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JESUS: A Manifestação do Espírito Santo Trechos do Workshop efetuado no Institute & Retreat Center da Foundation for A Course in Miracles® Kenneth Wapnick, Ph.D. Tradução: Eliane Ferreira de Oliveira Parte I Eu originalmente pensei que um ótimo subtítulo para esse workshop sobre Jesus e o Espírito Santo seria, “Quem diabos são Eles afinal?” [Risadas]. Isso realmente implica sobre o que vamos falar. Um pouco mais sério, e realmente ainda mais direto ao ponto é o título que alguém me sugeriu: “Jesus e o Espírito Santo: O que no mundo Eles são?”. Mas, talvez, um subtítulo ainda melhor para o título principal, “Jesus: a Manifestação do Espírito Santo” seja, “A ilusão e a realidade de Jesus”. É basicamente sobre isso que vamos falar a maior parte do workshop. Embora isso seja provavelmente verdadeiro em relação a todos os workshops que faço, acho que estou ainda mais nesse momento, conceitualizando o workshop como um todo. Então, muito do que vou falar sobre isso – especialmente no início -, pode parecer bem fora de “sincronia” com o que vocês talvez já tenham me ouvido falar outras vezes, ou com o que vocês mesmos experienciaram sobre Jesus ou o Espírito Santo. Estou basicamente estabelecendo um contexto para muito do que vamos falar sobre isso depois. Então, nesse caso, o todo não é encontrado em cada parte como é na Filiação. Mas cada parte é uma parte integral do todo. Então, por favor, não saiam correndo depois dessa primeira parte do workshop se eu disser algo que pareça blasfemo ou herético. Eu gostaria de falar primeiro sobre nosso velho amigo, Platão – ele criou um conceito algo que é citado no Curso pelo menos uma vez de forma específica, e de forma implícita em todo o resto. Uma afirmação no manual de professores que eu cito freqüentemente diz que “palavras não são senão símbolos de símbolos. Estão, assim, duplamente afastadas da realidade” (M-21-1:11-12). Essa afirmação, embora não tenha sido tirada literalmente de Platão, é bem próxima do que ele disse sobre as representações de objetos feitas por um artista: “[elas] permanecem triplamente afastadas da realidade”. (O contexto e referência completa dessa descrição aparecem abaixo). Eu gostaria de começar com isso, já que é uma boa introdução para uma discussão sobre a realidade e a ilusão no Curso, e ainda mais especificamente da realidade e da ilusão de Jesus. Um dos problemas principais com os quais Platão lidou em toda a sua vida – é basicamente um dos temas principais de toda a sua obra – é a diferença entre aparência e realidade. Muito do que vou falar aqui no início, em termos de Platão, vocês vão reconhecer como um antecedente ao que encontramos no Curso. Depois, no workshop, vamos discutir o papel de Jesus, assim como o de Helen, em termos do ditado do Curso. Quando eu fizer isso, vou discutir novamente como Platão foi uma das maiores influências na forma pela qual o Curso veio. Deixem-me começar fazendo um gráfico – esse será diferente do que muitos de vocês estão acostumados a me verem fazer. Nós colocaremos a realidade no topo do gráfico. Próxima da realidade, vamos colocar a verdade. Enquanto Platão geralmente não falava de Deus dessa forma, ele realmente falava sobre verdade e perfeição, e o mundo das idéias. Não vou falar muito sobre Platão, mas ele realmente falou sobre o mundo das Idéias, o que, do ponto de vista do Curso, seria o mundo do Céu ou do espírito. O conceito de Platão sobre a realidade não é


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exatamente o mesmo, mas com certeza seu lugar em sua filosofia se assemelha ao lugar do Céu na filosofia do Curso. Ele é a única verdade. Basicamente, Platão ensinou que para cada conceito ou categoria de objeto e pensamento (i.e., material ou abstrato) que nós percebemos aqui, no mundo, existe uma idéia perfeita correspondente ou um pensamento perfeito – o que ele chamava de “mundo das idéias”. Um exemplo famoso que ele usou foi o da cama – algo muito comum. No mundo das idéias, existe a cama perfeita, ou a idéia da cama. Então, existe a categoria ou conceito da cama, isto é, um símbolo concreto ou forma conceitual do ideal de cama. Platão usava o exemplo de um carpinteiro que constrói uma cama real. E, então, existem as palavras descrevendo a cama. Platão inicialmente fala de um pintor representando a cama, mas então ele passa a falar do poeta (especialmente Homer) como um artista representando coisas através de palavras. Os três níveis são descritos nos seguintes trechos da República, de Platão (598b-e; trans. Desmond Lee): ... o que ele [o carpinteiro] produz não é a forma da cama que, de acordo conosco, é o que a cama realmente é, mas uma cama em particular... seu produto assemelha-se “ao que é” sem sê-lo. E qualquer um que diga que o produto do carpinteiro ou de qualquer outro artesão é, em última instância, real dificilmente pode estar dizendo a verdade... a cama que o carpinteiro faz é algo indistinto comparado à realidade... existem três tipos de cama. A primeira existe na natureza, e nós diríamos... que ela foi feita por Deus. Ninguém mais poderia tê-la feito... A segunda é feita pelo carpinteiro... E a terceira, pelo pintor... a representação do artista permanece triplamente afastada da realidade... Então, o poeta trágico, se sua arte for uma representação, é, por natureza, um triplo afastamento do trono da verdade; e o mesmo é verdadeiro em relação a todas as outras representações artísticas. Então, quando o Curso diz que “palavras não são senão símbolos de símbolos. Estão, assim, duplamente afastadas da realidade”, nós podemos ver a progressão – existe um mundo que descreve uma cama, então, um conceito particular, isto é, uma cama física real, e, finalmente, a realidade ou verdadeira natureza da cama, que é a cama perfeita. O tema principal do trabalho de Platão era que esse nível final é a única verdade – está além do mundo físico, o que não podemos ver. Tudo o mais é apenas uma aproximação disso. E, então, existe o pintor que pinta a cama, ou o poeta que a descreve em um poema. Em termos de palavras sendo “símbolos de símbolos”, a cama física ou conceito é um símbolo, a palavra cama é um símbolo, e, então, a palavra é um símbolo de um símbolo, o conceito da cama real. O símbolo é uma tentativa de representar algo que está além de qualquer coisa nesse mundo. Então, a realidade é a única verdade – que é espírito. Tudo o mais que tem a ver com o mundo das aparências é ilusório. Agora vamos olhar para o que o Curso tem a dizer sobre Deus. Primeiro vamos considerar a versão de Deus do ego. O ego desenvolve um conceito de Deus como um Deus contra-o-qualpecamos – já que sabemos que o sistema de pensamento do ego começou com a idéia de que nós pecamos contra Deus e O atacamos ao nos separarmos Dele. Então, o conceito do ego sobre Deus – obviamente uma distorção do verdadeiro Deus – é que Ele é um Deus contra-o-qualpecamos. O ego então usa um grupo de símbolos para descrever esse Deus: Ele é vingativo, odioso, insano. Ele acredita em barganhas. Ele é raivoso, etc. Todas essas são formas em que descreveríamos Deus dentro do sistema de pensamento do ego. Obviamente, em um nível consciente, a maioria de nós não pensaria sobre Deus dessas formas, mas, como Jesus nos explica no Curso, é assim que pensamos sobre Deus inconscientemente. Para repetir, nós começamos com o verdadeiro ou puro Deus. O ego então fez uma versão de Deus como aquele


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contra-o-qual-pecamos, e, depois, desenvolveu toda uma série de símbolos ou palavras para descrever para nós o que Deus é. Então, existe Deus de acordo com o Espírito Santo. Esse Deus é um Deus amoroso, contra o qual nós não pecamos. Esse é o Deus da Expiação. O princípio da Expiação do Curso é que a separação nunca aconteceu realmente. De acordo com o Espírito Santo, muitas palavras diferentes podem ser usadas para descrever esse Deus: Ele é atencioso, amoroso e generoso. Três outras palavras usadas no Curso para descrever Deus – palavras que virão de novo mais tarde – são: Deus é solitário sem nós, Deus chora sem nós, e Deus é incompleto sem nós. Se palavras são símbolos de símbolos, então, Jesus está usando estas palavras no Curso para representar outro símbolo – Deus como amoroso. E essas são apenas tentativas de refletir o que nunca pode ser compreendido nesse mundo - isto é, o que realmente significa dizer que Deus é Amor. Quando o Curso fala sobre Deus ser atencioso, amoroso, generoso, solitário, choroso e incompleto, ele está usando os símbolos do mundo da ilusão, o mundo das aparências. Similarmente a Platão, nem a cama pintada por um artista nem a cama construída por um carpinteiro é a cama real. Então, o Curso está usando palavras para simbolizar um conceito de Deus que está além das palavras específicas. Mas o conceito de Deus como amoroso também não é a realidade. Mais uma vez, palavras não são senão símbolos de símbolos, e, portanto, elas são duplamente afastadas da realidade. Como vamos examinar com maior profundidade mais tarde, estamos todos aqui porque pensamos em nós mesmos como pessoas com identidades específicas, que podem ser descritas por todos os tipos de palavras. Pensamos em nós mesmos como tendo um sexo masculino ou feminino, como americanos, ingleses, canadenses, russos, etc., como judeus, católicos, protestantes, muçulmanos, agnósticos, ateus, etc. Também pensamos sobre nós mesmos em termos de identidades culturais ou geográficas, etc. Todos esses são exemplos de palavras que usamos para representar conceitos de nós mesmos. Existem outros exemplos disso também: podemos pensar em nós mesmos como americanos, como o povo escolhido de Deus, que é bom e santo, que acredita na democracia e na liberdade, etc. Mas nada disso está relacionado com quem realmente somos como crianças de Deus. Finalmente, para completar essa visão geral antes de começarmos a discuti-la em mais detalhes, nós vamos colocar Deus no topo do gráfico novamente, e embaixo de Deus, vamos colocar o Espírito Santo e Jesus. Nesse nível, basicamente, estamos falando sobre um conceito. O conceito que Jesus e o Espírito Santo representam o princípio da Expiação – de que a separação de Deus nunca aconteceu na verdade. O Espírito Santo pode ser compreendido no Curso como a memória do Amor de Deus que veio conosco quando adormecemos. Nós trouxemos essa memória do Amor de Deus e nossa Identidade como Cristo conosco para nosso sonho quando adormecemos. Jesus é citado no Curso como a manifestação do Espírito Santo (T-12.VII.6.1:1), o que, obviamente, é o tema central desse workshop. Vamos voltar a isso depois. Então, Jesus também representa o mesmo conceito – o princípio da Expiação. No terceiro nível, vamos colocar o Espírito Santo e Jesus (vejam o gráfico) Que aparecem a nós, ou a Quem nós experienciamos no mundo da forma em termos de atividades concretas ou específicas. Portanto, o Espírito Santo “fala conosco” – Ele é definido no Curso como a Voz por Deus. Ele também é definido no Curso como nosso Professor, ou Mediador, nosso Amigo, e nosso guia. Jesus, no Curso, obviamente fala sobre si mesmo da mesma forma – ele é nosso professor, nosso irmão mais velho, nosso amigo, nosso guia. Ele é aquele que vai nos levar de


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volta. Desse ponto de vista da função no Curso, Jesus e o Espírito Santo podem ser usados de forma intercambiável. Então, estamos falando sobre dois níveis diferentes de compreensão do Espírito Santo e de Jesus. Existe um nível conceitual onde Eles são a expressão simbólica do princípio da Expiação – isto é, de que a separação de Deus nunca aconteceu. Nós sabemos que ela nunca aconteceu porque experienciamos seu Amor e sua Presença em nossas mentes. E existe o nível da forma – as formas específicas nas quais experienciamos sua Presença e seu Amor. Isso inclui os papéis específicos como Professor, Guia, Mediador, Amigo, etc., onde nós Os experienciamos como fazendo coisas específicas para nós no mundo – respondendo perguntas específicas, encontrando vagas para estacionar, curando doenças, etc. Tudo isso envolve o nível da forma, ao qual vamos voltar depois. Mas se nós entendermos a idéia de que “palavras não são senão símbolos de símbolos”, e que elas são, portanto, “duplamente afastadas da realidade”, então vamos saber que termos uma experiência do Espírito Santo ou de Jesus falando diretamente a nós e respondendo nossas perguntas, ou fazendo coisas para nós no mundo, realmente é “duplamente afastada” da realidade. Uma vez afastada da realidade seria simplesmente ter uma experiência de Jesus ou do Espírito Santo como a Presença do Amor de Deus – que é tudo, assim como uma Presença de Amor. Isso, também, é apenas um reflexo da verdadeira realidade – é uma vez afastada. No Céu, não existem Jesus ou o Espírito Santo com uma identidade específica. Vamos examinar uma passagem em “Esclarecimento de termos” sobre o Espírito Santo que é relevante aqui: “A Sua Voz é a Voz por Deus e, portanto, tomou forma. Essa forma não é a Sua realidade, que somente Deus conhece junto com Cristo” (ET-6.1:6-8). A Voz por Deus seria uma forma no nível mais baixo em nosso gráfico – então, nós experimentamos o Espírito Santo como a Voz Que fala conosco, ou um Professor específico Que nos ensina. Mas essa forma não é Sua realidade – Sua realidade apenas Deus conhece, porque Sua realidade é simplesmente uma extensão ou uma expressão do Amor de Deus no Céu. Perto do final dessa seção, a idéia continua: “Pois no lugar dela – em outras palavras, no lugar dos sonhos do ego - o hino a Deus é ouvido por pouco tempo. E então. A Voz terá desaparecido, para não mais tomar forma, porém para regressar à eterna Ausência de Forma de Deus” (ET-6.5:9-12). Enquanto estivermos dentro do sonho – basicamente essas duas caixas na base (vejam o gráfico) – vamos experienciar o Espírito Santo ou Jesus como uma pessoa ou presença específicas, e, bem na base, como alguém que atende nossas necessidades e responde quando precisamos dele. Quando o sonho está terminado, a forma desaparece. E, então, o Espírito Santo retorna à Sua verdadeira identidade, como parte da eterna Ausência de Forma de Deus. Essa é uma idéia extremamente importante para se manter em mente – que é a razão pela qual comecei com ela – porque, conforme trabalhamos com o Curso, podemos facilmente cair na armadilha de confundir a ilusão com a realidade. Ou, como Platão disse, de confundir a aparência com a verdade. Esse ponto fica muito claro em uma passagem importante do panfleto “A Canção da Oração”, que vamos ler um pouco mais tarde. Não estamos buscando o Jesus que faz coisas para nós aqui. Não estamos nem mesmo procurando o Jesus que é a presença abstrata do amor. O que realmente queremos é voltar para casa. Esse é o fim, a meta. Entretanto, essa não é a meta final do Curso. Sua meta final é nos levar a experienciar essa Presença de Amor que nós chamamos de Espírito Santo ou de Jesus, mas reconhecendo que ela não nos exclui, que nós também somos essa Presença de Amor.


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Enquanto Jesus é citado no Curso (no início da seção que acabamos de ler) como a “manifestação do Espírito Santo”, somos solicitados (também parte dessa seção) a nos tornarmos sua manifestação no mundo também. Assim como Jesus é a manifestação do Espírito Santo, porque ele não tem nada em mente além do princípio da Expiação - nenhum pensamento de separação, de culpa, pecado, etc. – nossa meta é nos tornarmos essa mesma manifestação. É a isso que o Curso se refere como estar no mundo real. Nesse ponto, não experienciamos mais uma diferença entre nós mesmos e Jesus, ou entre nós mesmos e o Espírito Santo. De fato, não mais precisamos de Jesus nesse ponto. Ele nos diz no Curso que o objetivo de qualquer bom professor é se tornar dispensável (T-4.I.5:1-2). Uma vez que tenhamos aprendido tudo o que Jesus é e o que ele sabe, então, não precisamos mais dele como um professor. De fato, não vamos mais experienciar a nós mesmos como uma entidade separada de mais ninguém. É isso o que significa estar no mundo real. Nós ainda podemos parecer estar no mundo físico, mas sabemos que é um sonho. E sabemos que nossa verdadeira identidade é compartilhada com todos, incluindo Jesus. Nesse ponto, nos tornamos como ele. Um poema maravilhoso que Helen transcreveu chamado “Uma Oração a Jesus” é basicamente uma oração de nós a ele, rezando para nos tornarmos como ele. Quando finalmente nos tornarmos como ele, o que todos nós faremos – em outras palavras, estaremos livres de nossos egos – então, nós também vamos nos tornar a manifestação do Espírito Santo. E não haverá mais as entidades separadas que temos na segunda caixa (vejam o gráfico). Seremos todos partes do princípio da Expiação. Seremos todos a manifestação vívida de que a separação do Amor de Deus nunca aconteceu. Essa é a meta. Quando isso acontecer, o Curso diz que Deus então dará o último passo, e tudo, exceto Ele, vai desaparecer. E nós todos vamos desaparecer na eterna Ausência de Forma de Deus. Ou, como ele diz no fim do livro de exercícios, em uma linda passagem, todos nós vamos “desaparecer no Coração de Deus” (LE-pII.14.5:5). Nesse ponto, não existe mais separação. Nossa meta é simplesmente estarmos no mundo real para nos tornarmos aquele conceito da Expiação. Como vamos ver – esse é um tema principal do workshop -, todos nós temos que atingir esse ponto. E, para antigí-lo, precisamos de um símbolo do Amor de Deus com o qual podemos nos relacionar, que podemos experienciar. É isso o que estou chamando de natureza ilusória de Jesus, ou a ilusão de Jesus. É extremamente importante – e esse é um ponto que vou reiterar durante todo o workshop – não pular degraus. Enquanto acreditarmos que somos um corpo separado – como todos nós fazemos, pois, do contrário, nenhum de nós estaria aqui – então, precisamos da ilusão de alguém que é separado, mas que represente algo além do que acreditamos ser. Todos nós acreditamos que somos egos bons, saudáveis. Então, precisamos da ilusão de alguém que represente o Amor de Deus para nós. Jesus, em termos do Curso, é essa pessoa para nós. Existe uma linda seção no Manual para Professores, que vamos examinar mais tarde no workshop, que expressa isso. Enquanto acreditarmos estar aqui, enquanto tivermos a ilusão de nós mesmos como tendo uma identidade separada, física e psicológica - lembrem-se de que estamos duplamente afastados da realidade –, então, precisamos da ilusão de alguém mais que parece ter uma identidade física e psicológica separada, que chamamos de Jesus, para pegar nossa mão e nos levar para além desse sistema de pensamento. A meta, entretanto, é finalmente percebermos que a mão que seguramos é nossa Própria – não nós mesmos como um ego, mas Nós Mesmos com letra maiúscula. A mão que seguramos é realmente a mão de Cristo. Mas, até que possamos aprender que é a nossa própria mão, nossa experiência é que Jesus estende a sua. Como ele explica logo no início do texto, que tomando sua mão estamos transcendendo o ego (T-8.V.6:8). Escolhendo Jesus como nosso professor, estamos dizendo que não queremos mais o ego como nosso professor.


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Quando nós pegarmos a mão de Jesus, e nenhuma outra, quando aceitarmos seu amor e nenhum outro, quando aceitarmos sua realidade como a única realidade, então, teremos aprendido todas as lições. Nós nos tornaremos o mesmo amor do qual ele é uma expressão. Esse é o fim. Até esse momento, entretanto, nós precisamos desesperadamente de alguém que possa representar essa outra escolha para nós. Muitas referências no Curso – que vamos ver depois – explicam como naquele momento em que a separação pareceu acontecer e nós todos adormecemos, o princípio da Expiação surgiu. É isso o que o Curso chama, em algumas passagens, como a criação do Espírito Santo. Na verdade, não foi que Deus deu uma resposta à separação, porque se Ele realmente tivesse feito isso, significaria que realmente tinha havido uma separação. Quando o Curso fala dessa forma – como vou elaborar logo -, está falando no reino do simbolismo e da mitologia. Na realidade, quando nós parecemos adormecer, levamos conosco para o sonho a memória do Amor de Deus – esse é o elo. Esse é o princípio da Expiação. O Curso explica que o plano ainda teve que ser colocado em ação, o que significa que, dentro do sonho, algum aspecto da filiação separada teria que vivenciar ou manifestar aquele princípio da Expiação. E essa pessoa, é claro, é Jesus. É por isso que ele fala no Curso que está a cargo da Expiação (T-1.III.1:1). Tudo isso são símbolos e metáforas. Jesus não é um general que foi colocado a cargo das forças – não é nada disso. O Curso está usando uma metáfora para descrever Jesus como nosso irmão mais velho – ele é um símbolo para nós. Outras culturas e religiões têm outros símbolos, mas, para nós, ele é o símbolo de alguém que demonstrou que o princípio da Expiação é verdadeiro – que é possível estar no sonho e se lembrar do Amor de Deus sem reservas ou qualificações. Então, o princípio da Expiação veio a existir no momento em que a separação pareceu acontecer. Mas, dentro do mundo da ilusão, ele ainda teve que ser colocado em movimento, e foi Jesus que fez isso para nós. Novamente, tudo isso está dentro do reino dos símbolos. Parte II Agora, deixem-me voltar um pouco. Existe um tema maior aqui que estamos apenas começando a explorar em termos de Jesus e do Espírito Santo - tema da forma e do conteúdo. Essa é outra forma de falar sobre aparência e realidade. O verdadeiro conteúdo é o Amor de Deus, e a forma são maneiras diferentes de expressá-lo. Dentro do sistema de pensamento do ego, o conceito é culpa, ódio, e separação, e a forma são os diferentes aspectos de um mundo separado e de nossas experiências aqui de sermos separados. Relacionamentos especiais é o termo básico do Curso para englobar todas as diferentes formas nas quais nós expressamos nosso ódio uns pelos outros e por Deus. Quando eu falo sobre a ilusão e a realidade de Jesus, o conteúdo – o Amor de Deus – seria a realidade, e as diferentes formas nas quais experienciamos aquele amor seriam a ilusão. O Curso também deixa claro que o perdão, que é o seu ensinamento central, é uma ilusão – e que o próprio Curso, como um conjunto de três livros, é uma ilusão. Mas, ao contrário de todas as ilusões do mundo, essas três ilusões não fomentam mais ilusões, nem criam ilusões posteriores – elas nos levam além de todas as ilusões. Jesus cai nessa categoria. Ele é uma ilusão porque parece ser uma pessoa separada. Mas, ao segurarmos sua mão e caminharmos com ele, nós compartilhamos seu sistema de pensamento, e sua mente. Seu sistema de pensamento não é a realidade. Ele ainda é um reflexo, ainda é um conceito – porque o perdão é um conceito. Mas ele é um conceito que nos leva totalmente além do mundo. Novamente, é extremamente importante quando trabalhamos com o Curso que compreendamos essa diferença crucial para que não sejamos apanhados e mergulhemos ainda mais fundo na ilusão. Para adiantar um pouco do que vamos falar depois: Escolher o milagre nesse contexto é


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aceitar a experiência do amor de Jesus. A mágica – o Curso freqüentemente contrasta mágica e milagre – é ficar envolvido no que Jesus faz ou diz a nós. Agora, isso não significa que não seja útil, mas que se nós apenas pararmos naquele nível, ficaremos aprisionados. Nós realmente queremos nos unir a Jesus, aceitar seu amor e seu sistema de pensamento – isso é o milagre. E essa é a diferença entre a ilusão e a realidade. Nós realmente não queremos que Jesus faça coisas para nós aqui no mundo. Nós queremos que Jesus fique dentro de nossas mentes. Nós queremos um conceito de Jesus que represente o conceito da Expiação, que diz que nós nunca nos separamos do Amor de Deus e nunca O atacamos. Em uma passagem de A Canção da Oração que vamos ler um pouco mais tarde, Jesus fala sobre a canção da oração como sendo o Amor que o Pai e o Filho compartilham no Céu. E ele diz para nós que é a canção que queremos. Nós não queremos as formas nas quais a canção aparece a nós. Nós não queremos os ecos, os sub-tons, as harmônicas. Em outras palavras, nós não queremos o que está representado no nível mais baixo do gráfico. Nós realmente queremos a canção (C-1.I.2-3) – a canção que cantamos para Nós Mesmos , e que Nós Mesmos cantamos de volta para nós. De fato, não existem duas pessoas cantando uma para a outra – nós somos essa canção de amor, nós somos essa canção que Deus e Cristo compartilham. Até sabermos disso, experienciamos um Jesus ou um Espírito Santo dentro de nossas mentes, Que canta aquela canção para nós, assim como a cantamos para Ele. Existe uma linda passagem em Platão no final dessa discussão sobre as três camas – a cama ideal, a cama do carpinteiro, e a cama do pintor. Platão observa lá, que o artista lida com aparências ao invés de com a realidade. Agora, a original seria a ideal, um símbolo para Platão do mundo do espírito, o mundo da verdade, o mundo que está além de tudo nesse mundo. A cópia, é claro, seria algo que está no mundo das aparências. Platão pergunta retoricamente: Suponha que um homem pudesse produzir tanto o original quanto a cópia. Você acha que ele iria querer se devotar seriamente à manufatura de cópias, tornando-as seu maior objetivo na vida? É claro que não! Se ele realmente soubesse sobre as coisas que representou, iria devotar-se a elas, e não às suas representações. Esse é exatamente o mesmo sentimento que Jesus está expressando na Canção da Oração quando ele diz que é a canção que nós queremos. É o original que queremos, não a cópia. Platão está incitando seus leitores e ouvintes a não perseguirem as coisas desse mundo. O que nós queremos é a idéia. Nós queremos o amor por trás das aparências. No Curso, Jesus está dizendo a mesma coisa a nós: Nós não queremos as dádivas variadas que pensamos receber aqui, no mundo. Nós queremos seu amor. Aprender a se identificar com seu amor é a preparação para o último passo de Deus, quando percebemos que somos aquele amor e que, de fato, nunca deixamos nossa Fonte. Nesse ponto, o Curso explica, todo o mundo desaparece de volta no nada do qual ele veio (ET-4.4:5). Nossa meta, entretanto, não é desaparecermos no nada de Deus, ou no Coração de Deus. Nossa meta é nos tornarmos o mesmo amor da Expiação que Jesus é. O mundo real ainda está dentro do sonho, ainda está dentro do sonho da ilusão. Nesse ponto, as mentes não têm mais pensamentos de ataque e de separação dentro delas. Até atingirmos o mundo real, Jesus permanece dentro de nossas mentes, brilhando o amor e a luz da verdade, e nos convidando a voltar com ele. Agora, vamos nos voltar para uma passagem no Capítulo 25 no texto, que provavelmente é a afirmação mais clara do que estou falando. Primeiro, deixem-me resumi-la. Vou colocar uma linha violeta aqui, como geralmente faço – tudo acima dessa linha é Deus. Essa é a única realidade – é onde Cristo também está. Como o Curso ensina, Deus não sabe nada sobre esse mundo, porque,


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se Ele soubesse, ele seria real. Isso é extremamente importante – se Deus soubesse sobre o mundo, então, haveria um mundo. Todo o ensinamento do Curso é que não há mundo. De fato, existe uma passagem no livro de exercícios que diz literalmente, “Não há mundo! Esse é o conceito central que o curso tenta ensinar” (LE-pI.132.6:2-3). Então, se Deus soubesse sobre a separação e tivesse dado uma resposta a ela, então, teria realmente havido uma separação. De outra forma, Deus não teria dado uma resposta a ela. Mas isso não faz sentido, a menos que compreendamos que Jesus está falando conosco através de símbolos. É por isso que eu fiz os três níveis de caixas. No topo está a realidade – com o Deus perfeito, Cuja perfeição é Sua extensão ou criação, Cristo. E nada mudou isso. Deus é totalmente sem envolvimento com qualquer coisa que esteja fora da Sua Mente, porque se está fora da Sua Mente, não existe. Então, também, o conceito do Espírito Santo como uma Voz separada que fala em nossas mentes também é parte da ilusão, porque não existe separação na realidade, no Céu. No nível inicial, nós encontramos símbolos que dão forma à separação – nós pensamos no Espírito Santo como uma pessoa, pensamos em Jesus como uma pessoa, pensamos uns nos outros como pessoas. Então, na caixa no segundo nível, temos a palavra conceito, e na terceira caixa, temos a palavra forma. Não existe forma de nenhum de nós dentro do sonho – identificando-nos como corpos e personalidades separados – podermos ter uma idéia ou uma experiência do que é a realidade. A realidade é que nós somos perfeitamente um com Deus. Uma linha maravilhosa no livro de exercícios afirma que “em lugar algum o Pai termina e o Filho começa como algo separado Dele” (LE-pI.132.12:4). Não existe consciência separada ou diferenciada que possa dar um passo atrás e observar a si mesma relacionando-se a outra. Deus não pode observar, perceber ou experienciar Cristo. Cristo não pode observar, perceber ou experienciar Deus. Não existe mente separada, consciência separada, ser separado que possa ver a si mesmo ou experimentar a si mesmo em relação a outro. Esse tipo de experiência de outro só acontece dentro do sonho (abaixo da linha violeta no gráfico). Não existe forma aqui – como vamos ver na passagem que vamos ler – de podermos entender como somos totalmente um com nossa Fonte e Criador. Não é incomum que estudantes perguntem o que mais Deus criou além de Cristo, porque nós não somos espíritos como identificamos a nós mesmos, e, portanto, não temos maneira de entender o que um mundo de espírito realmente é; e, então, Cristo parece tão irreal quanto Deus. Portanto, não faria sentido que Um Curso em Milagres refletisse apenas nossa própria realidade como um com nossa Fonte e Criador. Em uma passagem do livro de exercícios, Jesus diz, “Nós dizemos Deus é, e então, deixamos de falar” (LE-pI.169.5:4). Isso não é muito útil. O que aconteceria se Helen tivesse anotado essas palavras maravilhosas, e tudo o que esse livro contivesse fosse, “Deus é”? As pessoas diriam, “Deus é o que?”, ou “Cristo é o que?”. Isso não faria sentido para nós. E certamente não seria útil. E o propósito do Curso, como ele mesmo afirma muitas vezes, é ser prático. Então, esse é o contexto para essa passagem. É a mais clara afirmação em todo o Curso sobre a diferença entre o que ele diz no nível da forma ou das palavras, e a realidade que as palavras refletem. É extremamente útil, conforme lemos e estudamos o Curso, entendermos a diferença entre a forma e o conteúdo, entre símbolo ou aparência e realidade. De outra forma, ficaremos aprisionados no próprio sistema de pensamento do qual queremos escapar. Muitas passagens do Curso têm que ser lidas como um poema seria lido – sem análise, mas, ao invés disso, deixando as palavras fluírem, e permitindo que isso se transforme em uma experiência. Essa passagem da primeira seção no Capítulo 25 deixa isso muito claro (T-25.I.5):


