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Jovens Redentoristas

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Porque a bíblia não é a “Palavra de Deus encadernada”, é preciso aprender a arte de passar das palavras à Palavra.

A Palavra de Deus é Deus-Palavra, Deus que se faz Diálogo, Encontro, Comunicação, proposta de Amor… A Palavra de Deus não é uma codificação linguística, não é um som, uma articulação; a Palavra de Deus é um Encontro de Deus connosco, transformante, recriador, fecundo… O Espírito Santo é protagonista deste Encontro, é Ele quem provoca em nós o Eco da Palavra. Só com Ele as palavras da bíblia se tornam Mediação da Palavra de Deus.

Mas Deus nunca nos substitui… por isso, para chegarmos a esta Sabedoria de escutarmos a Palavra de Deus no eco das palavras da bíblia, o Espírito Santo espera que nós façamos a nossa parte. Eis alguns segredos que dependem de nós…

Leitura Espiritual da Bíblia

1. PÁRA! Põe-te em atitude de escuta. Tenta esvaziar a cabeça de tudo o que a ocupa e te preocupa... Encontra um local onde possas estar só… Arranja uma posição corporal que te possibilite estar imóvel, suficientemente confortável para não te distraíres com os teus membros, mas igualmente controlada para não te dar o sono… Com a leitura que vais meditar previamente escolhida, pega a bíblia nas mãos e serena… Se sentires que te ajuda, escolhe uma imagem ou um objecto que seja para ti símbolo da presença de Jesus, e coloca-o à tua frente de modo a poderes pousar nele os olhos… Para te ajudar a centrar em Deus, podes também escolher uma pequena frase que Lhe vais repetindo serenamente, ao ritmo dócil da tua própria respiração, sem pressas, sem barulhos, sem movimentos… Não tenhas medo das tuas distracções. Não te preocupes com elas, não lhes dês importância, não ralhes a ti próprio por te distraíres mais do que querias…

2. LÊ! Sereno, lê os versículos que escolheste… Dois conselhos importantes para escolher um texto, quando estamos a iniciar-nos ainda na arte de orar: •

não escolhas um texto demasiado grande. Normalmente, muitos versículos dificultam que encontremos o essencial, o centro do texto…

por isso, começa por usar as parábolas de Jesus nos Evangelhos, ou aqueles relatos que narram encontros de Jesus com alguém. Ao princípio, são os mais fáceis de meditar…

Lê com muita calma, apanhando o sabor de cada palavra…

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Para chegares ao “lado de dentro” das palavras e dos símbolos, dá muito jeito saber alguns “truques” de leitura: •

repara nas personagens, o que podes perceber de cada uma e das relações que estabelecem…

tenta perceber minimamente o contexto, quer o contexto interior das personagens, como o contexto exterior da acção…

fixa os olhos nos verbos, porque são eles que te dão o movimento e a acção. Muitas vezes, é no suceder dos verbos que se encerram as mais profundas simbologias…

vê se há adjectivos, porque eles dizem-te o modo de ser e estar das personagens, dos lugares ou das situações…

se houver advérbios, procura compreender a força ou o sentido que eles dão aos verbos…

3. MEDITA! É a altura de saborear as palavras… Vai penetrando no sentido escondido das palavras, vai percebendo as simbologias das palavras, dos silêncios, dos movimentos, das reacções… Mas não te esqueças que não estás a fazer um exercício linguístico! Meditar é muito mais que Raciocinar… É chegar a descobrir um segredo que há muito estava escondido para ti, dirigido a ti pessoalmente, e do qual só tu tens a chave para o encontrar e perceber… No “aqui e agora” da tua vida, em que “teclas” do teu ser sentes que o texto que meditas está a tocar?... Tens que deixar de ser um alheio ao texto, um ausente da parábola ou narração que estás a meditar. Faz-te presente nela, e faz toda a sua acção e palavras presentes em ti. Às vezes, conseguimos rever-nos em alguma personagem; outras vezes, temos um bocadinho de todas… Pouco a pouco, deixa de andar à volta do que “Jesus disse” no texto, e percebe antes o que “Jesus te está a dizer” no teu aqui e agora… É para ti que está a falar, é a ti que revela os segredos do Amor de Deus, é contigo que se encontra… E não te deixes “cair na tentação” do costume, que é o moralismo… Desde pequeno foste ensinado a ouvir histórias cujo fim era muitas vezes este: “Moral da história?...” É também, infelizmente, o que se costuma fazer com a leitura da bíblia. Chega-se ao fim e pergunta-se pela moral, colocamos os olhos em nós próprios e perguntamo-nos “como devemos ser, a partir desta leitura”… Até ao fazermos meditação bíblica costumamos girar em torno de nós próprios… lemos e meditamos a partir de nós, procurando o que diz de nós, o que somos, o que devemos ser… e Deus num cantito esquecido do nosso coração à espera que nos demos conta de que o fundamental e verdadeiramente transformador é ler e meditar a partir de Deus, descobrindo o que diz do Seu Amor, em nós e para nós… Tens que aprender a fixar os olhos em Deus! Ao chegar à meditação de um texto bíblico, a pergunta que tens que fazer-lhe é esta: “Qual é o rosto de Deus revelado nesta linhas?”. O que procuras é o Rosto de Deus, não a Moral da história. A meditação deve levar-te primeiro a saborear Quem Deus é para ti, e não Como deves ser tu. Procura o Rosto de Deus revelado na meditação, e verás que esse Deus-conhecido te arranhará o coração para mudares o que for preciso…

