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IMPRESSO ESPECIAL CONTRATO No 9912233178 ECT/DR/RS FUNDAÇÃO PRODEO DE COMUNICAÇÃO CORREIOS

Ano XIX - Edição N o 644 - R$ 2,00

Porto Alegre, outubro de 2013 - 2a quinzena

Ir ao encontro e deixar-se encontrar É

assim que quer atuar o novo arcebispo de Porto Alegre. Dom Jaime Spengler tomará posse no dia 15 de novembro próximo, em cerimônia às 9h30min na Catedral Metropolitana. Em entrevista especial ao Solidário, Dom Jaime fala de suas expectativas e desafios. Páginas 2 (Editorial) e centrais Imagens; Marcos Toledo/Pascom

O novo arcebispo ladeado por Dom Dadeus Grings, Dom Altamiro Rossatto e Dom Agenor Girardi

Costumamos nos dedicar aos feridos? Página 3

O ensino de religião na escola pública Página 5

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RTIGOS

VozDomdo Pastor Dadeus Grings

Editorial

Arcebispo Metropolitano Emérito de P. Alegre

A procura dos espaços

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Igreja de Porto Alegre tem um novo pastor. Dom Jaime é um catarinense que, como ele mesmo diz, “se sente em casa” em Porto Alegre e no Rio Grande do Sul. Para um religioso – Dom Jaime é franciscano – talvez seja menos difícil identificar-se com a cultura, o jeito de ser e de viver a fé aonde ele chega, também por sua opção vocacional que o faz um “cidadão do mundo” como servidor do Povo de Deus. Em entrevista exclusiva que deu ao jornal Solidário, este bispo jovem (53 anos) deixa claro algumas disposições a partir das quais pensa pastorear a Arquidiocese. Uma síntese destas disposições poderia ser definida como “ir ao encontro e deixar-se encontrar”. O Solidário já teve a prova desta disposição: ele deixou-se encontrar por nossa redação, respondendo, ele mesmo, nossa chamada telefônica e atendendo ao pedido da entrevista que publicamos nas páginas centrais desta edição. Com muita simplicidade e alegria. A alegria e a simplicidade do Papa Francisco, que o mundo inteiro está testemunhando, encontra no franciscano Dom Jaime idêntica disposição. Mas ele não desconhece e tem plena consciência de que, para ir ao encontro e deixar-se encontrar é preciso encontrar espaços de diálogo, de estudo, de debates para que, a partir dos princípios da comunhão e participação, se possam encontrar indicações vigorosas para o aprimoramento da obra da evangelização. Há desafios e desafios sérios que precisam ser enfrentados. Dom Jaime expressa isso quando diz: o que, até bem pouco tempo, era certeza, servindo como referência para viver, tem se mostrado insuficiente para responder a situações novas, deixando as pessoas estressadas ou desnorteadas. E um dos grandes desafios é a correta, honesta e transparente administração econômica das paróquias e dioceses. A comunidade tem direito de saber quanto entra e onde, o que entra, é aplicado. Com o Papa Francisco estamos diante de um novo momento eclesial e muito rico.Mais do que palavras, são atitudes e gestos que falam. Voltar às fontes, voltar ao Evangelho. Pensar o novo na Igreja é talvez o retorno àquilo que é tão antigo como a Igreja: resgatar a comunidade, a pertença eclesial, com relações de proximidade, e requer um esforço de todos para uma nova paróquia, célula da diocese (Pe. Tarcisio Rech, pároco da Igreja N. Sra. das Graças, Gravataí).O que o PadreTarcisio fala do Papa, se pode dizer do novo arcebispo de Porto Alegre. Em Dom Jaime podemos esperar um pastor com “cheiro de ovelha” e que, indo ao encontro e deixando-se encontrar, cria um espaço de protagonismo dos jovens, no espírito da Jornada Mundial da Juventude. (attilio@ livrariareus.com.br)

Fundação Pro Deo de Comunicação CNPJ: 74871807/0001-36

Conselho Deliberativo

Presidente: Agenor Casaril Vice-presidente: Jorge La Rosa Secretário: Marcos Antônio Miola

Outubro de 2013 - 2a quinzena

Voluntários Diretoria Executiva

Diretor Executivo: Adriano Eli Vice-Diretor: Martha d’Azevedo Diretores Adjuntos: Carmelita Marroni Abruzzi, Elisabeth Orofino e Ir. Erinida Gheller Secretário: Elói Luiz Claro Tesoureiro: Décio Abruzzi Assistente Eclesiástico: Pe.Attílio Hartmann sj

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A verdade e a vingança

o Brasil, estabeleceu-se uma “comissão da verdade” para que “brasileiros e brasileiras saibam sua história”. Não se quer que tudo fique como está em nome de uma “pretensa paz”, comprometendose eventualmente com aqueles que “prenderam, torturaram e mataram uma geração de jovens”. Só assim não se confundiria lei, justiça e verdade com vingança, como escreve a sra. Celi Regina, em artigo publicado no Jornal do Comércio de 16/7/2013, explicando a atuação de sua comissão. O problema de fundo está no que se quer e qual o lado que se escolheu.

Se a verdade for procurada, com amor, certamente levará à reconciliação dos opostos. As três propriedades transcendentais do ser são a unidade, a verdade e a bondade. A unidade só será verdadeira se for boa e a verdade não será verdadeira se não for também bondosa. A bondade será bondosa na medida em que for verdadeira e levar à unidade. Consequentemente, toda verdade deverá levar à unidade e ter a marca da bondade. Portanto, depende de como se busca a verdade. Se for com amor, levará à reconciliação. Traduzir-se-á em harmonia e paz na sociedade. Se, ao invés, for buscada com ódio, gerará vingança e levará à divisão. O problema não é, pois, a busca da verdade em si, mas o espírito e o objetivo com que se age. Se for apenas para “saber a própria história”, fecha sobre si mesmo e joga uns contra os outros. Divide a sociedade. Prova que os “outros” são maus e que, por isso, devem ser rejeitados em nome da lei, da justiça e da verdade. Isto se chama vingança. Surge da busca de uma verdade na base do ódio, que se quer difundir na sociedade, jogando uns contra os outros. Não foi o que Mandela fez para construir uma pátria nova. Se se procurar a verdade com amor, reconhecendo que todos temos falhas, que todos erramos e que todos necessitamos de perdão e reconciliação – não só os outros – construiremos uma sociedade pacificada e pacificadora, reconciliada e aberta ao outro. Se o outro for visto como quem

Conselho Editorial

Presidente: Carlos Adamatti Membros: Paulo Vellinho, Luiz Osvaldo Leite, Renita Allgayer, Beatriz Adamatti e Ângelo Orofino

Diretor-Editor Attílio Hartmann - Reg. 8608 DRT/RS Editora Adjunta Martha d’Azevedo

“prende, tortura e mata”, armamos a sociedade de sentimentos de ódio e rejeição. Se, ao invés, o outro for acolhido não só como concidadão, mas como irmão e irmã, não estaremos promovendo apenas uma “pretensa paz”, mas uma civilização do amor que sabe colher o diferente e refazer os laços que eventualmente foram rompidos, em benefício de uma sociedade reconciliada e fraterna. O ódio sempre destrói, cria tensões e amarguras, levanta barreiras entre as pessoas e os grupos, ao passo que o amor constrói, lança pontes e aproxima, criando uma sociedade de irmãos e irmãs. Volta a necessidade de garantir a grande inversão, preconizada pelo Papa João XXIII: para obter paz é preciso não preparar guerra, mas a paz, o que significa promover reconciliação e perdão. Só quem verdadeiramente ama é capaz de perdoar. E quem perdoa realmente promove não só a saúde social, como a paz na sociedade, mas também a saúde física, evitando que se somatize o ódio, substituindo-o pelo amor. Se pois “a comissão da verdade” tiver por objetivo maior a compreensão entre os brasileiros, se levar à reconciliação nacional, se proporcionar elementos para uma acolhida do diferente, estará construindo verdadeiramente a paz. Merece os parabéns. Então, a verdade levará à reconciliação, e não a uma paz dos cemitérios. Volta a admoestação de Mahatma Gandhi: “Em qualquer conflito, quando há um que vence e um que perde, significa que a guerra ainda não acabou”.

Redação Jorn. Luiz Carlos Vaz - Reg. 2255 DRT/RS Jorn. Adriano Eli - Reg. 3355 DRT/RS

Revisão Ronald Forster e Pedro M. Schneider (voluntários) Administração Elisabete Lopes de Souza e Norma Regina Franco Lopes Impressão Gazeta do Sul

Rua Duque de Caxias, 805 Centro – CEP 90010-282 Porto Alegre/RS Fone: (51) 3093.3029 – E-mail: solidario@portoweb.com.br Conceitos emitidos por nossos colaboradores são de sua inteira responsabilidade, não expressando necessariamente a opinião deste jornal.


