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Zênite Zênite Jornal da Maçonaria de Jundiaí e Região Ano 2 nº. 4 - Julho/ Agosto 2011 Versão Digital

Editorial

Parabéns Maçons e Demolays! Nós do Zênite estamos muito felizes pelas últimas conquistas, e o mais importante de tudo é que estamos recebendo muito material das Lojas de Jundiaí e Região. Pairava no ar uma dúvida sobre nos tornarmos eletrônicos, abolindo a impressão e preservando um pouco mais o meio ambiente, tão esquecido por todos; ledo engano. Fomos surpreendidos com uma quantidade enorme de contatos via e-mail, com sugestões, correções, introduções de artigos, fotos e etc. Conseguimos somar mais Irmãos em nosso corpo editorial de outras Lojas e da AMJ; no Facebook conseguimos nos comunicar de forma clara, rápida e objetiva. Os Demolays têm se apresentado na maioria das Lojas da região com entusiasmo e mostrando aos “tios” como devemos proceder em Loja, Maçons visitam as demais Lojas da região levando amizade, paz e prosperidade a outros Irmãos, enfim, isto nos mostra que Unidos somos fortes como instituição e prontos para o dever com a sociedade, a pátria e a família. O melhor de tudo é que agora pelas ruas da cidade, começamos a nos reconhecer, aquele sentimento de estar só acaba a cada esquina onde avistamos Irmãos e Sobrinhos. Isto nos traz a certeza de vivermos numa grande família! Temos planos de, em um futuro próximo, alocar em nosso site o indicador profissional, para que os Irmãos e Sobrinhos tenham como referência a família Maçônica de nossa região quando precisarem. Acreditamos que o propósito do Jornal está se realizando, ao estreitar ainda mais os laços que nos unem, mas contaremos sempre com sua colaboração. Nosso muito obrigado aos QUERIDOS IRMÃOS e SOBRINHOS! Ex abundanctia enim cordis os loquitur “A boca fala do que está cheio o coração”

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Agenda 1.08 - Inauguração da A\ R\L \S Barão de Jundiahy às 20h na Rua Ovídio Zambom, 273 Vila Hortolândia - Jundiaí. 5.08 - Jantar Dançante Beneficente em prol da ABCJ - Associação Beneficente e Cultural de Jundiaí com a Banda Santa Maria. Clube Jundiaiense - Sede de Campo às 20h. Convites esgotados. Obrigado! 22.08 - Jantar Ritualístico - Associação Maçônica de Jundiaí. Restaurante Rei do Sul, Salão Superior das 19h30 às 22h30.

Através do perfil de Walter Luiz De Oliveira Grupo Maçonaria Jundiaí

Datas Especiais A\R\L\S\ ULYSSES JORGE MARTINHO 9 JULHO DE 1981 - 9 JULHO 2011 30 ANOS A\R\L\S\ AMOR E CONCÓRDIA 14 JULHO 1893 - 14 JULHO 2011 118 ANOS A\ R\L\S\ BARÃO DE JUNDIAHY FUNDADA EM 16 DE MAIO DE 2011


Coragem para fazer o que precisa ser feito

Coluna do Venerável

Eu fui iniciado na Maçonaria no ano de 2002, aos 40 anos de idade. A minha loja na época, a Estrela de Jundiaí 325, reunia-se num espaço muito pequeno na Rua Senador Fonseca. Tratava-se de um templo pequeno e acanhado, mas com pessoas de energia muito intensa, além do amor e amizade que todos demonstravam. Isso tudo me fez criar um vínculo muito intenso com a ordem, e a cada dia eu estudava mais e me interessava mais, criava mais amizades e passava a admirar mais pessoas. Por um motivo burocrático, tivemos que sair daquele templo e como não tínhamos um imóvel próprio, fomos acolhidos às quintas-feiras, no templo da A\R\L\S Amor e Concórdia, onde permanecemos por quase 3 anos. Estes acontecimentos somente serviram para que nossa Loja se tornasse mais unida e determinada a construir o nosso próprio espaço e, com a colaboração de todos os irmãos, conseguimos construir a nossa própria sede, na Vila Hortolândia, que mais tarde foi dividida com a A\R\L\S Filhos do Sol 470. Em 2010, um grupo de Irmãos me indicou como candidato a V\ M\ da minha loja, e pela primeira vez na história daquela oficina, foram formadas duas chapas para concorrerem ao cargo de presidente. Eu fui eleito com 2/3 dos votos, e fui levado ao trono de Salomão em 24 de junho daquele ano. Acredito que, para se fazer uma boa administração, faz-se necessário um Secretário dinâmico, um Orador com poder de discernimento e um Tesoureiro capaz. E justamente os 3 irmãos que ocuparam esses cargos foram sempre honrados e estiveram em pé e à ordem para todos as tarefas. Descobri, porém, que uma eleição, que deveria ser um processo de democracia e opções, é na verdade algo muito desgastante. Digo isso porque embora aqueles que me indicaram e apoiaram terem sido meus parceiros por toda a venerança, os outros que haviam escolhido a outra chapa tomaram rumos diferentes, seja afastando-se temporariamente das reuniões, seja criticando de forma até agressiva as decisões tomadas. Acredito também que um bom Venerável Mestre deve ter como meta unir a sua Loja. Infelizmente, devido ao processo de eleição e as divergências de ideias, de linhas de trabalho e até de objetivos, a minha tão querida Loja não compartilhava mais uma mesma voz. Foi em função disso que, no final da minha gestão, ao notar dois grupos de irmãos insatisfeitos com a harmonia, apoiei a formação de uma nova Loja para que todos pudessem compartilhar novamente de uma Maçonaria gostosa e pacífica. Como o grupo que se prontificou a criar a nova oficina era justamente o que me apoiava, decidi que, ao finalizar o meu compromisso no trono, os acompanharia, e isso está acontecendo agora. A nova Loja, A\R\L\S\ Barão de Jundiahy 733, da qual o V\M\ provisório será o meu proponente e grande amigo Ir\ Carlos Alberto Basso, surge com força total e a A\R\L\S\ Estrela de Jundiaí permanece com sua Egrégora original e fazendo jus a sua antiga vocação de ser uma Loja Mãe, sendo presidida pelo meu Ir\ Jarles Solon de Assis Rocha. Após decisão de divisão, o que era previsto aconteceu: os dois grupos se entenderam e se uniram para que a transição acontecesse em paz. Terminei a minha Venerança na certeza de ter sim unido as pessoas, não em um única Loja, mas em dois grupos de pessoas que pensavam de maneiras distintas. Pude dizer que uni os iguais e fico feliz por ver que todos estão felizes e que a amizade voltou a reinar nos dois grupos e entre os dois grupos. Hoje posso dizer que presidir um grupo de pessoas que pensam de maneira idêntica pode ser difícil. Manter uma Loja unida com pensamentos diferentes é 3 vezes mais difícil. Mas ter coragem de tomar a decisão, de aceitar e incentivar uma divisão, de "dar a cara para bater" na certeza de estar fazendo o que é certo, isso é certamente difícil por 3 vezes 3. Fabio Eduardo Kachan Ex V\M\ da A\R\L\S\ Estrela de Jundiaí 325 atualmente A\R\L\S\ Barão de Jundiahy 733.


