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IMPRESSO ESPECIAL CONTRATO No 9912233178 ECT/DR/RS FUNDAÇÃO PRODEO DE COMUNICAÇÃO CORREIOS

Ano XVIII - Edição N o 640 - R$ 2,00

Porto Alegre, agosto de 2013 - 2a quinzena

Papa Francisco no Brasil Foto: Tomaz Silva Barra/ Agência Brasil

Faleceu ex-presidente da Pro Deo Bernardino Conte tinha 93 anos. Morreu dia 28 de julho último, em sua casa em Porto Alegre. Natural de Garibaldi, cedo mudou-se com a família para Forqueta, distrito de Caxias do Sul. Na vida política foi vereador e prefeito interino de Caxias. Ocupou diversos cargos executivos em empresas locais, notadamente o de diretor do jornal O Pioneiro, em 1980, publicação mais tarde absorvida pelo grupo RBS. Também foi presidente da Fundação Pro Deo de Comunicação, mantenedora do jornal Solidário, entre dezembro de 2000 e novembro de 2002. Que Deus o tenha em Sua paz. Direção e funcionários do jornal Solidário solidarizam-se com a família enlutada.

Francisco abraça interno do Polo de Atendimento a Dependentes Químicos do Hospital São Francisco, do Rio

Lição de humildade e simplicidade

"Não vim trazer ouro nem prata. Só trago Jesus Cristo", foram as primeiras palavras do Sumo Pontífice em solo brasileiro. Em seus 17 sermões, um improviso e três discursos, mas principalmente com seu exemplo, deixou claro qual o modelo de Igreja que quer: uma mãe que sabe dar afeto e acarinhar. Que saiba ter compaixão, que saiba chorar com quem chora, a exemplo de Jesus. E que se coloque a seu lado para abraçá-lo com amor e carinho.

Páginas centrais e contracapa

Programa Voluntariado da PUC/RS recebe inscrições Alunos, diplomados, professores e técnicos administrativos podem participar do programa que desenvolve atividades nas áreas da saúde, educação, assistência social e meio ambiente. A promoção é do Núcleo de Voluntariado Avesol/PUCRS e do Centro de Pastoral e Solidariedade. Detalhes em www.pucrs. br/voluntariado.

COMIDI de P. Alegre teve primeira experiência missionária Página 11

Ternura e toque estão intimamente ligados na nossa vida afetiva Página 3

Bernardino Conte

A vida não é curta: são as pessoas que permanecem mortas por muito tempo. Antônio M. Galvão

Jornal Solidário na internet:

www.jornalsolidario.com.br solidario@portoweb.com.br http://facebook.com/ jornalsolidario

Nossos telefones: (51) 3093.3029 e (51) 3211.2314

Traga um amigo para este mutirão. Assine o Jornal Solidário


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RTIGOS

Editorial lançados

e fôssemos sintetizar a presença do Papa Francisco no Brasil, como figura central e referencial da Jornada Mundial da Juventude (Rio de Janeiro, 23-28 de julho), poderíamos afirmar, sem receio de errar: foi a plataforma de lançamento de seu programa de pontificado. Este, sim, foi urbi et orbi... para a cidade e para o mundo. Um programa que tem alguns conteúdos repetidos e que, em suma, quer uma Igreja pobre e despojada, simples e transparente...uma Igreja que vá aonde o povo está (Ad gentes). Aquilo que o Concílio Vaticano II propôs, mas que nunca chegou a uma prática real, o Papa Francisco quer retomar e tornar efetivo. Para confirmar o dito acima, apenas estes quatro pensamentos, repetidos com diferentes nuances e em diferentes momentos: É nas favelas, nas vilas da miséria, que nós devemos ir procurar e servir a Cristo. O permanecer com Cristo não é se isolar, mas é um permanecer para ir ao encontro dos demais. Decididamente, pensemos a pastoral a partir da periferia, daqueles que estão mais afastados, daqueles que habitualmente não frequentam a paróquia; também eles são convidados para a Mesa do Senhor. Tenham o valor de ir contra esta corrente de eficiência, desta cultura do descarte, onde a solidariedade é quase uma palavra ruim (leia as páginas centrais desta edição do Solidario). Francisco tem plena consciência de que, para ser viva e ter sentido para a humanidade, para todos os povos e nações, todas as raças e línguas, todas as religiões e os sem-religião também, todas as dores e utopias, a Igreja precisa mexer fundo nas suas estruturas, no seu modo de ser e de agir. Precisa converter-se ad intra para poder servir ad extra. Ad intra, os bispos são chamados a serem, de fato, pastores no meio do seu rebanho como o “bom Pastor”, e os padres que “tenham cheiro de ovelha”, acolhendo a cada uma a partir de cada uma, sem distinção de espécie alguma. Ad extra, colocando-se sempre em atitude de diálogo com todas as realidades do mundo atual. O Papa tem total consciência também que seu programa é um desafio imenso, especialmente dentro da Igreja. Não por nada que ele, humildemente, já na sua primeira aparição e muitas vezes depois, dizia: “rezem por mim”. Há muito poder em jogo... há muito dinheiro envolvido... há estruturas seculares que criaram raízes profundas e não serão mudadas sem evidentes críticas e defesas, possivelmente, muito acirradas. Isto ficou muito claro no encontro que o Papa teve com os bispos da América Latina, membros do Celam. Bispos e padres devem ser mais pastores e menos “príncipes”. Textualmente, ele traçou um perfil do bispo e do padre que ele quer para a Igreja de Jesus Cristo: os bispos hão de ser pastores, próximos da gente, pais e irmãos, com muita mansidão, pacientes e misericordiosos. Homens que amem a pobreza, seja a pobreza interior como liberdade diante do Senhor, seja a pobreza exterior como simplicidade e austeridade de vida. Homens que não tenham "psicologia de príncipes".E para os padres: O trabalho de nossos presbíteros seja mais pastoral que administrativo. E o Papa conclui, com uma pergunta retórica: Quem é o principal beneficiário do trabalho eclesial, a Igreja como organização ou o Povo de Deus em sua totalidade? (attilio@livrariareus.com.br)

Fundação Pro Deo de Comunicação CNPJ: 74871807/0001-36

Conselho Deliberativo

Presidente: Agenor Casaril Vice-presidente: Jorge La Rosa Secretário: Marcos Antônio Miola

Voz do Pastor Dom Dadeus Grings

Arcebispo Metropolitano de P. Alegre

Desafios estão

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Agosto de 2013 - 2a quinzena

Voluntários Diretoria Executiva

Diretor Executivo: Adriano Eli Vice-Diretor: Martha d’Azevedo Diretores Adjuntos: Carmelita Marroni Abruzzi, Elisabeth Orofino e Ir. Erinida Gheller Secretário: Elói Luiz Claro Tesoureiro: Décio Abruzzi Assistente Eclesiástico: Pe.Attílio Hartmann sj

O celibato de Jesus

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esus começa seu ministério proclamando que “o tempo se cumpriu e o reino de Deus está próximo”. No Antigo Testamento, a lei do levirato obrigava alguém a casar com a viúva do irmão para garantir o nome e a herança do povo. Assegurava, assim, a garantia das promessas dadas por Deus a Abraão. O celibato de Jesus, ao contrário, elimina esta tradição que incluía o povo no cumprimento das promessas aos antepassados.

Jesus, com seu celibato, garante que já não devemos esperar o cumprimento das promessas para um futuro longínquo, mas que seu tempo já se cumpriu. O reino de Deus está em nosso meio. É festa. Por isso, não se pode estar triste. O definitivo está acontecendo. A partir do celibato de Jesus, instaura-se uma nova maneira de viver. Milhares de pessoas deixam tudo, inclusive o ideal de constituir família própria que lhes dê posteridade, para seguir o mestre. E têm consciência de fazê-lo por causa do reino de Deus. Sentem o convite pessoal, fascinante e profético deste reino. A essência da vida cristã é o amor, bem como o culto a Deus e a evangelização. Por isso, no mês de agosto, dedicado às vocações cristãs, colocamos esta tríplice dimensão do reino como motivação para todo chamado de Deus para o trabalho no seu reino. A primeira semana, dedicada à vocação presbiteral, tem como eixo a caridade pastoral. O amor leva a pessoa chamada a viver para Deus e para o próximo na comunidade paroquial. Deixa tudo para viver o amor cristão do serviço pastoral no tríplice múnus recebido de Cristo, para o representar junto à comunidade dos fiéis, como homem da palavra, como sacerdote dos sacramentos e como pastor do rebanho. Em tudo será movido pela caridade pastoral, como presbítero, ou seja, como ancião que tem e assume a idade da Igreja, de dois mil anos, para estar junto ao povo de nossos dias. A segunda semana leva os cristãos a viverem o amor cristão em família, pela união conjugal e pela geração e

Conselho Editorial

Presidente: Carlos Adamatti Membros: Paulo Vellinho, Luiz Osvaldo Leite, Renita Allgayer, Beatriz Adamatti e Ângelo Orofino

