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IMPRESSO ESPECIAL CONTRATO No 9912233178 ECT/DR/RS FUNDAÇÃO PRODEO DE COMUNICAÇÃO CORREIOS

Porto Alegre, setembro de 2013 - 1a quinzena

Ano XIX - Edição N o 641 - R$ 2,00

Jornada Mundial da Juventude não terminou. Agora, é pescar em águas profundas Imagens: Divulgação

O evento passou. Foi manchete em toda a mídia nacional e estrangeira. Mas a verdadeira Jornada apenas está começando. Que jovem emerge da JMJ? Alguém diferente, comprometido com sua comunidade, com seu País? Ou alguém já pensando em fazer o ‘caixinha’ para Cracóvia, em 2016? Como e quem vai garantir a continuidade do trabalho de evangelização da juventude? Páginas 2 (Editorial) e centrais

A sabedoria é como um rio: quanto mais profunda, menos ruído faz. Antônio Mesquita Galvão

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RTIGOS

Editorial

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missa terminou... começou a missão. Agora... ide! Esta poderia ser a síntese da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), realizada no Rio de Janeiro, mas acompanhada, com maior ou menor intensidade, por mulheres e homens do mundo inteiro. A “missa” foi o evento como tal, com seus números fantásticos, com uma cobertura das mídias nunca vista, com uma participação afetiva e efetiva de milhões de jovens de 175 países, numa babel de línguas, mas todos falando uma mesma linguagem: a linguagem da mesma fé, do mesmo amor. E com a simpática e cativante presença do Papa Francisco. A justificada preocupação de muitos, antes e durante o evento, de que esta Jornada fosse, apenas, mais uma jornada, um acontecimento, um fato jornalístico que, depois do rescaldo, deixasse apenas saudosas cinzas de um tempo vibrante que se viveu, mas que, como quase tudo, acabou. E cada qual volta para seu mundo, seu habitat, sua realidade, e recorda o Rio como um momento alegre e feliz que foi bom enquanto durou... A “missa” terminou; agora, começa a missão. E a missão... a verdadeira jornada está, apenas, começando. Só o tempo poderá dizer se a Jornada do Rio foi mais um evento ou um tempo forte de conversão para o Projeto do Senhor Jesus, o seu Reino. Este Reino, sempre em processo de realização, talvez tenha recebido um impulso forte nos 264 locais de catequese, na feira vocacional, nas noites de vigília e oração, na conversão das mentes e dos corações que pode levar a um verdadeiro compromisso de fé e de vida à realidade particular de cada um, de cada uma dos/das participantes. Esta Jornada não deveria ser colocada no passado, como um evento que aconteceu. É uma jornada, uma caminhada, um processo que, para ter sentido e justificar tudo o que foi investido nela, deve continuar. “O futuro a Deus pertence”, diz a sabedoria popular. Contudo, pode-se afirmar que esta jornada vai continuar porque, como poucas vezes tem acontecido, os jovens foram, em grande parte, protagonistas das diferentes iniciativas. Os jovens não assistiram a um evento, eles participaram no antes e no durante da Jornada. A JMJ pode ter sido, e foi, um evento show, mas foi, também e principalmente, um “botar fé” na construção de um outro mundo possível, justo e solidário, sinal e presença do Reino sonhado por Jesus, há dois mil anos (páginas centrais desta edição). (attilio@ livrariareus.com.br)

CNPJ: 74871807/0001-36

Conselho Deliberativo

Presidente: Agenor Casaril Vice-presidente: Jorge La Rosa Secretário: Marcos Antônio Miola

Voz do Pastor Dom Dadeus Grings

Arcebispo Metropolitano de P. Alegre

Começa a missão

Fundação Pro Deo de Comunicação

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Voluntários Diretoria Executiva

Diretor Executivo: Adriano Eli Vice-Diretor: Martha d’Azevedo Diretores Adjuntos: Carmelita Marroni Abruzzi, Elisabeth Orofino e Ir. Erinida Gheller Secretário: Elói Luiz Claro Tesoureiro: Décio Abruzzi Assistente Eclesiástico: Pe.Attílio Hartmann sj

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O bem comum

metafísica apresenta quatro propriedades transcendentais do ser: sua unidade - cada ser é idêntico a si mesmo, indiviso em si e diviso dos demais; sua verdade, pela adequação à inteligência; sua bondade, pela adequação à vontade; e sua beleza, pela harmonia que encanta os sentimentos. Nessa linha de princípio, deve-se, então, afirmar que todo ser é uno, verdadeiro, bom e belo.

Quando se desce aos particulares, começam os problemas e as dificuldades frente a cada uma dessas propriedades. Restrinjamo-nos à bondade. Dizem que todo ser é bom. Com isso, já supomos a distinção entre sujeito e objeto. É bom – como objeto – para alguém – sujeito. Tanto o objeto como o sujeito variam. O sujeito pode ser um indivíduo. Falamos então de um bem particular. Mas pode também ser a sociedade, o que nos leva a considerar o bem público ou comum. Com isso, percebemos que também a unidade de ambos varia. Tanto o indivíduo como a sociedade formam um todo, mas de modos diferentes. O indivíduo tem sua clara identidade, por exemplo, Pedro. Mas ele não é individualmente toda a sua realidade. Na verdade, ele não vive isoladamente. É família. Tem pais, eventualmente, esposa, filhos e muitos parentes. Relaciona-se. Só existe o eu em relação ao tu. É a convivência. É ele e suas circunstâncias. Atingir um é afetar muitos outros, que com ele convivem. Na família, existem muitas coisas comuns, além da vida. São de todos. Por isso são de cada um: residência, utensílios, salas... O ser humano não é só família. Integra uma comunidade, na qual os laços são vitais. Integra uma sociedade, que se caracteriza pelos laços funcionais. Há uma unidade na sociedade, que se organiza no Estado. Assim como o indivíduo e a família, também o Estado possui bens, o que equivale a dizer que os cidadãos pos-

Conselho Editorial

Presidente: Carlos Adamatti Membros: Paulo Vellinho, Luiz Osvaldo Leite, Renita Allgayer, Beatriz Adamatti e Ângelo Orofino

Diretor-Editor Attílio Hartmann - Reg. 8608 DRT/RS Editora Adjunta Martha d’Azevedo

suem muitas coisas em comum. Falamos, então, de bens comuns. Cada um é, à sua maneira, responsável por eles. São de todos. Por isso, são de cada um, na medida em que integra o todo. Mantemos, em Porto Alegre, no Centro de Pastoral, uma escola do bem comum, aberta a todos. É que este assunto precisa ser estudado e esclarecido. A Igreja elaborou, principalmente a partir da encíclica de Leão XIII, Rerum Novarum, uma doutrina social para os nossos tempos. Coloca, na base, a dignidade humana, capaz de possuir, porque livre e responsável por si e por seus atos. O primeiro bem comum são seus direitos humanos, que têm por lei básica o amor. Esse, para se implantar na sociedade, teve que criar duas virtudes, a justiça, para atribuir a cada um o que é seu, repartindo os bens sem dividir as pessoas; e a misericórdia, para ir ao encontro dos necessitados, sem apelar para a retribuição. Fala-se, por isso, da necessidade de criar uma civilização do amor. Entre os maiores bens, que devemos garantir para uma feliz e harmoniosa convivência humana, estão a família, pela qual passa o futuro da humanidade; a vida humana, desde sua concepção até seu desfecho, com saúde e segurança; o trabalho, como chave da questão social; a democracia, como participação de todos na condução do bem comum; o meio ambiente, como garantia de uma base sólida para a vida; a paz, como convivência pacífica de todos...

Redação Jorn. Luiz Carlos Vaz - Reg. 2255 DRT/RS Jorn. Adriano Eli - Reg. 3355 DRT/RS

Revisão Ronald Forster e Pedro M. Schneider (voluntários) Administração Elisabete Lopes de Souza e Norma Regina Franco Lopes Impressão Gazeta do Sul

Rua Duque de Caxias, 805 Centro – CEP 90010-282 Porto Alegre/RS Fone: (51) 3093.3029 – E-mail: solidario@portoweb.com.br Conceitos emitidos por nossos colaboradores são de sua inteira responsabilidade, não expressando necessariamente a opinião deste jornal.


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AMÍLIA &

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OCIEDADE

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Internamente livre para amar Deonira L. Viganó La Rosa Terapeuta de casal e de família. Mestre em Psicologia

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marras interiores costumam dificultar o engajamento amoroso. Acontece muitas vezes que a grande dificuldade de convivência no casamento está embutida na imaturidade emocional de um dos parceiros, mais do que na relação marital em si. Conhecer-se e buscar tratamento, quando necessário, é condição para viver uma relação amorosa. Parece que estamos dedicando tempo de menos para a reflexão, o auto conhecimento, a meditação, o esforço para a libertação interior e, como consequência disto, vamos facilmente buscar nos outros a responsabilidade de nosso desastre na convivência amorosa.

