para o horizonte, o ponto de encontro aparente entre o céu e a água, sabendo que esse não é o caso. Então, existem experiências infantis amedrontadoras de acreditar que os barulhos noturnos de folhagem farfalhando ao vento, ou ramos batendo contra uma parede externa são intrusos ameaçadores ou até monstros. Isso indica percepção e não pode ser digna de confiança, e, no entanto, sustentamos que nossos sentidos nos trazem a verdade, ainda que, seguindo os ditames do ego, eles tenham sido feitos para mentirem, como já vimos: Não deixes que os teus olhos contemplem um sonho, que os teus ouvidos testemunhem uma ilusão. Eles foram feitos para contemplar um mundo que não está presente, para ouvir vozes que não podem produzir som algum... Pois os olhos e os ouvidos são sentidos sem sentido, e o que vêem ou ouvem, eles apenas relatam. Quem ouve e vê não são eles, mas tu, que juntas cada peça recortada, cada fiapo sem sentido e cada farrapo de evidência e fazes um testemunho do mundo que queres (T-28.V.5:3-4,6-7). (2:4) Acreditares nos teus sentidos até o último detalhe que te reportam é ainda mais estranho quando fazes uma pausa para recordar com que freqüência, de fato, eles têm sido testemunhas falhas! Isso se aplica não apenas às nossas percepções físicas, mas à nossa interpretação das situações quando estamos tão convencidos de estarmos certos, apenas para percebermos depois que estávamos equivocados. Recordemos novamente uma passagem já citada do manual: Lembra-te de quantas vezes pensaste que conhecias todos os “fatos” necessários para um julgamento e de como estavas errado! Existe alguém que não tenha tido essa experiência? Saberias quantas vezes meramente pensaste que estavas certo, sem jamais reconhecer que estavas errado? (MP-10.4:1-3). (2:5) Por que razão confiarias neles tão implicitamente? Por que razão, senão pela dúvida subjacente, que queres esconder fazendo da certeza um espetáculo? Essa é a mesma pergunta que Jesus nos faz no texto: Não perguntes a esse estranho transeunte: “Quem sou eu?”. Ele é a única coisa em todo o universo que não sabe. No entanto, é a ele que perguntas e é à sua resposta que queres te ajustar. Esse único pensamento selvagem, feroz em sua arrogância e ao mesmo tempo tão diminuto e tão sem significado que passa despercebido pelo universo da verdade, vem a ser o teu guia. Tu te voltas para ele para perguntar o 5


significado do universo. E à única coisa cega em todo o universo vidente da verdade, perguntas: “Como devo eu olhar para o Filho de Deus?”. Por acaso alguém pede um julgamento a algo que é totalmente desprovido de julgamento? E se fizeste isso, queres acreditar na resposta e ajustar-te a ela como se fosse a verdade? (T-20.III.7:5-8:2). (2:6) Por que razão, senão pela dúvida subjacente, que queres esconder fazendo da certeza um espetáculo? A resposta à pergunta anterior vem, mais uma vez, através da compreensão da formação reativa. Nós acreditamos no corpo porque ele cumpre a estratégia do ego de preservar nossa identidade separada, tornando-nos sem mente; i.e., corpos vivendo em um mundo sem mente. Isso culmina em nossa certeza absoluta de que a realidade é física e externa. O propósito dessa pseudo-certeza é ocultar o terror que espreita em nossas mentes; uma incerteza nascida da escolha original de substituir a Certeza de Deus pela dúvida do ego. (3) Como podes julgar? Teu julgamento baseia-se no testemunho que te oferecem os teus sentidos. No entanto, jamais houve testemunho mais falso do que esse. Mas, de que outra forma julgas o mundo que vês? Depositas uma fé patética no que os teus olhos e ouvidos reportam. Pensas que os teus dedos tocam a realidade e se fecham sobre a verdade. Essa é a consciência que compreendes e pensas ser mais real do que o que é testemunhado pela eterna Voz pelo próprio Deus. Esse tema importante é reiterado através de todo o Um Curso em Milagres. Jesus não está falando simbolicamente quando diz que nós não somos corpos. Ele quer dizer isso literalmente, e o expressa novamente na próxima lição do texto também. Nós continuamente confiamos em nossos corpos e cérebros para interpretarem o que pensamos ser realidade e verdade, e estamos sempre errados. Humildade é ir até Jesus, dizendo: “Obrigado, Deus, eu estou errado e você está certo”. Estamos enganados sobre tudo, até mesmo em pensar que sabemos o que esse curso está ensinando. Nós meditamos sobre o significado das suas palavras através da nossa necessidade de tornar real a individualidade e o especialismo do corpo. Essa identificação com nosso ser especial abafa “A Voz eterna por Deus”, como já vimos muitas vezes: Que resposta que o Espírito Santo te dê pode alcançar-te, quando é ao teu especialismo que escutas e é ele que pergunta e responde? Tudo o que tu escutas é a sua resposta diminuta, que não tem nenhum som na melodia que transborda de Deus para ti eternamente louvando com amor o que tu és... Podes defender o teu especialismo, mas nunca ouvirás a Voz que fala por Deus ao seu lado (T-24.II.4:3-4; 5:1). (4:1-3) Isso pode ser julgamento? A ti foi pedido com freqüência que te abstivesses de julgar, não que isso seja um direito que te é recusado. Não podes julgar. Nós já lemos outras passagens onde Jesus ensina sobre nossa inabilidade para julgar. Aqui está outra, do texto: Não julgues porque não podes fazê-lo e não porque também és um miserável pecador (T-25.VIII.13:3). Não deveríamos julgar não porque isso seja mau ou pecaminoso. Nós não podemos julgar. Nossos julgamentos sempre vêm do sistema de pensamento do ego que é baseado na necessidade de preservar nossa individualidade, provando que Deus está errado e nós certos. 6


Nenhum julgamento válido pode jamais ser feito nessa base, uma vez que sua origem repousa na ilusão e idéias não deixam sua fonte. (4:4) Podes meramente acreditar nos julgamentos do ego que são todos falsos. Não somos livres para estabelecer a realidade, mas somos livres dentro do nosso sonho para ditarmos o que é a realidade, como já vimos muitas vezes antes: A paz é uma herança natural do espírito. Cada um é livre para se recusar a aceitar a própria herança, mas não é livre para estabelecer o que é a sua herança (T3.VI.10:1-2). (4:5) Ele [o ego] guia cuidadosamente os teus sentidos para provar o quanto és fraco, o quanto és indefeso e amedrontado, o quanto vives apreensivo com a punição justa, o quanto és negro pelo pecado e miserável na tua culpa. O sistema de pensamento do ego está aqui resumidamente declarado em uma única sentença: pecado, culpa e medo da punição. O propósito do corpo é provar a realidade dessa trindade profana. No entanto, sua realidade não está na minha mente, mas no corpo, causada por pessoas e agentes externos a mim. Assim o sistema de pensamento do ego é uma realidade dentro do sonho do mundo, não tendo nada a ver com o corpo – o meu ou o de outra pessoa. Essa sentença também implica em que o propósito do corpo é tornar a dor real. Considere os elaborados mecanismos sensórios físico/psicológicos que nossos corpos possuem, que refletem seu propósito subjacente. O ego fez o corpo para sentir dor, e nós respondemos por interpretá-la como a prova de que o pecado, culpa e medo estão vivos e bem, tendo fixado residência permanente no corpo. (5:1) Essa coisa da qual ele fala e que ainda quer defender, ele te diz que é o que tu és. Em algum trecho do Um Curso em Milagres, Jesus nos diz que esse ser é uma paródia ou travesti do Ser que Deus criou. Lembre-se: O que é essa paródia da criação de Deus que toma o teu lugar? (T-24.VII.1:11). Tal é o travesti da criação de Deus (T-24.VII.10:9). Acreditando que o corpo é nós mesmos, nós inconscientemente sentimos culpa em relação ao Ser que pensamos ter destruído para podermos sobreviver. Assim, o corpo simboliza nosso pecado, que nós desesperadamente tentamos projetar em outros, forçandonos a precisarmos de defesa contra seus ataques pecaminosos a nós. A Lição 153 vai elaborar esse círculo vicioso de ataque-defesa. (5:2-4) E acreditas que isso é assim com uma certeza obstinada. No entanto, lá no fundo permanece a dúvida oculta de que ele próprio não acredite no que te mostra com tanta convicção como se fosse a realidade. Ele só condena a si mesmo. Aqui, mais uma vez, Jesus revela nossa teimosia arrogante em acreditar que estamos certos. Abaixo da superfície, no entanto, o dedo culpado aponta para nossas mentes, onde existe o medo, incerteza e dúvida, dos quais nos defendemos, fazendo um mundo no qual estamos certos de que conhecemos os pecadores. Mesmo se eu pensar que sou o pior de todos, ainda restam meus pais e outros agentes que posso culpar pelo meu estado miserável. Assim, existe uma parte de nós que realmente sabe que somos fraudes – oculta pela formação reativa – e que tudo o que acreditamos não é verdadeiro. 7


(5:5-6:1) É dentro de si próprio que vê a culpa. É o seu próprio desespero que ele vê em ti. Não dês ouvidos à voz do ego. O apelo familiar de Jesus através do todo o Um Curso em Milagres é para que ouçamos sua voz em vez da do ego: Renuncia agora ao cargo de teu próprio professor... pois tens sido mal ensinado (T12.V.8:3; T-28.I.7:1). No entanto, antes de poder fazer o que ele diz, primeiro preciso reconhecer a voz do ego. É por isso que Jesus devota tanto do seu curso a nos ajudar a entender o sistema defensivo do especialismo. Não posso escolher contra algo que não sei que está lá. (6:2-4) Os testemunhos que ele te envia para te provar que o mal que está nele é teu são falsos e falam com certeza de algo que não conhecem. A fé que tens neles é cega, porque não queres compartilhar as dúvidas que o próprio senhor desses testemunhos não consegue subjugar completamente. Acreditas que duvidar dos seus vassalos é duvidar de ti mesmo. Os “vassalos”, os escravos do ego, são nossos corpos e suas experiências sensórias. Nós não duvidamos deles, porque o ego nos diz para duvidarmos de que o que percebemos do lado de fora impulsiona o que acreditamos ser real dentro – a mente que o ego nos disse que é o lar do terror, da qual escapamos. Lembre-se, pecado, culpa e medo foram feitos no primeiro nível de defesas, o que nos levou a temer nossas mentes. A seguir, fizemos um mundo, corpo e cérebro para nos esconder daquilo de que tínhamos tanto medo. Nós, portanto, colocamos nossa fé no corpo porque estamos aterrorizados de voltar para a mente, e aquilo em que colocamos nossa fé, acreditamos ser verdadeiro. Portanto, nosso senso de ser realmente mudou da mente para o corpo, que se tornou o vassalo do seu senhor de culpa e medo. (7:1) No entanto, tens que aprender a duvidar que a evidência que te trazem desobstruirá o caminho para que reconheças a ti mesmo, e a deixar que apenas a Voz por Deus seja o Juiz do que é digno da tua própria crença. Nós precisamos do Um Curso em Milagres para que possamos aprender com Jesus que podemos ser salvos apenas por duvidarmos da nossa evidência sensória, compreendendo que não somos um corpo, e reconhecendo que os sistemas de pensamento do mundo são baseados em perpetuar a individualidade e especialismo do ego. Precisamos aprender que duvidar do ego e do seu mundo é salvação. O ego nos diz que duvidar dele significa que seremos destruídos pelo horror dentro da mente, e nos convenceu de que a única coisa que podemos fazer sobre esse horror é usar o mundo e o corpo para nos defendermos contra ele. Para praticarmos seu curso, Jesus nos diz que precisamos da boa vontade de questionar cada valor (T-24.in.2:1), para chegarmos a ele e dizer: “Minha única fonte de felicidade repousa em humildemente reconhecer que é você quem entende e está certo”. Sua compreensão não tem nada a ver com o mundo, mas me ajuda a perceber que tudo aqui é uma defesa. Voltando ao manual para professores, lemos essa exortação para irmos ao Único Que pode julgar para nós. Voltarmo-nos para Ele (ou para Jesus) é o único meio de atingirmos a paz que desejamos: Há Alguém contigo Cujo julgamento é perfeito... Portanto, deixa de lado o julgamento, não com pesar, mas com um suspiro de gratidão. Agora estás livre de uma carga tão grande, que poderias apenas cambalear e cair embaixo dela... Agora, o professor de Deus por erguer-se sem cargas e caminhar com leveza... Seu senso de preocupação se foi, pois ele não tem nenhuma. Abriu mão disso, junto com o 8


julgamento. Ele se entregou Àquele em Cujo julgamento escolheu confiar agora, em vez do seu próprio (MP-10.4:7; 5:1-2,5,7-9). Finalmente, chegamos constantemente repetidas:

à

percepção

da

sabedoria

dessas

palavras,

alegre

e

Tu não tens idéia da tremenda liberação e da profunda paz que vêm de te encontrares contigo mesmo e com teus irmãos totalmente sem julgamento (T3.VI.3:1). (7:2-4) Ele [o Espírito Santo] não te dirá que o teu irmão deve ser julgado pelo que teus olhos contemplam, nem pelo que a boca do corpo do teu irmão diz aos teus ouvidos, nem pelo que o toque dos teus dedos te reporta sobre ele. Ele ignora esses vãos testemunhos, que apenas dão falso testemunho do Filho de Deus. Ele só reconhece o que Deus ama e, à santa luz do que Ele vê, todos os sonhos do ego sobre o que tu és se desvanecem diante do esplendor que Ele contempla. Para contemplar esse esplendor em nós mesmos e nos outros, primeiro precisamos liberar as interferências a ele. Precisamos ver nosso investimento em acreditar no que o ego nos diz, e que a realidade não tem nada a ver com o corpo e o cérebro. Buscamos testemunhas diferentes agora: símbolos de perdão em vez de pecado, amor em vez de ódio, cura em vez de dor, vida em vez de morte: A Testemunha de Deus não vê testemunhos contra o corpo. Ela também não dá ouvidos às testemunhas com outros nomes, que falam da realidade do corpo de maneiras diferentes. Ela sabe que ele não é real... E para cada testemunha da morte do corpo, Ela envia uma testemunha da tua vida Nela, Que não conhece a morte. Cada milagre que Ela traz é um testemunho de que o corpo não é real. Suas dores e seus prazeres Ela cura da mesma forma, pois suas testemunhas substituem todas as testemunhas do pecado... Como o medo dá testemunho da morte, assim o milagre dá testemunho da vida... Os moribundos vivem, os mortos ressuscitam e a dor sumiu. Entretanto, um milagre não fala só por si, mas pelo que representa... O amor também tem símbolos em um mundo feito de pecado. O milagre perdoa porque representa o que está depois do perdão e é verdadeiro... E a verdade será revelada a ti que escolheste deixar que os símbolos do amor tomem o lugar do pecado (T-27.VI.4:1-3,7-9; 5:7,9-10; 6:1-2; 8:6). Chamando as testemunhas do Espírito Santo e não do ego, somos capazes de ir além da nossa percepção de diferenças e interesses separados – inerentes à percepção do corpo – para a visão da unidade e propósito compartilhado – inerente à mente do Filho único de Deus. (8:1) Deixa que Ele seja o Juiz do que tu és, pois Ele tem a certeza na qual não há dúvidas, já que se baseia em Certeza tão grande que qualquer duvida fica sem significado diante da Sua face. O Espírito Santo reflete essa Certeza de Deus. Quando escolhemos contra ele, nos tornamos incertos por definição. Assim começa a dúvida, a fonte de todo medo. Lembre-se dessa adorável passagem que conclui “O Cristo em ti”, expressando a certeza que acaba com nossa dúvida: Tem que haver dúvida antes que possa haver conflito. E toda dúvida tem que ser a respeito de ti mesmo. Cristo não tem dúvida e da Sua certeza vem a Sua quietude. Ele trocará a Sua certeza por todas as tuas dúvidas, se concordares que Ele é um 9


contigo e que essa unicidade é sem fim, sem tempo, e está dentro do teu alcance porque as tuas mãos são as Suas. Ele está dentro de ti, no entanto, caminha ao teu lado e diante de ti, mostrando o caminho pelo qual Ele tem que seguir para achar-Se completo. A Sua quietude vem a ser a tua certeza. E onde está a dúvida quando a Certeza veio? (T-24.V.9). (8:2-4) Cristo não pode duvidar de Si Mesmo. a Voz por Deus só pode honrá-Lo, regozijando-Se na Sua perfeita e eterna impecabilidade. Aquele que Ele julgou só pode rir da culpa, agora sem vontade de brincar com os brinquedos do pecado, ignorando as testemunhas do corpo diante do êxtase da santa face de Cristo. Quanto mais nos voltamos para o Espírito Santo em busca de ajuda, menos seriamente vemos esse mundo e o que acontece aqui. Portanto, refletindo Seu Amor, vamos nos tornar cada vez mais amorosos e disponíveis para os outros. Isso não significa, como sabemos, que damos nossas costas ao sofrimento nosso ou de outras pessoas, mas que simplesmente olhamos para o sofrimento de forma diferente, não dando às defesas do ego o poder de destruir a realidade do amor em nossas mentes. Portanto, os sonhos felizes de perdão do Espírito Santo substituem os pesadelos de culpa e morte do ego. E nós podemos sorrir: Descansa no Espírito Santo e deixa que os Seus sonhos gentis tomem o lugar daqueles que sonhaste no terror e no medo da morte. Ele traz sonhos que perdoam, nos quais a escolha não está entre quem é o assassino e quem será a vítima. Nos sonhos que Ele traz não existe assassínio e não há morte. O sonho da culpa está se apagando da tua vista, embora os teus olhos estejam fechados. Um sorriso veio para iluminar a tua face adormecida. O sono agora é de paz, pois estes são sonhos felizes (T-27.VII.14:3-8). (9:1) E assim ele te julga. O Espírito Santo não vê a ilusão, nem reconhece como verdade o que tornamos real para nós mesmos: o pensamento de pecado ou o corpo. Assim, realmente recebemos Seu julgamento amoroso: Tu és santo, eterno, livre e íntegro, para sempre em paz no Coração de Deus. Onde está o mundo e onde está o pesar agora? (MP-15.1:11-12). (9:2-7) Aceita o Seu Verbo quanto ao que tu és, pois Ele dá testemunho da tua bela criação e da Mente Cujo Pensamento criou a tua realidade. O que pode o corpo significar para Aquele Que conhece a glória do Pai e do Filho? Que sussurros do ego pode Ele ouvir? O que poderia convencê-Lo de que os teus pecados são reais? Deixa que Ele também seja o Juiz de tudo o que parece te acontecer nesse mundo. As Suas lições te permitirão construir uma ponte sobre a brecha entre as ilusões e a verdade. Nós precisamos da disponibilidade para ir até Ele e dizer: “Estou transtornado porque estou atraído pelo meu especialismo, mas sei que estou olhando para isso errado, porque vejo a fonte da dor e do prazer no meu corpo, e não na decisão da minha mente”. Expresso nesse parágrafo, portanto, está o fato de que o Espírito Santo não está preocupado com o corpo, nem com o que acreditamos serem nossos problemas aqui. Ele existe na mente e vê apenas a mente, estando além das defesas de pecado, culpa, medo e o corpo. Portanto, Ele não é enganado pelas duas camadas de defesa do ego, que camuflam a mente. Ir até Ele em busca de ajuda significa que temos pequena disponibilidade para suspender a identificação com o ser físico/psicológico que chamamos por um nome. É a mesma disponibilidade de deixar o Espírito 10


Santo reinterpretar o corpo e seu propósito: comunicação e comunhão em vez de separação e ataque: Lembra-te de que o Espírito Santo interpreta o corpo só como um meio de comunicação. Sendo o elo de comunicação entre Deus e Seus Filhos separados, o Espírito Santo interpreta tudo o que tens feito à luz do que Ele é. O ego separa através do corpo. E o Espírito Santo alcança os outros através dele. Tu não percebes os teus irmãos como o Espírito Santo os percebe, porque não consideras os corpos somente como meio de juntar as mentes e uni-las com a tua e a minha... Se usas o corpo para o ataque, isso te causa dano. Se tu o usas só para alcançar as mentes daqueles que acreditam que são corpos e ensiná-los através do corpo que isso não é assim, vais compreender o poder da mente que está em ti... A serviço da união, ele vem a ser uma bela lição de comunhão, que tem valor até que haja comunhão... O Espírito Santo não vê o corpo como tu o vês, porque Ele sabe que a única realidade de qualquer coisa é o serviço que rende a Deus em nome da função que Ele lhe dá (T-8.VII.2:1-5; 3:1-2,4,6). Unindo-nos à reinterpretação do propósito do corpo feita pelo Espírito Santo, ele se torna o meio de despertar do sonho, a ponte entre ilusões e a verdade, o meio de nos lembrarmos da nossa comunhão com Cristo, como Cristo. (10:1) Ele removerá toda a fé que tens depositado na dor, no desastre, no sofrimento e na perda. Implícito aqui está o fato de que o Espírito Santo remove nossa fé na dor e no desastre tão logo damos a Ele nosso investimento nelas. Ele não pode tirá-las de nós se ainda as agarramos. Um milagre não é mágica, não podemos dizer a Jesus: “Nós amamos muito você e estamos transtornados. Por favor, leve a dor embora’. Se nós o amássemos muito, não estaríamos escolhendo a dor para nos defender desse amor. Portanto, ele remove as defesas quando as levamos até ele. (10:2-3) Ele te dá a visão que pode olhar para o que está além dessas sombrias aparências e contemplar a gentil face de Cristo em todas elas. Não mais duvidarás de que só o bem pode vir a ti que és amado por Deus, pois Ele julgará todos os acontecimentos e te ensinará a lição única que todos contêm. Não somos solicitados a negarmos o que os olhos do nosso corpo vêem, mas somos solicitados a darmos um passo para fora do sonho e olharmos com Jesus para seu conteúdo. Acima do campo de batalha com ele ao nosso lado, tudo parece diferente, e agora vemos o mundo como nada além de um sonho. O que pensamos nos ter trazido salvação ou dor nós agora entendemos como partes da mesma ilusão. Assim: ... a porta é mantida aberta para que a face de Cristo brilhe sobre aquele que pede, em inocência, para ver além do véu das velhas idéias e dos antigos conceitos por tanto tempo apreciados e mantidos contra a visão de Cristo em ti (T-31.VII.13:7). Olhando através das aparências do pecado – “velhas idéias e antigos conceitos” -, contemplamos o reflexo da verdade do perdão brilhando a partir dos nossos irmãos e de nós mesmos. Como o mundo então se torna lindo! (11:1) Ele selecionará os elementos que representam a verdade e ignorará todos os aspectos que refletem apenas sonhos vãos. 11


Mais uma vez, o Espírito Santo não faz isso magicamente. Ele julga por nós apenas quando O convidamos a compartilhar Sua percepção do mundo, em vez de pedirmos a ele para compartilhar as nossas e então fixá-las para nós. Nós, portanto, não levamos a verdade à ilusão, mas a ilusão à verdade, dessa forma olhando de forma diferente para nossos irmãos, como essa adorável passagem sugere: Sonha suavemente com o teu irmão sem pecado, que se une a ti em santa inocência. E desse sonho o próprio Senhor do céu despertará o Seu Filho amado. Sonha com a benignidade do teu irmão, em vez de habitares nos seus equívocos em teus sonhos. Seleciona a atenção cuidadosa que ele te presta como matéria dos teus sonhos, ao invés de contares os ferimentos que ele provocou. Perdoa-lhe a suas ilusões e agradece-lhe por toda a ajuda que prestou. E não deixes de lado as muitas dádivas que ele te deu, porque ele não é perfeito em teus sonhos (T27.VII.15:1-6). Nosso perdão “representa a verdade”, enquanto nossas mágoas, “refletem apenas sonhos tolos”. (11:2) E ele re-interpretará tudo o que vês, todas as ocorrências, cada circunstância e cada acontecimento que parece te tocar de algum modo a partir do Seu referencial único, totalmente unificado e seguro. O Espírito Santo não muda os sonhos. Ele muda a maneira com que olhamos para o sonho. Nós então vemos todas as situações como oportunidades de aprendermos que temos uma mente que escolheu esse sistema de pensamento de separação, e, portanto, uma mente que pode mudá-lo. (11:3) E verás o amor além do ódio, a constância na mudança, a pureza no pecado e apenas a bênção do Céu sobre o mundo. Esse é o julgamento agora familiar do Espírito Santo: o comportamento é percebido como um pedido de amor ou uma expressão de amor. Isso não é para dizer que as coisas aqui são reais, mas que refletem uma decisão na mente de estar ou com o ego – meu comportamento é a sombra da minha escolha errada, portanto, pede ajuda – ou o Espírito Santo – meu comportamento refletindo Seu Amor, e a constância do Céu abençoando a pura inocência do Filho. (12:1-2) Tal é a tua ressurreição, pois a tua vida não faz parte de coisa alguma que vês. Ela está além do corpo e do mundo, depois de todo testemunho do profano, no interior Daquele que é Santo, tão santo quanto Ele Mesmo. Essa lição foi transcrita perto do fim da Quaresma, logo antes da Páscoa, daí a referência à ressurreição. A “vida” de Jesus se refere ao Ser verdadeiro além da segunda linha de defesa do ego – o mundo – e sua primeira linha – o sistema de pensamento de pecado, culpa e medo. Apesar de termos vagado para o país distante de sonhos do ego, nós permanecemos: ... em casa em Deus, sonhando com o exílio, mas perfeitamente capazes de despertar para a realidade (T-10.I.2:1). O Espírito Santo é a memória desse lar, e o perdão, o meio que Ele usa para nos despertar do sonho da morte; a definição de ressurreição do Curso (MP-28.1:1-4).

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(12:3-4) Em todos e em tudo a Sua Voz não quer te falar de nada, exceto do teu Ser e do teu Criador, Que é um com Ele. E assim, verás a santa face de Cristo em tudo e em tudo não ouvirás som algum exceto o eco da Voz de Deus. Isso não é sobre a percepção física. Ver a face santa de Cristo significa que vemos a inocência do nosso irmão, porque percebemos que os pecados dos quais o acusamos são as projeções dos pecados de que acusamos a nós mesmos – todos ilusórios. Assim, olhamos através da feiúra do ódio do ego para o encanto da face do perdão, ouvindo, além dos gritos assassinos do ego, o gentil eco da Voz de Deus. Como é alegre a visão recém-nascida que saúda nossos olhos! Pensa na beleza que verás, tu que caminhas com Ele! E pensa como tu e o teu irmão parecereis belos um para o outro! Como estareis felizes por estardes juntos, após uma jornada tão longa e tão solitária na qual cada um caminhou sozinho. Os portões do Céu agora estão abertos para ti e irás abri-los agora para os pesarosos. E ninguém que contemple o Cristo em ti deixará de regozijar-se. Como é belo o que viste além do véu e trarás para iluminar os olhos cansados daqueles que agora estão exaustos como tu já estiveste uma vez. Como ficarão agradecidos ao ver-te chegar entre eles, oferecendo-lhes o perdão de Cristo para dissipar a tua fé no pecado (T-22.IV.4). Jesus passa a seguir para os períodos de prática dessa lição: (13:1-2) Hoje praticamos sem palavras, com exceção do início do tempo que passamos com Deus. Introduzimos estes momentos apenas com uma única e lenta repetição do pensamento com o qual o dia começa. Isso significa que eu me torno consciente do quanto quero ver todas s coisas como ecos da voz do meu deus – a voz da separação e do especialismo -, no entanto, uma percepção pela qual não quero ser responsável. Nós, portanto, primeiro precisamos ver tudo o que percebemos como provando que nós estamos certos e Jesus errado. Essa percepção equivocada, uma vez consciente, pode ser trazida à sua presença curativa. Tal é o propósito desse e de todos os períodos de prática. Note a falta de ênfase em palavras específicas para guiar nossos momentos em quietude. Essa falta de ênfase vai aumentar conforme continuarmos com o programa de treinamento de um ano do livro de exercícios. (13:3) E, então, observamos os nossos pensamentos, apelando silenciosamente para Aquele Que neles vê os elementos da verdade. Os elementos da verdade no fato de eu querer ser separado é que eu escolho isso não porque sou pecador, mas porque temi o Amor não-específico de Deus, ainda presente em minha mente, mesmo que eu tenha me afastado dele. Assim, meus pensamentos pedem ajuda e não expressam pecado. Note, também, o retorno ao tema de observar a mente, o cerne desses exercícios do livro de exercícios. (13:4) Deixa-O avaliar cada pensamento que te vem à mente, retirar os elementos de sonho e devolvê-los outra vez como idéias limpas que não contradizem a Vontade de Deus. O Espírito Santo avalia meus pensamentos apenas se eu os der a Ele – meu papel no perdão; preciso estar consciente desses pensamentos de especialismo para que Ele possa me ajudar a olhar para eles de forma diferente. Portanto, preciso liberar meu investimento no ego, o que o faz desaparecer. O que permanece é o reflexo da Expiação da mente certa. Essa idéia 13


nos lembra do apelo de Jesus para sermos honestos com ele, o pré-requisito para segurarmos sua mão para que ele possa nos levar ao Reino, que nós tanto temos quanto somos: Vigia com cuidado e vê o que é que estás realmente pedindo. Sê muito honesto contigo mesmo nisso, pois é preciso que não escondamos nada um do outro. Se tu realmente vais tentar fazer isso, terás dado o primeiro passo na direção de preparar a tua mente para a entrada Daquele que é Santo. Vamos nos preparar para isso juntos, pois uma vez que Ele tiver vindo, tu estarás pronto para me ajudar a fazer com que outras mentes estejam prontas para Ele. Por quanto tempo vais negar a Ele o Seu Reino? (T-4.III.8). (14) Dá-Lhe os teus pensamentos e Ele os devolverá como milagres que proclamam alegremente a integridade e a felicidade que é a Vontade de Deus para o Seu Filho, como prova do Seu eterno Amor. E, à medida que cada pensamento é assim transformado, assume o poder curativo da Mente Que nele viu a verdade e não Se deixou enganar pelo que lhe foi falsamente acrescentado. Todos os fios da fantasia se foram. E o que permanece é unificado num pensamento perfeito que oferece a sua perfeição em toda parte. Meu trabalho é reconhecer que o que tenho julgado como essencial para minha felicidade é meramente um filamento de fantasia. Preciso perceber que estava simplesmente enganado pelo que meu ego me disse ser a realidade. No entanto, preciso estar ciente da minha identificação com ele e com o corpo, que reflete seu sistema de pensamento. Só então ele pode ser substituído pelo “pensamento perfeito, que oferece sua perfeição em toda parte” – a mente unificada do Filho de Deus. Nós citamos antes a primeira estrofe do poema de Helen, “A segunda chance”. Aqui está parte dessa estrofe, descrevendo o milagre do amor de Jesus, simbolizado pela estrela que recebemos em troca dos nossos pensamentos de ódio: Eu o [o ódio] apertei bem forte e o escondi no meu coração, E ainda o seguro, à parte do Seu Amor. Até o dia em que meus olhos encontraram os Seus, e então, Meus dedos se abriram e meu coração também. E, quando Olhei para longe, uma estrela estava em minha mão; Outra em meu coração (As Dádivas de Deus, p. 45). (15:1-2) Passa quinze minutos assim ao acordar e dá mais quinze minutos com alegria antes de ires dormir. O teu ministério começa à medida em que todos os teus pensamentos são purificados. Como vamos ver em uma lição subseqüente (LE-pI.154), nosso ministério não tem nada a ver com o externo, mas simplesmente com a aceitação da Expiação para nós mesmos. O que mais poderia ser, se é apenas a mente do Filho de Deus que precisa de cura? É a essa mente que ministramos, conforme buscamos purificá-la de nossos pensamentos de pecado. (15:3-5) E assim te é ensinado a ensinar ao Filho de Deus a santa lição da sua santidade. Ninguém pode falhar em escutar, quando ouves a Voz por Deus honrar o Filho de Deus. E todos compartilharão contigo os pensamentos que Ele re-traduziu na tua mente. Aqui, mais uma vez, vemos o tema de que o Filho de Deus é um: “Quando sou curado, não sou curado sozinho” (LE-pI.137). Quando escolho o Espírito Santo como meu Professor, escolho contra a separação. Nesse instante santo, eu sou o Filho de Deus, que é um. Como, então, poderíamos falhar em ouvir a Voz do Espírito Santo proclamando que a santidade de Cristo é nossa? 14


(16) Tal é a tua Páscoa. E assim depositas a tua dádiva de lírios brancos como a neve sobre o mundo, substituindo as testemunhas do pecado e da morte. Através da tua transfiguração, o mundo é redimido e alegremente se libera da culpa. Agora erguemos as nossas mentes ressuscitadas em contentamento e gratidão para com Aquele Que restaurou a nossa sanidade para nós. Lírios são o adorável símbolo do Um Curso em Milagres para o perdão. Quando escolho contra a culpa e a favor da inocência, escolho por todos – a mente do Filho de Deus é nossa dádiva de lírios, portanto, desfaz a crucificação da separação, e restaura às nossas mentes redimidas e ressuscitadas a consciência da nossa Identidade como um Filho. Essa passagem da Páscoa assemelha-se lindamente a esse pensamento: Esse é o caminho [a inocência nascida do perdão] para o Céu e para a paz da Páscoa, no qual nos unimos na consciência feliz de que o Filho de Deus ressurgiu do passado e despertou para o presente. Agora ele está livre, ilimitado em sua comunhão com tudo o que está dentro dele. Agora estão os lírios da sua inocência intocados pela culpa e perfeitamente protegidos do tremor frio do medo assim como da praga do pecado... Aqui está o teu salvador e o teu amigo, liberado da crucificação através da tua visão e livre para conduzir-te agora aonde ele quer estar... E, contentes, tu e teu irmão percorrerão juntos o caminho da inocência, cantando enquanto contemplam a porta aberta do Céu e reconhecem o lar que os chamou (T-20.II.10:1-3; 11:1,3). (17) E, a cada hora, nos lembraremos Daquele Que é salvação e liberação. E, ao darmos graças, o mundo une-se a nós e aceita com alegria os nossos santos pensamentos que o Céu corrigiu e purificou. Agora, enfim, começou o nosso ministério para levar pelo mundo a feliz noticia de que a verdade não tem ilusões e de que a paz de Deus, através de nós, pertence a todos. Nós vemos novamente que o mundo é um conosco, e, ao aceitarmos essa mensagem em nossas mentes, ela é aceita para o mundo também: Olha para o teu Redentor e contempla o que Ele quer te mostrar no teu irmão e não permitas que o pecado mais uma vez se erga para cegar os teus olhos. Pois o pecado quer manter-te separado dele, mas o teu Redentor quer que olhes para o teu irmão como para ti mesmo. O teu relacionamento agora é um templo de cura, um lugar aonde todos os que estão cansados podem vir e descansar. Aqui está o descanso que nos espera a todos após a jornada. E ele é trazido para mais perto de todos pelo teu relacionamento (T-19.III.11). Essa é a experiência que espera a liberação do julgamento por escolhermos a visão do perdão. Nossa voz agora ecoa a Voz que unifica o Filho de Deus; a identidade da qual nós alegremente nos lembramos, conforme nos unimos aos nossos irmãos, dando graças a Jesus, que nos trouxe a esse lugar santo de ressurreição. Nós gratamente nos lembramos dele a cada minuto hoje, conforme decidimos contra o julgamento e a favor da verdade.

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LIÇÃO 152 O poder de decisão é meu. Essa lição continua com a discussão sobre o papel do corpo e do mundo na estratégia do ego de proteger sua identidade, tornando ainda mais explícita a conexão entre a mente e o corpo. O ponto de partida é que tudo o que você percebe vem da decisão da mente. Esse pensamento, “O poder de decisão é meu”, é o medo dominante do ego. O fato de que sua mente tem todo o poder significa que o mundo em e por si mesmo não tem nenhum. Pelo fato de você e só você ter o poder de mudar como se sente e pensa, não está mais: ... à mercê de coisas além de ti, forças que não podes controlar e pensamentos que vêm a ti contra tua vontade (T-19.IV-D.7:4). O poder de estar feliz e pacífico, portanto, repousa não no mundo, mas em sua decisão. A lição também expressa a realidade não-dualista do Céu. (1:1-4) Ninguém pode sofrer perda a menos que seja por sua própria decisão. Ninguém pode sofrer dor, exceto que a sua própria escolha opte por esse estado. Ninguém pode ter aflição, nem medo, nem pesar que está doente, a menos que esses sejam os resultados que quer. E ninguém morre sem o próprio consentimento. No terceiro obstáculo à paz, a atração pela morte, Jesus diz virtualmente a mesma coisa: Ninguém pode morrer a não ser que escolha a morte. O que parece ser o medo da morte é realmente a sua atração. A culpa também é temida e temível. No entanto, ela não exerce absolutamente nenhum controle a não ser sobre aqueles que são atraídos por ela e a buscam. O mesmo se dá com a morte (T-19.IV-C.1:4-8). Sem usar a palavra mente, Jesus ensina que tudo o que experimentamos aqui vem da decisão da mente. Isso não é específico, tal como eu escolher viver ou morrer, ou estar nesse relacionamento ou em outro. A decisão final – a única que é importante – é a que tomamos como um Filho no instante original, e uma que tomamos de novo e de novo: a decisão de nos afastarmos do Espírito Santo, declarando que o princípio de Expiação é uma mentira e o ego o único professor verdadeiro. Dessa única escolha vem toda perda e dor, e a ilusão de que o mundo tem algo a oferecer. A decisão da mente de ver as mentiras do ego como verdade estabelece não apenas que estamos certos em relação à separação, mas que alguém mais é responsável por ela. Apontar um dedo acusador para fora de nós mesmos é o propósito de toda dor e sofrimento, até mesmo da morte. No entanto, aceitar a Expiação significa que deixamos de nos identificar com o ego, demos um passo para fora do sonho com Jesus, e chegamos a reconhecer que tudo aqui aconteceu em um único momento insano, quando escolhemos acreditar que estávamos certos e Deus errado. E então, nós escolhemos outra vez. (1:5) Nada ocorre que não represente o teu desejo e nada do que escolhes é omitido. Meu desejo é ser um indivíduo autônomo, separado da unidade do Céu. Se esse é o meu sonho, tudo o que acontece é o que eu coloquei lá; a decisão baseada na necessidade do meu ego de existir e escapar da responsabilidade pelo que ele escolheu.

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(1:6-8) Eis aqui o teu mundo, completo em todos os detalhes. Eis aqui toda a sua realidade para ti. E é só aqui que está a salvação. Isso é a mente e seus desejos; especificamente o tomador de decisões que escolhe estar certo em vez de ser feliz. O problema está na mente, assim como o mundo, porque idéias não deixam sua fonte. No entanto, a mente também está onde encontramos a correção, porque Jesus está lá. (2:1-2) Podes acreditar que essa posição seja extrema e por demais abrangente para ser verdadeira. Mas, pode a verdade ter exceções? Jesus fala da premissa não-dualista na qual repousa o Um Curso em Milagres, a ser desenvolvida mais profundamente na lição. Você está lendo esse livro completamente errado se pensar que existe qualquer coisa real no mundo ou no corpo. Não existe transigência aqui. Se você pensar que essa posição é extrema demais, ele diz, considere: “pode a verdade ter exceções?”. Se a verdade é Deus, Que é perfeita unidade, o que está fora da Sua Unicidade não pode ser Dele e, portanto, não pode ser real. Qualquer coisa que acreditemos ser real vem do desejo da mente de estar certa, dizendo que eu quero existir e que o mundo testemunhe essa realidade. (2:3) Se tens a dádiva de tudo, pode a perda ser real? A “dádiva de tudo” é o amor que Jesus mantém para nós. Quando acreditamos que a perda é possível, no entanto, dizemos que não temos tudo, uma crença que vem do desejo secreto de estar em um estado de escassez e privação, pelo qual algo ou alguém mais é responsável. Assim, nossa separação de Deus continua intacta, mas sem sermos responsáveis por isso. A seguinte passagem do texto descreve esse processo de usar o ataque (i.e., projeção) para culpar os outros pela perda e vazio que acreditamos ser nosso estado natural: O ataque jamais poderia promover ataque a não ser que tu o tenhas percebido como um meio de privar-te de alguma coisa que queres. No entanto, não podes perder coisa alguma a não ser que não a valorizes e, portanto, não a queiras. Isso te faz sentir-te privado dessa coisa e através da projeção da tua própria rejeição, acreditas então que os outros estão tirando-a de ti. Tens que estar amedrontado se acreditas que o teu irmão está te atacando com o fim de arrancar-te o Reino do Céu. Essa é a base fundamental para toda projeção do ego (T-7.VII.8). (2:4-7) Pode a dor ser parte da paz ou o pesar parte da alegria? Podem o medo e a doença entrar na mente onde habitam o amor e a santidade perfeita? A verdade tem que abranger tudo, se é que é a verdade. Não aceites opostos ou exceções, pois fazê-lo é contradizer inteiramente a verdade. Jesus nos diz mais uma vez que o curso dele é de tudo-ou-nada, e que não deveríamos fazer transigências com a realidade por tentarmos tornar qualquer coisa real nesse mundo. O melhor que podemos dizer é que algo aqui serve ao propósito do Espírito Santo de ser uma sala de aula na qual aprendemos a nos lembrar da realidade. Portanto, enquanto acreditarmos que existe dor ou sua ausência, tornamos a dualidade e a ilusão reais. Enquanto acreditarmos que existe alegria, mas não estivermos alegres, dizemos que esse mundo é real e o Céu não. Leia essa clara expressão da natureza intransigente da realidade – apenas a verdade é verdadeira: Necessariamente ou Deus é louco ou esse mundo é um lugar de loucura. Nenhum dos Seus Pensamentos faz sentido algum dentro desse mundo. E nada daquilo que 17


o mundo acredita que é verdadeiro tem qualquer significado na Sua Mente. O que não faz sentido e não tem significado é insanidade. E o que é loucura não pode ser a verdade. Se uma só crença profundamente valorizada aqui fosse verdadeira, então, qualquer Pensamento que Deus jamais teve seria uma ilusão. E se apenas um dos Seus Pensamentos é verdadeiro, então todas as crenças às quais o mundo dá qualquer significado são falsas e não fazem qualquer sentido. Essa é a escolha que fazes. Não tentes vê-la de modo diferente, nem distorcê-la em algo que ela não é. Pois só essa é a decisão que podes tomar (T-25.VII.3:2-11). Jesus continua com o mesmo pensamento: (3:1-4) A salvação é o reconhecimento de que a verdade é verdadeira e de que nada mais é verdadeiro. Isso já ouviste antes, mas podes ainda não aceitar ambas as partes. Sem a primeira, a segunda não tem significado. Mas sem a segunda, a primeira já não é verdadeira. Nós queremos ter um pouco do Céu no inferno, e então, dizemos: a verdade é verdadeira, Deus é amor, e o Céu é maravilhoso, mas esse mundo também é verdadeiro, assim como nossas experiências aqui. Algo em nossos corpos é vital, e algo em nossa experiência é real. Não tire isso de nós! Assim fala o ego, mas Jesus nos diz que se a primeira parte da sua declaração é verdadeira – “a verdade é verdadeira” -, a segunda parte também tem que ser – “nada mais é verdadeiro”. Não podem existir opostos à verdade. Dizer que a verdade é verdadeira é dizer que qualquer coisa fora da Unicidade é uma ilusão. É por isso que nos é dito que não podemos ter um pouco do inferno no Céu, ou um pouco do Céu no inferno: Não podes abrir mão do Céu parcialmente. Não podes estar um pouquinho no inferno. O Verbo de Deus não tem exceções. É isso o que faz com que ele seja santo e além do mundo (MP-13.7:3-6). ... é inconcebível que existam áreas especiais do inferno no Céu (MP-22.1:4). (3:5-8) A verdade não pode ter opostos. Nunca é demais dizer e pensar nisso. Pois, se aquilo que não é verdade for tão verdadeiro quanto aquilo que é verdadeiro, então, uma parte da verdade é falsa. E a verdade perdeu o seu significado. O que torna essas palavras significativas é pensar sobre o que fazemos com o mundo. Se qualquer coisa aqui for verdadeira, então, parte da verdade tem que ser falsa. A verdade é totalmente inclusiva, sendo uma, e não existe nada fora da sua unidade. Dizendo de outra forma, o mundo da percepção (forma) não é o oposto do conhecimento. Na melhor das hipóteses, ele reflete a verdade do conhecimento, mas em e por si mesmo é ilusório, uma vez que “o que é totalmente abrangente não pode ter opostos” (T-in.1:8): A diferença muito real existente entre percepção e conhecimento fica bastante evidente se consideras isso: nada há de parcial a respeito do conhecimento. Cada aspecto é total e, portanto, nenhum aspecto é separado... A percepção, no seu mais alto grau, nunca é completa. Mesmo a percepção do Espírito Santo, tão perfeita quanto a percepção pode ser, é sem significado no Céu. A percepção pode alcançar todos os lugares sob a Sua orientação, pois a visão de Cristo contempla todas as coisas na luz. No entanto, nenhuma percepção por mais santa que seja durará para sempre (T-13.VIII.2:1-2,5-8). (3:9) Nada além da verdade é verdadeiro e aquilo que é falso é falso. 18


Embora esse tema seja repetido continuamente através de todo o texto, livro de exercícios e manual, não se pode viver nesse mundo com tal compreensão. Portanto, Um Curso em Milagres nos ensina a refletir essa verdade aqui através do perdão. Nós, então, não somos solicitados a negar nossas experiências, mas a negar o que pensamos que elas são. Tudo aqui é simbólico, e é nossa escolha se isso vai simbolizar o sistema de pensamento de especialismo do ego, ou a correção do Espírito Santo, que vê todas as coisas como salas de aula. É a simples escolha entre ilusão e verdade, na qual repousa a essência da salvação: A salvação está no simples fato de que as ilusões não são amedrontadoras porque não são verdadeiras. Elas apenas aparentam ser amedrontadoras, na medida em que falhas em reconhecê-las pelo que são; e falharás nisso na medida em que quiseres que sejam verdadeiras. E nessa mesma medida estás negando a verdade e assim falhando em fazer a simples escolha entre verdade e ilusão, Deus e fantasia. Lembra-te disso e não terás dificuldade em perceber a decisão exatamente como ela é e nada mais (T-16.V.14). Jesus, portanto, esclarece que o problema não é sua forma. O fato de que queremos o problema é o problema, pois nosso desejo estabelece o ego como real. (4:1-2) Essa é a mais simples das distinções e, no entanto, a mais obscura. Mas não porque seja uma distinção difícil de ser percebida. Jesus está dizendo que não é realmente difícil compreender o que a verdade é, e que o que é falso é falso. De fato, no inicio do último capítulo do texto, ele pergunta o que poderia ser mais fácil de aprender do que essa simples verdade sobre a verdade. Ele não é enganado por nossos protestos de que não podemos aprender o que é tão simples e tão óbvio: Como é simples a salvação! Tudo o que ela diz é que o que nunca foi verdadeiro não é verdadeiro agora e nunca o será. O impossível não ocorreu e não pode ter efeitos. E isso é tudo. Pode ser difícil aprender isso para qualquer pessoa que queira que isso seja verdadeiro? Só a falta de disponibilidade para aprender poderia tornar difícil essa lição tão fácil. Qual a dificuldade de se ver que o que é falso não pode ser verdadeiro, e que o que é verdadeiro não pode ser falso? Tu não podes mais dizer que não percebes diferenças entre o falso e o verdadeiro. Foi dito a ti exatamente como distinguir um do outro e exatamente o que fazer caso fiques confuso. Então, por que persistes em não aprender coisas tão simples? (T-31.I.1). Note mais uma vez o retorno contínuo de Jesus ao problema da motivação: o que torna a simplicidade da lição tão difícil de entender é a falta de disponibilidade de desistir do nosso falso ser. (4:3) Ela está oculta por trás de um vasto conjunto de escolhas que não aparentam ser inteiramente tuas. Em outras palavras, o mundo existe fora da minha mente e eu não sou responsável por ele, sendo uma vítima, não das escolhas da minha mente, mas de acontecimentos externos. Isso, mais uma vez, é a essência de nosso tomador de decisões: a verdade da unicidade da Filiação – o Amor de Cristo – ou a ilusão dos interesses separados: O núcleo da ilusão de separação está simplesmente na fantasia da destruição do significado do amor. E a não ser que o significado do amor seja restaurado para ti, não podes conhecer a ti mesmo, já que compartilhas esse significado. A separação é apenas a decisão de não conhecer a ti mesmo. Todo esse sistema de 19


pensamento é uma experiência de aprendizado cuidadosamente inventada e programada para conduzir para longe da verdade e para dentro da fantasia. Entretanto, para cada aprendizado que te feriria, Deus te oferece correção e a possibilidade de escapar completamente de todas as suas conseqüências. A decisão de escutar ou não esse curso e segui-lo é somente a escolha entre a verdade e a ilusão. Pois aqui está a verdade, separada da ilusão e não confundida com ela em absoluto. Como essa escolha vem a ser simples quando é percebida apenas como é. Pois só fantasias fazem com que a confusão na escolha seja possível e elas são totalmente irreais (T-16.V.15-16). No entanto, são essas próprias fantasias complexas de especialismo que ocultam a simplicidade do problema e de sua solução – o poder de escolha de nossas mentes: Nesse mundo, a única liberdade restante é a liberdade de escolha, sempre entre duas opções ou duas vozes (ET-1.7:1). (4:4) E, assim, a verdade aparenta ter alguns aspectos que negam a coerência, mas que não parecem ser apenas contradições introduzidas por ti. Um exemplo da inconsistência da verdade é pensar que Deus, habitando no Céu de perfeito amor, está nesse mundo também, ainda que ele seja tudo menos um lugar amoroso. A maioria das religiões é direcionada a caminhar sobre a impossível corda-bamba de explicar como um mundo cheio de sofrimento, ódio e morte pode coexistir com o Deus todo-amoroso Que supostamente o criou. Assim, a verdade realmente parece inconsistente, como no comentário de Jesus depois de nos apresentar um retrato do sofrimento inerente à vida no corpo. Nós devemos retornar a esse retrato abaixo, mas aqui estão as palavras de Jesus sobre a incongruência de acreditar que um Deus amoroso poderia criar ataque e morte: Se esse fosse o mundo real, Deus seria cruel. Pois Pai nenhum poderia sujeitar Suas crianças a isso como o preço a ser pago pela salvação e ser amoroso. O amor não pode matar para salvar. Se o fizesse, o ataque seria salvação e essa interpretação é a do ego, não a de Deus (T-13.in.3:1-4). Nós não percebemos que essa inconsistência e contradição são introduzidas por nós. Não foi o Verbo de Deus que escreveu a Bíblia, mas a mente de pessoas cuja ambivalência e conflito encontraram expressão criativa nas histórias bíblicas, culminando em uma teologia que não faz sentido. Jesus nos pede para não culparmos Deus ou a verdade pela inconsistência, pois ela é nossa, feita em uma tentativa mágica de permitir que um pouco do céu exista no inferno. Ele explica depois, no contexto da visão crística da crucificação, que essa teologia é inconcebível: A crucificação não estabeleceu a Expiação, mas a ressurreição sim. Muitos cristãos sinceros compreenderam isso de modo equivocado... Se a crucificação é vista de uma perspectiva invertida, parece que Deus permitiu e até mesmo encorajou um de Seus Filhos a sofrer porque ele era bom. Essa interpretação particularmente desafortunada, que surgiu da projeção, tem conduzido muitas pessoas a sentirem amargamente o medo de Deus. Tais conceitos anti-religiosos entram em muitas religiões. No entanto, o cristão real deveria fazer uma pausa e perguntar: “Como poderia ser assim?”... A perseguição freqüentemente resulta em uma tentativa de “justificar” a terrível percepção equivocada de que o próprio Deus perseguiu Seu próprio Filho em prol da salvação. Essas palavras em si mesmas são sem significado... Tu podes acreditar que nosso Pai realmente pense desse modo? É tão essencial que todos esses pensamentos sejam dissipados, que nós não podemos 20


deixar de estar seguros de que nada desse tipo permaneça na tua mente. Eu não fui “punido” porque tu foste mau. A lição totalmente benigna que a Expiação ensina está perdida se for manchada com esse tipo de distorção sob qualquer forma (T3.I.1:2-3,5-8; 2:4-5,8-11). Jesus agora faz uma afirmação forte sobre por que Deus não poderia ter nada a ver com esse mundo. Já discuti como os estudantes do Um Curso em Milagres freqüentemente tentam mudar o significado de Jesus quanto ele diz que Deus não criou “o mundo que vês”, vendo essa afirmação como se significasse que Deus realmente criou o mundo, mas não a dor e o sofrimento que nós tornamos real. No entanto, não é isso de forma alguma que Jesus quer dizer, como vemos agora. Seu ponto é que Deus não criou um mundo no qual acreditamos que podemos ver. Em outras palavras, Ele não criou um mundo perceptual ou dualista de formas, no qual existe um sujeito e um objeto. Lemos: (5) Como Deus te criou, tens que permanecer imutável, com estados transitórios que são falsos por definição. E isso inclui todas as variações de sentimento, as alterações das condições do corpo e da mente, de toda a consciência e de todas as reações. Essa é a abrangência total que coloca a verdade à parte da falsidade e pela qual o que é falso se mantém separado da verdade, tal como é. Essa é a revelação: tudo no mundo muda, o que nos ajuda a entender por que Deus não pode estar envolvido nele. Se a realidade do Céu é imutável, esse mundo é seu oposto exato. Não é apenas o corpo físico que muda – do nascimento, através do que chamamos de vida, até a morte, seguida por diversos estágios no “pós-vida” -, mas nossos estados emocionais mudam também – nossos humores, pensamentos e sentimentos estão em um fluxo constante. Tudo isso são apenas ilusões designadas pelo ego para ocultar a verdade imutável da realidade: Aparências enganam, mas podem ser mudadas. A realidade é imutável. Ela não engana em nada, e se falhas em ver o que está além das aparências, tu estás enganado. Pois todas as coisas que vês mudarão e apesar disso pensaste que eram reais antes e agora pensas que são reais mais uma vez. A realidade é assim reduzida à forma e é capaz de mudar. A realidade é imutável. É isso o que faz com que ela seja real e a mantém separada de todas as aparências. Ela tem que transcender todas as formas para ser ela própria. Ela não pode mudar (T-30.VIII.1). (6:1) Não é estranho que acredites que pensar que fizeste o mundo que vês seja arrogância? As pessoas poderiam dizer em falsa humildade: Como eu poderia ter feito esse mundo? Ele é intrincado e complicado demais. No entanto, pense nos mundos estranhos que fazemos todas as noites em sonhos, muitos dos quais são estranhos e exóticos, dolorosos ou prazerosos, simples ou complicados. No entanto, eles são ilusórios, nada diferentes dos sonhos que constituem o universo físico: Os sonhos te mostram que tens o poder de fazer o mundo conforme queres que ele seja e, porque o queres, tu o vês. E enquanto o vês, não duvidas de que ele seja real. Contudo, aqui está um mundo, é óbvio que ele está dentro da tua mente, mas aparenta estar do lado de fora... Pareces despertar e o sonho se foi. Entretanto, o que falhas em reconhecer é que aquilo que causou o sonho não se foi com ele. O tu desejo de fazer um outro mundo que não é real permanece contigo. E aquilo para o qual pareces despertar, não é senão uma outra forma desse mesmo mundo que vês nos sonhos. Todo o teu tempo é gasto em sonhar. Os teus sonhos, quando estás 21


dormindo, e os teus sonhos, quando estás acordado, têm formas diferentes e isso é tudo. Seu conteúdo é o mesmo. Eles são o teu protesto contra a realidade da tua idéia fixa e insana de que podes mudá-la (T-18.II.5:1-3,8-15). Portanto, é arrogância acreditar que fizemos o mundo, uma arrogância nascida da crença de que somos mais poderosos do que Deus, e podemos realmente fazer um mundo oposto ao Dele. A verdadeira humildade reconhece – e muito alegremente! – a impossibilidade de tal loucura. (6:2-3) Deus não o fez. Disso podes estar certo. Para reafirmar esse ponto importante, não é que Deus não fez o mundo que você vê, em termos da sua interpretação dele. Ele não fez um mundo no qual a percepção – o mundo da forma – é a verdade, nem Ele fez um mundo no qual as coisas mudam, como já vimos: O mundo que vês é uma ilusão de um mundo. Deus não o criou, pois o que Ele cria tem que ser eterno como Ele próprio. No entanto, não há nada no mundo que vês que vá durar para sempre. Algumas coisas durarão no tempo um pouco mais do que outras. Mas virá o tempo no qual todas as coisas visíveis terão um fim (ET-4.1). (6:4-7) O que pode Ele saber do efêmero, do pecador e do culpado, do amedrontado, do sofredor e solitário, e da mente que vive dentro de um corpo que não pode deixar de morrer? Estás apenas acusando-O de insanidade ao pensar que Ele tenha feito um mundo em que tais coisas pareçam ter realidade. Ele não é louco. No entanto, só a loucura faz um mundo como esse. Como mencionado acima, Jesus descreve o mundo separado do ego – um mundo de culpa, feito pela culpa: A aceitação da culpa na mente do Filho de Deus foi o começo da separação, assim como a aceitação da Expiação é o fim. O mundo que vês é o sistema delusório daqueles a quem a culpa enlouqueceu. Olha com cuidado para esse mundo e vais reconhecer que é assim. Pois esse mundo é o símbolo da punição e todas as leis que parecem governá-lo são as leis da morte. As crianças vêm ao mundo através da dor e na dor. Seu crescimento é acompanhado de sofrimento e elas aprendem sobre o pesar, a separação e a morte. Suas mentes parecem estar presas como numa armadilha em seus cérebros e seus poderes parecem declinar se os seus corpos são feridos. Elas parecem amar, no entanto, abandonam e são abandonadas. Parecem perder o que amam, talvez a crença mais insana de todas. E seus corpos definham e exalam seu ultimo suspiro e são depositados na terra e já não são mais. Nenhuma delas tem outro pensamento a não ser o de que Deus é cruel (T-13.in.2). Lembre-se do comentário seguinte de Jesus de que “se esse mundo fosse real, Deus seria cruel” (T-13.in.3:1). Nessa passagem do livro de exercícios, ele nos diz que se esse fosse o mundo real, Deus seria louco. O tema da loucura de Deus é discutido em “A rocha da salvação”, no contexto da premissa insana do ego de que um tem que perder para que outro vença, a base desse mundo de culpa e punição: Toda a crença segundo a qual é possível que alguém perca o que quer que seja simplesmente reflete a doutrina subjacente segundo a qual Deus tem que ser insano. Pois nesse mundo parece que alguém tem que ganhar porque outro perdeu. Se isso fosse verdadeiro, Deus seria louco de fato! Mas o que é essa crença além 22


de uma forma da doutrina mais básica: “O pecado é real e reina no mundo”? Por cada pequeno ganho, alguém tem que perder e pegar uma soma exata em sangue e sofrimento. Pois de outra forma, o mal triunfaria e a destruição seria o preço total de qualquer ganho que fosse. Tu, que acreditas que Deus é louco, olha para isso com atenção e compreende que um dos dois tem que ser insano, ou isso ou Deus, mas dificilmente ambos (T-25.VII.11). Portanto, nós voltamos ao princípio fundamental de um ou outro: vida ou morte, amor ou pecado, loucura de Deus ou a nossa. Ao trabalhar com o Curso, é essencial que você não traga Deus, o Espírito Santo, ou qualquer coisa espiritual ao mundo ou ao corpo. Na verdade, como já vimos, o corpo foi feito especificamente para ocultar o espiritual que está além do mundo. A única coisa “espiritual” aqui é ver o mundo como uma sala de aula na qual aprendemos, com um Professor em nossas mentes, que o mundo é ilusório. Esse é o único propósito, pois não existe nada inerentemente espiritual sobre o material. (7:1) Pensar que Deus fez o caos, que ele contradiz a Sua Vontade, que inventou opostos para a verdade e permite, mesmo com sofrimento, que a morte triunfe sobre a vida, tudo isso é arrogância. Jesus gentilmente aponta seu dedo da verdade em nossa direção, e pede que o sigamos. O caos e crueldade insanos do nosso mundo não foram feitos por Deus, nem por alguma expressão misteriosa da Sua Vontade. Isso vem somente da nossa decisão insana pelo ego, dessa forma tornando a nós mesmos certos e Deus errado. Além disso, como Jesus nos explica em “As leis do caos”, nós forçamos Deus a pensar o que pensamos. Lembre-se dessa passagem incisiva e perturbadora: A arrogância em que se baseiam as leis do caos não pode ser mais evidente do que aqui. Aqui está um princípio que pretende definir o que o Criador da realidade tem que ser, o que Ele tem que pensar e o que Ele tem que acreditar, e como Ele tem que responder acreditando nisso. Nem mesmo se considera necessário perguntarLhe acerca da verdade do que foi estabelecido para que Ele creia. Seu Filho pode dizer-Lhe isso e Ele não tem senão a escolha de aceitar a sua palavra ou estar equivocado. Isso conduz diretamente à terceira crença absurda que parece fazer com que o caos seja eterno. Pois se Deus não pode estar equivocado, Ele tem que aceitar a crença do Seu Filho acerca do que ele é e odiá-lo por isso (T-23.II.6). Nós tornamos o pecado real, e então, fizemos um Deus Que acredita nele, pedindo vingativamente nossa punição. Além disso, fizemos um mundo para atacar Deus e depois O trouxemos a ele, exigindo que Ele o conserte. Nós então vamos ainda mais fundo, e dizemos que Deus fez esse mundo em Sua infinita sabedoria, cujo mistério mal começamos a sondar. Jesus, no entanto nos pede para deixarmos Deus de fora dessa confusão e loucura completa, que nossa arrogância usa para afirmar que estamos certos (e, portanto, sãos) e Deus está errado (e, portanto, insano). É tempo, Jesus diz, de mudarmos para a humildade: (7:2-5) A humildade veria imediatamente que essas coisas não são Suas. E podes ver o que Ele não criou? Pensar que podes é meramente acreditar que podes perceber aquilo que a Vontade de Deus determinou que não fosse. E o que poderia ser mais arrogante do que isso? Nossa crença é a de que nós podemos ver o que Deus não criou. O problema não é apenas que vemos dor e doença, mas que acreditamos que vemos, pensamos e sentimos. Nossas percepções, pensamentos e sentimentos são parte da mesma ilusão. Equacionando 23


arrogância à pequenez, e humildade à magnitude, Jesus nos pede para não deixarmos o mundo depreciar a consciência da verdadeira glória: Não te contentes com a pequenez. Mas estejas certo de compreender o que ela é e por que nunca poderias te contentar com ela. A pequenez é o oferecimento que fazes a ti mesmo. Tu a ofereces no lugar da magnitude e a aceitas. Tudo nesse mundo é pequeno porque é um mundo feito de pequenez na estranha crença em que ela pode contentar-te. Quando lutas por qualquer coisa nesse mundo acreditando que tal coisa te trará paz, estás te diminuindo e cegando a ti mesmo para a glória. A pequenez e a gloria são as escolhas disponíveis para os teus esforços e a tua vigilância. Tu sempre escolheras uma às custas da outra (T15.III.1). (8:1) Sejamos verdadeiramente humildes hoje e aceitemos o que temos feito tal como é. Precisamos perceber que fizemos esse mundo para excluir Deus de nossas vidas. É isso o que Jesus quer dizer depois, no livro de exercícios, como já vimos antes, quando ele nos diz que: ... o mundo foi feito para ser um lugar em que Deus não pudesse entrar e no qual o Seu Filho pudesse estar à parte Dele (LE-pII.3.2:4). Jesus, portanto, nos pede para vermos o mundo pelo que ele é: a segunda linha de defesas do ego que é a sombra do sistema de pensamento subjacente de pecado, culpa e medo, que em si mesmo é uma defesa contra nos lembrarmos de Quem somos. A humildade diz que eu fiz tudo isso para provar que estou certo, mas que graças a Deus estou errado – sobre o mundo, e seu sistema de pensamento de dor e morte. Como Jesus nos pergunta: Pensas que a Vontade de Deus é impotente? Isso é humildade? Não vês o que essa crença tem feito. Tu vês a ti mesmo como vulnerável, frágil, facilmente destruído e à mercê de inúmeros agressores mais poderosos do que tu (T22.VI.10:3-6). Isso não é humildade, mas loucura. Como o Filho de Deus poderia ser fraco? Na verdade, todo poder no Céu e na terra é dado a nós através do poder de escolha da mente, que Jesus mantém para nós como o nosso próprio: A minha mente sempre será como a tua porque nós fomos criados como iguais. Foi apenas a minha decisão que me deu todo o poder no Céu e na terra. Minha única dádiva a ti é ajudar-te a tomar a mesma decisão. Essa decisão é a escolha de compartilhá-la, porque a decisão em si é a decisão de compartilhar. Ela é tomada pelo ato de dar, sendo, portanto, a única escolha que se assemelha à criação verdadeira. Eu sou o teu modelo para a decisão. Decidindo-me por Deus eu te mostrei que essa decisão pode ser tomada e que tu podes tomá-la (T-5.II.9). E então, ele nos lembra mais uma vez: (8:2) O poder de decisão é nosso. Eu fiz o mundo, eu sou o sonhador do sonho e, portanto, eu posso escolher mudar com quem e com o que estou sonhando. Sou eu que, em última instância, escolho mudar do sonho para a realidade desperta, dessa forma cumprindo a função do milagre. Tudo depende do que eu quero – paz ou conflito, alegria ou dor, perdão ou culpa: 24


Não aconteceu absolutamente nada, exceto o fato de que tu te puseste a dormir e tiveste um sonho no qual eras um estranho para ti mesmo e apenas uma parte do sonho de alguma outra pessoa. O milagre não te desperta, mas te mostra quem é o sonhador. Ele te ensina que existe uma escolha de sonhos enquanto ainda estás adormecido, dependendo do propósito do teu sonhar. Desejas sonhos de cura ou sonhos de morte? O sonho é como uma memória na qual se retrata aquilo que quiseste que te fosse mostrado (T-28.II.4). (8:3-5) Decide apenas aceitar o teu lugar de direito como co-criador do universo e tudo o que pensas ter feito desaparecerá. Então, o que surgir na tua consciência será tudo o que sempre foi, eternamente como é agora. E isso tomará o lugar dos auto-enganos feitos apenas para usurpar o altar ao Pai e ao Filho. Jesus não está falando do universo físico. Algumas vezes, ele realmente usa a palavra universo significando cosmos, o universo físico, mas em outras vezes, como nessa passagem, ele se refere ao universo do espírito. Ele, portanto, diz: “Decida contra o seu ego, e a favor de mim e do princípio da Expiação. Isso vai restaurar a consciência da sua Identidade como Deus o criou, o Cristo Que co-cria o Céu com Ele”: Deus Se estende além dos limites e além do tempo e tu que és co-criador com Ele estendes o Seu Reino para sempre e além de todos os limites. A eternidade é o selo indelével da criação. O eterno está em paz e alegria para sempre (T-7.I.5:4-6). Uma vez que decidimos por Deus e pelo nosso Ser, tudo o que pensamos ter feito – o sistema de pensamento de separação e o mundo que o espelha – vai desaparecer, e a paz e a alegria da criação serão suas para sempre. Conforme escolhemos aceitar a correção do Espírito Santo para o ego, a memória de Deus alvorece apenas um instante antes de desaparecer Naquilo do que ela era uma memória; o reflexo da santidade se torna refletido, brilhando sobre o altar que é a Mente Única de Deus e de Cristo: ... a santidade não é um reflexo, mas ao invés disso, a condição vigente daquilo que aqui era apenas um reflexo para eles. Deus não é uma imagem e as Suas criações, enquanto parte Dele, O mantêm em si na verdade. Elas não apenas refletem a verdade, são a verdade (T-14.IX.8:5-7). O restante da lição é devotado aos períodos de prática: (9:1-3) Hoje, praticamos a verdadeira humildade, abandonando a falsa pretensão com a qual o ego busca provar que ela é arrogante. Só o ego pode se arrogante. Mas a verdade é humilde ao admitir o seu poder, sua imutabilidade e a sua integridade eterna que tudo abrange, a dádiva perfeita de Deus para o Seu Filho amado. Nossa humildade, mais uma vez, diz a Jesus: “Você está certo e eu errado; algo pelo que sou eternamente grato. Nada pode me fazer mais feliz do que saber que eu estava errado sobre tudo”. (9:4) Deixamos de lado a arrogância que nos diz que somos pecadores culpados, amedrontados e envergonhados do que somos; e, ao invés disso, ergamos os nossos corações em verdadeira humildade para Aquele Que nos criou imaculados como Ele próprio, no poder e no amor.

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Como o texto diz, somos “humildes diante Dele, e, no entanto, grandes Nele” (T15.IV.3:1). Nossa humildade reconhece que Deus é o Criador e nós os criados. Naquele momento, percebemos que compartilhamos Sua magnitude e poder, a resposta a toda oração: Usar o poder que Deus te deu do mesmo modo como Ele o usaria é natural. Não é arrogante ser como Ele te criou, nem fazer uso do que Ele deu para responder a todos os equívocos de Seu Filho e libertá-lo. Mas é arrogante deixar de lado o poder que Ele te deu e escolher um pequeno desejo sem sentido no lugar da Sua Vontade. A dádiva de Deus a ti é sem limites. Não existe nenhum circunstancia à qual ela não possa responder e não existe nenhum problema que não se resolva dentro da sua luz amável (T-26.VII.18). Só a voz arrogante de pequenez do ego iria afirmar de outra maneira. (10:1-3) O poder de decisão é nosso. E aceitamos Dele aquilo que somos e humildemente reconhecemos o Filho de Deus. Reconhecer o Filho de Deus implica também em que todos os nossos auto-conceitos tenham sido postos de lado e reconhecidos como falsos. Podemos sublinhar a palavra todos, pois o sistema de pensamento de Jesus é totalmente inclusivo: “todos os nossos auto-conceitos tenham sido postos de lado e reconhecidos como falsos”. Isso lembra a passagem que já citei: Aprender esse curso requer disponibilidade para questionar todos os valores que manténs. Nenhum pode ser mantido oculto e obscuro sem pôr em risco o teu aprendizado (T-24.in.2:1-2). Todos os valores precisam ser questionados. Você começa questionando os valores que mantém no mundo, tal como especialismo, e termina questionando o valor final: sua existência individual. Todos os auto-conceitos são destinados a manterem esse valor na consciência. É por isso que Jesus afirma: O auto-conceito sempre foi a grande preocupação do mundo. E todos acreditam que têm que achar uma resposta para o enigma por si mesmos. A salvação pode ser vista como nada além de escapar de conceitos. Ela não se preocupa com o conteúdo da mente, mas com a simples declaração de que ela pensa (T-31.V.14:14). Quando nossos auto-conceitos se vão, o Que realmente somos nos fala sobre Si Mesmo (T-31.V.17:9). (10:4) A arrogância de cada um deles foi percebida. Essa é a arrogância de pensar que eu entendo o que torna a mim e aos outros dignos de confiança, e o que me faz feliz e infeliz, o que é santo e profano, e o que vai me levar para casa em Deus – tudo isso é apenas arrogância do ego, para a qual olhamos através da visão da verdade e humildade: (10:5) E, na humildade, a radiância do Filho de Deus, a sua gentileza, a sua perfeita impecabilidade, o Amor de seu Pai, o seu direito ao Céu e a liberação do inferno, são alegremente aceitos como nossos.

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Assim nós deixamos de lado as dádivas do inferno do ego, pois não mais desejamos trazer o Céu à terra, misturando a verdade e a ilusão. (11:2-4) Pensamos apenas na verdade ao levantarmos e passarmos cinco minutos praticando os seus caminhos, encorajando as nossas mentes assustadas com o seguinte: O poder de decisão é meu. Nesse dia aceitarei a mim mesmo como aquilo que a Vontade do meu Pai me criou para ser. Quando acordamos de manhã “pensamos apenas na verdade”. Em um nível prático, isso significa que pensamos no reflexo da verdade, porque “apenas a verdade” significa que nem mesmo estou aqui. Refletir a verdade significa que eu alegremente desperto para um dia pleno de lições, no qual aprendo com um Professor Que vai me instruir na extensão em que eu levar a Ele minhas experiências. Ele vai me ajudar a entender seu significado; especificamente que eu tenho estruturado cuidadosamente meu dia para provar que eu estava certo e Deus errado, e que eu existo como um indivíduo, mas que alguém mais é responsável. O Espírito Santo me ajuda a perceber isso como uma defesa contra o sistema de pensamento de culpa na minha mente, que foi feito para defender contra a lembrança do amor que é meu, não importando as circunstâncias que me aguardam – por causa das lições que posso aprender. Eu não preciso estar ciente da verdade não-dualista, mas simplesmente do reflexo do Espírito Santo para essa verdade; interesses compartilhados. Essa é a Vontade do meu Pai para mim no sonho, o meio de me lembrar da Sua Vontade para mim no Céu. (11:5) Em seguida aguardaremos em silencio, desistindo de todos os auto-enganos... Aqui, vemos novamente que esperar em silêncio para que Deus fale comigo, ou para que o amor de Jesus me abrace, não significa absolutamente nada enquanto meus pensamentos tentarem tomar Seu lugar. Preciso olhar para os auto-enganos da minha vida e seu sistema de pensamento. Só então poderei experimentar Seu Amor, a Presença da verdade que dissipa as mentiras do ego. (11:5-6) ... enquanto pedimos humildemente ao nosso Ser que Se revele a nós. E Aquele Que jamais partiu virá novamente à nossa consciência, grato por restaurar o Seu lar em Deus, como lhe era destinado. O Espírito Santo está aqui equacionado a Cristo, nosso verdadeiro Ser. Ele vem até nós na extensão em que deixamos de lado nossas ilusões, o que fazemos na extensão em que não as queremos mais, preferindo a verdade em vez dela. (12) Espera por Ele pacientemente ao longo do dia e convida-O a cada hora com as palavras com que começaste o dia, concluindo com esse mesmo convite para o teu Ser. A Voz de Deus responderá, pois Ela fala por ti e pelo teu Pai. Ela substituirá todos os teus pensamentos frenéticos pela paz de Deus, os auto-enganos pela verdade de Deus e as tuas ilusões de ti mesmo pelo Filho de Deus. Mais uma vez, a única maneira de podermos ter a paz e a verdade de Deus, e de nos lembrarmos de Quem somos como o Seu Filho, é trazer ao nosso Professor os pensamentos frenéticos, auto-enganos e ilusões que temos sobre nós mesmos e os outros. Nós decidimos finalmente ver o reflexo da Unicidade do Céu – “a verdade de Deus” em todos os que vemos, conforme aprendemos o verdadeiro significado do milagre: 27


Esse é o milagre da criação: que ela é una para sempre. Todo milagre que ofereces ao Filho de Deus não é senão a verdadeira percepção de um aspecto do todo. Embora cada aspecto seja o todo, não podes conhecer isso enquanto não vês que cada aspecto é o mesmo, percebido à mesma luz e, portanto, um só. Desta forma, todo aquele que é visto sem o passado te traz para mais perto do fim dos tempos, trazendo à escuridão uma forma de ver que está curada e é capaz de curar fazendo com que o mundo possa ver. Pois é preciso que a luz venha ao mundo escuro para fazer com que a visão de Cristo seja possível mesmo aqui. Ajuda-O a dar a Sua dádiva de luz a todos aqueles que pensam que vagam nas trevas e permite que ele os reúna em Sua visão serena fazendo com que sejam um (T-13.VIII.5). Nós, portanto, encontramos a verdadeira felicidade por trazermos a escuridão das nossas ilusões à luz da verdade em nossas mentes. Nós recuperamos o poder de escolha, e agora decidimos pelo Filho único de Deus, conforme o abraçamos em todos os que encontramos, sem exceção.

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LIÇÃO 153 A minha segurança está em ser sem defesas. Para podermos entender essa lição, é essencial lembrarmos a estratégia do ego, então, mais uma vez, começo com uma pequena revisão. O propósito do ego para sua defesa dupla é o de assegurar que o Filho de Deus nunca mude sua mente e decida que cometeu um engano ao escolher contra o Espírito Santo. O cerne dessa estratégia é deixar o Filho sem mente, o que é alcançado pelo forjado e impossivelmente insano conto de pecado e punição do ego. O ego diz ao Filho que ele pecou contra Deus e merece ser punido por causa do seu pecado. A única maneira de ele poder escapar do seu destino inevitável é fazer um mundo e um corpo repletos de problemas com os quais tem que lidar. O Filho fica tão preocupado que não lida com a “realidade” aterrorizante, na mente, do seu pecado e da ira de Deus. Assim, o ego primeiro faz um problema na mente – a ira de Deus – e depois o mundo como uma defesa maladaptada contra o problema inexistente. Em acréscimo, o ego faz com que o Filho de Deus pegue seu pecado percebido contra Deus – o pensamento de ataque que ele tornou inconsciente – e o projete para que ele agora perceba o pecado em tudo ao seu redor, mas não dentro de si. Assim, o Filho acredita que tem que se defender contra os ataques pecaminosos de todas as outras pessoas, tendo se esquecido de que o ataque que ele percebe nos outros é uma projeção do pensamento de ataque em sua mente. No texto, Jesus fala sobre dois níveis dos sonhos: o sonho secreto de pecado e punição, e a primeira camada de defesa; e o mundo do sonho, no qual nossos pecados são vistos nos outros (T-27.VIIi.11:6-12:2), precisando de defesa contra os ataques percebidos. A idéia principal, no entanto, que vamos ver descrita em mais detalhes abaixo, é a de que o sistema de pensamento de ataque e defesa do ego é inventado. (1) Tu, que te sentes ameaçado por esse mundo em mutação, pelas viradas do destino e suas amargas brincadeiras, seus breves relacionamentos e de toda as “dádivas” que ele apenas te empresta para tomar de volta, presta bem atenção nesta lição. O mundo não oferece segurança. Ele tem as suas raízes no ataque e todas as suas “dádivas” de segurança aparente são decepções ilusórias. Ele ataca para em seguida atacar novamente. Nenhuma paz é possível para a mente onde o perigo ameaça dessa forma. Aqui temos outra descrição sobre a natureza do mundo. Não há segurança aqui, pois o mundo está enraizado no ataque, do qual tudo aqui é uma sombra. Na Parte II do livro de exercícios, lemos: “O mundo foi feito como um ataque a Deus” (LE-pII.3.2:1), uma vez que ele é uma projeção do ataque ontológico. O certo desse pensamento é que se eu existo como um indivíduo, Deus tem que ser destruído. Uma vez que acredito que existo, a destruição de Deus é o resultado inevitável, tornando o ataque e o pecado reais. Isso é um pensamento tão aterrorizante que tudo o que podemos fazer é negar sua presença em nossas mentes, projetando-o, e depois vendo esse impulso assassino em todos os lugares ao nosso redor. O leitor pode se lembrar dessa sucinta expressão que a culpa do mundo forjou em nossas mentes insanas: O resultado certo da lição segundo a qual o Filho de Deus é culpado é o mundo que vês. É um mundo de terror e desespero. Tampouco existe nele esperança de felicidade. Não existe nenhum plano que possas fazer para a tua segurança que jamais venha a ter sucesso. Não existe alegria que possas buscar aqui e esperar achá-la (T-31.I.7:4-8).

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Essas, então, são as “dádivas” de especialismo do ego. Uma vez que percebemos o ataque em todos os lugares ao nosso redor e nos esquecemos da sua fonte, nos sentimos justificados em nos defender contra ele – a raiz da nossa defensividade e o cerne dessa lição. Esse mesmo pensamento é encontrado na discussão sobre “a face da inocência” (T-31.V.4-5): eu estou justificado em estar zangado, e, portanto, justificado em me defender. Se eu não o fizer, a hostilidade do mundo vai me destruir. Minhas percepções parecem tão reais que eu nunca questiono a verdadeira origem da hostilidade. Meu corpo me diz que ela está fora de mim, e então, ela está. Nós sabemos que o propósito do corpo é testemunhar o pecado em todas as outras pessoas, menos em nós mesmos, e então, minha raiva testemunha a favor da crença de que eu tive sucesso no assassinato, literalmente. Você é o pecador, e, portanto, você será punido em vez de mim. O panfleto Psicoterapia, que devemos examinar através de nossa discussão, esclarece a importância de mudarmos nosso desejo da raiva para o perdão: Toda a sua [da psicoterapia] função, afinal, é ajudar o paciente a lidar com um erro fundamental: a crença segundo a qual a raiva lhe traz algo que ele realmente quer e que, por justificar o ataque, ele está protegendo a si mesmo. Seja qual for a extensão na qual ele venha a dar-se conta de que isso é um erro, nessa medida ele está verdadeiramente salvo (P-2.in.1:5-6). É a tarefa do terapeuta, como devemos ver depois, exemplificar essa mudança para o paciente. (2:1-2) O mundo faz surgir apenas defensividade. Pois a ameaça traz a raiva, a raiva faz com que o ataque pareça razoável, honestamente provocado e justo em nome da autodefesa. Esse é, mais uma vez, o conceito de “a face da inocência”. Eu percebo uma ameaça fora de mim, que não vem de mim, e então, me sinto justificado em ficar zangado e defender a mim mesmo. Meu contra-ataque é razoável, em outras palavras, e estou certo em atacar os outros porque eles atacaram primeiro. Jesus explica isso em uma passagem já familiar de “autoconceito versus Ser”: Esse aspecto [a face da inocência] pode ter raiva, pois o mundo é ruim e não é capaz de prover o amor e o abrigo que a inocência merece. E assim, freqüentemente, essa face se banha de lágrimas pelas injustiças que o mundo faz com aqueles que querem ser generosos e bons. Esse aspecto nunca ataca em primeiro lugar. Mas a cada dia, uma centena de pequenas coisas constituem pequenos ataques à sua inocência, provocando-a à irritação e, afinal, abertamente ao insulto e ao abuso (T-31.V.3). (2:3-6) Entretanto, a defensividade é uma ameaça dupla. Pois ela testemunha a fraqueza e estabelece um sistema de defesa que não pode funcionar. Agora são os fracos ainda mais debilitados, pois há traição do lado de fora e traição ainda maior do lado de dentro. A mente está agora confusa e não sabe para onde se voltar para achar um modo de escapar das suas fantasias. O ego nos diz que nossas mentes são fracas porque Deus vai nos destruir, e nossa única proteção é protegermos o sistema de pensamento da culpa e fazermos um mundo e um corpo. No entanto, o corpo é ainda mais fraco do que a mente. Você tem apenas que tocá-lo para que ele caia, olhe de modo irônico para ele e ele fica devastado, e o menor dos microorganismos é suficiente para destruir o que parece ser esse corpo poderoso e majestoso. Pensar no corpo como seguro e digno de confiança, como o ego nos convenceu, é uma piada. O ponto chave é que o ego diz que o corpo vai nos proteger contra a fraqueza do pecado na mente; isto é, Deus 30


vai vingativamente nos destruir. No entanto, a defesa em si mesma produz mais medo, pois sua fraqueza inerente convida a auto-percepções de vulnerabilidade e ataque. Jesus nos pede indiretamente – e mais diretamente em outro trecho – para darmos um passo atrás com ele e olharmos para a insanidade de acreditarmos que somos corpos, sujeitos aos caprichos e crueldade de outros corpos. Mais uma vez, precisamos perceber que o que percebemos e experimentamos em nossos corpos é uma projeção do que acreditamos estar dentro. Em outro contexto, os rosacruzes ensinam: “Assim como é em cima, é embaixo”. Podemos modificar isso no Um Curso em Milagres e dizer: “Assim como é dentro, é fora”. O que está dentro de nossas mentes – um sistema de pensamento de fraqueza: pecado, culpa e medo – se torna o mundo externo. Acreditando no disfarce do especialismo, dizemos que o mundo e o corpo são maravilhosos, descrevendo-os como santos ou fontes de prazer. No entanto, o corpo não é diferente da mente porque foi feito para ocultar os pensamentos da mente egóica e idéias não deixam sua fonte. Nós acusamos a nós mesmos de traição em relação a Deus, traindo Seu Amor por dizer que ele não era suficiente. Então, projetamos nossa culpa, não mais vendo a traição dentro, mas em todos os lugares ao nosso redor. Assim, não ganhamos nada por seguirmos a estratégia do ego: pecado, culpa e medo ainda estão vivos e bem, mas, em vez de serem vivenciados dentro da mente, nós os vemos dentro do corpo – o nosso e os dos outros. No entanto, os pensamentos e sentimentos são os mesmos, e então, não parece haver escapatória: a mente falhou conosco como um lugar de segurança; assim, também o corpo. A seguinte passagem resume muito bem o dilema que todos nós encaramos, tendo ouvido a voz do ego: O corpo é o lar do ego por sua própria escolha... É aí que a mente passa a ser, de fato, aturdida. Apesar do ego lhe dizer que ela realmente é parte do corpo e que o corpo é o seu protetor, também lhe é dito que o corpo não pode protegê-la. Por conseguinte, a mente pergunta: “Aonde posso ir em busca de proteção?”, ao que o ego responde: “Volta-te para mim”. A mente, não sem causa, lembra ao ego que ele próprio insistiu em ser identificado com o corpo, portanto, não faz sentido ela se voltar para ele em busca de proteção. O ego não tem uma resposta real para isso, posto que não existe nenhuma, mas tem uma solução típica. Oblitera a questão da consciência da mente. Uma vez fora da consciência a questão pode produzir e produz inquietação, mas não pode ser respondida porque não pode ser colocada (T4.V.4:1,5-11). O propósito do Um Curso em Milagres é restaurar a questão à nossa consciência para que possamos ouvir uma Resposta diferente. A resposta do ego a essa ameaça da mente certa é se agarrar ainda mais ao seu ciclo de ataque-defesa, agora descrito: (3) É como se ela [a mente] estivesse apertada dentro de um círculo, no qual houvesse outro círculo que a mantivesse presa e ainda um outro dentro desse, até que não seja mais possível escapar nem ter esperanças de fazê-lo. Ataque, defesa; defesa, ataque, vêm a ser os círculos das horas e dos dias que amarram a mente com tiras pesadas de aço revestidas de ferro, que vão e voltam apenas para começar outra vez. Parece não haver nenhum quebra, nem fim na garra cada vez mais apertada daquilo que aprisiona a mente. O ego me diz que eu posso escapar da devastação da minha mente fazendo um mundo. No entanto, não existe segurança real aqui, como todos nós sabemos por experiência própria. Essa é uma das declarações mais claras em Um Curso em Milagres sobre o ciclo ataquedefesa, que começa com minha crença em que ataquei Deus para assegurar minha individualidade. O ego continua seu conto dizendo-me que mereço ser punido por causa do meu pecado contra Deus, e preciso projetar esse pensamento e fazer um mundo no qual reenceno a máxima do ego de um ou outro. Se eu for existir, alguém mais precisa sofrer e 31


pagar o preço; se eu for vencer, alguém tem que perder – o cerne do sistema de pensamento do ego e, portanto, do mundo. É impossível sobreviver fisicamente sem canibalizar algo percebido como externo, quer você respire ou ingira alimentos - necessidades óbvias para manter a vida aqui. É impossível existir – física e psicologicamente – sem ser à custa de algo ou alguém mais. Isso não pode ser evitado. Uma vez que acreditamos viver em um corpo, estamos atados a esse ciclo de ataque e defesa, defesa e ataque. Outra passagem do texto ilustra o uso que o ego faz do ataque, o corpo desempenhando um papel central nessa insana, embora altamente bem sucedida, estratégia de neutralizar o poder da mente de escolher contra ele: O ego não é capaz de ouvir o Espírito Santo, mas acredita que parte da mente que o fez está contra ele. Interpreta isso como uma justificativa para atacar seu autor. Ele acredita que a melhor forma de defesa é o ataque e quer que tu acredites nisso. A não ser que acredites, não estarás do seu lado e o ego sente grande necessidade de aliados, embora não de irmãos. Percebendo alguma coisa estranha a si mesmo dentro da tua mente, o ego volta-se para o corpo como seu aliado, porque o corpo não é parte de ti. Isso faz do corpo o amigo do ego... O ego usa o corpo para conspirar contra a tua mente, e porque o ego reconhece que seu “inimigo” pode acabar com ambos meramente reconhecendo que ambos não são parte de ti, eles se unem no ataque conjunto. Talvez essa seja a mais estranha de todas as percepções, se considerares o que ela realmente envolve. O ego, que não é real, tenta persuadir a mente, que é real, de que a mente é o instrumento de aprendizado do ego; e além disso de que o corpo é mais real do que a mente. Ninguém em sua mente certa poderia acreditar nisso e ninguém em sua mente certa acredita nisso (T-6.IV.4:1-6; 5). Dessa forma, o Filho é convencido de que é um corpo sem mente. Além disso, ele é um corpo sob ataque de outros corpos, separados de si mesmo. Tal ataque pode ser enfrentado apenas pela defesa do contra-ataque. Assim nasce o ciclo ataque-defesa, o princípio pelo qual nossos relacionamentos especiais vêm à existência, e sob o qual eles florescem. (4) As defesas são o preço mais alto que o ego quer extorquir. Nelas reside a loucura, sob uma forma tão miserável que a esperança da sanidade parece ser apenas um sonho vão, além do possível. O senso de ameaça que o mundo encoraja é tão mais profundo e tão além do que podes conceber em termos de loucura e intensidade, que não tens idéia de toda a devastação que isso tem forjado. Através de todo o Um Curso em Milagres, de muitas formas diferentes, Jesus nos ensina como não entendemos o custo para nós de nossas decisões pelo ataque e defesa. Uma dessas formas é sua discussão sobre nossa falta de habilidade de diferenciarmos dor e alegria: O Espírito Santo vai dirigir-te só para evitar a dor. Com certeza, ninguém faria objeções a essa meta se a reconhecesse. O problema não é saber se o que o Espírito Santo diz é verdadeiro, mas se queres ouvir o que Ele diz. Tu és tão incapaz de reconhecer o que é doloroso quanto de saber o que é alegre e estás, de fato, muito propenso a confundir os dois. A principal função do Espírito Santo é ensinar-te a fazer a distinção entre eles. O que te dá alegria é doloroso para o ego, e enquanto estiveres em dúvida a respeito do que és, estarás confuso em relação à dor e à alegria (T-7.X.3:1-6). Tão terríveis, dolorosas e cheias de ilusões que nossas vidas possam ser, a situação não é nada comparada à devastação que constantemente escolhemos tornar real em nossas mentes. O problema é que estamos convencidos de que nossos problemas são externos, no 32


corpo; portanto, estamos convencidos de que a salvação é externa, no corpo. O propósito do ego, mais uma vez, é enraizar nossa consciência fora de nossas mentes, para que nunca voltemos para dentro e façamos a escolha pela força em vez de pela fraqueza, pela alegria em vez de pela dor. Uma vez tendo escolhido a fraqueza, paradoxalmente vinda da insana crença de que destruímos a força, a culpa exige que vejamos os outros como os perpetradores dessa perfídia. Agora vistos como culpados, os outros merecem nossa punição justificada: seu ataque justifica o nosso próprio, em auto-defesa. (5:1-2) Tu és seu escravo. Não sabes o que fazes por medo disso. Nós somos escravos da ameaça e do medo. A ameaça da vingança de Deus é o que nos impeliu para fora de nossas mentes originalmente, e o medo continua a nos motivar em nossas vidas diárias. A ameaça de perdermos nossa identidade, especialismo e auto-importância nos leva a adotar a estratégia do ego de ausência de mente, levando inevitavelmente aos ciclos duplos de culpa-ataque e ataque-defesa. Como reação a esse medo da mente, fazemos o mundo, vivemos nele, e continuamente reforçamos sua aparente realidade através desses dois ciclos viciosos. A seguinte passagem expõe a estratégia de defesa do ego, levando-nos a nos tornarmos escravos do seu medo: O ego está sempre alerta à ameaça e a parte da tua mente na qual o ego foi aceito está muito ansiosa para preservar a própria razão, tal como a vê. Ela não se dá conta de que é totalmente insana. E tens que reconhecer exatamente o que significa isso, se queres ser restaurado à sanidade. Os insanos protegem seus sistemas de pensamento, mas o fazem de maneira insana. E todas as suas defesas são tão insanas quanto o que pretendem proteger. A separação nada tem em si mesma, nenhuma parte, nenhuma “razão” e nenhum atributo que não seja insano. E sua “proteção” é parte dela, tão insana quanto o todo. O relacionamento especial, que é a sua forma principal de defesa, portanto, não pode deixar de ser insano (T-17.IV.5). Nós continuamos com uma explicação de por que as defesas não funcionam. Feitas para defenderem contra o medo da mente, sua presença reforça o pensamento de que existe realmente algo a se temer. Além disso, uma vez que todas as defesas são formas de ataque, vindas do pensamento original de ataque da separação, elas convidam ao contra-ataque, dessa forma engendrando ainda mais medo. Portanto, as próprias defesas que estão destinadas a nos proteger do medo, meramente se tornam fortalecidas. O medo produz medo, assim como o ódio produz ódio: É essencial reconhecer que todas as defesas fazem exatamente aquilo do qual pretendem defender. A base subjacente à sua efetividade é o fato de oferecerem o produto do qual pretendem defender. O que defendem é colocado nelas para ser mantido em segurança e à medida em que operam é isso o que trazem a ti. Toda defesa opera dando dádivas e a dádiva sempre é uma miniatura do sistema de pensamento que a defesa protege, montada em uma moldura dourada (T-17.IV.7:14). Essa moldura é o relacionamento especial, ao qual devemos retornar em uma discussão posterior. É suficiente entender agora que é o medo da vingança de Deus na mente que está oculto na parede de defesa do ego, “protegendo-nos” dessa ameaça divina. No entanto, mais uma vez, a defesa meramente reforça nosso medo, levando-nos ainda mais fundo na rede do ego, produzindo ainda mais medo.

