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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PAMPA

JOSEANE CURTIS REINAÇO

PRODUÇÃO CULTURAL COMO ESTRATÉGIA DE RELAÇÕES PÚBLICAS: UMA ANÁLISE DO PRÊMIO GPSNET DE ARTE NO MURO

Projeto de Pesquisa apresentado ao componente curricular de Trabalho de Conclusão de Curso I Curso: Relações Públicas – Ênfase em Produção Cultural Orientadora: Marcela Guimarães

São Borja, RS, março de 2014.


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DADOS DE IDENTIFICAÇÃO DO PROJETO 1. Instituição Universidade Federal do Pampa Centro de Ciências Sociais e Humanas Curso de Relações Públicas – Ênfase em Produção Cultural Endereço Telefone

2. Título do Projeto 3. Orientador (a) Nome: Marcela Guimarães e Silva Centro de Ciências Sociais e Humanas Curso: Relações Públicas – ênfase em Produção Cultural Telefone: (55) 9952-0469 e-mail: marcelasilva@unipampa.edu.br 4. Acadêmico (a) Nome: Joseane Curtis Reinaço Matrícula: 101152185 Curso: Relações Públicas – Ênfase em Produção Cultural Endereço: Osório Rocha Chaves - 248 Telefone: (55) 9673-6357 e-mail: joseanecurtis@gmail.com 5. Previsão de entrega do projeto: Março de 2014

Resumo: O presente projeto tem por objetivo compreender a produção cultural e como pode ser inserida nas atividades do profissional de relações públicas, como uma estratégia de relacionamento com os públicos de uma instituição. Para isso, serão descritos tópicos importantes para essa reflexão, sendo eles: histórico e atividades das relações públicas; conceito e atividades de produção cultural; e produção cultural como estratégia de relações públicas. Para esta reflexão, será realizado um estudo de caso sobre o projeto cultural “Prêmio GPSNet de Arte no Muro”, uma estratégia de comunicação utilizada pela empresa GPSNet de São Borja/RS. Palavras-chave: Relacionamento. Públicos. Projeto Cultural.


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SUMÁRIO

1.

TEMA E PROBLEMA DE PESQUISA................................................................. 04

2.

JUSTIFICATIVA ....................................................................................................

3.

OBJETIVOS ............................................................................................................ 06 6.1. Objetivo Geral .................................................................................................. 06 6.2. Objetivos Específicos ........................................................................................ 06

4.

EMBASAMENTO TEÓRICO ............................................................................... 4.1. Histórico das Relações Públicas ...................................................................... 4.2. Atividades de Relações Públicas ...................................................................... 4.3. A Produção Cultural ........................................................................................ 4.4. Atividades do Produtor Cultural .................................................................... 4.5. A Produção Cultural como estratégia de Relações Públicas ........................

07 07 08 10 11 12

5.

METODOLOGIA .................................................................................................... 5.1. Pesquisa Bibliográfica e Estudo de Caso ........................................................ 5.2. Sobre a GPSNet ................................................................................................ 5.3. Prêmio GPSNet de Arte no Muro ...................................................................

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6. 7.

CRONOGRAMA .................................................................................................... REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................

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1. TEMA E PROBLEMA DE PESQUISA