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AMÍLIA &

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OCIEDADE

Curar as feridas Deonira L. Viganó La Rosa Terapeuta de Casal e Família. Mestre em Psicologia.

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s sofrimentos fazem parte da vida de qualquer pessoa, família ou grupo social. O maior de todos os sofrimentos, sem dúvida, é a morte de pessoas que amamos. Mas, há uma infinidade de outras “mortes” cotidianas que causam feridas nas pessoas: são as doenças que maltratam pais, filhos, parentes, amigos e vizinhos. São as desconfianças entre irmãos, as maledicências, os ódios e desentendimentos, os defeitos de caráter que impedem uma convivência prazerosa com os próximos. Tem a ferida da culpa. A perda de emprego, a falta de formação para assumir um trabalho com competência. Tem a dor de sentir-se excluído da sociedade ou de um grupo de amigos ou familiares e a dor da solidão. O uso da droga, a fome (870 milhões de pessoas sofrem de desnutrição no mundo), a moradia indigna, a ignorância. Meses de internação hospitalar, anos de cadeia, a vida no asilo sem receber visitas, enfim, feridas e feridas.

Costumamos ir ao encontro dos feridos?

Até que ponto somos sensíveis e atentos para enxergar que as pessoas que vivem na nossa cidade estão com dores, estão com feridas? Quando e quanto nos dedicamos a curá-las, sejam familiares ou não? (Somos responsáveis pela grande família humana). Lavamos e untamos as feridas nossas e dos outros? Conduzimos os “feridos” à hospedaria, como fez o Samaritano do Evangelho? – Se não nos fazemos próximos dos que sofrem, o que temos de humano e de cristão? O Papa Francisco, em excelente entrevista concedida ao Pe. Antônio Spadaro, SJ, disse que “o que mais a Igreja precisa hoje é a capacidade de curar as feridas e de aquecer o coração dos fiéis, a proximidade”. “Vejo a Igreja como um hospital de campanha depois de uma batalha. É inútil perguntar a um ferido grave se tem colesterol ou açúcar altos. Devem curar-se as suas feridas” em primeiro lugar. (Se você ainda não leu e meditou a entrevista, faça-o, pois vale a pena).

Família compassiva e solidária Os pais, e todos nós, necessitamos, com urgência, internalizar e praticar a compaixão, a solidariedade e o cuidado aos que sofrem, principalmente os mais pobres. Assim, estaremos aptos e teremos autoridade para conversar com os filhos (de qualquer idade) sobre este tema e a proporcionar-lhes ocasiões para que vivam concreta e sistematicamente o serviço aos outros. Identifiquemos as pessoas com feridas e encontremos tempo e meios de chegar até elas para curálas. Esta é a maneira, por excelência,

www.ocorreiogoiano.com.br

de colaborarmos para um mundo melhor onde os filhos possam ser mais felizes. “Curar” é levar palavra, abraço, beijo, dinheiro, visita, ajuda na solução de problemas existenciais, serviço, cuidado ao doente, bom trato aos mendigos, visita ao encarcerado, exigência de ética no trato público, etc, etc. Pais, não nos permitamos passar a vida sem dar exemplo, conversar e levar os filhos a viver a caridade, a compaixão, o cuidado aos sofredores, necessitados, pobres. Se ainda não o fazemos, comecemos logo. Não esperemos por uma campanha.

Quando o coração de pedra se torna um coração de carne

Em sua entrevista, Francisco diz que o amor precede a obrigação moral e religiosa. Diz ainda que hoje, por vezes, parece que prevalece a ordem inversa. Diz que a pastoral não deve estar obcecada pela transmissão desarticulada de uma multiplicidade de doutrinas a impor insistentemente. Antes de tudo, a compaixão, o amor, a misericórdia. O Papa nada mais faz do que voltar ao Evangelho de Jesus. É maravilhoso quando o coração do homem, da mulher, torna-se um coração terno. A ternura é proximidade. O outro se torna próximo, ou melhor, eu me torno próximo do outro. Uma ponte é colocada acima do abismo. A ternura vai além das palavras. A presença importa mais que os projetos. Que Deus nos arranque o coração de pedra e nos dê um coração de carne (como afirmou em Ezequiel, 36,26) para que estejamos dispostos a fazer o bem a todas as pessoas, especialmente as mais desamparadas.

O que guardamos para sempre

Sentadas ao redor de uma mesa, primas, víamos fotos antigas. Não houve quem não lembrasse uma presença, um serviço, um

carinho, uma palavra certeira, fatos acontecidos há 20, 30 ou mais anos. As pessoas que praticaram estes cuidados, estas curas, não mais lembravam, mas aquelas que receberam jamais esqueceram e disseram ter-lhes feito muito bem.


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4 Carmelita Marroni Abruzzi

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Dom Hélio Adelar Rubert

Professora universitária e jornalista

-Sim, pode ! São perguntas e respostas que ocorrem entre ele e seus pais, pois temos muitos pequenos objetos em exposição, lembranças de nossos amigos e de nossas viagens. São objetos de cerâmica, vidro, madeira, papel, etc. colocados em locais acessíveis a crianças pequenas. O resultado é, claro, este constante perguntar. A resposta ora é “não”: muitos objetos representam riscos para a criança ou para a integridade da própria peça, outros podem ser tranquilamente manipulados e lhe permitem manusear: são as borboletas de cartolina, os patinhos e girafas de madeira, as pedras arredondadas. Então ele ouve um “pode”. No outro dia ele levou para sua casa um pedra arredondada de rio, tão encantado ficou com a mesma. Aliás, colocamos sempre objetos à mão com os quais ele possa brincar como rolhas de cortiça, por exemplo (Em casa de italiano, não faltam esse artigo). Essas situações, alegres, felizes, nos remetem a uma questão fundamental da educação: os “nãos” e as restrições, com as quais a criança conviverá durante toda sua vida. Por vezes, os pais sentem-se inseguros para impor restrições principalmente se considerarmos a rapidez com que as mudanças têm ocorrido em relação a hábitos, costumes e, até, à própria estrutura das famílias. Entretanto, a criança precisa sentir a segurança de seus pais, fundamental para ela. Desde pequena terá de aprender que nem sempre se pode fazer tudo o que se deseja no grupo social. Logo saberá que a sociedade não é uma grande família, de avós e tios carinhosos prontos para satisfazer todos os seus desejos. A criança ouvirá muitos “nãos”. E aí? Como se sentirá? Infeliz, agredida? E as consequências para seu equilíbrio emocional, sua inserção no grupo social e seu futuro desempenho profissional? Por outro lado, os “sins” e os “podes” são importantes para a formação de sua personalidade. A criança aprenderá, também, que há um mundo de amor e carinho que lhe oferece muitas possibilidades de ações alegres, prazerosas, enfim, um mundo que a acolhe. E, assim, nós estaremos preparando as novas gerações para um mundo real, no qual as restrições parecem se avolumar, mas também lhes apresentamos uma vida na qual ainda há espaço para muitas coisas boas, que estarão ao nosso alcance, esperando apenas pela decisão de nossa vontade. (litamar@ig.com.br)

PINIÃO

Não matarás

Pode ou não pode ? uando nosso sobrinho-neto de quase três anos nos visita,ouvimos com frequência diálogos como: -Pode ? -Não pode ! -Pode ?

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Arcebispo de Santa Maria

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que está acontecendo em nossa sociedade? Por que tantas mortes em nossa cidade e região? Todos nos perguntamos: o que está havendo? Quais as causas?

