Issuu on Google+

JOSÉ ARAÚJO Paulistano nascido na Capital em 1955. Atua como administrador de empresas na área jurídica em São Paulo, é o autor do livro Por um Mundo Melhor - Contos para Reflexão pela Usina de Letras Editora do Rio de Janeiro. Publicou em diversas Antologias através dos livros Entrelinhas, Universo Paulistano I e Dimensões. Br , ambos da Andross Editora e também, Enigmas do Amor e Delicatta IV da Scortecci Editora de São Paulo, Poesia e Prosa Verão 2009 da Taba Cultural, na Coletânea 10 Anos Usina de Letras no Rio de Janeiro, Antologia All Print Especial XIV Bienal do Rio de Janeiro 2009, e na antologia Cidade Volume I em Belém do Pará. Expões suas obras no site: http://imagens-e-reflexoes.blogspot.com/ - Contato com o autor: artes.j.araujo@gmail.com

CISNE BRANCO Dois pequenos olhinhos observavam atentos e ansiosos, através de uma das janelas do segundo andar de um velho casarão assobradado na Baía dos Anjos, um recanto quase desconhecido e escondido, nos confins do litoral sul do Estado de São Paulo. Era muito cedo ainda, mas o sol já havia mais uma vez proporcionado a Dorinha o seu espetáculo diário, quando surgia no meio da Baía como se emergisse do fundo do oceano, lá longe, num horizonte lindo e tranqüilo, delineado ao fundo pelo infinito azul do mar. Era mais uma manhã de sábado e ela costumava ficar no quarto que dividia com suas pequenas colegas. Ela não tinha vontade de descer e juntarse aos outros, sabia que seria mais um final de semana como todos os outros, onde de vez em quando aparecia alguém para adotar uma das crianças, que ganharia uma casa, um lar e o mais importante, um pai e uma mãe. Dorinha, como sempre, seria deixada para trás, ninguém se interessaria em adotá-la, exatamente como acontecia desde que ela se conhecia como gente no Orfanato Sagrado Coração. Aos nove

— 23—


anos de idade, ela era uma menina linda, tinha uma pele morena da cor de jambo, cabelos castanhos e cacheados, com olhos de um verde que chamava a atenção de todos que a viam, mas mesmo assim, todos os interessados em adotar uma criança, preferiam os de pele clara, os brancos e de preferência, loiros, de olhos azuis. Quando ainda era muito pequena, ela não ligava muito para as idas e vindas daqueles homens e mulheres que visitavam o orfanato todos os sábados. Afinal, ela nem conhecia o significado das palavras pai e mãe. Contudo, o tempo passou, ela foi à escola, aprendeu a ler e a escrever, conheceu o mundo através dos livros que amava ler e quanto mais lia estórias de romances ou aventuras, onde os personagens de pais e mães tinham destaque. Quanto mais via os pais dos outros alunos virem buscá-los no final das aulas, mais queria compreender por que ela mesma não tinha neste mundo um pai e uma mãe. Aos poucos, vendo seus coleguinhas sendo levados para seus novos lares e sentindo-se rejeitada, já começava a achar que só era permitido às crianças brancas ter um lar, uma família e seu pequeno mundo, se é que se poderia chamar assim, parecia querer sufocá-la de uma forma angustiante, pois seu pequeno coração doía e muitas vezes quando chorava. Parecia que seu peito estava sendo dilacerado, sem dó nem compaixão. Dorinha sempre foi uma boa menina, atenta, obediente, estudiosa e executava todas as tarefas que lhe eram conferidas no orfanato, com presteza e perfeição. Contudo, aquela coisa de não ser escolhida por ninguém, já a fazia encarar este fato há muito tempo como uma rejeição e assim, sábado após sábado, ela preferia ficar em seu quarto, olhando pela janela para a Baía dos Anjos, cuja entrada era ladeada por dois morros, cobertos o ano todo pela exuberante vegetação da mata atlântica da região. Para única alegria de seu coração, todos os sábados, um enorme veleiro passava em frente à entrada da baía, seguindo seu caminho num cruzeiro litorâneo semanal, mas quando ele surgia, era uma visão celestial. Ele era todo branco e suas velas enfunadas ao vento o faziam parecer ao longe um cisne branco, flutuando devagar. Era tanto, que às vezes, ela achava que

