Page 1

IMPRESSO ESPECIAL CONTRATO No 9912233178 ECT/DR/RS FUNDAÇÃO PRODEO DE COMUNICAÇÃO CORREIOS

Porto Alegre, 1o a 15 de janeiro de 2010

E T R A

Mutirão de Comunicação América Latina e Caribe 3 a 7 de fevereiro de 2010 Centro de Eventos da PUCRS P. Alegre

Ano XV - Edição No 553 - R$ 1,50

C N

E

Casal jovem tem vez

Carlos Alberto Pinto da Costa e Rosandra Santos Mottola Lemos, professores (na foto com as filhas), são nossos entrevistados desta edição.

Página 9

Reitoria da Unisinos

É a seguinte a composição da Reitoria da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, gestão 2010-2013: reitor – Pe. Marcelo F. de Aquino, sj; vice-reitor - Pe. José I. Follmann, sj; próreitor acadêmico – Pe. Pedro G. Gomes sj; pró-reitor de administração – João Zani; e chefe de gabinete: Carlos A. de Oliveira Cruz. A posse será às 19 horas de quatro de janeiro próximo, no Anfiteatro Pe. Werner da Universidade.

Preparando o amanhã

Livraria Padre Reus está ofe Livro da Família/2010. Adquir seu pedido no endereço abaix alegria em atendê-lo. Também o está dispon

Atividades lúdicas e educação integral, enriquecidas com muito carinho, fazem breves os dias de 70 crianças na Casa da Criança N. Sa. Auxiliadora, enquanto suas mães buscam o sustento para o lar. Página 7

Novas teorias em educação e saúde Página 5

der O real po tima da autoesPágina 3

Horários de Missas no veraneio Página 6

A Terra pede socorro Contracapa

JESUS CRISTO Voz do Pastor/Página 2


A

2 EDITORIAL

A autenticidade da fé

U

ma das dimensões mais importantes, urgentes e necessárias nos tempos que vivemos é nosso compromisso sério com nossas crianças. E, como pessoas e cristãos, o compromisso particular com aquelas crianças que não têm o privilégio de um lar e de uma família onde possam crescer em “idade e sabedoria” como aquele Menino, há dois mil anos. Tudo o que se fizer de promoção de nossa infância será escrito no livro da vida e terá o reconhecimento daquele que disse, sem meias palavras: “Tudo o que fizerdes a um destes mais pequeninos, a mim o fazeis”. Fala-se, muitas vezes, da inércia, pouca ou nenhuma atividade social dos cristãos em geral. Fé e religião, para muitos, é uma questão de foro pessoal e íntimo, não tem nada a ver com ações sociais solidárias que contribuam para melhorar ou dignificar a vida de outras pessoas. Uma fé que não “ame ao outro como a si mesmo” e não contribui para que o sonho de Jesus de um mundo justo, solidário, fraterno e amoroso se realizar, pode ser qualquer coisa, mas não é fé cristã. Por mais que repita aleluias e améns e diga: “Senhor, Senhor” este tipo de fé é um contra-testemunho de uma autêntica vivência da fé que só tem sentido quando é fé para o outro. É a dimensão social da nossa fé, são ações solidárias em favor de alguém que dão o tom de autenticidade de nossa fé. Hoje trazemos (página 7) mais uma iniciativa de promoção da infância. Falamos “Tudo o que fizerdes a um da Casa da Criança Nossa Senhora Auxiliadestes mais dora e dos 70 anos de dedicação de centenas pequeninos, a de pessoas que fizeram e fazem a história mim o fazeis”. da instituição. E que, nesta obra como em tantas outras similares, demonstram que sua fé não é feita de palavras, nem de ritos ou celebrações, mas contribui para que a fé no Senhor Jesus seja viva e faça viver. As festas de fim de ano e, especialmente, os meses de janeiro e fevereiro são tempos particularmente importantes para parar um pouco do corre-corre, muitas vezes, frenético, do nosso viver. Ganha particular atualidade o conhecido refrão: é tempo de encontro consigo mesmo, com o outro, com Deus. Nesta edição do Solidário (página 6) nossos leitores e leitoras encontram uma mensagem do “bispo das praias”, Dom Jaime Kohl, titular da diocese de Osório, e que convida os veranistas a aproveitarem este tempo para, no simbolismo da “tenda”, parar para analisar sua vida em todas as suas dimensões mas, particularmente, examinar a coerência da sua fé a partir de uma pergunta: tem minha fé cristã sentido e importância para as pessoas de minha família, colegas de trabalho, na vida social e política, enfim, para os outros? Esta é a medida da autenticidade da fé cristã: quando tem sentido para os demais. Como já é tradição nesta época, o Solidário traz novamente horários de missas com o endereço e telefone das paróquias de nossas praias. Com isso, queremos dizer que, neste tempo em que temos mais tempo para nós, a participação ativa nas celebrações é uma forma muito salutar nesta análise de nosso ser e viver cristão. attilio@livrariareus.com.br

Fundação Pro Deo de Comunicação CNPJ: 74871807/0001-36

Conselho Deliberativo

Presidente: José Ernesto Flesch Chaves Vice-presidente: Agenor Casaril

Voluntários Diretoria Executiva

Diretor Executivo: Jorge La Rosa Vice-Diretor: Martha d’Azevedo Diretores Adjuntos: Carmelita Marroni Abruzzi, José Edson Knob e Ir. Erinida Gheller Secretário: Elói Luiz Claro Tesoureiro: Décio Abruzzi Assistente Eclesiástico: Pe.Attílio Hartmann sj

1o a 15 de janeiro de 2010

RTIGOS

Jesus Cristo

C

o de Filho de Deus, considerados onhecemos Jesus Cristo a blasfêmias. Estas mesmas manifespartir de sua ressurreição, tações, porém, estão marcadas pela o que equivale a dizer que simplicidade, como a entrada em o acolhemos pela fé. Como se Jerusalém, montado num jumentrata de um caso único e extraorDom Dadeus Grings tinho. Não cede à tentação, tantas dinário, sentimo-nos impelidos Arcebispo Metropolitano vezes urgida, do triunfalismo. a aprofundar o conhecimento de de Porto Alegre 2. Uma acurada consciência do sua personalidade pré-pascal. É possível falar de um milagre de personalidade, pecado humano, de um lado, mas como algo que certamente a mais estudada e admirada de to- não o atinge, do outro lado. Fala exaustivamente da malícia do coração dos os tempos. O século XIX iniciou o estudo sistemático da personalidade religiosa de Jesus, humano. Exige, para o acesso a Deus, que se reconão no sentido constitutivo da pessoa, mas nheçam os próprios pecados. Conhece as carências no sentido psicológico, enquanto retrata suas humanas. Contudo, declara-se imune ao pecado. Foi endisposições humanas, em especial, sua inteligência, vontade e sentimentos, em relação à viado pelo Pai como médico. Vai, com o máximo cuidado, ao encontro dos pecadores, apresentandohierarquia de valores. Merece especial destaque a personalidade se pessoalmente como o Bom Samaritano, o Bom religiosa. Retrata sua atitude frente a Deus e Pastor, o Caminho, a Verdade e a Vida. Quer cona tudo o que lhe diz respeito. Podemos falar duzir todos pelo caminho verdadeiro; santifica e de sublimes paradoxos de sua personalidade: une a si todos. Mesmo reconhecendo-se inocente paradoxos enquanto se encontram além da ex- e sem pecado, não se torna duro com os pecadores, pectativa; e sublimes enquanto transcendem a nem soberbo e como que segregado. 3. Fala, ao mesmo tempo, com a máxima simmedida comum. Podemos elaborá-los em três plicidade e com a mais alta autoridade acerca de categorias, que saltam dos dados de sua vida: l. Sua extraordinária humildade, associada questões de per si dificílimas. O linguajar de Jesus é mutuado da língua do a pretensões inauditas. O Evangelho registra uma imensa humil- povo. Suas parábolas são tiradas da vida simples dade. Jesus é acessível a todos; serve-se de dos agricultores, pescadores, pastores, das galiuma linguagem compreensível para o povo, nhas, dos pássaros. Propõe uma mensagem nova, como contador de histórias; veio para servir reconhecida como ápice da história religiosa com paciência; faz milagres, não como sinais da humanidade, num modo que não tem nada estupendos, mas como atos de bondade e mi- de duro ou complicado. Denota uma admirável sericórdia; suporta, com paciência, os maiores naturalidade e simplicidade. Fala dos mistérios desafios e desaforos; mostra-se humilde diante mais profundos, como assuntos familiares. No de Deus, para tratar somente dele; adverte que Natal, acolhemos e celebramos esta Pessoa tão querida e a colocamos no centro de nossa vida, todos se tornem como crianças. Junto a esta humildade Jesus se arroga po- de nossa família e de nossa comunidade. Felizes deres e títulos inauditos: o de perdoar pecados; Festas para todos!

Voz do

PASTOR

Lágrimas verdes: o clamor da Terra

A

Frei Lucas Eliasw OCD

vontade de Deus é que todos tenham vida e vida em plenitude, inclusive a natureza. Diante do desmatamento, aquecimento global, mudanças climáticas, etc, podemos perceber o clamor da Mãe Terra. A natureza é fonte de vida. Dela tiramos o essencial para a nossa existência. Dela tiramos a água, a comida, respiramos e, com isso, nos sustentamos. Mas essa concepção de extração do necessário para a subsistência tem extrapolado os limites. A natureza, de certa forma, deixou de ser fonte de vida para se tornar fonte de lucro. Dela, muitas empresas multinacionais extraem o necessário e o desnecessário. Muitas madeireiras extraem ilegalmente a madeira e exportam para muitos países do Norte. A monocultura é geradora de riqueza. No Brasil, por exemplo, a monocultura de eucalipto pode ser fonte de renda, no entanto, degrada o solo de tal forma que se torna infértil para qualquer outro tipo de plantação. Se a exploração da natureza continuar nesse

Conselho Editorial

Presidente: Carlos Adamatti Membros: Paulo Vellinho, Luiz Osvaldo Leite, Renita Allgayer e Beatriz Adamatti

Diretor-Editor Attílio Hartmann - Reg. 8608 DRT/RS Editora Adjunta Martha d’Azevedo

ritmo acelerado, o que será do futuro? A ambição tem levado o ser humano a cometer erros gravíssimos contra a natureza que podem ser irreversíveis, se não houver um processo de conscientização. Estamos diante do caos ecológico, tudo devido a uma “idiotização” ecológica, em contra ponto à “sabedoria ecológica”, proposta por Leonardo Boff em seu artigo “Em busca de sabedoria ecológica”. A lógica consumista do capitalismo neoliberal ensina que o lucro está acima de tudo, mesmo se isso causar a destruição do próprio ser humano. É o que acontece com as grandes potências econômicas que se beneficiam com esta política, mas oprimem os países mais pobres. O teólogo Leonardo Boff diz que “o bem estar humano consiste em estar permanentemente sincronizado com esse processo e cultivar um profundo respeito diante de cada ser. Então, ele se sente parte consubstancial da Mãe Terra e desfruta de toda sua beleza e proteção”. Enquanto isto não acontecer, isto é, enquanto o ser humano não tomar consciência de sua responsabilidade, a Mãe Terra, como em dores de parto, continuará derramando suas lágrimas verdes.