O curso de Comunicação Social habilitação em Relações Públicas com ênfase em Produção Cultural da Universidade Federal do Pampa – UNIPAMPA da cidade de São Borja, Rio Grande do Sul, surgiu com algumas peculiaridades. Dentre elas, a criação de um perfil profissional voltado para a cultura. Um dos pontos que merece destaque com relação à ênfase do curso é que, a partir dele, abriu-se uma nova possibilidade de atuação do profissional de relações públicas, que ao desenvolver suas atividades com enfoque cultural, contribuirão com a valorização da cultura e o desenvolvimento da região, fortalecendo a identidade local e regional. Com isso, será discutida a produção cultural como estratégia de relações públicas. Apesar destes aspectos referentes ao novo campo de atuação do profissional de relações públicas, surgem em meio a este cenário, dificuldades no meio acadêmico e na inserção no mercado de trabalho. Primeiro, por ser um curso com uma nova ênfase – em produção cultural – há uma grande dificuldade em encontrar estudos sobre a produção cultural inserida nas atividades do profissional de relações públicas. O levantamento bibliográfico da pesquisa mostrou que, em sua maioria, os autores apresentam projetos culturais como benefício social ou como construir esses projetos, mas não abordam a utilização destes por organizações privadas como forma de se relacionar com seus públicos. Essa falta de bibliografia se dá justamente por ser uma nova área de atuação e uma nova ferramenta de relacionamento com os públicos de instituições públicas e privadas. Em São Borja, uma das primeiras empresas que iniciaram o trabalho com a produção cultural foi a GPSNet Provedor de Acesso a Redes de Comunicação através do projeto Prêmio GPSNet de Arte no Muro. Este projeto prevê a recuperação de muros e fachadas da cidade com intervenções (pichações), e a valorização da arte e expressão artística de alunos, contribuindo com a conscientização sobre a importância de preservar o patrimônio público. Através de ações e estratégias, o projeto visa não só atingir seus objetivos como também possibilitar uma integração entre professores, alunos, setor privado, setor público e comunidade. A partir da dificuldade de entender o perfil do profissional de Relações Públicas com ênfase em produção cultural, da carência de estudos nessa área e da experiência adquirida, é que surgiu a ideia de estudar a Produção Cultural como estratégia de Relações Públicas, analisando o Prêmio GPSNet de Arte no Muro como uma estratégia de comunicação na empresa GPSNet. Com isso busca-se compreender como as Relações Públicas podem empregar a Produção Cultural como estratégia no relacionamento com seus públicos.


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2. JUSTIFICATIVA

Tendo em vista a inserção da produção cultural nas atividades de Relações Públicas, este trabalho justifica-se por três aspectos: Social – Desenvolvimento de um projeto cultural que possibilita a inclusão social e integração de jovens de escolas da rede pública e particular, com os setores públicos e privados da cidade, através da construção do conhecimento e da oportunidade de expressão artística dos mesmos. Sendo assim, a escola é o marco inicial para esse trabalho, pois é ali, na escola, que é aprimorado o caráter do ser humano e a formação do cidadão responsável e ninguém melhor do que os professores para incentivarem os alunos a desenvolverem boas práticas, isso por que, a comunidade escolar, tem a arte e a capacidade de transformar ambientes e realidades, bastando que os alunos sejam convidados a participarem dessa atmosfera de construção do conhecimento e cidadania; Pessoal – Possibilidade de compreender as questões referentes ao campo de atuação do profissional de relações públicas com ênfase em produção cultural e como esta pode se inserir dentro das atividades de relações públicas já que se têm poucos estudos sobre. Buscase então, apresentar alguns conceitos adquiridos ao longo da formação acadêmica e pela experiência profissional, realizando assim, uma contribuição ao debate acadêmico e a atuação do profissional no mercado de trabalho; Acadêmico – Por ser uma nova forma de utilizar a produção cultural – dentro das atividades de Relações Públicas – e pelo surgimento de mais um campo de atuação do profissional na área de comunicação, existe uma grande falta de estudos nessa área. Com a dificuldade de entendimento do que realmente é a produção cultural e como o relaçõespúblicas pode se utilizar dessa forma para construir e solidificar sua imagem perante seus públicos.


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3. OBJETIVOS

3.1. Objetivo Geral Compreender a produção cultural como estratégia de relacionamento a partir da reflexão sobre as Relações Públicas e suas atividades.

3.2. Objetivos específicos - Descrever as atividades de Relações Públicas; - Analisar a Produção Cultural como estratégia de relacionamento; - Identificar como a Produção Cultural pode ser inserida nas atividades de RP; - Relatar o estudo de caso “Projeto Cultural Prêmio GPSNet de Arte no Muro” como estratégia de Relações Públicas e possíveis articulações com a produção cultural.