Amar a si mesmo

“Ama teu próximo como a ti mesmo”. Amar a si mesmo é ter uma justa imagem de si. É saber reconhecer lucidamente o que há de bom em nós, e isto se chama humildade. Em que sou eu maravilhoso para os outros? Rebaixar-se ou desprezar-se não está longe do pecado de orgulho: “Estou decepcionado de não corresponder a uma imagem ideal de mim, eu gostaria de ser Lucila, Geraldo, Francisco ...”. Ter um certo escrúpulo por não ser o que se idealiza ser, gera um sentimento de culpa do qual podemos até não ter consciência. Esta culpa se torna uma espécie de juiz interior que nos persegue a ponto de impedir que sejamos pessoalmente felizes. Eis aí uma das amarras que tira a liberdade interior necessária para amar. O amor é relação entre duas pessoas

Tomar conhecimento de seus limites e qualidades é o ponto de partida para uma justa estima de si É nos braços dos outros que muitas vezes encontramos a coragem para amar a nós mesmos. Pode-se até dizer que amar é ajudar o outro a descobrir suas qualidades. Entretanto, é necessário aceitar a própria finitude para chegar a dar o passo em direção ao outro. Amar a si mesmo é essencial. Para poder amar-nos, às vezes é preciso tomar distância da própria finitude e reconhecer tudo o que há de bom em nós mesmos e só depois olhar para as próprias fraquezas. O que é certo é que o amor e o desejo do outro brotam deste encerrar-se sobre si mesmo, estudar-se e encher-se de coragem para amar aquilo que em nós reflete uma parcela de Humanidade. O amor é relação entre duas pessoas! Não construímos esta relação sobre defeitos! Nós construímos sobre aquilo que faz nossa solidez, nossas potencialidades. De fato, quanto mais sou eu-mesmo, mais ajudo o outro a tornar-se ele mesmo. Amar a si mesmo é participar da construção do casal e é permitir ao outro de existir. Como posso dizer “Eu me engajo” se o “Eu” não existe? Simplesmente preciso aceitar a bela imagem de mim mesmo. Não é este um critério do

amor? O amor incondicional do outro e seu amor sem julgamentos me ajudam a desenvolver o que eu sou profundamente. Então, cada um dos dois sendo mais ele-mesmo criará a condição para o casal começar a construir um verdadeiro projeto de Vida. O projeto do “Nós”, o projeto da conjugalidade, um projeto a dois.

Reconhecer nossas dúvidas, nossos medos

Podemos ter medo de ver o outro tal qual é. Reconhecer no outro a parte que me inquieta ou me desgosta e dizer-lhe isto, é um elemento importante da construção do casal. Temos a tendência em dizer: ‘Falar do que me desagrada quando temos tanta coisa agradável para dizer, arriscando ficar mal, é realmente necessário?’ - O risco está em esperar mudar o outro conforme meu desejo. O amor não muda o outro e não tem o poder de curá-lo. A

melhora de comportamentos patológicos como o alcoolismo, a violência, a instabilidade ou outros supõe uma tomada de consciência daquilo que se espera e a partir dai vem a decisão de cuidar-se, sempre com o consentimento real do interessado. Tentando colocar em prática o que o texto sugere, teremos a chance de uma maior libertação interior, o que nos tornará capazes de amar.


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4 Carmelita Marroni Abruzzi

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m exortação às madres presentes à Assembleia-geral da União Internacional de Madres Superioras Gerais, em maio de 2013, o Papa Francisco destaca a importância da maternidade da vida espiritual, a alegria da fecundidade espiritual e diz: “A consagrada é mãe, deve ser mãe, mas não uma “solteirona” (Jornal Solidário, jul. 2013. 1ª quinzena). Essa afirmação nos remete aos tempos de nossa infância e juventude, quando em muitas famílias havia as tias que não se casavam, às vezes com a responsabilidade de cuidar dos pais idosos e de ajudar na criação de seus sobrinhos, costume bastante frequente em grupos sociais do passado, reforçado até em alguns, pela ideia de que a filha mais moça não poderia se casar, enquanto as mais velhas não o fizessem. Esse costume foi, até, retratado pela literatura e pelo cinema, em “Como água para o chocolate”. E o termo “solteirona” era aplicado, por vezes, de forma pejorativa a mulheres de certa idade, solteiras. Entretanto, jamais a palavra teve a mesma conotação para designar homens em igual situação! Considerava-se “solteirona” uma mulher sem graça, com pequenas manias, algumas ridicularizadas pela ala jovem da família. Muitas se dedicavam às paróquias em tarefas rotineiras como arrumar os altares ou preparar as igrejas para as cerimônias. Prestavam pequenos serviços à família, acompanhavam os sobrinhos sempre que solicitadas. Enfim, faziam-se úteis à sua maneira. Hoje, parece que a figura da “titia”, como a conhecíamos, vem desaparecendo. Aliás, por que será que os homens não ficavam para “titio”? Mas ainda se encontram muitas pessoas, homens e mulheres, solteiros ou casados, com características que identificam esse estado de “solteirice”: fecham-se em si, não querem saber dos problemas dos outros ou comprometer-se com atividades que exijam maior esforço; trabalharam, e consideram sua missão cumprida; têm saúde e muitos anos pela frente, mas não têm interesse em ações sociais ou obras da comunidade que esperam por pessoas de boa vontade. Encontramos essas pessoas em clubes, bares e praças, onde passam tardes inteiras jogando cartas, damas, dominó, etc. São pessoas que pararam de crescer e que, fechadas em si mesmas, não têm maiores interesses culturais ou comunitários. Talvez seja a esse perfil que se refere o Papa Francisco, quando emprega o termo “solteirona”, e seja um alerta a todos nós, seja qual for o nosso estado civil: enquanto tivermos saúde e tempo disponível, não temos o direito de empregar mal nossas energias. É natural e até justo que, a partir de uma certa idade, a gente possa dedicar mais tempo e disposição para atividades de lazer e para as que nos deem mais satisfação, atividades essas muitas vezes idealizadas por nós naqueles anos de trabalho e correrias. Mas, sempre haverá um tempo para ser melhor aproveitado, seja buscando nosso crescimento pessoal, seja em ações comunitárias nas quais nossa experiência será útil. E a recente viagem do Papa ao Brasil nos mostrou, através de seu exemplo e de suas palavras, como nossas ações são necessárias e bem vindas. Ele nos falou sobre a necessidade de se dar mais atenção às crianças e aos velhos, destacando que “o primeiro lugar onde devemos evangelizar é a própria casa”; enfocou, ainda, a atenção aos jovens que “precisam ser escutados com seus sucessos e problemas”. Nesse contexto que o Sumo Pontífice nos apresenta, não há lugar para a “solteirice” dos cristãos; parece que todos nós, em qualquer faixa etária, precisamos “arregaçar ainda mais nossas mangas” e partir para alguma ação que nos tire de nossa “acomodação”. Alguém, certamente, estará à nossa espera. (litamar@ ig.com.br)

PINIÃO

É possível

“Ficar para titia”, hoje ? Professora universitária e jornalista

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Alcídes Leite Economista e professor

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u sou engenheiro civil e sei o quanto custa construir uma casa, tanto o preço do terreno como o da construção. Sou também professor de economia e sei que é possível a todo cidadão brasileiro viver em uma casa com água tratada e coleta de esgoto. Sei que todas as crianças podem estar na escola e que todos podem ter acesso a um posto de saúde decente. O Brasil não é um país pobre. Com o nosso PIB, todo cidadão pode viver decentemente. Espero que os manifestantes que saíram às ruas recentemente canalizem suas energias: Casa, Escola e Atendimento de Saúde para todos! Devemos gritar: Favelas nunca mais! Cortiços nunca mais! Casas sem coleta de esgoto e serviço de água tratada, nunca mais! Crianças brincando sobre córregos imundos, nunca mais! Crianças fora da escola, nunca mais! Presidente, governadores, prefeitos, senadores, deputados, vereadores, empresários, profissionais liberais, servidores públicos, funcionários de empresas privadas: é possível, hoje, a todo brasileiro viver dignamente! E se é possível, então por que não conseguimos ainda? A primeira coisa que devemos dizer é: a corrupção é um crime hediondo! Não pode haver perdão para corrupto! É dinheiro público que deixa de ser usado para o bem comum. Fora corruptos! Fora quem usa dinheiro público para benefício privado! Fora já! A segunda coisa que devemos fazer: todos nós devemos nos unir para acabar com a miséria no Brasil. Vamos à luta, vamos fazer uma revolução pacífica. Vamos pressionar a Justiça para que

resolva rapidamente os problemas de espólios e heranças de propriedades desocupadas. Vamos pressionar para que aqueles que possuem imóveis desocupados destinados à especulação sejam taxados progressivamente e suas propriedades sejam destinadas à desapropriação. Se as recentes manifestações não encontrarem um canal para potencializar sua energia, o povo vai se decepcionar. Os mercadores do caos e os malandros vão entrar em ação. Aliás, eles já entraram. Depredam a cidade ou dizem que as manifestações são consequência das melhorias alcançadas recentemente. Eu acredito que, com bom senso e rigor patriótico, nós podemos dar um salto em qualidade! O Brasil pode ser o país emergente que conseguiu canalizar a revolta do povo para mudar de patamar seu processo de desenvolvimento. Quem sabe, poderemos aproveitar a visita do Papa Francisco para darmos uma guinada na nossa história. Reforma Urbana, Casa para todos, Escola para todos e Cadeia para Corruptos e Vândalos. Vamos canalizar as nossas revoltas. De forma pacífica e organizada, o povo brasileiro pode mudar o Brasil.