Diretor-Editor Attílio Hartmann - Reg. 8608 DRT/RS Editora Adjunta Martha d’Azevedo

educação de filhos, conformando-se ao Cristo crucificado, que dá sua vida para que outros tenham vida em abundância. A Igreja garante que o futuro da humanidade passa pela família, isto é, realiza-se pelo amor familiar que relaciona o casal no amor de Cristo e une pais e filhos na fecundidade e na doação. A terceira semana retrata uma vocação especial, que projeta o amor como modelo dos bens definitivos: amor por causa do reino de Deus, expresso pela consagração total, através de três votos, que o testemunham frente aos bens terrenos, pela pobreza, frente aos outros, pela obediência, frente ao prazer, pela castidade. Testemunha assim o amor como algo mais sublime. Perpassa todas as fibras do coração. A quarta semana destaca o amor na construção de um mundo mais justo, fraterno e próspero, pela índole secular dos leigos e leigas. Eles são a Igreja no coração do mundo e o mundo no coração da Igreja. Mostram que um outro mundo – outro em relação à ganância, em relação à violência, em relação às drogas e à corrupção – é possível. Chama-se civilização do amor. Nele prevalece o relacionamento humano, inspirado na atitude de Cristo, que veio para servir e não para ser servido. Rezamos pelas vocações cristãs para que tenhamos um mundo de mais solidariedade e de uma vivência humana mais pacífica e feliz. Onde reina o amor, ali está Deus. Aprendemos a viver melhor a partir do celibato de Jesus Cristo e de seus seguidores mais imediatos. Apontam para o ideal mais sublime da vida.

Redação Jorn. Luiz Carlos Vaz - Reg. 2255 DRT/RS Jorn. Adriano Eli - Reg. 3355 DRT/RS

Revisão Ronald Forster e Pedro M. Schneider (voluntários) Administração Elisabete Lopes de Souza e Norma Regina Franco Lopes Impressão Gazeta do Sul

Rua Duque de Caxias, 805 Centro – CEP 90010-282 Porto Alegre/RS Fone: (51) 3093.3029 – E-mail: solidario@portoweb.com.br Conceitos emitidos por nossos colaboradores são de sua inteira responsabilidade, não expressando necessariamente a opinião deste jornal.


Agosto de 2013 - 2a quinzena

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AMÍLIA &

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OCIEDADE

O exercício da ternura Deonira L. Viganó La Rosa

Terapeuta de Casal e de Família. Mestre em Psicologia

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convivência e a proximidade com as pessoas produzem um sentimento de conforto e segurança que é essencial para confirmar o valor pessoal do indivíduo e sua pertença a uma família, igreja ou comunidade.

O Papa Francisco muito nos sensibilizou quando entrelaçou os braços, como se nanasse alguém, e pediu a presbíteros e bispos que repetissem este gesto, tomando “no colo” as pessoas que vão à Igreja. Disse mais: Saiam da sacristia ao encontro das pessoas, lá onde elas estão, no dia a dia, principalmente nas periferias onde estão os mais pobres e necessitados, e a todos deem proximidade, ternura, escuta e carinho. As mães não se comunicam com os filhos através de cartas, a mãe ama, beija, abraça. A Igreja, por vezes, gasta muito tempo elaborando documentos, sobra pouco para o contado direto e carinhoso com as pessoas. O desafio colocado por Francisco à Igreja chega à casa de cada um de nós. Estamos dedicando pouco tempo à convivência, ao cuidado, à ternura, ao toque, seja com as crianças ou com os adultos. Corremos demais em busca de conforto e esquecemos o quanto é confortável parar para dar e receber ternura, beijo, presença, carinho.

A ternura e o toque são intimamente ligados na nossa vida afetiva

São nossos sentidos que nos colocam em contato com o outro e nos permitem tocar e ser tocados. Conhecemos muitas maneiras de tocar e ser tocados, graças a nossos sentidos – ouvido, visão, olfato, gosto, tato. Podemos tocar o outro olhando, conversando, abraçando... Podemos ser tocados por uma música, um olhar, um perfume, uma palavra, uma escuta silenciosa ... A ternura pertence à família do bom, da carícia, da gentileza, do sorriso, da aproximação, da bondade, do amor, da confiança, dos anjos, do prazer, da doçura, da paz, da cumplicidade, da amizade, da fraternidade. E isto ajuda a entender a definição da família oposta: aquela do duro, do obscuro, da frieza, da rispidez, da sombra, do picante, da amargura, dos demônios, do grito, da guerra, da maldade... A dificuldade em lidar com o toque e com a intimidade, os contatos abusivos ou as relações frustradas são fatores que impedem certos sujeitos de criarem laços carinhosos com as pessoas com quem convivem. Resgatar a capacidade de fazer-nos próximos dos outros, tanto na família como na Igreja, requer libertação, exige prestar atenção e aguçar a sensibilidade. Requer dedicar tempo à convivência, usar todos os sentidos para chegar ao outro, e entender de uma vez por todas que ajudamos muito mais uma pessoa pela relação afetiva direta do que com compêndios de doutrinas e documentos.

www.metodosupera.com.br

Os adultos também necessitam de ternura

A necessidade de ser amado é evidente no bebê, mas ela não é menos real no adulto: ele também tem necessidade de sentir que tem um lugar no mundo, que é apreciado pelo que ele é, independente daquilo que ele tem ou faz, seja marido, mulher, filho, vizinho, fiel, principalmente desvalido e necessitado. A palavra tem um poder humanizante, mas não basta estar derramando palavras genéricas, dirigidas sempre a multidões. O que precisamos é de um olhar particular, de alguém que nos chame pelo nome, nos pergunte como estamos, se precisamos de ajuda. O policial que acompanhava Francisco disse ter se impressionado com sua capacidade de destacar uma pessoa na multidão, de perceber seu olhar e sair, quanto possível, a seu encontro. Ele chorou com aquele menino que chorou em seu regaço.Tempos atrás ele disse: O pastor tem de cheirar a sua ovelha. Quando um filho quer contar ao pai alguma coisa que o inquieta e o pai lhe diz “te amo muito, agora vai, que teu pai tem muitas coisas para fazer”, como se

sente este filho? E, quando a pessoa por muita sorte consegue se aproximar do padre e percebe que ele não a escuta com interesse, antes tem um olhar vago de quem diz “Devo fazer muitas outras coisas ainda”, como se sente esta pessoa? Como pode sentir-se acariciada por Deus, se seu mediador a afasta com o olhar, quando não com palavras?

A educação do coração está muito negligenciada

É preciso dar ao coração a mesma atenção que se dá à inteligência, senão mais. E é preciso colocar como muito importante o exercício da ternura com os mais próximos e com todos aqueles que ainda estão longe de nós porque os isolamos por egoísmo, por preconceito ou preguiça. E a educação se faz a custa de práxis, isto é, de prática.


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4 social das manifestações Dane Avanzi Advogado

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Na Europa, durante o século XIX e início do século XX, os acumulados de riquezas pelos comerciantes, industriais e banqueiros criaram uma tensão social que os sociólogos definiram como “Luta de Classes”. Esses conflitos sempre existiram devido à má distribuição de riquezas, em alguns países mais que outros, alternando momentos de aparente calma, quando as massas estão sob controle e momentos de definição - como é o caso da Revolução Francesa. No Brasil, nos últimos dois séculos, muita coisa aconteceu. Podemos citar entre as principais mudanças a Proclamação da República, o desenvolvimento de uma sociedade industrial ao longo do século XX, a luta entre ideologias capitalista e comunista, a sucessão de governos ditatoriais e governos legitimamente democráticos, o qual desde 1985 tem prevalecido o Estado democrático de direito. Neste contexto, uma importante ferramenta de representação popular são os partidos políticos, criados para expressar ideias, pensamentos e anseios da população. Na prática, foi assim por muitos anos. Os protestos que tomaram conta das maiores cidades do Brasil no final de junho levou um número recorde de pessoas à rua. A desconfiança do povo brasileiro com relação à classe política e, principalmente, com relação aos partidos políticos, tornou as manifestações apartidárias. Tão apartidárias, que os partidos políticos que tentaram integrar os movimentos foram expulsos. Embora haja uma insatisfação generalizada, os políticos eleitos que estão no poder não vieram de Marte. São brasileiros eleitos por brasileiros. E, portanto, mudança real nenhuma ocorrerá se o povo não se organizar dentro de partidos políticos, eleger seus representantes e cobrá-los durante o mandato. Do ponto de vista da população, a era pós-moderna foi inaugurada com os recentes movimentos sociais que entraram na história do Brasil. No entanto, se a era moderna acabou, estaríamos vivendo a era pós-moderna? Do ponto de vista do Estado, o mundo ainda é moderno, pois depende de suas instituições para funcionar - ainda que estejam enfraquecidas. Nas eleições de 2014 votaremos em candidatos inscritos em partidos. É assim no Brasil e em qualquer outra democracia no mundo. Outro traço do movimento que claramente indica uma postura pós-moderna é a ausência de ideologias e de outros ideais estéticos e culturais que predominaram no século XX. A desvalorização e a aversão a ideologias demonstram um amadurecimento dos temas que realmente interessam para a melhoria da vida dos brasileiros em geral. Alguns entendem que extremistas estão se apoderando das massas e alertam quanto ao que ocorreu na Alemanha, com Hitler, na Itália, com Mussolini, que implantaram governos ditatoriais em seus respectivos países seguindo ideias extremistas. Contudo, essa visão não condiz com a realidade brasileira que quer apenas ser tratada com cidadania e respeito. A objetividade com que o povo vem tratando as principais pautas, como o combate à corrupção, aversão aos gastos extravagantes com a Copa do Mundo - que, infelizmente, aparentemente serviu de motivo para tanto desvio de verbas - demonstram que o velho modelo romano de se fazer política jogando “Pão e dando Circo” ao povo está com seus dias contados. Ainda bem.