Redação Jorn. Luiz Carlos Vaz - Reg. 2255 DRT/RS Jorn. Adriano Eli - Reg. 3355 DRT/RS Revisão Nicolau Waquil, Ronald Forster e Pedro M. Schneider (voluntários) Administração Paulo Oliveira da Rosa (voluntário), Elisabete Lopes de Souza e Davi Eli Impressão Gazeta do Sul

Rua Duque de Caxias, 805 Centro – CEP 90010-282 Porto Alegre/RS Fone: (51) 3221.5041 – E-mail: solidario@portoweb.com.br Conceitos emitidos por nossos colaboradores são de sua inteira responsabilidade, não expressando necessariamente a opinião deste jornal.


F

1o a 15 de janeiro de 2010

AMÍLIA &

S

Você conhece o real poder da autoestima?

Divulgação

Seis mandamentos para a mãe de um reizinho Maria de Melo Psicoterapeuta

Marcia Dolores Psicóloga*

“T

er uma autoestima elevada é importante. Pode significar o sucesso de uma vida inteira”. Quem nunca ouviu essa frase, que atire a primeira pedra, afinal, muito se ouve falar na autoestima. Mas você sabe realmente o que isso significa?

Se olharmos de uma forma simplificada, podemos dizer que a autoestima é o que sentimos em relação a nós mesmos. Quando essa "opinião" é positiva, significa que sabemos que as outras pessoas gostam da gente, que temos confiança para enfrentarmos desafios e até mesmo encararmos tarefas desconhecidas, criando as habilidades necessárias para executarmos tal função. Mas, se a autoestima está lá embaixo, ou seja, é negativa, passamos a acreditar que não somos merecedores de coisas boas, que ninguém nos ama ou que é impossível fazer algo direito ou alcançar o sucesso. Essas crenças limitantes são verdadeiros empecilhos para a evolução de qualquer pessoa.

Fortalecimento da autoestima começa na infância O fortalecimento da autoestima começa na infância e cabe aos pais solidificá-la para que essa pessoa, no futuro, tenha amor-próprio. Se tender para o lado negativo, a criança acha que não merece o amor de ninguém porque não sabe fazer nada direito, podendo vir a se tornar excessivamente tímida e sem iniciativa. Mas ajudar o seu filho a desenvolver uma autoestima positiva não significa livrálo totalmente das críticas. O importante é saber como se deve repreender. O conselho

3

OCIEDADE

que eu dou, e que certamente boa parte dos especialistas também sugere, é que a crítica deve ser focada sempre no comportamento e nunca na própria criança. Explico: pense no seu trabalho. Você faz uma apresentação em power point, se empenha e acredita que deu o seu melhor. Mas o seu chefe não gostou. O que você prefere ouvir, que é preguiçoso e desleixado ou que a apresentação poderia melhorar um pouco, aprofundando tópicos e trabalhando as cores que representam a logomarca da empresa? Com as crianças, o procedimento é o mesmo. Se derrubarem suco no sofá ou no chão, não diga que são desatenciosas ou atrapalhadas, simplesmente basta dizer para tomar cuidado da próxima vez. É uma forma simples e objetiva e ninguém fica chateado e muito menos humilhado. Outro ponto que também é fundamental: broncas e repreensões devem ser dadas sem platéia. Jamais critique seu filho na frente de outras pessoas.

Pais com autoestima elevada Será que esse comportamento positivo reflete nos filhos? Com certeza! pai e mãe sendo pessoas bem resolvidas, cidadãos conscientes e profissionais que investem em suas potencialidades, tornam-se exemplos seguros para seus filhos. *MSN Mulher

1. Deixe a culpa de lado, o medo dos traumas, a crença de que é preciso ser boa para ser amada. 2. Não tente ser perfeita nem espere isso da criança. Ela pode se sentir um monstro diante de uma pessoa tão boa. 3. Diga não, sem gritar, com amorosidade e firmeza. Cada vez que coloca algumas regras para seu filho, você mostra que acredita na força que ele tem para lidar com a frustração, para se regenerar internamente e encontrar soluções. 4. Reconheça, para você mesma, que tem limites e que ninguém é infinitamente paciente ou generoso. Assim, você estará ajudando seu filho ou filha a aprender a respeitar a própria mãe e também os próprios limites. 5. O problema está na mãe vítima, não no pequeno tirano. Não faça do seu filho a razão da sua vida. É muita responsabilidade para ele. 6. Lembre-se: ser mãe é a difícil arte de se fazer desnecessária.

PÓS-GRADUAÇÃO PUCRS Cursos de Especialização

Conhecimento para você chegar mais alto. www.pucrs.br/pos


4 Natal no campo

O

dos pastores Antônio E. Allgayer Advogado

A pouca distância de Jerusalém, No pequeno burgo de Belém, Em noite fria, A humilde Virgem Maria Deu à luz o Messias Há milênios vaticinado Por profetas do passado. Pastores viram no firmamento Estrelas faiscando E ouviram anjos cantando E anunciando A grande alegria Do nascimento De Deus-Menino, Pequenino. Sem tardança Foram encontrar Em estábulo da periferia Em rústica manjedoura reclinada Uma criança. Com ternura, emoção e alegria Intuíram que ali havia O milagre de Deus Humanado, Com a humanidade identificado.

Advogada

O

homem trancou a porteira como se ainda pudesse voltar, ajeitou o boné, pegou a sacola, a mão da mulher e caminhou até a estrada. A vida tinha que melhorar. e nada adiantava prender-se à terra que não era sua, nem lamentar a perda da pequena criação. Era também carpinteiro, arranjaria emprego na cidade grande. A terra mudara de dono. José precisava sair. A estrada asfaltada trazia a esperança. Tão grande esperança, que venceram a confusão da rodoviária e chegaram à casa de João, que viera primeiro, preparar o caminho. Tão grande a alegria do encontro que não estranharam a falta da horta, a falta do leite, a falta de água. Manhã cedo, o homem saiu à procura de emprego. Referência? Nenhuma. José aprendeu a dura lição: sem referência, como conseguir emprego? Sem emprego anterior, que referência? Maria também aprendeu o quanto valia sua vida na cidade: olhavam-na de alto a baixo e sacudiam a cabeça. Grávida... Empobrecidos, mudaram de aspecto. Enquanto José, que antes plantava o que comia, agora bóia-fria, auxiliar de pedreiro, Maria, mulher prestativa, ajudava a vizinhança. Jovem muito calada, na fila da bica d’água, prestava muita atenção. Em tanta coisa inconformada, sem nada poder fazer, guardava o que não entendia dentro do seu coração. Chegando sua hora, foi parir o filho em segurança no hospital. No primeiro, a placa avisava: “em greve”. Em outro, ouviram a frase: “não há

lugar”. Andaram quietos no meio da frenética barulheira, pessoas afobadas abraçando embrulhos enfeitados, arvores que piscavam colorido, música estridente nas lojas que aos poucos se fechavam. Maria caminhava cada vez mais devagar. José chamou um menino que andava na rua: onde é que tu moras? O menino disse: “Vem e vê”. Levou-os a uma espécie de gruta formada no vão de um túnel. “É aqui. Podem ficar”. José procurou jornais jogados nos cantos, preparando um lugar para a mulher. Os ônibus passavam por cima e pelos lados. Maria alisou o ventre querendo proteger o filhinho. Sentiu a vida palpitando, sentiu que ia dar à luz... Fosse aonde fosse, do jeito que fosse. A vida dentro dela queria sair para o mundo. Com sua força de mulher, no fundo do túnel, Maria deu à luz. Quem passava apressado não viu. Quem andava de carro não viu. Quem cantava na igreja não viu. Mas os meninos e meninas que vivem na rua acorreram alegres e viram o menino envolto em panos, reclinados sobre jornais. Naquele instante, todas as luzes dos shoppings brilhavam, todos os sinos de todas as igrejas badalavam, as pessoas sorriam e se abraçavam, as crianças que moram em casas ganhavam lindos presentes, pessoas cantavam, outras choravam. Mas não viram aquele menino. No dia seguinte, entre o balanço das festas, custos, perdas e lucros, saiu a noticia que a poucos comoveu: “... na noite de Natal, no fim do túnel uma mulher deu à luz um menino. O pai se chama José. A jovem mulher Maria. O nome do menino, porém, ninguém ficou sabendo...”.

Provas de que Jesus não tinha irmãos

Dom Sinésio Bohn Bispo de Santa Cruz do Sul

V

1o a 15 de janeiro de 2010

Presépio no asfalto Helena Martins Costa

Um mundo com Deus ocê pode imaginar um mundo sem Deus? Onde o final da existência é a morte e nada mais? Bem melhor é viver no mundo onde Jesus oferece a ressurreição e uma vida eterna na qual um dia Deus será tudo em todos. Esta boa nova os cristãos anunciamos em nome do cristianismo (1 Cor 15, 28). Hoje tudo é instantâneo, rápido, sem grande preocupação pelos valores da tradição. Neste turbilhão muitos valores caem no esquecimento. O consumismo e a busca de facilidades substituem a herança histórica. A aparência é salva, os aplausos são indispensáveis, a religião vira espetáculo! O discípulo de Cristo é convidado a anunciar Jesus Cristo, morto e ressuscitado por nós. Vem a propósito a advertência de Bento XVI: “Sem Cristo não há luz, não há esperança, não há amor, não há futuro” (DA, 146). Nem nos faltam as tentações de sempre. A inveja mobiliza as forças negativas! O apego ao dinheiro, que levou Judas a entregar o Mestre por 30 denários, paralisa pessoas de bem no seu testemunho. A ira azeda o coração e o cotidiano de cristãos desatentos e os leva à vingança. A soberba é arrogante, presunçosa e busca o poder, o comando, perdendo de vista o serviço ao bem comum. A maledicência e o ódio matam o próximo, destroem a boa fama, “em nome da verdade”, como dizem! Jesus oferece o perdão. O perdão, recebido ou dado, libera as energias interiores e deixa fluir as intuições arcanas. A capacidade de construir e reconstruir um mundo de paz, de primado do amor. A Palavra de Deus, lida e meditada, atrai a pessoa a buscar a vontade de Deus. Os sacramentos da Igreja tendo como ápice a Eucaristia, são antídotos aos vícios. Uma vida com Deus, amado e seguido por amor, deixa o cristão seguro e feliz. E o torna testemunha do Evangelho de Jesus.