Papa Francisco e a JMJ Célio Pezza Escritor

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ão vou entrar no mérito da tremenda falta de estrutura da cidade do Rio de Janeiro durante a Jornada Mundial da Juventude. Todos viram a caótica situação dos transportes, a falta de hospedagem, restaurantes, banheiros e todos os problemas enfrentados pelos peregrinos. Foram desencontros de todos os tipos e a verdade é que o Brasil não está preparado para grandes eventos. Críticas à parte, vamos analisar o lado bom da visita do Papa Francisco. Esta jornada apresentou ao mundo um Papa diferente, muito mais humano, ciente das dificuldades da Igreja, dos anseios do povo simples, da juventude que grita por melhores condições, das mudanças necessárias, e assim por diante. Vimos um Papa que poderia ser facilmente confundido com um manifestante qualquer, pelas suas ideias e forma de falar. Durante entrevistas, sua opinião foi a de que enquanto existirem pessoas com fome, sem educação e sem saúde, e as oscilações da bolsa ganharem mais destaques na mídia do que as misérias e violências a que são submetidos os seres humanos, ninguém deveria dormir tranquilo. Falou sobre os diferentes credos religiosos e deixou claro que não interessa a qual religião uma pessoa pertença, desde que faça o bem ao próximo. Aos jovens pediu para que não deixem de sonhar e que sejam revolucionários na busca de um mundo melhor. Para as elites recomendou humildade e que deixem a ganância de lado. Aos políticos, lembrou que foram escolhidos para que trabalhem a favor do povo, não para os seus

próprios interesses. Quanto à Igreja Católica, reconhece os seus erros, seus desvios e promete provocar uma reforma de fato, colocando na cadeia os pedófilos, os corruptos, os maus sacerdotes e aproveitadores da fé dos humildes. Vai lutar para diminuir os escândalos no Vaticano e mudar os rumos da Igreja. Tudo isto ele divulgou em somente uma semana, cheia de bons exemplos. O Papa Francisco pregou a humildade, a moral e a ética. Condenou a idolatria pelo dinheiro e o modo de vida atual que destrói o planeta e o ser humano. No seu retorno a Roma, pediu que orassem por ele. Acredito que o Sumo Pontífice vá mesmo precisar de muita oração, pois essa mudança de rumo que ele pretende imprimir ao Vaticano vai incomodar muita gente que anda e sorri ao seu lado. Ele sabe da luta feroz nos bastidores e do que é capaz de fazer um sistema que é contra mudanças. Ele entrou nessa luta com muita humildade, transparência, desapego e vontade de fazer o bem. Ele deu um exemplo ao mundo e não há nada mais contagioso do que um exemplo. Ele deu ao mundo uma esperança de dias melhores. (www.celiopezza. com - Blog: http://celiopezza.com/wordpress/)


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DUCAÇÃO &

SICOLOGIA

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Comunicação - Coisas que precisamos saber Pedrinho A. Guareschi

Professor na UFRGS, doutor em Psicologia Social

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comunicação nos envolve por todos os lados. Chegamos à era em que a mídia ocupa todos os espaços e penetra em todos os interstícios da vida. Nas suas múltiplas formas, pictórica, sonora, escrita, digital e analógica, interpessoal e de massa, a comunicação constituiu o ambiente em que se forma o ser humano contemporâneo. Alcançou uma dimensão antropológica. Mais do que a família, a escola, a religião, é a comunicação de massa que estrutura os valores, hábitos, códigos e consensos de cada sociedade e da sociedade global. Se você tiver alguma dúvida sobre isso, pare um pouco e examine seu dia a dia. Diante de tal realidade, pediria permissão para deixar algumas questões para meus amigos e amigas.

Solidário, exemplo de mídia impressa

Tipos de mídia

Para melhor entender essa discussão, é fundamental saber que há dois tipos fundamentais de mídia: a impressa e a eletrônica. E o que isso implica? Muito. Mídia impressa, como esse jornal que você está lendo, as revistas, boletins, livros, etc., cada um pode ter a sua e colocar nela o que desejar. É claro que ele será responsável pelo que ali coloca. Muito diferente é a mídia eletrônica: rádio e televisão. Esses meios são concessões do poder público – de todos nós –, e por isso não podem ter donos. Quase ninguém sabe disso. E quais as consequências disso? Em poucas palavras, que no momento em que alguém se considerar dono de um meio, isso pode se transformar no maior obstáculo para que haja democracia numa sociedade. Por quê?

Mídia eletrônica

A tarefa fundamental da mídia eletrônica é estabelecer um espaço de discussão onde toda a população, organizadamente, possa dizer sua palavra, expressar sua opinião, manifestar seu pensamento. O fundamental é que todos/as possam se manifestar, não apenas alguns, como é o caso em nossa sociedade. Agora, se eu tenho um meio, e digo lá o que eu quero, eu estou impedindo o debate, estou dando apenas minha opinião e, de mil maneiras diferentes, estou impondo meu modo de pensar, meus valores, defendendo meus interesses. E isso configura uma dominação. O que os comunicadores deveriam fazer é fazer a pergunta, problematizar os fatos, mostrar todo o contexto e os diferentes aspectos de um fato ou fenômeno, para que o ouvinte ou telespectador forme sua opinião. E não, como entre nós, ser induzidos, quando não manipulados, a aceitar as opiniões de alguns, os donos desses meios. economia.ig.com

.br

Televisão, mídia eletrônica, é concessão do poder público

Diante dessa realidade, é evidente que precisa haver uma regulamentação da mídia eletrônica, que não é nada mais do que regulamentar os cinco artigos do Capítulo V da Constituição de 1988 que nunca foram regulamentados. A regulamentação seria um jeito de fazer com que de fato todos pudessem exercer seu direito de expressão. Entre outras coisas, esses artigos afirmam que a comunicação deve ser educativa. E educação não é dar respostas: é fazer a pergunta, problematizar a questão. E é dito também na Constituição que não pode haver monopólio nem oligopólio da mídia. Ora, há Estados em que mais da metade de tudo o que as pessoas veem, ouvem ou mesmo leem, depende de uma única família! E porque não há uma regulamentação? Exatamente porque essa mesma mídia, para não perder seus privilégios – e principalmente seus lucros – não permite nem que essa questão seja discutida. E quando alguém questiona esse fato, é imediatamente acusado de ser contra a "liberdade de imprensa". O que na verdade eles querem dizer é liberdade de empresa, e o que estão impedindo é um direito humano à comunicação, que é, isso sim, a verdadeira liberdade, a liberdade de expressão. É por isso que o nosso querido Betinho – o sociólogo Herbert de Souza – repetia sempre nos últimos anos de sua vida: "O termômetro que mede a democracia numa sociedade, é o mesmo que mede a participação dos cidadãos na comunicação". Se a comunicação é tão importante e abrangente, e se só alguns podem dizer sua palavra pois possuem os meios – em desacordo com a própria Constituição – podemos ainda afirmar que vivemos numa democracia? Que falta faz pensar!