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É natural que a cabeça às vezes te vá “fugindo”… As distracções são normais, continua a não te preocupar com elas! Não lhes dês importância – e mais uma vez, não te impacientes contigo próprio por causa disso… - e vai voltando a centrar-te em Deus e na Sua Palavra dita em ti pela presença interior de Jesus Ressuscitado e do seu Espírito…

4. DIALOGA! Naturalmente, vai passando da Meditação à Oração… Conversa com Deus sobre aquilo que Ele te está a dizer, responde-lhe, questiona-o, escuta-o… Deixa-te mergulhar na intimidade do Diálogo amoroso com Deus, sem fórmulas, sem medos, sem linguagem rebuscada, sem piedades ocas e frases feitas inconsequentes… Conversa com Deus sobre a Palavra escutada e acolhida na meditação. Este Diálogo amoroso é que dá verdadeiramente à luz o Encontro da Palavra de Deus em ti… Se não estás muito familiarizado a Conversar com Deus, torna-se mais fácil falares em voz alta, como falarias com um amigo que estivesse sentado ao teu lado a escutar as tuas confidências. Fala alto com Deus, fecha os olhos e “diz-te naquilo que dizes”. Estás sozinho… não tenhas vergonha! O mais importante não é o que dizes, não são as palavras… mas verbalizar é importante. Ajuda-nos a entender, faz-nos encontrar respostas escondidas no nosso silêncio… Deus muitas vezes nos fala na nossa própria voz, nos responde na nossa própria oração… Mas não me entendas mal. Falo-te de Intimidade, não de Magia! Não esperes milagres fantásticos nem grandes sensações… O selo de verdade da Oração são as Consequências, não os Sentimentos… Não queiras fazer da Oração o segredo para “sentir alguma coisa”, nem a abandones com a desculpa de “nunca sentir nada”… Dá esse tempo a Deus de maneira gratuita, só porque Ele merece! Não regateies retribuições no teu trato com Deus, não ores em função de ti… Orar é a atitude mais gratuita do coração da gente! Só porque Deus é Graça, e merece toda a nossa Gratidão… E, no entanto, eu te garanto que quem se encontra com Ele de coração disponível não fica a perder…

5. DECIDE! Há quem use o “termómetro do sentimento e das sensações” para avaliar a importância dos momentos de oração. Mas o único “termómetro” verdadeiramente evangélico é o das Consequências. A oração ao jeito de Jesus é aquela que te transforma, que faz brotar no teu coração decisões, novas atitudes. A oração ao jeito de Jesus é a que te dá um novo rosto, novas mãos, novos pés… e um coração cada vez mais renovado… Não te tornas um super-herói! Não estamos a falar de decisões extraordinárias e impensáveis uma hora antes, que vão exigir muito esforço, suor e lágrimas… Não sejamos românticos! Calma… se Deus te vier a pedir esse tipo de decisões, abre-te à Sua Força para seres capaz de as assumir. Mas, normalmente,

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na tua oração quotidiana de escuta da Palavra, tenho a certeza que não é esse tipo de decisões que Deus te vai pedindo… Sê extraordinário em tudo o que fazes, mesmo o mais simples… “Extra-ordinário” significa, fora do vulgar, acima do “rés-do-chão da vida”, comprometido, consequente… No Diálogo amoroso com Deus, deixa-o ir-te iluminando aquelas dimensões de ti que ainda estão por converter… Sê corajoso o suficiente para deixares que Ele te diga onde estão as tuas arestas pontiagudas, que ainda têm que ser limadas porque estão a magoar outros… Decide-te a ser cada vez mais à Sua imagem e semelhança, cada vez mais ao jeito de Jesus de Nazaré, cada vez mais Encarnação da Palavra que Deus faz acontecer em ti porque te ama…

Assume o risco de te deixares recriar todos os dias nas mãos ternurentas de Deus-Amor… Sem magias, sem pressas, sem passos maiores que as pernas… mas com seriedade! Não “brinques à vida”, porque só tens uma oportunidade…

Se tiveres coragem de Parar para Deus, para Ler e Meditar a Sua Palavra… Arriscas-te… Arriscas-te a ser encontrado por Ele num Diálogo conduzido pelo Amor que te vai levar às inevitáveis “Decisões novas de um Homem Novo”!

Rui Santiago cssr

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