PINIÃO

Walter Laier Professor universitário

E

m Mt 13, 55 se lê: “... Não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas?”. Este versículo é o gerador da tese de que Maria – a mãe de Nenhum dos ditos Jesus – tinha outros filhos. – Quem é Tiago? Temos “irmãos” de Jesus, dois: em parte alguma Tiago, filho de Zebedeu, da Bíblia, foram chamados “filhos chamado de Tiago Maior, - Mt 4, 21, e de Maria”. Tiago, filho de Alfeu, chamado de Tiago Menor - Mt 10, 2-4,. Mc 3, 17-19 e Mc 10, 35. Nenhum deles é dito que seja “filho de José”, o esposo de Maria. E as mães destes Tiagos? Confrontando-se Mc 15, 40 com Mt 27, 56, segue que Salomé é a esposa de Zebedeu. Logo, mãe de Tiago Maior e em Mt 27, lemos: Maria como a mãe de Tiago Menor. (pai, Alfeu). Seria esta Maria, mãe de Tiago, a mesma Maria, Mãe de Jesus? Mc 15, 40: “... Maria, mãe de Tiago, o Menor, e de José...”. Se esta “Maria, mãe de Tiago”, também fosse a mãe de Jesus, seguramente o evangelista teria se referido a ela como “a mãe de Jesus e de Tiago”, uma

vez que Jesus era o personagem central do acontecimento narrado. Jo 19, 25 (“... a irmã de sua Mãe, Maria, mulher de Cléofas (Alfeu),...”), Se Maria, mãe de Jesus, e Maria, mulher de Cléopas, fossem irmãs de sangue, teríamos duas irmãs de sangue com o mesmo nome. É muito pouco provável que isto tenha acontecido. Ou ainda, At 1,13: “( ...) Tiago (Menor), filho de Alfeu, (...) e Judas, filho de Tiago.”. Se Judas é filho de Tiago, e Tiago é filho de Alfeu, segue que Tiago e Judas não podem ser irmãos de sangue como lemos em Jd 1, por terem pais diferentes. E estes versículos são conclusivos: com certeza, o termo “irmão(ã)” não significa somente irmão(ã) de sangue. MT 27, 61 fala em outra Maria. Temos duas, a saber: Maria, Mãe de Jesus, esposa de José, e Maria, mãe de Tiago, esposa de Alfeu. Não há dúvida de que esta é a outra Maria. Na cruz, Jesus confiou sua mãe Maria a seu discípulo João (Jo 19, 26-27). Se Maria tivesse outros filhos, Jesus teria dito: Leve minha mãe para a casa de um dos meus irmãos: Tiago, José, Simão ou Judas. (wlaier@ via-rs.net) Referências bibliográficas: Bíblia Sagrada – Edições Paulinas; Bíblia Sagrada – Editora Ave Maria; Fé e Escritura (desafios e respostas), Edições Loyola, de Frei Ya´cub H. Saadeh e Frei Peter H. Madros


E

1o a 15 de janeiro de 2010

P

DUCAÇÃO &

SICOLOGIA

5

Mudança de paradigma: novas teorias e novas práticas em educação e saúde Juracy C. Marques Professora universitária, doutora em Psicologia

A

partir dos anos 70, do século passado, e daí por diante com ênfase, passou-se a pensar, investigar e introduzir, nos serviços institucionalizados, novas práticas que, aos poucos, foram revolucionando a mentalidade quanto aos significados e implicações dos conceitos de direitos individuais e responsabilidades sociais, tanto do Governo quanto das comunidades. Houve e está havendo um processo de desconstrução, não no sentido de destruição, mas de reconstrução e reconsideração de saberes e práticas, na contextualização de procedimentos, não apenas no direcionamento das pesquisas acadêmicas, mas também no desenvolvimento das atividades profissionais. Na área da saúde, abandonou-se, tanto quanto possível, na psicologia clínica e nas psicoterapias em geral, não só o modelo médico de cura que impregnava a compreensão das patologias, mas a primazia do consultório de atendimento individual para serviços que mesclam prevenção e tratamento com base no trabalho de equipes multiprofissionais. Nessa abordagem levam-se em conta não só a história individual, mas o contexto sócio-econômico e cultural dos sujeitos na construção de sua subjetividade. Isto é o que ocorre nos atendimentos dos órgãos públicos como a Delegacia da Mulher e as Delegacias da Criança e do Adolescente, entre outros. Com a participação de psicólogos, pedagogos, assistentes sociais, enfermeiras e médicos psiquiatras, os casos são estudados com pleno acesso à informação, proporcionando suporte e aconselhamento, mas, ao mesmo tempo, fazendo triagem e encaminhamentos, conforme suas respectivas peculiaridades.

Deficiências e dificuldades

Passou-se a entender que as deficiências e dificuldades não são apenas dos indivíduos, mas também de suas famílias e, muitas vezes, da comunidade, apelando-se para campanhas de conscientização de cidadania, com um espectro conceitual que vai até a sustentabilidade. Isto inclui, não raras vezes, empresas que, através de seus empreendimentos, são capazes de contribuir para re-configurar oportunidades e ambientes no mundo do trabalho. Isto envolve não só novas teorias, comprometidas com o bem-estar individual, mas também um alargamento de horizonte que contempla

o histórico, o social e as potencialidades tanto dos indivíduos quanto das coletividades. Do ponto de vista teórico, as necessidades, desejos e ambições individuais, portanto os sujeitos não são reconhecidos tão somente em suas semelhanças e diferenças, mas nas interações que estabelecem com os outros em suas trocas e reciprocidades. Tenta-se pensar o ser humano como ‘pessoa em relação’ em sua complexidade e não somente como uma presença simples e objetivada. Abordam-se as questões desde uma perspectiva que salienta a crueldade do mundo, que é aliviada em sua carga dramática no pleno entendimento que ‘ser no mundo é ser com os outros’. O indivíduo, então, desenvolve-se pelo re-conhecimento, impregnado de respeito a si mesmo como sujeito, capaz de transformar a si mesmo e aos outros, animado de uma profunda compaixão por aqueles que ainda carecem de oportunidades que possam alçá-los para aquilo que suas legítimas aspirações apontam-lhes como um amanhã promissor.

Aconselhamento a Pais e Professores

Para ilustrar, Dona Ernestina, 64 anos, formada em Serviço Social, trabalhou por algum tempo, através do SUS (Sistema Único de Saúde), em uma Prefeitura

do interior, na implantação de um Serviço Integrado por vários profissionais dentre os disponíveis naquela cidade. Chegou à coordenação, alcançando um sucesso que foi reconhecido pela comunidade, principalmente pela população das periferias, tanto daquela cidade como das outras cidades e vilas mais próximas. Depois de se aposentar, mudou-se para a capital (Porto Alegre) e começou a ser solicitada, através da Pastoral da Criança e do Adolescente, de sua paróquia, para orientar os pais na educação de seus filhos. Resolveu, então, fazer o Curso de Psicologia para legitimar suas atividades. Hoje, trabalha em aconselhamento a pais e professores, na mesma paróquia, pois, segundo ela, “pais e professores estão demasiado próximos aos problemas de seus filhos e alunos; por conseqüência, muitas vezes, não vêem a ampla gama de recursos institucionais que poderiam ser acionados em seu benefício”, bem como a imensa potencialidade dos sujeitos quanto aos cuidados que podem ser obtidos de profissionais especializados nos variados Centros de Atendimento existentes na Capital e nos municípios vizinhos que formam a Grande Porto Alegre, como metrópole. CORREÇÃO: Em nossa edição passada, por um lapso, deixamos de atribuir ao professor Jorge La Rosa o crédito referente ao artigo de sua autoria "Filhos refletem o modo de vida dos pais", publicado nesta mesma página.


T

6

EMA EM FOCO

Veraneio com A palavra do bispo

“I

1o a 15 de janeiro de 2010

oração

rmãos e irmãs que chegam neste nosso chão – que é também o vosso chão – para o merecido descanso depois de um ano de labuta. Sintam-se em casa, fiquem a vontade partilhando conosco a alegria de viver e as festas natalinas. A imagem mais significativa que traduz a mensagem de Natal é a da tenda. A tenda como espaço de encontro, amizade, diálogo... “Ele pôs sua tenda entre nós”. Veio morar conosco. Ao passar alguns dias conosco, fixando vossa tenda entre nós, vamos nos enriquecer uns aos ou-

tros, partilhando nosso jeito de celebrar o nascimento do Salvador. O Natal chega junto com o Ano Novo. É tempo de fazer memória, de revisar nossa vida, mas também de projetar-nos para o novo com confiança e fé. Celebremos na alegria a festa da vida. A todos e todas, residentes e veranistas, que estarão celebrando conosco nas areias iluminadas do nosso Litoral, desejo um Feliz natal e um Ano Novo cheio de paz”. Dom Jaime Pedro Kohl, bispo diocesano de Osório

Dom Jaime Kohl

Horários das Missas nas paróquias do litoral em janeiro e fevereiro. Os horários de Missas nas comunidades estão disponíveis nas secretarias paroquiais ARROIO DO SAL

PARÓQUIA NOSSA SENHORA DE LOURDES Pároco: Pe. Celito Manganelli Fone: (51) 3687.2177 Matriz: Quartas - 21h Domingos – 8h e 21h Comunidades: Figueirinha, Areias Brancas, Quatro Lagos, Rondinha Nova, Jardim Olívia (H. Apressul), Arroio Seco, Marambaia, Balneário Atlântico, Rondinha Velha, Estância do Meio e Bom Jesus

TORRES

PÁRÓQUIA SÃO DOMINGOS Pároco: Ceverino Crago Fone: (51) 3664.11.66 Matriz: Segunda a sábado - 19h Domingos – 8 horas e 19h Santa Luzia: Segunda a sexta-feira – 19h Sábados –17h e 19h Domingos – 9h, 17h e 19h Comunidades: São Jorge, São Francisco, Faxinal, Stan, Curtume, Igra, Getúlio Vargas, Itapeva Norte, Guarita e Salinas

TORRES - VILA S. JOÃO

PARÓQUIA S. JOSÉ OPERÁRIO Pároco: Pe. Leonir Alves Fone (51) 3605 2592 Comunidades: Itapeva Sul, Praia Weber, Paraíso e Estrela do Mar

CAPÃO DA CANOA

PARÓQUIA NOSSA SENHORA DE LOURDES Pároco: Edson Luiz Bataglin Fone: (51) 3665.2356 Matriz: Terças a sextas – 19h Sábados – 19h e 21h Domingos – 9h, 19h e 22h Comunidades: Arroio Teixeira, Atlântida, Capão Novo, Curumim, Figueirinha, Guará, Hosp. Sta Luzia, Praia do Barco, Rainha do Mar, Remanso, Santa Luzia, Santuário, XangriLá e Zona Norte.