A sociedade mostra-se assustada com tanta violência. Liga-se o noticiário. Parece que tudo se centraliza nos crimes, violências e mortes. Cria-se a síndrome do crime e da morte. Será que a vida humana não é mais sagrada? A vida dos animais, que merece cuidado, possui mais valor que a humana? Escutam-se as perguntas: “Onde vamos parar? Será que não vale mais o “Não matarás” (Ex 20,13) do quinto mandamento da lei de Deus? Aprendemos no Catecismo que o assassinato voluntário é gravemente contrário à dignidade do ser humano, à regra de ouro e à santidade do Criador (cf. Catecismo da Igreja Católica, no 2.261). Jesus, no Sermão da Montanha (Mt 5,21), recorda o preceito: “Não matarás” e acrescenta a proibição da cólera, do ódio e da vingança. Jesus diz a seu discípulo que ofereça a outra face e ame os seus inimigos. Ele mesmo não se defendeu e disse a Pedro que deixasse a espada na bainha (Mt 26,52). Toda vida humana, desde o momento da concepção até a morte, é sagrada porque a pessoa humana foi querida por si mesma à imagem e semelhança do Deus vivo e santo. São atentados graves contra a vida o homicídio voluntário, o aborto, a eutanásia, o suicídio. O suicídio contradiz a inclinação natural do ser humano a conservar e perpetuar a própria vida. A vida é um dom de Deus. Não podemos dispor dela segundo nossos critérios. O suicídio é contrário ao amor do Deus vivo. A doutrina cristã sempre nos ensina o respeito à dignidade das pessoas, respeito à saúde, respeito

à pessoa e à pesquisa científica em favor do ser humano e da natureza, respeito à integridade corporal e o devido respeito aos mortos. Ensina também a salvaguardar e construir a paz e evitar a guerra. Por causa dos males e injustiças que toda guerra acarreta, a humanidade deve fazer tudo o que for razoavelmente possível para evitála. “O uso da violência nunca conduz à paz: guerra chama guerra, violência chama mais violência” (Papa Francisco). A Igreja ora com insistência: “Da fome, da peste e da guerra, livrai-nos, Senhor”. Jesus nos diz: “Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia... Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,7 e 9). São Paulo, na carta aos Colossenses, nos exorta: “Irmãos, vós sois amados por Deus. Por isso, revesti-vos de sincera misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência, suportando-vos mutuamente se um tiver queixa contra o outro. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai vós também. Mas, sobretudo, amai-vos uns aos outros, pois o amor é o vínculo da perfeição” (Cl 3,12-14). “Não matarás”. A misericórdia, o perdão, a reconciliação, a justiça e o amor serão o sustento das famílias e da sociedade. Os crimes contra a vida precisam ser coibidos com firmeza pela justiça. Com Deus no coração, a sociedade se transforma na civilização do amor. Que o Senhor da vida nos proteja, nos defenda de todo mal e nos ajude a respeitar a vida, promovê-la, defendê-la e amá-la.

Francisco, o papa tardio Roberto Malvezzi (Gogó) Agente da CPT Bahia e assessor nacional da CPT

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uando Francisco decidiu ir à Lampedusa - a ilha italiana para onde migram os africanos que querem viver na Europa - apenas para celebrar um réquiem pelos mortos das travessias da África para a Europa, sem status de chefe de Estado, sem nenhuma autoridade europeia ou italiana por perto, estava comprovado que ele não veio para a mesmice. Ele vai a um lugar emblemático da crise humana contemporânea. Todos os gestos e palavras desse Papa, entretanto, parecem ter chegado tarde demais, sobretudo para nós, latino-americanos. O melhor de nossa Igreja, aquela intensa diáspora para as periferias acontecida nas décadas de 70 e 80 do século passado, sofreu uma perseguição insana, numa articulação até hoje não muito clara entre os impérios do mundo e o Vaticano. Quando certos escritores escreviam sobre as mundaneidades do Vaticano, ou no Vaticano, parecia mais fantasia que realidade. Mas, o enterro do mafioso Renatino no cemitério dedicado aos cardeais a troco de um milhão de euros, o suicídio de Roberto Calvi - presidente do banco Ambrosiano -, os escândalos no IOR, a recente prisão do Nunzio Scarano, nos colocam diante de fatos, não de imaginações. Portanto, é claro que o Vaticano ainda é considerado um espaço de influência global e que os poderes do mundo - inclusive o crime organizado - o disputam com toda ferocidade.

Claro que não deveríamos nos escandalizar, afinal, onde está o ser humano, está sua grandeza e miséria. Acontece que até pouco tempo a Igreja era a "sociedade perfeita", mesmo Agostinho já tendo declarado que ela era "santa e pecadora", portanto, cheia de defeitos como qualquer instituição humana. Francisco tem rosto humano, nele o reconhecimento dos próprios limites é uma força para os mais fracos. Ele não teme admitir os problemas graves do Vaticano. A Igreja dos pobres e para os pobres, como quer Francisco, aquele que vai a Lampedusa, parecia ter ficado no passado, ainda que restasse sempre "uma semente nalgum canto de jardim". Ele parece extemporâneo. A América Latina parece ter chegado tarde demais a Roma. Mas, o que é justo tem sua própria força e os injustiçados existem aos bilhões. Além do mais, Deus tem seu próprio "time". (Fonte: Roberto Malvezzi (Gogó) / Revista Missões)


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DUCAÇÃO &

SICOLOGIA

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O ensino de religião na escola pública Juracy C. Marques Professora universitária, doutora em Psicologia

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ensino de religião na escola pública visa, sobretudo, o desenvolvimento da espiritualidade e da cidadania. Foi introduzido como parte obrigatória dos currículos do Ensino Fundamental e Médio, a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, em 1966. O professor Renan Santos, mestre em Antropologia Social pela UFRGS, abordou o tema em sua dissertação “Reflexões sobre Ensino Religioso em Escolas Públicas em Porto Alegre”. Para desenvolver seu trabalho, o pesquisador observou as rotinas de três turmas de ensino religioso em três escolas públicas estaduais da capital. Eram dois grupos de ensino médio e um de oitava série do ensino fundamental: “Debatíamos a laicidade do Estado de uma forma geral, tentando compreender que temas estavam ligados a isso”, explica Renan (JU, Jornal da Universidade, UFRGS, Agosto de 2013, p.8). A que professor atribuir tal tarefa? Em geral, busca-se alguém que seja Licenciado em História ou Ciências Sociais, alguma área de cunho humanístico, como, por exemplo, Licenciatura em Filosofia. Mas o professor Renan se deparou com uma enorme disparidade e rotatividade e diversidade de conteúdos muito acentuados entre os professores de Religião. teianeuronial.com

Foco na espiritualidade Se o objetivo maior é o desenvolvimento da espiritualidade, pois tem uma abrangência ampla que ora refere-se a uma visão de mundo que inclua a transcendência do ponto de vista da individualidade, ora refere-se às discussões relativas ao criacionismo como é descrito na Bíblia, ou às teorias evolucionistas, de conformidade com a tradição do darwinismo - Charles Darwin, em seu famoso livro “Origem das Espécies”. Outros professores de Religião postulam a integração com a natureza, levando os assuntos para a ecologia, respeito e admiração pela natureza como ela se nos apresenta. Na visão da também pesquisadora vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Ensino na Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Luciana Marques, esta última seria consciência ecológica, uma prática pública institucionalizada, isto é, acompanhada de um conjunto de ritos, crenças e mitos partilhados com um grupo e acrescenta: “é algo

que vai além do Eu, como indivíduo preso ao seu próprio corpo”. Têm uma compreensão ampliada dos outros, são mais comprometidas com causas sociais, têm mais responsabilidade política, assim, “a escola deveria fomentar a espiritualidade a partir de uma abordagem filosófica e interdisciplinar”. Seria mais aproximado do que Renan Santos se deparou em sua pesquisa, nas salas de aula com o ensino do que os professores genericamente definem como “valores”: “vai desde amor, paz, respeito e amizade até coisas como meio ambiente, drogas, violência, sexualidade, lixo e tecnologia”. Renan conclui que se corre o risco de oferecer uma formação que, pretensamente laica, carrega consigo valores advindos de alguma religião específica, principalmente do cristianismo. Nota-se, desse modo, “os hábitos de rezar e de ler a Bíblia e as celebrações de Páscoa e Natal que, muitas vezes nem são percebidos como temas religiosos”, aponta.


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EMA EM FOCO

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“Ir ao encontro e de

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O que faremos?

a disposição do novo arcebispo da Arquidiocese de P. Alegre, nom gler substitui a Dom Dadeus Grings, que passa a ser arcebismo em ponsável pelo Vicariato Episcopal de Gravataí, Dom Jaime, 53 ano 15 de novembro próximo, em solenidade na Cat

Por onde começar?