— 24—


ele havia parado em frente à entrada da Baía, mas era ilusão e aos poucos, ele desaparecia lentamente por detrás deum dos montes. Durante o período que durava a passagem do veleiro em frente à Baía dos Anjos, parecia que Dorinha se desligava de tudo, de todas as suas dores, de todos os seus dissabores, era como se aquela linda embarcação, que agora ela já chamava de Cisne Branco, soubesse que ela estava ali, triste e solitária que precisava de alguma alegria na vida, e assim, ele nunca falhava em vir ao encontro de seu coraçãozinho, que disparava quando ele surgia por detrás do morro, primeiro a ponta do mastro da proa, suas velas e em seguida os mastros principais, que um a um, com todas as suas velas enfunadas e tremulando ao vento, iam completando sobre um casco branco. Uma visão que, para ela, só poderia ser parte de algum paraíso, igual aos que ela conhecia somente através de livros de romances e aventuras. Final de semana após final de semana era sempre a mesma coisa, muitos outros amiguinhos partiam e ela sempre ficava, mas de alguma forma, bem lá no fundo de sua alma, ela sabia da existência de um poder maior, que a tudo sabe e tudo vê e que este poder tinha um nome, ele se chamava Deus e todas as noites, ela rezava pedindo a ele que protegesse a todos os seus amiguinhos e amiguinhas que foram adotados, para que nunca mais ficassem órfãos, sem pai, nem mãe. Certo sábado, ela esperava seu Cisne Branco com a mesma ansiedade de sempre e ele não falhou, majestoso e imponente como um cisne imperial, ele surgiu por detrás de um dos morros, mas quando chegou ao meio da travessia que fazia em frente à Baía dos Anjos, foi virando lentamente, em direção ao horizonte tão distante e sem fim. Dos olhos de Dorinha, uma lágrima solitária rolou lentamente, porque naquele momento, vendo seu único amigo fiel e verdadeiro partir para longe, ela acreditou que ele não era diferente das pessoas que a discriminavam pela sua cor, que ele, com toda sua brancura celestial, também a estava abandonando, indo para o outro lado do mundo, talvez até, para nunca mais voltar. A pequena menina virou-se lentamente como fez o veleiro, reviu sua própria rota, definiu seu rumo e seguiu em direção à sua

— 25—


caminha, onde mergulhou em prantos até adormecer, exausta de tanto chorar. Contudo, naquele dia que havia se iniciado lindo e com céu limpo, quando já eram umas três horas da tarde, o veleiro já estava muito longe da costa brasileira e ele, com sua beleza e imponência, singrava altos mares, rumo ao destino traçado pelo maior de todos os capitães do universo. O céu que tinha estado azul e limpo durante mais da metade do dia, começou a ser salpicado por pequenas nuvens brancas e que para quem estava no convés e olhava para cima, pareciam flocos de algodão, flutuando aleatoriamente entre as velas que tremulavam ao vento. Não demorou muito e as pequenas nuvens foram se juntando, se transformando em outras mais densas e escuras, era sinal de tempestade e perigo em alto mar. O vento antes calmo, de uma hora para outra mudou de uma brisa suave a um vendaval violento, traiçoeiro, e o mar por sua vez, que tinha se mantido tranqüilo e com ondas regulares, foi se transformando num monstro, que parecia querer engolir a tudo e a todos que estivessem sobre ele. A tripulação do imenso veleiro era uma equipe de marinheiros muito bem treinada, mas mesmo com a experiência de todos eles e com a astúcia de seu capitão, o Cisne Branco de Dorinha, agora já com as velas arriadas e amarradas no convés, parecia gritar de dor, pois o barulho que faziam seus mastros e juntas com a ação da força dos ventos era ensurdecedor e assustador ao mesmo tempo. Ondas enormes varriam o convés da embarcação, enquanto seus tripulantes tentavam se agarrar ao que pudessem para se proteger e se manter a bordo do veleiro, pois a força das águas parecia querer arrancar e devastar tudo que estivesse em seu caminho. Capitão Jorge, o comandante da embarcação, um homem de paz, um homem de muita fé em Deus e na vida, naqueles momentos de angústia, se lembrava de sua mulher que o estava esperando em terra firme. Uma esposa honesta, que o amava muito e que, a despeito do fato de não terem conseguido ter filhos por problemas físicos, tinha por ele profunda adoração. Ele rezava silenciosamente, pedia ao todo poderoso que poupasse as vidas de sua tripulação, pois além de serem todos seus amigos, eram