Aconteceu na


Maรงonaria


Ordem DeMolay

De cada 100 jovens que ingressam na Ordem DeMolay, cinco se tornarão Mestres Conselheiros de seus Capítulos. E pelo menos um desses dirá mais tarde que ele valorizou essa experiência em sua escola ou faculdade. Oito ou mais dos 100 iniciais terão pelo menos uma pós-graduação em alguma universidade. Muitos dos 100 encontrarão suas vocações através do seu envolvimento com a Ordem. A Ordem DeMolay tem produzido um bom número de homens que, após terem servido como Capelães em seus Capítulos, tornaram-se pastores, padres ou ministros. No percurso dessas mesmas linhas, diversos desses 100 DeMolays serão pela primeira vez apresentados a alguma forma de religião, ao atender, alguma igreja ou templo, devido a um serviço prestado pelo Capítulo. De cada 100 jovens que se tornam um DeMolay, trinta a abandonarão no seu primeiro ano. Talvez isso possa ser interpretado como uma falha. Mas no futuro, a maioria desses se lembrará que já foram DeMolays e falarão bem do programa e das lições que ela ensina. De cada 100 DeMolays, raramente um aparecerá perante uma corte ou estará em débito com alguma lei. Na verdade, a Ordem DeMolay produz um grande número de advogados. E, apesar de ser desconhecida a taxa exata, muitos dos 100 se juntarão às Forças Armadas. Cada um dos 100 aprenderá algo na Ordem DeMolay e a maioria será beneficiado por causa de sua associação com a Fraternidade. Novamente as porcentagens são desconhecidas, mas um número considerável daqueles 100 ingressará na Maçonaria. Dos 100 que se juntarem a Maçonaria, muitos serão líderes nas Organizações Maçônicas. Uma grande parte dos 100 vem de famílias sem um dos pais e vê em seus Consultores (Maçons) modelos positivos. Um de cada 100 será agraciado com a honraria Chevalier, a mais alta dada a um DeMolay ativo. Aproximadamente 16 dos 100 valorizará seu tempo na Ordem DeMolay de modo que voltarão à Ordem servindo como voluntário quando adulto. Apesar de apenas um de cada 1000 jovens americanos entre 13 e 21 anos já terem ingressado na Ordem, é interessante notar que muitos dos líderes da nação nas finanças, religião e política pertenceram a Ordem DeMolay na adolescência. Na verdade, 1 de cada 12 Governadores e 1 em cada 10 Senadores americanos é um Sênior DeMolay. Cem DeMolays... é igual a um gigantesco número de líderes. - Apenas o Brasil, Austrália, Canadá e Filipinas possuem Supremos Conselhos próprios. Os demais países estão ligados ao Supremo Conselho Internacional, em Kansas City. - O primeiro Capítulo a ser fundado no Brasil é o Rio de Janeiro, fundado em 16 de Agosto de 1980, e teve como primeiro Mestre Conselheiro o Irmão Jorge Mansur, filho do Tio Alberto Mansur, que trouxe a Ordem ao Brasil.

- Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil foi fundado em 12 de Abril de 1985. - O Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil fundou Capítulos na Itália, Bolívia, Paraguai e está para fundar na Argentina. - Ilustres DeMolays: John Wayne, Walt Disney, Bill Clinton, Bob Mathias, Elmer Lower, Alvin Dark, etc... - Desde a fundação em 1919, mais de UM MILHÃO de jovens já se ajoelharam perante os altares da Ordem DeMolay. - Em 1994, a Ordem DeMolay completou 75 anos de existência. Houve uma grande festa nos Estados Unidos comemorando o Jubileu de Diamante. Um estudo feito após a fundação e os primeiros tempos da Ordem DeMolay revelou uma dúvida em alguns Maçons: se a Ordem foi sempre de inspiração Maçônica. Aparentemente esta era a intenção e o fervoroso desejo do fundador Frank Sherman Land. Desde o início, com o apoio só do Soberano Inspetor Litúrgico do R.E.A.A. da Maçonaria em Missouri EUA - Juiz Alexandre Cochran, os líderes Maçons davam assistência ao crescimento e desenvolvimento da nova organização que florescia. Alguns anos mais tarde, já era frequente ouvir na Maçonaria Americana que "DeMolay" foi a primeira nova ideia tida pela maçonaria em 200 anos. Durante os 74 anos de história da Ordem DeMolay, a instituição e seus líderes foram muito cuidadosos para não apresentarem a Ordem DeMolay como Organização Maçônica Juvenil, mas sim uma organização sob o patrocínio da Maçonaria, apesar do público em geral identificá-la como tal, e muitos dirigentes da Maçonaria referirem-se à Ordem como o futuro da Maçonaria. Desde o início, os membros da Ordem DeMolay eram recrutados entre os filhos de Maçons e seus amigos. Somente Maçons podem servir como Consultores nos vários Capítulos e somente organizações Maçônicas podem patrocinar Capítulos da Ordem DeMolay. Fontes: * 1990 United States Census * 1992 International Supreme Council Proceedings * 1992 DeMolay Year End Membership Status Report * March, 1993 DeMolay Service & Leadership Center Reports