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(5:3-4) Tu, que sentes as suas garras de ferro sobre o teu coração, não compreendes o quanto te fizeram sacrificar. Não reconheces o que já fizeste para sabotar a santa paz de Deus pela tua defensividade. Jesus quer que entendamos do quanto desistimos para assegurarmos nossa individualidade. Nós sacrificamos nossa Identidade como Cristo, e, portanto, nossa felicidade, paz e alegria. Nós jogamos fora a perfeita Unicidade do nosso Ser, e em seu lugar, erigimos um ídolo do especialismo: um mundo de medo e ameaça, de separação, na qual todos perdem e ninguém vence. O início do Capítulo 26 elabora esse tema importante sobre o papel do corpo em manter o pensamento de ataque de separação, primeiro de Deus, e depois dos nossos irmãos: Na “dinâmica” do ataque o sacrifício é uma idéia chave. É o pivô em cima do qual todas as transigências, todas as tentativas desesperadas de ganhar com uma barganha e todos os conflitos conseguem um aparente equilíbrio. É o símbolo do tema central segundo o qual alguém tem que perder. Ele evidentemente focaliza o corpo, pois é sempre uma tentativa de limitar a perda. O corpo é um sacrifício em si mesmo, uma desistência do poder em nome de salvar um pouco de si mesmo. Ver um irmão em outro corpo, separado do teu, é a expressão do desejo de ver uma pequena parte dele e sacrificar o restante... E enquanto vês o teu irmão como um corpo, à parte de ti e separado em sua cela, estás exigindo um sacrifício dele e de ti mesmo. Que sacrifício maior se poderia pedir do que fazer com que o Filho de Deus se perceba sem seu Pai? E seu Pai sem Seu Filho? No entanto, todo sacrifício exige que eles estejam separados, um sem o outro. A memória de Deus tem que ser negada se alguém pede qualquer sacrifício de qualquer pessoa (T-26.I.1:1-6; 4:2-6). Mas as boas notícias são: Podes perder de vista a unicidade, mas não podes sacrificar a sua realidade. E nem podes perder aquilo que queres sacrificar, e nem impedir que o Espírito Santo realize a Sua tarefa de te mostrar que aquilo não foi perdido (6:1-2). (5:5) Pois contemplas o Filho de Deus apenas como uma vítima a ser atacada por fantasias, sonhos e ilusões que ele mesmo fez; apesar de ser indefeso na presença de tudo isso, necessita apenas de defesas por meio de mais fantasias e sonhos, nos quais ilusões da sua própria segurança o confortam. Tendo ouvido o ego, acabamos acreditando que destruímos nossa Identidade como Cristo, substituindo-a pelo ser separado do ego que diz ser o Filho de Deus. Nós nos defendemos contra ameaças percebidas até que nossa única consciência é em relação a nós mesmos no mundo; o herói vitimado de nossos sonhos, e o vilão vitimador nos sonhos de outra pessoa. Nós somos vítimas do que outros fazem a nós, pois eles sentem que nós fizemos isso a eles. O ego nos convence – o que nos levou originalmente a fazer o mundo – a temermos ser vitimados pela retaliação raivosa de Deus. Essa crença insana é inventada, é claro, como tudo em que acreditamos sobre o mundo, corpo e salvação. Tudo isso serve ao propósito de justificar nossos pensamentos de ataque, a raiva que obedientemente serve à necessidade do ego de tornar o pecado real, mas visto em outra pessoa que merece nossa ira. Assim a paz do Céu é negada, e Cristo crucificado ainda outra vez: A volta da raiva, sob qualquer forma, mais uma vez fará cair a pesada cortina e com certeza há de voltar a crença em que a paz não pode existir. A guerra é aceita novamente como a única realidade. Agora tens que soltar a tua espada novamente, embora não reconheças tê-la retomado outra vez. Mas aprenderás ao lembrar-te, 34


ainda que vagamente agora, como a felicidade era tua sem a espada e, portanto, não podes deixar de tê-la retomado como defesa. Pára um momento agora e pensa nisso: é o conflito que queres ou a paz de Deus é uma escolha melhor? O que te dá mais? Uma mente tranqüila não é uma dádiva pequena. Não preferirias viver a escolher morrer? (MP-20.4:2-9). Como sempre, Jesus nos pede para entendermos as conseqüências da nossa decisão pelo ego e de obedecermos seus ditames de culpa, ataque e defesa: Queremos ser felizes ou miseráveis, viver ou morrer, despertar do sonho ou continuar adormecidos? A escolha é nossa, e o Um Curso em Milagres nos ajuda a vê-la claramente, para que possamos escolher voltar para casa. Voltamo-nos agora para a ausência de defesas que está logo além do sistema de defesas do ego: (6:1) Ser sem defesas é força. Ser sem defesas, como é usado no Um Curso em Milagres, não tem nada a ver com comportamento. Isso não significa que se um estranho invadir sua casa com uma faca e o ameaçar, você simplesmente fica parado lá e não faz nada, ou que você permite que seus seres amados sejam feridos ou mortos. Jesus está falando da atitude mental, nunca do comportamento do corpo. Ser sem defesas, portanto, é um sistema de pensamento enraizado em nossa decisão pelo Espírito Santo, nossa verdadeira força. Nesse ponto, não precisamos de defesa, que é necessária apenas para proteger nosso ser individual. Pecado, culpa e medo são as defesas iniciais que o ego usa, e o mundo completa suas defesas. No entanto, quando escolhemos o Espírito Santo, escolhemos contra a separação e a favor da Unicidade como Cristo. Não existe mais nada a defender. O seguinte “pequeno” poema de Helen, “Uma Canção ao Meu Ser”, descreve belamente a base desse estado sem defesas: Não posso ser substituída. Sou única Na criação de Deus. Sou guardada tão ternamente Por Ele, que é loucura acreditar Que eu poderia sofrer dor ou perda ou medo. Santa sou eu: em impecabilidade completa, Em sabedoria infinita, em amor seguro, Em paciência perfeita, e em fidelidade Além de todo pensamento de pecado, e totalmente pura, Quem poderia conceber sofrimento para mim? Com certeza, a mente que pensou isso é insana. Eu nunca deixei a casa do meu Pai. Que necessidade Tenho eu de viajar de volta para Ele outra vez? (As Dádivas de Deus, p. 38) Conforme continuarmos, vamos ver que a verdadeira ausência de defesas simplesmente significa escolher o Espírito Santo como nosso Professor, pois Ele nos lembra do nosso Ser. (6:2) Testemunha o reconhecimento de Cristo em ti. Ser sem defesas e viver no mundo sem pensamentos de medo, ataque ou ameaça, reflete a escolha do tomador de decisões pelo Espírito Santo, a memória de Quem somos como Cristo. Assim, nos tornamos uma manifestação do que significa fazer a escolha certa. No panfleto acima mencionado sobre Psicoterapia, Jesus explica essa dinâmica no contexto da psicoterapia. Na verdade, a ausência de defesas do terapeuta se torna o cerne do processo de cura: 35


Um homem louco defenderá suas ilusões porque nisso vê a sua própria salvação. Assim, atacará aquele que tenta salvá-lo, acreditando que o está atacando. Esse círculo curioso de ataque-defesa é um dos problemas mais difíceis com os quais o terapeuta tem que lidar. De fato, essa é a sua tarefa central, o núcleo da psicoterapia. O terapeuta é visto como alguém que está atacando aquilo que o paciente tem de mais caro: o seu retrato de si mesmo. E como esse retrato veio a ser a segurança do paciente assim como ele a percebe, o terapeuta não pode deixar de ser visto como uma fonte de perigo real a ser atacada e até mesmo morta. O psicoterapeuta, então, tem uma tremenda responsabilidade. Ele tem que parar o ataque sem atacar e, portanto, sem defender-se. É sua tarefa demonstrar que as defesas não são necessárias, e que a indefensividade é força. Esse tem que ser o seu ensinamento, se é que a sua lição vai ensinar que é seguro ter sanidade. O que não pode ser por demais enfatizado é que os insanos acreditam que a sanidade é ameaça. Esse é o corolário do ‘pecado original’: acredita-se que a culpa é real e inteiramente justificada. Portanto, é função do psicoterapeuta ensinar que a culpa, sendo irreal, não pode ser justificada. Mas também não pode oferecer segurança. E assim ela não pode deixar de continuar a ser tanto indesejável quanto irreal (P2.IV.9,10). Por testemunhar a nulidade do sistema de pensamento de culpa, ataque e defesa do ego, o terapeuta demonstra a existência da mente certa, modelando o resultado de ter escolhido contra o sistema de pensamento da mente errada do ego. Isso reforça a habilidade do paciente de fazer a mesma escolha, atestando o reconhecimento do Cristo nele. (6:3) Talvez te lembres que o livro texto afirma que a escolha é sempre feita entre a força de Cristo e a tua própria fraqueza, vista à parte Dele. Quando escolhemos o Espírito Santo, estamos escolhendo a força de Cristo. Quando escolhemos o ego, estamos escolhendo a fraqueza. O leitor sem dúvida se recorda dessa importante passagem perto do final do texto, à qual as declarações acima se referem: Sempre escolhes entre a tua fraqueza e a força de Cristo em ti. E o que escolhes é o que pensas que é real. Simplesmente pelo fato de nunca usares a fraqueza para dirigir as tuas ações, não deste a ela nenhum poder. E à luz de Cristo em ti é dado o controle de tudo o que fazes. Pois trouxeste a tua fraqueza a Ele e Ele te deu a Sua força em lugar dela (T-31.VIII.2:3-7). Lembre-se, o ego nunca quer que nos lembremos de que temos uma mente que sonha o sonho, e, portanto, pode exercer seu poder para corrigir o equívoco de termos escolhido a fraqueza em vez da força. (6:4) Aquele que é sem defesas não pode ser atacado, porque reconhece uma força tão grande que o ataque é loucura ou um jogo tolo que uma criança cansada poderia jogar quando fica sonolenta demais para lembrar-se do que quer. Jesus relega esse mundo e seu sistema de pensamento de separação a um “jogo tolo que uma criança poderia jogar”. Isso não significa que quando você escolhe o Espírito Santo as pessoas não podem atacá-lo de forma comportamental, mas que você não vai perceber isso dessa forma, percebendo sua tolice, conforme se lembra de rir diante da “diminuta e louca idéia” (T-27.VIII.6:2). Mais uma vez, nada no Um Curso em Milagres deveria jamais ser construído de forma comportamental. Seu foco está apenas em qual sistema de pensamento ou professor escolhemos. Isso é difícil porque vemos a nós mesmos como corpos no campo de batalha, em vez de mentes existindo além do sistema de pensamento do ego. Enquanto 36


estamos dormindo e esquecemos-nos do despertar que nossa mente sã realmente quer, sonhamos com a devastação e a dor; sonhos que parecem muito reais para a mente do sonhador: Não é fácil perceber a brincadeira quando, em tudo a tua volta, os teus olhos contemplam as pesadas conseqüências da culpa, mas sem as suas causas insignificantes. Sem a causa, os efeitos parecem sérios e tristes, de fato. Mas são apenas decorrências. E é a sua causa que não decorre de nada, e não passa de uma brincadeira (T-27.VIII.8:4-7). Um dos desafios mais difíceis que confrontam os estudantes do Um Curso em Milagres é enfrentar o ataque sem ataque, como vimos descrito na passagem de Psicoterapia. Tal ausência de defesas só é possível, mais uma vez, quando a pessoa não está mais exclusivamente identificada com o corpo. É o propósito do Curso nos ajudar a mudar da identificação com o corpo da mente errada para uma identificação com a mente certa. Só vendo as próprias experiências como salas de aula na qual o significado do perdão – a mudança do ego para o Espírito Santo – pode ser aprendido, a ausência de defesas realmente se torna uma meta significativa e relevante. Dito de outra forma, o perdão é possível apenas quando nos lembramos de que somos o sonhador e não a figura no sonho. Esse é o significado da seguinte declaração do texto: Pois não reagirias de forma alguma a figuras de um sonho que soubesses que estava sonhando. Que elas sejam tão odientas e más quanto puderem, não poderiam ter nenhum efeito sobre ti, a não ser que tenhas fracassado em reconhecer que esse é o teu sonho (T-27.VIII.10:5-6). Uma vez cientes da natureza do sonho, ele realmente nos parece “um jogo tolo que uma criança cansada poderia jogar”, do qual não queremos mais participar. (7:1-2) Defensividade é fraqueza. Proclama que negaste o Cristo e passaste a ter medo da raiva do Pai. Quando negamos Quem somos como Cristo, acreditamos que pecamos. A culpa inevitavelmente se segue a isso e nós esperamos a punição de Deus. Quem não iria se sentir fraco confrontado com o poder espantoso de um Deus irado e vingativo? (7:3-4) O que pode salvar-te agora da tua delusão de um Deus irado, cuja imagem amedrontadora acreditas ver agindo em todos os males do mundo? O que mais senão ilusões, poderiam defender-te agora, quando o que estás combatendo são apenas ilusões? O ego nos diz que existe um deus irado em nossas mentes, e o mundo é nossa proteção. Lembre-se: assim como é dentro, é fora. Os chamados mal e pecado em nossas mentes é o que fizemos do mundo – nada mais nem menos. Quando pedimos ajuda a Jesus para olharmos através dos seus olhos, o mundo não é transformado. Nós simplesmente reconhecemos que o seu sonho de medo não é nada. Feito no ódio para atacar Deus, ele permanece o que é. No entanto, nossa atitude em relação ao mundo muda, pois agora nós rimos diante de sua simples tolice. A causa do mundo – a crença insana no pecado – nunca aconteceu; e então, o efeito do pecado – sofrimento e morte – nunca aconteceu também. Assim, nós sorrimos gentilmente conforme dizemos novamente:

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Sem a causa, os efeitos parecem sérios e tristes, de fato. Mas são apenas decorrências. E é a sua causa que não decorre de nada, e não passa de uma brincadeira. O Espírito Santo percebe a causa rindo gentilmente e não olha os efeitos (T27.VIII.8:5-9:1). Como, então, as ilusões de luta podem ser levadas a sério? (8:1) Hoje, não brincaremos com tais jogos infantis. Quantos estudantes lêem isso e dizem a Jesus: “Quanto você quer apostar?”. O jogo infantil do especialismo, ataque e medo dificilmente é um jogo para nós, e não vamos desistir dele sem luta. Nossa própria existência depende desses sonhos de dor e morte. (8:2) Pois o nosso propósito verdadeiro é o de salvar o mundo e não queremos trocar por tolices a infinita alegria que a nossa função nos oferece. Isso prenuncia a próxima lição, “Eu estou entre os ministros de Deus” (LE-pI.154). Jesus se refere aqui às nossas mentes certas, nas quais “não queremos trocar por tolices a infinita alegria que a nossa função [perdão] nos oferece”. Assim, o ego tramou o seu plano para nos manter insanos: um estado corporal de ausência de mente protege a culpa da nossa mente errada, que protege o perdão da nossa mente certa. (8:3) Não queremos deixar a nossa felicidade nos escapar porque um fragmento de um sonho insensato atravessou por acaso as nossas mentes e tomamos por engano as figuras do sonho pelo Filho de Deus e o seu instante fugaz pela eternidade. “Um fragmento de um sonho insensato [que] atravessou por acaso as nossas mentes” é a diminuta e louca idéia, a qual na verdade nunca aconteceu de forma alguma. Em vez de rirmos, nós a levamos a sério e afirmamos nossa identidade como figuras no sonho. Feitas para serem altamente vulneráveis, essas figuras de vitimação justificam percepções de ataque e defesa. Por que - Jesus continuamente pergunta - iríamos escolher esse diminuto instante de medo e ódio, defesa e ataque, em vez da alegria de voltarmos para nosso lar eterno? (9) Hoje olhamos para o que vem depois dos sonhos e reconhecemos que não precisamos de defesas porque fomos criados inatacáveis, sem qualquer pensamento, desejo ou sonho no qual o ataque tenha qualquer significado. Agora não podemos ter medo, pois deixamos todos os pensamentos amedrontadores para trás. E, sendo sem defesas estamos seguros, agora serenamente certos da nossa segurança e da salvação; certos de que cumpriremos o propósito que escolhemos à medida que o nosso ministério estende a sua bênção santa através do mundo. Isso não significa que tudo em seu dia transcorrerá suavemente. No entanto, não importando o que aconteça externamente, você será pacífico porque escolheu Jesus como seu professor e companhia. Assim, você escolheu a memória de Quem você é como Cristo, Cuja força vai sustentá-lo conforme você atravessar seu dia. Essa é a simples e gentil fundação para a ausência de defesas, como lemos nessa adorável descrição da sexta característica dos professores de Deus: Os professores de Deus aprenderam como ser simples. Eles não têm sonhos que necessitem de defesa contra a verdade. Eles não tentam fazer a si mesmos. Sua alegria vem da sua compreensão de Quem os criou. E o que Deus criou necessita de defesa? Ninguém pode vir a ser um professor de Deus avançado enquanto não 38


compreender inteiramente que defesas não passam de tolos guardiões e ilusões loucas. Quanto mais grotesco o sonho, mais firmes e poderosas aparentam ser as suas defesas. No entanto, quando o professor de Deus finalmente concorda em olhar para o que vem depois delas, descobre que ali não havia nada. Lentamente, no início, ele se deixa ser desenganado. Porém aprende mais rápido à medida em que aumenta a sua confiança. Não é o perigo que vem quando se abre mão das defesas. É a segurança. É a paz. É a alegria. E é Deus (MP-4.VI.1). Quem, em sua mente certa, não iria querer isso em vez de viver sob o jugo dos ciclos duplos: culpa-ataque e ataque-defesa. Essas lições nos ajudam a voltar à sanidade e aceitar a Expiação para nós mesmos. Aprender essa aceitação é nosso ministério, como a próxima lição vai discutir. As assim chamadas coisas santas, sagradas e importantes que acreditamos que devemos fazer são irrelevantes. Sempre tente se lembrar que Um Curso em Milagres é apenas sobre mudarmos nosso sistema de pensamento: da culpa para a santidade, do ódio para o perdão, da defensividade para a ausência de defesas. (10) Fica imóvel por um momento e em silencio pensa no quanto é santo o teu propósito, como descansas em segurança, intocável no interior da luz do teu propósito. Os ministros de Deus escolheram que a verdade esteja com eles. Quem é mais santo do que eles? Quem poderia estar mais certo de que a sua felicidade está inteiramente garantida? E quem poderia estar mais fortemente protegido? De que defesas poderiam necessitar aqueles que estão entre os escolhidos de Deus, pela Sua eleição e também pela sua própria? Nós sabemos que somos escolhidos por Deus quando O escolhemos. Desnecessário dizer, isso não tem nada a ver com Deus. Uma vez que escolhemos contra Ele, somos nós que temos que corrigir o equívoco por agora O escolhermos. Assim, encontramos nossa paz, pois na quietude da mente, não mais sitiados pelo furacão da culpa e do ataque, a escolha quieta contra a defensividade emerge com clareza cristalina. (11:1) A função dos ministros de Deus é ajudar os seus irmãos a escolherem como eles o fizeram. É isso o que fazemos como um ministro ou professor de Deus, para usarmos o termo do manual para professores. Pela nossa paz e amor – não necessariamente pelas nossas palavras -, lembramos aos outros da escolha da nossa mente certa, que diz, com efeito: Pelo fato de eu ter feito essa escolha e o Filho de Deus ser um, você pode fazer a mesma coisa. Na verdade, se eu tiver escolhido corretamente, você também já o fez. Nesse sentido, então, nos tornamos como Jesus – sua manifestação, assim como ele é a do Espírito Santo – pois, quando ele se ergueu do sonho da morte, nós estávamos com ele: Tu és a Sua manifestação nesse mundo. Teu irmão te chama para que sejas a Sua Voz junto com ele. Sozinho, ele não pode ser o Ajudante do Filho de Deus, porque sozinho ele não tem função. Mas junto contigo ele é o brilhante Salvador do mundo, Cujo papel nesta redenção tu completaste. Ele dá graças a ti assim como a ele, pois te ergueste com ele quando ele começou a salvar o mundo (ET-6.5:1-5). Nosso “ministério” é amadurecermos e nos tornarmos como Jesus, o símbolo da escolha da mente de ser sem defesas em vez de defensiva. O leitor pode se lembrar do inspirador poema de Helen, “Uma oração a Jesus”, no qual rezamos a Jesus para nos tornarmos como ele: Uma criança, um homem e então um espírito... 39


O poema termina com essa oração: Um retrato perfeito do que eu posso ser Você mostrou a mim, que eu posso ajudar a renovar A visão falha dos Seus irmãos. Conforme eles olham para cima Que eles não olhem para mim, mas apenas para Você. (As Dádivas de Deus, p. 82, 83) (11:2) Deus elegeu a todos, mas poucos vieram a reconhecer que a Vontade de Deus é apenas a sua própria. Essa é uma referência à correção do Curso ao conhecido verso do evangelho: “Muitos são chamados, mas poucos são escolhidos” (Mateus 20:16). No texto, Jesus diz: “Todos são chamados, mas poucos escolhem escutar” (T-3.IV.7:12). Em outras palavras, Deus “chamou” (ou “elegeu”) todas as Suas crianças, porque somos parte Dele. No entanto, uma vez que em nossa loucura acreditamos tê-Lo deixado, escolhendo contra Seu Amor, nós agora precisamos escolher a favor Dele, percebendo que a Sua Vontade é a nossa própria. (11:3-5) E enquanto falhas em ensinar o que tens aprendido, a salvação espera e a escuridão mantém o mundo numa prisão miserável. Tampouco aprenderás que a luz veio a ti e que, de fato, escapaste. Pois não verás a luz até oferecê-la a todos os teus irmãos. Esse é o cerne da próxima lição, então, não vou discuti-lo em profundidade aqui. É suficiente dizer que nunca vamos saber que a luz está em nós enquanto nos agarrarmos à escuridão do sistema de pensamento do ego. Nós refletimos essa luz em vez do mundo ensombrecido do ego quando não vemos mais nossos irmãos como separados de nós. (11:6-12:2) À medida que eles a tomam das tuas mãos, tu a reconhecerás como tua. Pode-se pensar na salvação como um jogo com o qual crianças felizes brincam. Ela foi planejada por Aquele Que ama as Suas crianças e quer substituir os seus brinquedos amedrontadores por jogos felizes que lhes ensinam que o jogo do medo se foi. O jogo feliz é o perdão – ainda uma ilusão, mas diferente dos jogos ilusórios do ego - cujo propósito é assassinato, sofrimento e morte -, o jogo feliz do Espírito Santo que desfaz toda culpa, ódio e dor. Assim, Seus jogos alegres de perdão substituem os jogos amedrontadores de julgamento do ego, o que é alcançado por olharmos com Jesus para as circunstâncias que trazem dor e ansiedade, e depois além delas, para a verdade. A seguinte passagem elabora a imagem evocativa de brinquedos inofensivos que denotam o sistema de pensamento do ego: Os exaustivos e insatisfatórios deuses que fizeste são brinquedos inflados de criança... A brecha que não existe é preenchida com brinquedos de inúmeras formas... cada um... nunca foi o que pensavas... Mas tu não estás em perigo... No entanto, está ela [uma criança] à mercê de seus brinquedos? E podem eles representar qualquer ameaça para ela?... Todas as ilusões... são apenas brinquedos, minha criança, portanto, não te lamentes por elas. A sua dança nunca te trouxe alegria. Tampouco eram coisas para assustar-te, nem para te dar segurança caso obedecessem às tuas regras. Elas não devem ser estimadas nem atacadas, mas apenas contempladas como brinquedos de criança, sem qualquer significado próprio. Vê um significado nelas e verás todos. Não vejas nenhum e elas não te afetarão (T-30.IV.2:1; 3:1-3,5,9-10; 4:3,6-10). 40


Ver nossos relacionamentos especiais como brinquedos de criança é a forma de convertê-los de jogos de pesadelo em jogos felizes. Assim, nós aprendemos a sorrir diante da nossa tolice por termos dado a esses brinquedos poder de perturbarem nossa paz e distorcerem a visão unificada do Filho de Deus. (12:3-5) O Seu jogo instrui com felicidade porque não há perdedor. Todos os que jogam não podem deixar de ganhar e na vitória de cada um está assegurado o ganho de todos. O jogo do medo é posto de lado com contentamento quando as crianças chegam a ver os benefícios que a salvação traz. Assim é desfeito o cerne do sistema do ego: um ou outro – se eu vivo, alguém tem que morrer; se eu venço, alguém tem que perder. O contrário é verdadeiro também: se outra pessoa vive ou vence, eu morro ou perco. O jogo do Espírito Santo desfaz o ensinamento do ego ensinando que na verdade ninguém perde e todos vencem. Assim, se você estiver envolvido em uma situação na qual existe perda – em pensamento, não necessariamente em comportamento – perceba que você tem que ter escolhido o ego como seu professor. A única exigência para trocar de professores, portanto, é a disponibilidade de pedir ajuda para ver além do ego de outra pessoa, percebendo o pedido de ajuda que está oculto nela, assim como está oculto em nós. Com Jesus, nós olhamos além da aparente escuridão para a luz brilhando em nós como um, pois assim é a luz: uma. Pedir ajuda assegura que vamos recebê-la, pois ela só pode ser a memória de luz que nos impele a pedir por ela. Enterrada em nossas mentes como proteção para o ego, a luz, no entanto pode ser vista em outro quando perdoamos nossa projeção – a escuridão da qual tentamos nos esconder por vê-la do lado de fora, em nossos ídolos especiais, os brinquedos de pecado do ego. Essa passagem maravilhosa resume a essência da mudança da escuridão projetada dos interesses separados para a luz dos interesses compartilhados: Pequena criança, a luz está aqui. Tu estás apenas sonhando e os ídolos são brinquedos com os quais sonhas que estás brincando. Quem tem necessidade de brinquedos a não ser as crianças? Elas fingem que governam o mundo e dão aos seus brinquedos o poder de se locomoverem, de falarem e de pensarem, de sentirem e de falarem por elas. Entretanto, tudo aquilo que os seus brinquedos aparentemente fazem está nas mentes das crianças que com eles brincam. Mas elas anseiam por esquecer que elas próprias inventaram o sonho no qual os seus brinquedos são reais, e não reconhecem que os desejos que eles têm são os seus próprios... [a criança] tem medo de seus pensamentos e os atribui aos brinquedos em vez de a si mesma. E a realidade deles vem a ser a sua realidade, porque parecem salvá-la de seus pensamentos. Contudo, eles mantêm os seus pensamentos vivos e reais, só que vistos fora dela, onde podem voltar-se contra ela, pela traição que ela faz a eles. Ela pensa que necessita deles para poder escapar dos próprios pensamentos porque pensa que os seus pensamentos são reais. E assim ela faz de qualquer coisa um brinquedo, para fazer com que o seu mundo permaneça fora dela e brincar de ser apenas uma parte dele. Jesus continua a passagem apelando a nós, em linguagem emprestada da famosa declaração de São Paulo (1 Coríntios 13:11), para desistirmos dos sonhos infantis e julgadores de interesses separados do ego em troca dos sonhos alegres do mundo real, vistos através de olhos que percebem apenas amor ou pedidos por ele – o interesse compartilhado da salvação: Há uma época em que a infância deveria passar e acabar para sempre. Não busques reter os brinquedos das crianças. Põe todos de lado, pois já não necessitas deles. O sonho do julgamento é um jogo de criança... [no qual] coisas ruins parecem acontecer e ela [a criança] tem medo de todo o caos em um mundo que pensa que 41


é governado pelas leis que ela mesma fez. No entanto, o mundo real não é afetado pelo mundo que ela pensa que é real... O mundo real ainda é apenas um sonho. Mas as figuras mudaram. Elas não são vistas como ídolos que traem. É um sonho no qual ninguém é usado para substituir alguma outra coisa, nem interposto entre os pensamentos que a mente concebe e aquilo que ela vê. Ninguém é usado como algo que não é, pois as coisas infantis foram todas postas de lado. E o que uma vez foi um sonho de julgamento, agora mudou e veio a ser um sonho no qual tudo é alegria, porque esse é o propósito que ele tem. Só sonhos que perdoam podem entrar aqui, pois o tempo está quase no fim. E as formas que entram no sonho são agora percebidas como irmãos, não em julgamento, mas em amor (T-29.IX.4:3-8; 5:5-9; 6:1-4; 7). (13:1-2) Tu, que brincaste de estar perdido para a esperança, abandonado por teu Pai, deixado só no terror de um mundo amedrontador enlouquecido pelo pecado e pela culpa, sê feliz agora. Aquele jogo acabou. O problema é que o cerne daquele jogo permanece nossa identidade individual. Assim, se você responder a essas palavras dizendo: “Isso não é maravilhoso?!”, provavelmente não as terá entendido de verdade. O jogo que acaba não é apenas o de dor – pecado, culpa e medo -, mas um jogo de especialismo e auto-importância. Esse jogo está terminado, mas você não vai escolher tê-lo enquanto se agarrar ao seu ser especial. O leitor pode se recordar que a frase “um mundo amedrontador enlouquecido pelo pecado e pela culpa” foi retirada de uma passagem penetrante do texto, que expõe a verdadeira natureza do mundo. Essa passagem começa: O mundo que vês é um sistema ilusório daqueles a quem a culpa enlouqueceu (T13.in.2:2). (13:3) Agora veio um tempo de quietude, em que deixamos os brinquedos da culpa e trancamos para sempre os nossos estranhos e infantis pensamentos de pecado fora das mentes santas e puras das crianças do Céu e do Filho de Deus. Quem jamais iria se referir ao pecado como “estranhos e infantis pensamentos”? Só alguém que olhe para ele de fora do sonho, como Jesus faz no Um Curso em Milagres. Dessa perspectiva, o pecado é realmente estranho e infantil. O mundo e o sistema de pensamento que o fez só são aterrorizantes quando você está dentro deles, pois então, você acredita que destruiu o Céu e que sua própria existência foi construída sobre a tumba de Deus. Esses dificilmente são pensamentos estranhos e infantis. Portanto, sempre que você se sentir tentado a tornar um aspecto da sua vida diária terrível, faça uma pausa e pense que se você pedir ajuda a Jesus, vai perceber que isso é realmente estranho e infantil. Observe então para ver você se ressentindo por ter o que considera tão importante – amor especial ou ódio especial – reduzido à frase de Jesus. No entanto, na extensão em que podemos escolher a pureza e santidade da nossa Identidade como Cristo - uma das crianças do Céu -, nessa extensão vamos permitir que Jesus fale conosco sobre nossos pensamentos estranhos e infantis de especialismo e salvação. (14:1-5) Fazemos uma pausa apenas por mais um momento para jogarmos o nosso jogo final e feliz sobre essa terra. E então iremos ocupar o nosso lugar de direito, onde habita a verdade e os jogos são sem significado. E assim termina a estória. Deixa que esse dia antecipe para o mundo a chegada do último capítulo para que todos possam aprender que o conto que lêem sobre um destino aterrorizante, a derrota das suas esperanças, a sua lamentável defesa contra uma vingança da qual não podem escapar não passa da sua própria fantasia delusória. Os ministros de Deus vieram para desapertá-los dos 42


sonhos escuros que essa estória evocou em sua recordação confusa e perplexa desse conto distorcido. Os jogos felizes, mais uma vez, são os do perdão, e o jogo final é atingir o mundo real. Os dois jogos de pecado e de perdão são sem significado no Céu, mas as boas novas são que o ego é simplesmente um pensamento tolo e irreal. Só nas mentes iludidas esse pensamento realmente parecia real, no entanto, não teve efeito sobre a realidade. Assim, nós caminhamos incólumes em meio à insanidade da crueldade do ego, conforme um sonho de inocência vem gentilmente para despertar o Filho de Deus: Caminha em glória com a cabeça erguida e não temas mal algum. Os inocentes estão a salvo porque compartilham sua própria inocência. Nada do que vêem é danoso, pois a sua consciência da verdade libera todas as coisas da ilusão do dano. E o que parecia causar dano, agora está brilhando em inocência, liberado do pecado e do medo e alegremente devolvido ao amor (T-23.in.3:1-4). Incidentalmente, os amantes da poesia podem notar a aliteração da letra d nas duas últimas sentenças da passagem do livro de exercícios. (NT: em inglês, confused, bewildered). (14:6) O Filho de Deus pode enfim sorrir ao aprender que isso não é verdadeiro. Perceba que quando você diz que isso não é verdadeiro, está dizendo mais do que dizer que a sua vida e das vidas dos outros não é verdadeira. Você afirma que sua própria vida não é verdadeira, pois a identificou apropriadamente como uma figura no sonho. Daqui até o final da lição, Jesus provê as instruções de encerramento: (15) Hoje praticamos de uma forma que manteremos ainda por algum tempo. Começaremos cada dia dando a nossa atenção ao pensamento diário durante o maior período de tempo possível. Agora, cinco minutos são o mínimo que daremos à preparação de um dia em que a salvação é a única meta que temos. Dez minutos seriam melhor, quinze, melhor ainda. E, à medida em que a distração deixa de surgir para tirarnos de nosso propósito, acharemos que meia hora é muito pouco tempo para se passar com Deus. Tampouco teremos vontade de dar menos à noite, em gratidão e alegria. Jesus definitivamente aumenta a aposta aqui, dizendo que “meia hora é muito pouco tempo para se passar com Deus”. Em outras palavras, deveríamos ter atingido um ponto em nosso estudo e prática do Um Curso em Milagres, no qual tudo o que queremos é estar na presença do Amor de Deus. A atração do amor pelo amor (T-12.VIII), e então, cada lição diária se torna uma lição de alegria. Se não for, pelo menos entendemos por que, e sabemos a Quem irmos em busca de ajuda para mudarmos nossas mentes. (16) Cada hora adiciona à nossa paz crescente ao lembrarmos de sermos fiéis à Vontade que compartilhamos com Deus. Por vezes, talvez, um minuto ou até menos, será o máximo que podemos oferecer ao soar de cada hora. Algumas vezes, esqueceremos. Em outras, as atividades do mundo nos cercarão e seremos incapazes de nos retirarmos um pouco para voltarmos os nossos pensamentos para Deus. Mais uma vez, Jesus está mantendo o ideal de que se formos realmente sérios em relação a seu curso, vamos escolher o Amor de Deus sobre qualquer coisa que esse mundo ofereça. No entanto, ele também nos diz que sabe que o amor nos aterroriza, e então, “algumas vezes, esqueceremos”. Esquecer, é claro, não é algo que acontece porque estamos muito ocupados com outra coisa, mas porque escolhemos contra a memória de Amor do Espírito Santo. Nesse ponto, nós “esquecemos”, e então, ao nos falar sobre o ideal, Jesus 43


também está nos lembrando da nossa tentação de esquecermos para que não nos sintamos culpados em relação ao nosso medo. (17) No entanto, quando pudermos, manteremos a nossa confiança como ministros de Deus, lembrando a cada hora da nossa missão e do Seu Amor. E nos sentaremos em quietude, esperaremos por Ele, escutaremos a Sua Voz e aprenderemos o que Ele quer que façamos na hora que ainda está por vir, agradecendo-Lhe ao mesmo tempo por todas as dádivas que Ele nos deu naquela que se foi. Nossa função não é salvar o mundo dando dádivas de amor. Em vez disso, somos solicitados a nos sentarmos em quietude, o que significa que escolhemos contra o barulho do ego – suas dádivas de culpa e julgamento, ataque e defesa. Na quietude, ouvimos a Voz nãojulgadora de paz, pois deixamos de lado a necessidade de atacar como o meio de defendermos nosso ser. Sua voz é a Voz do amor, que nossas mentes específicas traduzem em respostas específicas que freqüentemente experimentamos como se estivesse sendo dito a nós o que fazer ou dizer. No entanto, na verdade, “o que Ele quer que façamos” é simplesmente permanecer com Ele em vez de com o ego. Do centro de quietude, Seu Amor gentilmente guia nossos pensamentos, palavras e atos, estendendo a hora anterior para a próxima. Assim, nosso ministério – os frutos do perdão e o exemplo de ausência de defesas: No entanto, sempre haverá esse lugar de descanso para o qual podes retornar. E estarás mais ciente deste centro de quietude no meio da tempestade do que de toda a atividade furiosa que ela desencadeia. Esse centro de quietude, no qual tu nada fazes, permanecerá contigo, dando-te repouso em meio a todas as tarefas trabalhosas às quais fores enviado. Pois a partir deste centro serás dirigido quanto ao modo como deves usar o teu corpo sem pecado. É esse centro, do qual o corpo está ausente, que o manterá assim na tua consciência (T-18.VII.8). (18:1-3) Em tempo, com prática, nunca deixarás de pensar Nele e de ouvir a Sua amorosa Voz guiando os teus passos por caminhos quietos, onde caminharás verdadeiramente sem defesas. Pois saberás que o Céu vai contigo. Tampouco queres manter a tua mente afastada da mente de Deus nem por um momento sequer, embora passes o teu tempo oferecendo a salvação ao mundo. Guiado pelo amor em sua mente ao estar ocupado com as coisas do mundo, você ainda não se esquece de que é o Filho de Deus e, portanto, não se esquece do Amor do seu Pai. Você, portanto, é capaz de caminhar pela terra, atento ao que acontece no mundo da forma, mas ao mesmo tempo não perdendo de vista o conteúdo do amor de Jesus na mente. “Deus é a minha vida e a tua”, Jesus diz no texto (T-11.IV.6:7), e essa vida compartilhada na terra reflete nossa vida única no Céu. (18:4-19:2) Pensas que ele não fará com que isso seja possível para ti, que escolheste cumprir o Seu plano para a salvação do mundo e a tua? Ser sem defesas é o nosso tema hoje. Nós nos vestimos com ele, ao nos prepararmos para enfrentar o dia. A maneira com que “nós nos vestimos com ele” é por escolhermos o professor certo para estabelecer a roupagem que vamos usar hoje. Não fazemos nada extravagante, mas simplesmente percebemos que queremos Jesus como nosso professor. Simples. (19:3-6) Erguemo-nos fortes em Cristo e deixamos a nossa fraqueza desaparecer ao lembrarmos que a Sua força habita em nós. Lembrar-nos-emos que Cristo permanece ao nosso lado ao longo do dia e nunca deixa a nossa fraqueza sem o apoio da Sua força. 44


Invocamos a Sua força a cada vez que sentimos a ameaça das nossas defesas minar a certeza do nosso propósito. Faremos uma pausa, por um momento, enquanto Ele nos diz: “Eu estou aqui”. A força de Cristo é sem significado para nós a menos que a escolhamos, pois a fraqueza só desaparece quando escolhemos contra o ego. É por isso que a sentença 5 é importante: Invocamos a Sua força a cada vez que sentimos a ameaça das nossas defesas minar a certeza do nosso propósito”. Invocar a ajuda de Jesus, portanto, precisa ser feito no contexto da nossa decisão pelo ego. Nós reconhecemos nossos sentimentos de especialismo – raiva, doença, medo ou depressão – e dizemos: “Nós escolhemos a fraqueza do ego em vez do Amor de Deus, mas não queremos mais pagar o alto preço da dor”. Assim, realmente escolher Jesus como nosso professor se torna significativo e efetivo. A crença em que a força de Cristo aniquila nossa identidade nos mantém identificados com a fraqueza. O ego nos avisa de que desistir das “alegrias” do especialismo é sacrificar o nosso ser. Jesus, por outro lado, ensina que essas “alegrias” são apenas os brinquedos de crianças, reforçando a crença em um corpo que é uma sombra do sistema de pensamento de morte do ego. Quem iria escolher isso quando a alegria do amor é nossa em vez da dor da culpa? Os professores de Deus não podem sentir nenhum arrependimento em abrir mão dos prazeres do mundo. É sacrifício abrir mão da dor? Algum adulto se ressente quando desiste dos brinquedos de criança? Uma pessoa, cuja visão já vislumbrou a face de Cristo, por acaso olha para trás com saudade de um matadouro? Ninguém que tenha escapado do mundo e de todos os seus males olha de volta para ele com condenação. Mas, não pode deixar de se regozijar por estar livre de todo o sacrifício que os valores do mundo exigiriam dele. A eles, a pessoa sacrifica toda a sua paz. A eles, sacrifica toda a sua liberdade. E para possuí-los, tem que sacrificar sua esperança do Céu e a memória do Amor do seu Pai. Quem, em sua mente sã, escolhe nada em substituição a tudo? (MP-13.4). (20:1) A tua prática começará agora a tomar a intensidade do amor, para ajudar-te a evitar que a tua mente se afaste da sua intenção. Jesus nos mostra o quanto ficaremos tentados a vagar para longe da verdade quando ficarmos com medo. Ele nos lembra disso freqüentemente, e isso realmente é um conforto, pois não precisamos mais fingir que pensamos em Deus 100% do tempo. De fato, se assim fosse, não precisaríamos do livro de exercícios, e nós certamente não estaríamos aqui em um corpo, vivendo no matadouro que o ego chama de nosso lar. (20:2) Não temas nem sejas tímido. Não tenha medo desse curso e do seu benigno e gentil professor. Não tenha medo do amor, nem de perder uma identidade inventada, sem falar em uma que o torna infeliz. Acima de tudo, não tenha medo de voltar para casa, para um Pai Cujo Amor só pode dar as boasvindas ao Filho que nunca partiu. (20:3-7) Não há dúvida de que alcançarás a tua meta final. Os ministros de Deus nunca podem falhar, porque o amor, a força e a paz que brilham à partir deles para todos os seus irmãos vêm Dele. Estas são as Suas dádivas para ti. Ser sem defesas é tudo o que precisas Lhe dar em retorno. Deixas de lado apenas o que nunca foi real para contemplar Cristo e ver a Sua impecabilidade.

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Nossa função é deixar de lado a defensividade que nunca foi real, dessa forma, escolhendo a força, impecabilidade e ausência de defesas de Cristo. É por isso que o resultado é tão certo quanto Deus (T-2.III.3:10). O epílogo ao esclarecimento de termos começa com esse pensamento inspirador e confortador, provendo-nos com um final adorável a uma adorável lição: Não te esqueças de que uma vez iniciada essa jornada, o fim é certo. A dúvida ao longo do caminho vai e vem, e vai para vir de novo. No entanto, o fim é certo. Ninguém pode deixar de fazer o que Deus lhe indicou que fizesse. Quando esqueceres, lembra-te de que caminhas com Ele e com o Seu Verbo no teu coração. Quem poderia se desesperar quando tem uma Esperança como essa? Ilusões de desespero podem parecer vir, mas aprende como não te deixares enganar por elas. Atrás de cada uma delas está a realidade e está Deus. Por que esperarias por isso e o trocarias por ilusões, quando o Seu Amor está há apenas um instante a mais na estrada onde todas as ilusões chegam ao fim? O fim é certo e garantido por Deus. Quem fica diante de uma imagem sem vida quando a um passo de distância o Santo dos Santos abre uma porta antiga que conduz para além do mundo? (ET-ep.1).

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LIÇÃO 154 Eu estou entre os ministros de Deus. A palavra ministros não é usada com muita freqüência no Um Curso em Milagres – de fato, não é encontrada de forma alguma no texto ou no manual -, e a discussão central desse conceito é encontrada na lição anterior. Mais uma vez, com ministros de Deus, Jesus quer dizer professores de Deus – uma frase reservada para o manual para professores – cuja função é aceitarem a Expiação para si mesmos. Nesse sentido, a lição se assemelha a “A função especial” (T-25.VI). (1:1-3) Que hoje não sejamos nem arrogantes nem falsamente humildes. Já fomos além de tais tolices. Não podemos nos julgar e nem precisamos fazê-lo. A tolice à qual Jesus se refere é a arrogância do ego que diz que ele está certo e Deus errado. Sempre que julgo a mim mesmo, expresso culpa, o que afirma que fiz uma coisa terrível e sou uma coisa terrível: tendo traído o Amor de Deus por destruir a Unicidade do Céu, sou uma pessoa desprezível – um julgamento insano de um pensamento insano. (1:4) Essas são apenas tentativas de evitar a decisão e adiar o comprometimento com a nossa função. Julgar a nós mesmos é a maneira do ego de manter a decisão da mente distante de nós. Nós então julgamos nossos corpos, o que é imediatamente seguido pelo julgamento em relação aos outros. Se nos identificarmos com nossos corpos e julgamentos negativos sobre nós mesmos, ou acreditarmos que somos maravilhosos e todos os outros desprezíveis, esconderemos nossas mentes. Inconscientes da mente, portanto, não podemos mudá-la, e então, retardamos o cumprimento de nossa função de perdão para a mudança da nossa mente. (1:5-7) A nossa parte não é julgar o nosso valor, nem podemos saber qual é o melhor papel para nós; o que podemos fazer dentro de um plano maior, nós não podemos ver inteiramente. O nosso papel é definido no Céu, não no inferno. E o que pensamos ser fraqueza pode ser força, o que acreditamos ser a nossa força freqüentemente é arrogância. Isso é similar ao seguinte, onde Jesus nos diz que não temos base para avaliação pessoal: ... não podes distinguir entre progresso e retrocesso. Alguns dos teus maiores progressos julgaste como fracassos e alguns dos piores retrocessos avaliaste como sucesso (T-18.V.1:5-6). Em outras palavras, não existe maneira de podermos entender em que ponto estamos em nossa jornada, nem onde qualquer um está também. Nossos julgamentos são baseados em dados muito limitados, interpretados a partir do passado e orientados em direção ao nosso especialismo. Assim, não podemos saber como o perdão cura todos os problemas, uma vez que não reconhecemos que tanto o problema quanto a resposta estão na mente. Isso leva Jesus a afirmar o seguinte sobre a impossibilidade de entendermos a verdade a partir da 47


perspectiva das ilusões (i.e., o passado), pedindo-nos para não julgarmos, mas para levarmos todos os julgamentos a ele: Pensas que podes trazer verdade à fantasias e aprender o que a verdade significa a partir da perspectiva das ilusões? A verdade não tem significado na ilusão. O quadro de referencia para o seu significado tem que ser ela mesma. Quando tentas trazer a verdade às ilusões, estás tentando fazer com que as ilusões sejam reais e estás tentando mantê-las, justificando a tua crença nelas (T-17.I.5:1-4). O leitor pode se recordar da ênfase das primeiras lições em como o passado distorce nosso presente. (2:1) Qualquer que seja o papel que te foi designado, foi selecionado pela Voz por Deus, Cuja função é a de falar por ti também. Antes de continuarmos, deixe-me inserir algumas poucas palavras sobre a linguagem do Um Curso em Milagres, como tenho feito de tempos em tempos nesse comentário. Uma lição como essa pode se fundir muito bem com a arrogância do especialismo do ego: eu tenho um papel designado no plano de Deus; o Espírito Santo me indicou para fazer Seu trabalho especial e muito importante. Quase invariavelmente, essa arrogância assume a forma de coisas que tenho que fazer ou dizer – obviamente envolvendo o corpo e seu comportamento. Tal erro acontece facilmente quando as sentenças são vistas fora de contexto e a metafísica do Curso é esquecida. Como digo freqüentemente, quando você aprende e pratica o Um Curso em Milagres, nunca deixe sua metafísica não-dualista muito distante de você. Se o fizer, vai deixar de reconhecer que Jesus está falando com você no único nível em que você pode entender e aceitar, e, portanto, você vai pensar que ele fala a verdade literal para você. No entanto, se você se lembrar de que tudo é uma ilusão, incluindo o “jogo feliz” do perdão que Jesus descreveu na lição anterior, vai perceber que ele fala metaforicamente. Na verdade, ele tem que falar dessa forma, que é o motivo pelo qual ele afirma o seguinte, da familiar Introdução ao esclarecimento de termos: Esse curso permanece dentro da estrutura do ego, onde ele é necessário. Não se ocupa do que está além de todo erro, porque está planejado somente para estabelecer a direção nesse sentido. Por conseguinte, usa palavras que são simbólicas e não podem expressar o que está além dos símbolos... O curso é simples. Tem uma função e uma meta. Só nisso ele é completamente consistente, porque só isso pode ser consistente (ET-in.3:1-3,8-10). De novo e de novo, Jesus nos diz que devemos perdoar aos outros, que o “o arco da paz é atravessado dois a dois” (T-20.IV.6:5). No entanto, ele não está falando de algo que um corpo faz com outro corpo, o que não iria fazer absolutamente sentido algum nesse Curso. Ele fala apenas de desfazer um sistema de pensamento de “um ou outro”. O ego diz que você alcança o Céu à custa de outra pessoa. Jesus diz que você não pode alcançar o Céu à custa de outra pessoa porque essa pessoa é você: o Filho de Deus é um. Nós experimentamos seus ensinamentos em um nível corporal porque acreditamos que somos corpos. No entanto, é essencial, mais uma vez, entender que Jesus está falando conosco no nível com o qual nos identificamos. Seria sem sentido que ele fizesse de outra forma. Assim, como já vimos, seu curso usa a linguagem da dualidade – a condição na qual na qual pensamos viver. Uma “unicidade unida como uma” – uma declaração não-dualista – é sem significado para nós: Tudo isso leva em consideração o tempo e o espaço como se fossem distintos, pois enquanto pensas que parte de ti é separada, o conceito de uma unicidade unida como um só não tem significado. Está claro que uma mente tão dividida nunca poderia ser o professor de uma unicidade Que une todas as coisas dentro de Si 48


Mesma. E assim, O Que está dentro dessa mente e de fato une todas as coisas tem que ser o seu Professor. No entanto, Ele tem que usar uma linguagem que essa mente possa compreender, na condição na qual ela pensa que está. E Ele tem que usar todo o aprendizado para transferir ilusões à verdade, tomando todas as idéias falsas quanto ao que tu és e conduzindo-te para além delas, para a verdade que está além das ilusões (T-25.I.7:1-5). Quando Jesus fala sobre ser um ministro de Deus, portanto, ele não se refere a uma missão sagrada que o Espírito Santo designou para você – e apenas para você – cumprir. Ele quer dizer praticar as lições do perdão: e, uma vez que o currículo é altamente individualizado – como nos é dito no final do manual (MP-29.2:6) -, as lições de todos diferem em forma, embora seu conteúdo seja o mesmo. Portanto, uma vez que somos corpos individuais, nascidos em famílias individuais, relacionando-nos com outros corpos individuais, o conteúdo não-específico do perdão tem que ser praticado de formas específicas. Eu mencionei antes “A função especial”, onde Jesus explica como nossa função especial é perdoarmos nossos relacionamentos especiais. Lembre-se, conforme você passar por essa lição, que Jesus está se dirigindo ao conteúdo, compartilhado pela nossa mente única, embora sua expressão em forma obviamente difira para cada um de nós. (2:2) Vendo as tuas forças exatamente como são e também ciente de onde podem ser melhor aplicadas, para quê, para quem e quando, ele escolhe e aceita o teu papel por ti. Nos primeiros capítulos do texto, Jesus repetidamente diz – originalmente destinado a Helen, mas aplicável a todos nós – e eu parafraseio: Não escolha o milagre; deixe-me escolhê-lo para você. Sua tarefa é simplesmente aceitar minha ajuda para tirar o ego do caminho. O que então permanece é o meu amor, que vai guiá-lo da forma que for mais útil para você e para os outros. A forma dessa ajuda não é sua preocupação, pois você só precisa trazer suas ilusões à minha verdade, que eu farei o resto. No nível da nossa experiência, acreditamos que Jesus nos diz para fazermos coisas. No entanto, mais uma vez, quando entendermos a metafísica subjacente do Curso, não vamos cair na armadilha de especialismo espiritual, acreditando que uma voz estrondosa do Céu desce para nos dizer especificamente o que deveríamos fazer com nossas vidas. Nossa experiência pode reportar tal orientação, porque pensamos que somos especiais, mas a realidade continua sendo que a Voz celestial é não-específica ou abstrata – Ela apenas ama. A mente inconsciente pega o amor não-específico e o traduz em formas especificas que somos capazes de aceitar. O cérebro então interpreta essa experiência como Jesus nos dizendo para fazer isso e aquilo. Para nos certificarmos, não há nada errado com essa experiência, mas não deveríamos construir uma teologia sobre ela, nem acreditar que é isso que o Um Curso em Milagres realmente ensina. Jesus descreve esse processo no esclarecimento de termos, mas na linguagem dualista que o homo sapiens pode compreender: Deus sabe que o Seu Filho tem necessidade antes dele pedir. Ele não está em nada preocupado com a forma, mas tendo dado o conteúdo, é Sua Vontade que esse seja compreendido. E isso basta. A forma se adapta à necessidade e o conteúdo é imutável, tão eterno quanto o seu Criador (ET-3.3:2-5). Em outras palavras, nós suprimos a forma, o Amor de Deus supre o conteúdo. (2:3-4) Ele não trabalha sem o teu próprio consentimento. Mas não Se engana quanto ao que tu és e só escuta a Sua Voz em ti. 49


O Espírito Santo é totalmente não-afetado pelos sonhos do nosso ego. Sua presença nos lembra de Quem somos como Cristo, apesar das esfarrapadas e ilusórias auto-imagens que fizemos para tomar Seu lugar. (3:1) É através da Sua capacidade de ouvir uma única Voz Que é a Sua própria, que tu vens a ser enfim ciente de que há uma única Voz em ti mesmo. Nós encontramos aqui ainda mais um reflexo do tema importante da unicidade: somos um com Deus, Cristo é um dentro de Si Mesmo. Somos um com o Espírito Santo e com todos. Não existe separação e especificidade, no entanto, as experimentamos porque a unicidade é aterrorizante. Assim, a experiência de duas vozes é ilusória também. Como o que não existe pode ter uma voz? Só em sonhos de separação isso pode ser verdadeiro, e o Espírito Santo fala conosco de fora do sonho. (3:2-3) E aquela única Voz te designa a tua função e a entrega a ti, dando-te forças para compreendê-la, fazer o que ela acarreta e ter sucesso em tudo o que fazes que seja relacionado com ela. Deus uniu-Se ao Seu Filho nisso e assim o Seu Filho vem a ser o Seu mensageiro, o mensageiro da unidade com Ele. A mensagem de unidade do Espírito Santo reflete a mensagem única de amor do Céu. Enquanto acreditamos que somos separados, no entanto, a mensagem de amor unificado vai ser experimentada por nós de formas específicas. No entanto, um relacionamento é santo não pelo que uma pessoa específica faz a outra, mas porque nós nos unimos à Voz da Santidade – a Voz da Unicidade – em nossas mentes. (4) É essa união do Pai e do Filho, através da Voz por Deus, que coloca a salvação à parte do mundo. É essa Voz Que fala de leis que o mundo não obedece, Que promete a salvação de todo pecado abolindo a culpa na mente que Deus criou sem pecado. Agora essa mente vem a ser outra vez ciente Daquele que a criou e da Sua união duradoura consigo mesma. Assim, o seu Ser é a única realidade em Que a sua vontade e a Vontade de Deus estão unidas. A salvação não tem nada a ver com o mundo, nem com corpos especiais ou individuais. Ela consiste somente da união com sua Voz em nossas mentes, através da escolha contra o ego. Assim, o perdão desfaz nossos equívocos específicos, desfazendo o equívoco único da separação e restaurando à consciência nossa Identidade como Cristo, em Unidade com Seu Criador e Fonte. (5) Um mensageiro não é aquele que escreve a mensagem que entrega. Tampouco questiona o direito daquele que o faz ou pergunta por que escolheu aqueles que receberão a mensagem que traz. Basta que a aceite, a dê àqueles a quem se destina e cumpra o seu papel na entrega da mensagem. Se determina quais devem ser as mensagens ou a que propósito servem ou para onde devem ser levadas, está falhando em desempenhar o seu papel como portador do Verbo. Jesus ensina que ser um ministrou ou mensageiro de Deus é o mesmo que ser um mensageiro do mundo. Não questionamos, mas simplesmente fazemos o que somos solicitados a fazer, que é entregar uma mensagem de A para B. Não colocamos o envelope sobre o vapor e lemos a mensagem, mudando-a se não gostarmos do que ela diz, pois isso iria nos colocar em uma posição arrogante de presumir que sabemos melhor do que o escritor da mensagem. Ostensivamente, essa posição é baseada na forma, mas o problema real estaria 50


com o conteúdo. É por isso que nossa função é sermos os portadores do conteúdo de perdão da mensagem, sem questionarmos sua Fonte, sobre Quem não entendemos nada: Não é função dos professores de Deus avaliar o resultado de suas dádivas. Sua função é apenas dá-las. Uma vez que tenham feito isso, deram também o resultado, pois esse faz parte da dádiva. Ninguém pode dar se estiver preocupado com o resultado da doação. Isso é uma limitação do próprio ato de dar, e nesse caso, nem quem dá nem quem recebe possuiria a dádiva... É a renuncia a toda preocupação em relação à dádiva que faz com que ela seja verdadeiramente dada... E é o Espírito Santo na mente do doador Que lhe dá a dádiva... Nesse caso, que preocupação pode ter um professor de Deus em relação ao que acontece às suas dádivas? Dadas por Deus a Deus, quem, nesse intercâmbio santo, pode receber menos do que tudo? (MP-6.3:1-5; 4:1,4,11-12). Como mensageiros, portanto, somos solicitados simplesmente a entregarmos a mensagem, e nada mais. Incidentalmente, quase sempre no Um Curso em Milagres, Verbo significa algum aspecto da Expiação – perdão, salvação e o Espírito Santo. Jesus agora explica a diferença entre ser um mensageiro no mundo e um mensageiro de Deus: (6:1-2) Há uma diferença principal no papel dos mensageiros do Céu, que os distingue daqueles designados pelo mundo. As mensagens que entregam são dirigidas em primeiro lugar a eles mesmos. A única mensagem que devemos trazer ao mundo é que a separação nunca aconteceu: o Amor de Deus permanece o que é, para sempre inatacável pelo sistema de pensamento do ego. No entanto, não posso entregar a mensagem a menos que primeiro a tenha aceito, porque estamos falando sobre conteúdo, e não forma. Não são as palavras que levam a mensagem, não importando o quão brilhantes elas possam ser, mas o amor com o qual eu a entrego. No entanto, não posso ter amor sem aceitar a Expiação. Portanto, se eu for realmente sério sobre querer ser útil no mundo, preciso não me preocupar com ele e nem em relação a quem eu deveria ser útil. Minha preocupação é apenas sobre ser útil para mim mesmo, o que significa pedir ajuda a Jesus para corrigir minhas percepções e pensamentos equivocados, percebendo que eu estava errado e ele certo. Uma vez que o ego estiver fora do caminho, seu amor flui através de mim, e qualquer palavra que eu diga ou coisa que faça inevitavelmente estará repleta desse amor. O desafio é nos certificarmos de que fizemos nossa parte para nos livrarmos do especialismo, que é mais insidioso e sutil. É por isso que o ponto de partida em ser um ministro ou professor de Deus, um trabalhador de milagres, é aceitarmos a Expiação para nós mesmos. Negando a realidade da culpa em nossas mentes, olhamos além da escuridão do ego, permitindo que a luz do Céu – a mensagem da Expiação – brilhe através de nós de forma desimpedida. (6:3-4) E é só na medida em que possam aceitá-las para si mesmos, que vêm a ser capazes de levá-las adiante e dá-las em todos os lugares a que eram destinadas. Como os mensageiros terrestres, eles não escreveram as mensagens que trazem consigo, mas vêm a ser os seus primeiros destinatários no sentido mais verdadeiro, recebendo a fim de prepararem-se para dar. Se eu realmente quiser ser um embaixador de Jesus nesse mundo, preciso primeiro aceitar seu amor para mim mesmo. Faço isso por me tornar consciente do que não o quero, pois o amor ameaça meu especialismo e individualidade. É por isso que Jesus nos incita a sermos fiéis a ele e aos seus ensinamentos, na mesma linha que vimos antes: 51


Não ensines que eu morri em vão. Ensina, em vez disso, que eu não morri, demonstrando que vivo em ti (T-11.VI.7:3-4). (7) Um mensageiro terrestre cumpre o seu papel dando todas as suas mensagens. Os mensageiros de Deus desempenham o seu papel com a própria aceitação das Suas mensagens para si mesmos e mostram que as compreendem dando-as aos outros. Eles não escolhem papéis que não lhes tenham sido dados por Sua autoridade. E assim ganham com cada mensagem que dão. Nós revisitamos esse tema central no Curso – dar e receber são a mesma coisa. Se eu quiser receber o Amor de Deus, tenho que dá-lo. Se eu quiser saber que estou perdoado, tenho que perdoar, o que significa perceber que todas as pessoas compartilham a mesma necessidade e propósito. Não importando o quanto sejamos diferentes, não importando o quanto nossos caminhos religiosos ou espirituais sejam diferentes, apesar disso, nós compartilhamos a necessidade única de despertar do sonho do ego e voltar para casa. Essa é a única mensagem que eu preciso receber para mim mesmo, e a única mensagem que posso dar. Ela é o cerne do currículo: Professor de Deus é qualquer um que escolha sê-lo. Suas qualificações consistem somente nisso: de algum modo, em algum lugar, ele fez uma opção deliberada na qual não viu seus interesses como se estivessem à parte dos de outra pessoa. Uma vez que tenha feito isso, a sua estrada está estabelecida e a sua direção assegurada... Veio a ser um portador da salvação. Veio a ser um professor de Deus (MP-1.1:1-3,7-8). Em outras palavras, eu aprendo o que ensino, e ensino o que aprendo. Tal é o plano do Espírito Santo para a salvação: ... Na situação de ensino-aprendizado, cada um aprende que dar e receber é a mesma coisa... Aqueles que querem fazer o mesmo curso compartilham um único interesse e uma única meta. E assim, aquele que era aprendiz vem a ser ele mesmo um professor de Deus, pois tomou a única decisão que lhe deu o seu professor. Viu em outra pessoa os mesmos interesses que os seus (MP-2.5:5,7-9). Nós damos ao mundo o que aceitamos para nós mesmos. Assim, a separação dá espaço à unicidade, conforme nossa prática de interesses separados desaparece na luz da inclusividade compartilhada. (8) Tu queres receber as mensagens de Deus? Pois é assim que vens a ser o Seu mensageiro. Tu és designado agora. No entanto, esperas para dar as mensagens que tens recebido. E assim não sabes que são tuas e não as reconheces. Ninguém pode receber e compreender que recebeu até que tenha dado. Pois no ato de dar está a sua própria aceitação do que recebeu. Se você quer ensinar esse curso sobre o perdão, precisa aprendê-lo. Esse é o significado de: “No entanto, esperas para dar as mensagens que tens recebido. E assim não sabes que são tuas e não as reconheces”. Ensinar o Um Curso em Milagres não tem nada a ver com declamar em voz alta sua metafísica, ou pregar sua mensagem. O Curso é ensinado por dizer a alguém em sua mente e seu coração: “Seus pecados estão perdoados, pois você e eu não somos separados”. No entanto, não existe maneira de você poder ensinar essa mensagem sem exemplificá-la através da desistência do investimento no julgamento. Assim, um dos temas-chaves no Curso é desenvolver um relacionamento com o Espírito Santo. Unir-se ao 52


Pensamento de amor que vem de fora do sonho é a única maneira de aprender que seu sonho não teve efeitos. Você então se lembra do seu Ser, e a partir dessa memória, Seu Amor é dado livremente, pois foi totalmente recebido. E então, Jesus define a verdadeira generosidade: O termo generosidade tem um significado especial para o professor de Deus. Não é o significado usual da palavra... Para o mundo, generosidade significa “dar para os outros” no sentido de “abrir mão”. Para os professores de Deus, significa dar para poder ter... O professor de Deus é generoso por interesse para com Ele Mesmo. Isso não se refere, no entanto, ao ser de que fala o mundo. O professor de Deus não quer nada que não possa dar aos outros, porque compreende, por definição, que isso não teria valor algum para ele... Mas ele quer ter para si todas as coisas que são de Deus e, portanto, são para o Seu filho. Estas são as coisas que lhe pertencem. Estas, ele pode dar com generosidade verdadeira, protegendo-as sempre para si mesmo (MP-4.VII.1:1-2,4-5; 2:1-3,10-12). (9) Vós, que sois agora os mensageiros de Deus, recebei as Suas mensagens. Pois isso faz parte do papel que vos foi designado. Deus não falhou em oferecer o que vós precisais e nem isso deixou de ser aceito. Entretanto, uma outra parte da tarefa que vos foi designada ainda está por ser realizada. Aquele Que recebeu as mensagens de Deus por vós, quer que elas sejam recebidas também por vós. Pois assim vós vos identificais com Ele e reivindicais o que vos pertence. Jesus está lhe dizendo aqui que se você veio até aqui, provavelmente falou com as pessoas sobre isso e as influenciou, mas ainda não cumpriu seu papel ou função: “Entretanto, uma outra parte da tarefa que vos foi designada ainda está por ser realizada”. Ainda existe trabalho para você fazer: estar sempre vigilante contra o ego e seu especialismo, pedindo ajuda a Jesus para olhar para eles através dos seus olhos gentilmente misericordiosos, para que você não julgue os outros ou a si mesmo. “A recompensa de ensinar” contém uma passagem relevante que originalmente estava destinada a Helen. A escriba de Jesus era uma professora, terapeuta e amiga muito útil, cujos sábios conselhos beneficiaram muitos. No entanto, ela nunca foi capaz de se beneficiar – pelo menos não em qualquer extensão observável – do que ela ensinou, ou do que foi ensinado através dela. Perguntei a ela um dia, depois de ter estado em uma de suas sessões de aconselhamento informal: “Você ouviu o que disse?”. Eu sabia que ela não tinha ouvido – ela nunca o fazia -, mas eu estava afirmando o mesmo ponto; i.e., o quanto ela seria mais feliz se fosse capaz de seguir seus próprios conselhos. Aqui está o que Jesus disse a ela, em palavras que obviamente são para todos nós: Podes ter ensinado bem e, no entanto, ainda assim é possível que não tenhas aprendido como aceitar o consolo do teu ensinamento. Se considerares o que ensinaste e como isso é alheio ao que pensavas que conhecias, serás compelido a reconhecer que o teu Professor veio de além do teu sistema de pensamento... Pois certamente, o que ele tem ensinado e o que ensinaste através Dele, nada tem em comum com o que ensinaste antes que Ele viesse. E os resultados foram trazer paz aonde havia dor e o sofrimento desapareceu para ser substituído pela alegria. Podes ter ensinado a liberdade, mas não aprendeste como ser livre... Nunca poderias ter ensinado a liberdade a não ser que acreditasses nela. E o que ensinaste não pode deixar de ter vindo de ti mesmo. Entretanto, esse Ser tu claramente não conheces e não O reconheces, mesmo que ele funcione. O que funciona tem que estar presente... Esse é um curso que te ensina como conhecer a ti mesmo. Tens ensinado o que tu és, mas não tens permitido que o que és te ensine... Entretanto, dentro de ti está tudo o que ensinaste (T-16.III.1:2-3,6-2:1; 3:47; 4:1-2,4). 53


(10:1-2) É o reconhecimento dessa união que empreendemos hoje. Não buscaremos manter as nossas mentes à parte Daquele Que fala por nós, pois é apenas a nossa voz que ouvimos ao prestarmos atenção a Ele. Jesus não está falando sobre a voz do nosso ego, que fala pelo ataque, especialismo e o princípio do um ou outro, mas a Voz do Espírito Santo em nossas mentes certas à qual agora nos unimos, tendo repudiado o ego. Sua Voz fala pelo perdão, cura e o princípio de que “a salvação é uma aventura de colaboração” T-4.VI.8:2). (10:3) Só Ele pode falar a nós e por nós, unindo em uma única Voz o ato de receber e dar o Verbo de Deus, o dar e o receber a Sua Vontade. Conseguir e dar, dar e receber, são todos um só, assim como só existe uma Voz. A Voz que fala dentro da minha mente é a mesma Voz que fala dentro da sua. Pelo fato de acreditarmos que somos separados e diferentes, no entanto, experimentamos a Voz de forma diferente. Ela é chamada de forma variável de Jesus, o Espírito Santo, Buda, Deus, etc., no entanto, continua sendo a única Voz de amor e sabedoria. Discurso de entidades desencarnadas, seres mais elevados e mais baixos, e outros e diversos fenômenos são todos partes do sonho de separação. Na verdade, só pode haver uma Voz, pois só existe uma verdade. As formas de ajuda são muitas; a Ajuda é uma: Ajudantes te são enviados de várias formas, embora sobre o altar todos sejam um. Além de cada um há um Pensamento de Deus e isso nunca vai mudar. Mas eles têm nomes que diferem temporariamente, pois o tempo necessita de símbolos sendo irreal em si mesmo. Seus nomes são legião, mas nós não iremos além dos nomes que o próprio curso emprega. Deus não ajuda porque ele não conhece nenhuma necessidade. Mas Ele cria todos os Ajudantes de Seu Filho enquanto esse acredita que suas fantasias são verdadeiras. Agradece a Deus por eles, pois eles te conduzirão ao lar (ET-5.1:3-9). (11:1) Praticamos dar a Ele o que Ele quer ter para que possamos reconhecer as Suas dádivas para nós. Um Curso em Milagres está repleto de passagens que descrevem as dádivas do perdão que são dadas a nós, quer o objeto seja o Espírito Santo, como está aqui, ou nossos irmãos. Na verdade, o princípio de aceitar o perdão por oferecê-lo vai ao cerne da mensagem do Curso. Aqui está uma passagem linda e representativa, no final de “Os obstáculos à paz”: Contempla o teu Amigo, o Cristo Que se encontra a teu lado. Como Ele é santo e como é belo! Pensaste que Ele havia pecado porque jogaste o véu do pecado sobre Ele para esconder a Sua beleza. Entretanto, Ele ainda te oferece o perdão para que compartilhes a Sua santidade... Esse é o teu irmão crucificado pelo pecado e esperando pela liberação da dor. Não queres oferecer-lhe o perdão, quando somente ele pode oferecê-lo a ti? Pela sua redenção, ele te dará a tua, com tanta certeza quanto Deus criou cada coisa viva e a ama. E ele a dará verdadeiramente, pois será ao mesmo tempo oferecida e recebida. Não há nenhuma graça no Céu que tu não possas oferecer ao teu irmão e receber do teu santíssimo Amigo. Não permitas que ele a recuse, pois ao recebê-la, tua ofereces a ele. E ele receberá de ti o que tu recebeste dele. A redenção te foi dada para ser dada ao teu irmão e, assim, ser recebida. Aquele a quem tu perdoas é livre e aquilo que dás, tu compartilhas (T19.IV-D.14:1-4; 15:1-9). 54


O que se segue a isso é uma linda série de sentenças – aparecendo em outros trechos no Um Curso em Milagres também, embora com um Sujeito diferente1 - descrevendo como o Espírito Santo precisa da figura de sonho para expressar Sua mensagem de fora do sonho: (11:2-5) Ele precisa da nossa voz para que possa falar através de nós. Precisa de nossas mãos para portar as Suas mensagens e levá-las àqueles que Ele designa. Precisa de nossos pés para nos trazer para onde é Sua Vontade que estejamos, para que aqueles que esperam na miséria possam enfim ser libertados. E Ele precisa das nossas vontades unidas à Sua, para que possamos ser os verdadeiros receptores das dádivas que Ele nos dá. Uma vez que fizemos o corpo como um símbolo de ataque, ele pode servir a uma função diferente se dado ao Espírito Santo. Em e por si mesmo, o corpo não é nada – nem santo nem profano -, no entanto, o mundo que foi feito como um ataque a Deus pode se tornar uma sala de aula na qual aprendemos que o ataque não tem efeitos. O corpo – que foi feito para limitar o amor (T-18.VIII.1:2) como prova de que o amor especial do ego está certo e o Amor de Deus, errado – agora pode expressar uma mensagem diferente. Isso não tem nada a ver com comportamento, mas com refletir nossa escolha por um professor diferente. Quando escolhemos o amor não-específico de Jesus, o não-específico é traduzido no específico – i.e., o corpo. O amor não tem uma voz, uma vez que é insonoro, mas seu reflexo da mente certa realmente pode ser ouvido através de nós. Assim como o pensamento abstrato de amor na mente de Helen precisava do seu corpo – especificamente suas mãos – para transcrever o Um Curso em Milagres, Jesus da mesma forma precisa de nós para refletirmos seu amor no mundo; não porque o mundo seja real, mas porque precisamos dos seus símbolos de amor para corrigir os símbolos de ódio do ego. A Lição 184 vai expandir esse tema. (12:1) Aprendamos hoje apenas essa lição: nós não reconheceremos aquilo que recebemos até que o tenhamos dado. Se você quiser saber se o Um Curso em Milagres é verdadeiro, o amor de Jesus uma realidade, e você é um com Deus, precisa desistir do seu investimento no princípio de um ou outro. Se você quiser saber que dar e receber são o mesmo e não existe perda nem ganho – apesar da quarta lei do caos (T-23.II.9-11) -, precisa praticar durante o dia todo para estar ciente de com que freqüência escolhe um ou outro como seu princípio reinante. Quando você quer que seus julgamentos e especialismo sejam verdadeiros, você sabe que escolheu o sistema de pensamento do ego como o seu próprio. Portanto, a forma de tornar os pensamentos maravilhosos dessa lição verdadeiros para você é ver o quanto você não quer aprender essa lição. Perceba, então, o custo tremendo de basear sua vida no princípio de um ou outro, pois isso não vai lhe trazer paz, mas tanta dor quanto traz a todos os que seguem o ego. Renunciar a esse princípio em favor de “dar e receber são o mesmo” do Espírito Santo é a chave para encontrar a felicidade que você busca. (12:2-3) Já ouviste isso ser dito em centenas de maneiras, centenas de vezes e, no entanto, a tua crença ainda está faltando. Mas isso é certo: até que venhas a acreditar nisso, receberás mil milagres e depois mais mil, mas não saberás que o próprio Deus não guardou nenhuma dádiva além daquelas que já tens e tampouco negou a menor das bênçãos ao Seu Filho. Você não vai conhecer o Amor de Deus a menos que se torne o seu reflexo dentro do sonho, trazido por estar vigilante contra as sombras do ego. Essas sombras emanam dos 1

Veja meu livro Glossário-Índice para o Um Curso em Milagres, p. 38 (corpo/instrumento da salvação), para uma lista completa de referências.

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pensamentos de culpa e pecado, que dizem que o princípio de um ou outro estabelece sua realidade e continua a sustentá-la: eu existo e alguém mais paga o preço pelo meu pecado. Mais uma vez, você precisa perceber o custo terrível de se agarrar a esse sistema de pensamento – esquecendo a dádiva que Deus lhe deu, a dádiva que vocês dois têm e são, e que compartilham com todos os seus irmãos: A dádiva da vida é tua para ser dada, porque te foi dada. Não és ciente da tua dádiva porque não a dás... Por conseguinte, não estás estendendo a dádiva que tu ao mesmo tempo tens e és... Dá só honra aos Filhos do Deus vivo e inclui-te no meio deles com contentamento. Só a honra é dádiva adequada para aqueles que o próprio Deus criou dignos de honra e a quem Ele honra. Dá a eles a apreciação que Deus sempre lhes reserva, porque são os Seus amados Filhos, nos quais Ele Se compraz. Tu não podes estar à parte deles porque não estás à parte Dele. Descansa no Seu Amor e protege o teu descanso amando. Mas ames tudo o que Ele criou, do que tu és uma parte ou não podes aprender sobre a Sua paz e aceitar a Sua dádiva para ti mesmo e como tu mesmo. Não podes conhecer a tua própria perfeição enquanto não tiveres honrado todos aqueles que foram criados como tu (T-7.VII.5:1-2,4,8; 6). (12:4-13:2) O que isso pode significar para ti, enquanto não tiveres te identificado com Ele e com o que Lhe é próprio? A nossa lição para o dia de hoje é declarada assim: Eu estou entre os ministros de Deus, e sou grato por ter os meios de reconhecer que sou livre. Os meios são meus relacionamentos especiais, e eu agora peço ajuda a Jesus sem dizer a ele qual essa ajuda deveria ser. Eu, portanto, olho com ele para meu investimento no especialismo, permitindo que seu amor me guie na mudança das minhas percepções sobre os outros como separados de mim, para sua visão da unidade inerente do Filho de Deus – na terra como Ele é no Céu. (14) O mundo retrocede à medida que iluminamos nossas mentes e reconhecemos que estas santas palavras são verdadeiras. Elas são a mensagem que foi enviada hoje pelo nosso Criador. Agora, demonstramos como elas mudaram as nossas mentes a respeito de nós mesmos e de qual é a nossa função. Pois, ao provarmos que não aceitamos nenhuma vontade da qual não compartilhamos, as muitas dádivas do nosso Criador surgirão à nossa vista e saltarão às nossas mãos e nós reconheceremos o que recebemos. Esse parágrafo final aponta para a Lição 155, pois essa lição estende a anterior. Ela resume lindamente a mensagem central do Curso de que nós demonstramos sua verdade a nossos irmãos – o ego não tem poder sobre o Filho de Deus, cuja paz e amor permanecem para sempre como Deus as deu, imutáveis e eternas: A tua missão é muito simples. Tu estás sendo solicitado a viver de tal forma que demonstre que tu não és um ego... (T-4.VI.6:2-3). Quando aceitaste a verdade como meta para o teu relacionamento, vieste a ser um doador da paz com tanta certeza quanto o teu Pai te deu a paz... O teu propósito não mudou e não mudará, pois aceitaste o que nunca pode mudar. E agora não és capaz de afastar dele nada do que ele necessita para ser para sempre imutável. A tua liberação é certa. Dá assim como recebeste. E demonstra que te elevaste muito 56


além de qualquer situação que pudesse atrasar-te e manter-te separado Daquele a Cujo chamado tu respondeste (T-17.VIII.6:1,3-7). Portanto, uma vez que percebemos que os desejos do ego não são mais os nossos, as dádivas de Deus, nascidas do nosso perdão, vão aflorar à consciência. Uma canção de gratidão flui através de nossos corações, em ação de graças pelo que recebemos. Jesus dá palavras a essa canção em “As dádivas de Deus”: Pai, damos graças a Vós por essas dádivas que encontramos juntos. Aqui somos redimidos. Pois é aqui que nos unimos, e desse lugar de união santa, vamos a Vós porque reconhecemos as dádivas que Vós destes e não haverá nada mais. Cada mão que encontra seu caminho para a minha vai receber Vossas dádivas de mim, e, ao olharmos juntos para o lugar no qual deixei suas dádivas sem valor para você, não vamos ver nada além das dádivas de Deus, refletidas no brilho ao redor de nossas cabeças... As dádivas do medo, o sonho da morte, estão terminadas. E nós damos graças. E nós damos graças. Amém. (As Dádivas de Deus, p. 119).

LIÇÃO 155 57


Recuarei e permitirei que Ele me mostre o caminho. Com essa lição, continuamos com o tema de sermos ministros ou professores de Deus. Na verdade, nessas próximas poucas lições, Jesus nos ensina o que significa viver nesse mundo como um professor de Deus, realmente significando um professor avançado. No manual, ele descreve três níveis de professores. O professor básico – todos nós – é o objeto da mensagem do Curso. As pessoas que aprenderem suas lições se tornam professores avançados. Ainda que o termo em si mesmo seja usado com pouca freqüência, é citado o suficiente para nos mostrar que Jesus está se referindo a elas. As características dos professores de Deus descritas no manual (MP-4) são aplicáveis a esse grupo avançado. Da mesma forma, nessas lições atuais, ele fala de alguém que já avançou bastante no caminho. O terceiro nível é o do Professor dos professores (MP-26.2:2). Como Jesus, esses estão no mundo real, e não são nossa preocupação aqui. Essa, portanto, é uma lição importante, pois nos ajuda a perceber a meta final de Jesus para nós. Isso não encerra uma mudança comportamental. De fato, professores avançados de Deus parecem com todos os outros, mas as pessoas vão reconhecer que existe algo diferente em relação a eles: uma paz e alegria quieta que vêm apenas de uma mente pacífica e alegre. (1:1) Há uma maneira de viver no mundo que não está aqui, embora pareça estar. Embora ainda não tenham aceitado a Expiação, os professores avançados de Deus aprenderam que não estão realmente aqui, pois sabem que o mundo é um sonho, e aqueles com os quais se relacionam são apenas figuras em um sonho. Sua realidade, portanto, está fora do sonho, embora eles pareçam estar aqui. Lembre-se dessas linhas do texto: O que aconteceria se reconhecesses que esse mundo é uma alucinação? O que aconteceria se compreendesses realmente que o inventaste? O que aconteceria se te desses conta de que aqueles que parecem perambular sobre ele, para pecar e morrer, atacar e assassinar e destruir a si mesmos, são totalmente irreais? Poderias ter fé no que vês, se aceitasses isso? E queres ver isso? (T-20.VIII.7:3-7). Aqueles no mundo real – os professores avançados de Deus – não têm. (1:2-4) Tu não mudas de aparência, embora sorrias mais freqüentemente. A tua fronte é serena, os teus olhos tranqüilos. E aqueles que caminham pelo mundo como tu, te reconhecem como um deles. Está claro que Jesus não está falando de mudança comportamental, mas de uma mudança interna. Sorrir mais freqüentemente vem do reconhecimento de que não existe nada aqui para ser levado a sério, porque o mundo é uma ilusão. Apenas Deus é sério, e tudo o mais são apenas defesas ilusórias contra Sua realidade. Essa consciência capacita os professores de Deus a estarem nesse mundo e não terem sua paz afetada pelo que acontece ao redor deles, no entanto, aqueles que compartilham essa consciência reconhecem quem eles são. (1:5) No entanto, aqueles que ainda não perceberam o caminho também te reconhecerão e acreditarão que és igual a eles, como eras antes. As pessoas que não atingiram esse estado avançado vão reconhecer você como um deles. Com o tempo, virão a perceber que existe algo diferente em relação a você, mas isso só pode acontecer na extensão da sua disponibilidade de perceberem a si mesmos de forma 58


diferente. O princípio-chave aqui – assim como em todo o Um Curso em Milagres – é projeção faz a percepção. O que tornamos real em nossas mentes é o que tornamos real fora delas. Quando o véu do ego em nossa mente se abre, permitimos que o amor de Jesus brilhe, e assim, reconhecemos o mesmo amor brilhando nas mentes dos outros. Você não muda seu comportamento para parecer espiritual, ou age de maneiras que pensa estarem alinhadas com os ensinamentos do Curso. Em vez disso, você se focaliza em mudar seu professor. A paz de Jesus, resultante da sua mudança em direção a ele, o ajuda a sorrir com mais freqüência. (2:1-2) O mundo é uma ilusão. Aqueles que escolhem vir aqui estão em busca de um lugar onde possam ser ilusões e evitar a sua própria realidade. Essa é uma das idéias metafísicas centrais do Curso, e reaparece muitas vezes. Aqueles que vêm a esse mundo o fazem porque fugiram da presença do amor em suas mentes e, portanto, querem estabelecer um ser separado como sua realidade. Estar no mundo nos ajuda a evitar nossa realidade como mentes, e reforça nosso ser ilusório como corpos. (2:3) Todavia, quando descobrem que a sua própria realidade está até mesmo aqui, recuam e permitem que ela mostre o caminho. A realidade obviamente não está aqui, mas na mente, e vamos perceber que o amor está dentro, não importando os eventos externos. Nós, portanto, damos um passo atrás diante das ilusões e caminhamos em direção à verdade. Através das lições, Jesus se refere à parte tomadora de decisões da mente reconhecendo seu equívoco e escolhendo contra o ego e a favor do Espírito Santo, refletindo o tema de trazer a ilusão à verdade, em vez de trazer a verdade à ilusão. Devemos retornar a esse tema logo. (2:4-6) Que outra escolha têm a fazer realmente? Deixar que ilusões caminhem diante da verdade é loucura. Mas deixar a ilusão submergir atrás da verdade e deixar a verdade se erguer à sua frente tal como é, é meramente sanidade. Jesus nos diz que não existe escolha real a fazer aqui, porque uma escolha é loucura e a outra é ilusão – nossa única escolha real é pela sanidade. Quase podemos ouvi-lo dizer a nós: “Escolher o ego em vez de mim é a coisa mais tola que você pode fazer, porque seu ego está sempre errado e nunca vai torná-lo feliz. Por outro lado, sempre vou torná-lo feliz, pois estou certo”. Essa escolha está disponível para nós o tempo todo, mesmo quando o mundo é tão distrativo e as necessidades do corpo tão prementes. Esse é o pensamento por trás da seguinte passagem, perto do final do texto, impelindo-nos a deixar de lado nossos pensamentos escuros de especialismo e pecado, e permitir que a verdade repleta de luz de Cristo seja nossa companheira. Dessa forma, as ilusões insanas do especialismo “submergem atrás” da sã verdade do perdão: Fica bem quieto por um instante. Vem sem nenhum pensamento que tenhas aprendido antes e põe de lado todas as imagens que fizeste. O velho sucumbirá diante do novo sem a tua oposição ou intenção... Perdoa o teu irmão por todas as aparências, que não são senão antigas lições que ensinaste a ti mesmo sobre o pecado em ti... Assim, esse é um caminho pelo qual vós ides juntos, não sozinhos... ao teu lado está Aquele Que mantém a luz diante de ti, de tal modo que cada passo seja dado na certeza e com segurança quanto à estrada. Uma viseira, de fato, pode obscurecer a tua vista, mas não pode fazer com que o caminho em si mesmo se torne escuro. E Aquele Que caminha contigo tem a luz (T-31.II.8:1-3; 9:1,6; 11:7-9).

