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Meu Meu

ZERO HORA

filho Nº 313

Porto Alegre, 6 de setembro de 2010

Edição: Anelise Zanoni > (51) 3218-4318 > E-mail: meufilho@zerohora.com.br. > Diagramação: Norton Voloski

Chegada antes da hora DANIEL MARENCO

A

ANELISE ZANONI

o colocar o pé no quarto, a mãe que acabara de dar à luz avista o berço vazio. As prateleiras do armário têm poucas fraldas e roupinhas. Faltou tempo para terminar os preparativos para o nascimento do bebê porque ele chegou antes. Últimos detalhes que poderiam ser resolvidos em algumas semanas são deixados para trás quando a família é surpreendida com a chegada de um bebê prematuro. O que poderia ter sido planejado muda de curso. A rotina se transforma em uma descoberta e em um desafio por dia, que serão revelados a partir de hoje na série Apressadinhos, do caderno Meu Filho. Com cinco capítulos, a reportagem contará a história de Joana Oliboni, que nasceu com 29 semanas de vida, 38 centímetros e 1 quilo e 270 gramas. Das fragilidades do bebê à ida para casa, a série mostrará que, quando uma criança nasce antes da hora – com menos de 37 semanas –, a surpresa e o medo são ineACOMPANHE vitáveis. É preciso reorganizar Hoje expectativas e arranjar forças. O nascimento do bebê – Os pais devem se adaptar 13/09 à nova realidade, e tudo vai deA surpresa de ver o bebê com pender da maturidade deles e a sonda do tempo em que ficarão no 20/09 hospital – explica a psicóloga O encontro com o peito da mãe Mariana Calesso Moreira, responsável por atender pais de 27/09 bebês prematuros do Hospital A vida fora da incubadora Moinhos de Vento. 04/10 A inevitável antecipação do A chegada em casa parto, quando não bem elaborada na mente dos pais, pode gerar dificuldades na construção do laço afetivo. O estresse parental, o medo da perda e a mudança brusca na agenda da mãe, que passa quase todo o dia dentro da UTI Neonatal, são percalços da luta pela vida da criança. Além disso, saber das fragilidades do recém-nascido também aumenta o receio de criar vínculos fortes com o pequeno. – Enquanto estão em fase de risco, criar o vínculo é mais difícil, porque o medo da perda é grande – explica. Quando passam pelo problema, pai e, principalmente, a mãe precisam de apoio de amigos e familiares. Tentar dividir as tarefas, conversar e compartilhar o problema são atitudes que ajudam a diminuir a insegurança.

Além da fragilidade do bebê que nasce prematuro, pais precisam, aos poucos, se preparar para a nova rotina com o recém-nascido

no blog

www.zerohora.com/meufilho Envie vídeos sobre sua experiência com um prematuro e assista entrevista com o pediatra Renato Procianoy, que fala sobre os desafios das famílias.


ZERO HORA

filho

Meu

Porto Alegre, 6 de setembro de 2010

HISTÓRIAS DE VALENTIA

As risadas de Sofia Thaís Furtado mãe de Sofia, que, há nove anos, nasceu com 1 quilo e 400 gramas e 39 centímetros

No lugar do berço, a incubadora DANIEL MARENCO

D

ANELISE ZANONI

9,8% dos bebês nascidos no Brasil são prematuros, de acordo com dados de 2008 do Ministério da Saúde.

Pré-eclâmpsia, infecções, diabetes e falta de pré-natal são alguns fatores de risco para o parto antecipado.

Às 21h12min de uma quinta-feira, Joana veio ao mundo. Chorou forte, com a força de uma criança que estaria pronta a sair do ventre. Mas nasceu em um corpo de 38 centímetros e 1quilo e 270 gramas.

uas mãos deslizavam de cima a baixo sobre a barriga nua na tentativa de conter o bebê que estava prestes a nascer. Os olhos se mantinham cerrados para ajudar a controlar o choro, engolido com medo e ansiedade. Depois de o médico anunciar que o nascimento da primeira filha deveria ser induzido em poucas horas, Cláudia Oliboni, 40 anos, parou e silenciou. O corpo tremia, falava involuntariamente porque tinha medo e não queria passar novamente pela possibilidade de dar à luz um filho prematuro. Tentava evitar a lembrança do último ano, quando perdeu um menino na maternidade. Nem a emoção e a angústia puderam manter a gestação de 29 semanas. A partir de duas palavras do médico, a gravidez descoberta por acaso e aguardada por anos chegava ao fim. Era o início de uma rotina jamais planejada. – É hoje – avisou o chefe da UTI neonatal. A alta pressão arterial da mãe, que incentivava a vinda do bebê 11 semanas antes do previsto, a deixou zonza, ruborizada. O estágio de préeclâmpsia se aproximava e, para a segurança, a filha precisava vir ao mundo por meio de uma cesariana. Sozinha na Capital, com o marido pescando no Uruguai, porque não havia planejado a chegada precoce da filha, Cláudia chamou a sogra e uma tia para o hospital. Precisava que alguém autorizasse o parto. Na sala para dar à luz, a vendedora de roupas evocou Nossa Senhora do Caravaggio uma, duas, três vezes. Queria que a santa colocasse as mãos em seu ventre e retirasse dali uma criança saudável. Às 21h12min de uma quinta-feira, Joana veio ao mundo. Chorou forte, com a força de uma criança que estaria pronta a sair do

ventre. Mas nasceu em um corpo de 38 centímetros e 1,27 quilo. A mãe espiou de longe a cabeça da filha coberta por uma penugem, as perninhas avermelhadas, os dedos compridos e magros. – Oi, meu anjinho. Vamos ser corajosas agora – sussurrou a mãe quando pegou a pequena nos braços pela primeira vez. Depois de ser beijada, Joana foi levada à triagem – para ter a audição, a visão e os reflexos avaliados – e à incubadora, para manter a temperatura corporal e receber tratamento. Cláudia ficou isolada por 24 horas na sala de recuperação, sem ver a prematura que acabara de nascer. Perguntas iam e vinham: por que as mães vão embora com os bebês e eu não? O que eu fiz de errado para passar por isso? Após a liberação parcial do médico, a mãe sem respostas descobriu que ficaria internada pouco mais de uma semana para receber tratamento adequado e estabilizar a pressão arterial. A filha não teria data para conhecer a própria casa. Do médico, ouviu que a filha apresentava apneias (paradas respiratórias), já tinha uma lista de medicamentos e passaria pelo risco de infecções. Com o peito apertado pelas informações, ela se arrastou até a UTI neonatal. Apenas no sábado encontrou Joana, fragilizada. O pequeno rosto era adornado por um cipap nasal, uma espécie de máscara para manter o pulmão aberto. Uma das veias da mão recebia alimentação por meio de um cateter muito fino e o pé era preso por um clipe iluminado. A cena foi vista por mais três ou quatro dias, até o momento em que a mãe foi liberada do hospital e retornou a Farroupilha, na serra gaúcha, para buscar algumas roupas e se preparar para morar durante um tempo indeterminado no hospital, ao lado da filha. Ao entrar em casa, Cláudia avistou o berço vazio no canto da sala. Fechou a porta e foi tomar banho. Teve certeza de que a vida não seria nada fácil nas próximas semanas.

O TEMPO

de permanência em uma UTI neonatal varia de acordo com cada criança

Sem data para sair da incubadora, Joana ficou quase 48 horas longe da mãe, que precisou de tratamento médico para estabilizar a pressão arterial

Esforço pela saúde da mãe e do filho Na barriga da mãe, cada dia é um passo para o desenvolvimento. O corpo cresce e engorda, os sistemas nervoso e imunológico se reforçam. O útero é um ambiente neutro e confortável, que deveria servir de esteio por cerca de 40 semanas. Mas, quando o bebê vem antes do planejado, a vida que seria levada em simbiose com a mãe se transforma em ato de valentia, longe da segurança do ventre materno. Por ser “apressadinho”, o bebê prematuro ainda não está pronto para viver no mundo externo, precisa de cuidados especiais e transforma a vida da família em uma revolução. Tomados pela surpresa, os pais muitas vezes não tiveram tempo para completar o enxoval ou para decidir o nome do pediatra e, quando percebem, estão de frente à incubadora habitada pelo filho.

37 SEMANAS

Baixo peso, pele fina, brilhante e rosada, pouca gordura é o prazo mínimo no corpo e músculos fracos obrigam o pequeno a passar para um bebê não ser por procedimentos muitas veprematuro zes chocantes para a família, como o uso de sondas, cateteres e ventiladores especiais diabetes, doenças renais, gestações geque ajudam na respiração. – A criança tem grande risco de com- melares, rompimento da bolsa e falta de plicações na saúde porque não está pré-natal. – Quando há problemas e risco para a pronta para viver no exterior. A temperatura do corpo não é adequada, e o leite mãe ou para o bebê, é preciso interromda mãe nem sempre pode ser oferecido, per a gestação. O momento é de angústia, porque o bebê ainda não tem o intestino porque os pais não sabem o que irá aconpronto. Além disso, existem perigos como tecer – diz o pediatra Renato Soibelmann a hemorragia cerebral, infecções e outras Procianoy, chefe da UTI Neonatal do Hosdoenças relacionadas à prematuridade pital de Clínicas de Porto Alegre. Um fator de risco pouco imaginado pe– explica o pediatra e neonatologista Ercio Amaro de Oliveira Filho, Chefe da UTI las mães é a cesariana. Em muitos casos, devido ao agendamento do parto e de Neonatal do Hospital Mãe de Deus. Prevenir a chegada de um filho antes um pequeno erro de cálculo na semana do período considerado ideal é tão di- gestacional, a criança pode nascer antes fícil quanto saber exatamente quando de 37 semanas de gestação. – O número de prematuros tardios, será o nascimento de um bebê de parto normal. Entretanto, alguns fatores au- aqueles que nascem entre 34 e 37 sementam as chances: doenças maternas manas, tem aumentado muito, princicomo a pré-eclampsia e infecções (uri- palmente devido às cesarianas – afirma nária, do útero, ovular, entre outras), Procianoy.

Baixo peso, pele fina e brilhante, pouca gordura e músculos fracos obrigam os prematuros a passar por procedimentos que assustam os pais, como o uso de cateteres e sondas

Eu e minha filha, Sofia, nove anos, estamos viciadas em Friends. Começamos a ver meio por acaso, e locar os DVDs do seriado passou a ser nossa distração favorita. Meu maior prazer, na verdade, não são as piadas do grupo de amigos, mas ouvir as risadas da Sofia. Inevitavelmente, lembro do dia 3 de janeiro de 2001. Foi naquele dia que uma infecção urinária provocou a ruptura da minha bolsa amniótica. Meu objetivo passou a ser fazer com que a Sofia, que pesava 600 gramas, não nascesse antes do tempo. Durante 22 dias fiquei internada no hospital, passando por um tratamento dolorosíssimo. Não podia me mexer. Tomava três injeções diariamente e recebia mais três vezes por dia dois remédios nas veias. Quando chegava a hora da penicilina, tinha vontade de arrancar o braço fora. Meus planos de ir para praia, curtir os últimos meses de gravidez, tinham ido embora. O Lucas, meu filho mais velho, que na época tinha sete anos e sonhava em acompanhar o crescimento da minha barriga, teve de suportar a quase total ausência dos pais na sua rotina e a dúvida do futuro. Nessas horas é que a família vale ouro! No dia 25 de janeiro, uma ecografia mostrou que a Sofia não estava respirando direito.