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4. EMBASAMENTO TEÓRICO

4.1. Histórico das Relações Públicas

As Relações Públicas surgiram no final do século XIX, nos Estados Unidos, através de dois fatos marcantes que definiram a importância de um bom relacionamento com os públicos das organizações. O primeiro foi marcado pelo presidente da estrada de ferro dos Estados Unidos, Wilian Vanderbilt que foi questionado por um repórter sobre o fechamento de uma linha férrea muito importante para a população, pronunciando “O público que vá para o inferno”. A manchete de 1873 serviu de estopim para a luta pelo respeito ao público (MATTOS, 2002). O segundo fato, apontado com o marco da profissão, foi a declaração do corretor de anúncios de jornal Ivy Lee: “O público tem que ser informado”. Lee foi o responsável na década de 20 por moldar a imagem do empresário John Rockfeler, transformando-o de figura mal vista pela sociedade a empresário bondoso e beneficente. (MATTOS, 2002). Nota-se então, que o surgimento das Relações Públicas se deu como resposta à insatisfação do público quanto à postura das organizações capitalistas, o que instituiu os primórdios da atividade se darem em empresas. No Brasil não foi diferente, a profissão apresentou fortes vínculos com a área empresarial, com a criação do primeiro Departamento de Relações Públicas na The São Paulo Tramway Light and Power Co. (Eletropaulo) em 1914. Após o nascimento da profissão, realizou-se o primeiro curso regular de Relações Públicas através da Escola de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas, em 1953 no Rio de Janeiro. Surge então, a primeira Associação Brasileira de Relações Públicas – ABRP – que apresentou um dos primeiros conceitos da atividade, apresentando as Relações Públicas como sendo o:

[...] esforço deliberado, planificado, coeso e contínuo da alta administração para estabelecer e manter uma compreensão mútua entre uma organização pública ou privada e seu pessoal, assim como entre a organização e todos os grupos aos quais está ligada direta ou indiretamente (YANAZE, 1997. P. 55)

As relações públicas são então, a atividade de gestão da comunicação organizacional, que planeja, executa e avalia novas estratégias tanto de comunicação com público interno como o externo também. Para isso, existem as principais atividades desenvolvidas pelo


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profissional de relações públicas, sendo elas: assessoria e consultoria, pesquisa, planejamento, execução e avaliação.

4.2. Atividades de Relações Públicas

Para que se possa demonstrar a qualificação e capacitação do profissional de Relações Públicas no desenvolvimento de projeto culturais é necessário antes discorrer sobre as atividades que abrangem essa profissão. O profissional de relações públicas trabalha, entre outros, para empresas privadas, governos, associações de classe, organizações não-governamentais, escolas, universidades, hospitais e hotéis, para organizações de pequeno e grande porte (GRUNIG, 2003, p. 69). Segundo Roberto Porto Simões (1995, p. 82), por não se enquadrarem ao princípio essencialista, explica-se por que as definições da atividade de relações públicas, enunciadas sobre base conceitual, são tantas, tão variadas, tão ineficazes e não aceitas universalmente. Outa definição é dada por Cleuza Cesca (2000, p. 22): “Relações Públicas é uma profissão que trabalha com comunicação, utilizando todos os seus instrumentos para administrar a relação empresa-públicos, visando ao bom relacionamento entre as partes”. A atividade de relações públicas conforme a definição de vários autores da área da comunicação pode ser compreendida, basicamente, como a atividade da comunicação voltada para a construção e manutenção dos relacionamentos da empresa com seus diversos públicos, interno e externo. Para a Associação Brasileira de Relações Públicas (ABRP) (apud Andrade, 1996, p. 81) define a atividade de relações públicas como o:

Esforço deliberado, planificado e contínuo da alta administração para estabelecerão e manter uma compreensão mútua entre uma organização pública ou privada e seu pessoal, assim como entre a organização e todos os grupos aos quais está ligada, direta ou indiretamente.

Entretanto, o processo de construção e manutenção de relacionamentos exige o desenvolvimento de diversas ações que não podem ser pensadas de modo desarticulado aos objetivos da empresa, e muito menos sem considerar os interesses dos públicos desta. Diante desse contexto, é que foram definidas as principais atividades desenvolvidas pelo profissional de relações públicas que são: assessoria e consultoria; pesquisa; planejamento; execução; e avaliação, sendo que no processo operacionalização cada uma