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(3:1-2) Essa é a escolha simples que fazemos hoje. A louca ilusão ainda permanecerá em evidência por algum tempo para que seja contemplada por aqueles que escolhem vir e que ainda não se regozijaram ao descobrir que estavam equivocados na sua escolha. Jesus nos mostra que o perdão é um processo, não algo que acontece em um estalar de dedos. É uma mudança de ver o ego como importante e o Espírito Santo como virtualmente inexistente, para tornar o ensinamento do Espírito Santo importante e o ego implausível. O mundo não desaparece porque nossos olhos vêem palavras nos dizendo que o mundo é uma ilusão. Sua verdade precisa primeiro ser integrada; o que trilhar alegremente o caminho gentil de perdão de Jesus nos traz. (3:3-4) Eles não podem aprender diretamente da verdade, pois negaram que seja assim. Por isso precisam de um Professor Que perceba a sua loucura, mas Aquele que ainda assim possa olhar além da ilusão para a simples verdade que há neles. Isso expressa o tema – central ao Um Curso em Milagres – de que a verdade nunca pode ser conhecida aqui porque o mundo foi feito literalmente para nos proteger da verdade. No entanto, podemos nos tornar cada vez mais conscientes do reflexo da verdade, da qual o perdão é o exemplo mais proeminente. Nesse espírito, Jesus nos diz: “Não estou pedindo que você desista da sua identificação corporal, mas estou apenas ajudando-o a perceber que seu corpo deveria se tornar cada vez menos importante para você; tanto como um símbolo de dor e prazer, quanto de danação e salvação”. Ele, portanto, nos chama para representarmos seu reflexo de verdade no mundo da ilusão. Como ele afirma no manual para professores: Se queres ser ouvido por aqueles que sofrem, tens que falar a língua deles. Se queres ser um salvador, tens que compreender do que é que se tem que escapar (MP-26.4:3-4). Uma das metas de Jesus é fazer com que seus estudantes ensinem conforme aprendam, dessa forma se tornando as manifestações do Espírito Santo, assim como ele também foi (ET6.5:1-2). Em maior contato com a verdade do que antes, esses ministros de Deus são capazes de demonstrar àqueles que ainda caminham em loucura que existe outro caminho pelo qual podem viajar. Tendo aprendido com seu professor, eles percebem as ilusões dos seus irmãos, no entanto, olham além delas, para a verdade. No próximo parágrafo, Jesus descreve três formas diferentes de viver no mundo. Vamos revisá-las antes de continuarmos: A primeira é ver o mundo e a carne como o mal. Isso torna o sexo e o dinheiro maus, por exemplo - na verdade, torna todo o prazer mau –, e essa é uma visão que não pode deixar de fazer surgir o sacrifício e asceticismo tão comuns à maioria das espiritualidades e religiões do mundo. Corpos foram feitos pelo ego para experienciarem prazer, assim como dor, e assim, por defenderem a negação da carne má, esses caminhos a Deus inevitavelmente geram ressentimento em algum nível em relação àquilo de que se abriu mão. Portanto, por invariavelmente tornar o corpo pecador real, o pecado da separação é tornado real também. Desistir dos prazeres do corpo simplesmente reforça o pensamento pecaminoso subjacente, que continua sem diminuição se deslocando para o corpo. A segunda alternativa vai ao outro extremo da libertinagem. Aqui, o mundo é visto como um lugar maravilhoso, a fonte de toda felicidade e prazer. Inevitavelmente, no entanto, os adeptos dessa abordagem se sentirão privados em algum ponto, porque os prazeres do mundo nunca são totalmente confiáveis, e nem sempre serão como as pessoas gostariam que fossem. Para pegar um exemplo: se você acreditar que pode ser feliz apenas quando o dia estiver claro e ensolarado, um dia frio e chuvoso vai fazer com que você se sinta privado da felicidade que seria sua se o clima estivesse maravilhoso. Portanto, quando você valoriza o mundo como fonte de prazer ou salvação, se torna apto à privação. Se, por outro lado, você vir o mundo 60


como fonte de dor que tem que ser evitada, se torna apto ao sacrifício. Não se pode escapar da dor e sofrimento aqui, e, portanto, nossa felicidade tem que ser sacrificada. Dessa forma, não importando se experimentamos prazer ou dor, o pensamento subjacente de pecado recebe “permissão” para se esconder por trás da sua projeção, e nosso auto-conceito de pequenez é reforçado. Lembre-se das palavras de Jesus a nós em “Os obstáculos à paz”: O corpo, de fato, parece ser o símbolo do pecado enquanto acreditas que ele pode te conseguir o que queres. Enquanto acreditas que ele pode te dar prazer, também acreditarás que pode te trazer dor. Pensar que és capaz de ficar satisfeito e feliz com tão pouco é ferir a ti mesmo e limitar a felicidade que queres ter convoca a dor para que ela encha a tua pobre dispensa e faça com que a tua vida seja completa (T-19.IV-A.17:10-12). Além disso, por tornar o corpo o objeto tanto do prazer quanto da dor, ensinando-nos que existe diferença entre eles, o ego habilidosamente nos capacita a manter nossa existência individual, agora vista como corporal. A nulidade inerente do corpo é, portanto, oculta por trás da sua capacidade de “sentir” sensações, quer sejam consideradas positivas ou negativas: É impossível buscar o prazer através do corpo e não achar dor. É essencial que esse relacionamento seja compreendido, pois o ego o vê como prova do pecado... o resultado inevitável de te equacionares com o corpo, que é o convite à dor... Por que deveria o corpo ser qualquer coisa para ti? Com certeza, aquilo de que é feito não é precioso. E com a mesma certeza, ele não tem sentimento. Ele te transmite os sentimentos que queres... Não ouças a loucura do ego e não acredites que o impossível seja verdadeiro. Não te esqueças de que o ego dedicou o corpo à meta do pecado e coloca nele toda a sua fé em que isso possa ser realizado. Seus tristes discípulos cantam continuamente os louvores do corpo em solene celebração ao domínio do ego (T-19.IV-B.12:1-2,4; 14:1-4,7; 16:1-3). Como os antigos sábios gregos, Jesus defende uma terceira escolha, o caminho do meio da moderação. No entanto, ele não está falando sobre comportamento. Ele está nos ensinando, em vez disso, a atitude de não tornarmos o corpo ou o mundo algo importante ou sério. Nós vivemos no corpo porque ele é uma sala de aulas; e o que é sério são as lições que nos levam de volta a Deus. Corpos em e por si mesmos não são bons ou maus, pecadores ou sem pecado; só o propósito da mente estabelece seu valor: O corpo não pode te trazer nem paz nem tumulto, nem alegria nem dor. É um meio e não um fim. Não tem propósito em si mesmo, mas somente aquele que lhe é dado. O corpo parecerá ser qualquer coisa que seja o meio de alcançar a meta que lhe atribuíste. Só a mente pode estabelecer um propósito e só a mente pode ver os meios para a sua realização e justificar o seu uso (T-19.IV-B.10:4-8). Nós agora lemos sobre essas três alternativas: (4:1) Se a verdade exigisse que desistissem do mundo, pareceria a eles que estaria pedindo o sacrifício de algo que é real. Essa é a primeira alternativa, o caminho ascético, encorajado por muitas religiões: Deus pede que você se sacrifique, e se você realmente O amar, vai desistir da sua atração pelas coisas do mundo para ganhar sua recompensa na vida futura. Jesus comenta abaixo sobre o asceticismo de “lutar contra o pecado”. De forma característica, ele não o ataca, julga nem repudia, mas simplesmente aponta que o caminho é tortuoso, pois torna o erro real. Em outras palavras, lutar contra o pecado mantém o pensamento vivo e bem na mente. Eventualmente, o 61


caminho de volta do corpo “odiado e desprezado” até a mente é encontrado. No entanto, a abordagem mais direta do perdão nos poupa tempo e nós sofremos menos no sonho. Aqui estão as palavras de Jesus originalmente destinadas a Helen, em uma mensagem específica: Muitos passaram toda a vida em preparação e, de fato, atingiram os seus instantes de sucesso. Esse curso não pretende ensinar mais do que o que eles aprenderam no tempo, mas tem como objetivo economizar tempo. Podes estar tentando seguir uma estrada muito longa para a meta que aceitaste. É extremamente difícil atingir a Expiação lutando contra o pecado. Um esforço enorme é gasto na tentativa de tornar santo o que é odiado e desprezado. Nem há necessidade de toda uma vida de contemplação e de longos períodos de meditação com o objetivo de desapegarte do corpo. Todas essas tentativas, em última instância, terão sucesso devido a seu propósito. No entanto, os meios são tediosos e consomem uma grande quantidade de tempo, pois todos procuram a liberação no futuro a partir de um estado de presente indignidade e inadequação (T-18.VII.4:4-11). (4:2) Muitos escolheram renunciar ao mundo, enquanto ainda acreditavam na sua realidade. Como está implícito na discussão acima, se você renunciar a algo, tem que acreditar que é real; de outra forma, você não teria o trabalho de renunciar a ele. É interessante observar quantos estudantes do Um Curso em Milagres cometem o mesmo equívoco de pensar que apreciar as coisas nesse mundo é ruim, pois o prazer vai contra o Curso. Em uma frase, eles se esquecem de serem normais. Jesus não está dizendo que você deveria renunciar ao mundo. Ele diz simplesmente que, com o tempo, o mundo e seus oferecimentos se tornarão cada vez menos importantes para você. Você não desiste de coisa alguma, pois o mundo de dor e prazer desliza para longe por si mesmo, conforme você desiste do seu ego. Você pode se recordar da exortação de Jesus: Abre mão do mundo! Mas não para o sacrifício. Tu nunca o quiseste. Que felicidade buscaste aqui que não tenha te trazido dor? Que momento de contentamento não foi comprado ao preço amedrontador de moedas de sofrimento? A alegria não tem nenhum custo. Ela é o teu direito sagrado, e aquilo que tu pagas não é felicidade. Adianta-te no teu caminho através da honestidade, e não permitas que as tuas experiências aqui enganem em retrospectiva. Elas não estavam livres do amargo custo e de conseqüências sem alegria (T-30.V.9:4-12). Mas aqueles que acreditam no corpo o suficiente para desprezá-lo, pagarão um preço terrível: (4:3) E sofreram uma sensação de perda e conseqüentemente não se liberaram. Isso está relacionado ao comentário de Jesus no texto: “Eu não chamo mártires, mas professores” (T-6.I.16:3). Mártires se sacrificam, e o martírio final é sacrificar a própria vida. Em uma refutação da teologia do martírio, Jesus expõe a causa raiz de sacrificar a própria vida por uma causa maior: meu sofrimento inocente, mesmo até a morte, prova que você – o vitimador – é um pecador condenado, que merece ser punido por Deus, de Cujas mãos vingativas eu escapei: A necessidade de que o mundo escape da condenação é uma necessidade que aqueles que aqui habitam estão unidos para compartilhar. No entanto, eles não reconhecem a sua necessidade comum. Pois cada um pensa que se fizer a sua parte, a condenação do mundo cairá sobre ele. E é isso que percebe como se fosse 62


a sua parte na libertação do mundo. A vingança tem que ter um foco. De outro modo, a faca do vingador ficará em sua própria mão e apontada para ele mesmo. E ele precisa vê-la na mão de um outro para poder ser a vítima de um ataque que não escolheu. E assim sofre com os ferimentos feitos por uma faca que um outro segura, mas não ele mesmo (T-27.VII.4:2-9). Devemos voltar repetidamente a esse tema de ódio projetado – o cerne do sistema de um ou outro do ego. Esse é nada menos do que o propósito do mundo: estou disposto a sofrer agora para que outros sofram durante toda a eternidade. Assim, escapo da minha culpa, e alguém mais paga o preço pelo meu pecado. Agora, a segunda alternativa do ego: libertinagem, ou a perseguição do prazer: (4:4) Outros não escolheram nada além do mundo e sofreram com um sentimento de perda ainda mais profundo, que não entenderam. O “sentimento de perda ainda mais profundo, que não entenderam” acontece quando eles jogam fora o Amor de Deus. Eles olharam para o amor, salvação e felicidade no mundo sem perceber que por se focalizarem no mundo e no corpo, criaram barricadas em si mesmos contra a única presença de amor, salvação e felicidade que existe: a Presença do Espírito Santo em suas mentes. Esse agudo comentário do texto afirma esse ponto: Sempre que tentas alcançar uma meta segundo a qual a melhoria do corpo é colocada como a meta principal, estás tentando trazer para ti a tua própria morte. Pois acreditas que podes sofrer devido à falta, e falta é morte. Fazer sacrifícios é desistir e assim ficar sem, tendo sofrido a perda. E por essa desistência abre-se mão da vida. Não busques fora de ti mesmo. A busca implica em não seres íntegro por dentro e tens medo de olhar para a tua própria devastação, preferindo buscar o que és fora de ti mesmo (T-29.VII.4). Jesus agora apresenta seu caminho, a terceira alternativa: (5:1-2) Entre esses dois rumos há ainda uma outra estrada que conduz para longe de qualquer tipo de perda, pois tanto o sacrifício quanto a privação são rapidamente deixados para trás. Esse é o caminho designado para ti agora. Nesse caminho, você considera o corpo como neutro – uma sala de aula -, não um objeto de prazer ou dor. O propósito que você dá ao corpo e ao mundo é o que dá significado a eles, pois em e por si mesmos eles não têm nenhum. A orientação gentil de Jesus muda nosso propósito do nada para o tudo, do desespero para a alegria, do fracasso para o sucesso: Vamos esquecer o propósito que foi dado ao mundo pelo passado. Pois de outra forma, o futuro será como o passado, não mais do que uma série de sonhos deprimentes nos quais todos os ídolos falham a ti, um por um, e tu vês a morte e o desapontamento em toda a parte. Para mudar tudo isso e abrir uma estrada de esperança e de liberação dentro daquilo que aparentava ser um círculo sem fim de desespero, tu apenas necessitas decidir que não sabes qual é o propósito do mundo (T-29.VII.7:1-8:1). Isso se refere à pequena disponibilidade de admitir alegremente que estávamos errados e Jesus certo, e abre a porta através da qual trilhamos com ele o gentil e quieto caminho: (5:3) Andas por esse caminho como os outros e também não pareces ser distinto deles, embora de fato o sejas. 63


Essa provavelmente é a característica mais importante dos professores avançados de Deus. Eles se parecem com todos os outros ao se vestirem, falarem, em preferências alimentares, e nem agem de forma diferente. A diferença é que eles não estão por conta própria, pois tudo o que parecem estar fazendo, sentindo e pensando flui de seu relacionamento com o Espírito Santo. Não há necessidade de pedir atenção especial para eles, pois o amor além de todo especialismo não apenas está dentro deles; é eles mesmos. Assim, eles “sorriem mais freqüentemente”. (5:4) Assim podes servi-los enquanto serves a ti mesmo e podes guiar os seus passos no caminho que Deus abriu para ti e para eles através de ti. Essa, então, é nossa função como um ministro ou professor de Deus. No entanto, o ensinamento que damos, o caminho para o qual apontamos, não tem nada a ver com palavras ou comportamento, pois apenas reflete o amor que emana de quem somos interiormente. Refletindo esse amor para os outros, reforçamos sua presença em nós mesmos – o plano de Jesus para salvar a Filiação de si mesma, para o seu Ser: Deus não tem muitos filhos, apenas um... É por ele que o Espírito Santo fala e te diz que ídolos não têm propósito algum aqui... Se o Céu está dentro de ti, por que irias buscar ídolos que fariam do Céu menos do que ele é, para dar-te mais do que Deus deu ao teu irmão e a ti, que és um com Ele? Deus te deu tudo o que existe. E para estar certo de que não o perderias, Ele deu também o mesmo a cada coisa viva. E assim cada coisa viva é uma parte de ti, assim como Dele (T-29.VIII.9:1,4,6-9). (6:1-2) A ilusão ainda parece se apegar a ti, para que possas alcançá-los. Mas ela recuou. Professores avançados de Deus estão totalmente presentes para os outros, no entanto, mais uma vez, eles se parecem com todos os outros. Eles estão na ilusão, mas ela não tem poder sobre eles: “Mas ela recuou”. Professores avançados, portanto, escolheram Jesus como seu modelo, não o ego, e se tornaram o símbolo da verdade e o guia para atingi-la. Para modificar levemente uma adorável linha posterior, no livro de exercícios: Ele é o Fim que buscamos, e o meio pelos quais vamos até Ele (LE-pII.302.2.2:3). Pelo fato de sabermos que Jesus está conosco, os ídolos do mundo não contêm apelo para nós. Agora podemos nos parecer com eles, pois eles não são mais nossos, e, portanto, trilhamos com Jesus e com nossos irmãos o caminho que leva através do especialismo até o amor. (6:3) E não é de ilusões que eles te ouvem falar e nem é ilusão o que trazes para que os seus olhos contemplem e suas mentes apreendam. Ainda que outros possam ver você como parte do mundo ilusório, eles apesar disso sentem algo mais em você: um amor e paz que eles sabem que não é daqui. Ainda que eles identifiquem esse amor com você, seu apelo gentil vai elevá-los além da forma para o conteúdo universal da mente. Sua presença benigna e amorosa os lembra de que assim como você fez a escolha certa, eles também podem fazê-la. (6:4) A verdade, que anda na tua frente, tampouco pode lhes falar através de ilusões, pois agora a estrada conduz para o que está depois das ilusões e, ao longo do caminho, tu os chamas para que possam seguir-te. 64


Dentro do tempo ilusório, professores avançados estão à frente dos outros, pois eles se tornam reflexos de uma verdade que não fala diretamente, e isso permite que os outros a experienciem em uma forma com a qual possam se relacionar, aceitar e entender. Jesus é explícito sobre o fato de a verdade não ser conhecida aqui, pois Deus não tem nada a ver com um mundo inexistente. Apenas o reflexo da verdade é manifesto no mundo, através dos professores de Deus, como essa passagem explica: Deus pode, de fato, ser atingido diretamente, pois não há distancia entre Ele e Seu Filho. A consciência de Deus está na memória de todos e o Seu Verbo está escrito no coração de todos. No entanto, essa conscientização e essa memória só podem atravessar os umbrais do reconhecimento quando todas as barreiras contra a verdade forem removidas. Em quantos é esse o caso? Aqui está, então, o papel dos professores de Deus... Às vezes, um professor de Deus pode ter uma breve experiência de união direta com Deus. Nesse mundo, é quase impossível que isso dure... Se Deus fosse alcançado de forma direta em conscientização prolongada, o corpo não mais se manteria por muito tempo. Aqueles que abriram mão do corpo meramente para estender sua ajuda aos que estavam atrás, de fato, são poucos. E eles precisam de ajudantes que ainda estão no cativeiro e que ainda estão adormecidos, de modo que através do seu despertar, a Voz de Deus possa ser ouvida (MP-26.1:1-5; 3:1-2,8-10). Conforme ajudamos outros, ajudamos a nós mesmos; conforme ajudamos a nós mesmos, ajudamos os outros - a mente do Filho de Deus é uma. (7:1) No final, todas as estradas conduzem a essa. Essa estrada do perdão leva além do sistema de pensamento de separação, especialismo e morte do ego para a verdade que está logo além. Em algum ponto, nós erguemos nossas mãos em desespero e dizemos: “Tem que existir um caminho melhor” (T-2.III.3:6). (7:2-3) Pois o sacrifício e a privação são rotas que não levam a lugar nenhum, escolhas de derrota e objetivos que permanecerão impossíveis. Tudo isso recua quando a verdade vem à tona em ti, para conduzires os teus irmãos para longe dos caminhos da morte, colocando-os no caminho da felicidade. Para repetir, Jesus não está falando sobre comportamento, mas sobre uma mudança na mente, trazida pelo reconhecimento de que a orientação do ego não leva a lugar algum. Essas pobres escolhas “recuam” no sentido de que nos movemos além delas, tendo percebido a verdade sobre as ilusões e libertando-nos para fazermos a escolha pela verdade – interesses compartilhados, nos quais ninguém perde, mas todos ganham. Uma escolha real não é ilusão. Mas o mundo não tem nenhuma a oferecer. Todas as suas estradas só levam ao desapontamento, ao nada e à morte. Não existe nenhuma escolha entre as suas alternativas... Não sejas enganado por todos os nomes diferentes que são dados às estradas. Elas só têm um fim... pois não existe nenhuma escolha entre elas. Todas conduzirão à morte... O aprendizado de que o mundo só pode oferecer uma escolha, não importa qual seja a sua forma, é o início da aceitação de que existe, em vez disso, uma alternativa real... Esse curso não tenta ensinar mais do que o fato de que o poder de decisão não pode estar na escolha de diferentes formas daquilo que ainda é a mesma ilusão e o mesmo equívoco. Todas as escolhas no mundo dependem disso: tu escolhes entre tu e o teu irmão e ganharás tanto quanto ele perderá, e o que perdes é o que é dado a ele. Como isso é totalmente oposto à verdade, quando todo 65


o propósito da lição é ensinar que o que o teu irmão perde tu perdeste e o que ele ganha é o que é dado a ti (T-31.IV.2:1-4,7-8,10-11; 6:1; 8:3-5). (7:4-5) O seu sofrimento não passa de ilusão. Todavia, precisam de um guia para conduzi-los para fora disso, pois tomam a ilusão equivocadamente pela verdade. Esses professores que estão mais em contato com o Espírito Santo que os outros se tornam Seus porta-vozes para o mundo. Mais uma vez, no entanto, eles não acentuam sua diferença em relação a ninguém mais, mas sua similaridade, no sentido de que a escolha que fazem está aberta a todos. Em vez dessas pessoas relativamente livres de ego se tornarem objetos de especialismo espiritual, elas se tornam o meio para o seu fim. Assim, Jesus é enfático no início do texto sobre sua inerente igualdade conosco, apesar das óbvias diferenças que existem no tempo: Iguais não devem se reverenciar um ao outro, pois a reverência implica desigualdade. É, portanto, uma reação inadequada a mim. Um irmão mais velho tem direito ao respeito por sua maior experiência e à obediência por sua maior sabedoria. Ele também tem direito ao amor, porque é um irmão e à devoção, se é devotado. É somente a minha devoção que me dá direito à tua. Não há nada em mim que tu não possas atingir. Eu nada tenho que não venha de Deus. A diferença em mim agora é que eu não tenho nada mais. Isso me deixa em um estado que em ti é apenas potencial (T-1.II.3:5-13). (8:1-4) Tal é o chamado da salvação e nada mais. Pede que aceites a verdade, e deixes que ela vá diante de ti, iluminando a rota do resgate da ilusão. Não é um resgate que tenha preço. Não há nenhum custo, apenas ganho. Essa lição veio dentro da época da Páscoa, embora depois do domingo de Páscoa, e se refere à crença cristã tradicional de que Jesus deu sua vida para nossa redenção (e.g., Mateus 20:28; Marcos 10:45). O ego diz que se você quiser ser salvo, tem que desistir ou se redimir de algo; algum sacrifício ou pagamento a Deus. Na verdade, tudo o que é “sacrificado” é um sistema de pensamento que nunca o tornou feliz, nunca funcionou, e nunca nem mesmo existiu. O chamado da salvação é apenas para aceitarmos a verdade e liberarmos as ilusões. Não pode haver preço para a salvação, pois ela desfaz o que nunca foi, e como pode haver um custo para a alegria que a salvação das ilusões traz, e que é nossa? A alegria não tem custo. Ela é teu direito sagrado, e aquilo pelo que pagas não é a felicidade (T-30.V.9:9-10). Jesus faz a mesma afirmação ao se dirigir aos psicoterapeutas sobre a questão do pagamento: O direito de viver é algo pelo qual ninguém precisa lutar. Isso lhe é prometido e garantido por Deus. Portanto, é um direito que tanto o terapeuta quanto o paciente compartilham igualmente. Se o seu relacionamento vai ser santo, tudo o que um necessite é dado pelo outro; seja o que for que falte a um, o outro supre... Não há nenhum custo para ambos. Mas agradecimentos são devidos a ambos pela liberação de um longo aprisionamento e de uma longa dúvida. Quem não seria grato por uma dádiva como essa? Todavia, quem poderia jamais imaginar que ela pudesse ser comprada? (P-3.III.4:1-4,7-10). (8:5-7) A ilusão só pode parecer manter o Filho santo de Deus acorrentado. Ele é salvo apenas de ilusões. Quando elas recuam, ele se encontra novamente. 66


É apenas o sonho do ego que prende, pois não existe nada aqui com poder de nos acorrentar. Não somos mantidos em cativeiro pelos nossos corpos – ele não sendo nem o problema nem a resposta -, pois eles servem ao propósito do ego ou do Espírito Santo, e estamos aprisionados apenas pelo fato da mente ter escolhido o professor errado. Somos salvos meramente da ilusão de que o professor que escolhemos é o correto. Assim, não somos salvos do pecado, mas da nossa crença no pecado. Conforme as ilusões recuam – o que significa que o tomador de decisões se afastou do ego e se voltou para o Espírito Santo -, nós descobrimos quem somos. Isso não pode acontecer através de qualquer coisa que façamos no mundo, e é o significado da passagem familiar de “Auto-conceito versus Ser” – quando damos um passo para longe dos nossos autoconceitos ilusórios, a verdade nos encontra, o que é realmente mais próximo da verdade do que dizer que nós encontramos a nós mesmos: Ali, onde os auto-conceitos foram postos de lado, a verdade é revelada exatamente como é. Quando todos os conceitos tiverem sido erguidos à dúvida e ao questionamento e quando tiverem sido reconhecidos como tendo sido feitos com base em hipóteses que não podem fazer face à luz, então, a verdade está livre para entrar no seu santuário, limpa e livre de culpa. Não há declaração que o mundo tenha mais medo de ouvir do que essa: Eu não sei o que sou e, portanto, não sei o que estou fazendo, onde estou ou como olhar para o mundo ou para mim mesmo. Entretanto, é aprendendo isso que nasce a salvação. E O Que tu és te falará de Si Mesmo (IT-31.V.17:4-9). (9:1-2) Caminha com segurança, agora, mas com cuidado, pois essa rota é nova para ti. E poderás achar que ainda és tentado a andar na frente da verdade e a deixar as ilusões serem o teu guia. Jesus está nos dizendo que não estamos caminhando seguramente quando caminhamos com o ego, porque nós então caminhamos com culpa. Uma vez que a culpa exige punição, nos sentimos vulneráveis e suscetíveis à destruição instantânea a qualquer momento. Nossa única segurança real, portanto, é mudarmos os sistemas de pensamento para que possamos caminhar alegremente em inocência. Lembre-se dessa reconfortante passagem: Caminha em glória com a cabeça erguida e não temas mal algum. Os inocentes estão a salvo porque compartilham sua própria inocência. Nada do que vêem é danoso, pois a sua consciência da verdade libera todas as coisas da ilusão do dano. E o que parecia causar dano, agora está brilhando em inocência, liberado do pecado e do medo e alegremente devolvido ao amor (T-23.in.3:1-4). A idéia de que esse caminho é novo para nós é importante, e eu gostaria de discuti-la brevemente aqui. Em acréscimo ao que encontramos no livro de exercícios, existem muitos trechos nos quais Jesus nos diz que o quanto somos novos em relação a tudo isso: por exemplo: “Tu és muito novo nos caminhos da salvação” (T-17.V.9:1). Nós somos como crianças. De fato, existem trechos no Um Curso em Milagres nos quais Jesus se refere a nós como bebês ou crianças pequenas que não podem nem mesmo entender a linguagem falada ao seu redor, como nessa passagem, cujo contexto é o relacionamento santo – o caminho que é novo para nós: 67


De todas as mensagens que recebeste e falhaste em compreender, só esse curso está aberto à tua compreensão e pode ser compreendido. Essa é a tua linguagem. Ainda não a compreendes apenas porque toda a tua comunicação é como a de um bebê. Os sons que um bebê faz e o que ele ouve são altamente inconfiáveis, significam coisas diferentes para ele em momentos diferentes. Nem os sons que ele ouve e nem o que ele vê são ainda estáveis... Entretanto, um relacionamento santo, renascido há tão pouco tempo e de um relacionamento não-santo e, apesar disso, mais antigo do que a velha ilusão que substituiu, é agora como um bebê em seu renascimento. Ainda assim, nesse infante a tua visão é devolvida a ti e ele falará a linguagem que podes compreender (T-22.I.6:1-5; 7:2-3). Jesus nos diz que não deveríamos pensar, em nossa arrogância, que já dominamos o conteúdo do Um Curso em Milagres tão no início do nosso estudo e prática. A tentação de voltarmos ao sistema de pensamento do ego é muito forte. Perto do final de “O que é a morte?”, no manual, vem essa linha importante: Professor de Deus, tua única atribuição poderia ser colocada assim: não aceites nenhuma transigência na qual a morte desempenhe um papel (MP-27.7:1). É instrutivo para os nossos propósitos, reformular essa frase para: “Não aceite nenhum transigência na qual a dualidade desempenhe um papel”. O significado é o mesmo. A morte é o produto final do sistema de pensamento de dualidade, que diz que eu existo e existe Deus, e eu co-existo com Ele como uma entidade separada e independente. Podemos pensar sobre essa tentativa de transigência dualista quando lemos: “E poderás achar que ainda és tentado a andar na frente da verdade e a deixar as ilusões serem o teu guia”. Conforme você começa a progredir no caminho e ter uma suspeita sobre o que o Um Curso em Milagres está ensinando, seu ego vai ficar aterrorizado. A parte de você que se identificou com o especialismo não quer liberá-lo. O pensamento permanece: “Se eu continuar nesse caminho, vou desaparecer”. Portanto, o ego pula para frente e oferece uma transigência: “O Curso não quer dizer realmente isso dessa forma. Sim, o corpo é uma ilusão, mas... Sim, o mundo é uma ilusão, mas...”. É nesse ponto que você começa a tornar o corpo dualista real, e começa a pensar, por exemplo, que perdão significa perdoar alguém mais, e que um relacionamento santo existe entre duas pessoas separadas – o oposto do que Jesus ensina em seu curso. Com certeza, muitos caminhos fazem isso, mas não o dele, que se focaliza apenas na mente dos seus estudantes. Lembre-se da linha importante: “Esse é um curso em causa [mente], e não em efeito [comportamento]” (T-27.VII.7:8). Esse, então, é um bom exemplo da tentação à qual Jesus se refere – tornar a dualidade realidade. O ego iria tentar “ter seu bolo e comê-lo também”, convencendo-o de que você tem permanecido fiel a Jesus e a seus ensinamentos, mas tudo o que você realmente fez foi trazer a verdade do Um Curso em Milagres à ilusão do seu sistema de pensamento. Em vez de dar um passo atrás em relação à ilusão – a salvação do corpo e o mundo são reais -, você integra a verdade à ilusão, o que significa que a verdade deixa de ser a verdade. De forma interessante, no parágrafo do manual ao qual me referi acima (MP-27.7), Jesus se dirige à mesma questão que está discutindo aqui: colocar ilusões à frente da verdade. No texto, encontramos a seguinte passagem, expressando o erro de trazer a verdade à ilusão, junto com suas trágicas conseqüências de aprofundar nossa crença na realidade dos sonhos: Tu, que tens gasto a tua vida trazendo a verdade à ilusões, realidade à fantasias, tens andado pelo caminho dos sonhos. Pois passaste do despertar ao sono e penetraste cada vez mais em um sono ainda mais profundo. Cada sonho levou a outros sonhos e cada fantasia que parecia trazer uma luz à escuridão só fez com que as trevas fossem mais profundas (T-18.III.1:1-3). 68


(9:3-4) Os teus irmãos santos te foram dados para seguir-te em teus passos, à medida que caminhas com certeza de propósito até a verdade. Ela vai diante de ti agora para que possam ver algo com que possam identificar-se, algo que compreendam para conduzilos no caminho. Mais uma vez – através do ensino a outros, nós mesmos aprendemos. Esse é o “plano” do Espírito Santo para nossa salvação e a salvação do mundo – o perdão do Filho de Deus: Aqueles que não têm pecado dão conforme receberam. Vê, então, o poder da impecabilidade dentro do teu irmão e compartilha com ele o poder da liberação do pecado que ofereceste a ele. A cada um que caminha sobre essa terra em aparente solidão é dado um salvador, cuja função especial aqui é liberá-lo e, assim, libertar a si mesmo... E cada um acha seu salvador quando está pronto para olhar para a face de Cristo e vê-Lo sem pecado (T-20.IV.5:1-3,6). Portanto, você não ensina aos outros que eles são corpos, nem que você vai levá-los a negarem seus corpos. Em vez disso, através do amor e da paz que você demonstra, os ajuda a entender que a verdade está dentro da mente, não fora dela. Portanto, você quer estar ainda mais vigilante para não trazer a verdade à ilusão. Se você fizer transigências com a metafísica do Curso, vai perder o tesouro do verdadeiro perdão que ele lhe oferece, como Jesus afirma: (10:1) Entretanto, no final da jornada não haverá nenhuma brecha, nenhuma distância entre a verdade e ti. Conforme a jornada prossegue, existe uma brecha. Você tem um senso de caminhar em direção a algo – até mesmo um professor avançado de Deus ainda está consciente de ser separado -, a meta final de perceber que não existe nada além da Unicidade de Deus e de Cristo. No próprio final, no entanto, no mundo real, você está ciente de que está parado com todos os outros fora do sonho da separação. Não importando o que as pessoas acreditem acontecer dentro do sonho, você sabe que a sua realidade é a unicidade que permanece fora dele. No entanto, o “fim da jornada” ainda está longe de nós, sua grandeza da unidade do amor apenas vagamente refletida em nossos passos iniciais em direção à verdade. Ainda assim, o quanto a jornada se torna adorável conforme prosseguimos! E, do ponto de partida, não seria possível predizer toda a magnificência, a grandeza do cenário e a enorme perspectiva que se abre nas paisagens que surgem para saudar aquele que segue por esse caminho. E, no entanto, mesmo estas, cujo esplendor atinge alturas indescritíveis à medida que se prossegue, estão muito aquém de tudo o que nos espera quando o atalho termina e com ele o tempo chega ao fim (MP-19.2:6-7). (10:2) E todas as ilusões que andavam no caminho por onde viajavas também se afastarão de ti e não sobrará nada para manter a verdade à parte da completeza de Deus, tão santa quanto Ele. Outro tema principal: a completeza de Deus e de Seu Filho. Portanto, Jesus afirma no texto – metaforicamente falando – que Deus é incompleto sem nós: O significado de Deus é incompleto sem ti, e tu és incompleto sem as tuas criações (T-9.VI.7:7). ... tua completeza é a completeza de Deus, Cuja única necessidade é que tu sejas completo. Pois a tua completeza faz com que sejas Dele na tua consciência. E é aqui que vivencias a ti mesmo como foste criado e como és (T-15.VII.14:8-10). 69


Dentro do sonho, nós acreditamos que somos separados de Deus, e então, agora, parte de Deus parece estar faltando, dessa forma tornando-O incompleto. Ao praticarmos o perdão, no entanto, as ilusões de separação caem de lado até que nada resta além do nosso Ser, a completeza de Deus. (10:3-6) Recua com fé e deixa a verdade te mostrar o caminho. Não sabes aonde vais. Mas Aquele Que sabe vai contigo. Deixa-O conduzir-te junto com os outros. O Espírito Santo nos leva através do mundo – que agora se tornou uma sala de aula – para a realidade que está logo além. Nossa tarefa é levarmos nossas ilusões à Sua verdade, não o contrário - o que iria tornar a Ele, a salvação e a verdade partes desse mundo. Nós somos parte de Deus como Ele é no Céu; Deus não é parte de nós nesse mundo de corpos. (11:1) Quando os sonhos chegarem ao fim, o tempo tiver fechado a porta sobre todas as coisas que passam e os milagres tiverem deixado de ter um propósito, o Filho santo de Deus não fará mais jornadas. No texto, Jesus fala sobre a jornada que ela é “sem distância, para uma meta que nunca mudou” (T-8.VI.9:7). No final da jornada, reconhecemos que não houve jornada. O que nunca foi apenas desaparece de volta na nulidade. Nossa jornada através do tempo, portanto: ... parece se mover em uma direção, mas quando atinges o seu fim, ele se enrolará como um longo tapete estendido sobre o passado atrás de ti e desaparecerá... O Espírito Santo está no fim dos tempos, onde tu não podes deixar de estar porque Ele está contigo. Ele já desfez tudo o que era indigno do Filho de Deus, pois tal foi a Sua missão dada por Deus. E o que Deus dá nunca deixou de ser (T-13.I.3:5; 4:4-6). (11:2-4) Não haverá nenhum desejo de ser uma ilusão ao invés da verdade. E estamos nos encaminhando para isso à medida que progredimos ao longo do caminho que a verdade nos indica. Essa é a nossa jornada final, que fazemos por todos. Nós a fazemos por todos porque nós somos todos. Ao progredirmos no sonho de entidades fragmentadas, nos tornamos um facho de luz que brilha para todos, assegurando que a mesma escolha que fizemos pelos interesses compartilhados, outros também podem fazer. Portanto, nossa jornada que começou separadamente, termina com o reconhecimento da completeza do Filho; conforme viajamos para casa juntos, a luz da nossa união substitui a escuridão da nossa separatividade: Há uma luz que esse mundo não pode dar. Entretanto, tu podes dá-la, assim como te foi dada. E na medida em que a dás, ela resplandece chamando-te para sair do mundo e segui-la. Pois essa luz vai te atrair como nada nesse mundo pode fazê-lo. e deixarás de lado o mundo e acharás outro. Esse outro mundo resplandece com o amor que tu lhe tens dado. E aqui todas as coisas irão lembrar-te do teu Pai e do Seu Filho santo. A luz é ilimitada e se espalha através deste mundo em serena alegria. Todos aqueles que trouxeste contigo resplandecerão sobre ti e tu resplandecerás sobre eles em gratidão porque te trouxeram aqui. A tua luz reunirse-á à deles em um poder tão convincente que atrairá outros para que saiam das trevas à medida em que tu os olhares (T-13.VI.11). (11:5-6) É necessário que não percamos o nosso caminho. Pois, assim como a verdade vai diante de nós, ela também vai na frente de nossos irmãos que nos seguirão. 70


Jesus mais uma vez mostra a você o quanto é tentador para você perder o seu caminho, o que significa fazer transigências com a verdade. É por isso que dizemos: “Não aceite nenhuma transigência na qual a dualidade desempenhe uma parte”. Não negue suas experiências dualistas, mas não as transforme em algo que não são. Reconheça que você é conduzido ao longo de um caminho específico que o leva através das experiências diárias da sua vida. O objeto final, no entanto, é ir além delas, para a verdade. (12:1-3) Caminhamos para Deus. Faze uma pausa e reflete sobre isso. Poderia outro caminho ser mais santo ou mais digno do teu esforço, do teu amor e de toda a tua intenção? Jesus pede que você considere por que iria devotar-se a um caminho que não vai levá-lo para casa, nem para a verdadeira felicidade. Ele não está exigindo que você o siga, mas apenas frisando que você não vai ser feliz se não o fizer. Você, portanto, precisa estar vigilante para com que freqüência diz: “Eu não quero caminhar com Deus, mas quero que Deus caminhe comigo em minha estrada. Eu quero que o Um Curso em Milagres me apóie para viver de modo mais feliz aqui, no sonho”. Na extensão em que você iludir a si mesmo, vai acreditar que esse curso realmente o está ajudando a atingir seu objetivo. Você vai inevitavelmente ler as passagens de forma errada, pegando-as fora de contexto para que digam exatamente o que você quer que elas digam. Lembre-se, sua mente certa quer caminhar com o Um Curso em Milagres; a mente errada quer que ele caminhe com você. (12:4-7) Que caminho poderia te dar mais do que tudo ou oferecer menos e ainda contentar o Filho santo de Deus? Caminhamos para Deus. A verdade que caminha diante de nós agora é uma com Ele e nos conduz para onde Ele sempre esteve. Que caminho senão esse poderia ser uma rota que tu escolherias? A verdade não nos leva para onde nós sempre estivemos, mas para onde Deus sempre esteve, e nosso verdadeiro Ser com Ele. Mais uma vez, Jesus apela a nós para fazermos a única escolha que vai nos tornar felizes. (13:1-2) Os teus pés estão plantados com segurança na estrada que conduz o mundo a Deus. Não procures caminhos que pareçam conduzir-te a outro lugar. Nós todos temos que decidir por nós mesmos como escolhemos caminhos que levam a outro lugar além do Céu. A maioria dos estudantes do Um Curso em Milagres não pensaria que está fazendo isso; mas o truque mais sutil do ego é ter idéias espirituais que tornam o mundo real e então, de forma sedutora, nos fazer acreditar que estamos dizendo as palavras certas que nos levarão para casa. No entanto, não estaremos nos voltando para Deus, mas indo ainda mais profundamente dentro do mundo de especialismo do ego. Tente ver como você pode estar sutilmente escolhendo caminhos que vão levá-lo a lugar nenhum, lembrando que nada em um mundo dualista, incluindo “mensagens” do Espírito Santo, é real. Na melhor das hipóteses, o mundo pode refletir a verdade, e é só a verdade que nós, em última instância, queremos. Os ídolos do especialismo são os grandes ilusionistas, e então, Jesus nos previne: Não deixes que a forma dos ídolos te engane. Eles são apenas substitutos para a tua realidade. De algum modo, tu acreditas que completarão o teu pequeno ser, dando-te segurança em um mundo percebido como perigoso, com forças concentradas contra a tua confiança e a paz da tua mente. Eles têm o poder de suprir o que te falta e acrescentar o valor que tu não tens. Ninguém acredita em ídolos sem se ter escravizado à pequenez e à perda. E assim, precisa buscar a força além de seu pequeno ser para levantar a cabeça e se colocar à parte de toda a miséria que o mundo reflete. Essa é a penalidade por não olhares para dentro em 71


busca da certeza e da calma serena que te libera do mundo, e permite que tu te coloques à parte, em quietude e em paz (T-29.VIII.2). Jesus repetidamente implora a nós para mantermos nossos pés firmes em seu gentil caminho do perdão, pois essa é a única forma de transcendermos nosso pequeno ser e, através da calma quietude, nos lembrarmos do glorioso Ser que Deus criou como Seu único Filho, nossa verdadeira Identidade. (13:3-7) Sonhos não são guias dignos de ti, que és o Filho de Deus. Não esqueças que Ele colocou a Sua Mão na tua e te deu os teus irmãos em Confiança, pois tu és digno da Sua Confiança em ti. Ele não pode ser enganado. A Sua Confiança fez com que a rota pela qual caminhas seja certa e a tua mete segura. Não falharás para com os teus irmãos nem para com o teu Ser. Como Jesus nos diz no texto – duas vezes, de fato: “O resultado é tão certo quanto Deus” (T-2.III.3:10); T-4.II.5:8). O problema é que nós não acreditamos nele, que é o motivo pelo qual ele nunca cansa de nos confortar. Lembre-se dessas lindas linhas que iniciam o Epílogo do esclarecimento de termos: Não te esqueças de que uma vez iniciada essa jornada, o fim é certo. A dúvida ao longo do caminho vai e vem, e vai para vir de novo. No entanto, o fim é certo. Ninguém pode deixar de fazer o que Deus lhe indicou que fizesse. Quando esqueceres, lembra-te de que caminhas com Ele e com o Seu Verbo no teu coração. Quem poderia se desesperar quando tem uma Esperança como essa? Ilusões de desespero podem parecer vir mas aprende como não te deixares enganar por elas. Atrás de cada uma delas está a realidade e está Deus. Por que esperarias por isso e o trocarias por ilusões, quando o Seu Amor está há apenas um instante a mais na estrada onde todas as ilusões chegam ao fim? O fim é certo e garantido por Deus (ET-ep.1:1-10). (14) E agora Ele pede apenas que penses Nele por um momento a cada dia, para que Ele possa te falar e te contar do Seu Amor, lembrando-te quão grande é a Sua Confiança em ti, quão ilimitado o Seu Amor. Em teu nome e no Seu, que são o mesmo, nós praticamos com contentamento esse pensamento no dia de hoje: Recuarei e permitirei que Ele me mostre o caminho, pois quero caminhar ao longo da estrada que conduz a Ele. A forma de praticar isso durante o dia todo é estar ciente do quanto você não quer fazê-lo, do quanto quer trazer Deus ao seu nível para que Ele trilhe o seu caminho, em vez de você trilhar o Dele. Trilhar o caminho do Um Curso em Milagres, mais uma vez, significa simplesmente estar vigilante pelo quanto você tenta tornar o mundo dualista de pecado e especialismo real. Praticando tal vigilância, você “recuará e permitirá que Ele lhe mostre o caminho”. E o Amor de Deus está a apenas um passo de distância na estrada certa que leva até Ele. LIÇÃO 156 Caminho com Deus em perfeita santidade.

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Essa é uma lição maravilhosa, lembrando-nos de que temos uma mente certa. Muitas lições não se focalizam em nossa vigilância contra o ego, mas, em vez disso – como essa e a próxima – em Quem somos como o Filho de Deus. Essas lições inspiradoras, portanto, nos ajudam a lembrar da verdade dentro de nós, e com Quem caminhamos em direção a ela. (1:1-2) A idéia de hoje apenas declara a simples verdade e faz com que seja impossível o pensamento do pecado. Promete que não há causa para a culpa e, sendo sem causa, ela não existe. Se eu “caminho com Deus em perfeita santidade”, não sou separado Dele e, portanto, não pode haver pecado. O pecado faz surgir a culpa, que é a causa do medo que leva à feitura do mundo como uma defesa. Toda essa insanidade pode desaparecer em um instante – um tema central no Um Curso em Milagres e a causa do perdão: se um pensamento não tem efeitos, não pode ser uma causa. Se ele não é uma causa, não pode existir. A única forma do pecado da separação ser real é se ele tiver efeitos. Portanto, estar com Deus significa que não existe separação e o pecado não tem efeitos. Portanto, ele não existe, e o Filho de Deus é para sempre inocente – nenhum pecado, nenhuma culpa. Ensinar isso é o papel do milagre, como a seguinte passagem explica: Aquilo que tu te lembras nunca foi. Veio da ausência de causalidade, que confundiste com uma causa. Quando aprendes que te lembraste de conseqüências que não tiveram causa e jamais poderiam ter efeitos não podes deixar de rir. O milagre te recorda uma Causa para sempre presente, perfeitamente intocada pelo tempo e por qualquer interferência. Essa causa jamais foi alterada em relação ao que Ela é. E tu és o Seu efeito, tão imutável e perfeito quanto Ela (T-28.I.9:1-6). Eu, o Efeito de Deus, nunca O deixei - a Causa que é a minha Fonte. Essa expressão do princípio da Expiação nos leva às próximas sentenças: (1:3-5) Ela decorre com segurança do pensamento básico tão freqüentemente mencionado no livro texto: idéias não deixam a sua fonte. Se isso é verdadeiro, como podes estar à parte de Deus? Como poderias caminhar pelo mundo sozinho e separado de tua Fonte? Nós já estudamos esse princípio muitas vezes. Se idéias não deixam sua fonte, e eu sou uma idéia na Mente de Deus, eu nunca deixei minha Fonte, o que significa que tudo o que o ego tem ensinado está errado. No entanto, Jesus me ensina a verdade, declarada de forma similar no texto: Causa e efeito não são duas coisas separadas, mas uma só. Deus quer que aprendas o que sempre foi verdadeiro: que Ele te criou como parte Dele e isso ainda tem que ser verdadeiro porque idéias não deixam a sua fonte. Tal é a lei da criação... E acreditar que idéias são capazes de deixar a sua fonte é convidar ilusões a serem verdadeiras sem sucesso. Pois nunca será possível ter sucesso na tentativa de enganar o Filho de Deus (T-26.VII.13:1-3,5-6). No entanto, se eu realmente caminho sozinho, separado de Deus e de todos os outros, afirmo que essa lição não é a verdade e que eu caminho com o ego em perfeita não-santidade. A culpa em relação à minha separação pecaminosa prova que esse estado profano é real. (2:1) Não somos inconsistentes nos pensamentos que apresentamos em nosso currículo. 73


Aqui, assim como em muitos outros trechos, Jesus afirma que seu curso é logicamente consistente em si mesmo. A seguir, dois exemplos do texto: Sendo tão simples e direto, esse curso não tem nada em si que não seja consistente (T-20.VII.1:3). Acreditarás inteiramente nesse curso ou não acreditarás em absoluto. Pois ele é totalmente verdadeiro ou totalmente falso e não se pode acreditar apenas parcialmente (T-22.II.7:4-5). Esse é um currículo integrado, daí a importância de não deixar a metafísica muito longe de você. O mundo é literalmente uma ilusão, e observe – sem culpa – como você faz transigências com essa simples verdade. A presença amorosa de Jesus em sua mente torna essa falta de julgamento possível. (2:2-3) Para ser verdadeira, a verdade tem que ser verdadeira do início ao fim. No pode contradizer-se, nem dividir-se em partes certas e incertas. A verdade não pode ser verdadeira nessa circunstância, mas não em outras; Jesus não pode estar presente nessa situação específica, mas não em outras. Se a verdade e Jesus estão presentes, eles estão presentes o tempo todo porque estão em nossas mentes. Falando do seu curso, Jesus nos encoraja a tomarmos a decisão pela verdade e apenas pela verdade, abandonando nossa identificação anterior com a ilusão: Eu tenho declarado que os conceitos básicos a que esse curso e refere não são questões de grau. Certos conceitos fundamentais não podem ser compreendidos em termos de opostos. É impossível conceber luz e escuridão ou tudo e nada como possibilidade conjuntas. São todos verdadeiros ou todos falsos. É essencial que reconheças que o teu pensamento será errático até que um firme compromisso com um ou outro seja feito (T-3.II.1:1-5). (2:4-9) Não podes caminhar pelo mundo à parte de Deus, porque não podes ser sem Ele. Ele é o que é a tua vida. Onde estás, Ele está. Existe uma única vida. Essa vida tu compartilhas com Ele. Nada pode existir à parte Dele e viver. Uma vez que tudo no mundo está à parte de Deus, e foi feito para estar à parte Dele, nada aqui vive. É isso o que Jesus quer dizer quando fala: “Não há vida fora do Céu” (T23.II.19:1). Vamos ver isso mais desenvolvido depois, na Lição 167, “Só existe uma vida e eu a compartilho com Deus” (LE-pI.167). As idéias aqui se direcionam para essa lição, que continua com o exame do princípio idéias não deixam sua fonte – se nós não deixamos nossa Fonte, como poderíamos estar à parte Dele? Não podes escapar do que tu és. Pois Deus é misericordioso e não deixou que o Seu Filho O abandonasse. Se grato pelo que Ele é, pois nisso está o teu escape da loucura e da morte. Em lugar nenhum, a não ser onde Ele está, podes tu ser encontrado (T-31.IV.11:3-6). Um dos poemas de amor de Helen a Jesus, apropriadamente chamado de “A canção do amor”, expressa de forma tocante seu amor pelo seu Senhor. Aqui estão os versos iniciais e finais: Meu Senhor, meu Amor, minha Vida, eu vivo em ti. Não há vida à parte do que tu és. Eu respiro tuas palavras, eu descanso em teus braços. 74


Minha visão é consagrada pela tua única estrela. ................................................................................................. Esquecer a ti é esquecer a mim mesma, Por que eu vim e para onde vou. Meu Senhor, meu Amor, minha Vida, deixe-me esquecer Todas as coisas exceto a graça que tu conheces. (As Dádivas de Deus, p. 53) (3) No entanto, onde Ele está, também tem que haver santidade assim como vida. Nenhum dos Seus atributos permanece sem ser compartilhado por tudo o que vive. Tudo o que vive é santo como Ele, porque tudo o que compartilha a Sua vida é parte da Santidade e não poderia ser pecaminoso, assim como o sol não poderia escolher ser feito de gelo, o mar optar por estar à parte da água, ou a relva crescer com as raízes suspensas no ar. Jesus não está falando sobre a vida como um corpo, mas como espírito: nossa verdadeira Identidade como Cristo. Essa identidade é totalmente una com Deus, e então, tudo o que é de Deus tem que ser compartilhado com Seu Filho: Deus se estende além dos limites e além do tempo e tu que és co-criador com Ele estendes o Seu Reino para sempre e além de todos os limites... Pensar com Deus é compartilhar a Sua certeza do que tu és e criar como Ele é compartilhar o Amor perfeito que Ele compartilha contigo (T-7.I.5:4; 6:1). Com relação à última frase do parágrafo, existe agora um tipo de relva que realmente cresce com suas raízes no ar, mas o significado aqui está claro, entretanto: não podemos deixar de ser Quem somos, apesar dos nossos sonhos febris de separação. O que não é natural nunca pode acontecer; o que é irreal não pode ser; só o que é de Deus é – nosso Pai nunca poderia ser sem Seu Filho. (4:1) Há em ti uma luz que não pode morrer, cuja presença é tão santa que o mundo é santificado por tua causa. Essa luz não está em você como um ser físico/psicológico, mas na mente certa, representada pelo Espírito Santo. (4:2-4) Todas as coisas que vivem trazem dádivas a ti e as ofertam aos teus pés com gratidão e júbilo. O perfume das flores é a dádiva que te oferecem. As ondas curvam-se diante de ti, as árvore estendem seus braços para proteger-te do calor e depositam as suas folhas no chão diante de ti para que possas caminhar no macio, enquanto o vento amaina e vem a ser um sussurro em torno da tua santa cabeça. Jesus está escrevendo como um poeta; suas palavras obviamente não são destinadas a serem vistas literalmente, mas como uma linda execução metafórica do que o mundo será quando percebermos que não somos dele – um lugar de amorosa gratidão pela luz que trouxemos à Filiação que ainda acredita na escuridão. Um sentimento similar de gratidão é expresso nessa adorável passagem de “Pois Eles vieram”: Em torno de ti anjos pairam amorosamente para manter distantes todos os pensamentos escuros de pecado e manter a luz aonde ela penetrou. As marcas dos teus passos iluminam o mundo, pois onde caminhas, o perdão vai alegremente contigo. Ninguém na terra deixa de dar graças àquele que restaurou a sua casa e a 75


abrigou do inverno amargo e do frio que congela. E será que o Senhor do Céu e Seu Filho darão menos em gratidão por tanto mais? (T-26.IX.7). Incidentalmente, a passagem no livro de exercícios é uma referência específica às coisas que Jesus disse a Helen. Logo no início da transcrição, ele a comparou a uma coluna de pura luz, diante da qual até os anjos se curvavam 2. Obviamente, essa coluna de pura luz é todos nós também, pois Jesus não compartilha nossa auto-imagem dirigida pela culpa: ... Cristo é o Filho de Deus Que vive em Seu Criador e brilha com a Sua glória. Cristo é a extensão do Amor e da Beleza de Deus, tão perfeito quanto Seu Criador e em paz com Ele. Bendito é o Filho de Deus, cuja radiância é a do Seu Pai e cuja glória é sua Vontade compartilhar assim como Seu Pai a compartilha com ele... A paz esteja contigo que descansas em Deus e em quem descansa toda a Filiação (T-11.7:4-8:1,4). (5:1) A luz em ti é o que o universo almeja contemplar. Todos sofrem, e a ilusão do prazer nos defende contra a dor de acreditarmos que não pertencemos a esse lugar, e nem mesmo sabemos a que lugar pertencemos. No entanto, a luz não nos deixou, e é a centelha do nosso Verdadeiro Ser, os Grandes Raios de que o texto fala com tanta freqüência. Dentro do sonho, podemos conhecer a centelha, levando-nos além do sonho, para nossa casa, “a luz... que o universo almeja contemplar”: O poder de uma mente pode brilhar em outra, porque todas as lâmpadas de Deus foram acesas pela mesma centelha. Ela está em toda parte e é eterna. Em muitos, só a centelha permanece, porque os Grandes Raios são obscurecidos. Entretanto, Deus tem mantido viva a centelha de modo que os Raios nunca possam ser completamente esquecidos... Mas a centelha é ainda assim tão pura quanto a grande luz, pois é o chamado remanescente da criação. Deposita nela toda a tua fé e o próprio Deus te responderá (T-10.IV.7:5-8:1-2,6-7). Outros verão essa luz em você na extensão em que liberar suas ilusões, permitindo que Jesus seja seu professor e guia. Nessa extensão, a luz vai brilhar em sua mente, e todos os outros a conhecerão também, experimentando-a como um chamado que diz a eles: “Você pode fazer a mesma escolha que eu fiz”. Todos anseiam por ver essa luz, que não é física ou externa, mas o lembrete de Quem somos como Cristo, o lar dos Grandes Raios. A razão pela qual as pessoas são atraídas para o Um Curso em Milagres, não importando o que possam fazer com ele depois, é que elas sentem a presença da luz brilhando através de suas palavras. É isso o que chama as pessoas, mesmo aquelas que não a compreendem. Elas sentem uma presença que não é desse mundo, e nisso repousa sua esperança. (5:2-4) Todas as coisas vivas estão imóveis diante de ti, pois reconhecem Aquele que caminha contigo. A luz que trazes é delas. E assim, vêem em ti a sua própria santidade, saudando-te como salvador e como Deus. A frase “todas as coisas vivas”, usada esporadicamente no Um Curso em Milagres, refere-se ao que nós identificamos como coisas vivas. Cristo, realmente a única “coisa viva” não olha para você. Jesus, portanto, fala do que consideramos estar vivo aqui, aqueles com quem nos relacionamos. De fato, no entanto, eles são apenas expressões de um pensamento de separação e desesperança, ainda ansiando que seja provado que estão errados. Desnecessário dizer nesse ponto, Jesus não se refere a nada externo, mas à luz de Cristo brilhando em cada fragmento aparentemente separado da Filiação. 2

Veja meu livro Ausência de Felicidade, p. 17.

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(5:5) Aceita sua reverência, pois essa se deve à Santidade em Si Mesma, Que caminha contigo, transformando em Sua Luz gentil todas as coisas à Sua semelhança e pureza. Quando as pessoas expressam gratidão, você não deveria tomar isso como pessoal, nem deveria rejeitá-lo por causa de uma falsa humildade. A gratidão deveria ser aceita porque não é destinada a você pessoalmente, mas à esperança que você deu: o amor e a luz que eles experimentaram em você brilham neles também, apesar dos seus pensamentos escuros de pecado e culpa. (6:1-2) Esse é o modo como funciona a salvação. Quando recuas, a luz em ti se adianta e abrange o mundo. Nós vimos isso na lição anterior, “Recuarei e permitirei que Ele me mostre o caminho”. Dar um passo atrás em relação ao ego significa que nós não nos identificamos mais com seu sistema de pensamento de separação, mas com a luz da Expiação que brilha em nossas mentes. Uma vez que mentes são unidas, a luz brilha em todos. Essa não é uma luz externa que circunda o mundo – o mundo, afinal, é apenas um pensamento -, mas a mente, até então cheia da escuridão do ego que agora flameja com a luz da verdade, brilhando através do nosso perdão: E a partir dessa luz, os Grandes Raios estender-se-ão para trás em direção às trevas e para frente em direção a Deus, para desvanecer o passado com seu resplendor e assim abrir espaço para a Sua Presença eterna, na qual todas as coisas são radiantes na luz (T-18.III.8:7). (6:3) Ela não anuncia o fim do pecado no castigo e na morte. O cristianismo tradicional sempre ensinou o oposto: o pecado vai terminar quando os malfeitores forem punidos, e todos morrerem, com os abençoados ressuscitando para a vida eterna com Deus. Jesus nos ensina, no entanto, que o pecado vai quietamente se desvanecer no esquecimento da sua irrealidade, conforme aprendermos a sorrir diante dele: (6:4-5) O pecado se vai na leveza e no riso, pois o seu absurdo antiquado é visto. É um pensamento bobo, um sonho tolo, nada amedrontador, talvez ridículo, mas quem desperdiçaria um só instante da aproximação do próprio Deus por um capricho tão sem sentido? O mundo vai terminar com um sorriso, como vimos no manual para professores – em luminosidade e riso: O mundo terminará em alegria, porque é um lugar de pesar. Quando a alegria tiver vindo, o propósito do mundo se foi. O mundo terminará em paz, porque é um lugar de guerra. Quando a paz tiver vindo, qual é o propósito do mundo? O mundo terminará em riso, porque é um lugar de lágrimas (MP-14.5:1-5). O pecado terminará dessa forma também. Em outras palavras, não fazemos nada com o pecado além de escolher contra ele. Ele então desaparece, porque foi mantido no lugar apenas pela nossa crença nele. Quando damos um passo atrás e entendemos que nosso mundo repousa na crença de que o pecado e a separação são reais, percebemos que Jesus está nos dizendo para não levarmos nada aqui a sério. Isso não significa que damos as costas ao mundo – ele é uma ala de aula na qual nós, no entanto, temos que aprender -, nem significa que o negamos ou fazemos de conta que não somos corpos. Jesus simplesmente diz: “Não deixe qualquer coisa 77


nesse mundo entrar entre você e eu. Se isso acontecer, não é por causa da coisa em si, mas pelo seu medo de perder sua individualidade através do meu amor. Esse medo infundado é o que fez você aceitar o mundo no lugar de mim”. O ponto de partida é a seriedade com que nós originalmente saudamos a “diminuta e louca idéia” (T-27.VIII.6:2-3). Em vez disso, somos solicitados a rir com Jesus: Juntos, nós podemos rir dessas duas coisas, fazendo-as desaparecer e podemos compreender que o tempo não pode invadir a eternidade. É uma piada pensar que o tempo pode vir a lograr a eternidade, que significa que o tempo não existe (T27.VIII.6:4-5). No entanto, o “absurdo antiquado” do pecado dificilmente é motivo para um sorriso alegre quando estamos imersos em seu sonho de pecado e culpa, sofrimento e morte: Não é fácil perceber a brincadeira quando, em tudo a tua volta, os teus olhos contemplam as pesadas conseqüências da culpa, mas sem as suas causas insignificantes (T-27.VIII.8:4). No entanto, quando damos um passo com Jesus para fora do sonho do pecado, percebemos sua tolice, pois nosso perdão nos permitiu lembrar da nossa Causa, em Cuja Presença o pecado que é a causa do sonho meramente desaparece: Sem a causa, os efeitos parecem sérios e tristes, de fato, mas são apenas decorrências. E é a sua causa que não decorre de nada, e não passa de uma brincadeira (T-27.VIII.8:5-7). (7:1-3) No entanto, tens desperdiçado muitos e muitos anos justamente com esse pensamento tolo. O passado se foi, com todas as suas fantasias. Essas já não te mantêm mais preso. O mundo pode nos prender apenas na extensão em que escolhemos deixar que ele tenha esse poder. Quando a mente retira o poder, o mundo e o corpo perdem toda a habilidade de nos aprisionar. Esse é o papel curativo do milagre – nos liberar de um passado pecaminoso que nunca aconteceu na realidade; e, portanto, seus efeitos dolorosos se vão também. Lembre-se: Esse mundo acabou há muito tempo. Os pensamentos que o fizeram já não estão mais na mente que os pensou e os amou por um breve período de tempo. O milagre apenas mostra que o passado se foi e o que se foi verdadeiramente não tem efeitos. Todos os efeitos da culpa já não estão mais aqui. Pois a culpa terminou. Com a sua passagem, foram-se também as suas conseqüências, deixadas sem nenhuma causa (T-28.I.1:6-2:3). (7:4-5) A aproximação de Deus está próxima. E no pequeno intervalo de dúvida que ainda permanece, talvez possas vir a perder de vista o teu Companheiro e tomá-Lo equivocadamente pelo antigo sonho sem sentido que agora é passado. Ao iniciarmos nossa jornada por segurarmos a mão de Jesus, ficamos com medo, e, como uma defesa, buscamos ressuscitar um passado de dor, culpa e especialismo que não está mais lá. Além disso, tentamos fingir que estamos aqui quando verdadeiramente não estamos; o medo básico do ego. Nós intuímos que seguir o Um Curso em Milagres como está escrito, e da forma que Jesus está nos guiando, significa que vamos perder nosso ser físico e 78


psicológico. Essa é a perda última que induz ao terror e torna o Amor de Deus tão ameaçador, como já lemos: Construíste todo o teu insano sistema de crenças porque pensas que ficarias indefeso na Presença de Deus e queres salvar a ti mesmo do Seu Amor porque pensas que ele te esmagaria no nada. Tens medo de que ele te varra para longe de ti mesmo e te faça pequeno, porque acreditas que a magnitude está no desafio e que o ataque é grandioso. Pensas que fizeste um mundo que Deus quer destruir e amando-O como tu O amas, jogarias fora esse mundo, o que, de fato, farias. Portanto, usaste o mundo para encobrir o teu amor e quanto mais te aprofundas no negror do fundamento do ego, mais perto chegas do Amor que lá está escondido. E é isso o que te assusta (T-13.III.4). Para assegurar que o cenário inevitável do ego não aconteça, trazemos Jesus para o sonho, para reforçar sua realidade e a nossa própria. É por isso que ele nos lembra em As Dádivas de Deus que ele “não é um sonho que vem em zombaria” (p.121). (8:1-2) “Quem caminha comigo?”. Essa questão deveria ser feita mil vezes por dia, até que a certeza tenha posto um fim à dúvida e estabelecido a paz. Em outras palavras, esteja ciente de que você escolheu o especialismo do ego como companheiro em vez do Amor do Espírito Santo. O propósito do livro de exercícios é facilitar essa consciência. (8:3-6) Deixa que a dúvida cesse no dia de hoje. Deus fala por ti, respondendo à tua pergunta com estas palavras: Caminho com Deus em perfeita santidade. Eu ilumino o mundo, ilumino a minha mente e todas as mentes que Deus criou unas comigo. O desafio é reconhecer que caminhar com o ego nunca vai lhe trazer o que você quer, mas caminhar com o seu Criador vai. O poema de Helen, “A Casa do meu Pai”, escrito na véspera de Natal, resume lindamente essa bela lição, tecendo juntos seus diversos temas: Santificado seja o meu nome. Eu sou um Filho de Deus Que caminha em quietude. Eu ergo minha mão, E das pontas dos meus dedos, a quietude vai ao redor Do mundo para aquietar todas as coisas vivas, E cobri-las em santidade. Seu repouso é unido ao meu, Pois sou um com elas. Não há dor que minha quietude Não possa curar, porque ela vem de Deus. Não há pesar Que não se transforme em riso quando eu venho. Eu não venho sozinho. A Luz para a qual o Céu olha como A si mesmo, caminha comigo. Eu sou um Filho de Deus. Meu nome é o Dele. A casa do meu Pai é onde minha quietude está. (As Dádivas de Deus, p. 59)

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LIÇÃO 157 Quero entrar na Sua Presença agora. Essa lição, assim como a anterior, reflete nossas mentes certas e nos ajuda a perceber a verdade em cuja direção estamos caminhando. O foco não está no que temos em nossas 80


mentes erradas, mas na visão do perdão, portanto, retornando-nos a um tema principal das primeiras lições. (1) Esse é um dia de silêncio e de confiança. É um tempo especial, muito promissor no calendário dos teus dias. É um tempo que o Céu reservou para iluminar e lançar uma luz intemporal sobre esse dia em que se ouvem os ecos da eternidade. Esse dia é santo, pois introduz uma nova experiência, um tipo diferente de sentimento e consciência. Passaste longos dias e noites celebrando a morte. Hoje, aprende a sentir a alegria da vida. Jesus nos diz: “Estou tentando ajudá-lo a se lembrar da verdade que está dentro de você, uma verdade de felicidade e paz. Ela vai levá-lo a uma experiência que vai refletir Quem você é como Cristo. Não está na hora de deixar de lado a dor de ter escolhido a morte? Hoje, vamos escolher a vida”. O meio para alcançar esse fim é o perdão: as oportunidades diárias que nossos dias provêem de pedirmos ajuda a Jesus para olharmos além da não-santidade – a nossa e a de nossos irmãos – para o Cristo santo que nos une como um Filho. Jesus tocantemente nos dá um senso das maravilhosas dádivas que ele oferece quando deixamos que ele veja por nós. Essa linda visão ecoa a beleza da eternidade: Quando tiveres olhado para o que aparentava ser aterrador e tiveres visto tudo isso se transformar em paisagens de beleza e paz; quando tiveres olhado cenas de violência e morte e observado que mudaram e vieram a ser panoramas tranqüilos de jardins sob céus abertos, com a água clara, portadora da vida, correndo alegremente por eles em riachos dançantes que nunca se perdem, quem precisará persuadir-te a aceitar a dádiva da visão? E depois da visão, há alguém que poderia recusar aquilo que necessariamente se segue? Pensa só por um instante apenas nisso: podes contemplar a santidade que Deus deu a Seu Filho. E nunca mais precisas pensar que há alguma outra coisa para veres (T-20.VIII.11). (2:1-2) Esse é outro momento crucial de decisão no currículo. Agora, acrescentamos uma nova dimensão, uma nova experiência que irradia luz a tudo o que já aprendemos e nos prepara para o que ainda temos que aprender. Aqui, mais uma vez, Jesus nos lembra do que aprendemos e o quão longe chegamos – uma preparação para o lugar onde ele ainda vai nos levar. Ele nos ensinou – olhando de volta para as primeiras lições do livro de exercícios – que o mundo é uma ilusão, sem diferença entre nossas percepções e pensamentos, e que existe outro Professor que podemos escolher, Que vai nos levar gradualmente do corpo para a mente. Jesus começa com nossas experiências externas, tendo como propósito nos mostrar que elas são apenas sombras ou reflexos das decisões da mente. Ele, conseqüentemente, nos ensina de onde viemos e para onde está nos conduzindo. Só precisamos continuar a segurar sua mão, conforme percorremos juntos o caminho do perdão. (2:3-4) Ela nos traz à porta onde cessa o aprendizado e captamos um vislumbre daquilo que vem depois dos cumes mais altos que ele pode atingir. Ela nos deixa aqui por um instante e nós vamos além, certos da nossa direção e da nossa única meta. O propósito do Um Curso em Milagres é nos levar ao que o texto chama de “a porta do Céu” – o mundo real. Nesse ponto, todo aprendizado cessa, seguido pela experiência do amor. Jesus explica, e na próxima lição também, que a experiência do Amor de Deus, a Unicidade que é o nosso Ser, está além do que podemos aprender. No entanto, podemos ser ensinados a remover as interferências a essa experiência. Essas lições, portanto, são um programa de treinamento de um ano que nos ajuda a desaprender o que o ego nos tem ensinado. O 81


desaprendizado é alcançado através do perdão, que nos leva através do mundo de ódios passados para o mundo real – a porta do Céu – e depois além, para o amor: Perdoa o passado e deixa-o ir, pois ele já se foi. Tu já não te encontras na terra que está entre os dois mundos. Foste adiante e alcançaste o mundo que está na porta do Céu. Não existe nenhum obstáculo para a Vontade de Deus, nem existe necessidade alguma de que mais uma vez repitas a jornada que terminou há tanto tempo atrás. Olha gentilmente para o teu irmão e contempla o mundo no qual a percepção do teu ódio foi transformada em um mundo de amor (T-26.V.14). Com efeito, Jesus nos diz: “Por que você iria escolher permanecer em um mundo de ódio quando eu lhe ofereço o meu mundo de amor? Meu irmão, escolhe outra vez”. Isso é reiterado em “As Dádivas de Deus”: “Escolhe outra vez” ainda é sua única esperança. A escuridão não pode ocultar as dádivas de Deus a menos que você queira. Em paz eu venho, e o incito agora a fazer um final para o tempo e dar um passo na eternidade comigo... segure minha mão conforme você retorna, porque nós vamos juntos. Agora, os anfitriões do céu vêm conosco, para limpar todos os vestígios dos sonhos e todo pensamento que repouse na nulidade. Como você é caro para Deus, Que pede apenas que você caminhe comigo e traga Sua luz para um mundo doente, que o medo esvaziou de amor, vida e esperança (As Dádivas de Deus, p. 117). (3:1) Hoje te será dado sentir um toque do Céu, embora retornes às rotas do aprendizado. Mais uma vez, Jesus nos diz que ele sabe que esse é um processo. No entanto, o tempo é acelerado se nós buscarmos fazer as lições de forma apropriada e trabalharmos diligentemente através desse ano de lições do livro de exercícios. A experiência da verdade do amor virá na extensão em que liberarmos nossos egos, mesmo que apenas por um instante. Isso não significa que nossa jornada tenha terminado ou nosso aprendizado esteja completo, mas que o “toque do Céu” é um sinal de que Jesus está nos conduzindo à realidade, já presente dentro de nós. (3:2-3) Mas vieste de longe e já andaste o suficiente ao longo do caminho para alterar o tempo o bastante para elevar-te além das suas leis e caminhar um pouco para a eternidade. Aprenderás a fazer isso cada vez mais, à medida que cada lição, fielmente treinada, te traz com mais rapidez a esse lugar e te deixa, por um momento, com o teu Ser. Jesus re-enfatiza nossa necessidade de treinarmos essas lições, significando que precisamos praticá-las de novo e de novo. Quando você treina regras em um jogo, você as repete até que as tenha dominado. Jesus está nos pedindo para fazermos o mesmo com as regras em seu jogo da Expiação. Isso não significa repetirmos mecanicamente a idéia do dia, mas repetição no sentido de continuamente trazermos nossos equívocos à sua correção, permitindo que ele, dessa maneira, nos leve para casa.

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(4) Ele dirigirá a tua prática de hoje, pois o que pedes agora é a Sua Vontade. E tendo unido a tua vontade com a Sua nesse dia, o que estás pedindo tem que ser dado a ti. Além da idéia de hoje, nada mais é necessário para iluminar a tua mente e deixá-la descansar em serena expectativa e na alegria quieta na qual rapidamente deixas o mundo para trás. Nós vemos nesse parágrafo um desenvolvimento mais profundo dos temas das últimas duas lições. “Além da idéia de hoje, nada mais é necessário” porque Jesus não requer nada de nós exceto que escolhamos estar na presença de Cristo em vez de na do ego. Eu aprendo não apenas que cometi um equívoco ao escolher o último como meu professor, mas que tenho outro Professor que posso escolher. Aqui, a propósito, as palavras de Jesus falam de Cristo nesse papel, embora seja realmente o Espírito Santo Que ensine. (5:1) A partir deste dia, o teu ministério se reveste de uma devoção genuína e de um brilho que passa da ponta dos teus dedos àqueles que tocas e abençoa todos aqueles que contemplas. Por favor, não veja isso literalmente, de outra forma, você vai parecer tolo, tocando as pessoas com seus dedos santos, ou apagando as luzes para que as pessoas o vejam brilhando. Esses são símbolos, e claramente não devem ser tomados como a verdade literal. Uma vez que Jesus é tão claro a respeito do corpo ser uma ilusão, por que ele iria lhe dizer que a ponta dos seus dedos deve brilhar? Menciono isso apenas porque existem aqueles que poderiam ser tentados a tomar essas palavras literalmente. São apenas nossas mentes que “brilham” – com a luz misericordiosa de Cristo, que abraça a Filiação em nossa devoção à verdade que brilha em nós como um. (5:2-3) Uma visão alcança todos aqueles que encontras e todos aqueles em quem pensas, ou que pensam em ti. Pois a tua experiência de hoje transformará a tua mente de tal modo que ela vem a ser a pedra de toque para os santos Pensamentos de Deus. Nós voltamos ao ensinamento central do Um Curso em Milagres: não um ou outro, mas tudo ou nada. Ou a visão de Cristo toca todos os Filhos de Deus, ou não toca nenhum deles, incluindo a nós mesmos. Lembre-se dessa maravilhosa declaração da visão final no texto: Aos teus olhos cansados eu trago a visão de um mundo diferente, tão novo, tão limpo e fresco, que esquecerás a dor e a tristeza que viste antes. Entretanto, essa é uma visão que tens que compartilhar com todas as pessoas que vês, pois, de outro modo, não a contemplarás. Dar essa dádiva é a forma de fazê-la tua. E Deus determinou, em benignidade amorosa, que ela fosse tua (T-31.VIII.8:4-7). Antes, no texto, Jesus faz a mesma afirmação, falando do relacionamento santo como um arauto da eternidade, que proclama a unidade do amor: Cada arauto da eternidade canta o fim do pecado e do medo. Cada um fala no tempo do que está muito além do tempo. Duas vozes que se erguem juntas tocam os corações de todos para que possam bater como um só. E nesta batida única do coração está proclamada a unidade do amor e ela é recebida com boas-vindas. Paz ao teu relacionamento santo, que tem o poder de manter a unidade do Filho de Deus. Tu dás ao teu irmão por todos e na tua dádiva todos passam a ser contentes (T-20.V.2:1-6).

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Alegremente, aprendemos a lição de Jesus de “juntos, ou não de forma alguma” (T-19.IVD.12:8): a visão que transforma nossa mente e a mente da Filiação através do pensamento de perdão total, refletindo o Pensamento de amor total de Deus. (6:1) Hoje, teu corpo será santificado, tendo agora como único propósito trazer a visão da tua experiência de hoje para iluminar o mundo. Obviamente, não é o corpo que é santificado. O ponto de Jesus é inequívoco: o propósito torna o corpo santo, pois em si mesmo ele não é nada, nem santo nem profano. A mente serve ou ao propósito profano do ego de reforçar o pecado da separação, ou ao propósito santo do Espírito Santo de desfazer essa escolha e corrigir os equívocos do ego através do perdão. Pelo fato de acreditarmos que somos corpos, no entanto, essa lição precisa ser traduzida pela mente em uma forma que podemos aceitar e entender. Mais uma vez, o conteúdo é santo, não a forma. A seguinte passagem do texto contrasta esses dois propósitos da mente – julgamento ou visão, pecado ou impecabilidade: O corpo é o meio pelo qual o ego tenta fazer com que o relacionamento não-santo pareça real... aqui o propósito é o pecado... E se vês o corpo, escolheste o julgamento e não a visão. Pois a visão, como os relacionamentos, não tem nenhuma ordem. Vês ou não vês. Aquele que vê o corpo de um irmão fez um julgamento sobre ele e não o vê. Ele não o vê realmente como um pecador, ele não o vê de jeito nenhum. Na escuridão do pecado, ele é invisível... E aqui, na escuridão, a realidade do teu irmão é imaginada como um corpo, em relacionamentos não-santos com outros corpos, servindo à causa do pecado por um instante antes que ele morra. Há de fato uma diferença entre esse imaginar vão e a visão. A diferença não está neles mesmos, mas no seu propósito. Não são senão meios, cada um apropriado ao fim para o qual é empregado... O julgamento, tu ensinaste a ti mesmo; a visão é aprendida com Ele, Que quer desfazer o teu ensinamento. A Sua visão não pode ver o corpo porque não pode olhar para o pecado. E assim, ela te conduz à realidade (T-20.VII.5:1,3,7-9; 6:1-3,7; 7:1-3; 8:4-6). Jesus não quer dizer para nós negarmos o que nossos olhos reportam a nós. Em vez disso, não ver o corpo significa não ver através do propósito de julgamento e pecado do ego – interesses separados -, mas do propósito de perdão do Espírito Santo – interesses compartilhados. (6:2-3) Não podemos dar experiências como essa diretamente. Mas ela deixa uma visão em nossos olhos que podemos oferecer a todos para que cada um possa vir mais rápido a essa mesma experiência em que o mundo é esquecido em quietude e o Céu é lembrado por algum tempo. Mais uma vez, é o aprendizado que pode ser dado e entendido; a experiência vem quando o processo está completo. O mundo é quietamente esquecido através do perdão ao sistema de pensamento que o fez, o que significa escolher contra o ego. Nós aprendemos que Jesus estava certo: “a salvação é uma aventura de colaboração” (T-4.VI.8:2) e não é recebida à custa de outra pessoa, como o ego insiste. Assim, aprendemos a liberar o julgamento e escolhemos a visão, como Jesus nos instrui: A salvação é a meta do Espírito Santo. O meio é a visão. Pois aqueles que vêem, olham para o que é sem pecado. Ninguém que ame pode julgar e o que ele vê está livre de qualquer condenação. E o que ele vê, ele não fez, pois lhe foi dado para que 84


ele veja, assim como lhe foi dada a visão que fez com que fosse possível ver (T20.VII.9:4-8). (7:1) À medida que essa experiência aumenta e todas as metas, com exceção dessa, vêm a ser pouco valorizadas, o mundo ao qual retornarás aproxima-se um pouco mais do fim dos tempos; torna-se um pouco mais parecido com o Céu nos seus caminhos e um pouco mais próximo da sua liberação. Mais uma vez, não é o mundo que é transformado no Céu. Como o nada pode ser transformado? Outros caminhos espirituais falam sobre a transformação do mundo, e a Bíblia fala de uma Nova Jerusalém na terra (Revelações 3:12, 21:2). Esse, no entanto, não é o significado de Jesus. O que é transformado é o nosso sistema de pensamento, o que significa que o propósito do mundo é modificado. A sentença acima implica claramente em que Jesus está falando de um processo: “À medida que essa experiência aumenta e todas as metas, com exceção dessa, vêm a ser pouco valorizadas”. Jesus não diz que elas se tornam totalmente sem valor, pelo menos não ainda. A importância e o valor que damos ao mundo e às nossas experiências aqui vão diminuir com o tempo, conforme aprendermos a não valorizar o que é sem valor (LE-pI.133). Jesus discute isso no terceiro estágio no desenvolvimento da confiança: Através disso [desistir do que é sem valor] aprende que aonde antecipou dor, acha, ao contrário, uma feliz leveza de coração; onde pensou que algo lhe estava sendo pedido, acha uma dádiva concedida a ele (MP-4.I-A.5:8). Passo a passo, somos conduzidos através do mundo perdoado para a porta do Céu, além da qual o aprendizado não pode ir – mas nós podemos. (7:2-4) E tu, que lhe trazes a luz, passarás a ver a luz com mais certeza, a visão mais distinta. O momento virá em que não retornarás sob a mesma forma em que pareces agora, pois não terás nenhuma necessidade dela. Mas, agora ela tem um propósito e te servirá bem. Quando o propósito do perdão for cumprido e nós entrarmos no mundo real, não precisaremos mais do corpo como uma sala de aula, tendo nos lembrado de que somos o Filho de Deus. Nossa próxima aparição no corpo, portanto, será diferente, pois nossas mentes mudaram. Antes que esse dia feliz aconteça, no entanto, estar no corpo serve ao propósito santo de aprender o perdão, assim como ser um exemplo para que outros aprendam o mesmo. Esse é o propósito do relacionamento santo – unirmo-nos a Jesus conforme nos unimos a nossos irmãos, compartilhando a luz uns com os outros e com o mundo: No teu relacionamento tu te uniste a mim, trazendo o Céu ao Filho de Deus, que se escondia na escuridão. Tens estado disposto a trazer a escuridão à luz e essa tua disponibilidade tem dado força a todos os que queriam permanecer na escuridão. Aqueles que querem ver, verão. E se unirão a mim transportando a sua luz à escuridão, quando a escuridão dentro deles for oferecida à luz e removida para sempre... Tu que és agora o portador da salvação, tens a função de trazer a luz à escuridão. A escuridão em ti foi trazida à luz. Transporta-a de volta à escuridão, partindo do instante santo ao qual a trouxeste (T-18.III.6:1-4; 7:1-3). Essa passagem do livro de exercícios também faz uma referência específica ao que Jesus ocasionalmente disse a Helen: da próxima vez que ela viesse, estaria diferente; significando que ela estaria no mundo real3. 3

Veja meu livro Ausência de Felicidade, p. 476.

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(8:1) Hoje, embarcaremos num curso com o qual nunca sonhaste. Essa sentença pode ser entendida literal e figurativamente. Nós não sonhamos com ele porque nossa culpa não nos permite acreditar que o retorno ao Céu é possível; mas também não sonhamos com ele porque a realidade está além de todos os sonhos. Os sonhos do ego nos levam ainda mais para longe de Deus, enquanto os sonhos felizes do Espírito Santo alegremente nos levam de volta. (8:2) Mas, o Santo, o Doador dos sonhos felizes da vida, o Tradutor da percepção em verdade, o Guia santo para o Céu que te foi dado, sonhou para ti essa jornada que fazes e que começa hoje com a experiência que esse dia te oferece para que seja tua. O Espírito Santo traduz nossas experiências dentro do mundo perceptual por mudar seu propósito, do propósito do ego, que nos enraíza ainda mais profundamente no sonho, para o Seu, que nos ajuda a despertar do sonho através da Sua visão de perdão: A visão é o meio pelo qual o Espírito Santo traduz os teus pesadelos em sonhos felizes, as tuas selvagens alucinações, que te mostram todos os resultados amedrontadores do pecado que imaginas, em cenas calmas e tranqüilizadoras pelas quais ele quer substituí-los. Estas visões e sons gentis são contemplados com felicidade e ouvidos com alegria. Eles são os Seus substitutos para todas as cenas aterradoras e sons gritantes que o propósito do ego trouxe à tua consciência horrorizada. Eles se afastam do pecado, lembrando-te que não é a realidade que te assusta e que os erros que cometeste podem ser corrigidos (T-20.VIII.10:4-7). Agora, vem o lindo encerramento: (9) Entraremos agora na presença de Cristo, serenamente e sem estarmos cientes de nada, com exceção de Sua face resplandecente e do Seu Amor perfeito. A visão da Sua face ficará contigo, mas haverá um instante que transcende toda visão, até mesmo essa, a mais santa. Isso nunca ensinarás, pois não o atingiste através do aprendizado. No entanto, a visão fala da tua lembrança do que conheceste naquele instante e com certeza conhecerás novamente. Nessa passagem inspiradora, Jesus lhe diz que é possível ter uma experiência na qual sua identidade vai se transformar, capacitando-o a deixar o mundo do ego inteiramente. Você vai voltar porque ainda não liberou totalmente seu ego. No entanto, o Espírito Santo vai traduzir sua visão em experiência aqui, que então, pode atingir os outros. Isso não tem nada a ver com palavras ou comportamento, mas com a presença não-egóica da sua mente. Embora não seja capaz de ensinar o Amor e a Unicidade de Deus, você pode ensinar o desfazer da culpa – sua falta de julgamento em relação a você mesmo e aos outros desfaz as interferências à lembrança da experiência da unidade. Portanto, você ensina a desfazer a ilusão, não a simples verdade, que meramente retorna à sua consciência quando você retorna a ela. Deixe-me mencionar que não é um erro tipográfico ter rememberance (NT: a palavra correta em inglês é “remembrance”, que foi traduzida, na versão publicada em português, simplesmente como “lembrança” – sentido real com que foi usada) escrita com um e adicional. A sílaba extra é necessária

para a métrica (lembre-se de que isso está escrito em pentâmero iâmbico), como um exemplo da licença poética.