Solidário - O que significa assumir uma arquidiocese nesse novo tempo do Papa Francisco, na dimensão de uma Igreja pobre e disposta a ir às periferias da existência? Dom Jaime - Assumo o desafio com temor e tremor. Temor, pois tenho ciência de minhas limitações. Tremor porque a Arquidiocese de Porto Alegre possui uma tradição riquíssima que precisa ser assumida e respeitada. Além disso, trata-se de uma Igreja Particular de grandes proporções: número de paróquias, clero numeroso, frentes de trabalho inúmeras. O que faremos? Por onde começar? O que podemos propor? O que estamos dispostos a juntos assumir? O Papa Francisco tem recordado alguns elementos característicos da missão da Igreja. Neste sentido, vale salientar aquilo que o Evangelho pede dos discípulos: o ir ao encontro e deixar-se encontrar, a misericórdia, a simplicidade, a alegria... S - Entre os temas a terem redação final aprovada na Assembleia Geral da CNBB de 2014 está o que se refere à renovação paroquial, eis que o modelo do passado, ainda em vigor, parece não responder mais às demandas. Como o senhor pretende implementar a proposta na Arquidiocese de Paróquia Comunidade de Comunidades? Dom Jaime - Vivemos uma mudança de época. Neste contexto, “o que antes era certeza, até bem pouco tempo, servindo como referência para viver, tem se mostrado insuficiente para responder a situações novas, deixando as pessoas estressadas ou desnorteadas” (DGAE). O que fazer? Como responder às demandas que nos chegam de nossas comunidades? Como ir ao encontro das necessidades dos fiéis, favorecendo experiências de encontro com o Crucificado-Ressuscitado? O que é, quais são as características de uma comunidade de discípulos do Crucificado-Ressuscitado? Clero, religiosos/as e leigos precisamos encontrar espaços de diálogo, de estudo, de debates para que, a partir dos princípios da comunhão e participação, possamos encontrar indicações vigorosos para o aprimoramento da obra da evangelização. S- Arcebispo mais jovem do Brasil, num Estado que não é seu Estado natal, como se sente no Rio Grande do Sul? Dom Jaime - O Rio Grande do Sul possui uma tradição muito rica. Sempre teve lugar de destaque no cenário sócio-político nacional. Há um cultivo da tradição e da cultura local.

O que podemos propor?

Tudo isso diz de uma peculiariedade e, ao mesmo tempo, de um vigo vida traz desafios. E os desafios favorecem o crescimento humano. Pa precisa ser desafiado e deixar-se desafiar. Por isso, aceitei o ministério quando aqui cheguei, sempre me senti muito à vontade, bem acolhido vida religiosa, sim! Somos, porém, antes de tudo, homens da Igreja S - Procurador e ecônomo da Arquidiocese, nomeado em ago certamente está a par da atual situação administrativa da Cúri exemplo do Papa Francisco, que está promovendo mudanças n que considera acertado e o que considera que pode ser melhorad Dom Jaime - A situação administrativa de uma diocese, creio, é se qualquer realidade. Trata-se de uma dimensão necessária na vida de administração financeira é sempre algo complicado. Mexemos com d . E, por vezes, com vaidades. Francisco de Assis, no século XII, diz esterco do diabo’. Expressão dura! De difícil compreensão, talvez, n dito que o ‘dinheiro tem encanto’. Sim, pois no uso do mesmo, se não t nos desvirtua. Desde que assumi esse serviço tenho insistido em dois a administração e transparência. O que recebemos não nos pertence: per E a comunidade tem o dever de manter o necessário para a obra da ela também tem o direito de saber o que entra, quanto entra e onde i que finalidade! S - Chanceler da PUCRS e também contando com várias outr licas de pesquisa e ensino na teologia e áreas técnicas em sua Arq valer-se delas para consultas e/ou encomenda de projetos específi seu governo diocesano? Dom Jaime - A Arquidiocese de Porto Alegre é marcada por um campo da educação. Certamente, precisamos unir esforços para que seja eficaz e vá ao encontro das diversas realidades, necessidades e d de conjunto, deixando-se assessorar por quem tem maior competên área haverá de favorecer a todos.


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ÇÃO OLIDÁRIA OLIDARIEDADE

eixar-se encontrar”

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meado pelo Papa Francisco dia �������������������������������������� 18 de setembro último. Dom Jaime Spenmérito ao lado de Dom Altamiro Rossato. Até então bispo auxiliar e resos, é franciscano, natural de Gaspar, Santa Catarina, e tomará posse dia tedral Metropolitana marcada para as 9h30min.

or! Toda mudança na ara crescer, o homem o com desafio. Desde o, em casa! Venho da e na Igreja. osto do ano passado, ia. Em sua gestão, a na Cúria Romana, o do ou mudado? empre um desafio em e qualquer diocese. A dinheiro, com valores zia que o dinheiro ‘é nos dias atuais. Tenho tivermos cuidado, ele aspectos: eficiência na rtence à comunidade. a evangelização. Mas isto é aplicado – com

ras instituições catóquidiocese, pretende ficos para ajudar no

ma forte presença no o governo diocesano desafios. Um trabalho ncia nessa ou naquela

“Pelo que Dom Jaime mostrou no Vicariato de Gravataí, está disposto ao serviço” Pe. Tarcisio Rech – Pároco – N.Sra. da Graças - Gravataí “O atual momento nos chama a ter um espírito diocesano. E, por que não, uma espiritualidade diocesana. Este desafio passa pela conversão não apenas pessoal, mas pastoral, do jeito de fazer pastoreio. O Papa Francisco, com suas atitudes e falas muito diretas, nos tem incentivado a um jeito que exige o contato direto com o povo, ouvindo os seus clamores. O documento conciliar Lumen Gentium, ao falar da constituição hierárquica, nos diz duas coisas interessantes, que valem para Dom Jaime e para todos os padres da arquidiocese neste momento: nossa missão é estar a serviço do Povo de Deus de forma colegiada... Não me resta dúvida, pelo que Dom Jaime mostrou no Vicariato de Gravataí, ele está disposto ao serviço, pois nunca mediu esforços para atender a tudo e a todos. A colegialidade, o trabalho de conjunto é a arte da escuta, do sentar junto, do “perder tempo” para os processos. E é esse o espírito da LG, o bispo em comunhão com o seu presbitério tem a responsabilidade de construir a comunhão diocesana. Todos queremos nos sentir envolvidos em todos os passos, oxalá que Dom Jaime consiga fazer isso. Com certeza, ele poderá contar com os padres e leigos neste trabalho de comunhão. Com o Papa Francisco estamos diante de um novo momento eclesial e muito rico, mais do que palavras, são atitudes e gestos que falam. Voltar às fontes, voltar ao Evangelho. Pensar o novo na Igreja é talvez o retorno àquilo que é tão antigo como é a Igreja. Resgatar a comunidade, a pertença eclesial, com relações de proximidade requer um esforço de todos para uma nova paróquia, célula da diocese. Todos almejamos que Dom Jaime possa aproveitar esse momento eclesial novo. A Igreja é comunidade de culto, comunidade da Eucaristia, mas também comunidade da Palavra de Deus e comunidade da caridade. Com Dom Jaime nosso desafio é articularmos uma proposta evangelizadora inclusiva dos três ministérios da Igreja: a palavra, a liturgia e a caridade. O cristianismo preciso se tornar vida nas pessoas, na comunidade cristã e, por consequência, na sociedade. Que Dom Jaime tenha um apostolado frutuoso em nossa Arquidiocese.

“É um pastor preocupado com seu rebanho, apaixonado pelo Reino, aberto ao diálogo Márcia Maria Soares Roza – Animação Bíblica – Paróquia N.Sra. das Graças “A escolha denota as virtudes de Dom Jaime e seu potencial evangelizador. Solidário - E o que ela significa para o atual momento da caminhada pastoral da Arquidiocese de P. Alegre dentro do espírito de renovação eclesial que está sendo proposto pelo Papa Francisco? Márcia - A Igreja apresentava uma face cansada, desgatada, precisava atualizar a Boa Nova sem perder a fidelidade e a verdade. E isto está acontecendo com nosso Papa Francisco. Nossa Arquidiocese necessita de sensiblidade pastoral, determinação para superar os desafios e dificuldades, um “pastor com cheiro de ovelha”, e isto, com certeza, encontraremos em Dom Jaime. S - Pode-se pensar em novo jeito de ser Igreja? Márcia - Em nosso Vicariato vislubramos um bispo que se preocupa com um novo jeito de ser Igreja, entre manifestações novas tivemos a bela experiência de Assembleias pastorais em nível de Vicariato, apoio e acompanhamento de Dom Jaime na Animação Bíblica, com a formação litúrgica do Vicariato. Dom Jaime é um pastor preocupado com seu rebanho, apaixonado pelo Reino, aberto ao diálogo, sereno para tratar os conflitos, bom senso para lidar com a diversidade, acessível a todos que se aproximam, sua postura e suas palavras apontam Jesus Cristo com centro da fé e da igreja.

Foi “A Escolha”. Dom Jaime tem uma maneira simples de falar que atinge todos os tipos de pessoas Iranildo Tressoldi “Sempre focou muito no trabalho do leigo na Igreja, principalmente dando espaço para o protagonismo da juventude; consegue enxergar o lado humano e pecador da Igreja, lado este que inegavelmente precisa de atenção, mesma atenção que um pastor dá por suas ovelhas. Se Dom Jaime como Arcebispo reproduzir a proposta de trabalho que teve como bispo no Vicariato de Gravataí, será certamente este pastor”.