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dessas há outras a serem executas para o que foi planejado efetivamente aconteça. Kunsch (2003) ao definir essas funções, faz um alerta afirmando que o planejamento é o alicerce de toda e qualquer atividade de relações públicas embora se reconheça a importâncias de todas as demais. Assim como Margarida Kunsch, Cesca (2006) define as atividades do Relações Públicas em cinco principais: - Assessoria e consultoria: responsável por sugerir à alta administração políticas comunicação para os diversos setores da empresa; - Pesquisa: consiste no levantamento de dados e informações sobre a organização, seus públicos, suas estratégias, que servirão de base para as ações futuras; - Planejamento: elabora programas e projetos de relações públicas, bem como aponta para o caminho a ser percorrido para que os objetivos do mesmo sejam atingidos; - Execução – realiza todas as atividades contempladas no planejamento estratégico de comunicação; - Avaliação: consiste na mensuração dos resultados obtidos a partir de cada ação planejada e executada. A pesar de ser a última etapa a ser desenvolvida, a mesma acontece concomitante a todas as demais e, principalmente, serve de base para os planejamentos futuros. Para Fortes (2003) para orientar a efetividade das ações de Relações Públicas, o processo integra-se ao desenvolvimento das funções básicas, quais sejam: pesquisa; assessoramento; coordenação; planejamento; execução; controle; avaliação. Para Andrade (apud Fortes, 2003, p. 48) essas funções básicas de Relações Públicas subdividem-se em outras funções específicas, concordes ao tipo de organização na qual estão sendo insertas e à característica do trabalho a ser empreendido. Todas essas funções básicas e atividades, desenvolvidas pelo profissional, estão totalmente voltadas para o relacionamento com os públicos da organização. Desde os primórdios da atividade se trabalha com o relacionamento com os públicos, Ribeiro Fernandes afirma que a “transparência” é a premissa básica para o desenvolvimento da atividade de relacionamento com os públicos. De acordo com Farias (2011): Quando se fala em relações públicas, é costume referir-se a políticas e a programas dentro dos quais podem ser encontradas ações e campanhas. Desse modo, entendendo-se a existência de políticas e de programas, passa-se, automaticamente, a pensar em relações públicas tendo conceitos de planejamento como elemento basilar para qualquer plano de comunicação com públicos estratégicos (p. 51).


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Sabendo disso, pode-se dizer que é no público que existe a possibilidade de estabelecer relacionamentos não só de curto como também de médio e longo prazos, sendo assim, mais duradouros. De acordo com Maria José da Costa Oliveira (2011, p. 86), pesquisadora na área de comunicação pública, política e governamental, “Cada organização, assim como cada indivíduo, tem obrigação social de atender o interesse público”. Desta forma, observa-se que a comunicação deve ser inserida no contexto social, cumprindo efetivamente seu papel e contribuindo com a sociedade através de ferramentas que possibilitem essa interação. Podemse citar as ações e projetos culturais desenvolvidos por organizações, que contemplam temas de interesse social contribuindo com o relacionamento empresa-público.

4.3. A Produção Cultural

A Produção Cultural possui inúmeros significados, podendo ser desde obras artísticas nos diversos campos – teatro, música, cinema, festival – até o “ato de produzir” a cultura através da organização, administração e gestão de atividades culturais. Segundo alguns autores, a definição de produção cultural está compreendida no que se entende e representa a cultura. De acordo com Costa (2013), em referência às ideias de Thompson (1995):

Em diferentes instâncias, a definição de cultura sofre variações na dinâmica social. Desde uma definição mais “primitiva” voltada ao cultivo da terra, do gado, do campo, em um sentido agrícola (THOMPSON, 1995), passando, em meados do século XIX, pelas manifestações intrínsecas ao determinado local, como referência estritamente geográfica, até a definição a partir de um valor cognitivo, daquilo que é apreendido pelo indivíduo (p. 4).

Aristóteles definiu cultura como aquilo que não é natural, que não vem da natureza, ou seja, que deriva de leis físicas ou químicas. Segundo Muylaert (2000) cultura é o modo de vida, crenças, costumes, linguagem de um povo, entre outras coisas.

