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IMPRESSO ESPECIAL CONTRATO No 9912233178 ECT/DR/RS FUNDAÇÃO PRODEO DE COMUNICAÇÃO CORREIOS

Porto Alegre, 16 a 31 de março de 2010

A vida na Igreja Voz do Pastor/Página 2

Ano XV - Edição No 558 - R$ 1,50

Jovem tem vez

Descarte o medo da vida. Porque, ou você tem medo ou vive. Só depende de você, eis que nada tem a perder, só a ganhar. E a morte é muito rara, porque ela só acontece uma só vez. A vida acontece todos os dias.

A família no século XXIReus está oferecendo a edição do Livraria Padre

Livro da Família/2010. Adquira seu exemplar ou faça A seu h i s pedido t o r i a dnooendereço ra abaixo, que teremos a maior alegria em atendê-lo. francesa Michelle Per- Também o Familienkalendar/2010 rot aponta para o fato está disponível.

Gisele Delazeri, 27 anos, Relações Públicas/Coordenadora de Eventos, fala de si, de seu futuro e emite opiniões sobre o Brasil, política e religião. Página 9

Osho

A vez da mulher na Igreja

da família, herdada do século XIX, estar em estilhaço e vir sendo substituída porLivraria uma família Padre Reus está oferecendo a edição do Livro da Família/2010. Adquira seu exemplar ou faça que tenta conciliar a seu pedido no endereço abaixo, que teremos a maior liberdade individual de Também o Familienkalendar/2010 alegria em atendê-lo. seus membros com os está disponível. “laços afetivos do velho lar”. A família do século XX, e até mesmo aquela da idade média, sempre foi lembrada como referência de uma família ideal e equilibrada. Mas, será isso, de fato, verdade? Será que era essa a realidade? Página 3

Solenidades litúrgicas de março As celebrações litúrgicas da Igreja são classificadas, segundo seu grau de importância, em solenidades, festas, memórias (obrigatórias e facultativas) e festas locais. Em março, o calendário indica duas solenidades: S. José, dia 19, e Anunciação de Nossa Senhora, dia 25. José é o padroeiro universal da Igreja Católica, declarado por Pio IX, no dia 8 de dezembro de 1870.

Igreja em números

Autonomia x heteronomia

Irmãs Lourdes Dill, Conceição de Andrade e Pierina Lorenzoni são responsáveis por importantes obras sociais no Estado, reconhecidas e incentivadas pela Igreja

Entre 2007 e 2008, os fiéis batizados no mundo passaram de 1.147 a 1.166 milhões, com um incremento absoluto de 19 milhões de fiéis, percentual igual a 1,7 por cento, segundo o Anuário Pontifício de 2010, apresentado pelo Santo Padre Bento XVI em 20 de fevereiro último. A situação dos sacerdotes, tanto diocesanos quanto religiosos, continua mostrando, uma evolução positiva, mas moderada e em torno de um por cento. As religiosas, que no mundo eram 801.185 no ano de 2000, diminuiram progressivamente, tanto que em 2008 contavam 739.067, com uma diminuição relativa no período de 7,8 por cento.

Educação é processo para toda a vida e não para um período, assim como aprimoramento profissional, que deA participação mais efetiva da mulher na vida da Igreja é um tema de debate que manda uma existência. exige isenção de ânimos para o alcance de parâmetros de julgamento honestos a E uma das facetas da educação é a do desenpartir de textos bíblicos. Na prática, a presença da mulher na caminhada pastoral volvimento moral, com é – e sempre foi – muito presente e marcante. Páginas centrais. a conquista da autonomia. O que é autonomia? É governar-se a si próprio, seguindo Selo homenageia Zilda Arns motivações interiores, valores incorporados, convicções Correios lançarão o selo na Catedral Basílica Menor Nossa pessoais – uma meta para a vida. Mas o indivíduo não nasce Senhora da Luz, em Curitiba, dia 24 de março próximo. Terá nessa condição, pelo contrário, nos albores da existência é tiragem de 600 mil exemplares e o valor facial de Cr$ 1,45. A extremamente heterônomo - governado a partir de fora: ilustração é de Thereza Regina Barja Fidalgo, com rosto da misa Contracap os pais ou quem faz a sua vez ditam as normas de comsionária dividindo o espaço com o desenho de famílias e com um coração branco, que representa a paz. Dentro dele, a frase “Para portamento e as atitudes adequadas para as diversas que todas as crianças tenham vida”. Embaixo do coração, uma situações. Página 5

Humanidade passa sede?

criança com os braços abertos em sinal de vitória.


A

2 EDITORIAL

N

A mulher na Igreja

uma longa carta dirigida aos bispos da Igreja Católica sobre a colaboração do homem e da mulher na Igreja e no mundo (31/05/04), assinada pelo então cardeal Joseph Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, se afirma que... “é oportuno lembrar que os valores femininos são, antes de mais nada, valores humanos: a condição humana, do homem e da mulher, criados à imagem de Deus, é una e indivisível. Portanto, a promoção da mulher no seio da sociedade deve ser compreendida e querida como uma humanização, realizada através daqueles valores que foram redescobertos graças às mulheres. Sem prejuízo dos esforços que são feitos na promoção dos direitos que as mulheres podem aspirar na sociedade e na família, estas observações querem, ao invés, corrigir a perspectiva que considera os homens inimigos a vencer. A relação homem-mulher não pode pretender encontrar a sua justa condição numa espécie de contraposição, desconfiada e defensiva. Tal relação tem de ser vivida na paz e na felicidade do amor partilhado. A um nível mais concreto, as políticas sócio-educativas, familiares, laborais, de acesso aos serviços, de participação cívica – se, por um lado, devem combater toda a discriminação sexual injusta, por outro, devem saber escutar as aspirações e assinalar as necessidades de cada um. A defesa e promoção da igual dignidade e dos comuns valores pessoais devem harmonizar-se com o atento reconhecimento da diferença e da reciprocidade, onde a realização da própria humanidade masculina e feminina o exija”. Se a defesa da dignidade da mulher e sua participação plena, e em igualdade de condições, na vida em sociedade é uma constante na Igreja, o grande debate que continua é sobre esta mesma participação na vida da Igreja. É um debate aberto e que exige isenção de ânimos para que se possam estabelecer parâmetros de julgamento honestos a partir de textos bíblicos que servem como principal paradigma neste debate. “Recuperar a Nesta edição (página 6), o Solidário traz para este forma de Jesus se debate o artigo de Maria Alfreda Ferreira Fonseca, encontrar com as articulista da página da internet da Conferência dos mulheres é o desafio Bispos de Portugal, que lembra que... “Qualquer refledo século XXI”. xão sobre o feminino na Igreja é sempre uma questão situada no tempo e no espaço. Sendo a mensagem cristã dirigida a toda a gente e a todas as épocas, no âmago da experiência humana, é aí que se confrontam as questões concretas da vivência da Boa-Nova e das condições objetivas para a sua transmissão em Igreja. Não se trata de importar um feminismo societário das sociedades desenvolvidas do ocidente, tipo versão agressiva feminista-católica, como simplisticamente alguns setores eclesiais e eclesiásticos julgam ter acontecido. Pelo contrário, o problema é bem mais sério e necessita ser refletido para além das paixões emocionais que se revelam nos debates a favor ou contra a maior participação feminina na Igreja e, particularmente, a disputa sobre a sexualidade e/ou a necessidade de as mulheres poderem vir a desempenhar ministérios ordenados, que hoje lhes são vedados”. E Maria Alfreda faz perguntas fundamentais que animam este debate: “De onde vemos, pois, para podermos olhar mais criticamente o passado e projetar o futuro de uma forma mais evangélica? Sabemos onde acabam os modelos históricos ligados à experiência de uma fé encarnada e onde sopra o apelo do Espírito que impele a novos caminhos ainda inexplorados? Qual será, amanhã, o lugar das mulheres na Igreja?” E logo, a colunista da Internet da Conferência dos Bispos de Portugal, conclui: “Jesus Cristo, particularmente no Evangelho de Lucas, é alguém que fala com as mulheres, assumindo-as como pessoas na sua integralidade, e esse contato é transformador. Recuperar esta forma de Jesus se encontrar com as mulheres é o desafio que o século XXI nos coloca a todos, homens e mulheres, dentro e fora da Igreja. A atividade solidária de mulheres é, até mesmo, um tema recorrente no Solidário. Nesta edição trazemos algumas iniciativas que, por seu significado, se fizeram paradigmáticas. Implementadas e/ou conduzidas por mulheres, estas iniciativas solidárias realizam verdadeiros e “milagrosos” testemunhos evangélicos, imensamente evangelizadores (página7). José Alberto Wenzel é destes homens públicos que nos permitem acreditar que um outro que-fazer político é possível e uma outra relação com a mãe natureza é possível e urgentemente necessária. Sua mais recente obra – Pampa Verde – fala desta outra relação possível e será lançada na tarde/noite do próximo dia 22 de março, Dia Mundial das Águas, com sessão de autógrafos do autor e do Pe. Roque Schneider sj, que prefacia a obra. Na Livraria Padre Reus, Duque de Caxias, 805. A obra é da editora Padre Reus. (attilio@livrariareus.com.br)