PINIÃO

Um Papa saído da América em visita ao Brasil

a transformação

era moderna teve como marco inicial importantes acontecimentos ocorridos no século XVIII, como a Revolução Industrial em 1750 e a Queda da Bastilha em 1789. Alguns historiadores afirmam que a era moderna perdurou até o fim da guerra fria, que tem como marco simbólico a queda do Muro de Berlin em 1989. As atuais manifestações populares ocorridas em junho em todo Brasil demonstram o final da era moderna para o país.

Agosto de 2013 - 2a quinzena

Antônio Allgayer Advogado

A

vinda do Papa Francisco ao Brasil dá ensejo a algumas reflexões: Quando foi da invasão da América por europeus atiçados pela fome do ouro (auri sacra fames), povos de cultura avançada como os astecas, os quêchuas e os guaranis expulsos das Reduções Jesuíticas, foram submetidos a chacinas e tratamentos de inaudita crueldade. A primeira manifestação de um Papa contra abusos de tamanha gravidade foi a bula “Sublimis Deus” emitida por Paulo III. Nela, se dispunha que “os índios, sendo verdadeiros homens (...) não podem de modo algum ser privados de sua liberdade ou da posse de seus bens”. Deploravelmente, agentes de pérfidas manobras lograram fosse proibida na corte espanhola a divulgação da bula. A ganância dos atingidos pela mesma fez com que a prepotência levasse a melhor. Da concentração da riqueza dos “encomenderos” alimentava-se o capitalismo mercantilista centro-europeu, marginalizando os primitivos habitantes da América. Tal situação, em suas nefastas consequências, de certo modo perdura até hoje, sob nomes diversos como boia-fria, peão-de-estância, agricultor-semterra, posseiro, assalariado com subemprego. Graças ao caldeamento de variadas etnias no Sul da América, surgiu uma população composta pelo mameluco (filho de índio com branco), o mulato (filho de negro com branco) e o cafuzo (filho de negro com índio), acrescida por imigrantes advindos de regiões empobrecidas da velha Europa. Uma das marcas significativas dessa miscigenação tem sido a mestiçagem cultural, que se ex-

pressa em manifestações de fé popular, alimentada pelo animismo indígena e africano, de mistura com práticas cristãs ortodoxas e heterodoxas. É precisamente a partir da religiosidade popular que podem ser retraçados costumes, crenças e valores do passado da América. A amálgama de etnias e o caldeamento de culturas fez com que a população aqui existente seja, em grande parte, morena pela cor da pele, híbrida pela expressão cultural e sincrética em suas manifestações de fé religiosa. A religiosidade popular segue acontecendo de costas para uma Igreja fortemente hierarquizada. No dizer de Tertuliano, a alma humana é intrínsecamente cristã. Ouvimos um humilde pároco interiorano nos dizer que as crianças e os pobres são os mais permeáveis ao Evangelho. Se tal é a realidade, podemos esperar com alegria que o Papa Francisco, procedente de país vizinho ao nosso, virá reencontrar aqui farta motivação para o seu incomensurável amor aos pobres. Constatará in loco quanto algumas virtudes cristãs, em especial a compaixão, remanescem no fundo da alma de moradores das vilas e subúrbios distantes das paróquias de Igrejas Particulares, que lhes são estranhas e a eles não costumam chegar...!

A voz profética que não quer calar Rinaldo Alberton Advogado

A

s festas de Igreja fazem parte da vida comunitária e expressam a alegria de celebrarmos juntos a vida e a fé cristã. Se o homenageado é o Santo Padroeiro, o centro da festa é Jesus Cristo, presente na Palavra, na Eucaristia e na Comunidade de Fé. A decisão do bispo Dom Zeno, de recomendar sofrem pela morte no trânsito ou pela dependência o corte da bebida alcoólica nas festas, é motivada alcoólica/crackiana de seus filhos ou netos? pelo sofrimento causado na violência do trânsito, A paróquia não precisa da bebida alcoólica na violência doméstica, na dependência alcoólica para sua sustentabilidade. Ela precisa de recursos, e na desagregação familiar. sim, porém, não se orienta pela lógica do mercaComo manter a coerência evangélica se, no do, visando ao lucro, mas pela lógica da fé cristã, espaço paroquial, acolhem-se grupos de AA e onde se promove a compaixão, a generosidade, a disponibiliza-se bebida alcoólica? solidariedade e a fraternidade cristã, na gratuidade, Como entender a pregação homilética dos nos- através da partilha de bens (At 2,42-47; 4,32-36). sos párocos contra a violência doméstica e a favor O que precisamos é que cada um assuma o do acolhimento dos dependentes do álcool, se nas compromisso batismal de sustentar a comunidade a festas vende-se bebida alcoólica? que pertence, através dos instrumentos bíblicos de Como entender uma festa paroquial que exclui sustentação paroquial: o dízimo voluntário, dado o pobre por não ter cartão, e submete o dependente com amor e generosidade (Gn 14,18-20; Ml 3,10) à provável recaída pela ingesta do primeiro gole? e as ofertas dadas com alegria e de boa vontade Como admitir, na festa de Igreja, a exposição (2Cor 9,6-7). de crianças e jovens no mesmo espaço em que se Visando à promoção da vida e à prevenção da consomem bebidas alcoólicas por adultos? Por que violência/dependência alcoólica, muitas dioceses não seguir o exemplo de pais e professores que, em do Brasil, entre elas a de Novo Hamburgo, já corsuas festas, não se disponibiliza bebida alcoólica? taram a bebida alcoólica de suas festas. É a voz Como entender a falta de compaixão de uma profética do episcopado brasileiro que, agindo com Comunidade de Fé que faz festa com bebida al- coragem, amor e compaixão, não quer mais calar. coólica, sabendo que há mães, pais e avós que (OAB/RS 22.832)


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DUCAÇÃO &

SICOLOGIA

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A grandiosidade vista pela ciência Pedro Luís Garcez Professor universitário

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s Salmos fazem uma declaração extremamente relevante para quem se debruça sobre o estudo dos números, dados e história do nosso imenso e complexo universo: “Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” (Sal 19:1). O que chamamos de céu ou firmamento é, na verdade, a atmosfera terrestre, com suas diversas camadas. Mas o que isso revela sobre Deus? O que a ciência (ou conhecimento científico) tem a dizer sobre isso? Com o passar dos anos, algumas constatações científicas que são, no mínimo, surpreendentes, nos ajudam a ter uma noção da importância do “firmamento”, conforme veremos a seguir.

A nossa galáxia (Via-Láctea) tem um movimento de rotação próprio e gira a uma velocidade de 240 km por segundo, mesmo assim, leva 200 milhões de anos para uma volta completa em torno de si mesma. Dentro dela, temos aproximadamente 100 bilhões de estrelas, todas em movimento, sendo a mais conhecida para nós (na Terra) o “Sol”, estrela anã que possui ao seu redor diversos corpos celestes, todos em movimentos de rotação e/ou translação, entre os quais alguns planetas, vários satélites (luas), asteróides, massas gasosas e partículas diversas que também giram a velocidades estupendas e, mesmo assim, sem acidentes ou choques significativos para o conjunto. A Terra é o terceiro entre os planetas em relação à distância do sol. O conjunto de milhares de características da Terra, dentre as quais apenas algumas citarei, faz com que ela seja o único planeta desse sistema em condições de desenvolver e sustentar a vida como a conhecemos. Vejamos: • A Terra tem um tamanho (massa específica), que gera uma força de gravidade de 9,78 m/ s² o que permite que vários gases mais leves que o oxigênio, não fiquem na superfície, dando lugar a este que, por sua massa atômica, é atraído pela gravidade. É por esse motivo que quanto mais alto subirmos em relação ao nível do mar, mais difícil será respirar. Se o planeta fosse um pouco menor, a atmosfera seria menos densa e formada por elementos insuficientes para a vida humana, inclusive o oxigênio. Por outro lado, se a Terra fosse um pouco maior, a gravidade seria tão forte que formaria uma atmosfera venenosa para a maioria dos seres; • A inclinação da Terra em relação ao seu eixo de rotação é responsável pela existência das quatro estações (outono, inverno, primavera e verão), que além de mudanças de temperatura, gera um sistema climático que permitiu o surgimento de toda a biodiversidade. Sem essa inclinação, teríamos uma diversidade pobre e limitada geograficamente; • O tamanho e a distância que a lua tem da Terra também contribui substancialmente para o clima e para a biodiversidade do planeta, através da influência dos seus ciclos nas marés,