— 26—


seres humanos como ele, tinham famílias, filhos, esposas ou mães que esperavam seu regresso e suplicava que Deus desse a ele mais uma chance, que o deixasse viver mais um pouco, pois seu sonho de ser pai ainda não havia morrido dentro dele, ele queria poder receber do pai todo poderoso, a benção de ser responsável pela vida de uma criança, pedia em suas orações que ele não permitisse que tudo se acabasse ali, daquele jeito triste, com todos sendo levados pelos braços de Netuno, para o fundo do mar. O enorme veleiro, com seus 76 metros de comprimento, três mastros principais e suas 31 velas majestosas, que naqueles momentos não mais representavam nada, que não tinham a menor utilidade naquela situação, parecia na tormenta ser um barquinho de papel, prestes a derreter a qualquer momento na imensidão das águas e afundar, para nunca mais voltar. Enquanto isto, a noite já havia chegado à Baía dos Anjos e no orfanato Sagrado Coração, Dorinha, assustada com o som da chuva, dos trovões e relâmpagos, tentava em vão dormir, mas a cada vez que pegava no sono, um pesadelo tomava conta do mundo de seus sonhos e ela acordava aterrorizada. Ela via nele seu Cisne Branco sendo devorado pelas águas do mar e em seu coração, a dor da perda era insuportável, pois se ele afundasse, ela jamais o veria de novo e mesmo não podendo chegar perto dele, ela queria que Deus permitisse que ela o visse novamente, em todo o seu esplendor. Dorinha se levantou, ajoelhou-se ao lado de sua cama e pediu àquele mesmo Deus a quem ela tinha pedido, mesmo sem ter sido atendida, que desse a ela um lar, um pai e uma mãe, que lhe trouxesse de volta o seu Cisne Branco. Prometeu a ele que não o iria mais amolar fazendo pedidos difíceis como aqueles, se em troca ele lhe concedesse somente o de trazer sua única alegria de volta, são e salvo. O enorme veleiro se contorcia no meio de ondas de dezenas e dezenas de metros de altura, vindas de todas as direções. Ele parecia ser uma simples bola de pingue-pongue, jogado de lá para cá, nas mãos traiçoeiras do oceano e tanto o capitão como a tripulação, já não mais tinham esperanças de sobreviver. Parecia que seu destino tinha sido chegar até aquele inferno de ventos e fazer água até naufragar, car-

