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Jovens Redentoristas

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Jesus, Epifania de Deus

Deus é Amor e não é senão Amor! E o Amor não se guarda em si mesmo, não se reserva para si próprio mas difunde-se, abre-se ao outro, cria relação. Na Verdade do Amor, ser Pessoa significa ser ponto de encontro com Pessoas e entre Pessoas.

Deus é Amor porque em Si próprio é esta dinâmica de relações e comunhão de Pessoas: o Pai é Pessoa-Dom, Graça plena e ofertório eterno de Si mesmo ao Filho; o Filho é Pessoa-Acolhimento, abertura perfeita ao Amor do Pai e realização pessoal da Sua Vontade; o Espírito Santo é PessoaReciprocidade, perito da arte de abraçar, de criar sintonia relacional e unidade. É Ele por excelência o ponto de encontro eterno entre Deus-Pai e Deus-Filho na intimidade da Família Divina, e entre Deus-Pai e todos os seus Filhos assumidos em Jesus a partir da “plenitude dos tempos” nele inaugurada, “o Primeiro de uma Nova Humanidade” (Col 1, 15) que já pode chamar a Deus-Pai, “Abba, Papá!” (Gal 4, 4-7). Deus é Amor porque é Família, porque é Comunhão. “Deus é Um” não na unidade de um sujeito mas na unidade de uma Comunhão perfeita.

A Boa-Nova da Salvação do nosso Deus é o anúncio de que o Seu Amor “transpôs as fronteiras” da Santíssima Trindade! Que Deus seja em Si mesmo Amor Familiar pleno e perfeito, não chegaria ainda para encher a nossa Vida de Sentido. Mas tudo muda quando percebemos que a Bondade de Deus é superabundante e nos fez membros da Sua própria Família em Jesus Cristo, pelo dom do Espírito Santo. O Pai sonhou uma multidão de filhos, o Filho sonhou uma multidão de irmãos, e o Espírito Santo sonhou uma multidão de Corações para assumir e divinizar na Sua Família, integrando-nos no seio da própria relação entre Deus-Pai e Deus-Filho!

É este Deus-Amor que Se faz Palavra, Comunicação, Revelação de Si próprio. Por isso surgiu na história o Povo da Palavra, Israel, chamado ao acolhimento da Aliança de Deus e do anúncio do Seu Messias. Um Povo a caminho no seguimento da Palavra de Deus, eis o que Deus sonhou para preparar a realização definitiva do Seu Amor Criador e Salvador no nascimento daquele que viria a chamar-se “Messias”, o “Ungido” pelo Espírito Santo. O Messias seria a Epifania definitiva do Projecto de Deus para o Homem, a Manifestação máxima do Seu Amor e da Sua Aliança connosco. Começa a ser anunciado como o “descendente de David” (Rom 1, 3), o grande rei da história de Judá. Chamaram-lhe mesmo a “estrela de David” (Num 24, 17) e “filho de David” (Mt 9, 27). “Onde nascerá?! Em Belém, a Cidade de David!” (Jo 7, 42). Mas em Belém, a Cidade de David, o símbolo por excelência da Esperança Messiânica “não havia lugar para ele” (Lc 2, 4-7)… O Povo de Israel, sonhado por Deus como Povo da Palavra, tinha-se tornado geração após geração em “Povo do Culto” e “Povo da Lei”. E assim tornaram-se quase todos cúmplices na recusa da Palavra definitiva de Deus dita aos Homens que era o próprio Jesus. Ele era a Epifania-Manifestação máxima do Projecto Amoroso de Deus para nós, porque era a Revelação e Realização Incarnada da Sua Vontade. Em Jesus, Deus diz-Se “na Carne”, linguagem bíblica para explicitar que nele Deus diz-Se em densidade humana. Ele é, de facto, a “Palavra de Deus na Carne, connosco e entre nós” (Jo 1, 14).

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Aqueles que se desviaram do Rosto do Mestre de Nazaré afastaram-se da Verdade de Deus que nele se Revelava e Realizava. Hoje, continua a ser assim. Ninguém pode saber como Deus é, senão pela escuta daquilo que o próprio Deus diz de Si próprio, pelas Suas muitas mediações. Este é o Mistério da Fé, ou seja, aquilo que nós, os crentes, acreditamos e saboreamos não por dedução nem invenção, mas por Revelação. E a Revelação máxima de Deus acontece na Vida Inteira de Jesus: o amor conjugal que o precede, o seu nascimento, crescimento, aprendizagens, silêncios e descobertas, opções e atitudes, gestos e palavras, doçuras e rebeldias, Morte e Ressurreição!

Ele é a Palavra de Deus que mede a verdade de todas as outras palavras que se dizem de Deus ou em Seu Nome. De facto, “quem o vê, vê o Pai” (Jo 14, 9) porque “a Glória de Deus resplandece no Rosto de Cristo” (2Cor 4, 6).

Por isso, o que não puder ser dito de Jesus de Nazaré, não pode ser dito de Deus!

É importante percebermos isto porque às vezes dizem-se e fazem-se muitas coisas em Nome de Deus que são o oposto do que Cristo fazia no concreto dos seus encontros, atitudes e palavras. Hoje ainda se dizem e fazem em Nome de Deus muitas coisas que Jesus claramente não diria nem faria! Não podemos cair mais no grande engano que é separar as “verdades de Deus” da Verdade de Cristo quando isso nos dá jeito para, em Nome de Deus, continuarmos na Igreja a condenar mais do que a acolher, a silenciar mais do que a libertar, a conservar mais do que a renovar.

O Rosto de Deus no Rosto de Cristo, eis a descoberta progressiva e fundamental da nossa Fé, para que possamos fazer a experiência daqueles Magos que simbolizam toda a Humanidade: ao encontrarem-se com Jesus ficaram maravilhados e “voltaram para as suas terras por outro caminho…” (Mt 2, 12) Que a descoberta progressiva do Rosto de Deus no Rosto de Cristo nos ajude também a saborear novos motivos para a Alegria e a rasgar Caminhos novos, com mais Sentido, Largueza e Horizontes do que aqueles “caminhitos” por onde Deus costuma ter que andar à nossa procura…

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2 1 jesus, epifania de deus  
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