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As Festas de Nossa Senhora do Rosário Um pouco de História ... "A

Festa dos Moços"

Na década de 20 do século passado a imprensa regional publicita diversos eventos de cariz cultural em S. Pedro do Corval (antiga Aldeia do Mato), onde tinham lugar operetas e representações teatrais, actuações da orquestra e da Filarmónia Aldematense e também as Festas dos Moços. É neste contexto, passados cerca de 100 anos, que a Comissão de Festas de Nossa Senhora do Rosário – AMIJOVEM 2012 aqui as quer lembrar, fornecendo alguns elementos para perpetuar a tradição e a memória da Festa anual em honra da padroeira da aldeia de S. Pedro do Corval, Nossa Senhora do Rosário. No jornal O Alentejo, em Dezembro de 1921, é dada notícia dos cinco espectáculos da opereta “Festejos na aldeia”, original de A.J.F. Campos, com 22 números de música do maestro Glória Reis, ensaiados pelo maestro António Joaquim Fialho. Os espectáculos tiveram lugar no Teatro de Instrução e Recreio, que era propriedade de Francisco Pedro


Fernandes. Vieram actores de Évora, como Augusto Plácido de Oliveira, Maria Belmira da Silva e Rosa Maria da Silva, que se juntaram ao Grupo Dramático da aldeia. São nomeadas as diversas canções e interpretações, distinguindo-se a aldematense Catarina Josefa Balixa, e o acompanhamento da orquestra (grupo de músicos que fazia parte da Filarmónica local).

A 25 de Novembro de 1922, no mesmo jornal, é noticiado outro espectáculo no Teatro Instrução e Recreio, pelo Grupo Dramático Aldematense. O Grupo era dirigido pelo Sr. António Joaquim Fialho (farmacêutico em Évora), também maestro da orquestra. Desse espectáculo fazia parte a comédia “O Abraço”, em que se estreou a actriz amadora Josefa Palma Pacífico; do Grupo Dramático faziam ainda parte, esporadicamente, os actores de Évora acima citados e os aldematenses Catarina Josefa Balixa, José Martins, Francisco Carrilho, António Inverno, e uns de apelido Lagareiro, Valadas e Pedreiro. Além da comédia, tiveram lugar duas operetas, “Os dois Nénés” e “Por causa de um Clarinete”; o espectáculo terminou com um Acto de Variedades, com vários duetos entre os actores, sendo a orquestra de amadores particularmente elogiada pelo seu bom desempenho. A orquestra era essencial, na altura, para as actuações teatrais. A 13 de Outubro de 1922 O Alentejo dá-nos conta da actuação da Banda de Música Aldematense, que percorreu as ruas da aldeia para comemoração do 5 de Outubro, sendo executadas na Praça Dr. Manuel Fialho Recto as peças “A Portuguesa” e “Maria da Fonte”. O cortejo finalizou com um “Copo d’Água” oferecido na casa do Teatro pelos senhores Marcos Garcia Fialho, Joaquim Lagareiro, Manuel Farrapa e pelo


correspondente do jornal. No mesmo jornal, a 7 de Janeiro de 1923, é noticiada a actuação da Filarmónica Aldematense no dia de Ano Novo, percorrendo as ruas da aldeia e distribuindo cartões de Boas Festas. Por esta mesma altura, e por ocasião de um desentendimento entre a Filarmónica e a Orquestra, um artigo de final de Janeiro de 1923 apela ao entendimento, sustentando o argumento na harmonia que sempre reinara na Filarmónica desde a sua fundação. Essa fundação ocorrera anos antes, e que surgira por solicitação de um grupo de festeiros que queria voltar a realizar a Festa dos Moços, pedindo a colaboração de antigos músicos da anterior Filarmónica, que entretanto se dissolvera, para abrilhantar as festas: assim ressurgira a Filarmónica.

É o reavivar desta tradição festiva, a chamada Festa dos Moços, que agora sublinhamos, também notícia de jornal por esta altura. Assim, na edição de 17 de Setembro de 1922 de O


Alentejo são noticiadas as festividades em honra de Nossa Senhora do Rosário, para o fimde-semana de 23 a 25 do mesmo mês, citadas como sendo celebradas havia muitos anos. Do Programa constava: - dia 23, pelas 14.00h, partida para a ermida de S. Pedro para transportar a imagem de Nª Srª do Rosário para a aldeia, em procissão acompanhada pela banda de música, a que se seguiria um “Te Deum”; à noite, abertura da Quermesse, concerto pela Filarmónica local e fogo-de-artifício; haveria, segundo o artigo, iluminações “à veneziana”, bailes e cantes populares; - dia 24, pelas 12.00h, missa solene “com grande instrumental” e com sermão pelo P. João Manuel Queimado; às 14.00h procissão pelas ruas da aldeia, às 16.00h abertura da Quermesse e às 21.00h continuação do arraial da noite anterior; - dia 25, pelas 14.00h, regresso da imagem de Nossa Senhora do Rosário à ermida de S. Pedro, acompanhado de procissão e da banda de música. Nestas Festas de 1922 o Autor do artigo elogia a prestação da Filarmónica Aldematense e do seu regente, Francisco Pedro Fernandes. É ainda anunciado que, no fim-de-semana da edição do jornal, a 16 e 17 de Setembro, tinham lugar na ermida de S. Pedro as tradicionais Festas dos Amieiros em honra de Nossa Senhora do Rosário. Estas festas, bem como as dos Moços, atraíam à aldeia, no mês de Setembro, muitos visitantes. Como podemos apreciar, cerca de 90 anos depois, a estrutura do Programa da Festa anual mantém-se praticamente inalterável; também um grupo de Moços Festeiros, ajudados pelas Festeiras, continua a assegurar a tradição da Festa em honra de Nossa Senhora do Rosário. O que se alterou de forma substancial foi a data da sua realização, que foi antecipada em cerca de um mês, por questões também de adaptação aos novos ritmos de vida, pois em todo o país muitas das festas realizadas em Setembro conheceram igual alteração. Também a Festa dos Amieiros conheceu alteração similar, ainda que menos acentuada.

Festas dos Moços - Festas em Honra de Nª Srª do Rosário  

Breve descrição histórica sobre a Festa dos Moços - Festas em Honra de Nª Srª do Rosário em S. Pedro do Corval

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