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LIÇÃO 158 Hoje aprendo a dar como recebo. As duas próximas lições, Lições 158 e 159, compartilham um tema similar: dar e receber são a mesma coisa; um princípio equacionado à visão. Você pode se lembrar de que a Lição 108, “Dar e receber são um só na verdade”, também falou sobre o paralelo entre o dar-receber e a visão. Um tema importante no Um Curso em Milagres, ao qual Jesus repetidamente se 87


refere, é que dar é igual a receber por causa da unicidade do amor. Uma vez que a base da verdade é a realidade não-dualista da Unicidade do Céu, qualquer coisa que o Pai dá, o Filho tem que receber; qualquer coisa que o Filho dá, ele também recebe: o amor é Um. Nesse mundo, a unicidade é refletida como: se eu quero saber que estou perdoado, preciso perdoar. Da mesma forma, se eu der culpa a alguém, a culpa em minha própria mente é reforçada. Portanto, dar e receber são um só, não apenas para o Espírito Santo – refletindo a Unicidade do Céu -, mas também para o ego. A mente do Filho de Deus é uma, e o mundo externo e o corpo são simplesmente sombras do pensamento de culpa. Portanto, quando falamos de dar e receber, queremos dizer que damos apenas a nós mesmos porque não existe ninguém mais. (1:1-3) O que te foi dado? O conhecimento de que és uma mente, na Mente e apenas uma mente, isento de pecado para sempre, totalmente sem medo, porque foste criado a partir do Amor. Tampouco deixaste a tua fonte, permanecendo tal como foste criado. Jesus mais uma vez se refere ao princípio idéias não deixam sua fonte. A idéia do Filho de Deus, Cristo, nunca deixou Sua Fonte em Deus. Aqui está outra declaração sobre a Unicidade do Céu: Deus criou Seus Filhos estendendo o Seu Pensamento e retendo as extensões do Seu Pensamento em Sua Mente. Todos os Seus Pensamentos são assim perfeitamente unidos entre si e em si mesmos (T-6.II.8:1-2). (1:4-5) Isso te foi dado como conhecimento que não podes perder. Isso também foi dado a cada coisa viva, pois só se vive através deste conhecimento. Ao comentar a Lição 156, discuti o uso que Jesus faz do termo coisa viva (LE-pI.156.5:2) denotando vida da nossa perspectiva. Aqui, no entanto, o termo é usado para denotar nossa identidade como espírito, que é a única coisa viva, uma vez que nada fora do Céu vive. O conhecimento dessa verdade é dado a todos, pois todos somos partes da Unicidade de Cristo. É impossível que Seu conhecimento amoroso esteja ausente em nós, embora o sistema de pensamento do ego ensine o contrário – idéias realmente deixam sua fonte e, portanto, o Filho de Deus pode deixar sua Fonte no Céu. Portanto, o amor é despedaçado e a unicidade da verdade se vai, assim como o mundo projetado: O pecado é a crença em que o ataque pode ser projetado para fora da mente onde surgiu essa crença. Aqui a firme convicção de que idéias podem deixar a sua própria fonte se faz real e significativa. E desse erro surge o mundo do pecado e do sacrifício. Esse mundo é uma tentativa de provar a tua inocência, enquanto valorizas o ataque. O seu fracasso está no fato de que ainda te sentes culpado, embora não compreendas por quê. Os efeitos são vistos como se fossem separados de sua fonte. O que é assim mantido à parte nunca pode unir-se (T-26.VII.12:2-8). Essas são as más notícias. As boas são que nossa crença não estabelece a realidade: idéias não deixam sua fonte; o Filho nunca deixou seu Pai. (2:1-2) Recebeste tudo isso. Ninguém que caminhe pelo mundo deixou de receber isso. Todos nós temos a ilusão de que estamos aqui em corpos. No entanto, a memória da unicidade está presente em nossas mentes através do Espírito Santo. Nós recebemos essa dádiva porque o Amor de Deus foi dado a nós. Lembre-se, esses termos não são destinados a serem dualistas: Deus não é uma entidade separada Que dá a Seu Filho, outra entidade separada. Temos visto que Jesus usa palavras dualistas porque ele fala a uma audiência que 88


não conhece a unicidade. No entanto, essas palavras deveriam ser vistas como símbolos, que refletem a unidade não-dualista de Deus e Cristo. (2:3) Não é esse o conhecimento que dás, pois ele foi dado pela criação. O que nós damos no sonho é o perdão, que reflete o Amor do Céu. O verdadeiro amor – i.e., sem ambivalência – é impossível nesse mundo, como lemos no texto: Tu projetas no ego a decisão de te separares e isso conflita com o amor que sentes pelo ego pelo fato de o teres feito. Nenhum amor nesse mundo existe sem essa ambivalência, e como nenhum ego experimentou amor sem ambivalência, o conceito está além da sua compreensão (T-4.III.4:5-6). Portanto, nós refletimos a paz do Céu, para que possamos nos lembrar do Amor do Pai: Reflete a paz do Céu aqui e traze esse mundo para o Céu. Pois o reflexo da verdade atrai todas as pessoas para a verdade e, na medida em que entram na verdade, deixam para trás todos os reflexos. No Céu a realidade é compartilhada, não refletida. Compartilhando seu reflexo aqui, a sua verdade vem a ser a única percepção que o Filho de Deus aceita. E assim, a lembrança do seu Pai desponta nele e ele não mais se satisfaz com outra coisa que não seja a sua própria realidade (T-14.X.1:6-2:3). (2:4-7) Tudo isso não pode ser aprendido. Então, o que vais aprender a dar hoje? A nossa lição de ontem evocou um tema que se acha bem no início do livro texto. A experiência não pode ser compartilhada diretamente da forma que a visão pode. Jesus distingue entre a verdade não-dualista, que não tem lugar nesse mundo, e seu reflexo, também conhecido como visão. A distinção é entre o que Deus nos dá – Seu conhecimento e Amor – e o que nós damos aqui, um lembrete desse amor, do qual o Um Curso em Milagres nos ajuda a lembrar. Não somos ensinados o que nos lembrar – o Amor de Deus – mas como nos lembrar – perdão. Portanto, lemos no texto: Como o nada não pode ser retratado, do mesmo modo não há nenhum símbolo para a totalidade. A realidade é conhecida, em última instancia, sem forma, sem retrato e sem ser vista. O perdão ainda não é um poder reconhecido como algo totalmente livre de limites. No entanto, ele não estabelece nenhum dos limites que escolheste impor. O perdão é o meio através do qual a verdade é temporariamente representada. Ele permite que o Espírito Santo faça com que a troca dos retratos seja possível até o momento em que os recursos nada significam e o aprendizado está realizado (T-27.III.5:1-6). O que se segue é uma passagem importante, na qual Jesus, com efeito, pega um breve atalho para falar conosco sobre a metafísica do tempo. Realmente poderíamos passar muitas páginas nesse assunto, mas, uma vez que já tratei dele em outros trabalhos 4, vou apenas revêlo brevemente aqui. Mantenha em mente que Jesus está se referindo à irrealidade total do tempo em si mesmo, assim como a nossa experiência pessoal do tempo linear: (2:8-9) A revelação de que o Pai e o Filho são um só virá a seu tempo a cada mente. No entanto, esse momento é determinado pela própria mente, não é ensinado. 4

Uma Vasta Ilusão: Tempo de acordo com o Um Curso em Milagres; “Do tempo para a eternidade” (fita de áudio); “A Máquina do Tempo” (áudio e vídeo tape).

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A parte da mente que determina quando vamos nos lembrar de que o Pai e o Filho são Um é o tomador de decisões, que está fora do tempo. Somos ensinados a desfazer as interferências à nossa consciência dessa memória, mas não podemos ser ensinados o que repousa por trás delas. Aceitar a Expiação para nós mesmos – a separação nunca aconteceu – revela a unicidade do Pai e do Filho. Uma vez que o tempo todo aconteceu em um instante ontológico – o qual, na verdade, nunca aconteceu de forma alguma (MP-2.2:6-8) -, a experiência de desfazer esse instante aconteceu também. O que ainda não aconteceu é o tomador de decisões atemporal escolhendo re-experimentar o desfazer. Imagine uma biblioteca de fitas de vídeo, com uma quantidade quase infinita de fitas, contendo diferentes aspectos do sistema de pensamento do ego, assim como um número quase infinito de fitas de vídeo refletindo a correção desse sistema de pensamento. Cada fita de vídeo do ego é uma sombra de culpa, enquanto os vídeos do Espírito Santo refletem o desfazer da culpa através do perdão. Quando Jesus diz abaixo que “o roteiro está escrito” (4:3), pense nessas bibliotecas como o roteiro, com o tomador de decisões escolhendo qual biblioteca vai acessar. Uma fita de vídeo na biblioteca do Espírito Santo representa a aceitação da Expiação, e está disponível para nós quando escolhemos nos identificar com sua verdade. Um Curso em Milagres nos ajuda a economizar o tempo que levaríamos para perceber que essa é a única escolha que vai nos fazer felizes. Economizar tempo, você pode se lembrar, é o propósito do milagre: O milagre minimiza a necessidade de tempo... O milagre substitui um aprendizado que poderia ter levado milhares de anos... O milagre encurta o tempo, colapsando-o, assim eliminando certos intervalos dentro dele (T-1.II.6:1,7,9). (3:1-2) Esse momento já está estabelecido. Parece ser bastante arbitrário. Mas não há nenhum passo que alguém possa dar nesta estrada que seja apenas por acaso. Em outras palavras, nada é acidental. A fita de vídeo de quando vamos escolher aceitar a Expiação para nós mesmos já está na biblioteca da mente, assim como todas as fitas da mente errada e da mente certa: Deus deu o Seu Professor para substituir o professor que fizeste, não para entrar em conflito com ele. E o que Ele quer substituir, foi substituído. O tempo não durou senão um instante em tua mente, sem nenhum efeito sobre a eternidade. E assim todo o tempo é o passado e todas as coisas são exatamente como eram antes que fosse feito o caminho para o nada. O diminuto tic-tac do tempo no qual foi feito o primeiro equivoco e todos eles dentro desse único, também continha a Correção daquele equivoco e de todos os que vieram dentro do primeiro. E naquele instante diminuto, o tempo desapareceu, pois isso foi tudo o que ele jamais foi. Aquilo a que Deus deu uma resposta foi respondido e desapareceu (T-26.V.3). Isso não significa, como já discutido muitas vezes antes, que Deus ordena nosso roteiro particular ou escolhe para nós. É nosso plano e nossa escolha, feitos ou com o ego ou com o Espírito Santo. (3:4) Esse passo já foi dado por ele, embora ele ainda não tenha embarcado nisso. A primeira parte dessa sentença reflete a idéia de que tudo isso já aconteceu e está terminado. Lembre-se: “Esse mundo já acabou há muito tempo” (T-28.I.1:6). Aceitação da verdade é o passo que já foi dado por todos nós, e “embora ele ainda não tenha embarcado nisso”, significa que ainda estamos escolhendo permanecer adormecidos, sonhando que estamos aqui, como essa sentença familiar nos lembra: 90


Estás em casa em Deus, sonhando com o exílio, mas perfeitamente capaz de despertar para a realidade (T-10.I.2:1). (3:5-7) Pois o tempo apenas parece ir em uma direção. Estamos apenas empreendendo uma jornada que já chegou ao fim. Todavia, parece reservar um futuro que ainda nos é desconhecido. Nós experimentamos o tempo como linear, no qual existe um passado, um presente e um futuro, nos quais nos movemos ao longo do que acreditamos ser um caminho espiritual que vai nos levar para casa. Essa passagem está nos dizendo – assim como muitas outras – que essa jornada já terminou. De fato, não há jornada. Mais uma vez, no entanto, enquanto tivermos a ilusão de estarmos aqui, teremos a ilusão de que o tempo e o espaço são reais, assim como o pecado e a culpa. Portanto, de vez em quando, Jesus precisa nos lembrar de que isso é irreal, como faz na seguinte passagem, usando a metáfora de um tapete: Não és sem culpa no tempo, mas na eternidade. Tens “pecado” no passado, mas não há nenhum passado. O sempre não tem direção. O tempo parece se mover em uma direção, mas quando atinges o seu fim, ele se enrolará como um longo tapete estendido sobre o passado atrás de ti e desaparecerá. Enquanto acreditares que o Filho de Deus é culpado, caminharás sobre esse tapete acreditando que ele conduz à morte. E a jornada parecerá longa, cruel e sem sentido, pois assim ela é (T13.I.3:2-7). Nós caminhamos sobre esse tapete do tempo, não percebendo que nossas vidas são ilusórias: indo de lugar nenhum, através de lugar nenhum, para lugar nenhum. Como a jornada poderia não parecer “longa, cruel e sem sentido”? (4:1) O tempo é um truque, um passe de mágica, uma vasta ilusão em que figuras vem e vão como por magia. O mundo do tempo e do espaço é apenas outra parte da estratégia do ego para nos convencer de que a separação de Deus é real, e, em última instância, que o problema está fora de nós, no mundo, e não dentro das nossas mentes. A linha acima é similar a essas linhas familiares do texto: O que aconteceria se reconhecesses realmente que o inventaste? O que aconteceria se te desses conta de que aqueles que parecem perambular sobre ele, para pecar e morrer, atacar e assassinar e destruir a si mesmos, são totalmente irreais? (T-20.VIII.7:3-5). (4:2-3) Mas há um plano por trás das aparências que não muda. O roteiro está escrito. O momento em que a experiência vem para dar fim à tua dúvida já foi estabelecido. O plano é o da Expiação. Mais uma vez, “o roteiro está escrito” significa que o sistema de pensamento do ego já aconteceu, junto com a correção do Espírito Santo. Na verdade, para afirmar mais uma vez, estamos fora do tempo e do espaço, observando eventos no campo de batalha de corpos do mundo. (4:4) O momento em que a experiência vem para dar fim à tua dúvida já foi estabelecido. A fita de vídeo da nossa escolha em aceitar a Expiação já está lá – “já foi estabelecida” – e espera nossa escolha de re-experimentá-la, como agora vemos: 91


(4:5) Pois nós vemos a jornada apenas do ponto em que ela terminou, olhando em retrospectiva, imaginando que a empreendemos novamente, revisando mentalmente o que já se foi. Imagine a nós todos sentados em um cinema, assistindo a história de nossas vidas desvelada diante dos nossos olhos, esquecendo-nos de que estamos na platéia. Isso não é diferente de nos identificarmos psicologicamente com os personagens em um filme real, no qual perdemos todo o senso de realidade temporal, e nos esquecemos de que estamos meramente assistindo o faz-de-conta. Na verdade, não estamos mais assistindo os personagens, nós nos tornamos os personagens. De outra forma, não iríamos rir ou chorar, ficar ansiosos, deprimidos ou entusiasmados durante o filme. A diferença, no entanto, é que quando o filme termina, voltamos ao nosso juízo. No filme que chamamos de nossas vidas, por outro lado, nunca recobramos o juízo. Uma passagem como essa, portanto, nos ajuda a perceber que estamos observando o que já aconteceu. Podemos dizer que quando nossos tomadores de decisões entram no cinema com Jesus, eles se tornam observadores. Agora, voltamos à visão: (5:1-3) Um professor não pode dar a experiência, pois não a aprendeu. Essa revelou-se a ele no momento indicado. Mas a visão é a sua dádiva. A escrita aqui soa como se Deus, o Espírito Santo ou Jesus a revelasse para nós. Na verdade, o amor sempre está conosco. Somos nós que escolhemos nos lembrar ou não dela, que escolhemos o “momento indicado” no qual nos lembramos de quem somos como crianças do amor. A experiência naturalmente se segue a essa decisão, embora seja uma que não podemos dar a ninguém. Outros sistemas e professores espirituais podem lhe dizer que eles lhe dão uma experiência do Amor de Deus, mas não o Um Curso em Milagres. “Tudo” o que podemos fazer é lembrar às pessoas de que a escolha que nós fizemos naquele instante santo é a escolha que podem fazer também. Esse é o significado da visão, que nós damos através do perdão. Uma vez que o sistema de pensamento de separação do ego é desfeito através da visão totalmente inclusiva do perdão, nós somos restaurados à consciência inata do nosso Ser, o Amor que Deus nos deu em nossa criação. (5:4-6) Isso ele pode dar diretamente, pois o conhecimento de Cristo não está perdido porque Ele tem uma visão que pode dar a todo aquele que pede. A Vontade do Pai e A Sua estão unidas no conhecimento. No entanto, há uma visão que o Espírito Santo vê, porque a mente de Cristo também a contempla. Nessa lição, assim como na anterior, Jesus identifica Cristo com o Espírito Santo, uma identificação baseada na função. Em termos da teologia do Curso, Cristo está no Céu e não sabe nada sobre esse mundo; portanto, Jesus usa o termo Cristo de forma livre. Em outro lugar, ele fala sobre a face de Cristo, o símbolo do Curso para o perdão, ainda que na verdade, Cristo não tenha uma face. Aqui, visão de Cristo é o mesmo que percepção do Espírito Santo, e Cristo compartilha Sua função dualista, escrita no Um Curso em Milagres como se Ele tivesse um pé no Céu (conhecimento) e outro no sonho (percepção) (e.g., T-6.II.7). Portanto, a visão desfaz a percepção do pecado e da separação que nunca foram. Nessa passagem do texto, Jesus discute visão no contexto de ser o resultado de colocar nossa fé no Espírito Santo, levando à crença na verdade da Sua mensagem: Fé, crença e visão são os meios pelos quais a meta da santidade é alcançada. Através delas, o Espírito Santo te conduz ao mundo real e para longe de todas as ilusões nas quais a tua fé foi depositada. Essa é a Sua direção, a única que Ele jamais vê. E quando te desvias, Ele te lembra que não existe senão uma. A Sua fé, a Sua crença e a Sua visão, todas elas são para ti. E quando as tiveres aceito 92


completamente no lugar das tuas, não mais terás necessidade delas. Pois a fé e a visão e a crença têm significado somente antes de ser alcançado o estado da certeza. No Céu, são desconhecidas. Entretanto, é através delas que se alcança o Céu (T-21.III.4). (6:1) Aqui se faz a união do mundo de dúvidas e sombras com o intangível. O “intangível” é o Espírito Santo, ou o princípio da Expiação que está fora do sonho, ao qual levamos o sistema de pensamento da mente errada “do mundo de dúvidas e sombras” do ego. O resultado é o mundo real, lindamente descrito no texto: Esse mundo de luz, esse círculo de resplendor radiante, é o mundo real onde a culpa se encontra com o perdão. Aqui, o mundo do lado de fora é visto de forma nova, sem a sombra da culpa sobre si mesmo. Aqui tu és perdoado, pois perdoaste todas as pessoas. Aqui está a nova percepção, onde tudo é brilhante e resplandece com inocência, lavado nas águas do perdão e limpo de qualquer pensamento mau que tenhas colocado nele. Aqui não há nenhum ataque ao Filho de Deus e tu és bem-vindo (T-18.IX.9:1-5). (6:2) Aqui um lugar quieto dentro do mundo se faz santo pelo perdão e pelo amor. Aqui é encontrada a correção da percepção e o desfazer do ego: Os milagres que o perdão traz para serem depositados diante da porta do Céu não são pequenos. Aqui, o próprio Filho de Deus vem receber cada uma das dádivas que o aproxima cada vez mais de sua casa. Nenhuma delas é perdida e nenhuma é mais valorizada do que outra. Cada uma lembra a ele o Amor do seu Pai com tanta certeza quanto as outras. E cada uma lhe ensina que o que ele temia é o que mais ama (T-26.IV.4:1-5). (6:3-7) Aqui todas as contradições são reconciliadas, pois a jornada chega ao fim. A experiência – não aprendida, não ensinada e não vista – apenas está presente. Isso está além da nossa meta, pois transcende o que precisa ser realizado. O que nos concerne é a visão de Cristo. Isso nós podemos atingir. A jornada termina no mundo real ou na porta do Céu, além da qual não é o objetivo do Curso, pois o amor não tem contraparte no mundo da percepção. O desfazer do mundo é o único foco do perdão, cujo outro nome é visão de Cristo, refletindo o pensamento da Expiação de que o Filho de Deus não é separado da Sua Fonte. Eu, portanto, não sou solicitado a experimentar você como um comigo, mas a começar a aprender que você e eu compartilhamos a mesma necessidade, propósito e objetivo. A visão ensina que você e eu não somos diferentes de qualquer outra forma além da superficial. As diferenças aparentes que nos mantêm separados uns dos outros existem apenas no nível da forma, parte do plano do ego para nos convencer de que a separação é a realidade e a unidade é ilusão. O propósito do Um Curso em Milagres, portanto, é nos ensinar que todos compartilhamos a necessidade de aprendermos o perdão. Se a realidade é a unidade de Deus e de Cristo, a percepção de diferenças tem que ser parte da ilusão do ego. Qualquer coisa que nos ajude a perceber que somos um em propósito reflete a verdade não-dualista da nossa unicidade no Céu. (7:1-2) A visão de Cristo tem uma só lei. Ela não contempla um corpo e o toma por engano pelo Filho que Deus criou.

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Isso não significa que somos solicitados a negarmos o corpo, mas a negarmos a interpretação que o ego faz do corpo – fazendo transigências ao especialismo como uma forma de nos manter separados. Lembre-se dessa passagem: A salvação não pede que vejas o espírito e não percebas o corpo. Ela meramente pede que essa seja a tua escolha. Pois podes ver o corpo sem ajuda, mas não compreendes como contemplar um mundo à parte dele. É o teu mundo que a salvação vai desfazer e te deixará ver um outro mundo, que os teus olhos jamais poderiam achar (T-31.VI.3:1-4). Eu, portanto olho para o corpo, mas não dou a ele o poder que dei no passado. Eu não vejo o corpo como expressão do meu prazer ou dor, mas como uma mera expressão do pensamento. Portanto, se eu vir seu corpo como uma expressão de culpa ou pecado, é porque eu projetei esse pensamento da minha mente sobre você. Mais uma vez, isso pode ser ensinado, e a experiência do amor que está além da visão simplesmente aparece quando as interferências à sua lembrança se vão. (7:3) Contempla uma pureza não obscurecida por erros, equívocos lamentáveis e pensamentos amedrontadores de culpa que vêm dos sonhos de pecado. O problema é que no instante original, nós escolhemos a interpretação do ego sobre a diminuta e louca idéia em vez da interpretação do Espírito Santo. De forma similar, o problema dentro do sonho de nossas vidas é escolhermos a interpretação do ego sobre o corpo, inevitavelmente levando-nos a acreditar que ele vai nos dar o que queremos – ódio especial, no qual torno os outros bodes expiatórios para manterem minha inocência e sua culpa; ou amor especial, no qual uso outra pessoa para atender a uma necessidade que Deus não pôde atender. De qualquer forma, o corpo simboliza o pecado e, portanto, merece o ataque. No entanto, quando olhamos através dos olhos de Jesus, olhamos além da forma da escuridão aparentemente sólida do pecado para o conteúdo do chamado da luz: Se apenas reconhecesses como é pouco o que está entre tu e a tua consciência da tua união com o teu irmão! Não te enganes com as ilusões que se apresentam acerca de tamanho e espessura, peso, solidez e firmeza de fundamento. Sim, para os olhos do corpo isso parece ser um enorme corpo sólido, irremovível como uma montanha. Entretanto, dentro de ti está uma Força à qual ilusão nenhuma pode resistir. Esse corpo apenas parece ser irremovível, essa Força é irresistível na verdade. Assim sendo, o que não pode deixar de acontecer quando eles se encontram? Pode-se defender por muito tempo a ilusão da imobilidade daquilo que é atravessado e transcendido em quietude? (T-22.V.5). Mais uma vez, não somos solicitados a negarmos nossos corpos, mas a vê-lo como salas de aula nas quais escolhemos o professor que vai nos ajudar a aprender que o que experienciamos do lado de fora vem da decisão que tomamos dentro de nós. (7:4-5) Ela não vê separação. E olha para todas as pessoas, todas as circunstancias, todos os acontecimentos e todos os eventos, sem que a luz que ela contempla diminua de intensidade de forma alguma. A visão de Cristo nos ajuda a perceber que não temos interesses separados – nossas necessidades não são atendidas à custa de outros. É crucial entender – como vimos na sentença 2 – que isso não significa que com a visão de Cristo, não vemos um mundo e um corpo. Nossos olhos continuam a vê-los, mas agora através dos “olhos” de um Professor diferente. Em vez de escolhermos a interpretação do ego sobre o mundo que vemos – sempre 94


uma forma de especialismo -, escolhemos a do Espírito Santo, que vê a todos nós como trilhando um caminho comum em direção a uma meta comum. Quer os caminhos difiram em forma ou não é irrelevante. Todos nós estamos aqui porque acreditamos nas mentiras do ego, e todos nós queremos desesperadamente que seja provado que estamos errados. A seguinte passagem, escrita no Ano Novo, é a oração de Jesus para que façamos um novo início – da separação para a unicidade: Esse é o tempo em que logo um novo ano nascerá do tempo de Cristo... Dize, então, ao teu irmão: Eu te dou ao Espírito Santo como parte de mim mesmo. Eu sei que serás liberado, a não ser que eu queira usar-te para me aprisionar. Em nome da minha liberdade eu escolho a tua liberação porque reconheço que nós seremos liberados juntos... Faze com que esse ano seja diferente fazendo com que tudo seja o mesmo. E permite que todos os teus relacionamentos sejam santificados para ti (T15.XI.10:1,4-7,11-12). (8:1) Isso pode ser ensinado e tem que ser ensinado por todos aqueles que querem alcançá-la. Nós voltamos ao tema da lição: “aprendo a dar como recebo”. Se você quiser aprender a lição do perdão, precisa demonstrá-lo. Sempre que você guarda mágoas, fica transtornado, ou pensa que a salvação vem de fora, apenas afirma que você não quer aprender, pois não quer vivenciar as implicações da lição. Aprender o perdão significa entender que seu especialismo e individualidade não apenas não são o que você pensa; eles não são nada de forma alguma. Isso você ensinaria através do exemplo, e a igualdade de ensinamento e aprendizado é o tema principal: Um bom professor esclarece as suas próprias idéias e as fortalece por ensiná-las. O professor e o aluno são iguais no processo do aprendizado. Eles estão no mesmo nível de aprendizado e, a menos que compartilhem suas lições, lhes faltará convicção (T-4.I.1:1-3). O sentido do ensino e do aprendizado está, de fato, revertido no pensamento do mundo... O curso, ao contrário, enfatiza que ensinar é aprender, de tal modo que professor e aluno são a mesma coisa... Ensinar é demonstrar. Existem somente dois sistemas de pensamento e a todo momento demonstras que acreditas que um ou outro é verdadeiro... A partir da tua demonstração outros aprendem e tu também... Não podes dar a outra pessoa, mas só a ti mesmo e isso aprendes através do ensino (MP-in.1:1,5; 2:1,3,6). É importante saber que seus pensamentos de especialismo não são o problema real, que repousa na decisão da mente de não aprender as lições de Jesus – estar certo e ele errado. Você prova isso por julgar o mundo como um lugar terrível, no qual acontecem coisas terríveis, ou um lugar maravilhoso, no qual coisas maravilhosas acontecem. No entanto, esses são apenas lados opostos da mesma moeda do ego, como vimos na Lição 155. (8:2) Requer apenas o reconhecimento de que o mundo nada pode dar que remotamente possa comparar-se a isso em valor, nem estabelecer uma meta que não desapareça simplesmente, quando isso tiver sido percebido. 95


Em outras palavras, você percebe que nada nesse mundo vai fazê-lo mais feliz do que a visão de Cristo. Isso não está destinado a ser um princípio abstrato, mas algo que seja vivenciado especificamente em sua vida diária. Compartilhar a visão de Cristo significa não ver suas necessidades como separadas das de ninguém mais. Lute para estar ciente das formas sutis do amor e do ódio especial nas quais você tenta se defender contra o aprendizado desse princípio, em uma tentativa de provar que você está certo e o Um Curso em Milagres está errado. (8:3-4) E é isso que dás nesse dia: não vejas ninguém como um corpo. Cumprimenta cada um como o Filho de Deus que ele é, reconhecendo que ele é um contigo em santidade. Jesus não quer dizer literalmente não ver o corpo, como já discutimos. É a interpretação que o ego dá ao corpo como pecaminoso que ele quer que não vejamos, por nos ensinar a ver através dos seus olhos em vez disso: A impecabilidade do teu irmão te é dada em luz brilhante, para ser contemplada com a visão do Espírito Santo e para que tu te regozijes nela junto com Ele. Pois a paz virá a todos os que pedem por ela com desejo real e sinceridade de propósito, propósito esse que é compartilhado com o Espírito Santo e uno com Ele no que é a salvação. Assim sendo, que estejas disposto a ver o teu irmão sem pecado, para que Cristo possa se erguer diante da tua visão e te dar alegria. E não deposites nenhum valor no corpo do teu irmão, que o prende a ilusões do que ele é (T20.VIII.3:1-4). O próximo parágrafo estende o primeiro princípio dos milagres: não há ordem de dificuldade em milagres. Todos os problemas são o mesmo, porque eles vêm de um pensamento. O leitor pode se recordar da nossa discussão sobre as Lições 79 e 80, na qual Jesus enfatiza que existe apenas um problema – separação – e uma solução – Expiação: (9:1-3) Assim, os seus pecados são perdoados, pois a visão de Cristo tem o poder de não vê-los. Desaparecem no perdão de Cristo. Sem ser vistos pelo Uno, desaparecem simplesmente porque a visão da santidade, que está além deles, vem para tomar o seu lugar. Isso não significa que o mundo físico desapareça necessariamente, mas que você deixa de se identificar com o sistema de pensamento de separação do ego – pecado, culpa e medo – e, portanto, o mundo que surge dele não vai mais ser a sua experiência. Nesse instante santo de decisão da mente certa, o corpo não existe. Os olhos físicos continuam a vê-lo, mas o “você” que vê não vai mais estar lá, pois você deu um passo para fora do sonho. Sua realidade se tornou o amor de Jesus e nada que seja desse mundo. Todos os problemas, portanto, desaparecem, porque eles vieram da crença na separação. Se você se rejubilar com Deus através do Espírito Santo, o pecado da separação se vai. Portanto, se você definir problemas como separação, e no instante santo você não estiver separado, não pode haver problemas nem pecado. Nesse instante, o mundo é curado também. (9:4-6) Não importa a forma que tomaram, nem quão enormes aparentaram ser, nem quem pareceu ser ferido por eles. Os pecados deixaram de ser. E todos os efeitos que pareciam ter desapareceram com eles, desfeitos para jamais serem refeitos.

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A forma do problema, a forma do êxtase ou dor, não importa. No instante em que você der um passo para fora do sonho, a forma é desfeita. O princípio é simples, como a razão agora explica: A razão te dirá que a forma do erro não é o que faz dele um equívoco. Se o que a forma esconde é um equívoco, a forma não pode impedir a correção. Os olhos do corpo vêem apenas formas. Não podem ver além do que foram feitos para ver. E foram feitos para olhar para o erro e não para ver o que vem depois. A sua percepção é de fato estranha, pois só podem ver ilusões, estão impossibilitados de olhar além do bloco de granito do pecado e param na forma exterior do nada. Para essa forma distorcida de visão, o exterior de todas as coisas, a parede que está entre tu e a verdade é totalmente verdadeira. Entretanto, como é possível que a vista que estaca diante do nada como se o nada fosse uma sólida muralha, veja verdadeiramente? Ela é retida pela forma, tendo sido feita para assegurar que nenhuma outra coisa senão a forma seja percebida (T-22.III.5). Dentro do sonho da forma, prazer e dor são muito reais. Quando você está fora dele, no entanto, o corpo literalmente não existe, o que a visão de Cristo nos ajuda a entender. Alcançar esse estado completamente é o mundo real, diferente dos instantes santos, nos quais nossas mentes ainda flutuam, e o medo do perdão nos leva de volta aos instantes não-santos de pecado do ego. (10) Assim aprendes a dar como recebes. E assim a visão de Cristo também olha para ti. Essa lição não é difícil de aprender, se lembrares que no teu irmão estás apenas vendo a ti mesmo. Se ele estiver perdido no pecado, tu também tens que estar; se nele vires a luz, os teus pecados terão sido perdoados por ti mesmo. Cada irmão que encontrares hoje te proporciona mais uma oportunidade para deixar que a visão de Cristo brilhe sobre ti e te ofereça a paz de Deus. O ponto de partida é tão incrivelmente simples que é espantoso com que freqüência o esquecemos. Se nós pudéssemos realmente estar cientes de que cada julgamento que fazemos e mantemos contra alguém é um julgamento contra nós mesmos, mantendo-nos fora do Reino, nunca iríamos julgar. No entanto, amnésia é uma arma principal do ego, e então, nos esquecemos de quem somos, e que – literalmente – a forma com que vemos, experimentamos e reagimos a outra pessoa reflete a escolha que fazemos para nós mesmos. Mais uma vez, se reconhecêssemos que cada uma das vezes em que ficamos transtornados – de forma mais profunda ou mais leve – refletimos uma decisão de nos manter separados do amor, não iríamos atacar. Portanto, precisamos de um curso e de um professor que expliquem que nós julgamos continuamente, porque é precisamente o amor que tememos – em sua presença, nosso especialismo e singularidade se vão, assim como nossa existência separada. É essencial estar ciente da conexão entre como eu experimento as pessoas e a mim mesmo, e seu efeito subjacente. Quando escolho ver outra pessoa como diferente de mim, estou tentando provar que estou certo e Deus errado. Eu não me importo com o quanto sou miserável, porque minha miséria em si vai demonstrar ainda mais que alguém fez isso comigo. Através de todo o dia, portanto, preciso prestar atenção cuidadosa a como respondo às pessoas e circunstâncias, e depois ver como essas respostas oferecem a oportunidade de lembrar a decisão da mente que eu esqueci. É por isso que é útil ver o mundo como uma sala de aula, e desenvolver um relacionamento com Jesus. Seu ensinamento me lembra de que minha experiência com você reflete diretamente o que eu experienciei com ele. Se eu me sentir um com você – não existem barreiras entre nós -, sei que não existem barreiras entre ele e eu. Por outro lado, quando vejo diferenças entre nós – seu corpo tem o que o meu quer ou odeia -, sei que mantenho um pensamento que diz que sou separado de Jesus e, portanto, separado de Deus. 97


(11:1-2) Não importa quando vem a revelação, pois ela não está no tempo. Mas o tempo tem ainda uma dádiva a dar na qual o verdadeiro conhecimento se reflete de um modo tão preciso que a sua imagem compartilha da sua santidade invisível; o que lhe é semelhante brilha com seu amor imortal. Jesus está dizendo que não precisamos nos preocupar a respeito de Deus, ou prestar atenção ao Céu, amor ou verdade. Em vez disso, deveríamos nos focalizar em nossas experiências dentro do sonho. Por tornar seu sistema de pensamento real, damos uma dádiva ao ego. No entanto, com Jesus como nosso professor, damos a nós mesmos a dádiva de percebermos que esse mundo não é uma prisão, mas uma sala de aula amorosa que vai gentilmente nos levar para casa. Ele nos instrui de forma similar – a não nos focalizarmos na realidade – no final das dez características dos professores de Deus: Podes ter notado que a lista dos atributos dos professores de Deus não inclui coisas que constituem a herança do Filho de Deus. Termos como amor, impecabilidade, perfeição, conhecimento e verdade eterna não aparecem nesse contexto. Seriam por demais impróprios aqui. O que Deus deu em tanto excede o nosso currículo que o aprendizado desaparece diante da sua presença (MP-4.X.3:1-4). Portanto, com efeito, Jesus nos diz: “Em vez da verdade, focalize-se no mundo que você fez para manter o amor distante. Agora, ele é sua sala de aulas de perdão, na qual você aprende a aceitar o amor imortal que é a dádiva de Deus para você”. (11:3-4) Hoje, praticamos ver com os olhos de Cristo. E, pelas santas dádivas que damos, a visão de Cristo também nos contempla. O propósito de cada dia é estar atento ao nosso desejo pela visão, e a praticarmos a lição quando nos sentirmos tentados a esquecer. Nós encerramos com as últimas duas estrofes do adorável poema de Helen, “O Sonho Quieto”, um lindo retrato da visão de Cristo, a dádiva de paz que Jesus oferece para nos devolver ao Amor do nosso Pai: Existe uma luz que brilha sobre esse mundo, E o julga como Cristo quer que seja julgado. Não há condenação nela. Ele O mantém sem pecado, na luz que brilha Da Sua Própria face. Sua visão olha sobre O reflexo certo do Amor do Seu Pai; A imagem trazendo de volta Sua memória. O que pode permanecer de mal no mundo Para o qual a visão de Cristo olha? E o que ainda poderia Me parecer amedrontador, com a luz da Sua perfeição nele? O que poderia me ensinar que o pesar tem uma causa, ou que a morte é real? Ajude-me a perdoar o mundo. A paz que Você dá, em meu perdão, será dada a mim. (As Dádivas de Deus, p. 65)

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LIÇÃO 159 Dou os milagres que tenho recebido. Estendendo a lição anterior, Jesus ensina a unidade de dar e receber, e como ela reflete a visão de Cristo. Também devemos falar mais sobre o mundo real. (1:1-2) Ninguém pode dar o que não recebeu. Para dar alguma coisa é preciso que a tenhas primeiro.

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Se eu tiver recebido culpa do meu ego, a lei da projeção dita que também tenho que dála. Se eu tiver aceitado o Amor do Espírito Santo, isso – ou seu reflexo – é o que tenho que dar da mesma forma, através da extensão. Quer estejamos considerando o amor ou a culpa, ainda é verdadeiro que preciso tê-los antes de poder dá-los; e se eu der algo, também tenho que recebê-lo. (1:3-6) Aqui, as leis do Céu e do mundo estão de acordo. Mas aqui elas também se separam. O mundo acredita que para possuir uma coisa é necessário guardá-la. A salvação ensina o contrário. Dar e receber não são o mesmo no mundo. Lembre-se da quarta lei do caos – você tem o que pegou de alguém (T-23.II.9:1-4). Se eu tirei algo de você, você não o tem. A verdade, no entanto, é que se eu tirei algo de você – um ataque – estou reforçando o ataque original a mim mesmo. Portanto, dar e receber do ego são baseados na separação, enquanto os do Espírito Santo estão baseados no princípio da Expiação. (1:7-8) Dar é a forma de reconhecer o que tens recebido. É a prova de que o que tens é teu. Para reconhecer o que escolhi para mim mesmo – o medo do ego ou o Amor do Espírito Santo -, preciso estar ciente do que dou aos outros. Se eu der conflito ou culpa, é isso o que recebo em minha mente, através da minha escolha. Se eu for gentil, benigno e misericordioso, é isso o que escolhi e recebi. A seguinte passagem ilustra lindamente esse fato da Projeção faz a percepção: A condenação é o teu julgamento sobre ti mesmo e isso irás projetar sobre o mundo. Se o vês condenado, tudo o que vês é o que fizeste para ferir o Filho de Deus. Se contemplas o desastre e a catástrofe, tentaste crucificá-lo. Se vês santidade e esperança, tu te uniste à Vontade de Deus para libertá-lo. Não há escolha a não ser entre essas duas decisões. E verás a testemunha para a escolha que fizeste e aprenderás a partir daí a reconhecer qual delas escolheste. O mundo que vês apenas te mostra quanta alegria te permitiste ver em ti mesmo e aceitar como tua. E se esse é o seu significado, então o poder de dar-lhe alegria não pode deixar de estar dentro de ti (T-21.in.2). Portanto, o que recebemos – danação ou perdão, desastre ou alegria – repousa dentro do poder de escolha de nossas mentes. Jesus continua com esse importante princípio: (2) Compreendes que estás curado quando dás a cura. Aceitas o perdão como algo realizado em ti mesmo quando perdoas. Reconheces o teu irmão como tu mesmo e assim percebes que és íntegro. Não há milagre que não possas dar, pois todos te são dados. Recebe-os agora abrindo o tesouro da tua mente onde estão guardados e dandoos aos outros. A fonte de todos os milagres é a presença do Espírito Santo em nossas mentes. Abrimos Seu armazém para recebermos milagres por mudarmos nossa decisão errada, agradecidamente reconhecendo para Jesus que ele está certo e nós errados – sobre tudo. Na verdade, chegamos a reconhecer e aceitar que o “Perdão é a chave para a felicidade” (LEpI.121), e o caminho para nos lembrarmos de Deus é “perceber a cura do teu irmão como a cura de ti mesmo...” (T-12.II.2:9).

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(3:1-2) A visão de Cristo é um milagre. Vem de muito além de si mesma, pois reflete o Amor Eterno e o renascimento do amor que nunca morre, mas tem sido mantido obscuro. O pensamento de eterno amor já está presente em nossas mentes, através do Espírito Santo. Ele apenas espera nossa escolha pelo milagre do perdão, o reflexo do Céu na terra. (3:3) A visão de Cristo retrata o Céu, pois vê um mundo tão semelhante ao Céu que o que Deus criou perfeito pode ser lá espelhado. Jesus fala aqui do mundo real. Não é o Céu, mas seu espelho, no qual aceitamos a Expiação para nós mesmos e estamos fora do sonho, percebendo que tudo o que está acontecendo no mundo, e na mente que fez o mundo, é ilusório. Nós aprendemos isso gentil e gradualmente, conforme somos ensinados a trocar nossos pesadelos de julgamento e pesar pelos sonhos felizes de paz e amor do Espírito Santo: Em primeiro lugar, tu vais sonhar com a paz e então despertarás para ela. A tua primeira troca do que fizeste pelo que queres é a troca dos pesadelos pelos sonhos felizes do amor. Neles estão as tuas verdadeiras percepções, pois o Espírito Santo corrige o mundo dos sonhos, onde está toda a percepção... O amor espera pelas boas-vindas, não pelo tempo e o mundo real não é senão as tuas boas-vindas ao que sempre foi. Portanto, o chamado da alegria está nele e a tua resposta feliz é o teu despertar para o que não perdeste (T-13.VII.9:1-3,7-8). (3:4-5) O vidro escurecido que o mundo apresenta só mostra imagens distorcidas em pedaços quebrados. O mundo real retrata a inocência do Céu. A fragmentação que constitui nosso mundo vem dos pensamentos de separação de pecado e culpa na mente. Uma vez que no mundo real estamos fora desses pensamentos, nossa experiência é a de que somos todos partes da luz que é o Filho único de Deus, não importando o sonho de escuridão do ego. A referência aqui é à famosa passagem de São Paulo: Até agora vimos através de um vidro escurecido; mas então, face a face: agora eu conheço em parte; mas depois, devo conhecer até mesmo como sou conhecido (I Coríntios 13:12). O texto também se refere à passagem bíblica, por exemplo: A tua mente está cheia de esquemas para salvar a face do teu ego e não buscas a face de Cristo. O espelho no qual o ego busca ver a própria face é, de fato, escuro. Como pode ele manter o truque da sua existência exceto com espelhos? Mas aonde olhas para achar a ti mesmo depende de ti (T-4.IV.1:5-8). O espelho escurecido de separação do ego é iluminado através do reconhecimento dos nossos interesses compartilhados, refletindo a Unicidade de Cristo. (4:1-3) A visão de Cristo é o milagre no qual nascem todos os milagres. É a sua fonte, ela permanece com cada milagre que dás e ainda continua sendo tua. É o laço pelo qual o doador e o receptor são unidos em extensão aqui na terra, assim como são um só no Céu. Quando damos o milagre, o amor do Céu na terra, reforçamos o fato de que esse amor já está dentro de nós. Sermos “unidos em extensão aqui na terra” significa que compartilhamos 101


com todos o único propósito de perdão da visão, o reflexo da Vontade única de Deus. Como lemos em um dos “pequenos” poemas de Helen, “O Pensamento de Cristo”: Atenha-se ao Pensamento que Cristo colocou em você. Esse foi o Pensamento que veio com você, e dá À sua vinda todo o propósito que ela tem. Você não tem outra função além de encontrar esse Pensamento, Reconhecê-lo para vê-lo conforme Você escolheu desejar, enquanto os desejos ainda prevalecerem, E o reflexo da Vontade de Deus, Que também é sua vontade. Até que isso seja conhecido, Aceite o Pensamento de Cristo, e deixe que ele seja o seu próprio. (As Dádivas de Deus, p. 19). Esse Pensamento encontra seu significado no mundo através do milagre de dar e receber. (4:4-6) Cristo não contempla nenhum pecado em ninguém. E, em Sua vista, os isentos de pecado são um só. A sua santidade foi dada pelo Seu Pai e por Ele próprio. Os isentos de pecado são um só porque compartilham um único propósito. Eles não são literalmente um, mas a afirmação “Cristo não contempla nenhum pecado em ninguém” expressa a correção do sistema de pensamento do ego, que vê o pecado em todos, incluindo a nós mesmos. Sempre que você se sentir tentado a culpar qualquer pessoa por qualquer coisa, a ver alguém como inimigo ou salvador, é porque você tornou o pecado real, tanto no outro quanto em você mesmo. Perceba que tornar o pecado real vem da sua decisão – não de um mal ou pecaminosidade inerentes, mas do seu medo de estar na presença do Amor de Deus. Você quer praticar, portanto, para se tornar consciente de com que freqüência durante o dia expressa tal medo, o que vai lhe permitir escolher outra vez. Mais uma vez, culpar outros não é um pecado, mas um equívoco que não vai lhe trazer o que você quer. Lembre-se das palavras reconfortantes de Jesus: Filho de Deus, tu não pecaste, mas tens estado equivocado (T-10.V.6:1). (5:1) A visão de Cristo é a ponte entre os mundos. Essa é a ponte entre o mundo de separação do ego e o mundo real. A visão de Cristo – nossa prática diária de perdão – nos capacita a mudarmos nossa identificação de uma figura de sonho, cuja única preocupação é ser feliz aqui, para um ser alegremente fora do sonho. O processo é facilitado pela mudança de buscar gratificação através dos relacionamentos especiais para vê-los como instrumentos de perdão. Essa mudança em perspectiva é a ponte que vai nos levar para Casa: A ponte em si mesma nada mais é do que uma transição na perspectiva da realidade. Desse lado, tudo o que vês é grosseiramente distorcido e completamente fora de perspectiva. O que é pequeno e insignificante é engrandecido e o que é forte e poderoso reduzido à pequenez... Esse quadro de referências é feito em torno do relacionamento especial. Sem essa ilusão, não poderia haver significado algum que ainda buscasses aqui (T-16.VI.7:1-3,6-7). (5:2-4) E podes confiar seguramente no seu poder para carregar-te desse mundo ao outro, aquele que foi santificado pelo perdão. Coisas que aqui parecem ser bem sólidas, lá são meras sombras: transparentes, vagamente vistas, por vezes esquecidas e nunca 102


capazes de obscurecer a luz que brilha no que está além delas. A santidade foi restaurada à visão e os cegos podem ver. No mundo real, você percebe que tudo aqui é uma sombra de um pensamento inerentemente irreal. Nesse mundo, no entanto, as coisas parecem sólidas, o corpo muito substancial como uma fonte de dor ou de prazer. No entanto, quando fora do sonho, o mundo e todos nele são vistos pelo que são: meras figuras em um sonho de separação. Portanto, todos os nossos pensamentos e julgamentos não são mais justificados, e a luz do perdão vem para iluminar nossos irmãos e a nós mesmos: E agora os cegos podem ver, pois a mesma canção que cantam em honra ao seu Criador glorifica também a eles. A cegueira que fizeram não será capaz de resistir à memória dessa canção. E contemplarão a visão do Filho de Deus lembrando-se quem é aquele a respeito do qual estão cantando. O que é um milagre senão essa lembrança? E existe alguém em quem essa memória não esteja? A luz em um só desperta a luz em todos. E quando a vês em teu irmão, tu estás te lembrando por todos (T-21.I.10). Essa passagem é sem sentido enquanto pensarmos que estamos lendo essas palavras com nossos olhos, e entendendo-as com nossos cérebros. Enquanto essa for nossa experiência corporal – o que quase sempre é – essas palavras vão, em última instância, ser sem significado para nós. Seu significado é estabelecido, no entanto, pela compreensão de que podemos aprender a não levar as coisas tão a sério quanto antes. Ao continuarmos a praticar o Um Curso em Milagres, o que costumava nos aborrecer vai fazê-lo cada vez menos. E o que até então parecia tão vital e importante para nossa felicidade vai diminuir com o tempo. Tudo isso podemos aprender, e isso vai nos levar mais perto da experiência que nos ajuda a perceber que tudo isso é literalmente um sonho. E nós veremos! E nós veremos finalmente! (6:1-2) Essa é a dádiva única do Espírito Santo, a casa do tesouro à qual podes apelar com perfeita certeza à procura de todas as coisas que possam contribuir para a tua felicidade. Já está tudo aqui. A dádiva da visão de Cristo é reconhecer que nada aqui vai nos tornar verdadeiramente felizes. Ao aprender isso, nossa verdadeira felicidade é encontrada. (6:3-5) Tudo pode ser recebido, basta pedir. Aqui a porta nunca está trancada e a ninguém é recusado o menor pedido ou a mais urgente necessidade. Não há doença que já não esteja curada, nenhuma carência insatisfeita, nenhuma necessidade que não esteja preenchida dentro deste tesouro dourado de Cristo. Não há problema no mundo ou no corpo que não possa ser resolvido por escolhermos um professor diferente e darmos um passo com ele para fora do sonho. Essa é a base da salvação, dentro da qual está o “tesouro dourado de Cristo”. Conta, então, os milagres de prata e os sonhos dourados de felicidade como todo o tesouro que queres guardar dentro do armazém do mundo... O sonho da cura está no perdão e gentilmente te mostra que nunca pecaste. O milagre não deixará nenhuma prova de culpa capaz de te trazer o testemunho daquilo que nunca foi. E no teu armazém ele abrirá um espaço de boas-vindas para o teu Pai e para o teu Ser. A porta está aberta para que todos aqueles que não querem mais morrer de fome possam vir e usufruir da festa da abundância posta diante deles ali. E encontrar-se-ão com os teus Hóspedes, que o milagre convidou para que viessem a ti (T-28.III.7:1; 8:4-8). 103


(7) Aqui o mundo relembra o que se perdeu quando ele foi feito. Pois aqui ele é reparado, feito de novo, mas sob uma luz diferente. O que se destinava a ser a casa do pecado vem a ser o centro da redenção e o lar da misericórdia, onde os sofredores são curados e bem-vindos. Ninguém será mandado embora deste novo lar, onde a sua salvação o espera. Ninguém é um estranho para ele. Ninguém lhe pede coisa alguma exceto a dádiva de aceitar as suas boas-vindas. Quando formos até Jesus em nossas mentes certas – fora do sonho de pecado e sofrimento – o que acabamos de ler vai se tornar real para nós. Nesse instante santo, todos os problemas são resolvidos e nenhuma pessoa é deixada de lado, pois ninguém é um estranho. Na experiência da visão de Cristo, somos percebidos e compreendidos como um, como essa passagem já citada tão belamente nos relembra: Onde o pecado antes era percebido surgirá um mundo que virá a ser um altar à verdade e lá unir-te-ás às luzes do Céu e cantarás a sua canção de gratidão e louvor. E à medida em que vêm a ti para serem completas, tu irás com elas. Pois ninguém ouve a canção do Céu e permanece sem uma voz que acrescente o seu poder à canção, fazendo com que ela seja ainda mais doce. E cada um se une ao canto no altar erguido dentro da mancha diminuta que o pecado proclamou ser propriedade dele. E o que então era diminuto ressoa com a magnitude de uma canção na qual todo o universo se uniu com apenas uma única voz (T-26.IV.5). (8:1-3) A visão de Cristo é a terra santa em que os lírios do perdão fincam suas raízes. Esse é o seu lar. Podem ser levados daqui de volta para o mundo, mas nunca poderão crescer no seu solo desnutrido e de pouca profundidade. O perdão tem seu lar na visão de Cristo, que não vê diferenças onde não existe nenhuma. Portanto, quando você se sentir tentado a ver diferenças e torná-las significativas, não quer ser perdoado, pois você sabe que se for, não vai mais saber quem você é. Seu medo de tal esquecimento o leva continuamente de volta para seus “amigos”: mágoas, ansiedade e desespero. No entanto, depois de escolher um instante santo e experienciar a si mesmo de volta ao corpo, o especialismo que costumava satisfazê-lo não mais o fará. Você percebe que seu perdão era na verdade perdão-para-destruir (C-2.II), pois o verdadeiro perdão, baseado na visão de Cristo, vê apenas propósito compartilhado. A aparente realidade do ego, que florescia no “solo desnutrido e de pouca profundidade” da ausência de perdão, foi desfeita, pois o especialismo das diferenças foi perdoado. (8:4-6) Precisam da luz, do calor e do amor com que Ele os contempla. E vêm a ser os Seus mensageiros, que dão como receberam. Portanto, os lírios do perdão – o assunto aqui – têm suas bases na presença do amor em nossas mentes. Se não voltarmos a essa presença, com Jesus como nosso professor e guia, tudo o que fizermos será repleto de especialismo e separação. A questão é sempre qual professor escolhemos, e o amor de Jesus nos provê o solo que nutre o perdão. (9:1) Tira do Seu estoque para que os tesouros possam aumentar. Jesus mais uma vez nos incita a irmos para onde ele está: a mente certa, que contém o tesouro. Portanto, não faz sentido – exceto para o ego – trazer Jesus para o mundo, onde seu tesouro não está. Se nós realmente quisermos a felicidade e o preenchimento de nossas vidas, precisamos ir à sua fonte – trazer ilusões à verdade, não a verdade à ilusão. Quando depois retornarmos para a ilusão, o faremos de forma muito diferente. É essencial entender que se quisermos sinceramente perdoar, vermos nosso irmão de forma diferente para nos lembrarmos 104


de que nunca deixamos Deus, não temos outra escolha a não ser ir até a casa de tesouros dos milagres em nossas mentes, longe da culpa e do medo da mente errada. (9:2-4) Seus lírios não deixam o seu próprio lar quando são carregados de volta para a o mundo. As suas raízes permanecem. Não deixam a sua fonte, mas carregam consigo a sua beneficência, transformando o mundo num jardim como aquele de onde vieram e ao qual retornam com mais fragrância. Jesus enfatiza essa idéia na Lição 184. Nós lutamos para retornarmos à luz, onde nos lembramos da verdade e do nosso professor real. Quando depois voltamos para o mundo da escuridão, estamos inevitavelmente diferentes, pois nossa perspectiva agora é a da luz e amor de Jesus. Tudo o que vemos aqui reflete sua presença, e somos solicitados a trazermos nossos irmãos conosco ao retornarmos para o jardim do perdão, a fonte do sonho na mente: Sai e acha-os, pois trazem consigo o teu Ser. E conduze-os gentilmente ao teu jardim de quietude e lá recebe a sua bênção. Assim ele crescerá e se espalhará através do deserto, sem deixar nem sequer um pequeno reino isolado, trancado para o amor, contigo lá dentro. E reconhecerás a ti mesmo e verás o teu pequeno jardim gentilmente transformado no Reino do Céu com todo o amor do seu Criador brilhando sobre ele (T-18.VIII.10). Portanto, se estivermos transtornados, zangados, ou de qualquer forma envolvidos com o especialismo, precisamos apenas nos voltar para a fonte na mente – o fato do tomador de decisões ter escolhido o ego – e escolher outra vez. Nesse ponto, qualquer coisa para a qual nos voltarmos aqui será vista de forma diferente. O mundo não desaparece, mas sua importância arrefece conforme caminhamos para dentro do nosso jardim de lírios, com Jesus e todos os nossos irmãos: Em paz eu venho, e incito você agora a fazer um fim para o tempo, e dar um passo para a eternidade comigo. Não haverá mudanças que os olhos possam ver, nem você vai desaparecer das coisas do tempo. Mas você vai segurar minha mão ao retornar, porque viremos juntos (As Dádivas de Deus, p. 117). (9:5-7) Agora, são duplamente bem-aventurados. As mensagens que trouxeram de Cristo foram entregues e devolvidas a eles. E eles as devolvem a Cristo com contentamento. As bênçãos duplas são as de que tanto você quanto eu seremos abençoados – eu dou os milagres que recebo. Quando vejo você através dos olhos de Jesus, você é lembrado da escolha da mente certa que pode fazer, mesmo enquanto essa escolha é reforçada em mim. (10:1-4) Contempla a provisão de milagres preparada para dares. Não és digno da dádiva, quando Deus designou que essa te fosse dada? Não julgues o Filho de Deus, mas segue no caminho que Ele estabeleceu. Cristo teve o sonho de um mundo perdoado. Jesus está nos mostrando mais uma vez que o milagre, também, é uma ilusão. Seu mundo não é a realidade, mas o reflexo da verdade: o sonho de perdão de Cristo. (10:5) É Sua a dádiva pela qual pode ser feita uma doce transição da morte para a vida, da desesperança para a esperança. 105


Jesus está se referindo à ponte entre o mundo do ego e o mundo real: O perdão... [é] um caminho no qual aqueles que não conhecem podem fazer uma ponte sobre a brecha entre sua percepção e a verdade. Eles não podem ir diretamente da percepção ao conhecimento porque não pensam que é a sua vontade fazer isso... a Unidade que ele [o perdão] reflete vem a ser a Sua Vontade. É a única coisa que ainda está em parte no mundo e mesmo assim é a ponte para o Céu (ET-3.2:1-2; 5:2-3). (10:6-8) Vamos nos permitir sonhar com Cristo por um instante. O Seu sonho nos desperta para a verdade. A Sua visão nos dá os meios para o retorno à nossa eterna santidade em Deus, que nunca foi perdida. Somos solicitados a sermos atentos em relação a como percebemos os outros, pois isso nos oferece um espelho que revela como primeiro percebemos a nós mesmos. Se eu julgar você, é porque primeiro julguei a mim mesmo; mas, uma vez que estou inconsciente da minha auto-condenação, preciso que o mundo seja minha sala de aula, tendo Jesus como meu professor. Ele me ajuda a reconhecer que você e eu não somos diferentes, porque nunca deixamos a Unicidade de Deus. Essa Unicidade é agora refletida no meu perdão, que desfaz a crença na separação. Portanto, todos nós somos curados como um, devolvidos à nossa consciência compartilhada da Vontade de Deus. Vamos juntos rezar essas adoráveis palavras de Psicoterapia, encerrando a lição: Vamos ficar em silêncio diante da Vontade de Deus, e fazer o que Ela determinou que façamos. Há apenas um caminho pelo qual podemos chegar onde todos os sonhos começaram. E é lá que vamos deixá-los de lado, para vir embora em paz para sempre. Ouve o pedido de ajuda de um irmão e responde-o. Será a Deus que responderás, pois O chamaste. Não há nenhum outro caminho para ouvir a Sua Voz. Não há nenhum outro caminho para buscar o Seu Filho. Não há nenhum outro caminho para achar o teu Ser. A cura é santa, pois o Filho de Deus retorna ao Céu através do seu abraço benigno. Pois a cura lhe diz, através da Voz por Deus, que todos os seus pecados foram perdoados (P-2.V.8).

LIÇÃO 160 Estou em casa. O medo é o estranho aqui. Nosso tema agora muda, pois essa lição se focaliza no poder da mente de escolher se vamos fazer nosso lar no sistema de pensamento de medo do ego, ou no sistema de pensamento de amor do Espírito Santo.

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(1) O medo é o estranho para os caminhos do amor. Identifica-te com o medo e serás um estranho para ti mesmo. O que é o teu Ser permanece alheio para aquela parte de ti que pensa que é real, mas diferente de ti mesmo. Quem poderia ser são em tal circunstância? Quem senão um louco poderia acreditar que é o que não é e julgar contra si próprio? Nós já vimos – logo no início do livro de exercícios e no texto – uma discussão similar sobre as tentativas do ego de nos confundir em relação a nossa identidade. Essa é uma passagem representativa, que se dirige ao fato de termos dado boas-vindas ao medo na mente em vez de à luz, e o preço doloroso que pagamos como resultado disso: O medo e o luto são os teus hóspedes e eles vão contigo e habitam contigo durante o caminho. Mas a jornada escura não é o caminho do Filho de Deus. Caminha na luz e não vejas os escuros companheiros, pois eles não são companheiros adequados para o Filho de Deus, que foi criado da luz e na luz. A Grande Luz está sempre em torno de ti e brilha a partir de ti. Como é possível que vejas os companheiros escuros em uma luz tal como essa? Se os vês, é apenas porque estás negando a luz. Mas, em vez disso, nega a eles, pois a luz está aqui e o caminho é claro (T-11.III.4:4-10). Quando o Filho de Deus tomador de decisões escolhe o ego em vez do Espírito Santo, ele automaticamente se transforma em um estranho para Cristo. Nesse ponto, o Ser se torna um forasteiro, e o sistema de pensamento do ego é acolhido em Seu lugar, simbolizado aqui pelo medo. Quando dou boas vindas ao estranho real em minha mente, ele se torna a minha identidade – o lar do pecado, culpa e medo. Quem eu realmente sou – espírito – se torna um forasteiro estranho. Portanto, eu me torno insano, acreditando que sou quem não sou; e quem eu não sou, agora acredito ser. É uma verdadeira crise de identidade. (2:1) Existe um estranho em nosso meio, vindo de uma idéia tão estranha à verdade que fala uma língua diferente, olha para um mundo que a verdade desconhece e compreende o que a verdade considera sem sentido. Você pode se recordar de que “O pecado como um ajustamento” discute essa idéia de um estranho que trouxemos ao lar na mente: Não busques fazer com que o Filho de Deus se ajuste à sua própria insanidade. Há um estranho nele, que vagando descuidadamente entrou na casa da verdade, e vagando ir-se-á... Não perguntes a esse estranho transeunte: “Quem sou eu?”. Ele é a única coisa em todo o universo que não sabe... E à única coisa cega em todo o universo vidente da verdade, perguntas: “Como devo eu olhar para o Filho de Deus?” (T-20.III.7:1-2,5,10). No contexto dessa discussão, o estranho é o sistema de pensamento do ego. Aqui, está o medo. Na passagem no livro de exercícios, reflete a natureza intransigente da realidade. A verdade e o amor não conhecem o medo. Em outras palavras, Deus não sabe nada sobre a ilusão porque ela está fora da Sua Mente e, portanto, não existe. A “idéia tão estranha à verdade” é a separação de Deus; a verdade é o princípio da Expiação de que a separação nunca aconteceu. Portanto, o ego fala uma linguagem estranha à verdade do Espírito Santo. Nenhum pode entender o outro, como essa passagem sobre inculpabilidade e culpa expressa: Os que não têm culpa e os culpados são totalmente incapazes de se compreenderem mutuamente. Cada um percebe o outro como a si próprio, fazendo 107


com que ambos sejam incapazes de se comunicar, porque cada um vê o outro de um modo diferente do que vê a si mesmo. Deus só pode comunicar-Se com o Espírito Santo na tua mente, porque só Ele compartilha o conhecimento do que tu és com Deus. E só o Espírito Santo pode responder a Deus por ti, pois somente Ele conhece o que Deus é. Tudo o mais que colocaste dentro da tua mente não pode existir, pois o que não está em comunicação com a Mente de Deus nunca foi. Comunicação com Deus é vida. Nada que esteja fora dela existe de forma alguma (T-14.IV.10). (2:2-4) Ainda um estranho [note o jogo de palavras em estranho], ele vem sem reconhecer a quem vem, mas ainda afirma que a sua casa lhe pertence, enquanto aquele que está em casa é agora o estranho. No entanto, como seria fácil dizer: “Essa é a minha casa. Aqui é o meu lugar e não partirei porque um louco me diz que tenho que ir”. Nós nos esquecemos de quem somos e, portanto, tornarmos a nós mesmos sem lar. Nós abandonamos nosso verdadeiro lar a abdicamos da nossa realidade, adotando em vez dela, um lar que não é realmente nosso. De fato, não está lá de forma alguma. É importante saber que fizemos essa escolha não apenas uma vez, mas continuamente, escolhendo a pequenez em vez da magnitude. Já estamos familiarizados com Jesus nos dizendo que nós não pedimos demais, mas sim muito pouco: O que é a Vontade de Deus? A Sua Vontade é que Seu Filho tenha tudo. E isso Ele garantiu quando o criou sendo tudo... Aqui, o Filho de Deus não pede muito, mas pouco demais. Ele sacrificaria a sua própria identidade com todas as coisas, para achar um pequeno tesouro só seu. E isso ele não pode fazer sem sentir isolamento, perda e solidão. Esse é o tesouro que ele buscou achar. E só poderia temê-lo. É o medo um tesouro? É possível que a incerteza seja o que queres? Ou isso é um equívoco a respeito da tua vontade e do que realmente és? (T-26.VII.11:1-3,7-14). O pouco que pedimos é algum alívio do medo, sem percebermos que deveríamos realmente pedir por sua total eliminação. No entanto, o ego nos diz que se não existe medo, não existe eu, porque nossa identidade corporal vem do medo, nascido da necessidade de escaparmos da ira de Deus em nossas mentes. Nesse mundo, portanto, somos criaturas do medo, e Jesus freqüentemente nos diz que essa é a origem e o conteúdo dos sonhos – seu símbolo para o estado separado. Aqui estão três exemplos representativos: Pois cada sonho não é senão um sonho de medo, não importa que forma pareça tomar. O medo é visto dentro, fora, ou em ambos os lugares, ou pode estar disfarçado em uma forma agradável. Mas nunca está ausente do sonho, pois o medo é a matéria prima dos sonhos, da qual todos são feitos. A sua forma pode mudar, mas não podem ser feitos de nenhuma outra coisa (T-29.IV.2:2-6). Os novos sonhos irão perder o seu apelo temporário e virão a ser sonhos de medo, que é o conteúdo de todos os sonhos (P-3.II.6:6). O medo é a única emoção do mundo. Suas formas são muitas – chame-as do que você quiser -, mas são uma em conteúdo... Não há fragmentos de sonhos. Cada um contém o todo do medo, o oposto do amor, o inferno que oculta a memória de Deus, a crucificação do Seu Filho santo (As Dádivas de Deus, p. 115, 116). Se não há medo, mais uma vez, eu não existo. No estado de medo, portanto, o amor e o meu ser são os estranhos, assim como meu professor Jesus. Eu escolho em vez disso aquele 108


que ensina que o meu medo é justificado, dando à loucura do mundo o poder de me roubar do meu lar: a paz de Deus. (3:1) Que razão haverá para não dizeres isso? Jesus, portanto, pergunta: “Por que você não diria que seu lar é sua mente certa? Pelo fato do ego gritar sua rouca insanidade, isso não significa que você tenha que ouvi-lo”. (3:2-3) Qual poderia ser a razão, exceto que convidaste esse estranho a tomar o teu lugar e permitiste que fosses um estranho para ti mesmo? Ninguém se deixaria desapossar tão desnecessariamente, a menos que pensasse que existe outro lar mais adequado ao seu gosto. Esse parágrafo me conta o problema. Eu acredito que esse mundo e corpo me dão o que eu quero, assim como o sistema de pensamento do ego, que faz transigências ao meu especialismo, mantendo minha identidade a salvo. Ela pode nem sempre ser uma identidade feliz, para dizer o mínimo, mas existe uma parte de mim que pula de alegria por causa dela, dizendo: “Não é maravilhoso? Eu existo! Quanto mais eu sofro, mais posso tornar os outros responsáveis por isso. Não posso perder!”. É importante entender essa dinâmica. Não iríamos banir o amor, jogar Jesus para longe, e abraçar o medo a menos que acreditássemos que o ego nos deu algo mais adequado ao nosso gosto: a preservação da nossa individualidade – o verdadeiro lar do ego. (4:1-2) Quem é o estranho? É o medo, ou és tu, que é tão inadequado ao lar que Deus proveu para o Seu Filho? “Quem é o estranho?” – repetido como um tema musical na lição. O amor ou o medo? A resposta correta, é claro, é o medo, mas todos nós acreditamos que o amor é o estranho, porque nós o banimos. A mensagem de Jesus a nós, no entanto, é a de que o medo é inadequado ao lar que Deus nos deu. Nós, como crianças do Amor, pertencemos a Ele e ao Espírito Santo como nosso Professor. (4:3) Acaso o medo é próprio de Deus, criado à Sua semelhança? Isso é tirado do Gênesis: E Deus disse, Vamos criar o homem à nossa própria imagem e semelhança (Gênesis, 1:26). Jesus nos diz que o que é verdadeiramente criado à imagem e semelhança de Deus é o amor, não o medo. (4:4-8) Acaso é o medo que o amor completa e pelo qual é completado? Não há nenhum lar que possa abrigar o amor e o medo. Não podem coexistir. Se tu és real, então o medo tem que ser uma ilusão. E se o medo é real, então tu absolutamente não existe. Nós repetidamente vemos essa afirmação do Nível Um: Deus ou ilusão, amor ou medo – sem nada intermediário. O amor não conhece o medo, nem Deus conhece a ilusão da separação. A fundação metafísica do Curso é um ou outro, o que é exemplificado nesse silogismo, baseado na famosa declaração da primeira epístola de São João – “O perfeito amor expulsa o medo” (1 João 4:18):

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Todos os aspectos do medo são inverídicos, porque não existem no nível criativo e, portanto, absolutamente não existem. Qualquer que seja a extensão da tua disponibilidade para submeter as tuas crenças a esse teste, nessa mesma extensão as tuas percepções são corrigidas. Para separar o falso do verdadeiro, o milagre procede nestas linhas: O amor perfeito exclui o medo. Se o medo existe, então não há amor perfeito. Mas: só o amor perfeito existe. Se há medo, ele produz um estado que não existe. (T-1.VI.5:1-8). (5:1-3) Nesse caso, com que simplicidade a questão é resolvida. Aquele que tem medo apenas negou a si mesmo e disse: “Sou o estranho aqui. E assim deixo o meu lar a alguém que se parece mais comigo do que eu mesmo e dou-lhe tudo o que eu pensava me pertencer”. Eu joguei fora meu verdadeiro Ser em troca de uma identidade de medo, dessa forma me tornando uma criança da separação em vez de da Unicidade, abandonando meu verdadeiro lar e dando-o a um estranho. (5:4) Agora ele é exilado por necessidade, sem saber quem é, incerto de todas as coisas exceto disso: de que ele não é ele mesmo e que o seu lar lhe foi negado. Em algum ponto, nós percebemos que esse mundo não é o nosso lar, mas que esquecemos e abandonamos nosso verdadeiro lar. Além disso, nós projetamos toda a responsabilidade por isso, acreditando que nosso lar foi negado a nós: “Alguém fez isso comigo”. Portanto, o mundo foi feito, e depois, sua fonte esquecida. A próxima lição ensina que nós fizemos um mundo de especificidades para que pudesse haver alguém fora de nós a quem pudéssemos culpar e odiar: “Sim, eu não estou em casa; sim, eu sou um órfão... mas não é culpa minha!”. (6:1-3) E agora, o que procura ele? O que pode achar? Um estranho para si mesmo não pode achar um lar onde quer que o procure, pois ele mesmo fez com que o retorno fosse impossível. Esse é o significado real do especialismo: nós buscamos em vão pelo nosso lar, desesperadamente buscando amor e felicidade no mundo, mas nunca os encontrando: O ego está certo de que o amor é perigoso e esse é sempre o seu ensinamento central. Ele nunca coloca isso desse modo, pelo contrário, todo aquele que acredita que o ego é a salvação parece estar intensamente engajado na busca do amor. Todavia, o ego embora encoraje ativamente a busca do amor, tem uma cláusula: não o aches. Seus ditames podem ser então simplesmente resumidos dessa forma: “Busca e não aches”... A busca que o ego empreende está, portanto, condenada a fracassar. E uma vez que ele também ensina que está identificado contigo, a sua orientação te conduz a uma jornada que necessariamente terminará na percepção do teu próprio fracasso. Pois o ego não é capaz de amar e na sua busca frenética de amor, está buscando o que tem medo de achar... Assim sendo, segue o seu ensinamento e buscarás o amor, mas não o reconhecerás (T-12.IV.1:1-4; 2:1-3; 3:5). 110


Meu retorno é impossível porque eu olho no lugar errado. Tão logo dou as costas ao Espírito Santo, fico preso no corpo da mente errada do ego. Vou procurar lá pelo que vai me fazer feliz e me trazer paz; por coisas espirituais, santas e religiões que vão me salvar. No entanto, nunca vou encontrá-las nesse mundo, porque elas só existem na minha mente certa – meu lar longe de casa. (6:4-5) O seu caminho está perdido, a não ser que um milagre venha buscá-lo e lhe mostre que agora já não é um estranho. O milagre virá. Apesar de termos jogado fora a mente certa, ela permanece dentro de nós. Em algum ponto, percebemos que cometemos um erro e entendemos por que não estamos felizes. Nós então voltamos para nossas mentes e escolhemos o milagre do Espírito Santo e encontramos nosso Amor: O Espírito Santo te oferece outra promessa, uma promessa que conduzirá à alegria. Pois a Sua promessa sempre é “Buscai e achareis” e, sob a Sua orientação, não podes ser derrotado. A Sua jornada é rumo à realização e a meta que Ele coloca diante de ti, Ele te dará (T-12.IV.4:4-6). (6:6-8) Pois o seu Ser permanece no seu lar. Não convidou nenhum estranho a entrar e não Se tomou por nenhum pensamento alheio. E Ele chamará o que é Seu para Si Mesmo em reconhecimento do que Lhe pertence. Essa é a memória de Quem nós somos como Cristo, mantida para nós pelo Espírito Santo. Cristo não conhece nada sobre medo, o estranho, mas nós sim. Portanto, nosso tomador de decisões reverte sua decisão errada e se identifica agora com essa memória do nosso lar, como vimos nessa declaração familiar: Tu estás em casa em Deus, sonhando com o exílio, mas perfeitamente capaz de despertar para a realidade. É decisão tua fazer isso? (T-10.I.2:1-2). (7:1-2) Quem é o estranho? Não será aquele por quem o teu Ser não chama? Meu verdadeiro Ser – outro símbolo da Voz do Espírito Santo – não chama pelo meu ego, nem pelo medo, do qual Ele nada sabe. Ele meramente brilha em nossas mentes, como a luz de um farol. (7:3) És incapaz de reconhecer esse estranho no teu meio agora, pois deste a ele o teu lugar de direito. Eu não sei que o medo é o estranho, mas sei que existo como um corpo individual – com medo e transtornado, culpado e sozinho. Eu não percebo que essa tem sido a minha escolha, pois acredito que o medo é meu lar e realidade. Nós vimos a passagem descrevendo como o ego torna quase impossível reconhecermos a presença da verdade em nossas mentes, expresso no contexto do especialismo e do Espírito Santo. Aqui está isso novamente, em sua forma mais completa, similar à nossa discussão anterior sobre a inabilidade de a verdade e a ilusão se comunicarem uma com a outra: Tu não és especial. Se pensas que és e queres defender o teu especialismo contra a verdade do que realmente és, como podes conhecer a verdade? Que resposta que o Espírito Santo te dê pode alcançar-te, quando é ao teu especialismo que escutas e é ele que pergunta e responde? Tudo o que tu escutas é a sua resposta 111


diminuta, que não tem nenhum som na melodia que transborda de Deus para ti eternamente louvando com amor o que tu és. E essa imensa canção de honra e amor pelo que tu és parece silenciosa e inaudível diante da sua “magnificência”. Tu te esforças para que teus ouvidos ouçam a sua voz sem som e, no entanto, o Chamado do próprio Deus é insonoro para ti. Podes defender o teu especialismo, mas nunca ouvirás a Voz que fala por Deus ao seu lado. Elas falam línguas diferentes e caem em ouvidos diferentes. Para cada pessoa especial a verdade é uma mensagem diferente, com significado diferente. No entanto, como é possível que a verdade seja diferente para cada um? As mensagens especiais que os especiais ouvem os convencem de que eles são diferentes e à parte, cada um em seus pecados especiais e “a salvo” do amor, que absolutamente não vê o seu especialismo. A visão de Cristo é “inimiga” para com eles, pois não vê o objeto de seus olhares e quer mostrar-lhes que o especialismo que pensam que vêem é uma ilusão (T-24.II.4-5). (7:4-9) Entretanto o teu Ser tem tanta certeza do que Lhe é próprio, quanto Deus de Seu Filho. Ele não pode estar confuso a respeito da criação. Tem certeza do que Lhe pertence. Nenhum estranho pode ser interposto entre o Seu conhecimento e a realidade de Seu Filho. Ele desconhece estranhos. Tem certeza acerca do Seu Filho. Lembre-se das adoráveis palavras freqüentemente citadas do texto: “nenhuma nota na canção do Céu foi perdida” (T-26.V.5:4). A separação não teve efeitos sobre a verdade, e Deus não sabe nada do ego, nem do seu sistema de pensamento de medo. Ele simplesmente é; e, como Seu Filho, somos um em Seu Ser. Note com que freqüência Deus retorna a esse tema importante do perfeito Amor de Deus não conhecer nada sobre o ego imperfeito e sua separação. (8:1-3) A certeza de Deus é suficiente. Aquele Que Ele conhece como Seu Filho pertence ao lugar no qual Ele O estabeleceu para sempre. Ele respondeu a ti que perguntas: “Quem é o estranho?”. O problema é que nós não fizemos essa pergunta, e o propósito do Um Curso em Milagres é nos levar a fazê-la. Quando o fazemos, pelo menos reconhecemos que existe algo que não sabemos aqui, pois temos estado tão convencidos de que estamos certos. Podemos não gostar do medo ou da culpa, mas acreditamos que eles são verdadeiros. Fazer a pergunta certa significa perguntar quem é o estranho – o amor ou o medo. Portanto, reconhecemos que existe uma escolha. Até que esse ponto seja alcançado, no entanto, sabemos apenas que o medo é a realidade e temos que tirar o melhor dele. Isso serve ao propósito do ego de manter distante nossa segurança inerente como o Filho de Deus, para sempre mantida em Seu Coração, onde Ele nos colocou quando nos criou como um com Ele. O Epílogo ao esclarecimento de termos expressa essa certeza: Há muito tempo o fim estava escrito nas estrelas e firmado nos Céus com um raio brilhante que o manteve a salvo na eternidade assim como ao longo de todo o tempo. E ainda o mantém; sem que nada tenha sido mudado, sem que nada esteja sendo mudado e para todo o sempre imutável (ET-ep.2:5-6). Essa adorável imagem ecoa a passagem já citada do texto: O Pensamento que Deus mantém de ti é como uma estrela, imutável no Céu eterno. Tão elevada no Céu está ela, que aqueles que estão fora do Céu, não sabem que ela está lá. Entretanto, quieta, branca e bela, ela brilhará através de toda a eternidade. Não houve tempo algum em que ela não estivesse lá, nenhum instante em que a sua luz tenha diminuído ou se mostrado menos perfeita. 112


Quem conhece o Pai conhece essa luz, pois Ele é o firmamento eterno que a mantém a salvo, para sempre elevada e ancorada em segurança. Sua pureza perfeita não depende de ser vista na terra ou não. O firmamento a abraça e suavemente e mantém em seu lugar perfeito, que está tão distante da terra quanto a terra do Céu... Completamente intocado pelo tumulto e pelo terror do mundo, os sonhos de nascimento e de morte que são aqui sonhados, as miríades de formas que o medo pode tomar; inteiramente imperturbado, o Pensamento que Deus mantém de ti permanece exatamente como sempre foi. Cercado por uma quietude tão completa que nenhum som de batalha se aproxima nem sequer de forma remota, ele descansa na certeza e na paz perfeita. Aqui está a sua única realidade mantida em segurança, completamente inconsciente de todo o mundo que cultua ídolos e que não conhece a Deus. Na perfeita confiança da sua imutabilidade e do seu descanso na sua casa eterna, o Pensamento que Deus mantém de ti nunca deixou a Mente de seu Criador, a Quem ele conhece do mesmo modo que o seu Criador tem o conhecimento de que ele está lá (T-30.III.8:4-9:3; 10:2-5). (8:4-5) Ouve a Sua Voz te assegurar, de modo quieto e seguro, que não és um estranho para o teu Pai e nem o teu Criador se fez um estranho para ti. Aqueles a quem Deus uniu permanecem para sempre um só, em casa com Ele e não um estranho para Si Mesmo. Isso foi retirado da bem conhecida linha no evangelho de Mateus: “O que Deus uniu, que nenhum homem separe” (19:6). Ainda que tenhamos deixado o amor, o amor não nos deixou e não somos estranhos a ele nem a Deus. Referências a esse texto das escrituras abundam no texto, sobre o qual as duas próximas são representativas: O Filho de Deus é um. A quem Deus uniu como um só, o ego não pode separar (T17.III.7:2-3). Na verdade, tu e o teu irmão estais juntos e não há nada entre vós. Deus segura as vossas mãos e o que pode separar aqueles a quem Ele uniu como um só em Si Mesmo? (T-22.V.3:4-5). Portanto, reinterpretada – a citação bíblica se refere ao divórcio -, Jesus usa a citação ainda para outra forma do princípio da Expiação: a unicidade do Filho de Deus não pode ser, e nunca foi, quebrada ou fragmentada. (9:1-2) Hoje damos graças por Cristo ter vindo procurar no mundo pelo que Lhe pertence. A Sua visão não vê estranhos, mas contempla os Seus e alegremente Se une a eles. Pense novamente em Cristo (ou o Espírito Santo) como um farol que irradia uma luz de amor em nossas mentes. Nós buscamos e, em algum ponto, vemos a luz e percebemos que cometemos um erro: Existe uma saída do oceano escuro que é o inferno do ego, uma saída de uma noite que parecia interminável. E então, nós alegremente damos graças: Vamos ficar contentes porque podemos caminhar pelo mundo e achar tantas oportunidades de perceber outra situação onde a dádiva de Deus pode mais uma vez ser reconhecida como nossa! E assim, todos os vestígios do inferno, os pecados secretos e os ódios escondidos desaparecerão. E toda a beleza que eles ocultavam aparecerá como os gramados do Céu aos nossos olhos para erguer-nos bem acima das estranhas e espinhosas pelas quais viajamos antes que Cristo aparecesse (T-31.VIII.9:1-3). 113


Jesus pede nossa gratidão pela verdade em nossas mentes que nunca mudou, corrigindo nossa ingratidão nascida do medo. Portanto, temos mantido a verdade escondida, pois estar em sua presença significaria o fim do nosso sistema de pensamento. Agora somos gratos por podermos escolher a verdade que é a única coisa que vai nos trazer felicidade e paz. (9:3) Eles O vêem como um estranho, pois não reconhecem a si mesmos. Enquanto nos identificarmos com o medo e com nossa identidade separada, especial, não vamos conhecer a verdade. Não vamos perceber que nós, como um ego, somos o estranho, enquanto nós, como Cristo, estamos em casa. Através do perdão aos outros, nós chegamos a reconhecer nossa identidade compartilhada e a verdade do brilhante estranho que, como nosso irmão mais velho, nos trouxe a salvação a Páscoa: Se vislumbrares a face de Cristo por trás do véu, olhando por entre as pétalas brancas como a neve dos lírios que recebeste e deste como dádiva tua, contemplarás a face do teu irmão e a reconhecerás. Eu era um forasteiro e me recolheste sem saber quem era eu. Entretanto, pela tua dádiva de lírios, tu saberás. No teu perdão a esse forasteiro, estranho para ti e no entanto teu Amigo antigo, está a sua liberação e a tua redenção junto com ele. O tempo da Páscoa é um tempo de alegria e não de luta. Olha para o teu Amigo ressuscitado e celebra a sua santidade junto comigo. Pois a Páscoa é o templo da tua salvação junto com a minha (T20.I.4:2-8). (9:4-10:1) Mas, ao dar-Lhe as boas-vindas, se lembram. E Ele os conduz gentilmente de volta ao lar, que é o lugar que lhes é próprio. Cristo não esquece ninguém. Você pode se lembrar do primeiro poema de Helen, “A Dádiva do Natal”, que ela escreveu poucos meses antes de transcrever essa lição. O poema começa: “Cristo não deixa ninguém de lado. Através disso, você sabe que ele é o Filho de Deus” (As Dádivas de Deus, p. 95). Essa mesma linda idéia é expressa aqui: “Cristo não esquece ninguém”. É útil notar com que rapidez deixamos as pessoas de lado quando as julgamos, somos insensíveis aos seus pedidos de ajuda, ou simplesmente as usamos para nossa própria gratificação. (10:2) Não falha em te dar nem um só dos teus irmãos para que te lembres, para que o teu lar possa ser completo e perfeito tal como foi estabelecido. Nossas vidas são salas de aula nas quais todos os que encontramos durante o dia – uma pessoa significativa ou alguém que vemos apenas em circunstâncias menores – nos apresentam uma oportunidade de aprendermos com que rapidez rejeitamos, negligenciamos e usamos as pessoas. Nós olhamos para esse fato horrível sem julgamento e culpa, percebendo que por excluir outra pessoa, excluímos a nós mesmos. Nós pedimos então - se essa for a dádiva que verdadeiramente queremos –, para nós mesmos: Quando te encontras com qualquer um, lembra-te de que é um encontro santo. Assim como tu o vires, verás a ti mesmo. Assim como o tratares, tratarás a ti mesmo. Assim como pensares dele, pensarás de ti mesmo. Nunca te esqueça disso, pois nele acharás a ti mesmo ou te perderás. Sempre que dois Filhos de Deus se encontram, lhes é dada mais uma chance de salvação. Não deixes ninguém sem lhe dar a salvação e sem recebê-la tu mesmo (T-8.III.4:1-7). (10:3-5) Ele não te esqueceu. Mas tu não te lembrarás de Cristo até olhares para tudo como Ele o faz. Todo aquele que nega o seu irmão está negando a Ele e recusando-se, 114


assim, a aceitar a dádiva da vista através da qual vem a salvação, o seu Ser é claramente reconhecido e o seu lar relembrado. Você não vai se lembrar de que está em casa em Cristo, com Jesus como seu professor e seu amor como sua meta, até primeiro compartilhar esse pensamento com todos a quem você vê ou sobre quem pensa. Nós, portanto, concluímos essa inspiradora lição com uma passagem de A Canção da Oração, expressando o final da jornada, o final da escada, na qual ficamos com Cristo; nosso irmão ao nosso lado, um conosco e com toda a Filiação: A escada subiu muito alto. Tu vieste quase até o Céu. Há pouco mais a ser aprendido antes da jornada se completar. Agora podes dizer a todos aqueles que vêm para se unir a ti em oração: Eu não posso ir sem ti, pois és uma parte de mim. E assim ele é na verdade. Agora podes orar só por aquilo que verdadeiramente compartilhas com ele. Pois compreendeste que ele nunca partiu e tu, que parecias sozinho, és um com ele. A escada termina com isso, pois o aprendizado já não é mais necessário. Agora estás diante do portão do Céu, e lá teu irmão está ao teu lado. O gramado é profundo e quieto, pois é aqui o lugar marcado para o momento em que deverias vir, e ele esperou por ti durante muito tempo. Aqui o tempo acabará para sempre. Neste portão a própria eternidade se unirá a ti. A oração veio a ser o que deveria ser, pois reconheceste o Cristo em ti (C-1.V.3:5-4:6).

LIÇÃO 161 Dá-me a tua bênção, Filho santo de Deus. Essa é uma lição importante, por causa da sua integração dos nossos dois níveis: a metafísica abstrata do Curso com as aplicações específicas às nossas vidas diárias. Ela, portanto, merece particularmente nossa atenção e estudo. (1:1) Hoje praticamos de modo diferente e nos posicionamos contra a nossa raiva para que os nossos medos possam desaparecer e oferecer espaço ao amor. 115


Jesus começa falando conosco no nível dos nossos relacionamentos especiais. Como sabemos, o termo em si nunca aparece no livro de exercícios ou manual, no entanto, sempre que Jesus fala sobre perdão ou raiva, ele se refere ao nosso especialismo. O exercício na segunda parte da lição expressa o princípio de que a maneira com que vejo você espelha a maneira com que vejo a mim mesmo: se eu o ataco, ataco a mim mesmo; se eu vejo você como um Filho de Deus, reflito o fato de primeiro ter visto o Filho em mim mesmo. Com a raiva ou falta e perdão fora do caminho, abrimos espaço para o amor, que esperou pacientemente por trás dos véus de especialismo, por nosso retorno a ele. (1:2) Aqui está a salvação nas simples palavras com que praticamos a idéia de hoje. Eu sou salvo da carga espantosa da minha culpa conforme aprendo a ver o Cristo em outra pessoa. De novo e de novo, Jesus nos lembra do quanto é simples seu plano para a salvação. Lembre-se novamente dessas palavras muito citadas: Como é simples a salvação! Tudo o que ela diz é que o que nunca foi verdadeiro não é verdadeiro agora e nunca o será. O impossível não ocorreu e não pode ter efeitos. E isso é tudo (T-31.I.1:1-4). O que é verdadeiro é o perdão, a crença em interesses compartilhados; o que é falso é o ataque, a crença em interesses separados. O que poderia ser mais simples? (1:3) Aqui está a resposta para a tentação que nunca falha em acolher com boas-vindas ao Cristo aonde o medo e a raiva antes prevaleciam. Lembre-se da definição de Jesus sobre a tentação como sendo ver alguém como um corpo: Assim sendo, sê vigilante contra a tentação lembrando-te de que não passa de um desejo insano e sem significado, de fazer de ti mesmo uma coisa que não és. E pensa igualmente nessa coisa que serias em vez disso. É algo feito de loucura, dor e morte; sem nenhuma esperança remanescente, a não ser morrer e terminar o sonho do medo. É isso o que é a tentação, nada mais do que isso (T-31.VII.14:1-4). A tentação tem uma lição a ensinar em todas as suas formas, sempre que ocorre. Ela quer persuadir o santo Filho de Deus de que ele é um corpo, nascido no que tem que morrer, incapaz de escapar à sua fragilidade e limitado ao que o corpo ordena que ele sinta. O corpo estabelece os limites do que ele pode fazer, seu poder é a única força que ele tem; o que ele aprende não pode exceder o alcance diminuto do corpo (T-31.VIII.1:1-3). Nessa lição, como sempre, Jesus não está sugerindo que neguemos nossa percepção física do corpo, mas apenas a interpretação do ego sobre ela, que sempre encerra ataque: eu percebo você como me atacando, ou como alguém que estou justificado em atacar em autodefesa. No entanto, ver você me abençoando porque eu abençôo a mim mesmo é minha resposta à tentação de acreditar no propósito especial do ego para todos os relacionamentos. Reafirmando, a bênção reflete nossa unidade porque nós compartilhamos a necessidade de escapar do nosso ego compartilhado. O ego continuamente nos tenta a vermos o que não está lá – i.e., pecado – e a não vermos o que realmente está lá – a bênção do Filho sobre si mesmo. (1:4-5) Aqui a Expiação se completa, o mundo é deixado para trás com toda a segurança e o Céu é agora restaurado. Aqui está a resposta da Voz por Deus.