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(Parágrafo 5 – Sentença 1) Já que tu acreditas que estás separado, o Céu se apresenta a ti como se fosse separado também. Já que acreditamos que somos separados aqui, no mundo da forma – cada um com uma identidade separada – então, Jesus e o Espírito Santo são ambos apresentados a nós como uma identidade separada. De fato, o Curso se refere ao Espírito Santo não como “ele” (NT: aqui há um jogo de palavras em inglês entre “it” e “he”, impossível de ser traduzido, uma vez que não existe essa diferenciação em português), mas como “Ele”, como uma Pessoa. Ele é um Professor, um Guia, um Confortador, um Amigo, um Mediador – sempre em termos que têm a ver com o corpo. Então, Ele é apresentado a nós no Curso como separado de nós – que é o que a primeira sentença quer dizer. (Parágrafo 5 – Sentenças 2-4) Não que ele o seja na verdade, mas para que o elo que te foi dado para unir-te à verdade possa chegar a ti através de algo que compreendes. O Céu não é realmente separado da verdade. De fato, na realidade (acima da linha violeta no gráfico), o Céu é totalmente unificado. Deus e Cristo são totalmente um, e o Amor de Deus pelo qual o Espírito Santo é a Voz, é a essência de Deus e de Cristo. E nós somos totalmente um. Não existe diferenciação. O elo que nos foi dado é o Espírito Santo, e Ele nos foi dado de uma forma que possamos entender – Ele veio até nós como Alguém Que é separado, porque nós acreditamos que somos separados. Uma das premissas principais do Curso – chave para entender tanto o sistema de pensamento do ego quanto o do Espírito Santo – é que o que nós tornamos real dentro de nós é exatamente o que vamos experienciar fora de nós. Provavelmente, a analogia mais clara para isso é se pensarmos em nós mesmos em um cinema, assistindo a um filme na tela à nossa frente. O que vemos na tela é idêntico ao que está no filme passando através do projetor que está atrás de nós. É impossível que exista algo naquele filme que não vejamos na tela. É impossível que vejamos algo na tela que não esteja no filme. Se o filme estiver sendo projetado e existir um ponto negro nele, vamos vê-lo na tela. Uma vez que acreditamos estar separados, precisamos experienciar o Amor de Deus como separado, porque o que está dentro de nós é exatamente o que vamos experienciar fora de nós. Se nós nos experienciarmos como um corpo, se pensarmos sobre nós mesmos como um organismo separado que é diferente e separado de outros organismos, se acreditamos que é isso o que somos – que é a crença inerente de que somos um corpo – então, é impossível para nós concebermos Deus como qualquer outra coisa além de um corpo. No texto, Jesus diz, “Tu não podes nem mesmo pensar sobre Deus sem um corpo” (T-18.VIII.1:7). Isso precisa ser porque não podemos pensar em nós mesmos sem um corpo. Jesus também inclui no Curso a afirmação bíblica de que Deus criou o homem à sua própria imagem e semelhança (T-3.V.7:1), querendo dizer que Deus é puro espírito e que nós, portanto, somos puro espírito. A bíblia, entretanto, quis dizer que de alguma forma estranha, nós somos carne – um corpo – e que isso, de alguma forma, é um espelho de Deus. Então, no Curso, Jesus reinterpreta essa citação querendo dizer que Deus é puro espírito e, portanto, nós somos puro espírito. De forma interessante, nós fizemos exatamente a mesma coisa – nós fizemos Deus à nossa própria imagem. Em uma afirmação que se tornou famosa, Voltaire proclamou que Deus criou o homem à sua própria imagem, e, portanto, o homem retornou a homenagem. O Deus que nós fizemos é a projeção do que acreditamos ser. Nós acreditamos que somos separados, pecadores, culpados e raivosos, e que somos assassinos. Portanto, o Deus que fizemos precisa ser um Deus Que é separado, vingativo, raivoso e Que é um assassino. É impossível que o que pensamos sobre nós mesmos não vá determinar o que pensamos sobre Deus. Uma vez que acreditamos ser


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separados – isso é fato, porque estamos todos aqui nesse mundo, ou assim pensamos, pois nossa experiência é a que estamos aqui no mundo -, precisamos pensar sobre Deus como separado também. E, pelo fato de fazermos isso, vamos experienciar o Amor de Deus como separado – mas não porque Ele seja separado na realidade. Na realidade (acima da linha violeta no gráfico), o Amor de Deus é perfeitamente unificado. Lembrem-se, “em lugar algum o Pai termina e o Filho começa”. O amor não é dividido ou quebrado. Mas, porque acreditamos estar em um mundo de forma, só podemos experienciar o Amor de Deus através de um corpo. Então, pensamos sobre o Espírito Santo como uma pessoa – as pessoas costumavam pensar sobre Ele como um pássaro, mas um pássaro tem um corpo também. Ou pensamos sobre Jesus como um corpo, uma pessoa. (Parágrafo 5 – Sentenças 4-6) Pai, Filho e Espírito Santo são como Um só, assim como todos os teus irmãos se unem como um na verdade. Essa é a mesma idéia – existe a perfeita unicidade no Céu. E nossos irmãos são todos partes do mesmo Cristo, a Segunda Pessoa da Trindade – somos todos partes da Filiação. (Parágrafo 5 – Sentenças 6-8) Cristo e Seu Pai nunca foram separados e Cristo habita dentro da tua compreensão, na parte de ti que compartilha a Vontade do Seu Pai. O início da sentença é uma afirmação do princípio da Expiação. E a parte de nós que compartilha a Vontade do Seu Pai é a parte de nossas mentes que nunca deixou Deus. É a parte de nossas mentes para a qual o Espírito Santo é o elo de comunicação, como vamos ver na próxima sentença. (Parágrafo 5 – Sentenças 8-11) O Espírito Santo liga a outra parte – o diminuto, louco desejo de ser separado, diferente e especial – com o Cristo, para fazer com que a unificação fique clara para o que é realmente um. Nossas mentes são realmente uma – totalmente unidas com Deus. Mas nós acreditamos ser separados e, portanto, precisamos de uma experiência dentro do sonho daquele Amor e unicidade de Cristo e de Deus que então vai nos levar de volta. É por isso que no Curso o Espírito Santo é sempre citado como um Elo ou a Ponte. O Curso repetidamente O descreve como o Elo de Comunicação entre Deus e Seus Filhos separados (T-6.OI.19:1; T-8.VII.2:2; ET-6.3:1). Esse elo ainda é uma ilusão, porque nós nunca nos separamos. Mas, uma vez que acreditamos estar separados, precisamos de uma ilusão ou de um símbolo que represente para nós a verdade da perfeita unicidade e do intacto Amor de Deus e de Cristo. (Parágrafo 5 – Sentenças 11-12) Nesse mundo, isso não é compreendido, mas pode ser ensinado. Nós somos ensinados, não sendo ensinados sobre Deus – não podemos ser ensinados sobre Deus. No início do Curso, na Introdução ao Texto, Jesus diz que esse não é um curso sobre amor porque o amor não pode ser ensinado. Ao invés disso, ele é um curso que almeja retirar os bloqueios à consciência da presença do amor (T-in.1:6-7). Então, não somos ensinados sobre a natureza do Céu ou a realidade, ou a criação, ou Cristo, ou Deus. Nós somos ensinados a como nos unir ao conceito ou símbolo do Amor de Deus que conhecemos como Jesus. Isso podemos ser ensinados. E, como sabemos de nosso estudo do Curso, aprendemos a nos unir com Jesus, unindo-nos uns com os outros – vamos ver isso mais tarde. E o que nos ajuda a nos unirmos uns com os outros é nos unirmos a ele.


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Estamos falando aqui totalmente dentro de um mundo de símbolos – mas são símbolos que representam e refletem a verdade do Céu. Eles não são a verdade do Céu, mas refletem essa verdade. E não é o reflexo que nós queremos – nós queremos a verdade. Não são os sub-tons e as harmônicas que queremos – queremos a canção. Nos termos de Platão, não queremos a pintura da cama, não queremos a cama em si, queremos a idéia da cama perfeita. Queremos a verdade. Aprender como nos unirmos uns aos outros através do perdão e como liberarmos nossas mágoas é exatamente a mesma dinâmica de aprender a nos unirmos com Jesus. Não posso me unir com você no perdão sem me unir a ele. Não posso me unir a ele sem me unir a você. Se eu me separo de você, eu me separo de Jesus, e vice-e-versa. É por isso que esse é um curso em perdão e em desfazer a culpa através do milagre. Aprender como nos unirmos a Jesus e como nos unirmos uns aos outros é como aprendemos a nos lembrar de Deus. Então, aqui nesse parágrafo – e vamos ver isso novamente conforme continuarmos – está uma afirmação muito clara sobre a diferença entre aparência e realidade, entre ilusão e verdade. Esse não é um curso em verdade. Se ele fosse sobre a verdade, não seria um curso. A verdade nunca é ensinada – a verdade não pode ser aprendida. A ilusão é o que nós ensinamos a nós mesmos e, portanto, a ilusão é o que precisamos des-aprender. Quando a ilusão é desaprendida, resta a verdade que sempre esteve lá. Existe o ótimo paralelo entre o Curso e Platão. A teoria educacional de Platão afirmava que você não transmite conhecimento a um estudante – você desperta o conhecimento nele. A verdade já está presente dentro de nós – nós só precisamos nos lembrar dela. O tema principal do Curso em termos do seu processo é que vemos a face de Cristo uns nos outros – o que significa que nós perdoamos – e, então, a memória de Deus vem a nossa mente (e.g.,ET-3.4:1; ET-5.2:1). A memória de Deus já está em nossas mentes, mas nós a esquecemos. Parte III (Parágrafo 6 – Sentenças 1-3) O Espírito Santo serve ao propósito de Cristo em tua mente, de modo que o objetivo do especialismo possa ser corrigido onde está o erro. O erro está dentro do sonho, no mundo de símbolos. O Curso nos ensina que o ego falou primeiro e está errado (T-5.VI.3:4;4:2), e que o Espírito Santo é a resposta – vamos voltar a esse ponto depois. Em nosso gráfico, a coluna com o ego no topo tem um conceito de Deus contra-o-qualpecamos. Isso leva à crença em um Deus Que é vingativo, odioso, e insano, Que faz barganhas conosco, Que é nervoso e assassino, etc. Esse é um Deus Que percebeu que nós roubamos Dele, O matamos, O extorquimos, O abandonamos, e fizemos um mundo em substituição ao Dele. E Ele não gosta disso nem um pouco! Esse é o Deus do ego – e a história do ego. Todos os traços que atribuímos a Deus, todas as palavras e conceitos que usamos para pensar sobre Deus são igualmente ilusórios. A bíblia é uma enciclopédia fiel da versão do ego para Deus, tanto do seu lado negativo quando do aparentemente positivo. Esse Deus se parece muito com uma pessoa. Ele pensa como um ser humano, planeja e conspira como um ser humano, e é ciumento e ama como um ser humano. Ele não ama como Deus. Ele ama como um ser humano. É amor especial: “Eu vou amar você quando você fizer o que eu peço, e que o Céu o ajude se você não fizer”. E, é claro, o Céu não vai nos ajudar se nós não fizermos. Não existe saída. O conceito do ego sobre Deus e seu conjunto de símbolos para Deus são os símbolos que nós entendemos porque são os símbolos que transformamos em realidade. Nós sabemos que os transformamos em realidade, estejamos conscientes disso ou não, pelo fato de estarmos no mundo. Como o Curso explica, esse mundo foi feito literalmente como uma defesa contra a ira de


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Deus, e como um ataque à Sua soberania, Seu poder e Seu papel como Criador. O corpo então foi feito como um forte individual para manter Deus do lado de fora. O fato de acreditarmos que estamos hospedados e vivemos dentro desse forte significa que acreditamos na necessidade de termos o corpo e o mundo como uma defesa. Como uma defesa contra o que? Como uma defesa contra esse Deus contra-o-qual-pecamos, Que agora se tornou tão insano quanto nós. Todos nós acreditamos nisso. Esse é o nosso sonho, nosso conjunto de símbolos que começa com a premissa de que Deus está raivoso porque nós pecamos contra Ele, e, então, Ele vai retaliar. Nós fizemos esse conjunto de símbolos e, então, a correção vai usar os mesmos símbolos, mas virados de ponta cabeça. Então, Deus ainda é visto como um corpo e ainda somos vistos como separados Dele. Mas, ao invés de Deus ser o Deus contra-o-qual-pecamos, Ele é alguém Que é totalmente amoroso, Que não sabe nada sobre pecado. Portanto, Jesus nos diz na sua versão da história, seu mito como oposto ao mito do ego, que nós deixamos a casa do Pai, porque é isso o que o sonho é. Ele usa os símbolos do sonho, porque de outra forma não saberíamos sobre o que ele está falando. Se Jesus simplesmente dissesse, “Deus é”, iríamos dizer, “Deus é o que? Deve haver mais do que isso”. Então, Jesus diz mais do que isso para nós. Ele diz, “Sim, vocês deixaram a casa do Pai. Entretanto, Deus não está zangado. Ele sente falta de vocês. Ele está solitário. Deus está chorando porque existe algo faltando em Sua casa. Deus é incompleto sem vocês”. Agora, obviamente, essas três frases – Deus está solitário, Deus chora, Ele é incompleto – são heresias no ponto em que a metafísica do Curso significa. Claramente, Deus não tem um corpo – Ele não tem ductos lacrimais dos quais as lágrimas possam cair. Esses são símbolos que expressam um conceito de que Deus não está zangado e que Ele nos ama. O conceito de um Deus Que não está zangado não é realidade. A realidade é que Deus nunca deixou de ser Quem Ele é. E a realidade é que Deus nem mesmo sabe nada sobre isso. O Perfeito Amor de Deus que O une perfeitamente a Cristo nunca foi quebrado. Essa é a realidade, mas isso não faz sentido para nós. Uma vez que o ego fala primeiro – e o símbolo do ego para Deus é que Ele é um Deus contra-o-qual-pecamos e um Deus zangado – então, Jesus fala a nós usando símbolos nesse nível também. A versão de Jesus para a história ainda vem a nós dentro do mundo de símbolos, dentro do mundo de aparências, sonhos e ilusões, não no mundo da realidade. Mas esse sonho é o que o Curso cita como um sonho feliz. Então, Jesus nos diz que Deus não está zangado. E sim, ele nos diz, Deus realmente enviou o Espírito Santo. Mas Ele não mandou o Espírito Santo atrás de nós para nos punir e nos arrastar de volta para Sua casa para que ele pudesse nos espancar e destruir – é só nisso que acreditamos. E é por isso que fugimos de casa e ficamos longe. De fato, nós não apenas ficamos longe de casa, mas fizemos nossa própria casa – tudo isso ainda está dentro do mundo de símbolos. Nós acreditamos que fugimos de casa, nos sentimos terrivelmente culpados, e, então, ficamos com medo da extensão de Deus dentro do sonho – o que, na realidade, é apenas a memória do Amor de Deus. Mas o ego virou isso de ponta cabeça. Então, novamente, Jesus fala conosco no nosso nível e diz, “Não, Deus não está zangado. Sim, Deus realmente enviou o Espírito Santo atrás de você, mas não para atacá-lo. Ele enviou o Espírito Santo para despertar você do sonho e ensiná-lo a ficar feliz que isso seja um sonho”. Perto do início do texto, Jesus se refere ao Espírito Santo como “o Chamado para despertar e ser feliz” (T-5.II.10:5). Jesus fala sobre o Espírito Santo como Alguém Que Deus criou em resposta à separação e que enviou ao sonho porque o ego falou primeiro. O ego disse, “Deus está zangado com você pelo que você fez. Ele criou o Espírito Santo e O enviou para sua mente para levá-lo para casa para que Deus possa destruí-lo”. Uma vez que esse é o conceito de Deus no qual nós acreditamos, Jesus nos dá a correção para ele em termos similares.


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A correção é tanto uma ilusão quanto o sistema de pensamento do ego. A diferença é que a ilusão do ego leva a mais culpa e medo, e aprofunda nossa identificação com o sonho. A ilusão que Jesus nos dá vai nos despertar da nossa culpa e medo, para que o sonho termine. Mas nós precisamos de um ponto de partida. O Curso explica que nós não passamos dos pesadelos do ego para a realidade de Deus porque isso seria aterrorizante demais para nós. Ao invés disso, nós passamos dos pesadelos do ego para os sonhos felizes do Espírito Santo. E, desses sonhos felizes, nós então despertamos (T-27.VII.13). Então, o Curso está falando no nível dos símbolos. É extremamente importante, conforme lermos o Curso, que não confundamos a realidade com a ilusão, os símbolos com a realidade além dos símbolos. A realidade além dos símbolos não pode ser expressa em palavras nem ensinada. Então, nós precisamos de um conjunto de símbolos, mas não queremos tornar os símbolos reais. É isso o que as igrejas fizeram durante dois mil anos. Nós não queremos transformar os símbolos em realidade e adorá-los – senão, ficaremos presos a eles. Mais tarde, vamos examinar na Canção da Oração a passagem que eu citei antes, que torna isso tudo muito claro. Retornando ao texto: (Parágrafo 6 – Sentenças 3-6) Como o Seu [do Espírito Santo] propósito é ainda uno com ambos, o Pai e o Filho, Ele conhece a Vontade de Deus e o que é realmente a tua vontade. Mas isso é compreendido pela mente que se percebe uma, ciente de que é uma e assim vivenciada. Esse é o mundo real. A unidade de Deus, ou a Unicidade de Deus e Cristo, não é percebida no Céu. Se nós falamos sobre percepção, estamos falando sobre alguém que percebe e um objeto que é percebido. O Curso repetidamente contrasta conhecimento e percepção. Conhecimento é usado quase que exclusivamente para denotar o estado do Céu. Não é o conhecimento de algo. É o conhecimento que é a consciência da unidade de Deus e de Cristo – não existe “eu” que esteja consciente de outro. A formulação do relacionamento eu-tu por Martin Buber, o grande teólogo judeu e filósofo, ainda seria uma parte da ilusão. Seria um conceito de um Deus: Existe um Deus lá fora e existe uma pessoa aqui que se relaciona com Ele. Na realidade (acima da linha violeta), no Céu, o “eu” e o “Tu” são um e o mesmo – não existe diferença. A única maneira de podermos entender que a Vontade de Deus é a mesma que realmente queremos, é estarmos no mundo real. Alguém como Jesus está perfeitamente em contato com o amor e a unicidade do Céu. Ao mesmo tempo, ele está ciente de que seus irmãos ainda estão dormindo. Esse é o estado conhecido como mundo real – eu ainda estou dentro do sonho. Eu ainda sou um pensamento dentro da mente separada da Filiação, mas estou totalmente consciente de que isso é um sonho. Estou totalmente consciente de que sou uma parte de Cristo, junto com todos os outros, e que Cristo é parte de Deus. Mas isso não pode ser compreendido nesse nível. Aqui nós podemos entender que todos compartilhamos um propósito comum – que podemos ser ensinados, que podemos aprender, e que podemos entender. Novamente, o objetivo do Curso é que nós reconheçamos que todos compartilhamos um propósito comum. Nosso propósito comum é que, como somos todos partes desse sonho errôneo, venhamos a ansiar por voltar para casa. O fim da jornada e o objetivo do Curso é que estejamos no mundo real, onde reconhecemos que somos todos partes da mesma mente. (Parágrafo 6 – Sentenças 6-8) É função do Espírito Santo ensinar-te como é vivenciada essa unificação, o que tens que fazer para que ela seja vivenciada e aonde deves ir para fazer isso.


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Essas, basicamente, constituem-se nossas lições de aprendizado. E a sala de aula onde as aprendemos é cada um dos relacionamentos nos quais nos encontramos – todos os nossos relacionamentos especiais. O Espírito Santo nos ensina como olhar para eles de modo diferente. Isso é o Curso – esse é o método do Curso. Eu sou uma ilusão, unindo-me a você como uma ilusão. Eu sou uma ilusão liberando minhas mágoas contra você, que é uma ilusão de uma pessoa lá fora, separada de mim. Mas, por que eu acredito que isso é real, é aí que preciso começar. (Parágrafo 7 – Sentenças 1-4) Tudo isso leva em consideração o tempo e o espaço como se fossem distintos, pois enquanto pensas que parte de ti é separada, o conceito de uma unicidade unida como uma só não tem significado. Desde que acreditemos que somos corpos – o que significa que acreditamos que somos separados – a idéia da Unicidade de Cristo que todos nós compartilhamos não faz absolutamente sentido nenhum. Como eu poderia experienciar que todos nós somos um se eu sou um corpo que tem necessidades, e eu vejo seu corpo lá fora, e você tem necessidades? E nós temos que fazer uma barganha um com o outro para que nossas necessidades possam ser satisfeitas de alguma forma sem que tenhamos que matar um ao outro. Então, não existe maneira de entender a unicidade. É por isso que, no Curso, Jesus fala sobre o tempo e o espaço como se eles fossem distintos. Existe um espaço onde eu fico e um espaço onde você fica. Existe um espaço onde eu fiquei ontem, e um espaço onde vou ficar amanhã. E existe um espaço onde estou agora. Existe um ontem, um amanhã e um hoje. Através do Curso, Jesus fala sobre tempo e espaço como se eles fossem reais. Ele fala de um lugar dentro da mente onde o Espírito Santo está – ou onde ele está, como se existisse um lugar. O Céu é freqüentemente descrito como se fosse um lugar, ainda que obviamente não seja. E o Curso fala sobre nossa união uns com os outros, cada um de nós percebendo os outros como separados de nós. Essa passagem é a maneira de Jesus explicar porque ele fala assim – não que isso seja real. Nada aqui é real. Nada aqui no mundo da forma é real. Nada é real dentro da mente separada da Filiação. Em uma passagem próxima do início do texto, Jesus basicamente se desculpa por falar sobre o ego como se ele fosse separado (o único lugar no Curso onde ele faz isso, incidentalmente). Ele explica, “Eu tenho falado do ego como se fosse uma coisa separada, agindo por conta própria. Isso foi necessário para persuadir-te de que tu não podes despedi-lo facilmente” (T-4.VI.1:3-6). Jesus também fala sobre o Espírito Santo como Alguém Que é separado. Na realidade, cada um (o ego e o Espírito Santo) representa uma voz ou um pensamento dentro de nossas mentes. Eles não são separados de nós mais do que nós somos separados uns dos outros, ou separados de Deus. Mas, porque fizemos um mundo de separação, então, temos a ilusão da separação. Então, temos a ilusão de escolher entre o ego e o Espírito Santo, porque isso é extremamente significativo para nós. Nós fizemos um mundo de separação e um mundo de escolhas – um mundo de boas e más escolhas. Então, Jesus fala a nós dessa forma, não porque seja verdade – a verdade é apenas a perfeita Unicidade de Deus e de Cristo – mas, porque ele precisa falar conosco na linguagem que entendemos. E essa é a linguagem do mundo de ilusão e símbolos – onde nós acreditamos estar. (Parágrafo 7 – Sentenças 4-6) Está claro que uma mente tão dividida nunca poderia ser o professor de uma Unicidade Que une todas as coisas dentro de Si Mesma. E cada um de nós é uma parte daquela mente que está tão dividida, porque nós acreditamos que estamos divididos entre Deus e o ego, entre o ego e o Espírito Santo, e nós acreditamos que


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estamos separados de tudo o mais. Obviamente, uma vez que a mente está dividida, nunca poderemos entender nem ensinar a nós mesmos que somos todos um. A mente dividida – e o corpo que surgiu da mente dividida – foi feita especificamente para esconder a Unicidade de Deus e de Cristo, de nós. O ego sabe – estamos falando novamente dentro de um mundo de símbolos – que se nós ouvirmos a Voz da Unicidade, o Espírito Santo, vamos despertar do sonho e não haverá mais ego. Então, ele fez uma mente dividida – separada do Amor do Espírito Santo – que se tornou um símbolo da separação do Amor de Deus. O ego então fez um corpo separado – um corpo preenchido com pensamentos de ser separado – e um mundo no qual todos e tudo parecem ser separados uns dos outros. E o corpo e o mundo são cortinas de fumaça que camuflam a presença do amor, da luz, e a unidade na mente. Então, é impossível que a mente dividida possa um dia ser a professora. Nós precisamos de um símbolo para a unicidade que possa falar conosco dentro de nossas mentes, e, entretanto, não seja limitado pela mente dividida. E esse símbolo é o Espírito Santo. (Parágrafo 7 – Sentenças 6-7) E assim O Que está dentro dessa mente e de fato une todas as coisas tem que ser o seu [da mente] Professor. “O Que” está com letra maiúscula, então sabemos que se refere à Unicidade de Cristo ou de Deus, que o Espírito Santo representa. Uma vez que temos a ilusão de sermos separados e de termos ouvido a voz do ego – o que basicamente significa que nós temos a ilusão de que o ego é nosso professor – precisamos de correção ou desfazer dessa ilusão. E, novamente, esse é o papel do Espírito Santo. Aqui está provavelmente a seqüência mais importante dessa passagem: (Parágrafo 7 – Sentenças 7-9) No entanto, Ele [a Unicidade, ou o Espírito Santo] tem que usar uma linguagem que essa mente possa compreender, na condição na qual ela pensa que está. O Espírito Santo precisa falar a linguagem da separação, usando conceitos e símbolos, porque é isso o que entendemos uma vez que acreditamos que nos separamos de Deus. Nós ensinamos a nós mesmos, escolhendo o ego como nosso guia, que Deus está zangado, vicioso e vingativo e, portanto, temos que nos defender Dele. Então, precisamos de um conjunto oposto de símbolos para desfazer isso, representado pelos símbolos da história da Expiação do Espírito Santo – Deus não está zangado, Deus é misericordioso , e Ele nos ama. Não que Deus ou Jesus nos amem da forma que experienciamos isso. Mas essa é a única maneira de podermos aceitar esse amor que está além de nossas mentes divididas. Então, o Espírito Santo precisa falar conosco – e Um Curso em Milagres, como uma expressão da Palavra do Espírito Santo, precisa falar conosco – em um nível que podemos aceitar e compreender. (Parágrafo 7 – Sentenças 9-12) E Ele [Unicidade] tem que usar todo o aprendizado para transferir ilusões à verdade, tomando todas as idéias falsas quanto ao que tu és e conduzindo-te para além delas, para a verdade que está além das ilusões. Esse é o propósito do Espírito Santo, que é o propósito de Jesus e do seu Curso – levar-nos além de todas as falsas idéias. Então, primeiros precisamos pegar a falsa idéia – de que nós somos separados, e que o ataque e o especialismo são justificados – e corrigi-la. Nós temos uma ilusão – a ilusão do perdão – que corrige e desfaz a ilusão da separação e do ataque. Quando todas as ilusões de separação e ataque tiverem sido desfeitas pela ilusão do perdão, elas desaparecerão. O que permanece é a verdade. O Curso é único como um sistema espiritual porque é muito claro sobre a pureza absoluta de Deus e do Seu Amor – Deus não tem nada a ver com qualquer coisa que seja irreal ou ilusória. Ao mesmo tempo, o Curso nos dá um sistema de pensamento muito prático e um caminho espiritual muito prático que nos encontra onde nós acreditamos estar – no mundo da forma.


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A idéia é nos levar além do mundo da forma para um pensamento que, embora ainda seja um pensamento de separação, não têm conceitos de ataque, assassinato ou especialismo associados a ele. Então, ainda vamos ter uma experiência de um Jesus ou de um Espírito Santo em nossas mentes para Quem nos voltarmos. Quando nos tornarmos aquele pensamento perfeito da Expiação, nos tornaremos como Jesus. Jesus desaparece, nós desaparecemos, e tudo o que resta é o Amor do Espírito Santo, que, nesse ponto, desaparece também. ....... Dentro da moldura do ego na qual o Curso vem até nós, existem dois pontos que valem a pena ser comentados mais profundamente. Primeiro, embora o ego seja realmente uma parte da nossa mente dividida, existe valor em falar dele como se fosse separado de nós. É útil pensar que existem duas vozes dentro da mente. De vez em quando, tenho falado sobre a mente dividida como tendo três partes – o ego, o Espírito Santo, e a parte de nossas mentes que escolhe entre eles. Na realidade, é tudo uma coisa só, porque não existe tempo – nenhum passado, presente ou futuro lineares – e nada é realmente separado. Mas, pelo fato de acreditarmos que somos separados, e acreditarmos que existe um passado, presente e futuro, é útil pensar na mente como uma sala de aula na qual escolhemos qual professor vamos ouvir. Uma vez que todos nós crescemos, quer estejamos conscientes disso ou não, acreditando apenas no ego e que é ele que nós somos – uma pessoa separada, pecadora, culpada, raivosa, viciosa, depressiva, solitária -, é útil ter a ilusão de outro pensamento ou outra pessoa dentro de nós que representa algo mais. Uma vez que acreditamos que estamos dentro do mundo de ilusão, sonhos e símbolos, temos que trabalhar com isso – mas não porque eles sejam reais. No final, vamos reconhecer que é tudo uma coisa só. O segundo ponto é entender que o uso do Curso da palavra Deus, ao invés de apenas palavras impessoais como verdade, realidade, unicidade, conhecimento, etc., é deliberado. O ponto completo do Curso é trazer à nossa consciência todas as associações negativas que temos de Deus – Deus como um homem punitivo, um pai punitivo, e assim por diante, para que possamos perdoá-las. É por isso que o Curso vem em uma linguagem judaico-cristã, onde Deus é muito visto como um pai masculino. E a identidade de Jesus é central para o Curso, por causa de toda a falta de perdão que as pessoas – tanto judias quanto cristãs – têm em relação a ele. Então, o Curso traz a tona todos os preconceitos e tendências, todas as mágoas e todos os medos, para que possamos olhar para eles. Eu poderia acrescentar que o conceito de Deus sobre o qual estamos falando não é o que o Deus real é – estamos falando sobre o que o ego fez do Deus real. E, então, o Curso usa nomes com os quais todos no mundo ocidental – sejam judeus ou cristãos – cresceram. Basicamente, é o falso Deus que nós temos que perdoar. No Curso, Jesus, referindo-se a si mesmo em um determinado ponto, fala sobre ídolos amargos que fizeram dele (ET-5.5:7). Quando nós pensamos sobre Jesus, todos os ídolos amargos vêm à tona – o Jesus que acreditou em perseguição, sacrifício e morte, exclusão e especialismo, etc. Uma linha maravilhosa, encerrando a seção sobre o especialismo, diz, “Perdoa ao teu Pai por não ter sido Sua Vontade que sejas crucificado” (T-24.III.8:11-12). Basicamente, poderíamos dizer a mesma coisa sobre Jesus – perdoe Jesus porque não foi a sua vontade que nós sejamos crucificados. Parte IV Eu agora gostaria de ligar tudo o que estive falando com o que será discutido a seguir. Outro tema principal desse workshop, implícito no que estive falando, é a idéia de que o Curso foi escrito em muitos níveis diferentes. De fato, isso é algo que vou explicar explicitamente mais tarde. Como


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tenho dito, algumas afirmação no Curso deveriam ser tomadas literalmente, enquanto outras deveriam ser tomadas metafórica ou simbolicamente. A idéia de que Deus chora por nós, ou que Deus está solitário sem nós, ou que Jesus ou o Espírito Santo realmente fazem coisas para nós no mundo, são afirmações que precisam ser tomadas como metáforas ou símbolos para corrigir os erros que fizemos. Jesus usa nosso simbolismo, mas dá a ele um significado e um conteúdo diferentes. A razão para discutirmos tudo isso – e uma das razões principais para esse workshop – é reforçar que deveríamos não tentar trazer o Curso para baixo, para nosso nível, mas, ao invés disso, deveríamos crescer até o nível do qual o Curso está vindo e atingir o amor que é a verdadeira fonte do Curso. É tentador sempre tentar trazer a verdade à ilusão. Um tema principal que Jesus está sempre enfatizando no Curso é que nossa função é trazer a ilusão à verdade, não a verdade à ilusão. Nós não trazemos o amor ao medo – nós trazemos o medo ao amor. Nós trazemos a escuridão à luz, não a luz à escuridão. Uma vez que somos nós que fizemos esse mundo e tudo nele – e ele foi feito como um ataque a Deus e uma defesa contra Seu Amor -, não faz sentido, então, tentar arrastar Deus para o mundo e dizer, “Conserte-o”. Ele basicamente iria olhar para nós e dizer, “Consertar o que?”. Não que Deus tenha uma boca para dizer isso – estou falando metaforicamente, é claro. Ao invés disso, deveríamos levar os pensamentos que levam à criação do mundo até Ele. E a Presença de Deus em nossas mentes separadas é o que o Curso chama de Espírito Santo. Nós sempre somos tentados a inventar nossos problemas aqui, o que realmente são tentativas de excluir Deus. E, então, queremos arrastar esse Deus mágico para dentro do mundo para que Ele possa resolver nossos problemas aqui. Isso, como o Curso explica, é trazer a verdade à ilusão. O Curso está nos pedindo para, ao invés disso, levarmos a ilusão à verdade. Basicamente, estou dizendo que deveríamos nos aproximar do Curso com um grau de reverência e respeito, reconhecendo que ele está vindo até nós em muitos níveis. E o nível mais elevado é algo a que queremos aspirar, algo que queremos atingir. Um pouco mais tarde, vou falar sobre a “escada da oração”, a imagem usada no panfleto A Canção da Oração. Uma escada tem muitos degraus, e nós estamos no início dela. O topo da escada é a realidade de Deus, que nós discutimos antes (acima da linha violeta no gráfico). Vamos ver, conforme discutirmos o início do panfleto, que o principal propósito de Jesus é nos dizer que é certo começarmos no primeiro degrau da escada, porque é lá que estamos – mas que não é lá que queremos terminar. Na seção da República sobre a qual falei antes, Platão pergunta por que iríamos buscar a imitação, a cópia, quando podemos ter o original. Agora vou ler um pequeno trecho de uma carta que Franz Liszt escreveu, que é relevante para o ponto que estou enfatizando. Franz Liszt, é claro, foi uma grande personalidade da música no século 19. As óperas de Wagner, ou as “músicas dramáticas” como ele mesmo as chamou, sempre tenderam a ser muito longas. Depois da performance de uma dessas óperas, Liszt escreveu uma carta a um amigo, na qual fazia referência ao criticismo comum das palavras de Wagner – de que elas eram muito longa e difíceis. E foi isso o que Liszt escreveu: “Grandes trabalhos deveriam ser abraçados inteiramente, corpo e alma, forma e pensamento, espírito e vida. Não deveríamos lamentar com Wagner pela sua extensão. É melhor expandirmos nossa escala até a dele”. Ao invés de tentar arrastar Wagner para baixo, deveríamos crescer até a sua genialidade. Isso seria ainda mais direto ao ponto em termos do Curso. Um dos grandes erros que o cristianismo cometeu com a mensagem de Jesus há dois mil anos foi que, ao invés de tentar crescer até o que ele estava ensinando, a igreja tentou trazer Jesus e sua mensagem para baixo,