Memória Maçônica

ULYSSES JORGE MARTINHO Passado o dia 9 de Julho, ocasião em que a A\R\L\S\ Ulysses Jorge Martinho - parte integrante do Grande Oriente de São Paulo e Grande Oriente do Brasil - completa 30 anos de vida, transcrevemos texto publicado por nosso Irmão José Fernandes da Silva na revista “Construtores de Pontes – Ano 2 – Número 3” do mês de Abril de 2002.

A\R\L\S\ Ulysses Jorge Martinho, seu nascimento já estava traçado em nossa fé de Maçom, ela já existia embrionária na pessoa de Ulysses Jorge Martinho que, em vida, plantou pensamentos positivos e conduziu homens, mostrando-lhes o caminho da luz ao afirmar que: “A cegueira em que nos encontramos ao sermos iniciados nos revela a necessidade que temos do auxílio dos mais experimentados, para chegarmos ao ponto em que nos seja dada a luz, podendo de tal modo fugirmos da escuridão que nos cerca” e, “o Sol e a Lua aquele no oriente e esta no ocidente, significam que o maçom não encontrará trevas pelo seu caminho, pois encontra nesses dois astros os raios benéficos. A exemplo do astro da noite que recebe e transmite as suas luzes benéficas, também o maçom deve receber e transmitir os seus ensinamentos àqueles que ainda se encontram nas trevas da ignorância. Descrevendo o tema: Pensamento e vontade, Ulysses afirma: “Desde a aurora luminosa da civilização, nasceu no homem o íntimo desejo de progresso e trabalho mercê da necessária adaptação com o sistema evolutivo dos seres e da própria existência”. Ao analisar a filantropia, nosso patrono o faz com responsabilidade que deve ter um maçom ou qualquer pessoa consciente, pois dizia ele: “Muito se fala de movimentos filantrópicos de caridade e beneficência, dos deveres dos mais afortunados em prol dos menos favorecidos de sorte. No entanto, nem sempre caridade e beneficência chegam a completarem-se por força de um erro de procedência, ainda que lhes sobrem razões de pura intenção caritativa e benéfica e continua seu pensamento afirmando que: “Outro fato que merece nossa consideração é o benefício que procede de pensamentos versados em compaixão e comiseração, colocando o necessitado em estado de inferioridade. Tais pensamentos, longe de trazerem qualquer benefício, apenas contribuem para abater ainda mais o estado desesperado do necessitado e jamais fará com que se realize o levantamento do seu moral, por lhe faltar o apoio dado pela confiança em si mesmo”. A propósito, gostaríamos de deixar também nossa mensagem afirmando que: queremos ser eternos, como Irmãos, e nunca efêmeros como os cargos. Vamos ser íntegros sem o calor falso dos elogios, e sem o sabor amargo das difamações. Não é só dividindo que se domina. Não é só lutando que se vence. Não é só dizendo que se cumpre, mas somente unindo é que se multiplica. Somente na paz é que se prospera. Somente fazendo é que se realiza. Seremos sempre mestres jardineiros, semeando um jardim de fé, mantendo vivas as rosas da fraternidade, num canteiro de paz e amor. Meus queridos Irmãos, a “Ulysses Jorge Martinho”, na constelação Maçônica, ao convocar os homens que hoje a integram, o fez para que pudéssemos formar a grande “Faculdade Simbólica”, onde possível se tornem através dos estudos a formação do caráter e da inteligência dos que nela ingressem, mesmo aqueles que já possuem cultura, para que, pela palavra escrita e falada, possam conhecer e interpretar a beleza do simbolismo e difundi-lo no meio maçônico e profano, dentro de suas limitações, mostrando o quanto de belo existe nos princípios, nos ensinamentos e na filosofia dessa Fraternidade Universal.