— 27—


regando consigo dezenas de vidas e com elas, todos os seus sonhos e infinitas paixões. A tempestade parecia aumentar a cada segundo e em determinado momento, o Capitão Jorge ordenou a todos os tripulantes que abandonassem seus postos, que fossem todos para as suas cabines e trancassem todas as escotilhas, pois não havia mais nada a ser feito a não ser aguardar o juízo final. Assim foi feito, todos se esconderam em seus cantos. Cada um com o pensamento dirigido aos seus entes queridos, com sua dor no coração e, em meio a todo o sofrimento e angustia da tripulação, o Cisne Branco parecia querer proteger a todos sob suas asas, mas ele não podia, pois elas haviam sido destruídas pela força da tempestade, mas ele, apesar de tudo, parecia não desistir. Entre raios, trovões e ondas violentas, sendo praticamente virado do avesso, o Cisne Branco de Dorinha parecia saber que a bordo e lá na Baía dos Anjos, havia pessoas que dependiam dele e de sua coragem para lutar pela sobrevivência de todos, de sua determinação de lutar pela preservação do bem maior, a vida. De alguma forma misteriosa, o grande veleiro, mesmo tendo sido literalmente jogado dentro de um liquidificador da natureza, ainda resistia, mesmo gritando e urrando de tanta dor, mesmo que partes dele lhe estivessem sendo arrancadas impiedosamente, ainda lutava para se manter na superfície. Quando as piores ondas vinham ao seu encontro, é difícil dizer como, nem porque, ele se posicionava como se fosse uma prancha de surf a espera delas e quando uma delas o atingia, ele deslizava na mesma direção que ela e assim foi, onda após onda, entre trancos e solavancos, ele permaneceu lutando com todas as suas forças, enquanto a tripulação exausta e amedrontada, após horas de desespero, foi adormecendo, um a um, e quando acordaram, o veleiro flutuava sobre águas calmas e sob um céu de intenso azul anil. Cada um que percebia o que havia acontecido por milagre, não se continha e caía de joelhos agradecendo a Deus pela benção concedida. O Capitão também se ajoelhou e, com a mão no coração, fez uma promessa ao todo poderoso, que não mais iria forçar a natureza, não iria mais obrigar sua esposa a tratamentos

— 28—


e mais tratamentos para poder engravidar, pois os anos haviam se passado, todas as tentativas haviam sido em vão e, entre lágrimas e muito sofrimento, se os dois ainda estavam juntos era graças ao amor verdadeiro que sempre os uniu. Dorinha não sabia, nem mesmo o Capitão Jorge, mas o destino deles estava ligado pelas forças divinas e a ponte entre eles era nada mais nada menos do que o grande veleiro, o Cisne Branco que ela tanto amava e que tanta paz trouxe ao seu coração, nos momentos em que ela mais precisava. Usando o poderoso motor a diesel da embarcação, eles conseguiram chegar ao porto, onde cada um tomou seu rumo em direção àqueles a quem amavam e daquele dia em diante, a vida deles não mais foi a mesma, eles aprenderam a valorizar o amor e a vida, exatamente como tinha que ser, pois é comum só darmos valor ao que temos neste mundo, quando estamos na iminência da perda, ou pior, quando já perdemos definitivamente. Capitão Jorge providenciou para que o Cisne Branco fosse restaurado e alguns meses depois, numa manhã de sábado, quando Dorinha já havia perdido as esperanças de rever seu amigo, ele surgiu por detrás dos montes, lindo, velas enfunadas ao vento, sua brancura era algo divino, proporcionava um sentimento difícil de se explicar e em seus olhinhos; mais uma vez uma lágrima rolou, mas desta vez foi por alegria, foi porque seu coração estava cantando, ela estava feliz. A visão de seu amigo a fez esquecer mais uma vez das mágoas, das dores, da frieza com que as pessoas a tratavam e ela ficou observandoo em deleite, até que em determinado momento, ela percebeu que ele estava mudando seu rumo e que ao invés de seguir seu caminho e passar longe dali, ele estava entrando na Baía dos Anjos e lentamente, o enorme veleiro foi se aproximando e mostrando a Dorinha suas verdadeiras proporções. Dorinha, encantada, saiu da janela, correu pelas escadas abaixo, abriu a porta da frente e estendeu seus bracinhos, como se quisesse abraçar seu amigo que estava chegando e lá ela ficou, em pé, na porta do Orfanato Sagrado Coração, imóvel, como se em transe, com a visão magnífica do seu Cisne Branco.