TRAMANDAÍ

PARÓQUIA NOSSA SENHORA DOS NAVEGANTES Fone: (51) 3661.1509 Pároco: Frei Miguel Debiasi Matriz: Segundas a sextas – 19h Sábados – 19h e 20h30min 1º sábado – 14h30min com batizados Domingos e Cinzas - 8h, 19h e 20h30min Navegantes - 8h, 11h e 18h Proc. Fluvial - 19h Missa Campal - 20h Procissão até Matriz -21h30min Comunidades: Mariluz, Oásis do Sul, Santa Terezinha, Albatroz, Santa Rita, Menino Jesus de Praga, Medianeira, N. S.ª Fátima, São José, São Francisco, Tramandaí Sul, São Sebastião, Presidente, Agual, Imara/Imbé, Indianópolis, Estância, Cruzeiro, Santa Clara, Santa Luzia, Nova Tramandaí e Capela Litoral

CIDREIRA

PARÓQUIA NOSSA SENHORA DA SAÚDE Pároco: Pe. Jorge Soares Menezes Fone: (51) 3681.11.18 Matriz: Segunda a 5ª - 18h; 6ª - 16 e 18h Sábados, 18h, 19h30min; Domingos -8h30min, 10h, 18h e 19h30min Comunidades: Capela S. Luzia, N. Sa Aparecida e Costa do Sol

PINHAL

PARÓQUIA SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA Pároco: Pe. Marco Antônio Antunes Fone: 3682.34.00 Matriz: Terças a sextas-feiras - 19 h Sábados – 20h Domingos - 9h e 20h Comunidades: Magistério, Quintão, Túnel Verde, Aparecida e S. Rita


1o a 15 de janeiro de 2010

A S ÇÃO

Casa da Criança N. Sa. Auxiliadora: sete décadas de carinho e zelo

“M

uitas centenas de crianças fizeram sua história e construíram com todos os seus educadores a memória desta instituição”, contabiliza Irmã Tereza Katafesta, da congregação das Irmãs de São José e diretora da Casa da Criança N. Sa. Auxiliadora desde 2001. Três gerações já passaram pela instituição, o que permite afirmar que muitas das atuais 70 crianças de quatro meses a seis anos de idade que lá passam o dia entre 7h30min às 18 horas, de segunda a sexta-feira, talvez sejam netos daqueles primeiros pequenos moradores da casa, lá em 1939. A obra é a menina dos olhos do pároco da Igreja N. Sa. Auxiliadora, mons, Máximo Benvengnú, “que nos socorre na hora do aperto. Ele é grande batalhador e incentivador das ações sociais em prol dos mais necessitados, especialmente junto às crianças”, acentua Irmã Tereza.

Solidariedade pelas mães O embrião da Casa da Criança N. Sa Auxiliadora remonta a 1926. “Um grupo de senhoras, liderado por Carolina Annes Dias, percebeu que não havia um lugar onde as crianças pudessem ser cuidadas e atendidas, enquanto suas mães trabalhavam para o sustento da família. Fundou-se, então, a Associação Beneficente de Senhoras de S. Francisco de Assis para acolher essas crianças numa creche com o mesmo nome. Essa obra foi entregue às Irmãs de S. José.

7

OLIDÁRIA

Isso foi em 1928. Dez anos depois, em 1939, Pe. Hoff, vigário da Paróquia da Auxiliadora, junto com um grupo de senhoras caridosas, reconhecendo o serviço das irmãs, pediram à Associação Beneficente para abrir uma outra Creche na Paróquia e que foi oficialmente inaugurada em 17 de julho de 1939. Situava-se num prédio ao lado da Igreja da Auxiliadora, na Rua 24 de Outubro, nº1699 e ali permaneceu por 47 anos. Em 14 de março de 1987, foi transferida para Rua Felipe Neri, 78 com o nome “Casa da Criança Nossa Senhora Auxiliadora,” onde funciona até os dias de hoje”, recorda Irma Tereza.

Voluntariado “Além dos 18 funcionários contratados para as funções administrativas, direção, pedagoga, educadoras e serviços gerais de apoio, contamos com a colaboração espontânea de 20 voluntários nas áreas de enfermagem, psicopedagogia e psicologia. Também contamos com o voluntariado de acadêmicos estagiários da PUCRS, acadêmicas do curso de Enfermagem da UFRGS e bolsistas do IPA bem como com a ONG Parceiros Voluntários, que destaca profissionais nas áreas de psicopedagogia psicologia, nutricionismo, enfermagem, recreacionismo e outras. Com formação diversificada, esses profissionais disponibilizam três horas semanais de serviços gratuitos à instituição”, explica a religiosa.

Viabilização econômica A manutenção da creche se dá por parcerias com a rede existente na comunidade com órgãos governamentais e não governamentais. Destacam-se o Funcriança, através de projetos de Editais do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e Adolescente (CMDCA); Secretaria Municipal de Educação, Associação de Creches Beneficentes do Estado do Rio Grande do Sul, com cursos de orientação pedagógica para a qualificação do quadro funcional; Poder Judiciário do Estado do Rio Grande do Sul encaminhado prestadores de serviço comunitário; Programa solidariedade A Nota é Minha, onde muitas pessoas colaboram entregando notas fiscais para a Creche. “Atualmente, a instituição se mantém com a contribuição dos pais, pequenas doações da comunidade e de parcerias conforme acima relacionado. Mas qualquer um pode colaborar com a instituição, seja através do programa de solidariedade A Nota é Minha, arrecadando documentos de notas fiscais, entregando na Creche, recebendo cautelas e concorrendo a prêmios ou através do Imposto de Renda”, detalha Irmã Tereza. O telefone da Creche é (51) 3332.9521.


8 Temperaturas altas elevam o risco de ocorrência de AVC As altas temperaturas registradas no verão, mais do que incômodo, são fatores iminentes de doenças, entre elas o acidente vascular cerebral - AVC. Os termômetros nas alturas são responsáveis por desidratação, arritmias cardíacas, hemoconcentração e maior agregação plaquetária, vasodilatação e diminuição da pressão arterial. Fatores que combinados se configuram num possível estopim para o surgimento da doença que mais mata no Brasil. Em regiões tradicionalmente quentes, as temperaturas ideais situam-se entre 26°C e 32°C. Quanto mais os termômetros se afastam desses dois extremos, maiores são as chances de se desenvolver um AVC. Muito calor provoca a diminuição da pressão arterial devido ao dilatamento das artérias. O sangue, por sua vez, torna-se mais viscoso e com maior densidade de plaquetas - célula sanguínea responsável pela coagulação envolvida nos processos de trombose. A trombose é uma situação em que se formam coágulos no interior das artérias, consequentemente obstruindo-as e interrompendo o fluxo de sangue. Este período do ano, se-

S

gundo os médicos, é fortemente marcado pela desidratação. É importante ingerir muito líquido, investir em alimentação leve e se abrigar do sol. O consumo de bebidas alcoólicas, no entanto, é desaconselhado, uma vez que ajuda a desidratar o indivíduo. Quem fuma ou sofre de elevadas taxas de colesterol devem ter atenção redobrada, pois apresenta maior chance de ser vítima de um acidente vascular cerebral. O Acidente Vascular Cerebral decorre da alteração do fluxo de sangue no cérebro. Responsável pela morte de células nervosas da região cerebral atingida, o AVC pode se originar de uma obstrução de vasos sanguíneos, o chamado acidente vascular isquêmico, ou de uma ruptura do vaso, conhecido por acidente vascular hemorrágico. Sintomas e sinais de alerta Muitos sintomas são comuns aos acidentes vasculares isquêmicos e hemorrágicos, como: ·Dor de cabeça muito forte, de instalação súbita, sobretudo se acompanhada de vômitos. ·Fraqueza ou dormência na face, nos braços ou nas pernas, geralmente afetado um dos lados do corpo; ·Paralisia (dificuldade ou incapacidade de movimentação);