Abraços Fraternais José Fernandes da Silva

Memória MemóriaMaçônica Maçônica

Gostaria de dizer também que um templo maçônico é mais que a simples superposição de materiais, estaticamente equilibrados, seguindo um estilo arquitetônico pré-fixado. É muito mais. É uma casa de Irmãos unidos pelo mesmo ideal, congraçados à sombra benfazeja da amizade, laborando por uma maior aproximação e melhor entendimento entre os homens. É o dispositário da semente que faz germinar a solidariedade, a tolerância, a beneficência. É o núcleo da ação que elabora e fixa os destinos da pátria, pela atividade moralizadora dos costumes, pela intervenção direta nos órgãos que as estruturam. É a sede de um organismo dinâmico, atuante, atualizado e efetivo. É a posição da luta contra grupos dirigentes que abandonaram a pátria; dos descalabros administrativos e financeiros, como autênticos exploradores que são, da boa fé desse povo generoso, que lhes servem de estribo para a satisfação de suas desmedidas ambições. É uma atitude viril no sentido que se modifique o conceito de que: “Existir é lutar, viver é servir, e viver é cooperar” para que a palavra pobre, proletário, perca o seu sentido assustador e terrífico, e passe a significar homem de vida digna e decente na plenitude dos direitos que lhe são conferidos pelo Grande Arquiteto do Universo. Então meus queridos Irmãos, esta é a caminhada da busca do aperfeiçoamento em que todos nós estamos empenhados. Lembro da segurança e certeza do principio do ano de 1980 até quanto tornou-se possível a fundação desta Loja, oportunidade em que homens de boa vontade, acreditando na boa causa, não mediram esforços no sentido de que o ideal maçônico fosse plantado no oriente de Jundiaí. Foram eles Juan Taíbo, Carlos Sarmento, Ryad Askar, François Giner, Oswaldo de Freitas, e muitos outros autores desse ideal completado. Hoje lembramos as administrações de Ângelo Lovatto, Oswaldo de Freitas, Paulo Roberto Chenquer, Umberto Fioravanti, Ary Émerson de Moraes, Wilson Macieira, Mauro Tracci, Evgeni Kabuclow, Rubens Vasquez, Francisco de Assis Guimarães, Fulvio Della Nina e atualmente Jayme Cândido de Mello. A esses valorosos Irmãos administradores, eu, José Fernandes da Silva, e todo quadro de Obreiros, do passado e do presente, damos os nossos parabéns e rogamos ao Grande Arquiteto do Universo que nos dê toda a oportunidade de ver comemorar outras datas de aniversário da “Ulysses Jorge Martinho”.


Memória Maçônica

30 anos da A\R\L\S\ Ulysses Jorge Martinho Homenagem a Maria Cristina Castilho de Andrade – Medalha 9 de julho Para algumas pessoas, chega um tempo em que o seu mundo encolhe. Para outras não, embora possuam dificuldades semelhantes. Há quem enfrente as fronteiras de seus dias, após um acontecimento trágico, um acidente, ou limites do tempo, com olhos para o horizonte e há quem observa apenas onde pisa, amedrontado com os obstáculos, e existem, ainda, aqueles que trazem de volta uma situação bonita do passado a fim de que, com a emoção da saudade, amenize as dores do presente. Em conversa com um senhor que saiu, não por vontade própria, de seu canto, para o outro, no qual não existem referências sobre sua história e nem mesmo espaço para levar com ele um pouco do que ajuntara com lembranças do que viveu, contou-me das galinhas e patos que agora cuida, como outrora, em sua infância e adolescência. É um senhor de bom nível cultural e que, para estudos e por desejar paisagens exóticas, venceu a distância entre os continentes e guardou com ele as pirâmides do Egito e o azul do gelo na Antártida. Criou os filhos com o seu mesmo anseio: vencer os muros e ampliar o quintal com jardim de seus pousos. Relata e insiste que cuida das galinhas e dos patos e da alegria deles quando o veem chegar com alimento ou não. Alegria pela presença dele. Comunhão de amor. Ilusão apenas. No lugar em que reside, atualmente, em meio a rostos desconhecidos, se bem que convivam, passam somente bandos de andorinhas com ninho no poente. A fala dele me questiona. Onde se encontram, em sua memória, os quatro filhos? E os netos? Para que lugar foram as impressões de viagem? E os oceanos? E os tapetes de nuvens sobre os quais voou? E as obras artísticas que observou em museus e exposições de capitais de diferentes países? Foram para que lugar o aconchego aos filhos e netos, os abraços, os beijos ternos, os aplausos para os seus? Parece-me que gravou nele, após oito décadas de vida, somente o cercado do galinheiro e o pequeno lago com patos, nos quais ele adentra, em sua imaginação, para cuidar e se sentir amado. Que triste, meu Deus! Mas ele se consola ali, sobrepondo a ternura das aves à racionalidade tantas vezes egoísta do ser humano. E ao recontar sobre sua experiência de ser amado no lugar em que as aves se recolhem, abre um sorriso imenso, que creio derrubar a cerca de arame farpado de seus limites. Que poderá ter acontecido com ele, após vivências diferentes, para, em tempo de confusão mental, recordar-se somente da festa que lhe fazem, no imaginário, as galinhas e os patos? Que poderá ter acontecido com ele para o seu mundo se encurtar tanto? “Há um tempo para cada coisa debaixo do céu”, diz a Bíblia. E a Palavra de Deus é sábia. No tempo em que o mundo encolhe, a vida não perderá sua amplitude se tivermos caminhado, apesar de nossas fragilidades, em comunhão de amor com o Eterno. Creio nisso.

Maria Cristina Castilho de Andrade É educadora e coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher/ Magdala, Jundiaí, Brasil


O Escotismo e a Maçonaria

No livro “A Maçonaria”(1998), o investigador argentino Emílio J.Corbiére afirma que : “ No século XX, os maçons apoiaram importantes organizações esportivas, pacifistas ou direcionadas a internacionalizar os países e o mundo inteiro sobre a bandeira da Paz.” E cita alguns exemplos : “ O maçom suíço Henry Dunant criou a Cruz Vermelha Internacional, Robert Baden Powell fundou o Movimento Escoteiro, visionário e pioneiro, assim como outro maçom, Pierre de Coubertin, refundou os Jogos Olímpícos.”