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http://www.telegraph.co.uk/science

“Você e eu somos um” é bem mais do que poesia O site Diário da Saúde - www.diariodasaude.com.br traz o resultado de uma pesquisa que conclui que nossos cérebros parecem preparados para nos ajudar a ter empatia. Ou, ao contrário, a empatia parece ser uma emoção tão forte, que ela aparece claramente no cérebro. Usando neuroimagens, explica o site, cientistas descobriram que nosso cérebro usa os mesmos “canais” quando pensamos em nós mesmos e quando pensamos em pessoas que nos são caras, como cônjuges, companheiros e amigos. “Com a familiaridade, outras pessoas se tornam parte de nós mesmos”, diz James Coan, da Universidade da Virgínia. E continua: “Nosso self inclui as pessoas de quem nos sentimos próximos. Em outras palavras, a nossa autoidentidade é amplamente baseada em quem conhecemos e com quem simpatizamos,” completou.

Você e eu somos um

Coan e seus colegas submeteram voluntários a exames de ressonância magnética de seus cérebros durante experimentos nos quais havia a ameaça de receber choques elétricos leves – os choques podiam ser dirigidos ao próprio voluntário, a um amigo ou a um estranho. Como esperado, quando o risco de choque é para si mesmo, as regiões do cérebro responsáveis pela resposta à ameaça – a ínsula anterior, putâmen e giro supramarginal – tornaram-se ativas. Quando a ameaça de choque era feita a um estranho, essas regiões do cérebro apresentaram pouca atividade. Contudo, quando a ameaça de choque é feita a um amigo, a empatia entra em ação: a atividade cerebral dos participantes mostrou-se essencialmente idêntica à atividade apresentada quando a ameaça era a eles próprios. “A correlação entre o self e o amigo foi incrivelmente semelhante,” disse Coan. “Os resultados mostram a notável capacidade do cérebro de modelar o self aos outros; que as pessoas próximas de nós tornam-se uma parte de nós mesmos; e que isto não é apenas metáfora ou poesia, é algo muito real. “Literalmente, estamos sob ameaça quando um amigo está sob ameaça. Mas não é assim quando um estranho está sob ameaça,” concluiu o pesquisador. Para sentir a dor dos estranhos, parece então que a empatia não é suficiente, talvez devendo entrar em ação um sentimento mais poderoso: a compaixão. (URL:http://www.diariodasaude.com.br/

Psicosul Clínica

Albano L. Werlang - CRP/07-00660 Marlene Waschburger - CRP/07-15.235 Jôsy Werlang Zanette - CRP/07-15.236 Alcoolismo, depressão, ADI/TIP Psicoterapia de apoio, relax com aparelhos Preparação para concursos, luto/separação, terapia de crianças, avaliação psicológica Vig. José Inácio, 263/113, Centro, P. Alegre 3224-5441 // 9800-1313 // 9748-3003

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ABER VIVER

Como ter uma vida emocional melhor sem remédios?

É bem diferente ter competência no mercado de trabalho e ter competência emocional. Uma coisa não vem obrigatoriamente ligada à outra. Para adquirir competência emocional temos que lutar por isto, buscar ativamente este crescimento, aprender a administrar nossas emoções. Você já viu em algum currículo de alguma escola, curso, pós-graduação, mestrado, doutorado, pósdoutorado uma disciplina chamada “Administração de Emoções”? Eu nunca vi, afirma o médico Cezar V. de Souza. Quando é que vão lembrar de introduzir esta disciplina nas Escolas? Você deveria colocar como objetivo: aprender a administrar suas emoções. Não conheço ninguém, a não ser Jesus Cristo, que aprendeu isto perfeitamente. Lembre do dia em que ofereceu a outra face a quem lhe deu uma bofetada. Os benefícios do domínio das emoções serão enormes para sua paz interior, relação com as pessoas e autonomia na vida, no sentido de não ser jogado para aqui ou para ali pelas emoções, ou ficar dependente de remédios, psicólogos, médicos.

Como fazer isto? Sugestões de Cezar V. de Souza: Primeiro, reconheça que talvez você tem estado sem controle das próprias emoções. Segundo, identifique a emoção do momento. Dê um nome a ela: É raiva? Medo? Tristeza? Alegria? Vergonha? Culpa? Compaixão? Terceiro, tente entender que fato costuma produzir este sentimento que você acabou de identificar. Quarto, use o raciocínio lógico (não depende de emoção) para verificar se este sentimento cabe na situação, ou se é exagerado. Você pode negar o sentimento e por isso concluir que não está sentindo nada, quando, na verdade, ele pode estar reprimido. Quinto, expresse (fale, verbalize) este sentimento sem ser de maneira afetada, agressiva, abusiva, para a pessoa em foco e experimente (vivencie) o sentimento sem medo dele, sem fugir dele com álcool, outras drogas, excesso de trabalho, sexo, compras, viagens, etc Sexto, não tenha medo do sentimento, seja medo, angústia, tristeza, culpa, vergonha. O sentimento não é você. Você é maior que ele e pode pensar sobre ele. Sétimo, leia bons livros sobre o assunto, assista palestras sobre este tema, converse com pessoas interessadas nisto. Administrar a emoção envolve dar dois passos para trás em sua mente, olhar a si como expectador, e pensar no que sente. Sem este exercício, a emoção domina você. Mas você pode ter a emoção sem deixar que ela tenha você. A emoção governa o mundo. Ajude seu filho a bem administrar suas emoções, desde criança.

Dicas de Nutrição Dr. Varo Duarte

Médico nutrólogo e endocrinologista

Retorno Estava no Colégio Anchieta, meu berço cultural. O momento não era muito agradável. Estava ali para o velório de um jesuíta notável, o Pe. Armando Marocco. Ouvi um nome, Luiz Duarte, um amigo de muitos anos me chamava pelo nome. Relembramos alguns dos melhores momentos de nosso conhecimento, todos relacionados ao Velho Anchieta. Algumas perguntas, algumas respostas, uma afirmação: não mais escrevi minhas dicas de nutrição no nosso jornal Solidario porque me achei muito repetitivo. Estes conhecimentos necessitam de repetição, divulgação, foi a resposta ouvida. Resolvi voltar. Caso achem que estou errado, por favor, me contatem. Começarei com um assunto que está em plena moda.

DIMINUIÇÃO DO CONSUMO DO SAL

Comecemos do principio. Comecemos pela alimentação infantil. A criança levada ao seio materno tem contato com o alimento adocicado. Quando atinge os seis meses, passam os familiares a desejar que a criança inicie a alimentação fornecida ao adulto. Fica para a próxima DICA; este assunto tornou-se mais importante. . trashywench.blogspot.com

Visa e Mastercard


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A FÁBULA DAS IDADES Deus criou o burro e disselhe: "Obedecerás ao homem, carregarás os fardos pesados e viverás 30 anos. Serás o burro." O burro voltou-se para Deus e disse: "Senhor, ser burro, obedecer ao homem e viver 30 anos? É muito. Bastam-me 10." Deus, depois, criou o cachorro: "Comerás o osso que te jogarem ao chão, tomarás conta da casa do homem e viverás 20 anos. Serás o cachorro". Depois, criou o macaco: "Pularás de galho em galho, farás macaquices e viverás 20 anos. Serás o macaco." Tanto o cão quanto o macaco preferiram 10 anos em vez dos 20 que Deus lhes dava. Por fim, Deus criou o homem: "Serás o rei dos animais, dominarás o mundo, serás inteligente e viverás 30 anos." O homem virou-se para Deus e disse: "Senhor, ser o rei dos animais, dominar o mundo, ser inteligente e viver apenas 30 anos? É muito pouco. Os 20 anos que o burro não quis, mais os 10 do macaco e os 10 do cachorro, dai-os a mim, Senhor, para que eu viva pelo menos 70 anos". E Deus atendeu ao homem: até os 30 anos, o homem vive a vida que Deus lhe deu. É homem. Dos 30 aos 50, carrega fardos na família. É burro. Dos 50 aos 60, cansado, toma conta da casa. É cachorro. Dos 60 aos 70 anos, mais cansado ainda, passa a vida na casa de um filho ou de outro e faz gracinhas para os netos. É o macaco...