Uma cesariana às pressas nos trouxe, com 29 semanas de gestação, uma menininha com apenas 1,4 quilo e 39 centímetros. Se o sofrimento da minha internação havia sido grande, não sabíamos o que nos esperava. A Sofia ficou 45 dias na CTI neonatal. Teve pneumonia, hipertensão pulmonar e pneumotórax. Tomava picadas e mais picadas, diariamente, várias vezes. No período em que estivemos lá, dois outros prematuros morreram na CTI. Ir para casa, a cada noite, e deixá-la era uma tortura. Depois de superadas as enfermidades, ela precisava alcançar 2 quilos. Cada gole de leite era comemorado. Cada grama a mais no peso era uma vitória. No dia 10 de março, com um pouco mais de 2 quilos, ela foi para casa. Hoje, a Sofia é uma das meninas mais altas da turma. É linda, forte, inteligente. Dança balé desde os cinco anos, estuda inglês e é fã absoluta do irmão de 17 anos. Ainda lembro da carinha dela na incubadora e admiro a coragem de enfrentar coisas que muitos adultos teriam medo. Hoje, compartilhar com ela momentos como rir vendo Friends é a confirmação de que a felicidade existe. São as coisas simples da vida que nos fazem esquecer os momentos dolorosos. FOTOS ARQUIVO PESSOAL

Nove anos depois de vir ao mundo com 29 semanas e passar por uma pneumonia quando era prematura, Sofia é hoje uma menina forte, considerada uma das mais altas da turma

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Porto Alegre, 6 de setembro de 2010

HISTÓRIAS DE VALENTIA

As risadas de Sofia Thaís Furtado mãe de Sofia, que, há nove anos, nasceu com 1 quilo e 400 gramas e 39 centímetros

No lugar do berço, a incubadora DANIEL MARENCO

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ANELISE ZANONI

9,8% dos bebês nascidos no Brasil são prematuros, de acordo com dados de 2008 do Ministério da Saúde.

Pré-eclâmpsia, infecções, diabetes e falta de pré-natal são alguns fatores de risco para o parto antecipado.

Às 21h12min de uma quinta-feira, Joana veio ao mundo. Chorou forte, com a força de uma criança que estaria pronta a sair do ventre. Mas nasceu em um corpo de 38 centímetros e 1quilo e 270 gramas.

uas mãos deslizavam de cima a baixo sobre a barriga nua na tentativa de conter o bebê que estava prestes a nascer. Os olhos se mantinham cerrados para ajudar a controlar o choro, engolido com medo e ansiedade. Depois de o médico anunciar que o nascimento da primeira filha deveria ser induzido em poucas horas, Cláudia Oliboni, 40 anos, parou e silenciou. O corpo tremia, falava involuntariamente porque tinha medo e não queria passar novamente pela possibilidade de dar à luz um filho prematuro. Tentava evitar a lembrança do último ano, quando perdeu um menino na maternidade. Nem a emoção e a angústia puderam manter a gestação de 29 semanas. A partir de duas palavras do médico, a gravidez descoberta por acaso e aguardada por anos chegava ao fim. Era o início de uma rotina jamais planejada. – É hoje – avisou o chefe da UTI neonatal. A alta pressão arterial da mãe, que incentivava a vinda do bebê 11 semanas antes do previsto, a deixou zonza, ruborizada. O estágio de préeclâmpsia se aproximava e, para a segurança, a filha precisava vir ao mundo por meio de uma cesariana. Sozinha na Capital, com o marido pescando no Uruguai, porque não havia planejado a chegada precoce da filha, Cláudia chamou a sogra e uma tia para o hospital. Precisava que alguém autorizasse o parto. Na sala para dar à luz, a vendedora de roupas evocou Nossa Senhora do Caravaggio uma, duas, três vezes. Queria que a santa colocasse as mãos em seu ventre e retirasse dali uma criança saudável. Às 21h12min de uma quinta-feira, Joana veio ao mundo. Chorou forte, com a força de uma criança que estaria pronta a sair do

ventre. Mas nasceu em um corpo de 38 centímetros e 1,27 quilo. A mãe espiou de longe a cabeça da filha coberta por uma penugem, as perninhas avermelhadas, os dedos compridos e magros. – Oi, meu anjinho. Vamos ser corajosas agora – sussurrou a mãe quando pegou a pequena nos braços pela primeira vez. Depois de ser beijada, Joana foi levada à triagem – para ter a audição, a visão e os reflexos avaliados – e à incubadora, para manter a temperatura corporal e receber tratamento. Cláudia ficou isolada por 24 horas na sala de recuperação, sem ver a prematura que acabara de nascer. Perguntas iam e vinham: por que as mães vão embora com os bebês e eu não? O que eu fiz de errado para passar por isso? Após a liberação parcial do médico, a mãe sem respostas descobriu que ficaria internada pouco mais de uma semana para receber tratamento adequado e estabilizar a pressão arterial. A filha não teria data para conhecer a própria casa. Do médico, ouviu que a filha apresentava apneias (paradas respiratórias), já tinha uma lista de medicamentos e passaria pelo risco de infecções. Com o peito apertado pelas informações, ela se arrastou até a UTI neonatal. Apenas no sábado encontrou Joana, fragilizada. O pequeno rosto era adornado por um cipap nasal, uma espécie de máscara para manter o pulmão aberto. Uma das veias da mão recebia alimentação por meio de um cateter muito fino e o pé era preso por um clipe iluminado. A cena foi vista por mais três ou quatro dias, até o momento em que a mãe foi liberada do hospital e retornou a Farroupilha, na serra gaúcha, para buscar algumas roupas e se preparar para morar durante um tempo indeterminado no hospital, ao lado da filha. Ao entrar em casa, Cláudia avistou o berço vazio no canto da sala. Fechou a porta e foi tomar banho. Teve certeza de que a vida não seria nada fácil nas próximas semanas.

O TEMPO

de permanência em uma UTI neonatal varia de acordo com cada criança

Sem data para sair da incubadora, Joana ficou quase 48 horas longe da mãe, que precisou de tratamento médico para estabilizar a pressão arterial

Esforço pela saúde da mãe e do filho Na barriga da mãe, cada dia é um passo para o desenvolvimento. O corpo cresce e engorda, os sistemas nervoso e imunológico se reforçam. O útero é um ambiente neutro e confortável, que deveria servir de esteio por cerca de 40 semanas. Mas, quando o bebê vem antes do planejado, a vida que seria levada em simbiose com a mãe se transforma em ato de valentia, longe da segurança do ventre materno. Por ser “apressadinho”, o bebê prematuro ainda não está pronto para viver no mundo externo, precisa de cuidados especiais e transforma a vida da família em uma revolução. Tomados pela surpresa, os pais muitas vezes não tiveram tempo para completar o enxoval ou para decidir o nome do pediatra e, quando percebem, estão de frente à incubadora habitada pelo filho.

37 SEMANAS

Baixo peso, pele fina, brilhante e rosada, pouca gordura é o prazo mínimo no corpo e músculos fracos obrigam o pequeno a passar para um bebê não ser por procedimentos muitas veprematuro zes chocantes para a família, como o uso de sondas, cateteres e ventiladores especiais diabetes, doenças renais, gestações geque ajudam na respiração. – A criança tem grande risco de com- melares, rompimento da bolsa e falta de plicações na saúde porque não está pré-natal. – Quando há problemas e risco para a pronta para viver no exterior. A temperatura do corpo não é adequada, e o leite mãe ou para o bebê, é preciso interromda mãe nem sempre pode ser oferecido, per a gestação. O momento é de angústia, porque o bebê ainda não tem o intestino porque os pais não sabem o que irá aconpronto. Além disso, existem perigos como tecer – diz o pediatra Renato Soibelmann a hemorragia cerebral, infecções e outras Procianoy, chefe da UTI Neonatal do Hosdoenças relacionadas à prematuridade pital de Clínicas de Porto Alegre. Um fator de risco pouco imaginado pe– explica o pediatra e neonatologista Ercio Amaro de Oliveira Filho, Chefe da UTI las mães é a cesariana. Em muitos casos, devido ao agendamento do parto e de Neonatal do Hospital Mãe de Deus. Prevenir a chegada de um filho antes um pequeno erro de cálculo na semana do período considerado ideal é tão di- gestacional, a criança pode nascer antes fícil quanto saber exatamente quando de 37 semanas de gestação. – O número de prematuros tardios, será o nascimento de um bebê de parto normal. Entretanto, alguns fatores au- aqueles que nascem entre 34 e 37 sementam as chances: doenças maternas manas, tem aumentado muito, princicomo a pré-eclampsia e infecções (uri- palmente devido às cesarianas – afirma nária, do útero, ovular, entre outras), Procianoy.

Baixo peso, pele fina e brilhante, pouca gordura e músculos fracos obrigam os prematuros a passar por procedimentos que assustam os pais, como o uso de cateteres e sondas

Eu e minha filha, Sofia, nove anos, estamos viciadas em Friends. Começamos a ver meio por acaso, e locar os DVDs do seriado passou a ser nossa distração favorita. Meu maior prazer, na verdade, não são as piadas do grupo de amigos, mas ouvir as risadas da Sofia. Inevitavelmente, lembro do dia 3 de janeiro de 2001. Foi naquele dia que uma infecção urinária provocou a ruptura da minha bolsa amniótica. Meu objetivo passou a ser fazer com que a Sofia, que pesava 600 gramas, não nascesse antes do tempo. Durante 22 dias fiquei internada no hospital, passando por um tratamento dolorosíssimo. Não podia me mexer. Tomava três injeções diariamente e recebia mais três vezes por dia dois remédios nas veias. Quando chegava a hora da penicilina, tinha vontade de arrancar o braço fora. Meus planos de ir para praia, curtir os últimos meses de gravidez, tinham ido embora. O Lucas, meu filho mais velho, que na época tinha sete anos e sonhava em acompanhar o crescimento da minha barriga, teve de suportar a quase total ausência dos pais na sua rotina e a dúvida do futuro. Nessas horas é que a família vale ouro! No dia 25 de janeiro, uma ecografia mostrou que a Sofia não estava respirando direito.