A cultura, tal qual os cientistas sociais a concebem, refere-se ao modo de vida de um povo, em toda a sua extensão e complexidade. Um conceito que procura designar uma estrutura social no campo das ideias, das crenças, costumes, artes, linguagem, moral, direito, leis, etc., e que se traduz nas formas de agir, sentir e pensar de uma coletividade que aprende, inova e renova o seu próprio modo de criar e fazer as coisas, numa dinâmica de constantes transformações. (p. 17)


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Conforme argumenta George Yúdice no livro A conveniência da cultura (2006), o papel da cultura expandiu-se como nunca para as esferas política e econômica, e caracteriza a cultura como um recurso para a melhoria dessas esferas. Yúdice também afirma que de fato, quando as instituições poderosas como a União Europeia, o Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), as maiores fundações internacionais, e assim por diante, começam a compreender a cultura como uma esfera crucial para investimentos, a cultura e as artes são cada vez mais tratadas como qualquer outro recurso. Outra definição de Produção Cultural, definida pelo Guia do Estudante:

São o planejamento, a elaboração e a execução de projetos e produtos culturais, considerando critérios artísticos, sociais, políticos e econômicos. O produtor cultural cria e organiza projetos artísticos e culturais, como espetáculos de teatro, dança e música, produções televisivas, festivais, mostras e eventos. Ele cuida de todas as etapas, da captação de recursos à realização final.

Apesar da grande importância da cultura no mercado e a profissionalização desse recurso, pouco se têm produzido a respeito da utilização da produção cultural como estratégia de comunicação. As publicações que existem se limitam ao Marketing Cultural – conjunto de recursos de marketing que permitem projetar a imagem de uma empresa ou entidade, através de ações culturais (MUYLAERT, 2000, p. 27) e captação de recurso, leis de incentivo à cultura – Lei Rouanet, Fundos municipais, estaduais e nacionais de Cultura, etc, verifica-se ainda que produção científica e empírica voltada para a produção cultural inserida nas atividades do profissional de relações públicas, é praticamente inexistente. Por esses motivos é que se faz importante a discussão sobre o perfil, papel e possível atuação do profissional do relações-públicas utilizando a produção cultural como uma ferramenta estratégica de relacionamento com os públicos das instituições às quais presta serviço.

4.4. Atividades do Produtor Cultural

De acordo com Avelar (2013), a primeira função do Produtor Cultural é a de cuidar para que a comunicação e a troca entre os agentes – artistas, mídia, público, Poder Público, Espaços Culturais, Patrocinadores – ocorram de modo eficiente. Segundo o autor, o produtor cultural é o profissional que cria e administra diretamente eventos e projetos culturais,


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intermediando as relações dos artistas e demais profissionais da área com o Poder Público, as empresas patrocinadoras, os espaços culturais e o público consumidor de cultura (AVELAR, 2013, p. 52). Diferentemente do Gestor Cultural, que “administra grupos e instituições culturais”. As definições de produtor e gestor cultural se confundem. O produtor cultural atua no planejamento, elaboração e execução de projetos culturais, e o gestor cultural, preocupa-se com os processos, além de cuidar de questões relacionadas ao patrocínio da cultura, bem como a administração de espaços culturais públicos ou privados. Verifica-se então, que há uma similaridade entre as atividades do produtor cultural e do relações-públicas, principalmente no desenvolvimento de projetos, no planejamento das ações tanto de divulgação como de estratégias de relacionamento com os diversos públicos da instituição idealizadora do projeto. Nesse sentido, as empresas cada vez mais tem se preocupado com a questão social e cultural em busca do fortalecimento da relação com seus públicos.

4.5. A Produção Cultural como estratégia de Relações Públicas

Ao patrocinar um projeto cultural, uma empresa se diferencia das demais a partir do momento em que pode tomar para si determinados valores relativos àquele projeto. Também amplia a forma como se comunica com seus públicos, mostrando para a comunidade que não pensa apenas nos lucros de seus serviços/produtos, mas que se preocupa com os problemas sociais e culturais de onde está inserida. Romulo Avelar (2013), administrador, produtor e gestor cultural em referência às ideias de Sarkovas (2012), tem a seguinte opinião sobre setores e profissionais da comunicação que melhor desempenham um projeto cultural em empresas, como forma de patrocínio:

Cada empresa adota uma política particular de atendimento a propostas de patrocínio. Existem aquelas que se mostram completamente refratárias ao assunto, mas, no extremo oposto, outras que criam estruturas específicas para o gerenciamento de ações de marketing cultural. Segundo Yacoff Sarkovas, ao abordar um possível patrocinador, o empreendedor precisa identificar, entre os setores internos e prestadores de serviços externos encarregados da comunicação, qual é a melhor porta para a entrada de um projeto. Sarkovas (2002ª, p. 13-16) cita vários deles: 

departamentos de comunicação corporativa;


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      

departamentos de comunicação de marketing; departamentos de promoção e eventos; departamentos de marketing cultural; agências de publicidade; agências de promoção; agencias de relações públicas; e agências de patrocínio. (AVELAR, 2013, p. 125).