Medicina psicossomática J. Peirano Maciel

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Sem Fronteiras Martha Alves D´Azevedo

Médico

edicina é a ciência e a arte de prevenir e curar as doenças. Em épocas passadas, de pouca ciência, era mais arte do que ciência, mas em nossos dias, mesmo com os grandes avanços científicos, se tirarmos seu componente de arte, então deixa de ser Medicina, porque indissociáveis são os dois. Também os conceitos de doença, de cura e de tratamento sofreram diferentes interpretações, de acordo com as ideias vigentes sobre o homem, a vida e o sofrimento. Já os antigos gregos tinham uma concepção unitária do homem e da mulher, ou seja, em ambos o psíquico e o espiritual estavam perfeitamente unidos ao somático ou corporal,com influências recíprocas entre si. Da mesma forma, entre os judeus, chineses e hindus, predominava o conceito de que o espiritual era o elo vital do funcionamento humano. Hipócrates, considerado o pai da Medicina, há cerca de 2.500 anos, dizia: “Alguns pacientes, embora cientes de sua perigosa situação, recuperam a saúde simplesmente por causa de sua satisfação com o médico”. E Paracelso, médico alemão, século XVI, afirmava: “o médico deve possuir o tato e o sentimento que lhe permitam intuir os males do corpo, entrando em comunicação solidária com o espírito do paciente”. Com o advento do Cristianismo, predominou a mesma concepção, pois nos Evangelhos as curas efetuadas pelo Cristo são uma das marcas incontestáveis de sua atuação pública, numa época em que as doenças incuráveis assolavam o mundo. Na Idade Média, os monges estudavam a cura das doenças e fundaram os primeiros hospitais. Tudo começou a modificar-se com a advento do cartesianismo, que separou na sua filosofia o psíquico do orgânico. Para Descartes, as doenças provinham de causas orgânicas somente, sendo a mente separada totalmente do corpo. Grave erro. Como disse G. Corção: "Descartes entortou a filosofia.". Muito tempo passou, até que a antiga concepção reinasse novamente, considerando a mente, o psíquico e o espiritual indissociáveis do corpo e influenciáveis entre si. Caro leitor, vivemos uma época de psicossomatismo e exemplos de curas todos os dias presenciamos.Alguns preferem dizer: a Fé é tudo, ajuda, ajuda sempre. Na Igreja Católica surgiram movimentos, como por exemplo, o Movimento Carismático, com fatos impressionantes. Mas perguntemos: como se encontra a prática médica em geral? Encontra-se num fantástico emaranhado de tecnologias, uma parafernália instrumental enorme, com resultados muito precisos, caríssimos, também comerciais, e dispensáveis muitas vezes. Por quê? Médicos da estirpe de S. Levine e William Osler, grandes clínicos, disseram inúmeras vezes: “As informações mais importantes podem ser obtidas de uma rigorosa história clínica e de um exame físico meticuloso”. É inegável que a Medicina, nos últimos 50 anos, modificou-se extraordinariamente, mas ao mesmo tempo complicou-se, a cirurgia faz milagres, o trabalho especializou-se em partes estanques, em detrimento da visão geral (que está surgindo aceleradamente para suprir essas falhas), os médicos são muitos e mal distribuídos, o Estado Brasileiro pretende dar assistência universal sem recursos financeiros, os médicos são descontentes porque precisam trabalhar mal remunerados e num sistema inadequado e corrompido. Leitor, você conhece esses fatos, talvez por ter sofrido na própria pele. O assunto é vasto: voltaremos.

RESERVE O SEU EXEMPLAR

Comissão Comunicação Sem Fronteiras ard on

Humor

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SPAÇO LIVRE

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Um arcebispo jovem

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ia 15 de novembro próximo, em evento na Catedral Metropolitana de Porto Alegre, Dom Jaime Spengler será empossado por Dom Dadeus Grings como novo arcebispo metropolitano de Porto Alegre. Nascido no município de Gaspar,localizado entre Blumenau e Itajaí, no estado de Santa Catarina, no ano de 1960, Dom Jaime, com 53 anos ao tomar posse, será o mais jovem arcebispo do Brasil. Uma primeira experiência no seminário foi interrompida aos 16 anos, voltando a concretizar-se em 1982, quando ingressou no noviciado de Rodeio (SC), e três anos depois fez seus votos solenes na Ordem dos Frades Menores de São Francisco. Cursou filosofia no Instituto Filosófico de São Boaventura, em Cerro Largo e, teologia em Petrópolis (RJ), completando-o em Israel, em 1990. Em Roma, fez doutorado em filosofia entre 1995 e 2000. Em 10 de novembro de 2010, Dom Jaime foi nomeado bispo auxiliar da Arquidiocese de Porto Alegre, sem nunca ter tido experiência de dirigir uma diocese. Três anos depois, é nomeado arcebispo da Arquidiocese de Porto Alegre, considerada uma das mais importantes do país. Seus antecessores, com experiências anteriores, mantiveram-se no cargo até a aposentadoria por limite de idade. No dia 27 de julho último, depois de almoçar com o Papa Francisco no palácio episcopal do Rio de Janeiro, Dom Jaime Spengler aproximou-se do Pontífice para apresentar-se e conversar: “Sou um franciscano que está tentando aprender a ser bispo”, disse ele, recebendo um sorriso de Francisco. Sua auto-definição deve ter impressionado o Papa, que acaba de nomeá-lo arcebispo de Porto Alegre. Definido pela imprensa local como um arcebispo informal, Dom Jaime conquistou o público pelo seu bom humor, sua simpatia e sua descontração, que o aproximam dos fiéis,independente de sua condição social. Segundo seus entrevistadores, palavras e modos de Dom Jaime lembram as características do Papa Francisco, mas ao mesmo tempo Dom Jaime aproxima-se do povo gaúcho ao falar de futebol, de comida e de bebida, elogiada com moderação. Ao ser entrevistado pela imprensa local, após o anúncio de sua indicação para o cargo, Dom Jaime respondeu a todas as perguntas formuladas com sinceridade, sem fugir de dar respostas sinceras às indagações, mesmo às mais delicadas, declarando: “Sabe lá Deus o que vai no íntimo de cada pessoa”. Seja bem vindo o jovem arcebispo de Porto Alegre. (geralda.alves@ufrgs.br)

O Livro da Família 2014 e o Familienkalender 2014 estão disponíveis na Livraria Padre Reus, em Porto Alegre, e na filial, no Santuário Sagrado Coração de Jesus, junto ao túmulo do Padre Reus, em São Leopoldo. Matriz: fone 51-3224.0250

Filial: fone 51-3566.5086

livrariareus@livrariareus.com.br

Pe. Attílio Hartmann - 16/10 Adelhardt N. Mueller - 20/10 Waldair G. Kulczynski - 21/10 Nelsa Maria Miola - 26/10 Solange Medina Ketzer - 29/10


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GREJA &

COMUNIDADE

Solidário Litúrgico 20 de outubro - 29o Domingo do Tempo Comum Cor: verde

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1a leitura: Livro do Êxodo (Ex) 17,8-

Salmo: 120(121), 1-2.3-4.5-6.7-8 (R/. cf 2) 2a leitura: 2a Carta de S. Paulo a Timóteo (2Tm) 3,14-4,2 Evangelho: Lucas (Lc) 18,1-8 Comentário: Parece que nossa geração, entre outras, é uma geração “desistente”. Com que facilidade muitas pessoas desistem de um projeto, de uma opção de vida, de um programa, de um curso, de uma amizade, de uma relação! É quase uma característica deste tempo: desistir. E muitos desistem até mesmo antes de iniciar: são os desistentes crônicos. E é importante notar: toda desistência traz consigo uma maior ou menor frustração, gerando amargura e deixando um vazio lá dentro da gente. O mesmo vale para nossa opção de fé, nosso mundo espiritual, religioso. Há os que querem estabelecer com Deus uma relação com todas as características de uma transação comercial: “Senhor, eu te peço isto, mais isto, mais aquilo e tu me dás o que peço. E tão logo que atenderes o meu

pedido, vou cumprir a promessa de rezar tantas Ave Marias, visitar o santuário tal, mandar publicar a graça que consegui”. É uma transação comercial: “eu faço meu pedido, tu, Senhor, me atendes e eu pago”. E se não forem prontamente atendidos, desistem. A verdadeira oração é feita de persistência que não desiste quando não é imediatamente atendida, é feita de humildade, que se reconhece pecador, que dá “liberdade” a Deus atender ou não meu pedido, acreditando que Ele sabe o que é melhor para mim. Por outro lado, é importante pedir, pedir sempre e jamais desistir de pedir. Mas sempre com esta atitude interior de deixar que Deus decida. No Evangelho de Lucas deste domingo, Jesus fala de um juiz corrupto que atende uma persistente viúva, só para não mais se incomodar ou para seguir a lei, que mandava que se desse tratamento privilegiado às viúvas. Foi a insistência da viúva que fez com que ela fosse atendida. Na parábola, Jesus mostra a necessidade de pedir sempre, sem jamais desistir (8,1).