Uma cesariana às pressas nos trouxe, com 29 semanas de gestação, uma menininha com apenas 1,4 quilo e 39 centímetros. Se o sofrimento da minha internação havia sido grande, não sabíamos o que nos esperava. A Sofia ficou 45 dias na CTI neonatal. Teve pneumonia, hipertensão pulmonar e pneumotórax. Tomava picadas e mais picadas, diariamente, várias vezes. No período em que estivemos lá, dois outros prematuros morreram na CTI. Ir para casa, a cada noite, e deixá-la era uma tortura. Depois de superadas as enfermidades, ela precisava alcançar 2 quilos. Cada gole de leite era comemorado. Cada grama a mais no peso era uma vitória. No dia 10 de março, com um pouco mais de 2 quilos, ela foi para casa. Hoje, a Sofia é uma das meninas mais altas da turma. É linda, forte, inteligente. Dança balé desde os cinco anos, estuda inglês e é fã absoluta do irmão de 17 anos. Ainda lembro da carinha dela na incubadora e admiro a coragem de enfrentar coisas que muitos adultos teriam medo. Hoje, compartilhar com ela momentos como rir vendo Friends é a confirmação de que a felicidade existe. São as coisas simples da vida que nos fazem esquecer os momentos dolorosos. FOTOS ARQUIVO PESSOAL

Nove anos depois de vir ao mundo com 29 semanas e passar por uma pneumonia quando era prematura, Sofia é hoje uma menina forte, considerada uma das mais altas da turma

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filho

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Porto Alegre, 13 de setembro de 2010

HISTÓRIAS DE VALENTIA

Descoberta de vida

FOTOS DANIEL MARENCO

Daniela Rocha Lima

Mãe do Gabriel, que nasceu com 739 gramas e 33 centímetros

Enquanto não teve forças para sugar o peito da mãe ou a mamadeira, Joana precisou da ajuda de uma sonda

Prematuros, assim como as crianças que nascem no período considerado normal, devem receber proteção contra o influenza a partir dos seis meses de vida

A vacina BCG deve ser aplicada ainda na maternidade, em bebês com peso acima dos dois quilos

O sonho de amamentar é adiado

D

ANELISE ZANONI

ACOMPANHE

06/09 O nascimento do bebê Hoje A alimentação pela boca 20/09 O encontro com o peito da mãe 27/09 A vida fora da incubadora 04/10 A chegada em casa

no blog Acompanhe relatos de leitores que ganharam bebês prematuros www.zerohora.com/meufilho

esde o momento em que Joana chegou perto dos olhos da mãe, Cláudia Oliboni sabia que a filha era minguada. Corpo pequeno, com 38 centímetros, braços fininhos, rosto com vasinhos à mostra. Só não imaginou que, dois dias após o nascimento, no primeiro encontro entre as duas, veria a recém-nascida adornada por fios, cateteres e respiradores artificiais. Dos artifícios que ajudavam a pequena a vencer o desafio da vida, uma sonda, que percorria o lábio superior da menina para dar suporte à alimentação, e um fio colado no braço agrediam o sentimento maternal. Enquanto não tivesse forças para sugar o leite do peito ou da mamadeira, Joana teria a ajuda para ganhar peso e abandonar a marca de um quilo e 270 gramas.A imagem estremeceu a mãe. – Por quê? Será que ela consegue? O que eu fiz de errado? – perguntou Cláudia olhando sem rumo para meia dúzia de caixas de acrílico ocupadas por bebês. Perdido diante de tantas perguntas e da incapacidade de não poder proteger a filha naquele momento, o pai, Ademir Machado, tentou confortar a mulher. – Aqui ela está bem cuidada. O médico avisou que dentro da barriga seria mais

Ver Joana com uma fita adesiva no lábio superior surpreendeu a mãe, Cláudia, que pensava em dar de mamar à filha nos primeiros dias de vida

perigoso – disse o pai, na tentativa de bebê perde muitas calorias no procesamenizar a dor. so de sucção e deglutição – disse um O semblante da filha fez Cláudia chodos médicos de plantão. rar. A mãe desejava ter a pequena entre Cláudia deixou o dormitório. Através os braços, mamando. do acrílico, espiou a filha que ocupava O coração palpitava em ritmo acelea metade da cama instalada na incubarado, e a pressão arterial, que colaborou dora. E sorriu quando viu os olhos da pequena abertos. para antecipar o parto, chegou quase ao – Vamos lá, minha filha. Vamos sair limite – 16 por 11. Ruborizada, a vendedaqui em breve. dora precisou de atendimento das enfermeiras. Recebeu água com açúcar e frases de conforto. – Todos os bebês aqui passam por isso. Depois, voltam muito recebem auxílio de bem para casa. Dentro do quarto que ocupasondas até estarem va, Cláudia avistou Adriana, com prontos para a quem dividia a habitação. A jovem recém havia dado à luz um a alimentação li habitual bebê sadio, vindo ao mundo no tempo considerado ideal, mas Devagar, a condição de ter um preinternado devido a problemas respiramaturo era aceita. Assim como a infortórios. As duas sabiam que o pequeno mação de que, à medida que a pequetinha data para sair da maternidade. na se crescesse, os reflexos de sucção e Joana permaneceria ali por tempo indeglutição também se desenvolveriam. determinado, o que fez da comparação Quando isso acontecesse, Joana estaria um ato quase inevitável para a nova pronta para ser alimentada pelos mémãe que assimilava, aos poucos, as todos habituais, principalmente pelo instruções sobre a nutrição da filha. peito, o grande sonho de Cláudia. – O alimento é colocado cuidadosamente ali. A sonda e o cateter por via ± anelise.zanoni@zerohora.com.br intravenosa são necessários porque o

PREMATUROS

Um reforço na saúde do bebê Nem só a aparência de um bebê que nasce antes do tempo é frágil. Por ficar protegido dentro do útero da mãe por menos tempo, ele é mais suscetível a doenças, principalmente as respiratórias. Uma das explicações para as infecções mais sérias está na imaturidade do sistema imunológico, causada principalmente pelo fato de os anticorpos maternos serem transferidos no terceiro trimestre da gravidez – justamente quando a mãe dá à luz um prematuro. Além disso, a dificuldade de mamar no peito, devido às condições da criança, e à internação na UTI também comprometem a proteção. – As vias aéreas de menor calibre os deixam mais vulneráveis a infecções respiratórias. A menor reserva energética, o desmame precoce e a internação colaboram para a fragilidade. Há uma baixa reserva de energia também, o que favorece que ele seja alvo de infecções. Vírus e bactérias, doenças pneumocócicas, gripe e o vírus sincicial respiratório (VSR) preocupam mais – ex-

plica o neonatologista Renato Kfouri, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim). Devido à facilidade de adquirir doenças, o prematuro precisa ser protegido com imunização, que deve seguir o calendário de acordo com a idade cronológica – ou seja, igual ao de uma criança que nasce a partir de 40 semanas. Hepatite B, influenza, doenças pneumocócicas invasivas, coqueluche e afecções causadas pelo vírus sincicial respiratório (VSR), o principal agente das infecções respiratórias agudas que acometem o trato respiratório inferior em crianças menores de um ano, são doenças que podem ser evitadas. – É comum ver o atraso da imunização do prematuro devido ao medo dos pais e dos médicos, o que é um equívoco. Hoje, cerca de 15% dos prematuros que vão para casa são hospitalizados no início da vida devido ao VSR – diz Kfouri. Além de vacinar os bebês, os adultos também devem se proteger. E cuidados simples não podem ser descartados: evitar o fumo perto das crianças, lavar as mãos antes de entrar em contato com elas e mantê-las sempre bem nutridas, com alimentação rica em vitaminas e minerais.

Por nascerem antes, os prematuros são mais vulneráveis a doenças porque têm um sistema imunológico imaturo

Até o dia em que o Gabriel nasceu, não tinha conhecimento de que crianças tão pequenas nasciam e sobreviviam. Nem imaginava que prematuros extremos, aqueles que nascem com menos de um quilo e meio, não são tão raros. Minha gravidez transcorreu normalmente até meu obstetra descobrir que eu estava com insuficiência placentária, uma síndrome que consiste na incapacidade de prover oxigenação e nutrição adequadas para o feto. Tempo depois, meu filho entrou em sofrimento, e o parto teve que ser feito. Gabriel veio ao mundo com 30 semanas de vida, 739 gramas e 33 centímetros. Na primeira vez que o vi, levei um grande susto. Ele era muito pequeno, seu pezinho media cinco centímetros. Os médicos não eram otimistas, mas eu tinha certeza que ele sobreviveria. Durante os 108 dias que o Gabi ficou na UTI neonatal, vivemos com o coração apertado. Ele teve um pneumotórax, várias apneias, duas infecções e um edema pulmonar. Diariamente, passava por inúmeras e dolorosas intervenções. Eu me sentia “mãe pela metade”, pois não podia amamentar nem pegar meu bebê no colo. Restava-me ficar a maior parte do dia e da

noite ao lado da incubadora, cantando músicas de ninar enquanto ele segurava, com sua pequenina mãozinha, o meu dedo. Mas os dias foram passando, e o Gabriel provou que tamanho não é documento. Mostrou que era um guerreiro. No dia que ganhou alta, até as tias da UTI neonatal (técnicas de enfermagem) choraram. Sair do hospital com meu filho nos braços foi uma vitória, uma conquista que gostaria de dividir com outras mães. Trocar experiências consola e dá força, pois só quem passa pelo problema sabe o sofrimento que é e as sequelas que ficam nos pais. Meu filho carrega no corpinho algumas cicatrizes, mas é lindo, risonho, esperto e saudável. Em nada se parece com aquele bebê magrinho, que usava uma fralda tamanho RN cortada ao meio. No entanto, eu e meu marido ainda não superamos o trauma. Durante muito tempo, o pai do Gabriel ouvia em casa os “barulhos” da UTI, e até hoje tem mal estar quando passa pelo caminho que leva ao hospital. Quanto a mim, não tenho coragem de engravidar novamente. Mesmo assim, digo que valeu a pena acreditar no meu pequeno, porém, grande lutador. Por ele, passaria por tudo novamente.

Gabriel, de um ano e 11 meses, carrega no corpo algumas cicatrizes, mas é saudável e risonho PATRÍCIA ZANUTO, DIVULGAÇÃO

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Meu

Porto Alegre, 13 de setembro de 2010

HISTÓRIAS DE VALENTIA

Descoberta de vida

FOTOS DANIEL MARENCO

Daniela Rocha Lima

Mãe do Gabriel, que nasceu com 739 gramas e 33 centímetros

Enquanto não teve forças para sugar o peito da mãe ou a mamadeira, Joana precisou da ajuda de uma sonda

Prematuros, assim como as crianças que nascem no período considerado normal, devem receber proteção contra o influenza a partir dos seis meses de vida

A vacina BCG deve ser aplicada ainda na maternidade, em bebês com peso acima dos dois quilos

O sonho de amamentar é adiado

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06/09 O nascimento do bebê Hoje A alimentação pela boca 20/09 O encontro com o peito da mãe 27/09 A vida fora da incubadora 04/10 A chegada em casa

no blog Acompanhe relatos de leitores que ganharam bebês prematuros www.zerohora.com/meufilho

esde o momento em que Joana chegou perto dos olhos da mãe, Cláudia Oliboni sabia que a filha era minguada. Corpo pequeno, com 38 centímetros, braços fininhos, rosto com vasinhos à mostra. Só não imaginou que, dois dias após o nascimento, no primeiro encontro entre as duas, veria a recém-nascida adornada por fios, cateteres e respiradores artificiais. Dos artifícios que ajudavam a pequena a vencer o desafio da vida, uma sonda, que percorria o lábio superior da menina para dar suporte à alimentação, e um fio colado no braço agrediam o sentimento maternal. Enquanto não tivesse forças para sugar o leite do peito ou da mamadeira, Joana teria a ajuda para ganhar peso e abandonar a marca de um quilo e 270 gramas.A imagem estremeceu a mãe. – Por quê? Será que ela consegue? O que eu fiz de errado? – perguntou Cláudia olhando sem rumo para meia dúzia de caixas de acrílico ocupadas por bebês. Perdido diante de tantas perguntas e da incapacidade de não poder proteger a filha naquele momento, o pai, Ademir Machado, tentou confortar a mulher. – Aqui ela está bem cuidada. O médico avisou que dentro da barriga seria mais

