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Vida e Morte dançam, mas não é bem dança a dinâmica que as põe em comunhão, Vida e Morte não se dão as mãos, embora sempre de mãos dadas... De qualquer forma, Shiva é o deus dançarino, e nas vicissitudes de sua densa coreografia, exata e de improviso, eterna e instantânea, estão os gestos da transformação, o mundo é uma rave (já disse?), é um carnaval de circunstâncias (já disse?), fervilha, corre, anda, muda! Eu sempre falo de Shiva, quando falo de mudança.

31. Imagine o mundo instável, e sobre ele, girando as manivelas invisíveis do Universo, a trindade hinduísta, Shiva, Brahma e Vishnu, destruição, criação e preservação, o velho dá lugar ao novo, que se preserva até a velhice e, por sua vez, devastado, dá lugar ao novo novo que, ao se estabelecer, já adivinha o próprio colapso, e assim de novo e ainda mais uma vez, e então, de novo e de novo, até se perder de vista.

às vezes, mudamos, para fazer mudar, noutras vezes, mudamos para acompanhar o giro da roda, às vezes, há um anseio para ir, noutras vezes, o desespero é por ficar. O Grande Rio flui, corre ou anda, de qualquer modo, flui, como fluem a Vida, o Mundo, o Ser e Tudo Mais, e há luta e gozo e paz e peleja, por ficar, por seguir, por ir, por voltar, por borboletas que surgem e que de novo são lagartas que serão novas borboletas que serão novas lagartas... De igual maneira a gente, que está em si, nem em si mesmo permanece, também o ser é algo movediço, o ser decide e muda, e, mudando, vê mudar; o ser responde ao mutável mundo e muda, e mudando, ao mundo vê mudar; o mesmo ser que o fogo da mudança no mundo e em si mesmo ateia, nela vê a si e ao seu mundo incendiar... ..Algo que se move, realmente, Einstein era um gênio!

É a firmeza somente na inconstância do Gregório de Matos, o continuamente vemos novidades, do Camões, salvo as peculiaridades, é o devir que eu vi na janela do Guajará!

32. O ônibus descia a Farquar, como sempre, e como sempre alguém puxou a cordinha, era a hora de descer, então desci, do coletivo, mas não dos devaneios, o todo dia às vezes é um desconforto de onde pensar distrai um pouco... Às vezes, é bom, às vezes, dói mudar, às vezes, tudo muda, de repente, noutras vezes, não há modo de mudar,

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EXPRESSõES!_15  

15º número da revista digital de literatura e outras artes mais feita no braço do mundo.

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