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EMA EM FOCO

Jornada Mundial da J como viver a p

lguém dirá: Jornada! De novo? Sim. De novo. Porque certamente foi, é e será o fato mais importante da Igre reunidos no Rio de Janeiro para verem e celebrarem com o Papa Francisco. Mas por seu conteúdo e forma viveu momentos que jamais esquecerá: riu, chorou, aprendeu, venceu! No retorno, sua casa, seu namorado pria vida mudou! E como viver a partir de agora

Conversão

Por sua envergadura e dimensão, só a distância no tempo permitirá uma avaliação mais completa. A grande mídia fez cobertura de importante visita que mobilizou chefes de estado e todos os poderes públicos do País. Centrou-se nos atos centrais de um grande evento – como se apenas o evento importasse. Pouco ou nada referiu sobre os 264 locais de catequeses ministradas em 25 idiomas, ou sobre a feira vocacional, ou sobre tantos e tantos outros momentos que calaram fundo no coração dos jovens e que podem ter representado algo mais do que um grande evento que o vento leva. E que podem ter sido o estopim inicial de processo de verdadeira conversão, de compromisso por um Brasil melhor, por um mundo melhor, sendo fermento em suas comunidades, em suas famílias, em seu local de trabalho ou estudo. Em suma, um jovem convertido para o projeto do Reino, um jovem diferente, alguém que realmente assume sua fé cristã. Mas uma fé com obras que vai muito além do ‘aleluia’, do ‘amém’, da festa, da igreja show, da igreja espetáculo, da intensidade de grandes emoções e que já pensa em repeti-las na próxima JMJ em Cracóvia, Polônia.

“Agora sou mais eu”

É o que assegura o estudante de jornalismo Henrique Weizenmann, um dos 12 universitários da PUCRS que estiveram no Rio de Janeiro. Solidário - Qual a sua avaliação da JMJ no Rio? O que está e estava bem e o que pode melhorar? Enquanto evento, esse modelo faz jus à sua denominação - JMJ? Weizenmann - O evento fez jus ao nome. Fazer uma jornada requer ânimo, motivação e nada faltou. Jornada é algo desafiante e senti-me desafiado e motivado a mais. Fisicamente e espiritualmente. Ao final de todas as contas, o desafio foi o mais divertido. Os problemas que ocorreram fazem parte. Não existe cidade no mundo que possa receber mais de três milhões de pessoas e ficar sem filas ou demoras. O mais impressionante, contudo, foi ver que, mesmo nessas situações que, no dia-a-dia acabam sendo estressantes, todos se divertiam, brincavam e eram amigos, eram irmãos. Dizer que a JMJ precisa melhorar é mais dizer que somos incapazes de enfrentar pequenas adversidades e quem fracassa no pouco é incapaz de conquistar o que é maior. Solidário - Considera possível a eclosão de um processo a partir desse evento em que o jovem possa de fato ser o protagonista? Weizenmann - O Papa Francisco disse que a Jornada Mundial da Juventude começava assim que os momentos no Rio de Janeiro terminassem. Aí está o ponto! Vão surgir vários processos e protagonistas a partir da JMJ. Provavelmente, não ficaremos sabendo da maioria, pois vão se dar em nível pessoal. Transforma-se o mundo pessoa por pessoa. Os jovens que lá estavam saíram transformados de alguma forma e é assim que vão mudar o mundo, mesmo que isso só fique visível em suas comunidades. Os jovens serão os protagonistas não só de um novo mundo, mas da sua construção. Solidário - Que resultados práticos trouxe ou traz a JMJ em sua vida cotidiana, seja na família, seu grupo social ou seu local de trabalho? Considera que a JMJ o fez e faz alguém melhor? Weizenmann - Agora sou mais eu. No Rio de Janeiro, tive um encontro com Deus que me levou a conhecer mais a Ele, aos outros e a mim. Não mudou minha cara, salvo pela barba, mas mudou minha mente e meu coração.

Evento ou Muitas avaliações foram e ainda serão feitas a partir de pontos de observação de quem esteve na JMJ e de quem apenas assistiu à distância. E são controversas de ambas as partes: há quem voltou muito feliz e também quem voltou meio decepcionado. E há quem ficou e se empolgou e há quem tem ressalvas. A pedagogia das Jornadas permite que os jovens discutam seus problemas, não só religiosos? Que sejam eles os protagonistas? O modelo de evangelização através de formato de grandes eventos é o mais adequado? Ou a opção pela formato de processo de evangelização seria mais eficaz e duradouro? Solidário leu e ouviu várias opiniões de especialistas e/ou apenas observadores da juventude na perspectiva da Jornada Mundial. Destacamos duas manifestações.

“Não é apenas um evento”

É a opinião de Irmã Zenilde Bastos, coordenadora do Setor de Evangelização da Juventude do Regional Sul-3 da CNBB em P. Alegre, que rodou mais de 60 mil quilômetros pelo Rio Grande do Sul no período de preparação e que participou da JMJ no Rio de Janeiro. Solidário - Há engessamento na programação da JMJ por ser feita por adultos e não por jovens para jovens? Ir. Zenilde - O show Bote Fé em S. Maria, na culminância da peregrinação da cruz e do ícone de Nossa Senhora no Rio Grande do Sul, foi pensado e organizado pela juventude. Construímos uma bandeira em que os jovens de cada diocese expressavam seus sonhos e suas expectativas, a partir da uma vivência de Jesus Cristo. Também cada grupo de jovens construiu sua bandeira. Essas bandeiras estiveram presentes na celebração. Também toda a cobertura e produção de conteúdo foram feitos por jornalistas voluntários jovens. Claro que deve haver um direcionamento por temos etapas para serem cumpridas. Qualquer projeto tem etapas. Solidário – De evento para processo, é possível? Ir. Zenilde - Eu tinha certa resistência com a jornada. Achava que era simplesmente um evento que congregava. Não negava que é ação que realmente dialoga com a nova geração, que dialoga, que reúne jovens, quando fui convidada para ir a Madri. E me convenci: a JMJ transforma nossas concepções. Vi que, dentro de um conceito de jovem e de Igreja, é possível transformar o evento num processo ou em momento de formação. Mesmo que seja um evento, está em mim transformar em processo porque tenho essa concepção, vou transformar em informação porque tenho essa concepção, vou transformar em protagonismo, pois tenho essa concepção. Precisamos parar de, entre nós, jogar essas responsabilidades, ‘porque a Igreja, porque a estrutura’. Não! Eu sou a Igreja. A JMJ pode se tornar processo a partir de minhas concepções e minha vontade. E do lugar onde estou. Não tenho que estar num lugar muito específico.

Papa Francisco


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ÇÃO OLIDÁRIA OLIDARIEDADE

Juventude terminou: partir de agora?

eja do Brasil nos últimos tempos. E será assunto recorrente. Não só pelos 3,7 milhões de jovens de 175 países a com que se desenvolveu e pelos resultados que trouxe, está trazendo e ainda trará. Quem esteve lá certamente o ou namorada, sua família, seu local de trabalho, sua comunidade – tudo como antes. Mas, provavelmente, a próa? A verdadeira jornada está apenas começando!

u processo? Evangelização e comunicação

Solidário – O discurso oferecido é o que a jovem quer? Ir. Zenilde - Esse o problema. Precisamos parar de falar em nome dos jovens – ‘eles querem isso, querem aquilo’. Isso é do nosso imaginário que vem de outra época ou expressa aquilo que queremos para nós como adultos com o que engessamos toda uma experiência de fé a partir de nossos modelos organizacionais. Penso que esse discurso deve ser construído através de processo em que participamos nós, adultos, as lideranças de Igreja e a juventude. Isso exige mudança do conceito tradicional de fazer pastoral para descobrir como dialogar também com novos espaços. Precisamos urgentemente de uma comunicação mais eficiente. Não sabemos nos comunicar, temos muita teoria, muitos conceitos. E na verdade também temos uma dificuldade muito grande de lidar com esses novos meios de evangelização que são as redes sociais. Temos dificuldade de produzir materiais, conteúdo. Não basta ter fé: precisa de uma estética. E para essa geração de jovens, a estética é outra. Em suma, faz-se necessário uma conversão dos dois lados, precisa-se de dois quereres: o nosso, de adulto e do jovem. Isto constitui um processo de conversão interna nas nossas comunidades que viabilize que o jovem tenha vez na liturgia, na catequese. Mas esse assumir o jovem vai tirando poderes internos da instituição o que pode desestruturar nossa rotina. Porém, não adianta assumir o jovem para modelá-lo segundo nossa vontade.

Irmã Zenilde Bastos

A JMJ é mais evento do que processo

É o que defendeu José Jair Ribeiro - Zeca -, coordenador da Pastoral Juvenil Marista na sessão Fé e Cultura, dia 13 de agosto último na PUCRS, com presença de dezenas de universitários, inclusive dos que participaram da JMJ no Rio. Em sua manifestação de provocação, Zeca lançou uma série de questionamentos. “Quais são os modelos que a juventude quer e gostaria de ter para construir sua autonomia, encontrar um espaço de participação, de realização pessoal e que isso tenha sentido para sua vida, para sua existência? Como Igreja católica ou não católica, quais são os modelos dentro desse conceito mais amplo de juventudes, no plural, que buscam espaços de participação, busca de autonomia, com a oferta de processos, de projetos, de participação? Numa relação de instituído e instituinte, a Jornada da Juventude oferece possibilidades que esses jovens façam essas relações?”