Ver Joana com uma fita adesiva no lábio superior surpreendeu a mãe, Cláudia, que pensava em dar de mamar à filha nos primeiros dias de vida

perigoso – disse o pai, na tentativa de bebê perde muitas calorias no procesamenizar a dor. so de sucção e deglutição – disse um O semblante da filha fez Cláudia chodos médicos de plantão. rar. A mãe desejava ter a pequena entre Cláudia deixou o dormitório. Através os braços, mamando. do acrílico, espiou a filha que ocupava O coração palpitava em ritmo acelea metade da cama instalada na incubarado, e a pressão arterial, que colaborou dora. E sorriu quando viu os olhos da pequena abertos. para antecipar o parto, chegou quase ao – Vamos lá, minha filha. Vamos sair limite – 16 por 11. Ruborizada, a vendedaqui em breve. dora precisou de atendimento das enfermeiras. Recebeu água com açúcar e frases de conforto. – Todos os bebês aqui passam por isso. Depois, voltam muito recebem auxílio de bem para casa. Dentro do quarto que ocupasondas até estarem va, Cláudia avistou Adriana, com prontos para a quem dividia a habitação. A jovem recém havia dado à luz um a alimentação li habitual bebê sadio, vindo ao mundo no tempo considerado ideal, mas Devagar, a condição de ter um preinternado devido a problemas respiramaturo era aceita. Assim como a infortórios. As duas sabiam que o pequeno mação de que, à medida que a pequetinha data para sair da maternidade. na se crescesse, os reflexos de sucção e Joana permaneceria ali por tempo indeglutição também se desenvolveriam. determinado, o que fez da comparação Quando isso acontecesse, Joana estaria um ato quase inevitável para a nova pronta para ser alimentada pelos mémãe que assimilava, aos poucos, as todos habituais, principalmente pelo instruções sobre a nutrição da filha. peito, o grande sonho de Cláudia. – O alimento é colocado cuidadosamente ali. A sonda e o cateter por via ± anelise.zanoni@zerohora.com.br intravenosa são necessários porque o

PREMATUROS

Um reforço na saúde do bebê Nem só a aparência de um bebê que nasce antes do tempo é frágil. Por ficar protegido dentro do útero da mãe por menos tempo, ele é mais suscetível a doenças, principalmente as respiratórias. Uma das explicações para as infecções mais sérias está na imaturidade do sistema imunológico, causada principalmente pelo fato de os anticorpos maternos serem transferidos no terceiro trimestre da gravidez – justamente quando a mãe dá à luz um prematuro. Além disso, a dificuldade de mamar no peito, devido às condições da criança, e à internação na UTI também comprometem a proteção. – As vias aéreas de menor calibre os deixam mais vulneráveis a infecções respiratórias. A menor reserva energética, o desmame precoce e a internação colaboram para a fragilidade. Há uma baixa reserva de energia também, o que favorece que ele seja alvo de infecções. Vírus e bactérias, doenças pneumocócicas, gripe e o vírus sincicial respiratório (VSR) preocupam mais – ex-

plica o neonatologista Renato Kfouri, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim). Devido à facilidade de adquirir doenças, o prematuro precisa ser protegido com imunização, que deve seguir o calendário de acordo com a idade cronológica – ou seja, igual ao de uma criança que nasce a partir de 40 semanas. Hepatite B, influenza, doenças pneumocócicas invasivas, coqueluche e afecções causadas pelo vírus sincicial respiratório (VSR), o principal agente das infecções respiratórias agudas que acometem o trato respiratório inferior em crianças menores de um ano, são doenças que podem ser evitadas. – É comum ver o atraso da imunização do prematuro devido ao medo dos pais e dos médicos, o que é um equívoco. Hoje, cerca de 15% dos prematuros que vão para casa são hospitalizados no início da vida devido ao VSR – diz Kfouri. Além de vacinar os bebês, os adultos também devem se proteger. E cuidados simples não podem ser descartados: evitar o fumo perto das crianças, lavar as mãos antes de entrar em contato com elas e mantê-las sempre bem nutridas, com alimentação rica em vitaminas e minerais.

Por nascerem antes, os prematuros são mais vulneráveis a doenças porque têm um sistema imunológico imaturo

Até o dia em que o Gabriel nasceu, não tinha conhecimento de que crianças tão pequenas nasciam e sobreviviam. Nem imaginava que prematuros extremos, aqueles que nascem com menos de um quilo e meio, não são tão raros. Minha gravidez transcorreu normalmente até meu obstetra descobrir que eu estava com insuficiência placentária, uma síndrome que consiste na incapacidade de prover oxigenação e nutrição adequadas para o feto. Tempo depois, meu filho entrou em sofrimento, e o parto teve que ser feito. Gabriel veio ao mundo com 30 semanas de vida, 739 gramas e 33 centímetros. Na primeira vez que o vi, levei um grande susto. Ele era muito pequeno, seu pezinho media cinco centímetros. Os médicos não eram otimistas, mas eu tinha certeza que ele sobreviveria. Durante os 108 dias que o Gabi ficou na UTI neonatal, vivemos com o coração apertado. Ele teve um pneumotórax, várias apneias, duas infecções e um edema pulmonar. Diariamente, passava por inúmeras e dolorosas intervenções. Eu me sentia “mãe pela metade”, pois não podia amamentar nem pegar meu bebê no colo. Restava-me ficar a maior parte do dia e da

noite ao lado da incubadora, cantando músicas de ninar enquanto ele segurava, com sua pequenina mãozinha, o meu dedo. Mas os dias foram passando, e o Gabriel provou que tamanho não é documento. Mostrou que era um guerreiro. No dia que ganhou alta, até as tias da UTI neonatal (técnicas de enfermagem) choraram. Sair do hospital com meu filho nos braços foi uma vitória, uma conquista que gostaria de dividir com outras mães. Trocar experiências consola e dá força, pois só quem passa pelo problema sabe o sofrimento que é e as sequelas que ficam nos pais. Meu filho carrega no corpinho algumas cicatrizes, mas é lindo, risonho, esperto e saudável. Em nada se parece com aquele bebê magrinho, que usava uma fralda tamanho RN cortada ao meio. No entanto, eu e meu marido ainda não superamos o trauma. Durante muito tempo, o pai do Gabriel ouvia em casa os “barulhos” da UTI, e até hoje tem mal estar quando passa pelo caminho que leva ao hospital. Quanto a mim, não tenho coragem de engravidar novamente. Mesmo assim, digo que valeu a pena acreditar no meu pequeno, porém, grande lutador. Por ele, passaria por tudo novamente.

Gabriel, de um ano e 11 meses, carrega no corpo algumas cicatrizes, mas é saudável e risonho PATRÍCIA ZANUTO, DIVULGAÇÃO

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ZERO HORA

filho

Meu

Porto Alegre, 20 de setembro de 2010

HISTÓRIAS DE VALENTIA

Duas vezes na UTI

- Parte 3

Angela Nascimento, 43 anos Mãe de Giuliano, que nasceu com 36 semanas, e de Anna Clara, que veio ao mundo com 34 semanas

A difícil oferta da mamadeira FOTOS ADRIANA FRANCIOSI

bancos de leite que ajudam as mães na hora da amamentação. Um deles está no Hospital Fêmina, que recebe doações e demandas pelo telefone 3314-5353

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, há uma previsão de

15% de aumento no número de bebês prematuros no mundo

O dilema da mãe que não pode amamentar a filha prematura é o tema do terceiro capítulo da série que conta a história de Joana, um bebê que nasceu com 29 semanas, 34 centímetros e pouco mais de um quilo

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06/09 O nascimento do bebê 13/9 A alimentação pela boca Hoje O encontro com o peito da mãe 27/09 A vida fora da incubadora 04/10 A chegada em casa

a cabeça da vendedora Cláudia Oliboni, ser mãe era uma imagem fascinante. Peito nu, seios inchados de tanto leite e um bebê feliz por se alimentar ali quantas vezes tivesse vontade. O mundo construído pela mãe de Joana não tinha espaço para frustrações ou choramingos de culpa. O início da maternidade era idealizado como símbolo de sucesso e felicidade. Mas a gestação de 29 semanas deixou amarga uma parte da realidade. Além de ver a filha protegida por quatro paredes de acrílico – o que restringia o contato entre elas –, a mãe, nos primeiros dias de vida da pequena, nunca pudera lhe oferecer o próprio alimento. Cláudia espiava com lamúria a filha que mantinha uma sonda colada junto ao lábio superior. Em vez do aparelho, poderia estar nutrindo a recém-nascida, pensava. Por dentro da blusa, seios inchados chamavam Joana. Só que a imaturidade do bebê não lhe desenvolvera o instinto de sugar. – Teremos de enfaixar seu peito para não corrermos o risco de empedrar – disse a enfermeira chefe. A notícia corroía a mãe por dentro, e uma inevitável culpa começava a fazer parte do corpo. – Não é possível. Está saindo um pouquinho de leite – tentou refutar a mãe. Por alguns dias, enquanto a filha adormecia no berço da UTI, a mulher participou de estimulações no seio. Bebia quatro litros de água por dia, parava em frente à aparelhagem, brigava com as máquinas e era sugada até que poucas gotas de leite saíssem. A primeira vez, conseguiu encher um copo com cinco mililitros. – É suficiente para ela – avisou a enfermeira.

Sem acreditar, a mãe ajudou a colocar a quantidade dentro da seringa que levaria a bebida à sonda da prematura. Viu a recém-nascida beber três mililitros, em uma cena que se repetiu por quase 20 dias. Durante o tempo que não pôde amamentar, a vendedora recolheu o alimento diariamente, enquanto a filha era estimulada a sugar até o momento que conseguisse fazê-lo, o que não demorou muito. Com quase um mês de vida, ao chegar aos dois quilos – quase 800 gramas a mais do que quando nasceu – Joana teve energia para experimentar o seio. Sorveu fraquinho. Para a mãe, não interessava a quantidade ingerida. Ver a prematura envolta nos seus braços, olhando para ela, era inexplicável. – Que sonho! Conforme se conheciam, aumentava a confiança entre as duas. Mas Joana se sentia cansada, preferia a mamadeira especial para prematuros, o que fez Cláudia compreender, aos poucos, que não conseguiria materializar a ideia de maternidade ideal. Por dias, a mãe manteve o procedimento de retirar algumas gotas com a máquina especial. Enchia potinhos, armazenados no hospital, e via a filha bebê-lo sem pressa. Quando a noite chegava, recebia a visita do marido, Ademir. Surgia o alívio de passar um dia a menos dentro da UTI e a apreensão de saber que ficaria mais uma noite longe da filha. Obrigada a deixar o leito, se despedia da pequena e viajava todos os dias a Bom Princípio, para dormir na casa da sogra, um ponto estratégico e mais próximo de Farroupilha, onde fica a casa deles. Cada vez que encontrava uma amiga pelo caminho, tinha medo de uma pergunta. – Você está amamentando? A negativa ainda era motivo para culpa, superada somente quando o dia clareava e a rotina voltava ao normal. anelise.zanoni@zerohora.com.br

no blog Assista ao vídeo sobre os bebês cangurus, leia relatos e envie textos sobre o prematuro acessando www.zerohora.com/meufilho

Joana experimentou o seio da mãe, mas não teve força suficiente para sugar

FOTOS ARQUIVO PESSOAL

N

ANELISE ZANONI

Alguns hospitais mantêm

A primeira reportagem da série sobre prematuros foi muito emocionante para mim. Talvez por eu ter passado duas vezes por essa experiência ou por me sensibilizar com a dureza do momento que muitos pais enfrentaram e enfrentam. Meus filhos, Giuliano, cinco anos, e Anna Clara, um ano e nove meses, nasceram, respectivamente, de 36 semanas e 34 semanas. Vivenciei momentos que somente quem já passou sabe o que significam: dor, frustração e muita culpa. Sim, a culpa é grande. Por não ter sido “perfeita”, de não ter “segurado” a gravidez a tempo. Quando passamos por momentos assim, muita coisa passa pela cabeça. Para mim, o pior foi a segunda gestação. Por problemas profissionais e muito estresse acabei tendo novamente pressão alta e diabetes gestacional. O líquido amniótico diminuiu e precisei entrar em licença para repousar. Tomei injeções para “amadurecer” os pulmões do