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até o nível do mundo – o qual, é claro, era uma resposta do ego. E, então, a mensagem da igreja se tornou uma mensagem cheia de sacrifício e sofrimento, assassinato e morte, culpa, especialismo, exclusividade, rituais e formas, etc. As pessoas pensaram que entenderam o que Jesus disse e ensinou. E, então, começaram a pregar sua mensagem sem reconhecerem que tinham perdido totalmente o foco. E é muito fácil agora fazer a mesma coisa com o Curso. Uma maneira principal desse erro acontecer é confundir o símbolo com a realidade, confundir a forma com o conteúdo. É muito importante entender que muito do Curso é escrito em um nível simbólico por causa de onde estamos. Se nós crescermos até o símbolo, então vamos reconhecer que, no final, ele desaparece na realidade, no amor que sempre está lá. Esse é um tema principal do workshop que vou desenvolver melhor depois. ........ Agora vamos voltar à Canção da Oração e ler alguns poucos parágrafos das duas primeiras seções. Não vamos passar muito tempo fazendo isso, embora o que esteja contido aqui seja extremamente importante. Nosso foco será nas partes onde, sem realmente usar essas palavras, Jesus fala sobre a diferença entre aparência e realidade, entre símbolo e verdade. É aqui também que ele expressa o que parecem ser contradições na linguagem do Curso, mas então, ele vai em frente para explicar porque elas não são realmente contradições. A discussão vai ajudar a nos levar a considerar Jesus especificamente, tanto como realidade quanto como símbolo, e a importância do símbolo. A metáfora usada nesse panfleto, especialmente no início, é de uma escada. O topo da escada é chamado de “canção da oração”, um estado idêntico ao que está citado na Lição 183: “O universo não consiste de nada além do Filho de Deus, que invoca o seu Pai. E a Voz do seu Pai dá a resposta no santo Nome do seu Pai” (LE-pI.183.11:3-5). A “canção da oração” é a canção de amor e de ação de graças que o Pai canta para o Filho e o Filho canta para o Pai. Mas é uma canção silenciosa, sem notas. A palavra canção aqui é estritamente uma metáfora, assim como naquela maravilhosa seção do texto chamada “A canção esquecida” (T-21.I) – é o mesmo símbolo. A canção que nós esquecemos é a canção que une Deus e Cristo. A canção da oração, ou o topo da escada, é realmente o que está representado pela linha violeta no gráfico. Quando completamos nossa jornada espiritual, toda a escada desaparece, e nós, com efeito, desaparecemos na canção da oração – de fato, nós nos tornamos a canção da oração. Então, as páginas iniciais do panfleto apresentam essa metáfora: (Parágrafo 1 – Sentenças 1-7) A oração é a maior dádiva com a qual Deus abençoou Seu Filho na sua criação. Já era então o que deve vir a ser: a única voz que o Criador e a criação compartilham; a canção que o Filho canta ao Pai, Que retorna os agradecimentos que ela Lhe oferece ao filho. A harmonia é sem fim assim como também é sem fim o alegre acordo do amor que eles dão um ao outro para sempre. Jesus diz “o que deve vir a ser” porque nós adormecemos, então, a oração é um estado que temos que recuperar. A canção é uma canção abstrata, um símbolo que Jesus usa, já que canções, melodias e música são uma parte tão importante do nosso mundo aqui. Ela simboliza o que não pode ser compreendido nesse mundo. Como já citei antes, “em lugar algum o Pai chega ao fim para dar início ao Filho” (LE-pI.132.12:6-7). Essa afirmação não faz sentido para nós aqui, porque estamos mergulhados em um mundo de separação. Como já li antes, da primeira seção no Capítulo 25 no texto, é por isso que o Céu vem até nós como se fosse separado de nós. É por isso que o Espírito Santo parece ser uma Voz fora de nós que fala conosco. Na verdade, não é


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assim, mas dentro do sonho que nós fizemos para excluir Deus, precisamos de um conceito de um Deus Que inclui a nós, e Que chama por nós. Na realidade, Deus e Cristo nunca se separaram – a unicidade é o que a canção da oração representa. Vamos pular agora para o segundo parágrafo: (Parágrafo 2 – Sentença 1) Para ti que estás no tempo por pouco tempo... Sempre é útil manter em mente que a visão de Jesus sobre o tempo é muito diferente da nossa. O que para nós seria uma extensão de tempo de centenas ou milhares de anos, para ele é apenas “pouco tempo’. Todo o tempo existe e existiu em um minúsculo instante. Só dentro do sonho o tempo realmente parece se estender de forma linear por bilhões e bilhões de anos, com um passado, um presente e um futuro. Na verdade, tudo aconteceu dentro de um único instante. E, enquanto acreditarmos estar adormecidos, ele ainda está acontecendo dentro de um único instante. O tempo já foi desfeito. E, para ser ainda mais preciso, ele nunca realmente aconteceu de forma alguma. Jesus está falando conosco de um lugar em nossas mentes onde não existe tempo então, para ele, nós estamos aqui apenas por pouco tempo. Portanto; (Parágrafo 2 – Sentenças 1-3) Para ti que estás no tempo por pouco tempo, a oração toma a forma que mais se adapta às tuas necessidades. Tu só tens uma. Isso é muito importante, e será elaborado na próxima seção, “A Oração Verdadeira”. Nós só temos uma necessidade – lembrarmos que nunca saímos de casa. Uma afirmação no texto diz que ”a única oração significativa é a que pede o perdão porque aqueles que foram perdoados têm tudo” (T-3.V.6:2-3). (Parágrafo 2 – Sentenças 3-5) O que Deus criou uno tem que reconhecer a própria unicidade e regozijar-se, pois o que as ilusões pareciam separar é uno para sempre na Mente de Deus. “O que Deus criou uno” é a Filiação. A Filiação agora parece ser fragmentada, e, portanto, precisa reconhecer sua unicidade. Vamos permanecer um Cristo dentro da Mente de Deus. Todos nós permanecemos como uma Voz cantando alegremente aquela canção da oração, ainda que a diminuta e louca idéia de sermos separados de Deus pareça ter o poder de nos separar e de nos fragmentar. (Parágrafo 2 – Sentenças 5-8) A oração agora tem que ser só o meio pelo qual o filho de Deus deixa para trás as metas e os interesses separados e se volta em santo contentamento para a verdade da união em seu Pai e nele mesmo. A oração é usada aqui de duas formas. Por um lado está o topo da escada, a canção da oração que nós cantamos para Deus e que Deus canta para nós. Dentro do sonho, por outro lado, a oração é um processo, uma escada. Então, é tanto um processo quanto o fim do processo. Em outro contexto, uma linha maravilhosa no livro de exercícios fala sobre Deus como Amor: “Ele é o fim que buscamos, e Ele é o Meio através do qual chegamos a Ele” (LE-pI.302.2:3). Deus é tanto a meta quanto os meios através dos quais O atingimos. De forma similar, a oração, a canção da oração, é a meta, entretanto, ela também se refere ao processo. Então, a oração é tanto a escada que precisamos subir, quanto o fim da escada. É por isso que o Curso pode ser confuso de vez em quando. Existem muitas passagens no Curso onde Jesus usa a mesma palavra de formas diferentes. Por exemplo, o instante santo é usado para se referir a todos os instantes individuais nos quais nós escolhemos o amor ao invés do


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medo, um milagre ao invés de uma mágoa, etc. Mas, então, instante santo também é usado em algumas vezes para se referir a um único grande instante quando tudo o que é do ego desaparece totalmente. Novamente, ele é tanto o processo quanto o fim do processo. O relacionamento santo é usado das duas formas também. Em algumas vezes, Jesus se refere de forma bem clara e específica ao relacionamento santo como um processo onde nós vamos e voltamos entre o relacionamento santo e o especial. Em outras vezes, ele o usa para significar o fim do processo. Nós deveríamos ler o Curso como faríamos com um grande poema, onde não analisamos cada palavra específica, e tentamos deduzir o contexto inteiro. Ao invés disso, simplesmente deixamos as palavras falarem conosco. Agora, vamos voltar ao primeiro parágrafo na seção seguinte, “A Verdadeira Oração”. (Parágrafo 1 – Sentenças 1-3) A oração é o caminho que nos é oferecido pelo Espírito Santo para chegarmos a Deus. Não é meramente uma pergunta ou uma súplica. Jesus está falando agora sobre a oração como um processo. Em outras palavras, a oração não é simplesmente pedir a Deus para fazer coisas por nós. Esse é o próprio início da escada – um Deus, ou um Jesus, ou um Espírito Santo Que responde a orações, Que nos diz o que fazer, onde ir, com quem falar, o que dizer, etc. (Parágrafo 1 – Sentenças 3-6) Não pode ter sucesso até que compreendas que ela nada pede. De que outra forma poderia servir ao seu propósito? É impossível orar por ídolos e esperar chegar a Deus. A oração não pede nada porque nós temos tudo. Rezar por “ídolos” inclui qualquer coisa para a qual pedimos ajuda – conseguir um lugar no estacionamento, ser curado de câncer, terminar com o conflito no Oriente Médio, conseguir um emprego que queremos, proteger um ser humano de ser ferido, etc. Todos esses são ídolos porque são substitutos para o Amor de Deus. (Parágrafo 1 – Sentenças 6-7) A verdadeira oração tem que evitar a armadilha de pedir para suplicar favores. A verdadeira oração é o topo da escada. Nenhum de nós está lá, e Jesus não está exigindo que estejamos lá. Basicamente, ele está enfatizando o mesmo ponto que enfatizei antes em relação ao comentário de Franz Liszts sobre Wagner. Jesus não está dizendo que deveríamos estar onde ele está. Ele está simplesmente nos lembrando que essa é a nossa meta, e que não deveríamos almejar menos do que o que realmente podemos ter. Esse é o ponto principal disso tudo. Na oração verdadeira, nós não pedimos nada, porque sabemos não apenas que temos tudo, mas que somos tudo. Ter e ser são a mesma coisa no Reino. O que nós temos é o que somos – o que nós somos é o que temos. Nós somos o Amor de Deus – nós temos o Amor de Deus. Nós temos o Amor de Deus porque nós somos Seu Amor. Nós não podemos entender isso da nossa perspectiva de indivíduos separados, então, Jesus fala sobre a oração como uma escada. No primeiro degrau, a oração é pedir ajuda. E, para irmos um pouco adiante, pedir ajuda não é errado. Um dos temas principais do Curso é que espera-se que nós peçamos ajuda a Jesus ou ao Espírito Santo. Mas esse pedido é uma correção do fato de que logo no início, nós dissemos ao Espírito Santo que não precisamos de qualquer ajuda. Então, o Curso nos encontra onde nós estamos com a idéia de depois nos elevar ao lugar onde ele realmente está.


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(Parágrafo 1 – Sentenças 7-8) Pede, em vez disso, para receber o que já foi dado, para aceitar o que já está presente. Como vamos ver no próximo parágrafo, esse é o verdadeiro significado da oração – e isso é o que Jesus está realmente nos pedindo para fazer. Ele está nos pedindo para nos lembrarmos do amor que já temos e que já somos. Vou lhes dar exemplos disso um pouco mais tarde. Parte V Continuação da “Oração Verdadeira” (A Canção da Oração [S-1.1]) (Parágrafo 2 – Sentenças 1-3) Foi dito a ti que peças ao Espírito Santo a resposta para qualquer problema específico, e receberás uma resposta específica se tal for a tua necessidade. Isso deveria ser entendido em dos níveis. O panfleto originalmente começava como uma mensagem especial de Jesus para Helen – então, em um nível, ele estava falando com ela de forma direta e pessoal. E muitas vezes antes dessa mensagem, ele disse a ela, “Peça minha ajuda”. De forma similar, no texto, mas em outro nível, ele tem dito a mesma coisa para todos nós: “O Espírito Santo responderá a todo problema específico na medida em que acreditares que os problemas são específicos” (T-11.VIII.5:6-8). Essa é a referência do que ele está falando aqui, na Canção da Oração – o Espírito Santo vai responder a todas as suas necessidades e pedidos específicos. No panfleto, ele continua: (Parágrafo 2 – Sentenças 3-4) Também te foi dito que existe apenas um problema e uma resposta. Essa idéia é claramente expressa em duas lições do livro de exercícios, “Que eu reconheça o meu problema para que ele possa ser resolvido” (LE-pI.79), e “Que eu reconheça que todos os meus problemas foram resolvidos” (LE-pI.80). Nas duas lições, Jesus é muito claro sobre o fato de que existe só um único problema – a crença na separação – e uma única resposta – aceitar o Espírito Santo. Na revisão baseada nessas lições, Jesus afirma isso de forma um pouco diferente – o único problema é guardar uma mágoa e a única resposta é o perdão, ou o milagre (LE-pI.90). Mas é a mesma idéia. Claramente, essas, então, parecem ser afirmações contraditórias. Em um lugar, Jesus nos diz que nós temos muitos problemas e, portanto, haverá muitas respostas – o Espírito Santo vai nos dar a resposta específica para atender ao nosso problema específico. Então, em algum outro lugar, ele nos diz que só existe um único problema e uma única solução. Então, ele explica: (Parágrafo 2 – Sentenças 4-5) Na oração, isso não é contraditório. Com isso, ele está novamente se referindo à oração como um processo. O topo da escada da oração é a canção da oração, o próprio final do processo onde nós reconhecemos que só existe uma única necessidade – a necessidade de desfazer o único erro, quando nos afastamos do Espírito Santo e nos voltamos para o ego. Esse foi nosso único erro. Uma vez que esse é o problema, a resposta é nos afastarmos do ego e nos voltarmos novamente para o Espírito Santo. Conforme subimos a escada, vai ficando cada vez mais claro para nós que todos os nossos problemas são o mesmo. Como uma lição inicial do livro de exercícios diz, “Eu nunca estou transtornado pela razão que imagino” (LE-pI.5). Eu não estou transtornado porque acabei de descobrir que tenho AIDS ou que a pessoa que amo tem AIDS, ou porque os EUA declaram guerra a outro país, ou porque há uma recessão, ou porque perdi meu emprego, ou porque a


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pessoa que amo me abandonou, ou porque fiquei resfriado e não me sinto bem, etc. Eu tenho todos os tipos de razões para estar transtornado, mas elas não são realmente o motivo pelo qual estou transtornado. Estou transtornado porque acredito que me separei de Deus. E, mais especificamente, dentro do sonho, estou transtornado porque fiquei com medo do Amor de Deus na pessoa de Jesus, e me afastei dele. Eu dei minhas costas para o amor mais uma vez, e é por isso que estou transtornado. Se eu tivesse sentido sua proximidade, se eu tivesse sentido seu amor, se eu tivesse sentido sua paz e seu conforto, nada nesse mundo iria me aborrecer. Essa, é claro, é a lição da crucificação. Conforme crescemos e subimos a escada, vai ficando cada vez mais claro para nós que todos os nossos problemas são o mesmo. Existe só um problema e só uma resposta. Mas, no início da escada, essa não é a nossa experiência. No início da escada – onde nós acreditamos estar -, nós experienciamos a ajuda de Deus na figura do Espírito Santo ou de Jesus atendendo àsn ossas necessidades como nós as percebemos. Essa é uma forma extremamente importante na qual Jesus nos oferece correção no nível onde vemos a nós mesmos. Nós acreditamos que o Espírito Santo nunca iria nos ajudar depois do que fizemos a Ele. Nós dissemos a Ele que Ele era um mentiroso. Nós dissemos, “Eu não confio em você. Eu não quero você nem perto de mim”. E fizemos o mundo para podermos fugir Dele. Nós fizemos um corpo que tem necessidades como um ataque a Ele. Então, por que Ele iria querer nos ajudar? O ego nos diz que não existe maneira de Ele nos ajudar um dia, não existe maneira de Ele um dia atender nossas necessidades. Portanto, nós precisamos de uma correção nesse nível que nos diz, “Não, o Espírito Santo não vai virar Suas costas para você. Não é que Ele não quer ajudá-lo; Ele quer”. Esse é o mesmo tipo de simbolismo de Jesus nos dizendo que Deus chora por nós. O ego nos disse que Deus está tão feliz por nós estarmos fora da Sua casa, porque temos sido um estorvo. Então, Jesus nos diz, “Não, Ele não está feliz. De fato, Ele chora por vocês e se sente incompleto e solitário sem vocês”. Esse simbolismo serve exatamente ao mesmo propósito do simbolismo refletido nas afirmações do curso que nos dizem que Jesus ou o Espírito Santo vão atender às nossas necessidades específicas. Vou explicar um pouco mais tarde como isso funciona em nossa experiência. Então, novamente: (Parágrafo 2 – Sentenças 4-6) Na oração, isso não é contraditório. Há decisões a serem tomadas aqui, e elas têm que ser tomadas caso sejam ilusões ou não. Isso não é contraditório, porque a oração é vista como um processo, para afirmar mais uma vez. Uma vez que estamos aqui, em um corpo, escolhas têm que ser feitas – por exemplo, todos tiveram que tomar uma decisão de vir de vir participar desse workshop. Cada um de nós teve que tomar uma decisão essa manhã ou de usar verde, ou azul, ou branco, ou preto, ou seja o que for. Todos tiveram que tomar uma decisão sobre tomar ou não café, o que comer, o que não comer, etc. Decisões têm que ser tomadas quando acreditamos estar em um corpo. Como o Curso explica em alguma parte, precisamos escolher se vamos tomar decisões em nossa vida com o ego ou com o Espírito Santo. Uma vez que temos a ilusão de escolher, uma vez que temos a ilusão de estar aqui em um corpo, em um sonho, então, vamos ter a ilusão de escolher o ego ou o Espírito Santo como nosso professor. É por isso que o Curso é escrito no nível que é. Provavelmente, a mensagem mais importante no Curso é a de “escolhe outra vez” – ela é apresentada por todo o texto, e também o encerra. O tema principal do Curso é o de devolvermos à nossas mentes o poder de escolher. Não que nossas mentes realmente tenham qualquer poder de escolher – a Mente de Cristo não escolhe, porque não existem escolhas a serem feitas no Céu. Mas nós não estamos no Céu – nós


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acreditamos que estamos aqui. Como o texto nos diz, nós estamos “em casa, em Deus, sonhando com o exílio” (T-10.I.2:1). Então, dentro do sonho, nós realmente temos uma escolha, que é uma ilusão. Mas, uma vez que temos a ilusão de escolher contra Deus e contra o Espírito Santo e a mensagem da Expiação em nossas mentes, precisamos de uma correção nesse nível que diz, “Eu fiz uma escolha errada. Agora, posso fazer uma escolha melhor”. Esse é o propósito de Jesus e do Espírito Santo – nos ajudar a fazer uma escolha melhor. Conseqüentemente, uma vez que estamos nesse mundo, existem decisões a serem tomadas. O importante – que é uma questão a qual vamos voltar muitas vezes – não é a forma da decisão. O importante é o conteúdo: com quem vamos tomar a decisão. Agora, isso não significa que podemos simplesmente ignorar a decisão. (Eu vou elaborar isso um pouco mais tarde). Não prestar atenção às nossas decisões seria um exemplo de “confusão de nível”, e tentar acreditar que estamos mais no alto da escada do que realmente estamos. Uma vez que acreditamos estar nesse mundo e estamos incomodados com uma decisão, é importante que, dentro do papel que escolhemos, prestemos atenção à decisão. Mas também é muito útil e aliviador saber que, no final, a decisão em si mesma não importa. O que importa é com quem a tomamos. E nós podemos dizer com quem estamos tomando a decisão pelo resultado de estarmos pacíficos ou ansiosos. Então, eu faço o melhor que posso para decidir, dentro do escopo da minha sala de aula, o que inclui a mim mesmo e ao meu corpo e ao contexto específico no qual acredito estar. Jesus fez uma afirmação a Helen, que eu acho que é sempre muito útil e reconfortante. Ele disse a ela, “Se você fizer a minha vontade, vou apoiá-la; e se você não fizer a minha vontade, então, vou corrigila”.basicamente, isso significa que nós fazemos o melhor que podemos; de qualquer forma, não podemos perder. Então, as decisões têm que ser tomadas aqui, sejam elas ilusórias ou não. Na verdade, todas elas são ilusórias, porque não existem escolhas no Céu. O importante não é a decisão, mas, mais uma vez, aquele com quem nós a tomamos. É para isso que estamos nos conduzindo. Essa é a importância de Jesus. Ele permanece dentro de nossas mentes divididas como o símbolo brilhante que nos chama de volta – não tanto em direção a ele, mas ao Cristo que está tanto nele quanto em nós mesmos. (Parágrafo 2 – Sentenças 6-8) Não pode ser pedido a ti que aceites respostas que estão além do nível da necessidade que podes reconhecer. Nós podemos ver, à partir dessa afirmação, o quanto o Curso é útil e que ferramenta espiritual poderosa ele é. Ele vem até nós em muitos níveis. No nível mais elevado, ele nos diz que não existe literalmente nada aqui, que nós não estamos aqui. Ao mesmo tempo, o Curso traduz o amor abstrato e a verdade do Céu em uma linguagem e um conjunto de símbolos que podemos entender e aos quais podemos nos relacionar. Então, no nível um, Jesus nos diz que não existem problemas. O único problema que nós acreditamos ter e ser já foi desfeito para nós, e, portanto, não existem necessidades. Em outro nível, uma vez que acreditamos estar aqui e termos todas essas necessidades, vamos experienciar a ajuda do Céu com essas necessidades. Não que o Céu realmente esteja nos ajudando com essas necessidades; ao invés disso, vamos experienciálo dessa forma. Novamente, como já lemos antes, o Céu vem a nos como algo separado, não porque isso seja verdade, mas porque esse é o único nível que podemos aceitar e entender (T25.I). (Parágrafo 2 – Sentenças 8-12) Portanto, não é a forma da pergunta que importa, nem como é feita. A forma da resposta, se dada por Deus, se adequará a tua necessidade tal como a vês. Isso é apenas um eco da resposta da Sua Voz. O som real é sempre uma canção de agradecimento e de amor.


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Deixem-me elaborar isso – Jesus está dizendo que uma vez que acreditemos ter muitas necessidades, vamos receber a resposta nesse nível. Mas a reposta realmente não é a forma – a resposta verdadeira está além da forma. A resposta que nós experienciamos, que acreditamos conseguir, é “um eco da resposta da Sua Voz”. Sua Voz é aquela canção silenciosa de graças e de amor. A resposta real é a Presença de Amor que está além de toda forma, que não tem e não soa com palavras. Mas nós vamos experienciar esse Amor no nível das palavras e dos símbolos, porque acreditamos que somos símbolos. Deixem-me dar um exemplo concreto que pode ajudar. Nós podemos pensar sobre a água dentro de um copo como uma expressão do Amor de Deus. Para o propósito desse exemplo, podemos pensar na água como sem forma, sem contorno, e abstrata. De fato, é claro, ela não é, mas vamos pensar sobre ela dessa forma. O copo, que tem uma forma e contorno definidos, representa a mente, que é a mente do medo que se identificou com o ego. Então, ela é uma mente limitada, separada, que acredita na culpa, ataque, punição, pecado, etc. O amor dentro de nossas mentes é abstrato e sem forma. Nós estamos aterrorizados em relação à verdadeira natureza do amor, porque o ego nos disse que se nós voltássemos para aquele amor, ele iria nos destruir. Um dos poemas de Helen inclui a linha, “O Amor não crucifica, ele... meramente é” (Amém”, As Dádivas de Deus, p. 91). Agora, a razão para essa linha é que nós acreditamos que o amor realmente crucifica. É claro, as igrejas cristãs foram construídas sobre a idéia de que nós sabemos que Deus nos ama porque Ele crucificou e matou Seu próprio Filho. É isso o que o amor faz: ele crucifica e pune. Isso faz sentido perfeito dentro do sistema do ego. Lembrem-se, esse é um Deus “contra-o-qual-pecamos” – esse é o conceito de Deus na caixa do ego, no gráfico. E um Deus contra-o-qual-pecamos traduz-se em um Deus Que é vingativo, odioso e insano, Que barganha conosco e é irado. É um Deus Que crucifica. Então, nós aprendemos a ter medo do Amor de Deus. Isso explica porque sempre fazemos as próprias coisas que nos impedem de sermos pacíficos e felizes. Não é o mundo que nos mantêm ansiosos e em conflito – somos nós que nos mantemos ansiosos e em conflito. E essa se torna a defesa insana do ego contra o amor. É por isso que nós nos agarramos ao passado. É por isso que nós nos agarramos aos nossos pensamentos de ataque em relação a nós mesmos, ouvindo a voz rouca e estridente do ego. Nós temos medos de ser pacíficos. Nós temos medo de ser amorosos. Uma linha do texto diz que “a memória de Deus vem à mente quieta” (T-23.I.1:1), à qual meu ego responde “Sim, isso é absolutamente verdadeiro. Se sua mente estiver quieta, se você estiver pacífico e quieto, então, a memória de Deus vai voltar a você. Mas você não quer chegar nem perto dessa memória, porque Deus está zangado, vicioso e cruel”. Então, para manter a memória de Deus distante, eu mantenho minha mente em um estado de barulho, um estado de inquietude, ao invés de um estado de quietude. Os gritos roucos do ego se tornam um escudo muito confortador que me protege contra a quieta, pequena Voz do Espírito Santo. O ego tem nos ensinado a não chegarmos perto desse Amor porque esse Amor vai nos magoar. Nós poderíamos pensar sobre a totalidade do Amor de Deus como um oceano – ele é imenso e continua em frente, sem limites, nenhum limite. Esse é o Amor de Deus, e é disso que temos medo. Não existe maneira de nos aproximarmos do Amor como ele é, porque o ego nos diz que se o fizermos, seremos engolidos e aniquilados – Deus está tão zangado. Portanto, só conseguimos pegar uma parte desse Amor – nós o absorvemos em pequenas doses. Basicamente, nós vamos a Jesus ou ao Espírito Santo em nossas mentes e dizemos, “Estou aterrorizado da imensidade e da infinitude do seu Amor, porque estou com medo de desaparecer


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nele. Eu quero seu Amor mais do que qualquer outra coisa, mas só posso lidar com uma quantidade equivalente a um copo cheio”; nós vamos até essa Fonte inesgotável, incessante, sem fim em nossas mentes com um pequeno copo ou um dedal, dizendo, “Isso é tudo o que eu posso aceitar. Não posso aceitar seu Amor, mas posso aceitar que você me dê uma vaga no estacionamento, ou que você me diga o que pedir do cardápio em um restaurante”. Agora, não há nada errado com nada disso. Entretanto, tudo com o que terminamos é um dedal ao invés do oceano. Novamente, estamos falando sobre o início da escada. É certamente muito melhor para mim pedir ao Espírito Santo do que ao ego ajuda para uma vaga no estacionamento. Mas se isso é tudo o que estou fazendo, vou terminar com muito, muito pouco. Então, as linhas que acabamos de ler estão nos dizendo que não é a forma que queremos – não é o contorno do amor – não é a estrutura da minha mente que eu seguro para Jesus preencher. Eu quero o conteúdo – eu quero o amor. O propósito desse panfleto é nos lembrar disso. Em certo sentido, todo o propósito desse workshop [e nos ajudar a conhecer a diferença entre a forma que o amor assume par nós e sua realidade. Sua realidade é o que queremos. Então, novamente, é isso o que quer dizer “A forma da resposta, se dada por Deus, se adequará a tua necessidade tal como a vês. Isso é apenas um eco da resposta da Sua Voz. O som real é sempre uma canção de agradecimento e de amor”. Parte VI Continuação de “A Verdadeira Oração” (A Canção da Oração [S-1.1]). (Parágrafo 3 – Sentenças 1-2) Não podes, portanto, pedir o eco. É a canção que é a dádiva. O eco seria todas as coisas específicas que estamos pedindo. Poderia ser algo que sentimos como santo, importante e maravilhoso, ou algo que pensamos ser trivial e mundano, como uma vaga no estacionamento. Não importa. Existem muitas linhas relacionadas a essa idéia na seção chamada “A Resposta à Oração”, que é uma seção extremamente útil sobre a oração. No início dessa seção, Jesus diz, Todos os que já tentaram usar a oração para pedir alguma coisa vivenciaram o que aparenta ser um fracasso. (T-9.II.1:1). Isso não foi destinado apenas a Helen. Isso é destinado a todos. Todos nós ficamos presos nessa armadilha, e o algo que pedimos poderia ser algo tangível. Poderia ser um conselho, ou para termos algum sentimento. Isso não importa. “Isso é verdadeiro não somente em relação a certas coisas específicas que poderiam ser danosas, mas também em relação a pedidos que estão estritamente de acordo com esse curso”. (T-9.II.1:2-5). “Pedidos que estão estritamente de acordo com esse curso” poderia ser: “Jesus, por favor, ajudeme a ser pacífico”. Praticamente ninguém diria que isso é algo ruim de pedir. Não estou pedindo um milhão de dólares ou uma Mercedes Benz. Tudo o que estou pedindo é para me sentir melhor. Mas as pessoas inda vão experienciar o mesmo sentido de fracasso e perguntar, “Onde diabos está Jesus quando preciso dele?”. Sabendo como é provável que seja nossa reação, Jesus continua:


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“O último caso, em particular [i.e., quando pedimos coisas que estão de acordo com esse curso e não as conseguimos], pode ser incorretamente interpretado como uma ‘prova’ de que o curso não se atém ao que diz”. O ego é muito, muito escorregadio, e está sempre tentando aprisionar Jesus e seu Curso em um erro. Nós não percebemos que inconscientemente nós o ajudamos. Esse panfleto foi escrito em 1977, alguns anos depois do Curso, que foi concluído em 1972 e publicado em 1976. o panfleto veio como uma correção para o que já estava sendo mal interpretado no Curso. Estudantes estavam confundindo símbolo e realidade, pensando que o propósito do Espírito Santo é simplesmente conseguir vagas no estacionamento para nós, curar um câncer, ou responder a todos os pedidos e necessidades específicas que temos. E Jesus está dizendo, “Não é isso o que estou falando. Esse tipo de pedido é apenas o início da escada. Meu propósito não é pegar sua mão e lhe dar tudo o que você precisa. Meu propósito é pegar sua mão e lembrá-lo de que o que eu sou você também é. Esse é o meu propósito”. E, então, Jesus está dizendo para nós, “Vocês não querem o eco. Vocês não querem respostas específicas para pedidos específicos. O que vocês querem, o que é minha dádiva para vocês, é a canção”. E a canção é o Amor de Deus que Jesus representa. Esse é o conteúdo que queremos. E mesmo o amor de Jesus não é a resposta final. Mas, dentro do sonho, quando pegamos a mão dele e aceitamos seu amor, isso é o mais perto que podemos chegar do retorno para casa. Uma vez que realmente nos identificarmos com Jesus e aceitamos nosso amor por ele e seu amor por nós, tudo o mais será dado a nós, como o próximo parágrafo afirma. Mas, lembrem-se, ele está nos dizendo aqui que a dádiva é o seu amor. Isso é a canção. A dádiva não é a forma, não é a estrutura particular que a forma assume. Nós dizemos a Jesus, “Eu quero que você me consiga uma vaga no estacionamento” – essa é a estrutura do copo que nós apresentamos a ele. E, então, nós mergulhamos o copo no oceano, e conseguimos apenas um pouco de água em uma forma específica. E, novamente, nós tornamos a forma real. É como se nós pegássemos o copo ou um pequenos dedal cheio de água e o colocássemos no congelador e o congelássemos. E, então, nós dizemos, “Eis Jesus bem aqui. Ele me dá uma vaga no estacionamento. Isso não é maravilhoso?”. É com isso que acabamos. Nós tornamos isso real e então o adoramos. Esse é o mesmo erro no qual todas as religiões caíram, seja judaica, cristã, ou qualquer outra – nós confundimos a forma com o significado. E terminamos adorando a forma, o ritual, e a estrutura. Nós ouvimos uma palavra do céu e pensamento que a palavra era a dádiva. Deus não fala em palavras, Ele não entende palavras. Jesus não entende palavras. A palavra que experienciamos não é a dádiva. A dádiva para Helen, e, portanto, para o mundo, não seria meio milhão de dólares ou sejam quantas palavras estiverem nesse livro. A dádiva é que as palavras nos levam ao amor que transcende o livro – essa é a dádiva. As palavras são pontos de partida, e são extremamente úteis, mas não são santas. Esse não é um livro santo, na medida em que um livro não é santo. Eu posso escrever nele, posso rasgá-lo, posso pisar nele – isso não importa. O que é santo é o amor que o inspirou. E o amor que inspirou esse livro é o mesmo amor que estava na mente de Helen, na sua mente, e na minha mente. Não é diferente. Essa é a lição. Nós não adoramos o livro ou nada que seja associado com ele, tal como qualquer história associada a ele. Não poderia haver engano mais trágico em termos de conseqüências. Então, nós terminamos transformando a forma em um deus. Nós terminamos pegando esse pequeno dedal de água, congelando-o, e dizendo, “Isso é Deus”, “Isso é Jesus”, ou “Isso é o Curso”. Nada disso é o que é. Todo o propósito desse panfleto, novamente, foi corrigir os erros que já estavam começando a acontecer dentro dos primeiros dois anos desde a publicação do Curso.