27 de outubro - 30o Domingo do Tempo Comum Cor: verde

1a leitura: Livro do Eclesiástico (Eclo) 35,15b-17.20-22a Salmo: 33(34), 2-3.17-18. 19 e 23 (R/. 7a.23a) 2a leitura: 2a Carta de S. Paulo a Timóteo (Tm) 4,6-8.16-18 Evangelho: Lucas (Lc) 18,9-14 Comentário: Lucas, no Evangelho deste domingo, continua o tema da oração. E temos mais uma das sempre paradigmáticas parábolas de Jesus, que nos aponta para duas formas de rezar: a oração do fariseu, de si para si mesmo, orgulhosa, “superior”, excludente, que acredita que se salva e justifica pelas obras que pratica; a oração do publicano que reconhece seu estado de pecador e confia na graça de Deus para libertá-lo, para salvá-lo. Na vida pública de Jesus, os fariseus são citados muitas vezes. Mas a principal crítica de Jesus contra este grupo não era por motivos de moral ou de observância das leis judaicas – os fariseus eram os mais radicais observantes de lei – mas, porque acreditavam e ensinavam que quem observasse toda as leis e normas prescritas, tinha, por esta observância, a garantia da salvação. Seria como “obrigar” a Deus

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salvá-los como paga da sua observância da lei. É a mesma relação comercial da qual falamos no comentário de domingo passado e que exclui a gratuidade da graça de Deus. O publicano não era nenhum santo, nem “flor que se cheire”: era um traidor do seu povo, cobrando impostos que iam para Roma, sede do império opressor. Por isso, odiado e tido como “pecador público”. Na sua oração, ele tem consciência de ser pecador e confessa seu estado, mas confia na misericórdia de Deus que pode salvá-lo por pura gratuidade. Com Deus, não há meritocracia nem plano de carreira que vai acumulando benefícios; com Deus há somente graça. É Deus quem nos salva, sem nenhum mérito nosso, através de Jesus Cristo, único salvador e única garantia de salvação. Diante desta parábola de Jesus é bom e salutar rever nossa “prática” religiosa. A verdadeira fé em Deus e no Cristo não se pratica, mas se vive no amor desinteressado aos irmãos e irmãs que Deus coloca em nossa vida. Na simplicidade, na humildade, conscientes de que somos todos pecadores e é a graça de Deus que nos justifica e salva. (attilio@livrariareus.com.br)

Catequese Discurso do Papa aos catequistas Sugerimos aos catequistas que leiam na íntegra o discurso do Papa, pronunciado no Vaticano por ocasião do Encontro Mundial de Catequistas. Neste espaço, destacaremos apenas alguns trechos do discurso. Disse o Papa: A catequese é um pilar para a educação da fé, e precisamos de bons catequistas! “Ser” catequistas requer amor, amor sempre mais forte por Cristo, amor pelo seu povo santo. E este amor, necessariamente, parte de Cristo. O que significa este partir de Cristo para um catequista, para vocês, também para mim, porque também eu sou um catequista? 1. Primeiro de tudo, partir de Cristo significa ter familiaridade com Ele. Jesus diz: “Permaneçam no meu amor, permaneçam ligados a mim, como o ramo está ligado à videira”. A primeira coisa, para um discípulo, é estar com o Mestre, escutálo, aprender com Ele. E isto vale sempre, é um caminho que dura toda a vida! Neste momento, cada um pode se perguntar: como vivo este “estar” com Jesus? Tenho aqueles momentos em que permaneço na sua presença, em silêncio, deixo-me guiar por Ele? Se no nosso coração não há o calor de Deus, do seu amor, da sua ternura, como podemos nós, pobres pecadores, aquecer os corações dos outros? 2. O segundo elemento é este: partir de Cristo significa imitá-Lo no sair de si e ir ao encontro do outro. Se permanecemos unidos a Cristo, Ele nos faz entrar neste dinamismo do amor. Onde há verdadeira vida em Cristo, há abertura ao outro, há saída de si para ir ao encontro do outro em nome de Cristo. O coração do catequista vive sempre esse movimento de “sístole – diástole”: união com Jesus - , encontro com o outro. Sístole – diástole. Se falta um destes dois movimentos não bate mais, não vive. Eu digo uma coisa para vocês: eu não entendo como um catequista pode permanecer parado, sem este movimento. 3. O terceiro elemento está sempre nessa linha: partir de Cristo significa não ter medo de ir com eles às periferias. Me vem à mente a história de Jonas, uma figura verdadeiramente interessante, especialmente nos nossos tempos de mudanças e incertezas. Releiam o livro de Jonas! É breve, mas é uma palavra muito instrutiva, especialmente para nós, que estamos na Igreja. Que coisa nos ensina? Nos ensina a não ter medo de sair do nosso esquema para seguir a Deus, porque Deus vai sempre além, Deus não tem medo das periferias. Deus é sempre fiel e criativo, não é fechado e por isso nunca é rígido, nos acolhe, nos vem ao encontro, nos compreende. Para ser fiel, para ser criativo, é necessário saber mudar. Para permanecer com Deus necessita saber sair, não ter medo de sair. Se um catequista está tranquilo ele acaba sendo uma estátua de museu; se um catequista é rígido se torna encarquilhado e estéril. Mas atenção! Jesus não diz: ide, e se virem. Não! Jesus disse: Ide, eu estou convosco! Essa é a nossa beleza e a nossa força.

Homenagens a Dom Dadeus

A Arquidiocese de Porto Alegre manifestará sua profunda gratidão pelos 12 anos de atuação de Dom Dadeus Grings à frente do governo pastoral da Igreja local. Três ocasiões marcarão o reconhecimento dos católicos pela ação evangelizadora do agora arcebispo emérito. Confira as datas: 17 de outubro, às 15 horas - Paróquia Nossa Senhora Aparecida – Restinga - Homenagem pela ação pastoral de Dom DadeusGrings junto à ação social da Arquidiocese. - Chácara do Banco N. 71 Restinga - Porto Alegre/RS 10 de novembro, às 10h30min - Seminário Menor São José – Gravataí - Festa de 75 anos do Seminário e despedida de Dom Dadeus - Missa e confraternização. Convites pelo telefone: (51) 3042-2144 18 de novembro, às 10h30min - Seminário Menor São José – Gravataí - Despedida com o Clero arquidiocesano


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RQUIDIOCESE Coordenação: Pe. César Leandro Padilha

Jornalista responsável: Magnus Régis - (magnusregis@hotmail.com) Solicita-se enviar sugestões de matérias e informações das paróquias. Contatos pelo fone (51)32286199 e pascom@arquidiocesepoa.org.br Acompanhe o noticiário da Pascom pelo twitter.com/arquidiocesepoa Facebook: Arquidiocese de Porto Alegre

Saudação de Dom Jaime Spengler Caros irmãos e irmãs na fé, A Paz do Senhor!

A mensagem do novo arcebispo de P. Alegre Na quarta-feira, dia 18 de setembro, a Arquidiocese de Porto Alegre conheceu seu sétimo arcebispo metropolitano: Dom Jaime Spengler, até esta data bispo auxiliar de nossa arquidiocese e vigário episcopal do Vicariato de Gravataí. Às 7 horas, Dom Dadeus Grings anunciou a nomeação às rádios católicas. Em seguida, às 9 horas, a imprensa gaúcha foi recebida na Cúria Metropolitana para entrevista coletiva. Enviada pela Nunciatura Apostólica, a carta de acolhida da renúncia e de nomeação do novo arcebispo foi lida por Dom Dadeus Grings que, a partir desta data, tornou-se administrador arquidiocesano. Neste mesmo momento, os sinos da Catedral Metropolitana repicaram, acrescendo júbilo à notícia informada. Dom Jaime recebeu a imprensa para entrevista coletiva. Em destaque, algumas de suas falas: Ao receber a notícia Senti um frio na espinha e o chão me fugiu dos pés. Depois que dizemos um ‘sim’ a nossa vida não nos pertence. Quando gostamos do que somos e fazemos; aonde somos mandados, onde nos é solicitado o serviço, não nos custa nada. Acolhida Não tive dificuldades de adaptação. Posso dizer com franqueza e sensibilidade: eu encontrei irmãos e irmãs aqui. Primeiro lugar: a presença paterna de Dom Dadeus que foi de uma generosidade, de uma cortesia muito bonita. Que homem este arcebispo! Que olhos bonitos, que semblante! Que simplicidade! Isso me marcou. Mais uma vez eu reitero a gratidão pela acolhida, mas sobretudo pela forma de acolhida que foi fraterna, amiga, simples, muito nossa.