Leite materno é um agente de proteção Se o bebê é prematuro, a mãe também é. Por mais que esteja preparada para receber e cuidar do recém-nascido, a mulher que dá à luz antes do tempo se depara com um corpo ainda não amadurecido para ter o filho fora da barriga. Os seios parecem estar fartos, mas a produção de leite é geralmente menor, porque os hormônios não tiveram tempo de trabalhar. O medo de perder a criança devido à fragilidade e à possível depressão – por não estar pronta para a chegada do bebê – também podem influenciar no insucesso da amamentação. – As mães ficam desamparadas e sem estímulos, mas precisam saber a importância do leite materno – afirma

a pediatra neonatologista MaFonoaudiólogas e ria Emília Soares, responsável fisioterapeutas podem ajudar técnica do Banco de Leite do as mães no processo de Hospital Fêmina. Mesmo que os bebês não amamentação consigam sugar – fator muito comum porque eles têm os reflexos ainda pouco desenvolvidos –, as mães podem retirar o leite e contar com a ajuda do hospital para arMais fortes e com a atividade de sucmazená-lo. ção treinada, os bebês já estão aptos a Na primeira fase do aleitamento, o tentar a alimentação direto no peito da leite da mãe pode ser oferecido em pe- mamãe. quenas quantidades, de acordo com ca– Antes da 32ª semana, o reflexo do da caso e supervisão médica, e aliado bebê é a lambida, então usamos técnicas a outros componentes que fortalecerão com copinhos. Com o tempo, ele pode o bebê. Mesmo prematuro, o alimen- ser estimulado a sugar, deglutir e a respito é cheio de nutrientes para suprir as rar melhor – explica a pediatra. necessidades do recém-nascido e age Outra atividade que ajuda as mães é o como um remédio devido aos fatores chamado bebê canguru, um momento bioativos e componentes celulares que em que os pequenos, sem roupa, são encontém. Depois, o leite é administrado volvidos no peito da mãe. Com o calor e como parte alimentação, e não apenas os carinhos, eles vão, aos poucos, melhocomo fator de proteção. Quanto mais ce- rando os laços afetivos e tendo reações do o processo, melhor. surpreendentes.

DICAS > Mantenha uma alimentação normal e beba bastante líquido > Faça massagens nos seios > Conte com o apoio da família para suportar altos e baixos > Aumente seu contato com a criança

Anna Clara (acima e ao lado) e Giuliano são irmãos e nasceram prematuros

bebê e fazer, a cada dois dias, monitoramento no hospital. Foi torturante! Por fim, ter consciência do que viria pela frente foi difícil. Quando tive meu filho, tudo foi lindo e eu não tinha ideia da gravidade de meu estado ou dos riscos que ele corria. Com a Anna Clara foi diferente. Caminhei pelo corredor do centro obstétrico tal qual um bicho indo ao abatedouro. Tremia muito, suava, chorava e foi difícil me acalmar (achei minha médica uma santa). Mas eu precisava ficar bem e estabilizar a pressão para poder fazer a analgesia. Na minha cabeça, imaginava como seria minha filha: um ratinho, com poucos centímetros, mesmo sabendo que as ecos diziam ela não seria tão pequena. Tanto ela quanto ele mostraram que a vida é feita de obstáculos, mas que é possível transpô-los, basta querer! Queria repartir parte de minha experiência e dizer que é muito importante rever minha história e a de outros pais.

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Porto Alegre, 20 de setembro de 2010

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Duas vezes na UTI

- Parte 3

Angela Nascimento, 43 anos Mãe de Giuliano, que nasceu com 36 semanas, e de Anna Clara, que veio ao mundo com 34 semanas

A difícil oferta da mamadeira FOTOS ADRIANA FRANCIOSI

bancos de leite que ajudam as mães na hora da amamentação. Um deles está no Hospital Fêmina, que recebe doações e demandas pelo telefone 3314-5353

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, há uma previsão de

15% de aumento no número de bebês prematuros no mundo

O dilema da mãe que não pode amamentar a filha prematura é o tema do terceiro capítulo da série que conta a história de Joana, um bebê que nasceu com 29 semanas, 34 centímetros e pouco mais de um quilo

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06/09 O nascimento do bebê 13/9 A alimentação pela boca Hoje O encontro com o peito da mãe 27/09 A vida fora da incubadora 04/10 A chegada em casa

a cabeça da vendedora Cláudia Oliboni, ser mãe era uma imagem fascinante. Peito nu, seios inchados de tanto leite e um bebê feliz por se alimentar ali quantas vezes tivesse vontade. O mundo construído pela mãe de Joana não tinha espaço para frustrações ou choramingos de culpa. O início da maternidade era idealizado como símbolo de sucesso e felicidade. Mas a gestação de 29 semanas deixou amarga uma parte da realidade. Além de ver a filha protegida por quatro paredes de acrílico – o que restringia o contato entre elas –, a mãe, nos primeiros dias de vida da pequena, nunca pudera lhe oferecer o próprio alimento. Cláudia espiava com lamúria a filha que mantinha uma sonda colada junto ao lábio superior. Em vez do aparelho, poderia estar nutrindo a recém-nascida, pensava. Por dentro da blusa, seios inchados chamavam Joana. Só que a imaturidade do bebê não lhe desenvolvera o instinto de sugar. – Teremos de enfaixar seu peito para não corrermos o risco de empedrar – disse a enfermeira chefe. A notícia corroía a mãe por dentro, e uma inevitável culpa começava a fazer parte do corpo. – Não é possível. Está saindo um pouquinho de leite – tentou refutar a mãe. Por alguns dias, enquanto a filha adormecia no berço da UTI, a mulher participou de estimulações no seio. Bebia quatro litros de água por dia, parava em frente à aparelhagem, brigava com as máquinas e era sugada até que poucas gotas de leite saíssem. A primeira vez, conseguiu encher um copo com cinco mililitros. – É suficiente para ela – avisou a enfermeira.

Sem acreditar, a mãe ajudou a colocar a quantidade dentro da seringa que levaria a bebida à sonda da prematura. Viu a recém-nascida beber três mililitros, em uma cena que se repetiu por quase 20 dias. Durante o tempo que não pôde amamentar, a vendedora recolheu o alimento diariamente, enquanto a filha era estimulada a sugar até o momento que conseguisse fazê-lo, o que não demorou muito. Com quase um mês de vida, ao chegar aos dois quilos – quase 800 gramas a mais do que quando nasceu – Joana teve energia para experimentar o seio. Sorveu fraquinho. Para a mãe, não interessava a quantidade ingerida. Ver a prematura envolta nos seus braços, olhando para ela, era inexplicável. – Que sonho! Conforme se conheciam, aumentava a confiança entre as duas. Mas Joana se sentia cansada, preferia a mamadeira especial para prematuros, o que fez Cláudia compreender, aos poucos, que não conseguiria materializar a ideia de maternidade ideal. Por dias, a mãe manteve o procedimento de retirar algumas gotas com a máquina especial. Enchia potinhos, armazenados no hospital, e via a filha bebê-lo sem pressa. Quando a noite chegava, recebia a visita do marido, Ademir. Surgia o alívio de passar um dia a menos dentro da UTI e a apreensão de saber que ficaria mais uma noite longe da filha. Obrigada a deixar o leito, se despedia da pequena e viajava todos os dias a Bom Princípio, para dormir na casa da sogra, um ponto estratégico e mais próximo de Farroupilha, onde fica a casa deles. Cada vez que encontrava uma amiga pelo caminho, tinha medo de uma pergunta. – Você está amamentando? A negativa ainda era motivo para culpa, superada somente quando o dia clareava e a rotina voltava ao normal. anelise.zanoni@zerohora.com.br

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Joana experimentou o seio da mãe, mas não teve força suficiente para sugar

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A primeira reportagem da série sobre prematuros foi muito emocionante para mim. Talvez por eu ter passado duas vezes por essa experiência ou por me sensibilizar com a dureza do momento que muitos pais enfrentaram e enfrentam. Meus filhos, Giuliano, cinco anos, e Anna Clara, um ano e nove meses, nasceram, respectivamente, de 36 semanas e 34 semanas. Vivenciei momentos que somente quem já passou sabe o que significam: dor, frustração e muita culpa. Sim, a culpa é grande. Por não ter sido “perfeita”, de não ter “segurado” a gravidez a tempo. Quando passamos por momentos assim, muita coisa passa pela cabeça. Para mim, o pior foi a segunda gestação. Por problemas profissionais e muito estresse acabei tendo novamente pressão alta e diabetes gestacional. O líquido amniótico diminuiu e precisei entrar em licença para repousar. Tomei injeções para “amadurecer” os pulmões do

Leite materno é um agente de proteção Se o bebê é prematuro, a mãe também é. Por mais que esteja preparada para receber e cuidar do recém-nascido, a mulher que dá à luz antes do tempo se depara com um corpo ainda não amadurecido para ter o filho fora da barriga. Os seios parecem estar fartos, mas a produção de leite é geralmente menor, porque os hormônios não tiveram tempo de trabalhar. O medo de perder a criança devido à fragilidade e à possível depressão – por não estar pronta para a chegada do bebê – também podem influenciar no insucesso da amamentação. – As mães ficam desamparadas e sem estímulos, mas precisam saber a importância do leite materno – afirma

a pediatra neonatologista MaFonoaudiólogas e ria Emília Soares, responsável fisioterapeutas podem ajudar técnica do Banco de Leite do as mães no processo de Hospital Fêmina. Mesmo que os bebês não amamentação consigam sugar – fator muito comum porque eles têm os reflexos ainda pouco desenvolvidos –, as mães podem retirar o leite e contar com a ajuda do hospital para arMais fortes e com a atividade de sucmazená-lo. ção treinada, os bebês já estão aptos a Na primeira fase do aleitamento, o tentar a alimentação direto no peito da leite da mãe pode ser oferecido em pe- mamãe. quenas quantidades, de acordo com ca– Antes da 32ª semana, o reflexo do da caso e supervisão médica, e aliado bebê é a lambida, então usamos técnicas a outros componentes que fortalecerão com copinhos. Com o tempo, ele pode o bebê. Mesmo prematuro, o alimen- ser estimulado a sugar, deglutir e a respito é cheio de nutrientes para suprir as rar melhor – explica a pediatra. necessidades do recém-nascido e age Outra atividade que ajuda as mães é o como um remédio devido aos fatores chamado bebê canguru, um momento bioativos e componentes celulares que em que os pequenos, sem roupa, são encontém. Depois, o leite é administrado volvidos no peito da mãe. Com o calor e como parte alimentação, e não apenas os carinhos, eles vão, aos poucos, melhocomo fator de proteção. Quanto mais ce- rando os laços afetivos e tendo reações do o processo, melhor. surpreendentes.

DICAS > Mantenha uma alimentação normal e beba bastante líquido > Faça massagens nos seios > Conte com o apoio da família para suportar altos e baixos > Aumente seu contato com a criança

Anna Clara (acima e ao lado) e Giuliano são irmãos e nasceram prematuros

bebê e fazer, a cada dois dias, monitoramento no hospital. Foi torturante! Por fim, ter consciência do que viria pela frente foi difícil. Quando tive meu filho, tudo foi lindo e eu não tinha ideia da gravidade de meu estado ou dos riscos que ele corria. Com a Anna Clara foi diferente. Caminhei pelo corredor do centro obstétrico tal qual um bicho indo ao abatedouro. Tremia muito, suava, chorava e foi difícil me acalmar (achei minha médica uma santa). Mas eu precisava ficar bem e estabilizar a pressão para poder fazer a analgesia. Na minha cabeça, imaginava como seria minha filha: um ratinho, com poucos centímetros, mesmo sabendo que as ecos diziam ela não seria tão pequena. Tanto ela quanto ele mostraram que a vida é feita de obstáculos, mas que é possível transpô-los, basta querer! Queria repartir parte de minha experiência e dizer que é muito importante rever minha história e a de outros pais.