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Jesus nos diz que a resposta para todos os nossos problemas repousa no perdão. Nessa lição, portanto, vemos outra forma na qual ele enfatiza o tema básico do seu curso: Perdão – o princípio da Expiação – desfaz o bloqueio à nossa lembrança da verdade do Céu. O tom da lição agora muda, e Jesus fala conosco da perspectiva do Nível Um: o estado abstrato natural da realidade contrastado com o estado específico não-natural da ilusão. (2:1-2) A completa abstração é a condição natural da mente. Mas parte dela agora não é natural. A condição natural da mente é a Mente de Cristo. O não-natural é a parte de nós que acredita que a separação realmente aconteceu, e que nós existimos no mundo como corpos. A seguinte passagem do texto, parcialmente familiar, descreve esses estados natural e nãonatural – o ser abstrato e a existência específica ou concreta: Embora a mente seja por natureza abstrata, as ilusões do ego são bastante específicas. Parte da mente, porém, vem a ser concreta quando ela se divide. A parte concreta acredita no ego, porque o ego depende do concreto. O ego é a parte da mente que acredita que a tua existência é definida pela separação... Criação e comunicação são sinônimos... comunicação é perfeitamente abstrata, já que a sua qualidade é aplicada de forma universal... A Abstração Divina alegra-Se em compartilhar. É isso o que significa a criação. “Como”, “o quê” e “com quem” são aspectos irrelevantes, porque a criação real tudo dá, pois só pode criar como ela própria (T-4.VII.1:2-5; 3:6,9; 4:1-3; 5:4-6). (2:3-4) Ela não olha para tudo como um só. Ao invés disso, vê fragmentos do todo, pois só assim poderia inventar o mundo parcial que tu vês. A parte das nossas mentes que se identificou com o ego não vê a tudo e a todos como um; ela vê todas as coisas como parte de uma fragmentação maior. Ela não pode evitar ter essa percepção, pois é, ela mesma, um fragmento. Uma vez que a projeção faz a percepção, o ego simplesmente percebe o que ele é: um fragmento do todo. A seguinte passagem do texto descreve convincentemente o substituto do especialismo para o amor, da fragmentação para a totalidade: Substituir é aceitar alguma coisa em lugar de outra... Substituir é escolher entre opções, renunciando a um aspecto da Filiação em favor de outro. Para esse propósito especial, alguém é julgado mais valioso e o outro é substituído por ele. O relacionamento no qual ocorreu a substituição é então fragmentado e seu propósito dividido de acordo com isso. Fragmentar é excluir e a substituição é a defesa mais forte que o ego tem para a separação (T-18.I.1,3-6). Você pode se recordar do trocadilho de Jesus em relação à palavra parcial, na Lição 127 (3:4). Ele o repete aqui, e vai fazê-lo novamente. Parcial significa tanto que nós vemos o mundo em parte – em partes ou fragmentos – quanto através da visão tendenciosa do ego. O propósito do ego para o mundo é estabelecer nossa inocência à custa de outro. Portanto, sua visão insana do universo é forçosamente uma de fragmentação. (2:5-3:1) O propósito de tudo o que vês é o de te mostrar o que desejas ver. A audição só traz à tua mente os sons que ela quer ouvir. Assim foi feita a especificidade. É-nos provida a base lógica para o ego ter feito o universo físico: projetar a culpa na mente do Filho pela crença de que ele se separou de Deus. Nesse estágio pré-projeção, a 117


culpa era abstrata; não como o amor o é, mas no sentido da não-especificidade – não estando localizada em nada nem em ninguém – porque ainda não havia corpos. No entanto, em um mundo de especificidades, podemos agora projetar livremente essa culpa inconsciente em tudo e todos ao nosso redor, acreditando que a fonte da nossa aflição repousa em um corpo específico, em vez de na decisão da mente de se identificar com o ego. Portanto, “o propósito de tudo o que vês” [e de todos os sentidos] – o propósito do corpo – é devolver à mente a testemunha que prova que a separação de Deus é um fato. Essa é uma passagem importante em uma lição importante, pois ilustra o que torna o Um Curso em Milagres diferente de virtualmente todos os outros caminhos espirituais. Ele ensina não apenas que o mundo é uma ilusão, mas dá a motivação específica para o termos feito: ver a causa da separação do lado de fora de nossas mentes. A motivação primário do ego é manter a separação que ele acredita ter roubado de Deus, mas não ser responsável por ela; um objetivo efetivamente servido pela projeção. Portanto, precisamos de um mundo específico para que haja pessoas específicas fora de mim nas quais eu possa projetar a responsabilidade pela minha pecaminosidade. Portanto, acredito que estou aqui; acredito que sou separado; acredito que o meu corpo é real... mas que eu não sou responsável por isso – alguém mais o é. Nós, portanto, entendemos por que o ego fez nossos órgãos sensórios: para provar que existe um mundo fora de nós que é responsável, não apenas por nossa existência física, mas pelo sofrimento que enfrentamos. Uma vez que o mundo foi feito, nós então tivemos que lidar com nossas experiências específicas aqui. É esse o nível de experiência pessoal ao qual o resto do terceiro parágrafo e na verdade toda a lição é devotada. Jesus, portanto, não está nos pedindo para nos perdermos em especulação metafísica abstrata conforme vivemos nossas vidas diárias em um corpo. Uma vez que acreditamos estar aqui, Jesus nos trata como se estivéssemos. É por isso que a linguagem do Um Curso em Milagres assume a forma que assume, como já observamos muitas vezes antes. Ele nos pede para aplicarmos a metafísica às circunstâncias muito específicas nas quais nos encontramos, não importando o quão ilusórias possam ser; para termos nossos relacionamentos transformados em santos pelo Espírito Santo, o que então reflete a Unicidade do Céu. No seguinte trecho, Jesus gentilmente nos lembra de que a substituição não teve efeitos sobre a realidade, e a fragmentação não pode mudar a unidade que Deus criou: Foste chamado, junto com o teu irmão, para a função mais santa que esse mundo contém. É a única que não tem limites e alcança cada elemento fragmentado da Filiação com a cura e o consolo unificador. Isso te é oferecido em teu relacionamento santo, aceita-o aqui e darás assim como aceitaste. A paz de Deus te é dada com o brilhante propósito no qual te unes ao teu irmão. A luz santa que trouxe a ti e a ele para a união tem que estender-se assim como tu a aceitaste (T18.I.13). (4:1-3) Um irmão é todos os irmãos. Cada mente contém todas as mentes, pois todas as mentes são uma só. Tal é a verdade. Jesus volta ao princípio metafísico do seu curso: a unicidade da Filiação. Essa verdade é refletida em nosso reconhecimento de que os aspectos separados do Filho único de Deus compartilham uma mente comum, como lemos nessa passagem sobre aprender com o Espírito Santo: E é assim que o poder do teu aprendizado será provado a ti por todas as muitas testemunhas diferentes que ele encontra. Em primeiro lugar, o teu irmão será visto entre elas, mas milhares estarão por trás dele, e por trás de cada um deles, outros mil. Cada um pode aparentar ter um problema que é diferente do resto. No entanto, eles são solucionados juntos. E a resposta comum dada a eles mostra que as questões não poderiam estar separadas (T-27.V.10:3-7). 118


Perdoar uma pessoa é perdoar todas: o um é encontrado em muitas, e as muitas são o um. Nós lemos agora outra das declarações de Jesus de que não existe maneira de nós podermos entender suas palavras: (4:4-5) Mas estes pensamentos fazem com que o significado da criação fique claro? Estas palavras trazem com elas perfeita clareza para ti? Todos os que dizem que sim estão mentindo. Não existe maneira de um indivíduo específico poder entender a unicidade abstrata e não-específica. Jesus nos mostra que ele não espera tal compreensão. Lembre-se da sua declaração similar no texto: ... enquanto pensas que parte de ti é separada, o conceito de uma Unicidade unida como um só é sem significado (T-25.I.7:1). Devemos voltar à passagem completa em breve. Jesus continua: (4:6-8) O que podem aparentar ser senão sons vazios, belos talvez, corretos em sentimento, mas fundamentalmente incompreendidos e incompreensíveis. A mente que ensinou a si mesma a pensar de modo específico não pode mais apreender a abstração no sentido de que ela abrange todas as coisas. Precisamos ver um pouco para aprendermos muito. Nessa clara declaração, Jesus diz: “Eu sei que você não consegue entender quando falo da realidade, então, não vou discorrer longamente sobre ela. Nem vou falar a você sobre o amor. No entanto, vou falar de desfazer o propósito específico da separação que você deu aos seus relacionamentos, e ajudá-lo a transformá-lo em curativo”. Nossa necessidade é “ver um pouco”, não tudo. Jesus não está nos pedindo para entendermos a verdade, mas apenas para permitirmos que nosso olhar continue enraizado em nossos relacionamentos e situações especiais, mas com um professor diferente, com quem vamos aprender muito. Portanto, ele repetidamente nos diz que perdoar uma pessoa completamente – vendo um pouco – é perdoar o ego e liberá-lo. Essa lição, portanto, é um apelo para que prestemos atenção cuidadosa às especificidades em nossas vidas, convidando Jesus a nos ajudar a entender as abstrações metafísicas que ele ensina em outros trechos. Ele não precisa que nós dominemos a metafísica, mas que a entendamos bem o suficiente para reconhecer que nossa meta é aprender com Aquele Que nos ensina a refletir a Abstração Divina no mundo de especificidades. Em uma passagem central, que merece repetidas citações, Jesus descreve como ele tem feito isso no Um Curso em Milagres: Já que tu acreditas que estás separado, o Céu se apresenta a ti como se fosse separado também. Não que ele o seja na verdade, mas para que o elo que te foi dado para unir-te à verdade possa chegar a ti através de algo que compreendes. Pai, Filho e Espírito Santo são Um só, assim com todos os teus irmãos se unem como um na verdade. Cristo e Seu Pai nunca foram separados e Cristo habita dentro da tua compreensão, na parte de ti que compartilha a Vontade do Seu Pai. O Espírito Santo liga a outra parte – o diminuto, louco desejo de ser separado, diferente e especial – com o Cristo, para fazer com que a unificação fique clara para o que é realmente um. Nesse mundo, isso não é compreendido, mas pode ser ensinado... Tudo isso leva em consideração o tempo e o espaço como se fossem distintos, pois enquanto pensas que parte de ti é separada, o conceito de uma unicidade unida como um só não tem significado. Está claro que uma mente tão dividida nunca poderia ser o professor de uma Unicidade Que une todas as coisas dentro de Si 119


Mesma. E assim, O Que está dentro dessa mente e de fato une todas as coisas tem que ser o seu Professor. No entanto, Ele tem que usar uma linguagem que essa mente possa compreender, na condição na qual ela pensa que está. E Ele tem que usar todo o aprendizado para transferir ilusões à verdade, tomando todas as idéias falsas quanto ao que tu és e conduzindo-te para além delas, para a verdade que está além das ilusões (T-25.I.5; 7:1-5). Portanto, Jesus usa a “pequena” linguagem de separação para nos levar à magnitude da verdade. (5:1) Sentimos que parece ser o corpo que limita a nossa liberdade, que nos faz sofrer e que no final apaga a nossa vida. É o tomador de decisões da mente errada que limita nossa felicidade, nos traz dor, e dá a ilusão de vida no nascimento, e o fim da vida na morte. (5:2) Entretanto, corpos não passam de símbolos de uma forma concreta de medo. O medo, assim como a culpa, não é concreto nem específico, pois não está localizado em pessoas ou situações específicas. O medo abstrato da mente nos diz que Deus vai nos punir pelo nosso pecado contra Ele, e é isso que é projetado nos fragmentos concretos do nosso mundo ilusório. Portanto, a culpa e o medo ilusórios em nossas mentes se metamorfoseiam em corpos culpados e amedrontados. (5:3) O medo sem símbolos não exige nenhuma resposta, pois símbolos podem representar o que não tem significado. Desnecessário dizer, eu quero uma resposta. Eu quero pegar meu medo inconsciente, projetá-lo, e dizer que não sou responsável pela infelicidade e terror que sinto; alguém mais é. No entanto, uma vez que não existe mais ninguém, tenho que inventar alguém como um objeto da minha projeção. Eu, portanto, escrevo no meu roteiro alguém que se torna um símbolo concreto do pecado, culpa e medo que não quero ver em mim mesmo. (5:4-5) O amor não precisa de símbolos, sendo verdadeiro. Mas o medo, sendo falso, se prende às especificidades. O amor não tem que ser projetado em símbolos, porque ele é um. No entanto, o medo sim, como a maneira mágica de evitar a responsabilidade pelo pecado e pela punição irada de Deus. Eu preciso apenas encontrar os culpados em minha vida, apontar um dedo acusador para eles e dizer a Deus que são eles que devem ser punidos, não eu: “Assim, as especificidades foram feitas”. Eu não posso escapar da minha punição, o ego me diz, a menos que existam pessoas específicas para eu usar como bodes expiatórios. No entanto, é apenas o ego que busca tal subterfúgio. O amor, sendo verdadeiro e além de todos os símbolos, simplesmente é, e nós nos lembramos do seu ser abstrato conforme abrimos espaço para ele através do perdão, liberando todo o investimento nas especificidades do especialismo e da culpa: Um espaço vazio que não é visto como cheio, um intervalo de tempo sem uso, que não é visto como gasto e plenamente ocupado, vêm a ser um convite silencioso para que a verdade entre e faça um lar para si mesma... Porque o que deixas vazio, Deus o preencherá e a verdade não pode deixar de habitar aonde Ele está... Para isso não existem símbolos. Nada aponta para além da verdade, pois o que pode representar mais do que tudo?... não há nenhum símbolo para a totalidade. A 120


realidade é conhecida, em última instância, sem forma, sem retrato e sem ser vista... O perdão desaparece e os símbolos se apagam e nada do que os olhos jamais viram ou os ouvidos jamais ouviram permanece para ser percebido. Um Poder totalmente sem limites veio, não para destruir mas para receber o que Lhe pertence... Dá boas-vindas ao Poder que está além do perdão e além do mundo dos símbolos e das limitações. Ele quer meramente ser e assim meramente é (T27.III.4:1,3,5-6; 5:1-2; 7:1-2,8-9). (6:1-2) Os corpos atacam, mas as mentes não. Esse pensamento com certeza evoca o nosso livro texto, onde isso é enfatizado com freqüência. Aqui está um daqueles trechos no Um Curso em Milagres que poderia levar você a mergulhar na bebida! Jesus diz aqui que corpos atacam e mentes não; mas, em outro lugar, ele ensina que corpos não atacam, e mentes sim. E existem ainda outros trechos nos quais ele diz que mentes não podem atacar de forma alguma. Vamos examinar algumas dessas referências, uma vez que elas esclarecem não apenas os pensamentos de Jesus sobre a mente e o corpo, mas também provêem ainda outro exemplo do seu uso flexível da linguagem. Cada um desses três níveis de afirmações é verdadeiro no contexto do ponto que Jesus está mostrando. Nessa passagem do livro de exercícios, ele enfatiza nossa necessidade do corpo, pois ele nos permite atacar o corpo de outra pessoa. A justificativa para nosso ataque é a de que somos a face da inocência; outros nos atacaram primeiro. Portanto, precisamos que o corpo desempenhe a estratégia de subterfúgio do ego. Nossa experiência óbvia, portanto, é a de que corpos atacam, e podem ser atacados. Na verdade, nosso mundo é construído sobre esse tipo de mentalidade de matar ou ser morto. Ao discutir a crucificação, por exemplo, Jesus afirma: A agressão, em última instância, só pode ser feita ao corpo. Não há muita dúvida de que um corpo pode agredir um outro e pode até mesmo destruí-lo (T-6.I.4:1-2). O ego, novamente, fez o corpo para que ele pudesse ser atacado: O ataque é sempre físico. Quando qualquer forma de ataque entra na tua mente, estás te igualando a um corpo, já que é essa a interpretação que o ego faz do corpo (T-8.VII.1:1-2). Atitudes dirigidas ao corpo são atitudes dirigidas para atacar... Para o ego, o corpo é algo com que atacar. Igualizar-te ao corpo te ensina que o corpo que tu és serve para atacar (T-8.VIII.1:1,5-6). No entanto, o corpo simplesmente existe como o peão da mente. Nosso ódio, nascido da culpa em relação ao nosso pecado percebido, está escondido – através da projeção – no corpo de outra pessoa. Portanto, não é o corpo que ataca, mas a mente, porque idéias não deixam sua fonte. Corpos então simbolizam o pensamento original de ataque, que é o de que eu quero existir, mesmo à custa de Deus – vou destruir o Céu para que eu possa viver. No entanto, para não sofrer as repercussões desse aterrorizante pensamento pecaminoso, eu o projeto em um corpo específico, que então acredito que me ataca, e aí, estou justificado em contra-atacar. Jesus quer que entendamos isso para que possamos fazer algo sobre o problema: É por isso que tens que reconhecer que o teu ódio está em tua mente e não fora dela antes de poderes livrar-te dele... Se reconheceres que todo ataque que percebes está em tua própria mente e em nenhum outro lugar, terás afinal localizado a fonte do ataque e ali onde ela começa tem que terminar (T-12.III.7:10; 10:1). 121


O propósito do ataque está na mente e seus efeitos são sentidos apenas onde ela está. A mente também não é limitada, assim sendo o propósito danoso necessariamente fere todas as mentes como uma só (T-24.IV.3:5-6). Se o corpo é submetido ao propósito da mente, ele vem a ser íntegro porque o propósito da mente é um só. O ataque só pode ser um suposto propósito do corpo. Porque à parte da mente o corpo não tem propósito algum (T-8.VII.13:5-6). A fonte do ataque do corpo, portanto, é o pensamento de ataque na mente, e esse pensamento – nascido do pecado – é irreal. A raiz do ataque, da qual emanaram todos os ataques que o mundo já testemunhou, e que jamais vai testemunhar, nunca aconteceu. Portanto, o ataque nunca foi; apenas em sonhos, que claramente não são verdadeiros. O terceiro nível – que mentes não atacam de forma alguma – é uma declaração da Expiação, que é a de que o pensamento de ataque nunca aconteceu para início de conversa: A mente não pode atacar, mas pode fabricar fantasias e dirigir o corpo para encenálas... a mente é claramente delusória. Ela não pode atacar mas insiste em que pode e usa o que faz para ferir o corpo e provar que pode. A mente não pode atacar, mas pode enganar a si mesma... Não receberias com boas-vindas e não darias o teu apoio para fazer das fantasias de vingança uma liberação em relação a elas? A tua percepção do corpo pode ser claramente doente, mas não projetes isso sobre o corpo. Pois o teu desejo de tornar destrutivo o que não podes destruir não pode ter qualquer efeito real. O que Deus criou é apenas o que Ele quer que seja, sendo a Sua Vontade. Não podes fazer com que a Sua Vontade seja destrutiva. Podes fabricar fantasias nas quais a tua vontade entra em conflito com a Sua, mas isso é tudo (T-18.VI.3:5; 4:1-3; 5:2-7). Existe outra forma de olhar para o corpo, e essa é a mensagem de Jesus. Ela pode servir a um propósito da mente certa tão facilmente quanto a um da mente errada. Sob a tutela benigna e gentil do Espírito Santo, o corpo representa o propósito compartilhado que reflete a unidade do Céu. Portanto, o símbolo do ataque se torna o símbolo do perdão, “uma bela lição de comunhão... até que haja comunhão”: Se usas o corpo para o ataque, isso te causa dano. Se tu o usas só para alcançar as mentes daqueles que acreditam que são corpos e ensiná-los através do corpo que isso não é assim, vais compreender o poder da mente que está em ti. Se usas o corpo para isso, e só para isso, não podes usá-lo para o ataque. À serviço da união, ele vem a ser uma bela lição de comunhão, que tem valor até que haja comunhão. Esse é o modo de Deus fazer com que seja ilimitado o que tu tens limitado. O Espírito Santo não vê o corpo como tu o vês, porque Ele sabe que a única realidade de qualquer coisa é o serviço que rende a Deus em nome da função que Ele lhe dá (T-8.VII.3). (6:3) Essa é a razão pela qual os corpos tão facilmente vêm a ser símbolos do medo. O corpo torna inequivocamente claro que você é o pecador. Eu vejo todas as formas em que você, como um corpo, atacou e vitimou a mim e aos outros. E o meu corpo, com seu elaborado aparato sensório – físico e psicológico – reporta de volta para mim os pecados que estão ao meu redor; não em mim, mas em outros. Uma vez que o seu corpo se torna o repositório dos meus pensamentos de ataque, você se torna um símbolo justificado do medo para mim, usando seu corpo para atacar o meu. 122


(6:4) Muitas vezes te foi exortado que olhasses além do corpo, pois a vista do corpo te apresenta o símbolo do “inimigo” do amor, que a visão de Cristo não vê. Jesus não quer dizer que você deveria negar que existe um corpo sentado à sua frente, ou um corpo para o qual você vê quando olha para o espelho todas as manhãs. Uma vez que ver não acontece através dos olhos, ele fala apenas da interpretação que a sua mente dá ao corpo que você vê. Seu apelo, como sempre, é que nós escolhamos sua interpretação em vez da do ego. O corpo, em e por si mesmo, é neutro, e passivamente aguarda qual percepção será colocada sobre ele: o pecado do ego ou a santidade de Cristo. É sempre uma questão de propósito: pecado ou santidade, julgamento ou visão: É impossível ver o teu irmão sem pecado e ainda assim olhar para ele como se fosse um corpo. Isso não é perfeitamente consistente com a meta da santidade? Pois a santidade é apenas o resultado de se permitir que os efeitos do pecado sejam suspensos de forma que o que sempre foi verdadeiro seja reconhecido... O corpo é o meio pelo qual o ego tenta fazer com que o relacionamento não-santo pareça real. O instante não-santo é a hora dos corpos. Mas aqui o propósito é o pecado. Ele não pode ser atingido a não ser em ilusões e, assim, a ilusão de um irmão como se fosse um corpo está bastante de acordo com o propósito da nãosantidade... E se vês o corpo, escolheste o julgamento e não a visão (T-20.VII.4:1-3; 5:1-4,7). Portanto, podemos realmente dizer que a visão de Cristo não vê um corpo ou o mundo, mas é o pensamento de perdão na mente que nos diz que o que nossos olhos físicos vêem – os olhos do julgamento – é irreal. O que é real aqui é que alguém ou pede amor ou o expressa. O pecado, o pão com manteiga do ego, não tem lugar na correção do Espírito Santo, como agora lemos: Aquele que vê o corpo de um irmão fez um julgamento sobre ele e não o vê. Ele não o vê realmente como um pecador, ele não o vê de jeito nenhum. Na escuridão do pecado, ele é invisível. Ele apenas pode ser imaginado na escuridão e é aqui que as ilusões que manténs a seu respeito não se adaptam à sua realidade... Não se pode olhar para o corpo a não ser através do julgamento... O julgamento, tu ensinaste a ti mesmo; a visão é aprendida com Ele, Que quer desfazer o teu ensinamento. A Sua visão não pode ver o corpo porque não pode olhar para o pecado. E assim ela te conduz à realidade. O teu irmão santo não é nenhuma ilusão e vê-lo é a tua liberação... A tua questão não deveria ser “Como posso ver o meu irmão sem o corpo?”. Apenas pergunta: “Realmente desejo vê-lo sem pecado?”. E ao perguntares, não te esqueças de que é vendo a sua impecabilidade que tu escaparás do medo. a salvação é a meta do Espírito Santo. O meio é a visão (T-20.VII.6:1-4; 8:1,4-7; 9:15). (6:5) O corpo é o alvo do ataque, pois ninguém pensa que odeia a mente. Eu não penso que odeio uma mente porque eu não sei que tenho uma, para não dizer que você tenha também. Estou consciente apenas dos pensamentos odiosos em relação a um corpo específico – o meu próprio ou o de outra pessoa. Não apenas não estou em contato com a mente, mas não conheço o verdadeiro pensamento. Como as primeiras lições ensinaram, os pensamentos que eu penso que penso não são os meus pensamentos reais. (6:6-7) No entanto, o que mais, senão a mente, dirige o corpo ao ataque? O que mais poderia ser a sede do medo senão aquilo que pensa no medo? 123


Jesus ensina que nossos pensamentos não estão no cérebro, mas na mente que dirige o corpo ao ataque. Uma vez que o medo é um pensamento, é a mente que pensa no medo. Mais uma vez, o cérebro não pensa, mais do que o corpo sente. Tudo é cuidadosamente orquestrado pelo ego, que existe apenas na mente. Nossos pensamentos e sentimentos são apenas expressões projetadas da decisão da mente pelo ego ou pelo Espírito Santo. Nós vemos e sentimos o que a mente direciona: ... é a mente que julga o que os olhos contemplam. É a mente que interpreta as mensagens dos olhos e lhes dá “significado”. E esse significado não existe absolutamente no mundo lá fora. O que é visto como “realidade” é simplesmente o que a mente prefere. A sua hierarquia de valores é projetada para o que está fora, e ela envia os olhos do corpo para achá-la... Contudo, a percepção não se baseia nas mensagens que eles trazem. Só a mente avalia as suas mensagens e, assim sendo, só a mente é responsável pelo que é visto. Só ela decide e o que é visto é real ou ilusório, desejável ou indesejável, prazeroso ou doloroso (MP-8.3:3-7,9-11). (7:1-2) O ódio é específico. Tem que haver algo para ser atacado. É por isso que a especificidade foi feita. Eu preciso de um objeto específico no qual projetar meu ódio, pois se eu o mantiver dentro da minha mente, o ódio de Deus – uma parte dividida do meu próprio – vai me punir pelo meu ódio a Ele. Eu, portanto, me livro do ódio e justificadamente o vejo em você porque você me atacou primeiro – a face da inocência que inteligentemente projeta sua culpa. Nosso desejo insano de banir Deus do nosso reino inevitavelmente encontra um lar no mundo fora da mente. Isso não significa que nosso lar seja real, apenas que nós acreditamos que é assim porque pensamos que vemos, ouvimos e experimentamos esse desejo insano, agora localizado em um corpo, enquanto o tempo todo, a verdade do amor espera logo além do ódio do ego: À medida em que olhas para o mundo, esse pequeno desejo sem raízes e flutuando sem destino, pode aterrizar e pousar brevemente em qualquer coisa, pois agora não tem mais propósito algum. Antes que o Espírito Santo entrasse para habitar contigo, ele parecia ter um propósito grandioso: a fixa e imutável dedicação ao pecado e aos seus resultados. Agora, ele não tem nenhum objetivo, vaga sem rumo, sem causar nada mais além de interrupções diminutas no apelo do amor (T-19.IV-A.7:2-4). (7:3) Um inimigo tem que ser percebido de tal forma que possa ser tocado, visto e ouvido e, em última instância, morto. Um aviso: as próximas poucas linhas podem ser prejudiciais à sua saúde! Essa é uma das passagens que os estudantes do Um Curso em Milagres gostam de fingir que não estão lá. Jesus fala de assassinato, não apenas de um leve tapa ou repreensão. Em vez de deixar que Deus me mate porque acredito que O matei, prefiro que você seja o criminoso, e justifico meus ímpetos homicidas por causa do que acredito que você fez. O mundo foi feito, mais uma vez, para que eu pudesse projetar minha culpa e ódio inconscientes em um corpo específico. Nós nascemos com esses corpos em famílias específicas para justificar nossa necessidade de um vitimador, em cujas mãos assassinas e sem misericórdia nós alegremente sofremos e morremos. Nós viemos aqui – do ponto de vista do ego – para que pudéssemos escapar da ira de Deus e da responsabilidade pelo nosso pecado. Quando percebemos que existe algo errado com essa imagem e decidimos que “deve existir outro caminho”, nos voltamos para o Espírito Santo, Que nos instrui sobre uma forma diferente de olharmos para o mundo que fizemos. No entanto, nós primeiro precisamos entender por que fizemos o mundo, que é o motivo pelo qual passagens como essa são encontradas através de todo o Curso. Por favor, não as embeleze 124


ou passe por cima delas, porque isso meramente vai encobrir a culpa e o ódio para os quais você não quer olhar. Sem maneira de desfazê-los, eles vão continuar a ser projetados, protegendo nossa culpa ainda mais e impedindo-a de ser corrigida. Existem muitos caminhos espirituais que não lidam com ódio e assassinato, mas esse curso é diferente. Seu propósito é nos fazer olhar diretamente para o ego e sorrir. No entanto, não podemos fazê-lo até olharmos, e passagens como essas nos ajudam a entender por que escolhemos não fazê-lo, pois ninguém quer ver o ódio maligno espreitando dentro de si. (7:4) Quando o ódio pára sobre alguma coisa, exige a morte com tanta certeza quanto a Voz de Deus proclama que não há morte. A Voz de Deus proclamando que não há morte desfaz a voz do ego que proclama a realidade da morte. Mais uma vez, antes de você poder escolher a correção, precisa primeiro conhecer o que está corrigindo. Esta passagem ao mesmo tempo cauterizante e gentil do primeiro obstáculo à paz explica o que precisamos desfazer – a necessidade de matar do ego – e o amor com o qual o fazemos. A escolha é nossa – a crueldade do ego ou a gentileza do Espírito Santo: Os mensageiros do amor são gentilmente enviados e retornam com mensagens de amor e gentileza. Os mensageiros do medo são brutalmente despachados para buscar culpa e valorizar toda migalha de mal e de pecado que possam achar, sem perder nenhuma sob pena de morte,colocando-as respeitosamente diante de seu senhor e patrão... Os mensageiros do medo são treinados através do terror e tremem quando o seu patrão os chama para servi-lo. Pois o medo não tem misericórdia nem mesmo para com os seus amigos. Seus culpados mensageiros saem às escondidas em busca sedenta de culpa, pois são mantidos no frio e famintos e seu patrão, que só lhes permite festejar em cima do que devolvem a ele, faz com que sejam cruéis. Nenhum pequeno farrapo de culpa escapa de seus olhos famintos. E, em sua selvagem busca do pecado, lançam-se sobre qualquer coisa viva que vêem e carregam-na aos gritos a seu patrão para ser devorada... O Espírito Santo te deu os mensageiros do amor para enviar no lugar daqueles que treinaste através do medo. Eles estão tão ansiosos para te devolver o que valorizam quanto estão os outros. Se os envias, só verão o que é irrepreensível e belo, gentil e benigno. Eles terão o mesmo cuidado para não deixar escapar à sua atenção o menor ato de caridade, a mais diminuta expressão de perdão, o mais leve sopro de amor. E retornarão com todas as coisas felizes que acharem, para compartilhá-las amorosamente contigo (T-19.IV-A.11:1-2; 12:3-7; 14:1-5). (7:5) O medo é insaciável, consumindo todas as coisas que os seus olhos contemplam, vendo-o em tudo, compelido a voltar-se contra si mesmo e a destruir. A passagem acima sobre os cães cruéis de medo do ego, treinados para buscar os malfeitores e devolvê-los em obediência aos ditames do seu mestre, é uma imagem adequada aqui. Como Jesus enfatiza em outro trecho, o objetivo do ego é o assassinato, e ele não se importa com quem mata. Por exemplo: O ataque, sob qualquer forma, é igualmente destrutivo. Seu propósito não muda. Sua única intenção é assassinar... (T-23.III.1:3-5). Sob a margem poeirenta do seu mundo distorcido, o ego quer colocar o Filho de Deus, que, abatido pelas suas ordens, prova em sua decadência que o próprio Deus não tem poder diante do poderio egótico, é incapaz de proteger a vida que Ele criou contra o selvagem desejo que o ego tem de matar (T-19.IV-C.8:1) 125


Somos atraídos pela morte porque ela prova que o pecado e a separação são reais, e Deus está morto. No entanto, enquanto eu penso que estou matando você e os maus em minha vida, no final, é a minha própria morte que o ego deseja, e meu ódio por você é equiparado apenas ao meu ódio por mim mesmo. Aqui está outra passagem descritiva, onde Jesus afirma o mesmo ponto: Pois o que pode deleitar o especialismo senão matar? O que busca ele além de ver a morte? Aonde conduz senão à destruição? No entanto, não penses que ele olhou para ao teu irmão em primeiro lugar, nem que o odiou antes de odiar-te. O pecado que os seus olhos contemplam nele e amam contemplar, ele viu em ti e ainda olha para isso com alegria. Entretanto, é alegria olhar para a decadência e a loucura e acreditar que essa coisa que se arrasta, com a carne já a se desprender dos ossos e com buracos cegos no lugar dos olhos, é como tu és? (T-24.V.4:3-8). (8:1) Aquele que vê um irmão como um corpo, o vê como um símbolo do medo. Mais uma vez, Jesus não está falando sobre o que seus olhos físicos vêem. Portanto, não negue que você vê um corpo à sua frente, nem que você se identifica com um. Jesus está preocupado apenas com a interpretação do ego em relação ao corpo: o relacionamento especial no qual percebemos outra pessoa como separada e diferente de nós, tendo o que nos falta e merecendo punição por tê-lo tirado de nós. Esse campo de batalha alucinatório – “matar ou ser morto” (MP-17.7:11) – é a fundação de todo o medo. Jesus continua sua descrição sobre o ego odioso e homicida: (8:2) E ele atacará, porque o que contempla é o seu próprio medo fora de si mesmo, pronto para atacar, mas pedindo aos gritos para se unir a ele novamente. O corpo específico que vejo fora de mim é uma parte dividida do meu próprio medo e ódio inconscientes, que não quero ver. Em vez disso, escolho vê-lo em outra pessoa, acreditando que o assassino que reside em mim está em alguém mais, ameaçando atacar. Isso é projeção: o que vemos espelha o que primeiro tornamos real em nossas mentes – o “pecado” da separação de Deus. Em vez de confrontar a culpa em relação ao nosso desejo de jogar fora o Amor do Céu, dessa forma destruindo Deus, nós negamos sua presença em nossas mentes e nos livramos dela através da projeção, como essa seguinte passagem do texto descreve: O ataque jamais poderia promover ataque a não ser que tu o tenhas percebido como um meio de privar-te de alguma coisa que queres. No entanto, não podes perder coisa alguma a não ser que não a valorizes e, portanto, não a queiras. Isso te faz sentir-te privado dessa coisa e através da projeção da tua própria rejeição, acreditas então que o teu irmão está te atacando com o fim de arrancar-te o Reino do Céu. Essa é a base fundamental para toda a projeção do ego... Ao projetar a sua crença insana em que tu foste traidor para com o teu Criador, ele acredita que os teus irmãos, que são tão incapazes disso quanto tu, estão empenhados em tirar Deus de ti. Sempre que um irmão ataca outro, é nisso que ele acredita. A projeção sempre vê os seus desejos em outros. Se escolhes separar-te de Deus, é isso o que pensarás que os outros estão fazendo contigo (T-7.VII.8; 9:2-5). (8:3-4) Não te equivoques quanto à intensidade da raiva que o medo projetado tem que gerar. Irado, ele urra e arranha o ar na frenética esperança de poder alcançar aquele que o fez e devorá-lo.

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Jesus com freqüência usa essa forma de expressão. Ele diz, por exemplo: Não finja que eu não disse isso; eu disse. Não finja que o sistema de pensamento em sua mente é bom; ele não é. A crueldade do ego é ilusória, mas você não vai reconhecer isso até olhar para ela comigo, percebendo o que você acredita ser, e o que você acredita ter feito ao seu redor. Estamos bem familiarizados com essa importante e reconfortante passagem sobre olharmos com Jesus para nossos egos: Ninguém pode escapar de ilusões a não ser que olhe para elas, pois não encará-las é a forma de protegê-las. Não há necessidade de se acuar diante de ilusões, pois elas não podem ser perigosas. Nós estamos prontos para olhar mais detalhadamente o sistema de pensamento do ego, porque juntos temos a lâmpada que o dissipará e já que reconheces que não o queres, tens que estar pronto. Vamos ser muito calmos ao fazer isso, pois estamos apenas procurando honestamente a verdade. A “dinâmica” do ego será a nossa lição por algum tempo, pois precisamos em primeiro lugar olhar para isso, para depois ver além, já que fizeste com que fosse real. Nós vamos desfazer esse erro juntos em quietude e então olhar para além dele para a verdade (T-11.V.1). Jesus, portanto, nos diria: “Não confunda a intensidade desse ódio e cruel predisposição assassina interior, que depois você vê em todos os outros. Diga em vez disso ao seu irmão: ‘Eu odeio você porque quis vê-lo como meu criador ao invés de mim mesmo. Eu não acredito que vim do meu próprio pensamento, mas do mundo que me fez como sou’”. Essa é a face da inocência, descrita em “Auto-conceito versus Ser”: Eu sou essa coisa que fizeste de mim e olhando para mim tu és condenado devido ao que eu sou (T-31.V.5:3). Nós continuamos falando para nosso inimigo projetado: “Portanto, você se tornou meu criador e o moldador do meu ser, e você merece destruição como satisfação pela minha ira justificada. No entanto, eu agora mudo minha percepção, e vejo como e a mim de forma diferente”. Jesus agora aponta para o travesti que fizemos do Ser que Deus criou: (9:1-2) É isso o que os olhos do corpo contemplam naquele que o Céu estima, que os anjos amam e que Deus criou perfeito. Essa é a sua realidade. Jesus não fala mais do corpo ou do ser individual, mas do Ser glorioso e majestoso de Cristo que nós compartilhamos. Foi isso que empurramos para longe, preferindo em vez disso um ego individual – o ser de ódio em vez do Ser de Amor. Nós precisamos olhar para as formas específicas nas quais exemplificamos o auto-conceito do ego durante o dia todo, levando-os à verdade do nosso Ser perfeito, acalentado pelo Céu. Lembre-se desse primeiro poema de Helen, “Canção para o Meu Ser”, que canta sobre esse Ser inocente, compartilhado por todos e amado pelos anjos: Eu não posso ser substituído. Eu sou único Na criação de Deus. Sou mantido tão ternamente Por Ele que é loucura acreditar Que eu poderia sofrer dor, perda ou medo. Santo sou eu; em impecabilidade completa, Em sabedoria infinita, em amor seguro. Além de todo pensamento de pecado, e totalmente puro. Quem poderia conceber sofrimento para mim: Certamente, a mente que pensou isso é insana. 127


Eu nunca deixei a casa do meu Pai. Que necessidade Tenho de fazer uma jornada de volta até Ele? (As Dádivas de Deus, p. 38). Jesus nos pede para aceitarmos essa nova imagem de nós mesmos, e então, ele continua: (9:3) E na visão de Cristo a sua beleza se reflete em uma forma tão santa e tão bonita que dificilmente poderias resistir a ajoelhar-te aos seus pés. Isso não significa que devemos nos ajoelhar aos pés de alguém em reverência e adoração, o que é uma metáfora para expressar a santidade e reverência por Cristo que não está nessa outra pessoa como tal, mas nas mentes de todos nós como o único Filho. Esse é outro exemplo de uma declaração que não está destinada a ser entendida literalmente, mas como poesia, na qual nos movemos além das adoráveis palavras, para seu significado. (9:4) Entretanto, ao invés disso, tomarás a sua mão, pois és como ele na vista que o vê assim. Mais uma vez, a luz de Cristo não brilha em nós como pessoas específicas, pois ela brilha em todos os aspectos aparentemente separados do Ser único. (9:5-9) O ataque contra ele é teu inimigo, pois não perceberás que nas suas mãos está a tua salvação. Pede-lhe apenas isso e ele a dará a ti. Não lhe peças que simbolize o teu medo. Pedirias que o amor destruísse a si mesmo? Ou queres que ele seja revelado a ti e te liberte? Esse é o ponto central que mencionei no início da lição – o cerne do Um Curso em Milagres: a forma com que vejo você é um reflexo da sombra da forma com que vejo a mim mesmo. Você pode se lembrar da maravilhosa passagem no final de “O sonhador do sonho”, que é sempre adorável ler, uma verdadeira inspiração pela jornada que empreendemos com nossos irmãos: Sonha suavemente com o teu irmão sem pecado, que se une a ti em santa inocência. E desse sonho o próprio Senhor do Céu despertará o Seu Filho amado. Sonha com a benignidade do teu irmão, em vez de habitares nos seus equívocos em teus sonhos. Seleciona a atenção cuidadosa que ele te presta como matéria dos teus sonhos, ao invés de contares os ferimentos que ele provocou. Perdoa-lhe as suas ilusões e agradece-lhe por toda a ajuda que prestou. E não deixes de lado as muitas dádivas que ele te deu, porque ele não é perfeito em teus sonhos... Permite que todas as dádivas do teu irmão, oferecidas a ti, sejam vistas à luz da caridade e da benignidade. E não deixes dor alguma perturbar o teu sonho de profunda apreciação pelas suas dádivas a ti (T-27.VII.15:1-6; 16:3-4). Conforme você atravessa o seu dia, preste atenção cuidadosa à forma com que percebe os outros. Isso vai revelar qual professor você escolheu. Se você vir a si mesmo fazendo transigências ao especialismo, ficando aborrecido, deprimido, ou crítico em relação aos outros, é apenas porque primeiro escolheu ver a si mesmo como odioso. Em vez de aceitar a responsabilidade por essa escolha, você a projetou e viu o ódio em outra pessoa. No entanto, quando você entende que vê nessa outra pessoa uma projeção do que vê em si mesmo, a reação do seu ego se torna um lembrete de que você fez a escolha errada. Isso permite que você retorne à mente, onde o equívoco foi cometido, e escolha outra vez. Portanto, não é o outro que você perdoa, mas a si mesmo por ter escolhido errado. Portanto, usamos nossos 128


corpos, não para testemunhar o pecado de outra pessoa, mas nossa impecabilidade compartilhada: A tua função é mostrar ao teu irmão que o pecado não pode ter nenhuma causa. Como deve ser fútil ver a ti mesmo como um retrato da prova de que o que é a tua função nunca pode ser! O retrato do Espírito Santo não muda o corpo fazendo com que ele seja algo que não é. Ele apenas retira do corpo todos os sinais de acusação e de culpabilidade... Nesse espaço vazio, do qual foi removida a meta do pecado, o Céu está livre para ser lembrado. Aqui, a paz celestial pode vir e a cura perfeita pode tomar o lugar da morte. O corpo pode vir a ser um sinal de vida, uma promessa de redenção e um sopro de imortalidade para aqueles que ficaram doentes por respirar o odor fétido da morte. Permite que ele tenha a cura como seu propósito. Então, ele enviará adiante a mensagem que recebeu e através da sua saúde e beleza, proclamará a verdade e o valor que representa (T-27.I.9:1-4; 10:1-5). (10:1) Hoje praticamos de uma forma que já tentamos antes. O exemplo mais proeminente dessa forma familiar veio na Lição 121. Sermos solicitados a pegar uma pessoa específica e olhar para ela de forma diferente nos dá uma oportunidade de olhar de forma diferente para nós mesmos. Uma vez que eu acredito que sou uma pessoa específica, tenho que aprender o perdão no contexto de um relacionamento específico. (10:2) A tua prontidão está mais perto agora e hoje virás para mais perto ainda da visão de Cristo. Jesus reflete para nós nosso progresso, embora a jornada não esteja completa. Uma vez que chegamos tão longe, no entanto, Jesus presume que aprendemos o suficiente para que não tentemos mais justificar nossas percepções equivocadas, dessa forma abrindo espaço para que a visão de Cristo substitua a percepção de ódio. (10:3) Se estiveres comprometido em alcançá-la, terás sucesso hoje. Jesus volta ao tema da motivação. Você tem que realmente querer ver a si mesmo de forma diferente. Portanto, quando você julga, ou quando fica zangado, crítico, transtornado ou envolvido em qualquer forma de especialismo, tente entender que essas respostas refletem uma decisão subjacente de permanecer como Deus não o criou – você quer permanecer como algo separado e à parte, nutrindo sua individualidade e escolhendo tornar alguém mais responsável por isso. (10:4-7) E uma vez que tiveres tido sucesso, a tua vontade não estará mais disposta a aceitar as testemunhas que os olhos do teu corpo convocam. O que verás cantar-te-á antigas melodias que lembrarás. Tu não foste esquecido no Céu. Não queres lembrar-te dele? Uma vez que assumimos a visão de Cristo como a nossa própria, o que significa que deixamos Jesus ser nosso professor em vez do ego, os olhos do corpo ainda vão ver o que eles vêem, mas nossas mentes curadas vão prover uma interpretação diferente. Em vez de testemunhar o sistema de pensamento de separação e especialismo do ego, nossos “olhos” vão testemunhar a verdade da Expiação de que a separação de Deus nunca aconteceu. Portanto, você e eu não somos separados um do outro, nem diferentes; apenas em aparências nós parecemos ser. Conforme aceitamos a verdade da visão de Cristo, nossos olhos e ouvidos se abrem, e podemos ouvir a canção esquecida e agora familiar de amor e unidade: 129


Escuta, - talvez possas captar um indício de um estado antigo, não totalmente esquecido; vago talvez, mas não completamente estranho, como uma canção cujo nome há muito foi esquecido e as circunstâncias nas quais a ouviste estão completamente apagadas. Nem toda a canção ficou em ti, mas apenas um pequeno trecho da melodia, sem ligação com qualquer pessoa ou local ou com qualquer coisa em particular. Mas te lembras, apenas a partir deste pequeno trecho, como era bela a canção, como era maravilhoso o cenário em que a ouviste e como amavas aqueles que ali estavam e escutaram contigo. As notas nada são. No entanto, tu as mantiveste contigo, não por elas mesmas, mas como uma suave lembrança de algo que te faria chorar se te lembrasses como te foi caro. Poderias lembrar-te, mas tens medo, acreditando que perderias o mundo que aprendeste desde então. E apesar disso, sabes que nada no mundo que aprendeste tem nem sequer a metade do valor daquilo para ti. Ouve e vê se te lembras de uma canção antiga que conheceste há muito tempo e da qual gostaste mais do que de qualquer melodia que tenhas ensinado a ti mesmo a apreciar desde então (T-21.I.67). (11:1) Escolhe um irmão, símbolo do resto e pede-lhe a salvação. Isso não significa literalmente caminhar até alguém na rua, pedindo a ele para salvá-lo. Jesus se refere ao processo na mente que nasce do pensamento que diz que você e eu não somos diferentes, pois somos irmãos e irmãs no mesmo Cristo. Esse reconhecimento surge da compreensão de que somos irmãos e irmãs no mesmo ego também. Aceitar nossa insanidade compartilhada da separação, portanto, é o precursor para lembrarmos de nossa sanidade compartilhada da unidade. (11:2-5) Primeiro, que o vejas com a maior clareza possível, daquela mesma forma com que já estás acostumado. Vê o seu rosto, suas mãos, seus pés, as suas roupas. Observa-o sorrir e vê os gestos familiares que ele faz tão freqüentemente. Então pensa nisso: o que estás vendo agora te oculta a vista de alguém que pode perdoar todos os teus pecados, cujas mãos sagradas podem remover os cravos que atravessam as tuas e retirar a coroa de espinhos que colocaste sobre a tua cabeça ensangüentada. Eu não faço qualquer coisa diferente com os meus olhos, e não nego o que eles vêem. Eu faço algo diferente com a minha mente, pois agora tenho a disponibilidade de dizer que tenho estado errado na forma com que vejo e me relaciono, e que existe Alguém Que pode me ensinar a olhar de forma diferente para meus relacionamentos. Portanto, não é que o corpo dessa pessoa seja sagrado e tenha o poder de me perdoar – o corpo de outra pessoa não tem mais poder que o meu. No entanto, no contexto do meu relacionamento com esse corpo, aprendo que não somos corpos, e, uma vez que somos unidos na mesma mente, podemos ser ensinados pelo mesmo Professor. As referências à crucificação aqui refletem sentimentos similares aos expressos em uma passagem do texto, escrita na época da Páscoa: Tens agora visão para olhar todas as ilusões deixando-as para trás. Foi dado a ti não ver espinho algum, estranho algum e nenhum obstáculo para a paz. O medo de Deus não é nada para ti agora. Quem tem medo de olhar para ilusões sabendo que o seu salvador está a seu lado? Com ele, a tua visão veio a ser o maior poder para o desfazer das ilusões que o próprio Deus poderia dar. Pois o que Deus deu ao Espírito Santo, tu recebeste. O Filho de Deus olha para ti esperando a sua liberação. Pois pediste e recebeste a força de olhar para esse obstáculo final e não ver espinhos nem cravos para crucificar o Filho de Deus e coroá-lo rei da morte (T20.II.7). 130


Removendo de você os espinhos do pecado e os cravos da culpa, eu os removi de mim mesmo. Somos curados juntos como um, pois assim nós somos. (11:6-8) Pede-lhe isso para que ele possa libertar-te: Dá-me a tua bênção, Filho santo de Deus. Quero contemplar-te com os olhos de Cristo e ver a minha perfeita impecabilidade em ti. Isso não significa literalmente que você diz essas palavras a alguém – é o pensamento dentro de você que fala. Observar você com os olhos de Cristo significa que vejo que seus pecados aparentes não têm o poder de me negar a paz de Deus. O que eu rotulei como pecados, agora vejo como equívocos que espelham a mim mesmo. Eu não nego o que seu corpo possa ter feito, mais do que nego o que meu corpo possa ter feito. Eu nego, para dizer mais uma vez, a interpretação do ego sobre as ações do corpo. Isso, portanto, se direciona a uma mudança na mente que diz: “Obrigado, Deus, eu estava errado e Jesus estava certo. O Filho de Deus não pecou, pois seus equívocos não tiveram efeitos sobre a sua realidade”. (12:1-3) E Aquele Que convocaste, responderá, pois Ele ouvirá a Voz por Deus em ti e responderá na tua própria voz. Contempla-o agora, aquele que viste apenas como carne e osso e reconhece que Cristo veio a ti. Eu percebo que o seu corpo era um traje que tentava esconder o Cristo em você, assim como o meu corpo fez: esconder a culpa que esconde o Cristo. Eu percebo agora que fizemos a mesma coisa pela mesma razão, no entanto, Seu Amor nos une a ambos em Sua Presença, como Ele sempre fez. Lembre-se do início inspirador de “Pois Eles vieram”: Pensa em como tens que ser santo, já que a partir de ti a Voz que fala por Deus chama pelo teu irmão amorosamente, de tal modo que possas despertar nele a Voz que responde ao teu chamado! E pensa em como ele tem que ser santo, quando nele dorme a tua própria salvação unida à sua liberdade! Por mais que desejes que ele seja condenado, Deus está nele (T-26.IX.1:1-3). Na verdade, Deus está em nós dois, cuja feliz consciência o perdão gentilmente nos traz. (12:4-5) A idéia de hoje é o modo de escapares com segurança da raiva e do medo. Certifica-te de usá-la imediatamente, se fores tentado a atacar um irmão e a perceber nele o símbolo do teu medo. Jesus mais uma vez nos incita no final da lição a prestarmos atenção cuidadosa aos seus ensinamentos; e a praticarmos, praticarmos, praticarmos durante o dia todo. Seja atento à sua raiva, medo, depressão e dor. Perceba que você está usando essa outra pessoa como um símbolo do medo que você não quer liberar em si mesmo. Quando você, portanto, é capaz de pedir ajuda a Jesus, aqui está o resultado feliz: (12:6) E o verás subitamente transformado de inimigo em salvador, do demônio em Cristo. A maneira com que eu percebo você é a maneira com que percebo a mim mesmo – inimigo ou salvador, demônio ou Cristo. O adorável encerramento da lição é espelhado nessa passagem igualmente adorável do texto: 131


Aqui está o teu salvador e o teu amigo, liberado da crucificação através da tua visão e livre para conduzir-te agora aonde ele quer estar. Ele não te deixará, nem abandonará aquele que o salvou da dor. E, contentes, tu e teu irmão percorrerão juntos o caminho da inocência, cantando enquanto contemplam a porta aberta do Céu e reconhecem o lar que os chama. Dá alegremente ao teu irmão a liberdade e a força para te conduzir até lá. E vem para estar diante do seu altar santo, onde a força e a liberdade esperam, para oferecer e receber a brilhante consciência que te conduz ao lar. A lâmpada está acesa em ti para o teu irmão. E pelas mesmas mãos que a deram a ele, tu serás conduzido além do medo até o amor (T-20.II.11).

LIÇÃO 162 Eu sou como Deus me criou. Você se recorda de que fizemos essa lição duas vezes antes: Lições 94 e 110. Além disso, “Eu sou como Deus me criou” é o assunto da sexta revisão às lições, e é repetido através de todo o livro de exercício, texto e manual. Essa declaração obviamente importante expressa o princípio da Expiação, um lembrete de que existe realmente outro sistema de pensamento em nossas mentes além do ego. Em geral, portanto, podemos dizer que o propósito do livro de exercícios – o aspecto de treinamento mental do currículo do Um Curso em Milagres – é nos ajudar a entender que temos uma mente que está dividida entre os 132


sistemas de pensamento de ódio e assassinato, e o de perdão e amor, e que podemos escolher entre eles. Uma lição como essa é um lembrete adorável da verdade que está presente em nossas mentes. (1:1) Esse único pensamento mantido em mente com firmeza salvaria o mundo. Esse pensamento salva o mundo porque representa a aceitação da Expiação. Ele desfaz a premissa do ego que é a fundação do mundo: eu não sou como Deus me criou. Escolher Jesus como nosso professor é escolher essa lição como a verdade, em vez da versão distorcida do ego. Uma vez que esse pensamento se vai, o mundo tem que ir também – idéias não deixam sua fonte – pois o mundo não pode ser sustentado se o pensamento subjacente na mente for Deus. (1:2-3) Nós o repetiremos de vez em quando, à medida que alcançarmos um outro estádio no aprendizado. Ele significará muito mais para ti à medida que avançares. Jesus está nos mostrando que aprender o Um Curso em Milagres é um processo, e que o livro de exercícios é parte integral dele. (1:4-6) Estas palavras são sagradas, pois são as palavras que Deus deu em resposta ao mundo que fizeste. Através delas, ele desaparece e, ao serem pronunciadas, todas as coisas que são vistas dentro das nuvens sombrias e ilusões nebulosas somem. Pois elas vêm de Deus. Deus, é claro, não nos dá literalmente palavras, pois Ele não pode responder a algo que nunca aconteceu. Como muitas outras, essa declaração deve ser entendida simbolicamente. Esse ponto importante precisa de reafirmação, uma vez que não levar em conta a forma metafórica do Curso pode levar a sérias compreensões e aplicações equivocadas. Lembre-se, portanto, dessas palavras importantes sobre o papel das palavras em nossa prática: Estritamente falando, as palavras não têm qualquer papel na cura... Deus não compreende palavras, pois foram feitas por mentes separadas para mantê-las na ilusão da separação. Palavras podem ser úteis, especialmente para o iniciante, no sentido de ajudar na concentração e facilitar a exclusão ou pelo menos o controle de pensamentos que não são pertinentes. Não nos esqueçamos, entretanto, de que as palavras não são senão símbolos de símbolos. Estão, assim, duplamente afastadas da realidade (MP-21.1:1,7-10). Nós, portanto, precisamos usar palavras – alguma expressão do princípio da Expiação -, mas apenas para nos ajudarem a ir além da ilusão da separação, para a verdade. Lembre-se, quando acreditamos ter adormecido e o sonho do ego começou, levamos conosco para nosso sono a memória do perfeito Amor de Deus. Essa memória é o Espírito Santo e Seu princípio de Expiação, que nos liga ao Céu que nunca verdadeiramente deixamos. Na presença desse princípio e da luz do Espírito Santo, as ilusões escurecidas do sistema de pensamento do ego desaparecem. O mundo ilusório precisa desaparecer também, como lemos em uma passagem que descreve o gentil desaparecimento do mundo diante do mundo real que foi atingido: Quando perceberes o mundo real, reconhecerás que não acreditavas nisso. Entretanto a rapidez com que a tua nova e única percepção real será traduzida em conhecimento não te deixará mais do que um instante para reconheceres que só isso é verdadeiro. Pois quando o Céu e a terra vêm a ser um, mesmo o mundo real 133


sumirá da tua vista. O fim do mundo não é a sua destruição, mas a sua tradução em Céu (T-11.VIII.1:4-8). (2:1-2) Eis aqui o Verbo pelo qual o Filho veio a ser a felicidade de Seu Pai, o Seu Amor e a Sua completeza. Aqui a criação é proclamada e honrada tal como é. No texto, o Verbo da criação é descrito assim, como você pode se lembrar: Em sua [do Filho] criação, seu Pai disse, “Tu és Meu bem amado e eu o teu para sempre. Sê perfeito como Eu Sou, pois nunca podes estar à parte de Mim” (T28.VI.6:4-5). A promessa de Deus garante que nós nunca deixamos a casa do nosso Pai. Nunca tendo nos separado Dele, permanecemos em unidade com nosso Criador e Fonte. O poema de Helen “A Casa do meu Pai”, captura o espírito desse Verbo. Ele merece uma segunda leitura: Bendito seja meu nome. Eu sou um Filho de Deus Que caminha em quietude. E estendo minha mão E das pontas dos meus dedos, a quietude se estende Ao redor do mundo para aquietar todas as coisas vivas, E cobri-las em santidade. Seu repouso é unido Ao meu, pois eu sou um com eles. Não há dor que minha quietude não possa curar, Porque ela vem de Deus. Não há pesar Que não se transforme em riso quando eu venho. Eu não venho sozinho. Comigo caminha A Luz para o qual o Céu olha como para si mesmo. Eu sou um Filho de Deus. Meu nome é o Dele. A casa do meu Pai é onde minha quietude está. (As Dádivas de Deus, p. 59). (2:3-6) Não há sonhos que estas palavras não dissipem, não há pensamento de pecado e nenhuma ilusão que o sonho contenha que não se desvaneça diante do seu poder. São as trombetas do despertar que ressoam pelo mundo. Os mortos despertam em resposta ao seu chamado. E aqueles que vivem e ouvem esse som jamais olharão para a morte. “Não há sonhos que estas palavras não dissipem” porque não há ordem de dificuldade em milagres. Cada problema, sonho e aspecto de nossas vidas vêm daquele único pensamento que diz que a separação é real. O pensamento da Expiação – “eu sou como Deus me criou” – desfaz isso e, portanto, desfaz todos os efeitos aparentes daqueles pensamentos do ego também. Incidentalmente, “as trombetas do despertar” é uma referência à famosa passagem de São Paulo em Coríntios, também imortalizada em O Messias, de Handel: ... pois as trombetas soarão, e os mortos devem ser tornados incorruptíveis, e seremos modificados (1 Coríntios 15:52). Essa trombeta, então, é a resposta do Espírito Santo ao sonho de morte do ego, o despertar que é a definição do Curso para ressurreição. Se o sistema do ego não é verdadeiro e eu permaneço como Deus me criou, tudo o que jamais se seguiu daquele pensamento do ego é desfeito – incluindo a morte. As linhas iniciais de “O que é a ressurreição” expressa lindamente seu significado:

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Muito simplesmente, a ressurreição é a superação ou domínio da morte. É um novo despertar ou um renascimento, uma mudança da mente a respeito do significado do mundo. É a aceitação da interpretação do Espírito Santo sobre o propósito do mundo, a aceitação da Expiação para si mesmo. É o fim dos sonhos de miséria e a feliz consciência do sonho final do Espírito Santo (MP-28.1:1-4). Incidentalmente, as palavras “não há pensamento de pecado e nenhuma ilusão que o sonho contenha que não se desvaneça diante do seu poder” é uma reminiscência da adorável linha inicial do já familiar poema de Helen “Despertar em Quietude”: A paz o encobre, dentro o mesmo que fora, Em brilhante silêncio e em paz tão profunda Que nenhum sonho de mal e pecado se aproxima Da sua mente quieta (As Dádivas de Deus, p. 73). (3:1) Na verdade, santo é aquele que faz com que estas palavras sejam suas, despertando com elas em mente, lembrando-se delas ao longo do dia e trazendo-as consigo à noite quando vai dormir. Uma vez que somos todos santos como crianças de Deus, Jesus quer dizer que nos tornamos conscientes da nossa santidade quando nos lembramos dessas palavras para hoje. Jesus mais uma vez está nos incitando a dedicar todo o nosso dia, o tanto quanto for possível, a aprender seu curso por praticarmos consistentemente seus ensinamentos. (3:2-3) Os seus sonhos são felizes e o seu descanso seguro, a sua segurança certa e o seu corpo curado, porque adormece e acorda com a verdade sempre diante de si. Ele salvará o mundo, pois dá ao mundo o que recebe a cada vez que pratica as palavras da verdade. Dar e receber são o mesmo, como sabemos muito bem a essa altura. Eu dou palavras da verdade que dizem que você e eu não somos separados, o que então reforça isso em mim mesmo. Portanto, eu recebo a verdade que dei. Deus nos criou como um só, e essa é a verdade que queremos refletir em nossos relacionamentos. Ao fazermos isso, entramos nos sonhos felizes do Espírito Santo, cuja culminância é o mundo real, o mais feliz de todos os sonhos, pois – paradoxalmente – está além deles: O mundo real ainda é apenas um sonho. Mas as figuras mudaram. Elas não são vistas como ídolos que traem. É um sonho no qual ninguém é usado para substituir alguma outra coisa, nem interposto entre os pensamentos que a mente concebe e aquilo que ela vê. Ninguém é usado como algo que não é, pois as coisas infantis foram todas postas de lado. E o que uma vez foi um sonho de julgamento, agora mudou e veio a ser um sonho no qual tudo é alegria porque esse é o propósito que ele tem. Só sonhos que perdoam podem entrar aqui, pois o tempo está quase no fim. E as formas que entram no sonho são agora percebidas como irmãos, não em julgamento, mas em amor (T-29.IX.7). (4:1-2) Hoje praticamos de modo simples. Pois as palavras que usamos são poderosas e não necessitam de outros pensamentos além de si mesmas para mudar a mente daquele que as usa. Estamos falando sobre uma mudança na mente, não sobre qualquer coisa externa, e nada mais é necessário além dessa mudança. 135


(4:3) Essa mente está tão integralmente mudada que ela é agora o tesouro no qual Deus deposita todas as Suas dádivas e todo o Seu amor para serem distribuídos a todo o mundo, aumentados ao serem dados e assim se mantêm completos porque o seu compartilhar é ilimitado. Esse “tesouro” é nossas mentes certas, o lar do Espírito Santo e do Seu princípio de Expiação. Quando escolhemos liberar nosso especialismo, escolhemos nos identificar com essa Presença da mente certa, que nos permite receber as dádivas maravilhosas de Deus, as quais, como o Espírito Santo, estão sempre presentes em nossas mentes. No entanto, tendo vagado para longe delas, precisamos vagar de volta para recebermos o tesouro que Deus nos deu em nossa criação: Deus só quer Seu Filho, porque Seu Filho é Seu único tesouro... Não há nenhuma outra dádiva que seja eterna e, portanto, não há nenhuma outra dádiva que seja verdadeira... O que tem sido a Vontade de Deus para ti é teu. Ele tem dado a Sua Vontade ao Seu tesouro, de quem ela é o tesouro. O teu coração está ali onde está o teu tesouro, assim como o Dele. Tu, que és o bem-amado de Deus, és totalmente bem-aventurado (T-8.VI.5:1,8; 10:1-4). (4:4) E assim aprendes a pensar com Deus. Você “pensa com Deus” quando reflete Seu Pensamento de perfeita Unicidade. Isso significa que desfazemos nosso investimento na separação e especialismo. Acima de tudo, nós desfazemos nosso investimento em estarmos certos. Lembre-se da declaração de Jesus: “E Deus pensa de outra forma” (T-23.I.2:7). Naturalmente, Deus não pensa da forma que fazemos. De fato, Ele não pensa de forma alguma. Nós pensamos em termos de batalha: vencedores e perdedores, bons e maus – um ou outro. O Pensamento de Deus, no entanto, é não-dualista, uma vez que não há nada além da Unicidade. Conforme aprendo a deixar que a visão de Cristo seja os meus olhos, eu inevitavelmente reflito o Pensamento de Deus, dessa forma, pensando com Ele. (4:5-5:3) A Visão de Cristo restaurou a tua vista resgatando a tua mente. Nós te honramos hoje. É o teu direito à perfeita santidade que tu agora aceitas. Com essa aceitação, a salvação é trazida a todos, pois quem poderia apreciar o pecado quando uma santidade como essa abençoou o mundo? Nós vemos ainda mais uma vez um reflexo do tema importante da unicidade. “A salvação é trazida a todos” porque existe apenas uma única mente. No instante santo, no qual eu finalmente aceito a Expiação para mim mesmo, sei que a mente do Filho de Deus é uma. Assim o mundo é curado, assim como é “salvo” da crença na separação. (5:4) Quem poderia se desesperar quando a alegria perfeita é tua, acessível a todos como um remédio para a aflição e a miséria, para todo o sentimento de perda e o escape completo do pecado e da culpa? Quando sua mente é curada, todas as mentes são curadas: “Quando sou curado, não sou curado sozinho” (LE-pI.137). Isso não faz sentido da perspectiva de corpos individuais. No entanto, quando você se desliga desse mundo e volta ao lugar da paz na sua mente, percebe que o Filho de Deus é um. Se eles ainda parecem reais para você – vamos ver esse tema depois, na Lição 193 – é porque você escolheu tornar o ego certo e Deus errado, o que significa que você escolheu manter a si mesmo na miséria, por meio disso – em sua mente –, mantendo todos os outros na miséria também. Logo no início do texto, Jesus explica como nossa aflição não precisa existir, pois sua causa é nossa decisão errada, que é facilmente 136


desfeita através do perdão. Mudemos nossas mentes, e o desespero se rende à alegria. Aqui estão trechos dessa discussão: Eu tenho dito que não podes mudar a tua mente mudando o teu comportamento, mas tenho dito também, e muitas vezes, que podes mudar a tua mente. Quando o teu humor te diz que escolheste de forma errada e isso acontece sempre que não estás alegre, então saibas, que isso não precisa ser assim... Quando estás triste, saibas que isso não precisa ser assim. A depressão vem de um senso de estares sendo privado de alguma coisa que queres e não tens. Lembra-te de que não és privado de nada, exceto pelas tuas próprias decisões e então decide de outra forma. Quando estás ansioso, reconhece que a ansiedade vem do caráter caprichoso do ego e sabe que isso não precisa ser assim. Tu podes ser tão vigilante contra os ditames do ego quanto a favor deles. Quando te sentes culpado, lembra-te que, de fato, o ego violou as leis de Deus, mas tu não... Enquanto te sentes culpado o teu ego está no comando, porque só o ego pode experimentar a culpa. Isso não precisa ser assim. Vigia em tua mente as tentações do ego e não seja enganado por ele. Ele não te oferece nada. Quando tiveres desistido dessa des-espiritualização voluntária, verás como a tua mente pode focalizar e se erguer além da fadiga e curar. Entretanto, tu não és suficientemente vigilante contra as exigências do ego para desengajar a ti mesmo. Isso não precisa ser assim (T-4.IV.2:1-2; 3-4; 5:1,5-6; 6). (6) E quem não gostaria de ser um irmão para contigo agora, tu que és seu redentor e salvador. Quem poderia falhar em dar-te as boas-vindas no próprio coração com um convite amoroso, ansiando por unir-se com alguém que é tão santo quanto ele mesmo? Tu és como Deus te criou. Estas palavras dissipam a noite e a escuridão deixa de ser. A luz veio hoje para abençoar o mundo. Pois reconheceste o Filho de Deus e nesse reconhecimento está o do mundo. Todos agora são irmãos para você, porque as percepções de individualidade e separação se foram. O mundo não é nada além da projeção do pensamento do Filho separado de Deus, e, quando aquele pensamento é curado e você se lembra de que o Filho de Deus é um, o mundo é curado também. Portanto, conforme você atravessa seu dia, fique particularmente atento a quando torna a escuridão real – separação, conflito, julgamento, dor e especialismo. Nesse ponto, diga: “Eu escolhi a noite em vez do dia, a escuridão em vez da luz. Escolhi esquecer de que o Filho de Deus nunca deixou sua Fonte, e que eu sou o Filho de Deus. Se eu escolher reter minha raiva e especialismo, é porque prefiro ser o filho do ego em vez do Filho de Deus. No entanto, como é tolo negar a mim mesmo e a meus irmãos a paz que é nossa verdadeira herança!”. Apenas um louco iria tentar excluir a si mesmo do círculo de Expiação, dentro do qual Jesus abençoou seus irmãos em sua paz: Que a paz, então, esteja com todos os que vêm a ser professores da paz. Pois a paz é o reconhecimento da pureza perfeita, da qual ninguém está excluído. Dentro do seu círculo santo estão todos aqueles que Deus criou como Seu Filho. A alegria é o seu atributo unificador e ninguém é deixado de lado para sofrer pela culpa sozinho. O poder de Deus atrai todas as pessoas ao seu abraço seguro de amor e união. Que estejas em quietude dentro deste círculo e atraias todas as mentes torturadas para que se unam a ti na segurança da sua paz e da sua santidade. Fica comigo dentro dele, como um professor da Expiação, não da culpa... Vem com todos aqueles que pensam que estão de fora. Não elimines ninguém, pois aqui está o que cada um busca junto contigo. Vem, vamos nos unir a ele no lugar santo da paz que é onde todos nós devemos estar, unidos como um só na Causa da paz (T14.V.8; 11:7-9). 137


Portanto, nós alegremente nos lembramos de que como um Filho, nós somos como Deus nos criou.

LIÇÃO 163 Não há morte. O Filho de Deus é livre. Essa lição é similar à seção perto do fim do manual, “O que é a morte?”, que ensina, como faz a Lição 167, que a morte simboliza a totalidade do sistema de pensamento do ego: “A morte é o tema central do qual derivam todas as ilusões” (MP-27.1:1). Do ponto de vista do ego, a morte provê a prova certa de que ele está certo. Ela diz que eu me separei de Deus, o que me tornou um pecador. Esmagado pela culpa por ter destruído Deus, acredito que Deus está justificado em me punir pelo meu pecado, levantando-se da Sua tumba para executar Sua 138


vingança. Portanto, a morte do corpo é a testemunha do ego mais poderosa de todas: “Eu lhe digo que estava certo e o Espírito Santo errado, porque eu, o ego, tenho poder sobre a vida”. Deus criou a vida, mas não pode destruí-la; no entanto, eu, o ego, posso fazer a vida e também acabar com ela. A morte, então, se torna o argumento mais convincente no arsenal do ego – certamente dentro do mundo das especificidades – que o sistema de pensamento de separação do ego é verdadeiro e o sistema de pensamento de Expiação do Espírito Santo, uma mentira. (1) Morte é um pensamento que toma muitas formas, freqüentemente não reconhecidas. Pode aparecer como tristeza, medo, ansiedade ou dúvida, como raiva, ausência de fé e falta de confiança, preocupação com os corpos, inveja, e todas as formas em que o desejo de ser como tu não és possa vir a tentar-te. Todos esses pensamentos não passam de reflexos da adoração da morte como salvador e doador da liberação. Sempre que você está triste ou ansioso, preocupado com especialismo de qualquer tipo, e vê a si mesmo como um corpo – torna a morte real. Qualquer dessas formas específicas reflete sua crença em que o sistema de pensamento de pecado, culpa e medo é real, com a morte como seu último e inevitável efeito. O mesmo pensamento é encontrado em “O retrato da crucificação”, onde Jesus diz que a doença é “apenas uma ‘pequena’ morte; uma forma de vingança, embora ainda não total” (T-27.I.4:8). Aqui, aquele pensamento é estendido para incluir ansiedade, medo e inveja como pequenas formas de morte. Tudo expressa o pensamento subjacente da separação, que é morte. (2:1) Encarnação do medo, anfitrião do pecado, deus dos culpados e senhor de todas as ilusões e enganos, de fato, o pensamento da morte parece poderoso. Pecado, culpa e medo são, portanto, resumidos como a incorporação do sistema de pensamento de separação, cuja culminação é o “pensamento poderoso da morte”. (2:2-4) Pois parece manter todas as coisas vivas dentro de sua mão ressequida, todas as esperanças e desejos no seu domínio maléfico, todas as metas percebidas somente por seus olhos que não vêem. Os fracos, os impotentes e os doentes curvam-se diante de sua imagem, acreditando que só ele é real, inevitável, digno da sua confiança. Pois somente ele virá com certeza. A imagem evocativa nessa passagem é maravilhosa. Todos conhecem a declaração: Nada é certo nesse mundo além da morte e dos impostos. A morte prova além de qualquer sombra de dúvida que o ego está certo e Deus errado: a morte significa que o corpo viveu, o que também torna real o pensamento subjacente de separação. Portanto, compartilhamos um tremendo investimento no corpo, e a sociedade transforma nossos nascimentos e mortes aparentes em símbolos poderosos, pedindo celebração e comemoração nas vidas de quase todos – tudo isso servindo para tornar o corpo real em nossa experiência. É importante entender que é por isso que o mundo se focaliza no corpo, e mais especificamente na morte. Com certeza, existem muitas outras especificidades corporais sobre as quais o mundo coloca ênfase, mas nenhuma tem sobre nós o mesmo poder da morte, pois ela parece ser o ponto final (ou ponto de exclamação!) que encerra nossas vidas. Quer você acredite ou não em vida depois da vida, você ainda acredita que algo acontece – o corpo morre. Se você acreditar que a mente, o espírito ou a alma vive após a vida, mantém a realidade do corpo. No entanto, a mente não vive no pós-vida, porque nunca tendo estado no corpo, como poderia continuar depois dele? Em outras palavras, a mente é totalmente não afetada por seus aparentes nascimentos em um corpo, ou seus finais aparentes na morte física. Portanto, seria útil, conforme você estuda essa lição, considerar as muitas formas nas quais sua vida diária reflete a crença na realidade da morte. 139


(3:1-2) Todas as coisas, com exceção da morte, são vistas como incertas, rapidamente perdidas por mais difícil que tenha sido obtê-las, inseguras em seus resultados, aptas a falhar às esperanças que outrora geraram e a deixar um gosto de pó e cinzas em seu rastro ao invés de aspirações e sonhos. Mas, pode-se contar com a morte. Nada aqui é certo exceto a morte. Por exemplo, o amor especial é inseguro – você ama alguém em um minuto e o odeia no próximo; ou você ama alguém, e antes que perceba, a pessoa o deixou ou morreu. No entanto, você sempre pode depender da morte. Isso significa que você sempre pode depender do ego, o que sustenta que você não pode depender do Espírito Santo, de Jesus, Deus, ou até do Um Curso em Milagres. Tudo morre, até coisas que consideramos permanentes, tais como montanhas. Através dos milênios, elas ruem, se deterioram e eventualmente desaparecem. Pelo fato de todas as coisas no mundo morrerem, você sabe que Deus não tem nada a ver com ele. Existe, no entanto, outro tipo de morte. Essa também é certa, se permitirmos que o Espírito Santo seja nosso guia através do “círculo de medo” do ego (T-18.IX.3:7-4:1): Isso é o que a morte deveria ser: uma escolha quieta feita com alegria e com uma sensação de paz porque o corpo foi usado de forma benigna para ajudar o Filho de Deus ao longo do caminho que ele segue para Deus... Chamamos a isso morte, mas é liberdade. Ela não vem em formas que parecem ser impostas na dor sobre a carne que não a quer, mas como um sinal de boas-vindas que é dado com gentileza à liberação. Se houver cura verdadeira, essa pode ser a forma na qual a morte vem, quando chega o momento de descansar por algum tempo de um trabalho feito e terminado com contentamento. Agora vamos em paz para ares mais livres e um clima mais gentil, onde não é difícil ver que as dádivas que demos foram guardadas para nós (C-3.II.2:1; 3:1-4). (3:3-4) Pois ela virá com passos certos quando tiver vindo o momento da sua chegada. Nunca falhará em tornar toda a vida como refém para si mesma. Lembre-se de que a morte não é uma entidade, mas apenas um pensamento projetado do ego. Na verdade, poderíamos substituir tudo o que foi dito aqui sobre a morte pela palavra ego, porque você sempre pode contar com ele para garantir nossa existência separada: se nós existimos, o Deus vivo é uma mentira, pois apenas a divindade do ego poderia ser verdadeira. (4:1-2) Tu te curvarias diante de ídolos como esse? Aqui, a força e o poder do próprio Deus são percebidos em um ídolo feito de pó. Um ídolo pode ser definido como uma cópia, ou um substituto para Deus – em outras palavras, o ego e especificamente o corpo. O corpo é a expressão na forma do deus do ego, feito para ser o substituto para Deus, Que está além de todas as formas. Acreditar na realidade da morte é acreditar que Deus é fraco e capaz de ser destruído; pois se a morte é real, a separação de Deus tem que ser real também, e, portanto, Ele está morto, assassinado pelo ego triunfante. Nossa insanidade é demonstrada pelo fato de acreditarmos em tal insanidade: Sob a margem poeirenta do seu mundo distorcido, o ego quer colocar o Filho de Deus que, abatido pelas suas ordens, prova em sua decadência que o próprio Deus não tem poder diante do poderio egótico, é incapaz de proteger a vida que Ele criou contra o selvagem desejo que o ego tem de matar. Meu irmão, criança do nosso Pai, isso é um sonho de morte. Não há nenhum funeral, nem altares escuros, nem mandamentos sinistros, nem rituais distorcidos de condenação aos quais o corpo te conduz. Não peças para ser liberado disso. mas liberta-o das ordens sem 140


misericórdia e sem esperança que impuseste a ele e perdoa-o pelo que ordenaste que ele fizesse. Ao exaltá-lo ordenaste que ele morresse, pois só a morte poderia conquistar a vida. E que outra coisa, senão a insanidade, poderia contemplar a derrota de Deus e pensar que é real? (T-19.IV-C.8). A adoração à morte em todas as suas formas – algumas sutis, outras óbvias – é a adoração ao ego, refletindo a declaração de que eu existo à custa de Deus. Além disso, eu me deleito em meu pecado e nunca vou devolver o que roubei. Voltando à Lição 161, eu fiz um mundo de corpos específicos que eu posso culpar e tornar responsável pelo que secretamente acredito ter feito. (4:3-4) Aqui, o oposto de Deus é proclamado senhor de toda a criação, mais forte do que a Vontade de Deus pela vida, do que o amor infindável e a perfeita e imutável constância do Céu. Aqui, a Vontade do Pai e do Filho é enfim derrotada e enterrada sob a lápide que a morte erigiu sobre o corpo do Filho santo de Deus. A morte diz que o amor não dura, o Céu não é perfeito, e – certamente – foi modificado. Deus não apenas tem um oposto, mas Seu oposto é verdadeiro, enquanto Ele não é. A Vontade do Pai e do Filho é Sua perfeita Unicidade. A morte, no entanto, afirma a realidade do corpo separado, incorporando o pensamento de separação. Portanto, a vontade da deidade do ego é a separação, e o corpo e sua morte dão testemunho à verdade do ego de que a Vontade de Deus foi derrotada. Esse é o ídolo a cujos pés de barro nós nos curvamos, em adoração ao seu insano sistema de crenças: Um ídolo é estabelecido pela crença e quando ela é retirada, o ídolo “morre”. Isso é o anticristo: a estranha idéia de que há um poder além da onipotência, um lugar além do infinito, um tempo que transcende o eterno. Aqui o mundo dos ídolos foi estabelecido pela idéia de que foi dada uma forma a esse poder, a esse lugar e a esse tempo e eles moldam o mundo onde o impossível aconteceu. Aqui, o que não morre vem para morrer, o que tudo abrange vem a sofrer perda, o que é sem tempo vem para se fazer escravo do tempo. Aqui o imutável muda; a paz de Deus, para sempre dada a todas as coisas vivas, dá lugar ao caos. E o Filho de Deus, tão perfeito, sem pecado e amoroso como seu Pai, vem para odiar por um breve momento, para sofrer dor e finalmente morrer (T-29.VIII.6). (5) Sem santidade na derrota, ele veio a ser o que a morte quis que ele fosse. O seu epitáfio, escrito pela própria morte, não lhe dá nome, pois passou ao pó. Diz apenas isso: “Aqui jaz um testemunho de que Deus está morto”. E ela escreve isso muitas e muitas vezes, e durante todo o tempo, os seus adoradores concordam e ajoelhando-se com as cabeças voltadas para o chão, sussurram medrosamente que é assim. Jesus usa a imagem da oração para fazer a afirmação de que todos nós rezamos para o deus do ego – seu ídolo da morte – da mesma forma que adoramos os deuses da doença e do especialismo. Ele nos pede para estarmos cientes de que é isso o que estamos fazendo. Portanto, sempre que você ceder a qualquer forma de especialismo, tente pegar-se no ato e dizer: “Aqui está uma testemunha de que Deus está morto”. Em minha adoração especial ao corpo – em ódio ou amor – afirmo que Deus está morto e eu reino em Seu lugar. Eu reino até mesmo na morte e na derrota, porque mesmo então, encontro a prova de que vivi e a separação é um fato, assim como o sistema de pensamento que brotou dela: Do ego vieram o pecado, a culpa e a morte em oposição à vida e à inocência e à Vontade do próprio Deus. Onde pode estar tal oposição senão nas mentes doentes dos insanos, dedicadas à loucura e estabelecidas contra a paz do Céu?... E o que é 141


o corpo envolto em negro que querem enterrar? Um corpo que dedicaram à morte, um símbolo de corrupção, um sacrifício ao pecado, oferecido ao pecado para alimentá-lo e mantê-lo vivo; uma coisa condenada, amaldiçoada por aquele que a fez e lamentada por cada carpidor que olha para ela como para si mesmo... A arrogância do pecado, o orgulho da culpa, o sepulcro da separação, tudo isso é parte da tua dedicação irreconhecida à morte. O cintilar da culpa que colocaste sobre o corpo quer matá-lo. Pois aquilo que o ego ama, ele mata em obediência a si mesmo (T-19.IV-C.3:1-2; 4:1-2,5-7). (6:1) É impossível adorar a morte sob qualquer forma e ainda escolher algumas que não apreciarias e ainda queres evitar, embora acredites nas demais. Não há hierarquia de ilusões, o que desfaz a primeira lei do caos (T-23.II.2:3), que nos iria fazer pensar que podemos misturar verdade e ilusão, o Céu e o inferno. Portanto, acreditamos no ego aqui, e em Deus no “outro lado”; acreditamos na verdade e no amor em alguns lugares, mas não em todos. No entanto, tudo é um fragmento. Você não pode excluir uma parte do sistema de pensamento do ego, mais do que pode excluir uma parte do sistema do Espírito Santo. Ambos são completos em e por si mesmos; um é ilusório, o outro é verdadeiro. A vida e a morte não podem coexistir, que é o que o sistema de pensamento do ego faz: eu destruí Deus, o que torna a morte real; mas agora eu existo, o que torna a vida real. Nós, portanto, acreditamos na realidade da vida e morte no mundo, ambas as quais são vistas como verdadeiras. Jesus nos ensina que não é assim. Uma vez que a verdade é total, ela não pode ser assim. Seu argumento continua: (6:2-5) Pois a morte é total. Ou todas as coisas morrem ou elas vivem e não podem morrer. Nenhuma transigência é possível. Pois aqui, mais uma vez, vemos uma posição óbvia que temos que aceitar se quisermos ser sãos: o que contradiz inteiramente um pensamento não pode ser verdadeiro a menos que se prove que o seu oposto é falso. Mais uma vez, se a vida é verdadeira, a morte tem que ser falsa em todas as suas formas; se a morte é verdadeira, a vida tem que ser falsa em todas as suas formas – outra afirmação do Nível Um: um ou outro. O ego, como já vimos, nos faria fazer transigências com a vida e a morte coexistindo, como vemos nas religiões bíblicas, que é o motivo pelo qual falamos delas como dualistas: Espírito e carne são reais, assim como o Céu e o inferno, Deus e o mundo, o amor e o ódio. Quando você entende os ensinamentos de Jesus e começa a aplicá-los, fica evidente que nada disso é verdadeiro: Se Deus é real, nada aqui é real; se Deus é falso, tudo aqui é verdadeiro, o que o ego nos faz acreditar. Duas passagens no manual expressam de forma convincente a postura inflexivelmente não-dualista do Um Curso em Milagres: A vida não tem opostos, pois é Deus. Vida e morte parecem ser opostos porque tu decidiste que a morte põe fim à vida. Perdoa o mundo e compreenderás que tudo o que Deus criou não pode ter fim e nada que Ele não tenha criado é real. Nesta única frase o nosso curso é explicado. Nesta única frase se dá a direção única da nossa prática. E nesta única frase está todo o currículo do Espírito Santo especificado exatamente como é (MP-20.5:5-10). Se a morte é real para o que quer que seja, não há vida. A morte nega a vida. Mas se há realidade na vida, a morte é negada. Aqui não é possível nenhuma transigência. Ou existe um deus do medo, ou um Deus do Amor. O mundo tenta fazer mil transigências e tentará fazer outras mil. Nenhuma pode ser aceitável para os professores de Deus, pois nenhuma seria aceitável para Deus. Ele não fez a morte porque Ele não fez o medo. Ambos são igualmente sem significado para Ele... 142


Professor de Deus, tua única atribuição poderia ser colocada assim: não aceites nenhuma transigência na qual a morte desempenhe um papel (MP-27.4:2-10; 7:1). A última parte da passagem do livro de exercícios pode ser confusa. “O que contradiz inteiramente um pensamento” refere-se ao pensamento da morte que pareceria contradizer o pensamento da vida. Como as sentenças anteriores tornam claro, essa é uma situação um-ououtro. O pensamento da morte não pode ser verdadeiro, a menos que possa ser provado que seu oposto – a vida – é falso. Em outras palavras, a morte parece ter poder de contradizer a vida, mas isso é impossível porque a vida é eterna. A única maneira do pensamento da morte poder ser verdadeiro é se for provado que a vida não é real; isto é, que Deus foi morto. Isso, então, nos leva ao parágrafo 7: (7:1-2) A idéia da morte de Deus é tão absurda que mesmo os insanos têm dificuldade de acreditar nela. Pois implica que Deus outrora vivia e, de alguma forma, pereceu; morto aparentemente por aqueles que não queriam que Ele sobrevivesse. Isso significa todos nós. O fato de acreditarmos que somos corpos diz que não queremos que Deus sobreviva – em Sua presença, nosso ser separado não existe. Além disso, em nossa arrogância, acreditamos que fomos nós que conseguimos Seu assassinato. Uma vez que isso nos torna mais poderosos do que Deus, o ego facilmente nos convence de que nós, de fato, somos Deus. Essa arrogante insanidade se torna a base dos nossos relacionamentos: O relacionamento especial tem que ser reconhecido pelo que é: um ritual sem sentido, no qual a força é extraída da morte de Deus e investida em Seu assassino como sinal de que a forma triunfou sobre o conteúdo e o amor perdeu o seu significado (T-16.V.12:4). Essas são as más notícias. As boas são que tudo isso é pura fantasia. Não aconteceu, porque não poderia acontecer: Queres que isso seja possível, mesmo sem considerar a sua evidente impossibilidade? Se fosse possível, terias feito de ti mesmo um impotente. Deus não está com raiva. Ele meramente não poderia deixar que isso acontecesse. Não podes mudar a Mente de Deus. Nenhum dos rituais que tenhas inventado, nos quais a dança da morte te deleite, pode trazer morte ao eterno. E o substituto que escolheste para a Integridade de Deus também não pode ter qualquer influência sobre ela (T-16.V.12:5-11). (7:3-4) Sua vontade mais forte conseguiu vencer a Vontade de Deus e, assim, a vida eterna deu lugar à morte. E, com o Pai, morreu também o Filho. Mais uma vez, se acreditarmos que somos corpos, acreditamos que não vivemos mais e, portanto, ativamente escolhemos nossa própria morte. Além disso, se acreditarmos que o corpo é real, o que a morte testemunha, dizemos que o Filho de Deus morreu junto com seu Pai. É por isso que é importante, conforme praticamos o Um Curso em Milagres, não misturarmos seus ensinamentos com outros sistemas de pensamento. Não há nada sobre o corpo que seja resgatável, santo ou salvador, pois ele é a incorporação da morte e do sistema de pensamento do ego. Ele pode ser usado para nos ensinar que não somos corpos, mas isso tem a ver apenas com a mudança de propósito da mente, não do corpo em si mesmo. (8:1-3) Os adoradores da morte podem ter medo. E, no entanto, podem pensamentos como esses serem amedrontadores? Se eles vissem que o que acreditam é apenas isso, seriam instantâneamente liberados. 143


Todos nesse mundo têm medo, e, em última instância, todos nós temos medo de morrer porque pensamos que nossa vida vai embora. No entanto, Jesus pergunta: “Como uma ilusão pode ter a possibilidade de amedrontá-lo?”. Nós apenas acreditamos que uma ilusão é verdade; nós não a tornamos verdadeira. Apelar ao perdão do Espírito Santo traz essa mudança da fantasia para a realidade, da ilusão para a verdade, da morte para a vida eterna: Entretanto, uma sombra não pode matar. O que é uma sombra para os vivos? Eles apenas passam por ela e ela se vai. Mas, e aqueles que são dedicados a não viver, os “pecadores” vestidos de negro, o coro enlutado do ego arrastando-se pesadamente para longe da vida, carregando suas correntes e marchando na lenta procissão em honra ao seu patrão sinistro, o senhor da morte? Toca qualquer um deles com as mãos gentis do perdão e observa as suas correntes caírem por terra junto com as tuas. Que o vejas deixar de lado a veste negra que ele estava usando para o próprio funeral e ouve-o rir da morte. Ele pode escapar à sentença que o pecado quer lhe impor através do teu perdão. Isso não é nenhuma arrogância. É a Vontade de Deus. O que é impossível para ti que escolheste a Sua Vontade como a tua? O que é a morte para ti? A tua dedicação não está voltada para a morte nem para o seu patrão. Quando aceitaste o propósito do Espírito Santo em lugar do propósito do ego, renunciaste à morte, trocando-a pela vida. Nós temos o conhecimento de que uma idéia não deixa a sua fonte. E a morte é o resultado do pensamento a que chamamos ego com tanta certeza quanto a vida é o resultado do Pensamento de Deus (T-19.IV-C.2). (8:4) E hoje tu lhes mostrarás isso. Essa é nossa missão, que não tem nada a ver com nada externo. Pela paz e vida que aceitamos como nossa realidade, chamamos os outros para fazerem a mesma escolha que fizemos. Esse é o propósito enquanto estamos aqui: ensinar a impecabilidade que iríamos aprender; aprender o perdão que iríamos ensinar. Portanto, nossos corpos sem defesa servem a um propósito santo – a demonstração da inocência do nosso irmão como um Filho de Deus: Agora, nas mãos que se fizeram gentis pelo Seu toque, Ele coloca um retrato diferente de ti. É ainda o retrato de um corpo, pois o que realmente és não pode ser visto nem retratado. Entretanto, esse não foi usado com o propósito de atacar e, portanto, nunca sofreu nenhuma dor. Ele testemunha a verdade eterna de que não podes ser ferido e aponta para além de ti mesmo, para a tua inocência e a sua. Mostra isso ao teu irmão, que verá que todas as cicatrizes estão curadas e todas as lágrimas foram enxugadas com o riso e com amor. E lá ele olhará para o seu próprio perdão e com olhos curados olhará além do perdão para a inocência que ele contempla em ti. Aqui está a prova de que ele nunca pecou, de que nada do que a sua loucura pediu que ele fizesse jamais foi feito nem jamais teve efeitos de qualquer espécie. Aqui está a prova de que nenhuma reprovação que ele tenha posto em seu próprio coração jamais foi justificada e nenhum ataque jamais pode atingi-lo com a seta envenenada e incansável do medo (T-27.I.5). (8:5) Não há morte e renunciamos a ela sob todas as suas formas agora para a tua salvação e a nossa também. Jesus está se referindo a tudo o que ele enumerou no início da lição. Tudo isso não precisa ser assim.