Há poucos anos o principal esforço das organizações era o de disponibilizar seus produtos e serviços para o mercado, da forma mais abrangente possível. Avelar (2013) diz que “buscava-se a ampliação da base de consumidores, mas não existia preocupação equivalente com a manutenção daqueles já conquistados”. Porém os tempos mudaram, e a disputa por espaço no mercado se acirrou dramaticamente e passou a exigir novos comportamentos das empresas. Avelar (2013) diz que:

O marketing de relacionamento surgiu e ganhou espaço como ferramenta indispensável para o combate a essa volatilidade e como orientador de postura empresarial. [...] A grande ordem é buscar a fidelização dos clientes por meio da adoção de estratégias de humanização e personalização das relações. (p. 154)

Pode-se pensar no profissional de relações públicas para produzir e organizar ações e projetos que contemplem o relacionamento entre empresa X público. Sendo estes, os profissionais que darão conta de garantir boas estratégias de relacionamentos, tanto para clientes, como fornecedores, colaboradores, comunidade e poder público. Gutierrez (2003, p. 15) diz que “todas as condições sociais e econômicas que podem influenciar categoricamente a empresa dizem respeito às estratégias de Relações Públicas, mesmo quando não existe uma analogia direta com os esforços de comercialização”. Observa-se que várias das atividades de relações públicas e de produção cultural são similares, como por exemplo, o planejamento (de comunicação, eventos, comunicação dirigida, de mídia, etc), a assessoria, coordenação, pesquisa e execução. As relações públicas são definidas como uma atividade voltada para a construção e manutenção dos relacionamentos da empresa com seus diversos públicos, sejam eles interno, externo ou misto. Grunig (2003) ressalta que as organizações, assim como as pessoas, não existem sozinhas no mundo, elas existem no contexto de um meio que é formado por diversos grupos ou públicos estratégicos. Ele destaca ainda que os públicos estratégicos:

[...] são o meio em que se insere a organização. Esses públicos podem se opor ou dar apoio aos objetivos da organização. Esses mesmos públicos também querem que as organizações almejem objetivos que são importantes para si e


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não necessariamente para a organização, como, por exemplo, a segurança no trabalho, produtos seguros, menos poluição e uma comunidade sem riscos nem perigos para o cidadão (GRUNIG, 2003, p. 74).

O relacionamento com esses públicos é de extrema importância, pois de acordo com França (2008) “são eles que constroem a imagem da empresa e de sua marca e a empresa depende deles para sobreviver”, segundo ele ainda, são essenciais no desenvolvimento de toda a estratégia operacional da empresa (França, 2008, p. 59). Para que as organizações possam atingir seus objetivos estratégicos, precisam direcionar ações direcionadas e planejadas para cada tipo de público. De acordo com Grunig (2003): As organizações são eficazes quando almejam e realizam objetivos que são relevantes para seus interesses e os de seus públicos estratégicos. Os departamentos de Relações Públicas colaboram para a efetividade da organização na medida em que constroem relacionamentos com aqueles públicos que a afetam ou que são afetados por suas atividades (p. 74).

E para esse processo de manutenção de relacionamentos com seus públicos, que empresas promovem confraternizações, eventos, inserção nas mídias, projetos culturais e sociais. Pode-se concluir que essas ações são consideradas positivas, pois contribuem para estreitar o relacionamento entre as pessoas, aumentam a credibilidade, além de contribuir com a boa imagem e conceito da empresa no mercado e na comunidade.


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5. METODOLOGIA

No presente trabalho serão utilizados dois métodos de pesquisa: a pesquisa bibliográfica, imprescindível em qualquer tipo de trabalho científico, e o estudo de caso, onde é feita uma investigação empírica de um caso real, que neste caso será o projeto cultural Prêmio GPSNet de Arte no Muro, desenvolvido pela empresa GPSNet Provedor de Acesso à Redes de Comunicação Ltda.