cheias e até no cio dos animais. Sem a lua a Terra não seria o que é; • A distância que o planeta tem do sol, bem como sua órbita, permitiram o calor necessário para desencadear as reações necessárias ao desenvolvimento da vida. Nem tão frio nem tão quente, mas a temperatura certa; • Essa distância da Terra em relação ao sol, aliada à sua gravidade, sua inclinação, a proximidade e dimensões da lua e vários outros fatores, permitiram à Terra desenvolver a atmosfera perfeita para a nossa vida, pois além da composição correta do ar, da umidade favorável, da pressão e temperatura adequadas, as camadas dessa atmosfera formam também um escudo protetor para o planeta e por sua resistência (da atmosfera), desintegra em fragmentos mínimos, milhões de meteoritos que caem na Terra todos os dias. Sem essa proteção a vida nem ao menos começaria aqui, pois somos literalmente bombardeados o tempo todo. É essa atmosfera perfeita para nossa vida que nos é visível no azul do céu diurno e nas noites é translúcida, permitindo-nos ver no “firmamento” as demais estrelas da criação, fascinando-nos com

a perfeição e complexidade de toda essa obra. Crer que tudo isso e muito mais que não comentei aqui, seja obra do acaso ou de acidentes cósmicos sem objetivo algum, exige de qualquer pessoa com bom senso, uma fé tamanha e tão forte, mais abstrata do que para crer que existe um ser inteligente, que arquitetou, fez e mantém todas as coisas por sua vontade e poder. Voltaire disse com propriedade no século XVIII: “Crer em Deus é impossível; não crer nele é um absurdo”. (garcezsalvo@hotmail.com)


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EMA EM FOCO

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O Papa Franc

Plano de papad humildade e

ão esses os temas que perpassaram os 17 sermões, os três discursos oficiais e a fala especial para 40 mil jovens conterrâneo centro das intervenções de Francisco no Brasil. Ele deseja uma igreja simples, despida de toda a aparência, ostentação e so mesma, uma igreja pobre e para os pobres. E que todos – igreja e sociedade civil – voltem-se e defendam os pobres das per duz e ignora os jovens e as crianças e os idosos. De certa forma, o Brasil se tornou a grande plataforma de lançamento dos princíp em sua visita à Ilha de Lampedusa, situada no Mediterrâneo, antes da viagem ao Brasil, quando, indignado, assim se expressou: “O na prisão, no hospital. Essas s

Um olhar ‘ad intra’

Cada uma das intervenções papais continha clara dose do que pensa que Francisco fez um olhar ‘ad intra’, para dentro da Igreja, apontando cami

No Santuário de Aparecida * Jovens de todo o mundo e muitas outras multidões estão esperando por nós, necessitados de serem envolvidos pelo olhar misericordioso de Cristo Bom Pastor que nós somos chamados a tornar presente. * Igreja não pode descurar esta lição: ser instrumento de reconciliação. * Nós queremos ver muito rápido a totalidade e Deus, pelo contrário, se faz ver pouco a pouco. * Talvez nós tenhamos reduzido a nossa exposição do mistério a uma explicação racional; no povo, pelo contrário, o mistério entra pelo coração. Na casa dos pobres, Deus encontra sempre lugar. * Há muito para aprender nessa atitude dos pescadores. Uma Igreja que dá espaço ao mistério de Deus; uma Igreja que alberga de tal modo em si mesma esse mistério, que ele possa encantar as pessoas, atraí-las. * O resultado do trabalho pastoral não assenta na riqueza dos recursos, mas na criatividade do amor. * Igreja não reside nela própria, mas se esconde nas águas profundas de Deus, nas quais ela é chamada a lançar as redes. * A Igreja deve sempre lembrar é que não pode afastar-se da simplicidade; caso contrário, desaprende a linguagem do Mistério. * Às vezes, perdemos aqueles que não nos entendem, porque desaprendemos a simplicidade, inclusive importando de fora uma racionalidade alheia ao nosso povo. * Sem a gramática da simplicidade, a Igreja se priva das condições que tornam possível “pescar” Deus nas águas profundas do seu Mistério.

No almoço com o clero, bispos e membros da CNBB * O mistério difícil das pessoas que abandonam a Igreja; de pessoas que, após deixar-se iludir por outras propostas, consideram que a Igreja – a sua Jerusalém – nada mais possa lhes oferecer de significativo e importante. * Talvez a Igreja lhes apareça demasiado frágil, talvez demasiado longe das suas necessidades, talvez demasiado pobre para dar resposta às suas inquietações, talvez demasiado fria para com elas, talvez demasiado autorreferencial, talvez prisioneira da própria linguagem rígida, talvez lhes pareça que o mundo fez da Igreja uma relíquia do passado, insuficiente para as novas questões; talvez a Igreja tenha respostas para a infância do homem, mas não para a sua idade adulta. Perante esta situação, o que fazer? * Hoje, serve uma Igreja capaz de fazer companhia, de ir para além da simples escuta; uma Igreja que acompanha o caminho pondo-se em viagem com as pessoas. * Somos ainda uma Igreja capaz de aquecer o coração? Uma Igreja capaz de reconduzir a

Jerusalém? Capaz de a * A Igreja sabe ain para costurar novamen arrastar pelo frenesi da * Senão formarmo pessoas, de caminhar n ilusões e desilusões, d deremos esperar para o * É preciso ter a co de formação e prepara Brasil. Não é suficient cumentos ou encontros * Sem a misericórd nos em um mundo de “ de perdão, de amor. * Não reduzamos contrário, promovamo Perdendo as mulheres,

Na hom Catedr

* Não podemos fic nidade, quando tantas * Tenham o valor cultura do descarte, on * O permanecer co para ir ao encontro dos * É nas favelas, n devemos ir procurar e * Decididamente, p les que estão mais afast tam a paróquia. També * Em muitos amb da exclusão, a cultura nem para o filho indese caído à margem da est lações humanas sejam e pragmatismo.


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ÇÃO OLIDÁRIA OLIDARIEDADE

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cisco no Brasil

do: simplicidade, proximidade

os argentinos do Papa Francisco em sua visita ao Brasil durante a Jornada Mundial da Juventude. O “evangelho social” esteve no ofisticação. Deseja postura de modéstia e humildade de toda a hierarquia e fiéis. Uma igreja que não fique girando em torno de si riferias e os descartados. Que não se ‘globalize a indiferença”, inserida num sistema utilitarista que privilegia apenas quem propios que orientarão o papado de Francisco, já ensaiado em seus primeiros cem dias de governo da Igreja e claramente expresso O corpo de teu irmão está ferido porque está com fome, com sede, porque está nu, humilhado, porque é um escravo, porque está são as feridas de Jesus hoje.”

’: recados ao Clero

deva ser o papel da Igreja, hoje. E, especificamente em três momentos, inhos e atitudes que devem partir diretamente dos padres e dos bispos.

acompanhar de novo a casa? nda ser lenta: no tempo para ouvir, na paciência nte e reconstruir? Ou a própria Igreja já se deixa a eficiência? os ministros capazes de aquecer o coração das na noite com elas, de dialogarem com as suas de recompor as suas desintegrações, o que poo caminho presente e futuro? oragem de uma revisão profunda das estruturas ação do clero e do laicato da Igreja que está no te uma vaga prioridade da formação, nem dos. dia, poucas possibilidade temos hoje de inserir“feridos”, que têm necessidade de compreensão,

o empenho das mulheres na Igreja, antes pelo os o seu papel ativo na comunidade eclesial. , a Igreja corre o risco da esterilidade.

milia na missa na ral Metropolitana

car enclausurados na paróquia, em nossa comupessoas estão esperando o Evangelho. de ir contra esta corrente de eficiência, desta nde a solidariedade é quase uma palavra ruim. om Cristo não é se isolar, mas é um permanecer s demais. nos cantegriles, nas vilas da miséria, que nós servir a Cristo. pensemos a pastoral a partir da periferia, daquetados, daqueles que habitualmente não frequeném eles são convidados para a Mesa do Senhor. bientes, infelizmente, ganhou espaço a cultura a do descartável. Não há lugar para o idoso, ejado; não há tempo para se deter com o pobre trada. Às vezes parece que, para alguns, as reregidas por dois dogmas modernos: eficiência