Modelo pensado por adultos

“Na Jornada há enorme envolvimento de jovens. Mas é ele quem diz que vai acontecer assim ou assado? Penso que essa construção no seu todo poderia ser muito mais a participação do jovem. E a pergunta que não cala: nós queremos verdadeiramente a participação dos jovens? Até onde ele pode ir? Eu quero a participação do jovem até aqui e daqui para frente não pode mais ou não deixa ir. Então, esse modelo de evento é mais pensado por adulto que diz 'é assim que vai funcionar, vocês se inserem, eu te convoco’. Eu me encanto, aceito a proposta, vou, participo. Mas tenho o espaço delimitado e um projeto quase sempre definido. Assim também acontece com uma série de propostas para trabalhos com a juventude: vem prontos. O caminho está todo demarcado e estabelecido”.

Henrique Weizenmann

O Cristo da fé e o Jesus de Nazaré

O palestrante também esclareceu o que, segundo ele, diferencia o evento do processo. “No evento religioso quase sempre prevalece o Cristo da fé, o Cristo que salva. No processo – eu sou da área de teologia e passamos muitos anos separando o Cristo da fé e o Jesus de Nazaré, a pessoa de Jesus, um ser humano – é incluído o Cristo e seu projeto e não só o Cristo que nos salva. Olhar para o mundo do jovem é perguntar quais são as perguntas que os jovens estão nos fazendo hoje. Não precisam concordar com isso. Mas para mim, a sociedade se move pela centralidade do mundo dos adultos que vai ditando as regras. É do DNA dos jovens procurar saídas, pular por cima da porta, da parede, tentar passar. Minha avó não vai fazer isso, mas o jovem quer procurar e avançar. Mas onde o jovem hoje é chamado para participar da elaboração de políticas ou de projetos que são para ele?”.

José Jair Ribeiro


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ABER VIVER

Atividades diárias que aumentam a sua chance de ter uma doença

Tudo o que existe está absolutamente recoberto de bactérias - inclusive você, por dentro e por fora. No entanto, nem todas as bactérias causam doenças, sendo algumas inclusive benéficas e essenciais para o bom funcionamento do nosso organismo. Mas quando pensamos nos micro-organismo patogênicos - que tem potencial de transmitir doenças - a boa higiene é fundamental para mantê-los longe. O clínico geral médico Eduardo Finger explica que nem sempre a pessoa sucumbirá ao patógeno, ainda que seja exposta à doença. "E também não é todo o vírus que pode ser transmitido durante o dia a dia, pois nem todos

sobrevivem muito tempo fora do corpo humano", lembra o especialista. No geral, a gripe e os resfriados são mais facilmente transmitidos de uma pessoa para outra, principalmente no inverno, e existem algumas atividades muito comuns em nossa rotina nas quais estamos expostos a isso e nem percebemos. Algumas atividades que mais nos expõem: telefones públicos e telas sensíveis ao toque, manuseio de corrimões e maçanetas, de notas e de moedas, viagens em trens e metrôs, frequência a academias, convivência com amigos e familiares, amigos nas baladas e outras. (Carolina Gonçalves, www.minhavida.com.br)

Sete bons motivos para você se espreguiçar todos os dias O despertador toca e o barulho estridente atravessa o cérebro, tirando você do descanso profundo. Muitas vezes, a rotina atrapalhada faz com que saltemos da cama num pique só, deixando passar batido um pequeno prazer: espreguiçar-se. Só que uma boa esticada é, além de deliciosa, uma grande amiga da saúde. Conheça sete motivos para você tornar o movimento um hábito indispensável no seu dia a dia. 1. Acorda o cérebro - "Ao dar aquela espreguiçada, os músculos se esticam e sua circulação sanguínea é ativada, mandando uma mensagem de alerta para cérebro", explica o ortopedista Fabio Ravaglia. Isso que ajuda a dar "aquele gás" na disposição, mesmo que seja uma segunda-feira cinzenta e cheia de trabalho pela frente. 2. Dá mais prazer - Fabio explica que o ato de se espreguiçar libera endorfinas através dos músculos, hormônios neurotransmissores que são responsáveis pela sensação de bem-estar. Outro hormônio, a serotonina, também é liberada nesse processo, o que ajuda também a ativar a memória e a dar mais disposição ao corpo. 3. Afasta dores de cabeça - O tipo mais comum de dor de cabeça é a cefaleia tensional que, entre outras coisas, pode ser causada pela tensão muscular, afirma o especialista. Sendo assim, espreguiçar ajuda a mandar a dor embora, pois os músculos distensionados enviam informações de que o cérebro também pode relaxar. 4. Lubrifica as articulações - Nossas articulações possuem o chamado líquido sinovial, cuja função é auxiliar na lubrificação das articulações, ou seja, auxiliar o bom funcionamento delas. Para mantê-lo em bons níveis, o alongamento dos músculos é fundamental, por isso, espreguiçar é uma maneira boa de deixar as articulações em ordem. 5. Deixa o corpo jovem - A partir da adolescência, começamos a perder a flexibilidade. Por falta de alongamento, problemas de coluna e joelhos começam, cada vez mais, a aparecer nos jovens. Espreguiçar-se é uma forma de alongar e preservar a flexibilidade. 6. Reduz riscos de lesões - Se você é o famoso "esportista de final de semana", com certeza, sabe que antes daquela partida de futebol ou de umas braçadas na piscina é preciso fazer um bom alongamento. Entretanto, é importante que você estenda essa prática ao dia a dia, para evitar os problemas típicos desse hábito. "Espreguiçar deve ser um hábito diário, realizado pela manhã e à noite", diz o ortopedista. 7. Alivia a fibromialgia - Fabio explica que é cientificamente comprovado que para os portadores da fibromialgia (a doença em que o paciente apresente uma condição de dor generalizada e crônica). Espreguiçar-se pode trazer um bom alívio às dores, pois o alongamento da musculatura de todo o corpo ajuda a minimizar a tensão acumulada nas articulações. (Ana Maria Madeira, www. minhavida.com.br)

Psicosul Clínica

Albano L. Werlang - CRP/07-00660 Marlene Waschburger - CRP/07-15.235 Jôsy Werlang Zanette - CRP/07-15.236 Alcoolismo, depressão, ADI/TIP Psicoterapia de apoio, relax com aparelhos Preparação para concursos, luto/separação, terapia de crianças, avaliação psicológica Vig. José Inácio, 263/113, Centro, P. Alegre 3224-5441 // 9800-1313 // 9748-3003

Dicas para curtir uma viagem aérea internacional Ao atravessar vários fusos horários, podem surgir perturbações fisiológicas: alterações de sono, problemas digestivos, dificuldade de concentração e fadiga. Para que o relógio biológico não sinta a mudança de forma tão brusca, adapte-se rapidamente ao ritmo do país de destino, fazendo as refeições e períodos de sono de acordo com a hora local, expondo-se ao sol e realizando exercício físico. No caso da estada ser muito curta é preferível manter os ritmos do país de origem. Essa é uma dica empresa aérea TAP.