5.1. Pesquisa Bibliográfica e Estudo de Caso

A pesquisa bibliográfica é um conjunto de procedimentos que tem por objetivo identificar informações bibliográficas, selecionar documentos relacionados ao tema que será estudado e daí então, proceder às anotações e fichamento para que após, sejam utilizados os dados desses documentos na redação do trabalho acadêmico. Segundo Stumpf (2010), a pesquisa bibliográfica é:

[...] o planejamento global inicial de qualquer trabalho de pesquisa que vai desde a identificação, localização e obtenção da bibliografia pertinente sobre o assunto, até a apresentação de um texto sistematizado, onde é apresentada toda a literatura que o aluno examinou, de forma a evidenciar o entendimento do pensamento dos autores, acrescido de suas próprias ideias e opiniões (p. 51).

A pesquisa bibliográfica é então, uma atividade que acompanha o investigador, o docente e o aluno e, ao mesmo tempo, orienta os passos que seguir (STUMPF, 2010). Stumpf (2010) diz ainda que a revisão da literatura, embora tenha um lugar certo no projeto e no relatório de pesquisa, precede até mesmo a definição do problema e acompanha constantemente o trabalho pois, Para pesquisar, o indivíduo precisa ser motivado no sentido desta ação. Para graduandos, mestrandos e doutorandos, a conquista do título é suficiente para desencadear o processo de pesquisa, mas é o desejo de esclarecer um assunto não suficientemente investigado que vai mantê-los motivados para atingir este objetivo (p. 51).

À medida que o indivíduo vai lendo sobre o tema e assunto que seja de seu interesse, começa a identificar conceitos que se relacionam até se chegar a uma formulação objetiva e clara do problema que irá investigar. Já o estudo de caso, é uma investigação empírica que pesquisa fenômenos dentro de seu contexto real, onde o pesquisador busca aprender a


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totalidade de uma situação e, descrever, compreender e interpretar a complexidade de um caso completo. Martins (2008) contextualiza o estudo de caso:

O relatório do Estudo de caso (monografia, artigo, dissertação ou tese) deve apresentar indicadores de confiabilidade dos instrumentos de coleta de dados utilizados, e do próprio caso, isto é, ter sido orientado por um detalhado protocolo, e evidências de que as respostas dos entrevistados e respondentes seriam as mesmas se as questões fossem repetidas. Indicadores de validade, isto é, indicadores de que os resultados, as afirmações das proposições – teses – e outras evidências, de fato, revelaram o que se pretendia do estudo dentro do domínio teórico e prático que circunscreveram o Estudo de Caso. Quando possível, o pesquisador deve testar, contrastar possíveis coerências entre os achados do estudo e resultados de outras investigações com semelhantes propósitos (p. 03).

O estudo de caso deve ter preferência quando se pretende examinar eventos contemporâneos, em situações onde não se podem manipular comportamentos relevantes e é possível empregar duas fontes de evidências, em geral não utilizadas pelo historiador, que são a observação direta e série sistemática de entrevistas. Embora apresente pontos em comum com o método histórico, o poder diferenciador do estudo de caso reside em “sua capacidade de lidar com uma ampla variedade de evidências – documentos, artefatos, entrevistas e observações.” (YIN, 2001, p. 27). O estudo de caso é o método de pesquisa em que se analisa um trabalho prático a partir da documentação dele, podendo ser desde o projeto até o seu relatório final. A seguir será brevemente apresentada a empresa e o projeto cultural no qual será realizado o estudo de caso.

5.2. Sobre a GPSNet

A GPSNet é um Provedor de Acesso à Internet que iniciou sua atuação em maio de 1997 na cidade de São Borja, inicialmente prestando serviços de acesso à internet, manutenção e suporte de equipamentos e ministrando cursos de informática. Com o passar do tempo e o avanço tecnológico, a GPSNet redirecionou sua atuação dando ênfase a Serviços de internet, transmissão e gerenciamento de dados e solução multimídia. Esse avanço viabilizou a regularização institucional, no que rege a exploração dos Serviços de Comunicação Multimídia - SCM, junto a Agência Nacional de Telecomunicações - ANATEL.