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Novamente, Jesus está dizendo que nós queremos a canção. Nós não queremos a forma na qual a canção vem. Uma vez que acreditemos ser uma forma, e acreditemos ser seres separados, vamos entender a mensagem nesse contexto, nessa forma. Mas isso não a torna real, mais do que nossa percepção de que o sol se levanta e se põe torna isso a realidade. O sol não se levanta e se põe – a terra se move. O sol é perfeitamente estacionário. A ilusão é a de que o sol se levanta e se pões – essa é nossa experiência. Isso não torna esse fato real, entretanto, de forma similar, se eu experiencio Jesus como conseguindo uma vaga no estacionamento para mim – e vou elaborar o que realmente está acontecendo depois – isso não significa que ele conseguiu essa vaga para mim. Significa que eu experienciei Jesus como conseguindo uma vaga no estacionamento para mim. Por outro lado, entretanto, isso não significa que a experiência em si mesma seja errada. É a minha interpretação que é errada. Se a minha interpretação focaliza-se na forma, igualando o símbolo à verdade, então, estou errado. mas se eu posso ver a experiência como um ponto de partida que aponta para a verdade além da experiência, então, isso é algo completamente diferente. Mais uma vez, palavras (a forma) não são santas. O amor (o conteúdo) é santo. As palavras são simplesmente o reflexo da santidade. Essa é uma idéia que encontramos expressa muitas vezes diferentes no Curso. O Curso deixa claro que não existe santidade no mundo, apenas o reflexo da santidade. De fato, uma seção no texto tem o título “O Reflexo da Santidade” (T-14.IX). Em algum outro trecho, Jesus diz que o amor sem ambivalência é impossível nesse mundo (T-4.III.4:6). O amor pertence a Deus. Nesse mundo, nós encontramos não o amor, mas o seu reflexo, que é o perdão. Então, o objetivo do Curso é nos ensinar como perdoar, não como amar. O perdão desfaz todos os obstáculos ou barreiras ao amor. Na seção chamada “Arautos da Eternidade” (T-20.V), o “arauto da eternidade” é o relacionamento santo. Eternidade não é possível nesse mundo. Mas o que prenuncia o Céu, o que nos leva ao Céu, é o perdão que é expresso em um relacionamento santo. O curso também fala sobre o instante santo, referindo-se ao instante no qual nós escolhemos o Espírito Santo ao invés do ego, o que é o reflexo da Santidade de Deus. Um dos conceitos chave no Curso é o mundo real. Mas as duas palavras, como Jesus menciona em um trecho do texto, é uma contradição (T-26.III.3:3). O mundo é uma ilusão, como poderia ser real? O significado do termo – um extremamente importante no Curso – é que o mundo real é o reflexo da realidade do Céu. Não é o Céu. O mundo real é o conceito do Curso para o sonho no qual não existem pensamento de separação ou de pecado. Ainda é uma ilusão, mas é o reflexo da realidade do Céu. Jesus está nos dizendo, “Não confundam o reflexo com a verdade. Não adorem o reflexo”. É isso o que ele quer dizer no início do texto quando diz que experenciarmos reverência diante dele não é apropriado porque ele e nós somos iguais. Ele diz que é apropriado sentirmos reverência na presença do nosso Criador, porque Ele nos criou – nós não O criamos. Mas reverência em resposta a Jesus não é apropriada, porque ele é nosso igual (T-1.I.3:1-6). Ele está nos dizendo para não confundirmos o reflexo do Amor de Deus – que ele é – com o Amor real. Essa é a armadilha, e nós vamos ver todas as suas implicações conforme continuarmos com essa discussão. Vamos ler, começando novamente no início do parágrafo três. (Parágrafo 3 – Sentença 1) Não podes, portanto, pedir o eco.


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Agora, com isso, Jesus não quer dizer que não podemos pedir o eco – nós o pedimos o tempo todo. Ele realmente quer dizer que não deveríamos pedir o eco no sentido de acreditar que esse eco é a dádiva. Nós sempre vamos pedir algo, porque ainda acreditamos estar separados. (Parágrafo 3 – sentenças 1-3) É a canção que é a dádiva. Junto com ela vêm os tons maiores, as harmonias, os ecos, mas esses são secundários. As coisas específicas que acreditamos ouvir de Jesus são secundárias. O que é importante é a experiência do amor quando nos unimos a ele. Ele não está nos pedindo para negar o que experienciamos, mas está nos ajudando a entender que a forma da experiência não é o que é importante. É o amor sob a forma que é a dádiva – é isso o que queremos. (Parágrafo 3 – Sentenças 3-4) Na oração verdadeira, tu ouves apenas a canção. Todo o resto é meramente acrescentado. O degrau mais alto da escada é a canção da oração – e ela não tem som nem palavras. Esse é nosso objetivo último. Nenhum de nós está nesse nível, e ele não está nos pedindo para estar. Mas ele está nos lembrando de que essa é a realidade. “Todo o resto é meramente acrescentado”. (Parágrafo 3 – Sentenças 5-6) Buscaste em primeiro lugar o Reino do Céu e tudo o mais, de fato, te foi dado. Isso foi retirado da famosa passagem do Sermão da Montanha. Basicamente, esse é o ponto central. Quando buscamos seu amor e sua canção e nos unimos a isso, tudo o mais vem automaticamente a nós – algumas vezes na forma de que precisamos, alguma vezes na forma que esperamos, algumas vezes até na forma que queremos. Mas, quando nos identificamos com o amor de Jesus e experienciamos seu amor, seu conforto e sua presença, a forma não vai mais importar para nós. Parte VII Continuação de “Oração Verdadeira” (A Canção da Oração [S-1.1]. Vamos examinar agora o famoso exemplo da vaga no estacionamento – vou lhes dar outro exemplo depois disso. A vaga no estacionamento é uma favorita – vocês ouviram sobre ela o tempo todo nos círculos do Curso em Milagres: “Um Curso em Milagres me dá vagas no estacionamento”. “O Espírito Santo me dá vagas no estacionamento”. A experiência das pessoas é que conforme elas estão dirigindo para o centro da cidade, uma área bem congestionada, pedem a Jesus ou ao Espírito Santo que lhes consiga uma vaga no estacionamento e, olhem! Vejam! Elas viram uma esquina e existe uma vaga para estacionar. Então, elas somam dois mais dois e conseguem cinco – “O Espírito Santo me deu uma vaga para estacionar”. À parte do que realmente aconteceu, algo de que vou falar logo, o erro real em tudo isso é criar um grande caso por muito pouco. Mesmo que Jesus realmente tenha nos dado uma vaga para estacionar, qual é a grande vantagem? Isso não vai me levar um passo mais perto do Reino do Céu – e é isso o que realmente eu quero. Conseguir uma vaga para estacionar não vai me despertar do sonho. Se não outra coisa, isso poderia me seduzir a querer estar nesse sonho ainda mais, porque me mostra o quanto esse mundo é maravilhoso – onde o amor de Jesus e do Espírito Santo descem e resolvem todos os meus problemas para mim. Faz muito mais sentido


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pedir para Jesus nos ajudar com nossa ansiedade criada por não encontrarmos uma vaga para estacionar. Isso é algo com o que ele pode nos ajudar. Existe uma passagem instrutiva no texto que lida com essa questão sem, é claro, mencionar vagas para estacionar. O contexto imediato dessa passagem, que veio relativamente cedo no ditado, foi o pedido de Helen para que Jesus levasse seu medo embora. Ela estava sempre em um estado de alta agitação e medo. E ela imaginou que era isso que Jesus era “pago para fazer”: levar seu medo embora. [risadas]. Talvez, em parte, ela sentisse que ela estava pagando a ele por transcrever seu maldito curso, então, o mínimo que ele podia fazer por ela em retribuição, era remover um pouco do seu medo. [risadas]. Mas não foi isso o que ele fez. E, então, ele disse a ela: “A correção do medo é tua responsabilidade. Quando pedes a liberação do medo, estás deduzindo que não é. Deverias pedir, ao invés disso, ajuda nas condições que trouxeram o medo. Essas condições sempre acarretam uma disponibilidade para estar separado. Nesse nível podes evitar isso”. (T-2.VI.4:1-5). Jesus estava dizendo a Helen que fosse qual fosse a coisa específica de que ela estivesse com medo, tinha a ver com algum aspecto específico do corpo, algum aspecto da forma. Helen estava pedindo a Jesus para ajudá-la a não ter tanto medo de ficar doente, ou de seu marido ficar doente, ou de que essa ou aquela coisa terrível acontecesse. Ela estava pedindo a ele para ajudar a levar esse medo embora. E ele estava dizendo, “Não há nada que eu possa fazer em relação a isso, porque eu não estou aqui no mundo. Eu estou na sua mente”. No gráfico, a caixa no nível superior é a mente – que é onde Jesus realmente está – e o nível da forma é onde nós o experienciamos – que é no corpo. Ele está dizendo, “Eu estou na sua mente. Eu não estou no seu corpo. E o problema não é o objeto específico que você teme. O problema é que você se separou de mim”. Novamente, como Jesus diz aqui, as condições que levaram ao medo “sempre acarretam uma disponibilidade para estar separado”. Em última instância, é a disponibilidade ou a escolha de ser separado de Deus. Dentro do sonho, a decisão de ser separado de Deus é expressa na decisão de ser separado de Jesus ou do Espírito Santo – esse é o problema. E, então, Jesus está dizendo a Helen: Eu não posso ajudá-la com o objeto do seu medo. Eu não posso ajudá-la com o seu medo de não encontrar uma vaga no estacionamento. Mas posso ajudá-la com a decisão que você tomou de ser separada de mim. E eu a ajudo simplesmente por estar vivo e presente na sua mente. Minha presença vai lembrá-la de foi você que escolheu ser separada de mim. Portanto, é você que pode escolher se re-unir a mim. O problema, então, não era que Helen estava com medo. Seja o que for que ela pensasse temer, a causa real do seu medo era estar separada de Jesus – essa era a causa. Jesus fez a mesma afirmação a Helen novamente algumas páginas depois, no texto. (Isso foi escrito um dia ou dois depois, quando ela ainda estava amedrontada). Ele começou essa próxima seção dizendo, “Podes ainda reclamar do medo, mas apesar disso persistes em amedrontar a ti mesmo” (T2.VII.1:1-2). Jesus estava dizendo a Helen, “Não me culpe por estar amedrontada”. Ele disse isso de forma muito mais gentil do que essa, mas isso é basicamente o que ele estava dizendo a ela – “Não é minha culpa. É você que está escolhendo ficar com medo”. Continuando com aquele parágrafo, Jesus disse a ela,


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“Eu já indiquei que não podes pedir a mim que te libere do medo. Eu sei que o medo não existe, mas tu não sabes. Se eu interviesse entre os teus pensamentos e os seus resultados, estaria adulterando uma lei básica de causa e efeito, a lei mais fundamental que existe. Dificilmente eu poderia te ajudar se depreciasse o poder do teu próprio pensamento. Isso estaria em oposição direta ao propósito desse curso. É muito mais útil [e essa é uma linha muito importante que nos diz o que Jesus faz] lembrar-te de que não vigias os teus pensamentos com suficiente cuidado” (T-2.VII.1:2-10). Na seção anterior, ele tinha dito, “Tu és por demais tolerante com as divagações da mente” (T2.VI.4:5-6). Então, Jesus está lembrando a todos nós que o problema é que somos nós que divagamos dele. Nós nos afastamos do pensamento do amor que ele representa e simboliza em nossas mentes, e divagamos para os pensamentos do ego de medo, separação, culpa, ansiedade, dor e sofrimento, etc. Portanto, Jesus brilha como um farol em nossas mentes, simplesmente chamando todos aqueles navios – todos aqueles pensamentos em nossas mentes – que estão vagando na escuridão, de volta para ele. É assim que ele nos ajuda. Agora, nossa vaga para estacionar: Então, aqui estou eu, dirigindo para o centro, para uma reunião, e começo a ficar preocupado sobre não ter um lugar para estacionar meu carro. Talvez eu já esteja alguns minutos atrasado, e esteja sentindo eu algo terrível vai acontecer se eu chegar à reunião atrasado. Ou talvez eu esteja pensando que se pedir uma vaga para estacionar a Jesus e consegui-la, poderia dizer ao meu grupo do Curso em Milagres nessa noite o quanto sou um estudante maravilhoso do Curso, o quanto sou especial para o coração de Jesus, porque o seu coração se abriu para mim e me mostrou onde ir para conseguir uma vaga. Os motivos específicos da minha preocupação em encontrar uma vaga para estacionar não importam. Uma vez que estou pedindo a Jesus para me conseguir essa vaga, eu gentilmente dei uma volta sem sentido ao redor dele. Caí direto na armadilha do ego. Em que eu realmente quero ajuda não é para encontrar uma vaga para estacionar, e desfazer o medo de não encontrá-la. Mas, ao invés disso, eu realmente quero ajuda com o fato de que obviamente acredito que estou dirigindo para o centro da cidade sozinho, e que Jesus não está mais no carro comigo. Esse é o problema. Se eu soubesse que ele estava no carro comigo, que diferença faria uma vaga idiota para estacionar? Como qualquer um de nós nesse mundo, experienciando o Amor de Deus dentro de nossas mentes, poderia ter qualquer preocupação possível, ansiedade ou desejo de encontrar uma vaga idiota para estacionar? A vaga se torna muito importante quando nós nos esquecemos de que existe alguém conosco. Nós soltamos sua mão e o chutamos para fora do carro, e agora acreditamos estar por conta própria – e é daí que vem nossa ansiedade. Minha preocupação por não conseguir uma vaga para estacionar meu carro não é nada mais do que o reflexo da minha preocupação real de ter perdido minha “vaga para estacionar” no Céu, e que, quando eu finalmente voltar para Casa, Deus vai dizer, “Sinto muito – todas as vagas estão ocupadas” [risadas]. Esse é o medo. Caso contrário, ninguém no mundo jamais se preocuparia com uma vaga para estacionar ou um lugar na fila do supermercado, ou qualquer outra coisa com a qual ficamos transtornados. Nossa preocupação em não termos espaço suficiente ou lugar para nós, ou que alguém esteja nos empurrando, etc., é realmente o símbolo de nossa ansiedade e medo de que alguém tenha roubado nosso lugar no Céu. É exatamente isso o que o ego nos diz – Deus está tão zangado conosco por causa do que fizemos e por causa do que roubamos Dele, que Ele nunca vai nos deixar voltar. Então, realmente queremos ajuda para desfazer a causa da ansiedade em relação a vaga para estacionar, não em relação a forma da vaga. É isso o que Jesus está dizendo nessa passagem. “Você não quer o eco, você não quer os sub-tons, você não quer as harmônicas. Você quer a canção. Você não quer a vaga para estacionar. Você quer re-experenciar o meu amor, que


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você acredita ter jogado fora”. Então, nós não pedimos ajuda com a vaga para estacionar. Nós pedimos ajudar para liberar nossa ansiedade que automaticamente vem quando nos sentimos separados de seu amor. Esse é o problema. Agora, estar separado do amor de Jesus e experienciar seu amor também são ilusões, porque o Amor de Cristo não é dividido em Jesus e em mim. Entretanto, dentro da ilusão, dentro do sonho, esse é o pensamento mais útil que jamais poderemos ter. experienciar seu amor mais e mais vezes vai me ajudar a perceber, finalmente, não apenas que eu nunca me separei desse amor, mas que eu sou esse amor. E como eu poderia me separar do meu próprio Ser? Existe uma passagem no texto onde Jesus fala sobre o quanto seria ridículo a natureza rugir para o vento, declarando que ele não é mais uma parte dela. O vento é parte da natureza. Então, como poderia uma parte de Deus estar em guerra consigo mesma (T-23.I.4:7-9)? Nos unirmos a Jesus, enquanto símbolo, é o único símbolo significativo para nós no mundo, que reflete o que é o Amor de Deus. E é isso o que queremos. Esse é o ponto todo – não pedirmos o específico, mas sim o amor que está além do que é específico. Vamos dizer algo agora, no contexto desse exemplo, sobre uma preocupação que os estudantes têm expressado com relação ao que eles experienciam como um fracasso na oração. Suponhamos que eu não consiga a vaga para estacionar hoje. Quando dirigi para o centro da cidade ontem, consegui uma vaga maravilhosa, mas hoje, não consegui nenhuma. Eu me sinto péssimo. Eu não apenas me sinto péssimo, mas, como um bom e saudável ego, eu não me culpo, eu nem mesmo culpo os outros carros, eu culpo Jesus. Portanto, meus pensamentos são: “Onde você está? Você me ajudou ontem e foi ótimo, mas agora você não está aqui”. O problema nisso tudo é que toda a minha atenção está focalizada na forma. E eu começo a pensar que a única maneira de saber que sou amado por Deus, que sou uma pessoa de valor, e que não sou culpado, é se algo bom acontecer comigo. Então, agora estou usando a vaga para estacionar como uma forma de provar que sou ou uma pessoa de valor, ou uma pessoa sem valor. Talvez o valor para mim hoje de não conseguir uma vaga seja eu perceber que meu auto-valor não depende de eu consegui-la ou não – que o amor de Jesus está comigo quer eu a consiga quer não. Mas o ego está sempre pronto para pular na frente e me dizer que eu sou uma fraude, ou que eu sou um sucesso por causa do que aconteceu. Como uma forma de elaborar isso, deixem-me contar outra história envolvendo Helen. Essa é uma história útil par contrastar nossa experiência da ajuda de Jesus com a realidade dessa ajuda. Ela também vai nos ajudar a entender o que realmente está acontecendo com a vaga para estacionar, com as curas físicas, ou seja com o que for. A história é sobre Helen e um cílio. Muitos anos atrás, por volta de 1975 ou 1976, Helen, Bil [Thetford], Judy [Skutch], e eu estávamos em West Coast. Uma tarde, Helen e eu fomos à igreja – Helen gostava de ir a igrejas. Era uma capela adorável construída pelo irmão de uma boa amiga nossa, uma freira. Nossa amiga tinha dito a nós que quando estivéssemos em San Francisco, deveríamos ir ver a capela que seu irmão, um arquiteto, tinha construído. Então, nós fomos. Nós nos sentamos em um dos bancos e íamos rezar. Subitamente, Helen parou e disse, “Eu tenho um cílio no meu olho”. E ela acrescentou, “Jesus sempre tira o cílio para mim”. Agora, Helen não era uma pessoa simplória – ela de fato era bem brilhante -, e sua espiritualidade não era de um nível simplório. Mas foi exatamente isso o que ela disse: “Jesus sempre tira o cílio de mim”. E eu disse, “Ah, isso é interessante”. E ela explicou, “O que eu faço é fechar meus olhos e pedir a ele para removê-lo. E, quando abro os olhos, o cílio sempre desapareceu”. Então eu disse, “Bem, isso é ótimo. Vamos fazer isso”. Então, nós fizemos. Nós fechamos os olhos e, então, em poucos minutos, os abrimos outra vez. E tenho certeza de que tinha um cílio na bochecha de Helen. “Isso sempre acontece. Ele sempre faz isso para mim”, ela disse. Esse é o fim da história.


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Se nós simplesmente tomarmos a história por seu valor aparente – se nós simplesmente tomarmos o que Helen experienciou como um fato, isso significaria que Jesus tinha colocado seu dedo no olho dela e tirado o cílio, pois, com certeza, em um minuto, o cílio estava no olho dela, e, no minuto seguinte, estava em sua bochecha. Obviamente, entretanto, Helen não pensava realmente que Jesus tinha feito isso. Eu não pensei que ele tinha feito isso. Mas, essa foi a experiência dessas. Ela tinha a experiência de não tem nada a ver com o cílio – o que é, em geral, exatamente nossa experiência. Nós pensamos que não tivemos nada a ver com o fato de conseguirmos a vaga para estacionar, com a cura do câncer em nosso corpo, com nada do que acontece conosco. Jesus fez isso por nós, nós pensamos. Agora, quero explicar o que realmente aconteceu. Esse exemplo com Helen é particularmente instrutivo para contrastar a experiência do que acontece com o que realmente acontece – a diferença entre o símbolo e a realidade. Nós não queremos confundir os dois. Mas, para explicar isso, tenho que falar um pouco sobre como Helen se defendia contra Jesus. Uma de suas formas favoritas era atacar os olhos dela. No curso – e isso é verdadeiro para muitos outros caminhos espirituais – a visão é o símbolo maior. O Curso fala muito sobre compartilhar a percepção com o Espírito Santo, olhar através dos Seus olhos, ver com a visão de Cristo, etc. Em sua mente, Helen não apenas podia ouvir a voz de Jesus, mas também tinha todos os tipos de visões, desde que era uma garotinha. A visão, para ela, sempre foi um símbolo poderoso. Helen gastou muita energia e esforço em sua vida tentando separar-se de Jesus e de Deus. De uma forma ou de outra, ela estava sempre tentando resistir a Jesus e a sua mensagem, tentando não fazer o que ele lhe dizia – antes e durante a época em que o curso está vindo através dela. Sempre havia um tema em sua vida de resistir a Jesus. Uma das maneiras de ela expressar essa resistência era atacando seus olhos. Em um ponto, quando Helen estava anotando o Curso, ela passou dois ou três dias sem literalmente poder enxergar. Ela realmente perdeu a visão física. Ela ficou muito preocupada e, então, foi ao Instituto dos Olhos, que era uma parte do Centro Médico onde ela trabalhava. Eles fizeram um checkup geral dela e não encontraram nada fisiologicamente errado com seus olhos. Depois de um dia ou dois, sua visão retornou. O panfleto Psicoterapia fala sobre como entender a forma que um sintoma assume nos ajuda a entender a forma da falta de perdão que está na mente (P-2.VI.5:1-3). Essa idéia não é nova no Curso – os psicanalistas já sabem, há anos, que a forma que um símbolo assumi fisicamente espelha com freqüência o conflito na mente da pessoa. Uma vez que Helen tinha medo de ver o que Jesus estava mostrando a ela no Curso e compartilhar sua visão, obviamente, uma forma de expressar esse medo e resistência era atacar sua visão física. Um dos medos mórbidos de toda a vida de Helen – e certamente durante o último período da sua vida, quando eu a conheci – era o medo de ter um descolamento de retina. Então, nos últimos dois anos da sua vida, ela realmente teve um descolamento de retina. Uma parte da sua mente sempre esteve tentada a atacar sua visão como uma forma de expressar na forma sua tentativa de atacar Jesus, mantendo-o longe. Jesus freqüentemente tentou ajudar Helen a olhar para ele na cruz. Como eu já disse, ela era uma pessoa muito visual. Muitas vezes, ele diria a ela, “Olhe para mim na cruz”. O ponto todo era que, se ela olhasse para ele na cruz, não veria uma pessoa sofredora, moribunda. Ela veria alguém que não estava sentindo dor alguma. O sofrimento de Jesus na cruz foi algo inventado. Obviamente, esse é um tema principal no Curso. Mas Helen nunca conseguiu olhar. Eu me lembro de estar com ela muitas vezes, tentando ajudá-la a olhá-lo de frente. Mas, ao invés disso, ela pegava a imagem de Jesus na cruz e rapidamente a colocava na parte de baixo do seu campo esquerdo de visão, para que pudesse não olhar para ele diretamente. Ela tinha medo do que iria ver. Seu ego lhe disse que ela iria ver alguma expressão de ódio, culpa, e assassinato. É claro, ela realmente teria visto uma expressão do Amor de Deus.


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O medo de olhar é outro tema principal do Curso. Duas seções no texto tratam disso – “Olhar par dentro” (T-12.VII) e “O medo de olhar para dentro” (T-21.IV). A última seção diz que “o ego te diz que não olhes para dentro, pois se o fizeres, os teus olhos tocarão o pecado e Deus te trespassará, cegando-te” (T-21.IV.2:3-5). E, então, ele explica que o ego realmente está com medo de que nós olhemos para dentro e não vejamos pecado (T-21.IV.2-3). Esse é o medo real. Esse era o medo de Helen. E esse é o medo de todos. Então, Helen atacava seus olhos como uma forma de expressar esse medo de olhar – não apenas de olhar para Jesus como ele realmente é, mas também de olhar para sua mensagem. A forma principal de ela expressar esse medo foi ter um descolamento de retina, ou ter um tipo de cegueira psicológica. A forma mais leve era ter um cílio em seu olho – seus cílios eram muitos longos e caíam com freqüência. Todos esses problemas com seus olhos expressavam esse impedimento de realmente olhar e aceitar a mensagem de Jesus. Voltando a nossa história de Helen – o pensamento que estava sob ela ter um cílio em seu olho era seu medo e resistência de se unir a Jesus. Então, antes de nos sentarmos no banco para rezar, uma parte da mente de Helen que ela tinha reprimido disse a Jesus, “Estou com muito medo de você. Estou com muito medo de sentir seu amor. Estou tentando mantê-lo distante”. Esse pensamento, então, foi expresso na forma de um cílio caindo em seu olho. Em outras palavras, o cílio em seu olho expressava a decisão da sua mente de se separar do amor de Jesus. Era ela que tinha colocado o cílio em seu olho. Era ela que tinha o pensamento de se afastar do amor de Jesus – um amor ao qual ela sempre esteve muito, muito próxima. Se nós parafrasearmos a mensagem de Jesus a Helen que lemos antes, nessa situação, Jesus estava dizendo a Helen, “Não me peça para tirar o cílio de você – tirá-lo do seu olho. Peça-me, ao invés disso, para me ajudar a remover as condições que levaram o cílio a cair em seu olho”. Helen era quem tinha tomado a decisão de se afastar de Jesus, resultando no cílio caindo em seu olho. Quando ela então me disse, “Mas eu sei que se pedir a ajuda de Jesus, ele vai tirar o cílio”, ela estava mudando sua mente. Ela estava dizendo a Jesus, “Agora vou me unir a você. Entretanto, não posso me unir ao seu amor como ele é. Só posso me unir com uma parte do seu amor. Só posso experienciar a quantidade de um cílio do seu amor, não a totalidade dele, porque estou amedrontada demais. A única forma de eu poder aceitar seu amor é segurar esse pequeno copo para que ele o preencha”. E a forma que isso assumiu par Helen foi remover o cílio. Então, Helen tomou uma decisão de se re-unir a Jesus no nível da forma, com o desejo expresso e a necessidade específica de ter o cílio retirado do seu olho. Mas, foi ela que tomou a decisão de se unir a ele. Quando ela fez isso, ela desfez a causa do cílio no seu olho – o fato de ter soltado a mão de Jesus. Pedir sua ajuda era pegar sua mão novamente, em uma forma que ela podia aceitar. Nesse instante, ela desfez a causa do cílio no olho. Ela, então, abriu seus olhos e o cílio estava em sua bochecha. Ela fez o trabalho todo; Jesus não fez nada. O que tinha ali para ser feito? Ele permaneceu como sempre é – uma presença amorosa, constante, estável de amor e luz em nossas mentes. Helen vagou e então voltou. Esse processo aconteceu no nível do pensamento em sua mente. Não há nada mais. Mas, uma vez que Helen acreditava que era um corpo, seu pensamento de vagar para longe dele expressou-se no cílio caindo no seu olho, impedindo seu relacionamento com ele. Sua decisão e a mudança de pensamento – voltando até ele e segurando sua mão – então, expressou-se naquele mesmo símbolo. O cílio estava no seu olho por sua escolha. Agora, por sua escolha, o cílio estava fora do olho. Jesus não fez absolutamente nada; ela fez tudo. Ela se afastou. Ela retornou. Essa é a realidade.