Fundação Pro Deo de Comunicação CNPJ: 74871807/0001-36

Conselho Deliberativo

Presidente: José Ernesto Flesch Chaves Vice-presidente: Agenor Casaril

Voluntários Diretoria Executiva

Diretor Executivo: Jorge La Rosa Vice-Diretor: Martha d’Azevedo Diretores Adjuntos: Carmelita Marroni Abruzzi, José Edson Knob e Ir. Erinida Gheller Secretário: Elói Luiz Claro Tesoureiro: Décio Abruzzi Assistente Eclesiástico: Pe.Attílio Hartmann sj

16 a 31 de março de 2010

RTIGOS

A vida na Igreja

O

Mutirão Latino-americano e através dos modernos meios de comuCaribenho da Comunicação, nicação. Os meios de comunicação que teve lugar de 3 a 7 de variam ao longo dos tempos. Há cenfevereiro na PUCRS, centralizou sua tenas de maneiras de comunicar, além atenção na cultura solidária. A comudas expressões corporais, da voz e dos nicação tem um método e um objetigestos. Os mestres destacam algumas Dom Dadeus Grings vo, além dos próprios comunicadores, maneiras mais didáticas. Basta citar o Arcebispo Metropolitano de Porto Alegre que sentem a necessidade de sair de que os Salesianos usam para cumprir si mesmos. Em outras palavras, há sua missão: casa, escola, catequese, quatro fatores fundamentais a serem considerados missa, trabalho, banda de música, teatro, excursões, na comunicação: quem comunica, o que comunica, jogos, oficinas, boas noites, narração de sonhos, prepara que e para quem o faz. O Mutirão da Comunigações, palavras ao ouvido, bilhetes com mensagens cação chama a atenção para a solidariedade como um personalizadas, livros, revistas, panfletos... Tudo isto ingrediente necessário para uma comunicação cristã. para educar e para comunicar uma cultura. O objetivo É sabido que todo ser inteligente tem algo a também está muito claro: vida, esperança, confiança, comunicar. A filosofia garante que o bem é difusivo. sentido das coisas. Segue o imperativo e por isso reivindica o direito Acontece que hoje os jovens criaram um ambiente de irradiar. Tendo algo a transmitir, não pode abafápróprio. Chamam-no digital. Neste seu habitat se sentem lo. Ninguém se sente realizado nem feliz se não mestres. Poderíamos entendê-los como Nova Evangelilhe for facultado expressar-se diante dos outros. zação, preconizada pela IV Conferência LatinoamericaTodos convivemos e, por isso, nos comunicamos. na de Santo Domingo: nova linguagem, novos métodos, Vida humana é comunicação e comunicação é novas maneiras de educar e de evangelizar. Os jovens expressão da vida. se consideram autores deste novo espaço e detêm os Como cristãos, temos também uma fé, que segredos desta nova linguagem e destes novos contenos foi infundida por Deus, a irradiar. Esta fé, por údos. É, pois, ali que a Igreja e a humanidade inteira natureza é contagiante. Não pode, pois, ser abafada deve estar para educar, para anunciar e testemunhar o nem recalcada. Constitui também uma exigência da Evangelho. Fora destes espaços, segundo o reitor-mor solidariedade e do mandato: “ide, anunciais pelo dos Salesianos, padre Pascual Chávez Villanueva, a mundo inteiro”. Seu conteúdo é Jesus Cristo, pessoa Igreja não é mais vista, nem ouvida, nem entendida divina que se fez homem e se tornou expressão da pelos jovens. Para educar, é preciso incidir evangelipaz e da solidariedade entre todos. Seu conteúdo é camente nesta cultura. também a Igreja, como Corpo de Cristo, que envolOs Salesianos tem como marca de sua educação a ve os homens e que deve crescer, abraçando todos presença “no pátio”, entre os jovens. Agora sentem a os homens e todas as culturas; e é salvação que dá necessidade, e a propõe a toda a Igreja, de refletir, atuo verdadeiro sentido à vida humana. Mostra que o alizar e pôr em prática a presença evangelizadora nos presente histórico tem um peso de eternidade. novos pátios da comunicação. Ali, as paredes não são O Cristão, discípulo missionário de Jesus Cristo, de tijolo nem de cimento, nem os fios condutores são na expressão da V Conferência de Aparecida, aprende metal ou fibra. São, pelo contrário, energia e ondas de e transmite a Boa Nova da Salvação ao mundo, lançadas pelos satélites, no espaço cibernético.

Voz do

PASTOR

Mulher: o melhor projeto de Deus Ângela Cavalcante Jornalista

Q

uando Deus fez a mulher, Ele já estava no sexto dia de trabalho depois do expediente. Um anjo apareceu e disse: – Por que o Senhor está dedicando tanto tempo fazendo isso? E o Senhor respondeu: – Você viu a planilha de especificações técnicas do projeto? Ela precisa ter um colo com a capacidade de acolher quatro pessoas de uma vez, ter um beijo mágico capaz de curar qualquer coisa, desde um joelho arranhado até um coração partido e ter "dois pares de mãos". O anjo ficou impressionado com as exigências. – Dois pares de mãos?!? Meu Deus! E isso é só o modelo básico? Mas são muitas coisas para um dia só de trabalho. Deixe para terminar amanhã, Senhor. – Mas Eu não posso, protestou o Senhor. Estou perto de terminar esta criação que está tão próximo do meu coração. O anjo se aproximou e tocou a mulher. – Mas ela parece tão frágil, Senhor... – Sim, ela é frágil, afirmou Deus, mas também é

Conselho Editorial

Presidente: Carlos Adamatti Membros: Paulo Vellinho, Luiz Osvaldo Leite, Renita Allgayer e Beatriz Adamatti

Diretor-Editor Attílio Hartmann - Reg. 8608 DRT/RS Editora Adjunta Martha d’Azevedo

resistente! Você não tem idéia do que ela será capaz de suportar para conquistar. Ela até vai curar a si mesma quando estiver doente! – E ela será capaz de pensar? perguntou o anjo. O Senhor respondeu: – Não só será capaz de pensar, como de argumentar e negociar. O anjo viu alguma coisa, e, estendendo a mão, tocou a face da mulher. – Oh, parece que tem um vazamento neste modelo. – Isso não é um vazamento, corrigiu o Senhor. Isso é uma lágrima! Esta será a maneira de expressar sua alegria, tristeza, amor, solidão e orgulho. O anjo estava impressionado. – Você é um gênio, Senhor! Pensou em tudo! Mulher é realmente impressionante! – É! Mulheres terão forças que impressionarão os homens. Serão capazes de sorrir quando quiserem gritar. Cantarão quando vier a vontade de chorar. Chorarão quando estiverem felizes e quando estiverem nervosas, darão encantadores sorrisos. Lutarão por aquilo que acreditam e se indignarão com a injustiça. Serão tão persistentes que não aceitarão “não” como resposta quando acreditarem que há uma solução melhor. Amarão incondicionalmente.

Redação Jorn. Luiz Carlos Vaz - Reg. 2255 DRT/RS Jorn. Adriano Eli - Reg. 3355 DRT/RS Revisão Nicolau Waquil, Ronald Forster e Pedro M. Schneider (voluntários) Administração Paulo Oliveira da Rosa (voluntário), Elisabete Lopes de Souza e Davi Eli Impressão Gazeta do Sul

Rua Duque de Caxias, 805 Centro – CEP 90010-282 Porto Alegre/RS Fone: (51) 3221.5041 – E-mail: solidario@portoweb.com.br Conceitos emitidos por nossos colaboradores são de sua inteira responsabilidade, não expressando necessariamente a opinião deste jornal.


F A família do século XXI 16 a 31 de março de 2010

AMÍLIA &

S

3

OCIEDADE

Simona Balint/sxc.hu

Raquel Moreira

Advogada e psicóloga

A

historiadora francesa Michelle Perrot aponta para o fato da família, herdada do século XIX, estar em estilhaço e vir sendo substituída por uma família que tenta conciliar a liberdade individual de seus membros com os “laços afetivos do velho lar”. A família do séc XX, e até mesmo aquela da idade média, sempre foi lembrada como referência de uma família ideal e equilibrada. Mas, será isso, de fato, verdade? Será que era essa a realidade?

Toda sociedade necessita adequar a forma e estrutura de suas famílias às suas necessidades atuais De um modo geral, a atual sociedade vê a família do século XXI como decadente. Todavia, tal condenação não é de agora. O mesmo já acontecia no século XIX, onde os detentores da moral e da ordem social acusavam a decadência da família por medo da emancipação daqueles que faziam parte da categoria dos oprimidos – entre “O lar deve abrigar, proteeles as mulheres, os jovens, e os operários. ger, acolher e A estrutura das famílias atuais apresenta- amparar seus se muito diferente daquela da idade média, membros ”. o que, todavia, não significa dizer que a família esteja se “estilhaçando” na atualidade. As mudanças ocorridas nas estruturas familiares devem-se a inúmeros fatores sociais e, entre eles, a própria industrialização. Com isso, o aumento do número de filhos de pais divorciados e de relações extraconjugais, ou mesmo de famílias onde o papel de pai e mãe são desempenhados por apenas um (na maioria das vezes as mães) é bastante comum. Isso tudo, sem falar no desaparecimento do antigo conceito de filho bastardo e, até mesmo na idéia de que filhos são a finalidade básica de um relacionamento.