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Porto Alegre, 27 de setembro de 2010

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- Parte 4

HISTÓRIAS DE VALENTIA

Pequena grande menina Fabiana Restelatto Mãe de Valentina, que nasceu com 27 semanas e 590 gramas

O alívio de sair da incubadora

J

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06/09 O nascimento do bebê 13/9 A alimentação pela boca 20/9 O encontro com o peito da mãe Hoje A vida fora da incubadora 04/10 A chegada em casa

oana repousava como uma boneca no ninho protegido por paredes de acrílico e temperatura agradável enquanto a mãe, Cláudia Oliboni, controlava a respiração da filha. Cansada com a jornada na UTI neonatal, ela pensava, olhava para os lados e avistava de longe a sacola que um dia separou com peças de roupa para a recém-nascida. Toda vez que desejava ganhar ânimo, abria a tal bolsa. Estavam lá vestidinhos, pijamas, meias, fraldas bem maiores que a filha e um tip-top rosa que, por diversas vezes, fora dobrado e desdobrado. A mãe imaginava a prematura dentro dele, se remexendo e fazendo gracinhas. Até que chegou o dia. – Mãezinha, é hoje. Ela sairá da incubadora – avisou uma das enfermeiras. A notícia entrou nos ouvidos como música. Em segundos, Cláudia imaginou a filha em casa, vestida como princesa, passeando de carrinho, rindo. Parecia que o sonho estava se realizando. – Não, não, ela ainda ficará no hospital. De agora em diante, dormirá em um berço aquecido, mas ainda no hospital – explicou a enfermeira. A ansiedade parecia rasgar o coração da mãe que, se pudesse, atravessaria a porta de madeira com a filha nos braços e jamais voltaria ao hospital. Batimentos cardíacos aumentavam, a testa suava. A partir daquele momento, a mãe sabia que Joana poderia estar sob seus cuidados. E, se ela ainda não podia ter alta, pelo menos vestiria pela primeira vez uma roupa, o tip-top rosa, amaciado pelas mãos da mãe. Cláudia caminhou lentamente até a incubadora, respirou fundo, olhou nos olhos da filha. Era o início de uma vida diferente. Por mais que desejasse a filha nos braços, o medo arrebatava o corpo. Tinha receio de quebrar as pernas fininhas da pequena, de não saber sustentar seu pescoço ou de ficar atrapalhada na hora de trocar a primeira fralda. – Vamos lá, minha filha, ajuda a mãe.

Com mãos trêmulas, a mãe despiu a filha. Segurou-a com firmeza e aproximou-a da bacia de inox reservada para o banho. Nervosa, Cláudia suava. Queria ter agilidade e controle do tempo – para não deixar a filha com frio. – Você precisa passar segurança. É preciso calma e agilidade – ensinou a enfermeira. Primeiro, a mãe lavou o rosto da prematura. Depois, molhou a cabeça. A menina olhava para ela, mexia os braços e parecia à vontade. No fim, Joana estava seca. Cláudia estava molhada de suor, mas precisava seguir o ritual. Vestiu a fralda, especial para bebês prematuros. Depois, colocou um pijaminha, colado no pé com esparadrapo para diminuir o tamanho, e as meias – esticadas até os joelhos porque o pé era minguado demais. – Ela é muito pequena, mas minha mãe disse que eu também nasci pequena – tentou se conformar. Joana parecia linda aquele dia. Da sacola, Cláudia tirou o sonhado tip-top rosa. A mãe levantou a filha vagarosamente, vestiu-a e se emocionou. Percebeu que faltava um detalhe importante: um lacinho para a cabeça. Vestida como nos sonhos da mãe, a menina abriu os olhos. O primeiro banho e a primeira roupa eram o indício de que, a partir daquele dia, faltaria muito pouco para voltar para casa. Com a Joana nos braços.

HORA DO BANHO Não são necessárias banheiras ou bacias especiais para o banho do prematuro, seja no hospital ou em casa. O ideal é escolher o horário mais quente do dia, mas que seja adequado à rotina da família. Deixe as roupas à mão e use um aquecedor se o ambiente estiver frio.

anelise.zanoni@zerohora.com.br

com o tamanho do meu amor. Valentina parecia linda, pequena, serelepe, cor-derosa. Eu estava plena em vê-la, ela me transmitia vida. Cada hora que se seguia era contada como uma etapa de maratona vencida. As 48 horas seriam decisivas. No total, foram 87 dias de luta pela vida. Éramos coadjuvantes daquela linda história. Não fazíamos drama sobre tubos, sondas, aspirações, punções, transfusões. Todos os dias passávamos junto dela. Era ali, ao seu lado e vendo sua luta, que nossas forças e nossa fé eram renovadas. Não aceitávamos que nos tirassem a esperança, não aceitávamos o informativo na porta da UTI dizendo que seu estado era muito grave. Só aceitávamos o que nos fortalecia: o carinho e o apoio da família e dos amigos, o cuidado da equipe do hospital, a solidariedade das mães e pais da UTI, a fila do lactário. Hoje ela tem um ano e nove meses, corre e fala sem parar. Nunca vimos criança tão feliz. Na hora da massagem, fica quietinha, assim como fazíamos todos os dias de bebê canguru da UTI. Também se acalma quando mama, outra bênção em nossas vidas. O início da história da Valentina Valente é de dias vividos um após o outro, de uma pequena guerreira que não aceitou o impossível. Todos os dias agradecemos a Deus e ficamos perplexos com a maravilha da vida. FOTOS ARQUIVO PESSOAL

No quarto capítulo da série sobre prematuros, Joana recebe um banho da mãe e é vestida pela primeira vez

FOTOS ADRIANA FRANCIOSI

ANELISE ZANONI

Em minha casa, ouvia meu marido e minha irmã conversarem baixinho. Ele havia buscado o último exame e conversado por telefone com o obstetra. Nem de longe eu imaginava o que aconteceria: teríamos de interromper a gestação. Aquele sonho que iniciava em junho de 2008 virara um grande pesadelo e eu me sentia completamente impotente. Todos os preparativos, todos os detalhes, toda a alegria estavam desmoronando. O medo tomava conta de nós, e a vinda de Valentina era uma questão de horas. Na manhã de 23 de dezembro de 2008 ela nasceu, com 27 semanas, com 29 centímetros e 590 gramas. Era linda. Nos surpreendeu. Não esperava ouvir o choro que ouvi, não esperava olhos tão arregalados, não esperava que ela fosse tão viva. Não me choquei com seu tamanho. Na verdade, não vi que ela era tão pequena. Mesmo assim, eu estava eufórica. Minha filha nascia viva e tínhamos uma esperança. Na mesma noite do nascimento, meu marido, Gerson Tadiello, me levava até a UTI neonatal para vê-la. A euforia tinha ido embora e eu tinha medo do que enfrentaria. Ele me preparava dizendo que ela estava entubada, monitorada, puncionada. Devagar nos aproximamos. Não consegui mais tirar os olhos dela, estava perplexa

A menina que veio ao mundo com 27 semanas tem hoje um ano e nove meses

Depois de mais de 30 dias na UTI, Joana atingiu os dois quilos (foto acima, à direta) e experimentou o primeiro banho dado pela mãe

Proteção de acrílico é temporária Olhar aquele ser tão pequeno dentro de uma caixa transparente dá um aperto no coração dos pais. Por ter dificuldades para regular a temperatura corporal e necessitar de cuidados especiais, os prematuros, na maioria dos casos, precisam passar um tempo na incubadora para se fortalecer e ter condições de enfrentar o mundo. Assim que nascem, os apressadinhos são recebidos em um berço aquecido, sem paredes de acrílico. Ali, ficam sob observação porque o momento é de instabilidade, e qualquer problema pode ser resolvido rapida-

mente pelos médicos. Quando o quadro se estabiliza e não há riscos de grandes de complicações súbitas, os recém-nascidos vão para o ambiente hermético. A estrutura tem temperatura constante, oxigênio e umidade para evitar a perda de calor. – A incubadora mantém um ambiente térmico mais estável, não há oscilações de temperatura e eles podem descansar e ganhar mais peso – explica o pediatra neonatologista Ércio Amaro de Oliveira Filho, chefe da UTI Neonatal do Hospital Mãe de Deus. Fora da caixinha, a criança teria

dificuldade de aumentar o peso, porque gasta muita caloria para conservar o próprio calor. Por isso, enquanto habita a incubadora, o ideal é que os pais se aproximem da criança e tentem, com autorização médica, acariciar o bebê com muito cuidado e mãos higienizadas. Mães preparadas pode, inclusive, trocar as fraldas e vestir o bebê. – Em geral, a criança pode sair da incubadora quando atinge 1,8 quilo ou 1,9 quilo. Depois, quando estiver em casa, deve receber o mesmo tratamento de um bebê não prematuro – diz o pediatra.

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ZERO HORA

filho

Meu

Porto Alegre, 27 de setembro de 2010

no blog Leia relatos de família sobre prematuros acessando www.zerohora.com/meufilho

- Parte 4

HISTÓRIAS DE VALENTIA

Pequena grande menina Fabiana Restelatto Mãe de Valentina, que nasceu com 27 semanas e 590 gramas

O alívio de sair da incubadora

J

ACOMPANHE

06/09 O nascimento do bebê 13/9 A alimentação pela boca 20/9 O encontro com o peito da mãe Hoje A vida fora da incubadora 04/10 A chegada em casa

oana repousava como uma boneca no ninho protegido por paredes de acrílico e temperatura agradável enquanto a mãe, Cláudia Oliboni, controlava a respiração da filha. Cansada com a jornada na UTI neonatal, ela pensava, olhava para os lados e avistava de longe a sacola que um dia separou com peças de roupa para a recém-nascida. Toda vez que desejava ganhar ânimo, abria a tal bolsa. Estavam lá vestidinhos, pijamas, meias, fraldas bem maiores que a filha e um tip-top rosa que, por diversas vezes, fora dobrado e desdobrado. A mãe imaginava a prematura dentro dele, se remexendo e fazendo gracinhas. Até que chegou o dia. – Mãezinha, é hoje. Ela sairá da incubadora – avisou uma das enfermeiras. A notícia entrou nos ouvidos como música. Em segundos, Cláudia imaginou a filha em casa, vestida como princesa, passeando de carrinho, rindo. Parecia que o sonho estava se realizando. – Não, não, ela ainda ficará no hospital. De agora em diante, dormirá em um berço aquecido, mas ainda no hospital – explicou a enfermeira. A ansiedade parecia rasgar o coração da mãe que, se pudesse, atravessaria a porta de madeira com a filha nos braços e jamais voltaria ao hospital. Batimentos cardíacos aumentavam, a testa suava. A partir daquele momento, a mãe sabia que Joana poderia estar sob seus cuidados. E, se ela ainda não podia ter alta, pelo menos vestiria pela primeira vez uma roupa, o tip-top rosa, amaciado pelas mãos da mãe. Cláudia caminhou lentamente até a incubadora, respirou fundo, olhou nos olhos da filha. Era o início de uma vida diferente. Por mais que desejasse a filha nos braços, o medo arrebatava o corpo. Tinha receio de quebrar as pernas fininhas da pequena, de não saber sustentar seu pescoço ou de ficar atrapalhada na hora de trocar a primeira fralda. – Vamos lá, minha filha, ajuda a mãe.