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A experiência de Helen, entretanto, foi totalmente diferente, assim como nossa experiência diária, como já mencionei antes, de que o sol se levanta e se pões não é a realidade. Todos nós sabemos que a terra gira ao redor do sol – o sol não gira ao redor da terra. Mas isso não nos impede de experienciar a percepção de que o sol se levanta e se põe. Saber, em uma parte de nossas mentes, que a realidade é diferente não nos impede de escrever lindos poemas sobre isso, ou de pintar lindos quadros sobre isso, ou maravilhosas experiências espirituais ou religiosas envolvendo o nascer ou o por do sol. De forma similar, o desafio de trabalhar com o Curso é sermos fiéis a nossa experiência, porque é aí que acreditamos estar. Ao mesmo tempo, entretanto, nós continuamos a crescer em direção à nossa realidade. A causa de toda a nossa infelicidade não é a forma – não é nada externo. A causa é que nós nos esquecemos de Quem somos porque nos esquecemos daquele que nos lembra de Quem nós somos. Esse é o problema. E, uma vez que estejamos certos sobre qual é o problema, a solução é óbvia. Eu simplesmente me lembro de Quem eu sou, segurando a mão daquele dentro da minha mente que simboliza Quem eu sou – esse é o papel de Jesus. Ele é simplesmente um lembrete ou o símbolo dentro do nosso sonho de Quem nós somos – assim como o Espírito Santo. Mas o Espírito Santo é abstrato Jesus é uma forma com a qual podemos nos relacionar e com a qual podemos nos identificar dentro do sonho, onde acreditamos estar. Essa explicação não invalida a experiência de Helen com o cílio, que era extremamente importante para ela. Mas seria útil para ela ter sido capaz de reconhecer conscientemente o que estava realmente acontecendo. E pode ser útil para nós se generalizarmos a experiência dela para a nossa própria, e percebermos que Jesus está disponível para nós o tempo todo. Também é instrutivo como Helen condensava sua experiência de Jesus em categorias muito específicas. Ela o deixava ajudá-la a tirar um cílio do seu olho. Ela o deixava ajudá-la por dizer onde deveria ir fazer compras, ou em que esquina ficar para conseguir um táxi. Ela aceitava sua ajuda com coisas que eram muito limitadas e específicas – quase todas tendo muito a ver com o corpo. Helen não era capaz de deixar o amor de Jesus se tornar o único pensamento em sua mente, o que teria cuidado de todas as suas ansiedades, preocupações e medos. Ao invés disso, ela dizia a ele, “Vou aceitar seu amor em um pequeno dedal, porque tenho muito medo da imensidão dele”. Esse panfleto começou como uma mensagem especial para Helen, na qual Jesus diz a ela, “O que você fez não é errado, mas eu poderia ajudá-la ainda mais”. E, então, Jesus disse especificamente, “Nós agora vamos ter várias lições sobre isso”. O panfleto se tornou a série de lições. De forma similar, o Curso começou doze anos antes, com Jesus dizendo a Helen e Bill, “Eu agora vou lhes dar uma série de notas – [Ele sempre se referia ao Curso como notas] uma série de notas que vão responder sua pergunta, ‘Qual é a outra maneira de nos relacionarmos?’”. O panfleto A Canção da Oração era um microcosmo do mesmo processo. Mas não era destinado apenas a ela, mais do que o fato de que o Curso era destinado apenas a Helen e Bill. Seu propósito é nos ajudar a reconhecer que nós não queremos a forma, queremos o conteúdo. Nós não queremos o eco ou as nuanças, nós queremos a canção inteira. Parte VIII Nesse ponto de esclarecimento, gostaria de mostrar que existe uma presunção que estou fazendo com o exemplo do cílio de Helen que talvez não seja verdadeira no exemplo da vaga para estacionar. (Vejam a Parte 7 para uma explicação desse exemplo). Estou presumindo que o cílio no olho de Helen veio de um pensamento de se parar de Jesus, que eu acho que era verdadeiro para ela. Não se segue necessariamente a isso que não encontrar uma vaga para estacionar represente uma decisão de se separar de Jesus. Se não encontrar uma vaga estiver


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acompanhado de ansiedade, então, deve estar vindo de uma decisão de estar separado de Jesus, então, unir-se a ele vai desfazer esse bloqueio. Mas, não precisa ser assim. Pode ser que não seja o meu melhor interesse encontrar uma vaga para estacionar. Talvez, se eu conseguir a vaga que quero, um caminhão atravesse um sinal vermelho e bata no meu carro. Como eu posso saber o que é melhor para mim ou não? Esse é o ponto completo dessa discussão. Eu quero ser livre – não do cílio no meu olho ou da necessidade de uma vaga para estacionar – mas do pensamento de culpa na minha mente que é a causa real da minha dor, ansiedade e angústia. Jesus afirma no livro de exercícios, e também no texto, que a meta de todo bom professor é ajudar o estudante a generalizar além de lições específicas. Por exemplo, eu aprendo como fazer multiplicações, memorizando primeiro certas operações, para que depois eu possa generalizar essas operações básicas e multiplicar quaisquer números no mundo. O Curso está nos ensinando a reconhecer que, pedindo ajuda a Jesus em circunstâncias específicas – seja ajuda com compras, para remover um cílio, conseguir um emprego, ou seja o que for – estou aprendendo que ele está disponível o tempo todo. Mas, sua disponibilidade não é tal que ele possa me ajudar na forma – essa é apenas a maneira que eu escolhi para experienciar seu amor. Eu realmente quero sentir sua presença o tempo todo, para que, não importando o que aconteça em minha vida – seja grande ou pequeno -, não terá efeito no amor e na paz dentro de mim. Como um outro ponto de esclarecimento, eu gostaria de me voltar para a percepção errônea que muitas pessoas têm de que Jesus tinha algum tipo de relacionamento especial com Helen, como se ele tivesse escolhido se unir a Helen nesse nível, mas ignorasse todos os outros que rezam pelo mesmo nível de contato pessoal. O ponto é, Jesus não se uniu a Helen. Ele não fez absolutamente nada com Helen. Helen fez tudo. Ela experienciou Jesus tirando o cílio do seu olho porque uma parte da sua mente permitiu que ela ficasse muito perto dele. Mas, quer estejamos falando sobre remover um cílio ou saber onde ficar para conseguir um táxi na cidade de Nova Iorque, Jesus não tem nada a ver com a forma da ajuda. A forma não tem absolutamente nada a ver com nada que seja divino. Deus não tem nada a fazer nesse mundo. O Espírito Santo não tem nada a fazer nesse mundo. Somos nós que fizemos o mundo. Para entender mais claramente o que realmente está acontecendo nesses exemplos, nós temos que dar um passo atrás em relação a todo esse mundo de tempo e espaço, e perceber que tudo já aconteceu. Tudo dentro de nossas mentes é totalmente acessível porque somos todos uma só mente. Uma analogia que eu geralmente uso quando falo sobre o tempo é a idéia de videotapes. Existe um videotape de Helen com um cílio no seu olho, e um videotape de Helen com um cílio fora do seu olho. Existe um videotape de ficar na Madison Avenue com a 40th Street e conseguir um táxi, e existe outro com não conseguir um táxi lá. Isso não tem nada a ver com o Espírito Santo ou com Jesus. Nós estamos falando sobre uma habilidade psíquica baseada no ego e não de uma intervenção divina. Na seção no manual para professores sobre os poderes e habilidades psíquicas (M-25), Jesus explica que o que é importante é quem nos guia com uma habilidade psíquica – o ego ou o Espírito Santo. Habilidade psíquica não tem nada a ver com Deus ou com o Espírito Santo. Ela simplesmente capacita as pessoas a liberarem algumas barreiras dentro das suas mentes. Nós podemos fazer isso tanto para um propósito do ego quanto para do Espírito Santo. Então, quando Jesus pareceu dizer a Helen onde fazer compras, não era realmente Jesus dizendo isso a ela. O valor real de Jesus para nós é uma presença em nossas mentes que nos permite sentir seguros o tempo todo por causa do seu amor.


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A crucificação demonstrou esse princípio também – isso não é sobre a forma externa. Aos olhos do mundo, ele não estava a salvo. Então, o ponto é que uma vez que eu me identifique com a segurança de Jesus em minha mente, qualquer coisa que acontecer será irrelevante. Eu poderia estar pendurado em uma cruz, eu poderia estar em Auschwitz, eu poderia estar preso no tráfego na Times Square, ou eu poderia estar deitado confortavelmente em minha própria cama; nenhuma dessa situações poderiam ter um efeito sobre mim se eu me identificasse com Jesus em minha mente. O mundo pode julgar a situação na qual estou como não segura, mas eu posso me sentir a salvo. Então, a segurança na mente – que é onde nós estamos – não tem nada a ver com a segurança como é definida no mundo. Se eu estiver identificado com a segurança da minha mente com Jesus, então, sei que não sou um corpo, porque ele não é um corpo. Ele é um pensamento de amor dentro da minha mente e dentro da mente de todos. Identificando-me com esse pensamento de amor, eu sou esse pensamento e estou perfeitamente seguro; eu não sou um corpo. Se, entretanto, eu esperar que minha segurança seja refletida em um mundo de corpos, então, estou dizendo que ela tem a ver com a situação na qual meu corpo está. O ponto da crucificação era demonstrar que Jesus sabia que não era seu corpo. Seu corpo pode ter tido problemas, mas, uma vez que ele sabia que não era o seu corpo, ele não tinha medo. Agora, um observador vendo Jesus na cruz poderia ter dito, “Ele não é um homem santo. Olhem para o que está acontecendo com ele”, assim como seguidores da Nova Era de hoje poderiam dizer, “Como essa pessoa poderia ser santa? Olhem como ela acabou de perder $ 10.000,00 no mercado de ações. Uma pessoa verdadeiramente avançada espiritualmente nunca faria isso”. Nós estamos sempre julgando de acordo com a forma. Pelo fato de algo não funcionar direito no nível da forma para alguém, nós concluímos que algo não está certo na mente daquela pessoa. Se esse princípio funciona, então, Jesus foi um fracasso da Nova Era. O ponto todo é que o significado de um evento depende de seus propósitos. Para ele, sua crucificação serviu a um propósito de amor. Para a maioria de nós, ser crucificado não serviria ao propósito do amor. Mas nós não podemos julgar pela forma. Esse é o ponto que estamos afirmando. A forma do que aconteceu com Jesus no fim da sua vida não foi amorosa ou segura – foi assassina. Mas, pelo fato de haver um pensamento de amor em sua mente – e apenas um pensamento de amor – sua crucificação foi um ato de amor do ponto de vista dele, embora não do ponto de vista de alguém que não compartilhasse seu sistema de pensamento. Agora, unir-se a Jesus realmente reflete unir-se com seu verdadeiro Ser, Cristo. Mas, nós não acreditamos que somos Cristo – nós acreditamos que somos esse outro ser, que pegamos um pensamento de Cristo, que é perfeito amor, e o transformamos em um pensamento de separação – um corpo. Então, nós precisamos de um pensamento de Cristo que represente essa outra parte para nós. É isso o que Jesus representa para todos nós. Uma vez que temos a ilusão de sermos esse ser separado que pensamos ser, então, precisamos da ilusão de um Jesus. Ele é tanto uma ilusão quanto nós. E, quanto o tempo vier, como eu disse antes, quando nós realmente soubermos que não somos o ego, e realmente soubermos que somos parte de Cristo, nesse ponto, vamos desaparecer, e Jesus também. Até esse ponto, nós precisamos dele. Como já vimos, podemos pensar sobre Jesus em dois níveis: o nível da realidade e o nível do símbolo. No nível da realidade, Jesus está fora do tempo. Mas ele ainda está dentro da mente dividida, porque ele é um pensamento dentro da mente da Filiação. Cada um de nós é um pensamento dentro da mente da Filiação, e somos todos unidos. Todas as mentes são unidas. Todos os pensamentos são unidos. A diferença entre Jesus e nós é que ele sabe que toda a idéia da separação é uma ilusão, e nós não.


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Pelo fato de nós pensarmos sobre nós mesmos como seres separados, não identificamos cada um de nós como uma mente, ou um pensamento, mas, ao invés disso, como um corpo. Então, esse pensamento é simbolizado nesse corpo em que chamamos a nós mesmos por um nome. De forma similar, pelo fato de pensarmos que Jesus é separado de nós, esse pensamento também é simbolizado por um corpo que chamamos de Jesus. Então, no nível do símbolo, nós vamos experienciá-lo perto de nós. Vamos experienciá-lo como uma presença que está nos guiando, nos ajudando e nos amando. Mas isso é um símbolo. O que estou demonstrando aqui, ainda mais uma vez, é que essa será nossa experiência aqui. Mas, nossa experiência aqui é simplesmente um símbolo de um símbolo. Existe outro ponto que eu gostaria de esclarecer sobre Helen e o cílio. Minha explicação foi que Helen primeiro soltou a mão de Jesus e depois experienciou o cílio e seu olho – a causa do cílio em seu olho, portanto, foi sua separação de Jesus. Se esse foi o caso, então, unir-se a ele iria desfazer a separação, e o cílio iria desaparecer. Entretanto, se a causa do cílio no olho dela tivesse sido alguma outra coisa – vamos dizer, uma decisão de mostrar algo a mim ou a outra pessoa, então, o cílio teria continuado dentro do olho dela, porque seria uma lição de ensino diferente. Nós sempre temos que ser cuidados para não confundirmos a forma com o conteúdo e acausa. Como já discutimos antes, o amor foi a causa de Jesus ficar pendurado na cruz; para qualquer outra pessoa, a causa seria a culpa. Vocês não sabem necessariamente a causa apenas por observar a forma, que é o efeito. Em outras palavras, a causa leva ao efeito, e não ao contrário – o efeito não leva à causa. É por isso que é sempre difícil julgar à partir da forma. No texto, Jesus diz que, basicamente, nós não podemos entender coisa alguma – algumas das coisas que julgamos como falhas, realmente foram nossos maiores avanços. E o que nós julgamos como sucessos, realmente foram nossos maiores retrocessos (T-18.V.1:6). Nós realmente não sabemos. Então, é esse o problema quando tentamos avaliar nosso progresso pela forma, pelo externo – eu acho que sou santo e espiritualmente avançado porque consigo vagas para estacionar. Mas eu realmente sei que sou santo e avançado quando fico em paz não importando o que aconteça. Deixem-me agora aplicar o que estou falando ao Curso. Usando a mesma idéia básica que acabamos de discutir com respeito a Helen, Jesus, e o cílio, deixem-me falar sobre Helen, Jesus e o Curso. Isso se seguirá logicamente de tudo o mais que estivemos falando. Isso também vai ajudar muito a esclarecer novamente a diferença entre a forma e o conteúdo, entre o símbolo e a realidade. O símbolo é Um Curso em Milagres – três livros com um ensinamento específico, estrutura e forma. A realidade é o amor de Jesus. Eu me lembro de que, há muitos anos, uma mulher veio a Helen, dizendo, “Como Jesus poderia ter ditado o Curso? Ele não falava inglês”. Quando nós damos um passo atrás e pensamos sobre isso, sua pergunta tem uma certa lógica – as ela estava misturando os níveis. Ela estava confundindo a forma do Jesus que viveu na Palestina há dois mil anos, que não conhecia uma palavra de inglês – com o Jesus que “ditou” o Curso para Helen. Desse ponto de vista de que a forma de Jesus há dois mil anos era sua realidade, a pergunta dela fazia muito sentido. Mas, é muito arriscado tentar dizer que o Jesus que ditou o Curso é o mesmo Jesus que viveu na Palestina. O pensamento de amor que estava refletido como Jesus na Palestina é o mesmo pensamento de amor que é a fonte do Curso. Mas a pessoa não é a mesma – isso é confundir o corpo com o pensamento – o símbolo com a realidade. É assim que podemos realmente cair na


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armadilha. E é por isso que não há nada no Curso sobre a vida de Jesus. Ele fala somente sobre a crucificação e a ressurreição, e simplesmente para mudar nosso sistema de pensamento. Ele não fala sobre onde nasceu e onde viveu, se gostava de sorvete de chocolate ou de baunilha, ou qualquer outra circunstância específica da sua vida – não faz sentido considerá-las. Quando Jesus diz, “Foi pedido a ti que me tomasse como teu modelo de aprendizado” (T6.in.2:1), ele não queria dizer que deveríamos pentear nossos cabelos da mesma forma que ele. Ele não quer dizer que deveríamos responder uma pergunta da mesma forma que ele respondeu. Ele quer dizer que deveríamos tomar seu sistema de pensamento como nosso modelo. Seu sistema de pensamento era o de ser sem defesas diante do ataque, de ser a expressão do amor perfeito que não era afetado de forma alguma, por quais pensamentos ao redor dele. Ele não está falando sobre nos comportarmos como ele. De fato, em um ponto, ele diz, “Não te é pedido que sejas crucificado” (T-6.I.6:7-8). Ele não quer que nós o emulemos em termos de forma, porque não existe forma. Isso está claramente implicado em várias passagens no Curso (e.g., T-19.IVA.17:5-7) que estão endereçadas especificamente a igreja Católica Romana, que cometeu o erro de transformar o corpo de Jesus em uma grande coisa. Com efeito, ele está dizendo, “Por que eu iria dizer para vocês pegarem meu corpo e comê-lo? Eu não quero compartilhar meu corpo com vocês. Isso é tolice. Eu qeuro compartilhar minha mente com vocês. E eu quero compartilhar o amor na minha mente – não minha personalidade, nem se eu tenho ou não um bom senso de humor”. Nada disso é real. Isso pode ter sido real quando ele viveu na Palestina, mas aquele corpo não vive mais. O pensamento de amor que estava refletido naquele corpo é que era real. Aquele pensamento é a fonte do Curso. E aquele pensamento está dentro de todos nós – nós queremos nos unir àquele pensamento. Novamente, não confundam o símbolo com a realidade. Então, a resposta à pergunta da mulher – “Como Jesus poderia ter ditado o Curso, já que ele não sabia inglês” – é que ele não ditou o Curso em inglês. Ele é um pensamento de perfeito amor. O conteúdo do curso veio dele – esse é o conteúdo do amor. A forma do Curso veio através da mente de Helen. A mente de Helen, então, usando minha analogia anterior, é o copo. Sua mente tornou-se o recipiente através do qual a água se escoou, ou o amor fluiu. Se nós olharmos para a forma do Curso e para a mente de Helen, ou, na verdade, para as formas específicas refletidas no cérebro dela, vamos ver os paralelos exatos: Helen falava inglês – o Curso foi escrito em inglês. Helen era americana – o Curso tem muitas referências à America (e.g., uma referência à Declaração da Independência) e existem figuras de linguagem que são particularmente americanas. Helen adorava Shakespeare – a linguagem e a métrica do Curso são shakespearianas. Helen era uma educadora – o Curso vem em termos curriculares. Helen era psicológica – o Curso vem em termos psicológicos. Helen era uma perspicaz estudante da bíblia, não que ela acreditasse na bíblia como era, mas ela amava a linguagem bíblica – o Curso tem mais de 800 referências e alusões bíblicas. Helen adorava Platão e o compreendia muito bem – existem muitas alusões a Platão no curso. Helen era uma perspicaz estudante de lógica, e sua mente era incrivelmente lógica – o Curso desenvolve seus argumentos de uma maneira muito lógica. Essa era a forma do Curso, refletido a estrutura do cérebro de Helen, através da qual, o amor de Jesus se escoou. O Curso é o que é, não porque está em inglês, não porque seja psicológico ou educacional, e não por sua escrita linda. É o amor que vem através das palavras que torna o Curso o que ele é. O amor é o conteúdo. Esse é o significado, essa é a canção. Os ecos, as nuanças e a harmonia vieram da mente de Helen. Mas a canção não veio da mente de Helen, a menos que identifiquemos a mente de Helen com a Mente de Cristo, que é a mente que Jesus


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representa, da qual todos nós somos uma parte. É por essa razão que quando as pessoas vinham a Helen e diziam, “Você poderia, por favor, perguntar a Jesus por mim o que eu deveria fazer?”, ela respondia, “Você pede a Jesus. Vou rezar com você agora [o que ela fazia algumas vezes] para reforçar o poder da sua mente de fazer o que eu faço. Não é um grande problema”. Então, assim como foi Helen quem tirou o cílio do olho dela, nesse contexto, foi Helen que escreveu Um Curso em Milagres – não seu conteúdo, não sua mensagem, não o amor que está no Curso, mas a forma na qual ele veio. O que torna o Curso o que ele é, é o amor naquelas páginas que as pessoas reconhecem como não originário desse mundo. Dentro do mundo ocidental, Jesus é o símbolo que usamos para denotar um amor que não é desse mundo, embora seja experienciado aqui. É importante entender a distinção para que, como já disse antes, não transformemos o Curso, como um livro, em um ídolo. E para que não sintamos que Helen fez algo especial que ninguém mais seria capaz de fazer. Somos todos canais, somos todos escribas, porque nenhum de nós está no corpo de forma alguma. O Curso torna claro que a mente não está no corpo, mas a mente projeta a si mesma dentro de um corpo. É isso o que um canal é. As pessoas hoje em dia consideram muito as pessoas que canalizam. Todos nós somos canais. Em qualquer momento determinado, estamos falando ou pelo Espírito Santo ou pelo ego – isso não é grande coisa. Se nós começarmos a criar um grande caso sobre a voz, estaremos aprisionados ao ego, porque estaremos tornando a forma real, estaremos transformando a forma em uma grande coisa. Lembrem-se novamente, não são os ecos ou a harmonia que queremos. Nós queremos a canção, nós queremos a fonte. Nós não queremos as formas nas quais ela vem. Todos canalizam o tempo todo. Simplesmente estar em um corpo é uma canalização – o corpo é uma canalização do pensamento do ego, é o pensamento do ego assumindo forma. Sempre que abro minha boca e digo algo, ou escrevo algo, estou canalizando – não é uma grande coisa. Ninguém faz isso melhor ou pior do que qualquer outra pessoa. Tudo o que importa é a quem estou pedindo que seja a fonte da minha “canalização”. O que tornou Helen diferente dentro do sonho foi sua habilidade de unir sua mente totalmente com o Amor de Cristo em sua mente, o que para ela, como para a maioria de nós, era simbolizado pela pessoa de Jesus. Mas não é Jesus que nós queremos – nós queremos o amor que ele simbolizou para nós no mundo. Quando Helen estava escrevendo o Curso, era capaz de levar seu copo a ele e não mantê-lo pequeno. Em contraste, quando ela estava vivendo sua vida costumeira, segurava só um dedal, o que então se tornava um cílio, ou perguntas como, “Onde devo ir para comprar uma meia-calça?”, ou “Em que esquina devo ficar para pegar um táxi?”. Mas, quando ela estava transcrevendo o Curso, abria sua mente inteira para ele, de tal forma que a mente dela se tornava a mente dele. E, então, o amor que ele simbolizava fluía através dela, através da estrutura do cérebro dela – que, novamente, era americana, psicológica, educacional, falante de inglês, etc. – e veio na forma desses três livros. Seu cérebro estruturou a forma dos livros, mas ela não é o seu conteúdo, não é o conteúdo da sua mensagem. A forma não é o motivo pelo qual esses livros têm um efeito tão poderoso – seja ele positivo ou negativo – sobre a maioria das pessoas que os têm visto. O motivo é que nós experienciamos uma presença através das páginas, que transcende as palavras. E essa é uma presença de amor. Helen uniu sua mente a Jesus, ou realmente com seu Ser – Jesus é o símbolo desse Ser para todos nós. Dessa união com ele, o Curso nasceu, o que, para ela, começou com sua experiência de unir-se a Bill. E sua união com Bill, com cada um deles deixando de lado quaisquer interesses separados, tornou-se o reflexo do que o Curso chama de a


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“união maior” – a união com o Espírito Santo ou com Jesus em nossas mentes. Foi dessa união que o Curso veio. O erro, novamente, está em confundir a forma com o conteúdo. Agora, a experiência de Helen, como muitos de vocês ouviram nas histórias que eu contei, era de que ela era um ser separado falando com esse outro ser separado em sua mente. Ela tinha diálogos com Jesus que eram coloquiais, e ela experienciava seu relacionamento com ele como muito real e pessoal. Ele era alguém que ela tanto amava – mais do que a qualquer outra pessoa – quanto odiava – ela freqüentemente gritava e discutia com ele. Mas tudo isso simplesmente era parte do símbolo, parte da forma. Na realidade, era como se uma parte da sua mente estivesse falando com outra. Essa experiência era extremamente útil para Helen, assim como seria para qualquer um de nós. Uma grande parte do processo do Curso é desenvolver um relacionamento pessoal com Jesus ou com o Espírito Santo. Pelo fato de estarmos tão separados do nosso verdadeiro Ser, precisamos de alguém dentro do nosso sonho de separação, um símbolo que possa refletir para nós um sistema de pensamento diferente do nosso sistema de pensamento de separação, culpa e raiva. Seja o que fosse que Helen pudesse ter pensado sobre Jesus nas vezes em que estava irritada com ele, ela basicamente acreditava em tudo o que ele dizia. Ela sabia com quem estava falando e que qualquer coisa que ele dissesse a ela seria amorosa. ela também estava ciente de que, a qualquer momento, poderia decidir não prestar atenção a ele. Ela também estava ciente, em alguma parte da sua mente, das conseqüências dessa decisão – ela iria se sentir muito mal. Mas esse relacionamento era um símbolo, como outra parte da sua mente sabia. Ocasionalmente – muito, muito ocasionalmente -, Helen tinha uma experiência depois da qual me dizia, “Isso foi diferente da voz usual”. O que ela realmente queria dizer era que a experiência tinha ido além dela falando com Jesus, ou Jesus falando com ela – ela tinha atingido uma parte da sua mente na qual eles eram uma única voz. E isso era relativamente raro. Uma experiência de certa forma parecida, aconteceu quando Helen estava ajudando outras pessoas. Ela geralmente não perguntava a Jesus o que dizer – ele simplesmente falava. Basicamente, se nós tivermos uma experiência de ter que perguntar a Jesus o que dizer, ainda estaremos partindo de uma mente dissociada. Quando estamos vivendo no mundo real, nós não perguntamos – a Voz do Espírito Santo, a Voz de Deus, simplesmente vem através de nós, e estamos cientes de que somos essa voz. A maior parte do tempo, não estamos nesse estado. Podemos entrar e sair dele. Mas, a maior parte do tempo, estamos dentro da moldura da mente dividida, e, então, precisamos da ilusão de uma mente separada dentro de nossas mentes que nos diga o que dizer e fazer. Em boa parte do Curso, Jesus se dirige a nós nesse nível porque é nele que estamos. Mas, quando estamos no mundo real, não perguntamos mais porque somos aquela voz e aquela sabedoria. Quando Helen estava ajudando outras pessoas, ela freqüentemente falava e agia à partir daquele nível. Basicamente, terapeutas fazem isso quando estão em sua mente certa. Se, como um terapeuta, eu tivesse que parar a cada minuto e dizer a Jesus, “O que devo dizer agora?”, o paciente iria experienciar a terapia como muito incoerente. Depois de cada lapso de tempo de cinco ou dez segundos, enquanto eu estivesse perguntando, o paciente iria estar pensando, “Vamos lá, cara, vamos com isso”. E eu estaria pensando, “Calma aí, não estou pronto, ainda tenho que checar”. Não é isso o que acontece quando um terapeuta está na sua mente certa – então, a sabedoria e o amor e a ajuda simplesmente vêm através dele. E, basicamente, essa seria nossa experiência no mundo real, exceto que no mundo real isso acontece o tempo todo.


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Então, perguntar a Jesus em que esquina ficar para pegar um táxi ainda está no nível mais baixo da escada. E não há absolutamente nada de errado com isso – é aí que todos nós estamos. O livro de exercícios começa conosco nesse nível. O propósito desse livro, que é um programa de treinamento de um ano, é nós treinar, primeiro de tudo, para ouvirmos a Voz do Espírito Santo ao invés da voz do ego. Quando nós realmente aprendermos como fazer isso e liberar todos os nossos medos para o Espírito Santo ou para Jesus, então, nos tornamos essa Voz também. Mas isso acontece muito, muito mais tarde, quando nos tornamos o que o manual dos professores chama de professor avançado de Deus. O manual para professores distingue entre os professores de Deus e os professores avançados de Deus. Como um professor avançado de Deus, nós pedimos com uma freqüência cada vez menor, porque nos tornamos a resposta. Mas é arrogância do ego pensar que já chegou mais longe do que realmente está. O Curso começa conosco no início da escada, no nível da forma e do símbolo – é por isso que Jesus se refere a si mesmo com tanta freqüência como, e enfatiza nossa união com ele. Todos nós somos como crianças. Nenhum de nós está amadurecido no sentido espiritual. O Curso é escrito para criancinhas – não criancinhas cronologicamente, mas adultos que são criancinhas. Parte IX Continuação de “A Oração Verdadeira” (A Canção da Oração [S-1.1.3]) Agora, gostaria de finalizar o que estamos lendo de A Canção da Oração. Depois, vamos discutir a importância de ter Jesus como um símbolo em nossas mentes, para o qual possamos nos voltar em busca de ajuda. Vamos passar tempo suficiente nisso depois, para podermos concluir em um ponto onde as pessoas estejam se sentindo confortáveis. Uma coisa que vou enfatizar é que não há nada de pecaminoso ou errado em ver a si mesmo no primeiro degrau da escada. Novamente, é aí que Jesus, no Curso, basicamente presume que estamos. E é apenas a arrogância do ego que nos faria sentir que estamos em um nível diferente do de onde realmente estamos. Vamos continuar, então, de onde paramos na Canção da Oração – “A Verdadeira Oração” (S1.1.2). vou reler a linha final do parágrafo três. (Parágrafo 3 – Sentença 6) Buscaste em primeiro lugar o Reino do Céu e tudo o mais, de fato, te foi dado. Quando Jesus diz que tudo o mais nos será dado, ele não quer dizer que vamos conseguir toda a abundância que o mundo material tem a nos oferecer. Ele quer dizer que toda nossa ansiedade sumirá, e que, não importando o que aconteça no mundo externo, estaremos em paz. Isso não é uma promessa de que, se segurarmos a mão de Jesus, vamos conseguir centenas de milhares de dólares, e cada relacionamento que queremos nos será dado, etc. – isso não tem nada a ver com nada externo. Significa que, quando pegarmos sua mão e sentirmos seu amor e sua paz, esse amor e paz não serão afetados por nada que acontece no mundo ao nosso redor. Por outro lado, se nosso foco estiver nas coisas materiais do mundo – as expressões na forma que sentimos que pegar a mão de Jesus vai nos dar – então, talvez consigamos o que queremos hoje, mas sempre poderemos perdê-lo amanhã. Então, por exemplo, eu posso conseguir uma vaga para estacionar o carro hoje, mas não tenho certeza de que conseguirei isso da próxima vez. Ou eu posso me recuperar de uma doença física e me sentir melhor hoje, mas isso não significa que amanhã não poderei estar doente outra vez. Entretanto, conforme eu começo a me identificar cada vez mais com o amor e a paz de Jesus, então, não importando o que aconteça, não ficarei


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preocupado. Isso nos dá uma liberdade tremenda, pois nós não sentimos mais necessidade de controlar o que as outras pessoas fazem ou o que acontece conosco. Uma necessidade desse tipo vem do medo de que, se eu não tiver cuidado, o pouco que acredito ter me será tomado. (Parágrafo 4 – Sentença 1-2) O segredo da oração verdadeira é esquecer das coisas que pensas que precisas. Eu penso que preciso de uma vaga para estacionar. Eu penso que preciso ser curado de câncer ou de AIDS. Eu penso que preciso de dez mil dólares. Eu penso que preciso de um relacionamento. Eu penso que preciso de alguma coisa. (Parágrafo 4 – Sentença 2-3) Pedir o que é específico é quase a mesma coisa que olhar para o pecado, e depois perdoá-lo. Deixem-me explicar brevemente o que isso significa. Um tema principal no Curso em si mesmo é a compreensão do perdão. Como o mundo o tem compreendido, o perdão assume essa forma: Eu o perdôo pela coisa terrível que você fez. Sim, você fez algo que não deveria ter feito, e isso foi terrível. Entretanto, a partir da bondade e gentileza do meu coração, e como um indicativo da santidade da minha alma e a sacralidade da minha mente, eu o perdôo. Mais adiante, nesse panfleto, essa abordagem é chamada de “perdão-para-destruir” (S-2). O perdão, de acordo com o Curso, como sabemos, significa que nós perdoamos o outro pelo que ele não fez. Isso não significa que nós fazemos vista grossa ou negamos o que um corpo fez a outro. Simplesmente significa que o que seu corpo fez a mim, ou o que o seu corpo fez àqueles com quem me identifico, não teve efeitos no Amor e na paz de Deus dentro de mim. O perdão é para algo que alguém não fez (T-17.III.1:5). Quando me sinto transtornado ou irritado com você, e o acuso de algo, estou realmente acusando você de tirar a paz de Deus de mim. Mas você não é capaz de atingir minha mente e tirar a mão de Jesus da minha e nos separar – só eu posso fazer isso. Portanto, nada do que você tenha feito tem qualquer efeito de forma alguma em meu relacionamento com Jesus. Só o que eu faço tem um efeito sobre meu relacionamento com Jesus. Novamente, esse é o significado do princípio de que nós perdoamos uns aos outros pelo que nós não fizemos. Entretanto, quando eu digo que você realmente fez alguma coisa – que você fez com que eu ou alguém que amo sofra dor, então, estou dando a você um poder que você realmente não tem. É isso que o Curso quer dizer com “tornar o erro real” (e.g., T-12.I.1:1) – estou dizendo que existe um problema lá fora. Então, se eu “perdoar” você, o problema não vai embora, ele ainda é real, mas eu escolhi fazer vista grossa. Jesus está nos dizendo que pedir a Deus alguma coisa específica é, em princípio, a mesma coisa. Estou dizendo que tenho uma necessidade de uma vaga para estacionar, ou de mil dólares, ou de um relacionamento, a cura do câncer, etc. Se minhas necessidades não são satisfeitas, não vou me sentir feliz. Não vou me sentir em paz a menos que dobre a esquina e encontre uma vaga para estacionar. Ou vire a esquina e encontre o amor da minha vida. Ou vire a esquina e encontre mil dólares na rua, esperando por mim – exatamente o que eu preciso para pagar todas as minhas contas. Isso torna o erro real. A razão pela qual estou ansioso e me sinto em escassez – que algo está faltando dentro de mim – não tem absolutamente nada a ver com qualquer falta externa. A escassez ou a falta que estou sentindo vem da minha crença de que eu me separei do Amor de Deus – esse é o problema, esse é o erro em pedir coisas específicas.