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(8:6-9) Deus não fez a morte. Portanto, qualquer que seja a forma que assuma, ela tem que ser uma ilusão. Essa é a posição que adotamos hoje. E nos é dado olhar para o que vem depois da morte e ver a vida que está além. “Olhar para o que vem depois da morte” não é negar que corpos morrem nesse mundo. Nós não negamos a morte que nossos olhos vêem, mas negamos a interpretação do ego sobre essa morte. Jesus está nos pedindo para escolhermos seus olhos através dos quais veremos, em vez de através dos olhos do ego; sua visão, em vez do nosso julgamento. Assim, vamos entender que Deus não fez a morte porque Ele não fez o corpo e, portanto, todas as formas corporais são ilusórias porque não são de Deus. Em outras palavras, rescindimos a promessa que fizemos ao ego sempre que aderimos ao seu sistema de pensamento: Não jures morrer, tu, o Filho santo de Deus! Tu fizeste uma barganha que não podes manter. O Filho da Vida não pode ser morto. Ele é imortal como o seu Pai. O que ele é não pode ser mudado. Ele é a única coisa em todo o universo que tem que ser uma (T-29.VI.2:1-6). A oração final que se segue é a primeira ocorrência dessa forma no livro de exercícios. É um precursor à Parte II, na qual cada lição contém uma oração de nós para Deus, nosso Pai. Essa, então, é uma visão prévia da graça que ainda virá: (9:1-2) Pai nosso, abençoa os nossos olhos hoje. Somos os Teus mensageiros e queremos contemplar o glorioso reflexo do Teu Amor que brilha em todas as coisas. Nós praticamos esse exercício de refletir a Unicidade do Amor de Deus por não vermos os interesses de ninguém como separados dos nossos próprios. Se eu culpar você, apenas estarei culpando a mim mesmo. Não pode acontecer do meu interesse ser atendido à sua custa. A próxima sentença é uma referência à famosa declaração de São Paulo, “Pois nele nós vivemos, e nos movemos, e temos o nosso ser” (Atos 17:28). (9:3-8) Vivemos e nos movemos só em Ti. Não estamos Separados da Tua vida eterna. Não há morte, pois a morte não é a Tua Vontade. E nós habitamos onde nos colocaste, na vida que compartilhamos. Contigo e com todas as coisas vivas, para sermos como Tu és e parte de Ti para sempre. Aceitamos os Teus Pensamentos como nossos e a nossa vontade é uma com a Tua eternamente. Amém. Mais uma vez, nós refletimos a verdade dessa adorável oração por não vermos os interesses de outra pessoa como separados dos nossos – a base para o perdão. Esse é o significado de pedir ajuda ao Espírito Santo para mudarmos nossas percepções da morte e suas variações para Seus felizes reflexos da vida.

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LIÇÃO 164 Agora somos um com Aquele Que é a nossa Fonte. O principal tema da lição é a visão, o que reaparece através de todo o livro de exercícios e o próprio Um Curso em Milagres. O foco aqui está em nos ajudar a mudarmos nossa forma de olhar para o mundo – julgamento e interesses separados – para a visão de Cristo – perdão e interesses compartilhados. (1:1-3) Em que momento, senão agora, pode a verdade ser reconhecida? O presente é o único tempo que existe. E assim, hoje, nesse instante, agora, vimos contemplar o que está para sempre presente, não na nossa vista, mas aos olhos de Cristo. 146


Nossa vista envolve alguma forma da interpretação do ego sobre a diminuta e louca idéia – pecado, culpa, medo, ataque, morte – enquanto a visão de Cristo é o seu desfazer. Portanto, nosso foco está em uma forma diferente de ver, que muda do julgamento para a visão no instante santo, “o único tempo que existe”: Que estejas disposto, por um instante, a deixar os teus altares livres do que depositaste sobre eles e o que realmente lá está tu não podes deixar de ver. O instante santo não é um instante de criação, mas de reconhecimento. Pois o reconhecimento vem da visão e da suspensão do julgamento (T-21.II.8:1-4). (1:4-6) Ele olha para o que vem depois do tempo e vê a eternidade tal como é lá representada. Ele ouve os sons que o mundo sem sentido e agitado engendra, mas os ouve vagamente. Isso é assim porque além de todos, Ele ouve a canção do Céu e a Voz por Deus mais clara, mais significativa e mais próxima. Essa é uma série importante de declarações. Através dos olhos de Cristo, ainda vemos o mundo de corpos separados, mas sem nossa antiga ênfase em mantermos nossa identidade separada, sem tornar alguém mais responsável por ele. Esse é o ponto em “A atração pela culpa” (T-19.IV-A.i), na qual somos atraídos a ver a culpa em outros para que não tenhamos que reconhecer sua fonte em nós mesmos. Portanto, quando olhamos através dos olhos de Jesus, vemos o que nossos olhos físicos vêem, mas nossa compreensão é bem diferente: vemos interesses compartilhados, não separados; “ouvimos os sons que o mundo sem sentido e agitado engendra”, mas “os ouvimos vagamente”. Se você cursou psicologia, pode se lembrar de aprender sobre imagem e pano de fundo em percepção – o conhecimento de fundo contra o qual percebemos figuras específicas. Agora, somos ensinados a nos focalizar no chamado pelo amor, e nossa vista física se torna a base para essa nova percepção. Dito de outra forma, mudamos nosso propósito de atacar o pecado para perdoar equívocos, e nossas percepções mudam de acordo: O Espírito Santo tem uma utilidade para todos os meios que conduzem ao pecado, através dos quais buscaste achar o pecado. Mas, à medida que Ele os usa, conduzem para longe do pecado porque o Seu propósito está na direção oposta. Ele vê os meios que usas, mas não o propósito para o qual os fizeste. Ele não os tomaria de ti, pois vê o seu valor como um meio para o que Ele quer para ti. Tu fizeste a percepção de tal modo que possas escolher entre os teus irmãos e buscar o pecado com eles. O Espírito Santo vê a percepção como um meio de te ensinar que a visão de um relacionamento santo é tudo o que queres ver (T-21.III.6:1-6). Mais uma vez, não somos solicitados a negarmos o que vemos, sentimos ou pensamos. Nós simplesmente damos a isso uma interpretação diferente. Isso significa que não avaliamos nossas percepções sensórias através da necessidade do ego de encontrar culpa e depois atacá-la, mas em vez disso, vemos através da visão benigna de perdão de Jesus. (2:1-3) O mundo se desvanece facilmente diante da Sua vista. Seus ruídos tornam-se longínquos. Uma melodia vinda de muito além do mundo torna-se cada vez mais distinta, um Chamado antigo, ao Qual Ele dá uma resposta antiga. Essas palavras refletem o aspecto de processo do perdão: “o mundo se desvanece” – ele não desaparece; os “ruídos tornam-se longínquos” – eles não se desvanecem no nada. É importante reconhecer que isso é um processo, para que você não negue suas experiências e reflita o que, parafraseando o “vôo para a saúde”, de Freud, podemos chamar de “vôo para a 147


espiritualidade”. Lembre-se do poema de Helen “Transformação”, e essas linhas que refletem tão bem a mudança em perspectiva que é a precursora do gentil desvanecimento do mundo: O trivial Grande em magnitude, embora o que pareça grande Resuma a pequenez que lhe é devida. A centelha fica brilhante, e o que antes era brilhante Tremula e se desvanece e finalmente se vai. O que resta é a melodia que temos ansiado ouvir Desde antes do tempo parecer ser: Olhos que eram cegos começam a ver, e ouvidos Há tanto tempo surdos à melodia começam a ouvir. Na súbita quietude renasce O canto ancestral da canção da criação, Há muito tempo silenciado, mas agora relembrado. (As Dádivas de Deus, p. 64). (2:4-5) Reconhecerás ambos, pois são apenas a tua resposta ao Chamado do teu Pai a ti. Cristo responde por ti ecoando o teu Ser, usando a tua voz para dar o Seu feliz consentimento, aceitando a tua liberação por ti. Lembre-se de que no Um Curso em Milagres – especialmente em lições como essa – Jesus fala sobre Cristo, mas realmente quer dizer Espírito Santo. Estritamente falando, Cristo está no Céu e não tem nada a ver com esse mundo, assim como Deus também não tem nada a ver com ele. Nessas passagens, no entanto, Cristo é usado como sinônimo para o Espírito Santo, a memória em nossas mentes certas que nos lembra da nossa Identidade. Esse é o significado de “Cristo responde por ti, ecoando o teu Ser”. Nós apenas falamos ao nosso Ser, lembrando-nos de que ele é o nosso Ser; nós apenas chamamos nosso Ser, lembrando que é o nosso Chamado. (3:1) Quão santa é a tua prática de hoje, quando Cristo te dá a Sua vista e ouve por ti e responde em teu nome ao Chamado que Ele ouve! Ainda vemos e ouvimos, mas com um Professor diferente nos guiando. Portanto, com olhos e ouvidos diferentes, vemos uma nova percepção e ouvimos uma Voz ancestral. (3:2) Quão quieto é o tempo que dedicas a passar com Ele além do mundo. Jesus se refere ao instante santo. Tudo isso, é claro, acontece dentro do contexto do programa de um ano de treinamento do livro de exercícios, cujo propósito é nos fazer passar mais e mais tempo – até mesmo em meio aos nossos dias ocupados – nos lembrando do pensamento de correção em nossas mentes. Nossa quietude, “na qual o sonho é desfeito” (“O sonho quieto”; As Dádivas de Deus, p. 65), permite que o perdão pelos nossos pecados seja aceito, como agora lemos: (3:3) Quão facilmente todos os teus pecados aparentes são esquecidos e todos os teus pesares não são lembrados. Nossos pecados aparentes são “esquecidos e não são lembrados” quando nos lembramos de que o que percebemos e tornamos real no mundo reflete a necessidade do ego de nos enraizar no corpo e não na mente. Com Jesus como nosso professor, entendemos que nossos “pecados aparentes”, a causa da dor e sofrimento, resultaram da escolha errada da mente. 148


(3:4) Nesse dia, as aflições são deixadas de lado, pois as cenas e os sons vindos de um ponto mais próximo do que o mundo são claros para ti, que hoje aceitarás as dádivas que Ele te dá. As “cenas e sons” – a interpretação de Cristo – estão “mais próximas do que o mundo” porque estão em nossas mentes, onde nós estamos também. Lembre-se de que o mundo parece existir do lado de fora de nossas mentes, mas nunca deixou sua fonte interior, o local da nossa identidade: a memória de Quem somos como Cristo, ou o ser separado do ego. Portanto, uma vez que escolhemos Jesus como nosso professor, as “cenas e sons” de Cristo se tornam as nossas próprias. Dessa forma, tendo retornado à mente – o lar da visão de Cristo -, Sua vista se torna mais próxima de nós do que as projeções que colocamos do lado de fora. (4:1-4) Há um silêncio no qual o mundo não pode se intrometer. Há uma paz antiga que carregas no teu coração e não perdeste. Há uma sensação de santidade em ti que o pensamento do pecado nunca tocou. Lembrar-te-ás de tudo isso hoje. A primeira sentença é similar a uma linha no poema de Helen, “Conversão”: Existe um silêncio no qual o Verbo de Deus Emitiu um antigo significado, e é quieto. (As Dádivas de Deus, p. 61). “Tudo isso” – silêncio, paz e santidade – habita em nossas mentes. Isso é lembrado quando reconhecemos que nossas experiências no mundo vêm de dentro. Se for dor, sua fonte está na mente errada e se torna um toque de trombeta: voltemos à mente, onde escolhemos de forma errada, e escolhamos outra vez, portanto, vamos nos lembrar do “significado antigo” da Expiação – o Verbo de Deus é mantido em segurança pelo Espírito Santo, pacientemente aguardando nosso retorno. (4:5) A fidelidade na prática de hoje trará recompensas tão grandes e tão completamente diferentes de todas as coisas que buscavas antes, que saberás que aqui está o teu tesouro e o teu descanso. Nosso tesouro e descanso não são encontrados no mundo, mas em nossas mentes certas, onde nos lembramos do amor de Jesus e praticamos suas lições de perdão. Pelo tesouro que ele guarda para nós, ele pergunta, não vale a pena pagar o preço de perdermos nossa culpa, julgamento e dor? (5:1-2) Esse é o dia em que vãs imaginações se abrem como uma cortina para revelar o que está além de todas elas. Agora, se faz visível o que realmente existe, enquanto todas as sombras que pareciam escondê-lo simplesmente submergem. Essa é a mudança em imagem e base. O que parecia ser tão real e tangível antes é reduzido a uma mera sombra que desaparece; o que acontece quando escolhemos a luz de Jesus como a fonte da nossa visão, em vez da escuridão do ego. O véu da culpa e do ódio se ergue, revelando a luz gentil do amor, na prática fiel do perdão: Juntos nós desapareceremos na Presença além do véu, não para nos perdermos, mas para nos acharmos; não para sermos vistos, mas conhecidos. E conhecendo, nada no plano que Deus estabeleceu para a salvação ficará por fazer (T-19.IVD.19:1-2). 149


O plano de Deus é o perdão, a porta de entrada que nos leva através das sombras até a luz. (5:3) Agora, o equilíbrio é acertado e a balança do julgamento entregue Àquele Que julga verdadeiramente. Imagem e pano de fundo estão agora em perspectiva apropriada. O mundo é uma sala de aula – o segundo plano – na qual aprendemos as lições de perdão – o primeiro plano. O julgamento do Espírito Santo é o de que as pessoas ou expressam amor ou pedem por ele: Existe apenas uma interpretação de qualquer motivação que faz sentido. E porque é o julgamento do Espírito Santo, não requer nenhum esforço da tua parte. Todo pensamento de amor é verdadeiro. Tudo o mais é um apelo por cura e ajuda, independente da forma que tome (T-12.I.3:1-4). (5:4) E no Seu julgamento se revelará um mundo de perfeita inocência diante dos teus olhos. O processo de perdão termina no mundo real, cuja visão – o julgamento do Espírito Santo ou a justiça de Deus – gentilmente desvela para nós: O Julgamento de Deus é a Sua justiça... um Julgamento totalmente isento de condenação, uma avaliação inteiramente baseada no amor... A justiça de Deus aponta para o Céu apenas porque é inteiramente imparcial. Ela aceita todas as evidencias que são trazidas diante dela, sem nada omitir e sem nada considerar separado ou à parte de todo o resto. Só deste único ponto de vista é que ela julga e somente deste. Aqui todo ataque e toda condenação vêm a ser sem significado e indefensável. A percepção descansa, a mente se aquieta e a luz retorna outra vez. A visão agora é restaurada. O que havia sido perdido agora foi achado. A paz de Deus desce sobre todo o mundo e nós podemos ver. E nós podemos ver! (MP19.4:6-7; 5:5-13). Quem além de um louco escolheria um mundo de culpa, ódio e julgamento, quando a visão de um mundo de paz, amor e justiça – “Seu julgamento” – permanece dentro de nós, pacientemente aguardando nossa decisão sã? Continuamente, Jesus nos pede para levarmos nossa insanidade de separação à sua visão sã de comunhão; um mundo de morte que se rende suavemente ao benigno reflexo de amor da vida eterna. (5:5-6:2) Agora tu o verás com os olhos de Cristo. Agora a sua transformação está clara para ti. Irmão, esse dia é sagrado para o mundo. A tua visão, que te foi dada de muito além de todas as coisas nesse mundo, volve o olhar para elas sob uma nova luz. Mais uma vez, não somos solicitados a negarmos nossas experiências nesse mundo, mas meramente a olharmos para elas sob uma nova luz; não a negarmos nossos corpos, nem os dos outros. Na verdade, não somos solicitados a negar nada que experimentamos ou sentimos aqui. Lembre-se: O corpo é meramente parte da tua experiência no mundo físico... Todavia, é quase impossível negar a sua existência nesse mundo. Aqueles que o fazem estão engajando-se em uma forma de negação particularmente indigna (T-2.IV.3:8, 10-11).

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Somos solicitados simplesmente a darmos ao corpo uma interpretação diferente. Lembrese de que o problema não foi a diminuta e louca idéia de separação, mas escolher a interpretação do ego sobre ela. De forma similar, o problema não é nossos relacionamentos especiais, mas a interpretação do ego sobre eles – culpa, ataque e julgamento. Para Jesus, os relacionamentos se tornam a sala de aula na qual aprendemos suas lições de perdão e voltamos para casa. A seguinte passagem sobre a visão do salvador resume essa sagrada percepção de inocência, limpa de todos os julgamentos: A visão do salvador é tão inocente em relação ao que é o teu irmão, quanto é livre de qualquer julgamento feito em relação a ti. Ela não vê passado algum em ninguém. E assim serve à mente totalmente aberta, não anuviada por velhos conceitos e preparada para olhar apenas para aquilo que o presente mantém. Ela não pode julgar porque não conhece. E reconhecendo isso meramente pergunta: “Qual é o significado do que eu contemplo?”. Então é dada a resposta. E a porta é mantida aberta para que a face de Cristo brilhe sobre aquele que pede, em inocência, para ver além do véu das velhas idéias e dos antigos conceitos por tanto tempo apreciados e mantidos contra a visão de Cristo em ti (T-31.VII.13). (6:3-4) E o que vês vem a ser a cura e a salvação do mundo. O que é valioso e o que não tem valor são ambos percebidos e reconhecidos pelo que são. E o que é digno do teu amor recebe o teu amor e nada que possa ser temido permanece. Isso é uma expressão individual do que Jesus cita como o Último Julgamento ou Julgamento Final que nós coletivamente fazemos como um Filho. Aqui ele se refere ao nosso julgamento pessoal do sistema de pensamento do ego e de seus efeitos, reconhecendo-os como sem valor; e ao sistema de pensamento do Espírito Santo e de todos os seus efeitos, reconhecendo-os como valiosos. Para dizer de outra forma, nós aceitamos com gratidão que o que é sem valor reflete nossa tentativa arrogante de estarmos certos, e o que tem valor é perceber humildemente que estávamos errados. Tal reconhecimento da impecabilidade do Filho é nossa aceitação do julgamento final de Deus: Um dia, cada um dará boas-vindas a ele e nesse mesmo dia, ele lhe será dado. Ele ouvirá a sua impecabilidade proclamada em todas as partes do mundo, libertando-o na medida em que ele recebe o Julgamento Final de Deus. Esse é o Julgamento em que está a salvação. Esse é o Julgamento que vai libertá-lo. Esse é o Julgamento no qual todas as coisas serão libertadas com ele (MP-15.1:5-9). (6:5) E o que é digno do teu amor recebe o teu amor e nada que possa ser temido permanece. “O que é digno do teu amor” é o Filho de Deus – tanto o Filho que somos quanto o Filho que todos os outros são, sem exceção. O medo inevitavelmente desaparece na presença do Filho único de Deus. (7:1) Não julgaremos hoje. Mais uma vez, Um Curso em Milagres não é contra o julgamento, porque Jesus continuamente fala do julgamento do Espírito Santo. Ele está apontando para nossos julgamentos de condenação, que expressam a necessidade perceptual do ego de separação, embora tornando alguém mais responsável por ela: o julgamento de interesses separados: um ou outro. (7:2) Receberemos apenas o que nos é dado pelo julgamento feito além desse mundo. 151


Esse é o julgamento do Espírito Santo, situado na mente certa. Uma vez que Seu julgamento não está na mente errada, ele não existe aqui, que é o motivo pelo qual Jesus fala de “julgamento feito além desse mundo”. Tal julgamento – i.e., visão – não é encontrado na forma, pois é apenas um pensamento. Nós colocamos nosso pensamento de julgamento em nossas mentes para substituir o Pensamento de Deus, Seu Verbo, que nos lembra de que a separação é um sonho. Nossa escolha de nos lembrarmos nos capacita a recebermos o que já demos. (7:3) A nossa prática de hoje vem a ser a nossa dádiva de gratidão pela nossa liberação da cegueira e da miséria. A frase-chave é “dádiva de gratidão” – nós agradecidamente percebendo que estamos errados sobre tudo o que percebemos, pensamos e acreditamos ter entendido. (7:4) Tudo o que vemos só aumentará a nossa alegria, pois a sua santidade reflete a nossa. Mesmo que seus olhos físicos percebam o desastre, sua alegria vai aumentar porque você não vai deixar o ego julgá-lo por dividir a percepção entre vítimas e vitimadores. Você vai perceber que todos os envolvidos na situação – quer seja uma situação feliz ou infeliz – são um irmão em Cristo, pedindo o mesmo amor que você é. Lembrar dessa verdade vai aumentar sua alegria, porque você vai perceber que nada pode entrar entre você e o Amor de Deus. (7:5) Estamos perdoados aos olhos de Cristo, com o mundo inteiro perdoado aos nossos olhos. Isso é assim porque a mente do Filho de Deus é uma. Se eu sou curado, todos são curados comigo. Outro dos “pequenos” poemas de Helen, “Quietude”, fala do poder quieto do perdão: O mundo não conhece a quietude... No entanto, a quietude virá sobre ele finalmente. Pois, quando o perdão vier, sua dádiva certa É a quietude, na qual o mundo todo é silenciado. Um silêncio onde a pequenez do pecado Se encolhe diante do Amor Que o perdão representa. E, em Seu Nome, Todos são reconhecidos como o mesmo. (As Dádivas de Deus, p. 15). (7:6-8:2) Abençoamos o mundo ao contemplá-lo à luz em que o nosso Salvador nos olha e lhe oferecemos a liberdade que nos é dada através da Sua visão que nos perdoa e não da nossa. Abre as cortinas na tua prática meramente soltando todas as coisas que pensas querer. Põe os teus tesouros insignificantes de lado e deixa um espaço limpo e aberto no interior da tua mente ao qual Cristo possa vir te oferecer o tesouro da salvação. Se nós realmente quisermos ser felizes e termos a visão de Cristo como nossa, temos que liberar o ego. Esse é um curso em desfazer, pois não podemos ter visão até que primeiro estejamos cientes de como o ego tem visto tudo. Ajuda para alcançar isso é o único pedido significativo que podemos fazer a Jesus. De outra forma, nós meramente reforçamos o sonho. Assim, nós colocamos de lado nossos tesouros insignificantes – os diferentes aspectos do especialismo -, deixando uma mente aberta, na qual o Amor de Deus pode ser lembrado, o espaço “que o pecado deixou”: 152


E no espaço que o pecado deixou vazio, eles se unem como um só em contentamento, reconhecendo que o que é parte deles não foi mantido à parte nem separado. O local santo onde tu estás é simplesmente o espaço que o pecado deixou. E aqui vês a face de Cristo, surgindo em seu lugar. Quem poderia contemplar a face de Cristo e não se lembrar de Seu pai como Ele realmente é? Quem poderia ter medo do amor e estar no lugar onde o pecado deixou um espaço para que o altar do Céu se erga em torres bem acima do mundo e alcance o que está além do universo para tocar o Coração de toda a criação? O que é o Céu senão uma canção de agradecimento, de amoré de louvor por todas as coisas criadas à Fonte da sua criação? O altar mais santo é erguido onde antes se acreditava que o pecado estivesse. E aqui vêm todas as luzes do Céu para se reabastecer e aumentar em alegria. Pois aqui, o que estava perdido é devolvido a elas e toda a sua radiância vem a ser íntegra outra vez (T-26.IV.2:6-3:8). Qualquer pessoa em sua mente certa poderia não escolher esse tesouro da salvação em vez dos tesouros insignificantes de pecado do ego? Jesus nunca cansa de apresentar o contraste entre essas duas oferendas, pacientemente esperando nossa decisão pela sua verdade e nossa felicidade. (8:3) Ele precisa da tua mente mais santa para salvar o mundo. Como sempre, Jesus não está se referindo a nada externo, e certamente não está falando ao especialismo de ninguém. Uma vez que a mente do Filho de Deus é uma, Cristo precisa da mente de todos, que é uma mente. Lembre-se da resposta à pergunta colocada pelo manual para professores, “Quantos professores de Deus são necessários para salvar o mundo?”: A resposta a essa pergunta é – um. Um professor totalmente perfeito, cujo aprendizado está completo, é o suficiente. Esse, santificado e redimido, torna-se o Ser Que é o Filho de Deus... Sua percepção de si mesmo baseia-se no Julgamento de Deus, não no seu próprio. Assim ele compartilha da Vontade de Deus e traz os Seus pensamentos à mentes ainda iludidas. Ele é para sempre um, porque é como Deus o criou... Assim o filho do homem vem a ser o Filho de Deus. Não é realmente uma mudança, é uma mudança na mente. Nada externo se altera, mas tudo internamente reflete agora só o Amor de Deus (MP-12.1:1-3,7-9; 2:1-3). Cristo – o verdadeiro Filho de Deus – não pode salvar o mundo; apenas nossa mente mudada tem esse poder. (8:4-5) Não é esse propósito digno de ser teu? Não é a visão de Cristo digna de ser buscada acima das metas insatisfatórias do mundo? Mais uma vez, Jesus apela a nós em bases puramente egoístas, dizendo: “Você será feliz se assumir o meu propósito e olhar através dos meus olhos em vez dos seus. Por que você iria escolher contra sua própria salvação e paz?”. (9:1) Não deixes que o dia de hoje passe sem que as dádivas que contém para ti recebam teu consentimento e a tua aceitação. Jesus não pode impor isso a nós; nós o escolhemos. O propósito do Um Curso em Milagres é nos fazer perceber nossa escolha equivocada, e que o que escolhemos não nos trouxe paz. Podemos ter pensado que estávamos certos, mas isso nunca nos fez felizes. 153


(9:2) Podemos mudar o mundo, se tu as reconheceres. Não podemos dizer com freqüência suficiente que Jesus não quer dizer o mundo externo. Lembre-se, o mundo não é nada além do pensamento projetado da mente. Quando a mente é curada, o mundo é curado de acordo. Assim não falamos de curar qualquer coisa externa – não existe nada externo. (9:3-5) Talvez não vejas o valor que a tua aceitação dá ao mundo. Mas certamente queres isso: poder trocar todo sofrimento por alegria hoje mesmo. Pratica com afinco e a dádiva é tua. Mais uma vez, Jesus apela ao nosso egoísmo dizendo: “Você não tem que entender a metafísica do Um Curso em Milagres, nem como uma mente é todas as mentes, um irmão é todos os irmãos. Você precisa entender apenas que sua forma de viver tem lhe trazido dor. Se você pedir minha ajuda, seu sofrimento vai se transformar em alegria”. No entanto, isso dificilmente é fácil. Precisamos praticar em cada momento, em todos eles, durante o dia – “com afinco” – quando nos sentirmos tentados a colocar nossas dádivas diante das dele. (9:6-8) Deus te enganaria? Pode a Sua promessa falhar? Podes recusar tão pouco, quando a Sua Mão oferece ao Seu Filho a salvação completa? O “tão pouco” que nós mantemos é o ego. Quando não o afastamos mais do amor de Jesus, percebemos que em troca de “muito pouco” recebemos a “salvação completa”. Como Jesus diz sobre seu curso: Esse curso não requer quase nada de ti. É impossível imaginar outro que peça tão pouco ou que possa oferecer mais (T-20.VII.1:7-8). Assim, nossa raiva, sofrimento e esperanças não são nada. Entender isso nos permite iniciar o processo de escolher o tudo da alegria do Céu, como lemos na seguinte passagem do texto, que encerra nossa discussão sobre essa lição. Jesus nos encoraja a cruzarmos a ponte da completude para o mundo real, no qual a memória do Amor de Deus é restaurada à nossa consciência, e nós nos lembramos de que somos um com Ele Que é nossa Fonte: A nova perspectiva que irás ganhar pela travessia será compreender aonde é o Céu. Desse lado, ele parece estar do lado de fora e depois da ponte. No entanto, à medida em que atravessas para unir-te a ele, ele unir-se-á a ti e virá a ser um contigo. E irás pensar, em feliz espanto, que por tudo isso a nada renunciaste! A alegria do Céu não tem limites, aumenta com cada luz que retorna para tomar seu lugar de direito dentro dela. Não esperes mais, por Amor a Deus e a ti mesmo. e que o instante santo te acelere no teu caminho como certamente o fará, se apenas deixares que ele venha a ti (T-16.VI.11).

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LIÇÃO 165 Que a minha mente não negue o Pensamento de Deus. Pensamento é usado no Um Curso em Milagres como um sinônimo de Deus, e como nossa Identidade como Cristo. Nós, portanto, poderíamos dizer que somos um Pensamento na Mente de Deus; Seu Pensamento tendo nos criado como um Pensamento. Portanto, nessa lição, somos solicitados a não negarmos Deus, nossa fonte, e a não negarmos nossa Identidade como Seu Filho. (1) O que faz com que esse mundo pareça ser real, senão a tua própria negação da verdade que está além? O que, senão os teus pensamentos de miséria e morte, 155


obscurece a felicidade perfeita e a vida eterna que é a Vontade do teu Pai para ti? E o que poderia esconder o que não pode ser ocultado, exceto uma ilusão? O que poderia manter-te longe do que já tens, senão a tua escolha em não ver isso, negando que esteja presente? Jesus coloca toda a responsabilidade em nós, pois é nossa escolha negarmos a verdade de Quem somos. Nós escolhemos as mentiras do ego porque escolher a verdade significa o fim da nossa individualidade e especialismo. Tudo o que realmente fazemos, no entanto, é nos defendermos contra algo que não é real. Portanto, Jesus diz: “E o que poderia esconder o que não pode ser escondido exceto a ilusão?”. Você não pode verdadeiramente esconder a verdade porque a verdade é. No entanto, pelo fato de pensarmos que podemos, Jesus precisa nos ensinar que o pensamento de separação de Deus é ilusório, assim como as defesas que empregamos como proteção: o pecado, culpa e medo na mente e o mundo físico. Seu propósito é negar a verdade, dessa forma aparentemente protegendo o nosso ser. A seguinte passagem de “A nuvem de culpa” expõe o propósito da culpa de ocultar o pecado que não existe, dessa forma cegando-nos para a verdade da Expiação: A culpa te cega, pois enquanto vires uma única mancha de culpa dentro de ti, não verás a luz. E ao projetá-la, o mundo parece ser escuro e estar amortalhado na tua culpa. Jogas um véu escuro sobre ele e não podes vê-lo porque não podes olhar para dentro. Tens medo do que irias ver lá, mas isso não está lá. Essa coisa que temes se foi. Se olhasses para dentro verias apenas a Expiação brilhando em quietude e em paz sobre o altar ao teu Pai (T-13.IX.7). A verdade que a culpa poderia ocultar é essa expressão do princípio de Expiação: (2:1-5) O pensamento de Deus te criou. Esse Pensamento não te deixou e nunca estiveste à parte dele por um instante. Ele te pertence. Através dele vives. É a tua Fonte de vida, mantendo-te um com ela e tudo é uno contigo, pois ela não te deixou. Idéias não deixam sua fonte – portanto, somos um Pensamento na Mente de Deus: um Nele e um em Cristo. Tudo e todos que parecem ser separados de nós são uma ilusão, com o propósito de obscurecer a verdade da nossa unicidade inerente como um Pensamento de Deus: O Pensamento que Deus mantém de ti é como uma estrela, imutável no Céu eterno... quieta, branca e bela, ela brilhará através de toda a eternidade. Não houve tempo algum em que ela não estivesse lá, nenhum instante em que a sua luz tenha diminuído ou se mostrado menos perfeita (T-30.III.8:4,6-7). Jesus continua com seus lembretes tranqüilizadores: (2:6-7) O Pensamento de Deus te protege e cuida de ti, torna macio o teu lugar de descanso e plácido o teu caminho, iluminando a tua mente com felicidade e amor. A eternidade e a vida que dura para sempre brilham em tua mente, porque o Pensamento de Deus não te deixou e ainda habita contigo. Isso soa, a princípio, como uma mensagem confortadora, muito parecida com aquela a qual a maioria de nós se acostumou – o Amor de Deus nos rodeia e protege de todo dano. Mas isso não é o seu significado. Em vez disso, Jesus fala da Expiação – nunca deixamos Deus – que nos protege, por nos lembrar de que o que pensamos ser real não o é; o que pensamos que traz dor e sofrimento não existe. O Pensamento de Deus, portanto, é nossa proteção, felicidade e descanso porque é a verdade – nunca deixamos nosso lar em Deus, mas apenas sonhamos que nosso exílio no mundo é real (T-10.I.2:1). No entanto, se nós permanecermos 156


com a imagem de uma criança, envolvida pelos braços confortadores do nosso Pai, sempre seremos uma criança e nunca vamos crescer espiritualmente. Precisamos ir além das palavras até o conteúdo: o Pensamento de Deus nos protege porque – uma vez que escolhemos contra os ídolos de especialismo do ego, escolhendo em vez disso o Pensamento amoroso de Deus – sua luz dissipa a escuridão das ilusões. Nessa escolha encontramos nossa segurança, como a inspiradora mensagem de Jesus continua a dizer: Além de todos os ídolos está o Pensamento que Deus mantém de ti. Completamente intocado pelo tumulto e pelo terror do mundo, os sonhos de nascimento e de morte que são aqui sonhados, as miríades de formas que o medo pode tomar; inteiramente imperturbado, o Pensamento que Deus mantém de ti permanece exatamente como sempre foi. Cercado por uma quietude tão completa que nenhum som de batalha se aproxima nem sequer de forma remota, ele descansa na certeza e na paz perfeita. Aqui está a sua única realidade mantida em segurança, completamente inconsciente de todo o mundo que cultua ídolos e que não conhece a Deus. Na perfeita confiança da sua imutabilidade e do seu descanso na sua casa eterna, o Pensamento que Deus mantém de ti nunca deixou a Mente de seu Criador, a Quem ele conhece do mesmo modo que o seu Criador tem o conhecimento de que ele está lá (T-30.III.10). (3:1) Quem negaria a sua segurança e a sua paz, sua alegria, sua cura, a paz da sua mente, seu sereno descanso, seu calmo despertar, se apenas reconhecesse onde habitam? Elas habitam na mente certa, não no mundo. Mais uma vez, nossa segurança real – paz, alegria e cura – repousa não dentro dos Braços de um Deus amoroso, confortando nossos corpos físicos e psicológicos, mas no fato da mente certa esperar pela nossa decisão correta. Não há segurança em um mundo de corpos. Na verdade, estamos a salvo precisamente porque nossa identidade não é física – pensamentos de culpa são perigosos apenas para os corpos (T-21.VIII.1:1-2) -, o que o perdão nos lembra por desfazer nossa culpa, sem a qual não há medo da punição. Isso nos permite lembrar da nossa unicidade com nossa Fonte, pois não vemos mais nosso irmão como separado de nós. Agora, descansamos como um dentro do arco de segurança do Espírito Santo, ao qual somos levados por Sua reinterpretação do propósito do corpo, passando do ódio para o perdão, da separação para a unidade, do aprisionamento para a liberdade: Qual é o sentido de se buscar estar a salvo naquilo que foi feito para o perigo e para o medo? Por que sobrecarregá-lo com mais cadeados e correntes, com âncoras pesadas, se a sua fraqueza não está nele mesmo, mas na fragilidade da pequena brecha feita do nada sobre a qual ele se encontra? O que pode estar seguro baseado em uma sombra? Irias tu construir a tua casa sobre algo que desmoronaria sob o peso de uma pluma? A tua casa é construída sobre a saúde do teu irmão, sobre a sua felicidade, a sua impecabilidade, e sobre tudo o que o seu Pai prometeu a ele. Nenhuma promessa secreta que tenhas feito no lugar daquela abalou o Fundamento da sua casa. Os ventos soprarão sobre ela e a chuva cairá, mas sem efeito algum. O mundo será levado pelas águas e, no entanto, essa casa não cairá, pois a sua força não está apenas em si mesma. Ela é uma arca de segurança que se baseia na promessa de Deus de que o Seu Filho está para sempre a salvo Nele. Que brecha pode interporse entre a segurança deste abrigo e a sua Fonte? Daqui, o corpo pode ser visto como é, nada mais e nada menos do que o valor que ele tem na medida em que pode ser usado para liberar o Filho de Deus para a sua própria casa. E com esse 157


propósito santo ele vem a ser um lar de santidade por um momento breve, porque compartilha a Vontade do teu Pai para contigo (T-28.VII.6-7). O pensamento de perdão, portanto, substitui o pensamento de culpa e ataque, e o que resta é o Pensamento de Deus, nosso verdadeiro Ser. (3:2-3) Não se prepararia no mesmo instante para ir aonde são achados, abandonando todo o resto como sem valor em comparação a eles? E tendo-os achado, não se certificaria de conservá-los e de permanecer com eles? O problema é que nós não estamos conscientes disso. A estratégia do ego nos faz acreditar que estamos nesse mundo, habitando em um corpo, sem memória – na verdade, nenhum desejo de nos lembrar – de que nosso ser é um pensamento na mente. O propósito do Um Curso em Milagres é nos fazer perceber, acima de tudo, que tudo acontece na mente - não no cérebro, corpo ou mundo. Portanto, Jesus nos diz que uma vez que ficamos conscientes de que a verdadeira felicidade repousa na mente, nada vai nos impedir de ir até lá. No entanto, temos que ser convencidos de que isso é assim. Ainda pensamos que a alegria e a salvação são encontradas externamente, e enquanto fizermos isso, nunca iremos à mente certa, onde o tomador de decisões pode corrigir seu equívoco e escolher o Amor de Deus em vez do substituto esfarrapado do ego. (4:1-2) Não negues o Céu. Ele é teu hoje, se apenas pedires. “Não negues o Céu” por fingir que ele está no mundo, e não se afaste da memória em sua mente que o chama para casa. No entanto, você precisa querer o Céu, pois Jesus não pode dá-lo a você. Você tem que pedir sua ajuda para perceber que tem estado errado a respeito de tudo, e que seu especialismo nunca lhe trouxe felicidade. Você precisa aprender que estar com ele é a única coisa que vai lhe dar o que você quer. É por isso, você pode se recordar, que Jesus diz que ele precisa de nós tanto quanto nós precisamos dele (T-8.V.6:10). Ele não pode nos ajudar a menos que peçamos. (4:3) Tampouco será preciso que percebas quão grande é a dádiva e o quanto a tua mente terá mudado antes que ele venha a ti. De forma similar ao que vimos na última lição, Jesus não está dizendo que temos que entender a imensidão dessa dádiva, nem estarmos conscientes da majestade do Céu e da nossa gloriosa Identidade como um Pensamento de Deus. Só precisamos saber que somos infelizes aqui e queremos voltar para casa. Não conhecemos o caminho, mas Alguém dentro de nós conhece. No entanto, nosso Guia interior nos direciona apenas na extensão em que pedimos Sua ajuda – não para coisas específicas, mas para reconhecermos nossa miséria e aprendermos que a culpa é a sua causa. Só então nós alegremente aprenderemos Suas lições de perdão que vão nos levar para casa: O Espírito Santo precisa de um aprendiz feliz, em que a Sua missão possa ser realizada com felicidade. Tu que és firmemente devotado à miséria precisas, em primeiro lugar, reconhecer que és miserável e não és feliz. O Espírito Santo não pode ensinar sem esse contraste, pois acreditas que a miséria é felicidade (T14.II.1:1-3). (4:4-7) Pede para receber e te é dado. A convicção está nele. Até que lhe dês as boasvindas como teu, a incerteza permanece. Entretanto, Deus é justo.

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Você será convencido de que as palavras desse curso são verdadeiras porque elas funcionam; de outra forma, elas permanecem vazias. Portanto, você será feliz e pacífico quando seguir seus ensinamentos e liberar a culpa e o julgamento, e, acima de tudo, a arrogância de pensar que você sabe o que está acontecendo em sua vida. O processo, como repetidamente discutimos, é levar sua incerteza à certeza de Jesus. Isso permite que seu amor gentil cure, pois, por levar sua dádiva de arrogância à sua [de Jesus] dádiva de paz, você a recebe. A frase “Deus é justo” significa que a verdade não o deixa porque você escolhe contra ela; Deus não o pune porque você fugiu de casa. Uma vez que o você somos todos nós, o Amor de Deus abraça a todos nós em sua “justiça”, pois somos semelhantes na ilusão assim como na verdade. (4:8) A certeza não é exigida para receberes aquilo que apenas a tua aceitação pode conceder. Mais uma vez, Deus não exige que você esteja certo da verdade. Tudo o que Ele pede, através do Espírito Santo, é que você esteja consciente de que não é feliz, e que sua falta de felicidade vem da sua escolha equivocada. Essa declaração do livro de exercícios, a propósito, é similar às no texto e no manual, que ensinam que a prontidão não significa mestria: A prontidão é apenas o pré-requisito para a realização. As duas não devem ser confundidas. Assim que ocorre um estado de prontidão, usualmente existe algum desejo de realização, mas isso não significa necessariamente que ele não seja dividido. Esse estado não implica em nada mais do que um potencial para a mudança da mente... Podes pensar que isso implique na necessidade de uma enorme quantidade de tempo entre a prontidão e a maestria, mas permita-me lembrar-te de que o tempo e o espaço estão sob o meu controle (T-2.VII.7:2-5,9). Prontidão, como o texto nota, não é maestria (MP-4.IX.1:10). Portanto, você pode estar pronto a aprender o perdão sem ter aceitado totalmente sua certeza. (5:1) Pede com desejo. Jesus está pedindo que você realmente tenha essa intenção, como ele diz depois, no livro de exercícios: Dizer essas palavras [Eu quero a paz de Deus] não é nada. Mas dizê-las com real intenção é tudo (LE-pI.185.1:1-2). Você é ajudado a desejar Sua ajuda por perceber que você está errado sobre o que o deixa feliz ou transtornado. Como é simples e fácil! E, no entanto, como é difícil quando a arrogância fica no caminho! (5:2-5) Não é preciso teres certeza de que o teu pedido é a única coisa que queres. Mas, quando tiveres recebido, terás certeza de que tens o tesouro que sempre buscaste. E então, o que poderias trocar por ele? O que te induziria, agora, a deixá-lo desvanecer-se de tua visão extasiada? Você não precisa estar certo do que pede, mas precisa apenas de um pouco de disponibilidade para ser mostrado que você está errado e Jesus certo. Quando você começa a aceitar a dádiva do Pensamento de Deus, e perceber o quanto é bom liberar as mágoas contra 159


você mesmo e os outros, ficará bem menos propenso a julgar. No entanto, você precisa primeiro aprender que felicidade e paz vêm apenas quando você libera o julgamento, não quando você o abraça ou busca justificar seus ataques. Uma vez que você tenha tido sua “visão extasiada”, nada aqui poderia jamais seduzi-lo a se afastar dela. Lembre-se: Tu não tens idéia da tremenda liberação e paz profunda que vêm de encontrares a ti mesmo e aos teus irmãos totalmente sem julgamento (T-3.VI.3:1). (5:6) Pois ver isso prova que trocaste a cegueira pelos olhos de Cristo que são capazes de ver, que a tua mente veio a deixar de lado a negação e aceitou o Pensamento de Deus como tua herança. Quando nós, como um Filho, escolhemos o ego em vez do Espírito Santo, negamos o Pensamento de Deus. Nós continuamos a negar, culminando nesse mundo de fragmentação e julgamento. Então, nós negamos que fizemos o mundo junto com as figuras em nosso sonho, para não mencionar que negamos que nossos pensamentos causam nossa dor e sofrimento. Tal negação tem nos permitido colocar a face da inocência e culpar a todos os outros pela nossa condição miserável. Para afirmar novamente, Jesus apela aos nossos motivos egoístas por dizer que vamos nos sentir melhor se fizermos o que ele diz. No entanto, isso não significa fazer isso simplesmente porque ele diz para fazermos. Nós o ouvimos porque nossa dor vai diminuir. No entanto, isso tem que ser provado para nós, porque não aceitamos que poderíamos ser felizes sem as dádivas de julgamento e especialismo do ego. (6:1-4) Agora todas as dúvidas passaram, o fim da jornada é certo e te foi dada a salvação. Agora, o poder de Cristo está na tua mente, para curar como foste curado. Pois agora estás entre os salvadores do mundo. Lá está o teu destino e em nenhum outro lugar. Nosso destino repousa no tomador de decisões da mente que escolhe a mente certa em vez da errada, a força de Cristo em vez da fraqueza do ego. Nessa escolha da mente certa pela força, a certeza de Cristo se torna a nossa própria, como já vimos: Tem que haver dúvida antes que possa haver conflito. E toda dúvida tem que ser a respeito de ti mesmo. Cristo não tem dúvida e da Sua certeza vem a Sua quietude. Ele trocará a Sua certeza por todas as tuas dúvidas, se concordares que Ele é um contigo e que essa unicidade é sem fim, sem tempo, e está dentro do teu alcance porque as tuas mãos são as Suas. Ele está dentro de ti, no entanto, caminha a teu lado e diante de ti, mostrando o caminho pelo qual Ele tem que seguir para achar-Se completo. A Sua quietude vem a ser a tua certeza. E onde está a dúvida quando a certeza veio? (T-24.V.9). (6:5) Deus consentiria em deixar o Seu Filho eternamente faminto porque ele nega o alimento de que precisa para viver? A resposta do amor sempre está presente em nossas mentes. Apesar do fato de fugirmos dele, criando barricadas contra ele por construirmos o mundo como uma defesa, o Amor de Deus ainda está presente, totalmente não-afetado pela insanidade que fizemos dele. (6:6) A abundância habita nele e a privação não pode isolá-lo do Amor alentador de Deus e do seu lar. A abundância da qual Jesus fala é a memória em nossas mentes certas de Quem somos como o Filho de Deus. A ilusão é a de que por privarmos a nós mesmos do Amor de Deus, 160


estamos em um estado de escassez. No entanto, permanece a verdade de que por privarmos a nós mesmos do Seu Amor, estamos sem a consciência dele, mas o Amor ainda está lá. Voltamos a Ele através do perdão, que restaura à nossa consciência o Pensamento que nós tanto temos quanto somos: Na tua própria mente, embora negada pelo ego, está a declaração da tua liberação. Deus te deu todas as coisas. Esse único fato significa que o ego não existe e faz com que ele fique profundamente amedrontado. Na linguagem do ego, “ter” e “ser” são diferentes, mas para o Espírito Santo são idênticos. O Espírito Santo tem o conhecimento de que tu ao mesmo tempo tens tudo e és tudo. Qualquer distinção nesse sentido só é significativa quando a idéia de “receber”, que implica uma falta, já foi aceita. É por isso que não fazemos nenhuma distinção entre ter o Reino de Deus e ser o Reino de Deus (T-4.III.9). (7:1-2) Pratica com esperança hoje. Pois, de fato, a esperança é justificada. O ego me diz que minha situação é sem esperanças. Meu ego é tão imenso, minha identificação corporal tão enorme, que não existe maneira de poder liberá-los e estar em paz. Nós chegamos a essas conclusões desencorajadoras apenas porque buscamos uma saída dentro do mundo. Quando escolhemos um instante santo, no entanto, e damos um passo para fora do mundo em direção à mente, tudo parece diferente – a reversão perceptual de imagem e pano de fundo. Nós percebemos que o mundo é apenas uma sombra que serve como uma sala de aula na qual aprendemos que a realidade está em nossas mentes, em vez de o contrário – Deus é uma sombra inexistente e a realidade é o mundo. Quão sem esperança é uma percepção dessas! (7:3-6) As tuas dúvidas são sem significado, pois Deus é certo. E o Pensamento de Deus nunca está ausente. A certeza tem que habitar dentro de ti, que és o anfitrião de Deus. Esse curso remove todas as dúvidas que interpuseste entre Deus e a tua certeza em relação a Ele. Essa é uma declaração explícita do propósito do Curso: não para nos fazer aprender sobre Deus ou Seu Amor, mas para remover as interferências – as ilusões e dúvidas – que colocamos entre nós mesmos e Ele. Esse pensamento familiar é reiterado através de todo o Um Curso em Milagres, e inicia o texto: O curso não tem por objetivo ensinar o significado do amor, pois isso está além do que pode ser ensinado. Ele objetiva, contudo, remover os bloqueios à consciência da presença do amor, que é a tua herança natural (T-in.1:6-7). (8) Contamos com Deus e não conosco para nos dar a certeza. E praticamos em Seu Nome, como o Seu Verbo nos dirige a fazer. A Sua certeza está além de toda a dúvida. O Seu Amor permanece além de todo o medo. O Pensamento de Deus ainda está além de todos os sonhos e nas nossas mentes de acordo com a Sua Vontade. Para conhecer essa certeza, precisamos da disponibilidade de escolher um Professor diferente e ouvir Seu Verbo, darmos um passo atrás e olharmos para nossas vidas como partes de um sonho que ainda estamos sonhando, além do qual está nossa Identidade como o Pensamento que Deus criou em unidade com Ele, não mais negado, mas alegremente aceito. Essa certeza da verdade é expressa no poema de Helen, “Sua Certeza”, e nós lemos suas palavras encorajadoras em conclusão a essa lição: Eu venho em dúvida. Eu ainda não acredito 161


Em suas promessas. Minha própria incerteza Parece ser mais aparente do que minha fé No Que Você ordenou que Seu Filho tem que ser, E como Sua memória retorna a ele. Meus passos são hesitantes, minha confiança é fraca, Meu senso de propósito vacila. Eu esqueço minha Meta por causa das imagens que busco, E vago em ilusões. No entanto, o fim das divagações É certo em Sua mente; O que me enviaste para buscar, eu encontrarei. (As Dádivas de Deus, p. 32).

LIÇÃO 166 As dádivas de Deus me são confiadas. Essa lição é uma das mais importantes no livro de exercícios, pois Jesus articula por que temos tanta dificuldade em aceitarmos suas dádivas. Nesse sentido, é um resumo maravilhoso de uma das principais ênfases no Um Curso em Milagres: ajudar-nos a contrastar, e eventualmente escolher entre duas identidades: o ser especial do ego que nutrimos e nosso verdadeiro Ser como Cristo, ao qual o perdão nos leva gentilmente. Também podemos ver um paralelo a “As Dádivas de Deus”, o poema que Helen transcreveu, que contrasta as dádivas do ego e as de Deus. 162


(1:1-4) Todas as coisas te são dadas. A confiança de Deus em ti é sem limites. Ele conhece o Seu Filho. Ele dá sem exceções, sem nada guardar que possa contribuir para a tua felicidade. Nós temos visto como Deus algumas vezes é tratado como um membro dos homo sapiens, retratado como um Pai amoroso Que nos dá tudo. Esse símbolo reflete a Presença abstrata, não-específica que não podemos entender. O conteúdo por trás da forma é nossa unicidade com Deus, e, portanto, tudo o que Deus é nós somos também. Isso se refere ao nosso Ser Crístico, no entanto, não ao ser individual com o qual nos identificamos. Portanto, Seu Amor e habilidade criativa são nossos; e nós permanecemos perfeitos como nosso Pai Celestial é perfeito (Mateus 5:48), repletos da abundância criativa do espírito: Estender-se é um aspecto fundamental de Deus, que Ele deu a Seu Filho. Na criação, Deus estendeu-Se às Suas criações e as imbuiu da mesma Vontade amorosa de criar. Tu não só foste plenamente criado, como foste criado perfeito (T2.I.1:1-3). (1:5) E, no entanto, a menos que a tua vontade seja una com a Sua, as Suas dádivas não são recebidas. Enquanto nos separarmos do Amor e Ser de Deus, vendo a nós mesmos como parte de uma vontade separada, individual, não vamos perceber que as dádivas de Deus são nossas. Elas estão lá, mas não podem ser recebidas porque nós fugimos delas. (1:6) Mas o que te faria pensar que há outra vontade que não A de Deus? É o ego que nos faz pensar isso, refletindo nosso desejo contínuo de sermos separados. (2:1-3) Aqui está o paradoxo sobre o qual se baseia a feitura do mundo. Esse mundo não é a Vontade de Deus e assim não é real. Entretanto, aqueles que pensam que ele é real, ainda não podem deixar de acreditar que existe outra vontade que conduz a efeitos opostos àqueles que são a Sua Vontade. Se você acreditar tanto em Deus quanto em sua identidade corporal, precisa concluir que existem duas vontades, refletindo uma espiritualidade dualista: a Vontade de Deus e a vontade do ego. Além disso, existe a Vontade de Deus e a minha própria, que pode agir tanto em oposição quanto em concordância com a Dele, conforme eu escolher. Mas – eu tenho uma vontade que é minha. Esse é o cerne da teologia Eu-Vós de Martin Buber, inerente à qual está a crença de que nós temos uma vontade que pode escolher colocar-se em harmonia com o Criador. Ainda, ela não é uma com Ele, dessa forma perpetuando a distinção Eu-Vós. (2:4-5) Isso na verdade é impossível, mas toda mente que contempla o mundo e o julga como certo, sólido, digno de confiança e verdadeiro, acredita em dois criadores ou em um só: ele próprio sozinho. Mas nunca em um único Deus. Tanto existem duas vontades – minha e de Deus – quanto, se eu for ateu, existe apenas a minha vontade e a vontade de outro - uma pessoa, o universo ou alguma outra força. No entanto, nunca acreditamos em um verdadeiro Deus. Se o fizéssemos, iríamos negar não apenas o universo físico, mas nossa identidade dentro do universo também. Esse é um paradoxo enfrentado por cada estudante do Um Curso em Milagres. Nós lemos esse livro como indivíduos – olhos do corpo que vêem palavras em uma página, e um cérebro que as interpreta. Ao mesmo tempo, o que lemos nos diz que não estamos aqui de forma alguma e 163


que todas as coisas físicas são ilusórias. Portanto, nós tipicamente tratamos o paradoxo com o ego sempre faz: nós o separamos de nós, e então nos esquecemos de que ele está lá para que não tenhamos que lidar com ele. Essa lição, como muitas outras passagens no Curso, nos força a prestar atenção ao paradoxo que não queremos encarar. Em algum lugar em nossas mentes, no entanto, sabemos que se olhássemos para ele, ele iria desaparecer. O medo não é apenas que o paradoxo desapareça, mas que o mesmo aconteça com nossa identidade. Para nos garantirmos contra essa possibilidade, fizemos um ser, insanamente acreditando que somos os autores da nossa realidade, deixando nosso verdadeiro Criador fora desse ser. No entanto: Tu podes te perceber como se estivesses criando a ti mesmo, porém não podes fazer mais do que acreditar nisso. Não podes fazer com que isso seja verdadeiro... a crença em que podes é a pedra fundamental do teu sistema de pensamento e todas as tuas defesas são usadas para atacar as idéias que possam trazê-la à luz. Tu ainda acreditas que és uma imagem da tua própria feitura (T-3.VII.4:6-7,9-10). (3:1) As dádivas de Deus não são aceitáveis para ninguém que tenha essas estranhas crenças. Ninguém é feliz aqui, e ninguém pode ser feliz aqui, pois felicidade só é encontrada no Céu. Portanto, estar fora do Céu é estar fora da nossa felicidade. Devemos ver logo que a felicidade nesse mundo vem de percebermos que não somos desse mundo. Enquanto acreditarmos que estamos aqui e que existe esperança de felicidade aqui, não seremos capazes de aceitar as dádivas de Deus. Verdade e ilusão não podem co-existir. (3:2-3) Ele não pode deixar de acreditar que aceitar as dádivas de Deus, por mais evidentes que venham a ser, por maior que seja a urgência com que é chamado a reivindicá-las como suas, é ser pressionado à traição de si mesmo. Ele tem que negar a sua presença, contradizer a verdade e sofrer para preservar o mundo que fez. Esse é o cerne do problema. Se eu acreditar na realidade de Deus e na verdade das palavras de Jesus, nego a fundação da minha existência – uma traição contra mim mesmo. Quando escolhemos o ego, sabemos que escolher o Espírito Santo significa o fim da existência individual. Ouvir a separação do ego significa que eu existo, enquanto a Expiação do Espírito Santo me leva a desaparecer no Coração de Deus, acabando com a minha vida. Para preservar minha identidade, portanto, preciso negar a presença da verdade e das dádivas de Deus. Eu então alegremente sofro minha culpa, o que prova que estou certo e Deus errado, uma vez que a Expiação diz que não pode haver culpa. Portanto, meu sofrimento, fazendo com que outros se identifiquem com ele, proclama convincentemente que estou dizendo a verdade e a Expiação é falsa. A seguinte passagem do texto descreve a insanidade da religião do ego, na qual a culpa é vista como sagrada e a ausência de culpa considerada uma blasfemia ao deus do ego: Grande parte do estranho comportamento do ego é diretamente atribuída à sua definição de culpa. Para o ego, os que não têm culpa são culpados. Aqueles que não atacam são os seus “inimigos” porque, ao não valorizarem a sua interpretação da salvação, estão em excelente posição para abandoná-lo... Quando ele foi confrontado com a real inculpabilidade do Filho de Deus, tentou matá-lo e a razão que deu foi a de que a inculpabilidade é uma blasfêmia para com Deus. Para o ego, o ego é Deus e a inculpabilidade tem que ser interpretada como a culpa máxima que justifica inteiramente o assassinato (T-13.II.4:1-3; 6:2-3).

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(4:1-3) Aqui é o único lar que ele pensa que conhece. Aqui está a única segurança que acredita poder achar. Sem o mundo que fez, ele é um proscrito, sem lar e cheio de medo. Lembre-se da Lição 160, “Eu estou em casa. O medo é o estranho aqui”. Nós pensamos que nossa segurança repousa no corpo, e na proteção do especialismo que julgamos que vai nos fazer felizes. Nós acreditamos que não estarmos aqui fisicamente nos torna sem lar, e, portanto, ficamos aterrorizados de ficarmos doentes e morrermos, porque então, não iríamos mais existir. Essa insanidade nos leva a nos ajustar a esse mundo insano, desesperadamente tentando convencer a nós mesmos da sua realidade e que ele um dia vai nos deixar seguros. Jesus nos pede para olharmos honestamente com ele para esse estranho mundo de ódio e morte, que nós fizemos para escaparmos de um mundo ainda mais estranho de pecado e culpa: Uma questão simples, entretanto, ainda permanece e necessita de uma resposta. Gostas do que fizeste? – Um mundo de assassinato e ataque, através do qual teces o teu caminho tímido através de perigos constantes, solitário e assustado, esperando que no máximo a morte se demore um pouquinho mais para levar-te e desaparecerás. Tu inventaste isso. É um quadro do que pensas que és; de como vês a ti mesmo... Tudo isso são apenas os pensamentos amedrontadores daqueles que querem se ajustar a um mundo feito amedrontador pelos seus ajustamentos. E olham para fora com pesar, a partir do que é triste por dentro e lá vêem a tristeza... Não busques fazer com que o Filho de Deus se ajuste à sua própria insanidade (T20.III.4:1-4,6-7; 7:1). (4:4) Não reconhece que é aqui que ele é, de fato, cheio de medo e também sem lar; um pária vagando tão longe de casa, há tanto tempo fora que não reconhece que esqueceuse de onde veio, para onde vai e até mesmo quem realmente é. Minha insistência em que estou nesse mundo reforça o medo que diz que Deus vai me pegar a menos que eu me esconda nele, o que é o seu propósito. O medo que experimento no corpo, portanto, é uma sombra do medo na minha mente - o estado de todos nesse mundo. Nós existimos como corpos para permanecermos longe de casa, tão longe de fato que nos esquecemos dela. Nós até mesmo nos esquecemos de Quem somos, escolhendo a identidade de especialismo substituta do ego em vez disso. (5:1) Entretanto, nas suas divagações solitárias e sem sentido, as dádivas de Deus vão com ele, desconhecidas para ele. Essas dádivas estão enterradas na mente, encobertas com a culpa da mente errada, e cobertas ainda mais profundamente pela dor e sofrimento do corpo. O corpo, portanto, oculta a culpa da mente, o que por seu lado oculta as dádivas de Deus em nossas mentes certas. Essa passagem já citada do texto transmite poderosamente o propósito da insanidade para o mundo – esconder o Amor que é a fonte de todo medo: Construíste todo o teu insano sistema de crenças porque pensas que ficarias indefeso na Presença de Deus e queres salvar a ti mesmo... Pensas que fizeste um mundo que Deus quer destruir e amando-O como tu O amas, jogarias fora esse mundo, o que de fato, farias. Portanto, usaste o mundo para encobrir o teu amor e quanto mais te aprofundas no negror do fundamento do ego, mais perto chegas do Amor que lá está escondido. E é isso que te assusta (T-13.III.4:1,3-5). (5:2-5) Ele não pode perdê-las. Mas não olhará para o que lhe é dado. Continua a vagar, ciente da futilidade que vê em toda parte à sua volta, percebendo o quanto a sua pouca 165


sorte definha à medida que avança para ir a lugar nenhum. Mesmo assim, continua a vagar na miséria e na pobreza, sozinho embora Deus esteja com ele, com um tesouro tão grande que tudo o que o mundo contém é sem valor diante da sua magnitude. Jesus descreve a situação de todos aqui. O tesouro do Amor de Deus está conosco e ainda assim, vagamos por aí, cientes de que nada aqui funciona e que tudo vai morrer – no entanto, não mudamos nosso pensamento. Nós buscamos mudar as coisas no mundo, mas por não nos voltarmos para a causa na mente, asseguramos que nada vai mudar. Assim, continuamos de forma desesperançada a buscar a esperança no mundo: Todas as suas [do mundo] estradas só levam ao desapontamento, ao nada e á morte. Não existe nenhuma escolha aqui. O mundo foi feito para que não fosse possível escapar dos problemas. Não sejas enganado por todos os nomes diferentes que são dados às estradas. Elas só têm um fim... Todas conduzirão à morte (T-31.IV.2:3-8,11). (6:1) Ele parece uma figura lamentável: exaurida, cansada, em farrapos, cujos pés sangram um pouco devido à estrada pedregosa em que caminha. A “figura lamentável” somos todos nós que acreditamos que o corpo é nossa identidade, e sua falência e desintegração inevitável é expressa na imagem de “em farrapos”. Jesus não quer que nos sintamos culpados, mas ele quer que entendamos que esse é o estado da vida corporal, o falso ser que ele em outro lugar descreve como um “travesti” ou “paródia” de Quem somos como espírito. Todos aqueles que buscam encontrar felicidade e prazer nesse mundo nunca vão encontrá-los. Eles podem tê-los momentaneamente, mas não vai durar. Esse não é um curso em como sermos felizes aqui, pois seu propósito é nos fazer felizes por percebermos que não estamos aqui. Apenas essa compreensão levará à felicidade e alegria. Sem ela, apenas buscamos o especialismo em vez do amor real. A linha que vou ler agora é repetida quase identicamente na Lição 182 (2:1): (6:2) Não há ninguém que não tenha se identificado com ele, pois todos aqueles que aqui vêm perseguiram a rota que ele segue e sentiram a derrota e desesperança como ele as está sentindo. Pense em quantas pessoas trabalham com o Um Curso em Milagres e ainda fingem que não se identificam com essa figura. Elas dirão que são felizes, alegres e repletas de paz, no entanto, se fossem realmente, não estariam aqui, mas no Céu. É imperativo, conforme você trabalha com esse curso, reconhecer que você não pode voltar para casa a menos que primeiro veja o lar que fez pelo que é. Portanto, você precisa perceber o quanto tem sido amargamente infeliz aqui, identificado como um corpo, antes de poder fazer uma escolha de forma significativa e pedir ajuda com vontade, como vimos na lição anterior. Jesus está nos dizendo que todos aqui têm se identificado com essa figura, e todos tem seguido de forma desesperançada o mesmo caminho da derrota, porque todos morrem. Mais uma vez, não podemos escolher contra esse caminho de miséria até primeiro percebermos o que ele é. É por isso que, como já vimos, o Espírito Santo: ... precisa de um aprendiz feliz, em quem a Sua missão possa ser realizada com felicidade. Tu, que és firmemente devotado à miséria precisas, em primeiro lugar, reconhecer que és miserável e não és feliz. O Espírito Santo não pode ensinar sem esse contraste, pois acreditas que a miséria é felicidade. Isso te confundiu a tal ponto que empreendeste aprender a fazer o que jamais poderás fazer, acreditando que se não o aprenderes, não serás feliz (T-14.II.1:1-4). 166


(6:3) Mas, seria ele realmente trágico, quando vês que ele está seguindo o caminho que escolheu e que precisa apenas reconhecer Quem caminha com ele e abrir os seus próprios tesouros para ser livre? Jesus está nos dizendo para não nos sentirmos pesarosos pela vítima, pois, como as trágicas circunstâncias de alguém podem ser trágicas se a pessoa as escolheu? Não entender isso é cair na armadilha da falsa empatia sobre a qual Jesus nos avisa no texto (T-16.I). As vidas das pessoas não são trágicas, pois são os seus sonhos. Portanto, quem posso culpar por uma vida cheia de dor e tragédia? Não os meus pais, o mundo ou Deus. É o meu sonho e eu sou o seu sonhador, seguindo o caminho que minha mente escolheu. É essa escolha que é trágica, não a forma que ela assumiu – minha escolha de ser a vítima inocente e outro ser o vitimador pecaminoso a quem Deus vai punir em vez de mim. Para ser feliz, no entanto, preciso apenas perceber que o Amor de Deus, através do Espírito Santo, caminha comigo o tempo todo – não na forma ou no corpo, mas em minha mente. (7:1) Esse é o ser que tu escolheste, aquele que fizeste como uma substituição da realidade. Jesus coloca a carga somente em nós, deixando claro que ele só pode nos ajudar se nós realmente pedirmos a ele, o que nos recusamos a fazer enquanto nutrirmos esse “trágico” ser, e, acima de tudo, nossa mágoa justificada de que alguém mais fez isso a nós. Nossos relacionamentos especiais – os substitutos para o Amor do Céu – portanto, se tornam o foco da correção do Espírito Santo: Substituir é aceitar alguma coisa em lugar de outra. Se apenas considerasses exatamente o que isso acarreta, imediatamente perceberias o quanto essa atitude está em desacordo com a meta que o Espírito Santo te deu e quer realizar para ti. Substituir é escolher entre opções, renunciando a um aspecto da Filiação em favor de outro... O Espírito Santo nunca usa substitutos. Aonde o ego percebe uma pessoa como substituta de outra, o Espírito Santo as vê unidas e indivisíveis. Ele não julga entre elas, tendo o conhecimento de que são uma só (T-18.I.1:1-3; 2:1-3). (7:2) Esse é o ser que defendes com fúria contra toda razão, toda evidência e todos os testemunhos comprovados que mostram que esse não é o que tu és. Razão, evidência e testemunhos são representados por esse curso, ou por aqueles que carregam em si a luz de Cristo que poderíamos ver em vez da escuridão do ego. Portanto, Jesus nos lembra das histórias contadas sobre ele; ele que “só era um irmão para o mundo” (ET-5:5-7): Muitos pensaram que eu os estava atacando, embora fosse evidente que não estava. Um aprendiz insano aprende lições estranhas. O que tens que reconhecer é que quando não compartilhas um sistema de pensamento, tu o estás enfraquecendo. Aqueles que acreditam nele, portanto, percebem isso como um ataque a si próprios. Isso porque todos se identificam com seu sistema de pensamento e todo sistema de pensamento está centrado no que tu acreditas que és (T-6.V-B.1:5-9). Nossos egos exigem que ataquemos todos aqueles que representam a impecabilidade. A ausência de culpa significa ausência de pecado, o que significa que a separação nunca aconteceu e que não existe ser individual. Portanto, ataques à inocência são uma exigência se os nossos seres culpados forem sobreviver, e, portanto, Jesus teve que ser destruído. 167


(7:3) Tu não lhes dá ouvidos. Nós não prestamos atenção, mas selvagemente defendemos nosso ser contra qualquer coisa que iria ameaçá-lo. É isso o que a maioria das pessoas tende a fazer com esse curso, manipulando-o de alguma forma para levá-lo ao seu sonho individual, para que ele acabe dizendo o que elas querem que diga, a fim de promover sua felicidade dentro do sonho. Elas, portanto, ignoram e negam todos os testemunhos – as próprias palavras do Um Curso em Milagres – que iriam mostrar a elas que estavam erradas. (7:4) Continuas no caminho designado por ti, com os olhos baixos porque tens medo de captar um vislumbre da verdade, ser liberado do auto-engano e posto em liberdade. O poema de Helen “Estranho na Estrada”5 expressa essa idéia de que não queremos ver Jesus e aceitar quem ele é, pois fazer isso significa que nosso sistema de pensamento é falso. Nós, portanto, não olhamos para seu ser desperto ou ressuscitado, como Helen tão pungentemente expressa: A estrada é longa. Eu não vou erguer meus olhos, Pois o medo apertou meu coração, e o medo eu conheço – A concha que me mantém a salvo da esperança crescente; O amigo que mantém Você ainda estranho para mim... Você disse que iria retornar, e eu acreditei Já há muito tempo. Agora, meus olhos estão fechados Contra a delgada ameaça da esperança Que irrompe em meu calmo desespero: Oh, deixe-me sair! Seu Verbo O rodeia como uma estrela dourada, E eu mal posso ver a estrada pela qual caminhamos Porque meus olhos estão velados. Não me perturbe, Eu Lhe peço. Eu não O veria agora (As Dádivas de Deus, p. 103,104). É tentador, mais uma vez, evitar o que Jesus realmente diz. Nós queremos torcer suas palavras para que signifiquem que podemos encontrar felicidade e salvação no mundo e no corpo. Muitos caminhos espirituais de fato ensinam isso; esse aqui não. Seu propósito não é nos tornar felizes aqui, mas nos fazer perceber nossa infelicidade para que encontremos nossa verdadeira felicidade na mente. Nosso medo profundamente estabelecido é que, pelo fato do Um Curso em Milagres estar certo, temos que estar errados sobre tudo, especialmente a figura que vemos a cada manhã no espelho do nosso banheiro. A verdade é que nós não somos a pessoa que pensamos ser, como o poema de Helen também reflete: Sua Voz me lembra de uma canção antiga que meus lábios começam a cantar, embora eu esperasse tê-la esquecido. (As Dádivas de deus, p. 104). (8:1-2) Tu te encolhes medrosamente com receio de sentir o toque de Cristo no teu ombro e perceber a Sua mão gentil dirigindo-te para contemplar as tuas dádivas. Como, então, poderias proclamar a tua pobreza no exílio? Se eu aceitar as dádivas de Cristo, como posso dizer justificadamente que sou uma pobre vítima inocente? No entanto, é exatamente por isso que eu nasci – para que pudesse dizer com total justificação que sou essa vítima. Assim é que o verdadeiro toque de Cristo sobre mim 5

As Dádivas de Deus, p. 1-3-105. Veja meu workshop sobre esse poema, publicado como duas fitas de áudio intituladas “Perdoando Jesus: o ‘Estranho na Estrada’”.

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– o reflexo da realidade – se torna uma grande ameaça. Lembre-se dessas linhas do poema de Helen, “Desperte em Quietude”, que enchem nossos egos de pavor: O Filho de Deus Veio para unir-se a você agora. Sua Mão brilhante está em seu ombro. (As Dádivas de Deus, p. 73). Parte de nós clama pela alegria desse toque, enquanto a outra se encolhe de medo na escuridão da culpa e do ataque, tentando esconder essa mão brilhante de perdão da nossa consciência. (8:3) Ele te faria rir dessa percepção de ti mesmo. O Espírito Santo não está zombando de nós nem nos ridicularizando, mas tentando nos ajudar a perceber o absurdo dos nossos auto-conceitos ilusórios de pecado, culpa e ódio. A seguinte passagem resume o papel do Espírito Santo em nos ajudar a olhar para nossa crença no pecado, a causa do nosso sofrimento, que é o efeito do pecado. Aprender a rir diante da tolice de acreditarmos que poderíamos nos separar de Deus, sem falar em atacá-Lo, é tudo o que a salvação precisa para ser alcançada, como lemos mais uma vez: O Espírito Santo percebe a causa rindo gentilmente e não olha os efeitos. De que outra maneira poderia ele corrigir o teu erro, já que absolutamente não olhaste para a causa? Ele pede que tu Lhe tragas cada efeito terrível para que possam olhar juntos para a sua causa tola e possas rir um pouco com Ele. Tu julgas os efeitos, mas Ele julgou a causa. E através do julgamento do Espírito Santo os efeitos são removidos. Talvez venhas em lágrimas. Mas ouve-O dizer: “Meu irmão, Filho santo de Deus, contempla o teu sonho vão, no qual isso poderia ocorrer”. E deixarás o instante santo com o teu riso e o do teu irmão unidos ao Seu (T-27.VIII.9). (8:4) Então, onde estaria a auto-piedade? Se eu rir de mim mesmo, como poderia sentir auto-piedade? No entanto, não existe nem uma pessoa que não se identifique com essa dinâmica auto-indulgente de se sentir pesarosa por si mesma. (8:5) E o que aconteceria com toda a tragédia que buscaste trazer àquele a quem Deus só tencionava alegrias? “Aquele” é o Filho de Deus, e no riso gentil do Espírito Santo toda a dor e sofrimento se vão. Dentro do sonho, no entanto, esse mundo é realmente trágico, pois coisas horríveis acontecem aqui. No entanto, unindo-nos à visão de Cristo no instante santo, olhando de volta para as “pesadas conseqüências” do sonho, nós sorrimos diante da crença de que esse sistema de pensamento de pecado – uma “causa insignificante” – jamais poderia tomar o lugar do Amor de Deus. A felicidade repousa em entender esse fato feliz: Não é fácil perceber a brincadeira quando, em tudo a tua volta, os teus olhos contemplam as pesadas conseqüências da culpa, mas sem as suas causas insignificantes. Sem a causa, os efeitos parecem sérios e tristes, de fato. Mas são apenas decorrências. E é a sua causa que não decorre de nada, e não passa de uma brincadeira (T-27.VIII.8:4-7).

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(9) O teu antigo medo veio a ti agora e a justiça, enfim, te alcançou. A mão de Cristo tocou o teu ombro e sentes que não estás sozinho. Pensas até que o ser miserável que acreditaste ser o que tu és, possa não ser a tua Identidade. Talvez o Verbo de Deus seja mais verdadeiro do que o teu. Talvez as Suas dádivas para contigo sejam reais. Talvez Deus não tenha sido totalmente ludibriado pelo teu plano de manter o Seu Filho em profundo esquecimento e seguir o caminho que escolheste sem o teu Ser. Em algum ponto, percebemos que estamos perdidos – tem que existir outro caminho –, e nutrimos o pensamento de que talvez estivéssemos errados e Jesus certo, como Helen fez, perto do fim do seu poema: Senhor, Você realmente mantém Seu adorável Verbo? Eu estava enganada? Você se levantou outra vez? E fui eu que falhei, em vez de Você? (As Dádivas de Deus, p. 104). Essa compreensão vem no instante em que estamos cientes do terror – o “medo antigo” – que se levanta: se eu não sou esse ser, quem sou eu? O Cristo que realmente sou não é a pessoa que penso ser. (10:1-2) Não é a Deus que aprisionaste no teu plano para perder o teu Ser. ele desconhece um plano tão alheio à Sua Vontade. Tudo aqui se opõe a algo, porque esse é um mundo dualista, no qual apenas opostos existem – bem e mal, nós e eles. A Vontade de Deus não se opõe porque não pode se opor. Ela meramente é. Apenas a Unicidade perfeita é real, e como a Unicidade pode se opor a Si Mesma? Como é que alguém supera ilusões? Com certeza não é através da força ou da raiva, nem se opondo a elas de alguma forma. São superadas meramente permitindo que a razão te diga que contradizem a realidade. Vão contra o que não pode deixar de ser verdadeiro. A oposição vem delas e não da realidade. A realidade não se opõe a nada. O que simplesmente é não necessita de defesas e não oferece nenhuma (T-22.V.1:1-7). (10:3-4) Não é a Deus que aprisionaste no teu plano para perder o teu Ser. Ele desconhece um plano tão alheio à Sua vontade. Você não fez nada a Deus, mas apenas a si mesmo. A oposição em sua mente e nesse mundo é inventada. A pior parte de tudo para o ego é que Deus não sabe nada sobre o plano e estratégia do ego. Como Ele poderia conhecer o que é irreal? Portanto, o Curso fala sobre o espírito: Nada pode alcançar o espírito a partir do ego, e nada pode alcançar o ego a partir do espírito (T-4.I.2:6). O espírito, em seu conhecimento, está inconsciente do ego (T-4.II.8:6). O ego e o espírito não conhecem um ao outro (T-4.VI.4:1). (10:5-6) Houve uma necessidade que Ele não compreendeu, à qual deu uma Resposta. Isso é tudo.

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Essa referência à criação do Espírito Santo deve ser vista de forma metafórica. Como já vimos antes, Jesus fala conosco no nível dualista da nossa compreensão: Ele [Deus] quer que substituas a crença do ego na pequenez pela Sua própria Resposta exaltada quanto ao que tu és, de modo que possas parar de questioná-la isso e a conheças assim como é (T-9.VIII.11:9). Ao longo do Curso, o Espírito Santo é descrito como Aquele que nos dá a resposta para a separação e traz para nós o plano da Expiação, estabelecendo nele o nosso papel em particular e nos mostrando exatamente qual ele é (ET-6.2:1). No entanto, estritamente falando, Deus não pode dar uma resposta. Como o que nunca aconteceu pode ser respondido? O Espírito Santo é uma ilusão, um símbolo do pensamento de Expiação, em si mesmo uma ilusão, pois corrige o que nunca foi. Portanto, Jesus explica no esclarecimento de termos: A Sua Voz é a Voz por Deus e, portanto, tomou forma. Essa forma não é a Sua realidade, que somente Deus conhece junto com Cristo, Seu Filho real, Que é parte Dele (ET-6.1:4-5). E, depois que o sonho de morte do ego é desfeito: ... a Voz terá desaparecido, para não mais tomar forma, porém para regressar à eterna Ausência de Forma de Deus (ET-6.6:8). (10:7) E tu, que tens a Resposta que te foi dada, não tens necessidade de mais nada além Disso. Jesus apela a nós para não escolhermos as dádivas do ego, porque elas não vão nos dar o que queremos; apenas suas dádivas vão. Lembre-se dessa tocante passagem de “As Dádivas de Deus”: As dádivas de Deus estão em minhas mãos, para serem dadas a qualquer um que queira trocar o mundo pelo Céu. Você precisa apenas chamar o meu nome e pedirme para aceitar a dádiva da dor, que seria depositada nas minhas por mãos desejosas, com espinhos deixados de lado e cravos há muito tempo jogados fora conforme uma a uma, renunciamos às pesarosas dádivas da terra. Em minhas mãos está tudo o que você quer e precisa e espera encontrar entre os esfarrapados brinquedos da terra. Eu os tiro todos de você e eles se vão. E, brilhando no lugar onde eles estiveram, está uma porta para outro mundo, através da qual entramos, em Nome de Deus (As Dádivas de Deus, p. 118-119). (11:1) Agora vivemos, pois agora não podemos morrer. Não pegue essa sentença fora de contexto e faça com que signifique que você é imortal. Você é eterno como Cristo, o Filho de Deus, mas não como um corpo. Portanto, Jesus não está ensinando que o corpo não morre, mas que você não pode morrer porque você não é um corpo, e corpos nunca viveram. Essas linhas do texto deveriam ser familiares a essa altura: Não jures morrer, tu, o Filho santo de Deus! Tu fizeste uma barganha que não podes manter. O Filho da Vida não pode ser morto. Ele é imortal como o seu Pai (T29.VI.2:1-4). 171


Jesus poderia facilmente ter dito da mesma forma: “Não jure viver”, pois a vida e a morte do corpo são lados opostos da mesma ilusão de separação. (11:2) O desejo de morte foi respondido e o olhar que o contemplava foi substituído pela visão que percebe que tu não és o que pretende ser. Nós finalmente percebemos através da visão de Cristo que não somos o ser que pensávamos que éramos. (11:3) Alguém anda contigo, Que responde gentilmente a todos os teus medos com essa única réplica misericordiosa: “Isso não é assim”. Portanto, nós odiamos Jesus e seu curso, pois eles não discutem conosco, mas são gentis lembretes de que tudo o que pensamos não é verdadeiro. Como já citei: “E Deus pensa de outra forma” (T-23.I.2:7). A fonte da nossa dificuldade com o Um Curso em Milagres é que ele não tem tolerância com transigências, como vemos nessa declaração enfurecedoramente simples: “Isso não é assim”. Na seguinte passagem, com a qual já estamos familiarizados, Jesus nos ensina a esperarmos problemas dos nossos egos amedrontados quando escolhemos caminhar com ele e nos identificarmos com sua negação sem defesas de tudo o que consideramos tão caro: Quando te unes a mim, estás te unindo sem o ego, porque eu renunciei ao ego em mim mesmo e portanto não posso me unir ao teu. Nossa união é, assim, o caminho para renunciares ao ego em ti... Sempre que o medo se introduzir em qualquer lugar ao longo da estrada para a paz, isso se deve ao ego ter tentado unir-se a nós nessa jornada, e não poder fazê-lo. Sentindo a derrota e enraivecido por isso, o ego se considera rejeitado e vem a ser vingativo. És invulnerável à vingança do ego porque eu estou contigo. Nesta jornada, me escolheste como teu companheiro, em vez do ego (T-8.V.4:1-2; 5:5-8). (11:4) Ele aponta para todas as dádivas que tens toda vez que o pensamento da pobreza te oprime e fala do Seu Companheirismo quando te percebes solitário e amedrontado. Mais um resumo do processo do Um Curso em Milagres: o pensamento de pobreza oprime, nos torna infelizes e nos traz dor, e, portanto, dizemos que tem que existir outra forma de olhar para ele, pedindo ajuda a Jesus como fazemos. Ele nos lembra de que as coisas não são o que parecem ser: “Sua dor”, ele diz, “não vem de fora, mas da decisão amedrontadora da sua mente de se opor a mim porque eu represento a verdade, em cuja presença, seu falso ser vai desaparecer”. Esse é o pano de fundo das suas palavras gentis: “Isso não é assim”. Mais uma vez, o processo começa quando olhamos para nosso desprezível empobrecimento, pelo qual tornamos alguém mais responsável. A linha acima, incidentalmente, ecoa o lindo apelo de Jesus a nós no final do texto: Não me negues a pequena dádiva que peço, quando, em troca eu coloco aos teus pés a paz de Deus e o poder de trazer essa paz a cada um que vaga no mundo incerto, solitário e com medo constante (T-31.VIII.7:1). (12:1-2) Entretanto, Ele ainda te lembra de mais uma coisa que havias esquecido. Pois o Seu toque fez com que sejas igual a Ele. “Mais uma coisa” de que ele nos lembra é que o Filho de Deus é um – o que dou a você, dou a mim mesmo. Aqui está seu lembrete: 172


(12:3-7) As dádivas que tens, não são só para ti. O que Ele veio te dar, agora tu tens que aprender a dar. Essa é a lição que a Sua doação contém, pois Ele te salvou da solidão que buscaste fazer para esconder-te de Deus. Ele também fala do que vem a ser a tua vontade quando aceitas estas dádivas e reconhecesses que são tuas. Jesus muda seu foco para o princípio dos interesses compartilhados conforme nos lembra de que as dádivas de Deus não são as nossas próprias, mas as de todos. Lembre-se, o ego é mantido no lugar pela crença em que nossos interesses são separados – um ou outro; minha felicidade vem à sua custa. No entanto, se eu punir você por projetar minha culpa, dou a mesma “dádiva” a mim mesmo. Mas, se eu realmente quiser conhecer o Amor de Deus, preciso perceber que ele não é meu e só meu. Se eu negá-lo a você, o nego a mim. O que compartilhamos com os outros – culpa ou perdão – é fortalecido em nós mesmos: Se compartilhas uma idéia, porém, não a diminuis. Ela ainda é toda tua apesar de ter sido dada totalmente. Além disso, se a pessoa a quem a deste a aceita como sua própria, essa pessoa a reforça na tua mente e assim a aumenta (T-5.I.1:11-13). (13:1) As dádivas são tuas, confiadas aos teus cuidados para dar a todos aqueles que escolheram a estrada solitária da qual escapaste. No instante santo, eu sou são, percebendo que fiz uma escolha errada que eu desfaço por escolher o Espírito Santo como meu Professor. Quando sou mais são do que os que estão ao meu redor, minha responsabilidade é refletir para eles minha escolha pela visão – não pelas minhas palavras ou ações, mas por me identificar com a Presença amorosa e pacífica que habita em mim. Assim, Jesus gentilmente nos lembra nesse trecho já citado, sobre sua visão final: Meus irmãos na salvação, não deixem de ouvir a minha voz e de escutar as minhas palavras. Eu nada peço senão a tua própria liberação. Não existe lugar para o inferno dentro de um mundo cuja beleza pode ainda ser tão intensa e tão abrangente que apenas um passo o separa do Céu. Aos teus olhos cansados eu trago a visão de um mundo diferente, tão novo, tão limpo e fresco, que esquecerás a dor e a tristeza que viste antes. Entretanto, essa é uma visão que tens que compartilhar com todas as pessoas que vês, pois, de outro modo, não a contemplarás. Dar essa dádiva é a forma de fazê-la tua. E Deus determinou, em benignidade amorosa, que ela fosse tua (T-31.VIII.8). (13:2-4) Eles não compreendem que apenas perseguem os seus próprios desejos. Agora és tu quem lhes ensina. Pois aprendeste com Cristo que há outro caminho para que sigam. Eles não entendem que seu sofrimento vem de uma decisão. Assim como “ninguém morre sem seu próprio consentimento”, ninguém sofre sem seu próprio consentimento. Estando são, minha paz não é afetada pelos sonhos repletos de dor dos outros, lembrando-os de que minha escolha pela sanidade é deles para que a façam também, e, assim, aceitem a responsabilidade como sonhadores dos seus sonhos. Isso não significa que nós nos recusamos a ajudar os que estão em aflição, mas que isso é oferecido sem a atitude sou-maissanto-do-que-você que diz que você está em situação muito pior do que eu, e, na minha bondade, eu concedo em ajudá-lo. Em nossas mentes, não vemos diferenças entre nós mesmos e outra pessoa, e ajudamos porque essa é a natureza do amor. Aqui, mais uma vez, está como Jesus descreve nossa função de ensinar aos outros o que significa caminhar com Cristo: 173