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Atualmente, os serviços melhoram a cada dia, há um investimento constante em novas tecnologias e a empresa está focada na qualidade dos processos com o firme propósito de cumprir a Missão de Promover a Conectividade, mantendo a maior cobertura de internet em sua área de abrangência. Com sua visão em ser referencial de credibilidade como provedor de acesso, promove diversos projetos para consolidar a sua atividade em São Borja, sempre seguindo seus valores primordiais de conduta profissional séria, transparência nas atividades e de forma sustentável.

5.3. Prêmio GPSNet de Arte no Muro

O Prêmio GPSNet de Arte no Muro surgiu no ano de 2012 como um projeto social e cultural de conscientização de jovens sobre a importância de preservar o patrimônio público da cidade. O foco do Prêmio é a busca pela recuperação dos muros e fachadas, e também a valorização da arte e do intelecto criativo dos jovens, revelando-os para a comunidade. A proposta do projeto é promover movimentos que integrem a iniciativa privada e instituições educacionais de nosso município, organizando concursos que incentivem, reconheçam e valorizem jovens de 12 a 16 anos, regularmente matriculados nas escolas públicas, municipais e estaduais, e privadas de São Borja. Em cada edição, o concurso indica uma temática que norteia a criatividade dos participantes e se realiza em três fases classificatórias. A primeira fase ocorre no âmbito interno da escola inscrita no concurso e cabe a esta Instituição de ensino os critérios técnicos de avaliação, a fim de escolher um trabalho vencedor que representará a escola na segunda fase. Na segunda fase realiza-se a avaliação e classificação dos 15 melhores trabalhos entre os vencedores da primeira fase, considerando critérios técnicos da comissão julgadora do Prêmio. Na terceira e última fase, ocorre a reprodução dos trabalhos vencedores da segunda fase nos espaços disponibilizados pela organização, finalizando o concurso com a eleição e a premiação dos três melhores, reconhecendo também a escola e o professor assistente. Da parceria entre Prefeitura Municipal de São Borja, Câmara Municipal de Vereadores, 35ª Coordenadoria Regional de Educação, Instituto Federal Farroupilha, Folha de São Borja e GPSNet, surgiu o Prêmio GPSNet de Arte no Muro, que em sua segunda edição


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realizada em 2013, envolveu mais de 20 escolas do município, revitalizou o muro do antigo Hospital São Francisco de Borja, situado na rua Cândido Falcão, reproduziu 15 obras selecionadas e premiou três jovens estudantes de São Borja. Em sua segunda edição, trouxe o tema São Borja Missioneira para o concurso e reforçou o compromisso socioeducativo de conscientização e incentivo de jovens. Muito mais que um concurso artístico, o Prêmio GPSNet de Arte no Muro é um projeto que incentiva a valorização da arte e a conscientização de jovens sobre a importância de preservar os espaços públicos. Com um novo tema, a segunda edição do projeto incentivou ainda a valorização da história e cultura missioneira em São Borja. Durante cinco meses de trabalho os objetivos do projeto foram atingidos. Ao longo de todo esse processo, foram desempenhadas diversas atividades de relações públicas indispensáveis para garantir seu sucesso, dentre elas estavam: planejamento do projeto e de ações, assessoria de imprensa, planejamento e execução de eventos, cerimonial e protocolo, gerenciamento de mídias digitais, relacionamento com autoridades e pessoas envolvidas com o projeto, comunicação dirigida, relatório, etc.


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6. CRONOGRAMA

Este cronograma foi elaborado considerando as principais atividades a serem executadas para o desenvolvimento desta pesquisa e o período letivo referente ao 2º semestre do ano de 2014, em conformidade com o Calendário Acadêmico da UNIPAMPA.

ATIVIDADES

Maio

Junho

Pesquisa bibliográfica

X

X

Elaboração do referencial teórico

X

X

Julho Agosto

Análise do caso

X

X

Resultados e discussões finais

X

X

Revisão ortográfica e das normas da ABNT

X

Entrega da primeira versão do TCC (orientador)

X

Entrega da versão final do TCC (orientador)

X

Defesa do TCC

X


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7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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