ABER VIVER

1o a 15 de janeiro de 2010

OSTEOPOROSE (2) Voltamos a abordar esta enfermidade, conforme prometemos, devido à grande incidência que ocorre nos anos mais avançados, e vamos fornecer dados que permitam sua identificação e tratamento. Os sintomas desta enfermidade aparecem com a perda da estatura e deformidades da coluna com a formação da cifose, conhecida como a corcunda senil, a fadiga, perda de apetite e prisão de ventre, além de sintomas gastrointestinais e cardio vasculares. O mais importante é a prevenção, que abordamos na coluna anterior, com a utilização dos laticínios e derivados,(maior Dr. Varo Duarte fonte de cálcio). Leite, Médico nutrólogo e endocrinologista queijos, iogurtes, e aqui fazemos questão de salientar que a proibição do leite representa uma orientação equivocada para o idoso. Cada pessoa deve saber o que lhe faz mal. Queremos salientar que pessoas que não apresentam dificuldades na metabolização da lactose, devem ser alertadas que a pior maneira de enfrentá-la é justamente a diminuição do seu consumo, e que certamente não terão problemas digestivos se consumirem os derivados do leite. Quero especialmente desmistificar a utilização de derivados de soja, hoje muito badalados, preenchendo grandes prateleiras dos super-mercados, como substitutos do leite animal e que, embora ricos em proteínas, não possuem cálcio em sua constituição. O leite de soja e seus produtos tipo (derivados de soja), das mais variadas marcas, nunca poderão substituir o leite de vaca. Repare a descrição colocada nos produtos: acrescidos de .... Segue-se a recomendação dos exercícios. Caminhar pelo menos uma meia hora por dia, no mínimo três vezes por semana, de preferência ao ar livre, ao sol, moderadamente, em ritmo adaptado a cada pessoa, constitui o melhor, mais prático e econômico exercício. A consolidação dos ossos depende do cálcio consumido, e sua fixação depende da vitamina D, que em sua metabolização, necessita da ação dos pelo raios solares. O diagnóstico precoce hoje é conseguido por um exame muito fácil de ser feito, denominado de densitometria óssea, onde poderá ser identificada a descalcificação óssea e relacionada sua quantificação . Os diferentes tipos de ginástica orientada pelo especialista e adaptados à capacidade de cada pessoa, incluem a natação a hidroginástica. A dança está hoje cada vez mais difundida, inclusive como fonte de prazer e companheirismo . O fumo deve ser eliminado, o uso do álcool deve ser moderado. Embora indicada a proibição do café, não achamos necessária a eliminação da cafeína, hoje até recomendada no tratamento da depressão, desde que utilizada fora dos horários noturnos, uma vez que como excitante do sistema nervoso central, poderá colaborar para a insônia. Como fazemos em nossa orientação, recomendamos não exagerar no seu consumo. A orientação médica sobre o uso de medicamentos torna-se indispensável. Alguns produtos podem ser prejudiciais à formação óssea (corticosteróides). Por outro lado, a recomendação de produtos que aceleram a formação óssea devem ser rigorosamente prescritos em qualidade e quantidade pelo médico assistente( alendronatos) O fator limitante de sua utilização é o alto custo destes produtos. Insistimos na alimentação balanceada, composta de todos os nutrientes que já especificamos.

Dicas de

NUTRIÇÃO

·Perda súbita da fala ou dificuldade para se comunicar e compreender o que se diz; ·Perda da visão ou dificuldade para enxergar com um ou ambos os olhos. Tratamento imediato Quanto mais cedo o paciente for atendido melhor o prognóstico e maior as chances de sobrevivência. Infelizmente, a maioria dos pacientes não chega ao hospital em tempo de receber essas formas de terapias. De qualquer modo, todo paciente deve ser encaminhado ao hospital o mais rapidamente possível, para receber tratamento apropriado. Os procedimentos diagnósticos realizados no hospital são fundamentais para diferenciar o Acidente Vascular Cerebral de outras doenças igualmente graves e com sintomas semelhantes.

Ofereça o Solidário para os enfermos da Santa Casa. Patrocine 500 exemplares por R$ 250,00.

Em nossos livros fornecemos diversos tipos de dietas recomendas aos idosos. Nosso último livro da Editora Artes e Ofícios, ALIMENTOS FUNCIONAIS, apresenta, de forma fácil, acessível a todos os leitores, sua compreensão, baseados na frase milenar de HIPOCRATES, o pai da Medicina, divulgada há mais de 2500 anos: FAÇA DO ALIMENTO O SEU MEDICAMENTO. Encerramos mais esta orientação insistindo em nossas três regras básicas : COMA DE TUDO SEM COMER TUDO, isto é, nunca exagere. COMA BASTANTE FRUTAS E VERDURAS. Aqui serão fornecidas as famosas FIBRAS, tão importantes no bom funcionamento intestinal Mexa-se, insistimos no caminhar.


1o a 15 de janeiro de 2010

CASAL JOVEMez

E

9

SPAÇO LIVRE

Maristas

tem v

“Gostaríamos que os fiéis participassem mais das missas na hora da homilia”.

C

arlos Alberto Pinto da Costa e Rosandra Santos Mottola Lemos, professores, casaram-se em 2000, na Igreja Santa Cecília, em Porto Alegre; partilham conosco suas percepções sobre a vida de casados. *Por que vocês decidiram se casar?

Além do amor que nos uniu, nos casamos por que tínhamos um projeto de vida em comum: constituir uma família, criar nossos filhos e crescer juntos em todos os sentidos.

*Por que, segundo o ponto de vista de vocês, tantos casais se separam? Acreditamos que os casais que se separam não estavam preparados para a vida a dois, esta exige muitas concessões e doações e muitos não foram acostumados a isto no modo como foram criados. A falta de diálogo também é um dos fatores que contribui bastante para a separação de um casal.

*Que ingredientes ou condições devem existir para que um casal permaneça unido? Companheirismo, respeito, amizade, confiança, admiração mútua, enfim, acreditamos que são muitos os ingredientes que devem ser acrescentados a esta “receita” para que o casamento não “desande”.

*Por que vocês se casaram pela Igreja? Porque queríamos ser abençoados por Deus e porque acreditamos nas lições e ensinamentos que Cristo nos deixou, e queremos passá-los para as nossas filhas para que também passem aos seus filhos, e assim por diante.

*Onde fizeram o encontro de preparação ao casamento? Como o avaliam? Na Igreja Nossa Senhora da Saúde, grupo do MFC. O nosso encontro foi maravilhoso! Na ocasião, o Carlos estava bem mais afastado da religião do que eu, inclusive estava indo por obrigação ao tal encontro, mas após os primeiros minutos já era um dos mais

Irmão Inácio Etges

Assumiu novo provincial da Rede Marista no Estado interessados e participativos, tanto que hoje fazemos parte, com muito prazer, do MFC.

*Qual é a religião de vocês? Considerações. Católica. Apreciamos o fato de que para

segui-la, não é necessário nos sentirmos

controlados (na maneira de vestir, por exemplo). Gostaríamos que os fiéis participassem mais nas missas, não apenas os padres, na hora da homilia, por exemplo; acreditamos que os fiéis têm muito a contribuir com suas experiências de vida.

*O que Deus representa na vida de vocês? TUDO! É a Ele que agradecemos todos os dias por ter nos juntado, por ter nos mandado duas filhas lindas e é Nele que depositamos toda a nossa fé e esperança de um mundo melhor.

*Qual a mensagem que dariam àqueles que pretendem se casar? Falaríamos que a vida de casados não é sempre uma maravilha, há “pedras no caminho” a serem removidas. O período de adaptação é constante; como os noivos provêm de famílias com hábitos e costumes bastante diferentes, esta adaptação é longa, complicada e requer muita paciência e tolerância. Diríamos que para que os conflitos das famílias de origem não se tornem mais importantes que a vida dos dois, há que se ter muita habilidade para equilibrar o convívio com as famílias estendidas, sem criar conflitos entre o casal. A intimidade e a cumplicidade vão sendo construídas dia após dia. As discussões serão muitas, mas o importante é termos a humildade de sabermos quando estamos errados, pedir desculpas, dar aquele abraço carinhoso e seguir em frente. Finalmente, diríamos que o saldo é positivo e que faríamos tudo novamente!

Ocorreu em dezembro a troca de provincial da Rede Marista de Educação e Solidariedade. O Irmão Inácio Etges passa a responder pela atuação marista no Estado, hoje representada pela PUCRS, 21 escolas e 28 centros sociais. Ao todo, são mais de 50 mil estudantes vinculados à Rede Marista de Educação e Solidariedade. O religioso, formado em Teologia e Matemática pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), assumiu o cargo em cerimônia que aconteceu no Recanto Marista Medianeira, em Veranópolis. Ele sucede o Ir. Lauro Francisco Hochscheidt, que comandou a Rede Marista de 2005 a 2009. A posse do novo gestor, chamado de provincial, ocorreu durante a assembleia dos Irmãos Maristas que definiu os rumos para os próximos três anos. O Capítulo Provincial, que ocorreu também em Veranópolis, escolheu os integrantes do Conselho, instância de reflexão, consulta e decisão Instituição, e os objetivos e prioridades em cada frente de atuação.

Perfil do novo provincial

O Ir. Inácio Etges é formado em Teologia e Matemática pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Cursou Psicologia, com enfoque na Vida Religiosa, na Universidade Gregoriana, em Roma e atuou muitos anos na pastoral e na formação inicial dos candidatos à vida Marista, nas etapas do Juvenato e do Noviciado. Atualmente, é o Superior da Comunidade do Escolasticado em Viamão, onde residem os Irmãos estudantes. Tem larga experiência em acompanhamento vocacional e já integrou o Conselho Provincial em governos anteriores. Faz parte do corpo docente da Escola para Formadores, com sede em São Paulo. É o coordenador da Comissão de Vida Consagrada e Laicato, que congrega as áreas da Animação Vocacional, Formação Inicial e Permanente, Espiritualidade Apostólica Marista, Patrimônio Espiritual e Movimento Champagnat da Família Marista.

Visa e Mastercard

Luiz F. Cirne Lima - 01/01 Emílio H. Moriguchi - 02/01 Maria I. H. Rodrigues - 03/01 Yokio Moriguchi - 15/01


I

10

C

GREJA &

3 de janeiro – Epifania do Senhor (

branca)

1a leitura: Livro do Profeta Isaias (Is)60,1-6 Responsório: Sl 71 (72), 2.7-8.10-11.12-13 (r/. CF 11) 2a leitura: Carta de S. Paulo aos Efésios (Ef) 3,2-3a.5-6 Evangelho: Mateus (Mt) 2,1-12 NB.: Para uma melhor compreensão dos comentários litúrgicos é fundamental que se leia, antes, o respectivo texto bíblico. Comentário: Os relatos que envolvem o nascimento de Jesus, mais que apresentar fatos históricos, querem ser uma mensagem que ajude aos homens e mulheres de todos os tempos, raças e culturas a penetrar um pouco mais no mistério da encarnação de Jesus. E um dos relatos ganha particular significado quando lemos que aquela estrela diferente é avistada lá longe, na terra dos personagens – sábios, reis, magos – e os vai guiando ao longo da sua viagem, mas desaparece quando eles chegam a Jerusalém, cidade-símbolo do poder temporal, e quando buscam no palácio do rei local, Herodes, a criança recém-nascida. Para eles era óbvio: uma criança-rei só poderia nascer no palácio do rei! Quando aqueles visitantes estrangeiros e “diferentes” saem do lugar do poder temporal, a estrela volta a iluminar seu caminho e os leva até onde o verdadeiro rei os espera, uma criança apenas, mas promessa de um outro mundo e tempo possíveis, onde o poder, que tantos adoram, perde sua força e seu brilho. Os reis sábios, que tinham vindo de longe, do “oriente”, se deram conta que estavam diante de um momento

COMUNIDADE

Solidário

LITÚRGICO histórico absolutamente diferente de tudo quanto conheciam: o rei, cuja estrela haviam visto em sua terra, é um rei diferente, um rei que não quer o poder deste mundo, como ele diria bem claramente, quando, “coroado” de espinhos, confirmava a Pilatos, dizendo que era rei, sim, mas não do mundo de Pilatos, onde, quem tem poder, usa o poder para oprimir, explorar, apenas dominar. O rei da estrela quer morar no coração e na vida das pessoas. Sua estrela ilumina o caminho de quem não se deixa ofuscar pelo brilho do poder deste mundo e, se tem poder, o usa para servir, para fazer do novo tempo possível um tempo de servidores, onde, que serve mais, é maior, é mais. Mais gente, mais realizado, mais feliz.