Alguns pontos de contato podemos enumerar : 1) A promessa escoteira como uma iniciação do aspirante(profano) em iniciado. 2) Uso e reiteração do número 3. No escotismo existem três princípios e três virtudes, enquanto na Maçonaria se fala em três luzes e das três luzes menores. Os escoteiros basicamente têm três graus de adestramento (Noviço,Segunda e Primeira Classe) enquanto que na Maçonaria existem os três graus simbólicos: aprendiz, companheiro e mestre. 3) Os escoteiros e maçons apertam a mão de uma maneira especial e simbólica. 4) É significativo o uso do termo “lobinho” e toda uma mística inspirada no livro de conteúdo maçônico, igual ao Kim. 5) A ajuda ao próximo é uma particularidade de ambas as instituições. 6) Se utiliza o termo “irmão escoteiro” ou “irmão maçom”, dando a entender a existência de uma Irmandade mundial. 7) A Cadeia da Fraternidade (as mãos apertadas de forma igual)existe nas duas organizações em alguns momentos especiais. Para reforçar a ideia do Escotismo nascendo da Maçonaria, vamos falar de alguns pontos: A amizade de Baden Powell com Maçons ilustres; mais que amizade o sentimento fraterno de B.P. com o Duque de Connaught e Rudyard Kipling, dois notórios maçons. A amizade de Baden Powell com o Duque foi tal que B.P. colocou o nome de seu primeiro filho Arthur Robert Peter (Arthur pelo duque, Robert pelo seu pai e Peter pelo personagem Peter Pan.) Quem afirma que B.P. foi maçom supõe que foi o Duque que iniciou BP nos mistérios da Irmandade, já que ele era Grão Mestre da Grande Loja Unida da Inglaterra. É muito significativo que a pessoa que Baden Powell nomeou como Presidente dos Escoteiros da Inglaterra, seja ao mesmo tempo Grão Mestre dos Maçons deste país. Um dos principais incentivadores do Escotismo foi o Rei Inglês Eduardo VII. Ele havia sido iniciado na Maçonaria de Estocolmo pelo Rei da Suécia em 1868. Na Inglaterra, atuou como Venerável na Loja Príncipe de Gales n.º 259, onde iniciou a seu irmão, o Duque de Connaught. Rudyard Kipling é um capítulo à parte na história do escotismo e na vida de BP. Este o conheceu na África do Sul em 1906. Dois anos mais tarde, quando Baden Powell escreveu sua obra “Escotismo para Rapazes”, dedicou um bom espaço ao personagem de Kipling conhecido como Kim. Kimbal O´hara era um jovem órfão que vivia na Índia e era filho de um maçom inglês, conforme revela a obra de Kipling em seu primeiro capítulo. Em 1914, quando B.P. tentava criar uma unidade para irmãos menores dos escoteiros, decidiu utilizar o livro de Kipling “O livro da Selva” para modelar uma nova mística inspirada em Mowgli. Pediu autorização ao autor, e diz Baden Powell que este “era um bom amigo do escotismo desde seus primórdios, autor da canção oficial dos escoteiros e pai de um escoteiro”. É interessante que o nome escolhido para estas crianças, “lobinhos”, é o nome que os maçons dão às crianças “adotadas” pela Irmandade.( Lowtons é uma designação muito antiga e significa “jovens lobos”). Estas três pessoas (o Duque, o Rei e Kipling), de notável influência sobre Baden Powell, pertenciam à Ordem Maçônica. Para alguns, o impulso na fundação do Escotismo esteve dirigido por maçons. Na França, o barão Pierre de Coubertin; nos EUA, existiram dois grandes homens que colaboraram na criação do Boy Scouts of America : Ernest Thompson Setton (escoteirochefe nacional) e Daniel Carver Beard (Comissário Escoteiro Nacional), este último reconhecido franco-maçom. Robert Stephenson Smyth Baden-Powell foi um tenente-general do Exército Britânico, fundador do escotismo. Seu pai era o reverendo Baden Powell, professor catedrático em Oxford. Sua mãe era filha do almirante inglês W. T. Smyth. Seu pai morreu quando Robert tinha aproximadamente 3 anos, deixando a sua mãe com sete filhos, dos quais o mais velho não tinha ainda 14 anos. Robert viveu uma bela vida ao ar livre com seus quatro irmãos, excursionando e acampando com eles em muitos lugares da Inglaterra.

fonte: wikipedia


Além destes, dois presidentes americanos colaboraram ativamente com a obra de Baden Powell. Um deles, Roosevelt, é citado no livro «Escotismo para Rapazes». Roosevelt foi nomeado Vice-Presidente honorário dos Boy Scouts of América ao se fundar a instituição. E era um porta-voz maçônico em todo o Mundo. O outro presidente que lutou pela causa escoteira foi Willian Taft, que se encontrou com o chefe escoteiro mundial em 1912 e lhe prometeu total apoio na difusão do escotismo nos EUA. Taft foi iniciado em 1909 e foi fotografado em várias oportunidades com o malhete maçônico que pertenceu a George Washington. Com tão obviamente maçônica companhia ao longo do desenvolvimento do escotismo e de toda sua vida , como duvidar da participação de Baden Powell na Ordem Maçônica? Com tantos pontos em comum, como duvidar de que o Escotismo e a Maçonaria beberam da mesma fonte? Se não existem indícios que Robert Stenphenson Smith Baden-Powell tenha um dia sido iniciado na Maçonaria, se não existem indícios que Rudyard Kipling tenha interferido na Metodologia Educacional do Movimento Escoteiro, como surgiu esta relação tão estreita? (retirado do trabalho do Ir.`. Fábio Giunti) Fonte texto: http://www.orientedesantos.com.br

fonte imagem: http://carlosjunior.blog.br


Documentos históricos deixados em sacos de lixo são restaurados em SP Especialistas tentam recuperar parte do acervo do Museu Maçônico, do Rio. Acervo conta a história da Ordem e também do Brasil Império. Carolina Iskandarian Do G1 SP