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Como comer alimentos difíceis sem cometer gafes Imagem Sadia

Cuidado ao saborear um frango assado

Como manusear a alcachofra? Posso cortar o espaguete? O que fazer com o caroço de azeitona em uma festa? Veja como livrar-se dessas e de outras saias justas! Em eventos sociais, muitas vezes ficamos em dúvida na hora de comer alguns alimentos, preocupadas em não cometer gafes. Para você ficar tranquila e fazer bonito em qualquer situação, siga as dicas: Azeitona: tire o caroço da boca com a mão em forma de concha, sem o guardanapo, e coloque-o no canto do prato. O mesmo vale para espinhas de peixe e outros alimentos que não possam ser engolidos. Alcachofra: se for servida inteira, desfolhe-a com as mãos. Mergulhe a parte carnuda no molho e leve à boca. Os anfitriões devem providenciar um pratinho para que os convidados coloquem as folhas descartadas. Consomê: se tiver pedacinhos de torradas (croûtons), coma-os com a colher e depois leva a xícara de consomê aos lábios para tomar o líquido. Escargots: são servidos em pratos especiais, com uma cavidade para cada unidade. São manejados com uma pinça própria, que fica na mão esquerda, e um garfo especial, que deve ser usado pela mão direita. Espaguete: comece a enrolar a massa com o garfo e sobre a colher sempre pela borda do prato, pois assim você evita uma garfada grande demais. Nunca corte o espaguete com a faca, é muito feio! Empadinha: pegue-a com a mão e utilize um guardanapo ou um pratinho para aparar as migalhas que, com certeza, cairão. Faça o mesmo ao comer canapés de massa folhada. Milho: os espetinhos para segurar as espigas estão à venda em qualquer supermercado. Use-os espetados nas extremidades da espiga para levá-la à boca. Mas se não houver espetinhos, segure as pontas com a mão. Frango: em eventos ao ar livre, como o churrasco de final de semana com os amigos, segure a carne com as mãos, à vontade. Dentro de casa, isso só é permitido em encontros familiares. Nunca pegue uma coxinha de frango com as mãos para levá-la à boca durante um jantar formal. Neste caso, use o garfo e a faca para comer. Alface: deve ser dobrada com os talheres ao menos duas vezes antes de ser levada à boca. Não corte as folhas, é feio! Tomate-cereja: como é pequeno, é possível comê-lo inteiro. Se quiser cortá-lo, tome muito cuidado, pois ele pode escorregar no prato. Espete-o com o garfo, com cuidado, para que o seu suco não espirre. E use a faca para firmar o tomatinho, evitando que ele deslize. Frutas: as grandes, como abacaxi, melancia e manga, devem ser comidas com garfo e faca. Já frutas menores, como uva, pêssego e ameixa, podem ser comidas com as mãos. Coloque os caroços sempre no canto do prato. (Fonte: http:// www.sadia.com.br/dicas/)


Duas crianças conversam em uma rua: - Ontem salvei meu pai de um assalto. - Pegou o ladrão? - Não, peguei o dinheiro da carteira dele antes do ladrão. xxx Era uma vez um pintinho chamdo Relam. Toda vez que chovia, Relam piava. xxx Era uma vez um sujeiro tão burro, mas tão burro, que na sua mesa de cabeceira tinha um copo com água e uma pistola. Por quê? Para poder matar a sede. xxx

Retiro Aberto da Igreja S. José O Apostolado da Oração da Igreja São José está convidando os fiéis para o Retiro Aberto 2013, a ocorrer dias 3, 4 e 5 de setembro corrente, na própria igreja. Estão programadas duas palestras por dia, às 15 e 16 horas, sendo pregador o Pe. Egon Binsfeld. Temas a serem abordados: Vaticano II, o Ano da Fé e Oração, Comunicação com Deus. Ao final de cada tarde haverá celebração de missa. Informações pelo fone 3224.5829 ou na secretaria da Comunidade São José - e-mail comjose@terra.com.br

Retiro Mariano de Silêncio O Secretariado Rainha da Paz de Porto Alegre promove, segundo a espiritualidade de Medjugorje, o Retiro Mariano de Silêncio, de 27 a 29 de setembro corrente, no Convento Monte Alverne - Rua São José, 584 - São José - São Leopoldo / RS - telefone: (51) 3588-7581. Será pregador o Pe. Serafim Maria, monge do Mosteiro Regina Pacis, da Fraternidade Monástica dos Discípulos de Jesus, fundada pelo Pe. Eugênio Maria La Barbera. Inscrições: Livraria Paulinas, na Rua dos Andradas, 1212, Centro, Porto Alegre, fone: (51) 3221-0422. Mais informações com Regina: 9316-5353 ou Vera: 3338-9993. Valor: R$190,00. O pagamento não pode ser feito com cartão de débito ou crédito, para não interferir na contabilidade da Livraria. Em Porto Alegre, haverá ônibus fretado para quem o desejar. Taxa: R$ 25,00.

Cúmulo da distração: alguém comer o guardanapo e limpar a cara no bife. xxx P: O que é um Pontinho Preto no Castelo? R.: Uma Pimenta do Reino. xxx Um homem que criava ursos na sua fazenda, por um motivo qualquer, para de criar esses animais. Qual o nome do filme? R: O Ex-Ursista (O exorcista)

Antoninho Musa Neime - 01/09 Agenor Casaril - 03/09 Paulo D'Arrigo Vellinho - 06/09 Dom Dadeus Grings - 07/09 Walter A. Hommerding - 09/09 Rosemarie Stein - 13/09

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RESERVE O SEU EXEMPLAR O Livro da Família 2014 e o Familienkalender 2014 estão disponíveis na Livraria Padre Reus, em Porto Alegre, e na filial, no Santuário Sagrado Coração de Jesus, junto ao túmulo do Padre Reus, em São Leopoldo. Matriz: fone 51-3224.0250

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Sem Fronteiras Martha Alves D´Azevedo

Comissão Comunicação Sem Fronteiras ard on

Humor

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Jogos de azar

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empos atrás, os jogos de azar conhecidos eram a Loteria Federal, a Estadual, que depois foi extinta, e o Jogo do Bixo. A Loteria dava chance às vezes de alguém tirar a sorte grande, que significava ter um bilhete, ou um “pedaço” dele premiado, o que lhe permitia receber uma quantia maior, que lhe possibilitava cometer algumas extravagâncias. O Jogo do Bixo era o vicio maior da classe baixa e de algumas pessoas da classe média, que se permitiam fazer uma “fezinha” nos fins de semana e, se tivessem a sorte de acertar no bicho escolhido, receberiam fielmente o resultado da aposta feita. Agora, o Jogo do Bixo faz parte dos jogos de azar proibidos e que passaram à clandestinidade. Jogos, que não deixam de ser de azar, mas que são patrocinados pelo governo, surgem a cada dia em número e diversidade maior: Mega Sena,Dupla Sena, Quina, Lotomania, Loto Fácil, Timemania,Tri Legal,etc. Não só no fim de semana, mas em vários dias da semana eles são realizados e, como na maioria das vezes não contemplam os apostadores, as filas de jogadores nas casas lotéricas aumentam cada vez mais. O Tri-Fácil agora já é vendido em locais diferenciados das Lotéricas, e sua publicidade já é veiculada em horário nobre da televisão, incluindo promessas de prêmios de carros, eletrodomésticos e até casas. A publicidade dos atuais jogos de azar permitidos é feita com uma técnica cada vez mais aprimorada levando as pessoas a comprar os bilhetes em busca do sonho prometido. Quem acredita nestas promessas que invadem suas casas através da televisão e dos anúncios em jornais e revistas? A maioria é classe média baixa, que se convence que vai acertar nos números premiados e vai assim realizar seus sonhos. Os seus poucos recursos se escoam na esperança de um dia acertar e ser premiado. Como todo jogador, joga sempre mais, acreditando que a sorte vai chegar e que todos os seus problemas um dia vão terminar. Os problemas, ao contrário, crescem cada vez mais... No meio de tantas promessas, a Loteria Federal ficou um pouco esquecida, perdeu espaço para a Loteria Instantânea e o Jogo do Bicho, que pagava conforme o bicho premiado, deixou de ser atrativo e perdeu a sua vez para os jogos de azar patrocinados. Até onde vamos incentivar o jogo e não a poupança? Por que há tantos endividados no Brasil hoje? (geralda. alves@ufrgs.br)


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GREJA &

COMUNIDADE

Solidário Litúrgico 8 de setembro - 23o Domingo do Tempo Comum Cor: verde

1a leitura: Livro da Sabedoria (Sb) 9,13-19 (gr. 13-18b) Salmo: 89(90),3-4.5-6.12-13.14 e 17 (RE/.1) 2a leitura: Cartade S. Paulo aFilêmon (Fm) 9b-10.12-17 Evangelho: Lucas (Lc) 14,25-33 Comentário: Uma conhecida canção talvez chegue mais perto do verdadeiro significado da cruz. Da cruz de Jesus, das muitas cruzes de nossa vida. Diz o texto da canção: “Vitória, tu reinarás. Oh, cruz, tu nos salvarás. Brilhando sobre o mundo, que vive sem tua luz, tu és o sol fecundo, de amor e de paz, oh, cruz”. Nos ícones cristãos do Oriente, a cruz do Calvário é identificada com a árvore da vida que envolve toda a Sagrada Escritura, desde o Gênesis (2,9) até o Apocalipse (22,2). Nossas cruzes cotidianas são parte da cruz redentora de Jesus. A cruz de Jesus fala de vida, fala de doação generosa, fala de perdão – que imensa cruz é o saber perdoar a algumas pessoas de nossas relações! – fala de desapego, fala de amor solidário, de amor incondicional, de amor radical: “Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”, lembra o

texto bíblico. Os romanos, que dominavam a Palestina no tempo de Jesus, haviam adotado do mundo persa o hábito de crucificar grandes criminosos que não fossem cidadãos romanos. Um cidadão romano, como o apóstolo Paulo, não podia ser crucificado. É bem diferente a visão cristã da cruz: em vez de ser instrumento de suplício e de morte, ela se tornou o símbolo que identifica o cristão, tornando-se um sinal de graça, de bênção, de vida. No Evangelho de Lucas deste domingo, Jesus deixa claro que somente quem aceita a cruz de cada dia pode ser seu discípulo. Edith Stein, ou Santa Teresa Benedita da Cruz, assassinada pelo regime nazistapor ser de descendência judia, afirma: “A cruz conduz o espíritoà plenitude. Sua forma visível tem conotações heroicas pelas quais, com razão, pode ser chamada de insígnia”. Na lição da cruz de Jesus aprendemos a desapegar-nos de muitas coisas e fazer de nossa vida uma entrega diária, livre e generosa... um dom de graça, perdão e paz para todos os que Deus coloca em nossa vida.