Na reunião geral de coordenação do CELAM * O que faz cair as estruturas caducas, o leva a mudar os corações dos cristãos, é exatamente a missionaridade. * O discípulo de Cristo não é algum isolado numa espiritualidade intimista, mas alguém em comunidade, para dar-se aos demais. * Quais são os desafios vigentes da misionariedade discipular? Assinalarei somente dois: a renovação interna da Igreja e o diálogo com o mundo atual. É necessário que, como pastores, nos mantenhamos interrogantes de como marcham as Igrejas que presidimos. * Cuidados que nosso trabalho e o de nossos presbíteros seja mais pastoral que administrativo? Quem é o principal beneficiário do trabalho eclesial, a Igreja como organização ou o Povo de Deus em sua totalidade? * Superamos a tentação de atender de maneira reativa os complexos problemas que surgem? Criamos um hábito proativo? Promovemos espaços e ocasiões para manifestar a misericórdia de Deus? Somos conscientes da responsabilidade de reformular as atitudes pastorais e o funcionamento das estruturas eclesiais, buscando o bem dos fieis e da sociedade? * Na prática, fazemos os fiéis leigos partícipes da Missão? Oferecemos a Palavra de Deus e os Sacramentos com clara consciência e convicção de que o Espírito se manifesta neles? * Os pastores, bispos e presbíteros, temos consciência e convicção da missão dos fiéis e lhes damos a liberdade para que vão discernindo, conforme seu processo de discípulos, a missão que o Senhor lhes confia? * A ideologização da mensagem evangélica - o reducionismo socializante, a ideologização psicológica, a proposta gnóstica, a proposta pelagiana (tentação que ocorreu desde o início da Igreja, que é buscar uma hermenêutica de interpretação fora do mesmo Evangelho e fora da Igreja. Nesta proposta pelagiana há congregações religiosas que tendem à “segurança” doutrinal ou disciplinária. Fundamentalmente é estática, embora se prometa uma dinâmica para dentro: regride, involue. Busca ‘recuperar’ o passado perdido). * Toda projeção utópica (para o futuro) ou restauracionista (para o passado) não é do bom espírito. * A posição do discípulo missionário não uma posição de centro, mas para as periferias: vive tensionado para as periferias. * O discípulo-missionário é um descentrado: o centro é Jesus Cristo, que convoca e envia. O discípulo é enviado para as periferias existenciais. * A Igreja é instituição. Mas quando se erige em “centro” se funcionaliza. E, pouco a pouco, se transforma numa ONG. Então, a Igreja pretende ter luz própria e deixa de ser este “misterium lunae” de que nos falavam os Santos Padres. Se torna cada vez mais autorreferencial e se debilita sua necessidade de ser missionária. De “Instituição” se transforma em “Obra”. Deixa de ser Esposa para terminar sendo Administradora; de Servidora se transforma em “Controladora”. * Existem na América Latina e no Caribe pastorais “distantes”, pastorais disciplinárias que privilegiam os princípios, as condutas, os procedimentos organizativos... por isso, sem proximidade, sem ternura, sem carícia. *Há pastorais feitas com tal dose de distância que são incapazes de conseguir o encontro: o encontro com Jesus Cristo, encontro com os irmãos. *A proximidade cria comunhão e pertencimento, dá lugar ao encontro. A proximidade toma forma de diálogo e cria uma cultura do encontro. * Como são nossas homilias? Se aproximam do exemplo de Nosso Senhor, que ‘falava como quem tem autoridade’ ou são meramente preceptivas, distantes, abstratas? * Os bispos hão de ser pastores, próximos da gente, pais e irmãos, com muita mansidão, pacientes e misericordiosos. Homens que amem a pobreza, seja a pobreza interior como liberdade diante do Senhor, seja a pobreza exterior como simplicidade e austeridade de vida. Homens que não tenham “psicologia de príncipes”.


8 Mudança de hábitos pode melhorar a memória

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ABER VIVER

Agosto de 2013 - 2a quinzena

Existe alguma associação entre atividade física e risco de demência?

Esquecimento é uma das queixas mais comuns nos consultórios Um estudo publicado em fevereiro deste médicos, mas é importante distinguir entre um esquecimento patológico, ou seja, relacionado à alguma doença, de um esquecimento considerado ano, na revista Annals of Internal Medicine, aborda a questão. normal, seja pelo envelhecimento, seja por consequência ao stress. Nas faixas etárias mais jovens, o stress é um grande causador de Qual o problema e o que se sabe? esquecimento. Vida corrida, excesso de atividade e responsabilidades, Demência é a perda progressiva da mefalta de tempo para exercícios físicos e para atividades de prazer e lazer, são os grandes responsáveis por essa queixa. Outra importante causa é mória e a da cognição que usualmente afeta os idosos. Pessoas saudáveis e fisicamente a depressão. Em relação ao esquecimento patológico, as causas mais relacionadas condicionadas parecem menos propensas a são a Doença de Alzheimer, a Doença de Parkinson (nos estágios mais desenvolver a doença. avançados), o uso crônico e grave de álcool, cocaína e outras drogas, as Entretanto, isto poderia ser causa e não lesões vasculares (AVC), deficiência de algumas vitaminas (ex.: vitamina consequência. Ou seja, os indivíduos com B12), traumatismo craniano repetido e uso prolongado de calmantes. demência se tornariam menos ativos e por A probabilidade de uma dessas causas serem responsáveis pelo es- isto tinham condicionamento. quecimento em um indivíduo mais jovem é mínima, já nos maiores de Se os pesquisadores puderem demons50 anos a probabilidade é muito maior. trar uma associação entre atividade física Sabendo disso, é importante que os indivíduos mais jovens repensem regular nas fases mais precoces da vida e o seus hábitos, para que haja não só uma melhora atual da memória, mas surgimento ou não de demência na velhice, também como forma preventiva. Já sabemos que stress, obesidade, fumo, diabetes, dislipidemias e falta de exercício físico estão relacionados com isto indicaria que o esforço para tornar-se e permanecer fisicamente ativo na vida adulta o desenvolvimento de demência quando mais velhos. Além dessa mudança de hábitos de saúde, existem técnicas para pode vir a prevenir demência na velhice. estimular a memória. Faça algo novo, utilize ao máximo sua capacidade Como foi o estudo? mental, aprenda novas habilidades. Se você trabalha em um escritório, 19.458 pessoas de meia idade, saudáveis, aprenda a dançar. Se for um dançarino, aprenda a lidar com computador; se trabalhar com vendas, aprenda a jogar xadrez. Isso poderá estimular que tinham teste ergométrico em esteira como parte de uma avaliação clínica preventiva, os circuitos neurais do seu cérebro a crescerem. Atenção também ao seu sono, pois quem sofre de insônia pode ter a foram selecionadas e foram avaliadas medimemória prejudicada. Os exercícios físicos feitos regularmente trazem das de condicionamento físico objetivas e a benefícios importantes para o processo de memorização, uma simples incidência de casos de demência. caminhada diária já ajuda (leia ao lado). Estar relaxado e emocionalmente Os participantes foram divididos naqueles bem, é fundamental para manter uma boa atenção e conservar a memória. que estavam melhor ou pior condicionados, A tensão e a ansiedade prejudicam a memória. A depressão dificulta muito em função do tempo obtido na esteira e peso processo de memorização. Para os mais velhos , além dessas orientações é importante entender quisadores seguiam acompanhando-os até os que o próprio processo de envelhecimento é responsável pela mudança 65 anos, para avaliar o número de pacientes de características de nossa memória. Há uma diminuição na capacidade que desenvolviam demência em cada grupo. de concentração e atenção, o que consequentemente leva à dificuldade O resultado foi que aqueles com melhor de memorização. A compreensão de que essa mudança é considerada condicionamento (que permaneciam tempo “normal para a idade”, é importante para que não haja frustrações e me- maior nos testes de esteira) desenvolviam dos desnecessários e para que possa se aprender a conviver com o novo, menos quadros demenciais que aqueles com criando hábitos como escrever recados, lista de compra de supermercado, pior condicionamento físico. não fazer duas coisas ao mesmo tempo, na hora em que tiver fazendo Quais as limitações deste estudo? uma ação se concentrar nela (desligar o fogão, fechar a casa, guardar um Os achados podem ser influenciados por documento, onde colocar os óculos...). Com exceção das doenças que levam ao esquecimento, que devem ser tratadas adequadamente, até o momento nenhuma medicação se mostrou efetiva em “melhorar a memória”, ou seja, não use medicamentos com essa finalidade, entenda que o importante é a mudança de estilo de vida Dentre as principais causas de doenças do e de hábitos. Dá mais trabalho do que tomar remédios, mas com certeza fígado, destaca-se hoje a obesidade. O sobrepeé mais efetivo e sem efeitos colaterais! (Colaboração: Médica Anne so pode causar esteatose hepática (gordura no Albuquerque Sant'Anna, CRM: 52-58170-0 / Site www.fapes.com.br) fígado) e esteato-hepatite não alcoólica (doença muito semelhante àquela causada pelo álcool). A obesidade é uma epidemia mundial que aumenta o risco de infarto, diabetes e também de doenças no fígado. Muitas vezes, as tentativas de controle da obesidade podem trazer sérios Albano L. Werlang - CRP/07-00660 problemas para o fígado. Perder peso para ganhar Marlene Waschburger - CRP/07-15.235 novamente depois, ato conhecido como efeito “sanfona”, causa agressão ao órgão. Já as dietas Jôsy Werlang Zanette - CRP/07-15.236 da moda” podem fazer mal por induzirem rápida perda de peso com diversas privações. Alcoolismo, depressão, ADI/TIP A rápida diminuição do peso corporal piora Psicoterapia de apoio, relax com aparelhos a esteatose hepática, conhecida na língua inglesa como fatty liver. Trata-se de uma doença Preparação para concursos, luto/separação, causada pelo estresse metabólico que tem como terapia de crianças, avaliação psicológica consequência o acúmulo de gordura no fígado. Maior motivo para a procura de hepatologistas recentemente, a esteatose hepática é assintomátiVig. José Inácio, 263/113, Centro, P. Alegre ca, mas se configura como um grande risco, pois 3224-5441 // 9800-1313 // 9748-3003 dela podem derivar sérias doenças como cirrose hepática, além do diabetes tipo 2 e até mesmo o