Missão como arcebispo Oxalá, com todas as forças que compõem a arquidiocese, nós possamos nesse pedaço de chão, marcado por tanta história e cultura bonita, possamos ser, realmente, presença de uma Igreja simples e evangelizadora, segundo o Evangelho pede de cada um de nós. É isso que Deus nos pede. Que Deus nos ajude. Que vocês (imprensa) nos ajudem Qual valor traz para o trabalho na Arquidiocese A busca de fraternidade, por ser um valor importante para nós como cristãos, católicos e humanos, mas, também, os valores de paz. O contexto social em que vivemos, exige de nós uma busca e trabalho intenso pela paz e fraternidade, marcada pelo bem e pela justiça.” Exemplos do Papa Francisco Esse desejo de proximidade das pessoas. Essa disposição de ir ao encontro das pessoas. Em nossa arquidiocese, esse desejo de proximidade também é presente para nós, para o clero: bispos, padres, diáconos. Que nós estejamos próximos do nosso povo e de nossa gente. Especialmente onde a vida seja ameaça. Presença nas redes sociais Estive envolvido nos preparativos para JMJ no Rio Grande do Sul. Não tenho dúvidas de que nós precisamos de canais de proximidade e de diálogo com a nossa juventude. A tecnologia nos oferece várias possibilidades. Eu confesso que algumas coisas eu sou capaz de explorar. Tenho página no Facebook. Essas ferramentas trazem uma linguagem nova que precisamos aprender. Aí, tenho que pedir ajuda à gurizada, que nos auxilie a explorar essa ferramenta.

No último dia 9 de setembro fui chamado à Nunciatura Apostólica, em Brasília. Naquela ocasião, o senhor Núncio Apostólico, Dom Giovanni d’Aniello, após breves palavras de acolhida, entregou-me uma carta, desejando-me felicitações. Na carta era comunicado que o Santo Padre Francisco havia-me nomeado Arcebispo da Arquidiocese de Porto Alegre e, portanto, sucessor de Dom Dadeus Grings. Naquele momento, senti a ‘terra fugir de debaixo de meus pés’. Fui tomado por temor e tremor. Temor, pois conheço minhas fragilidades e limitações; tremor pela dignidade do ministério na Arquidiocese, a qual possui mais de 100 anos de história. Daqui a um mês, celebrarei três anos de minha nomeação para bispo auxiliar desta Arquidiocese de Porto Alegre. Durante estes quase três anos, procurei dedicar-me com todas as forças àquilo que o ministério exigia e exige. Encontrei dificuldades; fui desafiado por situações as mais variadas; houve momentos que pensei sucumbir! Houve também experiências de encontro, de solidariedade, de alegria, de comunhão, de fraternidade presbiteral, de desejo para construir juntos um caminho de evangelização, especialmente para a região de Gravataí. Em agosto de 2012, o arcebispo pediu-me para assumir também o oficio de ecônomo e administrador da Arquidiocese. Pressupunha-se que seria um serviço de dois ou três meses; durou 12 meses! Nestes desafios encontrei, sobretudo, irmãos! Neste sentido, quero manifestar minha gratidão a cada membro do Clero, a cada membro de nossos Conselhos Administrativos Econômicos de nossas comunidades, a cada secretária e a toda a equipe que trabalha na Cúria Metropolitana, pela disposição e cooperação, visando encontrar caminhos que tornassem a administração econômico-financeira da Mitra da Arquidiocese mais eficiente e mais transparente. Muito obrigado! Gratidão particular ao Clero da região de Gravataí pelo empenho, dedicação, correção, apoio, prece, cooperação e compreensão. Gratidão ao Pe. Gelson Luiz de Fraga Ferreira pelo serviço prestado como coordenador pastoral naquela região, durante este tempo

que juntos trabalhamos! Gratidão especial a Dom Dadeus Grings, que me acolheu como seu bispo auxiliar. Gratidão a Dom Remídio Bohn, então também bispo auxiliar, e hoje, bispo de Cachoeira do Sul. Gratidão igualmente a Dom Agenor Girardi, nomeado bispo auxiliar de Porto Alegre poucas semanas depois de mim. Inicia-se agora para mim, uma nova etapa de vida! Uma nova etapa ainda mais vigorosamente inserida no cotidiano da vida desta Igreja Particular, presente em Porto Alegre. Como Pastor desta Igreja, me disponho a empenhar o melhor de minhas forças em prol da “Salus” (salvação, saúde!) desta porção do Povo de Deus. Fazemos parte, agora, com empenho ainda maior, de um presbitério bem formado, bem disposto; de um presbitério que reconhece suas fragilidades e limitações, mas que também é marcado de forma distinta por muitos valores e virtudes. Creio que todos juntos e unidos, haveremos de continuar a nos empenhar por construir uma Igreja mais acolhedora, vigorosa, viva, alegre, missionária e evangelizadora. A comunhão (co-múnus) favorecida, buscada e assumida haverá de nos auxiliar a todos, para que o presbitério resplandeça na sua dignidade e possa cumprir da melhor forma possível a missão que lhe é característica. Desejamos poder compor com as diversas forças da sociedade, a fim de colaborar de forma harmoniosa e eficaz, para que todos tenham mais vida. Nosso povo é bom, pacífico e trabalhador; possui utopia, desejo de construir uma Terra verdadeiramente sem males. A fé que nos caracteriza, haverá de orientar nossas escolhas e decisões. Não podemos abrir mão de tudo aquilo que julgamos necessário para uma existência digna. Através do diálogo e do estudo das questões importantes, e que dizem respeito a uma existência autenticamente humana e cristã, poderemos nos tornar colaboradores da graça do Senhor! A alegria de Deus e em Deus é a realização plena do ser humano. O caminho certamente é longo e árduo! Mas a disposição e a colaboração de todas as forças que compõem a Arquidiocese, proporcionam a esperança que o caminho é possível. Que o bom Deus nos ajude! Dom Jaime Spengler


Porto Alegre, outubro de 2013 - 2a quinzena Imagens: Divulgação

Irmã Nilva Dal Bello

Romaria das Capelinhas

Guaíba será inundada por uma onda de paz, esperança e fé

S

ão muitas centenas de capelinhas sob as mais diversas devoções de Nossa Senhora e trazidas por grupos vindos das 21 paróquias dos 19 municípios que compõem o Vicariato de Guaíba. Em sua 19ª edição, a Romaria das Capelinhas é um dos mais concorridos eventos religiosos da cidade de Guaíba. “A Romaria das Capelinhas de Nossa Senhora assume a dimensão de um ato de fé cristã e de um renovado compromisso de vida. A peregrinação é uma atitude bíblica. No Novo Testamento, Maria e José peregrinavam a Jerusalém, todos os anos, na Festa de Páscoa”, atesta Irmã Nilva Dal Bello, da Congregação das Irmãs de São José e, há 19 anos, organizadora e coordenadora da iniciativa. “O nosso mundo precisa de cristãos bem felizes e bem animados. O evento se reveste de um simbolismo muito favorável: a Capelinha. A visita da mãe de Deus, com seus diversos títulos que chega à casa. Une as famílias. A oração de acolhida lembra às pessoas de Deus, do evangelho, da comunidade e da vivência da fé. O Senhor sempre ouve o clamor suplicante que vem do povo fiel. Lembramos sempre que o maior milagre que Deus quer realizar em todos nós é a nossa conversão, a nossa saúde espiritual, de filiação divina, de discípulo missionário. O milagre maior que Nossa Senhora das Capelinhas terá prazer em nos conceder é o da nossa adesão plena ao Reino de Deus. Dar primazia absoluta aos valores do Reino, da Justiça e da Paz. Entendemos a Romaria das Capelinhas como uma grande Escola

Pe. Leo Hastenteufel de formação de Agentes Missionários. Reconhecemos o chamado de Deus acontecendo. Todos os animadores (as) respondem de forma bem viva o seu sim. Acontecem os diversos encontros de formação e de estudo. Todas as Comunidades do Vicariato rezam a oração própria da Romaria”, informa Pe. Leo Hastenteufel, vigário do Vicariato de Guaíba e pároco da Paróquia Nossa Senhora do Livramento. A 19ª Romaria de Nossa Senhora acontece no próximo dia 26 de outubro. A concentração será às 16h30 na frente da Prefeitura de Guaíba de onde sairá a procissão pelas ruas principais da cidade. O Vicariato de Guaíba está se preparando para se transformar em diocese.

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