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(Parágrafo 4 – Sentenças 3-5) Da mesma forma, na oração passas por cima das tuas necessidades específicas tal como as vês e entrega-as nas Mãos de Deus. No contexto do que estivemos discutindo nesse workshop, nós realmente não deixamos nossas necessidades nas Mãos de Deus – nós as deixamos nas mãos de Jesus. Dentro do sonho, as mãos de Jesus são o símbolo das Mãos de Deus. De fato, Deus obviamente não tem mãos. Então, Jesus está nos lembrando aqui de que nós queremos a canção – e não as nuanças ou as formas nas quais a canção vem até nós. (Parágrafo 4 – Sentenças 5-9) Lá [nas Mãos de Deus] elas passam a ser as tuas dádivas a Ele, pois Lhe dizem que não queres ter outros deuses diante Dele, nenhum Amor a não ser o d’Ele. O que poderia ser a Sua resposta exceto que te lembres d’Ele? A lembrança de Deus, dentro do contexto do Curso, é o Espírito Santo. Ele é a memória de Deus dentro de nossas mentes, e Jesus é a forma específica ou a manifestação dessa memória – a resposta. A resposta não é “Vá para o lado esquerdo” ou “Vá para o lado direito”. “Faça essa refeição ao invés daquela”. “Fique nessa esquina ao invés de naquela”. Nada disso é a resposta. A resposta é a memória do Amor de Deus. Mas, uma vez que temos medo da pureza e da totalidade desse Amor, somos nós que colocamos esse Amor em um pequeno dedal – e, do lado de fora, aparece uma esquina, ou um cílio, ou alguma outra coisa específica. E então vem essa linha extremamente importante: (Parágrafo 4 – Sentenças 9-11) Isso [a lembrança do Amor de Deus, a expressão da Sua paz] pode ser negociado a favor de um conselho sem importância sobre um problema que tem a duração de um instante? Lembrem-se, A Canção da Oração foi uma resposta específica a uma conversa que Helen e eu tivemos sobre a questão de pedir coisas específicas. Então, Jesus está dizendo, “Você quer uma experiência do meu amor por você e do seu amor por mim – é isso o que você quer. Você realmente iria querer trocar isso por um conselho insignificante sobre um problema que não dura mais do que um instante?”. Você não pede demais, você pede muito pouco (T-26.VI.11:7). Nossos egos nos dizem que não somos merecedores de termos uma experiência do amor de Deus – que nós só merecemos que nos seja dito onde devemos ir tomar o café da manhã, ou algo assim. Ou poderia ser algo que parece ser muito importante, envolvendo, por exemplo, um relacionamento, trabalho, ou a saúde de alguém. Mas nada disso dura mais do eu um instante. Cada um deles envolve apenas nossos corpos, e nenhum deles envolve a paz de Deus. E, ainda assim, temos esse desejo de buscar coisas específicas. Os estudantes do Curso com freqüência querem buscar coisas tão pequenas, vendo o Curso apenas como uma extensão dos caminhos da Nova Era que ensinam como conseguir coisas nesse mundo. Eles querem se voltar para uma experiência na qual o Espírito Santo lhes diga coisas específicas, ao invés de permitir que Ele treine suas mentes para que possam ter tudo. Esse não é um curso em resolver problemas no nível das minúcias. Não é um curso em viver melhor nesse mundo. É um curso em mudar nossas mentes sobre nosso relacionamento com Deus – em mudar nossas mentes da culpa que o ego fez para ser a realidade de nossas mentes, para o perdão e o amor que está esperando por nós lá. Para aprender essa lição e aceitar o amor, precisamos lidar com os símbolos. Temos que aceitar o amor em qualquer forma que o simbolize para nós. Mas o ponto não é buscar as formas, mas permitir que as formas nos levem mais para cima na escada para que possamos começar a ter uma experiência mais profunda do amor de Jesus. Essa é a meta.


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(Parágrafo 4 – Sentenças 11-12) Deus só responde a favor da eternidade. Mas, ainda assim, todas as pequenas respostas estão contidas nisso. Deus é apenas eternidade – Seu Amor é eterno. Nós temos que começar com as pequenas respostas – o início da escada. Mas não queremos esquecer que as pequenas respostas são apenas símbolos. E queremos ir além dos símbolos, como a seção quase no final do texto, “Além de Todos os Símbolos” (T-27.III) nos lembra. ---------------------------------(Parágrafo 6 – Sentenças 1-4) Esse não é um nível de oração que todos já possam alcançar. Aqueles que não o alcançaram ainda precisam da tua ajuda na oração porque o que pedem ainda não está baseado na aceitação. Jesus está falando aqui sobre o topo da escada. Usualmente, quando pedimos ajuda, não estamos pedindo ajuda para aceitar Quem nós somos. Ao invés disso, estamos pedindo ajuda para consertar algo. Por exemplo, pedimos ajuda para nossa terrível carga de medo, ou culpa, ou depressão, ou dor, seja retirada de nós, o que significa, é claro, que não estamos aceitando a responsabilidade por escolhê-las. Nós vimos a mesma idéia mais cedo, em nossa conversa sobre Helen pedindo a Jesus que levasse seu medo embora. Um pedido desses nega o poder da mente que escolheu o medo. Jesus está dizendo aqui que existem pessoas que ainda têm medo do poder de suas mentes. Essas linhas estavam destinadas especificamente a Helen, por causa de uma de suas perguntas a Jesus sobre como lidar com pessoas que estivessem pedindo a ajuda dela, e se deveria ou não lhes dar a ajuda específica que elas queriam. Ela decidiu que, a maior parte das vezes, isso não era útil, e, ao invés disso, que deveria se unir a elas para lembrá-las do poder de suas próprias mentes. (Parágrafo 7 – Sentenças 1-2) Ajuda na oração não significa que um outro passe a ser o mediador entre Deus e tu. Se você tiver um problema e eu pensar que posso ajudá-lo sendo um intermediário, isso não é ajuda. Jesus é visto com freqüência dessa forma, mas é assim que ele próprio se vê no Curso. Mas sua visão global sobre si mesmo está refletida nessa linha: (Parágrafo 7 – Sentenças 2-3) Mas, de fato, significa que um outro está ao teu lado e te ajuda a erguer-te até Ele. É isso o que Jesus faz. E ele nos pede, como sua manifestação no mundo, que façamos a mesma coisa. Uma passagem maravilhosa no manual para professores (M-5.III.2) discute a cura em termos do que significa ser um professor de Deus. E ela diz que um professor de Deus não faz nada, ele não cura. Ele simplesmente lembra aqueles que acreditam estar doentes que eles têm o poder de fazer outra escolha. Novamente, é isso o que Jesus faz. Ele não escolhe por nós. Ele não faz nada por nós. E nós deveríamos ser gratos por ele não fazer nada por nós porque, se ele o fizesse, seria uma parte do mesmo sistema insano do qual todos somos parte – e isso não seria útil. Ele fica do lado de fora do sistema insano em nossas mentes, e nos lembra, por sua própria presença, que podemos fazer outra escolha. Agora, nós podemos experienciá-lo como fazendo algo, assim como Helen o experienciou tirando o cílio do seu olho. Mas a realidade é que ele simplesmente permaneceu dentro da mente dela até que ela voltasse até ele. Foi a mente dela que interpretou a experiência como Jesus fazendo algo


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por ela. Novamente, é por isso que é importante manter a distinção entre a aparência e a realidade, entre a forma e o conteúdo, perfeitamente clara. (Parágrafo 7 – Sentenças 3-7) Aquele que como apreendeu a bondade de Deus ora sem medo. E aquele que ora sem medo não pode deixar de chegar até Ele. Ele pode, portanto, chegar também até Seu Filho, onde quer que ele esteja e seja qual for a forma que ele pareça tomar. Isso, é claro, é o que Jesus é capaz de fazer, ser um pensamento de perfeito amor dentro da mente da Filiação. Uma vez que as mentes são unidas e os pensamentos dentro da mente única são unidos, então, o pensamento que ele é está sempre disponível para nós. Somos nós que temos que escolhê-lo, mas a escolha está sempre lá. Eu gostaria de esclarecer a linha, “E aquele que ora sem medo não pode deixar de chegar até Ele”. Por que, vocês poderiam perguntar, alguém iria rezar se não tiver medo? Mas isso não significa a oração no sentido usual. Quando eu oro sem medo, a oração se torna aceitação. Mas, se eu pedir coisas, então, obviamente, estou em um estado de medo, porque acredito que me falta algo. Por que eu deveria rezar por algo a menos que sentisse que não o tenho? E, ainda mais, eu preciso sentir que se não o tenho, algo terrível vai acontecer comigo. Quando meu medo tiver acabado, minha oração é simplesmente uma aceitação do amor que não apenas Jesus tem e é, mas que eu sou junto com ele. Parte X “A Escada da Oração” (A Canção da Oração [S-1.II]) Vamos passar agora para o início da próxima seção e ler um pouco dela. Essa seção, “A Escada da Oração”, apresenta uma imagem da escada que temos usado. O topo de escada é Deus e Cristo – o que está acima da linha violeta no gráfico. Tudo abaixo dela constitui a escada. A mesma imagem é usada no texto, dizendo que o Espírito Santo vai nos levar para cima na escada que a separação nos fez descer (T-28.III.1:2). O significado da imagem é que nós caímos do Céu para o mundo do ego, e agora, o Espírito Santo vai refazer esses passos conosco, degrau por degrau. O início da escada é onde todos nós caímos e agora estamos, acreditando que somos corpos vivendo em um mundo que é real e que é o nosso lar. E nós todos temos essas necessidades físicas e psicológicas que têm que ser atendidas – de outra forma, não podemos existir. Basicamente, todas elas, de uma forma ou de outra, representam nossas necessidades de especialismo. Esse é o início da escada. (Parágrafo 1 – Sentenças 1-2) A oração não tem começo nem tem fim. É uma parte da vida. Esse é o nível no topo da escada – a canção da oração. (Parágrafo 1 – Sentenças 2-4) Mas ela, de fato, muda em sua forma e cresce com o aprendizado até atingir o seu estado além da forma e se fundir na total comunicação com Deus. O estado além da forma é a canção da oração – a ausência de qualquer coisa realcionada à dualidade ou necessidade. Apesar disso, nosso medo do amor sem forma é tão grande que nós colocamos muitas camadas e filtros entre nós mesmos e esse amor. E, então, o amor é filtrado através disso tudo, e então é expresso em experiências específicas que n��s vemos como atendendo às nossas necessidades. Essas experiências não são a realidade do amor ou de Jesus


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– elas simplesmente são a que nosso medo reduziu o amor. Nós temos tanto medo de estarmos na presença de Jesus, que temos que dispersar seu poder, seu amor, sua luz. Mas, então, cometemos o erro de tomar a dispersão pela realidade, ao invés de simplesmente como um aspecto ou um reflexo dela. ------------------(Parágrafo 2 – Sentenças 1-4) Essas formas de oração, ou pedidos nascidos da necessidade, sempre envolvem sentimentos de fraqueza e inadequação e nunca poderiam ser feitos por um Filho de Deus que sabe Quem ele é. Uma vez que nos esquecemos de Quem somos, nos identificamos como um ser limitado, fragmentado, separado, pecador. Esse ser começa como um pensamento que depois é projetado da mente e é experienciado como um corpo – um corpo limitado, separado, que tem todos os tipos de necessidades, e inevitavelmente vai morrer. Certamente, mesmo no nível físico mais grosseiro, temos necessidades tremendas. Se não comermos todos os dias, vamos ficar doentes e morrer. Se não tivermos o suficiente para beber ou respirar, vamos morrer. Essas necessidades físicas reforçam o senso de sermos fracos e inadequados. Então, todas as necessidades psicológicas que acreditamos ter reforçam esse senso ainda mais profundamente. (Parágrafo 2 – Sentenças 4-7) Portanto, ninguém que esteja certo da sua Identidade poderia orar dessa forma. Contudo, também é verdade que pessoa alguma que esteja incerta da sua Identidade pode evitar orar dessa maneira. Isso inclui a todos nós. Todos nós acreditamos que realmente somos a pessoa que vemos no espelho. Nós acreditamos ser essa personalidade a quem damos um nome e uma história. Nós acreditamos ser esse corpo, que pode ser descrito, e que se relaciona com outros corpos – isso é um fato. Contudo, isso significa que todos nós somos insanos. Todos nós acreditamos que temos necessidades que precisam ser atendidas. Nenhum de nós acredita que Deus é um Criador amoroso porque, se o fizéssemos, nenhum de nós teria fugido de casa e permanecido longe. O próprio fato de estarmos aqui testemunha nossa crença de que o sistema de pensamento do ego é real. Isso não o torna real – isso não significa que estamos realmente aqui. Mas nós acreditamos estar aqui. Uma vez que acreditamos nisso, também acreditamos ter necessidades. E também acreditamos que Deus vai ignorar nossas necessidades porque Ele está muito zangado conosco, ou acreditamos que Ele vai magicamente cuidar de todas as nossas necessidades. Lembrem-se – olhando para a coluna do ego no gráfico -, o deus do ego no mundo da forma é alguém que não vai prestar atenção alguma a nós e, se chegarmos um pouco que seja perto dele, ele vai nos destruir. Conseqüentemente, uma vez que acreditamos estar no mundo da forma, a correção está na coluna adjacente – Deus é Alguém Que se importa conosco, Que nos ama, e Que responde nossas orações e atende às nossas necessidades. Esse está bem no início da escada. Vamos agora pular para o próximo parágrafo. (Parágrafo 3 – Sentenças 1-13) Também é possível atingir uma forma mais elevada de pedir-pornecessidade, pois nesse mundo a oração é reparadora e conseqüentemente níveis de aprendizado não podem deixar de existir. Aqui o pedido pode ser endereçado a Deus e podemos acreditar nisso com honestidade, apesar de ainda não termos a compreensão. Um senso vago e usualmente instável de identificação foi atingido, mas tende a ser obscurecido por um senso de pecado profundamente enraizado. Nesse nível é possível continuarmos a pedir as coisas desse mundo sob várias formas, e também é possível pedir dádivas tais como a honestidade ou a


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bondade e particularmente o perdão para muitas fontes de culpa que inevitavelmente são a base subjacente de qualquer oração feita por necessidade. Jesus agora está falando de subirmos lentamente a escada. No início, nós simplesmente pedimos coisas do mundo de que pensamos precisar. Conforme começamos a crescer, ainda pedimos à partir da necessidade, mas começamos a pedir coisas que parecem estar em um nível mais elevado. Então, pedimos a liberação do medo ou o perdão. Mas, ainda estamos pedindo a alguém que parece estar fora de nós. Então, eu rezo para Jesus, “Por favor, tire meu medo”. No ano anterior, eu poderia ter dito a Jesus, “Por favor, mande-me dez mil dólares”. Agora, estou dizendo, “Por favor, tire meu medo”. Dentro do sonho desse mundo, isso certamente seria um aperfeiçoamento. Mas uma oração assim ainda é baseada na idéia de que ele e eu somos separados, e que ele tem algo que eu não tenho. A verdade é que o que ele tem, eu tenho. A única diferença é que eu esqueci disso. Seu papel como meu irmão mais velho que me ama é me lembrar de que eu posso fazer a mesma escolha que ele fez – eu também, posso experienciar a paz e o Amor de Deus. E ele não dá isso para mim, ele apenas me lembra da escolha. Mas eu começo primeiro sem nenhuma idéia da existência de Jesus, ou com uma idéia de um Jesus que está zangado comigo. Dessa visão sobre ele, passo para uma visão de um Jesus que está lá para mim, um Jesus que não está zangado – mas um Jesus que é diferente de mim. Ele é uma figura mágica que pode me dar o que eu quero, porque ele tem isso e eu não. O Curso explica em muitas passagens diferentes – essa é uma das formas mais importantes de entender os relacionamentos especiais – que é impossível amar alguém que eu percebo como diferente de mim. Se eu percebo você como diferente de mim, então, você precisa ter o que eu não tenho. Nós agora não temos de entrar na dinâmica disso, mas o ponto principal é que se você tiver algo que eu não tenho, é porque você o tirou de mim. É isso o que dizem a quarta e a quinta lei do caos (T-23.II). Eu sinto falta de agora, você tem isso, e eu sei porque você tem e eu não: você o tirou de mim. Como eu poderia ter a possibilidade de amar alguém que roubou o Amor e a paz de Deus, e a inocência de Cristo de mim? Isso significa que, durante todos esses séculos, o amor que as pessoas vêm professando por Jesus na realidade tem sido ódio, porque elas têm visto a ele como tendo algo que elas não têm – ele é o único Filho verdadeiro de Deus, o único a quem Deus realmente ama, o único que é realmente inocente e santo. Nós somos todos cidadãos de segunda classe, na melhor das hipóteses. E, na pior, nem mesmo merecemos estar aqui. Não existe maneira de podermos amálo. É por isso que o mundo teve que matá-lo, e, então, como se matá-lo não fosse suficiente, eles tiveram que destruir sua mensagem. E isso certamente é o motivo pelo qual os católicos têm que matá-lo todos os dias, no altar da missa. Não existe amor nisso, o que explica porque, apesar de todas as palavras amorosas e boas intenções, o cristianismo em sua maior parte tenha terminado como uma religião de ódio, assassinato e morte. Isso é sua própria raiz, porque ele viu Jesus como diferente de nós. Agora, ver Jesus como diferente de nós, no sentido de ele ser alguém que nos ama e está disponível para nós, certamente é um degrau acima de não acreditar nele de forma alguma, ou acreditar que ele é alguém zangado e cheio de ódio. Mas, se nós simplesmente pararmos por aí, não teremos ganho tanto assim. Teremos dado apenas pequenos poucos passos à partir do início da escada. Enquanto nós o virmos como diferente, vamos ver a nós mesmos como em segundo lugar, e vamos nos sentir inconscientemente justificados, senão conscientemente, em odiá-lo – ele tem o que nós não temos. É por isso que naquelas passagens que li antes, ele diz, “Não me peça para tirar seu medo de você. Eu não posso fazer isso. Tudo o que posso fazer é lembrá-lo do


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poder da sua mente de escolher ser amoroso e pacífico ao invés de amedrontado”. É isso o que ele faz. Então, novamente, quando essa passagem fala sobre “uma forma mais elevada de pedir-pornecessidade”, está pedindo para sermos lembrados de que a escolha que temos é a forma mais elevada. Mas ainda é um pedir-por-necessidade. ------------------------Vamos concluir nossa leitura da Canção da Oração com o último parágrafo dessa seção. (Parágrafo 8 – Sentenças 1-3) Deus é a meta em todas as orações, dando-lhes intemporalidade ao invés de um fim. Elas também não têm início porque a meta nunca foi mudada. Isso é uma reminiscência da linha, no texto, que nos diz que estamos em “uma jornada sem distância para uma meta que nunca mudou” (T-8.VI.9:8-9). A verdadeira oração é sem tempo, porque ela é a canção que o Pai canta para o Filho e o Filho canta para o Pai. (Parágrafo 8 – Sentenças 3-5) A oração em suas formas iniciantes é uma ilusão porque não há necessidade de uma escada para chegar àquilo que nunca se deixou. O perdão é uma ilusão. O milagre é uma ilusão. A salvação é uma ilusão. Um Curso em Milagres é uma ilusão. Jesus é uma ilusão. O Espírito Santo é uma ilusão. Tudo aqui é uma ilusão, porque não estamos aqui. Nunca deixamos o lar e, portanto, “não há necessidade de uma escada para chegar àquilo que nunca se deixou”. (Parágrafo 8 – Sentenças 5-7) Contudo, a oração é uma parte do perdão enquanto o perdão, ele mesmo uma ilusão, continua sem ser atingido. Uma vez que acreditamos ser pecadores e separados, temos a necessidade de uma ilusão para corrigir nossa ilusão. É isso o que o perdão é. (Parágrafo 8 – Sentenças 7-10) A oração está ligada ao aprendizado até que a meta do aprendizado tenha sido alcançada. Então, todas as coisas terão sido transformadas juntas e devolvidas sem manchas à Mente de Deus. Isso, basicamente, é para todos nós. (Parágrafo 8 – Sentenças 10-15) Estando além do aprendizado, esse estado não pode ser descrito. No entanto, os estádios necessários para que isso seja atingido precisam ser compreendidos, se é que a paz vai ser restaurada para o Filho de Deus, que agora vive com a ilusão da morte e o medo de Deus. Esses são os estádios que constituem a escada da oração. A Canção da Oração fala de uma progressão de rezar pelos outros, incluindo nossos inimigos, para percebermos que estamos, na verdade, simplesmente rezando por nós mesmos. Embora essa questão nos afaste do tema desse workshop, podemos entender os estágios da oração em termos de como olhamos para Jesus. Nós vemos Jesus, primeiro, ou como inexistente ou como um juiz severo que está zangado conosco ou exigindo coisas de nós. A seguir, ele é visto como um irmão mais velho que nos ama, uma figura mágica que faz coisas para nós. Finalmente, reconhecemos que Jesus é simplesmente o lembrete de Quem nós somos. Nesse ponto, Jesus como uma identidade separada desaparece,


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nós como identidades separadas desaparecemos, e todos nos tornamos um. Esses são os estádios que podemos entender. Enquanto vivermos “a ilusão da morte e o medo de Deus”, precisamos da oração em seus níveis mais baixos. Todos nós temos a crença na morte, todos nós acreditamos que vamos morrer, e tememos Deus. Nenhum de nós estaria aqui, nesse corpo, se não tivesse medo de Deus. Por que iríamos deixar nosso lar no Céu? Por que iríamos deixar a realidade de ser um com nossa Fonte e Seu Amor e totalmente em paz com Ele, a menos que estivéssemos com medo Dele? Na delusão, nós, de alguma forma, acreditamos estar mais seguros aqui, embora nossa experiência dificilmente seja essa. Todos morrem. Os corpos de todos morrem. Nossos corpos sofrem dor através de toda a nossa vida. Então, uma parte de nós sabe que esse mundo não funciona, que o corpo não funciona. Entretanto, persistimos continuamente na crença de que é isso o que somos e onde estamos, como se não houvesse nenhuma outra escolha. O Curso, portanto, pode ser compreendido como a própria expressão do Amor de Deus dentro da ilusão, encontrando-nos onde acreditamos estar, dizendo-nos que existe outra forma de olhar para isso, e nos provendo com um contexto e moldura com os quais podemos refazer nosso caminho para cima da escada degrau por degrau. Mas nós temos que começar com a idéia de que estamos todos no início da escada, e não encarar isso como um insulto. É útil, conforme lemos o Curso, mantermos em mente com que freqüência Jesus se refere a nós como crianças, ou criancinhas. Ele não nos chama de adultos, ou de pessoas maravilhosamente maduras. Muitas e muitas vezes, ele diz que somos crianças. O Curso é escrito para nós como criancinhas, na forma de Jesus como um irmão mais velho mais sábio, que entende a diferença entre a realidade e a ilusão, e está tentando ensinar seus irmãozinhos algo sobre o qual eles não têm a menor idéia. É extremamente humilde e útil aceitar o fato de que, sim, somos criancinhas. Isso não é dito como um insulto. Se pudermos aceitar isso, então, começamos a aceitar a ajuda que está lá. Quando negamos que somos como crianças, estamos reproduzindo o erro original quando nos viramos para Deus e dissemos, “Eu não preciso mais de Você. Posso ficar por conta própria. Posso fazer isso do meu jeito. Eu sei melhor do que Você o que preciso e o que quero. Se Você não vai me dar, vou conseguir sozinho”. E assim nós fizemos. Nós nos separamos para dentro do sonho e fizemos um mundo e um ser – uma identidade da qual dizemos, “É esse que eu sou”. E, de alguma forma, na insanidade de nossas mentes, realmente acreditamos que isso é melhor do que o Céu que jogamos fora. Isso obviamente não é humildade – é o máximo da arrogância. E certamente não tem nenhuma sanidade; é o máximo da insanidade. Jesus está sempre nos perguntando no Curso porque persistimos em acreditar em algo que francamente não funciona, e que nós sabemos que não funciona. Existem duas linhas no texto – separadas por umas cem páginas – que, se colocadas juntas, seriam lidas assim: “Demite-te agora mesmo do cargo de professor de ti mesmo, pois foste mal ensinado” (T-12.V.*:4-5; T-28.I.7:1-2). Nós imperturbavelmente, teimosamente e tenazmente nos recusamos a fazer isso. Nós dizemos, “Não, eu sou meu próprio professor, e eu sei o que estou fazendo”, ainda que seja óbvio que não sabemos nada do que estamos fazendo, e nada do que já fizemos algum dia por conta própria funcionou. Então, basicamente, Jesus está nos dizendo no Curso, “O que vocês fizeram não funciona. Por que pelo menos não dão uma chance para mim ou para o Espírito Santo, uma vez que não podem perder? Vocês já perderam tudo. E nada aqui nunca vai funcionar, ou trazer-lhes felicidade ou paz”.


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Mas estamos tão amedrontados do amor – e estamos tão amedrontados de Jesus e de Deus – que continuamente resistimos ao que Jesus diz, colocando uma barreira após a outra para manter o amor distante. O início da virada vem quando somos capazes de reconhecer o que estamos fazendo e depois dizemos, “Você sabe, existe algo realmente errado aqui. Talvez, apenas talvez, exista uma mínima chance de eu ter estado errado”. O reconhecimento é o convite ao Espírito Santo de que o Curso fala. Isso abre a porta. Antes de passarmos à próxima parte do workshop, gostaria apenas de dizer mais algumas poucas palavras sobre o medo de Deus, uma vez que isso é tão central para tudo o que o Curso ensina e, invariavelmente, as pessoas vão dizer que nunca realmente experienciaram esse medo. É verdade que a maioria das pessoas não estão cientes do seu medo de Deus, mas, entretanto, é isso o que leva à sua resistência à mensagem de Jesus. Eu diria que 99,99% de nós não estamos cientes desse terror, porque já fizemos um trabalho muito efetivo negando-o. esse mundo inteiro foi literalmente feito como uma cobertura para esse terror, como já disse tantas vezes. E tudo dentro do mundo, incluindo nossos corpos, foi feito especificamente para encobrir esse erro. Então, faz sentido que nenhum de nós queira entrar em contato com ele. O que se segue, entretanto, é que todos nós então negamos ou reagimos contra o que realmente acreditamos em um nível mais profundo. Em psicologia, é isso o que é conhecido como formação reativa. Portanto, enquanto acreditamos que Deus vai nos destruir, e é por isso que estamos aqui no mundo, encobrimos isso com um conceito que diz, “Não, Deus é Alguém Que me ama”. É por isso que tantas religiões – e certamente isso tem sido a marca oficial do judaísmo e do cristianismo – passam tanto tempo dizendo a Deus o quanto nós O amamos, e louvando-O e glorificando-o. lembrem-se da famosa linha em Hamlet: “A donzela realmente protesta demais, parece-me”. Se nos déssemos um passo atrás, e realmente olhássemos para quanta energia gastamos dizendo a Deus o quanto Ele é maravilhoso, teríamos que questionar porque o fazemos. Como Jesus nos diz no Curso, Deus não tem um ego com o qual aceitar nosso louvor (T-4.VII.6:3). Então, obviamente, não estamos louvando Deus para Seu benefício. Mas, da mesma forma óbvia, nosso louvor faz muito por nós. É simplesmente nossa tentativa de nos convencer que realmente amamos Deus, que não estamos zangados com Ele, e que Ele não é o inimigo. Esse, então, é o argumento do Curso. Por que qualquer um de nós em sua mente certa teria vindo para cá se não tivéssemos medo de Deus, e não estivéssemos tentando nos esconder Dele e do Seu Amor? Esse mundo é um lugar de morte. O Curso diz que o corpo foi feito como um limite ao amor (T-18.VIII.1:2-3). De fato, esse ponto é tão importante que Jesus o esclarece ainda mais, dizendo, “Não penses que isso é apenas alegórico”. Ele quer dizer muito literalmente que o corpo foi feito como um limite ao amor. Mas por que qualquer pessoa iria querer engaiolar ao amor, contê-lo nesse cilindro estreito, feio, mau cheiroso que chamamos de corpo e, então, dizer, “É isso o que eu sou. Isso é amor”, quando poderíamos ser totalmente um com Quem realmente somos como espírito, como Cristo, Que é Amor. Portanto, o próprio fato de acreditamos estar aqui no corpo está nos dizendo que ainda buscamos esse tanto de amor, ao invés de uma imensidão. Parte XI Jesus Como um Símbolo Eu agora gostaria de falar sobre Jesus como um símbolo, e sua importância nesse aspecto. Eu mencionei antes que o Curso é escrito no nível das crianças – não de crianças cronológicas, mas de crianças na medida em que não entendemos a diferença entre aparência e realidade, entre verdade e ilusão. Somos como crianças que Jesus leva ao show de marionetes, e que pensam