O professor de Deus vem a eles [os doentes] para representar uma outra escolha, aquela que haviam esquecido. A simples presença de um professor de Deus é um lembrete. Os seus pensamentos solicitam o direito de questionar o que o paciente aceitou como verdadeiro. Como mensageiros de Deus, os Seus professores são os símbolos da salvação. Eles pedem ao paciente perdão para o Filho de Deus em seu próprio Nome. Eles representam a Alternativa, com o Verbo de Deus em suas mentes, eles vêm para abençoar, não para curar os doentes, mas para lembrar-lhes do remédio que Deus já lhes deu. Não são as suas mãos que curam. Não é a sua voz que profere o Verbo de Deus. Eles meramente dão o que lhes foi dado. Com muita gentileza apelam para os seus irmãos para que se afastem da morte: “Contempla tu, Filho de Deus, o que a Vida pode te oferecer. Escolherias a doença em lugar disso?” (MP-5.III.2). (13:5) Ensina a eles, mostrando-lhes a felicidade que vem àqueles que sentem o toque de Cristo e reconhecem as dádivas de Deus. Felicidade poderia ser definida como olhar para o mundo e saber que você não é dele – o reconhecimento de que a verdade está em sua mente e não em coisas externas. A paz que você sente e as pessoas experienciam em você se torna o professor que diz aos outros que eles podem ter a paz da qual você agora desfruta. (13:6) Não deixes o pesar te tentar a ser infiel para com a tua confiança. Não permita que o pesar de outra pessoa ou o seu próprio o tente a acreditar que esse mundo é real, e que a dor e o sofrimento vêm do corpo em vez de virem de uma decisão na mente. Nós certamente poderemos nos beneficiar de examinarmos outra vez essas duas passagens incisivas sobre a doença, que nos incitam a não apoiarmos os sonhos de separação de outra pessoa, mas, em vez disso, reforçarmos a unicidade refletida que desfaz o sonho: Nenhuma mente é doente enquanto outra mente não concorde que elas estão separadas. E assim, a decisão que tomam de serem doentes é conjunta. Se não dás o teu acordo e aceitas o papel que desempenhas para fazer com que a doença seja real, a outra mente não pode projetar a própria culpa sem a tua ajuda em permitir a ela que se perceba como separada e à parte de ti. Assim, o corpo não é percebido como doente por ambas as mentes, de pontos de vistas separados. A união com a mente de um irmão impede a causa da doença e os efeitos percebidos. A cura é o efeito de mentes que se unem, assim como a doença vem de mentes que se separam (T-28.III.2). Aceitar a Expiação para ti mesmo significa não dar apoio ao sonho de doença e morte de ninguém. Significa que não compartilhas o seu desejo de separar-se e permitir que ele dirija ilusões contra si mesmo. Tu também não desejas que essas ilusões ao invés disso, sejam dirigidas contra ti. Assim, elas não têm efeitos. E estás livre de sonhos de dor porque permitiste que ele estivesse (T-28.IV.1:1-5). (14:1-4) Os teus suspiros passarão agora a trair as esperanças daqueles que olham para ti em busca da sua liberação. As tuas lágrimas são as suas. Se estás doente, estás apenas recusando-lhe a sua cura. Aquilo de que tens medo apenas lhes ensina que seus medos são justificados. Jesus não está imputando uma viagem de culpa a nós. Leia isso como faria com um maravilhoso poema épico, no qual você se liga ao sentimento e conteúdo das palavras, não ao 174


seu significado literal. Jesus não está dizendo que seus pensamentos equivocados – lágrimas, suspiros e doença – vão manter as pessoas no inferno, mas que o fará na sua mente. Você não é responsável pelas escolhas dos outros, mais do que Jesus foi. Note essa declaração inicial do texto: Quando projetas isso para outros, tu os aprisionas, mas só na medida em que reforças erros que já tenham feito. Isso faz com que sejam vulneráveis às distorções de outros, já que a sua própria percepção de si mesmos é distorcida. O trabalhador de milagres só pode abençoá-los, e isso desfaz as suas distorções e os liberta da prisão (T-1.III.5:9-11). Nós meramente reforçamos uma decisão já tomada. A escolha é nossa se vamos escolher para nós mesmos, dessa forma, mantendo o lembrete para nosso irmão. O conteúdo subjacente desse ensinamento é a unidade do Filho de Deus. Se eu sofro, minha mente diz que sou separado de Deus e, portanto, acredito que todos os outros são separados também. No momento em que sou curado – tendo segurado a mão de Jesus e experimentado seu amor -, percebo que todos são um naquele amor. Portanto, ensino a correção amorosa que quero aprender, e a aprendo conforme a ensino. Essa é a propriedade curativa do milagre, como lemos: Uma vez que aceitas isso [a Expiação], a tua mente só pode curar. Negando à tua mente qualquer potencial destrutivo e reempossando-a dos seus poderes puramente construtivos, tu te colocas em posição de desfazer a confusão de níveis dos outros. A mensagem que então lhes dás é a verdade de que as suas mentes são similarmente construtivas e suas criações equivocadas não podem feri-los. Afirmando isso, liberas a mente da super-valorização do seu próprio instrumento de aprendizado e a restauras à sua verdadeira posição como aprendiz (T-2.V.5:3-6). Se perceberes verdadeiramente, estás cancelando percepções equivocadas em ti mesmo e nos outros simultaneamente. Porque os vês tais como são, tu lhes ofereces a tua aceitação da sua verdade de forma que possam aceitá-la para si próprios. Essa é a cura que o milagre induz (T-3.II.6:5-7). Para repetir, Jesus não está tentando impor culpa porque você está em sua mente errada. Se você acreditar que seu ego fere outros, estará reforçando sua escolha errada, ainda que não seja responsável por isso. No entanto, você realmente diz a eles: “Você é um ego e você está certo; eu sou um ego e estou certo também”. Tal insanidade só pode ferir a Filiação como uma. (14:5-6) A tua mão vem a ser aquela que dá o toque de Cristo; a mudança da tua mente vem a ser a prova de que aquele que aceita as dádivas de Deus jamais pode sofrer coisa alguma. A função de liberar o mundo da dor te foi confiada. A “liberação do mundo da dor” me foi confiada porque o mundo existe na minha mente. Quando minha mente é curada e eu escolhi contra a dor do ego e a favor da alegria de Deus; nesse instante alegre, o mundo se torna um. Como já vimos de novo e de novo, a mente do Filho de Deus é uma, e idéias não deixam sua fonte. (15:1-2) Não a traias. Passa a ser a prova viva do que o toque de Cristo pode oferecer a todos. No texto, Jesus nos pede para testemunharmos a outros – “a prova viva” – o que seu toque gentil pode nos oferecer. Nós já citamos a terceira e quarta linhas, mas aqui está o 175


contexto completo, implorando a nós para desistirmos das nossas armas de julgamento – “cravos e espinhos” – pois só então podemos nos lembrar da nossa Identidade, conforme somos redimidos como um Filho de Deus: Tu não acharás paz enquanto não tiveres removido os cravos das mãos do Filho de Deus e arrancado o último espinho da sua testa. O Amor de Deus cerca Seu Filho, a quem o deus da crucificação condena. Não ensines que eu morri em vão. Ensina, em vez disso, que eu não morri, demonstrando que eu vivo em ti. Pois o desfazer da crucificação do Filho de Deus é o trabalho da redenção, no qual todos desempenham um papel de igual valor (T-11.VI.7:1-5). Assim Jesus nos pede: Torne-se a prova viva dos efeitos de escolher a visão de Cristo. Através da paz que vem, você se torna um professor da paz. (15:3-8) Deus confiou todas as Suas dádivas a ti. Na tua felicidade, sê tu a testemunha de como vem a ser transformada a mente que escolhe aceitar as Suas dádivas e sentir o toque de Cristo. Essa é a tua missão agora. Pois Deus confia a doação das Suas dádivas a todos aqueles que as receberam. Ele compartilhou a Sua alegria contigo. E agora vais compartilhá-la com o mundo. Esse não é um pedido para sairmos por aí e pregarmos o evangelho aos pagãos. Você compartilha a alegria de Deus com o mundo por sua consciência de que você não é a figura no sonho. As pessoas podem experienciar você dessa forma, mas no instante santo, você sabe que sua realidade está fora dele. As dádivas do Amor de Deus, que te foram confiadas, agora podem ser compartilhadas com todos aqueles que ainda acreditam serem indignos de tal dádiva. Ao “partirmos”, pensamos novamente com gratidão sobre a inspiradora conclusão de Jesus ao manual para professores, um final adequado para essa inspiradora lição: Em confiança, eu te coloco nas Suas Mãos e agradeço a ti que seja assim. E agora, em tudo o que faças sê tu abençoado. Deus volta-Se para ti pedindo ajuda para salvar o mundo. Professor de Deus, Ele te oferece a Sua gratidão, e o mundo todo fica em silêncio na graça que trazes do pai. Tu és o Filho que Ele ama, e te é dado ser o meio através do qual a Sua Voz é ouvida em todo o mundo para acabar com todas as coisas nascidas do tempo, para trazer o fim de todas as coisas visíveis e para desfazer todas as coisas que mudam. Através de ti, se anuncia um mundo que não é visto nem ouvido, embora esteja verdadeiramente presente. Santo és tu, e na tua luz o mundo reflete a tua santidade, pois não estás só nem sem amigos. Eu agradeço por ti, e me uno aos teus esforços a favor de Deus sabendo que são também a meu favor, e a favor de todos aqueles que caminham para Deus comigo. AMÉM (MP-29.7:11-8:8)

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LIÇÃO 167 Só existe uma vida e eu a compartilho com Deus. Essa lição amplia o tema que estudamos na Lição 163, “Não há morte. O Filho de Deus é livre”. Aqui também Jesus fala sobre a morte e a contrasta com a vida, e ao fazer isso, reforça seu ensinamento sobre o contraste entre a mente e o corpo. Notem também o uso da palavra mente. No Um Curso em Milagres, mente é quase sempre colocada em maiúscula quando se refere às Mentes de Deus e de Cristo, e não é colocada em maiúscula quando se refere á mente dividida do Filho separado. Essa lição, no entanto, é uma exceção a essa regra: mente é colocada em letras minúsculas em toda a lição, enquanto em alguns momentos, Jesus se refere à mente como espírito, e em outros, como mente dividida. Foi impossível colocá-la em letras maiúsculas por causa da estrutura da discussão, como vamos ver. Portanto, mente é mantida em letra minúscula da mesma forma que espírito, que só é colocado em maiúscula 177


quando se refere ao Espírito Santo. De outra forma, espírito – a essência da nossa Identidade como Cristo – aparece em letra minúscula. (1:1-4) Não existem tipos diferentes de vida, pois a vida é como a verdade. Não tem graduação. É a única condição na qual tudo o que Deus criou compartilha. Como todos os Seus Pensamentos, a vida não tem oposto. Isso corrige nossos pensamentos sobre a vida, na qual acreditamos que existem formas diferentes no que comumente chamamos de grande cadeia de seres – de seres unicelulares como amebas até complexos mamíferos. Em acréscimo, existem as categorias de seres vivos e não-vivos, tais como animais e minerais. Jesus enfatiza que não existe hierarquia em ilusões: existe vida e não-vida, sem nenhum degrau intermediário, como lemos novamente nesse parágrafo muito importante: Não há vida fora do Céu. Onde Deus criou a vida, lá ela tem que estar. Em qualquer estado à parte do Céu, a vida é ilusão. Na melhor das hipóteses, parece vida; na pior, parece morte. No entanto, os dois são julgamentos sobre o que não é vida, são iguais na sua falta de acuidade e de significado. A vida fora do Céu é impossível e o que não está no céu não está em lugar nenhum. Fora do céu, existe apenas o conflito de ilusões: sem sentido, impossível e além de toda a razão, mas apesar disso percebido como uma eterna barreira para o Céu. Ilusões não são senão formas. Seu conteúdo nunca é verdadeiro (T-23.II.19). (1:5) A morte não existe, porque o que Deus criou compartilha da Sua Vida. A vida não tem opostos. Como Jesus nos diz no início do texto: “O oposto do amor é o medo; mas aquilo que tudo engloba não pode ter opostos” (T-in.1:8). Portanto, o medo não existe. Nesse mundo, pensamos que a morte é o oposto da vida, mas, uma vez que, como perfeita unicidade, a vida é tudo o que existe, não há nada fora dessa unicidade: Pois se Ele é a Soma de todas as coisas, então, o que não está Nele não existe, e a Sua completeza é a nulidade do teu corpo (T-29.II.10:3). Qualquer coisa que pareça estar ou não viva nesse mundo é igualmente ilusória, que é o motivo pelo qual o Um Curso em Milagres é não-dualista. Luz e escuridão, espírito e matéria, vida e morte não podem coexistir. Existe apenas uma realidade, uma verdade, uma vida. (1:6-7) A morte não existe, porque não existe um oposto para Deus. A morte não existe, porque o Pai e o Filho são um. Essa é outra versão do não-dualismo do Curso. Qualquer coisa além da perfeita Unicidade de Deus e de Cristo não existe. Da mesma forma, no texto: A morte não mais existirá porque os vivos compartilham a função que o seu Criador lhes deu. A função da Vida não pode morrer. Tem que ser a extensão da vida, para que ela seja uma só para todo o sempre, sem fim (T-29.VI.4:9-11). (2:1-3) Nesse mundo, parece haver um estado que é o oposto da vida. Tu o chamas de morte. Mas aprendemos que a idéia da morte toma muitas formas. A palavra-chave é parece: parece que existe um oposto à vida, porque nesse mundo de corpos, a morte é um fenômeno real. Jesus repete a declaração com a qual começamos a Lição 163: “A morte é um pensamento que assume muitas formas...” 178


(2:4-7) É a única idéia subjacente a todos os sentimentos que não são supremamente felizes. É o alarme ao qual respondes quando não reages com perfeita alegria. Todo pesar, toda perda, ansiedade, sofrimento e dor, até mesmo um pequeno suspiro de cansaço, um leve desconforto ou o menor olhar de reprovação estão admitindo a morte. E assim, negam que tu vives. Qualquer coisa nesse mundo é uma ilusão, e compartilha a crença do ego em um ou outro: para que eu possa existir, Deus tem que ser destruído. O que reflete nossa experiência individual é a idéia que não deixou sua fonte. Assim, Jesus diz depois no livro de exercícios: “o mundo foi feito como um ataque a Deus” (LE-pII.3.2:1). Isso expressa o pensamento tudo-ounada que vimos antes, quando ele nos disse que “uma leve pontada de aborrecimento não é nada além de um véu jogado sobre intensa fúria” (LE-pI.21.2:5), ou que “duas [ilusões] são tão sem significado quanto uma ou mil” (T-23.I.3:8). No manual, ele pergunta: Será mais duro dissipar a crença dos insanos em uma alucinação maior em oposição a uma menor? Concordará ele mais rapidamente com a irrealidade de uma voz mais alta do que com a de outra mais suave? Descartará ele com maior facilidade um comando para matar sussurrado do que outro dado aos gritos? E será que o número de garfos que ele vê os demônios carregando afeta a credibilidade deles na sua percepção? A sua mente categoriza tudo isso como real, portanto, tudo é real para ele. Quando ele se der conta de que são ilusões, elas desaparecerão (MP-8.5:2-7). Portanto, qualquer coisa que reflita nossa existência como uma personalidade vivendo em um corpo é parte do sistema de pensamento ilusório de separação. Aquela parte do sistema do ego – nossa experiência como um corpo – não morre porque ela não vive. (3:1) Pensas que a morte é do corpo. Na verdade, pensamos que a doença, fome e relacionamentos especiais são do corpo, assim como a morte. Uma vez que acreditamos ser corpos, acreditamos que cada experiência, problema e solução é do corpo também. Além disso, como Jesus nos lembra no texto: É possível que tu, que te vês dentro de um corpo, conheças a ti mesmo como uma idéia? Tudo o que reconheces identificas com coisas externas, algo fora de ti (T18.VIII.1:5-6). (3:2-5) No entanto, é apenas uma idéia irrelevante ao que é visto como físico. Um pensamento está na mente. Pode então ser aplicado segundo a direção da mente. Mas, para haver mudança, é na sua origem que o pensamento tem que ser mudado. A morte é um pensamento – Jesus usa idéia e pensamento de forma intercambiável – assim como doença, dor, felicidade do mundo, e especialismo. Eles vêm do pensamento de separação, que é o motivo pelo qual Jesus é inequívoco através de todo o Um Curso em Milagres sobre o problema não estar no mundo ou no corpo, mas na mente, que acreditou que o que o ego ensinou era verdade. É o pensamento que diz que eu prefiro estar certo a ser feliz. A declaração acima – “Um pensamento está na mente. Pode então ser aplicado segundo a direção da mente. Mas para haver mudança, é na sua origem que o pensamento tem que ser mudado” – nos lembra dessa sentença familiar e fundamental: Portanto, não busques mudar o mundo, mas escolhe mudar a tua mente sobre o mundo (T-21.in.1:7). 179


O problema nunca está fora, mas no tomador de decisões na mente que escolhe o professor errado. (3:6-7) As idéias não deixam a sua fonte. A ênfase que esse curso dá a essa idéia se deve à sua centralidade nas nossas tentativas de mudar a tua mente sobre ti mesmo. Estamos todos acostumados com esse ensinamento, e Jesus nos mostra que entender que idéias não deixam sua fonte é fundamental para a compreensão do sistema de pensamento do seu curso. Na verdade, você não pode entender um milagre ou perdão, nem aplicá-los, sem que o princípio de que a idéia de um mundo, corpo ou problema externo, nunca deixou sua fonte, que está na mente. Causa e efeito, fonte e idéia, são unificadas e permanecem uma e a mesma. A diferença é que idéia-efeito parece estar fora da mente-causa. Jesus, no entanto, é bem explícito sobre a morte não acontecer ao corpo, nem ser causada por qualquer coisa externa. Ela é meramente uma idéia na mente: Nós sabemos que uma idéia não deixa sua fonte. E a morte é o resultado do pensamento que chamamos de ego, tão seguramente como a vida é o resultado do Pensamento de Deus (T-19.IV-C.2:12-15). O cerne desse pensamento, mais uma vez, é que Deus tem que morrer para que eu possa viver. (3:8) É a razão pela qual podes curar. Você pode curar porque idéias não deixam sua fonte: se você mudar a crença na separação em sua mente, desfará a doença. Lembre-se de que a doença não consiste de sintomas físicos ou psicológicos, mas repousa na escolha equivocada da mente. Mude a decisão e a doença se vai; o efeito não existe mais tão logo sua causa tenha sido removida. (3:9-11) É a causa que cura. É por isso que não podes morrer. A verdade dessa idéia te estabeleceu uno com Deus. Lembre-se de que quando Jesus diz “não podes morrer”, ele não quer dizer que vivemos em um estado corporal imortal. Não podemos morrer porque a vida foi criada por Deus como espírito. Qualquer coisa que não seja do espírito não vive e, portanto, não pode morrer. A verdade e idéias não deixam sua fonte nos estabelece como um com Deus: Ele é a Fonte, e nós a idéia em Sua Mente, que nunca O deixou – outra declaração do princípio de Expiação. Voltando ao já citado terceiro obstáculo à paz, “A atração pela morte”, encontramos Jesus afirmando o mesmo ponto relacionado à morte: é um pensamento que nunca deixou sua fonte na mente, não tendo nada a ver com o corpo. (4:1) A morte é o pensamento de que estás separado do teu Criador. O ego diz que separação é vida. Essa é nossa realidade individual, originada na separação de Deus, que nos deu o nosso mundo, nosso especialismo e nossa morte. (4:2) É a crença segundo a qual as condições mudam, as emoções se alternam devido à causas que não podes controlar, que não fizeste e nunca podes mudar. Em outras palavras, estou feliz em um minuto porque meus parceiros especiais estão sendo bons para mim, e infeliz no próximo porque não estão; feliz em um minuto porque consegui o que queria, e infeliz no seguinte porque não consegui. Nossas emoções sobem e descem como uma escada rolante e, pelo fato de estarmos prontos a culpar a fonte do nosso 180


desconforto, ansiedade e dor como algo do lado de fora, elas não se devem a uma decisão que tomamos. De fato, nosso mundo é construído sobre a necessidade de identificarmos as causas externas do nosso transtorno. É por isso que Jesus diz na Lição 5: “Eu nunca estou transtornado pela razão que imagino”. Atribuir nosso estado emocional a “causas que não podemos controlar, que não fizemos e nunca podemos mudar” é o cerne da face de inocência do ego: eu estava feliz até que essa pessoa disse isso para mim, ou até ver o fechamento do mercado de ações; não fui eu que fiz minha miséria – algo externo a impingiu a mim e mudou meu estado mental pacífico. (4:3) É a crença fixa segundo a qual as idéias podem deixar a sua fonte e adquirir qualidade que a fonte não contém, tornando-se diferentes de sua própria origem, à parte dela em espécie, assim como em distância, tempo e forma. O ego fez magistralmente um mundo para introduzir uma brecha aparente entre causa e efeito: a escolha errada da mente e nossa aflição. A causa na mente parece anos luz distante do problema percebido, e, portanto, é desconhecida para nós. Nós então atacamos a causa aparente do problema, ambos os quais são vistos fora de nós. No entanto, todos os nossos problemas derivam da crença ilusória de que idéias realmente deixam sua fonte. Assim, a razão real pela qual estou transtornado é que escolhi o ego em vez do Espírito Santo, dessa forma tornando real a diminuta e louca idéia, assim como o pecado, culpa, medo e morte. Essa decisão pecaminosa é a verdadeira causa da minha aflição, a fonte que projeto para ver o pecado em outra pessoa. Isso me permite negar que meu medo vem da mente, e dizer que, em vez disso, vem dessa pessoa terrível, com poder de me negar amor e me infligir dor. Assim, o pecado, enraizado em minha escolha equivocada na mente, deixa sua fonte para ser percebido agora em outra pessoa, tornando-me a vítima inocente como o efeito sofredor do pecado daquela pessoa. O sistema de pensamento do ego, portanto, repousa no princípio idéias realmente deixam sua fonte – o Filho de Deus deixou seu Pai e se tornou um ser independente – assim como o do Espírito Santo repousa no princípio idéias não deixam sua fonte - nós somos uma idéia na Mente de Deus e nunca O deixamos. O sistema de pensamento de culpa e ataque do ego evoluiu do seu pensamento de separação, assim como o sistema de pensamento de perdão do Espírito Santo evoluiu do Seu pensamento de Expiação, o pensamento refletido da nossa unicidade que nunca deixou sua Fonte: Deus criou Seus Filhos estendendo o Seu Pensamento e retendo as extensões do Seu Pensamento em Sua Mente. Todos os Seus Pensamentos são assim perfeitamente unidos entre si e em si mesmos (T-6.II.8:1-2). ... toda idéia tem início na mente de quem a pensa. Portanto, o que se estende da mente ainda está nela e ela conhece a si mesma por aquilo que estende... A tua mente, que é como a de Deus, não pode jamais ser profanada (T-6.III.1:1-2,6). (5:1) A morte não pode vir da vida. Como vamos ver no parágrafo 7, o oposto da vida é vida, não morte; outra forma de dizer que Deus não criou a morte. Essa declaração contradiz diretamente o terceiro capítulo de Gênesis, que afirma que Deus fez a morte como punição pelo pecado de Adão e Eva. Jesus nos ensina em vez disso que a morte foi feita pelo ego, não pelo Deus Que é em Si Mesmo vida. (5:2-4) As idéias permanecem unidas à sua fonte. Podem estender tudo o que a sua fonte contém.

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Lembre-se das palavras de Jesus a Helen sobre ela ser tolerante demais com as divagações da sua mente (T-2.VI.4:6). Os pensamentos de culpa realmente parecem vagar da sua fonte na mente, para muito além dela, até mesmo parecendo existir fora da mente através da projeção. No entanto, esses pensamentos ilusórios não vão a lugar algum, sempre permanecendo dentro da mente ilusória que é a sua fonte, ao mesmo tempo em que os pensamentos amorosos do Espírito Santo permanecem dentro da sua fonte da mente certa: Todos os pensamentos amorosos mantidos em qualquer parte da Filiação pertencem a todas as partes. São compartilhados porque são amorosos. Compartilhar é o modo de Deus criar e também o teu. O ego pode te manter exilado do Reino, mas no próprio Reino ele não tem nenhum poder. As idéias do espírito não deixam a mente que as pensa, nem podem conflitar umas com as outras... Tu só podes compartilhar os pensamentos que são de Deus e que Ele guarda para ti. Pois deles é o Reino do Céu (T-5.IV.3:1-5,8-9). (5:5) Mas não podem dar origem ao que nunca lhes foi dado. O que “nunca lhes foi dado” foi vida ou verdade. Portanto, idéias podem deixar sua fonte dentro do sonho e podem, por exemplo, fazer um cosmos que parece separado da sua fonte -, mas não o é na verdade. A vida permanece uma memória em nossas mentes certas – mantida ali pelo Espírito Santo – que nunca mudou, apesar das nossas divagações insanas no mundo. A verdade e a ilusão não têm nenhuma conexão. Isso permanecerá para sempre verdadeiro, por mais que busques conectá-las... O resultado de uma idéia nunca está separado de sua fonte. A idéia da separação produziu o corpo e permanece conectada a ele, fazendo com que o corpo seja doente devido à identificação da mente com ele (T-19.I.7:1-2,6-7). (5:6) Assim como foram feitas será o que vierem a fazer. Assim como uma falsa idéia é feita pela falsa separação do ego, assim também ele vai fazer uma falsa idéia. O ego é uma falsa idéia sobre o Filho de Deus. O qual, então, faz uma falsa idéia – mundo – como um lar para a falsa identidade do Filho, projetada em um corpo. (5:6-8) Assim como foram feitas será o que vierem fazer. Assim com nasceram, farão nascer. E de onde vieram, para lá retornarão. Elas vão retornar para o lugar de onde vieram porque idéias não deixam sua fonte. O ego não pode fazer nascer a vida que nunca foi dada a ele. A vida se estende apenas à vida, assim como o espírito, e ilusões projetam apenas para ilusões. Em outras palavras, vida cria vida, ilusões fazem ilusões – sem conexão entre elas. Mais uma vez, é isso o que estabelece o Um Curso em Milagres como um sistema não-dualista. Deus não tem nada a ver com um mundo que Ele não conhece, porque ele está fora da Sua Mente. Se o mundo fosse realmente Seu oposto, seria real. (6:1) A mente pode pensar que dorme, mas isso é tudo. Podemos pensar que somos separados de Deus e habitamos um corpo em um mundo que é real, mas não podemos estabelecer a realidade, como Jesus nos lembraria, se apenas o escutássemos:

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A tua tarefa não é fazer a realidade. Ela está aqui sem a tua participação em fazê-la, mas não sem ti. Tu, que tens tentado jogar fora a ti mesmo e que valorizaste tão pouco a Deus, ouve-me falar por Ele e por ti (T-14.IV.8:1-3). (6:2) Não pode mudar o que é seu estado desperto. Lembre-se de que “estamos em casa em Deus, sonhando com o exílio, mas perfeitamente capazes de acordar para a realidade” (T-10.I.2:1). Portanto, nunca deixamos a Mente do nosso Criador e permanecemos despertos Nele, embora pensemos estar dormindo e sonhando com um ser em oposição a Deus: Vamos olhar mais de perto para toda essa ilusão segundo a qual o que fizeste tem o poder de escravizar aquele que o fez. Essa é a mesma crença que causou a separação. É a idéia sem significado segundo a qual os pensamentos podem deixar a mente do pensador, ser diferentes dela e em oposição a ela... E aqui mais uma vez vemos uma outra forma da mesma ilusão fundamental, que já vimos muitas vezes antes. Só se fosse possível que o Filho de Deus deixasse a Mente de Seu Pai, se fizesse diferente e se opusesse à Sua Vontade, é que seria possível que o ser que ele fez, e tudo o que esse ser fez, passasse a ser seu patrão (T-22.II.9:13,5-6). (6:3) Não pode fazer um corpo nem habitar no interior de um corpo. Dentro do sonho, a mente faz um corpo e convence a si mesma que o corpo é real, assim como nós realmente fazemos a cada noite quando sonhamos. No entanto, sonhos permanecem sonhos, quer nossos corpos estejam dormindo ou acordados, e seu conteúdo ilusório não pode estabelecer a realidade. Portanto, a mente não pode habitar dentro de um corpo que não existe. Se é que é possível, é o corpo que habita dentro da mente porque o pensamento de separação nunca poderia deixar a si mesmo. O corpo incorpora esse pensamento, agora percebido na forma, mas, uma vez que idéias não deixam sua fonte, não pode haver corpo fora da mente: Idéias não deixam a sua fonte e os seus efeitos apenas parecem estar à parte delas. Idéias são da mente. O que é projetado para fora e parece ser externo à mente, não está fora em absoluto, mas é um efeito do que está dentro e não deixou a sua fonte (T-26.VII.4:7-9). (6:4) Aquilo que é alheio à mente não existe, porque não tem fonte. O corpo tem o ego como sua fonte, mas essa não é uma fonte real. Então, o corpo, assim como o mundo e a morte, são alheios à mente, que aqui é equacionada a espírito. (6:5) Pois a mente cria todas as coisas que são e não pode lhes dar atributos que lhe faltem e nem modificar o seu próprio estado mentalmente ciente e eterno. Jesus mais uma vez fala do espírito quando diz “mente”, refletindo o Verbo de Expiação do Espírito Santo, que Ele compartilhou conosco no início: “Tu apenas pensas que deixaste Deus, mas nada mudou – ‘nenhum nota na canção do céu foi perdida’ [T-26.V.5:4]. Lembre-se da primeira linha do parágrafo 6: “a mente pode pensar que dorme, mas isso é tudo”; e essas linhas do texto:

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... acreditar que idéias são capazes de deixar a sua fonte é convidar ilusões a serem verdadeiras, sem sucesso. Pois nunca será possível ter sucesso na tentativa de enganar o Filho de Deus (T-26.VII.13:5-6). (6:6) Não podes fazer o físico. A mente como espírito não pode fazer o físico. A mente adormecida pode – em sonhos. Na verdade, em seus sonhos, ela faz todo tipo de figuras imaginárias: no macrocosmo, o universo físico; no microcosmo, nossas vidas individuais. O fato de Jesus nos dizer que mente/espírito não podem fazer o físico é outra forma de nos lembrar de que Deus não criou esse mundo, como ele faz aqui: A Bíblia diz: “E o Verbo (ou pensamento) se fez carne”. Estritamente falando isso é impossível, já que parece envolver a translação de uma ordem de realidade para outra. Diferentes ordens de realidade meramente aparentam existir, assim como diferentes ordens de milagres. O pensamento não pode ser feito carne exceto pela crença, já que o pensamento não é físico (T-8.VII.7:1-4). (6:7) O que parece morrer é apenas o sinal da mente adormecida. O corpo parece morrer, mas isso simboliza a mente adormecida não tendo absolutamente nada a ver com a verdadeira mente, ou espírito: Aquilo a que deste “vida” não está vivo, e simboliza apenas o teu desejo de estar vivo à parte da vida, vivo na morte, com a morte percebida como vida e o viver como morte (T-29.II.6:2). (7:1) O oposto da vida só pode ser outra forma de vida. Jesus fala do mundo real. Implícito aqui, embora explicado em outro lugar, está o fato de que o perdão não é verdade, mas parte da ilusão. No entanto, como uma “ficção feliz” (ET3.2:1), ele reflete a verdade e não se opõe a ela. Na verdade, qualquer coisa da mente certa não é literalmente verdadeira, porque ela permanece fora da Mente de Deus. No entanto, o perdão simboliza a verdade em uma forma que podemos aceitar e entender, e, portanto, não se opõe a ela. Lembre-se da seguinte passagem, na qual Jesus explica como, uma vez removido nosso investimento no sistema de pensamento de ilusões do ego, o perdão do Espírito Santo – o reflexo da verdade – recebe permissão para ser seu substituto, até sermos capazes de aceitar a realidade além do reflexo: Um espaço vazio que não é visto como cheio, um intervalo de tempo sem uso, que não é visto como gasto e plenamente ocupado, vêm a ser um convite silencioso para que a verdade entre e faça um lar para si mesma... Para isso não existem símbolos. Nada aponta para além da verdade, pois o que pode representar mais do que tudo? No entanto, o verdadeiro desfazer tem que ser benigno. E assim a primeira substituição do teu retrato é outro retrato de outro tipo. Como o nada não pode ser retratado, do mesmo modo não há nenhum símbolo para a totalidade. A realidade é conhecida, em última instância, sem forma, sem retrato e sem ser vista... O perdão é o meio através do qual a verdade é temporariamente representada. Ele permite que o Espírito Santo faça com que a troca dos retratos seja possível até o momento em que os recursos nada significam e o aprendizado está realizado (T-27.III.4:1,3,5-8; 5:1-2,5-6).

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(7:2) Como tal, pode ser reconciliada com o que a criou porque, na verdade, não é um oposto. O mundo real, ou perdão, não é o oposto da verdade, pois ele reflete a verdade. Depois, Jesus diz que “o perdão é uma forma terrena de amor” (LE-pI.186.14:2). Ele não é amor, mas o expressa dentro do sonho porque vem da presença do amor e, portanto, pode ser reconciliado com ela. Quando Jesus discute a relação entre percepção verdadeira (“visão verdadeira”) e conhecimento, ele afirma o mesmo ponto: A visão verdadeira é a percepção natural da vista espiritual, mas ainda é uma correção ao invés de um fato. A vista espiritual é simbólica e, portanto, não é um instrumento para o conhecimento. Contudo, é um meio de percepção certa, que a traz ao domínio próprio do milagre (T-3.III.4:1-3). A percepção verdadeira não é conhecimento, no entanto, sendo parte da ilusão, ela corrige as falsas percepções do ego. Uma vez que essas percepções de separação são desfeitas, a verdadeira percepção dos interesses compartilhados rapidamente se transforma em conhecimento, onde desaparece. Lembre-se dessa adorável passagem: E agora o conhecimento de Deus, imutável, certo, puro e totalmente compreensível, entra no seu reino. A percepção se foi, tanto a falsa como a verdadeira. O perdão se foi, pois sua tarefa está cumprida. E se foram os corpos na luz resplandecente sobre o altar ao Filho de Deus. Deus sabe que o altar é Seu assim como é dele. E assim se unem, pois aqui a face de Cristo resplandeceu fazendo desaparecer o instante final do tempo e agora a última percepção do mundo não tem propósito nem causa (ET-4:7:1-6). (7:3) A sua forma pode mudar, pode parecer ser o que não é. Quando está no mundo real, você pode parecer estar no corpo – a forma da vida pode mudar – no entanto, você sabe que não está lá. O amor tem sido refletido no que parece ser você no mundo, o que lembra aos outros da verdade neles. (7:4) Mas a mente é mente, desperta ou adormecida. Você pode ver por que mente não pode ser colocada em letras maiúsculas aqui, pois o termo é usado de duas maneiras – como mente dividida e espírito/mente. (7:5) Não é o seu oposto em nada que tenha sido criado e tampouco naquilo que ela parece fazer quando acredita estar dormindo. Mente como espírito é vida e vida cria vida – verdade criando verdade. Ela cria a si mesma uma vez que idéias não deixam sua fonte: o que é ela mesma não pode ter opostos. No entanto, quando a mente adormece, faz ilusões – uma ilusão fazendo a ilusão de um mundo. Isso, também, não tem opostos – idéias não deixam sua fonte. A mente ilusória não faz a vida; sua “vida” é apenas uma zombaria cruel da vida que Deus criou como Seu Filho. Aqui novamente, vemos o não-dualismo de um-ou-outro do Curso. Você tem vida ou morte, verdade ou ilusão, sem nenhum ponto de encontro entre elas. A perfeita unicidade não pode ter opostos. (8:1-2) Deus só cria a mente desperta. Ele não dorme e as Suas criações não podem compartilhar o que Ele não lhes dá, nem dar lugar a condições que Ele não compartilha com elas. 185


Essas condições são a separação, que é expressa no que chamamos de vida física. Deus não dorme, e, uma vez que somos uma idéia em Sua Mente, não dormimos também. Dentro da ilusão, somos livres para acreditar que o fazemos, no entanto, na verdade, nunca deixamos nossa Fonte. (8:3) O pensamento da morte não é o oposto dos pensamentos de vida. Se a morte fosse o oposto da vida, seria real. Mais uma vez, o Um Curso em Milagres não é um sistema dualista. O oposto de vida é vida; o oposto de amor é amor. Essa é a base para saber que nada no universo físico é real. Lembre-se mais uma vez da Introdução, onde lemos: O oposto do amor é o medo, mas o que tudo abrange não pode ter opostos. Esse curso, portanto, pode ser resumido muito simplesmente dessa forma: Nada real pode ser ameaçado. Nada irreal existe. Nisso está a paz de Deus (T-in.1:8-2:4). (8:4) Para sempre sem qualquer tipo de oposição, os Pensamentos de Deus permanecem eternamente imutáveis, com o poder de estenderem-se por toda a eternidade imutavelmente, porém ainda dentro de si mesmos, pois estão em toda parte. Essa é uma versão poética do princípio de que a Divindade – Deus e Cristo (ou os Pensamentos de Deus) são Um. Ela se estende para sempre, mas não no tempo e no espaço. Portanto, Pai e Filho nunca deixam a si mesmos – idéias não deixam sua fonte. Da maravilhosa seção “Além de todos os ídolos”, você vai reconhecer os lindos paralelos com a passagem acima: Nada do que Deus não conhece não existe. E o que Ele conhece existe para sempre, imutavelmente. Pois os pensamentos duram por tanto tempo quanto a mente que neles pensou. E na Mente de Deus não há fim, nem um momento no qual Seus Pensamentos estejam ausentes ou possam sofrer qualquer mudança. Pensamentos não nascem e não podem morrer. Eles compartilham os atributos do seu criador e também não têm uma vida separada da sua. Os pensamentos que pensas estão em tua mente, assim como tu estás na Mente Que pensou em ti. E assim não existem partes separadas naquilo que existe dentro da Mente de Deus. Ela é para sempre una, eternamente unida e em paz (T-30.III.6). Ele não deixou os Seus Pensamentos! Mas tu esqueceste a Sua Presença e não recordaste o Seu Amor... Entretanto, Ele jamais deixou os Seus Pensamentos para que morressem, sem que a sua Fonte estivesse para sempre neles mesmos... Ele não poderia separar-Se deles, assim como eles não poderiam mantê-Lo de fora. Em unidade com Ele todos vivem, e na sua unicidade Ambos se mantêm completos (T31.IV.9:1-2,6; 10:2-3). (9:1) O que parece ser o oposto da vida está apenas dormindo. O que parece ser o oposto da vida é morte. Lembre-se de que a morte não é do corpo, mas um pensamento na mente adormecida, sonhando com o exílio. No entanto, o tempo todo, Deus e Seu Filho permanecem despertos, além de todos os sonhos de separação e morte. 186


(9:2) Quando a mente opta por ser o que não é, e por assumir um poder alheio que não tem, um estado estranho no qual não pode entrar, ou uma condição falsa que não esteja dentro da Sua Fonte, ela apenas parece ir dormir um pouco. Ao escolher ser o que não é, a mente diz: eu não sou um Filho de Deus, mas o filho do ego. Apesar da sua fanfarrice em contrário, o ego não tem o poder de destruir o Céu e faz seu próprio mundo, no qual entra no estado estranho do corpo. Tudo isso repousa sobre uma falsa condição, não dentro da nossa Fonte, de separação. No entanto, tudo o que aconteceu foi que nós simplesmente adormecemos, e você pode ver o quanto esse ensinamento metafísico está distante da nossa experiência pessoal. (9:3) Sonha com o tempo, um intervalo em que o que parece acontecer nunca ocorreu, em que as mudanças forjadas são sem substância e em que todos os eventos não estão em parte alguma. É demais, portanto, para esse mundo impressivo no qual pensamos viver; esse corpo maravilhoso que pensamos habitar; e os pensamentos e sentimentos importantes que acreditamos pensar e sentir, para não mencionar as coisas que acalentamos. Tudo é nada: “mudanças forjadas” – a mudança aparente do nosso estado do Céu – não têm substância, e “todos os eventos não estão em parte alguma”. Falando da separação, Jesus diz no manual para professores: No tempo, isso aconteceu há muito tempo. Na realidade, nunca aconteceu (MP2.2:7-8). É por isso que tentar explicar o ego e seu mundo é infrutífero, pois nós apenas tentamos explicar o que não existe. Uma vez que a separação nunca aconteceu, a mente adormecida meramente sonha com um mundo, embora não possa torná-lo real. É útil lembrar passagens como essa quando você fica preso na auto-importância do especialismo, ou na magnitude dos problemas, preocupações e ansiedades nos quais é tentador pensar que se certo resultado não surgir, algo terrível vai acontecer. Quando você estiver muito convencido de que está certo, e sabe o que é melhor para você e para todos os outros, releia essa passagem e ela vai colocar sua vida de novo em uma perspectiva apropriada. (9:4) Quando a mente desperta, apenas continua tal como sempre foi. Mais uma vez, “nenhuma nota na canção do Céu foi perdida” (T-26.V.5:4). Nada aconteceu. (10:1) Hoje, sejamos as crianças da verdade e não neguemos a nossa santa herança. Jesus está apelando ao tomador de decisões na mente para escolher a verdade em vez da ilusão, nossa herança como o Filho de Deus em vez das dádivas ilusórias de especialismo do ego. (10:2-3) A nossa vida não é como a imaginamos. Quem pode mudar a vida por fechar os olhos, ou fazer de si mesmo o que não é porque está dormindo, vendo em sonhos o oposto do que é? Isso é uma referência direta aos nossos sonhos adormecidos. Nós adormecemos à noite identificados com nossos corpos e suas leis, e ainda sonhamos com coisas incríveis que acontecem com eles. Depois de despertarmos, no entanto, nossa identidade pré187


adormecimento não foi modificada, e esse é o ponto frisado por Jesus. O que acontece no mundo de corpos – não importando o quanto pareça importante – não tem efeitos sobre a realidade. Quando nossos olhos se abrirem finalmente – o propósito final perdão -, o sonho desaparecerá. Essa passagem incisiva do texto esclarece a similaridade inerente aos nossos sonhos dormindo e despertos: Os sonhos... são o melhor exemplo que poderias ter de como a percepção pode ser usada para substituir a verdade por ilusões. Não os levas a sério quando acordas, porque o fato da realidade neles ser violada de forma tão ultrajante passa a ser evidente... Os sonhos te mostram que tens o poder de fazer o mundo conforme queres que ele seja e, porque o queres, tu o vês. E enquanto o vês, não duvidas de que ele seja real... Pareces despertar e o sonho se foi... E aquilo para o qual pareces despertar, não é senão uma outra forma desse mesmo mundo que vês nos sonhos. Todo o teu tempo é gasto em sonhar. Os teus sonhos quando estás dormindo, e os teus sonhos quando estás acordado, têm formas diferentes e isso é tudo. Seu conteúdo é o mesmo (T-18.II.2:1-3; 5:1-2,8.11-14). (10:4) Hoje não pediremos a morte sob nenhuma forma. Jesus já nos falou sobre as diferentes formas: um olhar de censura, ficar transtornado, um pequeno suspiro de fraqueza, ansiedade, julgamento, raiva, doença. Como sempre, ele nos pede nessas lições para fazermos outra escolha: perdão em vez de ataque, verdade em vez de ilusão, vida em vez de morte. (10:5) Tampouco deixaremos que opostos imaginários da vida habitem um só instante onde o próprio Deus estabeleceu o Pensamento da vida eterna. Esse Pensamento está em nossas mentes certas, mantido para nós pelo Espírito Santo para que o escolhamos em vez do pensamento de morte do ego. Jesus nos incita, quando somos tentados a tornar o pensamento de separação real, a nos lembrarmos que isso é simplesmente a tentativa do ego de mudar a verdade eterna sobre nós mesmos – tornando nossos corpos e necessidades especiais tão importantes que nós mais uma vez nos esquecemos de quem somos como criação de Deus: o Pensamento da vida eterna. (11) Hoje, nos esforçamos para manter o lar santo de Deus tal como Ele o estabeleceu e tal como a Vontade de Deus determina que seja para todo o sempre. Ele é o Senhor do que pensamos hoje. E nos Seus Pensamentos que não têm opostos, compreendemos que há uma só vida e essa compartilhamos com Ele, com toda a criação e também com seus pensamentos, aos quais Ele criou numa unidade de vida que não pode se separar na morte e deixar a Fonte de vida de onde veio. Nosso lar santo é a unidade da vida, que compartilhamos com o Senhor da Vida. Esse parágrafo é ainda outra expressão adorável da Unicidade da Criação de Deus. (12:1) Nós compartilhamos uma vida porque temos uma só Fonte, uma Fonte da Qual nos vem a perfeição que permanece sempre nas mentes santas que Ele criou perfeitas. Perfeição não é encontrada no mundo, mas é refletida em nossas mentes certas. Portanto, somos solicitados a desenvolvermos um relacionamento com o Espírito Santo ou com Jesus, pois Eles são nossos lembretes, os meios pelos quais nos lembramos – através do perdão – da perfeição da mente como espírito. A meta do Um Curso em Milagres não é tornar o mundo perfeito, mas restaurar essa perfeição à nossa consciência. (12:2) Como éramos, agora somos e sempre seremos. 188


Se você foi criado como católico, talvez se lembre desse verso refletido na liturgia. Ele é das Cartas anônimas aos Hebreus, anteriormente atribuídas a São Paulo: “Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e para sempre” (13:8). Essa linha famosa nos lembra de que a nossa Identidade como Cristo permanece como sempre foi. (12:3) A mente adormecida tem que despertar ao ver a sua própria perfeição espelhando tão perfeitamente o Senhor da Vida, que ela se desvanece no que lá está refletido. Em “Os dois retratos”, Jesus fala do retrato do Espírito Santo (o instante santo) como um de luz, estabelecido em uma moldura temporal, que desaparece gentilmente, e que não se opõe à vida, pois ele é sua expressão dentro do mundo. Ele nos permite, quando escolhemos o Espírito Santo como nosso único Professor, sermos levados ao mundo real. Nós nos detemos lá apenas por um instante, conforme Deus dá o último passo, restaurando-nos à unicidade da criação que nunca deixamos: O retrato da luz, em contraste claro e inequívoco, é transformado no que está além dele. À medida em que olhas para ele, reconheces que não é um retrato, mas uma realidade. Ele não é uma representação figurada de um sistema de pensamento, mas o Pensamento em si mesmo. O que representa está lá. A moldura se desvanece gentilmente e Deus surge na tua lembrança, oferecendo-te a totalidade da criação em troca do teu pequeno retrato, totalmente sem valor e inteiramente privado de significado (T-17.IV.15). (12:4-5) E agora não é mais um mero reflexo. Vem a ser aquilo que é refletido e a luz que faz com que o reflexo seja possível. No mundo real, nós refletimos a santidade do Filho. Quando Deus dá o último passo e nós desaparecemos em Seu Coração, nos lembramos do Seu Filho como ele realmente é e nos tornamos um com sua luz. Você pode se recordar do “O reflexo da santidade”, no texto, onde Jesus expressa o mesmo pensamento no contexto de vermos toda cura como a mesma, pois todos os problemas são o mesmo: Aqueles que aprenderam a oferecer apenas cura, devido ao reflexo da santidade neles, estão afinal prontos para o Céu. Lá a santidade não é um reflexo, mas ao invés disso, a condição vigente daquilo que aqui era apenas um reflexo para eles. Deus não é uma imagem e as Suas criações, enquanto parte Dele, O mantêm em si na verdade. Elas não apenas refletem a verdade, são a verdade (T-14.IX.8:4-7). (12:6-7) Agora nenhuma visão é necessária. Pois a mente desperta é aquela que conhece a sua Fonte, o seu Ser e a sua Santidade. Se a realidade do Filho de Deus é Uma, nossa verdadeira natureza, quando você for tentado durante o dia a ver alguém como separado, estará fazendo tudo o que Jesus pede para não fazer nessa lição. Você torna a morte e o sistema de pensamento do ego real, dizendo que idéias podem deixar sua fonte. No entanto, a verdade permanece: nós somos um Filho, uma idéia na Mente de um Deus, nossa única Fonte. Portanto, quando você vê alguém como diferente de você – expressões de ódio ou amor especial -, você vê o Filho de Deus fragmentado: idéias deixam sua fonte. Portanto, para aplicar essa lição durante o dia, você precisa identificar as formas sutis pelas quais tenta negar sua verdade, tornando o sistema de pensamento da morte real. Pedir ajuda a Jesus assegura que a memória dessa verdade um dia será restaurada a você, conforme você finalmente despertar para a “mente... que conhece a sua Fonte, o seu Ser e a sua Santidade”. 189


LIÇÃO 168 A Tua graça me é dada. Eu a reivindico agora. Essa lição e a que se segue a essa discutem a graça de forma diferente das outras discussões no Um Curso em Milagres. No primeiro capítulo do texto, por exemplo, Jesus fala sobre o espírito como estando em um estado de graça (T-1.III.5:4), o equivalente ao Amor de Deus. Aqui, e mais ainda na próxima lição, ele fala sobre a graça como um aspecto desse Amor dentro da ilusão. Ela não é o Céu, mas o mais perto que podemos chegar dele na terra. Nós, portanto, vemos outro exemplo da inconsistência do Curso no uso das palavras – a forma -, embora o ensinamento – o conteúdo – permaneça o mesmo. 190


(1:1-2) Deus fala conosco. E nós, não falaremos com Ele? A palavra fala não deve ser vista literalmente. Deus não tem uma boca com a qual falar, nem ouvidos para ouvir nossas palavras em retorno. O ponto de Jesus é que Deus está sempre dentro de nós. Nós podemos acreditar que O deixamos, mas Ele não se foi. Seu Amor através do Espírito Santo – Sua Voz dentro do sonho – fala conosco por Sua própria Presença em nossas mentes, ainda que tenhamos vagado para longe. Portanto, ao dizer “E nós, não falaremos com Ele?”, Jesus nos impele a retornarmos ao lugar na mente onde escolhemos vagar, escolher outra vez, e, portanto, colocarmos a nós mesmos na Presença de Deus, como ele explica no texto: Tua parte é meramente devolver teu pensamento ao ponto no qual o erro foi cometido, e dá-lo à Expiação em paz (T-5.VII.6:5). (1:3-5) Ele não está distante. Ele não faz nenhuma tentativa de esconder-Se de nós. Tentamos esconder-nos de Deus e sofremos com o engano. O engano não é apenas que nós podemos nos esconder Dele, mas que de fato o fizemos. O mundo e o corpo, então, se tornam instrumentos desse pensamento enganoso de que podemos nos distanciar de Deus. Mas, se idéias não deixam sua fonte, ainda que experienciemos a nós mesmos como corpos, não deixamos nosso lugar na Mente de Deus. O princípio da Expiação, portanto, é a resposta a esses pensamentos ilusórios e enganosos. (1:6) Ele permanece inteiramente acessível. A meta do Um Curso em Milagres é que nós percebamos que o Amor de Deus está “inteiramente acessível” a nós, pois Ele está dentro de nós e espera pacientemente que O escolhamos. (1:7-8) Ele ama Seu Filho. Não há outra certeza além dessa, entretanto essa é suficiente. Nós só precisamos nos lembrar de que Deus nos ama, o que significa desfazer o sistema de pensamento de pecado, culpa e medo do ego – a fundação do seu mundo -, cujo produto final é a crença de que Deus está zangado e não nos ama mais. A verdade da Expiação, no entanto, é que Seu Amor nunca mudou, e então, tudo o que o ego tem ensinado é falso. Portanto, seu sistema de pensamento não precisa ser combatido; meramente visto com um sorriso gentil. Na certeza da verdade feliz do Espírito Santo, o ódio do ego se dissolve em sua própria nulidade. (1:9-11) Ele ama Seu Filho para sempre. Mesmo quando a sua mente permanece adormecida, Ele ainda o ama. E quando ela desperta, Ele o ama com um Amor imutável. Ainda que nosso sono seja acompanhado pelos sonhos sombrios de pecado, medo e ódio, nada mudou a luz, como Jesus nos reassegura ao discutir a importância do anticristo do ego: Todas as formas do anticristo se opõem a Cristo. E caem diante da Sua face como um véu escuro que parece se fechar separando-te Dele e deixando-te sozinho na escuridão. Contudo, a luz está lá. Uma nuvem não apaga o sol. E nem um véu é capaz de banir aquilo que ele parece separar, assim como não é capaz de escurecer nem por um milímetro a luz em si mesma (T-29.VIII.3:5-9).

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(2:1-2) Se apenas soubesses o significado do Seu Amor, a esperança e o desespero seriam impossíveis. Pois a esperança seria para sempre satisfeita e qualquer tipo de desespero impensável. Nesse mundo, é impossível conhecer o significado do Amor de Deus. No entanto, como vamos ver logo, podemos aprender os meios através dos quais vamos nos lembrar daquele Amor, reconhecendo que em Sua Presença, o desespero é impensável. Portanto, quando estamos desesperados, solitários, tristes ou sem esperanças, isso não é resultado do mundo lá fora, mas na crença em que nos separamos do Amor de Deus. Lembre-se dessas palavras inspiradoras do Epílogo do esclarecimento de termos: Ninguém pode deixar de fazer o que Deus lhe indicou que fizesse. Quando esqueceres, lembra-te de que caminhas com Ele e com o Seu Verbo no teu coração. Quem poderia se desesperar quando tem uma Esperança como essa? Ilusões de desespero podem parecer vir, mas aprende como não te deixares enganar por elas. Atrás de cada uma delas está a realidade e está Deus. Por que esperarias por isso e o trocarias por ilusões, quando o Seu Amor está há apenas um instante a mais na estrada onde todas as ilusões chegam ao fim? (ET-ep.1:4-9). (2:3-6) A Sua graça é a Sua resposta a todo desespero, pois nela está a lembrança do Seu Amor. Não daria Ele com contentamento os meios pelos quais a Sua Vontade é reconhecida? A Sua graça é tua através do teu reconhecimento. E a memória de Deus desperta na mente que Lhe pede os meios pelos quais o seu sono chega ao fim. A compreensão tradicional da graça é a de que Deus a dispensa quando e onde Ele escolhe. Assim, ela não é constante – os bons recebem Sua graça e os maus não. Jesus nos faz entender, em vez disso, que a graça de Deus está plenamente presente para todos, o tempo todo. Uma vez que escolhemos contra ela, precisamos escolher sua plenitude abundante em vez da escassez e privação do ego. Desfazer as percepções de separação e falta do ego através do perdão permite que a memória da nossa similaridade e unicidade inerente alvoreça em nossas mentes. Onde está o desespero quanto a verdade do amor retornou, e onde estão os sonhos de ódio quando nos lembramos do Amor que acreditamos ter deixado, mas que nunca nos deixou? (3:1-2) Hoje, pedimos a Deus a dádiva que Ele preservou com o maior cuidado em nossos corações, esperando para ser reconhecida. É a dádiva pela qual Deus Se inclina para nós e nos eleva, dando Ele próprio o passo final da salvação. Em outro lugar no Um Curso em Milagres, Jesus se refere a isso como o “passo final” de Deus. (3:3) Instruídos pela Sua Voz, aprendemos todos os passos exceto esse. O Espírito Santo, e especificamente esse curso, nos ajuda a subir a escada de volta para casa, passo a passo, conforme nos aprofundamos em nossa experiência de perdão. Isso é o que podemos aprender até que o ego seja desfeito. Nesse ponto, a escada desaparece de Deus “Se inclina para nós e nos eleva”. Desnecessário dizer, a imagem da escada é uma descrição metafórica de um processo ilusório, uma vez que nunca deixamos o Céu. (3:4-6) Mas Ele próprio finalmente vem, nos toma em Seus Braços e varre as teias de aranha do nosso sono. A dádiva da Sua graça é mais do que uma simples resposta. Ela restaura todas as memórias que a mente adormecida esqueceu, toda a certeza a respeito de qual é o significado do amor. 192


Jesus não está falando de memórias específicas, mas da memória de Quem somos como o Cristo. Ao cumprirmos nosso propósito de perdão, as teias de aranha do medo caem diante dos nossos olhos, e a visão – o reflexo da graça de Deus – nos permite ver apenas amor ou pedidos de amor. Ao despertarmos, esse reflexo desaparece no que é refletido: a certeza do significado do Amor. Mas primeiro precisamos perdoar: O céu ainda não é inteiramente lembrado, pois o propósito do perdão ainda permanece. No entanto, cada um está certo de que irá além do perdão e permanece somente enquanto o perdão se aperfeiçoa nele... E o medo sumiu, porque ele está unido consigo mesmo em seu propósito... Pois assim ele é aprontado para o passo no qual todo o perdão é deixado lá para trás. O passo final é de Deus, porque apenas Deus poderia criar um Filho perfeito e compartilhar Sua Paternidade com ele (T-30.V.3:1-2,4,7; 4:1). (4:1-2) Deus ama Seu Filho. Pede-Lhe agora que Ele te dê os meios pelos quais esse mundo desaparecerá; primeiro virá a visão e apenas um instante mais tarde o conhecimento. O mundo vai desaparecer nesse último passo. Nosso trabalho é darmos os pequenos passos que Deus nos pede para darmos com Ele (LE-pI.193.13:7). Esses passos são as pequenas oportunidades diárias de perdão, nas quais estamos atentos a quando escolhemos contra o amor de Jesus e a favor da indulgência do nosso especialismo. Nossos passos tendo sido dados, Deus completa a jornada sem distância, conforme o mundo se desvanece. Voltando ao poema de Helen, “A forma da estrela”, lemos essa adorável conclusão: Então, a quietude vem, Na qual não há forma, nem som, nem sonho. Havia uma cruz, mas ela desapareceu. Havia um mundo, mas agora há apenas Deus. (As Dádivas de Deus, p. 66,67). (4:3-5) Pois na graça vês uma luz que cobre o mundo todo de amor e observas o medo desaparecer de cada rosto à medida que os corações se erguem e reivindicam a luz, como o que lhes pertence. O que permanece agora que poderia atrasar a vinda do Céu ainda que por um instante? O que ainda está por fazer, quando o teu perdão descansa em todas as coisas? Quando você tiver perdoado completamente, o mundo terá ido porque ele existia apenas dentro da mente rancorosa que acreditava na separação. Quando nossas mentes são curadas, a Filiação é curada também, pois sua mente é uma. Assim, o mundo desaparece. Pode não parecer assim, pois dentro de si, as figuras de sonho ainda podem escolher continuar adormecidas, no entanto, na mente curada, tudo se vai. O mundo, primeiro transformado no mundo real – “o mundo em amor” – gentilmente cai de lado “à medida que os corações se erguem e reivindicam a luz como o que lhes pertence”. O sonho da crucificação foi desfeito, e a ressurreição saúda o mundo em alegria: Os professores de Deus têm a meta de despertar as mentes dos que estão dormindo e de ver aí a visão da face de Cristo, para que ela tome o lugar do que eles sonham. O pensamento que assassina é substituído pela bênção. O julgamento é posto de lado e entregue Àquele Cuja função é julgar. E no Seu julgamento final a verdade sobre o Filho santo de Deus é restaurada. Ele é redimido, pois ouviu o Verbo de Deus e compreendeu o seu significado. Ele é livre porque permitiu que a Voz de Deus proclamasse a verdade. E todos aqueles que antes buscava crucificar 193


ressurgem com ele, ao seu lado, à medida em que se prepara com eles para encontrar seu Deus (MP-28.6:3-9). (5:1) Esse é um dia novo e santo, pois recebemos o que nos tem sido dado. Jesus presume que fizemos a escolha certa, reivindicando a graça que já nos foi dada através do Espírito Santo. Nós escolhemos contra ele, pegando o ego como nosso professor em vez dele, mas agora mudamos nossas mentes. Esse trecho do poema de Helen, “O instante brilhante” expressa o novo e santo instante do qual nasceu esse dia de perdão, culminando no fim do mundo de sonhos: Acalente esse instante. Todo o tempo Se endireitou dentro dos seus limites... ................................... Em um espaço desimpedido Abrimos nossos braços e permitimos que todo conflito cesse, E pedimos que todos se aquietem em todos os lugares Que esperam pela liberdade. Você não trairia Sua agonia e paciência, quando seus lamentos Se desvanecem em silêncio aqui. Pois Cristo vai permanecer Até que o eco final e débil morra E a quietude reivindique o mundo. E então, Ele O pega em Sua mãos e espera um instante mais E o tempo termina. Mesmo agora, Ele faz Seu caminho até Ele. Esse instante é a porta até ele Na qual o mundo vai desaparecer Nele, Assim como Ele vai se desvanecer no Uno Que vai permanecer para sempre. Nesse claro E brilhante instante, todo o tempo é concluído. (As Dádivas de Deus, p. 74). (5:2-3) A nossa fé está no Doador e não na nossa própria aceitação. Admitimos os nossos equívocos, mas Aquele que desconhece o erro ainda é Aquele Que responde aos nossos equívocos, dando-nos os meios para deixarmos de carregá-los e para nos erguermos até Ele em gratidão e amor. Deus é o Uno de Quem Jesus fala, e através do Espírito Santo, Ele nos deu o perdão, o desfazer do sonho de morte do ego. Isso é alcançado tão logo nós alegre e agradecidamente dizermos que estávamos equivocados, e só Jesus estava certo. (6:1) E Ele desce para nos encontrar quando vamos a Ele. Mais uma vez, Jesus usa metáforas e símbolos. “Vamos a Ele” através do perdão, e, conforme chegamos perto, começamos a experimentar o Amor de Deus até que nossa identidade individual se desvanece e nós desaparecemos para sempre em Seu Coração. Na realidade, apenas nós “vamos”, uma vez que nós “partimos”. Deus simplesmente é, e não faz nada. (6:2-4) Pois o que Ele preparou para nós, Ele nos dá e nós recebemos. Assim é a Sua Vontade porque Ele ama Seu Filho. Hoje oramos a Ele apenas devolvendo a palavra que nos foi dada por Ele através da Sua própria Voz, Seu Verbo, Seu Amor.

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“Sua própria Voz” é o Espírito Santo, e “Seu Verbo” é a Expiação, ou, especificamente, as palavras desse curso. (6:5-9) A Tua graça me é dada. Eu a reivindico agora. Pai, venho a Ti. E Tu virás a mim que peço. Eu sou o Filho que Tu amas. Em termos desses símbolos, mais uma vez, Deus não “vem até nós” até que primeiro vamos a Ele. Não é que Ele estabeleça condições ou faça exigências, mas que, uma vez que partimos, precisamos retornar. Assim, chegamos a experienciar o Amor que tem amorosamente esperado por nós.

LIÇÃO 169 Pela graça vivo. Pela graça sou liberado. Continuando com o tema da lição anterior, Jesus começa com a graça: (1:1) A graça é o aspecto do Amor de Deus que mais se assemelha ao estado que prevalece na unidade da verdade.

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Refletindo o Amor de Deus, a graça é seu aspecto no sonho e, como seu irmão, o perdão, ela não se opõe à sua fonte. Em outras palavras, a graça é o estado natural de amor desde que a separação pareceu acontecer – a memória do filho que permite que ele escolha seu Pai em vez do ego: A graça é o estado natural de todo Filho de Deus. Quando ele não está em estado de graça, está fora de seu ambiente natural e não funciona bem. Tudo o que faz passa a ser uma tensão, pois ele não foi criado para o ambiente que tem feito (T7.XI.2:1-3). (1:2) É a aspiração mais elevada do mundo, pois nos conduz para além do mundo inteiramente. Nós primeiro experimentamos a graça de Deus e depois entramos no mundo real. Nesse ponto, Deus se inclina e nos eleva de volta até Ele, conforme o sonho que era o mundo desaparece. (1:3) Ela está depois do aprendizado, no entanto, constitui a meta do aprendizado, pois a graça não pode vir até que a mente se prepare para a verdadeira aceitação. Não podemos experimentar o Amor de Deus dentro do sonho até nos prepararmos para ele, o que fazemos por reconhecer – grata e alegremente – que estávamos errados. Nós percebemos que nossa única meta é o desfazer do sonho, não solidificando nossa experiência dentro dele. Não mais desejamos tornar nossas vidas de sonho mais felizes ou pacíficas, mas, em vez disso, usamos nossas experiências como veículos para despertarmos do sonho. (1:4) A graça vem a ser instantaneamente inevitável naqueles que tiverem preparado uma mesa em que ela possa ser gentilmente colocada e recebida voluntariamente, um altar limpo e santo para a dádiva. A mesa/altar é a mente, que nós maculamos com os pensamentos culpados e odiosos do ego. Amparando-nos no ego, fizemos um mundo e um corpo que parece enraizar seus pensamentos na matéria para que nunca possam ser desfeitos. Ao dizer que temos que limpar o altar e preparar a mesa, Jesus, portanto, nos encoraja a voltarmos à parte tomadora de decisões de nossas mentes e pedirmos ajuda a ele. Essa ajuda vem – seu amor ao nosso lado – em olharmos para o que fizemos e afirmamos ser verdadeiro, percebendo com um sorriso gentil que estávamos enganados sobre tudo, sem exceção. Nesse sentido, é que, em última instância, ele deixa o altar limpo, mas ele não pode fazer isso até pedirmos sua ajuda. A seguinte passagem do texto brinca com a palavra graça, conforme Jesus nos convida à sua mesa de comunhão, tornada limpa pelo relacionamento santo que dá boas-vindas à sua presença, junto com todos os nossos irmãos: O amor também quer depositar um banquete diante de ti, com uma mesa coberta por uma toalha sem mancha, posta em um jardim tranqüilo, onde som nenhum jamais é ouvido, exceto o cantar e um sussurrar suave e alegre. Esse é o banquete que honra o teu relacionamento santo, no qual todas as pessoas são bem-vindas como hóspedes de honra. E num instante santo todos dão graças em conjunto, à medida em que se unem em gentileza diante da mesa da comunhão. E lá eu me unirei a ti, conforme prometi há muito tempo e ainda prometo. Pois em teu novo relacionamento eu sou bem-vindo. E onde eu sou bem vindo, lá estou (T-19.IVA.16).

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O tocante poema de Helen, “Dedicação para um Altar”, expressa da mesma forma esse processo de perdão, unindo-nos aos nossos irmãos que também somos nós mesmos. Templos são onde estão os santos altares de Deus, E Ele colocou um altar em cada Filho Que Ele criou. Vamos adorar aqui Em gratidão pelo fato de o que Ele dá a um, Dá a todos, e nunca pega de volta. Pois o que Ele deseja tem sido feito para sempre. Templos são onde um irmão vem orar E descansa por um momento. Seja ele quem for, Traz consigo uma luz acesa para mostrar A face do meu Salvador que está lá para que eu a veja Sobre o altar, e seja lembrada de Deus. Meu irmão, venha e adore aqui, comigo. (As Dádivas de Deus, p. 93). (2:1) A graça é a aceitação do Amor de Deus dentro de um mundo de aparente ódio e medo. Jesus nos diz que esse é um mundo de ódio e medo, não de alegria e paz. No entanto, é um mundo “aparente”, porque não é real. Entretanto, você precisa ser cuidadoso para não pular degraus. Pelo fato de Jesus dizer que o mundo é uma ilusão, isso não significa que você não preste atenção ao que acontece aqui. O mundo realmente é uma ilusão, mas você não estaria lendo essas palavras se não acreditasse em sua realidade. Portanto, não negue seus sentimentos ou o que seus olhos vêem, mas peça ajuda para interpretá-los de forma diferente. Tal reinterpretação é a essência do perdão, que remove a culpa projetada que gera ódio e medo, o que por seu lado desvirtua o amor em nossas mentes. O Espírito Santo guarda esse amor – graça – até estarmos prontos para escolhê-lo e, quando quisermos ver nossos irmãos sem pecado, estamos prontos para receber Sua graça. A seguinte passagem ecoa a mensagem do já citado poema de Helen: A graça não é dada a um corpo, mas à mente. E a mente que a recebe olha de imediato para além do corpo e vê o lugar santo onde ela foi curada. Lá está o altar onde foi dada a graça e no qual ela se encontra. Oferece, então, graça e bênçãos ao teu irmão, pois tu estás no mesmo altar onde a graça foi depositada para ambos... No instante santo, tu e o teu irmão estão diante do altar que Deus ergueu a Si próprio e a vós (T-19.I.13:1-4; 14:1). (2:2) Unicamente pela graça, o ódio e o medo se vão, pois a graça apresenta um estado tão oposto a tudo o que o mundo contém, que aqueles cujas mentes são iluminadas pela dádiva da graça não podem acreditar que o mundo do medo seja real. Mais uma vez, você não clama pela graça até se preparar para ela. Ela é a resposta ao ego, pois, no estado de graça, o mundo de ódio e medo desaparece conforme o Amor de Deus é refletido no mundo real. No entanto, não é a graça que você pede, mas ajuda para atingir seu estado santo, por olhar de forma diferente para o mundo e seus relacionamentos, como agora lemos: (3:1-3) A graça não é aprendida. O passo final tem que ir além de todo aprendizado. A graça não é a meta que esse curso aspira atingir.

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Somos ensinados a perdoar, e a graça então vem. Nós, portanto, aprendemos a perdoar, experimentamos a graça – o mundo real, - conforme Deus dá o último passo. O leitor pode se recordar dessas duas declarações que refletem a meta de paz do Curso, atingida através do perdão: O conhecimento não é a motivação para se aprender esse curso. A paz sim. Esse é o pré-requisito para o conhecimento somente porque aqueles que estão em conflito não estão em paz, e a paz é a condição do conhecimento porque é a condição do Reino. O conhecimento só pode ser restaurado quando satisfez as suas condições (T-8.I.1:1-4). Não te esqueças de que a motivação deste curso é alcançar e manter o estado da paz. Nesse estado, a mente está quieta e a condição na qual Deus é lembrado é atingida (T-24.in.1:1-2). (3:4-5) Mas nos preparamos para a graça já que a mente aberta pode ouvir o Chamado para o despertar. Não está hermeticamente fechada contra a Voz de Deus. Quando nós escolhemos originalmente contra o Espírito Santo, excluímos Sua verdade, absolutamente convencidos de que estávamos certos. Isso levou à nossa certeza atual sobre nossos problemas e todos nós precisamos nos defender contra eles. Assim, uma mente aberta começa por dizer: “Eu não entendo coisa alguma, nem sei quem sou. Mas graças a Deus existe Alguém dentro de mim que sabe, Cujo Amor vai me ensinar a lembrar da minha Identidade e esquecer a amarga ilusão que fiz de mim mesmo e do mundo”. Qual estudante do Um Curso em Milagres pode esquecer essas linhas freqüentemente citadas? Eu não sei o que sou e, portanto, não sei o que estou fazendo, onde estou ou como olhar para o mundo ou para mim mesmo. Entretanto, é aprendendo isso que nasce a salvação. E O Que tu és te falará de Si Mesmo (T-31.VI.17:7-9). Mente aberta é a característica final dos professores avançados de Deus, e está relacionada à falta de julgamento, sendo que o julgamento prototípico é o de que estamos certos e a Voz de Deus errada: A mentalidade aberta vem com a ausência de julgamento. Assim como o julgamento fecha a mente contra o Professor de Deus, assim a mentalidade aberta O convida a entrar. Assim como a condenação julga como mau o Filho de Deus, a mentalidade aberta permite que ele seja julgado pela Voz por Deus a Seu favor (MP-4.X.1:2-4). (3:6) Veio a estar ciente de que há coisas que não sabe e, assim, está pronta para aceitar um estado completamente diferente do tipo de experiência com a qual está familiarizada. Essa experiência é especialismo, conflito, julgamento e doença. No entanto, precisamos apenas de um pouco de boa vontade para estarmos cientes de que não sabemos de tudo, que é tudo o que Jesus requer para “entrar” em nossas mentes e corrigir nossos pensamentos equivocados. (4:1) Talvez pareça que contradizemos a nossa declaração de que a revelação do pai e do Filho como um só já foi estabelecida.

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Isso se refere à Lição 158, onde Jesus nos diz que o tempo da revelação está estabelecido, e vai enfatizar abaixo nossa necessidade de escolhê-la. Assim como em outros trechos no Um Curso em Milagres, Jesus nos diz que é possível usar suas palavras de formas aparentemente contraditórias. No entanto, ele agora explica que não é uma contradição quando entendemos os níveis diferentes nos quais ele fala: (4:2) Mas também dissemos que a mente determina quando será esse momento e já o determinou. Existe uma parte de nossas mentes que já aceitou a Expiação. O momento em que escolhemos aceitar essa aceitação é nossa escolha. O “roteiro da salvação” está escrito, como vamos ver em breve, e então, escolhemos – fora do tempo e do espaço – quando reexperimentar a escolha que já foi feita. Uma declaração cristã popular contém esse mesmo paradoxo: a salvação está aqui, mas ainda não está; a salvação está aqui porque Jesus está presente entre nós, mas ainda não está porque ainda não o escolhemos. Usando fitas de vídeo como uma analogia, podemos entender que existe uma fita de vídeo onde o Pai e o Filho são experienciados como um – a aceitação da Expiação. Essa fita está na biblioteca de nossa mente como uma memória. Mais uma vez, o momento em que escolhemos reproduzi-la está a nosso cargo. Assim, Jesus não fala em contradições: a Expiação está aqui, mas ainda não está. (4:3) Insistimos, porém, que dês testemunho do Verbo de Deus para apressar a experiência da verdade e acelerar o seu advento a todas as mentes que reconhecem os efeitos da verdade em ti. Mais uma vez, Jesus nos diz: “O mundo acabou e nunca aconteceu realmente, no entanto, você acredita que está adormecido dentro do sonho. Por que continuar a retardar a felicidade de despertar; por que esperar pelo Céu?” (LE-pI.188). O próximo parágrafo é importante tanto como uma afirmação da Unicidade não-dualista de Deus, quanto por Jesus nos dizer que de forma alguma podemos entendê-la: (5:1-5) A Unicidade é simplesmente a idéia de que Deus é. E no Que Ele É, Ele abrange todas as coisas. Não há mente que contenha algo que não seja Ele. Dizemos: “Deus é” e então deixamos de falar, pois nesse conhecimento as palavras são sem significado. Não há lábios para pronunciá-las e nenhuma parte da mente é distinta o suficiente para sentir que agora está ciente de algo que não seja ela mesma. Não há consciência separada no Céu, de tal forma que o Filho, distinto do Pai, experimente a si mesmo em relação a Deus, mais do que Deus, distinto do Seu Filho, experimente a Si Mesmo em relação à Sua criação. Deus e Cristo não são dois seres distintos no Céu. Eles são Um. Jesus usa essas palavras dualistas para simbolizar a realidade nãodualista do Amor de Deus. Lembre-se dessa passagem sobre a Trindade: Já que tu acreditas que estás separado, o Céu se apresenta a ti como se fosse separado também. Não que ele o seja na verdade, mas para que o elo que te foi dado para unir-te à verdade possa chegar a ti através de algo que compreendes. Pai, Filho e Espírito Santo são como Um só, assim como todos os teus irmãos se unem como um na verdade. Cristo e o Seu Pai nunca foram separados e Cristo habita dentro da tua compreensão, na parte de ti que compartilha a Vontade do Seu Pai. O Espírito Santo liga a outra parte – o diminuto, louco desejo de ser separado, diferente e especial – com o Cristo, para fazer com que a unificação fique clara para o que é realmente um. Nesse mundo, isso não é compreendido, mas pode ser ensinado (T-25.I.5). 199


Não há maneira de podermos entender essa “Unicidade unida como uma só” (T-25.I.7:1), e então, Jesus fala da Divindade na linguagem tradicional da trindade. No entanto, ele quer que entendamos que esse é um mero conjunto de símbolos que estão “duplamente afastados da realidade” (MP-21.1:10), e, portanto, não são a realidade. Apesar disso, esses símbolos servem ao propósito útil de nos impulsionar através da experiência de dualidade – mente certa corrigindo a mente errada – até a verdade não-dualista da Unicidade viva do Céu (e nossa). (5:6-6:1) Ela se uniu à sua Fonte. E, como a própria Fonte, meramente é. Não podemos falar, escrever ou mesmo pensar sobre isso de modo algum. Jesus nos diz – e vai dizer novamente nessa lição – que ele não vai discutir essa verdade porque não iríamos entendê-la. Portanto, ele fala do que podemos aprender – como despertar do sonho da dualidade – e usa o símbolo de uma realidade que não é necessário que compreendamos: Ainda estás convencido de que a tua compreensão é uma contribuição poderosa para a verdade e faz dela o que ela é. Entretanto, nós já enfatizamos que nada precisas compreender. A salvação é fácil exatamente porque nada pede que não possas dar agora mesmo (T-18.IV.7:5-7). Nós só precisamos aprender a perdoar, e o amor que o perdão reflete vai “mostrar-se”. Então, iremos conhecê-lo. (6:2) Vem a cada mente quando o reconhecimento total de que a sua vontade é a Vontade de Deus tiver sido completamente dado e completamente recebido. Quando percebermos que dar e receber são o mesmo, e aceitamos tudo o que Deus deu, experienciamos Sua graça. Portanto, estamos no mundo real, depois do que, mais uma vez, o mundo desaparece e estamos de volta à Unicidade que “vem a cada mente”. (6:3) Isso devolve a mente ao presente infinito, em que nem o passado nem o futuro podem ser concebidos. Não há passado ou futuro, apenas o Amor eterno de Deus. Voltando ao “Instante brilhante” de Helen, lemos sobre a ausência de tempo, “o presente eterno”: Acalente esse instante. O tempo todo é estabelecido Dentro dos seus limites. O passado apenas levou A esse tempo escolhido. O futuro no entanto Permanece não nascido, e, como uma palavra não dita Ele é inaudível. Busque em vez disso, o lugar Da ausência de tempo. (As Dádivas de Deus, p. 74). (6:4-7) Está além da salvação, depois de todo pensamento de tempo, de perdão e da santa face de Cristo. O Filho de Deus, meramente desapareceu em seu Pai, assim como seu Pai nele. O mundo absolutamente nunca foi. A eternidade permanece um estado constante. Antes de completarmos nossas lições de perdão e nos lembrarmos da perfeita Unicidade, aprendemos a experienciar seu reflexo por não vermos os outros como tendo interesses separados dos nossos. Quando esse único princípio da salvação é compreendido e 200


generalizado a todos os relacionamentos, o mundo de separação desaparece, Deus dá o último passo, e nós desaparecemos Nele assim como Ele desaparece em nós – um Filho, um Pai, um Ser. No texto, Jesus nos exorta a compartilharmos sua visão sobre a unidade da Filiação: Vamos nos unir para trazer bênçãos ao mundo do pecado e da morte. Pois o que pode salvar cada um de nós pode salvar a todos. Não há diferença entre os Filhos de Deus... O teu Nome antigo pertence a todos, assim como o de todos te pertence... Um milagre não pode fazer mudança alguma. Mas pode fazer com que o que sempre foi verdadeiro seja reconhecido por aqueles que não têm conhecimento disso e, através dessa pequena dádiva da verdade, se permite que o que sempre foi verdadeiro seja o que é, que o Filho de Deus seja ele mesmo e que toda a criação seja libertada para invocar o Nome de Deus como um só (T-26.VII.19:3-5; 20:1,4-5). (7:1) Isso está além da experiência que tentamos apressar. “Isso” refere-se a tudo o que Jesus discutiu no parágrafo acima. A experiência que Jesus iria apressar é o alcance do mundo real, o que completa o processo de perdão. Sobre o que está além dessa experiência – realidade e eternidade -, ele não pode nos falar. (7:2) Entretanto o perdão, ensinado e aprendido, traz consigo as experiências que dão testemunho de que está próximo o momento em que a própria mente determinou abandonar tudo, menos isso. O perdão constitui os passos que Jesus nos pede para darmos até atingirmos o mundo real e, mais uma vez, escolhermos assistir à fita de vídeo na qual nos lembramos da unidade do Pai e do Filho – nossa meta de aceitarmos a Expiação. A total unicidade da realidade, quando Deus dá o último passo, está além do que o Um Curso em Milagres poderia ensinar. (7:3) Nós não o apressamos, pois o que então vais oferecer estava oculto Daquele Que ensina o que significa o perdão. Nós não apressamos o tempo, na medida em que sabemos que um dia devemos oferecer ao nosso Professor de perdão o que escondemos Dele – a aceitação da Expiação. Nosso ser especial que tenta negar ao Espírito Santo os pontos de escuridão que nos afastam da verdade ainda teme esse passo final, refletindo a necessidade de reter nossa individualidade e defesas, o que será discutido na próxima lição. Jesus nos pede para sermos pacientes conosco mesmos, pois ele não está nos coagindo a fazer o que ainda tememos. Você pode se lembrar dessas linhas reconfortantes do texto: Não tenhas medo de ser abruptamente erguido e jogado na realidade. O tempo é benigno e, se o usares em favor da realidade, ele manterá contigo um ritmo gentil na tua transição (T-16.VI.8:1-2). Jesus não nos empurra a aceitarmos o que tememos. É assim que sabemos que ele é Jesus. (8:1) Todo aprendizado já estava na Sua Mente, realizado e completo. A aceitação da Expiação já aconteceu, plenamente presente em nossas mentes através do Espírito Santo. O problema é que ainda não escolhemos aceitá-la. No entanto, quando o fazemos, ela está lá – mais uma vez: a salvação está aqui, mas ainda não está. 201


(8:2) Ele reconheceu tudo o que tempo contém e o deu a todas as mentes para que cada uma pudesse determinar, de um ponto em que o tempo estava acabado, quando estaria liberada para a revelação e a eternidade. Essa lição é uma companheira da Lição 158, como vimos com base nas referências àquela lição. Você pode se lembrar de que Jesus falou sobre o roteiro já tendo sido escrito – a correção do ego e do Espírito Santo – e, portanto, nós simplesmente revemos mentalmente o que já aconteceu; retransmitindo antigas fitas de vídeo. O momento em que aceitaremos a aceitação-da-Expiação é nossa escolha. Como Jesus nos diz na Introdução ao texto: Livre arbítrio não significa que podes estabelecer o currículo. Significa apenas que podes escolher o que queres aprender em determinado momento (T-in.1:4-5). É a isso que Jesus se refere aqui: o tomador de decisões fora do tempo e do espaço que elege escolher sua identificação – o ego ou o Espírito Santo, cujos sistemas de pensamento, mais uma vez, são completos e inteiros. Tal compreensão nos permite manter uma perspectiva da mente certa conforme atravessamos nossas salas de aulas diárias dos relacionamentos especiais. Saber que o roteiro acabou nos ajuda a não levarmos os eventos tão a sério quanto já fizemos. Jesus continua na mesma veia: (8:3) Já repetimos várias vezes antes que apenas fazes uma jornada que já terminou. A jornada para casa é “uma jornada sem distância para um destino que nunca mudou” (T8.VI.9:7). Nós vamos ver logo, mais uma vez, que não existe maneira de entendermos isso – um tema principal da lição. É importante, no entanto, que nós pelo menos reconheçamos o que é que não entendemos, e reconheçamos, também, que o que pensamos entender não faz sentido. Esse é o início da humildade, permitindo-nos partir para a “jornada que já terminou”. (9:1) Pois a unicidade tem que estar aqui. A unicidade não pode ser perdida nem ajustada. O ego nos diz, no entanto, que para alcançarmos nossa existência separada, a Unicidade foi destruída. Em nossos sonhos, nós de fato vagamos para um país distante de individualidade, mas a Unicidade da Divindade – Deus em unidade com Cristo – nunca mudou. Lembre-se dessa linda abertura de A canção da oração: A oração é a maior dádiva com a qual Deus abençoou Seu Filho na sua criação. Já era então o que deve vir a ser: a única voz que o Criador e a criação compartilham; a canção que o Filho canta ao Pai... O amor que eles compartilham é o que todas as orações virão a ser através de toda a eternidade, quando o tempo tiver terminado. Pois tal ela era antes que o tempo parecesse existir... O que Deus criou uno tem que reconhecer a própria unicidade e regozijar-se, pois o que as ilusões pareciam separar é uno para sempre na Mente de Deus (C-1.in.1:1-3,7-8; 2:3). O que nunca aconteceu não aconteceu. Assim, nossa culpa e medo são infundados, não precisando de defesas. O reconhecimento desse fato feliz é o cerne do perdão. (9:2) Qualquer que seja o momento que a mente tenha estabelecido para a revelação, ele é inteiramente irrelevante para o que tem que ser um estado constante, para sempre como sempre foi; permanecendo para sempre como é agora.

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A eternidade está sempre presente, e totalmente não afetada pelo sonho do tempo – poucos minutos ou poucos bilhões de anos não fazem diferença para uma ilusão: O que são cem ou mil anos para Eles, ou dezenas de milhares de anos? Quando Eles vêm, o propósito do tempo está cumprido. O que nunca existiu some no nada quando Eles vêm (T-26.IX.4:1-3). Assim, qualquer coisa que a mente tenha estabelecido é irrelevante, pois nossa escolha de nos lembrarmos da unicidade tem que ser ilusória uma vez que nunca a deixamos. Essas idéias deveriam ser um grande conforto, uma vez que elas nos dizem que, apesar do tormentoso desconforto de nossas vidas, elas continuam sendo parte de um sonho. Jesus não exige que aceitemos isso agora, dizendo apenas que vamos nos sentir melhor se o fizermos – mas não há pressa. Na verdade, qualquer momento em que experimentarmos Jesus, o Espírito Santo ou até mesmo Deus como nos pressionando, sabemos com certeza que é o nosso ego. Passagens como essa tornam claro que o tempo que leva para escolhermos a verdade não é importante. Portanto, por que Eles iriam criar um grande caso em relação ao que é irrelevante? A urgência que possamos sentir vem da nossa dor e desconforto – a necessidade do ego de tornar a ilusão real. (9:3) Nós apenas aceitamos o papel há muito designado e reconhecido plenamente como já tendo sido realizado com perfeição por Aquele Que escreveu o roteiro da salvação em Nome do Seu Criador e em nome do Filho do Seu Criador. Em “O pequeno obstáculo”, Jesus fala sobre o “diminuto tic-tac do tempo” – o instante ontológico no qual a separação pareceu acontecer – que continha todos os equívocos que resultaram desse diminuto tique-taque. Na verdade, o holograma completo do tempo e espaço é encontrado naquele instante original, que inclui também a correção de todas as formas de perdão que resultaram dele – o roteiro antigo do ego e seu desfazer através da correção do roteiro pela salvação: O tempo não durou senão um instante em tua mente, sem nenhum efeito sobre a eternidade. E assim todo o tempo é o passado e todas as coisas são exatamente como eram antes que fosse feito o caminho para o nada. O diminuto tic-tac do tempo no qual foi feito o primeiro equívoco e todos eles dentro desse único, também continha a Correção daquele equívoco e de todos os que vieram dentro do primeiro. E naquele instante diminuto o tempo desapareceu, pois isso foi tudo o que ele jamais foi. Aquilo a que Deus deu uma resposta foi respondido e desapareceu (T26.V.3:3-7). Esses roteiros são “o papel há muito designado”. Não é que Deus ou o Espírito Santo tenham designado essas partes. Fomos nós que cometemos o equívoco de estabelecer um relacionamento especial com Deus, e depois fragmentá-lo em relacionamentos especiais em nossas vidas pessoais. O pensamento de correção da Expiação está presente em nossas mentes também, e seu roteiro de salvação desfaz a insana versão do ego sobre a verdade. Nós simplesmente aceitamos uma sala de aula que nós estabelecemos, e agora escolhemos um Professor diferente para nos instruir. Mais uma vez, ninguém nos força a aprender. Jesus só espera nos convencer da nossa miséria, que vai permanecer enquanto retardarmos o aprendizado do seu perdão – nosso papel designado no roteiro da salvação. (10:1) Não há mais necessidade de esclarecer o que ninguém no mundo pode compreender.

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Encontramos outro exemplo de Jesus jogando pepitas metafísicas em nossos colos, e depois dizendo que nunca poderemos compreendê-las: não há maneira de uma mente separada poder compreender a ilusão do tempo, sem falar na realidade eterna. No entanto, podemos entender – o que ele está para nos dizer – como perdoar e escolher diferente dentro do sonho. Ensinar-nos isso é o único propósito e meta do Um Curso em Milagres. (10:2) Quando vem a revelação da tua unicidade, ela será conhecida e inteiramente compreendida. Até então, no entanto, você não vai conhecer a unicidade, e certamente não vai compreendê-la. No entanto, tudo o que é necessário é nossa boa vontade de sermos ensinados. Portanto, Jesus volta ao seu tema central de perdão e ao nosso “trabalho” de perdoarmos nossos relacionamentos especiais: (10:3-4) Agora temos um trabalho a fazer, pois aqueles que estão no tempo podem falar das coisas que estão além e escutar as palavras que explicam que aquilo que está por vir, já passou. Mas o que podem significar as palavras para aqueles que ainda contam as horas, que amanhecem e trabalham e vão dormir de acordo com elas? Isso inclui a todos nós, pois habitamos um mundo de espaço, governado pelo tempo: ficamos cansados em certos momentos, famintos em outros; nós marcamos os estágios de desenvolvimento do corpo por períodos temporais claramente demarcados. Na verdade, tudo aqui é governado pelo relógio. Quer gostemos disso ou não, é assim que o mundo e o corpo são estabelecidos, e o universo continua a existir. Portanto, enquanto nos identificarmos com o corpo, como poderíamos jamais entender a natureza ilusória e não-linear do tempo? (11:1) Basta, então, que tenhas trabalho a fazer para desempenhar a tua parte. Não é importante entender a metafísica, mas é importante aprender as lições que são baseadas nessa metafísica, pois é assim que voltaremos para casa. (11:2) O fim terá que permanecer obscuro para ti até que seja feita a tua parte. É por isso que o Um Curso em Milagres não é sobre o amor, Deus ou o Céu – Eles são o Fim, que permanece obscuro para nós -, mas sobre desfazer a culpa através do perdão, bem dentro da nossa capacidade de aprendizado. (11:3-4) Isso não importa. Pois a tua parte ainda é aquilo de que depende todo o resto. Uma lição posterior é intitulada “A salvação do mundo depende de mim” (LE-pI.186), o que é compreendido quando nos lembramos de que somos o Filho único de Deus. Jesus não quer dizer que nós, como indivíduos especiais, somos responsáveis pela salvação do mundo, que existe apenas dentro da mente única do Filho. Nós acreditamos que somos fragmentos separados, mas, quando nossas mentes são curadas, reconhecemos nossa unidade inerente, e percebemos que o universo físico é apenas uma projeção do pensamento de separação. Essa percepção compreende nossa função na Expiação, nossa parte em seu “plano” para salvar o mundo. (11:5) Ao aceitares o papel que te foi designado, a salvação vem a estar um pouco mais perto de cada coração incerto que ainda não bate sintonizado com Deus. Esse se torna um tema importante no resto da lição, assim como através de todo o livro de exercícios e o próprio Um Curso em Milagres. Quando nossas mentes são curadas no instante santo, nos tornamos um facho de luz que brilha na mente da Filiação, lembrando aos 204


outros fragmentos aparentes de que podem escolher como nós fizemos. Esses são os corações incertos que cantam notas dissonantes e batem em um ritmo distante que não está em harmonia com Deus. (12:1) O perdão é o tema central que corre por toda a salvação, mantendo todas as suas partes em relacionamentos significativos, tendo o curso que ela segue direcionado e o seu resultado seguro. O perdão, portanto, unifica nossa experiência – sem ele, nada aqui faz sentido; com ele, o mundo é transformado em uma sala de aula na qual aprendemos as lições da vida eterna. Nosso especialismo – feito para odiar, matar e morrer – se torna a fonte do nosso despertar para o amor: A graça de Deus descansa gentilmente em olhos que perdoam e todas as coisas para as quais eles olham falam de Deus a quem as contempla. Ele é incapaz de ver qualquer mal; nada há no mundo para ser temido e pessoa alguma é diferente dele. E assim como ele as ama, do mesmo modo olha para si mesmo com amor e gentileza. Ele não condenaria a si mesmo por seus equívocos assim como não quer amaldiçoar um outro. Não é um árbitro da vingança, nem alguém que puni pecados. A benignidade do seu modo de ver repousa nele mesmo cm toda a ternura que oferece aos outros. Pois ele quer apenas curar e abençoar. E estando de acordo com o que Deus quer, tem o poder de curar e de abençoar todos aqueles que ele contempla com a graça de Deus sobre tudo o que vê (T-25.VI.1). (12:3) A experiência que a graça proporciona terá fim no tempo, pois a graça prenuncia o Céu, ainda que não substitua o pensamento do tempo a não ser por um breve período. A graça não acaba com o mundo, mas leva ao “breve período” do instante santo, prenunciando o Céu. (13:1-2) O intervalo basta. Nele são colocados os milagres para serem devolvidos por ti, dos instantes santos que recebes através da graça na tua experiência, a todos que vêem a luz remanescente na tua face. Essa idéia é explicada com mais detalhes na Lição 184. Nossa função – mesmo dentro da experiência em um mundo temporal e espacial – é a de irmos a um lugar quieto em nossas mentes, onde Jesus está. Repletos da sua paz, voltamos nossa atenção ao mundo, agora visto a partir de uma nova perspectiva. A luz se irradia desse instante santo da mente certa, e ainda que alguns possam não abraçá-la, eles não podem deixar de responder ao que é percebido como algo novo e diferente em nós. (13:3) O que é a face de Cristo, senão a daquele que foi por um momento para a intemporalidade e trouxe, para abençoar o mundo, um claro reflexo da unidade que sentiu há apenas um instante? “A face de Cristo” simboliza a inocência do Filho de Deus. No Um Curso em Milagres, somos solicitados a vivermos no mundo, mas percebendo que não somos dele. O desafio de ser um estudante desse curso é tirar a ênfase do que parece ser importante e valioso aqui, e enfatizar o que é realmente valioso: a Presença misericordiosa do Espírito Santo em nossas mentes. Assim, somos capazes de estar plenamente presentes para os outros, mas de uma forma diferente. Em vez de sermos uma sombra de ódio, separação e ataque, refletimos a paz intemporal do amor. Portanto, somos solicitados a, junto com nossos irmãos, iluminarmos o mundo escurecido, com a luz brilhante do perdão e Amor de Cristo: 205


E assim, tu e o teu irmão estais aqui nesse lugar santo, diante do véu do pecado que pende entre vós e a face de Cristo. Permite que ele seja erguido! Levanta-o junto com o teu irmão, pois é apenas um véu que está entre vós... Pensa no que acontecerá depois. O amor de Cristo iluminará a tua face e brilhará a partir dela sobre um mundo escurecido que necessita de luz. E deste lugar santo, Ele retornará contigo, sem deixar o mundo e sem deixar-te. Tu virás a ser o Seu mensageiro, devolvendo-O a Si Mesmo (T-22.IV.3:1-3,6-9). (13:4) Como poderias enfim atingi-la para sempre, enquanto uma parte de ti mesmo permanece do lado de fora, sem saber, sem despertar e precisando de ti como testemunha da verdade? Jesus nos pede para considerarmos como poderíamos voltar para casa enquanto nos identificarmos com uma parte separada de nossas mentes, manifestando-se como um corpo. O “você” ao qual ele apela – “precisando de ti como testemunha da verdade” – é o tomador de decisões na mente que se uniu ao Espírito Santo, e que está refletido em nossa presença no mundo. No entanto, não existe maneira de podermos retornar a um lugar sem forma e sem tempo enquanto nossa identificação for com um corpo, enraizado no tempo e espaço. (14:1-2) Sê grato por retornar, assim como ficaste contente em ir por um instante e aceitar as dádivas que a graça te proveu. Tu as carregas de volta para ti mesmo. Tome cuidado com uma atitude de egoísmo espiritual, na qual você se importa apenas com suas maravilhosas experiências da presença de Jesus, que você gostaria de manter para si mesmo. Se o fizer, não foi a experiência dele que você experimentou. Para ser real, seu amor não-exclusivo tem que ser estendido, e esse é o ponto de Jesus aqui – nosso ser é o ser do Filho único de Deus. Você, portanto, deveria ser grato de estar no mundo, porque terá aprendido que não está no mundo separado de especialismo e corpos. Portanto, você não vai mais odiar estar aqui, porque seu corpo vai servir a um propósito diferente – lembrar a seus irmãos e irmãs de que eles cometeram um equivoco, e podem voltar para casa simplesmente mudando suas mentes. Isso, por seu lado, reforça a mesma mudança em você mesmo, baseado na mudança de atitude de se identificar menos com seu ser corporal e mais com o Pensamento de Amor de Deus que você realmente é. Essa mudança não acontece da noite para o dia, mas sua experiência no mundo começa a mudar. Em vez de se sentir aprisionado no corpo, você vê o mundo como uma sala de aulas na qual você se torna um reflexo e extensão do seu Professor, ao mesmo tempo em que aprende com Ele. Esse é o foco da aplicação do Um Curso em Milagres em geral, e dessas lições especificamente. (14:3) E a revelação não está muito atrás. Isso reflete a já mencionada fórmula no Um Curso em Milagres: Você vê a face de Cristo em seu irmão e se lembra de Deus. Ao aprendermos a ver a verdadeira face de inocência de outra pessoa, a vemos em nós mesmos. Assim, o sistema de pensamento do ego é desfeito, permitindo que Deus dê o último passo, conforme nos lembramos do Seu Amor. Esse é o significado de “a revelação não está muito atrás”. Como Jesus diz no texto: A face de Cristo é contemplada antes do Pai ser lembrado. Pois Ele tem que continuar sem ser lembrado enquanto o Seu Filho não tiver alcançado o que está além do perdão, o Amor de Deus. Entretanto, o Amor de Cristo é aceito antes. E então virá o conhecimento de que Eles são um só (T-30.V.7:5-8).