Curiosidades

Foto: Carolina Iskandarian/ G1

Documentos que contam sobre a Maçonaria foram destruídos por traças, cupins e pela má conservação (Foto: Carolina Iskandarian/ G1) Há um ano, quando pisou no Museu Maçônico do Palácio do Lavradio, no Centro do Rio, com a incumbência de recuperar o acervo, o restaurador Tércio Gaudêncio não tinha ideia de que seu trabalho seria muito maior. Até hoje, ele revira os sacos de lixo onde foram despejados livros e documentos históricos. A maioria traz informações sobre a Maçonaria e o Brasil Império. Gaudêncio conta que, se não tivesse passado pelo depósito do prédio, não teria esbarrado naquele “tesouro”, que agora passa por restauro em São Paulo. “Estava tudo em 251 sacos pretos de lixo de cem litros. Sem saber o que tinha dentro, fomos abrindo documento por documento e começamos a descobrir coisas fantásticas”, diz o restaurador em sua oficina, na Zona Sul da capital paulista. Entre os documentos recolhidos, o especialista, dono de uma empresa de restauração, aponta raridades. Ele calcula que trouxe em três caminhões para São Paulo cerca de 17 mil documentos, sete mil livros, 30 gravuras e 13 quadros. Uma das raridades é um decreto do rei português D. João VI, datado de junho de 1823, com, entre outras, a seguinte ordem contra os maçons: "todas as sociedades secretas ficam suprimidas (...) e nunca mais poderão ser instauradas". No acervo, há ainda atas de reuniões da Maçonaria no século 19 e documentos sobre a proclamação da independência do Brasil. Agora bem guardada em uma caixa está uma Bíblia, que, segundo Gaudêncio, é de 1555 e foi escrita em aramaico, grego antigo e latim medieval. “D. Pedro I ganhou quando se casou. Só existem três edições desta no mundo”, afirma ele sobre a raridade. A publicação ficava exposta aos visitantes em uma vitrine, o que não impediu o estrago. “Jogaram a capa original fora e colocaram outra com uma cola muito ruim”, conta Ruth Sprung Tarasan, uma das coordenadoras do trabalho de restauro. Irregularidades Marcos José da Silva, o grão-mestre geral do Grande Oriente do Brasil (ao qual estão subordinadas muitas lojas maçônicas no país), admitiu ao G1 que o prédio onde fica o museu não está em boas condições e sofre com infiltrações, cupim e mofo, entre outros problemas. Ele disse não saber por que parte do acervo estava em sacos de lixo e atribuiu à “falta de uma pessoa habilitada” o fato de o material ter sido acondicionado daquela maneira.


“É desconhecimento, falta de uma pessoa habilitada. Durante muitos anos o acervo não teve a manutenção devida, verificamos em que estado ele estava e resolvemos enfrentar o desafio”, contou ele, sem revelar quem cuidava do museu e quanto custará o trabalho de restauro das peças e de reforma do prédio. A organização, que tem sede em Brasília, assumiu a direção do local em setembro de 2009. Silva disse preferir acreditar que os livros e documentos históricos não iriam para o lixo. “Acredito que estavam ali para futura apreciação.” As obras começaram em março de 2010 e ele não deu previsão de término. Da Maçonaria Por ser maçom e ter muita experiência no ramo, Gaudêncio assumiu a restauração de parte do acervo do Museu Maçônico, o primeiro da categoria na América do Sul. Enquanto ele se debruça sobre livros e papéis destruídos por traças, cupins e mofo, o prédio do museu na capital fluminense passa por reformas. Parte do material que está sendo recuperada estava nos sacos plásticos pretos. “Ia tudo para o lixo. Dá para imaginar quanta pesquisa a gente podia fazer com isso?”, questiona Ruth, que também é historiadora. “Sou obrigado a ler os documentos e começo a cair de costas porque a história dos livros não é a mesma. Aqui, tenho os originais dos grandes maçons da época. E só quem é da Maçonaria pode mexer nisso”, ressalta Gaudêncio, entusiasmado com o trabalho que teve início em 2010 e que pretende entregar no segundo semestre deste ano. O processo de restauração inclui encadernar os livros, recuperar o papel destruído e retocar a tinta das palavras. Para garantir a perpetuação do material, Gaudêncio e sua equipe digitalizam o que conseguem salvar. “Já temos 14 mil documentos digitalizados”, diz ele. O G1 esteve no escritório de Gaudêncio e viu quando a restauradora Ana Maria do Prado tentava recuperar a cor original de dois quadros: o do general Osório e do visconde de S a p u c a í . “O desenho tem muito retoque. Muita gente mexeu; o verniz está oxidado”, revela Ana Maria, que põe na ponta do pincel uma tinta especial para restauradores. “Ela é reversível. Sai com qualquer solvente e não ataca a pintura original”, explica. “Hoje em dia, tudo tem que ser reversível. Não se sabe o que vamos achar daqui a 20 anos”, completa Ruth. De acordo com Luiz Alberto Chaves, integrante do Grande Oriente do Brasil em Brasília, o prédio do museu na Rua do Lavradio foi comprado em 1840 e passou por dois anos de reformas. Foi sede da Maçonaria até 1978, quando houve a transferência para Brasília.

Foto: Carolina Iskandarian/ G1

Curiosidades

Ruth, Gaudêncio e Ana Maria (de amarelo) mexem em quadro que está sendo restaurado

Maçonaria e a Independência Apesar de o imperador D. Pedro I ser da Maçonaria, para a professora de história Miriam Dolhnikoff, da Universidade de São Paulo (USP), ele não foi tão influenciado pelos maçons quando declarou a independência do Brasil em 1822. “A Maçonaria não teve toda essa importância no processo de independência. Ela era um espaço de debate político entre outros espaços”, explica Miriam. “Ele (D. Pedro I) foi maçom porque na época todos da elite eram”, completa a professora. Segundo ela, a Maçonaria defendia que o Brasil deixasse de ser colônia portuguesa, por isso, as críticas do rei D. João VI ao movimento. (Fonte: http://g1.globo.com/saopaulo/noticia/2011/02/documentos-historicosdeixados-em-sacos-de-lixo-sao-restaurados-emsp.html)

Foto: Carolina Iskandarian/ G1

Gaudêncio mostra gravura que precisa de restauro


A Maçonaria e a Política ou: do limão a limonada.

