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Fevereiro de 1.962 Um reluzente FNM D 11.000 trucado sobe a Serra das Araras com 22.000 kgs de carga. Mauro, o motorista, sabe escrever seu nome, ler quase todas as placas da estrada e fazer contas mais simples, mas é bastante forte, e quase não sente dificuldade para manobrar o veículo, que não conta com direção hidráulica. O calor dentro da cabine é insuportável, para aliviar, Mauro segue com a porta aberta e quase todo o corpo do lado de fora. A velocidade mal chega a 10 kms/h. De bermuda, sem camisa, descalço e com a barba de mais de sete dias por fazer, Mauro sua em profusão. Desde pequeno acompanhou seu pai nas viagens, e se tornou motorista sem ao menos cogitar seguir outra profissão. Como empregado, têm dificuldades em manter a sua família em função do baixo salário. Como o preço do Diesel é irrisório, Mauro nunca se preocupou em saber qual o consumo do veículo que dirige. Fevereiro de 2.012 Um Scania R440 com menos de 5.000 quilômetros sobe a Serra das Araras atrelado a uma carreta de 3 eixos, a carga é de 25.500 kgs, ligeiramente inferior à capacidade do veículo. Roberto, o motorista, concluiu o ensino médio, fez uma série de cursos e participou de vários treinamentos. Com as janelas fechadas e longe do barulho, Roberto mantém a temperatura interna da cabine em agradáveis 22º C e seu uniforme está impecável. Graças ao moderno câmbio automatizado, a velocidade segue constante em 40 kms/h, o computador de bordo indica que o consumo médio é de 2,65 quilômetros por litro desde o último abastecimento e o instantâneo é de 1,9 quilômetros por litro. Roberto é o único motorista em sua família, e decidiu seguir a profissão depois de ter entrado em uma empresa de transportes como ajudante e ter sido encorajado pelo seu antigo chefe. Apesar da saudade, Roberto consegue manter sua família, que conta inclusive com a proteção de um convênio médico que a empresa oferece, e também cesta básica. Roberto foi premiado nos últimos três meses por ter conseguido obter o consumo médio proposto pela empresa. Os 50 anos que separam Mauro e Roberto mudaram profundamente o mundo, e consequentemente, a profissão de motorista de caminhão. Veículos antes inimagináveis para os padrões brasileiros estão à disposição dos transportadores, e que por sua vez, exigem motoristas treinados e preparados para obter o máximo que estes veículos oferecem. Os salários oferecidos a estes profissionais nunca foram tão altos, e continuam subindo, não só em função da falta de mão de obra, mas também em função das atuais exigências.


Espera-se que o motorista seja um Gerente de Unidade Móvel, conheça informática, direção econômica e defensiva, entenda as necessidades da empresa e dos clientes, e consiga fazer com que o negócio seja economicamente viável. Ele é a própria empresa de transporte perante o cliente e também à opinião pública. A figura barbuda, de braços fortes e quase analfabeta positivamente está aposentada. O conhecimento técnico substituiu a força bruta.


50 anos de evolução