Que tipo de família e cultura familiar a sociedade atual está em vias de romper? A estrutura da família, herdada do século XIX, é bastante diferente da família atual e disso não há fuga possível! Aquela era nuclear, heterossexual, monógama e patriarcal. O pai era o seu chefe, o gerente, a honra e o próprio nome da família. Os interesses desta sempre prevaleciam sobre os de seu integrantes de forma individual. As mulheres e os filhos eram considerados subordinados ao pai chefe da família. As mulheres tinham sua função limitada à fidelidade ao marido e a criação dos filhos e estes, por sua vez, subordinavamse aos interesses da família, submetendo suas escolhas profissionais e amorosas aos interesses e necessidades da família. A família era o “refúgio caloroso”, a casa protegida pelo muro espesso da vida privada, que ninguém podia violar – mas, também, “secreta, fechada, exclusiva, normativa, palco incessante de conflitos”. Todavia, com o passar dos anos, muitas coisas mudaram. A sociedade se transformou e, com isso, também, a estrutura e forma de existência da família foram modificadas. Por isso, as rupturas vividas pelas famílias atuais são consequências de um processo de “dissociação”, iniciado há muitos anos e, ainda, do individualismo dominante no século XIX e atual. Assim, a família começou a sofrer o choque

externo causado pela efervescência de seus próprios integrantes, deixando de transmitir valores aos seus, sejam eles econômicos, sociais, culturais ou até mesmo simbólicos. Se não bastasse tudo isso, fatores externos, inerentes à própria evolução social, tentam, ainda, a todo custo, modificar a família tradicional: O avanço da medicina, a tecnologia, a bioética, potencializam cada vez mais o distanciamento dos casais e, consequentemente, as modificações nas famílias tradicionais. Paga-se um preço muito alto pelo avanço científico e tecnológico! Através da evolução da medicina, por exemplo, um casal poderá ter um filho sem, sequer, se conhecer! E as consequências de tais “avanços” para os homens são vantajosas e desvantajosas ao mesmo tempo. E o saldo disso é difícil de se calcular! O aumento da solidão, que acompanha as separações e as produções independentes de filhos, por exemplo, é uma das desvantagens desses “avanços”. E, no que diz respeito às vantagens, fica a livre manifestação dos desejos de cada indivíduo, na medida em que se questiona quem gostaria de voltar ao velho modelo de família cujas escolhas eram impostas em prol do interesse da família e não do interesse de cada integrante seu. Fica esta questão para reflexão!

Mesmo com todas essas transformações, não se pode dizer que a família atual é uma instituição que beira a falência! Certamente que não! Essa não é e não pode ser uma instituição desacreditada. Não é a família em si que vem sendo rejeitada, mas sim, aquele modelo assumido no séc XIX, excessivamente rígido e impositivo, onde os desejos individuais eram deixados de

lado para fazer valer o desejo da família. Em tempos como os de hoje, a casa é, e deve ser, cada vez mais, o “asilo inviolável”, o templo e o centro de existência de cada ser humano. O lar deve oferecer conforto, abrigar, proteger, acolher

e amparar seus membros. Busca-se conciliar as vantagens da solidariedade familiar e das liberdades individuais. E é nesse caminho que surgem os novos e atuais modelos de famílias, onde os membros dessa instituição são mais igualitários nas questões que

dizem respeito às relações de sexo e idade e mais flexíveis e menos normativistas do que antes. O que deve ser conservado nesse novo modelo de família são a solidariedade, o respeito, os laços de afeto e, principalmente, o amor!


4 Ano Sacerdotal

O

Nomes bíblicos de

Claudino Rhoden e Nina Engel

transparência significativa

Da Pastoral Segunda União

O

Ano Sacerdotal, instituído pelo Papa Bento XVI para comemorar o 150o aniversário da morte do Santo Cura d'Ars, vai até 19/06/2010. Esses períodos têm sempre uma finalidade determinada. Assim o Ano Paulino, findo há pouco tempo, enriquecido com Indulgências Plenárias, tinha como objetivo estudar os escritos de São Paulo, aprofundarse no espírito de fé, esperança e caridade pregado e exercitado pelo grande Apóstolo das Gentes. Quem se imbuísse desse espírito, certamente professaria a fé com intrepidez e conhecimento do verdadeiro amor de Cristo e a Cristo. O Ano Sacerdotal não é apenas para lembrar uma data ligada a um grande santo, cujo carisma era o aconselhamento no confessionário, mas para o povo católico pensar um pouco sobre seus sacerdotes. Nós estamos tão acostumados a falar nos e dos padres, a conviver com eles, que mal nos damos conta de sua importância na vida da Igreja, vale dizer, em nossa própria vida. Quando ouvimos alguém exaltar a excelência do Sacerdócio, geralmente é um padre que fala e por isso não nos impressiona muito; parece até autopromoção. Em verdade, foi Jesus mesmo que escolheu vir e permanecer entre nós com seu corpo, “Habitualmente, rezamos pelas sangue, alma e divindade através das mãos pessoas mais próe das palavras do sacerdote. Como estamos ximas; o sacerdote acostumados a isso, não atentamos para as também faz parte renúncias que o padre precisa fazer para da nossa história”. colocar-se e manter-se a serviço do povo de Deus, que somos nós: somente amparados na fé, no espírito evangélico e principalmente na graça de Deus é que isso se realiza. Certamente, foi o Espírito Santo que inspirou o Papa a decretar este período, dando-nos oportunidade de olharmos para nossos padres. Habitualmente, rezamos pelas pessoas que nos são mais próximas: pais, filhos, amigos... O sacerdote também faz parte de nossa história. Foi ele que nos batizou, nos deu a primeira comunhão, crismou, oficializou nosso casamento, intermedia para nós o perdão de Deus, e fará tudo isso também para nossos filhos. Nas missas, há uma intenção pelo Papa, bispos, clero como um todo, mas nós, católicos, não podemos nos contentar em acompanhar – às vezes distraidamente – essas orações oficiais. Se São Paulo pedia aos Coríntios (II 1,11) orações para que Deus o livrasse dos perigos, é mais do que justo e necessário que também nós oremos ao Senhor por nossos sacerdotes. É demonstração de fé a amor à Igreja fazer NOSSA ORAÇÃO PESSOAL pelo Papa, pelo bispo de nossa Diocese, pelo nosso pároco, pelos padres recém ordenados, pelo padre Fulano de Tal, pelos diáconos e seminaristas, para que Deus ajude a cada um segundo suas necessidades. Se "a messe é grande e poucos os operários", é nosso dever de caridade fomentar em nós o hábito salutar de pedir ao Senhor que mantenha os nossos padres entusiasmados e felizes em sua missão, para que eles, padres, e nós, leigos, sejamos "um só corpo e um só espirito", "santos e irrepreensíveis", como "membros da família de Deus" (Ef 4,4 1,4 2,19).

16 a 31 de março de 2010

PINIÃO

Antônio Allgayer Advogado

“N

omen est omen” , diziam os antigos. Segundo o dicionário Koehler, “omen” se traduz por prognóstico, agouro, desejo. Hoje de regra se desconsidera o significado dos nomes levados a registro. Na escolha atenta-se mais para o prestígio de portadores ilustres ou ao capricho dos responsáveis pela pessoa nomeada. São incontáveis os nomes tolos que expõem a vexame os nominados. Haja vista uma criança por nome Néscio, uma senhora denominada Clarimunda, um homem denominado Santo Demo..! Felizmente, há lei que permite pôr cobro, mediante autorização judicial, à ignorância paterna e às patetices notariais. Os nomes bíblicos em geral revelam alguma característica da personalidade identificada. Na versão do Gênesis, o nome de Adão é associado ao barro e configura um ser telúrico, homem da Terra. Eva é Mãe dos Viventes. Na genealogia do Povo Eleito, comparece Abrão, emigrante de Ur da Caldéia, com o seu nome mudado para Abraão, a significar Pai de Multidão. E Sarai passa a ser Sara, que é Princesa. Isaac, o filho da promessa, significa Riso, lembrando discreta risada de Sara ao ouvir que seria mãe na extrema velhice. Jacó é Suplantador (do seu irmão Esaú). Tem o seu nome mudado por um Anjo para Israel, com o sentido de Forte Contra Deus. Rebeca, a esposa de Isaac, é Bela e Atraente. Lia, a dos olhos sem charme, será lembrada como Tristeza no Olhar. Raquel é Ovelha, lembrando mansidão. Dina, filha única de Jacó, raptada por um siquemita apaixonado, ficou sendo Resgatada, alusão feita a sua libertação pelos irmãos. No elenco de nomes que a Bíblia perenizou se sobressai Moisés, cujo nome é egípcio e se traduz por Salvo das Águas. Tal designação é alusiva a sua descoberta, pela filha do Faraó, numa arca de juncos betuminada no rio Nilo, a qual o adotou como filho. Davi, profeta e

rei, misto de grandeza humana e fragilidade emocional, é considerado um dos mais preeminentes vultos da História Sagrada. Atende por um nome estranhamente intimista: É Querido, Amado, Amigo. O nome de Débora, juíza, profetisa e guerreira, se traduz por Abelha. Antenor Nascentes associa o adjetivo “laboriosa” ao pequeno inseto que produz o mel e a cera. Eis por que não vejo exagero semântico em atribuir o nome de Abelha a essa brava mulher. É oportuno se faça referência a nomes que dão visibilidade à Nova Aliança. O nome de Jesus é um dos mais comuns em Israel, significando Aquele Que Salva. Em oráculo de Isaías aparece o nome de Emanuel, aplicado a Jesus, com o sentido de Deus conosco (Is 7, l4). E o que dizer de Maria, a excelsa Mãe do Salvador? Ela própria, divinamente inspirada, vaticinou que todas as gerações a chamariam Bem-Aventurada. No entanto, o significado bíblico do seu nome resiste a todas as disquisições da Etimologia e da Semântica. Não há unanimidade entre os estudiosos em defini-lo. A partir do Concílio de Efeso, Maria é invocada como Theotokos, Mãe de Deus. Antenor Nascentes, em seu monumental Dicionário Etimológico, aponta diferentes versões de significado do nome de Maria. Vieira, dentre muitas interpretações, dá preferência à de Estrela do Mar, que ilumina a todos os homens. Ladrain a designa como Elevada, Princesa. Na Vulgata consta a expressão de Exaltada e Mar de Amargura. Algumas personagens bíblicas não tiveram seus nomes revelados. É o caso da Samaritana de Sicar, por Jesus convertida em arauta do Evangelho na Samaria; do Centurião Romano, cuja fé Jesus enalteceu; da Pecadora Penitente; do Bom Ladrão, único santo canonizado em vida.. Para finalizar, recorde-se que Jesus mudou o nome de Simão, filho de Jonas, para o de Cefas ou Pedro, tradução de Rocha (pedra). E apelidou os apóstolos Tiago e João de Boanerges, Filhos do Trovão, numa bem-humorada referência à impetuosidade dessa dupla de irmãos.

