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ECONOMIA 7

Quarta-feira, 19 de Outubro de 2016

Na Alemanha, Côrte defende qualificação para indústria 4.0 Presidente da Fiesc debateu o tema no 1º dia do Encontro Econômico Brasil – Alemanha, na Turíngia, onde também assinou acordo entre a Investe SC e a LEGThüeringen

I

nvestir na educação e requalificação de trabalhadores, professores, empresários e dos departamentos de recursos humanos; em novos métodos de ensino, além de criar parcerias entre diferentes setores, estimular maior participação das mulheres no campo tecnológico e modernizar as relações trabalhistas. Essas devem ser as prioridades para preparar o Brasil para a indústria 4.0, defendeu nesta segunda-feira, dia 17 o presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina - Fiesc, Glauco José Côrte, durante painel sobre o tema no Encontro Econômico Brasil – Alemanha (EEBA), que ocorre na cidade de Weimar, no Estado alemão da Turíngia. O painel debateu os desafios brasileiros para a inserção do País na indústria 4.0 e

como evitar o aumento do gap de competitividade entre o Brasil e alguns de seus principais competidores. “Sem educação não melhoraremos a qualidade de vida dos trabalhadores e de suas famílias”, afirmou Côrte. Para ele, o Brasil tem desafios e oportunidades com o avanço da indústria 4.0, também chamada de manufatura avançada. Na opinião de Côrte, se aproveitar o momento e se preparar, o País poderá pular etapas no seu desenvolvimento e alcançar os países líderes em tecnologia industrial, como Alemanha, Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul. A chamada indústria 4.0 é a evolução da automação, com uso da internet e outras tecnologias, que permitem a produção inteligente e a customização em massa, além de reduzir as ineficiências nos processos. Digitalização, inteligência artificial, sensores, robótica colaborativa e manufatura híbrida passam a ser elementos-chave no processo produtivo. A indústria 4.0 ocorre, explicou o presidente da Fiesc, num contexto em que os custos da tecnologia caem – tornando as máquinas inteligentes mais baratas; a digitalização cresce e facilita o compartilhamento da informação; e a inovação ocorre de maneira mais colaborativa. Em paralelo, o mundo do trabalho passa por transformações estruturais. “30% dos trabalhos hoje realizados não existiam há dez anos e 65% das crianças

de hoje vão trabalhar em atividades que não existem ainda”, alertou Côrte, citando dados da pesquisa O Futuro do Trabalho, do Fórum Econômico Mundial. Conforme estudo da Mckynsey, trabalhos como gestão e aplicação de conhecimento são menos suscetíveis à automação, enquanto os relativos à coleta e processamento de dados, além dos trabalhos manuais previsíveis, são os mais propensos a serem substituídos por máquinas. A abertura do EEBA foi realizada nesta segunda-feira. Nesta edição o evento aborda o tema “Novo rumo para o Brasil: oportunidades de cooperação bilateral”. Participaram da cerimônia o ministro da Economia, Ciência e Sociedade Digital da Turíngia, Wolfgang Tiefensee; o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade; o presidente do conselho de diretores da Bundesverband der Deutchen Industrie (BDI, congênere da CNI) para a América Latina e membro do conselho da Volkswagen, Andreas Renschler, e o secretário de Estado da Alemanha, Uwe Beckmeyer. Também integram a comitiva da Fiesc ao Encontro o 1º vice-presidente da entidade, Mario Cezar de Aguiar; os vice-presidentes regionais da instituição, Lino Rohden e Ingo Fischer, e o diretor regional do Senai-SC, Jefferson Gomes de Oliveira. Entre as prioridades da pauta de debates

Divulgação/FIESC

Presidente da Fiesc, Glauco José Côrte, participou de painel sobre indústria 4.0 desta edição estão o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, a ampliação da rede de acordos para evitar a bitributação, a necessidade de reconhecer mutuamente o Programa Operador Econômico Autorizado, cuja conclusão está prevista para 2017, assim como a incorporação e o desenvolvimento de tecnologias voltadas à indústria 4.0 para incrementar a competitividade industrial.

tunidades em Santa Catarina e na prospecção de empresas interessadas em realizar investimentos nos setores de alto valor agregado. Ainda no Encontro, o Estado de Santa Catarina e o Estado Livre da Turíngia assinaram declaração de cooperação. Acordo nacional

Outro documento assinado nesta segunda-feira foi a declaração conjunta entre o Ministério da Indústria, Investe SC Comércio Exterior e Ainda nesta se- Serviços (MDIC) e o gunda-feira foi assi- Escritório de Patennado acordo entre a tes Europeu (EPO). O Investe SC e a LEG- documento dá início -Thüeringen, agência à negociação do acorde desenvolvimento da do piloto de patentes, Turíngia. O objetivo é chamado de Patent promover a cooperação Prosecution Highway mútua, investimentos (PPH), entre o Instituto bilaterais e a ampliação Nacional de Propriedadas relações econômi- de Intelectual (INPI) e cas e de comércio. O o EPO. O acordo pilodocumento foi assi- to deve ser firmado em nado pelo presidente três meses. Para a CNI, da Fiesc, Glauco José a redução da burocracia Côrte, e pelo secretário na análise de patentes de Assuntos Interna- fará com que inovações cionais do governo ca- brasileiras e europeias tarinense, Carlos Adau- entrem mais rapidato Vieira. A Investe SC mente no mercado. “Essa é uma demané uma agência que atua na divulgação de opor- da antiga do setor em-

presarial. O Brasil precisa atrair investimento e agregar valor à sua produção industrial, sobretudo em áreas de alta tecnologia, e uma forma de promover essas atividades é acelerar o exame e a concessão de patentes. A assinatura desse acordo com os europeus é um passo importante para aprofundarmos nossa relação com o nosso principal parceiro, que é a União Europeia. O Brasil está na direção certa em buscar acordos com os principais escritórios de patente do mundo”, disse o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade. Turíngia

O Estado da Turíngia tem 2,2 milhões de habitantes, PIB de 56,8 bilhões de euros e exportou 8,7 bilhões de euros em 2015. Os principais mercados compradores são a Hungria, Estados Unidos e França. A Turíngia tem 12 universidades e 26 institutos de pesquisa. Os principais setores industriais são o automotivo, eletrônico, alimentos e óptico.

19 de outubro sb  
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