Page 1

Jovens Redentoristas

Portugal

Jesus, um Homem Bom… Reconheço no Rabbi de Nazaré uma personalidade acima de qualquer mediocridade. O jeito de estar com as pessoas, de formar os apóstolos, de lidar com as autoridades judaicas e de passar pelos “apertos” da sua Vida revela um Coração humano verdadeiramente Uno, Inteiro, Livre e Apaixonado. Jesus é um Homem Bom no sentido bíblico da expressão: o que reconduz a realidade ao projecto primordial de Deus, que é um projecto de Bondade. Era um Homem Bom no sentido em que recriava pessoas com a sua presença de modo a que Deus pudesse de novo dizer o que gostava de dizer no princípio: “Deus olhou e viu que tudo era Bom!”

A Bondade de Jesus era uma Verdade e uma Liberdade que punham as pessoas a jeito da Bondade de Deus. Reconduzia-as ao projecto primordial de Deus e ao projecto primordial delas próprias, àquele “esboço” do que gostaríamos de ter sido se os dias tivessem corrido de outra maneira, e que muitas vezes abandonámos por medo, preguiça ou incapacidade de lutar. Jesus era um Homem Bom porque fazia renascer a Esperança nas pessoas. Voltavam a acreditar em si próprias e na possibilidade de viverem uma Vida Feliz! Jesus não era um “pregador beato”. Anunciava a Verdade e a Novidade de um Deus que torna o Homem mais Humano! E ele era o rosto visível do seu Evangelho. Ele era o seu Evangelho Incarnado, porque era o Homem mais Humano que já tinha passado por aquelas bandas de gente oprimida e acinzentada nas escravidões da Lei e nos medos das “azias de Iahvé”!

Jesus era um Homem Bom porque não se conformava com a injustiça. Não se tornou um revoltado por causa disso, mas sim um Homem com gestos e opções claras no sentido de denunciar as causas dessa injustiça e propor critérios de um mundo novo ao qual chamava Reino de Deus. Jesus não era um benfeitor pontual dos pobres, mas um lutador contra as causas da pobreza, que têm sempre a ver com a arbitrariedade do Coração Humano e com um sistema legal que estrutura a desigualdade e a escravidão de consciências.

A sua alegria era o contacto livre com os impuros. Tornava-se ele próprio impuro, segundo a Lei, e vivia sereno como isso, inspirando as pessoas a não se deixarem brutalizar pelo cumprimento cego das normas, tradições ou leis que oprimam a liberdade interior ou o convívio entre os Homens. “Não é o que entra no Homem que o torna impuro, mas o que sai do Homem, porque a pureza ou impureza da Vida tem a ver com o que se leva no Coração”…

Sentia-se bem na Galileia… Nazaré era a sua terra, pequenina e sem história importante, tal como todas as pessoas com quem Jesus se sentia contente. Quando chegou a altura de iniciar a sua missão itinerante de profeta do Resto Fiel, mudou-se para Cafarnaum. Era o “centro da confusão” na Galileia, o centro comercial à beira do grande lago. Esse é o mundo de Jesus! O mundo concreto da gente simples e sem história importante, tal como ele. Afinal, antes de Cafarnaum, nos cerca de trinta anos de Jesus, que história há para contar?! Parece que não teve muito para contar aos seus discípulos… Os evangelistas não guardam quase nada! Jesus estava em perfeita comunhão com os sem tesouro, sem nome e sem história.

1/4

http://www.jovensredentoristas.com


Jovens Redentoristas

Portugal

Andava com pecadores e deixava-se tocar publicamente por prostitutas. Jesus era um Homem Bom porque nunca repelia ninguém. Quem o procurava encontrava nele um “lugar” de encontro consigo próprio. As suas palavras libertavam porque coincidiam com o que o Ser Humano precisa mesmo de ouvir para não se deixar derrotar pelo Homem Velho.

Jesus dizia o máximo que se pode dizer a alguém: “Os teus pecados estão perdoados!” Retirava fardos dos ombros dos pobres e simples que não faziam o mesmo que os Doutores da Lei e Fariseus. Estes também falhavam muito, mas no seu conhecimento das leis conseguiam sempre inventar uma casuística qualquer que os justificasse! Jesus foi muito severo em relação a isto. Ele cruzava-se todos os dias com gente que não sabia nada destas artimanhas e sofria imenso com os seus “medos e demónios” interiores! Libertava estes e denunciava aqueles, porque tinha consciência que não bastava sarar as feridas. Era preciso purificar as causas.

Jesus era um Homem Bom porque era capaz de não guardar nada para si. Consumia-se pelos seus e entregava-se por inteiro ao Amor daquele a quem chamava “Abba”! Não se reservava para si. Sempre “a Caminho”, “não tendo onde reclinar a cabeça” e recusando-se sempre a transformar pedras em pão, saltar do pináculo do Templo ou vergar-se à sedução do poder. Um Homem pobre, sereno e livre até ao fim!