Meditação

Laurence Freeman, OSB

“P

or isso vos digo: não vos preocupeis com a vossa vida quanto ao que haveis de comer, nem com o vosso corpo quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais que o alimento e o corpo mais do que a roupa?" Mt 6:25. Quando ele diz para não nos preocuparmos, Jesus não está negando a realidade dos problemas do dia-a-dia. Está nos dizendo para abandonarmos a ansiedade, e não a realidade. Aprender a não se preocupar é uma tarefa difícil....a despeito de sua síndrome de atenção deficiente, até mesmo a mente moderna também tem sua capacidade natural de se imobilizar e de transcender suas fixações. Nas profundezas, ela descobre sua própria clareza onde está em paz, livre da ansiedade. A maioria de nós tem cerca de meia dúzia de ansiedades favoritas, tais como doces amargos que mastigamos sem parar. Ficaríamos assustados se nos privassem delas. Jesus nos desafia a superar o medo de abrir mão da ansiedade, o medo que temos da própria paz. A prática da meditação é uma forma de aplicar seu ensinamento à prece; através da experiência, ela prova que a mente humana pode realmente optar por não se preocupar. Isto não significa que podemos facilmente

apagar a mente e afastar todos os pensamentos à nossa vontade. Na meditação, permanecemos distraídos e, contudo, livres da distração, porque - por minimamente que seja a princípio - estamos livres para optar por onde colocar nossa atenção. Gradualmente, a disciplina da prática diária fortalece essa liberdade. Seria pueril imaginar que conseguiremos realizar isso plenamente em curto prazo. Permanecemos distraídos por muito tempo. Logo nos acostumamos com as distrações, como companheiras de viagem no caminho da meditação. Mas elas não precisam ser dominantes. Optar por repetir o mantra com fé, e voltar a ele, sempre que as distrações intervêm, é o exercício da nossa liberdade de prestar atenção. Não se trata de algo como uma opção por uma determinada marca da prateleira do supermercado. É a opção pelo compromisso. O caminho do mantra é um ato de fé, e não uma jogada do poder do ego. Em cada ato de fé existe uma declaração de amor. A fé prepara o terreno para que a semente do mantra germine no amor. Não criamos um milagre da vida e do crescimento sozinhos, mas, somos responsáveis por seu desabrochar. Chegar à paz da mente e do coração – ao silêncio, à tranqüilidade e à simplicidade – não exige a vontade de um campeão, mas a atenção incondicional, a fidelidade auto-sustentável de um discípulo.


16 a 31 de março de 2010

x

E

P

DUCAÇÃO &

Autonomia

5

SICOLOGIA Lucas Barroso/PMPA

heteronomia

A presença de uma autoridade (azulzinho ou brigadiano) controlando o fluxo de veículos, muda o cenário e todos obedecem.

Jorge La Rosa Professor universitário, doutor em Psicologia

E

ducação é processo para toda a vida e não para um período, assim como aprimoramento profissional, que demanda uma existência. E uma das facetas da educação é a do desenvolvimento moral, com a conquista da autonomia. O que é autonomia? É governar-se a si próprio, seguindo motivações interiores, valores incorporados, convicções pessoais – uma meta para a vida. Mas o indivíduo não nasce nessa condição, pelo contrário, nos albores da existência é extremamente heterônomo - governado a partir de fora: os pais ou quem faz a sua vez ditam as normas de comportamento e as atitudes adequadas para as diversas situações. Há caminhada, ao longo da vida, da heteronomia para a autonomia; o processo se inicia na infância e se prolonga pela adolescência: espera-se que o adulto tenha chegado a um patamar razoável de independência ao agir, o que caracteriza o adulto. Mas quando adulto, pode ainda evoluir no caminho de sua personalização.

Exemplos Não raro observamos no trânsito motorista passando com sinal vermelho, o que envolve alto risco de acidente e desprezo pela cidadania: o trânsito, no Brasil, mata milhares anualmente. A presença, contudo, de uma autoridade (azulzinho ou brigadiano) controlando o fluxo de veículos, muda o cenário e todos obedecem. Aquelas pessoas que respeitam as leis de trânsito porque reconhecem sua necessidade e conveniência para o bem de todos – em qualquer situação, com ou sem presença da autoridade, são pessoas autônomas no que respeita às regras estabelecidas. Aquelas que eventualmente as burlam, cruzando com o sinal vermelho ou por excesso de velocidade, porque não há autoridade fiscalizadora, são heterônomas nesse particular; e perigos para a coletividade. Elas seguem as leis de trânsito por motivos exteriores, para não

incorrer em multa ou prisão - para evitar punição - e por causa do fiscalizador da lei: motivação bizarra, em adulto (adulto?!). A heteronomia tem a ver com indivíduo que não internalizou o princípio de reciprocidade: “Não faças aos outros o que não queres que os outros te façam”, o princípio régio de toda a moralidade; trata-se também de pessoa com notório atraso em desenvolvimento moral, segue a regra porque há o agente da lei, e não por convicção pessoal.

Acontece na Suíça Lembro-me de viagem que fiz pela Europa que incluiu passagem por Zurich, na Suíça: na

calçada, jornais empilhados para serem vendidos e, ao lado, em pequena bolsa, dinheiro onde os compradores pagavam e faziam o troco, sem fiscalizador. Observamos aí alto índice de desenvolvimento moral e autonomia, em que as pessoas agiam por convicções pessoais, movidas pela honestidade, sem necessidade de controlador. Esse é um patamar a ser conquistado! Pais e educadores, todos, são chamados a serem exemplos vivos de autonomia para aqueles que neles se espelham e nos quais depositam suas esperanças. Se falharmos, eles também poderão falhar, mas se cumprirmos a nossa parte, eles não terão desculpas. Façamos a lição de casa.(jlarosa@ terra.com.br)


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EMA EM FOCO

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A mulher na Igreja no século 21: apenas coadjuvante? Ele escolheu uma mulher para se tornar carne. Sua primeira visita – ainda no ventre de sua mãe – foi a uma outra mulher. Todos os seus passos, desde a Manjedoura até a Cruz, foram dados ao lado delas. Rompeu paradigmas culturais da hegemonia patriarcal vigente. Conversa com todas de igual para igual, independente de sua condição social ou étnica, demonstrando – alto e bom som – que todos são iguais perante o Criador. E foi a uma mulher que reservou a novidade de sua ressurreição ao terceiro dia. E, culminando Sua passagem pela terra, fez questão que elas também estivessem presentes no Cenáculo ao fundar sua Igreja no Pentecostes. Pelo que, não resta a menor dúvida: Jesus sempre deixou claro que a mulher deveria ter seu espaço no seu projeto. Na página a seguir, um olhar feminino sobre a mulher na igreja, de autoria da professora católica Maria Alfreda Ferreira Fonseca, articulista da página da internet da Conferência dos Bispos de Portugal. O texto está reduzido e pode ser conferido na íntegra em www.paroquias.org/noticias.php?n=5247 e em www.ecclesia.pt/. E na seguinte página, o testemunho vivo da ação solidária e presença vigorosa de três mulheres nas ações da Igreja no Rio Grande do Sul. Alfonso Romero/sxc.hu

A mulher na Igreja

Q

ualquer reflexão sobre o feminino na Igreja é sempre uma questão situada no tempo e no espaço. Sendo a mensagem cristã dirigida a toda a gente e a todas as épocas, no âmago da experiência humana, é aí que se confrontam as questões concretas da vivência da Boa-Nova e das condições objetivas para a sua transmissão em Igreja, ou seja o velho problema da Evangelização (nova ou não, conforme os gostos...) No início deste século XXI, num tempo de acelerada globalização, a situação não é pois homogênea nem no Mundo, nem na Igreja. As questões do “Gênero” (feminino ou masculino) são, então (apenas?), umas entre outras que desafiam a compreensão da Fé e a organização da Igreja em ordem a ser eficaz na sua tarefa evangelizadora. Não podem, por isso, ser ignoradas ou tomadas menos a sério do que quaisquer outras, sob pena de omissão grave.