15 de setembro - 24o Domingo do Tempo Comum Cor: verde

1a leitura: Livro do Livro do Êxodo (Ex) 32,7-11.13-14 Salmo: 50(51),3-4.12-13.17 e 19 (R/. Lc 15,18) 2a leitura: 1ªCarta de S. Paulo a Timóteo (Tm) 1,12-17 Evangelho: Lucas (Lc) 15,1-32 (mais breve, 15,1-10) Comentário: Lucas, neste domingo, nos repassa três parábolas... três histórias de Jesus, que trazem a mesma mensagem de fundo: a alegria de reencontrar um bem perdido. E as três terminam com uma exclamação de júbilo: “Alegrai-vos comigo”. Na primeira história, é um pastor que perdeu umade suas cem ovelhas; na segunda, é uma pobre dona de casa que perdeu uma de suas dez moedas; na terceira, é o pai que perdeu o filho que deixou a casa paterna e foi “viver sua vida”. Há uma graduação nestas três histórias: quem tem cem ovelhas e perde uma, se alegra, mas nem tanto: enfim, ainda tem noventa e nove. Quem tem dez moedas, ah, se alegra mais por encontrar a moeda perdida. Com estas duas histórias parece que Jesus queria preparar as mentes e os corações de seus ouvintes para contar a alegria maior: a volta do filho ingrato que partira para longe, e que, depois de gastar tudo o que tinha, empobrecido,

marginalizado, humilhado, sentiu fome e, buscando trabalho, foi mandado cuidar de porcos... Na parábola do filho pródigo Jesus ressalta o amor desinteressado do pai, que nem deixa o filho fazer sua confissão arrependida: o abraça, o cobre de beijos, o veste, o acolhe com carinho e afeto. Este amor solidário do pai contrasta com a inveja de seu outro filho. Ele não quer saber da festa que o pai preparara para celebrar a alegria do reencontro familiar. Por sua inveja, ele se autoexclui da celebração, da festa, da alegria. Mesmo assim, o pai, imagem viva do Pai de Jesus, não lhe fecha as portas, mas tenta abrir sua mente e seu coração: filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu, é teu. Mas era preciso festejar e alegrar-nos porque este teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado (15,32). Almas mesquinhas e corações fechados se arrastam por aí, mordidos de inveja, infelizes, destilando amargura e frustrações.Somente grandes almas e corações abertos são capazes de alegrar-se com o sucesso de outra pessoa, com encontros e reencontros, com a alegria e felicidade de outros. E participar da grande festa da vida. (attilio@livrariareus.com.br)

Setembro de 2013 - 1a quinzena

Frutos da conversão Dom Alberto Taveira Correia Arcebispo Metropolitano de Belém

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Igreja foi posta, mais uma vez, como espetáculo diante do mundo. Todos os olhos estão voltados para ela e proclama-se, especialmente quando vista de fora, uma grande crise. Aproveita-se a oportunidade para que as muitas bandeiras de uma parcela permissiva da sociedade sejam levantadas. Na cabeça de muitos, vale apostar tudo para ver o que se pode colher, como se a Igreja de Jesus Cristo fosse um balcão de informações turísticas, ou, quem sabe, um parlamento democrático aberto a todos ou as orientações morais viessem a ser decididas pelo voto da maioria.

Ser cristão incomoda e muito, começando mesmo por aqueles que desejam professar sua fé com coerência, em tempos nos quais a perseguição se volta furiosa, especialmente contra os católicos. Não estamos mais em época de cristandade! Com certeza os cristãos católicos devem tomar consciência de sua responsabilidade e se decidirem a ser sal, luz e fermento, com qualidade de vida e testemunho, indo além das valiosas e reconhecidas devoções, para serem presenças qualificadas, capazes de transparência da inigualável mensagem evangélica, dispostos a superar os próprios limites e pecados. É bom que o mundo saiba que nos reconhecemos pecadores, suplicamos a misericórdia de Deus, somos continuamente chamados à conversão e nos empenhamos em buscar as formas de vida cristã e as estruturas necessárias ao testemunho autêntico de Jesus Cristo. Em nossos dias, pululam acusações de toda ordem contra a Igreja e os católicos. Os fatos negativos tenham sua devida apuração e, quando comprovados, as pessoas sejam devidamente responsabilizadas. Também os desastres públicos são passíveis de verificações e providências cabíveis. No entanto, envolvidos diretamente ou não nos dois tipos de eventos, todos sejam provocados a tirar as lições devidas. Trata-se de perguntar o que Deus quer nos dizer com os fatos. Se existem cristãos que agem mal, que comecem uma vida nova, transformem sua mentalidade e suas práticas. Se qualquer um de nós se encontra distante dos fatos e responsabilidades, pergunte-se como pode ser melhor e viver melhor, mesmo em áreas totalmente diferentes. Quando na sociedade uma obra desaba, um incêndio se alastra, as ruas estão esburacadas ou os serviços são de baixa qualidade, mesmo quem não tem poder para mudar tudo, pode começar por si mesmo ou perto de sua casa. O lixo que cada um recolhe de forma adequada pode ser uma pequena, mas indispensável ajuda, como também a direção segura e defensiva no trânsito e outras práticas. Vale, como sempre, ouvir Jesus: "Pensais que esses galileus eram mais pecadores do que qualquer outro galileu, por terem sofrido tal coisa? Digo-vos que não. Mas se vós não vos converterdes, perecereis todos do mesmo modo. E aqueles dezoito que morreram quando a torre de Siloé caiu sobre eles? Pensais que eram mais culpados do que qualquer outro morador de Jerusalém? Eu vos digo que não" (Lc 13,2-5). A Igreja tem a alegria de oferecer ao mundo, depois de oito anos de trabalho intenso, o exemplo luminoso de Bento XVI. Sua palavra e seu comportamento foram retilíneos, coerentes com o lema escolhido, "colaborador da verdade", um cristão autêntico, apaixonado pela Verdade, que é Jesus Cristo.


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SPAÇO DA

Romaria Vocacional reuniu centenas de fiéis em Gravataí A vocação é o chamado de Deus para a missão na Igreja, junto aos irmãos. Com esta certeza e numa clara demonstração de apoio à promoção vocacional, o Vicariato de Gravataí realizou a 10ª edição da Romaria Vocacional na cidade de Gravataí. Centenas de fiéis participaram o evento que contou com caminhada e Santa Missa presidida pelo Vigário Episcopal, Dom Jaime Spengler e concelebrada pelos padres do Vicariato. A romaria foi realizada no domingo, dia 18 de agosto e teve como tema a passagem do livro de Isaías “Eis-me aqui, envia-me” (Is 6,8). A mesma passagem é o lema da Campanha da Fraternidade 2013. A programação iniciou na Igreja Matriz da Paróquia Nossa Senhora dos Anjos, no centro de Gravataí. Após momento de mística, os fiéis saíram em caminhada reafirmando a fé, a crença na juventude e rezando pelas vocações. Famílias, jovens, seminaristas, religiosas, religiosos, diáconos e padres participaram ativamente da caminhada que foi encerrada no Seminário Menor

São José, onde foi celebrada uma missa campal presidida por Dom Jaime Spengler. Na Santa Missa, Dom Jaime, refletiu, sobre a vocação de cada cristão de ser “discípulos e missionários”, a exemplo de Jesus Cristo que “passou por nós fazendo bem e fazendo bem todas as coisas”. O Vigário Episcopal recordou aos fiéis que “todos somos convidados a botar fé nas palavras de Jesus, botar fé na nossa vida, para que nossas vidas tenham, realmente, sentido e plenitude - para que tenha gosto de eternidade. Quando botamos fé no ser humano, no Cristo, então, o centro da nossa vida, passa a ser Cristo e não nós mesmos. Quando Cristo é o centro, então em nosso coração habita ternura, paz, entusiasmo, alegria, prazer de viver ainda que em meio a lutas, combates” disse. O prelado concluiu sua homilia exortando todos fazer o que pediu o Papa Francisco na Jornada Mundial da Juventude: “Bote fé! Bote esperança! Bote amor! Bote Cristo! Coloquemos Cristo no meio de nossas vida, no meio de nós".