Com mãos trêmulas, a mãe despiu a filha. Segurou-a com firmeza e aproximou-a da bacia de inox reservada para o banho. Nervosa, Cláudia suava. Queria ter agilidade e controle do tempo – para não deixar a filha com frio. – Você precisa passar segurança. É preciso calma e agilidade – ensinou a enfermeira. Primeiro, a mãe lavou o rosto da prematura. Depois, molhou a cabeça. A menina olhava para ela, mexia os braços e parecia à vontade. No fim, Joana estava seca. Cláudia estava molhada de suor, mas precisava seguir o ritual. Vestiu a fralda, especial para bebês prematuros. Depois, colocou um pijaminha, colado no pé com esparadrapo para diminuir o tamanho, e as meias – esticadas até os joelhos porque o pé era minguado demais. – Ela é muito pequena, mas minha mãe disse que eu também nasci pequena – tentou se conformar. Joana parecia linda aquele dia. Da sacola, Cláudia tirou o sonhado tip-top rosa. A mãe levantou a filha vagarosamente, vestiu-a e se emocionou. Percebeu que faltava um detalhe importante: um lacinho para a cabeça. Vestida como nos sonhos da mãe, a menina abriu os olhos. O primeiro banho e a primeira roupa eram o indício de que, a partir daquele dia, faltaria muito pouco para voltar para casa. Com a Joana nos braços.

HORA DO BANHO Não são necessárias banheiras ou bacias especiais para o banho do prematuro, seja no hospital ou em casa. O ideal é escolher o horário mais quente do dia, mas que seja adequado à rotina da família. Deixe as roupas à mão e use um aquecedor se o ambiente estiver frio.

anelise.zanoni@zerohora.com.br

com o tamanho do meu amor. Valentina parecia linda, pequena, serelepe, cor-derosa. Eu estava plena em vê-la, ela me transmitia vida. Cada hora que se seguia era contada como uma etapa de maratona vencida. As 48 horas seriam decisivas. No total, foram 87 dias de luta pela vida. Éramos coadjuvantes daquela linda história. Não fazíamos drama sobre tubos, sondas, aspirações, punções, transfusões. Todos os dias passávamos junto dela. Era ali, ao seu lado e vendo sua luta, que nossas forças e nossa fé eram renovadas. Não aceitávamos que nos tirassem a esperança, não aceitávamos o informativo na porta da UTI dizendo que seu estado era muito grave. Só aceitávamos o que nos fortalecia: o carinho e o apoio da família e dos amigos, o cuidado da equipe do hospital, a solidariedade das mães e pais da UTI, a fila do lactário. Hoje ela tem um ano e nove meses, corre e fala sem parar. Nunca vimos criança tão feliz. Na hora da massagem, fica quietinha, assim como fazíamos todos os dias de bebê canguru da UTI. Também se acalma quando mama, outra bênção em nossas vidas. O início da história da Valentina Valente é de dias vividos um após o outro, de uma pequena guerreira que não aceitou o impossível. Todos os dias agradecemos a Deus e ficamos perplexos com a maravilha da vida. FOTOS ARQUIVO PESSOAL

No quarto capítulo da série sobre prematuros, Joana recebe um banho da mãe e é vestida pela primeira vez

FOTOS ADRIANA FRANCIOSI

ANELISE ZANONI

Em minha casa, ouvia meu marido e minha irmã conversarem baixinho. Ele havia buscado o último exame e conversado por telefone com o obstetra. Nem de longe eu imaginava o que aconteceria: teríamos de interromper a gestação. Aquele sonho que iniciava em junho de 2008 virara um grande pesadelo e eu me sentia completamente impotente. Todos os preparativos, todos os detalhes, toda a alegria estavam desmoronando. O medo tomava conta de nós, e a vinda de Valentina era uma questão de horas. Na manhã de 23 de dezembro de 2008 ela nasceu, com 27 semanas, com 29 centímetros e 590 gramas. Era linda. Nos surpreendeu. Não esperava ouvir o choro que ouvi, não esperava olhos tão arregalados, não esperava que ela fosse tão viva. Não me choquei com seu tamanho. Na verdade, não vi que ela era tão pequena. Mesmo assim, eu estava eufórica. Minha filha nascia viva e tínhamos uma esperança. Na mesma noite do nascimento, meu marido, Gerson Tadiello, me levava até a UTI neonatal para vê-la. A euforia tinha ido embora e eu tinha medo do que enfrentaria. Ele me preparava dizendo que ela estava entubada, monitorada, puncionada. Devagar nos aproximamos. Não consegui mais tirar os olhos dela, estava perplexa

A menina que veio ao mundo com 27 semanas tem hoje um ano e nove meses

Depois de mais de 30 dias na UTI, Joana atingiu os dois quilos (foto acima, à direta) e experimentou o primeiro banho dado pela mãe

Proteção de acrílico é temporária Olhar aquele ser tão pequeno dentro de uma caixa transparente dá um aperto no coração dos pais. Por ter dificuldades para regular a temperatura corporal e necessitar de cuidados especiais, os prematuros, na maioria dos casos, precisam passar um tempo na incubadora para se fortalecer e ter condições de enfrentar o mundo. Assim que nascem, os apressadinhos são recebidos em um berço aquecido, sem paredes de acrílico. Ali, ficam sob observação porque o momento é de instabilidade, e qualquer problema pode ser resolvido rapida-

mente pelos médicos. Quando o quadro se estabiliza e não há riscos de grandes de complicações súbitas, os recém-nascidos vão para o ambiente hermético. A estrutura tem temperatura constante, oxigênio e umidade para evitar a perda de calor. – A incubadora mantém um ambiente térmico mais estável, não há oscilações de temperatura e eles podem descansar e ganhar mais peso – explica o pediatra neonatologista Ércio Amaro de Oliveira Filho, chefe da UTI Neonatal do Hospital Mãe de Deus. Fora da caixinha, a criança teria

dificuldade de aumentar o peso, porque gasta muita caloria para conservar o próprio calor. Por isso, enquanto habita a incubadora, o ideal é que os pais se aproximem da criança e tentem, com autorização médica, acariciar o bebê com muito cuidado e mãos higienizadas. Mães preparadas pode, inclusive, trocar as fraldas e vestir o bebê. – Em geral, a criança pode sair da incubadora quando atinge 1,8 quilo ou 1,9 quilo. Depois, quando estiver em casa, deve receber o mesmo tratamento de um bebê não prematuro – diz o pediatra.

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Porto Alegre, 4 de outubro de 2010

HISTÓRIAS DE VALENTIA

no blog

– Parte 5

Enfim, Joana vai para casa

Deixe seu relato sobre o nascimento do bebê prematuro e assista, em vídeo, a despedida de Joana da UTI Neonatal

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6/09 O nascimento do bebê 13/09 A alimentação pela boca 20/09 O encontro com o peito da mãe 27/09 A vida fora da incubadora 04/10 A chegada em casa

Vestida de vermelho, a prematura deixou o hospital com dois quilos e meio

la na UTI. Olhei o bercinho. Foi sem explicação, uma mistura de alegria e tristeza, por não ter conseguido levar a gestação por mais tempo. No primeiro dia de vida, ela recebeu oxigênio. Mas, graças a Deus, não foi entubada e ou teve infecções. Minha filha saiu semana passada da incubadora, está no berço. Ainda não mama no peito porque fica cansada, mas sua saída do hospital depende do aumento de peso. Querendo ou não, tento ficar mais tranquila. Há momentos em que acordo bem e, em outros, tenho vontade de chorar o dia inteiro. Sou grata pela equipe da CTI Neonatal do Hospital de Caridade de Santa Maria e tenho medo de não saber cuidá-la, dar banho e alimentá-la. O que eu leio no caderno me conforta, porque estou passando pelo mesmo problema, tenho outros dois filhos, e sei que é apenas uma etapa da vida.”

Angelina nasceu prematura, no mesmo dia em que a série "Apressadinhos" foi lançada

anelise.zanoni@zerohora.com.br

Acesse www.mesdomedicoweinmann.com.br e faça sua homenagem.

R. POR AÍ COMO SEU E O H L H A L MÉDIC ESP O FAZ SUA VIDA ME

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No último capítulo da série, Joana ganha alta hospitalar 43 dias após o nascimento prematuro

s horas pareciam se arrastar na UTI neonatal.A sequência de mamadas,banho e consultas deixavam Cláudia Oliboni muitas vezes cansada, pensativa. Mãe prematura, ela ouvia com frequência que, em breve, deixaria o hospital com a filha nos braços.Só que o dia parecia não chegar. Em meio à rotina de Joana, o calendário de vacinas dos recém-nascidos passou a fazer parte da vida da menina.Cada vez que o procedimento era iniciado, o burburinho habitava as dependências do hospital. – É sinal de que ela está quase preparada para ir embora – especulava uma das mães. – Ela sairá em uma semana. Estão esperando ela ficar mais forte para sair – dizia outra. Aos poucos, Cláudia ganhava ânimo, alimentado cada vez que olhava para a pequena deitada no berço.Joana tinha sinais de saúde: se espreguiçava, tinha as bochechas coradas, sugava para se alimentar, ganhava peso. De vez em quando, conseguia roubar um sorriso do pai e da mãe quando olhava fixamente para eles. – Vocês estão de parabéns. Segunda-feira ela estará liberada. Entretanto, o bebê deve fazer um exame nos olhos. Sugiro que vocês fiquem mais dois dias aqui – disse a enfermeira. Imagens da filha recém saída do ventre da mãe, com os minguados 38 centímetros, voltaram à mente de Cláudia.A emoção de vê-la nascer, respirar e comer e a informação de que as semanas de clausura na UTI estavam no fim trouxeram de volta o brilho no olhar da mamãe. Ela acreditava nas palavras ouvidas, mas tinha medo de que tudo não passasse de mais um sonho postergado. – É, sim... Podemos ficar mais dois dias. Mas é verdade mesmo? Quando o marido,Ademir, entrou na sala para buscá-la, a mulher tinha um sorriso largo.Aquele dia era,sem dúvida,o mais feliz de todos.

FERNANDO GOMES

“Desde o início da minha gestação, havia o risco de a pressão se alterar, mas até o sexto mês não houve manifestação. Depois, os exames começaram a mostrar alterações, e já estava perigoso manter o bebê na barriga. Corríamos risco, e o médico resolveu antecipar o parto. Fiquei em pânico. Sabia o quanto seria arriscado ter uma filha com pouco mais de um quilo. Angelina deveria nascer no dia 1º de novembro, mas estávamos no dia 5 de setembro, às vésperas do nascimento dela. No mesmo dia, olhamos uma chamada na internet avisando que o caderno Meu Filho lançaria a série Apressadinhos. Olhei o cronograma e imaginei que todos os passos seriam semelhantes àqueles que eu ia percorrer. Fiquei um pouco aliviada. Angelina nasceu no dia em que a reportagem começou, em 6 de setembro de 2010.Veio com 32 semanas de vida, 1.765 gramas e 41 centímetros. Era muito pequeninha e frágil. Depois da notícia de que ela seria prematura, o momento mais difícil foi vê-

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Responsável Técnico: Júlio Roberto Diehl (CRM 3.983 RS).

A

Em casa, sem a ajuda das enfermeiras, a mãe deve ser estimulada a cuidar da criança sem ter medo. O uso do álcool gel e o controle da carteira de vacinas são fundamentais para manter a saúde do bebê.