Não se trata de importar um feminismo societário das sociedades desenvolvidas do ocidente, tipo versão agressiva feminista–católica, como simplisticamente alguns setores eclesiais e eclesiásticos parecem julgar ter acontecido. Pelo contrário, o problema é bem mais sério e necessita de ser refletido para além das paixões emocionais que se revelam nos debates a favor ou contra a maior participação feminina na Igreja e, particularmente, a disputa sobre a sexualidade e/ou a necessidade de as mulheres poderem vir a desempenhar ministérios ordenados que hoje lhes são vedados. A questão do papel da mulher na Igreja, aqui e agora, é a mais viva expressão da inculturação da Fé na experiência de vida dos crentes, homens e mulheres que partilham “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo. (...) (experiência) intimamente solidária do gênero humano e da sua história” (G. S. – Vat. II). Importa, pois, tomar a sério esta experiência humana que hoje estamos a viver. Como no poema de Sophia, “Vemos, Ouvimos e Lemos, não podemos ignorar...”, a realidade que perpassa a nossa vida de portugueses, europeus, mulheres e homens inseridos num país, numa cidade, numa Igreja que assumiu historicamente uma postura face à mulher pouco conforme com a referência a Jesus Cristo e muito devedora dos enquadramentos históricos e modelos ideológicos em que nasceu, se estruturou e que muitas vezes insiste em perpetuar como se fossem essas as únicas formas possíveis de se organizar! De onde vimos pois, para podermos olhar criticamente o passado e projetarmos o futuro de uma forma mais evangélica? Sabemos onde acabam os modelos históricos ligados à experiência de uma Fé incarnada e onde sopra o apelo do Espírito que impele a novos caminhos ainda inexplorados? Qual será amanhã o lugar das mulheres na Igreja?

.... O estatuto da mulher na sociedade judaica no tempo de Jesus (como em outras sociedades tradicionais que hoje perduram) era determinado pela família como lugar claramente definido em termos sociais e sexuais. A família é sempre o centro – a mulher é identificada com a videira fecunda... ou como a estéril, um estigma social desvalorizante. O papel da mulher é assegurar a reprodução, educar os filhos e manter a casa através dos trabalhos domésticos. Não se pede mais nada às mulheres do que se submetam ao poder de uma sociedade fortemente patriarcal. Os exemplos abundam no Antigo Testamento! Mas este estatuto feminino sofre ainda de uma ambiguidade metafórica inicial desde o Gênesis: Eva é a primeira mulher, auxiliar igual de Adão, mas também é apresentada como a tentadora pela qual o mal veio ao mundo, segundo o relato do mito bíblico da origem. Aí está um primeiro modelo de desvalorização feminina produzido pelo discurso masculino da culpa e do mal. A evolução histórica de inculturação do cristianismo nas culturas locais, do Império Romano à Idade Média, até ao século XX, foi acentuando a submissão ao modelo patriarcal presente na maioria das sociedades o que contradiz em absoluto a mensagem cristã, mas é produto do estatuto de menoridade feminina vigente nas sociedades com as quais o cristianismo, doutrina libertadora, muitas vezes pactuou acriticamente. Ora, Jesus Cristo tinha uma compreensão distinta da mulher. Os Evangelhos, particularmente em Lucas, mostramnos Alguém que fala com elas assumindo-as como pessoas na sua integralidade e esse contato é transformador, leva à conversão. Recuperar esta forma de Jesus se encontrar com as mulheres é o desafio que o século XXI, no Ocidente, nos coloca, a todos, homens e mulheres, dentro e fora da Igreja. ........Se as mulheres parassem por um dia o seu labor diário na sociedade e na Igreja, o país e o mundo paralisavam..... (segue).

Testemunhas paradigmáticas E

las iniciaram ou continuam obras que marcam a ação da Igreja no Rio Grande do Sul pelos mais excluídos. Pelo seu testemunho, quer-se lembrar as outras inúmeras obras que, no silêncio e anonimato, são competentemente conduzidas pelas mãos firmas de mulheres, sejam elas leigas ou religiosas. ideia original é inspiração do então bispo diocesano Dom Ivo Lorscheiter, também conhecido como o Bispo da Esperança ou o Profeta da Esperança. Mas a iniciativa continua viva e cada vez mais vigorosa graças à coordenação da Irmã Lourdes Dill. (www.esperancacooesperanca. org.br/)

Casa de Nazaré: uma semente de solidariedade que transforma a comunidade

Conceição de Andrade Pierina Lorenzoni

Pequena Casa da Criança Lourdes Dill

Projeto Esperança - a economia solidária que deu certo Desde 1982, a Diocese de Santa Maria, através do Setor da Pastoral Social, do Banco da Esperança, vem se preocupando em criar formas alternativas de organização e de sobrevivência, para melhorar a qualidade de vida das pessoas mais empobrecidas da Diocese. O resultado é o que os santa-marienses começaram a ver se inserir na sua paisagem urbana: o Feirão Colonial Ecológico, armado semanalmente no Terminal de Comercialização Direta, situado na rua Heitor Campos, fundos do Santuário da Medianeira. O Feirão funciona todos os sábados com venda de produtos ecologicamente limpos e sem intermediários e bem disputados por toda a comunidade local, e que também podem ser comprados nos demais dias da semana através da comercialização direta em horário comercial. A

Quinze de agosto de 1951 marca o começo da redenção social para as centenas ou até milhares de pobres que moram ou já moraram na Vila Maria da Conceição e em suas adjacências, zona sul de Porto Alegre. Há 50 anos, nesse dia, uma jovem religiosa, de apenas 20 e poucos anos lançava, naquele inóspito chão porto-alegrense, a semente que se transformaria em modelo de obra de assistência e valorização do excluído social. E, ainda hoje, nos corredores e em todos os espaços da Pequena Casa da Criança, é possível auscultar o eco da voz firme e decidida, e ao mesmo tempo alegre e otimista, de Irmã Nely Capuzzo. Falecida na madrugada de 14 de janeiro de 2002, a lembrança de seu exemplo de coragem e de decidida vontade de vencer todos os obstáculos mantém o permanente ânimo de todos os que continuam sua missão. E quem lidera a continuidade dessa missão é Irmã Pierina Lorenzoni, religiosa Missionária de Jesus Crucificado, como a própria Irmã Nelly. (www.pequenacasa.org.br/).

Desde 1987, um novo ar – de solidariedade, otimismo e auto-estima – paira e permeia o conglomerado de habitações bem humildes perfiladas ao longo da Rua Cel. Timóteo e da margem esquerda do Arroio Cavalhada no Bairro Cristal/Camaquã, na Zona Sul de Porto Alegre. Em 2 de maio daquele ano, se materializava a primeira pequena obra em busca do resgate da dignidade e respeito aos moradores esquecidos daquele núcleo, conhecido como Vila Nossa Senhora das Graças. Nascia a primeira Creche da Vila: “Começamos com 16 crianças”, revela Irmã Conceição, 73 anos – Conceição Inaia de Andrade, da Congregação das Irmãs Bernardinas de S. Francisco. A semente da obra foi lançada e adubada pela própria Irmã Conceição desde 1985. Hoje, é referência social no bairro e atende centenas de crianças com idades entre 4 a 11 meses nas duas creches de mais de uma centena de jovens entre 7 e 13 anos em turnos alternados com o ensino básico em escolas públicas, além de trabalho educativo e formação de mão-de-obra para geração de renda. (www.casadenazare.com.br/)


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8 1. COMA MENOS. Nos Estados Unie não envelhecer... d o s , u m e s t u d o comparou cinquentões que viviam de dieta com outros que consumiam, em média, 2 000 calorias por dia. A conclusão foi que o primeiro grupo teve uma expectativa de vida cerca de 30% maior, além de aparentar ser mais jovem do que os congêneres da mesma idade.

Dicas para

BEM VIVER

2. MORE PERTO DE UM PARQUE. Um estudo realizado por pesquisadores japoneses concluiu que a expectativa de vida dos idosos que moram próximo a áreas verdes é maior do que a daqueles que vivem cercados de arranha-céus. 3. VÁ DE VERDES. Vegetais verde-escuros, como espinafre, rúcula e brócolis são ricos em ácido fólico, uma substância que ajuda a manter a integridade do DNA. 4. MANTENHA A MENTE ATIVA. Pesquisas mostram que a doença de Alzheimer tem maior incidência entre as pessoas com baixo nível de instrução. Estudo publicado no New England Journal of Medicine relaciona a leitura, os jogos de cartas e de tabuleiro e as

palavras cruzadas com a redução do risco de demência em pessoas com mais de 75 anos. 5. TOME VITAMINAS. Cápsulas de vitamina C são as mais indicadas. Seu consumo ajuda a prevenir a degeneração macular, que afeta 3 milhões de brasileiros e é a maior causa de cegueira em pessoas com mais de 50 anos. Consulte seu médico sobre a dosagem. 6. CURTA O CHOCOLATE. Em pequenas quantidades, ele pode ser benéfico à saúde. Segundo estudo do King’s College, de Londres, a quantidade de flavonóides encontrada em 50 gramas de chocolate é equivalente à de seis maçãs, duas taças de vinho ou sete cebolas. Os flavonóides têm sido apontados como importantes armas no combate aos radicais livres. 7. DÊ PREFERÊNCIA AOS PESCADOS. Peixes de água profunda, como salmão e anchova, são ricos em ômega 3. Esse poderoso antioxidante, segundo o jornal da Associação Médica Americana, pode reduzir em até 81% o risco de morte súbita no homem. 8. FAÇA SEXO. A atividade sexual traz sensações de prazer e bem-estar, combate o stress, aumenta a auto-estima e ainda queima calorias. Estudos mostram que as pessoas sexualmente ativas são mais saudáveis. Segundo a OMS, o sexo é um dos quatro pilares da qualidade de vida, ao lado do prazer no trabalho, da harmonia familiar e do lazer. 9. SEJA OTIMISTA. Após dez anos estudando como a personalidade de uma pessoa pode influir no aumento ou na diminuição da expectativa de vida, pesquisadores holandeses concluíram que ter uma atitude positiva pode diminuir em até 55% o risco de morte prematura. 10. NÃO PULE O CAFÉDA-MANHÃ. Pesquisa do Instituto de Gerontologia da Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos, averiguou que os centenários não costumam dispensar a primeira refeição do dia.