10 de janeiro – Batismo do Senhor (

branca)

1a leitura: Livro do Profeta Isaias (Is) 42,1-4.6-7 Responsório: Sl 28 (29), 1a.2.3ac-4.3b.9b-10 (R/. 11b) 2a leitura: Atos dos Apóstolos (At) 10,34-38 Evangelho: Lucas (Lc) 3,15-16.21-22 Comentário: Há um simbolismo muito forte no episódio do batismo de Jesus. Diz o texto de Lucas que, enquanto Jesus rezava, o céu se abriu e, logo, uma voz vinda do céu, dizia: este é meu Filho amado, em quem ponho meu bem-querer (cf 3,21-22). O batismo, primeiro e principal sacramento da iniciação cristã, abre o céu para todo batizando e faz dele um filho muito amado em quem o Pai coloca todo o seu bemquerer. É isto que opera o batismo: abre o mundo da vida do batizando para o mundo da graça de Deus que, agora, não é mais um Deus distante, misterioso, inatingível, mas um Pai, próximo e querido, que o ama com amor de bem-querer. Mais: o batizando deixa de ser alguém isolado, sozinho, que vive uma relação individual com Deus e que é, como sabemos, muitas vezes uma relação enganadora, e passa a pertencer a um novo grupo familiar, a

1o a 15 de janeiro de 2010

uma comunidade cristã, família do próprio Deus. Em Jesus e por Jesus, o céu, antes fechado com o povo na expectativa do Messias/Salvador, se abre e se torna acessível a todos. Do tempo do Deus vingador, justiceiro e ameaçador, em Jesus passamos para o tempo novo da graça, do perdão, do amor solidário. Pela ação da graça, na qual somos introduzidos por Jesus, já não somos servos nem escravos, mas amigos e irmãos no mesmo Pai que está nos céus.

17 de janeiro – 2o Domingo do Tempo Comum (

verde)

1a leitura: Livro do Profeta Isaias (Is) 62,1-5 Responsório: Sl 95 (96), 1-2a.2b-3.7-8a.9-10a. e c (R/. 3) 2a leitura: 1a Carta de S. Paulo aos Coríntios (1Cor) 12,4-11 Evangelho: João (Jo) 2,1-11 Comentário: Jesus inicia sua vida pública numa festa de casamento! Se o fato acontecesse hoje, esta notícia seria manchete de primeira página dos jornais de todo o mundo, as emissoras de rádio a repetiriam em todos os seus noticiários, e, certamente, seria a reportagem central nos programas fantásticos das tardes/noites de domingo no Brasil. Imaginem um líder religioso, em vez de ir ao templo e pregar acaloradamente aos ouvintes e fiéis, convida seus discípulos e vai participar numa festa de casamento! Escândalo! E como o escândalo faz a alegria econômica de jornais, rádio e televisão, Jesus seria a “bola da vez” das grandes mídias. E certamente seria tema para um programa polêmico onde o apresentador introduziria a pergunta: Jesus fez bem em iniciar sua vida pública numa festa de casamento? Se você estiver de acordo, disque... Minha resposta seria, obviamente, que Jesus fez bem, fez muito bem em começar sua pregação, o anúncio da Boa Nova do Pai, numa celebração matrimonial, numa festa tão humana, tão do cotidiano, tão da vida da gente como o é a festa de um casamento. Com isso ele nos diz, claramente, que não quer pessoas alienadas, estranhas, “misteriosas” como discípulos seguidores, mas pessoas “normais”, que vivam “Jesus fez bem as alegrias e as tristezas da vida, que em começar sua vibrem com os sucessos e chorem pregação numa com as desilusões e fracassos festa tão da vida da gente”. da gente, que sejam humanos, profundamente e intensivamente humanos, gente no meio da gente. Como ele próprio, Jesus, foi gente no meio da gente. Bem dizia conhecido teólogo: Jesus era tão humano, tão humano que só podia ser Deus (L. Boff). Foi a demasiada e teologicamente equivocada divinização de Jesus que fez dele alguém estranho e alienado da realidade cotidiana da vida de muitas pessoas. Crer em Jesus é, sim, crer que Ele é o Filho muito amado do Pai, mas é, também, e por isso mesmo, irmão nosso de cada dia... attiliohartmann@hotmail.com


1o a 15 de janeiro de 2010

I

C

GREJA &

Congregação autoriza retirada de relíquias de Bárbara Maix

11

OMUNIDADE

CATEQUESE ria Solidá

Um olhar sobre a catequese atual Marina T. Zamberlan Professora e catequista

N

A formalidade de abertura da urna para a retirada dos restos mortais da fundadora das Irmãs do Imaculado Coração de Maria ocorreu dia 16 de dezembro último na Capela S. Rafael, Rua Riachuelo 508, em Porto Alegre. Foi presidida pelo bispo auxiliar de Porto Alegre, Dom Remídio Bohn, na presença da postuladora da causa, Irmã Gentila Richetti, que veio especialmente de Roma. As relíquias serão utilizadas para apresentação aos fiéis na cerimônia de beatificação que ocorrerá em 2010. Irmã Bárbara Maix faleceu em 17 de março de 1876, na cidade do Rio de Janeiro, tendo seus restos mortais sido transferidos para Porto Alegre em 1957.

Missão Paróquia da PUCRS Diplomados e estudantes da PUCRS participam da Missão Paróquia 2010, que se desdobrará no Bairro Restinga, zona Sul de Porto Alegre, entre 7 e 13 de janeiro. A iniciativa é do Centro de Pastoral e Solidariedade da PUCRS e visa proporcionar aos universitários uma formação humana integral. Os participantes do projeto farão visitas às famílias para convidá-las a participar das atividades como oficinas e trabalhos comunitários e pastorais.

ASSINANTE Ao receber o DOC renove a assinatura. Dê este presente para a sua família.

as últimas décadas, como é normal, a catequese tem sentido as mudanças rápidas e generalizadas da sociedade. Nos países de longa tradição cristã, a perda de alguns valores fundamentais e o secularismo galopante fazem com que a pacífica “transmissão da fé” realizada até então pela família e ambiente já não aconteça. Os dois seios geradores da fé: família e sociedade tornaram-se, em muitos casos, estéreis. Se olharmos para a paróquia, notamos também uma situação de afastamento, pertença irregular, muita ignorância religiosa e convicções fracas em muitos dos que participam. Por tudo isto, há já algum tempo que a catequese não pretende tanto “conservar a fé” (ou restaurá-la), mas ser uma ação da Igreja que acompanha o cristão desde a primeira adesão de fé, até a celebração dos sacramentos de iniciação cristã e à vivência de uma fé comprometida. A iniciação cristã tem de partir do kerigma, isto é, do primeiro anúncio das verdades

fundamentais: “Deus é amor” (1 Jo 1, 8.16; 4,1) e “amou tanto o mundo que lhe enviou o seu Filho Unigénito” (Jo 3, 16) 1. Tendo em conta vários documentos do magistério, a reflexão dos especialistas e as experiências de base, podemos elencar algumas das principais tendências da catequese atual:

Tendências atuais

A catequese propõe-se passar: De uma catequese de mera preparação aos sacramentos para itinerários de maturação da fé; Da transmissão de simples conteúdos doutrinais à comunicação e troca de experiências de vida; De uma catequese voltada para crianças e adolescentes, para uma catequese que tenha em conta toda a vida; De uma preocupação exclusiva pela prática religiosa, para uma fé madura em todas as dimensões; De uma catequese prevalentemente individual a outra de tipo comunitário; De uma catequese de repetição a uma nova catequese que tenha a marca evangelizadora e missionária.

Chegou

LIVRO DA FAMÍLIA 2010 Livraria Padre Reus está oferecendo a edição do Livro da Família/2010. Adquira seu exemplar ou faça seu pedido no endereço abaixo, que teremos a maior alegria em atendê-lo. Também o Familienkalendar/2010 está disponível. Lembrando: a Livraria Padre Reus é representante das Edições Loyola para o sul do Brasil.

Livraria Editora Padre Reus

Caixa Postal, 285 - Duque de Caxias, 805 - Cep 90001-970 Porto Alegre/RS - Fone: (51)3224.0250 - Fax: (51)3228.1880 E-mail: livrariareus@livrariareus.com.br Site: http://www.livrariareus.com.br


Porto Alegre, 1o a 15 de janeiro de 2010

A conferência de Copenhagen e o futuro da Terra “Não temos nas nossas mãos as soluções para todos os problemas do mundo, mas diante de todos os problemas do mundo, temos as nossas mãos” (Friedrich Von Schiller).

Que Planeta queremos deixar para as gerações futuras? Que a Terra está doente, poucos, em sã consciência, ainda duvidam. Mas é justo destruirmos o que tomamos emprestado dos nossos descendentes? Estamos dignificando o legado que nossos pais deixaram? Parece que estamos mesmo é banalizando os frequentes gritos de socorro desse nosso único lugar habitável que temos – aquecimento geral, alterações climáticas, derretimento de geleiras, inundações, tempestades inesperadas, verões e invernos extremos. Porque não queremos tirar o pé do acelerador no nosso modo de produzir e de consumir. Enquanto isso, a 15a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15), com presença de 192 países e encerrada dia 18 de dezembro, parece repetir a Eco-Rio 1992 e Kyoto 2005: burocracia e belos discursos. Mas, na prática, inércia. E tudo continua como dantes – ou muito pior. Provavelmente, na próxima conferência sobre o clima, mais rios da Amazônia tenham secado, muitos milhares de quilômetros quadrados de floresta terão desaparecido, mais inundações terão desgraçado boa parte da humanidade, mais geleiras da Antártida terão derretido, a neve do Himalaia terá deixado de ser definitivamente eterna. E o caminho à catástrofe final poderá estar bem mais encurtado. Até quando? Somente tomada de atitude poderá evitar o irremediável. Atitude cotidiana e individual no nosso estilo de vida e de consumo. Mas também atitude firme e decidida dos que detêm o poder público e privado, produzindo menos e de forma mais limpa. Até quando?