Ivo Gonçalves/PMPA

Atividades físicas são benéficas

outros tipos de comportamento saudáveis que, em geral, os praticantes de exercício físico mantêm, como alimentação mais saudável. Os participantes eram em geral caucasianos e, portanto, não se pode extrapolar os resultados a outros grupos étnicos. Embora os achados não provem em definitivo que exercício físico continuado previna demência, sem dúvida é outra boa razão para permanecer ativo ao longo da vida. (Fontes: Annals of Internal Medicine e The Association Between Midlife Cardiorrespiratory Fitness Levels and Later-Life Dementia. A Cohort Study / Site www.fapes.com.br) (Colaboração: Médico Eduardo da Costa Pinto, CRM: 52-63620-7)

Cuide bem do seu fígado

Psicosul Clínica

câncer de fígado. Atualmente 80% dos pacientes com sobrepeso têm esteatose hepática. Se considerarmos que 25% da população ocidental se encontra acima do peso, teremos uma média de 20% desta população com a doença. A condição pode derivar muito comumente também do consumo regular de álcool, seja ele diário ou apenas nos finais de semana. Neste caso se chama de esteatose alcoólica. Outros fatores que podem desencadear a esteatose hepática são o colesterol alto, o diabete mellitus e procedimentos cirúrgicos que tenham envolvido o tubo digestivo. O diagnóstico de fígado gordo geralmente acontece por meio de uma ultrassonografia, na maioria das vezes realizada como exame de rotina. Já que o fígado é um órgão de vital importância para o corpo humano, e o que é mais afetado por extravagâncias alimentares, principais causadoras do sobrepeso, e também pelo uso indevido de medicamentos, fitoterápicos e chás caseiros, é importante estar alerta. (Fonte: Sociedade Brasileira de Hepatologia)


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Humor De um bebum inveterado:

"Li aí que 23% dos acidentes de trânsito são provocados pelo consumo de álcool. Isso significa que os outros 77% dos acidentes são causados pelas criaturas que bebem água, sucos, refrigerantes e outras porcarias!”

Na iminência da morte

No consultório localizado perto da residência de um médico, um homem bastante doente falou isto em momento de desespero: – Doutor, tenho muito medo de morrer. Diga-me, o que há do outro lado? Calmamente, o médico respondeu: – Não sei, meu amigo. – Você não sabe? E fala com essa tranquilidade? Neste momento, ouviram ruídos de arranhões e ganidos do lado de fora do consultório. Quando o médico abriu a porta, um cachorro entrou e pulou festivamente sobre ele. Virando-se para o paciente, o médico comentou: – Notou o meu cachorro? Ele nunca veio a esta sala, não sabia o que havia aqui, apenas imaginou que seu dono estava presente. E quando a porta se abriu, ele entrou sem medo. Da mesma forma, não sei quase nada a respeito do que há depois da vida, mas de uma coisa eu tenho certeza: o meu Senhor estará lá me esperando. Isto para mim já é o suficiente.

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SPAÇO LIVRE

Livros escritos pelo Papa Francisco chegam ao Brasil O Sumo Pontífice faz reflexões profundas sobre a vida e o Cristianismo. Vida, origens do Cristianismo e aproximação da razão com o sentimento são os temas dos livros de Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco, lançados no Brasil com exclusividade pela Editora Ave- Maria. Com humildade e sabedoria, Sua Santidade preenche as páginas das obras com reflexões, pensamentos, estudos, fé e verdades sobre a Palavra de Deus. Sopro de Esperança para um Mundo Sufocado é uma coleção de pensamentos e reflexões do Papa Francisco para leitura diária. Os ensinamentos são coerentes com tudo o que Jesus ensinou. Um verdadeiro auxílio para a renovação da fé diante dos dias atuais. Para aquecer a esperança, nesta coletânea, Bergoglio escreve uma mensagem para cada dia do ano. Assim, é possível saber o que o Santo Padre pensa sobre a vida como um todo: os sofrimentos, a busca por um mundo melhor, o pecado, as alegrias, os relacionamentos, a fé. No livro O Verdadeiro Poder é o Serviço, o Papa Francisco retoma as origens do Cristianismo e o que ensinou Jesus: “devemos servir e não sermos servidos” para refletir sobre a busca por status e sobre a supervalorização da autoimagem na sociedade atual. “A concepção cristã de “pessoa humana” não tem muito a ver com a pós-moderna entronização do indivíduo como único sujeito da vida social. (...) Não existe humanismo puro e verdadeiro se não inclui a afirmação plena do amor como vínculo entre os seres humanos, nas distintas formas em que este vínculo se realiza: interpessoais, íntimas, sociais, políticas, intelectuais, etc.” Por sua vez, Mente Aberta, Coração que Crê é a obra mais teológica do Papa lançada pela Editora Ave-Maria. Nela, o chefe da Igreja Católica trata primordialmente da fé ao aproximar a razão e o sentimento. É nítido, neste título, o equilíbrio pastoral com a razão, embasada, sobretudo, na Sagrada Escritura. Esta obra do Papa Francisco, voltada para leigos, religiosos, diáconos e sacerdotes, ensina de forma aberta e honesta, a reflexionar e a rezar. “O gozo apostólico se alimenta na contemplação de Jesus Cristo: como andava, como pregava, como curava, como olhava... O coração do sacerdote deve beber dessa contemplação e ali resolver o problema principal de sua vida: o de sua amizade com Jesus Cristo. Proponho, agora, contemplar alguns dos diálogos de Jesus: quando Ele fala com quem quer lhe impor condições, com aqueles que pretendem lhe armar alguma armadilha e com aqueles que têm o coração aberto para a esperança da salvação.”

Flávio Zanini - 24/08 Ilse P. Moesch - 31/08

RESERVE O SEU EXEMPLAR O Livro da Família 2013 e o Familienkalender 2013 estão disponíveis para venda. Faça seu pedido na Livraria Padre Reus, em Porto Alegre. Adquira também na nossa filial, no Santuário Sagrado Coração de Jesus, em São Leopoldo. Fones: 51-3224.0250 e 51-3566.5086 livrariareus@livrariareus.com.br

Nova Encíclica: Luz da Fé Dom Hélio Adelar Rubert Arcebispo metropolitano de Santa Maria

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Papa Francisco publicou sua primeira Encíclica no dia 5 de julho de 2013 com o título formado pelas duas primeiras palavras, em latim, Lumen Fidei: Luz da Fé. A Encíclica “Luz da Fé” foi iniciada por Bento XVI e levada adiante e concluída, com acréscimos, pelo Papa Francisco. Possui quatro capítulos, além da introdução e conclusão. O objetivo da Encíclica é retomar o caráter de luz, próprio da fé, capaz de iluminar toda a existência humana. Pode-se dizer, em resumo, que “aquele que crê, jamais está sozinho, porque a fé é um bem comum que ajuda a edificar as nossas sociedades, dando-lhes esperança”. Em uma época, como a moderna, escreve o Papa, na qual “crer se opõe à pesquisa” e a fé é vista como um pulo no vazio, que impede a liberdade do homem, é importante “ter confiança” no amor misericordioso de Deus. Jesus é a testemunha crível da fé. Através dele, Deus atua realmente na história. Como na vida, confiamos no arquiteto, no farmacêutico, no advogado, que conhecem melhor as coisas, assim, mediante a fé, confiamos em Jesus, perito nas coisas divinas. A fé, sem a verdade, não salva, diz o Pontífice, mas permanece como uma linda fábula, sobretudo hoje, em que se passa por uma crise da verdade, porque acreditamos somente na tecnologia ou nas verdades de uma pessoa, porque tememos o fanatismo e preferimos o relativismo. Pelo contrário, a fé não é intransigente; aquele que crê não é arrogante. A verdade, que deriva do amor de Deus, não se impõe com a violência, não espezinha o homem, mas torna possível o diálogo entre a fé e a razão. Logo, o essencial é a evangelização: a luz de Jesus brilha no rosto dos cristãos e se transmite de geração em geração, através das testemunhas da fé. Deste modo, a fé é transmitida mediante os Sacramentos, como o Batismo e a Eucaristia, como também pela fé da oração do Creio e do Pai Nosso, que envolvem o cristão nas verdades que professa e o levam a ver com os olhos de Cristo. Eis porque “a fé é una” e a “unidade da fé é a unidade da Igreja”. É importante também a ligação entre “acreditar e construir” o bem comum, escreve o Papa: a fé reconfirma os vínculos entre os homens e se coloca a serviço da justiça, do direito e da paz. Ela não nos distancia do mundo, pelo contrário, se a eliminarmos das nossas cidades, permanecemos unidos pelo temor e meros interesses. Crer, ao invés, ilumina a família, fundada no matrimônio entre o homem e a mulher; ilumina o mundo dos jovens, que desejam uma vida superior; ilumina a natureza e nos ajuda a respeitá-la, para “encontrar modelos de desenvolvimento, que não se baseiam somente na utilidade ou no lucro, mas consideram a criação como dom”. O sofrimento e a morte também têm sentido com a confiança em Deus: o Senhor dá, ao homem que sofre, um raciocínio para explicar tudo, mas lhe oferece também a sua presença, que o acompanha. (Fonte: Rádio Vaticano). Por fim, na sua Carta Encíclica “Luz da Fé”, o Santo Padre exorta: “Não deixemos roubar a nossa esperança; não permitamos que ela seja inutilizada por soluções e propostas imediatas, que bloqueiam o nosso caminho rumo a Deus”. Visa e Mastercard