As mazelas da liberdade Jacintho Del Vecchio Junior e-mail:delvecchio@usp.br Recente julgamento do Supremo Tribunal Federal, órgão máximo do judiciário brasileiro, decidiu por unanimidade a impossibilidade de considerar as manifestações de defesa à descriminalização da maconha como delito de apologia ao crime, previsto no artigo 287 do Código Penal. O voto sustentado pelo ministro Celso de Mello, relator do processo, reivindica a primazia do direito à liberdade de expressão, um dos direitos fundamentais do cidadão, de acordo com o artigo 5º da Constituição Federal. Um dos argumentos empregados no sentido de consolidar seu posicionamento foi a oportunidade de discutir, em nível social, a adequação dos tipos e princípios do Código Penal à modernidade, de forma a aproveitar as manifestações populares como forças transformadoras do ordenamento jurídico brasileiro. Naturalmente, trata-se de uma decisão polêmica, apesar de previsível, se levarmos em conta os princípios estabelecidos pelo direito pátrio. Poder-se-ia resumir grosseiramente a motivação da decisão da seguinte maneira: diante do conflito entre um tipo penal e um princípio constitucional, a primazia deste último foi resguardada. Esse fato, todavia, pode constituir uma oportunidade de reflexão acerca da difícil tarefa de compatibilizar nossos princípios com as consequências a que eles podem levar, sobretudo se considerarmos os aspectos paradoxais de uma realidade social tão complexa e multifacetada como a que vivemos atualmente. Afinal, a decisão do STF foi tomada às vésperas da Semana Nacional Antidrogas, em um momento em que o governo, em todos os níveis, investe uma soma considerável de verbas públicas no combate e na prevenção contra drogas. Temos a impressão de que estamos remando ao mesmo tempo para lados contrários, e que o resultado disso pode ser ainda pior do que simplesmente não sair do lugar. Sabemos que a autonomia entre os três poderes (isto é, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário) é também um princípio constitucional, e que se impõe como uma necessidade basilar em um estado democrático de direito. Todavia, também não há como ignorar que parece haver um descompasso grave, quando percebemos que uma ação que constitui uma política de governo construída com muito custo é colocada em xeque por outra esfera de governo, em nome de uma petição de princípio. A questão da descriminalização da maconha e a forma como o STF julgou a legalidade das manifestações nesse sentido ganharam notoriedade sobretudo devido às paixões que despertam de ambos os lados. De um lado, políticos e representantes do terceiro setor vieram a público para declinar o “absurdo” em que consistiu a decisão do Tribunal. De outro lado, os defensores da legalização da venda da maconha, que seja lá qual for sua motivação (o vício, o interesse econômico, ou mesmo um respeito incondicional à liberdade em sua forma mais ampla e irrestrita) comemoraram a decisão. Todavia, nossa maior dificuldade reside em reconhecer que esses posicionamentos extremados não nos conduzem a lugar algum. Tentemos, portanto, outra abordagem ao problema. Tendo em vista que é com base no conceito de liberdade como um valor fundamental para a democracia que essa polêmica decisão foi tomada, sugiro traçar aqui algumas considerações acerca dessa noção de liberdade, o que pode lançar alguma luz para compreendermos melhor essa controvérsia. Não há dúvida de que o STF deve ser uma esfera alheia a pressões sociais e políticas, e que tem por dever inequívoco lastrear suas decisões naquilo que a Constituição Federal estabelece como esteio para a organização política do Estado. O “império da lei”, ainda que por vezes indigesto, é uma garantia por demais valiosa para ser simplesmente objetada ou relegada a segundo plano. A história política do Brasil já demonstrou esse fato por mais de uma vez. Assim, nós, homens do século XXI e legítimos herdeiros de tudo o que representou a Revolução Francesa, tendemos naturalmente a reconhecer a liberdade como um direito inerente à natureza humana e, por isso mesmo, inalienável. Um diagnóstico que podemos sugerir é o da profunda mudança que temos vivenciado desde o final do século XX. A chamada “era da informação”, com todas as nuances que lhe são próprias, não traz apenas benesses, mas também desafios para as relações humanas. Nossa vida é cada vez mais exposta, mas as relações de interdependência que experimentamos em nosso cotidiano parecem acentuar-se na mesma medida de nossa capacidade de comunicação, e da impessoalidade cada vez mais gritante dessas mesmas relações. Essa nova realidade torna todos nós cada vez mais responsáveis por nossas ações, pois elas impactam mais contundente e imediatamente nossos semelhantes.