— 29—


O veleiro entrou na Baía e navegou até onde era possível, os marinheiros lançaram suas ancoras ao mar, ele parou e dele desceram pequenos botes, tão brancos quanto ele e Dorinha, fascinada, observando tudo, viu que um deles chegou até a praia em frente ao Orfanato, atracou num pequeno ancoradouro que havia no lugar e dele desembarcou um homem de meia idade, cabelos pretos, grisalhos em cima e brancos na lateral, um homem que pela aparência e uniforme, só poderia ser o capitão do navio. Dorinha não prestou atenção a princípio, mas ao lado dele estava uma jovem senhora, de olhar triste, aparência sofrida, um tanto tímida; era a esposa do Capitão, que ao chegar mais perto do orfanato e ao se deparar com a visão da menina, sofreu uma grande transformação e do olhar triste e aparência sofrida, nada mais restou, seu rosto se iluminou com um sorriso, capaz de derreter com sua luz os mais frios corações. Seu nome era Dona Vera, uma mulher lutadora e que por amor ao seu marido, se manteve firme ao seu lado por todos os anos de luta e sofrimento, nas tentativas infrutíferas para poderem ter um filho, uma mulher que ao ver Dorinha em pé na porta do orfanato, de braços abertos, como se a estivesse esperando, soube naquele exato instante, que Deus havia lhe enviado a filha que eles tanto queriam e não pode se conter... Dona Vera correu ao encontro de Dorinha e de longe ouvia se sua voz gritando bem alto... – Filha, mamãe chegou! - Eu vim te buscar, meu anjo! Dorinha, sem saber por que, não pensou, agiu como se fosse impulsionada por uma força que ela nem sabia que existia dentro dela, pulou os dois degraus da porta do orfanato, correu em sua direção e sua voz era ouvida por todos que estavam por perto, com grande emoção... – Mamãe! - Você veio me buscar! - Eu te esperei por tanto tempo! - Eu amo você! Enquanto as duas se abraçavam e choravam, o Capitão Jor-

— 30—


ge ficou parado onde estava, a emoção tomou conta de seu coração, pois ele também soube, assistindo aquela cena entre mãe e filha, que Deus havia respondido às suas preces e que havia usado como seu instrumento, o magnífico Cisne Branco, um veleiro de 76 metros, três mastros principais e 31 velas majestosas, branco como um cisne que navega no mar azul. Seu coração compreendeu que aquela embarcação era, na verdade, uma ferramenta divina, que uniu seus corações de uma forma mágica, quase incompreensível, mas que acabou com todo o sofrimento e tristeza de suas vidas. A Baía dos Anjos nunca mais será a mesma, pois naquela janela não há mais nenhuma criança triste por não ter sido escolhida, pois a mãe de Dorinha criou um movimento de conscientização de pessoas interessadas em adoção; apesar de muitos contras, de muitas críticas e incompreensão, ela acabou por convencer as pessoas de que a beleza não está na cor da pele, na cor dos olhos, dos cabelos, ela está na alma de cada um de nós, que um filho biológico ou não, seja ele loiro ou de qualquer cor, pode ter boa índole, pode ser uma pessoa do bem, ou pode ser tão rancoroso e violento quanto qualquer ser humano pode se tornar, que só depende de como ele é tratado, só depende da visão da vida que seus pais lhes dão e assim, aos poucos, ela foi conseguindo que as pessoas mudassem seus conceitos de vida e comportamento perante a sociedade e uma após a outra, todas as crianças que chegavam ao orfanato não demoravam a ser adotadas, com a graça de Deus e a ajuda de Dona Vera. O Orfanato Sagrado Coração mudou de nome, hoje ele se chama “Casa de Amparo à Criança e ao Adolescente Cisne Branco”, como não poderia deixar de ser... Ah! Antes que eu me esqueça... O verdadeiro nome do veleiro, era mesmo Cisne Branco e Dorinha, sem ter consciência, sabia disto, pois seu coração já havia dito a ela, letra por letra, desde o primeiro dia em que ela o viu...

— 31—


CISNE BRANCO