JOSY M. WERLANG ZANETTE CRP-07/15.236 Avaliação psicológica

Técnicas variadas Atendemos convênios

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ABER VIVER

Dicas de

NUTRIÇÃO Dr. Varo Duarte

Médico nutrólogo e endocrinologista

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Relembrando (4)

tilizando a poesia do médico, professor e poeta, vamos divulgar em nova série, os magníficas versos escritos pelo Professor Eugenio Carvalho Junior. Pretendemos atingir, dizia o mestre, os grupos mais vulneráveis: as gestantes, nutrizes e crianças. Falaremos sobre as proteínas. Vou falar das proteínas, Que todo dia nos chegam Proteínas vem de “proteos” Pois é o elemento básico

Valiosos elementos Através dos alimentos. Que significa primeiro, Que domina o corpo inteiro.

Já falamos anteriormente que todos os alimentos são constituídos de água, proteínas, carboidratos, gorduras, fibras, vitaminas e sais minerais. Já escrevemos sobre eles e os chamamos de nutrientes. Vamos abordar a composição de nosso corpo: 70% de água, 10% de proteínas. Vejam quão importante é esta composição, e a comparamos ao cimento de um edifício, à madeira de uma casa. E aqui relembramos: Dois terços do nosso corpo Sendo o terço, então restante, Pois deste terço sem água, Nove décimos do mesmo Com elas nós construímos, Este edifício soberbo

São de água constituídos, Pelos demais dividido. O extrato seco total, São proteína animal. Obedecendo a um plano, Que se chama – corpo humano.

Chega o momento de relembrar que os alimentos são constituídos de três substâncias fornecedoras de energia: Proteínas, Carboidratos e Gorduras. Já explicamos o erro que constituem as dietas com excesso de proteínas, com eliminação das gorduras e dos carboidratos, tendo a finalidade de emagrecer. Vamos salientar a importância das proteínas . Nós devemos recebê-las De fontes, as mais diversas, O gado, o porco, a galinha, Fornecem as proteínas Também no leite e no queijo, Se encontram as proteínas

Nas refeições diariamente, Em taxas suficientes. Ovos, peixe, camarão, Da nossa alimentação. Alimentos principais, De que precisamos mais.

Visa e Mastercard

Ofereça o Solidário para os enfermos da Santa Casa. Patrocine 500 exemplares por R$ 250,00.


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SPAÇO LIVRE

JOVEMez tem v

Martha Alves D´Azevedo Comissão Comunicação Sem Fronteiras

“A alienação se dá devido à vergonha que temos dos políticos”.

entre o céu e o purgatório

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isele Delazeri, 27 anos, Relações Públicas/Coordenadora de Eventos, fala de si, de seu futuro e emite opiniões sobre o Brasil, política e religião.

*Quem és tu?

Sou uma jovem do interior que busca na cidade grande seu lugar ao sol.

*Quais as metas de tua vida?

Pretendo fazer um intercâmbio em breve para aprender inglês e conviver com uma nova cultura. Depois disso, voltar ao Brasil e conseguir um bom emprego.

*De que defeito gostarias de te livrar? Impaciência.

*O que consideras positivo em tua vida? Meu crescimento profissional.

*O que é que te torna feliz?

Estar com minha família e sair com meus amigos.

*Qual a tua avaliação da educação que os pais proporcionam aos filhos.

Meus pais foram maravilhosos comigo e com meus irmãos. Mas penso que um grande problema na educação é quando os pais não conseguem ver o erro do filho e acabam por consentir com tudo que ele faz. Educar também é corrigir.

*O que pensas da política e da alienação de muitos?

Creio que a alienação se dá devido à insatisfação e à vergonha que temos de nossos políticos. Mas o que deveria acontecer é o contrário: por estarmos insatisfeitos e termos vergonha da atual situação é que deveríamos nos engajar e tentar mudar este quadro.

*Qual o maior problema no Brasil de hoje?

Creio que tudo está ligado à educação. Desde a base até à universidade. Resolvendo a questão da educação, resolvem-se vários problemas ligados à falta dela.

*O que pensas do trabalho voluntário?

Já trabalhei como voluntária em uma ONG chamada AIESEC que trabalha com intercâmbio e liderança de jovens. Acho que por não receber nada material em troca, o que resta é a satisfação em estar fazendo a minha parte para melhorar o mundo. Se todos fizerem um pouco, o pouco se tornaria muito.

*Se tens uma religião, algum comentário.

Sou católica. Penso que alguns “conceitos” da Igreja Católica não são contemporâneos, não acompanharam a evolução das pessoas.

O que afasta os jovens da prática dos rituais religiosos (missa, confissão, comunhão)?

No meu caso o que me afastou um pouco das práticas religiosas é a correria do dia-a-dia. Quando morava no interior vivia a religião mais frequentemente. Agora, morando na cidade, tudo fica mais complicado. E como os amigos não são frequentadores da igreja, tu acabas também não sendo assíduo.

*O que pensas de Deus?

Acredito que o poder de Deus não está apenas em grandes conquistas, mas nas pequenas coisas do dia-a-dia. Penso que devemos acreditar em algo superior a nós.

*Uma mensagem aos jovens.

"A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar" - Eduardo Galeano. (eventosepico@terra.com.br)

ia 1o de março corrente assumiu a presidência do Uruguai o ex-guerrilheiro esquerdista José Mujica, que chegou ao governo do seu país pelo voto popular. Aos 74 anos, Mujica, que na década de 60, como guerrilheiro do Movimento de Libertação Nacional – Tupamaros, pronunciava violentos discursos contra o regime vigente, agora adota um tom conciliador em seus pronunciamentos. Hoje, Mujica abandonou o antigo fusca azul, com o qual seguia para sua chácara de Quincho Varela, a 20 minutos de Montevidéu, onde planta acelga, beterraba e flores. É dono da fiel cadelinha Manuela,com suas três patas. Conversa sobre política, sorvendo taças de vinho Tannat, que produz, saboreando o churrasco, que assa, e doses de uísque, que serve a seus amigos e correligionários. A posse do presidente do Uruguai fugiu das tradicionais cerimônias políticas. Mujica, que avisou que continuará a morar em seu sitio, com a mulher, a ex-guerrilheira e senadora Lucia Topolansky, pediu que parte da celebração fosse feita em praça pública, fato até então inédito. Usou como traje apenas camisa e paletó, sem gravata. A primeira-dama também quebrou o protocolo usando calças compridas. O ex-tupamaro José “Pepe” Mujica, preso por 14 anos ao fazer oposição ao regime militar do Uruguai (1973-1985), defendeu na campanha política um caminho de centro-esquerda. Um analista político diz que a estratégia do uruguaio é a seguinte: ganha-se pela esquerda e depois se governa “O ex-tupamaro mais ao centro, como ocorreu com o socialista defendeu em Tabaré Vasquez, que encerrou seu mandato no campanha o governo do país com alta popularidade. caminho de cenRecentemente, perante 1,5 mil empresários tro-esquerda”. – entre eles, muitos argentinos – Mujica os convidou a investir no Uruguai, assegurandolhes que “ não serão surpreendidos por aumento de impostos ou confiscos”. “Não deveríamos discriminar o empresário. Não se pode discriminá-lo pelo fato de ser empresário, porque necessitamos gerar trabalho para evitar a pobreza”. Em relação aos desafios que deverá enfrentar, ressaltou que “hoje é o céu, amanhã começa o purgatório”. Esperamos que o purgatório, se vier, seja suave e breve.