Sanja Gjenero/sxc.hu

Casamento duradouro e feliz Antônio Cândido Silveira Pires e Cecília Mayer Kalil Pires iniciaram o namoro em dezembro de 1954, no final do curso de contabilidade em que eram colegas, em Porto Alegre. Antônio também é bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais. Casaramse em 21 de dezembro de 1957, na Igreja S. José – na época capela da Paróquia N.Sa. da Conceição – de Porto Alegre, sendo celebrante o Pe. Orlando Algayer. Da união nasceram Alexandre, Jussara, Eneida e Mônica, que lhes deram os netos Thiago, Eduardo, Luiza, Matheus, Leonardo, Ricardo, Artur e Guilherme. “A paixão é egocêntrica, o amor é pluricêntrico. Paixão é via de uma mão, o amor de duas. Se compararmos com um livro, diria que o namoro é a apresentação, o noivado o prefácio e o casamento o conteúdo. Casamento não pode ser best-seller: deve ser obra-prima”.

... Aqui chegamos! Graças a Deus! Longa caminhada com pingos da eternidade e o tempero do amor! Claro que nem tudo foi passeio pela várzea. O que importa é saber praticar o “jogo do contente”, subir a serra e, do seu alto, divisar os lindos panoramas que o viver ensejou. E desfrutar os bens recolhidos ao longo do trajeto existencial. É ter saldo positivo na conta corrente da vida por entre lançamentos de afeto”. (do livro ‘Meio Século de Bodas’, de autoria de Antônio Pires)


JORNAL DO MUTIRÃO INFORMATIVO DO MUTIRÃO DE COMUNICAÇÃO AMÉRICA LATINA E CARIBE - PORTO ALEGRE - RS - BRASIL

Nº 11 - 1ª Quinzena de Janeiro/2010

XVI CEN acontecerá em Brasília, em maio/2010 (PÁGINA 04)

EDITORIAL: A Confecom e Fórum Social Mundial já está com inscrições abertas o Mutirão de Comunicação (PÁGINA 02)

(PÁGINA 04)

Confecom busca novos caminhos para comunicação

Foto: Agência Brasil

A 1ª Conferência Nacional de Comunicação, uma demanda histórica dos movimentos sociais brasileiros, foi realizada de 14 a 17 de dezembro, em Brasília, marcada pela pluralidade e troca de idéias. Depois de muitos debates, trabalhos em grupos e deliberações, o encontro foi finalizado com 600 propostas. Na opinião do professor Pedrinho Guareschi, membro da equipe acadêmica do Mutirão de Comunicação, que participou como delegado representante dos movimentos sociais, a Confecom antecipa os debates que se desenvolverão em fevereiro, em Porto Alegre e ratificam a importância do tema enquanto caminhos para o aprofundamento da discussão sobre democratização e da cidadania. (PÁGINA 03)


02

03 EDITORIAL

O Mutirão e a Confecom

(O Mutirão da Comunicação na Primeira Conferência Nacional de Comunicação) Quando o Mutirão foi planejado, há quase dois anos, não imaginávamos que esse tema da comunicação fosse fervilhar e ser discutido em todo o Brasil, como está acontecendo agora. Isso mostra que estávamos perfeitamente corretos em levantar, em nível latino-americano e caribenho, essa urgente e decisiva problemática. E um dos acontecimentos que comprovam a importância desse tema foi a 1ª. Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), convocada pelo presidente Lula no Fórum Social Mundial de Belém, em janeiro de 2009 e que, felizmente, acaba de ser realizada, em Brasília, de 14 a 17 de dezembro, com a presença de mais de 2.000 pessoas: l660 delegados, 300 observadores e quase 100 convidados. A preparação se deu com conferências estaduais em todos, quase mil conferências municipais, além de conferências metropolitanas e conferências livres. Quando preparávamos o Mutirão para julho desse ano, já imaginávamos que ele anteciparia, em parte, a discussão da Conferência. Realizada a Conferência, vemos que muitos temas do Mutirão já começaram a ser discutidos na Confecom. Destaco apenas dois deles: O processo empregado na conferência foi um verdadeiro “mutirão”. Sabemos que as conferências e conselhos são processos de democracia participativa. Essa foi a 60ª. Conferência, sendo que mais de 40 se realizaram no governo de Lula. Mais de quatro milhões de pessoas já participaram de conferências. Dessa vez, foram mais de 100 mil pessoas que se envolveram na sua construção. Infelizmente parte dos empresários tentou boicotá-la, mas não conseguiram seu intento, pois várias entidades empresariais participaram do debate. Mas o principal ponto convergente entre o Mutirão e a Confecom é, certamente, o aprofundamento da discussão sobre democracia e cidadania no mundo da comunicação. Desejamos que os processos de comunicação levem a uma cultura solidária. E essa solidariedade implica na participação de toda a sociedade na construção de normas justas e igualitárias, principalmente quando se trata de cada um/a poder dizer sua palavra, expressar sua opinião, manifestar seu pensamento. Pedrinho A. Guareschi, Delegado dos movimentos sociais na Conferência

GERAL

Mutirão presente nos 74 anos da ARI

A Associação Riograndense de Imprensa (ARI) comemorou, no dia 19 de dezembro, 74 anos de existência. Durante todo este período, a entidade atuou de forma intensa na defesa dos direitos de expressão e de manifestação da sociedade brasileira. Fundada em 19 de dezembro de 1935, um período complicado da história do país, a entidade contou desde logo com o carisma e a visão de seu primeiro presidente, o nosso escritor maior, Erico Verissimo (de dezembro de 1935 a março de 1937).

No encontro, o presidente da ARI, Ercy Torma, falou sobre os 74 anos e as perspectivas para o próximo exercício. Ele também destacou o Projeto Hipólito José da Costa – Patrono da Imprensa Brasileira. O presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS, José Maria Rorigues Nunes saudou a entidade pelo aniversário e tratou da Lei de Imprensa, a exigência de Diploma para o exercício do Jornalismo e o futuro da atividade. O presidente do Mutirão de Comunicação América Latina e Caribe, Dom Dadeus Grings, realizou a celebração em homenagem a ARI e convidou a todos a participarem no evento, que acontecerá de 3 a 7 de fevereiro de 2010, no Centro de Eventos da PUCRS. Após o evento, o aniversário da entidade foi comemorado com um brinde, realizado na própria Associação. Também foi exibido o vídeo convite do Mutirão. A ARI tem sido parceira na divulgação do Mutirão e por diversas vezes já abriu suas portas à Comissão de Organização do encontro. O Muticom parabeniza mais uma vez a entidade pelos seus 74 anos, e assinala a importância da ARI na defesa do jornalismo sério, ético e democrático.

COMUNICANDO

Representante da ABRAÇO/RS participa de encontro da equipe de comunicação do Mutirão O professor e membro da Coordenação de Formação da ABRAÇO/RS (Associação Brasileira de Rádiodifusão Comunitária/RS), Bruno Lima Rocha participou, no dia 10 de dezembro, do encontro da equipe de Comunicação do Mutirão. O encontro aconteceu na sede da CNBB, em Porto Alegre. Na ocasião, Bruno apresentou a ABRAÇO/ RS e falou sobre a situação das rádios comunitárias no RS e o trabalho da organização. “É uma luta constante que travamos pela democratização da comunicação no país. Mas não é fácil”, disse. A questão das rádios comunitárias é um tema que estará sendo discutido no Mutirão. Neste sentido foi feito convite a ABRAÇO para estar presente no Muticom, debatendo o tema em oficinas e seminários. Também foi levantada a possibilidade de a ABRAÇO realizar seu curso de formação durante a semana do Mutirão. Segundo Pe. Marcelino Sivinski, é de fundamental importância esta participação. “A questão das rádios

comunitárias é um debate importante e necessário, que seguramente terá espaço no Mutirão”, destacou ele, lembrando que o tema tema está intrinsicamente ligado a proposta do evento.

ARTIGO

Artigo do professor sobre comunicação na América Latina pode ser lido no site do Mutirão (www.muticom.org). Acesse o link “opinião” e leia este e outros artigos.

Informativo do Mutirão de Comunicação América Latina e Caribe

De 3 a 7 de fevereiro de 2010 - PUCRS - PORTO ALEGRE - RS - BRASIL - www.muticom.org Secretaria: Av. Cristovão Colombo, 149 - CEP 90.560-003 - Porto Alegre (RS) - Fone + 55 51 3391.2434 mutirao@portoweb.com.br Presidente: Dom Dadeus Grings, Arcebispo de Porto Alegre - Coordenador Geral: Pe. Marcelino Sivinski Coordenador de Comunicação: Pe. Attilio Hartmann - Promoção: CNBB, OCLACC, CELAM - Apoio: OCIC, RCR , UCBC, ALER, FELAFACS, PCCS, PUCRS, RIIAL, SIGNIS, UCIP, UNISINOS e WACC/AL. Jornalistas Responsáveis: Nara Soter Roxo (MTb 4.436), Daiane Bristot (CONREP 2927) e Cynara Baum (DRT 14.336) Diagramação: Nara Soter Roxo - Revisão: Regina Reis - Tiragem: 20 mil exemplares - Impressão: Jornal Gazeta do Sul S/A

ESPECIAL

País realiza a sua 1ª Conferência Nacional de Comunicação A 1ª Conferência Nacional de Comunicação, uma demanda histórica dos movimentos sociais brasileiros, foi realizada de 14 a 17 de dezembro, em Brasília. Depois de muitos debates, trabalhos em grupos e deliberações, o encontro foi finalizado com 600 propostas. Um total de 1.684 delegados, 40% vindos da sociedade civil, 40% do empresariado e 20% do poder público debateram, durante quatro dias, novos marcos regulatórios atualizados para a comunicação. Os delegados foram democraticamente escolhidos a partir de conferências municipais e estaduais, realizadas em todos os Estados. Participaram destes encontros representantes dos movimentos sociais, alguns setores do empresariado e representantes dos poderes públicos. A Confecom foi a última conferência a ser realizada, dentre todos os setores contemplados pelo “Título VIII Da Ordem Social” na Constituição de 88.