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que coisas realmente estão acontecendo no palco. Então, ficamos transtornados, ficamos felizes, rimos, choramos, ficamos com medo, etc. Jesus, como nosso amoroso irmão mais velhos, está sentado lá, ao nosso lado, lembrando-nos de que o que vemos no palco não é o que pensamos que é. E isso é um símbolo para o fato de que ele realmente está em nossas mentes, lembrandonos do que é real. Nós podemos ver o paralelo com o prisioneiro da caverna de Platão, que escapa dos seus grilhões e volta para tentar lembrar a todos os prisioneiros que as sombras que eles percebem na parede à sua frente não são a realidade – a realidade está atrás deles. De fato, existem duas referências no Curso sobre a caverna de Platão (T-20.III.9:1-2; T-25.VI.2). Jesus está nos dizendo a mesma coisa. Ele se dirige a nós no Curso no nível de criancinhas porque não entendemos o que é real. A maior parte do tempo, o Curso se desenrola nesse nível, embora existam muitas afirmações através dos três livros que nos levam a saber que nós não somos separados, o tempo não é real, o mundo é uma ilusão, Deus nem mesmo sabe nada sobre nós, etc. E, então, temos níveis diferentes no Curso. Isso torna o Curso uma ferramenta espiritual muito poderosa – não importando em qual nível as pessoas estejam, ele é escrito de tal forma que elas podem se relacionar com ele e se beneficiar dele. Em outras palavras, se eu estudar o Curso e não tirar nada além da idéia de que Deus é amoroso e não cheio de ódio, isso é ótimo. Ou, se eu não conseguir nada mais do Curso do que a idéia de que vou me sentir melhor se liberar minhas mágoas, isso ainda assim já é bastante. Não é o todo que o Curso comporta, e muitos outros caminhos espirituais ensinam a mesma coisa. Mas, se eu não apreender nada além dessas idéias, ainda terei ganhado muito. Mas, se eu entrar no processo que é o Curso, então, serei levado para cima da escada, degrau por degrau, no passo que eu puder aceitar. Então, gradualmente, vou reconhecer o que o Curso está ensinando no nível mais elevado – que absolutamente nada está acontecendo aqui, que tudo o que é necessário para que eu encontre a paz de Deus é escolhê-la, e que o meio para atingi-la é o perdão. O nível inicial do Curso é o começo da escada. O livro de exercícios é lançado nesse nível, e é uma parte integral do currículo do Curso. Mas é um programa de treinamento de um ano; é tudo o que ele é. Ele está destinado a nos ajudar a começar uma mudança que está delineada para nós no texto. O início do livro de exercícios afirma que suas lições serão úteis somente dentro do contexto teórico do texto (LE-in.1?1). Mas ele começa com a premissa de que nós não sabemos coisa alguma – nós não sabemos como meditar ou rezar. E, então, em um nível, o livro de exercícios pode ser entendido como uma série de lições sobre como meditar ou rezar. O livro de exercícios, portanto, tem uma ênfase muito maior do que o texto em pedir a ajuda do Espírito Santo, ou pedir para ouvir a Voz de Deus. De fato, uma das lições dele diz especificamente que deveríamos perguntar a Deus o que devemos fazer (LE-pI.71.9), embora o texto, em outros lugares, deixe claro que Deus nem mesmo sabe nada sobre nós. Na última parte do livro de exercícios (LE-pII.221-365), cada lição consiste de uma oração dirigida a Deus, o Pai, por nós – ainda que, no manual para professores (MP-21.1:7) e também na Lição 183, Jesus deixe claro que Deus nem mesmo ouve ou compreende palavras. E, entretanto, aqui estão todas essas palavras maravilhosamente inspiradoras que dizemos a Deus. Isso só faz sentido quando entendemos o conteúdo que está sob a forma, sob o símbolo. A grande ênfase no livro de exercícios – que é um programa de treinamento mental – está em ouvirmos a voz do Espírito Santo como uma correção para o que o ego tem nos dito sobre o Espírito Santo. E no nível mais baixo na coluna do ego, no gráfico, a mensagem dele basicamente é, “Não peça ajuda a Deus porque Deus vai destruí-lo. E ainda que o Espírito Santo seja uma voz gentil, não existe maneira de Ele prestar qualquer atenção a você, porque você não é merecedor. O Espírito Santo só fala com certas pessoas”. E, então, se eu for um católico romano, por exemplo, essas ‘certas pessoas’ serão os padres. Mas, cada religião formal tem sua hierarquia de


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pessoas especiais. Então, Jesus tenta corrigir esse erro no nível em que o experienciamos, dizendo-nos que o Espírito Santo fala com todos nós o tempo todo. Deus não brinca de favoritos. Deus não ama uma pessoa mais do que outra. Perto do início do texto, Jesus nos diz: “todos os meus irmãos são especiais” (T-1.V.3:6). Ele não diz que alguns são mais especiais do que outros. Ele diz que todos os seus irmãos são especiais. Mas todos nós queremos ser mais especiais do que outros. Uma passagem importante na seção no texto sobre relacionamentos especiais fala sobre o quanto nós exigimos amor especial de Deus mas não o conseguimos (T-24.III.6). e estivemos tentando consegui-lo desde então,. Nós pedimos um amor especial de Jesus, e ou acreditamos que somos os recipientes dele, ou outras pessoas, muito mais merecedoras, são os recipientes dele. Obviamente, muitos no mundo do Um Curso em Milagres viram Helen dessa forma. Certas pessoas são mais merecedoras ou mais avançadas, ou de alguma forma melhores do que eu porque podem ouvir Jesus ou o Espírito Santo de uma forma que eu não posso. Então, um dos propósitos do livro de exercícios é corrigir nossa má compreensão no nível em que acreditamos estar. Jesus, como um irmão mais velho, está nos dizendo, “Sim, Papai não está zangado com você. Papai ouve todas as suas preces. De fato, aqui estão todas essas maravilhosas orações que escrevi para você dizer a Ele. E sim, Papai vai lhe dizer o que fazer e aonde ir. E a Voz do Papai está dentro de você e vai lhe dizer o que você deveria fazer o tempo todo. Ele ama você tanto quanto ama todas as outras pessoas”. O que é importante é que começamos a desfazer nosso especialismo – tanto em sua forma positiva quanto em sua forma negativa – que nos diz que o amor de Deus só é dispensado a certas pessoas, em certos momentos. Um dos principais ensinamentos do Curso é nos fazer perceber que Deus nos ama o tempo todo, e Sua Voz fala conosco o tempo todo. Essa é a correção no nível da forma, no nível do símbolo. Em outras passagens, Jesus deixa claro que isso não é a realidade. De fato, no manual para professores, ele diz “”só muito poucos podem ouvir a Voz de Deus de qualquer maneira que seja” (MP-12.3:2-4), ainda que o livro de exercícios nos diga que “A Voz de Deus fala comigo todo o dia” (LE-pI.49). Se fosse mesmo tão fácil ouvir a Voz do Espírito Santo, nenhum de nós estaria aqui. O mundo todo foi literalmente feito para silenciar Sua Voz. O Curso, referindo-se ao Velho Testamento, fala dessa forma à Voz do Espírito Santo: “Nem todos os gritos ásperos e acessos de raiva absurdos do ego conseguem abafar a suave e quieta Voz por Deus para aqueles que querem ouvi-La” (T-21.V.1:4-8). O ego faz seus “gritos estridentes” (LE-pI.49.4:2) – todo o tumulto e algazarra em nossas mentes, e todos os tumultos e algazarras no mundo que simplesmente espelham nossas mentes – para abafar essa voz. Nós obviamente temos um investimento tremendo nesses gritos estridentes, porque acreditamos que somos corpos. Corpos fazem uma barulheira infernal, especialmente se não os alimentamos a tempo, se não os colocamos para descansar ou os divertimos, e especialmente quando não lhes damos oxigênio para que possam respirar. E nossos corpos estão sempre fazendo barulhos internos também – nossos corações estão sempre batendo, nossos estômagos resmungam. Tudo faz barulho. Todos os sons são apenas expressões simbólicas do barulho da culpa em nossas mentes, cujo propósito é abafar aquela Voz suave e quita que basicamente não diz nada – o som da oração não tem palavras, nem notas. E, nessa quieta inexistência, o Amor de Deus é encontrado. E, entretanto, é dessa quietude que temos tanto medo. Portanto, fazer as lições durante 365 dias não vai nos trazer àquele lugar em nossas mentes onde podemos ouvir a Voz do Espírito Santo. Se você puder fazer isso tão rapidamente, garanto que Um Curso em Milagres não é para você – você não precisa dele. Para a maioria de nós, isso não é tão fácil. É por isso que a linha que


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acabei de citar está lá, no manual: “Muitos poucos podem ouvir a Voz de Deus de qualquer maneira que seja”. É o texto que dá o ensinamento básico do Curso – sua teoria, sua teologia. Esse não é o propósito do livro de exercícios, ainda que ele tenha muitas passagens lindas e profundas. O propósito do livro de exercícios é re-treinar nossas mentes, começando do zero. Nós acreditamos que, se existe mesmo um Deus, Ele é cheio de ódio, Ele é vingativo, e Ele não é nosso amigo. E, então, o propósito do livro de exercícios é nos ensinar que todos somos merecedores de ouvir a Voz de Deus, que fala conosco o dia todo. O texto, entretanto, deixa claro o quanto temos medo dessa Voz amorosa, e de Jesus. É por isso que Jesus fala em algumas passagens do texto sobre nossa necessidade de perdoá-lo (T-19.IVA.17:1; T-19.IV-B.6,7; T-20.I.2:8; T-20.II.4;6). Ele não precisa do nosso perdão para sua própria Expiação – ele está além disso. Mas ele não pode nos ajudar – seu amor não será acessível a nós – enquanto tivermos medo dele, ou estivermos zangados com ele porque ele tem algo que nós não temos. É por isso que ele fala sobre nossa necessidade de perdoar todos os ídolos amargos que fizemos dele (ET-5.5:7-8). Mas é por isso que nós realmente o odiamos. Estamos bem confortáveis com um Senhor que acredita em sacrifício, julgamento e punição. É muito mais difícil aceitar um irmão que simplesmente nos ama. Mas, se o amor de Jesus é verdadeira, então, tudo o que o ego tem ensinado é falso. O mundo transformou Jesus em um símbolo tanto de ódio especial – todos os ídolos amargos – quanto e amor especial – alguém que tem algo que nós não temos. Uma vez que Jesus então se tornou o símbolo de Deus para nós nesse mundo – e esse não é um símbolo muito bom -, o curso usa esse símbolo como parte do processo de correção. E é por isso que a presença de Jesus é tão importante e manifesta no Curso – em termos de referências em primeira pessoa que tornam claro que ele é a fonte do material, assim como todas as referência de sua crucificação e ressurreição, e, acima de tudo, as muitas referências onde ele fala de si mesmo como nosso irmão amoroso que quer nos ajudar, encorajando-nos de uma forma ou outra a segurar sua mão e ir para casa com ele. O mundo tornou Jesus um símbolo de ódio e especialismo, e então, precisamos de uma correção. Nós precisamos de um Jesus que esteja sempre presente para nós, que atenda as nossas necessidades, que responda as nossas orações, que fale conosco durante o dia todo, assim como o Espírito Santo faz. Esse Jesus, como temos visto, também é uma ilusão. Mas é a única ilusão com a qual podemos nos relacional que pode nos levar além de todas as ilusões e de volta para o Amor de Deus que é abstrato e sem forma. Jesus é tão real quanto vocês ou eu. Em qualquer extensão que acreditemos ser reais, que somos corpos e personalidades separadas, nessa extensão ele também é real. Então, nos não queremos jogar fora o bebê junto com a água do banho. Se você disser, “Bem, ele é uma ilusão”, tudo bem, mas esteja certo de dizer e ter essa intenção, então, você também precisa saber que você também é uma ilusão. E ninguém nesse mundo sabe disso. Se você dispersar Jesus como uma ilusão, mas continuar a acreditar que você é real, estará confundindo os níveis. Jesus é uma ilusão, mas assim também somos todos nós. Uma vez que acreditemos estar aqui e ter todas as necessidades que temos, então, Jesus é tão real quanto nós. Ele é um símbolo, mas nós também somos símbolos. Ele é um símbolo do Amor de Deus. Nós somos símbolos de ódio, medo, separação e culpa do ego. Nós somos símbolos dentro da mente separada. Ele é um símbolo dentro da mente separada. Nós somos símbolos da culpa que tomou forma. Ele é um símbolo do amor que também tomou forma. Então, ele não é diferente de nós. Jesus é uma ilusão – isso é verdade -, mas, no mesmo nível, todos nós somos ilusões. Em um nível prático, uma vez que nós todos obviamente acreditamos estar aqui e ter corpos e


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personalidades com necessidades, nesse nível, Jesus então se torna incrivelmente importante. De fato, em termos do processo do Curso, não existe forma de desfazer o sistema de pensamento do ego sem perdoar Jesus e aceitar seu amor. Eu sempre pensei que é uma manobra muito engraçadinha dele não tornar a crença nele obrigatória. De fato, em uma passagem perto do fim do manual, ele diz que ainda podemos ser ajudados mesmo que não acreditemos nele (ET-5.6:6). Por outro lado, ele realmente nos pede para perdoá-lo. E é muito difícil perdoar alguém em quem não acreditamos. Aceitar Jesus como meu professor e segurar sua mão é a forma de receber a ajuda que ele representa. Nesse sentido, ele é “o caminho a verdade e a vida” (T-6.1.10:3). Ele obviamente não é o único caminho, verdade e vida. Mas, para os estudantes do Curso, ele é. E certamente também para a maioria das pessoas que cresceram no mundo ocidental, penso eu. Isso não significa, a propósito, que existe algo errado se você se sentir mais confortável se relacionamento com o Espírito Santo ao invés de com Jesus. O Curso dá ao estudante a escolha entre o Espírito Santo e Jesus como nosso professor interior. Mas nós definitivamente precisamos de um professor interior. O próprio fato de pensarmos que estamos aqui é a prova de que ouvimos ao professor errado. No início do texto, Jesus nos diz que ele pode “controlar... tudo o que não importa” e “dirigir tudo o que realmente importa” (T-2.VI.1:3). Em outras palavras, nós voltamos nossos egos para ele – o que significa que olhamos para nossos egos com ele – e é assim que ele controla “tudo o que não importa”. Nós trazemos nossos egos a ele. Nós trazemos a escuridão à sua luz, e, quando a escuridão tiver acabado, sua luz simplesmente trabalhará através de nós. É assim que ele nos guia. Portanto, precisamos de um professor que represente outro sistema de pensamento – não um sistema de pensamento de medo, ódio e defesa, as um sistema de pensamento de amor, unidade e perdão. Jesus se torna o símbolo desse outro sistema de pensamento, assim como cada um de nós se torna um símbolo do sistema de pensamento do ego. O que parecemos experienciar como nossa realidade aqui é simplesmente uma expressão externa ou símbolo de um pensamento egóico em nossa mente. Conseqüentemente, uma vez que acreditamos estar aqui, precisamos de alguém que simbolize um pensamento diferente – e Jesus representa isso para nós. Parte XII Jesus como um Símbolo Jesus é muito importante como um símbolo dentro do nosso sonho. Uma vez que somos símbolos que representam a separação, o ódio, o assassinato, a culpa e a morte, precisamos de um símbolo de correção dentro do sonho que represente o oposto do que tornamos real para nós mesmos. Jesus é essa resposta e esse símbolo para nós. Vamos examinar algumas passagens no Curso depois que expressam lindamente essa idéia. Mas primeiro, vamos começar com um poema que mencionei antes, chamado “Uma Oração para Jesus” (As Dádivas de Deus, pp.82-83), um lindo poema que Helen escreveu. Antes de lê-lo, deixem-me fazer dois comentários. O pensamento central no sistema de pensamento do ego é o pensamento das diferenças, o que logicamente vem do pensamento de separação. Isso é importante o suficiente para que eu queira discuti-lo aqui. O pensamento original que começou o sonho todo era que Deus e Seu Filho não apenas eram separados, mas eram diferentes – Deus tinha algo que o Filho não tinha. Dessa percepção, o Filho acreditou que tinha que se compensar pela falta, roubando de Deus o que ele sentia estar faltando em si mesmo. Essa foi a origem do sonho. E o medo da retaliação de Deus


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por nosso ataque, então, levou à necessidade de defesa – a criação do mundo e do corpo. Nesse ponto, estávamos longe, correndo – foi assim que o mundo do tempo e do espaço começou. A idéia de diferenças também é o tema chave para entender como funcionam os relacionamentos especiais. A idéia original é que eu sou diferente de você, estou em falta, e você tem o que eu quero. O princípio de escassez sempre leva ao princípio de privação. Portanto, se eu estiver em falta de algo, deve ser porque você o tirou de mim. Isso significa que se eu sentir que você tem algo que eu não tenho, meu ego me diz que a razão para essa inadequação é que você roube de mim o que, por direito, é meu. É por isso que eu não o tenho mais, o que justifica que eu o roube de volta de você. E, novamente, estamos longe, correndo, agora em um nível individual ao invés de coletivo. Essa dinâmica básica caracteriza todas as nossas interações e relacionamentos no mundo. Em qualquer momento que eu perceber uma diferença entre eu mesmo e outra pessoa, preciso odiar essa pessoa que é percebida como diferente. Isso não pode ser evitado dentro do sistema de pensamento do ego. Se eu perceber você como diferente de mim, é porque você algo que eu não tenho. E eu odeio você por causa do fato de que, se você tem isso, é porque o roubou de mim. É assim que o sistema de pensamento do ego funciona, e não existem exceções. Então, é imperativo – e esse é outro dos temas principais nesse workshop – que eu não veja Jesus como realmente diferente de nós. Obviamente, dentro do sonho ele é diferente e nós. Mas, uma vez que vemos Jesus como diferente e essa diferença se torna uma realidade importante para nós, precisamos odiá-lo. E nós o odiamos porque ele tem o que não temos, e nós entendemos onde ele o conseguiu: ele o tirou de nós. Então, o mundo teve que matar Jesus e sua mensagem, e a igreja católica romana tem que matálo simbolicamente todos os dias na missa, como uma tentativa de conseguir o que ele tem, para que possamos tê-lo também. É extremamente importante entender que, quando falamos sobre Jesus, estamos falando sobre um símbolo. E precisamos estar igualmente cientes do que esse símbolo representa. Se Jesus representa a correção para nós mesmos e nosso sistema de pensamento de separação e diferenças, então, ele precisa representar o pensamento de unidade e amor que é nossa verdadeira realidade. Então, ver Jesus como diferente de nós, e tornar essa diferença realidade perde totalmente o ponto de vista certo. Enfatizar o Jesus histórico e como sua vida era diferente, perde o ponto de vista certo. Discutir o que tornou Jesus diferente de nós, e analisar sua pessoa, sua personalidade, e sua história, questionando quando ele soube quem era e como veio a saber isso, etc., é torná-lo diferente. Jesus está enfatizando para nós no curso a mesma coisa que enfatizou enquanto estava aqui: o que ele é, nós também somos. E, então, nossa oração é para nos tornarmos como ele. Como mencionei no início do workshop, o propósito de qualquer bom professor é se tornar obsoleto. Esse é o propósito de Jesus. Ele é um símbolo que representa para nós Quem realmente somos. Nós não queremos nada dele. Ao invés disso, queremos crescer para nos tornarmos como ele. Isso é extremamente importante. Quando peço a ele para fazer coisas para mim – um tema ao qual vamos voltar depois – eu obviamente acredito que ele tem algo que eu não tenho. Ele tem um poder mágico, e vai fazer algo por mim que eu não posso fazer por mim mesmo. Eu preciso odiá-lo por isso. É impossível amar qualquer pessoa que eu perceba como não igual. Isso é extremamente importante. O que distingue um relacionamento santo de um especial é o reconhecimento de nossa igualdade. Eu não posso amar você se percebê-lo como tendo algo que eu não tenho. Eu só posso amar alguém que reflita de volta para mim o mesmo amor e a mesma verdade que eu já tenho. Eu só posso amar alguém que seja semelhante – eu não posso amar o que é diferente. Jesus deixa claro logo no início do texto (T-1.II.2) que a experiência de reverência em relação a ele é imprópria. Reverência só é apropriada quando estamos na presença de alguém que não é


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nosso igual, e esse só pode ser Deus. Jesus realmente fala sobre ter direito à nossa obediência, respeito e devoção como um irmão mais velho, que tem apenas os melhores interesses em seu coração. Isso vem de uma percepção de que ele está nos ajudando a nos tornarmos o que ele é – então, não somos diferentes. Nós queremos rezar a Jesus, não para que ele faça coisas para nós, mas que possamos aceitar o amor que ele reflete de volta para nós. O amor, a verdade, a santidade que ele é, é simplesmente um espelho. Se nós olharmos através dos olhos apropriados, o mesmo amor, pureza e santidade que estão em nós vão brilhar de volta para nós. Esse é o propósito de Jesus – nos lembrar de Quem nós somos. Agora, vamos ler “Uma Oração a Jesus”, um lindo poema que expressa a esperança e a oração para nos tornarmos o que ele é e nos lembrarmos de Quem somos. Ao lermos isso, vocêsp odem querer pensar em si mesmos como dizendo essas palavras a Jesus – é assim que o poema é escrito. A primeira pessoa no poema somos nós – essa é uma oração que dizemos a ele. A oração é que nós nos tornemos como ele, novamente, não que ele faça coisas por nós – não que ele nos salve do nosso terror, não que ele nos dê coisas triviais, como vagas para estacionar, boa saúde, $ 100.000,00 – todas coisas triviais, quando comparadas à paz de Deus. Nossa oração é que nos tornemos como ele, o que significa que é realmente uma oração para nós mesmos. Jesus não pode nos tornar como ele, porque nós já somos como ele. Somos nós que nos tornamos diferentes, pelo menos em nossa percepção – portanto, somos nós que temos que mudar isso. Esse poema, então, é nossa introdução ao que vamos discutir a seguir – qual é realmente o papel de Jesus e o quanto ele é importante para nós nesse papel. O poema é do livro de poesias de Helen chamado As Dádivas de Deus. Esses poemas foram inspirados. A experiência de Helen era que eles foram ditados a ela da mesma forma que o Curso. Entretanto, ela sempre sentiu que, de alguma forma, sua voz estava entremesclada com a de Jesus de uma forma que não estava no Curso – que ela tinha uma parte nessa escrita. Só mais duas coisas antes de lermos o poema. Ele começa com a linha “Uma Criança, um Homem e então, um Espírito”. Essas palavras estão em letra maiúscula, como todas as referências a Jesus na poesia de Helen. No Curso, palavras associadas a Jesus não estão em letra maiúscula para enfatizar o fato de que ele é como nós. Mas, na poesia, Helen sentiu que tinha permissão para colocar em letra maiúscula, como queria. E sua preferência sempre era colocar palavras associadas a Jesus com letra maiúscula. Isso é realmente útil na poesia – de outra forma, nem sempre estaria claro a quem ela estava se referindo. Então, as palavras iniciais do poema, “Uma Criança, um Homem e então, um Espírito”, referem-se ao curso da vida humana de Jesus, e estão em letra maiúscula. Duas estrofes depois, as mesmas palavras aparecem: “Uma criança, um homem e então um espírito”. Agora, elas não estão em letra maiúscula, pois se referem a nós – que nós queremos nos tornar como Jesus e emulá-lo. Obviamente, isso não significa imitar sua vida no nível da forma, mas, ao invés disso, querermos ter a mesma consciência do Amor de Cristo e da Identidade de Cristo que Jesus tinha. O poema termina com as palavras, “Que ao olharem para mim, que não vejam a mim, mas apenas a Ti”, o que foi emprestado da linda oração do cardeal Newman, um famoso convertido a religião católica do século dezenove. Nossa oração é para que, quando as pessoas olharem para nós, vejam apenas Jesus – vamos nos tornar como ele. Aqui está, então, o poema:


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UMA ORAÇÃO A JESUS Uma Criança, um Homem e então um Espírito, veio Em toda a Sua amorosidade. A menos que Tu brilhes Sobre minha vida, é uma perda para Ti, E o que é uma perda para Ti, também é para mim. Eu não posso calcular por que estou aqui Exceto para isso: eu sei que vim Para buscar a Ti aqui e encontrar-Te. Em Tua vida Tu mostraste o caminho para meu eterno lar. Uma criança, um homem e então um espírito. Então, Eu segui no caminho que Tu me mostraste Para que eu possa, afinal, ser como Tu. O que além da Tua semelhança eu iria querer? Existe um silêncio onde Tu falas comigo E me dás palavras de amor para dizer por Ti Para aqueles que Tu me envias. E eu sou abençoada Porque eu vejo a Ti brilhando através deles. Não existe gratidão que eu possa dar Por uma dádiva como essa. A luz ao redor da Tua cabeça Precisa falar comigo, pois eu estou perdida sem A Tua mão gentil através da qual minha alma é conduzida. Eu tomo Tua dádiva em mãos santas, pois Tu As abençoaste com as Tuas próprias. Venham, irmãos, vejam O quanto eu sou semelhante a Cristo, e a vós A quem Ele abençoou e mantêm como um comigo. Uma perfeita imagem do que eu posso ser Tu mostras a mim que eu posso ajudar a renovar A visão falha dos Teus irmãos. Conforme eles olham para cima Que não vejam a mim, mas apenas a Ti.

Deixem-me recapitular brevemente os pontos chave que estivemos discutindo. Quando adormecemos e começamos nossos sonhos de separação, com efeito, nos esquecemos de Quem somos. A memória de Deus, a memória do Amor de Cristo – que é Quem nós somos – é um Pensamento dentro de nossas mentes. No Curso, esse Pensamento é chamado de Espírito Santo. Por qualquer razão estranha e insana, escolhemos repudiar esse Pensamento, não prestar qualquer atenção a ele, e, ao invés disso, nos identificarmos com o outro pensamento em nosso sonho. E esse foi o pensamento de que a separação é real. Nesse ponto, para todos os propósitos e intenções, escondemos a memória de Deus, esquecemos Quem nós somos, e assumimos uma identidade que não era nossa. Essa identidade, em todo seu desenvolvimento, é a do sistema de pensamento do ego – de um ser separado e limitado, e de um corpo que reflete isso. Esses são realmente símbolos de um pensamento original de sermos separados de Deus, de sermos algo


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além de Quem realmente somos, uma vez que Quem nós somos como Cristo é a perfeita unidade de nosso Ser com o Ser de Deus – da Mente de Cristo com a Mente de Deus. Então, o pensamento de sermos separados se expressa em termos simbólicos, em pensamentos de pecado, culpa e medo que nós associamos com o sistema de pensamento do ego, assim como a nossos seres físicos e psicológicos – o que chamamos de nosso corpo e nossa identidade pessoa. Tudo isso são símbolos. A memória do Amor de Deus ainda está em nossas mentes – o Espírito Santo está presente em nossas mentes. Ainda que tenhamos escondido esse Pensamento, ele, apesar disso, ainda está lá. E sua Presença é experienciada em qualquer momento em que escolhermos nos voltar para ele. Como já vimos, dentro do sonho, e certamente dentro da parte do sonho que é o mundo ocidental, Jesus é o grande símbolo e manifestação desse Pensamento. Como já mostrei, nós também somos símbolos, exceto que somos símbolos do ego. Jesus é um símbolo, mas ele é um símbolo do Espírito Santo. Portanto, ele representa o oposto exato do que nós tornamos real. Então, ele se torna aquela memória de Amor dentro de nossas mentes, agora assumindo uma forma, que nos lembra de Quem verdadeiramente somos. Como já mencionei antes do poema – e isso está óbvio no poema -, a função de Jesus é simplesmente ser o lembrete de Quem nós somos. Nós precisamos desesperadamente disso, porque nos esquecemos. Dizer que Jesus é um símbolo não é relegá-lo a um papel sem importância. Seu papel é absolutamente central, e é por isso que, como já mencionei, seu papel no Curso é tão claro. Ele não é oculto. O Curso não é escrito em algum tipo de linguagem abstrata. Ele é escrito em uma linguagem muito pessoal que é diretamente relevante a qualquer pessoa que tenha crescido no mundo ocidental. Dentro desse sonho, para aqueles de nós que estudam o Curso, ele se torna “o caminho, a verdade e a vida” (T-6.I.10:3). Ele não é o único caminho, como uma passagem posterior no Curso deixa claro (ET-5.6). Ele não é o único caminho, mas para nós, ele é o caminho. E, pelo fato de termos feito com que ele se tornasse uma parte do simbolismo negativo do ego, temos que perdoá-lo, liberando todos esses símbolos negativos para podermos aceitá-lo como ele é. Jesus não tem nada a ver com o que as igrejas cristãs, a bíblia ou o judaísmo fizeram dele. Ele transcende totalmente tudo isso. Sua realidade está além de todos os símbolos. E, então, o que ele nos ajuda a fazer no Curso é desfazer todos os velhos símbolos e substituí-los por um novo conjunto de símbolos que finalmente vai nos levar além de todos eles inteiramente. Os símbolos que o mundo tem dado a Jesus são os símbolos do ego. Sejam eles símbolos de amor especial ou de ódio especial, eles têm sido a mesma coisa, porque são baseados em uma percepção dele como diferente de todos os outros. E aqueles que querem percebê-lo como inexistente estão dizendo basicamente que eles são inexistentes também. Jesus é inexistente, mas apenas no mesmo grau em que somos inexistentes. E, uma vez que acreditamos muito em nossa própria existência, então, sua existência é tão real quanto a nossa. Ele então se torna nosso caminho para casa. Unindo-nos a Jesus, que é o que vamos falar mais profundamente depois, realmente estamos aprendendo a nos unirmos ao nosso Ser. Não o ser que chamamos por um nome, mas nosso verdadeiro Ser. Sem sua mão e sua orientação, entretanto, nunca faremos isso. Como Jesus explica em uma passagem que já citei no workshop (T-27.VII.13:4), nós não passamos dos pesadelos para a realidade. Nós precisamos de um passo intermediário – o sonho feliz – e Jesus é o grande símbolo desse sonho feliz. Parte XIII


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Comentário sobre “Jesus tem um papel especial na cura?” (M-23) Deixem-me ler agora a seção no manual que trata especificamente de Jesus, “Jesus tem um papel especial na cura?” (M-23). A resposta, obviamente, como vamos ver, é sim. é uma seção maravilhoso por várias razões, uma das quais – como vamos ver logo no início – é sua discussão sobre a diferença entre mágica e milagre, em termos de Jesus. -------------------------------(Parágrafo 1 – Sentença 1) É raro que as dádivas de Deus sejam recebidas diretamente. A razão é que temos muito medo delas. Essas é a mesma razão pela qual não passamos dos pesadelos para a realidade. Nós não pulamos subitamente do início para o topo da escada. Muitas e muitas vezes no Curso, Jesus fala sobre isso como um processo. Estamos apavorados do Amor de Deus – nossa própria existência está baseada na crença de que, na presença do Amor de Deus, seríamos aniquilados. (Parágrafo 1 – Sentenças 2-4) Mesmo o mais avançado dos professores de Deus cederá a tentação nesse mundo. Seria justo negar a cura aos seus alunos por causa disso? Em outras palavras, Jesus está dizendo que precisamos de um degrau intermediário. Precisamos de alguém que possa nos guiar gentilmente de volta para que, passo a passo, nosso medo seja diminuído. (Parágrafo 1 – Sentenças 4-5) A Bíblia diz: ‘Pede em Nome de Jesus Cristo’. Isso é apenas um apelo à mágica? A maior parte do tempo, o uso do nome Jesus tem sido um apelo para a mágica. As pessoas sentiram que existe algo sagrado no nome de Jesus Cristo, que ele não deve ser invocado em vão. Fazer isso, muitos cristãos pensaram, seria uma blasfêmia, como se existisse algo santo no nome. Isso é similar a como, como já falamos, as pessoas pensam que existe algo santo no livro físico chamado Um Curso em Milagres. É o que o nome aponta ou representa que é santo – o significado, não a forma; a realidade, não a aparência. Se sentirmos que pedindo em nome de Jesus Cristo vai nos dar algo que queremos, isso é mágica – nós acreditamos que nos falta algo; Jesus o tem e vai dá-lo para nós. Então, por exemplo, se rezarmos para ter boa saúde – que nosso câncer, ou AIDS, ou algum outra condição seja curada – estaremos dizendo, “Não tenho boa saúde. Não há nada que possa fazer sobre isso. Mas esse maravilhoso Jesus agora vai cuidar de mim”. Se Jesus interviesse, como já discutimos antes, ele estaria adulterando uma lei básica de causa e efeito, tornando a mente impotente. E, então, não haveria forma de sermos salvos. A única forma de sermos salvos é permitir que seu amor nos lembre de que podemos fazer outra escolha, pelo amor ao invés da culpa. A culpa é a causa da doença – a doença é simplesmente a expressão física da culpa. Então, Jesus culpa ao nos lembrar de que podemos escolher contra a culpa. Como vamos ver mais tarde nessa seção, “pedir em nome de Jesus Cristo” realmente cura, desde que compreendamos o que isso significa. Significa pedir em nosso nome também. Ao pedirmos no nome dele, estamos pedindo ao amor que é representado por esse símbolo, o que então nos lembra de que esse mesmo amor está em nós. Isso nos ajuda a reconhecer que ele pode ser diferente de nós no tempo, mas é exatamente o mesmo na eternidade.