Mas a questão não é tão simples, pois o conceito de liberdade pode ser travestido de uma série de formas e direcionamentos com consequências nefastas. Um dos meus professores tinha o hábito de dizer que as premissas mais simples e inocentes podem levar aos resultados mais imprevisíveis e perigosos. Uma liberdade absoluta e irrestrita certamente não pode ser compatível com a vida em sociedade. Nisso todos os contratualistas concordavam. Os direitos individuais e coletivos seriam justamente aqueles preservados e garantidos pelo Estado, para compatibilizar em um nível aceitável as demandas individuais conflitantes. A máxima bem conhecida “os seus direitos terminam onde os meus começam”, ou coisa que o valha, pode ser vista como uma solução que por muito tempo norteou a possibilidade de harmonizar os interesses díspares dos indivíduos. Ocorre que, hodiernamente, uma solução fundada nesse pressuposto soa evidentemente como ingênua. Isso porque uma “equação” dessa natureza, que estabelece limites mútuos às expectativas de direito dos indivíduos, não pode mais ser considerada como uma espécie de equilíbrio perfeito. Essa equação ganha inúmeras variáveis na medida em que a sociedade e o Estado tornam-se cada vez mais complexos. Vide a questão em tela. A descriminalização do comércio da maconha não aceita uma solução simplista. Na década de 90, ouvia-se “legalize já, porque uma erva natural não pode te prejudicar”. Nada mais errôneo e despropositado. Não é necessário insistir no número de pesquisas científicas que demonstram os efeitos nocivos da maconha. Esta não é, todavia, apenas uma questão que pode ser discutida sobre bases do que a ciência aponta. Afinal, o tabagismo de um modo geral, bem como o consumo de bebidas alcoólicas, não se distinguem muito do consumo de maconha naquilo que lhe é essencial. As milhares de substâncias tóxicas que compõem o cigarro, bem como os malefícios que causam, estão estampadas nos próprios maços de cigarro. Estatísticas mostram uma correlação notável entre o consumo de bebidas alcoólicas e as taxas de homicídio em vários rincões do Brasil, assim como com acidentes de trânsito graves. Nesse sentido, o canto da seria se faz ainda mais sedutor: porque a maconha, que muitos defendem ser menos maléfica que cigarro e álcool, não pode ser legalizada? Não pretendo responder aqui a essa pergunta, mas apenas apontar as dificuldades que ela enseja. Apesar de pouco maléfica, é sabido que a maconha é, como diz o jargão popular, a “porta de entrada” para outras drogas mais fortes e destrutivas. O pretexto de que a legalização acabaria com esse elo parece muitíssimo frágil, ao menos para mim. Logo, o que está em jogo é dizer qual o direito do Estado em proibir o consumo de determinadas substâncias por parte dos cidadãos, em nome da saúde pública. Estabelecer qual o limite para esse alcance do Estado em detrimento da vontade dos cidadãos é uma resposta ainda mais complexa. Afinal, o controle dos alimentos que reconhecidamente causam males à saúde também vem merecendo uma atenção cada vez mais detida dos organismos governamentais. Chegaremos ao ponto de proibir a feijoada, os doces e batatas fritas porque fazem mal à saúde? Qual será o parâmetro e o limite para o controle estatal e suas “proibições”? Poder-se-ia argumentar que a liberdade do cidadão consubstancia-se na condição de escolher o que bem lhe aprouver; lembremos que, para Sartre, o homem está condenado a ser livre. É sua, e exclusivamente sua, a responsabilidade da escolha do caminho que decida seguir. A dificuldade, entretanto, consiste em compatibilizar essa asserção filosófica com a práxis de uma sociedade que passa por transformações tão rápidas e intensas como as que testemunhamos. De fato, não é apenas a minha escolha no que diz respeito ao consumo de drogas que importa, mas como o consumo de drogas reconhecido e aceito pelo Estado pode ser decisivo para minha vida, tanto no que diz respeito à segurança, cultura, ou até mesmo nos gastos da saúde pública que eu, como bom pagador de impostos, ajudarei a saldar. Onde fica, por exemplo, meu direito de educar meus filhos longe do assédio das drogas, incluindo o cigarro e as bebidas? Esse status quo também impõe novos desafios ao Estado, enquanto responsável por regular essas relações em metamorfose permanente e cada vez mais rápida. Todavia, é desnecessário insistir no fato de que o Legislativo, que deveria ser o grande locus de debate e percepção dos anseios da sociedade, não cumpre esse papel de maneira satisfatória. Para que isso acontecesse, seria necessário, antes de tudo, que os representantes do Legislativo, em seus diversos níveis, atuassem realmente em nome e com vistas ao bem comum, ao contrário de representarem forças antagônicas procurando viabilizar apenas suas próprias demandas. Enquanto isso não ocorre (e, de fato, nada indica que acontecerá tão cedo), a política degenera em politicagem, e as questões realmente importantes e necessárias são relegadas a segundo plano. Mas tudo isso acontece sob os auspícios e em nome dos mais altos ideais de liberdade política. Claro que o tema é complexo e controverso, e os cientistas políticos e filósofos debatem-se ao procurar uma saída nesse intrincado labirinto que, infelizmente, não reivindica apenas consequências de cunho teórico. Por isso mesmo, não há a pretensão de apontar uma solução para essas questões em um texto tão breve. Mas a pergunta fundamental que este artigo destina ao leitor é a seguinte: estamos realmente dispostos a arcar com as consequências de nossos princípios, sejam elas quais forem? A meu ver, essa questão permanece ainda sem resposta.


Jornal da Comunidade Maçônica de Jundiaí e Região.

Fundado em Março de 2010 Edição N.04 Ano 02 - Julho/Agosto de 20 Formato Digital www.jornalzenite.com.br

A moralidade e o destino do homem “Na esfera dos acontecimentos que decidem a sorte da humanidade, vale a pureza da intenção, não o aspecto aparente das coisas. O chão firme debaixo dos pés está alicerçado nos princípios morais da razão. Consentiremos em nos deixar guiar pelo espírito, de modo a criarmos novas condições de vida para o retorno da cultura, ou prosseguiremos recebendo o contágio espiritual do tumulto da situação reinante, perecendo com ela? Tal é a interrogação inquietante diante da qual estamos colocados. A verdadeira compreensão da realidade consiste em reconhecer que única e exclusivamente os princípios morais da razão é que podem estabelecer a devida conexão entre nós e a realidade. Somente por eles e mediante eles é que o homem e a sociedade conseguem a força necessária para dominar os acontecimentos. Sem eles, façamos o que fizermos, empreendamos o que empreendermos, estamos atados de pés e mãos e entregues ao capricho dos acontecimentos.” Albert Schweitzer, maçom, teólogo, médico e músico. Trecho extraído da obra “Decadência e Regeneração da Cultura” Ed. Melhoramentos, 1959, p. 70

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