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I

C

GREJA &

COMUNIDADE

“Mostrar aos homens o verdadeiro rosto de Deus”

eis a mais importante tarefa pastoral da Igreja

“B

uscar o rosto de Deus” é carregados de fardos e eu vos nossa mais importante darei descanso” (Mt 11, 28). tarefa, e também a sua, Se Deus é a justiça, não é queridos(as) catequistas, pais e porque procura erros nos humamães. nos para castigar, mas porque é “O rosto de Deus, frequenteele que nos justifica em Cristo Deonira L. Viganó La Rosa mente, chegou a nós, maltratado e fee é a razão e o fundamento do rido”, disseram os Bispos da Conferência Episcopal nosso comportamento interpessoal. Deus é o bem, Espanhola. Deus foi entendido como um deus severo é a beleza. Mas, a definição mais explícita que e exterior a nós, um legislador, “dono” da realidade, temos de Deus no N. Testamento é a que afirma “juiz” das ações humanas, castigador e impositor que “Deus é amor” (I Jo 4, 8.16). O ser e o agir de de um jugo duro e de um fardo pesado. Um Deus Deus consistem em amar. Por isso, a moral cristã árido que nos passou dogmas e leis. Estas imagens é necessariamente a moral do amor. O eixo de toda deixaram uma grande e profunda marca negativa na ética é o amor ao próximo. consciência católica. Na prática, o que compete a nós, catequistas? Existe uma interação entre moral Redescobrir no nosso íntimo e na revelação falseada e imagem falsa de Deus o verdadeiro rosto de Deus para depois sermos O redentorista Marciano Vidal, renomado escri“mediadores positivos” entre Ele e as crianças ou tor e professor de moral, afirma que uma das revisões adultos. imprescindíveis que todos precisamos fazer é a do Para tanto, um caminho necessário é conhecer uso das imagens de Deus no discurso ético e na vida Jesus, pois Ele disse “Quem me vê, vê o Pai” (Jo moral. “Volto a repetir que uma das tarefas decisivas 14, 9). Então, amigos e amigas, vamos conhecer do cristianismo atual é a de redescobrir a verdadeira e amar mais Jesus e apresentá-lo às crianças ou imagem de Deus”, diz ele. adultos para que se apaixonem pela sua pessoa. As deformações da imagem de Deus continuam Com o evangelho nas mãos, vamos organizar as tendo lugar na catequese e na moral cristã. A moral histórias contadas por Jesus, onde nos mostra sua deve ser entendida como a forma de chegar a Deus, bondade, compaixão, ternura, misericórdia, enfim, sendo Cristo o caminho a se percorrer. Deus não deve seu humanismo. Depois, vamos lê-las juntos, contáser entendido como um ser supremo distanciado do las, meditá-las, encená-las, desenhá-las, cantá-las, mundo, mas sim tal como ele foi revelado em Cristo. sempre trazendo-as para os dias de hoje. E lem“Vinde a mim vós todos que estais cansados e sobrebremos: Este tão humano Jesus é o rosto de Deus.

CATEQUESE ria Solidá

Solidário

LITÚRGICO

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21 de março – 5o Domingo da Quaresma (roxa) 1a leitura: Livro do profeta Isaias (Is) 43,16-21

Responsório: Sl 125 (126) 2a leitura: Carta de S. Paulo aos Filipenses (Fl) 3,8-14 Evangelho: João (Jo)8,1-11 NB.: Para uma melhor compreensão dos comentários litúrgicos é fundamental que se leia, antes, o respectivo texto bíblico. Comentário: O episódio do texto evangélico deste domingo identifica duas maneiras de lidar com situações complexas e que exigem tempo para discernir, pensar e pesar para que não haja injustiça no julgamento. Tantos julgamentos apressados, que não passam pelo crivo do discernimento, não são pensados com isenção de ânimo e não têm examinadas as circunstâncias, levam à condenação e à morte de inocentes! O texto apenas diz que trouxeram a Jesus uma mulher pega em adultério. Este é o fato. Um fato que bem poderia ser criado, montado, com a cumplicidade dos próprios acusadores, por que não? Enfim, eles sempre buscavam razões para incriminar a Jesus e provar para o povo que ele não seguia as leis de Moisés. Portanto, não poderia ser o Messias, nem um profeta, nem sequer um bom israelita. Queriam desacreditar a Jesus de todas as maneiras. Eles, fariseus e mestres da lei, não se preocuparam em examinar as circunstâncias do adultério daquela mulher, real ou montado. A mulher era apenas um pretexto para julgar a Jesus; pouco lhes importava a sua vida, porque, como o Evangelho lembra, a lei mandava matar mulheres adúlteras. Esta era a maneira de julgar e condenar dos fariseus de ontem e de hoje. Jesus, pelo contrário, não julga e muito menos condena apenas a partir de um fato ou de uma lei. Ele leva a todos os circunstantes a parar um pouco, a discernir e pesar o assassinato que iriam praticar. Depois de ganhar tempo, escrevendo na areia, como quem diz... “gente, não se condena nem se mata assim, sem mais, uma pessoa”, ele pronuncia a sua “sentença”: Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra (8,7). E voltou a escrever na areia para que todos discernissem com ele. E para a mulher, o generoso e libertador perdão: Ninguém te condenou, mulher!? Nem eu te condeno, vai em paz e não peques mais (cf 8,10-11).

28 de março – Domingo de Ramos e Paixão do Senhor (roxa) 1a leitura: Livro do profeta Isaias (Is) 50,4-7 Responsório: Sl 21 (22) 2a leitura: Carta de S. Paulo aos Filipenses (Fl) Evangelho: Lucas (Lc) 23,1-49 Comentário: Certamente, uma das coisas mais difíceis na vida de qualquer pessoa é receber, com a mesma serena paz interior, os ramos do aplauso e da glória e a paixão do sofrimento, da rejeição e da morte. As leituras da liturgia deste domingo lembram e identificam que Jesus viveu, em sua história pessoal, o aplauso e a rejeição, a glória e a paixão, o triunfo e a cruz. E nem se “entusiasmou” demais com o aplauso, nem perdeu a paz na morte de cruz. Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus/Jesuítas, costumava dizer que, se um decreto da autoridade máxima de Igreja viesse a extinguir a Ordem, projeto e objetivo maior de sua vida, ele necessitaria de alguns minutos de oração para recuperar o equilíbrio e a paz interior. Tantos santos/santas, do povo e de Deus viveram, em suas vidas, situações de extremo sofrimento, de incompreensão, de rejeição, de calúnias e condenação injusta; mas foi este calvário, de cruz e de Gólgota, o testemunho e a prova maior de sua fé, de seu amor radical pela causa de Jesus, de sua santidade. Também eles e elas foram aplaudidos com os ramos da alegria, do triunfo, do aplauso, mas souberam acolhê-los com um sorriso tranquilo de paz interior e deles jamais fizeram seus amos e senhores. É sábio e salutar desconfiar da santidade de quem gosta ou até busca o aplauso da gente, com desejo forte de muitos “domingos de ramos” em sua vida e, enquanto tem sérias dificuldades para acolher, em paz, a cruz e o Gólgota, oferecidos pelo Pai no cálice do sofrimento, consequência da opção radical pela justiça, pela verdade e pelo bem, tenham eles o nome que tiverem. A verdadeira santidade, vocação de todo cristão, pode ter alguns domingos de ramos, de alegria, de aplauso, mas certamente terá muitos dias de sofrimento e de cruz. Mas são estes dias de sofrimento e de cruz que levam ao triunfo maior, à felicidade verdadeira, ao domingo da ressurreição, da vida. attiliohartmann@hotmail.com

Eduardo V. Pinto - 24/03 João M. C. Pompeu e Pe. Pedro Alberto Kunrath - 28/03 Edmundo C. Marques - 29/03 Vanir Perin - 30/03


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A imagem do ser humano redimido “O cristianismo não descobriu a cruz. Ao contrário, a cruz é um símbolo importante em todas as religiões.” É com essas palavras que Anselm Grün inicia o primeiro capítulo de seu novo livro, A cruz — A imagem do ser humano redimido, publicado pela Paulus. Com escritos cativantes, a obra inspira nova reflexão teológica e espiritual sobre a cruz, explanando sua simbologia e conduzindo o leitor a lidar, de modo mais consciente, com as muitas cruzes presentes no cotidiano. O autor explica no livro que, independentemente da morte de Jesus na cruz, este símbolo já era visto como sinal de salvação no Antigo Egito, na Ásia, na Europa — especialmente em Roma —, na Índia e, ainda, na América Latina. O caminho percorrido por Grün apresenta o significado da cruz para os cristãos depois da crucificação de Jesus e os aspectos espirituais dessa imagem já presentes naquelas civilizações. Anselm Grün, nascido em 1945, coordena como ecônomo monástico os empreendimentos econômicos da Abadia de Münsterschwarzach. É o autor cristão mais lido em língua alemã. Do mesmo autor, pela Paulus: Para que tua vida respire liberdade — Rituais de purificação para o corpo e a alma e Liderar por meio de valores — Curso compacto de liderança.

Festa de São José no bairro Sarandi

Capacitação para visitadores de doentes

PÓS-GRADUAÇÃO PUCRS Cursos de Especialização

www.pucrs.br/pos

Campanha da Fraternidade e ecologia José Alberto Wenzel

A Um tríduo solene marcará a Festa de São José, na Matriz de mesmo nome, no bairro Sarandi, em Porto Alegre, começando no dia 17 de março, às 19 horas com bênção da saúde e água e sal. No dia seguinte, também a partir das 19 horas, bênçãos da saúde, das velas, chaves, Terços e águas. No dia 19, Dia de São José, haverá procissão às 19 horas seguida da Missa do Quilo, celebrada pelo arcebispo metropolitano Dom Dadeus Grings, e bênção do pãozinho de São José. Da programação social constam almoço festivo às 12 horas e entrega de prêmios no salão paroquial

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OMUNIDADE

Secretário estadual de Relações Institucionais e geólogo

O Centro Educacional Sâo Camilo promoverá em sua sede, na avenida Protásio Alves, 2769 (parada de ônibus em frente à Igreja São Sebastião), o Curso de Capacitação para Agentes Vistadores de Doentes e Idosos, de 7 de abril até 30 de junho vindouros, às quartasfeiras, das 14 às 17 horas. Custos: 2 quilos de alimentos não perecíveis (exceção para sal e açúcar). Inscrições abertas. Mais informações pelo fone 3386-9318.

Conhecimento para você chegar mais alto.