Resistência dos grupos de mídia

Se a representação social foi for te na 1ª Confecom, o mesmo não se pode dizer dos grupos midiáticos brasileiros. Já em agosto, nota assinada por diversas entidades empresariais participantes da Comissão Organizadora da anunciavam sua retirada do evento. Apenas duas – a Associação Brasileira de Radiodifusores (ABRA), uma dissidência da ABERT fundada pelas redes Bandeirantes e Rede TV e a Associação Brasileira de Telecomunicações (TELEBRASIL), continuaram no processo. Mais uma vez, como fazem sempre que vêem seu monopólio ameaçado, as empresas alegam “grave ameaça à liberdade de expressão”. Foi assim para derrubas a exigência do diploma de jornalista e foi assim para tentar desconstituir a Confeco. Alegavam, vezes nas entrelinhas, vezes claramente, a ameaça de um controle social da mídia, na opinião delas, um retorno aos tempos do autoritarismo através

da censura oficial praticada pelo

popular e auditoria nos meios

foi a da insti-tucionalização das Conferências Nacionais de Comunicação.

Saldo positivo

Estado.

Debate democrático

O que se viu na Confecom, ao contrário do temor dos empresários, foi um amplo debate sobre comunicação. Começou, também na comunicação, um processo de construção de participação, que se não aponta para mudanças imedia-tas, sinaliza um desejo de tornar os meios mais democráticos, partici-pativos e onde haja espaço de participação popular. Uma sina-lização, afinal, na direção da demo-cratização da comunicação. A Confecom demonstra que a Nação caminha para a construção de um debate franco e aberto sobre a comunicação social.

600 propostas

A 1ª Confecom terminou no dia 17 de dezembro, com a aprovação de mais de 600 propostas formuladas para a democratização da comunicação, entre elas as que tratam de controle social, participação popular e auditoria nos meios privados, além da restrição da participação do capital estrangeiro na mídia. Entre os principais eixos debatidos estiveram o compromisso com a democracia e a pluralidade, com a soberania nacional, com a participação popular e a defesa da cultura, da diversidade regional e a luta contra os monopólios e oligopólios. A partir das discussões, se chegou a propostas como a criação do Conselho Nacional de Comunicação articulado com os Conselhos Estaduais; mecanismos de controle social, participação

privados; regulamentação dos artigos da Constituição Federal (220 a 224) que, entre outros avanços, impedem a propriedade cruzada dos meios e proíbem os monopólios; a garantia da inclusão digital com a aplicação dos recursos do Fust (Fundo para Universalização do Serviço de Telefonia) em programas de extensão da internet banda larga para todo o país, priorizando as regiões afastadas dos grandes centros e a população de baixa renda, a redução de 30% para 10% na participação do capital estrangeiro nas comunicações, a descriminalização das rádios comunitárias e a exigência do diploma de jornalista e do Conselho Federal de Jornalismo. Também foram aprovadas propostas como a criação de mecanismos menos onerosos de audiência e verificação, maior controle aos programas jornalísticos que espetacularizam a violência, garantia de canais comunitários, universitários, legislativos, executivos-culturais na TV aberta, fim da restrição à publicidade c o m e rc i a l n a r a d i o d i f u s ã o, ampliação de verbas publicitárias públicas à mídia al-ternativa, di-reito de res-posta propor-cional ao a-gravo, entre outras. Uma das decisões comemoradas

A avaliação geral do encontro foi de que a Conferência foi mais do que positiva. Foi propositiva. Além da maturidade dos movimentos, foi destacada a pluralidade do encontro, com re p re s e n t a ç õ e s d e d i v e r s o s segmentos sociais, de diferentes pensamentos e posicionamentos. Para quem par ticipou, uma pluralidade que só reforçou a construção de propostas abrangentes, representativas e democráticas. Um relatório com as proposições será encaminhado para análise do Congresso. Para o professor Pedrinho Guareschi, da equipe acadêmica do Mutirão de Comunicação América Latina e Caribe, que participou da Confecom como delegado representante do movimento social, o encontro, em todos os seus momentos, incluindo as préconferências municipais e estaduais, ratificou a importância da discussão do tema comunicação. “A simples convocação e o acontecimento, já é uma grande vitória. Nós queremos que a questão da comunicação, que é um bem tão importante como a saúde, seja democratizado e seja discutido e incrementado pelas conferências, com participação das inúmeras instâncias da sociedade civil. É um começo”, destacou. Para o professor, a 1ª Confecom foi um importante momento para dar voz a todos os grupos, como já vinha acontecendo até mesmo antes do evento, num exemplo acabado de democracia participativa.


04 ENCONTROS

Brasília: Capital da Eucaristia Brasília sediará, entre os dias 13 a 16 de maio de 2010, um dos maiores eventos de manifestação da fé católica: o Congresso Eucarístico Nacional (CEN). Essa celebração do mistério de Jesus presente na hóstia consagrada está em sua 16ª edição e receberá milhares de peregrinos de todo o Brasil. Sendo a Eucaristia o maior tesouro da Igreja Católica, o CEN procura despertar nas pessoas a importância do culto ao Santíssimo Sacramento e aprofundamento da doutrina eucarística. Temas ligados à juventude, minorias e política também são tratados no Congresso por meio de palestras e simpósios. O aprofundamento do CEN também vem por meio do textobase, que reflete sobre o tema e o lema do evento que nesta 16ª edição são Eucaristia, Pão da Unidade dos Discípulos Missionários e Fica conosco, Senhor!, respectivamente. A partir da reflexão do texto-base, diversas pessoas trabalham em dez comissões para que tudo aconteça da melhor forma possível. Nas palavras do Papa João Paulo II, em sua encíclica Ecclesia de Eucharistia, a “Eucaristia (...) é

Guarapuava no Mutirão

A Pascom da Diocese de Guarapuava está organizando sua caravana para participar, em fevereiro, do Mutirão de Comunicação, em Porto Alegre. Já estão sendo pensados transporte, hotel e alimentação. A idéia é fazer um pacote de modo que muitas pessoas possam participar.

o que de mais precioso pode ter a Igreja no seu caminho ao longo da história”. Então, caminhemos como discípulos e missionários do Cristo vivo, sob a luz da Virgem Eucarística, para o XVI Congresso Eucarístico Nacional.

Revista IHU traz matéria sobre Mutirão A Revista IHU ON LINE (revista do Instituto Humanitas Unisinos) na sua edição 319, traz importante matéria sobre o Mutirão de Comunicação América Latina e Caribe. A matéria debate o tema do encontro Processos de Comunicação e Cultura Solidária, a partir da elaboração de intelectuais como o jornalista Washington Uranga, diretor de pós-graduação da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Buenos Aires, o filósofo colombiano e doutor em comunicação, Luís Ignacio Sierra Gutiérrez, professor da Pontifícia Universidade Javeriana, de Bogotá, Colômbia, o jornalista Antonio Fausto Neto, professor da Unisinos, Martín Becerra, da Universidade Nacional de Quilmes e Guillermo Mastrini, da Universidade de Buenos Aires (UBA).

Fórum Social da ECOSOLSolidária Será realizado entre os dias 22 e 24/01/2010, o I Fórum Social da Ecosol e a I Feira Mundial de Economia Solidária. O evento irá mostrar a economia solidária como resposta autoorganizada dos trabalhadores para a atual crise mundial . O Mutirão apóia o evento.

O POVO FALA... “Neste tempo de globalização, nunca as pessoas estiveram tão próximas e tão afastadas. Espero que o Mutirão possa fazer com que as pessoas se aproximem de forma concreta e não somente virtualmente. Que elas troquem experiências, conheçam-se mais e valorizem as culturas locais, explorando suas riquezas. A certeza que temos é a de que cada cristão recebeu um tesouro extraordinário: a Boa Nova de Jesus Cristo. Por isso, cada um deve, através da comunicação, tornar esta Boa Nova acessível a todos e fazer com que ela possa impactar as pessoas e gerar uma mudança no modo de viver, pensar e agir, sempre orientado no exemplo de Jesus Cristo. Que esse jeito de mutirão impregne os trabalhos desse encontro latino-americano e faça com que cada um leve um pouco do que saber fazer, a fim de colocar em comum para que todos possam participar. Que o Mutirão agilize o pensamento que os bispos colocaram no Documento de Aparecida: formar discípulos missionários de Jesus Cristo para que todos tenham vida e a tenham em abundância. (Dom Décio Sossai Zandonade Bispo Referencial da Comunicação no Regional Leste 2 (MG e ES) e Bispo Diocesano de Colatina (ES).

CURTAS FSM 2010 - O Fórum Social

Mundial 2010 já está com a página no ar. No endereço www.forumsocialmundial.org. br é possível acompanhar a organização do evento, fazer inscrições, se cadastrar para receber notícias, acompanhar o andamento do processo nos diversos locais onde estarão

sendo realizadas atividades, entre outras informações.

FSM/PORTO ALEGRE - Já

estão abertas as inscrições para o Fórum Social 10 Anos Grande Porto Alegre, que ocorrerá de 25 a 29 de janeiro. As atividades acontecem em Canoas, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Sapiranga e na Capital. A inscrição pode

ser feita pelo site até 15 de janeiro. O valor de R$ 20,00 a ser cobrado servirá para custear os materiais que serão entregues no credenciamento. Também já foram confirmados alguns dos palestrantes. Entre os nomes estão Boaventura de Souza Santos (Portugal), David Harvey (EUA), Francisco Whitaker (Brasil), João Pedro Stédile (Brasil), Diana Senghor (Senegal), Im-

manuel Wallerstein (EUA), Samir Amin (Egito), Christophe Aguitton (França) e Virgínia Vargas (Peru).

SITE DO MUTICOM - O site

do Muticom vem sendo constantemente aprimorado. Visite o site e saiba tudo sobre o Mutirão de Comunicação.


http://jornalsolidario.com.br/wp-content/PDF/solidario_553  

http://jornalsolidario.com.br/wp-content/PDF/solidario_553.pdf

Advertisement
Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you