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(14:4-6) A sua vinda está assegurada. Pedimos a graça e a experiência que vem da graça. Damos boas-vindas à liberação que ela oferece a todos. A experiência não oferece liberação apenas a mim. Se eu realmente for liberado, o que significa que liberei o sistema de pensamento da separação, todos têm que ser liberados também, porque o Filho de Deus é um. Mais uma vez, isso não pode ser entendido de uma perspectiva fragmentada, como a que temos aqui, mas apenas quando suspendemos nossa crença na separação e percebemos a natureza da verdadeira completeza. (14:7-9) Não pedimos o que não pode ser pedido. Não olhamos para o que está além do que a graça pode dar. Pois isso podemos dar na graça que nos foi dada. Nós damos a graça porque a aceitamos dentro de nós mesmos, e não pulamos os passos do perdão que nos leva para casa. (15) A meta do nosso aprendizado de hoje não excede essa oração. No entanto, no mundo, o que poderia ser mais do que aquilo que pedimos nesse dia Àquele Que dá a graça que pedimos, como ela Lhe foi dada? Pela graça vivo. Pela graça sou liberado. Pela graça dou. Pela graça vou liberar. Dar e receber são o mesmo, e nós pedimos apenas o que já está presente em nós. Portanto, pedimos ajuda para aceitarmos os meios que nos capacitam a aceitar a verdade que está aqui. Os meios de atingir tal aceitação é o perdão, o propósito desta e de todas as lições que Jesus gostaria que aprendêssemos e ensinássemos.

LIÇÃO 170 Não há crueldade em Deus e nem em mim. 207


Essa é outra lição importante, onde Jesus volta a uma discussão sobre a estratégia do ego que culmina em seu arsenal de defesas. A lição, portanto, é similar à que discutimos antes, nas Lições 135, 136 e 153 – “Se eu me defendo, sou atacado”, “A doença é uma defesa contra a verdade” e “Minha segurança está em ser sem defesas” – que expõem o uso que o ego faz das defesas para manter sua existência. Devemos revisar brevemente alguns conceitos-chave como uma introdução. Quando escolhemos originalmente o ego em vez do Amor de Deus, a separação em vez da Expiação, tomamos uma decisão pela individualidade, em vez de pela unidade. O ego temia que reconhecêssemos nosso equívoco e mudássemos nossa decisão, fazendo com que ele desaparecesse em sua própria nulidade. Para impedir que isso acontecesse, o ego delineou uma estratégia de duas frentes – um escudo duplo – levando ao estado de ausência de mente. Isso assegurou que, sem consciência da mente, nunca pudéssemos mudá-la. O primeiro escudo do ego é o pecado, culpa e medo, dentro dos quais somos miseráveis pecadores, cuja culpa merece punição e, portanto, tememos o Deus irado Que vai nos destruir. Isso necessita de um segundo escudo do mundo e do corpo, nos quais o sistema de pensamento do ego é projetado no mundo, estabelecendo nossos corpos como vítimas inocentes dos pecados de outros. Com efeito, esses pecadores são as figuras de autoridade – aqueles que percebermos como tendo poder sobre nós – que encontramos através de nossas vidas como símbolos da vingança de Deus, roubando de nós nossa posse mais preciosa de todas: nosso ser especial. Se não formos cuidadosos, o ego nos avisa, Deus vai se precipitar para baixo e esmagar nossas defesas, deixando-nos vulneráveis à Sua punição brutal e vingativa. Expresso na linguagem da lição, o ego nos acusa primeiro de sermos cruéis por termos destruído Deus. Nós separamos isso e o projetamos e, portanto, Deus se torna aquele que é cruel. Como vamos ver em nossa discussão, esse é o modelo da deidade bíblica, que é freqüentemente percebida como agindo de maneiras caprichosamente cruéis. Ele não chega a dizer que isso não tem nada a ver com o verdadeiro Criador, mas com a projeção do que primeiro acreditamos ser nossa própria crueldade viciosa. Esse arquétipo do deus do ego se divide em bilhões de fragmentos, deixando que todos nesse mundo sejam percebidos como direta ou potencialmente cruéis; os primeiros são nossos ódios especiais e os últimos, nossos amores especiais. (1:1-3) Ninguém ataca sem a intenção de ferir. Isso não pode ter exceção. Quando pensas que atacas em auto-defesa, queres dizer que ser cruel é uma proteção, que estás a salvo por causa da crueldade. Jesus, portanto, expõe o mito da face da inocência, tipicamente expresso como: eu não tive escolha além de atacar, pois você atacou primeiro, ou ameaçou atacar, e se eu não me defender, você vai atacar a mim, aos meus amados, ao meu país, ou aos grupos com os quais me identifico. No entanto, isso não é inocente, mas ataque com “intenção de ferir”, e, portanto, cruel. Nós dizemos, com efeito, que o que nos protege dos vilões do mundo é a crueldade. Lembre-se de Hamlet, onde o príncipe diz à sua mãe: “Eu tenho que ser cruel apenas para ser benigno” (III,iv). No entanto, você não pode ser benigno se for cruel. Pensar que pode é ouvir o racionalismo do ego, cuja expressão clássica é um pai dizendo a uma criança: “Isso machuca mais a mim do que a você” (T-3.I.2:7). Assim, Jesus traz ao nosso escrutínio o sistema de pensamento de ataque e defesa do ego, cujo cerne é a separação – eu não defenderia a mim mesmo a menos que primeiro tenha percebido você como separado de mim. Portanto, sei que estou em meu ego, pois a verdade de Deus e de Seu Filho é a perfeita Unicidade, na qual não existe separação e, portanto, nenhum ataque. É irrelevante se percebo você como me atacando ou vice e versa, pois de qualquer forma, eu me identifiquei com o sistema de pensamento de separação, fragmentação e ataque. Nós, portanto, protegemos nossa identidade com crueldade e ataque, refletindo o momento original no qual acreditamos que a única maneira de podermos proteger nossa 208


recém-adquirida individualidade era atacar a perfeita Unicidade de Deus e destruir Seu Amor. Uma vez que essa é a origem do sistema de pensamento do ego, e idéias não deixam sua fonte, nós somos a idéia daquela fonte: atacar para proteger a separação. Não deveria ser surpresa, portanto, que nosso comportamento seja baseado no ataque e defesa, que nós tentamos camuflar invocando nossas necessidades de sobrevivência: nós atacamos, destruímos e canibalizamos outros organismos vivos para que possamos viver, defendendo essas ações por afirmarmos que não temos escolha. Temos que ser cruéis com a vaca, o peixe ou a cenoura. Se não fizermos isso, morreremos. O pensamento arquetípico subjacente à existência, portanto, é que se eu não destruir Deus, me apoderar do Seu poder, e usurpar Seu papel, não vou sobreviver. Uma vez que minha sobrevivência vem primeiro, me sinto justificado no que faço. É isso o que toda “coisa viva”, enclausurada em um corpo, encena nesse mundo. Esse é o cerne do sonho, cujo cerne é o medo da nossa morte e perda do nosso ser: Pois cada sonho não é senão um sonho de medo, não importa que forma pareça tomar. O medo é visto dentro, fora, ou em ambos os lugares. Ou pode estar disfarçado em uma forma agradável. Mas nunca está ausente do sonho, pois o medo é a matéria prima dos sonhos, da qual todos são feitos. A sua forma pode mudar, mas não podem ser feitos de nenhuma outra coisa (T-29.IV.2:2-6). Para repetir: Com o medo vem o pensamento de que se eu não fizer algo, serei destruído. Portanto, estou justificado em atacar outros, o que Jesus nos diz para não defendermos nem chamarmos de nomes bonitos: ataque é ataque, é ataque, e é sempre cruel – uma tentativa de colocar nossas necessidades em cima de outra pessoa, e depois justificar nossas ações por invocar a face da inocência. (1:4-5) Queres dizer que acreditas que ferir o outro te traz liberdade. E queres dizer que atacar é trocar o estado em que te encontras por algo melhor, mais seguro e protegido de invasões perigosas e do medo. Minha crença é a de que eu serei livre do aprisionamento do mundo se atacar outra pessoa. Portanto, justifico o ataque por afirmar que meu propósito não é ferir outra pessoa, mas preservar o meu ser. Essa justificativa vai ao cerne da política externa de todo país – passada, presente e futura: estamos justificados em nos defendermos contra outras nações porque se não o fizermos, seremos aniquilados. Nações operam dessa forma porque são compostas de indivíduos que operam dessa forma. O sistema de pensamento do ego é um, quer você esteja falando de um paramécio ou de um governo. É útil considerarmos como nossas vidas diárias exemplificam isso, pois estamos em um perpétuo estado de medo, falta e privação, acreditando que por canibalizarmos outros – amor ou ódio especial -, estaremos melhor: mais seguros e felizes. E, no entanto, estamos enganados: O que tu projetas, desaproprias e, portanto, não acreditas que seja teu. Tu estás te excluindo por te julgares diferente daquele sobre o qual projetas. Já que também julgaste contra o que projetas, continuas atacando-o porque continuas a mantê-lo separado. Fazendo isso inconscientemente, tentas manter o fato de que atacaste a ti mesmo fora da tua consciência e assim imaginas teres te posto a salvo (T-6.II.2). Nós agora vemos como essa estratégia do ego reforça o sistema de pensamento de medo que estamos tentando desfazer: (2:1-3) Como é inteiramente insana a idéia de que defender-te do medo é atacar! Pois é assim que o medo é procriado e alimentado com sangue, para fazê-lo crescer, inchar e enfurecer-se. Assim o medo é protegido e é impossível escapar. 209


O ego nos diz que a forma de escaparmos do medo na mente é projetá-lo, fazendo um mundo no qual o pecado é visto externamente. Ao projetarmos, no entanto, conseguimos apenas a troca do medo interno pelo externo, dessa forma não ganhando nada. Uma vez que o ego nos levou a esquecer a mente da qual nos separamos, não temos recordação de que viver em medo corporal – física e psicologicamente – é uma defesa contra o medo interno. Estamos conscientes apenas da vulnerabilidade repleta de medo que experimentamos como corpos. Se pudéssemos nos lembrar de que a projeção é uma solução do ego para o medo na mente, iríamos saber que esse mundo não faz sentido, pois não ganhamos nada por fazê-lo. Mais uma vez, o ego nos faz esquecer sua estratégia para que não tenhamos consciência de que o que fazemos é uma defesa mal-adaptada e ineficiente contra um problema que nunca é resolvido. De fato, o problema é tão inteligentemente protegido pela projeção que não escapamos de sua premissa subjacente e ilusória de separação e punição: Entretanto, a projeção sempre vai ferir-te; ela reforça a tua crença em tua própria mente dividida e seu único propósito é manter a separação. É apenas um instrumento do ego para fazer com que te sintas diferente dos teus irmãos e separado deles... Projeção e ataque estão inevitavelmente relacionados porque a projeção é sempre um meio de justificar o ataque. Raiva sem projeção é impossível. O ego usa a projeção só para destruir a tua percepção tanto de ti próprio quanto de teus irmãos. O processo começa com a exclusão de algo que existe em ti, mas que não queres, e te conduz diretamente a excluir-te dos teus irmãos (T-6.II.3:1-3,5-8). Assim, nosso medo interno de que Deus vai nos destruir – nascido da nossa crença no pecado – é vivido de forma externa às nossas mentes, no corpo. Nascemos em um estado de medo, e, se um bebê não é alimentado e cuidado logo depois de nascer, entra em pânico e morre. O corpo é estabelecido para o que chamamos de início ao fim da vida para produzir medo, levando-nos a criar defesas mal-adaptadas, nenhuma das quais funciona. Lembre-se da linha no texto; “defesas fazem aquilo contra o que deveriam se defender” (T-17.IV.7:1). O propósito das defesas é nos proteger do medo, mas elas meramente o reforçam. Isso estabelece um círculo vicioso, mas sem memória da origem do problema, não há meio de podermos resolvê-lo. É por isso que o corpo de ninguém é verdadeiramente curado, e nenhum problema no mundo é realmente resolvido: ninguém vai à fonte do problema – a decisão da mente de estar por conta própria. Assim, a culpa em relação ao nosso ataque inevitavelmente produz o medo de que outros vão nos atacar, o que inevitavelmente requer a defesa do contraataque. E assim por diante, como já vimos: É por isso que aqueles que projetam são vigilantes em favor de sua própria segurança. Eles têm medo de que suas projeções retornem e os firam. Acreditando que apagaram as suas projeções de suas próprias mentes, acreditam também que as suas projeções estão tentando voltar a introduzirem-se nela de modo furtivo. Uma vez que as projeções não deixaram a suas mentes, eles são forçados a engajarem-se em uma atividade constante de forma a não reconhecer isso (T7.VIII.3:9-12). (2:4-6) Hoje, aprendemos uma lição que pode poupar-te mais atrasos e misérias desnecessárias do que podes imaginar. É isso: Fazes aquilo contra o qual te defendes e, pela tua própria defesa, fazes com que seja real e inescapável. O próprio fato de eu me defender contra o medo afirma sua realidade, de outra forma, eu não precisaria de defesa. No entanto, a defesa não me protege do medo, como discutimos 210


acima, mas simplesmente reforça sua memória. Agora fortalecido em minha mente, o medo requer a defesa dos relacionamentos especiais, os quais, por seu lado, me tornam amedrontado. E por aí eu vou. (2:7) Abaixa as tuas armas, e só então perceberás que [o medo] é falso. Jesus pede uma atitude de ausência de defesas: “Abaixa as tuas armas”. Ele não fala de mudarmos o comportamento, mas a atitude: a mudança de acreditarmos que a sobrevivência vem à custa de alguém mais, para entender que só os interesses compartilhados vão nos proteger. Essa mudança da defensividade para a ausência de defesas resulta de examinarmos as premissas subjacentes do ego, que não fazem sentido e não funcionam. Lembre-se da sexta característica de um professor avançado de Deus: ... defesas não passam de tolos guardiões de ilusões loucas. Quanto mais grotesco o sonho, mais firmes e poderosas aparentam ser as suas defesas. No entanto, quando o professor de Deus finalmente concorda em olhar para o que vem depois delas, descobre que ali não havia nada... Não é o perigo que vem quando se abre mão das defesas. É a segurança. É a paz. É a alegria. E é Deus (MP-4.VI.1:6-8,1115). (3) Parece que atacas o inimigo que está do lado de fora. Mas a tua defesa estabelece um inimigo do lado de dentro, um pensamento alheio lutando contra ti mesmo, privando-te de paz e dividindo a tua mente em dois campos que parecem ser totalmente irreconciliáveis. Pois agora o amor tem um “inimigo”, um oposto; e o medo, o estranho, precisa agora da tua defesa contra a ameaça do que realmente és. Inimigo está entre aspas porque o amor não pode ter inimigos – a projeção não pode estabelecer o que é real. Nos próximos poucos parágrafos, Jesus descreve a projeção sem usar a palavra, explicando como um Deus amoroso se torna uma imagem de vingança e crueldade – a mudança do ego de seus atributos para Outro. Essa distorção do amor reverte os campos da mente, com as características de inocência e segurança investidas no ego, e o ódio e o medo no amor. Assim o ego diz ao Filho: “Venha comigo e eu vou protegê-lo, pois eu sou sua esperança, segurança e vida. Vá com Deus e você será destruído, pois o amor deve ser temido”. O amor, portanto, se transforma no ego, e nosso “inimigo” se torna nosso amigo. Jesus está nos dizendo que parece existir um inimigo externo: nossos objetos de amor e ódio especial. No entanto, tudo o que fazemos é reforçar a divisão dentro de nossas mentes entre Deus e o ego. Fora de mim, vejo pecado e inocência, comigo sendo a vítima inocente e você o pecador. No entanto, isso é apenas a projeção da mente dividida, na qual percebo a mim mesmo como o Filho inocente que está para ser destruído pelo Pai cruel e vingativo. O próprio fato de eu ter tornado a defesa real – o mundo e o corpo – me diz que existe um perigo em minha mente que exige proteção. Esse é o significado de “tua defesa estabelece um inimigo do lado de dentro” – os “dois campos” – o que parece ser amor é medo. Dentro da mente errada, o que é chamado de amor não é amor de forma alguma, mas uma imagem de crueldade, enquanto a memória amorosa do verdadeiro Deus repousa seguramente na mente certa, esperando que nós a escolhamos. No entanto, não é nem esse amor nem a crueldade o que vemos, pois percebemos a crueldade do lado de fora – em outra pessoa -, tornando-nos os inocentes que querem apenas amar. Nossas projeções realmente fazem nossa percepção: Tu vês o que esperas e esperas o que convidas. A tua percepção é o resultado do teu convite, vindo a ti em função do que pediste... Dois modos de olhar para o mundo estão na tua mente e a tua percepção vai refletir a orientação que escolheste... Lembra-te sempre que vês aquilo que buscas, pois o que buscas, tu acharás. O ego acha o que busca e só isso... Conforme olhas para dentro, escolhes 211


o guia para o teu modo de ver. E então olhas para fora e contemplas as suas testemunhas. É por isso que achas o que buscas. O que queres em ti mesmo tu farás com que seja manifestado e o aceitarás do mundo, porque o puseste lá por querer que fosse assim. Quando pensas que estás projetando o que não queres, ainda assim é porque, de fato, o queres... A mente, então, vê um mundo dividido fora de si mesma, mas não dentro (T-12.VII.5:1-2,6; 6:3-4; 7:2-6,8). Assim, você mantém a culpa que secretamente quer, mas finge que ela está em outro. Seu ego venceu mais uma vez: você preserva seu ser separado, mas alguém mais paga o preço por ele, conforme você luta para: ... punir os pecados que pensas serem teus em uma outra pessoa. E assim, ele vem a ser a tua vítima, não o teu irmão, diferente de ti por ser mais culpado, assim necessitando que tu o corrijas por seres mais inocente que ele (T-27.II.11:3-4). (4:1) Se considerares cuidadosamente os meios pelos quais a tua auto-defesa inventada procede em seus caminhos imaginários, perceberás as premissa em que se baseia a idéia. Nosso sistema defensivo de culpa e ódio não é real, mas fantasiado e imaginado. Isso inclui o universo físico e nossa identificação corporal dentro desse universo. Jesus nos lembra de que isso é inventado, como nos recordamos dessa importante passagem: O que aconteceria se reconhecesses que esse mundo é uma alucinação? O que aconteceria se compreendesses realmente que o inventaste? O que aconteceria se te desses conta de que aqueles que parecem perambular sobre ele para pecar e morrer, atacar e assassinar e destruir a si mesmos, são totalmente irreais? Poderias ter fé no que vês, se aceitasses isso? E queres ver isso? (T-20.VIII.7:3-7). A primeira dessas premissas é o que vimos na Lição 167: (4:2) Primeiro, é óbvio que as idéias têm que deixar a sua fonte, pois és aquele que faz o ataque e não podes deixar de tê-lo concebido antes. O Filho acredita na história do ego de que ele se separou de Deus: “Você é uma idéia na Mente de Deus, e adivinhe só: você se separou da sua Fonte e agora existe fora Dela”. Esse é o primeiro ataque perpetrado por nós – não por Deus – que nos identificamos com o Filho separado de Deus. Logo no início do texto, Jesus resume “o que de fato ocorreu na separação, ou seja, o ‘desvio para o medo’” (T-2.I.2:1) – quando as idéias pareceram deixar sua fonte: Primeiro, acreditas que o que Deus criou pode ser mudado pela tua própria mente. Segundo, acreditas que o que é perfeito pode ser tornado imperfeito ou falho. Terceiro, acreditas que podes distorcer as criações de Deus, inclusive a ti mesmo. Quarto, acreditas que podes criar a ti mesmo e que a direção da tua própria criação depende de ti (T-2.I.1:9-12). (4:3) Mas atacas o que está fora de ti e separas a tua mente daquele que deverá ser atacado, com fé perfeita de que a divisão que fizeste é real. Conforme o ego começa a desenvolver sua estratégia defensiva, ele pega o pecado da mente – nossa auto-acusação de termos atacado Deus – o separa de tal forma que agora existem duas figuras aparentes na mente: o Filho inocente e o Pai cruel e pecador. Nós temos “fé perfeita” de que a divisão é real, porque não temos consciência do que fizemos. O mundo cruel ao qual o ego nos levou se torna a realidade, pois, uma vez que projetamos nosso 212


pecado em um Deus punitivo, nos esquecemos do pecado da crueldade, originado em nós mesmos, cientes apenas da crueldade que está fora de nós, em uma deidade furiosa. Insanamente, pensamos que nossa segurança e proteção estão em acreditarmos nisso. Para recapitularmos, as características do amor foram roubadas pelo ego e se estabeleceram no ser inocente que agora acredito ser eu mesmo, enquanto o tempo todo meu pecado foi dividido e visto nessa figura projetada de crueldade. (5:1-2) Em seguida, os atributos do amor são conferidos ao “inimigo” do amor. Pois o medo vem a ser a tua segurança e o protetor da tua paz, ao qual te voltas esperando consolo, e procurando escapar das dúvidas em relação à tua força, e buscando a esperança do repouso numa quietude sem sonhos. Vendo as mentiras do ego como verdade, nos voltamos para o especialismo em busca de proteção e consolo. Quando estamos transtornados, não buscamos ajuda ou conforto no amor de Jesus, mas no mundo de ídolos. Por exemplo, nós tornamos as palavras do Curso santas e buscamos conforto nelas, sem irmos além delas, até seu significado. Vamos ver, em uma lição posterior, os pensamentos de Jesus sobre as palavras; por enquanto, vamos mencionar que sua importância repousa apenas no local para onde elas nos levam. No entanto, se temermos o significado das suas palavras, vamos usá-las como substitutos – ídolos – para o processo de perdão que elas simbolizam: Não deixes que a forma dos ídolos te engane. Eles são apenas substitutos para a tua realidade. De algum modo, tu acreditas que completarão o teu pequeno ser, dando-te segurança em um mundo percebido como perigoso, com forças concentradas contra a tua confiança e a paz da tua mente (T-29.VIII.2:1-3). Portanto, aplique essas linhas quando você precisar de conforto, observando a tentação de correr para o especialismo em vez disso, tendo ouvido o conselho do ego de que o escape da ansiedade e do medo vem dele mesmo, e não do amor que vai destruir você. É essencial aplicar esses ensinamentos abstratos de formas muito específicas; de outra forma, os ídolos do especialismo vão permanecer. E agora, o outro lado: (5:3) E, ao despojares o amor do que pertence a ele, e só a ele, o amor é dotado dos atributos do medo. O amor é nossa verdadeira segurança, pois ele é nossa verdadeira Identidade. Conforme o amor é removido desse Ser, no entanto, o egoísmo e a crueldade intrínsecos ao sonho de separação do ego encontram seu lar no amor, que então acaba dotado com os atributos do medo. (5:4-6) Pois o amor te pediria que te despojasses de todas as tuas defesas como mera tolice. E as tuas armas na verdade se desfariam em pó. Pois é o que são. Assim, temos medo de Jesus e do seu amor. Em sua presença, iríamos baixar nossas defesas, deixando de lado nossa identificação com o universo físico como nosso lar, e o corpo como nosso ser. Para nos protegermos desse fim à nossa existência, o ego diz: “Eu sou seu amigo, o Espírito Santo é o seu inimigo”. Agora, os atributos do ego são vistos no amor: o perigo não é a culpa, mas o amor, e a verdadeira segurança é encontrada no medo. Lembre-se dessa importante passagem do texto, que descreve nosso medo insano e inacreditável do amor:

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Construíste todo o teu insano sistema de crenças porque pensas que ficarias indefeso na Presença de Deus e queres salvar a ti mesmo do Seu Amor porque pensas que ele te esmagaria no nada. Tens medo de que ele te varra para longe de ti mesmo e te faça pequeno, porque acreditas que a magnitude está no desafio e que o ataque é grandioso. Pensas que fizeste um mundo que Deus quer destruir e amando-O como tu O amas, jogarias fora esse mundo, o que, de fato, farias. Portanto, usaste o mundo para encobrir o teu amor e quanto mais te aprofundas no negror do fundamento do ego, mais perto chegas do Amor que lá está escondido. E é isso o que te assusta (T-13.III.4). (6:1) Com o amor como inimigo, a crueldade tem que vir a ser um deus. Isso é assim porque a crueldade mantém o amor distante. Mais uma vez, eu justifico meu ataque ao amor dizendo que se não o fizer, serei destruído. Não posso ser íntimo de ninguém, sem falar em perdoar, pois fazer isso certamente significa perder meu ser individual e especial, e então, mantenho os outros longe de mim através do ataque. Assim, a crueldade se torna o meu deus, como essa passagem descreve: E então a Vontade de Deus estaria partida em duas e toda a criação estaria sujeita às leis de dois poderes opostos, até que Deus se tornasse impaciente, partisse o mundo em dois e relegasse o ataque a Si Mesmo. Nesse caso, Ele de fato teria enlouquecido, proclamando que o pecado usurpou a Sua realidade e afinal trouxe o Seu Amor para ser depositado aos pés da vingança (T-26.VII.7:4-5). (6:2) E os deuses exigem que aqueles que os adoram obedeçam aos seus ditames e recusem-se a questioná-los. Note a importante declaração: “se recusa a questioná-los”. O ego assegura que nunca vamos questioná-lo por fazer com que um véu de amnésia caia sobre nossas mentes no instante em que seguramos sua mão. Como resultado disso, nos esquecemos da estratégia do ego. Se soubéssemos que o universo físico e nossos nascimentos nele são literalmente um pensamento que disse, “É isso o que mantém o Amor de Deus longe de mim”, ninguém iria prestar atenção a esse mundo. E, enquanto esse pensamento estiver escondido, nunca vamos perceber que o significado de estar em um corpo é limitar o amor, e, assim, nos limitarmos. Lembre-se dessas linhas importantes: Pois o corpo é um limite para o amor. A crença no amor limitado foi a sua origem e ele foi feito para limitar o ilimitado. Não penses que isso é apenas alegórico, pois ele foi feito para limitar a ti (T-18.VIII.1:2-4). Dito de outra forma, o propósito do corpo é atacar Deus e negar Seu Amor. Inconscientes disso, buscamos o amor aqui, sinceramente acreditando que vamos encontrá-lo. No entanto, Jesus rasga o véu que esconde a estratégia do ego para que possamos vê-la claramente e escolher contra ela. Na verdade, o ego dispõe todas as suas forças contra nosso alcance dessa visão, invocando o medo de Deus para dissuadir nossa união com Jesus em seu caminho de perdão, como lemos nessa passagem descrevendo uma forma que esse estranho deus assume – doença: Os rituais do deus da doença são estranhos e muito exigentes.... A aliança à negação de Deus é a religião do ego. O deus da doença obviamente exige a negação da saúde, pois a saúde está em oposição direta à sua própria sobrevivência... A blasfêmia é, então, auto-destrutiva e não destruidora de Deus. Ela significa que tu estás disposto a não conhecer a ti mesmo para estar doente. Esse é 214


o oferecimento que o teu deus exige porque, tendo-o feito a partir da tua própria insanidade, ele é uma idéia insana. Ele tem muitas formas, mas embora possa parecer ser muitas coisas diferentes, não é senão uma idéia: a negação de Deus (T10.V.1:1; 3:1-2,5-8). (6:3) A punição severa é o quinhão inexorável daqueles que perguntam se as exigências são razoáveis, ou até mesmo sãs. É aí que o ego se torna cruel. Se nós começarmos a nos identificar com o sistema de pensamento do Espírito Santo, questionaremos se as exigências de crueldade do ego são realmente “razoáveis, ou até mesmo sãs”. O aviso do ego, no entanto, sobe à superfície: “Se você ouvir esse curso e me questionar, logo sacrificará sua identidade”. Nesse momento, o terror golpeia nossos corações com a “punição severa” que será nosso “quinhão inexorável”. Nós tememos perder nosso ser e fugimos para o ego em busca de conforto. Se a dor é uma defesa contra o Amor de Deus – como já vamos ver na Lição 190 -, ela se torna nossa amiga, e nós adoramos sua crueldade como nosso deus. Quer eu inflija dor a você ou a mim mesmo é irrelevante. De qualquer forma, mantenho o amor longe de mim – a meta do ego. (6:4) Seus inimigos, sim, são insensatos e insanos, mas eles próprios são sempre misericordiosos e justos. Nós pensamos que os inimigos do ego são insanos, o que inclui Jesus e seu curso. Eles são insensatos, exigentes e não fazem sentido, e nós estávamos muito melhor antes de termos colocado os olhos nele e nos seus livros. Quase todos os estudantes sabem a respeito do que estou falando. Se você não souber, há chances de existir algo faltando em sua prática do Curso, pois o medo de perder sua identidade especial vai inevitavelmente levá-lo a questionar a verdade dessas palavras e do seu professor. Portanto, você quer estar ciente desse truque do ego de forma que se e quando ele começar com isso, você possa dar um passo atrás e dizer: “Ah, isso é exatamente o que meu ego faria mesmo”. Quando você começar a duvidar da sanidade e sensatez do Um Curso em Milagres e colocar seu sistema de pensamento acima dele, saberá que existe algo muito errado, o que deveria ajudá-lo a reconhecer as profundezas da sua insanidade. (7:1) Hoje contemplamos sem emoção esse deus cruel. Aprender a olhar para o ídolo cruel de especialismo do ego que fizemos como substituto para a verdade é o significado do perdão. No entanto, precisamos olhar “sem emoção” para esse sistema de pensamento, o que significa sem paixão, julgamento ou culpa, como essas duas passagens descrevem: Tens que olhar para as tuas ilusões e não mantê-las escondidas, porque elas não se baseiam em um fundamento próprio. Estando ocultas parecem fazê-lo e assim aparentam manter-se por si mesmas. Essa é a ilusão fundamental sobre a qual repousam as outras (T-13.III.6:1-3). Não tenhas medo de olhar para o relacionamento especial de ódio, pois a liberdade está em olhar para ele. Seria impossível não conhecer o significado do amor exceto por isso. Pois o relacionamento especial de amor, no qual está escondido o sentido do amor, é empreendido somente para fazer com que o ódio não seja visto, mas não para deixar que ele se vá. A tua salvação despontará com clareza diante dos teus olhos abertos à medida que olhares para isso... é essencial trazê-lo para ser visto e não fazer nenhuma tentativa de escondê-lo (T-16.IV.1:1-4,7). 215


Portanto, nessa única sentença do livro de exercícios, você encontra um adorável resumo desse processo: Você olha para a crueldade do ego sem emoção – sem julgamento. (7:2) E observamos que, embora os seus lábios estejam manchados de sangue e embora pareça lançar chamas de fogo, é apenas feito de pedra. Pense no ego irado como uma estátua, o que você não pode fazer sem liberar o investimento em ver a crueldade fora de você. Perceba que essa estátua é uma imagem projetada de uma imagem ilusória na sua mente, e se a imagem na mente é inventada, o objeto projetado tem que ser inventado também. (7:3-5) Não pode fazer nada. Não precisamos desafiar o seu poder. Ele não tem nenhum. É por isso que você não precisa atacar um inimigo, pois, quando o faz, o torna real e dá a ele um poder que ele não tem. O amor, portanto, não se opõe; ele simplesmente aceita a verdade, como lemos: Como é que alguém supera ilusões? Com certeza não é através da força ou da raiva, nem se opondo a elas de alguma forma. São superadas meramente permitindo que a razão te diga que contradizem a realidade. Vão contra o que não pode deixar de ser verdadeiro. A oposição vem delas e não da realidade. A realidade não se opõe a nada. O que simplesmente é não necessita de defesas e não oferece nenhuma (T-22.V.1:1-7). O poder não pode se opor. Pois a oposição o enfraqueceria e poder enfraquecido é uma contradição de idéias... Para que o poder seja ele mesmo, não pode haver oposição. Nenhuma fraqueza pode se introduzir nele sem mudá-lo, fazendo com que seja algo que não é (T-27.III.1:1-2,5-6). (7:6) E aqueles que vêem nele a sua segurança, não têm nenhum guardião, nem força para invocar em momentos de perigo e nenhum guerreiro poderoso para lutar por eles. Colocar sua confiança, esperança e segurança em um ídolo é colocá-las em nada, porque nada fora de você pode ajudá-lo de qualquer forma. Aplique isso especificamente a seus relacionamentos especiais, de outra forma, o Um Curso em Milagres não terá significado para você. Observe-se se defendendo contra o Amor de Deus com a insanidade do especialismo, e olhe para sua adoração a esses ídolos sem julgamento. (8:1) Esse momento pode ser terrível. Jesus se refere ao momento em que você percebe que o inimigo não está fora, mas dentro. Mesmo quando você olha para o inimigo interno sem julgamento e ele desaparece, esse momento ainda é terrível, pois bem no início, nós fugimos do terror de perdermos nosso ser separado. Quando liberamos a segunda linha de defesas do ego, reconhecendo que o inimigo externo está realmente dentro de nós, o ego usa a artilharia pesada, dizendo: “Você está certo, o problema não está fora, mas dentro, e agora você encontrou a fonte da ira de Deus, e Ele encontrou você!”. No entanto, se você puder permanecer com Jesus e olhar para a primeira linha, vai perceber que a imagem de culpa e punição é tão ilusória quanto o inimigo externo. Lembre-se, a segunda imagem se defende contra a primeira; a primeira sendo o inimigo pecaminoso que é outra pessoa, e a última sua culpa em relação a seu pecado contra Deus. Ambas foram inventadas, pois ambas são destinadas a impedir você de voltar ao tomador de decisões na mente e ver o equívoco que você agora pode corrigir. Na escolha 216


correta – feita de uma vez por todas – o ser individual desaparece. Assim, esse momento pode realmente ser terrível. (8:2) Mas pode também ser o momento da tua liberação da escravidão abjeta. Eu não preciso mais ser um escravo da tirania do ego, pois na verdade, ele não tem poder. Eu estava escravizado apenas pelo poder da minha mente, que agora uso para trocar de professores. Assim, as cadeias desaparecem e eu estou livre. (8:3) Fazes uma escolha, de pé diante desse ídolo, vendo-o exatamente como é. Um Curso em Milagres nos ajuda a voltar ao ponto no qual escolhemos errado, olhando sem medo ou culpa, e afirmando que nosso equívoco foi apenas tolo – não mau ou pecaminoso. Jesus ocasionalmente usa a imagem de brinquedos quando fala do pecado – um jogo com que crianças brincam. Somos todos crianças brincando com o pecado que acreditamos ser devastador, mas que na verdade não é nada. Aqui estão algumas passagens representativas e de certa forma familiares: Pequena criança... Tu estás apenas sonhando e os ídolos são brinquedos com os quais sonhas que estás brincando. Quem tem necessidade de brinquedos a não ser as crianças? Elas fingem que governam o mundo e dão aos seus brinquedos o poder de se locomoverem, de falarem e de pensarem, de sentirem e de falarem por elas. Entretanto, tudo aquilo que os seus brinquedos aparentemente fazem está nas mentes das crianças que com eles brincam. Mas elas anseiam por esquecer que elas próprias inventaram o sonho no qual os seus brinquedos são reais, e não reconhecem que os desejos que eles têm são os seus próprios... Há uma época em que a infância deveria passar e acabar para sempre. Não busques reter os brinquedos das crianças. Põe todos de lado, pois já não necessitas deles (T29.IX.4:3-8; 6:1-3). Os exaustivos e insatisfatórios deuses que fizeste são brinquedos inflados de criança... Elas são apenas brinquedos, minha criança, portanto não te lamentes por elas. A sua dança nunca te trouxe alegria. Tampouco eram coisas para assustar-te, nem para te dar segurança caso obedecessem às tuas regras. Elas não devem ser estimadas nem atacadas, mas apenas contempladas como brinquedos de criança, sem qualquer significado próprio. Vê um significado nelas e verás todos. Não vejas nenhum e elas não te afetarão... Olha calmamente para os seus brinquedos e compreende que são ídolos que apenas dançam de acordo com desejos vãos. Não lhes dês o teu culto, pois não existem... O seu único equívoco é pensar que são reais. O que o poder de ilusões poderia fazer? (T-30.IV.2:1; 4:6-11; 5:9-11,14-15). O resto da lição consiste de uma referência direta ao quarto obstáculo à paz – o medo de Deus – onde Jesus fala de ficarmos de pé, diante do véu final, decidindo se vamos atravessá-lo ou vagar para longe, apenas para depois retornarmos: Aqui, com o fim da jornada diante de ti, vês esse propósito. E é aqui que escolhes se olhas para ele ou se continuas vagando, apenas para retornares e escolheres outra vez (T-19.IV-D.10:7-8). As sentenças remanescentes do parágrafo são o fio que conduz ao obstáculo final: (8:4) Devolverás tu ao amor o que tens buscado arrancar dele para depositar diante desse pedaço de pedra irracional? 217


Em outras palavras, vamos devolver a Deus e ao Espírito Santo as mentes que por direito são Deles. Eles são o lar da nossa paz, segurança e proteção, que nunca podem ser encontrados em um ídolo. Note a palavra arrancar, que é muito pouco usada no Um Curso em Milagres, mas captura evocativamente a essência do roubo selvagem do ego. Aqui estão dois exemplos de passagens que descrevem a violência do especialismo ao buscar tomar para si mesmo a verdade que é de Deus: A verdade veio a ser tão amedrontadora, que a não ser que ela fosse fraca, pequena e indigna de ser valorizada, não terias coragem de olhar para ela. Pensas que é mais seguro dotar o pequeno ser que fizeste com o poder que arrebataste da verdade, triunfando sobre ela e deixando-a impotente (T-16.V.11:2-3). O que é essa coisa preciosa, essa pérola de valor inestimável, esse tesouro secreto a ser arrancado com justa ira desse inimigo tão traidor e astuto? (T-23.II.11:2). (8:5-7) Ou farás outro ídolo para substituí-lo? Pois o deus da crueldade toma muitas formas. Pode-se achar outra. O que tipicamente acontece com estudantes do Um Curso em Milagres é que eles perdoam, e, por um breve momento, se sentem pacíficos e felizes. Então, o medo começa: “Se eu não tiver meus relacionamentos especiais, o que restará será apenas o Amor de Deus, e não existe individualidade nisso!”. Nesse ponto, nós rapidamente corremos para fazer outro ídolo especial, investindo crueldade em ainda outra forma. Jesus pede nossa atenção conforme estudamos e praticamos seu material, para que não sejamos cegados pelo ego. (9:1-3) Contudo não penses que o medo é o modo de escapar do medo. Lembremo-nos do que o livro texto enfatizou a respeito dos obstáculos à paz. O obstáculo final, o mais difícil de se acreditar que não seja nada, um obstáculo com a aparência de um bloco sólido, impenetrável, amedrontador e além do conquistável, é o medo do próprio Deus. Esse é o pensamento que colocou em movimento o sistema de pensamento do ego, e levou ao universo físico. A estratégia do ego é nos convencer de que somos pecadores por termos destruído Deus, Que, de alguma forma, vai se levantar dos mortos e nos destruir. Essa é a origem aparente do nosso medo de Deus. O ego não nos diz que seu medo é da Unicidade de Deus, pois, dentro do Seu Amor, toda separação desaparece. Assim, o ego inventa seu conto de pecado, culpa e medo, levando inevitavelmente ao medo da punição de Deus. Uma vez que essa se torna nossa realidade, precisamos do mundo do especialismo como uma defesa. O mundo, portanto, repousa na premissa de que o medo de Deus é uma realidade ontológica, e a punição é devida ao nosso ser pecaminoso. Aqui estão alguns trechos do uso do ego desse medo para nos defender contra nossa lembrança do Amor de Deus: O que sentirias e pensarias se a morte não retivesse nenhuma atração para ti? Muito simplesmente te lembrarias do teu Pai... E à medida em que essa memória surge em tua mente, a paz tem ainda que superar um obstáculo final, após o qual se completa a salvação e o Filho de Deus é restaurado inteiramente à sanidade... O quarto obstáculo a ser superado cai como um véu pesado diante da face de Cristo... Esse é o mais escuro dos véus, mantido pela crença na morte e protegido por sua atração. A dedicação à morte e à sua soberania é apenas o voto solene, a promessa feita em segredo ao ego de nunca erguer esse véu, nunca se aproximar dele, nem nunca suspeitar que esteja ali. Essa é a barganha secreta feita com o ego para manter aquilo que se encontra além do véu para sempre apagado e sem ser lembrado. Aí está a tua promessa de nunca permitir que a união te chame para fora 218


da separação, a grande amnésia na qual a memória de Deus parece absolutamente esquecida, a fenda entre o teu Ser e tu... (T-19.IV-D.1:2-3,5; 2:1; 3:1-4). (9:4-5) Aqui está a premissa básica que entroniza o pensamento do medo como deus. Pois o medo é amado por aqueles que o idolatram e o amor agora aparenta revestir-se de crueldade. Embora seja muito difícil, precisamos perceber que quando estamos em um estado de ansiedade e dor, é porque estamos adorando a ansiedade e a dor. Lembre-se, é o nosso sonho, e nós o escolheríamos porque ele nos mantém longe de algo que consideramos ainda pior: a perda do ser. Todos nós sofremos alegremente nossas experiências para mantermos nosso ser individual e especial intacto, e então, naturalmente – ou de forma não-natural – tentamos culpar outra pessoa pela dor e sofrimento. (10:1-3) De onde vem a crença totalmente insana em deuses de vingança? O amor não confundiu os seus atributos com os do medo. Mesmo assim, os adoradores do medo não podem deixar de perceber a própria confusão no “inimigo” do medo e a sua crueldade é agora uma parte do amor. Esta crença insana não veio de Deus, Cujo Amor é simplesmente ele mesmo, com nada além Dele. Portanto, nossa crença insana em deuses de vingança vem da crença em nossa pecaminosidade e crueldade, tendo projeto em Deus o que acreditamos ser nossa própria realidade. (10:4-6) E o que poderia ser mais amedrontador agora do que o próprio Coração do Amor? O sangue parece estar em Seus Lábios, o fogo vem Dele. Ele é mais terrível do que tudo, mais cruel do que qualquer coisa que se possa conceber e fulmina todos aqueles que O reconhecem como seu Deus. A Carta aos Hebreus diz que é algo terrível cair nas mãos do Deus vivo (Hebreus 10:31). Isso é o que todas as pessoas que pensam existir acreditam, pois sua própria crueldade percebida não pode deixar de ser projetada em outro, mesmo no Próprio Deus. (11:1-2) A escolha que fazes hoje é certa. Pois olhas pela última vez para esse pedaço de pedra esculpida que fizeste e não mais o chamas de deus. Estamos no ponto no qual podemos fazer a escolha certa, com o Professor certo, o mesmo lugar em que estávamos no final do Capítulo 19, com o quarto obstáculo à paz – capazes de olhar para esse canto do sistema de pensamento do ego sem vagar para longe. A idéia central é que nós olhemos para ele – pela última vez. (11:3-6) Já alcançaste esse lugar antes, mas escolheste que esse deus cruel permanecesse contigo sob outra forma. E assim, o medo de Deus retornou contigo. Dessa vez, tu o deixas lá. E retornas a um novo mundo, sem a carga desse peso, um mundo contemplado, não através dos olhos do medo que não vêem, mas da visão que a tua escolha devolveu a ti. No passado, nós vagamos para longe em vez de passarmos através do véu final, recusando-nos a aceitar que o mundo e o corpo são defesas contra perdermos nossa individualidade, defesas que ainda escolhemos reter. Jesus agora nos coloca no ponto da jornada onde percebemos que nossa última defesa contra esse reconhecimento não é mais valiosa para nós. Apenas o Deus verdadeiro será suficiente. Assim, quando realmente percebermos nosso equívoco e deixarmos Jesus ser nosso professor, olharemos para esse 219


mundo de forma diferente, pois seus olhos se tornam os nossos próprios. Não vemos o terror, crueldade ou medo; apenas tolos equívocos sem nenhum poder de nos manter longe da luz. Estamos no mundo real, a transformação da oração de um processo para uma canção. E nós damos graças, assim como nosso Criador: A oração é uma escada que chega até o Céu. No topo há uma transformação que se parece muito com a tua, pois a oração é parte de ti. As coisas da terra são deixadas para trás e não são mais lembradas. Não se pede nada, pois nada está faltando. A Identidade de Cristo é plenamente reconhecida, está definida para sempre, está além de qualquer mudança e incorruptível. A luz não mais vacila e nunca se apagará. Agora, sem qualquer tipo de necessidade e moldada para sempre na pura impecabilidade que é a dádiva de Deus para ti, Seu Filho, a oração pode mais uma vez vir a ser aquilo que deve ser, pois agora ela se ergue como uma canção de agradecimento ao teu Criador, que é cantada sem palavras, ou pensamentos, ou desejos vãos, agora absolutamente sem quaisquer necessidades. Assim ela se estende, como deve fazer. E por essa dádiva o próprio deus dá graças (C-1.II.7). (12) Agora os teus olhos pertencem a Cristo e Ele olha através deles. Agora a tua voz pertence a Deus e ecoa a Sua. E, agora, o teu coração permanece em paz para sempre. Tu O escolheste no lugar de ídolos e os teus atributos, dados pelo teu Criador, te são enfim devolvidos. O Chamado a Deus foi ouvido e respondido. Agora, o medo dá lugar ao amor, enquanto o próprio Deus substitui a crueldade. Nós revertemos o que aconteceu antes. O amor tem o que lhe cabe, e o medo se tornou o que sempre foi: um tolo pensamento, sem nenhum poder de nos afastar da verdade. A lição termina com uma adorável oração, em uma forma que vimos antes e que prenuncia as orações da Parte II: (13:1-2) Pai, somos como Tu és. A crueldade não habita em nós, pois ela não existe em Ti. Nós somos como Ele, pois compartilhamos os atributos do amor, não do medo. Se nós percebermos a nós mesmos ou aos outros como cruéis, estaremos dizendo que Deus é cruel também – idéias não deixam sua fonte. No entanto, se percebermos que a crueldade aparente das pessoas é seu pedido de amor, e que o amor está no centro – idéias não deixam sua fonte -, afirmamos que Deus é Amor também. Assim, nós alegremente oramos mais uma vez essas inspiradoras palavras de cura de Psicoterapia, que marcam o fim do pecado e, portanto, o fim da dor e da crueldade: Vamos ficar em silêncio diante da Vontade de Deus, e fazer o que ela determinou que façamos. Há apenas um caminho pelo qual podemos chegar onde todos os sonhos começaram. E é lá que vamos deixá-los de lado, para vir embora em paz e para sempre. Ouve o pedido de ajuda de um irmão e responde-o. Será a Deus que responderás, pois O chamaste. Não há nenhum outro caminho para ouvir a Sua Voz. Não há nenhum outro caminho para buscar o Seu Filho. Não há nenhum outro caminho para achar o teu Ser. A cura é santa, pois o Filho de Deus retorna ao Céu através do seu abraço benigno. Pois a cura lhe diz, através da Voz por Deus, que todos os seus pecados foram perdoados (P-2.V.8). (13:3-7) A Tua paz é a nossa. E abençoamos o mundo com o que recebemos só de Ti. Escolhemos outra vez e fazemos a nossa escolha por todos os nossos irmãos, sabendo 220


que são um conosco. Trazemos a eles a Tua salvação assim como a recebemos agora. E agradecemos por eles, que nos tornam completos. Vamos ver, na Lição 195 – “O amor é o caminho que faço com gratidão” – que Jesus nos pede para agradecermos a todas as coisas vivas, em gratidão pela oportunidade de percebermos que somos parte do único Filho, mesmo com as aparências da separação em contrário. Jesus, então, nos encoraja: A tua gratidão para com teu irmão é a única dádiva que quero. Eu a trarei a Deus por ti, sabendo que conhecer o teu irmão é conhecer a Deus. Se tu és grato ao teu irmão, és grato a Deus pelo que Ele criou. Pela tua gratidão, tu vens a conhecer o teu irmão e um momento de real reconhecimento faz de todos o teu irmão, porque cada um deles é do teu Pai (T-4.VI.7:2-5). A chave aqui é a palavra todos, refletindo a unicidade da Filiação, em unidade com seu Criador e Fonte. Pois, para que Deus seja Deus, Cristo seja Cristo – ninguém pode ser excluído da Sua perfeita Unicidade. (13:8) Neles vemos a Tua glória e achamos a nossa paz. Nossos irmãos são um conosco, assim como somos um com Deus. Glória, paz e amor são um, pois o espírito não pode ter divisões em si mesmo. (13:9-11) Somos santos porque a Tua santidade nos libertou. E damos graças. Amém. A resposta à crueldade do ego é ver seu papel em nossas vidas como uma defesa que não funciona. Acima de tudo, quero me lembrar de que o amor não tem opostos. Se eu for sincero nesse desejo – Deus como Amor e eu como Sua criança – preciso ter disponibilidade para ver o amor ou o pedido de amor em todos, pois a Santidade de Deus está em Seu Filho.

REVISÃO V 221


Introdução A Introdução a essa quinta Revisão é particularmente linda, sendo um dos poucos lugares no livro de exercícios onde Jesus fala diretamente conosco na primeira pessoa. Deixe-me começar com algo óbvio, mas que merece ser mencionado apesar disso: Jesus leva suas revisões muito a sério, como vimos não apenas aqui, mas através de todo o livro de exercícios. Inerente a essa atitude está sua expectativa de que levemos o livro de exercícios tão a sério quanto ele. Aqui ele discute – assim com em outros lugares que vamos examinar depois – nossa fraca dedicação e como precisamos trabalhar para fortalecê-la. Ele nos pede para levar a sério o significado subjacente das lições do livro de exercícios, querendo que reconheçamos nosso investimento no sistema de pensamento do ego, o quanto o mantemos inflexivelmente, e o quanto isso nos torna infelizes. Nossa seriedade é expressa em passarmos tanto tempo quanto for possível durante o dia considerando com que freqüência escolhemos contra ele e seu perdão,e a favor do especialismo do ego. No que se segue, portanto, Jesus reafirma o quanto ele quer que sejamos resolutos, porque só então iríamos encontrar a felicidade. Ele, portanto, nos pede para reconhecermos nossa infelicidade, que vem especificamente de sustentar que estamos certos e ele errado. Tente manter isso em mente conforme passarmos por essa adorável Introdução. (1:1-2) Agora, revisamos mais uma vez. Dessa vez, estamos prontos para fazer mais esforço e dar mais tempo ao que empreendemos. Nós vemos nessa declaração que Jesus quer que passemos tempo – tempo de qualidade, não apenas horas no relógio – pensando sobre seus ensinamentos. Na verdade, nossa própria salvação depende disso. (1:3) Reconhecemos que estamos nos preparando para outra fase de compreensão. Uma metáfora que prevalece nessa Introdução – assim como na realidade através de todo o Um Curso em Milagres – é a de uma jornada, refletindo o processo do nosso aprendizado. O ano que passamos com o livro de exercícios é uma jornada em e por si mesmo, e Jesus está nos dizendo agora que estamos prontos para o próximo estágio, “outra fase de compreensão”. O que caracteriza esses estágios é nosso comprometimento em aprendermos a ser tão constantes quanto pudermos durante o dia ao aplicarmos essas lições e, acima de tudo, a sermos vigilantes contra a perambulação da nossa mente. (1:4-5) Queremos dar esse prasso sem restrições para que possamos continuar com mais certeza, mais sinceridade, e com a fé mantida de forma mais segura. Nossos passos não têm sido firmes e as dúvidas nos fizeram caminhar hesitantes e lentos pela estrada que esse curso estabelece. Jesus está nos dizendo mais uma vez que ele sabe que temos sido vacilantes e instáveis em nosso aprendizado. Ele, portanto, nos impele a estamos cientes disso e a perdoarmos a nós mesmos – certamente não fazermos transigências às nossas dúvidas, por mais que as tenhamos – e lutarmos continuamente para sermos mais claros sobre a distinção entre seu sistema de pensamento e o nosso. (1:6) Mas agora nos apressamos pois estamos nos aproximando de uma certeza maior, de um propósito mais firme e de uma meta mais garantida. Isso é um indicador do nosso progresso na jornada: não tanto na extensão em que ainda temos ataques egóicos, mas na extensão na qual tentamos justificá-los. 222


Jesus nos apresenta agora essa adorável oração, que ele faz a Deus em nosso nome. Seu conteúdo – em vista do fato de que Deus não faz nada no mundo – é termos a humildade de uma criança, reconhecendo o quanto temos que aprender, e o quanto precisamos da orientação de um irmão mais velho. (2:1-2) Pai Nosso, firma os nossos pés. Que as nossas dúvidas se aquietem e que as nossas mentes santas tenham serenidade, e fala conosco. O ponto essencial é que nós silenciemos o ego. O propósito do nosso relacionamento com Jesus ou o Espírito Santo é nos ajudar a aquietarmos nossas mentes, para que possamos ouvir a Voz de Deus falar conosco. (2:3) Nós não temos palavras para dar a Ti. Esse é o problema, quando pedimos ajuda, pedimos em nossas palavras. Somos nós que definimos nossos problemas, exigências e necessidades, dessa forma, colocando palavras e respostas na boca de Jesus. Jesus se dirigiu a essa questão diretamente a Helen em uma mensagem de 1977, um ano depois da publicação do Curso. Ele a avisou sobre usar as palavras dela para emoldurarem uma pergunta, pedindo ao invés disso que ela confiasse na Resposta além de todas as palavras – o Amor ilimitado de Deus: Qualquer pergunta específica envolve um grande número de presunções que inevitavelmente limitam a resposta. Uma pergunta específica é realmente uma decisão sobre o tipo de resposta que é aceitável. O propósito das palavras é limitar e, por limitar, tornar uma vasta área de experiência mais manejável. Mas isso significa mais manejável por você. Para muitos aspectos de viver nesse mundo, isso é necessário. Mas não para pedir. Deus não usa palavras, e não responde em palavras. Ele só pode “falar” ao Cristo em você, Que traduz Sua Resposta em qualquer linguagem que você possa entender e aceitar (Ausência de Felicidade, p. 445,446). Assim, devemos ir até Deus no silêncio da humildade e confiança. (2:4-3:4) Queremos apenas escutar o Teu Verbo, e fazê-lo nosso. Conduz a nossa prática como um pai conduz uma criança pequena ao longo de um caminho que ela não compreende. Mas ela segue, certa de que está a salvo porque o seu pai lhe mostra o caminho. Assim, trazemos a Ti a nossa prática. E se tropeçarmos, Tu nos erguerás. Se esquecermos o caminho, contamos com a Tua lembrança que não falhará. Nós nos desviaremos, mas Tu não esquecerás de nos chamar de volta. Jesus reconhece que vamos cometer equívocos e tropeçar ao longo do caminho, esquecendo-o conforme escolhemos o ego como nosso professor. No entanto, ele não quer que nos sintamos culpados em relação ao nosso medo, mas em vez disso, que reconheçamos nosso equívoco e nos voltemos para o Espírito Santo em busca de ajuda. Essencial ao nosso progresso é a humildade de percebermos que não sabemos, mas que Alguém sabe. Nós nem mesmo sabemos o que pedir, sem falar na natureza dos nossos problemas, no entanto, tudo do que precisamos estar cientes é de que estávamos errados e Alguém dentro de nós estava certo. A culpa em relação à nossa escolha “pecaminosa” nos impede de liberarmos nosso sistema de pensamento. Assim, Jesus nos impele no texto a olharmos para o pensamento de separação através dos olhos da visão e não do julgamento:

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Não chames isso de pecado, mas de loucura, pois foi assim e assim ainda permanece. Não invistas aí a culpa, pois a culpa implica que isso tenha sido realizado na realidade. E acima de tudo, não tenhas medo disso (T-18.I.6:7-9). (3:5-6) Apressa os nossos passos, agora, para que possamos andar em direção a Ti com maior certeza e rapidez. E aceitamos o Verbo que nos ofereces para unificar a nossa prática à medida que revisamos os pensamentos que nos tem dado. A unificação da minha prática vem através do reconhecimento de que todos os problemas são o mesmo. Meu único problema é acreditar que estou melhor sendo separado de Deus e de Jesus. Conseqüentemente, tenho uma solução: reconhecer que estava errado em aceitar a premissa da separação como verdadeira. (4:1-3) Esse é o pensamento que deve preceder os pensamentos que revisamos. Cada um deles apenas esclarece algum aspecto deste pensamento, ou ajuda a torná-lo mais significativo, mais pessoal e verdadeiro e mais descritivo do Ser santo que compartilhamos e que agora nos preparamos para conhecer novamente: Deus é só Amor e, portanto, eu também. Se “Deus é Amor e, portanto, eu também”, não existe lugar dentro de mim – como vimos na Lição 170 com relação à crueldade -, para o julgamento, dor ou separação de qualquer forma. Nessa revisão de dez dias, Jesus nos pede para pesarmos as diferenças entre o sistema de pensamento de Amor de Deus e o nosso de ódio, percebendo que um vai nos tornar felizes e o outro vai perpetuar nossa miséria. Devemos pensar cuidadosamente sobre cada título das vinte lições no contexto de “Deus é só amor, e, portanto, eu também”, o que significa que qualquer pensamento do ego sobre eu mesmo ou outro é ilusório. Isso ecoa o seguinte pensamento que se segue diretamente à citação acima. Jesus nos pede para trazermos a escuridão das nossas ilusões distorcidas à verdade do Amor de Deus: Quando pareces ver alguma forma distorcida do erro original surgindo para amedrontar-te, apenas digas: “Deus não é medo, mas Amor” e ela desaparecerá. A verdade te salvará (T-18.I.7:1-2). (4:4-5) Só esse Ser conhece o amor. Só esse Ser é perfeitamente consistente em Seus pensamentos, conhece o Seu Criador, compreende a Si Mesmo, é perfeito em Seu conhecimento e no Seu amor e nunca muda o Seu constante estado de união com o Seu Pai e Consigo Mesmo. Esse Ser é Cristo, nossa verdadeira Identidade como parte do Amor de Deus. (5:1-3) E é Isso Que espera para nos encontrar no final da jornada. Cada passo que damos nos aproxima um pouco mais. Essa revisão reduzirá o tempo de forma imensurável, se mantivermos em mente que Essa continua sendo a nossa meta e que ao praticarmos, é Disso Que nos aproximamos. Mais uma vez, estamos em uma jornada, e nossa meta – ainda não atingida – é nos lembrarmos de Quem somos como o Filho único de Deus. Deveríamos ser gratos por essas lições do livro de exercícios, assim como pelas lições diárias oferecidas por nossos relacionamentos especiais: os meios que Jesus usa para nos levar – passo a passo – para mais perto da nossa meta. Para repetir, ele quer que sejamos tão sérios quanto pudermos em relação à nossa prática diária do livro de exercícios. 224


(5:4) Erguemos os nossos corações do pó para a vida, ao lembrarmo-nos de que Isso nos foi prometido e de que esse curso foi mandado para abrir-nos o caminho da luz e ensinar-nos, passo a passo, a voltarmos para o Ser eterno que pensamos ter perdido. Vemos mais uma vez que Jesus concebe seu curso como um processo passo-a-passo. Não pulamos do sistema de pensamento do ego direto nos Braços de Deus, mas precisamos prestar atenção cuidadosa aos nossos pensamentos egóicos durante o dia todo, pedindo ajuda para olharmos para eles de forma diferente. Nós, portanto, “erguemos os nossos corações do pó para a vida”, na qual recuperamos a memória do nosso verdadeiro Ser. Esse processo gradual está refletido na metáfora do Curso sobre a escada que subimos com Jesus, retraçando a louca descida do ego da unicidade para o especialismo: Aquilo que aguarda com certeza perfeita, além da salvação, não é nossa preocupação. Pois mal começaste a permitir que os teus primeiros passos incertos sejam dirigidos para subir a escada que a separação te fez descer. O milagre é a tua única preocupação no presente. É aqui que devemos começar. E, tendo começado, o caminho tornar-se-á sereno e simples na subida para o despertar e o fim do sonho (T-28.III.1:1-5). Nós agora chegamos ao ponto no qual Jesus fala conosco direta e pessoalmente. Essa passagem reflete sua presença no mundo real, fora do sonho. Nesse estado curado, reconhecemos que estamos além do sonho da separação, cientes de que a nossa identidade não é separada ou fragmentada, mas é a do Filho único de Deus. Nós permanecemos conscientes dentro do sonho, mas agora nossa realidade está fora dele. Aqui, então, está Jesus, nosso amado irmão mais velho: (6:1-2) Eu faço a jornada contigo. Pois compartilho das tuas dúvidas e medos por algum tempo, para que possas vir a mim que reconheço a estrada pela qual todos os medos e dúvidas são vencidos. Jesus está em nossas mentes, e a jornada que ele empreende conosco é da mente errada para a mente certa, e depois além. Quando estamos em um estado de dúvida e medo, precisamos apenas pedir sua ajuda, que significa retornarmos ao lugar de escolha em nossas mentes, onde olhamos para o que acreditamos estar nos deixando com medo, incertos e transtornados. Com seu amor ao nosso lado, liberamos esses pensamentos egóicos. Já vimos a passagem na qual Jesus discute especificamente nossa jornada com ele. Aqui está o que a precede, uma alegre expressão da Unicidade de Deus e de Seu único Filho: A Unicidade de Deus e a nossa não são separadas, porque Sua Unicidade abrange a nossa. Unir-te a mim é restaurar o Seu poder para ti porque nós o estamos compartilhando. Eu te ofereço só o reconhecimento do Seu poder em ti, mas nisso está toda a verdade. Na medida em que nos unimos, nos unimos a Ele. Glória seja dada a união de Deus e de Seus filhos santos! Toda a glória está neles porque são unidos. Os milagres que fazemos dão testemunho da Vontade do Pai para o Seu Filho e da nossa alegria em nos unir com a Sua Vontade para nós (T-8.V.3). (6:3) Nós caminhamos juntos. O tema central dessa Introdução é que nós fazemos isso com Jesus: “Nós caminhamos juntos”. O seguinte trecho também é familiar para nós, expressando como encontramos a verdade por olharmos para ilusões, juntos:

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Nós estamos prontos para olhar mais detalhadamente o sistema de pensamento do ego, porque juntos temos a lâmpada que o dissipará e já que reconheces que não o queres, tens que estar pronto. Vamos ser muito calmos ao fazer isso, pois estamos apenas procurando honestamente a verdade (T-11.V.1:3-4). (6:4) Eu tenho que compreender a incerteza e a dor, embora saiba que não têm significado. Mais uma vez, Jesus está fora do sonho, ciente do que está dentro dele, mas não uma parte dele – daí a importância de não tornarmos seu corpo real. Ele apareceu para nós em forma física porque não havia outra maneira do mundo poder percebê-lo. Lembre-se dessas linhas: É possível que tu, que te vês dentro de um corpo, conheças a ti mesmo como uma idéia? Tudo o que reconheces identificas com coisas externas, algo fora de ti. Não podes sequer pensar em Deus sem um corpo ou alguma forma que pensas reconhecer (T-18.VIII.1:5-7). (6:5-6) Mas um salvador tem que permanecer com aqueles a quem ensina, vendo o que vêem, mas conservando em sua mente o caminho que o conduziu para fora e que agora também te conduzirá junto com ele. O Filho de Deus é crucificado até que caminhes ao longo da estrada comigo. Enquanto acreditarmos que estamos separados e não somos parte do Filho único de Deus, acreditamos que ele foi crucificado, incluindo Jesus. É apenas quando entendemos que isso é um sonho que percebemos que não existe crucificação. Jesus apela a nós para darmos um passo com ele para fora do sonho – acima do campo de batalha de ódio e assassinato – e olharmos para baixo e vermos apenas figuras em um sonho, não a realidade. Uma vez que somos os sonhadores do sonho, podemos fazer outra escolha. Fica aparente através de todo o Um Curso em Milagres, que não podemos fazer isso sem a ajuda de Jesus, nem ele pode nos ajudar sem nosso convite. Nesse sentido, a “salvação é uma aventura de colaboração” (T4.VI.8:2). (7:1) A minha ressurreição vem novamente a cada vez que conduzo um irmão em segurança para o lugar em que a jornada acaba e é esquecida. Esse lugar é o tomador de decisões, a parte das nossas mentes onde a jornada começou quando escolhemos o ego e caímos por sua escada de separação. Assim, a jornada retraça os passos que levam ao ponto de escolha – onde a jornada começou com uma escolha equivocada, e onde ela termina com a escolha corrigida. Jesus nos guia de volta a onde nós escolhemos de forma errada, ensinando-nos que tal escolha nos fez infelizes, e que escolhê-lo agora vai nos trazer alegria indizível. Sua ressurreição – definida como despertar do sonho da morte – vem novamente quando seguramos sua mão e completamos a jornada. (7:2-3) Eu sou renovado a cada vez que um irmão aprende que há um caminho para fora da miséria e da dor. Renasço a cada vez que a mente de um irmão volta-se para a luz em si mesmo e procura por mim. Eu já citei as palavras de Jesus: “Não ensines que eu morri em vão. Ensina, em vez disso, que eu não morri, demonstrando que vivo em ti” (T-11.VI.7:3-4). Quando ensinamos que ele não morreu por demonstrarmos que podemos fazer a mesma escolha pelo Amor de Deus que ele fez, sua ressurreição é renovada e ele renasce. Isso não tem nada a ver com Jesus, 226


mas simplesmente significa que nós também escolhemos despertar do sonho da morte. Nós devemos retornar a esse tema importante do renascimento na Lição 182. (7:4) Eu não esqueci ninguém. Na Lição 160, nós lemos: “Cristo não esquece ninguém” (LE-pI.160.10:1). Jesus não se esquece de ninguém porque somos todos – juntos – parte de Cristo: o Filho único de Deus. Lembre-se das linhas iniciais do poema de Helen, “As Dádivas do Natal”: Cristo não se esquece de ninguém. Por isso, você sabe Que Ele é o Filho de Deus. Você reconhece Seu toque Em universal gentileza (As Dádivas de Deus, p. 95). (7:5) Ajuda-me agora a conduzir-te de volta para onde a jornada começou, para que faças outra escolha comigo. Essa é uma declaração explícita do cerne do ensinamento de Jesus: ele não pode nos ajudar a menos que peçamos. Dizer “Ajude-me agora” significa: “Por favor, una-se a mim em sua mente, e não me leve ao mundo das especificidades, pois isso vai nos atolar ainda mais fundo na ilusão. Venha até mim ‘onde a jornada começou’, e deixe-me ajudá-lo a fazer a escolha certa finalmente”. Isso é reiterado no texto: Sê muito firme contigo mesmo nisso e permanece plenamente ciente de que o processo de desfazer, que não vem de ti, está apesar de tudo dentro de ti porque Deus o colocou aí. A tua parte é meramente fazer voltar o teu pensamento ao ponto no qual o erro foi feito e entregá-lo em paz à Expiação (T-5.VII.6:4-5). (8:1) Libera-me ao praticar mais uma vez os pensamentos que eu te trouxe Daquele Que Vê a tua amarga necessidade e conhece a resposta que Deus deu a Ele. “Aquele” é o Espírito Santo, que em termos da função como nosso Professor interno é intercambiável com Jesus. Não existem, é claro, duas vozes em nossas mentes, mas dois símbolos expressando a mesma Presença não-específica do Amor de Deus. O apelo de Jesus para o liberarmos é o mesmo apelo que ele faz a nós no texto, quando diz que precisa que nós o perdoemos: Permite que eu seja para ti o símbolo do fim da culpa e olha para o teu irmão como olharias para mim. Perdoa-me todos os pecados que pensas que o Filho de Deus cometeu. E à luz do teu perdão, ele lembrar-se-á quem ele é e esquecerá o que nunca foi. Eu peço o teu perdão... Eu estou dentro do teu relacionamento santo, todavia, queres me aprisionar atrás dos obstáculos que ergues à liberdade e impedir o meu caminho para ti. No entanto, não é possível manter afastado Aquele Que já está presente. E Nele é possível que a nossa comunhão, na qual já estamos unidos, venha a ser o foco da nova percepção que trará luz a todo o mundo contido em ti (T19.IV-B.6:1-4; 8:3-5). Não é que Jesus seja aprisionado por escolhermos o ego. Em nossas mentes, no entanto, não vamos reconhecê-lo como o símbolo do Filho perfeito de Deus a menos que o perdoemos, o que acontece quando perdoamos todos os outros. Portanto, Jesus está aprisionado enquanto nós aprisionarmos uma única pessoa, porque – isso não pode ser dito com freqüência suficiente – o Filho de Deus é um. O que eu faço a você, faço a mim, a Jesus e a Deus – idéias não deixam sua fonte. O ego é um pacote, e não existe diferenciação dentro do seu sistema de pensamento de separação, culpa e ódio. 227


(8:2-4) Juntos revisamos estes pensamentos. Juntos lhes dedicamos o nosso tempo e esforço. E juntos os ensinaremos aos nossos irmãos. Nós temos três “juntos” nessas sentenças, pois essa é uma jornada que empreendemos com Jesus. Quando tentamos fazer isso sem ele, não a estamos empreendendo de forma alguma, pois esse curso não pode ser completado sem sua ajuda. Se você não quiser a jornada, precisa examinar o que ele simboliza para você, para que você continuamente o exclua. Em outro nível, quando tentamos fazer coisas por conta própria, re-encenamos o instante ontológico no qual dissemos a Deus em termos nada incertos: “Eu posso fazer as coisas sozinho sem Você. Eu posso ter um ser e um mundo sem Você. Eu posso existir muito bem sem Você”. (8:5-7) Deus não quer o Céu incompleto. O Céu espera por ti assim como eu. Sou incompleto sem a tua parte em mim. Obviamente, não é que Deus não iria querer o Céu incompleto: Sua Unicidade assegura que o Céu nunca pode ser incompleto. E Jesus não está sofrendo porque nós tropeçamos por aí no holograma do tempo e do espaço. Essa declaração simplesmente reflete a verdade de que o Filho de Deus é um, e se em nossas mentes ilusórias nos mantivermos incompletos, precisamos então vê-Lo como incompleto também, ou de alguma forma, tendo que lidar com isso. Várias passagens no texto afirmam o mesmo ponto da incompleteza metafórica de Deus: Sempre que questionares o teu próprio valor, dize: O próprio Deus é incompleto sem mim. Lembra-te disso quando o ego falar e assim tu não o ouvirás. A verdade a teu respeito é tão elevada que coisa alguma que não seja digna de Deus é digna de ti... Tu não queres nenhuma outra coisa. Devolve a tua parte a Deus e Ele te dará tudo de Si Mesmo em troca da devolução do que pertence a Ele e O torna completo (T9.VII.8:1-4,6-7). Deus é incompleto sem ti porque Sua grandeza é total, e tu não podes estar faltando (T-9.VIII.9:8). Sem ti, haveria uma falta em Deus, um céu incompleto, um filho sem um Pai. Não poderia haver nenhum universo e nenhuma realidade. Pois o que é Vontade de Deus é total e parte Dele, porque a Sua Vontade é uma só. Nada vive que não seja parte Dele e nada existe que não viva Nele (T-24.VI.2:1-4). (8:8) E, à medida que sou integrado, vamos juntos à nossa antiga morada, preparada para nós antes que o tempo fosse e mantida inalterada pelo tempo, imaculada e segura, tal como será, enfim, quando o tempo tiver terminado. Esse é nosso lar no Céu como nosso Ser. O conteúdo subjacente, mais do que familiar a essa altura, é que nós somos um, incluindo Jesus. No tempo, ele é o irmão mais velho que nos ajuda, mas, quando voltarmos para casa, desapareceremos juntos no Coração de Deus como um Filho. Lembre-se dessa passagem totalmente importante, que termina com dois mil anos de especialismo: A reverência deve ser reservada para a revelação, à qual pode ser aplicada correta e perfeitamente... Iguais não devem se reverenciar um ao outro, pois a reverência implica desigualdade. É, portanto, uma reação inadequada a mim. Um irmão mais velho tem direito ao respeito por sua maior experiência e à obediência por sua maior sabedoria. Ele também tem direito ao amor, porque é um irmão e à devoção, se é 228


devotado. É somente a minha devoção que me dá direito à tua. Não há nada em mim que tu não possas atingir. Eu nada tenho que não venha de Deus. A diferença entre nós agora é que eu não tenho nada mais. Isso me deixa em um estado que em ti é apenas potencial (T-1.II.3:1,5-13). Um dos propósitos que Jesus mantém para seu curso é que nós afirmemos nosso potencial e cancelemos todas as percepções de diferenças entre ele e nós – o Filho de Deus é sempre e para sempre um. (9:1) Que essa revisão seja, então, a tua dádiva para mim. Jesus diz: “Demonstre seu amor para mim por prestar atenção cuidadosa às palavras que eu lhe dou. Não louve da boca para fora o que o Um Curso em Milagres diz, ou o nosso relacionamento. Se você verdadeiramente me amar e quiser voltar para Deus, fique atento a essas lições e siga os períodos de revisão tão fielmente quanto puder”. (9:2-3) Pois é só disso que preciso, que ouças as palavras que digo e as dês ao mundo. Tu és a minha voz, os meus olhos, os meus pés, as minhas mãos, através das quais eu salvo o mundo. Se Jesus precisa da nossa voz, olhos, pés e mãos, o corpo não pode ser pecaminoso. Na verdade, uma vez que o corpo é neutro (LE-pII.294), ele pode servir ao propósito santo do perdão por desfazer o propósito não-santo do ego de manter o especialismo vivo e bem. Essas linhas também expressam a presença abstrata e não-específica de Jesus, pois seu amor – um reflexo do Amor de Deus – precisa de uma forma específica para que possamos entendê-lo e aceitá-lo. A transcrição de Helen de palavras específicas – encapsulando um amor abstrato, não-específico – expressou essa mesma necessidade. Nada disso, no entanto, deveria ser visto como se ele precisasse de nós literalmente para sairmos por aí e pregarmos o Um Curso em Milagres ao mundo. Isso vai diretamente contra tudo o que ele está ensinando. No entanto, ele realmente quer que demonstremos em forma corporal o conteúdo de perdão da sua mensagem. Assim, ele precisa dos nossos olhos, pés, mãos e vozes. (9:4-9) O Ser do Qual eu te chamo é apenas o teu próprio Ser. Juntos vamos a Ele. Toma a mão do teu irmão, pois esse não é um caminho que percorremos sozinhos. Nele, eu caminho contigo e tu comigo. É Vontade do nosso Pai que o Seu Filho seja um com Ele. Assim sendo, o que vive não tem quer ser um contigo? Essas linhas afirmam a Unicidade da criação e sua Unicidade com Deus. É por isso que é imperativo não excluir outra pessoa da Filiação, e quando você o fizer, que esteja ciente de que não está excluindo ninguém além de si mesmo. Pelo fato do Filho de Deus ser um, o que você faz a alguém mais, faz a si mesmo, como essa passagem sobre a justiça expressa: A não ser que penses que todos os teus irmãos, assim como tu, têm o mesmo direito aos milagres, não reivindicarás teu direito a eles porque foste injusto para com alguém com direitos iguais. Busca negar e te sentirás enganado. Busca privar e terás sido privado. Um milagre nunca pode ser recebido porque um outro não pode recebê-lo. Só o perdão oferece milagres. E o perdão tem que ser justo para com todos (T-25.IX.8). (10:1) Que essa revisão venha a ser um momento em que compartilhamos uma experiência nova para ti, embora seja velha como o tempo e mais velha ainda. Jesus fala da paz, o arauto do amor. 229


(10:2) Santificado seja o teu nome. Essa frase foi retirada do Pai Nosso (Mateus 6:9). No entanto, não é só o Nome de Deus que é santificado. Nosso Nome é igualmente tão santo, como vamos ver nas Lições 183 e 184, porque o Nome de Deus e Sua criação são o mesmo: a Unicidade não pode ser diferenciada. (10:3-8) A tua glória para sempre imaculada. E a tua integridade agora completa, tal como Deus a estabeleceu. Tu és o Seu Filho, completando Sua extensão na tua própria. Praticamos apenas uma verdade antiga que conhecíamos antes que a ilusão parecesse reivindicar o mundo. E estamos lembrando ao mundo que ele está livre de todas as ilusões, a cada vez que dizemos: Deus é só Amor e, portanto, eu também. Nós lembramos o verbo não por nossas palavras, mas por mudarmos nossas mentes. A “verdade antiga” que refletimos é a verdade da Expiação: a separação do Amor nunca aconteceu. Por re-unirmos nossas mentes com o Espírito Santo, nos re-unimos ao nosso Ser – a completude do Filho de Deus – deixando para sempre para trás a ilusão do ser “completo” e separado do ego: Para todos, o Céu é completeza. Não pode haver nenhum desacordo em relação a isso, porque ambos, o ego e o Espírito Santo, o aceitam. No entanto, eles estão em completo desacordo em relação ao que seja a completeza e como realizá-la. o Espírito Santo tem o conhecimento de que a completeza está em primeiro lugar na união e depois na extensão da união. Para o ego, a completeza está no triunfo e na extensão da “vitória” até o triunfo final sobre Deus. Nisso ele vê a liberdade última do ser, pois nada permaneceria para interferir com o ego. Essa é a sua idéia do Céu. E portanto a união, que é uma condição na qual o ego não pode interferir, tem que ser o inferno (T-16.V.5). (11:1-3) Com isso iniciamos cada dia da nossa revisão. Com isso iniciamos e terminamos cada período de prática. E com esse pensamento adormecemos, para despertarmos mais uma vez com estas mesmas palavras em nossos lábios para saudarmos mais um dia. Esse é um apelo de Jesus para fazermos dessas lições de revisão o ponto central de nossos dias e noites. Ele gostaria que estivéssemos cientes do quanto seremos tentados a substituirmos isso por outros deuses – os ídolos de especialismo do ego. Subjacente a essas palavras está sua mensagem: “O que poderia ser mais importante do que lembrar de Quem você é como o Filho de Deus, e aprender os meios que vão devolvê-lo a Ele? Esteja ciente do quanto você resiste a esse aprendizado por se esquecer das minhas palavras”. Ele ecoa essa instrução no final já familiar do manual para professores: Se tiveres o hábito de pedir ajuda quando e onde puderes, podes estar confiante de que a sabedoria te será dada quando precisares dela. Prepara-te para isso a cada manhã, lembra-te de Deus quando puderes durante o dia, pede ajuda ao Espírito Santo quando for viável fazê-lo e agradece a Ele pela orientação à noite (MP-29.5:89). (11:4) Envolveremos cada idéia que revisarmos com apenas esse pensamento e as usaremos para mantê-lo em nossas mentes e claro em nossa memória ao longo do dia.

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Essa é a idéia da imagem e do fundamento, da qual falamos antes. O que é mais importante para você é o pensamento: “Eu sou o Filho de Deus e, portanto, sou um Filho do Amor”. Manter esse pensamento predominante em sua mente assegura que tudo em seu dia servirá como um pano de fundo, em vez de ser o palco central. Mais uma vez, tente notar com que rapidez você reverte essa perspectiva, e faz com que esses pensamentos do livro de exercícios retrocedam em sua consciência, e seu especialismo precisa se mover para frente em sua mente – mas olhe para o investimento do ego sem julgamento ou culpa. (11:5) E assim, quando tivermos terminado essa revisão, teremos reconhecido que as palavras que dizemos são verdadeiras. Praticar isso vai nos ensinar a verdade das palavras de Jesus. Lembre-se do final da Introdução ao livro de exercícios: Acharás difícil acreditar em algumas das idéias que esse livro de exercícios te apresenta e outras podem te parecer bastante surpreendentes. Isso não importa. Meramente te é pedido que apliques as idéias assim como és dirigido a fazer. Não te é pedido para julgá-las em absoluto. Só te é pedido que use-as. É o uso destas idéias que lhes dará significado para ti e te mostrará que são verdadeiras. Lembra-te apenas disso: não precisas acreditar nas idéias, não precisas aceitá-las e não precisas nem mesmo acolhê-las bem. A algumas delas podes resistir ativamente. Nada disso importará ou diminuirá a sua eficácia. Mas não te permitas fazer exceções ao aplicar as idéias contidas no livro de exercícios e, quaisquer que sejam as tuas reações às idéias, usa-as. Nada mais do que isso é requerido (LEin.8-9). (12:1) Entretanto, as palavras são apenas recursos para serem usados, com exceção do começo e do fim dos períodos de prática, apenas para chamar a mente de volta ao seu propósito conforme seja necessário. O propósito da mente é escolher outra vez, o que significa especificamente perdoar. As palavras em si mesmas não são santas, mas o que elas simbolizam é: a memória de que podemos fazer outra escolha – o cerne do Um Curso em Milagres. Escolher outra vez, portanto é o nosso propósito, e as palavras são apenas os meios para nos ajudarem a alcançá-lo. Quando os estudantes fazem o livro de exercícios, com freqüência se tornam tão envolvidos em rituais e uma compreensão literal que se esquecem de que as palavras em e por si mesmas são sem significado. Para reiterar esse ponto crucial: as palavras apenas representam o que é significativo, e são destinadas a nos ensinarem que temos duas mentes – errada e certa – e um tomador de decisões que pode escolher entre elas. Esse é o propósito de cada palavra nesse curso – nos lembrar de que temos feito uma escolha faltosa, e agora podemos fazer outra melhor (T-31.VIII.3:1). O Um Curso em Milagres em si provê o modelo e guia para como devemos usar as palavras, como vemos na seguinte passagem do manual: Deve, então, o professor de Deus evitar o uso de palavras no seu ensino? Claro que não! Muitos precisam ser alcançados através de palavras, sendo ainda incapazes de ouvir em silêncio. O professor de Deus, porém, tem que aprender a usar as palavras de um novo modo. Gradualmente ele aprende como deixar que as suas palavras sejam escolhidas para ele, cessando de decidir ele próprio o que vai dizer. Esse processo é apenas um caso especial da lição do livro de exercícios que diz: “Eu recuarei e deixarei que Ele me mostre o caminho”. O professor de Deus aceita as palavras que lhe são oferecidas e dá conforme recebe. Ele não controla a direção da sua fala. Ele escuta e ouve e fala (MP-21.4). 231


(12:2) Colocamos a nossa fé na experiência que vem da prática e não nos meios que usamos. Nossa fé, mais uma vez, não está nas palavras – elas são apenas símbolos -, mas na experiência que vem quando as palavras são usadas para nos lembrar da nossa escolha equivocada. Essa experiência é paz, felicidade e alegria, e a ausência de dor, conflito e medo. É na experiência que confiamos, não nas palavras em si mesmas. Infelizmente, muitos estudantes usam as palavras e nunca vão além delas, o que quer dizer que eles não mudam realmente suas mentes. É por isso que o Um Curso em Milagres enfatiza a importância do conteúdo, não da forma, e o motivo pelo qual Jesus nos diz para não pedirmos o específico, pois ele abraça a forma. Ele nos lembra de que é o conteúdo que queremos: a experiência do Amor de Deus através dele que vai nos levar para casa. Especificidades, em certo sentido, são como uma cenoura que ele usa para nos atrair, para que percebamos que ele é um professor melhor do que o ego. Sem seu conselho, no entanto, ficaríamos para sempre aprisionados na forma, esquecendo-nos de que ela é apenas o meio para nosso fim desejado. (12:3-4) Esperamos pela experiência e reconhecemos que só nela está a convicção. Usamos as palavras e tentamos uma e outra vez ir além delas até o seu significado, que está muito além do seu som. Uma declaração muito explícita realmente! Você precisa se lembrar de que existe uma diferença crucial entre palavras e significado, símbolo e fonte, como Jesus nos diz em “Os obstáculos à paz”: Lembra-te, então, que nenhum sinal nem símbolo deve ser confundido com a fonte, pois necessariamente simbolizam alguma outra coisa além de si mesmos. O seu significado não pode estar neles mesmos, mas tem que ser buscado naquilo que representam (T-19.IV-C.11:2-3). Mais uma vez, palavras são símbolos, assim como o próprio Um Curso em Milagres. É sua fonte que nós queremos: o Amor de Deus. Os símbolos do Curso representam o significado do nosso relacionamento com Jesus ou o Espírito Santo, que nos levam a esse Amor. Como Jesus nos ensina, a Voz do Espírito Santo é uma ilusão, que desaparecerá quando seu propósito for cumprido, como já vimos: A Sua Voz é a Voz por Deus e, portanto, tomou forma. Essa forma não é a Sua realidade, que somente Deus conhece junto com Cristo, Seu Filho real, Que é parte Dele (ET-6.1:4-5). Portanto, quando os estudantes colocam ênfase indevida em ouvir uma voz, estão falando de ouvir uma ilusão. Eles se esquecem de que uma vez que somos todos fantoches, estamos todos canalizando – o tempo todo -, pois só podemos ouvir uma voz interna. A única questão é se escolhemos ouvir a voz cheia de ódio do ego, ou a Voz misericordiosa do Espírito santo. Simplesmente “ir para dentro” e ouvir não é garantia de que estamos ouvindo a Voz por Deus. Apenas desistir do julgamento nos garante isso. (12:5-6) O som se torna indistinto e desaparece à medida que nos aproximamos da Fonte do significado. É Aqui que achamos descanso. Em A Canção da Oração, Jesus fala sobre a jornada do perdão que conduz além dos sons do mundo, para o silêncio da ausência de forma – a Fonte do significado:

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O perdão é o chamado para a sanidade, pois quem senão os insanos preferem olhar para o pecado quando poderiam ver a face de Cristo em lugar disso? Essa é a escolha que fazes, a mais simples, e apesar disso a única que podes fazer. Deus te chama para salvar o Seu Filho da morte, oferecendo-lhe o amor de Cristo. Essa é a tua necessidade e Deus oferece essa dádiva a ti. Assim como Ele quer dar, assim também tu tens que dar. E assim a oração retorna ao que é, sem forma, e vai além de todos os limites à intemporalidade, sem nada do passado para atrasá-la impedindo-a de reunificar-se com a canção infindável que toda a criação canta para o seu Deus (C-2.I.8). Só no retorno para casa nosso propósito é encontrado. Apenas em Deus está nosso repouso seguro. Apenas no silêncio, ouvimos a Canção, e sabemos que ela é o nosso Ser.

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Ken wapnick jornada através do livro de exercicios v licoes 151 180  
Ken wapnick jornada através do livro de exercicios v licoes 151 180  
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