– Estamos indo esta semana, mas é segredo, pois tenho medo – confessou a mãe ao pai de Joana. Naquele noite, o casal voltou para Farroupilha fazendo planos.Precisavam instalar um ar condicionado em casa,organizar roupas e improvisar um lugar para a filha dormir.A mãe,insone,zanzava pela casa sem rumo. Abria as portas dos armários, conferia pijamas, sapatinhos, blusinhas. Fez uma pequena lista de compras: pacotes de fraldas e latas de leite em pó.Agarrou um conjunto vermelho e um casaco de tricô da mesma cor, para evitar o mau olhado e dar sorte à pequena. Por segurança, separou também um vestido amarelo. Quarenta e três dias após nascer prematuramente, Joana alcançava 47 centímetros e dois quilos e meio. Estava liberada para ultrapassar a fronteira que separava o hospital do mundo real.Deixaria o ambiente com cuidadores de plantão para viver sob o zelo da mãe de primeira viagem. – Preciso agradecer a todos.É um momento único – falava Cláudia enquanto tentava conter as lágrimas que derramavam por trás dos óculos de grau. Com a bebê nos braços, vestida de vermelho, a mãe abraçou funcionários da UTI, deixou palavras de incentivo àquelas que iniciavam o caminho que acabara de concluir.Visitou bebês,tirou fotos e se foi. Do lado de fora do prédio, o vento típico do inverno ultrapassava os fios da roupa.Cláudia enrolou Joana em uma coberta e entrou no carro. Primeiro, pararam em Bom Princípio, para apresentar a filha à avó paterna.Em Farroupilha,Ademir foi o primeiro a descer do carro. Precisava ligar o ar condicionado para aquecer o quarto do casal,onde a pequena ficaria. Quinze minutos depois, Joana estava lá, pela primeira vez, deitada na cama dos pais. Cláudia e Ademir olhavam para a filha orgulhosos. Sabiam que o trajeto até ali fora cheio de percalços e acabavam de ter a certeza de que,para serem pais de uma apressadinha,precisavam apenas de um ingrediente: amor.

Naiana Gnoccato,

mãe de Angelina, que nasceu com 29 semanas e 1.765 gramas

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Vestida de vermelho, a prematura deixou o hospital com dois quilos e meio

la na UTI. Olhei o bercinho. Foi sem explicação, uma mistura de alegria e tristeza, por não ter conseguido levar a gestação por mais tempo. No primeiro dia de vida, ela recebeu oxigênio. Mas, graças a Deus, não foi entubada e ou teve infecções. Minha filha saiu semana passada da incubadora, está no berço. Ainda não mama no peito porque fica cansada, mas sua saída do hospital depende do aumento de peso. Querendo ou não, tento ficar mais tranquila. Há momentos em que acordo bem e, em outros, tenho vontade de chorar o dia inteiro. Sou grata pela equipe da CTI Neonatal do Hospital de Caridade de Santa Maria e tenho medo de não saber cuidá-la, dar banho e alimentá-la. O que eu leio no caderno me conforta, porque estou passando pelo mesmo problema, tenho outros dois filhos, e sei que é apenas uma etapa da vida.”

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FERNANDO GOMES

“Desde o início da minha gestação, havia o risco de a pressão se alterar, mas até o sexto mês não houve manifestação. Depois, os exames começaram a mostrar alterações, e já estava perigoso manter o bebê na barriga. Corríamos risco, e o médico resolveu antecipar o parto. Fiquei em pânico. Sabia o quanto seria arriscado ter uma filha com pouco mais de um quilo. Angelina deveria nascer no dia 1º de novembro, mas estávamos no dia 5 de setembro, às vésperas do nascimento dela. No mesmo dia, olhamos uma chamada na internet avisando que o caderno Meu Filho lançaria a série Apressadinhos. Olhei o cronograma e imaginei que todos os passos seriam semelhantes àqueles que eu ia percorrer. Fiquei um pouco aliviada. Angelina nasceu no dia em que a reportagem começou, em 6 de setembro de 2010.Veio com 32 semanas de vida, 1.765 gramas e 41 centímetros. Era muito pequeninha e frágil. Depois da notícia de que ela seria prematura, o momento mais difícil foi vê-

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Em casa, sem a ajuda das enfermeiras, a mãe deve ser estimulada a cuidar da criança sem ter medo. O uso do álcool gel e o controle da carteira de vacinas são fundamentais para manter a saúde do bebê.

– Estamos indo esta semana, mas é segredo, pois tenho medo – confessou a mãe ao pai de Joana. Naquele noite, o casal voltou para Farroupilha fazendo planos.Precisavam instalar um ar condicionado em casa,organizar roupas e improvisar um lugar para a filha dormir.A mãe,insone,zanzava pela casa sem rumo. Abria as portas dos armários, conferia pijamas, sapatinhos, blusinhas. Fez uma pequena lista de compras: pacotes de fraldas e latas de leite em pó.Agarrou um conjunto vermelho e um casaco de tricô da mesma cor, para evitar o mau olhado e dar sorte à pequena. Por segurança, separou também um vestido amarelo. Quarenta e três dias após nascer prematuramente, Joana alcançava 47 centímetros e dois quilos e meio. Estava liberada para ultrapassar a fronteira que separava o hospital do mundo real.Deixaria o ambiente com cuidadores de plantão para viver sob o zelo da mãe de primeira viagem. – Preciso agradecer a todos.É um momento único – falava Cláudia enquanto tentava conter as lágrimas que derramavam por trás dos óculos de grau. Com a bebê nos braços, vestida de vermelho, a mãe abraçou funcionários da UTI, deixou palavras de incentivo àquelas que iniciavam o caminho que acabara de concluir.Visitou bebês,tirou fotos e se foi. Do lado de fora do prédio, o vento típico do inverno ultrapassava os fios da roupa.Cláudia enrolou Joana em uma coberta e entrou no carro. Primeiro, pararam em Bom Princípio, para apresentar a filha à avó paterna.Em Farroupilha,Ademir foi o primeiro a descer do carro. Precisava ligar o ar condicionado para aquecer o quarto do casal,onde a pequena ficaria. Quinze minutos depois, Joana estava lá, pela primeira vez, deitada na cama dos pais. Cláudia e Ademir olhavam para a filha orgulhosos. Sabiam que o trajeto até ali fora cheio de percalços e acabavam de ter a certeza de que,para serem pais de uma apressadinha,precisavam apenas de um ingrediente: amor.

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ANELISE ZANONI

Coincidências da vida

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filho

Meu

Nº 318

ZERO HORA

Porto Alegre, 11 de outubro de 2010

Edição: Anelise Zanoni > (51) 3218-4318 > E-mail: meufilho@zerohora.com.br. > Diagramação: Norton Voloski

no blog

Em vídeo, conheça um pouco da vida de Joana após os 43 dias

www.zerohora.com/meufilho

FOTOS ARQUIVO PESSOAL

Lições de uma prematura FERNANDO GOMES

“Me sensibilizei desde a primeira parte da série sobre os prematuros. A impressão que dá é que os pais de prematuros fizeram uma grande corrente de amor no blog e no caderno.Histórias de pura valentia! ”

"A todos que estão passando por este momento eu posso dizer: tenham esperança, acreditem e nunca deixem que esses pequenos os vejam chorar ou tristes, pois tudo passa para eles. E jamais pensem em desistir, pois, enquanto há vida,há esperança.”

Angela Nascimento, mãe

de Giuliano,que nasceu com 36 semanas,e de Anna Clara (foto acima),nascida com 34 semanas “Sou mãe de três meninas, sendo a última, Lara, prematura. Lendo a reportagem, lembro de tudo o que passei: agonias, dificuldades de aceitar que “o filho não vai para casa”. Consegui superar tudo. Parabéns pelas matérias sobre os apressadinhos.”

Angélica Markus,

mãe de Lara, que nasceu com um quilo e 540 gramas

“Mirella está com um ano e quatro meses, se desenvolvendo normalmente, nem de longe lembra aquele bebezinho frágil. A todos os papais e mamães que estão com os seus bebês na UTI, muita calma, paciência e, acima de tudo, coragem. O caminho pode não ter sido como sonhávamos, mas tudo vale a pena para ter os nossos pequenos conosco.”

Aline Staruck ,

mãe da Mirella (foto acima), que nasceu com 1 quilo e 470 gramas

Michele Prigol,

mãe de Valentina (foto acima), que nasceu com 470 gramas e 24

Aos quatro meses, Joana não lembra a menina que precisou de sonda e aparelhos para mantê-la viva

A

ANELISE ZANONI

Após acompanhar a vida de Joana por mais de quatro meses, o caderno Meu Filho homenageia mães de bebês prematuros que tiveram histórias semelhantes DANIEL MARENCO, BD, 14/4/2010

té os 43 dias de vida,Joana não sabia o que era a luz do sol, não teve contato com tios, primos ou avós. Passou por apneias,infecções,recebeu ajuda para respirar e se alimentar. Depois que deixou a UTI neonatal, com 47 centímetros e dois quilos e meio,passou a ser,de fato, o sonho realizado da família Oliboni,de Farroupilha. Por conta da atenção exigida pela filha desde que chegou em casa, a mãe, Cláudia, decidiu dedicar-se integralmente aos cuidados da filha. Terminou a licença-maternidade de quatro meses, tirou férias e pediu demissão. – Em casa, pela primeira vez percebi que não tinha mais as

enfermeiras. Fiquei sem saber o que fazer.Depois, aos poucos, me adaptei à rotina e decidi me dedicar à pequena. Afinal, demoramos muito para tê-la em casa – explica Cláudia. A trajetória de mãe e filha e os percalços de uma família que recebe a visita antecipada de um bebê foram os temas que conduziram a série Apressadinhos. Durante as cinco semanas em que apresentamos os dilemas das duas, recebemos mais de cem e-mails com foto e comentários no blog www.zerohora.com/meufilho. Celebramos a conquista e a ajuda a mães e pais de apressadinhos com a publicação de alguns relatos enviados à redação de Zero Hora. anelise.zanoni@zerohora.com.br

A EVOLUÇÃO DE JOANA

A prematura nasceu com 29 semanas, 38 centímetros e um quilo 270 gramas.Abaixo, as medidas dela depois dos 43 dias de UTI

Assim que nasceu, Joana foi direto para a incubadora porque pesava apenas um quilo 270 gramas e media 38 centímetros

> Um mês e meio (ao sair do hospital): 2,5 kg, 47 cm > Dois meses – 3,3 kg, 48 cm > Três meses e 10 dias – 5 kg, 54 cm > Quatro meses – 5,7 kg, 58 cm

“Toda vez que leio o Meu Filho me emociono, pois recordo a etapa na qual nenhuma mãe quer passar ou relembrar. Cada experiência é única, mas acredito que o amor dos pais e das famílias foi tanto, que em nenhum momento cogitamos que eles não iriam vencer a luta de viver, verdadeiros guerreiros.”

Karla Grupe,

mãe de Pedro e Rafael, gêmeos nascidos com 29 semanas

“Ver meu filho tão frágil e com tantos aparelhos e tubos foi difícil, mas a emoção da maternidade foi instantânea. Após 15 dias de vida, ele faleceu devido à prematuridade extrema, uma dor que faltam palavras para poder expressar. Conhecer histórias sobre outros adoráveis apressadinhos tem nos ajudado a ter forças para seguir adiante, a superar esta perda tão dolorosa."

Giovana Rotta, mãe de Allan (foto

acima),nascido com 26 semanas,e não resistiu à prematuridade


Apressadinhos