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GREJA &

COMUNIDADE

Solidário Litúrgico

Catequese

25 de agosto - 21o Domingo do Tempo Comum

Comportamentos,

Cor: verde

1a leitura: Livro de Isaias (Is) 66,18-21 Salmo: 116 (117), 1.2 (R/. Mc 16,15) 2a leitura: Carta S. Paulo aos Hebreus (Hb) 12,5-7.11-13 Evangelho: Lucas (Lc) 13,22-30 Comentário: Fazei todo esforço possível para entrar pela porta estreita (13,24). A imagem que Jesus cria no Evangelho de Lucas deste domingo – a porta estreita – ganha particular atualidade em nosso tempo quando, o que a maioria das pessoas quer, é exatamente o contrário: encontrar todas as portas bem abertas, escancaradas, por onde possam passar, sem nenhum esforço pessoal. Encontrar as portas bem abertas... ter todas as chances e oportunidades sem ter que buscá-las, sem lutar por elas. Que venham ao seu encontro e sejam servidas como que numa bandeja. De prata, se possível! E Jesus diz mais: No dia do julgamento, muitos tentarão entrar e não conseguirão (13,24b). Quando ouvem a palavra da exclusão do banquete do Reino, da exclusão da felicidade definitiva que soa terrível e decisiva - não vos conheço...não sei de onde

sois (13,25) - querem “negociar” com o justo juiz: Mas nós comemos e bebemos diante de ti e tu ensinaste em nossas praças (13,26). Mas o justo juiz, o “dono da casa”, repete a sentença: Não vos conheço... afastai-vos de mim, vós que praticais a injustiça (13,27). Esta é a chave de leitura para compreender o significado e alcance da imagem da porta estreita: a justiça. Não são as muitas rezas, celebrações, pagamento de promessas, cumprimento de todas as normas da igreja e compromissos da religião que abrem a porta do Reino. Tudo isso é importante, necessário até, mas são meios. O que realmente define o ser cristão, discípulo missionário no Projeto de Jesus, é a justiça. E viver a justiça no dia a dia de nossa vida não é fácil, não é simples: exige esforço continuado, persistente, muito perdão, muito abraço de reconciliação, muita honestidade nas relação, muito amor solidário. É a porta estreita, às vezes muito estreita, por onde só passam as grande almas... as pessoas que livre e alegremente servem a Deus e aos irmãos e irmãs de caminhada.

1o de setembro - 22o Domingo do Tempo Comum Cor: verde

1a leitura: Livro do Eclesiástico (Eclo) 3,19-21.30-31 Salmo: 67 (68), 4-5ac.6-7ab.10-11(R/. cf 11b) 2a leitura: Carta S. Paulo aos Hebreus (Hb) 12,18-19.22-24a Evangelho: Lucas (Lc) 14, 1.7-14 Comentário: Jesus tem mesmo propostas diferentes e contrárias das que a maioria das pessoas, de ontem e de hoje, aprecia. Isso aparece muito claro em duas situações do Evangelho deste domingo. Primeiro, ele mostra a sábia conveniência e humildade de, quando você for convidado para uma festa, um banquete, vá sentar-se nos últimos lugares. Quando, aquele que convidou, entrar e disser... mas, meu querido amigo, vem, sobe mais para a ponta da mesa... ah, isso vai ser uma honra para você. Do contrário, se você for ocupar os primeiros lugares, pode acontecer que outra pessoa, mais próxima do dono da casa, for convidada a sentar-se perto do dono, você terá que ceder seu lugar. Popularmente, se diria: Que mico! A outra situação é recorrente nos discursos de Jesus: a opção preferencial pelos pobres, pelos excluídos, pelos sem voz nem vez, pelos explorados, pelos “invisíveis” da sociedade. A opção pelos pobres tem dois mil anos e é sinal distintivo do cristão. Aqui, poderíamos afirmar:

Agosto de 2013 - 2a quinzena

dize-me qual o lugar que o pobre ocupa em tua vida, em teu coração, e eu te direi que cristão tu és! Sem exagero e, desde o Evangelho de Jesus, sem medo de errar. O amor pelos pobres foi, é e será sempre o principal sinal do Reino de Deus. O Papa Francisco, desde sua primeira aparição em público logo depois de eleito, lembrou esta opção pelos pobres, que não é propriedade ou invenção de alguma teologia, mas é parte central e essencial de vivência da fé. De uma forma radical, o texto bíblico aponta, ainda, para a gratuidade desta opção: Quando deres um almoço ou um jantar, não convides somente as pessoas de tuas relações ou os vizinhos ricos. Eles vão te convidar para seus almoços e tudo não passa de uma espécie de “troca de favores e gentilezas”, um quase “comércio”. Dou para que me dês. Não: convida os pobres que não têm como te retribuir, te convidar, porque sua pobreza não possibilita organizar um almoço, dar um banquete. E tu vais sentir a alegria da gratuidade. E serás abençoado tu... será abençoada tua família. Jesus tinha realmente propostas muito radicais, que vão na contramão de quase tudo o que a gente deste tempo pensa, quer e faz. Mas é o único caminho para a verdadeira felicidade. (attilio@livrariareus.com.br)

crenças e valores Marina T. Zamberlan Professora

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anto pais como catequistas e professores, interessados em que crianças e adultos tenham um comportamento coerente com os valores cristãos, precisam conhecer um pouco de como se adquirem estes comportamentos. Antes de gastar muito tempo dizendo às crianças e jovens como eles devem se comportar, precisamos entender um pouco mais sobre o que embasa o comportamento humano. É preciso que o educador saiba que os comportamentos são aquilo que é visível ao olho humano, mas atrás deste comportamento existe uma estrutura invisível enorme que informa e forma tal comportamento. Embasando os comportamentos estão as crenças e os valores. Se o educador tem a crença de que uma criança aprende numa relação democrática e afetiva, de respeito com os demais; se acredita que ela é um ser inteligente; que a ética é um valor básico para a sociedade, assim como a fraternidade e a cidadania; que Jesus é o Mestre por excelência e que para segui-lo é necessário viver concreta e diariamente o amor ao próximo, então vai descobrir quais ações práticas, quais comportamentos visíveis são coerentes com estas crenças e valores. De nada adianta trabalhar comportamentos e prática de ritos, sem trabalhar e testemunhar crenças e valores. Tudo isto é interdependente e se faz concomitantemente. Mas não adianta trabalhar a ponta final que são os comportamentos, sem interessar-se com seu embasamento, que são as crenças e os valores. E se o educador não der o exemplo, também seus ensinamentos não obterão resultado. Às vezes são necessários métodos que auxiliem a mudança de crenças, para que se mudem comportamentos. Por exemplo, se alguém acredita que o homem é superior à mulher ou que uma criança só deve obedecer sem dar opinião, enquanto não mudar estas crenças, esta pessoa não terá condições de manter uma relação horizontal homemmulher, pai-mãe ou professor-aluno. Pense nisto quando estiver desenvolvendo atividades com os catequizandos.


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SPAÇO DA

Sagrada Família é escolhida como padroeira do Vicariato de Guaíba Sem padroeiro desde a sua criação, o Vicariato de Guaíba realizou Assembleia Pastoral quando a Sagrada Família foi escolhida como protetora da Igreja local. A escolha aconteceu no dia 3 de agosto, na Igreja de Nossa Senhora do Livramento. O encontro contou com a presença do arcebispo metropolitano, Dom DadeusGrings. A escolha do padroeiro aconteceu de forma participativa. Nos últimos meses, as comunidades do vicariato foram envolvidas na escolha do novo patrono. Para a eleição, foram necessários dois turnos. Primeiro, as paróquias fizeram as indicações e, em seguida, com os agentes presentes à reunião, participaram de eleição direta. Os votos das 19 paróquias indicaram este cenário de preferência: Divino Espírito Santo - 5 votos; Nossa Senhora Visitadora - 6 votos; Sagrada Família - 8 votos. Já no segundo turno, os agentes escolheram entre as duas indicações mais votadas pelas paróquias. Resultado: com 92 votos, a Sagrada Família foi escolhida como padroeira do Vicariato. Como o Vicariato de Guaíba realiza estudos para uma campanha pró-

diocese, a Assembleia Pastoral decidiu que a Sagrada Família também será a padroeira da futura Diocese. Outros temas: Os agentes pastorais debateram ainda outros assuntos como a avaliação da Semana Missionária, JMJ Rio2013, Romaria das Capelinhas e a Romaria da Terra 2014.

