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TEMOR Texto: César Augusto Fotos: Henderson Baena

Temo eu, na reviravolta das palavras... Ver meu pesar rasgando com travas Esse pouco querer de meu ser profundo movo as bagagens de meus pesadelos e apesar de suas vertentes serem medos ainda tanto pondero que me inundo... temo em minhas ciladas, todas as desventuras... todas as saudades e diante delas as posturas que desejam mais que a dor expoente... mais que a vida em seu interno leito mais que a suplica ao nó desfeito em minha escala de liras transcendentes... temo no entardecer dessa sutil sobriedade adormecer meus lapsos em certa castidade que segue meus versos na frígida carência temo que do grande vasto, só use uma parte temo ponderar, temo todo esse dislate como angustio temer essa rimada sapiência temo o andar das estrofes... os contos que me levam ao norte.. temo tão convicto que trincam os dentes! Em palavras que destoam o impassível tento escrever meias linhas no impossível... derreter de meus desejos frementes! Ah! como anseio e temo este paraíso etéreo que adormece de terror sidéreo... em lembranças do vultuoso afago desejo e reprimo este calor latente que alimenta minh’alma com o poder fervente que me torna lancinante como um mago... temo, repudio e revolto... o tudo que em mim adormece e devoro... como em um calabouço infinito de trevas como uma força em que me anulo... e cada vez que mais temo e recuo... em cada milímetro de minhas vértebras... ........................................................................... Para mais de César Augusto, acesse: http://sempropositodeproposito.blogspot.com.br/

EXPRESSõES! Out de 2012 | 33

EXPRESSõES!_15  

15º número da revista digital de literatura e outras artes mais feita no braço do mundo.

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