Dedicação da Catedral Metropolitana foi celebrada com Missa Solene Os 27 anos de dedicação da Catedral Metropolitana de Porto Alegre foram celebrados com missa solene na segunda-feira, dia 12 de agosto (foto). Sob a proteção da Mãe de Deus, a Catedral é a casa mãe da Arquidiocese e o templo dedicado ao culto divino e à vivência comunitária. A Santa Missa foi presidida pelo padre Carlos Gustavo Haas, pároco da Catedral, e concelebrada pelo Vigário Geral, Monsenhor Tarcísio Pedro Scherer, pelo Chanceler e expároco da Catedral, Cônego Luís Melo da Silveira e pelo Cônego Gaspar Boaretto. Celebrar a dedicação de um templo equivale a celebrar o aniversário de uma pessoa. Trata-se do nascimento de um espaço sagrado para a comunidade de fé que fortalece o sentido da cristandade com um local dedicado a oração, escuta da Palavra de Deus e a partilha do Pão, características básicas ao lugar onde os cristãos se reúnem. Em sua homilia, padre Gustavo

Haas destacou três pontos que marcam esta celebração: o agradecimento as pessoas que ajudaram na construção do espaço; à comunidade paroquial que se doa nos serviços comunitários e, por último, a dimensão que cada pessoa possui como templo de Deus e morada do Espírito Santo. O pároco recordou o processo histórico e as inúmeras contribuições dos fiéis que permitiram que, no hoje da história, toda a comunidade usufrua da Catedral. Nesse ponto, o presbítero agradeceu ao trabalho que os paroquianos desenvolvem no local: “A beleza da Catedral é a paróquia, a comunidade, os leigos que aqui atuam e dão a vida por esta pequena porção do povo de Deus e que contribuem para que a Catedral seja o lugar que represente Igreja em Porto Alegre”, enfatizou. Haas lembrou aos fiéis que cada pessoa é templo onde Deus faz morada: “Somos templos de Deus, do Espírito Santo e queremos aqui testemunhar a nossa vida e a nossa fé. Por isso, elevemos o nosso agradecimento”, disse.

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RQUIDIOCESE Coordenação: Pe. César Leandro Padilha

Jornalista responsável: Magnus Régis - (magnusregis@hotmail.com) Solicita-se enviar sugestões de matérias e informações das paróquias. Contatos pelo fone (51)32286199 e pascom@arquidiocesepoa.org.br Acompanhe o noticiário da Pascom pelo twitter.com/arquidiocesepoa Facebook: Arquidiocese de Porto Alegre

Arcebispo metropolitano pede oração pelas famílias A convivência familiar, o cuidado e a fé - estes foram pontos destacados pelo arcebispo metropolitano de Porto Alegre, Dom Dadeus Grings, durante a missa pelas famílias, realizada na terça-feira, dia 13 de agosto, na Catedral Metropolitana. O evento religioso marca a passagem da Semana da Família, promovida pela CNBB em todo o Brasil. Para Dom Dadeus, a família possui algo que é valioso: a vida. A união é o símbolo maior de que ninguém vive para si. O casal deixa tudo pra formar família e por isso, demonstra a característica maior dos cristãos: através da fé, acreditar no amor. Às famílias, o arcebispo enfatizou que quando os filhos são felizes, demonstra que também os pais são felizes. O amor que constrói a felicidade – Disse Dom Dadeus - é indissolúvel: “A indissolubilidade do casamento não é uma lei que se impõe. Lei não garante amor. O amor é algo que se dá. Deus nos deu esta graça especial: o amor é algo derramado nos coração. É o sacramento permanente. Cada gesto que o casal faz um para o outro é uma manifes-

tação do sacramento. Santifica os casais, santifica as famílias e nós podemos sentir o como é bom viver em família” disse. Dom Dadeus apontou ainda que a convivência de uma família é uma graça divina, por isso, é preciso rezar pelas famílias: “Nos reunimos para rezar pela família. Gostaríamos que todas as pessoas tivessem a graça de uma família. Hoje as famílias são tão ameaçadas. São tão bombardeadas. Precisamos rezar mais e dar o testemunho bom pra a sociedade de hoje. É preciso promover as famílias para que elas encontrem a grande graça de Deus de uma vida melhor”. O prelado finalizou sua homilia colocando a Sagrada Família como modelo para todos os casais, todas as famílias. Modelo de santidade em Deus para o bem da sociedade hoje. A Santa Missa participaram casais que integram o Encontro de Casais do Cristo (ECC) de diversas paróquias da Arquidiocese. Ao final, todos que estavam na Catedral Metropolitana receberam bênçãos pela imposição das mãos do arcebispo e dos sacerdotes presentes. Dia do Diácono - O Dia do Diácono, celebrado em 10 de agosto, dia da memória litúrgica do mártir São Lourenço, foi festejado com uma missa presidida pelo arcebispo metropolitano, Dom Dadeus Grings, na Paróquia Nossa Senhora de Mont’Serrat, em Porto Alegre. Em sua homilia, o arcebispo recordou a figura de São Lourenço como padroeiro.


Porto Alegre, setembro de 2013 - 1a quinzena

Paróquias de Porto Alegre que divulgam o Solidário Os leitores do Solidário poderão encontrar nosso jornal nas Paróquias abaixo relacionadas, que colaboram divulgando e promovendo a sua venda avulsa. Catedral Metropolitana Colégio Anchieta Colégio Romano Senhor Bom Jesus Paróquia Coração de Jesus Paróquia Cristo Redentor Paróquia Divino Espírito Santo Paróquia Hospital Mãe de Deus Paróquia Imaculado Coração de Maria Paróquia Instituto de Educação São Francisco Paróquia Menino Deus/Luiz Carlos Tovo Paróquia Menino Deus Paróquia N. Sra. da Conceição Paróquia N. Sra. das Dores Paróquia N. Sra. das Graças Paróquia N. Sra. de Lourdes Paróquia N. Sra. de Belém Novo Paróquia N. Sra. de Mont'Serrat Paróquia N. Sra. da Paz Paróquia N. Sra. do Perpétuo Socorro Paróquia N. Sra. da Piedade Paróquia N. Sra. do Rosário de Pompeia Paróquia N. Sra. da Saúde Paróquia Sagrada Família Paróquia Sagrado Coração de Jesus Paróquia Santa Catarina Paróquia Santa Rita de Cássia Paróquia Santa Rosa de Lima Paróquia Santa Terezinha Paróquia Santo Antônio Santuário N. Sra. do Trabalho Paróquia São Geraldo Paróquia São Jorge Paróquia São José do Murialdo Paróquia São José da Vila Nova Paróquia São Martinho Paróquia São Miguel de Maratá Paróquia São Sebastião Paróquia São Vicente de Paulo Paróquia Senhor Bom Jesus

O preço amargo da Copa Já não bastassem as ruas e avenidas interrompidas para ‘obras’ em vista da Copa de 2014, gerando estresse de trânsito nunca vivido em P. Alegre – e provavelmente em outras capitais brasileiras – sabe-se agora que apenas seis dos 12 estádios da Copa estão concluídos. E o que é pior: os gastos continuam se multiplicando. Em outubro de 2007, quando foi anunciado que o Brasil seria sede Mundial, a previsão de despesas com reformas e construções era de R$ 2,8 bilhões. Hoje, segundo a última revisão, está em R$ 8 bilhões, isto é, 285 por cento superior à previsão inicial. Comparando com África do Sul, sede da Copa de 2010, o Brasil está gastan-

do duas vezes mais. Lá, as dez arenas custaram R$ 3,27 bilhões. Na Alemanha, em 2006, os 12 estádios custaram R$ 3,6 bilhões. A tradição de ‘inflacionar’ não é novidade. As obras dos Pan-americanos estavam orçadas em 300 milhões de reais, mas acabaram custando 3,5 bilhões. E a população ainda tem a ilusão de que irá lucrar com os eventos programados. Isto tudo sem falar no grande número de famílias embora o governo não preste informações acerca dos despejos forçados - que as obras provocarão. Segundo projeção extra-oficial, 170 mil pessoas serão afetadas por conta das obras para a Copa que é da FIFA e não do Brasil. Pode?

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