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RQUIDIOCESE Coordenação: Pe. César Leandro Padilha

Jornalista responsável: Magnus Régis - (magnusregis@hotmail.com) Solicita-se enviar sugestões de matérias e informações das paróquias. Contatos pelo fone (51)32286199 e pascom@arquidiocesepoa.org.br Acompanhe o noticiário da Pascom pelo twitter.com/arquidiocesepoa Facebook: Arquidiocese de Porto Alegre

COMIDI da Arquidiocese de P. Alegre realiza a primeira experiência missionária A formação para a Animação Missionária que a Comissão Missionária Diocesana (COMIDI) oferece permanentemente para os leigos da Arquidiocese de Porto Alegre tem como objetivo a implantação das comissões em todas as paróquias. No dia 3 de agosto, aconteceu na Paróquia Nossa Senhora da Glória, em Porto Alegre, a primeira experiência prática, onde 75 leigos participaram de visitas a quase mil famílias. O dia iniciou com a acolhida da comunidade aos missionários oriundos de diversas comunidades da Arquidiocese e após a Celebração de Envio iniciaram as visitas. “A paróquia preparou detalhadamente todo o dia, um grupo de pessoas ficou em oração diante de Jesus, intercedendo por cada família e por cada missionário. Também foi oferecido o almoço onde a convivência e a partilha da missão aqueceu ainda mais os corações. Retornando das visitas, os missionários agradeceram a Jesus por toda a experiência vivenciada e então iniciaram a partilha do que foi vivenciado. A Santa Missa encerrou as atividades realizadas”, destacou Luís Flávio, MPS, coordenador arquidiocesano da Animação Missionária. O próximo encontro de formação da Animação Missionária será realizado no dia 17 de agosto, no Centro de Pastoral.

Paróquia Menino Jesus de Praga promoverá curso de noivos Casais interessados em contrair o matrimônio são convidados para o Curso de Noivos que será promovido pela Paróquia Menino Jesus de Praga, no bairro Aberta dos Morros, na capital gaúcha. O curso será realizado nos dias 28 e 29 de setembro, havendo necessidade de inscrição

prévia até o dia 14 de setembro, no endereço abaixo citado, ou através do contato dos organizadores: pastoral_matrimonio_mjp@live. com, ou pessoalmente com o casal Flávio/Lisiane: (51) 8404.4241/ (51) 8447.4241 - Luiz/Tatiane: (51) 9243.2261/ (51) 9322.7709.

NOTAS PASCOM da Área de Alvorada – O início do Curso de Formação Teórica e Prática com os agentes da Pastoral da Comunicação da Área de Alvorada ocorreu no dia 23 de julho, na Igreja Matriz da Paróquia São José Operário, com o tema "Comunicação e Liturgia". O tema foi apresentado pelo Pe. César Leandro Padilha, coordenador da PASCOM, da Arquidiocese de Porto Alegre. Vigários Paroquiais – Em Porto Alegre, duas paróquias conheceram os novos vigários paroquiais. A apresentação aconteceu durante missas realizada no dia 4 de agosto. Na paróquia Nossa Senhora Aparecida, na Restinga, o Pe. Paulo Dalla Rosa foi apresentado à comunidade. Da mesma forma, a Paróquia Menino Deus acolheu o Pe. Sérgio Endler como novo vigário. A alegria das acolhidas foi ainda maior, por ser realizada no domingo em que a Igreja celebrou São João Maria Vianney e o Dia do Padre. Tradicionalista Cristão em Esteio - A Comissão Organizadora do Encontro Tradicionalista Cristão finaliza os detalhes para o X Encontro Tradicionalista Cristão. Em 2013, o encontro será realizado nos dias 26 e 27 de agosto, na Paróquia Imaculado Coração de Maria, em Esteio. As informações sobre o encontro podem ser obtidas através do telefone (51) 3473-1440.

Missa encerrou as atividades da Animação Missionária

Porto Alegre sediará o 9o Encontro Nacional de Arquitetura e Arte Sacra

Gaudiumpress - Profissionais da arquitetura, engenharia e arte estarão reunidos durante a realização do 9 o Encontro Nacional de Arquitetura e Arte Sacra. Com o tema "Antropologia e Liturgia", o encontro, promovido pelo Setor Espaço Litúrgico da Comissão Episcopal para a Liturgia da CNBB, será entre os dias 26 e 29 de setembro, em Porto Alegre. O evento terá assessoria do Frei Luiz Carlos Susin e convidará profissionais envolvidos em reformas e construções de igrejas que queiram aprofundar a relação entre liturgia, arquitetura e arte. Oficinas sobre a iluminação de paróquias, patrimônio histórico, comissão de arte sacra, normas de segurança em

espaços públicos, organização do espaço para celebração e visita às ruínas de São Miguel em Santo Ângelo (RS) contemplarão a programação do encontro. As inscrições podem ser realizadas até o dia 20 de agosto através do site: www.cnbb.org.br.

Visita às Ruínas na programação


Porto Alegre, agosto de 2013 - 2a quinzena

O Papa Francisco no Brasil

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Recados aos jovens e a todos os cristãos

ais de 400 mil peregrinos de 170 países estavam no Rio, a maioria jovens que foram hospedados em casas de família, colégios e alguns, em hotéis. Depois do Brasil, o maior número de peregrinos, atraídos pela Jornada Mundial da Juventude, veio da Argentina, seguida por EUA, Chile, Itália, Venezuela, França, Paraguai, Peru e México. Francisco desfilou em um carro simples de passeio, carregou a própria mala e empolgou e emocionou pelo seu jeito afetuoso e coloquial de se comunicar, usando expressões bem conhecidas dos jovens. Reafirmou a opção preferencial pelos pobres, até outro dia considerada subversiva na região e passível de decretação de "silêncios obsequiosos" por parte da Igreja. Condenou a corrupção de autoridades, empresários e cidadãos. Criticou os "ídolos passageiros" do dinheiro, do consumo e do prazer. E exorcizou o discurso em voga sobre a liberalização do uso de drogas www.cnjornal.com.br

Na chegada do Vaticano

*Sentimo-nos tentados a colocar a nós mesmos no centro, no centro do universo. A crer que somos somente nós que construímos a nossa vida, ou que ela se encha de felicidade com o possuir, com o dinheiro, com o poder. Mas não é assim!

*Não tenho ouro nem prata, mas trago o que de mais precioso me foi dado: Jesus Cristo. Venho em seu nome para alimentar a chama de amor fraterno que arde em cada coração. *Eu aprendi que, para termos acesso ao povo brasileiro, é preciso entrar em seu grande coração. Então, permitam-me que nesta hora eu possa bater delicadamente a esta porta dos corações dos brasileiros.

Na saudação na Vigília

*Quero que se façam ouvir também nas dioceses, quero que saiam, que a Igreja saia pelas estradas, quero que nos defendamos de tudo o que é mundanismo, imobilismo, nos defendamos do que é comodidade, do que é clericalismo, de tudo aquilo que é viver fechados em nós mesmos. As paróquias, as escolas, as instituições são feitas para sair; se não o fizerem, tornam-se uma ONG, e a Igreja não pode ser uma ONG."

Aos líderes da sociedade

*Ninguém pode permanecer insensível às desigualdades que existem no mundo! Entre a indiferença egoísta e o protesto violento, há uma opção sempre possível: o diálogo. *A única maneira para uma pessoa, uma família, uma sociedade crescer, a única maneira para fazer avançar a vida dos povos é a cultura do encontro. * Hoje, ou se aposta na cultura do encontro, ou todos perdem.

Na visita aos drogados

*Em cada irmão e irmã em dificuldade, nós abraçamos a carne sofredora de Cristo. *Precisamos todos de aprender a abraçar quem passa necessidade, como São Francisco. *A vocês todos quero repetir: Não deixem que lhes roubem a esperança!

Na visita a Manguinhos

*Se pode “colocar mais água no feijão”? Sempre! E vocês fazem isto com amor, mostrando que a verdadeira riqueza não está nas coisas, mas no coração! *Solidariedade, frequentemente esquecida ou silenciada, porque é incômoda. Quase parece um palavrão. *Não deixemos entrar no nosso coração a cultura do descartável. *A medida da grandeza de uma sociedade é dada pelo modo como esta trata os mais necessitados.

Na abertura da JMJ

No sermão na Missa do Envio

Papa abriu seu coração

Aos conterrâneos argentinos

*Cuidem dos extremos do povo que são os idosos e os jovens. Não se deixem excluir e não deixem que excluam os idosos e não liquefaçam a fé em Jesus Cristo. *Se quereis saber algo prático que deveis fazer, leiam Mateus 25, que é o protocolo pelo qual seremos julgados. Com essas duas coisas tendes o programa de ação: as bem-aventuranças e Mateus 25. Não necessitareis ler outra coisa.

*O cristão quer ser isso, um cristão de verdade, não cristãos de fachada, mas sim autênticos. *Sejam protagonistas, não fiquem na fila da História. Joguem sempre na linha de frente, no ataque! *Não deixem que outros sejam protagonistas, sejam vocês.

Na fala aos voluntários

*Há quem diga que hoje o casamento está fora de moda. Na cultura do provisório, do relativo, muitos pregam que o importante é curtir o momento... Em vista disso, eu peço que vocês sejam revolucionários, que vão contra a corrente. Sim, nisto peço que se rebelem, que se rebelem contra esta cultura do provisório.

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