Ensinava que a partilha é o segredo da abundância e de tal modo viveu que os seus discípulos o identificaram na Igreja primitiva com os famintos, sedentos, doentes, presos e nus! Foi com esses, “a inutilidade do mundo”, que os discípulos que formaram a primeira geração da Igreja identificaram o Mestre Ressuscitado, procurando neles o seu Rosto.

Jesus era um Homem Bom porque as pessoas tinham sempre o primeiro lugar. Não debita leis! Conta histórias de pessoas, parábolas com nomes… Umas seriam inventadas por ele, e outras certamente recriadas a partir de experiências feitas noutras terriolas por onde tinha passado. Jesus não deixava que as pessoas e os acontecimentos passassem por ele em vão. Era deste modo que lia a acção de Deus a emergir permanentemente mesmo diante dos seus olhos, e revelava essa Presença com as suas palavras simples mas profundas. Como aquela vez em que só ele viu a viúva pobre a colocar duas moedinhas no cofre do Templo. Todos os seus discípulos estavam a mirar maravilhados as pedras do Templo! Jesus não gostava do Templo! Por ser da Galileia dos Gentios estava-lhe no sangue não gostar, mas quanto mais o seu Coração amadurecia no contacto com os pobres e na intimidade com o Abba, mais lhe parecia o Templo um antro secular em que Deus era despido da Sua Verdade e as pessoas despidas da sua Dignidade.

A sua “hierarquia de importâncias” era conforme à “hierarquia de importâncias” do seu Abba. E cedo Jesus descobriu que a paixão de Deus é o Homem a quem ama “como a menina dos Seus olhos”. Nos diálogos longos com o Abba, Jesus foi-se apercebendo que Ele não conhecia “a tal Lei” que diziam ser dele! Ele não a conhecia, e falava sempre a Jesus sobre os Corações tristes dos Homens a quem ninguém dizia que eram amados.

2/4

http://www.jovensredentoristas.com


Jovens Redentoristas

Portugal

Jesus precisava do silêncio e da solidão íntima com o Abba como de pão para a boca! É aí que se faz um Homem Bom à medida de Jesus! Uma Bondade que é muito mais que simpatia, pacatez ou companheirismo. Uma Bondade que implica uma compromisso real com a causa da libertação do Homem e de Deus. Sim, também de Deus, que precisa de Homens Bons que O libertem de todas as máscaras, caricaturas de mau gosto, leis e cultos em que às vezes vê diminuída a Sua possibilidade de agir!

Jesus liberta o Coração do Homem e o Rosto de Deus partindo os preconceitos. Falava livremente com mulheres, hospedava-se em casas de samaritanos, banqueteava-se com cobradores de impostos, louvava a fé de cidadãos romanos e sentava crianças no seu colo! Só um Homem Bom é apaixonado pelas crianças, como Jesus era. Os apóstolos repreendiam as pessoas para não as trazerem, mas eram logo eles mesmos repreendidos por Jesus! Gostava de fazer festa com elas, porque tinham o Coração parecido com o seu: liberto de medos, escrúpulos e preconceitos. As crianças são aquelas que “mexem sempre onde não devem”! Foi exactamente disto que Jesus foi acusado, e foi por isso que o mataram, no mundo dos adultos… Além disso, dava o Coração das crianças como modelo para todos os Corações se construírem segundo o Reino de Deus.

Jesus era inegavelmente um Homem Bom porque nenhum homem mau gostava dele! Os que massacravam as pessoas com as suas leis, odiavam Jesus. Os opressores nunca conseguem suportar os homens livres! Quando às vezes o tentavam provocar, durante a sua itinerância, revelava-se toda a Verdade e coerência da sua Bondade. Então, a Bondade do seu Coração ganhava na sua boca e nos seus gestos um timbre profético que não se podia derrotar lutando com as mesmas armas. A Bondade não tem nada a ver com ingenuidade nem fraqueza. É a procura comprometida daquilo que é Bom, a procura do melhor do Homem e da Verdade de Deus, que são sempre coincidentes. Por isso, a Bondade implica sempre uma existência profética. A força de um Homem Bom é a força de um profeta: a Verdade!

Jesus nunca se deixou dominar por desejos de violência. Mesmo quando o “cerco” começou a ficar mais estreito, Jesus não abdicou da sua luta não-violenta pela causa de Deus e do Homem. Não abdicou da luta, mas também não abdicou da não-violência. A cruz é a prova disto. A “linguagem da cruz” é uma linguagem que ainda hoje apenas é entendida por uma minoria. São os descendentes daquela minoria que o entendeu antes da cruz… Sim, um Homem Bom é quase sempre entendido apenas por uma minoria. As multidões desvirtuam a Verdade e ensombram a herança dos Homens Bons. Mas os Homens Bons são também aqueles que nunca desistem por falta de confiança nos outros. Jesus confiava de verdade naqueles que o acompanhavam! Revelava-lhes todos os segredos do Abba, enviava-os em seu Nome e confiou-lhes, por fim, a continuação da sua Missão!

3/4

http://www.jovensredentoristas.com


Jovens Redentoristas

Portugal

Rui Santiago cssr

4/4

http://www.jovensredentoristas.com


2 20 jesus um homem bom  
Advertisement
Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you