C

GREJA &

o contrapor a partilha solidária ao lucro excluidor, as Igrejas Cristãs corajosamente propõem mais que uma reflexão: uma mudança de atitude. Na mesma proposta da Campanha da Fraternidade-2010 insere-se a questão ambiental. O capitalismo exacerbado que promove as disparidades sociais e de oportunidades, e que se nutre dos conflitos que ele mesmo gera, também transforma a natureza em mera fonte de recursos e em depósito de resíduos, tornando descartável aquilo que era objeto cobiçado de consumo. É-nos apresentado um novo produto, qual ídolo de mercado, para cuja aquisição nos aprestamos, dedicando esforços e atenção. Na esteira das proposições, coloca-se o desenvolvimento sustentável, que equilibraria as variáveis social, ecológica e econômica. Na prática, o que ocorre são louváveis ações de responsabilidade socioambiental. Contudo, no cotidiano ,impera avassaladoramente o alinhamento econômico que baliza a operacionalidade social e ambiental, incluindo os demais aspectos da vida, desmerecendo o praticar real da sustentabilidade. Cabe a pergunta: é apenas o consumismo, a ganância, a busca por satisfações imediatistas, a ânsia pelo poder e posição social privilegiada que nos move e revigora o processo capitalista? Há uma pauta de fundo que ainda não enfrentamos: a forma de como apreendemos e compreendemos a realidade particular e coletiva, comunitária e universal. Nos atrelamos à lógica do conhecimento fracionado, que nos cega para a integralidade. Essa forma de “ver” a realidade nos conduz por variáveis individualizadas, que culminam com a predominância econômico-capitalista exploratória e destruidora humano-ambiental. Saudamos a Campanha da Fraternidade, que nos remete à possibilidade de um modelo alcançável de convivência harmônica e partilhada entre nós e com a natureza, nossa casa. A mudança primeira nem é com o capitalismo em si, que não deixa de ser uma consequência da forma de perceber e agir no mundo, é sim com nossa própria consciência. Impõe-se um NOVO SABER, que nos conduzirá a um MELHOR FAZER.

Curso sobre Eucaristia na Unisinos De 22 a 25 de março, o Instituto Humanitas Unisinos–IHU realizará o curso Eucaristia – Da Liturgia à vida, que será ministrado pelo prof. dr. Cesare Giraudo, jesuíta e teólogo, professor da Pontifícia Universidade Gregoriana e do Pontifício Instituto Oriental, ambos em Roma. Cesare Giraudo é autor do livro Num só corpo. Tratado mistagógico sobre a eucaristia, traduzido em várias línguas e que é já pode ser considerado um ‘clássico’ do quilate da obra de J. A. Jungmann, Missarum Sollemnia. Eine genestiche Erklärung der römischen Messe, (Missarum Sollemnia. Origens, liturgia e teologia da missa romana, em tradução livre), 1948. O livro acaba de ser traduzido pela Editora Paulus, 2009 O livro de Giraudo, publicado no Brasil pelas Edições Loyola, 2003, tem 620 páginas. O opúsculo de divulgação da sua obra foi publicado também pelas Edições Loyola em 2002, sob o título Redescobrindo a Eucaristia. O curso a ser ministrado pelo Prof. Dr. Cesare Giraudo, faz parte da ampla e diversificada programação Páscoa IHU 2010 e tem como destinatários professores, alunos e comunidade em geral, numa atenção privilegiada a professores/as e estudantes de Teologia, bem como a lideranças das comunidades eclesiais em geral. (Fonte: IHU)

Chegou

LIVRO DA FAMÍLIA 2010 Livraria Padre Reus está oferecendo a edição do Livro da Família/2010. Adquira seu exemplar ou faça seu pedido no endereço abaixo, que teremos a maior alegria em atendê-lo. Também o Familienkalendar/2010 está disponível. Lembrando: a Livraria Padre Reus é representante das Edições Loyola para o sul do Brasil.

Livraria Editora Padre Reus

Caixa Postal, 285 - Duque de Caxias, 805 - Cep 90001-970 Porto Alegre/RS - Fone: (51)3224.0250 - Fax: (51)3228.1880 E-mail: livrariareus@livrariareus.com.br Site: http://www.livrariareus.com.br


Porto Alegre, 16 a 31 de março de 2010

Livraria Padre Reus promove tarde de autógrafos J osé Alberto Wenzel e Padre Roque Schneider sj autografam “Pampa Verde Ecologia: ruptura, método e síntese”, dia 22 de março, a partir das 17 horas, na sede da Livraria Padre Reus, Rua Duque de Caxias, 805, Centro de Porto Alegre. Na obra – que tem prefácio e posfácio de Padre Roque – Wenzel traz a questão ecológica, suas implicações sociais, a dimensão econômica que perpassa as relações entre povos e nações, o jogo de forças e de poder que subjaz a esta questão. O autor lembra, inicialmente, o fracasso de um encontro mundial que pretendeu oferecer soluções para o drama da destruição da Terra e mostra que uma outra relação com a natureza – amiga, terna e responsável – é possível. Como exemplo desta outra relação possível, ele traz a experiência da saga missioneira dos jesuítas no Rio Grande do Sul. E detalha também a organização e o funcionamento de uma colméia, sugerindo forte lição de ecologia solidária.

José Alberto Wenzel

Pe. Roque Schneider

“Verde Pampa” no Dia Mundial das Águas Solidário - Qual o propósito e o significado do lançamento de seu livro “Verde Pampa” no Dia Mundial das Águas? José Alberto Wenzel - O Planeta Terra é um ser vivo, irrigado por sangue, seiva, psiquismo, troca relacional e água. Se, por um lado, temos bons índices de tratamento desse líquido, por outro ostentamos inaceitáveis percentuais de tratamento de águas servidas e esgotos sanitários. No Rio Grande do Sul, nosso maior desafio é sair dos 14% de efetivo tratamento de esgoto sanitário que hoje temos. A cada década passamos por sete anos de secas, além dos constantes eventos intempéricos, como enchentes, que só no ano de 2009 obrigaram os prefeitos gaúchos à emissão de 648

decretos emergenciais. A par disso, o ser humano, crescentemente independente de sua condição socioeconômica, se encontra exausto, angustiado e insatisfeito. Lançar o livro “Pampa Verde” no Dia Mundial da Água é um alerta para essa realidade. Contudo, “Pampa Verde” vai além de alertar para os desafios ambientais, entre os quais o de cuidar de nossas águas, antes de nos servirmos delas quanto no seu pós-uso. A presente obra lança um olhar crítico sobre o que denominamos com tanta facilidade de “desenvolvimento sustentado”, propõe uma síntese ecológica integralizadora e um método em contraponto ao processo cartesiano de fracionamento e hierarquização.

Humanidade passa sede? Força de expressão? Não! Pois alguns povos já passam sede. Na África, 44 milhões de pessoas que vivem em áreas urbanas não têm acesso à água. Nesse mesmo continente, 256 milhões dos que vivem em zonas rurais não contam com serviços de abastecimento de água: total, 62 por cento dos africanos não têm água. Na Ásia, 98 milhões de pessoas das zonas urbanas e 595 milhões – 25 por cento da população rural – já estão sem acesso à água. Ao todo, 693 milhões, ou 19% dos asiáticos, estão sem serviço de abastecimento. Segundo a FAO – Organização das Nações Unidas Para a Agricultura, o consumo de água dobrou em relação ao crescimento populacional no último século: mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo já não

tem acesso a água limpa suficiente para suprir suas necessidades básicas diárias. Em 20 anos 60 por cento da humanidade não contará com água suficiente.

Seiva do planeta. Água é vida

Sem ela, não há vida. Sem água, o planeta vira silencioso deserto. A água não é somente herança de nossos predecessores: ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui necessidade vital, assim como a obrigação moral do homem para com as gerações presentes e futuras. A ilusão da abundância mascara a realidade. Recurso natural finito, limitado, não renovável e vulnerável, a água de boa qualidade está cada dia mais

escassa. A ONU considera que o volume de água suficiente para a vida em comunidade e exercício das atividades humanas, sociais e econômicas, é de 2.500 metros cúbicos de água/habitante/ano. Abaixo de 1.500 metros cúbicos, a situação é considerada crítica.

Tráfico de água doce Ficção científica? Nem tanto! No século 20, a população mundial cresceu três vezes e o consumo de água seis vezes. A atual disponibilidade de água na Europa é de 18 metros cúbicos/dia/pessoa; na Ásia 13; na África, 19, na América do Norte 53, no América do Sul 108, no Brasil, 140. Pelo que, não é completa ficção científica imaginar uma guerra mundial na disputa por água. E o Brasil é uma região muito visada.

A reserva da Amazônia representa 68% da massa de água doce superficial do Brasil e de oito a 25 por cento (da mais pessimista à mais otimista das avaliações), do total da Terra. O interesse mundial cresce numa velocidade muito superior à da atenção nacional – e não é por acaso. Piratear água da Amazônia? Sim! Há informações que algumas empresas já praticam com desenvoltura a hidropirataria. Só um navio teria capacidade de armazenar 250 milhões de litros, que uma empresa da Noruega forneceria para clientes na Grécia, Oriente Médio, Ilha da Madeira e Caribe. Por sair pela metade do custo da dessalinização, o roubo de água se tornou atraente no comércio com países carentes de água doce superficial.


http://jornalsolidario.com.br/wp-content/PDF/solidario_558