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(Parágrafo 1 – Sentenças 5-6) Um nome não cura e uma invocação também não invoca nenhum poder especial. Jesus não tem poder especial. O Espírito Santo não tem nenhum poder especial. Algumas vezes, as pessoas falam sobre o Espírito Santo como se Ele tivesse um poder físico que elas podem sentir vindo através delas. Elas acreditam, por exemplo, que podem fazer uma imposição de mãos para que outras pessoas sintam algo como um sopro de ar quente saindo delas, e elas chamam isso de Espírito Santo. Mas o Espírito Santo não é um sopro de ar quente – Ele não é uma energia. Tudo o que está sendo sentido através das mãos é o campo eletromagnético que se tornou agitado. Pode ser uma sensação de calor, mas não tem absolutamente nada a ver com o Espírito Santo. O Espírito Santo é um Pensamento na mente. Lembrem-se, como já mencionei antes, um dos ensinamentos centrais no Curso é que a mente não está no corpo. Se o Espírito Santo é um Pensamento em nossas mentes, Ele não está em nossos corpos. Se as pessoas estão estremecendo com a energia kundalini ou com o “poder do Espírito Santo”, é só o campo de força eletromagnética ao redor delas que está estremecendo – é a agitação de seus próprios nervos. O Espírito Santo não estremece ou fica agitado. Ele não tem poder especial que venha para dentro de nossos corpos – o poder está em nossas mentes. E Jesus representa esse poder para nós. O poder não está só na mente dele, não está só em nossas mentes – o poder está na mente coletiva. E, como vamos ver mais tarde, o poder é nosso através da união de nossas mentes com a mente de Jesus. Não é apenas Jesus quem tem todo o poder no Céu e na terra – todos nós o temos também. --------------(Parágrafo 2 – Sentenças 7-9) Agora não há limites para ao seu poder, pois é o Poder de Deus. Assim, o seu nome veio a ser o Nome de Deus, pois ele não mais se vê separado de Deus. Deus não tem um nome. Obviamente, uma vez que damos um nome a Deus, não O conhecemos. Falar sobre o Nome de Deus é falar sobre um símbolo – um símbolo para a realidade que é totalmente uma, um símbolo para um Amor que não é desse mundo, e do qual somos parte. Como diz o livro de exercícios, ”Invoco o Nome de Deus e o meu próprio” (LE-pI.183). Nós compartilhamos o mesmo Nome porque compartilhamos um Ser, um Amor, uma Existência, uma Vontade. Então, alguém como Jesus – que transcendeu totalmente seu ego, sabe que tudo isso é um sonho, sabe que a separação nunca aconteceu, sabe que o Amor de Deus nunca pode ser dividido, atacado ou morto, e, portanto, sabe que ele é um com Cristo e um com Deus – compartilha o único Nome. E não existe forma de podermos despertar a nós mesmos desse sonho. Nós precisamos de um passo intermediário – alguém que reflita de volta para nós a verdade, a luz e o Nome. (Parágrafo 3 – Sentenças 1-3) O que significa isso para ti? Significa que, ao lembrar de Jesus, estás te lembrando de Deus. Todo o relacionamento do Filho com o Pai está nele. Ao nos lembrarmos de Jesus, estamos nos lembrando de Deus, porque Jesus agora é um com Deus. Ele é o símbolo do princípio da Expiação. Ele é o símbolo de que nunca deixamos Deus. O Espírito Santo também é esse símbolo, mas Ele é abstrato. Jesus é específico e concreto, porque vivemos em um mundo específico e concreto. E, então, ao nos identificarmos com Jesus, ao invocarmos seu nome – não como um encantamento mágico, uma fórmula ou um mantra -, estamos nos lembrando de que o nome dele é o nosso. Essa lembrança é a chave – a ponte que nos leva de volta para casa. Ao nos lembrarmos de Jesus, não estamos nos lembrando apenas de


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Deus, também estamos nos lembrando de Quem somos como Cristo. É por isso que é tão importante não acentuarmos a diferença entre ele e nós. E é por isso que Jesus sempre deprecia essa diferença no curso. Ele é diferente apenas no fato de ter despertado do sonho, e, portanto, ele é mais sábio do que nós. Mas ele não tem um poder que nós não temos. Ele não pode curar a doença. Tudo o que ele pode fazer é nos lembrar que temos o poder de curar a doença, porque somos nós que a fizemos. -----------------(Parágrafo 3 – Sentenças 3-4) A sua parte na Filiação é tua também, e o seu aprendizado completo garante o teu próprio sucesso. O fato de Jesus ter completado sua parte e ser um pensamento dentro da mente da Filiação significa que também vamos ter sucesso. Seu propósito é nos lembrar de que a Expiação não é um sonho. O ego virou tudo de cabeça para baixo, dizendo-nos que a separação é a realidade, e a Expiação é um sonho. Esse mundo então se tornou uma prova aparentemente viva de que o ego está certo – a Expiação é um sonho. O mundo parece muito real e obviamente é um mundo de fragmentação, de separação, e de morte, que parece provar que a história do ego está correta e o Espírito Santo é um mentiroso. Jesus nos mostra que é o contrário. A separação é o sonho, e o pensamento da Expiação – isto é, de que a separação nunca aconteceu – é a verdade. Jesus é excessivamente importante para nós dentro do sonho, mas apenas porque ele nos lembra de que somos todos o mesmo. É tão importante manter isso em mente porque, como já ensinei muitas vezes, não podemos amar alguém que percebemos como diferente – é impossível. Isso é, na realidade, ódio. De fato, em uma linha no texto, Jesus diz, “O que não é amor é assassinato” (T-23.IV.1:10). Se não podemos amar alguém que é diferente, o que isso significa? Significa que o odiamos, e queremos matá-lo e roubar dele o que acreditamos que ele tirou de nós. Então, novamente, Jesus representa para nós o lembrete de que somos todos um em Cristo. E nossa oração é para mudarmos nossas mentes para podermos ver nele um reflexo de nós mesmos. ------------------Se Deus não pode falhar ao Seu Filho porque o Amor de Deus não falha – o Amor de Deus é perfeito e sempre será – então, precisamos acreditar que somos nós que falhamos com Deus: somos nós que fomos ingratos a Ele, traímos Seu Amor, nos afastamos Dele, O rejeitamos, e abandonamos o Amor. É claro, nós projetamos esses pensamentos para fora e acreditamos que Deus ou Jesus, ou outros, fizeram essas coisas a nós, estão fazendo agora, e vão continuar a fazê-lo. Mas Deus não falhou conosco – Seu Amor é tudo o que há e nós somos parte desse Amor. Uma vez que Jesus agora é um com Deus – ele é o símbolo do Amor de Deus – então, obviamente, suas promessas são certas da mesma forma. Mas cada um de nós sempre quer provar ou que ele é um mentiroso que não mantém suas promessas, ou que ele mantém suas promessas para todas as pessoas, menos para mim porque eu sou tão terrível. E, então, nós o estabelecemos para falhar conosco. Nós fazemos isso quando invocamos seu nome para propósitos mágicos – “Por favor, Senhor Jesus, faça isso para mim”. Algumas vezes, podemos conseguir o que queremos, mas em outras não. E, quando não conseguimos, uma parte de nossas mentes está entusiástica, pulando de alegria e dizendo, “Ah, eu finalmente peguei você”. Meu ego quer pegar Jesus porque isso prova que ele está certo. É sempre um plano quando pedimos algo a Jesus ou ao Espírito Santo. Se conseguimos o que queremos, então,


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sentimos o mesmo tipo de calor e felicidade e êxtase que sentimos quando nosso parceiro de amor especial nos dá o que queremos. Mas, sob isso, é claro, está o ódio quando não conseguimos o que queremos. Essa mesma idéia é a base do axioma psicológico de que a dependência produz contentamento. Nós acabamos odiando as pessoas de quem dependemos. Jesus quer que sejamos dependentes dele apenas como um lembrete de que somos iguais, e que já temos tudo o que precisamos, o que é totalmente diferente de dizer que está nos faltando algo que ele vai suprir para nós. (Parágrafo 3 – Sentenças 9-11) Quem transcende o corpo transcendeu a limitação. Seria possível que o maior dos professores não estivesse disponível para aqueles que o seguem? Essa é a forma de Jesus nos assegurar de que ele está sempre conosco. Nós nem sempre estamos lá para ele – e é por isso que nossa culpa é tão grande. Jesus apenas quer que sejamos honestos sobre nosso medo dele – estamos sempre soltando sua mão e fugindo dele. Ele quer que olhemos para isso sem nos sentirmos amedrontados, transtornados ou culpados. Em outras palavras, queremos ser capazes de olhar com seu amor perto de nós para o fato de que temos medo dele. Quanto mais fizermos isso, mais claro se tornará que estamos perdoados por nossos pecados, que nunca aconteceram. Mas nossa culpa é tão enorme porque, não apenas rejeitamos o Amor de Deus, mas porque também rejeitamos o símbolo do Seu Amor dentro do sonho. Essa é a principal razão pela qual as pessoas têm tanta dificuldade com a pessoa de Jesus. (Parágrafo 4 – Sentenças 1-2) O Nome de Jesus Cristo enquanto tal é apenas um símbolo. Mas representa um amor que não é desse mundo. Seu nome não é a realidade. Um símbolo não é a realidade. A realidade – o Amor de Deus – está acima da linha violeta no gráfico. Tudo abaixo dela é um símbolo. E o Amor de Deus pode ser simbolizado tanto pelo ego quanto pelo Espírito Santo. O nome de Jesus Cristo é realmente um símbolo de um símbolo. Seu nome se torna um símbolo do conceito do pensamento da Expiação, então, é duas vezes afastado da realidade. Jesus não é o Amor de Deus. Seu nome não é o Amor de Deus. Eles são símbolos para o Amor de Deus. E é o Amor de Deus que queremos. Quemos a canção, não o eco ou o reflexo dela. Queremos a experiência do Seu Amor, que transcendo tudo nesse mundo. Mas não podemos ir do amor especial do ego para o Amor de Deus. Novamente, precisamos de um passo intermediário. Jesus então se torna para nós esse passo intermediário, esse símbolo. Mas, no final, não é o símbolo que nós queremos, nós queremos o que o símbolo aponta. Alguém uma vez disse que Jesus veio e apontou seu dedo para o Céu, onde Deus está. E, então, as pessoas começaram a adorar seu dedo. (Parágrafo 4 – Sentenças 2-4) É um símbolo que pode ser usado com segurança para substituir os muitos nomes de todos os deuses aos quais tu oras. Então, Jesus se torna um símbolo que, para nós, representa o Deus real. E, invocando seu nome, identificando-nos com seu nome e segurando sua mão, realmente estamos soltando a mão do ego e liberando nossa identificação com todos os nomes que demos aos pequenos deuses que fizemos para substituir Deus, um dos termos usados no Curso para definir o relacionamento especial. Um relacionamento especial é um substituto. Estamos dizendo a Deus, “O que você me dá não é suficiente. Essa outra pessoa me dá mais”. E estamos dizendo a Jesus, “Segurar sua mão não é suficiente – quero a mão de outra pessoa. Seu amor não é suficiente – quero o amor dessa pessoa”. Então, essa pessoa, ou um objeto ou substância no mundo de que acreditamos precisar, se torna um ídolo, que nós dizemos que vai nos dar o amor, a paz, o conforto e a segurança que Deus ou


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Jesus não podem nos dar. E é aí que repousa toda a nossa culpa. Especialismo é uma arma poderosa no arsenal do ego. Adorando outros pelo que podemos conseguir deles, ou adorando as coisas no mundo, estamos reforçando a culpa original de dizermos a Deus que não precisamos Dele, que poderíamos fazer as coisas por conta própria para satisfazermos nossas próprias necessidades porque Ele não iria fazer isso por nós. Então, cada vez que nos sentimos atraídos, ou identificados, ou viciados em alguém ou algo nesse mundo, estamos enfiando a mão na cara de Deus, empurrando-O para longe, e dizendo, “Eu vou cuidar de mim mesmo”. É por isso que nossa culpa é tão grande. E, portanto, a forma de sairmos dela é soltar a mão do ego e segurar a mão de Jesus ao invés dela. (Parágrafo 4 – Sentenças 4-7) [O Nome de Jesus Cristo] vem a ser o símbolo brilhante do Verbo de Deus, tão próximo daquilo que representa, que o pequeno espaço entre os dois se perde no momento em que o Nome vem à mente. A Palavra de Deus é a frase no Curso que se refere quase sempre a alguma expressão da Expiação. Ela é usada para a idéia da Expiação, o plano da Expiação, o Espírito Santo, o perdão, a salvação, etc. – qualquer coisa que represente a expressão da verdade (dentro do sonho) que nunca nos separamos de Deus. Então, Jesus se torna um símbolo da Palavra de Deus, do princípio da Expiação. Nele, o Amor de Deus é claramente experienciado, dizendo-nos que não nos separamos desse Amor. O amor não é experienciado no corpo de Jesus – e sim em sua mente. E todos nós somos parte daquela mente. Então, invocar o nome de Jesus, para a mente, é uma forma de tomá-lo como nosso modelo de aprendizagem. Identificando-nos com ele, estaremos nos identificando com o princípio de que a separação de Deus nunca aconteceu. Portanto, por exemplo – e vamos elaborar melhor isso depois – se algo acontece em meu dia e começo a me sentir transtornado ou ansioso, obviamente estou me sentindo separado. Estou sentindo que algo “lá fora”, que eu percebo como real, pode me afetar. Claramente, acredito que algo lá fora é separado de mim. Ou, se me sinto culpado, isso envolve algum aspecto da separação, algo que eu fiz errado. Será algo associado com o meu corpo – seja meu corpo físico ou minha personalidade -, algo que eu fiz, disse ou pensei. Se, entretanto, eu puder me lembrar nesse momento de me voltar para Jesus, me unir a ele, e experienciar seu amor, estarei desfazendo todos os pensamentos de separação que eram a causa da minha angústia. Lembrem-se, o princípio da Expiação é que a separação de Deus nunca aconteceu. Ao me unir com Jesus, que representa o Amor de Deus para mim, estou me unindo a esse princípio e dizendo que ele é verdadeiro. E isso desfaz a causa de toda ansiedade, angústia e transtorno. Novamente, essa passagem não é sobre invocar o nome de Jesus como uma afirmação ou uma fórmula mágica. Nós invocamos seu nome para nos lembrarmos da verdade que seu nome representa. E essa verdade não está nele ou em mim – está em nós dois. Mas, pelo fato de ter me esquecido disso, Jesus está funcionando como um símbolo para me lembrar. Parte XIV (Parágrafo 4 – Sentenças 7-8) Lembrar o Nome de Jesus Cristo é dar graças por todas as dádivas que Deus te deu. Isso não está se referindo a quaisquer dádivas que recebamos dentro do mundo da forma, mas, ao invés disso, às dádivas que Deus já nos deu – a dádiva do Amor de Deus, a dádiva da vida eterna de Deus, a dádiva do Espírito de Deus, a dádiva da liberdade de Deus. Nós já temos essa dádiva. A verdade já está presente em nós. Vocês podem se recordar de que no início do workshop nós falamos sobre como a educação para Platão envolvia ajudar o estudante a se lembrar do que já estava presente em sua mente. A abordagem de Jesus é a mesma. Ele nos


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lembra da dádiva que já temos e que já somos. Se nós virmos essa dádiva apenas nele e não em nós, teremos perdido todo o ponto da sua mensagem. Então, estaremos vendo-o como diferente, e transformando-o em um ídolo. E, uma parte de nós vai querer destruí-lo – mas esse pensamento de querer destruí-lo é tão horrível para nós que, ao invés disso, fingimos amá-lo. Nós lhe dizemos o quanto o amamos – e sempre vamos pensar no quanto amamos Jesus. Se eu realmente amar alguém, não tenho que dizer isso o tempo todo; simplesmente o experiencio. O fato de sempre termos que afirmar e reafirmar nosso amor é similar à linha que citei antes, de Hamlet, “A donzela realmente protesta muito, penso eu”. (Parágrafo 4 – Sentenças 8-10) E a gratidão a Deus vem a ser a forma na qual Ele é lembrado, pois o amor não pode estar muito atrás de um coração agradecido e de uma mente grata. A gratidão é outro tema principal no Curso. Nós deveríamos ser gratos a Jesus, não pelo que ele nos dá, mas simplesmente pelo que ele nos lembra. E, se eu me sentir grato a Jesus, preciso me sentir grato a Deus – que é a forma de desfazermos o sistema de pensamento do ego. O ego nunca é grato a Deus. O ego disse a Deus, “Eu posso fazer melhor do que você. Por que deveria ser grato pelas dádivas e pela vida que você me oferece – elas estão em segundo lugar. Você está em primeiro lugar e eu estou só em segundo. Por que deveria ser grato por isso? Então, vou pegar o que importa nas minhas próprias mãos – vou fazer um mundo e um ser, e serei o primeiro no meu mundo. E serei grato então a mim mesmo pelo que fiz. Eu não preciso ser grato a você”. Nossos egos não se sentem gratos a Jesus. Nas mentes de nossos egos nós o odiamos, porque estamos competindo com ele. Ele parece melhor do que nós, então, nós o odiamos por isso. Como já disse, não podemos amar ou ser gratos a alguém que percebemos como separado ou diferente de nós. Ser grato nesse mundo pelas dádivas que nos dão é um ataque. Deveríamos ser gratos pelo amor que é o conteúdo da dádiva. Não estou dizendo que não deveríamos ser gratos por uma troca de dádivas materiais, por exemplo, no Natal. Mas realmente queremos ser gratos pelo amor que é o conteúdo da dádiva – um amor que espelha o amor que já está dentro de nós. Então, é uma união do amor com o amor. Essa idéia está refletida na seção no texto intitulada “A atração do Amor pelo Amor” (T-12.VIII). o amor em você é atraído pelo amor em mim, e vice e versa. O amor em você está compartilhando o amor comigo. Nós fazemos esse compartilhar através da forma material, enquanto acreditamos ser corpos. Então, não estou dizendo que exista nada errado em dar ou trocar presentes, ou em ser grato por eles. Mas estejam cientes de que realmente estamos gratos pelo amor que está sob a forma material. Se eu percebo o amor como estando em você e não em mim, então, estou realmente percebendo o ódio em você, mascarado de amor. Só posso ser grato a você se eu o perceber espelhando o amor que está em mim. É o amor compartilhando consigo mesmo. É impossível realmente entender o que isso significa no Céu. Basicamente, Deus está compartilhando Seu Amor com Cristo, e Cristo está compartilhando Seu Amor com Deus – essa é a canção que vai e vem. Mas, uma vez que acreditamos ser corpos nesse mundo, precisamos de uma forma simbólica de expressar esse amor. Então, temos a ilusão de dar amor de várias formas uns aos outros. Mas o conteúdo sob a forma – a realidade subjacente à aparência da doação de dádivas – não tem nada a ver com a forma da dádiva. O conteúdo é o amor, que é a fonte da dádiva. E, então, somos gratos a Jesus por nos lembrar do amor que está em nós dois. É importante nos lembrarmos, entretanto, que primeiro precisamos nos tornar conscientes das maneiras com que bloqueamos o reconhecimento desse amor. A idéia é simplesmente olharmos para as diferenças, o especialismo, o ódio, e dizermos, “Qual é o grande problema?”. E, quando


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eles deixarem de ser um grande problema, paramos de chamá-los de pecado em nossas mentes. Paramos de nos sentir culpados em relação a eles, e os liberamos. Para colocar isso de outra forma, paramos de transformar Jesus em uma grande coisa. As pessoas o transformam em uma grande coisa. Todos os seus irmãos querem canalizar Jesus, porque ele é o grande Macho – então vocês terão tudo [risadas]. Então, existe uma hierarquia de quem canaliza quem, e isso perde o ponto importante de vista. Todos querem transformar Jesus em uma grande coisa, mas, no Curso, ele realmente tenta nos ajudar a não vê-lo como uma grande coisa. Agora, invocar o nome de Jesus não significa realmente dizer as palavras “Eu invoco o nome de Jesus Cristo”. As palavra são irrelevantes. Nós só temos um pensamento. A idéia de invocar o nome de Jesus ou de segurar sua mão não devem ser tomadas literalmente. Um exemplo que pode ajudar: estou dirigindo para casa, fico transtornado ou ansioso porque o tempo está piorando, ou fico irritado com outro motorista que corta minha frente. Então, penso na lição do livro de exercícios, “Eu poderia ver a paz ao invés disso” (LE-pI.34). Essa é a mesma idéia – só estamos falando sobre palavras e símbolos. O pensamento subjacente – “Eu posso fazer outra escolha” – é o que queremos alcançar. Esse pensamento subjacente é o que nós queremos ter em mente, dizendo, “Eu posso fazer outra escolha”, “Eu poderia ver a paz ao invés disso”, “Eu poderia ver Jesus ao invés disso”, ou “Eu devo ter soltado a mão de Jesus, porque estou me sentindo ansioso, então, posso segurá-la outra vez”. Eu simplesmente uso qualquer conjunto de símbolos que funcione para mim. E, olhar objetivamente para minhas reações a um evento realmente significa olhar para elas com Jesus. É apenas um conjunto de símbolos, então, isso significa me observar dirigindo para casa, ficando transtornado e percebendo que meu transtorno não é um resultado das condições na rodovia, ou do que qualquer outro motorista tenha feito, ou do fato de que estou duas horas atrasados, ou seja do que for. Estou transtornado porque me sinto separado de Deus. E, então, coloco a ansiedade e a culpa na situação externa. Qualquer processo que nos ajude a reconhecer a escolha que temos é o que deveríamos usar. E o que eu uso será diferente do que você usa. Nós não queremos ficar presos à forma. É por isso que queremos ver Jesus como um símbolo, e ver as palavras que usamos como símbolos. Queremos alcançar o significado subjacente – que nós somos responsáveis pelo que estamos sentindo, e que podemos mudar isso. Quaisquer palavras que usemos tornam-se irrelevantes. Voltando ao manual: (Parágrafo 4 – Sentenças 11-12) Deus entra com facilidade, pois estas são as verdadeiras condições da tua volta ao lar. As verdadeiras condições para nossa volta ao lar são nossas experiências de gratidão. Então, somos gratos a Jesus – não porque ele nos dá o que queremos, não porque ele nos salva do pecado, não porque ele é uma figura mágica que faz todas essas coisas para nós, mas porque ele nos lembra de Quem nós somos. Somos gratos a ele porque ele nos lembra de que somos a causa de toda nossa angústia e, por isso, podemos mudá-la. É por isso que somos gratos. E, então, somos capazes de liberar todos os nossos sentimentos de competição, separação e diferenças, o que nos permite experienciar nossa gratidão a Deus como nosso Criador e nossa Fonte. Nenhum de nós nesse mundo é grato a Deus. Se fôssemos, não estaríamos aqui. O próprio fato de estarmos aqui está dizendo a Deus, “Eu posso fazer isso melhor do que Você”, o que basicamente é como o problema de autoridade começou. Nós pensamos que poderíamos fazer


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um mundo melhor do que Deus, ou que poderíamos ser melhores em salvar o mundo do que Jesus. E, em nossas vidas aqui, pensamos que podemos ser melhores pais do que nossos pais, e melhores chefes do que nossos chefes – sempre melhores do que todos os outros. Então, experienciarmos nossa unidade com Jesus e sermos gratos por ele nos lembrar dessa unidade, desfaz todas as barreiras de culpa, separação e competição que nos impedem de nos sentirmos realmente gratos a Deus como nossa Fonte. E, com esse desfazer, todo o sistema de pensamento do ego desaparece. (Parágrafo 5 – Sentença 1) Jesus mostrou o caminho. Por que não serias grato a ele? Novamente, ninguém nesse mundo é grato a ele. Se fôssemos, nos tornaríamos como ele – e não estaríamos nesse mundo. Mas nós acreditamos que estamos aqui e levamos o fato de estarmos aqui muito a sério – nós sentimos que a vida e a morte, o prazer e a dor, são uma grande coisa. Tudo o que acontece em nosso mundo – todo o especialismo em nossas vidas que são uma grande coisa – está nos dizendo que não somos gratos a ele, porque ele permanece como o fim do especialismo. E, portanto, como ele explica logo no início do texto, nos sentimos ameaçados por ele. Ao ameaçar nosso sistema de pensamento – ele representa o oposto -, acreditamos que ele está nos ameaçando (T-6.V-B.1:5-8). Enquanto tivermos um investimento no especialismo e em estarmos certos ao invés de sermos felizes, não podemos ser gratos a Jesus e não podemos amá-lo. Só podemos amá-lo ao ver que somos o mesmo que ele, o que significa que nosso sistema de pensamento é o mesmo que o dele. Quando percebemos isso, alegremente liberamos o que acreditamos ser nosso sistema de pensamento, porque ele não é amoroso e não está nos trazendo paz. -------------(Parágrafo 5 – Sentenças 3-4) Mas aos seus olhos, a tua amabilidade é tão completa e esm mancha que nela ele vê uma imagem do seu Pai. É por isso que o odiamos – toda nossa identidade é construída sobre um ser que não é o Ser de Cristo. É uma identidade cheia de falhas, de culpa, pecado, feiúra, e oculta na escuridão. Entretanto, tão miserável quanto essa identidade possa ser, estamos confortáveis com ela, porque é o que acreditamos ser. E Jesus, simplesmente por seu próprio ser, brilha uma luz nessa escuridão, que a ameaça. A escuridão, então, se concentra contra a luz, que é porque Jesus, sua mensagem e seu amor têm que ser mortos. O perdão e a cura – liberando as percepções do nosso ego – são ameaçadores porque representam o fim do ser que acreditamos ser. --------------(Parágrafo 5 – Sentenças 5-7) Ele olha para ti em busca da esperança, pois não vê em ti nenhum limite, nem mancha alguma que macule a tua bela perfeição. Obviamente, não é isso o que pensamos sobre isso – ninguém nesse mundo acredita nisso. Nós pensamos que olhamos para Jesus em busca de esperança. Nós acreditamos que apenas Jesus – e ninguém mais – é perfeito. Mas essa é só mais uma forma de nos agarrarmos a nossa própria culpa. O ego chama isso de humildade, mas, como o Curso explica em muitas passagens, que isso é realmente o máximo da arrogância – a arrogância de acreditar que eu poderia me fazer diferente da forma que Deus me criou, e que eu sei melhor do que Jesus. Então, Jesus diz, “Eu olho para você e vejo o espelho de mim mesmo – o espelho de Deus e a perfeição da Sua


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santidade”. E nós dizemos, “Você deve estar fazendo algo errado. você está olhando para isso de forma errada”. Nós acreditamos, em nossa arrogância, que sabemos melhor do que ele. Exceto que isso não parece arrogância – parece humildade. Todos querem se curvar aos pés de Jesus. No clímax de uma visão maravilhosa que Helen teve, ela viu Jesus sair de trás de um altar e vir até ela. Sua primeira inclinação foi se curvar diante dele. Ele a deteve e, ao invés disso, veio para o seu lado, onde se ajoelhou com ela e Bill diante do altar de Deus. Mas o primeiro impulso de Helen, que seria nosso primeiro impulso também, foi se curvar diante dele. Isso não é amoroso – isso é odioso. Como partes do mesmo Cristo, queremos nos curvar com ele diante Daquele Que nos criou. (Parágrafo 5 – Sentenças 7-10) Aos seus olhos, a visão de Cristo brilha em constância perfeita. Ele permaneceu contigo. Não queres aprender a lição da salvação através do seu aprendizado? Escolherias começar de novo, se ele já fez a jornada para ti? Com muita freqüência, temos a arrogância de acreditar, “Eu posso fazer isso por conta própria. Não preciso dele”. E, então, dizemos, “Eu não preciso de um símbolo. Eu não tenho que segurar a mão de ninguém. Está tudo em mim de qualquer forma”. Nós queremos pular do pesadelo direto para os Braços de Deus. E Jesus está dizendo aqui, “Não tente fazer isso sem minha ajuda porque, se o fizer, estará realmente se separando, não apenas de mim, mas do amor que eu represento para você”. O que parece ser humildade é realmente arrogância do ego. O apelo de Jesus é, “Não tente pular do inferno para o Céu. Você precisa de um passo intermediário. E, para você, eu sou esse passo. Eu sou essa ponte”. Não faz diferença se eu penso em Jesus, no Espírito Santo ou em qualquer outro símbolo que queiramos usar como uma ponte. Perto do início do texto, quando Jesus diz que ele permanece abaixo de Deus e acima de nós (T-1.II.4:3-5), ele quer dizer que é como uma ponte entre Deus e esse mundo. E exatamente a mesma idéia está expressa no ensinamento no Curso sobre o Espírito Santo como o Elo de Comunicação entre Deus e Seus Filhos. O Espírito Santo é a Ponte entre a percepção e o conhecimento, e nós precisamos de uma ponte. O Espírito Santo é um pensamento abstrato e Jesus é a manifestação ou a expressão simbólica desse pensamento. Jesus está nos dizendo que precisamos de algo ou de alguém para fazer um ponte sobre a brecha, do nosso mundo ilusório de pesadelo para a realidade de Deus – ele é essa ponte. Então, ele pergunta, “Por que você não iria querer segurar minha mão? Por que você não iria querer me deixar ensiná-lo? E por que você não iria querer deixar meu amor ser o passo intermediário para que você possa aprender gradual, gentil e pacificamente a não ter medo do Amor de Deus?”. É uma armadilha real dizer, “Posso fazer isso por conta própria”. Obviamente, isso não é mais do que um reflexo do pensamento original do ego, “Eu posso fazer isso por conta própria”. Se nos pudéssemos fazer isso sozinhos, nenhum de nós estaria preso aqui. E estamos presos aqui porque realmente pensamos que poderíamos fazer isso por conta própria – essa é só outra expressão do problema de autoridade. Nós estamos dizendo eu não precisamos de quaisquer autoridades – podemos aprender tudo por conta própria. Mas nós precisamos de autoridades – e, especialmente, de uma autoridade amorosa como Jesus – para refletir de volta para nos o que negamos e reprimimos, e não sabemos que está lá. Nós precisamos de Jesus para refletir de volta para nós a verdade sobre Quem somos – uma verdade da qual estamos aterrorizados. Então, esse é um apelo dele para que não o vejamos como sem importância ou irrelevante. Deixem-me ler aquela última linha outra vez: “Escolherias começar de novo, se ele já fez a jornada para ti?”. Segurar sua mão e aprender dele vai nos impulsionar em nosso caminho.


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Eventualmente, vamos perceber que, quando nos voltarmos para a ajuda, estaremos realmente nos voltando para nós mesmos. Mas, o ponto que estou reforçando agora é que não queremos saber que estamos nos voltando para nosso Ser. Então, precisamos de alguém que represente esse Ser para nós, porque temos tanto medo dele. Se tentarmos fazer isso sem jesus, fingindo para nós mesmos que somos muito mais adultos e maduros do que somos, então, estaremos realmente fazendo isso, não com o Ser de Cristo, mas como o ser do ego. Mas nós pensamos que é realmente o Ser de Cristo. JESUS: A MANIFESTAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO Essa fita foi gravada originalmente em um workshop efetuado em Dezembro de 1990, na Foundation for A Course in Miracles. A apresentação focalizou a importância de permanecermos verdadeiros à nossa experiência de Jesus, e, ao mesmo tempo, reconhecermos que sua realidade transcende essas experiências individuais. A discussão no workshop também focalizou em profundidade o relacionamento de Jesus com Helen Shucman, escriba do Curso, e o Próprio Curso em Milagres. Nossa experiência e a realidade de Jesus são apresentadas no contexto do símbolo de uma escada, o símbolo usado no panfleto A Canção da Oração. Nossa jornada para casa é um processo, com Jesus tanto servindo como nosso guia na ilusão, experienciado nas formas mais significativas para nós, e, ao mesmo tempo, como estando no final da jornada como um lembrete de nossa verdadeira realidade como Cristo. Nas palavras da Lição 302 no livro de exercícios: “Nosso amor espera por nós conforme vamos a Ele, e anda ao nosso lado nos mostrando o caminho. Ele não falha de forma alguma. Ele é o fim que nós buscamos, e também os meios pelos quais vamos até Ele”.


Ken wapnick jesus, manifestacao do espirito santo